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Numero do processo: 10680.012991/2007-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2001 a 28/02/2005
RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS.
DOCUMENTO INFORMATIVO.
A relação de co-responsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores.
RECEBIMENTO DE INTIMAÇÕES NO DOMICÍLIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE DE PODERES PARA TANTO PARA O RECEBEDOR DOS DOCUMENTOS.
Em consonância com a Súmula CARF nº 9, é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. NATUREZA REMUNERATÓRIA.
INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, integrando, fazendo parte do campo de incidência da contribuição previdenciária.
MULTA E JUROS. LEGALIDADE.
A multa de mora e os juros de mora tem previsão legal no art. 35 da Lei 8.212/091, não havendo fundamento para sua relevação ou fixação em percentual diverso daquele constante do lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.871
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já
que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator; e b) em negar provimento às demais questões presentes no recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 28/02/2005 RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de co-responsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. RECEBIMENTO DE INTIMAÇÕES NO DOMICÍLIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE DE PODERES PARA TANTO PARA O RECEBEDOR DOS DOCUMENTOS. Em consonância com a Súmula CARF nº 9, é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, integrando, fazendo parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. MULTA E JUROS. LEGALIDADE. A multa de mora e os juros de mora tem previsão legal no art. 35 da Lei 8.212/091, não havendo fundamento para sua relevação ou fixação em percentual diverso daquele constante do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. RECEBIMENTO DE INTIMAÇÕES NO DOMICÍLIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE DE PODERES PARA TANTO PARA O RECEBEDOR DOS DOCUMENTOS. Em consonância com a Súmula CARF nº 9, é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, integrando, fazendo parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. MULTA E JUROS. LEGALIDADE. A multa de mora e os juros de mora tem previsão legal no art. 35 da Lei 8.212/091, não havendo fundamento para sua relevação ou fixação em percentual diverso daquele constante do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para deixar claro que o rol de co responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator; e b) em negar provimento às demais questões presentes no recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Leoncio Nobre De Medeiros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.025.4759, lavrada em 23/10/2006, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de empregados sob a denominação prêmios pagos pela empresa Incentive House, no período de 07/2001 a 02/2005, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 2.661.181,74, fls. 01. Após tomar ciência postal da autuação em 27/10/2006, fls. 58, a recorrente apresentou impugnação, fls. 61/84, na qual alegou: vício de ciência, natureza não salarial das supostas verbas omitidas e que os prêmios seriam pagamento por locação de veículos; necessidade de exclusão dos coresponsáveis. Na DecisãoNotificação de fls. 726/733, a DRP/Belo Horizonte concluiu pela procedência integral do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 26/04/2007, fls. 735. O recurso voluntário, apresentado em 25/05/2007, fls. 738/774, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. De início, argumenta que houve vício de ciência, pois a decisão não foi recebida por qualquer representante legal da empresa. No tocante aos prêmios pagos pela empresa Incentive House S/A, alegou boa fé e insistiu não ter a parcela natureza salarial e sobre não deve incidir a contribuição previdenciária. Argumentou que os pagamentos representavam, na verdade, pagamentos por locação de veículos. Teria adotado a intermediação da Incentive House na locação de veículos por questões de logística e segurança. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10680.012991/200708 Acórdão n.º 2301001.1871 S2C3T1 Fl. 792 3 Pretende a relevação da multa e dos juros, ou fixação da multa em 10% pela aplicação da razoabilidade, bem como requer a exclusão da coresponsabilidade dos sócios. É o relatório. Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Ciência de intimação. Nulidade. Inocorrência. A recorrente alega que a primeira intimação foi recebida por pessoa sem poderes para tanto, o que acarretaria sua nulidade. Como podemos notar em fls. 06/07, o Sr. Osmar do Amaral deu ciência ao Mandado de Procedimento Fiscal em 27/03/2006, apresentandose como Diretor Técnico da recorrente. Novamente, em fls. 09/12, o mesmo Diretor recebeu intimações em nome da empresa até 30/03/2006. A partir dessa data, a empresa recuouse a assinar as intimações, tendo a fiscalização deixado os respectivos Termos no estabelecimento da recorrente, fls. 13/18. Sobre a validade da ciência de intimações, este Colegiado já emitiu a Súmula CARF 09, in verbis: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Como se vê, o documento emitido pela fiscalização que é recebido no domicílio fiscal da autuada é considerado como de conhecimento desta, ainda que o funcionário que o receba não seja seu representante legal, pois prevalece a responsabilidade da empresa de manter funcionários diligentes em seu estabelecimento. O Poder Judiciário também acolhe entendimento no mesmo diapasão: ADMINISTRATIVO RECURSO ADMINISTRATIVO INTIMAÇÃO POSTAL DOMICÍLIO FISCAL ELEIÇÃO PELO CONTRIBUINTE CONDOMÍNIO PORTEIRO ART. 23, DO DECRETO Nº 70.235/72 1 O art. 23, II, do Decreto nº 70.235/72 dispõe que se considera realizada a intimação por via postal na data do recebimento no domicílio tributário eleito pelo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 sujeito passivo. Conforme prevê o citado dispositivo, não existe a obrigatoriedade de que a intimação postal seja feita com a assinatura do sujeito passivo (exigência feita tão somente às intimações pessoais art. 23, I). Para a intimação postal basta, apenas, a prova do recebimento da correspondência no domicílio fiscal, podendo ser recebida por porteiro do prédio de condomínio, data a partir da qual passa a correr o prazo processual administrativo. Precedentes de ambas as Turmas de direito público do STJ (REsp 754.210/RS; REsp 1029153/DF). 2 Apelação e remessa oficial providas: segurança denegada. 3 Peças liberadas pelo Relator, em 07/12/2009, para publicação do acórdão. (TRF1ª R. ApRN 14/05/2009 Rel. Juiz Fed. Rafael Paulo Soares Pinto DJe 29.01.2010 p. 522) Anexo CORESP. Lista apenas indicativa sem valor para inclusão na CDA. Quanto à alegação de que devem ser excluídos os dirigentes da relação de co responsáveis, não procede o argumento da recorrente. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de coresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos os processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Considerando que não houve apuração de responsabilidade dos sócios no procedimento fiscal e que estes não foram intimados a apresentarem suas respectivas defesas, voto por manter a lista nominal CORESP como uma relação meramente indicativa de representantes legais já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, cabendo a ressalva de que esses nomes não poderão ser inscritos imediatamente em dívida ativa tãosomente com base nesta lista. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10680.012991/200708 Acórdão n.º 2301001.1871 S2C3T1 Fl. 793 5 Prêmios. Incentive House. Com relação às premiações pagas pela empresa Incentive House, adotamos a argumentação do Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes que extraímos do voto no Recurso 253.133: “quando a Recorrente realizava um pagamento a empresa Incentive House, e esta repassava tais valores aos segurados daquela, mostrado está que a Incentive House atuou como mera intermediária entre a Recorrente e seus segurados. Assim, tal procedimento possuía o único fim de burlar o Fisco, com intuito descaracterizar a ocorrência de fato gerador de contribuição social, ou seja, retirar o caráter remuneratório das verbas pagas pela Incentive House aos segurados da Recorrente. Objetivando a desconstituição do crédito previdenciário, a Recorrente alega que os valores pagos através da empresa Incentive House S/A não dizem respeito a salários, mas sim a “premiação de incentivo”, razão pela qual não poderia incluí los em folha de pagamento, tampouco recolher o valor destinado à Seguridade Social. (...) Desta feita, caso houvesse a adequada utilização do suposto benefício “Flexcard”, corretamente regularizado e atendendo aos requisitos de público alvo, condição, termo e premiação, bastaria a empresa comprovar tais premissas, em atendimento a intimação, que tal NFLD não seria sequer emitida. Ademais, o pagamento de recompensa não pode ser estendido indiscriminadamente a todos os funcionários e colaboradores da empresa promovedora da campanha de marketing, devendo ser reservado somente àqueles participantes que obtiverem os desempenhos mais destacados. Em sendo assim, as premiações de incentivo somente se afastam da fisionomia salarial quando administradas de acordo com um regulamento detalhado, de publicação obrigatória, segundo o qual apenas um seleto grupo de funcionários ou colaboradores fará jus a uma bonificação excepcional após o alcance de uma determinada meta de produtividade. (...) Resta indubitável, portanto, que as verbas pagas aos segurados empregados e empresários, a título de “premiação”, possuem natureza salarial, e, conseqüentemente, integram o salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias.” Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 Assim, concluímos que tais pagamentos de prêmios por meio da empresa Incentive House tem natureza remuneratória e devem compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Quanto à alegação da recorrente de que os valores pagos pela Incentive House representam, na verdade, aluguel de veículos, concordamos coma decisão a quo no sentido de que tal situação não pode ser comprovada no contrato com a referida empresa de premiação, pois a recorrente alega que celebrou contrato verbal e não escrito. Fora de dúvida que se trata de modalidade de contratação possível, mas não permite às partes fazer prova perante terceiros do conteúdo do contrato. Ademais, é notório que o objeto social da empresa Incentive House não tem relação com aluguel de veículos, administração de frota ou similar. As declarações fornecidas pelos locadores de veículos de que as locações eram pagas pela empresa Incentive House não possuem idoneidade probante por serem extemporâneas, assinadas todas com a mesma data e com a mesma estrutura gráfica, o que induz terem sido impostas pela empresas aos locadores de veículos. Portanto, afastamos todos os argumentos quanto à veículos. Multa de mora e juros. Legalidade. A multa de mora e os juros de mora tem previsão legal no art. 35 da Lei 8.212/091, não havendo fundamento para sua relevação ou fixação em percentual diverso daquele constante do lançamento. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a manter a lista nominal CORESP como uma relação meramente indicativa de representantes, cabendo a ressalva de que esses nomes não poderão ser inscritos imediatamente em dívida ativa tão somente com base nesta lista. Mauro José Silva Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.017895/2002-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
PROVA.
Não há como acolher a alegação da recorrente, segundo a qual as receitas correspondentes à CSLL retida na fonte por órgãos públicos compõem a base de cálculo da contribuição, se não são carreadas aos autos prova dessa afirmação.
Numero da decisão: 1201-000.421
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 PROVA. Não há como acolher a alegação da recorrente, segundo a qual as receitas correspondentes à CSLL retida na fonte por órgãos públicos compõem a base de cálculo da contribuição, se não são carreadas aos autos prova dessa afirmação.
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Não há como acolher a alegação da recorrente, segundo a qual as receitas correspondentes à CSLL retida na fonte por órgãos públicos compõem a base de cálculo da contribuição, se não são carreadas aos autos prova dessa afirmação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Natanael Vieira dos Santos e Rafael Correia Fuso. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 1234DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10166.017895/200252 Acórdão n.º 120100.421 S1C2T1 Fl. 1.065 2 No despacho decisório de fls. 952/959 a autoridade fiscal relata, em resumo, o seguinte: a) no dia 16/12/2002 a contribuinte apresentou pedido de restituição do saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2001, no valor de R$ 3.243.166,25 (fl. 1). Também apresentou, a partir do mesmo dia, uma declaração de compensação (DCOMP) em formulário, além de trinta e cinco DCOMPs eletrônicas, todas utilizado o referido crédito de CSLL, conforme demonstrativo de fl. 937; b) ocorre que, dos R$ 7.530.637,43 informados pela contribuinte na DIPJ/2002 a título de exclusões do lucro líquido, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL (fls. 873/874), R$ 58.295,05 devem ser glosados pois referemse a dedução indevida de multas de natureza não tributária, e a diferença verificada entre a parte A e a parte B do Lalur no tocante a rubrica “Provisão para Litígios Trabalhistas de Curto Prazo”, conforme relatado na informação fiscal de fls. 432/435; c) também devem ser glosados R$ 653.135,61 a título de CSLL retida na fonte por órgão públicos, pois, dos R$ 3.655.762,58 informados na DIPJ/2002, apenas R$ 3.002.626,97 foram confirmados através das DIRFs e comprovantes de retenção apresentados; d) em vista da insuficiência de crédito, o pedido de restituição foi indeferido e as DCOMPs parcialmente homologadas. Ao apreciar a manifestação de inconformidade (fls. 978/984), a DRJ de origem decidiu pela rejeição do pleito da contribuinte (fls. 994/996). Inconformada, a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 1000/1005) alegando, em síntese, o seguinte: a) a decisão recorrida não acatou as razões da contribuinte por entender que só é possível deduzirse a CSLL retida por órgão público quando a respectiva receita houver sido incluída na base de cálculo da contribuição. Entretanto, conforme comprovam os documentos anexados à fl. 461 e seguintes, as receitas de serviços prestados a órgãos públicos foram incluídas na apuração do lucro contábil; b) na decisão de primeiro grau também é afirmado que a dedutibilidade da CSLL retida por órgão público está condicionada à existência dos respectivos comprovantes de retenção. No entanto, como explicado na manifestação de inconformidade, a divergência existente entre os informes de rendimento e os valores registrados pela recorrente reside no prazo de 48 horas que as instituições bancárias exigem para efetuar a compensação dos pagamentos; c) embora esteja previsto no artigo 31 da Instrução Normativa SRF n.° 480/2004 que as retenções deverão ser provadas por intermédio de comprovante anual de retenção, a recorrente entende que por estar no regime de lucro real anual e efetuar o registro contábil de suas operações, pode comprovar a veracidade dos tributos retidos e compensados com base nos dados extraídos de sua contabilidade. Segundo o art. 923 do RIR/99, a escrituração mantida com observância dos dispositivos legais faz prova a favor do contribuinte, dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis; d) ressaltese também que nos cruzamentos entre as informações constantes das DIRFs transmitidas pelas fontes pagadoras, e aquelas presentes na DIPJ apresentada pela contribuinte, Fl. 1235DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10166.017895/200252 Acórdão n.º 120100.421 S1C2T1 Fl. 1.066 3 as diferenças encontradas são sempre atribuídas a esta última, com conseqüente glosa do tributo compensado. No entanto o Conselho de Contribuintes já decidiu que se comprovada por documentação hábil a retenção na fonte, e identificadas as fontes pagadoras, incabível a realização da glosa da dedução; e) ainda em relação às divergências encontradas entre os valores informados na DIPJ e os apresentados pelas fontes pagadoras nas DIRFs, é de se dizer que o item 11 do Parecer Normativo CST nº 07/86 esclarece que, no caso de pagamento, a entrada do recurso na empresa beneficiária marca o momento de ocorrência do fato gerador do IRRF; f) reconhece como indevida a dedução do valor de R$ 58.295,05 da base de cálculo da CSLL. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Do Direito Creditório Conforme demonstrativo contido no despacho decisório que homologou apenas parcialmente as DCOMPs sob exame, a contribuinte auferiu receitas de prestação de serviços junto ao INSS, ao Ministério da Previdência Social, à Advocacia Geral da União e ao Ministério do Trabalho e Emprego que totalizaram, no anocalendário de 2001, R$ 300.262.697,07. Esses valores de receita encontramse nos informes de rendimentos emitidos pelo Ministério da Previdência Social (fl. 882), pela Advocacia Geral da União (fl. 883) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (fl. 884). Em relação ao INSS, na ausência do respectivo informe de rendimento, o valor da receita de prestação de serviços foi fornecido pelo Siafi (fl. 814). Todos esses documentos foram apresentados pela contribuinte em anexo à informação prestada às fls. 461/463 e admitidos pelo Fisco. Pois bem, uma vez que segundo o art. 64 da Lei nº 9.430/96 a CSLL a ser retida pelo órgão público corresponde a 1% do valor pago pela prestação do serviço, a autoridade que expediu o despacho decisório concluiu que a retenção de CSLL passível de dedução não poderia ser superior a R$ 3.002.626,97 (1% de R$ 300.262.697,07). Como a contribuinte havia informado em sua DIPJ/2002 retificadora (fls. 876/881) dedução de CSLL retida por órgãos públicos no montante de R$ 3.655.762,58 (somatório desta rubrica nas ficha 16 e 17), a autoridade glosou o excesso, ou seja, R$ 653.135,61, já que somente pode ser deduzida a CSLL retida sobre receitas incluídas na base de cálculo da contribuição. Isso posto, a interessada precisaria comprovar haver incluído na base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2001 receitas de prestação de serviço a órgãos públicos Fl. 1236DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10166.017895/200252 Acórdão n.º 120100.421 S1C2T1 Fl. 1.067 4 no montante de R$ 365.576.258,00, pois só assim teria direito deduzir da CSLL devida os R$ 3.655.762,58 pleiteados. Tal comprovação poderia ser realizada, por exemplo, mediante a apresentação de cópia das folhas do livro Diário onde essas receitas teriam sido registradas ao longo do ano de 2001. Ocorre que essa prova não foi trazida aos autos. De fato, os elementos que a recorrente afirma fazer prova de suas alegações são aqueles apresentados ainda na fase de auditoria, nos quatro anexos à informação de fls. 461/463. Vejamos. O anexo I (fls. 466/767) é composto por cópias de DCTFs exigidas ao longo da auditoria. Por não conterem quaisquer informação sobre receitas, as DCTFs não são hábeis à comprovação pretendida pela recorrente. Ademais, as citadas DCTFs referemse a tributos devidos a partir do 4º trimestre de 2003. O anexo II (fls. 768/812) traz a DIPJ/2002 retificadora apresentada para correção de alguns equívocos cometidos na DIPJ original (fls. 3/44), inclusive no que toca à apuração da CSLL, conforme demonstrativo a seguir: DIPJ/2002 – Ficha 17 (linhas 36 a 42) Original Retificadora) CSLL TOTAL 2.065.108,10 2.065.108,10 () CSLL Mensal Paga por Estimativa 2.065.108,10 3.840.109,88 () CSLL Retida na Fonte por Órgão Público 3.414.241,35 1.639.239,57 (=) CSLL A PAGAR (3.414.241,35) (3.414.241,35) De ver que o valor da receita total com prestação de serviços oferecido à tributação informado tanto na DIPJ/2002 original como na retificadora (ficha 6 linha 8) é de R$ 375.867.918,47. Esse valor comporta os R$ 365.576.258,00 que a recorrente alega haver auferido com prestação de serviços a órgãos públicos, mas é insuficiente para proválo. No anexo III (fls. 813/836) encontramse os extratos do Siafi que, em conjunto com os informes de rendimentos emitidos pelos órgãos públicos tomadores dos serviços prestados pela contribuinte (estes últimos presentes no anexo IV), amparam a glosa promovida pelo Fisco. Tais documentos, como dito antes, atestam que as receitas com prestação de serviços a órgãos públicos totalizaram R$ 300.262.697,07 no ano de 2001, e não os R$ 365.576.258,00 alegados pela defesa. Por fim, no anexo IV (fls. 837/884), além dos acima mencionados comprovantes de rendimentos (fls. 882/884), constam três outros conjuntos de documentos. O primeiro deles consiste em uma segunda DIPJ/2002 retificadora (fls. 871/881) que, tal como a DIPJ/original, é insuficiente à comprovação pretendida pela recorrente. O segundo conjunto de documentos (fls. 838/857) é composto por planilhas elaboradas pela contribuinte, que, apesar de úteis, são insuficientes a comprovação do valor da receita de prestação de serviços a órgãos públicos oferecido à tributação no anocalendário de 2001, pois desacompanhadas das cópias das folhas do livro Diário ou Razão onde teriam sido registradas. Aqui há que se comentar o argumento da defesa, segundo o qual os registros presentes no livros contábeis fazem prova a seu favor, conforme art. 923 do RIR/99. Ocorre que as planilhas apresentadas não são consideradas escrituração, e sim elementos que auxiliam Fl. 1237DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10166.017895/200252 Acórdão n.º 120100.421 S1C2T1 Fl. 1.068 5 a compreensão da escrituração. Escrituração, para os fins da prova ora pretendida, seria a cópia das folhas do livro Diário ou Razão onde estariam registradas as receitas de prestação de serviço a órgãos públicos. O terceiro e último conjunto de documentos presentes no anexo IV (fls. 858/870) contém quatro ordens de recebimento de faturas, acompanhadas da cópia da folha do livro Diário onde foram registradas. Como corresponde apenas a uma amostra da totalidade das faturas emitidas no ano de 2001, podese dizer desde já que esses documentos não são hábeis a comprovar os R$ 365.576.258,00 que a recorrente alega ter oferecido à tributação no ano de 2001 a título de receita de prestação de serviços a órgãos públicos. Ademais, a folha do livro Diário apresentada (fl. 858) parece registrar não o auferimento das receitas correspondentes às faturas nos 269/00, 271/00, 272/00 e 275/00, e sim o recebimento destas faturas (a conta nº 112101 parece ser de ativo circulante e não de resultado). Como tais faturas foram emitidas em 31/10/2000, é provável que as respectivas receitas tenham sido oferecidas à tributação no ano de 2000, e não no ano de 2001, salvo erro na aplicação do critério da competência de exercícios. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1238DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
score : 1.0
Numero do processo: 37089.002402/2006-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/1999
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO LEGITIMIDADE APENAS APÓS O TRANSITO EM JULGADO AÇÃO CAUTELAR EM ADI EFEITOS EX NUNC.
As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. O recolhimento indevido operar-se-á apenas quando do transito em Julgado da ADI.
No termos do art. 170A do CTN, corroborando o entendimento do STJ
(Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de
tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
Medida Cautelar suspende a exigência criada pela Lei 9732/98, apenas a partir da data da publicação da ata da sessão do julgamento na qual a liminar foi deferida, operando efeitos “ex nunc”.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.791
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Elaine Cristina
Monteiro e Silva Vieira.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. O recolhimento indevido operarseá apenas quando do transito em Julgado da ADI. No termos do art. 170A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Medida Cautelar suspende a exigência criada pela Lei 9732/98, apenas a partir da data da publicação da ata da sessão do julgamento na qual a liminar foi deferida, operando efeitos “ex nunc”. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 61DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 07/06/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araujo Soares, Jhonatas Ribeiro Da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 07/06/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37089.002402/200620 Acórdão n.º 240101.791 S2C4T1 Fl. 52 3 Relatório Tratase de Pedido de restituição/compensação formulado pelo contribuinte acima identificado, relativo a contribuições recolhidas indevidamente no período compreendido entre abril a agosto de 1999. De acordo com às fls. 01 a 03 dos autos, o presente pedido foi formulado em dezembro de 2006. Inconformado com a Decisão de fls. 28 a 31 que indeferiu o pleito do contribuinte, fora apresentado recurso à este conselho com os seguintes argumentos: Que a requerente pleiteou a compensação do recolhimento indevido com contribuições da mesma natureza, conforme lhe assegura o artigo 66 da Lei 8.383/91 aplicável ao caso em razão da data do pagamento. Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3 0 A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4° O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Aduz que a referida Lei N° 9.732, de 11 de dezembro de 1998, não criou uma contribuição ou tributo novo, apenas revogou, de forma inconstitucional a imunidade (tratada na lei por isenção) anteriormente assegurada a Recorrente, entidade beneficente de assistência social que é. Neste aspecto, suspensa a eficácia da norma canceladora, se restabelecem as "isenções", na forma da legislação anterior, que continua a vigorar, assim, indevidas, de forma definitiva as contribuições realizadas. Argumenta que o direito de recuperação de tributo pago indevidamente (COMPENSAÇÃO) nasce no momento do pagamento indevido e, portanto, deve regerse pela legislação vigente por ocasião do recolhimento correspondente ao a tal pagamento. Assim, pretensas regras contidas na Lei 9.868, de 10 de novembro de 1999 (DOU 11.11.99) e na Lei Complementar n. 104/2001, que introduziu o artigo 170A no CTN, se aplicam somente aos Fl. 63DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 07/06/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 pagamentos indevidos posteriores as respectivas datas de publicação. Os pagamentos indevidos ocorridos antes da publicação das referidas leis devem ser regidos pela legislação que, à época, tratava do tema em discussão. Que no presente caso os recolhimentos indevidos ocorreram entre os meses de abril e agosto de 1999, e o direito de repetir decorre da declaração de inconstitucionalidade da exigência prevista no artigo 7° da lei 9.732/98, pela decisão proferida na ADI2028/99, em 14.07.1999, fatos, ocorridos, portanto, antes da edição de qualquer das normas restritivas acima referidas. Desta forma, no tocante a compensação de tributos federais, contrário ao entendimento exarado na decisão ora recorrida, não se aplica a Lei 9.868/99, nem o art. 170A do CTN, introduzido pela Lei Complementar N°. 104/2001, mas tem aplicabilidade a Lei 8.383/91, a qual não prevê qualquer tipo de limitação que postergasse o aproveitamento dos créditos compensáveis do contribuinte somente para o trânsito em julgado da decisão judicial. Defende que a determinação do parágrafo 4° do artigo 66 exclui a possibilidade de atos administrativos criarem restrições ou novas condições à compensação, não previstas na norma legal de regência. Restringese a autorizar procedimentos formais necessários para a execução do que está previsto na norma legal pertinente. Nada mais. Portanto, se, preenchidos os pressupostos relacionados, o direito de compensação incorporouse ao patrimônio jurídico dos contribuintes, poderá ser plenamente exercido, independentemente de sentença judicial passada em julgado ou de decisão administrativa, sem a violação dos arts. 27 da lei 9868/99 e 170a do ctn, inaplicáveis ao presente caso. Ad argumentandum tantum, mesmo que admitisse a provisoriedade e limitação temporal da Liminar concedida na ADI n° 2028, mesmo assim não subsistiria as conclusões da r. decisão ora recorrida, pois o artigo 7° da Lei 9.732/98, esta afastado do mundo jurídico, de forma definitiva, ante às disposições da Lei N° 10.260, de 12 de julho de 2001 e da Lei 11.096, de 13 de janeiro de 2005, em razão do comando do artigo 2° da LICC, uma vez que estes novos dispositivos regulam inteiramente a matéria de que tratava o artigo 7° da lei 9.732/98. Aduz que a Liminar ou a Antecipação da Tutela em ADin que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Por fim, salienta que não houve no Parecer e na Decisão recorrida qualquer objeção ao montante do recolhimento indevido, informado pela Recorrente através de seus demonstrativos, razão pela qual se acha preclusa tal matéria, devendo, em caso de reforma do julgado, prevalecer os valores postulados. Requer a reforma da decisão recorrida, para, em conseqüência autorizar, de plano, da integral compensação ou repetição dos valores recolhidos indevidamente. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 07/06/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37089.002402/200620 Acórdão n.º 240101.791 S2C4T1 Fl. 53 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Do que se depreende da decisão de primeira instância, o crédito pleiteado pela recorrente é incontroverso, sendo certo que o indeferimento do pedido de restituição/compensação foi calcado no fato de que, segundo o entendimento do julgador de primeira instância, não se reconhece o direito creditório, em razão de a regra contestada ter sua eficácia suspensa pela medida cautelar somente a partir da data da publicação da ata da sessão do julgamento na qual a liminar foi deferida não alcançando, portanto, os recolhimentos efetuados. A despeito deste entendimento, a autoridade administrativa assevera que a Medida Cautelar, em Ação direta de Inconstitucionalidade, revestese ordinariamente de eficácia “ex nunc”, ou seja, operando seus efeitos à partir do momento em que o STF a defere. Pois bem, o exercício do direito à restituição, foi assegurado expressamente pela Lei 8.383/91, a qual, em seu artigo 66, sob redação introduzida pela Lei nº 9.069/95, que, nos casos de pagamento indevido de receitas patrimoniais (expressão utilizada ao lado dos tributos e das contribuições sociais), o contribuinte poderá solicitar restituição de tal valor. A Lei nº 9.732/98, artigo 4º, cancelou as isenções em favor das entidades de assistência social que não exerçam suas atividades de modo exclusivamente gratuito, e isto é incompatível com os ditames da Constituição Federal, que não veiculou exceções ou restrições ao que foi instituído pelo artigo 195, parágrafo 7º, que veda expressamente a incidência de contribuição para a seguridade social às entidades beneficentes de assistência social, atendidos os requisitos da lei. O STF, no julgamento da liminar da ADIN 20285, ocorrida em 14/07/1999 entendeu serem manifestamente inconstitucionais as disposições dos artigos 1º (na parte em que alterou a redação do artigo 55, inciso III, da Lei nº 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º), bem como os artigos 4º, 5º e 7º da Lei 9.732/98, que pretendem restringir o conceito de entidade beneficente de assistência social de forma a abranger exclusivamente as entidades que promovam atendimento inteiramente gratuito e excluir as entidades educacionais e de saúde como prestadoras de assistência social, pois elas estão criando novos requisitos, não previstos pelo artigo 14, do CTN. Vejamos a os dispositivo em questão: "Defiro a liminar, submetendoa desde logo ao Plenário, para suspender a eficácia do artigo 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, inciso III, da Lei nº 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, bem como dos artigos 4º, 5º e 7º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Ministro Marco Aurélio, VicePresidente no exercício da Presidência." Fl. 65DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 07/06/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Notese que a liminar foi concedida em julho de 1999 e a Lei 9868, que dispõe sobre o processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal e determina o efeito “ex nunc” das referidas decisões, somente seria publicada em novembro de 1999, portanto, após a concessão da medida cautelar. Logo, temos que somente após a publicação da referida Lei, as decisões do STF deveriam mencionar se entendiam pela concessão da eficácia retroativa das medidas cautelares, o que não é o presente caso. No caso em tela, como antes já mencionado, não se está discutindo a existência ou não do direito creditório da recorrente, mas tão somente a possibilidade da restituição/compensação destes créditos. Ora, a recorrente pretende a compensação com créditos da mesma natureza, obedecendo, sobremaneira, todas as disposições legais, não havendo, na ótica deste relator, óbice ao pleito em questão. Diante ao exposto: VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, e no mérito DAR LHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 66DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 07/06/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37089.002402/200620 Acórdão n.º 240101.791 S2C4T1 Fl. 54 7 Voto Vencedor Em que pese a boa argumentação do ilustre relator, ouso divergir do seu entendimento em dar provimento ao recurso do recorrente. As possibilidades de compensação e restituição estão expressamente previstas, senão vejamos: As hipóteses de compensação/restituição estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso, tendo em vista que não existe decisão definitiva de mérito quanto a ADI n. 20285/99, que determinou a suspensão dos efeitos da Lei 9732/98. Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação alterada pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, mantida pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 que colocou virgula após a expressão INSS Parágrafo único. Na hipótese de recolhimento indevido as contribuições serão restituídas, atualizadas monetariamente. § 1º Admitirseá apenas a restituição ou compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que passou a identificar o INSS somente pela sigla) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único do art. 11 desta lei. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 com as seguintes alterações: 1) identifica o INSS somente pela sigla, 2) acrescenta o artigo “o” antes da expressão “valor”; 3) coloca virgula antes da expressão “do parágrafo”) § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação alterada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras “compensadas” e “atualizadas”) § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só Fl. 67DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 07/06/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 vez, será atualizado monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Havendo disposição específica na legislação previdenciária, não há que ser aplicado o procedimento das Leis n °s 8.383/1991, 9.430/1996 e o Decreto n ° 2.138/1997, portanto, não prospera o argumento de que tais Leis permitem a compensação a critério do contribuinte. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado as contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação. Contudo, entendo que apenas após o transito em julgado da ADI 20285, teria o recorrente direito a compensação dos valores recolhidos durante a vigência da Lei nº 9.732/98, artigo 4º, visto que a Ação Cautelar suspende a exigência apenas em relação aos fatos geradores devidos após a concessão da cautelar, operando efeitos “ex nunc”. Destacase ainda, que, conforme previsto no art. 170A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim sendo, ações judiciais pendentes de decisão definitiva não são meios hábeis para autorizarem o procedimento de compensação:restituição pelo contribuinte. Art.170/A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01). Podemos ainda destacar que a compensação não é regulada pelo artigo 368 do Código Civil; pois há dispositivo legal específico, quando a origem do crédito do contribuinte é tributário. Nesse caso, há que se observar os artigos 170 e seguintes do CTN, bem como o art. 89 da Lei n ° 8.212/1991. A Decisão da unidade descentralizada da SRP analisou a base de todo o pedido de compensação/restituição, bem como os argumentos apontados pela recorrente e o motivo do indeferimento baseouse apenas no aspecto dos permissivos legais autorizarem ou não tal compensação com efeitos retroativos antes da decisão final. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 07/06/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37089.002402/200620 Acórdão n.º 240101.791 S2C4T1 Fl. 55 9 CONCLUSÃO Face o exposto voto por CONHECER DO RECURSO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 07/06/2011 por ELAINE CRISTI NA MONTEIRO E SIL, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11075.000458/2007-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. NOTAS FISCAIS DE RECEITA DE PARCERIA RURAL TRAZIDAS AOS AUTOS PELO PRÓPRIO FISCALIZADO. RECEITAS OUTRAS OBTIDAS A PARTIR DE CIRCULARIZAÇÃO DOS COMPRADORES DOS PRODUTOS AGRÍCOLAS DO FISCALIZADO. HIGIDEZ. A
argumentação de que as notas fiscais de venda de produtos rurais não representam, em si mesmas, entradas de recursos passíveis de tributação pelo imposto de renda não pode ser acatada. Simplesmente, as notas fiscais emitidas pelo produtor rural são a prova ordinária da venda e compra de produtos, atestando, por si só, o auferimento de receitas. Obviamente que não
se desconhece que, eventualmente, o valor da nota fiscal poderia ser recebido de forma parcelada ou a prazo, com entrada em outros exercícios subseqüentes, levando ao diferimento da tributação, já que se trabalha, na espécie, com regime de caixa. Porém, no momento em que a autoridade autuante circularizou os adquirentes das mercadorias do autuado e se assenhoreou das notas fiscais de receitas da parceria rural, estas trazidas aos autos pelo próprio autuado, emitidas dentro do ano fiscalizado, apreendeu-se,
por ser o normal, que as notas fiscais geraram as receitas a serem tributadas no ano de emissão delas. Caberia ao contribuinte ter informado que uma ou outra nota fiscal gerou recebimentos em outros exercícios, até porque a autoridade fiscal fez uma minuciosa auditoria, detalhando cada nota fiscal omitida. Não se desincumbiu desse o ônus o fiscalizado, razão que justifica a
manutenção da omissão de rendimentos da atividade rural.
DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. GLOSA. TRIBUTAÇÃO DO IRPF PELO CRITÉRIO DE 20% DA RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. RESTABELECIMENTO DE GLOSAS QUE NÃO TEM O CONDÃO DE ALTERAR O REGIME DE TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL NO CASO VERTENTE, POIS MAIS BENÉFICO AO FISCALIZADO. DEFESA PREJUDICADA. Todo o debate em relação às glosas das despesas da atividade rural ficou prejudicado, pois mesmo que se restabelecessem todas as despesas da atividade rural glosadas, isso não teria o condão de alterar o regime de tributação a que foi submetido o contribuinte, com aplicação de 20% sobre as receitas da atividade rural, critério este mais
benéfico do que a confronto entre as receitas e despesas da atividade rural, mesmo considerando o restabelecimento de todas as glosas. Defesa prejudicada.
PREJUÍZO DA ATIVIDADE RURAL DO SEGUNDO ANO ANTECEDENTE AO FISCALIZADO. IMPOSSIBILIDADE DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZO DA ATIVIDADE RURAL JÁ ABSORVIDO NO EXERCÍCIO PRECEDENTE AO FISCALIZADO. Considerando que o prejuízo da atividade rural do segundo ano antecedente ao fiscalizado foi absorvido no ano antecedente, não há que falar em nova utilização de tal
prejuízo, inclusive porque houve rendimento positivo tributável da atividade rural no ano antecedente.
MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE O IMPOSTO LANÇADO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DESSA DISCUSSÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. A multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, para afastá-la, necessariamente o julgador administrativo teria que declarar,
de modo incidental, a inconstitucionalidade da norma respectiva. Ora, é cediço que o julgador administrativo não tem o poder para declarar a inconstitucionalidade de norma tributária, o que restou cristalizado na Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF,
pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à
taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos
julgamentos de 2º grau.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.263
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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NOTAS FISCAIS DE RECEITA DE PARCERIA RURAL TRAZIDAS AOS AUTOS PELO PRÓPRIO FISCALIZADO. RECEITAS OUTRAS OBTIDAS A PARTIR DE CIRCULARIZAÇÃO DOS COMPRADORES DOS PRODUTOS AGRÍCOLAS DO FISCALIZADO. HIGIDEZ. A argumentação de que as notas fiscais de venda de produtos rurais não representam, em si mesmas, entradas de recursos passíveis de tributação pelo imposto de renda não pode ser acatada. Simplesmente, as notas fiscais emitidas pelo produtor rural são a prova ordinária da venda e compra de produtos, atestando, por si só, o auferimento de receitas. Obviamente que não se desconhece que, eventualmente, o valor da nota fiscal poderia ser recebido de forma parcelada ou a prazo, com entrada em outros exercícios subseqüentes, levando ao diferimento da tributação, já que se trabalha, na espécie, com regime de caixa. Porém, no momento em que a autoridade autuante circularizou os adquirentes das mercadorias do autuado e se assenhoreou das notas fiscais de receitas da parceria rural, estas trazidas aos autos pelo próprio autuado, emitidas dentro do ano fiscalizado, apreendeuse, por ser o normal, que as notas fiscais geraram as receitas a serem tributadas no ano de emissão delas. Caberia ao contribuinte ter informado que uma ou outra nota fiscal gerou recebimentos em outros exercícios, até porque a autoridade fiscal fez uma minuciosa auditoria, detalhando cada nota fiscal omitida. Não se desincumbiu desse o ônus o fiscalizado, razão que justifica a manutenção da omissão de rendimentos da atividade rural. DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. GLOSA. TRIBUTAÇÃO DO IRPF PELO CRITÉRIO DE 20% DA RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. RESTABELECIMENTO DE GLOSAS QUE NÃO TEM O CONDÃO DE ALTERAR O REGIME DE TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL NO CASO VERTENTE, POIS MAIS BENÉFICO AO FISCALIZADO. DEFESA PREJUDICADA. Todo o debate em relação às glosas das despesas Fl. 315DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 da atividade rural ficou prejudicado, pois mesmo que se restabelecessem todas as despesas da atividade rural glosadas, isso não teria o condão de alterar o regime de tributação a que foi submetido o contribuinte, com aplicação de 20% sobre as receitas da atividade rural, critério este mais benéfico do que a confronto entre as receitas e despesas da atividade rural, mesmo considerando o restabelecimento de todas as glosas. Defesa prejudicada. PREJUÍZO DA ATIVIDADE RURAL DO SEGUNDO ANO ANTECEDENTE AO FISCALIZADO. IMPOSSIBILIDADE DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZO DA ATIVIDADE RURAL JÁ ABSORVIDO NO EXERCÍCIO PRECEDENTE AO FISCALIZADO. Considerando que o prejuízo da atividade rural do segundo ano antecedente ao fiscalizado foi absorvido no ano antecedente, não há que falar em nova utilização de tal prejuízo, inclusive porque houve rendimento positivo tributável da atividade rural no ano antecedente. MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE O IMPOSTO LANÇADO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DESSA DISCUSSÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. A multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, para afastála, necessariamente o julgador administrativo teria que declarar, de modo incidental, a inconstitucionalidade da norma respectiva. Ora, é cediço que o julgador administrativo não tem o poder para declarar a inconstitucionalidade de norma tributária, o que restou cristalizado na Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), devese ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11075.000458/200796 Acórdão n.º 2102001.263 S2C1T2 Fl. 2 3 Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 03/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte FERNANDO COUTINHO KUBASKI, CPF/MF nº 374.125.31034, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 01/03/2007, auto de infração (fls. 264 a 275), com ciência postal em 14/03/2007 (fl. 196), a partir de ação fiscal iniciada em 11/07/2006 (fl. 44). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 116.172,88 MULTA DE OFÍCIO R$ 87.129,66 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos da atividade rural, no montante de R$ 422.446,84, no anocalendário 2002, conduta essa apenada com multa de ofício de 75% sobre o imposto aqui lançado. Abaixo colacionamse excertos do relatório de encerramento da ação fiscal, que detalha a infração imputada ao fiscalizado (fls. 12 a 18), verbis: 3. INFRAÇÃO APURADA — OMISSÃO DE REND. DA ATIVIDADE RURAL 3.1. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL O contribuinte informou em sua DIRPF do anocalendário 2002 receitas da atividade rural no valor total de R$ 819.941,14. Tal valor corresponde ao somatório das entradas escrituradas no livro caixa apresentado em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização (fls. 02 a 45 do Anexo I), a exceção dos valores de empréstimos contraídos e repassados e do valor escriturado em 31/12/2002 sob o histórico "Vir ref Participação em Parceria Agropecuária". Nas receitas constantes no livro caixa estão compreendidas, dessa maneira, as Notas Fiscais reproduzidas nas fls. 101 e 102 deste volume bem assim nas fls. 46 a 161 do Anexo I do presente processo. Não foram adicionados às receitas da atividade rural informadas na DIRPF, contudo, os valores recebidos pelo contribuinte relativamente às notas fiscais emitidas em nome da parceria firmada por ele com Carlos Alberto Pimenta de Fl. 317DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 Mendonça, denominada Agropecuária Santa Constância (contrato fls. 63 a 66), conforme quadro a seguir. Salientese que tais notas fiscais foram apresentadas pelo próprio contribuinte em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização e que a tributação de tais valores está prevista no art. 59 do RIR199, transcrição do art. 13 da Lei n° 8.023/90. (...) [participação do contribuinte fiscalizado = R$ 658.836,55] Ademais, em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federa1, verificouse que o contribuinte havia emitido diversas notas fiscais de venda de produtos rurais que não foram escrituradas no livro caixa apresentado. Intimado a apresentar tais notas fiscais, o contribuinte afirmou que não as havia localizado (fls. 76 e 77, item 2). Sendo assim, conforme descrito no item 2.2 do presente relatório, os adquirentes dos produtos em questão foram intimados a apresentar os documentos relativos as operações. Pelas respostas, verificase que não foram escriturados no livro caixa do anocalendário 2002 do contribuinte os seguintes valores: (...) [omissão de receitas de R$ 802.207,03] Conforme resposta da empresa Cerealista Pirahy LTDA à intimação lavrada em 15/12/2006, os produtos referentes à nota fiscal n° P 056 101773 foram entregues entre 25/02/2002 e 31/02/2002, ou seja, no próprio anocalendário 2002 (fl. 186). A tributação de adiantamentos recebidos por conta de contrato de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura está prevista no § 2° do artigo 61 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR199). Cumpre citar ainda que em março e dezembro/2002 o contribuinte adquiriu um total de 165.213 kg de trigo. Tais produtos foram revendidos em 23/12/2002 juntamente com a produção própria do contribuinte, segundo afirmação deste em resposta ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 16/11/2006 (fl. 176). A venda de produtos rurais adquiridos de terceiros não se enquadra como receita da atividade rural, conforme artigo 58 do RIR/99 e inciso II do artigo 4° da Instrução Normativa SRF n° 83/2001. Sendo assim, as receitas correspondentes ao trigo adquirido pelo contribuinte, apuradas com base no preço médio das vendas efetuadas em 23/12/2002, estão sendo excluídas do resultado da atividade rural. (...) [receita reclassificada de R$ 72.067,52] 3.2. DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL Os artigos 60, § 1°, e 62 do RIR199 estabelecem as condições para dedução das despesas no livro caixa da atividade rural. As despesas não dedutíveis escrituradas no livro caixa da atividade rural individual do contribuinte foram relacionadas na Planilha 1, que acompanha este relatório, sendo que os motivos das glosas foram numerados de 1 a 16 e descritos na Planilha 2 anexa. Foi dada oportunidade de contestação dos valores glosados por meio do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 16/11/2006 Fl. 318DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11075.000458/200796 Acórdão n.º 2102001.263 S2C1T2 Fl. 3 5 (fls. 158 a 168). Em relação ao motivo n° 1, as duplicatas e recibos bancários apresentados não provam que as despesas se referem a combustível e manutenção de máquinas e equipamentos do contribuinte, como este argumenta, já que não consta nos referidos documentos qualquer identificação da despesa. O motivo n° 3 foi complementado para maior clareza da justificativa da glosa. No que se refere às glosas efetuadas pelo motivo n° 7, não foi comprovado que as viagens em questão se relacionam a atividade rural. Relativamente ao motivo n° 14, muito embora qualquer pessoa necessite de alimentação para sobreviver, tais despesas não encontram relação com o exercício da atividade rural, e a legislação não prevê a sua dedutibilidade. Os documentos comprobatórios das despesas glosadas, apresentados pelo contribuinte em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 31/08/2006 (fls. 67 a 71), foram reproduzidos no Anexo II do presente processo. Não foram solicitados ao contribuinte os documentos relativos às despesas glosadas pelo motivo n° 14. A própria atividade exercida pelos beneficiários (restaurantes, churrascarias, lancherias) dos pagamentos relativos às despesas em questão indica que estas se referem a alimentação, não tendo a finalidade dos pagamentos recebido contestação por parte do contribuinte na resposta ao termo lavrado em 16/11/2006. Estão sendo adicionadas às despesas escrituradas no livro caixa as parcelas do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural — Funrural — constantes nas Contra Notas das vendas omitidas pelo contribuinte, relacionadas no Quadro 2 do item 3.1 do presente relatório, conforme valores abaixo: (...) No mês de abril/2002, o total das despesas escrituradas no livro caixa no mês (R$ 32.390,20) é superior ao valor informado na DIRPF (R$ 31.080,81), conforme citado no Termo de Intimação Fiscal lavrado em 31/08/2006 (fl. 67, item 5). Tal diferença também está sendo adicionada no Quadro 6 do presente relatório, representativo das despesas dedutíveis da atividade rural exercida pelo contribuinte no anocalendário 2002. Em relação à parceria do contribuinte com Carlos Alberto Pimenta de Mendonça (Agropecuária Santa Constância), o livro caixa apresentado abrange outros valores além das despesas propriamente ditas, conforme exposto no item 1 do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 16/11/2006 (fl. 158). Em razão disso, foi elaborada pela fiscalização a Planilha 3 anexa ao presente relatório, na qual estão totalizadas apenas as despesas da parceria e as entradas correspondentes a retenções e a descontos contabilizados, estando excluídos os valores das contas 7/8, 142/2, 143/0, 145/7 e 286/0 do livro caixa, representativas de operações de empréstimos e de simples movimentações financeiras. Fl. 319DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 Salientese que não estão incluídas nas entradas totalizadas na Planilha 3 as receitas da atividade rural da parceria, demonstradas no Quadro 1 do presente relatório. Ressaltese ainda que a participação do contribuinte na parceria é de 50%, e, portanto, no Quadro 6 abaixo está sendo adicionada metade do total das despesas do livro caixa em questão. As cópias da documentação comprobatória das despesas da Agropecuária Santa Constância apresentadas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 23/01/2007 não foram juntadas ao presente processo, uma vez que não houve glosa de despesas escrituradas nesse livro caixa. (...) [despesa total da atividade rural = R$ 1.051.095,16] 3.3. RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL Considerandose os valores apurados nos Quadros 4 e 6 do presente relatório, temse que o resultado da atividade rural do contribuinte, apurado conforme previsto no artigo 63 do RIR199, é o seguinte: R$ 2.208.917,20 — 1.051.095,16 = R$ 1.157.822,04. No entanto, o artigo 71 do RIR/99 prevê que o resultado poderá ser limitado a 20% da receita bruta do anocalendário. Uma vez que tal opção é mais favorável ao contribuinte no caso em tela, está sendo considerado como resultado tributável da atividade rural no anocalendário 2002 o valor de R$ 441.783,44 (20% de R$ 2.208.917,20), superior em R$ 422.446,84 ao resultado informado pelo contribuinte em sua DIRPF. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 2ª Turma da DRJ/STM, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1811.267, de 04 de setembro de 2009 (fls. 264 a 275). O contribuinte foi intimado da decisão a quo, conforme aviso de recebimento – AR de fl. 279, não datado, porém com carimbo dos correios como entregue em 14/10/2009. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 12/11/2009 (fl. 280). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. “Convém destacar, neste ponto, que, embora o Impugnante não tenha localizado parte dos documentos solicitados pela fiscalização, eventual informação obtida a partir da circularização não é suficiente a atestar receita omitida, eis que nota fiscal emitida não se confunde com receita auferida. Inobstante o respeitável trabalho realizado pelo digno Agente Fiscal, a consideração de determinada operação como receita, deve observar a entrega do produto e o recebimento do valor correspondente, sob pena de estarse tributando uma expectativa de receita que, em verdade, pode ter caracterizado uma perda (prejuízo). Em outras palavras, a receita somente é reconhecida a partir do efetivo recebimento do valor da operação” (fl. 283 – transcrição do recurso voluntário); Fl. 320DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11075.000458/200796 Acórdão n.º 2102001.263 S2C1T2 Fl. 4 7 II. deve ser restabelecida parte das despesas glosadas, especificamente as com a motivação de nºs 01 (despesas com combustível e maquinário, provadas mediante duplicatas e recibos bancários), 03 (kit turbo), 7 (despesas com viagens), 8 (despesas provadas com recibos) e 14 (despesa com alimentação), pois todas são necessárias à manutenção da fonte produtora dos rendimentos, utilizadas na atividade primária do contribuinte; III. tem direito a compensar o prejuízo na atividade rural de R$ 104.254,89, do exercício 2001; IV. a multa de ofício aplicada de 75% sobre o imposto lançado tem caráter confiscatório, devendo ser reduzida para patamares que respeite o princípio da razoabilidade, com redução para o percentual de 20%; V. os juros de mora à taxa selic são inconstitucionais e devem ser afastados do lançamento aqui guerreado. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator O contribuinte foi intimado da decisão a quo, conforme aviso de recebimento – AR de fl. 279, não datado, porém com carimbo dos correios como entregue em 14/10/2009. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 12/11/2009 (fl. 280). Assim, vêse que o recurso foi interposto no prazo legal, e, atendidos os demais requisitos, deve ser conhecido. Inicialmente, passase à defesa do item I do relatório, na qual o contribuinte controverte a omissão de receita da atividade rural que lhe foi imputada. Como se vê do relatório de encerramento da ação fiscal, a autoridade autuante imputou ao contribuinte uma omissão de receita da atividade rural oriunda da parceria rural mantida com o Sr. Carlos Alberto Pimenta de Mendonça, denominada Agropecuária Santa Constância (contrato fls. 63 a 66), inclusive a partir de notas fiscais trazidas aos autos pelo próprio autuado, e outra oriunda das próprias atividades rurais do contribuinte, com notas fiscais obtidas a partir de circularização de adquirentes das mercadorias agrícolas do autuado. Por último, ainda foi imputada a omissão de uma receita, objeto de reclassificação, como se viu no relatório. A alegação do contribuinte de que as notas fiscais não representam, em si mesmas, entradas de recursos passíveis de tributação não pode ser acatada. Simplesmente, as notas fiscais emitidas pelo produtor rural são a prova ordinária da venda e compra de produtos, atestando, por si só, o auferimento de receitas. Obviamente que não se desconhece que, Fl. 321DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 eventualmente, o valor da nota fiscal poderia ser recebido parceladamente ou a prazo, com recebimento até em exercícios financeiros subseqüentes, levando, no caso, ao diferimento da tributação, já que se trabalha, na espécie, com regime de caixa. Porém, no momento em que a autoridade autuante circularizou os adquirentes das mercadorias do autuado e se assenhoreou das notas fiscais de receitas da parceria rural acima, estas trazidas aos autos pelo próprio autuado, emitidas dentro do ano fiscalizado, apreendeuse, por ser o normal, que as notas fiscais geraram as receitas a serem tributadas no ano de emissão delas. Caberia ao contribuinte ter informado que uma ou outra nota fiscal gerou recebimentos em outros exercícios, até porque a autoridade fiscal fez uma minuciosa auditoria, detalhando cada nota fiscal omitida (fls. 12 a 14), e, por óbvio, presumemse que geraram as receitas dentro do anocalendário 2002, até porque sequer foram emitidas no mês de dezembro de 2002, mas sim no curso do próprio anocalendário de 2002, a reforçar o entendimento que geraram receitas no próprio anocalendário 2002 (observemse as notas fiscais de receitas da parceria rural, emitidas nos meses de maio e julho de 2002, a demonstrar a ausência de verossimilhança que tais valores tenham sido recebidos em 2003 ou em anos subseqüentes. Na mesma linha, a maior parte das receitas da atividade rural própria foi auferida até outubro de 2002, o que leva a mesma conclusão precedente). Com as considerações acima, ficou absolutamente claro que a autoridade autuante comprovou a omissão de receitas da atividade rural, com notas fiscais emitidas pelo recorrente, trazidas aos autos por ele próprio ou por terceiros adquirentes de suas mercadorias, e tal prova não foi contraditada de modo idôneo pelo contribuinte. Dessa forma, mantémse a omissão de receitas da atividade rural. Agora se passa a debater glosas de despesas da atividade rural (item II do relatório). Mantida a omissão de receitas da atividade rural, como se viu no item precedente, a presente insurgência contra a glosa de despesas se encontra prejudicada. Explica se. O total da glosa das despesas da atividade rural montou R$ 390.445,66 (fl. 17). Caso fosse restabelecida toda essa glosa, isso implicaria em uma majoração das despesas da atividade rural de R$ 1.051.095,16 para R$ 1.441.540,82. Como as receitas da atividade rural montaram R$ 2.208.917,20 (fl. 15), o resultado da atividade rural seria de R$ 767.376,38. Ora, o resultado acima excede o percentual de 20% sobre as receitas da atividade rural (20% x R$ 2.208.917,20 = R$ 441.783,44), este já tomado como base de cálculo da infração pela autoridade autuante, por ser mais benéfico para o contribuinte, quando comparado com a escrituração receitas versus despesas. Insistese que, acaso fosse restabelecida toda a glosa de despesas (e observe que o contribuinte somente questionou 05 diferentes tipos de glosa, quando houve 16 tipos diversos – fls. 28 e 29), mesmo assim a base de cálculo da omissão das receitas versus despesas excederia os 20% das receitas da atividade rural, este último o critério mais benéfico. Na forma acima, no momento que se manteve a omissão de receitas (item I da defesa transcrita no relatório), ficou prejudicada toda a discussão do restabelecimento das despesas rurais glosadas pelos motivos de nºs 01, 03, 07, 08 e 14. Prejudicado, assim, a presente discussão. Fl. 322DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11075.000458/200796 Acórdão n.º 2102001.263 S2C1T2 Fl. 5 9 Agora se passa à defesa do item III (tem direito a compensar o prejuízo na atividade rural de R$ 104.254,89, do exercício 2001). Como já dito na decisão recorrida (fl. 272), todo o prejuízo da atividade rural do anocalendário 2000 (exercício 2001) foi utilizado no anocalendário 2001 (fl. 262), apurando neste último ano um rendimento tributável de R$ 17.807,82, isso em decorrência da utilização do prejuízo do ano antecedente. Assim, todo o prejuízo do anocalendário 2000 foi utilizado em 2001, não havendo qualquer prejuízo a ser utilizado no anocalendário 2002, aqui fiscalizado, pois no anocalendário 2001 apurouse, ao final, rendimento positivo (mesmo após a utilização do prejuízo do anocalendário 2000). Assim, sem razão o recorrente. Passase à defesa do item IV (a multa de ofício aplicada de 75% sobre o imposto lançado tem caráter confiscatório, devendo ser reduzida para patamares que respeite o princípio da razoabilidade, com redução para o percentual de 20%). A multa acima está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, para afastá la, necessariamente este julgador administrativo teria que declarar, de modo incidental, a inconstitucionalidade da norma respectiva. Ora, é cediço que o julgador administrativo não tem o poder para declarar a inconstitucionalidade de norma tributária, o que restou cristalizado na Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), devese ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau, o que implica na impossibilidade do acatamento da defesa acima estampada. Assim, sem razão o recorrente. Por fim, apreciase a defesa do item V (os juros de mora à taxa selic são inconstitucionais e devem ser afastados do lançamento aqui guerreado). A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF nº 4 (DOU de 22/12/2009): “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. E como já dito, os enunciados sumulares são de aplicação obrigatória nos julgamentos das Turmas do CARF, afastandose a presente defesa. Ante o exposto, NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 323DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 324DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 35464.004202/2006-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2006
DECADÊNCIA ARTS
45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE
STF
SÚMULA
VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código
Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de
pagamento ou não.
Nos termos do art. 103A
da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2006
RETENÇÃO CESSÃO
DE MÃO DE OBRA OCORRÊNCIA
Nos lançamentos referentes à retenção, nas hipóteses previstas na legislação,
deve restar clara nos autos a ocorrência da cessão de mão de obra, requisito
essencial para a realização do lançamento com amparo no art. 31 da Lei nº
8.212/1991
Processo Anulado
Numero da decisão: 2402-001.543
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
reconhecer a decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 173, I do CTN; e,
por maioria de votos, em excluir do lançamento, por vício material, os demais valores,
vencidos o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo e a relatora que entenderam se tratar de vício
formal. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2006 RETENÇÃO CESSÃO DE MÃO DE OBRA OCORRÊNCIA Nos lançamentos referentes à retenção, nas hipóteses previstas na legislação, deve restar clara nos autos a ocorrência da cessão de mão de obra, requisito essencial para a realização do lançamento com amparo no art. 31 da Lei nº 8.212/1991 Processo Anulado Fl. 291DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 2402001.543 S2C4T2 Fl. 278 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 173, I do CTN; e, por maioria de votos, em excluir do lançamento, por vício material, os demais valores, vencidos o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo e a relatora que entenderam se tratar de vício formal. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (Presidente), Ana Maria Bandeira, Wilson Antônio de Souza Correa, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Fl. 292DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 2402001.543 S2C4T2 Fl. 279 3 Relatório Tratase do lançamento de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondentes à retenção de 11% sobre o valor da nota fiscal/fatura de serviços prestados mediante cessão de mão de obra. A notificada deixou de reter e recolher os valores em nome das empresas cedentes de mão de obra. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 74/77), a entidade contratou empresas cujos valores lançados encontramse nos seguintes levantamentos. FSC = Fisioclin Fisioterapia SC Ltda. NFC = Nefrocor e Uro Serviços Médicos SC Ltda. BDR = Bandeirante Emergências Médicas Ltda. MDC = Medical View Com. e Assessoria Técnica Ltda. WAV = Wave Serviços Médicos SC Ltda. EGM = EG Mont Asses. e Cons. Ltda. PRS = Fundação Pró Sangue Hemocentro de São Paulo DSG = Fundação do Sangue A auditoria fiscal informa que os fatos geradores das contribuições apuradas no lançamento do crédito ocorreram com o pagamento das Notas Fiscais Faturas de Serviços e/ou Recibos, tendo sido constatados através das análises dos Livros Diários apresentados. Ressalta, ainda, que as empresas prestadoras não fizeram o devido destaque referente ao percentual de 11% (onze por cento), conforme dispõe a legislação. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 10/11/2006. A notificada apresentou defesa (fls. 96/168) onde tece considerações a respeito das atividades desenvolvidas pela notificada. Aduz que goza de imunidade tributária garantida pela Constituição Federal. Considera que os serviços prestados não se caracterizam como sessão de mão de obra e transcreve partes de contratos firmados com algumas das prestadoras de serviços. Faz considerações sobre prescrição e decadência. Pelo Acórdão nº 1616.201 (fls. 131/141) a 11ª Turma da DRJ/São Paulo I (SP) considerou o lançamento procedente. Fl. 293DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 2402001.543 S2C4T2 Fl. 280 4 Inconformada, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 246/272) onde repete as alegações de defesa e tece considerações sobre sujeição passiva e responsabilidade solidária. Renova os argumentos a respeito do gozo de imunidade constitucional. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 2402001.543 S2C4T2 Fl. 281 5 Voto Vencido Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar de decadência que deve ser acolhida. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 02/1999 a 02/2006 e foi efetuado em 10/11/2006, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 295DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 2402001.543 S2C4T2 Fl. 282 6 “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. Fl. 296DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 2402001.543 S2C4T2 Fl. 283 7 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, tratase do lançamento contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I do Fl. 297DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 2402001.543 S2C4T2 Fl. 284 8 CTN, para considerar que estão abrangidos pela decadência os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 11/2000, inclusive. Em que pesem os vários argumentos apresentados pela recorrente, entendo que, no mérito, merece ser ressaltado o argumento no sentido de que não teria havido cessão de mão de obra nos serviços prestados à recorrente. A prestação de serviços que envolvem a cessão de mãodeobra demanda a obrigatoriedade da tomadora em efetuar a retenção de 11% sobre o valor da Nota Fiscal/Fatura da contratada e o seu recolhimento. Entretanto, nem toda a prestação de serviço se reveste das características inerentes à cessão de mãodeobra. Daí a necessidade de que auditoria fiscal fundamente o relatório fiscal com os argumentos que ensejaram sua convicção de que a prestação de serviço em questão se trata de cessão de mãodeobra; Da análise do Relatório Fiscal, observase que, não obstante a quantidade de prestadoras de serviços envolvidas, o auditor fiscal notificante não apresentou qualquer argumento considerando a situação fática que permitisse formar a convicção de que tais serviços foram prestados mediante cessão de mãodeobra. Também não há informação de que a auditoria fiscal teria solicitado os contratos de prestação de serviços a fim de verificar as características dos serviços e a empresa nos os teria apresentado. O que se observa é que a própria notificada em sua defesa, no intuito de demonstrar a inexistência de cessão de mão de obra, colaciona trechos dos contratos formalizados com algumas das empresas e com base em tais citações, a decisão recorrida tenta fundamentar o lançamento. No entender dessa autoridade julgadora, tal procedimento está equivocado, senão vejamos. O ônus da prova é de quem alega. Portanto, a auditoria deve demonstrar no Relatório Fiscal a ocorrência da cessão de mão de obra caso a caso. A Lei nº 8.212/91 dispõe nos §§ 3º e 6º do art. 33 as hipóteses em que ocorre a inversão do ônus da prova, in verbis: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do Art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do Art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. .................................................................................... § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal Fl. 298DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 2402001.543 S2C4T2 Fl. 285 9 DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário; (......) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.(grifei)” Assim, para verificar a ocorrência do fato gerador que enseja a obrigatoriedade da retenção, a auditoria fiscal deve verificar junto à documentação fornecida pela empresa tais como, contratos de prestação de serviços, notas fiscais e outros os elementos que levem ao convencimento de que o serviço foi efetivamente prestado mediante cessão de mãodeobra. Caso não tenha ocorrido o disposto nos parágrafos acima descritos, cabe à auditoria fiscal demonstrar para cada uma das empresas prestadoras envolvidas a caracterização da cessão de mãodeobra, não bastando a simples menção da ocorrência no Relatório Fiscal; A necessidade de tal comprovação é corroborada pelas disposições do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 que estabelece em seu 219 e parágrafos o seguinte: “Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; Fl. 299DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 2402001.543 S2C4T2 Fl. 286 10 V digitação e preparação de dados para processamento; VIacabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde; e XXV telefonia, inclusive telemarketing. § 3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra” Da análise dos dispositivos legais citados, concluise que os serviços relacionados nos incisos de I a V do § 2º, quais sejam, limpeza, conservação e zeladoria; vigilância e segurança; construção civil; serviços rurais; digitação e preparação de dados para processamento não importando se contratados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra estariam sujeitos à retenção; Quanto aos demais serviços, é necessária a comprovação por parte da fiscalização de que os mesmos foram prestados por cessão de mãodeobra e não empreitada, porém o relatório fiscal não menciona os tipos de serviços prestados, se os mesmos se Fl. 300DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 2402001.543 S2C4T2 Fl. 287 11 enquadrariam nos incisos de I a V do § 2º do art. 219 do RPS e, não sendo o caso, quais os elementos de convicção que levaram a auditoria fiscal ao entendimento de que se tratava de cessão de mãodeobra. A precária demonstração da ocorrência do fato gerador é vício que leva à nulidade do lançamento. Cumpre dizer que, a meu ver, o vício existente no presente lançamento se consubstancia em vício formal. De acordo com o art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A insuficiência de qualquer dos requisitos acima resulta na formalização incorreta do lançamento. Portanto, a demonstração da efetiva ocorrência do fato gerador está diretamente relacionada aos requisitos formais do lançamento. Diante de todo o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que ocorreu a decadência até a competência 11/2000, inclusive, como também ANULAR O RESTANTE DO LANÇAMENTO, POR VÍCIO FORMAL. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 301DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 2402001.543 S2C4T2 Fl. 288 12 Voto Vencedor Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Redator Designado Analisando o voto proferido pela I. Conselheira Relatora Ana Maria Bandeira, especificamente no que tange à discussão acerca da falta de embasamento para a correta identificação de quais serviços foram executados mediante cessão de mão de obra, para fins de aplicação da retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/1991, peço licença para divergir da E. Relatora, pois entendo que não é caso de anulação por vício formal, mas sim por vício material. É o que passo a expor. Cumpre inicialmente esclarecer que a discussão do tema é bastante relevante, pois, dependendo da natureza imputada ao defeito encontrado no lançamento, as autoridades fiscalizadoras terão o prazo decadencial “reiniciado” para constituir o crédito tributário, nos termos do art. 173, inc. II, do CTN. Para que a controvérsia seja devidamente dirimida, devese delimitar os conceitos de vício formal e material, assim como os motivos que dão ensejo ao reconhecimento dessas duas espécies de vícios, que igualmente ensejam a nulidade do lançamento, porém com diferentes efeitos. No que tange ao vício formal, assim conceitua De Plácido e Silva1: “É o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela omissão de requisitos, ou desatenção à solenidade, que se prescreve como necessário à sua validade ou eficácia jurídica.” Assim, vislumbrase que o erro de forma deve estar relacionado com o descumprimento dos requisitos e solenidades necessários à criação do ato jurídico, bem como que importe na sua invalidade ou ineficácia jurídica, presentes na medida em que há preterição do direito de defesa do sujeito passivo, situação que leva ao insucesso de se atingir a finalidade do ato administrativo. Vale dizer, num primeiro momento, que o vício de forma está intimamente ligado com o alcance da finalidade do ato administrativo. Nesse mesmo sentido expõe Marcos Vinicius Neder2: “O vício processual de forma só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida.” 1 Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico / atualizadores: Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho. 25ª edição. Ed. Forense. Rio de Janeiro, 2004. p. 1482. 2 Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, Dialética, 2002, p. 416. Fl. 302DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 2402001.543 S2C4T2 Fl. 289 13 Cabe ressaltar também o entendimento de Manoel Antonio Gadelha Dias3: “O ato administrativo é ilegal, por vício de forma, quando a lei expressamente a exige ou quando determinada finalidade só pode ser alcançada por determinada forma.” No campo prático, as “solenidades” formais do lançamento se referem a todos os requisitos complementares necessários para se compor a linguagem para a comunicação jurídica4, ou seja, para que o ato administrativo possua todos os elementos necessários à efetiva interação com o sujeito passivo, permitindo que este compreenda todas as motivações que o levaram a ser autuado, tais como a descrição dos fatos, a exposição da capitulação legal infringida, a menção ao local, data e hora da lavratura, etc. Esses requisitos compõem os elementos extrínsecos/formais do lançamento, os quais, para que importem na invalidade jurídica do ato administrativo, devem estar maculados a ponto de preterir o direito de ampla defesa e contraditório do sujeito passivo. Desta forma, ao se identificar que houve falha na exposição de um requisito complementar no auto de infração, e que, em virtude disso, houve deficiência na comunicação jurídica do ato administrativo, preterindo o direito de defesa do sujeito passivo, estarseá diante de um vício formal, que pode ser regularizado pela autoridade fiscal através de um novo lançamento, dentro do prazo decadencial previsto pelo art. 173, inc. II, do CTN. Cabe ainda ressaltar que, como é cediço, nesses casos, a permitida regularização do vício formal realizada por lançamento superveniente não poderá alterar os elementos materiais do ato administrativo previstos no art. 142 do CTN (fato gerador, obrigação tributária, matéria tributável, cálculo do montante devido e identificação do sujeito passivo), tendo em vista que apenas aperfeiçoará a forma de sua constituição para possibilitar que haja comunicação jurídica, permitindo que o contribuinte conheça as efetivas razões de autuação, bem como que realize a devida defesa, caso entenda ser necessário. Expostas minhas considerações acerca do conceito de vício formal, passo a analisar as características do vício material. Analisando o procedimento adotado pelo Código Tributário Nacional para se constituir o ato administrativo – lançamento – (art. 142 do CTN), verificase que a fiscalização deve “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Tais procedimentos, embora façam parte do lançamento, resultam na formação dos seus elementos materiais/intrínsecos, sem os quais não haverá a constituição do crédito tributário. 3 Tôrres, Heleno Taveira et al (coordenação). Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicados São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 340. 4 Tôrres, op. cit. p. 346. Fl. 303DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 2402001.543 S2C4T2 Fl. 290 14 Destarte, caso a aferição desses elementos seja feita de forma equivocada, o lançamento resultante não estará revestido com os requisitos básicos inerentes à “construção”5 do ato, resultando na sua nulidade. Não obstante, quando a fiscalização não aplica os elementos intrínsecos como deveria, ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável ao cálculo do montante devido, ou à determinação do fato gerador, etc.), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen6: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. Outra questão que bem delimita os casos de vício formal e material é o efeito que seria presenciado caso fosse permitido um novo lançamento, realizado para sanar os vícios existentes no lançamento anterior. Caso o vício seja formal, o novo lançamento exigirá: (i) a mesma matéria tributável, (ii) o mesmo montante apurado no lançamento anterior, (iii) que o lançamento abranja os mesmos fatos geradores, (iv) que o sujeito passivo seja o mesmo, e (v) que seja a mesma multa aplicada, tendo em vista que, com o novo lançamento, apenas se ajustará os elementos extrínsecos do ato administrativo. Em se tratando de vício material, o novo lançamento acabará alterando os elementos substanciais do lançamento, o que resultará na cobrança de um tributo diferente, ou em valor diferente, ou apurado por critérios diferentes, ou de outro sujeito passivo, assim por diante, situação que não pode se valer do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II, do CTN. Versando sobre os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) 5 “VÍCIO MATERIAL – ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO – Padece de vício material o lançamento que altera as características do crédito tributário, modificando seus elementos. (...)” (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Acórdão n° 10248700, Sessão de 08/08/2007) 6 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 304DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 2402001.543 S2C4T2 Fl. 291 15 Nessa mesma linda de entendimento, peço vênia para destacar também trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) – destacouse Feitas essas considerações acerca da aplicação do vício formal e do vício material, passo a analisálas à luz do presente caso. Como bem destacado pela I. Conselheira Relatora, “o auditor fiscal notificante não apresentou qualquer argumento considerando a situação fática que permitisse formar a convicção de que tais serviços foram prestados mediante cessão de mãodeobra”. Destarte, não há como saber se os fatos jurídicos eleitos pelo auditor fiscal (notas fiscais de prestação de serviço) constituem, de fato, fatos imponíveis da norma tributária ora em comento (retenção de 11% sobre a prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra), o que leva ao entendimento de que a matéria tributável – elemento intrínseco do lançamento – não foi devidamente apurada, o que enseja em patente ofensa à legislação que rege a hipótese de incidência do presente débito, situação esta passível de anulação por vício material, e não por vício formal. Não sendo permitido formar a convicção de que os serviços foram prestados mediante cessão de mão de obra, fato imprescindível para a constituição do presente débito, é certo que o lançamento não concretizou a comunicação jurídica necessária para que o mesmo tenha validade, devendo, assim, ser extirpado do mundo fenomênico. Portanto, verificase que não houve equívocos no preenchimento dos requisitos formais do lançamento, de forma a preterir o direito de defesa da Recorrente, posto que esta apresentou, inclusive, defesa tendente a demonstrar a nulidade do ato administrativo. O que houve, in casu, foi a adoção de fatos imponíveis equivocados, alterando os elementos substanciais/intrínsecos do lançamento, quais sejam, a aferição dos fatos geradores e a determinação da matéria tributável, incorrendo em flagrante vício material. Cabe ressaltar que eventual lançamento passível de ser constituído posteriormente em virtude desta anulação seria totalmente dissociado da presente NFLD, posto que demandaria uma nova fiscalização e apuração dos montantes porventura devidos, levando se em consideração o que restou aqui consignado, certamente com valores diversos da presente autuação, e não um mero aperfeiçoamento formal, razão pela qual entendo estarmos diante de um vício material. Ante todo o exposto, mais uma vez pedindo vênia à E. Conselheira Relatora, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO E DARLHE PROVIMENTO para Fl. 305DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004202/200651 Acórdão n.º 2402001.543 S2C4T2 Fl. 292 16 RECONHECER A NULIDADE DO RESTANTE DO LANÇAMENTO, POR VÍCIO MATERIAL. É como voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 306DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11095.002155/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91.
Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic.
EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. EXIGÊNCIA DE MESMO OBJETO PARA CARACTERIZAR A RENÚNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Se os objetos da ação judicial e da processo
administrativo são distintos, então este deve prosseguir naturalmente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.222
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. EXIGÊNCIA DE MESMO OBJETO PARA CARACTERIZAR A RENÚNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Se os objetos da ação judicial e da processo administrativo são distintos, então este deve prosseguir naturalmente. Recurso Voluntário Provido em Parte
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INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. EXIGÊNCIA DE MESMO OBJETO PARA CARACTERIZAR A RENÚNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Se os objetos da ação judicial e da processo administrativo são distintos, então este deve prosseguir naturalmente. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11095.002155/200851 Acórdão n.º 2301002.222 S2C3T1 Fl. 156 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.489.8949, lavrada em 06/09/2002, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos a contribuintes individuais, no período de 01/1999 a 12/2001, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 73.311,59, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 30/09/2002, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 50/72, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Na DecisãoNotificação de fls. 84/91, a DRP/Porto Alegre concluiu pela procedência integral do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 05/01/2004, fls. 92. O recurso voluntário, apresentado em 28/01/2004, fls. 95/116, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. Por fim, insiste na existência de ação judicial de natureza revisional que impediria o prosseguimento do presente processo. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos da NFLD constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, Fl. 169DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11095.002155/200851 Acórdão n.º 2301002.222 S2C3T1 Fl. 157 5 não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos a preliminar de cerceamento de defesa para iniciarmos a análise do mérito. Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Quanto à existência de ação judicial, considerando o despacho de fls. 81/82, não encontramos razões para concluir que o mérito das ações é idêntico ao mérito do presente processo. Apesar de ciente do conteúdo do despacho, a recorrente nada contraditou, limitando se a insistir que as ações impediriam o prosseguimento do processo administrativo. O caso, portanto, não enseja a aplicação da Súmula CARF nº 1 a seguir transcrita: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 170DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003333/2005-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO.
O fisco pode exigir a comprovação da área de preservação permanente cuja exclusão o contribuinte pleiteou na DITR. Não comprovada a existência efetiva da área mediante laudo técnico, é devida a glosa do valor declarado.
AREA DE PRODUÇÃO VEGETAL. COMPROVAÇÃO.
A exclusão da área de produção vegetal para fins de definição do grau de utilização do imóvel pressupõe a compr vação da existência efetiva das áreas com essa utilização.. Não comprovada a área pretendida, deve ser mantida a glosa.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO„ PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS,.
Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para informar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT.
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-000.696
Decisão: Acordam os membros do Colegiado por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do vote do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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MINISTÉRIO DA FAZENDA .::LACIV" CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10675.00333:3/2005-24 Recurso n" .340.365 Voluntário Acórdão n" 2201-00.696 — 2" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 16 de .junho de 2010 Matéria 11 R . ' - Ex(s). .2001 Recorrente MARIA GERALDA CUNHA JUNQUEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL . ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. O fisco pode exigir a comprovação da área de preservação permanente cuja exclusão o contribuinte pleiteou na DITR. Não comprovada a existência efetiva da área mediante laudo técnico, é devida a glosa do valor declarado. . ÁREA DE PRODUÇÃO VEGETAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão da área de produção vegetal para fins de definição do grau de utilização do imóvel pressupõe a comprovação da existência efetiva das áreas com essa utilização.. Não comprovada a área pretendida, deve ser mantida a glosa. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO„ PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS,. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os mem ros do 'oligiaclo - o' unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos • vote i a Rei , o. Francisc• , ssis de Oliveira Júnior - Presidente '.,_... i. , (hi i .. Jt'kr) .--71"I/L ) Fe te PauldTe -eira Barbosa Relator EDITADO EM: 9Aso 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo 'Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente)„ 2 Processo u" 10675 003333/2005-24 S2-C211 Acórdão ri "2201-00.696 Fl. 2 Relatório MARIA GERALDA CUNHA JUNQUEIRA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DM-BRASÍLIA/DF (fls. 139) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de lis. 29/37, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — 1TR referente ao exercício de 2001, no Valor de R$ 11.136,19, acrescido de multa de oficio e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 27.769,20. Segundo o relatório fiscal, o lançamento decorreu da revisão da DITR/2001 da qual foi glosado o valor declarado como área de preservação permanente (94,3), foi alterado o valor declarado como área utilizada como produtos vegetais, de I .349,8ha. para 988,0ha., e foi alterado o valor da terra nua — VTN de R$ 1,212,075,00 para R$ 4.881,350,00, A Contribuinte apresentotia impugnação de lis. 41/45 na qual disse discordar da autuação quanto à glosa da área de preservação permanente cuja existência afirmou ter comprovado; que a produção vegetal declarada é a correta e que a baixa produção deveu-se a fatores climáticos, de produtividade e perda de plantio, não se caracterizando a subutilização; que o VTN declarado é o verdadeiro, conforme laudo técnico que apresentou, A DM-BRASÍLIA/DF julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Sobre a glosa da área ambiental a DRJ-BRASÍLIA/DF, após analisar a legislação pertinente, concluiu pela necessidade de averbação da área de reserva legal até a data da ocorrência do fato gerador e a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA ao 'barna e que essas exigência não foram observadas, conforme trechos a seguir do voto condutor do acórdão: Em suma, para ser excluída da área tributável no cálculo do ITR12001, a área de reserva legal (94,3 ha) deveria estar averbada à época da ocorrência do respectivo fato gerado (01/0112001); porem, consta a averbação de uma área de .534,83 há, ocorrida somente em 19/07/2002, conforme matricula AV03- 3.667 às /is. 69, sendo intempestiva para o exercício de 2001. Há, ainda, a segunda exigência: de que essa área do imóvel seja reconhecida como de interesse ambiental, por meio de Ato Declara/ária Ambiental - ADA, emitido pelo 1BAMA/órgão conveniado, ou que tivesse o protocolo de seu requerimento tempestivo, conforme termo de verificação de fls. 30/3.2. ri Apesar de o requerente destacar que essa área de interesse ambiental realmente existe no imóvel, tal fáto é irrelevante para a decisão da lide a seu favor, pois o que se busca nos autos é a prova documental do reconhecimento da referida área mediante ato do 1BAMA/órgão conveniado ou, no mínimo, da 3 protocolização tempestiva do requerimento do ADA, além da averbação da área de reserva legal à época da ocorrência do seu fato gerador (01/11/2001), exigência essa também não atendida. Dessa ..forma, não cumpridas as exigências para ser considerada área não tributável, entendo que deva ser mantida a glosa, efetuada pela autoridade fiscal, da área de utilização limitada/reserva legal (94,3 ha), infbrmada na DITR/2001 como de preservação permanente (fls. 04) Quanto à área utilizada na produção vegetal, a DRJ ressaltou que a declaração de produtor rural de 2000 confirma uma área de 988,0ha e que as notas fiscais de fls 95/113, apresentadas pela Contribuinte, são insuficientes para comprovar a existência de uma área maior. Anota, entretanto, a DRJ, que a diferença entre à área declarada e a apurada pela fiscalização é irrelevante para fins de determina* do imposto apurado porque, em qualquer caso, a alíquota aplicável seria de 30%. Finalmente, quanto ao '5/TN, a DRJ considerou o laudo apresentado insuficiente para comprovar o valor pretendido pela Recorrente, "pois o laudo trazido nos autos, sem a necessária ART, é muito sucinto, não demonstrando, de forma clara e inequívoca, o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR/2001 (01/01/2001).." A Contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 05/09/2007 (fis.. 149) e, em 04/10/2007, interpôs o recurso voluntário de fls.. 150/168 no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. 4 44, Processo n" 10675.00.3333/2005-24 S2-C2T1 Acórdão n O 2201-00.696 Fl. 3 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Relatou O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se vê, o litígio envolve três matérias: a definição e a verificação do atendimento das condições para a exclusão de áreas ambientais, no caso, área de preservação permanente; a quantificação e comprovação das áreas com produtos vegetais; e o VTN. Sobre a primeira questão, registre-se, inicialmente, que, embora a DR.I refira- se a áreas de reserva legal, tendo, inclusive, ressaltado a necessidade da averbação à margem da matrícula do imóvel, na DITR/2001 não foi declarada área de reserva legal. O que foi declarado, e posteriormente glosado, foi área de preservação permanente - APP. O que se tem que examinar, portanto, é a comprovação da existência da APP, no caso, de 94,3ha. O fundamento da autuação para a glosa da APP declarada foi a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA),. E, de fato, antes da autuação a Contribuinte foi intimada uma vez a apresentar, entre outros documentos, cópia do ADA, e segundo o relatório não o fez. Nota-se também que a Contribuinte não comprovou a existência da área ambiental por outro meio, como, por exemplo, laudo técnico expedido por profissional habilitado. Assim, embora a Recorrente afirme a existência efetiva da área ambiental e discuta a necessidade do ADA, não comprovou a efetividade da APP. Nessas condições, deve ser mantida a glosa. Quanto à área com produção vegetal, a questão central é que a Declaração de Produtor Rural de 2000 que se encontra às fls. 23 indica uma área de apenas 988,0ha. a qual foi considerada pela autuação e o Contribuinte não apresentou nenhum elemento que pudesse comprovar uma área maior. Mas uma questão importante que foi ressaltada pela decisão de primeira instância é que, para o lançamento, a diferença entre a área declarada e a área considerada pela fiscalização é neutra em termos da definição do crédito tributário lançado. É que a área de produção vegetal e outras áreas produtivas entram no cálculo do ITR apenas para determinar o grau de utilização da propriedade e que vai influir na alíquota do imposto.. E, neste caso, independentemente de se considerar uma ou outra área de produção vegetal, chega-se à mesma alíquota. Finalmente, quanto ao VTN, a Contribuinte foi intimada a comprovar o valor declarado e trouxe aos autos o Laudo de Avaliação de Terras fis. 67, lacônico, no qual o técnico se limita a fazer breves considerações sobre as características da propriedade e, fii .. / / aponta um valor para as teiras, O laudo não vem acompanhado da ARI e, não atende aos requisitos técnicos mínimos de validade, Assim, concluo no mesmo sentido da decisão de piimeira instância pela imprestabilidade do laudo em questão para comprovar o VTN, devendo prevalecer, portanto, o valor apurado pela fiscalização com base no SIPT, Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. [ o L.v\) Paulo ereira Barbosa • 6
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001972/2004-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1999
Ementa: IRRF. COMPROVAÇÃO. Comprovada a retenção do imposto pela
fonte pagadora, o contribuinte faz jus à sua compensação com o imposto apurado na declaração de rendimentos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-001.082
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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COMPROVAÇÃO. Comprovada a retenção do imposto pela fonte pagadora, o contribuinte faz jus à sua compensação com o imposto apurado na declaração de rendimentos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator EDITADO EM: 15/04/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Fl. 89DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 ANTHONY MACARTHY interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSÃO PAULO/SP II (fls. 37) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 22/25, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 1999, no valor de R$ 25.876,44, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 64.688,51. A infração que ensejou o lançamento está assim descrita no auto de infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE NO VALOR DE R$ 27.327,72 NÃO CONSTA DIRF/1999 DA FONTE PAGADORA INVENSYS APPLIANCE CONTROLS LTDA 45040185/000104. ENQUADRAMENTO LEGAL: ART. 12, INCISO V DA LEI 9.250/95. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 e 02 na qual afirma que recebeu rendimentos de BRT BRASIL LTDA. e que sofreu retenção na fonte de R$ 27.327,72 e que a fonte pagadora não informou este valor em DIRF, inicialmente, mas, em momento posterior, fez uma retificação. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que, embora conste nos sistemas da SRF a apresentação da DIRF retificadora, conforme afirmado pelo Contribuinte, não há prova do recolhimento do imposto. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 04/01/2009 (fls. 41) e, em 01/02/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 46/51, que ora se examina, e no qual reafirma que houve a retenção e o recolhimento do imposto pela fonte pagadora e apresenta os documentos de fls. 53/75 que comprovariam este fato. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o litígio gira em torno apenas da comprovação da retenção e do recolhimento do imposto pela fonte pagadora. No recurso, o Contribuinte trouxe aos autos o documento de fls. 53/75 que comprovam a retenção e o recolhimento do imposto. Destacase, entre estes documentos, o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte (fls. 55) e o DARF de fls. 54. Ora, como a questão que ensejou a glosa do valor declarado e a posição da decisão de primeira instância era a falta de comprovação da retenção e do recolhimento, apresentadas as provas, não há razão para não se reconhecer a compensação. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10882.001972/200429 Acórdão n.º 220101.082 S2C2T1 Fl. 2 3 Nestas condições, portanto, penso que deve ser restabelecida a compensação. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 91DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 10183.900995/2006-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO.
Se os elementos carreados aos autos indicam que os esclarecimentos prestados pelo contribuinte só foram apreciados a partir da apresentação da Manifestação de Inconformidade, e se tais esclarecimentos deixam fora de dúvida ter havido mero erro material na indicação do crédito pleiteado, a análise dos pedidos envolvidos deve ser promovida levando-se em conta a documentação aportada ao processo nessa fase, sendo irrelevante o meio
utilizado para retificar o documento anteriormente apresentado ao órgão administrativo..
Numero da decisão: 1302-000.532
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para que nova decisão seja exarada em 1ª instância levando se em conta a natureza do crédito alegada pela recorrente (saldo negativo de IRPJ).
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. Se os elementos carreados aos autos indicam que os esclarecimentos prestados pelo contribuinte só foram apreciados a partir da apresentação da Manifestação de Inconformidade, e se tais esclarecimentos deixam fora de dúvida ter havido mero erro material na indicação do crédito pleiteado, a análise dos pedidos envolvidos deve ser promovida levandose em conta a documentação aportada ao processo nessa fase, sendo irrelevante o meio utilizado para retificar o documento anteriormente apresentado ao órgão administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para que nova decisão seja exarada em 1ª instância levandose em conta a natureza do crédito alegada pela recorrente (saldo negativo de IRPJ) “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 541DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10183.900995/200667 Acórdão n.º 130200.532 S1C3T2 Fl. 533 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Roberto Armond Ferreira da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Sandra Maria Dias Nunes. Fl. 542DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10183.900995/200667 Acórdão n.º 130200.532 S1C3T2 Fl. 534 3 Relatório TODIMO TRANSPORTES LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, consubstanciada no acórdão nº. 0417.523, de 08 de maio de 2009, que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Cuiabá, Mato Grosso. Trata o processo de pedido de restituição, cumulado com o de compensação, referente a crédito de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do anocalendário de 2003. Apreciando o pedido formalizado pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal em Cuiabá o indeferiu sob a alegação de que o documento de arrecadação correspondente ao crédito pleiteado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande, fls. 01/14, por meio da qual argumentou, em síntese, que os créditos efetivamente existiam, tendo havido, apenas, erro de fato na indicação da sua origem. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por meio do acórdão nº. 0417.523, de 08 de maio de 2009, indeferiu a solicitação, conforme ementa que ora transcrevemos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. Conhecese parcialmente da manifestação de inconformidade no caso de parte das razões não serem pertinentes ao litígio instaurado. PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. SUSTENTAÇÃO ORAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão para sustentação oral por advogado do contribuinte na sessão de julgamento administrativo em primeira instância. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de IRPJ por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do anocalendário. DCOMP. RETIFICAÇÃO. As declarações de compensação só podem ser retificadas até a notificação do interessado da decisão proferida pelo titular da Fl. 543DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10183.900995/200667 Acórdão n.º 130200.532 S1C3T2 Fl. 535 4 unidade da Receita Federal que circunscriciona o contribuinte e se tiver ocorrido mero erro material. Ciente da Decisão de primeira instância em 15 de junho de 2009, conforme Aviso de Recebimento de folha 493, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 07 de julho de 2009, conforme registro de recepção de folha 494, por meio do qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que possui o crédito pleiteado, conforme já restou provado e demonstrado, merecendo reforma, assim, o julgado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento; que não se pode manter a decisão pela não homologação, eis que, em síntese, as antecipações mensais pagas a título de imposto de renda geraram um saldo negativo de IRPJ, sendo ele utilizado em exercícios subseqüentes para compensação do mesmo tributo; que a compensação não restou homologada meramente por advento de um erro de preenchimento nas PER/DCOMP, fazendose constar equivocadamente no campo "origem do crédito", "pagamento indevido ou a maior"; que o erro de preenchimento na PER/DCOMP não tem o condão de afastar a verdade material, ou seja, da existência de créditos passíveis de restituição ou compensação; que não se pode cogitar que o equívoco de preenchimento seja um "erro de direito", como aponta o julgado recorrido, eis que o crédito existe faticamente, está em valor correto, consta dos demais documentos fiscais da empresa e apenas não se efetivou porquanto a origem do crédito haja sido preenchida indevidamente; que a retificação não poderia ser realizada "eletronicamente"; que a retificadora foi entregue, tanto que, apesar de afirmar ser inexistente a "chancela de recebimento" por parte da Receita Federal, em nenhum momento atesta o julgador a quo que tal fato não ocorreu; que o "saldo negativo", na realidade, não foi apurado e aplicado "no mesmo exercício", como insiste o julgado recorrido sustentar; que a autoridade julgadora sequer apreciou as provas ou analisou qualquer documento anexado ao presente feito; que o Termo de Intimação que apontou "irregularidade" no preenchimento da PER/DCOMP data de 31/08/2006 e a retificadora foi entregue em 20/09/2006, enquanto o Despacho Decisório foi emitido somente em 16/06/2008, isto é, muito depois da retificação; que o fato acima explicitado invalida a tese da impossibilidade de retificação. Adiante, a contribuinte reitera os argumentos expendidos na peça impugnatória. Cabe observar que, às fls. 458/469, em documento denominado MEMORIAIS PARA JULGAMENTO, protocolizado em 13 de março de 2009, antes, portanto, da decisão de primeira instância, a contribuinte, alegando buscar a uniformização de Fl. 544DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10183.900995/200667 Acórdão n.º 130200.532 S1C3T2 Fl. 536 5 decisões, noticiou a existência de despachos decisórios, relativos a situações análogas, favoráveis a outras empresas do seu Grupo Econômico. É o Relatório. Fl. 545DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10183.900995/200667 Acórdão n.º 130200.532 S1C3T2 Fl. 537 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de ausência de reconhecimento de direito creditório e, por decorrência, da não homologação de compensações pleiteadas. A argumentação básica da Recorrente é dirigida no sentido de afirmar que houve mero erro formal no preenchimento do pedido de compensação, pois, ao informar a origem, indicou que o crédito provinha de pagamento a maior ou indevido, quando deveria ter assinalado “saldo negativo de IRPJ/CSLL”. Explica a contribuinte que, a partir de tal erro, foi intimada a apresentar os documentos de arrecadação correspondentes ao suposto pagamento a maior ou indevido, o que, obviamente, não foi possível, gerando daí o indeferimento do pedido de reconhecimento do direito creditório sob o fundamento de que o crédito inexistia. Adita a Recorrente que, pretendendo corrigir o erro de preenchimento em questão, apresentou uma declaração de compensação retificadora (manual), mas que tal documento não foi apreciado na instância competente. A partir de tal ilação, a contribuinte passa a discorrer sobre a efetiva existência do crédito pleiteado, e, para fins de comprovação, junta aos autos planilhas de apuração, cópia de DCTF e de documentos de arrecadação referentes aos períodos envolvidos. Tomando por base o documento de fls. 22, podese afirmar que o despacho decisório relativo ao não reconhecimento do direito creditório da contribuinte foi emitido eletronicamente. No referido documento, restou consignado: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. No documento de arrecadação (DARF) discriminado no despacho decisório eletrônico foi indicado, no campo correspondente ao “valor”, o montante do crédito apontado no PER/DCOMP (R$ 4.236,17). O referido PER/DCOMP foi transmitido em 23 de outubro de 2003 (fls. 24), enquanto o despacho decisório foi cientificado à contribuinte em 1º de julho de 2008 (fls. 22). A declaração retificadora referenciada pela Recorrente, juntada ao processo às fls. 31, apesar de datada de 20 de setembro de 2006, não traz indicação acerca da data em que foi apresentada ao órgão competente. Fl. 546DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10183.900995/200667 Acórdão n.º 130200.532 S1C3T2 Fl. 538 7 Por outro lado, alega a Recorrente que o Termo de Intimação (fls. 516) que precedeu a emissão do Despacho Decisório (trazido aos autos, destaquese, pela Recorrente) foi datado de 31 de agosto de 2006, e que ela, em atendimento, apresentou declaração retificadora em 20 de setembro de 2006. Ainda que não se possa concluir se a referida declaração retificadora foi entregue na data aposta nela (20 de setembro de 2006), a cronologia dos fatos milita a favor da tese esposada pela Recorrente no sentido de que o documento retificador foi entregue em atendimento à intimação feita pelo órgão fiscal. Com efeito, o despacho decisório foi cientificado à contribuinte em 1º de julho de 2008 e nele existe expressa referência a esse processo, processo esse cuja protocolização foi efetivada em 07 de outubro de 2006. Em síntese, o que temos é o seguinte: o contribuinte transmitiu uma PER/DCOMP pela INTERNET indicando, como alega, incorretamente a origem do crédito que pretendia utilizar para compensar com determinados débitos. Por meio de rastreamento na sua base de dados, a Receita Federal, na medida em que não localizou documento de arrecadação com as características do crédito descrito pela requerente, emitiu, primeiramente, Termo de Intimação solicitando esclarecimentos, depois, despacho decisório de indeferimento. Diante desses fatos e com a devida permissão, discordo, ao menos em parte, dos fundamentos da decisão exarada em primeiro grau. Primeiramente, ainda que, no presente caso, o fato não se apresente como relevante, entendo que as denominadas “questões periféricas” referenciadas pela decisão combatida (suspensão da exigibilidade dos débitos declarados na DCOMP; natureza da declaração apresentada; incidência de encargos moratórios; e prescrição intercorrente) devem sim ser apreciadas pelos órgãos administrativos de julgamento, eis que se relacionam diretamente com a controvérsia instaurada a partir da interposição da manifestação de inconformidade. Entendo que as referidas matérias guardam total pertinência com a discussão central do processo, vez que representam efeitos decorrentes dos pedidos formulados pela contribuinte ou da decisão prolatada pela Administração em relação a esses mesmos pedidos. Correto o pronunciamento contido no voto condutor da decisão de primeiro grau acerca da impossibilidade de sustentação oral na primeira instância de julgamento, eis que ausente previsão legal nesse sentido. A autoridade julgadora de primeira instância alegou que a declaração retificadora apresentada pela Recorrente em formulário (papel) não poderia ser aceita como válida e eficaz em virtude dos seguintes motivos: a) a retificação só poderia ser feita por meio eletrônico; b) a retificação, não obstante a data assinalada no formulário, não traz chancela de recebimento da Receita Federal, o que levaria à conclusão de que o referido documento foi apresentado juntamente com a manifestação de inconformidade, havendo, assim, violação aos dispositivos normativos Fl. 547DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10183.900995/200667 Acórdão n.º 130200.532 S1C3T2 Fl. 539 8 aplicáveis que vedam a retificação após a manifestação do Delegado ou Inspetor da Receita Federal; c) a contribuinte incidiu em erro de direito e não em erro de fato, pois as compensações se refeririam a pagamentos por estimativa, que, à luz da legislação aplicável, só são passíveis de compensação após o término do período de apuração; d) não seria possível a compensação de pagamentos de estimativas com débitos de igual natureza relativos ao mesmo período de apuração; e e) não foi localizado pagamento indevido no exato valor declarado. Creio que tais fundamentos sejam merecedores de reparos, haja vista as seguintes considerações: 1. ainda que se possa identificar alguma impropriedade na retificação pretendida, não me parece razoável que, cientificada do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, a contribuinte não possa, mesmo que por meio de processo administrativo, demonstrar que houve mera inexatidão material no preenchimento do documento anteriormente entregue (irrelevante, a meu ver, o fato de essa demonstração ser feita por meio de formulário retificador); 2. a emissão de despacho de decisório eletrônico sem qualquer consideração acerca da eventual entrega de declaração retificadora por parte da contribuinte, ou mesmo se fosse o caso, sobre uma suposta ausência de manifestação em relação ao Termo de Intimação anteriormente encaminhado, torna inválida, a meu ver, a norma impeditiva de apresentação dessa mesma retificação após o pronunciamento da autoridade competente; 3. a contribuinte, alegando ter cometido erro na indicação da origem do crédito apontado na PER/DCOMP, afirma que o referido montante deriva de saldos negativos apurados nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, e que pretendeu compensálo com débitos decorrentes de estimativas de IRPJ devidas em 2003; 4. como documentação de suporte, a contribuinte colacionou aos autos: cópia das declarações de informação (DIPJ) que, embora tenham sido retificadas após o Termo de Intimação para prestar esclarecimentos, foram entregues antes da ciência do despacho decisório e não foram impugnadas pela autoridade administrativa; cópia de DCTF; cópia de comprovantes de recolhimento; e planilhas demonstrativas; 5. a afirmação de que a compensação pretendida pela Recorrente referese a pagamentos feitos por estimativa, além de conflitar com o declinado na Manifestação de Inconformidade apresentada, não pode, a meu ver, ser deduzida a partir da anexação dos comprovantes dos recolhimentos feitos pela contribuinte a esse título, vez que a reunião aos autos de tal documentação, salvo melhor juízo, objetivou comprovar os saldos negativos declarados; 6. apesar de correta a afirmação de que estimativas do anocalendário de 2003 não podem ser utilizadas para compensar débitos de igual natureza referentes a esse mesmo ano, cabe destacar que: a) o crédito, admitido o erro na indicação da sua origem, refere Fl. 548DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10183.900995/200667 Acórdão n.º 130200.532 S1C3T2 Fl. 540 9 se a saldo negativo; e b) a planilha de fls. 446 revela que a compensação pretendida pela Recorrente não envolveu saldo negativo relativo ao anocalendário de 2003; 7. a partir dos elementos trazidos pela Manifestação de Inconformidade, revelase absolutamente impróprio falarse em não reconhecimento do direito creditório face a inexistência de pagamento indevido, eis que os argumentos da contribuinte foram dirigidos no sentido de que houve erro na indicação da origem do crédito pleiteado. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para determinar que a autoridade julgadora de primeira instância, recepcionando o pedido de restituição como referente a SALDO NEGATIVO DE IRPJ, prolate nova decisão, considerando, para tal, a documentação aportada aos autos pela Recorrente. Sala das Sessões, em 30 de março de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 549DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10166.721300/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 09/06/2009
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. CORREÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL.
Conforme previsto no art. 138, parágrafo único do CTN, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.
ATENUAÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
Há que se analisar a totalidade dos institutos existentes à época da infração tributária (janeiro e dezembro de 2006) para verificação se os mesmos eram ou não mais benéficos. Naquela oportunidade havia previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999,
dos institutos da atenuação e da relevação da multa. Conforme previsto no art. 292, inciso V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999 (na redação anterior ao Decreto n 6.032 de 2007), caso o sujeito passivo corrigisse a infração antes da decisão de primeira instância teria o direito à atenuação da multa no montante de 50% (cinquenta por cento).
Numero da decisão: 2302-001.156
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Deve a
multa ser calculada considerando-se o instituto da atenuação prevista no art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999 na redação anterior ao Decreto n 6.032 de 2007.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente CVP COMERCIAL DE VEICULOS E PEÇAS LTDA Recorrida DRJ BRASILIA DF ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/06/2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. CORREÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Conforme previsto no art. 138, parágrafo único do CTN, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. ATENUAÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. Há que se analisar a totalidade dos institutos existentes à época da infração tributária (janeiro e dezembro de 2006) para verificação se os mesmos eram ou não mais benéficos. Naquela oportunidade havia previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999, dos institutos da atenuação e da relevação da multa. Conforme previsto no art. 292, inciso V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999 (na redação anterior ao Decreto n 6.032 de 2007), caso o sujeito passivo corrigisse a infração antes da decisão de primeira instância teria o direito à atenuação da multa no montante de 50% (cinquenta por cento). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Deve a multa ser calculada considerandose o instituto da atenuação prevista no art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999 na redação anterior ao Decreto n 6.032 de 2007. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausente momentaneamente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10166.721300/200933 Acórdão n.º 230201.156 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a sociedade empresária teria apresentado as GFIP das competências janeiro e décimo terceiro de 2006, com a omissão de fatos geradores, conforme relatório fiscal às fls. 07 a 13. Não conformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 97 a 119. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a Decisão de fls. 121 a 124, mantendo a autuação na integralidade. Não concordando com a decisão emitida pelo órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, fls. 128 a 129. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: • A GFIP referente ao décimo terceiro salário foi entregue em janeiro de 2007, não se justificando a autuação; • A GFIP referente a janeiro de 2006 foi entregue antes da intimação para tanto; • Deve ser reconhecida a denúncia espontânea. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme Aviso de Recebimento à fl. 127 e protocolo do recurso à fl. 128. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Ao contrário do afirmado pela recorrente não se aplica o instituto da denúncia espontânea no presente caso. Conforme previsto no art. 138, parágrafo único do CTN, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. In casu, ao contrário do afirmado pela recorrente a competência janeiro de 2006 somente teve a GFIP entregue em fevereiro de 2009. Uma vez que o procedimento fiscal foi iniciado em dezembro de 2008, conforme termo de início às fls. 14 a 16. A infração foi corrigida somente após o procedimento fiscal. A competência décimo terceiro salário de 2006 somente foi entregue em fevereiro de 2009, também em momento posterior ao início do procedimento fiscal; portanto não cabível a denúncia espontânea. A intimação para entrega da GFIP ocorreu em 19 de fevereiro de 2009, todavia o documento foi entregue pelo sujeito passivo somente em 21 de fevereiro de 2009. Não há razão ao recorrente ao afirmar que teria entregue a GFIP antes da intimação. Entretanto, há que se analisar a totalidade dos institutos existentes à época da infração tributária (janeiro e dezembro de 2006) para verificação se os mesmos eram ou não mais benéficos. Naquela oportunidade havia previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999, dos institutos da atenuação e da relevação da multa. Conforme previsto no art. 292, inciso V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999 (na redação anterior ao Decreto n 6.032 de 2007), caso o sujeito passivo corrigisse a infração antes da decisão de primeira instância teria o direito à atenuação da multa no montante de 50% (cinquenta por cento). In casu, aplicando a redução de cinquenta por cento, haja vista a correção da falta, o auto de infração lavrado sob o código CFL 67 seria mais benéfico, conforme tabela no item 4 do relatório fiscal (R$ 33.561,80 X 50% = R$ 16.780,90), quando comparado ao lavrado sob o CFL 77. Quanto à relevação da multa, a mesma possuía previsão no § 1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999. A multa seria relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator fosse primário, tivesse corrigido a falta e não tivesse ocorrido nenhuma circunstância agravante. In casu, não houve pedido no prazo de defesa para se aplicar a relevação, assim a mesma não pode ser concedida de ofício pela autoridade julgadora. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL, deve a multa ser calculada considerandose o instituto da atenuação prevista no art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999 na redação anterior ao Decreto n 6.032 de 2007. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10166.721300/200933 Acórdão n.º 230201.156 S2C3T2 Fl. 3 5 É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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