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Numero do processo: 11080.014543/99-64
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/03/1989 a 31/03/1994
ORDEM JUDICIAL. SOBERANIA DAS DECISÕES JUDICIAIS.
Sobrevindo decisão do Poder Judiciário que determina a compensação de créditos de tributos federais com débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, contrariando decisão administrativa do Segundo Conselho de Contribuintes, o processo administrativo fiscal onde se processa a compensação respeitará os limites do quanto decidido por aquele poder soberano, anulando-se as decisões administrativas contrárias.
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. INC. V, PAR. 3. ART. 74. LEI N. 9.430/96. DECISÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. NULIDADE.
Inaplicável o inciso V, do §3º, da Lei nº 9.430/96, que considera não declarada a compensação cujo débito já tenha sido objeto de compensação não homologada pela simples existência de decisões administrativas anteriores, porém, anuladas.
NOVA DECISÃO DRF. DIREITO CREDITÓRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Diante de decisão do Poder Judiciário que anulou as decisões administrativas que não homologaram a compensação de créditos com débitos de espécies tributárias diferentes, deve o processo retornar à autoridade da instância de piso competente para apreciar o pedido de compensação, assegurado ao contribuinte o contraditório, a ampla defesa e o duplo grau de jurisdição, processando-se o pleito na trilha do processo administrativo fiscal, como determinam os artigos 74 da Lei nº 9.784/96, 1º e seguintes do Decreto nº 70.235/72.
RECURSO HIERÁRQUICO. INAPLICABILIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INCOMPETÊNCIA. NULIDADE. DECISÃO DRF.
A adoção de fundamento equivocado que resulta em intimação para a apresentação de recurso hierárquico, na forma do artigo 59 da Lei nº 9.784/99, quando teria lugar o manejo de manifestação de inconformidade, na forma do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, implica em preterição do direito de defesa na forma do artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72. Eventual apreciação de recurso nessas condições pelo CARF resultaria em supressão de instância, visto que o despacho decisório da DRF que não homologa direito creditório ou o faz parcialmente deve ser desafiado por manifestação de inconformidade, como determina o §9º, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3202-000.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário e determinar a sua apreciação como manifestação de inconformidade pela DRJ.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/03/1989 a 31/03/1994 ORDEM JUDICIAL. SOBERANIA DAS DECISÕES JUDICIAIS. Sobrevindo decisão do Poder Judiciário que determina a compensação de créditos de tributos federais com débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, contrariando decisão administrativa do Segundo Conselho de Contribuintes, o processo administrativo fiscal onde se processa a compensação respeitará os limites do quanto decidido por aquele poder soberano, anulandose as decisões administrativas contrárias. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. INC. V, PAR. 3. ART. 74. LEI N. 9.430/96. DECISÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. NULIDADE. Inaplicável o inciso V, do §3º, da Lei nº 9.430/96, que considera não declarada a compensação cujo débito já tenha sido objeto de compensação não homologada pela simples existência de decisões administrativas anteriores, porém, anuladas. NOVA DECISÃO DRF. DIREITO CREDITÓRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Diante de decisão do Poder Judiciário que anulou as decisões administrativas que não homologaram a compensação de créditos com débitos de espécies tributárias diferentes, deve o processo retornar à autoridade da instância de piso competente para apreciar o pedido de compensação, assegurado ao contribuinte o contraditório, a ampla defesa e o duplo grau de jurisdição, processandose o pleito na trilha do processo administrativo fiscal, como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 45 43 /9 9- 64 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.014543/9964 Acórdão n.º 3202000.573 S3C2T2 Fl. 478 2 determinam os artigos 74 da Lei nº 9.784/96, 1º e seguintes do Decreto nº 70.235/72. RECURSO HIERÁRQUICO. INAPLICABILIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INCOMPETÊNCIA. NULIDADE. DECISÃO DRF. A adoção de fundamento equivocado que resulta em intimação para a apresentação de recurso hierárquico, na forma do artigo 59 da Lei nº 9.784/99, quando teria lugar o manejo de manifestação de inconformidade, na forma do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, implica em preterição do direito de defesa na forma do artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72. Eventual apreciação de recurso nessas condições pelo CARF resultaria em supressão de instância, visto que o despacho decisório da DRF que não homologa direito creditório ou o faz parcialmente deve ser desafiado por manifestação de inconformidade, como determina o §9º, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário e determinar a sua apreciação como manifestação de inconformidade pela DRJ. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto por BERNARDES CONSULTORES S/C LTDA contra o Despacho Decisório n° 2.223, de 6 de dezembro de 2010 proferidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre (DRF/POA), que, em cumprimento à ordem judicial proferida nos autos do processo nº 2006.71.00.024242/RS, da Primeira Vara Federal Tributária de Porto Alegre, e em revisão de ofício, homologou o PISREPIQUE indevidamente recolhido pela Recorrente entre março de 1989 e março de 1994 até o limite de R$7.442,04. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.014543/9964 Acórdão n.º 3202000.573 S3C2T2 Fl. 479 3 Por bem resumir o que sucedeu nos autos, passo a transcrever o relatório do Despacho Decisório retrocitado: “O presente Despacho Decisório trata da revisão de ofício do Despacho Decisório n° 598, de 9 de abril de 2007 (fls. 278 a 280), contra o qual o contribuinte apresentou um pedido de reexame dos cálculos efetuados pelo Fisco, que resultaram no reconhecimento de um crédito aquém do pedido, e a homologação apenas parcial das compensações solicitadas (fls. 299 a 304). 2. O crédito pleiteado, a título de PIS repique (petição de fl. 01), do qual pretende utilizarse, o contribuinte, para efetuar compensações de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (DCOMPs em formulário de papel de fls. 94 e 119), monta R$ 7.799,01, em 01/01/96 (fl. 300). 3. Em 03/04/98 (fls. 25/26), de acordo com o dispositivo da sentença prolatada nos autos do processo n° 95.00014246, a Juíza Federal Substituta Liane Vieira Rodrigues, da 3.a Vara Federal de Porto Alegre/RS, julgou procedente a ação ordinária declaratória, autorizando a compensação de créditos de PIS com débitos de PIS. 4. Em sessão de julgamento de 09/02/99, a Primeira Turma do Egrégio Tribunal Regional Federal da 4.a Região deu parcial provimento à remessa oficial e à apelação da União Federal, alterando a decisão, apenas em relação à correção monetária, nos termos do voto (fl. 31) do Exm.° Juiz Federal Amir José Finocchiaro Sarti, relator do processo de Apelação Cível n° 1998.04.01.0725377/RS. 5. Pela Certidão de fl. 34, da Diretora da Secretaria da Primeira Turma do TRF da 4.a Região, o acórdão referido transitou em julgado em 09/04/99 para a parte autora, e em 28/04/99 para a Fazenda Nacional, e o que transitou em julgado foi o direito de a interessada compensar seus créditos de PIS, unicamente, com débitos de PIS. 6. O Serviço de Arrecadação informa (fls. 174 e 175) que, após a imputação do valor de PIS, referente a setembro/99 (DCOMP de fl. 94), ao saldo credor apurado, verificouse que este é suficiente para liquidálo, restando, ainda, um saldo credor de R$ 4.076,36, em 01/01/96, conforme demonstrativo de pagamentos cadastrados à fl. 171. 7. Conforme Informação DRF/POA/SESIT/N0 54/2001 (fls. 176/178), foi desconsiderado o pedido administrativo de compensação de créditos de PIS com IRPJ, CSLL e COFINS, porque o Poder Judiciário deferiu somente a compensação de PIS com PIS. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.014543/9964 Acórdão n.º 3202000.573 S3C2T2 Fl. 480 4 8. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, pelo Acórdão DRJ/POA/N0 3.808/2004, de 31/05/04 (fl. 196/201), manteve a decisão administrativa referida no item "6", acima. 9. O Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 219/222), em sessão de 11/08/05, também manteve as decisões administrativas anteriores: DRF/POA/SESIT/N0 54/2001 e DRJ/POA/N0 3.808/2004. 10. Em 07/02/06 (fl. 226) foi deferida a liminar no processo de Mandado de Segurança n° 2006.71.00.0024242/RS, determinando à autoridade coatora a apuração do montante do crédito favorável ao impetrante. 11. Em 03/03/06 (fls. 259/260), conforme decisão no agravo de instrumento n° 2006.04.00.0061702/RS, a Desembargadora Federal Marga Inge Barth Tessler deferiu o pedido da União Federal, em seu recurso, para suspender os efeitos da liminar até o julgamento final do agravo. 12. Pela sentença (fls. 266/269), em 11/07/06, foi concedida a segurança, determinando à autoridade coatora que se abstenha de exigir a compensação dos créditos de PIS com débitos do próprio PIS, ao fundamento de não haver ofensa à coisa julgada, porque a interessada tem direito à compensação, conforme o art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação da Lei n° 10.637/02. 13. Conforme Despacho Decisório DRF/POA n° 598/2007, de 09/04/07 (fls.278/280) foi reconhecido, com base no despacho de fls. 174/175, de 31/07/00, o direito creditório, no valor de R$ 4.076,36, em 01/01/96, e homologadas as compensações até o limite deste valor. 14. Em 05/06/07 (fls. 299/304), a interessada não se conforma com o valor do crédito reconhecido e apresenta petição requerendo o reexame dos cálculos, pelo fundamento de que se trata de cálculo de PISREPIQUE, e não de PIS FATURAMENTO. 15. Em 18/06/07, o processo é encaminhado (fl. 335) à DRJ/POA, para prosseguimento, mas, pelo despacho da DRJ/POA (fls. 336/339), de 17/01/08, o processo retorna ao SEORT/DRF/POA, por motivos de incompetência para análise da manifestação de inconformidade: petição de fls. 299/304. 16. Em 08/02/08, o processo é encaminhado (fl. 340) ao SECAT/POA, para prosseguimento. Então, pela Informação Fiscal de fls. 348/349, o processo retorna ao SEORT/ANÁLISE PJ, para continuidade da análise. 17. Enfim, este processo pode ser assim resumido, em termos históricos das decisões judiciais e administrativas e seus respectivos efeitos: (a) sentença (fl. 25/26), julgou procedente a ação, reconhecendo o direito da autora de compensar PIS x PIS; (b) acórdão do TRF4 (fl. 31), manteve a sentença, possibilidade de compensação de PIS com PIS; Fl. 480DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.014543/9964 Acórdão n.º 3202000.573 S3C2T2 Fl. 481 5 (c) acórdão do TRF4 (fl. 34) transitou em julgado: possibilidade de compensação de PIS com PIS; (d)DCOMP (fl. 119). pedido de compensação PIS x IRPJ, CSLL e COFINS; (e) despacho SESAR/Acões Judiciais (fls. 174/175): saldo credor favorável ao contribuinte de R$ 4.076,36; (f) informação SESIT n° 54/2001 (fls. 176/178): compensação somente de PIS x PIS (coisa julgada); (g) acórdão DRJ n° 3.808/2004 (fls. 196/201): compensação somente de PIS x PIS (coisa julgada); (h) acórdão 2º CC n° 20178.626 (fls. 219/222): compensação somente de PIS x PIS (coisa julgada); (i) – liminar MS n" 2006.71.00.0024242/RS (fl. 226): apurar o montante do crédito e imputação com débitos diversos e fornecer certidão positiva com efeitos de negativa; (j) decisão no Al n° 2006.04.00.0061702/RS (fls. 259/260), suspender os efeitos da liminar até o julgamento final do agravo; (k) sentença MS n° 2006.71.00.0024242/RS (fls. 266/269): abstenção à União de exigência de compensação dos créditos de PIS, unicamente com débitos do próprio PIS, isto é, permitindo a compensação com outros tributos; (l) Despacho Decisório DRF/POA n" 598/07 (fls. 278/280): reconhecimento do direito creditório de R$ 4.076,36; (m) Manifestação de Inconformidade (fls. 299/304): para reexame do cálculo do crédito; (n) Informação Fiscal (fls. 348/349): recalculo dos valores devidos com base no PISREPIQUE.” Em suas razões de decidir, houve por bem o d. Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRF) considerar não declaradas as compensações por se tratar de débito objeto de compensação considerada não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão na esfera administrativa (inciso V, §3º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação que lhe foi conferida pelo artigo 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004). Assim, consideradas não declaradas as DCOMPs apresentadas pela Recorrente, foi ela intimada a apresentar recurso administrativo na forma do artigo 59, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (recurso hierárquico). Inconformada, a Recorrente apresenta recurso voluntário contra a decisão que considerou não declaradas suas DCOMPs por entender a ela inaplicável o inciso V, do § 3º, da Lei nº 9.784/96, introduzido com as alterações do artigo 4º da Lei nº 11.051/04, pois as compensações foram apresentadas em 24 de setembro de 1999, portanto, muito antes do ingresso da norma que alterou o regime das compensações tributárias. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.014543/9964 Acórdão n.º 3202000.573 S3C2T2 Fl. 482 6 É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. O tumulto processual instaurada nos autos iniciase a partir da medida liminar proferida nos autos processo nº 2006.71.00.0024242/RS, da Primeira Vara Federal de Porto Alegre (fls.254261; 266269) que, contrariamente ao decidido no acórdão nº 20178.626 do Segundo Conselho de Contribuintes (fls.219212), em síntese, assegurou à Recorrente o direito de compensar os créditos de PISREPIQUE com débitos de IRPJ, CSSL e COFINS. A decisão em comento tem o seguinte teor: “Em que pese o pedido de compensação não ter sido homologado porque a autoridade coatora observou os estritos limites da coisa julgada, que autorizava a compensação do PIS pago a maior com débitos da mesma contribuição, tenho que a autoridade coatora sequer analisou substancialmente o pedido, ou seja, se, de fato, há pagamentos efetuados a maior, qual o montante apurado, o que tenho como imprescindível, tendo em vista que o reconhecimento de eventual direito creditório, mesmo que não compensável na forma como pedida, por questões formais, viabilizaria a imputação proporcional dos créditos, de ofício, com os débitos vencidos referentes ao mesmo ou a diferentes tributos, de que trata o art. 163 do CTN, o que, na prática, teria o mesmo efeito. Por isso, DEFIRO A LIMINAR, determinando a autoridade coatora que apure o montante do crédito a que faria jus o impetrante, em razão do pagamento a maior, e proceda a imputação de que trata o art. 163 do CTN, e fornecendo certidão positiva com efeitos de negativa enquanto não ultimar a providência. Notifiquese. Intimemse.” Verifico ainda que a medida liminar em apreço foi suspensa por agravo de instrumento (AI nº 206.04.00.0061702/RS, fls.259) a que se deu provimento, vindo o fisco a reestabelecer a cobrança (fls.261). Todavia, sobreveio sentença de mérito confirmando a medida liminar então concedida, revogando os efeitos do agravo então provido (fls. 266268), procedendose ao cumprimento da ordem a partir do despacho decisório nº 596, de 9 de abril de 2007 (fls.278290). Em consulta processual ao website do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (http://www.trf4.jus.br), verifico que a sentença foi confirma por acórdão da 2ª Turma daquela Corte, cuja ementa é a seguinte: “TRBUTÁRIO COMPENSAÇÃO CRÉDITOS DECORRENTES DE RECOLHIMENTO INDEVIDO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS COM OUTROS TRIBUTOS POSSIBILIDADE OFENSA À COISA JULGADA NÃO CARACTERIZADA. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.014543/9964 Acórdão n.º 3202000.573 S3C2T2 Fl. 483 7 Aplicável, sem ofensa à coisa julgada, a atual sistemática do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que esvaziou de conteúdo, no tocante aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, o art. 66 da Lei nº 8.383/91.” Noto, por fim, que a mesma pesquisa indica que houve decurso de prazo para a interposição de recurso para superior instância em 26 de dezembro de 2008. Pois bem. Logo vejo que a matéria então tratada no processo administrativo fiscal (PAF) foi substituída por decisão do Poder Judiciário, que, ao proferir decisão contrária àquela que até então vigia, a anulou. Como bem observado no despacho decisório nº 596/2007, nossa Constituição Federal adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões do Poder Judiciário. Dessa forma, a partir desse momento, cabia à DRF/POA cumprir o quanto determinado na decisão então vigente, mais precisamente: (a) apurar o montante do crédito favorável à Recorrente (o que se dá nota que fora efetivado às fls. 174 dos autos); (b) proceder à imputação do crédito tributário na forma do artigo 163 do Código Tributário Nacional (também efetivado no mesmo despacho de fls.174), e; (c) fornecer certidão positiva com efeitos de negativa, enquanto não se ultimar a providência. Tomadas tais providências, apurouse direito creditório na importância de R$ 4.076,36, homologandose as compensações até esse limite (vide despacho nº 596/2007, fls. 278280). Desse despacho peticionou a Recorrida manifestando inconformismo quanto ao valor do crédito homologado pelo Fisco (fls.299304), por entender ter a Administração Tributária deixou de observado o cálculo do PIS na forma REPIQUE, como lhe fora assegurado pela sentença do processo judicial, apontando ainda diferença entre os valores totais das guias apresentadas e os valores considerados pelo Fisco a partir das fls. 122 dos presentes autos. A petição em apreço foi rementida à Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), que, através do despacho nº 4 da 2ª Turma, entendeu não ser sua a competência para julgamento feito, por já ter a DRJ/POA decidido a matéria quando proferido o acórdão nº 3.808/2004 (fls.196/201), determinando a devolução do PAF à DRF competente para que a mesma adote as providências de sua alçada, nos termos da legislação regente do processo administrativotributário federal, bem como da legislação geral do processo administrativo federal (Lei nº 9.784/99), uma vez que o próprio contribuinte sequer endereçou sua inconformidade à DRJ/POA e sim ao titular da DRF/POA. Produto da revisão de ofício do despacho decisório nº 596/2007, a DRF/POA reexaminou a matéria no despacho decisório nº 2.223/2010. Observo duas conclusões relevantes nesse despacho. A primeira diz respeito ao montante do crédito apurado. No despacho de nº 596/2007, a DRF/POA homologou crédito apurado até o limite de R$ 4.076,36. Refazendose os cálculos, agora, no despacho decisório nº Fl. 483DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.014543/9964 Acórdão n.º 3202000.573 S3C2T2 Fl. 484 8 2.223/2010 chegase ao novo montante de R$ 7.442,04 (fls.363), deixandose de homologar valores postulados que excedam ao crédito apurado. Havia, portanto, um crédito tributário que não foi considerado no primeiro despacho decisório. Não fosse a revisão de ofício, referido crédito teria sucumbido em desfavor da Recorrente. Outra conclusão – e esta merece reparos – é o entendimento de que teria lugar a aplicação do inciso V, do §3º, da Lei nº 9.430/96, que determina seja considerada não declarada a compensação cujo débito já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, atraindo o processo administrativo em apreço para o âmbito normativo exclusivo da Lei nº 9.784/99, sendo, do despacho decisório da DRF/POA, portanto, cabível o recurso hierárquico previsto no artigo 59 daquela Lei. Isto porque, como se buscou esclarecer alhures, a ordem judicial proferida nos autos do processo nº 2006.71.00.0024242/RS, por ser contrária às decisões então proferidas nos autos do PAF as anulou. Anulandoas, como nos ensina a Teoria Geral do Direito, subtraiu o atributo validade das normas individuais e concretas até então vigentes. Nesse passo, trago à colação as lições de Hans Kelsen sobre os efeitos prospectivos da norma revogadora: “Uma norma jurídica em regra somente é anulada com efeitos para o futuro, por forma que os efeitos já produzidos que deixa para trás permanecem intocados. Mas também pode ser anulada com efeito retroativo, por forma tal que os efeitos jurídicos que ela deixou atrás de si seja destruídos: tal, por exemplo, a anulação de uma lei penal, acompanhada da anulação de todas as decisões judiciais proferidas com base nela; ou de uma lei civil, acompanhado da anulação de todos os negócios jurídicos celebrados e decisões jurisdicionais proferidas com fundamento nessa lei.” (g.n.) (Teoria Pura do Direito. 6ª edição. São Paulo: Martins Fontes, 1998. pág. 306) Ora, a decisão judicial, que é soberana, contrariou as decisões administrativas até então existentes, determinando fosse admitida a compensação. Inequivocamente as anulou. Tão verdade o é que, como não poderia ser diferente, a própria Administração prontamente acatou a ordem e homologou a compensação até o limite do crédito apurado. Se é assim, se as decisões administrativas foram anuladas, sedolhes retirado o atributo validade, pergunto: Que sentido teria aplicar agora o inciso V, §3º do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, quando considera não declarada compensação que já tenha sido objeto de compensação não homologada? E a resposta me parece clara: Nenhum! Fl. 484DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.014543/9964 Acórdão n.º 3202000.573 S3C2T2 Fl. 485 9 Isto porque, o referido dispositivo visa coibir conduta de se apresentar novo pedido de compensação quando já há decisão, definitiva ou não, que deixa de homologar a compensação. Apenas isto. Aplicálo a situação tal qual a que se afigura nos autos, onde as decisões administrativas precedentes foram anuladas, admitindo a própria Administração inclusive a compensação por força da ordem judicial, simplesmente porque já existiam decisões administrativas (ainda que anuladas), é dar foros de validade a normas individuais e concretas que, é verdade, não homologaram a compensação, mas que não mais podem ser aplicadas. Encarese a questão por outro ângulo: homologando ainda que parcialmente o crédito, como o fez a DRF/POA nos despachos decisórios nº 596/2007 e 2.223/2010, ao admitir compensações de forma diversa daquela determinada pela decisão de mais alto grau hierárquico, teria a Administração revogado suas próprias decisões, na forma do artigo 53 da Lei nº 9.784/99 (notadamente, o acórdão nº 20178.626 do Segundo Conselho de Contribuintes)? Inobstante a hierarquia das decisões comparadas, a resposta me parece positiva. Sendo essas as conclusões que despontam do exame dos autos, não há motivo para que se considere não declarada a compensação da Recorrente como o fez a DRF/POA, deslocando o processo em pauta da trilha normativa do Decreto nº 70.235/72, de 6 de março de 1972, passando a controlálo apenas na lei geral do processo administrativo. Desse modo, da decisão da DRF/POA, entendo que não seria o recurso hierárquico a peça processual cabível. Embora a jurisdição administrativa tenha se escoado até a segunda instância, entendo que a ordem judicial deu novo curso ao processo, impondo o reexame da matéria a partir da primeira decisão que não homologou a compensação. E inexistindo razão para deslocar o exame do direito creditório da trilha do PAF, esse novo curso processual será regido sob a égide do Decreto nº 70.235/72, cujo artigo 1º assim determina: “Art. 1° Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal.” Retomando o exame da primeira decisão que não homologou a compensação, observese que, como estabelece a Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, compete às DRFs: “Art. 220. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades Fl. 485DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.014543/9964 Acórdão n.º 3202000.573 S3C2T2 Fl. 486 10 e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (...) X executar as atividades relacionadas à restituição, compensação, reembolso, ressarcimento, redução e reconhecimento de imunidade e isenção tributária, inclusive as relativas a outras entidades e fundos;” Tal competência foi exaurida através dos despachos decisórios nº 596/2007 e 2.223/2010, homologandose parcialmente a compensação apresentada pela ora Recorrente. E, como preceitua o §9º, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, da decisão que não homologar ou homologar parcialmente direito creditório, a peça processual cabível é a manifestação de inconformidade. Nos termos da Portaria MF nº 587/2010, a competência para julgar manifestação de inconformidade é das DRJs. Confirase: “Art. 229. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: (...) §2º O julgamento de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso, ou a não homologação de compensação, será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o tributo ao qual o crédito se refere.” Assim, homologando parcialmente a compensação, a DRF/POA deveria ter intimado a Recorrente a apresentar manifestação de inconformidade. Não o fazendo, é nula sua decisão, por implicar em preterição do direito de defesa, na forma do artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72. Na esteira desse raciocínio, entendo que também não poderia este Colegiado tomar conhecimento do recurso dito voluntário apresentado pela Recorrida, posto que decisão deste Conselho implicaria supressão de instância. Como emana do §10, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, da decisão que julgar improcedente manifestação de inconformidade caberá recurso ao CARF. O §11 da mesma Lei impõe seja observado o rito do Decreto nº 70.235/72 à manifestação de inconformidade e ao recurso de que tratam os §§9º e 10. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.014543/9964 Acórdão n.º 3202000.573 S3C2T2 Fl. 487 11 De seu turno, o Decreto nº 70.235/72 assim dispõe: Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido. II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. Como visto, admitir o recurso voluntário manejado pela Recorrente resultaria em supressão de instância, já que as decisões das DRFs devem ser desafiadas por manifestação de inconformidade, cuja competência para julgamento é da DRJ, deixando, portanto, de instaurarse a competência deste Colegiado para conhecer da matéria enquanto não julgado o processo pela instância competente neste momento processual. Em face de todo o exposto, voto no sentido de não CONHECER do Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente, e determino que o recurso apresentado seja acolhido como Manifestação de Inconformidade e submetido a julgamento pela DRJ competente. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 487DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 13646.000631/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
IRPF. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Numero da decisão: 2201-001.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 21/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Relator. EDITADO EM: 21/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 21/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 6. 00 06 31 /2 00 8- 41 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls. 04/06v, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 23.171,42, calculados até 31/10/2008. A fiscalização apurou: a) a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 20.940,22, correspondente a diferença entre o valor declarado e o valor informado em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF pela fonte pagadora Fundação dos Economiários FederaisFUNCEF; e, b) a compensação indevida de Imposto de Renda Retido na FonteIRRF, no valor total de R$ 14.737,87, cuja retenção na fonte não foi comprovada e que teria sido retido por: Instituto Nacional do Seguro Social, no valor de R$ 681,44; Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 6.903,81; e, Fundação dos Economiários FederaisFUNCEF, no valor de R$ 7.152,62. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: não deixou de atender as intimações da RFB, pois somente tomou conhecimento destas ao receber a Notificação de Lançamento; possui documentos hábeis para comprovação de todas as informações contidas em sua DIRPF 2007/2006; a Notificação de Lançamento não pode prosperar visto que o procedimento de revisão de sua Declaração foi efetuado sem que pudesse apresentar os documentos necessários à comprovação de seus rendimentos e do imposto retido na fonte; é aposentada tendo como origem de seus rendimentos a aposentadoria do INSS e a suplementação paga pela Fundação dos Economiários FederaisFUNCEF, que devido a convênio é intermediária no recebimento do INSS; no ano de 2006 também recebeu rendimentos oriundos de uma Reclamação Trabalhista que tramitou na 1ª Vara da Justiça do Trabalho em Araxá, MG; todas as verbas recebidas estão descritas no cálculo de liquidação da ação e foram declarados de conformidade com sua natureza e sua previsão legal quanto à forma de tributação, como demonstra o quadro constante do item 6 da impugnação. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13646.000631/200841 Acórdão n.º 2201001.932 S2C2T1 Fl. 3 3 Requer o cancelamento da Notificação Lançamento, que foi emitida com base em lançamento de ofício efetuado sem amparo legal e a liberação da sua restituição do imposto de renda apurada na Declaração de Ajuste Anual, com os devidos acréscimos legais. A 6ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NÃO OCORRÊNCIA. Deve ser revisto o lançamento por infração de omissão de rendimentos quando se constata, pelos documentos acostados aos autos, que os rendimentos, tidos como omitidos, foram informados na Declaração de Ajuste Anual. MEDIDA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM A ESFERA ADMINISTRATIVA. Submetida uma determinada questão ao Poder Judiciário, devem as autoridades administrativas aguardar a decisão final a ser proferida naquela esfera, submetendose a ela. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DEPÓSITO JUDICIAL. O direito à compensação de imposto depositado judicialmente depende da decisão proferida nos autos do processo judicial. RETENÇÃO DO IMPOSTO NA FONTE. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovada a retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, é de se manter a exigência fiscal. Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada da decisão de primeira instância em 05/08/2011 (fl. 57), Dalci Afonso do Prado Setubal apresenta Recurso Voluntário em 15/09/2011 (fls. 73/82), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah Consta nos autos que o recorrente foi cientificado da decisão recorrida em 05/08/2011, uma sextafeira, conforme fl. 57. O Recurso Voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deveria ser apresentado no prazo máximo de trinta (30) dias, conforme prevê o artigo 33 do Decreto n° 70.235/1972. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Considerando que 05/08/2011 foi uma sextafeira, dia de expediente normal na repartição de origem, o início da contagem do prazo começou a fluir a partir de 08/08/2011, uma segundafeira, primeiro dia útil após a ciência da decisão de primeiro grau, sendo que neste caso, o último dia para a apresentação do recurso seria 06/09/2011, uma terçafeira. Contudo, o Recurso Voluntário somente foi apresentado em 15/09/2011 (fls. 73/82), uma quintafeira, ou seja, trinta e nove (39) dias após a ciência da decisão do julgamento de primeira instância. Em vista disso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP reconheceu a perempção do recurso interposto, conforme Termo lavrado à fl. 70. Portanto, se o sujeito passivo, no prazo de trinta dias da intimação da ciência da decisão de primeira instância, não se apresentar ao processo para interpor Recurso Voluntário para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, automaticamente, independente de qualquer ato, no trigésimo primeiro (31º) dia da data da intimação, ocorre a perempção. Por todo exposto, o Recurso Voluntário apresentado foi intempestivo. Nestes termos, não conheço do recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 89DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10166.723060/2010-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO - DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - Constitui falta passível de multa, apresentar GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme prevê o art. 32, IV da Lei 8212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa- Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 30 60 /2 01 0- 45 Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 06/16, nas competências 12/2007, 08/2008, 11/2008 e 12/2008 a empresa deixou de declarar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP as remunerações pagas pela empresa aos segurados empregados, a título de: a) vale transporte pago aos empregados por meio de rubricas da folha, compondo sua remuneração total, sem sofrer a incidência da contribuição previdenciária, com previsão na Convenção Coletiva de Trabalho de 2006 (vigente até 2008); a base de cálculo utilizada pela fiscalização foi o valor líquido do auxílio recebido pelos empregados; b) auxílio alimentação pago por meio de rubricas da folha, compondo sua remuneração total, sem sofrer a incidência da contribuição previdenciária, com previsão na Convenção Coletiva de Trabalho de 2006 (vigente até 2008); a base de cálculo utilizada pela fiscalização foi o valor líquido do auxílio recebido pelos empregados; c) fornecimento de cestas básicas em desacordo com o PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador, também previsto na Convenção Coletiva de Trabalho de 2006 (vigente até 2008). Concluiu a fiscalização que a Brasal Refrigerantes S/A encontravase irregular com o PAT, no período de 01/2007 a 05/2008 e 12/2008, uma vez que contratou empresa sem inscrição no PAT para fornecer as cestas básicas. O Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 17/20, esclarece que, em razão das alterações trazidas pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, e tendo em vista o disposto no art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN, a multa calculada na ação fiscal geradora deste auto, para os fatos geradores ocorridos até a competência 11/2008, foi a resultante do confronto entre a penalidade prevista antes e depois da alteração da lei, visando à aplicação da mais benéfica ao contribuinte. Inconformada com a decisão de fls. 2011 a 2018 que julgou procedente o lançamento a empresa recorre à este conselho reiterando os argumentos contidos na impugnação que em síntese foram os seguintes: Afirma que não omitiu dados em GFIP, visto que, como exaustivamente demonstrado nas impugnações apresentadas aos autos de infração de obrigação principal, os valores pagos aos segurados não se caracterizam como remuneração; Do Vale Transporte Que não incide a contribuição social sobre o pagamento de vale transporte, conforme hipóteses de exclusões previstas no próprio art. 28 da Lei nº 8.212/91, como também por estar previsto em Convenção Coletiva de Trabalho; Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.723060/201045 Acórdão n.º 2401002.545 S2C4T1 Fl. 2.056 3 Aduz que o Decreto nº 4.840, de 17/09/2003, em seu artigo 2º, §1º, inciso IX, admitiu expressamente a existência de auxílio transporte pago em dinheiro, não configurando, assim, remuneração; Cita julgados do STJ e do TST, para corroborar sua tese. Do Auxílio Alimentação Defende que da mesma forma que o vale transporte, o pagamento feito a título de auxílio alimentação também não sofre a incidência da contribuição social, visto ser feito em razão de Convenção Coletiva de Trabalho e por se tratar de benefício social que é a alimentação do trabalhador; Afirma que as Leis 6.321/76 e 8212/91 não contem previsão expressa quanto à isenção das contribuições previdenciárias incidentes sobre a parcela paga pela empresa em espécie, à título de auxílio alimentação, logo, dever ser aplicado à espécie, por similitude e em homenagem ao princípio da isonomia, a mesma exegese aplicável às hipóteses de pagamento da mesma parcela na forma in natura. Entende que, como ocorre com o pagamento de cestas básicas para o gozo do benefício de isenção, nos casos de auxílio alimentação pago em espécie, basta que o pagamento esteja de acordo com os programas de alimentação aprovados pelos Ministérios do Trabalho e da Previdência Social, independentemente de prova de adesão ao PAT. Das Cestas Básicas Sobre o fornecimento de cestas básicas, alega que não prospera o entendimento da fiscalização de que o contribuinte deve comprovar a inscrição da empresa fornecedora no PAT como pré requisito para que tal verba seja isenta da incidência tributária em questão; De acordo com o art. 3º da Lei nº 6.321/76 e o art. 28, §9º, alínea “c” da Lei nº 8.212/91, excluemse das hipóteses de incidência da contribuição previdenciária as parcelas in natura fornecidas ao empregado, bastando, para tanto, que estejam de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social; Alega que a Lei nº 6.321 não condiciona o direito à isenção ao atendimento da formalidade de inscrição no PAT por parte do fornecedor; Que, no caso da recorrente, a parcial ausência de inscrição para uns poucos meses de 2007 e 2008 não tem o condão de afastar a natureza salarial de tal verba, que foi expressamente reconhecida pelas respectivas Convenções Coletivas de Trabalho; Menciona que a empresa está, de fato, amparada pelo PAT, conforme a Lei nº 6.321/76, sendo certo que a única suposta irregularidade apontada pela autoridade fiscal foi o fato de não haver comprovado a inscrição das fornecedoras, o que se apresenta como uma redundância injustificável; Requer o provimento do recurso, julgando improcedente a autuação, bem como a multa aplicada É o relatório Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. A irresignação da recorrente merece parcial acolhimento, consubstanciado nos atuais entendimentos administrativos e jurisprudenciais e em face do julgamento realizado dos processos 10166.723053/201043 e 10166.723054/201098 referentes às obrigações principais, dandolhes provimento parcial para a exclusão das rubricas “vale transporte” e “cesta básica” conforme as razões abaixo: DO VALE TRANSPORTE Com relação ao pagamento de Vale Transporte em dinheiro, após reiteradas decisões de nossos tribunais, a Advocacia Geral da União editou a Súmula nº 60/2011 que reconhece a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a este título, nos termos abaixo: Súmula nº 60/AGU “Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba" Legislação Pertinente: CF, artigos 5º, II, 7º, IV, XXVI, 150, I, 195, I, "a" , 201, § 11; Lei nº 7.418/85, artigo 2º; Lei nº 8.212/91, artigo 28, I e 9º, "f" ; Decreto nº 95.247/87, artigos 5º e 6º; Decreto nº 3.048/99, artigo 214, § 10. Precedentes: Tribunal Superior do Trabalho 1ª Turma: TSTAIRR234140 44.2004.5.01.0241, Rel. Min. Vieira de Mello Filho, j. 26.05.10; 2ª Turma : TSTRR9584079.2007.5.03.0035, Rel. Min. Renato de Lacerda Paiva, j. 23.03.11; 3ª Turma: TSTAIRR76040 07.2006.5.15.0087, Rel. Min. Alberto Luiz Bersciani de Fontan Pereira, j. 15.04.09; 4ª Turma: TSTRR89300 12.2006.5.15.0004, Rel. Min. Maria de Assis Calsing, j. 22.04.09; 5ª Turma 3534021.2008.5.03.0097, Rel. Min. João Batista Brito Pereira, j. 24.11.10; 6ª Turma: TSTRR1610063.2006.5.15.0006, Rel. Min. Augusto César Leite de Carvalho, j. 23.03.11; 7ª Turma: TSTRR 13120026.2004.5.15.0042, Rel. Min. Pedro Paulo Manus, j. 02.03.11; 8ª Turma: TSTRR430057.2008.5.04.0561, Rel. Min. Carlos Alberto Reis de Paula, j. 30.03.11; e SESBDI1: TSTE RR1302/20033830200.7, Rel. Min. Vieira de Mello Filho, j. 17.12.07. Superior Tribunal de Justiça 2ª Turma: REsp 1180562/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010); 1ª Seção: EREsp 816.829/RJ, Rel. Ministro Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.723060/201045 Acórdão n.º 2401002.545 S2C4T1 Fl. 2.057 5 CASTRO MEIRA, julgado em 14/03/2011, DJe 25/03/2011. Supremo Tribunal Federal Plenário: RE 478410/SP, Rel. Min. Eros Grau, DJ de 14.05.10. Desta forma, devem ser excluídos da presente autuação, os valores lançados a título de Vale Transporte. DO AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO Com o objetivo de evitar divergências de interpretações, por parte da administração e dos administrados, a respeito da incidência ou não da contribuição previdenciária sobre determinada verba paga, a lei veio definir expressamente quais os pagamentos não integrariam o salário de contribuição. Tal definição encontrase disposta no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. O cuidado do legislador se fez necessário pois seria temerário submeter à análise discricionária do contribuinte, ou mesmo da autoridade administrativa, a possibilidade de afastar ou não a incidência da contribuição previdenciária. A fim de reforçar o entendimento de que o propósito do legislador foi de restringir à lei todas as hipóteses de não incidência de contribuição, a Medida Provisória nº 1.59614, de 10/11/97, posteriormente convertida na Lei nº 9.528/97, introduziu o termo “exclusivamente” ao § 9º da Lei nº 8.212/91, que elenca as verbas que não integram o salário de contribuição. No que tange aos auxílios alimentação, o dispositivo que trata Da matéria é a alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, que abaixo transcrevemos Art. 28. (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...): c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 Logo, a alimentação em pecúnia não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT, as quais podem se dar pelas seguintes modalidades: Autogestão (serviço próprio): Nesse caso, a empresa beneficiária assume toda a responsabilidade pela elaboração das refeições, desde a contratação de pessoal até a distribuição aos usuários. Terceirização (Serviços de terceiros): Ocorre quando o fornecimento das refeições é formalizado por intermédio de contrato firmado entre a empresa beneficiária e as concessionárias, cujas opções são a refeição transportada onde esta é preparada em cozinha Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 industrial e transportada até o local de trabalho. O convênio, onde os empregados da empresa beneficiária fazem suas refeições em restaurantes conveniados com empresas operadoras de vales, tíquetes, cupons, cheques, etc. Também há a opção da empresa fornecer senhas, tíquetes, etc, para aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais ou, ainda, o fornecimento de cesta de alimentos em embalagens especiais, garantindo ao trabalhador ao menos uma refeição diária. Sobre a alegação de que a Convenção Coletiva de Trabalho previa o pagamento de auxílio alimentação em dinheiro, vale ressaltar que tal instrumento trata de normas aplicáveis entre as partes e não está o Poder Público obrigado a obedecer acordos e convenções coletivas de trabalho naquilo que conflitarem com a legislação tributária. Portanto, o fornecimento de alimentação em pecúnia paga junto com a folha de salários integra o salário de contribuição. A presente autuação foi lavrada uma vez que empresa deixou de declarar nas GFIP’s as remunerações pagas aos segurados empregados, a título das rubricas acima descritas que foram julgadas procedentes nos lançamentos relativos às obrigações principais. Dessa forma, a recorrente descumpriu o contido na Lei nº 8.212/1991, art. 32, inciso IV, que assim dispõe: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, e Negarlhe Provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 14041.001393/2008-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
NÃO APLICAÇÃO DE LEGISLAÇÃO. PERMISSIVO REGIMENTAL.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar acordo internacional, lei ou decreto, salvo nos casos de permissivo regimental, dentre eles a situação em que o ato legal em questão fundamente a exigência de crédito tributário objeto de Súmula da Advocacia Geral da União - AGU.
VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. SÚMULA AGU.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando-se o caráter indenizatório da verba (Súmula nº 60, da AGU, editada em 08/12/2011).
Recurso especial conhecido em parte e negado na parte conhecida..
Numero da decisão: 9202-002.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e na parte conhecida, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacilio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 23/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann ( Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire. Declarou-se impedido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PERMISSIVO REGIMENTAL. É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar acordo internacional, lei ou decreto, salvo nos casos de permissivo regimental, dentre eles a situação em que o ato legal em questão fundamente a exigência de crédito tributário objeto de Súmula da Advocacia Geral da União AGU. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. SÚMULA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerandose o caráter indenizatório da verba (Súmula nº 60, da AGU, editada em 08/12/2011). Recurso especial conhecido em parte e negado na parte conhecida.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e na parte conhecida, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 13 93 /2 00 8- 62 Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 23/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann ( VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire. Declarouse impedido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, por meio do qual se exigia crédito tributário no valor de R$ 14.787.075,72, relativamente às seguintes rubricas: AuxílioCreche – pagamento aos segurados empregados sem comprovação do efetivo gasto pelo empregado ; Vale Transporte – pagamento em pecúnia; Abono Salarial sem desvinculação expressa do salário; Terceiros – a empresa deveria estar enquadrada no FPAS 507, ao invés de no FPAS 566, 551 e 582, como informava. Em 14/04/2009, a DRJ em Brasília/DF exarou o Acórdão 0330.347, considerando procedente em parte o lançamento, excluindo: as competências de 01/2003 a 11/2003, em virtude da decadência; e a parte relativa ao AuxílioCreche, tendo em vista o Parecer PGFN/CRJ nº 2600/2008 e o Ato Declaratório PGFN nº 11, de 1º/12/2008. Desta decisão houve Recurso de Ofício ao CARF. Cientificado da decisão da DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário. Em sessão plenária de 08/07/2010, foram julgados os Recursos de Ofício e Voluntário, exarandose o Acórdão 230101.591, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 14041.001393/200862 Acórdão n.º 9202002.435 CSRFT2 Fl. 1.256 3 AUXÍLIOCRECHE. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN 11/2008. É. indevida a tributação do auxíliocreche recebido pelos empregados e pagos até a idade dos seis anos de idade dos seus filhos menores. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO SE CARACTERIZA COMO SALÁRIO INDIRETO. DECRETO 95.247/87 EXTRAPOLOU O SEU CARÁTER DE REGULAMENTAR A LEI 7.418/85. O pagamento de Vale Transporte em pecúnia, não é integrante da remuneração do segurado, pois nítido o seu caráter indenizatório, referendado esse entendimento, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal. Ademais, a vedação quanto ao pagamento do vale transporte em pecúnia inserida em nosso Ordenamento Jurídico pelo Decreto a. 95247/87, é ilegal, pois extrapolou o seu poder de regulamentar a Lei n. 7418/85. EMPRESA PÚBLICA. ATUAÇÃO NA CONDIÇÃO DE AGENTE PÚBLICO. ATIVIDADES TÍPICAS DO PODER ESTATAL. NÃO EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADE. ECONÔMICA. REGIME JURÍDICO TRIBUTÁRIO EQUIVALENTE. AO DAS AUTARQUIAS E ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA. NÃO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES SOB A RUBRICA TERCEIROS. As empresas públicas que desempenham atividades típicas do Poder Estatal, inclusive nas funções de fiscalização, incentivo e planejamento da atividade econômica, submetemse ao regime jurídico semelhante ao das autarquias, podendo se beneficiar de incentivos fiscais não concedidos às pessoas jurídicas de direito privado. Assim, mostrase correto a informação à autoridade fiscal no FPAS 582, aplicável aos órgãos do Poder Público e equiparados Recurso de Oficio Negado e Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Cientificada do acórdão em 06/07/2011 (fls. 580), a Fazenda Nacional, em 07/07/2011 (fls. 592), interpôs o Recurso Especial de fls. 593 a 616, com fundamento no art. 67, Anexo II, da Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: necessidade de comprovação de despesas com AuxílioCreche; Vale Transporte pago em pecúnia. Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Relativamente à necessidade de comprovação de despesas com Auxílio Creche, a Fazenda Nacional indicou como paradigma o Acórdão 20601.285, de 03/09/2008, exarado no processo 35261.000069/200641. No que tange ao Vale Transporte pago em pecúnia, foram indicados como paradigmas os Acórdãos: 20601.796, de 04/02/2009, proferido no processo nº 35464.004948/200665, e 240100.596, de 20/08/2009, exarado no processo nº 14489.000054/200729. Em 29/08/2011, por meio do Despacho nº 2300101/2011 (fls. 617 a 621), foi dado seguimento ao recurso. Quando foi cientificada do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do respectivo despacho de admissibilidade, em 15/10/2011 (AR de fls. 624), a contribuinte já havia protocolado, em 12/08/2011, as ContraRazões de fls. 628 a 640, informando que já havia tomado ciência desses documentos no CARF. Em sede ContraRazões, a contribuinte argumenta, em síntese: no que tange ao AuxílioCreche, nem no acórdão da DRJ nem no do CARF foi analisada matéria de prova, somente foi analisada a legislação, que não exige tal exame; a PFN não apresentou Embargos, portanto o recurso não pode ser conhecido, do contrário a Instância Superior teria de analisar matéria de prova, não analisada pelas instâncias inferiores, o que contraria a jurisprudência; relativamente ao Vale Transporte pago em dinheiro, a própria PFN reconhece que se trata de verba indenizatória, portanto é caso de não incidência; o argumento da PFN, no sentido de que se trata de verba que visa retribuição pelo trabalho contraria a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, invocada na decisão recorrida; a doutrina também é no sentido de que a satisfação das necessidades para execução do trabalho é imprescindível à caracterização de benefícios como salário; o Vale Transporte, no caso em apreço, tratase de parcela “para o trabalho”, imprescindível ao desenvolvimento do contrato laboral; a contribuinte viuse obrigada a substituir os vales por pecúnia, tendo em vista inúmeras dificuldades trazidas pela sua operação negocial e a potencial exposição a roubos; os pagamentos foram implementados em vista da legislação de regência e para viabilizar o desenvolvimento dos contratos de trabalho, mas nunca de maneira contraprestativa; o pagamento em dinheiro não modifica a natureza indenizatória da verba, e o descumprimento da proibição deveria ensejar multa, se prevista em lei, jamais a tributação via contribuição social. Ao final, a contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, caso seja conhecido, que se mantenha a decisão recorrida. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 14041.001393/200862 Acórdão n.º 9202002.435 CSRFT2 Fl. 1.257 5 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Preliminarmente, cabe aferir acerca dos pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial de Divergência, interposto pela Fazenda Nacional, com vistas a verificar se o apelo merece ser conhecido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. De plano, constatase a tempestividade do recurso, restando analisar se foi efetivamente demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Relativamente à necessidade de comprovação de despesas com Auxílio Creche, matéria esta objeto do Recurso de Ofício, a Fazenda Nacional indicou como paradigma o Acórdão 20601.285, de 03/09/2008, exarado no processo 35261.000069/200641. Antes de proceder ao exame do paradigma, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, assim entendida a diversidade de interpretações, obviamente que em face do mesmo arcabouço normativo. Com efeito, não haveria qualquer sentido em estabelecerse dissídio jurisprudencial em face de arcabouços normativos diversos, configurados em momentos distintos. Destarte, tornase imprescindível perquirir sobre o arcabouço normativo que teria orientado os julgados recorrido e paradigma. No caso do acórdão recorrido, proferido em 08/07/2010, houve a ratificação da decisão exarada pela DRJ em 14/04/2009 (fls. 133), portanto já sob a égide do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.600/2008, de 08/12/2008, e do Ato Declaratório PGFN nº 11, de 1º/12/2008. Confirase trecho do voto condutor do acórdão recorrido: Do Auxíliocreche — Recurso de Ofício Através do Acórdão recorrido, a rubrica Auxíliocreche foi devidamente excluída do presente lançamento, sendo dessa decisão recorrido de oficio. Pois bem. Imperioso trazer a baila o fundamento legal que embasa a exclusão do lançamento da contribuição previdenciária incidente sobre o valor pago a título de auxílio creche, in verbis: O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5" do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2600/2008, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide a contribuição previdenciária sobre o auxíliocreche, Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 recebido pelos empregados e pago até a idade dos seis anos de idade dos seus filhos menores." JURISPRUDÊNCIA Resp nº 816.829/RJ (DJ de 19.11.2007), Resp nº 664.258/RJ (DJ .31.05.2006). Desta feita, resta indubitável a procedência da exclusão de tal rubrica, razão pela qual mantenho incólume o Acórdão citado quanto a esse aspecto, bem como em relação à decadência do período de 01/2003 a 11/2003.” Quanto ao paradigma, foi indicado o Acórdão 20601.285, cujo julgamento ocorreu em 03/09/2008, portanto antes da edição do Ato Declaratório PGFN nº 11, de 1º/12/2008, que orientou o acórdão recorrido. Constatase, assim, que o paradigma diz respeito a julgamento anterior à edição dos atos normativos que orientaram o acórdão recorrido e o da DRJ, portanto jamais poderia conferirlhes interpretação diversa, simplesmente porque tais atos normativos sequer existiam à época do julgamento do paradigma. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, no que diz respeito à necessidade de comprovação do AuxílioCreche, por falta de demonstração de divergência. Apenas a título de informação, em 24/02/2011, o Superior Tribunal de Justiça julgou o Recurso Especial nº 1.146.772/DF04/03/2010 (DJ de 04/03/2010), representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificando o entendimento no sentido de que a contribuição previdenciária não deve incidir sobre os valores pagos a título de Auxílio Creche, porquanto representam uma forma de indenização. Confirase a ementa do julgado: “DIREITO PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 458, II E 535, I E II DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIOCRECHE. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 310/STJ. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. (...) 2. A demanda se refere à discussão acerca da incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os valores percebidos pelos empregados do Banco do Brasil a título de auxíliocreche. 3. A jurisprudência desta Corte Superior firmou entendimento no sentido de que o auxíliocreche funciona como indenização, não integrando, portanto, o salário de contribuição para a Previdência. Inteligência da Súmula 310/STJ. Precedentes: EREsp 394.530/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Primeira Seção, DJ 28/10/2003; MS 6.523/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJ 22/10/2009; AgRg no REsp 1.079.212/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ 13/05/2009; REsp 439.133/SC, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 22/09/2008; REsp 816.829/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 19/11/2007. 4. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 5. Recurso especial não provido.” Assim, ainda que o recurso pudesse ser conhecido – o que se admite apenas para argumentar o art. 62A, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 14041.001393/200862 Acórdão n.º 9202002.435 CSRFT2 Fl. 1.258 7 256, de/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586, de 2010, vincula este Colegiado aos julgamentos de mérito proferidos pelo STJ, na sistemática do art. 543C, do CPC, portanto dito entendimento teria de ser aplicado ao presente caso, reconhecendose a improcedência das contribuições previdenciárias exigidas sobre os valores pagos a título de AuxílioCreche. No que tange ao Vale Transporte pago em pecúnia, a divergência foi efetivamente comprovada, portanto o Recurso Especial da Fazenda Nacional deve ser conhecido, nessa parte. Sobre a matéria, foi editada, em 08/12/2011, a Súmula nº 60, da AGU – Advocacia Geral da União, que assim estabelece: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba.". O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, por sua vez, estabelece: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou (...)” Assim, por força do dispositivo regimental acima, aplicase ao caso a Súmula AGU nº 60, de 08/12/2011, que considera que não há incidência de contribuição previdenciária sobre Vale Transporte pago em pecúnia. Diante do exposto, CONHEÇO EM PARTE do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional e, na parte conhecida, NEGOLHE provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10882.001594/2006-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005
COFINS NÃO-CUMULATIVA. PERCENTUAL DO CRÉDITO.
Nos termos do inciso I, do §3o, do art. 8o, da Lei nº 10.925/04, o crédito da COFINS não-cumulativa é 60% da alíquota cobrada no pagamento da contribuição, ou seja, 4,56% sobre o valor do produto.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
É precluso do direito de atacar, em Recurso Voluntário, decisão não impugnada em Manifestação de Inconformidade.
GLOSA DE CRÉDITO. FALTA DE PROVA DA REALIZAÇÃO DA OPERAÇÃO SUPOSTAMENTE ORIGINOU O CRÉDITO.
É correta a glosa de créditos quando a Recorrente não consegue provar a existência, de fato, das operações que supostamente deram origem a ele.
CRÉDITO DA COFINS NÃO-CUMULATIVA. SERVIÇO DE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMO. POSSIBILIDADE.
Como o custo com frete compõe o valor da despesa na aquisição de insumo, ele deve fazer parte do cálculo do crédito da COFINS não-cumulativa, nos termos do art. 3o, inciso II, da Lei nº 10.833/2003,
GLOSA DE CRÉDITO POR SUPOSTAS IRREGULARIDADES NAS NOTAS FISCAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Deve ser cancelada a glosa quando as irregularidades apontadas pela fiscalização não são comprovadas.
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Deve ser negada a realização de diligência quando ela for prescindível para formar o convencimento do julgador.
Numero da decisão: 3401-001.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto às glosas não contestadas e quanto às notas não apresentadas. Por maioria de voto, em dar provimento ao Recurso em relação ao frete pago nas compras de insumo. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Júlio César Alves Ramos. Também por unanimidade de votos deu-se provimento ao Recurso quanto aos gastos com empresas de pequeno porte.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
Presidente
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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PERCENTUAL DO CRÉDITO. Nos termos do inciso I, do §3o, do art. 8o, da Lei nº 10.925/04, o crédito da COFINS nãocumulativa é 60% da alíquota cobrada no pagamento da contribuição, ou seja, 4,56% sobre o valor do produto. PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. É precluso do direito de atacar, em Recurso Voluntário, decisão não impugnada em Manifestação de Inconformidade. GLOSA DE CRÉDITO. FALTA DE PROVA DA REALIZAÇÃO DA OPERAÇÃO SUPOSTAMENTE ORIGINOU O CRÉDITO. É correta a glosa de créditos quando a Recorrente não consegue provar a existência, de fato, das operações que supostamente deram origem a ele. CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. SERVIÇO DE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMO. POSSIBILIDADE. Como o custo com frete compõe o valor da despesa na aquisição de insumo, ele deve fazer parte do cálculo do crédito da COFINS nãocumulativa, nos termos do art. 3o, inciso II, da Lei nº 10.833/2003, GLOSA DE CRÉDITO POR SUPOSTAS IRREGULARIDADES NAS NOTAS FISCAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser cancelada a glosa quando as irregularidades apontadas pela fiscalização não são comprovadas. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 15 94 /2 00 6- 45 Fl. 4379DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Deve ser negada a realização de diligência quando ela for prescindível para formar o convencimento do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto às glosas não contestadas e quanto às notas não apresentadas. Por maioria de voto, em dar provimento ao Recurso em relação ao frete pago nas compras de insumo. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Júlio César Alves Ramos. Também por unanimidade de votos deuse provimento ao Recurso quanto aos gastos com empresas de pequeno porte. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitida em 04/04/2006 (fls.02/20), para ressarcir créditos da COFINS nãocumulativa, oriundos das operações de exportação dos meses de março 2004 a dezembro de 2005, na forma do art. 6o, §1o, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. O direito creditório foi analisado duas vezes pela delegacia da Receita Federal em Osasco/SP. Na primeira análise (fls.500/512) foi glosado o valor de R$ 892.973,67, referente ao ano de 2004, além de R$ 1.206.569,55, referente ao ano de 2005. Após decisão judicial em Mandado de Segurança, a autoridade fiscal foi obrigada a rever algumas glosas efetuadas, vez que não analisou algumas notas fiscais. Diante disso, na segunda análise, a qual tratava apenas dos valores das notas fiscais não conferidas (R$ 1.718.944,83) a autoridade fiscal manteve a glosa em parte dos créditos (fls.3.690/3.644), em razão de irregularidades no cálculo da Contribuinte, ao considerar indevidamente para o cálculo valores referentes a notas fiscais baixadas e mercadorias devolvidas; não indicar o beneficiário e pessoas que receberam pagamentos em algumas operações; pagamentos por TED de contas não identificadas; pagamentos com cheques não comprovados e operações com empresa declarada inidônea. Fl. 4380DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10882.001594/200645 Acórdão n.º 3401001.896 S3C4T1 Fl. 3.988 3 Após Manifestação de Inconformidade, a DRJ em Campinas/SP cancelou parte das glosas, ao proferir julgamento com a seguinte ementa (fls.3.768/3.781): “RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito a ressarcir com base no § 2° do art. 6° da Lei n° 10.833, de 2003. ERRO DE FATO. CÁLCULOS. Constatado erro nos cálculos do crédito a título de Cofins não cumulativa, revelase improcedente a glosa efetuada. CRÉDITO PRESUMIDO. MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL. As pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal classificada no código 0504.00 podem deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3° das Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, adquiridos de pessoa física ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, com a alíquota prevista no § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004. FRETE. CRÉDITO. ÔNUS DO VENDEDOR. Do valor apurado a título de Cofins não cumulativa, a pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação ao frete na operação de venda de bens e serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda somente quando o ônus for suportado pelo vendedor. CRÉDITOS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Para aproveitamento do crédito calculado na forma do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, as compras dos bens referidos no inciso II desse dispositivo devem ter sua efetividade comprovada com documentação hábil e idônea. Solicitação Deferida em Parte”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 15/05/2009 e interpôs Recurso Voluntário em 09/06/2009 (fls.3.787/3.827), com as alegações resumidas abaixo: 1 Tem direito ao crédito integral em relação aos produtos adquiridos de cooperativas, pois os produtos não saíram da cooperativa com isenção; Fl. 4381DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 2 A DRJ não apreciou a glosa em relação às operações supostamente não comprovadas, sob argumento de que a Recorrente não se manifestou quanto ao segundo parecer, contudo essa glosa já havia sido contestada antes do segundo parecer; 3 No tocante às notas fiscais não entregues, a autoridade fiscal exige notas que não estavam na relação apresentada pela Recorrente no cálculo do crédito; 4 O frete creditado pela Recorrente não foi em relação à venda, mas sim em relação à compra do insumo, fazendo jus ao crédito, nos termos do art. 3o, inciso II, da Lei nº 10.833/03; 5 As operações com empresas de pequeno porte existiram, por isso tem direito aos créditos oriundos dessas operações; 6 Pedido de perícia para provar o direito creditório; Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que seja deferido o ressarcimento. É o Relatório Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente busca o ressarcimento de crédito da COFINS nãocumulativa oriundo de operações de exportação. Parte do crédito foi glosada e, em seu Recurso Voluntário, a Recorrente refuta diversas irregularidades apontadas pela autoridade fiscal. As matérias devolvidas para apreciação deste Conselho são as seguintes: Direito ao crédito de aquisição de insumos de cooperativas; necessidade de análise de glosas já contestadas na primeira decisão da delegacia de origem; impossibilidade de glosas de valores relativos a notas fiscais não indicadas como geradoras de crédito; direito creditório oriundo de frete na compra de insumos; geração de crédito nas operações com empresas de pequeno porte; e necessidade de diligência. 1. Direito ao crédito de aquisição de insumos de cooperativas A fiscalização glosou parte dos créditos relativos às aquisições de insumos de cooperativas, por argumentar que se trata de crédito presumido e que a Lei nº 10.925/2004 Fl. 4382DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10882.001594/200645 Acórdão n.º 3401001.896 S3C4T1 Fl. 3.989 5 determinou a alíquota de 4,56% para aproveitamento do crédito, mas a Contribuinte teria calculado seu crédito sobre a alíquota de 7,6%. A Recorrente, por sua vez, alega que tem direito à alíquota integral, pois não se trata de crédito presumido, haja vista que as operações com as cooperativas não tiveram isenção da COFINS. O art. 8o, da Lei nº 10.925/04, com redação dada pela Lei nº 11.051/04, assim determina: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: (...) III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (...) § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o §1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art.2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18” (grifos nosso) Fl. 4383DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 O art. 2o, da Lei nº 10.833/03, determina que a alíquota da COFINS não cumulativa é de 7,6%. Como o crédito presumido da COFINS nãocumulativa de insumos adquiridos de Cooperativas, nos termos do inciso I, da §3o, do art. 8o, da Lei nº 10.925/04, é 60% da alíquota cobrada da COFINS nãocumulativa, a alíquota do crédito é de 4,56% sobre o valor do produto. A Recorrente alega que essa alíquota do crédito presumido seria aplicável somente em caso de suspensão da cobrança da COFINS na aquisição de cooperativas, mas, conforme se verifica das disposições acima, em nenhum momento a lei menciona a necessidade da suspensão. Portanto, agiu bem a fiscalização ao recalcular o valor do crédito em relação às aquisições de cooperativas. No tocante à alegação de que a DRJ inovou ao incluir o art. 15, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, para fundamentar a manutenção da glosa, devese salientar que isso não causa qualquer prejuízo à decisão daquela instância, pois a medida provisória, apesar de não constar nos relatórios fiscais que apoiaram as glosas, foi utilizada apenas para robustecer a fundamentação da decisão, a qual não seria diferente caso não fosse utilizada o art. 15, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Portanto, nesse caso, a indicação de nova norma não gera prejuízo à Recorrente, vez que a manutenção da glosa também foi fundamentada com a lei indicada no relatório fiscal. 2. Necessidade de análise de glosas já contestadas na primeira decisão da delegacia de origem No primeiro parecer da delegacia de origem, foi glosado o valor de R$ 1.718.944,23, referente a operações não confirmadas. Após decisão no Mandado de Segurança, a fiscalização reviu esses valores e reduziu a glosa para R$ 194.134,54. Como a Recorrente não se manifestou quanto ao novo parecer, a DRJ entendeu que essa glosa não foi contestada e a manteve. A Recorrente refuta a fundamentação da DRJ, alegando que na Manifestação de Inconformidade (protocolada antes do segundo parecer) já havia refutado a glosa integralmente, afastando a necessidade de nova contestação da glosa. Deve ser mantido o acórdão da DRJ nesse ponto. A nova análise da Delegacia da Receita Federal em Campinas deu origem à nova decisão em relação aqueles valores revistos por ordem judicial. Dessa nova decisão caberia a Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias. Como a Recorrente ficou inerte, não contestando as glosas mantidas, precluiu do direito de se manifestar. 3. Das glosas das notas fiscais não entregues Alega a Recorrente que parte dos créditos glosados foi em relação a notas fiscais que não guardam consonância com as notas fiscais indicadas por ela como geradoras de crédito, de modo que as glosas são indevidas. A alegação da Recorrente não prospera, pois, além das notas fiscais, a fiscalização também levou em consideração os valores declarados na DACON, mais especificamente na linha 11 da ficha 06 (fl. 59). Essa conclusão é extraída do Parecer Fiscal 737/2007, no qual a autoridade fiscal relata o seguinte: Fl. 4384DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10882.001594/200645 Acórdão n.º 3401001.896 S3C4T1 Fl. 3.990 7 “Foram requisitadas notas fiscais de serviço que serviram de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo no período abrangido pelo pedido de ressarcimento, fl. 231. Vale destacar que os referidos gastos foram incluídos na consta ‘Serviço Utilizado como Insumos’, linha 03, ficha 06 da DACON – para o ano calendário 2004 – e na conta ‘Bens Utilizados como Insumos’, este último no mês de março de 2004, fls.258 e 428’. Não havendo comprovação de que os gatos com serviços estão de acordo com os pressupostos exigidos pela legislação tributária e, ainda, não apresentadas as notas fiscais dos serviços prestados, descabido o aproveitamento do crédito em relação às referidas operações(...)”. Portanto, a Recorrente não conseguiu provar a veracidade das informações constantes da DACON de modo que, ainda que as notas fiscais estejam com divergência, a Recorrente não tem direito ao crédito. 4. Direito creditório oriundo de frete na compra de produtos Foi glosado parte dos créditos, em decorrência de serviços não comprovados. A Recorrente, ainda na manifestação de inconformidade, apresentou cópias de conhecimentos de transportes, para demonstrar que os gatos estavam relacionados a serviço de frete. A DRJ manteve a glosa, sob fundamento de que, nos conhecimentos aéreos, está informado que o frete foi arcado pelo destinatário, o que excluiria o direito creditório, já que este existe somente quando o frete é arcado pelo vendedor. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente alega que o frete não foi na venda, mas sim na compra dos insumos, levando à geração do crédito pleiteado, O art. 3o, da Lei nº 10.833/03, permite o aproveitamento de crédito da COFINS nãocumulativa nos seguintes casos: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei Fl. 4385DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 8 no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção”. Considerando o conteúdo do inciso II, notase que essa norma pode ser interpretada de modo ampliativo e que qualquer bem ou serviço utilizado como insumo gera crédito da COFINS. Como o frete também compõe o custo da aquisição insumo, o valor dele deve compor o cálculo do crédito. 5. Geração de crédito nas operações com empresas de pequeno porte. Nas operações com empresas de pequeno porte, a fiscalização encontrou supostas irregularidades nas notas fiscais, desconsiderando as operações retratadas nessas notas fiscais e, assim, glosando os créditos oriundos dessas operações. Segundo a fiscalização, essas notas fiscais foram emitidas por empresas localizadas em Estados diferentes de onde fica sediada a Recorrente, não tiveram o canhoto de entrega da mercadoria destacado, não têm carimbo das barreiras dos Estados por onde circularam e tem como responsável pelo preenchimento e entrega de declarações o mesmo profissional. A Recorrente alega que as supostas irregularidades não ensejam a glosa dos créditos, pois não reconhece o fato de mesma caligrafia nas notas fiscais e, mesmo que fosse, isso não seria impedimento para o aproveitamento do crédito; no tocante à falta de destaque de Fl. 4386DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10882.001594/200645 Acórdão n.º 3401001.896 S3C4T1 Fl. 3.991 9 canhoto e de carimbo das barreiras estaduais, já havia esclarecido durante a fiscalização que a circulação da mercadoria é simbólica, pois os serviços das EPP’s durante a industrialização é prestado em estabelecimento de terceiros, por isso a mercadoria não circula realmente; quanto ao fato das notas fiscais terem sido emitidas pela mesma contadora, não há na legislação qualquer proibição de aproveitamento de crédito em relação a operações com empresas que têm o mesmo contador. As irregularidades com essas mesmas notas fiscais foram já foram analisadas em outro processo administrativo de lançamento de ofício do IRPJ, nº 10882.001047/200741, pela 2a Turma Ordinária, da 1a Câmara, da 1a Seção do CARF, em 19 de maio de 2010. Na ocasião ficou decidido o seguinte: “IRPJ E CSLL GLOSA DE CUSTOS Indícios o lançamento tributário com base em glosa de custos precisa estar apoiado em provas que caracterizem a sua ocorrência. Indícios da inexistência do fato registrado na contabilidade não sustentam a exigência fiscal.Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos e que integram o presente julgado”. Seguindo a tese da Recorrente, aquela Turma de Julgamento do CARF cancelou o lançamento. Sigo a mesma linha, até para manter a coerência das decisões deste Conselho. Tendo a Recorrente apresentado as notas fiscais da operação e a Autoridade Fiscal não conseguindo demonstrar a inocorrência das operações, não há fundamento legal para glosar os créditos por meras suposições. Por esse motivo, cancelo as glosas dos créditos em relação às operações com empresas de pequeno porte. 6. Necessidade de diligência. A Recorrente requereu a realização da diligência para comprovação do crédito. Contudo, a Recorrente já passou por duas ações fiscais para análise do seu crédito. Em todos os passos da Receita Federal do Brasil, durante a fiscalização, ela foi intimada para apresentar esclarecimentos e documentação. Além disso, todos os elementos constantes nos autos já são suficientes para formar o convencimento deste julgador. Por todos os motivos relacionado acima, nego o pedido de diligência. Ex positis, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para cancelar as glosas e reconhecer o crédito referente às operações com as empresas de pequeno porte e com o frete e manter as demais glosas. Fl. 4387DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 10 É como voto. Sala das Sessões, em 18 de julho de 2012. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Fl. 4388DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720053/2009-90
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO.
Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não tributados (NT) deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta.
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº- 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. (Súmula CARF nº 19)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente e Relator
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não tributados (NT) deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. (Súmula CARF nº 19) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 53 /2 00 9- 90 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório COMPANHIA MINEIRA DE METAIS formulou a Declaração de Compensação DComp nº 25257.46649.181104.1.3.019364, juntada aos autos às fls. 02 a 10 dos autos, por meio da qual pretendeu extinguir débito próprio de IRPJ (código 23621) pela via de sua compensação com direito creditório advindo de ressarcimento de crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, no valor de R$139.782,08, referente ao 1 trimestre de 2004, gerado pelo estabelecimento filial de CNPJ nº 17.177.999/000222, localizado em Três Marias/MG. O Despacho Decisório da DRF em Sete Lagoas/MG, fls. 221 e 222, autorizou o ressarcimento de R$ 59.408,85 e homologou compensação até esse valor. Para tanto, amparouse no Termo de Verificação Fiscal de fls. 205 a 214, que propôs o deferimento apensa parcial do pedido de ressarcimento em face das seguintes irregularidades: a) exclusão da Receita de Exportação REx e da Receita Operacional Bruta ROB do valor das vendas de produtos NT, a teor do disposto no art. 17, incisos I e II, 1 e 2 , da Instrução Normativa SRF nº 419, de 10 de maio de 2004; b) exclusão da base de cálculo: i. do valor das aquisições de insumos efetuadas no mercado externo; ii. do valor das aquisições de cimento efetuadas no mercado interno, porquanto tal produto não se enquadrava na conceituação de insumo dada pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, c/c o art. 164, inciso I, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), tratando se, sim, de material de reposição ou de partes do ativo imobilizado iii. do valor dos custos incorridos com o consumo de energia elétrica e combustível, pois se conformavam em força motriz, não se enquadrando na conceituação de insumo dada pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, c/c o art. 164, inciso I, do RIPI/2002, além do fato de o requerente não ter adotado a sistemática alternativa de apuração do crédito presumido prevista pela Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001. Em reclamação (fls. 224 a 251), o requerente controverteu as seguintes matérias: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13609.720053/200990 Acórdão n.º 3803003.586 S3TE03 Fl. 429 3 a) preliminar de nulidade formal do Despacho Decisório, por ausência de fundamentação e de capitulação legal; b) preliminar de nulidade por violação dos princípios da legalidade e da hierarquia das leis; c) exclusão da REx do valor das vendas para o exterior de produtos situados fora do campo de incidência do imposto, buscando demonstrar que tais produtos, apesar de notados na TIPI como NT, são resultantes do processo de industrialização do zinco eletrolítico; d) exclusão da base de cálculo do benefício do valor dos gastos com energia elétrica e combustíveis. Pediu perícia técnica para a comprovação da utilização desses bens no seu processo produtivo. A 3ª Turma da DRJ/JFA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 0940.169, de 4 de maio de 2012, fls. 363 a 383, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI 1. PRODUTO NT as saídas de produtos classificados na TIPI com a notação NT não estão abrangidas no campo de incidência do imposto, não podendo ser consideradas no cálculo do crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96. 2. CUSTO DE PRODUÇÃO as aquisições de energia elétrica, combustíveis, cimento não integram a base de cálculo do crédito presumido, uma vez que não se enquadram nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário, a teor do disposto nos arts. 1º, 2º e 3º, parágrafo único, da Lei 9.363/96, em consonância com o art. 164, inciso I, do RIPI/2002 e o Parecer Normativo CST 65/79. As aquisições de insumos importados também não integram a base de cálculo do crédito presumido por determinação expressa do art. 1º da Lei 9.363/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Tornase definitiva a exclusão de produto da base de cálculo do IPI efetuada pelo Fisco que não tenha sido expressamente contestada pela interessada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 1. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. Não cabe à esfera administrativa questionar ou negar aplicação às normas e determinações da legislação tributária que se encontram revestidas de validade e eficácia. Sendo assim, as arguições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria atinente à inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária válida e eficaz não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/JFA. O arrazoado de fls. 387 a 409, após síntese dos fatos relacionados com a lide, em preliminar, inquina a decisão de nulidade por cerceamento do direito de defesa, por ter indeferido o pedido de perícia técnica formulado na Manifestação de Inconformidade. Ainda, preliminarmente, rechaça a afirmação de que não teria contestado a exclusão do valor das aquisições de cimento ao mercado externo, situando sua insurgência contra a referida glosa no bojo da argüição de nulidade do Despacho Decisório. Na continuação, retoma a mesma arguição por falta de “adequada motivação legal”, nos mesmos termos já manifestados na reclamação. Em especial, entende que a INSRF nº 419, de 2004, jamais poderia ter sido invocada como fundamento para a glosa dos créditos por ter sido publicada após o período de apuração dos créditos. No mérito, tacha de ilegal a INSRF nº 419, de 2004, ao determinar a exclusão da Receita de Exportação do valor resultante das vendas para o exterior de produtos nãotributados (§1º do art. 17), na medida em que a Lei nº 9.363, de 1996, não teria feito tal restrição nesse sentido. Destaca ainda que os produtos que industrializa resultam de processo de industrialização, sendo, portanto, passíveis de tributação, e que a notação NT, nesse contexto, decorre de meras considerações de política fiscal adotada pela União. Cita e transcreve doutrina e jurisprudência que entende amparar suas teses. Pugna ainda pela reversão das glosas das aquisições de energia elétrica e de combustível, haja vista caracterizaremse plenamente como insumo, nos termos da legislação do PIS e da Cofins, a ponto de a própria Lei nº 10.276, de 2001, ao estipular forma alternativa de cálculo do crédito presumido, expressamente incluílos como insumos. Apressase em refutar a conclusão de que pelo fato de a Lei nº 10.276, de 2001, ter expressamente autorizado os créditos sobre energia elétrica e combustível, esse creditamento não era autorizado pela sistemática da Lei nº 9.363, de 1996. Conclui, requerendo: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13609.720053/200990 Acórdão n.º 3803003.586 S3TE03 Fl. 430 5 1. seja acolhida a preliminar de nulidade do acórdão, determinandose o retorno do processo à primeira instância, com intuito de ser realizada a prova pericial. 2. se rejeitada a preliminar, seja dado provimento ao Recurso, para o fim de reformar a decisão de primeira instância e cancelar a cobrança fiscal combatida. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 387 a 409 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJJFA3ª Turma nº 0940.169, de 04 de maio de 2012. Matéria controversa Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo reclamante. O recorrente, enquanto manifestante, não contestou expressamente as glosas das aquisições de cimento no mercado externo, razão pela qual o ajuste procedido pela Fiscalização quedou definitivo. Além das nulidades argüidas, controvertese o ajuste na REx pela exclusão das vendas ao mercado externo de produtos NT e a glosa dos gastos com energia elétrica e combustíveis. Preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa O recorrente infirma a decisão recorrida por terlhe cerceado o direito de defesa, ao indeferir pedido de perícia. Nos termos em que foi formulado, a perícia técnica destinarseía à comprovação do processo produtivo(fl. 249): Tendo em vista a imperatividade de se confirmar a industrialização dos produtos exportados pela Manifestante, os quais a fiscalização afirma serem produtos nãoindustrializados encontrados fora da hipótese de incidência do IPI, a realização de perícia técnica visando comprovar o processo de beneficiamento dos produtos demonstrase imprescindível. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 6 A decisão recorrida, por sua vez, julgou desnecessária a realização de perícia com esse fim, por entender que, não se encaixando no conceito de pessoa jurídica produtora, relativamente aos produtos não sujeitos ao IPI, não está abrangida pelo benefício (fl. 379). Nos termos do art. 18 do PAF, é discricionariedade da autoridade julgadora de primeira instância determinar a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, podendo indeferilas se as considerar prescindíveis. No caso concreto, o fundamento oferecido ao indeferimento supre plenamente o exigido no art. 28 do PAF, não havendo falar em cerceamento do direito de defesa. Rejeito a preliminar. Preliminar do nulidade do Despacho Decisório por carência de motivação legal O recorrente, assim como o manifestante, infirmou o Despacho Decisório por ter fundamentado o seu entendimento na INSRF nº 419, de 2004, apesar de os créditos em tela terem sido apurados em período anterior à entrada em vigor da citada Instrução Normativa. Insta afastar, em primeiro lugar, a invocação ao art. 144 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, posto que de lançamento não se trata. O sistema de nulidades no processo administrativo fiscal está disciplinado no art. 59 do PAF, nos termos seguintes: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa". Nos autos não vislumbro a subsunção do fato à norma. Não há incompetência de agente, nem preterição do direito de defesa. Também, o princípio do formalismo moderado, um dos pilares do PAF, admite que a ciência dos autos e a interposição da reclamação supram as falhas incidentais existentes no processo, quando não se verifica nenhum erro material. Mesmo assim, não vislumbrei qualquer falha no TVF que justificasse o recurso ao princípio do formalismo mitigado. Muito embora o TVF faça reiteradas menções à INSRF nº 419, de 2004, especificamente no que se refere à glosa dos créditos por aquisições de insumos no mercado externo, a Fiscalização fundamentoua no art. 1º da Lei Instituidora. Confirase (fls. 210, com os grifos do original): “Com relação aos insumos: matériasprimas(MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), analisamos os valores lançados nessa rubrica nos DCP e verificamos que não poderia compor tais valores os insumos importados e cimento. (...). A Lei nº 9363, de 1996, em seu art. 1º, veda o crédito presumido sobre aquisições de insumos efetuadas no mercado externo: Art. 1 . A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºss 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no Fl. 433DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13609.720053/200990 Acórdão n.º 3803003.586 S3TE03 Fl. 431 7 mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. grifei As planilhas de fls. 150/151 relacionam os produtos importados adquiridos no período de 2002 a 2003, que não devem integrar a base de cálculo do crédito presumido.” Ademais, compulsandose o Demonstrativo dos produtos importados – Votorantim, fls. 175 a 178, constatase que a glosa contestada restringiuse às importações efetuadas nos anoscalendários de 2002 e 2003. Nada se glosou a esse título no ano de 2004, razão pela qual a arguição é absolutamente impertinente. Rejeito a preliminar. Mérito – ajuste na Receita de Exportação REx pela exclusão das vendas ao mercado externo de produtos NT Inicio meu voto, tranquilizando o recorrente: é possível afirmar que as "mercadorias" exportadas por ele são sim resultantes de processo fabril que se subsume no conceito de industrialização nas modalidades transformação ou beneficiamento, ainda que situadas fora do campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Mas, a meu entender, não é essa a questão que se encontra em debate. Neste ponto, fazse necessário reafirmar que o benefício do Crédito Presumido de IPI – CPIPI está expressamente direcionado à “empresa” produtora e exportadora de mercadorias nacionais, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, que transcrevo novamente para maior clareza: Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºss 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. O conceito de produção, hábil para a definição do que seja uma empresa produtora, adotado pela Lei Instituidora, é, expressamente, aquele veiculado pela legislação do IPI, nos termos do parágrafo único do art. 3 da Lei nº 9.363, de 1996: “Art. 3º (...) Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” Nesse contexto, nos estritos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal do IPI, estabelecimento produtor é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Confirase: “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto.” Fl. 434DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 8 Concluise, inarredavelmente, que, no que diz respeito aos produtos que, ainda que resultantes de processo de industrialização, não sofrem incidência do IPI, o estabelecimento que os produziu (a “empresa”, na atecnia da Lei) não é estabelecimento produtor para os fins da Lei nº 9.363, de 1996. Relativamente a esses produtos, a empresa não faz jus ao CPIPI. O ajuste na REx (e na ROB, que o recorrente espertamente não contestou) é mera decorrência dessa conclusão. Isto porque a relação dada por esses dois valores (receita de exportação dividida por receita operacional bruta) visa a apurar quanto foi exportado, do total de produtos industrializados pelo estabelecimento beneficiário. Se os produtos NT não são considerados industrializados, para fins do IPI, não devem integrar o cálculo do incentivo nem no numerador nem no denominador da fração. Em consonância com esta interpretação, o Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP nº 139, de 22/04/96, já esclarecia, no seu subitem 4.11, o seguinte: 4.11. O contribuinte produtorexportador de produtos com alíquota zero ou isentos tem direito ao crédito, ainda que não tenha débito de IPI Não tem direito ao crédito presumido o exportador de produtos não tributados pelo IPI (produtos NT), isto é, produtos que não são industrializados, pois neste caso ele não é contribuinte do IPI. Neste ponto o referido Parecer interpretou da melhor forma a legislação do CPIPI, tendo esclarecido a questão relativa aos produtos NT. A Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, bem como a Instrução Normativa SRF nº 23, de 13 de março de 1997, ao regulamentarem o incentivo, não tratam especificamente do tema. Apenas informam que farão jus ao incentivo a empresa produtora e exportadora de "mercadorias nacionais" (art. 2° da Portaria MF nº 38, de 1997, e art. 2° da Instrução Normativa SRF nº 23, de 1997), sem qualificar tais mercadorias como produtos industrializados. Somente no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 13, de 2 de setembro de 1998, é que o tema foi tratado de forma específica. Mais tarde, a Portaria MF nº 64, de 24 de março de 2003, a Instrução Normativa SRF nº 313, de 3 de abril de 2003, e a controvertida INSRF nº 419, de 2004, utilizaram, corretamente, a locução “produtos industrializados nacionais" (art. 2° destes três últimos atos). A meu ver os atos citados não inovaram na regulamentação do benefício em tela, tendo apenas procedido à melhor interpretação da Lei nº 9.363, de 1996. Inclusive, é despiciendo dispositivo legal determinando expressamente a exclusão dos valores das mercadorias não industrializadas ou nãotributadas no cálculo do benefício. Mesmo antes do ADN COSIT nº 13, de 1998, da Portaria MF nº 64, de 2003, e das INSRF nº 313, de 2003, e nº 419, de 2004, e independentemente do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP nº 139, de 1996, o CPIPI, tal como estabelecido pela Lei nº 9.363, de 1996, não comportava a inclusão das mercadorias não industrializadas ou NT em sua base de cálculo, bem como dos respectivos insumos. Estendo seja esta a mens legis. A propósito, a matéria já tem tratamento pacificado na instância recursal administrativa, desde o tempo do extinto Conselho de Contribuintes. Transcrevo, como ilustração, a ementa do Acórdão nº 20311.627, da 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não Fl. 435DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13609.720053/200990 Acórdão n.º 3803003.586 S3TE03 Fl. 432 9 tributados (NT) deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NT. EXCLUSÃO. Não se incluem na base de cálculo do Crédito Presumido do IPI instituído pela Lei n° 9.363/96 os insumos empregados em produtos não tributados. Recurso negado. Atualmente, a Súmula CARF nº 20 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009) veda expressamente o creditamento do IPI nas aquisições de insumos aplicados em produtos NT: Súmula CARF Nº 20 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT Mérito – glosa dos gastos com energia elétrica e combustíveis A insurgência recursal contra a glosa das aquisições de EE e combustíveis vai buscar conceito de insumo na legislação das contribuições sociais, remetendose expressamente ao art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Improcedentemente. O art. 3 da Lei nº 9.363, de 1996, determinou que os conceitos de MP, PI e ME aplicáveis na apuração do CPIPI são os mesmos definidos na legislação do IPI. E, desnecessário repetir, no contexto da legislação do IPI, só consideramse insumos matéria prima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as MP e PI, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização. Repisese que o ora recorrente não optou pela modalidade alternativa de apuração do CPIPI, instituída pela Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001. Nesse contexto, incide plenamente a Súmula CARF nº 19: Súmula CARF Nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 10 Conclusão Com essas considerações e com os próprios fundamentos da decisão recorrida que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, adoto como razão de decidir e passam a fazer parte integrante desse voto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012 Alexandre Kern Fl. 437DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13631.000295/2003-91
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN.
O prazo para o fisco efetuar o lançamento é de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 9303-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano DAmorim, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. O prazo para o fisco efetuar o lançamento é de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente.Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 1. 00 02 95 /2 00 3- 91 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes. Relatório Em sessão plenária de 12 de dezembro de 2007, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário n 132.469, oportunidade em que o Colegiado decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. A decisão está consubstanciada no Acórdão nº 20180.826, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS Anocalendário: 1998 Ementa: COFINS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo para a Fazenda exercer o direito de fiscalizar e constituir pelo lançamento, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins é o fixado no art. 45 da Lei no 8.212/91, à qual não compete ao julgador administrativo negar vigência. Em síntese, a Câmara houve por bem em ratificar a decisão de primeira instância, para aplicar a regra do art. 45 da Lei n° 2.212, decadencial para constituição de crédito tributário referente à COFINS. Cientificado da decisão, em 02/06/2008 (A.R. na fl. 139), vem agora o sujeito passivo, em sede de Recurso Especial (art. 7°, inc. II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF n 2 147, de 25 de junho de 2007), folhas 141 a 159, protocolado em 17/06/2008 (fl. 140), requerer reforma da decisão proferida no recurso voluntário, para que seja cancelado o crédito tributário cobrado referente ao período de maio de 1998, já que alcançado pela decadência. A PGFN apresentou contrarrazões às fls. 213 a 218, onde pleiteia a aplicação do prazo decadencial de cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter sido efetuado o lançamento, nos termos do art. 173, I, do CTN. É o relatório Voto Fl. 223DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13631.000295/200391 Acórdão n.º 9303002.136 CSRFT3 Fl. 221 3 O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Como sabemos, o CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial, na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, não há que se falar em pagamento ou não. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 224DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13631.000295/200391 Acórdão n.º 9303002.136 CSRFT3 Fl. 222 5 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Feita a explanação conceitual, passemos agora a análise detalhada do caso in concreto. Não se cogita mais da aplicação do art. 45 da Lei 8212/91. Tanto que o próprio Recurso Especial da PGFN trata somente da aplicação do art. 173, I do CTN. Como os fatos geradores ocorreram no ano calendário de 1998, meses de maio a dezembro e, não havendo comprovação de pagamento, não há que se falar em decadência, vez que a ciência do lançamento se deu em 16/06/2003. O contribuinte requer que seja declarada a decadência em relação ao mês de maio de 1998. O contribuinte alega, em tese, que nos lançamentos por homologação aplica se o prazo decadencial de cinco anos, com o termo inicial na data do fato gerador, porém sem apresentar provas ou mesmo argumentar acerca da existência de qualquer tipo de pagamento. No caso em tela não houve qualquer tipo de pagamento. Aplicarseá dessa forma o preceituado no art. 173, I do CTN. Dessa forma, nego provimento ao recurso do contribuinte. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 227DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 11020.001080/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2008
MATÉRIA - REPERCUSSÃO GERAL - SOBRESTAMENTO - INDEVIDO
Não é devido o sobrestamento do processo, cuja matéria foi objeto de declaração como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, se aquela corte, expressamente, não determinar o sobrestamento dos julgamentos dos processos que versam sobre a mesma matéria
BASE DE CÁLCULO - MÃO DE OBRA DEFINIDA - AFERIÇÃO DESNECESSÁRIA
Nos casos de prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, a apuração da base de cálculo para incidência da contribuição da empresa só deve ser aferida pela aplicação de percentuais estabelecidos nas normativas se não for possível distinguir o que seria mão de obra e o que seriam materiais e outras despesas. Havendo a possibilidade de verificação do valor da efetiva mão de obra empregada na prestação do serviço, não há que se falar em aplicação de percentuais sobre o valor da fatura para apuração da base de cálculo
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.159
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2008 MATÉRIA - REPERCUSSÃO GERAL - SOBRESTAMENTO - INDEVIDO Não é devido o sobrestamento do processo, cuja matéria foi objeto de declaração como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, se aquela corte, expressamente, não determinar o sobrestamento dos julgamentos dos processos que versam sobre a mesma matéria BASE DE CÁLCULO - MÃO DE OBRA DEFINIDA - AFERIÇÃO DESNECESSÁRIA Nos casos de prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, a apuração da base de cálculo para incidência da contribuição da empresa só deve ser aferida pela aplicação de percentuais estabelecidos nas normativas se não for possível distinguir o que seria mão de obra e o que seriam materiais e outras despesas. Havendo a possibilidade de verificação do valor da efetiva mão de obra empregada na prestação do serviço, não há que se falar em aplicação de percentuais sobre o valor da fatura para apuração da base de cálculo Recurso Voluntário Negado
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Havendo a possibilidade de verificação do valor da efetiva mão de obra empregada na prestação do serviço, não há que se falar em aplicação de percentuais sobre o valor da fatura para apuração da base de cálculo Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 10 80 /2 01 0- 89 Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ana Maria Bandeira Relatora. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.001080/201089 Acórdão n.º 2402003.159 S2C4T2 Fl. 1.035 3 Relatório Tratase do lançamento de contribuições destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, incidentes sobre os pagamentos efetuados à cooperativa de trabalho médico, relativamente aos serviços prestados pelos cooperados por seu intermédio, no período de 01/2005 a 09/2008. A notificada veio a contratar a cooperativa de trabalho UNIMED NORDESTE RS SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS LTDA. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 60/71), o pagamento efetuado à cooperativa de trabalho constitui fato gerador das contribuições objeto do presente lançamento, por força do que determina o art. 22, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 9.876, de 1999. Mensalmente, a UNIMED NORDESTE RS emite faturas contra a entidade autuada, que seria a efetiva contratante dos serviços, sendo irrelevante, do ponto de vista tributário, que o valor devido seja rateado entre os associados. A auditoria fiscal informa que a apuração da base de cálculo levou em conta informações fornecidas pela própria UNIMED NORDESTE RS que distingue os valores destinados à remuneração dos serviços médicos, a que denomina Atos Cooperativos Principais, daqueles destinados ao ressarcimento pelos serviços indispensáveis ao atendimento médico, tais como despesas hospitalares, laboratoriais, de raiox e de urgência , os quais são denominados Atos Cooperativos Auxiliares. Assim, nas competências em que a cooperativa distingue os valores dos Atos Cooperativos Principais, ou seja, os valores recebidos pelos cooperados, tais valores foram considerados a base de cálculo para a aplicação da alíquota de 15%. Nas competências em que não houve a discriminação, a auditoria fiscal considerou o percentual de 30% incidente sobre o total da fatura para apurar a base de cálculo, em obediência ao art. 291, inciso I, alínea “a”, da Instrução Normativa SRP nº 03/2005. Foram efetuados os seguintes levantamentos: Levantamento "CO" Base de Cálculo Destacada na Fatura Este levantamento engloba as contribuições destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, incidentes sobre a base de cálculo destacada pela cooperativa de trabalho nas faturas emitidas contra o sujeito passivo, correspondente a trinta por cento do valor bruto das mesmas, quando se trata dos eventos "mensalidades dos planos de saúde contratados" e ao valor do Ato Cooperativo Principal ACP, quando se trata do pagamento pelo uso dos serviços de assistência médica fora da área de ação dos referidos planos, que neste último caso, foi o valor que os sujeito passivo discriminou como base de cálculo. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Levantamento "CP" Diferença entre o Valor do ACP e a Base de Cálculo Destacada na Fatura Este levantamento engloba as contribuições destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, incidentes sobre a diferença entre o valor do Ato Cooperativo Principal ACP e a base de cálculo destacada pela cooperativa de trabalho nas faturas emitidas contra a ora autuada, quando houve. A notificada, juntamente com outras entidades, impetrou Mandado de Segurança nº ° 2000.71.07.0023741 (fls. 593/611) onde questiona a constitucionalidade da Lei nº 8.879/1999 que, por ser lei ordinária, não poderia ter instituído uma nova modalidade de custeio para as empresas. Em 13 de março de 2001 foi prolatada a sentença, julgado improcedente o pedido. Em 04 de abril de 2001, a autuada interpôs Apelação requerendo a reforma da sentença em sua integralidade. Em 18 de dezembro de 2001, Acórdão negou provimento à apelação. Em 14 de fevereiro de 2002, a autuada apresentou Recurso Extraordinário, o qual estaria pendente de julgamento. A autuada efetuou depósitos judiciais parciais dos valores. A ciência do lançamento ocorreu em 09/04/2010 e a autuada apresentou defesa (fls. 662/670). Pelo Acórdão nº 1236.391 (fls. 909/920) a 13ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I considerou o lançamento procedente em parte para o reconhecimento da decadência até a competência 03/2005, pela aplicação do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. A decisão de primeira instância também promoveu a retificação do presente crédito, a fim de excluir dos montantes a serem cobrados nestes autos os valores relativos aos depósitos judiciais efetuados pela Impugnante, os quais, ao término da ação judicial em curso, serão revertidos à parte vencedora, e, assim, quando muito poderiam estar consolidados num lançamento destinado apenas a prevenir a decadência. Inconformada, a notificada apresentou recurso tempestivo onde questiona a base de cálculo utilizada pela fiscalização. Informa que os serviços contratados são todos de grande risco, cuja fatura não especifica os valores dos materiais fornecidos, enquadrandose na situação prevista no inciso I, do art. 291 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005 que define a base de cálculo nas circunstâncias evidenciadas. Assim, ao fazer o depósito judicial das quantias, a autuada considerou como base de cálculo para aplicação do percentual de 15% previsto no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, o valor de 30% sobre o total da fatura. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.001080/201089 Acórdão n.º 2402003.159 S2C4T2 Fl. 1.036 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Inicialmente cabe esclarecer as razões pelas quais o presente processo não deve se mantido sobrestado, inclusive, com o objeto de se evitar qualquer questionamento ou futuros embargos. Embora a matéria em questão tenha sido declarada de “repercussão geral” pelo Supremo Tribunal Federal, não é o caso para sobrestamento dos presentes autos, de acordo com a Portaria CARF nº 01/2012 que assim dispõe: O PRESIDENTE DO CONSELHO ADMINISTRATIVO FISCAL (CARF), no uso de suas atribuições, tendo em vista o disposto nos arts 20, inciso IV do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, e alterações posteriores, e a necessidade de uniformização do procedimento de sobrestamento de julgamentos de recursos, previsto no § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF, ...., RESOLVE: Art. 1º Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria par realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. (g.n.) Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 A portaria em questão veio esclarecer a aplicação do sobrestamento prevista no Regimento Interno do CARF, especificamente no art. 62A §§ 1º e 2º: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (g.n.) Como não houve para a matéria em tela a determinação de sobrestamento por parte do Supremo Tribunal Federal, não há que se sobrestar o julgamento do presente recurso. A recorrente questiona tão somente a base de cálculo utilizada e entende que não teria sido interpretado adequadamente o inciso I, do art. 291 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005, ora revogada, o qual dispunha o seguinte: Art. 291. Nas atividades da área de saúde, para o cálculo da contribuição de quinze por cento devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, as peculiaridades da cobertura do contrato definirão a base de cálculo, observados os seguintes critérios: I nos contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, quando os serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas físicas ou jurídicas ou quando os materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura, a base de cálculo não poderá ser: a) inferior a trinta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de grande risco ou de risco global, sendo este o que assegura atendimento completo, em consultório ou em hospital, inclusive exames complementares ou transporte especial; A auditoria fiscal considerou como base de cálculo para a aplicação dos 15% o valor discriminado pela cooperativa como sendo Ato Cooperativo Principal e aplicou a alíquota de 30% sobre o valor da fatura para a apuração da base de cálculo nas competências em que a cooperativa não discriminou tais valores. O argumento da recorrente é que o dispositivo trata da discriminação de materiais o que não foi efetuado. Assim, restaria inválido o entendimento de que os valores discriminados pela cooperativa como sendo Atos Cooperativos Principais corresponderiam à base de cálculo a ser considerada. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.001080/201089 Acórdão n.º 2402003.159 S2C4T2 Fl. 1.037 7 A meu ver, a forma como foi verificada a base de cálculo pela auditoria fiscal está correta. Cumpre ressaltar que a contribuição em tela incide sobre o valor da mão de obra dos cooperados que prestaram serviços por intermédio da cooperativa. Assim sendo, a questão que importa é determinar o valor dessa mão de obra. Em razão de na prestação de serviços existir a possibilidade de outros custos serem acrescentados ao valor da mão de obra, a legislação tomou o cuidado de estabelecer que os valores não correspondentes à mão de obra possam ser excluídos da base de cálculo. Inexistindo tal separação, a legislação admite percentuais mínimos sobre a fatura a serem considerados como mão de obra e, para o serviço contratado pela recorrente, tal percentual foi estabelecido em 30%, de acordo com o art. 291, Inciso I, alínea “a”, já transcrito. O dispositivo busca garantir que a contribuição incida sobre o valor da efetiva mão de obra. Ressaltase mais uma vez que o fato de não haver discriminação de materiais na nota fiscal é irrelevante se o valor da mão de obra empregada já é conhecido, no caso, o valor dos Atos Cooperativos Principais. Também não merece acolhida o argumento de que não estaria perfeitamente delineado o que seriam os Atos Cooperativos Principais. Mais uma vez contrariando os argumentos da empresa, há que se reconhecer que os próprios contratos firmados com a cooperativa (fls 129 e 159) definem o que seria Ato Cooperativo Principal, especificamente no item “b”, da cláusula vigésima sexta abaixo transcrita: "Mensalidade a ser pactuada no ato da assinatura do Termo de Contratação, Opção e Adesão a ser paga no respectivo mês. Os valores de pagamento de mensalidades, aqui previstos, são cálculos atuariais próprios da CONTRATADA, proporcionalmente destinados à remuneração dos atos cooperativos principais (serviços médicos) e ao ressarcimento dos atos cooperativos auxiliares (serviços indispensáveis ao atendimento médico, tais como despesas hospitalares, laboratoriais, de raiox e de urgência) e dos custos administrativos ". Como se vê, os próprios contratos estabelecem que o ato cooperativo principal corresponde aos serviços médicos, ou seja, a própria cooperativa faz a distinção entre os valores correspondentes aos serviços médicos e os demais serviços, estes não sujeitos à tributação. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso apenas e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10935.000409/2008-02
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
EDITADO EM: 08/10/2012
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração. Recurso ao qual se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 04 09 /2 00 8- 02 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 EDITADO EM: 08/10/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Curitiba (fls. 252/255), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, relativamente a pedido de ressarcimento acolhido apenas em parte pela autoridade administrativa responsável pelo exame inicial do pleito. De acordo com o relatório objeto da decisão recorrida, a lide decorre de pedido de ressarcimento de créditos da COFINS Mercado Externo, no valor de 10.293,86, apurado segundo o regime de incidência nãocumulativa, correspondente ao quarto trimestre de 2006. O pedido foi fundamentado no § 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. A DRF em Cascavel/PR, por meio do Despacho Decisório de fls. 215/220, deferiu apenas parcialmente o pedido formulado, tendo reconhecido o direito creditório no montante de R$ 7.958,45. Nos termos do relatório objeto da decisão recorrida, dentre as glosas efetuadas pela autoridade administrativa não foi consentido, para fins de compensação ou de ressarcimento, o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria relativo ao mercado externo, por entender referida autoridade que o aproveitamento do crédito presumido em tela é legalmente admitido apenas para desconto da correspondente contribuição devida. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, cujos argumentos, todavia, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo, que indeferiu o pleito em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RESSARCIMENTO. OPERAÇÕES NO MERCADO EXTERNO. O ressarcimento em dinheiro somente poderá ser solicitado pela pessoa jurídica, após a dedução da contribuição devida e da compensação com débitos próprios, em relação às receitas decorrentes de operações para o exterior e utilizandose tão somente dos créditos básicos apurados na forma do art. 3º da Lei nºs 10.637, de 2002. CRÉDITO PRESUMIDO. NÃO CUMULATIVIDADE. FORMA DE UTILIZAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não cumulativa. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000409/200802 Acórdão n.º 3802001.249 S3TE02 Fl. 279 3 É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 24/06/2011 (fls. 267). Inconformada, a interessada apresentou, em 25/07/2011 (fls. 268), o recurso voluntário de fls. 268/276, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, ou seja, alegando resumidamente o seguinte: a) que o artigo 8o da Lei no 10.925/04 reconheceu o direito ao crédito presumido em relação a algumas pessoas jurídicas ou cooperativas que produzissem produtos de origem vegetal ou animal para alimentação humana; b) que a suspensão de que trata a IN SRF no 660/2006 abarcou apenas as receitas brutas de vendas de produtos in natura, dentre eles a soja (NCM 12.01), realizadas no mercado interno por cerealistas para agroindústrias tributadas pelo lucro real; c) que, como efeito prático, a recorrente: i) com respeito à comercialização dos produtos in natura, está desobrigada de recolher as contribuições sociais sobre as vendas no mercado interno; ii) em relação à industrialização de produtos de origem vegetal, essencialmente a soja, teria direito ao crédito presumido previsto no artigo 8o da Lei 10.925/04, c/c artigo 5o, inciso I, alínea “d”, da IN 660/06, crédito este calculado sobre os insumos da industrialização e comercialização da soja; d) assim, a interessada teria direito ao crédito presumido do PIS e da COFINS sobre a receita bruta da atividade agroindustrial, no mercado interno e externo, podendo inclusive, em relação às suas exportações, utilizar os créditos para fins de compensação ou ressarcimento; nesse sentido, os créditos, embora reconhecidos, foram equivocadamente glosados pela autoridade fiscal, que autorizou sua utilização unicamente para desconto da correspondente contribuição apurada; e) ressalta que a vedação de que trata o § 2o do artigo 5o da IN 660/06, segundo o qual “é vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo”, se restringe unicamente às vendas de soja realizadas com suspensão, ou seja, apenas às vendas realizadas no mercado interno; assim, tal vedação não alcançaria as exportações de produtos industrializados de origem vegetal (soja), porquanto não se está falando de vendas com suspensão, mas sim de nãoincidência; f) se contrapõe à exegese oficial que, alicerçada no artigo 8o da Lei no 10.925/04, entendeu que o crédito presumido da agroindústria relativo ao mercado externo não pode ser objeto de compensação ou ressarcimento; neste comenos, ressalta que não há incidência de contribuições sociais sobre Fl. 392DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 as receitas decorrentes de exportação, a teor do disposto no artigo 149, § 2o, I, da Constituição Federal; g) quanto ao direito ao aproveitamento dos créditos presumidos do PIS e da COFINS para fins de ressarcimento ou compensação, assevera que tal direito lhe é assegurado pelo artigo 17 da Lei n° 11.033/04 (que autorizou a manutenção dos créditos presumidos de PIS e COFINS decorrentes da não incidência dessas exações), bem como pelo artigo 16 da Lei n° 11.116/05 (que autorizou expressamente o ressarcimento ou a compensação, com quaisquer tributos e contribuições, do saldo credor da contribuição para o PIS e para a COFINS depois da dedução com as correspondentes exações); h) questiona o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, que, ao vedar a compensação do crédito presumido do PIS e da COFINS com os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, estaria indo de encontro ao disposto na Lei no 11.116/05; i) ressalta que o legislador objetivou desonerar o contribuinte, vedando a incidência, em cascata, do PIS e da COFINS; no caso da recorrente, considerando que suas vendas se limitam à exportação de produtos industrializados, jamais poderia usufruir de tais créditos diante da não incidência destas contribuições sociais, por vedação de um ato interpretativo que não tem o condão de contrariar dispositivo legal expresso. Com base nos argumentos em tela, requer seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente reconhecimento do direito ao crédito presumido do PIS e da COFINS decorrente das vendas da agroindústria ao exterior, devidamente corrigido pela taxa SELIC, desde a protocolização do pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme argumentos aduzidos em seu recurso voluntário, vêse que a lide se restringe ao suposto direito de utilização, para fins de ressarcimento ou de compensação, do crédito presumido da contribuição para a COFINS decorrente das vendas da agroindústria efetuadas para o exterior. O problema inerente à forma de utilização do crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep previsto no artigo 8o da Lei no 10.925, de 2004, já foi objeto de julgamento por esta Turma quando do exame do processo no 10945.004981/200732, julgado em 05/05/2011 (acórdão no 380200.457), da relatoria do i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, cujo entendimento, abaixo transcrito, também adoto como razões para decidir a presente contenda: Da forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Preambularmente, entendo oportuno apresentar um breve resumo da evolução do tratamento legal que foi conferido a forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre o Fl. 393DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000409/200802 Acórdão n.º 3802001.249 S3TE02 Fl. 280 5 valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física e utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal. A instituição do referido benefício fiscal foi feita pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, que acrescentou os §§ 10 e 11 ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. A forma de utilização do mencionado crédito presumido foi expressamente definida no § 10 do citado preceito legal, ao passo que [a] forma de apuração do seu valor foi estabelecida no § 11. Tais preceitos legais tinham a seguinte redação, in verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (grifos não originais) §11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (...). Em seguida, as formas de utilização e de cálculo do citado crédito presumido, inclusive da Cofins, passaram a ser integralmente disciplinadas no caput e nos §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, com as alterações posteriores, que têm o seguinte teor, ipsis litteris: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de Fl. 394DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (...). Compulsando os preceitos legais transcritos, observase que, desde a sua instituição, o valor do referido crédito presumido somente poderia ser utilizado para fim de dedução ou abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep devido em cada período de apuração. Não consta nos referidos dispositivos legais, nem em qualquer outro diploma legal, referência a alguma outra forma distinta de utilização do referido crédito presumido que não seja, exclusivamente, mediante a dedução da contribuição devida, apurada no respectivo período. Nesse sentido, é elucidativa a parte inicial do texto do § 10 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, ao ressaltar que, “sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma” do regime não cumulativo, as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, o valor do crédito presumido, calculado sobre o valor dos insumos adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País, e empregados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal. [...] Na verdade, [...] tanto os preceitos legais revogados como os revogadores dispuseram sobre as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito presumido, conforme dispõem, respectivamente, os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o caput e os §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Tratase, evidentemente, de disciplinamento legal expresso que, em face da clareza e precisão dos termos empregados, não apresenta qualquer incongruência, omissão ou ambiguidade que, ao meu ver, pudesse ensejar qualquer dúvida a respeito do conteúdo, significado e alcance jurídicos dos comandos normativos que instituíram o benefício fiscal em comento. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000409/200802 Acórdão n.º 3802001.249 S3TE02 Fl. 281 7 Não se pode olvidar que, em se tratando de benefício fiscal, o texto veiculado no referido preceito legal deve ser interpretado de forma literal ou restritiva, conforme determinação contida no art. 1111 do CTN. Além disso, por força do disposto no inciso II do art. 97 do CTN, a concessão de qualquer benefício fiscal que implique redução de tributo somente pode ser concedida por lei. Neste sentido, o legislador ordinário goza de plenas prerrogativas para delimitar a extensão e a forma de utilização do benefício concedido. [...] Assim, por contrariar frontalmente tais determinações legais, não tem cabimento a pretensão da Recorrente no sentido de atribuir interpretação extensiva ao disposto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 [...]. Principalmente, tendo em conta que a interpretação sistemática dos comandos legais que tratam da forma de utilização do mencionado crédito presumido [...] conduz a conclusão inarredável de que o entendimento exarado no Acórdão recorrido, com suporte no ADI SRF nº 15, de 2005, está em perfeita consonância com o tratamento legal conferido a matéria em apreço, conforme se demonstrará a seguir. Também não procede a alegação da Recorrente de que o novel disciplinamento legal, instituído pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, visou apenas alterar a forma de apuração do valor do referido crédito, reduzindo as alíquotas aplicáveis aos valores dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Na verdade, contrariando tal afirmação, verificase que os preceitos legais revogados, assim como os revogadores, disciplinaram e continuam disciplinando as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito presumido, conforme estabelecido, respectivamente, nos §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no caput e §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Alegou ainda a Recorrente que o direito a compensação/ ressarcimento dos créditos ordinários e presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep, acumulados em face da imunidade e da nãocumulatividade, continuaria em pleno vigor. A alegação da Recorrente é verdadeira apenas em relação aos créditos ordinários, ou seja, aqueles apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação de mercadorias ou da prestação de serviços para o exterior, conforme expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, que, apesar se referir à Cofins, também se aplica à Contribuição para o 1 "Art. 111 Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias". Fl. 396DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 PIS/Pasep nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 2002, conforme disposto no inciso III do art. 152 da Lei nº 10.833, de 2003. Em face da importância que representa para o esclarecimento da presente controvérsia, transcrevo a seguir o inteiro teor do § 3º do referido art. 6º: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. (...). (grifos não originais). É oportuno esclarecer ainda que, somente dão direito ao crédito ordinário ou normal (i) os bens adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e (ii) os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Da mesma forma, também não dão direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da citada Contribuição. Neste sentido dispõem o inciso II do § 2º e os incisos I e II do § 3º, ambos do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 , a seguir reproduzidos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à 2 "Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...)". Fl. 397DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000409/200802 Acórdão n.º 3802001.249 S3TE02 Fl. 282 9 alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) (grifos não originais) A contrário sensu, não dão direito ao crédito normal ou ordinário os bens adquiridos de pessoas físicas, bem como o valor das aquisições de bens não sujeitos ao pagamento da respectiva Contribuição, inclusive no caso isenção. Assim, interpretados de forma sistemática o conjunto de preceitos que trata da matéria, resta indubitável que as formas de compensação e de ressarcimento, admitidas nos §§ 1º e 2º do art. 5º3 da Lei nº 10.637, de 2002, aplicamse exclusivamente aos créditos ordinários ou normais vinculados à receita de exportação, apurados segundo o regime da nãocumulativida da Contribuição para o PIS/Pasep. Por outro lado, em consonância com o disposto no § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, é forçoso concluir que os crédito presumidos em apreço não podem ser utilizados para fim de compensação ou de ressarcimento em dinheiro, conforme pretendido pela Recorrente. Dessa forma, fica devidamente esclarecido que a única forma de utilização do valor do crédito presumido em apreço é apenas aquela autorizada no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, exclusivamente mediante dedução do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno do respectivo período de apuração. (os destaques em sublinhado não constam do original) Vale lembrar que exegese acima é plenamente aplicável à COFINS, a qual, juntamente com o PIS, é objeto de tratamento no caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04. 3 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria". Fl. 398DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 Chamo atenção para a parte em que o nobre relator destacou a possibilidade de utilização de compensação e ressarcimento mas unicamente em relação aos créditos “apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação de mercadorias ou da prestação de serviços para o exterior, conforme expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003 [...]”. Portanto, aduzido direito de compensação ou ressarcimento não alcança os créditos presumidos de que trata a Lei no 10.925/04, que, conforme ressaltado, são passíveis de utilização unicamente para a dedução da correspondente contribuição devida. Quanto ao disposto no § 2o do artigo 5o da IN 660/064, segundo o qual “é vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo”, entendo que a impossibilidade de utilização dos créditos presumidos da recorrente para fins de ressarcimento ou de compensação com outros tributos ocorre não exclusivamente por força do referenciado dispositivo, mas sim em vista de a norma não prever tal possibilidade, posto que restringe o emprego dos referenciados créditos para dedução da contribuição correspondente, conforme caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04. Em outras palavras, a vedação contida na IN encontrase em conformidade com os limites para a utilização do crédito presumido definidos pelo legislador. A interessada aduziu também que o direito a aproveitamento dos créditos presumidos do PIS e da COFINS para fins de ressarcimento ou de compensação seria assegurado pelo artigo 17 da Lei n° 11.033/04, bem como pelo artigo 16 da Lei n° 11.116/05. Transcrevo os correspondentes dispositivos: Lei no 11.033/04 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei 11.116/05 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei n o 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei n o 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou 4 Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; (redação original) d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto o código 1502.00.1; (redação dada pela IN RFB nº 977, de 14/12/2009) d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1; (redação dada pela IN RFB nº 1.223, de 23/12/2011) [...] § 1º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplicase, também, à sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial. § 2º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000409/200802 Acórdão n.º 3802001.249 S3TE02 Fl. 283 11 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Da leitura dos dispositivos referenciados pela suplicante vêse que os mesmos não tratam de crédito presumido, mas unicamente do desconto de créditos segundo o regime da não cumulatividade, previstos no artigo 3o da Leis no 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), bem como no artigo 15 da Lei no 10.865/04 (PIS e COFINS incidentes na importação). Portanto, os enunciados em evidência não garantem o direito reclamado pela recorrente. No tocante ao disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, o qual veda expressamente a utilização do crédito presumido para fins de compensação ou ressarcimento, tal dispositivo infralegal veio somente esclarecer aquilo que a lei já trazia em seu bojo. Assim, tal norma complementar de direito tributário não desbordou de seu cunho meramente interpretativo, posto que restringiuse unicamente à sua função complementar de esclarecer e uniformizar a aplicação da norma tributária stricto senso. Para terminar, importa ressaltar que o entendimento acima está em perfeita sintonia com o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça, que, ao examinar o Recurso Especial no 200900758996, assim se manifestou: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, Fl. 400DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. (STJ. Primeira Turma. Recurso Especial no 200900758996. Relator: Min Benedito Gonçalves. Data da decisão: 24/08/2010. Publicado em 31/08/2010. Decisão unânime) (grifos nossos) Da conclusão Diante das considerações acima expostas, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente. Sala de Sessões, em 25 de setembro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 401DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 11968.000835/2007-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 29/09/2006
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA E LITIGIOSA. O processo administrativo fiscal é demarcado por duas fases: (i) fase inquisitória ou persecução fiscal, onde a autoridade tributária investiga e colhe elementos para formalizar o crédito tributário e (ii) a fase litigiosa, iniciada com impugnação do sujeito passivo. Somente com a fase litigiosa instaura-se plenamente o contraditório, abrindo-se ao sujeito passivo a oportunidade para produzir contraprova e diligências que entender cabíveis. PRELIMINAR. DILIGÊNCIA. NECESSIDADE. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Nos termos da parte final do artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, no exame de provas, a autoridade tributária poderá determinar as diligências que entender necessárias. Verificando-se pedido de diligência cujos quesitos são idênticos àqueles de laudo já preparado pelo sujeito passivo, prescinde de necessidade o pedido de diligência, por já ter sido preparado laudo com idênticos fundamentos. IMPORTAÇÃO. OPERAÇÃO FARINHA DO MESMO SACO. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Tendo a Recorrente importado produto cuja composição revela tratar-se de farinha enriquecida, ou seja, farinha acrescida de ínfimas quantidades de outras substâncias (vitaminas, sal e outros), sem acréscimo de qualquer das substâncias previstas nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) para a posição declarada (NCM 1901.90.90, correspondente a preparações alimentícias), com supedâneo nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), tem-se que o produto em questão deve ser classificado na posição NCM 1101.00.01, correspondente a farinha de trigo. CERTIFICADO DE ORIGEM. DESQUALIFICAÇÃO. Nos termos do artigo 10 da IN SRF nº 149/02, a autoridade tributária pode desqualificar o certificado de origem quando constatado que a mercadoria nacionalizada não corresponde àquela que ensejou a emissão do certificado expedido no país de procedência das mercadorias. MULTAS. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Não tendo a legislação vedado a cumulação de multas de controle aduaneiro, ofício e classificação incorreta, tais multas são devidas sobre tantas infrações quanto se constate. Preliminares de nulidade de auto de infração e da decisão de primeira instância rejeitadas. No mérito, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e da decisão de primeira instância e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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CERCEAMENTO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA E LITIGIOSA. O processo administrativo fiscal é demarcado por duas fases: (i) fase inquisitória ou persecução fiscal, onde a autoridade tributária investiga e colhe elementos para formalizar o crédito tributário e (ii) a fase litigiosa, iniciada com impugnação do sujeito passivo. Somente com a fase litigiosa instaurase plenamente o contraditório, abrindose ao sujeito passivo a oportunidade para produzir contraprova e diligências que entender cabíveis. PRELIMINAR. DILIGÊNCIA. NECESSIDADE. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Nos termos da parte final do artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, no exame de provas, a autoridade tributária poderá determinar as diligências que entender necessárias. Verificandose pedido de diligência cujos quesitos são idênticos àqueles de laudo já preparado pelo sujeito passivo, prescinde de necessidade o pedido de diligência, por já ter sido preparado laudo com idênticos fundamentos. IMPORTAÇÃO. “OPERAÇÃO FARINHA DO MESMO SACO”. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Tendo a Recorrente importado produto cuja composição revela tratarse de farinha enriquecida, ou seja, farinha acrescida de ínfimas quantidades de outras substâncias (vitaminas, sal e outros), sem acréscimo de qualquer das substâncias previstas nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) para a posição declarada (NCM 1901.90.90, correspondente a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 08 35 /2 00 7- 32 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 344 2 preparações alimentícias), com supedâneo nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), temse que o produto em questão deve ser classificado na posição NCM 1101.00.01, correspondente a farinha de trigo. CERTIFICADO DE ORIGEM. DESQUALIFICAÇÃO. Nos termos do artigo 10 da IN SRF nº 149/02, a autoridade tributária pode desqualificar o certificado de origem quando constatado que a mercadoria nacionalizada não corresponde àquela que ensejou a emissão do certificado expedido no país de procedência das mercadorias. MULTAS. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Não tendo a legislação vedado a cumulação de multas de controle aduaneiro, ofício e classificação incorreta, tais multas são devidas sobre tantas infrações quanto se constate. Preliminares de nulidade de auto de infração e da decisão de primeira instância rejeitadas. No mérito, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e da decisão de primeira instância e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de recurso de voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife, PE (DRJ/REC), que manteve integralmente a exigência fiscal (fls. 221 a 238) em desfavor de NPAP ALIMENTOS LTDA, ora Recorrente. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 345 3 Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Tratase de auto de infração lavrado em desfavor da pessoa jurídica NPAP ALIMENTOS LTDA, onde é formalizada a exigência de Imposto de Importação, PIS e Cofins incidentes na importação, acrescidos de juros e multa proporcional a tais tributos, além das multas por violação ao controle administrativo das importações e pela classificação da mercadoria em desacordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Consigna a autoridade fiscal que o sujeito passivo promovera a importação de 180 toneladas do produto denominado ‘mistura para elaboração de massas alimentícias frescas, marca FAVORITA’, classificandoo no item 1901.90.90 da NCM, próprio para outras preparações alimentícias de farinha, ao invés do item 1101.00.10, próprio para farinha de trigo. O suporte fático para tal reclassificação teria sido extraído do laudo técnico de análise n° 2712/20061 (cópia às fls. 28 a 30), expedido pelo Centro Tecnológico de Controle da Qualidade L. A. Falcão Bauer, onde foi consignada a conclusão de que o produto importado tratarseia de farinha de trigo fortificada com Acido fólico e ferro, contendo 0,34% de cloreto de sódio (sal) e traços de ácido ascórbico (vitamina c). Informa ainda a autoridade fiscal que, após a ação fiscal, o importador passou a classificar produtos idênticos ao que é objeto do presente processo no código 1101.00.10. Regularmente cientificado em 14/08/2007 (termo de ciência às fls.02), comparece o contribuinte ao processo em 29/08/2007(protocolo de fls. 33), alegando, em síntese: 1 Nulidade do auto de infração em razão de: 1.1 Violação ao principio da ampla defesa e do contraditório, em razão de não lhe ter sido concedido prazo para manifestação acerca do laudo técnico que deu respaldo às conclusões da autoridade previamente à autuação. Alega que tal conduta teria impedido seu acesso às amostras colhidas e lacradas pelo Fisco para fins de produção de contraprova, sem todavia, apresentar qualquer documento que ateste a formulação de petição e seu indeferimento. Cita jurisprudência em que assenta suas conclusões a respeito da violação ao principio da ampla defesa e contraditório; 1.2 Violação ao principio da verdade material, em razão de que a autoridade fiscal se limitara a imputar valores com base em presunção, sem observar laudo anteriormente obtido a partir de solicitação de outra unidade administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), onde seriam apresentadas conclusões diversas das assentadas pelo laudo que respaldou a autuação. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 346 4 2 Imprestabilidade do laudo técnico 2.1 — Sustenta que seria inadmissível que a impugnante não conhecesse seu processo produtivo e utilizasse produto sem saber da sua composição; 2.2 — Aduz que a importação alvo de exigência não seria a primeira realizada pela impugnante, que já teria adquirido o mesmo produto do mesmo fornecedor em outras oportunidades, reiterando que laudo anterior, elaborado por engenheiro vinculado à Universidade Federal de Pernambuco, demonstrara que, diferentemente do alegado, tratarseia de uma mistura, aditivada de outros componentes. Junta cópia (fls.118 e seguintes). 3 Necessidade de nova perícia: 3.1 Na hipótese de não serem adotadas as conclusões do laudo técnico que entende contradizer aquele apresentado pela autoridade fiscal, pleiteia a realização de uma segunda perícia. Indica quesitos e assistente. Posteriormente, após o encerramento do prazo de impugnação, traz ao processo nova petição onde pleiteia a nulidade do auto de infração, nos termos do Acórdão 0811.266, onde a 2ª Turma da DRJ Fortaleza decidiu anular de oficio auto de infração aparentemente idêntico ao que se debate no presente processo. É o relatório.” Em sua decisão, a 6ª Turma da DRJ/REC houve por bem manter integralmente o auto de infração através do acórdão n° 11034.203, de 29 de junho de 2011, cuja ementa foi assim formulada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/09/2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA ETAPA QUE ANTECEDE À LAVRATURADO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Só se discute cerceamento do direito de defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir da etapa de impugnação. Não se fala em violação aos direitos à ampla defesa e ao contraditório na fase de investigação que antecede à lavratura do auto de infração. PEDIDO DE PERÍCIA. CONDIÇÕES Não há que se falar em nulidade por indeferimento de pedido de perícia quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Fl. 346DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 347 5 Data do fato gerador: 29/09/2006 FARINHA DE TRIGO FORTIFICADA. A mercadoria "Farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro contendo 0,34% de cloreto de sódio (sal) e traços de ácido ascórbico (vitamina C)" classificase no código NCM 1101.00.10, conforme Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário mantido” Inconformada com a decisão a Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário, objetivando sua reforma, alegando, em breve síntese, que: a) A classificação fiscal imposta pela fiscalização para o produto, definida a partir do laudo nº 2536/20061 (fls.27 a 29), qual seja, NCM 1101.00.10, correspondente a farinha de trigo fortificada (farinha de trigo com ácido fólico e ferro, contendo 0,34% de cloreto de sódio e ácido ascórbico), é incorreta, sendo correta a classificação no NCM 1901.90.90, corresponde a mistura para elaboração de massas, tal qual declarada pela Recorrente; b) Segundo a Recorrente, as mercadorias foram despachadas sem incidência do imposto de importação, uma vez que a elas foi aplicada a margem de preferência tarifária de 100% (cem por cento), tal como definido no Acordo de Complementação Econômica da ALADI nº 18/1991. Todavia, diante da reclassificação procedida pela autoridade aduaneira, passouse a exigir imposto de importação sobre referidos ingressos; c) Alega que a classificação por ela adotada decorreu de mudança da mercadoria importada, em vista do lançamento de uma mistura de farinha de trigo classificada em posição própria da NCM que, no entender todos, inclusive a própria Receita Federal do Brasil, seria distinta da mercadoria convencional (farinha de trigo). Tal mistura, seria novo insumo para a indústria de macarrões, massas e biscoitos, causando incremento (i) do tempo de descanso das massas, (ii) da temperatura dos fornos, (iii) da temperatura dos fornos e (iv) da curva de temperatura e umidade dos secadores, contendo agentes aglutinantes e cloreto de sódio (sal), sendo que este últimos seria o componente que confere distinção para a mistura, independentemente do peso e da composição; Fl. 347DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 348 6 d) Informa que, frente a verdadeira cruzada da Receita Federal do Brasil batizada de operação farinha do mesmo saco, contra a importação do novo produto (mistura), a Recorrente optou por voltar a importar farinha de trigo. Ainda, informa que antes da referida operação desembaraçou diversas declarações de importação (DIs) na NCM/SH 1901.90.90 (mistura); e) Alega nulidade do auto de infração, em razão de ter não ter sido ofertada à Recorrente a oportunidade de apresentar contraprova a partir das mesmas amostras colhidas pela entidade responsável pelo laudo, desconsiderandose ainda laudo elaborado por engenheiro credenciado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por ela apresentado, o que violaria os princípios da verdade material, do contraditório, da ampla defesa e da eficiência. Entende que, diante da negativa ao reexame de amostra, deveria ser aplicado o princípio in dubio pro réu. Alega ainda ter solicitado a realização de contraprova dentro do prazo previsto na legislação, não lhe podendo ser imputada culpa em razão do prazo da amostra terse expirado. Afirma que a autoridade aduaneira autuou mediante análise de laudos e das mercadorias, desprezando o laudo já existente e documento apresentados pela Recorrente, sem perquirir acerca da verdade material, princípio norteador do processo administrativo fiscal; f) O laudo acolhido pela autoridade aduaneira seria imprestável, pois a mercadoria importada pela Recorrente seria mistura e não farinha de trigo pura, como se alega. Entende que deveria ser acolhido o laudo por ela apresentado, elaborado por engenheiro da Universidade Federal de Pernambuco credenciado da Secretaria da Receita Federal; g) Alega que a autoridade autuante tenta a todo custo caracterizar os produtos importados como farinha de trigo, sem examinar o conceito de mistura. Entende que, à medida que a autoridade autuante considera que o produto seria farinha de trigo e tenta provar isso mediante as definições de suas composições, a conclusão não poderia ser outra senão a de que a mistura importada se assemelha à farinha de trigo, vez que os parâmetros utilizados quanto ao teor máximo de cinzas, teor mínimo de amido e granulometria são idênticos para ambos os produtos. Segundo a Instrução Normativa MAPA nº 8, de 2 de junho de 2005, a mistura seria a farinha de trigo somada a certos ingredientes, aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia, assim, a adição de cloreto de sódio levaria à conclusão que se trata de mistura, e não de farinha de trigo pura. Também os rótulos das mercadorias importadas indicavam se tratar de mistura para elaboração de massas alimentícias, o que não foi considerado pela fiscalização; Fl. 348DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 349 7 h) Transcreve as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) da posição 11.01, defendendo que as farinhas adicionadas de outros produtos com o fim de serem utilizadas como preparações alimentícias, tal como o cloreto de sódio, devem ser enquadradas na posição 19.01; i) Alega que não poderia a fiscalização acolher o Ato Declaratório RFB nº 1, de 2008, que, em linhas gerais, deu notas das composições dos produtos das posições NCM/SH 1901.20.00 (mistura) e 1101.00.10 (farinha de trigo), não se podendo pretender a aplicação retroativa dessa norma, visto que a autuação só se deu em 2006; j) Entende que a pretensão fiscal seria injustificada e imotivada perseguição ao patrimônio da Recorrente, impondo desnecessária exigência de tributos federais e multas, visto que não houve prejuízo ao Fisco e que a Recorrente teria agido de boafé; k) Entende descabida a cumulação das multas de ofício, de classificação incorreta e de controle aduaneiro impostas pela fiscalização; l) Finalmente, pugna a Recorrente pela produção de prova pericial a ser produzida a partir de amostras das mercadorias importadas. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. DO CERCEAMENTO DE DEFESA O processo administrativo fiscal (PAF), regido pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, bem demarca duas fases: (i) a fase da persecução fiscal, em que o Fisco, valendose de seu poder de polícia, Fl. 349DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 350 8 constitui a exigência fiscal e (ii) a fase litigiosa, em que se inicial o prazo para que o autuado possa exercer seu direito de defesa. As regras que definem a constituição do crédito tributário estão prescritas, notadamente, nos artigos 7º a 13 do Decreto nº 70.235/72. Esses artigos definem termo inicial e final da persecução fiscal, que vai do início do procedimento fiscal até a lavratura do auto de infração. Formalizada a exigência fiscal, os artigos 14 e seguintes do mesmo diploma regulam a fase litigiosa, onde surge para o sujeito passivo a oportunidade de exercer plenamente seu direito de defesa, requerendo inclusive as diligências que julgar necessárias ao deslinde da controvérsia, na forma do artigo 16, IV do referido decreto. Dito isto, desponta imediata a conclusão para a irresignação formulada pela Recorrente, no sentido de que não lhe foi dada a oportunidade, na persecução fiscal, ou seja, durante a fase de formalização do crédito fiscal, de apresentar contraprova a partir das amostras colhidas pelo Fisco. Isto ocorre porque a legislação fiscal não ampara tal pretensão. Na fase inquisitória, como dobra do poder de polícia que é, a autoridade tributária não está adstrita à plena observância do contraditório, podendo produzir livremente as provas que melhor lhe aprouver para bem instruir o PAF. Encerrada essa fase, abrese a via do contraditório, podendo o sujeito passivo produzir todas as provas que pretender para instruir sua defesa. Nesse passo, antes mesmo de qualquer instrução probatória no processo, observese que poderia a Recorrente ter requisitado amostras, submetendoas a exames, provando assim que a mercadoria em questão era aquela da posição fiscal por ela defendida. Todavia, não se tem notícia de requisição ou providência nesse sentido, o que inviabiliza a pretensão de ver o auto de infração anulado, visto que lavrado nos moldes da legalidade. Ainda com espeque no Decreto nº 70.235/72, vêse que seu artigo 29 assim dispõe: “art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” (g.n.) Como se vê, a legislação determina que as diligências serão deferidas pela autoridade julgadora sempre que se fizerem necessárias. Contrariu sensu, não se mostrando plausível a necessidade da diligência, a mesma restará rejeitada. A Recorrente juntou laudo de fls. 118/139 relativo a outra DI (06/09603803) mas que alega referirse ao mesmo produto, tendo o mesmo sido emitido por engenheiro da Universidade Federal de Pernambuco credenciado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, onde, através de análises tiradas de espectrômetro, se conclui que: (i) a farinha de trigo estaria aditivada de outros componentes; (ii) que se trata de uma mistura; (iii) que a farinha de trigo está aditivada de corante e substâncias com propriedades aglutinantes, mais recomendada para Fl. 350DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 351 9 fabricação de macarrão e massas; (iv) que apesar de ser um mistura, em essência, o produto é farinha de trigo. Pretende seja confrontado o seu laudo com aquele requisitado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil às fls.27/29. Caso não acolhido o seu laudo, pede a realização de nova diligência. Inicialmente, devese observar que o laudo juntado pela Recorrente não indica quais seriam as proporções dos produtos adicionadas à farinha de trigo – questão imprescindível para o adequado deslinde da controvérsia e para fins de classificação da mercadoria importada –, limitandose a afirmar que se trata de farinha aditivada, sendo, portanto, uma mistura. Notase que os quesitos formulados pela Recorrente são basicamente os mesmos daqueles formulados no laudo anterior, cuja conclusão foi no sentido de informar que a mercadoria em análise é uma mistura, sem indicar as proporções dos produtos adicionados à farinha de trigo. Sendo essa a perícia que a Requerente pretende, não vejo como ela poderia contribuir para o deslinde da questão posta nos autos, uma vez que, segundo as regras do Sistema Harmonizado (SH), a presença ou não de mais de um ingrediente no preparo ou mistura não é condição suficiente para se caracterizar o produto como mistura/preparação alimentícia, uma vez que é preciso determinarse a proporção de tais ingredientes e de farinha de trigo. Temse que os quesitos formulados pelo Recorrente só levariam à conclusão que se trata de mistura – algo que nunca foi negado –, sem nada acrescer quanto à proporção de tais ingredientes e de farinha de trigo. Outrossim, vêse que a importação ocorreu há mais de 5 (cinco) anos, sendo impossível a realização de perícia com as amostras colhidas pela fiscalização, algo que poderia ter sido providenciado já no ingresso da mercadoria. Nesse passo, ressalvese posição deste Julgador no sentido de acolher dilação probatória mais ampla possível, visandose conferir ao suplicante toda a oportunidade e meio de defesa que lhe seja útil. Todavia, a partir dos quesitos formulados, a necessidade da diligência requerida não desponta imediata, pois já restou provado que o produto não é puramente farinha de trigo, não se vislumbrando razão plausível para que seja, agora, efetuada nova perícia fundada nos quesitos formulados pela Recorrente, razão pela qual, mantenho a decisão que a rejeitou. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Fl. 351DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 352 10 O laudo técnico requisitado pela fiscalização concluiu que a mercadoria em apreço seria “farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro, contendo 0,34% de cloreto de sódio (sal) e traços de ácido ascórbico (vitamina c)”. Para a correta classificação fiscal de uma mercadoria, é necessário observar diversas regras, entre elas as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC). As primeiras regras interpretativas estão previstas no artigo 1º do RGC e do RGI, vejamos: RGC: Art. 1 As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. RGI: Art. 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes (...) (g.n.) A fiscalização entende que a classificação correta para as mercadorias seria o código NCM 1101.00.10, posição do produto farinha de trigo: “1001 – FARINHAS DE TRIGO OU MISTURA DE TRIGO E CENTEIO 1001.00.10 – Farinha de trigo” De seu turno, a Recorrente classificou as mercadorias importadas no código NCM 1901.90.90, posição correspondente ao produto mistura para macarrão: “19.01 Extratos de malte; preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, que não contenham cacau ou que contenham menos de 40 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições; preparações alimentícias de produtos das posições 04.01 a Fl. 352DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 353 11 04.04, que não contenham cacau ou que contenham menos de 5 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições. 1901.10 Preparações para alimentação de crianças, acondicionadas para venda a retalho 1901.20 Misturas e pastas para a preparação de produtos de padaria, pastelaria e da indústria de bolachas e biscoitos, da posição 19.05 1901.90 Outros 1901.90.10 Extrato de malte 1901.90.20 Doce de leite 1901.90.90 Outros” (g.n.) Diante do fato de a RGI determinar a interpretação a partir dos textos das posições e das notas de seção e capítulo, cumpre então examinálos à luz das NESH (anexo único da Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008): 11.01 Farinhas de trigo ou de mistura de trigo com centeio (méteil). Esta posição compreende as farinhas de trigo ou de mistura de trigo com centeio (méteil ou meslin) (isto é, os produtos pulverulentos resultantes da moagem dos cereais da posição 10.01) que, além do teor de amido e de cinzas previstos na alínea A) da Nota 2 deste Capítulo (ver as Considerações Gerais), satisfaçam o critério de passagem numa peneira padrão, nas condições definidas na alínea B) da mesma Nota. As farinhas desta posição podem ser melhoradas pela adição de ínfimas quantidades de fosfatos minerais, antioxidantes, emulsificantes, vitaminas ou de pós para levedar preparados (farinhas fermentantes). A farinha de trigo pode, além disso, ser enriquecida pela adição de uma quantidade de glúten que, em geral, não ultrapasse 10%. A presente posição compreende também as farinhas denominadas “expansíveis” (“prégelatinizadas”) que tenham sido submetidas a um tratamento térmico que provoque uma prégelatinização do amido. Estas farinhas utilizamse na fabricação das preparações da posição 19.01, de beneficiadores de panificação, de alimentos para animais ou em algumas indústrias, tais como a indústria têxtil, a do papel ou a metalúrgica (preparação de núcleos de fundição). As farinhas que tenham sido submetidas a tratamentos complementares ou adicionadas de outros produtos a fim de serem utilizadas como preparações alimentícias classificamse geralmente na posição 19.01. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 354 12 Também se excluem as farinhas misturadas com cacau (posição 18.06 se o teor de cacau, em peso, for igual ou superior a 40%, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, e posição 19.01, em caso contrário). Por outro lado, as misturas alimentícias são assim descritas: “19.01 Extratos de malte; preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, que não contenham cacau ou que contenham menos de 40 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições; preparações alimentícias de produtos das posições 04.01 a 04.04, que não contenham cacau ou que contenham menos de 5 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições. (...) 1901.90 Outros (...) II. Preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, não contendo cacau ou contendoo numa proporção inferior a 40%, em peso, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas em outras posições. Esta posição compreende um conjunto de preparações alimentícias, à base de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, cuja característica essencial provenha destes constituintes, quer eles predominem ou não em peso ou em volume. A estes diversos componentes principais podem adicionarse outras substâncias, tais como leite, açúcar, ovos, caseína, albumina, gorduras, óleos, aromatizantes, glúten, corantes, vitaminas, frutas ou outras substâncias destinadas a aumentarlhes as propriedades dietéticas, ou cacau desde que neste último caso, o teor em peso de cacau seja inferior a 40% calculado sobre uma base totalmente desengordurada (ver as Considerações Gerais do presente Capítulo). Convém referir que estão, todavia, excluídas as preparações contendo mais de 20%, em peso, de enchidos, carne, miudezas, sangue, peixe ou crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos ou de uma combinação desses produtos (Capítulo 16). Na acepção desta posição: Fl. 354DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 355 13 A) Os termos “farinhas” e “sêmolas” designam não só as farinhas e sêmolas dos cereais do Capítulo 11, mas também, as farinhas, sêmolas e pós alimentícios de origem vegetal, qualquer que seja o Capítulo em que se incluam, tal como a farinha de soja. Todavia, estes termos não abrangem as farinhas, sêmolas e pós, de produtos hortícolas secos (posição 07.12), de batata (posição 11.05) ou de legumes de vagem secos (posição 11.06). B) Os termos “amidos” e “féculas” compreendem os amidos e féculas não transformados e os pregelatinizados ou solubilizados, com exclusão dos produtos resultantes de uma decomposição mais profunda dos amidos ou féculas, tal como a dextrimaltose. As preparações da presente posição podem ser líquidas, em pó, em grânulos, em pasta ou apresentarse sob qualquer outra forma sólida, como fitas e discos. Muitas vezes, estes produtos destinamse quer à preparação rápida de bebidas, papas, alimentos para crianças, alimentos dietéticos, etc., por simples dissolução ou ligeira ebulição em água ou leite, quer à fabricação de bolos, cremes, pudins ou de preparações culinárias semelhantes. Podem também constituir preparações intermediárias destinadas à indústria alimentar. A título de exemplo, podem citarse como preparações incluídas na presente posição: 1) As farinhas lácteas, obtidas por evaporação de uma mistura de leite, açúcar e farinha. 2) As preparações constituídas por uma mistura de ovos e leite, em pó, de extrato de malte e de cacau em pó. 3) O racahout, preparação alimentícia composta de farinha de arroz, de diversas féculas, de farinha de bolota doce, de açúcar e de cacau em pó, aromatizada com baunilha. 4) As preparações constituídas por uma mistura de farinhas de cereais com farinha de frutas, a maior parte das vezes adicionadas de cacau em pó, ou por farinhas de frutas adicionadas de cacau em pó. 5) O leite maltado e as preparações semelhantes constituídas por uma mistura de leite em pó e de extrato de malte, com ou sem açúcar. 6) Os Knödel, Klösse e Nockerln, contendo ingredientes, tais como sêmolas, farinhas de cereais, farinha de pão, gorduras, açúcar, ovos, especiarias, levedura, geléia ou frutas. Todavia, os produtos desta natureza à base de farinha de batata, classificamse no Capítulo 20. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 356 14 7) As massas preparadas, essencialmente constituídas por farinha de cereal adicionada de açúcar, gorduras, ovos ou de frutas (incluídas as que se apresentem enformadas ou modeladas na forma do produto final). 8) As pizzas não cozidas, constituídas por uma base de massa de pizza recoberta de diversos outros ingredientes, tais como queijo, tomate, azeite, carne, anchovas. As pizzas précozidas ou cozidas são, todavia, classificadas na posição 19.05. Independentemente das preparações excluídas deste Capítulo pelas Considerações Gerais, esta posição não compreende: a) As farinhas fermentantes e as farinhas denominadas “expansíveis” (“prégelatinizadas”), das posições 11.01 ou 11.02. b) As farinhas de cereais misturadas (posições 11.01 ou 11.02), as farinhas e sêmolas de produtos hortícolas secos misturadas, e as farinhas, sêmolas e pós de frutas misturados (posição 11.06), sem qualquer outro preparo. c) As massas alimentícias e o “couscous” da posição 19.02. d) A tapioca e seus sucedâneos (posição 19.03). e) Os produtos de padaria inteira ou parcialmente cozidos, necessitando estes últimos de um cozimento suplementar antes de serem consumidos (posição 19.05). f) As preparações para molhos e os molhos preparados (posição 21.03). g) As preparações para sopas e caldos, as sopas ou caldos preparados e as preparações alimentícias compostas homogeneizadas (posição 21.04). h) As proteínas vegetais texturizadas (posição 21.06). ij) As bebidas do Capítulo 22. Tenho entendido que a posição em apreço deixa claro que nela se compreendem preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte. O plural querme fazer crer que o produto em questão comporta sempre o acréscimo de mais de um cereal ou outra substância, assim, a preponderância de farinha de trigo sem quaisquer acréscimos de outra farinha ou substância descrita na nota explicativa, denotaria que essa não seria a classificação correta para o produto em apreço. Isto porque, em nenhum momento a nota explicativa trata de farinha de modo isolado, ou no singular. O substantivo vem sempre no plural. Quando examinamos as notas explicativas da posição NCM 1101, de início, fazse a seguinte discriminação: “Esta posição compreende as farinhas de trigo ou de mistura de trigo com centeio (méteil ou meslin)”. Embora aqui também haja o emprego do plural (farinhas), vêse que a nota explicativa logo trata do tipo de farinha que ela visa colher. Aqui Fl. 356DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 357 15 temos também farinhas, mas sempre de trigo, haja vista a expressa qualificação da nota explicativa. Quando se lê as notas explicativas da posição NCM 1901, tal não ocorre. O substantivo farinhas ali inserido quer fazer crer que se trata de mais de uma farinha, não apenas farinha de trigo, ainda que enriquecida. Além disso, as notas explicativas da posição NCM 1101 indicam que o acréscimo de ínfimas quantidades de fosfatos minerais, antioxidantes, emulsificantes, vitaminas e, no caso do glúten, em quantidades iguais ou inferiores a 10%, não desnaturam o produto como farinha de trigo. Diversamente do que alega a Recorrente, a decisão recorrida não adotou retroativamente o entendimento contido no Ato Declaratório Executivo nº 1, de 2008, que no ditame 2 define a posição NCM 1101.00.10 para farinha de trigo que contenha proporção de cloreto de sódio igual ou superior a 0,5%. Vêse que aquela decisão pautouse pelo confronto do texto da posição declarada e daquela imputada pelo Fisco, concluindo que não se tratava de mistura, por não haver nenhuma das substâncias previstas para a posição declarada. Além disso, levou em conta o fato de o laudo ter aferido que a farinha analisada atendia ao disposto na Nota 2 do Capítulo 11, que leva em conta o teor de amido e cinzas, bem assim a granulometria apresentada pela farinha, ou seja, a pesagem da substância quando submetida a peneira de certa densidade, sendo que os testes apontaram que o produto submetido à análise atendia aos teores e pesagens definidos na referida nota de capítulo. Assim, a classificação do produto em apreço na posição NCM 1101.00.01 decorre exclusivamente de sua subsunção aos critérios das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGISH). Tendo em conta que à mercadoria em apreço foram acrescentadas ínfimas quantidades de ácido fólico (vitamina B12) e ferro, acrescida de cloreto de sódio(sal), na proporção de 0,34% e ácido ascórbico (vitamina C), sem a adição de quaisquer das substâncias previstas nas notas explicativas da posição 1901, e como bem observado na decisão recorrida, há determinação legal no sentido de que a farinha de trigo seja enriquecida com ácido fólico e ferro, temse que as demais substâncias, acrescidas em quantidades ínfimas – o cloreto de sódio, à razão de 0,34%, inclusive – não desnaturam a composição do produto para fins de classificação fiscal, tratandose, assim, de farinha de trigo. DA DESQUALIFICAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM Também houve por bem o juízo a quo em desqualificar o certificado de origem, sob o entendimento de que a mercadoria estava desamparada em consequência do enquadramento errôneo da NCM. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 358 16 O artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 149, de 27 de março de 2002, disciplina a questão: “Art. 10 O Certificado de Origem apresentado será desqualificado pela autoridade aduaneira, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, quando ficar comprovado que não acoberta a mercadoria submetida a despacho, por ser originária de terceiro país ou não corresponder à mercadoria identificada na verificação física, conforme os elementos materiais juntados, bem assim quando: (...) Parágrafo único. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração.” (g.n.) Conforme amplamente demonstrado nos itens precedentes, a referida mercadoria foi enquadrada em posição NCM diversa daquela que deveria ser aplicada, nesses casos, com supedâneo na norma supracitada, fica autorizada a autoridade tributária a desconsiderálo. Por bem elucidar o tema, trago trecho do voto do Conselheiro REGIS XAVIER HOLANDA, nos autos do processo n° 11051.000379/200591, cujas razões de decidir foram as seguintes: “A respeito da desqualificação dos certificados de origem pela autoridade administrativa, vemos que as decisões das mercadorias presentes nesses certificados, efetivamente, a exemplo do já visto no tópico anterior, correspondem a produtos de composição diversa da posteriormente constatada em laudos técnicos. Dessa forma, os certificados de origem não permitem a perfeita vinculação das mercadorias que dizem amparar com as que foram efetivamente importadas e reclassificadas pela autoridade aduaneira. O Decreto n° 1.568, de 21 de julho de 1995, que dispõe sobre a execução do Oitavo Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 18, entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, de 30 de dezembro de 1994, estabelece em seu Anexo I que: Fl. 358DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 359 17 Artigo 14 O certificado de origem é o documento que permite comprovar a origem das mercadorias, devendo acompanhar as mesmas em todos os casos sujeitos à aplicação de normas de origem, de acordo com o artigo 2° do presente Regime, salvo nos casos previstos no artigo 4°. Esse certificado deverá satisfazer os seguintes requisitos: ser emitido por entidades certificadoras autorizadas; identificarse as mercadorias a que se refere; e indicar inequivocamente que a mercadoria a que se refere é originária do Estado Parte de que se tratar , nos termos e disposições do presente Regulamento. Negrito aposto. (...) Assim, como bem anotado pela decisão recorrida, os certificados de origem apresentados pela peticionaria foram corretamente desqualificados, devendo o Imposto de Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) serem cobrados considerandose as mercadorias como provenientes de áreas extrazona, isto é, SEM O BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO RELATIVO ÀS MERCADORIAS ORIGINÁRIAS DO MERCOSUL.” (CARF. Terceira Seção. Segunda Turma Especial. Acórdão nº 380200.216. Sessão de 30 de junho de 2010) Como visto, o certificado de origem se presta a identificar a mercadoria importada a que se refere. Uma vez constatado em procedimento fiscal que a mercadoria nacionalizada não condiz com aquela declarada nas DIs, a consequência é a desqualificação dos referidos certificados com lastro no poder conferido pelo artigo 10 da IN SRF nº 149/02. CUMULAÇÃO DAS MULTAS. Também se insurge a Recorrente contra as multas que lhe foram aplicadas, aduzindo em síntese que não poderiam elas ser cumuladas, especialmente após o advento da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Ocorre que, como retratado no acórdão colacionado pela própria Recorrente, o artigo 14 da referida Lei, alterando a redação do artigo 44, I da Lei n° 9.430, de 27 de Fl. 359DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 360 18 dezembro de 1996, afastou entendimento no sentido de que se poderia aplicar multa de ofício e multa isolada sobre a mesma base de cálculo. A fiscalização houver por bem aplicar as multas de (i) controle aduaneiro nas importações (artigo 633 do Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento Aduaneiro): 30% do valor aduaneiro; (ii) multa de ofício (artigo 44, I da Lei n° 9.430?96): 75% do valor da infração e (iii) multa de classificação incorreta (artigo 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001): 1% do valor aduaneiro. Todavia, compulsandose os dispositivos que regulam tais multas e mesmo o Regulamento Aduaneiro 2002, não se verifica dispositivo que impeça a cumulação das multas, à vista da cumulação das infrações, de modo que, configurada a existência de mais de uma infração, deve ser aplicada mais de uma multa. Para que não haja dúvida sobre a aplicação das referidas multas, a seguir, passo a brevemente discorrer sobre cada uma delas. MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO Dispõe o artigo 633 do Regulamento Aduaneiro de 2002 que: “Art. 633 Aplicase, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decreto lei n° 37, de 1966, art. 169 e § 6°, com a redação dada pela Lei n° 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2°) (...) II – de trinta por cento sobre o valor aduaneiro a) Pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei n° 37, de 1996, art. 169, inciso I, alínea “b”e § 6°, com a redação dada pela Lei n° 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2°); e (...)” (g.n.) Como cediço, o bem jurídico tutelado pela referida norma é a violação ao controle administrativo das importações. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 361 19 Assim, fazendose presente a necessidade de novo licenciamento para a mercadoria reclassificada (posição NCM 1901.90.90), impõese a aplicação da multa de controle aduaneiro. MULTA DE OFÍCIO O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no artigo 44, I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na medida em que representa “declaração inexata”. Desse modo, caracterizado que, de fato, a classificação declarada não é cabível, somente seria possível afastar a penalidade se verificada circunstância excludente expressamente enumerada no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 10 de setembro de 2002, em cujo art. 1° se lê: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Art. 2º Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 10, de 16 de janeiro de 1997. Como se vê, a hipótese de erro de classificação não faz parte das condutas taxativamente elencadas no referido ato. Não custa destacar que, como se extrai do artigo 2° do mesmo ADI SRF nº 13, de 10 de setembro de 2002, o ato declaratório que dava respaldo à exclusão da multa em razão de erro de classificação (ADN COSIT nº 10, de 16 de janeiro de 1997) foi expressamente revogado desde 10 de setembro de 2002, data significativamente anterior ao fato gerador objeto do litígio. Ou seja, a multa de ofício deverá ser devidamente aplicada, como determina o artigo 44, I da Lei 9430/96. MULTA DA CLASSIFICAÇÃO INCORRETA Fl. 361DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.000835/200732 Acórdão n.º 3202000.528 S3C2T2 Fl. 362 20 A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/01: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou Tendo em vista que a classificação incorreta restou demonstrada nos autos, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação dessa multa. Por todo exposto, tomo conhecimento do recurso voluntário, rejeitando as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO conforme razões aduzidas, mantendo a decisão recorrida tal como lançada. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 362DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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