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Numero do processo: 17460.000394/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. SÚMULA N. 08 DO STF. NFLD SUBSTITUTIVA. ART.
173, II DO CTN. Nos termos da Súmula n. 08 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. Em se tratando NFLD substitutiva, o prazo a ser considerado é o disposto no art. 173, II do CTN.
INFORMAÇÕES PRESTADAS EM GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do §1º do art. 225 do Decreto 3.048/99, que aprovou o regulamento
da Previdência Social RPS, as informações prestadas em GFIP constituem-se como confissão de dívida pelo contribuinte.
SAT. SALÁRIO EDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Não cabe ao CARF a análise de constitucionalidade da legislação tributária.
SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do
CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.710
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. SÚMULA N. 08 DO STF. NFLD SUBSTITUTIVA. ART. 173, II DO CTN. Nos termos da Súmula n. 08 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. Em se tratando NFLD substitutiva, o prazo a ser considerado é o disposto no art. 173, II do CTN. INFORMAÇÕES PRESTADAS EM GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do §1º do art. 225 do Decreto 3.048/99, que aprovou o regulamento da Previdência Social RPS, as informações prestadas em GFIP constituem-se como confissão de dívida pelo contribuinte. SAT. SALÁRIO EDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de constitucionalidade da legislação tributária. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado.
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SÚMULA N. 08 DO STF. NFLD SUBSTITUTIVA. ART. 173, II DO CTN. Nos termos da Súmula n. 08 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. Em se tratando NFLD substitutiva, o prazo a ser considerado é o disposto no art. 173, II do CTN. INFORMAÇÕES PRESTADAS EM GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do §1º do art. 225 do Decreto 3.048/99, que aprovou o regulamento da Previdência Social RPS, as informações prestadas em GFIP constituem se como confissão de dívida pelo contribuinte. SAT. SALÁRIO EDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDE. Não cabe ao CARF a análise de constitucionalidade da legislação tributária. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 18/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 18/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 2 Ana Maria Bandeira Presidente Substituta. Igor Araújo Soares Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros, Igor Araújo Soares e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 18/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 18/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 17460.000394/200766 Acórdão n.º 2402001.710 S2C4T2 Fl. 217 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo ABATEDOURO DE AVES IDEAL LTDA, irresignado com o acórdão de fls. 165/174, por meio do qual fora mantida integralidade da NFLD n. 35.902.6192, lavrada em substituição a NFLD n. 35.564.9292, para a cobrança de contribuições sociais parte da empresa, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e prólabores creditados a sóciogerente. O lançamento compreende as competências de 10/2000 a 03/2003, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 13/12/2006 (fls. 01). Consta do relatório fiscal que as contribuições lançadas foram apuradas em folhas de pagamento e informadas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, sendo analisadas ainda as Guias da Previdência Social GPS. Fora determinada a realização de diligência para que se esclarecesse o motivo do Relatório Fiscal de fls. 52/54 limitarse a mencionar como incluídas na NFLD as contribuições da empresa incidentes sobre remunerações de empregados e contribuintes individuais, nada mencionando acerca do SAT/RAT e Terceiros, que também constavam do DAD. Resposta às fls. 106, com a elaboração de relatório fiscal complementar apenas no sentido de esclarecer que do lançamento originalmente efetuado também constavam as contribuições destinadas a SAT e terceiros. O contribuinte foi devidamente intimado do resultado da diligência e apresentou manifestação. Em seu recurso, defende o recorrente a nulidade formal da autuação na medida em que foram encaminhadas ao contribuinte cópias máimpressas da NFLD e seus anexos, bem como também foram apontadas de forma precisa as normas legais que fundamentam o lançamento em testilha. Acrescenta que se operou a decadência parcial do direito de o fisco efetuar o lançamento do crédito tributário, uma vez que não há que se falar em interrupção da prescrição ou decadência, nos termos do art. 189 do novo Código Civil, de modo que o art. 173, II é ilegal e não merece ser aplicado. Ainda quanto a decadência sustenta que com a realização da diligência requerida em primeira instância de julgamento foram incluídos novos tributos/contribuições no lançamento, de modo que, sobre estes, o prazo decadencial deve ser contado na forma do art. 173, I do CTN. Por fim, defende a inconstitucionalidade das contribuições incidentes sobre a folha de salários, sobre pagamentos de prólabore e do SAT, além de requerer seja reconhecida a ilegalidade da SELIC. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 18/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 18/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. PRELIMINARES Inicialmente, quanto a decadência aventada, nada a prover ao recorrente. Ao que se percebe do DAD de fls. 04 e seguintes, foram objeto do lançamento as contribuições parte da empresa incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais (sócios) e as destinadas ao SAT e a terceiros (salário educação e INCRA). Tais lançamentos, portanto, já constavam quando da lavratura da NFLD substitutiva, ora sob julgamento, antes da realização da diligência requerida em primeira instância, motivo pelo qual não há que se falar que o relatório fiscal complementar inovou o lançamento, de sorte a atrair a contagem do prazo decadencial com base no art. 173, I, como pretendeu fazer crer o recorrente. No presente caso, para efeitos de contagem da decadência, na linha dos demais julgados desta Turma, há de se considerar aquilo o que disposto na Súmula vinculante n. 08 do STF. Contudo, em se tratando de lançamento substitutivo, o prazo decadencial tem fundamento no art. 173, II do CTN, na medida em que não se verifica ter ocorrido a decadência no lançamento original, ou seja, aquele que veio a ser anulado por vício formal. Logo, cientificado o contribuinte da decisão definitiva que anulou por vício formal o lançamento original em 24/11/2003, e o lançamento reportase ao período de 10/2000 a 03/2003, considerandose o disposto no art. 173, II, do CTN e a data de ciência da NFLD substitutiva das mesmas competências como 13/12/2006, não há qualquer decadência a ser reconhecida. Quanto o fato de o recorrente ter recebido em seu domicílio cópias mal impressas em seu domicílio, tenho que, primeiramente, este não restou comprovado nos autos, o que por si só já ensejaria o afastamento do pedido de reconhecimento da ilegalidade. Ademais, o contribuinte veio a ser novamente cientificado do lançamento, com nova oportunidade de impugnação, situação que lhe garantiu, mais uma vez, o amplo exercício de seu direito de defesa e do contraditório. Assim, rejeito as preliminares. MÉRITO Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 18/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 18/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 17460.000394/200766 Acórdão n.º 2402001.710 S2C4T2 Fl. 218 5 Já no que se refere ao mérito, de antemão cumpre ressaltar que todas as contribuições objeto do lançamento foram apuradas em folhas de pagamento e informadas em GFIP, o que enseja, nos termos do §1º do art. 225 do Decreto 3.048/99, a confissão da dívida nelas informadas. Confirase: §1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. E sobre tal aspecto o recorrente não logrou êxito na demonstração de qualquer equívoco que fosse pertinente e pudesse levar a revisão do lançamento efetuado. Quanto aos demais questionamentos, seja em relação a contribuição sobre a folha de salários, o SAT ou mesmo o salário educação, tenho que nenhuma delas pode ser analisada por este Eg. Conselho, em respeito competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Ademais, a insurgência acerca da aplicação da taxa SELIC também não merece amparo. A sua aplicação, enquanto juros moratórios e multa aplicadas sobre as contribuições objeto do lançamento, foi efetivada com supedâneo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Tal discussão, inclusive, já tendo sido objeto de várias deliberações neste Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confirase: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 18/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 18/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 6 ”Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ” Ante todo o exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES Assinado digitalmente em 18/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, 18/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001364/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 30/04/2009
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INOCORRÊNCIA. CFL 35.
Não há infração ao disposto no art. 32, III, da Lei nº 8.212, de 1991, quando o contribuinte apresenta os documentos e esclarecimentos solicitados, mas estes não são considerados válidos.
Não caracterizada a infração, não cabe a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
Numero da decisão: 2202-008.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Samis Antonio de Queiroz e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/04/2009 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INOCORRÊNCIA. CFL 35. Não há infração ao disposto no art. 32, III, da Lei nº 8.212, de 1991, quando o contribuinte apresenta os documentos e esclarecimentos solicitados, mas estes não são considerados válidos. Não caracterizada a infração, não cabe a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Samis Antonio de Queiroz e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-10-30T09:14:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-10-30T09:14:17Z; Last-Modified: 2021-10-30T09:14:17Z; dcterms:modified: 2021-10-30T09:14:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-10-30T09:14:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-10-30T09:14:17Z; meta:save-date: 2021-10-30T09:14:17Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-10-30T09:14:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-10-30T09:14:17Z; created: 2021-10-30T09:14:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2021-10-30T09:14:17Z; pdf:charsPerPage: 1897; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-10-30T09:14:17Z | Conteúdo => S2-C2T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19515.001364/2009-81 Recurso Voluntário Acórdão nº 2202-008.739 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de outubro de 2021 Recorrente CHASE MANHATTAN HOLDINGS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/04/2009 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INOCORRÊNCIA. CFL 35. Não há infração ao disposto no art. 32, III, da Lei nº 8.212, de 1991, quando o contribuinte apresenta os documentos e esclarecimentos solicitados, mas estes não são considerados válidos. Não caracterizada a infração, não cabe a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Samis Antonio de Queiroz e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Trata-se de recurso interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO1), que manteve autuação relativa a descumprimento de obrigação acessória, por ter a contribuinte deixado de apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados pela fiscalização, o que se constitui em infração ao art. 32, inciso III, da Lei n° 8.212, de 1991 (Código de Fundamentação Legal 35). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 64 /2 00 9- 81 Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.739 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001364/2009-81 Conforme informa o relatório fiscal (fl. 6), Embora solicitado, conforme TIF Nº 02, a empresa deixou de apresentar documentos referente ao pagamento de participação nos lucros, tais como: ata da assembléia da eleição da comissão de negociação, acordo firmado entre a empresa e os empregados e demonstrativo dos cálculos. Tal fato constitui infração a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, III, combinado com o art. 225, Inc. III, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Não ocorreram circunstancias agravantes. Não constam Auto de Infração anteriores para efeito de reincidência. A contribuinte impugnou o lançamento sob as seguintes alegações: 1 – o Agente Fiscal recebeu todos os documentos que balizaram os pagamentos de PLR realizados pela Impugnante; mesmo considerando a documentação inválida, referida invalidação só poderia estar relacionada ao seu conteúdo mas, jamais, relacionada à sua existência. 2 - é ilegal a inclusão dos diretores da Impugnante no pólo passivo da autuação fiscal. A DRJ/SP1 julgou a impugnação improcedente. A decisão restou assim ementada: AUTO DE INFRAÇÃO. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS. OBRIGATORIEDADE. Constitui infração deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. RELATÓRIO REPLEG. Em razão de o relatório "REPLEG - Relatório de Representantes Legais" visar a atender o disposto na LEF - Lei de Execuções Fiscais (Lei 6.830/80), qualquer correção deve restringir-se a correção de dados. Recurso Voluntário Cientificada da decisão de piso em 22/1/2010 (fl. 97), a contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 23/2/2010 (fls. 99 e seguintes), por meio do qual devolve à apreciação deste Colegiado as exatas teses já submetidas à apreciação do julgamento, exceto aquelas relativas à inclusão dos diretores da Impugnante no pólo passivo da autuação fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. Em que pese os bem lançados fundamentos trazidos pelo julgador de piso, entendo que a pretensão recursal merece prosperar. O lançamento se refere à multa isolada prevista no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, que assim disciplina: Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.739 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001364/2009-81 Art. 32. A empresa é também obrigada a: III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; O relatório fiscal dá noticia que Embora solicitado, conforme TIF nº 02, a empresa deixou de apresentar documentos referente ao pagamento de participação nos lucros, tais como: ata da assembléia da eleição da comissão de negociação, acordo firmado entre a empresa e os empregados e demonstrativo dos cálculos. De fato no TIF 2, a empresa foi intimada a apresentar Esclarecimentos referente aos pagamentos a titulo de Participação nos Lucros, efetuado em 01/2004 e ao adiantamento, pago em 11/2004. Apresentar a documentação pertinente (convenção ou acordo coletivo, ata de assembléia da eleição da comissão de negociação, planilha de metas, demonstrativo dos cálculos ). Em atenção a tal solicitação, conforme consta nos PAF nºs 19515.001363/2009- 37 e 19515.001366/2009-71, julgados nesta mesma sessão de julgamento, informa a autoridade fiscal que, Com relação à Convenção Coletiva apresentada nota-se que no seu conteúdo não há previsão de pagamento de participação nos lucros aos empregados. Conforme informações obtidas, o PLR pago seguiu regras do Sindicato dos Bancários, por ser mais benéfico e pelo fato de ser o Sindicato ao qual estão filiadas outras empresas do mesmo grupo. Com relação ao documento com as regras do PLR, nota-se que descreve os critérios, percentuais e avaliações mas não cita objetivamente qual o resultado esperado para ser considerado atingido, não atingido, excedido, muito excedido; quanto aos resultados individuais classifica em grau 1,2,3,4,e 5 mas não detalha quais as metas: Na planilha de Resultado Individual consta um fator multiplicador do salário, sem nenhum demonstrativo da origem de tal valor. Cita ainda em vários itens, o pagamento conforme a convenção coletiva, sendo que na convenção do sindicato ao qual a empresa está filiada não há previsão do pagamento de participação nos lucros. Não foi apresentada a ata de assembléia da eleição da comissão de negociação, nem acordo firmado entre a empresa e os empregados com as regras para o pagamento do PLR. Não foram apresentados também os demonstrativos dos cálculos efetuados para a apuração do valor de PLR pago. Nos respectivos recursos a empresa informa que i) a categoria de trabalhadores contratados por "holdings de Instituições financeiras” e que desempenham "atividades de serviços financeiros”, como é o caso de seus empregados, é representada pelo Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis, de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo - SESCON, que à época, não buscava ou exigia a implantação de programa de pagamento de participação nos lucros ou resultados, entendendo-se que as atividades por eles desenvolvidas não colaborariam à geração de lucros ou resultados para a empresa; ii) ao contrário, os Sindicatos dos Empregados em Estabelecimentos Bancários buscavam o cumprimento de tal direito, garantido pelo artigo 7°, XI da Constituição Federal, aos empregados de estabelecimentos bancários, entendendo-se sua atividade como de participação ativa, na geração de lucros ou resultados para as empresas, inclusive as instituições financeiras integrantes do grupo econômico do qual faz parte a Recorrente (Banco J.P. Morgan S.A e J.P. Morgan Chase Bank); iii) nesse contexto, a Recorrente, em reconhecimento à efetiva participação dos seus empregados na geração dos lucros e/ou resultados alcançados pelo grupo econômico Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.739 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001364/2009-81 (uma vez que, apesar de não exercerem atividades financeiras, oferecem todo o suporte necessário à sua execução), entendeu por bem estender-lhes os benefícios dos empregados das respectivas instituições financeiras, concedendo assim o direito de receberem parcela a título de PLR. Tal prática, além de atender o princípio da isonomia, também atende a norma contida no artigo 620 da Consolidação das Leis do Trabalho, segundo a qual "as condições estabelecidas em Convenção, quando mais favoráveis, prevalecerão sobre as estipuladas em Acordo”; iv) ... (vii) mesmo que se pudesse entender inválida a aplicação das disposições da Convenção Coletiva de Trabalho do Sindicato dos Bancários para fins de PLR dos empregados da Recorrente, fato é que ela observou plano adotado uniforme e espontaneamente pelas empresas do grupo, como lhe facultava a Lei n° 10.101/2000; Assim, entendo que a empresa não descumpriu os termos da intimação, pois não poderia apresentar documentos que não possuía. O argumento trazido pela empresa para cancelamento do lançamento das obrigações principais é que ela teria adotado uniforme e espontaneamente os plano previsto para as empresas do grupo, plano este que foi devidamente apresentado à fiscalização, que sobre ele se manifestou conforme excerto acima copiado, ou seja, Com relação ao documento com as regras do PLR, nota-se que descreve os critérios, percentuais e avaliações mas não cita objetivamente qual o resultado esperado para ser considerado atingido, não atingido, excedido, muito excedido; quanto aos resultados individuais classifica em grau 1,2,3,4,e 5 mas não detalha quais as metas: Na planilha de Resultado Individual consta um fator multiplicador do salário, sem nenhum demonstrativo da origem de tal valor. Cita ainda em vários itens, o pagamento conforme a convenção coletiva, sendo que na convenção do sindicato ao qual a empresa está filiada não há previsão do pagamento de participação nos lucros. Ademais, não haveria como apresentar outro plano, já que inexistente. O plano apresentado não foi acatado, o que ensejou o lançamento das obrigações principais, lançamento este mantido em relação ao seu mérito, conforme ementas que reproduzo: PAF 19515.001363/2009-37 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Entende-se por salário-de-contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. VALORES PAGOS EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. Integra a remuneração a parcela recebida a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. PAF 19515.001366/2009-71 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DEVIDAS POR LEI A TERCEIROS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Entende-se por salário-de-contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. VALORES PAGOS EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. Integra a remuneração a parcela recebida a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. Se o plano apresentado não serviu como comprovação de existência de PLR paga com observância dos critérios estabelecidos na Lei nº 10.101, de 2002, e consequentemente o Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.739 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001364/2009-81 lançamento da obrigação principal foi mantido, a não apresentação do demonstrativo de cálculos não interfere no resultado do julgamento, já que o plano apresentado não foi acatado como documentação comprobatória. Em conclusão, entendo que a contribuinte não deixou de apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados pela fiscalização, mas tão somente que os documentos e esclarecimentos apresentados não eram válidos para comprovar a situação concreta e eventuais documentos que seriam válidos não existiam, de forma que não poderiam ser apresentados. Assim, não houve infração ao art. 32, III, da Lei nº 8.212, de 1991. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10945.002666/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. RELEVAÇÃO DA MULTA. DESCABIMENTO.
De acordo com o disposto no parágrafo primeiro do art. 291 do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social, somente faz jus à relevação da multa o contribuinte que efetuar a correção integral da falta dentro do prazo para impugnação.
SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. ART. 32A.
Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-001.807
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário para: redução da multa aplicada, nos termos do artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica, e relevação parcial da multa.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RELEVAÇÃO DA MULTA. DESCABIMENTO. De acordo com o disposto no parágrafo primeiro do art. 291 do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social, somente faz jus à relevação da multa o contribuinte que efetuar a correção integral da falta dentro do prazo para impugnação. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. ART. 32A. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: redução da multa aplicada, nos termos do artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica, e relevação parcial da multa. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 2 Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Ausente o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 200DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 10945.002666/200851 Acórdão n.º 2402001.807 S2C4T2 Fl. 909 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por TRANSPORTADORA BINACIONAL LTDA, em face de acórdão que manteve parcialmente a multa lançada por meio do Auto de Infração 37.167.7114, por ter a recorrente deixado de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, no caso, a remuneração de contribuintes individuais transportadores rodoviários autônomos e o pagamento de honorários ao contribuinte individual Reinaldo Vaena. A multa lançada compreende o período de 01/2004 a 12/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 01/12/2008 (fls. 01). Consta dos autos que o contribuinte corrigiu parcialmente a infração cometida dentro do prazo de defesa, motivo pelo qual teve relevada parcialidade da multa aplicada e foi determinado que no momento do pagamento do valor do crédito tributário, deverá ser feito o recálculo da multa com base no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 610/613), o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls. 619/632, através do qual sustenta: 1. que a Impugnante teve dificuldades em conseguir o número do PIS junto aos contribuintes individuais autônomos, que lhes prestaram serviços de fretes no período em questão, fator indispensável para o cumprimento regular das obrigações acessórias exigidas, que motivou as informações incompletas, uma vez que os profissionais contratados se recusavam a fornecer o número; 2. que não houve máfé ou intenção de burlar o fisco; 3. que no prazo de defesa a recorrente corrigiu a totalidade da falta cometida quanto aos fatos geradores dos transportadores autônomos, exceto, quanto aos valores complementares de honorários contábeis, cujas contribuições previdenciárias devidas, somam o montante anual de R$ 1.187,40, por entender desnecessário, uma vez que a impugnante já havia sido penalizada por infração desta natureza, através do Auto de Infração DEBCAD n° 37.167.7122, no valor de R$ 12.548,77, integralmente quitado em 16/12/2008 4. que caso não seja reconhecida a relevação da totalidade da multa, que seja a mesma atenuada em 50%, nos termos do art. 291 do Decreto 3.048/99; 5. que a manutenção da multa é medida desproporcional e confiscatória, pois o valor que não foi declarado é ínfimo perante os demais valores que já foram declarados quanto aos honorários do contabilista; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade dele conheço. MÉRITO Conforme já fora relatado o lançamento da multa compreendeu a ausência de informação em GFIP de dois grupos de fatos geradores de contribuições previdenciárias. O primeiro deles foi a ausência de informação acerca dos pagamentos efetuados a transportadores autônomos, falta que o v. acórdão considerou corrigida em sua totalidade dentro do prazo de impugnação. O segunda referese a complementação de pagamento de honorários contábeis, falta que não veio a ser corrigida pela recorrente, à míngua da competência de 01/2004, como também fora reconhecido pelo v. acórdão recorrido. Logo, restou comprovado que o contribuinte apenas corrigiu parcialmente a infração cometida, já que entende ser irrelevante o valor não corrigido a título dos honorários contábeis, tendo optado por não corrigilo. Com referência à atenuação e relevação da multa, a regra a ser obedecida é aquela constante no parágrafo primeiro do artigo 291, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99; na redação vigente à época da autuação/impugnação: Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até à decisão da autoridade julgadora competente. § 1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Dessa forma, não hã que se atender ao que requerido pelo contribuinte quanto à relevação da totalidade da multa aplicada, mas apenas quanto as competência que efetivamente foram corrigidas, devendo ser mantida a multa com relação as demais, já que o lançamento do valor da penalidade é feito competência por competência. Por fim, cumpre apontar que Lei 11.941/09 trouxe para os casos das contribuições previdenciárias nova fórmula para o cálculo da multa a ser aplicada nos casos de ausência ou recolhimento parcial dos valores de contribuições devidas e também nos casos de apresentação das GFIPs com omissões, inconsistências ou incoerências. Sobre o assunto, a nova legislação acrescentou na Lei 8.212/91 os artigos 32 A e 35A, os quais dispõem o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a Fl. 202DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 10945.002666/200851 Acórdão n.º 2402001.807 S2C4T2 Fl. 910 5 apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. “Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996”. Por sua vez, o art. 35A faz remição ao art. 44 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ No caso dos autos, tratase de auto de infração fundamentação legal 68, no qual fora lançada multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a apresentação de GFIP’s com informações inexatas relativamente a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a que estaria sujeito o contribuinte. A multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória, portanto, referese a situação da não apresentação de documentação regulada especificadamente pela Legislação da Previdência Social, no caso a GFIP, na qual deixou o contribuinte de informar os valores que foram pagos pela recorrente a título de premiação a seus colaboradores. Ademais, a forma de cálculo da multa disposta no art. 32A se adequa aos procedimentos adotados pela fiscalização para o cálculo da multa aplicada por meio do Auto de Infração ora combatido. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 6 Por tais motivos, não vejo como outra a solução a ser aplica ao presente caso, senão da determinação de recálculo da multa com fundamento no art. 32A da Lei 8.212/91, independentemente de ter havido ou não o recolhimento da contribuição respectiva. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para determinar a relevação parcial da multa, apenas quanto as competências em que a falta fora devidamente corrigida, devendo ser excluídas do lançamento, bem como para que, com relação as demais competências mantidas, que o recálculo da multa aplicada observe o disposto no art. 32A da Lei 8.212/91, a qual deverá ser aplicada no presente caso, na eventualidade de ser mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 204DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES
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Numero do processo: 10480.006468/2003-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3403-000.160
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de Pedido de Restituição (fl. 1) apresentado em conjunto com Declaração de Compensação (fl. 14), em 17/06/2003, nos quais o contribuinte aponta como crédito o saldo credor de créditos básicos de IPI apurado no terceiro decêndio de 2003. A Declaração de Compensação chegou a receber número de processo próprio – PA nº 10480.006479/200347 – mas foi anexada a estes autos – PA nº 10480.00064628/2003 67 – e então processadas e decididas em conjunto. Em 24/02/2005 foi proferido despacho pelo Serviço de Fiscalização (SEFIS) nos seguintes termos (fl. 30): O contribuinte em epígrafe foi fiscalizado com lastro no MPF de n° 04.1.01.00 2004000910, tendo sido gerados os autos de IPI de n's 19647.000086/200516, 19647.000608/200580, 19647.000606/200591 e 19647.00064/200500. Fl. 1DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17422.IREO. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10480.006468/200367 Resolução n.º 340300.160 S3C4T3 Fl. 2 2 Considerandose os débitos apurados nos processos indigitados, efetuamos a reconstituição da escrita fiscal do IPI, com cópia às fls. 2729, onde se verifica no 3º decêndio de Maio do ano de 2003 um saldo devedor do imposto. Dessarte, propomos o encaminhamento do presente ao Serviço de Orientação Tributária da Delegacia da Receita Federal em Recife para providências ulteriores, cientificando desde já que descabe ao contribuinte a compensação pleiteada com lastro no saldo credor de IPI. Este despacho fundamentou o Termo de Intimação Fiscal (fl. 32), culminando então com a Decisão de indeferimento do pedido de ressarcimento e recusa da homologação da compensação (fl. 33). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 41/43) argumentando, em síntese, o seguinte: 4. Ocorre que, não estando a Asa de acordo com os autos de infração já citados protocolou junto a esta Delegacia da Receita Federal, defesa dos autos de infração, e que tal defesa encontrase em julgamento por esta Delegacia. 5.Vale registrar ainda que o crédito que a Receita Federal alega que a Asa não tem, é correspondente ao terceiro decêndio de Maio/2003, e eles somente não estão disponíveis na análise desta mesma Delegacia, visto que através dos autos de infração acima citados foram glosados diversos créditos de transferência de IPI de terceiros, contudo na data de protocolização do Pedido de Restituição o crédito estava bastante claro na escrituração fiscal da Asa, e somente não continua no entendimento da Receita Federal após decorridos quase dois anos da data de protocolo do Pedido de Restituição, por conta dos motivos acima alegados. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE (DRJ), por meio do Acórdão 1118.266, de 12 de fevereiro de 20002 (fls. 50/53), negou provimento à manifestação de inconformidade, mantendo a decisão da DRF pela seguintes razões: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/05/2003 a 31/05/2003 CRÉDITOS DE IPI. RESSARCIMENTO. APROVEITAMENTO EM DUPLICIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Tendo os créditos recebidos de terceiros sido aproveitados na reconstituição da escrita fiscal com vistas à apuração do IPI devido, da qual resultou inclusive a lavratura de autos de infração, resta impossibilitada a utilização daqueles na extinção, mediante compensação, de outros créditos tributários. Solicitação Indeferida O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 72/ 92) alegando em síntese que houve (a) violação aos arts. 26 e 28 da Lei nº 9.784/99 e cerceamento do seu direito de Fl. 2DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17422.IREO. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10480.006468/200367 Resolução n.º 340300.160 S3C4T3 Fl. 3 3 defesa pelo fato de não ter sido intimado quanto ao teor da informação fiscal, mas apenas depois de proferida a decisão que indeferiu o seu direito, (b) que também houve violação do seu direito de defesa pelo fato de “o acórdão da DRJ/CE cerceou o direito de defesa da Recorrente ao não apreciar toda a matéria litigiosa que envolve a querela administrativa sob exame” (fl. 84), pois a DRJ alegou que a defesa do contribuinte teria se referido apenas à glosa dos créditos de terceiro quando a verdade é que sua defesa referiuse a toda a amplitude das defesas produzidas nos processos 19647.000086/200516, 19647.000608/200580, 19647.000606/200591 e 19647.00064/200500, em que se discute quanto aos autos de infração, (c) que também o não reconhecimento da conexão entre estes processo seria motivo de nulidade do acórdão, e (d) no mérito reitera todos os fundamentos de defesa apresentados nos processos administrativos em que discute os autos de infração, cujas cópias foram juntadas aos autos (fls. 104/139). Ao final requer (1) que seja “julgado o presente recurso voluntário em conjunto com os Processos 19647.000086/200516, 19647.000608/200580, 19647.000606/200591 e 19647.000604/200500” (fl. 91), (2) que seja anulado o processo a partir da informação fiscal de fls. 27/30 e (3) que seja julgado procedente o pedido de ressarcimento e compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O contribuinte foi notificado do acórdão da DRJ em 26/04/2007 (fl. 57) e o recurso voluntário foi protocolado em 28/05/2007 (fl. 72), dia útil seguinte ao 30º dia do prazo, que coincidiu com o sábado, de modo que o recurso é tempestivo, dele se tomando conhecimento. Verifico que o presente pedido de restituição foi protocolado em 17/06/2003, portanto, antes de ter início a fiscalização, cujo Mandado de Procedimento Fiscal referese a 2004, e da lavratura dos autos de infração, cujos processos administrativos remontam a 2005, quando então houve a reconstituição da conta gráfica do IPI deste mesmo período. Se o contribuinte errou na apuração do IPI, fazendo o crédito em relação a operações que não lhe davam esse direito, isto exige da Fiscalização a reconstituição da sua conta gráfica, o que naturalmente implica alteração no saldo de créditos dos períodos envolvidos. Esta alteração pode implicar, como ocorre neste caso, no desaparecimento do saldo de créditos antes existente, em relação ao qual se poderia antes pretender a restituição. A depender do quanto seja glosado de créditos, pode haver apenas a redução do saldo de créditos do final do período, como também pode resultar em um valor negativo, exigindo assim a lavratura de auto de infração para a exigência da diferença de valores de que deveria ter sido recolhida – que foi o que ocorreu em relação ao recorrente. Como visto no relatório, a reconstituição da conta gráfica por causa da glosa de créditos acabou culminando na necessidade de lavratura de autos de infração para a exigência dos valores que deveriam ter sido recolhidos, o que matematicamente reflete na absoluta inexistência de saldo credor a ser restituído. Fl. 3DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17422.IREO. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10480.006468/200367 Resolução n.º 340300.160 S3C4T3 Fl. 4 4 A recusa do direito de crédito pleiteado nestes autos, com efeito, é uma decorrência matemática do critério jurídico aplicado pela Fiscalização, e que se encontra em discussão nos autos dos Processos Administrativos nºs 19647.000086/200516, 19647.000608/200580, 19647.000606/200591 e 19647.000604/200500. Não há como decidir quanto ao direito de crédito, com efeito, sem antes verificar o desfecho final da discussão nos referidos processos administrativos. Entendo que apenas se poderia negar sumariamente o pedido de restituição se tivesse sido formulado depois da lavratura dos autos de infração, pois o contribuinte já estaria ciente da litigiosidade da apuração do IPI no período. É este, aliás, que me parece ser o sentido do art. 19 da IN 210/2002, ao exigir do contribuinte a declaração de inexistência de discussão judicial e administrativa. Pois em havendo discussão a respeito dos critérios de apuração do IPI em relação a determinado período não se pode pressupor a segurança necessária para autorizar a formulação de pedido de restituição ou a utilização deste saldo duvidoso como crédito para compensação. Neste caso, no entanto, o contribuinte pleiteou o direito de crédito antes de qualquer fiscalização, sem que na época houvesse qualquer discussão judicial ou administrativa a respeito da apuração do IPI no período. Entendo, por isso, pela necessidade de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem informe quando houver o resultado final da discussão nos Processos Administrativos nºs 19647.000086/200516, 19647.000608/200580, 19647.000606/200591 e 19647.000604/200500, remetendo os seus autos anexados ao presente processo, ou cópia das decisões finais neles proferidas. Ivan Allegretti Fl. 4DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.17422.IREO. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por IVAN ALLEGRETTI em 19/03/2011 15:56:11. Documento autenticado digitalmente por IVAN ALLEGRETTI em 19/03/2011. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 26/03/2011 e IVAN ALLEGRETTI em 19/03/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0121.17422.IREO Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 3C74CB7AC10B4022B262C38917DAD34640D1608C Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10480.006468/2003-67. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10675.901694/2012-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. COMPETÊNCIA ABSOLUTA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JURISDIÇÃO FISCAL DO CONTRIBUINTE.
Por força de dispositivos regimentais, a análise de solicitação de retificação/cancelamento de declarações, dentre elas a DCTF é de competência exclusiva da Unidade de jurisdição fiscal do contribuinte, não constituindo a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário meios compatíveis à veiculação de pedido desta natureza.
Numero da decisão: 1002-002.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Zedral- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah.
Nome do relator: Rafael Zedral
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. COMPETÊNCIA ABSOLUTA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JURISDIÇÃO FISCAL DO CONTRIBUINTE. Por força de dispositivos regimentais, a análise de solicitação de retificação/cancelamento de declarações, dentre elas a DCTF é de competência exclusiva da Unidade de jurisdição fiscal do contribuinte, não constituindo a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário meios compatíveis à veiculação de pedido desta natureza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva- Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-11-16T11:11:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-11-16T11:11:35Z; Last-Modified: 2021-11-16T11:11:35Z; dcterms:modified: 2021-11-16T11:11:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-11-16T11:11:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-11-16T11:11:35Z; meta:save-date: 2021-11-16T11:11:35Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-11-16T11:11:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-11-16T11:11:35Z; created: 2021-11-16T11:11:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2021-11-16T11:11:35Z; pdf:charsPerPage: 1760; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-11-16T11:11:35Z | Conteúdo => S1-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10675.901694/2012-67 Recurso Voluntário Acórdão nº 1002-002.249 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 7 de outubro de 2021 Recorrente PDCA ENGENHARIA E CONSTRUCOES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. COMPETÊNCIA ABSOLUTA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JURISDIÇÃO FISCAL DO CONTRIBUINTE. Por força de dispositivos regimentais, a análise de solicitação de retificação/cancelamento de declarações, dentre elas a DCTF é de competência exclusiva da Unidade de jurisdição fiscal do contribuinte, não constituindo a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário meios compatíveis à veiculação de pedido desta natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva- Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah. Relatório Da Declaração de Compensação Trata-se de processo referente ao PER/DCOMP eletrônico no qual indicou como origem do crédito o Saldo negativo de IRPJ, apurado no período de 01/10/2010 a 31/12/2010, para utilização na quitação de débitos tributários próprios. O crédito tributário foi demonstrado na DCOMP nº 30902.68464.310112.1.3.02-6361, no valor de R$ 72.771,06. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 16 94 /2 01 2- 67 Fl. 189DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.249 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.901694/2012-67 Da Análise do PER/DCOMP Em 4/5/2012 foi emitido Despacho Decisório Eletrônico-DDE pela homologação parcial das compensações declaradas, fundamentado na insuficiência de crédito para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo: 1. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 72.771,06. 2. Valor do saldo negativo disponível: R$ 10.737,22. O crédito reconhecido corresponde exatamente ao IRRF confirmado pela RFB em seus sistemas e ao saldo negativo declarado em DIPJ do 4º trimestre s de 2010. Regularmente intimado do Despacho Decisório com a não homologação da compensação declarada, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que havia cometido erro no preenchimento da DCOMP. Em que pese a DCOMP informar apenas o 4º trimestre de 2010, seu crédito se referiria a todo ano de 2010. No ato de preenchimento do PER/DCOMP n° 30902.68464.310112.1.3.02-6361 informou, no 4° trimestre de 2010, o saldo credor composto pela totalidade dos créditos apurados nos 1º, 3° e 4° trimestres de 2010. Da mesma forma, a DIPJ 2011 retificadora, nº. recibo 34.06.33.10.15-06, também ficou incorreta, uma vez que o saldo negativo somente foi demonstrado no 4º trimestre (Ficha 12 da DIPJ). Informa que a mesma foi devidamente retificada em 13/06/2012 conforme recibo 22.44.59.66.05-00. O PER/DCOMP estaria preenchido incorretamente, uma vez que o saldo negativo teria sido informado a maior, compreendendo o saldo acumulado em todo o exercício de 2010. Além disso, no campo onde se discrimina os impostos retidos na fonte, que deram origem ao crédito, foram informadas as retenções oriundas de outros trimestres do exercício de 2010, e não somente aqueles retidos dentro do 4º trimestre de 2010. Entende que faz jus a um crédito tributário, porém, o montante está composto pelo saldo credor acumulado nos 1º, 3º e 4º trimestres de 2010, conforme demonstrado a seguir: 1° trimestre 2010: Saldo negativo apurado - R$ 31.181,83 - Apurado através da diferença entre IRPJ devido no trimestre (zero)-(Impostos retidos conforme comprovante de retenção da Caixa Econômica Federal- cópia anexa); 3° trimestre 2010: Saldo negativo apurado - R$ 29.519,84 - Apurado através da diferença entre IRPJ devido no trimestre (zero)-(Impostos retidos conforme comprovante de retenção da Caixa Econômica Federal- cópia anexa); e Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.249 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.901694/2012-67 4° trimestre 2010: Saldo negativo apurado - R$ 10.737,22 - Apurado através da diferença entre IRPJ devido no trimestre (zero)-(Impostos retidos conforme comprovantes de retenção de aplicações financeiras diversas-cópia anexa). Ao final, requereu perante a DRJ: a) suspensão da exigibilidade tributária até o julgamento da defesa administrativa, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235-72 combinado com o art. 151 do Código Tributário Nacional; b) o cancelamento da PER/DCOMP n° 30902.68464.310112.1.3.02-6361 do referente despacho decisório; c) a homologação do direito de compensação do débito de IRPJ do 40 trimestre/2011 no valor de R$ 32.192,26, corrigido até a data do julgamento da defesa (multa e juros), mediante nova PER/DCOMP que conste o saldo negativo apurado nos 1°, 3° e 4° trimestres de 2010, a serem entregues para Receita Federal do Brasil. Protesta ainda pela produção de provas por todos os meios admitidos em direito e cabíveis à espécie, em especial a pericial e testemunhal. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciou o feito, proferindo a decisão por meio do Acórdão no qual considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório, que não homologou a compensação declarada na DCOMP. Entenderam os julgadores que opção pelo Lucro Real Trimestral é definitiva e não caberia aos órgãos julgadores a apreciação de pedidos de cancelamento de declarações. Do Recurso Voluntário O contribuinte, devidamente intimado da decisão da DRJ em 20/11/2019 (e-fls. 74), apresentou recurso voluntário em 19/12/2019 (e-fls. 75). Em sede de recurso, o recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ, pelo qual repisa os mesmos argumentos já apresentados perante a DRJ. Do Pedido Ao final, o Recorrente requer que seja dado provimento ao presente recurso voluntário a fim de reformar o Acórdão proferido pela DRJ, homologar a compensação declarada, reconhecer a existência do crédito e extinguir o débito tributário em face da regular compensação. É o relatório Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.249 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.901694/2012-67 Voto Conselheiro Rafael Zedral, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso e atende os outros requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. DO MÉRITO Quanto ao mérito, o recurso deve ser indeferido. A recorrente admite que o saldo negativo de IRPJ apurado no 4º trimestre de 2010 é de apenas R$ 10.737,22, como demonstram todas as DIPJ juntadas nos autos (e-fls. 35, 38 e 139). Perante este CARF a recorrente apresenta também uma cópia de sua escrituração digital no SPED CONTÁBIL (e-fls. 163 e seguintes), que também apura o IRPJ trimestralmente com apuração do resultado idêntica à apuração informada ficha 09 das DIPJs juntadas. Portanto, não há erro material na DCOMP que necessite de qualquer correção, pois o valor deferido do crédito corresponde exatamente ao saldo negativo declarado pela recorrente em todas as DIPJ retificadoras e na sua escrituração digital(SPED). O verdadeiro equívoco nos autos está no erro de julgamento da recorrente em querer utilizar retenções que não correspondem ao 4º trimestre de 2010. Pela leitura do artigo 2, parágrafo 4º, inciso II e artigo 6º, ambos da lei 9430/1996, vemos que o valor retido na fonte deve compor a apuração do tributo no seu período de apuração respectivo: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pela pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: III - do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real;” IV - do imposto de renda pago na forma deste artigo. Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9249.htm#art15 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8981.htm#art29%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8981.htm#art29%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8981.htm#art30 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8981.htm#art34 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8981.htm#art35 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8981.htm#art35 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9065.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9065.htm Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.249 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.901694/2012-67 Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I - pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II - compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior.” O que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo de IRPJ, e não retenções de IRfonte ocorridas ao longo de um determinado período de apuração. As retenções são aproveitadas como “dedução” do tributo devido no ajuste no período de apuração, servindo para reduzir o seu montante, ou para a formação de saldo negativo, este sim passível de ser restituído ou compensado em momento posterior. A legislação não autoriza que as retenções na fonte sejam utilizadas na compensação do mesmo imposto referente a outros períodos (Lei 9.430/1996, art. 2º, § 4º, III, c/c art. 6º, § 1º, II). A recorrente reconhece estes fatos ao apresentar um pedido de retificação da dcomp 30902.68464.310112.1.3.02-6361, “de forma a oportunizar à Recorrente o direito de apresentar novas PER/COMP para o aproveitamento dos saldos negativos remanescentes do 1º Trimestre/2010 (R$ 30.985,20) e 3º Trimestre/2010 (R$ 28.317,60)”. Tal pedido é incabível nos presentes autos, que analisa apenas o crédito de saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre de 2010, o qual foi devidamente reconhecido nos exatos termos em que declarado em DIPJ. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento, mantendo a decisão da DRJ. É como voto. Rafael Zedral – relator. Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16095.000581/2008-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias.
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004.
Ementa: ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Tendo a fiscalização
apresentado provas do cometimento da infração, cabe ao contribuinte o ônus de provar o contrário.
SUJEITO PASSIVO CONVENÇÕES PARTICULARES. As convenções
particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2402-001.816
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004. Ementa: ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Tendo a fiscalização apresentado provas do cometimento da infração, cabe ao contribuinte o ônus de provar o contrário. SUJEITO PASSIVO CONVENÇÕES PARTICULARES. As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Tiago Gomes De Carvalho Pinto, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Igor Soares. Ausente o conselheiro Ronaldo De Lima Macedo. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 17/06/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 10/09/2008 para exigir o valor de R$ 271.918,06, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal), da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), no período de 01/2004 a 12/2004, incluindo a competência 13/2004. No relatório fiscal (fls. 57/60), a Autoridade Tributária informou que o levantamento da folha de pagamentos foi feito com base na conta 4.1.4.1.002(00322) – SALÁRIOS, contabilizada no Livro Razão nº 02, haja vista que não foi declarada nas suas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs. Ainda, a fiscalização destaca que as despesas operacionais decorrentes dessa folha, contabilizadas nas contas 4.2.1.1.038(00398) – DESP. COM MEDICAMENTOS e 4.2.1.1.037(00397) – LANCHES E REFEIÇÕES, foram consideradas como remuneração, pois não cumpriram as condições existentes na legislação que autorizasse a não incidência das contribuições previdenciárias sobre tais gastos. Por fim, a Autoridade Fiscal constatou que a Recorrente, apesar de não ter declarado em GFIP, considerou para o levantamento do SAT a alíquota de 2% prevista no Código Brasileiro de Ocupação dos Funcionários – CBO e não a prevista na Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, que é de 3%. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 80/233) informando que (i) não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT; (ii) desconta os valores gastos a título de alimentação e medicamentos dos salários dos seus empregados; e (iii) entende que não precisaria reter tais valores dos segurados empregados, pois eram efetivamente descontados de seus salários e, caso houvesse retenção das contribuições, estaria descontando duas vezes do trabalhador. Por fim, a Recorrente pleiteia que seja reconhecida a insubsistência da multa aplicada, haja vista que os valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal) exigidos referemse às folhas de pagamento de outra empresa do mesmo grupo econômico, qual seja, a empresa SATO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., e que por equívoco foram contabilizados na empresa INDUSTRIAL E COMERCIAL SATO LTDA., sendo posteriormente regularizados. Alega, ainda, que tal equívoco decorre do contrato particular de arrendamento de imóvel para fins comerciais e industriais firmado entre as duas empresas, o qual prevê que os empregados da arrendante seriam utilizados pela arrendatária durante o período de vigência do contrato, bem como que tais contribuições já foram cobradas da SATO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. através do auto de infração DEBCAD 37.014.5097. A d. Delegacia Regional de Julgamento em Campinas – SP (fls. 237/241) julgou parcialmente procedente o lançamento, entendendo que: (i) a empresa não se insurgiu contra o levantamento do SAT, considerandose matéria preclusa nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72; (ii) não há no relatório da fiscalização qualquer menção de que as despesas com medicamentos e alimentação tenham sido pagas em desconformidade com a legislação; (iii) as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas ao Fisco visando modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes; e (iv) o momento para apresentar documentos e provas é o da impugnação, precluindo o seu direito de fazêlo após o decurso do prazo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 17/06/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 16095.000581/200873 Acórdão n.º 2402001.816 S2‐C4T2 Fl. 260 3 Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 247/257) alegando que: • os valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal) incidente sobre os salários dos segurados decorrem das folhas de pagamento de outra empresa do mesmo grupo econômico; • a empresa cometeu um equívoco no período de 2004, quando contabilizou na empresa Industrial e Comercial Sato Ltda. a folha de pagamento e encargos pertencentes a empresa Sato Indústria e Comércio Ltda.; • tal equívoco decorreu do contrato particular de arrendamento de imóvel para fins comerciais e industriais firmado entre as duas empresas, onde ficou consignado que parte dos funcionários (mãode obra) da arrendante seriam utilizados pela arrendatária durante o período de vigência do contrato; e • os valores exigidos na presente demanda configura bis in idem, posto que foram pagos pela empresa arrendante em outra demanda. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 17/06/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração lavrado para exigir o valor de R$ 271.918,06, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal), da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), no período de 01/2004 a 12/2004, incluindo a competência 13/2004. A Recorrente alega que realizou o arrendamento de um imóvel para fins comerciais e industriais da empresa Sato Indústria e Comércio Ltda. (fls. 119/127), onde também ficou consignado que funcionários da arrendante trabalhariam na arrendatária no período contratado (fls. 120). Ainda, por fazerem parte de um mesmo grupo econômico, como alega a Recorrente, ficou acordado que a arrendatária faria o pagamento ou repasse de todos os valores eventualmente gastos com os funcionários, tais como férias, salários, horasextras e FGTS, e a arrendante elaboraria as folhas de pagamento, que seriam encaminhadas à arrendatária para que providenciasse a disponibilidade dos valores para pagamento. Analisando o contrato de arrendamento de imóvel para fins comerciais e industrias (fls. 120), verificase que a lista dos funcionários que supostamente foram cedidos pela arrendante à arrendatária estaria anexa, em seu Anexo B, o qual em momento algum é disponibilizado à fiscalização e apresentado nas oportunidades de defesa administrativa, o que impossibilita uma análise precisa do número de funcionários que eventualmente foram cedidos, quais as suas remunerações e se eles efetivamente estavam presentes nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs da arrendante apresentadas nas outras autuações. Da mesma forma, em que pese as alegações da Recorrente, analisando as contribuições descontadas dos segurados empregados e contabilizadas no Livro Razão n. 02, contas 4.1.4.1.002(00322) – SALÁRIOS, 4.1.4.1.003 (00323) – FÉRIAS, 4.1.4.1.004 (00324) – 13º SALÁRIO, 4.1.4.1.005(00325) INSS, 4.2.1.1.037(00397) – LANCHES E REFEIÇÕES, 4.2.1.1.038(00398) – DESPESAS COM MEDICAMENTOS, 4.2.1.1.039(00399) – HORA EXTRA (fls. 61/69), verificase que a Recorrente realiza a escrituração dos valores devidos a título de salários e seus encargos aos funcionários e não demonstra o efetivo repasse desses valores à arrendante. Vale considerar que, analisando a DIPJ apresentada pela Recorrente (fls. 132), podese verificar que houve a efetiva saída de valores para pagamentos de salários e encargos sociais, o que justificaria a apresentação das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s e Guias da Previdência Social – GPS’s da própria empresa e não da arrendante, como feito no auto de infração nº 37.153.8483, também julgado por este Relator. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 17/06/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 16095.000581/200873 Acórdão n.º 2402001.816 S2‐C4T2 Fl. 261 5 Por fim, a título de argumentação, analisando a DIPJ da Recorrente (fls. 131/132), verificase que não há saída de valores para pagamento de eventual arrendamento mercantil, situação esta que também gera uma certa desconfiança na fiscalização, principalmente quando o contribuinte se abstém de apresentar todos os documentos solicitados no procedimento fiscal. Ante o exposto, considerando que a Recorrente contabilizou os valores devidos a título de salários e encargos sociais, fez o pagamento aos seus funcionários, contabilizou os valores devidos à Seguridade Social, não apresentou GFIP própria e não realizou o pagamento das contribuições previdenciárias por ela devidas, deve ser aplicado o art. 123 do CTN, haja vista que as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Nesta linha, esta Corte Administrativa já se manifestou entendendo pela aplicação do art. 123 do CTN, in verbis: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO NULIDADE Não está inquinado de nulidade o lançamento efetuado por autoridade competente no exercício da sua atividade funcional, mormente quando lavrado em consonância com o art. 142 da Lei n°5.172, de 1966 (CTN) e com o artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. SUJEITO PASSIVO CONVENÇÕES PARTICULARES As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão de seus efeitos. Recurso negado”. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária – Acórdão nº 10614726 do Processo 11543004972200311 – Julgado em 16/06/2005) Ademais, a alegação da Recorrente de que as irregularidades cometidas equivocadamente estariam sendo objeto de retificação, como se pode observar no auto de infração nº 37.153.8483, ressalta ainda mais a falha do procedimento adotado pela empresa, e deixa claro que o fiscal aplicou devidamente a legislação que rege a matéria. Por fim, a Recorrente defende que a exigência da multa configura bis in idem, posto que está sendo exigido multa sobre débito pago posteriormente pela empresa arrendante. Veja trecho de fl. 248: “6. Ressaltase, que tais contribuições já foram até mesmo cobradas em face da empresa Sato Indústria e Comércio Ltda., através do auto de infração DEBCAD 37.014.5097, o qual inclusive já foi alvo de impugnação, conforme também colacionadas aos autos, não se justificando, portanto, a cobrança de tais valores novamente agora em face da empresa Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 17/06/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 INDUSTRIAL E COMERCIAL SATO LTDA., ou seja, em duplicidade”. Analisando os documentos trazidos aos autos (fls. 216/233), verificase que o Auto de Infração nº 37.014.5097 não apresenta qualquer correlação com a matéria discutida na presente demanda, haja vista que se trata de multa por entrega das GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias da empresa Sato Indústria e Comércio Ltda e abarca o período compreendido entre 01/2000 e 12/2006, sendo que no ano de 2004 apenas a competência 13 é fiscalizada. Dessa forma, constatase que não há bis in idem entra a presente demanda e o Auto de Infração nº 37.014.5097, pois em relação a este não apresenta qualquer identidade de contribuinte, nem de tributo e nem de período fiscalizado. Assim, verificase que tal alegação é totalmente infundada, posto não se está exigindo contribuição previdenciária duas vezes sobre o mesmo fato gerador, mas sim contribuição previdenciária incidente sobre as verbas salariais contabilizadas pela Recorrente, mas não informadas e pagas à Previdência, não havendo ainda qualquer prova inequívoca de que os valores exigidos teriam sido efetivamente pagos. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGAR LHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 17/06/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.003862/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2003
INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO MANDATÁRIO DA PARTE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 110. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72.
Não é possível acatar o pedido para que as intimações sejam dirigidas ao advogado do sujeito passivo, sob pena de violação ao art. 23 do Decreto nº 70.235/72 e à Súmula CARF Nº 110.
PRELIMINARES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA.
A nulidade do auto de infração, por ausência de motivação, bem como a prescrição do crédito tributário, são matérias de ordem pública, cognoscíveis a qualquer tempo, até mesmo de ofício.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Presentes os requisitos elencados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do CTN, não há que falar em nulidade do auto de infração por ausência de motivação legítima.
PRESCRIÇÃO. CRÉDITO NÃO DEFINITIVAMENTE CONSTITUÍDO. NÃO OCORRÊNCIA.
Não tendo sido o crédito definitivamente constituído, o que ocorre apenas com o trânsito em julgado em âmbito administrativo, não se configura o termo a quo do prazo prescricional.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADOS. SÚMULA CARF Nº 99. DECADÊNCIA PARCIAL. ART. 150, § 4°, DO CTN.
Tendo o sujeito passivo recolhido parcialmente as contribuições devidas, aplica-se a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que estabelece que o recolhimento, mesmo que parcial, do valor considerado como devido pelo sujeito passivo na competência do fato gerador a que se referir a autuação, ainda que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, caracteriza pagamento antecipado, atrair a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN. Caso não tenha ocorrido pagamento antecipado, aplica-se a regra disposta no art. 173 do CTN.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADOS. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. ART. 33, § 3°, DA LEI N° 8.212/1991.
Não tendo o sujeito passivo apresentado os documentos que lhe foram solicitados para fins de esclarecimentos quanto aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, cabível a aferição indireta prevista no art. 33, § 3°, da Lei n° 8.212/1991.
APROPRIAÇÃO INDÉBITA. OBJETO DE DISCUSSÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO.
A apropriação indébita tem significado jurídico próprio e constitui crime previsto no art. 168-A do Código Penal, não sendo objeto de discussão no processo administrativo fiscal.
REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. REJEIÇÃO. INDEFERIMENTO.
Conforme o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, cabe à autoridade julgadora indeferir a realização de perícias e diligências que sejam prescindíveis ao desate da querela ou impraticáveis.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia que não esclarece o que se pretende provar, não formula quesitos e sequer indica o perito, conforme inc. IV. Do Decreto nº 70.235/72.
RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA 119 DO CARF.
O verbete sumular de nº 119 deste Conselho determina a aplicação da retroatividade benigna, no caso de descumprimento de obrigações acessórias vinculadas à GFIP e de obrigações principais referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941/2009.
Numero da decisão: 2202-007.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para declarar a decadência das competências 04/2003, 05/2003 e 07/2003, bem como para que a multa seja calculada em conformidade com a Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Juliano Fernandes Ayres, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Suplente Convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
Nome do relator: Marcelo de Sousa Sáteles
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2003 INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO MANDATÁRIO DA PARTE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 110. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. Não é possível acatar o pedido para que as intimações sejam dirigidas ao advogado do sujeito passivo, sob pena de violação ao art. 23 do Decreto nº 70.235/72 e à Súmula CARF Nº 110. PRELIMINARES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. A nulidade do auto de infração, por ausência de motivação, bem como a prescrição do crédito tributário, são matérias de ordem pública, cognoscíveis a qualquer tempo, até mesmo de ofício. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos elencados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do CTN, não há que falar em nulidade do auto de infração por ausência de motivação legítima. PRESCRIÇÃO. CRÉDITO NÃO DEFINITIVAMENTE CONSTITUÍDO. NÃO OCORRÊNCIA. Não tendo sido o crédito definitivamente constituído, o que ocorre apenas com o trânsito em julgado em âmbito administrativo, não se configura o termo “a quo” do prazo prescricional. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADOS. SÚMULA CARF Nº 99. DECADÊNCIA PARCIAL. ART. 150, § 4°, DO CTN. Tendo o sujeito passivo recolhido parcialmente as contribuições devidas, aplica-se a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que estabelece que o recolhimento, mesmo que parcial, do valor considerado como devido pelo sujeito passivo na competência do fato gerador a que se referir a autuação, ainda que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 62 /2 00 8- 88 Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-007.696 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003862/2008-88 parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, caracteriza pagamento antecipado, atrair a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN. Caso não tenha ocorrido pagamento antecipado, aplica-se a regra disposta no art. 173 do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADOS. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. ART. 33, § 3°, DA LEI N° 8.212/1991. Não tendo o sujeito passivo apresentado os documentos que lhe foram solicitados para fins de esclarecimentos quanto aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, cabível a aferição indireta prevista no art. 33, § 3°, da Lei n° 8.212/1991. APROPRIAÇÃO INDÉBITA. OBJETO DE DISCUSSÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. A apropriação indébita tem significado jurídico próprio e constitui crime previsto no art. 168-A do Código Penal, não sendo objeto de discussão no processo administrativo fiscal. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. REJEIÇÃO. INDEFERIMENTO. Conforme o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, cabe à autoridade julgadora indeferir a realização de perícias e diligências que sejam prescindíveis ao desate da querela ou impraticáveis. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia que não esclarece o que se pretende provar, não formula quesitos e sequer indica o perito, conforme inc. IV. Do Decreto nº 70.235/72. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA 119 DO CARF. O verbete sumular de nº 119 deste Conselho determina a aplicação da retroatividade benigna, no caso de descumprimento de obrigações acessórias vinculadas à GFIP e de obrigações principais referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para declarar a decadência das competências 04/2003, 05/2003 e 07/2003, bem como para que a multa seja calculada em conformidade com a Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora. Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-007.696 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003862/2008-88 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Juliano Fernandes Ayres, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Suplente Convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por MICHELON LOGÍSTICA E TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA. contra acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPOI), que rejeitou a impugnação apresentada para manter a exigência de R$ 183.847,59 (cento e oitenta e três mil, oitocentos e quarenta e sete reais e cinquenta e nove centavos), referentes às contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, no período compreendido entre 04/2003 a 12/2003. Segundo Relatório Fiscal (f. 30/32), os valores foram apurados a partir das diferenças entre os valores declarados na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ) e os valores informados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIPs), uma vez que deixou a ora recorrente de presentar os documentos requeridos no termo de início de ação fiscal (f. 26/28). Em sua impugnação (f. 38/50), foram suscitadas as seguintes teses: (i) a decadência dos créditos referentes às competências de 04/2003 a 08/2003; (ii) a ilegalidade da apuração com base na DIPJ, haja vista que ali constam valores que não integram o salário contribuição – tais como benefícios da previdência social, ajuda de custo, alimentação gratuita fornecida pelo empregador de acordo com o PAT, participação nos lucros ou resultados, plano de saúde médico-odontológico, etc.; (iii) a impossibilidade de “(...) ser responsabilizada por apropriação indébita de valores destinados ao INSS, pois em nenhum momento reteve valores para o pagamento de Contribuições e não repassou ao INSS, mas sim efetuou o pagamento integral sem descontos em folha dos salários de seus empregados” (f. 47); (iv) estar impossibilitada de apresentar as GFIPs, “(...) pois os documentos foram perdidos num incêndio que ocorreu no estabelecimento da Impugnante, mas as GFIPs foram devidamente formuladas e apresentadas ao INSS (...)” (f. 48); (v) a ilegalidade e arbitrariedade da atuação fazendária, visto que forneceu todos os documentos solicitados; e, (vi) a necessidade de que “(...) o fiscal anexe aos autos as GFIPs, para que a Impugnante possa se manifestar, sob pena de inconstitucionalidade do Auto de Infração e do Processo Administrativo por afrontar os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa previstos na Constituição Federal no artigo 5°, LIV e LV.” (f. 49) Pediu fosse anulada a autuação e dirigidas as intimações ao seu patrono. Anexou à peça apenas o boletim de ocorrência, o contrato social e documentos de representação. (f. 51/93) Ao apreciar as razões declinadas, restou o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2003 Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-007.696 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003862/2008-88 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado nos prazos definidos em Lei. PREVIDENCIÁRIO. FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO. Incide contribuição previdenciária sobre a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais. A DECADENCIA. INOCORRENCIA. O prazo decadencial é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AFERIÇÃO INDIRETA. ÔNUS DA PROVA. A empresa é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, sob pena de inscrição de ofício de importância reputada devida pelo órgão fiscalizador, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A diligência deve ser realizada quando motivada pela necessidade de verificação de dados técnicos, não se prestando para suprir provas que o impugnante deixou de apresentar à fiscalização e, sim para formação de convicção do julgador. INTIMAÇAO. DOMICÍLIO FISCAL. As intimações ao contribuinte são feitas somente no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo junto à Administração Tributária. (f. 96/97) Intimada do acórdão, a recorrente apresentou, em 10/09/2009, recurso voluntário (f. 114/132), replicando as mesmas teses lançadas em sede impugnatória, acrescentando o seguinte: (i) a prescrição do crédito tributário, nos termos do art. 156, inc. V, do CTN; (ii) a imperiosidade de aplicação do princípio da retroatividade da lei mais benigna, ao argumento de que a Lei n° 11.941/2009 alterou o disposto no art. 35 e revogou seus incisos, o que faria com que fosse extinta a multa; (iii) a aplicação da nova redação do § 3° do art. 33 da Lei nº 8.212/91, dada pela Lei n° 11.941/2009, o que impediria a utilização do arbitrameto da base de cálculo no caso em comento; e, (iv) a nulidade do auto de infração vez que “(...) falta ao auto de infração motivação legítima que possibilite o lançamento, bem como a possibilite arrecadar valores visando o enriquecimento, ressalte-se, ilícito.” (f. 131) Acostou cópias dos acórdãos proferidos nos processos nº 19515.003863/2008- 22 e 19515.003862/2008-99 e respectivas intimações (f. 133/158), ambos a serem apreciados nesta mesma sessão por esta eg. Turma. É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-007.696 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003862/2008-88 Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Relatora. Reitero o que já fora esclarecido pela instância “a quo”, no sentido de ser o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 hialino ao dispor que as intimações são dirigidas ao sujeito passivo, e nunca aos seus mandatários. Acresço que este Conselho, em seu verbete sumular de nº 110, determina ser incabível, no processo administrativo fiscal, dirigir a intimação ao endereço de advogado do sujeito passivo. Difiro a apreciação dos preenchimentos para após tecer algumas considerações acerca das matérias suscitadas em sede recursal e da documentação acostada apenas em segunda instância administrativa. No sistema brasileiro, a finalidade do recurso é única, qual seja, devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Por isso, inadmissível, em grau recursal, modificar a decisão de primeiro grau com base em novos fundamentos que não foram objeto da defesa – e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem. Do cotejo das razões lançadas na peça impugnatória e na recursal inovou a recorrente ao suscitar três novas teses: uma de nulidade, uma de prescrição e, por fim, uma referente à retroatividade benigna, prevista no inc. II do art. 106 do CTN. Consabido que as matérias de ordem pública são cognoscíveis até mesmo “ex officio” e, em matéria tributária, estão sempre umbilicalmente atreladas à questão de viabilidade do próprio executivo fiscal, dentre as quais estão a liquidez e exigibilidade do título, bem como o preenchimento de condições da ação e pressupostos processuais, abrangendo, portanto, as causas extintivas da exigência fiscal – cf. REsp nº 1.608.048/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe 1º/6/2018; AgInt no REsp nº 1.584.287/DF, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 21.5.2018; EDcl no AgInt no REsp nº 1.594.074/PR, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe 26.6.2019; e, REsp nº 1823532/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 11/10/2019. Quanto à retroatividade benigna, além de a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/09, ter sido editada posteriormente após o manejo da impugnação, certo decorrer de expressa determinação legal, razão pela qual há de ser o pleito apreciado por esta eg. Turma. Feitos esses registros, conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. I – DAS PRELIMINARES I.1 – DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Ao sentir da recorrente, “[o] fato de o fisco federal basear-se em DIPJ e DIRF, cujos valores superam o realmente devido, causa o enriquecimento ilícito de uma parte em detrimento da outra” (f. 130). Por carecer o auto de infração de motivação legítima, deveria ser anulado. Defende que “[o] simples não fornecimento de informações de documentos requisitados Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-007.696 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003862/2008-88 pelo fisco não lhe confere direito de lançar de ofício quantia que reputar devida, quando possuir em seu banco de dados documentação suficiente para efetuar o lançamento correto.” (f. 131) A despeito do que foi alegado, não carece o lançamento de requisito essencial à sua constituição, vez que ultimado em estrita observância aos requisitos estabelecidos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235/72. A fiscalização identificou os fatos geradores e motivou, em conformidade com a legislação aplicável à matéria – art. 33, §§ 3ºe 6º da Lei nº 8.212/91 e art. 231, 233, 234 e 235 do Decreto nº 3.048/99 –, o procedimento adotado para aferição indireta da base de cálculo da contribuição previdenciária, conforme se extrai do Relatório Fiscal (f. 30/32), dos Fundamentos Legais do Débito (f. 20/21) e dos Discriminativos de Débito (f. 7/15). Não há que se falar, portanto, em ausência de motivação ou enriquecimento ilícito. Rejeito a preliminar de nulidade. I.2 – DAS CAUSAS EXTINTIVAS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Apenas em grau recursal diz ter sido o crédito fulminado integralmente pela prescrição e, como já vinha defendendo desde a impugnação, apenas parcialmente pela decadência. Sustenta que a entrega de declaração de GFIP constitui o crédito tributário. Constituído o crédito tributário, não há que se falar em decadência, mas sim em prescrição; constituído o crédito tributário, a ação para cobrá-lo prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva, vide art. 174 do CTN. (f. 116) Caso tivesse sendo exigido exatamente aquilo que fora declarado em GFIP, ainda que não recolhido, haveria que se falar em decurso de prazo prescricional; entretanto, não é essa a situação nestes autos descortinada. Exige-se montante superior ao declarado, a partir de procedimento realizado pelas autoridades fazendárias que, de ofício, realizou o lançamento, ora sob escrutínio. Não tendo sido definitivamente constituído – o que se dará apenas com o trânsito em julgado em âmbito administrativo –, não configurado o termo “a quo” do prazo prescricional. Quanto à decadência, este eg. Conselho editou o verbete sumular de nº 99 que determina que [p]ara fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. O auto de infração abarca fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 04/2003 e 12/2003, tendo sido a recorrente notificada em 11/08/2008 (f. 35). Conforme consta do relatório do auto de infração (f. 30/31), para determinação da base de cálculo feita por aferição indireta os valores lançados na DIPJ foram divididos por 12 (doze) e, posteriormente “[a]bat[idos] dos valores encontrados (…) os valores lançados nas GFIPs declaradas pelo contribuinte.” Noto que houve declaração em GFIP nas competências 04/2003, 05/2003 e 07/2003, de forma a atrair a aplicação do § 4° do art. 150 do CTN – “vide” f. 33. Por outro lado, no tocante às competências 06/2003 e 08/2003 a 12/2003, certo não ter havido nenhum Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-007.696 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003862/2008-88 recolhimento, nem mesmo a menor (f. 33), aplicando-se o disposto no inc. I do art. 173 do CTN. Reconheço, portanto, a decadência das competências 04/2003, 05/2003 e 07/2003. II – DO MÉRITO II.1 – DA (IM)POSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO Ao sentir da recorrente, [a] novel redação do § 3° [do art. 33 da Lei nº 8.212/91] impôs à autoridade fiscal o dever de lançar a importância devida, e não a importância que reputar devida. O arbitramento deixou de ser uma faculdade da fiscalização, a não ser em casos de impossibilidade de apuração do tributo por outro meio; de regra, tornou-se exceção. A razão é simples. No procedimento administrativo o que se busca é a verdade real, para fins de constituição do credito tributário, evitando que certas irregularidades nos lançamentos indevidos sejam posteriormente corrigidas pela Justiça. As inúmeras irregularidades oriundas da antiga redação do § 3° supra-citado motivou o legislador a retificar sua redação. O Poder Judiciário já vinha modificando os lançamentos efetuados com base na antiga redação do § 3°, firme no entendimento que a simples omissão do contribuinte em fornecer qualguer documento requerido pelo fisco não ensejava a este o direito de lançar arbitrariamente a quantia que reputasse devida, quando possuisse outros meios de efetuá-la. (f. 122; sublinhas deste voto) Em momento algum nega a recorrente ter sido regularmente intimada (f. 26/28) a apresentar diversos documentos (GFIP, GRFP, GRFC, Livro Diário, Livro Razão, Livro de Apuração do Lucro Real, notas fiscais, faturas e recibos de mão-de-obra ou serviços prestados, relação anual de informações sociais, registro de empregados, entre outros). Não os apresenta durante o procedimento de fiscalização, tampouco nos autos deste processo administrativo fiscal, sob a alegação de que teria ocorrido um incêndio em seu estabelecimento. Tal suposto acontecimento é irrelevante para fins tributários, não elidindo o dever de apresentação dos documentos que lhes foram solicitados. Seja pela redação original do § 3° do art. 33 da Lei nº 8.212/91, seja por aquela conferida pela Lei n° 11.941/09, certo que, não tendo apresentado o que lhe fora solicitado, cabível o arbitramento por aferição indireta. Conforme item 2 do Relatório Fiscal (f. 30/32), como os valores lançados na DIPJ (ano-calendário 2003) são anualizados, a fiscalização os dividiu por 12 (doze) – cf. no item ‘Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações’ da FICHA 05A, no item ‘Remuneração a Dirigentes e a Conselho de Administração’ da FICHA 05A, no item ‘Prestação de Serviços de Pessoas Físicas sem Vínculo Empregatício’ da FICHA 05A e no item ‘Serviços Prestados por Pessoa Física sem Vínculo Empregatício’ da FICHA 04A. Posteriormente, abatidos os valores lançados nas GFIPs, o resultado obtido foi considerado como base de cálculo das contribuições previdenciárias. A alíquota de 8% (oito por cento) devida pelos segurados empregados e a de 11% (onze por cento) devida pelos contribuintes individuais foram aplicadas conforme, art. 20 e 21 da Lei nº 8.212/91 e demais dispositivos citados às f. 20 – que trata dos fundamentos legais das rubricas contribuição dos segurados e contribuinte individual. Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-007.696 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003862/2008-88 A mera alegação de que os valores que constam na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não correspondem ao salário-de contribuição, vez que correspondem à totalidade dos valores pagos aos funcionários, desamparada de qualquer documentação é incapaz de elidir a aferição indireta da base de cálculo. Rejeito, por esse motivo, a alegação. II.2 – DA (IN)OCORRÊNCIA DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA A recorrente alega que (...) demonstrou que efetuou o pagamento desta contribuição aos seus funcionários, que receberam seus salários com acréscimo destas verbas, motivo pelo qual não poderia ser responsabilizada por apropriação indébita de valores destinados ao INSS. Requereu, em seguida, que a União cobrasse tais valores dos funcionários, sob pena de enriquecimento ilícito destes.” (f. 126) Essa mesma Turma Julgadora, nos processos n° 19515.003862/2008-99 e 19515.003862/2008-22, movidos em desfavor da ora Recorrente, relativos a contribuições abrangendo período semelhante, posicionou-se quanto à não responsabilidade da empresa por apropriação indébita de valores destinados ao INSS: Afirma que embora a legislação vigente determine a obrigação de reter em folha o valor que deve ser pago a título de contribuição ao INSS, não arcou com este dever, efetuando o pagamento integral dos salários a seus funcionários. Deste modo, deve responder pela multa por descumprimento da legislação, mas não pode ser responsabilizada por apropriação indébita de valores destinados ao INSS. Como não reteve a contribuição, entende que cabe a União cobrar de cada empregado o valor devido a título de contribuição, pois caso seja cobrado da empresa será dado aos empregados um enriquecimento sem causa, visto que receberam o valor integral de seus salários e não pagaram o valor das contribuições. (f. 127) Em primeiro lugar, os trechos de acórdãos dos processos de nº 19515.003862/2008-99 e 19515.003862/2008-22 utilizados para amparar a suposta elisão de sua responsabilidade foram todos extraídos dos respectivos relatórios – isto é, quando da mera narrativa das alegações formuladas pela ora recorrente. Ao abordar a responsabilidade da empresa quanto à retenção e ao recolhimento das contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, os acórdãos proferidos apenas esclareceram que [r]elativamente à retenção e recolhimento das contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, esta questão não será aqui analisada, pois o presente crédito tributário não contempla a cobrança de contribuições a este título. (f. 143 e 156) Mister esclarecer ainda que “apropriação indébita” tem significado jurídico próprio e constitui crime previsto no art. 168-A do CP. No âmbito do processo administrativo Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-007.696 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003862/2008-88 fiscal jamais poderia haver discussão acerca de prática delitiva. Noto que, em sede impugnatória, reconheceu não ter arcado com suas obrigações ao asseverar que “[a]pesar de a legislação vigente determinar a obrigação do contribuinte de reter em folha o valor que deve ser pago a titulo de contribuição a o INSS, o contribuinte não arcou com este dever (...).” (f. 46/47) Como bem sustentado na decisão recorrida, não pode a impugnante se eximir de suas obrigações (reter e pagar), as contribuições previdenciárias devidas relativas à contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, transferindo tais obrigações aos segurados sob pretexto de que deixou de efetuar a retenção a que estava obrigada e, deste modo, não mais caberia a ela responsabilidade pelo correspondente recolhimento. (f. 106) Rejeito a alegação. III – DOS PEDIDOS SUBSIDIÁRIOS III.1 – DA (DES)NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS OU PERÍCIA De acordo com o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, a realização de diligências ou perícias, somente terá lugar quando a autoridade julgadora entendê-las necessárias, rechaçando as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Em sede de impugnação, pediu fosse o feito baixado em diligência para que acostadas as GFIPs por ela mesmo transmitidas e, diante da recusa, o reitera em sede recursal, “sob pena de inconstitucionalidade do Auto de Infração e do Processo Administrativo por afrontar os principios do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e do acesso às informações, princípios da administração pública previstos na Constituição Federal.” (f. 126) Igualmente vejo como despicienda a juntada de documentação apresentada pela própria recorrente, a qual serviu para que fosse indiretamente aferida a base de cálculo. Conforme determina o inc. IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, feito pedido de realização de diligência ou perícias, devem ser “expostos os motivos que as justifiquem”, o que não vislumbro ter ocorrido no caso em espeque. Quanto ao “(...) pedido de perícia sobre o Auto de Infração para que se apure o quantum debeatur” (f.132), além de não ter sido formulado em sede de impugnação, sequer foram formulados quesitos ou indicado perito. Indefiro-os. III.2 – DA RETROATIVIDADE BENIGNA Na tentativa de extinção da multa, afirma que [o] fundamento utilizado pelo Fisco para aferição de multa não comporta respaldo no ordenamento jurídico atual, haja vista, a publicação da Lei n° 11.941 de maio de 2009 que alterou o disposto no artigo 35 e revogou os seus incisos.” (f. 128) Convém relembrar que Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou as regras do cálculo da multa no caso de descumprimento das obrigações acessórias e obrigações principais. Com a superveniência da nova norma, as penalidades Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-007.696 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003862/2008-88 aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias vinculadas a GFIP e de obrigações principais, encontram-se agora previstas nos arts. 32-A, 35 e 35-A da Lei nº 8.212/91. As alterações promovidas pela Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, não extinguiram a obrigação da empresa de recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais (art. 30, inc. I, al. a e b da Lei nº 8.212/91); a lei apenas modificou as regras para fixação da multa em caso de descumprimento. Ao contrário do que sustenta, as modificações promovidas pela Lei nº 11.941/09 no art. 35 não ensejam a extinção da multa, apenas fez imperiosa a aferição da penalidade menos severa. A matéria foi, inclusive, pacificada pelo verbete sumular de nº 119 deste Conselho, que assim determina: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Por essa razão, em observância ao disposto na al. “c” do inc. II do art. 116 do CTN, determino que seja a multa calculada em estrita observância ao disposto no verbete sumular de nº 119 deste Conselho. III – DO DISPOSITIVO Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso para declarar a decadência das competências 04/2003, 05/2003 e 07/2003, bem como para que seja a multa calculada em estrita observância ao disposto no verbete sumular de nº 119 deste Conselho. (documento assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 14098.000190/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006
COOPERATIVAS. EQUIPARAÇÃO ÀS EMPRESAS EM GERAL. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS.
Nos termos da Lei nº 8.212, de 1991, as cooperativas são equiparadas às empresas em geral em relação aos segurados empregados que lhes prestam serviços, e dessa forma devem recolher e informar em GFIP as contribuições sociais devidas por lei a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações paga aos segurados empregados.
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO. COMBUSTÍVEL. MANUTENÇÃO DE VEÍCULO. DESPESAS DIRETAS COM CONTRATOS.
É devida a contribuição a cargo da cooperativa devida por lei a outras entidades e fundos, quando a Autoridade Lançadora verifica nos lançamentos contábeis registros de salários indiretos pagos aos empregados, os quais a sociedade não comprova por documentos hábeis as reais despesas registradas.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Deve ser recalculada a multa conforme redação do art. 35 da Lei 8.212, de 1991, conferida pela Lei nº 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória, por caracterizar-se como norma superveniente mais benéfica em matéria de penalidades na seara tributária.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É valido o Auto de Infração que contém os elementos necessários para esclarecer acerca da obrigação tributária, descrevendo os documentos que deram suporte para a apuração do crédito, os fatos geradores das contribuições lançadas e as bases de cálculo.
Numero da decisão: 2202-008.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para determinar o recálculo da multa, conforme redação do art. 35 da Lei 8.212/91, conferida pela Lei 11.941/09, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória. Votou pelas conclusões o conselheiro Mário Hermes Soares Campos.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Samis Antonio de Queiroz e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o conselheiro Leonan Rocha de Medeiros, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni.
Nome do relator: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006 COOPERATIVAS. EQUIPARAÇÃO ÀS EMPRESAS EM GERAL. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS. Nos termos da Lei nº 8.212, de 1991, as cooperativas são equiparadas às empresas em geral em relação aos segurados empregados que lhes prestam serviços, e dessa forma devem recolher e informar em GFIP as contribuições sociais devidas por lei a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações paga aos segurados empregados. SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO. COMBUSTÍVEL. MANUTENÇÃO DE VEÍCULO. DESPESAS DIRETAS COM CONTRATOS. É devida a contribuição a cargo da cooperativa devida por lei a outras entidades e fundos, quando a Autoridade Lançadora verifica nos lançamentos contábeis registros de salários indiretos pagos aos empregados, os quais a sociedade não comprova por documentos hábeis as reais despesas registradas. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Deve ser recalculada a multa conforme redação do art. 35 da Lei 8.212, de 1991, conferida pela Lei nº 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória, por caracterizar-se como norma superveniente mais benéfica em matéria de penalidades na seara tributária. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É valido o Auto de Infração que contém os elementos necessários para esclarecer acerca da obrigação tributária, descrevendo os documentos que deram suporte para a apuração do crédito, os fatos geradores das contribuições lançadas e as bases de cálculo.
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EQUIPARAÇÃO ÀS EMPRESAS EM GERAL. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS. Nos termos da Lei nº 8.212, de 1991, as cooperativas são equiparadas às empresas em geral em relação aos segurados empregados que lhes prestam serviços, e dessa forma devem recolher e informar em GFIP as contribuições sociais devidas por lei a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações paga aos segurados empregados. SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO. COMBUSTÍVEL. MANUTENÇÃO DE VEÍCULO. DESPESAS DIRETAS COM CONTRATOS. É devida a contribuição a cargo da cooperativa devida por lei a outras entidades e fundos, quando a Autoridade Lançadora verifica nos lançamentos contábeis registros de salários indiretos pagos aos empregados, os quais a sociedade não comprova por documentos hábeis as reais despesas registradas. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Deve ser recalculada a multa conforme redação do art. 35 da Lei 8.212, de 1991, conferida pela Lei nº 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória, por caracterizar-se como norma superveniente mais benéfica em matéria de penalidades na seara tributária. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É valido o Auto de Infração que contém os elementos necessários para esclarecer acerca da obrigação tributária, descrevendo os documentos que deram suporte para a apuração do crédito, os fatos geradores das contribuições lançadas e as bases de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para determinar o recálculo da multa, conforme redação do art. 35 da Lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 01 90 /2 00 9- 84 Fl. 408DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.666 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000190/2009-84 8.212/91, conferida pela Lei 11.941/09, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória. Votou pelas conclusões o conselheiro Mário Hermes Soares Campos. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Samis Antonio de Queiroz e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o conselheiro Leonan Rocha de Medeiros, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni. Relatório Trata-se de recurso interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), que julgou procedente lançamento relativo a contribuições sociais devidas pela empresa a terceiros (SAL EDUCAÇÃO, INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados que lhe prestaram serviços no período de julho/2004 a dezembro/2006. O Relatório Fiscal está às fls. 170 e seguintes. Conforme relatou a DRJ, a contribuinte impugnou o lançamento sob alegações resumidas nos seguintes Capítulos (fls. 367 e seguintes): DA REALIDADE FÁTICA. DA VERDADE REAL DO PROCESSO TRIBUTÁRIO. DO ONUS DA PROVA. - O lançamento contém inúmeras irregularidades e incongruências administrativas que mitigam os direitos da postulante; - O procedimento fiscal deveria ser pautado na busca da verdade real, flexibilizando e ampliando os limites temporais e circunstâncias para produção probatória; - A Administração tem o dever de tipificar a infração tributária; Do AUTO DE INFRAÇÃO. - O lançamento não está claro e objetivo; - O critério adotado pela Auditoria foi subjetivo; - Requer a anulação do lançamento, pois fere o artigo 10, do Decreto n° 70.235/72, violando os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. DA COOPERATIVA DE TRABALHO. - A impugnante é imposta a ter duas naturezas jurídicas, por estar impossibilitada de prestar serviços a terceiros como cooperativa, por imposição legal; - Em razão de impedimentos, como cooperativa, de prestar serviços a órgãos públicos, tem efetuado contratação de vigilantes empregados; Fl. 409DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.666 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000190/2009-84 - A força de trabalho é composta de empregados com vínculo empregatício e de associados vigilantes, fato este desmerecido pela Auditoria, logo os atos mercantis da impugnante não estão consubstanciados somente com a utilização de empregados; - Os relatórios fiscais e os anexos do lançamento não devem ser considerados, pois não individualizaram os cooperados/associados diretores e cooperados/associados vigilantes; DOS PARCELAMENTOS ADMINISTRATIVOS. - Efetuou o parcelamento de débito no período de O3/2003 a 12/2005; - Fez pedido de compensação dos valores retidos das notas fiscais pelas tomadoras de serviço no percentual de 11%, para regularizar a situação junto ao INSS para a competência do ano de 2006; - Não resta dúvida que o lançamento está viciado por irregularidades contábeis, em face de que considerou como infração sujeita a multa os débitos tributários homologados nos aludidos parcelamento administrativo e usurpou a jurisdição do juiz da 7ª vara de federal de Cuiabá - MT, na qual determinou a compensação dos créditos e dos débitos da impugnante. DA CONCLUSÃO - Por todo exposto, impugnando expressamente toda a fundamentação legal e fática do Auto de Infração - Relatório Fiscal – Item 1; 2; 3; 4; 4.1; 4.2; 4.3;4.4; 5; 6; 6.1; 6.2; 6.3; 7; 8; 9; 10; 11; 12; 13; 14; - Requer preliminarmente a ineficácia do Auto de Infração, quanto a liberação da multa arbitrada ou sobrestamento desta; - Seja determinada perícia oficial da Receita Federal do Brasil para: detectar as compensações dos créditos, dos parcelamentos e detectar os atos cooperativos. - Requer a revogação, anulação e insubsistência do lançamento. A DRJ/CGE, por unanimidade de voto, julgou a impugnação improcedente. A decisão restou assim ementada: DA CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS SOBRE REMUNERAÇÃO AOS SEGURADOS EMPREGADOS NÃO DECLARADOS NA GFIP. A contribuição para Terceiros (Salário de Educação, INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE) da sociedade simples é exigível sobre as remunerações de segurados empregados lançados na contabilidade e não incluídas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social - GFIP. SALÁRIO INDIRETO - COMBUSTÍVEL - MANUTENÇÃO DE VEÍCULO - DESPESAS DIRETAS COM CONTRATOS. É devida a contribuição a cargo da sociedade simples, destinada a seguridade social, quando a Autoridade Lançadora verifica nos lançamentos contábeis registros de salários indiretos e que a sociedade não comprova por documentos hábeis as reais despesas. SALÁRIO IN NATURA. ALIMENTAÇÃO. SOCIEDADE SIMPLES NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Integram o salário de contribuição as parcelas pagas a título de alimentação, em desacordo com o PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, Lei n° 6.321/76. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 410DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.666 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000190/2009-84 Sobre o valor de crédito tributário constituído mediante lançamento de ofício é devido multa de 75%, não estando sua aplicação, relativamente à infração apurada, condicionada à existência de dolo, fraude ou simulação. Recurso Voluntário Cientificada da decisão de piso em 22/4/2010 (fls. 372), a contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 20/5/2010 (fls. 373 a 385), por meio do qual devolve à apreciação deste Conselho deste Conselho parte das alegações já apresentadas quando da impugnação, insistindo nas seguintes teses: 1 – vício no auto de infração que descreveu os fatos, omitindo, contudo, a verdade real, não comprovando assim os fatos específicos que ensejaram a autuação, pois 1.1 - o Auditor-Fiscal deixou de considerar a condição da empresa autuada, que emprega vigilantes, mas possui no seu quadro vigilantes cooperados; 1.2 – ao tempo da fiscalização a empresa já havia informado à Receita Federal seus débitos, promovendo a denúncia espontânea, reconhecendo, pois, sua dívida e requerendo o parcelamento do montante, o que foi deferido; 1.3 – as bases de cálculos para empregados e cooperados são completamente diferentes, o que não foi considerado no relatório fiscal; as alíquotas aplicadas aos diferentes tipos de segurados não são as mesmas, logo os valores recolhidos e descritos na contabilidade da recorrida são diferentes; a condição de cooperativa não pode ser suprimida. 1.4 – a decisão recorrida não considerou os argumentos acima, de forma que ofendeu ao princípio da ampla defesa e do contraditório; 1.5 – o ônus da prova é daquele que alega; 2 - os relatórios fiscais e os anexos do lançamento não devem ser considerados, pois não individualizaram os cooperados/associados diretores e cooperados/associados vigilantes; nesse aspecto a decisão recorrida entendeu não prosperar a alegação uma vez que a contribuinte possui os documentos que deram origem aos fatos geradores e por isso é capaz de identificar e individualizar os segurados obrigatórios que não foram incluídos na GFIP; entretanto não se trata de domínio de documentos, mas de certeza da infração a ser lançada no respectivo auto; não há nos autos a certeza do que fora descrito; cabe a Administração apontar minuciosamente tais irregularidades, o que não o fez, devendo o lançamento ser anulado; 3 – quanto a multa, entende, em resumo, que não há que se falar ou considerar a multa mais benigna, se o auto de infração não é válido. 4 – alega que também foi desconsiderada a denúncia espontânea efetuada por meio do parcelamento, uma vez que, mesmo que a decisão recorrida tenha admitido que os parcelamentos tenham sido deduzidos, não há qualquer comprovação, de forma que é necessária a realização de perícia contábil, postulando novamente pela anulação do auto de infração; 5 – insiste na necessidade de suspensão das multas de mora e de ofício, que somente poderiam se aplicadas e cobradas após o julgamento final do presente recurso. Em suma, pretende seja o lançamento declarado nulo em observância aos princípios da legalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório e verdade material. É o relatório. Fl. 411DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.666 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000190/2009-84 Voto Conselheira Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. O lançamento se refere a contribuições previdenciárias devidas pela empresa a outras entidades e fundos (SAL EDUCAÇÃO, INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados que prestaram serviços à empresa no período de julho/2004 a dezembro/2006, e foi efetuado por não ter a contribuinte declarado em GFIP, e não recolhido, as contribuições relativas aos seguintes levantamentos: 1 – FPN e FPZ - parcela das remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados empregados (principalmente vigilantes e administrativos), apurada com base nas Folhas de Pagamento e Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho; 2 - AL e ALZ - valores de alimentação pagos pela empresa aos segurados empregados, que se constitui em um salário indireto sob a forma de utilidade, apurados na contabilidade. Considerou-se, para o lançamento, tão somente os valores constantes na contabilidade como despesa da empresa, que foram considerados como base de cálculo das contribuições devidas a terceiros, tendo em vista que o sujeito passivo não possui o cadastramento junto ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT); ressalta a fiscalização que por intermédio do Termo de Intimação Fiscal nº 4 o sujeito passivo fora intimado a apresentar, por escrito, relação mensal detalhada dos beneficiários desta despesa com sua identificação, no entanto a intimação não foi atendida. 3 – VIC e VCZ - expressivos valores relativos às despesas com combustível e manutenção de veiculo (média mensal da despesa em tomo de R$ 25.000,00), apurados com base na contabilidade. Referidas despesas foram consideradas como tendo sido efetuadas em favor dos segurados empregados, como contraprestação aos serviços prestados, pois conforme verificado na contabilidade, a recorrente não possuía veículos automotores de sua propriedade e nem mesmo alugados, não se justificando portanto uma outra finalidade que não essa ora atribuída. Tal fato se constitui em fato gerador da contribuição devida a terceiros, pois, se trata de salário indireto, pago pela empresa aos seus empregados. Os valores relativos a este lançamento encontram-se detalhados e discriminados mensalmente, relacionando inclusive o número da folha do Livro Razão e da conta contábil no Relatório de Lançamento; ressalta a fiscalização que o sujeito passivo fora intimado a apresentar esclarecimentos sobre o fato e não se manifestou; 4 – DDC - valores específicos, relativos às despesas contabilizadas como sendo “Despesas Diretos com Contratos”, para as quais o contribuinte não apresentou os documentos que serviram de base à sua escrituração e nem esclarecimentos sobre o fato, muito embora tenha sido intimado a fazê-lo, por duas vezes, através dos Termos de Intimação Fiscal nºs 003 e 004. Assim sendo, relativamente à competência objeto deste levantamento, como o objeto mercantil e dos contratos é a prestação de serviço de vigilância e dada a expressividade dos valores, concluiu-se que a empresa não registrou o movimento real da remuneração dos segurados Fl. 412DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.666 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000190/2009-84 empregados, sendo tais despesas consideradas como pagamento de salário, conforme preconiza o parágrafo 6° do artigo 33 da Lei 8.212, de 1991; As alegações da contribuinte não são específicas a nenhuma das rubricas lançadas, mas se limitam a discorrer, em suma, sobre vícios no lançamento que o tornariam nulo por não ter o Auditor-Fiscal considerado que a empresa emprega vigilantes, mas também possui no seu quadro vigilantes cooperados, o que importa em diferença de bases de cálculo e alíquotas, pois seus atos mercantis não estariam consubstanciados somente em utilização de empregados; que já havia promovido a denúncia espontânea, reconhecendo sua dívida e requerendo o seu parcelamento, que foi deferido; que o relatório fiscal não individualizou quais seriam os cooperados/associados diretores e os cooperados/associados vigilantes; por fim, traz alegações sobre a multa aplicada. As alegações de nulidade se confundem com o mérito e com este serão analisadas. Passo a apreciar as alegações da contribuinte, às quais já foram também devidamente apreciadas pelo julgador de piso, cujos fundamentos constantes dos excertos que cito, acolho e adoto. Dos Valores Lançados No Capítulo denominado DO AUTO DE INFRAÇÃO, DA REALIDADE FÁTICA, DA VERDADE REAL DO PROCESSO TRIBUTÁRIO E DO ÔNUS DA PROVA, a contribuinte entende que o lançamento não observou o disposto no art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235, de 1975, que preconiza que o auto de infração conterá obrigatoriamente a descrição dos fatos, pois o fiscal deixou de considerar a condição da empresa que emprega vigilantes, mas também possui em seu quadro vigilantes cooperados. Inicialmente, nota-se que o item 1 do Relatório Fiscal (fls. 170) informa que “Este relatório é integrante do AI - Auto de Infração...”. Todos os fatos que ensejaram o lançamento estão claramente ali descritos, conforme transcrito nos itens 1 a 4 acima, e os respectivos levantamentos discriminados no Relatório de Lançamentos. Ademais, conforme bem apontado pelo julgador de piso: Em apreciação as argumentações da impugnante, constatam-se que estas são improcedentes, pois o lançamento atende o artigo 10, do Decreto n° 70.235/72. Verifica-se que os fatos geradores estão discriminados de formas objetivas e claras nos RL- RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS, fls. 24/39. O Relatório Fiscal de fls. 169/273, especifica que esses fatos geradores são oriundos das folhas de pagamentos e dos lançamentos contábeis, elaborados pela própria impugnante e nas quais foram apresentados para a Auditoria, assim, constata-se que esta alicerçou os lançamentos na realidade fática da verdade real dos documentos da cooperativa. Logo, a impugnante poderia facilmente conferir as bases de cálculos das contribuições previdenciárias lançadas pela Autoridade Lançadora e nas quais estas foram fundamentadas e discriminadas nos relatórios FLD - FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, fls. 59/61. Em razão disso o Auto de Infração não viola os princípios da ampla defesa e do contraditório, pois a impugnante tem todos os meios para chegar aos fatos geradores, as bases de cálculos e, assim, poderia impugnar especificadamente cada um desses lançamentos, o que não fez. No caso concreto, o lançamento se refere a contribuições previdenciárias devidas pela empresa a terceiros e incidiu sobre as remunerações pagas aos segurados empregados não Fl. 413DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-008.666 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000190/2009-84 declarados em GIFP; ii) sobre as utilidades pagas, que compõem a remuneração; e iii) sobre valores registrados na contabilidade como “Despesas Diretos com Contratos”, considerados como como pagamento de salário, nos termos do § 6° do art. 33 da Lei 8.212/91. A insurgência principal da recorrente é que a fiscalização teria deixado de considerar que ela tem em seu quadro vigilantes que são segurados empregados, mas também cooperados que não são seus empregados. De fato a Fiscalização caracterizou os contribuintes objeto do lançamento ou como segurados empregados. Dessa forma, todas as contribuições foram lançadas sobre remunerações pagas a empregados que prestaram serviços para a cooperativa. A Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005, vigente à época, assim disciplinava: Art. 137. As contribuições destinadas a outras entidades ou fundos incidem sobre a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições destinadas à Previdência Social, sendo devidas: I - pela empresa ou equiparado em relação a segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestam serviços; ... § 1º As entidades e fundos para os quais o sujeito passivo deverá contribuir são definidas em função de sua atividade econômica e as respectivas alíquotas são identificadas mediante o enquadramento desta na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo III. § 2º O enquadramento na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, é efetuado pelo sujeito passivo de acordo com cada atividade econômica por ele exercida, ainda que desenvolva mais de uma atividade no mesmo estabelecimento, observados os § § 1º e 2º do art. 581 da CLT. ... Conforme já apontado pelo julgador de piso, com base no art. 15 da Lei nº 8.212, de 1991, a cooperativa é equiparada à empresa perante a legislação para os efeitos da contribuição para os Terceiros, sendo assim contribuinte de tais contribuições; em razão disso, a cooperativa, independentemente de seus atos mercantis, está sujeita as contribuições para os Terceiros sobre os totais das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados. Art.15. Considera-se: I - empresa - a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; ... Parágrafo único. Equipara-se a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. Dos segurados empregados – levantamentos FPN e FPZ Quanto aos segurados empregados, conforme apontado no Relatório Fiscal (fls. 170 e seguintes) Fl. 414DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-008.666 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000190/2009-84 Importante salientar que muito embora o contribuinte tenha seus atos constitutivos, suas alterações e sua razão social como COOPERATIVA, os seus atos mercantis (prestação de serviço de vigilância) caracterizam-se como prestadora de serviço comum e não cooperativa, uma vez que o serviço prestado se dá com a utilização de empregados reconhecidos como tal pela empresa, desde 06/1997 quando a Fiscalização do Trabalho assim os enquadrou conforme fls. 04 do LIT- Livro de Inspeção do Trabalho n.1. cópia anexa ( inclusive o seu auto enquadramento na GFIP é com o FPAS 515). Ademais, a própria recorrente afirma que (fls. 297) Precipuamente se faz necessário esclarecer que a Impugnante sempre teve a intenção de constituir uma Cooperativas com todas as suas características e peculiaridades, no entanto enfrenta discussões judiciais para tal, sendo imposta, até decisão judicial final, a prestar serviços ou desenvolver suas atividades com o ente público na forma de empresa privada. ... a Impugnante para poder participar de licitações pública sem a acusação de estar atentando contra o principio da isonomia administrativa e poder a posteriori efetivar contratos com o Estado tem buscado os preceitos do artigo 91 da Lei 5.764/71 para contratar vários/inúmeros vigilantes/empregados com carteira assinada caracterizando as obrigações fiscais e tributárias advindas do vínculo de emprego. Os levantamentos FPN e FPZ apurados pela fiscalização correspondem parcela das remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados empregados (principalmente vigilantes e administrativos), apurada com base nas Folhas de Pagamento e Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho, não declarados em GFIP. Embora a recorrente alegue que “a força de trabalho da Impugnante é composta de empregados com vínculo de emprego, associados diretores e associados vigilantes, fato totalmente desmerecido pelo Auditor Fiscal ao Autuar indistintamente a empresa”, em relação aos levantamento FPN e FPZ, informa a fiscalização que os valores relativos a este lançamento encontram-se detalhados, individualizados e discriminados mensalmente, no Relatório de Lançamento intitulado: Levantamento “FPN - F PGTO VIGILANTES NÃO DEC GFIP” e “FPZ - F PGTO VIGILANTES NÃO DEC GFIP” (Anexo 1). O Anexo 1 está às fls. 176 a 195 e na Coluna (A) é discriminado, por competência, os valores constantes na Folha de Pagamento e Rescisão Contratual dos vigilantes e administrativos ali discriminados individualmente, sendo que apenas os valores constantes da Coluna (C), que corresponde aos valores não declarados em GFIP, foram objeto do lançamento fiscal. Ou seja, os segurados considerados pela fiscalização como tendo vínculo empregatício estão individualizados no citado relatório (anexo 1), obtido a partir da folha de pagamento e em termo de rescisão contratual apresentados pela própria recorrente, que não trouxe aos autos nenhuma comprovação no sentido de que qualquer dos contribuintes ali relacionados não seriam empregados, mas associados cooperados; à míngua de qualquer comprovação, deve ser mantido o lançamento relativo a essa rubrica. Dos levantamentos AL/ALZ e VIC/VCZ Apurou ainda a fiscalização, com base na contabilidade da empresa, que foram pagos aos empregados valores a título de alimentação (AL/ALZ - registrados na contabilidade como despesa, apesar de a recorrente não possuir cadastramento junto ao Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT); também valores relativos às despesas com combustível e Fl. 415DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-008.666 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000190/2009-84 manutenção de veículo (VIC/VCZ), que foram consideradas como tendo sido efetuadas em favor dos segurados empregados, como contraprestação aos serviços prestados, pois conforme verificado na contabilidade, a recorrente não possuía veículos automotores de sua propriedade e nem mesmo alugados, não se justificando portanto uma outra finalidade que não essa ora atribuída. Em relação a tais lançamentos, regista a fiscalização que a recorrente foi intimada, por mais de uma vez, a apresentar esclarecimentos sobre os fatos apurados e não se manifestou, de forma que foram considerados com salários indiretos sob forma de utilidades, nos termos do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, que assim disciplina: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Registre-se que em relação ao levantamento AL e ALZ, quando se trata de pagamento de Auxilio-Alimentação in natura, existe jurisprudência pacífica no sentido de que tal verba não está sujeita à incidência de Contribuição Previdenciária, esteja, ou não, o empregador inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Entretanto, no caso concreto não há informação de que se trata dessa modalidade de pagamento e o contribuinte nem mesmo traz qualquer alegação nesse sentido. Assim, apesar da ementa do julgado de piso se referir a alimentação in natura, não havendo tal informação no lançamento e nem mesmo contestação nesse sentido, deve ser mantido o lançamento. Do levantamento DDC Esse levantamento refere-se a valores específicos, relativos às despesas contabilizadas como sendo “Despesas Diretos com Contratos”, para as quais a contribuinte, apesar de intimada e reintimada, não apresentou os documentos que serviram de base à sua escrituração e nem esclarecimentos sobre o fato, de forma que, como o objeto mercantil e dos contratos é a prestação de serviço de vigilância, e dada a expressividade dos valores, concluiu a fiscalização que a empresa não registrou o movimento real da remuneração dos segurados empregados, sendo tais despesas consideradas como pagamento de salário, conforme preconiza o parágrafo 6° do artigo 33 da Lei 8.212, de 1991; § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Ressalte-se que dentre os documentos solicitados pela fiscalização encontra-se os “Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros”, mas nada foi apresentado, de forma que não houve qualquer comprovação de que os valores registrados na contabilidade eram referentes a atos cooperativos. Fl. 416DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9528.htm#art1 Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-008.666 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000190/2009-84 Conforme já pontuado pelo julgado de piso “...os lançamentos contábeis considerados pela Autoridade Lançadora como fatos geradores devem estar consubstanciados por documentos, logo a impugnante deveria ter apresentados os documentos a Auditoria, como também poderia ter trazido aos autos por meio desta impugnação e não trouxe, visto que o ônus da prova cabe a esta, pois os livros provam contra as pessoas a que pertencem, ... Assim, à míngua de qualquer comprovação em sentido contrário aos fatos apurados pela fiscalização, mantém-se o lançamento. DO RELATÓRIO FISCAL Alegação a contribuinte que os relatórios fiscais e os anexos do lançamento não devem ser considerados, pois não individualizaram os cooperados/associados diretores e cooperados/associados vigilantes; nesse sentido o julgador de piso apontou que tais alegações não procedem, pois a impugnante que detém o domínio de todos os documentos, que deram origem aos fatos geradores, pode a qualquer momento identificar e individualizar os segurados obrigatórios que não foram incluídos nas Guias de Recolhimentos do FGTS e Informações a Previdência Social- GFIP. Visto que os fatos geradores estão discriminados de formas objetivas e claras nos RL - RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS, fls. 33/51 e no Relatório Fiscal de fls. 193/298 e estes especificam que esses fatos geradores são provenientes das folhas de pagamentos e dos lançamentos contábeis, elaborados pela própria impugnante, de maneira que esta poderia ter impugnado especificadamente os relatórios da Autoridade Lançadora. Logo, não se acolhem as alegações da impugnante. ... Por sua vez, no recurso a contribuinte alega que Ora, não se trata de domínio de documentos, mas de certeza da infração para serem lançadas no respectivo auto. O que se denota é que não há nos autos a certeza do que fora descrito. Suposições não arrimam autos de infração, que devem, não só descrever o fato, mas demonstrar a veracidade do descrito. O ônus da prova recai sobre a Administração que acusa a Recorrente de irregularidades. Cabe a Administração apontar minuciosamente tais irregularidades, o que não o fez. O Relatório Fiscal e seus anexos (fls. 194/298) especificam que os fatos geradores são oriundos das folhas de pagamentos e dos lançamentos contábeis, elaborados pela própria impugnante, os quais foram apresentados à fiscalização; assim, constata-se que a fiscalização alicerçou os lançamentos na realidade fática dos documentos apresentados pela própria recorrente. Ademais, noto que o Anexo 1 (fls. 205 a 223) contém quadro demonstrativo dos valores da folha de pagamento declarados e não declarados em GIFP, discriminados por Vigilantes e Administrativos de forma individualizada e mensal; da mesma forma os documentos denominados FOLHA DE PAGAMENTO ADMINISTRAÇÃO E FOLHA COOPERADO (fls. 295 a 300) discriminam de forma individualizada e mensal os segurados considerados no lançamento. Ainda quanto aos lançamento ancorados da contabilidade, a empresa foi intimada a apresentar os documentos que serviram de base à sua escrituração e não o fez; conforme já anotado acima, os livros provam contra as pessoas a que pertencem. Fl. 417DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-008.666 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000190/2009-84 Ademais, conforme já registrado, a contribuinte foi instada a apresentar os “Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros”, mas quedou-se inerte. Dessa forma, o lançamento não foi ancorado em “suposições”, como alega a recorrente, mas houve parte da fiscalização a verificação concreta da situação. Assim, considerando que os motivos que ensejaram a autuação estão devidamente identificados e que o Auto de Infração contém os elementos necessários para esclarecer acerca da obrigação tributária, descrevendo os documentos que deram suporte para a apuração do crédito, os fatos geradores das contribuições lançadas e as bases de cálculo, e não tendo sido demonstrado o alegado prejuízo à ampla defesa, ou mesmo qualquer hipótese de nulidade prevista no art. 59 do precitado Decreto nº 70.235, de 1972, concluo que o lançamento não é nulo e deve ser mantido. Quanto à alegação sobre o ônus da prova, nos termos do inciso III do art. 16 do Decreto 70.235/72, cabe ao interessado trazer aos autos as possuir, de modo que o ônus probatório é daquele que alega, descabendo a sua inversão. DOS VALORES JÁ PAGOS, RETIDOS OU PARCELADOS A recorrente alega ainda que a fiscalização não considerou que, ao tempo do lançamento, a empresa já havia informado à Receita Federal seus débitos, promovendo a denúncia espontânea e requerendo o parcelamento do montante, o que foi deferido. Ora, tal fato não foi desconsiderado. Conforme anotou o julgado de piso: A impugnante alega que efetuou o parcelamento de débito no período de 03/2003 a 12/2005, fez pedido de compensação dos valores retidos das notas fiscais pelas tomadoras de serviço no percentual de 11%, para regularizar a situação junto ao INSS para a competência do ano de 2006 e que esses parcelamentos e a compensação não foram considerados pela Auditoria. Constata-se pelos relatórios RDA - RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS, fls. 52/58 e RADA - RELATÓRIO DE APROPRIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS, fls. 59/71 e Relatório Fiscal, fls. 197/198, que os parcelamentos consolidados nos Lançamentos de Débitos Confessados/ DCG n° 361776659, 361776667, 370656431 e as retenções dos 11% nas notas fiscais de serviços, foram deduzidos, logo, as alegações da impugnante não procedem. Basta verificar os relatórios citados para verificar que todos os pagamentos, as retenções e os valores pagos em parcelamentos foram considerados. Os Anexos 2 a 5, intitulados QUADRO DEMONSTRATIVO DÉBITOS PREVIDENCIÁRIOS APÓS DEDUÇÃO DAS GPS, demonstram que todos dos pagamentos efetuados no período foram considerados. Já os Anexo 7 a 10, intitulados QUADRO DEMONSTRATIVO DÉBITOS PREVIDENCIÁRIOS APÓS DEDUÇÃO DOS PARCELAMENTOS, bem como o Anexo 6, que contém resumo dos valores pagos em parcelamento, demonstram estes também foram apropriados aos débitos apurados no lançamento, reduzindo o valor lançado. Por fim, o anexo 11 demonstra que os valores de retenção apropriados (destaque em notas fiscais) também foram apropriados aos valores lançados. Dessa forma, o lançamento foi efetuado considerando a diferença dos valores apurados e aqueles já pagos, seja por parcelamento, pagamento, ou retenção destacada em notas Fl. 418DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-008.666 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000190/2009-84 fiscais, fatos já devidamente registrados e esclarecidos pela autoridade fiscal nos itens 5 e 6 do Relatório Fiscal: Ressalta-se que os valores declarados em GFIP, correspondentes ao levantamento “FPG-F PGTO VIGILANTES DEC GFIP”, não foram objeto de constituição de crédito previdenciário nessa ação fiscal. Estes serviram apenas para apropriação dos pagamentos efetuados pela empresa, seja por intermédio de GPS-Guia da Previdência Social ou LDC-Lançamento de Débito Confessado/DCG-Débito Confessado em GFIP e retenção dos 11% em Notas Fiscais, lançado como DNF-Destaque em Notas Fiscais; Portanto, sem razão a contribuinte. Inicialmente, quanto à alegação de que “o Auto de Infração apresenta-se com uma incongruência jurídica insanável, pois é subsidiado por preceitos revogados n° 11.941 de 2009” e ainda “Quando o dispositivo legal não está vigente, deixa de atender o pressuposto necessário e indispensável do inciso IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972”, quer a contribuinte se referir ao fato de ter havido revogação, pela Lei n° 11.941, de 2009, de alguns dispositivos relativos a penalidades antes previstas na Lei nº 8.212, de 1991, de forma que entende que o auto de infração encontra-se eivado de vícios passíveis de anulação e por essa razão não há nem que se falar no princípio da multa mais benéfica se o auto não se constitui válido em sua origem. Não assiste razão à contribuinte. Inicialmente, a mesma Lei nº 11.941, de 2009, que revogou alguns dos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, que estabeleciam penalidades, acrescentou a essa lei os arts. 32-A e 35-A, que trouxeram novas penalidades quando da constatação das mesmas infrações. No caso concreto, o lançamento foi efetuado em julho de 2009, quando já vigoravam as alterações trazidas pela Lei nº 11.941, de 2009. Entretanto, o lançamento é referente a fatos ocorridos entre julho/2004 a dezembro/2006, portanto anteriores à vigência da referida lei. Diante da constatação da infração, o Auditor-Fiscal, ao aplicar a penalidade, considerou o que dispõe o art. 106, do CTN, e assim aplicou a penalidade mais benigna em cada competência do lançamento: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No próprio Relatório Fiscal a autoridade lançadora esclarece que Oportuno esclarecer que a Lei 11.941/09 alterou a Lei 8.212/91, introduzindo-lhe o art. 35-A, que trata da multa no caso de lançamento de oficio, conforme estabelecido no artigo 44 da Lei 9430/96 com a redação dada pela Lei 11488/07, como punição ao sujeito passivo pela falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração ou de declaração inexata (GFIP). A mencionada alteração modificou, portanto, para essa infração, a punição anteriormente prevista no parágrafo 5°, do artigo 32, da Lei 8212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, associado à letra “a” do inciso “II” do artigo 35 da Lei 8212/91 com a redação da Lei 9876/99 (revogados pela Lei 11941/09). Por essa razão produziu-se o demonstrativo ANEXO 12 e 13, em anexo, que apura por competência a multa mais benigna, se a da Lei 8.212/91 antes ou depois das alterações introduzidas pela Lei 11941/09. Feita essa apuração, aplicou-se a multa mais benigna em respeito ao princípio da retroatividade benigna tributária, conforme previsto na letra Fl. 419DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-008.666 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000190/2009-84 “c” do inc. II da Lei 5172/66 (CTN - Código Tributário Nacional), nos levantamentos específicos conforme indicado no item “4” e seus sub-itens. Os anexos 12 e 13 estão às fls. 263 a 269 e trazem o demonstrativo da aplicação da multa mais benéfica em cada competência, sendo que a autoridade lançadora considerou, na comparação, as disposições contidas no art. 476-A da IN RFB nº 971, de 2009, ou seja: Art. 476-A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I - até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Nota-se no Anexo 13 que a comparação foi feita entre i) o somatório da multa por descumprimento da obrigação principal de acordo com a legislação anterior, vigente à época dos fatos geradores (no caso concreto no percentual de 24%), somada à multa por descumprimento de obrigação acessória, e ii) a nova multa (75%). Entretanto, posteriormente à comparação efetuada pelo Auditor-Fiscal, considerando a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de ser pacífica em ambas as Turmas de Direito Público a admissão da retroatividade benigna do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, inclusive nas hipóteses de lançamento de ofício, a PGFN propôs a inclusão na lista de dispensa de contestar e recorrer o seguinte tema: 1.26. Multas c) Retroatividade benéfica da multa moratória prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, no tocante aos lançamentos de ofício relativos a fatos geradores anteriores ao advento do art. 35-A, da Lei nº 8.212/1991. Resumo: A jurisprudência do STJ acolhe, de forma pacífica, a retroatividade benigna da regra do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, em relação aos lançamentos de ofício. Nessas hipóteses, a Corte afasta a aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, que prevê a multa de 75% para os casos de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, por considerá-la mais gravosa ao contribuinte. O art. 35- A da Lei 8.212, de 1991, incide apenas em relação aos lançamentos de ofício (rectius: fatos geradores) realizados após a vigência da referida Lei nº 11.941, de 2009, sob pena de afronta ao disposto no art. 144 do CTN. Ao pronunciar-se sobre a proposta, a Secretaria da Receita Federal do Brasil propôs a não inclusão do tema na lista de dispensa de contestar e recorrer, ao que a PGFN Fl. 420DF CARF MF Documento nato-digital http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15992#781473 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15992#781473 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15992#509997 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15992#509997 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15992#509998 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15992#509998 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15992#510000 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15992#510000 Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-008.666 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000190/2009-84 respondeu que “...em que pese a força das argumentações tecidas pela RFB, a tese de mérito explicitada já fora submetida ao Poder Judiciário, sendo por ele reiteradamente rechaçada, de modo que manter a impugnação em casos tais expõe a Fazenda Nacional aos riscos da litigância contra jurisprudência firmada, sobretudo à condenação ao pagamento de multa.”, ou seja, a própria Fazenda Nacional já se curvou à jurisprudência do STJ para desistir de contestar e recorrer da matéria e assim acatar a aplicação, nos lançamentos relativos a fatos geradores anteriores à MP 449, de 2008, a multa moratória de 20% e não a multa de ofício de 75%, nas hipóteses em que esta era mais benéfica. Embora não tenha encontrado notícias sobre a publicação do respectivo Ato Declaratório Executivo da PGFN aprovado pelo Ministro da Economia, que incluirá a matéria na citada lista prevista na Portaria PGFN nº 502, de 2016, entendo, diante dos fatos apontados, que mesmo se tratando de lançamento de ofício, a multa imposta a recorrente deve ser recalculada conforme redação do art. 35 da Lei 8.212/1991, conferida pela Lei 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória, por caracterizar-se como norma superveniente mais benéfica em matéria de penalidades na seara tributária, a teor do art. 106, II, "c", do CTN. Quanto a alegação de que a multa somente poderia ser aplicada e cobrada após o julgamento final do presente recurso, adoto os fundamentos trazidos pelo julgador de piso, ou seja, A cobrança da multa de ofício decorre de infrações a legislação tributária, assim, deve- se ressaltar que a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva e independe da culpa ou dolo do agente, consoante o artigo 136 do Código Tributário Nacional assim diz: ... Uma vez instaurado o procedimento de ofício, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício (art. 957 do Decreto n° 3.000/99 - RIR/99). Quanto ao sobrestamento do crédito tributário, este já está suspenso, 1 conforme o artigo 151, do Código Tributário Nacional - CTN. Por fim, registro que as decisões judiciais anexadas aos autos, referentes a liminares concedidas em Mandados de Segurança em que foi determinada a expedição de certidão positiva com efeitos de negativa, além de serem desprovidas da natureza de normas complementares e não vincularem as decisões deste Conselho, foram expedidas em data bem anterior (2006) ao lançamento que se discute no presente processo, que aconteceu em 2009. Conclusão Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para determinar o recálculo da multa, conforme redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, conferida pela Lei nº 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva Fl. 421DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-008.666 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000190/2009-84 Fl. 422DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10983.901052/2008-06
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002
Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO. VERDADE MATERIAL.
Comprovada a existência de crédito, o pedido da contribuinte deve ser deferido.
Numero da decisão: 3401-001.783
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO. VERDADE MATERIAL. Comprovada a existência de crédito, o pedido da contribuinte deve ser deferido.
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DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO. VERDADE MATERIAL. Comprovada a existência de crédito, o pedido da contribuinte deve ser deferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas De Assis, Odassi Guerzoni Filho e Ângela Sartori. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento transmitido por Dcomp em 31/03/2004, referente a recolhimento indevido do PIS ocorrido em fevereiro de 2002, para compensar com débito também do PIS de janeiro, setembro e outubro de 2002 (29/34). A DRF em Florianópolis/SC indeferiu o pedido por despacho decisório eletrônico (fls. 05) em razão de não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados em PER/Dcomp. Irresignada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade/Impugnação (fls.02/03), alegando tão somente que é uma entidade fechada de previdência complementar, sem fins lucrativos com autonomia administrativa e financeira; e que deixou de retificar a DCTF nos períodos informados, o que ocasionou o despacho decisório, mas que em 30/05/2008 tomou tal providência no sentido de solucionar a diferença apresentada. A DRJ em Florianópolis/SC manteve a decisão da DRF, prolatando a seguinte ementa (fls. 11/12): “COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 23/02/2010 (fls. 13) e interpôs Recurso Voluntário em 24/03/2010 (fls. 15/28) alegando, em resumo, o seguinte: 1. O crédito no valor original de R$ 4.794,07 é decorrente do pagamento a maior realizado em 15/02/2002; 2. A Recorrente constatou que, por um equívoco, deixou de retificar a DCTF, mas que em 30/05/2008 apresentou Manifestação de Inconformidade e informou a retificação demonstrando “existência inequívoca” do crédito pleiteado; 3. A compensação não poderia ter sido indeferida sob alegação de que a retificação da DCTF afasta a certeza e liquidez do crédito informado; 4. A decisão afronta os princípios da legalidade e da moralidade administrativa, além de configurar em ilícito do Estado; 5. A autoridade julgadora negou a homologação sem qualquer fundamento legal. Houve superficialidade na análise e ausência de motivação adequada, fatores que implicam em nulidade do acórdão; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10983.901052/200806 Acórdão n.º 3401001.783 S3C4T1 Fl. 91 3 6. Afirma que houve preenchimento equivocado da DCTF, na qual constou o montante de R$ 11.683,46, após, devidamente retificado para R$ 6.889,39; 7. Utilizou o valor recolhido a maior para efetuar a compensação que ora se nega, pois o Fisco, sem realizar qualquer diligência, entendeu que a Recorrente não detinha crédito líquido e certo quando da compensação; Ao final, pediu a Recorrente que o Recurso Voluntário fosse acolhido para determinar o retorno do processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, devido à nulidade procedimental, ou ainda, em sendo o caso de julgamento de mérito deste Recurso, a reforma daquela decisão. Submetido ao CARF, o julgamento do presente processo foi convertido em diligência, fls. 66/67, nos seguintes termos: “Em face de todo o exposto e considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho a conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: a) Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; d) Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados.” A DRF em Florianópolis/SC respondeu, respectivamente, aos quesitos formulados pelo CARF, da seguinte forma (fls. 74): 1. À época do Despacho Decisório o crédito era improcedente, pois passou a existir somente com a retificação da DCTF, motivada pela nãohomologação da compensação. O valor do crédito corresponderia à diferença entre o débito indicado na DCTF antes da não homologação da Dcomp e o valor informado na retificadora; 2. Após a retificação da DCTF, a diferença ficou “desvinculada” e, através de consulta ao sistema SIEF, verificouse não haver outras Dcomp que tenham utilizado como crédito alguma parcela do DARF; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 3. Na Dcomp foram indicados três débitos, dos quais um foi informado incorretamente, pois foi indicado o período de apuração de janeiro de 2002 com o vencimento em março de 2003. Isso impossibilita a afirmação se o crédito é suficiente para efetuar a compensação. Com os cálculos efetuados considerandose que o débito é de fevereiro de 2003, o valor corresponde ao informado na Dcomp. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência em 09/03/2011 (fl.76) e manifestouse, às fls. 77/82: 1. O relatório da delegacia de origem confirmou a existência do crédito e em valor suficiente para a compensação, além de ter informado que o crédito não foi utilizado em outra Declaração de Compensação; 2. Realmente preencheu a declaração de compensação incorretamente e esclarece que o débito corresponde à apuração de fevereiro de 2003 com vencimento em março de 2003; 3. Reconhecido o direito através da diligência, a decisão que negou a homologação não pode subsistir; Ao final, reitera o pedido para que o Recurso Voluntário seja acolhido e a decisão, reformada. É o relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperativo esclarece que este processo foi apreciado originalmente pela 3a Turma Ordinária, da 4a Câmara, desta Terceira Seção do CARF. Após a realização de diligência e devolução dos autos, o processo foi distribuído para esta 1a Turma Ordinária, para este Conselheiro. Ultrapassado esse esclarecimento, passase à análise do caso. 1. Da Nulidade do acórdão da DRJ A Recorrente alega que o acórdão da DRJ é sucinto e não contém fundamentação legal, o que gera a sua nulidade. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10983.901052/200806 Acórdão n.º 3401001.783 S3C4T1 Fl. 92 5 A alegação da Recorrente não procede. A DRJ não necessitou se alongar em seu acórdão simplesmente porque a Manifestação de Inconformidade não apresentou nenhuma matéria de grande complexidade, limitandose a alegar erro no preenchimento da DCTF. Também não é correta a afirmação de que faltou fundamento legal, pois a DRJ fundamentou que, no momento do pedido de ressarcimento, a Recorrente não tinha crédito e líquido e certo, e negou o pedido da Contribuinte com base no art. 170, do CTN. Diante desses fatos, não há motivo para declarar nulo o acórdão da DRJ. 2. Do resultado da diligência Como verificado pelo relatório, o cerne da questão consiste na existência ou não do crédito tributário utilizado na compensação. A perícia constatou que a Contribuinte protocolou o pedido de compensação com base em um DCTF preenchido incorretamente, o qual levou a equipe fiscal concluir pela inexistência do crédito requerido. Após a emissão do despacho decisório, a Recorrente retificou o DCTF. Mesmo depois da retificação, a delegacia ainda constatou que a Dcomp foi preenchida de modo incorreto, o que deixou dúvida quanto ao período que se queria compensar. Contudo, no relatório com a conclusão da diligência, ficou consignado o seguinte (fl.75): “(...) Se o débito fosse do período de apuração janeiro/2002 não seria necessária apresentação de Dcomp para compensação, uma vez que no DARF o valor já seria alocado automaticamente. Os cálculos foram efetuados considerandose que o débito seria do período de apuração fevereiro/2003, assim procedendo chegouse a valores de multa e juros que conferem com o informado pelo contribuinte em sua Dcomp (fls.70/52)”. Portanto, pela diligência ficou concluído que se o débito a ser compensado é da apuração de fevereiro de 2003, o crédito é suficiente para compensar o valor declarado na Dcomp. Como em sua manifestação (fls.77/82) a Recorrente esclareceu que o débito a compensar realmente é o da apuração de fevereiro de 2003, não há dúvida quanto à existência do crédito. Muito embora a existência do crédito seja inequívoca, pois constatada em diligência pericial e nos esclarecimentos da Recorrente, devese analisar outra questão, qual seja: a retificação do DCTF após o despacho decisório. É certo que o § 1o, do art. 147, do CTN, dispõe que a retificação da declaração deve ocorrer antes da notificação do lançamento. Como a declaração de Fl. 122DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 compensação é confissão de dívida, nos termos §6o, do art.74, da Lei nº 9.430/96, o lançamento, no caso, seria a homologação por meio do despacho decisório, ou seja, a Recorrente deveria apresentar a retificação antes da emissão do despacho decisório. Não obstante, entendo que essa regra deve ser flexibilizada, pois ela busca inibir erros dolosos na declaração, com o fim de ludibriar o fisco. No caso em tela, verificase que o erro na declaração excluiu os créditos da Recorrente, e não os do fisco, o que evidencia a falta de vontade de fraudar a arrecadação. Além disso, a processo administrativo deve prezar pela verdade material e uma vez constatada, por diligência, a existência de crédito em favor da Recorrente, não se pode indeferilos, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Diante dessas considerações, deve ser reconhecido o direito creditório e homologada as compensações efetuadas. Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto, reconhecendo o direito creditório da Recorrente e homologando integralmente a compensação objeto do presente processo. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000257/2008-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2004
Ementa:CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
PERÍCIA NECESSIDADE NÃO DEMONSTRADA
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-001.739
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2004 Ementa:CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara PERÍCIA NECESSIDADE NÃO DEMONSTRADA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva Recurso Voluntário Negado
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Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva Recurso Voluntário Negado Fl. 795DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000257/200853 Acórdão n.º 2402001.739 S2C4T2 Fl. 790 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Ana Maria Bandeira – Presidente em Exercício. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 796DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000257/200853 Acórdão n.º 2402001.739 S2C4T2 Fl. 791 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 32, inciso II, combinado com o art. 225, inciso II e § 13 a 17 do Decreto nº 3.048/1999 que consiste em a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 30/34), a apuração da infração teve como origem o exame da contabilidade e parte das folhas de pagamento de salários entregues pelo sujeito passivo em arquivos digitais no formato previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD da Instrução Normativa Ministério da Previdência Social/Secretaria da Receita Previdenciária MPS/SRP número 12, de 20 de junho de 2006, validados por meio do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais sob os números 6587bc2c539640403e6d59fc0642e7e7 de 3 de julho de 2008 e 7021f8ee 7694a1876c557f4a7ffab61 a de 13 de agosto de 2008, conforme cópias dos respectivos recibos anexadas ao presente relatório (fls.22 a 25). No exame acima mencionado a fiscalização constatou: a) que as rubricas de proventos das folhas de pagamento de salários sob os números 029 e 070 com as denominações ADIANTAMENTO 13 SALÁRIO (%) e ADIANTAMENTO 13° SALARIO, respectivamente, receberam registros de pagamentos totais a empregados e não foram tais pagamentos escriturados na conta número 7293 —ADIANTAMENTO 13 SALÁRIO. b) que houve pagamentos referentes a participações nos lucros e resultados, conforme as rubricas sob os números 126 e 472 nas competências de junho, julho, agosto e dezembro de 2004 e o sujeito passivo só escriturou em sua contabilidade os pagamentos da competência agosto. c) que o sujeito passivo pagou a empregados remunerações sob as denominações de gratificações de janeiro a dezembro de 2004 e só contabilizou valores de gratificações na conta número 27784 — GRATIFICAÇÕES DIVERSAS nas competências janeiro, fevereiro e abril de 2004. É informado que não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes da penalidade previstas no artigo 290 e nem as atenuantes previstas no artigo 291, ambos do Regulamento da Previdência Social — RPS aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999. Fl. 797DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000257/200853 Acórdão n.º 2402001.739 S2C4T2 Fl. 792 4 A autuada teve ciência do lançamento em 15/09/2008 e apresentou defesa (fls. 39/44) onde alega que não houve a pretensa infração apontada, uma vez que cumpriu todas as exigências fiscais previstas na legislação tributária em vigor, devendo, por conseguinte o referido Auto de Infração ser cancelado. Argumenta que não constam no presente Auto de Infração os elementos suficientes para determinar a natureza da infração. Aduz que os elementos contidos no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, nesse caso, são insuficientes para se configurar a infração imposta, pois não se constatou e sequer se confrontou, como deveria, os dados ali contidos com a documentação pertinente à disposição do fisco, levandose à nulidade do Auto de Infração. Entende que não houve, pelo fato de ter sido examinado pelo Fisco somente arquivos digitais no formato previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD, a famigerada infração, como também qualquer lesão ao Erário, descaracterizandose desse modo, a infração aos dispositivos legais apontados no questionado Auto de Infração impugnado. Informa que a contabilidade alega que mudou de sistema e houve a necessidade de se emitir novo arquivo digital e nisso pode ter havido uma duplicidade de informações o que pode ter levado o AuditorFiscal a desprezar, como afirma, "o terceiro arquivo digitar. Mas, data vênia, o AuditorFiscal não poderia, simplesmente, se basear em um exame superficial de arquivos digitais para autuar, deveria, isso sim, confrontar os dados dos arquivos com a documentação correspondente, se é que teve dúvidas, como parece, quando afirma que "rejeitou um terceiro arquivo digital" fornecido pela contabilidade. Argumenta que a confrontação entre os dados e os documentos que lhe deram origem eram fundamentais para a busca da verdade. Pelo Acórdão nº 0220.429 (fls. 756/763 – Vol III), a 7ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (MG) considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão a autuada apresenta recurso tempestivo (fls. 769/782 – Vol III) onde alega que houve Violação dos "Princípios da Ampla Defesa do Contraditório e do Devido Processo Legal". Ressalta que a Impugnante, em momento algum, furtouse à obrigação de apresentar os documentos comprobatórios solicitados pela fiscalização. Porém, tratandose de documentos de diversos períodos, é compreensível que se demande um certo tempo na sua localização, sem que isso venha prejudicar os trabalhos fiscais. Considera que a ação fiscal, como procedido, atropelou princípios básicos do contraditório, além de utilizar percentuais incompatíveis com a legislação de regência, caracterizando arbitrariedade que deve ser repudiada pelos ilustres Julgadores, mediante declaração de nulidade procedimental. Repete a alegação de que não teria havido a ocorrência da pretensa infração e que a autuada teria cumprido com todas as exigências fiscais, de forma que o Auto de Infração deve ser cancelado por imperativo de justiça. Fl. 798DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000257/200853 Acórdão n.º 2402001.739 S2C4T2 Fl. 793 5 Considera que a autuação seria nula vez que não constam no Relatório Fiscal desta elementos suficientes para determinar a natureza da infração. Inova na alegação de que a multa aplicada teria caráter confiscatório e nulidade pela ausência da hora de lavratura do Auto de Infração. No mais, repete a argumentação de defesa. É o relatório. Fl. 799DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000257/200853 Acórdão n.º 2402001.739 S2C4T2 Fl. 794 6 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente alega que houve violação dos princípios da ampla defesa do contraditório e do devido processo legal Ressalta que, em momento algum, furtouse à obrigação de apresentar os documentos comprobatórios solicitados pela fiscalização e tratandose de documentos de diversos períodos, é compreensível que se demande um certo tempo na sua localização, sem que isso venha prejudicar os trabalhos fiscais. Assim, entende que a ação fiscal, como procedida, atropelou princípios básicos do contraditório, além de utilizar percentuais incompatíveis com a legislação de regência, caracterizando arbitrariedade que deve ser repudiada. Não há razão no argumento. Asseverese que, tais alegações não foram apresentadas na defesa e, a meu ver, o contencioso administrativo fiscal só é instaurado mediante apresentação de defesa tempestiva e somente em relação às matérias expressamente impugnadas. Dessa forma, entendo que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” No entanto, por amor ao debate, não se pode deixar de observar que pelos argumentos da recorrente a mesma leva a inferir que o lançamento teria sido efetuado sem que esta tivesse tido a oportunidade de apresentar os documentos solicitados, o que não se verificou. O Relatório Fiscal é claro no sentido de que a recorrente apresentou a documentação solicitada em meio digital e tal apresentação está de acordo com o que dispõe a Lei nº 10.666/2003 em seu artigo 8º, in verbis: Art. 8o A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Fl. 800DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000257/200853 Acórdão n.º 2402001.739 S2C4T2 Fl. 795 7 Ou seja, haja vista a tecnologia atual que oferece a possibilidade de se manter em arquivos digitais documentos cujo volume dificultaria ou mesmo impossibilitaria a guarda destes, o legislador tomou o cuidado de tornar legal tal forma de arquivamento. A auditoria fiscal informa que a documentação necessária à auditoria fiscal foi apresentada em meio digital, devidamente certificada, portanto, digna de fé. Da análise da documentação apresentada em meio digital, a auditoria fiscal apurou o descumprimento da obrigação acessória em questão face as diversas contabilizações indevidas ou ausência de contabilização especificadas no relatório fiscal, as quais, digase, a recorrente não questiona em suas alegações. A recorrente busca amparo no princípio da busca da verdade material para afirmar que a documentação juntada por esta em sede de defesa poderia demonstrar a inexistência da obrigação. Considera ainda que a auditoria fiscal deveria ter confrontado as informações contidas nos arquivos digitais com os documentos que teriam dado origem aos mesmos e parece querer que se realize perícia com base na citada documentação. Há que se salientar que apresentando a empresa a documentação solicitada em meio digital devidamente autenticada, os dados ali contidos merecem a mesma credibilidade que aqueles extraídos de documentos em papel. Daí não há que se falar que a auditoria fiscal teria por obrigação efetuar comparações entre os arquivos digitais e os documentos em papel. Ademais, conforme bem observado na decisão recorrida, os documentos apresentados pela recorrente são cópias sem qualquer autenticação o que já levaria a sua desconsideração. Além disso, a decisão sobre a realização de perícia para a busca da verdade material como alega a recorrente cabe ao julgador caso pairassem dúvidas a respeito da forma como foram apuradas as contribuições lançadas por parte da auditoria fiscal, o que não se verifica. O argumento do parágrafo anterior encontra respaldo no Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Fl. 801DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000257/200853 Acórdão n.º 2402001.739 S2C4T2 Fl. 796 8 Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia, esta tem que ser considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, nos termos da legislação aplicável. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Tampouco se pode acolher o argumento de que a contabilidade da recorrente necessitou mudar o sistema de modo a emitir novo arquivo digital, o qual foi desprezado pela fiscalização e que poderia ter causado duplicidade de informações. Embora a auditoria fiscal tenha mencionado o fato no Relatório Fiscal de outras autuações, não o fez no presente caso. Porém, a auditoria fiscal informa claramente no Relatório Fiscal do processo nº 10976.000262/200866 que para o período de setembro ao décimo terceiro salário de 2004, a empresa apresentou arquivo digital com informações das folhas de pagamento. No entanto, para o mesmo período apresentou um terceiro arquivo que foi rejeitado por não conter os registros de pagamentos de todas as rubricas completas em comparação com o segundo fornecido, o qual conforme informado foi recebido e validado. A meu ver, agiu corretamente a fiscalização que diante da apresentação de arquivos devidamente validados contendo informações necessárias ao trabalho de fiscalização descartasse arquivos relativos aos mesmos dados, porém, incompletos. A recorrente inova em sede recursal com os argumentos de que a multa aplicada teria caráter confiscatório. Conforme já argüido ocorreu a preclusão do direito de discutir tais matérias uma vez que não foram apresentadas em defesa. Fl. 802DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000257/200853 Acórdão n.º 2402001.739 S2C4T2 Fl. 797 9 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto nos sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 803DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
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