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Numero do processo: 11516.003373/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
ARGUIÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ACESSO AO CONTEÚDO DOS AUTOS. INOCORRÊNCIA.
Se o processo ficou à disposição dos autuados para vistas e retiradas de cópias, em repartições fiscais que são do conhecimento dos autuados, pois monitoraram a localização do processo pela internet, não há razão para a arguição de nulidade do procedimento fiscal ou necessidade de devolução do prazo de impugnação, mormente quando não é comprovada a alegada impossibilidade de acesso aos autos.
ARGUIÇÃO DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - FISCALIZAÇÃO (MPF-F). JURISDIÇÃO DIVERSA. INOCORRÊNCIA.
Uma vez comprovado que, segundo o CNPJ, o contribuinte fiscalizado tinha seu domicílio fiscal na jurisdição da repartição fiscal que deflagrou a ação fiscal, para emissão do MPF-F, era desnecessária a prévia emissão de Ordem de Serviço de que trata o § 2° do art. 6° da Portaria RFB n° 11.371/2007, prevista somente para realização de fiscalização na jurisdição de outra Região Fiscal.
ARGUIÇÃO DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - FISCALIZAÇÃO (MPF-F). INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE EXPEDIDORA. INOCORRÊNCIA.
Segundo o Regimento Interno da RFB, os delegados-adjuntos substituem os delegados quando das ausências e impedimentos destes. Esta atribuição confere-lhes o poder de emitir MPF para dar prosseguimento aos trabalhos.
ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. INCOMPLETUDE. INOCORRÊNCIA.
A minudente descrição dos fatos constante do Termo de Verificação Fiscal, anexo aos autos de infração, descaracteriza a arguição de nulidade das autuações por incompletude da motivação.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. SÚMULA.
Não há que se falar em prescrição intercorrente no PAF quando sequer iniciou-se a contagem do prazo prescricional cujo início só ocorre com a constituição definitiva do crédito tributário. A teor da Súmula nº 11, do Primeiro Conselho de Contribuintes, não se reconhece no âmbito do processo administrativo fiscal, o instituto da prescrição intercorrente.
MATÉRIA DE FATO. COMPROVAÇÃO MATERIAL. CARACTERIZAÇÃO.
A comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a inequivocidade de uma dada situação de fato. Nestes casos, a comprovação é deduzida como consequência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS.
Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicar-se-ão igualmente no julgamento de todas as exações.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA QUANTO AO MÉRITO. PRELIMINAR EXISTENTE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IRRF.
Considera-se fora da lide a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Recorrente. Embora não haja contestação expressa em relação ao mérito da exigência de IRRF, foram apresentadas preliminares que têm efeito sobre todo o crédito tributário, acarretando a suspensão da sua exigibilidade.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
LUCRO PRESUMIDO. RECEITA OMITIDA. CRITÉRIO DE ADOÇÃO DE PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO.
No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN.
Respondem solidariamente pelos créditos correspondentes à obrigação tributária da pessoa jurídica, os sócios que, na condição de administradores, praticarem atos com excesso de poderes ou infração à lei.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA. ART. 124, I, DO CTN.
A existência de ajustes entre as partes, com intuito de sonegação, evidencia o interesse comum de que trata o art. 124, I, do CTN. Nesta situação, o fisco deve vincular as partes na condição de sujeitos passivos solidários pelo crédito tributário resultante.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. APLICABILIDADE.
É aplicável a multa de ofício qualificada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o intuito de sonegação.
Numero da decisão: 1401-001.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade, AFASTAR a prescrição intercorrente e, no mérito, NEGAR provimento aos recursos dos responsáveis tributários, mantendo assim as responsabilidades tributárias da empresa Casa Verre e do Sr. Humberto Verre.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
...
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ACESSO AO CONTEÚDO DOS AUTOS. INOCORRÊNCIA. Se o processo ficou à disposição dos autuados para vistas e retiradas de cópias, em repartições fiscais que são do conhecimento dos autuados, pois monitoraram a localização do processo pela internet, não há razão para a arguição de nulidade do procedimento fiscal ou necessidade de devolução do prazo de impugnação, mormente quando não é comprovada a alegada impossibilidade de acesso aos autos. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO (MPFF). JURISDIÇÃO DIVERSA. INOCORRÊNCIA. Uma vez comprovado que, segundo o CNPJ, o contribuinte fiscalizado tinha seu domicílio fiscal na jurisdição da repartição fiscal que deflagrou a ação fiscal, para emissão do MPFF, era desnecessária a prévia emissão de Ordem de Serviço de que trata o § 2° do art. 6° da Portaria RFB n° 11.371/2007, prevista somente para realização de fiscalização na jurisdição de outra Região Fiscal. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO (MPFF). INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE EXPEDIDORA. INOCORRÊNCIA. Segundo o Regimento Interno da RFB, os delegadosadjuntos substituem os delegados quando das ausências e impedimentos destes. Esta atribuição conferelhes o poder de emitir MPF para dar prosseguimento aos trabalhos. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. INCOMPLETUDE. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 33 73 /2 01 0- 29 Fl. 4815DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 68 2 A minudente descrição dos fatos constante do Termo de Verificação Fiscal, anexo aos autos de infração, descaracteriza a arguição de nulidade das autuações por incompletude da motivação. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. SÚMULA. Não há que se falar em prescrição intercorrente no PAF quando sequer iniciouse a contagem do prazo prescricional cujo início só ocorre com a constituição definitiva do crédito tributário. A teor da Súmula nº 11, do Primeiro Conselho de Contribuintes, não se reconhece no âmbito do processo administrativo fiscal, o instituto da prescrição intercorrente. MATÉRIA DE FATO. COMPROVAÇÃO MATERIAL. CARACTERIZAÇÃO. A comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a inequivocidade de uma dada situação de fato. Nestes casos, a comprovação é deduzida como consequência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarse ão igualmente no julgamento de todas as exações. MATÉRIA NÃO CONTESTADA QUANTO AO MÉRITO. PRELIMINAR EXISTENTE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IRRF. Considerase fora da lide a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Recorrente. Embora não haja contestação expressa em relação ao mérito da exigência de IRRF, foram apresentadas preliminares que têm efeito sobre todo o crédito tributário, acarretando a suspensão da sua exigibilidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LUCRO PRESUMIDO. RECEITA OMITIDA. CRITÉRIO DE ADOÇÃO DE PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. Respondem solidariamente pelos créditos correspondentes à obrigação tributária da pessoa jurídica, os sócios que, na condição de administradores, praticarem atos com excesso de poderes ou infração à lei. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA. ART. 124, I, DO CTN. A existência de ajustes entre as partes, com intuito de sonegação, evidencia o interesse comum de que trata o art. 124, I, do CTN. Nesta situação, o fisco Fl. 4816DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 69 3 deve vincular as partes na condição de sujeitos passivos solidários pelo crédito tributário resultante. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de ofício qualificada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o intuito de sonegação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade, AFASTAR a prescrição intercorrente e, no mérito, NEGAR provimento aos recursos dos responsáveis tributários, mantendo assim as responsabilidades tributárias da empresa Casa Verre e do Sr. Humberto Verre. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 4817DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 70 4 ... Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0731.545, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FlorianópolisSC. Adoto o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de ação fiscal realizada na empresa em epígrafe com a lavratura de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 38) e de Contribuição Social sobre Lucro Líquido (fls. 914), do anocalendário 2007, com os enquadramentos e valores a seguir discriminados: Tributo alor (R$) Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ 1.086.159,05 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL 391.017,26 Contribuição para o PIS/Pasep 88.250,40 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS 407.309,63 Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF 4.259.230,70 As citações de numeração das folhas introduzidas neste acórdão referemse à numeração automaticamente atribuída na digitalização do processo. Essas exigências referemse ao anocalendário de 2007. Do relato da Fiscalização Do "Termo de Verificação Fiscal" TVF (f. 741 a 795), extraise os seguintes trechos que dão o panorama geral da autuação: I DO CONTRIBUINTE Tratase de pessoa jurídica organizada sob a forma de sociedade empresária limitada, cujo quadro societário, em 2007, era composto por Rodrigo Rodrigues da Silva, CPF 003.595.89952, com 99,95% do capital social, e Lúcia Aparecida Lopes da Silva, CPF032.401.65813, com 0,05% (doc. fls. 12 a 35). No ano sob fiscalização, o contribuinte apurou o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com base no lucro presumido (doc. fls. 593 a 606) e declarou na DIPJ (exercício 2008) as seguintes receitas brutas: 2007 Percentual de 8% Percentual de 32% Total 1°Trimestre R$ 369.166,95 R$ 749.425,13 R$ 1.118.592,08 2°Trimestre R$ 368.962,79 R$ 728.589,21 R$ 1.097.552,00 3°Trimestre R$ 376.081,27 R$ 743.537,89 R$ 1.119.619,16 4° Trimestre R$ 475.766,97 R$ 1.911.964,22 R$ 2.387.731,19 Fl. 4818DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 71 5 Em 2007, o contrato social previa objetos sociais distintos entre o estabelecimento matriz, na rua Josué di Bernardi, 110, sala lateral 03, Campinas, São José/SC, e os estabelecimentos filiais, todos situados no Estado de São Paulo (doc. fls. 13). Segundo o contrato social, o objeto social do estabelecimento matriz era "indústria e comércio atacadista e varejista de placas de sinalização urbana e rodoviária, placas para veículos automotores, serviços de lacração e relacração, equipamentos para segurança e sinalização visual, e o comércio atacadista e varejista de peças novas e usadas de aparelhos eletrodomésticos, consertos, instalações e assistência técnica de eletrodomésticos". As filiais tinham por objeto "a exploração de ramo prestação de serviços de lacração e relacração de veículos, equipamentos para segurança e sinalização visual, bem como a gravação de placas de sinalização urbana e rodoviária e placas de veículos automotores". I.1 Fatos relevantes relativos à sociedade empresária e sua dissolução irregular. 1.1.1 Em 2007, período sob fiscalização, a sociedade era domiciliada na Av. Josué di Bernardi, 110, sala lateral 03, São José/SC e o quadro societário, conforme descrito acima, era composto por Rodrigo Rodrigues da Silva, CPF 003.595.89952, com 99,95% do capital social, e Lúcia Aparecida Lopes da Silva, CPF 032.401.658 13, com 0,05%. 1.1.2 No entanto, a administração da sociedade era efetuada, em grande parte, por intermédio de procuradores: Vilma Pereira de Araújo, CPF 995.834.968 04, e Valdemir Rodrigues da Silva, CPF 288.321.83900. 1.1.3 De acordo com a 14a Alteração do Contrato Social, de 09/04/2009, retirouse da sociedade Rodrigo Rodrigues da Silva, CPF 003.595.89952, e ingressou Vilma Pereira de Araújo, CPF 995.834.96804, que passou a deter 90% do capital social e a ter poderes de administração. 1.1.4 Em 09/11/2009, de acordo com a 16a Alteração do Contrato Social, a sócia Vilma Pereira de Araújo, isoladamente, alterou a matriz da sociedade para a rua Itanhaém, 513, Vila Prudente, São Paulo SP e encerrou as atividades do estabelecimento à Av. Josué di Bernardi, 110, sala lateral 03, São José/SC. 1.1.5 A alteração da matriz para São Paulo e o encerramento das atividades da sociedade em Santa Catarina foram registrados na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina em 04/12/2009. 1.1.6 O Mandado de Procedimento Fiscal com a programação da presente fiscalização foi emitido em 05/01/2010. Neste momento, a alteração do domicílio tributário do contribuinte para São Paulo ainda não havia sido comunicada à Secretaria da Receita Federal do Brasil. 1.1.7 A alteração do contrato social foi encaminhada para a RFB em 11/01/2010 e processada em 01/03/2010. 1.1.8 O procedimento fiscal foi iniciado em 12/01/2010 com a lavratura do Termo de Início de Fiscalização, cuja ciência foi dada pessoalmente no estabelecimento na Av. Josué di Bernardi, 110, sala lateral 03, São José/SC. Neste ato, constatamos pessoalmente que o contribuinte estava em atividade normal naquele estabelecimento. Fl. 4819DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 72 6 1.1.9 Cumpre destacar, também, que o contribuinte atendeu ao Termo de 1nício de Fiscalização e apresentou livros e documentos pedidos naquele termo, bem como atendeu a outras intimações encaminhadas àquele endereço. 1.1.10 Após a alteração do domicílio fiscal no cadastro da RFB, estivemos pessoalmente no endereço da matriz do contribuinte, conforme registrado na 16a Alteração Contratual: na Rua Itanhaém, 513, Vila Prudente, São Paulo SP. Constatamos nesta diligência que o imóvel está fechado, sem qualquer atividade comercial ou administrativa. 1.1.11 Consultando a Junta Comercial do Estado de São Paulo, constatamos que o contribuinte alterou em 02/03/2010, após o início do procedimento fiscal, o contrato social e encerrou as atividades de todos os estabelecimentos filiais. A alteração do contrato social foi feita com a abstenção da sócia Lúcia Aparecida Lopes da Silva e não foi comunicada à fiscalização. Ademais, de acordo com a base de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, foram pedidas as baixas destas filiais, restando tãosomente a matriz, que, conforme descrito acima, está fechada de fato. 1.1.12 Estivemos, em 20/07/2010, no endereço à rua 1tanhaém, 513, Vila Prudente, São Paulo/SP e, novamente, constatamos que o estabelecimento está fechado, sem qualquer atividade. 1.1.13 Tendo em vista os fatos acima, encaminhamos por via postal Termo de Intimação para o endereço da sóciaadministradora, Sra. Vilma Pereira de Araújo, conforme cadastro do CNPJ. A correspondência retornou com a anotação de que foram feitas 3 tentativas de entrega e que a destinatária estava ausente. 1.1.14 Assim, foi elaborado edital de intimação, conforme art. 23, § 1°, do Decreto n° 70.235/72. 1.1.15 Os fatos narrados demonstram de forma cabal que houve a dissolução irregular da pessoa jurídica sob fiscalização. Esta dissolução irregular é corroborada pelas diligências efetuadas por oficiais de justiça, conforme as certidões negativas juntadas aos autos do processo judicial n° 01345201008902005, que foi consultado pela fiscalização na 089a Vara do Trabalho em São Paulo/SP (juízo deprecado). I.2 O contrato com o Detran/SP e a interposição da Cordeiro Lopes & Cia Ltda. Também é relevante destacar os contratos 001 a 009/06 celebrados entre a Cordeiro Lopes & Cia e o Departamento Estadual de Trânsito da Secretaria de Estado de Segurança Pública de São Paulo Detran/SP. 1.2.1 Os contratos decorreram do Pregão 20/2005, por meio do qual foi realizada a licitação referente à fabricação, entrega, depósito, estocagem, guarda e fornecimento de placas e tarjetas identificatórias de veículos automotores e outros tracionados e a prestação de serviços de mãodeobra para emplacamento, lacração e relacração, respectivamente nas regiões definidas nos Lotes de n° 1 São José dos Campos, n° 2 Campinas, n° 3 Ribeirão Preto, n° 4 São José do Rio Preto, n° 5 Bauru, n° 6 Santos, n° 7 Sorocaba, n° 8 Presidente Prudente e n° 9 Região Metropolitana. 1.2.2 Segundo o resultado do pregão, a Cordeiro Lopes saiu vencedora nas 9 (nove) regiões do Estado de São Paulo citadas acima. Somente não foi vencedora Fl. 4820DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 73 7 na Cidade de São Paulo, que compunha o Lote que foi vencido por outra pessoa jurídica. 1.2.3 A Cordeiro Lopes & Cia foi representada, na celebração dos contratos com o Detran/SP, pelo procurador, Sr. Valdemir Rodrigues da Silva. 1.2.4 Os pagamentos relativos aos contratos eram efetuados pelo Estado de São Paulo, por meio do Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios SIAFEM, diretamente nas contas correntes da Cordeiro Lopes & Cia Ltda no banco Nossa Caixa. Os pagamentos somaram, em 2007, R$ 12.706.633,28, conforme a planilha abaixo: Janeiro R$ 617.067,22 Fevereiro R$ 957.225,47 Março R$ 905.493,34 Abril R$ 804.015,27 Maio R$ 1.107.855,91 Junho R$ 987.299,11 Julho R$ 1.183.593,75 Agosto R$ 1.041.296,04 Setembro R$ 1.132.925,01 Outubro R$ 1.360.809,05 Novembro R$ 1.210.419,77 Dezembro R$ 1.398.633,34 Total R$ 12.706.633,28 I.2.5 Contudo, um conjunto probatório robusto e harmônico demonstra que a Cordeiro Lopes & Cia serviu como interposta pessoa da Casa Verre Indústria e Comércio Ltda, CNPJ n° 61.287.686/000138, na licitação mencionada anteriormente. A partir do momento em que venceu a licitação, a Cordeiro Lopes & Cia e a Casa Verre Indústria e Comércio Ltda passaram a atuar em conluio no desenvolvimento da atividade econômica relativa aos contratos celebrados com o Detran/SP. A receita auferida conjuntamente era movimentada em diversas contas bancárias da Cordeiro Lopes & Cia com o objetivo de esconder a participação da Casa Verre Indústria e Comércio Ltda e sonegar tributos. I.2.6 Desta forma, os fatos ulteriormente descritos em detalhes e os elementos de prova trazidos aos autos do processo administrativo fiscal demonstram o interesse comum, jurídico, da Cordeiro Lopes & Cia e da Casa Verre Indústria e Comércio Ltda nos fatos geradores, de acordo com o disposto no art. 124, I, do Código Tributário Nacional. [...] V DAS INFRAÇÕES Fl. 4821DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 74 8 V.1 DA OMISSÃO DE RECEITAS V.1.1 Receitas oriundas dos contratos com o Detran/SP [...] V.1.2 Créditos nas contas bancárias sem comprovação da origem dos recursos [...] V.2 DOS PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS Durante os procedimentos de verificação da movimentação financeira contida nos extratos bancários da Cordeiro Lopes & Cia, constatamos uma série de pagamentos mensais efetuados a beneficiários não identificados. [...] VI DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA VI.1 A responsabilidade dos administradores e procuradores da Cordeiro Lopes & Cia e da Casa Verre Indústria e Comércio Ltda [...] Diante dos fundamentos de fato e de direito narrados, para garantia do amplo direito de defesa e do devido processo legal, damos ciência deste termo, assim como dos autos de infração anexos, às pessoas abaixo listadas, na condição de sujeitos passivos solidários pelos créditos tributários constituídos de ofício: à sóciaadministradora da Cordeiro Lopes & Cia, Sra. VILMA PEREIRA DE ARAÚJO, CPF n° 995.834.96804, que era administradora à época dos fatos geradores e efetuou isoladamente as alterações do contrato social que levaram à dissolução irregular; ao procurador com poderes de administração da Cordeiro Lopes & Cia, Sr. VALDEMIR RODRIGUES DA SILVA, CPF n° 288.321.83900, que representou a Cordeiro Lopes & Cia na celebração dos contratos com o Detran/SP; ao sócio administrador da Casa Verre indústria e Comércio Ltda, Sr. Humberto Verre, CPF n°005.013.36834, pelo abuso da personalidade jurídica e pela simulação de contratos de locação de imóveis e outros com o intuito de sonegar tributos. VI.2 A responsabilidade da Casa Verre Indústria e Comércio Ltda A partir dos fatos descritos e das provas juntadas ao processo administrativo fiscal, a conclusão inescapável é que Cordeiro Lopes & Cia e Casa Verre Indústria e Comércio Ltda desenvolveram em conjunto, em conluio, as atividades econômicas contratadas com o Detran/SP. Nestas atividades, auferiram renda na prestação de serviços ao Detran/SP e a terceiros. Finalmente, utilizaram as sucessivas transferências de recursos entre contas e bancos para sonegar tributos e esconder a participação da Casa Verre nos fatos geradores. Em resumo, fraudaram a licitação e praticaram em conjunto os fatos jurídicos tributários. Têm, portanto, interesse jurídico comum nos fatos geradores dos tributos incidentes sobre a receita omitida. [...] Fl. 4822DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 75 9 VII DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Estamos constituindo de ofício os créditos tributários relativos aos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS incidentes sobre as receitas omitidas, bem como os relativos ao IRRF incidente sobre os pagamentos a beneficiários não identificados. Compõem o pólo passivo da obrigação tributária a Cordeiro Lopes & Cia e os demais responsáveis tributários nomeados neste termo. [...] VIII DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA Os fatos acima descritos, especialmente a utilização da Cordeiro Lopes & Cia como interposta pessoa, a simulação de operações comerciais e a movimentação constante de vultosos recursos nas contas bancárias com o objetivo de reduzir/suprimir ilicitamente as bases de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e dificultar a identificação dos contribuintes e responsáveis, caracterizam sobejamente a sonegação (art. 71, I, da Lei 4.502/64), que, neste caso, definese pela ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais e o conluio (art. 73, da Lei 4.502/64), que é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos. Desta forma, estamos constituindo de ofício os créditos tributários com a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) conforme determinação do art. 44, § 1 °, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007. [...] Da ciência das autuações e das impugnações apresentadas Conforme assinatura aposta no "Termo de Verificação Fiscal e Termo de Sujeição Passiva Solidária" (f. 795) e autos de infração (f. 860 a 892), a Casa Verre Indústria e Comércio Ltda. foi intimada das autuações em 04/10/2010, por meio de seu procurador. Os Srs. Valdemir Rodrigues da Silva e Humberto Verre foram intimados das autuações por via postal em 06/10/2010 (AR, f. 894 e 897). Já para a empresa Cordeiro Lopes & Cia. Ltda. não foi possível a intimação por via postal, pois o AR de f. 893 retornou com o motivo "mudouse". Para a Sra. Vilma Pereira de Araújo, também não foi possível efetuar a intimação por via postal, mas pelo motivo "recusado" (AR, f. 896). Deste modo, foram intimados por editais (f. 905/906), mas não apresentaram impugnações. O Sr. Valdemir Rodrigues da Silva apresentou a impugnação de f. 4627 a 4629, em 26/11/2010. Entretanto, como foi regularmente intimado da autuação em 06/10/2010, tratase de impugnação apresentada após o prazo legal, razão pela qual não teve o condão de instaurar o litígio. Somente a Casa Verre Indústria e Comércio Ltda. e o Sr. Humberto Verre, sócioadministrador desta empresa, apresentaram impugnações tempestivas (f. 4254 a 4472). Essas impugnações têm conteúdo semelhante, de forma que os argumentos são expostos abaixo a partir da impugnação apresentada pela Casa Verre. Fl. 4823DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 76 10 A peça impugnatória tem início com a seguinte descrição: 1 DOS FATOS A Casa Verre Indústria e Comércio Ltda. é uma pessoa jurídica que explora a atividade de fabricação e comércio de diversos produtos relacionados à sinalização de viária e rodoviária e placas de identificação de veículos automotores em geral, além de prestar os serviços de lacração e relacração de veículos desde 25/07/1966, sendo a principal empresa nesse seguimento (sic) na América Latina; Devido ao longo tempo de atuação, a ora Impugnante adquiriu uma longa experiência no seguimento. Por esse motivo, o mercado tem a Casa Verre Indústria e Comércio Ltda. como referência no setor; No ano de 2006, a Cordeiro Lopes & Cia. Ltda., através de seu procurador Sr. Valdemir Rodrigues da Silva, entrou em contato com a Impugnante com objetivo de obter um acordo para fornecimento de material e assessoria técnica para viabilizar o cumprimento do contrato de serviço público de lacração e relacração de placas de veículos que havia acabado de celebrar com o Detran/SP, após sair vencedora de uma licitação. Em decorrência desse contato, como a proposta era financeiramente e comercialmente viável, a Impugnante firmou com a empresa Cordeiro Lopes um acordo para fornecimento de material e assessoria técnica. A referida assessoria técnica consistia em treinamento de pessoal e orientação empresarial relacionada a melhor forma de condução dos negócios. Tal assessoria técnica não consistia ou implicava em interferência da Impugnante em qualquer contrato firmado pela Cordeiro Lopes, na parte financeira ou contábil da empresa. Tratavase, portanto, simplesmente de um acordo através do qual a Impugnante forneceria, temporariamente, o seu know how para que a Cordeiro Lopes se consolidasse no mercado. Com o passar do tempo, a Impugnante foi surpreendida com as especulações negativas que envolviam o nome da empresa Cordeiro Lopes. Em decorrência dessas especulações, a Impugnante foi restringindo seus negócios com a empresa Cordeiro Lopes. Em maio de 2010, compareceu pessoalmente a sede da Impugnante em São Paulo, um AuditorFiscal da Secretaria da Receita Federal em Florianópolis, que entregou uma intimação requerendo informações sobre a relação comercial que mantinha com a empresa Cordeiro Lopes. A Impugnante, como não tinha e não tem quaisquer problemas com o oferecimento dessas informações na medida em que a relação comercial era absolutamente legal, atendeu prontamente todas as intimações feitas pelo Sr. Auditor Fiscal, apresentando a documentação solicitada e respondendo todos os questionamentos. Para sua grande surpresa, no dia 04/10/2010, a Impugnante, através de seu representante legal, recebeu um Termo de Verificação e Termos de Sujeição Passiva Solidária que, data vênia, foi lavrado de forma absolutamente descabida, pois imputa à Impugnante responsabilidade solidária em relação à supostas infrações cometidas pela Cordeiro Lopes & CIA LTDA, infrações essas que não tem qualquer conhecimento e responsabilidade. Fl. 4824DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 77 11 [...] Em seguida, a Impugnante contesta a autuação apresentando preliminares de nulidades, nega a existência de responsabilidade sobre os atos ou débitos da empresa Cordeiro Lopes & Cia. Ltda., sustenta a improcedência das bases de cálculo dos tributos apurados, bem como da qualificação da multa. É o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ACESSO AO CONTEÚDO DOS AUTOS. INOCORRÊNCIA. Se o processo ficou à disposição dos autuados para vistas e retiradas de cópias, em repartições fiscais que são do conhecimento dos autuados, pois monitoraram a localização do processo pela internet, não há razão para a arguição de nulidade do procedimento fiscal ou necessidade de devolução do prazo de impugnação, mormente quando não é comprovada a alegada impossibilidade de acesso aos autos. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO (MPFF). JURISDIÇÃO DIVERSA. INOCORRÊNCIA. Uma vez comprovado que, segundo o CNPJ, o contribuinte fiscalizado tinha seu domicílio fiscal na jurisdição da repartição fiscal que deflagrou a ação fiscal, para emissão do MPFF, era desnecessária a prévia emissão de Ordem de Serviço de que trata o § 2° do art. 6° da Portaria RFB n° 11.371/2007, prevista somente para realização de fiscalização na jurisdição de outra Região Fiscal. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO (MPFF). INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE EXPEDIDORA. INOCORRÊNCIA. Segundo o Regimento Interno da RFB, os delegadosadjuntos substituem os delegados quando das ausências e impedimentos destes. Esta atribuição conferelhes o poder de emitir MPF para dar prosseguimento aos trabalhos. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. INCOMPLETUDE. INOCORRÊNCIA. A minudente descrição dos fatos constante do Termo de Verificação Fiscal, anexo aos autos de infração, descaracteriza a arguição de nulidade das autuações por incompletude da motivação. MATÉRIA DE FATO. COMPROVAÇÃO MATERIAL. CARACTERIZAÇÃO. Fl. 4825DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 78 12 A comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a inequivocidade de uma dada situação de fato. Nestes casos, a comprovação é deduzida como consequência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção. ARROLAMENTO DE BENS. COMPETÊNCIA. O exame de questões relacionadas ao arrolamento de bens encontrase fora dos limites de competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarse ão igualmente no julgamento de todas as exações. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA QUANTO AO MÉRITO. PRELIMINAR EXISTENTE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IRRF. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Embora não haja contestação expressa em relação ao mérito da exigência de IRRF, foram apresentadas preliminares que têm efeito sobre todo o crédito tributário, acarretando a suspensão da sua exigibilidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LUCRO PRESUMIDO. RECEITA OMITIDA. CRITÉRIO DE ADOÇÃO DE PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. Respondem solidariamente pelos créditos correspondentes à obrigação tributária da pessoa jurídica, os sócios que, na condição de administradores, praticarem atos com excesso de poderes ou infração à lei. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA. ART. 124, I, DO CTN. A existência de ajustes entre as partes, com intuito de sonegação, evidencia o interesse comum de que trata o art. 124, I, do CTN. Nesta situação, o fisco deve vincular as partes na condição de sujeitos passivos solidários pelo crédito tributário resultante. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. APLICABILIDADE. Fl. 4826DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 79 13 É aplicável a multa de ofício qualificada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o intuito de sonegação. Irresignados com a decisão de primeira instância, os Responsáveis tributários (Casa Verre Indústria e Comércio Ltda e o Sr. Humberto Verre interpuseram os respectivos recursos voluntários (fls.4777/4804 e fls. 4742/ 4775) a este CARF, repisando os tópicos aduzidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento: a incompetência da DRJ de Florianópolis que julgou as impugnações, pois o domicílio atual do Contribuinte é São Paulo; a ocorrência da prescrição intercorrente a teor do art. 1º, parágrafo 1º da Lei nº 9.784/99. É o relatório. Fl. 4827DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 80 14 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recurso voluntários apresentados pela Casa Verre Indústria e Comércio Ltda. e pelo Sr. Humberto Verre preenchem os requisitos legais para admissibilidade. Delimitação da Lide A Contribuinte Cordeiro & Lopes e a Sra. Vilma Pereira de Araújo não se defenderam da lide desde a fase impugnatória; e o Sr. Valdemir Rodrigues apresentou apenas uma impugnação considerada intempestiva pela DRJ. As Recorrentes não contestarem expressamente os autos de infração de omissão de receitas por falta de comprovação de sua origem, bem assim IRRF sobre pagamento a beneficiários não identificados. Porém, a matéria é considerada contestada indiretamente por meio das preliminares de nulidade que têm efeito sobre todas as autuações. Quase a totalidade dos argumentos de defesa são comuns aos dois interessados solidários que se defenderam e, por esse motivo serão apreciados conjuntamente neste voto, sendo de individualizar se necessário. Preliminares de nulidade A Recorrente enfileira uma série de nulidades contra os autos de infração e a decisão de piso: 1) Arguição de cerceamento do direito de defesa e da ofensa ao devido processo legal em virtude da alegação de que não conseguiram ter acesso à íntegra do processo administrativo; 2) Arguição de incompetência do Fiscal que lavrou o auto de infração. Alegam que o Auditor Fiscal que lavrou os autos de infração é vinculado à Delegacia da Receita Federal em Florianópolis SC, e assim não poderia autuar os Recorrentes, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, sem autorização do Coordenador Geral de Fiscalização; 3) Arguição de incompetência da autoridade que expediu o MPF. As recorrentes alegam que o MPF n° 09201002010004415, que deu origem ao presente processo administrativo é ilegal, pois teria sido emitido pelo Delegadoadjunto da DRF em Florianópolis. Aduz que o art. 6° da Portaria RFB n° 11.371/2007 não confere ao Delegado adjunto poder para emitir MPF; 4) Arguição de ausência de autorização para o Auditor Fiscal fazer requerimentos à Casa Verre. Alegam que a Fiscalização obteve MPF para fiscalizar Fl. 4828DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 81 15 exclusivamente a empresa Cordeiro Lopes & Cia., de modo que não poderia expedir qualquer requerimento à Casa Verre, sem autorização especial; 5) Arguição de falta de descrição da infração nos autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP. 6) Argüição de incompetência da DRJ de Florianópolis que julgou as impugnações, pois o domicílio atual do Contribuinte é São Paulo. Em primeiro lugar, cabe salientar que a recorrente nunca teve seu direito de defesa preterido, na medida em que foi intimada de todos os atos praticados pela fiscalização, de modo que teve conhecimento de todas as provas juntadas ao processo, dos argumentos invocados pela autoridade fiscal, das medidas adotadas pela fiscalização. Também em nenhum momento de sua defesa, em apego a um formalismo excessivamente exacerbado demonstra o efeito prejuízo que teve no seu direito de defesa de todas essas alegações de nulidade. Há que se ter em conta sempre que o ato processual apesar de ter forma e prazos previstos em lei, devendo ser aplicados, entretanto o principio da instrumentalidade das formas, o qual preza pelo efeito do ato em detrimento do apego ao formalismo exacerbado, torna o ato válido e eficaz de pleno direito. O ônus de provar o prejuízo é do interessado e ele não o faz, limitando se a entrar em um argumento circular em que apenas a legalidade pela legalidade é que foi prejudicada. Com exceção da nulidade referente à suposta incompetência da DRJ/Florianópolis, todas elas foram postas repetindo literalmente os mesmos termos das respectivas impugnações, sem levar em consideração as razões da DRJ que muito bem rebateram uma a uma cada uma das alegações de nulidade e que precisariam ser infirmadas pela recorrente, mas não o fez. Ora, isso só reforça o fato de que tais alegações de nulidades são meramente protelatórias e apelativas, tentando descaracterizar a atuação com situações inexistentes. Outrossim, os princípios da ampla defesa e do contraditório garantem ao defendente o direito de tomar conhecimento de tudo o que consta nos autos e de se manifestar a respeito, trazendo para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. Apesar desses princípios se caracterizarem como direitos dos contribuintes, estão implícitos nos mesmos, também deveres, de forma a regulamentar o processo para que chegue a um fim. Nesse passo, é inerente ao princípio do contraditório que o processo deva caminhar através de um caráter dialético que perpassa, se for o caso, as duas instâncias do Processo Administrativo Fiscal. Dessa forma, é imperioso, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, que se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância. Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto como razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso, como se aqui estivessem reproduzidos e resumidos abaixo: Fl. 4829DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 82 16 1) Argúi cerceamento do direito de defesa e da ofensa ao devido processo legal em virtude da alegação de que não conseguiram ter acesso à íntegra do processo administrativo. Não foi demonstrada essa impossibilidade: A Casa Verre teve ciência da autuação em 04/10/2010 e o Sr. Humberto Verre, em 06/10/2010. Até o dia 17/10/2010, o processo permaneceu à disposição para vistas e retirada de cópias, na Delegacia da Receita Federal em Florianópolis [Consulta Comprto]. Portanto, o processo permaneceu cerca de 14 dias nesta repartição, pois o Sr. Valdemir Rodrigues da Silva tem seu domicílio fiscal na jurisdição da DRF em Florianópolis, e também tinha o direito de ter acesso aos autos. Não obstante, em 18/10/2010, o processo ainda foi movimentado de Florianópolis para São Paulo, domicílio fiscal dos Impugnantes. Apesar de os Impugnantes alegarem que não conseguiram ter acesso ao processo, a impossibilidade de acesso aos autos não restou comprovada. (...) Deste modo, como os Impugnantes tinham pleno conhecimento da localização do processo, e tiveram oportunidades para terem vistas dos autos e solicitar as cópias pretendidas, não se pode dizer que houve o cerceamento do direito de defesa 2) Argúi incompetência do Fiscal que lavrou o auto de infração. Alegam que o Auditor Fiscal que lavrou os autos de infração é vinculado à Delegacia da Receita Federal em Florianópolis SC, e assim não poderia autuar os Recorrentes, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, sem autorização do Coordenador Geral de Fiscalização. A DRJ, em síntese, assim combateu a alegação: No caso em análise, o contribuinte fiscalizado é a empresa Cordeiro Lopes & Cia. Ltda., de modo que é em nome desta que o MPF de fiscalização (MPFF) deve ser emitido. Os Impugnantes são sujeitos passivos solidários. Em consulta aos sistemas corporativos da RFB, constatase que a alteração do endereço da matriz da contribuinte, informada na 16a alteração do Contrato Social e registrada na Junta Comercial em 04/12/2009, só foi encaminhada para atualização do CNPJ em 11/01/2010 e processada em 01/03/2010, conforme extrato abaixo: (...) Foi observado o prazo que a legislação estabeleceu para que fosse comunicada a alteração cadastral. O art. 22 da IN RFB n° 748/2007, que dispôs sobre o CNPJ, estabeleceu prazo até o último dia útil do mês subseqüente à data do registro para comunicação pela entidade de toda alteração referente aos seus dados cadastrais. Constatase assim que o MPFF foi regularmente emitido em 05/01/2010, pois a alteração cadastral da contribuinte só foi comunicada para atualização do CNPJ, após esta data, mas com observância do prazo legal. Fl. 4830DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 83 17 3) Argúi incompetência da autoridade que expediu o MPF. As recorrentes alegam que o MPF n° 09201002010004415, que deu origem ao presente processo administrativo é ilegal, pois teria sido emitido pelo Delegadoadjunto da DRF em Florianópolis. Aduz que o art. 6° da Portaria RFB n° 11.371/2007 não confere ao Delegado adjunto poder para emitir MPF. Novamente sem razão, as Recorrentes. Eis os termos da DRJ: O Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 203/2012, prevê a seguinte atividade para os delegadosadjuntos: Art. 303. Aos DelegadosAdjuntos da Receita Federal do Brasil incumbe, no âmbito da respectiva jurisdição, assistir o Delegado da Receita Federal do Brasil no desempenho das suas atribuições, substituindoo quando das suas ausências e impedimentos. Como se vê, o Delegadoadjunto pode substituir o Delegado. Incumbelhe dar prosseguimento aos trabalhos nas ausências e impedimentos do Delegado, o que impõe o poderdever de emitir MPF. Portanto, não existe a nulidade arguida. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade. 4) Arguição de ausência de autorização para o Auditor Fiscal fazer requerimentos à Casa Verre. Alegam que a Fiscalização obteve MPF para fiscalizar exclusivamente a empresa Cordeiro Lopes & Cia., de modo que não poderia expedir qualquer requerimento à Casa Verre, sem autorização especial. Argumento amplamente rechaçado pela decisão de piso Conforme "Termo de Intimação 01/2010" (f. 260) dirigida à Impugnante Casa Verre, foi autorizado procedimento de diligência pelo MPF n° 09.2.01.002010 004415. Em resposta a esta intimação, a Casa Verre informa que tomou conhecimento do MPF no seguinte trecho (f. 265): O Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD) n° 09.2.01.002010004415, identifica o requerente através do nome empresarial CASA VERRE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, do CNPJ: 61.287.686/000138, e de forma clara seu endereço completo: Rua Augusta, 2879 Cerqueira César São Paulo SP, determinando este local como o destino da diligencia ordenada pelo Sr. Delegado Adjunto da DRF Florianópolis. [...] 5) Arguição de falta de descrição da infração nos autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP. O TVF, conforme colocou a DRJ, que também compõe o auto de infração detalhou minuciosamente as matérias: Fl. 4831DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 84 18 Alegam que o auto de infração de IRPJ ainda destaca a informação de que a infração decorre de depósitos bancários de origem não comprovada, utilizando como base de cálculo toda a renda que a Cordeiro Lopes & Cia. obteve em decorrência do contrato firmado com o Detran/SP. Dessa forma, os autos de infração não trariam a descrição da irregularidade cometida pelos autuados, razão pela qual seriam nulos. Em análise do arguido, constatase que não assiste razão aos Impugnantes. A descrição dos fatos contida nos autos de infração, de fato, é sucinta, pois há remissão à descrição completa contida no "Termo de Verificação Fiscal em anexo", que é, portanto, parte integrante dos autos de infração. A descrição contida neste termo é bastante clara quanto à infração cometida, correspondente a omissão de receitas, e os valores envolvidos nos autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP (TVF, f. 780/781): (...) 6) Argúi incompetência da DRJ de Florianópolis que julgou as impugnações, pois o domicílio atual do Contribuinte é São Paulo. As Recorrentes pretendem “jogar” com a situação fática de o contribuinte ter se mudado para de Região Fiscal, mas novamente sem razão. É que a competência é mesmo da DRJ de Florianópolis, pois na prática o contribuinte não se “mudou” para São Paulo, conforme bem detalhado pela DRJ. Foram feitas duas diligências no endereço supostamente novo e não foi encontrado nenhum indício de funcionamento da empresa em São Paulo. O que de fato aconteceu foi uma dissolução irregular que se deu no âmbito de competência da DRJ/Florianópolis. Ademais, cabe aqui repetir o que foi já colocado retro. Em nenhum momento da defesa, em um apego a um formalismo excessivamente exacerbado demonstra o prejuízo que possa ter lhe causado uma suposta falha nesse aspecto. Há que se ter em conta sempre que o ato processual apesar de ter forma e prazos previstos em lei, devendo ser aplicados, entretanto o principio da instrumentalidade das formas, o qual preza pelo efeito do ato em detrimento do apego ao formalismo exacerbado, torna o ato válido e eficaz de pleno direito. O ônus de provar o prejuízo é do interessado e ele não o faz, limitandose, novamente, a entrar em um argumento circular em que apenas a legalidade pela legalidade é que foi prejudicada. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade. Preliminar de ocorrência da prescrição intercorrente As Recorrentes alegam ainda a ocorrência da prescrição intercorrente a teor do art. 1º, parágrafo 1º da Lei nº 9.784/99. A argüição da ocorrência de prescrição intercorrente não merece prosperar. È que o Processo Administrativo Fiscal se rege pelo Decreto 70.235/72. Fl. 4832DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 85 19 E no Processo Administrativo Fiscal vige a regra de que o início da contagem do prazo prescricional só ocorre com a constituição definitiva do credito tributário. Em resumo, nas situações de lide administrativa, como no presente caso, a constituição definitiva só ocorre após o decurso do prazo legal a contar da ciência do contribuinte da decisão proferida em caráter definitivo no âmbito deste CARF. Destarte, não ocorreu ainda a constituição definitiva do crédito tributário e, por conseqüência, sequer iniciou se a contagem do prazo prescricional Com efeito, a matéria não admite maiores digressões pois já foi sumulada pelo CARF, conforme abaixo: Súmula nº 10: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Portaria nº 106, de 21 /12 /2009 publicado no DOU na pág,070 em 22 /12 /2009) As súmulas editadas no âmbito Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CAR), são de observância obrigatória pelos seus membros, nos termos do § 4° do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, sendo defeso lhe negar cumprimento sob qualquer pretexto ou motivo. Portanto, afasto a preliminar de existência de prescrição intercorrente. MÉRITO Cordeiro Lopes & Cia como interposta pessoa da empresa Casa Verrer para auferir renda dos contratos firmados com o DETRAN/SP A partir do farto conjunto probatório coligido pelo autuante é de concluir sem dúvida alguma que a empresa Casa Verre utilizou a empresa Cordeiro Lopes & Cia. como interposta pessoa para participar do Pregão 20/2005 e dos contratos firmados com o Detran/SP. Agiram em conluio para desenvolver as atividades relacionadas com os contratos, deixando de oferecer à tributação receitas auferidas junto ao Detran/SP e a terceiros. A fim de fazer essa prova a fiscalização colheu um conjunto de indícios, convergentes e precisos, que passou pelas seguintes constatações como meio de se chegar àquela conclusão final. Nas palavras da DRJ: A Cordeiro Lopes não possuía patrimônio, recursos financeiros e humanos e equipamentos para realizar as atividades contratadas com o Detran/SP; Quem, na verdade, possuía os recursos e materiais necessários para o desenvolvimento da atividade contratada com o Detran/SP era a Casa Verre; Houve a simulação dos contratos de aluguel de imóveis, veículos e equipamentos para dar uma aparência de que a Casa Verre seria mera fornecedora e que as atividades contratadas com o Detran/SP seriam desenvolvidas pela Cordeiro Lopes; Fl. 4833DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 86 20 O ato dissimulado foi o desenvolvimento das atividades contratadas com o Detran/SP pela Casa Verre, em seus próprios estabelecimentos, com seus próprios equipamentos e pessoal, mas em nome da Cordeiro Lopes, que serviu de fachada e que auferiu, em retribuição, parte da receita pega pelo Detran De se ver agora passo a passo os referidos indícios convergentes e precisos muito bem delineados pela fiscalização e também apontados pela DRJ: (i) Despacho do Delegado de Polícia Diretor do Detran/SP, publicado no Diário Oficial em 13/02/2010 (TVF, f. 768), em que se propõe a rescisão dos contratos com a Cordeiro Lopes & Cia., há a seguinte constatação: Além do acima exposto, na data de 14 de janeiro de 2010, a Corregedoria Geral da Polícia Civil, cumprindo Mandado de Busca e Apreensão expedido pelo Departamento de Inquéritos Policiais da Capital, apreendeu, na sede da Contratada e da empresa Casa Verre, documentos comprometedores que atestam a relação intrínseca das empresas Cordeiro Lopes e Casa Verre, indicando que a primeira opera como 'empresa de fachada' da segunda. (ii) No mesmo sentido é a notícia veiculada no sítio lidebrasil.com.BR sobre as investigações da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e do Fisco de São Paulo, relativas aos contratos celebrados entre a Cordeiro Lopes & Cia. e o Detran/SP (f. 191): As investigações solicitadas pela Secretaria da Segurança Pública, que instaurou inquérito policial, evidenciam que a empresa em questão, com matriz situada no município de São José, na Grande Florianópolis, em Santa Catarina, não passaria de empresa de fachada, com sócios "laranjas", e que teria sido utilizada para encobrir a participação de outra, tradicional fabricante de placas para veículos de São Paulo, impedida, por problemas legais, de participar da licitação em 2005. [...] (iii) No mesmo sentido é o Termo de Declaração à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, no qual a Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva (sócia minoritária da Cordeiro Lopes & Cia.) e o Sr. Valdemir Rodrigues da Silva (procurador da Cordeiro Lopes & Cia.) resumem de que forma a Cordeiro Lopes & Cia teria sido utilizada como interposta pessoa da Casa Verre Indústria e Comércio Ltda. na participação do Pregão 20/2005, na celebração dos contratos com o Detran/SP em 2006 e na atividade econômica desenvolvida no Estado de São Paulo. A Fiscalização destacou os seguintes trechos (TVF, f. 762/763): No final de 2005, fomos procurados pelo Sr. HUMBERTO VERRE, proprietário da empresa CASA VERRE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., que nos ofereceu a proposta de ceder o nome da empresa CORDEIRO LOPES & CIA LTDA. para a participação de licitação junto ao DETRAN/SP (edital de pregão presencial n° 20/2005, procedimentos n° 258.4816/2005 de 14/02/2006) [...] Ato contínuo foi fornecido, a pedido do Sr. HUMBERTO VERRE, procuração em nome da Sra. VILMA PEREIRA DE ARAÚJO, CPF n° 995.834.96804, funcionária da CASA VERRE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., para que esta administrasse a empresa CORDEIRO LOPES & CIA LTDA. Fl. 4834DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 87 21 Posteriormente, em 2009, por exigência do Sr. HUMBERTO VERRE, a Sra. VILMA foi admitida na sociedade, no lugar do sócio RODRIGO RODRIGUES DA SILVA, nosso filho, e tornouse sócia majoritária da empresa. [...] A Sra. SÔNIA REGINA PEREZ SANDOVAL, outra funcionária da CASA VERRE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., também exercia a administração de fato da CORDEIRO LOPES & CIA LTDA., sob as ordens do Sr. HUMBERTO VERRE. [...] A partir de então, a relação entre a CORDEIRO LOPES & CIA LTDA. com o DETRAN/SP era gerida pela Sra. Vilma, em conjunto com a Sra. SÔNIA, sem qualquer intervenção dos sócios e do procurador da CORDEIRO LOPES, que tomaram parte dos compromissos firmados a partir de então por indução do Sr. HUMBERTO VERRE, sem, no entanto ter profundo conhecimento das ações e dos valores envolvidos. [...] Firmouse, então, o contrato de licitação entre a CORDEIRO LOPES & CIA LTDA. e o DETRAN/SP, sendo os atos deste totalmente geridos pela CASA VERRE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. [...] Em virtude deste contrato, houve a abertura de várias filiais da CORDEIRO LOPES & CIA LTDA no estado de São Paulo, no intuito de cumprir as exigências do DETRAN/SP, sempre sob a administração de fato do Sr. HUMBERTO VERRE, que não fornecia detalhes desses atos, apenas documentos a assinar. (iv) A vinculação das pessoas mencionadas na declaração à Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo foi corroborada em consultas feitas pela Fiscalização nas bases de dados da RFB: de acordo com o Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, o Sr. Valdemir Rodrigues da Silva teve vínculo empregatício com a Casa Verre Indústria e Comércio Ltda entre 1979 e 1983 e a Sra. Vilma Pereira de Araújo, em dois períodos, de 1983 a 1985 e de 1986 a 2004; de acordo com as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, a Sra. Sônia Regina Perez Sandoval trabalhou na Casa Verre Indústria e Comércio Ltda, pelo menos, no período de 2004 a 2009 (TVF, f. 763/764). (v) Em diligência junto ao 13° Tabelião de Notas de São Paulo/SP, a Fiscalização constatou que, em 14/02/2006, a Cordeiro Lopes & Cia constituiu a Sra. Vilma Pereira de Araújo procuradora com amplos, gerais e ilimitados poderes de administração, podendo, por exemplo, participar de licitações, assinar contratos e dar quitações em nome da sociedade. Esta procuração foi lavrada na mesma data em que foram assinados os contratos da Cordeiro Lopes & Cia com o Detran/SP. Portanto, a Sra. Vilma Pereira de Araújo tinha os poderes necessários para "que esta administrasse a empresa CORDEIRO LOPES & CIA LTDA" (TVF, 764). Por meio da 14a Alteração do Contrato Social, foi alterado o quadro societário, com a saída de Rodrigo Rodrigues da Silva e a entrada de Vilma Pereira de Araújo, que passou a deter 90% do capital social. Fl. 4835DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 88 22 (vi) Ao examinar o processo judicial n° 01345201008902005 da Justiça do Trabalho, que tramita na 1a. Vara do Trabalho de Presidente Prudente/SP (juízo deprecante) e foi consultado na 089a Vara do Trabalho em São Paulo/SP (juízo deprecado), a Fiscalização constatou, na inicial (TVF, f. 766/767), que o empregado alega, em relação à Cordeiro Lopes e à Casa Verre que: as empresas em verdade pertencem o mesmo dono, embora consigne nome de 'terceiros' no contrato social, mas é uma questão de 'vencer' licitação, mas é sempre dirigida pela mesma pessoa, mesma atividade, mesmo local de trabalho. Prossegue o autor da ação trabalhista: o reclamante trabalha para a empresa desde fevereiro de 1996. sendo que a casa Verre Indústria e Comércio Ltda perdeu a licitação em Março de 1999, o empregador deu baixa na CTPS, mantendo o reclamante afastado até 01/09/1999, fazendo pequenos bicos, de uma vez por semana, quando foi reatimitido em 0109 1999 ficando trabalhando sem registro até 01/03/2007 quando foi registrado pela CORDEIRO LOPES & CIA LTDA ". (vii) A Fiscalização constatou que a Cordeiro Lopes & Cia. não tinha capacidade econômica para desenvolver o objeto do contrato com o Detran/SP, conforme o seguinte relato (TVF, 773/774): A Cordeiro Lopes & Cia não tinha capacidade econômica para desenvolver atividade de tamanha envergadura, praticamente em todo o território do Estado de São Paulo, com tantas filiais, com a necessidade de contratação de tantos funcionários e o investimento em máquinas e instalações e a disponibilidade de capital de giro e estoque suficiente. Para corroborar esta afirmação, basta observar as disponibilidades de recursos financeiros registradas na contabilidade no início de 2007 (ano fiscalizado): Balancete Valores escriturados em 01/01/2007 Disponibilidades RS 8.873,28 Caixa R$ 6.133,09 Bancos (Bradesco) RS 2.740,19 Ativo Permanente RS 1.079,49 É de se ressaltar que a licitação foi vencida em 2005 e que os contratos foram celebrados em 2006. Portanto, em 01/01/2007, a Cordeiro Lopes & Cia já deveria estar desenvolvendo toda a atividade descrita. Portanto, nesta data, já deveria demonstrar capacidade financeira, econômica e patrimonial para tanto. Outro aspecto chama atenção na contabilidade da Cordeiro Lopes & Cia: a conta de estoque. O saldo inicial (01/01/2010) [sic] da conta de estoque é de R$ 534.722,40. Este saldo inicial somado às compras contabilizadas no ano de 2007, R$ 1.823.666,09, daria um total de R$ 2.358.388,49. No entanto, o saldo final desta conta é de R$ 2.089.536,99. É como se a Cordeiro Lopes tivesse aplicado ao longo do ano de 2007 somente R$ 268.851,50 em insumos na atividade econômica na qual auferiu mais de R$ 12.000.000,00. Se fosse uma atividade preponderantemente Fl. 4836DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 89 23 intelectual, isso poderia ser possível, mas, na atividade de lacração e emplacamento de veículos, em que prepondera o valor dos insumos aplicados, isso não é possível. (viii) Utilização de contratos de locação simulados. Ao examinar as entradas e saídas de recursos nos extratos das contas bancárias da Cordeiro Lopes & Cia, a Fiscalização constatou que, no ano de 2007, foram transferidos R$ 8.420.520,00 à Casa Verre Indústria e Comércio Ltda. Este valor é quase 8 vezes maior do que a receita registrada nas duplicatas emitidas pela Casa Verre contra a Cordeiro Lopes, que somaram R$ 1.116.177,10. A Casa Verre Indústria e Comércio Ltda. foi regularmente intimada a justificar esta diferença e alegou que ela é oriunda dos contratos de locação de veículos, imóveis e máquinas e equipamentos. Ao analisar os esclarecimentos prestados, a Fiscalização ressaltou o seguinte (TVF, f. 769): A Cordeiro Lopes & Cia não tinha patrimônio, recursos financeiros e humanos, imóveis e equipamentos para exercer a atividade contratada com o Detran/SP. Na verdade, quem possuía toda a estrutura para desenvolver as atividades era a Casa Verre; As cópias de contratos apresentadas foram TODAS assinadas pelas Sras. Vilma Pereira de Araújo e Maria Rosa Demori. A Sra. Vilma Pereira de Araújo teve vínculo empregatício com a Casa Verre entre 1983 e 2004. A Sra Maria Rosa Demori tem vínculo empregatício e é procuradora da Casa Verre e, ao mesmo tempo, foi procuradora da Cordeiro Lopes; A Casa Verre Indústria e Comércio Ltda alegou vagamente que os contratos estariam relacionados com as diferenças de valores efetivamente recebidos da Cordeiro Lopes. Esta diferença, em 2007, foi de R$ 7.304.342,90 (R$ 8.420.520,00 R$ 1.116.177,10). Contudo, não apresentou qualquer documento hábil e idôneo, coincidente em datas e valores, que demonstrasse individualmente a que débito poderia se referir cada crédito. Parte das cópias de contratos apresentadas são de 2008 e, portanto, não têm qualquer relação com os valores recebidos em 2007. A Casa Verre não apresentou assentamentos contábeis que demonstrassem que as transferências de recursos teriam sido reconhecidas como receitas; A confusão patrimonial também é evidente, pois os contratos teriam sido firmados ora com a Casa Verre, ora com o Sr. Humberto Verre. Contudo, as transferências de recursos questionadas ocorreram exclusivamente entre a Cordeiro Lopes e a Casa Verre; Os recursos oriundos dos pagamentos efetuados pelo Detran/SP eram sempre distribuídos IMEDIATAMENTE para a Casa Verre (na mesma data em que eram recebidos ou com 1 dia útil de diferença). Os pretensos contratos não explicam tal vinculação. A conclusão a que se chega diante dos fatos é: A Cordeiro Lopes não possuía patrimônio, recursos financeiros e humanos e equipamentos para realizar as atividades contratadas com o Detran/SP; Fl. 4837DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 90 24 Quem, na verdade, possuía os recursos e materiais necessários para o desenvolvimento da atividade contratada com o Detran/SP era a Casa Verre; Houve a simulação dos contratos de aluguel de imóveis, veículos e equipamentos para dar uma aparência de que a Casa Verre seria mera fornecedora e que as atividades contratadas com o Detran/SP seriam desenvolvidas pela Cordeiro Lopes; O ato dissimulado foi o desenvolvimento das atividades contratadas com o Detran/SP pela Casa Verre, em seus próprios estabelecimentos, com seus próprios equipamentos e pessoal, mas em nome da Cordeiro Lopes, que serviu de fachada e que auferiu, em retribuição, parte da receita pega pelo Detran/SP; Como se constata a partir dos elementos de prova acima relacionados, o fato de funcionários e exfuncionários da Casa Verre terem participado da administração da Cordeiro Lopes & Cia. não é mera coincidência, como pretende a Impugnante, pois o conjunto probatório indica que o nome desta empresa Cordeiro Lopes & Cia. foi utilizada por aquela outra para, em conluio, auferirem receitas do contrato junto ao Detran/SP e de terceiros. À evidência, os valores informados pela Cordeiro Lopes & Cia. no balancete contábil de 01/01/2007 indicam que esta empresa não possuía condições financeiras e econômicas para assumir um contrato de fornecimento de materiais e serviços da ordem de mais de 12 (doze) milhões de reais, para quase todo o Estado de São Paulo. Isso só seria factível com a participação da Casa Verre, tradicional empresa do ramo. A participação da Casa Verre, entretanto, não se limitou à posição de mera fornecedora da Cordeiro Lopes & Cia. Afinal, era a Casa Verre quem detinha o conhecimento técnico, materiais, imóveis e equipamentos necessários ao cumprimento do contrato, não sendo verossímil que sua participação fosse de mera fornecedora de uma outra empresa que não possuía as mínimas condições de arcar com o contrato firmado junto ao Detran/SP. Em consonância com essa conclusão, está o fato de a Sra. Vilma Pereira de Araújo, funcionária da Casa Verre por vários anos, ter sido nomeada procuradora da Cordeiro Lopes & Cia, com amplos poderes de administração, na mesma data em que foram assinados os contratos da Cordeiro Lopes & Cia com o Detran/SP. Sujeição Passiva Solidária – Casa Verre A sujeição passiva solidária da Casa Verre decorreu do seu interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, conforme previsto no art. 124, inciso I, do CTN (g.n.): Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (destaquei) Fl. 4838DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 91 25 Por tudo quanto já se colocou retro, constatase que a empresa Casa Verre juntamente com o contribuinte autuado atuaram em conluio para auferir receitas dos contratos com o Detran/SP e terceiros, e sonegar os tributos correspondentes. Dessa forma, está bem caracterizada a hipótese legal prevista no dispositivo citado. A recorrente aqui fazem novamente ouvido de mercador aos argumentos da DRJ e praticamente repete suas razões impugnatórias em sede recursal, contentandose em repetir as mesmas justificativas que foram já reportadas para a DRJ, sem o mínimo cuidado de tentar infirmálas. Os princípios da ampla defesa e do contraditório garantem ao defendente o direito de tomar conhecimento de tudo o que consta nos autos e de se manifestar a respeito, trazendo para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. Apesar desses princípios se caracterizarem como direitos dos contribuintes, estão implícitos nos mesmos, também deveres, de forma a regulamentar o processo para que chegue a um fim. Nesse passo, é inerente ao princípio do contraditório que o processo deva caminhar através de um caráter dialético que perpassa, se for o caso, as duas instâncias do Processo Administrativo Fiscal. Dessa forma, é imperioso, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, que se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância, mormente em se tratando de matéria probatória, como é o caso. Isso porque as contradições ou erros ainda por ventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontadas especificamente para que a instância ad quem, tome conhecimento, e se for o caso, corrijaos e supereos pela sua atividade sintetizadora de órgão revisor. Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto como razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos, uma vez que não foram infirmados em sede recursal: (...) Por outro lado, a acusação de que as empresas fiscalizadas praticaram simulação está associada à dissimulação do fato de a Cordeiro Lopes & Cia. atuar como empresa de fachada, ou interposta pessoa, da Casa Verre que era quem realmente fornecia os serviços e materiais previstos no contrato firmado pela primeira com o Detran/SP. Inferese que o pacto estabelecido entre as partes visava ocultar a participação da Casa Verre, o que implicaria fraude na licitação, além de ocultação de responsável tributário pela sonegação. A Impugnante alega que 62% dos valores recebidos do Detran/SP pela empresa Cordeiro Lopes & Cia. foram transferidos para terceiros não identificados e conclui, então, que estes valores não lhe dizem respeito, ou não foram transferidos para si. Entretanto, essa conclusão é equivocada, porque simplesmente não se sabe o destino dos pagamentos. Fl. 4839DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 92 26 A análise das duplicatas e notas fiscais, que amparam as supostas operações de fornecimento de materiais e serviços da Impugnante à Cordeiro Lopes & Cia., demonstrou mais uma vez inconsistências: duplicatas sem numeração ou data de aceite, emitidas uma por mês, correspondentes a várias notas fiscais; duplicatas e recibos em poder do credor; a maioria das notas fiscais examinadas referese a mercadorias entregues em locais onde nunca funcionou, pelo cadastro CNPJ, estabelecimento da Cordeiro Lopes & Cia.; grande parte das mercadorias eram entregues em locais em que houve um estabelecimento da Casa Verre ou outro estabelecimento do Sr. Humberto. A Impugnante sustenta a normalidade das inconsistências relatadas, alegando que a Cordeiro Lopes & Cia. locou os imóveis da Casa Verre. Entretanto, a Impugnante não comprovou a efetividade dos contratos de locação. Além disso, o conjunto dos elementos de prova é mais do que suficiente a demonstrar que as duas empresa atuaram em conluio para praticar a simulação. A movimentação bancária mensal dos recursos recebidos pela Cordeiro Lopes & Cia. também chamou a atenção da Fiscalização, pois grande parte dos valores recebidos do Detran/SP eram imediatamente transferidos para a Casa Verre, mas antes eram transferidos das contas bancárias da Nossa Caixa para contas bancárias no Bradesco. Tal circunstância levou a Fiscalização a equiparar a operações de "lavagem de dinheiro". A Impugnante nega que os valores tenham sido auferidos ilicitamente, entretanto, a existência de fraude na licitação, decorrente da prática de simulação, compromete tal alegação. Não obstante, para a tributação pretendida, a efetiva caracterização de fraude na licitação não é relevante, pois ficou configurado que as empresas atuaram em conluio e houve sonegação de tributos. Sujeição Passiva Solidária – Humberto Verre Segundo a fiscalização, houve um ajuste doloso entre os sócios e procuradores da Cordeiro Lopes & Cia e da Casa Verre Indústria è Comércio Ltda para fraudar a licitação e os contratos e sonegar tributos. Desta forma, aplicouse a responsabilidade solidária em relação aos terceiros prejudicados, que, no caso em tela, é a União. De fato, a responsabilidade do sócioadministrador por atos com infração à lei está determinada no art. 135, conforme enquadramento legal: Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, (grifamos) Fl. 4840DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 93 27 Cabe salientar que a responsabilidade tributária aqui em comento não diz respeito ao ato singular da fraude na licitação, que por isso não é o personagem principal deste enredo, mas sim a falta de pagamento de tributo. Este, sim, é o protagonista principal. E, como já se viu, o contexto já bem posto e provado de as empresas atuarem em conluio, para ocultar a participação da Casa Verre e para sonegar impostos, impôs que seja solidária a responsabilidade das empresas pela obrigação tributária, nos termos do citado art. 124, inciso I, do CTN. Nesse mesmo passo, evidenciada a ocorrência de infração à lei (sonegação, conluio), a Recorrente Humberto Verre, na condição de sócioadministrador de uma das empresas envolvidas no conluio de que resultou a sonegação de tributos, responde solidariamente pelo crédito tributário, nos termos do inciso III, do art. 135 CTN já alhures referido. Dos demais argumentos trazidos pelos Responsáveis tributários Os recorrentes, na fase meritória propriamente dita comportamse da mesma forma que se comportaram no tratamento da fase preliminar. Ou seja, fizeram também ouvido de mercador aos argumentos da DRJ e praticamente repetiram suas razões impugnatórias em sede recursal, contentandose em repetir as mesmas justificativas que foram já reportadas para a DRJ, sem o mínimo cuidado de tentar infirmálas. Como já se colocou retro, é imperioso, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, que se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância, mormente em se tratando de matéria probatória, como é o caso. Isso porque as contradições ou erros ainda por ventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontadas especificamente para que a instância ad quem, tome conhecimento, e se for o caso, corrijaos e supereos pela sua atividade sintetizadora de órgão revisor. Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto como razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos, uma vez que não foram infirmados em sede recursal: (...) Como se vê, não é necessário que haja a desconsideração da personalidade jurídica da pessoa jurídica para que seu sócioadministrador componha o polo passivo da obrigação tributária. Não houve a desconsideração da personalidade jurídica das empresas envolvidas no conluio, nem poderia haver, pois as empresas tinham existência própria, ou seja, não viviam só em função dos contratos com o Detran/SP. A sócia da empresa autuada, Sra. Lúcia, aduziu que a empresa encontra se em funcionamento normal em Santa Catarina, não obstante a sócia, Sra. Vilma, tenha transferido o domicílio do estabelecimento para São Paulo, na 16a Alteração do Contrato Social. Deste modo, ambas as empresas responderão solidariamente pelo crédito tributário, juntamente com seus administradores, à luz da legislação de regência acima citada O art. 134 do CTN apontado pelo Impugnante não contempla a hipótese dos autos. Fl. 4841DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 94 28 Quanto aos contratos de locação que o Impugnante teria firmado com a Cordeiro Lopes & Cia., alega que os pagamentos não teriam passado pela conta bancária da Casa Verre. Essa alegação nada esclarece, porque destituída de provas e não consta que houvessem pagamentos da Cordeiro Lopes & Cia. para o Impugnante. Da arguição de pagamento de imposto em relação aos valores recebidos pela Casa Verre (itens L e J das impugnações da Casa Verre e Humberto Verre) Os impugnantes alegam que o agente fiscal equivocadamente afirmou que não houve contabilização dos valores que a Casa Verre recebeu da Cordeiro Lopes, e que equivocouse o Sr. Auditor Fiscal ao afirmar que não houve pagamento de imposto, utilizando a totalidade dos valores como base de cálculo para apuração do imposto e aplicação da multa. Assevera que conforme consta no próprio Termo de Verificação, a Casa Verre apresentou uma série de notas fiscais regularmente emitidas e que comprovam que houve contabilização e pagamento do imposto. Tais notas fiscais, conforme constatado pela Fiscalização, somam o valor de R$ 1.110.177,10. Aduzem que, mesmo no caso de desconsideração da operação feita pelo contribuinte, o valor efetivamente recolhido, mesmo que com base em operação diversa, deve ser considerado. Amparamse nos seguintes precedentes: DESCONSIDERAÇÃO DOS SERVIÇOS PRETENSAMENTE PRESTADOS MULTA QUALIFICADA NECESSIDADE DA RECONSTITUIÇÃO DE EFEITOS VERDADEIROS Comprovada a impossibilidade fática da prestação de serviços por empresa pertencente aos mesmos sócios, dada a inexistente estrutura operacional, resta caracterizado o artificialismo das operações, cujo objetivo foi reduzir a carga tributária da recorrente mediante a tributação de relevante parcela de seu resultado pelo lucro presumido na pretensa prestadora de serviços. Assim sendo, devem ser desconsideradas as despesas correspondentes. Todavia, se ao engendrar as operações artificiais, a empresa que pretensamente prestou os serviços sofreu tributação, ainda que de tributos diversos, há de se recompor a verdade material, compensandose todos os tributos já recolhidos. (...)" (N°Recurso 139359 Número do Processo 13971.001597/200325 Turma 1a Câmara Recurso Voluntário Data da Sessão: 08/11/2007 Relatora Sandra Maria Faroni) IRPJ/CSLL DESCONSIDERAÇÃO DA ATIVIDADE EXERCIDA NECESSIDADE DE READEQUAÇÃO DE TODA A SITUAÇÃO TRIBUTÁRIA DAS PESSOAS JURÍDICAS ENVOLVIDAS Quando a fiscalização descaracteriza os negócios jurídicos realizados (no caso consócio de empresas), a formalização de exigências fiscais deve levar em conta a situação tributária de todas as pessoas jurídicas envolvidas, sob pena de se verificar tributação em duplicidade. (N° Recurso 155248 Número do Processo 10882.003952/200310 Turma 7a Câmara Recurso Voluntário Data da Sessão: 29/03/2007 Relator Luiz Martins Valero) Pugnam assim pela anulação dos autos de infração. Análise Fl. 4842DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 95 29 Como se infere pela ementa do primeiro precedente apontado pelos Impugnantes, tratase de duas empresas pertencentes aos mesmos sócios. Uma deduz despesas de serviços fictícios pretensamente prestados pela outra empresa, optante pelo lucro presumido, para reduzir a carga tributária. A conclusão do julgamento foi que o lançamento de crédito tributário decorrente da glosa dessas despesas deveria considerar os tributos recolhidos pela suposta prestadora dos serviços. Veja que neste precedente, além de serem pessoas jurídicas pertencentes aos mesmos sócios, existiria uma correspondência entre as despesas deduzidas por uma empresa (lucro real) e as receitas tributadas pela empresa prestadora dos serviços (lucro presumido). Mesmo que se admitisse como correto esse entendimento, ele não seria aplicável ao caso ora em apreciação, pois a situação aqui é bem diferente. Existem duas pessoas jurídicas com quadros societários distintos, cujas personalidades jurídicas não foram desconsideradas, pois não atuavam somente em função dos contratos com o Detran/SP. Deste modo, a pleiteada dedução se mostra juridicamente inviável haja vista que foi preservada a individualidade das pessoas jurídicas. Não obstante, houve a imputação de sujeição passiva solidária à Casa Verre em razão da existência de conluio na exploração destes contratos, evidenciando o interesse comum de que trata o art. 124, inciso I, do CTN. Além disso, empresa autuada é tributada com base no lucro presumido, de forma que não existe a figura da despesa para efeito de apuração do imposto devido, que é apurado diretamente a partir da receita auferida. Deste modo, a tributação da autuada independe da tributação eventualmente efetivada pela Casa Verre, razão pela qual a pretensão da Impugnante não pode ser acolhida. Da arguição de falta de dedução dos tributos recolhidos pela empresa Cordeiro Lopes (itens M e L das impugnações da Casa Verre e Humberto Verre) Os impugnantes alegam que, no momento de lavrar os autos de infração, a Fiscalização não levou em consideração os tributos já recolhidos pela empresa Cordeiro Lopes, o que tornaria nulo os referidos documentos. Acerca do arguido, é de se esclarecer que a receita declarada pela autuada foi excluída do montante de receitas tributadas pela Fiscalização. Por isso, a apuração do imposto a pagar constante dos autos de infração prescinde da dedução do imposto recolhido. Da arguição de inexistência de fraude e impossibilidade de aplicação de multa de 150% (itens N e M das impugnações da Casa Verre e Humberto Verre) Os impugnantes alegam que, tendo sido demonstrado, que a Casa Verre não se uniu à Cordeiro Lopes, ou a outra empresa, para realizar qualquer tipo de fraude, descabida seria a multa de 150%. Ante tudo que se expôs neste voto, ficou bastante evidente a existência de conluio e de sonegação de tributos. Por isso, cabível é a qualificação da multa de ofício. Fl. 4843DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 96 30 Da arguição de improcedência da base de cálculo de IRPJ (itens P e O das impugnações da Casa Verre e Humberto Verre) Os impugnantes alegam que a Fiscalização, de forma equivocada, teria utilizado somente o coeficiente de 32% para apuração da base de cálculo do IRPJ. Entendem que para apuração da base de cálculo do IRPJ, é aplicável o coeficiente de 8% para a atividade de comércio, e 32% para a de prestação de serviços em geral. Reportamse ao § 3° do art. 223 do RIR/99 que prescreve a aplicação do percentual correspondente a cada atividade. Cerca de 30% do faturamento contabilizado pela Cordeiro Lopes seria proveniente da comercialização de mercadorias. Em análise do arguido, constatase que não assiste razão aos Impugnantes. As receitas omitidas foram apuradas com base nos valores creditados pelo Detran/SP e com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Deste modo, não se sabe qual o montante de receita referese a prestação de serviços ou a comercialização de mercadorias. Além disso, não há previsão legal para se adotar um percentual com base no faturamento contabilizado, como pretendem os Impugnantes. No caso, deve ser observado o que determina o parágrafo único do art. 528 do RIR/99 (g.n): Art. 528. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei n° 9.249 , de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei n° 9.249, de 1995, art. 24 , § 1°). Como se vê, é correta a aplicação do coeficiente de 32% para apuração da base de cálculo do imposto. Da arguição de improcedência do arrolamento de bens (itens R e Q das impugnações da Casa Verre e Humberto Verre) Os impugnantes alegam que, estando o débito devidamente impugnado e, por isso, com a exigibilidade suspensa, o arrolamento de bens seria absolutamente ilegal Acerca do arguido, é de se esclarecer que não está na competência desta Delegacia de Julgamento o exame de questões relacionadas ao arrolamento de bens. Esse assunto está vinculado a ato da autoridade lançadora, nos termos do art. 64 da Lei n° 9.532, de 1997. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração do IRPJ, também se aplica aos lançamentos decorrentes naquilo em que for cabível e não havendo contestação específica. Fl. 4844DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11516.003373/201029 Acórdão n.º 1401001.585 S1C4T1 Fl. 97 31 Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade, afasto a prescrição intercorrente e nego provimento ao recurso, mantendo também as responsabilidades tributárias da empresa Casa Verre e do Sr. Humberto Verre. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 4845DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 16004.000024/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2006
PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA IMPROCEDENTE. INSUBSISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO DE DECLARAR AS CONTRIBUIÇÕES NA GFIP.
Sendo declarada a improcedência do crédito relativo a exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração das contribuições na GFIP.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2006 PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA IMPROCEDENTE. INSUBSISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO DE DECLARAR AS CONTRIBUIÇÕES NA GFIP. Sendo declarada a improcedência do crédito relativo a exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração das contribuições na GFIP. Recurso Voluntário Provido.
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AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA IMPROCEDENTE. INSUBSISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO DE DECLARAR AS CONTRIBUIÇÕES NA GFIP. Sendo declarada a improcedência do crédito relativo a exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração das contribuições na GFIP. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 00 24 /2 00 9- 13 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.000024/200913 Acórdão n.º 2402004.856 S2C4T2 Fl. 408 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo e demais devedores solidários contra o Acórdão n.º 1435.313 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.128.7901. Lançamento A lavratura em questão referese à aplicação de multa em razão da conduta da empresa de apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP sem declarar todas as contribuições devidas. De acordo com o relatório fiscal, deixaram de ser declaradas as contribuições patronais, posto que a empresa informava ser optante pelo Simples, todavia , foi excluída desse regime tributário nos termos do Ato Declaratório Executivo 23, de 26 de junho de 2007, com efeitos a partir de 24 de agosto de 2004. O fisco acusa também a empresa não haver declarado na GFIP as compras de gado de produtores rurais pessoas físicas. Passo a reproduzir trecho do relatório da decisão de primeira instância, no qual são narrados fatos que levaram o fisco a concluir que a autuada pertencia a grupo econômico de fato. "O Relatório Fiscal lista as pessoas físicas e jurídicas solidariamente responsáveis pelos tributos lançados, integrantes do grupo econômico de fato denominado “Grupo Nivaldo”, discorrendo na seqüência acerca da “Operação Grandes Lagos”, deflagrada pela Polícia Federal por solicitação da Receita Federal com vistas a apuração de fraudes à administração tributária. Nesse contexto, foi apurada a participação do Sr. Nivaldo Fortes Peres (CPF 785.735.99804) como “cabeça” do grupo que por isso recebeu a denominação de “Grupo Nivaldo”, responsável pela criação de diversas empresas paralelas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”) com o objetivo de desviar o faturamento das empresas lícitas do grupo. O Anexo I é composto por documentos referentes ao processo da empresa Rio Preto Abatedouro outra integrante do “Grupo Nivaldo”. Também estão à frente na condução dos negócios do “Grupo Nivaldo” os Srs. Luciano da Silva Peres (CPF 217.280.06864), Rodrigo da Silva Peres (CPF 276.282.42812), Maria Helena La Retondo (CPF 029.175.81859), José Roberto Giglio (CPF 070.679.24839), Pedro Giglio Sobrinho (CPF 085.082.21819) e Antonio Giglio Sobrinho (CPF 075.677.45860). (Na condição de sócios de direito da empresa autuada aparecem os Srs. Nilvana Fortes Peres CPF 086.388.58884, e Rogério Alves Ferreira CPF 300.293.94805). Além da autuada, o Relatório Fiscal identifica as seguintes pessoas jurídicas integrantes do “Grupo Nivaldo” e por tal motivo responsabilizadas solidariamente Fl. 410DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 pelo crédito tributário lançado: Sebo Sol Indústria de Sub Produtos de Bovinos Ltda EPP (CNPJ 07.330.898/000105), Agro Rio Preto Representações Comerciais Ltda (CNPJ 03.577.919/000130), Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda (CNPJ 05.038.080/000198), Fortes Empreendimentos Rio Preto Ltda (CNPJ 00.588.243/000192), Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda (CNPJ 03.577.891/000131), CMG Transportes Rio Preto Ltda (CNPJ 05.750.774/000153), FEISP Ltda (CNPJ 04.519.455/000179), Viena Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda (CNPJ 59.638.999/000141), RPMC Comércio de Carnes e Derivados Ltda (CNPJ 62.067.129/000506), Sol Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda (CNPJ 60.006.251/000105), América Industrial e Comercial Ltda (CNPJ 04.305.053/000171), Agroalto Industrialização e Distribuição Ltda (CNPJ 04.816.026/000163), Mega Distribuidora de Gorduras Ltda (CNPJ 06.204.954/000100), Comercial de Carnes e Derivados Valentim Gentil Ltda (CNPJ 01.996.600/000114), Frigo Vale Indústria e Comércio de Carnes Ltda (CNPJ 02.462.383/000145). Informa que foi constatada a existência de empresas que vendiam notas fiscais para lastrear operações realizadas por pessoas jurídicas e físicas diversas, tanto na aquisição da produção rural (gado para abate) quanto na venda do produto resultante do abate. Por isso, as empresas que atuavam na venda de documentos fiscais receberam a denominação de “noteiras”, discorrendo acerca da cassação de suas inscrições junto ao CNPJ. É mencionada a aquisição dos citados documentos fiscais pela autuada junto às empresas “noteiras” e de que a identificação de cada “cliente” das “noteiras” foi possível graças ao acesso da fiscalização à listagem de códigos desses “clientes”." Impugnação A autuada em sua defesa apresentou inconformismo contra a sua exclusão do Simples, primeiro porque não foi regularmente cientificada do Ato Declaratório e, depois, pelo fato do mesmo haver produzido efeitos retroativos. Alegou que o fisco não poderia alicerçar o lançamento em fatos constantes do processo de exclusão do Simples, o qual ainda não foi concluído. Asseverou que a autoridade lançadora não levou em conta que todos os fatos geradores de contribuições foram devidamente informados na GFIP, além de que não teria havido sonegação dos elementos solicitados, mas total impossibilidade de apresentálos, posto que sua documentação se encontrava com o fisco estadual. Sustentou que jamais se utilizou de interposta empresa para realizar os negócios, ressaltando que o fisco não conseguiu demonstrar a existência de grupo econômico. Por outro lado, mencionou que o fisco não conseguiu comprovar a existência de "interesse comum" a justificar a solidariedade. Assegurou ainda que as supostas notas fiscais falsas sequer foram juntadas aos autos. Garante que foram acostados pelo fisco papéis que não lhe dizem respeito, o que representa atropelo ao direito de defesa, posto que não pode refutálos, haja vista que não os conhece. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.000024/200913 Acórdão n.º 2402004.856 S2C4T2 Fl. 409 5 As provas obtidas na "Operação Grandes Lagos" representam apenas indícios, posto que os procedimentos ali levados a efeito não teriam sido ainda submetidos ao crivo do Poder Judiciário. Decisão de primeira instância A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) declarou improcedentes as impugnações apresentadas, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO COM RECURSO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), seguem as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra o ato declaratório de exclusão. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS. A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o princípio da substância sobre a forma. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Contra essa decisão foi apresentado recurso voluntário, no qual, em resumo, foram alegadas: a) nulidade da autuação por cerceamento ao direito de defesa das pessoas arroladas no polo passivo; b) impossibilidade da lavratura antes do trânsito em julgado do processo relativo à exclusão da empresa fiscalizada do Simples; c) inexistência dos vínculos de solidariedade firmados pelo fisco. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Diligência fiscal O julgamento no CARF foi convertido em diligência, fls 350/353, para que os autos fossem devolvidos à repartição de origem para aguardar o trânsito em julgado do processo n.º 16004.000307/200795, relativo à exclusão da autuada do Simples. Às fls. 355/376 foi acostado cópia do Acórdão n.º 1201001.086, de 25/09/2014, no qual a 1.ª Turma da 2.ª Câmara da 1.ª Seção do CARF, por unanimidade, deu provimento aos recursos do contribuinte e solidários para cancelar a exclusão do Simples e tornar sem efeito os lançamentos correlatos. Eis a parte dispositiva do voto condutor do acórdão: "Ante o exposto CONHEÇO dos Recursos Voluntários e, no mérito, voto por DARLHES provimento, para afastar a exclusão do Simples e cancelar os lançamentos efetuados contra a empresa Valentim Gentil Abatedouro de Bovinos e Suínos Ltda. e, por decorrência, a responsabilidade solidária imputada aos Srs. Nivaldo Fortes Peres, Luciano da Silva Peres e Rodrigo da Silva Peres." O referido processo teve trânsito em julgado, conforme atesta o Termo de Encerramento do Processo n.º 16004.000307/200795, fls. 3400/3406. É o relatório. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.000024/200913 Acórdão n.º 2402004.856 S2C4T2 Fl. 410 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da improcedência da lavratura Conforme narrado no relatório, as razões do lançamento foram a falta de declaração das contribuições patronais em razão da exclusão da empresa autuada do Simples, conforme Ato Declaratório Executivo n.º 23, de 26 de junho de 2007, bem como a omissão relativa às aquisições de gado de pessoas físicas. Esta turma tem entendido que os julgamentos de processos envolvendo lavraturas decorrentes de omissões na GFIP devem levar em conta o que ficou decido no julgamento dos feitos relacionados à exigência dos tributos não recolhidos, que lhe sejam correlatos. Esse procedimento tem razão de ser no fato do colegiado entender que o auto de infração por descumprimento da obrigação acessória de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias tem conexão com o lançamento da obrigação principal. Por essa linha de entendimento, a verificação da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP dáse no momento da apreciação dos processos em que se exige a obrigação principal. Assim, declarandose improcedentes as contribuições lançadas, deve o resultado refletirse no lançamento decorrente de descumprimento da obrigação acessória de não declarar as contribuições excluídas na GFIP. Diante disso, tendo sido declarados improcedentes o lançamento relativo à exigência das contribuições patronais (Processo n.º 16004.000022/200916), julgado a pouco, bem como aqueles em que foram exigidas as contribuições sobre aquisição de produtos rurais de pessoas físicas (Processos n.º 16004.000363/200991 e 16004.000364/200936), ambos julgados nesta Câmara em 19/11/2013, deve ter o mesmo destino a lavratura para imposição de multa pela falta de declaração dos tributos na GFIP, ou seja, a multa não deve subsistir. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 13819.903840/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
AUSÊNCIA DE ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS. CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS
Na ausência de elementos que indiquem que o contribuinte realmente tinha direito ao registro dos créditos pleiteados, não há que se retornar os autos à primeira instância, para reanálise do processo.
Recurso Voluntário Negado
Direito creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-003.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL - Presidente.
MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, VALCIR GASSEN, JOSÉ HENRIQUE MAURI, LIZIANE ANGELOTTI MEIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 AUSÊNCIA DE ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS. CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS Na ausência de elementos que indiquem que o contribuinte realmente tinha direito ao registro dos créditos pleiteados, não há que se retornar os autos à primeira instância, para reanálise do processo. Recurso Voluntário Negado Direito creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL - Presidente. MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, VALCIR GASSEN, JOSÉ HENRIQUE MAURI, LIZIANE ANGELOTTI MEIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES
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CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS Na ausência de elementos que indiquem que o contribuinte realmente tinha direito ao registro dos créditos pleiteados, não há que se retornar os autos à primeira instância, para reanálise do processo. Recurso Voluntário Negado Direito creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Presidente. MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, VALCIR GASSEN, JOSÉ HENRIQUE MAURI, LIZIANE ANGELOTTI MEIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 38 40 /2 00 9- 08 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.903840/200908 Acórdão n.º 3301003.038 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instãncia: "Tratase de Declaração de Compensação — DCOMP, com base em suposto crédito de PIS do período de apuração 07/2004, no montante de R$ 730.503,89, decorrente de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: 'Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 289.315,30 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.' Cientificada desse despacho, a interessada apresentou denominada "manifestação de inconformidade", alegando, em síntese, que seu direito creditório decorre do não aproveitamento, na apuração da Cofins não cumulativa, de créditos decorrentes de serviços utilizados como insumos em seu processo produtivo e créditos referentes aos fretes pagos nas operações de venda, conforme autorização do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003. Assim, efetuou a revisão dos valores originalmente apurados e pagos da contribuição, e embora tenha procedido à retificação do Dacon pertinente, não retificou a DCTF, razão que teria levado à não homologação da compensação. Contudo, ao retificar a presente DCOMP, equivocadamente relacionoua a DCOMP inicial incorreta, vinculandoa ao Darf relativo ao recolhimento de PIS (código 6912, período de apuração 31/07/2004, valor R$ 1.284.198,40), quando, na verdade, deveria ter citado como DCOMP inicial a de n° 17585.56756.311006.1.3.046252, referente ao Darf de Cofins (código 5856, período de apuração 31/07/2004, valor R$ 6.998.474,77). Anexa aos autos cópias de notas fiscais exemplificativas dos créditos a que teria direito, assinalando a enorme quantidade de documentos fiscais envolvidos, os quais coloca à disposição para verificação fiscal. Alega que a ausência de retificação da DCTF não tem o condão de inviabilizar o reconhecimento de seu direito creditório. Requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto destes autos até o julgamento da manifestação de inconformidade. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.903840/200908 Acórdão n.º 3301003.038 S3C3T1 Fl. 12 3 Ao final, requer, em caso de não ser reformada a decisão combatida, a realização de perícia, indicando os quesitos a serem respondidos, os quais comprovariam a existência de seu crédito. Em 31/07/2009, anexaramse aos autos cópia de Oficio, e respectivos anexos, expedido pela ProcuradoriaSeccional da Fazenda Nacional em São Bernardo do Campo, noticiandose o recebimento, naquela unidade, de mandado de intimação expedido nos autos do Protesto Judicial no 2009.61.14.0037401, no qual a contribuinte objetiva interromper o prazo prescricional de créditos que são alvo de pedidos de compensação em trâmite nesta Delegacia de Julgamento. Informa ainda que não atuou nos referidos autos por ali não haver contraditório." A DRJ em Campinas (SP) decidiu não conhecer da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Em suma, aduziu que a legislação tributária prevê rito próprio para a retificação de DCOMP apresentação de DCOMP retificadora não sendo, portanto, cabível fazêla, em sede de manifestação de inconformidade. O correspondente Acórdão, de n° 0536.190, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação dos créditos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio" Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que, basicamente, repete as razões de mérito contidas na impugnação e requer que seja anulada a decisão recorrida, com o retorno dos autos para a DRJ, para a verificação do direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.903840/200908 Acórdão n.º 3301003.038 S3C3T1 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira O Recurso Voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Já manifesteime nesta turma no sentido de privilegiar a essência sobre a forma, em casos em que o contribuinte apresenta elementos convincentes de que tem direito a determinado crédito, apesar de ter preenchido declarações e/ou informativos fiscais de forma incorreta. Tratase de homenagear os Princípios da Verdade Material e do Informalismo Moderado, que norteiam o processo administrativo fiscal. Contudo, não é o caso do presente processo. Com a devida vênia, sem hesitar, em busca da verdade material, ultrapassaria o motivo que levou os i. julgadores de primeira instância a não conhecer da manifestação de inconformidade, qual seja, o de que retificação de DCOMP não se faz por meio daquele instrumento processual. Todavia, não o faço, porque não encontrei nos autos evidências documentais que me impelissem a devolver os autos à instância a quo, para validação dos supostos créditos, por meio de uma diligência. Com lastro nos inc. II e IX do art. 3° da Lei n° 10.833/03, a Recorrente alegou que detinha créditos derivados de serviços utilizados como insumos em seu processo industrial e fretes em operações de vendas. E que, equivocadamente, não haviam sido tempestivamente aproveitados, o que resultou em pagamento a maior de COFINS, no montante de R$ 730.503,89, dos quais R$ 289.315,30 foram objetos da PER/DCOMP em discussão. Acostou à impugnação uma nota fiscal de serviços de carga e descarga e duas de inspeção e fumigação. Nenhuma de frete. A Recorrente não descreveu, em detalhes, sua atividade econômica e, principalmente, qual a participação dos referidos serviços em seu processo industrial. Sem isto, não há como formar convicção acerca de seu enquadramento como insumo, nos termos do inc. II do art. 3° da Lei n° 10.833/03. Ademais, não anexou sequer um conhecimento de transporte e correspondente nota fiscal de venda de produtos carreados para cliente, de forma que pudéssemos constatar que se tratava de frete em operação de venda de mercadorias produzidas pela Recorrente, cujo crédito é admitido, sob o amparo do inc. IX do art. 3° da Lei n° 10.833/03. Enfim, uma descrição minuciosa de seus processos de negócio e da conexão com os serviços, cujos créditos não foram registrados, e uma amostra completa (não encaminharam conhecimentos de transporte) e mais significativa de notas fiscais, combinadas Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.903840/200908 Acórdão n.º 3301003.038 S3C3T1 Fl. 14 5 com os demais documentos apresentados pela Recorrente (demonstrativos das bases de cálculo da COFINS, DACON retificadora e PER/DCOMP) poderiam motivar este colegiado a retornar o processo à DRJ/Campinas, para que determinassem a realização de uma diligência. Com efeito, neste trabalho, seria então realizada uma revisão completa da base de cálculo da COFINS, com sua conciliação com todas as notas fiscais e livros contábeis, o que legitimaria a tomada dos créditos. Contudo, diante da ausência de elementos que demonstrassem ter realmente havido pagamento a maior, faltando, apenas, uma validação completa do montante, não me resta alternativa a não ser a de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 16561.720138/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, João Otavio Oppermann Thomé e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, João Otavio Oppermann Thomé e Ronaldo Apelbaum.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, João Otavio Oppermann Thomé e Ronaldo Apelbaum. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0653.021, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Curitiba PR. Conforme descrito em seu termo de verificação fiscal, a autoridade tributária acusa o sujeito passivo em epígrafe de haver adicionado a menor, na apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social do anocalendário de 2011, os ajustes referentes a preços de transferência relativos a produtos importados de pessoas vinculadas residentes no exterior. Transcrevese a seguir alguns trecho do TVF: Nas importações efetivadas em 2011, sujeitas às regras de Preços de Transferência, o contribuinte adotou o método Preço de Revenda Menos Lucro (PRL), utilizandose, no entanto, da sistemática prevista na Instrução Normativa SRF nº 32/2001, embora na época da ocorrência do fato gerador do imposto de renda e da contribuição RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 13 8/ 20 14 -1 7 Fl. 3529DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720138/201417 Resolução nº 1201000.210 S1C2T1 Fl. 3 2 social sobre o lucro líquido, já estivesse vigente a metodologia estabelecida pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002. (...) De acordo com as informações declaradas na ficha 29 Operações com Exterior Pessoa Vinculada/Interposta/País com Trib. Favorecida, da DIPJ 2012, em 2011, o valor total das importações de bens de pessoas vinculadas foi de R$ 188.259.904,69, e o valor total das importações de bens de pessoas residentes em países com tributação favorecida foi de R$ 3.270,69. Inicialmente, analisamos as informações constantes nas planilhas de memórias de cálculo referentes às importações de vinculadas e de países com tributação favorecida, entregues pelo contribuinte em resposta ao Termo de Início da Ação Fiscal, e as comparamos com as informações contidas no relatório gerado a partir de dados extraídos do sistema SISCOMEX. Constatamos não haver discrepâncias significativas entre as informações prestadas pelo contribuinte e as constantes do relatório. Desta forma, foram utilizadas, no cálculo do preço praticado nas importações, as próprias informações prestadas pelo contribuinte. De um total de pouco mais de 900 itens importados de vinculadas, selecionamos 589 itens para realizar os cálculos de ajustes a título de preço de transferência. Tais itens representam aproximadamente 98% do valor total das importações sujeitas ao controle de preço de transferência. (...) O ajuste unitário para cada item importado é a diferença entre o preço praticado na importação e o preço parâmetro, no caso em tela, calculado pelo método PRL. O ajuste total é o resultado da multiplicação do ajuste unitário pela quantidade de consumo e essa, por sua vez, é obtida somandose a quantidade do estoque inicial com a quantidade importada e subtraindose a quantidade do estoque final. Ressaltamos que, seguindo o estabelecido no art. 38 da IN nº 243/2002, que trata da margem de divergência, só foram feitos ajustes nos casos em que a diferença encontrada entre o preço praticado e o preço parâmetro foi superior a 5%. (...) Desta forma, estão sendo efetuados, através de lançamento de ofício, ajustes nas bases de cálculo do imposto de renda (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) no montante de R$ 77.669.572,89 (setenta e sete milhões seiscentos e sessenta e nove mil, quinhentos e setenta e dois reais e oitenta e nove centavos). (...) Fl. 3530DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720138/201417 Resolução nº 1201000.210 S1C2T1 Fl. 4 3 Inconformada com a autuação a contribuinte propôs impugnação ao lançamento onde alega, em síntese, o seguinte: a) preliminarmente, a nulidade do auto de infração por inobservância do disposto no art. 20A da Lei nº 9.430/96, que determina a intimação do sujeito passivo para apresentação de novo cálculo dos preços de transferência em caso de desqualificação do método por ele adotado; b) é ilegal o cálculo do preçoparâmetro pelo método PRL60 realizado pela fiscalização com base na Instrução Normativa SRF nº 243/2002; c) a fiscalização equivocouse ao calcular o preçoparâmetro pelo método PRL 20, pois aplicou a margem de lucro de 20% sobre o valor bruto das revendas, diminuído, apenas, dos descontos incondicionais, quando o correto seria deduzir, também, os tributos incidentes sobre as vendas e as comissões e corretagens pagas, conforme critério adotado pela ora impugnante. Neste sentido, é também ilegal a limitação prescrita no art. 12, § 8º, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002; d) é ilegal a adoção do PRL ponderado. A lei garante ao sujeito passivo adotar o método que melhor lhe convier. Nestes termos, como o PRL20 e o PRL60 são métodos distintos, cabe à impugnante a escolha de quaisquer desses dois métodos de cálculo do preço parâmetro quando um mesmo produto importado for revendido e empregado como insumo na produção de outro produto; e) é indevida a inclusão, no cálculo do preço praticado, dos valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação; f) é ilegal a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício; g) nas matérias em que haja empate nas votações dos órgãos colegiados do CARF devese reconhecer que há dúvida sobre a questão e, neste caso, decidirse a favor do sujeito passivo, nos termos do art. 112 do CTN. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 NULIDADE. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. LEI N° 9.430/96, ART. 20A. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. FATOS GERADORES A PARTIR DO AC 2012. Descabe suscitar nulidade, sob alegação de necessidade de intimação do sujeito passivo para apresentar novo cálculo com outro método de preço de transferência, já que o art. 20A da Lei n° 9.430/96 encerra norma de natureza material, que se aplica somente a fatos geradores posteriores a sua vigência. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO ERRO NO CÁLCULO DA MARGEM DE LUCRO. Não caracteriza cerceamento de defesa a falta de indicação do erro no cálculo da margem de lucro, bastando que a autoridade fiscal Fl. 3531DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720138/201417 Resolução nº 1201000.210 S1C2T1 Fl. 5 4 demonstre a corretude de seus cálculos e a divergência entre seus resultados e os do contribuinte. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Nos termos da legislação do PAF, toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. INTIMAÇÃO. ENDEREÇO DO PROCURADOR. MATÉRIA DISCIPLINADA NO PAF. FALTA DE PREVISÃO. De acordo com a disciplina instituída no PAF, as intimações devem ser encaminhadas ao endereço do sujeito passivo, sem previsão para o envio de correspondências para o endereço do procurador da empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2011 JUROS SOBRE MULTA. CABIMENTO. ART. 161 DO CTN. ART. 61 DA LEI N° 9.430/96. A incidência de juros sobre multa tem amparo legal, pois o art. 161 do CTN prevê sua aplicação para “o crédito” e o art. 61 da Lei n° 9.430/96 o faz para “os débitos”, sendo que ambos os termos alcançam o tributo e a multa, e esta não foi ressalvada pelo legislador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. FÓRMULA LITERAL DO ART. 18 DA LEI N° 9.430/96. CONTRADIÇÃO COM A MENS LEGIS. A fórmula de cálculo do preço parâmetro do PRL60, baseada na literalidade do art. 18 da Lei n° 9.430/96, resulta em que somente haverá ajuste para bens importados com custo superior a mais da metade do preço líquido de venda do produto acabado, o que acaba por autorizar a prática do superfaturamento e conseqüente transferência de preço, contrariando o espírito da lei, devendo ser afastada a interpretação literal. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. FÓRMULA DO ART. 12 DA IN N° 243/2002. REDUÇÃO DE DISTORÇÕES. CONFORMIDADE COM A MENS LEGIS. A fórmula de cálculo do preço parâmetro do PRL60, baseada no art. 12 da IN n° 243/2002, encontrase em conformidade com a mens legis da legislação do preço de transferência, porque corrige duas fontes de distorções da fórmula literal legal: i) deixa de limitar a dedução da margem de lucro de 60% ao valor agregado; ii) em vez de partir do preço líquido de venda do produto acabado, parte da proporção entre o custo do bem importado e o custo do produto acabado, reduzindo as distorções nessa mesma proporção. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL20. MARGEM DE LUCRO. EXCLUSÃO SOMENTE DOS DESCONTOS INCONDICIONAIS. Fl. 3532DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720138/201417 Resolução nº 1201000.210 S1C2T1 Fl. 6 5 A margem de lucro no cálculo do PRL 20 aplicase sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. VALOR DO FRETE E SEGURO. INCLUSÃO NO PREÇO PRATICADO. Os valores do frete e seguro, quando o ônus é suportado pelo importador, devem ser computados no cálculo do preço praticado, a fim de se evitar comparações distorcidas, eis que tais custos são contemplados no cálculo do preço parâmetro. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ITEM UTILIZADO COMO INSUMO E COMO REVENDA. PREÇO MÉDIO PONDERADO. Em caso de item importado e utilizado tanto como insumo para fabricação de outro produto como bem para revenda, o preço parâmetro é a média ponderada dos preços obtidos pelos métodos PRL 20 e PRL 60, e não o menor valor entre eles. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. Embora a questão não tenha sido objeto de contestação por parte da recorrente, verifiquei possível equívoco, por parte da autoridade tributária, no cálculo dos ajustes decorrentes dos preços de transferência, ao menos em parte dos produtos objeto da autuação. Vejamos, a título exemplificativo, o produto código 1341570003P1, descrito como "CAIXA DE TRANSMISSAO SEMI AUTOMATICA PARA TRA". Consta no "Demonstrativo dos cálculos de ajustes" (anexo 5 ao TVF fl. 3151 e ss.) que a quantidade consumida do referido produto foi de 417 unidades (vide primeira linha do mencionado demonstrativo, coluna G). Como o ajuste unitário desse mesmo produto foi calculado em R$ 11.235,10 (coluna K), o ajuste total alcançou R$ 4.685.036,66 (coluna L). Todavia, pelo exame do "Demonstrativo dos cálculos dos preços parâmetro ponderados PRL 20/PRL 60" (anexo 4 ao TVF fl. 3146 e ss.), consta que a quantidade consumida do mesmo produto foi de apenas 151 unidades, sendo 1 unidade revendida e 150 unidades aplicadas na produção de outro produto, conforme primeira linha daquele demonstrativo, colunas E e G, respectivamente. Veja ainda que a quantidade consumida de 151 unidades do produto está em consonância com o "Demonstrativo dos cálculos do preço parâmetro PRL20" (anexo 2 ao TVF fl. 934 e ss.), onde consta a revenda de 1 unidade, bem como com o "Demonstrativo dos cálculos dos preços parâmetro pelo PRL 60" (anexo 3 ao TVF fl. 938 e ss.), onde consta a aplicação de 150 unidades na produção de outro produto. Fl. 3533DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720138/201417 Resolução nº 1201000.210 S1C2T1 Fl. 7 6 Mas se realmente a quantidade consumida do mencionado produto foi de apenas 151 unidades, o ajuste deveria ser de apenas R$ 1.696.500,10. Tendo em vista o exposto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que a autoridade tributária de jurisdição do sujeito passivo: a) elabore relatório de diligência explicando a razão da divergência existente entre a quantidade consumida indicada na coluna G do anexo 5 ao TVF, e a quantidade, relativamente ao mesmo produto, constante da coluna D do anexo 2, da coluna K do anexo 3 (somatório) ou da soma das colunas E e G do anexo 4, conforme o caso. Informe, também, a razão de haver empregado uma quantidade, e não a outra; b) refaça, se a divergência acima indicada implicar alteração no cálculo dos preços de transferência, os anexos 1 a 5 do TVF; c) cientifique o sujeito passivo do relatório de diligência e, se for o caso, também dos novos anexos, e intimeo a, se assim lhe convier, apresentar contrarrazões no prazo de 20 dias. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 3534DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10825.902290/2011-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF. RESTITUIÇÃO. QUOTAS. PER/DCOMP. ADEQUAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA ANÁLISE DA ISENÇÃO.
1. A restituição de pagamento indevido ou a maior de quotas do IRPF deve ser requerida mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP).
2. Sob pena de supressão de instância, os autos devem retornar à DRJ, para análise da questão atinente à isenção.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRJ, para análise da questão atinente à isenção. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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RESTITUIÇÃO. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Recorrente CELIA FATIMA SVIZZERO DE SOUZA Recorrida UNIÃO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IRPF. RESTITUIÇÃO. QUOTAS. PER/DCOMP. ADEQUAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA ANÁLISE DA ISENÇÃO. 1. A restituição de pagamento indevido ou a maior de quotas do IRPF deve ser requerida mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). 2. Sob pena de supressão de instância, os autos devem retornar à DRJ, para análise da questão atinente à isenção. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 22 90 /2 01 1- 49 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRJ, para análise da questão atinente à isenção. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10825.902290/201149 Acórdão n.º 2402005.163 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em face de Despacho Decisório da DRF/Bauru, que deferiu parcialmente o pedido de restituição no valor total de R$ 8.904,11, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 1,95, argumentando em síntese que: a) foi surpreendida com o indeferimento do seu pedido de restituição; b) grande parte dos rendimentos que ela recebe é pensão alimentícia estipulada por decisão judicial paga por seu excônjuge desde 31/01/1992; c) é portadora de neoplasia maligna, que tem caráter permanente, desde 27/09/1996, conforme laudo médico oficial, e faz jus à isenção do imposto de renda sobre proventos decorrentes de pensão alimentícia; d) mesmo sendo isenta, nos últimos dez anos teve saldo a pagar de imposto, tendo recolhido valores indevidamente; e) tem laudo médico pericial emitido por médico vinculado ao Departamento Regional de Saúde de Bauru, sendo a patologia de caráter permanente, conforme atestados médicos; f) o benefício é retroativo à data em que a doença foi contraída, conforme art. 5º, § 2º, inc. III, da IN 15/2001; g) preenche todos os requisitos para a isenção do imposto. No desfecho de sua Manifestação, a contribuinte pediu a homologação das compensações por ela declaradas. A 18ª Turma da DRJ/SP1, contudo, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, ao argumento de que: h) não há homologação de compensação a ser deferida, mas sim deferimento ou indeferimento de pedido de restituição; i) o pressuposto essencial à restituição está na identificação de um recolhimento indevido ou maior que o devido; j) a interessada apresentou, em 30/01/2008, a DIRPF retificadora, relativa ao anocalendário 2006, exercício 2007, na qual resultou o valor de imposto a pagar de R$ 7.394,13, e efetuou os recolhimentos em 25/04/2007 e 31/01/2008, nos valores de R$ 2.060,35 e R$ 6.843,78 (fls. 22/26); Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 4 k) essa declaração substituiu a DIRPF original entregue em 20/04/2007, na qual apurou imposto a pagar no valor de R$ 2.060,35; l) conforme alocações efetuadas pelo sistema CCPF, podese verificar que foram utilizados o valor integral do recolhimento de R$ 2.060,35 e o valor de R$ 6.841,81 do recolhimento de R$ 6.843,76 (fls. 22 e 26), resultando em pagamento a maior no valor de R$ 1,97; m) se a contribuinte tem direito à isenção por ser portadora de moléstia grave, primeiramente deve providenciar a entrega de nova DIRPF retificadora alterando os rendimentos declarados como tributáveis nas declarações anteriores para rendimentos isentos e não tributáveis, conforme dispõe o art. 10 da IN RFB nº 900, de 30/12/2008, e, posteriormente, peticionar a restituição dos pagamentos efetuados conforme declaração entregue em 30/01/2008, mediante PER/DCOMP. Notificada da decisão em 21/09/2012, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/10/2012, no qual reiterou os fundamentos da sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que: n) não tem como apresentar nova declaração retificadora, por ter transcorrido mais de cinco anos da entrega da declaração original. Em desfecho ao recurso, a recorrente novamente pediu a homologação das compensações declaradas. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10825.902290/201149 Acórdão n.º 2402005.163 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Homologação de compensação Consoante já esclarecido pela DRJ, não há homologação de compensação a ser deferida, mas sim deferimento ou indeferimento de pedido de restituição. Com efeito, vêse às fls. 2/4 que a contribuinte apresentou pedido eletrônico de restituição, e não declaração de compensação. 3 Restituição A controvérsia não é a isenção em si, mas sim a forma de requerer a restituição. É o que se depreende da decisão recorrida. A restituição de pagamento indevido está inicialmente disciplinada nos arts. 165 e seguintes do CTN. No tocante ao imposto de renda, o § 2º do art. 895 do RIR/1999 delegou à legislação infralegal a competência para expedir as instruções necessárias à restituição no âmbito administrativo. Verbis: Art. 895. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá optar pelo pedido de restituição do valor pago indevidamente ou a maior, observado o disposto nos arts. 892 e 900 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, § 2º, e Lei nº 9.069, de 1995, art. 58). [...] § 2º A Secretaria da Receita Federal expedirá instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo (Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, § 4º, e Lei nº 9.069, de 1995, art. 58). Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 6 À época da data da transmissão do PER, o diploma infralegal vigente que disciplinava a restituição e a compensação dos tributos administrados pela SRFB era a IN RFB nº 900/2008, atualmente revogada pela IN nº 1300/2012. No que interessa ao presente caso, a IN RFB nº 900 dispunha o seguinte (com destaques): Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Art. 10. Não ocorrendo a devolução prevista no art. 8º ou a dedução nos termos do art. 9º, a restituição do indébito de imposto de renda retido sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual, bem como a restituição do indébito de imposto de renda pago a título de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), será requerida pela pessoa física à RFB exclusivamente mediante a apresentação da DIRPF. [...] § 2º Aplicase o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 3º e no § 1º do art. 34 ao indébito de imposto de renda retido no pagamento ou crédito a pessoa física de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, bem como aos valores pagos indevidamente a título de quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF). Como se vê, a legislação estabelecia que a restituição dos valores pagos indevidamente a título de quotas do IRPF deveria ser requerida através de PER/DCOMP. A restituição por meio de DIRPF retificadora somente tinha cabimento na hipótese de saldo a restituir apurado na própria DIRPF. Em se tratando de pagamentos de quotas, os quais são realizados após a entrega da declaração e após o anocalendário, o requerimento deveria ser feito através de PER/DCOMP. A DIRPF não possui campo apropriado para informar o valor do pagamento das quotas. Essa é uma circunstância óbvia, pois, como dito, as quotas são pagas após o anocalendário, sendo impossível, do ponto de vista lógico, informarse pagamento que somente vai ser realizado no futuro, quando da entrega da declaração de ajuste. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10825.902290/201149 Acórdão n.º 2402005.163 S2C4T2 Fl. 5 7 Em sessão realizada em 02 de dezembro de 2014, esta mesma Segunda Seção de Julgamento decidiu que a restituição de valores pagos indevidamente após o anocalendário deve ser requerida através de PER/DCOMP. Vejase: IRPF. RESTITUIÇÃO. QUOTAS DE IRPF. PERDCOMP. PEDIDO FEITO POR DIRPF. INADEQUAÇÃO. A restituição dos valores pagos indevidamente a título de quotas do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) deve ser requerida mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). A inadequação da via eleita implica não conhecimento do mérito do pedido de restituição. Recurso negado. (CARF, Segunda Seção de Julgamento, Segunda Turma Especial, acórdão nº 2802003.257, Relator Jorge Claudio Duarte Cardoso). Como a DIRPF não tem campo apropriado para informar o pagamento das quotas, é desnecessária a entrega de nova declaração retificadora. Essa exigência da DRJ, a propósito, não tem amparo legal. Logo, o procedimento adotado pela recorrente, consistente em formular seu pedido de restituição através de PER, está em consonância com a legislação que rege a matéria, inclusive com a Instrução Normativa vigente à época dos fatos. Em sendo assim, e sob pena de supressão de instância, os autos devem retornar à DRJ, para que se decida se a recorrente tem direito à isenção e, consequentemente, se tem o direito à restituição pleiteada. 4 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRJ, para que se decida se a recorrente tem direito à isenção e, consequentemente, se tem o direito à restituição pleiteada. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721264/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
PARTICIPAÇÃO NO LUCRO E GRATIFICAÇÕES PERCEBIDAS POR ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. LEI 10.101, DE2000.
Por força dos artigos 303 e 463 do RIR/99 são indedutíveis as despesas incorridas com o pagamento de gratificações e de participação no lucro a administradores.
A Lei nº 10.101, de 2000, foi instituída para regulamentar o inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal, o qual trata de direito dos trabalhadores empregados.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE.
É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.
Numero da decisão: 1201-001.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator, que dava parcial provimento para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Redator Designado
EDITADO EM: 30/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), e João Otavio Oppermann Thome
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 PARTICIPAÇÃO NO LUCRO E GRATIFICAÇÕES PERCEBIDAS POR ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. LEI 10.101, DE2000. Por força dos artigos 303 e 463 do RIR/99 são indedutíveis as despesas incorridas com o pagamento de gratificações e de participação no lucro a administradores. A Lei nº 10.101, de 2000, foi instituída para regulamentar o inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal, o qual trata de direito dos trabalhadores empregados. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator, que dava parcial provimento para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Redator Designado EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), e João Otavio Oppermann Thome
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 PARTICIPAÇÃO NO LUCRO E GRATIFICAÇÕES PERCEBIDAS POR ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. LEI 10.101, DE2000. Por força dos artigos 303 e 463 do RIR/99 são indedutíveis as despesas incorridas com o pagamento de gratificações e de participação no lucro a administradores. A Lei nº 10.101, de 2000, foi instituída para regulamentar o inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal, o qual trata de direito dos trabalhadores empregados. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Luis Fabiano Alves Penteado Relator, que dava parcial provimento para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 64 /2 01 3- 81 Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 2 (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Redator Designado EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), e João Otavio Oppermann Thome Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o recorrente por meio do qual se exige IRPJ relativo aos anos calendários de 2009 e 2010, no montante de R$ 7.062.380,19, incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%. Termo de Verificação Fiscal A ação fiscal iniciouse por determinação da Administração Tributária com o objetivo de verificar o cumprimento das obrigações tributárias do imposto de renda nos anos calendários 2009 e 2010, especificamente no que tange à Participação nos Lucros, bônus e bônus diferido pagos aos administradores do recorrente. Segundo o Agente do Fisco, apesar de, sob o ponto de vista trabalhista, a questão não ser relevante para o Fisco, o aspecto fiscal é pertinente, uma vez que “os pagamentos das participações atribuídas aos administradores foram considerados como despesas dedutíveis para fins de apuração do Lucro Real”. No entender da Fiscalização, independentemente da classificação atribuída pela contribuinte a seus diretores, eles seriam, de fato administradores. Não obstante tais diretores tenham sido remunerados e declarados como empregados, a Fiscalização considerou que, “de fato e de direito”, são administradores sem vínculo empregatício. Com isso, a contribuinte não poderia ter usufruído a dedução permitida pela Lei nº 10.101, de 2000, a qual se aplica somente à PLR percebida por empregados. Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721264/201381 Acórdão n.º 1201001.394 S1C2T1 Fl. 3 3 Por conseguinte, os valores recebidos pelos Diretores, no entender do Fisco, deveriam ser adicionados ao lucro líquido para a apuração do lucro real. As quantias percebidas pelos administradores que deveriam ser adicionadas ao lucro líquido, conforme consta no TVF, não se restringiriam à Participação nos Lucros dos administradores, mas abrangeriam, também, os valores pagos a título de Bônus e Bônus Diferido. Todos estes pagamentos constaram nas folhas de pagamento e na contabilidade como realizados a empregados. Entendeu a fiscalização que a existência ou não de contratos de trabalho firmados com os Diretores em nada altera a condição deles de administradores e que, “caso assim fosse entendido, haveria clara agressão tanto às disposições legais às quais a Sociedade se sujeita(Lei n° 6.404/76) quanto ao seu próprio Estatuto Social”. Defendese que os diretores eleitos ou nomeados na forma estabelecida no Estatuto Social são administradores da empresa, não importando a qualificação dada pela contribuinte. Com isso, os valores por eles recebidos a título de PLR não estão sujeitos às disposições contidas na Lei nº 10.101, de 2000, o que impede que sejam deduzidos do lucro líquido na apuração do lucro real. O fisco expôs as razões por ter considerado não dedutíveis a participação nos lucros, argumentando que o seu pagamento somente será considerado despesa operacional a ser deduzida do lucro líquido quando estiver em conformidade com a MP nº 794, de 1994, convertida na Lei nº 10.101, de 2000. Descrevese o procedimento contábil adotado pela contribuinte: a) Durante o exercício provisiona os valores da participação nos lucros, do Bônus e do Bônus Diferido em contas de provisão; b) Ao final do exercício, adiciona os valores provisionados ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real, por se tratarem de provisões indedutíveis; c) No início do exercício seguinte, reverte as provisões realizadas no exercício anterior, excluindo os valores do Lucro Líquido; d) Quando do pagamento dos valores aos administradores, consideraos como despesa dedutível do exercício. Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 4 E conclui a fiscalização expondo a fundamentação legal que embasou a glosa fiscal: Logo, a partir do exposto, os valores pagos a título de participação nos lucros,bônus e bônus diferidos aos Administradores foram considerados despesas dedutíveis pelo contribuinte, descumprindo o disposto no RIR/99 em seus artigos249, inciso I, 303 e 463. Portanto, esses valores devem ser adicionados ao Lucro Líquido do exercício para fins de apuração do Lucro Real. Impugnação A autuação em análise decorreu de adições não computadas no lucro real atinentes a valores percebidos a título de PLR, Bônus e Bônus Diferido por diretores, trabalhadores sem vínculo empregatício no entender do AuditorFiscal, porque tais pagamentos não preencheriam os requisitos da dedutibilidade, ou seja, não seriam despesas operacionais. O impugnante, ora recorrente, alega que as conclusões da fiscalização entram em contradição com o lançamento objeto do processo nº 16327.721263/201336, no qual se exigem contribuições previdenciárias porque “a participação nos lucros pagas aos Administradores integra o salário de contribuição”,conforme fls. 22 do Termo de Verificação fiscal (TVF) constante do mencionado processo. Portanto, conclui o ora recorrente que nos autos de infração em que são exigidas as contribuições previdenciárias, a Fiscalização entendeu que os valores pagos a título de PLR não atendiam aos preceitos da Lei nº 10.101, de 2000, o que resultou no enquadramento deles como verbas remuneratórias com a correspondente inclusão na base de cálculo das aludidas contribuições. Argui o ora recorrente que as razões expostas pela Fiscalização nestes AI teriam conteúdo semelhante à autuação ora questionada, deixando claro que a mesma situação jurídica conduziu a “conclusões adaptadas diversas”: indedutibilidade da PLR, do Bônus e do Bônus Diferido em um processo (16327.721264/201381) e caracterização de tais pagamentos como parcelas integrantes do salário de contribuição em outro (16327.721263/201336). Considera que “tal contradição se revela de forma ainda mais evidente, quando o próprio Agente Fiscal aduz em seu ‘TVF’ que a participação nos lucros é paga em retribuição aos serviços prestados (item 8.1)” Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721264/201381 Acórdão n.º 1201001.394 S1C2T1 Fl. 4 5 E conclui que pagamentos com “remuneração estão enquadradas no conceito de despesas operacionais, por serem normais, necessárias e usuais à atividade de qualquer empresa, assim como os Bônus e Bônus Diferidos”. Alega o impugnante, ora recorrente, em seguida, que a Fiscalização não teria mencionado qual o dispositivo da Lei nº 10.101, de 2000, que fora descumprido, nem teria se posicionado sobre o problema levantado de que, em suma, considerou não dedutíveis despesas operacionais relacionadas a pagamento de remunerações de empregados. Acrescenta que não existe, no ordenamento jurídico, qualquer norma que determine que o pagamento de PLR em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, imponha a sua adição ao lucro líquido para a apuração da base de cálculo do IRPJ, sendo que o inciso III do artigo 462 do RIR/99 apenas estabelece que o pagamento da PLR em conformidade com a citada lei permite a sua dedução do lucro líquido. O entendimento adotado pelo Fisco, a seu ver, afrontaria o princípio constitucional da legalidade e o disposto no § 3º do artigo 299 do RIR/99.Argumenta que os lançamentos fiscais devem estar devidamente motivados, devendo o Fisco comprovar a infração imputada ao contribuinte, mediante descrição precisa da conduta praticada e da legislação infringida, nos termos dos artigos 97 e 142, parágrafo único, do CTN, sob pena de nulidade. Sustenta ainda o ora recorrente que todos os dispositivos legais e toda a argumentação desenvolvida pela Fiscalização aplicamse exclusivamente à PLR, não sendo possível à impugnante identificar a razão que levou à glosa dos pagamentos relacionados ao Bônus e ao Bônus Diferido. Requer, por conseguinte, que seja reconhecida a nulidade da autuação. Caso não sejam acolhidos seus argumentos, defende, subsidiariamente, que os pagamentos em questão atendem ao disposto nos artigo 462, II e III, do RIR/99. Sobre o tema “III – Do Direito”, inicia suas alegações, defendendo que é falsa a premissa adotada pela Fiscalização de que a Lei nº 10.101, de 2000, vedaria o pagamento de PLR aos administradores, cujos contratos de trabalho são regidos pela CLT, mas que foram considerados não empregados pelo Agente do Fisco. Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 6 Em seguida, o impugnante passa a sustentar que o AuditorFiscal indevidamente presumiu “que os pagamentos de PLR aos diretores teriam sido realizados com base na Lei n° 6.404/76, bem como de que os diretores seriam administradores”, pois ele não buscou a verdade material quando se pautou no Estatuto Social da impugnante, deixando de sopesar a forma pela qual os diretores desempenham suas funções. Por entender que as conclusões fiscais foram pautadas em meras ilações, pois a Fiscalização não teria requerido a apresentação dos documentos e dos esclarecimentos necessários, requer que seja reconhecida a nulidade da autuação. Encerra o assunto, argumentando “que os diretores possuem todos os atributos típicos do empregado, ou seja, eram pessoas físicas que prestavam, com habitualidade e exclusividade, serviços sob subordinação jurídica e recebiam salários”. A seguir alega o ora recorrente que a Fiscalização desqualificou o caráter de PLR aos pagamentos realizados, mas não teria esclarecido qual seria a sua real natureza. A seu ver, “a Fiscalização é insistente ao afirmar que estes diretores, na realidade, são administradores sem vínculo empregatício, bem como que tal condição não seria determinante para a qualificação do pagamento como PLR, mas somente a definição da atuação dos diretores como administradores”. Aduz que, ao realizar tais pagamentos, observou os ditames da Lei nº 10.101, de 2000, o que autoriza a dedução prevista no § 1º do seu artigo 3º. Por entender que a Fiscalização esquivouse de examinar a realidadefática, apresenta os documentos abaixo listados, que evidenciariam o vínculo empregatício: (i) Contratos de trabalho regidos pela CLT, que sequer foram solicitados pelo Sr.Agente Fiscal no curso da fiscalização, os quais possuem as cláusulas e condições específicas a serem observadas pelo empregador (Impugnante) e pelo empregado na relação de trabalho (doc. 4); (ii) Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte relativas aos anos calendário 2009 e 2010, as quais refletem as remunerações recebidas pelos diretores empregados e a respectiva retenção devida, o que ratifica a existência de vínculo empregatício (doc. 5); (iii) Fichas de Registro de Empregados, que trazem as principais informações sumarizadas acerca do cargo (doc. 6); e (iv) GEFIPSEFIP referentes aos períodos autuados, que refletem os valores recebidos pelos diretores a título de remuneração com a respectiva incidência das contribuições previdenciárias (doc. 7). Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721264/201381 Acórdão n.º 1201001.394 S1C2T1 Fl. 5 7 Lembra que a Lei das Sociedades Anônimas prevê que, além da Diretoria, pode ser criado um Conselho de Administração, resultando em dois níveis de administração, e quea figura do administrador não se confunde com a do funcionário de cargo de alto nível, o qual é mero empregado subordinado sem poderes de representar a sociedade. Comenta que, nos termos do Enunciado 269 do TST, os contratos de trabalho firmados por empregado eleito para ocupar o cargo de diretor serão suspensos, salvo se permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego. Considera, assim, que não pode prevalecer a presunção de que a mera análise do Estatuto Social da impugnante afastaria a condição de empregados dos diretores. Ressalta que, com a celebração dos contratos de trabalho sob o regime da CLT, todos os direitos trabalhistas são garantidos aos diretores, inclusive a PLR paga nos termos da Lei nº 10.101, de 2000. Esclarece, na continuação, que os diretores diferem dos demais empregados apenas em relação à posição hierárquica que ocupam, conforme comprovaria a estrutura organizacional do impugnante, ora recorrente. Deste modo, a função desempenhada pelos diretores é de mera “representação do comando específico localizado no exterior, diferentemente do que se vê em sociedades de capital aberto, sendo desnecessária a realização de eleições”. Considera que a subordinação é, também, comprovada pelo fato de que todos os diretores são submetidos ao mesmo processo de avaliação aplicado aos demais empregados do banco bem como pela sujeição deles ao cumprimento de normas rígidas relativas a horários. Questiona a competência da Fiscalização: Vale lembrar que, inexistindo óbice ou previsão legal que impeça a manutenção do contrato de trabalho do diretor estatutário, a Fiscalização não possui legitimidade para desconstituir tal condição, competindo tão somente à Justiçado Trabalho aferir se o diretor da empresa desempenha suas funções mediante a existência de vínculo empregatício ou não. Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 8 Depois de avisar que já argumentou ter faltado, no AI questionado, a motivação que permitiria se concluir pela indedutibilidade das despesas incorridas com tais parcelas, expõe que os referidos pagamentos constituem despesas necessárias, usuais e normais da empresa, nos termos do artigo 299, do RIR/99. Considerando que os diretores são empregados da empresa e que o pagamento em questão é voltado ao incentivo da produtividade, conclui tratarse da despesa operacional prevista no artigo 299 do RIR/99.Salienta que os pagamentos são realizados sob a égide de contratos de trabalho, o que ensejou a incidência dos respectivos encargos sociais. Por fim, protesta contra a incidência de juros sobre a multa de ofício exigida após a data da lavratura do auto de infração, por entender não existir previsão legal para tanto. Sustenta que o artigo 43 da Lei nº 9.430, de 1996, não pode servir de supedâneo à pretensão fiscal, uma vez que autoriza a cobrança de juros sobre multa isolada, não sobre multa de ofício. Asseverando que a conclusão fiscal se pautou em mera presunção, requer que não prevaleçam os argumentos do AuditorFiscal. Acórdão nº 1449.207 13ª Turma da DRJ/RPO Quanto a contradição suscitada pelo ora recorrente, entendeuse pela sua incoerência, pois deve ser sopesado que estão em pleno vigor normas próprias que impedem, na apuração do lucro real, a dedução de quaisquer dos valores pagos aos administradores a título de participação nos lucros ou de gratificações. Daí a importância, para o caso concreto, da análise sobre o vínculo que os diretores e os membros do Conselho de Administração têm com a empresa. Se estatutário, aplicamse os artigos 303 e 463 do RIR/99. Se empregatício, o § 3º do artigo 299 do RIR/99 e o § 1º do artigo 3º da Lei nº 10.101, de 2000. Com isso decidiuse que, caso os julgadores que atuarem no Processo nº 16327.721263/201336 concluírem que os pagamentos integram o salário de contribuição, nenhuma influência haverá sobre o presente, pois a decisão que proferirem não afastará a incidência do disposto nos artigos 303 e 463 do RIR/99. Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721264/201381 Acórdão n.º 1201001.394 S1C2T1 Fl. 6 9 Como a despesa de tal natureza não é dedutível nos termos dos artigos 303 e 463 do RIR, entendeuse que não existe qualquer empecilho lógico que vede, no caso concreto, a conclusão pela indedutibilidade de despesa relacionada ao fato gerador de contribuição previdenciária. Enquanto argumentava sobre a suposta contradição entre as autuações, a impugnante alegou que não existe norma legal que imponha a indedutibilidade dos valores pagos a título de PLR quando descumpridos os requisitos da Lei nº 10.101, de 2000, a qual,inclusive não vedaria o recebimento por parte de administradores estatutários. O acórdão recorrido decidiu pela improcedência de tal argumentação. O que estaria em discussão no presente processo não é o pagamento de PLR a empregados em desconformidade com a Lei nº 10.101, de 2000, mas o pagamento de participação de lucros e bônus a administradores não empregados. Diante disso, apurouse que a Fiscalização não mencionou no TVF qual o dispositivo da citada lei que foi descumprido simplesmente porque fez uma análise abrangente da legislação, sustentando que a Lei nº 10.101, de 2000, aplicase à PLR paga a empregados. Como, no entender do AuditorFiscal, os diretores e os membros do Conselho de Administração não são empregados, a eles não se aplicam quaisquer das regras previstas na aludida lei, entendendose que deva incidir, no caso concreto, o disposto nos artigos 303 e 463 do RIR/99. Concluise que se a Lei nº 10.101, de 2000, versa apenas sobre pagamentos realizados a empregados, não é de se esperar que contenha qualquer disposição específica acerca de administradores estatutários. No item II.2 da contestação, alegou o impugnante, ora recorrente, que inexiste, na autuação, a fundamentação para a glosa dos valores pagos a título de Bônus e Bônus Diferido. Diante da argumentação presente no TVF de que os diretores não são empregados e de que, nos termos dos artigos 303 e 463 do RIR/99 (citados no item 11 do TVF), as despesas incorridas com as gratificações por eles percebidas são indedutíveis, entendeuse que a tributação já estaria adequadamente motivada, principalmente se considerado que a Fiscalização informou que os valores tributados foram apurados em folhas de pagamentos e na escrituração contábil da contribuinte. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 10 No tópico “III – Do Direito”, a impugnante argumentou que estaria incorreta a premissa adotada pela Fiscalização de que a Lei nº 10.101, de 2000, não autorizaria o pagamento de PLR a administradores, acrescentando que os valores por eles percebidos “pautaramse em instrumentos firmados nos exatos termos da Lei nº 10.101, de 2000”. A questão sobre se a Lei nº 10.101, de 2000, ou se a Lei nº 6.404, de 1976,disciplinam a participação nos lucros percebidas pelos administradores pode ter relevância no processo que trata da exigência das contribuições previdenciárias, em vista do disposto na alínea “j” do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212, de 1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei,exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Para que o Fisco desqualifique a isenção defendida pela contribuinte é imprescindível a comprovação de que não foram atendidos os requisitos previstos na norma supra transcrita. No caso concreto, em que se discute a dedutibilidade dos valores pagos aos administradores no cálculo da base de cálculo do IRPJ, decidiuse que esta discussão é secundária, posto que o auto de infração está fundamentado nas normas indicadas no item 11 do TVF (arts. 249, 303 e 469 do RIR/99). Como a Lei nº 10.101, de 2000, não foi instituída para regular a participação nos lucros de administradores não empregados, firmouse no acórdão recorrido que não há razão para a Fiscalização apontar quais os requisitos da citada lei que foram infringidos. Não seria necessário esmiuçar cada dispositivo legal para verificar em que momento ela foi descumprida, bastando o fato de que a própria realidade fática apurada (pagamentos a diretores não empregados) afasta a sua incidência. Diante da análise dos estatutos sociais, a Fiscalização se convenceu de que a relação entre os administradores e a sociedade era estatutária, não havendo meios de se admitir a relação empregatícia. Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721264/201381 Acórdão n.º 1201001.394 S1C2T1 Fl. 7 11 O contrato laboral eventualmente celebrado não alteraria esta realidade, ou seja, não transformaria uma relação não regida pela CLT em um vínculo de emprego celetista. O entendimento firmado fora de que o Fisco nada presumiu, uma vez que trouxe aos autos provas que sustentam sua posição de que a relação entre os administradores e a sociedade não é regida pela CLT, mas pela Lei nº 6.404, de 1976. Ao disciplinar a distribuição do ônus probatório, prescreve o artigo 333 do Código de Processo Civil que compete ao autor comprovar o fato constitutivo do seu direito e ao réu, o fato modificativo. Deste modo, se o AuditorFiscal asseverou que os administradores possuem relação estatutária com a empresa conforme o disciplinado na Lei nº 6.404, de 1976, decidiuse que bastaria apresentar as provas que corroboram suas afirmações, sem necessidade de apresentar contraprovas às argumentações que poderiam ser oferecidas pela interessada em processo administrativo. Caberia à recorrente, no entanto, a prova de que, não obstante os administradores sejam eleitos na forma prevista nos estatutos sociais e que tais estatutos prevejam que a gestão e a representação da sociedade compete à diretoria e ao Conselho de Administração, existiriam fatos não ponderados pela Fiscalização que permitem concluir que os administradores em questão seriam, de fato, empregados. Exsurge nos autos que os executivos presentes nos estatutos da empresa, até prova em contrário como dito, detêm amplos poderes de gestão e comando da companhia.Não restaram dúvidas, do entendimento exarado no acórdão recorrido, que os administradores realizam suas atividades pessoalmente em caráter não eventual e que percebem remuneração. Deve, então, ser examinado se eles trabalham sob a dependência do empregador, ou seja, se estão juridicamente subordinados a ele. Fora exposto que para que se conclua se determinado diretor é ou não empregado, é importante refletir sobre a existência ou não de “uma intensidade especial de ordens sobre o diretor recrutado”. Caso o empregador controle a realização das atividades desempenhadas pelo empregado estará caracterizada a sua subordinação, ou seja, o vínculo empregatício. Se, por outro lado, o diretor exercer suas atividades com liberdade, sua relação com a sociedade será estatutária. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 12 Entendeuse, desta forma, que o Estatuto Social da contribuinte segue as linhas traçadas pelos artigos 138, 139 e 142 da Lei nº 6.404, de 1976, in verbis, uma vez que confere aos órgãos estatutários de administração autonomia para gerirem a empresa. Quanto ao Conselho de Administração e ao Presidente percebese o poder de fixar orientações, o que não é atribuído à Diretoria. No entanto, o fato de a Diretoria de submeter a orientações, não a torna subordinada. O recorrente, por outro lado, alegou que existem fatos que levariam à conclusão de que os administradores da empresa exerceriam atividades subordinadas de mero repassadores dos comandos emanados pelos executivos residentes no exterior. Concluiuse, no entanto, que o interessado deveria comprovar o alegado, juntando aos autos provas que revelassem o dia a dia da administração. Estas provas deveriam expor o conteúdo da comunicação entre os executivos estrangeiros e a administração local, de modo a não deixar dúvidas de que os administradores agem com subordinação total, em estrita obediência às ordens que chegam do exterior das quais dependem para realizar suas atividades. Comentase, por fim, que os contratos laborais juntados aos autos não comprovam a subordinação, pois não disciplinam, com precisão, a atividade desempenhada pelos administradores. Considerar tais provas como exemplo cabal da subordinação é afastar um dos princípios basilares do Direito do Trabalho: o princípio da primazia da realidade. Considerouse, portanto, correta a autuação, a qual foi julgada adequadamente motivada e devidamente acompanhada das provas que lhe dão suporte. Neste contexto, as alegações do impugnante, ora recorrente, desprovidas de qualquer documentação que efetivamente comprovem o trabalho subordinado dos administradores, não mereciam ser acolhidas. Ao final de sua defesa concernente ao vínculo existente entre os administradores e a sociedade, o impugnante, ora recorrente, questionou a competência do Fisco de desconstituir a relação empregatícia celebrada, o que a seu ver, caberia somente à Justiça do Trabalho. Decidiuse que se o Fisco possui competência de tributar determinada relação como empregatícia, mesmo que as partes tenham disposto em sentido oposto, tem também a atribuição de afastar os contratos trabalhistas avençados para que as normas tributárias incidam sobre a relação real apurada. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721264/201381 Acórdão n.º 1201001.394 S1C2T1 Fl. 8 13 Por fim, entendeuse que a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício já vencida decorre de determinação legal. Suscitase, desta forma, a aplicação dos artigos 113, §1º, 139 e 161 do CTN e artigos 43, parágrafo único e 61, §3º da Lei 9430/96. Portanto, da interpretação dos dispositivos acima, concluiuse que devemincidir juros moratórios sobre o valor da multa de ofício não paga até o seu vencimento. Recurso Voluntário Irresignado com a decisão, a autuada apresentou seu recurso voluntário, repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. É o Relatório Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. O cerne da discussão, sem dúvida, deve nortear a questão da existência ou não de vínculo empregatício por parte dos diretores da recorrente. O enquadramento legal e a conseqüente determinação positiva ou negativa da dedutibilidade do PLR, do bônus e do bônus diferido pagos à diretores, então, devem permear a questão da caracterização destes como empregados ou não e também se designados no Estatuto Social como administradores ou não. De início deve ser superada e vergastada a questão da impossibilidade do recebimento do PLR por diretores estatutários. Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 14 O disposto na Solução de consulta nº 368 – Cosit, provoca a aplicação de uma interpretação extensiva capaz de garantir e embasar a afirmação exposta, assim determinando: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS EMENTA: DIRETOR DE SOCIEDADE ANÔNIMA. CONDIÇÃO DE SEGURADO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101, DE 2000. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. O diretor estatutário, que participe ou não do risco econômico do empreendimento, eleito por assembléia geral de acionistas para o cargo de direção de sociedade anônima, que não mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de contribuinte individual, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei nº 10.101, de 2000, integra o saláriodecontribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. SEGURADO EMPREGADO. O diretor estatutário, que participe ou não do risco econômico do empreendimento, eleito por assembléia geral de acionistas para cargo de direção de sociedade anônima, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o salário decontribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.212, de 1991, art. 12, incisos I, alínea “a”, e V, alínea “f”, art. 22, incisos I e III, § 2º, e art. 28, incisos I e III, e § 9º, alínea “f”; Lei nº 10.101, de 2000, arts. 1º a 3º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 9º, incisos I, alínea “a”, e V, alínea “f”, e §§ 2º e 3º. Veja que a matéria discutida versa sobre a incidência ou não de contribuições previdenciárias, mas pressupõe a patente possibilidade de recebimento do PLR por diretores estatutários. A questão aí, então, também para definir a incidência das contribuições, deve perpassar a existência ou não do vínculo empregatício do diretor estatutário para com a empresa. Mas resta claro que o PLR pago a diretores encontra guarida nos campos normativo e, por conseqüência, fático. Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721264/201381 Acórdão n.º 1201001.394 S1C2T1 Fl. 9 15 Essencial salientar que o pressuposto detectado nesta Solução de Consulta, na realidade, advém de dispositivo constitucional e conseqüentemente do disposto na Lei 10.101/00. O art. 7º assim determina: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Deste modo, a Carta Constitucional dispõe de modo abrangente, como direito dos trabalhadores, o PLR. A Lei 10.101/00, positivando o dispositivo constitucional, em seu artigo 1º, concede também a generalidade de aplicação do direito à todos os trabalhadores, in verbis: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A lei em nenhum momento traz alguma exceção ao que dispõe referido artigo, de modo que é sagaz a conclusão de que os trabalhadores em geral, e não só os empregados, tem direito à participação nos lucros da empresa. Ademais, o entendimento firmado no CARF também é uníssono neste sentido, conforme se demonstrará adiante. De fato, as discussões travadas no CARF e nas próprias DRJs vão além do real reconhecimento da PLR paga à diretores, vencendo esta questão já como algo solidificado e incontestável. Assim, partese da premissa inequívoca de que diretores estatutários, como trabalhadores, têm direito ao PLR. Definir se são empregados e se concretizase o vínculo empregatício exige o aprofundamento minucioso do caso concreto. Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 16 Devese partir da questão de que a jurisprudência do CARF é pacífica ao considerar o diretor estatutário como contribuinte individual e não como um empregado da empresa. Porém para se aplicar tal entendimento no caso em tela, necessário que se detecte a presença ou a ausência de subordinação jurídica e analisarse quais os poderes outorgados aos diretores no Estatuto Social. De pronto, com as provas trazidas aos autos, o maior indício aponta para o fato de que os diretores estatutários são administradores da empresa. O Estatuto Social, claramente concede exclusivamente aos Diretores o poder de “determinar e executar as diretrizes e a política para os negócios da sociedade”. Ademais, “a Diretoria será o órgão executivo da Sociedade, cabendo lhe,dentro da orientação traçada pela Assembléia Geral e pelo Diretor Presidente,assegurar o funcionamento regular da Sociedade, ficando investida pela Assembléia Geral de poderes para praticar, todos e quaisquer atos relativos aos fins sociais.” Por fim, “Compete à Diretoria: (i) coordenar o andamento das atividades normais da Sociedade, incluindo a implementação das diretrizes e políticas fixadas em Assembléias Gerais e/ou, pelo Diretor Presidente em relação à área comercial, financeira, técnica, administrativa e de Planejamento da Sociedade; e (ii) praticar outros atos que lhe venham a ser especificados pela Assembléia Geral ou pelo Diretor Presidente.” Ora, não resta dúvida que os diretores detém autonomia, liberdade e poder para tomar as medidas cabíveis no sentido de garantir a melhor organização, funcionamento e produtividade da empresa. Na essência, a diretoria é responsável pela administração da recorrente. Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721264/201381 Acórdão n.º 1201001.394 S1C2T1 Fl. 10 17 Contudo, me parece que tal discussão é dispensável para o deslinde da discussão aqui posta, vez que a possibilidade de dedução do PLR pagos aos diretores independe do fato desses serem ou não empregados. Isso porque, o enquadramento legal que impossibilita a dedução do PLR, do bônus e do bônus diferido pagos aos diretores, denota uma sincronia perfeitamente construída pelo sistema normativo, a qual, não poderia ser diferente, é seguida pela jurisprudência do CARF. Primeiramente a Lei 10.101/2000, em seu art. 3º, § 1º, define a possibilidade de dedução, como despesa operacional, das participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, dentro do próprio exercício de sua constituição, para efeito de apuração do lucro real. Fica evidenciado que a dedutibilidade está condicionada e restrita apenas aos empregados. Os artigos 299, §3º, 359 e 462 do RIR/99, em consonância com o disposto na Lei 10.101/00, determinam o que segue: “Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). (...) § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. (...) Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 18 Art. 359.Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, dentro do próprio exercício de sua constituição (Medida Provisória nº 1.76955, de 1999, art. 3º, § 1º). (...) Art. 462. Podem ser deduzidas do lucro líquido do período de apuração as participações nos lucros da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art.58): I asseguradas a debêntures de sua emissão; II atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembleia de acionistas ou sócios quotistas; Diante das normas acima, ss gratificações, portanto, podem ser consideradas despesas operacionais e, assim, dedutíveis quando pagas aos empregados. Neste ponto devese entender que, de fato, o PLR e as bonificações devem ser considerados como um incentivo à produtividade e, portanto, não devem integrar o valor da remuneração do empregado, sendo nitidamente uma despesa operacional. Neste sentido, como exposto pelo ora recorrente, as despesas, portanto, poderiam ser consideradas como operacionais, sendo necessárias, usuais e normais. No entanto a pátria legislação veda a dedução de tais despesas, conforme se demonstrará a seguir, falecendo a alegação do recorrente de contradição por parte do fisco, ao exigir contribuições previdenciárias que incidem sobre remunerações pagas em contraprestação a serviços prestados. Isso porque, o artigo 303 do RIR/99 dispõe da seguinte maneira: Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721264/201381 Acórdão n.º 1201001.394 S1C2T1 Fl. 11 19 “Art. 303. Não serão dedutíveis, como custos ou despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 3º, e Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 58, parágrafo único). Referido dispositivo suficientemente incisivo e dotado de especificidade, respeitando o que fora determinado anteriormente, a partir do disposto na Lei 10.101/00 e art. 299 do RIR, para determinar a indedutibilidade de gratificações ou participações pagas a dirigentes e administradores seja estutários ou empregados. Por fim, necessária a aplicação do art. 463 do RIR/99, in verbis: Art. 463. Serão adicionadas ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, as participações nos lucros da pessoa jurídica atribuídas a partes beneficiárias de sua emissão e a seus administradores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 58, parágrafo único). Concluindo portanto, em raciocínio inverso à dedutibilidade, a participação nos lucros pagas aos administradores da pessoa jurídica será adicionada ao lucro líquido do período de apuração. Veja que todos os dispositivos citados constroem um racional que aponta para um mesmo cerne. A Lei 10.101/00, ao especificamente dispor acerca da dedutibilidade da despesa operacional categoricamente a possibilita apenas ao que relativo a empregados da empresa. O próprio RIR/99, em seus arts. 299, § 3º, 359 e 462, confirma tal entendimento e vai além, para definir que os valores pagos aos administradores e dirigentes, não poderão ser deduzidas as despesas operacionais (art. 303) e, por consequência lógica, serão adicionados ao lucro líquido a participação nos lucros (art. 463). Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 20 Há perfeita harmonia, portanto, do ordenamento jurídico neste sentido, pois mesmo partindo de situações fáticas diversas, a conclusão atingida é a mesma, não há qualquer contradição ou antinomia. Presumese que os administradores/diretores não necessitem de um incentivo na produtividade, o que aloca o PLR e as bonificações como uma espécie de remuneração. No entanto não é uma remuneração usual, é uma retribuição pelo enorme encargo absorvido e a lei, neste sentido mantendo o respeito constitucional ao art. 7º, XI houve por bem não aplicar a dedutibilidade a tal despesa. Esclarecendo. O PLR, como um direito constitucional, regulamentado pela Lei 10.101/00, foi garantido aos diretores, mas como, neste contexto, esta participação nos lucros ou bonificações não caracterizam um incentivo à produtividade e não denotam uma despesa operacional, tratase de uma espécie de remuneração diferenciada e específica que mereceu uma atenção especial da legislação, optandose por considerála indedutível ao não caracterizá la como operacional. O direito foi mantido, mas o benefício fiscal não, pois a utilidade do PLR e das bonificações pagas a empregados é diferente do que é pago a diretores/administradores. A despesa perde seu caráter de operacional e, portanto, extingue a possibilidade de dedutibilidade. Ademais, conforme adiantado, a jurisprudência do CARF é uníssona neste sentido: PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Tratandose de valores pagos aos diretores estatutários, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da lei 10.101/2000, posto que essa só é aplicável aos empregados. Da mesma forma, inaplicável a regra do art. 158 da lei Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721264/201381 Acórdão n.º 1201001.394 S1C2T1 Fl. 12 21 6404/76, quando não se identifica que a distribuição decorreu do capital investido, mas tão somente da prestação de serviços. (Acórdão nº 2401003.810 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 20 de janeiro de 2015) PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS ADMINISTRADORES E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no conceito de salário de contribuição, não se aplicando por conseguinte aos pagamentos feitos a contribuintes individuais. (Acórdão nº 2401003.487 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 15 de abril de 2014) INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE AS PARCELAS RECEBIDAS A TÍTULO DE PLR DE DIRETORES ESTATUTÁRIOS Diretores estatutários, por não terem carteira assinada são equiparados a empresários, mesmo não assumindo risco do negócio representam a empresa, seguindo orientação dos acionistas, o que os impedem de serem equiparados aos empregados celetistas. Diretor estatutário ou diretor não empregado é aquele que, participando ou não do risco do empreendimento, seja eleito, por Assembléia Geral dos acionistas, para o cargo de direção das sociedades anônimas ou por quotas de responsabilidade limitada, não mantendo as características inerentes à relação de emprego. Por estas razões, o pagamento de PLR a diretores acionistas, não enquadra na isenção de contribuição previdenciária, prevista na Lei 10.101/2000. (Acórdão nº 2301004.082 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 17 de julho de 2014) Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 22 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PARTICIPAÇÃO DOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS NÃO EMPREGADOS. APLICAÇÃO DA LEI Nº 6.404/76. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. A participação dos diretores, de que trata o art. 152 da Lei nº 6.404/76, decorre de uma relação jurídica firmada entre “Acionistas x Diretores/Administradores”, não se sujeitando às regras previstas na Lei nº 8.212/91, que se referem à relação jurídica “Empregador x Empregado”. Assim, não merece prosperar o lançamento efetuado sob o argumento de que somente os segurados empregados poderiam ser considerados beneficiários do pagamento de PLR par fins de não incidência das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO DOS ADMINISTRADORES / DIRETORES ESTATUTÁRIOS. ARTIGO 152, § 1° DA LEI Nº 6.404/76. O administrador a que se refere a Lei das Sociedades Anônimas, perante a legislação previdenciária, é considerado contribuinte individual, a teor do art. 12, V, alínea f, da Lei n° 8.212/91, enquadrandose como “diretor não empregado” (art. 145 da Lei n° 6.404/76). Quem efetua o pagamento da verba referida no art. 152, § 1°, da Lei n° 6.404/76 é a pessoa jurídica empresária e não o acionista. Se o lucro advém da atividade empresarial, pertence à pessoa jurídica empresária e não ao acionista. Nos termos do art. 201 da Lei n° 6.404/76, quem paga os dividendos é a companhia e não os acionistas. Quem se beneficia diretamente dos préstimos do diretor/administrador também é a pessoa jurídica empresária e, portanto, natural que o remunere por diferentes formas (art. 11 e 21 fato gerador e alíquota; art. 28, III base de cálculo; ambos da Lei n° 8.212/91. Em que pese a literalidade do art. 152, § 1°, da Lei n° 6.404/76 (menção à “participação no lucro”), tal pagamento não se amolda à hipótese de imunidade/isenção contida no inciso XI do art. 7° da CF, visto que o texto constitucional condiciona a desvinculação da remuneração aos termos da lei. A participação nos lucros somente veio a ser regulamentada após a Constituição Federal de 1988, não se aplicando, portanto, a Lei n° 6.404/76. Precedentes do STJ na ótica do imposto de renda enquadrando tais pagamentos como “prêmio pelos resultados atingidos”. AgRg no AREsp 8.256/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/12/2011, DJe 13/12/2011. (Acórdão nº 2302003.059 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2014) Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721264/201381 Acórdão n.º 1201001.394 S1C2T1 Fl. 13 23 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTICIPAÇÕES ESTATUTÁRIAS INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no conceito de salário de contribuição, não se aplicando por conseguinte aos pagamentos feitos a contribuintes individuais. (Acórdão nº 240102.287 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 17 de julho de 2014) Considero que, após a constatação fática de que os diretores era, de fato, administradores, há a percepção de um ordenamento jurídico perfeitamente talhado e logicamente seguido pela jurisprudência, para atestar a indedutibilidade das despesas relativas à PLR, bônus e bônus diferido pago à diretores estatutários. Assim, ainda que se admita que tais diretores e administradores teriam relação de emprego com a Recorrente ou que este Conselho não possui competência para decidir sobre a existência ou inexistência de tal relação, ao fundamento que tal competência é da Justiça do Trabalho, temos que os valores de PLR pagos seriam indedutiveis em razão dos disposto no art. 303 do RIR/99 que é claro ao dispor que "não serão dedutíveis, como custos ou despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica.". Juros sobre Multa de Ofício No que tange à incidência dos juros sobre a multa de ofício, tenho forme entendimento de que a multa de ofício configura verdadeira penalidade, portanto, é inaplicável a taxa SELIC sobre esse montante, que não possui natureza de crédito tributário, nos moldes do disposto no art. 161 do CTN. Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 24 A multa não é decorrência do tributo, mas do descumprimento de um dever legal de pagálo. Neste sentido, ressalto julgado de relatoria da exConselheira Sandra Faroni sobre a matéria (Acórdão 110200.060): “A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.62131/ 98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagá lo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a submissão, a partir de 10 de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a Selic, dos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento, e dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União. Em síntese, em se tratando de débitos de tributos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995 só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre multa no caso de multa lançada isoladamente; não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721264/201381 Acórdão n.º 1201001.394 S1C2T1 Fl. 14 25 partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1° do art. 161 do CTN.” Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, DAR PARCIAL PROVIMENTO para afastar a aplicação dos juros Selic sobre o montante da multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO 26 Voto Vencedor A despeito do bem fundamentado voto do d. Conselheiro Relator, peço vênia para discordar do capítulo da decisão referente à incidência de juros sobre a multa de ofício. Sem embargo, sobre o assunto, o entendimento do CARF pode ser extraído das seguintes súmulas: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (grifei) Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (grifei) Portanto, os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Esta última expressão é definida pelo CTN nos seguintes termos: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (grifei) Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal, que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. Como é cediço, a matéria sumulada é de observância obrigatória por disposição expressa do artigo 72 do Anexo II do RICARF: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Semelhante entendimento pode ser visto nas ementas dos seguintes acórdãos da Câmara Superior: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada: Viviane Vidal Wagner) Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Processo nº 16327.721264/201381 Acórdão n.º 1201001.394 S1C2T1 Fl. 15 27 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.192, de 17/10/2011, Redator Designado: Claudemir Rodrigues Malaquias) Ademais, o STJ também já se pronunciou neste sentido. Vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (Acórdão REsp 1.129.990/PR – Relator: Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, concluo que está correta a incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício. Pelo exposto, nego provimento ao capitulo do Recurso Voluntário referente à incidência de juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Redator Designado Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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Numero do processo: 13971.002593/2007-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
Considera-se como comprovação de origem, para valores creditados em conta de depósito, o oferecimento de valor equivalente ao fisco, em Declaração anual de Ajuste de IRPF, a título de Rendimentos Isentos ou não tributáveis ou ainda, sujeitos á tributação exclusiva na fonte, não tem o efeito de comprovação de origem desses valores, aplicando-se a eles a presunção legal de omissão de rendimentos.
Recursos especiais do Contribuinte e da Fazenda Nacional negados.
Numero da decisão: 9202-003.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso.
Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 19/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recursos especiais do Contribuinte e da Fazenda Nacional negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 25 93 /2 00 7- 98 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13971.002593/200798 Acórdão n.º 9202003.902 CSRFT2 Fl. 9 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 19/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Do Processo Até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física (efls. 230 a 236), acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O detalhamento do procedimento se encontra relatado no Termo de Verificação de Infração, às efls. 224 a 228. O auto de infrações foi objeto de impugnação, em 06/11/2007, às efls. 245 a 277 dos autos. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ em Florianópolis que, por maioria, em 14/03/2008, no acórdão 0712.268, às efls. 284 a 300, julgou o lançamento impugnado procedente em parte, reduzindo a multa lançada para 75% e afastando valores de depósitos de outras contas do próprio contribuinte. Inconformado, o contribuinte, em 15/05/2008, apresentou recurso voluntário, às e fls. 304 a 334, no qual reiterou as razões de impugnação, enfatizando os seguintes pontos: nulidade do acórdão requerido, pela preterição do direito de defesa ao não apreciar matéria constitucional; não observância do principio da verdade material em favor da presunção legal; e necessidade de exclusão do auto de infração dos ingressos decorrentes dos rendimentos declarados do recorrente e de sua esposa. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento julgou o recurso voluntário em 29/07/2009, resultando no acórdão n° 220200.169, às efls. 336 a 346, assim ementado: ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n° 2). Fl. 503DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13971.002593/200798 Acórdão n.º 9202003.902 CSRFT2 Fl. 10 3 AUTO DE INFRAÇÃO ILEGITIMIDADE PASSIVA MOVIMENTAÇÃO DE CONTA BANCARIA EM NOME PRÓPRIO LANÇAMENTO NO TITULAR DA CONTA Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, quando restar comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna licito o lançamento sobre o próprio titular da conta. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. RENDIMENTOS DECLARADOS PELO SUJEITO PASSIVO EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO Devem ser excluídos da base de cálculo tributada os rendimentos tributáveis declarados pelo sujeito passivo e não contestados pela fiscalização. Precedentes da CSRF2ª Turma. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. O acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 17.752,64, nos termos do voto da redatora designada. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez (Relator), que negava provimento ao recurso. Declarouse impedida no julgamento a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Heloisa Guarita Souza. Dos Recursos Especiais da Fazenda Nacional e do Sujeito Passivo Em 21/07/2010, foi apresentado Recurso Especial de Divergência (RE) da Procuradoria da Fazenda, às efls. 350 a 360, contestando a exclusão dos valores declarados em DIRPF dos depósitos cuja origem não foi comprovada individualmente, descumprindo o disposto no § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Caberia ao contribuinte demonstrar que os depósitos individuais que deram base ao lançamento não são receitas omitidas. Como paradigmas da divergência, indica os acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes: nº 10616.977, da 6ª Câmara, e nº 10423.562, da 4ª Câmara. O Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção da CARF, em 30/08/2010, através do Despacho n° 220200.221, às efls. 379 a 386, deu seguimento ao RE da Fazenda, para que seja reapreciada a questão da exclusão da base de cálculo da exigência dos depósitos bancários e dos rendimentos tributados declarados pelo contribuinte. Cientificada (efl. 396), em 15/03/2011, do acórdão do recurso voluntário, bem como do RE da Fazenda, o contribuinte interpôs Embargos de Declaração (ED) ao acórdão ora recorrido em 21/03/2011, às fls. 397 a 401. Aponta como omissão do acórdão a não indicação dos valores de rendimentos isentos, rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte e os de titularidade Fl. 504DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13971.002593/200798 Acórdão n.º 9202003.902 CSRFT2 Fl. 11 4 da sua cônjuge, como valores a serem excluídos da base tributável do AI, pois estes somaria um valor superior aos R$ 17.752,64, afastados pelo acórdão recorrido. Na mesma linha, o acórdão teria silenciado quanto à suposta prova da origem de depósitos procedidos por irmãos do recorrente, coincidentes em datas e valores, mas admitia a exclusão de outros (constantes da DIRPF) que não tinham essa coincidência. Por fim, indica outra omissão do acórdão quando este não analisa seu pleito de que se a soma dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00 deve ser considerada por conta bancária e quando o montante for inferior a R$ 80.000,00 é necessário que se excluam todos eles da base de cálculo do AI. Também em 21/03/2011, o contribuinte juntou, às efls. 402 a 408, contrarrazões ao RE da Fazenda Nacional. Naquele arrazoado ele afirma que os paradigmas juntados pela Procuradoria não abrangem todos os argumentos da decisão recorrida, inexistindo coincidência fática das teses abordadas. Em conclusão requer que o RE fazendário não seja conhecido. Em 04/10/2011, através do Despacho nº 220200.013, às efls. 413 a 416, o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do Segunda Seção de Julgamento concluiu que inexistiram quaisquer das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22/06/2009 RICARF. Portanto, nada havia para ser revisto. Todavia, havendo divergências quanto à interpretação da legislação tributária, a via adequada a ser seguida seria o RE, com fulcro nos artigos 67 e 68 do mesmo RICARF. Cientificada (efl. 419) da negativa ao seus ED em 28/11/2011, o contribuinte interpôs RE, às fls. 424 a 433, em 13/12/2011. Resumidamente, traz à rediscussão as seguintes matérias: · exclusão de todos os rendimentos informados em sua DIRPF dos depósitos bancários que deram base à tributação, com fulcro no acórdão paradigma de nº 10249.487; · exclusão de valores relativos a empréstimos contraídos dos depósitos bancários que deram base ao lançamento, com base no paradigma de nº 106 16.361. Com base no artigo 68 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, a Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, no despacho sem número, datado de 25/02/2014, deu seguimento parcial ao RE do contribuinte no que concerne à exclusão dos depósitos bancários de todos os rendimentos informados em sua declaração de ajuste anual, conforme se pode verificar às efls. 464 a 468. Já no tocante aos valores de empréstimos, a falta da comprovação da origem dos recursos depositados nas contas no presente processo faz com que não haja similitude fática entre o paradigma, no qual havia tal comprovação e o recorrido, por isso, não foi reconhecida a existência da divergência neste caso reclamada. Assim, houve negativa ao seguimento do recurso nesse ponto e com base no art. 71 do RICARF o Presidente do CARF em despacho de 12/03/2014, às efls. 469 e 470, manteve integralmente o despacho anterior, vetando a reapreciação da segunda matéria em definitivo, como dispunha o § 3º do mesmo artigo. Cientificada do RE do contribuinte em 15/09/2014 (efl. 493), a Procuradoria da Fazenda Nacional, na mesma data, às efls. 494 a 496, afirma que, no tocante à matéria admitida do RE do contribuinte, este não trouxe qualquer fundamentação de mérito e que a lei não faria qualquer distinção entre rendimentos tributáveis ou isentos/nãotributáveis, cabendo a ele identificar os depósitos como decorrentes de renda já oferecida à tributação. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13971.002593/200798 Acórdão n.º 9202003.902 CSRFT2 Fl. 12 5 Pelo exposto, o Procurador da Fazenda requer a denegação de provimento ao RE do contribuinte para que se mantenha a exigência fiscal também nesse ponto. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Do que foi admitido nos recursos especiais de divergência, o fulcro da discussão decorrente de ambos centrase na aceitação ou não dos valores informados a título de rendimentos declarados na DIRPF para excluílos dos depósitos bancários que foram base de cálculo do lançamento. A Procuradoria da Fazenda não admite qualquer exclusão sem a identificação individualizada da origem dos valores depositados, contrariamente ao acórdão recorrido que os admite para os rendimentos tributados na declaração sem qualquer vinculação aos depósitos. O contribuinte, por sua vez, pretende que também os rendimentos isentos e de tributação exclusiva na fonte por ele informados em DIRPF sejam afastados daqueles depósitos. De início, cabe analisar as contrarrazões do contribuinte quando este ataca o RE da Fazenda por falta de abordagem de todos os argumentos da decisão recorrida e por falta de coincidência fática entre as abordagens. Ora, nada nas normas de regência do art. 67 do RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, impõe a necessidade de abordagem de todos os argumentos do recorrido quando se apresenta recurso especial de divergência, basta a existência da divergência entre os acórdãos que tratem da interpretação jurídica para as mesmas situações fáticas e que esta seja demonstrada analiticamente1. No despacho de admissibilidade do RE da Fazenda esses requisitos foram analisados e entendidos como suficientes para o prosseguimento do RE, com o que concordamos. Já as contrarrazões da Procuradoria são da mesma natureza daquelas do seu RE, por isso não afetam a apreciação do RE do contribuinte. Do Recurso Especial da Fazenda Nacional Feitas as considerações acima, inicio meu voto pelo Recurso Especial da Fazenda Nacional. Concordo com a decisão posta no acórdão recorrido, de que os valores tributáveis informados na Declaração de Ajuste Anual, pelo contribuinte, devam ser excluídos 1 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. (...) Fl. 506DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13971.002593/200798 Acórdão n.º 9202003.902 CSRFT2 Fl. 13 6 do total de depósitos em contacorrente, para fins de apuração dos rendimentos omitidos por depósitos bancários de origem não comprovada. Meu entendimento é o de que a presunção legal instituída pelo Art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, tem por objetivo trazer à tributação os valores depositados em conta corrente do sujeito passivo, para os quais não haja comprovação de origem. Em outras palavras, aceitandose a possibilidade, a ser comprovada pelo sujeito passivo, de que um depósito possa ter ocorrido por motivos que não impliquem tributação, na falta da comprovação, considerase que o depósito enseja rendimentos a serem tributados. Ora, o oferecimento de valores ao fisco, como rendimentos tributáveis, na declaração, por parte do sujeito passivo, tem exatamente o efeito buscado pela norma. Salientese que a pessoa física não tem a obrigação de manter contabilidade completa e, com isso, tem dificuldades em identificar cada operação, podendo inclusive receber valores de terceiros ao longo de cada mês, para seu oferecimento ao fisco em conjunto nas datas definidas pela legislação. Não se deve trazer à tributação um valor que já tenha sido a ela oferecido. Portanto, entendo que a própria declaração em DIRPF, com valores oferecidos ao fisco como rendimentos tributáveis, seja documentação hábil e idônea para confirmar que os depósitos, até o montante declarado: (i) ensejam rendimentos a serem tributados e (ii) que eles foram devidamente tributados pelo contribuinte. Cumpre referir que este é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão 9202002.926, da relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, a seguir reproduzida: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM BASE DE CÁLCULO EXCLUSÃO É cabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, dos valores dos rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual correspondente. Recurso especial negado. Assim, é de se negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Do Recurso Especial do Sujeito Passivo Passo agora à análise do Recurso Especial do Sujeito Passivo. Em que pese a possibilidade de aceitação dos valores declarados em DIRPF a a título de rendimentos tributáveis, para afastar a aplicação da presunção legal de omissão de rendimentos, o mesmo não se dá para valores declarados como isentos ou de tributação exclusiva. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13971.002593/200798 Acórdão n.º 9202003.902 CSRFT2 Fl. 14 7 Reparase que a declaração de valores como isentos ou de tributação exclusiva não tem o mesmo efeito da presunção legal, de trazer à tributação os montantes transitados por contacorrente. Portanto, para eles aplicase a regra geral, de comprovação de origem por documentação específica, como, por exemplo: no caso de lucros ou dividendos isentos distribuídos, a correspondente documentação da pessoa jurídica, confirmando a existência dos lucros e sua efetiva distribuição ao sujeito passivo; no caso de aplicações financeiras com tributação exclusiva na fonte, a correspondente documentação da instituição financeira, confirmando a ocorrência da aplicação e o efetivo recebimento dos correspondentes valores. Assim, é de se negar provimento ao Recurso Especial do Sujeito Passivo. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer dos recursos especiais do Procurador da Fazenda Nacional e do Sujeito Passivo, para negarlhes provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 508DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13971.002593/200798 Acórdão n.º 9202003.902 CSRFT2 Fl. 15 8 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 13975.000101/2002-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS.
O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados - recorrido e paradigmas - não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-003.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do contribuinte, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Possas e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados - recorrido e paradigmas - não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
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TOMIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados recorrido e paradigmas não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Possas e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 01 01 /2 00 2- 85 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Tratase de recurso especial de interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 380301.923, de 1° de setembro de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. A não confirmação das compensações informadas em Declaração de Contribuições e Tributos Federais enseja a lavratura de auto de infração para formalização da exigência dos débitos inadimplidos. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mora, ainda que objeto de lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 AÇÃO JUDICIAL. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste possibilidade de efetuar a compensação de débitos da contribuição com direito creditório emanado de ação judicial antes do trânsito em julgado da decisão que os reconheceu. O recurso teve seguimento, nos termos do Despacho nº 330000.512, fls. 182 a 185, quanto à possibilidade da compensação e créditos com origem em decisão judicial, antes do trânsito em julgado destas decisões. Em sua peça recursal, o contribuinte reclama contra a aplicação retroativa do art. 170A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN, insistindo em que seu procedimento foi compatível com a situação, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso às fls. 187 a 193. Em face da renúncia ao mandato do Conselheiro Joel Miyazaki, os autos foram redistribuídos no âmbito da 3ª Turma da CSRF. É o relatório. Voto Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13975.000101/200285 Acórdão n.º 9303003.891 CSRFT3 Fl. 198 3 Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Compulsando o voto condutor da decisão recorrida, constatase o recurso voluntário não mereceu provimento sob a consideração de que os créditos judicialmente reconhecidos não se revestiam dos atributos de liquidez e certeza, posto que opostos em compensação antes do trânsito em julgado da respectiva sentença. Confirase, fls. 121, com grifos na transcrição: [...] Na ação judicial n° 98.20.018994, verifiquei que a parte interessada figurando como litisconsorte, buscou o reconhecimento da inconstitucionalidade dos decretosleis n°s. 2.445 e 2.449, ambos de 1988, na apuração da contribuição PIS, com vistas ao direito de compensar os valores recolhidos indevidamente, após amortização da exigência restabelecida nos moldes da Lei Complementar n° 07, de 1970. Nada obstante, a referida ação só foi ajuizada em 16/04/1998, após o vencimento dos débitos lançados, em 15/05/1997, 15/06/1997 e 15/07/1997. A compensação tributária, não se olvide, está sujeita aos princípios de liquidez e certeza a serem aferidos pelo ente tributante. Impossível, destarte, em virtude de óbice legal, o uso de compensação mediante o aproveitamento de valores, objeto de cotejo judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão, como forma de extinção do crédito tributário. Com a discussão submetida ao exame do Poder Judiciário, veiculada pela ação ordinária trazida na peça de impugnação, somente terseá créditos líquidos e certos, passíveis de compensação pela parte interessada, quando a sentença que resolver o mérito da lide adquirir contornos de definitividade. Ressaltase que não se está aqui a negar o direito reconhecido pelo Judiciário em ação própria mas sim a questionar o momento do exercício deste direito. O fato de a ação vir a transitar em julgado posteriormente em absoluto altera a constatação de que o contribuinte realizou indevidamente compensações anteriores a esta data (trânsito em julgado da ação), ferindo o disposto na legislação de regência da matéria. Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou dois acórdãos paradigmas: Acórdão nº 180200.053 e Acórdão nº 20219.567. Transcrevo as respectivas ementas: Acórdão nº 180200.053 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991 Ementa: FINSOCIAL Utilização de Crédito Art. 170A do CTN Inaplicabilidade Confronto com o princípio constitucional da irretroatividade. Plenária do STF, no julgamento do RE n° 150.764/PE declarou a inconstitucionalidade do art. 9° da Lei 7.689, de 15.12.88, do art. 7° da Lei 7.787,de 30.06.89, do art. 1. da Lei 7.894, de 24.11.89 e do art. 1. da Lei 8.147, de 28.12.90 Efeitos erga omnes e vinculantes a decisão do STF edição das Medidas Provisórias n° 1.175/95 e n° 1.973/99 existência de decisão judicial transitada em julgado. ADI n° 1.9767/ DF, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 32 da Lei n° 10.522/2002, que alterou o § 2° do art. 33 do Decreto 70.235/72 exigência de depósito de 30% ou arrolamentos de bens. Recurso Provido." Acórdão nº 20219.567 "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 21/10/2002 a 31/10/2002 COMPENSAÇÃO COM BASE EM PROVIMENTO JUDICIAL, ART. 170A. O disposto no 170A do CTN, acrescentado pela Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença, somente é aplicável a pagamentos indevidos realizados após a vigência desse dispositivo, em face das regras do direito intertemporal. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA ESTRANHA AO LITÍGIO. Não se conhece de matéria estranha ao objeto do litígio. RENÚNCIA ADMINISTRATIVA. Não se conhece da matéria concomitantemente discutida na via judicial. Súmula n° 1 do Segundo Conselho de Contribuintes. CONSECTÁRIOS LEGAIS: MULTA DE MORA. Devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n° 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA N° 3, DO 2° CC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13975.000101/200285 Acórdão n.º 9303003.891 CSRFT3 Fl. 199 5 base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Recurso Negado" Os acórdãos indicados como paradigma da divergência decidiram ambos pela inaplicabilidade retroativa da norma do art. 170A, inserta no CTN pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001. A argüição da divergências, conforme fundamentada pelo sujeito passivo, requer algumas observações. Primeiro, há que se considerar que o dissídio jurisprudencial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá, portanto, caracterização de divergência se os acórdãos paragonados recorrido e paradigmas não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. Conforme visto, a decisão recorrida jamais cogitou da aplicação retroativa da norma do art. 170A do CTN. Como o próprio recorrente reconheceu em sua peça recursal (fls. 141), o voto condutor da decisão recorrida asseverou que a exigência de liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação prescinde dos ditames do art. 170A, pois é a eles anterior. Deste modo, não se pode, pois, alegar interpretação divergente na aplicação do art. 170A do CTN, quando o aresto recorrido efetivamente não o aplicou. Logo, em se tratando de recurso que não se reveste de condição essencial à caracterização da divergência nos termos em que conceituada, não se justifica a abertura da via especial à recorrente. Com essas considerações, não conheço do recurso especial do contribuinte em razão da não comprovação da divergência jurisprudencial. Sala de sessões, em 19/05/2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15540.720380/2013-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 17/12/2012
Ementa:
MULTA. ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL. INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. PENALIDADE. MENOS GRAVOSA. LEI INTERMEDIÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Relativamente às infrações tributárias pendentes de decisão definitiva, assim como no direito penal, aplica-se a lei intermediária que, posteriormente à data da infração, estabeleça penalidade mais benéfica à contribuinte, mesmo que essa lei já não esteja mais em vigor por ocasião da sua aplicação.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-003.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para, em face da retroatividade benigna do art. 57, II da Medida Provisória nº 2.158-35 na redação dada Lei nº 12.766/2012, reduzir o valor da multa ao montante de R$12.000,00 (doze mil reais). Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento parcial para aplicar a retroatividade benigna em relação ao dispositivo legal mais genérico por ser mais benéfico ao contribuinte. Sustentou pela recorrente a Dra. Daine Abrosino, OAB/SP 294.123.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/12/2012 Ementa: MULTA. ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL. INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. PENALIDADE. MENOS GRAVOSA. LEI INTERMEDIÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Relativamente às infrações tributárias pendentes de decisão definitiva, assim como no direito penal, aplicase a lei intermediária que, posteriormente à data da infração, estabeleça penalidade mais benéfica à contribuinte, mesmo que essa lei já não esteja mais em vigor por ocasião da sua aplicação. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para, em face da retroatividade benigna do art. 57, II da Medida Provisória nº 2.15835 na redação dada Lei nº 12.766/2012, reduzir o valor da multa ao montante de R$12.000,00 (doze mil reais). Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento parcial para aplicar a retroatividade benigna em relação ao dispositivo legal mais genérico por ser mais benéfico ao contribuinte. Sustentou pela recorrente a Dra. Daine Abrosino, OAB/SP 294.123. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 03 80 /2 01 3- 95 Fl. 818DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Trata o processo de auto de infração para a exigência de multa no valor de R$12.934.968,42, por não ter sido cumprido o prazo estabelecido para a apresentação de arquivos magnéticos, nos termos dos arts. 11 e 12, inciso III da Lei nº 8.218/91, com a redação data pelo art. 72 da MP nº 2.15835/2001: Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (...) §3ºA Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §4ºOs atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas.(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Segundo consta na autuação, a contribuinte foi intimada e reintimada, e, tendo decorrido mais de 120 dias, a contribuinte não apresentou os arquivos digitais discriminados no item a.12) dos termos de intimação relativamente ao "4.6.1 Arquivo de Fl. 819DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15540.720380/201395 Acórdão n.º 3402003.069 S3C4T2 Fl. 819 3 insumos relacionados”. Como o atraso superou 50 dias, aplicouse o percentual máximo para a multa, de 1% (um por cento) sobre a receita bruta do anocalendário 2010. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou impugnação, aduzindo, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: importante observar que o auto de infração foi lavrado após um longo período de fiscalização, no qual atendeu diversas intimações, demonstrando sempre sua disposição em esclarecer todos os questionamentos do fisco e a apresentar todos os documentos solicitados; o arquivo “4.6.1 Arquivo de insumos relacionados” é impossível de validar e a autoridade fiscal requereu em todas as intimações a validação dos documentos através do sistema SVA; a Receita Federal tem acesso através do SICOBE aos dados solicitados no item a.12) (lista técnica dos insumos); como estava impossibilitada de enviar o arquivo na forma solicitada e como a RFB poderia através de seu próprio sistema acessar a lista técnica dos insumos, entendeu não haver qualquer omissão de sua parte; conforme documento em anexo, a equipe de suporte do SVA respondeu taxativamente que o arquivo de insumos relacionados não é validado pelo SVA, pois a RFB não disponibiliza validador para esse arquivo; apesar de a autoridade fiscal não ter possibilitado o envio dos arquivos solicitados em outro forma, conforme documento em anexo, requereu que pudesse juntar o referido arquivo em PDF; a multa aplicada se mostra desproporcional, pois não obteve qualquer vantagem e não causou qualquer prejuízo ao fisco; a multa não atende ao princípio da proporcionalidade. Mediante o Acórdão 1453.861 12ª Turma da DRJ/RPO, de 29 de setembro de 2014, a impugnação da contribuinte foi julgada improcedente, conforme ementa que se segue: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. Descumprido o prazo legalmente fixado na intimação para apresentação dos arquivos magnéticos da contabilidade da pessoa jurídica, é devida a multa regulamentar. Impugnação Improcedente Fl. 820DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 Crédito Tributário Mantido A contribuinte tomou conhecimento do teor dessa decisão, na data 13/10/2014, pela abertura dos arquivos correspondentes no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC). Em 11/11/2014, a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese: Para o SVA há duas opções: validar os arquivos entregues pelo contribuinte ou, simplesmente, autenticálos. No caso da recorrente, a autoridade fiscal solicitou que se procedesse à validação dos arquivos o que sempre foi feito ao longo de todo o procedimento. A validação sempre foi requisito ao recebimento dos arquivos solicitados, não apenas uma recomendação, como se alegou no acórdão ora recorrido, o que resta evidente pela referência ao Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15/2001. Ocorre que existem arquivos impossíveis de serem validados pelo SVA, na medida em que a Receita Federal do Brasil não dispõe de validador para eles. Dentre esses arquivos, está o arquivo "4.6.1. Arquivo de insumos relacionados", solicitado no item a.12 pela autoridade fiscal. Ora, a autoridade fiscal requereu, em todas as intimações recebidas pela recorrente, a validação dos documentos através do sistema SVA e o arquivo solicitado não é passível de validação. O arquivo com extensão TXT foi apresentado, posteriormente, pela recorrente, mas sem a validação requerida, conforme pode ser comprovado através dos documentos indicados nas fls. 556/562. Portanto, não se pode argumentar que as informações não foram prestadas pela recorrente. Elas foram apresentadas, mas sem a validação exigida, pois o sistema SVA não pode realizar a validação do referido arquivo. Se a autoridade fiscal tivesse dispensado a validação do arquivo solicitado, ele poderia ter sido apresentado anteriormente. O fato de ter sido apresentado num segundo momento permite concluir que o arquivo já existia, mas deixou de ser apresentado em razão de falta do requisito de validação exigido pela autoridade fiscal. Além disso, através do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE), a própria Receita Federal do Brasil tem acesso aos dados solicitados no item a.12 (lista técnica dos insumos). A equipe de suporte do SVA informou que "o arquivo 4.6.1 Arquivo de Insumos Relacionados não é validado pelo SVA. A RFB não disponibiliza validador para esse arquivo", conforme comprovante anexado às fls. (563/564) destes autos. Ou seja, ficou evidente que a recorrente não foi omissa quanto ao cumprimento de qualquer obrigação acessória, na medida em que apenas agiu de acordo com a prática observada pela autoridade administrativa. O que se discute nestes autos, não é o não cumprimento de uma obrigação acessória, mas a impossibilidade de apresentar um arquivo nos termos solicitados pelo auditor fiscal. Dessa forma, pode ser aplicado ao caso, por analogia, o art. 567, inciso II, alínea b da Lei nº 7.212/2010. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15540.720380/201395 Acórdão n.º 3402003.069 S3C4T2 Fl. 820 5 A multa fixada se mostra desproporcional, tendo em vista que a recorrente não obteve qualquer vantagem em decorrência da impossibilidade de validação dos arquivos digitais solicitados, os quais, poderiam ter sido obtidos pela própria RFB através do SICOBE e posteriormente foram apresentados à RFB, sem a devida validação. E mais. A recorrente não causou qualquer prejuízo ao fisco, vez que não houve qualquer benefício por parte da recorrente na sua suposta omissão. Portanto, deve ser dada proteção jurídica à recorrente, contribuinte de boafé, reconhecendose a inaplicabilidade da multa estipulada. A aplicação da multa prevista no artigo 12 da Lei n° 8.218/I991 é equivocada. Se o fato narrado nestes autos (não apresentação do Arquivo de Insumos Relacionados por impossibilidade de validação através do SVA) deve ser punido, é necessário que se faça através do dispositivo legal correto. Neste caso, o artigo 57, inciso II da MP nº 2.15835/2001. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Diante da insuficiência dos arquivos digitais apresentados em face de várias intimações, lavradas desde 03/08/2012, a autoridade fiscal lavrou, em 09/11/2012, o Termo de Constatação e Reintimação Fiscal nº 06 (fls. 133/140) para intimar a contribuinte a apresentar os arquivos faltantes, no prazo de 30 dias, a contar da sua ciência, ocorrida em 14/11/2012. Em 17/12/2012, a contribuinte encaminhou parte dos arquivos digitais, faltando, porém, o "Arquivo de insumos relacionados”, o qual já havia sido solicitado desde 03/08/2012, restando configurada para a fiscalização a situação prevista nos arts. 11 e 12, III, da Lei nº 8.218/91, e a consequente exigência da multa correspondente em auto de infração, que foi lavrado em 26/06/2013. Em relação à tentativa da recorrente de se eximir da obrigatoriedade de apresentação do arquivo digital em razão da impossibilidade de validação, como bem esclarecido na decisão recorrida, o item 2 do Anexo Único do ADE Cofis nº 15/2001 exige a autenticação dos arquivos, o que, conforme resposta juntada pela contribuinte, na fl. 622, poderia ser feito, de forma que, para atender as exigências, bastaria à contribuinte entregar os arquivos somente autenticados, e não, alegar que estava desonerada da obrigação. Além do que não consta nos autos que a contribuinte tenha, antes da autuação, formulado qualquer questionamento sobre a impossibilidade de validar ao referido arquivo. A apresentação posterior de "arquivo com extensão TXT" também não supre a obrigatoriedade de disponibilização do "4.6.1 Arquivo de insumos relacionados" devidamente autenticado. Ademais, a eventual existência de informações sobre os insumos no Sicobe não exclui a obrigatoriedade de apresentação dos arquivos digitais, em conformidade com o disposto na IN SRF nº 86/2001 e no ADE Cofis nº 15/2001, com a redação alterada pelo ADE Cofis nº 25/2010. Não havendo qualquer norma excepcionando a recorrente dessa obrigação, Fl. 822DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 há de se entender como a ela aplicável na condição de pessoa jurídica que utiliza "sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal". Tampouco socorreria a recorrente o art. 567, II, "b" do Regulamento do IPI/2010, vez que a contribuinte não agiu de acordo com interpretação constante em qualquer decisão administrativa. Com relação à alegação de desproporcionalidade da referida multa, é consabido que o agente administrativo e também o julgador do CARF ou da DRJ não podem se furtar a cumprir a lei, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Nesse sentido também dispõe a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, não se toma conhecimento das alegações da recorrente de desproporcionalidade ou inconstitucionalidade da multa. Assim, agiu corretamente a fiscalização na exigência da multa tipificada nos arts. 11 e 12, inciso III da Lei nº 8.218/91, com a redação data pelo art. 72 da MP nº 2.158 35/2001, vigente à época dos fatos em 17/12/2012. Não obstante isso, ocorre que, em 28/12/2012 depois da constatação da infração e antes da lavratura do auto de infração, foi publicada alteração ao art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835 pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, que dispõe sobre matéria semelhante a objeto de autuação, na seguinte forma: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) (...) II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ 1.000,00 (mil reais) por mêscalendário;(Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) (...) O Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, publicado em 12/07/2013, cuidou de analisar as consequências da redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001, dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, em relação a atos inerentes da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), concluindo, ao final, que: a) O aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, é deixar de apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital; b) O aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, é deixar de escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal quando exigido o sistema de processamento eletrônico, motivo pelo qual continua em vigência; Fl. 823DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15540.720380/201395 Acórdão n.º 3402003.069 S3C4T2 Fl. 821 7 c) A comprovação da ocorrência do aspecto material da multa dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, deve ser feita de forma inequívoca. A simples não apresentação de arquivo, demonstrativo ou escrituração digital sem outras provas que comprovem que a escrituração não ocorreu se amolda ao aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. O mero indício sem a comprovação da falta da escrituração digital enseja a aplicação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, em respeito ao art. 112, inciso II, do CTN; (...) [grifos desta Relatora] Na sequência, o art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835 sofreu nova alteração dada pela Lei nº 12.783, de 24 de outubro de 2013, nos termos seguintes: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) (...) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) (...) Em face dessa nova alteração legislativa, o Parecer Normativo Cosit nº 3, de 28 de agosto de 2015, publicado(a) no DOU de 01/09/2015, aprovado pelo Secretário da Receita Federal, tratou de atualizar o entendimento expresso no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, nos seguintes termos: (...) Fundamentos 5. A novel alteração, desta feita pelo art. 57 da Lei nº 12.783, de 2013, ao reintroduzir no art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001, uma redação assemelhada à redação originária, eliminando as remissões a “declaração, demonstrativo ou escrituração digital”, retomou o escopo genérico do dispositivo, a fim de ser aplicado a quaisquer situações que decorram do descumprimento de uma obrigação acessória, quando inexista norma específica. Também foi eliminado o texto que determinava que os prazos para a apresentação dos documentos não poderiam ser inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias da intimação, bem como foram tratadas situações que envolvam pessoas jurídicas de direito público e novo regramento de infração pautado no tipo do regime tributário aplicável ao contribuinte. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 6. Dessa forma, sem prejuízo da aplicação do entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, com observância do princípio “tempus regit actum” (art. 6º do DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro Lindb), e sem olvidar a aplicação do art. 106, II, do Código Tributário Nacional, devem ser feitas as seguintes considerações em decorrência da nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001, tendose em vista, ainda, a atualização de várias normas infralegais já adotadas pela Receita Federal do Brasil, em consonância com esta mais recente alteração legal: a) O aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.783, de 2013, retomou o escopo genérico de sua redação originária, e não contém mais, em seu aspecto material, as infrações relativas à não apresentação de “declaração, demonstrativo ou escrituração digital”; b) O aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, é deixar de escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal quando exigido o sistema de processamento eletrônico, e não mais se encontra limitado pelo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, de modo a abarcar, novamente (tal qual antes da Lei nº 12.766, de 2012), a não apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital; b.1) Os arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, em nenhum momento foram revogados e, portanto, mantiveram sua vigência mesmo no período de vigência da redação dada ao art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, pela Lei nº 12.766, de 2012, conforme item 4.8. do Parecer Normativo Nº 3, de 2013, o que implica (observadas as considerações do contido nos itens 4.1. a 4.7. do Parecer Normativo nº 3, de 2013) a validade, em tese, dos lançamentos efetuados com esse suporte legal no referido período; c) Os prazos de entrega para entrega de escrituração, demonstração e arquivo digital de forma ordinária não sofreram alteração quando da vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, tampouco na redação atual; d) O prazo previsto no § 1º do art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, na redação dada pela MP nº 2.15835, de 2001, considerado derrogado tacitamente para a apresentação de arquivo, demonstração ou escrituração digital ou para prestar esclarecimento sobre eles (na redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, conforme alínea “g” do item 10 do Parecer Normativo nº 3, de 2013), não poderá ser invocado para essas mesmas situações, haja vista que a repristinação há que ser expressa (art. 2º, § 3 da Lindb), o que inocorreu, na espécie; e) Quanto às pessoas jurídicas omissas, como elas não optaram pelo regime presumido de apuração do lucro, tampouco do Simples Nacional, aplicase a elas a multa relativa “às demais pessoas jurídicas” de que trata a alínea “b” do inciso I do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15540.720380/201395 Acórdão n.º 3402003.069 S3C4T2 Fl. 822 9 Conclusão 7. Em conclusão: a) Permanece hígido o entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, observada a aplicação do art. art. 106, II, do Código Tributário Nacional, quando cabível; b) A partir de 25 de outubro de 2013, com a publicação da Lei nº 12.783, de 2013, a aplicação dos dispositivos em comento deve estar em consonância com as atualizações contidas neste Parecer Normativo. (...) [negritos e grifos desta Relatora] Com efeito, para o presente caso, temse que, na data da infração 17/11/2012 ainda vigia a redação originária do art. 57, II da Medida Provisória nº 2.15835, que, tal como a redação atual, dada pela Lei nº 12.783/2013, tinha escopo genérico e não continha em seu aspecto material, em caráter específico, as infrações relativas a não apresentação de “declaração, demonstrativo ou escrituração digital”. De outra parte, após a constatação da infração, sobreveio legislação mais favorável no art. 57, II da Medida Provisória nº 2.15835, na redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, a qual, segundo interpretação da própria Receita Federal, mediante Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, no item "c" da sua Conclusão, acaso ocorrida na vigência da alteração dada pela Lei nº 12.766/2012, seria aplicável ao caso da contribuinte, nesses termos: "A simples não apresentação de arquivo, demonstrativo ou escrituração digital sem outras provas que comprovem que a escrituração não ocorreu se amolda ao aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. O mero indício sem a comprovação da falta da escrituração digital enseja a aplicação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, em respeito ao art. 112, inciso II, do CTN". É exatamente o caso do presente processo, no qual a fiscalização sustentou o cometimento da infração simplesmente na falta de apresentação do arquivo digital, nada mencionando acerca da eventual ausência de escrituração pela contribuinte. Assim, temos a seguinte problemática: Poderia o art. 57, II da Medida Provisória nº 2.15835 na redação dada Lei nº 12.766/2012, não mais vigente atualmente, retroagir para beneficiar a contribuinte? Ressalvese, nesse ponto, que não seria o caso de se cogitar da aplicação desse dispositivo na redação posterior, dada pela Lei nº 12.783/2013, embora ainda mais benéfico ao infrator, vez que se trata de norma genérica, de não atendimento à intimação para cumprir obrigação acessória ou prestar esclarecimentos, que não derroga a norma específica relativa ao não cumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas, em consonância com o disposto no art. 2º, §2º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro: Fl. 826DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 Art.2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. (Vide Lei nº 3.991, de 1961) (Vide Lei nº 5.144, de 1966) § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. Dessa forma, analisemos a possibilidade de aplicação no caso concreto do art. 57, II da Medida Provisória nº 2.15835 na redação dada Lei nº 12.766/2012. No âmbito de direito penal, essa questão seria resolvida pela aplicação da lei intermediária mais benéfica ao réu, como bem esclarece Mirabete1: No caso de vigência de três leis sucessivas, devese ressaltar que sempre será aplicada a lei mais benigna, entre elas: a posterior será retroativa quanto às anteriores e a antiga será ultrativa em relação àquelas que a sucederam. Se, entre as leis que se sucedem, surge uma intermediária mais benigna, embora não seja nem a do tempo do crime nem daquele em que a lei vai ser aplicada, essa lei intermediária mais benévola deve ser aplicada ex vi do art. 2º, parágrafo único, do CP2.3 O Código Tributário Nacional traz dispositivo semelhante ao art. 2º, parágrafo único do Código Penal, permitindo que, em matéria de infrações no âmbito tributário, a questão tenha tratamento similar àquela dada pelo Direito Penal: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, também se manifestou Leandro Paulsen4: Superveniência de uma terceira lei mais gravosa. Como regra, aplicase à infração a lei vigente quando da sua ocorrência. Quando a lei posterior à infração comine penalidade menos severa, tornase aplicável ao caso independentemente de sobrevir, ainda, uma terceira lei mais gravosa antes da 1 MIRABETE, Julio Fabbrini. Manual de Direito Penal – Parte Geral, 19ª ed., São Paulo: Atlas, 2003, p. 67. 2 Código Penal Art. 2º Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Parágrafo único A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplicase aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 3 RT 534/364 [Nota do autor] 4 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e Jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2008, p. 852 e 854. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15540.720380/201395 Acórdão n.º 3402003.069 S3C4T2 Fl. 823 11 aplicação efetiva pela autoridade ou pelo Juiz. Aplicase a lei que, posterior à infração, seja mais benéfica, esteja ou não ainda em vigor por ocasião da aplicação. Vide a nota acerca do art. 35 da Lei 8.212/91. (...) Art. 35 da Lei 8.212/91. A Lei 9.528/97 estabeleceu penalidades menos gravosas que as da redação original da Lei 8.212/91. O novo agravamento das penalidades pela Lei 9.876/99 não impede a aplicação da Lei 9.528/97 relativamente à infrações ocorridas até o advento da Lei 9.876/99. (...) Assim, tendo em vista esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para, em face da retroatividade benigna do art. 57, II da Medida Provisória nº 2.15835 na redação dada Lei nº 12.766/2012, reduzir o valor da multa aplicada ao montante de R$12.000,00 (doze mil reais). É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 828DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 14112.720536/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RESTITUIÇÃO. JUROS MORATÓRIOS.
Os acréscimos legais incidentes sobre restituição de eventual imposto de renda retido na fonte sobre valores decorrentes de proventos de aposentadoria de portadores de moléstia grave, ainda que apurada em Declaração Anual de Ajuste Retificadora, são devidos desde o mês subseqüente à retenção.
Numero da decisão: 2202-003.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora
EDITADO EM: 18/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora EDITADO EM: 18/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
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MOLÉSTIA GRAVE. RESTITUIÇÃO. JUROS MORATÓRIOS. Os acréscimos legais incidentes sobre restituição de eventual imposto de renda retido na fonte sobre valores decorrentes de proventos de aposentadoria de portadores de moléstia grave, ainda que apurada em Declaração Anual de Ajuste Retificadora, são devidos desde o mês subseqüente à retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora EDITADO EM: 18/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 72 05 36 /2 01 3- 15 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 Relatório Por bem sintetizar os fatos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) Trata o presente processo de pedido de restituição de R$ 10.621,68, apresentado em 19/06/2013, atribuído à atualização, pela taxa Selic, dos valores retidos na fonte até a o dia trinta de abril do ano seguinte, relativamente aos anos calendário 2008 a 2012, bem como o imposto de renda retido na fonte incidente sobre o 13º salário nos mesmos anos, baseado no direito à isenção do imposto em relação a proventos de aposentadoria de portadores de moléstia grave. Por meio de parecer e despacho decisório (fls. 154/161), houve o deferimento parcial do pedido, sendo: (a) reconhecido o direito creditório referente à retenção com tributação exclusiva na fonte incidente sobre rendimentos (13º salário) percebidos nos anoscalendário de 2008 a 2012, com a valoração prevista no art. 83, I e § 1º, III, “c”, da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012; e (b) indeferido o pedido quanto à atualização da restituição a partir da retenção em relação aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Cientificado em 06/06/2014 (fl. 162), o interessado, por intermédio de procurador (fl. 175), apresentou, tempestivamente, em 25/06/2014, manifestação de inconformidade (fls. 164/174), acompanhada de documentos (fls. 176/184), na qual, em síntese, alega que não se pode aplicar, na espécie, a regra de atualização, pela taxa Selic, relativa a rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, mas a que disciplina a restituição de pagamento indevido ou a maior, aduzindo que a retenção ocorreu indevidamente em face do reconhecimento retroativo da moléstia grave, devendo ser efetuada a restituição desde a data da retenção. Pondera que, caso fosse apresentado o laudo à fonte pagadora, não haveria a retenção, devendo aquele posteriormente obtido gerar o mesmo efeito, diferindo da hipótese em que a retenção é devida, mas se apura uma restituição no ajuste. Argumenta que, embora a Receita Federal obrigue que o pedido seja efetuado por meio da declaração, o correto seria um pedido “direto”, ocasionando a diferença da retenção até a entrega da DAA (declaração de ajuste anual). Transcreve jurisprudência administrativa e judicial, pleiteando, ao final, a atualização pela taxa Selic a partir da data da retenção e a restituição de imediato do valor Fl. 242DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 14112.720536/201315 Acórdão n.º 2202003.473 S2C2T2 Fl. 242 3 relativo ao imposto retido sobre o 13º salário, porquanto incontroverso. À fl. 199, consta autorização para emissão de ordem bancária da parcela deferida da restituição pleiteada, atualizada para R$ 7.809,89, acompanhada da comunicação de ciência, às fls. 201/202. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba indeferiu a manifestação de inconformidade do contribuinte (fls. 210/216), conforme se verifica pela ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 RESTITUIÇÃO APURADA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA. DETERMINAÇÃO LEGAL EXPRESSA. O valor da restituição do imposto de renda da pessoa física apurado na declaração de rendimentos será acrescido de juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao previsto para a entrega tempestiva da declaração, por expressa determinação legal Cientificado da referida decisão (AR fls. 218) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 220/219, no qual alega, fundamentalmente, que a própria Receita Federal reconheceu os efeitos retroativos da moléstia grave a que foi acometido. Sendo assim, o fato da Instrução Normativa nº 900/2008 obrigar o sujeito passivo por meio de Declaração de Ajuste Anual DAA não retira do contribuinte o direito de ter sua restituição corrigida desde que o recolhimento indevido e não a partir da entrega da DAA como decidido. É o relatório Voto Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A discussão da presente lide se resume a saber qual o termo inicial para incidência da taxa SELIC nos casos em que houve reconhecimento retroativo da moléstia grave. A SELIC incidiria a partir do pagamento ou retenção indevida ou do primeiro dia do mês subseqüente ao previsto para a entrega tempestiva da declaração correspondente? Fl. 243DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, adotando as razões do parecer que fundamentou o despacho decisório, assim decidiu 17. No caso de o montante dos recolhimento mensais superar o imposto devido,apurado na Declaração de ajuste Anual, temse restituição, por pagamento a maior, cujo valor deve ser atualizado pela taxa Selic a partir do mês seguinte ao da entrega tempestiva da Declaração de Ajuste Anual (art. 16 da lei n° 9250/95 c/c art. 62 da lei n° 9.430/96). Por outro lado, no caso do imposto devido superar o montante dos recolhimentos mensais, temse imposto a pagar; que, se não pago no vencimento será atualizado pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento ... 19. De fato, quando do pagamento dos proventos de aposentadoria ao interessado, não se conhecia da condição de portador de moléstia grave ensejadora de isenção, portanto, corretamente tributado à época. Reconhecido direito à isenção de forma retroativa, para se requerer possível direito à restituição, deveria ser pleiteada exclusivamente mediante a apresentação da DIRPF retificadora, conforme previsto na normalização da época, no art 10, caput e seu § 1º da IN RFB nº 900/2008, e atualmente, no art. 10, caput e seu § 1º da IN RFB n° 1.300 de 20/11/2012. E, assim deve ser, porquanto o fato gerador do imposto de renda pessoa física é complexivo, definido em 31 de dezembro de cada anocalendário, e o pagamento indevido ou a maior que o devido, para fins de restituição, somente se consubstancia após o preenchimento da Declaração de Ajuste Anual. Não concordo com a decisão recorrida. Isso porque, no caso em questão, não se trata de retenção efetuada como antecipação do valor devido na declaração de ajuste anual, mas de retenção indevida, já que a própria Receita reconhece que a doença existia com data retroativa. Dessa forma, o Recorrente já era isento à época em que efetuadas as retenções. O fato da RFB, a época, determinar que os pedidos de restituição de pessoa física fossem feitos por meio da retificação da Declaração de Ajuste Anual não muda a natureza jurídica do valor pago. Em outras palavras, o fato da IN 900/2008 estabelecer, em seu artigo 3º, §6º, que os pedidos de restituição fossem feitos por meio das declarações de ajuste, não transforma a retenção de rendimentos isentos em antecipações de imposto de renda a pagar. Sendo assim, a atualização das restituições por rendimentos isentos decorrentes de moléstia grave dever ter como termo inicial de incidência da taxa SELIC a data da retenção indevida e não o primeiro dia do mês subseqüente ao previsto para entrega tempestiva da declaração de rendimentos. Nesse mesmo sentido já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 920201.370, cuja a ementa é a seguinte: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1996 PDV. RESTITUIÇÃO. JUROS MORATÓRIOS. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 14112.720536/201315 Acórdão n.º 2202003.473 S2C2T2 Fl. 243 5 Os acréscimos legais incidentes sobre restituição de eventual imposto de renda retido na fonte sobre verbas de PDV, ainda que apurada em Declaração Anual de Ajuste Retificadora, são devidos desde o mês subseqüente à retenção: com atualização monetária pela UFIR, até 31/12/1995, e pela SELIC, a partir de 01/01/1996. Recurso especial provido.(grifamos) Em face do exposto, dou provimento ao recurso (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
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