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Numero do processo: 10983.901986/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES.
O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo período-base de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodos-base posteriores.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3401-003.640
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendo-os como pagamentos a maior.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores. Recurso Voluntário Provido. Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendoos como pagamentos a maior. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 19 86 /2 00 8- 30 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10983.901986/200830 Acórdão n.º 3401003.640 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratase de Pedido de Compensação de crédito de contribuição para a COFINS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) a não identificação do DARF está associada ao fato de que o recolhimento é uma consolidação das retenções na fonte relativas a quatro exações distintas (IRPJ, CSL, COFINS e PIS), e que a DCOMP, ao incluir os dados relativos ao DARF, segregou o valor retido referente a cada uma destas exações; (ii) não se utilizou das retenções para deduzilas das contribuições devidas relativas aos períodosbase a que se referem, porque só percebeu que a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vinha efetuando tais retenções posteriormente; como já havia anteriormente adimplido as contribuições devidas relativas a estes períodosbase, só lhe restou a utilização daqueles valores retidos e não contemporaneamente deduzidos, para a compensação de débitos posteriores; (iii) está acobertado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, razão pela qual entende que o Despacho Decisório deve ser revisado, com a conseqüente homologação da compensação declarada. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade, em especial que a retenção é uma forma de pagamento, e afirmou, ainda, nunca ter utilizado o valor da retenção para fins de redução do saldo a pagar da Contribuição devida. Após encaminhamento e distribuição a este Conselho, resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, proferindo, assim, Resolução CARF para que a unidade local se pronunciasse acerca da existência de DCTF retificadora e sobre o seu acatamento ou não, bem como sobre a existência ou não de pagamento a maior realizado pela contribuinte. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10983.901986/200830 Acórdão n.º 3401003.640 S3C4T1 Fl. 4 3 A unidade, em resposta à diligência formulada, concluiu, em síntese, que verificouse a ilegitimidade ad causam da contribuinte; e que não foi verificada a existência de pagamento a maior no período de apuração analisado. O processo foi encaminhado a este Conselho, e resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter novamente o julgamento em diligência, proferindo, assim, Resolução CARF nº 3401000.595 para conceder prazo para a contribuinte sanar a irregularidade na sua representação processual, bem como se manifestar acerca da resposta formulada em sede de diligência. A unidade realizou nova resposta à diligência, na qual informa ter constatado "(...) a existência de retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de R$ 14.421,66(código 6147)1, a qual foi realizada pela fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina (CNPJ 83.899.526/000182), ..., o qual foi obtido por meio de diligência outrora realizada por esta Unidade junto àquela fonte pagadora", e reforçou o entendimento, na mesma oportunidade, de se tratar de crédito inidôneo para fins de compensação, por falta de amparo legal. Em manifestação sobre a diligência, a contribuinte apontou a informação prestada pela autoridade fiscal no sentido de que a empresa de fato teria deixado de se valer da faculdade de dedução do valor relativo à COFINS retido na fonte, no montante mencionado, e mencionou, ainda, que a diligência, ao defender que a retenção não pode ser considerada como uma modalidade de pagamento indevido, adentra inadvertidamente a matéria de mérito em momento inoportuno. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.637 de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10983.901975/200850, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.637): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10983.901986/200830 Acórdão n.º 3401003.640 S3C4T1 Fl. 5 4 A questão se resume (i) à comprovação, em primeiro lugar, da afirmação da contribuinte recorrente de que adimpliu as parcelas referentes à Cofins sem antes deduzir os respectivos valores retidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), bem como do quantum retido e não utilizado, e (ii) à resposta à indagação, em segundo lugar, sobre se as retenções na fonte podem ou não ser consideradas "pagamento indevido" ou a maior e, logo, se são ou não suscetíveis de compensação posterior. Quanto à primeira questão, destacamse, da segunda diligência efetuada, os seguintes trechos: "(...) a existência de retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de R$ 17.281,96 (código 6147), a qual foi realizada pela fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina (CNPJ 83.899.526/000182), consoante o documento de fls. 146, o qual foi obtido por meio de diligência outrora realizada por esta Unidade junto àquela fonte pagadora. (...) Em consulta aos Sistemas da RFB, notadamente o DIPJ, verificase que a recorrente teria, de fato, deixado de se valer da faculdade de dedução do valor relativo ao PIS/PASEP retido na fonte, nos termos do art. 64, § 3º, da Lei nº 9430/1996, consoante se verifica da Ficha 19a,/Linha 20 – Cálculo do PIS/PASEP (junho/2001), extraído da DIPJ 2002 (entregue à RFB na data de 29/03/2007) – fls. 149" (seleção e grifos nossos). Entendemos que os obstáculos procedimentais, em especial aqueles relativos ao fato de não ter a contribuinte procedido à entrega de DCTF retificadora mencionado pela segunda diligência, possam ser plenamente superáveis caso se comprove a existência efetiva de valores recolhidos a maior, o que de todo modo foi feito por meio da diligência realizada, em conformidade com os trechos acima transcritos, restando, assim, comprovada a alegação de fato da contribuinte. Quanto à segunda questão, de maneira a melhor colocála, o que se discute no presente caso é se houve ou não o recolhimento a maior; neste sentido, descabe se aventar se o valor a ser restituído é proveniente da retenção, pois esta era devida: indevido foi o recolhimento por parte da contribuinte, que, por lapso, deixou de deduzir o valor retido. Assim, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/1996, acresce à fundamentação da contribuinte o fato de que todos os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal se sujeitam à incidência, na fonte do IRPJ, da CSL, da Cofins e do PIS/PASEP, sendo que o "valor retido" é, de um lado, nos termos do § 2º do dispositivo legal, levado a crédito da respectiva conta de receita da União Federal, e, de outro, nos termos do § 3º, é considerado como antecipação do que for devido pela contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. Assim, assiste razão ao despacho decisório quando menciona que a contribuinte não observou a forma adequada para a realização da compensação, i.e., apontar como a origem do crédito o pagamento indevido, mas a retenção realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina. Tal inobservância, no entanto, merece ser superada uma vez constatada a existência do crédito, conforme apontado pela diligência efetuada. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10983.901986/200830 Acórdão n.º 3401003.640 S3C4T1 Fl. 6 5 Neste sentido, ademais, vem decidindo este Conselho, como no Acórdão CARF nº 3401002.805, proferido em sessão de 11/11/2014, de relatoria do Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, que julgou procedente, por unanimidade de votos, o recurso voluntário interposto pela mesma contribuinte do presente caso, em sessão da qual participaram, além do relator, os conselheiros Júlio César Alves Ramos (presidente), Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Eloy Eros da Silva e Bernardo Leite de Queiroz Lima, e cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002 PIS. VALOR RETIDO NA FONTE POR ENTIDADE PÚBLICA. NÃO UTILIZAÇÃO PARA DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. O valor referente à retenção na fonte do PIS por entidade pública e não utilizado pelo contribuinte para dedução do valor devido pode ser posteriormente utilizado para compensar outros débitos. Não obstante, conforme também já decidido por este Conselho em inúmeros casos desta mesma contribuinte, fixase desde já, com a finalidade de se evitar a prorrogação indefinida deste contencioso, que a correção monetária dos valores a maior deverá ser calculada a partir do pagamento indevido, ou seja, jamais a partir do momento da retenção (devida), mas sim a partir do dies a quo do lapso do recolhimento sem a dedução realizado pela empresa, em conformidade com a ementa abaixo transcrita do Acórdão CARF nº 3401002.120, proferido em sessão de 31/01/2013, por unanimidade de votos, e de relatoria do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 20/08/2002 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. RETENÇÃO NA FONTE FEITA POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO LEGAL DO VALOR DEVIDO NÃO EXERCIDA. CARACTERIZAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO PAGAMENTO E NÃO DA RETENÇÃO. Caracterizase como “pagamento indevido ou a maior” a parcela correspondente ao valor da retenção na fonte feita por órgão publico sobre o valor das receitas auferidas, retenção essa que, por lapso da empresa que sofreu a retenção, deixou de ser utilizada na época correspondente para reduzir o valor da contribuição devida. De outra parte, a atualização monetária do valor reconhecido como pago a maior deve levar em conta a data do recolhimento/pagamento” da contribuição, e não a data em que houve a retenção. Recurso Voluntário Provido em Parte. Assim, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito no valor de R$ 17.281,96, de modo a acolher os exatos e precisos termos, quanto à apuração dos esclarecimentos de fato, da diligência realizada, devendo ser a correção monetária realizada a partir do efetivo pagamento indevido, e não do momento da retenção." Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10983.901986/200830 Acórdão n.º 3401003.640 S3C4T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito no valor de R$ 14.421,66, de modo a acolher os exatos e precisos termos, quanto à apuração dos esclarecimentos de fato, da diligência realizada, devendo ser a correção monetária realizada a partir do efetivo pagamento indevido, e não do momento da retenção. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720532/2013-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL.
Na operação de incorporação de ações, a transferência das ações da companhia incorporada para o patrimônio da companhia incorporadora caracteriza alienação, cujo valor, se superior ao custo de aquisição, é tributável, pela diferença a maior, como ganho de capital para os acionistas da companhia cujas ações são incorporadas. Desistência do Recurso Voluntário devido a adesão do benefício previsto no artigo 42 da 13.043/2014.
POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. MULTA DE MORA.
A multa de mora não pode ser afastada com fundamento na figura da denúncia espontânea ou no § 7º, do art. 6°, do Decreto-lei nº 1.598/77, pelo fato de ser exigida automaticamente do contribuinte a partir do momento em que este incorre no atraso de suas obrigações fiscais, por força de expressa disposição legal.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL.
Numero da decisão: 1402-002.421
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em função do pedido de desistência e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. Na operação de incorporação de ações, a transferência das ações da companhia incorporada para o patrimônio da companhia incorporadora caracteriza alienação, cujo valor, se superior ao custo de aquisição, é tributável, pela diferença a maior, como ganho de capital para os acionistas da companhia cujas ações são incorporadas. Desistência do Recurso Voluntário devido a adesão do benefício previsto no artigo 42 da 13.043/2014. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. MULTA DE MORA. A multa de mora não pode ser afastada com fundamento na figura da denúncia espontânea ou no § 7º, do art. 6°, do Decreto-lei nº 1.598/77, pelo fato de ser exigida automaticamente do contribuinte a partir do momento em que este incorre no atraso de suas obrigações fiscais, por força de expressa disposição legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em função do pedido de desistência e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. Na operação de incorporação de ações, a transferência das ações da companhia incorporada para o patrimônio da companhia incorporadora caracteriza alienação, cujo valor, se superior ao custo de aquisição, é tributável, pela diferença a maior, como ganho de capital para os acionistas da companhia cujas ações são incorporadas. Desistência do Recurso Voluntário devido a adesão do benefício previsto no artigo 42 da 13.043/2014. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. MULTA DE MORA. A multa de mora não pode ser afastada com fundamento na figura da denúncia espontânea ou no § 7º, do art. 6°, do Decretolei nº 1.598/77, pelo fato de ser exigida automaticamente do contribuinte a partir do momento em que este incorre no atraso de suas obrigações fiscais, por força de expressa disposição legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 32 /2 01 3- 47 Fl. 2111DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.083 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em função do pedido de desistência e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2112DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.084 3 Relatório Trata o presente de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário interpostos face v. acórdão que decidiu manter parcialmente as exigência descritas no Auto de Infração. Em 06.05.2103, foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2008. De acordo com o TVF, o Agente Fiscal de Rendas constatou as seguintes infrações: 1 deixou de oferecer a tributação ganhos de capital na incorporação de ações quando da criação da Nova Bolsa (Bovespa Holding). Infração 1 do Auto de Infração. Neste item, foi aplicado multa isolada e de ofício relativa ao mês de maio de 2008. 2 Auto de infração complementar, relativo a diferença não lançada na multa isolada inicial, do mês de maio de 2008. Em relação à estimativa de IRPJ de maio/2008, foi constituída multa isolada de R$21.113.046,78, tendo por fundamentos legais o artigo 173, I, do CTN; artigos 222 e 843 do RIR/99 e art. 44, II, ‘b’, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. No que tange à estimativa de CSLL de maio/2008, foi constituída multa isolada no montante de R$7.600.696,84, com fundamento no artigo 173, I, do CTN e no art. 44, II, ‘b’, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Histórico do processo: Devidamente notificada da lavratura dos primeiros Autos de Infração, a contribuinte ofereceu impugnação e juntou documentos. Em seguida, a DRJ determinou diligência, conforme Resolução 16000.365, para que a Fiscalização esclarecesse algumas questões: “3. DAS QUESTÕES A SEREM ESCLARECIDAS Após análise do termo de verificação fiscal, da impugnação e dos demais documentos constantes deste processo, concluise ser necessário o esclarecimento dos quesitos especificados a seguir: 3.1. Vendas de ações realizadas em junho de 2008 Em relação às vendas de ações realizadas em junho de 2008, alega a fiscalização que (fls. 119): Fl. 2113DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.085 4 “Em junho de 2008 o contribuinte vendeu 1.983.900 ações ordinárias da Nova Bolsa pelo valor de R$41.581.544,00. O custo dessas ações na sua contabilidade era de R$2.358.569,90. Dessa forma, reconheceu em junho de 2008 um resultado de R$39.222.974,11. Considerando o custo médio apurado após a incorporação da Bovespa Holding, o custo das ações vendidas seria de R$23.886.156,00. Na verdade, houve então um lucro de R$17.695.388,00.” A diferença de R$21.527.586,11 (R$39.222.974,11 R$17.695.388,00) entre o resultado apurado pela Santander Participações e o apurado pela fiscalização foi deduzido na base tributável objeto de lançamento de ofício. Em relação a essa diferença, apresentamse os seguintes questionamentos: a) Na apuração do resultado tributável, o custo considerado pela contribuinte foi efetivamente de R$2.358.569,90? Tal questionamento fazse necessário, visto que os lançamentos contábeis de fls. 98 a 102 resultam nesse valor, mas, por outro lado, a planilha de fls. 296, os lançamentos contábeis de fls. 80 a 82 e o demonstrativo de fls. 61 a 63 apontam para um custo contabilizado de R$3.026.200,83. b) O custo das ações vendidas em junho/2008, considerandose o custo médio de R$12,04/ação após a incorporação de ações, corresponde a R$23.886.156,00 (considerado pela fiscalização) ou a R$30.811.720,52? Esse questionamento fazse necessário, visto que, as ações da Nova Bolsa somente passaram a ser negociadas na bolsa de valores em 20/08/2008. Até 19/08/2008, eram negociadas ações da BM&F (BMEF3) e da Bovespa (BOVH3). Os lançamentos contábeis de fls. 80 a 82 e a planilha de fls. 296 indicam que as 1.983.900 ações vendidas em junho/2008 correspondem a 630.000 BMEF3 e 1.353.900 BOVH3. Assim, para se considerar o custo médio de R$12,04/ação da Nova Bolsa, a quantidade de ações da Bovespa Holding (1.353.900) deveria ser ajustada pelo fator de conversão de 1,42485643, resultando em 1.929.113 ações, o que totalizaria 2.559.113 ações a R$12,04/ação, ou seja, R$30.811.720,52, como alegado pela impugnante. c) Considerandose os dois quesitos anteriores, qual o valor a ser deduzido na apuração da matéria tributável em razão dos lucros reconhecidos a maior nas vendas de ações efetuadas em 2008? 3.2. Vendas de ações realizadas em março e abril de 2009. Em relação às vendas de ações da Nova Bolsa realizadas pela Santander Participações em março e abril de 2009, alega a fiscalização no termo de verificação fiscal (fls. 119): “Em março e abril de 2009, o contribuinte vendeu 27.800.600 ações ordinárias da Nova Bolsa pelo valor de R$225.562.829,00. O custo dessas ações na sua contabilidade era de R$32.248.696,00. Dessa forma reconheceu em 2009 um resultado de R$193.314.133,00. Fl. 2114DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.086 5 Quando teria apurado prejuízo de R$109.156.395,00 (225.562.829,00 – 334.719.224,00). No anexo 1 apresentamos os cálculos da postergação desta receita trazendo o valor para o anocalendário de 2008.” (g.n.) No referido anexo 1 (fls. 126), consta uma tabela com juros de mora acumulados de janeiro de 2008 a janeiro de 2009, no total de 11,17%, juntamente com a tabela a seguir reproduzida, tendo sido deduzido o valor de R$147.376.788,14 na apuração da matéria tributável: Base de cálculo postergada R$ 193.314.133,00 Multa de mora 20% Juros de mora 11,17% Base de cálculo de 2008 R$ 147.376.788,14 Verificase que a fiscalização não apresentou o fundamento legal para esse procedimento, sendo que o mesmo está em desacordo com o disposto no art. 6º, §§4º e 6º, do Decretolei nº 1.598/77 e com o Parecer Normativo Cosit nº 2/96. Assim, fazse necessário, salvo melhor juízo, refazer os cálculos nos termos da legislação vigente. Neste caso, apenas para esclarecer, a DRJ verificou, após alegação do sujeito passivo, que o cálculo da postergação deveria obedecer as disposições da legislação (Decreto e Parecer acima apontados), o que poderia, caso comprovada a dúvida, alterar no cálculo da multa isolada. 3.3. Estimativas de maio de 2008 Em relação ao cálculo das multas isoladas relativas às estimativas não pagas em maio/2008, verificase que o demonstrativo constante do anexo 2 do termo de verificação fiscal utilizou, equivocadamente, os dados da DIPJ referentes a junho/2008. Além disso, as questões apontadas anteriormente podem, eventualmente, ter impacto na apuração das multas isoladas. Assim, fazse necessário recalcular as multas isoladas relativas à falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL de maio/2008;” Em atendimento à Resolução da DRJ/SP1 nº 16000.365, a Deinf/SPO/Difis, realizou a diligência requerida, na qual foram juntados os documentos de fls. 380 a 1.521, dos quais se destacam: relatório final de diligência (fls. 1.495 a 1.504); termo de verificação fiscal complementar (fls 1.506 a 1.513); auto de infração complementar (fls. 1.514 a 1.521). Ato contínuo, o resultado do relatório de diligência (fls.1.495/1.504), foi o seguinte: Fl. 2115DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.087 6 Em relação às ações alienadas em junho/2008, foram solicitados esclarecimentos acerca do ganho de capital apurado pela contribuinte e o ganho de capital calculado pela fiscalização. Na diligência, a fiscalização concluiu que: (a) a contribuinte apurou lucro de R$38.555.343,17 na venda de ações da Bovespa Holding e da BM&F em junho/2008, valor a ser deduzido na apuração da base tributável; (b) considerandose o custo de aquisição de R$12,04/ação da Nova Bolsa, o lucro auferido pela contribuinte na venda de ações em junho/2008 seria de R$10.769.822,03, valor a ser adicionado na apuração da base tributável. No que tange às vendas de ações da Nova Bolsa efetuadas em 2009, a fiscalização ajustou o lucro líquido dos períodos envolvidos (2008 e 2009), excluindo do anocalendário de 2009 os efeitos das vendas das ações e adicionandoos no anocalendário de 2008. Os quadros abaixo mostram esses ajustes, já com as retificações dos itens (a) e (b) acima (fls. 1.497 a 1.499): Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.088 7 (1) Lucro na venda de ações em março e abril/2009 de R$193.314.133,00 apurado pelo sujeito passivo (2) Prejuízo na venda de ações calculado pela fiscalização, utilizando o custo médio de R$12,04 e valor das vendas R$225.562.829,00 – custo R$334.719.224,00 Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.089 8 Após as retificações na base tributável para o lançamento, a Fiscalização lavrou Auto de Infração complementar, para exigir a diferença da multa isolada referente ao mês de maio de 2008: No termo de verificação fiscal complementar (fls. 1.506 a 1.513), a fiscalização relata que, no lançamento das multas isoladas, foi Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.090 9 utilizado o valor do ganho auferido na incorporação de ações deduzido dos lucros nas vendas de ações efetuadas em junho/2008, março/2009 e abril/2009. Alega que esse procedimento é incorreto, pois o ganho com a incorporação de ações ocorreu em maio/2008 e as vendas de ações foram efetuadas em meses posteriores. Sustenta que a exigência da multa isolada decorre da falta de recolhimento da estimativa de um determinado mês, independentemente do resultado apurado ao final do anocalendário. Acrescenta que a multa isolada constitui penalidade autônoma, que decorre do cometimento da infração de não recolher a estimativa, que é obrigatória. Assim, conclui que o cálculo das multas isoladas deve partir do ganho de capital auferido na incorporação de ações, sem deduzir os efeitos das vendas de ações realizadas posteriormente. Nos quadros de fl. 1.510, a fiscalização demonstra os cálculos das diferenças a serem lançadas de ofício relativas às multas isoladas. [...] A fiscalização ressalta que não ocorreu a decadência, visto que o prazo para lançamento de multa isolada é regido pelo art. 173, I, do CTN, conforme jurisprudência do CARF. Assim, de acordo com o art. 41 do Decreto nº 7.574/2011, foram lavrados autos de infração complementares para a constituição de créditos tributários referentes a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL de maio/2008 (fls. 1.514 a 1.521): Em relação à estimativa de IRPJ de maio/2008, foi constituída multa isolada de R$21.113.046,78, tendo por fundamentos legais o artigo 173, I, do CTN; artigos 222 e 843 do RIR/99 e art. 44, II, ‘b’, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. No que tange à estimativa de CSLL de maio/2008, foi constituída multa isolada no montante de R$7.600.696,84, com fundamento no artigo 173, I, do CTN e no art. 44, II, ‘b’, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Em seguida, a Contribuinte ofereceu impugnação e manifestação em relação a diligência fiscal respectivamente às fls. 1.527 a 1.551 e fls. 1.601 a 1.621. Ato contínuo, a DRJ proferiu v. acórdão dando parcial procedência aos lançamentos, acolhendo as exclusão propostas pela diligência e mantendo os restante das exigência fiscal . Para afastar qualquer dúvida, colaciono a parte do voto vencedor, do v. acórdão recorrido, que cancelou a exigência dos créditos indicados na diligência: 6.2. Das ações vendidas em junho/2008 De acordo com o demonstrativo de fls. 296, que consolida os lançamentos contábeis de fls. 80 a 82, a Santander Participações Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.091 10 efetuou, em junho/2008, as operações de vendas de ações ordinárias discriminadas na tabela abaixo. Cabe observar que, nesse período, ainda estavam sendo negociadas na bolsa de valores as ações ordinárias da Bovespa Holding (BOVH3) e da BM&F (BMEF3), situação que permaneceu até 19/08/2008. A partir de 20/08/2008, passaram a ser negociadas ações da Nova Bolsa (BVMF3). [...] Obs: como a autuação se refere apenas às ações ordinárias da Bovespa Holding, não foi considerado, na tabela acima, o resgate de ações preferenciais efetuado em 13/06/2008. Verificase que o resultado apurado de R$38.555.343,17 (= R$9.500.647,00 + R$29.054.696,17) foi oferecido à tributação, na DIPJ 2009 relativa ao anocalendário de 2008, como resultado não operacional (linhas 51 e 52 da ficha 06 A, fls. 1.686), conforme demonstrativo apresentado pela contribuinte em resposta ao termo de intimação nº 10 (fls. 61 a 63) e planilhas intituladas “Cronograma de alienação das ações Bovespa Holding” (fls. 467) e “Cronograma de alienação de ações BM&F S.A.” (fls. 468). Na apuração dos resultados, observase que a Santander Participações utilizou custo médio de R$1,00 por ação da BM&F e de R$1,77 por ação da Bovespa Holding, valores inferiores ao custo médio de R$12,04 apurado pela fiscalização considerandose a incorporação de ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa. Logo, nas vendas de ações realizadas em junho/2008, foi oferecido à tributação valor superior ao que seria tributado caso fossem considerados os efeitos da incorporação de ações efetuada em 08/05/2008, devendo essa diferença ser deduzida do montante a ser objeto de lançamento de ofício. Considerandose o custo médio de R$12,04 por ação da Nova Bolsa e as proporções de 1 ação da Nova Bolsa por ação da BM&F e de 1,42485643 ações da Nova Bolsa por ação da Bovespa Holding, as vendas de ações realizadas em junho/2008 teriam os seguintes custos: [...] Considerandose que a receita total das vendas de ações em junho de 2008 foi de R$41.581.544,00 (= R$10.130.647,00 + R$31.450.897,00) e o custo total seria de R$30.811.720,52, o ganho seria de R$10.769.823,48, valor inferior ao tributado pela contribuinte, que foi de R$38.555.343,17. Portanto, em decorrência da alienação de ações em junho/2008, há uma diferença de R$27.785.519,69 (=R$38.555.343,17 R$ 10.769.823,48) a ser deduzida na apuração da base tributável do IRPJ e da CSLL, valor superior ao originalmente deduzido pela fiscalização de R$21.527.586,11. 6.3. Das ações vendidas em 2009 De acordo com o demonstrativo de fls. 296, que consolida os lançamentos contábeis de fls. 88 a 90, a Santander Participações efetuou, em março e abril de 2009, diversas operações de vendas de ações ordinárias da Nova Bolsa (BVMF3), que totalizaram: Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.092 11 [...] Verificase que esse resultado foi oferecido à tributação na DIPJ 2009 entregue por ocasião da cisão total (linha 51 da ficha 06 A, fls. 1.700), conforme demonstrativo apresentado pela contribuinte em resposta ao termo de intimação nº 10 (fls. 61 a 63). Na apuração dos resultados, observase que a Santander Participações utilizou custo médio de R$1,16 por ação da Nova Bolsa, valor inferior ao custo médio de R$12,04 calculado pela fiscalização considerandose a operação de incorporação de ações. Caso tivesse utilizado esse custo médio, a Santander Participações teria apurado custo de R$334.719.224,00 e, em consequência, prejuízo de R$109.156.395,00 na venda das ações em março e abril de 2009. Na apuração da base de cálculo a ser autuada, a fiscalização considerou o resultado de R$193.314.133,00 como postergação de receita e deduziu o valor de R$147.376.788,14, correspondente ao resultado oferecido à tributação de R$193.314.133,00 deduzido de 20% de multa de mora e 11,17% de juros de mora. Na impugnação, a contribuinte contestou o procedimento da fiscalização, sob o argumento de que, no cálculo da postergação, não foram atendidos os preceitos do art. 6º do Decretolei nº 1.598/77 e do Parecer Normativo Cosit nº 2/96. A postergação de pagamento de imposto em virtude de inobservância do regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas, encontrase prevista no art. 6º do Decretolei nº 1.598/77: “Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (...) § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.093 12 de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência.” Por sua vez, o Parecer Normativo Cosit nº 2/96, no item 5, detalha os procedimentos a serem adotados no cálculo da postergação: “5.1 O art. 6º [do Decretolei nº 1.598/77], de onde foram transcritos estes parágrafos, trata, em seu todo, de definir o que é o lucro real e de estabelecer os critérios para a sua correta determinação, seja pelo contribuinte, seja pelo fisco, como, aliás, esta CoordenaçãoGeral já se manifestou por intermédio do referido Parecer Normativo CST nº 57/79. 5.2 O § 4º, transcrito, é um comando endereçado tanto ao contribuinte quanto ao fisco. Portanto, qualquer desses agentes, quando deparar com uma inexatidão quanto ao períodobase de reconhecimento de receita ou de apropriação de custo ou despesa deverá excluir a receita do lucro líquido correspondente ao períodobase indevido e adicionála ao lucro líquido do períodobase competente; em sentido contrário, deverá adicionar o custo ou a despesa ao lucro líquido do períodobase indevido e excluílo do lucro líquido do períodobase de competência. 5.3 Chamase a atenção para a letra da lei: o comando é para se ajustar o lucro líquido, que será o ponto de partida para a determinação do lucro real; não se trata, portanto, de simplesmente ajustar o lucro real, mas que este resulte ajustado quando considerados os efeitos das exclusões e adições procedidas no lucro líquido do exercício, na forma do subitem 5.2. Dessa forma, constatados quaisquer fatos que possam caracterizar postergação do pagamento do imposto ou da contribuição social, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) tratandose de receita, rendimento ou lucro postecipado: excluir o seu montante do lucro líquido do períodobase em que houver sido reconhecido e adicionálo ao lucro líquido do períodobase de competência; b) tratandose de custo ou despesa antecipada: adicionar o seu montante ao lucro líquido do períodobase em que houver ocorrido a dedução e excluílo do lucro líquido do períodobase de competência; c) apurar o lucro real correto, correspondente ao períodobase do início do prazo de postergação e a respectiva diferença de imposto, inclusive adicional, e de contribuição social sobre o lucro líquido; d) efetuar a correção monetária dos valores acrescidos ao lucro líquido correspondente ao períodobase do início do prazo de postergação, bem assim dos valores das diferenças do imposto e da contribuição social, considerando seus efeitos em cada balanço de encerramento de período base subseqüente, até o períodobase de término da postergação; e) deduzir, do lucro líquido de cada períodobase subseqüente, inclusive o de término da postergação, o valor correspondente à correção monetária dos valores mencionados na alínea anterior; f) apurar o lucro real e a base de cálculo da contribuição social, corretos, correspondentes a cada períodobase, inclusive o de término da postergação, considerando os efeitos de todos os ajustes procedidos, inclusive o da correção monetária, e a dedução da diferença da contribuição social sobre o lucro líquido; Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.094 13 g) apurar as diferenças entre os valores pagos e devidos, correspondentes ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro líquido.” Em atendimento à diligência determinada pela Resolução DRJ/SP1 nº 16.000.365, a fiscalização efetuou os ajustes no lucro líquido dos anos calendário de 2008 e de 2009 (período de 01/01/2009 a 31/08/2009 – data da cisão total), conforme se verifica no relatório final de diligência (fls. 1.495 a 1.504). (1) Lucro na venda de ações em março e abril/2009 de R$193.314.133,00 apurado pelo sujeito passivo (2) Prejuízo na venda de ações calculado pela fiscalização, utilizando o custo médio de R$12,04 e valor das vendas R$225.562.829,00 – custo R$ 334.719.224,00 De acordo com esses demonstrativos, a fiscalização apurou pagamento postergado de IRPJ e de CSLL no montantes de R$75.617.632,01 e Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.095 14 R$27.222.348,06, respectivamente, em decorrência das vendas de ações da Nova Bolsa realizadas em março e abril de 2009. Alega a fiscalização que o pagamento do imposto postergado não exclui a exigência dos acréscimos moratórios (multa e juros), a teor do disposto no item 6.2 do Parecer Normativo nº 2/96. Assim, na diligência, a fiscalização considerou os valores acima discriminados como o somatório de principal, multa de mora (20%) e juros de mora (9,45%). Efetuando a imputação proporcional do montante total a essas parcelas, a fiscalização calculou os valores de IRPJ e de CSLL a serem deduzidos na autuação, chegando aos montantes de R$58.414.547,71 e R$21.029.237,59, respectivamente. Por sua vez, a impugnante alega ser indevida a multa de mora, em razão do instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN, e também em razão de inexistência de previsão legal para sua cobrança, ressaltando que, no § 7º do art. 6º do Decretolei 1.598/77, existe somente previsão para cobrança de correção monetária e juros de mora. (grifos nossos) No caso, o IRPJ e a CSLL devidos em 2008, foram pagos em 2009, devendo ser aplicado o disposto no art. 61 da Lei nº 9.430/96, que prevê a incidência de juros de mora e multa de mora em relação aos débitos tributários para com a União não pagos no prazo de vencimento: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (g.n.) No caso de postergação de pagamento de imposto, o art. 273, §2º, do RIR/99 (que tem por fundamentos o art. 6º do Decretolei nº 1.598/77 e o art. 16 do DecretoLei nº 1.967/82) é explícito quanto à cobrança de multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido a postergação: “Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §5º): Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.096 15 I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. §1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no §2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §6º). §2º O disposto no parágrafo anterior e no §2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16).” (g.n.) Portanto, a cobrança de multa de mora na postergação encontrase prevista na legislação tributária. A impugnante também alega que a multa de mora é indevida pois o pagamento postergado configura denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN: “Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” O texto legal é bastante claro no sentido de que a denúncia espontânea pressupõe a comunicação de infração tributária ao Fisco, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Cabe observar que o recolhimento postergado de tributo não configura denúncia espontânea, visto que não se presta a comunicar ao Fisco a ocorrência de infração à legislação tributária. Ao escriturar uma receita em período posterior, a contribuinte não está fazendo ao Fisco nenhuma comunicação de infração à legislação tributária; pelo contrário, está justamente infringindo o regime de competência. No presente caso, o lucro que deveria ter sido reconhecido em 2008 (na incorporação de ações), foi parcialmente reconhecido em 2009 (na alienação de ações da Nova Bolsa), tendo havido, em 2009, recolhimento postergado de tributos devidos em 2008. Ressaltese que tais fatos foram apurados de ofício pela fiscalização. No caso, para que se configurasse a denúncia espontânea, a contribuinte deveria, espontaneamente, ter recolhido os tributos (principal e juros de mora) sobre o ganho de capital auferido na incorporação de ações da Bovespa Holding ao patrimônio da Nova Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.097 16 Bolsa e comunicado tal fato à Administração Tributária, o que não ocorreu. Ante o exposto, concluise que é devida a imputação de multa de mora ao pagamento postergado, calculada nos termos do art. 61, §§1º e 2º, da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, citase decisão proferida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: [...] Cabe observar que, ao pagamento postergado, também devem ser imputados juros de mora, calculados de acordo com o art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/96, ou seja, pela taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No caso, de acordo com o demonstrativo de fls. 1.498, a fiscalização calculou juros de 9,45%, considerando a taxa Selic acumulada de fevereiro/2009 a dezembro/2009, acrescida de 1% referente ao mês de janeiro/2010. Entretanto, esse cálculo está equivocado, pois a Santander Participações sofreu cisão total em 31/08/2009. Nesse caso, o vencimento do imposto não ocorreu em 31/01/2010, mas em 30/09/2009, a teor do disposto no art. 861 do RIR/99: “Art.861. O pagamento do imposto correspondente a período de apuração encerrado em virtude de incorporação, fusão ou cisão e de extinção da pessoa jurídica pelo encerramento da liquidação deverá ser efetuado até o último dia útil do mês subseqüente ao da ocorrência do evento, não sendo facultado nesses casos exercer a opção prevista no §1º do art. 856 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 5º, §4º).” Assim, a taxa de juros a ser considerada corresponde à Selic acumulada de fevereiro/2009 a agosto/2009, acrescida de 1%, que resulta em 6,68%. Portanto, os valores de IRPJ e de CSLL a serem deduzidos na autuação correspondem a R$59.691.847,18 e R$21.489.065,41, respectivamente, conforme quadro abaixo (valores em R$): [...] 6.4. Da apuração dos tributos devidos Para o cálculo dos tributos devidos no presente processo, fazse necessário reproduzir os cálculos efetuados pela fiscalização na diligência (fls. 1.498 e 1.499), alterandose apenas os montantes de IRPJ e CSLL relativos às vendas efetuadas em 2009 calculados no final do item anterior deste voto. Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.098 17 Assim, temse: Apuração CSLL 2008 – ajuste (valores em R$) Lucro líquido antes da CSLL informado na DIPJ 206.934.935,17 (+) Ganho de capital na incorporação de ações 627.830.389,27 Exclusão ganho na venda de ações em 2008 contribuinte 38.555.343,17 (+) Inclusão ganho na venda de ações em 2008 fiscalização 10.769.823,48 (+) Adições contribuinte DIPJ 8.770.834,94 Exclusões contribuinte DIPJ 73.971.901,01 (=) Base de cálculo da CSLL fiscalização 741.778.738,68 CSLL fiscalização 66.760.086,48 () CSLL apurada DIPJ 12.756.048,22 (=) Diferença CSLL apuração fiscalização 54.004.038,26 CSLL de 2009 21.489.065,41 (=) CSLL 2008 a lançar 32.514.972,85 Apuração IRPJ 2008 – ajuste (valores em R$) Lucro líquido antes da CSLL informado na DIPJ 206.934.935,17 (+) Ganho de capital na incorporação de ações 627.830.389,27 Exclusão ganho na venda de ações em 2008 contribuinte 38.555.343,17 (+) Inclusão ganho na venda de ações em 2008 fiscalização 10.769.823,48 CSLL calculada pela fiscalização 66.760.086,48 (=) Lucro líquido antes do IRPJ 740.219.718,27 (+) Adições contribuinte DIPJ (excluída a CSLL) 8.759.197,97 (+) Adição CSLL calculada pela fiscalização 66.760.086,48 Exclusões contribuinte 74.259.901,01 (=) Lucro real fiscalização 741.479.101,71 IRPJ 15% fiscalização 111.221.865,26 (+) Adicional de IRPJ 10 % fiscalização 74.123.910,17 (=) Total IRPJ fiscalização 185.345.775,43 Total IRPJ informado na DIPJ 35.337.467,28 (=) Diferença IRPJ apuração fiscalização 150.008.308,15 IRPJ de 2009 59.691.847,18 (=) IRPJ 2008 a lançar 90.316.460,97 Ante o exposto, concluise que foram lançados valores superiores aos devidos, devendo ser exonerada a diferença, conforme tabela abaixo: Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.099 18 [...] 7. DO LANÇAMENTO RELATIVO À CSLL No que tange ao lançamento de CSLL, há que se ressaltar que a decisão quanto à ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados, ou seja, o lançamento de CSLL decorrente da autuação do IRPJ deve seguir o decidido no lançamento principal. Nesse sentido, é pacífica a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A título de exemplo, citamse as seguintes ementas: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL DECORRÊNCIA CSLL Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.” (CARF, 1ª Seção, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, acórdão 1402 001273, sessão de 04/12/2012) “LANÇAMENTO REFLEXO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL CSLL. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.” (CARF, 1ª Seção, 2ª Turma Especial, acórdão 1802001502, sessão de 05/12/2012) Portanto, deve ser exonerado parcialmente o lançamento relativo à CSLL (principal e multa de ofício), conforme demonstrado anteriormente. Por tais motivo, foi interposto recurso de ofício. A contribuinte, por sua vez, inconformada com o v. acórdão, interpôs Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do restante dos créditos mantidos pela DRJ. Ato contínuo, a contribuinte apresenta petição ao autos (fls.), requerendo a desistência do Recurso Voluntário, devido sua adesão ao programa de anistia do artigo 42 da Lei 13.043/2014 dos créditos relativos a infração de falta de oferecimento a tributação do ganho de capital decorrente da operação de incorporação de ações da BOVESPA Honding S.A. e respectivas multas de ofício e isolada. Em seguida foi proferido r. despacho de fls.1742/1749 informando a desistência total do Recurso Voluntário e indicando quais os créditos foram pagos nos termos da anistia, formalizando processo em apartado. É o relatório. Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.100 19 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: A Recorrida apresentou petição requerendo a desistência da lide em relação aos créditos objetos do Recurso Voluntário. Sendo assim, face a ausência de litígio em relação ao créditos objeto do Recurso Voluntário, deixo de conhecêlo. Recurso Ofício: Em relação a parte do Auto de Infração cancelada pela própria fiscalização na diligência (fls.1495/1.499) e que foi acatada pela DRJ, entendo que esta parte do v. acórdão deve ser mantida, eis que deixou de existir lide em relação a estes créditos. Para melhor esclarecer, colaciono abaixo a parte do Relatório de Diligência que alterou o imposto exigido no Auto de Infração: A diligência se manifestou da seguinte forma em relação ao custo considerado pela Recorrida das ações vendidas em junho de 2008: Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.101 20 Em relação ao custo considerado pela fiscalização em junho de 2008, a diligência se manifestou no seguinte sentido: Em relação a aplicação do Decretolei 1.598/77 e Parecer Normativo Cosit 2/96 nos cálculos da vendas de março e abril de 2009 para determinar o correto montante do IRPJ e da CSLL devido e ajustar o lucro liquido dos anoscalendário de 2008 e 2009, vejamos: Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.102 21 Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.103 22 Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.104 23 Além das exclusões feitas pela autoridade fiscal no Relatório de Diligência, o v. acórdão recorrido, cancelou alguns outros pontos. Vejamos. Em relação as ações vendidas em junho de 2008, na apuração dos resultados, a Recorrente utilizou custo médio de R$1,00 por ação da BM&F e de R$1,77 por ação da Bovespa Holding, inferiores ao custo médio utilizado pela Fiscalização de R$ 12,04 quando da incorporação das ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa. (fls. 468). Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.105 24 Para facilitar o entendimento, colaciona abaixo os fundamentos do v. acórdão em relação a este ponto. 6.2. Das ações vendidas em junho/2008 De acordo com o demonstrativo de fls. 296, que consolida os lançamentos contábeis de fls. 80 a 82, a Santander Participações efetuou, em junho/2008, as operações de vendas de ações ordinárias discriminadas na tabela abaixo. Cabe observar que, nesse período, ainda estavam sendo negociadas na bolsa de valores as ações ordinárias da Bovespa Holding (BOVH3) e da BM&F (BMEF3), situação que permaneceu até 19/08/2008. A partir de 20/08/2008, passaram a ser negociadas ações da Nova Bolsa (BVMF3). [...] Verificase que o resultado apurado de R$38.555.343,17 (= R$9.500.647,00 + R$29.054.696,17) foi oferecido à tributação, na DIPJ 2009 relativa ao anocalendário de 2008, como resultado não operacional (linhas 51 e 52 da ficha 06 A, fls. 1.686), conforme demonstrativo apresentado pela contribuinte em resposta ao termo de intimação nº10 (fls. 61 a 63) e planilhas intituladas “Cronograma de alienação das ações Bovespa Holding” (fls. 467) e “Cronograma de alienação de ações BM&F S.A.” (fls. 468). Na apuração dos resultados, observase que a Santander Participações utilizou custo médio de R$1,00 por ação da BM&F e de R$1,77 por ação da Bovespa Holding, valores inferiores ao custo médio de R$12,04 apurado pela fiscalização considerandose a incorporação de ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa. Logo, nas vendas de ações realizadas em junho/2008, foi oferecido à tributação valor superior ao que seria tributado caso fossem considerados os efeitos da incorporação de ações efetuada em 08/05/2008, devendo essa diferença ser deduzida do montante a ser objeto de lançamento de ofício. Considerandose o custo médio de R$12,04 por ação da Nova Bolsa e as proporções de 1 ação da Nova Bolsa por ação da BM&F e de 1,42485643 ações da Nova Bolsa por ação da Bovespa Holding, as vendas de ações realizadas em junho/2008 teriam os seguintes custos: [...] Considerandose que a receita total das vendas de ações em junho de 2008 foi de R$41.581.544,00 (= R$10.130.647,00 + R$31.450.897,00) e o custo total seria de R$30.811.720,52, o ganho seria de R$10.769.823,48, valor inferior ao tributado pela contribuinte, que foi de R$38.555.343,17. Portanto, em decorrência da alienação de ações em junho/2008, há uma diferença de R$27.785.519,69 (=R$38.555.343,17 R$ 10.769.823,48) a ser deduzida na apuração da base tributável do IRPJ e da CSLL, valor superior ao originalmente deduzido pela fiscalização de R$21.527.586,11. Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.106 25 Em relação a vendas das ações de 2009, após afastar as alegações da Recorrida de denuncia espontânea, inexistência de previsão legal para exigir multa de mora, decidindo pela manutenção da multa e juros de mora sobre o imposto postergado, o v. acórdão decidiu ajustar o período relativo a taxa de juros ao momento da cisão do sujeito passivo, em 31/08/2009 (art. 861 do RIR/99), nos termos do artigo 61, parágrafo terceiro da Lei 9.430/96 (Selic acumulada + 1% do mês do pagamento do imposto) que foi utilizado pela fiscalização, reduzindo ainda mais o crédito exigido, sendo que os juros calculados passaram de 9,45% para 6,68. (fl. 53 do acórdão). Cabe observar que, ao pagamento postergado, também devem ser imputados juros de mora, calculados de acordo com o art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/96, ou seja, pela taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No caso, de acordo com o demonstrativo de fls. 1.498, a fiscalização calculou juros de 9,45%, considerando a taxa Selic acumulada de fevereiro/2009 a dezembro/2009, acrescida de 1% referente ao mês de janeiro/2010. Entretanto, esse cálculo está equivocado, pois a Santander Participações sofreu cisão total em 31/08/2009. Nesse caso, o vencimento do imposto não ocorreu em 31/01/2010, mas em 30/09/2009, a teor do disposto no art. 861 do RIR/99: “Art.861. O pagamento do imposto correspondente a período de apuração encerrado em virtude de incorporação, fusão ou cisão e de extinção da pessoa jurídica pelo encerramento da liquidação deverá ser efetuado até o último dia útil do mês subseqüente ao da ocorrência do evento, não sendo facultado nesses casos exercer a opção prevista no §1º do art. 856 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 5º, §4º).” Assim, a taxa de juros a ser considerada corresponde à Selic acumulada de fevereiro/2009 a agosto/2009, acrescida de 1%, que resulta em 6,68%. Portanto, os valores de IRPJ e de CSLL a serem deduzidos na autuação correspondem a R$59.691.847,18 e R$21.489.065,41, respectivamente, conforme quadro abaixo (valores em R$): [...] Com base no ajuste do período de incidência dos juros de mora do item acima, os D.Julgadores da DRJ acolheram as exclusões feitas pela fiscalização na diligência (fls. 1.498/1,499) e alteram os valores relativos aos montantes do IRPJ e CSLL devidos no presente processo das vendas das ações de 2009. (fls. 54/55 do v. acórdão). Para não deixar dúvida, colaciono a fundamentação do v. acórdão: Fl. 2135DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.107 26 6.4. Da apuração dos tributos devidos Para o cálculo dos tributos devidos no presente processo, fazse necessário reproduzir os cálculos efetuados pela fiscalização na diligência (fls. 1.498 e 1.499), alterandose apenas os montantes de IRPJ e CSLL relativos às vendas efetuadas em 2009 calculados no final do item anterior deste voto. Assim, temse: [...] Ante o exposto, concluise que foram lançados valores superiores aos devidos, devendo ser exonerada a diferença, conforme tabela abaixo: [...] 7. DO LANÇAMENTO RELATIVO À CSLL No que tange ao lançamento de CSLL, há que se ressaltar que a decisão quanto à ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados, ou seja, o lançamento de CSLL decorrente da autuação do IRPJ deve seguir o decidido no lançamento principal. Nesse sentido, é pacífica a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A título de exemplo, citamse as seguintes ementas: [...] Portanto, deve ser exonerado parcialmente o lançamento relativo à CSLL (principal e multa de ofício), conforme demonstrado anteriormente. Após análise dos documentos constantes nos autos e da fundamentação, tanto da Fiscalização na diligência, como da DRJ em sede de julgamento da impugnação, entendo que o v. acórdão recorrido apurou o crédito lançado nos exatos ditames da legislação pertinente, devendo assim, ser mantido em seus termos. Os demais créditos relativos aos outros pontos alegados pelo sujeito passivo, são matéria que foram mantidos e deveriam ser tratados no Recurso Voluntário, que deixei de conhecer devido a desistência. Ou seja, as alegações relativas a inaplicabilidade da multa de mora na postergação do impostos e da denuncia espontânea, fazem parte do Recurso Voluntário, pois não foram acolhidas pela DRJ e não são objeto do Recurso de Ofício. Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 16327.720532/201347 Acórdão n.º 1402002.421 S1C4T2 Fl. 2.108 27 Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, nego provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 2137DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.901591/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 15 91 /2 00 8- 12 Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13896.901591/200812 Acórdão n.º 1402002.548 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 432DF CARF MF Processo nº 13896.901591/200812 Acórdão n.º 1402002.548 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 13896.901591/200812 Acórdão n.º 1402002.548 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 13896.901591/200812 Acórdão n.º 1402002.548 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 435DF CARF MF Processo nº 13896.901591/200812 Acórdão n.º 1402002.548 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 436DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.728891/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/10/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.038
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 16/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 16/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 88 91 /2 01 3- 75 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11128.728891/201375 Acórdão n.º 3302004.038 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11128.728891/201375 Acórdão n.º 3302004.038 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.728891/201375 Acórdão n.º 3302004.038 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.481. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.728891/201375 Acórdão n.º 3302004.038 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.728891/201375 Acórdão n.º 3302004.038 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.728891/201375 Acórdão n.º 3302004.038 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.728891/201375 Acórdão n.º 3302004.038 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.728891/201375 Acórdão n.º 3302004.038 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.728891/201375 Acórdão n.º 3302004.038 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.728891/201375 Acórdão n.º 3302004.038 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.728891/201375 Acórdão n.º 3302004.038 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.728891/201375 Acórdão n.º 3302004.038 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.728891/201375 Acórdão n.º 3302004.038 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.728891/201375 Acórdão n.º 3302004.038 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 144DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.907932/2012-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.827
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.826, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 32 /2 01 2- 91 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10875.907932/201291 Acórdão n.º 9303004.827 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10875.907932/201291 Acórdão n.º 9303004.827 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10875.907932/201291 Acórdão n.º 9303004.827 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.720150/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.779
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 50 /2 01 1- 91 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10120.720150/201191 Acórdão n.º 3302003.779 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.294. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10120.720150/201191 Acórdão n.º 3302003.779 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10120.720150/201191 Acórdão n.º 3302003.779 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.720150/201191 Acórdão n.º 3302003.779 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.720150/201191 Acórdão n.º 3302003.779 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726387/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2008
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática de repercussão geral (art. 543-B da Lei nº. 5.869/73), é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho.
Numero da decisão: 2401-004.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2008 CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática de repercussão geral (art. 543-B da Lei nº. 5.869/73), é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho.
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INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática de repercussão geral (art. 543B da Lei nº. 5.869/73), é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 63 87 /2 01 2- 40 Fl. 708DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10580.726387/201240 Acórdão n.º 2401004.729 S2C4T1 Fl. 709 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 6010/624) interposto em face do Acórdão nº. 0646.739 (fls. 594/598) cuja ementa restou assim redigida: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. Nos termos do art. 22, IV, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.876/99, há incidência de contribuição previdenciária, a cargo da empresa ou equiparado, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativa a serviços que lhe sejam prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. No processo administrativo fiscal é vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo. O presente processo originase do lançamento referente ao AI DEBCAD nº. 37.343.6238 para exigência dos valores devidos em razão de pagamentos efetuados por cooperativas de trabalho (CoopanestBA, Coopersaude, Coofsaude e Coopermed), nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei nº. 8.212/91, alterada pela Lei nº. 9.876/99. Em sede de recurso voluntário a recorrente alega, preliminarmente, que os créditos tributários concernentes às contribuições previdenciárias exigidas no presente processo administrativo fiscal encontramse extintos, por força de pagamento. No mérito, discorre sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição previdenciária exigida, razão pela qual pugna pelo provimento do seu recurso voluntário. É o relatório. Fl. 710DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Preliminarmente Do pagamento A recorrente alega em seu recurso voluntário que o crédito tributário estaria extinto por força do pagamento. Todavia, suas alegações são desprovidas de qualquer comprovação, desacompanhada das mencionadas guias de recolhimento que poderiam comprovar a efetividade do alegado pagamento. Por essas razões, afasto a preliminar de extinção por paamento. Mérito No tocante ao lançamento específico, é manifesta a decisão do Supremo Tribunal Federal, por meio do RE nº. 595.838, julgado em 23/04/2014, que julgou inconstitucional a cobrança da referida contribuição, sob a sistemática do art. 543B do CPC, nos seguintes termos: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10580.726387/201240 Acórdão n.º 2401004.729 S2C4T1 Fl. 710 5 sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07 102014 PUBLIC 08102014) Assim, por força do art. 62, § 1º, II, b, do Regimento Interno do CARF (RICARF), as decisões definitivas de mérito julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B da Lei nº. 5.869/73, devem ser seguidas e reproduzidas pelos conselheiros: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Isto posto, aplico o entendimento do acórdão acima mencionado e, via de consequência, deve ser afastado o lançamento com base na contratação de serviços de cooperativas nos termos do art. 22, IV da Lei nº. 8.212/91. Via de consequência, ante a extinção do auto de infração de obrigação principal, deve ser julgado improcedente, também, o lançamento referente às obrigações acessórias. Fl. 712DF CARF MF 6 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 713DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.720215/2013-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009
ISENÇÃO. IPI. CRÉDITO. AMAZÔNIA OCIDENTAL.
No artigo 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75, entende-se por "matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", aquelas produzidas na área da Amazônia Ocidental, tal como definida no art. 1º, § 4º, do Decreto-Lei n. 291/67 (Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima), não se confundindo com a Amazônia Legal (Lei nº 5.173/66).
CRÉDITOS. ZONA FRANCA DE MANAUS.
Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do Decreto-Lei nº 288/67.MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC.APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa.
A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543C do anterior CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno.
CRÉDITO DE IPI. CERVEJAS E REFRIGERANTES. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE.
Cervejas e refrigerantes são tributados uma única vez na saída da estabelecimento fabril, sendo vedada a tomada de crédito na aquisição ou recebimento por estabelecimento.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-004.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus que davam provimento parcial para reconhecer a reversão de 90,28% da glosa dos créditos de entradas de bebidas sujeitas ao regime monofásico do IPI. Os Conselheiros Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus votaram pelas conclusões. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado se declarou impedida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e redator designado.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 19/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2140; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.062 1 1.061 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.720215/201360 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.410 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de junho de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS AMBEV Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 ISENÇÃO. IPI. CRÉDITO. AMAZÔNIA OCIDENTAL. No artigo 6º do DecretoLei nº 1.435/75, entendese por "matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", aquelas produzidas na área da Amazônia Ocidental, tal como definida no art. 1º, § 4º, do Decreto Lei n. 291/67 (Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima), não se confundindo com a Amazônia Legal (Lei nº 5.173/66). CRÉDITOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67.MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC.APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543C do anterior CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno. CRÉDITO DE IPI. CERVEJAS E REFRIGERANTES. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. Cervejas e refrigerantes são tributados uma única vez na saída da estabelecimento fabril, sendo vedada a tomada de crédito na aquisição ou recebimento por estabelecimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 02 15 /2 01 3- 60 Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.063 2 Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus que davam provimento parcial para reconhecer a reversão de 90,28% da glosa dos créditos de entradas de bebidas sujeitas ao regime monofásico do IPI. Os Conselheiros Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus votaram pelas conclusões. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado se declarou impedida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e redator designado. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 19/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem retratar os fatos, adoto e transcrevo o relatório contido na Resolução nº 3403000.566 (fls.899908): A autuada impugnou o auto de Infração em que o objeto é a cobrança de créditos tributários de IPI no período de 01/02/2008 a 31/12/2009. O Fisco autuou a empresa em três infrações, conforme Termo de Encerramento de Procedimento fiscal. Creditouse de maneira indevida de insumos com base no artigo 175 do RIPI/2002, adquiridos com a isenção do artigo 69, II do mesmo regulamento, sabendo que a norma que dá direito ao creditamento desses insumos é o artigo 82, III; ou seja "produtos elaborados com matériaprima agrícola e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuniárias por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA" o que não foi o caso. Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.064 3 Informa a autoridade fiscal a escrituração de créditos de IPI com relação a aquisição de fornecedores, conforme notas fiscais, sem destaque de IPI com base no artigo 69, II, do RIPI/2002, lançando créditos indevidamente em seu livro de apuração do IPI. Os fornecedores da autuada são: A) Pepsicola Industrial da Amazônia Ltda. (fornecedor de kits para fabricação de refrigerantes); B) Arosuco Aromas e Sucos Ltda., matriz, (fornecedor de concentrados para refrigerantes; C) Arosuco Aromas e Sucos Ltda. (fornecedor de rolhas metálicas); D) Crown Tampas da Amazônia S/A, (fornecedor de rolhas e tampa plásticas); E) Valfilm Amazônia Industria e Comércio, (fornecedor de filmes plásticos). O fisco intimou os fornecedores a fim de formar melhor seu juízo, pois verificou que as notas fiscais de saída emitidas pelos fornecedores não sabendo se esta isenção é a prevista no artigo 82, inciso III, do RIPI/2002 que dá direito a isenção ou se é no artigo 69, inciso II, do RIPI/2002, onde não dá direito ao creditamento. A PepsiCola Industrial da Amazônia, em suas notas fiscais para autuada, consta que a saída se deu com a isenção prevista no artigo 69, II, do RIPI/2002. A fiscalização apurou que a PepsiCola Industrial da Amazônia utilizou corante caramelo para fabricação dos kits, realizou diligencia contra a fabricante do corante D.D. WILLIAMSON DO BRASIL LTDA., que informa utilizar açúcar da região do Estado do Mato Grosso, e que vendeu para todas as unidades industriais da Ambev, de todos os KITS. Em resposta, a PepsiCola confirma a utilização do corante caramelo utilizando o como insumo regional na fabricação de seus produtos. Alega também que o Estado do Mato Grosso faz parte da região Amazônica, se palitando no art. 2 da lei 5.173/66 e o artigo 45 da Lei Complementar n 31/1997, para a fiscalização o artigo 82, III, do RIPI/2002 se refere a Amazônia Ocidental, é constituída somente por Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. A AMBEV apresentou declaração informando que a PepsiCola, utilizase de insumos de matéria prima vegetal originária da Amazônia Ocidental, e por isso utilizase dos benefícios fiscais dados pelo Decretolei n 288/67 e Decreto Lei 1435/75 concedidos através da Resolução n 356 CAS, fazendo jus ao disposto no artigo 82, inciso III. A fiscalização aponta que a aprovação de projeto pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, é um dos requisitos para utilização da isenção do artigo 82, III, do RIPI/2002. Esclarece se que a resolução SUFRAMA 356/2002, não reconheceu que a Pepsicola faria jus a utilização do artigo 82, inciso III, do RIPI/2002, não informou, em nenhum momento, que utilizaria açúcar produzido no Estado do Mato Grosso. Com relação a empresa Arosuco Aromas e Sucos Ltda. (matriz), fornecedora dos concentrados de guaraná, foi reconhecido pela fiscalização a utilização de matériaprima vegetal de produção regional. Declara a empresa que os demais sabores de concentrados falta o destaque do IPI, por ampararse no artigo 69, inciso II. A empresa de plástico filme, produzidos pela Valfilm, com base na Resolução Suframa 154/2008, estão isentos com arrimo no artigo 82, III, do RIPI/2002, onde entendeu o fisco a utilização de matériaprima de origem vegetal na produção regional da Amazônia Ocidental, óleo de dendê. Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.065 4 A empresa, América Tampas da Amazônia S.A., denominada anteriormente de Crowm Tampas da Amazônia S.A., apresentou declaração confirmando suas vendas com isenção enquadrada no artigo 69, inciso II, do RIPI/2002. Quanto a ilegitimidade no aproveitamento de créditos deduz o fisco: São legítimos os créditos das aquisições dos concentrados de guaraná da matriz Arosuco e filme plástico da Valfilm, por fazerem jus a previsão legal do artigo 82, inciso III, RIPI/2002; São indevidos, por falta de previsão legal, os créditos da Pepsicola, Crown e filial Arosuco, assim como os valores correspondentes aos filmes plásticos da Valfilm que saíram em setembro de 2008, concentrados que não contenham o sabor guaraná, produzidos na matriz da Arosuco, a saída deste bens e insumos estavam galgados no artigo 69, inciso II, do RIPI/2002. II A segunda infração que se verificou a fiscalização é quanto a créditos indevidos oriundos de bens diversos (partes e peças de equipamentos/lubrificantes/bens sem contato direto com o produto em fabricação). Parte desses créditos estavam lançados no livro de apuração de IPI no campo OUTROS CRÉDITOS identificados como itens de manutenção ou material intermediário de produção. Estes créditos correspondem a partes, peças e acessórios de instalação, máquinas, equipamentos e ferramentas, conforme análise de documentos fiscais. Os créditos escriturados pela empresa nos CFOP, por análise da fiscalização, verificou se que correspondem a parte e peças de máquinas e que não integram o produto final e nem tem contato com o produto em fabricação. No Termos de Encerramento encontramos a descrição dos produtos, sua aplicação e valor creditado. O auditor glosou os créditos alegando que estes valores não geram direito àqueles por não atenderem o dispositivo legal, artigo 164, I, do RIPI/2002. III a última infração verificada pela autoridade fiscalizadora é quanto a créditos oriundos da entrada de refrigerantes e cervejas, fabricados por outra empresa do grupo ou estabelecimento de firma pertencente ao mesmo grupo econômico. Consta do Termo de Encerramento que a fiscalizada se creditou do IPI destacado nas notas fiscais e deu saída por notas fiscais de vendas em que houve destaque ao IPI, ou através de Notas fiscais de transferência para outras filias da empresa e anotando que tais bebidas não foram fabricadas sob encomenda. Anteriormente, até 31/12/2008, os refrigerantes e cervejas eram tributados por unidade, a partir de 01/01/2009, o IPI das cervejas e refrigerantes passou a ser regulamentado pela Lei 10.833/2003 na forma dos artigos 58B a 58U, regulamentado pelo Decreto n 6.708/2008 podendo a indústria optar pelo regime especial ou regime geral onde as alíquotas da TIPI são aplicadas sobre o valor tributável dos produtos. A impugnante optou pelo regime especial, onde o IPI é calculado por litro de bebida, por tanto não há base legal para aproveitamento de credito advindos de cervejas e refrigerantes, a legislação determina que o IPI deve incidir somente uma Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.066 5 vez, não havendo direito de aproveitar créditos na entrada de bebidas, pelo que os glosou. No item 4 do Termo de encerramento a autoridade fiscal, consolidou os valores totais dos créditos glosados e reconstituiu a escrita, apurando assim o saldo a pagar, acrescido dos encargos moratórios e multa de 75%. A contribuinte impugnou o Auto de Infração de forma tempestiva. Argui que: 1que seu direito ao crédito tributário deverá ser reconhecido. Alega que a própria SUFRAMA reconhece o incentivo com base no artigo 6° do Decretolei 1.435/75 no qual fundamentam os artigos 82, III e 175 do RIPI/2002. Os kits, utilizados na fabricação de PepsiCola e PepsiCola Twist são fabricados a partir do açúcar de cana plantado no Mato Grosso; Faz interpretação teleológica da legislação incentiva entendendo que seu proposito foi fomentar o desenvolvimento da atividade agropecuária regionalmente de um modo geral, levando em conta, na interpretação da contribuinte, que regional não pode ser somente a Amazônia Ocidental e que o insumo não precisa ser típico, basta ser produzido na região. Essa é a hipótese é a que vigora nos autos, uma vez que o açúcar utilizado na fabricação do corante foi produzido no Mato Grosso, portanto na Amazônia Legal, assim se valendo do incentivo do artigo 82, inciso III, do RIPI/2002. Entende a impugnante que a SUFRAMA é quem deve determina se os estabelecimentos, localizados na Zona Franca de Manaus, devem ou não ter os incentivos federais. Argumenta mesmo que os produtos adquiridos pela PepsiCola não fossem enquadrados no artigo 82 III e 175 da RIPI/2002 seria legal o reconhecimento do direito ao crédito por força do tratamento tributário diferenciado advindo do artigo 40 da ADCT. Com relação a segunda infração entende equivocada a interpretação dada pelo fisco. Assegura que todos os itens que tiveram glosados seus créditos, são consumidos na atividade industrial, ao serem empregados em máquinas para a fabricação das bebidas, discorre sobre os créditos glosados dos produtos e sua função e assegura que sua atividade está vinculada ao regulamento da ANVISA, de modo a impedir que impurezas alterem a composição e qualidade dos produtos industrializados. Conclui informando que os itens cujos créditos foram glosados pela fiscalização inseremse na definição de produtos intermediários constantes na legislação do IPI. Justifica assim a reforma do acordão. No que tange a última infração, a glosa do creditamento do IPI dos refrigerantes e cervejas comprados de terceiros, afirma que a saída se deu com débito de IPI. Alega ainda que mesmo que fosse vedado o registro de crédito em função do regime monofásico do IPI, das mercadorias, não poderia haver o lançamento de oficio do tributo, vez que fora recolhido antes do início da autuação. Discorre que poderia haver postergação do recolhimento do imposto, e que não poderia ser a cobrança acrescida de multa de oficio, mas apenas e tão somente de juros de mora e multa isolados, conforme artigo 43 Lei 9,430/96, pede o cancelamento da autuação. Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.067 6 Decidiu a DRJ/POA, A controvérsia, nestes autos, encontrase na afirmação da empresa que insumos fabricados com xarope de caramelo para utilização dos kits de refrigerantes, encontrase no conceito de matéria prima originaria de extrato vegetal regional, uma vez que o termo regional referese a Amazônia Legal e não Amazônia Ocidental como declara o fisco e os Estados pertencentes a essa são amazonas e Acre e os territórios de Roraima e Rondônia, conforme dispões o artigo 1° § 4° do Decreto Lei 291/1967. Entende a recorrente que a SUFRAMA reconheceu o beneficio previsto na Resolução 356/2002 que é fundamento legal do artigo 82, III, do RIPI/2002, sendo que a fiscalização não pode desqualificar o regime apontado pela Superintendência. Alega que mesmo que os insumos não estivessem enquadrados no artigo 82, III e 175 do RIPI/2002, teria seu direito ao credito reconhecido por força do artigo 40 do ADCT, Destarte que, todos os insumos cujos créditos foram objetos de glosa originaramse da Zona Franca de Manaus, com isso saída de todos os seus produtos industrializados são isento. A operação é isenta e o principio não cumulatividade exige o pagamento do IPI cobrado na operação anterior e terá direito ao creditamento quando houver lei especifica que determine. Por ser creditamento presumido, não que se falar em cobrança de IPI na operação isenta, desviando a natureza da nãocumulatividade do IPI. A isenção do IPI, para produtos fabricados na Zona Franca de Manaus, para consumo interno ou comercialização em todo território nacional, é fundamentado no artigo 9 do DecretoLei 288/1967, regulando o funcionamento da Zona Franca de Manaus. Não há lei que conceda creditamento ficto, para essa isenção. Não haveria de se aplicar o artigo 40 do ADCT, pois a exigência fiscal não afasta o incentivo fiscal a Zona Franca de Manaus, vez que não há discussão sobre incidência do artigo 9, Decreto Lei 288/67. É descabido o pedido da impugnante quanto ao crédito do IPI desonerado em operação com mercadoria isenta, quando não houver lei especifica. Não se pode falar em boa fé. A autuada não tem como investigar os atos praticados por seus fornecedores, não há o que se falar sobre esse assunto, pois as notas fiscais que foram glosadas, de seus fornecedores, estavam fundamentadas na isenção do artigo 69, II(artigo 9 do DecretoLei 288/67) e não o artigo 82 do DecretoLei 1435/75, ambos da RIPI/2002. Afastase essa alegação. O artigo 6 do decerto Lei n° 1.435/75, possui duas normas de incentivo fiscal e uma de condição para fruição daqueles. A primeira abrange isenção sobre produtos industrializados elaborados com matéria prima agrícola de produção regional, que realmente interessa nessa lide; a segunda estatui o creditamento ficto com relação a isenção; e por fim a terceira estabelece uma condição fática onde o gozo do incentivo só compreende os estabelecimentos fiscais onde os projetos tenham aprovação da SUFRAMA. A autuada referese a produção regional, toda a área da Amazônia legal, e se baseia em oficio da SUFRAMA (5637/SPR/CGAPECPIN) para esse fundamento, quanto a unidade fiscalizadora, na interpretação da Lei, afirma que o açúcar utilizado na fabricação dos Kits para refrigerantes, deveriam vir da Amazônia Ocidental, que abrange os Estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia, Entendeu a DRJ que o Fisco teria razão, no sentido de que a expressão regional se Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.068 7 refere à Amazônia Ocidental, pois serão os estabelecimentos localizados nessa região os beneficiários da mesma. A Suframa não teria competência para dispor sobre benefício fiscal, posto que ele decorre de Lei, mas apenas aprovar, fiscalizar e acompanhar os projetos aprovados em seu âmbito de atuação. O artigo 2 do DecretoLei 288/67, que instituiu a área onde seria instalada a Zona Franca de Manaus, estendeu os benefícios concedidos por aquele diploma a áreas da Amazônia Ocidental, delimitandoo. Quando o termo "de produção regional" aparecer isso quer dizer que a referencia é a Amazônia Ocidental e não Legal com afirma a requerente. Conclui se, no entanto que a AMBEV não tem direito a creditarse das aquisições da Pepsi Cola da Amazônia Ltda. Não gerando crédito ficto, pois o Estado do Mato Grosso não pertence a Amazônia Ocidental. Além do mais, a DRJ entendeu que o produto adquirido pela AMBEV junto à Pepsi da Amazônia é produto intermediário e não matériaprima, que é a exigência feita pela norma isencional, conforme disposto no artigo 6 do Decretolei n° 1.435/1975. Relativamente à segunda infração, que se refere à glosa de créditos oriundos de outos bens que não se enquadrem no conceito de insumos, a glosa foi levada a efeito com base no artigo 164, I do RIPI/2002, Parecer Normativo 65/79 e Parecer CST 181/74. Sem embargo a Recorrente alude o mesmo artigo 164, I, do RIPI/2002 a sua defesa afirmando que a legislação lhe da o direito ao credito sobre os insumos em decorrência de processo de industrialização, entendendo que o Fisco é restritivo em sua alegação que o exigido é que bens utilizados ou consumidos no processo industrial e que não façam parte de seu ativo permanente. Conforme a legislação do IPI, os insumos, matéria prima e produtos intermediários, são aqueles que originam créditos básicos ou seja geram direito subjetivo ao contribuinte de creditarse nos preceitos constitucionais da não cumulatividade do IPI. A norma é clara ao afirmar que somente dá direito ao crédito as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. O parecer normativo CST 65/79, afirma que produtos intermediários e matériasprima, não integrante do produto final, mas que sofrem desgastes, dano ou perda química ou física em sua propriedade na fabricação do produto, dá margem ao creditamento. Qualquer insumo que não atender tais requisitos não darão margem ao creditamento de IPI. Os produtos em analise não se destinavam a produção e nem eram consumidos no processo produtivo, como apresenta o Parecer Normativo CST 65/79, afastando a incidência do artigo 25 da Lei 4.502/64. No tocante à terceira infração. A autuada se creditou do IPI, destacado nas notas fiscais de entrada de refrigerantes e cervejas, cujos documentos fiscais foram emitidos por outro estabelecimento da mesma empresa e e estabelecimentos pertencentes ao mesmo grupo econômico. Informa que a produção destes produtos não foi por encomenda. A fiscalizada, emitiu notas fiscais de saída, destinadas a terceiros com IPI destacado ou notas fiscais de transferência para outras filiais onde se utilizou a suspensão do imposto. Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.069 8 O Fisco não aceita esse creditamento pois cervejas e refrigerantes são sujeitos ao regime da tributação monofásica e a Recorrente optou pelo regime especial. Os produtos fabricados pela autuada, refrigerante e cervejas, são produtos acabados e destinados a comercialização e por certo não podem ser objeto de creditamento. Não poderia ter ocorrido o aproveitamento dos créditos, pois já havia sido pago uma vez e não era mais devido na operação seguinte. Entendeu o contribuinte, que tributando esses produtos na saída eliminaria o prejuízo a Fazenda. Essa é uma questão acessória. O estabelecimento é industrial e não comercial, o que exclui a nãocumulatividade excluindo a conta do IPI, vez que deixa de ser contribuinte do IPI. O artigo 143 do RIPI/2002 não deixa margem a discussão, nele consta que os produtos do artigo 139, pagarão impostos uma só vez. Assim, conclui a DRJ que a Recorrente não teria razão. A fiscalização glosou um crédito indevido e refez a escrita do período de fiscalização chegando a diferença a pagar por período de apuração. O demonstrativo de apuração apresenta os respectivos períodos de apuração do valor a cobrar; uma vez que o saldo a pagar não foi realizado dentro do prazo legal, é cabível a aplicação da multa. Conforme artigo 136 do CTN, a multa de oficio independe a intenção do agente ou da natureza e extensão dos efeitos do ato. O importante é que o creditamento foi indevido foi refeita a escrita e restou saldo a pagar. A multa deve ser aplicada, sob pena de responsabilidade funcional do agente do Fisco. Nesse sentido, a DRJ julgou improcedente a impugnação. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente reiterou os seus argumentos. Por meio da referida resolução, restou decidido pela Turma Julgadora converter o julgamento em diligência para que fosse esclarecidos alguns pontos em relação a terceira infração anteriormente noticiada, a saber, creditamento do IPI no regime monofásico. A fiscalização, por sua vez, deu cumprimento as determinações contidas na referida resolução e apresentou o relatório de diligência fiscal (fls. 1.0311.036) com as seguintes considerações: (...) Coleta de dados para atendimento ao pedido do CARF 5) No que ser refere aos créditos do IPI oriundos da entrada de bebidas, foram glosados no Auto de Infração valores escriturados no período entre fevereiro de 2008 e dezembro de 2009. AO iniciar a presente diligência, por meio de Termo lavrado em 28/11/2014, esta fiscalização intimou o contribuinte a apresentar demonstrativo de débitos oriundos das saídas das mercadorias que foram recebidas no mês de setembro de 2008 e no mês de setembro de 2009. 5.1 Desta maneira, o pedido da fiscalização abrangeu apenas uma amostra das operações realizadas no período abrangido pela diligência: 9 ( nove) notas fiscais recebidas em setembro de 2008 e 121 (cento e vinte uma) notas fiscais recebidas em setembro de 2009. Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.070 9 6) Em resposta, o contribuinte entregou a esta fiscalização documentos datados de 02/02/2015, em que fez uma análise de todas as operações ocorridas entre fevereiro de 2008 e dezembro de 2009. 7) Para tentar atender ao solicitado na Resolução nº 3403000.566, o contribuinte efetuou um extenso levantamento na documentação fiscal, a fim de apurar, dentre as bebidas objeto do Auto de Infração, as quantidades e valores das mercadorias que em momento posterior foram tributadas na saída. 7.1 Em levantamento das notas fiscais emitidas pelo estabelecimento autuado e por dois outros estabelecimentos da mesma empresa ( filiais Belém e São Luís, que receberam 98,01% do total de saída dos produtos autuados), o contribuinte selecionou os CFOP referentes a saídas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros (revenda, transferência para terceiros, devolução de transferência), bem como outros CFOP que de alguma forma poderiam englobar as saídas dos produtos objeto de autuação (depósito, bonificação, demonstração, e consignação). 7.2 A empresa apurou que, consideradas apenas as quantidades registradas nas notas fiscais de saída emitidas pelo estabelecimento autuado, 90,28% dos produtos foram tributados na saída. 7.3 Em outro cenário, considerando as quantidades registradas nas notas fiscais de saída emitidas pelo estabelecimento autuado e também nas notas emitidas pelas filiais Belém e São Luís, o contribuinte apurou que 95,64% dos produtos foram tributados na saída. 8) O contribuinte concluiu que: 8.1) Usando o percentual de 90,28%, o valor de R$ 256.340,16 "tratase de saídas que tiveram o IPI debitado, ou seja, os produtos monofásicos creditados indevidamente na entrada do estabelecimento autuado foram oferecidos à tributação, na saída do próprio estabelecimento autuado, no momento de sua alienação a terceiros". 8.2) Usando o percentual de 95,64%, o valor de R$ 271.559, 29 " tratase de saídas que tiveram o IPI debitado, ou seja, os produtos monofásicos creditados indevidamente na entrada do estabelecimento autuado foram oferecidos à tributação, na saída do próprio estabelecimento autuado e dos Centros de Distribuições para os quais referidos produtos deram saída por transferência, no momento de sua alienação a terceiros. 8.3) Um dos dois percentuais acima citados, válidos para todo o período abrangido pela autuação, deve ser aplicado sobre o montante de créditos glosados em cada mês. 9) Em sua resposta, a empresa declarou que, a partir da análise de "Relatório Contábil de Giro de Estoque", constatou que a média de dias necessários para que haja o grio de estoque dos produtos autuados é de 44 dias. Observações da fiscalização sobre os dados apresentados 10) O levantamento efetuado pelo contribuinte confirmou que ele não tem condições de especificar, em relação a cada entrada do produto, o momento exato em que ocorreu a saída do produto. Em outras palavras, a empresa não tem condições de fazer uma correlação precisa entre notas fiscais de entrada e nota fiscal de saída de bebidas. Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.071 10 (...) 13) No caso sob análise, porém, não se cogita a manutenção de créditos. O levantamento efetuado pelo contribuinte para atender à diligência teve o objetivo de apurar o valor dos débitos que teriam sido indevidamente lançados nas saídas. 14) Ainda que a fiscalização não tenha motivos para duvidar que o contribuinte tenha procurado fazer um levantamento que, dentro do possível, fosse próximo da realidade, é fato incontroverso que a empresa não tem como segregar as notas fiscais de saída de produtos fabricados daqueles comercializados. Com isto, os números apresentados são uma estimativa, e não valores exatos. 15) Esta fiscalização conclui que não foi atendido de forma precisa o pedido transcrito no item 4 deste Relatório. 16) Outro ponto que esta fiscalização entende que deve ser analisado é a possibilidade ou não de reconhecimento de indébito por tributação indevida nas saídas mediante o aproveitamento direto na escrita fiscal do IPI. 16.1 O registro dos débitos indevidamente escriturados na reconstituição da escrita fiscal teria efeito equivalente ao de uma restituição de pagamento espontâneo indevido, procedimento atualmente disciplinado pela Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012. (...) 17) Na opinião desta fiscalização, não pode ser aceito o levantamento apresentado pelo contribuinte, não existindo qualquer alteração a ser feita no demonstrativo de reconstituição da escrita fiscal que integra o processo sob análise. 18) Evidentemente, a decisão sobre o procedimento a ser adotado como resultado da diligência depende da livre convicção dos ilustres conselheiros do CARF. Assim, no item a seguir constam dados a serem considerados caso o CARF venha julgar que os cálculos efetuados pelo contribuinte podem ser aceitos, e que o aproveitamento de valores correspondentes à tributação indevida nas saídas pode ocorrer mediante o registro de estornos de débitos na reconstituição da escrita fiscal do IPI. 19) Na hipótese do entendimento do CARF ser favorável ao contribuinte, o Acórdão terá que definir se o percentual a ser utilizado para fins de reconstituição da escrita fiscal é o citado no item 8.1 ou 8.2 deste Relatório (o contribuinte apresentou os dois cenários alternativos, sem fazem uma defesa de qual dever ser o escolhido para fins de reconstituição da escrita) (...) Intimada do resultado da diligência, a Recorrente apresentou manifestação carreada às fls. 1.0381.050 e, reiterou o pedido de provimento ao Recurso Voluntário com o cancelamento integral do Auto de Infração. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.072 11 I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 29.04.2013 (fls.865) e protocolou Recurso Voluntário em 24.05.2013 (fls. 867891), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões preliminares A Recorrente em sede recursal não arguiu questões preliminares, restringindo seu inconformismo apenas em relação ao mérito propriamente dito, a saber: (i) Ilegitimidade da glosa de créditos de produtos oriundos da Zona Franca de Manuas; (ii) Ilegitimidade da glosa dos créditos sobre a aquisição de bens utilizados na produção; e (iii) Descabimento da cobrança do IPI a partir da glosa dos créditos originários das mercadorias sujeita ao regime monofásico. O imposto foi recolhido na saída das mercadorias. Haveria, no máximo, postergação no seu pagamento. Deste modo, passase a análise dos argumentos suscitados pela Recorrente. III Mérito III.1 Ilegitimidade da glosa de créditos de produtos oriundos da Zona Franca de Manuas Em síntese apartada, entende a Recorrente que seu direito ao crédito tributário deverá ser reconhecido. Alega que a própria SUFRAMA reconhece o incentivo com base no artigo 6° do Decretolei 1.435/75, no qual fundamentam os artigos 82, III e 175 do RIPI/2002. Os kits, utilizados na fabricação de PepsiCola e PepsiCola Twist são fabricados a partir do açúcar de cana plantado no Mato Grosso; Faz interpretação teleológica da legislação incentiva entendendo que seu propósito foi fomentar o desenvolvimento da atividade agropecuária regionalmente de um modo geral, levando em conta, na interpretação da contribuinte, que regional não pode ser somente a Amazônia Ocidental e que o insumo não precisa ser típico, basta ser produzido na região. Essa é a hipótese que vigora nos autos, uma vez que o açúcar utilizado na fabricação do corante foi produzido no Mato Grosso, portanto na Amazônia Legal, assim se valendo do incentivo do artigo 82, inciso III, do RIPI/2002. Entende a Recorrente que a SUFRAMA é quem deve determinar se os estabelecimentos, localizados na Zona Franca de Manaus, devem ou não ter os incentivos federais. Argumenta mesmo que os produtos adquiridos pela PepsiCola não fossem enquadrados no artigo 82 III e 175 da RIPI/2002, seria legal o reconhecimento do direito ao crédito por força do tratamento tributário diferenciado advindo do artigo 40 da ADCT. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.073 12 Pois bem. Sobre o direito ao crédito como incentivo, é importante destacar inicialmente as determinações previstas no artigo 175 do RIPI/2002, quem assim previa: Art. 175. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º). Por sua vez, o artigo 6º,§1º, do DecretoLei nº 1.435/75 dispõe que: Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA. Nos termos da norma em regência, verificase que geram créditos os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental (área definida pelo Decretolei nº 291/67, e abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima2). Com efeito o DecretoLei nº 291/67 estabeleceu incentivos para o desenvolvimento da Amazônia Ocidental da Faixa de Fronteiras abrangida pela Amazônia, sendo que o §4º, do artigo 1º, do Decretolei nº 291/67 delimita sua abrangência somente aos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. No presente caso, as matériasprimas sob análise são concentrados adquiridos pela Recorrente da empresa PepsiCola Industrial da Amazônia Ltda., sendo que estes concentrados são fabricados a partir do corante caramelo produzido pela D.D Williamson do Brasil Ltda., a partir do açúcar de cana extraída no Estado do Mato Grosso. 2 Art. 1º Até o exercício de 1972, inclusive, não sofrerá incidência do impôsto de renda a parte ou o total dos lucros ou dividendos atribuídos às pessoas físicas ou jurídicas titulares de ações, cotas ou quinhões de capital de emprêsas localizadas na Amazônia, quando destinados para aplicação na faixa de recursos próprios de projetos aprovados na Região, para efeito de absorção dos recursos oriundos do impôsto de renda, de que tratam o art. 2º dêste Decretolei e o art. 7º da Lei nº 5.174, de 27 de outubro de 1966. § 4º Para os fins dêste decretolei a Amazônia Ocidental é constituída pela área abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre e Territórios de Rondônia e Roraima. Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.074 13 Assim, não procede a alegação da Recorrente de que todos os incentivos fiscais conferidos às empresas instaladas na Amazônia Ocidental se aplicam àquelas instaladas na ZFM. A respeito de todas as matérias levantadas pela Recorrente neste tópico, a saber: (i) isenção concedida pelo SUFRAMA; (ii) reconhecimento do direito ao crédito por força do tratamento tributário diferenciado advindo do artigo 40 da ADCT; e (iii) e do direito ao crédito previsto no artigo 82, inciso III, do RIPI/2002, pego emprestado as considerações apresentada pelo Conselheiro Antônio Carlos Atulim ao analisar caso idêntico ao aqui tratado (acórdão 3402002.927), o qual adoto como fundamento de decidir: Conforme se pode verificar nos autos, as glosas efetuadas pela fiscalização foram motivadas no fato de que os insumos não se enquadravam no disposto no art. 82, III, do RIPI/2002, por não terem sido elaborados com matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional, bem como no fato de que a isenção prevista no art. 69, II, do RIPI/2002 não gera direito ao crédito do IPI para o estabelecimento adquirente. Por seu turno, o contribuinte alegou que seu fornecedor está amparado por uma Resolução do Conselho de Administração da SUFRAMA, que reconheceu o direito à isenção prevista no art. 6° do DecretoLei n° 1.435 e que a Receita Federal não poderia simplesmente desconsiderar tal Resolução e efetuar o lançamento dos tributos que julga devidos. Se essa isenção não prevalecer, então deve prevalecer a isenção do art. 9° do DecretoLei n° 288/67, a qual também lhe garantiria o direito de crédito, a teor do art. 163, § 2° do RIPI/2002. Analisando o conteúdo da Resolução CAS n° 356/2002 (fls. 2036/2037), verificase que em momento algum a SUFRAMA concedeu o direito de isenção à recorrente. O que a Resolução CAS n° 356/2002 fez foi aprovar o projeto industrial de atualização da PepsiCola Industrial da Amazônia, com base no Parecer Técnico de Projeto n° 130/2002, para a produção de concentrado para bebidas não alcoólicas, com a finalidade de gozo dos incentivos previstos nos arts. 7° e 9° do DL n° 288/67 e no art. 6° do DL n° 1.435/75. Eis o excerto da fl. 2035 no qual se pode conferir o conteúdo da Resolução:(...) Portanto, o objeto dessa Resolução não foi o reconhecimento do direito subjetivo às isenções mencionadas. O CAS reconheceu apenas que a empresa cumpriu os requisitos que a habilitam a se instalar na região para usufruir daquelas isenções, mas isso de forma alguma significa que existe um despacho administrativo que reconheceu o direito subjetivo à isenção dos produtos. Isso porque nos artigos seguintes dessa mesma resolução, o CAS condicionou o direito à isenção ao cumprimento de outros requisitos, a saber: (...) O texto da Resolução CAS n° 356/2002 desautoriza a alegação da recorrente no sentido de que a SUFRAMA reconheceu o direito à isenção do art. 6° do DL n° 1.435/75. A SUFRAMA não reconheceu a priori o direito subjetivo à isenção, pois esse direito depende de uma conduta futura da requerente, consistente no cumprimento Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.075 14 de requisitos legais, os quais não poderiam ser aferidos pelo CAS no momento da emissão da resolução. Por tal motivo, também é improcedente a alegação no sentido de que a redação do art. 3°, inciso III, da Resolução teria legitimado a isenção ao se referir aos termos do Parecer Técnico de Projeto n° 130/2002, uma vez que esses pareceres apenas analisam a viabilidade técnica do empreendimento e não o cumprimento dos requisitos legais para a isenção. Esta constatação é feita com base na análise de Pareceres Técnicos de Projetos analisados por este relator em outros casos concretos, pois no caso específico o Parecer Técnico de Projeto n° 130/2002 não está presente nos autos. Sendo assim, salta aos olhos que a Resolução do CAS não reconheceu o direito subjetivo à isenção prevista no art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75, pois ninguém em sã consciência poderia reconhecer um direito condicionado a um comportamento futuro da empresa. O que a SUFRAMA reconheceu foi que o empreendimento era viável e que estava apto a usufruir do benefício estabelecido no art. 6° da DecretoLei n° 1.435/75, desde que, entre outros, cumprisse o PPB e que aplicasse matériaprima regional de origem vegetal nos concentrados. Reforça essa conclusão a redação do § 2° do art. 6° do DL n° 1.435/75, que estabelece claramente que a isenção só se aplica a produtos elaborados por estabelecimentos cujos projetos tenham sido aprovados pela Suframa. Ou seja, a aprovação do projeto é apenas um dos requisitos necessários para usufruir da isenção e não o reconhecimento do direito subjetivo à isenção. No que tange ao corante caramelo e ao açúcar produzido no Estado do Mato Grosso, o contribuinte alegou que esses insumos satisfazem o requisito legal de aplicação de matériaprima agrícola e extrativa de vegetal de produção regional, uma vez que no seu entender, o vocábulo "regional", contido no art. 6°, do Decreto Lei n° 1.435/75, deve ser entendido como abrangendo a área da Amazônia Legal, interpretação que já teria sido chancelada pela própria SUFRAMA. O referido dispositivo legal estabelece o seguinte, in verbis: "Art. 6° Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4° do art. 1° do Decretolei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967. (...) A análise da Resolução CAS n° 356/2002 revela que o Conselho de Administração da SUFRAMA em momento algum definiu o alcance do vocábulo regional empregado na referida resolução. Isso foi feito por meio de uma consulta respondida pelo superintendente adjunto de projetos, que unilateralmente se limitou a aceitar a interpretação proposta pela consulente, para considerar que "regional" tem o mesmo significado de "Amazônia Legal". Ao homologar a interpretação defendida pela consulente, o superintendente adjunto de projetos, de modo unilateral e monocrático, acabou por alargar a extensão do termo"regional" estabelecido no art. 6° do DL n° 1.435/75, cujo alcance nem de longe foi analisado pelo órgão colegiado (fl. 2122). Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.076 15 A competência para a aprovação dos projetos é do Conselho de Administração da SUFRAMA, a teor do art. 4° de seu Regimento Interno (Portaria MDIC 123/2008) , e não do superintendente adjunto de projetos. A competência da Superintendência Adjunta de Projetos está especificada no art. 58 do Regimento Interno e compreende apenas e tãosomente a análise de projetos (inciso I) e não a sua aprovação. Além disso, as atribuições do Conselho de Administração da SUFRAMA são tão relevantes, que sua composição está estabelecida em lei complementar. O art. 1° da Lei Complementar n° 68/1991, estabelecia a composição do Conselho de Administração nos seguintes termos: Art. 1° O Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), autarquia federal instituída pelo DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, passa a ter a seguinte composição: I representantes dos Governos dos Estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia, bem como os Prefeitos das respectivas capitais; II um representante de cada um dos seguintes Ministérios: a) da Economia, Fazenda e Planejamento; b) da Agricultura e Reforma Agrária; c) da InfraEstrutura; III o Secretário do Desenvolvimento Regional da Presidência da República; IV um representante da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República; V o Superintendente da Suframa; VI o Presidente do Banco da Amazônia S.A. (Basa); VII um representante das classes produtoras; VIII um representante das classes trabalhadoras (...) A partir de 14/01/2010 a Lei Complementar n° 68/91 foi revogada pela Lei Complementar n° 134/2010, passando o Conselho de Administração da SUFRAMA a ter a seguinte composição: 2o O Conselho terá a seguinte composição: I 10 (dez) Ministros de Estado, definidos em regulamento pelo Poder Executivo; II Governador e Prefeito da capital dos seguintes Estados: a) Amazonas; b) Acre; c) Amapá d) Rondônia; e Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.077 16 e) Roraima; III Superintendente da Suframa; IV Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES; V Presidente do Banco da Amazônia BASA; VI 1 (um) representante das classes produtoras; e VII 1 (um) representante das classes trabalhadoras. (...) Sendo assim, uma decisão proferida por um órgão colegiado com a relevância do Conselho de Administração da SUFRAMA, não pode ser alterada e nem ter seus termos estendidos por interpretação de quem quer que seja. Somente ao CAS, no âmbito de sua competência, caberia fixar em suas próprias resoluções o significado do vocábulo "regional" contido no art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75, e isso exclusivamente para o fim de aprovação do projeto e habilitação da empresa à fruição dos benefícios fiscais. A competência da SUFRAMA se limita à administração da Zona Franca de Manaus e da Amazônia Ocidental e à aprovação de projetos de empresas que pretendam se instalar nessas regiões, a teor dos arts. 10 e 11 do DL n° 288/67 e do art. 4°, I, "c" do Anexo I ao Decreto n° 7.139/2010. Em momento algum esses dispositivos legais conferiram à SUFRAMA a competência para reconhecer o direito subjetivo às isenções dos DL n° 288/67 e 1.435/75. Por seu turno, compete à Receita Federal a fiscalização do Imposto Sobre Produtos industrializados, a teor do art. 91 da Lei n° 4.502/64 combinado com o art. 2° da lei n° 11.457/2007 e arts. 427 e 428 do RIPI/2002. Desse modo, ao contrário do alegado, não houve desconsideração dos atos da SUFRAMA por parte da Receita Federal. E também não existe impedimento algum para que a fiscalização e os órgãos administrativos de julgamento, no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, interpretem o alcance do vocábulo "regional" contido no art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75. O contribuinte entende que o objetivo do DecretoLei n° 1.435/75 foi o de fomentar a expansão econômica da região com menor desenvolvimento econômico do país e de propiciar a ocupação dessa região. Por tal motivo, o termo "regional" deveria ser entendido como Amazônia Legal. A argumentação do contribuinte é improcedente. Os DecretosLeis n° 288/67 e 1.435/75 estabeleceram um tratamento fiscal privilegiado para industrializar as áreas da Zona Franca de Manaus e da Amazônia Ocidental. A industrialização dessas áreas traria o desenvolvimento econômico e como consequência a ocupação populacional daqueles territórios. Exatamente por essa razão é que o vocábulo "regional" contido no art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75 abrange apenas e tão somente as matériasprimas vegetais e extrativas produzidas na Amazônia Ocidental. No DecretoLei n° 1.435/75 o vocábulo "regional" só foi empregado uma única vez no art. 6°. Esse mesmo artigo 6° remete o leitor à área definida no § 4° do art. 1° do DecretoLei n° 291/67. Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.078 17 O DecretoLei n° 291/67 estabeleceu incentivos para o desenvolvimento da Amazônia Ocidental da Faixa de Fronteiras abrangida pela Amazônia. E o § 4° do art. 1° do DecretoLei n° 291/67, estabelece que a Amazônia Ocidental é constituída pela área abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. Tendo em vista que se trata de isenção, deve incidir o comando do art. 111, II, do CTN, que determina que as normas sobre isenção devem ser interpretadas de forma literal. Se o próprio art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75 remete à delimitação de Amazônia Ocidental contida no art. 1°, § 4°, do DecretoLei n° 291/67, não há como sustentar que "regional" se refere à Amazônia Legal. O conceito de Amazônia Legal foi criado apenas para os fins da Lei n° 5.173/66 (que instituiu o plano de valorização econômica da Amazônia) e abrange praticamente a metade do território brasileiro. Tanto que o art. 2° da referida lei já inicia a definição de Amazônia Legal da seguinte forma: "A Amazônia, para OS efeitos desta lei, abrange a região compreendida pelos Estados do Acre, Pará e Amazonas, pelos Territórios Federais do Amapá, Roraima e Rondônia, e ainda pelas áreas do Estado de Mato Grosso a norte do paralelo de 16°, do Estado de Goiás a norte do paralelo de 13° e do Estado do Maranhão a oeste do meridiano de 44°. (...)". Quisesse o legislador do DecretoLei n° 1.435/75 se referir à Amazônia Legal, teria remetido o leitor do art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75 à Lei n° 5.173/66 e não ao DecretoLei n° 291/67. A interpretação pretendida pelo contribuinte é inadmissível, não só em face do art. 111, II, do CTN, mas também por não ser crível que ao instituir uma isenção voltada especificamente ao desenvolvimento e à ocupação das áreas mais inóspitas do território nacional, o legislador tenha pretendido incluir no incentivo metade do território nacional, onde se localizam Estados como Mato Grosso e Goiás, verdadeiros celeiros da produção nacional de grãos. Assim, é evidente que o termo "regional" contido no art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75 se refere às matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais produzidas na Amazônia Ocidental, tal como definida no art. 1°, § 4°, do DecretoLei n° 291/67 e não na Amazônia Legal, que é um conceito meramente político criado exclusivamente para os fins da Lei n° 5.173/66. Reforça esta interpretação o texto da exposição de motivos do DecretoLei n° 1.435/75, onde se nota claramente que sua edição teve por objetivo corrigir falhas e distorções constatadas nos benefícios concedidos à Zona Franca de Manaus e à Amazônia Ocidental. É evidente que no caso concreto não foi respeitada a condição estabelecida na Resolução CAS n° 356/2002, pois não foram empregados na fabricação do concentrado matériasprimas de produção regional, uma vez que o açúcar que deu origem ao corante caramelo foi produzido no Mato Grosso e não na Amazônia Ocidental, o que justifica a glosa dos créditos no estabelecimento adquirente para o fim de exigência do IPI. Além disso, cabe acrescentar que o açúcar produzido no Estado do Mato Grosso e o próprio corante caramelo não se enquadram no conceito de matéria prima, pois são na verdade produtos intermediários industrializados e não Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.079 18 "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional" referidas no art. 6° do DL n° 1.435/75. A exigência legal é clara no sentido de que os produtos beneficiados pela isenção devam ser produzidos com matériasprimas vegetais provenientes de cultivo ou de extrativismo na região da Amazônia Ocidental. A lei não se referiu a produtos intermediários, mesmo que sejam produzidos com matériasprimas extraídas ou cultivadas na região, como parece ser o entendimento da recorrente. Reforça essa interpretação a redação do § 1° do mesmo art. 6°, na parte em que estabelece que os produtos mencionados no caput gerarão crédito ficto do IPI quando forem empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem na industrialização de produtos tributados. No âmbito do IPI, quando o legislador quer abranger os insumos em geral ele menciona as três espécies (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem). Sendo assim, se o caput do art. 6° só mencionou "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", não há espaço para a interpretação mais alargada pretendida pela recorrente, para o fim de incluir produtos intermediários fabricados na região, ainda que esses produtos intermediários tenham sido produzidos com matériasprimas de origem vegetal. Decorre daí que não têm nenhuma valia para a pretensão da recorrente a declaração emitida pela PepsiCola Industrial do Amazonas (fl. 2114/2115); a informação de que a SUFRAMA validou Laudo Técnico de Auditoria Independente, que teria demonstrado a conformidade da fornecedora com os requisitos legais (fls. 372/380), pois a competência para fiscalizar o IPI e as respectivas isenções é da Receita Federal. Também não tem nenhuma valia para o deslinde do caso concreto as disposições da Portaria MDIC/MCT n° 842/2007, pois além desta portaria se referir ao processo produtivo básico estabelecido para produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, o açúcar supostamente produzido no Estado do Mato Grosso e o corante caramelo não podem ser enquadrados como "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", mas sim como produtos intermediários industrializados, os quais não atendem ao requisito estabelecido no art. 6° do DL n° 1.435/75. A defesa invocou a isenção prevista no art. 9° do DecretoLei n° 288/67, pois os produtos foram produzidos na Zona Franca de Manaus. O direito ao crédito teria sido reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no RE 212.484 e o art. 163 do CTN garantiria o direito aos créditos como incentivo. Além disso, o art. 40 do ADCT também garantiria o direito de crédito ao dispensar tratamento diferenciado aos produtos produzidos na Zona Franca, não podendo o fisco aplicar à espécie o regime jurídico normal dos créditos de IPI. No que tange à isenção do art. 9° do DL n° 288/67, o referido diploma legal não estabeleceu de forma expressa o direito dos adquirentes aos créditos fictos do imposto. O art. 9° do DecretoLei n° 288/67 foi regulamentado pelo art. 69, I e II, do RIPI/2002. Da leitura desses dispositivos legais e regulamentares se constata que Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.080 19 não houve previsão expressa do direito ao aproveitamento do crédito ficto. Tendo em vista que nas notas fiscais de aquisição dos concentrados adquiridos com isenção não houve o destaque do imposto, não há direito do contribuinte efetuar o crédito, sendo inaplicável o art. 163, § 2° do RIPI/2002. Se o regulamento do IPI não contemplou com o direito de crédito os produtos adquiridos com isenção (exceção feita ao art. 175, do RIPI/2002), então, no âmbito do julgamento administrativo, não há como reconhecer o direito pleiteado pela recorrente, sob pena de ofensa ao art. 26A do Decreto n° 70.235/72, que vincula a atuação deste colegiado à observância e cumprimento de dispositivos com hierarquia igual ou superior a decreto. A Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal também não pode ser aplicada em benefício da recorrente, pois no julgamento do RE n° 566.819 o STF reformou seu entendimento quanto ao direito de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. Por outro lado, com o reconhecimento da repercussão geral no RE 592.891, a questão do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM se encontra pendente de julgamento pelo STF, o que retira o caráter de definitividade do RE 212.484, impedindo este colegiado de aplicar o art. 62 do RICARF para estender aquela interpretação ao caso concreto. Sendo assim, devem ser mantidas as glosas dos créditos incentivados nos moldes em que foi efetuada pela fiscalização. Não bastasse isso, destacase o fato de que a PepsiCola Industrial da Amazônia, em suas notas fiscais emitidas à Recorrente, deu saída com a isenção prevista no artigo 69, II, do RIPI/2002. Ou seja, o artigo 82, inciso III, do RIPI/2002, ou seu fundamento legal (art.6º, do DecretoLei nº 1.435/75), não foi informado nos referidos documentos, a teor do que determinava o inciso I do artigo 341 do RIPI/20023. Tal fato, embora não seja preponderante para concessão dos benefícios pleiteados pela Recorrente, reforça o acerto da fiscalização na glosa dos créditos incentivos, considerando que a própria detentora da isenção (PepsiCola) entende como correta a aplicação do artigo 69, II, do RIPI/2002 ou invés do artigo 82, inciso III, do RIPI/2002. Deste modo, com base nos elementos anteriormente explicitados, entendo que o lançamento fiscal, neste ponto, deve ser mantido nos moldes apurados pela fiscalização. III.2 Ilegitimidade da glosa dos créditos sobre a aquisição de bens utilizados na produção Neste ponto, importante destacar alguns pontos constante no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal que levaram a fiscalização glosar os créditos aproveitados pela Recorrente (fls.472474): 3 Art. 341. Sem prejuízo de outros elementos exigidos neste Regulamento, a nota fiscal dirá, conforme ocorra, cada um dos seguintes casos: I "Isento do IPI", nos casos de isenção do tributo, seguida da declaração do dispositivo legal ou regulamentar que autoriza a concessão; Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.081 20 "2.1 Verificouse que no campo "Outros Créditos" do livro Registro de Apuração do IPI, a fiscalizada se aproveitou dos seguintes valores, identificados como "itens manutenção" ou "material intermediário de produção": Período IPI creditado 31/10/2009 2.331,11 30/11/2009 3.153,84 31/12/2009 3.645,45 Total 9.130,40 Atendendo a pedido desta fiscalização, o contribuinte entregou uma listagem contendo os dados das notas fiscais que deram origem aos citados créditos. Constatouse que tais notas correspondem a partes, peças e acessórios de instalação, máquinas, equipamentos e ferramentas (esteiras transportadoras, filtros, sensores, reparos, engrenagens, mangueiras, roletes, rolamentos, correias, válvulas, molas, mancais, parafusos, buchas e etc.) 2.2 Analisando as notas fiscais que deram origem aos créditos escriturados pela fiscalizada nos CFOP 1.101, 2.101 e 3.101 (compras para industrialização) do livro de Registro de Apuração do IPI, verificouse a existência de valores correspondentes a aquisições de: a) partes e peças de máquinas, aparelhos e equipamentos; b) óleos e lubrificantes; c) outros produtos, como os utilizados para tratamento de água e para limpeza e assepsia, que não integram o produto final, nem tem contato direto com o produto em fabricação. Tais bens estão relacionados no quadro a seguir: Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.082 21 2.3 De acordo com o artigo 164, inciso I, do RIPI, o estabelecimento poderia creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização, salvo de compreendidos entre os vens do ativo permanente. (...) 2.4 Os bens descritos neste Termo nos subiten 2.1 (valores consignados no campo "Outros Créditos" do livro Registro de Apuração do IPI), e 2.2 (valores consignados neste livro sob os CFOP 1.101, 2.101 e 3.101) não geram direito a crédito, por não atenderem às condições mencionadas no subitem 2.3 deste termo. Por sua vez, a Recorrente assegura que todos os itens que tiveram glosados seus créditos, são consumidos na atividade industrial, ao serem empregados em máquinas para a fabricação das bebidas; discorre sobre os créditos glosados dos produtos e sua função e afirma que sua atividade está vinculada ao regulamento da ANVISA, de modo a impedir que impurezas alterem a composição e qualidade dos produtos industrializados. Com todo respeito ao argumentos tecidos pela Recorrente, razão não lhe assiste. Senão vejamos. No item "2.1" do Termo de Encerramento a fiscalização glosou os créditos relativos a partes, peças e acessórios de instalação, máquinas, equipamentos e ferramentas (esteiras transportadoras, filtros, sensores, reparos, engrenagens, mangueiras, roletes, rolamentos, correias, válvulas, molas, mancais, parafusos, buchas e etc), por entender que referidos itens não se coadunam aos preceitos legais do artigo 164, inciso I, do RIPI: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Analisando aos autos, não localizei nenhum documento capaz de comprovar que os produtos/bens foram utilizados e/ou consumidos no processo de industrialização, impedindo este relator de proceder uma averiguação pormenorizado de cada item. A própria Recorrente deixa de apresentar em seu recurso elementos concretos sobre o emprego desses itens em seu processo produtivo. Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.083 22 Assim, por insuficiência de documentos comprobatórios que comprovem a utilização das mercadorias mencionados no item 2.1 do Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal, entendo que deve ser mantida a glosa dos créditos de IPI no valor de R$ 9.130,40. Já em relação aos itens relacionados no item 2.2, insta tecer que conforme consta do documento emitido pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental CETESP (fls.769826) os produtos são utilizados para lavagem, higienização e esterelização de vasilhames. Sobre o assunto destacase trecho do Laudo emitido pela referida empresa: "c.2) Lavagem de garrafas Os vasilhames são cuidadosamente inspecionados e aqueles que estejam fora das especificações para uso (garrafas trincadas, bicadas, lascadas, lixadas, quebradas, suja) são retirados. Após a seleção, as garrafas são colocadas na esteira de transporte e entram nas lavadoras, onde iniciam o processo por um tanque de prélavagem com água. As garrafas muito suja são imersas em um tanque com solução alcalina de soda cáustica quente, para retirada da sujidade, impurezas e esterilizados. Por último, são enxaguadas em tanque com esguichos de água limpa." *** "a.4) Outros insumos produtos químicos: na produção de cerveja é utilizada uma ampla gama de produtos químicos, principalmente ácidos, soda e detergentes para as etapas de lavagem; hipoclorito ou outros produtos para desinfecção; cola para rótulos; lubrificantes e óleos hidráulicos para as máquinas; fluídos de trabalho para os sistemas de refrigeração; e aditivos para o produto (antiespumantes, conservantes, etc)." Como se vê, referidos produtos não se incorporem ao produto final, tampouco sofrem desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, afastando, assim, o direito ao creditamento do IPI. Neste sentido, decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508), cujos termos vincula este colegiado consoante regra referida acima contida no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.084 23 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Outro não é o entendimento manifestado no Pareceres Normativos CST nº 65/79 e o nº 181/74 que: [Parecer Normativo CST nº 65/79] 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, alem dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, incluídos no ativo permanente. [Parecer Normativo nº 181/1974] (...) 13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” Neste cenário, mantémse a glosa dos créditos relacionados aos bens anteriormente citados. III.3 Descabimento da cobrança do IPI a partir da glosa dos créditos originários das mercadorias sujeita ao regime monofásico. Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.085 24 Neste ponto, peço licença para novamente emprestar o entendimento explicitado pelo i. Conselheiro Antônio Carlos Atulim (acórdão 3402002.927) que admitiu o direito da Recorrente apropriarse dos créditos originários das mercadorias sujeita ao regime monofásico, o qual adoto como causa de decidir, a saber: "No que concerne aos créditos básicos glosados, é incontroverso que se referem às bebidas enquadradas no regime especial de tributação estabelecido na Lei n° 7.798/89, que além de ter estabelecido alíquotas específicas em lugar das "ad valorem" da TIPI, determinou no seu art. 4° que a incidência passaria a ser monofásica. Sendo assim, quando da fabricação dessas bebidas existe direito ao crédito normal do imposto destacado em notas fiscais de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na sua fabricação (art. 5° da Lei n° 7.798/89), mas tais produtos não conferem direito ao crédito em eventuais etapas seguintes, ressalvado o caso de industrialização por encomenda (art. 4°, § 1°). No caso concreto, o contribuinte não tinha direito ao crédito pelas aquisições de produtos acabados da filial AmbevJundiaí e nem das aquisições da empresa Londrina Bebidas, pois além de se tratarem de produtos acabados destinados à comercialização, o regime especial da Lei n° 7.798/89, só admite o crédito na hipótese de industrialização por encomenda, o que não se verificou no caso concreto. Sendo assim, foi correta a glosa dos créditos básicos efetuadas pela fiscalização. O problema é que uma parte desses produtos monofásicos foi tributada pela filial autuada no momento da saída. Ou seja, embora o crédito tenha sido indevido na entrada, houve débito, também indevido, em uma parte das saídas. Dizse "em uma parte das saídas", pois o próprio contribuinte alegou que uma parte dos produtos acabados que foram adquiridos para revenda foram transferidos a outras filiais da Ambev com suspensão do IPI, conforme o seguinte excerto do recurso voluntário, in verbis: (...) Diante dessa alegação, a defesa concluiu pela ocorrência de um bis in idem, pois o imposto exigido em decorrência da glosa dos créditos já teria sido recolhido antes mesmo do início da ação fiscal, em razão de o imposto ter sido debitado nas saídas, seja pela própria filial autuada, seja por outras filiais que receberam os produtos em transferência. No caso das saídas ocorridas com suspensão não há que se falar em bis in idem, pois no caso do IPI prevalece o princípio da autonomia dos estabelecimentos, previsto no art. 313 do RIPI/2002, in verbis: Art. 313. Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz (Lei n° 4.502, de 1964, art. 57). Sendo assim, se a própria empresa reconhece que houve o crédito nas entradas, mas que ocorreram saídas com suspensão, isso representa a confirmação de que não houve pagamento na saída do estabelecimento fiscalizado e a glosa efetuada pela fiscalização não configura nenhum bis in idem, pois o estabelecimento fiscalizado (filial AmbevAnápolis) se creditou indevidamente e Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.086 25 nada pagou na saída, uma vez que os produtos saíram com suspensão para outras filiais. No que concerne às saídas em que houve débito do imposto, embora se tratem de débitos indevidos, pois os produtos estavam sob o regime monofásico, é inegável que a glosa dos créditos sem levar em consideração esses débitos (ainda que indevidos) gera um bis in idem, pois o mesmo estabelecimento acabará pagando o IPI duas vezes pelo mesmo fato. Tendo em vista que os documentos apresentados com a impugnação serviram apenas como indício do bis in idem, este relator acabou sendo convencido pelo então Conselheiro Alexandre Kern a converter o julgamento em diligência, pois no processo n° 18470.731952/201169 o referido conselheiro havia se deparado com uma situação semelhante. O objeto da diligência foi a comprovação do bis in idem, ou seja, o contribuinte deveria demonstrar que tributou as saídas dos produtos sujeitos ao regime monofásico, adquiridos de terceiros ou recebidos de outras filiais, em relação aos quais tomara indevidamente o crédito. Nesse passo, a defesa apresentou um trabalho elaborado pela empresa de auditoria independente KPMG, cujo relatório se encontra às fls. 2255/2347, por meio do qual foi constado, em síntese, o seguinte: 82,26% dos produtos monofásicos em relação aos quais a filial Anápolis tomou o crédito indevido sofreram débito de IPI na saída para terceiros; 17,74% dos produtos monofásicos em relação aos quais a filial Anápolis tomou o crédito indevido foram transferidos para outras filiais sem lançamento de IPI na saída; o tempo médio para que ocorra o giro de estoque é de 2,16 dias. A fiscalização contestou esse trabalho da auditoria KPMG, basicamente pelos seguintes motivos: 1) os livros de entrada e de saída comprovam que para os mesmos fatos contábeis o contribuinte não adota procedimento uniforme. Existem aquisições de produtos monofásicos em que ora as entradas ocorrem com crédito do imposto e ora ocorrem sem crédito. Da mesma forma, ora as saídas desses produtos ocorrem com débito do IPI e ora sem débito; 2) a auditoria independente não respeitou os períodos de apuração do imposto, que eram decendiais até maio de 2008 e passaram a ser mensais a partir de junho de 2008, tendo apurado um percentual relativo às saídas tributadas e aplicado esse percentual ao crédito glosado o que não pode ser aceito; e 3) como não foram apresentados os valores tributados obedecendo o critério legal por períodos de apuração, não foi possível fazer a reconstituição dos saldos da escrita fiscal, conforme solicitado na diligência. Já o contribuinte em sua manifestação de fls. 2588/2602, alegou, em síntese, que: 1) 91,51% dos produtos monofásicos foram tributados na saída seja da própria filial, seja nas saídas de ouras filiais para as quais os produtos foram remetidos com suspensão; 2) a fiscalização confirmou que os produtos vendidos pela filial Anápolis são tributados pela própria filial na saída; 3) a fiscalização não cumpriu o que fora solicitado pela diligência; e 4) não houve contestação da prova produzida e a alegação de transferência de créditos entre estabelecimentos é impertinente ao caso concreto. Pois bem, sopesando as alegações das partes e o quanto foi solicitado em diligência, considero que restou comprovado de forma satisfatória que uma parte Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.087 26 dos produtos monofásicos foram tributados na saída da filial AmbevAnápolis, ora autuada. A objeção oposta pelo ilustre AuditorFiscal autuante, quanto à falta de uniformidade no critério de escrituração dos livros de entrada e de saída, não prejudicou e nem interferiu na apuração elaborada pela auditoria, pois a KPMG rastreou apenas os produtos objeto da glosa (os quais, obviamente, geraram o crédito indevido), conforme restou consignado no relatório da KPMG (fl. 2264): (...) No que concerne aos percentuais propriamente ditos, a defesa almeja que se considere o valor de 91,51%. Entretanto, tal valor não pode ser considerado, pois conforme já restou dito alhures, a verificação do bis in idem deve levar em conta o princípio da autonomia dos estabelecimentos, não sendo possível considerar pagamentos efetuados por outras filiais. Sendo assim, só se pode considerar que a glosa efetuada pela fiscalização configurou bis in idem em relação a 82,26% dos produtos saídos do estabelecimento, pois quanto aos outros 17,74% a filial AmbevAnápolis beneficiouse do crédito indevido e nada pagou na saída. A questão principal que este colegiado deverá decidir é se os 82,26% podem ser aplicados de maneira uniforme sobre os valores das glosas a fim de revertêlas nesse percentual, ou se seria necessária a demonstração precisa do valor debitado em relação aos produtos monofásicos saídos a cada período de apuração. A fiscalização questionou o critério adotado pela auditoria KPMG, pois no seu entender a apuração do IPI obedece ao critério dos períodos de apuração estabelecidos em lei. Para o ilustre AuditorFiscal seria necessária a demonstração do valor exato que foi debitado pela saída de produtos monofásicos recebidos em transferência a cada período de apuração. De fato, esse seria o critério ideal caso ele não configurasse a exigência de uma prova impossível de ser produzida. Este relator entende que é praticamente impossível fazer a apuração da forma pretendida pela fiscalização porque os produtos monofásicos em relação aos quais a empresa tomou o crédito indevido enquadramse na categoria dos bens fungíveis. E sendo assim, pode ser que em uma mesma nota fiscal de saída, uma parte das bebidas tenham gerado o crédito glosado e outra parte tenha sido produzida pela própria filial. Foi por esse motivo que a auditoria KPMG optou pela demonstração da tributação das saídas em termos percentuais considerando o ano calendário de 2008 e, para legitimar esse procedimento, precisou obter o tempo médio de giro do estoque, para poder assegurar que os produtos que geraram o crédito indevido entraram e saíram do estoque durante o ano de 2008. O art. 2° da Lei n° 9.784/99 prescreve que a Administração Pública na sua atuação obedecerá aos princípios da razoabilidade e da moralidade. A moralidade tem aplicação inconteste a este processo, pois ninguém pode ser cobrado duas vezes por um mesmo valor. Ainda que seja evidente que o contribuinte violou normas regulamentares que dizem respeito ao crédito e ao lançamento do imposto, ofende o senso de justiça do homem médio a exigência de imposto que já foi debitado pelo estabelecimento industrial antes mesmo do início da ação fiscal. Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.088 27 Já a aplicabilidade do princípio da razoabilidade no caso concreto reside apenas e tãosomente na aceitabilidade da prova produzida na diligência. Embora o correto fosse apurar o débito da forma alegada pela fiscalização, essa tarefa é praticamente impossível no caso concreto, diante da fungibilidade dos produtos. O trabalho realizado pela auditoria KPMG produz a convicção no julgador de que 82,26% das saídas dos produtos monofásicos glosados ao longo de 2008 ocorreram com tributação do IPI. A aplicação uniforme desse percentual sobre as glosas de créditos básicos efetuadas em cada período de apuração, configura prestígio da Administração àqueles dois princípios legais sem nenhum prejuízo ao interesse das partes. A União estará recebendo o IPI lançado de ofício apenas sobre a parcela do crédito que beneficiou indevidamente o contribuinte. E o contribuinte estará pagando apenas pelo prejuízo que causou à União e pagando com juros de mora e multa de ofício. Por fim, cabe esclarecer que este julgado não está absolvendo o contribuinte da infração que lhe foi imputada: escrituração de créditos básicos indevidos pela entrada de produtos monofásicos e de ter dado saída com tributação indevida ou com suspensão a tais produtos. Este julgado apenas aplicou os princípios da moralidade e da razoabilidade para admitir a prova de que houve anulação de 82,26% do crédito indevido por débitos efetuados na saída, não se podendo cobrar novamente o imposto sobre esse percentual de saídas. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para que os 82,26%, correspondentes às saídas tributadas de produtos monofásicos (que geraram os créditos básicos glosados), seja aplicado aos valores glosados sob essa rubrica em cada período de apuração, conforme discriminado na fl. 06, a fim de que seja revertida a glosa nesse percentual, afastandose o bis in idem. Os saldos da escrita fiscal deverão ser reconstituídos considerandose como glosa 17,74% do valor glosado a cada período de apuração. No presente caso, a única diferença que prevalece em relação a citada decisão são os percentuais apurados pela Recorrente, os demais fatos e fundamentos são idênticos e merecem o mesmo tratando. Como se vê, no relatório de diligência fiscal (fls. 1.0311.036) a empresa apurou que, consideradas apenas as quantidades registradas nas notas fiscais de saída emitidas pelo estabelecimento autuado, 90,28% dos produtos foram tributados na saída. Além disso, a Recorrente apurou que as quantidades registradas nas notas fiscais de saída emitidas pelo estabelecimento autuado e também nas notas emitidas pelas filiais Belém e São Luís 95,64% dos produtos foram tributados na saída. Considerando que o entendimento deste relator foi fundamentado na decisão proferida no acórdão nº 3402002.927 e, que lá fora reconhecido o direito do crédito somente em relação aos pagamentos realizados pela Recorrente, desconsiderando os pagamentos efetuados por outras filiais, entendo que o percentual à ser aplicado neste processo é 90,28%. Por todo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas para que os 90,28%, correspondentes às saídas tributadas de produtos monofásicos (que geraram os créditos básicos glosados), seja aplicado aos valores glosados sob essa rubrica em cada período de apuração, conforme discriminado na fl. 475 do Relatório de Encerramento de Procedimento Fiscal, a fim de que seja revertida a glosa nesse percentual, Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.089 28 afastandose o bis in idem. Os saldos da escrita fiscal deverão ser reconstituídos considerando se como glosa 9,72% do valor glosado a cada período de apuração. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde. Com o devido respeito aos argumentos do relator, divirjo quanto à possibilidade de creditamento de IPI sobre as aquisições de cervejas e refrigerantes sujeitos à tributação monofásica de que tratam a Lei nº 7.798/1989 e o regime especial da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcritos: Lei nº 7.798/11989: Art. 4o Os produtos sujeitos aos regimes de que trata esta Lei pagarão o imposto uma única vez, ressalvado o disposto no § 1o: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Lei nº 13.241, de 2015) a) os nacionais, na saída do estabelecimento industrial ou do estabelecimento equiparado a industrial; b) os estrangeiros, por ocasião do desembaraço aduaneiro. Lei nº 10.833/2003: Art. 58N. No regime especial, o IPI incidirá: (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (Regulamento) (Revogado pela Lei nº 13.097, de 2015) (Vigência) I – uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial, observado o disposto no parágrafo único; e (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) II – sobre os produtos de procedência estrangeira no desembaraço aduaneiro e na saída do estabelecimento importador equiparado a industrial. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) Parágrafo único. Quando a industrialização se der por encomenda, o imposto será devido na saída do estabelecimento que industrializar os produtos, observado o disposto no parágrafo único do art. 58A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) Segundo o Termo de Constatação Fiscal (efls. 401), a recorrente se creditou do IPI relativo às entradas dos refrigerantes e cervejas e, posteriormente, deu saídas tributadas Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.090 29 pelo IPI, mediante notas fiscais de vendas a terceiros com destaque do IPI ou mediante notas de transferência para outras filiais, sem destaque do IPI, uma vez que foi utilizada a suspensão do imposto. A recorrente, por sua vez, alegou em recurso voluntário que o trabalho fiscal deveria ser cancelado, pois não foi provada a falta de recolhimento do IPI e que o fato de a recorrente debitar nas saídas implicaria, quando muito, a postergação no recolhimento do imposto. Em adição, alegou que, em caso de dúvidas quanto aos cálculos apresentados, bastaria a realização de diligência para confirmação. Na sessão de 23 de julho de 2014, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência, mediante a Resolução nº 3403000.566, para que a recorrente fizesse prova cabal do lançamento indevido dos débitos de IPI nas saídas das mercadorias recebidas para revenda, inclusive nas realizadas com suspensão, devendo a recorrente realizar a necessária conciliação contábilfiscal, evidenciando o indébito, reconstituindo a escrita fiscal dos períodos de apuração, excluindo os débitos indevidamente lançados e ajustandose o lançamento. Salientase, de início, que o procedimento adotado pela recorrente não se amolda ao instituto da postergação de tributo, em decorrência da inobservância do regime de competência, pois que não houve antecipação de um creditamento de IPI, nem postergação da escrituração de um débito de IPI. No caso, tratase de escrituração indevida tanto de crédito quanto de débito, em razão da legislação já mencionada que prevê a incidência uma única vez. Para corrigir a escrita fiscal a favor da recorrente, foi deferida diligência expressa no sentido de se excluir os débitos de IPI indevidamente escriturados e proceder ao ajuste no lançamento. Ocorre que o Termo de Constatação elaborado pela KPMG, não cumpriu a diligência no sentido de se identificar o IPI indevidamente debitado, reconstituir a escrita fiscal e ajustar o lançamento com os novos saldos que seriam apurados, mas, sim, caminhou no sentido de convalidar o procedimento efetuado pela recorrente de se creditar indevidamente e se debitar indevidamente, concluindo que o procedimento provocaria a anulação dos efeitos entre si. Elaborouse demonstrativos para se estipular o percentual de unidades de bebidas creditadas dentre as unidades de saídas, o que se mostra injustificável, diante da própria assertiva realizada no termo de que a Ambev "escriturou de acordo com o exigido pela legislação aplicável e mantém em boa ordem e guarda os documentos fiscais relativos às operações de entradas dos produtos [...] recebidos por transferência de outro estabelecimento da Companhia, assim como das saídas desses mesmos produtos, [...]" e que também foram apresentados "quadros de controles interno denominados "demonstrativo de entrada" (Anexo 1.1) e "Demonstrativo de saída (Anexo 2.1), relacionando as Notas Fiscais de entrada e saída, que demonstram a movimentação de aquisição e saída dos produtos relacionados no AIIM [...]". Concluiu a auditoria que "com base nas constatações descritas acima, atestamos que a Ambev mantém em boa ordem e guarda documentação contábil e fiscal regular e consistente capaz de permitir o controle efetivo da movimentação das operações realizadas no período de fevereiro de 2008 a dezembro de 2009, o qual envolve a aquisição e as saídas tributadas dos produtos listados no AIIM [...]" (efls. 940/942). Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.091 30 Tais afirmações se mostram incompatíveis com o descumprimento da diligência, pois se a documentação contábil e fiscal era regular e consistente, capaz de permitir o controle efetivo das movimentações de aquisição e saídas tributadas, bastaria, então, identificar as notas fiscais de saída relativas às entradas glosadas, expurgar o IPI destacado nestas notas da escrituração fiscal (Livro Registro de Apuração de IPI), reconstituir a escrita e os saldos devedores em cada período autuado, para então promover a redução dos valores lançados. Porém, incompreensivelmente, nada disso foi feito. Ressaltase que a legislação prevê o controle efetivo da produção e do estoque, pela escrituração do Livro Registro de Controle da Produção e Estoque, modelo 3, conforme artigo 383 e seguintes do RIPI/2002, o que, aparentemente, possuía a recorrente. Art. 383. O livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, destinase ao controle quantitativo da produção e do estoque de mercadorias e, também, ao fornecimento de dados para preenchimento do documento de prestação de informações à repartição fiscal. § 1º Serão escriturados no livro os documentos fiscais relativos às entradas e saídas de mercadorias, bem como os documentos de uso interno, referentes à sua movimentação no estabelecimento. § 2º Não serão objeto de escrituração as entradas de produtos destinados ao ativo fixo ou ao uso do próprio estabelecimento. § 3º Os registros serão feitos operação a operação, devendo ser utilizada uma folha para cada espécie, marca, tipo e modelo de produtos. § 4º A SRF, quando se tratar de produtos com a mesma classificação fiscal na TIPI, poderá autorizar o estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, a agrupálos numa mesma folha. Art. 384. Os registros serão feitos da seguinte forma: I no quadro "Produto": identificação do produto; II no quadro "Unidade": especificação da unidade (quilograma, litro etc.); III no quadro "Classificação Fiscal": indicação do código da TIPI e da alíquota do imposto; IV nas colunas sob o título "Documento": espécie e série, se houver, do respectivo documento fiscal ou documento de uso interno do estabelecimento, correspondente a cada operação; V nas colunas sob o título "Lançamento": número e folha do livro Registro de Entradas ou Registro de Saídas, em que o documento fiscal tenha sido registrado, bem como a respectiva codificação contábil e fiscal, quando for o caso; VI nas colunas sob o título "Entradas": Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.092 31 a) coluna "Produção No Próprio Estabelecimento": quantidade do produto industrializado no próprio estabelecimento; b) coluna "Produção Em Outro Estabelecimento": quantidade do produto industrializado em outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiros, com MP, PI e ME , anteriormente remetidos para esse fim; c) coluna "Diversas": quantidade de MP, PI e ME , produtos em fase de fabricação e produtos acabados, não compreendidos nas alíneas a e b, inclusive os recebidos de outros estabelecimentos da mesma firma ou de terceiros, para industrialização e posterior retorno, consignandose o fato, nesta última hipótese, na coluna "Observações"; d) coluna "Valor": base de cálculo do imposto, quando a entrada dos produtos originar crédito do tributo; se a entrada não gerar crédito ou quando se tratar de isenção, imunidade ou nãoincidência, será registrado o valor total atribuído aos produtos; e e) coluna "IPI": valor do imposto creditado; VII nas colunas sob o título "Saídas": a) coluna "Produção No Próprio Estabelecimento": em se tratando de MP, PI e ME , a quantidade remetida do almoxarifado para o setor de fabricação, para industrialização do próprio estabelecimento; no caso de produto acabado, a quantidade saída, a qualquer título, de produto industrializado do próprio estabelecimento; b) coluna "Produção Em Outro Estabelecimento": em se tratando de MP, PI e ME , a quantidade saída para industrialização em outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiros, quando o produto industrializado deva ser remetido ao estabelecimento remetente daquelas MP, PI e ME; em se tratando de produto acabado, a quantidade saída, a qualquer título, de produto industrializado em estabelecimentos de terceiros; c) coluna "Diversas": quantidade de produtos saídos, a qualquer título, não compreendidos nas alíneas a e b; d) coluna "Valor": base de cálculo do imposto; se a saída estiver amparada por isenção, imunidade ou nãoincidência, será registrado o valor total atribuído aos produtos; e e) coluna "IPI": valor do imposto, quando devido; VIII na coluna "Estoque": quantidade em estoque após cada registro de entrada ou de saída; e IX na coluna "Observações": anotações diversas. Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.093 32 § 1º Quando se tratar de industrialização no próprio estabelecimento, será dispensada a indicação dos valores relativos às operações indicadas na alínea a, do inciso VI, e na primeira parte da alínea a, do inciso VII. § 2º No último dia de cada mês serão somados as quantidades e valores constantes das colunas "Entradas" e "Saídas", apurandose o saldo das quantidades em estoque, que será transportado para o mês seguinte. Art. 385. O livro poderá, a critério da autoridade competente do Fisco Estadual, ser substituído por fichas: I impressas com os mesmos elementos do livro substituído; II numeradas tipograficamente, de um a novecentos e noventa e nove mil, novecentos e noventa e nove; e III prévia e unitariamente autenticadas pelo Fisco Estadual ou pela Junta Comercial. Parágrafo único. Deverá ainda ser visada, pela repartição do Fisco Estadual, ou pela Junta Comercial, fichaíndice, na qual, observada a ordem numérica crescente, será registrada a utilização de cada ficha. Art. 386. A escrituração do livro ou das fichas não poderá atrasarse mais de quinze dias. Escrituração Simplificada Art. 387. A escrituração do livro Registro de Controle de Produção e do Estoque poderá ser feita com as seguintes simplificações: I escrituração do total diário na coluna "Produção No Próprio Estabelecimento", sob o título "Entradas"; II escrituração do total diário na coluna "Produção No Próprio Estabelecimento", sob o título "Saídas", em se tratando de MP, PI e ME , quando remetidos do almoxarifado para industrialização no próprio estabelecimento; III nos casos previstos nos incisos I e II, fica igualmente dispensada a escrituração das colunas sob o título "Documento" e "Lançamento", exceção feita à coluna "Data"; e IV escrituração diária na coluna "Estoque", em vez de ser feita após cada registro de entrada ou saída. Parágrafo único. Os produtos que tenham pequena expressão na composição do produto final, tanto em termos físicos quanto em valor, poderão ser agrupados numa mesma folha, se possível, desde que se enquadrem no mesmo código da TIPI. Controle Alternativo Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302004.410 S3C3T2 Fl. 1.094 33 Art. 388. O estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, e o comercial atacadista, que possuir controle quantitativo de produtos que permita perfeita apuração do estoque permanente, poderá optar pela utilização desse controle, em substituição ao livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, observado o seguinte: I o estabelecimento fica obrigado a apresentar, quando solicitado, aos Fiscos Federal e Estadual, o controle substitutivo; II para a obtenção de dados destinados ao preenchimento do documento de prestação de informações, o estabelecimento industrial, ou a ele equiparado, poderá adaptar, aos seus modelos, colunas para indicação do valor do produto e do imposto, tanto na entrada quanto na saída; e III o formulário adotado fica dispensado de prévia autenticação. Todavia, como já dito, a recorrente não quis atender ao requerido na diligência, mas sim efetuar sua própria apuração, com o fito de se convalidar o creditamento, repitase, vedado pela legislação. Destarte, nego provimento ao recurso voluntário nesta matéria. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1094DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.903040/2012-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/07/2002
REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62-A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/07/2002
BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. EXCLUSÃO DO ICMS. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto em virtude de operações ou prestações próprias compõe o preço da mercadoria e, logo, o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.632
Decisão: Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, e Tiago Guerra Machado, em afastar a proposta, presente na parte inicial do voto do relator, de sobrestar o julgamento de mérito até o trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário (RE) n. 574.706. Por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge DOliveira e André Henrique Lemos, ambos defendendo a exclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas este em função da notoriedade da decisão proferida pela Suprema Corte no citado RE.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2002 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. EXCLUSÃO DO ICMS. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto em virtude de operações ou prestações próprias compõe o preço da mercadoria e, logo, o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, e Tiago Guerra Machado, em afastar a proposta, presente na parte inicial do voto do relator, de sobrestar o julgamento de mérito até o trânsito em julgado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 30 40 /2 01 2- 42 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 3 2 da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário (RE) n. 574.706. Por maioria de votos, negouse provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D’Oliveira e André Henrique Lemos, ambos defendendo a exclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas este em função da notoriedade da decisão proferida pela Suprema Corte no citado RE. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl e André Henrique Lemos. Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, apurou incorretamente a contribuição ao PIS, pois efetuou o recolhimento sobre o ICMS, cujos valores não compõem a base de cálculo das contribuições sociais, o que resultou em recolhimento indevido com base no art. 165 do Código Tributário Nacional; (ii) não procedeu à retificação de suas declarações (DIPJ e DCTF) para que restasse evidenciado o pagamento indevido, o que levou a autoridade fiscal a não constatar o recolhimento a maior; (iii) o mero erro de preenchimento da DCTF não possui o efeito de constituir a obrigação tributária, devendo a Administração, em prestígio à verdade material, rever de ofício os erros formais quando constatados. Foi proferido Acórdão DRJ nº 14053.271, julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2002 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 4 3 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade do despacho decisório só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitase a alegação de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada à existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo, no domicílio fiscal eleito por ele. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos.Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. PIS. COFINS. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS e COFINS. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 5 4 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.627 de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.903037/201229, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, (Acórdão 3401003.627): "7. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 8. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, que a DCTF é um instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, em conformidade com o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a obrigação acessória em referência. Desta forma, quando da transmissão da PER/DComp, diante da inexistência do crédito em virtude de o pagamento estar integralmente alocado ao débito, não houve outra possibilidade à autoridade fiscal senão indeferir o pleito formulado. 9. Contudo, ainda que transposto tal obstáculo, e ainda que se compreenda que a DCTF apresentada com erro jamais poderá afastar a existência de pagamento indevido, justamente por não guardar entre seus predicados o condão de definir o conteúdo material e quantitativo do fato gerador, cabendolhe unicamente refletir a obrigação tributária, declarandoa, e não criála, ainda que constitua o crédito correspondente, há de se perquirir a questão de fundo que fundamentou a pretensão da contribuinte: a possibilidade ou não da exclusão dos valores correspondentes ao ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS. 1 Da necessidade do sobrestamento do presente feito (...)1 Nada obstante as bem lançadas razões do eminente Cons. Relator, peço vênia para dele divergir quanto à proposta de sobrestamento deste processo administrativo, a fim de se aguardar a publicação da decisão exarada no RE nº 574.706RG, que fixou a tese consoante a qual o ICMS não compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins. Nesse passo, a remissão ao RE nº 566.622/RS, como paradigma da providência indicada, a meu sentir, não serve ao caso dos autos, haja vista que naquela situação, como destacado pelo próprio Relator, houve ordem expressa do Min. Marco Aurélio, a pedido de parte interessada, para que o presidente do CARF suspendesse o curso de todos os processos administrativos que versassem sobre a matéria discutida no recurso extraordinário, o que inocorre em relação ao RE 574.706RG, não podendo serlhe estendido os efeitos daquele por analogia. 1 Não foi transcrita a parte do voto do relator do paradigma que tratou do sobrestamento por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tão somente, o entendimento que prevaleceu sobre a questão. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 6 5 Respeitante às disposições do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015, arts. 927 e 928), não é demais lembrar que sua admissão no processo contencioso administrativo se faz de maneira subsidiária, acaso inexistente norma que regule a questão processual. No caso vertente, a possibilidade de sobrestamento dos processos administrativos, ante o reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, encontrava expressa previsão no art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, incluído pela Portaria MF nº 586/2010, verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” (destacado) Aludida previsão de sobrestamento, no entanto, foi posteriormente revogada pela Portaria MF 545, de 18/11/2013: “Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.” Com o advento da Portaria MF nº 343/2015, que veiculou o novo regimento interno do sodalício, não foi reproduzido o instituto, o que demonstra a opção por não acolher, nesse ponto, as determinações do Código de Processo Civil, de modo que a sua reimplantação significaria, por via oblíqua, repristinálo na contramão das disposições e alterações regimentais havidas ao longo do tempo. A ausência de referência ao sobrestamento, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema, não denota omissão regimental, como pode parecer, mas intenção deliberada de não adotar a providência em sede administrativa, o que implica no necessário julgamento do processo no estado em que se encontra, à luz da legislação e jurisprudência vinculante vigentes nessa ocasião. Oportuno destacar que a observância obrigatória das decisões prolatadas pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ex vi do art. 62 do RICARF/15, somente é exigível após o respectivo trânsito em julgado, consoante inteligência do art. 1.040, caput, do CPC (Lei nº Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 7 6 13.105/15) e art. 28 da Lei nº 9.868/99, o que não ocorre com o RE 574.706RG, cuja decisão plenária sequer foi publicada e ainda sujeita a recursos. Com essas considerações, voto por não acolher o sobrestamento proposto. ... 2. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS 20. Uma vez não acolhida a proposta de resolução deste relator, em conformidade com o resultado do julgamento registrado em ata, passa se ao exame do mérito. 21. Excelentes argumentos militam em favor das contribuintes no sentido da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, entre os quais se destacam: (i) a existência de destaque do ICMS que torna possível se aferir o montante exato que se inclui na base de cálculo das contribuições, (ii) a existência de repercussão jurídica, no sentido de que o imposto se materializa em um valor repassado juridicamente à contribuinte tendo como destino os cofres públicos, o que implica a ideia de mera transferência ou repercussão, (iii) configuração de situação nãoisonômica, uma vez que contribuintes que exercem a mesma atividade passam a ser tratados desigualmente a depender da alíquota aplicável de ICMS. 22. Entendemos, contudo, que o ICMS integra o valor final da operação de venda e compra, e a chamada "incidência por dentro" não é vedada, salvo nos casos específicos previstos pela legislação. Assim, não há vedação genérica para que um tributo inclua outro, ou até mesmo ele próprio, em sua base de cálculo, e este é o caso do IPI ao incidir sobre o ICMS ou do ICMS, ao incidir não apenas sobre o próprio ICMS, como também sobre o IPI. Tal circularidade em nada destoa das normas de regência do sistema tributário nacional: a incidência por dentro convive em igualdade de condições com a incidência por fora, como ocorre no caso da CSL, hipótese em que se verifica a exclusão do tributo da sua base de cálculo. Há de se destacar, ainda, que a Lei nº 10.637/2002 (arts. 1o ao 11) e a Lei nº 10.833/2003 (arts. 1o ao 16) não contemplam a hipótese da exclusão do ICMS incluído no preço de venda. Destacase trecho do voto do Ministro Gilmar Mendes para subsidiar a argumentação do presente voto: "(...) a COFINS não incide sobre a renda, sobre o incremento patrimonial líquido, que considera custos e demais gastos que viabilizaram a operação (como o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro), mas sobre o produto das operações (antes da EC 20/1998: as operações restringiamse a vendas e prestações de serviços), da mesma maneira que outros tributos como o ICMS e o ISS. Com efeito, a imposição sobre o produto de vendas e prestação de serviços como ocorre com a COFINS, o ICMS e o ISS cuida de tributo real (Objektsteuer), que não exige a observação das circunstâncias pessoais do contribuinte (...). Logo, a receita bruta (faturamento, produto das operações) em oposição à receita líquida compreende a importância total recebida pelo contribuinte sem exclusão a priori de quaisquer componentes independentemente de sua destinação ou natureza como margem de lucro, custos diretos, custos indiretos ou ônus tributário. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 8 7 Ora, se a importância correspondente ao ICMS integra o valor da operação final, na linha do decidido pelo Plenário no RE 212.209/RS, constitui também produto da venda ou da prestação de serviço e faturamento do contribuinte, da mesma maneira que os outros fatores do preço das mercadorias e serviços. Em outras palavras, o montante relativo ao ICMS incorporase ao preço, de forma que é pago pelo comprador e é recebido pelo vendedor ou pelo prestador de serviço, ingressando em seu domínio, em consequência da respectiva operação. Em se tratando de tributos reais, como a COFINS, a exclusão de qualquer fator que componha seu objeto na espécie, o produto da operação, deve ser expressamente prevista , seja por meio de imunidade, como no art. 155, § 2º, XI, da Carta Magna que retira o montante do IPI da base de cálculo do ICMS; seja por meio de isenção, como disposto no art2º, parágrafo único, da Lei Complementar 70/1991, que excepciona o valor correspondente ao IPI da base de cálculo da COFINS. De fato, as expressões faturamento e receita bruta, por si só, não distinguem quaisquer ingressos operacionais percebidos nem excluem de antemão qualquer elemento do resultado da operação. Portanto, montante subtraído do resultado das operações, a qualquer título, é exceção à base de cálculo e depende de previsão legal. Interpretação diversa entenderia como inócuos os citados arts. 155, § 2º, XI, a Carta Magna e 2º, parágrafo único, da LC 70/1991, o que não é razoável. (...) Com efeito, se excluída da base de cálculo da COFINS a importância correspondente ao ICMS, questiono: por que não retirar o valor do ISS, do Imposto de Renda, do Imposto de Importação, do Imposto de Exportação, das taxas de fiscalização, da taxa do IBAMA, do PIS, além da própria COFINS? Obviamente, o simples fato de fundarse em ônus tributário não desqualifica a parte do preço como receita bruta. Além disso, também não impressiona o argumento de que o valor do ICMS seja destinado não ao contribuinte, mas ao estado federado. De fato, é necessário dissociar o preço das mercadorias e serviços, ou seja, o quantum entregue pelo comprador e recebido pelo vendedor, das obrigações decorrentes e atreladas à operação. Caso contrário, também as comissões de intermediários, a participação dos empregados, royalties, licenças, direitos autorais, seguro, frete, despesas aduaneiras, além de tarifas de crédito, por exemplo, também deveriam ser subtraídas do resultado. Na verdade, o acolhimento do entendimento da recorrente abrirá diversas fragilidades no sistema da COFINS, criando outro tributo pautado pelas circunstâncias pessoais do contribuinte e de cada parcela que integra o resultado das operações. Indevidamente, passase a tratar a presente contribuição como tributo pessoal, aproximandoa de tributo sobre a renda ou sobre o lucro. Rigorosamente, os fundamentos aqui apresentados para excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS poderiam também ser aplicados para afastar diversos custos que viabilizam as operações de compra e venda e de prestação de serviço, sejam de natureza tributária, sejam de natureza civil. Ainda que transferido apenas temporariamente ao contribuinte, qualquer parcela do valor do preço das vendas e dos serviços (após a EC Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 9 8 20/1998, também outras operações) irrefutavelmente faz parte do faturamento. De fato, após a entrega do numerário, o contribuinte dispõe dela da forma que entender conveniente: utilizando para quitar outros débitos que vencem primeiro, movimentando como capital de giro até a apuração, investindo em aplicações financeiras, etc. Repitase que a COFINS cuida de tributação sobre o faturamento, a receita bruta, o produto das vendas, não de imposição sobre a renda ou o lucro. O fundamento ou a destinação final do quantum não é relevante para a base de cálculo da COFINS, apenas o recebimento pelo contribuinte no curso de suas atividades. (...) Em primeiro lugar, conforme já destacado, esta Corte reconheceu no RE 212.209/RS, Redator para o acórdão Min. Nelson Jobim, DJ 14.2.2003, que o quantum referente ao ICMS compõe o valor da operação e, por isso, também está incluído, como outros custos de viabilização, em sua própria base de cálculo . Consequentemente, o destaque do ICMS é apenas para controle fiscal, não para diferenciar a natureza da parcela. Em segundo lugar, frisese que o ICMS não funciona como imposto retido. De fato, o ICMS não é recolhido automaticamente com a ocorrência da operação, mas é recebido pelo vendedor, que o integra ao seu caixa, ao seu patrimônio e, apenas ao término do período de apuração, repassao ao Estado federado, depois de considerada a compensação de créditos. Em terceiro lugar, é importante destacar que nem sempre a totalidade do valor correspondente ao ICMS recebido pelo contribuinte será repassado ao Estado , seja porque em muitos casos há crédito de operações anteriores a serem considerados, consoante o princípio da não cumulatividade, seja porque o fenômeno da substituição tributária pode ter exigido antes o recolhimento do tributo" (seleção e grifos nossos). 23. Logo, insubsistente é o crédito, pois amparado em concepção equivocada do vocábulo "receita": o ICMS, pelos motivos acima dispostos, integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. 24. De toda sorte, diante da inexistência de amparo legal que fundamente a pretensão da contribuinte, ou tampouco de decisão judicial (norma individual e concreta) que a lastreie, o que se observa é que, no momento da transmissão da PER/DComp, a recorrente não apenas não procedeu à retificação de seus registros contábeis e fiscais, como tampouco comprovou o erro que fundamentaria a oportuna retificação da declaração, não restando, portanto, saldo de crédito de tributo indevido a compensar no momento do encontro de contas, o que milita em favor da correção do despacho decisório que não homologou o pleito formulado. 25. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 10 9 ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".2 26. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 27. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da inexistência de crédito a compensar. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator 2 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000019/2005-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3301-003.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS. Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 19 /2 00 5- 70 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13854.000019/200570 Acórdão n.º 3301003.906 S3C3T1 Fl. 189 2 Relatório Foram opostos embargos de declaração em face do Acórdão n° 3801 004.608, datado de 11 de novembro de 2014, cujo relatório reproduzo, para fins de economia processual: "Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. 'A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à Contribuição para o PIS/Pasep, não cumulativo, do mês de junho de 2004, apurado de conformidade com o § 1º, do artigo 5°, da Lei n° 10.637/2002, que após a dedução devida, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$47.929,52. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio da Informação Fiscal ( fls 79/85), constatou créditos indevidos de bens que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; procedeu ao rateio proporcional, por não encontrar sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; receita de álcool para fins carburantes e despesas indevidas de depreciação de máquinas e equipamentos. O Auditor fiscal juntou à informação fiscal, além da cópia do DACON entregue pela empresa via internet (fls. 42/46) e cópia parcial dos balancetes mensais analíticos contábil (fl. 47), os seguintes demonstrativos: I Demonstrativo de Apuração da Proporcionalidade entre as Vendas de Álcool para Fins Carburantes e as Receitas de Vendas no Mercado Interno e Externo (fl. 72); II Demonstrativo de Apuração do Crédito da Contribuição para o PIS não Cumulativa (fl. 73); III Demonstrativo de Apuração do Débito da Contribuição para o PIS não Cumulativa (fl. 74); IV Demonstrativo de Apuração da Contribuição Devida a Contribuição para o PIS não Cumulativa (fl. 75); V Demonstrativo Mensal de Vendas Equiparadas à Exportação (fl.49/50). VI – Demonstrativo de Receitas de Exportação de Produtos de Fabricação Própria (fls. 49/51) Por fim, foi reconhecido o crédito de R$ R$ 42.751,70, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fls. 86/87, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 98/107. Preliminarmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e alega cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista que “referida informação fiscal Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13854.000019/200570 Acórdão n.º 3301003.906 S3C3T1 Fl. 190 3 faltalhe especificações fáticas, no sentido de demonstrar a conduta adotada pelo fiscal e de como se chegou aos resultados informados, faltandolhes substâncias.” Na mesma esteira, alega “ausência de elementos substanciosos” na apuração das despesas de depreciação de máquinas e equipamentos e na glosa de insumos. No mérito, a contribuinte afirma que tem direito ao regime não cumulativo quanto ao álcool comercializado no mercado interno e externo e tem direito ao crédito de todos os insumos, inclusive canadeaçúcar, por estarem inseridos no artigo 149 da Constituição Federal. Sustenta que os créditos de canadeaçúcar adquiridas de pessoa física e jurídica são devidos, e que as normas consideradas pelo Auditor fiscal, inclusive a IN SRF nº 660/2006, são ilegais e inconstitucionais, por ferirem o “princípio da irretroatividade”. Por fim, pede o deferimento da manifestação de inconformidade.' A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: 'Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime não cumulativo de apuração. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13854.000019/200570 Acórdão n.º 3301003.906 S3C3T1 Fl. 191 4 A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.' Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação, acrescentando que houve cerceamento do direito de defesa, pois, a DRJ não apreciou argumento de que a fiscalização não discriminou os insumos, máquinas e equipamentos glosados na apuração dos créditos. Apresenta também argumentos quanto à variação cambial, depreciação, aquisições de pessoas físicas e jurídicas referentes à atividade agropastoril. É o relatório." A 1° Turma Especial do CARF negou provimento ao recurso voluntário. Assim foram redigidos os Acórdão n° 3801004.608 (fls. 180 a 200) e dispositivo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que apreciou matéria que no recurso voluntário afirmase não apreciada. NÃO CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não cumulativo de apuração. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13854.000019/200570 Acórdão n.º 3301003.906 S3C3T1 Fl. 192 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; II) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator." Foram opostos embargos de declaração (fls. 177 a 201), em face do acima colacionado Acórdão n° 3801004.608 (fls. 151 a 167), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF (fls. 185 e 186), em razão de a turma do CARF ter supostamente deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro de créditos de PIS no mês de junho de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13854.000019/200570 Acórdão n.º 3301003.906 S3C3T1 Fl. 193 6 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Foram opostos embargos de declaração (fls. 177 a 201), em face do Acórdão n° 3801004.607 (fls. 151 a 167), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF. De acordo com o Despacho de Admissibilidade (fls. 185 e 186), a respectiva turma do CARF teria deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que supostamente legitimariam o registro de créditos de PIS no mês de junho de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". Nos embargos de declaração, o contribuinte trouxe sua leitura acerca da legislação, doutrina e decisões administrativas e judiciais que abordam a controvérsia acerca do conceito de insumos, apontando como omissão a falta de análise documentos concernentes a custos com combustíveis e lubrificantes e depreciação de bens do ativo fixo. Não aponta, todavia, as parcelas que não teriam sido admitidas nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS. Reproduzo trecho da parte final dos embargos: "(. . .) No recurso voluntário, em sede de preliminar, a embargante demonstrou contrariedade em relação à suposta falta de clareza acerca das glosas de créditos e dos valores calculados pela fiscalização e indicados nos demonstrativos de cálculo (fls. 49 a 75) que acompanham a Informação Fiscal (fls. 76 a 82) e o Despacho Decisório (fls. 83 e 84). Adicionalmente, enfrentou, apenas no plano conceitual, os critérios de rateio, o conceito de insumos adotado pelo Fisco e, especificamente, a legitimidade dos créditos calculados sobre óleos e lubrificantes e depreciação de máquinas e equipamentos. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13854.000019/200570 Acórdão n.º 3301003.906 S3C3T1 Fl. 194 7 O colegiado do CARF, por unanimidade, negou provimento à preliminar. Basicamente, concluiu que os demonstrativos elaborados pela fiscalização permitiam o pleno conhecimento do resultado da ação fiscal e, por conseguinte, o exercício dos direitos à ampla defesa e ao contraditório. Também enfrentou as discussões de mérito. Negou provimento a todos os tópicos. Contudo, nos concernentes a óleos e lubrificantes e depreciação, admitiu que, em princípio, os argumentos procediam, mas tinha de negar provimento, pois não haviam sido indicados os valores glosados. De pronto, consigno que não identifiquei qualquer vício de omissão no ora embargado Acórdão n° 3801004.608. De início, compulsei os autos, para consultar os documentos apresentados pela embargante, que alega não terem sido analisados pelo colegiado que proferiu o acórdão embargado, e os cálculos da fiscalização. E, em seguida, debruceime sobre o teor da decisão. Nos demonstrativos dos cálculos dos créditos, a fiscalização criou uma coluna titulada "Valor Ajustado", na qual indicou os produtos de seus cálculos para cada um dos valores indicados pela embargante nos quadros de apuração de créditos constante do correspondente Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). E carreou aos autos demonstrativos complementares, nos quais detalhou os critérios de apuração e listou todos os insumos, serviços e bens que extraiu dos documentos fornecidos pela embargante. Se aplicada uma leitura atenta dos autos, depreendese, sem maiores esforços, os critérios adotados pela fiscalização, inclusive quais insumos admitiu nas bases de cálculo. E o resultado de minha consulta aos autos apenas confirma os argumentos utilizados pelo colegiado do CARF para negar a preliminar de nulidade o contribuinte aduziu que houvera falta de indicação dos erros cometidos na apuração dos créditos dos quais extraio o seguinte excerto: "Acrescento que a análise dos demonstrativos elaborados pela autoridade fiscal em conjunto com as relações de notas fiscais e documentos da própria contribuinte permitem o exercício da ampla defesa e do contraditório." (fl. 155) O trecho do recurso voluntário, por si só, já traz evidência de que todos os documentos apresentados pelo contribuinte e os cálculos do Fisco foram revisados pelo colegiado que proferiu o Acórdão n° 3801004.608, mesmo que estes últimos não tenham sido objetivamente contestados pela embargante. E, a meu ver, este elemento já seria suficiente para rejeitar os embargos. Contudo, estendome um pouco mais, com o objetivo de robustecer meu posicionamento. Com a devida vênia, pareceme que a embargante não perscrutou os demonstrativos de cálculo preparados pela fiscalização, com o fito de compreendêlos e, assim, enfrentálos plenamente. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13854.000019/200570 Acórdão n.º 3301003.906 S3C3T1 Fl. 195 8 Pelo contrário, na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, optou por oferecer argumentos gerais e, nos embargos, acusar omissão do colegiado do CARF, talvez esperando que os julgadores complementassem o trabalho de defesa. Não há uma única indicação de valor, nota fiscal ou folha do processo, em que constem os insumos ou custos com depreciação supostamente não computados pela fiscalização. Em suma, a embargante apresentou tão somente contestações sobre os conceitos aplicados pela fiscalização e todas foram devidamente enfrentadas. Portanto, concluo o colegiado que proferiu o Acórdão n° 3801004.608 não cometeu omissão alguma, motivo pelo qual proponho a rejeição dos presentes embargos de declaração. É como voto. Fl. 195DF CARF MF
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