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Numero do processo: 11020.908461/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.070
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Trata o presente processo de pedido de restituição (PER) de contribuição, que restou indeferido, por ausência de crédito, nos termos do Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificado desta decisão, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, sintetizada nos seguintes termos: Alega que a atividade da empresa é de montagens de estruturas metálicas, prestando serviços de execução de obras por empreitada de construção civil. Por isso, afirma que a partir de 01/05/2004, com base na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter ao sistema cumulativo do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .9 08 46 1/ 20 12 -5 2 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11020.908461/201252 Resolução nº 3302001.070 S3C3T2 Fl. 3 2 PIS e da Cofins. Porém, continuou a recolher a contribuição pelo sistema não cumulativo, o que gerou o pagamento a maior. Demonstra, então, o valor a restituir a que entende ter direito. Anexa a relação de notas fiscais do período de apuração em análise, buscando comprovar o total da receita mensal sobre o qual a contribuição deve incidir e o Darf, comprovando o pagamento. Requer a acolhida da Manifestação de Inconformidade A 3ª Turma da DRJ Curitiba (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme acórdão acostado aos autos, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO. DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado em DCTF para a quitação de débito confessado. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. CONTRATO DE EMPREITADA. Apenas as notas fiscais trazidas aos autos, embora importantes, não são suficientes para comprovar que a contribuinte executou obras por empreitada de construção civil, sendo imprescindível a juntada do contrato de empreitada. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Irresignada com a decisão da primeira instância administrativa, a recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em relação a não retificação da DCTF, o próprio relator menciona a possibilidade de retificação de ofício pela autoridade fiscal; b) As empresas que tiveram receitas decorrentes da execução por administração, empreitada e subempreitada, de construção civil estão sujeitas ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins; e c) De fato, as notas fiscais não discriminam os serviços. Por esse motivo, estão em anexo ao recurso voluntário os respectivos contratos de prestação de serviços. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11020.908461/201252 Resolução nº 3302001.070 S3C3T2 Fl. 4 3 343, de 24 de abril de 2019. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.058, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.908418/201297, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.058): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Portanto, para que se possa acolher a alegação da contribuinte, ou seja, de que exerceu, no período analisado, “obras por empreitada de construção civil” é imprescindível o cumprimento de dois requisitos essenciais: a existência do contrato de empreitada e a relação de serviços efetivamente executados neste contrato. Ressaltese que o campo “discriminação” das notas fiscais trazidas pela manifestante aos autos não permite conhecer quais foram os serviços realizados (se a montagem de estruturas é permanente ou temporária, por exemplo) e, portanto, se enquadram na norma supra. Enfim, apenas as notas fiscais trazidas aos autos, embora importantes, não são suficientes para comprovar o que se pretende. Por tal razão, não é possível reconhecer que houve pagamento indevido ou a maior no Darf objeto da Dcomp em análise. O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou cópias das notas fiscais referentes aos valores em discussão e os respectivos contratos. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que a decisão dependerá do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário.Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11020.908461/201252 Resolução nº 3302001.070 S3C3T2 Fl. 5 4 indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Regressando aos autos, temos que na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o objeto social da sociedade é montagens de estruturas metálicas, prestando serviços de execução de obras por empreitada de construção civil. Por isso, afirma que a partir de 01/05/2004, com base na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins. Não obstante, continuou a recolher a contribuição pelo sistema não cumulativo, o que gerou o pagamento a maior. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade tendo como fundamento a falta de comprovação de seu direito por intermédio de contratos. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo, ao interpor, acostou aos autos contratos de prestação de serviços, documentos, segundo a primeira instância, essenciais para comprovação de seu direito. Os contratos apresentados, em uma análise perfunctória, sugerem a modalidade empreitada e podem indicar que o sujeito passivo possuía o direito de recolher as contribuições no regime cumulativo. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise os documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11020.908461/201252 Resolução nº 3302001.070 S3C3T2 Fl. 6 5 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise os documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720270/2017-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão.
PROVA INDICIÁRIA. ADMISSIBILIDADE.
É admissível, na instrução do processo administrativo fiscal, a prova indiciária enquanto uma prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de vários fatos secundários, indiciários, tomados em conjunto, a existência do fato cuja materialidade se pretende comprovar.
ARBITRAMENTO DO LUCRO
O imposto devido no decorrer do ano-calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou apresentar escrituração em desacordo com a legislação comercial.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Nos casos em que restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada.
JUROS SELIC.
Súmula CARFnº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais".
RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 135, III DO CTN.
A expressão "infração de lei" prevista no art.. 135 do CTN refere-se a situações nas quais o administrador atue fora das suas atribuições funcionais, extrapolando o que esteja previsto na lei societária ou no estatuto social da empresa, muitas vezes em prejuízo da própria empresa.
No caso, os agentes fiscais comprovaram infração funcional praticada pelos coobrigados Amaury Pedro Jorge, Merched Jorge e Marcos Roberto Jorge, por violação da lei ou do estatuto social.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM.A solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas, seja física ou jurídica, que tenham interesse comum na realização do fato gerador da obrigação tributária, pois possui uma dimensão jurídica própria, e não um significado meramente econômico.
No caso, não configurado tal interesse, deve ser afastada a responsabilidade dos coobrigados Cerealista Marisol de Brodowiski Ltda, Metas Representações Comerciais Ltda, Amaury Pedro e Outros ME, por interesse comum.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS.
Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
Numero da decisão: 1301-003.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; (ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte (Cerealista Marisol Ltda), vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por lhe dar provimento; (iii) por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos recursos dos coobrigados Cerealista Marisol de Brodowiski Ltda, Metas Representações Comerciais Ltda, e Amaury Pedro Jorge e Outros - ME para excluí-los do polo passivo da obrigação tributária; e (iv) por maioria de votos, negar provimento aos recursos dos coobrigados Amaury Pedro Jorge, Merched Jorge e Marcos Roberto Jorge, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por lhes dar provimento para retirar a responsabilidade atribuída aos recorrentes.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. PROVA INDICIÁRIA. ADMISSIBILIDADE. É admissível, na instrução do processo administrativo fiscal, a prova indiciária enquanto uma prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de vários fatos secundários, indiciários, tomados em conjunto, a existência do fato cuja materialidade se pretende comprovar. ARBITRAMENTO DO LUCRO O imposto devido no decorrer do ano-calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou apresentar escrituração em desacordo com a legislação comercial. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos em que restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada. JUROS SELIC. Súmula CARFnº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 135, III DO CTN. A expressão "infração de lei" prevista no art.. 135 do CTN refere-se a situações nas quais o administrador atue fora das suas atribuições funcionais, extrapolando o que esteja previsto na lei societária ou no estatuto social da empresa, muitas vezes em prejuízo da própria empresa. No caso, os agentes fiscais comprovaram infração funcional praticada pelos coobrigados Amaury Pedro Jorge, Merched Jorge e Marcos Roberto Jorge, por violação da lei ou do estatuto social. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM.A solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas, seja física ou jurídica, que tenham interesse comum na realização do fato gerador da obrigação tributária, pois possui uma dimensão jurídica própria, e não um significado meramente econômico. No caso, não configurado tal interesse, deve ser afastada a responsabilidade dos coobrigados Cerealista Marisol de Brodowiski Ltda, Metas Representações Comerciais Ltda, Amaury Pedro e Outros ME, por interesse comum. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; (ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte (Cerealista Marisol Ltda), vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por lhe dar provimento; (iii) por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos recursos dos coobrigados Cerealista Marisol de Brodowiski Ltda, Metas Representações Comerciais Ltda, e Amaury Pedro Jorge e Outros - ME para excluí-los do polo passivo da obrigação tributária; e (iv) por maioria de votos, negar provimento aos recursos dos coobrigados Amaury Pedro Jorge, Merched Jorge e Marcos Roberto Jorge, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por lhes dar provimento para retirar a responsabilidade atribuída aos recorrentes. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1968; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2.349 1 2.348 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720270/201715 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.769 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2019 Matéria SIMULAÇÃO. EMPRESA INEXISTENTE DE FATO. GRUPO ECONÔMICO Recorrente CEREALISTA MARISOL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. PROVA INDICIÁRIA. ADMISSIBILIDADE. É admissível, na instrução do processo administrativo fiscal, a prova indiciária enquanto uma prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de vários fatos secundários, indiciários, tomados em conjunto, a existência do fato cuja materialidade se pretende comprovar. ARBITRAMENTO DO LUCRO O imposto devido no decorrer do anocalendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou apresentar escrituração em desacordo com a legislação comercial. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos em que restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada. JUROS SELIC. Súmula CARFnº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 02 70 /2 01 7- 15 Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.350 2 Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 135, III DO CTN. A expressão "infração de lei" prevista no art.. 135 do CTN referese a situações nas quais o administrador atue fora das suas atribuições funcionais, extrapolando o que esteja previsto na lei societária ou no estatuto social da empresa, muitas vezes em prejuízo da própria empresa. No caso, os agentes fiscais comprovaram infração funcional praticada pelos coobrigados Amaury Pedro Jorge, Merched Jorge e Marcos Roberto Jorge, por violação da lei ou do estatuto social. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM.A solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas, seja física ou jurídica, que tenham interesse comum na realização do fato gerador da obrigação tributária, pois possui uma dimensão jurídica própria, e não um significado meramente econômico. No caso, não configurado tal interesse, deve ser afastada a responsabilidade dos coobrigados Cerealista Marisol de Brodowiski Ltda, Metas Representações Comerciais Ltda, Amaury Pedro e Outros ME, por interesse comum. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; (ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte (Cerealista Marisol Ltda), vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por lhe dar provimento; (iii) por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos recursos dos coobrigados Cerealista Marisol de Brodowiski Ltda, Metas Representações Comerciais Ltda, e Amaury Pedro Jorge e Outros ME para excluílos do polo passivo da obrigação tributária; e (iv) por maioria de votos, negar provimento aos recursos dos coobrigados Amaury Pedro Jorge, Merched Jorge e Marcos Roberto Jorge, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por lhes dar provimento para retirar a responsabilidade atribuída aos recorrentes. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Fl. 2352DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.351 3 José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de Recursos Voluntários interpostos pelo contribuinte acima identificado e coobrigados contra o acórdão 0276.728, proferido pela 3ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de 18 de outubro de 2017, que, ao apreciar a impugnações apresentadas, por unanimidade de votos, julgouas improcedentes. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: O presente processo trata de Autos de Infração emitidos para exigência do crédito tributário abaixo identificado: 2. A descrição dos fatos e o enquadramento legal constam dos Autos de Infração anexados ao processo, de onde se extrai: INFRAÇÕES APURADAS 3. IRPJ – IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA 3.1 OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE INFRAÇÃO: RECEITA BRUTA MENSAL NA REVENDA DE MERCADORIAS O contribuinte NUTRIGRÃOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA., emitiu as Notas Fiscais Eletrônicas referentes à revenda de mercadorias, omitindo a receita e não entregando a DIPJ, as DACON's, as DCTF's, nem escriturando os Livros Digitais Diário e Razão, muito menos recolhendo os devidos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 01 em anexo. O lançamento foi efetuado com aplicação de multa de ofício de 150% e juros de mora regulamentares. Fl. 2353DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.352 4 4. CSLL – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 4.1 OMISSÃO DE RECEITA INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA SOBRE RECEITAS DA ATIVIDADE OMITIDAS O contribuinte NUTRIGRÃOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA., emitiu as Notas Fiscais Eletrônicas referentes à revenda de mercadorias, omitindo a receita e não entregando a DIPJ, as DACON's, as DCTF's, nem escriturando os Livros Digitais Diário e Razão, muito menos recolhendo os devidos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 01 em anexo. O lançamento foi efetuado com aplicação de multa de ofício de 150% e juros de mora regulamentares. 5. PIS – CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP 5.1 INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP O contribuinte NUTRIGRÃOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA., emitiu as Notas Fiscais Eletrônicas referentes à revenda de mercadorias, omitindo a receita e não entregando a DIPJ, as DACON's, as DCTF's, nem escriturando os Livros Digitais Diário e Razão, muito menos recolhendo os devidos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 01 em anexo. O lançamento foi efetuado com aplicação de multa de ofício de 150% e juros de mora regulamentares. 6. COFINS – CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL 6.1 INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA A COFINS O contribuinte NUTRIGRÃOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA., emitiu as Notas Fiscais Eletrônicas referentes à revenda de mercadorias, omitindo a receita e não entregando a DIPJ, as DACON's, as DCTF's, nem escriturando os Livros Digitais Diário e Razão, muito menos recolhendo os devidos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme Termo de Verificação Fiscal Nº 01 em anexo. O lançamento foi efetuado com aplicação de multa de ofício de 150% e juros de mora regulamentares. 7. Foram responsabilizados solidariamente os sujeitos passivos: • COMERCIAL MARISOL DE BRODOWSKI LTDA. ME, sob o amparo do art. 124, inciso II, da Lei no 5.172, de 1966(CTN). Fl. 2354DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.353 5 • AMAURY PEDRO JORGE E OUTROS, sob o amparo do art. 124, inciso II, da Lei no 5.172, de 1966(CTN). • METAS REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA, sob o amparo do art. 124, inciso II, da Lei no 5.172, de 1966(CTN). • AMAURY PEDRO JORGE, sob o amparo do art. 124, inciso II, da Lei no 5.172, de 1966(CTN). • MARCOS ROBERTO JORGE, sob o amparo do art. 124, inciso II, da Lei no 5.172, de 1966(CTN). • MERCHED JORGE, sob o amparo do art. 124, inciso II, da Lei no 5.172, de 1966(CTN). RELATÓRIO FISCAL 8. Foi emitido o Termo de Verificação Fiscal (TVF) em 13/04/2017, anexado às fls. 1697 a 1725, onde em síntese, o fisco descreve o resultado da auditoria efetuada na empresa: Dos Fatos 9. Em auditoria efetuada na empresa NUTRIGRÃOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA, concluiuse que a mesma foi utilizada por CEREALISTA MARISOL LTDA e operada através de seus sócios, registrando operações comerciais de forma fraudulenta. 9.1 No decorrer da auditoria realizada no contribuinte NUTRIGRÃOS, constatouse que a empresa não se localiza no endereço informado no Contrato Social e nos registros de cadastro na RFB. Os dois sócios atuais, ADEILDO LEITE DA SILVA e SAMUEL JOVANHAQUE, além do exsócio JOSÉ GERALDO TEMOTEO SILVA, não foram encontrados nos endereços obtidos no Contrato Social da empresa. e nos registros de cadastro na RFB. 10. Em decorrência das circularizações realizadas junto aos beneficiários das notas fiscais emitidas pela NUTRIGRÃOS, compareceu à RFB LUIZ CARLOS PEREIRA, com procuração outorgada pela empresa; tal procurador renunciou ao mandato em 17/12/2015. A partir de então, passou a responder pela empresa outro procurador CARLOS ALEXANDRE SANTOS DE ALMEIDA. 11. Em pesquisa relativa ao transporte dos grãos comercializados pela NUTRIGRÃOS, constatouse a utilização do caminhão de placa DBM4377, pertencente ao contribuinte COMERCIAL MARISOL DE BRODOWSKI LTDA, cujos sócios são AMAURY PEDRO JORGE e MARCOS ROBERTO JORGE. 11.1 Para envio das mercadorias aos clientes NESTLÉ BRASIL LTDA e PRH BENEFICIAMENTO E COM DE CEREAIS EIRELI, foi utilizado o caminhão placa EKH2557, pertencente ao contribuinte AMAURY PEDRO JORGE E OUTROS, cujos sócios são AMAURY PEDRO JORGE, MARCOS ROBERTO Fl. 2355DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.354 6 JORGE e MERCHED JORGE. Tal veículo também foi utilizado para envio dos fornecedores ALIANÇA AGRÍCOLA DO CERRADO S A e GRANOL INDÚSTRIA, COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S A 12. Também foram realizadas diligências em dois clientes da NUTRIGRÃOS: • NESTLÉ BRASIL LTDA, onde se obteve a informação acerca do contato comercial da NUTRIGRÃOS: MARCOS JORGE. • CASTROLANDA COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL, que informou que a NUTRIGRÃOS se utilizou corretora na intermediação da venda PROAGRI BAHIA NEGÓCIOS INTEGRADOS LTDA, que menciona que o contato da NUTRIGRÃOS foi efetuado através de MARCOS JORGE. 13. Junto aos estabelecimentos bancários, foram obtidas as seguintes informações: • BRADESCO: telefone de contato informado é de propriedade de MERCHED JORGE, sócio da CEREALISTA MARISOL LTDA. Conta corrente aberta no município de BRODOWSKI, município onde se localiza a CEREALISTA MARISOL, onde a NUTRIGRÃOS não possui filiais. • Cliente NUTRIGRÃOS apresentada ao BRADESCO pela CEREALISTA MARISOL LTDA. • A movimentação da conta corrente BRADESCO em BRODOWSKI corresponde a 88% do total movimentado pela NUTRIGRÃOS em 2012. • Foram localizadas transferências significativas a CEREALISTA MARISOL LTDA, COMERCIAL MARISOL DE BRODOWSKI LTDA, METAS REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA, AMAURY PEDRO JORGE, MARCOS ROBERTO JORGE e MERCHED JORGE, conforme planilhas constantes do TVF. A soma destas transferências alcançou o total de R$ 8.619.189,00. 14. Da auditoria efetuada constatouse que os sócios constantes do quadro social da NUTRIGRÃOS são interpostas pessoas, não localizadas. O contribuinte CEREALISTA MARISOL LTDA, por intermédio de seus sócios AMAURY PEDRO JORGE, MARCOS ROBERTO JORGE e MERCHED JORGE, utilizaramse desta empresa, desativada e inexistente de fato, para realização de atividades comerciais no AC de 2012, sem o recolhimento dos tributos incidentes. 15. O contribuinte CEREALISTA MARISOL LTDA apresentou, para o AC de 2012 a DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA de INATIVIDADE, enquanto a Receita Bruta da NUTRIGRÃOS importou em R$ 195.461.971,27. Infrações apuradas Fl. 2356DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.355 7 16. Da auditoria efetuada pelo fisco, foram constatadas as seguintes infrações: 16.1 Omissão de receita da atividade lucro arbitrado, apurado pelos dados informados pela NUTRIGRÃOS, no valor de R$ 195.461.971,27., com reflexos na CSLL, PIS e COFINS. 17. Foi efetuada REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS e responsabilizados solidariamente AMAURY PEDRO JORGE, MARCOS ROBERTO JORGE, MERCHED JORGE, COMERCIAL MARISOL DE BRODOWSKI LTDAME, METAS REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA E AMAURY PEDRO JORGE E OUTROS. Ciência 18. Os contribuintes foram cientificados do lançamento: • CEREALISTA MARISOL LTDA, aos 27/04/2017, conforme AR (Aviso de Recebimento) à fl. 1885. • COMERCIAL MARISOL DE BRODOWSKI LTDA, aos 27/04/2017, conforme AR à fl. 1886. • AMAURY PEDRO JORGE E OUTROS, aos 27/04/2017, conforme AR à fl. 1887. • METAS REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA, aos 02/05/2017, conforme AR à fl. 1888. • AMAURY PEDRO JORGE, aos 27/04/2017, conforme AR à fl. 1889. • MARCOS ROBERTO JORGE, aos 27/04/2017, conforme AR à fl. 1890. • MERCHED JORGE, aos 27/04/2017, conforme AR à fl. 1891 IMPUGNAÇÕES Inconformados com os lançamentos, os sujeitos passivos apresentaram impugnação, individualmente. As razões apresentadas pelos impugnantes, em síntese: CEREALISTA MARISOL LTDA 19. A tempestividade da apresentação da impugnação. 20. O presente lançamento tributário está claramente pautado por ilegalidades e inconstitucionalidades, que impossibilitam a manutenção deste ato administrativo: Nulidades 21. Há nulidade na presente fiscalização, uma vez que não houve a abertura de mandado de procedimento fiscal, uma vez todo trabalho foi em face da NUTRIGRÃOS, enviandose à Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.356 8 impugnante — terceiro totalmente sem vínculo com aquela — o auto de infração. 22 A autoridade administrativa que lançou NÃO tem competência para fiscalizar a impugnante, cujo domicílio não é em São Paulo — Capital, mas no Município de Brodowski. 23. Há nulidade no procedimento adotado pela fiscalização, pois realizou o arbitramento sem antes levar em consideração a necessidade de que deveria abrir uma fiscalização perante a impugnante a fim de, caso entendesse que tais receitas eram desta (MARISOL), inserir estas como receita operacional desta, respeitando sua forma de tributação, apuração, livros fiscais, obrigações acessórias. 23.1 ‘ Se o fisco imputa à impugnante tais operações mercantis, não poderia aplicar o arbitramento, que é medida excepcional, sem antes verificar e comprovar que a MARISOL incorria em alguma hipótese que legitima tal conduta. Não há qualquer prova e medida neste sentido em face da impugnante. Ônus da prova 24. Pelo relato apresentado, há lançamento de ofício em face da IMPUGNANTE — MARISOL — sob alegação de que TODAS as operações no ano de 2012 seriam de sua titularidade e não daquela que emitiu as notas fiscais e obteve o recebimento, NUTRIGRÃOS. 25. A Administração Pública tem o dever de provar a ocorrência do fato gerador, com provas diretas, contundentes e congruentes. Ilustra com passagem doutrinária. 25.1 Todas as provas devem ser consideradas, sempre ao amparo da presunção de inocência, da prevalência do ônus da prova de quem acusa, e que o benefício da dúvida não pode ser motivo para desqualificação dos atos praticados, para impor regimes mais gravosos, como arbitramentos e outros. 25.2 Diante da insuficiência de provas para imputar o ilícito, o agente da Fiscalização deve assegurar ao particular a presunção de inocência, pois a dúvida ou a insuficiência não podem ter como consequência a "condenação", pela lavratura de auto de infração com multas agravadas e imputação de ilícitos de fraude ou simulação. E como a imputação de "simulação" ou "fraude" poderá justificar denúncia criminal, chegaria a ser até mesmo indecoroso alegar que ao processo administrativo tributário não se tem a aplicação dos mesmos princípios e critérios do processo penal. 25.3 No presente caso, a autoridade administrativa lavrou auto de infração tendo, exclusivamente, por supedâneo, mero e frágil indício, sem demonstrar, cabalmente, como era de sua competência, os elementos que justificariam a transferência da titularidade das operações e, por conseguinte, o fato jurídico tributário. Ilustra com passagem doutrinária. Fl. 2358DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.357 9 Ausência de provas cabais a imputar a totalidade das operações da NUTRIGRÃOS à impugnante. 26. O lançamento no presente caso envolve a transferência da titularidade de TODAS as operações de saída da empresa NUTRIGRÃOS para a impugnante — MARISOL — tendo como lastro indícios frágeis e desconexos com as ilações utilizadas para exigir tais tributos. 27. A impugnante, em nenhum momento possuiu de fato e de direito qualquer relação societária com a NUTRIGRÃOS: a impugnante nunca foi sócia ou possuiu qualquer relação ou vinculo jurídico de natureza societária ou de controle da empresa NUTRIGRÃOS. 27.1 A impugnante, em verdade, agiu em algumas operações da NUTRIGRÃOS única e exclusivamente como uma corretora ou intermediária, captando oportunidade de comercialização de tais grãos com adquirentes interessados que tinham contato. Tal procedimento é muito comum no agronegócio. 27.2 O contato comercial entre a MARISOL e a NUTRIGRÃOS era comercial e distante, sendo o ponto de relacionamento o Sr. ANTONIO FERNANDES FILHO, mencionado pela própria NUTRIGRÃOS com sócio oculto. Destaca que a fiscalização não aprofundou sua apuração para verificar quem seria o sócio oculto, sua movimentação financeira à época, sua relação com os sócios da NUTRIGRÃOS, bem como se adquirentes desta empresa e fornecedores o conheciam. Ignorou fato extremamente relevante. 27.2.1 Se a NUTRIGRÃOS pratica algum tipo de fraude e não recolhe tributos, convém de fato à Receita Federal apurar responsabilidades, mas isto não permite abusos e conclusões equivocadas como se tem no presente caso. 27.2.2 Os pontuais, isolados e unilaterais indícios que vinculam a NUTRIGRÃOS à Marisol estão todos relacionados claramente à atuação da MARISOL no sentido de buscar intermediar venda de grãos (corretagem). 28. O impugnante rechaça todos os indícios apontados pelo fisco, concluindo que, os documentos e informações, ao contrário de confirmar o entendimento do fisco, somente reforçam a simples relação comercial da impugnante no sentido de intermediar algumas comercializações — corretagem — para recebimento de comissão. 29. Em síntese, argumenta que há total desproporcionalidade, pois, as alegações, indícios, além de frágeis e questionáveis, não são do ponto de vista qualitativo e quantitativo suficientes para se chegar à conclusão pretendida no lançamento no sentido de que a impugnante seria verdadeira NUTRIGRÃOS, de tal sorte que TODAS as operações de saída deveriam ser exigidas da MARISOL. Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.358 10 PIS/COFINS – Inexistência de tributação, suspensão 30. Por hipótese, mesmo que não se entenda pela total improcedência do lançamento, há exigência de PIS e COFINS no ano de 2012 em tais operações de venda de grãos com destinação à alimentação humana ou animal. Diante do disposto nos arts. 8° e 9° da Lei n. 10.925/2004, todas as vendas eram realizadas com suspensão de PIS/COFINS. 30.1 Em tal condição, ao menos, há de se excluir a tributação por arbitramento quanto às operações com grãos no tocante ao PIS/COFINS, uma vez foram vendas realizadas com suspensão, de conformidade com a Lei n. 10.925/2004. Multa de 150% Redução para 75% 31. O impugnante tece extensa argumentação acerca da multa de ofício, argumentando que, em virtude de a multa ser exceção, a interpretação dos textos legais que preveem tais penalidades deve ser restritiva. Tratase de uma consequência da natureza excepcional ou excepcionalíssima da multa, em especial, quando se trata de planejamento tributário. 31.1 Há necessidade de se descrever a aplicação da multa de forma pormenorizada quanto aos aspectos fáticos e jurídicos, tornando possível concluir no sentido de que é cabível a penalidade no caso concreto. Temse o dever de provar, sendo tal ônus do Fisco, uma vez que pelo princípio da boafé, não se pode presumir que uma conduta há de ser punida sem prova, principalmente, quando a legislação exigir demonstração do elemento volitivo. 31.2 O reconhecimento de que a multa qualificada é totalmente excepcional e exige uma ilicitude de maior grau, impõe que, no caso concreto, a interpretação de tais textos normativos seja restritiva. Ilustra com passagens doutrinárias e jurisprudência do CARF. 32. Conclui mencionando que, ao se analisar o auto de infração e relatório fiscal “NÃO CONSTA QUALQUER CAPÍTULO OU MESMO PARTE DO DOCUMENTO QUE BUSQUE DECREVER E TIPIFICAR AS CONDUTAS ILICITAS, SOBRETUDO, CITANDO E APONTANDO A CONFIGURAÇAO EM UM DOS ARTS. 71 A 73 DA Lei n. 4.502/64, MUITO MENOS A PROVA DE TAIS CONDUTAS DE FORMA DOLOSA”. Dos Juros Selic e Multa de Ofício 33. Os juros são devidos à razão de 1% ao mês, nos termos do artigo 161, § 1°, do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado. Tal entendimento tem como pressuposto o fato de que a taxa de 1%, prevista no referido dispositivo legal, é limite máximo para sua fixação, e não mero parâmetro para tanto. Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.359 11 34. Ressalta a ainda a impossibilidade de incidir juros sobre a multa. Acrescenta que não há previsão legal para o cômputo de juros sobre a multa de ofício. Ilustra com passagem doutrinária e jurisprudência administrativa. 35. As multas aplicadas. no auto de infração, ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, previstos na Constituição Federal. 35.1 "Ad argumentandum tantum", tendo em vista seu caráter confiscatório, esta deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20%, de conformidade com o art. 61, § 2°, da Lei n. 9.430/96 retificandose o auto de infração lavrado. 36. Por fim, requer o julgamento e procedência da impugnação e o reconhecimento da total improcedência do lançamento. CEREALISTA MARISOL DE BRODOWISKI LTDA 37. A tempestividade da apresentação da impugnação. 38. Não há no termo de responsabilidade solidária ou mesmo no termo de verificação fiscal a tipificação e respectiva descrição fática, com provas, a fim de imputar a solidariedade. Ilegalidade – Aspectos não relacionados à responsabilidade tributária. 39. A inclusão da impugnante como responsável solidária não chegou a observar a exigência do princípio da motivação, que consagra a obrigatoriedade da Administração Pública expor as razões de fato e de direito que deram azo à expedição de determinado ato administrativo. Ilustra com passagens doutrinárias e jurisprudência judicial. 39.1 No presente caso, não houve a realização, ao menos, de ato administrativo com a exposição explícita, clara e congruente das razões fáticas e jurídicas que dariam supedâneo à imposição de responsabilidade tributária solidária à impugnante. Inexiste descrição de fatos e provas que demonstrem o preenchimento dos requisitos do art. 124, I do CTN. Inconstitucionalidade e ilegalidade. A responsabilidade tributária 40. Pessoas jurídicas distintas devem ser tratadas com distinção, cabendo a cada uma seus direitos e obrigações. A solidariedade no Direito não se presume, de sorte que se torna necessária previsão legal. Equivale dizer é preciso que o legislador descreva as situações onde seria, ao menos de início, possível impor a solidariedade. 41. Embora exista previsão no Código Tributário Nacional para se impor responsabilidade tributária solidária a determinadas pessoas nas hipóteses dos incisos I e II, é preciso verificar como isto ocorrerá e, principalmente a quem compete demonstrar o Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.360 12 preenchimento dos requisitos legais, mediante justificativas fática, jurídicas e, principalmente, com base em provas. 41.1 A Fazenda Nacional, ao imputar responsabilidade tributária à impugnante, não pode se pautar por meros indícios ou presunções, de maneira que se exige a prova do "interesse comum" quanto ao fato gerador, de conformidade com o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ilustra com jurisprudência judicial. 42. Em específico, quanto ao presente caso concreto, onde possivelmente se utilizou a previsão legal do inciso I, o qual exige o interesse comum na constituição do fato jurídico tributário (fato gerador), inexistiu qualquer prova e justificativa capaz de dar suporte à imposição de responsabilidade tributária solidária. O relatório e documentos apresentados não demonstram cabalmente conduta da impugnante e seu interesse jurídico comum nos fatos geradores dos tributos no período de 2012 sobretudo na sua relação com a NUTRIGRAOS OU MESMO MARISOL. Ilustra com passagens doutrinárias. Multa – Impossibilidade de aplicação da responsabilidade 43. A impugnante não pode ser responsabilizada por multa (de ofício ou moratória) decorrente de lançamento feito em face de outra pessoa jurídica. O art. 124 do CTN dispõe sobre a responsabilidade tributária em face da obrigação principal, de sorte que não se aplica tal dispositiva às multas, principalmente, quando punitivas. 44. Por fim, pleiteia o julgamento da impugnação, reconhecendo a nulidade da imposição da responsabilidade, ou, ao menos, o julgamento da improcedência da imputação de responsabilidade. METAS REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA 45. A tempestividade da apresentação da impugnação. 46. Não há no termo de responsabilidade solidária ou mesmo no termo de verificação fiscal a tipificação e respectiva descrição fática, com provas, a fim de imputar a solidariedade. Ilegalidade – Aspectos não relacionados à responsabilidade tributária. 47. A inclusão da impugnante como responsável solidária não chegou a observar a exigência do princípio da motivação, que consagra a obrigatoriedade da Administração Pública expor as razões de fato e de direito que deram azo à expedição de determinado ato administrativo. Ilustra com passagens doutrinárias e jurisprudência judicial. 47.1 No presente caso, não houve a realização, ao menos, de ato administrativo com a exposição explícita, clara e congruente das razões fáticas e jurídicas que dariam supedâneo à imposição de responsabilidade tributária solidária à impugnante. Inexiste Fl. 2362DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.361 13 descrição de fatos e provas que demonstrem o preenchimento dos requisitos do art. 124, I do CTN. Inconstitucionalidade e ilegalidade. A responsabilidade tributária 48. Pessoas jurídicas distintas devem ser tratadas com distinção, cabendo a cada uma seus direitos e obrigações. A solidariedade no Direito não se presume, de sorte que se torna necessária previsão legal. Equivale dizer é preciso que o legislador descreva as situações onde seria, ao menos de início, possível impor a solidariedade. 49. Embora exista previsão no Código Tributário Nacional para se impor responsabilidade tributária solidária a determinadas pessoas nas hipóteses dos incisos I e II, é preciso verificar como isto ocorrerá e, principalmente a quem compete demonstrar o preenchimento dos requisitos legais, mediante justificativas fática, jurídicas e, principalmente, com base em provas. 49.1 A Fazenda Nacional, ao imputar responsabilidade tributária à impugnante, não pode se pautar por meros indícios ou presunções, de maneira que se exige a prova do "interesse comum" quanto ao fato gerador, de conformidade com o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ilustra com jurisprudência judicial. 50. Em específico, quanto ao presente caso concreto, onde possivelmente se utilizou a previsão legal do inciso I, o qual exige o interesse comum na constituição do fato jurídico tributário (fato gerador), inexistiu qualquer prova e justificativa capaz de dar suporte à imposição de responsabilidade tributária solidária. O relatório e documentos apresentados não demonstram cabalmente conduta da impugnante e seu interesse jurídico comum nos fatos geradores dos tributos no período de 2012 sobretudo na sua relação com a NUTRIGRAOS OU MESMO MARISOL. Ilustra com passagens doutrinárias. Multa – Impossibilidade de aplicação da responsabilidade 51. A impugnante não pode ser responsabilizada por multa (de ofício ou moratória) decorrente de lançamento feito em face de outra pessoa jurídica. O art. 124 do CTN dispõe sobre a responsabilidade tributária em face da obrigação principal, de sorte que não se aplica tal dispositiva às multas, principalmente, quando punitivas. 52. Por fim, pleiteia o julgamento da impugnação, reconhecendo a nulidade da imposição da responsabilidade, ou, ao menos, o julgamento da improcedência da imputação de responsabilidade. AMAURY PEDRO JORGE 53. A tempestividade da apresentação da impugnação. Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.362 14 54. Não há no termo de responsabilidade solidária ou mesmo no termo de verificação fiscal a tipificação e respectiva descrição fática, com provas, a fim de imputar a solidariedade. Ilegalidade – Aspectos não relacionados à responsabilidade tributária. 55. A inclusão da impugnante como responsável solidária não chegou a observar a exigência do princípio da motivação, que consagra a obrigatoriedade da Administração Pública expor as razões de fato e de direito que deram azo à expedição de determinado ato administrativo. Ilustra com passagens doutrinárias e jurisprudência judicial. 55.1 No presente caso, não houve a realização, ao menos, de ato administrativo com a exposição explícita, clara e congruente das razões fáticas e jurídicas que dariam supedâneo à imposição de responsabilidade tributária solidária à impugnante. Inexiste descrição de fatos e provas que demonstrem o preenchimento dos requisitos do art. 124, I do CTN. Inconstitucionalidade e ilegalidade. A responsabilidade tributária 56. Pessoas jurídicas distintas devem ser tratadas com distinção, cabendo a cada uma seus direitos e obrigações. A solidariedade no Direito não se presume, de sorte que se torna necessária previsão legal. Equivale dizer é preciso que o legislador descreva as situações onde seria, ao menos de início, possível impor a solidariedade. 57. Embora exista previsão no Código Tributário Nacional para se impor responsabilidade tributária solidária a determinadas pessoas nas hipóteses dos incisos I e II, é preciso verificar como isto ocorrerá e, principalmente a quem compete demonstrar o preenchimento dos requisitos legais, mediante justificativas fática, jurídicas e, principalmente, com base em provas. 57.1 A Fazenda Nacional, ao imputar responsabilidade tributária à impugnante, não pode se pautar por meros indícios ou presunções, de maneira que se exige a prova do "interesse comum" quanto ao fato gerador, de conformidade com o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ilustra com jurisprudência judicial. 58. Em específico, quanto ao presente caso concreto, onde possivelmente se utilizou a previsão legal do inciso I, o qual exige o interesse comum na constituição do fato jurídico tributário (fato gerador), inexistiu qualquer prova e justificativa capaz de dar suporte à imposição de responsabilidade tributária solidária. O relatório e documentos apresentados não demonstram cabalmente conduta da impugnante e seu interesse jurídico comum nos fatos geradores dos tributos no período de 2012 sobretudo na sua relação com a NUTRIGRAOS OU MESMO MARISOL. Ilustra com passagens doutrinárias. Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.363 15 58.1 Acrescenta ainda que o lançamento não utiliza como fundamento o art. 135 do CTN, o que leva à sua improcedência; conclui que o impugnante não é responsável pelos créditos tributários descritos, uma vez que há tipificação equivocada. Multa – Impossibilidade de aplicação da responsabilidade 59. A impugnante não pode ser responsabilizada por multa (de ofício ou moratória) decorrente de lançamento feito em face de outra pessoa jurídica. O art. 124 do CTN dispõe sobre a responsabilidade tributária em face da obrigação principal, de sorte que não se aplica tal dispositiva às multas, principalmente, quando punitivas. 60. Por fim, pleiteia o julgamento da impugnação, reconhecendo a nulidade da imposição da responsabilidade, ou, ao menos, o julgamento da improcedência da imputação de responsabilidade. MERCHED JORGE 61. A tempestividade da apresentação da impugnação. 62. Não há no termo de responsabilidade solidária ou mesmo no termo de verificação fiscal a tipificação e respectiva descrição fática, com provas, a fim de imputar a solidariedade. Ilegalidade – Aspectos não relacionados à responsabilidade tributária. 63. A inclusão da impugnante como responsável solidária não chegou a observar a exigência do princípio da motivação, que consagra a obrigatoriedade da Administração Pública expor as razões de fato e de direito que deram azo à expedição de determinado ato administrativo. Ilustra com passagens doutrinárias e jurisprudência judicial. 63.1 No presente caso, não houve a realização, ao menos, de ato administrativo com a exposição explícita, clara e congruente das razões fáticas e jurídicas que dariam supedâneo à imposição de responsabilidade tributária solidária à impugnante. Inexiste descrição de fatos e provas que demonstrem o preenchimento dos requisitos do art. 124, I do CTN. Inconstitucionalidade e ilegalidade. A responsabilidade tributária 64. Pessoas jurídicas distintas devem ser tratadas com distinção, cabendo a cada uma seus direitos e obrigações. A solidariedade no Direito não se presume, de sorte que se torna necessária previsão legal. Equivale dizer é preciso que o legislador descreva as situações onde seria, ao menos de início, possível impor a solidariedade. 65. Embora exista previsão no Código Tributário Nacional para se impor responsabilidade tributária solidária a determinadas pessoas nas hipóteses dos incisos I e II, é preciso verificar como isto ocorrerá e, principalmente a quem compete demonstrar o Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.364 16 preenchimento dos requisitos legais, mediante justificativas fática, jurídicas e, principalmente, com base em provas. 65.1 A Fazenda Nacional, ao imputar responsabilidade tributária à impugnante, não pode se pautar por meros indícios ou presunções, de maneira que se exige a prova do "interesse comum" quanto ao fato gerador, de conformidade com o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ilustra com jurisprudência judicial. 66. Em específico, quanto ao presente caso concreto, onde possivelmente se utilizou a previsão legal do inciso I, o qual exige o interesse comum na constituição do fato jurídico tributário (fato gerador), inexistiu qualquer prova e justificativa capaz de dar suporte à imposição de responsabilidade tributária solidária. O relatório e documentos apresentados não demonstram cabalmente conduta da impugnante e seu interesse jurídico comum nos fatos geradores dos tributos no período de 2012 sobretudo na sua relação com a NUTRIGRAOS OU MESMO MARISOL. Ilustra com passagens doutrinárias. 66.1 Acrescenta ainda que o lançamento não utiliza como fundamento o art. 135 do CTN, o que leva à sua improcedência; conclui que o impugnante não é responsável pelos créditos tributários descritos, uma vez que há tipificação equivocada. Multa – Impossibilidade de aplicação da responsabilidade 67. A impugnante não pode ser responsabilizada por multa (de ofício ou moratória) decorrente de lançamento feito em face de outra pessoa jurídica. O art. 124 do CTN dispõe sobre a responsabilidade tributária em face da obrigação principal, de sorte que não se aplica tal dispositiva às multas, principalmente, quando punitivas. 68. Por fim, pleiteia o julgamento da impugnação, reconhecendo a nulidade da imposição da responsabilidade, ou, ao menos, o julgamento da improcedência da imputação de responsabilidade. AMAURY PEDRO JORGE E OUTROS ME 69. A tempestividade da apresentação da impugnação. 70. Não há no termo de responsabilidade solidária ou mesmo no termo de verificação fiscal a tipificação e respectiva descrição fática, com provas, a fim de imputar a solidariedade. Ilegalidade – Aspectos não relacionados à responsabilidade tributária. 71. A inclusão da impugnante como responsável solidária não chegou a observar a exigência do princípio da motivação, que consagra a obrigatoriedade da Administração Pública expor as razões de fato e de direito que deram azo à expedição de determinado ato administrativo. Ilustra com passagens doutrinárias e jurisprudência judicial. Fl. 2366DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.365 17 71.1 No presente caso, não houve a realização, ao menos, de ato administrativo com a exposição explícita, clara e congruente das razões fáticas e jurídicas que dariam supedâneo à imposição de responsabilidade tributária solidária à impugnante. Inexiste descrição de fatos e provas que demonstrem o preenchimento dos requisitos do art. 124, I do CTN. Inconstitucionalidade e ilegalidade. A responsabilidade tributária 72. Pessoas jurídicas distintas devem ser tratadas com distinção, cabendo a cada uma seus direitos e obrigações. A solidariedade no Direito não se presume, de sorte que se torna necessária previsão legal. Equivale dizer é preciso que o legislador descreva as situações onde seria, ao menos de início, possível impor a solidariedade. 73. Embora exista previsão no Código Tributário Nacional para se impor responsabilidade tributária solidária a determinadas pessoas nas hipóteses dos incisos I e II, é preciso verificar como isto ocorrerá e, principalmente a quem compete demonstrar o preenchimento dos requisitos legais, mediante justificativas fática, jurídicas e, principalmente, com base em provas. 73.1 A Fazenda Nacional, ao imputar responsabilidade tributária à impugnante, não pode se pautar por meros indícios ou presunções, de maneira que se exige a prova do "interesse comum" quanto ao fato gerador, de conformidade com o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ilustra com jurisprudência judicial. 74. Em específico, quanto ao presente caso concreto, onde possivelmente se utilizou a previsão legal do inciso I, o qual exige o interesse comum na constituição do fato jurídico tributário (fato gerador), inexistiu qualquer prova e justificativa capaz de dar suporte à imposição de responsabilidade tributária solidária. O relatório e documentos apresentados não demonstram cabalmente conduta da impugnante e seu interesse jurídico comum nos fatos geradores dos tributos no período de 2012 sobretudo na sua relação com a NUTRIGRAOS OU MESMO MARISOL. Ilustra com passagens doutrinárias. Multa – Impossibilidade de aplicação da responsabilidade 75. A impugnante não pode ser responsabilizada por multa (de ofício ou moratória) decorrente de lançamento feito em face de outra pessoa jurídica. O art. 124 do CTN dispõe sobre a responsabilidade tributária em face da obrigação principal, de sorte que não se aplica tal dispositiva às multas, principalmente, quando punitivas. 76. Por fim, pleiteia o julgamento da impugnação, reconhecendo a nulidade da imposição da responsabilidade, ou, ao menos, o julgamento da improcedência da imputação de responsabilidade. MARCOS ROBERTO JORGE Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.366 18 77. A tempestividade da apresentação da impugnação. 78. Não há no termo de responsabilidade solidária ou mesmo no termo de verificação fiscal a tipificação e respectiva descrição fática, com provas, a fim de imputar a solidariedade. Ilegalidade – Aspectos não relacionados à responsabilidade tributária. 79. A inclusão da impugnante como responsável solidária não chegou a observar a exigência do princípio da motivação, que consagra a obrigatoriedade da Administração Pública expor as razões de fato e de direito que deram azo à expedição de determinado ato administrativo. Ilustra com passagens doutrinárias e jurisprudência judicial. 79.1 No presente caso, não houve a realização, ao menos, de ato administrativo com a exposição explícita, clara e congruente das razões fáticas e jurídicas que dariam supedâneo à imposição de responsabilidade tributária solidária à impugnante. Inexiste descrição de fatos e provas que demonstrem o preenchimento dos requisitos do art. 124, I do CTN. Inconstitucionalidade e ilegalidade. A responsabilidade tributária 80 Pessoas jurídicas distintas devem ser tratadas com distinção, cabendo a cada uma seus direitos e obrigações. A solidariedade no Direito não se presume, de sorte que se torna necessária previsão legal. Equivale dizer é preciso que o legislador descreva as situações onde seria, ao menos de início, possível impor a solidariedade. 81. Embora exista previsão no Código Tributário Nacional para se impor responsabilidade tributária solidária a determinadas pessoas nas hipóteses dos incisos I e II, é preciso verificar como isto ocorrerá e, principalmente a quem compete demonstrar o preenchimento dos requisitos legais, mediante justificativas fática, jurídicas e, principalmente, com base em provas. 81.1 A Fazenda Nacional, ao imputar responsabilidade tributária à impugnante, não pode se pautar por meros indícios ou presunções, de maneira que se exige a prova do "interesse comum" quanto ao fato gerador, de conformidade com o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ilustra com jurisprudência judicial. 82. Em específico, quanto ao presente caso concreto, onde possivelmente se utilizou a previsão legal do inciso I, o qual exige o interesse comum na constituição do fato jurídico tributário (fato gerador), inexistiu qualquer prova e justificativa capaz de dar suporte à imposição de responsabilidade tributária solidária. O relatório e documentos apresentados não demonstram cabalmente conduta da impugnante e seu interesse jurídico comum nos fatos geradores dos tributos no período de Fl. 2368DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.367 19 2012 sobretudo na sua relação com a NUTRIGRAOS OU MESMO MARISOL. Ilustra com passagens doutrinárias. 82.1 Acrescenta ainda que o lançamento não utiliza como fundamento o art. 135 do CTN, o que leva à sua improcedência; conclui que o impugnante não é responsável pelos créditos tributários descritos, uma vez que há tipificação equivocada. Multa – Impossibilidade de aplicação da responsabilidade 83. A impugnante não pode ser responsabilizada por multa (de ofício ou moratória) decorrente de lançamento feito em face de outra pessoa jurídica. O art. 124 do CTN dispõe sobre a responsabilidade tributária em face da obrigação principal, de sorte que não se aplica tal dispositiva às multas, principalmente, quando punitivas. 84. Por fim, pleiteia o julgamento da impugnação, reconhecendo a nulidade da imposição da responsabilidade, ou, ao menos, o julgamento da improcedência da imputação de responsabilidade. 85. Considerando as impugnações apresentadas o processo foi encaminhado à DRJ para apreciação do litígio. Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, que julgou improcedentes as impugnações apresentadas, com o seguinte ementário: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2012 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. PROVA INDICIÁRIA. ADMISSIBILIDADE. É admissível, na instrução do processo administrativo fiscal, a prova indiciária enquanto uma prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de vários fatos secundários, indiciários, tomados em conjunto, a existência do fato cuja materialidade se pretende comprovar. ARBITRAMENTO DO LUCRO O imposto devido no decorrer do anocalendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou apresentar escrituração em desacordo com a legislação comercial. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.368 20 Nos casos em que restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os administradores são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após intimados, empresa autuada e coobrigados, e inconformados com a decisão que lhes foi desfavorável, apresentaram seus respectivos Recursos Voluntários, que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Os recursos voluntários apresentados são tempestivos e dotados dos pressupostos de admissibilidade, e por isso devem ser conhecidos: Nome Sujeito Passivo Ciência Data do Protocolo Fls. (respectivas) Cerealista Marisol Ltda Contribuinte 13/11/2017 28/11/2017 2166/2181 Comercial Marisol de Brodowski Ltda. Responsável 03/11/2017 28/11/2017 2176/2246 Amaury Pedro Jorge e Outros Responsável 03/11/2017 28/11/2017 2180/2223 Metas Representações Comerciais Ltda Responsável 03/11/2017 28/11//2017 2170/2269 Fl. 2370DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.369 21 Amaury Pedro Jorge Responsável 03/11/2017 01/12/2017 2172/2297 Marcos Roberto Jorge Responsável 03/11/2017 01/12/2017 2174/2333 Merched Jorge Responsável 03/11/2017 01/12/2017 2168/2315 Da Análise do Recurso Voluntário Cerealista Marisol Ltda Preliminares de Nulidades Alega a autuada nulidade do processo, tendo em vista: i) Inexistir Mandado de Procedimento Fiscal MPF em face da recorrente; ii) Autoridade incompetente para fiscalizar a recorrente; iii) Equívoco do arbitramento, sem levar em consideração a necessidade de abrir fiscalização perante a recorrente. Nenhuma das alegações prosperam. Vêse que o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal à fl. 03, assim como o Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação às fl. 18 a 23 estão destinados à recorrente, e foram por ela efetivamente recebidos (fl. 24). Com relação da falta de competência para lançar, também não como prosperar a alegação, pois o lançamento foi efetuado por autoridade administrativa competente, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e, nos termos da legislação pertinente (Decreto nº 7.574, de 2011: art. 38, §3º), não deixa de ser competente, ainda que seja de jurisdição diversa do domicílio tributário do contribuinte. No que se refere ao arbitramento, verificase que o procedimento fiscal foi realizado junto à recorrente, Cerealista Marisol LTDA, com a opção de apresentação ao fisco de todos os livros, registros e documentos destinados a comprovar a apuração dos tributos reclamados, na forma do lucro real, em razão da receita bruta constatada ser superior a 48 milhões. Estes documentos, pelo que se vê dos autos, não foram apresentados, justificandose a apuração do lucro pelo arbitramento. Logo, não havendo qualquer das irregularidades apontadas, impõese rejeitar as alegações de nulidade. Do Mérito Quanto ao mérito, alega a recorrente que as provas coletadas seriam insuficientes para respaldar a conclusão do fisco; que o ônus da prova pertence ao Fisco, e ele não se desincumbiu deste ônus, pois carreou aos autos apenas suspeitas e indícios, contrapondoos. Por fim, requer a improcedência do lançamento, em decorrência da ilegitimidade passiva da recorrente. Primeiramente há de se pontuar que os fatos podem ser provados, ou através de provas diretas ou por meio de provas indiretas, sendo a prova indiciária espécie destas últimas, e são comumente utilizadas em negócios jurídicos em que presentes as figuras delituosas, como é o caso da simulação. É que, como nos mostra a prática, na grande maioria Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.370 22 dos casos, a verdade que se quer provar está encoberta pelo pacto simulatório; nesses eventos, as presunções e as provas indiciárias apresentamse úteis na revelação da verdade. Vejamos os elementos de prova existentes nos autos: NUTRIGRÃOS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA, com endereço na R. Professor Eurípides Simões de Paula, 303, São Paulo/SP. Foi baixada de Ofício Inexistente de Fato. Os sócios constante no contrato social são Samuel Jovanhaque e Adeildo Leite da Silva. Não foram localizados. A situação patrimonial de ambos é incompatível com as operações da empresa. Vendas de mercadorias no valor de R$ 195.696.923,72, AC/2012. Não foram apresentadas DIPJ, DACOM, DCTF, nem apresentados os livros digitais Diário e Razão, AC/2012 (fls. 38 a 40). Constatouse a utilização dos sócios formais como interpostas pessoas. Apesar de inexistente de fato, a empresa faturou no AC 2012 a monta de 196 milhões (aproximados), sem cumprir com suas obrigações tributárias. Considerando a relação comercial detectada entre a empresa e a Cerealista Marisol, iniciouse a auditoria nesta última, resultando nas seguintes constatações: CEREALISTA MARISOL LTDA, com endereço na Rua Barão do Rio Branco, 235, Brodowski/SP, distante 335 Km da capital São Paulo. Sócios: AMAURY PEDRO JORGE, MARCOS ROBERTO JORGE, MERCHED JORGE e NEIDE THOMAS JORGE. A empresa apresentou declaração de inatividade, AC 2012, conforme declaração à fl. 14. Foram efetuadas diligências, conforme a seguir: DILIGÊNCIA JUNTO A CLIENTES DA NUTRIGRÃOS, Em diligência junto aos pretensos clientes da NUTRIGRÃOS, conforme notas fiscais localizadas: NESTLÉ BRASIL LTDA (fl. 1705) Obtevese informação de que o contato comercial do representante da Nutrigrãos foi Marcos Jorge, sócio administrador da CEREALISTA MARISOL LTDA, o telefone: 1636644220, e o endereço eletrônico de contato: novasafracereais@terra.com.br. Foram apresentadas diversas cópias de Pedidos de Compras, onde se confirmam estas informações. CASTROLANDA COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Obtevese informação de que ela se utilizava de uma corretora para intermediar a venda, a Proagri Bahia Negócios, cujo contato da corretora é Carlos Roberto Chaves. Este menciona que o contato da Nutrigrãos era com o Sr. Marcos Jorge, sócio administrador da CEREALISTA MARISOL LTDA, o telefone: 1636644220, e o endereço eletrônico de contato: novasafracereais@terra.com.br. Foram apresentadas diversas cópias de Fl. 2372DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.371 23 contratos, mensagens de email trocadas, Ordem de Compra e da Conformação dos Pedidos, onde se confirmam estas informações. Verificouse ainda que o número do telefone informado, como contato, era de propriedade de Merched Jorge, que por sua vez, é sócio da Cerealista Marisol Ltda. DILIGÊNCIA EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS Verificouse que a Nutrigrãos movimentou quatro contas bancárias, nas seguintes instituições, conforme tabela a seguir (tabela elaborada pelo fiscal autuante): Para o Banco Bradesco, foram colhidas as seguintes informações, a partir do exame do Cartão de Assinaturas e da FichaProposta de Abertura de Conta: A partir dessas informações, foi intimado o gerente autorizante do banco, à época, Sr. Luiz Carlos de Santis Junior, por carta enviada ao seu endereço residencial. Este assim respondeu: Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.372 24 OUTRAS DILIGÊNCIAS TERRA NETWORKS BRASIL S A Informação acerca do assinante responsável pelo endereço eletrônico novasafracereais@terra.com.br, utilizado como contato pela NUTRIGRÃOS (fl.1583): AMAURY PEDRO JORGE, sócio administrador da CEREALISTA MARISOL LTDA. TIM CELULAR S A Informação acerca da titularidade da linha telefônica (16) 98121 1208, utilizada pela NUTRIGRÃOS como contato com seu cliente NESTLÉ BRASIL LTDA: operadora esclarece que tal titularidade pertence a CEREAL MARISOL BRODOWSKI COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA (fl. 1.607), sob a administração de MARCOS ROBERTO JORGE. Pois bem, a partir dessas informações, constatouse que: Apesar de oficialmente os sócios da NUTRIGRÃOS serem os Sr. SAMUEL JOVANHAQUE e ADEILDO LEITE DA SILVA, verificase que eles possuem situação Fl. 2374DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.373 25 patrimonial incompatível com o empreendimento e não têm qualquer participação efetiva nas atividades da empresa; eles também não foram localizados, apesar de intimados nos endereços cadastrados na RFB . Concluise que se tratam de INTERPOSTAS PESSOAS; O volume de vendas em nome da NUTRIGRÃOS alcançou a cifra de R$ 195.461.971,27, SEM TRIBUTAÇÃO; As diligências efetuadas junto aos destinatários das mercadorias faturadas comprovam que o representante da NUTRIGRÃOS nas transações comerciais ocorridas era o Sr. MARCOS ROBERTO JORGE, sócio administrador da CEREALISTA MARISOL LTDA; As atividades operacionais atribuídas à NUTRIGRÃOS foram efetuadas com apoio logístico (transporte, telefone, endereço eletrônico) da CEREALISTA MARISOL LTDA; Apesar de contratualmente estabelecida em São Paulo/SP, a movimentação bancária da NUTRIGRÃOS ocorreu em instituição localizada em Brodowski, distante 335 Km da capital, contudo esta é a cidade onde está localizada a CEREALISTA MARISOL, fonte de referência na abertura da conta corrente; Apesar de figurar como partícipe nas inúmeras transações comerciais documentalmente comprovadas no processo, através de seu sócio administrador MARCOS ROBERTO JORGE, a empresa CEREALISTA MARISOL informou ao fisco inatividade no AC 2012. Em vista das constatações acima, é intuitivo que elas apontam para a mesma direção, qual seja, a empresa nutrigrãos é inexistente de fato e todas as atividades exercidas em seu nome foram, na verdade, exercidas pela empresa Cerealista Marisol ltda, ora recorrente, com apoio operacional e logísticos de suas coligadas e com o único escopo de eximirse do pagamentos dos tributos devidos pelo exercício de suas atividades. Nesse cenário, como visto teoricamente acima, uma vez identificada a verdade dos fatos e o real contribuinte das operações que geravam as respectivas receitas, não há que se falar em ilegitimidade passiva da obrigação, pois se exige tributo do efetivo sujeito passivo. Com referência ao argumento da recorrente de que nunca foi sócia e que agiu em algumas operações única e exclusivamente como corretora ou intermediária, não há como acolher tal alegação, pois apesar de sua assunção, não apresenta qualquer documento destinado a comprovar tal atividade, nem tampouco declarou ou recolheu qualquer receita desta natureza, uma vez que informou a situação de inatividade no AC 2012. A recorrente ainda argumenta que a localização de veículos de propriedade da comercial Marisol de Brodowski Ltda, Amaury Pedro Jorge e Outros, empresa com a mesma composição societária da Cerealista Marisol Ltda, em ínfimos fretes realizados pela nutrigrãos, não permitiria chegar à conclusão pretendia pelo fisco. De fato, se olhar a prova de forma isolada, como pretende a recorrente, pode até mesmo não representar nada, porém, tais fatos representam indícios que, assim como os demais coletados, convergem em uma mesma direção, qual seja, as operações mencionadas pelo fisco foram efetivamente praticadas pela Cerealista Marisol Ltda. Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.374 26 Há ainda o questionamento por parte da recorrente, no sentido de apontar a inexistência de identificação no recebimento da receita obtida pelas vendas da Nutrigrãos, pois, de acordo com os extratos existentes nos autos, todos os pagamentos foram feitos à Nutrigrãos, inexistindo qualquer transferência para a Cerealista Marisol. Compulsando os extratos bancários mencionados, em especial do Banco Bradesco, percebese que diversos pagamentos foram efetuados à Cerealista Marisol Ltda, assim como a seus sócios e coligadas. A propósito, esses pagamentos foram identificados pelo fisco e constam da fl. 1709 do TVF. Por outro lado, a existência de pagamentos e transferências a fornecedores, não afasta, por si só, a constatação de que a administração e controle financeiro das operações atribuídas à Nutrigrãos, foi de fato exercida pela empresa Cerealista Marisol, especialmente considerando que transações bancárias podem ser efetuadas eletronicamente, mediante o uso de senha, sem a necessidade de assinatura física das referidas interpostas pessoas. Assim, entendo correto o lançamento efetuado, reconhecendose, portanto, a legitimidade passiva da recorrente. Da Exigência de PIS/COFINS Neste tópico, alega a recorrente que as vendas de grãos com destinação à alimentação humana ou animal encontravamse abrigadas pelo art. 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004, que prevê a suspensão da exigibilidade do PIS e COFINS. Aduz ainda que tal dispositivo legal foi regulamentado pela IN 660/2006, que assim dispõe: DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES DOS PRODUTOS VENDIDOS COM SUSPENSÃO Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com Fl. 2376DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.375 27 suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. [...] DAS PESSOAS JURÍDICAS QUE EFETUAM VENDAS COM SUSPENSÃO Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; [...] (os negritos não são do original) Pois bem. De acordo com a citada legislação, para que haja suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS, é necessário o cumprimento de condições específicas, o que, pelo que se observa dos autos, não foram comprovadas pela recorrente. Com efeito, possui o direito a suspensão a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionadas no inciso I do art. 2º da referida Instrução Normativa. Não havendo nos autos quaisquer documentos a amparar a pretensão da referida suspensão, indeferese o pedido. Da Multa Qualificada No que pertine à multa, na forma qualificada, alega a recorrente que: “somente existe a excepcional multa qualificada de 150%, segundo previsão em lei, quando se constatar a falta de pagamento, recolhimento, declaração ou sua inexatidão e houver efetivamente a comprovação de que tal fato decorre da prática das condutas descritas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64” De fato, tal como dito pelo contribuinte, a multa de 150% possui previsão legal , encontrandose no artigo 44, §1º da Lei 9.430, de 1996, nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Conforme TVF, qualificouse a multa, pela seguinte motivação: Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.376 28 “Os valores das receitas omitidas apresentados nesta, e os fatos constatados anteriormente configuram, em tese, crime contra a ordem tributária, previsto na legislação em vigor, cujo dolo se caracteriza pelo fato de o contribuinte não ter contabilizado nem declarado as receitas da atividade”. Penso que as premissas e conclusões adotados neste voto são suficientes para ratificar a sonegação com um fim ou uma conseqüência dos atos praticados pela recorrente, seus sócios e terceiros interessados. Os indícios coletados apontam para uma conduta dolosa do contribuinte, com intuito de impedir o conhecimento, por parte do fisco, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, além de ter sido apresentado declaração falsa de inatividade, pois apesar de ter informado que não efetuou qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial, foi constatado que exerceu atividades através de empresa inexistente de fato, com a interposição de pessoas, e que resultaram receitas significativas, na cifra aproximada de 196 milhões, não tributadas. Acresçase a isso o fato de que não foram apresentados os Livros Contábeis e Fiscais (via Sped e em meio magnético), DIPJ, DACON e DCTFs do período, atinentes às operações reclamadas pelo fisco, o que, sem dúvida, somado aos outros elementos de provas existentes nos autos, impactou diretamente no cerceamento do conhecimento das base tributáveis por parte da fiscalização. Por outro lado, quaisquer alegações que coloquem em xeque a validade do art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96, não merecem ser aqui apreciadas, uma vez que desafiam constitucionalidade de dispositivo em plena vigência e eficácia. Aqui devese reiterar a incompetência do CARF para dirimir tais questões, de acordo com entendimento sumulado (Súmula nº 2). Diante do exposto, rejeito as alegações da recorrente e mantenho a aplicação da multa qualificada. Fl. 2378DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.377 29 Juros Selic No que se refere aos juros de mora, a questão resta pacificada pela Súmula CARF nº 4, que dispõe: Súmula CARF nº 04 "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Da aplicação de Juros SELIC sobre Multa de Ofício Quanto à discussão da possibilidade da aplicação dos Juros Selic sobre Multa de Ofício, tal discussão também se encontra simulada, nos termos da Súmula CARF n. 108 que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício Assim, afastase também esta alegação. Da Análise do Recurso Voluntário Cerealista Marisol de Brodowiski Ltda / Metas Representações Comerciais Ltda / Amaury Pedro e Outros ME A fiscalização emitiu o Termo de Responsabilidade Solidária contra as empresas recorrentes, com base no artigo 124 do CTN. Tenho adotado o entendimento, de certa forma pacificado no âmbito do STJ, de que a solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas, seja física ou jurídica, que tenham interesse comum na realização do fato gerador da obrigação tributária, pois possui uma dimensão jurídica própria, e não um significado meramente econômico. Nesse passo, é legítimo afirmar, como o faz o próprio STJ, que o simples fato de pessoas integrarem o mesmo grupo econômico, por si só, não é suficiente para a responsabilização solidária: "1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. (...)" (Superior Tribunal de Justiça, EREsp 834.044∕RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 8.9.2010, DJe 29.9.2010 ) Fl. 2379DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.378 30 Por pertinente, consignase julgado do STJ1, de relatoria do Ministro Luiz Fux, nos seguintes termos: (i) – solidariedade passiva “é um instituto de direito civil aplicável a todos os ramos do direito, segundo o qual, em havendo pluralidade de sujeitos no pólo passivo de uma relação jurídica, cada um deles é obrigado à dívida toda, podendo o credor exigir de uma ou alguns, parcial ou totalmente, a dívida em comum”; (ii) – em questões tributárias, ao contrário do direito civil, a presunção de solidariedade passiva opera “no sentido de que sempre que, numa mesma relação jurídica, houver duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuinte, cada uma delas estará obrigada pelo pagamento integral da dívida, perfazendo se o instituto da solidariedade passiva. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato – a copropriedade – é lhes comum.”; (iii) – “conquanto a expressão ‘interesse comum’ – encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal”; (iv) – assim, “o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação”; (v) – “Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, no condizente ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação”; (vi) – Bem por isso, possível concluir que “o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível;” O conceito de interesse comum do art. 124, I, do CTN, somente se presta para atribuir responsabilidade solidária entre duas ou mais pessoas que realizam conjuntamente o "fato gerador" do tributo, todos assumindo a condição direta de contribuinte. Assim, não se deve entender que o art. 124, I, do CTN seja norma de atribuição de responsabilidade à terceiro. A jurisprudência do CARF confirma esse entendimento (Proc. n. 10980.721917/201099/ Acórdão n. 1402001.188), senão vejamos: 1 STJ, Resp n. 859.616/RS, Rel. Min. Luiz Fux, j. 18/09/2007, DJ 15/10/2007. Fl. 2380DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.379 31 (...) SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DISTINÇÃO. A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135, do CTN. Nos casos em que o terceiro passa a ser coresponsável pelo crédito tributário temse a incidência de duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação. Os mandatários, administradores, prepostos, diretores, gerentes, sócios, sejam eles de fato ou de direito, só se tornam terceiros responsáveis nos casos em que, por ação ou omissão, praticarem uma das condutas descritas nos artigos 134, 135 e 137, do CTN. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza situação de solidariedade tributária quando dois sujeitos de direito, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, em conjunto, de maneira formal ou informal, praticam conduta que caracteriza fato gerador de obrigação tributária. Nas situações em que a pessoa física, em conjunto com uma pessoa jurídica, exerce o comércio ou a prestação de serviços, de maneira formal ou informal, temse dois sujeitos de direito, com personalidades distintas, praticando a conduta que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal. Confirase os seguintes trechos do voto proferido pelo Relator: De imediato, tenho que não se pode confundir solidariedade tributária com responsabilidade de terceiro. São situações distintas. A primeira diz respeito ao sujeito passivo que pratica a conduta caracterizadora da obrigação de pagar tributo. A segunda referese ao terceiro que, sem ser sujeito passivo da obrigação tributária, em face de conduta própria, pode vir a ser chamado a responder pelo crédito tributário. (...) A solidariedade, que não se confunde com responsabilidade de terceiros, decorre das situações previstas no artigo 124, I e II, do CTN, sendo que o interesse comum de que trata o inciso I não se confunde com as situações contidas no inciso II em que a lei pode atribuir a terceiro a condição de sujeito passivo solidário. As hipóteses previstas no artigo 124, I, do CTN (interesse comum), tratam da solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito passivo da obrigação tributária (devedor originário art. 121, I). Ex. IPTU entre coproprietários; (...) O interesse comum de que trata o artigo 124, I, não é o interesse econômico, mas sim na questão relacionada à prática do fato gerador. Empresas de um mesmo grupo tem interesse econômico no resultado de suas operações, mas este interesse não serve para atribuir a uma delas a condição de solidária, visto que o interesse apto a qualificar a solidariedade é o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, como ocorre, por exemplo, em caso de copropriedade, com a exigência do IPTU e ITR. A solidariedade de que trata o artigo 124, incisos I e II, não está relacionada a atos ilícitos e se aplica a quem tem a qualidade para ser sujeito passivo da obrigação tributária (...) A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nos casos em que o terceiro passa a ser Fl. 2381DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.380 32 coresponsável pelo crédito tributário temse a incidência de duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação. (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B, do CPC). (....) Outro detalhe que se deve ter presente é que o terceiro ou o sócio é responsável não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas por praticar ato que caracteriza infração descrita em Lei. Portanto, fica claro que o conceito de interesse comum do art. 124, I, do CTN, não constitui fundamento jurídico adequado para atribuição de responsabilidade solidária aos recorrentes, até porque não se apontou e comprovou eventual "confusão patrimonial" entre as empresas. Logo, deve ser afastada a responsabilidade dos coobrigados Cerealista Marisol de Brodowiski Ltda, Metas Representações Comerciais Ltda, Amaury Pedro e Outros ME, por interesse comum. Da Análise do Recurso Voluntário Amaury Pedro Jorge / Merched Jorge / Marcos Roberto Jorge A fiscalização também emitiu o Termo de Responsabilidade Solidária contra as pessoas físicas recorrentes, com base no artigo 124 do CTN. Sustentam as recorrentes a improcedência da impugnação, sob o argumento que a responsabilização, se houvesse, seria pelo artigo 135 do CTN, não utilizado pelo fisco. Equivocamse. O Termo de Verificação Fiscal anexado aos autos, descreve a hipótese a responsabilização do artigo 135 do CTN, identificando, de forma minuciosa, a prática de vários atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, por parte dos citados coobrigados. Com efeito, a autuada e os recorrentes se uniram no exercício de atividades mediante utilização de interpostas pessoas como sócias de empresa inexistente de fato, auferindo receitas que ficaram à margem da tributação, com o intuito de frustrar a realização do crédito tributário devido sobre as operações praticadas, com o firme propósito de lograr proveito próprio, tendo, inclusive, (as recorrentes) poderes de ingerência sobre as operações realizadas, sob seus domínios. Logo, penso ter sido devidamente caracterizada a hipótese prevista no inciso III do artigo 135 do CTN, devendo, portanto, ser mantida a responsabilidade solidária das recorrentes. Com referência à alegação de defesa de afastar a responsabilidade (das recorrentes) por multa decorrente de lançamento feito em face de autuada, alinhome às razões mencionadas na decisão recorrida, a seguir reproduzidas: Fl. 2382DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.381 33 182. O impugnante argumenta que não pode ser responsabilizado por multa, de ofício ou moratória, decorrente de lançamento feito em face de outra pessoa jurídica. 183. Acerca das alegações apresentadas, cabe esclarecer que o CTN assim dispõe, acerca do crédito tributário: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 183.1 Dessa forma, o crédito tributário decorre da obrigação principal, que também tem por objeto a penalidade pecuniária; como conseqüência, compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributo, multas e juros de mora. 183.2 Notese que, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento será acrescido de multa e juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Quando espontaneamente declarado pelo contribuinte, sujeitase à multa de mora. Quando lançado de ofício, como é o caso em questão, sujeitase à multa de ofício, nos percentuais previstos na legislação tributária. Assim, os responsáveis solidários apontados devem responder por todo o crédito lançado, e, por isso, rejeitase os argumentos aduzidos em sentido contrário. CONCLUSÃO Com esses fundamentos, voto por: (i) rejeitar as preliminares de nulidade; (ii) negar provimento ao recurso do contribuinte (Cerealista Marisol Ltda); Fl. 2383DF CARF MF Processo nº 19515.720270/201715 Acórdão n.º 1301003.769 S1C3T1 Fl. 2.382 34 (iii) dar provimento parcial aos recursos dos coobrigados Cerealista Marisol de Brodowiski Ltda, Metas Representações Comerciais Ltda, e Amaury Pedro Jorge e Outros ME para excluílos do polo passivo da obrigação tributária; e (iv) negar provimento aos recursos dos coobrigados Amaury Pedro Jorge, Merched Jorge e Marcos Roberto Jorge. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 2384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.729440/2015-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 31/10/2011 a 31/12/2011
GLOSA DE CUSTOS. PAGAMENTO SEM CAUSA. NÃO COMPROVAÇÃO DAS COMPRAS REALIZADAS. SUFICIÊNCIA DE PROVAS DE INEXISTÊNCIA DO FORNECEDOR. EXIGÊNCIA APLICÁVEL.
Se as compras registradas na contabilidade não estão comprovadas por meio das respectivas notas e demais documentos fiscais e as provas de que os fornecedores não existiam de fato, de se manter o lançamento.
SÚMULA CARF nº 2.
Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1301-003.825
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1322; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.667 1 1.666 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.729440/201567 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.825 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2019 Matéria IRRF Recorrente LUBRU CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 31/10/2011 a 31/12/2011 GLOSA DE CUSTOS. PAGAMENTO SEM CAUSA. NÃO COMPROVAÇÃO DAS COMPRAS REALIZADAS. SUFICIÊNCIA DE PROVAS DE INEXISTÊNCIA DO FORNECEDOR. EXIGÊNCIA APLICÁVEL. Se as compras registradas na contabilidade não estão comprovadas por meio das respectivas notas e demais documentos fiscais e as provas de que os fornecedores não existiam de fato, de se manter o lançamento. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 94 40 /2 01 5- 67 Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.668 2 (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.669 3 Relatório LUBRU CONSTRUÇÕES LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS (fls. 1.581 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, e manteve integralmente o crédito tributário de IRRF, referente ao anocalendário de 2011, no valor de R$4.968.507,74, com juros de mora e multa de ofício de 75%. Do Lançamento Nos termos do relatório do acórdão recorrido, bem como do TVF de fls. xxx, as razões do lançamento foram: O lançamento, conforme registrado no auto de infração, foi efetuado sobre pagamentos sem causa ou de operações não comprovadas, com base no disposto no artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda. Os pagamentos considerados no lançamento, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, foram aqueles registrados na contabilidade como feitos por supostos adiantamentos de compras de materiais dos fornecedores Alvamir Menezes Construções e Terraplenagem Ltda, Hastiserv Prestação de Serviços e Edificação Ltda ME, Estruturak 40 Serralheria e Comércio de Ferro Ltda e Vale do Sol Exportação de Produtos Minerais Ltda. Tais pagamentos, que encontramse relacionados na planilha de fls. 153 a 156, foram considerados como não lastreados em documentação fiscal hábil e idônea e, consequentemente, sem causa ou com beneficiário não identificado, devido às seguintes razões: (...) 5. Essas despesas foram contabilizadas, simplificadamente, da seguinte forma: a 1º momento São feitos diversos adiantamentos de pagamentos, debitando a conta (ativo circulante) 11205003 (adiantamento de fornecedores) e creditando a conta bancos conta sintética 11102 (ativo circulante); b 2º momento Na entrega dos materiais, não comprovada por documentos hábeis e idôneos, credita a conta (ativo circulante) 11205003 (adiantamento de fornecedores), consolidando o pagamento de diversas notas fiscais e debita conta do respectivo fornecedor (passivo circulante) conta sintética 21101, demonstrado na tabela do item 4 (lançamentos a crédito), uma vez estarem nesses a clara vinculação as notas fiscais através do histórico; c 3º momento (final do mês) Credita a conta sintética 21101 do respectivo fornecedor (passivo circulante) e debita a conta redutora do passivo circulante custo das obras em andamento conta sintética 21202; d 4º momento (final do trimestre) Credita a conta redutora do passivo circulante custo das obras em andamento conta sintética 21202 e debita a conta de resultado (despesa) custo mercadorias/serviço vendido conta sintética 32301. 6. O contribuinte foi intimado através do Termo de Intimação n. 7 de 09/07/2015 a apresentar as cópias dos cheques utilizados na operação de adiantamento aos fornecedores. Contudo, somente foram apresentadas cópias de cheques relativas a Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.670 4 depósitos bancários, nominados a terceiros, sem comprovação de vínculo com os fornecedores descritos na contabilidade. Junto às cópias dos cheques foi apresentado esclarecimento do seu representante legal, de que todos os adiantamentos foram efetuados em espécie, em contradição ao que foi contabilizado. IV DOS CUSTOS NÃO COMPROVADOS 7. Das notas fiscais emitidas por fornecedores e apresentadas pelo contribuinte para balizar as despesas contabilizadas, 4 (quatro) destes (fornecedores) não foram aceitos, conforme o descrito adiante: 7.1. Fornecedor ALVAMIR MENEZES CONSTRUÇÕES E TERRAPLENAGEM LTDA. CNPJ 04.599.215/000121, com endereço na Rua Alvaro Chuff, 301 Posse Nova Iguaçu/RJ teve contabilizado pagamentos referentes as notas fiscais n. 223 a 227; 231 a 234; 237 a 242; 246 a 250; 253 a 257; 261 a 268; 272 a 279; 283 a 289 e 292 a 299. Tendo em vista que o contribuinte, ora fiscalizado, não apresentou documentação hábil e idônea quanto à quitação destas notas fiscais foi emitido Termo de intimação em nome do fornecedor para apresentação do talonário fiscal, com as notas fiscais emitidas em 2011 e a respectiva autorização do mesmo, com Aviso de Recebimento AR, que foi devolvido pelos Correios por não ter sido encontrado o endereço retro citado, que é o mesmo cadastrado no CNPJ e que consta das referidas notas fiscais. Ainda na tentativa de se conseguir a comprovação destas despesas, se buscou contato com os sócios desta pessoa jurídica (relacionados abaixo), que estão cadastrados nos sistemas da Receita Federal, mas a correspondência retornou uma vez que nenhum deles foi localizado no endereço que informaram. 7.2. Fornecedor HASTISERV PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E EDIFICAÇÃO LTDA ME CNPJ 07.153035/000100, com endereço na Rua Santo Antônio, 236 loja B Centro São João de Meriti/RJ teve contabilizado pagamentos referentes as notas fiscais n. 52 a 56; 58 a 65; 67; 68; 70; 76; 80 a 87; 90 a 116; 119 a 131; 134 a 150. Tendo em vista que o contribuinte, ora fiscalizado, não apresentou documentação hábil e idônea quanto à quitação destas notas fiscais foi emitido Termo de intimação em nome do fornecedor para apresentação do talonário fiscal, com as notas fiscais emitidas em 2011 e a respectiva autorização do mesmo, com Aviso de Recebimento AR, que foi devolvido pelos Correios por não ter sido encontrado o endereço retro citado, que é o mesmo cadastrado no CNPJ e que consta das referidas notas fiscais. Ainda na tentativa de se conseguir a comprovação destas despesas, se buscou contato com os sócios desta pessoa jurídica (relacionados abaixo), que estão cadastrados nos sistemas da Receita Federal, mas a correspondência retornou uma vez que nenhum deles foi localizado no endereço que informaram. Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.671 5 7.3. Fornecedor ESTRUTURAK 40 SERRALHERIA E COMÉRCIO DE FERRO LTDA CNPJ 07.699.230/000130, com endereço na Rua Alziro Zarur, 51 loja Vila Meriti . Tendo em vista que o contribuinte, ora fiscalizado, não apresentou documentação hábil e idônea quanto à quitação destas notas fiscais foi emitido Termo de intimação em nome do fornecedor para apresentação do talonário fiscal, com as notas fiscais emitidas em 2011 e a respectiva autorização do mesmo, com Aviso de Recebimento AR, que foi devolvido pelos Correios por não ter sido encontrado o endereço retro citado, que é o mesmo cadastrado no CNPJ e que consta das referidas notas fiscais. Ainda na tentativa de se conseguir a comprovação destas despesas, se buscou contato com os sócios desta pessoa jurídica (relacionados abaixo), que estão cadastrados nos sistemas da Receita Federal, mas a correspondência retornou uma vez que nenhum deles foi localizado no endereço que informaram. 7.4. Fornecedor VALE DO SOL EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS MINERAIS LTDA. CNPJ 73.622.862/000120, com endereço na Rua Professor Cirene Moares Costa, 740 Japeri/RJ teve contabilizado pagamentos referentes as notas fiscais n298 a 304; 309 a 314; 317 a 321; 325 a 331; 335 a 339; 342 a 347; 351 a 356; 361 a 365; 368 a 373; 377 a 380; 382 a 386. Tendo em vista que o contribuinte, ora fiscalizado, não apresentou documentação hábil e idônea quanto à quitação destas notas fiscais foi emitido Termo de intimação em nome do fornecedor para apresentação do talonário fiscal, com as notas fiscais emitidas em 2011 e a respectiva autorização do mesmo, com Aviso de Recebimento AR, que foi devolvido pelos Correios por não ter sido encontrado o endereço retro citado, que é o mesmo cadastrado no CNPJ e que consta das referidas notas fiscais. Ainda na tentativa de se conseguir a comprovação destas despesas, se buscou contato com os sócios desta pessoa jurídica (relacionados abaixo), que estão cadastrados nos sistemas da Receita Federal, mas a correspondência retornou uma vez que nenhum deles foi localizado no endereço que informaram. Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.672 6 8. Com base no descrito e ainda, corroborado pelo fato desses fornecedores não possuírem declarações referente ao IRPJ. previdenciárias (GFIP) e trabalhistas (RAIS) para o ano em questão, e tendo sido constatado que os beneficiários dos pagamentos não foram de fato aqueles que figuram na documentação comercial e fiscal do contribuinte. Resta indiscutível o caráter fictício dos respectivos custos deduzidos que, destarte, correspondem a Pagamento Sem causa/Operação Não Comprovada, indedutíveis nos termos dos art 299, 300 e 304 do RIR/1999 e art. 13 (caput) da Lei 9.249/95, com relação a CSLL. (...) Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 240 e ss, que aduziu os seguintes argumentos: Diz que atua no ramo da construção civil. Afirma que não concorda com a autuação, tendo em vista que não foi oportunizada "a apresentação de toda a documentação de que dispõe para comprovação das operações, o que o faz nessa oportunidade", e pelo fato da autoridade lançadora não ter considerado "como erro material / de fato, a escrituração do 4o trimestre, o que permitiria sua retificação, evitandose lançamento baseado em informações errôneas". Cita ementas de julgados da Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdãos 10194.116 e 10194.497) onde restou asseverado o seguinte: (...) Afora as hipóteses de expressa dispensa do MPF, é inválido o lançamento de crédito tributário formalizado por agente do Fisco relativo a tributo não indicado no MPFF, bem assim cujas irregularidades apuradas não repousam nos mesmos elementos de prova que serviram de base a lançamentos de tributo expressamente indicado no mandado. (...) Diz que o lançamento de IRRF foi efetuado com base em elemento de prova diverso dos lançamentos de IRPJ e reflexos, já que o primeiro ocorreu com supedâneo na apuração de pagamento sem causa ou operações não comprovadas, enquanto que os últimos ocorreram com base na apuração de que a escrituração da empresa, no 4o trimestre de 2011, se revelou imprestável para determinação do lucro real, já que não foram comprovados, por documentação hábil e idônea, mais de 60% dos custos dos serviços vendidos. Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.673 7 Alega que ocorreu flagrante vício de procedimento, visto que a autoridade fiscal promoveu o lançamento de diversos tributos que não haviam sido especificados no mandado de procedimento fiscal (MPF). Diz que ocorreu violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, pois a autoridade fiscal se limitou a buscar provas para amparar suas conclusões, sem dar oportunidade para que pudesse produzir prova que demonstrasse "cabalmente a utilidade/necessidade das mercadorias/despesas analisadas pelo fiscal, e o erro material/de fato verificado na escrituração da empresa, no 4o trimestre/2011". Aduz que os autos de infração se baseiam em indícios, pois a premissa da autoridade lançadora de que as notas fiscais não foram quitadas e de que não foi demonstrada a utilidade/necessidade das mercadorias, se baseia no fato dos fornecedores e seus sócios não terem sido localizados nos endereços informados à Receita Federal do Brasil. Afirma que a autoridade fiscal deveria ter permitido a produção das provas que são apresentadas juntamente com a presente impugnação. Diz que a autoridade lançadora não poderia ter amparado suas conclusões no fato dos fornecedores não terem sido localizados pelos Correios em 2015, até porque a operações de aquisição de mercadorias se deram em 2011, ou seja, a aproximadamente quatro anos antes. Frisa que, entre 2011 a 2015, os fornecedores podem ter deixado de operar no mercado ou simplesmente mudado de endereços sem comunicar a alteração junto a RFB. Ressalta que de uma gama de aproximadamente 600 fornecedores que constam nos seus cadastros, apenas quatro não responderam. Alega que a prova produzida pelo auditorfiscal autuante não autoriza a conclusão de que a mercadoria não foi quitada ou de que o custo revelado não se mostra necessário, usual e normal ao contribuinte. Assevera que não pode ocorrer transferência de responsabilidade pelo pagamento do tributo pelo mero fato das intimações feitas por via postal a fornecedores terem retornado com a informação de "endereço não encontrado". Aduz que o fato de não terem sido encontradas declarações referentes ao IRPJ, GFIP's e RAIS dos fornecedores para o ano de 2011 não tem o condão de fundamentar a sua tributação, pois não autoriza o Fisco a concluir que as operações com estes fornecedores não ocorreram. Frisa que o comprador de mercadoria não está obrigado a exigir do vendedor a prova de que efetuou declarações tributárias, previdenciárias e trabalhistas. Diz que a menção da não entrega de declarações pelos fornecedores confirma que os lançamentos ocorreram com base em indícios e presunções. Cita trechos de livros onde doutrinadores discorrem sobre os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Afirma que a autoridade lançadora não respeitou o direito mínimo de formulação Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.674 8 de alegações e apresentação de documentos antes da decisão, que é previsto no inciso III do artigo 3º da Lei nº 9.784/1999, pois "intimou a empresa para apresentação apenas dos documentos úteis às suas conclusões, mas não à prova do direito que importava ao contribuinte". Assevera que o princípio da motivação das decisões previsto no inciso IX do artigo 93 da Constituição Federal deve ser observado também pelos órgãos administrativos. Afirma que "a Autoridade Administrativa também é obrigada a motivar todas as suas decisões, a fim de que não paire sobre as mesmas qualquer dúvida quanto a identificação dos dispositivos que a motivou". Frisa que no capítulo do Termo de Verificação Fiscal no qual a autoridade lançadora trata do arbitramento do lucro, é citado o artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) para justificar tal medida (arbitramento do lucro). Ressalta que o artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda não trata de autorização a arbitramento. Afirma que o "auto de infração" violou o direito do contribuinte, pois no capítulo específico ao arbitramento do lucro no Termo de Verificação Fiscal a autoridade fiscal deixou de mencionar dispositivo que autoriza sua prática. Diz que restou violado o princípio da motivação das decisões, já que foi retirada a possibilidade do contribuinte ter conhecimento do dispositivo no qual a autoridade fiscal fundamentou a realização de arbitramento do lucro. Frisa que as decisões devem ser fundamentadas para que o contribuinte possa conhecer os fatos de que deve se defender. Diz que a autoridade lançadora violou também a Lei nº 9.784/1999, já que o seu artigo 2º, parágrafo único, inciso VII, determina que os pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão em processo administrativo devem ser indicados, e que o seu artigo 50, §1º, determina que os atos administrativos enumerados nos incisos deste artigo devem ser motivados. Frisa que, logo que foi cientificada através de seu contador responsável, do teor da fiscalização, "contratou auditoria externa para verificação da declaração e documentos contábeis apresentados à RFB, referente ao ano de 2011". Diz que "tal providência revelou ao contribuinte a existência de erro material relativamente a contabilidade do 4º trimestre/2011, no documento relacionado ao razão de adiantamento a fornecedores e razão de caixa". Ressalta que a auditoria externa também revelou que é credora de IRPJ pago indevidamente em trimestre diverso do auto de infração hostilizado. Afirma que retificou sua declaração para apresentar à autoridade lançadora em 26/11/2015 e que os artigos 269, §2º, e 833 do RIR autorizam tal retificação durante a fiscalização. Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.675 9 Assevera que na referida declaração retificadora promoveu "ajuste nas informações constantes no Razão de Adiantamento à Fornecedores e Razão de Caixa, bem como a novas apurações de IRPJ e CSLL". Aduz que por meio dos Livros Razão retificados "é possível verificar que todos os cheques, a que o Fiscal Autuante se refere, no Termo de Verificação Fiscal, como relacionados a depósitos bancários, compõem o Caixa, a partir do qual é feito o Adiantamento à Fornecedores". Frisa que tem como contratante dos seus serviços a Administração Pública. Relata que no 4º trimestre/2011 iniciou a execução de dois contratos públicos, que só foram finalizados no ano de 2013, sendo um para a construção de Cadeia Pública, em São Gonçalo, no valor de R$ 26.053.438,61, e outro para execução de obra de saneamento em Queimados, no valor de R$ 25.746.317,25. Assevera que "firmou contrato de garantia de preço e fornecimento de mercadoria com determinadas empresas, tão logo tomou conhecimento do resultado da licitação (divulgação da ata correspondente), por já saber o material a ser empregado na obra, diante das informações constantes do edital de licitação". Diz que "a utilidade do contrato de garantia de preço e fornecimento de mercadoria é dar segurança ao contratante de que terá o material, quando necessário, fornecido pelo valor ajustado, por já conhecer os custos do contrato, de acordo com projeto divulgado com o edital". Aduz que devido a esses contratos de garantia, surgiu a necessidade de compor o caixa da empresa. Afirma que, "por meio dos cheques, sacava o dinheiro, contabilmente retirando o mesmo do Razão Bancos, ingressando com os valores no Razão de Caixa, e posteriormente em Razão de Adiantamento à Fornecedores". Assevera que a declaração analisada pela autoridade lançadora realmente continha cheques apropriados indevidamente no Razão de Caixa ou em outras contas, mas diz que tais equívocos foram retificados "depois de análise procedida por auditoria externa contratada pelo contribuinte". Ressalta que a informação original realmente não propiciava à autoridade lançadora clareza no entendimento do "ADIANTAMENTO À FORNECEDORES". Diz que, "conforme comprovação documental, possuía seu nome incluído em cadastros de inadimplentes, em razão de protestos" e "também não gozava de credibilidade no mercado para efetuar compras parceladas, ou a serem faturadas, para pagamento posterior". Assevera que "o único mecanismo que viu como possível, a fim de viabilizar a execução das obras de que foi vencedora nos certames, foi ingressar com o dinheiro no CAIXA, e efetuar o pagamento em espécie, procedimento que viabilizou, inclusive, a obtenção de melhores preços de compra". Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.676 10 Diz que esse procedimento é verificado em outras operações da empresa, por força da sua necessidade e da dinâmica das atividades que desenvolve. Alega que a autoridade lançadora, em relação às operações com o fornecedores Alvamir, Vale do Sol, Hastiserv e Estruturak, deveria ter tido o mesmo entendimento que teve em relação às operações com o fornecedor Terena, já que todas as operações tiveram a mesma dinâmica. Afirma que, para ilustrar a dinâmica das operações, apresenta, juntamente com a impugnação, os seguintes documentos relativos às empresas anteriormente citadas: "edital de licitação; resultado do certame; contrato firmado com a administração pública (obras de São Gonçalo, Queimados, Manutenção Secretaria de Saúde); pedido de compra da mercadoria formulado pelo setor responsável (por amostragem); ordem de compra (por amostragem); R.D.O. (por amostragem); contrato firmado com as empresas fornecedoras; projeto das obras; centro de custo das obras; contabilização das mercadorias (Livros de registro de entrada ICMS); aceite do contratante; comprovante de protesto (negativação do nome da empresa); cadastro de fornecedores do ano de 2011; Recibo de entrega da Retificadora em 26/11/2015; DIPJ retificada em 26/11/2015; Razão de caixa / adiantamento a fornecedores / centros de custos / centros de custos específicos / Banco". Afirma que o "erro material/de fato constante da Declaração efetuada pelo contribuinte" não poderia ser considerado pela autoridade fiscal, pois acarreta em lançamento fundado em fatos que não representam a realidade. Diz que a autuação se baseou "em informações que continham erro material, corrigidos por meio da Declaração Retificadora, apresentada no dia 26/11/2015". Aduz que referida retificadora corrigiu erros materiais de contabilização "que constavam do RAZÃO DE ADIANTAMENTO DE FORNECEDORES, RAZÃO DE CAIXA". Assevera que a referida retificadora corrigiu também casos em que despesas foram alocadas em centros de custos errados. Alega que, com a retificação das informações, se esvazia "o argumento da autoridade fiscal, de que as operações não estavam lastreadas em documentação fiscal hábil e idônea, ou de que as cópias dos cheques apresentadas somente se referiam a depósitos bancários, nominados a terceiros, sem comprovação de vínculo com os fornecedores". Frisa que o §1º do artigo 147 do CTN permite a retificação da declaração na hipótese nele prevista. Diz que promoveu a retificação da declaração, para corrigir erro constatado, antes da intimação do lançamento. Afirma que, "por meio da Declaração Retificadora apresentada antes da ciência do lançamento de ofício, promovido por meio do Auto de Infração impugnado, pretendeu a retificação dos LivrosRazão, a fim de corrigir informações neles Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.677 11 constantes que não refletiam com exatidão e detalhes as operações realizadas pelo contribuinte, no que toca a autuação". Ressalta que o inciso III do artigo 145 do CTN permite que seja promovida a alteração do lançamento de ofício pela autoridade fiscal. Frisa que o inciso VIII do artigo 149 do CTN preceitua que cabe revisão de ofício do lançamento "quando deve ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior". Diz que a autoridade fiscal deveria ter levado em conta, nos lançamentos, a declaração retificadora apresentada em 26/11/2015. Cita trecho do voto vencedor prolatado em julgamento do STJ (REsp nº 1.133.027/SP) onde é asseverado que "o contribuinte tem o direito de retificar e ver retificada pelo Fisco a informação fornecida com erro de fato, quando dessa retificação resultar a redução do tributo devido". Cita trecho da ementa do Parecer Cosit nº 38, de 12 de setembro de 2003, onde é asseverado que "inexiste prazo para que a autoridade administrativa reveja de ofício o lançamento ou retifique de ofício a declaração do sujeito passivo a fim de eximilo total ou parcialmente de crédito tributário não extinto". Cita trecho da ementa da Solução de Consulta nº 146, 28 de novembro de 2006, onde é asseverado que "em obediência ao princípio da verdade material, cabe a retificação de débitos inscritos em Dívida Ativa da União quando o sujeito passivo apresentar prova inequívoca de ocorrência de erro, nos termos do art. 147 do CTN", e que "inexiste prazo para que a autoridade administrativa reveja de ofício o lançamento ou retifique de ofício a declaração do sujeito passivo a fim de eximilo total ou parcialmente do crédito tributário não extinto". Cita trechos de artigo de Hugo de Brito Machado (Confissão Irretratável de Dívida Tributários nos Pedidos de Parcelamento. RDDT n. 145, out/07, p. 47) onde este defende que a confissão pode ser revogada se houve erro quanto a fato confessado e que o verdadeiro deve prevalecer sobre o confessado. Cita julgado do STJ (AgRg no Ag 1.422.444AL) no sentido de que o erro de fato autoriza a revisão do lançamento do tributo, de acordo com o artigo 149, inciso VIII, do Código Tributário Nacional. Diz que o STJ, ao julgar o REsp 1.130.545/RJ, decidiu que é cabível, "no caso de retificação de dados (declaração), a revisão do lançamento, mesmo após a constituição do crédito tributário". Aduz que notas fiscais são documentos hábeis para a comprovação de despesas. Afirma que "as despesas lastreadas pelas notas fiscais desprezadas pelo fiscal traduzem necessidade, usualidade e normalidade, elementos capazes de gerar a dedução autorizada pelo RIR/99, na forma do artigo 299". Alega que a resposta a pergunta 294 do Perguntas e Respostas da DIPJ relativa ao exercício 2002 (anocalendário 2001), que era disponibilizada no site da Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.678 12 Receita Federal, deixava claro que "as despesas, cujos pagamentos sejam efetuados à pessoa jurídica, deverão ser comprovadas por Nota Fiscal ou Cupom emitidos por equipamentos ECF Emissor de Cupom Fiscal, observados os seguintes requisitos, em relação à pessoa jurídica compradora: sua identificação, mediante indicação de seu CNPJ; descrição dos bens ou serviços, objeto da operação; a data e o valor da operação (Lei nº 9.532/1997, art. 61, § 1º e 81, II)". Ressalta que o lançamento do IRRF, por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, pressupõe a demonstração concreta do pagamento. Diz que "no caso sob exame, conforme se demonstrou, a dinâmica da empresa exige saque de espécie no BANCO, para compor CAIXA, e efetuar pagamento de fornecedores". Afirma que, "assim, os cheques estão nominativos a funcionários da empresa". Alega que o contribuinte não pode ser obrigado ao pagamento do IRRF pelo fato de não ter sido encontrado o fornecedor e seus sócios, por força do disposto no parágrafo único do artigo 217 do Regulamento do Imposto de Renda. Cita que a Súmula 509 do STJ preceitua que "é lícito ao comerciante de boafé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea,quando demonstrada a veracidade da compra e venda". Frisa que a exigência de IRRF sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado só pode ocorrer se a autoridade fiscal demonstrar de maneira concreta a existência desse pagamento. Diz que no presente caso, a escrituração não revela pagamentos a terceiros, mas somente pagamento de mercadores adquiridas das empresas contratadas. Assevera que a exigência de IRRF é totalmente contraditória, pois ao mesmo tempo que a autoridade fiscal não reconhece a despesa/custo, tributa o pagamento do IRRF como se tivesse havido despesa/custo, para pagamento a beneficiário não identificado. Frisa que o artigo 142 do CTN determina que a autoridade lançadora deve indicar na autuação a matéria tributável e o cálculo do montante do tributo devido. Afirma que o auto de infração lavrado não demonstra como a autoridade lançadora chegou ao valor do tributo devido em cada competência e nem se ocorreu compensação com eventuais valores de tributos já recolhidos. Assevera que se não ocorreu compensação dos valores de tributos já recolhidos, restou configurado bis in idem. Diz que a autoridade lançadora extrapola sua competência para tributar quando não compensa valores já recolhidos e quando, pelo mesmo fato, tributa a empresa em IRRF e IRPJ. Aduz que o IRRF e IRPJ possuem a mesma hipótese de incidência, pois ambos se prestam a tributar a renda. Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.679 13 Cita ementa de julgado do CARF (Acórdão 10322287) onde restou asseverado que "mostrase contraditória a tributação, como pagamentos sem causa, de pagamentos inexistentes". Alega que, no caso em exame, a autoridade fiscal não pode cobrar IRRF. Ressalta que "quando o fisco despreza as notas fiscais que diminuíam a base de cálculo do IRPJ, na medida em que exprimiam despesas, faz com que essa base de cálculo seja aumentada pelos valores correspondentes". Afirma que "pagar IRPJ e IRRF pelo mesmo fato, sem que haja comprovação de distribuição dos valores a sócios ou terceiros, não é compatível com o sistema tributário vigente". Assevera que, ainda que houvesse prova da distribuição dos valores à sócios, a tributação exclusiva pelo IRPJ se revela suficiente e compatível com a lei que rege a matéria. Assevera que a multa de ofício de 75% além de ser excessiva, fere os princípios constitucionais do não confisco, da capacidade contributiva, do direito de propriedade, da proporcionalidade e da individualização das penas. Alega que a multa de ofício de 75% configura manifesta sanção política de caráter tributário, pois restringe o direito do contribuinte. Diz que a sanção política de caráter tributário é vedada pela doutrina e jurisprudência. Diz que a proibição das sanções políticas, apesar de não expressa na Constituição Federal, representa limitação geral ao poder de tributar imposta ao próprio legislador, fundada em princípios como o da proporcionalidade e proibição de excesso. Afirma que a proibição das sanções políticas relacionase aos "princípios fundamentais da propriedade e de liberdade, à garantia do livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, podendo a lei estabelecer tão somente exigência de qualificação profissional (art. 5º, inciso XIII, da CRFB), e à garantia do livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização dos órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei (artigo 170, § un., da CRFB)". Assevera que "autorização dada pela jurisprudência" permite que a Administração reconheça a inconstitucionalidade de dispositivo legal. Frisa que a vedação ao confisco é regra que se direciona tanto ao tributo quanto às multas tributárias, sejam elas de mora, sejam punitivas. Aduz que o Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62, admite o reconhecimento de inconstitucionalidade pela autoridade administrativa. Diz que o STF, ao julgar o "MCADIN 2.010", apreciou caso idêntico ao presente, de aplicação de multa em que há flagrante violação a proibição de excesso. Frisa que o artigo 23, inciso I, da Constituição Federal, autoriza à Administração Pública a guarda desta (Constituição Federal). Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.680 14 Ressalta que o Parecer PGFN/CRJ nº 492/2010 dispensa a PGFN de apresentação de recursos, impugnação ou contestações em casos nos quais já haja decisão desfavorável à Fazenda, em hipótese de jurisprudência reiterada e pacífica do STF/STJ, precedente formado sob a sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC (p. 27, item 91). Frisa que o STF reconheceu a existência de repercussão geral de Recurso Extraordinário (736.090/SC) que cuida "da multa com caráter confiscatório quando atenta contra o princípio constitucional do não confisco, da capacidade contributiva, da proporcionalidade, do direito de propriedade, e outras garantias". Diz que a aplicação de multa de ofício sobre o valor atualizado do débito tributário, como foi feita pela autoridade lançadora, deve ser afastada por questão de justiça tributária. Afirma que "o Supremo Tribunal Federal não tem se esquivado de considerar confiscatórias multas tributárias que superem 30% (trinta por cento) do tributo devido, nos casos de não recolhimento tempestivo". Diz que "a redução da multa punitiva para o percentual de 20% (vinte porcento) se mostra devida e compatível com a Constituição Federal". Requer, por fim, a anulação do auto de infração. Sucessivamente, requer a exoneração de todo o "crédito tributário constituído em seu desfavor". Requer, ainda, "que as publicações sejam procedidas em nome do Dr. Vitor Iorio Arruzo, OAB/RJ 113.696, que possui escritório na Avenida Rio Branco, 156, sala 908, Centro, Rio de Janeiro, endereço no qual também recebe as notificações e intimações postais. Em julgamento realizado em 30 de novembro de 2017, a 6ª Turma da DRJ/FNS, considerou improcedente a impugnação do contribuinte e prolatou o acórdão 0741 037, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU COM BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ARTIGO 61, CAPUT E §1º, DA LEI Nº 8.981/1995. Está sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU COM BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. COEXISTÊNCIA COM LANÇAMENTO ARBITRADO DE IRPJ. O lançamento do IRRF com base no art. 61 da Lei nº 8.981/1995 pode coexistir com lançamento arbitrado de IRPJ, pois independe da forma de Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.681 15 apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica (lucro real, presumido ou arbitrado). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO DE TRIBUTO. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício deve ser aplicada a multa prevista no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 INCLUSÃO DE TRIBUTO COMO OBJETO DA FISCALIZAÇÃO NOS TERMOS FISCAIS. A inclusão de tributo no objeto de procedimento de fiscalização, excetuados os casos em que se identificarem infrações relativas a outros tributos, com base nos mesmos elementos de prova, deverá ser efetuada mediante registro eletrônico no próprio MPF/TDPF. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. INTIMAÇÃO. ARTIGO 23 DO DECRETO Nº 70.235/1972. As intimações, em sede de processo administrativo fiscal federal, devem ser efetuadas conforme o prescrito no artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 1.617 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: Das Preliminares Nulidade da decisão proferida em impugnação; Nulidade do A.I. violação da ampla defesa e contraditório/Auto lavrado com base em indícios e presunções/ violação ao princípio da motivação das decisões; Do Mérito: Da inconsistência das alegações da autoridade administrativa; Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.682 16 Da verdade dos fatos, da dinâmica da operação, do erro material apresentação de declaração retificadora antes da ciência da autuação, da inviabilidade de tributação pelo IRRF/comprovação dos custos, bis in idem impossibilidade de cobrança de IRPJ e IRRF em concomitância; Do caráter confiscatório da multa; Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 20/11/2018. Como verifiquei que estes autos são reflexos do auto principal de IRPJ, PA 12448.729439/201532, e não havia ainda relator sorteado para aquele caso, os mesmos vieram para a minha relatoria para que pudessem ser julgados juntos. É o relatório. Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.683 17 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi autuado para o recolhimento de IRRF, relativo ao ano calendário de 2011, totalizando o crédito tributário de R$10.620.577,78, incluindo multa de ofício de 75%, juros de mora. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/FNS e intimada ao recolhimento do débito em 19/12/2017 (AR às fls. 1.613), e apresentou em 04/01/2018, recursos voluntários e demais documentos, juntados às fls. 1617 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, deles conheço. A DRJ/FNS julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento em sua integralidade. Contra essa decisão foi interposto recurso voluntário. Preliminares Da nulidade da decisão proferida em impugnação Alega o recorrente em sede de preliminar, nulidade da decisão recorrida, pois em seu entendimento não teve apreciado, na íntegra, suas teses e argumentos. Assim como o seu pedido de perícia não foi apreciado, causando violação ao direito de defesa. Da análise da decisão da DRJ, verifico que todos os pontos trazidos pelo contribuinte em sede de impugnação foram devidamente analisados, a decisão encontrase devidamente fundamentada. Não localizei pedido de realização de perícia em sua impugnação, trazendo a sua motivação, bem como os quesitos necessários nos termos da lei. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não tendo ela por finalidade suprir as deficiências probatórias das partes. Não demonstrada a necessidade de conhecimento técnico e especial para a produção de prova, a realização de exame pericial é dispensável. Assim, não vejo a nulidade alegada. Da nulidade MPF não autoriza a lavratura do AI Alega a recorrente que o lançamento fiscal descumpre escopo previsto no mandado. Já que o MPF fez referência a IRPJ de 2011, mas fora lançado também IRRF, PIS, COFINS e CSLL. Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.684 18 E que no IRRF a autoridade justificou ter havido pagamento sem causa ou operações não comprovadas e no IRPJ considerou que a escrituração da empresa, no 4º trimestre de 2011 se mostrou imprestável para determinação do lucro real, já que não foram comprovadas, por documentação hábil e idônea, mais de 60% dos custos dos serviços vendidos, o que revelaria elemento de prova diverso. A DRJ assim se pronunciou: A Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011, que vigorou durante parte do período em que foi realizado o procedimento fiscal sobre a Autuada, ao tratar da indicação no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) dos tributos objeto do procedimento fiscal a ser executado, preceituava o seguinte: Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011 (Revogada pela Portaria RFB nº 1.687, de 17 de setembro de 2014) Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: (...) § 1º O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, podendo estas alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos e os do período de execução do procedimento fiscal, observados os modelos constantes do respectivos Anexos I e II a esta Portaria. (...) Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. (...) Já a Portaria RFB nº 1.687, de 17 de setembro de 2014, que entrou em vigor a partir de 18 de setembro de 2014 (data de publicação no DOU), ao tratar da indicação no instrumento administrativo que sucedeu o MPF, o Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), dos tributos objeto do procedimento fiscal a ser executado, preceitua o seguinte: Portaria RFB nº 1.687, de 17 de setembro de 2014 (...) Art. 5º O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal – TDPF conterá: (...) § 1º No caso do Procedimento de Fiscalização, o TDPF indicará, ainda, o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado e o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, podendo alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos e os do período de execução do procedimento fiscal. (...) Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.685 19 Art. 8º Quando os procedimentos de fiscalização relativos a tributos objeto do TDPF identificarem infrações relativas a outros tributos, com base nos mesmos elementos de prova, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no TDPF. (...) Art. 15. O controle administrativo dos procedimentos fiscais em andamento, efetuados com base em Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de que trata a Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011, será efetuado por TDPF, que será emitido apenas se houver alteração, nos termos do art. 9º desta Portaria. §1º O TDPF emitido nos termos do caput deste artigo terá o mesmo número e código de acesso do MPF anteriormente emitido. §2º Ficam convalidados os procedimentos fiscais iniciados com base em MPF emitidos até a data de publicação desta Portaria. (...) Como se vê, quando os procedimentos de fiscalização relativos a tributo objeto do MPF/TDPF identificarem infrações relativas a outros tributos, com base nos mesmos elementos de prova, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF/TDPF. No presente caso, observase que o IRRF foi incluído no escopo do procedimento fiscal mediante registro eletrônico efetuado no próprio MPF/TDPF, conforme demonstrado pelas telas reproduzidas abaixo: Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.686 20 Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.687 21 Verificase, portanto, que é totalmente improcedente a alegação de que o lançamento relativos ao IRRF não deveria prosperar pelo fato de não terem sido indicados expressamente no Mandado de Procedimento Fiscal como objeto da ação fiscal. Cabe ressaltar, por fim, que mesmo que restasse configurado vício relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF, o que não ocorreu, tal fato não constituiria motivo suficiente para decretar a nulidade dos atos praticados pela autoridade fiscal no procedimento que deu origem às presentes autuações, porquanto o MPF era um mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais. As competências dos auditoresfiscais da Receita Federal do Brasil, posto que decorrentes de lei, não podiam sofrer limitações pelos atos infralegais que regulavam o MPF, até porque as atividades exercidas pelas autoridades fiscais são vinculadas e obrigatórias, sob pena de responsabilidade funcional. É que as normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal (MPF) dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento, quando muito caracterizaria infração disciplinar da autoridade fiscal. Eventuais omissões ou incorreções afligindo o MPF não contaminam automaticamente a autuação pois a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, a teor do art. 142 do CTN. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN. Da nulidade violação à ampla defesa e contraditório/auto lavrado com base em indícios e presunções/ violação ao princípio da motivação das decisões Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.688 22 Alega o recorrente que não lhe foi oportunizado se defender, apresentar provas, e que a autuação se baseou em elementos infundados. A DRJ assim se decidiu: A Autuada alega, em preliminar, que a autoridade fiscal não demonstrou como chegou ao valor do tributo lançado e nem se ocorreu compensação com eventuais valores de tributo já recolhidos. Compulsando os autos, porém, verificase que tais alegações são totalmente improcedentes. Da análise conjunta do auto de infração hostilizado e do Termo de Verificação Fiscal de fls. 12 a 20, observase que os mesmos demonstram de forma hialina que: a) a exigência de IRRF foi efetuada sobre pagamentos que encontramse relacionados na planilha de fls. 153 a 156 e que foram considerados como feitos sem causa ou a beneficiário não conhecido por não estarem lastreados em documentação hábil e idônea; b) na apuração do IRRF não foi compensado nenhum valor a título de tributo já recolhido. Diante do exposto, fica claro que não há que se falar na existência de qualquer vício que macule o auto de infração hostilizado no que tange a exposição de como a autoridade lançadora chegou ao valor do tributo lançado e de que não foi efetuada nenhuma compensação a título de tributo já recolhido. (...) As alegações no sentido de que a Autuada não teve oportunidade para, durante o procedimento de fiscalização, demonstrar que os lançamentos contábeis de supostas compras de materiais dos fornecedores Alvamir Menezes Construções e Terraplenagem Ltda, Hastiserv Prestação de Serviços e Edificação Ltda ME, Estruturak 40 Serralheria e Comércio de Ferro Ltda e Vale do Sol Exportação de Produtos Minerais Ltda, não representam custos fictícios, não condizem com a realidade, já que aquela (Autuada), conforme demonstrado pelos Termos de Intimação Fiscal constantes nos autos, foi intimada tanto para apresentar documentos que comprovem o efetivo recebimento das mercadorias discriminadas nas notas fiscais emitidas pelos referidos "fornecedores", como para apresentar cópias dos cheques que segundo a própria contabilidade da Autuada teriam sido utilizados para pagar tais fornecedores. Cabe ressaltar, porém, que mesmo que a autoridade fiscal não tivesse dado essa oportunidade, não haveria de se falar na existência de vício que macule os autos de infração hostilizados, pois o procedimento de fiscalização tem natureza inquisitória e que a observância da ampla defesa e do contraditório é obrigatória somente após a intimação a respeito da lavratura do lançamento tributário. O auto de infração foi lavrado baseado em pagamento realizados sem a devida comprovação, nos termos do art. 674 do RIR/99, art. 61, da Lei 8+981/95, conforme se verifica do auto de infração e do termo de verificação fiscal. Quanto ao arbitramento, também já falou a DRJ: No que tange às alegações no sentido de que não teria sido indicado pela autoridade fiscal de forma clara e expressa o fundamento legal do arbitramento do lucro, cumpre apenas frisar que a mesmas são totalmente inócuas no presente processo, visto que o mesmo trata apenas do lançamento de IRRF sobre Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.689 23 pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros. O fiscal analisou as provas e esclarecimentos apresentados, porém seu entendimento foi diverso da do recorrente. Assim como o entendimento da DRJ. Dessa forma, devidamente respeitados o contraditório e a ampla defesa. Como parte de preliminar, não vejo qualquer um dos requisitos que dariam ensejo a declaração de nulidade do auto de infração. Ademais, este contém, dentre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicaria na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. O contribuinte conheceu plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Também, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, não vejo situação que demande a anulação da decisão a quo: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. De igual forma, da leitura da decisão recorrida fica clara a linha adotada para embasamento, não verifico contradição, questões de mérito serão analisadas adiante. Assim, afasto as preliminares argüidas. Mérito Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.690 24 Conforme o Termo de Verificação Fiscal, fls. 12 e ss, o lançamento de IRRF ocorreu em decorrência do próprio lançamento de IRPJ e reflexos, conforme já mencionado acima, e conforme relatado pela autoridade lançadora, porque, durante o procedimento fiscal realizado sobre a Autuada, apurouse a necessidade de efetuar o arbitramento do lucro relativo ao 4º trimestre do ano de 2011, com base no artigo 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), visto que foi constatado que a escrituração mantida pela mesma era imprestável para determinação do Lucro Real. A conclusão do auditorfiscal autuante, de que a escrituração da Autuada era imprestável para a determinação do Lucro Real referente ao 4º trimestre do ano de 2011, está amparada, em síntese, na apuração de que esta registra os seguintes custos fictícios relacionados com a suposta compra de materiais dos fornecedores Alvamir Menezes Construções e Terraplenagem Ltda, Hastiserv Prestação de Serviços e Edificação Ltda ME, Estruturak 40 Serralheria e Comércio de Ferro Ltda e Vale do Sol Exportação de Produtos Minerais Ltda: Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.691 25 Apurouse a seguinte forma de lançamento contábil para esses fornecedores: a 1º momento São feitos diversos adiantamentos de pagamentos, debitando a conta (ativo circulante) 11205003 (adiantamento de fornecedores) e creditando a conta bancos – conta sintética 11102 (ativo circulante); b 2º momento Na entrega dos materiais, não comprovada por documentos hábeis e idôneos, credita a conta (ativo circulante) 11205003 (adiantamento de fornecedores), consolidando o pagamento de diversas notas fiscais e debita conta do respectivo fornecedor (passivo circulante) conta sintética 21101, demonstrado na tabela do item 4 (lançamentos a crédito), uma vez estarem nesses a clara vinculação as notas fiscais através do histórico; c 3º momento (final do mês) Credita a conta sintética 21101 do respectivo fornecedor (passivo circulante) e debita a conta redutora do passivo circulante – custo das obras em andamento – conta sintética 21202; d 4º momento (final do trimestre) Credita a conta redutora do passivo circulante – custo das obras em andamento – conta sintética 21202 e debita a conta de resultado (despesa) custo mercadorias/serviço vendido conta sintética 32301. Assim, intimado a apresentar as cópias dos cheques utilizados na operação de adiantamento a fornecedores, somente foram apresentados aquelas relativas aos depósitos bancários, nominados a terceiros, sem comprovação de vínculo com fornecedores. Seu representante legal esclareceu que todos os adiantamentos foram efetuados em espécie, contradizendo o que havia sido feito na contabilidade. (fl. 244) Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.692 26 Das notas fiscais emitidas pelos fornecedores, 4 não foram aceitos pelos seguintes motivos: 1 Fornecedor Alvamir Menezes Construções e Terraplenagem Ltda o fiscalizado não a documentação hábil e idônea quanto à quitação das notas fiscais desse fornecedor. Intimado o fornecedor, a intimação retornou dos Correios já o endereço não foi localizado, que é do cadastro e das notas fiscais. Tentouse também contato com os sócios dessa empresa, de igual forma, não foi localizado. (madeira pinus, vergalhão) 2 Fornecedor Hastiserv Prestação de Serviços e Edificação Ltda ME da mesma forma que o fornecedor acima, diante da não apresentação da documentação hábil e idônea, o próprio fornecedor foi intimado, mas também não foi localizado no endereço indicado. Assim como os sócios não foram localizados. (varas de ferro) 3 Fornecedor Estruturak 40 Serralheria e Comércio de Ferro Ltda da mesma forma que o fornecedor acima, diante da não apresentação da documentação hábil e idônea, o próprio fornecedor foi intimado, mas também não foi localizado no endereço indicado. Assim como os sócios não foram localizados. (janelas, portas de aluminio, cobertura acrílica) 4 Fornecedor Vale do Sol Exportação de Produtos Minerais Ltda da mesma forma que o fornecedor acima, diante da não apresentação da documentação hábil e idônea, o próprio fornecedor foi intimado, mas também não foi localizado no endereço indicado. Assim como os sócios não foram localizados. (tela soldada, tubos de concreto) Ademais, a fiscalização indicou que esses fornecedores não possuem declarações referentes ao IRPJ, previdenciárias (GFIP) e trabalhistas (RAIS) no ano fiscalizado, o que demonstraria além de disso que os beneficiários dos pagamentos não foram aqueles que figuram na documentação comercial e fiscal do contribuinte. Diante da não comprovação de R$9.237.477,10 dos custos referentes ao 4º trimestre de 2011, que corresponde a mais de 60% do período, a autoridade fiscal arbitrou o lucro do contribuinte, com base nas receitas mensais conhecidas, tendo sido considerados os valores oferecidos em DCTF. O recorrente alega que a contabilidade da empresa é feita por empresa que se localiza fora das suas dependências, que apenas tomou ciência das intimações tardiamente e assim que ficou sabendo tratou de adotar providências incisivas, contratou auditoria externa para verificação de declaração e documentos contábeis apresentados à RFB de 2011. Reconhece que identificou a existência de erro material no trimestre fiscalizado, especificamente no documento de razão de adiantamento a fornecedores e razão de caixa, identificando também saldos credores em outros meses, de forma que procedeu na retificação da DIPJ e livros razões, onde afirma que é possível verificar que todos os cheques a que o fiscal se refere como relacionados a depósitos bancários, compõem o CAIXA, a partir do qual é feito o adiantamento. Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.693 27 Continua em sua defesa, de que as despesas indicadas na nota fiscal são necessárias na sua atividade, foram lastreadas em notas fiscal, e que no período em destaque iniciou a execução de dois contratos públicos, para construção de Cadeia Pública em São Gonçalo e em Queimados, de mais de R$ 50 milhões, finalizados somente em 2013, e por conta disso a obra não poderia ser paralisada de forma alguma e necessitava de dinheiro em caixa para emergência. Firmou contrato de garantia de preço e fornecimento de mercadoria com determinadas empresas, tão logo tomou conhecimento do resultado da licitação, já que dessa forma havia a segurança da existência de material. E isso fazia com que tivesse a necessidade de compor o caixa da empresa, por meio de cheques sacava o dinheiro. E como seu nome estava incluído em cadastro de inadimplentes não possuía credibilidade no mercado, assim, ingressava com o dinheiro no caixa e efetuava o pagamento em espécie, viabilizando a obtenção de melhores preços de compra. Juntou os documentos em impugnação. Ratifica que com a correção do erro de escrituração não há como prevalecer o lançamento. A DRJ assim se manifestou ao manter o lançamento: A alegação de que a autoridade lançadora não teria comprovado a existência dos pagamentos sem causa ou com beneficiário não conhecido não pode prosperar, já que tais pagamentos são comprovados tanto pelos cheques reproduzidos às fls. 159 a 178, como pelos próprios registros contábeis da Autuada. Cabe observar, aqui, que em nenhum momento a Autuada nega a ocorrência dos pagamentos apontados como sem causa ou com beneficiário não conhecido pela autoridade lançadora, mas apenas tenta comprovar, sem sucesso, que os mesmos se referem a adiantamentos feitos a fornecedores pela compra de material. As notas fiscais dos fornecedores Alvamir Menezes Construções e Terraplenagem Ltda, Hastiserv Prestação de Serviços e Edificação Ltda ME, Estruturak 40 Serralheria e Comércio de Ferro Ltda e Vale do Sol Exportação de Produtos Minerais Ltda, ao contrário do que defende a Autuada, não comprovam, por si só, no presente caso, custos, já que foram colacionados elementos probatórios que demonstram que os quatro referidos fornecedores não existem de fato, e que a Autuada não conseguiu demonstrar que os montantes das supostas operações realmente chegaram às mãos destes "fornecedores". A Autuada, ao tentar se defender do fato de não ter demonstrado que os montantes das supostas operações realizadas com os fornecedores chegaram até eles, aduz que era obrigada, devido a sua inclusão em cadastros de inadimplentes e a falta de credibilidade para efetuar pagamentos parcelados ou a prazo, a sacar dinheiro no Banco para compor o Caixa e que utilizava cheques nominativos a funcionários que trabalhavam no seu setor financeiro da mesma. Tais alegações, porém, não podem ser aceitas devido as seguintes razões: a um, porque é totalmente inverossímil que a Autuada, ao invés de simplesmente fazer uma transferência bancária ou emitir um cheque para os seus supostos fornecedores, efetuou todo esse percurso desnecessário e irracional descrito para entregar dinheiro em espécie a seus supostos fornecedores; a dois, porque não apresentou nenhuma prova de que as pessoas nominadas nos cheques realmente eram suas funcionárias; a três, porque os montantes registrados em tais cheques não foram sacados, mas sim, conforme indicado pela autoridade lançadora, depositados nas contas dos beneficiários; a quatro, porque a versão de que os pagamentos efetuados aos supostos fornecedores foram efetuados com dinheiro em espécie vai de encontro aos Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.694 28 próprios registros contábeis, que indicam que esses supostos pagamentos foram efetuados através de cheques. O fato da autoridade lançadora não ter apurado irregularidades em relação a outros fornecedores, ao contrário do que entende a Autuada, não tem o condão de demonstrar a invalidade das conclusões expostas no Termo de Verificação Fiscal, já que, por si só, não faz prova da efetividade das operações supostamente realizadas com os fornecedores Alvamir Menezes Construções e Terraplenagem Ltda, Hastiserv Prestação de Serviços e Edificação Ltda ME, Estruturak 40 Serralheria e Comércio de Ferro Ltda e Vale do Sol Exportação de Produtos Minerais Ltda. Cabe ressaltar, aqui, que ao contrário do que alega Autuada, a apuração de pagamentos sem causa ou sem beneficiário conhecido não ocorreu sem provas robustas e com base em meras presunções e indícios, mas sim, numa soma de elementos probatórios arrolados no Termo de Verificação Fiscal. Deveras, o fato dos fornecedores não terem sido localizados pelos Correios em 2015, não comprova, por si só, que a operações de compra com os quatro referidos fornecedores foram fictícias. Da mesma forma, o fato dos fornecedores não terem apresentado declarações referentes ao IRPJ, GFIP's e RAIS para o ano de 2011, não comprova, por si só, que as operações de compra com os quatro referidos fornecedores foram fictícias. Sucede que tais constatações, por ajudarem a demonstrar que tais fornecedores nunca existiram de fato, são apenas dois dos elementos de prova relacionados no Termo de Verificação Fiscal que, quando analisados em conjunto, não deixam dúvidas de que as operações de compra supostamente realizadas com os quatro referidos fornecedores foram fictícias. Cabe ressaltar que, diferentemente do que afirma a Autuada, não foram enviadas correspondências para todos os fornecedores da Autuada e respectivos sócios, mas somente para o quatro referidos fornecedores e seus sócios. Devese destacar, ainda, que não é verossímil que todos os quatro fornecedores que foram considerados suspeitos pela autoridade lançadora, assim como todos seus sócios, tenham, coincidentemente, se mudado sem comunicar tal fato à Receita Federal. Cabe frisar, ainda, que não foi efetuada nenhuma transferência de responsabilidade pelo pagamento de tributo, já que quem deve responder diretamente pela consequência da contabilização de custos fictícios, ou seja, pelo arbitramento do lucro, é a Autuada. Diante do exposto, resta evidente que a Autuada não conseguiu infirmar as conclusões da autoridade fiscal, não cabendo, portanto, nenhum reparo em relação ao lançamento de IRRF. Ora, de tudo que foi trazido, verificase que as notas fiscais foram apresentadas pelo contribuinte, porém, sua escrituração contábil, de início não se mostrou razoável. O recorrente reconhece que errou e refaz seu livro razão. Mas o ponto fulcral da discussão está na questão de que o fornecedor não existe de fato, e a escrituração desses custos é que levou o fiscal a desconsiderálos e arbitrar o lucro. O que levou a fiscalização a acreditar na não existência de fato desses 4 fornecedores foi a não resposta da intimação, não localização nos endereços cadastrados assim como de seus sócios. Ademais, as mesmas 4 empresas não entregaram DIPJ, GFIP ou RAIS (não localizei nos autos essa comprovação, apenas a informação) Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.695 29 O recorrente trouxe documentação vasta que mostra que venceu o certame, os contratos realizados com as empresas fornecedoras, as notas fiscais indicam que essas empresas forneceram insumos de construção civil, provavelmente empregados nas obras de construção da cadeia. É certo que a contabilidade de início não refletiu a forma correta de escrituração. Assim como o pagamento, já que conforme o recorrente se deu mediante pagamento em espécie (fato que afirma desde o início). Dessa forma, claro está que para o deslinde do caso, a valoração das provas é necessária, e na minha visão, o conjunto das provas é suficiente para que o lançamento se mantenha. Da impossibilidade de se exigir o IRRF simultaneamente com a glosa de despesas: configuração do bis in idem Requerem os recorrentes o cancelamento integral da cobrança de IRRF, já que a exigência concomitante do IRPJ e da CSLL, em razão da glosa de despesas, e do IRRF, em razão de supostos pagamentos sem causa, é incompatível. Uma vez que tal pretensão significaria admitir a tributação do mesmo fato duas vezes, configurandose o bis in idem. Diz o art. 61 da Lei 8.981/95: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Não ocorre um bis in idem em razão de que as despesas consideradas inidôneas reajusta o lucro da empresa e sobre tais glosas geraria um "rendimento bruto", sobre o qual recai o IRRF. Em que pese os diversos entendimentos deste Conselho para ambos os entendimentos, no caso em destaque entendo que deve prevalecer a incidência deste IRRF, vez que o parágrafo 1º e 3º do art. 61 da citada norma estabelece o fato gerador de IRRF naqueles casos em que o pagamento é sem causa ou não comprovado. Ou seja, verificamos duas incidências diferentes, uma de IRPJ e CSLL, em razão da glosa das despesas, que se mostraram inexistentes, e outra de IRRF, cuja exigência se Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 12448.729440/201567 Acórdão n.º 1301003.825 S1C3T1 Fl. 1.696 30 dá quando não é comprovada a operação ou a sua causa, e a recorrente é responsável, já que é a fonte pagadora. Assim, não há que se falar em duplicidade de exigências. Com relação a questões constitucionais de multas com caráter confiscatório, este CARF não é competente para analisálas, nos termos da Súmula CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, afastar as preliminares arguidas, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1696DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15467.000880/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO.
A compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte com o Imposto Devido apurado na Declaração de Ajuste Anual somente se efetiva se o correspondente rendimento tiver sido informado como rendimento tributável.
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. AUTO DE INFRAÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. INCLUSÃO DE RENDIMENTOS OMITIDOS.
Iniciado o procedimento de oficio de fiscalização não é mais admissível entrega de declaração retificadora com o objetivo de incluir rendimentos.
Omissão de rendimentos não caracteriza erro de preenchimento.
Numero da decisão: 2401-006.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Recorrente ANDREA LUCIA DOS SANTOS BARRETO CORREA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. A compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte com o Imposto Devido apurado na Declaração de Ajuste Anual somente se efetiva se o correspondente rendimento tiver sido informado como rendimento tributável. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. AUTO DE INFRAÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. INCLUSÃO DE RENDIMENTOS OMITIDOS. Iniciado o procedimento de oficio de fiscalização não é mais admissível entrega de declaração retificadora com o objetivo de incluir rendimentos. Omissão de rendimentos não caracteriza erro de preenchimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 7. 00 08 80 /2 01 0- 94 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 15467.000880/201094 Acórdão n.º 2401006.239 S2C4T1 Fl. 85 2 Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 5/9, anocalendário 2008, que apurou imposto a restituir após revisão de R$ 41,04, sendo alterada a linha "Imposto Complementar" para R$ 0,00. Foi glosado o valor de R$ 3.998,25, pois não consta nos sistemas da RFB o valor declarado. Foi alterado o valor de imposto a restituir declarado de R$ 4.039,29 para R$ 41,04 Em impugnação apresentada às fls. 3/4, a contribuinte informou que recebeu na Caixa Econômica Federal a importância depositada em juízo no montante R$ 10.962,51 referente ao processo 01424200302601000 da Justiça do Trabalho, onde o reclamado era a Telemar Norte Leste SA. No momento do recebimento na Caixa Econômica já foi pago R$ 4.698,00 de honorários advocatícios, R$ 3.998,25 de arrecadação da Receita Federal com o alvará de n° 649/08 e R$ 4.151,69 pago ao INSS com alvará n° 651/08. Requer a liberação do imposto retido. Foi proferido o Despacho Decisório de fls. 26/29, no qual foi mantido o lançamento. A DRJ/POA, julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão 10 52.666 de fls. 67/70, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 AÇÃO TRABALHISTA. VALOR DA CAUSA. O valor da causa é composto pelos rendimentos líquidos recebidos, conforme alvará, mais o imposto de renda na fonte mais a contribuição previdenciária oficial do empregado. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO. Falece a Delegacia de Julgamento competência para agravar o lançamento. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do Acórdão em 22/12/14 (Documento de fl. 76 e AR de fl. 81), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/1/15, fl. 72, que contém, em síntese: Requer a reanálise da impugnação por não ter recebido da RFB orientação correta sobre o erro cometido ao preencher a DIRPF exercício 2009. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 15467.000880/201094 Acórdão n.º 2401006.239 S2C4T1 Fl. 86 3 Repete o argumento da defesa de que recebeu da CEF o valor bruto de R$ 15.661,91, sendo descontado o valor de R$ 4.698,00 de honorários advocatícios, R$ 3.998,25 de IRRF e R$ 4.151,69 de INSS. Afirma que não recebeu o comprovante de rendimentos da CEF e por desinformação informou o IRRF como imposto complementar. Alega que refez a declaração, que junta o recibo do advogado no valor de R$ 4.698,00 (fl. 74), que verifica a existência de imposto a restituir, requerendo o direito creditório do DARF pago em 27/3/08. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO Sobre a dedução do imposto complementar recolhido, a Lei 9.250/95 assim dispõe: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: [...] V o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; A Instrução Normativa SRF n° 15, de 2001, vigente à época, determina: Art. 25. É facultado ao contribuinte antecipar o imposto devido na Declaração de Ajuste Anual mediante o recolhimento complementar do imposto. § lº O recolhimento deve ser efetuado, no curso do ano calendário, até o último dia útil do mês de dezembro. No caso, não há imposto complementar recolhido em 2008 pela contribuinte, sendo incorreto o valor declarado a esse título na DIRPF anocalendário 2008. Informa a contribuinte que houve erro na declaração. Tal valor se refere a IRRF relativo a valores recebidos da CEF decorrente de ação trabalhista, conforme Tabela 1 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 15467.000880/201094 Acórdão n.º 2401006.239 S2C4T1 Fl. 87 4 Valores relativos à ação trabalhista. Tais valores restam comprovados pelo comprovantes de fls. 53/61 e Recibo de honorários de fl. 74. Tabela 1 Valores relativos à ação trabalhista Valor Bruto 15.661,91 Honorários advocatícios 4.698,00 INSS descontado 4.151,69 IRRF 3.998,25 Acontece que, nos termos da Lei 9.250/95, art. 12, V, acima citado, somente poderia ser deduzido o imposto retido na fonte caso fosse incluído na base de cálculo o rendimento tributável, o que não ocorreu. No mesmo sentido, o Regulamento do Imposto de Renda à época vigente, Decreto 3.000/99, dispõe que: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): [...] IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; A contribuinte poderia ter apresentado Declaração de Ajuste Anual retificadora, incluindo os rendimentos percebidos da CEF com o correspondente Imposto de Renda Retido na Fonte e excluindo o Imposto Complementar, contudo, não o fez. Somente depois de notificada do Auto de Infração é que esclarece referida omissão de rendimentos e solicita a retificação da declaração. Contudo, depois de iniciado o procedimento fiscal não é mais admissível entrega de declaração retificadora, não podendo ser aceita a DAA retificadora (fls. 48/51). Isso porque não há espontaneidade, que só haveria quando a correção acontecesse antes de qualquer procedimento administrativo. A denúncia espontânea, está prevista no CTN, artigo 138: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. CONCLUSÃO Fl. 88DF CARF MF Processo nº 15467.000880/201094 Acórdão n.º 2401006.239 S2C4T1 Fl. 88 5 Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.725456/2015-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (VicePresidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (CE) que julgou improcedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte, para manter o crédito tributário exigido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 25 45 6/ 20 15 -6 8 Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.640 S1C4T1 Fl. 1.795 2 O contribuinte acima identificado teve contra si lavrado quatro autos de infração (fls. 1111/1214), referentes a fatos apurados nos anos de 2010 a 2012, onde foram formalizadas exigências relativas aos seguintes tributos: A autoridade fiscal produziu o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 1.472/1.457 e seguintes, onde justifica os lançamentos realizados. Conforme consta nos autos, os argumentos que serviram de embasamento para a autuação realizada, foram os seguintes: “A autoridade fiscal concluiu que o ônus financeiro de 90,91% da operação de resgate da dívida foi suportado pelo sujeito passivo, visto que tais quantias, que teriam sido utilizadas pelos sócios para a quitação da dívida vieram, na verdade, da própria empresa; além disso, aduz que o Decreto que regulamenta o chamado “bolsa garantia” restringe a utilização do mesmo à empresa beneficiária e às suas coligadas, inexistindo previsão legal para a transferência para seus sócios”. “A agente tributária aduz que não haveria propósito negocial no contrato firmado com os sócios, visto que, pela operação engendrada, a empresa deixaria de quitar suas dívidas com generoso desconto de 89%, além de permanecer devedora do montante integral, pagando a seus sócios juros anuais de 2,4%”. “A autoridade tributária conclui que o desconto obtido com a liquidação antecipada do contrato com o FOMENTAR, proporcional à parcela liquidada com recursos da própria empresa, se constitui em subvenção para custeio, devendo compor a apuração do IRPJ e CSLL”. O auto de infração ensejou lançamentos reflexos de Cofins e PIS decorrentes da infração acima exposta, conforme descrito no item C.1.7. do TVF. O feito fiscal também promoveu o lançamento de IRPJ e CSLL a título de “despesas não comprovadas”, correspondentes a juros sobre empréstimos aos sócios, decorrentes do indevido registro em contas de passivo, das quantias liquidadas antecipadamente do programa FOMENTAR, arcadas pela empresa”.” Ciente da autuação, o interessado apresenta IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA em 28/06/2015 (fls. 1.274/1.307), trazendo as seguintes razões: 1. Que “em julho de 2010, a empresa efetuou a liquidação antecipada de uma parcela da sua dívida junto ao FOMENTAR. O benefício decorrente da liquidação antecipada foi contabilizado como receita financeira do período”; 2. Que “apesar de ter o interesse de quitar antecipadamente todo o saldo do empréstimo que detinha junto ao FOMENTAR, a impugnante não tinha recursos suficientes para tanto. Os sócios, que também tinham interesse Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.640 S1C4T1 Fl. 1.796 3 de efetuar tal quitação, igualmente não tinham recursos suficientes para a quitação total do empréstimo”; 3. “Ao adquirirem os ativos financeiros do FOMENTAR, os sócios da Kowalski passaram a ser credores desta última, nas mesmas condições em que ela era devedora do FOMENTAR, eis que houve verdadeira troca dos credores, sendo o FOMENTAR substituído pelos sócios da Kowalski”; 4. “Os atos de cessão de crédito formalizados pela Kowalski em favor de seus sócios foram perfeitamente realizados, respeitando a causa do negócio jurídico, qual seja, a cessão de um direito em favor do cessionário, bem como os requisitos legais para validade do ato, quais sejam, a capacidade das partes, objeto lícito, possível, determinado ou determinável, e forma prescrita ou não defesa em lei (art. 104, do Código Civil)”; 5. ”Não pode o Fisco negar os efeitos de atos privados pelo simples fato de tais atos não terem sido registrados no registro público, tendo em vista que a finalidade precípua do registro público, qual seja, dar publicidade aos documentos, foi devidamente cumprida pela escrituração contábil dos atos e pelas declarações apresentadas ao Fisco, em cumprimento de deveres acessórios das partes”; 6. “A alegação da fiscalização, de que a cessão efetuada é inoponível ao Fisco, é totalmente descabida, sendo imperioso avaliar a validade do ato para verificar sua eficácia perante o Fisco; 7. “ A interpretação da Fiscalização, no sentido de que não haveria previsão para a transferência do saldo existente no Bolsa Garantia para os sócios pessoa física, está equivocada. Isso porque a permissão de cessão do crédito para empresa coligada concedida pela legislação está relacionada à utilização, pela cessionária, do crédito para pagar dívida própria, ou seja, a cessionária recebe o depósito junto ao Bolsa Garantia para quitar dívida perante o FOMENTAR”; 8. “A situação em tela, contudo, é totalmente diferente, eis que a cessão tem o objetivo de quitar o empréstimo próprio, ou seja, a empresa que detém o depósito junto ao Bolsa Garantia cede este valor a terceiro para que seja quitado seu próprio empréstimo junto ao FOMENTAR, situação totalmente diferente daquela prevista pela norma, e, conseqüentemente, não regulamentada; tendo em vista a expressa autorização e concordância do Governo do Estado de Goiás, representado pela Superintendência do FOMENTAR, temse que as cessões de crédito detido pela Kowalski junto ao FOMENTAR foram perfeitamente válidas, não havendo, pois, qualquer vedação legal para tanto”; 9. “A conveniência da negociação em comento se comprova pelo fato de que a empresa não tinha recursos suficientes para a quitação total do empréstimo, tendo em vista que as suas sobras de caixa já estavam comprometidas para financiar o capital de giro das suas atividades. Daí Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.640 S1C4T1 Fl. 1.797 4 porque foi necessário utilizar recursos dos sócios para aproveitar dos benefícios da redução do valor do passivo com o pagamento antecipado do empréstimo. E nenhum prejuízo foi ocasionado à Kowalski, pois ela continuou devedora de empréstimo contratado a taxas mais favorecidas, inferiores àquelas praticada pelo mercado, apenas com a substituição dos credores;ou são reconhecidas as cessões de crédito e os pagamentos efetuados pelos sócios”; 10. “Após a aquisição dos ativos financeiros pelos sócios da Kowalski, aquelas pessoas físicas subrogaram se nos direitos e obrigações do FOMENTAR, firmados no contratos de empréstimo, e aditivos subsequentes, de forma que a existência de um contrato efetivo e válido é suficiente para validar a dedução das despesas com os juros incorridos; o ganho obtido com o pagamento antecipado do valor do empréstimo, representado pela redução do saldo devedor do financiamento firmado no âmbito do programa FOMENTAR, tem natureza de subvenção para investimento”. Isto porque, “no caso, há transferência de capital do Poder Público para a pessoa jurídica titular de empreendimento econômico beneficiado pelo programa, que aplica o valor atinente ao desconto na ampliação ou modernização de seu empreendimento”; 11. “O ganho supostamente auferido pela impugnante e que está sendo objeto da autuação teria natureza de receita financeira, conforme dispõe o caput do art. 373, do RIR/99 (art. 17, do Decretolei n. 1598/77). Ora, as receitas financeiras, à época dos fatos, eram sujeitas à alíquota zero das contribuições em foco (PIS e Cofins), nos termos do art. 1º do Decreto n. 5.164, de 30.7.2004; 12. “É indevida a multa de ofício lançada pela fiscalização, visto que a sua exigência contraria disposições legais expressas, quais sejam, o art. 132 do Código Tributário Nacional e o art. 5º do Decretolei n. 1598, de 30.12.1977, consolidado no art. 207 do Decreto n. 3000, de 26.3.1999 (RIR/99)”. 13. “A redação do mencionado dispositivo legal é inequívoca. Nos casos de fusão, transformação ou incorporação, o sucessor é responsável pelos tributos devidos pelo sucedido até a data do respectivo ato, isto é, impostos, taxas e contribuições, não abrangendo, consequentemente, as penalidades”. 14. “A impugnante requer que seja afastada a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício, pois a lei somente prescreve a aplicação do referido encargo sobre as multas isoladas”. O Acórdão ora Recorrido (0837.256 4ª Turma da DRJ/FOR) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. APLICAÇÃO DE RECURSOS. DESPESAS DE CUSTEIO. TRIBUTAÇÃO. Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.640 S1C4T1 Fl. 1.798 5 Subvenção para investimento é a transferência de recursos destinados à aplicação em bens e direitos visando implantar e expandir empreendimentos econômicos, não sendo reconhecido como tal o incentivo que consiste na liberação de recursos destinados ao custeio da atividade econômica, que ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda. DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSÁRIAS. Consideramse desnecessárias as despesas financeiras, quando restar comprovado que os valores utilizados para a quitação do empréstimo que ensejou as despesas eram provenientes de recursos do próprio contribuinte. PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO DE EFEITOS. Descontos obtidos de empréstimos contraídos no passado não tem o condão de retroagir efeitos no sentido de qualificar os valores como subvenções para investimento, vez que ausentes os requisitos necessários previstos em legislação. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CONCESSÃO. CONDIÇÕES. É condição indispensável para a caracterização da subvenção para investimento, a existência de objetivos definidos, prazos, metas, procedimentos de controle e outras ferramentas que permitam a aferição dos resultados almejados com a implantação do empreendimento subvencionado. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No AgRg no REsp 1.335.688PR, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento das duas turmas que lhe compõem, no sentido de que “é legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, referenciando os seguintes precedentes: REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14.09.2009; e REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 02.06.2010. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. A responsabilidade dos sucessores se refere aos créditos tributários, nos quais se incluem as multas de ofício. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2010, 2011, 2012 CSLL. COFINS. PIS/PASEP. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.640 S1C4T1 Fl. 1.799 6 PIS. COFINS. FOMENTAR. DESCONTOS. CONTABILIZAÇÃO. O valor relativo ao desconto obtido na liquidação antecipada de dívida não tem natureza de receita financeira. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Conforme entendimento da turma, “No caso em análise, demonstrou a Fiscalização que, na realidade, os valores utilizados para a quitação da dívida constituída junto ao Estado de Goiás foram, em sua maioria, desembolsados pela fiscalizada, tendo por origem o “Bolsa Garantia” de sua titularidade. Conforme expõe a autoridade autuante, dos R$ 27.770.729,28 inicialmente devidos, apenas R$ 3.054.780,23 foram pagos ao Estado de Goiás, sendo que os sócios teriam efetivamente arcado com apenas R$ 277.707,43 do valor final, visto que R$ 2.777.072,80 são provenientes de créditos do “Bolsa Garantia”, ou seja, foram oriundos da KOWALSKI ALIMENTOS”. Entendeu ainda que “Ainda que se considerasse não possuir o contribuinte capital para efetuar a arrematação de suas dívidas nas condições acima expostas (o que não coaduna com a realidade), nenhum empréstimo, independentemente de quão oneroso fosse, geraria perdas sequer próximas aos valores envolvidos nas operações em destaque. Reprisese, por relevante: o contribuinte optou reconhecer uma dívida com seus sócios, no valor equivalente ao que originalmente devia ao Estado de Goiás (sem o generoso desconto previsto no programa FOMENTAR), e não manter em sua escrituração débito frente ao estado de Goiás em valor muito menor, pagável em 48 prestações, abrindo mão, dessa forma, de enormes receitas por conta do perdão operado. (...) Dessa forma, mostrase correta a quantia lançada, cabendo repisar que a autuação recaiu apenas sobre os valores oriundos do programa “Bolsa Garantia”. Em arremate, sobre a proposta contida na impugnação, no sentido de descontar das exigências imputadas valores de imposto de renda (pessoa física) pagos pelos sócios, cabe esclarecer que tal desconto (ou compensação) não tem previsão na legislação de regência da matéria, não podendo, portanto, ser realizado”. E que “em relação às operações de cessão de crédito efetuadas, observase que, contrariando qualquer lógica, a empresa autuada, ao invés de quitar os valores restantes de sua dívida frente ao Estado, optou por reconhecer um passivo muito maior junto a seus sócios, cabendo a esses quitarem algo com valores que, em sua imensa maioria, provieram do sujeito passivo. Não há como aceitar que, no sistema capitalista em que vivenciamos, uma empresa escolheria pagar quantias exageradas a terceiros (mesmo estes sendo sócios dela), apesar de possuir condições para extinguir seus débitos diretamente com o Estado. Entendeu por bem a empresa KOWALSKI ALIMENTOS abrir mão de seu direito, renunciando inclusive aos meios extremamente benéficos previstos na legislação estadual para a quitação do valor da arrematação”. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 31/03/2017 (fls. 1.645/1.624), alegando praticamente as mesmas razões apresentadas em sede de impugnação, diferenciandose apenas nos seguintes tópicos: · “5.0” – Da natureza de subvenção para custeio: Diz que “no entanto, ainda que a classificação proposta seja correta, ou seja, que o desconto obtido represente, de fato, subvenção para custeio, essa modalidade de Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.640 S1C4T1 Fl. 1.800 7 subvenção não é tributável pela contribuição ao PIS e pela COFINS (tampouco pelo IRPJ e pela CSL, como será analisado no subitem seguinte), o que justifica a reforma da decisão recorrida, com o consequente cancelamento da autuação. Vejase. O art. 195 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional n. 20, de 15.12.1998, autoriza a União Federal a instituir contribuições sociais incidentes sobre “a receita ou o faturamento”, com a finalidade de financiar a seguridade social (CF/88, art. 195, inciso I, alínea “b”). (...) Na presente situação, a subvenção corrente recebida pela recorrente representa mera transferência do Poder Público, visando a incentivar determinada atividade econômica. Em outras palavras, as subvenções governamentais de qualquer natureza são “não receitas”, dado que não decorrem de negócios jurídicos praticados pela empresa em favor do pagador, tampouco são produtos advindos de seu patrimônio. Aliás, nesse sentido, as lições doutrinárias acerca do conceito de receita convergem no seguinte aspecto: a receita remunera a pessoa jurídica, correspondendo ao benefício efetivamente resultante de suas atividades. Por isso mesmo, não são considerados como receitas os ingressos que não provém de uma fonte preexistente no patrimônio da pessoa jurídica, tais como as doações e os aumentos de capital, realizados por seus sócios/acionistas. O mesmo raciocínio aplicase às subvenções recebidas do poder público que não são provenientes de negócios jurídicos realizados pela pessoa jurídica, nem são produto advindo de seu patrimônio, razão pela qual não possuem a natureza jurídica de receita, não podendo ser alcançadas pela contribuição ao PIS e pela COFINS. As subvenções correntes assemelhamse às recuperações de custos e despesas, não constituindo receitas da pessoa jurídica, mas, sim, mera transferência patrimonial”. · “5.2” – Da não tributação pelo IRPJ e pela CSLL: Destaca que “mesmo que o desconto concedido no âmbito do FOMENTAR não constituísse subvenção para investimento, mas, sim, subvenção corrente, o que se admite para fins de argumentação, ainda assim sua tributação pelo IRPJ e pela CSLL não seria admitida. Assim, ainda que se conclua que os incentivos em apreço constituem subvenções correntes, não se pode admitir sua tributação pelo IRPJ e pela CSL, impondose a reforma do acórdão recorrido”. · “9.0” – Da não incidência de juros sobre a multa de ofício: Diz que “em decorrência do art. 3º do CTN, as multas não possuem natureza jurídica de tributo ou contribuição, o que, inclusive, é indisputado na doutrina e na jurisprudência. Logo, não cabe a aplicação do art. 61 da Lei n. 9430/96, que não previu a incidência de juros sobre as multas, mas apenas sobre o valor do principal de tributos e contribuições” (...) “Dessa forma, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória, sendo que somente sobre esta penalidade, que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal, podem incidir os juros de mora, seja de 1% ao mês com base no art. 161 supra, ou seja com base na taxa SELIC como atualmente previsto no art. 43 da Lei n. Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.640 S1C4T1 Fl. 1.801 8 9430/96.Portanto, sobre a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal, exigida conjuntamente com o tributo não pago, não podem incidir juros moratórios, posto que se já estivesse incluída na expressão "crédito" sobre o qual incidem os juros de mora previstos no art. 161, do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. · Requereu o conhecimento e integral provimento do presente recurso, de modo que, afinal, seja determinado o cancelamento integral dos autos de infração; · Subsidiariamente, requereu o afastamento da multa de ofício, com base no entendimento consagrado na Súmula n. 47 do CARF e o afastamento da incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício, pois a lei somente prescreve a aplicação do referido encargo sobre as multas isoladas. Em 12 de junho de 2018 esta TO através da Resolução nº 1401000.580 decidiu pelo conhecimento e sobrestamento até 29/12/2018, intimandose o contribuinte para que comprove o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. A Recorrente se manifesta em petições às 1729 a 1736 e 1743 a 1746 defendendo o cumprimento, pelo Estado de Goiás, de todos os requisitos previstos na Lei Complementar e no Convênio 190/2017. Após o transcurso do prazo para sobrestamento, os autos retornaram para julgamento. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Relator Daniel Ribeiro Silva O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. O cerne da discussão, que nos presentes autos é eminentemente de direito, e em parte reside na análise da natureza jurídica do benefício fiscal Estadual recebido pela Recorrente. De um lado, a autoridade autuante entende que se caracteriza como subvenção para custeio, cujo valor deve integrar o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Por sua vez, a Recorrente sustenta não se tratar de subvenção, em nenhuma de suas modalidades. A seu ver, tratase de renúncia de receita que, exclusivamente para fins de registro contábil, recebe o Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.640 S1C4T1 Fl. 1.802 9 mesmo tratamento de subvenção para investimento, nos termos do artigo 443 do RIR/99 e art. 18 da Lei 11.941/09. Nesse ínterim, foi publicada a Lei Complementar 160, de 7 de agosto de 2017, a qual deu fim à discussão sobre a natureza do crédito presumido de ICMS, ao estabelecer que tais incentivos "são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo". Vejase: Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: (Parte mantida pelo Congresso Nacional) "Art. 30. .................................................................................. ................................................................................................. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados." Art. 10. (VETADO). Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar. (Parte mantida pelo Congresso Nacional) A partir de então, o único requisito a ser verificado para que o valor do crédito presumido de ICMS possa não ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL passou a ser aquele previsto no caput do artigo 30 da Lei 12.973/2014, qual seja, o registro em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para (i) absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou (ii) aumento do capital social. Neste cenário, é certo que, uma vez cumprido o requisito previsto no caput do artigo 30 da Lei 12.973/2014 (qual seja, a contabilização dos valores como reserva de lucros), e não questionados aspectos relacionados à eventual destinação posterior de tais valores (o que faz com que a discussão seja estranha aos autos), não prevalece o lançamento efetuado. Ocorre que, conforme se depreende da leitura do artigo 10 acima transcrito, a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30 aos benefícios anteriormente concedidos está Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.640 S1C4T1 Fl. 1.803 10 condicionada ao atendimento das exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, o que ainda não ocorreu. Em casos assim, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF tem resolvido sobrestar os julgamentos envolvendo o tema até que decorra o prazo para que os Estados cumpram tais exigências. Vejase neste sentido o trecho da Resolução nº 9101 000.039, que transcrevo e adoto como razões de decidir neste voto: Ademais, a Lei Complementar estabeleceu a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, aos benefícios anteriormente concedidos, em desacordo com o artigo 155, desde que atendidas exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, nos termos dos artigos 10 e 3º: Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar.” Art. 3º O convênio de que trata o art. 1º desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1º O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2 º A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.640 S1C4T1 Fl. 1.804 11 vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3º Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2o deste artigo. § 4º A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5º O disposto no § 4o deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6º As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS e mantêlas atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7º As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais referidos no § 2º deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazos limites de fruição. § 8º As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2º, enquanto vigentes. Diante de tais exigências, foi editado o Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, que estabelece procedimento para a remissão, a anistia e a reinstituição regrada pelo convênio: Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. § 1º O disposto nos incisos I e II do caput estendemse aos atos que não se encontrem mais em vigor, observando quanto à reinstituição o disposto na cláusula nona. § 2º Na hipótese de um ato ser, cumulativamente, de natureza normativa e concessiva, devese atender ao disposto nos incisos I e II do caput desta cláusula. § 3º A Secretaria Executiva do CONFAZ responsabilizase pela guarda da relação e da documentação comprobatória de que trata o inciso III do § 2º da cláusula primeira e deve certificar o registro e o depósito. O prazo para o atendimento aos requisitos está tratado pela Cláusula Terceira do Convênio: Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.640 S1C4T1 Fl. 1.805 12 Cláusula terceira A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Após a publicação dos atos normativos no diário oficial do Estado, como prevê o inciso I, da Cláusula Segunda, e o registro destas normas perante o CONFAZ, como estabelece o inciso II, a publicação será disponibilizada pelo próprio Portal Nacional da Transparência Tributária no prazo de 30 dias, como estabelece a Cláusula Quinta: Cláusula quinta A publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda deve ser realizada pela Secretaria Executiva do CONFAZ até 30 (trinta) dias após o respectivo registro e depósito. Os citados prazos ainda não decorreram com relação ao benefício fiscal ora analisado (Desenvolve). Ademais, pondero que não há notícias de registro e disponibilização das normas relacionadas ao citado benefício fiscal no sítio do CONFAZ. Não obstante isso, há regras claras sobre a aplicação da Lei Complementar aos processos em curso e, ainda, definidora de prazos para publicação das normas (pelo Estado) e registro perante o CONFAZ até 28/12/2018. Nesse contexto, após debates entre os componentes do Colegiado, a maioria ponderou pelo sobrestamento do processo até 29/12/2018, dia seguinte ao prazo para registro referido. Com efeito, a providência revelouse cautelosa, na medida em que a própria Lei Complementar nº 160/2017 prevê a sua aplicação aos processos em curso. Ocorre que, em que pese o transcurso do prazo originariamente estabelecido, o Convênio CONFAZ 109/2018 prorrogou alguns prazos constantes do referido Convênio 190/2017 até 31/07/2019. Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.640 S1C4T1 Fl. 1.806 13 Ademais, em que pese as manifestações da Recorrente no sentido do pleno cumprimento das disposições constantes da LC 160/2017 e Convênio 190/2017 cumpre ressaltar que a Cláusula Segunda do referido Convênio estabelece que: Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. Ou seja, além da publicação pelos Estados concedentes dos respectivos atos normativos (o que restou comprovado pela recorrente), o Convênio também prevê como condição para a convalidação o registro e depósito no CONFAZ de toda a documentação comprobatória, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária no sítio eletrônico do CONFAZ. Ocorre que, em que pese constem no sítio do CONFAZ o registro de depósito dos referidos atos, ainda não foi cumprida o requisito de publicação dos próprios atos e documentações comprobatórias. Tal condição fica ainda mais clara quando se analisa a própria Cláusula Sétima: Cláusula sétima Fica instituído o Portal Nacional da Transparência Tributária, disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ, onde devem ser publicadas as informações e a documentação comprobatória dos atos normativos e dos atos concessivos relativos aos benefícios fiscais, reservado o acesso às administrações tributárias dos Estados e do Distrito Federal. Assim é que, pelo simples registro de depósito não é possível saber com segurança se o benefício a que a Recorrente faz jus efetivamente teve os seus atos depositados, Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.640 S1C4T1 Fl. 1.807 14 exatamente por isso que se estabeleceu a obrigatoriedade de disponibilização no sítio eletrônico do CONFAZ de toda a documentação relativa ao benefício. Tratase de condição de transparência estabelecida expressamente como condicionante para convalidação do benefício. Por outro lado, é certo que tal obrigação não foi imputada ao Estado concedente ou ao Recorrente, mas sim ao próprio CONFAZ, que até o presente momento não a cumpriu, o que pode gerar questionamentos quanto à própria validade da convalidação. Todavia, entendo que caso tal providência não seja adotada pelo CONFAZ, ao menos uma declaração oficial do referido órgão, reconhecendo o cumprimento de todos os requisitos para convalidação do benefício da Recorrente, poderia suprir tal falta, já que claramente não depende do contribuinte. Desta forma, e levandose em consideração que não transcorreram todos os prazos previstos no Convênio CONFAZ 190/2017, é razoável aguardar as providências pelos Estados da Federação e pelo próprio CONFAZ para, desta forma, assegurar a aplicação regular das disposições da Lei Complementar e Convênio ICMS acima citados. A despeito da falta de previsão expressa para suspensão do processo administrativo no Decreto nº 70.235/1972 e RICARF (Portaria MF 343/2015), o sobrestamento é autorizado pelo Código de Processo Civil, verbis: Art. 313. Suspendese o processo: (...) V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo; Diante disso, voto pelo sobrestamento do processo e remessa dos autos à unidade de origem, que deve intimar o contribuinte em 29/12/2018 para que comprove o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. Por tais razões, oriento meu voto pelo conhecimento do recurso e sobrestamento até 31/07/2019 e, após tal prazo: a) intime o contribuinte para que comprove o cumprimento integral dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017; b) após, retornem os autos para julgamento. Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 10120.725456/201568 Resolução nº 1401000.640 S1C4T1 Fl. 1.808 15 Em tempo, fica a ressalva que caso a Recorrente logre êxito em obter documento oficial do CONFAZ, reconhecendo o cumprimento perante o órgão, de todos os requisitos para convalidação do seu benefício, e o colacione os autos antes do referido prazo, o processo deve retornar de imediato para julgamento. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1808DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902430/2014-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 30 /2 01 4- 41 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10580.902430/201441 Acórdão n.º 3401005.864 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10580.902430/201441 Acórdão n.º 3401005.864 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.538. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10580.902430/201441 Acórdão n.º 3401005.864 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10580.902430/201441 Acórdão n.º 3401005.864 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10580.902430/201441 Acórdão n.º 3401005.864 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10580.902430/201441 Acórdão n.º 3401005.864 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10580.902430/201441 Acórdão n.º 3401005.864 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10580.902430/201441 Acórdão n.º 3401005.864 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720444/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECISÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL SEM EFEITOS INFRINGENTES. RERRATIFICAÇÃO.
Verificada a ocorrência de omissão na decisão do acórdão embargado, impõe-se o acolhimento dos embargos de declaração, ainda que parcialmente, para o devido saneamento e integração da decisão embargada, rerratificando-a, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2402-007.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada, rerratificando-se a decisão embargada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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DECISÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL SEM EFEITOS INFRINGENTES. RERRATIFICAÇÃO. Verificada a ocorrência de omissão na decisão do acórdão embargado, impõese o acolhimento dos embargos de declaração, ainda que parcialmente, para o devido saneamento e integração da decisão embargada, rerratificando a, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada, rerratificandose a decisão embargada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 04 44 /2 01 3- 41 Fl. 34453DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402007.214 S2C4T2 Fl. 34.454 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (efls. 34133/34141) opostos pelo sujeito passivo em face do Acórdão n. 2402005.781 sessão de julgamento de 6 de abril de 2016 (efls. 33824/33874) da lavra da 2ª. Turma Ordinária da 4ª. Câmara da 2ª. Seção, que decidiu: “[...] por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para: a) denegar o pedido de conexão com o processo no 13603.720891/201308, b) rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida, e, c) excluir do lançamento: c.1) as contribuições incidentes sobre as verbas decorrentes de acidente de trabalho/doença; c.2) as contribuições incidentes sobre planos de opções de compra de ações; c.3) integralmente os lançamentos relativos às cooperativas (levantamentos AT e AS); c.4) contribuições dos segurados apuradas nas planilhas 38 a 55 AI; c.5) a contribuição do segurado no valor de R$ 41,44, competência 01/2009, levantamento AF; c.6) o rol de responsáveis a empresa Cerâmica São Caetano LTDA. c.7) excluir da base de cálculo as parcelas pagas a segurados com estabilidade provisória, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho”. Na essência, o Embargante alega: i) omissão quanto a impossibilidade de aferição da base de cálculo adotada no lançamento das rubricas contidas nos levantamentos AA, AB, AC, AD e AE; ii) omissão no dispositivo do acórdão quanto à exclusão da contribuição previdenciária sobre a remuneração paga ao sr. João Aparecido Lima (parte do levantamento AO); iii) omissão com relação aos documentos que tratam da participação nos lucros e resultados (PLR) em programas de remuneração variável PRV (levantamentos AV, AX, AZ, BA, BB, BC, BD, BE, BF e BG); e iv) omissão quanto à prova da incorporação de algumas das pessoas jurídicas indicadas como solidárias. Todavia, nos termos do Despacho de Admissibilidade (efls. 34437/34445), os embargos foram admitidos apenas em relação à omissão no dispositivo do acórdão quanto à exclusão da contribuição previdenciária sobre a remuneração paga ao sr. João Aparecido Lima (parte do levantamento AO), restando assim delineado o escopo desta análise. É o relatório. Fl. 34454DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402007.214 S2C4T2 Fl. 34.455 3 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Os embargos de declaração já foram admitidos pelo CARF. Passo à análise. Compulsando os autos, verificase que, de fato, a decisão embargada se posicionou pelo provimento do recurso voluntário face às remunerações pagas ao Sr. João Aparecido Lima, nada constando, todavia, no dispositivo quanto à questão: Das remunerações pagas a João Aparecido Lima e Peter Esteman (levantamento AO) Segundo o sujeito passivo, a fiscalização afirma que o sr. João Aparecido Lima recebeu pagamentos em setembro e outubro/2009 nos valores de R$ 31.488,00 e R$ 29.5200,00, discriminados na planilha 88. Nos contracheques (doc. 27 da impugnação) do sr. João Aparecido Lima consta a remuneração no valor de R$ 29.520,00 (setembro/2009) e R$ 20.992,00 (outubro), mesmos valores constantes das GFIPs, não havendo diferença. [...] Constatase, portanto, erro de fato no levantamento fiscal, que apurou como se fosse da competência 09/2009 a remuneração de R$ 31.488,00 (fl. 1.032), quando, em verdade, esta é a remuneração da competência 08/2009. De igual sorte, a remuneração de R$ 29.520,00 referese à competência 09/2009 e, equivocadamente, a auditoria apurou como se fosse da competência 10/2009. Comparando os valores das remunerações, observase que foram declaradas em GFIP. Assim, merece provimento o recurso nesse ponto, não havendo divergência entre as remunerações que justificasse o lançamento. De se observar que o voto vencedor, consolidado pelo i. Redator Designado Theodoro Vicente Agostinho, divergiu tãosomente em relação à exclusão da base de cálculo das parcelas pagas a segurados com estabilidade provisória, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, conforme se depreende da sua conclusão: Por fim, concluo então, que no âmbito previdenciário, deve haver a exclusão da base de cálculo das parcelas pagas a segurados com estabilidade provisória, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, pois a habitualidade configurase como principal pressuposto para a incorporação de um pagamento no Fl. 34455DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402007.214 S2C4T2 Fl. 34.456 4 salário do empregado e, por conseqüência, é o ponto nevrálgico para definir se haverá ou não a incidência de contribuição. É dizer, o i. Relator Túlio Teotônio de Melo Pereira foi vencido unicamente em relação à exclusão da base de cálculo das parcelas pagas a segurados com estabilidade provisória, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, vez que, nesta matéria, prevaleceu o entendimento esposado no voto vencedor, que, assim, passou a integrar a decisão embargada. Nessa perspectiva, resta patente no dispositivo da decisão embargada a omissão quanto à exclusão da contribuição previdenciária sobre a remuneração paga ao Sr. João Aparecido Lima (parte do levantamento AO). Assim, para sanear a omissão apontada, é suficiente apenas a inclusão desse capítulo no dispositivo do Acórdão n. 2402005.781, que passa a ter a seguinte redação: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para: a) denegar o pedido de conexão com o processo no 13603.720891/201308, b) rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida, e, c) excluir do lançamento: c.1) as contribuições incidentes sobre as verbas decorrentes de acidente de trabalho/doença; c.2) as contribuições incidentes sobre planos de opções de compra de ações; c.3) integralmente os lançamentos relativos às cooperativas (levantamentos AT e AS); c.4) contribuições dos segurados apuradas nas planilhas 38 a 55 AI; c.5) a contribuição do segurado no valor de R$ 41,44, competência 01/2009, levantamento AF; c.6) o rol de responsáveis a empresa Cerâmica São Caetano LTDA.; c.7) excluir da base de cálculo as parcelas pagas a segurados com estabilidade provisória, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho; e c.8) excluir os valores relativos ao segurado João Aparecido Lima em face da competência 09/2009 (Remuneração de R$ 1.968,00 e Contribuição de R$ 216,48) e da competência 10/2009 (Remuneração de R$ 8.528,00 e Contribuição de R$ 708,16, mantendose os demais valores lançados. Votou pelas conclusões em relação ao item c.2 o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Vencidos os conselheiros: i) Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, que davam provimento em maior extensão; e, ii) Túlio Teotônio de Melo Pereira (Relator), Ronnie Soares Anderson e Mário Pereira de Pinho Filho que negavam provimento em relação ao item c.7. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho. (grifei) Fl. 34456DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402007.214 S2C4T2 Fl. 34.457 5 Ante o exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração, para na parte admitida, reconhecer a omissão apontada, sem efeitos infringentes, rerratificandose a decisão embargada. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 34457DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.991931/2012-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 19 31 /2 01 2- 48 Fl. 3594DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Pedido de Compensação formulado para o aproveitamento de crédito de PIS Não cumulativo decorrente de pagamento indevido ou a maior realizado na competência de março/2010 (Código de receita DARF 6912, pago em 23/04/2010). O valor pago a maior seria no montante originário de R$ 136.330,00 (efl. 03). Uma vez que o valor do crédito declarado já tinha sido utilizado em compensações anteriores (PER/DCOMP 23500.87023.151210.1.3.046154) e para pagar o débito de PIS Não Cumulativo do período, foi transmitido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada (efl. 07). Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2010 DÉBITOS INDICADOS PARA COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade dos débitos indicados para compensação decorre da lei, não sendo cabível a manifestação das DRJs sobre o assunto. DÉBITOS INDICADOS PARA COMPENSAÇÃO. FORMALIZAÇÃO PARA FINS DE COBRANÇA. Não há necessidade de formalização, em auto de infração ou notificação de lançamento, dos débitos indicados para compensação em Dcomp não homologada, em face da natureza de confissão de dívida desta. ALÍQUOTA ZERO. PÃES DIVERSOS DO PÃO COMUM. DESCABIMENTO. A alíquota zero da Contribuição incidente sobre a receita bruta de venda no mercado interno do pão comum a que se refere o inciso XVI do art. 1° da Lei n° 10.925, de 2004, não se aplica a outros produtos que não ao pão que contenha apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar, tal qual definido na exposição de motivos à Medida Provisória n° 433, de 2008 MULTA E JUROS MORATÓRIOS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A exigência de multa e juros moratórios decorre da falta de recolhimento tempestivo dos tributos devidos, evidenciada a partir da nãohomologação das compensações efetuadas, tendo por fundamento legal o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2010 DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o PEDIDO de DILIGÊNCIA ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" (efls. 3.457/3.458) Intimado desta decisão em 20/08/2015 (efl. 3.472), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 15/09/2015 (efls. 3.474/3.489) alegando, em síntese que os créditos pleiteados são válidos, sendo decorrentes da comercialização de produtos de panificação Fl. 3595DF CARF MF Processo nº 10880.991931/201248 Acórdão n.º 3402006.553 S3C4T2 Fl. 3.594 3 sujeitos à alíquota zero (hot dog, pão de hamburguer e pão bisnaga, que devem se enquadrar no conceito de "pão comum" NCM 1905.9090 Ex 01). As soluções de consulta proferidas para a Recorrente afirmando que esses produtos não poderiam ser admitidos como "pão comum" não seria pronunciamentos finais, contra as quais foi apresentado recurso de divergência, bem como estariam em sentido contrário ao firmado em laudo técnico acostado aos autos. Sustenta ainda que confirmada a validade do crédito, descabida sua desconsideração em razão da não retificação da DCTF. Em seguida, os autos foram direcionados a esse Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Contudo, atentandose para o presente caso, observase que a Recorrente se volta exclusivamente para questões abstratas em torno do suposto crédito pleiteado, sem demonstrar sua origem e validade mesmo em se admitindo como correta a tese geral por ela defendida. Primeiramente, essencial novamente1 firmar o contribuinte figura como titular da pretensão nas Declarações de ressarcimento e de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho. A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1 Como já consigando por esta Turma em outras oportunidade como, por exemplo, no Acórdão n.º 3402004.763, de 25/10/2017, de minha relatoria. 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 3596DF CARF MF 4 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela Recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida. Com efeito, a cópia da DCTF referente à competência de março/2010 acostada aos autos confirma os valores trazidos no Despacho Decisório de PIS Não Cumulativo devidos (efl. 68). Assim, não foram apresentados quaisquer outros documentos fiscais ou contábeis que pudessem demonstrar que o valor do PIS Não Cumulativo devido em 31/03/2010 não alcançava o montante de R$ 643.081,13, como indicado no Despacho Decisório Eletrônico (efl. 07): Em suas defesas, a Recorrente apenas afirma, de forma geral e sem qualquer fundamento fático concreto, que o crédito pleiteado estaria respaldado em discussão em torno do enquadramento de parte dos produtos por ela vendidos e importados na previsão de alíquota zero do inciso XVI do art. 1° da Lei n° 10.925/2004. A ausência de substrato fático para as alegações gerais de direito trazidos pela Recorrente pode ser facilmente depreendida pela análise da planilha das efls. 81/3.454 que, segundo a Recorrente, fundamentaria o valor do crédito pleiteado. Primeiro porque a referida planilha não traz quaisquer informações concernentes às operações realizadas, constando apenas duas colunas: "ID_EMPRESA" e "VLR_TOT_ITEM_SEM_SUBST". Assim, não é possível confirmar sobre quais operações se referem, ou mesmo se correspondem ao período de apuração relacionado ao presente processo. Ademais, a planilha não traz uma precisa quantificação do montante de crédito pretendido. Assim, observase que em qualquer momento nestes autos, a Recorrente apresentou uma memória de cálculo com a precisa Fl. 3597DF CARF MF Processo nº 10880.991931/201248 Acórdão n.º 3402006.553 S3C4T2 Fl. 3.595 5 composição do valor original do crédito declarado na PER/DCOMP de R$ 136.330,00, não sendo possível avaliar a precisa origem desse crédito. Acrescese que a Recorrente não evidenciou como a tese de direito por ela sustentada concretamente teria refletido em sua apuração. Ora, cumpre relembrar que a Recorrente está sujeita à apuração das contribuições na sistemática não cumulativa, como indicado em sua DCTF acostada aos autos. Com isso, os produtos que passaram a ser considerados como alíquota zero, que foram anteriormente tributados, possuem reflexos na apuração dos débitos e dos créditos das contribuições. Isso porque estes produtos, além de não comporem a base de cálculo (débito art. 1º, §3º, I, das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003), as aquisições a eles correspondentes igualmente não podem ser admitidos como créditos dedutíveis (art. 3º, §2º, II, Lei n.º 10.833/2003): "Art. 1º (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero);" (grifei) "Art. 3º (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)" (grifei) Assim, ainda que se considere que a origem dos créditos aqui pleiteados seriam relacionados a discussão abstrata de mérito de que produtos por ela comercializados estariam sujeitos a alíquota zero (o que apenas se cogita, vez que não foram apresentadas memórias de cálculo do crédito), confirmase que igualmente não foram demonstradas pela Recorrente os reflexos desta tese no cálculo não cumulativo das contribuições por ela apuradas, ou seja, nos créditos e nos débitos por elas considerados. Nesse sentido, observase que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer evidência concreta de que se crédito se respalda, integralmente ou parcialmente, na discussão geral de direito por ela invocada, de que parte de seus produtos se enquadram na previsão da alíquota zero. A discussão de mérito invocada pela Recorrente não possui concreta correspondência com o presente processo, não sendo possível confirmar que o valor pleiteado se refere à esta discussão de direito. Inexiste nos autos sequer indício da existência do crédito, pautandose a empresa na discussão geral em torno da aplicação da alíquota zero para alguns produtos por ela comercializados. Portanto, a discussão de mérito invocada não resolve a lide aqui trazida, vez que não é possível confirmar a origem do crédito indicado no PER/DCOMP. Desta forma, inexiste qualquer documento ou alegação jurídica concreta nos presentes autos suscetível a alterar a conclusão alcançada no despacho decisório pela não homologação das compensações, que deve ser mantida. De forma conclusiva, cumpre mencionar que a ausência de demonstração do crédito foi igualmente evidenciada na r. decisão recorrida: Fl. 3598DF CARF MF 6 "Diante de todo o aqui exposto, concluise que, à época do proferimento do Despacho Decisório, o crédito utilizado na compensação declarada não existia e, portanto, a decisão nele prolatada estava correta e baseouse em informações declaradas à Administração Tributária pela própria manifestante. Não obstante, a contribuinte defende a existência do crédito com base em redução a zero da alíquota a que estaria submetido seu faturamento. Justifica a não retificação da DCTF relativa ao período de apuração analisado visto estar sob procedimento de fiscalização por parte da RFB, estando, portanto impedida de retificar a aludida declaração. Também não retificou a DACON." (efl. 3.462 grifei) Contudo, naquela decisão, os julgadores optaram por ingressar na discussão de direito genericamente invocada pela Recorrente, o que não será realizado nesta seara face a impossibilidade de confirmação, nos presentes autos, da origem do crédito pleiteado, encontrando a Recorrente óbice à sua discussão pela ausência de provas da origem e liquidez do crédito pleiteado. Ou seja, uma vez que não é possível confirmar que o crédito pleiteado nos presentes autos se refere concretamente à discussão de direito aventada de forma abstrata (alíquota zero de produtos), esses argumentos não serão aqui apreciados. Cumpre mencionar que após o presente processo ser colocado em pauta de julgamento, em 11/04/2019, a empresa apresentou uma série de planilhas que supostamente respaldariam seu direito a crédito (efls. 592/593). Foram anexados aos autos dois arquivos não pagináveis com planilhas que corresponderiam, nas palavras da Recorrente: (i) a "apuração centralizada das contribuições e respectivos comprovantes do recolhimento dos montantes de PIS e COFINS lá indicados"; e (ii) a "apuração do PIS e da COFINS especificamente recolhidos sobre a comercialização de produtos classificados como “pão comum” no período objeto desse processo." (efl. 592) Atentandose primeiramente para a planilha de apuração do PIS/COFINS devidos no período (mencionada no item i acima), observase que a Recorrente trouxe uma planilha de cálculo atualizado, com a alteração no campo "Receitas Isentas ou Sujeitas à Alíquota Zero" que alcançaria o valor total de faturamento de R$ 9.180.135,00. Contudo, ao se comparar a planilha do cálculo original e a planilha com o cálculo atualizado, observase os créditos descontados no mês não sofreram qualquer alteração: Fl. 3599DF CARF MF Processo nº 10880.991931/201248 Acórdão n.º 3402006.553 S3C4T2 Fl. 3.596 7 Novamente: a Recorrente não evidenciou como a tese de direito por ela sustentada concretamente teria refletido em sua apuração. Quanto a planilha de composição do valor do crédito relacionado ao "faturamento do pão comum" (item ii acima), confirmase que, somente agora, a Recorrente pretendeu apontar qual seria a composição do seu crédito, com uma série de filiais da pessoa jurídica nas quais o crédito supostamente teria sido apurado. Contudo, a empresa apresentou, apenas, um resumo com valores, sem o detalhamento da apuração, inexistindo uma memória de cálculo dos valores identificados. Ademais, a empresa não apresentou nenhum documento suporte desta planilha, nem mesmo notas fiscais exemplificativas. Acrescese que a planilha que supostamente detalharia o crédito, identificada com a aba "Demonstrativo DCOMP", alcançou uma soma supostamente faturada de R$ 917.710,97 (e não de R$ 9.180.135,00), com uma relação de notas fiscais para as quais sequer é possível verificar se efetivamente se refere à tese sustentada pela Recorrente (de pães): Fl. 3600DF CARF MF 8 Estas planilhas, portanto, não conseguem demonstrar, com clareza, a origem do crédito como pretendido pela Recorrente. Desta forma, mesmo os documentos anexados em 11/04/2019 não alteram a conclusão alcançada no despacho decisório pela não homologação das compensações, que deve ser mantida. Nesse sentido, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 3601DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13674.720302/2012-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar que a unidade de origem recalcule a multa aplicada com base na redação atual do art. 57, inciso I, alínea "b", da MP 2.158-35 (R$1.500,00, por mês-calendário ou fração); e desconte o alegado recolhimento parcial da multa (se for o caso), como afirma a recorrente; e notifique o contribuinte.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13674.720302/201269 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.153 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 9 de abril de 2019 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente RJ MINERACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO:MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCONT. ANOCALENDÁRIO 2011 Correta a aplicação da multa por atraso na entrega do FCONT quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que não justifiquem o seu cancelamento. RETROATIVIDADE BENIGNA Aplicase o princípio da retroatividade benigna quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, a norma legal vigente lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar que a unidade de origem recalcule a multa aplicada com base na redação atual do art. 57, inciso I, alínea "b", da MP 2.15835 (R$1.500,00, por mêscalendário ou fração); e desconte o alegado recolhimento parcial da multa (se for o caso), como afirma a recorrente; e notifique o contribuinte. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 4. 72 03 02 /2 01 2- 69 Fl. 48DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 0241.683, da 2a Turma da DRJ/BHE, que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra a Notificação de Lançamento que exigiu o crédito tributário, relativamente à multa pelo atraso na entrega do FCONT Controle Fiscal de Transição. Resumo, a seguir o relatório: Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento relativa a INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO SUJEITAS A MULTAS POR FALTA/ATRASO NAENTREGA DE DECLARAÇÕES com exigência de crédito tributário no valor de R$ 35000 e acréscimos legais, período de apuração 2010. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 02) contra o lançamento alegando que o FCont referente ao exercício de 2010 foi transmitido com atraso devido aos constantes piques de energia ocorridos na empresa, corrompendo a base de dados. Em novembro de 2011 iniciou um processo de recuperação de dados e em 11/01/2012, antes de ser concluída ocorreu outro pique de energia, quando a empresa decidiu fazer um boletim de ocorrência. Reiniciou o processo de recuperação, iniciou um DE PARA no plano de contas para adequar ao plano referencial da Receita Federal e em seguida preencheu e transmitiu o FCont. Diante do exposto, requer o cancelamento da multa gerada pela transmissão do FCont com atraso, em 29/06/2012. A data de entrega da declaração era 30/11/2011. A entrega deuse em 29/06/2012. O boletim de ocorrência apresentado referese a fato ocorrido em 11/01/2012. A recorrente foi cientificada da decisão em 24/01/2013 (fl 19) e apresentou o seu recurso voluntário em 05/02/2013 (fl 20). Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, e que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente não contesta a decisão da DRJ. Basicamente, alega em seu recurso, o princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN. Cita, também, a Constituição Federal CF: A Constituição Federal, estabelece como norma geral, que a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (inciso XXXVI, art. 5o), estabelecendo que em matéria penal a lei não retroagirá, salvo para beneficiar o réu (inciso XL, art. 5o). O Código Tributário Nacional, por seu turno, em seu art. 144, esclarece que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13674.720302/201269 Acórdão n.º 1001001.153 S1C0T1 Fl. 3 3 gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ao tratar do Sistema Tributário Nacional, o constituinte originário alçou o princípio da irretroatividade da lei tributária como direito fundamental do contribuinte (alínea a, do inciso III, do art. 150), estando ao abrigo das chamadas cláusulas pétreas (inciso IV, do parágrafo 4o, do art. 60) e como tal resguardado de qualquer tentativa de supressão (mesmo parcial) pelo poder constituinte derivado. Entretanto, o princípio não impede lei que conceda uma vantagem ao contribuinte tenha incidência retroativa, já que como direito individual seu, só opera como regra protetiva, isto é, quando a lei cria ou aumenta um tributo. Cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ, deste CARF e a solução de Solução de Consulta Interna n° 14 (Cosit), todas tratam da retroatividade benigna. Apresenta, então o caso concreto que envolve a recorrente: Muito embora na legislação específica do FCont a Receita Federal do Brasil não trate de forma expressa de qualquer penalidade pela falta ou atraso na sua entrega, no seu site consta a penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835 de 2001, com a redação dada pela Lei n° 12.766/2012. Assim, o novo dispositivo legal citado prevê que o descumprimento das obrigações acessórias exigidas pelo fisco federal, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e Quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ 1.000,00 (mil reais) por mês calendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. A multa prevista no item I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. Assim sendo, em homenagem ao princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea "c"do CTN, a multa aplicada ao presente caso, anteriormente prevista no art. 57 da Medida Provisória 2.15835 de 2001 pelo montante de R$ 5.000,00 por mêscalendário ou fração, deve ser reduzida para R$ 1.500,00 por mêscalendário ou fração, conforme a nova redação dada pela Lei 12.766/2012, sofrendo ainda a redução de seu valor em 50%, ou seja, com redução Fl. 50DF CARF MF 4 para R$ 750,00 por mêscalendário ou fração, uma vez que o FCont relativo ao ano calendário de 2010 foi apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. Considerando o atraso de sete meses na apresentação do FCont, a referida multa deve ser cobrada pelo montante de R$ 5.250,00 (R$ 750,00 x 7), valor considerado não contencioso pela recorrente e imediatamente recolhido conforme DARF ora anexado aos autos. Conclui, alegando: Em razão de tudo o que foi exposto, e levando em conta o recolhimento do valor da multa considerado como parcela não contenciosa, o recorrente solicita aos Egrégios Conselheiros o deferimento de seu Recurso Voluntário, cancelandose o crédito tributário indevidamente mantido pelo acórdão recorrido, e arquivandose o presente processo Entendo assistir razão parcial à recorrente. A base legal do lançamento foi, realmente, o art. 57, Medida Provisória n° 2.15835 (Notificação de Lançamento fl 4), cujo teor, transcrevo: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; A Lei 12.766/2012, deulhe nova redação, posteriormente alterada pela Lei 12.973/2013, mas, que não modificou o valor da multa. Segue: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) A recorrente também alega que caberia a redução da multa em 50%, com base no parágrafo 3°, ao artigo 57, da referida MP 2.15835: § 3o A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. Neste caso, não cabe razão à recorrente, já que a notificação de lançamento iniciou um procedimento de ofício onde houve, inclusive, a constituição de um crédito tributário, tendo gerado a sua impugnação e o presente recurso voluntário. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13674.720302/201269 Acórdão n.º 1001001.153 S1C0T1 Fl. 4 5 Portanto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para determinar que a unidade de origem: a) recalcule a multa aplicada com base na redação atual do art. 57, inciso I, alínea "b", da MP 2.15835 (R$1.500,00, por mêscalendário ou fração); b) desconte o alegado recolhimento parcial da multa, como afirma a recorrente; e c) notifique a recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 35465.000007/2006-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
O prazo decadencial para lançamento de ofício é de cinco anos, contado segundo as regras estabelecidas no Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2401-006.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Virgílio Cansino Gil, Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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PRAZO QUINQUENAL. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O prazo decadencial para lançamento de ofício é de cinco anos, contado segundo as regras estabelecidas no Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil (suplente convocado). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Virgílio Cansino Gil, Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 5. 00 00 07 /2 00 6- 42 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 35465.000007/200642 Acórdão n.º 2401006.581 S2C4T1 Fl. 272 2 Relatório Cuidase de recurso de ofício interposto pela Presidente da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I (DRJ/SPOI), em face da decisão administrativa consubstanciada no Acórdão nº 1619.335, de 07/11/2008, cujo dispositivo considerou improcedente o lançamento, com exoneração integral do crédito tributário. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 254/263): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 Documento: NFLD n° 35.872.6980, de 16/12/2005 CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Declarada pelo STF, por meio de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. Lançamento Improcedente Extraise da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.872.6980 que o lançamento referese a crédito tributário de contribuições previdenciárias correspondente à parte do segurado e da empresa, ao financiamento do seguro de acidente de trabalho, até a competência 06/1997, e, a partir de 07/1997, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho, além das contribuições devidas a terceiros (fls. 46/47). A base de cálculo é composta de pagamentos efetuados aos segurados empregados sobre as seguintes rubricas, que a empresa considerou não integrantes da remuneração do trabalhador: auxílio creche, reembolso despesas aluguel, reembolso despesas contratuais, reembolso desconto sobre passagens férias, reembolso desconto sobre benefícios, despesas de educação e prêmio relógio de ouro, relativamente ao período de 01/1995 a 12/1998. A ciência da autuação se deu em 21/12/2005, por meio de procurador, com apresentação de impugnação pelo sujeito passivo no prazo legal (fls. 03, 62 e 64/97). O colegiado de primeira instância decidiu pela improcedência total do lançamento fiscal, devido ao reconhecimento da decadência. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 35465.000007/200642 Acórdão n.º 2401006.581 S2C4T1 Fl. 273 3 Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada de que trata a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. Uma vez dada ciência do acórdão de primeira instância, não consta manifestação pelo sujeito passivo (fls. 265/269). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Formalizado na própria decisão, o recurso de ofício foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dado que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. Há cerca de dois anos, no entanto, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, publicada no Diário Oficial da União de 10/02/2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Segundo o novel ato administrativo, o recurso de ofício deverá ocorrer sempre que a decisão de primeira instância exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2,5 milhões. A respeito da aplicação do limite de alçada no tempo, por tratarse de norma processual, consolidouse o entendimento no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) da sua aplicação imediata aos processos em curso, em detrimento ao regramento vigente à época da interposição do recurso de ofício. No caso concreto, o valor excluído de tributo e multa é superior ao montante mínimo de R$ 2,5 milhões (fls. 03/23). Logo, uma vez satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, dele tomo conhecimento. Decadência A notificação abrange fatos geradores do período de 01/1995 a 12/1998, com ciência do contribuinte em 21/12/2005. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 35465.000007/200642 Acórdão n.º 2401006.581 S2C4T1 Fl. 274 4 O art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que estabelecia o prazo decadencial de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Eis o enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20/06/2008: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Como as normas relativas à prescrição e à decadência têm natureza de normas gerais de direito tributário, a sua disciplina está reservada à lei complementar, mais especificamente às disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). Para fins de contagem do prazo decadencial nos lançamentos dos tributos submetidos ao "regime de homologação", como é a hipótese das contribuições previdenciárias, devese aplicar o que dispõe o § 4º do art. 150 do CTN: Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A regra dos cinco anos a contar do fato gerador, acima reproduzida, é excetuada quando ausente o pagamento parcial da contribuição previdenciária ou na hipótese de comprovação de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo, em que incidirá o prazo decadencial do inciso I do art. 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Como se observa, qualquer uma das regras fulmina o crédito tributário lançado, operandose a decadência. Sendo assim, não merece reforma a decisão de piso que reconheceu a decadência total do lançamento. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 35465.000007/200642 Acórdão n.º 2401006.581 S2C4T1 Fl. 275 5 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso de ofício e NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 275DF CARF MF
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