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Numero do processo: 17546.000871/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, “A”, LEI 8.212/91.
De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea “a”, da nº Lei 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo RGPS.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE NFLD JULGADA IMPROCEDENTE EM PARTE. LAÇAMENTO REFLEXO. OBSERVÂNCIA DECISÃO. PENALIDADE FIXA. MANUTENÇÃO DO FEITO.
Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de
arrecadação das contribuições previdenciárias incidentes sobre as
remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, cuja obrigação principal fora lançadas em NFLD´s, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Tratando-se de autuação em que a existência de uma única inobservância de obrigação acessória (infração) enseja a
manutenção da multa em sua integralidade, ainda que parte dos fatos geradores tenha sido excluída em uma das notificações não tem o condão de rechaçar a penalidade imposta por ser fixa.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.495
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, “A”, LEI 8.212/91. De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea “a”, da nº Lei 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo RGPS. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE NFLD JULGADA IMPROCEDENTE EM PARTE. LAÇAMENTO REFLEXO. OBSERVÂNCIA DECISÃO. PENALIDADE FIXA. MANUTENÇÃO DO FEITO. Impõese a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, cuja obrigação principal fora lançadas em NFLD´s, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Tratandose de autuação em que a existência de uma única inobservância de obrigação acessória (infração) enseja a manutenção da multa em sua integralidade, ainda que parte dos fatos geradores tenha sido excluída em uma das notificações não tem o condão de rechaçar a penalidade imposta por ser fixa. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, Fl. 302DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente justificadamente Marcelo Freitas de Souza Costa . Fl. 303DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 17546.000871/200743 Acórdão n.º 2401002.495 S2C4T1 Fl. 279 3 Relatório LAURENTI EQUIPAMENTOS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Campinas/SP, Acórdão nº 0525.071/2009, às fls. 235/239, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 216, inciso I, alínea “a”, do RPS, por ter deixado de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições dos segurados empregado e contribuintes individuais a seu serviço, em relação ao período de 04/2003 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal, às fls. 17/18. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 06/11/2006, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.156,95 (Um mil, cento e cinqüenta e seis reais e noventa e cinco centavos), com base nos artigos 283, inciso I, alínea “g”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. De conformidade com o Relatório Fiscal, a empresa deixou de arrecadar a contribuição dos segurados ali relacionados, sobre os respectivos valores recebidos por meio de cartão eletrônico denominado "FLEXCARD", a título de premiação em programa de incentivo, conforme cópia do Contrato de Prestação de Serviços celebrado entre o sujeito passivo e a Empresa INCENTIVE HOUSE. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 242/270, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Inicialmente, pretende seja o presente recurso julgado em conjunto com as notificações 37.041.2869 e 37.041.2877, consubstanciadas nos processos administrativos nºs 17546.000868/200720 e 17546.000872/200798, onde foram lançadas as contribuições previdenciárias não arrecadadas (obrigação principal), em razão do nexo de causa e efeito que os vincula, devendo o acessório seguir a sorte do principal. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência, baseando a autuação em meras presunções. Acrescenta que os anexos da autuação não demonstram com a clareza que exige as normas que regulam a matéria quais as bases que a fiscalização se debruçou para concluir que houve recolhimento a menor, ressaltando que a única razão para tal conclusão está na listagem dos beneficiários dos pagamentos realizados pela Incentive House, sem conquanto demonstrar a natureza remuneratória de tais verbas e, bem assim, que foram, de fato, destinadas a contribuintes individuais. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que não se pode cogitar na incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos sóciocotistas que nunca exerceram a gerência da sociedade, nos termos do artigo 12, inciso V, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 9º, inciso V, alínea “h”, do Decreto nº 3.048/1999, por não se caracterizar como contribuinte individual. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 17546.000871/200743 Acórdão n.º 2401002.495 S2C4T1 Fl. 280 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE LANÇAMENTO Em suas razões recursais, em suma, pretende a recorrente a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, propugnando pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a autuação, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Relatório da Infração”, às fls. 17, e Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 18, não deixa margem de dúvida, recomendando o não acolhimento da nulidade suscitada, uma vez informarem que a contribuinte deixou de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, a totalidade das contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, infringindo o disposto no artigo 30, inciso “I”, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, constituindose crédito previdenciário decorrente da penalidade aplicada nos termos do artigo 283, inciso “I”, alínea “g”, do RPS, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I – A empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração;” Regulamento da Previdência Social “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Fl. 306DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I – a partir de R$ 636,17 nas seguintes infrações: g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço;” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, o fiscal autuante, não se cogitando na improcedência do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, o fato gerador da penalidade imposta, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento e a conclusão fiscal foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como dos documentos contábeis e demais esclarecimentos fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. MÉRITO Inicialmente devese frisar que, não obstante tratarse de autuação face a inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente estão ligados basicamente à procedência da exigência consubstanciada nas Notificações Fiscais n°s 37.041.2869 e 37.041.2877, contempladas nos processos administrativos nºs 17546.000868/200720 e 17546.000872/200798, onde o fisco previdenciário lançou as contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados empregado e contribuintes individuais, as quais não foram descontadas e objeto do presente Auto de Infração. Em verdade, a contribuinte faz confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, obrigação principal e acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação tributária de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a contribuinte deixar de arrecadar a totalidade das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Registrese, que em nenhum momento a recorrente alega não ter incorrido na falta imputada, questionando exclusivamente o mérito das NFLD´s encimadas, que foram julgadas por este Egrégio Colegiado nesta mesma Sessão de Julgamento, com a manutenção de parte substancial da exigência fiscal. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 17546.000871/200743 Acórdão n.º 2401002.495 S2C4T1 Fl. 281 7 Como se constata, as NFLD´s supramencionadas, onde foram lançadas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregado e contribuintes individuais, assim considerados os valores pagos a título de prêmio, foram mantidas em parte por esta Turma, impondo a apreciação deste lançamento com estrita observância à decisão prolatada nos autos daquelas notificações, tendo em vista a íntima relação de causa e efeito que os vincula, como a própria contribuinte reconhece. Na esteira desse entendimento, tendo esta Colenda Turma entendido que parte do procedimento eleito pela autoridade lançadora naquelas Notificações não observou os pressupostos de validade inseridos na legislação de regência, decretando a improcedência parcial do feito, aludida decisão deve, igualmente, ser adotada neste julgamento. Na hipótese dos autos, porém, inobstante a insubsistência parcial do lançamento principal (NFLD nº 37.041.2869 – Processo n° 17546.000868/200720) e procedência total da NFLD n° 37.041.2877 – Processo n° 17546.000872/200798, não há como se afastar parte da penalidade ora aplicada, por tratarse de auto de infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória (infração) enseja a manutenção da multa em sua integralidade, razão pela qual ainda que parte dos fatos geradores tenha sido excluída em uma das notificações não tem o condão de rechaçar a penalidade imposta por ser fixa. Neste sentido, não se cogita em improcedência do feito, tendo em vista que o fiscal autuante agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação tributária aplicável à espécie, impondo a manutenção da decisão recorrida em sua plenitude. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo à extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Relativamente às demais alegações da contribuinte, deixaremos de abordá las, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 308DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
score : 1.0
Numero do processo: 13736.001172/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
SÚMULA CARF Nº 68
A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-001.873
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 10/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 44DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13736.001172/200811 Acórdão n.º 210201.873 S2C1T2 Fl. 42 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 28 a 32: Trata o processo fiscal de lançamento, gerado após o processamento da declaração de ajuste, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o impugnante insurgiuse contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art 1º da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento no aspecto que a natureza da Lei nº 8.852/94 não é tributária. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 37/38, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, uma vez que a Lei 8 .8521/94 excluiria o adicional por tempo de serviço da remuneração sendo incompatível recair a tributação sobre essa parcela. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Em sede de recurso, não foram apresentados novos argumentos ou elementos de prova para contestar as razões utilizadas pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese de isenção sobre parcelas referentes a Adicional de Tempo de Serviço e Compensação Orgânica, conforme a Lei 8.852, de 1994. Ocorre que essa matéria não mais suscita dissídio jurisprudencial, pois, foi tratada em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 68 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13736.001172/200811 Acórdão n.º 210201.873 S2C1T2 Fl. 43 3 A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Desta forma, estando correto o lançamento e, por conseguinte, não merecendo reparos a decisão de primeira instância, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.008440/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ
Período de Apuração: 01/09/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO EM RAZÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. RECONHECIMENTO POSTERIOR DO DIREITO CREDITÓRIO. MOTIVAÇÃO INFIRMADA. Deve ser cancelada a
exigência ante o reconhecimento do direito creditório utilizado para
compensação do crédito tributário lançado. PARCELA DA EXIGÊNCIA NÃO COMPENSADA. DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA.
OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo
Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática
prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser
reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do
CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitar-se-á lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeita-se à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a declaração de compensação de parcela de débito apurado pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1101-000.666
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DEIXAR DE CONHECER da preliminar de nulidade para, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário e RECONHECER DE OFÍCIO a decadência, exonerando integralmente o crédito tributário formalizado, nos termos do relatório e voto que integram o presente
julgado.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de Apuração: 01/09/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO EM RAZÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. RECONHECIMENTO POSTERIOR DO DIREITO CREDITÓRIO. MOTIVAÇÃO INFIRMADA. Deve ser cancelada a exigência ante o reconhecimento do direito creditório utilizado para compensação do crédito tributário lançado. PARCELA DA EXIGÊNCIA NÃO COMPENSADA. DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitar-se-á lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeita-se à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a declaração de compensação de parcela de débito apurado pelo sujeito passivo.
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RECONHECIMENTO POSTERIOR DO DIREITO CREDITÓRIO. MOTIVAÇÃO INFIRMADA. Deve ser cancelada a exigência ante o reconhecimento do direito creditório utilizado para compensação do crédito tributário lançado. PARCELA DA EXIGÊNCIA NÃO COMPENSADA. DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeitase à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a declaração de compensação de parcela de débito apurado pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DEIXAR DE CONHECER da preliminar de nulidade para, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário e RECONHECER DE OFÍCIO a decadência, exonerando integralmente Fl. 379DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.008440/200807 Acórdão n.º 110100.666 S1C1T1 Fl. 380 2 o crédito tributário formalizado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.008440/200807 Acórdão n.º 110100.666 S1C1T1 Fl. 381 3 Relatório EDENRED BRASIL PARTICIPAÇÕES S/A (nova denominação social de ACCOR PARTICIPAÇÕES LTDA), já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 23/12/2008, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.345.782,59. Em razão do indeferimento da restituição pleiteada nos autos do processo administrativo nº 11831.006418/200234, formalizouse a exigência de débito de IRPJ apurado no 4o trimestre/2002, compensado com aquele crédito mediante DCOMP apresentada em 30/05/2003, e não declarado em DCTF. Todavia, a exigência teve em conta o débito informado em DIPJ retificadora apresentada em 13/10/2008, que apontou o saldo a pagar de R$ 1.345.782,59, para aquele período. A exigência foi mantida no julgamento administrativo de 1a instância, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃOCONFESSADO. LANÇAMENTO. É correto o lançamento de crédito tributário declarado em DIPJ, mas não confessado em DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA CONFISCATÓRIA. A competência para julgar a constitucionalidade de norma legal é exclusiva do Poder Judiciário, devendo a administração pública aplicála enquanto vigente. Cientificada desta decisão em 01/04/2011 (fl. 287), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 18/04/2011. Inicialmente reitera a necessidade de reunião deste processo ao de nº 11831.006418/200234, em face da inquestionável relação de prejudicialidade, contextualizando o que ocorrido naquele. Em preliminar, argúi a nulidade da decisão recorrida, por ausência de apreciação dos argumentos de defesa e das provas documentais apresentadas, sob a justificativa de que toda e qualquer discussão em torno do pedido de restituição e das compensações realizadas deve ser travada nos autos daquele processo, haja vista que o tema não integra a lide que aqui se apresenta. Reproduz doutrina e jurisprudência administrativa em fundamento a sua alegação, e também para demonstrar que houve ofensa ao princípio da verdade material. No mérito, afirma que as receitas decorrentes de contratos de swap foram devidamente oferecidas à tributação na apuração que deu ensejo ao pedido de restituição, reportandose às evidências deste procedimento e à legislação pertinente, e opõese à exigência Fl. 381DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.008440/200807 Acórdão n.º 110100.666 S1C1T1 Fl. 382 4 do débito de R$ 1.345.782,59, compensado através da DCOMP n. 07027.02941.300503.1.3.024322, acompanhado da confiscatória multa de ofício de 75% e de juros de mora. Aborda, ainda, a ofensa aos outros princípios que norteiam a atuação administrativa, e requer, ao final, que seja recebido e integralmente provido o presente recurso voluntário, para anular a decisão recorrida, porquanto não apreciou ela nem os argumentos e nem as provas produzidas nos autos, tendo havido, assim, o CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA da Recorrente, com violação dos princípios constitucionais do DEVIDO PROCESSO LEGAL, DA MORALIDADE, RAZOABILIDADE e dos DIREITOS À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. E, quando menos no mérito, requer a Recorrente: a) seja reconhecida a PROCEDÊNCIA deste recurso, com a declaração de extinção do crédito tributário e respectivo arquivamento dos autos, protestando pela produção de todas as provas em direito admitidas. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.008440/200807 Acórdão n.º 110100.666 S1C1T1 Fl. 383 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Esta Turma Julgadora, em sessão de 03 de outubro de 2011, acolheu, à unanimidade, voto desta Relatora proferido em face de recurso voluntário apresentado nos autos do processo administrativo nº 11831.006418/200234, o qual resultou no Acórdão nº 110100.572, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE IRRF. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA E DE OPERAÇÕES DE SWAP. Frente a parecer fiscal que, examinando a escrituração contábil do sujeito passivo, conclui pela regularidade do oferecimento, à tributação, das receitas financeiras auferidas, não prevalecem as inferências feitas pela autoridade administrativa a partir das informações prestadas em DIPJ e, pelas fontes pagadoras, em DIRF. Ante o pedido de reunião do litígio formado naqueles autos ao presente processo, determinou o Presidente da Turma que o presente processo fosse distribuído, por conexão, a esta Relatora. Reconhecido o direito creditório pleiteado de R$ 4.147.045,98, e determinada sua imputação aos débitos compensados, com restituição do eventual saldo remanescente à contribuinte, estaria desconstituído o ato de nãohomologação das compensações assim indicadas no processo administrativo nº 11831.006418/200234: Processo P.A. ENTREGA TRIBUTO VALOR PLEITEADO 11831.001353/200311 31/12/2002 26/02/2003 CSLL Trimestral R$ 116.888,74 11831.007479/200219 30/09/2002 31/10/2002 CSLL Trimestral R$ 1.423.157,67 11831.000738/200361 31/12/2002 31/01/2003 CSLL Trimestral R$ 1.024.840,87 E: a) DCOMP nº 07027.02941.300503.1.3.02.4322, na qual a contribuinte apontou débito de IRPJ relativo ao 4o trimestre/2002, no valor de R$ 1.046.965,30, o qual não teria sido declarado em DCTF (fls. 132/134), ensejando representação à autoridade competente para seu lançamento de ofício (fl. 140/143); b) DCOMP nº 13222.34101.300503.1.3.029578, na qual a contribuinte apontou débito de IRPJ relativo ao 1o trimestre/2003, no valor de R$ 964.780,40 (fls. 135/139). Fl. 383DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.008440/200807 Acórdão n.º 110100.666 S1C1T1 Fl. 384 6 Em consequência, o principal aqui lançado, na parcela equivalente ao valor compensado de R$ 1.046.965,30, deve ser cancelado juntamente com seus acessórios (multa de ofício e juros de mora). Todavia, como relatado, a exigência teve por referência débito no valor de R$ 1.345.782,59, informado em retificação apresentada em 13/10/2008, para a DIPJ do ano calendário 2002. E, relativamente à diferença de R$ 298.817,30, não teria efeito a homologação da compensação vinculada ao processo administrativo nº 11831.006418/200234. De outro lado, porém, observase que a exigência em debate foi formalizada em 23/12/2008, tendo por objeto IRPJ devido no 4o trimestre/2002. E, para justificar a tempestividade do lançamento, indicou a autoridade lançadora que, na ausência de recolhimento, o prazo decadencial seria regido pelo art. 173, inciso I do CTN. Diante deste contexto, a matéria em litígio nestes autos passa a ter seu julgamento afetado pelas novas disposições do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, para passar a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 384DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.008440/200807 Acórdão n.º 110100.666 S1C1T1 Fl. 385 7 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Extraise deste julgado que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como já se infere a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em conseqüência não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, permitindose aqui a livre convicção acerca de sua definição. No presente caso, o lançamento decorreu do fato de a contribuinte não ter informado o débito em DCTF e não têlo recolhido. Todavia, não se pode deixar de considerar Fl. 385DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.008440/200807 Acórdão n.º 110100.666 S1C1T1 Fl. 386 8 que em 30/05/2003 a contribuinte apresentou DCOMP para quitação do que se revelou ser uma parte do IRPJ devido no 4o trimestre de 2002, dando conhecimento ao Fisco de ter realizado a apuração que a lei lhe impõe, conduta que se reputa, aqui, hábil a deflagrar o prazo de 5 (cinco) anos, contado a partir da ocorrência do fato gerador, para que o Fisco revisasse sua apuração. Em tais condições, o sujeito passivo não se enquadra em uma hipótese na qual a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, nem mesmo naquela onde, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. A inocorrência do pagamento foi justificada mediante a prática de outra conduta cientificada à Administração Tributária: a apresentação da declaração de compensação. Logo, não se pode negar que o prazo previsto no art. 150 do CTN também seja aqui aplicável. Em conseqüência, encerrado o período de apuração do tributo aqui exigido em 31/12/2002, não há dúvida que à data da formalização do lançamento (23/12/2008), já haviam transcorridos mais de 5 (cinco) anos. É certo que a contribuinte reconheceu o valor por ela devido também depois de já expirado o prazo previsto no art. 150, § 4o do CTN, mas assim procedeu informandoo em uma declaração que não tem caráter constitutivo de dívida, a exigir a formalização do presente lançamento de ofício, ato disciplinado em lei inclusive quanto ao prazo para sua implementação. Eventualmente a contribuinte pode ter apresentado uma nova DCOMP para extinguir o débito suplementar apurado. De toda sorte, se assim procedeu, a declaração de decadência do direito de o Fisco constituir, mediante lançamento de ofício, o crédito tributário aqui formalizado em nada impediria a cobrança daquele crédito tributário, caso ela se fizesse necessária em razão de novos fatos apurados. E isto porque, ao contrário da compensação antes tratada, formalizada em 30/05/2003, a partir de 31/10/2003 o débito informado em DCOMP passou a ser constituído por declaração da contribuinte, consoante expresso no art. 74 da Lei nº 9.430/96, alterado pela Medida Provisória nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] Por estas razões, deve ser desconstituída integralmente a presente exigência, razão pela qual tornase desnecessário apreciar a arguição de nulidade da decisão recorrida, em observância o que dispõe o Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 8.748/93: Fl. 386DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.008440/200807 Acórdão n.º 110100.666 S1C1T1 Fl. 387 9 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (negrejouse) Diante do exposto, o presente voto é no sentido de DEIXAR DE CONHECER da preliminar de nulidade para, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir o principal de R$ 1.046.965,30 e correspondentes acréscimos, e RECONHECER DE OFÍCIO a decadência da parcela remanescente de R$ 298.817,30 e correspondentes acréscimos, exonerando integralmente o crédito tributário aqui formalizado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 387DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.008440/200807 Acórdão n.º 110100.666 S1C1T1 Fl. 388 10 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10314.008539/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 23/07/2007
EX TARIFÁRIO. INTERPRETAÇÃO LITERAL.
Tratando-se de hipótese de redução do Imposto de Importação, somente pode ser beneficiada com “ex” tarifário a mercadoria que corresponder exatamente àquela descrita no ato que concede o benefício.
Aplicação do art. 111, II, do CTN. Jurisprudência do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
EXTARIFÁRIO 445 DO CÓDIGO NCM 8479.89.99.
Comprovado nos autos que a máquina de cravação automática, Marca Komax, Modelo Gamma 255, não executa a função de aplicação de selos vedantes, não cabe o beneficio previsto no ExTarifário 445 do código NCM 8479.89.99.
RESOLUÇÃO CAMEX Nº. 57, DE 20/11/2007. EFEITOS.
Não há que falar em efeito retroativo de norma que estabelece sua vigência a partir da data de sua publicação.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.435
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente KOMAX COMERCIAL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 23/07/2007 EX TARIFÁRIO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Tratandose de hipótese de redução do Imposto de Importação, somente pode ser beneficiada com “ex” tarifário a mercadoria que corresponder exatamente àquela descrita no ato que concede o benefício. Aplicação do art. 111, II, do CTN. Jurisprudência do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. EXTARIFÁRIO 445 DO CÓDIGO NCM 8479.89.99. Comprovado nos autos que a máquina de cravação automática, Marca Komax, Modelo Gamma 255, não executa a função de aplicação de selos vedantes, não cabe o beneficio previsto no ExTarifário 445 do código NCM 8479.89.99. RESOLUÇÃO CAMEX Nº. 57, DE 20/11/2007. EFEITOS. Não há que falar em efeito retroativo de norma que estabelece sua vigência a partir da data de sua publicação. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior. José Luiz Novo Rossari Presidente Irene Souza da Trindade Torres Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Adriene Maria de Miranda Veras. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 2 Relatório Por meio da DI nº. 07/09668990 (fls. 25/29), registrada em 23/07/2007, a contribuinte KOMAX COMERCIAL DO BRASIL LTDA submeteu a despacho aduaneiro a mercadoria descrita como “Máquina automática para cortar no comprimento, decapar, aplicar, simultaneamente ou não, terminais conectores e selos vedantes em fios e cabos elétricos com secção máxima de 25 mm2, com monitoramento da qualidade da aplicação – Marca: Komax – Modelo: Gamma 255 – Número de Série: 154 – Parcialmente desmontada – Ano de Fabricação: 2007 – Origem: Suíça.”. A máquina assim descrita foi classificada no código NCM 8479.89.99 e enquadrada no “Ex”tarifário 445, tendo sido recolhido o Imposto de Importação à alíquota de 2,0%, sendo de 0% a alíquota relativa ao Imposto sobre Produtos Industrializados. A Fiscalização, em ato de conferência documental, verificou que a mercadoria importada, ao invés dos 25mm2 descritos na DI, trabalhava fios e cabos com seção máxima de apenas 2,5mm2, não correspondendo, assim, ao equipamento descrito no destaque tarifário “Ex” 445. A constatação da autoridade fiscal foi corroborada por Laudo Técnico (fls. 54/60), o qual concluiu que, de acordo com o Manual Técnico, a máquina importada não era capaz de aplicar selos vedantes e somente era capaz de processar fios e cabos elétricos com seção máxima de 2,5 mm2, além de constatar que o número de série do equipamento informado na DI (154) era diferente do número constante na placa de identificação do equipamento (255.0154). Deste modo, por entender a Fiscalização que a máquina importada não preenchia todas as condições necessárias para enquadrarse na exceção tarifária pretendida pela contribuinte, em 18/09/2007 foram lavrados Autos de Infração (ciência em 24/09/2007), exigindose as diferenças dos tributos que deixaram de ser recolhidos, relativas ao Imposto de Importação (fls. 01/05), COFINSImportação (fls. 06/10) e PIS/PASEPImportação (fls. 11/15), bem como acréscimos legais (multa de ofício e juros de mora), totalizando o valor de R$ 18.824,48. Neste ponto, transcrevo parte do relatório constante da decisão recorrida: “Intimada do Auto de Infração em 24/09/2007, fl. 01, a interessada apresentou impugnação e documentos em 15/10/2007, juntados às folhas 86 e seguintes, alegando em síntese: É pessoa jurídica de direito privado, que tem como objeto a importação de maquinário industrializado. Obteve a seu favor o Extarifário n° 445, com os benefícios que aludem a Resolução Camex n° 2, de 22/02/06. Foi surpreendida com a proibição do desembaraço aduaneiro dos equipamentos importados, bem como exigência da diferença de tributo mais multa. Ataca a autuação, requerendo a liberação imediata dos bens, mediante carta de fiança bancária, nos termos da Portaria 389/76; Fl. 324DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10314.008539/200710 Acórdão n.º 3202000.435 S3C2T2 Fl. 317 3 Em preliminar, alega nulidade do auto de infração em face da inadequação da fundamentação legal; Cerceamento do direito de defesa uma vez que apresentou laudo a seu favor e não lhe foi dada oportunidade de apresentação de terceiro laudo para exaurir o impasse. Alega que na documentação onde requereu o benefício do EX junto ao Ministério do Desenvolvimento, descreveu o produto como: Máquina automática de processamento de cabos e fios elétricos até 25 mm2, para cortar no comprimento programado, decapar, aplicar terminais e/ou conectores e/ou selos vedantes, com monitoramento de qualidade da aplicação. Ressalta que a publicação não fez contar a íntegra do pedido, suprimindo o sufixo "até" e "e/ou" do pedido original. Elucida que os equipamentos importados, no caso os modelos GAMMA 255 e ALPHA 355, estão todos identificados no pedido ao Ministério do Desenvolvimento, não ensejando sequer ao mais atentos equívocos de interpretação. Alega que o mesmo tipo de equipamento foi liberado pelas alfândegas de Guarulhos e Viracopos, ou seja, a mesma autoridade administrativa liberou e ora impede o desembaraço. Reafirma que os equipamentos estão dentro da capacidade máxima de 25 mm2, destacado na norma do Extarifário. Apresenta pedido ao Ministério do Desenvolvimento para alteração do texto do Ex 445, agora fazendo constar os sufixos suprimidos e na forma que foi solicitada. Insurgese contra aplicação da penalidade por absolutamente confiscatória. Nulidade do lançamento tributário, uma vez que eivado de vício da inconstitucionalidade quando exige tributo ou aplica penalidade baseandose exclusivamente em Decreto, fonte formal secundária, imprópria para instituição de qualquer exigência. Ao final requer nova perícia.” A DRJSão PauloII/SP julgou procedente o lançamento (fls. 290/300), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/07/2007 EXTARIFÁRIO.Máquina de cravação automática, Marca: Komax. Modelo: Gamma 255. Fabricante Komax AG, não executa função de aplicação de selos vedantes, não fazendo jus ao beneficio do EXTarifário 445 da NCM 8479.89.99. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls. 307/314), alegando, em síntese: Fl. 325DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 4 que teve, a seu favor, totalmente deferido, pelo Ministério do Desenvolvimento, o “Ex” tarifário nº. 445, com os benefícios que aludem a Resolução CAMEX n° 2, de 22/02/2006; que a decisão a quo foi além do Auto de Infração, vez que este se insurgia apenas quanto à capacidade de corte da máquina, e não quanto à capacidade ou não de a máquina aplicar selo vedante. Afirma que o fato de a máquina não aplicar selo vedante não fez parte da autuação; que, quanto à capacidade de corte, a DRJ reconheceu que a máquina importada corresponderia à descrição da mercadoria constante no “Ex”tarifário pretendido, não mais se tratando de matéria controversa, restando, apenas, dirimirse a dúvida quanto à necessidade ou não de a máquina aplicar selo vedante; que no texto do “Ex” não está escrito que a máquina deve obrigatoriamente aplicar o selo vedante, mas sim que a máquina pode aplicálo ou não , isto é, que “ a máquina pode aplicar terminais conectores e selo vedante simultaneamente ou não aplicar terminais e selos vedantes”; que se “fosse a intenção do Ministério do Desenvolvimento determinar que a máquina deveria aplicar obrigatoriamente o SELO VEDANTE, não iria descrever como o fez a particularidade "SIMULTANEAMENTE OU NÃO", teria assim descrito: ‘a máquina deve obrigatoriamente aplicar selo vedante e terminais conectores’". que “a função de aplicar selo vedante e conectores, não são [sic] a função principal da máquina, essas funções são intermediárias e acessórias, e, evidentemente o EX TARIFÁRIO ao ser deferido, não analisa os acessórios do equipamento que o abrangerá, mais[sic] sim, sua função principal que no caso é cortar fios no cumprimento e decapar”; que a nova publicação do “Ex”tarifário dirimiu qualquer dúvida quanto à questão, ficando absolutamente cristalino a sua abrangência quanto à capacidade do equipamento e quanto ao fato de ser acessória a capacidade de aplicação de selo vedante; e que a norma que dirimiu essas dúvidas, sendo benéfica ao contribuinte, deve ser aplicada, porquanto não se trata de nova norma, mas de uma continuidade da norma que gerou o Auto de Infração, consistindose, apenas, em um esclarecimento das dúvidas existentes. Ao final, requereu a improcedência da autuação. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Ao teor do relatado, trata a lide de Autos de Infração lavrados em18/09/2007, para exigência de Imposto de Importação, COFINSImportação e PIS/PASEPImportação, bem Fl. 326DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10314.008539/200710 Acórdão n.º 3202000.435 S3C2T2 Fl. 318 5 como os correspondentes acréscimos legais (multa de ofício e juros de mora), relativos à diferença de tributos que deixaram de ser recolhidos, decorrente do não enquadramento da mercadoria importada no “ex” tarifário pretendido pela contribuinte, qual seja, “ex” 445 do código NCM 8479.89.99, que, à época da importação, assim especificava: Ex 445 Máquinas automáticas para cortar no comprimento, decapar, aplicar, simultaneamente ou não, terminais conectores e selos vedantes em fios e cabos elétricos com secção máxima de 25mm2, com monitoramento da qualidade da aplicação. A Fiscalização, fundamentada nas informações contidas em Laudo Técnico emitido em 07/08/2007 pelo Assistente Técnico da Receita Federal, o engenheiro Roberto Raya da Silva (fls.54/60), entendeu que a mercadoria efetivamente importada não correspondia àquela descrita na DI e não se enquadrava na descrição constante do texto do destaque tarifário pleiteado. Logo de pronto, à simples leitura dos Autos de Infração, verificase claramente que a autuação deveuse ao entendimento da Fiscalização de que a mercadoria não se enquadrava no “ex” pleiteado por dois motivos: 1) a máquina não era capaz de aplicar selos vedantes; e 2) a máquina somente era capaz de trabalhar fios e cabos elétricos com secção entre 0,0123 e 2,5mm2. A fundamentação fática da autuação foi a seguinte: Conforme informado na página 07 do laudo técnico emitido em 07/08/2007 pelo Assistente técnico da RF, o Sr. Roberto Raya da Silva, sobre a mercadoria declarada na adição 001, o manual técnico deste equipamento não apresenta a informação de que a máquina é capaz de aplicar selos vedantes. Adicionalmente, conforme informações do manual técnico, a máquina somente é capaz de realizar suas funções em fios e cabos elétricos com secção entre 0,0123 e 2,5 mm2. Portanto, a máquina não preenche todas condições necessárias e suficientes para o Ex, que seriam em acréscimo, trabalhar fios e cabos elétricos também com secção máxima de 25 mm2 e aplicarlhes selos vedantes. (destaques não constantes do original) Assim, descabe a alegação da contribuinte de que a decisão a quo foi além da autuação, visto não ter esta suscitado a incapacidade da máquina em aplicar selos vedantes. Quando à questão do diâmetro dos fios e cabos elétricos, muito embora alie me ao entendimento esposado pelo redator da declaração de voto, é certo que a DRJ pois fim à controvérsia, decidindo assistir razão à contribuinte. Resta apenas a esta instância julgadora, portanto, analisar a autuação em razão de sua outra fundamentação, relativa à exigência, para benefício do “ex”, de que a máquina importada efetue a aplicação de selos vedantes. A interpretação do “ex” tarifário é sempre "literal". Tal posicionamento encontra respaldo na legislação em vigor, bem como na reiterada jurisprudência desta Corte, Fl. 327DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 6 conforme bem assinalado pelo ilustre Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, nos autos do processo nº.10831.007501/0061, Acórdão n.º 310200.835, cujas palavras reproduzo abaixo, em excertos: “Cabe aqui relembrar o norte hermenêutico do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, que, regulamentando o art. 111, II do CTN, dispôs: Art. 129. Interpretarseá literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre a outorga de isenção ou redução do imposto de importação (Lei nº 5.172/66, art. 111, II). Não custa reforçar que tal literalidade encontra apoio na remansosa jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos extintos Conselho de Contribuintes. Confirase: Acórdão CSRF nº 0306.081, de 08/09/2008 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 1995 O Extarifário é uma redução de Imposto de Importação de caráter geral. A descrição prevista em um "EX" especifico deve corresponder exatamente com a mercadoria que é importada. Aplicase ao Extarifário a disposição contida no art. 111, inciso II, do CTN. Acórdão CSRF /0304.441 de 08/08/2005 – CLASSIFICAÇÃO'EX" TARIFÁRIO. A interpretação da legislação que outorga beneficio fiscal deve ser feita de forma literal. Acórdão no. 30329555 de 04/12/2000 IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO "EX" TARIFÁRIO. Para ter direito à tributação pela alíquota reduzida do Imposto sobre a Importação prevista para um determinado "ex" tarifário,instituído por meio de Portaria do Ministério da Fazenda, o produto importado deverá ter uma perfeita identidade com o descrito na norma concessiva do beneficio... Acórdão 30130309 de 20/08/2002. BENEFÍCIOS FISCAIS. EX "TARIFÁRIO. Não restando devidamente comprovado que o equipamento importado exerce as funções previstas no "ex" tarifário, não está o mesmo amparado pela alíquota reduzida, devendo sujeitarse o contribuinte ao recolhimento dos impostos calculados sob a alíquota estabelecida para a respectiva classificação fiscal, vigente na data do fato gerador, bem como ao recolhimento das multas e acréscimos legais. Assim, neste prumo, temos que o texto do “ex” é cristalino quanto à exigência de a máquina realizar a aplicação de selos vedantes, não levando em nenhum outro momento a interpretação diversa, como forçosamente pretende a recorrente. Vejase: Fl. 328DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10314.008539/200710 Acórdão n.º 3202000.435 S3C2T2 Fl. 319 7 Ex 445 Máquinas automáticas para cortar no comprimento, decapar, aplicar, simultaneamente ou não, terminais conectores e selos vedantes em fios e cabos elétricos com secção máxima de 25mm2, com monitoramento da qualidade da aplicação A máquina deve “aplicar” o que? Terminais conectores e selos vedantes. Notese o uso da conjunção “e”, que necessariamente adiciona os elementos, não sendo ali utilizada a alternativa “ou”. A expressão “simultaneamente ou não” referese à ordem com que as operações devem ser feitas (a aplicação de terminais conectores e a aplicação de selos vedantes), podendo ser de maneira simultânea ou não. De acordo com o Dicionário Aurélio, a palavra “simultâneo” quer dizer “que ocorre ou que é feito ao mesmo tempo ou quase ao mesmo tempo que outra coisa; concomitantemente; tautócrono”. Verificase, portanto, que tal expressão não tem a conotação pretendida pela recorrente, de exclusão de uma função ou de outra, mas tãosomente da indicação de uma ordem de realização das tarefas, que pode ser ao mesmo tempo ou uma após a outra. Por outro lado, descabe também razão à recorrente quando pretende que aos fatos seja aplicada retroativamente a Resolução CAMEX nº. 57, de 20/11/2007. Em seu art. 3º, dispõe a referida Resolução: Art. 3º. Na Resolução CAMEX no 02, de 22 de fevereiro de 2006, publicada no Diário Oficial da União de 24 de fevereiro de 2006: Onde se lê: 8479.89.99 Ex 445 Máquinas automáticas para cortar no comprimento, decapar, aplicar, simultaneamente ou não, terminais conectores e selos vedantes em fios e cabos elétricos com secção máxima de 25mm2, com monitoramento da qualidade da aplicação. Leiase: 8479.89.99 Ex 445 Máquinas automáticas para cortar, decapar e aplicar terminais em fios e cabos elétricos com secção compreendida entre 0,0123 e 6,0mm2, com corte no comprimento programado, com monitoramento da qualidade da aplicação. Acontece que o art. 11 da mesma Resolução estabelece a partir de quando aquela Resolução passa a viger: a partir de sua publicação. Vejase: Art. 11. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação Assim, a nova Resolução não tem efeito retroativo, não se trata, como afirma a recorrente, de uma “continuação da norma anterior”, mas de uma alteração no texto do “ex” até então em vigor, devendo a nova redação passar a viger somente a partir da data da publicação daquela Resolução. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 8 Como o fato gerador reportase a data anterior à vigência da nova Resolução (registro da DI efetuado em 23/07/2007), não se trata de aplicar ao caso a alteração do texto original trazida pela Resolução CAMEX nº. 57, pois, à época dos fatos, encontravase plenamente vigente a Resolução CAMEX nº02, de 22/02/2006, sem alterações. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 330DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002276/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. MATÉRIA NÃO OBJETO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de Recurso Voluntário.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo
contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas
médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os
documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física.
Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar as despesas declaradas.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos na declaração de ajuste os valores pagos pelo
contribuinte a título de pensão alimentícia, desde que em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
O contribuinte comprovou todas as despesas lançadas a título de pensão alimentícia.
Numero da decisão: 2101-001.488
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento em parte ao recurso, para considerar a dedutibilidade do valor das pensões judiciais pagas.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2037; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 76 1 75 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.002276/200796 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.488 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de fevereiro de 2012 Matéria IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente Gilberto de Carvalho Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS COM INSTRUÇÃO. MATÉRIA NÃO OBJETO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de Recurso Voluntário. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física. Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar as despesas declaradas. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos na declaração de ajuste os valores pagos pelo contribuinte a título de pensão alimentícia, desde que em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O contribuinte comprovou todas as despesas lançadas a título de pensão alimentícia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para considerar a dedutibilidade do valor das pensões judiciais pagas. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor de GILBERTO DE CARVALHO foi emitida a Notificação de Lançamento às fls. 4 a 6 verso, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar correspondente ao anocalendário de 2004 (exercício 2005), no valor total de R$ 26.222,29 (vinte e seis mil, duzentos e vinte e dois reais e vinte e nove centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 31 de julho de 2007, perfazendo um crédito tributário total de R$ 54.550,22 (cinquenta e quatro mil quinhentos e cinquenta reais e vinte e dois centavos). As infrações apontadas pela Fiscalização encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 5 (frente e verso). A Fiscalização alega ter havido (i) dedução indevida de despesas médicas, o que resultou na glosa do valor de R$ 6.764,00, por falta de comprovação; e (ii) dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 94.072,41, também por falta de comprovação. Segundo relato da Fiscalização, regularmente intimado, o contribuinte não comprovou as despesas deduzidas. Em 29 de agosto de 2007 foi apresentada Impugnação (fls. 1 e 2), cujas razões e pedido foram assim sintetizados pelo órgão a quo: “ que o impugnante nunca foi intimado a apresentar comprovantes dos valores declarados em sua DIRPF 2005, ano calendário 2004, pois se de fato houvesse sido intimado não haveria razão para não entregar os documentos solicitados, como agora o faz, requer, então, a improcedência do lançamento por insubsistência; em 23/11/2005, em pesquisa feita na internet, o impugnante verificou haver divergências no valor de rendimentos declarados e no valor da dedução de pensão alimentícia judicial, sendo que, Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11543.002276/200796 Acórdão n.º 210101.488 S2C1T1 Fl. 77 3 23/11/2005, encaminhou declaração retificadora acrescentado o rendimento de R$ 499,66 recebido da fonte pagadora Ministério da Educação, não alterado (sic) quaisquer outras informações em sua declaração por estarem corretas, conforme comprovante de rendimentos e planilha demonstrando os descontos mensais em holerite; em relação às despesas médicas, o impugnante junta os comprovantes das deduções efetuadas; junta, ainda, cópia da Declaração de Ajuste Anual, ano calendário 2004, da beneficiária da pensão alimentícia judicial, comprovando os valores informados pela própria Secretaria da Receita Federal.” Ao examinar o pleito, a 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília decidiu pela procedência parcial da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 0332.702, de 20 de agosto de 2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília restabeleceu a dedução com despesa médica no valor de R$ 80,00 e manteve as demais glosas. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 8 de janeiro de 2010, no qual alega, em síntese, que: a) O Relator da decisão a quo extrapolou em sua interpretação do inciso III do artigo 80 do Decreto n.° 3.000, de 1999, ao enfatizar que a comprovação dos serviços médicos prestados restringese ao contribuinte ou seus dependentes, bem como à necessidade de o recibo ou nota fiscal conter o nome completo do prestador dos serviços, o CPF ou CNPJ do prestador, o endereço no qual foram prestados os serviços, a pessoa beneficiária dos serviços e a discriminação do tipo de serviço. Entende que o legislador não estabeleceu, no Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 citado inciso, fosse especificada a pessoa beneficiária dos serviços e nem a discriminação do tipo de serviço. b) O julgador de primeira instância administrativa, baseado em interpretação que não coaduna com o disposto no Capítulo IV do Titulo I do Código Tributário Nacional, glosou: o recibo emitido pelo psiquiatra Ailton Vicente Rocha, no valor de R$ 120,00, sob alegação de que não informa o beneficiário dos serviços. No entanto, sabese que, quando o beneficiário dos serviços coincide com a própria pessoa pagadora, não é comum repetir o nome do beneficiário. os comprovantes do plano de saúde P.H.S Assistência Médica Ltda., no valor de R$ 3.155,76, dos quais foi deduzida apenas a parte concernente ao contribuinte, sob alegação de não ter ficado demonstrado que o impugnante foi o responsável pelo pagamento das despesas. O contribuinte esclarece tratarse de plano de saúde regional, realizado em nome de sua filha Karina Almeida Carvalho (sacado), por tratarse de vinculação empregatícia, somente para obtenção de custo menor de pagamento de plano de saúde, o qual era reembolsado à filha. o recibo emitido pelo dentista Giani Bastos Bandeira, no valor de R$ 3.300,00, também pelo fato de não discriminar o beneficiário do tratamento. Neste ponto, o Recorrente esclarece que os pagamentos foram realizados mensalmente, no valor de 1 salário mínimo mensal, valor esse discriminado no recibo. Complementa que o profissional atendia/atende no consultório localizado na Rua "B", Quadra 16, n° 42, André Carloni – Serra/ES. No tocante à glosa de R$ 94.072,41, relativa a pensão alimentícia descontada na fonte pelo empregador (Ministério da Fazenda), a DRJ exigiu a apresentação da decisão judicial ou acordo homologado judicialmente que estipulou o pagamento da pensão alimentícia. Nesse particular, alega desconhecer outro procedimento utilizado pelo empregador, para efetuar desconto de pensão alimentícia, que não seja por determinação judicial. Argumenta ser inviável obter cópia da determinação judicial no prazo para apresentação de Recurso (30 dias), já que os processos são de aproximadamente 20/30 anos atrás. Apesar dessas alegações, anexa cópia do ofício n° 748/2004, de 12.11.2004, da Juíza de Direito da 1ª Vara de Família de Vitória, determinando a suspensão do desconto relativo à pensão alimentícia de Sylvia Saleme de Carvalho. Acosta ainda aos autos cópia do oficio n° 333/92, de 19.03.92, da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios pelo qual oficiou se o Diretor de Pessoal do extinto Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, a proceder ao desconto mensal de 50% dos seus rendimentos a título de pensão alimentícia fixada nos autos do Processo n° 15.690/91, em nome de Rosalina de Almeida. Pede, ao final, que se admita o Recurso Voluntário nos efeitos suspensivo e devolutivo, requerendo: a) seja decretada a insubsistência da Notificação de Lançamento n° 2005/607.440.171.253.076 e determinado o arquivamento sumário do processo, reconhecendo se as deduções lançadas na sua declaração de imposto de renda anocalendário 2004. b) seja determinado o pagamento da restituição do imposto de renda descontado a maior de seus vencimentos, acrescida de multa e juros legais. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11543.002276/200796 Acórdão n.º 210101.488 S2C1T1 Fl. 78 5 É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Da Glosa de Despesas Médicas. O lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda. Tal dispositivo prevê, in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." No procedimento de fiscalização, a autoridade lançadora está autorizada a exigir a comprovação ou justificação das deduções pleiteadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste, a teor do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, que tem por matriz legal o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). [...]. Sobre a forma como devem ser comprovadas as deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física de ajuste, com despesas médicas, vejamos o que diz o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...] (g. n.) A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília, com fulcro na legislação que rege a matéria, restabeleceu a dedução da despesa declarada com CECOR – Centro de Estudos Ecocardiográficos Ltda., no valor de R$ 80,00. No entanto, manteve as demais glosas de despesas médicas. Vejamos as razões: “ O recibo emitido pelo profissional Ailton Vicente Rocha (fls. 17), no valor de R$ 120,00, não esclarece quem seria a pessoa beneficiária do serviço médico (traz apenas a pessoa responsável pelo pagamento), logo não atendeu os requisitos legais, devendo, então, ser mantida essa glosa. A Nota Fiscal (fls. 18), emitida pelo Centro de Estudos Ecocardiográficos Ltda, comprova gastos de despesas médicas do contribuinte, no valor de R$ 80,00, logo deve ser restabelecida essa dedução. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11543.002276/200796 Acórdão n.º 210101.488 S2C1T1 Fl. 79 7 Os documentos emitidos pela empresa PHS Assistência Médica (fls. 19/30), no valor total de R$ 3.155,76, consta como sacado (sic) a pessoa da Sra. Karina Almeida Carvalho, e como usuários: André de Carvalho e o impugnante. Verificase, então que não ficou demonstrado que o impugnante foi o responsável pelo pagamento das despesas efetuadas, não consta qual tipo de serviço é prestado pela empresa PHS, e nem qual foi a despesa efetuada apenas com o contribuinte, uma vez que André de Carvalho, (sic) não consta como dependente do impugnante, logo deve ser mantida integralmente essa glosa. O recibo emitido pela profissional Giani Bastos Bandeira (fls. 31), no valor total R$ 3.300,00, não esclarece quem seria a pessoa beneficiária do tratamento (traz apenas a pessoa responsável pelo pagamento), e nem o endereço do profissional emitente, logo não atendeu os requisitos legais, devendo, então, ser mantida essa glosa.” Em face das irregularidades acima apontadas, a DRJ em Brasília considerou que os documentos acostados pelo contribuinte não constituíram prova suficiente para firmar a sua convicção quanto à procedência das despesas médicas deduzidas. Tendo em vista que decisão de primeira instância administrativa foi bastante específica no tocante aos requisitos a serem preenchidos pelo contribuinte, para restabelecimento das deduções, examinaremos a seguir se tais requisitos foram cumpridos. a) O recibo emitido pelo profissional Ailton Vicente Rocha (fls. 17), no valor de R$ 120,00, não esclarece quem seria a pessoa beneficiária do serviço médico (traz apenas a pessoa responsável pelo pagamento). O contribuinte limitouse a alegar ser sabido que, quando o beneficiário dos serviços coincide com a própria pessoa pagadora, não é comum repetir o nome do beneficiário. Ocorre que a legislação do imposto sobre a renda admite deduções de despesas feitas com tratamento médico, desde que do próprio contribuinte ou de dependente seu, e isso precisa ficar comprovado. Caso contrário, a dedução é glosada, tal como ocorreu no presente processo, conforme determina o inciso II, in fine, do o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995. Meras alegações não se prestam a fazer prova no processo administrativo fiscal. Ante a glosa feita pela Fiscalização, mantida na decisão de primeira instância, o contribuinte deveria ter trazido aos autos alguma prova que indicasse ser ele próprio ou algum dependente seu o destinatário dos serviços prestados. No entanto, não apresentou qualquer documento que comprovasse o alegado. Por esse motivo, fica mantida a glosa. b) Nos documentos emitidos pela empresa PHS Assistência Médica (fls. 19/30), no valor total de R$ 3.155,76, consta como “sacado” a Sra. Karina Almeida Carvalho, e como usuários: André de Carvalho e o contribuinte. Não ficou Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 demonstrado ser o contribuinte o responsável pelo pagamento das despesas efetuadas, assim como não consta o tipo de serviço prestado nem a despesa individual. Em sua peça recursal, o contribuinte esclarece que os documentos referemse a plano de saúde regional, realizado em nome de sua filha Karina Almeida Carvalho (sacado), por tratarse de vinculação empregatícia, somente para obtenção de custo menor de pagamento de plano de saúde, o qual era reembolsado à filha. Em primeiro lugar, verificase tratarse de dedução com pagamento de plano de saúde conjunto, do qual são beneficiários não só o próprio contribuinte como também pessoa que não é seu dependente. Nestas circunstâncias, para que a despesa do contribuinte com plano de saúde próprio possa ser utilizada como dedução na declaração de ajuste, é necessário haver documento emitido pelo plano de saúde, no qual esteja discriminada a despesa por beneficiário, para que se possa aproveitar como dedução apenas a parte que cabe ao próprio contribuinte. Caso contrário, não há como apurar a sua despesa individual (que pode ser deduzida) e a do outro beneficiário (que não pode ser deduzida). Em segundo lugar, a legislação do imposto sobre a renda restringe as deduções com despesas médicas àquelas cujo ônus tenha sido suportado pelo próprio contribuinte, a teor do que determina o inciso II, ab initio, do parágrafo primeiro do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999, já transcrito. Os recibos apresentados às fls. 19 a 30 foram emitidos em nome de Karina Almeida Carvalho, e não em nome do contribuinte. Se o contribuinte alega reembolsar a titular do plano do valor que lhe cabe no rateio, deve fazer prova do alegado, por exemplo, por meio da apresentação de cópias de cheques nominais ou do seu extrato bancário, no qual conste a transferência do valor para a conta corrente da titular do plano. Sendo assim, além de não comprovar o valor da despesa própria com plano de saúde, o contribuinte não demonstrou ter suportado a despesa correspondente, feita em nome de terceiro, razões pelas quais mantémse a glosa. c) O recibo emitido pelo profissional Giani Bastos Bandeira (fls. 31), no valor total R$ 3.300,00, não esclarece quem seria a pessoa beneficiária do tratamento (traz apenas a pessoa responsável pelo pagamento), e nem o endereço do profissional emitente. Em sua peça recursal, o contribuinte informa o endereço do profissional prestador do serviço. Mas esta medida, por si só, é insuficiente para comprovar a despesa. Para a dedução de despesas médicas, como visto, a legislação do imposto sobre a renda exige que fique comprovado ter sido a despesa feita com tratamento do próprio contribuinte ou de dependente seu. E isto não ficou demonstrado nos autos. Mais uma vez, o contribuinte limitouse a fazer alegações sem suporte em provas. 2. Da Glosa de Despesa com Pensão Alimentícia Judicial Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11543.002276/200796 Acórdão n.º 210101.488 S2C1T1 Fl. 80 9 A despesa com pensão alimentícia judicial declarada pelo Recorrente foi glosada pela Fiscalização, e a glosa foi mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília com base nos seguintes argumentos: “A legislação do Imposto de Renda é bem clara ao permitir somente a dedução das importâncias pagas a título de pensão em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou seja, somente o valor estipulado em juízo está sujeito à dedução na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda. Malgrado o contribuinte ter apresentado o comprovante de rendimentos emitido em seu nome de fl. 15, no qual consta a informação de pagamento de pensão alimentícia no valor de R$ 85.167,50, às beneficiárias Rosalina de Almeida e Sylvia Saleme de Carvalho, bem como a declaração de rendimentos da Sra. Rosalina de Almeida fls. 33/35 e Comprovante de Rendimentos emitido em nome o impugnante, tendo como beneficiária a Sra. Rosalina (fls. 37), a dedução de pensão alimentícia não poderá ser acatada uma vez que não resta comprovado que esse pagamento foi oriundo de determinação judicial ou acordo homologado judicialmente. Deveria o contribuinte ter trazido aos autos a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente que estipulou o pagamento da pensão alimentícia.” Juntamente com o Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou os documentos anexados às fls. 72 e 73 dos autos. Tratase de (i) ordem judicial, no processo n.º 024040.227.345, de suspensão de desconto em folha de pagamento do contribuinte referente a pagamento de pensão alimentícia em favor de Sylvia Saleme de Carvalho, a partir de 12 de novembro de 2004 (fls. 72) e (ii) requisição judicial, no processo n.º 15.690/91, de desconto na folha de pagamento do contribuinte do valor correspondente a pensão alimentícia para André de Carvalho, Karina Almeida Carvalho e Mateus de Carvalho, a ser depositada em conta corrente em nome de Rosalina de Almeida. O documento anexado às fls. 72, que trata de ordem judicial no processo n.º 024040.227.345, determina a suspensão de desconto em folha referente a pagamento de pensão alimentícia em favor de Sylvia Saleme de Carvalho, a partir de 12 de novembro de 2004. Desse documento inferese que, se o Juiz de Direito que atua no processo está determinando a suspensão do pagamento, é porque o pagamento estava autorizado até então. Sendo assim, entendo comprovado o pagamento de pensão alimentícia judicial declarado pelo contribuinte feito a Sylvia Saleme de Carvalho, no valor de R$ 17.340,00 (vide fls. 15). Por esse motivo, entendo que deve ser restabelecida a dedução correspondente. Também o documento anexado às fls. 73, que trata de requisição judicial, no processo n.º 15.690/91, de desconto na folha de pagamento do contribuinte do valor correspondente a pensão alimentícia para André de Carvalho, Karina Almeida Carvalho e Mateus de Carvalho, a ser depositada em contacorrente em nome de Rosalina de Almeida, comprova que a dedução correspondente a R$ 76.732,41, feita pelo contribuinte no ano calendário de 2004 estava amparada em medida judicial. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia judicial. (assinado digitalmente) ________________________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10980.005304/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento de defesa quando o contribuinte não exerce seu direito de apresentar as provas que entende cabíveis para comprovar suas alegações, seja por ocasião da impugnação, seja no momento da interposição do recurso.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente não é suficiente para confirmar a prestação e o pagamento dos serviços.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.557
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 PROCESSO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o contribuinte não exerce seu direito de apresentar as provas que entende cabíveis para comprovar suas alegações, seja por ocasião da impugnação, seja no momento da interposição do recurso. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente não é suficiente para confirmar a prestação e o pagamento dos serviços. Recurso negado.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o contribuinte não exerce seu direito de apresentar as provas que entende cabíveis para comprovar suas alegações, seja por ocasião da impugnação, seja no momento da interposição do recurso. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente não é suficiente para confirmar a prestação e o pagamento dos serviços. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Fl. 59DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.005304/200896 Acórdão n.º 210101.557 S2C1T1 Fl. 60 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 43/55) interposto em 25 de abril de 2011 contra o acórdão de fls. 32/37, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), que, por unanimidade de votos, considerou (i) não impugnado o imposto suplementar de R$ 604,46 e consectários legais, referente à glosa de despesa com instrução; e (ii) procedente a parte impugnada do lançamento, mantendo a cobrança de R$ 3.951,74 de imposto suplementar, com multa de ofício e juros de mora, relativamente a lançamento lavrado em 10 de março de 2008 (fls. 11/15), em decorrência de dedução indevida com despesa de instrução e de dedução indevida de despesas médicas, verificadas no ano calendário de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. CONDIÇÕES. As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovadas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. APRESENTAÇÃO. Cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 32). Fl. 60DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.005304/200896 Acórdão n.º 210101.557 S2C1T1 Fl. 61 3 Não se conformando, o espólio do Recorrente interpôs recurso voluntário pleiteando (i) o cancelamento da decisão da DRJ, em virtude de cerceamento de defesa, determinandose a correta produção probatória, com novo julgamento pela Delegacia; e (ii) sua procedência para o fim de cancelar a glosa com despesas médicas, devidamente comprovadas mediante recibos. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Alega, em síntese, o Recorrente, que (i) preliminarmente, houve cerceamento do direito de defesa em razão do indeferimento do pedido de dilação probatória; e (ii) não houve dedução indevida de despesas médicas. Preliminarmente, sustenta o Recorrente que foi cerceado o direito de defesa do contribuinte, uma vez que foi indeferido o pedido de produção de provas formulado na impugnação, protestando por um novo julgamento de 1ª instância, com a correta instrução probatória. No presente caso, em que pese ao falecimento do Recorrente no curso do processo, verificase que, ainda em sede de impugnação, o contribuinte poderia ter acostado aos autos todos os documentos que reputasse necessários para comprovar a prestação dos serviços e os respectivos pagamentos, o que não feito, nem na primeira oportunidade, nem por ocasião do recurso, interposto por seu espólio. Como aponta a jurisprudência pacífica deste órgão judicante, com a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, instaurase a fase litigiosa do processo administrativo, estabelecendo o artigo 16 do Decreto 70.235/72 que o momento para a apresentação das provas é justamente o do protocolo da impugnação, podendo o contribuinte apresentar outros documentos ainda por ocasião da interposição de eventual recurso ao CARF. Uma das diferenças entre o processo judicial e o administrativo está justamente na produção de provas, podendo o contribuinte, nas ações judiciais, protestar, seja na petição inicial, seja na contestação, pela produção de todas as provas em direito admitidas. No âmbito do processo administrativo, a produção de provas é mais restrita, até pela limitação do procedimento, que não prevê uma fase de instrução tão ampla e detalhada como a de que trata o Código de Processo Civil. Na esfera administrativa, como se disse, o procedimento é mais concentrado, devendo o contribuinte apresentar as provas por ocasião da impugnação e do recurso. Não há portanto que se falar em cerceamento do direito de defesa no presente caso, pois não se pode confundir o não exercício do referido direito com seu cerceamento. Assim, afasto a preliminar suscitada. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.005304/200896 Acórdão n.º 210101.557 S2C1T1 Fl. 62 4 Relativamente à glosa das despesas com fisioterapeuta e dentista, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Cabe mencionar ainda que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer Fl. 62DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.005304/200896 Acórdão n.º 210101.557 S2C1T1 Fl. 63 5 seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Como se extrai dos autos, verificase que a notificação de lançamento foi lavrada em virtude da suposta dedução indevida de despesas médicas relativas aos profissionais Guilherme Lacerda (R$ 3.800,00) e Jaqueline Moraes Sarmento (R$ 10.570,00), no ano calendário de 2005. Sustenta o Recorrente que as declarações de fls. 22/24 seriam suficientes para comprovar os serviços e os pagamentos. Ocorre, todavia, que nem o contribuinte, nem o Recorrente juntaram aos autos documentos que comprovassem os pagamentos. Sequer os recibos foram apresentados. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.005304/200896 Acórdão n.º 210101.557 S2C1T1 Fl. 64 6 Ora, em casos como o presente, em que os valores gastos são expressivos, tenho entendido que o contribuinte deve apresentar outros documentos além de recibos e declarações dos prestadores, como fichas médicas ou odontológicas, agendas do profissional, receitas, exames, notas fiscais de aquisição de medicamentos, extratos bancários para comprovação de saques etc. Como na hipótese dos autos nem os recibos foram apresentados, nem por ocasião da impugnação, nem no momento da interposição do presente recurso, entendo que a referidas deduções não podem ser restabelecidas. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.024695/96-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/1994 a 30/09/1995
AUTO DE INFRAÇÃO VINCULADO A PROCESSO JUDICIAL DEPÓSITO
CONVERSÃO
EM RENDA APROVEITAMENTO
Deve ser computado pela fiscalização, quando da execução do acórdão do
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF
os
depósitos que,
enquanto o processo administrativo estava em julgamento, foram convertidos
em renda da União Federal.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3302-001.386
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher
os embargos de declaração, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação, pela Recorrente, o
Dr. Selmo Augusto Campos Mesquita OAB/
SP 119076.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1994 a 30/09/1995 AUTO DE INFRAÇÃO VINCULADO A PROCESSO JUDICIAL DEPÓSITO CONVERSÃO EM RENDA APROVEITAMENTO Deve ser computado pela fiscalização, quando da execução do acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF os depósitos que, enquanto o processo administrativo estava em julgamento, foram convertidos em renda da União Federal. Embargos Acolhidos.
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Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação, pela Recorrente, o Dr. Selmo Augusto Campos Mesquita OAB/SP 119076. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Relatora. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 1/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10880.024695/9635 Acórdão n.º 330201.386 S3C3T2 Fl. 514 2 EDITADO EM: 26/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Hélio Eduardo de Paiva Araujo e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 406/411 – Vol. II) opostos pelo contribuinte Eldorado S/A Comércio Indústria e Importação, em razão de suposta omissão ocorrida no acórdão nº 20180.058 de fls. 356/363 – Vol. II, que restou da seguinte forma ementada: “PIS/PASEP – SEMESTRALIDADE Aplicação da semestralidade da base para efetuar o cálculo do PIS, sendo certo que a legislação posterior apenas alterou a data de recolhimento da contribuição, e não o sistema da semestralidade. Recurso Provido. ” A Embargante pleiteia o esclarecimento da decisão mencionada por entender que a autoridade administrativa de origem deixou de conhecer valores de crédito. Informa, em seu recurso, que os créditos referentes aos depósitos realizados na Medida Cautelar nº 90.00000955/Ação Ordinária nº 90.00033705, já foram convertidos em renda da União Federal e não foram considerados pela autoridade administrativa de origem em virtude de não ter restado claro que estes são os créditos mencionados na r. decisão Neste sentido, a decisão menciona expressamente que “Fica resguardada à SRF a averiguação da liquidez e certeza dos créditos e débitos compensáveis postulados pela recorrente, devendo fiscalizar o encontro de contas e providenciar, se necessário, a cobrança de eventual saldo devedor.” Registra que o único crédito reconhecido pela administração pública referese ao depósito recursal de 30%. Ainda, pleiteia que o Colegiado se manifeste expressamente sobre a incidência moratória no débito e traz à colação a decisão proferida por este Colegiado nos autos do processo administrativo nº 13807.006416/200197 (fls. 469/478), em que a Embargante também discute acerca do débito de PIS, e requer a declaração de que os créditos relativos aos depósitos judiciais sejam vinculados apenas ao processo em análise. É o relatório. Voto Fl. 514DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 1/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10880.024695/9635 Acórdão n.º 330201.386 S3C3T2 Fl. 515 3 Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora Conforme despacho de fls., o recurso de Embargos de Declaração atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Com razão a Embargante. A simples análise da decisão é suficiente para se verificar que o crédito mencionado na parte final: “Fica resguardada à SRF a averiguação da liquidez e certeza dos créditos e débitos compensáveis postulados pela recorrente,(...)” refere se aos valores depositados nas ações judiciais (Medida Cautelar nº 90.00000955/Ação Ordinária nº 90.00033705). Neste sentido, entendese por débitos os valores autuados contra a Embargante em razão do não recolhimento do PIS neste período e por créditos os valores depositados judicialmente. Claro que a conversão dos valores depositados a título de garantia da instância administrativa (30%) também deve ser considerada para o cálculo do possível saldo credor para o Fisco, pois tem força de pagamento e resulta na extinção do crédito tributário naquele período. Neste diapasão, independente do meio, se houve crédito transferido para o Fisco, ele deve ser computado na aferição de diferenças, diminuindo o débito do auto de infração proporcionalmente. Importa registrar, ainda, que no tocante aos encargos moratórios, estes apenas incidem sobre os débitos não cobertos pelo valor depositado. Isto porque o valor depositado é considerado disponibilizado no momento em que o depósito é realizado e, todos os valores que forem extintos por aquele depósito, àquela época, não sofrem a incidência moratória. Apenas se houver saldo de tributo a pagar é que se deve aplicar a mora. Em relação à solicitação de que fosse declarado que os depósitos judiciais devem ser considerados apenas para este processo administrativo, registro que este Colegiado nos termos do relatório do v. acórdão recorrido (acórdão nº 20180.058 de fls. 356/363 – Vol. II ) conhece, além deste processo (10880.024695/9635), mais dois processos administrativos que tratam desta matéria (13807.006416/200197 e 13807.006417/200131). Conforme se depreende da decisão trazida à colação pela Embargante às fls. 469/478, o processo nº 13807.006416/200197 já teve decisão, tendo sido decidido pelo cancelamento do auto de infração. Desta forma, na hipótese de a decisão proferida no processo 13807.006416/200197 ter transitado em julgado, ou seja, ser definitiva, para o encontro de contas, além do presente auto de infração, deve ser considerado apenas o processo 13807.006417/200131. Importante registrar que o débito deve ser calculado de acordo com a Lei 7/70 e com o critério da semestralidade para cômputo da base de cálculo do PIS. Ante o exposto, admito os Embargos de Declaração apresentados, para o fim de reratificar o acórdão nº 20180.058 de fls. 356/363 – Vol. II, mantendo a conclusão de INTEGRAL PROVIMENTO. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 1/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10880.024695/9635 Acórdão n.º 330201.386 S3C3T2 Fl. 516 4 É como voto. Sala das Sessões, em 25 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 516DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 1/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 17546.001019/2007-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/10/2005
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado
na legislação de regência.
PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO.
Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº
8.212/91.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF,
c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.344
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e II) no mérito, negar provimento aos recursos voluntários.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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JOSÉ LTDA. (SUCESSOR FRIG. MANTIQUEIRA) E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/10/2005 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação tributária, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e II) no mérito, negar provimento aos recursos voluntários. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 17546.001019/200793 Acórdão n.º 2401002.344 S2C4T1 Fl. 371 3 Relatório FRIGORÍFICO CPOS S. JOSÉ LTDA. (SUCESSORA FRIG. MANTIQUEIRA) E OUTROS, contribuintes, pessoas jurídicas de direito privado, já qualificadas nos autos do processo administrativo em referência, recorrem a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Campinas/SP, Acórdão nº 0522.994/2008, às fls. 304/323, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela autuada ao INSS, correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos contribuintes individuais, bem como diferenças de acréscimos legais DAL, em relação ao período de 12/1999 a 10/2005, conforme Relatório Fiscal, às fls. 71/79 e Relatório Fiscal Complementar de fls. 197/200. Tratase de Auto de Infração (antiga NFLD), lavrado em 18/12/2006, contra as contribuintes acima identificadas, constituindose crédito no valor de R$ 4.729,10 (Quatro mil, setecentos e vinte e nove reais e dez centavos). Esclarece o fiscal autuante que da análise dos documentos apresentados durante a fiscalização desenvolvida na autuada, restou constatada a existência de grupo econômico de fato formado entre as empresas FRIGOVALPA COM. E IND. DE CARNES LTDA., FRIGOSEF FRIGORÍFICO SEF DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS LTDA., FRIGORÍFICO MANTIQUEIRA LTDA., FRIGORÍFICO CAMPOS DE SÃO JOSÉ (SUCESSOR DO FRIGORÍFICO MANTIQUEIRA LTDA.), ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIOR ME, TÂNIA PEREIRA LOPES – ME, MONALISA PEREIRA LOPES – ME, consoante se infere do Relatório Fiscal, às fls. 71/79, mais precisamente no item 3, e demais documentos que instruem o processo. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte – FRIGORÍFICO CAMPOS DE SÃO JOSÉ LTDA. – apresentou Recurso Voluntário, às fls. 356/359, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pelo conhecimento de sua peça recursal independentemente da exigência do depósito de 30% da exigência fiscal em comento, em face da inconstitucionalide declarada pelo STF. Após breve relato dos fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, opõese à caracterização de grupo econômico de fato entre as empresas elencadas nos autos, argumentando que não se fizeram presentes os pressupostos legais para tanto, razão pela qual inexiste Grupo Econômico sob qualquer enfoque que se analise a questão, de maneira a autorizar a coresponsabilização pretendida pela autoridade lançadora. Nesse sentido, defende inexistir qualquer premissa fática capaz de suportar referida capitulação, mormente quando as normas legais que tratam da matéria não autorizam a conclusão de existência de Grupo Econômico entre duas ou mais empresas pelo simples fato dos filhos dos sócios trabalharem em pessoa jurídica diversa, sendo necessário, dentre outros requisitos, a convergência dos objetos das pessoas jurídicas com atividades e empreendimentos comuns, sob o controle de uma ou mais empresas. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Assevera que a configuração de grupo econômico não pode se levada a efeito a partir de meras presunções, impondo à fiscalização a comprovação das alegações utilizadas como esteio ao lançamento fiscal, o que não se verifica na hipótese dos autos. Contrapõese à fundamentação da pretensão fiscal em mera instrução normativa (IN SRP n° 03), a qual não tem o condão de suplantar disposições inscritas em leis, também não se prestando a escorar o entendimento da fiscalização a CLT, que estabelece em seu artigo 2°, § 2°, que as disposições ali inseridas serão para os efeitos da relação de emprego. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Igualmente, a empresa André Luiz Nogueira Junior – ME, interpôs Recurso Voluntário, às fls. 361/364, insurgindose contra a caracterização do grupo econômico de fato, repisando os argumentos lançados pela empresa encimada, opondose à decisão recorrida, a qual não adentrou aos argumentos suscitados pela contribuinte em sua defesa inaugural, relativamente a sua não responsabilização pelos débitos ora lançados, impondo seja reformado o decisum guerreado para declarar a sua exclusão do grupo econômico, afastando, consequentemente, sua responsabilidade quanto ao discutido lançamento fiscal. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 17546.001019/200793 Acórdão n.º 2401002.344 S2C4T1 Fl. 372 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE DECISÃO RECORRIDA Preliminarmente, requer a contribuinte André Luiz Nogueira Junior ME a decretação da nulidade da decisão recorrida, por entender que a autoridade julgadora de primeira instância deixou de apreciar parte das alegações inseridas em sua defesa inaugural, especialmente quanto a não caracterização do grupo econômico de fato e consequente responsabilização pelo crédito previdenciário sob análise, em total preterição do direito de defesa da contribuinte. Muito embora a contribuinte lance referida assertiva, não faz prova ou indica qual omissão que o julgador monocrático teria incorrido, capaz de ensejar a preterição do seu direito de defesa. Como se observa do decisum atacado, de fato, a autoridade julgadora não adentrou a todas as alegações suscitadas pela então impugnante. Tal fato isoladamente, porém, não tem o condão de configurar preterição do direito de defesa da contribuinte, mormente quando este não afirma qual teria sido o prejuízo decorrente da conduta do julgador de primeira instância. Ademais, a jurisprudência de nossos Tribunais Superiores, a qual vem sendo seguida à risca por esta instância administrativa, entende que o simples fato de o julgador não dissertar a propósito de todas as razões recursais do contribuinte não implica em nulidade da decisão, especialmente quando a recorrente lança uma infinidade de argumentos desprovidos de qualquer amparo legal ou lógico, com o fito exclusivo de protelar a demanda. A corroborar esse entendimento, cumpre trazer à baila Acórdão exarado pela 5ª Turma do STJ, nos autos do HC 35525/SP, com sua ementa abaixo transcrita: “HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. NEGATIVA DE AUTORIA. NULIDADE DA SENTENÇA. LIVRE CONVICÇÃO MOTIVADA DO MAGISTRADO. ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESSA EXTENSÃO, DENEGADA. [...] 2. O só fato de o julgador não se manifestar a respeito de um ou outro argumento da tese defendida pelas partes não tem o condão de caracterizar ausência de fundamentação ou qualquer outro tipo de nulidade, por isso que não o exigem, a lei e a Constituição, a apreciação de todos os argumentos apresentados, mas que a decisão judicial seja devidamente motivada, ainda que por razões outras (Princípio da Livre Convicção Motivada e Princípio da Persuasão Racional, art. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 157 do CPP). [...]” (Julgamento de 09/08/2007, Publicado no DJ de 10/09/2007) Nesse sentido, basta que o julgador adentre as questões mais importantes suscitadas pelo recorrente, decidindo de forma fundamentada e congruente, para que sua decisão tenha plena validade. No presente caso, extraise da decisão recorrida que, no contexto geral da caracterização do grupo econômico, o julgador de primeira instância foi muito feliz em sua fundamentação, contemplando todas as razões que entendeu pertinentes à manutenção do feito, razão pela qual a simples omissão relativamente a uma ou outra alegação da contribuinte, não tem o condão de macular o decisum. Mais a mais, tratandose de caracterização de grupo econômico de fato, a análise da demanda é procedida de maneira agrupada, contemplando a visão geral das empresas e, bem assim, os fatos isolados que levaram à conclusão fiscal, na forma efetuada pelo julgador de primeira instância. DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO Em suas alegações de recurso, as contribuintes recorrentes pretendem seja afastada a coresponsabilização das empresas do Grupo Econômico de fato, assim caracterizado pela autoridade lançadora, sob o argumento de que inexiste qualquer situação fática ou jurídica capaz de suportar tal entendimento, mormente quando a legislação de regência não permite a caracterização ex ofício de Grupo Econômico pelo simples fato de os filhos de alguns sócios trabalharem para outras empresas, exigindo outros requisitos ausentes na hipótese vertente. Nessa toada, opõese, ainda, à fundamentação da pretensão fiscal em mera instrução normativa (IN SRP n° 03), a qual não tem o condão de suplantar disposições inscritas em leis, não se prestando, igualmente, a escorar o entendimento da fiscalização a CLT, que estabelece em seu artigo 2°, § 2°, que as disposições ali inseridas serão para os efeitos da relação de emprego. A fazer prevalecer seu entendimento, traça breve histórico societário das empresas formadoras do grupo econômico, inferindo que os fatos elencados em sua peça recursal rechaçam de plano a pretensão fiscal, uma vez que referidas pessoas jurídicas não se vinculam ao fato gerador, sendo empresas absolutamente independentes e autônomas. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pelas contribuintes, seus inconformismos, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Autuação e Relatório Fiscal Complementar e, bem assim, na decisão recorrida, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico de fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta. Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, a solidariedade previdenciária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 17546.001019/200793 Acórdão n.º 2401002.344 S2C4T1 Fl. 373 7 Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128 do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “ Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Por sua vez, a Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 265 e 267, nos seguintes termos: “ Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Fl. 376DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Em outra via, o § 2º, do artigo 2º da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o seguinte: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratarse de caracterização de Grupo Econômico, o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto à matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” No presente caso, ao contrário do entendimento da recorrente, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Relatório da Notificação Fiscal, corroborado pelo Relatório Complementar e decisão recorrida. Aliás, esta Egrégia Câmara, por sua 2a Turma Ordinária, já analisou a questão fática ora em debate, relativamente às mesmas empresas e razões de defesa, nos autos do processo administrativos n° 17546.000906/200744, mantendo o Grupo Econômico caracterizado pela fiscalização, nos termos do Acórdão n° 240200.708, da lavra do ilustre Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, de onde vênia para transcrever excerto por bem resumir a situação contemplada nos autos, especialmente quando as peças recursais das contribuintes trazem em seu bojo os mesmos argumentos lançados naquele processo, in verbis: “ [...] Assim é que a questão trazida à ponderação deste Nobre Colegiado cingese exclusivamente na verificação da existência de um grupo econômico de fato, e o que já me adianto, apesar das brilhantes argumentações trazidas pelas Recorrentes, me parece realmente existir. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 17546.001019/200793 Acórdão n.º 2401002.344 S2C4T1 Fl. 374 9 Com efeito, o grupo econômico encontrado pela autoridade fiscal responsável pelo presente lançamento não é exatamente aquele citado nas peças recursais, que tem em vista algo formalmente montado, com participações acionárias e documentos que o externam. Ao contrário daquele, aqui tratase de uma "união" in concreto de várias empresas visando a atuação conjunta no mercado, atuando de forma conglomerada, sendo impossível disfarçar a existência de um interesse comum inerente a essa atuação conjunta, e que acaba por vincular umas as outras. [...] Na esteira do julgado acima transcrito, nítido ressoa que a jurisprudência desta Corte tem sido firme no sentido de que demonstrada uma união entre empresas, controladas e administradas conjunta e unitariamente, de forma que confunde se numa mesma pessoa a administração e o controle interno e a própria atuação de mercado, o Grupo Econômico existirá independente de estar formalizado em documentos próprios. No caso dos autos, não é dificil notar a existência de uma administração comum, já que a mesma pessoa que assina documentos internos de uma empresa (Sr. André Luiz), é proprietário de outra (André Luis Nogueira ME). Por outro lado, verificouse também que o Frigorifico Campos de São José arcava com rescisões contratuais da empresa aqui Notificada, e ainda toda a aquisição de Gado Bovino era exclusivamente realizada por ele, usandose ainda um mesmo nome de fantasia (Distribuidora Mantiqueira II), tudo isso sob a supervisão e administração do Sr. André Luiz, que como constatado pelo autor do lançamento, era quem sempre estava presente nos empreendimentos fiscalizados. É óbvio que tais elementos são típicos de uma relação onde interesses comuns se convergem de tal modo que nos leva a acreditar que um Grupo Econômico existe de fato entre aquelas empresas, e esse interesse que todas demonstradamente nutrem entre si, e a forma integrada que coexistem, traz sim a possibilidade (poder/dever) de aplicação do art. 30, IX da Lei n° 8.212/91, tomando todas responsáveis pelos débitos tributários apurados em qualquer uma delas. Desse modo é que me parece indiscutível que todas as empresa mencionadas pela fiscalização, devem sim responder pelo presente crédito tributário constituído, uma vez que compondo um Grupo Econômico, a responsabilidade solidária atinge a todos que a ele integra. [...]” Verificase, portanto, que o fisco previdenciário não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios ou filhos trabalhando nas diversas pessoas jurídicas, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente elencados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Fl. 378DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 10 Econômico se relacionam e interligam, sendo administrada pela mesma pessoa, coincidindo, ainda, endereços, com evidente confusão patrimonial. Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm, efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos, na forma estipulada no artigo 124, inciso I, do CTN, impondo a manutenção do feito em sua plenitude, não se cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades suscitadas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os tributos ora exigidos e multa aplicada, encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Com efeito, além da exigência dos tributos ora lançados, com os respectivos acréscimos legais, encontrar respaldo na legislação previdenciária/tributária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou Fl. 379DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 17546.001019/200793 Acórdão n.º 2401002.344 S2C4T1 Fl. 375 11 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 12 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 381DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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Numero do processo: 17460.000172/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2006
CONTRIBUIÇÃO DEVIDA PELO EMPREGADOR RURAL PESSOA
FÍSICA. RESPONSABILIDADE POR SUBSTITUIÇÃO DO
ADQUIRENTE, CONSUMIDOR, CONSIGNATÁRIO OU
COOPERATIVA.
A contribuição do empregador rural pessoa física prevista no art. 25 da Lei
8.212/91 pode ser exigida a partir de 11/2001 por estar em consonância com
a EC 20/98, devido a entrada em vigor da Lei 10.256/2001, respeitada a
anterioridade nonagesimal. A empresa adquirente, consumidora ou
consignatária ou a cooperativa são responsáveis por substituição da referida
exação, conforme previsão do art. 30, inciso IV da Lei 8.212/91.
SENAR. GILRAT. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR
INCONSTITUCIONALIDADE.
Visto que as contribuições ao SENAR e ao GILRAT não tiveram sua
inconstitucionalidade expressamente declarada pelo STF, não cabe à
instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade
desses dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE.
Constatada a existência de grupo econômico de fato, não há como ser
afastada a solidariedade imposta pelo artigo 30, IX da Lei nº 8.212/1991.
INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
VALIDADE DAS CARTAS DE CIENTIFICAÇÃO.
Não há cerceamento ao direito de defesa das empresas intimadas a
responderem solidariamente pelo débito, se as Cartas de Cientificação a elas
destinadas permitem o conhecimento do débito lançado, da sua coresponsabilidade,
bem como concede prazo para apresentação de defesa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.805
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão da comercialização da produção rural, nos termos do voto do Redator designado; Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Mauro José Silva.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2006 CONTRIBUIÇÃO DEVIDA PELO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE POR SUBSTITUIÇÃO DO ADQUIRENTE, CONSUMIDOR, CONSIGNATÁRIO OU COOPERATIVA. A contribuição do empregador rural pessoa física prevista no art. 25 da Lei 8.212/91 pode ser exigida a partir de 11/2001 por estar em consonância com a EC 20/98, devido a entrada em vigor da Lei 10.256/2001, respeitada a anterioridade nonagesimal. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são responsáveis por substituição da referida exação, conforme previsão do art. 30, inciso IV da Lei 8.212/91. SENAR. GILRAT. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR INCONSTITUCIONALIDADE. Visto que as contribuições ao SENAR e ao GILRAT não tiveram sua inconstitucionalidade expressamente declarada pelo STF, não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade desses dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. Constatada a existência de grupo econômico de fato, não há como ser afastada a solidariedade imposta pelo artigo 30, IX da Lei nº 8.212/1991. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. VALIDADE DAS CARTAS DE CIENTIFICAÇÃO. Não há cerceamento ao direito de defesa das empresas intimadas a responderem solidariamente pelo débito, se as Cartas de Cientificação a elas destinadas permitem o conhecimento do débito lançado, da sua co responsabilidade, bem como concede prazo para apresentação de defesa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão da comercialização da produção rural, nos termos do voto do Redator designado; Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Mauro José Silva. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Mauro José Silva – Redator Designado MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada em 18/12/2006, em desfavor de SANTA MARINA ALIMENTOS LTDA E OUTROS, face às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, na condição de subrogada da obrigação fiscal, incidentes sobre o produto da comercialização rural adquirida dos produtores rurais pessoas físicas. As contribuições devidas correspondem à contribuição da empresa, à contribuição para financiamento das prestações por acidente de trabalho da empresa e ao SENAR — Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, totalizando o valor de R$ 70.913,98 (setenta mil, novecentos e treze reais e noventa e oito centavos), referente ao período compreendido entre 01/2006 a 02/2006. Segundo consta no Relatório Fiscal de fls. 51/70, o contador da SANTA MARINA ALIMENTOS LTDA, Wilson Roberto Caretta, informou que, no período de janeiro a fevereiro de 2006, a SANTA MARINA atuou no abate de animais bovinos para a empresa FRIGORÍFICO VALE CARNE MD LTDA. No entanto, do que se pode extrair da fiscalização realizada, o FRIGORÍFICO VALE CARNE MD LTDA seria uma empresa simulada, composta por sócios “laranjas” com a finalidade única de sonegação fiscal. Em decorrência do acontecido, a fiscalização passou a considerar o valor dos documentos fiscais apresentados, não mais como resultantes de transações com o FRIGORÍFICO VALE CARNE MD LTDA, mas como comercialização da produção adquirida de produtores rurais – pessoas físicas, imputandolhe, portanto, as contribuições do produto rural pessoa física devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, nos termos do art. 25 da Lei n o 8.212 de 24/07/1991, com a redação e alterações introduzidas pela Lei n o 8.861/94, Medida Provisória no 1.523, de 11/10/96 em seu artigo 10 e reedições posteriores, convertida na Lei nº 9.528 de 10/11/97 e a Lei n o 10.256, de 09/07/2001, na qual a empresa adquirente pessoa jurídica fica subrogada, face o que dispõe o inciso IV, do artigo 30, da Lei no 8.212/91, com a redação da Lei n o 9.528/97. Inconformadas, a ora Recorrente SANTA MARINA ALIMENTOS LTDA e as empresas tidas como integrantes do grupo econômico e responsáveis solidárias pelo débito, JEMA PARTICIPAÇÕES LTDA, AGROPASTORIL ESTEVAM LTDA e M.B.E. COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO DE CARNES LTDA, ofereceram Impugnação de fls. 195/232; 322/369; 469/515 e 601/649, respectivamente, tendo sido proferido acórdão de fls. 738/769, que julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 4 4 A cientificação regular e eficaz de todas as empresas integrantes do grupo econômico permite o exercício pleno do contraditório e ampla defesa. Não se pode aceitar que a simples negativa geral do sujeito passivo, relativamente ao fato constitutivo do lançamento tributário, possa debilitar o procedimento fiscal, se este foi feito com observância das normas administrativas e com perfeita identificação dos elementos que serviram de base para a apuração dos fatos geradores das contribuições lançadas. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As normas inquinadas de ilegais ou inconstitucionais pelo impugnante continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas e nem declarar sua inconstitucionalidade (ou ilegalidade), sob pena de violar o princípio da legalidade, e de invadir competência do Poder Judiciário. SUBROGAÇÃO. PRODUTO RURAL ADQUIRIDO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FISICA. A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e é obrigada a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei n° 8.212/91. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle x subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, direção ou administração. A partir do exame da documentação apresentada pelas empresas, bem como através de outras informações obtidas, é possível, à fiscalização, a caracterização de formação de grupo econômico de fato. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei previdenciária, nos termos do inciso IX do artigo 30 da Lei n° 8.212/91. TERCEIROS. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Não é legal a cobrança, em sede de responsabilidade solidária, de valores correspondentes às contribuições sociais destinadas a outra entidades e fundos, denominados "Terceiros". PEDIDO DE PROVA TESTEMUNHAL. INDEFERIMENTO. Afastada a hipótese de necessidade de realização de diligência para oitiva de testemunhas quando os elementos constantes dos autos fazemse suficientes para a livre formação de convicção e entendimento. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE COMPROVAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo as exceções previstas legalmente. Lançamento Procedente em Parte Irresignada, SANTA MARINA ALIMENTOS LTDA apresentou Recurso Voluntário de fls. 782/821, alegando, em síntese que: a) todos os pretensos créditos previdenciários constituídos após o decurso do prazo de cinco anos, contados da forma prevista no art. 173, I, do CTN, foram alcançados pela decadência; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 5 5 b) o recolhimento da contribuição do produtor rural pessoa física é inconstitucional, inexistindo, portanto a obrigação de recolher os valores referentes a mesma; c) a contribuição ao SENAR também é indevida, tendo em vista que a receita bruta proveniente da comercialização da produção pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, não está sujeita à incidência de contribuição social; d) não é devida a contribuição para o financiamento das prestações por acidente de trabalho da empresa; e) inexiste grupo econômico entre as empresas mencionadas não podendo haver solidariedade entre as mesmas. Ademais, as empresas cientificadas do lançamento, como integrantes do grupo econômico e responsáveis solidárias pelo débito em questão, supramencionadas, também ofereceram Recurso Voluntário de fls. 828/881; 882/934 e 935/989, respectivamente, alegando, em síntese, o mesmo que a SANTA MARINA ALIMENTOS LTDA e, ainda, que a Carta de Cientificação é nula, tendo em vista que houve a violação do direito de defesa das recorrentes, consoante assegurado pela Constituição Federal em seu art. 5°, inciso LV. Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 6 6 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da Decadência Primeiramente, tendo em vista que fora argüida em via recursal a decadência dos débitos compreendidos no presente lançamento, cumpre esclarecer que no caso dos autos é irrelevante o prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos, posto que o período lançado pela fiscalização foi o de 01/01/2006 a 28/02/2006. Desta feita, tendo sido a presente notificação consolidada em 18/12/2006, não há que se falar em decadência para constituição do crédito previdenciário devido. Da inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do produtor rural pessoal física devida por subrogação Alega o contribuinte ser inconstitucional o art. 25 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/1997, visto que instituiu, através de lei ordinária, uma nova fonte de custeio da Seguridade Social não prevista no art. 195 da Carta Magna na redação vigente à época em que a lei foi promulgada, qual seja, a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, o que feriria, portanto, a forma exigida pelo art. 154, I da CF/88, que é a de lei complementar. De início, cabe esclarecer que, apesar de a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerbar sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como de invadir competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, o Regimento Interno do CARF prevê, em seu artigo 62, que é permitido aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, como se observa, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 7 7 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Neste caso, a análise da constitucionalidade, por estar nos mesmos termos da decisão proferida pelo STF, não terá causado decisões conflitantes ou possivelmente adentrado em competência privativa do Poder Judiciário. Pois bem. No caso dos autos, o STF declarou inconstitucionais os arts. 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97, em sede de apreciação do Recurso Extraordinário de nº 363852, transitado em julgado e abaixo transcrito: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) De fato, a redação do art. 195 da Constituição Federal de 1988, anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, era: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidentes sobre: a folha de salários, o faturamento e o lucro; Percebese, da transcrição acima, que a receita bruta não era prevista como base de cálculo da contribuição para a seguridade social e só poderia ser instituída como nova fonte de custeio dessa através de Lei Complementar (arts. 154, I e 195, §4º da CF/88). Ora, o art. 25 da Lei 8.212/91, ao instituir através de lei ordinária, que a contribuição da pessoa física e do segurado especial destinada à Seguridade Social é de 2% e Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 8 8 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, inclusive para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho, fere a regra formal exigida pelo já citado artigo 154, I da Carta Magna. Somente a partir da Emenda Constitucional nº 20/98 passou a ser admitida a instituição por lei ordinária da contribuição previdenciária sobre a receita bruta proveniente da comercialização. Destaquese, contudo, que as normas editadas anteriormente, sem a observância das exigências constitucionais quanto à forma especial de lei complementar, não se convalidam com a alteração na Constituição Federal que passa a admitir a disciplina da matéria por lei ordinária. Isto porque os requisitos de validade e de existência, bem como a compatibilidade de uma norma com o texto constitucional, devem ser analisados de acordo os dispositivos vigentes no momento da sua edição. Se a norma nasce viciada, sempre será inválida, ainda que posteriormente venha a ser introduzido na Constituição dispositivo que dê suporte de validade para a referida norma. Em outras palavras, o vício que fulminava o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528/1997, não foi afastado com a edição da Emenda Constitucional nº 20/1998, o que manteve sua condição de inconstitucionalidade. Assim, sendo inválida a previsão que determinava que a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física e do segurado especial seria a receita bruta da comercialização da sua produção, também foi reconhecida a inconstitucionalidade da norma que determinava, por conseqüência, as obrigações dela decorrentes, como é o caso da obrigação do adquirente de tais produtos de fazer a retenção da contribuição prevista no art. 30, IV da Lei nº 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; No caso dos autos, verificase que o lançamento decorreu da não retenção da contribuição em questão, ora reconhecida como inconstitucional. Diante da declaração de inconstitucionalidade, portanto, deve ser afastado do presente autuação as verbas referentes às contribuições devidas sobre o produto da comercialização rural adquirida dos produtores rurais pessoas físicas. Da contribuição ao SENAR Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 9 9 Alega o contribuinte que a contribuição ao SENAR é indevida, visto que, em acordo com o acima analisado, a receita bruta proveniente da comercialização da produção da pessoa física que explora atividade agropecuária não está sujeita à incidência da tributação previdenciária, não estando, portanto, pelos mesmos motivos, sujeita à incidência da contribuição ao SENAR. A Recorrente pleiteia, em última análise, pela inaplicabilidade do art. 11 do Regulamento do SENAR, Decreto nº 566/92, modificado pelo Decreto nº 790/93, que constitui como renda do SENAR a “contribuição compulsória, a ser recolhida a Previdência Social, de um décimo por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção da pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua” argumentando que sua aplicação entra em choque com a declaração de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do produtor rural pessoal física, acima analisada. Ora, visto que o SENAR não foi objeto de apreciação do Recurso Extraordinário nº 363852, do STF e, portanto, sua inconstitucionalidade não foi declarada e nem sequer discutida no plenário, a decisão acerca de sua inaplicabilidade resultaria, ainda que indiretamente, na afirmação de sua inconstitucionalidade, ficando o tribunal administrativo impedido de apreciar a questão por força de expressa vedação normativa. Aqui, fazse mister explicar que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo Fl. 9DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 10 10 declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Neste diapasão, não sendo possível aos órgãos administrativos reconhecer inconstitucionalidade da contribuição e, portanto, sua inaplicabilidade, resta ao contribuinte cumprir sua obrigação de pagamento do tributo, já que não há respaldo para afastar a incidência das contribuições. Da exigência do GILRAT O contribuinte alega, em iguais termos ao alegado do item anterior, que o GILRAT é indevido, visto que inconstitucional a contribuição previdenciária do produtor rural pessoal física. Tendo o GILRAT diferente fundamentação jurídica, e não tendo sido expressamente declarado inconstitucional pelo STF, fica o Tribunal Administrativo impedido de apreciar a questão por força de expressa vedação normativa, pelos mesmos motivos já abordados no item anterior. Da existência de grupo econômico Insurgemse as Recorrentes contra a autuação promovida pela fiscalização, sob o argumento de que não participam de nenhum grupo econômico, apenas tendo a Santa Marina Alimentos Ltda., em seu quadro societário, como sócia quotista, a empresa Parteco Administração e Participações Ltda. Ademais, alegam que são empresas distintas, com objetivos distintos e com vidas distintas. Ocorre que o AFRFB apresentou Relatório Fiscal (fls. 51/70) bastante completo, no qual narra todos os elementos que motivaram o reconhecimento do grupo econômico, dentre os quais podemos citar: 1) Na escrituração contábil da conta 3201010001 — Arrendamentos, no período de julho de 1998 a setembro de 1999 registram pagamentos a Fl. 10DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 11 11 título de arrendamento das Fazendas Santa Marina I e Santa Marina II creditados à empresa Agropastoril Estevam Ltda; 2) A empresa Agropastoril Estevam Ltda., tinha como sócios Mardo Brito Estevam Junior e Marli Cavalcante Estevam, que se retiraram em 16/11/2004, sendo admitidos no quadro societário da empresa Santa Marina Indústria Alimentícias Ltda., com a participação de R$ 1.780.000,00, o sócio Márcio Brito Estevam que também a administra e representa; 3) Os pagamentos de arrendamentos das Fazendas Santa Marina I e Santa Marina II, a partir de outubro de 1999 até janeiro de 2001 estão lançados em nome da empresa Jema Participações Ltda.; 4) A partir de dezembro de 2005, os pagamentos creditados à empresa Jema Participações Ltda. apontam tratarse de arrendamento de avião, cujo contrato não foi apresentado à fiscalização e apesar das contas do ativo imobilizado da empresa não registrar a propriedade de aeronave, em 21/10/2005 antes do primeiro pagamento de arrendamento (12/12/2005) contabilizou as despesas de manutenção e revisão geral do horimetro da aeronave; 5) As despesas de condomínio do hangar também são pagas pela arrendante, conforme registros contábeis, juntamente com sua manutenção como denunciam os pagamentos das notas fiscais n° 005622 da Conal Avionics Eletricidade Aeronaves, n° 001859 da Construtora Nacional de Aviões e n° 25615 da Planave Aviação; 6) No ano de 2000, na contabilidade da então S.M. Agropecuária Ltda., consta na conta 2102040002 — Santa Marina Indústria Alimentícia Ltda. (fornecedora), lançamentos referente a adiantamento recebido sobre a venda de gado a realizar Santa Maria Ind. Alimentícia Ltda. no valor de R$ 415.590,00 (quatrocentos e quinze mil e quinhentos e noventa reais); 7) A Santa Marina Indústria Alimentícia Ltda., inscrita no CNPJ sob n° 00.001.516/000150, constituída em 22/04/1994, passou a denominarse Frigocharque Santa Marina Ltda., mudando em seguida a razão social para M.B.E. Comércio e Representação de Carnes Ltda., conforme alteração social arquivada na JUCESP sob n° 39.346/018 em 05/03/2001. Em 28/09/2001 a conta 2102040002 — M.B.E. Comércio e Representações Ltda., registra o pagamento de R$ 415.590,00. O conceito de grupo econômico pode ser extraído do senso comum, o qual foi incorporado ao direito positivo através da CLT, cujo art. 1º, §2º dispõe que “sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiver sob a mesma direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis à empresa principal e cada uma das subordinadas”. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 12 12 Tal norma não tem sua aplicação restrita às relações trabalhistas, pois além de ser norma conceitual, que define instituto, possui hierarquia de lei ordinária, suficiente para dispor sobre os conceitos societários. O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, por sua vez, dispõe que “as empresas que integram o grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei”. Por ser norma de natureza tributária, deve ser necessariamente interpretada conforme as disposições do Código Tributário Nacional acerca da solidariedade: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (...). Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Conforme se depreende dos dispositivos acima, a solidariedade somente pode ser imposta àquele que tiver relação com o fato gerador do tributo. Assim também será nos casos em que a responsabilização por solidariedade decorrer da existência de grupo econômico entre as empresas envolvidas, hipótese em que não será suficiente a relação de uniformidade de direção, sendo necessária também a relação da coresponsável com o fato gerador do tributo. Por esta razão é que a responsabilidade de uma empresa pelos débitos previdenciários das demais empresas do grupo econômico depende da existência de seu interesse no fato gerador daquelas contribuições previdenciárias. Sendo a contribuição incidente sobre a folha de salários, deverá se verificar se existe funcionários prestando serviços em comum para as empresas envolvidas; se a contribuição previdenciária incidir sobre a comercialização da produção rural, terá a fiscalização que comprovar que as coresponsáveis também participaram da operação comercial que deu ensejo à tributação. Ora, devidamente fundamentada a consideração de que existe grupo econômico através dos elementos apresentados pelo Relatório Fiscal acima exposto, e de que há solidariedade em vistas da participação das empresas nas operações comercias que deram ensejo à tributação, não cabe qualquer alegação de que foi indevida a colocação das empresas como solidárias, pois enquadradas nos dispositivos legais acima citados. Da alegação de cerceamento de defesa – Carta de Cientificação Fl. 12DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 13 13 As empresas indicadas como solidárias perante a dívida da SANTA MARINA ALIMENTOS LTDA, alegam que os documentos apresentado nos autos, fls. 178/179, 180/181 e 182/183, respectivamente, não têm forma e nem conteúdo para constituí las como solidárias do lançamento em questão, pois não foram acompanhados de nenhum documento probatório dessa solidariedade, sendo, portanto, nulos. Afirmam, assim, que houve violação da garantia do contraditório e da ampla defesa. No entanto, os documentos trazidos aos autos não deixam dúvidas de que se trata de solidariedade e elencam os fundamentos legais para essa caracterização, como se pode verificar abaixo, no extrato retirado na Carta de Cientificação da M.B.E COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO DE CARNES LTDA: Considerando que essa empresa é integrante do Grupo Econômico de fato juntamente com a empresa SANTA MARINA ALIMENTOS LTDA, com sede na Rua Caramuru n2 56, Vila Maristela, CEP: 19.020420, na cidade de Presidente Prudente SP, inscrita no CNPJ sob n2 72.680.201/000125, face ao que dispõe o artigo 749 da Instrução Normativa MPS/SRP n2 03, de 14/07/2005, publicada no D.O.0 n 2 135, de 15/07/2005, seção I, páginas 34/107; Considerando que as empresas integrantes de grupo econômico são responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias, na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n2 8.212/91; Diante disso, cientificamos que fora constituído contra a empresa SANTA MARINA ALIMENTOS LTDA, o crédito fiscal previdenciário no montante de R$ 12.846.197,82 (doze milhões e oitocentos e quarenta e seis mil e cento e noventa e sete reais e oitenta e dois centavos) lançado nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito — NFLD's discriminadas abaixo, nas quais consta como responsável solidária à empresa M.B.E. COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO DE CARNES LTDA, como integrante do grupo econômico. Além disso, as Cartas de Cientificação, ora em questão, deixam claro que é assegurada às empresas do grupo econômico, nas quais estão incluídas a AGROPASTORIL ESTEVAM LTDA, JEMA PARTICIPAÇÕES LTDA e a M.B.E. COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO DE CARNES LTDA, a vista do processo administrativo fiscal e a apresentação de impugnação ao lançamento no prazo de 15 dias, contados da data do recebimento da intimação, permitindo o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. Fica claro, portanto, que não houve, em hipótese alguma, o cerceio da garantia de ampla defesa e do contraditório, alegado pelas empresas. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 14 14 Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 15 15 Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Fl. 15DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 16 16 Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 17 17 Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Da Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para afastar do lançamento os valores referentes ao não recolhimento das contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida dos produtores rurais pessoas físicas fundamentadas nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97, mantendo no lançamento os valores relativos ao GILRAT e destinadas ao SENAR, bem como para determinar que sejam cotejadas as multas previstas no art. 35 em sua redação antiga e atual da Lei 8.212/91, aplicandose a que seja mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, 16 de maio de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 17DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 18 18 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física. Art. 25 da Lei 8.212/91. Substituição tributária do art. 30, inciso IV da Lei 8.212/91. A matriz legal da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é o art. 25 da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Tendo sido criada antes da edição da Emenda Constitucional (EC) 20/98 por lei ordinária, tal exação teve sua constitucionalidade questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que, originalmente, o Texto Magno não previa a receita como fato gerador da contribuição previdenciária a ser criada por lei ordinária. Somente poderia ter sido instituída por Lei Complementar para incidir sobre fato gerador não enumerado no art. 195 da CF. No RE 363.852/MG, julgado em 03/02/2010 e transitado em julgado em 08/06/2011, o plenário do STF enfrentou a questão, tendo concluído o julgamento com as seguintes ementa e decisão Fl. 18DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 19 19 Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. A partir do transito em julgado do RE 363.852, portanto, este Colegiado está autorizado, mas não obrigado, a seguir as conclusões do STF e afastar a legislação declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, em conformidade com o art. 26A, §6º, inciso I do Decreto 70.235/72. Ressaltamos que somente estamos vinculados à jurisprudência do STF oriunda de decisões definitivas de mérito proferidas na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), conforme previsto no caput do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). No caso do RE 363.852/MG não houve o reconhecimento de repercussão geral exigida naquele dispositivo. O STF reconheceu a repercussão geral no RE 596.177 que poderá declarar a inconstitucionalidade do mesmo art. 25 da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 8.540/92, porém tal ação ainda não alcançou a definitividade. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 20 20 Portanto, como dissemos, esse Colegiado pode, mas não está obrigado, seguir as conclusões do RE 363.852. Nossa análise permitenos seguir parcialmente a decisão do RE 363.852 como veremos a seguir. De fato, até a edição da EC 20/98, a exação em comento não poderia ter sido criada por lei ordinária para incidir sobre fato gerador não previsto até então no art. 195 da CF. Nesse aspecto, seguimos a decisão do RE 363.852 para concluir que o art. 25 da Lei 8.212/91 não pode ser aplicado até que lei nova, fundada na EC 20/98, tenha instituído validamente a contribuição. De nossa parte, entendemos que isso ocorreu com a edição da Lei 10.256/2001 que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei 8.212/91 em seu art. 1º. Ainda que a nova lei não tenha repetido ou reeditado os incisos e parágrafos do art. 25 da Lei 8.212/91 de modo a afastar qualquer dúvida sobre a constitucionalidade do dispositivo alterado, se assumíssemos que os incisos e parágrafos restaram excluídos do ordenamento jurídico estaríamos adotando interpretação por demais formalista e que resultaria em prejuízo para o financiamento solidário da seguridade social previsto no caput do art. 195 da CF. Logo, após a entrada em vigor da Lei 10.256/91, respeitada anterioridade nonagesimal, o art. 25 da Lei 8.212/91 passa a estar em harmonia com a EC 20/98. Assim, a partir de 11/2001 a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física pode ser exigida. Eventuais lançamentos anteriores a tal data não podem prevalecer por falta de previsão legal. Outra questão que demos analisar diz respeito à figura do substituto tributário prevista no art., 30, inciso IV da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (..) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) A decisão no RE 363.852 também declarou a inconstitucionalidade de tal dispositivo, no entanto, nesse aspecto, não seguimos a conclusão do julgado. Não vemos qualquer inconstitucionalidade no estabelecimento da hipótese de substituição tributária em si. Se não há obrigação tributária validamente instituída pelo art. 25, não há substituição. Mas após 11/2001, estando a norma do art. 25 da Lei 8212/91 em conformidade com a EC 20/98, não há motivos para que a hipótese de substituição não seja Fl. 20DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000172/200743 Acórdão n.º 230102.805 S2C3T1 Fl. 21 21 aplicada. A inconstitucionalidade da referida substituição tributária só poderia subsistir se ela, em si mesma, estivesse em desacordo com a CF ou com o CTN. O que não é o caso. Assim, a substituição tributária prevista no art. 30, inciso IV da Lei 8.212/91 deve ser acatada a partir de 11/2001. Por fim, é de ser registrado que a ADI 1103 não se relaciona ao caso, pois naquela ação foi julgada a inconstitucionalidade do §2º do art. 25 da Lei 8.870/94 que trata da contribuição do próprio produtor rural pessoa jurídica e não da sua responsabilidade por substituição relacionada com a contribuição do empregador rural pessoa física. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 21DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 13706.005837/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Exercício: 2008
PRAZO.
OPÇÃO. INCLUSÃO RETROATIVA.
Não existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional, sem que seja comprovado o erro de fato.
Numero da decisão: 1801-001.079
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Participou do julgamento Antônio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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OPÇÃO. INCLUSÃO RETROATIVA. Não existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional, sem que seja comprovado o erro de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Participou do julgamento Antônio Carlos Guidoni Filho. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 39DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13706.005837/200813 Acórdão n.º 180101.079 S1TE01 Fl. 37 2 A Recorrente formalizou em 04.08.2008, fl. 01, o Pedido de Inclusão no Simples Nacional, nos seguintes termos A empresa ora citada solicitou opção pelo Simples Nacional, mas não foi processada pelo sistema. Como parte desta missão, a empresa recolheu na condição de ME/EPP os Darf's gerados pelo sistema de pagamento dos tributos (PGDAS), muito embora a empresa possui robusta prova de estar efetivamente enquadrada. Face ao exposto pede a espera e reconsideração, acolhendose a empresa optante pelo Simples Nacional, por ser medida da mais lapidar justiça. Estas alegações foram analisadas no Despacho de fl. 18 onde consta Consulta à Solicitação de Opção, em 15/07/2008, informou que não existia nenhuma solicitação de opção pelo SN, fls. 06. O contribuinte não anexou nos autos nenhum documento que comprove que efetuou opção pelo Simples Nacional para 2007 ou 2008. Não consta no sistema solicitação de opção para 2007 e 2008, conforme Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional, em fls. 17. Considerando que, a princípio, não houve erro de processamento da solicitação de opção; Considerando que a solicitação de opção não foi encaminhada dentro do prazo legal, conforme disposto na Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007; Considerando o exposto acima, INDEFIRO a inclusão no Simples Nacional a partir de 01/07/2007. Cientificada em 08.12.2009, fl. 19verso, a Recorrente apresentou a impugnação em 22.122009, fl. 20, com os seguintes argumentos II – O Direito II.1 Preliminar A empresa ora citada, agendou a opção pelo Simples Nacional em 30/07/2007, produzindo efeitos a partir de 01/07/2007; II. 2 Mérito Como parte desta missão, o contribuinte recolheu na condição de ME/EPP, os DARF'S gerados pelo sistema de pagamentos dos tributos (PGDAS), a partir da competência julho de 2007; formalizado a Opção no Simples Nacional conforme o Termo de Opção pelo Simples Nacional, com data de 30/07/2007(Anexo). III A Conclusão À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o indeferimento reclamado. Termos em que, Pede deferimento Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1228.640, de 25.02.2010, fls. 2526: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13706.005837/200813 Acórdão n.º 180101.079 S1TE01 Fl. 38 3 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL. Não elididos os fatos que deram causa ao indeferimento, a decisão recorrida deve ser mantida. Notificada em 25.03.2010, fl. 27verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.03.2010, fs. 28, com as alegações que se seguem II – O Direito II.1 Preliminar A empresa notificada optou pelo Simples Nacional em 30/07/2007, produzindo efeitos a partir de 01/07/2007, muito embora não é demais c observar que era optante do Simples Federal; II. 2 Mérito Observase que o pedido de opção pelo Simples Nacional, foi realizado dentro do período compreendido entre 01/07/2007 a 20/08/2007, com efeitos retroativos a 01/07/2007. Razão não há para que a peticionante seja desenquadrada do Simples Nacional. Termo da opção do Simples Nacional; Termo de opção do Simples Federal; Extrato do Simples Nacional jul/2007; DAS competência jul/2007. A documentação acima discriminada e acostada juntamente com a presente defesa, tem por escopo comprovar os pagamentos mensais efetuado pela interessada, por intermédio do DAS, confirmado por amostragem, no "Extrato do Simples Nacional" são elementos que também comprovam a intenção de adesão ao Simples Nacional. De acordo com o "Termo de Opção pelo Simples Nacional", acostados nos autos a empresa realizou o seu pedido de ingresso no sistema, sem que haja qualquer noticia de indeferimento desta opção por existência de vedação legal. III A Conclusão Frisese ainda que para ganhar tempo na regularidade da mensagem: "Esta empresa não é optante pelo Simples Nacional" a empresa, cumpriu as exigências "da época", preenchendo no formulário padronizado da Receita Federal "INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL", por não estr disponível no sistema da SRF outros tipos de formulários como por exemplo: "REVISÃO NO ; SIMPLES NACIONAL" OU "REINCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL", portanto, deuse entender que o contribuinte fez o primeiro pedido de inclusão no Simples Nacional, protocolado em 04/08/2008, quando na realidade a empresa agendou a solicitação no ano anterior para que pudesse ser enquadrada no Simples Nacional. Face ao exposto, espera a reconsideração da presente notificação, acolhendo se a empresa optante pelo Simples Nacional, com o acolhimento e provimento da presente defesa, por ser medida da mais lapidar justiça. Termos em que, Pede deferimento É o Relatório. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13706.005837/200813 Acórdão n.º 180101.079 S1TE01 Fl. 39 4 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente afirma que fez a opção nos termos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário, oportunidade em que presta declaração quanto ao não enquadramento nas vedações legais. A opção implica o recolhimento mensal, mediante Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) até o dia 20 do mês subseqüente àquele em que houver sido auferida a receita bruta. Ainda que se trate de situação de inatividade, deve ser entregue anualmente à RFB e declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais a ser disponibilizada aos órgãos de fiscalização tributária e previdenciária, constituindo confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos tributos e contribuições que não tenham sido recolhidos resultantes das informações nela prestadas. Excepcionalmente, para o ano calendário de 2007, a opção poderia ter sido realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1º de julho de 20071. Analisando as provas produzidas nos autos, verificase que em 15.07.2008 não constava nos registros internos da RFB, qualquer solicitação de opção pelo Simples Nacional, fl. 06, tampouco termo de indeferimento, fl. 05, informações esta confirmadas pela Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional emitida em 04.08.2008, fl. 14. Em contrapartida, a Recorrente anexa o Termo de Opção pelo Simples Nacional, fl. 21, onde não consta a data da emissão. Temse ainda como fato que em outra Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional emitida em 12.11.2009, fl. 17, está registrado que a Solicitação de Opção nº 00.02.89.15.09 efetuada em 06.01.2009 foi indeferida “por pendências não resolvidas”. Sobre as alegações da Recorrente inferese que, por si sós, não têm força normativa para afastar a exigência de que a opção pelo Simples Nacional deva ser efetuada por meio da internet. Ademais, não existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional sem que seja comprovado o erro de fato. Como não foram produzidos no processo novos elementos de prova, podese concluir que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não está comprovada. 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 17, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007 e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 . Fl. 42DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13706.005837/200813 Acórdão n.º 180101.079 S1TE01 Fl. 40 5 Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 43DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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