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Numero do processo: 10882.900887/2008-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 08 87 /2 00 8- 79 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900887/200879 Acórdão n.º 9303003.999 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.965, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900887/200879 Acórdão n.º 9303003.999 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900887/200879 Acórdão n.º 9303003.999 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900887/200879 Acórdão n.º 9303003.999 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900887/200879 Acórdão n.º 9303003.999 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900887/200879 Acórdão n.º 9303003.999 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900887/200879 Acórdão n.º 9303003.999 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13819.720518/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 01).
Numero da decisão: 2301-004.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 14/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 01). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Relatório Tratase de recurso voluntário, em face do Acórdão 1538.096, de 21/01/2015, exarado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Salvador (fls. 82 e 83). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 05 18 /2 01 2- 32 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 O lançamento, referente ao anocalendário 2007, foi constituído crédito tributário (imposto suplementar) de R$4.627,40, decorrente de rendimentos omitidos de R$35.183,58, recebidos acumuladamente em ação judicial. Na impugnação, foi argumentado, em síntese, que se trata de diferenças de aposentadoria, isentas do imposto de renda por ser portador de moléstia prevista em lei; e que se ainda assim não fosse, os rendimentos, se tributados de acordo com as tabelas das épocas em que as diferenças questionadas lhe deveriam ter sido pagas, estariam na faixa de isenção. Com esses mesmos argumentos houve a propositura de ação judicial, ajuizada perante Juizado Especial Federal em 29/02/2012 (efls. 17 a 20), na qual é atacada especificadamente a notificação de lançamento 2008/367231367713420, objeto deste processo A DRJ não conheceu da impugnação, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado desse acórdão em 11/02/2015 (fl. 86). 05/03/2015. Em 08/02/2013 foi apresentado recurso voluntário (fls. 91 a 94), sendo afirmando que: (a) não poderia ter havido a improcedência da impugnação, que não foi conhecida; (b) o crédito tributário está suspenso. Pediu a suspensão do crédito tributário e, decorrentemente, que não seja inscrito em dívida ativa da União. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Está correta a decisão recorrida em não apreciar o mérito da matéria objeto da ação judicial. De acordo com a Súmula CARF 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13819.720518/201232 Acórdão n.º 2301004.801 S2C3T1 Fl. 106 3 processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Como relatado, houve a propositura de ação judicial, em 29/02/2012 (efls. 17 a 20), na qual é atacada especificadamente a notificação de lançamento 2008/367231367713420, objeto deste processo. Ressalto que a suspensão ou não do crédito tributário é matéria a ser apreciada na seara judicial, sendo impossível o pronunciamento deste CARF a respeito da matéria, que trata do mérito de questão em que há renúncia à instância administrativa. Conclusão Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000185/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
EMENTA.
DESPESAS DESNECESSÁRIAS E DE TERCEIROS. LIBERALIDADE. DEDUTIBILIDADE.
São indedutíveis para fins de apuração do lucro real as despesas pagas em nome de terceiros, ainda que decorrentes de negócio prévio estabelecido entre as partes, e pagamentos de comissões de sucesso sobre negócios não-realizados.
INDENIZAÇÕES EM CONTRATOS DE ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTOS POR CONTINGÊNCIAS. POSSIBILIDADE.
São dedutíveis pagamentos por contingências que restaram sob discussão quando da negociação de ativos entre empresas pela alienante, no período-base do pagamento e não como ajuste de exercícios anteriores.
PERDAS NAS VENDAS DE CARTEIRAS DE CRÉDITO. VENDA POR VALOR BASTANTE REDUZIDO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis as perdas, ainda que afetem a quase totalidade dos valores, caso não seja comprovada sua realização fora das condições de mercado típicas para essas operações. Propósito negocial legítimo.
RECEITAS FINANCEIRAS. OMISSÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DADOS DECLARADOS. CONFRONTO DIRF VERSUS DIPJ.
Não se pode deduzir, de forma automática, a existência de omissão de receitas por conta do descasamento entre informações de DIRF de fontes pagadoras e DIPJ. Possível descasamento entre períodos de reconhecimento contábil e valores não representam, sem prova irrefutável, omissão de receitas.
DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. ALIENAÇÃO DE ATIVOS. VALORES DE MERCADO E RELAÇÃO ENTRE AS PARTES. A caracterização da distribuição disfarçada de lucros, nos termos do art. 464 do RIR/99, depende da observância de alguns requisitos, dentre eles a venda à pessoa ligada. Como não foi provada a ligação societária entre alienante e alienado, não se aplica o conceito. Além disso, não restou comprovado o valor de mercado que deveria ser considerado.
Lançamento Procedente em Parte
Numero da decisão: 1201-001.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso de Ofício e, no mérito, NEGAR-LHE provimento para manter o crédito tributário nos termos reconhecidos pela DRJ/RIO.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Apelbaum Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los e Ronaldo Apelbaum (Vice-Presidente).
Nome do relator: RONALDO APELBAUM
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 EMENTA. DESPESAS DESNECESSÁRIAS E DE TERCEIROS. LIBERALIDADE. DEDUTIBILIDADE. São indedutíveis para fins de apuração do lucro real as despesas pagas em nome de terceiros, ainda que decorrentes de negócio prévio estabelecido entre as partes, e pagamentos de comissões de sucesso sobre negócios não-realizados. INDENIZAÇÕES EM CONTRATOS DE ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTOS POR CONTINGÊNCIAS. POSSIBILIDADE. São dedutíveis pagamentos por contingências que restaram sob discussão quando da negociação de ativos entre empresas pela alienante, no período-base do pagamento e não como ajuste de exercícios anteriores. PERDAS NAS VENDAS DE CARTEIRAS DE CRÉDITO. VENDA POR VALOR BASTANTE REDUZIDO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis as perdas, ainda que afetem a quase totalidade dos valores, caso não seja comprovada sua realização fora das condições de mercado típicas para essas operações. Propósito negocial legítimo. RECEITAS FINANCEIRAS. OMISSÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DADOS DECLARADOS. CONFRONTO DIRF VERSUS DIPJ. Não se pode deduzir, de forma automática, a existência de omissão de receitas por conta do descasamento entre informações de DIRF de fontes pagadoras e DIPJ. Possível descasamento entre períodos de reconhecimento contábil e valores não representam, sem prova irrefutável, omissão de receitas. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. ALIENAÇÃO DE ATIVOS. VALORES DE MERCADO E RELAÇÃO ENTRE AS PARTES. A caracterização da distribuição disfarçada de lucros, nos termos do art. 464 do RIR/99, depende da observância de alguns requisitos, dentre eles a venda à pessoa ligada. Como não foi provada a ligação societária entre alienante e alienado, não se aplica o conceito. Além disso, não restou comprovado o valor de mercado que deveria ser considerado. Lançamento Procedente em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
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secao_s : Primeira Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso de Ofício e, no mérito, NEGAR-LHE provimento para manter o crédito tributário nos termos reconhecidos pela DRJ/RIO. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (documento assinado digitalmente) Ronaldo Apelbaum Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los e Ronaldo Apelbaum (Vice-Presidente).
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DESPESAS DESNECESSÁRIAS E DE TERCEIROS. LIBERALIDADE. DEDUTIBILIDADE. São indedutíveis para fins de apuração do lucro real as despesas pagas em nome de terceiros, ainda que decorrentes de negócio prévio estabelecido entre as partes, e pagamentos de comissões de sucesso sobre negócios não realizados. INDENIZAÇÕES EM CONTRATOS DE ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTOS POR CONTINGÊNCIAS. POSSIBILIDADE. São dedutíveis pagamentos por contingências que restaram sob discussão quando da negociação de ativos entre empresas pela alienante, no período base do pagamento e não como ajuste de exercícios anteriores. PERDAS NAS VENDAS DE CARTEIRAS DE CRÉDITO. VENDA POR VALOR BASTANTE REDUZIDO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis as perdas, ainda que afetem a quase totalidade dos valores, caso não seja comprovada sua realização fora das condições de mercado típicas para essas operações. Propósito negocial legítimo. RECEITAS FINANCEIRAS. OMISSÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DADOS DECLARADOS. CONFRONTO DIRF VERSUS DIPJ. Não se pode deduzir, de forma automática, a existência de omissão de receitas por conta do descasamento entre informações de DIRF de fontes pagadoras e DIPJ. Possível descasamento entre períodos de reconhecimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 01 85 /2 00 8- 37 Fl. 767DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.000185/200837 Acórdão n.º 1201001.488 S1C2T1 Fl. 748 2 contábil e valores não representam, sem prova irrefutável, omissão de receitas. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. ALIENAÇÃO DE ATIVOS. VALORES DE MERCADO E RELAÇÃO ENTRE AS PARTES. A caracterização da distribuição disfarçada de lucros, nos termos do art. 464 do RIR/99, depende da observância de alguns requisitos, dentre eles a venda à pessoa ligada. Como não foi provada a ligação societária entre alienante e alienado, não se aplica o conceito. Além disso, não restou comprovado o valor de mercado que deveria ser considerado. Lançamento Procedente em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso de Ofício e, no mérito, NEGARLHE provimento para manter o crédito tributário nos termos reconhecidos pela DRJ/RIO. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Presidente (documento assinado digitalmente) Ronaldo Apelbaum – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los e Ronaldo Apelbaum (VicePresidente). Fl. 768DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.000185/200837 Acórdão n.º 1201001.488 S1C2T1 Fl. 749 3 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto decorrente de acórdão prolatado pela DRJ/Rio, que julgou procedente em parte o lançamento, anulando a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e mantendo parcialmente os ajustes nas bases de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL descritas. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: “Trata o presente processo de exigência fiscal formulada contra a interessada acima identificada, por meio dos autos de infração abaixo caracterizados, todos referentes ao anocalendário 2004. Conforme o termo de verificação fiscal — TVF (fls. 3 8 1/3 9 2), bem assim a descrição dos fatos contida nos autos de infração, a ação fiscal verificou as ocorrências relatadas adiante e que resultaram nos lançamentos acima detalhados, cuja ciência à interessada se deu em 05/06/2008. Inconformada, a contribuinte interpôs, em 04/0 7/2 0 0 8, a impugnação de fls. 464/555, na qual apresenta as alegações de mérito também sintetizadas abaixo. Todas as infrações ensejaram o lançamento do imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL). Apenas dos fatos narrados no item 2 a seguir resultou a exigência da contribuição para o programa de integração social (PIS) e da contribuição para o financiamento da seguridade social (Cofins). 1. Dedução indevida de despesas Intimada a comprovar a efetivação e a necessidade de despesas em valores iguais a R$ 443.441,25 e R$ 480.960,16, a interessada apresentou, quanto ao primeiro valor, (i) a nota fiscal de fls. 97, de emissão da ConsultoTec Consultoria Técnica Ltda (doravante CTCT) e referente a serviços de consultoria tributária, e (ii) o comprovante de depósito bancário Fl. 769DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.000185/200837 Acórdão n.º 1201001.488 S1C2T1 Fl. 750 4 fls. 99, coincidente em valor com a despesa lançada. Quanto a segunda despesa, a defesa informou se tratar de honorários devidos ao banco BES Investimento do Brasil S.A (doravante BESIB), conforme documentos de fls. 98 e 100/126, afetos à prestação de serviços de "assessoria e consultoria técnica e mercadológica". Ante os fatos, a fiscalização concluiu pela indedutibilidade de ambas as despesas, no total de R$ 924.401,41, na forma narrada nos subitens 1.7 e 1.8 do TVF, que, sinteticamente, dizem respeito (i) à ausência de contrato e outros elementos que discriminassem e comprovassem a efetiva prestação de serviço pela CTCT e (ii) ao caráter de liberalidade do pagamento feito ao BESIB, em face dos dispositivos contratuais que regravam a denominada "comissão de sucesso" do negócio firmado entre as partes. A autuação foi, então, fundamentada nos art. 249, I, 251, § único, 299 e 300 do Decreto n.° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99), ficando a infração descrita como "custos ou despesas não comprovadas". Na peça de defesa, a interessada ataca a infração autuada alegando: > que, como em 2004 ela não dispunha de departamento jurídico, a despesa com a consultoria jurídica prestada pela CTCT era necessária e essencial, pois "toda e qualquer empresa necessita que sejam prestados serviços jurídicos para assegurar a perfeita consecução do seu objeto social"; > que a efetividade dos serviços prestados pela CTCT pode ser demonstrada por diversos documentos acostados aos autos, tais como: relatório de processos judiciais (fls. 155/157) e administrativos (fls. 170/177) coordenados pela contratada; recursos voluntários (fls. 158/161 e 162/166) no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF) preparados pela consultoria; e correspondência (fls. 178) enviada pela mesma encaminhando pegas de outro processo administrativo que também patrocinava; > que é possível constatar que a despesa com os serviços da CTCT encontrase devidamente consubstanciada na nota fiscal n.° 000514 de fls. 97; > que o feito fiscal apoiouse em meros indícios, sem a produção de nenhum documento que embasasse suas acusações, mas apenas desqualificando as informações registradas na contabilidade da impugnante, conduta que se opõe (i) a presunção em favor do contribuinte, contida nos §§ 1° e 2 0 do art. 9 0 do Decretolei n.° 1.598/77 e (ii) a necessidade de elemento seguro de prova para o lançamento impugnar esclarecimento prestado pela fiscalizada, como determina o art. 79, § 1 0 , do Decretolei n.° 5.844/43; Fl. 770DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.000185/200837 Acórdão n.º 1201001.488 S1C2T1 Fl. 751 5 > que sua relação com a CTCT está de acordo com o art. 104 do Código Civil, não sendo crivei conceber a glosa de despesas unicamente em razão da ausência de contrato escrito entre as partes; > que, quanto aos honorários pagos ao BESIB, não houve qualquer ato de liberalidade, mas o estrito cumprimento de uma obrigação pactuada, conforme o contrato de fls. 100/105; > que o BESIB foi contratado para prestar consultoria financeira, identificando e apresentando potenciais investimentos hoteleiros no Brasil, e que tais serviços foram efetivamente prestados, conforme demonstram os documentos de fls. 179/239, notadamente as apresentações em PowerPoint; e > que, embora dispusesse de todas as informações e subsídios que lhe permitiriam concretizar o negócio, por questões de ordem "estritamente negocial", optou por não adquirir o imóvel em questão, fato que reputa insuficiente para tornar indevida a contraprestação pelos serviços que lhe foram prestados. 2. Omissão de receita de aplicações financeiras A fiscalização intimou a interessada a esclarecer a razão da divergência de R$ 4.747.169,47 entre o valor da receita financeira informada pelos bancos em suas declarações de imposto de renda retido na fonte (DIRF) e aquele constante da declaração de rendimentos (DIPJ) do mesmo anocalendário 2004. Em resposta, a interessada apresentou a planilha de fls. 142 e informou que: (a) utilizou o regime de competência para o reconhecimento das sobreditas receitas, com amparo do art. 187, § 1° da Lei n.° 6,404176 (LSA), bem assim dos art. 20 e 30 , § Ai 0 , da Lei n.° 9.718/98, para a apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins; e (b) para fins de retenção do imposto de renda na fonte, as instituições financeiras seguiram o comando da IN n.° 25101, em seu art. 1°, incisos I e II. Confrontando a planilha apresentada com os registros contábeis e as DIRF, o auditor afirmou ter encontrado diferença na rubrica "receitas de aplicações financeiras" que totaliza, conforme a tabela de fls. 383, um valor não tributado igual a R$ 3.501.645,16. Sobre esse montante, foi feito o lançamento com amparo nos art. 247, 248, 251, § Orlin, 277, 288 e 373, todos do RIR/99, sob o titulo de "omissão de receitas financeiras". Como decorrência, o autuante lavrou autos de infração reflexos com lançamentos de PIS e Cofins, na forma descrita ás fls. 391. 0 enquadramento legal para o PIS foi a Lei n.° 10.637/02, art. 1°, 3° e 4° e, para a Cofins, os art. 2°, II e § Orlin, 3 0 , 10, 22, e 51 do Decreto n.° 4.524/02 e art. 1 0 , 3° e 5° da Lei n.° 10.833/03. Impugnando os lançamentos, a interessada afirmou que a legislação adota o regime de competência para a tributação do Fl. 771DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.000185/200837 Acórdão n.º 1201001.488 S1C2T1 Fl. 752 6 resultado das empresas, mas que as instituições financeiras estão obrigadas pelos art. 17 e 19 da IN SRF n.° 25/01 a efetuar a retenção na fonte do imposto de renda sobre os rendimentos financeiros pelo regime de caixa. Por essa razão, seria inadequada a comparação entre os rendimentos oferecidos 6 tributação pelo contribuinte e os informados em DIRF pela fonte obrigada a reter o imposto. 3. Apropriação indevida de despesas Intimada a comprovar os lançamentos contábeis de R$ 17.848.492,02 e R$ 28.000.000,00, ambos sob a rubrica "Indenizações BBDC", a interessada informou tratarse de indenizações pagas ao Bradesco S.A (doravante BBDC) em razão de perdas incorridas pelo Banco Boavista Interatlántico S.A (doravante BBIA) e suas subsidiárias, vendidas pela interessada ao indenizado em 2000. Juntou os recibos de fls. 138/140. Reintimada a detalhar a operação, a interessada entregou cópia do contrato de "Promessa de Integração Empresarial e Outros Pactos" (fls. 240/288) e de demonstrativo dos desembolsos efetuados em favor do BBDC. Solicitada a apresentar os comprovantes originais das movimentações acima de R$ 700.000,00, a interessada respondeu que os mesmos estavam em poder do BBIA e que este era empresa do grupo Bradesco. Analisando o referido contrato, o auditor observou: > que o BBDC incorporou todas as ações de emissão do BBIA, transformando este em sua subsidiária integral em 29/09/2000. Em contrapartida, a interessada, adquiriu 6,5064% das ações ordinárias e 6,5064% das ações preferenciais do BBDC; > que as ações de BBDC destinadas á interessada foram consideradas a preço de mercado, que era equivalente a duas vezes o seu valor patrimonial contábil; e > que a interessada se comprometeu a indenizar o BBDC por perdas oriundas do BBIA e subsidiárias. A conclusão da fiscalização foi que as despesas deduzidas não pertenciam 6 interessada, mas ao banco BBIA. Considerou, então, que a apropriação de tais despesas afrontou o que dispõem o art. 273 do RIR/99, o art. 123 do Código Tributário Nacional (CTN) e o § 1° do art. 186 da LSA, ante os quais deveriam ter sido contabilizadas como "Ajustes de Exercícios Anteriores" e não como despesas apropriadas no anocalendário de 2004. A infração foi tipificada, para fins de IRPJ, como "adições não computadas na apuração do lucro real — custo/despesa indedutivel", com fulcro no art. 249, I, do RIR/99. Para o lançamento de CSLL desta infração, bem como das descritas nos itens 1 e 2 acima, a autoridade administrativa empregou o enquadramento legal composto pelos seguintes dispositivos normativos: art. 2° da Lei n.° 7.689/88, art. 1° da Lei n.° 9.316196, art. 28 da Lei n.° 9.430/96 e art. 37 da Lei n.° 10.637/02. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.000185/200837 Acórdão n.º 1201001.488 S1C2T1 Fl. 753 7 A interessada recorreu da autuação argumentando que é uma holding, participando de outras sociedades e administrando recursos próprios ou de terceiros, e que em 29/09/2000 transferiu ao BBDC a totalidade das ações de emissão do BBIA e de suas subsidiárias. Acrescentou que, em razão de "inúmeras contingências de natureza fiscal, trabalhista, civil, comercial, dentre outras, (...) discutidas por meio de processos administrativos e ou judiciais" comprometeuse a indenizar o adquirente pelas perdas que poderiam ser incorridas, obrigações "de vital importância e de extrema necessidade" à celebração do negócio e que lhe permitiu receber "uma quantidade de ações de emissão do Banco Bradesco S/A muito superior àquela que teria recebido se não as houvesse assumido". A interessada frisou, ainda: > que o aludido negócio se deu "no estrito cumprimento de seu objetivo social"; > que os pagamentos das indenizações efetivamente ocorreram e são fato incontroverso, posto que não contestado pela fiscalização; > que tais despesas preenchem os requisitos de necessidade e normalidade na forma do art. 299 do RIR/99; > que a assunção da obrigação de indenizar também propiciou a oportunidade de auferir receitas que foram devidamente submetidas tributação, na forma de juros sob capital próprio e ganho de capital quando da alienação das ações adquiridas; > que, no curso da auditoria, apresentou contratos de compra e venda de outras empresas — Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros Boavista S.A (doravante CSCFB) e Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros Interatlântico S.A (doravante CSCFI) —, dos quais também constavam cláusulas de indenização; e > que, se deixasse de cumprir as obrigações contratuais assumidas, estaria sujeita à propositura de inúmeras ações cíveis pelo BBDC, o que, além de constrangimento, acarretaria um desembolso significativo para o pagamento de honorários advocatícios, encargos moratórias, etc, que certamente seriam despesas dedutíveis. 4. Perdas em alienações de participagões societárias Intimada justificar os lançamentos contábeis registrados na rubrica "Perdas de Capital", em valores iguais a R$ 1.986.581,87 e R$ 3.247.817,75, a interessada informou que a primeira perda foi decorrente da venda à Bradesco Seguros S.A (doravante BDCS) da totalidade das ações da CSCFB, realizada em 25/06/2004 pelo valor de R$ 4.111.000,00, sendo que o patrimônio líquido da alienada, em balanço datado de 24/06/2004, era de R$ 6.097.581,87. Já a segunda perda, está relacionada com a venda, em 25/06/2004, de créditos financeiros Fl. 773DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.000185/200837 Acórdão n.º 1201001.488 S1C2T1 Fl. 754 8 oriundos da CSCFI à empresa Alvorada Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros S.A (doravante ACSCF) pelo valor de R$ 2.000.000,00, sendo que o valor liquido dos créditos era de R$ 5.370.854,94. Partindo da consideração de que (i) o BBDC detém o controle da BDCS e é ligado 6 ACSCF, bem assim de que (ii) as adquirentes também são ligadas é interessada, o auditor concluiu, amparado pelos art. 464 e 465 do RIR/99, que houve distribuição disfarçada de lucros. Apurando o valor das alienações, o auditor chegou ao montante de R$ 6.097.581,87 para a CSCFB, com base no art. 123, I e II, do RIR/99 e nos art. 45, § 1°, e 167, II, da LSA, e a R$ 70.532.090,08 para os créditos financeiros da CSCFI, com base no valor real do investimento na data da venda, ante a falta de avaliação de mercado pela alienante. Ato continuo, a fiscalização adicionou as diferenças em relação aos valores praticados pela interessada, ou seja, R$ 1.986.581,87 e R$ 68.532.090,08, ao resultado do exercício, efetuando a autuação de "distribuição disfarçada — alienação de bem por valor notoriamente inferior ao de mercado — pessoa jurídica ligada". Enquadrou, para o IRPJ, nos art. 247, 249, II, 464, I, 465, 466 e 467, I, todos do RIR/99, e, para a CSLL, nos art. 60 da Lei n.° 9.532/97 e no art. 37 da Lei n.° 10.637/02. lrresignada, a interessada clamou (i) pela inexistência dos requisitos necessários á configuração da presunção de distribuição disfarçada de lucros e (ii) pela correta recomposição do resultado. Para a interessada, a suposta distribuição de lucros ficou descaracterizada porque não houve negócio envolvendo pessoas jurídicas ligadas, já que, no curso do anocalendário 2004, deixou de deter qualquer participação no capital do BBDC, fato que não teria sido observado pela fiscalização, assim como o referido banco jamais foi sócio, acionista, controlador ou administrador da impugnante e nem estiveram ambas sob o comando de uma administração comum. Acrescentou, que, ainda que figurasse no rol de acionistas do BBDC em 2004, não seria o caso de distribuição disfarçada de lucros, mas de um mero aporte de capital da sociedade investidora na sociedade investida, o que não seria vedado pela legislação de regência. Sobre a acusação fiscal de que as negociações se processaram por valores notoriamente inferiores aos de mercado, a interessada ponderou que a fiscalização não produziu qualquer documento apto a comprovar o valor de mercado dos ativos alienados, limitandose ao valor contábil dos mesmos. Quanto à recomposição da base de cálculo do lançamento, a interessada observou que, a fiscalização, ao afirmar, por um lado, que a perda de capital ocorrida não correspondeu à R$ 3.247.817,75, mas à R$ 68.532.090,08, e, por outro, que o lucro Fl. 774DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.000185/200837 Acórdão n.º 1201001.488 S1C2T1 Fl. 755 9 líquido deveria ser adicionado dos mesmos R$ 68.532.090,08, produz um efeito fiscal igual ao primeiro valor e não ao segundo, como pretendeu induzir no auto de infração. A decisão da DRJ/Rio foi prolatada com as seguintes premissas: i) são dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL as despesas com pagamentos de indenizações ao Banco Bradesco S/A, datados de 18.02.2004 e 03.09.2004, nos valores de RS 17.848.492,02 e R$ 28.000.000,00, respectivamente, em razão de perdas incorridas pelo Banco Boavista Interatlantico S/A (BBIA) e suas subsidiárias, nos termos do Instrumento Particular de Promessa de Integração Empresariais e Outros Pactos, de 07.07.2000; (ii) não ha que se cogitar a hipótese de distribuição disfarçada de lucros no presente caso, na medida em que não houve a comprovação de que os valores das operações de alienação da participação na Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros Boavista (CSCFB) e da carteira de créditos financeiros obtida junto ã Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros Interatlantico (CSCFI) foram praticados em montantes substancialmente inferiores aos de mercado, alem do que a Impugnante não poderia distribuir lucros ao Banco Bradesco S/A, eis que "não consigo vislumbrar um acionista distribuindo lucro companhia na qual detém participação"; (iii) não restou caracterizada a omissão de receitas decorrentes de aplicações financeiras mantidas perante o BES Investimento do Brasil S/A e o Banco Bradesco S/A, na medida em que "isoladamente, a divergência entre o valor dos rendimentos de aplicações financeiras informados em DIPJ pelo contribuinte e aquele declarado pela instituição financeira em DIRE não caracteriza omissão de receita, sendo necessário para tal o cotejo entre os informes de rendimento e a escrituração fiscal De outro lado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro acabou por julgar procedente o restante do lançamento efetuado na autuação, posto que: (i) as despesas pagas pela Impugnante, a titulo de remuneração pelos serviços pro fissionais jurídicos prestados pela sociedade ConsultoTec Consultoria Técnica Ltda, revelamse desnecessárias, na medida em que os serviços em questão foram prestados ao Banco Boavista Interatlantico S/A; e (ii) os pagamentos feitos ao BES Investimento do Brasil S/A configuram atos de mera liberalidade da Impugnante, sendo, portanto, devida a glosa pretendida pela Fiscalização Federal. Por unanimidade de votos, foi julgado IMPROCEDENTE o lançamento efetuado e PROCEDENTE EM PARTE a redução de oficio de R$ 924.401,41 do prejuízo fiscal acumulado até 31.12.2004. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.000185/200837 Acórdão n.º 1201001.488 S1C2T1 Fl. 756 10 O Impugnante afirmou que, embora não tenha concordado com os termos da decisão de 1ª instância administrativa quanto à parte em que foi julgado procedente o lançamento efetuado na autuação, não interpôs Recurso Voluntário e pugna pela confirmação do acórdão da DRJ. Foi interposto Recurso de Ofício e os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ronaldo Apelbaum, Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. DESPESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO NÃO COMPROVADAS – INDEDUTIBILIDADE Conforme depreende do Termo de Verificação Fiscal, o Fisco entendeu que o sujeito passivo incorreu em despesas com prestação de serviço nos montantes de R$443.441,25 e R$480.960,16, as quais não foram comprovadas a necessidade e, portanto, foram consideradas indedutíveis. Assim dispõe o art. 299 do RIR/99 quanto às despesas dedutíveis para o IRPJ: Art.299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias a atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. §2°As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Devese analisar em separado cada despesa para que seja avaliada sua necessidade. No caso, foram pagos à ConsultoTec o montante de R$443.441,25, referente à contraprestação dos serviços efetuados pela empresa, objeto da Nota Fiscal n°514, emitida em 06/04/2004. Já a quantia de R$480.960,16 se refere a pagamento de honorários do Banco BES Investimento do Brasil S/A, conforme recibo emitido em 30/11/2004 nos termos do Fl. 776DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.000185/200837 Acórdão n.º 1201001.488 S1C2T1 Fl. 757 11 contrato firmado em 11.03.2003, tendo por objetivo, entre outros, a prestação de serviços de assessoria e consultoria técnica e mercadológica. A decisão de primeira instância, entendeu que a despesa paga à ConsultoTec é notoriamente desnecessária, tendo em vista que não houve serviço prestado à Fiscalizada. O que ocorreu, na verdade, foi uma prestação de serviços da ConsultoTec para o Banco Boavista Interatlântico e não à Autuada. Entendo que, nesse caso, não seria ausência de necessidade, mas sim ausência da própria despesa, ou seja, aquele gasto não foi relativo a um esforço que contribuiu para as atividades da Autuada, e sim para terceiros. O valor pago ao Banco BES Investimento do Brasil S/A, por sua vez, se mostra como mera liberalidade do Fiscalizado, isto porque o valor apenas seria devido ao banco caso o negócio celebrado entre as eles fosse efetivado, o que não ocorreu. Dessa forma, entendo que agiu corretamente a fiscalização ao autuar tais valores como deduções indevidas, razão pela qual voto por mantêlas. OMISSÃO DE RECEITA DE APLICAÇÃO FINANCEIRA Quanto essa questão, a fiscalização autuou o sujeito passivo por encontrar divergências entre os valores de receita financeira informados na DIPJ e os valores informados na DIRF das instituições financeiras. A Fiscalizada informou na sua DIPJ o montante de R$2.624.167,90 identificado como “outras receitas financeiras”, com destaque para o registro constante da rubrica “Rendimentos de Aplicações Financeiras”. A Fiscalizada, então, foi intimada a esclarecer a divergência entre o valor de sua DIPJ e o valor informado pelas instituições financeiras que atingiu o montante de R$4.747.169,47. Em resposta, a Fiscalizada esclareceu que utilizou o regime de competência para o reconhecimento das mesmas, mas que as instituições financeiras estão obrigadas pelos art. 17 e 19 da IN SRF n.° 25/01 a efetuar a retenção na fonte do imposto de renda sobre os rendimentos financeiros pelo regime de caixa. No entanto, Fisco encontrou um valor não tributado igual a R$ 3.501.645,16, razão pela qual lavrou Auto de Infração quanto esses valores sob o título de “omissão de receitas financeiras”, lavrando Autos de Infração reflexos de PIS e COFINS. Conforme consta da Impugnação, a Interessada afirma que sempre haverá divergências entre o valor informado em DIPJ e em DIRF, tendo em vista o regime de contabilidade adotado, ou seja, regime de competência na primeira e regime de caixa na segunda. No entanto, como muito bem explicou o Relator da primeira instância, a alegação do Impugnante é parcialmente verdadeira, “pois se há retenções de imposto de renda na fonte (IRRF) por ocasião do resgate, saque, vencimento, etc., há, também, aquelas efetuadas periodicamente. Ou seja, a incidência do IRRF depende de norma especifica, que, conforme o tipo de aplicação financeira, imporá tratamento particular ao caso”. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.000185/200837 Acórdão n.º 1201001.488 S1C2T1 Fl. 758 12 Assim, a divergência apontada pelo Fisco não é necessária para configurar a infração tributária. Para que esse indício de infração tributária fosse concretizado, a fiscalização deveria se debruçar e aprofundar tais alegações, a fim de consolidálas. O que não foi feito. De fato, é função do Contribuinte manter sua escrituração contábil apta a atestar a realidade da empresa. No entanto, cabe à fiscalização perquirir de forma firme e concreta os esclarecimentos necessários a viabilizar a imputação de infração tributária ao fiscalizado, sob pena de se afirmar a prática de ilegalidade sem o aparato probatório necessário para sua sustentação. Dessa forma, ainda que a Fiscalizada tenha sido malintencionada em não possuir sua escrituração contábil correta que refletisse a realidade sobre o tema, a infração tributária imputada pelo Fisco não se sustenta legalmente, não passando de mera desconfiança, razão pela qual deve ser afastado tal lançamento. Isso posto, não vejo outra saída senão a mesma utilizada pelo julgamento na DRJ, na qual afirma que o benefício da dúvida deve ser aproveitado pelo Contribuinte, tendo em vista que as hipóteses de presunção em favor do Fisco deverão estar sempre autorizadas expressamente em lei, o que não se configura no caso. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NO LUCRO REAL O Fiscal afirmou que houve apropriação indevida decorrente de registros contábeis incorretos nos valores de R$17.848.492,02 e R$ 28.000.000,00 pagos a título de indenização ao Banco Bradesco em razão de perdas oriundas do Banco Boavista e suas Subsidiárias antes da sua incorporação e não foram adicionados do cômputo do lucro real. Após reiteradas intimações, a fiscalização concluiu que tais valores são indedutíveis para efeito de apuração do lucro real, e, na verdade, os desembolsos indenizados pelo fiscalizado deveriam ser contabilizados como Ajustes de Exercícios Anteriores e não como despesas apropriadas no ano calendário de 2004. A fiscalizada entregou ao Autuante cópia do contrato de "Promessa de Integração Empresarial e Outros Pactos". Ao analisar o referido contrato, o Fiscal concluiu que: i) o Bradesco S/A incorporou todas as ações de emissão do Banco Boavista, transformando este em sua subsidiária integral em 29/09/2000. E, em contrapartida, a interessada, adquiriu 6,5064% das ações ordinárias e 6,5064% das ações preferenciais do Bradesco; ii) as ações do Bradesco destinadas à interessada foram consideradas a preço de mercado, que significava duas vezes o seu valor patrimonial contábil; e, por fim, iii) que a fiscalizada se comprometeu a indenizar o Banco Bradesco por perdas oriundas do Banco Boavista e suas subsidiárias. Ao fim da análise feita pela Fiscalização, chegouse à conclusão que as despesas deduzidas não pertenciam à fiscalizada, mas ao Banco Boavista. Dessa forma, a apropriação dessas despesas confrontou o que dispõe o art. 273 do RIR/99, o art. 123 do Código Tributário Nacional (CTN) e o § 1° do art. 186 da LSA. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.000185/200837 Acórdão n.º 1201001.488 S1C2T1 Fl. 759 13 No entanto, pareceme claro que tais indenizações são vínculos obrigacionais entre a fiscalizada e o Bradesco, não sendo o caso de substituição do Banco Boavista. Ressaltase que somente após a liquidez das obrigações do Banco Boavista que as indenizações foram devidas, de modo que se faz impossível afirmar que o pagamento da Fiscalizada ao Bradesco se configurou como ajuste de exercício anterior. E como muito bem salientou o Relator da DRJ, mesmo que esses valores fossem devidos em períodos anteriores, não haveria prejuízo à Fazenda no fato de essas despesas terem sido apropriadas em período superveniente, o prejuízo só ocorreria na hipótese de postergação de receita. Dessa forma, assim como entendeu a DRJ em seu julgamento, afasto esse lançamento. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DO LUCRO O Auditor concluiu que houve distribuição disfarçada do lucro após análise dos lançamentos contábeis da Fiscalizada registrados como “perda de capital”. Intimada a esclarecer tais perdas, a Fiscalizada afirmou que: 1) A primeira perda (R$ 1.986.581,87) foi decorrente da venda da totalidade das ações da Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros Boavista ao Bradesco Seguros S.A, realizada em 25/06/2004 pelo valor de R$4.111.000,00. No entanto, o Fisco afirmou que o patrimônio líquido da alienada, em balanço datado de 24/06/2004, era de R$ 6.097.581,87; 2) Já a segunda perda (R$ 3.247.817,75) está relacionada com a venda de créditos financeiros da Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros Interatlântico à empresa Alvorada Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros S.A, em 25/06/2004, pelo valor de R$ 2.000.000,00. Sendo que, de acordo com o Fisco, o valor líquido dos créditos era de R$5.370.854,94. Diante disso e levando em consideração que o Bradesco Seguros é ligado à empresa Alvorada e que as adquirentes são ligadas à Fiscalizada, o Auditor concluiu se trará de distribuição disfarçada do lucro. Conforme dispõe o art. 464 do RIR/99, para que se configure distribuição disfarçada do lucro é necessário que haja alienação de bens do ativo, que essa alienação se faça e, valor notoriamente inferior ao de mercado e que esse negócio jurídico seja realizado com pessoa ligada. De fato, ocorreu a alienação de bens do ativo, preenchendo o primeiro requisito do artigo. Contudo, não ficou comprovada a alienação por valor consideravelmente inferior ao de mercado, uma vez que o simples cotejo do valor da venda com o valor do registro contábil não é suficiente para preencher o requisito proposto pelo art. 464 do RIR/99. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.000185/200837 Acórdão n.º 1201001.488 S1C2T1 Fl. 760 14 Em ambas alienações, o Fisco buscou sustentar sua alegação na escrituração contábil da Fiscalizada e não comprovou o valor de mercado dos bens e, como cediço, o valor contábil não é igual ao valor de mercado. Quando ao último requisito do artigo 464 do RIR/99, este também não ficou comprovado na presente fiscalização, uma vez que não ficou claro se as ações do Bradesco, adquiridas em 2000 pela Fiscalizada, ainda estavam em seu poder em junho de 2004. E assim como salientou o Relator da DRJ, “não consigo vislumbrar um acionista distribuindo lucro à companhia na qual detém participação”. Dessa forma e tendo em vista que apenas restou caracterizado o primeiro requisito do art. 464 RIR/99, afasto esse lançamento. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso de Ofício e, no mérito, voto por NEGAR provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Apelbaum Relator Fl. 780DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 35013.001163/2006-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1999 a 28/02/2000
DECADÊNCIA - PAGAMENTO - AUSÊNCIA - ARTIGO 173, I DO CTN
Havendo pagamento comprovado apenas na competência 06/1999, para lançamento levado a conhecimento do contribuinte em 10/2005 já se operou a decadência tanto na contagem realizada com base no artigo 150, §4º, do CTN, quanto na contagem realizada nos moldes do artigo 173, I, do mesmo codex. Além disso, importante frisar que os débitos referentes às competências anteriores a 11/1999, inclusive, também já se encontram decaídos nos termos do artigo 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 9202-004.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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Além disso, importante frisar que os débitos referentes às competências anteriores a 11/1999, inclusive, também já se encontram decaídos nos termos do artigo 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 3. 00 11 63 /2 00 6- 49 Fl. 308DF CARF MF 2 Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata a presente notificação, com ciência ao sujeito passivo em 31/10/2005, referente a contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto dos serviços contidos nas notas fiscais, executados através de cessão de mãodeobra, que deveria ter sido retida no percentual de 11% e recolhida em nome da empresa contratada, referente às competências 06/1999, 10/1999 a 02/2000. A impugnação apresentada foi julgada improcedente. Ato seguinte, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário pelo contribuinte. No julgamento deste Recurso, a 6ª Câmara, da 2ª Conselho de Contribuintes, por maioria, deu provimento ao recurso para declarando a extinção do crédito pela decadência prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN, exarando a seguinte decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1999 a 28/02/2000 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. I Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por reconhecer a decadência somente até a competência 11/99. Cientificada da decisão, a União, tempestivamente, apresentou Recurso Especial, com base no artigo 7º, I, da Portaria 147/2007 (decisão não unânime, contrária à Lei ou à evidência da prova), visando rediscutir o termo inicial do prazo decadencial. Visando demonstrar o cabimento de seu recurso a União alega que o relator do voto vencedor defende a aplicação do §4º, do artigo 150, do CTN a despeito de haver recolhimento das contribuições, mas considerou ter havido recolhimentos pelo contribuinte. A par disso, depreendese do Relatório Fiscal que o lançamento foi realizado em relação à determinadas notas fiscais em relação às quais a fiscalização não identificou o pagamento, sendo excluídas da base do lançamento outras Notas Fiscais para as quais houve a identificação do pagamento. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 35013.001163/200649 Acórdão n.º 9202004.538 CSRFT2 Fl. 309 3 Nesse sentido, a União conclui que a decisão violou a prova dos autos, dando azo ao cabimento do presente Recurso Especial. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou contrarrazões, alegando: 1. Preliminarmente, a intempestividade do Recurso da União; 2. No mérito, alega que a própria NFLD e o acórdão da Turma a quo reconhecem a existência de pagamento de contribuições previdenciárias, de modo que aplicável ao caso o §4º, do artigo 150, do CTN; 3. Ainda que aplicável o artigo 173, I, o crédito tributário relativo à competência 12/1999 estaria decaído, haja vista que a ciência da notificação ocorreu em 29/09/2005. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Com relação ao conhecimento do Recurso da União dúvidas não há. No que toca a tempestividade do Recurso da União, identificase às fls 268 doas presentes autos que a ciência do acórdão à PGFn ocorreu em 26/05/2009 (terça feira), sendo que em o prazo de 05 dias para apresentação de embargos começou a contar em 27/05/2009, encerrandose em 01/06/2009. Nesta data de 01/06, conforme documento de fls 270, aos autos foram recebidos no Tribunal com os referidos embargos de declaração, tempestivos, portanto. A decisão que não acolheu os embargos de declaração foi levada a conhecimento da PGFN em 05/10/2009 (fls. 277). Em 08/10/2009 foram devolvidos os autos ao tribunal, com o Recurso Especial, tempestivo portanto. Nesse contexto, não assiste razão as alegações de intempestividade do contribuinte, de modo que passo à análise do mérito da questão. O lançamento por homologação, regulado pelo artigo 150 do CTN, tem como principal característica a atribuição ao contribuinte do dever de antecipar o pagamento do tributo, ficando a autoridade administrativa com o dever de posteriormente chancelar ou não o valor do recolhimento efetuado e, sendo o caso, efetuar cobrança de diferença, verbis: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 310DF CARF MF 4 A regra da decadência do direito do fisco de lançar o tributo por homologação é regra especial, contida no §4º, do artigo 150 em questão, que estabelece o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, caso não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, verbis: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento em relação a questão em debate: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Ao se posicionar sobre o tema a 1ª Turma da CSRF, por maioria, se manifestou que a aplicação do artigo 173, I, do CTN na constituição de crédito relativo a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, apenas pode ocorrer na hipótese de não haver pagamento, nem declaração do tributo, conforme trecho do voto vencedor do Acórdão 9101002.021, abaixo transcrito: A interpretação do texto transcrito nos leva à conclusão de que devemos nos dirigir ao artigo 173, I, do CTN quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito que constitua o crédito tributário. Assim, encontraríamos duas condições para sairmos do artigo 150, §4º: 1) não haver o pagamento e 2) não haver declaração prévia constitutiva do crédito. Assim, mesmo não existindo o Fl. 311DF CARF MF Processo nº 35013.001163/200649 Acórdão n.º 9202004.538 CSRFT2 Fl. 310 5 pagamento, a declaração prévia constitutiva do crédito bastaria para mantermos a contagem do prazo a partir do fato gerador. Entendo pertinente essa última colocação, no sentido de que a declaração prévia, constitutiva do crédito tributário basta para manutenção da contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Isso porque, não pago o tributo a União já possui título passível de execução direta, não demandando qualquer procedimento administrativo para se efetuar a cobrança. Nesse contexto o próprio STJ, no fim do ano de 2015, editou a Súmula 555, que possui a seguinte redação: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. A meu ver, para fins de contagem do prazo decadencial a declaração do débito na competente obrigação acessória se equivale ao pagamento. Assim, para a aplicação do §4º, do artigo 150, do CTN exigese a ocorrência dos seguintes situações: 1. A lei deve estabelecer que o lançamento do tributo é realizado na modalidade homologação; 2. Não ocorra a comprovação de dolo, fraude ou simulação pelo ente tributante; 3. Haja pagamento e/ou declaração do tributo. Passo, então, a verificar a aplicação da decisão representativa de controvérsia do Recurso Especial nº 973.733 ao caso ora sob análise. Entenderam os julgadores a quo, antes de decisão do STJ em sede de repetitivo, que a regra contida no artigo 150, §4º, do CTN aplicavase aos tributos cujo regime jurídico determinava ser de lançamento por homologação. Como obter dictum foi mencionado que houve pagamento comprovado pela própria autoridade fiscal em relação a Notas Fiscais de serviços tomados no período Vale aqui transcrever trecho do acórdão a quo que tratou esse ponto: Não obstante esse raciocínio, filiome aqueles que acreditam que o fator preponderante para a aplicação da regra contida no mensurado § 4 o do art. 150, diz respeito ao próprio regime jurídico do tributo, de forma que o fato da legislação conferir o dever de antecipação do recolhimento do tributo ao contribuinte, sem qualquer prévia verificação do Fisco, nos é suficiente para a incidência do mencionado dispositivo legal, sendo, em verdade, regra a regular a situação telada. (...) Fl. 312DF CARF MF 6 Embora entenda não haver qualquer necessidade de se constatar ou não ter havido prévio recolhimento do tributo previdenciário, para fins de incidir a norma do art 150, §4 o do CTN, o Relatório Fiscal em seu item 3.5, nos diz expressamente que houve retenção e recolhimentos por parte do contribuinte em notas ficais pertinentes, o que a meu ver, torna inconteste a contagem do prazo homologatório, a partir da ocorrência do fato gerador. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso interposto, para acatar a preliminar aventada pelo Contribuinte, e reconhecer a decadência das contribuições ora lançadas. Pois bem. Analisando os presentes autos é possível verificar que há notas fiscais relativas ao mesmo serviço tomado para as quais a própria fiscalização reconhece a retenção e pagamento da contribuição previdenciária (11%). São aquelas mencionadas no item 3.5, do Relatório fiscal, cujas cópias encontramse às fls. 51 a 58 dos autos. De fato, tais notas não foram incluídas na base de cálculo do lançamento em questão. Da análise dos autos também foi possível identificar que as notas fiscais consideradas para o lançamento em questão são distintas destas e que apenas em relação à competência 06/1999 há notas nas duas condições, ou seja, com tributo retido e pago e sem tributo pago. Ocorre que a decadência em relação ao período de 06/1999, para lançamento levado a conhecimento do contribuinte em 10/2005 já se operou tanto na contagem realizada com base no artigo 150, §4º, do CTN, quanto na contagem realizada nos moldes do artigo 173, I, do mesmo codex. Além disso, importante frisar que o débito referente às competências anteriores a 11/1999, inclusive também já se encontram decaídos nos termos do artigo 173, I, do CTN. Nesse contexto, voto dar provimento ao recurso da União, reconhecendo a decadência para débitos das competências anteriores a 11/1999, inclusive. Necessário registrar que na visão da maioria a declaração não se equipara a pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003239/2005-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2102-000.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº RE 601.314, que trata da transferência compulsória do sigilo bancário ao Fisco, nos termos do artigo 62-A, do Anexo II, do RICARF.Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 29/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros
Jose Raimundo Tosta Santos, Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Acacia Sayuri Wakasugi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº RE 601.314, que trata da transferência compulsória do sigilo bancário ao Fisco, nos termos do artigo 62-A, do Anexo II, do RICARF.Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 29/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Acacia Sayuri Wakasugi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº RE 601.314, que trata da transferência compulsória do sigilo bancário ao Fisco, nos termos do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF.Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 29/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Acacia Sayuri Wakasugi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fls. 561/563) com o lançamento de imposto de renda relativo aos anoscalendário 2000/2001 de R$ 1.427.110,00, de multa de ofício de R$ 1.605.498,74 e de juros de mora calculados até 30/11/2005 de R$ 1.016.494,62. A presente ação fiscal contra o contribuinte foi iniciada, em 25/05/2005, com a ciência do Termo de Início de Fiscalização de fls. 17/18, em que o contribuinte foi intimado a apresentar extratos de suas contas correntes e a comprovar, mediante documentação hábil e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 23 9/ 20 05 -8 2 Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.003239/200582 Resolução nº 2102000.137 S2C1T2 Fl. 3 2 idônea, a origem dos recursos que possibilitaram a realização de depósitos efetuados em contas correntes mantidas em instituições financeiras, no anocalendário 2000 e 2001. Não tendo havido o cumprimento da intimação, foi lavrado o Termo de Embaraço à Fiscalização de fl. 20 e, em face da ausência de manifestação do contribuinte, foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira aos bancos Citibank S/A, Nossa Caixa S/A, Bradesco S/A., Banespa S/A e Santander Brasil S.A (fls. 22/33). Recebidos os extratos solicitados, o contribuinte foi novamente intimado a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas. Tendo havido comprovação parcial dos depósitos (foram excluídos R$ 5.412.036,33 e R$ 640.592,52, dos anos calendário 2000 e 2001, respectivamente, pois originaramse de levantamento de verbas), a ação fiscal é encerrada com a lavratura do auto de infração, tendo em vista que foi apurada a seguinte infração à legislação tributária: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários sem Origem Comprovada. Omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, conforme descrição dos valores tributáveis e respectivas datas dos fatos geradores, no citado auto de infração, e sob o seguinte fundamento legal: artigo 42 da Lei 9.430/96; artigo 4° da Lei 9.481/97; artigo 21 da Lei 9.532/97. Como dito acima, durante o procedimento de auditoria fiscal, foram expedidas as Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras (RMF), fls. .22, 24, 26, 28 e 29 que permitiram a obtenção dos extratos de fls. 31, 33, 50, 191, 192. Em razão das providências a serem tomadas nessa oportunidade finalizo o relato. Voto Declarase a tempestividade, unia vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Antes enfrentar o mérito, verificase que a controvérsia tributária gira em tomo de informações extraídas de extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, com base em RMF expedida pela auditoria no curso do procedimento de fiscalização. Essa questão das RMF, foi levada à apreciação, em caráter difuso, pela Suprema Corte Federal, que reconheceu a repercussão geral do tema. nos seguintes termos: Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art 6o da Lei Complementar n° 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 Relator o Min. Ricardo Lewandowski. O tema está enquadrado na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). com sobrestamento dos demais recursos sobre a mesma matéria até o pronunciamento definitivo da Corte. Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.003239/200582 Resolução nº 2102000.137 S2C1T2 Fl. 4 3 E, nesse aspecto, se faz necessário observar a possibilidade de apreciação da matéria em face do disposto no art. 62A, caput e § Io. do Anexo ü. do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). que determina o sobrestamento do julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC): As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § Io. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Diante do exposto, voto para sobrestar o presente recurso até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, nos termos do disposto pelos artigos 62A. §§1° e 2o, do RICARF. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 13971.721532/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
INCENTIVO FISCAL. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO. NÃO DEMONSTRADO. RECURSO VOLUNTÁRIO.
Não logrando a Fiscalização demonstrar que o contribuinte deixou de controlar os dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica em contas contábeis específicas, há que se cancelar o lançamento que glosou as exclusões do lucro líquido decorrentes do gozo de tal incentivo fiscal.
BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. RECURSO DE OFÍCIO.
Os bens do ativo imobilizado que se tornarem obsoletos ou imprestáveis poderão ser destruídos sem necessidade de laudo de autoridade fiscal. Inaplicável o artigo 291, II, do RIR/99 na baixa de bens do ativo permanente.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 INCENTIVO FISCAL. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO. NÃO DEMONSTRADO. RECURSO VOLUNTÁRIO. Não logrando a Fiscalização demonstrar que o contribuinte deixou de controlar os dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica em contas contábeis específicas, há que se cancelar o lançamento que glosou as exclusões do lucro líquido decorrentes do gozo de tal incentivo fiscal. BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. RECURSO DE OFÍCIO. Os bens do ativo imobilizado que se tornarem obsoletos ou imprestáveis poderão ser destruídos sem necessidade de laudo de autoridade fiscal. Inaplicável o artigo 291, II, do RIR/99 na baixa de bens do ativo permanente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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Recorrente ZEN S.A. INDÚSTRIA METALÚRGICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 INCENTIVO FISCAL. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO. NÃO DEMONSTRADO. RECURSO VOLUNTÁRIO. Não logrando a Fiscalização demonstrar que o contribuinte deixou de controlar os dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica em contas contábeis específicas, há que se cancelar o lançamento que glosou as exclusões do lucro líquido decorrentes do gozo de tal incentivo fiscal. BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. RECURSO DE OFÍCIO. Os bens do ativo imobilizado que se tornarem obsoletos ou imprestáveis poderão ser destruídos sem necessidade de laudo de autoridade fiscal. Inaplicável o artigo 291, II, do RIR/99 na baixa de bens do ativo permanente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 15 32 /2 01 1- 18 Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0257.260 da 4ª Turma da DRJ/BHE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 INCENTIVO FISCAL Para fazer jus ao benefício, o interessado deve demonstrar de forma inequívoca o efetivo controle contábil dos dispêndios e pagamentos efetuados de forma a evidenciálos de forma adequada. BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE Os bens do Ativo Imobilizado que se tornarem obsoletos ou imprestáveis poderão ser destruídos sem o laudo de autoridade fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vale a transcrição do trecho do voto condutor do acórdão recorrido, relativo ao ponto da autuação sobre o qual versa o recurso de ofício, in verbis: “II.2 – DA GLOSA DOS CUSTOS COM A BAIXA DE BENS DO IMOBILIZADO Confirase o texto integral do Termo de Verificação Fiscal que fundamentou a glosa dos custos dos bens baixados. (...) A impugnante, por seu turno, entende que inexiste a obrigatoriedade legal de elaboração de laudo de destruição para a baixa dos bens do ativo imobilizado, eis que o referido artigo 291, II, do RIR/99 aplicase tão somente à baixa de bens do estoque, o que não é o caso dos bens baixados que pertencem ao ativo imobilizado Constatase inequivocamente que a fiscalização glosou os valores referentes à baixa de bens do ativo imobilizado por obsolescência e deterioração, que foram computados como prejuízo na apuração do lucro real, com fundamento no artigo 291 do RIR/99, afirmando textualmente que “a norma jurídica não descarta a baixa de materiais e bens obsoletos, desde que elaborado o laudo da autoridade fiscal”. Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.721532/201118 Acórdão n.º 1302001.959 S1C3T2 Fl. 1.766 3 No entanto, realmente, o artigo que serviu de arrimo à fiscalização encontrase no Capítulo V – Lucro Operacional, Seção II – Lucro Bruto, subseção III – Custo dos Bens ou Serviços – Quebras e Perdas. Desta forma, não resta qualquer dúvida de que tal determinação legal se aplica unicamente aos estoques, nos exatos termos do citado artigo 291. À baixa de bens do ativo permanente, aplicamse as disposições do artigo 418 do RIR/99 (Capítulo VII – Resultados Não Operacionais, Seção I – Ganhos e Perdas de Capital, Subseção I – Disposições Gerais), apurandose o ganho ou perda de capital como numa venda qualquer. Por seu turno, o Parecer Normativo CST nº 146, de 21/11/1975 adverte que, não restando ao bem nenhum valor econômico apurável, a sua baixa contábil somente será admitida para efeitos fiscais, se o bem tiver sido baixado fisicamente, isto é, saído em definitivo do patrimônio da empresa, fato que deverá ser comprovado por documentos de idoneidade indiscutível. Assim, os bens do ativo imobilizado que se tenham tornado imprestáveis, ainda que antes de decorrido o prazo de vida útil previsto (em virtude de obsolescência anormal ou ocorrência de caso fortuito ou de força maior), podem ser baixados por ocasião da efetiva saída do patrimônio da empresa. No caso de vendas a nota fiscal será o documento hábil à comprovação de sua saída do patrimônio da empresa. Nos demais casos, a comprovação dependerá de cada situação específica. De qualquer forma, não existe exigência de laudo de autoridade fiscal. Pelo exposto, concluo pela procedência da impugnação para que se exclua a exigência com relação à glosa da baixa de bens do ativo imobilizado. (...) VI – CONCLUSÃO Por tudo que se encontra exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar parcialmente procedente a impugnação apresentada, excluindose da base de cálculo os valores de R$ 2.075.388,36 e 191.730,65, referente a baixa de bens do ativo imobilizado, para os anos calendários de 2007 e 2008, como demonstrado a seguir: (...)” A recorrente foi cientificada do Acórdão nº 0257.260 em 10/07/2014, conforme AR a fls. 1695. A fls. 1696, consta Termo de Solicitação de Juntada do recurso voluntário a fls. 1697 e segs., no qual são alegadas as seguintes razões de defesa: a) que se trata de recurso voluntário contra decisão da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte – MG (DRJ/BHE), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, mantendo em parte o crédito tributário exigido a título de IRPJ, CSLL, relativos aos anos de 2007 e 2008, com acréscimo da multa em 75%, mais a aplicação de multa isolada sobre os valores que supostamente teriam sido deixados de recolher a título de estimativa, ou seja, em evidente sobreposição de penalidade, sobre uma falta que NUNCA ACONTECEU; b) que ao contrário da leviana afirmação do agente fiscal responsável pela lavratura do auto de infração impugnado, este contribuinte conforme informado desde o início Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 4 do trabalho de verificação fiscal, SEMPRE contabilizou de forma individualizada e em PLENA sintonia com o que determina a legislação de regência, os gastos vinculados a “pesquisa e desenvolvimento”, conforme claramente se pode ver por uma simples verificação dos arquivos entregues pelo contribuinte, na forma regulamentar, muito tempo antes de se iniciar o malsinado trabalho de verificação fiscal que, em apertada síntese, teve como estribo um fato alegado que, na mais complacente das análises, é “irreal”, pois os arquivos do SPED demonstram com clareza solar que esse contribuinte lançou os gastos com pesquisa e desenvolvimento em contas específicas e FACILMENTE aferíveis, desde que, é claro, as verificações não sejam negligenciadas como ocorreu no caso concreto; c) que cumpre salientar de plano que, o contribuinte ao solicitar que o órgão preparador juntasse os arquivos apresentados a muito tempo pelo contribuinte no SPED, foi e é lastreado em dispositivo de LEI que assim o estabelece e, teve condão de suprir a negligência do agente fiscal responsável pela lavratura do auto que, se tivesse apurado os fatos constantes de forma muito clara e objetiva nos arquivos do SPED contábil desse contribuinte, arquivos estes que frisese, sempre estiveram ao seu inteiro dispor e alcance, presumese que não teria feito a alegação, comprovadamente inverídica, de que esse contribuinte não contabilizou em contas específicas os gastos com “P&D – pesquisa e desenvolvimento”; d) que causa estranheza o conteúdo do insólito julgado ora guerreado, onde o ilustre relator, por razões que não encontram guarida sequer na lógica e muito menos no princípio basilar do processo administrativo, qual seja, o da verdade material, para “justificar” até de forma “exótica”, o descumprimento de disposição expressa da Lei 9.784/99 e se negar a apurar os fatos reais; e) que é vazia a construção do ilustre relator do malsinado despacho decisório, no que tange a manutenção e apresentação dos livros fiscais e contábeis pelo contribuinte, inclusive os digitais, pois esses documentos tanto em papel, quanto em meio digital/eletrônico sempre estiveram de posse do contribuinte e, sempre estiveram a disposição da fiscalização, inclusive podendo ser acessados pelos agentes fiscais na própria sede da Receita Federal do Brasil – RFB, sem sequer aparecer na sede da empresa contribuinte; f) que ocorreu no caso concreto, com todo o respeito, com a devida vênia, foi negligência do agente fiscal em aferir os fatos, que parece não ter lido as respostas as intimações e, seguramente não aferiu o conteúdo do SPED contábil desse contribuinte e, novamente rogando por vênia, o descaso com a aplicação da lei, quando da análise do r. relator da matéria, no julgado ora guerreado, que se negou a levar em conta os dados contidos no SPED contábil, como se a escolha dos elementos de prova para a apuração da VERDADE MATERIAL, fosse de sua livre escolha, de seu livre arbítrio, inclusive negligenciando de forma veemente, a verificação de documentos constantes da base de dados da Receita Federal do Brasil, contrariando disposição EXPRESSA DE LEI; g) que lamentavelmente, após se negar a apurar a VERDADE MATERIAL, principalmente ao se negar a levar em conta DOCUMENTOS DISPONIVEIS A ELE NA BASE DE DADOS DA RFB e, que foram objeto de requerimento EXPRESSO e formal do contribuinte para que fossem verificados, o r. relator passou a citar em seu relatório uma série de informações que NUNCA tiveram o menor fundamento, de onde extraímos: “Mas não apresenta os livros onde tais lançamentos foram registrados, limitandose a fazer a menção a Documento 02 da sua defesa e registrar: ‘2.7 Notadamente, nos períodos base em questão, TODOS os gastos com P&D foram detalhadamente lançados nas contas representativas dos ‘centros de custos’ vinculados ao titulo ‘1.2. –Engenharia de Processos” h) que o ilustre relator do julgamento vergastado parece, com todo o respeito, novamente pedindo vênia, nos tomar a todos por tolos, pois, primeiro ele se recusa a analisar Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.721532/201118 Acórdão n.º 1302001.959 S1C3T2 Fl. 1.767 5 documentos constantes da base de dados da Receita Federal do Brasil, aos quais tem livre acesso e, aos quais foi requerida a juntada/analise na forma estabelecida em LEI, quais sejam os livros diário e razão contábeis, para em seguida alegar em socorro de suas inusitadas conclusões que, o contribuinte “não apresenta os livros onde tais lançamentos foram registrados”, e arremata com o seguinte trecho: “O documento 02 referido nada mais é do que a descrição do seu centro de custos que, como já afirmado, por si só, não serve como comprovação de segregação das contas, subcontas ou centros de custos. Também não oferece qualquer subsídio o Anexo II, que a impugnante reporta para contestar a conclusão da fiscalização de que as contas contábeis listadas são as utilizadas para controle dos gastos com toda a empresa. Como ela própria esclarece e se pode constatar pela transição acima do citado anexo, tratase de relação das contas contábeis e dos centros de custos. É possível que tais contas e centros pudessem permitir o controle e a verificação dos dispêndios com P&D, mas a impugnante não comprova esta circunstância”. i) que mais uma vez rogando por vênia, beira a “falta de respeito” a parte final do trecho citado, em especial aquela grifada em destaque, porque é ÓBVIO que se, primeiro o agente fiscal e, depois julgador de primeira instância tivessem analisado os documentos contábeis da empresa, devidamente fornecidos eletronicamente; j) que não faltou interesse ou disposição do contribuinte em aclarar os fatos, ocorre que, o trecho extraído do malsinado relatório de voto, deixa muito claro que o ilustre relator primeiro se negou a analisar documentos que deveriam ser juntados ou, pelo menos consultados, negligenciando assim a aplicação da lei, para em seguida, cândida e marotamente afirmar que, “tais contas e centros” podem conter o controle dos lançamentos de P&D, “mas a impugnante não comprova esta circunstância”; k) que beira o cinismo tal afirmação (que destacamos no parágrafo anterior) pois, os arquivos do SPED contábil do contribuinte atestam e comprovam as alegações do contribuinte, e isso em qualquer julgamento centrado na apuração dos fatos e da VERDADE MATERIAL não comportaria qualquer outra conclusão mas, infelizmente, e isso só não vê quem não quiser ver, no caso concreto, primeiro tratou o ilustre julgador de se desincumbir do cumprimento de disposição expressa da LEI 9.784/99, o que já é de se lamentar, para em seguida alegar a ausência de comprovação; l) que diante da evidente intenção dos agentes do ente tributante em induzir aos incautos a erro, mormente pela distorção deliberada dos fatos e, da inconsequente desconsideração de provas, passamos a relembrar os principais aspectos do contencioso estabelecido; m) que contribuinte notificada, ora recorrente, é empresa que tem como objeto social a exploração da indústria metalúrgica em geral e a fabricação de autopeças em particular, tendo, durante toda a sua existência, colaborado para o desenvolvimento do país, gerando empregos, renda e pagando os tributos por si devidos; n) que a motivação da fiscalização para a constituição do referido crédito tributário encontrase descrita no Termo de Verificação Fiscal, por meio do qual a fiscalização promoveu, em síntese: n.1) A glosa do incentivo fiscal à inovação tecnológica (previsto no Capítulo III da Lei n. 11.196/2005), utilizado pela impugnante no período fiscalizado, sob a alegação de Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 6 que a empresa teria descumprido a obrigação imposta no art. 22, inciso I, da Lei n. 11.196/2005; n.2) A glosa do custo na baixa de bens do ativo imobilizado da empresa, por suposta ausência de comprovação do ato ou fato econômico que serviu de base aos lançamentos contábeis; n.3) Imposição de multa de 50% (cinquenta por cento) pela suposta insuficiência no recolhimento dos valores calculados por estimativa de IRPJ e CSLL, o que fez com base no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei n. 9.430/96; o) que o recorrente não tem como concordar com os lançamentos errados e sem fundamento algum, levados a efeito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, razão pela qual não lhe restou outra alternativa senão a apresentação de peça impugnatória, a fim de demonstrar a absoluta ilegalidade dos autos de infração lavrados; p) que apesar da insólita tentativa de manter os autos “à fórceps”, o que fica evidente pela tentativa de desrespeitar frontalmente disposição expressa da Lei 9.784/99, com o claríssimo intuito de afastar a análise dos livros contábeis diário e razão, devidamente apresentados via SPED e perfeitamente acessíveis e, cuja análise FULMINA a pretensão fiscal em leitura primária, restou reconhecida a inaplicabilidade da “glosa do custo na baixa de bens do ativo imobilizado”; q) que esse item do auto de infração original (ii) foi reconhecido como indevido e, foi objeto de recurso “de ofício”, por conta do valor e, nunca é demais frisar que, embora o objeto do presente recurso é a reversão total e o cancelamento integral do lançamento fiscal e seu definitivo arquivamento, embora aqui não novamente reprisado, se reitera e considera como parte integrante do presente recurso o inteiro teor da impugnação original; r) quanto à INSUBSISTÊNCIA DA GLOSA AO INCENTIVO FISCAL À INOVAÇÃO TECNOLÓGICA UTILIZADO PELA IMPUGNANTE: r.1) que conforme reconhecido pelo próprio decisório, ora questionado, o contribuinte comprovou à fiscalização a entrega das declarações exigidas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), com base na Portaria MCT 943/2006, que lhe autorizam à fruição do benefício fiscal de que trata o art. 19 da Lei 11.196/05; r.2) que a fiscalização findou por glosar a totalidade das deduções ao lucro real feitas pela impugnante no período fiscalizado, com base no art. 19 da Lei 11.196/05, a pretexto de que a empresa teria deixado de controlar os dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica em contas contábeis específicas, supostamente descumprindo o disposto no art. 22, I, da Lei 11.196/05; r.3) que a fiscalização não se ateve ao fato de que a movimentação apresentada no razão (anexo VI ao TIF) referese, única e exclusivamente, aos dispêndios decorrentes dos centros de custos específicos dos dispêndios da impugnante com P&D, e no julgamento de primeira instância, claramente o relator literalmente fez um grande esforço no sentido de não ter de avaliar as provas, ambas reprováveis atitudes tiveram o mesmo objetivo nefasto, o de negar o óbvio, qual seja, o fato de que o contribuinte contabilizou os dispêndios com “P&D” em contas específicas, de forma segregada, nos estritos moldes estabelecidos pela legislação; r.4) que a a motivação da fiscalização para a glosa do aproveitamento do incentivo fiscal se resume no suposto fato de que a impugnante teria deixado de controlar os dispêndios com pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica (P&D) em contas contábeis específicas, motivação esta que não passa de um devaneio ou mesmo de um desvaire por que é DESEMENTIDA pela simples leitura do conteúdo dos arquivos do SPED Contábil da empresa; Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.721532/201118 Acórdão n.º 1302001.959 S1C3T2 Fl. 1.768 7 r.5) que todos os dispêndios com P&D são criteriosamente controlados por centros de custos contábeis específicos, os quais permitem, com facilidade, verificar as despesas realizadas com pesquisa e desenvolvimento tecnológico, bastando, para tanto, o cotejo dos valores elencados nos referidos centros de custos com aquele excluído do lucro real, informado na própria DIPJ; r.6) que nos períodos base em questão, TODOS os gastos com P&D foram detalhadamente lançados nas contas representativas dos “centros de custos” vinculados ao título “1.2. – Engenharia de Processos”; r.7) que o equívoco de interpretação da fiscalização, poderia ter duas origens possíveis: a) pode decorrer de desconhecimento de causa (o que descartamos pelo elevado grau de especialização dos agentes públicos envolvidos; b) pode decorrer do desconhecimento da estrutura do plano de contas da fiscalizada e, da ausência de interesse em conhecer a aludida “estrutura contábil”, tendo em mira que o plano de contas da entidade, sempre esteve ao alcance da fiscalização, tanto que informado no “SPED” em relação ao anocalendário de 2008 e informado nos dados apresentados no formato da “IN/SRF 86”; r.8) que é absolutamente cristalino o fato de que a “mascara” que descreve e/ou organiza a estruturação dos diversos centros de custos da entidade, segue a uma lógica absolutamente clara e correta, respeitando de forma adequada aos preceitos da boa técnica contábil, seguindo a seguinte estrutura lógica e ordenada: 1. – Industrial – Raiz onde estão vinculados todos os centros de custos vinculados às atividades de “Produção da entidade”; 2. – Administração – Raiz onde estão vinculados todos os centros de custos vinculados às atividades “Administrativas da entidade; 3. – Comercial – Raiz onde estão vinculados todos os centros de custos vinculados às atividades ligadas às “vendas da entidade; r.9) que cada raiz desta estrutura dos centros de custos, deriva em sucessivas subdivisões, igualmente estruturadas e organizadas, com relação às quais, não nos cabe discorrer em relação aos centros de custo “iniciados” com o numeral “2” ou com o numeral “3”, justamente por tratarem de “gastos/custos/despesas” administrativas e comerciais, respectivamente, passando ao largo do foco da contenda; r.10) que, no que tange aos centros de custos vinculados a “raiz” que inicia com o numeral “1”, para trazer a clareza necessária, e que faltou na conclusão do r. agente fiscal, é importante estabelecer a forma pela qual sempre ocorreu a perfeita segregação dos diversos “fatos” contábeis, ao contrário da equivocada percepção apontada pela fiscalização; r.11) que é, portanto, muito fácil de entender, desde que se queira apurar os fatos que, dentro da estrutura do plano de contas da entidade, o numeral “1” identifica claramente que TUDO quanto vinculado a esta máscara, terá vinculação com a “Produção”, entretanto, igualmente claro é que o dígito seguinte aponta as “subdivisões” das alocações de cada área específica; r.12) que, assim, temos que a “máscara contábil” que se forma partindose do dígito “1”, seguido de outro dígito “1”, ou seja “11” identifica todos os gastos classificados como “Produção”, que por sua vez se subdivide em “1101 – Usinagem”, “1102 – Conformação”, “1103 – Tratamento Térmico”, “1104 – Montagem” e, em cada subdivisão desta, novas subdivisões que, estruturadamente, permitem o detalhamento adequado das operações; r.13) que a máscara contábil que se forma partindose do dígito “1”, seguido do dígito “2”, ou seja, “12” identifica todos os gastos classificados como “Engenharia de Processos”, que apesar do nome, aglutina/segrega/concentra TODOS os lançamentos contábeis Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 8 dos GASTOS CLASSIFICADOS COMO APLICADOS EM PESQUISA E DESENVOLVIMENTO – P&D, pelo que, é correto afirmar que todos os centros de custos iniciados com o numero “12” (Engenharia de Processos) se prestam exclusiva e ESPECIFICAMENTE, a registrar nos anoscalendário de 2007 e 2008, os gastos com P&D; r.14) que ao contrário da percepção da fiscalização, é simples a verificação de que os gastos com P&D foram registrados em “contas específicas”, perfeitamente identificadas e em consonância com as informações prestadas em informação formalmente enviada ao Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT, tanto que o “incompreendido” relatório do livro “Razão” dos anoscalendário de 2007 e 2008, aponta em ambos os anos, com absoluta clareza, apenas lançamentos vinculados a centros de custos iniciados com o número “12” (“1” – Industrial, mais “2” – Engenharia de Processos); r.15) que não se requer grande poder de interpretação para concluir que, dentro da estrutura de “contas contábeis de centros de custos”, os lançamentos efetivados em centros de custos iniciados com “12 – Engenharia de Processos”, que foram utilizados para o registro dos gastos com P&D, não se confundem com os lançamentos dos centros de custos iniciados com “11 – Produção” ou, iniciados com “13 – Apoio”, ainda que estes possuam “subcontas” com a mesma nomenclatura, e isto, com todo o respeito, novamente rogando por vênia, pode sim ser aferido com facilidade e por um leigo, desde que, ao contrário da análise tendenciosa e viciada dos agentes fiscais (no primeiro momento) e da negligência deliberada do julgador (no julgamento guerreado) em aplicar a LEI, seja analisado o conteúdo do SPED Contábil da empresa, onde resta SOBEJAMENTE demonstrado que o contribuinte atendeu plenamente a legislação de regência e contabilizou os dispêndios com “P&D” de forma segregada e em contas específicas; r.16) que embora fosse já no julgamento de primeira instancia de certa forma uma informação redundante, foi juntado como “Anexo I”, relatório extraído do programa “SPED Contábil” à partir da informação prestada por via eletrônica ao fisco Federal, com o objetivo de possibilitar a visualização dos fatos narrados, inobstante, por se tratar de informação relevante ao deslinde do contencioso e, tendo em mira que se trata de processo administrativo com todos os documentos digitalizados, a impugnante requereu que a Receita Federal do Brasil junte ao processo os arquivos magnéticos apresentados via SPED Contábil e via IN/SRF 86; r.17) que, ao órgão julgador, se tivesse a necessária perspicácia e um mínimo de interesse em aferir a “verdade material”, à partir das informações disponibilizadas do SPED e da IN/SRF 86, teria sido possível verificar a correta e perfeita segregação dos valores dos gastos a título de P&D incorridos nos anos calendário de 2007 e 2008, conforme aqui relatado e equivocadamente questionada pelo r. agente fiscal, sem a correta e devida apuração de todos os fatos, mas, infelizmente também esse agente público federal se auto conceder o direito de aplicar ou não dispositivo legal expressamente previsto na LEI 9.784/99 e, com todo o respeito, com a devida vênia, julgar contra a VERDADE; r.18) que se afigura, no mínimo, errônea a assertiva constante no Termo de Verificação Fiscal, e corroborada de forma exótica no relatório de voto de primeira instância, notoriamente contra os fatos reais, aferíveis à distância, no sentido de que “as contas contábeis listadas são as utilizadas para controle dos gastos com toda a empresa, então não existem contas contábeis específicas para controle dos dispêndios objeto do benefício fiscal (bastaria cotejar de forma séria o razão da conta salários – razão salários 2007 e razão salários 2008 com os demonstrativos apresentados ANEXO VI da Resposta ao TIF, o que nunca ocorreu, nem mesmo no julgamento de primeira instância que, pela conclusão esposada, ou não leu o conteúdo dos razões disponibilizados ou julgou com base em documentos de outro processo.)”; r.19) que, por meio do anexo II à resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 001, a impugnante apresentou à fiscalização a relação das contas contábeis e dos centros de Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.721532/201118 Acórdão n.º 1302001.959 S1C3T2 Fl. 1.769 9 custos que permitem o controle e a verificação dos dispêndios com P&D, bastando a qualquer agente público ou não, a simplória tarefa de conferir se os lançamentos apresentados estão ou não estão contabilizados de forma segregada nos livros contábeis “razão” e “diário e, infelizmente, o que restou foi que faltou ao agente, com todo o respeito, com a devida vênia, a necessária perspicácia para apurar os fatos, pautando suas conclusões em interpretação visivelmente distorcida desses fatos sem analisar os mesmos; r.20) que esclareceu a impugnante, ora recorrente, que tais dispêndios são controlados por meio das contas contábeis 261 a 282, 906, 311, 312, 322 e 885, dentro das quais estão inseridos os seguintes centros de custos: 1.2.01.211.000 – Usinagem ferramentaria (torno, fresa, plaina) 1.2.01.212.000 – Acabamento ferramentaria (retífica) 1.2.01.213.000 – Acabamento ferramentaria (ajuste) 1.2.01.214.000 – Acabamento ferramentaria (eletroerosão) 1.2.01.220.000 – Usinagem ferramentaria torno CNC 1.2.01.223.000 – Usinagem ferramentaria torno CNC 1.2.01.224.000 – Usinagem ferramentaria fresa CNC 1.2.01.225.000 – Projeto de ferramentas r.21) que tais centros de custos contábeis servem especificamente para o controle de dispêndios com P&D, razão pela qual não é correta a assertiva de que a impugnante não controle os dispêndios em contas contábeis específicas; r.22) que o próprio razão apresentado à fiscalização (anexo VI da resposta ao Termo de Início de Fiscalização) elenca tão somente os dispêndios com P&D, uma vez que indica como “parâmetros” os centros de custos acima relacionados, senão vejamos o trecho colhido do próprio razão: “Parâmetros Empresa: 1 – ZEN S/A INDÚSTRIA METALÚRGICA CNPJ: 57.006.264/000170 Período: 01/01/2007 / 31/12/2007 Conta: 30505001 / 30515009 / 30550011 / 30550012 CC (Centro de Custos): 1201211000 / 1201212000 / 1201213000 / 1201214000 / 1201220000 / 1201223000 / 1201224000 / 1201225000 Tipo: Só com movimento” r.23) que a Fiscalização não se ateve ao fato de que a movimentação apresentada no razão (anexo VI ao TIF) referese, única e exclusivamente, aos dispêndios decorrentes dos centros de custos específicos dos dispêndios da impugnante com P&D, e no julgamento de primeira instância, claramente o relator literalmente fez um grande esforço no sentido de não ter de avaliar as provas, ambas reprováveis atitudes tiveram o mesmo objetivo nefasto, o de negar o óbvio, qual seja, o fato de que o contribuinte contabilizou os dispêndios com “P&D” em contas específicas, de forma segregada, nos estritos moldes estabelecidos pela legislação; Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 10 r.24) que existem centros de custos específicos para os dispêndios realizados pela impugnante com P&D, e as informações eletronicamente disponíveis no banco de dados da RFB atestam a contabilização segregada e correta em questão, de modo que a denominação conferida ao centro de custo é irrelevante, o que interessa é a numeração de tais centros de custos e, ainda que de fato existam custos de produção e manutenção da empresa cuja denominação também seja usinagem e ferramentaria, tais valores não são controlados no mesmo centro de custo utilizado para o P&D, fato esse que foi inadvertidamente ignorado pela fiscalização e, aparentemente desprezado ao arrepio da LEI no julgamento de primeira instância; r.25) que a única questão é: O CONTRIBUINTE EFETIVAMENTE CONTABILIZOU OS DISPENDIOS COM “P&D” EM CONTAS SEPARADAS E ESPECÍFICAS, aspectos inerentes a atuação dos agentes públicos federais envolvidos na análise e depois no julgamento de primeira instancia, quais sejam, a) a negligência a apuração dos fatos; b) a distorção deliberada das conclusões acerca dos fatos relatados; c) o desrespeito ao princípio da “verdade real/material, e; d) o descumprimento de disposição expressa da LEI que determina a juntada de elementos de prova disponíveis e acessíveis nos bancos de dados da RFB, a despeito de reprováveis, não impedem essa colenda turma de, efetivamente apurar os fatos e/ou determinar que diligencias (sérias) sejam feitas para que se apure o óbvio, deslindando de vez a contenda que, à rigor, nunca teria fundamentos técnicos para ter nascido; r.26) que a outra conclusão não se chega senão pela completa insubsistência da glosa efetuada pela fiscalização, porquanto sua motivação está totalmente dissociada da realidade fática, já que a impugnante possui rigoroso controle dos dispêndios com P&D por meio de contas e centros de custos específicos; r.27) completamente incorreta foi a assertiva da fiscalização, no sentido de que “com base exclusivamente nos arquivos magnéticos e livros contábeis, não há como identificar os dispêndios realizados com a atividade incentivada, pois os dispêndios não foram registrados em contas contábeis específicas, nem há como identificar os centros de custo apontados como de uso exclusivo para os dispêndios”; r.28) que é é visivelmente ERRADA e claramente VICIADA, pelo fato de que, com base nos arquivos e livros apresentados pela impugnante à fiscalização, mormente por meio dos centros de custos acima relacionados, é sim possível identificar, com segurança e até mesmo com certa facilidade, os dispêndios da impugnante com P&D, desde que, é claro, ao contrário do que fez a fiscalização, os fatos sejam analisados de forma completa, na busca da “Verdade Material”; r.29) que mais GRAVE E LAMENTÁVEL foi a atuação do r. relator do voto do julgado ora questionado, uma vez que claramente fez absoluta questão de desconsiderar o requerimento EXPRESSO do contribuinte, que pedia a juntada dos arquivos magnéticos que sempre estiveram de posse e/ou acessíveis aos agentes da Fazenda Pública Federal, mesmo sendo este ato frontalmente ILEGAL, para deixar de ter em conta na análise justamente a PROVA DEFINITIVA E IRREFUTÁVEL de que as alegações fiscais sempre foram INFUNDADAS e até, levianas; r.30) que se tratou, portanto, de erro de interpretação/avaliação do r. agente responsável pela verificação fiscal, e NADA MAIS que não avaliou adequadamente os documentos que lhe foram franqueados e, infelizmente, muito menos ainda, levou em consideração as informações que lhe eram disponíveis no próprio órgão, antes mesmo da lavratura da primeira intimação, caso tivesse tido a perspicácia de avaliar as informações prestadas via SPED Contábil e nos arquivos da IN/SRF 86, e depois, no julgamento de primeira instância, o que ocorreu, em verdade beira o escarnio pois, novamente rogando por vênia, o julgador NÃO PODE se olvidar de analisar TODOS os elementos de prova ao seu alcance, querendo ele ou não, gostando ele ou não, pois NÃO é ato discricionário do agente, Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.721532/201118 Acórdão n.º 1302001.959 S1C3T2 Fl. 1.770 11 escolher se vai ou não vai considerar elemento de prova DISPONÍVEL/ACESSÍVEL nos bancos de dados da fazenda nacional, e MUITO MENOS ainda, se isso tenha sido requerido expressamente como no caso concreto; r.31) que estamos juntando os arquivos do SPED Contábil (2008) e da IN/SRF 86 (2007) como “Anexo I” do presente recurso, principalmente para a eliminação de qualquer resquício de dúvida, no sentido de que NUNCA faltou informação aos agentes da fazenda nacional para apurarem os fatos, os elementos que comprovam de forma “líquida”, “tranquila”, “indiscutível” e “certa” as alegações do contribuinte, SEMPRE estiveram a disposição dos agentes públicos federais em questão nos arquivos e livros fiscais eletronicamente disponibilizados, faltando apenas a “boa vontade” e a “boa fé” de avaliar tais elementos, como é sua obrigação funcional legalmente estabelecida; s) quanto à GLOSA DOS CUSTOS COM A BAIXA DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO: s.1) que a fiscalização procedeu a glosa dos custos computados pela impugnante com a baixa de bens do seu ativo imobilizado, por obsolescência e quebra, ao argumento de que a impugnante não teria comprovado o fato econômico que serviu de base aos lançamentos contábeis, e nem tampouco teria elaborado o laudo da autoridade fiscal chamada a certificar a destruição dos bens, com base em dispositivo legal QUE NÃO SE APLICA no caso in concreto, razão pela qual, embora considere como parte integrante deste recurso, aintegralidade do teor da impugnação primitiva, não serão aqui reprisados os argumentos, em especial por ter sido reconhecida a ausência de fundamento do auto de infração nesse particular e o cancelamento da exigência dele decorrente, apenas objeto de regulamentar “recurso de ofício” em virtude do valor da desoneração; s.2) que por se tratar de baixas por deterioração ou obsolescência, e na falta de documentação hábil eidônea legalmente exigível, o julgado de primeiro instância reconheceu a inaplicabilidade do disposto no art. no inciso II do artigo 291 do RIR/99 que apenas trata de bens do “estoque”; t) quanto à COBRANÇA DE MULTA EM DUPLICIDADE – BIS IN IDEM: t.1) que no caso de lançamento de ofício, poderão ser aplicadas as multas previstas nos incisos I e II, mas não de forma cumulativa, ou seja, ou se aplica a multa de 50% (isoladamente), pelo não recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, ou se aplica a multa de 75% sobre a diferença do imposto ou contribuição; t.2) que a a própria jurisprudência do CARF pacificou o entendimento segundo o qual se afigura irregular a aplicação da multa isolada de que trata o inciso II, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, após o encerramento do exercício fiscal, conforme será demonstrado no tópico imediatamente seguinte; t.3) que a multa isolada a imposição da referida penalidade só faz sentido se a infração for constatada no curso do próprio anocalendário em que incorrida; t.4) que a a referida penalidade padece de completa ilegalidade por ser manifestamente incompatível com o disposto nos arts. 97 e 113 do Código Tributário Nacional, tal como se passa a demonstrar; t.5) que a teor do disposto no art. 113, §§ 1º e 2º do CTN, somente há duas hipóteses de obrigação tributária: (i) obrigação tributária principal, que se traduz no pagamento Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 12 de tributo; e (ii) obrigação acessória, que consiste numa obrigação de fazer ou não fazer que não seja o pagamento do tributo; t.6) que a a referida multa isolada jamais poderia ser imposta na hipótese de ausência de recolhimento de tributo, porquanto tal situação consiste no descumprimento de uma obrigação principal (pagar tributo), em relação a qual somente pode incidir a multa acessória; u) que requer: u.1) o cancelamento dos autos de infração objeto deste processo administrativo, sendo igualmente julgados totalmente insubsistentes à luz dos fundamentos fáticos e jurídicos narrados ao longo do presente, bem como da peça impugnatória primitiva; u.2) que requer, também, a produção de todos os meios de prova que vossas senhorias entendam necessárias ao deslinde da controvérsia instaurada, especialmente a recepção da juntada dos arquivos magnéticos da IN/SRF 86 referentes a 2007 e o SPED Contábil referente a 2008, diante da ilegal negativa em fazêlo, por parte dos agentes da fazenda pública federal, bem como a realização de diligências que se entenderem pertinentes. Por meio da Resolução nº 1302000.399, de 01/02/2016, esta Turma converteu o julgamento em diligência, sendo que vale a trascrição da sua parte dispositiva, in verbis: “Assim, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Blumenau: a) informe se a assinatura digital do recurso voluntário (fls. 1697 e segs.) pela Zen S/A Indústria Metalúrgica significa necessariamente que estava ela, naquele ato, sendo representada por um dos seus diretores, conforme exige o § 1º do art. 18 do Estatuto Social a fls. 16; e b) em caso de resposta negativa em relação ao item "a", que intime a recorrente a regularizar a representação processual, o que poderá se dá por meio de declaração dos representantes legais da pessoa jurídica que convalide o recurso voluntário apresentado; e c) dê ciência à recorrente do relatório de diligência, concedendo lhe prazo para se manifestar nos autos, após o que, devolvase os autos ao CARF, para prosseguimento do feito. Por último, registro que a providência de letra 'b" acima decorreu de deliberação da maioria desta Turma Julgadora, da qual divergir, mas restei vencido.”. A DRF/Blumenau não respondeu ao item “a” da diligência, limitandose a dá ciência à recorrente da Resolução, conforme se constata do teor do despacho e termos a fls. 1738/1741. Conforme docs. a fls. 1742/1761, a recorrente, representada pelo Sr. Alberto dos Santos Martarello, assim se manifestou sobre a Resolução: “VII – Em que pese nossa estranheza quanto a razão de decidir do CARF, quando questiona e determina a conversão em diligência do julgamento, conforme quesito da letra “a” precedente, se a Zen S/A Ind. Metalúrgica estaria sendo representada por um dos seus diretores, conforme parágrafo 1º, do art. 18 de seu Estatuto Social, cumpre asseverar que SEMPRE o certificado digital “eCNPJ” estará vinculado Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.721532/201118 Acórdão n.º 1302001.959 S1C3T2 Fl. 1.771 13 a um “responsável pelo uso do Certificado Digital”. Devidamente designado através de “Termo de Titularidade de Certificado Digital de eCNPJ”, sendo que no caso, o “responsável legal” do “Titular do Certificado” era o “Diretor VicePresidente”, Sr. Nelson Zen Filho com mandato até 30/04/2015 (o protocolo com e=CNPJ ocorreu em 2014). VIII – Assim, respeitosamente, nos permitimos aclarar antes mesmo da manifestação da Receita Federal do Brasil, que, pela ordem: i) O “responsável legal perante a Receita Federal do Brasil”da empresa na época do protocolo do Recurso Voluntário era o Sr. Nelson Zen Filho, na qualidade de Direitor VicePresidente com mandato até 30/04/2015”; iii) nos termos do art. 18 de seu Estatuto Social, em especial o seu parágrafo 1º, a empresa Zen S/A Indústria Metalúrgica foi representada por quem de direito, quando da protocolização do recurso voluntário através de assinatura digital “e CNPJ”, visto que o estatuto requer a assinatura de um dos diretores, o que ocorreu na pessoa do Sr. Nelson Zen filho digitalmente, não só como representante legal do “titular do eCNPJ”, como também “responsável pelo uso do Certificado Digital – eCNPJ”. IX Em 31/03/2015, através da “Ata da 173ª Reunião do Conselho de Administração da empresa Zen S/A Indústria Metalúrigica”, assumiu a condição de “Diretor” o Sr. Albert dos Santos Martarello, portador do CPF 045.788.28858, que de acordo com o “Termo de Titularidade de Certificad Digital de eCNPJ – Tipo A3 – Nr. De Solicitação 000001006543759, de 29/10/2015 passou a ser o “responsável legal”e o “responsável pelo uso do Certificado Digital”. X – Assim, a primeira questão a ser desmitificada é, que o Sr. Nelson Zen Filho, através do Certificado Digital “eCNPJ”, do qual é Titular a empresa Zen S/A Indústria Metalúrgica, na condição de “representante legal” e de “responsável pelo uso do Certificado Digital”, NÃO assinou como procurador, (...). XI – Na verdade, a própria regulamentação da expedição/obtenção de “certificado digital”, já elimina tal potencial dúvida através do “Termo de Titularidade de Certificado Digital de eCNPJ” por que NÃO HÁ como emitir um Certificado Digital sem que sejam plenamente identificados “o titular”, o “responsável legal do titular” e o “responsável pelo uso do Ceritificado Digital”, logo, no caso concreto, assim como de resto, nos demais casos, ao ser utilizada a assinatura digital do “eCNPJ”, a pessoa física que atuou no ato é perfeitamente identificada, e não pode ser outra que não seja a do responsável pelo uso do eCNPJ, na época o Sr. Nelson Zen Filho, por sua vez nominado pelo representante legal do titular, Sr. Nelson Zen Filho, devidamente qualificado nos atos societários devidamente arquivados JUCESC – Junta Comercial do Estado de Santa Catarina. XII – Superada esta questão, mesmo não tendo ainda sido cientificada de qualquer manifestação formal da Receita Federal do Brasil, no sentido de atender a letra “c”, da diligência determinada pela Resolução nr. 13020003.99 o Processo Administrativo 13971.721532/201118, mesmo sendo indiscutível o fato de que a assinatura meiante “eCNPJ”, Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 14 cujo representante legal da empresa é também o responsável pelo uso do certificado digital, no caso da época, o Sr. Nelson Zen Filho, e que, portanto, não há o que ser regularizado na representação processual, que sempre esteva correta, a recorrente se dispõem a apresentar “declaração” do representante legal da pessoa jurídica, convalidando os termos do Recurso Voluntário, nos seguintes termos: “Zen S/A Indústria Metalúrgica, pessoa jurídica já qualificada neste ato, através de seu representante legal, igualmente já qualificado neste ato, mui respeitosamente declara para todos os fins a que se fizerem efeitos que, embora o Recurso Voluntário tenha sido protocolado, mediante assinatura digital de eCNPJ, em data em que o responsável pelo uso do Certificado Digital da empresa, era o Diretor VicePresidente, Sr. Nelson Zen Filho – CPF 506.985.67900, responsável legal, devidamente empossado através da Ata da 141ª Reunião do Conselho de Administração da empresa. O atual responsável legal perante a RFB da pessoa jurídica e, representante legal e responsável pelo uso do certificado digital perante o Termo de Titularidade de Certificado Digital de eCNPJ – Tipo A3 – Solicitação 000001006543759, de 29/10/2015, Sr. Alberto dos Santos Martarello, portador do CPF 045.788.20858, reconhece como corretas todas as alegações contidas no recurso voluntário apresentado, convalidandoo todo o seu conteúdo.” XII – Diante dos fatos, requer sejam considerados os esclarecimentos prestados e, principalmente, acatada a declaação convalidando o recurso voluntário apresentado, mesmo que a representação processual sempre esteve correta e, mesmo que não tenha ocorrido qualquer manifestação formal da Delegacia da Receita Federal de Blumenau até o presente momento, em atendimento a letra “c”da diligência pelo CARF.”. O documento acima citado foi assinado Sr. Alberto dos Santos Martarello e protocolado em 15 de março de 2016. A fls. 1747m consta Ata da 173ª Reunião do Conselho de Administração, datada de 31/15/2015, segundo a qual o Sr. Alberto dos Santos Martarello foi nomeado Diretor da recorrente, com mandato até 30/04/2016. O § 1º do art. 17 do Estatuto Social da recorrente a fls. 1757 assim dispõe: “§ 1º A companhia será representada isoladamente por qualquer dos membros da Diretoria, sem a as formalidades previstas neste artigo, nos casos de recebimento de citações ou notificações judiciais e na prestação de depoimento pessoal ou, ainda, para representação administrativa perante órgãos do Ministério da Fazenda.”. É o relatório. Voto DO RECURSO VOLUNTÁRIO A DRF/Blumenau não adotou as providências determinadas na Resolução nº 1302000.399, pois não respondeu ao item “a”, não intimou a recorrente a cumprir o item Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.721532/201118 Acórdão n.º 1302001.959 S1C3T2 Fl. 1.772 15 “b”, limitouse a cientificar a recorrente da Resolução e, posteriormente, sequer se manifestou sobre a resposta da recorrente. Todavia, como o representante legal da recorrente, espontaneamente, convalidou os atos praticados, ou seja, convalidou o recurso voluntário assinado digitalmente pelo eCNPJ da recorrente, entendo que, cumprido o item “b” da Resolução, houve a regularização da representação processual da recorrente, não obstante a minha divergência com tal providência determinada pela maioria dos membros desta Turma. Assim, regularizada a representação processual e sendo o recurso voluntário tempestivo, voto pelo seu conhecimento. Vale, inicialmente, trazer à colação as razões alegadas pelos autuantes para a glosa da exclusão do lucro líquido referente ao incentivo fiscal do art. 19 da Lei nº 11.196/2005, conforme consta do TVF a fls. 1182/1883, in verbis: O benefício usufruído pela Zen é o descrito no art. 19 da lei (acima destacado), ou seja, exclusão de até 60% da soma dos dispêndios realizados no período de apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, classificáveis como despesa pela legislação do IRPJ. No entanto, para usufruir desse incentivo fiscal, a Zen deveria controlar os dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica em contas contábeis específicas (artigo 22 acima destacado). Além do destaque no texto legal, o relatório apresentado ao MICT, Anexo IV em resposta ao TIP, dá ênfase à exigência do controle em contas contábeis específicas. A Zen, por sua conta e risco, deixou de controlar os dispêndios com pesquisas e desenvolvimento de inovação tecnológica em contas contábeis específicas, em afronta direta aos ditames da lei. Questionado sobre os controle, assim se manifestou (Anexo II em Resposta ao Termo de Intimação Fiscal 01): A empresa adota o critério de lançar as despesas ref. aos dispêndios com o programa P&D nas contas contábeis e centros de custos acima relacionados, dentro de cada período de apuração que comporá o valor a ser excluído da base de cálculo do IRPJ e CSL. Ora, as contas contábeis listadas são as utilizadas para controle dos gastos com toda a empresa, então não existem contas contábeis específicas para controle dos dispêndios objeto do benefício fiscal (basta cotejar o razão da conta salários – razão salários 2007 e razão salários 2008 com os demonstrativos apresentados Anexo VI da Resposta ao TIF). Mesmo os centros de custos elecandos (Anexo II da Resposta ao Termo Intimação Fiscal 01) abragem rubricas que não se referem somente às de pesquisa e desenvolvimento, abragendo custos de produção e manutenção da empresa toda; exemplos: Usinagem Ferramentaria (torno, fresa, plaina); Acabamento Ferramentaria (Retifica); Acabamento Ferramentaria (Ajuste); Acabamento Ferramentaria (Eletroerosão); Usinagem Ferramentaria Torno CNC; Usinagem Ferramentaria Fresa CNC, assim como todos os outros enumerados pela Zen. Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 16 Mas a legislação é cristalina ao estabelecer, no artigo 24 (acima destacado), que o descumprimento de qualquer obrigação para obtenção dos incentivos da lei (dos artigos 17 a 22), implica na perda do direito aos incentivos, ficando sujeita ao lançamento de ofício dos valores usufruídos irregularmente. De fato, com base exclusivamente nos arquivos magnéticos e livros contábeis não há como identificar os dispêndios realizados com a atividade incentivada, pois os dispêndios não foram registrados em contas contábeis específicas, nem há como identificar os centros de custo apontados como de uso exclusivo para os dispêndios. (...) Assim, como não houve escrituração dos dispêndios com pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica em contas contábeis específicas, não pode ser mantida a exclusão dos dispêndios no cálculo do lucro real.” Assim, verificase quea glosa da exclusão, segundo o autuante, deveuse exclusivamente ao fato de que a recorrente não teria escriturado em contas contábeis específicas os dispêndios realizados com P&D, o que seria uma condição para o gozo do incentivo com base no arts. 22 e 24 da Lei 11.196/2005, os quais assim dispõem: “Art. 22. Os dispêndios e pagamentos de que tratam os arts. 17 a 20 desta Lei: I serão controlados contabilmente em contas específicas; e II somente poderão ser deduzidos se pagos a pessoas físicas ou jurídicas residentes e domiciliadas no País, ressalvados os mencionados nos incisos V e VI do caput do art. 17 desta Lei. (...) Art. 24. O descumprimento de qualquer obrigação assumida para obtenção dos incentivos de que tratam os arts. 17 a 22 desta Lei bem como a utilização indevida dos incentivos fiscais neles referidos implicam perda do direito aos incentivos ainda não utilizados e o recolhimento do valor correspondente aos tributos não pagos em decorrência dos incentivos já utilizados, acrescidos de juros e multa, de mora ou de ofício, previstos na legislação tributária, sem prejuízo das sanções penais cabíveis.”. Da simples leitura dos dispositivos acima, resta claro que a escrituação em contas específicas é realmente um condição para o gozo do incentivo, logo, resta, então, saber se houve ou não o cumprimento dessa obrigação pela recorrente. A fls. 916, consta TIF nº 0001, no qual o autuante intima a recorrente a relacionar as contas contábeis específicas para controle dos dispêndios realizados no programa P&D, sendo que a fls/ 924/925, a recorrente informa quais as contas e centro de custos nos quais as despesas com P&D são contabilizadas. Nenhuma outra intimação é feita, para questionar essa questão, sendo que, posteriormente, o autuante conclui que as contas contábeis listadas são as utilizadas para controle dos gastos com toda a empresa. Tal conclusão do autuante foi justificada em dois pontos, se não vejamos nas próprias palavras do autuante: a) “basta cotejar o razão da conta salários – razão salários 2007 e razão salários 2008 com os demonstrativos apresentados Anexo VI da Resposta ao TIF”; Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.721532/201118 Acórdão n.º 1302001.959 S1C3T2 Fl. 1.773 17 b) “Mesmo os centros de custos elecandos (Anexo II da Resposta ao Termo Intimação Fiscal 01) abragem rubricas que não se referem somente às de pesquisa e desenvolvimento, abragendo custos de produção e manutenção da empresa toda”. Com relação ao primeiro argumento do autuante, a recorrente tem razão quando afirma que o cotejo proposto pelo autuante nunca ocorreu. Ora, cabia ao autuante demonstrar o que estava alegando e, não apenas propor que se fizesse o cotejo. Quais as conclusões que o autuante tirou do proposto cotejo? Qual a razão pela qual o autuante sustenta que a conta Ordenados e Salários – 30505001 não contabiliza apenas dispêndios relacionados com P&D? Ademais, o Anexo VI da Resposta do TIF apresenta apenas a listagem do Razão. Quanto ao segundo argumento, a recorrente alega que tais centros de custos contábeis servem especificamente para o controle de dispêndios com P&D, razão pela qual não é correta a assertiva de que a impugnante não controle os dispêndios em contas contábeis específicas; que o próprio razão apresentado à fiscalização (anexo VI da resposta ao Termo de Início de Fiscalização) elenca tão somente os dispêndios com P&D, sendo que a Fiscalização não se ateve ao fato de que a movimentação apresentada no razão (anexo VI ao TIF) referese, única e exclusivamente, aos dispêndios decorrentes dos centros de custos específicos dos dispêndios da impugnante com P&D; e que ainda que de fato existam custos de produção e manutenção da empresa cuja denominação também seja usinagem e ferramentaria, tais valores não são controlados no mesmo centro de custo utilizado para o P&D, fato esse que foi inadvertidamente ignorado pela fiscalização e, aparentemente desprezado ao arrepio da LEI no julgamento de primeira instância. Ora, se o autuante tivesse aprofundado a sua investigação, após a recorrente terlhe informado as contas contábeis e centros de custos que serviriam para contabilizar os dispêndios com P&D, os argumentos agora trazidos pela recorrente já teriam sido enfrentado e devidamente analisados. É verdade que a DRJ apresenta argumentos em suporte a insuficiente e lacônica fundamentação da autuação, se não vejamos o seguinte trecho do acórdão recorrido: “A impugnante afirma que os lançamentos efetivados em centros de custos iniciados com 12 – Engenharia de Processos, que foram utilizados para o registro dos gastos com P&D, não se confundem com os lançamentos dos centros de custos iniciados com 11 – Produção. Certamente que não. Mas não apresenta os livros onde tais lançamentos foram registrados, limitandose a fazer menção ao Documento 02 da sua defesa e registrar: ‘2.7 Notadamente, nos períodos base em questão, todos os gastos com P&D foram detalhadamente lançados nas contas representativas dos ‘centros de custos vinculados aao título ‘1.2. – Engenharia de Processos’. O documento 02 referido nada mais é do que a descrição do seu centro de custos que, como já afirmado, por si só, não serve como comprovação de segregação das contas, subcontas ou centros de custos. Também não oferece qualquer subsídio o Anexo II, que a impugnante reporta para contestar a conclusão da fiscalização de que as contas contábeis listadas são as utilizadas para controle dos gastos com toda a empresa. Como ela própria esclarece e se pode constatar Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 18 pela transcrição acima do citado anexo, tratase de relação das contas contábeis e dos centros de custos. É possível que tais contas e centros pudessem permitir o controle e a verificação dos dispêndios com P&D, mas a impugnante não comprova esta circunstância. Ao apresentar a estrutura de seu plano de contas, a impugnante assinala: (...) O Livro Razão dos anoscalendário de 2007 e 2008, referenciado pela impugnante, não demonstra o alegado. No Livro Razão do anocalendário de 2007, fls. 1.109 a 1.130, não existe qualquer referência a centro de custo. Nos lançamentos para encerramento do exercício, existem apenas cinco que indicam centros de custo iniciados com número 12, tendo como contrapartida a conta Ordenados e Salários – 30505001, nos valores de R$51.000,74, 288.066,99, 128.236,42, 137.580,98 e 170.954,96. No Livro Razão do anocalendário de 2008, fls. 1.109 a 1.130, para a conta 3.05.05.001 – Ordenados e Salários, existem 59 lançamentos no total de R$ 782.670,75, indicando o código iniciado por 12 como centro de custos. Para o encerramento do exercício aparecem os lançamentos nos valores de R$ 139.639,44, 117.392,61, 144.098,89, 70.760,63 e 339.857,98. Necessário registrar que na informação encaminhada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, a impugnante declara dispêndio com Recursos Humanos da ordem de R$ 7.363.483,00 e R$ 7.560.375,00, para os anos calendários de 2007 e 2008, respectivamente. Como se vê, os registros no Livro Razão não permitem visualizar a segregação dos valores que teriam sido aplicados no programa objeto do benefício. Logo, a impugnante não logrou provar o alegado.” É verdade que, se a recorrente apresentou a sua escrita contábil pelo SPED, a RFB já teria acesso a ela, mas isso não a isentaria de ter que esclarecer pontos da sua escrita, mormente quando, para o gozo do incentivo fiscal em tela, é dela o ônus de demonstrar que houve a segregação dos dispêndios com P&D em contas contábeis específicas. Ademais, no livro Razão a fls. 1109 a 1130, não existe qualquer referência a centros de custo, informação que só se obteve com o Razão apresentado pela recorrente (Anexo VI da resposta ao TIF). Não obstante, quando intimada, a recorrente respondeu à Fiscalização quais eram as suas contas contábeis e centros de custos que serviam para registrar os dispêndios de P&D e nada mais a Fiscalização requereu sobre este ponto. Ora, alega a DRJ que “É possível que tais contas e centros pudessem permitir o controle e a verificação dos dispêndios com P&D, mas a impugnante não comprova esta circunstância”. Tal dúvida deveria ter sido dirimida pela Fiscalização, com o devido aprofundamento da investigação após a recorrente terlhe informado as contas contábeis e centros de custos que serviam para registrar os dispêndios de P&D. Notese que, no TIF nº 0001 (a fls. 916), a Fiscalização se limitou a requerer que a recorrente relacionasse as contas contábeis específicas para controle dos Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.721532/201118 Acórdão n.º 1302001.959 S1C3T2 Fl. 1.774 19 dispêndios realizados no programa P&D, o que foi cumprido pela recorrente a fls. 924/925. Ora, se aquela informação não era suficiente para demonstrar à Fiscalização a contabilização dos dispêndios de P&D em contas específicas, deveria ela continuar a investigação e intimar a recorrente a demonstrar tal contabilização, algo que não foi feito. O autuante entendeu, sem qualquer aprofundamento da investigação, que, com aquela resposta, estaria provado justamente que não havia contas específicas para dispêndios de P&D. Por outro lado, como bem pontuou a DRJ, é possível que aquelas contas e centros de custos pudessem realmente segregar os dispêndios com P&D. É verdade que a DRJ aponta um indício fundado no descompasso entre valores que constam do Razão com o informado ao MINCT, todavia, não me parece que seja, nesse momento processual, possível se fazer o aprofundamento da investigação. Além disso, não me parece possível que a fundamentação da autuação possa ser aperfeiçoada como foi pela DRJ. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o item 002 do auto de infração do IRPJ, bem como os lançamentos decorrentes de CSLL e da Multa Isolada (parte mantida pela DRJ) sobre a base tributável em tela. DO RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício atende ao disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. No mérito, não há reparo a ser feito na decisão recorrida, pois equivocou se o autuante ao fundamentar o lançamento no artigo 291, II, do RIR/99, o qual assim versa: Art. 291. Integrará também o custo o valor (...) II das quebras ou perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou pela ocorrência de riscos não cobertos por seguros, desde que comprovadas: a) por laudo ou certificado de autoridade sanitária ou de segurança, que especifique e identifique as quantidades destruídas ou inutilizadas e as razões da providência; b) por certificado de autoridade competente, nos casos de incêndios, inundações ou outros eventos semelhantes; c) mediante laudo de autoridade fiscal chamada a certificar a destruição de bens obsoletos, invendáveis ou danificados, quando não houver valor residual apurável. Como expresso no TVF a fls. 1184, o autuante não tinha dúvida de que se tratava de baixa de ativos imobilizados, razão pela qual injustificada a glosa sob a alegação de que a recorrente não apresentou o laudo de que trata o art. 291 do RIR/99. O RIR/99 trata da baixa de bens do ativo permanente por perecimento, obsolescência ou exaustão no art. 418, sendo que não se exige a elaboração de laudo para tanto, razão pela qual há que se entender que a comprovação pode ser feita por qualquer meio de prova. Por essa razão voto por negar provimento ao recurso de ofício. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e a dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 20 Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 10675.004428/2004-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. No caso, a partir dos elementos carreados as autos a área de Reserva Legal glosada não se encontrava devidamente averbada antes da ocorrência do fato gerador (01/01/2000).
Numero da decisão: 9202-004.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra (relator), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, ausente, momentaneamente, a Conselheira Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. No caso, a partir dos elementos carreados as autos a área de Reserva Legal glosada não se encontrava devidamente averbada antes da ocorrência do fato gerador (01/01/2000). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra (relator), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 44 28 /2 00 4- 84 Fl. 307DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, ausente, momentaneamente, a Conselheira Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração para exigência de ITR, multa de 75% e juros legais, diante da glosa integral das áreas declaradas como sendo de preservação permanente (245,0ha) utilização limitada (690,0ha) e utilizada com produtos vegetais (90,0ha), e parcialmente a área utilizada para pastagens (reduzida de 2.398,8ha para 904,2ha), além de alterar, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT) o Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel, que passou de R$1.426.000,00 (R$ 413,33 por hectare) para R$1.663.240,00 (R$ 468,83 por hectare). O contribuinte impugnou integralmente o lançamento, obtendo parcial provimento de seu apelo, sendo mantida apenas a glosa das áreas declaradas como de preservação permanente e de reserva legal. Assim sendo, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário pelo Contribuinte ao CARF. No julgamento do Recurso Voluntário a 2ª Turma Especial, da 2ª Seção de Julgamento a ele deu parcial provimento, para restabelecer a área de preservação permanente excluída na DITR do exercício de 2000, mantendo apenas a glosa da área de reserva legal, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2000 ITR. EXIGÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA ATÉ O EXERCÍCIO DE 2000. ILEGALIDADE. De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 41, “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. AVERBAÇÃO CARTORÁRIA. Para exclusão da área de reserva legal da área tributável do imóvel, a reserva legal deve estar averbada no órgão de registro competente com a individualização da área de proteção em data anterior às ocorrências dos fatos geradores. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10675.004428/200484 Acórdão n.º 9202004.617 CSRFT2 Fl. 308 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a área de preservação permanente excluída na DITR do exercício de 2000, de 245,0 hectares, nos termos do voto da relatora. Regularmente intimado da decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir a glosa da área de reserva legal, realizada com base em averbação realizada após o fato gerador do imposto, mas antes do início do procedimento fiscal. Para demonstrar a divergência de interpretação trouxe como paradigma os acórdãos nº 9202002.921 e 9202003.416. Na análise de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto, tendo em vista que "o cotejo das ementas do acórdão recorrido e do paradigma permite constatar a existência da divergência jurisprudencial suscitada. No acórdão guerreado o entendimento foi pela exigência da averbação da área de Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto, para fins de exclusão da área da base de cálculo do ITR. Nos paradigmas, de forma diversa, considerouse que, mesmo que a averbação ocorra após aquela data, ainda assim a área de Reserva Legal deve ser excluída da tributação do ITR". Regularmente intimada, a União apresentou contrarrazões, alegando, em apertada síntese: 1. A obrigação de averbar a área na matrícula está prevista originariamente em lei, qual seja, na Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei nº 7.803/1.989, e foi mantida nas alterações posteriores. Desta forma, ao se reportar a essa lei ambiental, a Lei nº 9.393/1.996 está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal ao cumprimento dessa exigência – averbação à margem da matrícula do imóvel. 2. A delimitação do prazo para o cumprimento da exigência em análise atua em consonância com a intenção perseguida pelo legislador, que é a de garantir, por meio da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel, que a referida área será devidamente conservada, dando maiores garantias à preservação de uma área necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos sistemas ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e à proteção de fauna e flora nativas. 3. Do exame da cópia das diversas matrículas que compõem o imóvel (fls. 12/17) constatouse que a área de utilização limitada / reserva legal no total de 685,17ha foi averbada apenas em 31.01.2001, como, aliás, já havia sido apurado pela autoridade autuante, sendo tal providência, portanto, intempestiva para o exercício em questão, não cabendo a referida área ser excluída da tributação do ITR do exercício de 2000. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Presentes os requisitos para admissibilidade do recurso especial, não tenho reparos a fazer na análise previamente realizada. A exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, à época do fato gerador em questão, estava prevista no artigo 10, §1º, II, "a", da Lei 9.393/96. Segundo tal norma, a área tributável seria a área total do imóvel menos, dentre outras, a área de reserva legal prevista na Lei 4.771/65, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; A referida Lei 4.771/65, em seu artigo 16, trazia os contornos da referida área de reserva legal (também chamada de área de utilização limitada). Na época do fato gerador em questão, vigia o §2º da referida Lei, que exigia a averbação dessa área à margem da inscrição de matrícula do imóvel e vedava a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão ou desmembramento da área, verbis: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: (...) § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) Nesse contexto, travouse uma primeira rodada de discussões sobre a necessidade de averbação da área para fins de sua exclusão da base de cálculo do ITR. Parte da jurisprudência se posicionou no sentido de que a averbação apenas possuía efeitos em relação à legislação florestal/ambiental, sendo, portanto, irrelevante para fins fiscais. Outra parte da jurisprudência seguiu no sentido de que para a exclusão da reserva legal todos os requisitos contidos na legislação florestal deveriam ser cumpridos, inclusive referida averbação. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10675.004428/200484 Acórdão n.º 9202004.617 CSRFT2 Fl. 309 5 Para a corrente que entende que é necessária a dita averbação para a exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, abriuse nova discussão, agora acerca do momento em que ela deve ocorrer, se antes da ocorrência do fato gerador do imposto ou antes do procedimento fiscal que ensejou eventual lançamento de ofício. Essa é a matéria a ser tratada no presente caso. A par dessa última discussão, sou afeito a interpretação de que a regra que determina a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel o fez com a finalidade de oposição dessa condição a terceiros, impedindo sua supressão ainda que ocorra a transmissão integral ou parcial da propriedade, bem como seu desmembramento. Ora, o Código Florestal vigente à época (Lei 4.771/65) não trazia qualquer disposição sobre matéria tributária. E a Lei tributária que tratava a exclusão da área de reserva legal da base ce cálculo do ITR em nenhum momento impôs ao contribuinte o dever de realizar dita averbação. Para a Lei tributária a área reserva legal não é tributada independentemente de observância dos preceitos da Lei Florestal. Não há penalidade fiscal para inobservância de regra Florestal/ambiental. Há sim penalidade em outros âmbitos (como multas impostas pelos órgãos ambientais e penalidades de ordem criminal, por exemplo). Assim, para o exercício 2000, portanto qualquer elemento que demonstrasse a efetiva existência da área de reserva legal deveria ser aceito para fins de sua exclusão da base de cálculo do ITR, exceto se a fiscalização efetivamente comprovasse sua falsidade ou a inexistência da dita área. Como documentos capazes de comprovar a existência da área podese citar os Laudos técnicos, ADA, averbação, ainda que posterior ao fato gerador, dentre outros. No caso dos autos, com a realização de diligência foi comprovado pelos documentos de fls. 151, 154, 158, 160/161 e 163 do processo eletrônico, que a averbação da área de reserva legal ocorreu em 3 de janeiro de 2001, após a ocorrência do fato gerador do ITR relativo ao exercício de 2000, mas antes do início do procedimento fiscal em 24 de março de 2004, conforme AR de fl. 9 do processo eletrônico. Nesse contexto, voto por DAR provimento ao recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 311DF CARF MF 6 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao entendimento do relator, ouso discordar. Quanto à área de utilização limitada/Reserva Legal, alinhome aqui aos que entendem ser necessária a averbação da Reserva Legal junto ao Registro de Imóveis até a data do fato gerador, posicionamento muito bem esclarecido por voto condutor de lavra da Dra. Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, no âmbito do Acórdão 220201.269, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF em 26 de julho de 2011, o qual adoto como razões de decidir, fundamentando meu entendimento acerca do tema, ressalvando que as menções ao art. 16 §8o. do Código Florestal, quanto à obrigatoriedade de averbação, são plenamente aplicáveis aqui, uma vez que o §2o. do mesmo artigo, em sua redação anterior, dada pela Lei no. 7.803, de 1989, estabelecida idêntica obrigatoriedade, verbis: (...) Para fins de apuração do ITR, excluemse, dentre outras, as áreas de reserva legal, conforme disposto no art. 10, § 1o , inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de reserva legal (art. 1o , §2o , inciso III): Art. 1o [...] §2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001) [...] Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10675.004428/200484 Acórdão n.º 9202004.617 CSRFT2 Fl. 310 7 O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à reserva legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o ). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da reserva legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. (...) Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 226889/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. Fl. 313DF CARF MF 8 A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Concluise, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal a averbação à margem da matrícula do imóvel, pois tratase de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 1o de janeiro de cada ano (o art. 1o , caput, da Lei no 9.393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspond ente. (...)" No caso em questão, verificase, a partir dos elementos de prova carreados aos autos, que a averbação de 685,17 ha. deuse somente em 03.01;2001 (efls. 13 a 23), assim, posteriormente ao fato gerador do ITR sob análise, que ocorreu em 01.01.2000. Destarte, de se manter a glosa perpretada pela autoridade fiscal, devendose negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 314DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.000889/2003-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-002.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo, que davam provimento integral ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Marcio Rodrigo Frizzo. OAB/PR 33.150.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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CORREÇÃO MONETÁRIA. RECURSO ESPECIAL 993.164. DECISÃO PROFERIDA PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO. As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em Regime de Recursos Repetitivos, sistemática prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização de Crédito Presumido do IPI descaracteriza referido crédito como escritural, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. No caso concreto, aplicase a correção monetária até a ciência do primeiro despacho decisório; a partir de então, não houve oposição à concessão do valor reconhecido.Recurso ao qual se dá provimento parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo, que davam provimento integral ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Marcio Rodrigo Frizzo. OAB/PR 33.150. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 08 89 /2 00 3- 99 Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 2 WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de pedido de ressarcimento (fl. 07) de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, no montante de R$ 664.244,11, respeitante ao 1º trimestrecalendário de 2000, cumulado com as Declarações de Compensação (PER/DCOMP) às fls. 1.397/1.398, com débitos no total de R$ 131.805,15. Pelo Despacho Decisório nº 027/2007 (fls. 1044/1051), a DRFB em Cascavel/PR deferiu parcialmente o pleito, tendo sido glosadas as parcelas relativas às compras de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da COFINS, às exportações de soja após limpeza e secagem e à atualização monetária pela SELIC do total requerido. O reconhecimento parcial do pedido de ressarcimento foi de R$ 107.935,23. Na manifestação de inconformidade (fls. 1062/1094), apresentada em 07/08/2007, foram alegadas ilegalidade e inconstitucionalidade de atos administrativos que restringem o benefício concedido pela lei, sendo que não importaria a origem dos insumos utilizados, pois todos que ingressassem na empresa com fins de exportação comporiam a base de cálculo do crédito presumido, sobre o qual inclusive incidiria a correção monetária, conforme julgados administrativos e judiciais mencionados. Neste ínterim, a interessada ajuizou o Mandado de Segurança nº 2007.70.05.0037088 pleiteando a inclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do benefício, sendo que, antes que esta instância administrativa se pronunciasse, logrou obter o pedido deduzido no Agravo de Instrumento nº 2007.04.00.0321455/PR, que determinou o recálculo do crédito presumido com a inclusão das controvertidas aquisições. Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 10935.000889/200399 Acórdão n.º 3201002.261 S3C2T1 Fl. 1.579 3 Assim, em 30/05/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 97/2008 (fls. 1144/1149) com o reconhecimento da parcela em questão do crédito presumido e a homologação total da Declaração de Compensação vinculada ao pedido de ressarcimento. Contudo, a requerente apresentou, em 08/07/2008, nova manifestação de inconformidade (fls. 1171/1175) com a alegação de que este processo não poderia seguir para arquivo, na medida em que não foram apreciadas no âmbito do contencioso administrativo de primeira instância as alegações relativas à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das exportações de soja após limpeza e secagem e a atualização monetária, à taxa SELIC, do total requerido. Em 17/10/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 320/2008 (fl. 1218), com a homologação total das Declarações de Compensação, por força de decisão judicial nos autos do Agravo de Instrumento nº 2008.04.00.0010727 e conforme memorando à fl. 1183. Veio então a manifestação de inconformidade de 09/06/2009 (fls. 1232/1242) em relação a diversos processos atinentes a ressarcimento, inclusive este, com o pedido para apreciação de todos os recursos voluntários interpostos, sob pena de ofensa a direito líquido e certo. O Acórdão DRJ/RPO nº 1433.651 (fls. 1255/1259) foi prolatado em 11/05/2011, com o julgamento de improcedência da manifestação de inconformidade e o nãoreconhecimento do direito creditório. Em conseqüência, foi interposto em 10/07/2012 o recurso voluntário às fls.1264/1301). Sobreviera, antes, o Acórdão (fls. 1309/1317), de 29/06/2011 (publicação em 07/07/2011) nos autos da Apelação Cível nº 2007.70.05.0037088/PR. Em 18/04/2013, no Despacho Decisório nº 199/2013 (fls. 1324/1329) foi decidido o seguinte: “a) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 027/2007, no valor de R$ 107.935,23 (cento e sete mil, novecentos e trinta e cinco reais e vinte e três centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; b) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 097/2008, no valor de R$ 349.933,39 (trezentos e quarenta e nove mil, novecentos e trinta e três reais e trinta e nove centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a não contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; c) Manter a homologação das compensações declaradas pelo contribuinte e vinculadas ao presente pleito até o limite do valor do crédito reconhecido; d) Pela inconsistência apontada impõese a Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 4 necessidade de revisão do despacho que promoveu a compensação de ofício sob nº 320/2008 (cópia as fls. 1218), com o imediato cancelamento das compensações procedidas de ofício no presente processo, e que em ato contínuo, caso restar crédito remanescente, seja efetivada nova proposição de compensação de ofício, com observância as normas e rito processual e notificação prévia ao interessado; e) Atendendo determinação judicial, demonstrar o calculo da correção pela taxa SELIC, sobre a parcela do crédito indicada no “item B” acima, não reconhecida inicialmente pelo Fisco por restrição administrativa (IN 419, de 10/05/04, art. 2º, §2º), tendo como data inicial da contagem o dia 13/05/03 (data da formalização do pleito) e como data final o mês anterior ao da efetivação da compensação ou ressarcimento em espécie e de 1% relativamente ao mês em curso que ocorrer o evento (art. 39, §4º, da Lei 9.250/95)”. (grifos do original) Depois da ciência em 07/05/2013 (AR à fl. 1358), foi oposta a manifestação de inconformidade (fls. 1391/1401), em 06/06/2013, firmada pelo representante legal da pessoa jurídica, qualificado na cópia de alteração de contrato social (fls. 1406/1413). Primeiramente, é defendida a tempestividade da manifestação de inconformidade. Em segundo lugar, sustenta que a taxa Selic deve incidir sobre todo o direito creditório requisitado, desde o início do procedimento, conforme doutrina aduzida, não somente sobre o montante de R$ 349.933,39, inicialmente indeferido por se tratar de aquisições de insumos de não contribuintes; do contrário, tratase locupletamento indevido do Fisco: decorreram dez anos do protocolo do pedido de compensação de créditos e débitos até a apreciação conclusiva pela Receita Federal, tendo sido corrigidos monetariamente somente os débitos; a atualização monetária deve incidir sobre todos créditos, inclusive os créditos homologados, e não apenas sobre os créditos não homologados no início do procedimento. Por fim, requer que seja conhecida e provida integralmente a manifestação de inconformidade e homologadas as declarações de compensação, e, especialmente, que seja determinada a correção monetária pela Selic, até a data de encerramento da análise do processo administrativo de compensação de créditos e débitos, do direito creditório inicialmente homologado pela autoridade fiscal, à semelhança do que foi apenas reconhecido judicialmente. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1443.695 de 07/08/2013, proferida pelos membros da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITOS ESCRITURAIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 10935.000889/200399 Acórdão n.º 3201002.261 S3C2T1 Fl. 1.580 5 É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos escriturais do imposto, passíveis de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após relatar os fatos, no mérito sustenta que a DRJ interpretou equivocadamente o pedido da recorrente, pois entendeu que a pretensão se resumia, pura e simplesmente, em atualizar os créditos presumidos de IPI incontroversos. Pontua que o erro fundamental da DRJ é ignorar o efeito da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança n. 2007.70.05.0037088/ PR. Recorda que a decisão judicial proferida no Mandado de Segurança tem o condão de anular o ato administrativo impugnado e tem efeito “mandamental.” Insiste que a ordem do Juiz foi no sentido de que o AFRFB deixasse de reconhecer apenas o valor de R$ 107.935,23 em créditos presumidos e reconhecesse mais o valor de R$ 349.933,39. Ou seja, que ressarcisse R$ 457.868,62. Argumenta que a autoridade fiscal deveria ter ignorado ignorasse toda e qualquer análise até então feita, como se nunca tivesse tido contato com o pedido de ressarcimento da recorrente. A partir de então, apreciando os elementos constantes nos autos, reconhecesse que a recorrente tem direito a R$ 457.868,62. Assim, consoante determina o Mandado de Segurança, deveria a autoridade administrativa fazer incidir a SELIC desde a data do pedido de ressarcimento até o momento em que a recorrente utiliza o crédito ou lhe dê outra destinação. Apresenta quadro do impacto financeiro que referida medida produz no crédito presumido da recorrente. Quanto à matéria atualização pela Selic sobre créditos, apresenta em síntese as mesmas alegações da manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: o STJ enfrentou o tema pelo rito dos recursos repetitivos, quando firmou peremptoriamente que a oposição do Fisco faz surgir o direito do contribuinte de ter seus créditos atualizados pela SELIC; é incontroverso no presente feito que houve a oposição do Fisco ao aproveitamento integral do crédito presumido; Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 6 o ressarcimento foi negado pela Receita Federal do Brasil, o que impossibilitou a recorrente de aproveitar seus créditos devidos por mais de 10 (dez) anos; este Conselho Administrativo possui idêntico entendimento ao que se disse acima; Por fim requer que seja conhecido o recurso voluntário e provido integralmente seus pedidos, especialmente para determinar que incida a correção monetária pela Selic sobre a totalidade do crédito presumido da recorrente (R$ 457.868,62), uma vez que é inequívoca a existência de injusta oposição estatal ao direito líquido e certo da recorrente. Através da Resolução de n° 3801000936, de 19/03/2015, foi convertido os autos em diligência para que: De início constatase que não é possível delimitar o litígio. Como relatado, este processo tem uma situação atípica. A tramitação processual foi conturbada em face dos três despachos decisórios, respectivas manifestações de inconformidade, duas decisões da DRJ e dois recursos voluntários. Reconhecese que os despachos decisórios foram complementares, todavia o litígio não ficou demarcado a partir da última decisão da DRJ. Entendese,a princípio, que a recorrente deveria em seu último recurso voluntário reafirmar as teses de seu primeiro recurso o. A simples menção a sua interposição não é suficiente para a apreciação de todas as alegações porque algumas perderam o seu objeto. De sorte que no primeiro recurso a recorrente questiona diversas matérias, enquanto no segundo recurso voluntário, a recorrente simplesmente reiterou de forma genérica as alegações do primeiro recurso e se insurgiu especificamente em relação à incidência da correção monetária pela Selic sobre a totalidade do crédito presumido da recorrente. Ocorre, todavia, que diversas matérias foram objeto de provimento pela primeira decisão a quo. Assim sendo, a reiteração genérica no segundo recurso voluntário inviabiliza a delimitação precisa das matérias ainda em litígio. Por outro lado, o não conhecimento do primeiro recurso voluntário implicaria em ofensa ao amplo direito de defesa. No caso vertente, em atenção ao princípio constitucional da ampla defesa e a fim de se evitar a caracterização da preterição do direito de defesa da interessada, a medida que se impõe é a intimação da recorrente para que consolide em uma única peça recursal devidamente fundamentada as matérias que ainda tem interesse em recorrer. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem intime a interessada para que consolide em uma única peça recursal as matérias que ainda tem interesse em agir no prazo de 30 (trinta) dias. Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 10935.000889/200399 Acórdão n.º 3201002.261 S3C2T1 Fl. 1.581 7 Em sede de nova apresentação do recurso voluntário, como demandado pela Resolução acima, a recorrente narra os fatos, bem como, repisa todos os argumentos trazidos anteriormente dos citados recursos voluntários e peças de defesa apresentados (em 29/05/2015, às efls. 14761515). Não obstante apresentação da peça acima, a recorrente trouxe, em 27/11/2015, na forma de memoriais, na forma escrita, quando a mesma sintetiza, creio eu, o seu pleitode atualização monetária sobre todo o crédito do IPI, objeto do pedido de ressarcimento. Foi convertido o processo em diligência, através de Resolução complementar, de n° 3201000664. Apresentou o recurso voluntário, de forma demandada, onde ressalta o seu inconformismo pela a não aplicação da taxa Selic, na totalidade, desde o pedido, nos termos: Com base nas razões acima expostas, nos exatos termos da jurisprudência deste Conselho, bem como dos Tribunais Superiores, pugnase pelo provimento do Recurso Voluntário para determinar a incidência da atualização via TAXA SELIC dos pedidos de ressarcimento a partir da data do protocolo dos mesmos, sendo: a) DETERMINAR a correção pela Selic da primeira parcela de crédito reconhecida – quase 05 (cinco) anos após ao pedido de ressarcimento – desde o protocolo da Per/Dcomp até seu efetivo ressarcimento em moeda corrente ou compensação, nos termos expostos no item III.I.; b) DETERMINAR a Correção pela Selic do valor previsto no item “a” até seu ressarcimento ou utilização em compensação, uma vez que já deveria ter sido deferida no primeiro despacho decisório, nos termos expostos no item III.II. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o pedido de ressarcimento de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, em 30/12/2002 e no montante de R$ 664.244,11, respeitante ao 1º trimestrecalendário de 2000, cumulado com as Declarações de Compensação (PER/DCOMP) às fls. 1.397/1.398 , com débitos no total de R$ 131.805,15. Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 8 É prudente revisar as etapas dos autos, como já relatado, tendo em vista, diversos despachos decisórios, bem como manifestações de inconformidade, duas decisões DRJ, bem como diversos recursos voluntários, o que redundou nas Resoluções acima, para que a recorrente delimitasse o seu pleito, o que foi finalmente posto. Transcrevo parte do relatório: Pelo Despacho Decisório nº 027/2007 (fls. 1044/1051), a DRFB em Cascavel/PR deferiu parcialmente o pleito, tendo sido glosadas as parcelas relativas às compras de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da COFINS, às exportações de soja após limpeza e secagem e à atualização monetária pela SELIC do total requerido. O reconhecimento parcial do pedido de ressarcimento foi de R$ 107.935,23. Na manifestação de inconformidade (fls. 1062/1094), apresentada em 07/08/2007, foram alegadas ilegalidade e inconstitucionalidade de atos administrativos que restringem o benefício concedido pela lei, sendo que não importaria a origem dos insumos utilizados, pois todos que ingressassem na empresa com fins de exportação comporiam a base de cálculo do crédito presumido, sobre o qual inclusive incidiria a correção monetária, conforme julgados administrativos e judiciais mencionados. Neste ínterim, a interessada ajuizou o Mandado de Segurança nº 2007.70.05.0037088 pleiteando a inclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do benefício, sendo que, antes que esta instância administrativa se pronunciasse, logrou obter o pedido deduzido no Agravo de Instrumento nº 2007.04.00.0321455/PR, que determinou o recálculo do crédito presumido com a inclusão das controvertidas aquisições. Assim, em 30/05/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 97/2008 (fls. 1144/1149) com o reconhecimento da parcela em questão do crédito presumido e a homologação total da Declaração de Compensação vinculada ao pedido de ressarcimento. Contudo, a requerente apresentou, em 08/07/2008, nova manifestação de inconformidade (fls. 1171/1175) com a alegação de que este processo não poderia seguir para arquivo, na medida em que não foram apreciadas no âmbito do contencioso administrativo de primeira instância as alegações relativas à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das exportações de soja após limpeza e secagem e a atualização monetária, à taxa SELIC, do total requerido. Em 17/10/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 320/2008 (fl. 1218), com a homologação total das Declarações de Compensação, por força de decisão judicial nos autos do Agravo de Instrumento nº 2008.04.00.0010727 e conforme memorando à fl. 1183. Veio então a manifestação de inconformidade de 09/06/2009 (fls. 1232/1242) em relação a diversos processos atinentes a ressarcimento, inclusive este, com o pedido para apreciação de todos os recursos voluntários interpostos, sob pena de ofensa a direito líquido e certo. Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 10935.000889/200399 Acórdão n.º 3201002.261 S3C2T1 Fl. 1.582 9 O Acórdão DRJ/RPO nº 1433.651 (fls. 1255/1259) foi prolatado em 11/05/2011, com o julgamento de improcedência da manifestação de inconformidade e o nãoreconhecimento do direito creditório. Em conseqüência, foi interposto em 10/07/2012 o recurso voluntário às fls.1264/1301). Sobreviera, antes, o Acórdão (fls. 1309/1317), de 29/06/2011 (publicação em 07/07/2011) nos autos da Apelação Cível nº 2007.70.05.0037088/PR. Em 18/04/2013, no Despacho Decisório nº 199/2013 (fls. 1324/1329) foi decidido o seguinte: “a) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 027/2007, no valor de R$ 107.935,23 (cento e sete mil, novecentos e trinta e cinco reais e vinte e três centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; b) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 097/2008, no valor de R$ 349.933,39 (trezentos e quarenta e nove mil, novecentos e trinta e três reais e trinta e nove centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a não contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; c) Manter a homologação das compensações declaradas pelo contribuinte e vinculadas ao presente pleito até o limite do valor do crédito reconhecido; d) Pela inconsistência apontada impõese a necessidade de revisão do despacho que promoveu a compensação de ofício sob nº 320/2008 (cópia as fls. 1218), com o imediato cancelamento das compensações procedidas de ofício no presente processo, e que em ato contínuo, caso restar crédito remanescente, seja efetivada nova proposição de compensação de ofício, com observância as normas e rito processual e notificação prévia ao interessado; e) Atendendo determinação judicial, demonstrar o calculo da correção pela taxa SELIC, sobre a parcela do crédito indicada no “item B” acima, não reconhecida inicialmente pelo Fisco por restrição administrativa (IN 419, de 10/05/04, art. 2º, §2º), tendo como data inicial da contagem o dia 13/05/03 (data da formalização do pleito) e como data final o mês anterior ao da efetivação da compensação ou ressarcimento em espécie e de 1% relativamente ao mês em curso que ocorrer o evento (art. 39, §4º, da Lei 9.250/95)”. (grifos do original) Então ao caso, restringese o pleito em relação à aplicação ou não da taxa Selic, da parte deferida inicialmente no valor de R$ 107.935,23, conforme Despacho Decisório de nº 27/2007, e não sobre o que já foi decidido sobre a taxa Selic, ou seja, taxa Selic incide sobre parcela reconhecida judicialmente. Consta o Despacho Decisório nº 027/2007, onde foi deferido parcialmente o pleito, tendo sido glosadas as parcelas relativas às compras de pessoas físicas e cooperativas Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 10 não contribuintes do PIS e da COFINS, às exportações de soja após limpeza e secagem e à atualização monetária pela SELIC do total requerido. O reconhecimento parcial do pedido de ressarcimento foi de R$ 107.935,23. Então, no que diz respeito à correção monetária, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, aplicase a decisão tomada no Recurso Especial nº 993.164, do Superior Tribunal de Justiça, decidido em Regime de Recursos Repetitivos. Para maior clareza, transcrevoo a seguir. RECURSO ESPECIAL Nº 993.164 MG (2007/02311873) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 10935.000889/200399 Acórdão n.º 3201002.261 S3C2T1 Fl. 1.583 11 I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 12 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Pelo exposto, fica autorizada, portanto, a incidência de correção monetária pela Taxa Selic no caso de pedidos baseados no benefício instituído pela Lei 9.363/96. Quanto a isso, imperioso delimitar o prazo de que a correção monetária é devida desde a oposição do Órgão estatal, impedindo a utilização do direito ao crédito. No caso concreto, ao meu ver, já não houve mais oposição à concessão do valor ora reconhecido quando do primeiro Despacho Decisório (27/2007). De fato, houve, posteriormente à emissão do despacho primeiro, demora, inclusive na apreciação de outros pleitos, tempo decorrido por conta das duas outras intimações, para trazer aos autos, documentos e prestar esclarecimentos e vários outros trâmites processuais; no entanto, o direito ao crédito do primeiro despacho já se encontrava disponível para sua utilização. Mesmo entendimento exemplificativo quanto à aplicação da taxa Selic em relação à delimitação do prazo, conforme se traduz na ementa do acórdão de nº 3102002.412, de 20/03/2015, processo 10280.005329/200615, de relatoria de Ricardo Rosa que transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO ORIGINAL. EXCEDENTE APURADO PELA FISCALIZAÇÃO. CONCESSÃO. POSSIBILIDADE. PRAZO. PRESCRIÇÃO. Deve ser reconhecido o direito ao crédito não requerido originalmente no pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte, mas apurado pela Fiscalização Federal na análise do pleito. Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 10935.000889/200399 Acórdão n.º 3201002.261 S3C2T1 Fl. 1.584 13 Prescreve em cinco anos o direito de constituir o pedido de reconhecimento do crédito escriturado, na forma especificada pela Administração Tributária ou. Não sendo possível fazêlo na forma prescrita, atribuise o mesmo efeito à manifestação expressa apresentada pelo contribuinte no curso do procedimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. RECURSO ESPECIAL 993.164. DECISÃO PROFERIDA PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO. As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em Regime de Recursos Repetitivos, sistemática prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização de Crédito Presumido do IPI descaracteriza referido crédito como escritural, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Portanto, a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização de Crédito Presumido do IPI descaracteriza referido crédito como escritural, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. No caso concreto, aplicase a correção monetária até a ciência do primeiro despacho decisório; a partir de então, não houve oposição à concessão do valor reconhecido. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 14 Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA
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Numero do processo: 10865.904908/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.325
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 08 /2 01 2- 10 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904908/201210 Acórdão n.º 3201002.325 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.236. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904908/201210 Acórdão n.º 3201002.325 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904908/201210 Acórdão n.º 3201002.325 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904908/201210 Acórdão n.º 3201002.325 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904908/201210 Acórdão n.º 3201002.325 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904908/201210 Acórdão n.º 3201002.325 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904908/201210 Acórdão n.º 3201002.325 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 129DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728653/2009-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - TERCEIROS - SALÁRIO INDIRETO - BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES - AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO
A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado, não se encontra dentre as exclusões do art. 28, § 9º da lei 8212/91.
Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,tda Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DE PENALIDADE - RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício.
Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
REP Provido e REC Negado
Numero da decisão: 9202-004.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva (Relatora), Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva (Relatora), Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Patricia Da Silva - Relatora
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DE PENALIDADE RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 86 53 /2 00 9- 73 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA 2 dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. REP Provido e REC Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva (Relatora), Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva (Relatora), Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Patricia Da Silva Relatora (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10580.728653/200973 Acórdão n.º 9202004.006 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte contra o Acórdão nº 2301003.322, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. INAPLICABILIDADE PARA VALORES QUE BENEFICIAM OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, porém o benefício não se estende aos dependentes dos beneficiários. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na origem, tratase de Auto de Infração – DEBCAD nº 37.256.9625, consolidado em 14/12/2009, que tem por objeto contribuições previdenciárias de terceiros sobre benefícios concedidos a empregados a título de bolsa de estudo destinada a dependentes, no período entre 01/2005 a 12/2006. O valor consolidado do débito é de R$ 19.851,71 (Dezenove mil, oitocentos e cinquenta e um reais e setenta e um centavos), incluindo o principal, juros e multa de mora no percentual de 24%. Do relatório fiscal, importante extrair os principais trechos que fundamentaram a autuação: 6.1 Este levantamento, elaborado com base nas planilhas fornecidas pela empresa MÓDULO ADMINISTRAÇÃO Fl. 477DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA 4 BAHIANA DE CURSOS LTDA destinase à apuração das contribuições de terceiros incidentes sobre a remuneração indireta concedida na forma de bolsa de estudo a dependentes de empregados. As referidas bolsa têm como característica o desconto na mensalidade escolar de dependentes de empregados da empresa. (...) 6.6.1 Em consonância com os preceitos constitucionais, a Lei nº 8.212/91 dispõe, em seu art. 28, inciso I, que os ganhos habituais sob a forma de utilidades integram o saláriode contribuição ..... 6.7 As parcelas não integrantes do saláriodecontribuição, isto é, as exceções à regra geral, foram arroladas exaustivamente no § 9º, da Lei nº 8.212/91. Dentre as isenções elencadas no referido parágrafo, a única que trata da concessão de bolsas de estudo está disposta na alínea “t”, transcrita abaixo. ..... 6.7.1 Releva salientar que o art. 111, II, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172/66), impões que em matéria de outorga de isenção tributária a legislação deve ser interpretada de forma literal. Portanto, os pressupostos básicos para a não incidência de contribuição previdenciária da alínea “t” retro são necessariamente os seguintes: a) plano educacional visa à educação básico ou o curso de capacitação e qualificação profissional se vincule às atividades desenvolvidas pela empresa; e b) todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao plano educacional fundamental ou ao curso de capacitação e qualificação vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa. 6.7.2 De acordo com determinação legal expressa, a isenção alcança apenas os gastos com educação dos empregados, não podendo estes ser estendidos a seus dependentes, sem a devida tributação. Isto porque o fornecimento de cursos de educação para empregados é revertida em favor da empresa, uma vez que possibilita melhor desempenho das atividades profissionais, incrementando, dessa forma, a produtividade do empregado. O mesmo raciocínio não pode ser feito no caso de bolsa para dependentes de empregados, constituindo esta real acréscimo patrimonial, uma vez que impede que o empregado tenha mais esta despesa, desobrigandose do desembolso de valores para custear a educação dos dependentes. (...) Tendo por base o mesmo fato gerador, qual seja, concessão de bolsa de estudos a dependentes de empregados, foram lavrados, ainda, os seguintes autos de infração: AI nº 37.256.9609, relativo a contribuições previdenciária parte patronal; AI nº 37.256.961 7, relativo a contribuições previdenciárias dos segurados. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10580.728653/200973 Acórdão n.º 9202004.006 CSRFT2 Fl. 4 5 Por descumprimento de obrigações acessórias, foram lavrados os seguintes autos de infração: AI nº 37.256.9633, por: 1 não registrar em sua contabilidade os descontos que são concedidos nas mensalidades escolares dos filhos e/ou dependentes de seus empregados; 2 – por contabilizar como receitas apenas os valores efetivamente pagos pelos seus empregados pelo estudo de seus filhos/dependentes, desta forma, deixando omisso em sua contabilidade valores de incidência de contribuições previdenciárias e; 3 – não apresentar declaração relativa a outros vínculos para os empregados que recebem bolsa de estudo e que constam na GFIP com ocorrência 05 – Múltiplus Vínculos; AI nº 37.256.9641, por ter deixado de incluir nas folhas de pagamento remunerações pagas a título de bolsas de estudos; AI nº 37.256.9650, por ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos empregados relativas às bolsas de estudos. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente pela 7ª Turma da DRJ/SDR, sendo mantido o crédito tributário em sua integralidade. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual ficou decidido: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão do auxílio educação aos dependentes; I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente. Contra a decisão, o Procurador da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando a existência de divergência jurisprudencial com relação à disciplina da multa no caso de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias e à disciplina da multa no caso de descumprimento de obrigações acessórias vinculada ao lançamento das contribuições previdenciárias. A Fazenda aduz que o acórdão recorrido entendeu que deve se aplicar ao caso em tela o art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, com observância do art. 61, da Lei nº 9.430/96, ou seja, limitando a multa a 20%. Todavia, os acórdãos paradigmas suscitados entendem pela aplicação do atual art. 35A, da Lei nº 8.212/91, com remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Ainda, assevera que o acórdão recorrido determinou a aplicação da multa do art. 32A, da Lei nº 8.212/91 para o descumprimento das obrigações acessórias, enquanto que os acórdãos paradigmas entendem pela aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, obtida a partir da comparação entre a soma das multas aplicadas nos moldes do art. 35, II e art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à MP 449/2008, e o atual art. 35A, da Lei nº 8.212/91. Ao final, requer o provimento do recurso para reforma do julgado, determinandose a aplicação da multa conforme entendimento dos acórdãos paradigmas. Por sua vez, o Contribuinte interpôs Recurso Especial aduzindo a existência de divergência entre o acórdão recorrido e os Acórdãos nº 2402003.897 da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção e o Acórdão nº 2403002.505, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre bolsa de estudos destinada a dependentes de empregados. Aduz que os acórdãos paradigmas entenderam que a isenção das contribuições previdenciárias sobre bolsa de estudos visa atender o direito social à educação, Fl. 479DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA 6 razão pela qual se estende também aos dependentes de empregados, sendo considerado como um benefício para o trabalho. Diferentemente, o acórdão recorrido não se preocupou com a finalidade social do referido benefício, tratandoo meramente como verba remuneratória devida pelo trabalho do empregado. Ao final, requer o provimento do recurso para que seja reconhecida a não incidência de contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos destinadas a dependentes de empregados. Com contrarrazões, vieram os autos para análise e voto. É o relatório. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10580.728653/200973 Acórdão n.º 9202004.006 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheira Patricia da Silva Os recursos interpostos pelo Contribuinte e pelo Procurador observaram os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. O objeto da matéria suscitada no presente Recurso Especial cingese à discussão quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre auxílioeducação destinado a dependentes de empregados. Antes de adentramos na matéria de fundo, importante tecer alguns comentários sobre a disciplina da contribuição previdenciária e do saláriodecontribuição sob a ótica da Constituição Federal e da legislação vigente. Como se sabe, a Constituição Federal disciplina expressamente a matéria em seu art. 201, § 11º, dispondo que somente ganhos habituais incorporam o salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios. Referido dispositivo constitucional consagra o princípio da vinculação entre custeio e benefício, em matéria de incidência de contribuição previdenciária sobre parcelas pagas, no curso do contrato de trabalho, pelo empregador ao empregado. Regulamentando a matéria, a Lei 8.212/91 define a incidência da contribuição previdenciária e define as verbas que integram o saláriodecontribuição, sendo consideradas como a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa, conforme art. 28, I. Com relação aos benefícios concedidos à título de bolsa de estudos, o art. 28, § 9º, “t”, assim prevê: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ..... t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Fl. 481DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA 8 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Tal dispositivo sofreu uma evolução e apenas a partir das alterações introduzidas pela Lei nº 12.513/2011 que se passou a admitir que os auxílios destinados aos dependentes com educação básica – formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio (art. 21, I, da Lei nº 9.394/96) – não integram o saláriodecontribuição. In casu, tratase de bolsa de estudos de educação fundamental destinada a dependentes de empregados referentes nos anos de 2005 e 2006, período este em que a Lei nº 8.212/91 ainda não previa a exclusão de tais benefícios do saláriodecontribuição, razão pela qual foram lavrados os autos de infração ora em apreço. Todavia, em nome do princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, II, a, do CTN, entendo ser plenamente cabível que o art. 28, §9º, “t”, da Lei nº 8.212/91 retroaja para alcançar os fatos geradores em questão, haja vista que se trata de ato não definitivamente julgado e a lei atual deixou de definir como infração a ausência de recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre bolsa de estudos destinadas à educação básica de dependentes de empregados. Frisese, ainda, que mesmo antes das modificações introduzidas pela Lei nº 12.513/2001, a jurisprudência Superior Tribunal de Justiça já era pacífica quanto à não incidência de contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos pagas a empregados e seus dependentes a qualquer título, vejamos: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10580.728653/200973 Acórdão n.º 9202004.006 CSRFT2 Fl. 6 9 (STJ AgRg no Ag: 1330484 RS 2010/01332373, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 18/11/2010, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 01/12/2010) TRIBUTÁRIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os valores despendidos pelo empregador a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados ou aos filhos destes não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. 2. Recurso especial provido. (STJ – RESP 921.851/SP. Relator: Ministro João Otávio de Noronha, Julgamento: 11/09/2007) Com relação ao Recurso Especial do Procurador, que tem por objeto a multa aplicada pelo descumprimento de obrigações principais e acessórias, entendo que o recurso perdeu o objeto, pois inexistindo o principal não há que se falar nos acessórios. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre o auxílio educação destinado à educação básica dos dependentes de empregados e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial do Procurador. Patricia da Silva Relatora Fl. 483DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA 10 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Peço licença a ilustre conselheira Patrícia da Silva para divergir do seu entendimento quanto ao alcance da lei 8212/91 em relação a concessão de bolsa de estudos aos dependentes, bem como o cálculo da multa pela alteração promovida pela MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE BOLSA AOS ESTUDO AOS DEPENDENTES DE EMPREGADOS Quanto a concessão de bolsa de estudos aos filhos dos empregados não constituírem salário de contribuição, razão não confiro ao recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Fl. 484DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10580.728653/200973 Acórdão n.º 9202004.006 CSRFT2 Fl. 7 11 No caso quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição. Assim encontrase previsto no relatório fiscal a concessão das bolsas: Constam deste AI os créditos relativos ao Levantamento BE1 Bolsa de Estudo. Este levantamento, elaborado com base nas planilhas fornecidas pela empresa, destinase à apuração das contribuições patronais incidentes sobre a remuneração indireta concedida na forma de bolsas de estudo a dependentes de empregados. As referidas bolsas têm como característica o desconto na mensalidade escolar de dependentes de empregados da empresa. Esclarece ainda o relatório fiscal: a) A fiscalização confeccionou planilha (Anexo I, fls. 64/70) que discrimina os nomes dos empregados contemplados com a concessão das bolsas, os nomes dos dependentes (alunos), o valor da bolsa (desconto concedido) e outras informações julgadas necessárias. b) A empresa apresentou declaração (Anexo IV, fl. 113) por conta de solicitação fiscal, informando que não registra em sua contabilidade os descontos que são concedidos nas mensalidades escolares dos filhos/dependentes de seus empregados, e que contabiliza como receita apenas os valores que são efetivamente pagos pelos seus empregados. c) As Convenções Coletivas de Trabalho celebradas entre o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino SINEPE/ BA e o Sindicato dos Professores SINPRO/ BA dispõem, na cláusula 13, acerca da concessão de bolsas de estudos (ajuda escolar) a dependentes de empregados da área pedagógica de estabelecimentos de ensino. Já as Convenções Coletivas de Trabalho firmadas entre SINEPE/BA e o Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar SAAE/ BA são omissas em relação á concessão do citado benefício. d) O fato gerador apurado não foi declarado nas folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social (GFIP) pelo contribuinte, o que ensejou, respectivamente, a lavratura do presente Auto de Infração e a cobrança de multa de mora de 24% incidente sobre o valor original das contribuições apuradas. Tal constatação será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, pois caracteriza, em tese, a prática de crime capitulado na Lei 8.137/90 Crimes Contra Ordem Tributária Dos crimes praticados por particulares " Art. 10 Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei n° 9.964, de 10.4.2000) I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias". Fl. 485DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA 12 e) Não constam recolhimentos ou parcelamentos de valores correspondentes ao levantamento incluído neste AI, porquanto o contribuinte não considerava que a rubrica em questão era fato gerador de contribuições previdenciárias f) Em observância ao princípio da retroatividade benigna prevista no art.106, inciso II, “c”, do CTN, comparouse a multa calculada de acordo com a nova legislação (MP 448/2008 convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009) com a penalidade imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador. g) Os dispositivos legais que fundamentam o presente lançamento encontramse elencados no relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD), anexo ao presente AI. h) As contribuições apuradas e as alíquotas aplicadas, assim como os acréscimos legais aplicados, constam explicitados nos seguintes anexos: Discriminativo do Débito (DD) e Relatório de Lançamentos (RL). De pronto destaco, ao contrário do que encaminhou a ilustre relatora, entendo que até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 e fez expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, razão porque correto o lançamento em relação aos dependentes, independente do tipo de curso ofertado. Senão vejamos novamente, o disposto no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Vale destacar que não estamos falando de regra meramente interpretativa, ou mesmo legislação que deixou de considera infração determinada conduta, mas de alteração legislativa que excluiu da base de cálculo, ou mesmo do conceito de salário de contribuição determinado benefício. Dessa forma, sua aplicabilidade é restrita aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação. O ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente, quando a empresa concedeu os planos de previdência privada. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca o conceito de remuneração em sua acepção mais ampla.. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade Fl. 486DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10580.728653/200973 Acórdão n.º 9202004.006 CSRFT2 Fl. 8 13 que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária, seja ele contribuições para Previdência privada, um bônus ou uma gratificação. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de BOLSA D ESTUDOS AOS DEPENDENTES, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS DE DEPENDENTES, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição, razão pela qual NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DO CONTRIBUINTE. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL APLICAÇÃO DA MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Fl. 487DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA 14 Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ter seu patamar restabelecido àquele lançado pela autoridade fiscal, entendo que razão assiste ao recorrente. No que toca à multa, a autoridade fiscal registrou em seu relatório: "f) Em observância ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, “c”, do CTN, comparouse a multa calculada de acordo com a nova legislação (MP 448/2008 convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009) com a penalidade imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador." Ainda no que tange ao cálculo da multa, para entender a natureza das multas aplicadas e por conseguinte como deve ser interpretada a norma, passemos a algumas considerações, tendo em vista que a citada alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP, introduzindo dois novos dispositivos legais, senão vejamos: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 488DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10580.728653/200973 Acórdão n.º 9202004.006 CSRFT2 Fl. 9 15 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, conforme consta do relatório, foi feito o comparativo entre a sistemática anterior 24% e o AIOA, e a multa atual do art. 35A, justamente aplicandose aquela que fosse mais benéfica ao recorrente no momento da lavratura. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA 16 Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, ou seja, 24% e No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Assim, entendo que a multa aplicada pelo auditor encontrase em perfeita consonância com os normativos vigentes, bem como refletem de forma mais adequada a natureza da multa aplicada. Notese que a decisão proferida pela turma a quo, não encontrase adequada a tese aqui exposta, tendo em vista que admite a aplicação não apenas da multa do art. 35, bem como a concomitância da multa pelo descumprimento da obrigação acessória art. 32 ambas da lei 8212/91, o que na tese aqui descrita implica bis in idem. Com relação a multa, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para restabelecer a multa originalmente aplicada no presente lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para restabelecer a multa originalmente aplicada no presente lançamento. Já em relação ao Recurso Especial do Sujeito Passivo, voto por NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 490DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por PATRICIA DA SILVA
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