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Numero do processo: 10980.727832/2013-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
PROCEDIMENTO FISCAL. ETAPA INVESTIGATÓRIO. ACESSO PATRONO A EXTRATOS BANCÁRIOS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
O procedimento fiscal é investigatório e de natureza inquisitiva, não havendo nulidade em eventual negativa de acesso ao patrono do contribuinte aos extratos bancários obtidos pelo Fisco junto à instituições financeiras, mormente quando não demonstrado qualquer prejuízo à ampla defesa.
INTIMAÇÃO PESSOAL. DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 9.
Reza a Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
FUNDAMENTAÇÃO DA AUTUAÇÃO E DA IMPUTAÇÃO DA MULTA.
Constando do lançamento a detalhada descrição dos fatos e do direito que levaram à apuração das infrações tributárias, inclusive da multa de ofício exasperada, não há, por esse prisma, falar em nulidade.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Versando as razões recursais acerca da violação do princípio constitucional do não-confisco, cabe aplicar a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente em Exercício.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ETAPA INVESTIGATÓRIO. ACESSO PATRONO A EXTRATOS BANCÁRIOS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O procedimento fiscal é investigatório e de natureza inquisitiva, não havendo nulidade em eventual negativa de acesso ao patrono do contribuinte aos extratos bancários obtidos pelo Fisco junto à instituições financeiras, mormente quando não demonstrado qualquer prejuízo à ampla defesa. INTIMAÇÃO PESSOAL. DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 9. Reza a Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. FUNDAMENTAÇÃO DA AUTUAÇÃO E DA IMPUTAÇÃO DA MULTA. Constando do lançamento a detalhada descrição dos fatos e do direito que levaram à apuração das infrações tributárias, inclusive da multa de ofício exasperada, não há, por esse prisma, falar em nulidade. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF Nº 2. Versando as razões recursais acerca da violação do princípio constitucional do nãoconfisco, cabe aplicar a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 78 32 /2 01 3- 67 Fl. 6656DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente em Exercício. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 6657DF CARF MF Processo nº 10980.727832/201367 Acórdão n.º 2402005.711 S2C4T2 Fl. 42 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que julgou procedente Auto de Infração (fls. 6579/6595) de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), relativo aos anos calendário 2008 e 2009. O lançamento decorreu da apuração das infrações: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, acréscimo patrimonial a descoberto, e ganhos de capital na alienação de bens e direitos. A instância recorrida assim descreveu a ação fiscal: A ação fiscal originouse do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 0910100201101463, para verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte no período. A multa aplicada o foi no percentual de 225%, conforme descrito à fl.6.590 e no Termo de Verificação Fiscal (transcrito mais abaixo). Cabe observar que a estes autos encontramse apensada a Representação Fiscal Para Fins Penais – RFFP de nº 10980.727833/201310 (fl.6.596). Observase também, apensado a estes autos, o Termo de Ciência de Arrolamento de Bens e Direitos sob o número de processo 10980.727834/201356 que informa ao contribuinte: “Ao alienar, transferir ou onerar qualquer dos bens e/ou direitos arrolados, o contribuinte estará obrigado a comunicar a operação, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ocorrência do fato, a Delegacia da Receita Federal de sua jurisdição. (...)” O presente lançamento de ofício decorreu da apuração, em procedimento fiscal, das infrações à legislação tributária, conforme discriminado pela autoridade lançadora no robusto Termo de Verificação Fiscal de fls. 6.454 a 6.518. Sem prejuízo da sua leitura integral, destacase: (fl.6454) “Trata este termo do encerramento de ação fiscal instaurada para verificar a ocorrência de variação patrimonial a descoberto do contribuinte acima identificado, nos anoscalendário de 2007 a 2009, determinada através do Mandado de Procedimento Fiscal supra. O Auto de Infração relativo aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007 foi objeto do PAF 10980.728731/201222, sendo tratados neste Termo de Verificação os fatos ocorridos nos anoscalendário de 2008 e 2009.” “No bojo dos Autos nº 2009.72.00.01082595 da Justiça Federal, onde Eugênio Rosa da Silva era investigado, foi autorizado o compartilhamento total de informações, dados, provas e documentos entre a Polícia Federal e a Receita Federal, permitindose o acesso deste ao material de áudio/dados produzido durante a interceptação telefônica e demais diligência policiais levadas a efeito, com possibilidade de utilização de tais provas nos procedimentos fiscais eventualmente instaurados. (...) Dentre os documentos e arquivos apreendidos nos computadores foram encontradas: anotações manuscritas e planilhas que indicavam que o contribuinte fiscalizado possuía patrimônio muito superior ao Fl. 6658DF CARF MF 4 informado em suas DIRPF, incluindo várias empresas registradas em nome de terceiros e grande número de veículos; planilha de controle de cheques com vasta movimentação de contascorrentes titularizadas pelo fiscalizado e por terceiros.” (obs do relator: fl.312) (fl.6.458) “Em 17/10/2013, foi apresentado requerimento firmado pelo advogado do fiscalizado, Anderson Gaspar, OAB/PR 36541, que solicitava reprogafia integral dos documentos que embasaram as origens e aplicações dos Demonstrativos de Variação Patrimonial, enviados em anexo ao TIF nº 018, e reintimação para que sejam prestadas as informações solicitadas. Em atendimento ao requerimento, em 21/10/2013 foi lavrado Termo de entrega de Documentos e Prorrogação de Prazo, que oficializou a entrega naquela data ao advogado requerente de cópias digitalizadas de procurações, escrituras, matrículas de imóveis, atos contratuais de empresas arquivados nas Junta Comerciais do Paraná e de Santa Catarina, documentos de alienação e aquisição de veículos arquivados nos Detran do Paraná e de Santa Catarina, termos de intimação de terceiros e outros documentos comprobatórios das origens e dispêndios relacionados nos Demonstrativos de Variação Patrimonial, relativos aos anoscalendário de 2008 e 2009, encaminhados em anexo ao Termo de Reintimação Fiscal – TRF nº 019 (ERS), gravados em mídia apresentada pelo citado advogado, com exceção dos extratos e documentos bancários, devido ao sigilo imposto pela legislação pátria, que poderiam ser entregues mediante autorização expressa do fiscalizado. Quanto ao pedido de reintimação, sendo aquele o último dia para atendimento do TRF nº 019 (ERS), recebido em 12/10/2013, foi prorrogado o prazo por mais cinco dias úteis para apresentação dos documentos e prestação dos esclarecimentos solicitados. Esgotado o prazo, mais uma vez não foi apresentada manifestação, até esta data.” (fl.6.459) “1.2.1. Da Requisitação de Movimentação Financeira do Fiscalizado Eugênio Rosa da Silva. Diante da ausência de respostas aos Termos de Intimação Fiscal, sem apresentação dos elementos solicitados, considerouse configurada a hipótese legal de embaraço à fiscalização prevista no art.33, inciso I da Lei nº 9.430/1996, pelo não fornecimento de informações sobre movimentação financeira, depois de reiteradas intimações, registrada em Termo em 20/03/2012, com ciência do contribuinte por via posta em 13/04/2001, conforme Aviso de Recebimento. O Decreto nº 3.724/2001 regulamenta a aquisição, acesso e uso por este órgão de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas. O art.3º determina as hipóteses em que os exames de contas de depósitos e de aplicações financeira podem ser considerados indispensáveis. A hipótese de embaraço à fiscalização está prevista no inciso VII daquele artigo. Além disso, restou configurada também a hipótese legal prevista no inciso V do art. 3o. do Decreto n º3.724/2001, já que os gastos e investimentos do contribuinte são muito superiores à renda declarada, especificamente: em 2008 declarou rendimentos de R$80.000,00 em 2008 e gastos com aquisição de cotas de empresas e quitação de dívidas no valor de R$1.799.999,92; em 2009, declarou rendimentos de R$353.882,41 e gastos com aquisição de bens e quitação de dívidas no valor de R$2.872.073,11. Caracterizadas as hipóteses previstas nos inciso V e VII do art. 3º do Decreto nº 3.7524/2001, revelouse indispensável o exame da movimentação financeira do contribuinte, nos termo do § 5o. do art.2o. do referido Decreto, para fins de execução do procedimento fiscal. Assim foram expedidas Requisições de Movimentação Financeira para as instituições que informaram movimentação financeira em nome do fiscalizado nos anos calendário de 2008 e 2009.” (fl.6.463) (sobre Acréscimo Patrimonial a Descoberto) “Os documentos coletados durante a ação fiscal comprovaram que o fiscalizado realizou grande volume de negócios e que tem como prática reiterada a aquisição de bens e Fl. 6659DF CARF MF Processo nº 10980.727832/201367 Acórdão n.º 2402005.711 S2C4T2 Fl. 43 5 direitos, mediante contratos particulares ou procurações em causa própria em favor do adquirente e/ou registrandoos em nome de terceiros, com o evidente intuito de ocultar aumento de patrimônio e os rendimentos auferidos, utilizados nas aquisições. Conforme detalhadamente relatado neste Termo de Verificação, nos anoscalendário de 2008 e 2009, o fiscalizado: quitou dívidas de imóveis adquiridos com recursos de empresas sem declarar os recebimentos dos rendimentos; adquiriu terrenos através de procuração lavrada em causa própria e os utilizou em aumento de capital de empresa em que não consta oficialmente do quadro societário; enviou grande soma de recursos para diversas empresas e pessoas físicas; adquiriu bens em nome de filha, da qual possui procuração lhe outorgando amplos poderes para dispor de seus bens e negócios; recebeu grande soma de recursos de empresas sem declarar os rendimentos. Tais fatos corroboram os documentos apreendidos em mando de busca e apreensão, descrito no subitem 1.1, que indicavam que o fiscalizado possuía patrimônio muito superior ao informado em suas DIRPF.” (fl.6.478) “O fiscalizado foi intimado e reintimado através do TIF n º 011 (ERS) e do TRF n º 012(ERS) a informar e comprovar a natureza (motivo/finalidade) de cada um dos débitos bancários que fazem parte da movimentação financeira de suas contascorrentes mantidas junto aos Bancos Real Santander e Unibanco, mas não foi apresentada resposta. Como resta comprovada a efetivação do dispêndio e foram identificados os seus beneficiários, os valores foram incluídos no fluxo financeiro mensal para apuração de variação patrimonial a descoberto do anocalendário de 2008, nos meses em que efetivamente ocorreram as transferências ou em que os cheques foram compensados.” (fl.6.508) (Dos valores apurados) “Para apuração da ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto foram elaborados Demonstrativos de Variação PatrimonialFluxo Financeiro Mensal dos anoscalendário de 2008 e 2009, anexos a este Termo de Verificação, considerando as origens de recursos e as aplicações identificadas nos subitens 2.1 e 2.2. Assim, apurouse a ocorrência de dispêndios/aplicações de recursos superiores aos rendimentos recebidos declarados e comprovados, conforme demonstrado nas tabelas a seguir, tipificando a hipótese prevista no art.55XIII do Decreto 3.000/1999.” (fl.6.510) (Omissão de Rendimento Depósito Bancário de origem não comprovada) Embora seja dever do contribuinte justificar a origem dos valores creditados em sua contacorrente, sob pena de serem considerados rendimentos omitidos, nos termos do art.42 da Lei n º 9.430/1996, foram realizadas algumas diligência em busca de informações quanto à natureza dos recursos depositados em contas bancárias do contribuinte, quando no histórico bancários havia informações sobre o remetente dos recurso, mas não foi possível identificar a origem dos recursos creditados, considerados depósitos de origem não comprovada, por apresentarem alegações não comprovadas documentalmente ou não responderem às intimações sobre a natureza dos valores creditados. A simples identificação do remetente no histórico do depósito bancário não configura comprovação da origem dos recursos, uma vez que não resta determinada a natureza dos rendimentos para aplicação das regras de tributação específica, conforme previsto no § 2o.do art.42 da citada norma.” (fl.6.512) (Dos Ganhos de Capital na Alienação de Bens Móveis e Imóveis). “Os fatos relatados a seguir demonstram que o fiscalizado é o real proprietário da empresa Taj Mahal e que o aumento de capital realizado com a entrega dos imóveis foi na verdade efetuada por Eugênio Rosa. Agnaldo Sipriano da Silva CPF 141.193.87712, consta como sócio de diversas outras empresas ligadas ao Fl. 6660DF CARF MF 6 fiscalizado, mas tem endereço cadastral com número inexistente e não foi possível localizalo em diligências realizadas junto às empresas em que era sócio no início da ação fiscal.” (fl.6.513) “Em suas DIRPF, o fiscalizado e o cônjuge não informaram os rendimentos referentes aos ganhos de capital, nem incluíram os demonstrativos específicos para este fim. Logo, procedemos ao lançamento de ofício, com base no disposto na Lei nº 7.713/1988, artigos 1o. e 3o., §2º a 4º, e na Lei 8.981/1995, artigo 21.” “4.3) Aquisição e Dação em Pagamentos dos Lotes de matrícula 23.320 e 23.321 do 2º CRI Foz. (...)Diante do exposto e considerando que o fiscalizado costuma adquirir e alienar imóveis sem lavrar escrituras ou registrar a aquisição nos órgãos públicos, através de procurações em que o comprovador pode deles dispor como bem lhe aprouver, concluímos que aquele adquiriu os lotes de Gisele Rosa na data da lavratura da procuração.” (fl.6.514) (Da omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica) “O fiscalizado recebeu das pessoas jurídicas relacionadas a seguir , rendimentos tributáveis não informados em sua DIRPF, o que impõe o lançamento de ofício de acordo com o disposto no Decreto nº 3.000/1999.” A despeito da impugnação (fls. 6598/6607), a exigência foi integralmente mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 6612/6633), acarretando a interposição de recurso voluntário em 23/6/2014, no qual foi alegado, em síntese: que foi negado ao procurador a entrega dos extratos bancários obtidos pela autoridade lançadora no curso da ação fiscal, o que contrariaria diversas normas a que alude, ensejando a nulidade do procedimento; não foi procedida a intimação pessoal do contribuinte, sendo que as intimações foram recebidas por terceiros que não são prepostos ou mandatários, devendo ser declarada nula a autuação; que a multa de ofício aplicada é confiscatória e o auto de infração é nulo por falta de motivação, especialmente no que se refere à multa imposta no percentual de 225%. É o relatório. Fl. 6661DF CARF MF Processo nº 10980.727832/201367 Acórdão n.º 2402005.711 S2C4T2 Fl. 44 7 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De plano, cabe explicar que o procedimento fiscal está submetido ao princípio inquisitivo, podendo ser, por vezes, conduzido pela autoridade lançadora sem oitiva prévia do sujeito passivo. Nesse diapasão, já assentou a Súmula CARF nº 46: "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". Na espécie, merecer realce o fato de que os extratos bancários obtidos pelo Fisco perante as instituições financeiras dizem respeito à movimentação financeira do próprio contribuinte, o qual tem a titularidade das contas examinadas e assim, controle e conhecimento das operações nelas desenvolvidas. Ademais, após o início do contencioso fiscal, com a ciência do lançamento, tornouse perfeitamente possível que o referido cotejasse as informações levantadas pelo Fisco com as que sempre dispôs, na qualidade de titular das contas em apreço, e aduzisse as razões que entendesse cabíveis em defesa de seu direito. Assim, ainda que não houvesse sido franqueado ao patrono do autuado acesso aos extratos, não resta demonstrado qualquer prejuízo para os princípios da ampla defesa e contraditório, seja direto ou reflexo, a ensejar decretação de nulidade. Partilhando de entendimento convergente, citese os Acórdãos nº 2102001.749 (j. 20/1/2012) e 2401003.978 (j. 10/12/2015), disponíveis no sítio do CARF na internet. Nessa vereda, também não prosperam as postulações de nulidade baseadas no fato de que não houve intimação pessoal do contribuinte, ou de seu mandatário ou preposto, para fins de demandar a comprovação da origem dos depósitos bancários. O fato é que a intimação foi realizada via postal, no endereço cadastral do contribuinte perante a Secretaria da Receita Federal, estando a correção desse procedimento legitimada pelo inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, e pacificada no entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 9: "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". O recorrente aponta, outrossim, nulidade do auto de infração por falta de motivação, do que não se pode cogitar nos presentes autos, visto que, além da fundamentação legal e apuração do crédito tributário estarem minuciosamente descritos às fls. 6579/6595, tem se o profuso detalhamento das infrações constatadas nas 65 (sessenta e cinco) páginas do Termo de Verificação Fiscal (fls. 6454/6518). Na mesma senda, temse como sem qualquer respaldo a alegação de que não houve justificação para a imputação de multa qualificada e agravada percentual de 225%, pois a respectiva fundamentação encontrase disponível no item "6) Do Agravamento e da Fl. 6662DF CARF MF 8 Qualificação da Multa de Ofício" do Termo de Verificação Fiscal (fls. 6517 e 6518). Pode o contribuinte discordar das razões ali trazidas, o que não acontece, aliás, mas não dizer genericamente que não há motivação para o gravame, pois tal arguição não se coaduna com a realidade do processo. Por fim, quanto à pretensa violação do princípio constitucional do não confisco, deve ser ela afastada por atrair a incidência do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343/15): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 6663DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721550/2013-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/08/2009, 30/11/2009
CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O Auto de Infração é instrumento adequado para a constituição de ofício do crédito tributário com suspensão da exigibilidade. Aplicação da Súmula Carf nº 48.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer em parte do recurso. Na parte conhecida, acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheirosLuiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro,Valcir Gassen
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ARRENDAMENTO MERCANTIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/08/2009, 30/11/2009 CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O Auto de Infração é instrumento adequado para a constituição de ofício do crédito tributário com suspensão da exigibilidade. Aplicação da Súmula Carf nº 48. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer em parte do recurso. Na parte conhecida, acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 15 50 /2 01 3- 46 Fl. 2891DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheirosLuiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro,Valcir Gassen Relatório Tratase de Autos de Infração de Pis e Cofins, nos valores originais de R$ 1.262.307,63 e R$ 7.768.046,92, respectivamente. A recorrente, empresa de arrendamento mercantil, impetrara Mandado de Segurança ( 2006.61.00.0218884 ) para discutir a base de cálculo da incidência de Pis e Cofins sobre suas atividades. Em razão de decisão judicial, grande parcela do Pis e Cofins devidos vinha sendo declarada em DCTF com suspensão de exigibilidade. Informa o autuante que as DCTF´s do ano de 2009 foram declaradas corretamente, sendo que a parcela de contribuições devidas que estava sendo discutida judicialmente foi declarada como suspensa, e a parcela incontroversa, relativa a prestação de serviços, foi declarada e recolhida (fl. 2.673). A exceção a essa forma de declarar foram os meses de agosto de novembro, nos quais a parcela suspensa não foi declarada. Desse modo, o Pis e Cofins devidos, porém suspensos por medida judicial, dos meses de agosto e novembro de 2009, foram constituídos de ofício para prevenção de decadência, sem incidência de multa de ofício ou de mora. A empresa impugna o lançamento sob os seguintes argumentos, em síntese: o meio utilizado para formalizar o crédito tributário, Auto de Infração, teria sido inadequado. Segundo a empresa, por não haver infração nem penalidade, o correto teria sido a notificação de lançamento, conforme arts. 9º e 10, inciso IV, do Decreto 70.235/72. Colaciona jurisprudência que entende pertinente ao tema; no mérito, discute longamente a base de cálculo do Pis e da Cofins das instituições financeiras, face a legislação vigente e a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Assevera: que a base de cálculo constituise somente pela venda de mercadorias e serviços; que a equiparação das receitas financeiras com prestação de serviços é equivocada; a impossibilidade de classificação de receitas de arrendamento mercantil como prestação de serviços; traça considerações sobre a natureza jurídica do arrendamento mercantil; por fim pede improcedência total dos Autos de Infração combatidos. A DRJ/RJO/RJ decidiu (Acórdão 1279.463 – 16ª Turma) pela improcedência da impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Confirase a ementa: Fl. 2892DF CARF MF Processo nº 16327.721550/201346 Acórdão n.º 3301003.150 S3C3T1 Fl. 2.881 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2009, 30/11/2009 CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura pelo contribuinte, de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, sendo cabível apenas a apreciação pelo órgão de julgamento administrativo de matéria distinta daquela constante do processo judicial. LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. O único instrumento legal à disposição do auditorfiscal para o lançamento tributário, seu dever funcional, é o auto de infração, pois apenas o chefe do órgão que administra o tributo pode emitir notificação de lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Sobreveio então o Recurso Voluntário, em que a empresa reafirma os argumentos da impugnação, agregando o seguinte: Em preliminar, quanto ao meio adequado para constituir o lançamento, sustenta que o art. 43 da Lei 9.430/96, base da improcedência da impugnação declarada pela DRJ, estaria na verdade confirmando o entendimento da recorrente, ao prever a possibilidade de Auto de Infração somente de multa e juros, sem tributo, mas não tributo sem multa; Ainda em preliminar, defende que não houve renúncia à instância administrativa, posto que a demanda judicial foi anterior ao início do procedimento fiscal, não podendo renunciar ao que não existia; Esse entendimento seria reforçado pelo fato de a Lei 6.830/08, art. 38, e o Decretolei 1.737/79, art. 1º, §2º, preverem a renúncia à instância administrativa no caso da propositura das ações judiciais posteriores ao procedimento administrativo; Argumenta que no processo judicial discutese o direito em tese, enquanto no administrativo o direito em concreto, para materializar o quantum devido. No mérito, reforça extensa argumentação quanto aos conceitos próprios de base de cálculo para empresas de arrendamento mercantil, apresentados já na impugnação. É o relatório. Fl. 2893DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator A preliminar em que a recorrente pede pelo cancelamento do Auto de Infração, alegando a inadequação da utilização de Auto de Infração, ao invés de Notificação de Lançamento, deve ser rejeitada. Os argumentos da recorrente baseiamse na redação do artigo 43 da Lei 9.430/96: Art. 43 Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Dessa redação conclui que não poderia haver Auto de Infração somente do tributo, sem penalidade. Reforça essa tese trazendo a lume os artigos 9º, 10º, inciso IV e 11º, do Decreto 70.235/72: Artigo 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Artigo 10º O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (…) IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. (grifo da recorrente) Artigo 11º A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: (…) III – a disposição legal infringida, se for o caso. (grifo da recorrente) Daí deduz a recorrente que, não havendo penalidade, não caberia Auto de Infração. Logo, a constituição do crédito tributário deveria terse dado pelo outro meio, a Notificação de Lançamento prevista no artigo 9º. Divirjo de tal entendimento. O que há, nos dispositivos tratados, são os requisitos necessários tanto da Notificação de Lançamento quanto do Auto de Infração, mas não em quais casos serão usados. O Auto de infração, nos termos do art. 10, é mais completo e abrange todas as situações possíveis para efetivação do lançamento de ofício. A notificação de lançamento é que é mais restrita, aplicável em circunstâncias específicas em que não se exija a participação direta do Auditorfiscal, tais como a formalização automática da exigência em casos de malha Fl. 2894DF CARF MF Processo nº 16327.721550/201346 Acórdão n.º 3301003.150 S3C3T1 Fl. 2.882 5 fiscal preparada em sistemas de computadores e assinada eletronicamente, emitida em lotes numerosos. Confirase, nesse sentido, as disposições da Instrução Normativa da Receita Federal nº 958/2009: Art. 1º A revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) farseá mediante procedimentos internos decorrentes de parâmetros nacionais estabelecidos pelas CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis), CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança (Codac) e CoordenaçãoGeral de Tecnologia da Informação (Cotec), de acordo com suas competências regimentais. (...) Art. 2º Da revisão da declaração poderá resultar notificação de lançamento ou auto de infração. § 1º Quando for constatada infração à legislação tributária exclusivamente por meio de informações constantes das bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), será expedida notificação de lançamento, da qual será dada ciência ao contribuinte. § 2º Quando as infrações à legislação tributária forem constatadas após análise das informações apresentadas pelo sujeito passivo, nos termos previstos no art. 3º desta Instrução Normativa, será lavrado auto de infração pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) que presidir e executar o procedimento. As disposições legais acerca da nulidade do lançamento não distinguem quanto ao meio – Auto de Infração ou Notificação de Lançamento estabelecendo apenas os elementos imprescindíveis e a adequada descrição da motivação, nos termos dos artigos 10, 11 e 59 do Decreto 70.235/72. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não faltando os elementos do artigo 10, e não incidindo nas nulidades do art. 59, o Auto de Infração consubstanciase como lançamento válido para formalização da exigência. Cabe ainda, nesta instância de julgamento, cumprir o determinado na Súmula Carf nº 48: Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. (grifo meu) Fl. 2895DF CARF MF 6 Transcrevo, para ilustrar, ementa do Acórdão 10196.910, um dos paradigmas para a formalização da referida súmula. “NULIDADE – Não é nula a exigência formalizado em auto de infração, ainda que sem imposição de penalidade, por se tratar de lançamento para prevenir a decadência em razão de o contribuinte se encontrar acobertado por medida liminar em mandado de segurança.” Portanto, não acato a preliminar arguida. Ainda em preliminar, alega a recorrente que não houve renúncia à instância administrativa, por concomitância com processo judicial. Cumpre então estabelecer os limites do litígio administrativo, em vista da existência do Mandado de Segurança 2006.61.00.0218884. Para detalhamento da matéria lá tratada, transcrevo trecho do Acórdão a quo: Em outubro de 2006 a empresa impetrou mandado de segurança nº 2006.61.00.0218884 (fls. 88 a 103) contra o Delegado da Delegacia Especial de Instituições Financeiras da Receita Federal do Brasil requerendo que fosse julgado procedente o mandamus com a concessão definitiva da ordem, para o fim de que seja reconhecido seu direito líquido e certo: (i) ao afastamento do artigo 3º, caput, e de seu parágrafo 1º, ambos da Lei nº 9.718/98, por violarem o Texto Constitucional vigente à época de sua edição, e (ii) de sujeitaremse à incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS (fatos geradores futuros) tomando como base de cálculo o faturamento (e não a totalidade das receitas), assim entendido o produto exclusivamente da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambas, tal como definido pela Lei Complementar nº 70/91. Em 08/01/2006 foi deferida liminar em sede de agravo (fls. 109/114) a fim de afastar a aplicação da Lei nº 9.718/98 para ver afastada a incidência do PIS e da COFINS sobre o total de suas receitas. A União interpôs apelação sustentando inicialmente a ocorrência da prescrição. Salienta a constitucionalidade formal e material das alterações promovidas pela Lei 9.718/98, bem como inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da COFINS e do PIS, quando decorrentes de atividades empresariais típicas. Em 13/09/2012 foi julgada parcialmente procedente a apelação da União e a remessa oficial para determinar a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras dos impetrantes, mantido o decisum quanto ao mais (fls. 2.793/2.802), conforme ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO. PIS. COFINS. LEI 9.718/98. FATURAMENTO. LEIS 10.637/02 E 10.833/03. RECEITA BRUTA. Fl. 2896DF CARF MF Processo nº 16327.721550/201346 Acórdão n.º 3301003.150 S3C3T1 Fl. 2.883 7 I Afastada a alegação de prescrição, considerando que o pedido de compensação referese a parcelas vincendas da exação. II Inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de faturamento (RE 346084/PR). III Todas as receitas oriundas da atividade operacional se incluem no conceito de Receita Bruta, pouco importando se cuidar de Instituições Financeiras e equiparadas, pois as receitas financeiras integram as operações de seus objetivos sociais, sujeitandose à tributação do PIS e da COFINS. Precedente do STF (RE 346084/PR, voto do Min. Cesar Peluso). IV As pessoas jurídicas elencadas nos parágrafos 6º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei 9718/98 não se sujeitam às alterações introduzidas pela Lei 10.637/2002 e pela Lei 10.833/03, em razão de determinação expressa contida nos artigos 8º e 10º, respectivamente, destas leis. V Compensação com parcelas de quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a teor do que dispõe o art. 66 da L. 8383/91 e o art. 74, da L. 9430/96, com redação conferida pela L. 10637/02. VI Observância às restrições do artigo 170A, CTN. VII Aplicabilidade da taxa Selic a partir do recolhimento indevido, com exclusão de quaisquer outros índices a título de juros/correção monetária. VIII Apelação da União e remessa oficial parcialmente providas. Em 21/10/2013 os embargos de declaração foram acolhidos parcialmente, cujos principais trechos da decisão (fls. 2.803/2.807) são abaixo transcritos: Efetivamente se constata a ocorrência de omissão alegada quanto a existência de duas empresas de arrendamento mercantil e uma distribuidora de valores. Em relação à omissão alegada quanto à atividade exercida, embora as embargantes sejam empresas de arrendamento mercantil e distribuição de valores, sua equiparação às instituições financeiras decorre de previsão nas leis 7.492/86, artigo 1º, parágrafo único, inciso I e 8.177/91, artigo 29 e a decisão proferida referese às instituições financeiras e equiparadas, consoante constou expressamente do voto e acórdão embargados, afastandose a apontada omissão. Por outro lado, a despeito de na fundamentação constar a incidência da exação sobre as receitas financeiras, exemplificativamente, referindose às instituições financeiras, restou consignado que, afastadas as alterações da Lei nº 9.718/98 quanto à base de cálculo, as instituições financeiras e equiparadas, dentre as quais as empresas de arrendamento mercantil e distribuição de valores, sujeitamse à incidência de Fl. 2897DF CARF MF 8 PIS e COFINS sobre as receitas advindas das atividades típicas da pessoa jurídica, independentemente de sua classificação fiscal e contábil. Por fim, não há que se falar em contradição quanto ao conceito de faturamento, pois o acórdão deixou claro que em conformidade com o entendimento manifestado pelo Ministro Cezar Peluso quando do julgamento do RE 346084, o conceito de faturamento inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades típicas. Em 27/03/2014 foram julgados novos embargos (fls. 2.808/2.812) nos termos da ementa abaixo transcrita: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CARÁTER PROCRASTINATÓRIO. MULTA ARTIGO 538, §ÚNICO CPC. I. Os embargos declaratórios não se prestam à reapreciação do julgado, sob o argumento de existência de contradição ou omissão. II. Descabe o acolhimento de embargos de declaração com caráter infringente. III. O escopo de prequestionar a matéria, para efeito de interposição de recurso especial ou extraordinário, perde a relevância em sede de embargos de declaração, se não demonstrada a ocorrência de quaisquer das hipóteses previstas no artigo 535, incisos I e II do Código de Processo Civil. IV. Limitandose os embargos de declaração a reiterar razões aduzidas em aclaratórios antecedentes, resta evidenciado o intuito protelatório do recurso, sendo de rigor a condenação da embargante ao pagamento de multa de 1% do valor da causa, conforme preceitua o artigo 538, parágrafo único, do CPC. V. Embargos de declaração rejeitados.” Observo que até hoje o processo encontrase na mesma fase judicial. Como se vê, é inolvidável que a matéria discutida no processo judicial é a mesma que a discutida, no mérito, no presente processo, isto é, a composição da base de cálculo do Pis e da Cofins da recorrente. Pouco importa se o procedimento judicial é anterior ao administrativo. Em qualquer caso, a concomitância de ambos enseja obrigatoriamente a renúncia à instância administrativa. Tal questão já se encontra sumulada no Carf: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 16327.721550/201346 Acórdão n.º 3301003.150 S3C3T1 Fl. 2.884 9 Enfrento agora a tese da recorrente de que no processo judicial se estaria discutindo o direito em tese, enquanto no processo administrativo deva ser discutido o quantum devido. Verifico que não lhe assiste razão. Conforme sua resposta ao Termo de Reintimação nº 3, fls.1.554 e 1.555, a parcela suspensa na DCTF se refere justamente à matéria do processo judicial, ou seja, a divergência quanto à base de cálculo conforme a Instrução Normativa da Receita Federal nº 247, e a base de cálculo segundo entendimento próprio, demandada judicialmente. Ora, somente a parcela suspensa e não declarada, informada pela própria recorrente (folha 1.560), nos meses de agosto e novembro, é que foi lançada. Portanto, voto pela rejeição das preliminares, e por conhecer em parte do recurso, e na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Conselheiro Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 2899DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002184/98-90
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 1997
RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Preenchidos todos os pressupostos processuais, em especial a demonstração de dissídio jurisprudencial, caracterizado pela adoção de soluções diversas entre as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face de situações idênticas, deve ser conhecido o recurso.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO. SELIC. INAPLICABILIDADE. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. INEXISTÊNCIA.
Ressarcimento de crédito ostenta natureza jurídica diversa da repetição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplicam os juros compensatórios pela taxa Selic, previstos legalmente apenas para as hipóteses de restituição ou compensação de indébitos tributários. Não há que se falar em oposição ilegítima ao creditamento, por parte da Administração Tributária, quando apenas foram seguidos, dentro de um critério de normalidade, os procedimentos aplicáveis ao caso. Recurso Extraordinário do Procurador conhecido e provido.
Numero da decisão: 9900-000.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra, Ana Paula Fernandes, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Possas - Presidente em Exercício do CARF
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício do CARF). Ausente a conselheira Patrícia Da Silva. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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RESSARCIMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida COMING INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COUROS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 1997 RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Preenchidos todos os pressupostos processuais, em especial a demonstração de dissídio jurisprudencial, caracterizado pela adoção de soluções diversas entre as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face de situações idênticas, deve ser conhecido o recurso. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO. SELIC. INAPLICABILIDADE. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. Ressarcimento de crédito ostenta natureza jurídica diversa da repetição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplicam os juros compensatórios pela taxa Selic, previstos legalmente apenas para as hipóteses de restituição ou compensação de indébitos tributários. Não há que se falar em oposição ilegítima ao creditamento, por parte da Administração Tributária, quando apenas foram seguidos, dentro de um critério de normalidade, os procedimentos aplicáveis ao caso. Recurso Extraordinário do Procurador conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra, Ana Paula Fernandes, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Demetrius Nichele Macei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 21 84 /9 8- 90 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10120.002184/9890 Acórdão n.º 9900000.995 CSRFPL Fl. 205 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Presidente em Exercício do CARF (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício do CARF). Ausente a conselheira Patrícia Da Silva. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório Tratase de recurso extraordinário do Procurador (fls. 173 a 186), admitido pelo despacho de fls. 188189, contra o Acórdão CSRF/0202.741, proferido pela 2ª Turma da CSRF na sessão de 02/07/2007 (fls. 134 a 139), por meio do qual, por maioria de votos, foi negado provimento ao recurso especial do Procurador. Tratam os autos de pedido de ressarcimento, apresentado pela interessada em 03/07/1998, de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas para o exterior, benefício fiscal instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, com as alterações do regime alternativo oferecido pela Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001. Em 29/11/1999, em aditamento ao requerimento inicial, a interessada protocolizou nova petição, onde solicitava que os créditos a serem ressarcidos fossem atualizados monetariamente, nos termos das Leis n° 8.383/1991 e n° 9.250/1995, da IN SRF n° 22, de 18/04/1996, do Parecer AGU n° 01, de 11/06/1996, e demais legislação vigente. O pleito da Interessada foi deferido parcialmente pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Goiânia, por meio do Despacho Decisório de fls. 51 a 53, emitido em 16/11/2000, e cientificado à interessada em 17/01/2001 (efls. 60). No que importa ao presente recurso, o despacho assim assentou: “O ressarcimento do IPI será pelo valor original, uma vez que não há previsão legal para corrigir monetariamente tais créditos.” Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente pela DRJ em 12/06/2001. De se destacar não ter havido insurgência na peça impugnatória quanto às razões do Fisco para glosar parte dos créditos presumidos, o que as tornou, portanto, incontroversas. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10120.002184/9890 Acórdão n.º 9900000.995 CSRFPL Fl. 206 3 Novamente inconformada, apresentou recurso voluntário, que foi então julgado parcialmente procedente, para reconhecer devida a atualização monetária pela taxa Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento, a partir da data de protocolização do respectivo pedido de ressarcimento. Contra esta decisão interpôs a Fazenda Nacional o recurso especial, ao qual foi negado provimento pela 2ª Turma da CSRF, e que motivou a interposição do presente recurso extraordinário. Transcrevese a seguir a ementa do acórdão recorrido: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. SELIC. É devida atualização pela Selic dos créditos de PIS e COFINS compensáveis com o IPI quando a administração pública impede o ressarcimento, precedente do STJ no AgRg Resp 995.801/PR. Recurso Especial do Procurador Negado.” Registrese ainda que, anteriormente ao presente recurso extraordinário, a Fazenda Nacional opusera, ao Acórdão CSRF/0202.741, embargos de declaração, ao pressuposto da existência de omissão, no acórdão, por não ter restado esclarecido qual teria sido o ato de oposição estatal que haveria impedido o aproveitamento do crédito e que justificaria a incidência da Selic. Os embargos, contudo, foram liminarmente rejeitados (fls. 150 a 154), por considerarse inexistente a alegada omissão, ao fundamento de que “a própria demora na restituição ensejaria ato de oposição estatal”. O recurso extraordinário foi admitido pelo despacho presidencial de fls. 188, e contra ele apresentou a interessada suas contrarrazões às fls. 198 a 203. Em síntese, defende a Procuradoria que o ressarcimento de crédito possui natureza jurídica distinta da repetição de indébito, e que, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária pela taxa Selic. Como paradigma de divergência, apresenta o Acórdão 9303002.189, da 3ª Turma da CSRF, e que possui, no que interessa ao caso, a seguinte ementa: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI ATUALIZAÇÃO SELIC. Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da de repetição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária taxa Selic autorizada legalmente, apenas, para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito, salvo se houver oposição ilegítima ao creditamento, por parte da Administração Tributária, o que não é o caso aqui tratado. Recurso da Fazenda Nacional provido, na parte conhecida.” O contribuinte, por sua vez, defende, em preliminar, o não conhecimento do presente recurso extraordinário, uma vez que não estaria configurada a divergência jurisprudencial entre os julgados. Isto porque o acórdão paradigma, para afastar a aplicação da Taxa Selic, ao fundamento de que o ressarcimento de crédito presumido de IPI não tem natureza jurídica de repetição de indébito, ressalvou que “naquele caso, não houve qualquer oposição ilegítima ao creditamento por parte da Administração Tributária”. enquanto que, no presente caso, “a oposição ilegítima ao creditamento por parte da Administração Tributária resta plenamente demonstrada”, pois “o pedido de ressarcimento de crédito de IPI foi protocolizado pela Recorrida em 03/07/1998, tendo a decisão de provimento parcial sido proferida tão somente no ano de 2001, mais de 03 (três) anos após a formalização do pedido”. No mérito, defende a manutenção da decisão recorrida “que aduziu que a simples demora no ressarcimento já se configura ato de oposição estatal”, fazendo ainda uma Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10120.002184/9890 Acórdão n.º 9900000.995 CSRFPL Fl. 207 4 analogia com o teor do disposto no art. 24 da Lei n° 11.457/2007, que estabelece o prazo máximo de 360 dias para a análise de “petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte”, visàvis o prazo “de mais de 03 (três) anos” decorrido entre o pedido e o seu deferimento parcial. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Não prospera a alegação da contribuinte de que não estaria configurado o dissídio jurisprudencial entre o acórdão recorrido e aquele apresentado como paradigma de divergência. Ao contrário, consoante destacado no despacho presidencial que deu seguimento ao recurso extraordinário, é patente a divergência jurisprudencial entre eles. Para que não pairem dúvidas de que o argumento da contribuinte não possui nenhuma procedência, vejase que a questão relativa ao alegado “ato de oposição estatal” ao pedido é rigorosamente a mesma, tanto no acórdão recorrido, quanto no acórdão paradigma, e que, portanto, não há nenhum sentido em afirmar que os casos seriam distintos, uma vez que num (acórdão recorrido) teria havido “oposição estatal”, enquanto noutro (acórdão paradigma), não teria havido “oposição estatal”. Os seguintes excertos do voto vencido e vencedor daquele acórdão paradigma deixam isto muito claro: Voto vencido: “A Jurisprudência, ainda que decorrente de crédito escritural, já tem admitido a atualização monetária quando há “demora na análise do processo administrativo” STJ–Resp 1268980 SC 2011/01823370– Data da publicação 22/06/2012. (...) É importante registrar que o acórdão recorrido, deu provimento para permitir a atualização a partir da data de protocolização do respectivo pedido e o do efetivo ressarcimento. A um, por existir Jurisprudência cristalina de que o crédito escritural não deve ser sujeito à atualização, e a dois, porque a partir do pedido administrativo de ressarcimento de determinada importância, passa a ser a referida importância, uma dívida. Como dívida, a demora própria do andamento fiscal, e a correspondente defasagem monetária do crédito, não podem ser carregadas como ônus do contribuinte, sob pena de ficar comprometido, pelo menos em parte, o valor ressarcido, que se busca preservar.” Voto vencedor: “De outro lado, não se alegue, em favor da incidência da Selic sobre o ressarcimento em análise, a decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que determinou a aplicação da atualização monetária sobre os créditos a ressarcir, isso porque, diferentemente do caso lá julgado, em que houve oposição ilegítima, por parte da Administração Tributária, ao creditamento pleiteado, aqui, essa oposição não ocorreu, ao contrário, o crédito foi concedido. Assim, não havendo restrição Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10120.002184/9890 Acórdão n.º 9900000.995 CSRFPL Fl. 208 5 indevida por parte do Fisco, não há razão para fazer incidir a atualização sobre crédito escritural.” Claro está, portanto, que o “ato de oposição estatal”, ao qual se referem tanto o acórdão recorrido, quanto o acórdão paradigma, nada mais é do que a alegada “demora” na análise do pedido, tanto é que a relatora do voto vencido do acórdão paradigma propõe exatamente a mesma solução que foi adotada pelo redator do voto vencedor do acórdão recorrido, qual seja, a atualização pela Selic dos créditos presumidos de IPI a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, não tendo nenhum dos dois acórdãos, quer em seus votos vencidos ou vencedores, em momento algum, cogitado da atualização dos referidos créditos a partir de sua apuração na escrita fiscal do contribuinte, como efetivamente era o pleito dos contribuintes, tanto num, quanto noutro caso. Superada a preliminar, tenho que a razão, no mérito, encontrase com a Fazenda Nacional. Em primeiro lugar, importante ressaltar a inaplicabilidade, ao caso, do precedente do STJ mencionado no voto vencedor do acórdão ora recorrido (Acórdão proferido no AgRg no AgRg no REsp nº 995.801PR), uma vez que tal julgado apenas reiterou, nos termos da jurisprudência firmada pelo STJ em outros julgados acerca da questão, ser devida a atualização monetária “quando o aproveitamento dos créditos é obstado pelo Fisco”, em face de “resistência injustificada oposta pelo fisco”, assim provocando a mora e o consequente “enriquecimento sem causa da Administração em prejuízo ao contribuinte”. Confirase a sua ementa (grifei): “CREDITAMENTO ESCRITURAL DE IPI. ISENÇÃO E ALÍQUOTA ZERO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA OPOSTA PELO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. I Embora tenha a jurisprudência do STJ e do STF definido que é indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI relativos a operações de matérias primas e insumos empregados na fabricação de produto isento ou beneficiado com alíquota zero, temse devida a atualização monetária quando o aproveitamento dos créditos é obstado pelo Fisco, provocando mora que dá ensejo a enriquecimento sem causa da Administração em prejuízo ao contribuinte. Precedentes: AgRg no REsp n° 863.277/RS, Rel. Min. CASTRO ME1RA, DJ de 7.2.2008; EREsp n° 465.538/RS, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJ de 1.10.2007; EREsp n° 430.498/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 07.04.2008 e EREsp n° 530.182/RS, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 12.09.2005.” Ora, é evidente que, no presente caso, não houve qualquer resistência injustificada pelo fisco, nem tampouco foi obstado o aproveitamento dos créditos pelo fisco, pelo que não há que se falar em enriquecimento sem causa. Ao contrário, tão logo foram cumpridos os procedimentos com vistas à verificação dos créditos apurados pelo contribuinte, foi expedido o despacho decisório que reconheceu parcialmente a procedência do pedido. De se destacar, com relação a este aspecto, que: (i) a primeira intimação à contribuinte, para a apresentação de documentos necessários à análise do pedido, ocorreu apenas cerca de dois meses após o protocolo do pedido de ressarcimento (pedido protocolado em 03/07/1998, e Termo de Diligência lavrado em 21/08/1998, fls. 32); (ii) em 27/12/1999, o contribuinte ainda não havia entregue elementos considerados indispensáveis à apuração pela autoridade fiscal, conforme Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10120.002184/9890 Acórdão n.º 9900000.995 CSRFPL Fl. 209 6 assim registrado, naquela data, às fls. 37 dos presentes autos: “Em virtude do contribuinte ainda não ter apresentado as memórias de calculo solicitadas na Intimação Fiscal de fls. 34, estamos impossibilitados de analisar o crédito presumido objeto do presente processo.”; (iii) em 01/02/2000, foi expedida nova intimação ao contribuinte para que apresentasse as referidas “memórias de cálculo relativas aos créditos presumidos” (fls. 38), a qual somente foi atendida, finalmente, em 08/02/2000; (iv) algumas novas intimações então se seguiram, para que fosse especificado qual o sistema de custos empregado pela contribuinte na apuração, e para que fossem identificadas as aquisições, nos demonstrativos apresentados ao fisco, que não haviam gerado direito ao crédito presumido de IPI; (v) em 10/07/2000 a análise fiscal concluiu, então, pela glosa de parte do crédito solicitado, sendo de se recordar que, consoante ao norte assinalado, sequer houve insurgência na peça impugnatória quanto às razões do Fisco para glosar parte dos créditos presumidos solicitados. Diante do cenário acima sucintamente exposto, com a devida vênia, absolutamente despropositado falarse em “ato de oposição estatal”, ou qualquer forma de “injustificada resistência do fisco” em reconhecer o crédito, que pudesse dar azo à aplicação do entendimento consagrado pela jurisprudência do egrégio STJ. Ademais, no que toca especificamente ao cerne da discussão no presente recurso extraordinário (atualização monetária dos créditos escriturais), de se destacar que o pedido da contribuinte para que este suposto direito lhe fosse reconhecido somente veio aos autos com a petição apresentada pelo contribuinte em 29/11/1999. Tendo o Despacho Decisório nº 400/2000 (que indeferiu o pedido de atualização monetária formulado, por falta de previsão legal) sido emitido em 16/11/2000, verificase que sequer transcorreu um ano entre a petição do contribuinte e a respectiva decisão, motivo pelo qual se revela também despropositada a analogia feita pelo contribuinte com relação ao teor do disposto no art. 24 da Lei n° 11.457/2007. Enfim, por qualquer ângulo que se encare a questão, sem qualquer procedência os argumentos manejados pelo contribuinte no sentido de que teria havido indevida ou ilegítima oposição estatal ao reconhecimento dos créditos. Conforme visto, todo o processo correu dentro da mais absoluta normalidade com relação aos procedimentos aplicáveis ao caso. Devidamente esclarecidas as circunstâncias fáticas do caso, e superados os argumentos da contribuinte que buscavam demonstrar, sem sucesso, a suposta “demora” da administração tributária na análise do pedido, resta, por fim, deixar clara a inexistência de qualquer previsão legal para a atualização monetária dos créditos escriturais objeto de pedido de ressarcimento. De fato, é notório, em primeiro lugar, que nem a Lei nº 9.363/1996, nem a Lei nº 10.276/2001 (que instituiu forma alternativa de cálculo dos referidos créditos presumidos do IPI, como ressarcimento relativo às contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS), estabeleceram qualquer forma de atualização monetária para tais créditos. Tampouco o fez a legislação do IPI, consubstanciada no Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), ou qualquer outro diploma legal ou normativo. Ao contrário, todas as disposições normativas acerca do ressarcimento de IPI sempre foram uníssonas no sentido de determinar que este deveria ser feito pelo valor original Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10120.002184/9890 Acórdão n.º 9900000.995 CSRFPL Fl. 210 7 do crédito, sem atualização monetária alguma. Neste sentido, apenas a título de exemplo, transcrevese a seguir o pertinente artigo da atual Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012, sendo certo que dispositivos com redação semelhante já se encontravam em todas as versões anteriores da regulamentação normativa acerca da matéria: “Art. 83. (...) § 5º Não incidirão juros compensatórios de que trata o caput: I no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins e relativos ao Reintegra, bem como na compensação de referidos créditos;” Não se há de confundir ressarcimento com restituição e/ou compensação. Nestas últimas duas hipóteses, cediço que a lei expressamente prevê a incidência de juros Selic como forma de atualização dos créditos, consoante o disposto no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, que abaixo se transcreve: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” Vejase que o caput do dispositivo acima transcrito faz expressa referência a dispositivo legal que trata das hipóteses de “pagamento indevido ou a maior de tributos”, conceito este que, em absoluto, pode ser aplicado aos créditos de IPI, pois estes não resultam de qualquer recolhimento indevido, senão de um favor fiscal instituído por lei. A restituição resulta sempre de um recolhimento indevido ou a maior do que o devido, o que implica reconhecer que o sujeito passivo haja recolhido aos cofres públicos aquilo que não devia. No ressarcimento, ao contrário, o que ocorre é que a sociedade empresária, ao adquirir os insumos para a sua atividade, paga as contribuições PIS e Cofins que estão embutidas no preço das mercadorias, e o faz exatamente como determina a lei. Não há pagamento indevido algum. O que ocorre posteriormente nada mais é do que um favor fiscal, por meio do qual o contribuinte pode reaver esses tributos na forma de créditos de IPI. Por serem, portanto, institutos completamente distintos, não cabe estender aos pedidos de ressarcimento aquilo que a lei prevê somente aos pedidos de restituição/compensação por pagamento indevido ou a maior de tributos. Para que houvesse o direito à atualização monetária nos ressarcimentos, teria de haver determinação legal expressa a respeito, tal qual existe para os pedidos de restituição/compensação. Nem tampouco se pode alegar que a Lei nº 9.779/1999 — que modificou a sistemática de utilização dos créditos de IPI acumulados que o contribuinte não pudesse compensar com o IPI devido na saída de outros produtos — criando a possibilidade de sua Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10120.002184/9890 Acórdão n.º 9900000.995 CSRFPL Fl. 211 8 utilização “em conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/1996”, teria equiparado, para todos os fins, o ressarcimento à restituição. Pelo contrário, os próprios dispositivos legais em questão utilizam expressamente ambos os termos em separado, confirase: “Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)” Despropositada, assim, a tese de que o ressarcimento seria espécie da qual a restituição seria gênero, assim como a tese de que seriam expressões sinônimas. Não é esta a dicção dos dispositivos legais acerca da matéria, e tampouco é esta a compreensão que se extrai de todo o ordenamento. Resta claro, portanto, que se trata de figuras que não se confundem. Em síntese e conclusão, por absoluta falta de previsão legal, não é possível aplicarse, aos créditos presumidos do IPI, objeto de ressarcimento ou compensação, a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic ou em qualquer outro índice, como forma de atualização monetária desses créditos, mormente porque na situação in casu não se caracterizou a denominada resistência injustificada da administração tributária em relação aos créditos passíveis de ressarcimento. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Conforme art. 63, §§ 6º e 7º do Anexo II do RICARF, tendo em vista que não foi apresentada no prazo regimental, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000535/2005-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/09/2005
OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO.
Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015.
MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO.
Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa.
PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO.
Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3401-003.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendo-se as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considerase incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendose as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 05 35 /2 00 5- 08Fl. 1134DF CARF MF 2 demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de auto de infração de classificação fiscal relativo a mercadoria constante da DI 05/10001496, abrangendo multa por erro de classificação e diferenças de tributos. A impugnação argumentou a nulidade do lançamento, por inépcia; discorreu sobre o equipamento importado; defendeu a classificação fiscal adotada, com fulcro em laudo técnico; deduziu razões de ordem econômica para improcedência da autuação; e, aduziu o descabimento das multas e dos juros de mora, com fulcro no art. 100, III, parágrafo único do Código Tributário Nacional. O julgamento foi convertido em diligência para juntada de cópias de processos judiciais atinentes à questão (MS 2004.34.00.0066088 e AO 0053926 61.2010.4.01.3400) Uma vez cumprida a diligência determinada, a DRJ Fortaleza/CE manteve o lançamento em decisão assim ementada: “INÉPCIA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É válido o lançamento cuja descrição das ocorrências e enquadramento legal permitam a perfeita compreensão dos fatos pelo autuado, mormente quando a realização de diligência oportuniza dirimir eventuais dúvidas. DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS ANTERIORES AO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Quando da realização de diligência, é admissível que a fiscalização junte novos documentos para esclarecer os fatos em causa, ainda que tenham sido produzidos antes do lançamento. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10111.000535/200508 Acórdão n.º 3401003.511 S3C4T1 Fl. 11 3 DOCUMENTO GRAFADO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. AUSÊNCIA DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. ADMISSIBILIDADE. A ausência de tradução juramentada de documento grafado em idioma estrangeiro não impede sua utilização nos autos, desde que fique demonstrada a ausência de prejuízo para as partes envolvidas. TERMINAL MÓVEL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Terminal Móvel de Comunicação do Sistema OmniSAT se enquadra no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, pois se trata de uma combinação de máquinas cuja função principal é desempenhada pelo receptor GPS nele inserido, que fornece as informações necessárias para a supervisão do deslocamento do veículo em que ele é instalado. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO IMPORTADO. MULTA ESPECÍFICA. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. O erro na classificação fiscal de mercadoria importada configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da cobrança de ofício das diferenças de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais. COSTUME ADMINISTRATIVO. PUBLICAÇÃO DE ATO FIXANDO O ENTENDIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO. FATOS POSTERIORES. Diante da publicação de ato que fixe entendimento diferente do que vinha sendo aceito pela Administração anteriormente, não há falar em costume administrativo em relação aos fatos posteriores a esse ato.” Em recurso voluntário o contribuinte, como preliminar, argüiu a impossibilidade de juntada de documentos e esclarecimentos pela autoridade preparadora e a invalidade de documentos em língua estrangeira. No mérito, teceu considerações sobre suas atividades e o equipamento importado; defendeu a inaplicabilidade da classificação adotada para aparelhos de radionavegação; citou precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e soluções de consulta de aparelhos similares; abordou os laudos técnicos apresentados; e, rechaçou a possibilidade de alteração do critério jurídico e também o cabimento das multas e dos juros respectivos. Alicerçada na informação de opção pela via judicial, consubstanciada na Ação Ordinária nº 004787847.2014.4.01.3400, Seção Judiciária do Distrito Federal, Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a 1ª Turma Especial, através do Acórdão 3801004.298, de 17/09/2014, declarou a concomitância das discussões e não conheceu do recurso voluntário. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs embargo de declaração alegando omissão do julgado quanto à impossibilidade de modificação de critério jurídico e a inaplicabilidade das multas e juros moratórios, matérias não deduzidas perante o Poder Judiciário. Os embargos foram admitidos pelo presidente do colegiado argüido e, posteriormente, redistribuídos por sorteio, em função de reorganização do órgão, promovida pela Portaria MF 343/2015. É o relatório. Fl. 1136DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os embargos de declaração manobrados preenchem os requisitos formais de admissibilidade. Preamburlamente, cabe examinar o objeto da demanda judicial instalada e a sua coincidência com as questões postas no contencioso administrativo, bem assim os efeitos processuais daí decorrentes, para então verificar a existência da ventilada omissão. Consoante petição inicial juntada aos autos, o pedido do recorrente, na esfera judicial, no que tange ao mérito, consistiu na i) declaração de inexistência de relação jurídico tributária que autorizasse a União a exigir a classificação na posição 8526.91.00 da NCM, ii) o reconhecimento do direito de classificar o produto importado na posição 8517.62.71 e, ainda, iii) a determinação da anulação dos autos de infração que cita, dentre eles, o albergado pelo presente processo. Em 26/06/2015 foi proferida sentença julgando procedente o pedido formulado, estando o dispositivo vazado nos seguintes termos: “Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para: a) DECLARAR a inexistência de relação jurídico tributária oriunda da classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação, atualmente enquadrado na posição 8526.91.00 da NCM; b) DECLARAR o direito da autora de classificar o MCT na posição reservada a aparelhos de comunicação; c) ANULAR os créditos tributários constituídos contra a autora, em razão da não classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação (posição 8526.91.00), determinandose, ainda, o cancelamento dos autos de infração descritos no itens b.3 e b.4; d) AFASTAR as penalidades aplicadas e, em especial, a multa do IPI; Condeno a União ao pagamento das custas em ressarcimento e honorários advocatícios sucumbenciais, que fixo em R$10.000,00 (dez mil reais), já observado o disposto no art. 20, §4º, do CPC.” (sublinhado) Atualmente o processo judicial aguarda julgamento de apelação pelo TRF 1ª Região. Como se vê, há pedido expresso, devidamente acolhido, ainda que pendente de recurso, para declarar o cancelamento do lançamento abrigado neste processo administrativo. É certo que, em âmbito judicial, o recorrente não expôs a impossibilidade de modificação de critério jurídico, em sede de revisão aduaneira, tampouco o cabimento das multas e juros, com lastro no art. 100 do Código Tributário Nacional, como fundamento de seu pedido; todavia, o pedido formalizado, tanto administrativa como judicialmente, é idêntico, Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10111.000535/200508 Acórdão n.º 3401003.511 S3C4T1 Fl. 12 5 qual seja, a declaração de improcedência da autuação, de modo que, sob esse ângulo, a concomitância é patente. Dessarte, a delimitação da lide é feita pelo pedido apresentado, que sobre ele deverá se manifestar e decidir a autoridade julgadora correspondente, sendo a parte dispositiva dessa decisão aquela que oferecerá a resposta ao pleito, sendo essa a parte sujeita ao trânsito em julgado e, por via de conseqüência, à imutabilidade típica da coisa julgada. Como existe decisão de mérito no processo judicial, a formação da coisa julgada é inexorável, incidindo na espécie a inteligência do art. 508 do Código de Processo Civil, segundo o qual, transitada em julgado a decisão, considerarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor, tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. De qualquer modo, entendo que, mesmo omisso o acórdão arguido, no mérito, não merece acolhida o aclaratório manobrado, haja vista que, em relação à impossibilidade de modificação do critério jurídico, verificouse a preclusão consumativa da matéria, a teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, porquanto não integrante da impugnação protocolada. Respeitante ao descabimento das penalidades e juros moratórios, com lastro no art. 100, III e parágrafo único do CTN, pela pretensa observância das práticas reiteradas adotadas pelas autoridades administrativas, temse que a aceitação da classificação fiscal empregada pelo contribuinte nas declarações de importação que cita, por parte da fiscalização, é anterior à edição do ADI SRF nº 22, de 20/08/2004, que modificou o entendimento oficial acerca da classificação fiscal da mercadoria importada, como anotado pela decisão recorrida, verbis: “Em sede de pedido alternativo, a impugnante solicita a dispensa dos juros e multas, com base no disposto no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. Suscita que desde o início de suas operações vinha promovendo a importação do equipamento em foco, sem que houvesse nenhuma contestação por parte dos fiscais alfandegários. Assim, estaria caracterizada a ocorrência de prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, o que elidiria a cobrança de penalidades e de juros na exação sob exame. Também em relação a esse aspecto não assiste razão à defesa. Com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14/2003, publicado no DOU de 4/9/2003, a Receita Federal oficializou seu entendimento quanto à classificação fiscal dos equipamentos ali indicados, em cuja descrição se enquadrava o caso MCT, conforme se demonstra: (...) Assim, ainda que em períodos anteriores ao referido ADI o MCT viesse sendo desembaraçado em código distinto, Fl. 1138DF CARF MF 6 como alega a defesa, não há falar em costume administrativo em relação a operações posteriores à publicação desse Ato, realizadas em desconformidade com a orientação nele formalizada. O ADI 14/2003 supriu eventual necessidade de norma complementar para definir a classificação fiscal dos equipamentos nele indicados. As operações contrárias a ele, na realidade, passaram a ser frontalmente ilegais. A partir da vigência desse Ato, embora o mesmo tenha sido revogado pelo ADI SRF nº 22/2004, verificase que a fiscalização aduaneira continuou a classificar o MCT no mesmo código anteriormente definido (8526.91.00). Como o importador insistiu em utilizar classificação fiscal diferente, as importações desse equipamento passaram a ser objeto de autuação, e só foram desembaraçadas sem a correção do enquadramento tarifário por determinação judicial.” Ou seja, não se identifica qualquer “prática reiterada”, por parte das autoridades fiscais, contemporânea ao registro da declaração de importação lançada, no sentido de acatar a classificação reclamada pelo contribuinte. Portanto, não há qualquer ressalva a ser feita à decisão embargada, que, mesmo não fazendo remissão específica às teses expostas e ora apontadas como omissas, reconheceu acertadamente a concomitância das discussões e a renúncia à discussão administrativa, não havendo qualquer vício de declaração que a conspurque. Com estas considerações, voto por conhecer dos embargos quanto às omissões apontadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 1139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35376.000428/2007-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1995 a 04/08/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1995 a 04/08/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 37 6. 00 04 28 /2 00 7- 53 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 35376.000428/200753 Acórdão n.º 9202004.767 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 35376.000428/200753 Acórdão n.º 9202004.767 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 35376.000428/200753 Acórdão n.º 9202004.767 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 201DF CARF MF Processo nº 35376.000428/200753 Acórdão n.º 9202004.767 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 35376.000428/200753 Acórdão n.º 9202004.767 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 203DF CARF MF Processo nº 35376.000428/200753 Acórdão n.º 9202004.767 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 35376.000428/200753 Acórdão n.º 9202004.767 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 205DF CARF MF Processo nº 35376.000428/200753 Acórdão n.º 9202004.767 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 35376.000428/200753 Acórdão n.º 9202004.767 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 207DF CARF MF
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Numero do processo: 18186.726511/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS COM ADMINISTRAÇÃO DE IMÓVEIS. INDEDUTIBILIDADE.
Somente é admitida a dedução de despesas para cobrança ou recebimento do rendimentos provenientes de aluguéis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas - IRPF quando devidamente comprovado que o locador efetivamente suportou tal ônus.
RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DEVOLUÇÃO DE VALORES PAGOS A MAIOR PELO LOCATÁRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A exclusão de valores pagos a maior pelo locatário da base de cálculo do IRPF subordina-se à sua efetiva comprovação.
RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. EXCLUSÃO DO IPTU SUPORTADO PELO LOCATÁRIO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. IMPOSSIBILIDADE.
Não é lícita a exclusão de despesa com IPTU da base de cálculo do IRPF quando o pagamento do imposto municipal é suportado pelo locatário do imóvel.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para indeferir o pedido para juntada de novos documentos e, no mérito, por negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS COM ADMINISTRAÇÃO DE IMÓVEIS. INDEDUTIBILIDADE. Somente é admitida a dedução de despesas para cobrança ou recebimento do rendimentos provenientes de aluguéis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas - IRPF quando devidamente comprovado que o locador efetivamente suportou tal ônus. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DEVOLUÇÃO DE VALORES PAGOS A MAIOR PELO LOCATÁRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A exclusão de valores pagos a maior pelo locatário da base de cálculo do IRPF subordina-se à sua efetiva comprovação. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. EXCLUSÃO DO IPTU SUPORTADO PELO LOCATÁRIO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. IMPOSSIBILIDADE. Não é lícita a exclusão de despesa com IPTU da base de cálculo do IRPF quando o pagamento do imposto municipal é suportado pelo locatário do imóvel. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para indeferir o pedido para juntada de novos documentos e, no mérito, por negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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DESPESAS NÃO COMPROVADAS COM ADMINISTRAÇÃO DE IMÓVEIS. INDEDUTIBILIDADE. Somente é admitida a dedução de despesas para cobrança ou recebimento do rendimentos provenientes de aluguéis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas IRPF quando devidamente comprovado que o locador efetivamente suportou tal ônus. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DEVOLUÇÃO DE VALORES PAGOS A MAIOR PELO LOCATÁRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A exclusão de valores pagos a maior pelo locatário da base de cálculo do IRPF subordinase à sua efetiva comprovação. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. EXCLUSÃO DO IPTU SUPORTADO PELO LOCATÁRIO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. IMPOSSIBILIDADE. Não é lícita a exclusão de despesa com IPTU da base de cálculo do IRPF quando o pagamento do imposto municipal é suportado pelo locatário do imóvel. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 65 11 /2 01 2- 31 Fl. 189DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para indeferir o pedido para juntada de novos documentos e, no mérito, por negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 18186.726511/201231 Acórdão n.º 2402005.568 S2C4T2 Fl. 190 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – DRJ/SP1 (fl. 164/168), que julgou parcialmente procedente impugnação apresentada em face da Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas IRPF, relativa ao ano calendário 2009 / exercício 2010, a qual resultou em imposto suplementar no valor de R$ 17.254,39 (dezessete mil, duzentos e cinquenta e quatro reais e trinta e nove centavos). De acordo com a Notificação de Lançamento (fls. 5/10), o crédito foi constituído em vista de i) omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica a título de aluguéis, sujeitos à tabela progressiva, R$ 49.948,00 (quarenta e nove mil, novecentos e quarenta e oito reais); ii) compensação indevida a título de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, R$ 3.496,48 (três mil, quatrocentos e noventa e seis reais e quarenta e oito centavos); e iii) compensação indevida a título de CarnêLeão, R$ 22,21 (vinte e dois reais e vinte e um centavos). O Recorrente apresentou impugnação por meio do documento de fls. 2/4, alegando, em síntese, que: a) dos rendimentos recebidos de aluguéis, R$ 49.948,00: R$ 12.235,65: · R$ 7.780,19, referemse a despesas dedutíveis da receita de aluguel, cujo ônus foi do contribuinte, sendo pago a Herói João Paulo Vicente (CPF 143.917.7735) pela administração de um do imóveis alugados; · R$ 4.455,12 é relativo ao IPTU do bem, que não integra a base de cálculo do IRPF; R$ 18.862,03 referemse a despesas dedutíveis da receita de aluguel, cujo ônus foi do contribuinte, sendo pago a Herói João Paulo Vicente pela administração de um do imóveis alugados; R$ 18.850,32, questiona R$ 6.565,56 os quais se referem: · R$ 4.125,28, corretor Herói João Carlos pela administração de um dos imóveis alugados; · R$ 2.350,28, diferença entre o rendimento apurado pela Fiscalização (48.000,00) e o valor recebido (R$ 45.649,72); c) a compensação de IRRF, de R$ 3.496,48, referese a retenção de IRPF pelo locatário Brasiline Artefatos de Madeira (doc. de fl. 15); d) R$ 22,21, referese a diferença da compensação do CarnêLeão, que reconhece e concorda com a glosa. Fl. 191DF CARF MF 4 A DRJ/SP1, por seu turno, julgou a impugnação parcialmente procedente por entender que: a) quanto aos rendimentos decorrentes de aluguel, o crédito foi mantido: embora a legislação tributária admita a dedução de despesas pagas para cobrança ou recebimento de rendimentos advindos de aluguéis, essa tarefa foi desempenhada por filhos do Recorrente e comprovados mediante recibos anuais (recibo único), com discriminação dos valores recebidos mensalmente, gerando dúvidas quanto o efetivo pagamento pelos serviços; caberia a apresentação de prova mais consistentes quanto ao ônus suportado pelo contribuinte. Cita a possibilidade de comprovação de recebimento dos valores pelos filhos (administradores dos imóveis), mediante a apresentação de DAA do destinatário dos recursos com essa informação; valor relativo ao IPTU de um dos imóveis, que o sujeito passivo argumenta não integrar a base de cálculo para incidência do IRPF, conforme consta da cláusula 6ª do contrato de locação, o IPTU é encargo da locatária, não cabendo ao locador deduzir esse valor da receita de aluguel; a despeito de o sujeito passivo afirmar que R$ 2.350,28 dos rendimentos omitidos referemse a aluguéis recebido a menor, a locatária informou na DIRF R$ 48.000,00 (valor apurado pela Fiscalização) de pagamento, que é o valor que foi considerado, mantendose a omissão de rendimentos b) relativamente à compensação indevida a título de IRRF, embora não tenham sido apresentados documentos pelo Recorrente, houve por comprovada a retenção de IRPF pela empresa Brasiline Artefatos de Madeira Ltda. (CNPJ 57.306.698/000195) por meio de consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no valor de R$ 5.244,72 (vide doc. de fl. 163), restando excluído o valor de R$ 3.496,48 da base cálculo do tributo lançado; c) compensação indevida a título de CarnêLeão, não houve contestação. Por ocasião do recurso voluntário (fls. 179/181) o sujeito passivo repisa as alegações trazidas na peça impugnatória e argumenta adicionalmente que: a) levou ao conhecimento da autoridade administrativa na impugnação que as diferenças apresentadas entre os valores recebidos a título de aluguéis e os informados na DAA eram decorrentes de dedução dos gastos relativos à administração realizada pelo advogado Herói João Paulo Vicente e ao pagamento do IPTU devido pelos imóveis objeto das locações; b) os julgadores de primeira instância quedaram inertes aos argumentos levantados na impugnação, alegando simplesmente que a Administração feita pelo Herói João Paulo Vicente seria alvo de dúvida uma vez que o prestador do serviço e o tomador seriam filho e pai, por essa razão não houve prova suficiente da ocorrência do ônus para o proprietário do imóvel, mantendo a suposta omissão de R$ 37.663,24; Fl. 192DF CARF MF Processo nº 18186.726511/201231 Acórdão n.º 2402005.568 S2C4T2 Fl. 191 5 c) elegeu o filho Herói João Paulo Vicente como administrador dos contratos de aluguéis por ser um profissional de sua confiança; d) existe entre pai e filho uma relação profissional que remonta a 1º de janeiro de 2006, persistindo até a presente data; e) foi juntada ao processo administrativo toda a documentação possível, a qual espanca qualquer sombra de dúvida quanto ao profissionalismo existente nesta relação; f) o Administrador, quando da confecção da declaração anual de imposto de renda informa todos os proventos advindos do contrato de Administração e Gestão dos imóveis do Recorrente. Apresenta trecho da DAA de Herói João Paulo Vicente com informações acerca do recebimento de valores de pessoa física nos exercícios 2010, 2011 e 2012 (fls. 182/184); g) a exclusão da base de cálculo do IRPF dos valores pagos para a administração dos imóveis foi correta e está enquadrada perfeitamente perante a Lei n° 7.739 de 16 de março de 1989 e art. 14, III da IN SRF n° 15 de 2001; h) a má fé do Sr. Herói João Paulo Vicente foi presumida; i) os valores que Herói João Paulo Vicente declara ter recebido de seu genitor pela administração dos imóveis, foi declarado como tal na DAA, não sendo plausível a acusação feita pela Receita Federal; j) a documentação que comprova a declaração de tais valores na DAA foi juntada à impugnação, no entanto, acabou por se extraviar no ato da digitalização da documentação, momento que protesta pela juntada da documentação que comprova todo o anterior alegado; k) relativamente à suposta irregularidade quanto a figurar nos recibos o nome do Sr. Herói João Carlos Vicente, novamente inexiste qualquer fraude ou meio escuso, uma vez que, com relação aos imóveis localizados na cidade de Campinas, algumas funções ficam sob o encargo deste Senhor, opção esta feita, uma vez que ele reside nas proximidades e, pelo grau de parentesco, goza de especial confiança tanto do Recorrente como do Administrador; l) quanto ao IPTU do imóvel situado na Rua Siqueira Bueno, 410, a documentação de fls. 120/139 evidencia uma relação difícil. O locatário, por inúmeras vezes deixou de arcar com suas obrigações, inclusive com relação ao pagamento do imposto, obrigando o Recorrente a arcar tal encargo; m) no caso da Cerâmica 6, a diferença apontada deuse em razão da simples somatória, uma vez que o recorrente tem uma relação conturbada com a locatária relativamente ao correto valor do aluguel/reajuste. A locatária, no intuito de renovar o contrato extinto, deposita os valores que entende correto, mas o Recorrente deposita tais valores na Caixa Econômica Federal, a título de consignação extrajudicial, devolvendo o valor (doc. de fls. 81/114). Protesta por fim pela cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Com relação aos valores recebidos a título e aluguel e não informados na Declaração de Ajuste, o art. 50 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR), dispõe: Art. 50. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei nº 7.739, de 16 de março de 1989, art. 14): I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; [...] III as despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; [...] Vejase que, apesar não constar do dispositivo transcrito qualquer empecilho quanto à indicação de profissional ou empresa para administração de imóveis com vistas ao recebimento de aluguéis, a exclusão de despesas do cômputo desse tipo de rendimento pressupõe a existência de prova inequívoca quanto ao seu efetivo pagamento. No caso que ora se analisa, o Recorrente apresenta contrato de prestação de serviços (fls. 141/145) que garante ter celebrado com Herói João Paulo Vicente, seu filho, cujo objeto seria a administração de bens imóveis de sua propriedade, com poderes para contratar locações, receber aluguéis e encargos locatícios dentre outros. Exibe ainda os recibos de fls. 16/17, os quais diz comprovar os desembolsos. A respeito das quantias que o contribuinte informa haver despendido com a administração dos imóveis, a decisão recorrida indica que o sujeito passivo poderia fazer prova quanto ao ônus, mediante a exibição da DAA dos filhos contratados para o desempenho dessa atividade, mas, a despeito disso, o Recorrente, mesmo sustentando que Herói João Paulo Vicente informou os valores recebido em sua Declaração de Ajuste, deixou de exibir referido documento. Alega, sem apresentar evidências comprobatórias, que a DAA de Herói João Paulo foi juntada à impugnação, mas acabou por se extraviar no ato da digitalização da documentação e protesta pela juntada de documentação que comprovaria o alegado. Sobre essa questão, quisesse o sujeito passivo apresentar qualquer documento apto a comprovar suas alegações ou até mesmo uma outra cópia da DAA que diz terse Fl. 194DF CARF MF Processo nº 18186.726511/201231 Acórdão n.º 2402005.568 S2C4T2 Fl. 192 7 extraviado, deveria haver tomado essa providência por ocasião do protocolo de seu Recurso Voluntário e não formalizar essa intenção no corpo do apelo recursal para deliberação futura. Observese que foram exibidas, conjuntamente com o Recurso Voluntário, trechos de diversas DAA de seu filho Herói João Paulo, devidamente analisadas para a elaboração do presente voto, ou seja, não se vislumbra o motivo para que os tais documentos, que comprovariam as razões alegadas pelo contribuinte, não tenham sido também juntados aos autos. Ademais, o Recorrente até juntou trechos da DAA do exercício 2010 de Herói João Paulo por ocasião do Recurso Voluntário (fl. 184), mas esses trechos, que se referem a rendimentos recebidos de pessoas físicas, não estão vinculados a valores pagos pelo autuado. Pelas razões acima manifestadas, indefiro o pedido de juntada de novos documentos. Com relação ao outro filho do sujeito passivo, Herói João Vicente Júnior, o único documento acostado aos autos para fazer prova dos numerários supostamente recebidos por ele em 2009 foi um recibo de pagamento de comissão (fl. 15), o que, no meu entender, não é suficiente para comprovar o desembolso relatado. Além do mais, não só a DAA dos pretensos prestadores de serviços, mas diversos outros elementos de prova poderiam ter sido acostados aos autos nas inúmeras oportunidades ofertadas ao contribuinte (lançamento, impugnação e recurso voluntário) para atestar os pagamentos alegados, como comprovantes de transferência bancária, cópias de cheques nominativos, dentre outros, entretanto não foram apresentados elementos dessa natureza no curso do processo administrativo. No que se refere ao contrato de aluguel celebrado com a empresa denominada Cerâmica 6 Ltda. (fls. 81/114), informa o Recorrente ter restituído R$ 2.350,28, a título de consignação extrajudicial, valores pagos a maior pelo locatário. Para comprovar tal afirmação, traz aos autos extratos que demonstram transferências bancárias da referida empresa para sua conta bancária e reprodução de conversas por email havidas com representantes do inquilino (fls. 109/114). Contudo, em que pese os argumentos suscitados, os documentos apresentados não se prestam a darlhes suporte, vez que não fazem prova da devolução de parte dos valores recebidos a título de aluguel, consoante afirma o sujeito passivo no recurso voluntário. Relativamente aos R$ 4.455,12 omitidos da DAA exercício 2009, que o contribuinte afirma ser relativo ao IPTU do imóvel situado na Rua Siqueira Bueno, 410, embora assegure ter arcado com o pagamento do imposto, o contrato de locação respectivo, em sua cláusula 6ª (fls. 20), impõe esse ônus ao locatário, ou seja, não é lícito ao sujeito passivo subtrair dos rendimentos provenientes de aluguéis despesas suportadas por terceiros. Além disso, afirmar que teve que arcar com referido custo sob o argumento de que a relação com o locatário era conturbada, sem apresentar provas concretas quanto ao pagamento, não acodem o contribuinte na pretensão de ver ratificada a exclusão desse importe da base de cálculo do tributo. Fl. 195DF CARF MF 8 Por todas as questões abordadas, entendo que não houve por inequivocamente comprovado i) o desembolso de valores relacionados à cobrança ou recebimento dos rendimentos provenientes de aluguéis (despesas com administração dos imóveis locados); ii) a restituição de R$ 2.350,28 ao locatário, a título de consignação extrajudicial; iii) que as despesas com IPTU do imóvel situado na Rua Siqueira Bueno, 410 tenham sido suportadas pelo Recorrente. Isso posto, manifestome pela manutenção do lançamento. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de INDEFERIR o requerimento de juntada de novos documentos e de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912779/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2003
CONCOMITÂNCIA. MATÉRIA DISCUTIDA NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1
A teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de Ação Judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer do recurso em virtude de concomitância com o processo judicial, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Sustentou pela recorrente a Dra. Teresa Mourão Passos Coutinho, OAB nº 98.760 (MG).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2003 CONCOMITÂNCIA. MATÉRIA DISCUTIDA NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1 A teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de Ação Judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer do recurso em virtude de concomitância com o processo judicial, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Sustentou pela recorrente a Dra. Teresa Mourão Passos Coutinho, OAB nº 98.760 (MG).
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MATÉRIA DISCUTIDA NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1 A teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de Ação Judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer do recurso em virtude de concomitância com o processo judicial, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 79 /2 00 9- 04 Fl. 282DF CARF MF 2 Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Sustentou pela recorrente a Dra. Teresa Mourão Passos Coutinho, OAB nº 98.760 (MG). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 63/85) contra o Acórdão DRJ/BHE nº 0238.042 de 20/03/12, constante de fls. 51/55, exarado pela 2ª Turma da DRJ do Belo Horizonte (MG) que, por unanimidade de votos, houve por bem “indeferir a Manifestação de Inconformidade” de fls. 02/04, mantendo o Despacho Decisório Eletrônico da DRF de Belo Horizonte MG (fl. 07), que indeferiu e deixou de homologar a PER/DCOMP nº 27013.35263.311005.1.7.048307, através da qual a ora Recorrente pretendia ver reconhecido o direito creditório relativo ao PIS Folha de Salários, no valor original na data de transmissão de R$ 1.747,53, representado por DARF recolhido em 15/09/2003 e de compensar o valor restituendo com o débito discriminado no referido PER/DCOMP. Por seu turno a decisão de fls. 51/55 da 2ª Turma da DRJ do Belo Horizonte (MG), houve por bem “indeferir a Manifestação de Inconformidade” de fls. 02/04, mantendo o Despacho Decisório Eletrônico da DRF de Belo Horizonte MG (fl. 07), aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 63/85), oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) o afastamento da exigência do PIS incidente sobre a Folha de pagamento pela Receita Federal e o efeito vinculante da solução de consulta nº 412, de 2004 nos termos do art. 100, inc. II do CTN; b) a ilegalidade da exigência concomitante do PIS folha/faturamento e a ausência de dedução das rubricas previstas no Decreto nº 4.524/02 pela Recorrente em violação à legalidade e à tipicidade cerrada, e c) afirma que sob pena de se contrariar a realidade fática, a obediência ao princípio da legalidade e a própria solução de consulta, que vincula a administração pública, não pode prevalecer o entendimento de 1ª instância. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10680.912779/200904 Acórdão n.º 3402004.081 S3C4T2 Fl. 283 3 E anexa, ao final de seu recurso, planilha, comprovante de pagamento, cópia da Solução de Consulta SRRF06/DISIT nº 412, de 15 de dezembro de 2004 e cópia de balancete parcial referente ao mês do período de apuração do PIS Folha, dito como pago indevidamente (código 8301) e cópias de procuração e do Estatuto Social. O processo digitalizado, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. Em 23/04/2014, os membros da 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara da 3ª Sejul, resolvem converter o julgamento em DILIGÊNCIA, conforme Resolução nº 3402 000.653, nos seguintes termos (fls. 159/161): "(...) Assim sendo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora adote as seguintes providências: Recomponha a(s) apuração(ões) da contribuição para o PIS/Pasep do contribuinte para o(s) período(s) de apuração(ões) objeto(s) destes autos, mediante a aplicação dos comandos da Solução de Consulta n° 412/2004, de que é titular a Recorrente; Contraponha o valor aferido conforme alínea “a”, acima, com o valor que foi recolhido pelo contribuinte a título da contribuição ao PIS/Pasep, manifestandose sobre a existência, legitimidade e suficiência de créditos decorrentes de eventual pagamento indevido ou a maior para a restituição e/ou compensação levada a efeito nestes autos; Ao final, emitir Relatório Conclusivo da diligência, intimando a Recorrente para que sobre ele se manifeste, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, e após, com ou sem manifestação, seja o feito remetido a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento". Os autos, então, foram encaminhados à DRF em Belo Horizonte (MG), para cumprimento da referida Resolução (fl. 177). Visando o atendimento da diligência solicitada, a fiscalização, após a conclusão dos trabalhos, prolatou o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 178/179, deixando consignado as seguintes considerações grifei: Tratase da Resolução nº 3402.000653, da 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, que converteu o julgamento do recurso voluntário do contribuinte em diligência, para a recomposição da contribuição para o PIS/PASEP do período 08/2003, observando a aplicação dos comandos da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT nº 412, de 15 de dezembro de 2004. De acordo com o parecer exarado na referida consulta, o contribuinte não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos arts. 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável as demais pessoas jurídicas que não gozam de isenção e imunidade. Observamos que o contribuinte recolheu contribuições do PIS com base na folha de pagamento no período de 04/1997 a 04/2005. Observamos também que em 18/06/2002, o mesmo impetrou Mandado de Segurança preventivo contra o Delegado da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, processo número 2002.38.00.0204732, que se encontra no eprocesso com número 10680.010675/200289, objetivando a concessão de medida liminar que autorize “recolher o Fl. 284DF CARF MF 4 PIS, com base na folha de pagamentos, à alíquota de 1% (um por cento), nos moldes do § 1º do art. 2º da Lei 9.715/98 e do art. 13 da MP nº 2.15835/2001, c/c art. 15 da Lei nº 9.532/95”. Não tendo sido concedida a liminar, o contribuinte fez depósitos judiciais com base no faturamento, com código de receita 7460, os quais se encontram nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil RFB (período de apuração 07/2002 a 06/2014). Quanto à apuração de valores, apesar de se tratarem do mesmo tipo de contribuição (PIS/PASEP), são obrigações com bases de cálculo e enquadramentos legais distintos. Informamos que os valores apurados com base nas declarações do contribuinte já se encontram nos sistemas informatizados da RFB, tanto no código 8301 (PIS sobre folha de Pagamento), como no código 8109 (PIS sobre Faturamento). Todavia, entendemos que é necessária a finalização do processo 2002.38.00.0204732, ainda sem conclusão definitiva, para que sejam tomadas providências a respeito do procedimento de homologação da DCOMP nº 27013.35263.311005.1.7.048307. Cientificada da conclusão da Diligência (Termo de Ciência com cópia do Relatório às fls. 181/182), a Recorrente manifestouse, apresentando suas contrarrazões, conforme o contido no documento de fls. 185/187, concluindo seus argumentos da seguinte maneira: "(...) Dessa forma, merece chamar a atenção para o fato de que este Mandado de Segurança somente argumenta pelo recolhimento de PIS Folha, pela cooperativa, como forma de demonstrar a não incidência da contribuição sobre a prática do ato cooperativo. É o que se depreende da petição inicial, a todo tempo insurgese contra a exigência do PIS Faturamento sobre a prática de atos cooperativos. Além disso, verificase que, atualmente, a decisão judicial é desfavorável ao seu enquadramento dentre as pessoas jurídicas obrigadas ao recolhimento do PIS sobre a sua folha de salários. Confirase trecho do acórdão exarado pelo Tribunal Regional Federal da Ia Região: "Destarte, o recolhimento da contribuição para o PIS pelas cooperativas, à alíquota de 1% sobre a folha de salários, instituído pelo inciso II e § 1° artigo 2° da Lei n. 9.715/98 (conversão da Medida Provisória n. 1.212/95), foi revogado, em relação às cooperativas, pelo artigo 13 da Medida Provisória nº 1.8586/99 (atual Medida Provisória n. 2.15835/2001), não sendo possível estender às cooperativas o tratamento conferido às entidades contempladas nos incisos do aludido artigo 13, que continuaram sujeitas à tributação sobre a folha de salários." Destaquese que tal decisão aguarda o julgamento de Recurso Especial da cooperativa, mas para que seja reformado o acórdão, tão somente, no que tange ao entendimento acerca do conteúdo/abrangência do ato cooperativo das cooperativas de trabalho médico. Portanto, incapaz de constituir efeitos contrários ao pleito administrativo da cooperativa". Assim, após serem cumpridos todos os dispositivos da Resolução nº 3202 000.653, o processo retornou a este CARF e foi sorteado para este Conselheiro para prosseguimento. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10680.912779/200904 Acórdão n.º 3402004.081 S3C4T2 Fl. 284 5 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator A ciência da decisão se deu no dia 14/04/2012 (fl. 62) e o protocolo do recurso, em 09/05/2012 (fl. 63). Tratase, portanto, de recurso tempestivo, que versa sobre matéria da competência desta Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Como relatado, o presente processo trata de indeferimento de homologação de PER/DCOMP nº 27013.35263.311005.1.7.048307, através da qual a Recorrente pretendia ver reconhecido o direito creditório relativo ao PIS Folha de Salários, no valor original na data de transmissão de R$ 1.747,53, representado por DARF recolhido em 15/09/2003 e de compensar o valor restituendo com o débito discriminado no referido PER/DCOMP. Conforme consta no Relatório da fiscalização, objeto do atendimento da Resolução nº 3402000.653, que converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência, informação trazida à baila nesta fase do recurso, noticiou que "(...) em 18/06/2002, a Recorrente impetrou Mandado de Segurança preventivo contra o Delegado da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, processo número 2002.38.00.0204732, que se encontra no eprocesso com número 10680.010675/200289, objetivando a concessão de medida liminar que autorize a “recolher o PIS, com base na folha de pagamentos, à alíquota de 1% (um por cento), nos moldes do § 1º do art. 2º da Lei 9.715/98 e do art. 13 da MP nº 2.15835/2001, c/c art. 15 da Lei nº 9.532/95”. Consta ainda do referido Relatório Fiscal a informação que a Recorrente recolheu contribuições do PIS com base na Folha de pagamento de salários no período de 04/1997 a 04/2005. Não tendo sido concedida a liminar, a Recorrente fez depósitos judiciais com base no faturamento, com código de receita 7460, os quais se encontram nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (período de apuração 07/2002 a 06/2014). Por outro giro, a Recorrente quando instada a se manifestar do resultado da diligência, acostou aos autos cópia da referida PETIÇÃO Mandado de Segurança com pedido de liminar nº 2002.38.00.0204732, protocolada em 18/06/2002, junto a 19ª Vara da Justiça Federal do Estado de Minas Gerais, que ao final do documento, consigna o seguinte como sendo o objeto principal do PEDIDO (fls. 251/277): "a) a concessão de medida liminar para autorizar a Impetrante, até a solução definitiva do presente mandamus, a recolher o PIS Programa de Integração Social, com base na sua folha de pagamentos, à alíquota de 1% (um por cento), nos moldes do §1º do art. 2º da Lei nº 9.715/98 e do art. 13 da MP nº 2.15835/2001, c/c art. 15 da Lei nº 9532/95"; (...). Em sua manifestação pós diligência, a Recorrente, desta forma se pronunciou sobre a referida Ação Judicial proposta (conforme documento à fl.186), "(...) Dessa forma, merece chamar a atenção para o fato de que este Mandado de Segurança somente argumenta pelo recolhimento de PIS Folha, pela cooperativa, como forma de demonstrar a não incidência da contribuição sobre a prática do ato cooperativo. É o que se depreende da Fl. 286DF CARF MF 6 petição inicial, a todo tempo insurgese contra a exigência do PIS Faturamento sobre a prática de atos cooperativos". O referido Mandado de Segurança nº 2002.38.00.0204732 encontrase em fase de Recurso Especial RE nº 1.366.315 MG (2012/00896109) impetrado pela Recorrente, sobrestado pelo STJ, pelo o fato de que, nas palavras da Decisão proferida pelo o relator Ministro Humberto Martins, “(...) A referida temática encontrase afetada à Primeira Seção do STJ, aguardando o julgamento do REsp 1.141.667/RS, relatoria Min. Napoleão Nunes Maia Filho, sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC)” Como se vê, há portanto, concomitância entre as esferas administrativa e judicial, o que, nos termos do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 07, de 2014, do art. 38, parágrafo único, da Lei no 6.830, de 1980 e da Súmula CARF nº 01, o que implica renúncia à instância administrativa. Vejase: Súmula CARF nº 01: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". O parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830, de 1980, dispõe que: Art. 38 (...). Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Já o art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, regulamentou a matéria no mesmo sentido: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Assim, temos que o objeto do presente processo é matéria discutida no MS nº 2002.38.00.0204732, na Vara da Justiça Federal de Belo Horizonte (MG), que ainda se encontra em julgamento nas instâncias superiores. Considerandose a Súmula CARF nº 1, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10680.912779/200904 Acórdão n.º 3402004.081 S3C4T2 Fl. 285 7 Fl. 288DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720798/2011-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
IRPJ. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS. LUCRO REAL.
Os tributos não cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, não são dedutíveis da receita bruta, assim como os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa.
Numero da decisão: 1201-001.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos Embargos de Declaração, dando-lhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, para que haja a integração do acórdão embargado, com a inclusão do tópico "Dedução dos impostos não cumulativos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL".
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. IRPJ. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS. LUCRO REAL. Os tributos não cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, não são dedutíveis da receita bruta, assim como os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. IRPJ. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS. LUCRO REAL. Os tributos não cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, não são dedutíveis da receita bruta, assim como os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos Embargos de Declaração, dandolhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, para que haja a integração do acórdão embargado, com a inclusão do tópico "Dedução dos impostos não cumulativos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL". (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Luis Henrique Marotti Toselli. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 98 /2 01 1- 35 Fl. 2190DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 2.166 a 2.168) opostos pela contribuinte recorrente, em face da alegada existência de omissão no acórdão nº 1202001.033 (fls. 589 a 596), proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, em 8 de outubro de 2013. Anteriormente, houve embargos de declaração ao mesmo acórdão opostos pela Fazenda Nacional (fls. 1.989 a 1.994), já julgados (acórdão às fls. 1.998 a 2.003). A Fazenda Nacional interpôs, também, Recurso Especial (fls. 2.005 a 2.023) já admitido por meio do despacho de fls. 2.026 a 2.031. Dispõe o artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. § 2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e os rejeitará, em caráter definitivo, nos casos em que não for apontada, objetivamente, omissão, contradição ou obscuridade. Foi argumentado pela embargante: Fazendo um contraponto entre o Recurso apresentado pela Recorrente e o acórdão proferido, podese constatar que houve omissão quanto análise de duas importantes questões. Foi objeto do pedido do Recurso na alínea "d" a seguinte matéria: DOS PEDIDOS: [...] Fl. 2191DF CARF MF Processo nº 13971.720798/201135 Acórdão n.º 1201001.623 S1C2T1 Fl. 3 3 d) Alternativamente: que da base de cálculo do IR e CSL sejam reduzidos os valores do PIS, COFINS e IPI, conforme determina o artigo 279, § único do RIR/99. Este pedido teve como fundamento o descrito no item VI. A da petição recursal, cujo trecho se reproduz: VI. DA ILEGALIDDE DA FORMA DE APURAÇÃO DO IR/CSL/PIS/COFINS. [...] A) DA ILEGALIDADE DO FUNDAMENTO PARA LANÇAR O IR NECESSIDADE DE ARBITRAR O LUCRO. [...] Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. O dispositivo trazido para fundamentar a ação fiscal foi descumprido pelo próprio auditor. Se entendeu como receita omitida os valores depositados e fez incidir IR/CSL/PIS/COFINS/IPI, e dentre eles o PIS a COFINS e o IPI são não cumulativos, eles deveriam ter sido excluídos da base de cálculo do IR e não o foram. 1º Conselho de Contribuintes 1ª Câmara. Processo n° 13603 001402/9933 Recurso n° 125.916 Matéria IRPJ PIS, COFINS, CSLL, IRRF Anoscalendário 1994 a 1997. Recorrente MINASÇÚCAR LTDA. Recorrida DRJ em elo Horizonte — MG Sessão de 20 de março de 2002 Acórdão n° 10193.776 [...] APURAÇÃO DO IMPOSTO E ADICIONAIS Se o contribuinte não traz aos autos a comprovação dos custos que diz corresponderem às receitas omitidas, não há como deduzilos para efeito de apuração do lucro real Devem, porém, ser deduzidas das receitas omitidas, para fins de apuração da receita líquida, os tributos que comprovadamente incidiram sobre as vendas, no caso, o PIS e a COFINS objeto de lançamento no mesmo procedimento fiscal. Fl. 2192DF CARF MF 4 [...] Outro dispositivo citado pelo auditor foi o 282 do RIR: Suprimentos de Caixa Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei n 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Este dispositivo não foi empregado na ação do auditor, visto que não houve arbitramento da receita, senão que todo o valor encontrado depositado em conta bancária, que não estava escriturado foi considerado como receita. O artigo 287 tem a mesma redação do artigo 42 da Lei 9.430/96 cuja redação já foi exaustivamente reproduzida e comentada. E por fim o art. 288 foi citado no auto de infração: Esta questão efetivamente deixou de ser apreciada pela Turma., motivo pelo qual são apresentados os presentes Embargos de Declaração com o objetivo de que seja objeto de julgamento a questão levantada. O processo foi redistribuído em face de o antigo relator não atuar mais neste colegiado. O exame de admissibilidade ocorreu por meio do despacho de fls. 2.186 a 2.189. É o relatório Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Uma vez que os pressupostos de admissibilidade já foram avaliados no despacho próprio, passase à análise do vício apontado. Omissão. A embargante alega ter havido omissão no acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, em 8 de outubro de 2013, em face de não ter sido apreciado o pedido veiculado na letra "d" ao final do Recurso Voluntário (fl. 1.951): Fl. 2193DF CARF MF Processo nº 13971.720798/201135 Acórdão n.º 1201001.623 S1C2T1 Fl. 4 5 d) Alternativamente: que da base de cálculo do IR e CSL sejam reduzidos os valores do PIS, COFINS e IPI, conforme determina o artigo 279, § único do RIR/99. O pedido está baseado em o AuditorFiscal ter citado como um dos fundamentos da autuação o artigo 279 do RIR/99, sem contudo cumprir a determinação de deduzir da base de cálculo do IRPJ os valores dos tributos não cumulativos: O dispositivo trazido para fundamentar a ação fiscal foi descumprido pelo próprio auditor. Se entendeu como receita omitida os valores depositados e fez incidir IR/CSL/PIS/COFINS/IPI, e dentre eles o PIS a COFINS e o IPI são não cumulativos, eles deveriam ter sido excluídos da base de cálculo do IR e não o foram. Também argumentou a embargante que foram citados os artigos 282, 287 e 288 do RIR/99 como fundamentos da autuação, mas que eles não foram "empregados" na ação fiscal. Quanto ao artigo 287, a própria embargante reconhece que ele "tem a mesma redação do artigo 42 da Lei 9.430/96 cuja redação já foi exaustivamente reproduzida e comentada". A presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430 foi um dos tópicos abordados no Recurso Voluntário (IV.DA OMISSÃO DE RECEITA E CONTA BANCÁRIA fls. 1.906 a 1.911). No que tange a esse ponto (presunção de omissão de receitas em face de depósitos bancários cuja origem não for comprovada), o acórdão embargado aborda o assunto minudentemente, como pode ser visto às fls. 1.977 a 1.979, não tendo havido pois omissão. Também não se observa omissão quanto à análise dos artigos 282 e 288 não "empregados" na ação fiscal, como se referiu a embargante. No voto condutor do acórdão embargado consta (fl. 1.980): A Recorrente aponta que houve erro por parte do Auditor Fiscal ao apurar o valor dos tributos exigidos no presente processo. Entende o contribuinte que, uma vez constatada omissão de receita, o auditor estaria obrigado a arbitrar o lucro. Fundamenta seus argumentos no artigo 530 do RIR/99. Também neste ponto devese manter na integralidade a decisão recorrida, que acertadamente afirma que o arbitramento “é meio de tributação utilizável apenas diante da impossibilidade absoluta de aferição do conteúdo das operações do sujeito passivo, e sua adoção somente se impõe nos casos em que seja impossível, por outras vias, apurar o lucro.” Essa é, inclusive, a determinação do supracitado artigo 530 do RIR/99 erroneamente interpretado pela Recorrente. Frisase que a documentação apresentada pelo contribuinte não estava imprestável. Tal afirmação fora inclusive atestada pela Fl. 2194DF CARF MF 6 própria Recorrente em suas razões recursais ao afirmar que, verbis: “O auditor fiscal teve acesso a todos os documentos contábeis e fiscais que requereu e não apontou nenhuma irregularidade nestes ou nas operações realizadas pelo contribuinte, não encontrando nenhum sinal efetivo da ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados“(fls. 1910 – não grifado no original). Desse modo, evidente que a Autoridade Fiscal agiu acertadamente em afastar o arbitramento do imposto aplicando os ajustes na base de cálculo conforme determinação dos artigos 249, II, 251, parágrafo único, 282 e 288 do RIR/99 bem como do artigo 24 da Lei 9.249/95 que determina: “Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão”. Por fim, cabe ser analisada a alegada omissão quanto ao pedido veiculado na letra "d" ao final do Recurso Voluntário: d) Alternativamente: que da base de cálculo do IR e CSL sejam reduzidos os valores do PIS, COFINS e IPI, conforme determina o artigo 279, § único do RIR/99. Como já salientado, o pedido está baseado em o AuditorFiscal ter citado como um dos fundamentos da autuação o artigo 279 do RIR/99, sem contudo cumprir a determinação de deduzir da base de cálculo do IRPJ os valores dos tributos não cumulativos: O dispositivo trazido para fundamentar a ação fiscal foi descumprido pelo próprio auditor. Se entendeu como receita omitida os valores depositados e fez incidir IR/CSL/PIS/COFINS/IPI, e dentre eles o PIS a COFINS e o IPI são não cumulativos, eles deveriam ter sido excluídos da base de cálculo do IR e não o foram. Verificase não ter sido analisado o pedido veiculado ao final do Recurso Voluntário (letra "d" fl. 1.951), o que se configura em omissão do acórdão que deve ser integrado conforme tópico abaixo: Dedução dos impostos não cumulativos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Alegou a recorrente que, em face de o artigo 279 do RIR/99 ter sido mencionado como fundamento da autuação, deveria ter sido cumprido o disposto em seu parágrafo único, no sentido de que da base de cálculo do IR e CSL fossem reduzidos os valores do PIS, COFINS e IPI. O dispositivo em questão está assim redigido: Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Fl. 2195DF CARF MF Processo nº 13971.720798/201135 Acórdão n.º 1201001.623 S1C2T1 Fl. 5 7 Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Ocorre que as características de dois dos tributos envolvidos (PIS/Pasep e Cofins) não se encaixam, totalmente, nas disposições do referido parágrafo único. No que se refere à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, elas não se caracterizam como impostos e nem são cobradas "destacadamente" do comprador ou contratante. Nos anoscalendário em questão (2006 e 2007), nem mesmo era obrigatória a indicação do valor desses tributos na Nota Fiscal na venda ao consumidor, nos termos do artigo 2º do Decreto nº 8.264/2014. Quanto ao IPI, é certo que o valor destacado na Nota Fiscal não integra a receita bruta. No entanto, uma vez que os lançamentos a que se referem os autos do presente processo deramse em face de omissão de receitas por presunção, em decorrência de depósitos bancários de origem não comprovada, não houve emissão de notas fiscais com a demonstração do valor do imposto, cobrança de forma destacada e, por óbvio, nem o pagamento. Dessa forma, na receita considerada para fins de base de cálculo do IRPJ e da CSLL não foi incluído nenhum valor a título de IPI e, portanto, nada há a ser deduzido. Demais disso, tendo sido os tributos lançados "de ofício", surgiu para a contribuinte a possibilidade de impugnação aos lançamentos, nos termos das leis reguladoras do Processo Administrativo Fiscal, direito que foi exercido e está sendo operacionalizado por meio do presente processo (e daquele relativo ao IPI). Em face disso, operouse a suspensão da exigibilidade do crédito tributário impugnado, conforme estatui o artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. E, relativamente aos tributos cuja exigibilidade dos créditos esteja suspensa, dispõe o artigo 41, § 1º, da Lei nº 8.981/95, que não podem ser deduzidos na determinação do Lucro Real: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. Conclusão. Em face de todo o exposto, voto no sentido de conhecer dos Embargos de Declaração, dandolhe provimento parcial, sem efeitos infringentes, para que haja a integração do acórdão embargado conforme tópico acima denominado " Dedução dos impostos não cumulativos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL". (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 2196DF CARF MF 8 Fl. 2197DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.733043/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA, LIVIA DE CARLI GERMANO, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA, LIVIA DE CARLI GERMANO, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA, LIVIA DE CARLI GERMANO, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA. RELATÓRIO Da autuação e da impugnação Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 33 04 3/ 20 14 -1 7 Fl. 540DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.443 S1C4T1 Fl. 541 2 O auto de infração de fls. 229255 exige R$6.062.338,00 a título de imposto de renda pessoa jurídica e, R$2.191.081,68 de contribuição social sobre o lucro líquido, acrescido de multa de ofício à razão de 75% e juros moratórios, perfazendo até 05/2015 o crédito de R$17.197.476,09. A infração imputada decorre da glosa de valores informados como despesas, as quais foram adicionadas à base de cálculo do Lucro Real, referentes a despesas de aluguel consideradas indedutíveis. 2. A exigência do IRPJ está amparada pelo artigo 3º da Lei nº 9.249, de 1995 e artigos 247 e 249, inciso I, combinados com o artigo 299 e artigo 351, §1º, inciso I, todos do Decreto nº 3.000, de 1999. Para a exigência da CSLL o enquadramento legal é o art. 2° da Lei n° 7.689, de 1988 com as alterações introduzidas pelo art. 2o da Lei n° 8.034 de 1990, o art. 57 da Lei n° 8.981, de 1995, com as alterações do art. 1o da Lei n° 9.065, de 1995, o art. 2° da Lei n° 9.249, de 1995, o art. 1o da Lei n° 9.316, de 1996; art. 28 da Lei n° 9.430 de 1996 e o art. 3o da Lei n° 7.689, de 1988, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 11.727, de 2008. 3. Conforme consta do Termo de Constatação Fiscal de fls.213228, a ora impugnante, em 01/12/2010, celebrou com a empresa ligada, Windsor Barra Hotéis Ltda, o Instrumento Particular de Contrato Atípico Para Fins Residenciais“Contrato” onde se comprometeu a pagar, a título de aluguel, a importância de R$2.728.392,00 por mês. 4. Nos seis primeiros meses de 2011, os valores foram repassados diretamente à locadora e, sempre em montante inferior àquele que fora estipulado. Conta do Razão Geral 4494 que registra os pagamentos mensais de aluguel: Data..................Valor (R$)..........Histórico 18.01.2011.........800.000,00.......Pg. aluguel referente a 02/11 28.03.2011.........425.000.00.......Valor que se transfere para pagamento de aluguel (*) 28 03.2011.......1.350.000,00.......Valor referente a débito conforme recibo 1°Trimestre....2.575 000.00 26.04.2011.......1.350.000.00........Valor referente a débito conforme recibo 30.05.2011.......1.350.000.00.........Valor referente a débito conforme recibo 15.06 2011.......2.700.000,00.........Valor referente a débito conforme recibo 2º Trimestre....5.400.000.00, (*) este pagamento tem como contrapartida a conta n° 860 Créditos com PJ ligadas, grifo nosso. 5. Por determinação expressa da locadora, os valores correspondentes aos meses subseqüentes, deveriam ser depositados em favor da empresa Brasilian Securities Companhia de Securitização, na conta mantida junto ao Banco ItaúUnibanco, Agência 0910, conta corrente 111426. Comprovouse o repasse desses valores para a conta da locadora, em seu extrato bancário. 6. Assim, contabilizou durante o ano calendário de 2011, como Despesas Operacionais, a título de aluguel – conta nº 4494, os seguintes valores: 1º Trimestre – R$ 2.575.000,00 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.443 S1C4T1 Fl. 542 3 2º Trimestre – R$ 5.400.000,00 3º Trimestre – R$ 8.185.176,00 4º Trimestre – R$ 8.185.176,00 7. Autuado, apresentou a impugnação de fls. 289298, onde alega que a autoridade fiscal não produziu prova alguma demonstrando que o aluguel estaria fora dos padrões de normalidade e usualidade, tendo adicionado ao lucro líquido a totalidade dos valores pagos a esse título, razão pela qual o lançamento não merece prosperar. 8. Prossegue sustentando que a glosa das despesas de aluguel é absurda posto que a ora Impugnante e a Locadora pactuaram livremente a assinatura do Contrato de Locação em 01/12/2010, tendo como referência laudo de avaliação do valor de venda do empreendimento, elaborado por empresa especializada em avaliação de bens, Apsis Consultoria Empresarial, inscrita no CREA/RJ sob o nº 82.2.006201 e no CORECON sob o nº RF/2.0524, laudo este de nº RJ0328/10, na data de 10/08/2010. 9. Conforme apurado pela Apsis, o valor do imóvel e das 68 vagas de garagem, considerando a operação do hotel foi de R$ 341.049.000,00 (trezentos e quarenta e um milhões e quarenta e nove mil reais), em 10/08/2010. 10. Desta forma, admitindose uma taxa de rentabilidade da locação mensal de 0.8% (oito décimos por cento), o valor do aluguel foi fixado em R$ 2.728.392,00 (dois milhões, setecentos e vinte e oito mil, trezentos e noventa e dois reais), conforme contrato de locação. Foi estipulada uma carência de 6 meses no aluguel, a qual foi revista para 3 meses em razão do início do desenvolvimento da atividade hoteleira. 11. Defende que a Impugnante e o locador (Windsor Barra Hotel Ltda.) não possuem e não possuíam à época dos fatos geradores a mesma composição societária (doc. 05 e 06, respectivamente), são empresas distintas, devendo ser resguardados os direitos da personalidade, conforme previsto no artigo 11 e 52, do Código Civil. Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos do personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. Art 52. Aplicase às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade. 12. Faz uso de doutrina para destacar que se a distinção é feita entre Pessoa Física e Pessoa Jurídica, por obvio se faz também a separação entre Pessoa Jurídica e Pessoa Jurídica. Transcreve o artigo 45 do Código Civil que dispõe: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbandose no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.443 S1C4T1 Fl. 543 4 13. Destaca que, mesmo que as empresas sejam consideradas pessoas ligadas, fato é que essa ligação não tem o condão de afastar a necessidade de comprovação por parte da autoridade fiscal que o aluguel pago está fora do valor de mercado, de acordo com o que estabelecem os artigos 464 e 465, do Decreto nº3.000/99: Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº1.598, de 1977, art 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art 20, inciso II): (...) V paga a pessoa ligada aluguéis, royalties ou assistência técnica em montante que excede notoriamente ao valor de mercado; Art 465. Considerase pessoa ligada à pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art 60, § 3º, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art 20, inciso IV): (...) § 4º Se o valor do bem não puder ser determinado nos termos dos §§ 2º e 3º e o valor negociado pela pessoa jurídica basearse em laudo de avaliação de perito ou empresa especializada caberá à autoridade tributária o prova de que o negócio serviu de instrumento à distribuição disfarçada de lucros (DecretoLei nº 1.398, de 1977, art. 60, § 7º). 14. Além disso, na esteira do artigo 464, V, do Regulamento do Imposto de Renda, têmse que a glosa deveria ser somente do que de fato exceder o valor de mercado, sendo certo que a Fiscalização não realizou qualquer estudo para definir o correto valor de mercado e, absurdamente, glosou os valores totais dos aluguéis, inobservando, mais uma vez, o Regulamento do Imposto de Renda: Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 62, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, incisos VII e VIII): (...) IV no caso do inciso V do art. 464, o montante dos rendimentos que exceder ao valor de mercado não será dedutível; 15. A atuação, portanto, revelase em tudo e por tudo indiscutivelmente improcedente, pois caso a Fiscalização entendesse os aluguéis abusivos, deveria realizar a glosa dos valores que ela entendia exceder ao valor de mercado. 16. Acontece que a d. Fiscalização sequer apurou o valor de mercado do imóvel e das vagas de garagem objeto da locação, valendose do menor esforço e glosando arbitrariamente os alugueis deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Limitouse a considerar que "diante dos parâmetros que norteiam a DRE Demonstração do Resultado do Exercício há que se levar em conta que o aluguel contratado pelas partes, no valor de R$2.728.392,00 é excessivo". 17. Afirma que como justificativa para considerar o valor do aluguel excessivo, no Termo de Verificação Fiscal a autoridade fiscal caiu em contradição posto que, em determinado ponto afirmou que "a "locatária" não auferiu receita suficiente para cumprir o pagamento de Fl. 543DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.443 S1C4T1 Fl. 544 5 aluguel pactuado" e na seqüência, sustentou que "este valor não onerou o locatário/devedor, ao contrário, beneficiandoo com elevada dedução na apuração da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social". 18. Prossegue afirmando que a autoridade fiscal deixou de observar o disposto no Parecer Normativo CST nº 396/70 que prevê: São dedutíveis do lucro operacional das firmas individuais os aluguéis pagos por estas, pela efetiva utilização de imóveis locados às firmas pelos respectivos titulares, excetuadas as parcelas que excederem o preço ou valor do mercado, as quais serão consideradas como distribuição disfarçada de lucros. 19. Além do Parecer Normativo CST n.° 416/70, que assim dispõe: As importâncias pagas pela pessoa jurídica a título de aluguel de bens, móveis ou imóveis, que utiliza, representam despesa operacional. Porém, quando a coisa locada pertence a um dos sócios, não se integram essas quantias nos limites legais dos mesmos (...), desde que realmente utilizada, pela locatária, a coisa alugada, e a preço não excedente do valor de mercado. Não obedecida a primeiro condição, os alugueres serão considerados distribuição disfarçada de lucros; infringida a segunda, terseão com tantas quantias que excederem o valor de mercado (RIR, art. 251, d). 20. Ou seja, todos estes pareceres comungam do seguinte entendimento: não há qualquer problema de empresas ligadas contratarem entre si a locação de imóveis e caso considerado abusivo o aluguel, o fisco deve glosar o valor EXCEDENTE e não o valor total. 21. Desta forma, temse como indiscutível a necessidade da dedução das despesas incorridas com o aluguel dos imóveis, essenciais para as atividades da Impugnante, conforme preconiza do artigo 351, do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 351. A dedução de despesas com aluguéis será admitida (Lei nº4.506, de 1964, art 71): (...) II se o aluguel não constituir aplicação de capital na aquisição do bem ou direito, nem distribuição disfarçada de lucros, ressalvado o disposto no art. 356. (...) § 2º As despesas de aluguel de bens móveis ou imóveis somente serão dedutíveis quando relacionadas intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços ( Lei nº 9.249, de 1995, art.13, inciso II). 22. Ao final requer seja julgado improcedente o lançamento. 23. Juntou documentos. Da decisão de primeiro grau Fl. 544DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.443 S1C4T1 Fl. 545 6 A decisão de primeiro grau (fls. 457469) negou provimento ao recurso, conforme o teor da sua ementa abaixo reproduzida: Procede a glosa das despesas de aluguel, por desnecessária, estabelecido entre locador e locatário pertencentes ao mesmo grupo econômico, tendo os mesmos sócios/coproprietários e porque, caso fossem observadas as regras normais de mercado, além de ultrapassar o valor usual a ser praticado, o montante contratado, somado às despesas operacionais exorbitaria o valor da receita líquida auferida para o período e tornaria inviável a atividade do contratante. É cabível o lançamento do imposto que deixou de ser recolhido quando restar comprovada a existência de planejamento tributário visando diminuir ou suprimir o recolhimento do imposto de renda, via contratação de aluguel que exorbitou o valor usual praticado no mercado. Fundamenta sua posição ... O prédio pertencia à própria empresa. Ambas as empresas, locatária e locadora, pertencem ao mesmo grupo econômico. As duas possuem os mesmos sócios majoritários. A pessoa jurídica Windsor Barra Hotel Ltda, locadora, firmou Escritura de Promessa de Venda e Compra Ad Corpus e Outras Avenças, em 27/05/2009, e obteve a posse do imóvel. Aduz que o esquema realizado pelo contribuinte não merece prosperar por diversas razões: 1) Não se caracteriza como um contrato denominado "buit to suit", pois este exige a pactuação para construção de uma obra para atender às exigências do locatário, enquanto este se compromete com a locação de longo prazo; 2) As despesas, em conformidade com o disposto no art. 299 do RIR, devem ser necessárias para poderem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ, critério que não foi atendido. 3) O percentual do valor do aluguel em relação ao valor do imóvel (1,604%) é bem superior ao percentual que se adota para locações (05% a 1%); 4) Nos primeiros trimestres, o contribuinte não chegou a apropriar todo o valor da locação no seu resultado. Caso o fizesse, teria consumido quase a totalidade das suas receitas nesses períodos. 5) O negócio está fora dos padrões de normalidade e usualidade e jamais teria sido realizado se as partes não tivessem vínculo entre si; 6) Por fim, conclui: "restou demonstrado que as despesas de aluguel estão muito distantes do conceito de usualidade, devendo ser mantida a glosa. Desta forma Fl. 545DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.443 S1C4T1 Fl. 546 7 restando comprovada a existência de planejamneto tributário com vistas a diminuir ou suprimir o recolhimento do imposto de renda, julgo por manter a exigência lançada. Do recurso voluntário Inconformado com a decisão de primeiro grau, o contribuinte ofereceu recurso voluntário tempestivo (fls. 504517), mediante o qual teceu as seguintes razões: 1) a fiscalização não produziu qualquer prova demonstrando que os valores dos alugueis não atenderiam aos critérios de usualidade e normalidade, sem verificar os valores de mercado e também glosou a integralidade dos valores pagos e não o eventual excesso em relação ao suposto valor de mercado; 2) o contrato de locação foi pactuado livremente entre as partes tendo como base laudo de avaliação do imóvel. A decisão recorrida, no entanto, ignorou completamente o referido laudo. No laudo, está consignado que o valor do imóvel era de R$ 341.049.000,00. Assim, o valor mensal da locação (R$ 2.728.392,00) corresponde a apenas 0,8% do valor do imóvel. Já o valor da compra e venda (R$ 170.000.000,00) foi estabelecido muito antes, em 2009. 3) O laudo avaliou o imóvel em R$ 240.000.000,00 e, depois de reformas empreendidas pelo locador, em R$ 341.049.000,00; 4) Locador e locatário são empresas distintas e, portanto, não podem ser considerados o mesmo sujeito passivo; 5) A fiscalização não produziu qualquer prova capaz de demonstrar que os valores estavam acima dos de mercado; 6) A glosa, se fosse o caso, somente poderia alcançar o suposto valor de mercado e não o montante integral dos alugueis; É o relatório do essencial. VOTO A autuação tem por fundamento: (i) o caráter excessivo do valor pactuado de locação, que busca demonstrar pelo cotejo entre a despesa do aluguel em face das receitas; (ii) não se caracterizar como um contrato “buit to suit” apesar de ter sido assim designado; (iii) ter sido a estrutura de securitização de créditos imobiliários utilizada para que os valores recebidos com a emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários utilizados para fins de quitação da compra e venda; Fl. 546DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.443 S1C4T1 Fl. 547 8 (iv) o fato de ambos, locador e locatário, possuírem os mesmos sócios, revelaria, na prática, se tratar de um mesmo sujeito passivo; (v) que os valores pagos a sócios a título de aluguel não podem superar o valor de mercado, segundo o § 1º do art. 351 do RIR/99; Para tecer tais considerações, a autoridade fiscal lança mão de um substancioso conjunto de documentos, como a escrituração, o contrato de locação (fl. 43 a 60), o termo de securitização (fl. 78 a 118) e o contrato de cessão e aquisição de direitos creditórios (fls. 132 a 161). No entanto, um dos principais documentos para o conjunto probatório do presente feito e para formar a convição deste julgador não foi carreado aos autos, qual seja, a “promessa de compra e venda”, por meio do qual se avença o preço do negócio e as suas condições, como o modo e o tempo do pagamento. Considero esse elemento, bem como todos os demais documentos relativos à transferência da posse e da propriedade do imóvel fundamentais para o deslinde da presente lide. Também considero necessário conhecer, concretamente, como foi quitado o preço avençado para a compra do imóvel. É relevante também destacar que o recorrente afirma que foram gastos significativos recursos pelo locador na reforma do imóvel. Para comprovar tal assertiva, apresenta laudo de avaliação. Entendo, porém, que essa prova deve ser realizada por meio documental, no mínimo, com base na escrituração do locador que incorpore tais gastos ao valor do imóvel em seus registros contábeis. Isso posto, voto para converter o feito em diligência com o fito de a autoridade local intimar o contribuinte para: (i) apresentar cópia do contrato de promessa de compra e venda do imóvel e documentos posteriores, como escrituras e registros imobiliários, relativos à transmissão da posse/propriedade do imóvel de “Rede Windsor de Hoteis” para “Windsor Barra Hoteis”; e (ii) para esclarecer como foi promovida a quitação do preço avençado, bem como para juntar cópia dos documentos que comprovem essa quitação. Também deve intimar o dito “locador”, ou seja, “Windsor Barra Hoteis” para que aponte o valor dos gastos para a reforma do imóvel e que os comprove. Por fim, deve encerrar a diligência por meio de um relatório circunstanciado e devolver o feito a este Colegiado com o fito de prosseguirmos no julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Fl. 547DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.003856/2002-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
Existindo pedido de compensação anterior ao lançamento fiscal de ofício, cujo objetivo é exatamente a cobrança dos débitos compensados, deve se afastar a exigência retratada no aludido lançamento, sob pena de duplicidade de cobrança. Sendo o pedido de compensação anterior a presente exigência fiscal e tendo os débitos compensados sido oportunamente discriminados, é lá, no processo de compensação, que eventual exigência fiscal deve ser perpetrada na hipótese de inexistir a correlata homologação.
DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA EM FAVOR DA UNIÃO. EXTINÇÃO PARCIAL DA EXIGÊNCIA FISCAL OBJETO DA AUTUAÇÃO.
Havendo prova de que o contribuinte ajuizou demanda judicial no qual depositou judicialmente os valores referentes à contribuição exigida na autuação e para o período em cobro, a conversão do referido depósito em renda em favor da União deveria ter sido considerada pelo agente fiscal no instante da elaboração da autuação, sob pena de duplicidade da exigência e enriquecimento indevido do ente público.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para (i) excluir da presente exigência fiscal os valores apontados do termo de diligência de fls. 343/345 e designados como "vinculações 2, 4, 6, 8, 10 e 12" para, ato contínuo; (ii) excluir do valor remanescente o importe de R$ 499.377,73, haja vista que tal montante (referente ao tributo e período aqui cobrado) foi depositado judicialmente pelo contribuinte e ulteriormente convertido em renda em favor da União; e, por fim (iii) em relação a parcela mantida da autuação, excluir os juros sobre a multa. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Existindo pedido de compensação anterior ao lançamento fiscal de ofício, cujo objetivo é exatamente a cobrança dos débitos compensados, deve se afastar a exigência retratada no aludido lançamento, sob pena de duplicidade de cobrança. Sendo o pedido de compensação anterior a presente exigência fiscal e tendo os débitos compensados sido oportunamente discriminados, é lá, no processo de compensação, que eventual exigência fiscal deve ser perpetrada na hipótese de inexistir a correlata homologação. DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA EM FAVOR DA UNIÃO. EXTINÇÃO PARCIAL DA EXIGÊNCIA FISCAL OBJETO DA AUTUAÇÃO. Havendo prova de que o contribuinte ajuizou demanda judicial no qual depositou judicialmente os valores referentes à contribuição exigida na autuação e para o período em cobro, a conversão do referido depósito em renda em favor da União deveria ter sido considerada pelo agente fiscal no instante da elaboração da autuação, sob pena de duplicidade da exigência e enriquecimento indevido do ente público. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 38 56 /2 00 2- 39 Fl. 429DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para (i) excluir da presente exigência fiscal os valores apontados do termo de diligência de fls. 343/345 e designados como "vinculações 2, 4, 6, 8, 10 e 12" para, ato contínuo; (ii) excluir do valor remanescente o importe de R$ 499.377,73, haja vista que tal montante (referente ao tributo e período aqui cobrado) foi depositado judicialmente pelo contribuinte e ulteriormente convertido em renda em favor da União; e, por fim (iii) em relação a parcela mantida da autuação, excluir os juros sobre a multa. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar a questão aqui posta, valhome de parte do relatório formulado pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro e extraído da resolução n. 3102.000.168 (fls. 288/295), o que faço nos seguintes termos: Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que deu suporte à decisão recorrida, que passo a transcrever: Contra a pessoa jurídica acima identificada foi lavrado o AUTO DE INFRAÇÃO Nº 0000781, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls.07/14, inclusive demonstrativos), nos períodos acima especificados, para exigência dos créditos tributários adiante relacionados. Enquadramento legal na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do AUTO DE INFRAÇÃO. Juros de mora calculados até 31/05/2002. (...). 3. A autoridade fiscal, na “Descrição dos fatos e enquadramento legal” do AUTO DE INFRAÇÃO (fls.07/08), assim descreveu os fatos que deram origem ao lançamento: “O presente Auto de Infração originouse da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminada(s) no quadro 3 (três), conforme IN/SRF nº 045 e 077/98. Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no “Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10410.003856/200239 Acórdão n.º 3402003.847 S3C4T2 Fl. 3 3 Informados na(s) DCTF” (Anexos Ia ou Ib), e/ou “Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento” (Anexos IIa ou IIb), e/ou no “Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar” (Anexo III) e/ou no “Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar – Não Pagos ou Pagos a Menor” (Anexo IV). (...) FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III.” 4. Devidamente cientificada do lançamento em 10/06/2002 (Aviso de Recebimento – AR às fls.55), a pessoa jurídica autuada apresentou, em 05/07/2002, impugnação (fls.01/02), subscrita por dois dos seus diretoresgerentes, acompanhada de cópias de documentos (fls.03/46). Por meio dessa peça de defesa, alegou e requereu, em síntese, o que a seguir se relata. 4.1. “O valor do débito apurado constante do Anexo I, pág. 003 e 004 (sic) do referido Auto de Infração de R$ 1.370.735,32 (...), não procede, pois do montante acima referido, R$ 67.454,04 foi (sic) compensado e R$ 1.303.281,28 foi (sic) depositado judicialmente, tudo devidamente discriminado e comprovado através dos documentos em anexo. Vejamos : I) Quanto ao valor de R$ 67.454,04 (...) a AUTUADA promoveu a compensação do tributo questionado com créditos decorrentes do ILL pago indevidamente no período de 30/04/1990 a 31/03/93, conforme Decisão Administrativa Nº 1041, de 26.06.2000 (Proc. Nº 10410.000881/9732), através dos Pedidos de Compensações devidamente protocolado (sic) junto a (sic) Secretaria da Receita Federal em Alagoas (sic). (Doc. Anexo). II) quanto ao valor de R$ 1.303.281,28 (...), a AUTUADA está discutindo em juízo o referido tributo nos autos do processo nº 94.00035691 da 4ª Vara Federal de Alagoas e do processo nº 95.0202.2734 da Vara Única de Uberaba/MG e fez regularmente os depósitos judiciais dos montantes questionados no presente auto, conforme se infere das Guias de Depósito Judicial em anexo.” 4.2. “Desse modo, não assiste razão à digna autoridade AUTUANTE em face de que o tributo questionado encontra se parte com a exigibilidade suspensa a teor do Art. 151, II, do CTN e a outra parte extinta nos termos dos incisos II (sic) do Art. 156, do CTN.” 4.3. “Isto posto, o presente Auto de Infração é nulo de pleno direito, devendo, por isso mesmo, ser cancelado (...).” 5. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maceió – DRF/MaceióAL acostou aos autos as peças de fls.47/151, sendo que esta última folha consiste em informação prestada por servidor daquela unidade local, com a qual anuiu a respectiva Chefia. Eis o conteúdo dessa informação. Fl. 431DF CARF MF 4 5.1. “A compensação alegada pode ser comprovada por meio do processo nº 10410.000881/9732, fls. 127/128.” 5.2. “Os depósitos judiciais relacionados estavam vinculados à Ação Judicial 94.00035691, 1ª Vara Federal/AL, que teve como objetivo a declaração de inexistência de relação jurídica cumulada com repetição de indébito. A sentença de 1º grau foi desfavorável ao contribuinte. A apelação Cível nº 81692AL/95.05.150008, foi provida. O Recurso Extraordinário, interposto pela União, foi inadmitido pelo TRF 5a Região. Contra esta decisão foi interposto o Agravo de Instrumento ao STF nº 523.1519 que transitou em julgado em 14/08/2006, nos termos seguintes: “Assim, conheço do agravo e convertoo em recurso extraordinário (art. 544, §§ 3º e 4º, do CPC) para darlhe provimento (art. 577, § 1º A do CPC) e determinar que o FINSOCIAL e a COFINS incidem sobre operações relativas a venda de álcool. (...).” 5.3. “Acontece que tais depósitos judiciais efetuados nas contas 2394/005/000064980 e 2394/005/000064998 foram levantados, conforme fls. 121/126, em 08/10/1998.” 5.4. “Questionado sobre o levantamento, o contribuinte alegou ter pedido a compensação dos débitos relacionados à ação judicial 94.00035691 com créditos da ação judicial nº 99.00020219 ainda não transitada em julgado no processo 10410.001085/0030, fls.136/145, que está atualmente sob controle e análise da SAORT/DRF/MAC.” (...). Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de primeira instância pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos consubstanciadores do lançamento revestidos de suas formalidades essenciais e, não tendo restado comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. COFINS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Há que se excluir da Cofins lançada de ofício o valor a cuja compensação o contribuinte já detinha o direito no momento em que efetuado o lançamento, mantendose a parte relativa ao valor declarado em DCTF cujo pagamento ou compensação não foi comprovado nem se encontrava com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Impugnação Procedente em Parte Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10410.003856/200239 Acórdão n.º 3402003.847 S3C4T2 Fl. 4 5 Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, pleitear a reforma do julgado. Essencialmente, os fundamentos do recurso podem ser assim descritos: Preliminarmente, aduz nulidade do auto de infração em razão da inobservância ao devido processo legal e da incompetência do agente. Sustenta, nessa linha, que o auto de infração formaliza exigência da Cofins relativa aos períodos 07/1997 a 12/1997, sem observar que os valores exigidos encontramse contemplados em pedidos de compensação formulados nos autos de processo pendente de análise, conforme consignado em consultas ao sistema Profisc acostadas às fls. 136 a 145. Em assim sendo, descaberia promover a cobrança dos créditos por meio de auto de infração, na medida em que os valores compensados estariam extintos sob condição resolutória. Cita jurisprudência que corroboraria com tais alegações. Ademais, uma vez formulada a compensação, caberia ao chefe da unidade administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição enfrentar o pedido de compensação e não, como se procedeu, a lavratura do auto de infração recorrido. Cita jurisprudência. No mérito, aduz que as compensações em análise encontramse definitivamente homologadas desde o ano de 2005, na medida em que o processo onde as mesmas foram declaradas foi formulado no ano de 2000 e, até o dia 26/11/2010, encontrar seia em andamento no mesmo setor. Anexa tela do sistema Comprot e cita jurisprudência. Por outro lado, aduz que os depósitos atrelados ao processo judicial 95.0202.2374, convertidos em renda da União, conforme informação extraída do processo 10410.003344/2003 63, ainda que insuficientes para a suspensão da exigibilidade da integralidade do crédito, alcançariam fração do montante ora exigido. Assim, a ausência de avaliação acerca dos mesmo acarretaria a formulação da exigência em duplicidade. Sustenta, noutro giro, que, em homenagem ao instituto da retroatividade benigna, caberia, ainda, afastar a multa de ofício, em razão da revogação parcial do art. 90 da Medida Provisória nº 2.18535, de 2001. No seu sentir, a partir do início da vigência da medida provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, a multa em questão só seria aplicável em algumas hipóteses compensação indevida. Fl. 433DF CARF MF 6 Finalmente, contesta a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, sob o argumento de que inexistiria respaldo legal para sua incidência . Cita jurisprudência do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e excerto de matéria divulgada no jornal Valor Econômico. (...) (grifos nosso). 2. Uma vez pautado para julgamento, o presente caso foi convertido em diligência pela então turma julgadora (resolução n. 3102.000.168 fls. 288/295), para que fossem respondidas as seguintes indagações: (...). a) os depósitos realizados nos autos do processo 95.0202.2734 foram levantados ou dizem respeito a montante diverso do que se discute no presente processo? b) caso não tenha sido configurada nenhuma dessas hipóteses, qual foi o motivo para que os mesmos não fossem considerados? c) o pedido de compensação formalizado nos autos do processo nº 10410.001085/0030 efetivamente alcançam os créditos tributários objeto do presente processo?; d) dito pedido de compensação foi alvo de análise e, em caso afirmativo, deferido ou indeferido? Em que data? Se indeferido, foi lavrado auto de infração no intuito de formalizar a exigência? e) caso tenha sido lavrado auto de infração, dito auto contempla as competências/valores debatidos no presente processo? f) qual é o atual estágio do processo nº 10410.001085/0030? (...). 3. Em resposta a tal diligência, a unidade preparadora apresentou o despacho de fls. 335/336, bem como o termo de informação fiscal de fls. 343/345. Por sua vez, o contribuinte se manifestou a respeito de tais manifestações fiscais por intermédio da petição de fls. 350/355. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, o que passo a fazer nos seguintes termos. I. Preliminarmente (i.a) Da nulidade do Auto de Infração Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10410.003856/200239 Acórdão n.º 3402003.847 S3C4T2 Fl. 5 7 6. Preliminarmente, a recorrente protesta pela nulidade do presente lançamento ao fundamento que os débitos aqui exigidos foram objeto de pedido de compensação externado no processo administrativo n. 10410.001085/0030. Assim, ainda segundo o contribuinte, caberia a autoridade fiscal competente para o julgamento do pedido de compensação citado homologálo ou não e, nesta última hipótese, depois de transcorrido o contencioso administrativo e mantida a não homologação, cobrar os débitos compensados indevidamente, já que o pedido de compensação é suficiente para constituir o débito fiscal. 7. Acontece que referida preliminar já foi objeto de julgamento por este Tribunal quando da veiculação da resolução n. 3102.000.168 (fls. 288/295), conforme se observa dos seguintes termos: (...). Justamente porque a discussão relativa à compensação é matéria estranha ao litígio, não vejo como reconhecer a nulidade em razão da lavratura do auto de infração litigioso. Ainda que assim não fosse, a compensação debatida nos autos do processo 10410.001085/0030, não preencheria as condições para o enquadramento como confissão de dívida. Sabidamente, somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP no 135, de 2003, preenchem tal condição e, como tal, representam instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Por consequência, não há que se falar, ainda em incompetência do agente, eis que, de fato, existiria, em tese, a necessidade de se formalizar a exigência. Digo “em tese” em função de que a decisão acerca da procedência ou não da exigência faz parte da discussão a ser travada quando da análise do mérito. Rejeito tal preliminar, portanto. (...). 8. Nesse sentido, analisar tal questão seria julgar algo que já restou decidido. Eventualmente, caberá ao contribuinte discutir o teor do que fora decidido após a intimação deste acórdão e em sede recurso especial, uma vez que, apesar de já ter sido externada há tempos, não há que se falar em preclusão, uma vez que o presente processo não seguiu seu curso natural (abertura da instância especial), mas foi objeto de diligência e anda encontrase pendente de julgamento de mérito na instância ordinária. 9. Ademais, caso inexistisse tal manifestação de caráter judicativo, ainda sim não seria o caso de acolhimento da preliminar aventada pelo contribuinte pois, ao meu ver, tratase de questão que se confunde com o mérito e será lá tratada no presente voto. II. Mérito (ii.a) Da decadência do débito exigido em razão da inércia fiscal quanto à homologação da compensação perpetrada no processo administrativo n. 10410.001085/0030 Fl. 435DF CARF MF 8 10. Alega o contribuinte que, como o débito em apreço se confunde com aquele objeto de compensação (10410.001085/0030) e, ainda, como no citado processo de compensação transcorreu prazo superior a 05 (cinco) anos sem que houvesse manifestação fiscal, a compensação então perpetrada naquele palco estaria tacitamente homologada, sendo impossível a exigência de tais débitos (e que seriam os mesmos aqui tratados) em razão da decadência. 11. Se de fato os débitos aqui tratados são os mesmos que foram objeto de compensação no processo administrativo n. 10410.001085/0030, é o caso de, neste processo, reconhecer a duplicidade da cobrança fiscal, matéria essa que na sequência do presente voto receberá o seu devido tratamento, mas não é o caso de reconhecer a decadência de eventual débito do processo administrativo n. 10410.001085/0030 no presente processo, sob pena de uma indevida transposição da atividade judicativa de caráter administrativo. 12. Em suma, eventual decadência dos débitos compensados no processo administrativo n. 10410.001085/0030 deverá ser discutida naquele processo e não neste, motivo pelo qual rejeito a decadência aqui aventada. (ii.b) Da compensação perpetrada no processo administrativo n. 10410.001085/0030 e seu reflexo para o presente processo administrativo 13. Neste tópico convém destacar que o contribuinte alegou possuir uma ação judicial autuada sob o n. 94.00035691, com trâmite pela 1a. V. da Justiça Federal de Alagoas em que discutia a inexistência de relação jurídicotributária para fins de pagamento de COFINS. Alegou, ainda, que teria realizado depósitos judiciais que contemplariam os débitos aqui tratados. Logo, a presente autuação seria indevida uma vez que se referia a débitos com exigibilidade suspensa. 14. Neste aspecto, insta registrar que os citados depósitos foram objeto de levantamento pelo contribuinte, conforme atestam os documentos de fls. 122 e s.s., bem como pelo que restou constatado pelo resultado da diligência de fls. 335/336, in verbis: (...) 3. Como relatado pelo próprio contribuinte, o depósito capaz de garantir o débito, vinculado ao processo de n.º 94.00035691, foi levantado com autorização judicial. 4. Em razão disso, concluise que não há suspensão no presente caso por força de depósito do montante integral. (...). 15. Por sua vez, o contribuinte também alega que embora tenha feito o levantamento de tal depósito judicial, os débitos correlatos e que dizem respeito ao presente processo administrativo foram objeto de pedido de compensação retratado no processo administrativo n. 10410.001085/0030. Segundo afirma, os débitos lá apontados e compensados seriam os mesmos aqui tratados. Este, inclusive, foi um dos motivos da resolução n. 3102.000.168 (fls. 288/295), em que se intentou verificar se de fato há ou não essa relação. A esse respeito, assim concluiu a diligência fiscal: Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10410.003856/200239 Acórdão n.º 3402003.847 S3C4T2 Fl. 6 9 16. Conforme se observa da diligência, a representação fiscal reconhece que a integralidade do débito aqui tratado está contemplada no pedido de compensação formulado no processo administrativo n. 10410.001085/0030. Aduz, todavia, que parcela dos débitos Fl. 437DF CARF MF 10 compensados só foram discriminados em julho de 2007, ou seja, após a lavratura do presente auto de infração, o que, acertadamente, justificaria a sua existência. 17. De fato com razão a representação fiscal. Ora, se no instante da compensação não houve uma perfeita discriminação dos débitos que estavam sendo compensados, era dever da fiscalização autuar o contribuinte e exigir os tributos devidos, afinal de contas, o pedido de compensação não é um "cheque em branco" em favor do Recorrente que, ao seu bel prazer e no momento que entende "oportuno", aloca os débitos que pretende ver compensados. 18. É bem verdade que a manutenção daquilo que o agente fiscal chama de "vinculações 1,3,5,7 e 9" pode ensejar em uma cobrança em duplicidade de um mesmo débito fiscal, uma vez que a compensação perpetrada no processo administrativo n. 10410.001085/00 30, ao que parece, não foi objeto de homologação e, por conseguinte, encaminhase para a fase da cobrança judicial. É o que se depreende do extrato abaixo colacionado e extraído do "comprot": Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10410.003856/200239 Acórdão n.º 3402003.847 S3C4T2 Fl. 7 11 19. Tal fato, entretanto, não é impediente para afastar esta parte da exigência aqui tratada ("vinculações 1,3,5,7 e 9"), uma vez que, como visto acima, o lançamento era devido. O que se deu indevidamente foi a forma como materializada a compensação retratada no processo administrativo n. 10410.001085/0030, devendo a questão quanto à eventual duplicidade da cobrança ser lá resolvida. 20. Não obstante, em relação àquilo que a fiscalização chamou de "vinculações 2, 4, 6, 8, 10 e 12", o agente fiscal se manifesta claramente que os débitos aqui exigidos foram objeto de outro pedido de compensação (autuado sob o n. 10410.000881/9732) em que os débitos compensados foram devidamente discriminados antes da presente autuação. Logo, manter a exigência fiscal ali discriminada no presente processo administrativo ensejaria em nítida duplicidade de cobrança. Sendo o pedido de compensação anterior a presente exigência fiscal e tendo os débitos compensados sido oportunamente discriminados, é lá, no processo de compensação, que eventual exigência fiscal deve ser perpetrada na hipótese de inexistir a correlata homologação. 21. Nesse sentido, devem ser excluídos da presente exigência fiscal os valores apontados do termo de diligência de fls. 343/345 e designados como "vinculações 2, 4, 6, 8, 10 e 12". (ii.c) Da conversão em renda em favor da União do depósito judicial realizado nos autos n. 95.0202.2734 22. Outro fundamento trazido pelo contribuinte seria o de pagamento do débito em apreço em razão da conversão em renda de depósito judicial realizado nos autos n. 95.0202.2734, que tramitou pela Justiça Federal de Uberaba/MG, e que se tratava de ação Fl. 439DF CARF MF 12 judicial promovida pelo contribuinte em face da União para ver reconhecida a inexistência de relação jurídicotributária de COFINS (imunidade da venda de álcool). 23. Tal fundamento, inclusive, foi o outro motivo que originou a diligência já aqui mencionada, a qual foi assim respondida pela fiscalização (fls. 335/336): (...). a) os depósitos realizados nos autos do processo 95.0202.2734 foram levantados ou dizem respeito a montante diverso do que se discute no presente processo? 1. Conforme demonstrado pelas telas em anexo, o contribuinte efetuou depósito judicial, no bojo do processo de n.º 95.0202.2734, no valor de R$ 114.610,43 (cento e quatorze mil, seiscentos e dez reais e quarenta e três centavos), encontrando se o mesmo na fase originária, sem transformação ou levantamento correspondente. 2. Cabe ressaltar que, o valor acima mencionado demonstrase insuficiente para garantir o crédito tributário sob discussão, cujo montante originário é de R$ 1.303.281,28 (um milhão, trezentos e três mil, duzentos e oitenta e um reais e vinte e oito centavos). b) caso não tenha sido configurada nenhuma dessas hipóteses, qual foi o motivo para que os mesmos não fossem considerados? 3. Como relatado pelo próprio contribuinte, o depósito capaz de garantir o débito, vinculado ao processo de n.º 94.00035691, foi levantado com autorização judicial. 4. Em razão disso, concluise que não há suspensão no presente caso por força de depósito do montante integral. (...). 24. Percebese, portanto, que segundo a conclusão da fiscalização, o valor originalmente depositado na aludida ação judicial (R$ 114.610,43) seria muito inferior ao exigido a título de tributo no presente auto de infração (R$ 1.303.281,28), o que demonstraria a inexistência de simetria entre o aqui exigido e o que fora lá depositado. 25. Não obstante, a fiscalização não respondeu o segundo questionamento formulado por este Tribunal, qual seja, qual o motivo para que o depósito judicial (ainda que no valor de R$ 114.610,43) não fosse considerado no instante da lavratura da presente autuação. 26. Nesse sentido, o contribuinte trouxe aos autos, em resposta à diligência realizada, extrato bancário do total depositado em juízo na ação n. 95.0202.2734 (fls. 396/419), bem como o comprovante de arrecadação que atesta (na casa dos centavos) a conversão do aludido depósito em renda em favor da União (fl. 420). 27. Do aludido extrato é possível concluir que a ação foi promovida em janeiro de 1996, oportunidade em que o contribuinte começou a realizar depósitos mensais, os quais se repetiram até janeiro de 2002. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10410.003856/200239 Acórdão n.º 3402003.847 S3C4T2 Fl. 8 13 28. No período aqui fiscalizado, compreendido entre julho e dezembro de 1997, o contribuinte efetuou depósitos de R$ 131.064,62 (09/07/1997), R$ 89.895,83 (08/08/1997), R$ 77.576,74 (09/09/1997), R$ 72.519,40 (09/10/1997), R$ 69.694,69 (10/11/1997) e R$ 58.626,45 (10/12/1997), totalizando o importe de R$ 499.377,73. 29. Percebese, pois, que os valores depositados pelo contribuinte para o período da autuação é muito superior aos R$ 114.610,43 mencionados na resposta à diligência fiscal. Ademais, o silêncio da fiscalização, juntamente com tais provas de depósitos e demais questões aqui tratadas, demonstram, de forma cabal, que tais valores que totalizam o importe de R$ 499.377,73 não foram considerados pela fiscalização no instante da lavratura do presente auto de infração, o que deve ser aqui corrigido. 30. Neste diapasão, voto pela exclusão do importe de R$ 499.377,73 do total originalmente autuado (R$ 1.303.281,28) o que, certamente, afetará os consectários legais (multa e juros) para esta parcela exonerada. (ii.d) Da desoneração da multa 31. Subsidiariamente, o contribuinte protesta pela desoneração da multa aplicada, decorrente da incidência retroativa de caráter benigno previsto no art. 18 da lei n. 10.833/03, uma vez que, segundo o contribuinte, havendo depósito judicial do montante exigido na autuação, a exigência fiscal deveria limitarse a cobrança do montante devido a título de tributo, sem a inclusão da correlata multa. 32. Referida questão, todavia, está prejudicada, haja vista que, conforme exposto no item "ii.b" do presente voto, o depósito realizado no bojo da ação judicial autuada sob o n. 94.00035691, foi objeto de levantamento pelo contribuinte, conforme atestam os documentos de fls. 122 e s.s., bem como pelo que restou constatado pelo resultado da diligência de fls. 335/336, motivo pelo qual indefiro tal pleito. (ii.d) Dos juros sobre a multa de ofício 33. Finalizando sua insurgência e também de forma subsidiária, o contribuinte pleiteia ainda a exclusão dos juros sobre a multa de ofício. Diante do voto até aqui desenvolvido, é possível perceber que parte da exigência fiscal foi mantida e sobre ela há aplicação de multa de ofício para a qual incide juros, o que me motiva a enfrentar a presente questão. 34. A respeito deste tema, este colegiado possui posicionamento consolidado, conforme se extrai de voto vencedor proferido pela Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz no acórdão n. 3402003.148. Pela clareza do que restou lá decidido, me valho de tal voto para fundamentar a presente decisão, o que passo a fazer nos seguintes termos: Com relação à não incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, entendo que assiste razão à Recorrente. Isto porque inexiste no ordenamento jurídico pátrio dispositivo legal que fundamente tal exigência. Com efeito, o artigo 61, caput e §3º da Lei n. 9.430, de 37 de dezembro de 1996 (“Lei n. 9.430/96) dispõe que sobre os "os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 441DF CARF MF 14 (...) não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora”, e que “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora”. O comando do citado artigo, portanto, determina que sobre os débitos (tributos) será aplicada multa de mora quando pagos a destempo, e sobre os débitos aplicarseá, igualmente, os juros de mora. Contudo, a multa de ofício não foi incluída no débito tributário para fins de aplicação dos juros. Seria de fato“ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput”, nas palavras do Conselheiro Rosaldo Trevisan (Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013). Vêse, assim, que a literalidade do artigo separa os débitos tributários das penalidades (multas de ofício), determinando a incidência dos juros só sobre os primeiros, e não sobre as segundas. Parece ter assim andado o legislador buscando estar em sintonia com as regras estabelecidas pelo Código Tributário Nacional (CTN), com o status de lei complementar que tem ao dar cumprimento às funções estipuladas pelo artigo 146 da Constituição Federal. Efetivamente, o CTN além de claramente separar a natureza jurídica dos tributos (invariavelmente decorrente de condutas lícitas, segundo o artigo 3o) e das multas (penalidades pela prática de ilícitos, ou seja, sanções aplicadas quando da ocorrência de infrações ao sistema tributário), em seu artigo 161 coloca que o “crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária aplicação dos juros. Afinal, caso quisesse que as penalidades estivessem abarcadas pela locução “crédito”, no início do dispositivo, não as teria destacado e dado tratamento diferenciado ao final do mesmo dispositivo legal. Ressalto que não se está aqui a olvidar que a separação entre crédito tributário (do ponto de vista do Fisco, o que corresponde ao débito tributário, do ponto de vista do contribuinte) e penalidades, do artigo 161 do CTN, colide com outras normas trazidas pelo próprio CTN, vale dizer, o artigo 1131 combinado com o artigo 139,2 os quais, lidos conjuntamente, levam à conclusão de que o crédito tributário abarca toda a obrigação principal, composta tanto pelos tributos como pelas penalidades pecuniárias devidas pelo contribuinte aos Cofres Públicos. Tal incoerência, contudo, não é suficiente para afastar a dissociação entre crédito/débito tributário e penalidades, estampada tanto no artigo 161 do CTN como no artigo 61 da Lei n. 9.430/96, quando tratam especificamente a incidência dos juros sobre os valores devidos pelos contribuintes ao Fisco. Em ambos os dispositivos somente há autorização para a incidência de juros (no âmbito federal representado pela SELIC) sobre o Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10410.003856/200239 Acórdão n.º 3402003.847 S3C4T2 Fl. 9 15 crédito/débito, entendido como aquele decorrente de fatos gerados de tributos, mas não sobre as penalidades tributárias. As incoerências da legislação tributária são diversas, cabendo aos órgãos julgadores solucionálas da maneira mais lógica e justa possível, que é justamente o que aqui se pretende, chegando, das razões acima expostas, à conclusão pela não incidência de juros sobre a multa de ofício. Nesse sentido vem caminhando a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013; Acórdão 3402002.862, de 26 de janeiro 2016), porém ainda não consolidada. Assim, ao meu ver, é nesse sentido que deve ser interpretada a Súmula CARF n. 4,3 cujo teor impõe o reconhecimento como devida a SELIC sobre débitos tributários administrados pela Secretaria Receita Federal. São sim devidos os juros SELIC, mas tão somente sobre os tributos no período de inadimplência, e não sobre eventuais multas de ofício cobradas no mesmo suporte documental (auto de infração). Sem lei que estabeleça expressamente a aplicação de juros sobre a multa de ofício, incabível a cobrança pretendida pela Autoridade Fiscal nestes autos, devendo ser a mesma cancelada por este Colegiado. Neste ponto, insta mencionar que não seria aplicável ao presente caso o art. 43, da Lei n.º 9.430/96, mencionado no Acórdão 9303002.399, da 3ª Turma da CSRF. Isso porque o referido dispositivo traz a previsão de aplicação dos juros de mora quando da lavratura auto de infração que se refira, "exclusivamente, a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente", tratandose, portanto, de "Auto de Infração sem tributo" nos termos do título utilizado pela própria lei neste artigo: "Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifo nosso) Como se depreende do relatório, a hipótese trazida no dispositivo legal acima distinguese claramente daquela sob análise, no qual foi aplicada multa de ofício sobre o valor do Fl. 443DF CARF MF 16 tributo não recolhido (IPI), esta sim sem previsão legal para a incidência de juros. Por fim, cumpre tecer alguns comentários sobre o julgamento do Superior Tribunal de Justiça, que poderia ser citado como fundamento da posição em sentido contrário a aqui exposta. Tratase do AgRg no REsp 1.335.688PR, segundo o qual: "entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: 'É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.' (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010." Com a devida vênia ao Egrégio Tribunal, entendo que a decisão ali alcançada não merece guarida. Para ser mais precisa, por uma análise acurada do teor do julgamento, entendo que o STJ ainda não se manifestou sobre a específica questão aqui discutida, pois no AgRg no REsp 1.335.688PR não foi trazido um único fundamento de decidir a respeito da diccção do artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96, apresentada alhures, tendo sido a decisão calcada em acórdãos do próprio órgão que não resolvem ao tema. Explico. No Recurso Especial n. 1.335.688, bem como no Agravo de Instrumento de mesmo número, as razões de decidir do Ministro Relator Benedito Gonçalvez se limitam a afirmar que o acórdão do TRF da 4ª Região, objeto de reclame do contribuinte, ao decidir pela incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício espelhou a jurisprudência firmada pelas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, justamente como consta no trecho da ementa acima citado, quais sejam: o REsp 1.129.990/PR e o REsp 834.681/MG. Ocorre que no REsp 1.129.990/PR, segundo os dizeres do Ministro Castro Meira (Relator) "a questão devolvida a este Superior Tribunal de Justiça consiste em saber se a multa decorrente do inadimplemento de ICMS sujeitase à incidência de juros de mora, como defende o Fisco Estadual, ou sequer integra o crédito tributário e, portanto, não pode sofrer este acréscimo, conforme a tese adotada pelo acórdão hostilizado." Não são necessárias maiores digressões para chegar a conclusão de que se a matéria analisada pelo STJ nesse caso dizia respeito à tributo estadual (ICMS), de modo que não foi objeto de apreciação a legislação federal que fundamenta o presente voto (artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96). Com efeito, o r. acórdão teve como base unicamente as normas constantes dos artigos 113, 139 e 161 do CTN. Na mesma problemática incorre o REsp 834.681/MG, no qual discutiase, em primeiro lugar, a aplicabilidade da taxa Selic como índice legítimo de correção monetária e juros de mora para a correção de débitos do contribuinte perante a Fazenda Pública estadual (de Minas Gerais, in casu). Como segundo ponto enfrentado pelo STJ aparecia a incidência dos juros sobre a multa de ofício que, por óbvio, também se limitava ao âmbito Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10410.003856/200239 Acórdão n.º 3402003.847 S3C4T2 Fl. 10 17 da legislação estadual, provável razão pela qual mais uma vez o Tribunal silenciou sobre a exegese do artigo 61, caput e §3º da Lei n. 9.430/96. Constatase, assim, que os precedentes utilizados como alicerce para a decisão do AgRg no REsp 1.335.688PR não tangenciaram especificamente os dizeres do artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96. Por essa razão não vislumbro qualquer razão para alterar o posicionamento majoritário que vem sendo adotado por esse Colegiado, a respeito da falta de previsão legal para a incidência da Selic sobre a multa de ofício imposta nos autos de infração lavrados pela Secretaria da Receita Federal. 35. Com base em tais fundamentos, afasto a incidência dos juros sobre a multa incidente sobre o crédito tributário aqui remanescente. Dispositivo 36. Diante do exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto para: (i) excluir da presente exigência fiscal os valores apontados do termo de diligência de fls. 343/345 e designados como "vinculações 2, 4, 6, 8, 10 e 12" para, ato contínuo; (ii) excluir do valor remanescente o importe de R$ 499.377,73, haja vista que tal monta (referente ao tributo e período aqui cobrado) foi depositado judicialmente pelo contribuinte e ulteriormente convertido em renda em favor da União; e, por fim (iii) em relação a parcela mantida da autuação, excluir os juros sobre a multa. 37. Não obstante, determino ainda que cópia da decisão aqui proferida seja encaminhada pela unidade julgadora e acostada aos autos n. 10410.001085/0030. 38. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 445DF CARF MF
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