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Numero do processo: 10580.727191/2009-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL.
Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN.
Numero da decisão: 9202-006.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.727006/2009-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.727006/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 71 91 /2 00 9- 77 Fl. 290DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, para exigência de crédito tributário, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA julgado a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário apurado. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento, prolatandose com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso”. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, que interpôs, tempestivamente, o presente Recurso Especial, objetivando a reforma do acórdão recorrido em relação à incidência de IRPF sobre diferenças de URV pagas aos magistrados da Bahia. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho de Admissibilidade exarado pelo Presidente da Câmara. A recorrente afirma que o acórdão recorrido, ao isentar do IRPF verbas referentes às diferenças de URV pagas aos magistrados do Estado da Bahia, ofende os artigos 111 do CTN e 150, §6º da Constituição Federal e ressalta que a legislação que dispor sobre isenção deve ser interpretada literalmente, como também a necessidade de lei específica para concessão de isenção. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10580.727191/200977 Acórdão n.º 9202006.498 CSRFT2 Fl. 3 3 Salienta que os rendimentos objeto do presente lançamento fiscal foram recebidos em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20/2003, que em seu art. 2º dispõe sobre “diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade real de Valor – URV”; conversão esta realizada mês a mês no período de abril de 1994 a agosto de 2001, e visava a manutenção do valor real do salário, portanto, de natureza eminentemente salarial. Argumenta que o entendimento de que haveria isenção sobre esses valores com base na resolução nº 245/2002 (que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais) não pode prosperar, uma vez que tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos membros da Magistratura Estadual, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Lembra ainda que o artigo 111 do CTN dispõe que todo dispositivo legal que trate de isenção, suspensão, exclusão de crédito tributário deve receber interpretação restritiva; e portanto, descabido conferir às leis mencionadas alcance que não contêm. Cientificada do Acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, a contribuinte apresentou, tempestivamente, suas contrarrazões. Em suas contrarrazões, a contribuinte cita o artigo 150, inciso II da Constituição Federal e ainda argumenta: · Diz que tal dispositivo tratase do Princípio da Isonomia e visa a garantia do indivíduo, evitando perseguições e favoritismos; e que está sendo violado em casos como o presente quando a PGFN promove ações judiciais contra os Magistrados e membros do Ministério Público do Estado da Bahia, deixando de lado os casos dos Magistrados Federais. Acrescenta que não é razoável confirmar a isenção para os servidores da alçada federal e não para os da alçada estadual, quando é sabido que a lei da Magistratura é única. · Traz doutrinas de juristas de renome que tratam do tema, como também um julgamento recente do STJ, do Resp nº 1187109 de relatoria da Ministra Eliana Calmon, que entendeu pela aplicabilidade da resolução nº 245 do STF também para os magistrados estaduais. · Ressalta que as decisões divergentes colacionadas pela Procuradoria da Fazenda, ao desconsiderarem a lei Estadual por entenderem que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica (§6º do art. 150 da CF/1988), nada mais fizeram que apreciar a in(constitucionalidade) da Lei Estadual, uma vez que afastou sua aplicabilidade por considerála incompatível com dispositivo da Constituição Federal, o que é expressamente vedado pelo art. 62 do RICARF. · Acrescenta que, ainda que tenha prevalecido o fundamento de que a legislação estadual não seria competente e legítima para versar sobre norma de isenção relativa a imposto federal, a sua aplicação deveria ter sido preservada, até para preservar a segurança jurídica entre o Fisco e o Cidadão; até porque o controle de constitucionalidade é instituto do direito para o qual se prevê procedimento específico, Fl. 292DF CARF MF 4 sendo o CARF órgão absolutamente incompetente para apreciar a (in)constitucionalidade de uma lei. · Argumenta que cabia à Fazenda Nacional ajuizar uma ADI, nos termos do art. 102, I, “a” da Carta Magna, mas jamais proceder como fez, desconsiderando Lei estadual válida e eficaz. · Afirma que o acórdão recorrido, ao dar provimento ao Recurso Voluntário, aplicando a resolução nº 245 do STF, acertadamente reconheceu a natureza indenizatória das verbas recebidas a título de URV pela ora Recorrida · Por fim, salienta que, caso o recurso da Procuradoria seja provido no mérito, o lançamento deverá ser revisto, uma vez que foi feito em uma base de cálculo completamente inadequada: ao invés de ter feito lançamentos isolados em cada valor de URV recebido, a fiscalização deveria ter refeito as três DIRFs (2004, 2005 e 2006) da Contribuinte, a fim de apurar, mês a mês, os valores de imposto de renda supostamente devidos em conjunto com os salários auferidos. Isto porque, como é sabido, a legislação do imposto de renda prevê a declaração de ajuste anual, onde o Contribuinte tem a possibilidade de excluir da base de cálculo do tributo determinadas parcelas isentas, passando normalmente a ter imposto a restituir no exercício seguinte. E mais ainda: ao importar os valores apresentados pelo Instituto Pedro Ribeiro de Administração Judiciária do Tribunal de Justiça da Bahia – IPRAJ para os cálculos trazidos no “Demonstrativo do Imposto de Renda Apurado”, a fiscalização levou em consideração todo o valor recebido pelo contribuinte (URV, juros e correção); e da mesma forma que não há incidência de Imposto de Renda sobre o pagamento de URV (por ser verba de natureza indenizatória), o entendimento da doutrina e da jurisprudência é de que não incide IR sobre os juros moratórios. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.493, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10580.727006/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.493): Pressupostos de Admissibilidade Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10580.727191/200977 Acórdão n.º 9202006.498 CSRFT2 Fl. 4 5 O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Delimitação da Lide Em face do RE e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão ao caráter indenizatório dos rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelos membros do Magistratura da Bahia. A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF N 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido Embora o recorrente entenda ter a turma a quo acertado na decisão proferida, colacionando outros argumentos para reforçar a tese, entendo que não seja a interpretação mais acertada, conforme exposto a seguir. Competência para legislar sobre IR Primeiramente, conforme descrito no acórdão a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, consignaria o caráter indenizatório dos rendimentos, todavia, entendo que a competência para legislar sobre imposto de renda é da União, conforme disposto no art. 153, IV, da CF/88. Dessa forma, fazse Fl. 294DF CARF MF 6 necessário realizar a análise da natureza jurídica dos valores recebidos, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] III renda e proventos de qualquer natureza; [...] § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; Neste ponto, convém diferenciar a natureza salarial que se subssume ao citado dispositivo face a configuração de nítido acréscimo patrimonial das verbas com natureza indenizatórias, cujo fundamento para exclusão configurase como a reparação por um dano sofrido, ou mesmo as verbas legalmente descritas como indenizatórias. Nessa linha de raciocínio, entendo que a referida lei estadual não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência da devida correção salarial decorrentes de alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo sujeito passivo, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Concluindo, em relação a este item, entendo incabível tomar como absoluta para exclusão da incidência do IR lei de outro ente da federação (no caso, o Estado da Bahia), face a competência instituída pelo texto constitucional. Incidência sobre valores de diferenças de URV Quanto ao mérito, é sabido que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais decorrentes da conversão da remuneração dos servidores beneficiados, quando da implantação do Plano Real. Em função disso, constatase que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao longo dos anos subsequentes. Nesse sentido, podemos concluir que o objetivo de ações judiciais sob esse fundamento ou mesmo da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, da Bahia (que apenas reconheceu esse direito) foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago, ou seja, diferença de salários. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10580.727191/200977 Acórdão n.º 9202006.498 CSRFT2 Fl. 5 7 Considerando o nítido caráter salarial diferenças pagas a posteriori, penso que a verba trazida à discussão encontrase sujeita à incidência do IR, conforme dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nesse sentido, estáse diante de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Frente as considerações acima, também afasto os fundamentos adotados pelo julgador da turma a quo para definir a natureza das diferenças de URV. Segundo o acórdão recorrido a verba recebida pelos servidores estaduais possui a mesma natureza daquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação. Entendo, que não há como igualar as situações dos membros do Ministério Público Federal e Magistratura Federal com os pertencentes aos quadros do Estado da Bahia, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Com efeito, o Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Dessa forma, ao contrário do exposto pelo julgador a quo entendo que ao adotar mesmo tratamento tributário, alterando a natureza dos pagamentos, estaria sim, me valendo da analogia para definir fato gerador e base de cálculo de imposto sob a competência da União. A Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002 conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). No mesmo sentido, a PGFN, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Fl. 296DF CARF MF 8 Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e MP Federal, respeitando a interpretação do STF, contudo, tal verba não pode ser confundida com as diferenças decorrentes de URV ora sob análise. Por fim, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerando o como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10580.727191/200977 Acórdão n.º 9202006.498 CSRFT2 Fl. 6 9 compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Quanto ao caráter salarial das verbas pagas a título de URV, já se pronunciou este conselho em outras ocasiões acerca do tema, ao qual cito julgados que corroboram com o encaminhamento aqui formulado: ACÓRDÃO 9202003.659 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 9202.003.585 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 2201002.491 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Fl. 298DF CARF MF 10 INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. "No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10580.727191/200977 Acórdão n.º 9202006.498 CSRFT2 Fl. 7 11 indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988." Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de IR, sendo incabível acatar a argumentação de que a natureza salarial da referida verba seja alterada por legislação estadual, qual seja, a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, ou mesmo que Resolução nº 245 do STF lastreada em Lei federal com destinação específica possa ser aplicada por analogia a outros casos que não os expressamente nela descritos. Quanto a necessidade de prévia declaração de inconstitucionalidade da lei estadual. Quanto a argumentação de que necessário, antes de efetivar ao lançamento, ter declarada a inconstitucionalidade da lei Estadual, entendo não ser esse o melhor entendimento aplicável. Conforme acima esclarecido a competência para legislar sobre IR recai sobre a União, não podendo ser alterada a natureza jurídica da verba para efeitos de definição do fato gerador. Contudo, não pode o agente fiscal entender ou mesmo questionar a constitucionalidade de lei Estadual, cujo ente Estadual possui competência para definir não apenas a natureza jurídica da verba, como a incidências sobre os tributos cuja competência para legislar esteja sob sua égide. Por exemplo, a definição da natureza jurídica para efeitos de definição da natureza tributos de´contribuição previdenciária para regime próprio de previdência. Assim, ao fisco Federal compete apreciar se a verba recebida pelos Magistrados da Bahia, encontrase abarcada como fato gerador de IR, utilizandose dos fundamentos dessa legislação para apuração do fato gerador, da natureza jurídica do pagamento e da base de cálculo e montante do tributos apuráveis. Dessa forma, afasto a argumentação, de que necessário primeiramente declarar a constitucionalidade da legislação estadual. Quanto a incompetência do CARF para afastar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, entendo não ser essa a questão aplicável ao caso concreto. Realmente nos termos do art. 62 do CARF: "é vedado aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade", todavia, a competência básica dos membros desse colegiado é identificar se o lançamento se amolda as exigências legais e se os argumentos apontados pelo recorrente seriam suficientes para a desconstituição do lançamento. Bem, conforme foi apreciado acima, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar as contribuições, posto que os valores recebidos, pela análise da legislação aplicável ao caso concreto, quais sejam, CF/88, CTN e legislação do IR incorreto considerar os rendimentos como Fl. 300DF CARF MF 12 isentos ou não tributáveis. Assim, esse julgador em momento algum descumpri ou fere dispositivo regimental, pelo contrário, entendo que ao acatar os argumentos do recorrente pela aplicabilidade da legislação estadual e resolução 245/STF, aí sim, estaria afastando dispositivo legal. Quanto as demais questões trazidas em sede de contrarrazões deixou de apreciálas, considerando a existência de outros argumentos trazidos ainda em sede de recurso voluntário, mas não apreciados pela turma a quo frente ao encaminhamento do relator de no mérito dar provimento ao recurso. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 301DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.912711/2012-44
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.
Numero da decisão: 1001-000.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 27 11 /2 01 2- 44 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11080.912711/201244 Acórdão n.º 1001000.488 S1C0T1 Fl. 183 2 Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório interposto pela recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/Brasília (DF), mediante o Acórdão nº 0356.255, de 17/10/2013 (efls. 40/44), objetivando a reforma do referido julgado. Dos fatos: Em 21/06/2010, a contribuinte transmitiu pela internet, através do programa PER/DCOMP, o Pedido de Restituição nº 13064.19633.210610.1.2.046190 (efls. 35/37), no valor de R$ 3.548,50 (valor original), devido ao Pagamento Indevido ou a Maior da IRPJ. O DARF informado apresenta as seguintes características: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR PRINCIPAL VALOR TOTAL DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2009 2089 143.497,88 145.922,99 30/09/2009 Em 05/12/2012, a DRF/Porto Alegre emitiu Despacho Decisório (eletrônico), efl. 31, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 02/03), juntando ainda documentos, cujas razões, em resumo, que teria ocorrido erro de preenchimento na DCTF original e que teria retificado a declaração no intuito de comprovar a existência do crédito pleiteado, relata fatos e solicita a revisão do Despacho, bem como a suspensão da cobrança do crédito tributário. Ciente da decisão da DRJ de Brasília, que julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em 25/10/2013, por Aviso de Recebimento –AR (efl. 46), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário de efls. 48/50, em 14/11/2013, juntando ainda documentos e reiterando as razões já suscitadas na manifestação de inconformidade na instância a quo, porém acrescentou: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11080.912711/201244 Acórdão n.º 1001000.488 S1C0T1 Fl. 184 3 que discorda da decisão recorrida, no que concerne à não apresentação de documentos hábeis e idôneos que pudessem comprovar o IRPJ devido no PA 2º trimestre/2009 e o pagamento a maior ou indevido; que no anocalendário 2009 os resultados foram submetidos à tributação pelo lucro presumido trimestral, pelo regime de caixa; que a base de cálculo do IRPJ (lucro presumido) são os valores efetivamente recebidos no período, mais as receitas financeiras, informações constante da DACON; que durante o anocalendário 2009 prestou informações, mensalmente, à RFB, acerca da apuração das contribuições sociais na DACON; que, ademais, no anocalendário 2009, foi intimada pela RFB e passou a ter condição de Acompanhamento Econômico –Tributário Diferenciado, sendo que entregou ao fisco, entre outros, toda a sua escrituração contábil em meio magnético (Portaria RFB nº 11.211/2007, revogada pela Portaria RFB nº 2.356/2010); que, dessa forma, os documentos hábeis e idôneos não só foram registrados pela empresa em seus livros societários, mas também sempre estiveram à disposição da RFB; que, outrossim, juntou ao Recurso Voluntário cópia dos livros Diário nºs 39, 40, 41 e 42 da Matriz; nº 08 da filial de Caxias do Sul; nº 04 da filial de Brasília; nº 02 da filial de Florianópolis e nº 10 da filial de Parobé, todos do anocalendário 2009, devidamente registrados nas respectivas Juntas Comerciais; que pelos registros existentes na DACON, além dos dados informados através do Acompanhamento Econômico –Tributário Diferenciado e nos livros Diário e Razão, estarrrria claro ou evidente que os valores recebidos pela empresa mensalmente serviram de base de cálculo para apuração do IRPJ devido; que, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, ou seja, provimento integral ao recurso. Em 25/11/2014, os membros do colegiado da 2ª Turma Especial do CARF, mediante Resolução nº 1802000.587, resolvem, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, cujas considerações do Relator, que propôs a diligência, transcrevo a seguir: A DCTF retificadora, que reduziu o débito informado/confessado na DCTF primitiva, é posterior à data de ciência do despacho decisório. Vale dizer, a DCTF retificadora, para ser aceita, é necessário comprovar, primeiro, o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva (CTN, art. 147, § 1º). A divergência de apuração, quanto ao valor do IRPJ a pagar entre a DCTF primitiva e a DIPJ, não se resolve pela mera apresentação de DCTF retificadora. Tornase necessário a contribuinte comprovar o alegado erro de fato de preenchimento da DCTF primitiva, mediante apresentação/juntada aos autos de cópia da escrituração contábil (livro Caixa, Razão, Diário) do anocalendário 2009. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11080.912711/201244 Acórdão n.º 1001000.488 S1C0T1 Fl. 185 4 Compulsando os autos, observase a existência falhas na instrução do processo e que não permitem a formação da convicção julgador quanto ao mérito da lide, ou seja, não possibilitam a aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado, pois: a) sequer consta dos autos cópia da DIPJ do anocalendário 2009; b) sequer consta dos autos cópia da DCTF primitiva atinente ao PA 2º trimestre/2009; c) sequer consta cópia dos darf de pagamento das três quotas do IRPJ do 2º trimestre/2009. Ou seja, não há prova de pagamento integral do débito do IRPJ confessado na DCTF primitiva, quanto PA 2º (segundo) trimestre/2009; d) falta confirmação de que houve recolhimento/pagamento das três quotas do IRPJ do 2º (segundo) trimestre do anocalendário 2009; e) além disso, a recorrente informou nas razões do recurso que juntara aos autos cópia de sua escrituração contábil do anocalendário 2009, juntamente com a peça recursal; porém, essa prova foi retirada dos autos, conforme consta narrado no documento Adendo à defesa, apresentado em 28/11/2013 de efls. 56 e 71, in verbis: ADENDO À INTIMAÇÃO DRF/POA/SEORT/ COMPENSAÇÃO 2372/2013 DCSNET Comunicações Ltda, empresa com sede em Porto Alegre RS, (...) vem, respeitosamente, à presença de V.Sa. por seu procurador apresentar adendo à defesa protocolada em 14 de Novembro de 2013 sob número 10101004, referente aos processos 11080.912686/201207, 11080.912688/201298, 11080.912690/201267, 11080.912707/201286, 11080.912709/201275, 11080.912711/201244 e 11080.912729/201246. 1 Retiramse dos processos os Livros Diários n° 39, 40, 41 e 42 da Matriz, n° 8 da filial de Caxias do Sul, n° 4 da filial de Brasília, n° 2 da filial de Florianópolis e n° 1 0 da filial de Parobé, todos do ano de 2009, devidamente registrados nas respectivas Juntas Comerciais. 2 Anexase ao processo os arquivos validados pela SVA no código 4ca91fe8c2f18799e54eac8dc2e15f43 em 27/11. 3 A troca dos Livros Diários pelo arquivo em meio magnético foi solicitação da funcionária Giovana Pedrini Martins ATRFB SIAPECAD 1213794, conforme Portaria MF 527 de 09/11/2010. 4 Ressaltamos, todavia, que os Livros Diários encontramse a disposição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, estando arquivados na sede da empresa, podendo ser anexados ao presente processo a qualquer tempo. (...) Assim, diversamente do informado pela recorrente, não consta dos autos (e processo) o arquivo magnético ou digitalização da escrituração contábil da recorrente, quanto ao anocalendário 2009. Como visto, há necessidade de saneamento do processo. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11080.912711/201244 Acórdão n.º 1001000.488 S1C0T1 Fl. 186 5 Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Porto Alegre a fim de que a fiscalização: a) intime a contribuinte para, à luz da escrituração contábil, comprovar o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos (eventual divergência dos dados dessa DCTF e a DIPJ 2010, anocalendário 2009), no sentido de justificar a DCTF retificadora apresentada, transmitida em 20/12/2012 (efls. 08/20) e o pleito de restituição do alegado pagamento a maior; b) intime a contribuinte a comprovar pagamentos/recolhimentos das três quotas do IRPJ do 2º (segundo) trimestre/2009, quanto ao débito confessado na DCTF primitiva; c) junte cópia da DIPJ 2010, anocalendário 2009; d) junte cópia da DCTF primitiva do PA 2º trimestre/2009; e) confirme os pagamentos/recolhimentos. f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circunstanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos (se o crédito demandado existe, ou não, e se está ou disponível para restituição); g) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para manifestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. Com o objetivo de obter os esclarecimentos necessários ao saneamento do processo, o Serviço de Orientação Tributária da DRF de Porto Alegre/RS (SEORT/DRF/POA) promoveu a diligência fiscal e emitiu, em 08/08/2007, relatório circunstanciado (efls. 175/176). É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Com o objetivo de delimitar as questões de mérito a serem analisadas, transcrevo as palavras da relatora do voto de Resolução de Diligência da Turma a quo, às quais me alio: "O exame do mérito, no caso em tela, implica exame da efetividade e suficiência do alegado direito creditório para efeitos da pretendida restituição, não se limitando, portanto, à análise de consistência de declarações". Transcrevo, a seguir, a informação fiscal, resultado da Diligência, emitido pela DRF de Porto Alegre/RS: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11080.912711/201244 Acórdão n.º 1001000.488 S1C0T1 Fl. 187 6 O presente processo foi encaminhado em diligência pela 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (fls. 79 a 85) para que esta Delegacia intimasse o sujeito passivo a: comprovar, por meio de documentos de seus assentamentos contábeis/fiscais, a efetividade do crédito informado no PER 13064.19633.210610.1.2.046190 (crédito de R$ 3.548,50 pagamento indevido/a maior código de receita 2089, DARF no valor total de R$ 145.922,99, período de apuração 30/06/2009 e data de arrecadação 30/09/2009), juntando também as declarações DIPJ e DCTF e todos os recolhimentos efetuados na quitação do IRPJ apurado no 2º trimestre do ano calendário (AC) 2009, com ciência à contribuinte e reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. 2. Para fins de subsídio à analise do crédito pretendido foram juntadas ao presente processo as declarações originais/retificadoras das DCTF’s (fls. 140 a 152) e DIPJ’s (fls. 87 a 139), os DARF’s recolhidos relativos ao IRPJ devido para 2º trimestre do AC 2009 (fls. 169 a 171), assim como a DIRF entregue pelas fontes pagadoras (fls. 153 a 168), onde foi verificado que: a) na declaração DCTF original de junho/2009 (entregue em 03/08/2009) a requerente não declarou IRPJ devido para o 2º trimestre, mas nas retificadoras entregues em 22/12/2009 e 04/04/2011 já constava débito declarado no valor de R$ 419.848,13, com saldo a pagar em quotas. Já em relação à forma de quitação das quotas de IRPJ (informadas na DCTF de setembro/2009), constava na DCTF original débito no montante de R$ 430.493,64 (três quotas de R$ 143.497,88), e na DCTF retificadora entregue em 20/12/2012 (após a ciência do Despacho Decisório de fls. 31 e 38) constava débito no montante R$ 419.848,14 (três quotas de R$ 139.949,38); b) tanto na declaração DIPJ original quanto retificadora, entregues respectivamente em 29/06/2010 (fls. 87 a 132) e 02/08/2010 (fls. 133 a 139), não houve alteração em relação à base de cálculo da receita bruta sujeita ao percentual de 32% (R$ 6.374.076,07) e dos rendimentos e ganhos líquidos em aplicações de renda fixa/variável (R$ 88.720,02), sendo que, do IRPJ apurado à alíquota de 15% (R$ 319.263,65) e Adicional (R$ 206.842,44) foi deduzido o mesmo montante a título de IRRF (R$ 95.612,45) chegandose ao IRPJ A PAGAR no montante de R$ 430.493,64; c) há o recolhimento de 03(três) DARF’s para a quitação em quotas do IRPJ devido para o 2º trimestre do AC 2009: a primeira recolhida em 31/07/2009 (principal de R$ 143.497,88), a segunda recolhida em 31/08/2009 (principal de R$ 143.497,88 e juros SELIC de R$ 1.434,97), e a terceira recolhida em 30/09/2009 (principal de R$ 143.497,88 e juros SELIC de R$ 2.425,11), conforme extratos dos sistema SIEF juntados às fls. 169 a 171; e d) no que diz respeito as retenções sofridas na fonte e declaradas em DIPJ no montante de R$ 95.612,45 para o 2º trimestre do anocalendário (AC) 2009, foram comprovadas em DIRF para aquele trimestre retenções de IR no montante de R$ 79.468,20, conforme declaração DIRF juntada às fls. 153 a 157, demonstrada analiticamente na planilha juntada às fls. 158 a 168. 3. Diante das inconsistências verificadas entre os valores dos débitos de IRPJ declarados em DIPJ e DCTF para o 2º trimestre do AC 2009 (R$ 430.493,64 X R$ 419.848,14) assim como das retenções na fonte deduzidas do IRPJ apurado em DIPJ em relação às retenções comprovadas em DIRF (R$ 95.612,45 X R$ 79.468,20), e em atendimento ao determinado na Resolução de Diligência nº 1802000.587 (fls. 79 a 85), a contribuinte foi intimada (Intimação Nº 020/2017/DRF/POA/SEORT – Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11080.912711/201244 Acórdão n.º 1001000.488 S1C0T1 Fl. 188 7 ciência em 11/05/2017 fls. 172 a 174), a apresentar os documentos abaixo relacionados, os quais não foram entregues pela contribuinte até a presente data. “Demonstrar analiticamente, por matriz e filiais, as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, e detalhar as contas contábeis que compuseram as linhas de preenchimento 07 (Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 32%) e 10 (Rendimentos e Ganhos Líquidos Aplicações Renda Fixa/Renda Variável) da Ficha 14A (Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido), declaradas em DIPJ para o 2º trimestre do anocalendário 2009. Em relação ao IRRF deduzido do IRPJ apurado no 2º trimestre (linha 29 da ficha 14A – R$ 95.612,45), detalhar analiticamente os créditos que o compõem, apresentar documentação suporte (Comprovantes de Rendimentos, DARF, etc...), e especificar as contas em que constam os registros contábeis da retenção sofrida e/ou da antecipação do devido pelo recolhimento; Informar o regime de reconhecimento das receitas para fins de tributação no anocalendário 2009 (caixa ou competência) e apresentar cópias dos balancetes de verificação (antes do encerramento das contas de resultado) e das contas do Razão (matriz e filiais) que registram a movimentação contábil das contas CAIXA/BANCOS, CLIENTES, IR RETIDO NA FONTE/ANTECIPAÇÃO DE IRPJ A COMPENSAR, e de RECEITAS FATURADAS NA APURAÇÃO DO RESULTADO, bem como de outras contas porventura relacionadas pela contribuinte em resposta ao item anterior, relativamente às operações ocorridas no 2º trimestre do anocalendário 2009; Justificar a origem dos créditos de IRPJ e CSLL pleiteados para o 2º trimestre do anocalendário 2009 (montantes respectivos de R$ 10.645,51 e R$ 4.716,79), bem como esclarecer por que na DIPJ retificadora entregue em 02/08/2010 (isto é, após a formalização de todos os Pedidos de Restituição – 21/06/2010) foram declarados IRPJ e CSLL A PAGAR nos mesmos montantes recolhidos (R$ 430.493,64 e R$ 191.558,19, respectivamente). Apresentar cópia autenticada dos Livros Diário e Razão em que consta o reconhecimento daqueles créditos no curso do ano calendário 2010.” Vejamos a conclusão do AuditorFiscal ao final do Relatório: 4. Em face do acima exposto, não dispondo das bases de cálculo com a demonstração analítica das contas contábeis que integram as contas de resultado, tampouco dos registros contábeis do 2º trimestre acima solicitados e da documentação suporte das retenções de IR na fonte deduzidas do IRPJ apurado naquele trimestre, não há elementos de prova suficientes para confirmar o crédito pleiteado no valor de R$ 3.548,50, relativo à parte do DARF recolhido em 30/09/2009 (período de apuração 2º trimestre AC 2009), no valor total de R$ 145.922,99. Como depreendese dos fatos narrados acima, mesmo após a tentativa de se complementar a instrução processual, nenhum elemento de prova foi acrescentado aos autos pela recorrente, para que efetivasse a comprovação do seu pleito, tendo a informação fiscal e a Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11080.912711/201244 Acórdão n.º 1001000.488 S1C0T1 Fl. 189 8 ausência provas, esta por si só, enfrentados, assim, as alegações acrescentadas pela recorrente no seu recurso voluntário. Neste sentido, com base no §3º do art. 57 do RICARF e no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, por concordar com todos os seus termos e conclusões, adoto as razões de decidir do colegiado de primeira instância, cujos excertos do voto transcrevo a seguir: Nos termos do inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional (CTN), o sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de “cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido”. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Vejase o Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11080.912711/201244 Acórdão n.º 1001000.488 S1C0T1 Fl. 190 9 natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º, § 1º) Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Art. 27. O disposto no parágrafo único do art. 26 não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao sujeito passivo o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9o, § 3º). No caso em análise, em síntese, a contribuinte alega teria pago valor a maior do imposto apurado no período e que teria retificado a DCTF, no intuito de comprovar suas alegações. Notase, então, que o direito creditório que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. A declaração do contribuinte em DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme dispões a legislação tributária (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, e demais atos normativos da RFB pertinentes a DCTF). Nos termos do § 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional – CTN, a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, no intuito de reduzir ou excluir tributo, somente é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Assim, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado no pedido de restituição é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Ainda, neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11080.912711/201244 Acórdão n.º 1001000.488 S1C0T1 Fl. 191 10 I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu Pedido de Restituição. Na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto. A respeito do requerimento da impugnante acerca da suspensão da exigibilidade dos débitos de sua responsabilidade – que são objeto do presente pleito compensatório – tratase de medida desnecessária, já que tal efeito decorre de expressa disposição legal, independentemente de manifestação desta instância administrativa. Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 191DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.902556/2012-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVADO.
Passível de restituição quando comprovada a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1001-000.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVADO. Passível de restituição quando comprovada a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 56 /2 01 2- 84 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10073.902556/201284 Acórdão n.º 1001000.490 S1C0T1 Fl. 183 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/ São Paulo I (SP), mediante o Acórdão nº 1653.115, de 27/11/2013 (efls. 78/83), objetivando a reforma do referido julgado que não reconheceu direito creditório interposto pleiteado. Dos fatos: Em 25/02/2010, a contribuinte transmitiu pela internet, através do programa PER/DCOMP, a Declaração de Compensação retificadora nº 33839.44275.250210.1.7. 042381 (efls. 02/06), (PER/DCOMP original: 26126.88035.040110.1.3.041060), informando: Direito creditório no valor de R$ 3.045,44 (valor original) devido ao seguinte pagamento indevido ou a maior do IRPJ: Período de Apuração Código de Receita Data de Arrecadação Valor Original do Crédito Inicial Crédito Original utilizado na Data da Transmissão Crédito Original utilizado na DCOMP 31/03/2007 0220 (Lucro Real trimestral) 29/06/2007 3.122,91 3.186,30 3.047,55 Débito compensado na DCOMP: Período de Apuração Código de Receita Data de Vencimento Valor Principal Multa Juros de Mora Valor Total Outubro/2009 2362 (Lucro Real Estimativa Mensal) 30/11/2009 3.485,00 402,51 60,29 3.186,30 Em 05/12/2012, a DRF/Volta Redonda emitiu Despacho Decisório (eletrônico), efl. 08, reconhecendo somente o valor do crédito de R$550,63, e denegando R$2.635,67, ambos valores originais, cuja fundamentação foi a seguinte: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERDCOMP(PD)/ DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO VALOR ORIGINAL DISPONÍVEL 3790558001 3.186,30 PD: 41125.00309.190710.1.7.041468 68,54 Db: cód 0220 PA 31/03/2007 2.567,13 550,63 VALOR TOTAL 2.635,67 550,63 A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (efl. 14), juntando ainda documentos, cujas razões, em resumo, que após a transmissão da PER/DCOMP retificou a DCTF do 1° semestre/2007, excluindo o débito de IRPJ referente ao período de apuração 31/03/2007 (cuja parte do Direito creditório serviu para liquidálo) e solicita o reconhecimento da RFB do recolhimento indevido e por conseguinte do direito ao crédito. A 4ª Turma da DRJ/São Paulo I, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a denegação do crédito pleiteado, cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10073.902556/201284 Acórdão n.º 1001000.490 S1C0T1 Fl. 184 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos declarados originalmente por intermédio de DCTF, não é suficiente para reformar a decisão que homologou parcialmente a compensação. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão da primeira instância, que julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em 09/12/2013, por Aviso de Recebimento –AR (efl. 89), a recorrente apresentou, em 31/12/2013, Recurso Voluntário (efls. 91/92) juntando documentos (efls. 93/144) e aduzindo em suas razões, in verbis: (...) 5. Ao verificar, portanto, que o darf com os dados de: período de apuração: 31/03/2007, código de receita 0220, valor total do DARF R$ 3.186,30 e data de arrecadação 29/06/2007, objeto do o crédito pleiteado, estava vinculado ao um débito inexistente na DCTF e, entendendo que esse era tão somente o motivo pelo qual a Receita Federal não encontrava subsídio para acatar o crédito, pareceu à empresa que sua ação seria exclusivamente a de corrigir a DCTF do 1º semestre/2007, o que de fato ocorreu. 6.O manifesto de inconformidade foi enfático em expressar o motivo da retificação da declaração. A inexistência do débito, (...) DCTF, poderia ser confrontada com a D1PJ, tendo em vista que o débito declarado inexistente se trata do IRPJ, cuja apuração é detalhada na DIPJ. 7. Foram apensados ao manifesto o recibo e cópia da declaração retificadora para a melhor compreensão da ação tomada. 8. Quanto ao fato da mesma ter sido transmitida após o despacho decisório, esclarece o contribuinte que ação não poderia ser diferente, pelo fato do despacho ter alertado o contribuinte para a incorreção cometida. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10073.902556/201284 Acórdão n.º 1001000.490 S1C0T1 Fl. 185 4 9. Entendendo que na denegação ao manifesto é que ficou expresso claramente que a Receita Federal desejava a presença de outros elementos ( Diário, etc ) que lhe dessem a certeza do direito ao crédito, o contribuinte entende que não cabe a aplicação da preclusão aludida para a apresentação desses elementos. 10. Tampouco não faria sentido o direito de interpor recurso que permita restaurar o direito ao crédito, se ao contribuinte não for dado o direito de apresentar provas. 11. Sendo assim, no exercício do direito de interpor recurso e mais ainda no objetivo de demonstrar que faz jus ao crédito requerido, anexa cópias autenticadas do livro Diário do ano de 2007 ( origem do crédito ) e do livro Diário de 2010, extraído do SPED contábil (compensação do crédito). (...) 12. Para tornar mais clara a identificação dos lançamentos do crédito no Diário de 2007, descreve abaixo as linhas relacionadas: a) Diário 2007, Livro 16, folha 184 Conta Banco Real S/A Ag. 0206 Miguel Pereira 1.01.01.02.0003 5492 Registro de pagamento do DARF no valor de R$ 3.186,30; b) Diário 2007, Livro 16, folha 184 Conta IRPJ a compensar 1.01.03.06.0003 320 Valor referente a pagamento de IRPJ do 1º trimestre/2007 no valor de R$ 3.186,30. 13. É oportuno mencionar, que o imposto excluído foi o IRPJ, e não a CSLL, conforme mencionado no item 8.3 do Acórdão. (...) Em 03/02/2015, os membros do colegiado da 2ª Turma Especial do CARF, mediante Resolução nº 1802000.615, resolvem, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, cujas considerações do Relator, que propôs a diligência, transcrevo a seguir: Nesta instância recursal, compulsando os autos, observa falhas na instrução processual que não permitem ao julgador formar convicção acerca do mérito da lide, ou seja, acerca do liquidez e certeza do crédito pleiteado. Senão vejamos: a) não há nos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007, quanto à apuração do IRPJ do 1º trimestre/2007; b) não há nos autos cópia da DCTF primitiva, quanto ao débito do IRPJ do 1º trimestre/2007; c) não há nos autos cópia da escrituração contábil/fiscal quanto à apuração da base de cálculo do imposto e do imposto apurado quanto ao 1º trimestre/2007 (livros Razão, Diário, LALUR etc) que pudesse comprovar o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva e que pudesse justificar a apresentação da DCTF retificadora de 17/12/2012 de efls. 51/74. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10073.902556/201284 Acórdão n.º 1001000.490 S1C0T1 Fl. 186 5 Nesta instância recursal, a recorrente juntou aos autos, apenas, cópia de 02 (duas) folhas do Livro Diário (efls. 122 e 124), ou seja: a) Diário 2007, Livro 16, folha 184 Conta Banco Real S/A Ag. 0206 Miguel Pereira 1.01.01.02.0003 5492 Registro de pagamento do DARF no valor de R$ 3.186,30; b) Diário 2007, Livro 16, folha 184 Conta IRPJ a compensar 1.01.03.06.0003 320 Valor referente a pagamento de IRPJ do 1º trimestre/2007 no valor de R$ 3.186,30. Como visto, há necessidade de saneamento do processo. Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Volta Redonda a fim de que a fiscalização da RFB: a) intime a contribuinte para, à luz da escrituração contábil, comprovar o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos (eventual divergência dos dados dessa DCTF primitiva e a DIPJ 2008, ano calendário 2007), no sentido de justificar a DCTF retificadora apresentada, transmitida em 17/12/2012 (efls. 51/74) e o pleito de restituição do alegado pagamento a maior ou indevido; b) intime a contribuinte a comprovar pagamentos/recolhimentos do IRPJ do 1º trimestre/2007, quanto ao débito confessado na DCTF primitiva; c) junte cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; d) junte cópia da DCTF primitiva do PA 1º trimestre/2007; e) confirme os pagamentos/recolhimentos. f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circunstanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos (se o crédito demandado existe ou não, e se está ou não disponível para restituição); (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Com o objetivo de delimitar as questões de mérito a serem analisadas, versa a presente lide acerca do crédito utilizado na DCOMP objeto dos autos, e reconhecido parcialmente pela decisão a quo, em virtude do seu aproveitamento parcial em outro débito de IRPJ, referente ao período de apuração de 31/03/2007, que a recorrente alega ser inexistente. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10073.902556/201284 Acórdão n.º 1001000.490 S1C0T1 Fl. 187 6 A SAORT da DRF/Volta Redonda (RJ) promoveu a devida diligência fiscal, para afastar as falhas na instrução processual apontadas na Resolução da Turma Especial do CARF, e elaborou relatório (efls. 249/251), cujos excertos transcrevo a seguir: (...) 05. Visando trazer aos autos os elementos necessários que pudessem atender à diligência solicitada (item “e”), consultouse o sistema interno da RFB – SIEF Documentos de Arrecadação com o intuito de buscar a confirmação do pagamento realizado em 29/06/2007, código de receita: 0220, no valor de R$ 3.186,30, e pelas telas anexadas aos autos (efl. 156) verificase a realização do mesmo. 06. Da mesma forma, em atendimentos aos itens “c” e “d” da diligência, foi juntada cópia da DIPJ 2008 – anocalendário 2007 (efls. 157 a 200), e, também, cópia da DCTF ORIGINAL do PA 1º Trimestre/2007, data de recepção: 04/10/2007, vide efls. 201 a 232. 07. Em atendimento aos itens “a” e “b”, foi feita a Intimação Saort nº 174/2017, em 07/04/2017, vide efl. 154, da qual tomou ciência em 17/04/2017, conforme Aviso de Recebimento –AR, à efl. 155, intimando que o interessado atendesse, comprovando o que foi solicitado, aos referidos itens. 08. Em 28/04/2017, tempestivamente, o interessado apresentou os documentos para atendimento da referida Intimação. Dentre os documentos apresentados, o mais relevante é o LALUR –Livro de Apuração do Lucro Real, vide efls. 233 a 248. Por meio desse Livro, verificase que no 1º Trimestre de 2007 a interessada apurou prejuízo contábil, no valor de R$ 172.516,17, vide efl. 234, e, consequentemente, o Imposto de Renda sobre o Lucro Real foi zero (efl. 236). Tais valores lançados no LALUR correspondem aos valores declarados na DIPJ 2008 anocalendário 2007: Prejuízo Contábil de R$ 172.516,17 declarado na Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real – PJ em Geral), vide efl. 177, e Imposto de Renda a Pagar igual a zero declarado na Ficha 12A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – PJ em Geral), vide efl. 183. Dessa forma, verificase uma coerência entre os valores escriturados no LALUR e os valores declarados em DIPJ. 09. Observouse, também, a data de entrega da DIPJ 2008 anocalendário 2007, que foi em 30/06/2008, portanto dentro do prazo, salientando que a mesma não foi objeto de retificação, vide efl. 153. Dessa forma, a entrega dessa DIPJ ocorreu anteriormente à data de transmissão da Declaração de Compensação nº 33839.44275.250210.1.7.042381 (efls. 02/06), que é o objeto do presente processo, ocorrida em 25/02/2010. 10. Nessa mesma esteira, verificouse as datas dos Termos de Abertura e Encerramento do LALUR Livro de Apuração do Lucro Real, que foram 01/01/2007 e 31/12/2007, respectivamente. 11. Conforme comentado na Resolução nº 1802000.615 (efl. 142), a recorrente juntou aos autos cópias de folhas do Livro Diário (efls. 122/124), e, por meio dos registros constantes dessas folhas, verificouse que foi escriturado corretamente o valor do IRPJ A COMPENSAR (R$ 3.045,44 –valor utilizado na DCOMP) na conta respectiva, demonstrando a intenção da empresa de recuperar o pagamento realizado em 29/06/2007, no valor de R$ 3.186,30, referente ao IRPJ do 1º Trimestre de 2007, vide efls. 122 e 124. Verificouse, também, que foi feito o lançamento do referido pagamento no Banco Real, Agência: 0206, em Miguel Pereira (efl. 122). Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10073.902556/201284 Acórdão n.º 1001000.490 S1C0T1 Fl. 188 7 12. De acordo com o já relatado no parágrafo 08, a DIPJ 2008 ano calendário 2007, que refletiu as informações econômicofiscais apuradas pela interessada, informou que o IRPJ a Pagar, referente ao 1º trimestre/2007, foi igual a zero (efl. 183), resultado de um prejuízo contábil de R$ 172.516,17 nesse trimestre, vide efl. 177. 13. Da mesma forma, os valores escriturados no LALUR Livro de Apuração do Lucro Real, vide parágrafo 08, estão em consonância com os argumentos da interessada a respeito do pagamento indevido. 14. Apesar da DCTF ORIGINAL do PA 1º Trimestre/2007, data de recepção: 04/10/2007, vide efls. 201 a 232, ter declarado um débito de IRPJ, código de receita: 0220, referente ao 1º Trimestre de 2007, no valor de R$ 7.548,20 (pago em 03 quotas), vide efls. 229 a 232, verificouse, à luz da escrituração contábil do interessado, que esse débito foi igual a zero. 15. Diante do todo exposto nos parágrafos anteriores, considerandose os registros contábeis escriturados (Livro Diário e LALUR Livro de Apuração do Lucro Real), bem como as informações declaradas na DIPJ 2008 anocalendário 2007, resta comprovado que o IRPJ a Pagar, referente ao 1º trimestre/2007, foi igual a zero, resultado de um prejuízo contábil de R$ 172.516,17 nesse trimestre. Vejamos a conclusão do AuditorFiscal ao final do Relatório: 16. Por fim, conforme solicitação contida no item “f” da Diligência, vide parágrafo 04, informo que o valor pago (R$ 3.186,30), por meio de DARF, em 29/06/2007, está disponível para restituição, reservado para o presente processo, de forma que após o julgamento final da presente lide será feita a operacionalização nos sistemas internos da RFB. Conforme bem demonstrado pelo relatório da diligência fiscal, cujos documentos comprobatórios foram insertos nos autos, resta comprovada a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de restituição Portanto, há de ser reformada a decisão dada pela autoridade administrativa de primeira instância. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003424/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
PERDCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea requer o pagamento do tributo. Considerando que o pagamento e a compensação são modalidades distintas de extinção do crédito tributário, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito por compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada e a multa moratória é devida estando o débito em atraso na data da compensação
Numero da decisão: 1301-002.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Eduardo Morgado Rodrigues que votaram por dar provimento ao recurso. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea requer o pagamento do tributo. Considerando que o pagamento e a compensação são modalidades distintas de extinção do crédito tributário, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito por compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada e a multa moratória é devida estando o débito em atraso na data da compensação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Eduardo Morgado Rodrigues que votaram por dar provimento ao recurso. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 34 24 /2 00 7- 17 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11516.003424/200717 Acórdão n.º 1301002.795 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de estimativa de CSLL, com débitos de COFINS referentes a períodos de apuração posteriores, transmitido após a data de vencimento dessas estimativas. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem reconheceu o valor do crédito pretendido e homologou, parcialmente, a compensação declarada. O valor reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, porque referida declaração foi enviada após o vencimento dos débitos nela informados, fato este que ensejou a cobrança pela autoridade fiscal da multa de mora sobre os débitos declarados/compensados em atraso. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirma que o reconhecimento do débito, bem como, dos juros de mora foram efetuados voluntariamente, o que torna indiscutível a aplicação do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, e exime o contribuinte da responsabilidade pelo pagamento da multa de mora, pois a efetivação das compensações se deu antes de qualquer procedimento de fiscalização. O Acórdão recorrido entendeu pela inaplicabilidade da denúncia espontânea ao caso concreto, fundamentando sua decisão na Nota Técnica nº 19 Cosit, de 12/06/2012, a qual conclui que nos casos em que o sujeito passivo compensa o débito mediante a apresentação de DCOMP, não se considera ocorrida a denúncia espontânea. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que não há insuficiência de crédito porque, apesar da compensação ter sido realizada depois do vencimento do débito, não há incidência de multa de mora, mas tão somente juros de mora, pois a quitação dos débitos (principal + juros de mora) ocorreu antes de qualquer notificação da Receita Federal. Acrescenta que o débito vencido quitado pela compensação não foi previamente confessado em declaração (DCTF), de modo que não seria aplicável a Súmula 306 do STJ, a qual estabelece que não há denúncia espontânea quando a compensação for feita depois que o débito estiver vencido e houver sido lançado por homologação mediante declaração do contribuinte. Com o intuito de corroborar suas alegações, cita o Acórdão nº 340101.045, que deu provimento a recurso por ela apresentado, sob o entendimento de que o débito vencido, não declarado e nem confessado por meio de DCTF, mas quitado, mediante o acréscimo apenas dos juros de mora, por meio de DCOMP, caracteriza o instituto da denúncia espontânea, o que implica no afastamento da multa de mora. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11516.003424/200717 Acórdão n.º 1301002.795 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.787, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.900843/201025, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.787): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Alega a recorrente que inexiste suficiência de crédito objeto da DCOMP, pois, apesar da compensação ter sido realizada depois do vencimento do débito, não haveria de incidir multa de mora, mas tão somente os juros de mora. Acrescenta que o débito liquidado mediante compensação, nele inclusos o principal e os juros de mora, antes de qualquer notificação ou procedimento fiscal da Receita Federal, afasta a incidência da multa de mora frente ao instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN. A solução da lide reside em determinar se a quitação do tributo por meio de compensação preenche os requisitos necessários à caracterização da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Veja o dispõe referido dispositivo legal: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifei) Verificase, portanto, que o instituto da denúncia espontânea está condicionado a duas exigências: a declaração do débito, espontaneamente, antes de qualquer procedimento de ofício e o pagamento do tributo devido acrescido dos juros de mora. No caso dos autos, a recorrente não promoveu qualquer pagamento de tributo, mas sim a compensação deles com créditos. De fato, a compensação e o pagamento são formas de extinção do crédito tributário elencadas no art. 156 do CTN, todavia, diversamente do pagamento que extingue o crédito a partir do momento em que realizado, a compensação está sujeita Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11516.003424/200717 Acórdão n.º 1301002.795 S1C3T1 Fl. 5 4 a posterior homologação, sob condição resolutória, podendo ser confirmada ou não a quitação do tributo, a depender da homologação da compensação. O art. 138 do CTN é taxativo ao estabelecer a necessidade do pagamento para caracterização da denúncia espontânea e, apesar da compensação também ser uma das formas de extinção do crédito tributário, ela não foi contemplada pelo instituto da denúncia espontânea. Nesse sentido, a recente decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, no AgInt no REsp 1.568.857, em julgamento realizado em 16/05/2017, conforme ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. Também neste órgão julgador várias são as decisões que se manifestam contrariamente à aplicabilidade da denúncia espontânea nos casos de débitos extintos por compensação: COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA Pagamento e compensação são modalidades de extinção do crédito tributário distintas, não apenas pela doutrina mas pelo próprio texto legal. A denúncia espontânea, para que se configure, requer o pagamento do tributo. Assim, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito pela via da compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada, e a multa moratória é devida, nos termos da lei, estando o débito em atraso na data da compensação. (Acórdão n° 1301001.991, sessão de 03/05/2016) COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE À compensação, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação por parte da autoridade Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11516.003424/200717 Acórdão n.º 1301002.795 S1C3T1 Fl. 6 5 administrativa competente, não se aplica o instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. (Acórdão nº 1301001.511, sessão de 07/05/2014) CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Declaração de Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Redator Com a devida vênia, divirjo do voto da Ilustre Relatora no que tange à apreciação da aplicabilidade da denúncia espontânea nos casos de débitos extintos por compensação: A denúncia espontânea de infrações é um instituto que afasta a aplicação de multas quando o contribuinte paga e confessa sua dívida antes de iniciado qualquer procedimento de fiscalização. Com efeito, verificase que a denúncia espontânea se constitui na declaração prestada pelo sujeito passivo da obrigação tributária de que havia cometido um ilícito tributário, mas que, em razão de seu arrependimento, procedese, de forma espontânea, a realização da referida obrigação, com os encargos que lhes são devidos, situação na qual o Fisco restará impedido de lhe aplicar tais sanções. Nesse sentido, a denúncia espontânea evita que o fato moratório seja constituído pela autoridade administrativa, ou seja, impede a constituição, de norma individual e concreta, do descumprimento de um dever, o que ocasionaria a implicação das multas. Desse modo, considerando que a Recorrente apresentou a DCOMP, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, de tal sorte a extinguir o crédito tributário em questão, bem como arcou com os encargos (juros de mora) de forma voluntária, devese, portanto, aproveitar das benesses trazidas pela denúncia espontânea, nos termos artigo 138 do CTN. Ademais, considerando que o processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, segundo o qual fatos inexistentes ou erros evidentes não devem prosperar em detrimento da verdade material, inobstante a presunção de veracidade relativa dos atos administrativos. Igualmente, em decorrência deste princípio, impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo Fisco. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11516.003424/200717 Acórdão n.º 1301002.795 S1C3T1 Fl. 7 6 Desta feita, uma vez confirmado o direito do contribuinte, entendo que deve ser aceito o instituto da denúncia espontânea, por meio de compensação. Por conseqüência, deve ser afastada a multa de mora. Diante disso, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, devendo ser homologada a compensação pleiteada. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.721103/2014-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2014
SIMPLES NACIONAL. INEXISTÊNCIA DE PENDÊNCIAS. OPÇÃO DEVE SER DEFERIDA.
Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, foram pagos ou parcelados em sua totalidade dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional deve ser deferido o pedido de inclusão do contribuinte nesse regime.
Numero da decisão: 1001-000.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2014 SIMPLES NACIONAL. INEXISTÊNCIA DE PENDÊNCIAS. OPÇÃO DEVE SER DEFERIDA. Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, foram pagos ou parcelados em sua totalidade dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional deve ser deferido o pedido de inclusão do contribuinte nesse regime.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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INEXISTÊNCIA DE PENDÊNCIAS. OPÇÃO DEVE SER DEFERIDA. Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, foram pagos ou parcelados em sua totalidade dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional deve ser deferido o pedido de inclusão do contribuinte nesse regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 11 03 /2 01 4- 77 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10469.721103/201477 Acórdão n.º 1001000.499 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 50 a 52) interposto contra o Acórdão nº 0130.303, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 45 a 47), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO: 2014 Ementa: SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS. Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, não foram pagos ou parcelados em sua totalidade dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional, ou seja, até 31 de janeiro no anocalendário de 2014, é correto indeferimento do pedido de inclusão do contribuinte nesse regime. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " 1. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado contra o TERMO DE INDEFERIMENTO, fls.03, que impediu sua adesão ao Simples Nacional, com data de registro em 18/02/2014. 2. O motivo do indeferimento foi a existência de débito não previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa, listados à fl.37. 3. Em sua Manifestação de Inconformidade em 18/02/2014, fl.02, o contribuinte alega que a pendência foi sanada em 13/01/2014. 4. Requer a inclusão no SIMPLES NACIONAL." Inconformada com a decisão de primeiro grau, que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário esclarecendo que em data de 31/01/2014 quitou o remanescente do débito, conforme recibo apresentado, e requereu, assim, a reconsideração da decisão. Em julgamento na data de 07/12/2017, o presente feito foi baixado em diligência para que a autoridade fiscal analisasse os comprovantes de recolhimento Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10469.721103/201477 Acórdão n.º 1001000.499 S1C0T1 Fl. 4 3 apresentados pelo contribuinte e esclarecesse se seriam suficientes para a quitação dos débitos que motivaram o Indeferimento da Opção pelo Simples. Cumprida a diligência, retorna o feito para julgamento por esta Turma. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da análise dos documentos constantes dos autos e demais esclarecimentos e considerações feitas pelo tanto pelo próprio interessado quanto pela fiscalização, extraise que o contribuinte tinha pendência fiscal no importe de R$ 500,00, situação que obstava o deferimento de sua opção pelo Simples. Igualmente, têmse que em data de 08/01/2014 o contribuinte realizou o recolhimento do valor de R$ 500,00, contudo, após considerados os acréscimos legais, foi amortizado tão somente o importe de R$ 430,29 do montante total devido. Tal circunstância foi consignada pela DRJ de origem em sua decisão, servindo de fundamentação para a já relatada negativa das pretensões do contribuinte. Todavia, a Recorrente colacionou recibo de recolhimento de DARF no importe de total de R$ 91,00 (discriminando R$ 69,71 como montante principal e mais R$ 11,29 a título de juros) datado de 31/01/2014 (fls. 19 e 52). Impende dizer que este segundo recolhimento não foi considerado na decisão em tela. Conforme constou do Relatório de Pendências (fl. 4) dia 31/01/2014 era justamente o termo do prazo para a regularização de seus débitos para que fosse possível a opção pelo regime simplificado. Neste esteio, o processo foi baixado em diligência por ocasião do julgamento de 07/12/2017, para que a autoridade fiscal analisasse o recolhimento supracitado e esclarecesse se seriam suficiente para a quitação dos débitos constante no Relatório de Pendências. Por sua objetividade e clareza, peço vênia para transcrever in totum a resposta da diligente DRF à diligência determinada: "O contribuinte impugnou Termo de Indeferimento da opção pelo Simples Nacional , sob alegação de ter regularizado os débitos pendentes dentro do prazo previsto. 2. O processo, com impugnação tempestiva, foi enviado a DRJ/Recife para apreciação, a qual considerou a manifestação de inconformidade improcedente. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10469.721103/201477 Acórdão n.º 1001000.499 S1C0T1 Fl. 5 4 Inconformada, a interessada apresentou Recurso Voluntário interposto contra o Acordão nº 0130.303, proferido pela 2º Turma da DRJ/Belém/PA junto ao CARF, o qual reenviou a esta Delegacia para proceder a diligências em relação ao pagamento apontado pelo contribuinte, o qual se verificou que parte do pagamento recolhido em 31/01/2014 não estava alocado ao débito. 3. O pagamento foi localizado e alocado ao débito correspondente, conforme fls. 61/62, estando o débito integralmente quitado.(ver fl.62). (Grifei) 4. Face ao exposto, proponho o retorno do processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme solicitado na Resolução 1001 000.010." Conforme resposta acima, corroborado pelas telas de sistema às fls. 6162, temse que fora quitado, tempestivamente, o débito que fundamentou o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional. Destarte, sem necessidades de maiores argumentos, devese concluir pela procedência dos argumentos da Recorrente e reconhecer o seu direito na opção pretendida. Em face a todo o exposto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, com a consequente reforma da decisão de origem para determinar o enquadramento do contribuinte no Simples Nacional referente ao anocalendário de 2014. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002204/2010-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 04 /2 01 0- 93 Fl. 414DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 415DF CARF MF Processo nº 19515.002204/201093 Acórdão n.º 2201004.214 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 416DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 19515.002204/201093 Acórdão n.º 2201004.214 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 418DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 419DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.724787/2016-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. OPÇÃO.
Ao optar pelo DTE, o contribuinte se obriga às condições integrais doTermo de Opção, inclusive a de realizar o acompanhamento das mensagens registradas em sua caixa postal eletrônica, inviabilizando qualquer argumento contrário às suas cláusulas.
CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. COMUNICAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO.
Considera-se eficaz a ciência de auto de infração quando realizada por meio eletrônico (internet) no Domicilio Tributário Eletrônico - DTE eleito pelo contribuinte perante a Receita Federal, nos termos do processo administrativo fiscal.
IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO LEGAL DE RECURSO.
Constatado nos autos que a Impugnação foi apresentada após o transcurso do prazo de trinta dias da intimação válida, deve-se considerá-la intempestiva.
Numero da decisão: 1301-002.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário somente em relação à arguição de tempestividade da apresentação da impugnação, e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentânea e justificadamente o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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OPÇÃO. Ao optar pelo DTE, o contribuinte se obriga às condições integrais doTermo de Opção, inclusive a de realizar o acompanhamento das mensagens registradas em sua caixa postal eletrônica, inviabilizando qualquer argumento contrário às suas cláusulas. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. COMUNICAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. Considerase eficaz a ciência de auto de infração quando realizada por meio eletrônico (internet) no Domicilio Tributário Eletrônico DTE eleito pelo contribuinte perante a Receita Federal, nos termos do processo administrativo fiscal. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO LEGAL DE RECURSO. Constatado nos autos que a Impugnação foi apresentada após o transcurso do prazo de trinta dias da intimação válida, devese considerála intempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário somente em relação à arguição de tempestividade da apresentação da impugnação, e negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentânea e justificadamente o Conselheiro Marcos Paulo Leme AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 47 87 /2 01 6- 02 Fl. 14634DF CARF MF Processo nº 12448.724787/201602 Acórdão n.º 1301002.999 S1C3T1 Fl. 14.635 2 Brisola Caseiro. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 14635DF CARF MF Processo nº 12448.724787/201602 Acórdão n.º 1301002.999 S1C3T1 Fl. 14.636 3 Relatório MERCOCAMP COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A recorre a este Conselho em face do acórdão nº 1465.194 pela 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que não conheceu da impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: I. Da Autuação Trata o presente processo do Auto de Infração lavrado em face da pessoa jurídica em epígrafe para a exigência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e tributação reflexa (CSLL, IRRF, PIS e Cofins reflexos), relativos ao anocalendário 2011, pela apuração das seguintes infrações: a) omissão de receitas por presunção legal depósitos bancários de origem não comprovada; b) custos, despesas operacionais e encargos bens de natureza permanente deduzidos como custo ou despesa; c) custos, despesas operacionais e encargos despesas não comprovadas; e multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada. Os autos de infração têm a composição a seguir: [...] A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse descritos nos campos próprios do Auto de Infração e os fundamentos fáticos e jurídicos que ensejaram a autuação foram pormenorizadamente delineados no Termo de Constatação Fiscal de fls. 13.741/13.762. Registrese, por oportuno, que ante a ausência de impugnação ou interposição de outra medida, judicial ou administrativa, suspensiva da exigibilidade do crédito tributário até aquela data, em 22/09/2016 a Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória/ES lavrou o Termo de Revelia à fl. 13.829, bem como encaminhou à autuada a Carta Cobrança de fls. 13.830/13.837, de que foi cientificada em 22/09/2016; ciência esta realizada através de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem à fl. 13.840, por seu procurador JARBAS PATVA DA SILVA, CPF n° 690.191.85500. 11. Da Impugnação Cientificada do lançamento em 15/07/2016 por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem à fl. 13.799 (ciência esta realizada por seu procurador JARBAS PAIVA DA SILVA, CPF n° 690.191.85500) a contribuinte apresentou, em 24/10/2016, a Impugnação de fls. 13.842/13.921, na qual alega, preliminarmente, a tempestividade daquela defesa, nos seguintes termos: 006. Conforme consta do TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, a Impugnante teve ciência da intimação dos autos de infração por "meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico Fl. 14636DF CARF MF Processo nº 12448.724787/201602 Acórdão n.º 1301002.999 S1C3T1 Fl. 14.637 4 (DTE) perante a RFB, ciência esta realizada por seu procurador 690.191.85500 JARBAS PAIVA DA SILVA, na data de 15/07/2016 14:22:17, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, §2°, inciso III, alínea 'b' do Decreto n° 70.235/72. 7. No entanto, a ciência apontada pelo Termo supracitado é absolutamente nula, eis que o procurador identificado não tem procuração específica para atuação no processo que encarta os autos de infração ora impugnados. 8. Desta forma, a pessoa que supostamente tomou ciência, não tinha poderes para a prática de tal ato, haja vista que é apenas o contador da empresa, responsável pela escrita fiscal e contábil da Recorrente, SEM QUALQUER PODER PARA ATUAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. 9. Quadra enfatizar, que a Impugnante tomou inequívoca ciência das autuações recentemente, quando da existência da carta de cobrança posteriormente expedida. 10. Conforme reiteradas decisões administrativas e judiciais, é cediço que a notificação através de preposto ou mandatário só é admissível com a comprovada regularidade do instrumento de mandato, de maneira que a o instrumento sem poderes específicos em processo administrativo tributário, equiparase a ausência de outorga de mandato. (...) 12. Com efeito, é de se constatar a flagrante nulidade da ciência supostamente tomada pelo procurador, Sr. Jarbas Paiva da Silva, haja vista a inexistência de poderes para atuar em nome da Impugnante no presente processo 012. Com efeito, é de se constatar a flagrante nulidade da ciência supostamente tomada pelo procurador, Sr. Jarbas Paiva da Silva, haja vista a inexistência de poderes para atuar em nome da Impugnante no presente processo 6 administrativo tributário, de forma que a presente Impugnação é manifestamente TEMPESTIVA. 13. Isto posto, é indispensável que o Termo de Revelia lavrado em data desconhecida (???), acostado às fls. 194, seja tornado sem efeito, com o consequente conhecimento da presente Impugnação. 14. A propósito, é de se verificar que o Termo de Revelia, necessário ao impedimento do protocolo da Impugnação é nulo, eis que não preenche minimamente os requisitos insculpidos no Decreto n° 70.235/72, especialmente os contidos no artigo 2o e seguintes, que dispõem, in litteris: (...) 17. No caso em exame, verificase que o Termo de Revelia contido no processo administrativo (Fls. 194), bem como o próprio Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (Fls. 164), NÃO TRAZEM A IDENTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE que os lavrou, estando ausente um dos requisitos essenciais à validade dos citados atos. 18. Nem se diga que os atos processuais e termos dispensam a assinatura da autoridade competente, eis que o artigo 64B do supracitado Decreto, exige que os documentos produzidos nos autos eletrônicos sejam firmados por meio de certificado digital das autoridades competentes, evitando documentos apócrifos, sem qualquer valor nos autos do processo administrativo tributário. Vejamos, in litteris: (...) Fl. 14637DF CARF MF Processo nº 12448.724787/201602 Acórdão n.º 1301002.999 S1C3T1 Fl. 14.638 5 027. Isto posto, pugna a Impugnante, pelo recebimento da presente Impugnação, operandose, de imediato, a suspensão da exigibilidade do crédito objeto dos autos de infração, com fulcro na ADNCOSIT n°. 15/96. Após, passa a impugnante a abordar as questões relativas aos fatos que ensejaram a autuação, argui a nulidade do auto de infração, sob a alegação de cerceamento de defesa; e, no mérito, afirma a regularidade de sua conduta e/ou vícios na constatação dos fatos pela Autoridade Fiscal, que levariam à nulidade/improcedência do lançamento. Aduz, ainda, possível efeito confiscatório das multas aplicadas e requer a exclusão ou redução destas. Por fim, pugna pelo recebimento da impugnação apresentada, ressaltando a arguição, em sede preliminar, da tempestividade desta, com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário contestado, bem como pelo provimento da defesa, decretandose a nulidade do auto de infração ou julgandose improcedente a autuação, em sua totalidade. Caso tais pedidos não sejam admitidos, postula a exclusão ou a redução da multa aplicada. Analisando a impugnação apresentada, o colegiado de primeira instância dela conheceu somente quanto à preliminar de tempestividade, rejeitandoa. O contribuinte foi cientificado da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 14551), apresentando recurso voluntário de fls. 1455414631 em 18 de abril de 2017 (fl. 14552). Em síntese, reafirma os argumentos de sua impugnação, em especial quanto à preliminar de tempestividade daquela, requerendo a cassação da decisão de primeira instância e o retorno dos autos ao colegiado a quo para apreciação do mérito da exigência. Subsidiariamente requer a nulidade do auto de infração ou, ainda, a improcedência a autuação em sua totalidade. Se rejeitados esses pedidos, postula a exclusão ou a redução da multa aplicada. É o relatório. Fl. 14638DF CARF MF Processo nº 12448.724787/201602 Acórdão n.º 1301002.999 S1C3T1 Fl. 14.639 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo. Passo à sua análise. 2 REFORMA DECISÃO RECORRIDA 2.1 NULIDADE DA INTIMAÇÃO E CONSEQUENTE ERRO NA LAVRATURA DO TERMO DE REVELIA Aduz a recorrente que o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem seria nulo porque a ciência se deu por meio de seu contador, sem poderes para ciência, ao contrário do alegado pela decisão de primeira instância. Pois bem, assim dispõe o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972: "Art. 23. Farseá a intimação: 1 pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005) § lº Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) 1 no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; Fl. 14639DF CARF MF Processo nº 12448.724787/201602 Acórdão n.º 1301002.999 S1C3T1 Fl. 14.640 7 II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei n° 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereco eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei n° 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei n° 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) (...) [grifos nossos] Conforme se observa, há previsão legal específica que permite como forma de ciência, além da pessoal, por via postal e edital, sempre previstas na legislação, também por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante envio ao domicílio tributário do sujeito passivo, nos termos de regulamentação a ser realizada pela Receita Federal. Nesse contexto foi editada a Instrução Normativa SRF n° 580, de 2005, instituindo Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC), com o objetivo de propiciar o atendimento aos contribuintes de forma interativa, por intermédio da Internet. No inciso XII do art. 2º dessa norma complementar disciplinou como se seria fixado o endereço eletrônico a que se refere o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: Art. 2o O eCAC possibilitará, entre outras, as seguintes opções de atendimento: [...] Fl. 14640DF CARF MF Processo nº 12448.724787/201602 Acórdão n.º 1301002.999 S1C3T1 Fl. 14.641 8 XII criação de endereço eletrônico para comunicação entre a administração tributária e o sujeito passivo. Na sequência, editouse a Instrução Normativa SRF n° 664, de 2006, que em seu art. 1º instituiu o Domicílio Tributário Eletrônico DTE. Vejase: Art.1I o Ficam aprovados o Termo de Opção por Domicilio Tributário Eletrônico e o Termo de Cancelamento de Opção por Domicilio Tributário Eletrônico constantes, respectivamente, dos Anexos I e II. § 1° Os Termos a que se refere o caput estão disponíveis no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC), na página da Secretaria da Receita Federal na Internet, no endereço § 2o Para acesso ao eCAC é obrigatória a utilização de certificado digital válido, conforme disposto no art. 1º da Instrução Normativa SRF n° 580, de 12 de dezembro de 2005. A IN SRF n° 580/2005 foi revogada pela Instrução Normativa RFB N° 1.077, de 2010, basicamente nos mesmos termos que a anterior, incluindo ainda alguns serviços adicionais. O importante é destacar que no inciso II do art. 2º dessa IN1 determinouse que os serviços elencados em seu Anexo II deveriam ser acessados exclusivamente por meio de certificado digital, entre eles a Caixa Postal do Domicílio Tributário Eletrônico – DTE. Convém ressaltar que, a teor do que dispõe o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, nenhum contribuinte é obrigado a optar pelo DTE, mas, caso opte, não o contribuinte informa que desejar receber todas as comunicações pela sua Caixa Postal no portal do eCAC, não podendo, a seu bel prazer, escolher quais tipos de intimações serão ou não realizadas via DTE. Por oportuno, reproduzo o texto do Termo de Opção pelo DTE que é emitido ao contribuinte fazer essa opção, conforme consta no voto condutor do aresto recorrido: "Termo de Opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico CNPJ: XX.XXX.XXX/XXXXXX Nome: XXXXXXXXXXXXXXXXXXX Orientações sobre o funcionamento do Domicílio Tributário Eletrônico na Caixa Postal do eCAC A opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) permitirá o recebimento de mensagens de comunicações de atos oficiais (intimações) da Administração Tributária em sua Caixa Postal Eletrônica no Centro Virtual de Atendimento (eCAC) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Essas comunicações substituirão as intimações postais, pessoais ou por edital, sendo recomendável que a Caixa Postal eletrônica seja consultada, no mínimo, a cada 15 dias. Atenção: E importante observar que o 1 Art. 2º No eCAC estão disponíveis as seguintes opções de acesso aos serviços: I por meio de certificado digital ou código de acesso, os serviços elencados no Anexo I; II exclusivamente por meio de certificado digital os serviços elencados no Anexo II. Fl. 14641DF CARF MF Processo nº 12448.724787/201602 Acórdão n.º 1301002.999 S1C3T1 Fl. 14.642 9 contribuinte é considerado intimado em 15 (quinze) dias contados do dia seguinte ao registro da comunicação na Caixa Postal eletrônica ou na data em que efetuar a consulta à mensagem ou ao documento objeto da comunicação, caso esta consulta seja realizada anteriormente ao prazo de 15 (quinze) dias do envio da comunicação, conforme previsto no art. 2o, parágrafo único, e art. 23, inciso III, §2°, inciso III, § 3o e § 4o do Decreto n° 70.235, de 6 de outubro de 1972. Para auxiliálo no controle dos prazos, após a adesão, o aplicativo permitirá o cadastramento de até 3 (três) celulares ou emails de sua preferência para o recebimento de SMS ou de um alerta a respeito da existência de comunicações importantes na sua Caixa Postal, as quais deverão ser lidas por meio do acesso ao eCAC. Não serão enviados SMS ou email com o conteúdo das intimações. Ao cadastrar um celular ou email, será exigido o cadastramento de uma "palavrachave" que será informada no campo assunto do SMS ou email, indicando que a mensagem provém da Administração, por isso, essa "palavra chave" que deve ser mantida em sigilo. Para manter o acesso a sua Caixa Postal, será necessário atender sempre os requisitos de acesso ao eCAC, constantes da Instrução Normativa RFB n° 1.077, de 29 de outubro de 2010, e suas alterações posteriores. As mensagens de comunicação de atos oficiais (intimações) permanecerão em exibição na Caixa Postal pelo prazo mínimo de 15 (quinze) anos ou até serem excluídas pelo próprio usuário (titular, procurador ou representante legal) que tenha acessado o e CAC com a utilização de certificação digital. A adesão ao DTE não impede que a Administração Tributária se utilize das formas de notificação postal e pessoal previstas do processo administrativo fiscal, uma vez que estas três formas não estão sujeitas a ordem de preferência." [grifos nossos] Nesse contexto, considerase intimado o contribuinte, optante pelo DTE, no momento da abertura da mensagem. No caso concreto, a abertura da mensagem se deu em 15 de julho de 2016, nos termos do Termo de Ciência de fl. 13.799, constando a ciência efetiva dos seguintes documentos: Auto de Infração, Termo de Constatação Fiscal, Auto de infração Outros Al CSLL Reflexo, Auto de infração Outros Al IRRF Reflexo, Auto de Infração Outros Al COFINS Reflexo, Auto de Infração Outros Al PIS Reflexo Auto de Infração Outros Al IRRF e Termo de Encerramento de Ação Fiscal. O argumento da recorrente de que somente teve ciência do lançamento quando do recebimento da carta cobrança depõe contra ela própria, pois, conforme Termo de Ciência à fl. 13.840, a ciência também foi realizada pelo mesmo procurador habilitado eletronicamente, a saber, Sr. Jarbas Paiva da Silva. Convém destacar o perfeito raciocínio analógico realizado pela decisão de primeira instância: Tal situação equivale a de alguém receber uma correspondência em casa, assinar o aviso de recebimento AR dos correios e não abrir o envelope. Nessa situação hipotética, a ciência ocorreria na data do recebimento da correspondência ou quando da abertura do envelope? A resposta fica evidente. A ciência é na data em que o Fl. 14642DF CARF MF Processo nº 12448.724787/201602 Acórdão n.º 1301002.999 S1C3T1 Fl. 14.643 10 documento/envelope foi entregue. Abrir ou não o envelope é uma liberalidade de quem recebe. Quanto à validade da ciência realizada pelo DTE, traçando um paralelo com casos análogos, temos que a jurisprudência é farta em reconhecer como válida uma correspondência enviada ao endereço constante do Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas CNPJ e assinada por um funcionário da empresa. Ora, se o documento foi entregue no endereço e assinado por um funcionário da empresa, não importa se o documento recepcionado chegou ao represente legal, administrador ou setor jurídico/contábil. A ciência se aperfeiçoou na entrega no endereço certo e recebido por funcionário, ou seja, por quem havia autorização para receber correspondências. Portanto, fica sob a responsabilidade da empresa determinar ou não quais funcionários recebem ou não recebem correspondências para a empresa. Acrescentese que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF editou a Súmula n° 9, consolidando o entendimento acerca do recebimento de notificação no endereço eleito pelo contribuinte: "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." Vale relembrar que o art. 23, §3°, do PAF não impõe ordem de preferência nas modalidades de notificação, seja pessoal, postal ou por meio eletrônico, ou seja, tem a mesma força para efeito de notificação qualquer um dos meios empregados. Vide: "Art. 23. Farseá a intimação: § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) Diante desse caso, para as empresas com maior porte, fica muito mais fácil o recebimento das correspondências se o controle for eletrônico. E, visando justamente tornar mais fácil o controle e o acesso às comunicações oficiais emitidas pela RFB, foi franqueada aos contribuintes a possibilidade de optar pelo DTE, onde todas as comunicações seriam concentradas em um único lugar (Caixa Postal no portal do e CAC) e somente a pessoa com poderes para tal teria acesso. Fato que evitaria o extravio de documentos e até mesmo facilitaria uma tomada de decisão mais rápida. Ressaltese, novamente, que a opção pelo DTE foi uma decisão da contribuinte. Ao assim decidir/optar, arcou com as consequências daí advindas, pois, houve uma obrigação assumida com a adesão ao DTE, qual seja, a de realizar o acompanhamento das mensagens registradas em sua caixa postal eletrônica. Nesse mesmo sentido, já se manifestou o CARF: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008 Fl. 14643DF CARF MF Processo nº 12448.724787/201602 Acórdão n.º 1301002.999 S1C3T1 Fl. 14.644 11 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). INTIMAÇÃO ELETRÔNICA. VALIDADE. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do art 23 do Decreto n° 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, revestindose de definitividade e irreformabilidade, em âmbito administrativo, o acórdão de primeiro grau exarado, considerandose válida a intimação eletrônica efetuada através de caixa postal própria, vinculada a regime de Domicílio Eletrônico Tributário DTE, cuja adesão realizouse espontaneamente pelo contribuinte. Recurso voluntário não conhecido." (Processo n° 10580.722578/201313, 4a Câmara1ª a Turma Ordinária do CARF. Acórdão 3401003.178. Sessão dia 17/05/2016. Publicado dia 01/06/2016) É evidente que, ao aderir ao DTE, a contribuinte se obriga às condições integrais do Termo de Opção, inviabilizando qualquer argumento contrário às suas cláusulas. Ainda que, porventura, fosse reputada inválida a ciência realizada em 15/07/2016 pela abertura da mensagem na Caixa Postal da contribuinte, ela teria sido considerada notificada, em virtude da opção pelo DTE, em 28/07/2016, isto é, 15 (quinze) dias após o envio da intimação do lançamento para seu domicílio tributário eletrônico, nos termos do art. 23, § 2o, III, alínea "a", do PAF: § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei n° 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 12.844, de 2013) (grifouse) Portanto, ainda que sob este enquadramento, é claramente intempestiva a impugnação apresentada pela autuada somente em 24/10/2016, razão pela qual resta cabalmente afastada a preliminar de tempestividade suscitada. No que diz respeito à alegação de que o Termo de Revelia não conteria a data e a identificação da autoridade que o lavrou, assim consta no voto condutor do aresto recorrido: [...] observo que tal documento foi lavrado em meio eletrônico e devidamente autenticado e assinado digitalmente pelo servidor responsável, conforme consulta ao sistema eprocesso: Assim sendo, a intempestividade da impugnação mostrase evidente. E a esse respeito, convém destacar os efeitos dessa intempestividade, a teor do que o § 2 do art. 56 do Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 56. [...] Fl. 14644DF CARF MF Processo nº 12448.724787/201602 Acórdão n.º 1301002.999 S1C3T1 Fl. 14.645 12 §2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Como consequência, não há reparos à decisão de primeira instância que conheceu da impugnação somente quanto à preliminar de tempestividade, para rejeitála. Apresentado recurso voluntário questionando a decisão de primeira instância quanto à conclusão da intempestividade da impugnação apresentada, e também adentrando ao mérito da exigência, há de se adotar o mesmo raciocínio levado a efeito pela turma a quo: conhecer do recurso voluntário somente no que diz respeito à arguição da tempestividade da impugnação, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. CONCLUSÃO Isso posto, voto por em conhecer do recurso voluntário somente em relação à arguição de tempestividade da apresentação da impugnação, e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 14645DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.723108/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE DISPOSITIVO E VOTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Cabem embargos quando o acórdão apresenta omissão, contradição ou obscuridade. Configura contradição a divergência de entendimento expresso no voto e no dispositivo da decisão. Prevalece a tese sustentada no voto. Aplicam-se efeitos infringentes.
VALE TRANSPORTE.
O vale transporte quando pago em dinheiro e previsto em Convenção Coletiva do Trabalho, não enseja salário contribuição.
Isto porque, o artigo 5° II da Carta Magna reza que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer, senão em virtude de lei (Princípio da Legalidade). Mas esta mesma Constituição diz que faz parte do direito do trabalhador o reconhecimento das convenções coletivas do trabalho.
No presente caso não foi comprovado a previsão de pagamento de vale transporte em pecúnia.
DILAÇÃO DE PRAZO PARA PRODUÇÃO DE PROVAS.
Seguindo inteligência do Decreto 70.235 de 1972, em especial no artigo 16, IV, é imprescindível que seja demonstrada as razões justificadas da produção de prova.
No presente caso a Recorrente tão somente justificou-se para conseguir a dilação, que é empresa de atuação nacional e outras provas estariam, por certo, em outros estabelecimentos.
MULTA
No presente caso, a multa que mais beneficia a Recorrente é a do Artigo 61 da Lei 9.430 de 1996, até 11 de 2008.
Numero da decisão: 2301-005.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301-003.028, de 18/09/2012, rerratificar o acórdão embargado, de modo a adequar o dispositivo da decisão ao que consta do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Wesley Rocha e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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CONTRADIÇÃO ENTRE DISPOSITIVO E VOTO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos quando o acórdão apresenta omissão, contradição ou obscuridade. Configura contradição a divergência de entendimento expresso no voto e no dispositivo da decisão. Prevalece a tese sustentada no voto. Aplicamse efeitos infringentes. VALE TRANSPORTE. O vale transporte quando pago em dinheiro e previsto em Convenção Coletiva do Trabalho, não enseja salário contribuição. Isto porque, o artigo 5° II da Carta Magna reza que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer, senão em virtude de lei (Princípio da Legalidade). Mas esta mesma Constituição diz que faz parte do direito do trabalhador o reconhecimento das convenções coletivas do trabalho. No presente caso não foi comprovado a previsão de pagamento de vale transporte em pecúnia. DILAÇÃO DE PRAZO PARA PRODUÇÃO DE PROVAS. Seguindo inteligência do Decreto 70.235 de 1972, em especial no artigo 16, IV, é imprescindível que seja demonstrada as razões justificadas da produção de prova. No presente caso a Recorrente tão somente justificouse para conseguir a dilação, que é empresa de atuação nacional e outras provas estariam, por certo, em outros estabelecimentos. MULTA No presente caso, a multa que mais beneficia a Recorrente é a do Artigo 61 da Lei 9.430 de 1996, até 11 de 2008. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 31 08 /2 01 0- 15 Fl. 3026DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301003.028, de 18/09/2012, rerratificar o acórdão embargado, de modo a adequar o dispositivo da decisão ao que consta do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Wesley Rocha e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Tratamse de embargos interpostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2301003.028. A embargante sustentou ter havido contradição entre o dispositivo da decisão, que indica provimento ao recurso voluntário na questão do valetransporte nos termos do voto do relator, e o próprio voto do relator, onde se constata a manutenção da autuação. Os embargos foram admitidos pelo presidente desta turma. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. A Embargante alega a existência de contradição entre o dispositivo da decisão e o voto. De fato, a contradição está evidente. O dispositivo da decisão assinalou o provimento do recurso voluntário, com a consequente desoneração do contribuinte no que se refere à incidência de contribuição previdenciária sobre valetransporte. Dele consta: Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do vale transporte, nos termos do voto do Relator; (Sem grifo no original.) Porém, ao analisar a matéria, o relator assim se manifestou em seu voto: Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 10166.723108/201015 Acórdão n.º 2301005.297 S2C3T1 Fl. 3.027 3 É bem verdade que o artigo 5° do Decreto 95.247/87, vedou a substituição do valetransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, que não seja o vale transporte. Mas a Lei 7.4181985, que instituiu o vale transporte, não faz menção neste sentido. Ao contrário, ela diz ser direito do trabalhador, respeitando o acordo ou a convenção coletiva de trabalho e que não possui natureza salarial. (Grifo do original.) ......................................................................................................... Neste sentir, se julgar que o Decreto 95.247 de 87 é o instituir de regras para o pagamento do vale transporte, estaríamos admitindo a sua superioridade à Lei 7.418 de 85, pois, dito pela lei em destaque, a regra geral é o pagamento do vale transporte. Só que no presente caso não foi localizada a previsão em convenção coletiva de trabalho, razão pela qual penso que deve ser mantida a autuação nesta rubrica. (Sem grifo no original.) ......................................................................................................... CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, tenho que o mesmo deve ser conhecido, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO quanto o reconhecimento de não incidência de contribuição social em vale transporte paga em espécie ao trabalhador se atende o objeto da lei, bem como, no mérito, aplicar a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, mantendo o crédito tributário a integralidade da decisão ‘a quo’ nas demais rubricas. (Sem grifo no original.) A tese exposta pelo relator, e que recebeu a adesão unânime da turma, foi de que o valetransporte poderia ser pago em dinheiro, uma vez que a lei não trouxe limitação quanto a isso e o decreto regulamentador não poderia fazêlo. Porém, as condições da lei deveriam ser observadas e, no caso em concreto, uma das condições, que é a previsão do pagamento do benefício em convenção coletiva, não teria sido adimplida pelo contribuinte, razão pela qual o relator pugnou pela manutenção da autuação. O texto da ementa reforça o entendimento do colegiado de que a convenção coletiva é condição necessária à exclusão do valetransporte do salário de contribuição: O vale transporte quando pago em dinheiro e previsto em Convenção Coletiva do Trabalho, não enseja salário contribuição.(Grifo do original.) Voto por acolher os embargos e rerratificar o acórdão embargado, dandolhe efeitos infringentes, de modo a adequar o dispositivo da decisão ao que consta do voto do relator. Fl. 3028DF CARF MF 4 João Maurício Vital Relator Fl. 3029DF CARF MF
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Numero do processo: 10746.904187/2012-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.335
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 41 87 /2 01 2- 02 Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 10746.904187/201202 Acórdão n.º 3301004.335 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.836, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.561. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o indeferimento total do Pedido de Restituição. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte veio "declarar que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 10746.904187/201202 Acórdão n.º 3301004.335 S3C3T1 Fl. 4 3 Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente"(sic). É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.331, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904181/201227, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.331): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 10746.904187/201202 Acórdão n.º 3301004.335 S3C3T1 Fl. 5 4 idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 10746.904187/201202 Acórdão n.º 3301004.335 S3C3T1 Fl. 6 5 Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o desacerto das valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o "indeferimento total do PER sob nº 01296.07698.291210.1.2.049025" (grifos do original), com o que concordo. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o desacerto dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o indeferimento total do PER apresentado, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1023DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722277/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO COM BASE EM DECLARAÇÃO EMITIDA COM ERRO DE FATO - POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO E COMPROVAÇÃO DO VÍCIO POR OUTROS MEIOS
Tendo em conta até o princípio da verdade material, se o contribuinte comprova ter incorrido em erro no preenchimento da DIPJ, já que se admitir as provas trazidas que demonstrem tal erro e, assim, considerar as informações corretas para fins de verificação do fato gerador e dos aspectos da norma tributária.
LANÇAMENTO - ERRO DE PREMISSA FÁTICO-JURÍDICA - NULIDADE - IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO ATO EM INSTÂNCIA SUPERIOR, PENA DE VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA
Se o lançamento se calça em premissas jurídicas equivocadas, ainda que fosse possível manter a exigência com base em outro lançamento é de curial importância reconhecer a sua nulidade sob pena de violar a garantia da ampla defesa.
DESPESAS NÃO APROPRIADAS DENTRO DA COMPETÊNCIA EM QUE INCORRIDAS - INTELIGÊNCIA DO ART. 247, § 2º, DO RIR
Ainda que franqueado pela lei societária o ajuste do lucro líquido pela inclusão de despesas/receitas incorridas em exercícios anteriores, a alocação destas grandezas deve ser feita o período competente; se deste procedimento decorrer indébito tributário, cabe ao contribuinte socorrer-se dos meios explicitamente previstos na legislação para garantir o seu direito.
Numero da decisão: 1302-002.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO COM BASE EM DECLARAÇÃO EMITIDA COM ERRO DE FATO - POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO E COMPROVAÇÃO DO VÍCIO POR OUTROS MEIOS Tendo em conta até o princípio da verdade material, se o contribuinte comprova ter incorrido em erro no preenchimento da DIPJ, já que se admitir as provas trazidas que demonstrem tal erro e, assim, considerar as informações corretas para fins de verificação do fato gerador e dos aspectos da norma tributária. LANÇAMENTO - ERRO DE PREMISSA FÁTICO-JURÍDICA - NULIDADE - IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO ATO EM INSTÂNCIA SUPERIOR, PENA DE VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA Se o lançamento se calça em premissas jurídicas equivocadas, ainda que fosse possível manter a exigência com base em outro lançamento é de curial importância reconhecer a sua nulidade sob pena de violar a garantia da ampla defesa. DESPESAS NÃO APROPRIADAS DENTRO DA COMPETÊNCIA EM QUE INCORRIDAS - INTELIGÊNCIA DO ART. 247, § 2º, DO RIR Ainda que franqueado pela lei societária o ajuste do lucro líquido pela inclusão de despesas/receitas incorridas em exercícios anteriores, a alocação destas grandezas deve ser feita o período competente; se deste procedimento decorrer indébito tributário, cabe ao contribuinte socorrer-se dos meios explicitamente previstos na legislação para garantir o seu direito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1996; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 7.201 1 7.200 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.722277/200931 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.704 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2018 Matéria IRPJ e CSLL GLOSA DE DESPESAS INDEDUTÍVEIS, PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA Recorrente PRESERVE SEGURANCA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO COM BASE EM DECLARAÇÃO EMITIDA COM ERRO DE FATO POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO E COMPROVAÇÃO DO VÍCIO POR OUTROS MEIOS Tendo em conta até o princípio da verdade material, se o contribuinte comprova ter incorrido em erro no preenchimento da DIPJ, já que se admitir as provas trazidas que demonstrem tal erro e, assim, considerar as informações corretas para fins de verificação do fato gerador e dos aspectos da norma tributária. LANÇAMENTO ERRO DE PREMISSA FÁTICOJURÍDICA NULIDADE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO ATO EM INSTÂNCIA SUPERIOR, PENA DE VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA Se o lançamento se calça em premissas jurídicas equivocadas, ainda que fosse possível manter a exigência com base em outro lançamento é de curial importância reconhecer a sua nulidade sob pena de violar a garantia da ampla defesa. DESPESAS NÃO APROPRIADAS DENTRO DA COMPETÊNCIA EM QUE INCORRIDAS INTELIGÊNCIA DO ART. 247, § 2º, DO RIR Ainda que franqueado pela lei societária o ajuste do lucro líquido pela inclusão de despesas/receitas incorridas em exercícios anteriores, a alocação destas grandezas deve ser feita o período competente; se deste procedimento decorrer indébito tributário, cabe ao contribuinte socorrerse dos meios explicitamente previstos na legislação para garantir o seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 22 77 /2 00 9- 31 Fl. 7201DF CARF MF Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302002.704 S1C3T2 Fl. 7.202 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de autos de infração lavrados em desfavor do recorrente para lhe exigir o IRPJ e CSLL nos anoscalendários de 2005, 2006 e 2007. De acordo com o TVF juntado à efls. 909/919, o contribuinte teria incorrido em três infrações concernentes ao IRPJ, a seguir descritas: a) infração 001 Glosa de prejuízos fiscais no anocalendário de 2005, por falta/insuficiência de saldos, verificados a partir das DIPJ e do sistema SAPLI. O contribuinte, ao atender às intimações fiscais, teria trazido o LALUR do ano calendário 2004 apresentando saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculos negativas, desconsiderado pela fiscalização por dois motivos: a.1) falta de suporte na contabilidade da empresa (as despesas descritas no LALUR não teriam sido objeto de registro no Razão); a.2) as próprias despesas descritas no LALUR seriam indedutíveis, a teor da legislação de regência (as despesas em questão seriam aquelas incorridas pelo contribuinte na contratação de empréstimos bancários, com sinistros, com INSS, FGTS e ISSQN ajustes de provisão , com alugueres e com taxi aéreo); b) infração 002 adições não computadas no lucro real (custos/despesas não dedutíveis), especificamente, relacionadas à conta de despesas denominada "Diferenças de Tesouraria" que, após esclarecimentos do contribuinte, entendeuse como perdas resultantes de roubos ou extravios (desfalques), sujeitas, pois, às condicionantes descritas pelo art. 364 do RIR (que não teriam sido preenchidas pelo recorrente); c) infração 003 exclusões/compensações ilegais realizadas para reduzir o lucro líquido, constatadas a partir do lançamento no LALUR na conta "DESP. POSTERGADAS 2002 A 2004 (EFEITO S/IRPJ/CSLL P A MAIOR 2002 A 2004). Pelo que foi exposto pelo contribuinte, tais valores decorreriam do fato de ter identificado, em períodos anteriores, a falta de registro das aludidas despesas, tendo a empresa promovido o ajuste do resultado de 2005 através do procedimento descrito no art. 186, § 1º, da Lei 6.404 o que, Fl. 7202DF CARF MF Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302002.704 S1C3T2 Fl. 7.203 3 todavia, desrespeitaria as regras encartadas no art. 247, § 2º do RIR, sem prejuízo do fato do contribuinte ter pleiteado a compensação deste "indébito" por meio de DECOMPs. Quanto a CSLL, a D. Fiscalização apontou as mesmas infrações descritas acima (lançamento reflexo). O contribuinte apresentou a sua impugnação administrativa sustentando, em apertada síntese, que: a) quanto a infração descrita em "a", não obstante não ter retificado as DIPJs relativas aos anos de 2003 e 2004, e nem ter lançadoas em sua escrita contábil (Razão), promoveu o registro das aludidas despesas no LALUR destes mesmos anos, asseverando, mais, que tais dispêndios seriam operacionais e, portanto, dedutíveis; b) no que toca a infração apontada em "b", sustentou que as despesas concernentes à "diferença de tesouraria", não estariam contempladas na regra inserta no art. 364 (não seriam despesas por desfalques ou por furto), mas, verdadeiramente, despesas operacionais recorrentes no tipo de atividade desenvolvida pelo recorrente (tais perdas seriam próprias da atividade, inerentes, pois, ao risco do negócio), não estando, inclusive do ponto vista prático, sujeitas à comprovação mediante abertura de inquéritos ou registro de "queixa" junto a autoridade policial"; c) finalmente, quanto a última infração (demonstrada em "c", supra), afirmou que, como já dito, teria adotado procedimento expressamente facultado pelo já mencionado art. 186, § 1º, da Lei de S/A o que, outrossim, não teria trazido prejuízos à fiscalização, atendendo se, inclusive, aos ditames da IN 11/96, art. 34. Ao final, o contribuinte pediu, ainda, a produção de prova pericial, sem declinar, contudo, os quesitos pertinentes. No interregno entre a oposição e o julgamento da impugnação, o recorrente teria apresentado pedido de desistência da discussão administrativa a fim de incluir os débitos objetos deste processo no parcelamento preconizado pela Lei n.º 11.941/09; logo em seguida, e ainda antes do julgamento, a empresa apresentou nova manifestação dizendo ter se equivocado quanto a inclusão dos créditos tributários em análise, requerendo, neste particular "a desistência do pedido de desistência". A DRJ processou e julgou normalmente a impugnação do contribuinte, decidindo, todavia, pela sua total improcedência, conforme se depreende da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/03/2006, 31/12/2006, 30/09/2004,31/12/2004, 30/06/2006, 30/09/2006 DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. Somente são dedutíveis, para fins fiscais, as despesas que atendam aos requisitos cumulativos da necessidade, Fl. 7203DF CARF MF Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302002.704 S1C3T2 Fl. 7.204 4 normalidade e usualidade, em relação às atividades operacionais da pessoa jurídica. O conceito de necessidade deve ser corolário direto da relação havida entre os gastos (despesas) e a contribuição desses gastos para a geração da correspondente receita. FURTO. DEDUTIBILIDADE. LUCRO REAL. O prejuízo oriundo de desfalque, apropriação indébita ou furto somente será dedutível na apuração do imposto de renda da pessoa jurídica submetida à apuração pelo Lucro Real, quando houver inquérito instaurado, nos termos da legislação trabalhista, ou quando o fato for comunicado à autoridade policial (noticia criminis). Os prejuízos sofridos pela pessoa jurídica que foram objeto de indenização, inclusive por cobertura de seguro, não poderão ser deduzidos da apuração do lucro real. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO POSTERIOR À NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento. DESPESAS. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de despesas constitui fundamento para lançamento de imposto quando resultar redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O que decidido no imposto sobre a renda de pessoa jurídica, por basearse nos mesmos argumentos e provas da impugnação, alcança a tributação reflexa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/03/2006, 31/12/2006, 30/09/2004, 31/12/2004, 30/06/2006, 30/09/2006 PEDIDOS DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessários os pedidos de perícia e/ou diligência quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. Fl. 7204DF CARF MF Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302002.704 S1C3T2 Fl. 7.205 5 PEDIDOS DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Os pedidos de diligência e perícia devem atender aos requisitos especificados no art. 16, IV, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Cientificado do julgamento acima em 15/07/2011 (AR de efls. 6.487) a empresa interpôs recurso voluntário em 11/08/2011 (conforme documento de efls. 6.489 e ss) para, basicamente, reiterar os argumentos deduzidos em sua impugnação atacando, em adição, alguns outros pontos surgidos por ocasião da prolação do acórdão da DRJ (como, por exemplo, a inaplicabilidade, a ver do contribuinte, dos preceitos do art. 147, § 1º, do CTN). Os autos chegaram à este Conselho, tendo sido, originariamente, distribuídos ao então Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior que, por duas vezes (Acórdãos de nos 1302 00.835 efls. 6552 e ss e 1302001.666 efls. 6.771 e ss), anulou o acórdão da DRJ sob o fundamento de que, tendo ocorrido a desistência por parte do contribuinte, esta seria definitiva, operandose, inclusive, a preclusão consumativa. O contribuinte noticiou a obtenção de uma liminar em Mandado de Segurança que teria, em tese, determinado a análise do recurso voluntário por este CARF. Esta segunda turma, instada sobre tais informações, converteu o julgamento em diligência a fim de apurar a existência efetiva do citado mandado de segurança, bem como que fosse apresentada "certidão de objeto e pé" da predita ação. Através do relatório de diligência de efls. 7.164 (e documentos juntados pelo contribuinte) restou demonstrado não só a existência da ação acima noticiada (distribuída eletronicamente por meio do EProc), como também de sentença de mérito, concedendo a segurança pleiteada a fim de que este CARF analise o recurso voluntário. Os autos foram então redistribuídos para este relator para análise e elaboração de voto. Este, o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Antes de iniciar a apreciação do apelo, vale destacar que, conforme descrito no relatório acima, a despeito das duas decisões anteriormente prolatadas, a análise do recurso manejado pelo contribuinte é mandatória, inclusive a partir da confirmação da existência, não só de uma decisão liminar, mas, destaquese, de sentença concessiva da segurança que confirmou a aludida decisão. Dito isto, e considerando que não foram suscitadas preliminares, passo a decidir o mérito da lide. Fl. 7205DF CARF MF Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302002.704 S1C3T2 Fl. 7.206 6 I Premissa maior. Dos fundamentos (motivação) do ato. Antes de mais nada, no caso deverseá considerar um seguinte pressuposto jurídico. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos fundamentos de fato nele declinados na norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu. E, ato contínuo, em tais casos, o contribuinte vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa e a sua falta, ou exposição falha, resulta, inegavelmente, em anulação do ato (no plano tributário federal, semelhante nulidade é explicitamente prevista, conforme se extrai do art. 59, II, do Decreto 70.235). Mais que isso, entre os motivos de fato e os fundamentos de direito invocados, há de se verificar uma perfeita congruência, por óbvio; o descasamento entre os motivos delineados no ato impõe, obrigatoriamente, a anulação do citado ato, consequência descrita na teoria dos motivos determinantes tão bem explorada por Celso Antônio Bandeira de Mello em seu "Curso de Direito Administrativo", 12ª ed., São Paulo, 2000, Malheiros Editores, p. 346: De acordo com esta teoria, os motivos que determinaram a vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato. Sendo assim, a invocação de "motivos de fato" falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando, conforme já se disse, a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos que ensejariam a prática do ato. Uma vez enunciados pelo agente os motivos em que se calçou, ainda quando a lei não haja expressamente imposto a obrigação de enunciálos, o ato só será válido se estes realmente ocorreram e o justificavam. Objetivamente, no caso em análise, caso se conclua que os motivos de fato ou mesmo de direito invocados pela autoridade lançadora estão errados, o ato, como um todo, será considerado nulo, até porque, como já alertado, semelhante equívoco culminará com a violação ao direito à ampla defesa do contribuinte (que se prepara e anexa ao feito documentos e argumentos voltados, exclusivamente, à defesa em relação às premissas originariamente aventadas pela Fiscalização defesa que restará infrutífera, caso se conclua que tais premissas estavam, irremediavelmente, erradas). Dito isto, passemos à análise do lançamento propriamente. Fl. 7206DF CARF MF Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302002.704 S1C3T2 Fl. 7.207 7 II Das infrações e respectivos fundamentos. II.1 Da infração 001 da glosa dos prejuízos fiscais compensados sem saldo. Desde logo, é preciso assentar duas premissas que podem, ou não, ser prejudiciais à análise, até mesmo, das demais questões abordadas neste processo. Com efeito, a primeira, e essencial, pergunta a se fazer é: o fato do contribuinte não ter informado os saldos de prejuízo fiscal (e base de cálculo negativa) nas DIPJ torna definitiva a questão ou há que se considerar as informações prestadas via LALUR? A segunda, e igualmente importante, pergunta é a seguinte: admitida a premissa de que as declarações do contribuinte, per se, não são suficientes a constituir a obrigação tributária, aceitandose provas de que tais declarações estavam eivadas de vícios materiais, a falta de lançamento de despesas operacionais seria considerável como "erro material"? Quanto a primeira pergunta, já até me manifestei em outra oportunidade (autos do PA de nº 19515.720776/201481, julgado na última sessão ocorrida em fevereiro deste ano mas cujo acórdão ainda não foi publicado), deixando claro meu entendimento de que a obrigação tributária surge, e só pode surgir, com a materialização do fatotipo da norma; constituise, pois, a obrigação, por meio da ocorrência do fato gerador e não da apresentação de eventuais declarações por parte do contribuinte. Naquela ocasião, inclusive, reproduzi o entendimento que vem sendo amplamente adotado pelos tribunais pátrios, tendo como ápice desta construção jurisprudencial o REsp de nº 1.133.027/SP, relatado pelo Min. Mauro Campbel Marques, julgado sob o rito do art. 543C, do CPC/73 em 13/10/2010, tendo o respectivo acórdão sido publicado em 16/03/2011, na Revista do STJ, vol. 222, p. 157, e cuja ementa reproduzo abaixo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, § 1º, do CPC). AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO COM BASE EM DECLARAÇÃO EMITIDA COM ERRO DE FATO NOTICIADO AO FISCO E NÃO CORRIGIDO. VÍCIO QUE MACULA A POSTERIOR CONFISSÃO DE DÉBITOS PARA EFEITO DE PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE DE REVISÃO JUDICIAL. 1. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o lançamento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória (art. 145, III, c/c art. 149, IV, do CTN). 2. A este poder/dever corresponde o direito do contribuinte de retificar e ver retificada pelo Fisco a informação fornecida com erro de fato, quando dessa retificação resultar a redução do tributo devido. 3. Caso em que a Administração Tributária Municipal, ao invés de corrigir o erro de ofício, ou a pedido do administrado, como era o seu dever, optou pela lavratura de cinco autos de infração eivados de nulidade, o que forçou o contribuinte a confessar o Fl. 7207DF CARF MF Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302002.704 S1C3T2 Fl. 7.208 8 débito e pedir parcelamento diante da necessidade premente de obtenção de certidão negativa. 4. Situação em que o vício contido nos autos de infração (erro de fato) foi transportado para a confissão de débitos feita por ocasião do pedido de parcelamento, ocasionando a invalidade da confissão. 5.A confissão da dívida não inibe o questionamento judicial da obrigação tributária, no que se refere aos seus aspectos jurídicos. Quanto aos aspecto fáticos sobre os quais incide a norma tributária, a regra é que não se pode rever judicialmente a confissão de dívida efetuada com o escopo de obter parcelamento de débitos tributários. No entanto, como na situação presente, a matéria de fato constante de confissão de dívida pode ser invalidada quando ocorre defeito causador de nulidade do ato jurídico (v.g. erro, dolo, simulação e fraude). Precedentes: REsp. n. 927.097/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 8.5.2007; REsp 948.094/PE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06/09/2007; REsp 947.233/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 23/06/2009; REsp 1.074.186/RS, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 17/11/2009; REsp1.065.940/SP, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em18/09/2008. 6. Divirjo do relator para negar provimento ao recurso especial.Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. Acórdão Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "Prosseguindo no julgamento, preliminarmente, a Seção, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Arnaldo Esteves Lima, Herman Benjamin e Benedito Gonçalves, conheceu do recurso especial. No mérito, também por maioria, vencido o Sr. Ministro Relator, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr.Ministro Mauro Campbell Marques." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Castro Meira, Arnaldo Esteves Lima, Herman Benjamin, Benedito Gonçalves e Hamilton Carvalhido. Ausentes, justificadamente, os Srs. Ministros Cesar Asfor Rocha e Humberto Martins. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Teori Albino Zavascki. Em linhas gerais, se o contribuinte demonstra que as informações prestadas via declarações ou formulários destinados à fisco estavam equivocadas, tais provas tem que ser admitidas para se refazer o lançamento (ou autolançamento) sem que isto importe, como alardeado pela DRJ, em retificação da citada declaração, pelo que, me parece correto afirmar, não se aplicaria ao caso os preceitos do art. 147, § 2º, do CTN (reforçase, no caso, o fato de estarmos tratando de informações prestadas via DIPJ, documento que, como reconhecido por este próprio CARF, é meramente informativo Súmula 92). Fl. 7208DF CARF MF Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302002.704 S1C3T2 Fl. 7.209 9 O problema, entretanto, centrase na conjunção subordinativa "se" empregada por mim no parágrafo anterior; tratase, verdadeiramente, de "uma baita SE", porque a prova de que as informações então prestadas pelo contribuinte estavam erradas1 é dificílima. Nada obstante, sem tal prova, há que prevalecer a informação inicialmente transmitida ao fisco. Neste ponto, aproveito, já respondo ao segundo questionamento que fiz acima: é fato que, somente a apresentação do LALUR, sem um lastro probatório/documental, não é suficiente para se desconsiderar as informações constantes da DIPJ; não tendo ocorrido o registro contábil das despesas incorridas pelo contribuinte, entendo, na esteira do que foi dito acima, mormente a partir da decisão do STJ, que seria até admissível o predito LALUR caso as despesas ali lançadas, e não registradas na contabilidade, estivessem efetiva e concretamente demonstradas por documentos outros, como notas fiscais, notas de débitos, recibos e declarações dos respectivos prestadores (ou fontes) acerca dos aludidos dispêndios. A falta de seu registro contábil, não obstante criticável, não lhes retira a legitimidade e, outrossim, comprova que o contribuinte deixou de considerála para a formação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por um lapso... Aqui esclareço que o contribuinte confessa, realmente, não ter promovido o registro contábil das despesas que teriam conformado os valores de prejuízo fiscal nas competências em que incorridas, tal qual se extrai do trecho a seguir reproduzido, retirado da peça recursal (efls 928): Em 2005, a IMPUGNANTE constatou que nas competências de 2002, 2003 e 2004, diversas despesas incorridas nesses períodos não haviam sido computadas me seu resultado, ou seja, não haviam sido excluídas dos respectivos lucros líquidos dos períodos para fins de apuração do lucro real. Em face de tal situação, e objetivando regularizar suas demonstrações contábeis e apurações fiscais, o contribuinte realizou o ajuste contábil no ano de 2005 através de débitos à conta de Prejuízos e Lucros Acumulados (ajustes de exercícios anteriores (DOC 3), procedimento em total consonância com o art. 186, § 1º, da Lei das Sociedades Anônimas (...). Ainda sim, digase, houve o registro contábil de tais despesas quando do ajuste citado no trecho acima e comprovado pelo Livro Razão Analítico relativo ao ano calendário 2005, juntado à efls. 995 a 1006. Ou seja, tais despesas foram, sim, objeto de escrituração e cabia, à fiscalização, apurar a ocorrência efetiva de dispêndios por parte do contribuinte, tendo deixado de fazêlo exclusivamente por não identificálas na DIPJ e, também, nos razões dos anos de 2003 e 2004. Em suma, a meu sentir, a fiscalização baseou a sua atuação em dois fundamentos fático/jurídicos equivocados: a) a declaração do contribuinte prestada com vícios de fato pode ser revista, contrariamente ao que entendeu a autoridade fiscal e a DRJ; b) houve escrituração, pelo contribuinte, das despesas que resultaram no recálculo dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa, ainda que tal escrituração tenha 1 Tratarseiase de erro de fato ou simples omissão, até mesmo, volitiva. Fl. 7209DF CARF MF Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302002.704 S1C3T2 Fl. 7.210 10 ocorrido, apenas, no anocalendário 2005 sobre a rubrica (conta) de "ajustes de exercícios anteriores". Impende frisar que a D. Fiscalização sabia, desde as respostas apresentadas aos TIFs, que os valores descritos pelo contribuinte a título de prejuízos e bases de cálculo negativa foram formados a partir de despesas declaradas no LALUR de períodos anteriores e era de se esperar que as informações prestadas pelo recorrente fossem, quando menos, auditadas (ainda que para, posteriormente, considerálas não demonstradas ou coisa que o valha). O lançamento, neste particular, carece de lastro fático; não há, no caso, efetiva verificação do fato gerador ou dos demais aspectos da norma de incidência (mormente o quantitativo), com a correta identificação da matéria tributável nos estritos termos do art. 142 do CTN. Lembrem, aqui, que a alegação do contribuinte impunha, quando menos, a constatação de provas da efetiva incorrência nas preditas despesas e, para tanto, seria imperioso cruzar os valores apontados no livro com aqueles constantes das guias e comprovantes juntados pelo recorrente e, ainda, com os valores descritos nos respectivos LALUR. Tais despesas, vale destacar, novamente, seriam a seguintes: a) despesas com INSS; b) despesas FGTS; c) "despesas de iss revertidas"; d) despesas com juros bancários (FINAME); e) despesas com seguros; f) ajustes do imobilizado; g) ajustes de liquidação de duplicatas; h) ajustes com despesas de aluguel; i) ajustes com despesas com sinistros; j) despesas com pagamento de táxi aéreo. Todas as despesas acima foram distribuídas nos anos calendários de 2003 e 2004 e lançadas no Razão AC 2005 na conta 2.4.1.03.01.0007, alcunhada de "Ajuste de Exercícios Anteriores" (pretensamente realizadas com espeque no citado art. 186 da Lei 6.406) e, pelo que afirma o contribuinte, somariam o total de R$ 10.506.679,57. Numa análise rasa dos documentos acostados ao feito, é possível identificar algumas incongruências que demandariam, quiçá, explicações; cito, neste particular, como exemplo, que à efls. 1.131 o recorrente apresenta um quadro demonstrativo de apuração de contribuição previdenciária (INSS) em que presta as seguintes informações: Demonstrativo do lançamento "LPA" INSS Comp Fev/03 Fl. 7210DF CARF MF Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302002.704 S1C3T2 Fl. 7.211 11 INSS BA INSS HISTÓRICO DATA DO DIÁRIO Total VR. REF. INSS S/RESC. 28/02/2003 6,52 VR. REF. INSS S/RESC. 28/02/2003 43,70 VR. REF. INSS S/RESC. 28/02/2003 6,74 VR. REF. INSS S/RESC. 28/02/2003 34,74 VR. REF. INSS S/RESC. 28/02/2003 4,00 VR. REF. INSS S/RESC. 28/02/2003 32,34 VR. REF. INSS S/RESC. 28/02/2003 37,71 PROVISÃO 28/02/2003 78.798,80 0,00 A Total da Provisão > 78.964,55 INSS HISTÓRICO DATA DO DIÁRIO Total 03/10/2003 78.282,63 GFIP COMP. FEV/03 B Total da Provisão > 78.964,55 PROVISÃO/(REVERSÃO) DATA VALOR (AB) C (681,92) É curioso que o recorrente tenha apresentado dados relativos à provisão para pagamento do INSS e respectiva reversão, conquanto abatidas do lucro líquido contábil, semelhantes valores são, a teor do art. 335 do RIR, indedutíveis da base de cálculo do IRPJ (e, por conseguinte, da CSLL). O único dado que realmente importaria ao caso, seria o valor, e a comprovação de seu respectivo recolhimento, da contribuição informada na GFIP supra apontada, já que apenas o tributo seria dedutível como despesa operacional. No caso, o contribuinte junta à efls. 1.133 a citada GFIP, donde se extrai o valor total devido ao INSS (R$ 78.282,63, tal qual descrito acima); em seguida, contudo, apresenta uma GPS com o valor de R$ 46.846,49 (histórico o valor atualizado por juros e multa seria de R$ 68.765,31). Ou seja, nem mesmo as contas apresentadas pelo contribuinte fazem qualquer sentido... a empresa registrou, de fato, no Razão/AC 2005, o valor correspondente à provisão/reversão descrita na planilha supra (R$ 681,92 efls. 999), mas este valor, como já dito, sequer é dedutível (salvo se, dos LALUR, constasse a adição do valor integral do montante da provisão o que nos é impossível verificar já que o livro relativo ao AC 2003 não foi anexado ao feito)... O montante que poderia ser objeto de apropriação, no caso, o seria o valor do tributo pago e este, vejam bem, não se encontra descrito em qualquer parte do Razão. Semelhante discrepância por certo demandaria, antes de se reconhecer a improcedência das alegações da empresa, esclarecimentos; tais esclarecimentos, todavia, somente teriam cabimento, caso o fundamento fático da autuação fosse a ausência de provas quanto aos dispêndios relativos às despesas apropriadas e lançadas a título ajustes no Fl. 7211DF CARF MF Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302002.704 S1C3T2 Fl. 7.212 12 Razão/AC2005; como já dito, no entanto, os fundamentos da autuação foram, exclusivamente, o desrespeito à competência das despesas utilizadas para o recálculo dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL e, ainda, a falta de registro de tais despesas no livros contábeis relativos aos anoscalendários em que ocorridas as ditas despesas. Se, agora, analisarmos os documentos trazidos pelo contribuinte para manter a autuação, desta feita, sob o fundamento de falta de comprovação efetiva das preditas despesas, estaremos, inegavelmente, modificando os fundamentos do ato de lançamento e, ha um só tempo: a) suprimindo as instâncias ordinárias; b) negando ao contribuinte o direito de se contrapor a estes novos fundamentos de fato. E, digase, semelhante consequência se manteria, mesmo que convertido o julgamento em diligência para se atestar a prestabilidade dos documentos para comprovar as despesas apropriadas pelo recorrente. Esta investigação, digase, é de competência da autoridade lançadora; sem ela, o ato é nulo, seja por falta de motivação, seja, inclusive, por desrespeito ao já citado art. 142 do CTN. Diante disto, voto, neste ponto, por dar provimento ao recurso voluntário a fim de cancelar as exigências tratadas na infração 001. II.2 Da infração 002 das glosas das despesas relativas à conta denominada "diferenças de tesouraria". De acordo com o TVF as despesas lançadas nas contas acima foram desconsideradas em razão do seguinte fundamento fático/jurídico: a) as ditas "diferenças de tesouraria" não seriam usuais ou normais e, portanto, não se amoldariam às hipóteses preconizadas pelo art. 299 do RIR; b) tais "diferenças" tipificariam, outrossim, os casos de "furto" ou "desfalques" e, nesta esteira, estariam jungidas às pressupostos preconizados pelo art. 364, os quais não teriam sido atendidos pelo contribuinte (inexistência de perquirição criminal ou, quando menos, de apresentação da notitia criminis à autoridade policial). O recorrente, sobre o tema, tece longas considerações sobre a natureza destas "despesas" dizendo, resumidamente, que, dadas as particularidades da atividade que desenvolve "transporte e guarda de numerários" está sujeita à inúmeros problemas de ordem prática que, "giro e meio", resultam em "quebras de caixa" ou, melhor dizendo, em divergências entre os valores que deveriam custodiar e aqueles efetivamente entregues à seus clientes. Notem, neste particular, que todos os contratos apresentados no processo contemplam regra de responsabilização explicita ao recorrente pela entrega dos valores integrais cuja guarda e transporte foi contratada. Vejam, v. g., o contrato juntado à efls. 1.042, Fl. 7212DF CARF MF Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302002.704 S1C3T2 Fl. 7.213 13 firmado com o Banco do Brasil, cuja cláusula sétima, parágrafo sexto (efls. 1.045), reza o que segue: Responsabilizase, independentemente da ocorrência de culpa ou dolo, pelo total transportado, o qual para todos os efeitos, corresponderá ao valor declarado pelo CONTRATANTE e exarado nas guias de transporte ou documentos equivalentes, que a CONTRATADA reconhecerá como exato. É de se observar, vejam bem, que os documentos acostados, incluindose as declarações apresentadas pelas contratantes, dão conta de que tais diferenças são, sim, recorrentes e, efetiva e concretamente, ressarcidas às instituições usuárias dos serviços da recorrente. Observese, apenas a guisa de exemplo, o email juntado a efls. 5.473, em que o Unibanco descreve vários valores a serem ressarcidos pelo contribuinte em decorrência de "ressarcimento dif. num". Ora, me parece absolutamente razoável admitir que tais perdas efetiva e concretamente ocorram no diaadia de uma empresa de transportes de valores (ou de outra sorte, a previsão contratual supra transcrita não teria grandes utilidades). Até mesmo, como já dito, as explicações dadas pelo contribuinte me parecem suficientemente factíveis de sorte que admitílas como usuais e normais, neste ramo de atividade, é medida que se impõe. Aliás, frise se, este foi o entendimento adotado pelo Auditor Sadoc Souto Maior Filho, em sua declaração de voto, por ocasião do julgamento realizado pela DRJ/PE e cujos dizeres peço vênia para reproduzir: 3. As diferenças de numerário, em se tratando de empresa de transporte de valores, constituem despesas inerentes à atividade, sendo descabido, a meu ver, afastar sua dedutibilidade sob o argumento de que seriam desnecessárias. Assim como o desfalque, a apropriação indébita e o furto, eventos tratados no parecer acima transcrito, as diferenças de numerário ocorridas no transporte de valores constituem, por sua natureza involuntária, exceção à regra que estabelece a necessidade da despesa para sua dedutibilidade. E, demais a mais, me parece que o art. 364 trata das despesas concernentes às perdas por roubo, desfalques e quejandos pertinentes ao patrimônio e renda do próprio contribuinte; isto é, eventuais ações criminosas que resultassem em desvio de recursos do contribuinte poderiam permitir a dedução dos prejuízos daí advindos como despesas. O que o caso em análise contempla é hipótese de desvios, desfalques, et coetera, de valores pertencentes à terceiros em relação aos quais o recorrente firmou cláusula expressa de responsabilização. Lembrando, neste particular, que o art. 18 do Código de Processo Civil estipula que "ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio", pretender estender à situação do recorrente a regra encartada no citado art. 364 seria, quando menos, ilógico. Em linhas gerais, entendo que os valores concernentes às "diferenças de tesouraria" seriam, sim, ordinárias, usuais e próprias da atividade desenvolvida pelo recorrente e, consentaneamente, dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 7213DF CARF MF Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302002.704 S1C3T2 Fl. 7.214 14 E, aqui, invoco, novamente, as razões de decidir que expus no tópico anterior. Isto é, se a premissa adotada, tanto pela autoridade lançadora, como pela DRJ, não revolve a comprovação das despesas tratadas nesta infração, não admitindo a sua dedução, apenas, por entender não ser usual ou, lado outro, por se adequar à regra contida no art. 364, não cabe a este colegiado modificar esta fundamentação e refazer o ato de lançamento. A apuração efetiva da ocorrência de tais despesas (que, diferentemente do tratado no tópico II.1, acima, me parecem, sim, comprovadas, até pela análise dos emails e extratos bancários juntados pelo recorrente) é mister atribuível à Autoridade Administrativa responsável pelo lançamento, pena de, mais uma vez, incorrermos em supressão de instância e, por conseguinte, em violação ao direito à ampla defesa do contribuinte. Considerando a dedutibilidade em tese das despesas intituladas "diferenças de tesouraria", há que se reconhecer a nulidade dos autos de infração por violação ao art. 142 do CTN, justamente por não se ter apurado e perquirido a comprovação efetiva da ocorrência destas ditas despesas. II.3 Infração 003 exclusão de despesas postergadas de 2002 a 2004 Não obstante ter alguma relação com a infração 001, tratada linhas acima, vale destacar que pretensão do contribuinte, é, a toda monta, descabida. Apenas para tornar claro os motivos da glosa, vale a seguinte explicação: a) como tratado no tópico II.1, acima, em 2005 o contribuinte promoveu ajustes em seu Razão AC2005, com espeque nos preceitos do art. 186 da Lei das SA, refazendo a apuração do IRPJ e da CSLL nos anos Calendários de 2004 a 2006; ou seja, em parte destes anos calendários, o contribuinte apurou lucro tributável que, com a inclusão das despesas declinadas no Razão/AC2005, deixou de existir, dando lugar a prejuízos fiscais; b) os prejuízos, digase, foram aproveitados/compensados nos exercícios subsequentes; c) o que o contribuinte pretendeu, e que foi objeto da glosa tratada neste tópico, foi utilizar parte daquelas despesas pretensamente não apropriadas nas competências próprias, para abatêlas do lucro real no anocalendário de 2005. Ora, vejam bem, já admiti que os registros fiscais e contábeis possam ser revistos caso identificado erro de fato no seu preenchimento, admitindose, por conseguinte, que se considere os valores efetivamente devidos para considerar as bases corretas de tributação nos períodos em que se tenha identificado tais erros. Assim, como defendi anteriormente, entendo perfeitamente cabível a recomposição dos saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa a partir das despesas não apropriadas pelo recorrente nas competências de 2002 a 2004. Aquela situação, entretanto, é diferente da questão tratada neste tópico. Aqui, vejam bem, o que pretende o contribuinte é socorrerse de despesas pretensamente ocorridas em outros períodos para reduzir o lucro real no ano de 2005 o que, como bem pontuado pela DRJ (quanto a esta questão), representaria absoluta contrariedade aos preceitos do art. 247, § 2º, do RIR, cujo teor transcrevo a seguir: Fl. 7214DF CARF MF Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302002.704 S1C3T2 Fl. 7.215 15 § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte. A meu sentir, este preceito põe uma pedra sobre o assunto, a despeito de quaisquer ilações adicionais. Na minha opinião, o que o dispositivo em questão determina é que, ainda que adicionadas ao lucro líquido de período posterior (conforme franqueia o § 1º do art. 186 da Lei 6.404/72), tais despesas tem, obrigatoriamente, que compor o lucro real do período competente (o que, aliás, foi, de fato, feito pelo contribuinte razão pela qual reconheci, inclusive, a possibilidade de recomposição dos saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa). Como resultado desta operação, entretanto, o que se observaria não seria a dedutibilidade destas despesas no anocalendário de 2005, mas, isto sim, o surgimento de indébito passível de restituição quanto aos anoscalendários em que tais despesas deveriam ter sido, por obediência regra da competência, lançadas/registradas. Compartilho, neste ponto, das ponderações da Autoridade Lançadora, quando esta assim afirma: No caso em análise, tratarseiam de despesas de outros exercícios, que não teriam sido computadas nos respectivos períodos de apuração (ano 2002 a 2004), resultando, em consequência, suposto pagamento a maior de imposto de renda naqueles períodos. O contribuinte buscou, utilizando como instrumento a DIPJ, fazer a compensação dos supostos pagamento a maior de imposto de Renda naqueles anos, fazendo a exclusão de R$ 5.531.620,70 no resultado do exercício de 2005. Não vejo, pois, quanto a este tema, vícios na decisão recorrida pelo que, voto, aqui, por negar provimento ao recurso voluntário. III CSLL Reflexos. Por suposto, as conclusões por mim adotadas acima devem se estender, reflexamente, à CSLL. IV. Conclusão. Diante de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário a fim de cancelar as exigências concernentes às infrações 001 e 002, relativas tanto ao IRPJ quanto à CSLL. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 7215DF CARF MF Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302002.704 S1C3T2 Fl. 7.216 16 Fl. 7216DF CARF MF
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