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Numero do processo: 13708.001652/2006-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência, de forma conclusiva, em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência, de forma conclusiva, em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Recorrente CATHARINA LAGRATHERIA RIBEIRO Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência, de forma conclusiva, em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Trata-se de recurso voluntário em face da decisão da 2ª Tuma da DRJ/RJOII, consubstanciada no Acórdão nº 13-18.095 (fl. 65), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da r. decisão, bem como do despacho de decisório de fl. 13, tem-se que a presente demanda se trata de pedido de restituição (fl. 3) do imposto de renda retido na fonte feita pela declaração retificadora, por estar isenta do imposto de renda, por ser portadora de moléstia grave. Por meio do Parecer Diort/EQPEF, fl.13, foi indeferida a solicitação com base na falta de documentação comprobatória e pelo fato de a contribuinte pleitear a restituição do imposto de renda fora do prazo decadencial. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 08 .0 01 65 2/ 20 06 -4 0 Fl. 72DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2402-000.764 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13708.001652/2006-40 A contribuinte apresenta sua defesa à fl. 14 e junta documentos para comprovação da moléstia grave. Alega em síntese que apresentou declaração retificadora em 16/11/2004, ou seja, antes do prazo decadencial. Afirma que só protocolizou o processo em 2006 pelo fato de que não recebeu a restituição por meio da declaração retificadora. Por fim, alega que a prescrição e decadência ocorrem quando não é exercido o direito do contribuinte no prazo previsto, o que não aconteceu no presente caso. A DRJ, por meio do susodito Acórdão nº 13-18.095 (fl. 65), julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício:2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de imposto de renda retido indevidamente na fonte extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida Cientificada da decisão exarada pela DRJ, a Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 69, reiterando os termos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, trata-se o presente caso de Pedido de Restituição apresentado pela Contribuinte (fl. 3), por meio da qual fora pleiteado a restituição do imposto de renda retido na fonte feita pela declaração retificadora, por ser portadora de moléstia grave. A Unidade de origem indeferiu o requerimento da Contribuinte por duas razões distintas: (i) falta de apresentação dos documentos comprobatórios do pleito formulado e (ii) decurso do prazo para pleitear a restituição, tendo em vista que o pedido de restituição foi protocolizado em 25/07/2006, sendo certo que o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou a maior que o devido, é de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, conforme prescreve os artigos 165, I, e 168, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, corroborado pelo Ato Declaratório SRF n° 096, de 26 de novembro de 1999, que no presente caso, expirou em 30/04/2005. Registre-se, pela sua importância, que o objeto do Pedido de Restituição em análise refere-se ao Imposto a Restituir apurado pela Contribuinte na sua Declaração de Ajuste Anual Retificadora, transmitida em 16/11/2004. É dizer: a Contribuinte apresentou o Pedido de Restituição objeto do presente PAF, solicitando a restituição, justamente, daquele “imposto a restituir” apurado na referida Declaração Retificadora. Fl. 73DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2402-000.764 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13708.001652/2006-40 Destaque-se ainda que, conforme sinalizado pela DRJ, a declaração retificadora apresentada conforme pesquisa no sistema eletrônico (fl.63) foi selecionada para lançamento manual, ou seja, será trabalhada pela fiscalização. Ora, tendo sido selecionada para ser trabalhada manualmente a DAA Retificadora apresentada pela Contribuinte, uma de duas situações de afigura: (i) a Declaração Retificadora será homologada (expressa ou tacitamente) ou (ii) será revisa, com redução do saldo do imposto a restituir (ou, até mesmo, apuração de eventual saldo a pagar, com lançamento do respectivo crédito tributário), oportunidade na qual, por certo, a Contribuinte será intimada a apresentar sua competente defesa administrativa. Registre-se que uma das situações apontadas no parágrafo precedente já pode ter ocorrido, inclusive, sem que tal informação tenha sido trazido aos presentes autos. Tanto é assim que, de acordo com o extrato do processo de fl. 64, tem-se o mesmo valor de Imposto a Restituir (IAR) nas colunas “TRANSCRITO” e “CALCULADO”, qual seja: R$ 3.391,00. E, como sabido, a declaração retificadora substitui integralmente a declaração retificada. Neste contexto, com vistas a verificar e a evitar uma duplicidade de pedidos referentes ao mesmo crédito (um por meio do presente PAF de Restituição e outro por meio da DAA Retificadora) e, por conseguinte, uma duplicidade de análises e / ou de contencioso sobre a mesma demanda, impõe-se converter o julgamento do presente processo em diligência para que a Unidade de Origem informe a situação da DAA Retificadora da Contribuinte nº 07/34445340 (conforme extratos de fls. 63 e 64), prestando os seguintes esclarecimentos: 1) Qual foi o resultado do tratamento manual da DAA Retificadora da Contribuinte nº 07/34445340? 2) O IAR apurado na referida DAA foi restituído? 3) Caso negativa a resposta ao item anterior, foi apurado um IAR menor ou mesmo um saldo de imposto a pagar? 4) Caso positiva a resposta ao item anterior, foi gerado um novo processo administrativo no qual a Contribuinte pleiteia o reconhecimento integral do IAR apurado na sua DAA Retificadora? Caso positivo, qual é o número do processo e o seu status atual? Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de converter o julgamento do processo em diligência, nos termos acima declinados. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.927910/2016-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/03/2010
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.460
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/03/2010 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 79 10 /2 01 6- 59 Fl. 47DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10680.927910/201659 Acórdão n.º 3401006.460 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 49DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.927910/201659 Acórdão n.º 3401006.460 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 51DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.009149/2010-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
MULTA DE OFÍCIO. DÉBITO NÃO CONFESSADO. PROCEDÊNCIA.
Somente a declaração do contribuinte com efeito de confissão de dívida elide a necessidade da constituição formal do crédito, por permitir a imediata inscrição em dívida ativa, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte.
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado (Súmula CARF nº 92).
A falta de declaração de débito sujeito a lançamento por homologação impõe à Administração Tributária o dever de agir para constituir o respectivo crédito tributário, à luz do art. 142 do CTN, sobre o qual incide multa de ofício de 75%.
Numero da decisão: 9101-004.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VILAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COUROS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MULTA DE OFÍCIO. DÉBITO NÃO CONFESSADO. PROCEDÊNCIA. Somente a declaração do contribuinte com efeito de confissão de dívida elide a necessidade da constituição formal do crédito, por permitir a imediata inscrição em dívida ativa, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte. A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado (Súmula CARF nº 92). A falta de declaração de débito sujeito a lançamento por homologação impõe à Administração Tributária o dever de agir para constituir o respectivo crédito tributário, à luz do art. 142 do CTN, sobre o qual incide multa de ofício de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 91 49 /2 01 0- 21 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10120.009149/201021 Acórdão n.º 9101004.249 CSRFT1 Fl. 170 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) contra acórdão abaixo, por meio do qual o colegiado deu provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: Acórdão nº 180301.046, de 04.10.2011 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VALOR INFORMADO NA DIPJ E NÃO ESPECIFICADO EM DCTF. NÃO É CABÍVEL O LANÇAMENTO COM MULTA DE OFÍCIO. Para efeitos da aplicação do artigo 47 da Lei 9.430/96, admite se a utilização da DIPJ. A autuação foi bem descrita no relatório do acórdão recorrido, conforme trecho abaixo transcrito: A fiscalização, através do cruzamento das informações prestadas pela recorrente, em sua Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, com as informações constantes da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF e guias de recolhimento, todas referentes ao anocalendário de 2007, constatou que a empresa deixou de declarar em DCTF, e também de recolher, o valor de IRPJ e CSLL, apurados no último trimestre do ano em comento, o que motivou o lançamento de oficio dos tributos devidos. A contribuinte tendo tomado ciência do início da fiscalização e, em atendimento à intimação fiscal recebida, apresentou carta resposta (fl. 5), em 29/10/2010, na qual admitiu a falta de pagamento dos referidos tributos e informou ao Fisco o recolhimento, em 26/10/2010, dos montantes devidos, tendo anexado os DARF correspondentes. Segundo a interessada, tal pagamento estaria respaldado na prerrogativa conferida pelo art. 47 da Lei n° 9.430/96. Alegou que, tendo em vista que o Termo de Intimação Fiscal n° 813/2010 foi recebido em 07/10/2010, teria o direito de proceder ao recolhimento do IRPJ Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10120.009149/201021 Acórdão n.º 9101004.249 CSRFT1 Fl. 171 3 e CSLL informados espontaneamente em DIPJ, com a multa de mora de 20%. Os argumentos ofertados pela recorrente não foram acolhidos pela Fiscalização, cujo entendimento foi no sentido de que não teria ocorrido a denúncia espontânea, pretendida pela empresa. Aplicou a multa de ofício de 75% sobre os valores apurados. Ao apreciar a impugnação ao lançamento, a Turma de Julgamento da DRJ o manteve integralmente, consoante os fundamentos relatados no acórdão recorrido, cujo trecho se transcreve: Em suma, a autoridade julgadora a quo menciona a norma insculpida no art. 47 da Lei n° 9.430/96, que autoriza o contribuinte submetido à ação fiscal a pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. Contudo, afirma que essa norma, entretanto, não autoriza a adoção do mesmo procedimento em relação a débitos não declarados. Por sua vez, a recorrente alude que, embora os tributos não tenham sido declarados em DCTF, eles o foram na DIPJ correspondente. A DIPJ não se constitui em instrumento de confissão de dívida; por conseguinte, declarado o débito em DIPJ, mas não em DCTF, cabe lançamento de ofício. Já no que diz respeito ao artigo 47, da Lei 9.430/96, em que a recorrente fundamenta suas razões de impugnação, enfrenta a autoridade julgadora a quo¸ referindo que o artigo mencionado encontrase sem aplicação prática, haja vista que a administração tributária não mais procede à constituição de crédito tributário considerado como confissão de dívida. Todo e qualquer tributo declarado nos instrumentos considerados como confissão de dívida, em consonância com a legislação em vigor, são imediatamente inscritos em Dívida Ativa da União, sem necessidade de se oferecer o contraditório ao sujeito passivo. Fundamenta a sua posição no artigo 19 da Lei 3.470/58, no artigo 71 da Medida Provisória n. 2.158 34/2001, em que a expressão "recolhimento do imposto devido" foi substituída por "recolhimento do crédito tributário constituído". Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, ao qual foi dado provimento, nos termos da ementa acima transcrita. Cientificada, a PFN interpôs recurso especial de divergência, insurgindose contra o acórdão recorrido. Indicou como paradigma o acórdão abaixo, que veiculou a seguinte ementa: Acórdão nº 140200.385, de 26.01.2011: Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10120.009149/201021 Acórdão n.º 9101004.249 CSRFT1 Fl. 172 4 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VALOR INFORMADO NA DIPJ E NÃO ESPECIFICADO EM DCTF. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO. CABÍVEL O LANÇAMENTO COM MULTA DE OFÍCIO. Somente por meio da DCTF informada à autoridade fiscal, é que o crédito tributário estará constituído. A DIPJ não é instrumento hábil para constituição do crédito tributário. Assim, é cabível lançamento, com multa de ofício, em relação ao crédito tributário informado na DIPJ e não declarado na DCTF Em síntese, a recorrente alega que se o débito não for informado em DCTF, não se pode falar em constituição do crédito tributário. O art. 44, I e o art. 47 da Lei n. 9.430/96, quando utilizam a expressão “declaração”, referemse a débitos informados em DCTF. Aduz, ainda, que somente por meio da DCTF informada à autoridade fiscal, é que se pode falar em crédito tributário constituído. A DIPJ não é hábil para a constituição do crédito tributário. Deste modo, é cabível o lançamento, com a multa de ofício, em relação ao crédito tributário informado na DIPJ e não declarado na DCTF. Requer, ao final, o conhecimento e o provimento do recurso para manter a autuação. O presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso, nos termos do despacho de admissibilidade de efls.144146, onde consignou que restou demonstrada a divergência jurisprudencial em relação ao paradigma, cujo entendimento está em consonância com o enunciado da Súmula CARF nº 92 que determina que a "DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado". O contribuinte foi cientificado do recurso especial da PFN e do despacho que o admitiu e apresentou contrarrazões (efls.157163) em que pede a manutenção da decisão recorrida e aponta jurisprudência no mesmo sentido (ex. acórdão nº 9303002397). É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Conhecimento Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10120.009149/201021 Acórdão n.º 9101004.249 CSRFT1 Fl. 173 5 O recurso foi admitido pelo despacho do Presidente da Câmara recorrida e sua admissibilidade não foi questionada pela parte contrária. Presentes os pressupostos recursais, conheço do recurso especial interposto no presente caso. Mérito A discussão no presente feito cingese tão somente à multa de ofício, no montante de 75%, incidente sobre o recolhimento com atraso dos tributos devidos, considerando que os tributos em si foram efetivamente pagos, conforme documentos de arrecadação (DARFs) juntados aos autos. O contribuinte efetuou os recolhimentos do IRPJ e CSLL, referentes ao quarto trimestre de 2007, após o início do procedimento fiscal, mas antes do vigésimo dia subsequente, acompanhados de juros e multa de mora. A autoridade fiscal, por sua vez, efetuou o lançamento da multa de ofício de 75% sobre os tributos não declarados em DCTF. Em defesa, sustenta o contribuinte a aplicação ao caso do art. 47, da Lei nº 9.430/96, que prevê a possibilidade da pessoa física ou jurídica submetida à ação fiscal pagar, até o vigésimo dia subsequente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. Confirase o disposto nos arts. 44, I, e 47, da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcritos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ..................................... Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifou se) Vejase que a lei estende os efeitos da denúncia espontânea ao recolhimento efetuado após o início do procedimento fiscal, porém dentro do prazo de 20 (vinte) dias. A perda da espontaneidade no procedimento fiscal é regulada pelo art. 7º do Decreto 70.235/72, abaixo: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10120.009149/201021 Acórdão n.º 9101004.249 CSRFT1 Fl. 174 6 I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. É incontroverso nos autos que o recolhimento ocorreu após o início do procedimento fiscal. Ocorre que, para fins de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea, considera a legislação o recolhimento espontâneo de tributos e contribuições já declarados, ou seja, compete ao contribuinte cumprir com sua obrigação de declarar o débito tributário sujeito a lançamento por homologação. Nesse sentido, cito o entendimento consubstanciado no Resp 1149022/SP, através do qual se fixou a tese de que "a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente", com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10120.009149/201021 Acórdão n.º 9101004.249 CSRFT1 Fl. 175 7 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138):"No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como se vê, todo o racional da decisão judicial consubstanciase na premissa de que o débito deve ser declarado, ou seja, constituído através de declaração, uma vez que a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte. Distinto é o caso dos autos, em que o contribuinte deixou de declarar em DCTF um débito sujeito a lançamento por homologação, e, assim, impôs à Administração Tributária o dever de agir para constituir o respectivo crédito tributário, à luz do art. 142 do CTN. O IRPJ e a CSLL são, respectivamente, tributo e contribuição submetidos à modalidade de lançamento por homologação prevista no art. 147 do CTN. Tal lançamento ocorre com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, a quem compete prestar todas as informações necessárias ao lançamento, como a ocorrência do fato gerador da obrigação, a matéria tributável e o montante devido (requisitos previstos no art.142 do CTN). Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10120.009149/201021 Acórdão n.º 9101004.249 CSRFT1 Fl. 176 8 Um dos instrumentos criados pela Administração Tributária para essa finalidade é a DCTF, sendo inócua a informação constante em DIPJ. Nesse sentido foi aprovada a Súmula CARF nº 92, que dispõe que a DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. De fato, uma vez que o débito não se encontra declarado em DCTF, mas apenas informado em DIPJ, não se pode falar em constituição do crédito tributário. Diante disso, concluise que se o contribuinte que não confessou o débito antes do início do procedimento fiscal não se cogita em aplicar os efeitos da denúncia espontânea, cabendo o lançamento da multa de ofício de 75%. Conclusão Por todos estes fundamentos, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PFN. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 176DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920285/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 15/07/2004
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.087
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, o qual indeferiu o pedido de restituição efetuado por meio eletrônico (PER). Após análise automática foi proferido despacho decisório indeferindo o pedido. Como justificativa para o indeferimento foi apontado o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, referido valor teria sido totalmente utilizado na extinção de outro débito de contribuições (PIS e/ou Cofins). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 02 85 /2 01 2- 14 Fl. 76DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.087 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920285/2012-14 Devidamente cientificada, a recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade, na qual relata que apurou crédito tributário de PIS e de Cofins em razão da declaração de inconstituicionalidade do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, proferida pela Supremo Tribunal Federal no RE 457553-1 em Sessão Plenária de 09/11/05 e aproveitou parte do referido crédito para compensar débitos, conforme lhe faculta o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Acredita que a razão de o PER haver sido indeferido estaria no fato de que referido crédito não consta nas bases de dados da Receita Federal do Brasil. Explica que extinguiu os déditos de PIS e Cofins conforme declarado em DCFT e, posteriormente, com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras. Ocorre que no processamento do PER, o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstituicional incidente sobre as receitas financeiras. Por seu turno, embora tenha reconhecido a inconstitucionalidade apontada pela recorrente, e declarada pelo Supremo Tribunal Federal, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Em sua decisão, observou que, para fins de deferimento de pedido de restituição, o recolhimento indevido ou a maior, em virtude da declaração de inconstitucionalidade de dispositivo relativo ao alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, deve ser comprovado mediante documentação hábil e idônea. Novamente cientificada, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese: (i) que caso a Fiscalização entenda que a documentação apresentada pela recorrente não exaure a questão controvertida contida no Pedido de Restituição, com supedâneo na legislação de regência do processo administrativo fiscal, a Autoridade Administrativa pode determinar diligências com a finalidade de investigar e concluir o procedimento fiscal com o máximo de elementos para firmar a convicção que deve fundamentar o ato administrativo; (ii) não se alegue a impossibilidade de se admitir os documentos apresentados na atual etapa processual. Isto porque, somente por ocasião da prolação do acórdão recorrido, pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba, é que o direito creditório buscado pela recorrente foi indeferido com base na alegada ausência de comprovação dos recolhimentos da COFINS sobre as receitas financeiras; (III) que o crédito apurado diz respeito ao PIS/Cofins incidente sobre receitas financeiras; e (iv) qualquer conclusão diversa constituirá violação ao direito de defesa da contribuinte, resultando em vício insanável que gera a nulidade fixada no artigo 59, II do Decreto 70.235/1972: Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, Fl. 77DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.087 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920285/2012-14 de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.050, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920245/2012-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.050): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 27989.81927.250108.1.2.04-4061 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ R$ 6.135,06. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender que não restou comprovado o direito almejado pelo contribuinte, por total ausência de documentos comprobatórios, cujas razões peço vênia para colacionar: Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da COFINS que deve ser afastado, é necessário que a contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. No caso presente, verificou-se que nenhum documento comprobatório que pudesse comprovar inequivocamente a ocorrência de pagamentos indevidos em razão do alargamento da base de cálculo foi apresentado pela requerente. A propósito, o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, dispõe que são aplicadas às manifestações de inconformidade as mesmas regras do Processo Administrativo Fiscal, previstas no Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 74. (...) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. E de acordo com o que estabelece o Decreto n.º 70.235, de 1972, a impugnação formalizada deve ser instruída com os documentos em que fundamente suas alegações: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 78DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.087 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920285/2012-14 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Grifou-se As disposições do Decreto n.º 70.235, de 1972 foram consolidadas pelo Decreto nº 7.574 de 29/09/2011, que mantém o entendimento da norma citada: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) Art. 57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (...) Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). (...) § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). Além disso, é bom lembrar o que está disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, ou seja, de que o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito é do próprio autor do pedido. Art. 333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Desse modo, tendo em vista que a manifestante não apresentou os elementos probatórios hábeis a comprovar a origem do indébito tributário, não há como reconhecer o direito creditório vindicado. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Fl. 79DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.087 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920285/2012-14 Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Fl. 80DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.087 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920285/2012-14 Por fim, não vejo que a decisão proferida por este relator, seja ela qual for, acarreta alguma hipótese de nulidade prevista no artigo 59, do Decreto nº 70.235/1972, principalmente aquelas elencadas no inciso II, considerando inexistir despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Neste cenário, não vejo como acolher as pretensões da Recorrente . Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 13737.000447/2007-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
HIPÓTESES DE ISENÇÃO E NÃO INCIDÊNCIA DO IRPF. LEI 8.852/94. SÚMULA CARF 68.
A Lei nº 8.852/94 não outorga isenções nem enumera hipóteses de não incidência tributária, conforme previsão da Súmula CARF nº 68.
ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
O adicional por tempo de serviço e os adicionais de insalubridade e periculosidade sujeitam-se à incidência do IRPF, porquanto tais verbas possuem natureza remuneratória e não são beneficiadas por norma de isenção.
AJUDA DE CUSTO. RENDIMENTO ISENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Embora exista previsão de isenção para os rendimentos decorrentes de ajuda de custo, incumbe ao contribuinte comprovar seu efetivo recebimento a fim de promover a dedução na base de cálculo do IRPF.
ADICIONAL DE FÉRIAS GOZADAS. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL.
O adicional de 1/3 (um terço) de férias gozadas compõe a base de cálculo do IRPF, uma vez que tal verba não é beneficiada por norma de isenção. Não obstante, consideram-se rendimentos não tributáveis o abono pecuniário de férias e o pagamento de férias vencidas e não gozadas (acrescidas do adicional de 1/3), haja vista seu caráter indenizatório. A fim de que tais rendimentos isentos sejam descontados da base de cálculo do IRPF, contudo, incumbe ao contribuinte comprovar seu efetivo recebimento.
Numero da decisão: 2202-005.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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LEI 8.852/94. SÚMULA CARF 68. A Lei nº 8.852/94 não outorga isenções nem enumera hipóteses de não incidência tributária, conforme previsão da Súmula CARF nº 68. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. O adicional por tempo de serviço e os adicionais de insalubridade e periculosidade sujeitamse à incidência do IRPF, porquanto tais verbas possuem natureza remuneratória e não são beneficiadas por norma de isenção. AJUDA DE CUSTO. RENDIMENTO ISENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Embora exista previsão de isenção para os rendimentos decorrentes de ajuda de custo, incumbe ao contribuinte comprovar seu efetivo recebimento a fim de promover a dedução na base de cálculo do IRPF. ADICIONAL DE FÉRIAS GOZADAS. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. O adicional de 1/3 (um terço) de férias gozadas compõe a base de cálculo do IRPF, uma vez que tal verba não é beneficiada por norma de isenção. Não obstante, consideramse rendimentos não tributáveis o abono pecuniário de férias e o pagamento de férias vencidas e não gozadas (acrescidas do adicional de 1/3), haja vista seu caráter indenizatório. A fim de que tais rendimentos isentos sejam descontados da base de cálculo do IRPF, contudo, incumbe ao contribuinte comprovar seu efetivo recebimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 7. 00 04 47 /2 00 7- 09 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13737.000447/200709 Acórdão n.º 2202005.170 S2C2T2 Fl. 54 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ANTÔNIO ONOFRE CRAVINHO contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJOII, que julgou improcedente a impugnação apresentada para manter a cobrança do IRPF, relativa ao anocalendário de 2002, por motivo de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica ou física, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício (Polícia Rodoviária Federal) – “vide” descrição dos fatos e enquadramento legal da autuação às f. 6/9. Transcrevo tãosomente a ementa do objurgado acórdão por, de forma sintética, explicitar a razão da manutenção do lançamento: OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. (f. 31) Intimado do acórdão, o recorrente apresentou, em 15/4/2008, recurso voluntário (f. 40/41), replicando os argumentos apresentados na impugnação, no sentido de que os valores tidos como “omissos” seriam, em verdade, isentos, por força das Leis nºs 7.713/88 e 8.852/94 (art. 1º, inciso III, alíneas “b”, “j”, “n” e “p”). Registro, por oportuno, que o suposto enquadramento na al. “p” (adicional de insalubridade, de periculosidade ou pelo exercício de atividades penosas percebido durante o período em que o beneficiário estiver sujeito às condições ou aos riscos que deram causa à sua concessão) foi suscitado tãosomente em sede recursal. Na mesma oportunidade, acostou o recorrente cópia da ficha financeira (f. 47/50) e da “planilha de cálculo para servidor” (f. 51), referentes ao anocalendário de 2002. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13737.000447/200709 Acórdão n.º 2202005.170 S2C2T2 Fl. 55 3 Ausentes questões preliminares, passo à análise do mérito. Conforme relatado, a controvérsia reside na (im)possibilidade de se deduzir da base de cálculo do IRPF os rendimentos referidos na Lei nº 8.852/94, art. 1º, III, alíneas “b”, “j”, “n” e “p”, quais sejam: a) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte; b) adicional de férias, até o limite de 1/3 (um terço) sobre a retribuição habitual; c) adicional por tempo de serviço; e, d) adicional de insalubridade, de periculosidade ou pelo exercício de atividades penosas percebido durante o período em que o beneficiário estiver sujeito às condições ou aos riscos que deram causa à sua concessão. No âmbito deste Conselho, há verbete sumular – de nº 68 – que é hialino a afirmar que a Lei nº 8.852/94, utilizada para escorar a tese do recorrente, “(...) não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Apesar disso, passase à análise da possibilidade de isenção da ajuda de custo, do adicional de férias, do adicional por tempo de serviço e do adicional de insalubridade, periculosidade ou pelo exercício de atividades penosas, com base nas disposições da Lei nº 7.713/1988 e na jurisprudência pátria Registro que, tanto no tocante ao adicional por tempo de serviço (Lei nº 8.852/94, art. 1º, inciso III, “n”) quanto em relação aos adicionais de insalubridade e periculosidade (Lei nº 8.852/94, art. 1º, inciso III, “p”), inexiste qualquer previsão legal capaz de autorizar sua exclusão da base de cálculo do IRPF. I – Ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte De acordo com o inc. XX do art. 6º da Lei nº 7.713/88, fica isenta do IRPF a “ajuda de custo destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte”. No caso em tela, entendo não ter o recorrente logrado êxito em comprovar que recebeu qualquer valor a título de ajuda de custo. Observase que no “comprovante de rendimentos pagos e retenção de imposto de renda na fonte” nenhum valor foi registrado na rubrica “diárias e ajudas de custo, indenização de transporte e diárias judiciais” (f. 5; replicado às f. 46). Da mesma forma, não consta qualquer despesa passível de classificação como ajuda de custo, seja na ficha financeira do SIAPE (f. 47/50), seja na planilha acostada às f. 51. II – Adicional de férias, até o limite de 1/3 (um terço) sobre a retribuição habitual Para além de inexistência de previsão legal para sua exclusão, o col. Superior Tribunal de Justiça tem remansosa jurisprudência no sentido de compor a base de cálculo do IRPF o adicional (1/3) de férias gozadas – confirase, a título exemplificativo: Resp nº 1459779, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe: 18/11/2015; Pet nº 6.243/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, , DJe 13/10/2008; AgRg no AREsp nº 367.144/MG, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 28/02/2014; AgRg no REsp nº 1.112.877/SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 03/12/2010; REsp nº 891.794/SP, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe 30/03/2009. Por outro giro, em razão de seu cariz indenizatório, não compõem a base de cálculo do IRPF o abono pecuniário de férias e o pagamento de férias vencidas e não gozadas (acrescidas do adicional de 1/3). Na qualidade de vogal, já me manifestei em sentido idêntico, em processo sob a relatoria do Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, cuja ementa transcrevo no que importa: Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13737.000447/200709 Acórdão n.º 2202005.170 S2C2T2 Fl. 56 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS. São isentos ou não tributáveis os créditos trabalhistas percebidos a título de aviso prévio indenizado e os direitos relativos ao FGTS. Também são rendimentos não tributáveis os valores pagos de férias proporcionais convertidas em pecúnia (Ato Declaratório PGFN nº 5, de 16 de novembro de 2006), férias em dobro ao empregado na rescisão contratual e adicional de 1/3 (um terço) previsto no inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal, quando agregado a pagamento de férias simples ou proporcionais vencidas e não gozadas, convertidas em pecúnia, em razão de rescisão do contrato de trabalho (Ato Declaratório PGFN nº 6, de 1º de dezembro de 2008). (...) (CARF. Processo nº 19515.003012/200618, acórdão nº 2202004.876 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 16 de janeiro de 2019; sublinhas deste voto). Do escrutínio da documentação carreada, constatase que inexiste prova apta a comprovar a ocorrência de quaisquer das retromencionadas hipóteses, razão pela qual não deve ser reconhecido o direito à isenção. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.000704/2006-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO
Apurada omissão no voto condutor do aresto embargado, deve a mesma ser sanada, nos termos do art. 65 do Regimento Interno deste Conselho.
Numero da decisão: 2102-000.480
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
CONHECER dos embargos opostos p,arsanar a missão apontada, RERRATIFICAR o Acórdão n° 106-16,865, proferido 724 de abril 2008, sem alteração de resultado, nos termos do voto Relatora.
Nome do relator: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO Apurada omissão no voto condutor do aresto embargado, deve a mesma ser sanada, nos termos do art. 65 do Regimento Interno deste Conselho.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos opostos p,arsanar a missão apontada, RERRATIFICAR o Acórdão n° 106-16,865, proferido 724 de abril 2008, sem alteração de resultado, nos termos do voto Relatora.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membrosckr1egiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos opostos p,arsanar a missão apontada, RERRATIFICAR o Acórdão n° 106-16,865, proferido 724 de abril 2008, sem alteração de resultado, nos termos do voto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Ewan Teles Aguiar e Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Relatório Em face do Acórdão n° 106-16.865, proferido em 24 de abril de 2008, a Fazenda Nacional opões os embargos de declaração de fls, 1167/1170, alegando que o aresto recorrido padecia do vício da omissão, uma vez que o fundamento para a desqualificação da multa de oficio aplicada ao lançamento (originalmente de 150%, e reduzida a 75%) — conforme considerado no acórdão — não correspondia exatamente ao que fora justificado pela autoridade lançadora. Sustenta a Fazenda Nacional que em razão desta omissão, caberia a análise das demais razões que justificavam a qualificação da multa, devendo ser revista a decisão recorrida para que fosse mantida a referida qualificação. Na análise dos autos, percebe-se que o acórdão recorrido deixou de se manifestar quanto a uma parte dos argumentos utilizados pela fiscalização na qualificação da referida multa, razão pela os embargos merecem ser apreciados. É o relatório, Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator Os embargos são tempestivos e encontram previsão legal no art. 65 do Regimento Interno deste Conselho. Alega a Fazenda Embargante que a justificativa para a aplicação e manutenção da multa qualificada no caso em exame foi a conduta do contribuinte de ter buscado confundir a fiscalização, "apresentando justificativas sem consistências e sem fundamento de forma a impedir que fossem corretamente identificadas as reais operações que motivaram sua movimentação financeira". Com efeito, do Termo de Verificação Fiscal consta que (fls. 270): Com base nas informações levantadas podemos concluir, salvo melhor juizo, que as declarações firmadas por terceiros que o contribuinte apresentou à Fiscalização, no intuito de justificar sua movimentação financeira, foram por ele confeccionadas e as informações ali presentes não representam a verdade dos fatos. E, ainda (tis, 272): Portanto, resta caracterizado o evidente intuito de embaraço à fiscalização pela conduta intencional do fiscalizado em tentar confundir a .fiscalização apresentando justificativas sem consistência e sem fundamento de forma a impedir que sejam corretamente identificadas as reais operações que motivaram sua movimentação.financeira. 2 Processo o° 10746.000704/2006-16 S2-C1T2 Acórdão o." 2102-00.480 Fl. 1.178 Da leitura da decisão de primeira instância — que manteve a qualificação da multa formalizada por meio do Auto de Infração — é possível extrair ainda o seguinte trecho: Como bem descrito no Relatório Fiscal (f1.272), pelo menos dois dos contribuintes, cujas declarações o fiscalizado apresentou como prova, negaram a veracidade das informações apresentadas, sustentando haver assinado o documento por confiar no contribuinte, enquanto os demais declarantes não demonstraram ter condições financeiras para movimentar os valores constantes dos documentos. Além disso, nenhum dos envolvidos, incluindo o contribuinte e o Frigorífico Frinorte, apresentou qualquer documento que comprovasse um único depósito nas contas do sujeito passivo, destacando-se o fato de que, devido ao descomunal fluxo de recursos pelas contas do interessado, a Fiscalização somente solicitou que fossem justificados depósitos com valores superiores a R$12.000,00, e ninguém apresentou comprovantes de depósitos com esse vulto. Assim, considero que está caracterizado o evidente intuito de, de forma intencional, impedir a identificação as reais operações que motivaram a movimentação em suas contas correntes, mantendo-se a multa de oficio de 150%. Percebe-se daí que um dos motivos que justificariam a qualificação da multa no caso em exame foi o fato de o contribuinte ter apresentado à fiscalização diversos documentos que não corresponderiam às verdadeiras operações por ele efetuadas, de forma a "confundir" o trabalho da autoridade fiscal e a impedir o conhecimento das reais operações efetuadas. Por outro lado, do voto condutor do aresto embargado consta como justificativa para a desqualificação da multa o seguinte: Com efeito, percebe-se que a multa qualificada foi aplicada ao caso em exame em razão da omissão do contribuinte -- quer em fazer constar de sua Declaração de Ajuste Anual o recebimento dos valores recebidos por conta da intermediação da compra e venda de gado, quer em responder à fiscalização que tais valores foram efetivamente recebidos. De fato, nada foi mencionado no voto condutor do aresto embargado em relação à documentação apresentada pelo contribuinte ao Fisco, documentação esta que foi considerada como inidõnea, e por isso mesmo insuficiente a comprovar a origem dos depósitos bancários por ele efetuados. Assim, constata-se a omissão apontada pela d. Procuradoria Embargante. No entanto, a despeito de constatada a omissão, a conclusão tomada pela decisão embargada deve ser mantida, Isto porque o fato de o contribuinte ter tentado "confundir" a fiscalização não impediu o conhecimento (pelo Fisco) da infração que ensejou o presente lançamento. Ao contrário, a documentação apresentada foi considerada imprestável, e por isso mesmo foram 3 Sala das Sessões, em 09 de março de 2010 '344-0/14?, aberta de Azerédo Ferreira Pagetti considerados como sem origem comprovada os depósitos bancários efetuados nas contas do contribuinte, justificando o lançamento nos termos do art. 42 da Lei n° 9A-30196. Por isso, trata-se, realmente, de hipótese de simples omissão de rendimentos por parte do contribuinte. Há que se reiterar que sua conduta em nada atrapalhou o trabalho da autoridade fiscal, que logrou êxito em efetuar o lançamento do crédito tributário que entendia devido, nos termos da lei. Não se justifica, assim, a qualificação da multa de oficio aplicada ao lançamento. Diante do exposto, VOTO no sentido de conhecer dos embargos opostos para, sanando a omissão ora apontada, RERRATIFICAR o Acórdão n°106-16S65, proferido em 24 de abril de 2008, sem alteração de resultado. 4
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900387/2017-26
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/03/2013
RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O ressarcimento de PIS e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte.
A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
Numero da decisão: 3003-000.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2013 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O ressarcimento de PIS e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
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CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O ressarcimento de PIS e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marcos Antônio Borges - Presidente. Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Reproduzo abaixo o relatório elaborado pela DRJ com o detalhamento dos fatos. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 119537479 (fl. 21), emitido eletronicamente em 03/02/17 e cientificado ao contribuinte em 21/02/17 (fl. 22), referente ao PER/DCOMP nº 16497.78342.260816.1.7.04-7183 (fls. 26/30). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 03 87 /2 01 7- 26 Fl. 86DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.308 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.900387/2017-26 A Declaração de Compensação, gerada pelo programa PER/DCOMP, foi transmitida pelo contribuinte em 26/08/16, com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente à PIS – Código de Receita 6912, no valor original na data de transmissão de R$ 5.828,36, representado por Darf, relativo ao período de apuração de 31/03/13 (vencimento em 25/04/13) e recolhido em 07/06/13, no valor de principal de R$24.019,49 e valor total de R$ 27.812,16. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada pela autoridade jurisdicionante. Como enquadramento legal citou-se: art. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O requerente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 08/14), datada de 20/03/17 e protocolada em 20/03/17 (fl. 32), alegando, em resumo, que: a. O mérito que deu origem ao direito creditório pleiteado teria origem na verificação de pagamento a maior a título de PIS (Darf), na competência março/2013, ocasionado pela inclusão do ICMS na base de cálculo desse tributo. b. Seria desproporcional e irrazoável que o descumprimento de um dever instrumental (retificação de declarações) atingisse o seu direito material. c. O conceito de receita (gênero da espécie receita bruta) representaria um efetivo acréscimo patrimonial em favor do contribuinte, conceito que não abarcaria os simples ingressos na contabilidade dos quais o contribuinte é mero destinatário e não detentor (parcelas de preço de mercadorias relativas ao ICMS). d. O Supremo Tribunal Federal (STF), teria já se pronunciado em sede de repercussão geral (RE 574.706), julgado em 15 de março de 2017, reconhecendo a ilegalidade da incidência de PIS e COFINS sobre o ICMS, na medida em que o imposto estadual não representa receita para o contribuinte. e. Cita jurisprudência do STF [em sede de repercussão geral (RE 574.706), reconhecendo a ilegalidade da incidência do PIS e COFINS sobre o ICMS, na medida em que o imposto estadual não representaria receita para o contribuinte]; jurisprudência do STJ (no sentido de que a guia DARF seria documento hábil para comprovação do recolhimento do tributo); art. 166 do CTN (restituição de tributos que comportem transferência do respectivo encargo) e o art. 110 do CTN (impossibilidade da Lei tributária alterar o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, como é o caso do conceito de faturamento); e doutrina de Geraldo Ataliba (conceito de receita). f. Requer o manifestante que: i. Seja recebida e provida a sua Manifestação de Inconformidade, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário objeto do pedido de compensação, pelos fundamentos trazidos no corpo de sua Manifestação de Inconformidade. ii. No mérito, seja homologada integralmente a compensação objeto da sua Manifestação de Inconformidade. O Detalhamento da Compensação foi emitido (fl. 25). A DRF/POA atestou a tempestividade da impugnação (fl. 33). Fl. 87DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.308 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.900387/2017-26 É o relatório. A 8ª Turma da DRJ de Porto Alegre proferiu o acórdão número 10-60.896, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS Data do fato gerador: 31/03/2013 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, requerendo: a) suspender a exigibilidade do crédito tributário objeto do pedido de compensação, com base no art. 74, §§ 10 e 11, da Lei n° 9.430/96 c/c art. 151, III, do CTN; e b) reformar a decisão recorrida e homologar integralmente a compensação em exame, conforme fundamentos demonstrados. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. A controvérsia pode ser resumida em saber se a recorrente ao transmitir o PER/DCOMP nº 16497.78342.260816.1.7.04-7183, fundada em alegado recolhimento de PIS a maior, possuía saldo suficiente para a homologação da referida compensação. A Receita Federal agiu corretamente em deixar de homologar o pedido de compensação fundamentado na ausência de saldo suficiente. Isto porque, considerou como verdadeiras as declarações emitidas pelo contribuinte, posto que elas não foram retificadas, conforme bem destacado pela DRJ em seu julgamento. Quanto a ausência de retificação das declarações, trata-se de fato incontroverso, não impugnado pelo Recorrente. Prosseguindo, após o despacho decisório foi protocolada a manifestação de inconformidade sem a juntada quaisquer documentos comprobatórios o que resultou na conclusão da DRJ pela ausência de certeza e liquidez dos créditos aqui reclamados. Vejamos: Fl. 88DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.308 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.900387/2017-26 (...) Por outro lado, é de se destacar que a empresa, ao interpor essa manifestação de inconformidade, não apresentou nenhum documento contábil que pudesse comprovar o suposto erro de fato que teria cometido quando do preenchimento da DCTF e do recolhimento a maior do DARF. Ora, é da essência da relação processual que as alegações sejam devidamente instruídas com as respectivas provas. Tal princípio encontra-se inscrito no art. 36 da Lei n° 9.784/99, que disciplina o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, assim como no art. 16, III, do Decreto n° 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal: Lei n° 9.784/99 “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. (Grifei e sublinhei.) Decreto n° 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: ... III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (Grifei e sublinhei.) O recurso voluntário destaca que o reconhecimento do crédito não pode ser atrelado a retificação da DCTF. Ocorre que as conclusões propostas pela solução de COSIT n. 02 de 2015, confirmam a possibilidade e necessidade de retificação da DCTF após transmissão da DECOMP: 20.2. Portanto, a princípio, não há impedimento para que o indeferimento do PER ou a não homologação da DCOMP possa ser desfeita na hipótese de o sujeito passivo comprovar que de fato tinha o direito ao crédito informado, ainda que para isso tenha sido necessário retificar a DCTF depois de analisado o PER/DCOMP. Tem-se aqui que o erro, o esquecimento de praticar um ato que lhe era necessário para confirmar formalmente um direito que ele já tinha desde a apresentação da DCOMP. 20.3. Assim, certamente não é o desejável nem deve ser o corriqueiro, mas uma exceção, a possibilidade de retificação da DCTF depois de não homologada a DCOMP ou de indeferido o PER, desde que confirmada a disponibilidade do crédito. Essa retificação é suficiente para suscitar a revisão pela autoridade administrativa do despacho decisório, conforme seja objeto de pedido de revisão de ofício ou de manifestação de inconformidade, e esta ou a retificadora ocorra antes ou depois de decorridos 30 dias da não homologação, e desde que as informações prestadas à RFB não sejam diferentes de outras declarações tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010. Como bem destacado no trecho do parecer acima, a retificação posterior da DCTF é chancelada pela Receita Federal, mas a sua análise da possibilidade de verificação do crédito tributário esbarra na necessidade de comprovação. Neste contexto, ainda que a Recorrente tivesse retificado as suas declarações (o que não ocorreu), a análise da questão não se esgotaria nesse ponto, pois, não há nos autos nenhuma prova contábil ou fiscal do direito creditório. Fl. 89DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.308 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.900387/2017-26 Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente alegações e pedido de compensação. Faz-se necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábil-fiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie, pertinente ao tributo gerador do crédito alegado. Nesse sentir, considerando que o código 6912 de recolhimento do DARF trata de PIS no regime não-cumulativo (lei n.º10.637/02), para comprovação da certeza e liquidez faz-se necessário a juntada de notas fiscais para comprovar as tomadas de crédito. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo,os documentos juntados e as alegações da requerente deveriam estar acompanhadas dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados, considerando o regime não cumulativo declarado na arrecadação, necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. Como bem mencionado pela DRJ não houve juntada de quaisquer documentos comprobatórios com a manifestação de inconformidade e também pude verificar que não há documentos juntados com o Recurso Voluntário, logo, no meu entendimento, as alegações recursais carecem de provas. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303-005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos (hábeis e idôneos) com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábil-fiscal, pertinentes ao tributo em análise, seria indispensável para um convencimento. Fl. 90DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.308 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.900387/2017-26 Modernamente defende-se a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito 1 , assim leciona: Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequências do próprio raciocínio do homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda 2 : São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, após, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte comprovação adequada da certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação das compensações. É o meu entendimento Márcio Robson Costa - Relator 1 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) 2 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.906147/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2008
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Numero da decisão: 3302-007.187
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente KENYA S/A TRANSPORTE E LOGISTICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 61 47 /2 01 2- 11 Fl. 99DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação Eletrônica (DCOMP), transmitida com objetivo de declarar a compensação do(s) débito(s) nela apontado(s), com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins relativo a DARF indicado. Após análise do pedido foi proferido Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada, sob a justificativa de que o pagamento apontado teria sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação.: Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, arguindo essencialmente que o Despacho Decisório combatido estaria eivado de vícios insanáveis, os quais ensejariam sua nulidade. Discorreu sobre cada um deles. Após análise e julgamento da referida manifestação, a Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora/MG, por unanimidade de votos, julgoua improcedente e decidiu por NÃO HOMOLOGAR a compensação pleiteada. Irresignada, a empresa KENYA S/A TRANSPORTE E LOGISTICA ingressou com Recurso Voluntário, no qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Inicialmente, alega que o direito à ampla defesa não é algo que possa ser tratado de forma simples ou sintética, como explicitamente afirma o faz, o voto sob análise. A ampla defesa constitui um direito Constitucional (art. 52, LV da Carta Magna) do contribuinte, que deve ser garantido, inclusive no procedimento administrativo fiscal, da forma mais abrangente possível, principalmente pela Administração Pública. Deste modo, não se pode deixar de negar que a forma sintética com o que foi tratado o direito da Recorrente implica a nulidade do despacho decisório em questão, conforme o art. 59, inciso II, do Decreto n2 70.235/1972, uma vez que impede que a contribuinte tenha uma visão clara dos motivos pelos quais seu crédito fora declarado inexistente. Ressalta sua contrariedade quanto ao fato de não ter sido intimada a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição/compensação, como manda o art. 65 da Instrução Normativa da SRF n° 900/2008. Acrescenta que o art. 65 da referida Instrução Normativa estabelece que "a autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito". Argumenta que estarseia diante de um "deverpoder", uma vez que este condicionamento se faz necessário toda vez em que haja uma inconsistência nos créditos declarados pelo contribuinte. Ora, quando não houver inconsistência ou irregularidade nos dados informados pelo contribuinte, não há também porque condicionar o direito ao crédito. Por outro lado, se houver inconsistências no pedido, a Autoridade "deve" condicionar o direito ao crédito à tal verificação. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10875.906147/201211 Acórdão n.º 3302007.187 S3C3T2 Fl. 3 3 Observa que o próprio voto em questão admite a necessidade de comprovação, por parte do contribuinte, dos créditos declarados, quando se apresentem inconsistências ou irregularidades nas informações prestadas. Nesse trilhar, aduz ser ônus do contribuinte demonstrar a existência do crédito, quando o Fisco detectar inconsistências nos pedidos de compensação/restituição. Sugere, contudo, que momento oportuno para a comprovação do crédito seria o da intimação por inconsistências nas informações do pedido de compensação/restituição, conforme estabelecido pela a própria Receita Federal no art. 65 da IN 900/2008, não havendo razão para negarse tal oportunidade ao contribuinte. Acrescenta que se a própria Secretaria da Receita Federal determinou que a oportunidade para provar o crédito, quando verificadas inconsistências nas informações prestadas no pedido de compensação/restituição, é antes da emissão do despacho decisório, não há porque a Administração Pública forçar o contribuinte à fazêlo em momento posterior. Conclui a contribuinte que, à vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, declarandose a nulidade do procedimento. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302007.178, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10875.905330/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302007.178): Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, v ia Aviso de Recebimento, em 10 de abril de 2014, quintafeira, às e folhas 65. A empresa KENYA S/A TRANSPORTE E LOGISTICA ingressou com Recurso Voluntário, em 09 de maio de 2010, conforme e folhas 68. O Recurso Voluntário é tempestivo. Fl. 101DF CARF MF 4 Da controvérsia. O processamento do PERDCOMP n. 26339.44713.220811.1.3.049802, uma vez que o DARF utilizado como crédito na compensação não foi integralmente utilizado. Passase à análise. Tomase por esteio o artigo 74 da Lei 9.430, de 27.12.1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; VII o crédito objeto de pedido de restituição ou ressarcimento e o crédito informado em declaração de Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10875.906147/201211 Acórdão n.º 3302007.187 S3C3T2 Fl. 4 5 compensação cuja confirmação de liquidez e certeza esteja sob procedimento fiscal; VIII os valores de quotas de saláriofamília e salário maternidade; e IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobrea Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; O PER/DCOMP formaliza o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública. A entrega do PER/DCOMP implementa a compensação tributária, tendo por efeito imediato a extinção do débito, ainda que sob ulterior condição resolutória. Cabe ao Sujeito Passivo fornecer informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos, permanecendo com a Autoridade Tributária o poder/dever de validar a operação realizada. No caso que se aprecia, o Contribuinte transmitiu o PER/DCOMP com o fim de extinguir débito com suposto crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior, apontando um DARF como origem desse crédito. O núcleo do presente litígio é verificar se o Contribuinte possuía ou não o direito creditório pleiteado. É alegado no Recurso Voluntário, efolhas 71: Senhores Conselheiros, estamos na frente, aqui, de um verdadeiro "deverpoder", uma vez que este condicionamento se faz necessário toda vez em que haja uma inconsistência nos créditos declarados pelo Fl. 103DF CARF MF 6 contribuinte. Ora, quando não houverem inconsistência ou irregularidade nos dados informados pelo contribuinte, não há também porque condicionar o direito ao crédito, agora, se houverem inconsistências no pedido, então a Autoridade "deve" condicionar o direito ao crédito. Podemos ver, ainda, que o próprio voto em questão admite a necessidade de comprovação, por parte do contribuinte, dos créditos declarados pelo mesmo, quando se apresentem inconsistências ou irregularidades nas informações prestadas. Ele segue neste sentido, à fls. 7: (...) Devemos deixar claro que, sim, é ônus do contribuinte demonstrar a existência do crédito, quando o Fisco detectar inconsistências nos pedidos de compensação/restituição. Agora, se a própria Receita Federal estipula, no art. 65 da IN 900/2008, momento oportuno para a comprovação do crédito, qual seja, o da intimação por inconsistências nas informações do pedido de compensação/restituição, por que negar tal oportunidade ao contribuinte? Isto é, por que não dar oportunidade para o contribuinte provar o crédito antes da emissão do despacho decisório? Em nome da celeridade da Fiscalização? Ora, nobres Conselheiros, todos sabemos da gama de obrigações do contribuinte para com o Fisco, e das facilidades que este ultimo tem em termos de fiscalização e cruzamento de dados, tudo em prol da cobrança tributária. Não pode, portanto, o Fisco também passar por cima de suas próprias estipulações em prol do mesmo fim. Portanto, se a própria Secretaria da Receita Federal determinou que a oportunidade para provar o crédito, quando verificadas inconsistências nas informações prestadas no pedido de compensação/restituição, é antes da emissão do despacho decisório, não há porque a Administração Pública forçar o contribuinte à fazêlo em momento posterior. O Acórdão de Manifestação de Inconformidade assim se manifesta às folhas 07: Consoante o §1° do art. 74 da Lei n.° 9.430, de 1996, a compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF apresentada pela contribuinte até a data entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, cabe à interessada a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido é menor que o DARF recolhido e apontado como origem do crédito. Nada mais foi trazido aos autos, como por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10875.906147/201211 Acórdão n.º 3302007.187 S3C3T2 Fl. 5 7 outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria à interessada crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pela contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Absolutamente adequada a posição esposada no Acórdão de Manifestação de Inconformidade. O crédito tributário declarado pela recorrente em DCTF é líquido e certo, razão pela qual deve ser homologada a compensação realizada por meio da PER/DCOMP, sob pena de enriquecimento ilícito da União, vez que está cobrando valores já compensados pela empresa. A comprovação do erro de informação é tarefa que cabe exclusivamente ao Interessado, por meio da apresentação de documentos hábeis e idôneos. A conclusão é a mesma se analisarmos a questão sob o aspecto puramente processual. O Decreto 70.235/1972, que também se aplica a esse tipo de Contencioso, dispõe no seu art. 16, § 4°, que as provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não o ter feito naquela oportunidade. Já o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda/1999 RIR/99 (DecretoLei 1.598/1977, art. 9°, § 1°) estabelece que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do Contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Portanto, no presente caso, caberia ao Contribuinte a apresentação dos elementos de prova (cópias de Livros e Documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF Original, que embasou o Despacho Decisório em referência. Com efeito, diante da ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório informado na DCOMP, não há como acolher a pretensão da Defesa. Assim, como não foi corroborado o direito creditório do Manifestante, de conformidade com a Legislação aplicável ao assunto apreciado, e portanto não foi comprovado haver crédito líquido e certo que compensasse o débito pleiteado pela Fl. 105DF CARF MF 8 Empresa, pois o valor do crédito solicitado foi alocado para cobrir apenas o débito indicado no DARF citado, conforme demonstrado, descabe o deferimento do PER/DCOMP que fora objeto do Despacho Decisório que se examinou. O ônus do contribuinte é comprovar o direito levado à DCTF, ou pelo menos sua verossimilhança. Na ausência dessa, tomase por esteio voto do Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302006.399, da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, de redação do i. Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho: Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem se que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitando se a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10875.906147/201211 Acórdão n.º 3302007.187 S3C3T2 Fl. 6 9 argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10245.000358/2007-06
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002 M
ANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA.
A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discrionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverência o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN.
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO E REGISTRO DE INVENTÁRIO. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS ESCRITURADOS NO LIVRO RAZÃO ANALÍTICO SEM OS RESPECTIVOS DOCUMENTOS DE SUPORTE. LUCRO ARBITRADO.
Incabível a preservação da tributação pelo lucro real, quando a autoridade fiscal procede à glosa da quase totalidade dos custos e despesas operacionais escriturados no livro Razão Analítico, por falta de apresentação do livro Diário, Registro de Inventáro, e da documentação de suporte desses registros contábeis. Nesse caso, deve o fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe a existência de escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos lastreados por documentos hábeis e idôneos, registrados em livros comerciais e fiscais, tendo como ponto de partida o lucro líquido, que é a soma algébrica de receitas, custos e despesas. O regime de arbitramento do lucro é incondicional. A eventual disponibilização da documentação posteriormente, cuja falta ensejou o arbitramento do lucro, não tem o condão de modificar o ato administrativo do lançamento.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Após ciência do início do procedimento de fiscalização, o contribuinte perde a espontaneidade fiscal e a falta de pagamento espontâneo dos tributos, em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da fiscalização, implica na exigência do principal com multa de ofício mínima de 75% (setenta e cinco por cento), desde que não seja hipótese de agravamento por embaraço à fiscalização ou de qualificação por conduta dolosa (fraude fiscal), quando a multa será ainda maior.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, por força da relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-000.943
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Nelso Kichel
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VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discrionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverência o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO E REGISTRO DE INVENTÁRIO. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS ESCRITURADOS NO LIVRO RAZÃO ANALÍTICO SEM OS RESPECTIVOS DOCUMENTOS DE SUPORTE. LUCRO ARBITRADO. Incabível a preservação da tributação pelo lucro real, quando a autoridade fiscal procede à glosa da quase totalidade dos custos e despesas operacionais escriturados no livro Razão Analítico, por falta de apresentação do livro Diário, Registro de Inventáro, e da documentação de suporte desses registros contábeis. Nesse caso, deve o fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe a existência de escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos lastreados por documentos hábeis e idôneos, registrados em livros comerciais e fiscais, tendo como Fl. 346DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 ponto de partida o lucro líquido, que é a soma algébrica de receitas, custos e despesas. O regime de arbitramento do lucro é incondicional. A eventual disponibilização da documentação posteriormente, cuja falta ensejou o arbitramento do lucro, não tem o condão de modificar o ato administrativo do lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Após ciência do início do procedimento de fiscalização, o contribuinte perde a espontaneidade fiscal e a falta de pagamento espontâneo dos tributos, em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da fiscalização, implica na exigência do principal com multa de ofício mínima de 75% (setenta e cinco por cento), desde que não seja hipótese de agravamento por embaraço à fiscalização ou de qualificação por conduta dolosa (fraude fiscal), quando a multa será ainda maior. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, por força da relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marcelo Baeta Hippolito e Marco Antonio Nunes Castilho. Ausente justificadamente o Conselheiro André Almeida Blanco. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 200/222 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Belém (fls. 176/185) que julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento do IRPJ e reflexo (CSLL), do anocalendário 2002, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 543.435,89 na data de lavratura dos respectivos autos de infração, estando inclusos multa de 75% e juros de mora (fls. 88/115). Fl. 347DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10245.000358/200706 Acórdão n.º 180200.943 S1TE02 Fl. 2 3 Quanto aos fatos, consta do auto de infração do IRPJ que houve Arbitramento do Lucro e a imputação das seguintes infrações (fls. 90/91), in verbis: (...) Razão do arbitramento no(s) periodo(s): 03/2002 06/2002 09/2002 12/2002 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte intimado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Inicio de Fiscalização e termo(s) de intimação acostados ao processo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso III, do RIR/99. 001 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) ARBITRAMENTO DO LUCRO COM BASE NA RECEITA DECLARADA DE REVENDA DE MERCADORIAS (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 530, III, 532 do RIR/99. Art. 47 da Lei n° 8.981/1995; Arts. 1º , 27 da Lei n° 9.430/96. (...) 002 OUTRAS RECEITAS RECEITAS FINANCEIRAS (DESCONTOS OBTIDOS) (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 536 do RIR/99. (...) (grifei) Ainda quanto aos fatos, consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 104/115), parte integrante dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, que, embora não tendo apresentado os livros Diário e Registro de Inventário, a fiscalização, com base no Livro Razão do ano calendário 2002, intimou, reiteradamente, a fiscalizada a comprovar as despesas/custos escriturados desse ano. Fl. 348DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Nesse sentido, transcrevo a descrição dos fatos constante do Termo de Verificação fiscal que trata, justamente, da falta de apresentação de livros e a falta de comprovação das despesas/custos escriturados no livro Razão (fls. 105/109), in verbis: (...) II PROCEDIMENTOS DA FISCALIZAÇÃO (...) 10. De posse do livro Razão do ano 2002, lavrouse termo de intimação em 12/01/2007, solicitando esclarecimentos e comprovação de valores escriturados naquele ano, relativos a Custos das Mercadorias Vendidas e algumas despesas operacionais escrituradas genericamente. Pediuse ainda confirmação da realização de sorteios com distribuição de prêmios no ano 2002, e a comprovação do recolhimento do imposto de renda na fonte. A ciência pessoal ocorreu na mesma data, sendo concedido o prazo de 05 (cinco) dias úteis (fls. 56 a 74); (...) 12. Em 06/02/2007, lavramos Termo de Reintimação Fiscal com as mesmas solicitações do termo citado no item 10. (...) 15. Passados mais de 30 (trinta) dias da solicitação de prazo do contribuinte sem que houvesse qualquer nova manifestação do mesmo até a presente data, lavrouse Auto de Infração IRPJ, relativamente apenas ao anocalendário 2002, visando prevenir a decadência de fatos geradores ocorridos naquele exercício. III — ANALISE DA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA (...), o contribuinte apresentou apenas alguns dos livros aos quais se encontrava obrigado a escriturar em 2002, quais sejam: Livro Razão, Registro de Entradas, Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICMS, alegando como motivos para não entrega dos demais o fechamento do estabelecimento comercial, mudanças de prédios e demissão de funcionários que trabalhavam no controle dessa documentação(fls. 11, 12, 53). Concentramos nossas análises no Livro Razão 2002 e na DIPJ, que apresentam valores coincidentes. (...) Intimamos então o contribuinte a comprovar com documentação hábil e idônea, lançamentos pontuais escriturados no Livro Razão, alguns de forma genérica, com valores significativos, referentes a custos e despesas, conforme detalhado na tabela a seguir. Para facilitar a resposta do contribuinte, anexamos à intimação, cópias das páginas do Livro Razão mencionadas no termo (fls. 56 a 74). Ciente da intimação, o contribuinte pediu uma dilatação de prazo em 10 (dez) dias, que foi concedida no dia 19/01/2007 (fl. Fl. 349DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10245.000358/200706 Acórdão n.º 180200.943 S1TE02 Fl. 3 5 75). Passados mais de trinta dias da intimação, não recebemos nenhuma nova manifestação do mesmo. (...) Tendo em vista que o contribuinte, quando intimado, não apresentou alguns livros contábeis/fiscais, tais como Diário e Registro de Inventário, bem como não comprovou com documentação hábil e idônea a realização dos custos e despesa escriturados no Livro Razão, poderia se desconsiderar tais valores utilizados para redução do lucro da empresa, por meio de glosa. Contudo, considerando que os referidos valores representam 84% da Receita Bruta declarada, a glosa da quase totalidade dos custos e despesas operacionais declarados pelo contribuinte, impossibilitaria a apuração do lucro real, por falta dos requisitos essenciais da tributação com base no lucro real, qual seja, a escrituração contábil respaldada em livros e documentação hábil e idônea. Nestas circunstâncias, o procedimento adequado é o arbitramento do lucro, em face da então imprestabilidade da escrita, pois a tributação pelo lucro real pressupõe a existência de escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos lastreados por documentos hábeis e idôneos, registrados em livros comerciais e fiscais, tendo como ponto de partida o lucro liquido, que é a soma algébrica de receitas, custos e despesas. (...) IV — INFRAÇÕES APURADAS Diante dos fatos expostos, restou a fiscalização proceder ao arbitramento do lucro da pessoa jurídica fiscalizada no ano calendário 2002, com base na receita declarada em DIPJ 2003 (Anexo I fls. 13 a 16), conforme previsto no art. 530, inciso III, do RIR/99. (...) (grifei) No caso, como a contribuinte exerce atividade de comércio, foi aplicado o coeficiente de arbitramento do lucro de 9,6%, exceto para as receitas financeiras que são adicionadas àquela base de cálculo, conforme Quadro Demonstrativo constante do Termo de Verificação Fiscal (fl. 110). Na impugnação apresentada contra o lançamento fiscal na primeira instância, em suas razões, a contribuinte, tecendo considerações em relação ao princípio da legalidade e da verdade material, suscitou: preliminarmente, nulidade dos autos dos de infração: Fl. 350DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 a) por vício formal na execução do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, sob alegação, genérica, de falta de entrega de cópia do ato administrativo de prorrogação do MPF; b) por cerceamento do direito de defesa, sob alegação, genérica, de que o crédito tributário foi formalizado em desacordo com o MPF, fato que teria prejudicado o entendimento das imputações; quanto ao mérito, que o arbitramento do lucro feriu de morte as garantias constitucionais; que o arbitramento do lucro é ato extremo, excepcional; que, no caso, não teriam ocorrido os pressupostos para aplicação de tal regime de apuração de ofício; que não foram aproveitados os valores do IRPJ e da CSLL pagos com base no Lucro Real; que a multa de ofício de 75% seria desproporcional e, por isso, teria caráter confiscatório. Em que pese as razões apresentadas pela contribuinte, como já mencionado anteriormente, a decisão recorrida manteve integralmente os autos de infração do IRPJ e reflexo (CSLL), cuja ementa do Acórdão transcrevo a seguir (fls. 176/177): (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Ementas: PRELIMINAR DE NULIDADE POR VICIO FORMAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Sendo o mandado de procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo de instrumento, na essência, de afirmação da validade da ação fiscal e, com efeitos preponderantemente "intra corporis” não há por que se acatar os argumentos de nulidade. PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia do contraditório e da ampla defesa, não estando caracterizado o cerceamento do direito de defesa. PROPORCIONALIDADE E CONFISCO. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme rege o art. 2° da lei 9784/99. IRPJ. CSLL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. 0 arbitramento do lucro não é uma penalidade ou sanção tributária, mas sim uma modalidade de apuração do lucro Fl. 351DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10245.000358/200706 Acórdão n.º 180200.943 S1TE02 Fl. 4 7 tributável obrigatória quando a apuração do lucro real torna se impossível ou deficiente. Sujeitase ao arbitramento o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, quando optante pela apuração do lucro real. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese, no que couber, ao lançamento decorrente quando tiver por fundamento o mesmo suporte fatico. Lançamento Procedente (...) Inconformada com esse decisum do qual tomou ciência em 10/03/2009, a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 06/04/2009 (fls. 200/222), juntando ainda os documentos de fls. 223/225, cujas razões, em síntese, são as seguintes: reitera preliminar de nulidade dos autos de infração, por vício formal na execução do MPF (falta de prorrogação de prazos); que o registro eletrônico das prorrogações dos prazos do MPF não afasta a obrigação de ciência pessoal (entrega de cópia desse ato administrativo); que não efetuada a ciência pessoal da prorrogação de prazo do MPF, juntamente com o primeiro ato de ofício praticado junto ao contribuinte, vicia o procedimento de fiscalização, tornandoo extinto (vencido); que, por conseguinte, não podem susbsistir os autos de infração lavrados durante o MPF vencido (extinto); que, ademais, a decisão recorrida, ao rejeitar essa preliminar, utilizou argumento fraco/ausência de motivação; quanto ao Arbitramento do Lucro: 1) que apresentou à fiscalização os seguintes livros: a) o livro Registro de Entradas, anos calendário 2002, 2003 e 2005; b) o livro Registro de Saídas, anos calendário 2002, 2003 e 2005; c) o livro Registro de Apuração do ICMS, anoscalendário 2002, 2003 e 2005; d) pasta contendo Guias de Informação Mensal do ICMS GIM, referente aos meses de 01/2002 a 12/2002 (originais e retificagões). 2) – que, com isso, a fiscalização teve elementos suficientes para corroborar as despesas da empresa, ainda mais que tais livros apresentados estavam devidamente autenticados pelo órgão fazendário (Secretaria Estadual da Fazenda do Estado de Roraima SEFAZ/RR). 3) que na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ 2003, anocalendário 2002) a empresa informou os valores relativos tanto às receitas quanto aos custos e despesas incorridos; que referida declaração foi utilizada pelo fisco para comprovação Fl. 352DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 das receitas informadas, porém não foi considerada como prova dos custos e despesas devidamente declarados. 4) – que, embora a fiscalização tenha consignado no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante dos autos de infração, receitas declaradas na DIPJ como coincidentes com as registradas no livro Razão, na verdade não consta dos autos cópia do livro Razão, nessa parte, para confirmar as receitas do anocalendário 2002; 5) – que, assim, não há nos autos informações e/ou documentos que corroborem ou tornem as receitas conhecidas para fins de arbitramento do lucro, além da Declaração de Imposto de Renda (DIPJ 2003), e se o Auditor Fiscal considerou a DIPJ como documentação hábil e idônea para corroborar as receitas, o mesmo procedimento deveria ter utilizado para a comprovação das despesas, pois não há que se falar em justiça quando um documento considera apenas parte dos lançamentos (receitas), desconsiderando outra parte (custos e despesas), fato esse que apenas beneficia uma das partes: o fisco. 6) – que o AuditorFiscal, quando solicitou a comprovação dos custos operacionais escriturados no livro Razão do anocalendário 2002 através de documentação hábil e idônea, deveria ter relacionado as notas fiscais que queria auditar, uma vez que se trata de um volume muito grande de documentos (notas fiscais), conforme livros fiscais apresentados à fiscalização. 7) que, como já dito, há falta documento nos autos do processo atinente às receitas auferidas no anocalendário 2002; que, além da DIPJ, o AuditorFiscal não juntou os documentos comprobatórios das receitas utilizadas para o arbitramento do lucro; que o fisco compete juntar aos autos todos os elementos de prova em que está lastreado o lançamento fiscal; que, por conseguinte, está aprejudicado o arbitramento do lucro. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 353DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10245.000358/200706 Acórdão n.º 180200.943 S1TE02 Fl. 5 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. A lide versa acerca da exigência de crédito tributário constituído pelos autos de infração do IRPJ e reflexo (CSLL) do anocalendário 2002. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Preliminarmente, a recorrente alegou que os autos de infração do IRPJ e da CSLL seriam nulos por vício formal na execução do Mandado de Procedimento Fiscal MPF; que, nesse sentido, uma das duas prorrogações de prazo do MPF, no caso a primeira, não teria sido comunicada pessoalmente quando da prática do primeiro ato de ofício (da fiscalização) junto à contribuinte. Diversamente do alegado pela recorrente, não vislumbro vício ou mácula na execução do MPF que pudesse inquinar de nulidade os auto de infração. A ciência da prorrogação do MPF deuse eletronicamente, de forma automática, pela publicação desse ato administrativo na página da RFB na internet, cujo endereço e senha de acesso constam do MPF primitivo ou original (fl. 01) e demonstrativo de prorrogações (fl. 03). De modo que, eventual, não entrega de cópia, em papel, do ato de prorrogação do prazo do MPF quando da prática do primeiro ato de ofício junto ao contribuinte não configura vício algum, mas mera irregularidade sem conseqüência jurídica, pois o ato de ciência da prorrogação do prazo do MPF deuse, eletronicamente, pela internet, na data de publicação desse ato no sítio da RFB. A entrega física de cópia do documento é mero exaurimento da ciência já consumada, quando da publicação do ato administrativo no sítio da RFB. Tratase de um post actum irrelevante juridicamente; por isso, não configura vício algum do ato de ciência anteriormente consumado. O Mandado de Procedimento Fiscal é ato administrativo que tem a funcão de dar partida ao procedimento fiscal externo. Além dessa precípua finalidade, cumpre com a nobre missão de objetividade e transparência nos atos da Administração Pública, na medida em que dá conhecimento ao sujeito passivo dos elementos objetivos que foram priorizados pela Administração Tributária para início do procedimento de investigação, ao mesmo tempo que exterioriza o conteúdo das ordens transmitidas ao servidor subordinado, delimitando os quadrantes priorizados para sua atuação. Fl. 354DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Na situação dos autos, desde antes do Termo de Início de Fiscalização, o procedimento de fiscalização já estava acobertado pelo respectivo MPF e assim perdurou até o encerramento da fiscalização, conforme demonstrativo de prorrogação do MPF (fls.01/10). O escopo da legislação do MPF, na verdade, é a instauração de procedimento de fiscalização externa com o respectivo MPF, que é o caso. O MPF, é de se observar, tem apenas a função de controle interno da RFB, não atingindo, em absoluto, a competência privativa do AuditorFiscal que, inclusive, tem obrigação funcional de, em verificando infração à legislação tributaria, efetuar o lançamento correspondente a tal infração ou, no caso de ser incompetente para formalizar a exigência, comunicar o fato, em representação circunstanciada, a seu chefe imediato, que, por sua vez, adotará as providências necessárias para formalizar a exigência. O MPF foi criado por Portaria que não pode se sobrepor ao Código Tributário Nacional, que determina a realização do lançamento que é vinculado e obrigatório, sendo o referido controle administrativo apenas um meio da administração de controlar seus funcionários e cumprir o preceito constitucional da publicidade, uma vez que o fiscalizado pode através da internet verificar a veracidade do documento. Ressaltese que o antigo Conselho de Contribuintes (autal CARF), bem como a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, já firmaram jurisprudência de que eventuais falhas no MPF não maculam o lançamento eis que se destina a controle interno e a informar o contribuinte da fiscalização. O MPF é apenas um controle administrativo interno da Repartição Fiscal e não inquina o lançamento de nulidade. Nesse sentido, transcrevo ementas de acórdãos: MPF. PORTARIA SRF N.° 3.007/2001. DIGNIDADE NORMATIVA. PRORROGAÇÃO. AUSÊNCIA. VICIO FORMAL. PRESSUPOSTO DE VALIDADE DO LANÇAMENTO. LANÇAMENTO ANULÁVEL. O MPF é mero instrumento de controle gerencial interno da SRF não influindo na legitimidade do lançamento. Recurso de Oficio Negado. (Acórdão nº 20403.222, Sessão de 03/06/2008). MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS. INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGUIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em beneficio desta, há de subsistir em quaisquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A nãoobservância — na instauração ou na amplitude do MPF —poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção Fl. 355DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10245.000358/200706 Acórdão n.º 180200.943 S1TE02 Fl. 6 11 plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. (Acórdão nº 107 06.797, Sessão de 18/09/2002, Relator Conselheiro Neicyr de Almeida). O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF PRORROGAÇÃO NÃO COMUNICAÇÃO AO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO O MPF constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fiscocontribuinte e objetiva informar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado para verificações fiscais e que o agente fiscal indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se correrem problemas com a prorrogação do MPF, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário apurados. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(Acórdão 10249.346, Sessão de 09/10/2008, Rel.Moisés Jacomelli Nunes da Silva). NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário.(Acórdão CSRF nº 0106.085, Sessão de 11/11/2008, Rel.Alexandre Andrade de Lima da Fonte Filho). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discrionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverência o principio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. (ACÓRDÃO CSRF nº 0106.043, Sessão de 10/11/2008, Rel. José Cóvis Alves). Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade suscitada por ser totalmente descabida. Fl. 356DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 LIVROS DIÁRIO E REGISTRO DE INVENTÁRIO NÃO APRESENTADOS À FISCALIZAÇÃO. LIVRO RAZÃO ANALÍTICO. NÃO COMPROVAÇÃO DOS CUSTOS/DESPESAS ESCRITURADOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO No anocalendário 2002, a contribuinte submetida à apuração do IRPJ e da CSLL com base Lucro Real trimestral, com atuação no ramo de comércio (revenda de mercadorias), apurou prejuízos fiscias nos 1º, 2º, 3º e 4º, conforme DIPJ 2003, anocalendário 2002, volume Anexo I (fls. 02/56). No caso, a fiscalização constatou que impactaram, negativamente, os resultados fiscais, o alto custo informado/declarado das mercadorias revendidas valores inclusive arredondados (CMV) e as elevadas despesas operacionais, cujos dados estão resumidos no demonstrativo abaixo: Trimestres/2002 RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE REVENDA DE MERCADORIAS (R$) CMV (R$) DESPESAS OPERACIONAIS (R$) 1º Trimestre 4.477.363,18 2.550.000,00 1.780.062,10 2º Trimestre 1.546.501,44 1.300.000,00 420.124,75 3º Trimestre 325.478,11 600.000,00 158.311,90 4º Trimestre 182.888,57 200.000,00 133.960,09 Obs: as despesas operacionias seriam constituídas por: (i) Despesas com Veículos e Conserv. de bens e instalações; (ii) Outras DespesasOperacionais. A fiscalização da RFB intimou e reintimou a contribuinte, diversas vezes, para apresentação dos livros Diário e Registro de Inventário do anocalendário 2002 e, também, para comprovação dos custos das mercadorias revendidas e das depesas operacionais desse anocalendário, escriturados no livro Razão e informados na DIPJ 2003 (anocalendário 2002); porém a contribuinte não apresentou esses livros, nem comprovou esses custos e despesas operacionais com documentação hábil e idônea. A fiscalização, por conseguinte, procedeu ao arbitramento do lucro, utilizando o coeficiente de arbitramento de 9,6%, com base nas receitas de revenda de mercadorias, informadas na DIPJ 2003 (anocalendário 2002) e corroboradas pelo livro Razão Analítico desse ano, exibido, fornecido, pela contribuinte e devolvido ao final do procedimento de fiscalização. A recorrente alegou que apresentara à fiscalização todos os livros contábeis e fiscais do anocalendário 2002, exceto os livros Diário e de Registro de Inventário; que, destarte, as receitas de vendas, custos das mercadorias revendidas (CMV) e despesas operacionais restaram comprovados e corroborados pelos livros Registro de Entrada, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS e Razão Analítico; que a fiscalização não pode, simplesmente, adotar, como comprovada, as receitas informadas na DIPJ 2003 e desconsiderar (glosar) os custos e despesas; que, diversamente do alegado pela fiscalização, não há nos autos cópia do livro Razão Analítico corroborando as receitas informadas na DIPJ 2003 para que fossem utilizadas como receitas conhecidas para o arbitramento do lucro; que, quando o AuditorFiscal solicitou a comprovação dos custos e despesas operacionais (escriturados no Fl. 357DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10245.000358/200706 Acórdão n.º 180200.943 S1TE02 Fl. 7 13 livro Razão Analítico do anocalendário 2002), através de documentação hábil e idônea, deveria ter relacionado, especificamente, as notas fiscais que queria auditar, uma vez que se trata de um volume muito grande de documentos (notas fiscais), conforme livros fiscais apresentados à fiscalização. A recorrente, em suma, argumenta que inexistiram os pressupostos ou motivos para o Arbitramento do Lucro. Data venia, não procedem as objeções da recorrente contra o Arbitramento do Lucro. A recorrente não apresentou os livros Diário e Registro de Inventário, embora intimada e reintimada (fls. 06/10 e 47/49); Ainda, diversamente do que alegou a contribuinte, ela foi intimada e reintimada, diversas vezes pela fiscalização, para comprovar, em relação ao anocalendário 2002, os custos das mercadorias revendidas (CMV) e as despesas operacionais devidamente segregadas/especificadas nos termos de intimação (fls.54/58 e 76/81). A propósito, da necessidade da recorrente comprovar os fatos contábeis registrados/escriturados, transcrevo o disposto no art. 923 do RIR/99, in verbis: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Portanto, diversamente do alegado pela recorrente a escrituração contábil, por si só, não faz prova a seu favor em relação a custos e despesas escriturados, sendo necessário apresentar, exibir, ao fisco os documentos hábeis e idôneos de suporte dos fatos contábeis registrados. A recorrente não comprovou os custos e despesas registrados na escrituração contábil para deduzilos das receitas de vendas. Por outro lado, a escrituração contábil (Livro Razão Analítico) e fiscal (DIPJ 2003) faz prova contra a contribuinte quanto aos fatos contábeis registrados (receitas). A alegação de que não há nos autos cópia do Livro Razão Analítico na parte que trata das receitas do anocalendário 2002 para corroborar as receitas informadas na DIPJ 2003, despicienda tal confrontação. Se as receitas desse anocalendário 2002, registradas no Livro Razão Analítico, fossem diversas das receitas informadas na DIPJ 2003 (anocalendário 2002), a recorrente, com certeza, teria juntado cópia desse Livro para contestar, refutar, as receitas tributáveis apuradas pelo fisco. Porém, a recorrente não fez tal prova, ficou na mera alegação. Inferese, por conseguinte, que as receitas declaradas na DIPJ e as escrituradas no Livro Razão Analítico são, realmente, concidentes, como consignou a fiscalização. Quanto aos fatos que justificaram o arbitramento do lucro, transcrevo a narrativa da fiscalização, constante do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante dos autos Fl. 358DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 de infração, que, sobjamente, justifica a adoção desse regime de tributação (fls. 104/115), in verbis: (...) II PROCEDIMENTOS DA FISCALIZAÇÃO 1. Em 20/09/2006, demos inicio aos trabalhos de fiscalização, mediante a ciência via postal no endereço do contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal e do Termo de Inicio de Fiscalização, no qual solicitouse diversos documentos, livros contábeis e fiscais, além de extratos bancários relativos aos anos de 2003 e 2005 da empresa. Foi concedido o prazo de 20(vinte) dias (fls. 05 a 07); (...) 10. De posse do livro Razão do ano 2002, lavrouse termo de intimação em 12/01/2007, solicitando esclarecimentos e comprovação de valores escriturados naquele ano, relativos a Custos das Mercadorias Vendidas e algumas despesas operacionais escrituradas genericamente. Pediuse ainda confirmação da realização de sorteios com distribuição de prêmios no ano 2002, e a comprovação do recolhimento do imposto de renda na fonte. A ciência pessoal ocorreu na mesma data, sendo concedido o prazo de 0 5(cinco) dias úteis (fls. 56 a 74); (..) 12. Em 06/02/2007, lavramos Termo de Reintimagão Fiscal com as mesmas solicitações do termo citado no item 10. (...) III — ANALISE DA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA Atendendo intimação, o contribuinte apresentou apenas alguns dos livros aos quais se encontrava obrigado a escriturar em 2002, quais sejam: Livro Razão, Registro de Entradas, Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICMS, alegando como motivos para não entrega dos demais o fechamento do estabelecimento comercial, mudanças de prédios e demissão de funcionários que trabalhavam no controle dessa documentação (fls. 11, 12, 53). Concentramos nossas análises no Livro Razão 2002 e na DIPJ, que apresentam valores coincidentes. A tabela abaixo apresenta as contas de maior interesse, obtidos na DIPJ 2003 (Anexo I – fls. 02 a 56). (...) Levando em conta os pontos apresentados anteriormente, solicitamos do contribuinte, informações adicionais que permitissem uma análise mais apurada dos fatos, em que não fomos atendidos. Fl. 359DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10245.000358/200706 Acórdão n.º 180200.943 S1TE02 Fl. 8 15 Intimamos então o contribuinte a comprovar com documentação hábil e idônea, lançamentos pontuais escriturados no Livro Razão, alguns de forma genérica, com valores significativos, referentes a custos e despesas, conforme detalhado na tabela a seguir. Para facilitar a resposta do contribuinte, anexamos à intimação, cópias das páginas do Livro Razão mencionadas no termo (fls. 56 a 74). Ciente da intimação, o contribuinte pediu uma dilatação de prazo em 10 (dez) dias, que foi concedida no dia 19/01/2007 (fl. 75). Passados mais de trinta dias da intimação, não recebemos nenhuma nova manifestação do mesmo. (...) Tendo em vista que o contribuinte, quando intimado, não apresentou alguns livros contábeis/fiscais, tais como Diário e Registro de Inventário, bem como não comprovou com documentação hábil e idônea a realização dos custos e despesa escriturados no Livro Razão, poderia se desconsiderar tais valores utilizados para redução do lucro da empresa, por meio de glosa. Contudo, considerando que os referidos valores representam 84% da Receita Bruta declarada, a glosa da quase totalidade dos custos e despesas operacionais declarados pelo contribuinte, impossibilitaria a apuração do lucro real, por falta dos requisitos essenciais da tributação com base no lucro real, qual seja, a escrituração contábil respaldada em livros e documentação hábil e idônea. Nestas circunstâncias, o procedimento adequado é o arbitramento do lucro, em face da então imprestabilidade da escrita, pois a tributação pelo lucro real pressupõe a existência de escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos lastreados por documentos hábeis e idôneos, registrados em livros comerciais e fiscais, tendo como ponto de partida o lucro liquido, que é a soma algébrica de receitas, custos e despesas. (...) Como demonstrado, restou prejudicada a tributação pelo Lucro Real da receita de R$ 6.532.231,30, pois a fiscalização glosou custos e despesas operacionais no montante de R$ 5.511.222,71 –demonstrativo de fls. 107/108, não restando despesas/custos a deduzir. Então, procedendo de forma menos onerosa à recorrente, a fiscalização procedeu ao Arbitramento do Lucro, aplicando o coeficiente de presunção do lucro de 9,6% sobre as receitas conhecidas/declaradas na DIPJ 2003, anocalendário 2002, corroboradas/registradas, também, no livro Razão. Portanto, a base de cálculo do IRPJ – Lucro Arbitrado – ficou em 9,6% das receitas conhecidas. Nesse caso, realmente a jurisprudência deste Egrégio Conselho e da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRR é firme no sentido de fazer prevalecer o arbitramento do Fl. 360DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 lucro, pois a manutenção do regime do lucro real, sem despesas/custos a deduzir, seria demasiadamente oneroso para o contribuinte. Nesse sentido, transcrevo ementas de decisões (precedentes jurisprudenciais): IRPJ GLOSA DE DESPESAS PRESERVAÇÃO DA APURAÇÃO PELO LUCRO REAL Incabível a preservação da tributação pelo lucro real quando a autoridade fiscal procede à glosa da quase totalidade das despesas operacionais lançadas. Nesse caso, deve o Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe a existência de escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos lastreados por documentos hábeis e idôneos, registrados em livros comerciais e fiscais, tendo como ponto de partida o lucro liquido, que é a soma algébrica de receitas, custos e despesas. Recurso de ofício negado.(1º CC/Acórdão nº 10808.184). IRPJ GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS Incabível a preservação da tributação pelo real, quando a autoridade fiscal procede à glosa de 100% dos custos e 99,97% das despesas operacionais da pessoa jurídica, em razão da não apresentação dos documentos comprobatórios reiteradamente solicitados. Nesse caso, deve o Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe escrituração regular, assim entendida, aquela que tem seus lançamentos lastreados em documentos hábeis e idôneos. Recurso voluntário provido.(Acórdão CSRF 0102.554). O arbitramento de lucro, diversamente do alegado pela recorrente, não é penalidade, é regime de apuração de imposto. Ainda, o lucro arbitrado é incondiconal, uma vez efetuado é definitivo, ainda que, posteriormente, sejam apresentados livros e documentos de suporte. Nesse sentido, transcrevo ementas de Acórdãos deste Egrégio Conselho Administrativo (precedentes), in verbis: IRPJ ANO CALENDÁRIO 1997— LUCRO ARBITRADO — SUJEITO PASSIVO REGULARMENTE INTIMADO DEIXA DE APRESENTAR DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO ADOTADO — ARBITRAMENTO CONDICIONAL — INEXISTÊNCIA — Cabível o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica deixa de exibir ao Fisco, após reiteradas intimações, os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, comprobatórios do regime de tributação conforme as regras do lucro real (art. 47, inciso III da Lei n° 8.981/1995). O Regime de arbitramento é incondicional. A eventual disponibilização da documentação cuja falta ensejou o arbitramento do lucro, não tem o condão de modificar o ato administrativo do lançamento.(Acórdão CC nº 10194.411, sessão de 04/11/2003, Relator Raul Pimentel). OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO ARBITRADO. Inexistente a escrituração regular e não atendidos os requisitos para tributação pelo lucro presumido ou real, impõese o regime do lucro arbitrado, que será aplicado sobre as receitas declaradas e Fl. 361DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10245.000358/200706 Acórdão n.º 180200.943 S1TE02 Fl. 9 17 omitidas, compensandose o imposto já recolhido. (...) LUCRO ARBITRADO. PERÍCIA CONTÁBIL. O arbitramento do lucro não é condicional, sendo defeso a apresentação posterior de escrituração contábil, indeferindose o pedido de perícia formulado sem atender os requisitos do art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. (Acórdão CARF nº 1803 –00.764, sessão de 26/01/2011, Relator Walter Adolfo Maresch). ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. DEFICIÊNCIAS. LUCRO ARBITRADO. A apresentação de escrituração incompleta, impedindo a devida apuração dos tributos por parte da Fiscalização, enseja o arbitramento dos lucros auferidos pela pessoa jurídica. LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO APRESENTADA POSTERIORMENTE. Tendo em vista a não existência de arbitramento condicional, o ato administrativo do lançamento não é modificável pela apresentação posterior da escrituração, cuja inexistência ou não apresentação foi a causa do arbitramento. (Acórdão CARF nº 130200.458, sessão de 26/01/2011, Relator Marcos Rodrigues de Mello). ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS. Comprovada a falta de apresentação dos livros que amparariam a tributação com base no lucro real, cabível é o arbitramento do lucro. Atendidos os pressupostos objetivos e subjetivos na prática do ato administrativo de lançamento, sua modificação ou extinção somente se dará nos casos previstos cru lei (CTN, art. 141). Como inexiste arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pelo posterior oferecimento do documentário cuja falta de apresentação foi a causa do arbitramento. (Acórdão CARF nº 1801 – 00.075, sessão de 25/08/2009, Relator Marcos Vinícius Barros Ottoni). ARBITRAMENTO DO LUCRO LEGITIMIDADE É legítimo o arbitramento do lucro fundado na não apresentação dos livros e documentos fiscais e contábeis, sendo inócua a sua apresentação posterior à fase de instrução, eis que não existe arbitramento condicional.(Acórdão CC nº 10517.385, sessão de 04/02/2009, Relator Paulo Jacinto do Nascimento). ARBITRAMENTO. APRESENTAÇÃO DOS LIVROS CONTÁBEIS EM FASE DE JULGAMENTO. Não se conhece da apresentação dos livros que não foram exibidos durante o procedimento fiscal, ensejando o arbitramento do lucro, tendo sido a empresa regularmente intimada a apresentálos, por diversas vezes. Não existe arbitramento condicional.(Acórdão CC nº 19100.045, sessão de 11/12/2008, Relatora Ana de Barros Fernandes). A recorrente, por sua vez, objetou que as receitas declaradas na DIPJ 2003, anocalendário 2002, não poderiam ser utilizadas para o Arbitramento do Lucro, pois a fiscalização esqueceu de juntar aos autos cópia do Livro Razão Analítico que pudessem corroborar as receitas informadas nessa DIPJ. Fl. 362DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 Ora, tratase de alegação destituída de fundamento fático e jurídico, pois a recorrente não demonstrou, em momento algum, que o montante das receitas declaradas na DIPJ 2003, anocalendário 2002, seriam incorretas, equivocadas ou divergentes das registradas no Livro Razão Analítico. Além do mais, a própria fiscalização, como já transcrito acima, de forma expressa, relatou que as receitas informadas na DIPJ 2002, anocalendário, são coincidentes com os valores resgistrados no livro Razão Analítico. A recorrente, por sua vez, não trouxe prova em contrário, apenas limitouse a fazer alegação sem provas. Por conseguinte, não há reparo a fazer no lucro arbitrado. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. A recorrente alegou que a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) seria desproporcional e confiscatória. Após ciência do início do procedimento de fiscalização, o contribuinte perde a espontaneidade fiscal e a falta de pagamento espontâneo dos tributos, em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da fiscalização, implica na exigência do principal com multa de ofício mínima de 75% (setenta e cinco por cento), desde que não seja hipótese de agravamento por embaraço à fiscalização ou de qualificação por conduta dolosa (fraude fiscal), quando a multa será ainda maior. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, por força da relação de causa e efeito que os vincula. Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 363DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10245.000358/200706 Acórdão n.º 180200.943 S1TE02 Fl. 10 19 Fl. 364DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0719.09527.6A40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por NELSO KICHEL em 26/09/2011 11:34:33. Documento autenticado digitalmente por NELSO KICHEL em 26/09/2011. Documento assinado digitalmente por: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA em 28/09/2011 e NELSO KICHEL em 26/09/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 18/07/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP18.0719.09527.6A40 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 696619A12AC35EA3DD0143C208D3D036E5B90B7B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10245.000358/2007-06. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11020.912438/2016-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2013
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-007.018
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 24 38 /2 01 6- 96 Fl. 145DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912438/2016-96 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, emitido eletronicamente que não homologou a compensação de crédito de PIS/Cofins declarado em PER/DCOMP. Tal decisão estaria fundamentada no fato de que a partir das características do DARF descrito na declaração, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, pleiteando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório. No particular alega ausência de fundamentação, ausência de motivação e inocorrência de intimação para prestar esclarecimentos, os quais permitiriam ao Fisco conhecer a origem do crédito pretendido. Cita o art. 37 da CF, e observa que o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por outro lado, defende que houve desvio de finalidade do ato administrativo. Sustenta que o despacho teria a função de exprimir o parecer da fiscalização e que, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, permitiria a instauração do contraditório administrativo. Entretanto, o despacho em comento teria extrapolado sua função precípua, tornando-se meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. No seu entendimento, o desvio de finalidade teria se materializado porque a interrupção do prazo de decadência é consequência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. Argumenta, ainda, que houve prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pois a contribuinte não disporia das razões da não homologação da compensação declarada. No mérito, defende a reforma da decisão, aduzindo, incialmente que o Princípio da Verdade Material deve possibilitar à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação. Requer a inaplicabilidade da multa em face do princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta que a multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal, sendo seu valor excessivo. Defende que multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei e que o tributo deve ser regulado pelo princípio da capacidade contributiva. Argumenta que o Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. Acrescenta que há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Sustenta que, em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciar-se dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Fl. 146DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912438/2016-96 Por seu turno, a DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, firmando o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde defende a possibilidade de posterior juntada de documentos, especialmente em razão de fato superveniente, e aborda novamente os pontos tratados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.958, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912379/2016-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.958): O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entende-se que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar - possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 147DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912438/2016-96 Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitir-se deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entende-se que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu Fl. 148DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912438/2016-96 alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito - Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora Fl. 149DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912438/2016-96 efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito - inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurge-se contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestar-se acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 150DF CARF MF
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