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Numero do processo: 13971.004553/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 45 53 /2 00 9- 42 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13971.004553/200942 Acórdão n.º 2402006.384 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13971.004553/200942 Acórdão n.º 2402006.384 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13971.004553/200942 Acórdão n.º 2402006.384 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662139/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 39 /2 01 2- 89 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.662139/201289 Acórdão n.º 1201002.534 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de CSLL referente ao 3º trimestre/2007. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 12% para CSLL, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 12%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 12%, e não 32%. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.662139/201289 Acórdão n.º 1201002.534 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.662139/201289 Acórdão n.º 1201002.534 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.662139/201289 Acórdão n.º 1201002.534 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.902914/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
PIS/PASEP. AQUISIÇÃO DE PRODUTO MONOFÁSICO PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO.
Não podem ser calculados créditos sobre aquisições dos produtos para revenda sujeitos à tributação monofásica, previstos artigos 1°, 3° c/c os Anexos I e II e 5° da Lei n° 10.485/02.
Numero da decisão: 3301-004.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Valcir Gassen, que dava provimento para os créditos referentes a aquisição de bens com tributação concentrada nas etapas anteriores.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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AQUISIÇÃO DE PRODUTO MONOFÁSICO PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Não podem ser calculados créditos sobre aquisições dos produtos para revenda sujeitos à tributação monofásica, previstos artigos 1°, 3° c/c os Anexos I e II e 5° da Lei n° 10.485/02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Valcir Gassen, que dava provimento para os créditos referentes a aquisição de bens com tributação concentrada nas etapas anteriores. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 29 14 /2 01 2- 11 Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10280.902914/201211 Acórdão n.º 3301004.965 S3C3T1 Fl. 282 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: " O interessado transmitiu o PER nº 38550.80983.281008.1.1.118090, no qual requer ressarcimento de crédito relativo à Cofins nãocumulativa – mercado interno do 1º trimestre de 2008; Posteriormente transmitiu as Dcomps nº 03249.36375.281008.1.3.110167 e 31079.25326.030511.1.7.112948, visando compensar os débitos nelas declarados com o crédito acima; A DRFBelém/PA emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que, “por dificuldades técnicas, a Impugnante somente conseguiu transmitir sua base de dados ao Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais SVA em 09.10.2012”; Foi requerido diligência fiscal por meio do Despacho nº 36, de 11 de março de 2015; Procedida a diligência, a autoridade fiscal apresentou o Relatório Fiscal Seort nº 002/2015 (fls. 55/61) no qual propõe o não reconhecimento do direito creditório pleiteado e a conseqüente não homologação da compensações declaradas; Regularmente notificada do resultado da diligência, a empresa apresenta razões adicionais à manifestação de inconformidade, na quais alega, em síntese, que: a) requer a nulidade do ato uma vez que não foi aberto prazo para sua defesa e também por não existir fundamentação legal do indeferimento; b) da regularidade e da legalidade dos créditos de PIS e Cofins mercado interno de produtos sujeitos à tributação monofásica. Direito conferido pelo art. 17 da lei n° 11.033/04. Princípio da hierarquia das normas. Negativa de vigência à lei federal; É o breve relatório." A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e o Acórdão n° 0958528 foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 PIS/PASEP COFINS. AQUISIÇÃO DE PRODUTO MONOFÁSICO PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Não podem ser descontadas como crédito as aquisições de produtos para revenda sujeitos à tributação monofásica, ainda que sua receita de venda seja sujeita à alíquota zero. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10280.902914/201211 Acórdão n.º 3301004.965 S3C3T1 Fl. 283 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que apresenta tão somente razões de mérito: i) A a vedação ao crédito prevista na alínea "b" do inciso I do art. 3° da Lei n° 10.637/02 apenas prevaleceu enquanto vigorou a redação original das Leis n° 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que excluía a receita com a venda dos produtos em questão do regime não cumulativo (incisos IV dos § 3° dos artigos 1° c/c incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, em suas redações originais). E o direito ao crédito seria garantido pelo art. 17 da Lei n° 11.033/04. ii) O próprio formulário do DACON admite o registro dos créditos pleiteados. iii) Ilegalidade da IN SRF n° 594/05, que veda a tomada dos créditos pleiteados. iv) A interpretação dada pelo Fisco ao art. 17 da Lei n° 11.033/04, no sentido de que não ampara o direito ao crédito para as revendedoras de veículos, pneus novos de borracha, câmaras de ar de borracha e autopeças, violaria o princípio constitucional da igualdade tributária, previsto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário reúne os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O contribuinte transmitiu o Pedido de Ressarcimento (PER) nº 38550.80983.281008.1.1.118090, pleiteando crédito de COFINS nãocumulativo – mercado interno do 1º trimestre de 2008, ao qual vinculou os Pedidos de Compensação (DCOMP) nº 03249.36375.281008.1.3.110167 e 31079.25326.030511.1.7.112948. A DRFBelém/PA emitiu Despacho Decisório Eletrônico, indeferindo o PER e não homologando os DCOMP, com base no Parecer Seort/BEL n° 256/2013 (fls. 32 a 39). Foram glosados os créditos derivados de compras para revenda de veículos, pneus novos de borracha, câmaras de ar de borracha e autopeças, de que tratam os artigos 1°, 3° c/c os Anexos I e II e 5° da Lei n° 10.485/02, por força do disposto na alínea "b" do inciso I do art. 3° da Lei n° 10.637/02. Os dispositivos da Lei n° 10.485/02 determinavam que fabricantes e importadores daqueles produtos recolhessem a COFINS devida pelos atacadistas e varejistas na condição de substitutos, à alíquota superior à regular. Por conseguinte, estava reduzida a zero a Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10280.902914/201211 Acórdão n.º 3301004.965 S3C3T1 Fl. 284 4 alíquota da COFINS incidente sobre as vendas realizadas por atacadistas e varejistas, de acordo com os incisos I e II do § 2° do art. 3° e parágrafo único do art. 5° da Lei n° 10.485/02. O procedimento fiscal foi ratificado pela DRJ em Belém/PA. Nas peças de defesa, a recorrente aduziu que a vedação ao crédito prevista na alínea "b" do inciso I do art. 3° da Lei n° 10.637/02 apenas prevaleceu enquanto vigorou a redação original das Leis n° 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que excluía a receita com a venda dos produtos em questão do regime não cumulativo (incisos IV dos § 3° dos artigos 1° c/c incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, em suas redações originais). Com o advento da Lei n° 10.865/04, art. 42, os produtos foram incluídos no regime da não cumulatividade. Assim, os créditos pelas compras passaram a ser admitidos, apesar de os produtores e importadores terem permanecido como substitutos tributários dos atacadistas e varejistas e as vendas realizadas por estes últimos tributadas à alíquota zero. E a base legal para a tomada/manutenção dos créditos seria o art. 17 da Lei n° 11.033/04. Alegou que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) tem campo próprio para o registro de créditos oriundos de compras, cujas vendas são tributadas à alíquota zero. Que a vedação ao registro dos créditos prevista na IN SRF n° 594/05 seria ilegal, posto que estaria limitando o direito conferido pelo art. 17 da Lei n° 11.033/04. E que a interpretação dada pelo Fisco ao art. 17 da Lei n° 11.033/04, no sentido de que não ampara o direito ao crédito para as revendedoras de veículos, pneus novos de borracha, câmaras de ar de borracha e autopeças, violaria o princípio constitucional da igualdade tributária, previsto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal. O Despacho Decisório e o Parecer Seort/DRF/BEL n° 256/13 parecemme corretos, pois o registro dos créditos pleiteados é expressamente vedado pela alínea "b" do inciso I do art. 3° da Lei n° 10.637/02. Consta no citado parecer e no recurso, isto é, tratase de dado incontroverso, que a recorrente era comerciante varejista dos veículos, pneus novos de borracha, câmaras de ar de borracha e autopeças, os quais encontravamse classificados nas posições da TIPI elencadas pelos artigos 1°, 3° c/c os Anexos I e II e 5° da Lei n° 10.485/02. Estes dispositivos legais elegeram os fabricantes e importadores substitutos dos atacadistas e varejistas, para fins de PIS e COFINS. E o mesmo diploma legal, por intermédio dos incisos I e II do § 2° do art. 3° e parágrafo único do art. 5° da Lei n° 10.485/02, reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre as vendas realizadas por atacadistas e varejistas. Reproduzo as referidas bases legais: "LEI N° 10.485, DE 3 DE JULHO DE 2002 Art. 1o As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10280.902914/201211 Acórdão n.º 3301004.965 S3C3T1 Fl. 285 5 do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). (. . .) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (. . .) II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores.(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). (. . .) § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004). II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004). (. . .) Art. 5o As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras dos produtos classificados nas posições 40.11 (pneus novos de borracha) e 40.13 (câmarasdear de borracha), da TIPI, relativamente às vendas que fizerem, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,5% (nove inteiros e cinco décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Parágrafo único. Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, relativamente à receita bruta da venda dos produtos referidos no caput, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas." (g.n.) Os acima transcritos enquadramentos nas legislações do PIS e da COFINS regime não cumulativo, fabricante ou importante substituto tributário e receita de venda no atacado ou varejo tributada à alíquota zero constam nas alíneas "b" dos incisos I dos artigos Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10280.902914/201211 Acórdão n.º 3301004.965 S3C3T1 Fl. 286 6 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, que proíbem comerciantes atacadistas e varejistas dos produtos em questão de registrar créditos sobre os produtos em questão: "Lei n° 10.637/02 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos:(Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) V no caput do art. 5o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda dos produtos classificados nas posições 40.11 (pneus novos de borracha) e 40.13 (câmarasdear de borracha), da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) Lei n° 10.833/03 "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (. . .)" Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10280.902914/201211 Acórdão n.º 3301004.965 S3C3T1 Fl. 287 7 "Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002 , no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) V no caput do art. 5o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda dos produtos classificados nas posições 40.11 (pneus novos de borracha) e 40.13 (câmarasdear de borracha), da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005)." (g.n.) A vedação era expressa e, com a devida vênia, não comporta dúvida alguma: a recorrente, comerciante varejista, não tinha o direito de registrar créditos de PIS e COFINS sobre as compras de veículos, pneus novos de borracha, câmaras de ar de borracha e autopeças, que encontravamse classificados nas posições da TIPI elencadas pelos artigos 1°, 3° c/c os Anexos I e II e 5° da Lei n° 10.485/02. E os argumentos consignados em suas peças de defesa em nada a socorrem. Senão vejamos. O primeiro foi no sentido de que a vedação tão somente "prevalecia enquanto em vigor a redação original da Lei n° 10.833/03". Ocorre que não apresentou construção interpretativa que pudesse justificar sua afirmativa. Assim, admitilo, seria negar vigência à redação atual das nas alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, sem qualquer justificativa jurídica. O segundo diz respeito ao art. 17 da Lei n° 11.033/04. Aduziu que permite o registro de créditos oriundos de toda e qualquer entrada de mercadoria, cuja venda não seja tributada: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." Também não há controvérsia acerca da interpretação da regra acima reproduzida. Ela não trouxe nova hipótese de creditamento, porém dispôs que os créditos Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10280.902914/201211 Acórdão n.º 3301004.965 S3C3T1 Fl. 288 8 legalmente autorizados não precisam ser estornados, caso a venda dos respectivos produtos não seja alcançada pelas contribuições. E a correta interpretação do art. 17 da Lei n° 11.033/04 também derruba o segundo argumento da recorrente: o campo do DACON destinado a créditos derivados de compras de produtos cujas saídas não sofrem tributação prestase àqueles cujo registro é autorizado pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. De forma alguma, pode ser preenchido por créditos cujos registros são expressamente vedados, como no caso dos aqui pleiteados pela recorrente. O terceiro dispõe que seria ilegal a vedação ao cômputo dos créditos prevista na IN SRF n° 594/05, pois estaria contrariando o art. 17 da Lei n° 11.033/04. Acima, apresentei minhas divergências acerca da interpretação da recorrente do art. 17 da Lei n° 11.033/04. E, com efeito, o inciso IV do § 5° do art. 26 da IN SRF n° 594/05 tão somente regulamenta a vedação prevista nas alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Assim, não vejo ilegalidade alguma. Não obstante, afasto o argumento, pois não se encontra no escopo deste colegiado apreciar argumentos que visam declarar ilegalidade de ato normativo regularmente expedido pela RFB (art. 62A da Portaria MF n° 343/15 RICARF e Súmula CARF n°2). E, por fim, também com base na Súmula CARF n° 2, rechaço a alegação de que a proibição à tomada dos créditos violaria o princípio constitucional da igualdade tributária (inciso II do art. 150 da Constituição Federal), pois o julgamento deste tipo de demanda também está fora de nossa competência. Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000349/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/11/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, deve prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, o disposto no Código Tributário Nacional (CTN).
Numero da decisão: 2201-004.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, deve prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, o disposto no Código Tributário Nacional (CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 03 49 /2 00 7- 61 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 17546.000349/200761 Acórdão n.º 2201004.640 S2C2T1 Fl. 241 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra Decisão Notificação da então Secretaria da Receita Previdenciária, que julgou procedente o lançamento do crédito tributário. O lançamento é referente a contribuições devidas à Previdência Social, incidentes sobre valores pagos a empresa prestadora de serviço da área da saúde, devidos em razão da Solidariedade da empresa supra (Hospital e Maternidade Albert Sabin S/B Ltda) pela cessão de mão de obra colocada à sua disposição, correspondente à parte do empregado, da empresa (quota patronal), e contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O débito da notificada, lançado na presente NFLD, referese ao período de 01/1998 a 11/1998, período anterior a implantação da GFIP. A decisão de primeira instância julgou procedente o lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 09/09/2008, o sujeito passivo e os responsáveis solidários apresentaram recurso voluntário, tempestivamente, em 06/10/2008, data da postagem nos Correios, alegando, em síntese: A decadência do direito de o Fisco lançar o crédito tributário. Não há crédito tributário, posto que todos os valores descontados dos empregados foram recolhidos. Em face da exiguidade do prazo para apresentação de defesa e da grande quantidade de documentos, deixa de apresentar a comprovação dos pagamentos nesse momento, prometendo fazêlo em momento oportuno. A inconstitucionalidade de aplicação da taxa Selic. Pleiteia a juntada posterior de documentos. Por fim, requer seja dado provimento ao presente recurso, sendo anulado o presente Auto de Infração. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Decadência Fl. 241DF CARF MF Processo nº 17546.000349/200761 Acórdão n.º 2201004.640 S2C2T1 Fl. 242 3 O recorrente alega a prescrição e a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. No que tange à prescrição, que é a perda do direito de ação, não há de se cogitar, uma vez que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa com o protocolo da impugnação. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.2i2, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5°do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1°do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua Fl. 242DF CARF MF Processo nº 17546.000349/200761 Acórdão n.º 2201004.640 S2C2T1 Fl. 243 4 revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Este CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial. De acordo com a Súmula n° 99, considerase que houve pagamento parcial quando os recolhimentos efetuados se referem à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF n° 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as Fl. 243DF CARF MF Processo nº 17546.000349/200761 Acórdão n.º 2201004.640 S2C2T1 Fl. 244 5 contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Destarte, no presente caso, temos que o lançamento se perfectibilizou com a ciência pessoal ocorrida em 09/05/2005 (fl.54). Verificouse que não há nos autos prova de que houve antecipação do pagamento relativa ao crédito tributário lançado. Desse modo, aplicase a regra inserta no art. 173, § 1º, do CTN. Estão atingidas pela decadência, pois, todas as competências do presente lançamento, eis que o crédito tributário lançado é referente ao período de 01/1998 a 11/1998. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16542.720593/2012-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1571; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16542.720593/201289 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.602 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente GUSTAVO ESSER SCHMIDT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 54 2. 72 05 93 /2 01 2- 89 Fl. 45DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2011, anocalendário de 2010, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 10.364,40, por falta de comprovação de pagamento, gerando um saldo de imposto de renda complementar de R$699,61, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 e ss, juntando documentos para evidenciar que se trata de despesa própria. Alega, em síntese, que o valor de seu plano de saúde foi pago ao convênio médico por seu pai, por meio de desconto direto em sua remuneração na fonte pagadora, mas ressarcido por ele nos encontros entre pai e filho. Por fim, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o Contribuinte não logrou êxito em comprovar que arcou com o ônus da despesa. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte os mesmos argumentos e requer acolhimento do seu pedido para considerar como dedutível a despesa em comento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. bLei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames Fl. 46DF CARF MF Processo nº 16542.720593/201289 Acórdão n.º 2001000.602 S2C0T1 Fl. 3 3 laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente argumenta que efetuou o pagamento das despesas médicas para seu pai , sem, no entanto, apresentar prova documental contundente para tal , a não ser um recibo emitido pelo seu pai. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas , nos seguintes termos: “[...] Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Cabe ressaltar que é necessária a identificação dos beneficiários das despesas médicas, visto que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e dos dependentes. No caso em tela, foram glosados pagamentos informados na Declaração de Ajuste Anual Exercício 2011 a título de despesas médicas (Tempo Saúde Seguradora S/A R$ 10.364,40), por falta de comprovação. Em sua peça de defesa, o contribuinte discorda da glosa efetuada, sob o argumento de que o valor de seu plano de saúde foi pago ao convênio médico por seu pai, por meio de desconto direto em sua remuneração na fonte pagadora, mas ressarcido por ele nos encontros entre pai e filho. Fl. 47DF CARF MF 4 Com efeito, a Carteira de Habilitação à fl. 4 comprova que o contribuinte é filho de Paulo Roberto Schmidt, e o Comprovante de Rendimentos de seu pai, emitido por INK Geração e Produção de Conteúdos Ltda (fl. 16), atesta o pagamento em 2010 a Unibanco Saúde Seguradora S/A de R$ 10.364,40, relativos a plano de saúde do próprio contribuinte. Entretanto, o contribuinte não apresentou qualquer documento probatório relativo à transferência de recursos para seu pai. Em consequência, não logrou êxito em comprovar que arcou com o ônus da despesa, motivo pelo qual a glosa efetuada deve ser mantida em sua integralidade. Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação e pela manutenção do crédito tributário exigido. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade Fl. 48DF CARF MF Processo nº 16542.720593/201289 Acórdão n.º 2001000.602 S2C0T1 Fl. 4 5 material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental que NÃO atendeu ao quanto solicitado clara e objetivamente pela fiscalização, entendo que deve ser NEGADO provimento ao pedido do Contribuinte e portanto mantida a glosa da despesa médica em questão. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes, relator do voto vencedor. Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de Fl. 49DF CARF MF 6 indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 16542.720593/201289 Acórdão n.º 2001000.602 S2C0T1 Fl. 5 7 (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900131/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 1999
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES DA MESMA ESPÉCIE. REQUERIMENTO. DESNECESSIDADE. LEGISLAÇÃO ANTERIOR.
Nos termos do art. 14 da IN SRF nº 21, de 1997, os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, poderiam ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica,
correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. No caso vertente, restando comprovado que a contribuinte pretendeu, por meio de DCTF, compensar contribuição social paga a maior que a devida no ano de 1998 com contribuição social devida a título de estimativas no ano de 1999, descabe falar em caducidade do direito de repetir o indébito.
Numero da decisão: 1302-000.734
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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CONTRIBUIÇÕES DA MESMA ESPÉCIE. REQUERIMENTO. DESNECESSIDADE. LEGISLAÇÃO ANTERIOR. Nos termos do art. 14 da IN SRF nº 21, de 1997, os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, poderiam ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. No caso vertente, restando comprovado que a contribuinte pretendeu, por meio de DCTF, compensar contribuição social paga a maior que a devida no ano de 1998 com contribuição social devida a título de estimativas no ano de 1999, descabe falar em caducidade do direito de repetir o indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 70DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900131/200868 Acórdão n.º 130200.734 S1C3T2 Fl. 67 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900131/200868 Acórdão n.º 130200.734 S1C3T2 Fl. 68 3 Relatório CLARAMAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Piracicaba, São Paulo. Trata o processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado no anocalendário de 1998. O Despacho Decisório de fls. 02 indica que o indeferimento se deu em virtude da caducidade do direito de a contribuinte requerer a restituição dos valores pagos a maior. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01), por meio da qual sustentou que possuía crédito de saldo negativo de CSLL, no montante de R$ 1.080,68 conforme DIPJ 1999, e que as regras sobre o instituto da prescrição deveriam ser consideradas para os seus débitos, tal como foram para o seu crédito. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por meio do acórdão nº. 1232.847, de 19 de agosto de 2010, indeferiu a solicitação. O referido julgado foi assim ementado: DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. DECADÊNCIA. Os pedidos de restituição/compensação protocolizados após o prazo de 5 (cinco) anos, contados a partir do mês subseqüente ao do período de apuração do saldo negativo, são decadentes. Ciente da Decisão de primeira instância em 23 de setembro de 2010, conforme aviso de recebimento de folha 62/verso, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15 de outubro de 2010, conforme registro de recepção de folha 63, por meio do qual sustenta, in verbis: A) O vencimento do tributo, qual seja, a data de pagamento do tributo é o dies a quo da contagem do prazo prescricional de 5 anos para a apresentação do PER/DCOMP. O artigo 168, inciso I e o artigo 150, § 1º do CTN, ambos mencionam esse termo inicial, respectivamente: (...) " da data da extinção do crédito tributário" e Fl. 72DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900131/200868 Acórdão n.º 130200.734 S1C3T2 Fl. 69 4 (...) "O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito". O vencimento do imposto mais velho se deu aos 31/05/1999 ensejando o término do prazo de 5 anos em 31/05/2004. 0 PER/DCOMP foi apresentado em 07/05/2004, dentro do prazo portanto. B) Por outro lado, não se pode olvidar que a exigência da apresentação do PER/DCOMP decorre de Lei posterior do ano de 2.004 (IN SRF N.414/2004) que inovou quanto as exigências formais para compensação que, rigorosamente, já havia se consumado via DCTF no ano calendário de 1999, cuja homologação é incontroversa a teor do art.150, § 4°. do CTN. A IN SRF n. 414 de 2.004 não é meramente interpretativa, veio inovar com exigência que inexistia em 1999 (PER/DCOMP). A retroação almejada encontra óbice nos ditames do artigo 106, I do CTN porque, repitase, inovou e não é expressamente interpretativa. É o Relatório. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900131/200868 Acórdão n.º 130200.734 S1C3T2 Fl. 70 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A controvérsia submetida a exame está relacionada ao não reconhecimento de direito creditório em virtude de caducidade do direito. O despacho decisório de fls. 02 assinala: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que na data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Data de apuração do saldo negativo: 31/12/1998 Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo do crédito: 07/05/2004 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 1.242,51 A autoridade julgadora de primeira instância considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, tendo o voto condutor da referida decisão registrado: No caso dos autos, uma vez que o saldo negativo de CSLL se refere ao período de apuração 01/01/1998 a 31/12/1998, o prazo para pleitear a restituição/compensação iniciouse, portanto, em 01/01/1999 e findouse, 5 (cinco) anos depois, em 31/12/2003. Assim, tendo em vista o PER/DCOMP objeto dos autos ter sido apresentado em 07/05/2004, já estava extinto o direito de utilização do crédito pleiteado. Em sede de recurso, a contribuinte sustenta, entre outras alegações, que a compensação em debate já havia se consumado no anocalendário de 1999, via DCTF. De fato, observo que a contribuinte aportou aos autos cópia de DCTFs entregues em 12/08/99 (fls. 06) e 12/11/99 (fls. 18), em que é possível constatar que os débitos apontados no PER/DCOMP de fls. 44/51 foram indicados como compensados (COMPENSAÇÃO COM DARF) . À época em que tais registros foram efetuados (agosto e novembro de 1999), vigia, para fins de compensação, a Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, que em seu artigo 14 estabelecia que os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, poderiam ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, Fl. 74DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900131/200868 Acórdão n.º 130200.734 S1C3T2 Fl. 71 6 correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. No caso vertente, verifico que a Recorrente pretendeu, por meio das DCTF entregues (fls. 13/16 e 27/32), compensar Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pago a maior que o devido no ano de 1998 com Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida a título de estimativas no ano de 1999, isto é, buscou compensar crédito com débitos de contribuições de mesma espécie, sendo certo que isso poderia ser efetuado, considerada a legislação da ocorrência dos fatos, independentemente de requerimento. Em que pese o fato de a contribuinte não ter anexado comprovação contábil das compensações registradas nas DCTFs entregues e ter promovido as compensações considerando, indevidamente, as estimativas pagas, ao invés do saldo negativo a elas correspondente, penso que o indeferimento acerca do reconhecimento do direito creditório não pode, no presente caso, ser lastreado na argüição de intempestividade do pedido, eis que encontramse reunidos nos autos elementos suficientes à comprovação de que a Recorrente, já em 1999, pretendeu compensar crédito apurado no ano de 1998 com débitos relativos a períodos de 1999. O fato de a contribuinte ter transmitido em 07 de maio de 2004 PER/DCOMP, ressaltese, de idêntico teor, no que tange ao crédito e aos débitos, às DCTFs apresentadas em 1999, a meu ver, não invalida a pretensão manifestada tempestivamente no referido ano de 1999. No mesmo sentido, penso que o fato de a compensação pretendida pela contribuinte em 1999 ter sido feita de forma equivocada (considerando as estimativas pagas e não o saldo negativo que delas resultou), bem como a ausência de comprovação contábil da efetiva utilização do direito de crédito no encontro de contas, poderiam, quando muito, servir de fundamento para um eventual não reconhecimento do direito de crédito, porém, em um contexto de apreciação do mérito da peça de defesa interposta pela contribuinte, e não de caducidade do direito face a uma suposta desconsideração da intenção revelada pela entrega das DCTFs. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de decretar a nulidade da decisão de primeira instância, para que outra seja prolatada a partir do exame do mérito da defesa impetrada pela Recorrente. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 75DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900131/200868 Acórdão n.º 130200.734 S1C3T2 Fl. 72 7 Fl. 76DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 16327.001400/2005-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. HIPÓTESE DE DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS.
Na alienação de participação em empresa sediada no exterior, há o emprego dos lucros auferidos no exterior, em favor da empresa brasileira, configurando hipótese de disponibilização desses lucros. A finalidade da norma contida no item 4 da alínea b do § 2º do art. 1º da Lei nº 9.532/1997 não pode ser outra, senão a de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não esteja compreendida nas demais situações previstas no referido §2º. Não há como defender a ideia de que a alienação das participações societárias (onde os lucros estavam acumulados) não representa uma forma de disponibilização dos lucros no exterior. Ao contrário disso, a alienação das participações societárias é uma típica forma de realização dos lucros auferidos no exterior, lucros que ainda não haviam sido tributados pelas leis brasileiras.
LUCROS AUFERIDOS POR CONTROLADA OU COLIGADA EM 1996 E 1997. ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. TRIBUTAÇÃO PELA LEI 9.532/1997. POSSIBILIDADE.
A IN SRF nº 38/96, ao considerar que os lucros no exterior auferidos em 1996 e 1997 deveriam ser reconhecidos pela controladora ou coligada no Brasil somente quando disponibilizados, adotou a única interpretação possível para a tributação de lucros no exterior. A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não a data do auferimento dos lucros pela empresa sediada no exterior (Súmula CARF nº 78). Se os lucros surgidos nos anos-calendário de 1996 e 1997 somente foram disponibilizados no curso do ano-calendário de 2000, não há que se falar em aplicação retroativa da Lei 9.532/1997 para a tributação desses lucros no exterior. No ano-calendário de 2000, quando ocorreu o fato gerador, a referida lei tinha plena vigência.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF nº 108)
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL
Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-003.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em relação ao Recurso Especial do Contribuinte, por voto de qualidade, em negar provimento quanto à primeira divergência, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei e, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento quanto à segunda divergência. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS (INCORPORADA PELA COMPANHIA CERVEJARIA DAS AMERICAS AMBEV) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. HIPÓTESE DE DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS. Na alienação de participação em empresa sediada no exterior, há o emprego dos lucros auferidos no exterior, em favor da empresa brasileira, configurando hipótese de disponibilização desses lucros. A finalidade da norma contida no item 4 da alínea “b” do § 2º do art. 1º da Lei nº 9.532/1997 não pode ser outra, senão a de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não esteja compreendida nas demais situações previstas no referido §2º. Não há como defender a ideia de que a alienação das participações societárias (onde os lucros estavam acumulados) não representa uma forma de disponibilização dos lucros no exterior. Ao contrário disso, a alienação das participações societárias é uma típica forma de realização dos lucros auferidos no exterior, lucros que ainda não haviam sido tributados pelas leis brasileiras. LUCROS AUFERIDOS POR CONTROLADA OU COLIGADA EM 1996 E 1997. ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. TRIBUTAÇÃO PELA LEI 9.532/1997. POSSIBILIDADE. A IN SRF nº 38/96, ao considerar que os lucros no exterior auferidos em 1996 e 1997 deveriam ser reconhecidos pela controladora ou coligada no Brasil somente quando disponibilizados, adotou a única interpretação possível para a tributação de lucros no exterior. A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não a data do auferimento dos lucros pela empresa sediada no exterior (Súmula CARF nº 78). Se os lucros surgidos nos anoscalendário de 1996 e 1997 somente foram disponibilizados no curso do anocalendário de 2000, não há que se falar em aplicação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 00 /2 00 5- 11 Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 3 2 retroativa da Lei 9.532/1997 para a tributação desses lucros no exterior. No anocalendário de 2000, quando ocorreu o fato gerador, a referida lei tinha plena vigência. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF nº 108) TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em relação ao Recurso Especial do Contribuinte, por voto de qualidade, em negar provimento quanto à primeira divergência, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei e, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento quanto à segunda divergência. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recursos especiais de divergência interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela contribuinte acima identificada, fundamentados atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Esses recursos buscam reverter o que foi decidido no Acórdão nº 10323.423, de 16/04/2008, por meio do qual a Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento parcial a recurso voluntário anteriormente apresentado, para fins de, entre outras questões, manter parte do lançamento de IRPJ e CSLL sobre lucros no exterior, e afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 4 3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA. HIPÓTESE DE DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS. Na alienação de participação em empresa sediada no exterior há o emprego de lucros da coligada exterior, em favor da coligada no Brasil, o que configura hipótese de disponibilização. IMPOSTO SOBRE O PATRIMÔNIO. COMPENSAÇÃO. É passível de compensação apenas o tributo que incida sobre lucros, e não sobre o patrimônio. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO — INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADES SOB CONTROLE COMUM — SUCESSÃO — CARACTERIZAÇÃO — A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum e/ou mantinham alguma relação de interdependência. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 2000 Ementa: CSLL. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. A tributação da CSLL em bases universais para respeitar em sua plenitude o princípio da irretroatividade da lei só se aplica aos lucros auferidos a partir de 1° de outubro de 1999. É necessário, primeiro, separar o critério material (auferir lucros no exterior) do critério temporal (momento que se considera creditado ou pago). Depois perceber que o critério quantitativo (apuração da base de cálculo e aplicação de alíquota) que está no conseqüente da regra matriz de incidência, nada mais faz do que reafirmar o critério material (auferir renda). Dessa forma, quando o critério material, o mais importante de todos, é acionado no momento que se forma a relação jurídicotributária (critério pessoal e critério quantitativo) é necessário que a nova lei colha, para a formação de sua base de cálculo, apenas fatos ocorridos após sua vigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interpostos pela 5ª TURMA/DRJSÃO PAULO/SP I e COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS (INCORPORADA PELA COMPANHIA CERVEJARIA DAS AMERICAS AMBEV). ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por voto de qualidade, REJEITAR a preliminar em relação a aos lucros auferidos pela empresa coligada Jalua S/A, nos anoscalendário 1996 e 1997, vencidos os Conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe, Antonio Carlos Guidoni Filho, Waldomiro Alves da Costa Júnior e Paulo Jacinto do Nascimento (Relator). No mérito, DAR provimento PARCIAL ao Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 5 4 recurso voluntário nos termos seguintes: por unanimidade de votos, AFASTAR as exigências de IRPJ e CSLL relativas à glosa das despesas com juros; por voto de qualidade, MANTER as exigências relativas à falta de adição ao lucro liquido dos lucros auferidos no exterior, vencidos os Conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe, Antonio Carlos Guidoni Filho, Waldomiro Alves da Costa Junior e Paulo Jacinto do Nascimento (Relator), com a exclusão, por unanimidade de votos, da exigência de CSLL decorrente dos lucros auferidos até setembro de 1999 (inclusive); por maioria de votos, AFASTAR a incidência de juros sobre a multa de oficio, vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Luciano de Oliveira Valença (Presidente); por voto de qualidade, MANTER a exigência da multa de oficio na incorporadora, vencidos os Conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe, Antonio Carlos Guidoni Filho, Waldomiro Alves da Costa Júnior e Paulo Jacinto do Nascimento (Relator); e por unanimidade de votos, REJEITAR o pleito de dedução do imposto pago no exterior. Por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso de oficio em função de o crédito exonerado ser inferior ao limite recursal estabelecido na Portaria MF n° 3, de 03/01/2008. Designado o Conselheiro Antonio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor O Acórdão nº 10323.423 foi ainda integrado pelo Acórdão nº 1401001.887, de 19/05/2017, que acolheu embargos de declaração apresentados pela contribuinte, com efeitos infringentes, para excluir uma parcela adicional da base de cálculo do IRPJ e da CSLL que incidiram sobre os lucros no exterior: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão no acórdão embargado esta deve ser sanada. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR — RESERVA LEGAL. Não deve compor a base de cálculo do lançamento a parcela correspondente à Reserva Legal, posto que esta tem destinação obrigatória prevista em lei e deve ser constituída antes de qualquer outra destinação dos lucros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para integrar o Acórdão com os novos fundamentos, para então darlhes provimento em relação à exclusão da reserva legal na base de cálculo dos lucros que foram considerados auferidos no exterior. RECURSO ESPECIAL DA PGFN Após ser intimada do Acórdão nº 10323.423, a PGFN ingressou com recurso especial suscitando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1 divergência quanto ao momento de verificação do limite de alçada para fins de apreciação de recurso de ofício; e Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 6 5 2 divergência quanto à aplicabilidade dos juros de mora (taxa Selic) sobre a multa de ofício. No exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso apenas em relação à matéria constante do item "2" acima indicado. Houve negativa de seguimento em relação à matéria tratada no item "1", conforme o Despacho nº 140000.184, exarado em 08/11/2010 pela Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. E a negativa de seguimento de parte do recurso foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o despacho de reexame de admissibilidade exarado em 19/11/2010. Quanto à matéria admitida do recurso, a PGFN desenvolve os seguintes argumentos: DIVERGÊNCIA QUANTO À APLICABILIDADE DOS JUROS DE MORA (TAXA SELIC) À MULTA DE OFÍCIO. a decisão da e. Câmara a quo também diverge de decisão proferida pela 4ª Turma da CSRF, constante do Acórdão no CSRF/0400.651 (Acórdão Paradigma), cuja ementa, anexa ao presente recurso, passamos a transcrever: JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. da simples leitura da ementa se infere que os órgãos colegiados chegaram a conclusão dispare. Nestes autos se entendeu que os acréscimos moratórios não alcançam a multa por lançamento de oficio, uma vez que ela não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; por outro lado, o acórdão paradigma assentou que com relação aos juros de mora, o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei nº 9430/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve se entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional; RAZÕES PARA A REFORMA. LEGALIDADE DOS JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS NÃO PAGOS NO PRAZO ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO. o voto condutor da decisão recorrida manifestou o entendimento segundo o qual a incidência dos juros de mora pela taxa SELIC somente é aplicável em relação a tributos, nos termos do art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/96, não incidindo sobre as penalidades; Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 7 6 apesar do costumeiro acerto do relator, em relação à matéria ora discutida a interpretação dada foi equivocada; em primeiro lugar, é preciso salientar que o "DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA" do IRPJ, à fl. 191, e o "DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA" da CSLL, à fl. 198, dão conta de que não houve a cobrança da SELIC sobre o crédito tributário total (principal mais multa de oficio) e, sim, somente sobre o principal; com efeito, a tabela abaixo relativa ao IRPJ com fato gerador de 2000, preenchida com base no que consta dos mencionados demonstrativos, a titulo de amostragem, prova a afirmação de que a cobrança dos juros somente se deu em relação ao principal (tributo): [...]; por essa tabela se vê, claramente, que não houve incidência de SELIC sobre o principal mais a multa de oficio e, sim, somente em relação ao principal; e a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio se dá a partir do trigésimo primeiro dia após a ciência do lançamento pelo autuado; no caso em tela, não há a menor dúvida de que a fiscalização verificou o inadimplemento do IRPJ e da CSLL pela autuada. Como conseqüência, nos termos do art. 142 do CTN, efetuou o lançamento de oficio acompanhado dos acréscimos legais (multas de oficio e isolada e juros de mora). A multa de oficio que incidiu foi a de 75 % (setenta e cinco por cento), por força do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Nem poderia ser diferente; no que diz respeito aos juros, é indiscutível a aplicação das normas que determinam sua incidência ao tributo não pago no prazo previsto na legislação específica; porém, temse verificado a divergência de interpretação sobre a incidência desses acréscimos relativamente às multas de oficio aplicadas em razão do não pagamento do tributo devido; a esse respeito, o próprio art. 161 do CTN menciona a incidência dos juros sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", senão vejase: [...]; em outras palavras, o crédito tributário "não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora"; apesar disso, há quem argumente que, se do crédito a que se refere o caput do transcrito art. 161 do CTN consta a multa de oficio, quais seriam então as penalidades cabíveis mencionadas nesse mesmo dispositivo? o argumento, embora se baseie numa exegese literal, é sedutor. Porém, é desprovido de validade; em primeiro lugar, infelizmente é incontroverso que o legislador pátrio não prima pela qualidade da redação das leis que elabora. O CTN, aliás, contém inúmeros dispositivos criticados e criticáveis pela comunidade jurídica. É o caso do art. 161; Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 8 7 assim, é preciso interpretálo em função da realidade jurídica e fática sobre a qual vai ser aplicado; dito isso, cumpre registrar que o art. 113, §1º, do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal é o conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro; neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto que incontestável o seu conteúdo pecuniário; o conceito de crédito tributário está esculpido no art. 139 do CTN: [...]; desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão se não a de que o crédito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa deve incidir juros, como determina o §1º do art. 161 do Código Tributário Nacional; essas razões já seriam suficientes para se concluir pela incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário (principal mais multa de oficio); apesar disso, podese dizer que, a permanecer o entendimento literal segundo o qual na expressão "crédito não integralmente pago" não estaria incluída a multa de oficio, a eficácia de qualquer penalidade pecuniária, seja pelo descumprimento da obrigação principal, seja pelo da obrigação acessória, restaria comprometida; é que, como se sabe, a inobservância da obrigação acessória convertea em obrigação principal "relativamente à penalidade pecuniária", consoante o §3º do art. 113 do CTN. E, como visto, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, a qual, na hipótese, tem por objeto o pagamento de penalidade pecuniária; assim, pela interpretação literal que se pretende aplicar, o crédito tributário decorrente de obrigação principal que tenha por objeto o pagamento de penalidade pecuniária não sofreria acréscimos de juros de mora, mesmo quando não integralmente pago no vencimento, pois poderia ser feita a mesma indagação sobre a que penalidades cabíveis estaria se referindo o caput do art 161 do CTN; o crédito tributário consubstanciado na multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, exemplo de penalidade pecuniária aplicável pela inobservância da obrigação acessória, quando não pago no prazo previsto em lei, nunca sofreria a incidência de juros de mora, o que não se coaduna com a legislação pátria; dessarte, comprovada a possibilidade de incidência de juros de mora sobre multa de oficio, resta saber se tais juros podem ser aplicados pela taxa SELIC; a fim de contextualizar o problema e buscar a interpretação adequada, serão transcritos os dispositivos aplicáveis à solução do caso. Em primeiro lugar, os artigos 44, I, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, com a redação anterior à dada pela Lei nº 11.488/2007: [...]; Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 9 8 a divergência sobre a aplicabilidade da SELIC sobre a multa de oficio a titulo de juros de mora se dá, primordialmente, acerca do que se entende por "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal"; o art. 61, caput, e seu §3º da Lei nº 9.430/96 utilizam, respectivamente, as expressões "débitos para com a União" e "débitos a que se refere este artigo"; desses textos não se pode extrair que queriam se referir unicamente a débitos de tributos; aliás, a palavra débitos, escrita no plural, pode abranger várias situações, dentre as quais pode se referir a vários "débitos" de um sujeito passivo no mesmo ano calendário ou em anoscalendário diferentes; também permite concluir que se refere a "débitos" do mesmo tributo ou de vários tributos. Ou, ainda, sugere a relação com "débitos" que envolvam o tributo e os acréscimos legais, aí incluídas as multas e os juros; da mesma maneira, a expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" abre a possibilidade de se concluir que tais "débitos" sejam oriundos somente de tributos, ou seja, que abranjam somente o principal; porém, não exclui a exegese segundo a qual se referem aos tributos e acréscimos legais (multa e juros) decorrentes do tributo não pago; assim, é importante definir a que "débitos" se referem o art. 61, caput, e seu § 3º do mencionado diploma legal; é sabido que, com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, surge o direito subjetivo público do sujeito ativo (União) a receber o crédito tributário e o correspectivo dever do sujeito passivo (devedor) de pagálo no prazo previsto na legislação especifica; portanto, notase que, se não pago o tributo no prazo estipulado legalmente, o fisco efetuará o lançamento do crédito tributário, expressão que abrange o tributo e os acréscimos legais (multa e juros); querse dizer com isso que os débitos a que se referem o art. 61, caput, e seu § 3º da Lei nº 9.430/96 são os créditos tributários devidos à União e não somente o valor do tributo (principal). Os juros incidirão sobre o principal e a multa de oficio aplicada. É o que manda o citado § 3º; dessa forma, a Lei nº 9.430/96 dispôs de modo diverso do §1º do art. 161 do CTN e expressamente mandou aplicar aos créditos tributários da União a "taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento", que é a taxa SELIC; apesar disso, há quem afirme que, se se entender que nas expressões "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" e "débitos a que se refere Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 10 9 este artigo", constantes, respectivamente, do caput e do §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, estão incluídos os créditos tributários (principal e multa de oficio) devidos à União, então haveria cobrança de multa de mora sobre multa de oficio, já que o caput do mesmo artigo 61 manda acrescer a tais débitos "multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso". É o entendimento perfilhado pelo voto condutor do acórdão ora recorrido (cf. fl. 629); essa alegação, entretanto, não se sustenta. Em primeiro lugar, porque contraria o disposto no art. 950, §3º, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), Decreto nº 3.000/99, cujo teor é o seguinte: [...]; significa dizer que, constituído o crédito tributário composto do principal (tributo) mais a multa de oficio, não caberá a imposição da multa de mora que incidiria sobre o valor do tributo; em outras palavras, apesar de o texto do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96 não ter boa redação, permitindo que hipoteticamente se chegue à conclusão acima exposta, a norma jurídica contida no art. 950, § 3º, do RIR/99, impede que tal interpretação prevaleça, ou seja, afasta a exegese segundo a qual haveria incidência de multa de mora sobre multa de oficio; por outro lado, é de se ter em mente que tanto os juros de mora quanto a multa de mora não têm prazo de vencimento, salvo quando exigidos isoladamente em virtude de lançamento de oficio; pois bem. O caput e o §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, ao disporem sobre a incidência de juros de mora e da multa de mora a que se referem, aludem à aplicação desses acréscimos legais sobre débitos com prazo de vencimento; assim, concluise que nas expressões "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" e "débitos a que se refere este artigo", constantes, respectivamente, do caput e do §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, não estão incluídos os juros moratórios e as multas de mora devidos pela falta de pagamento ou de pagamento intempestivo de crédito tributário da União; diferente é o caso das multas de oficio. Percebese claramente que as multas de oficio têm prazo para pagamento, qual seja, trinta dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo; ora, se os juros moratórios a que se refere o §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96 somente se aplicam sobre débitos com prazo de vencimento, inferese que incidem sobre as multas de oficio não pagas no prazo de trinta dias após a ciência do lançamento pelo autuado; ademais, o art. 2º, §2º, da Lei nº 6.830/80, dispõe que: [...]; pela leitura do dispositivo transcrito, vêse que a Dívida Ativa da Fazenda Pública, ou seja, o crédito que a Fazenda está apta a executar, abrange os juros de mora, além dos demais acréscimos legais; Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 11 10 digase, de passagem, que esse dispositivo está em consonância com o que dispõe a Lei nº 4.320/64, ao definir Divida Ativa Tributária no §2º do art. 39, nestes termos: [...]; dessa maneira, fica claro que os juros de mora incidem sobre a Dívida Ativa da União. Então, o afastamento da incidência dos juros de mora sobre as multas de oficio seria tornar a legislação tributária incoerente, pois não há razão jurídica suficiente para determinar a aplicação de tais acréscimos ao mesmo débito quando apto a ser executado (Dívida Ativa) e afastálo quando ainda em discussão administrativa (impugnação e recursos voluntário e especial), embora não pago no vencimento; em verdade, praticamente todos os valores devidos à União sofrem a incidência da taxa SELIC. Assim, se a multa de oficio é acessória ao tributo devido, por que razão sofreria a incidência de taxa de juros diferente daquela que incide sobre a obrigação principal? Qual o motivo para tratar as multas de oficio de forma diferente da dos demais débitos de particulares com a União? ademais, a não incidência da taxa SELIC sobre as multas de oficio gera desestímulo ao seu pagamento, eis que o contribuinte pode lucrar com a sua mora, mediante aplicação do recurso em investimentos que sejam remunerados com base nessa taxa; CONCLUSÃO face o exposto, requer a Fazenda Nacional o provimento do presente Recurso Especial, a fim de que seja conhecido o Recurso de Oficio interposto bem como que seja mantida a incidência dos juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de oficio. Conforme já mencionado, o recurso especial da PGFN só foi admitido em relação à matéria acima abordada, ou seja, à aplicabilidade dos juros de mora (taxa Selic) sobre a multa de ofício. Em 17/07/2017, a PGFN comunicou que tinha sido cientificada do Acórdão nº 1401001.887 (resultante do julgamento dos embargos de declaração apresentados pela contribuinte), e que estava aguardando o julgamento do recurso especial já interposto (efls. 869). CONTRARRAZÕES DA CONTRIBUINTE Em 13/07/2015, após o despacho saneador de efls. 792, o processo foi enviado à DeratSPO, para que a contribuinte fosse cientificada do Acórdão nº 10323.423, do recurso especial da PGFN e do despacho que admitiu parcialmente esse recurso, bem como do despacho de reexame (efls. 795). Não consta dos autos a intimação para a referida ciência. Em 24/07/2015, a contribuinte apresentou embargos de declaração, informando que tomou ciência do Acórdão nº 10323.423 em 23/07/2015. Os embargos foram considerados tempestivos (efls. 852), e encaminhados ao colegiado para a apreciação de seu mérito. Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 12 11 Em 31/07/2015, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da PGFN, e pelas informações acima, vêse que essas contrarrazões também foram apresentadas tempestivamente. Em sede de contrarrazões, a contribuinte alega que: tendo sido intimada em 23.07.2015 da interposição de recurso especial pela Fazenda Nacional, e muito embora tenha protocolado em 24.07.2015 embargos de declaração em face daquele acórdão, para que não se alegue eventual preclusão vem, respeitosamente, apresentar suas CONTRARRAZÕES, de modo a evidenciar que o recurso especial da Fazenda não deve ser provido pelos motivos a seguir expostos; DA NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. interpôs a Fazenda Nacional seu recurso especial com base em paradigma que manteve a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício com base no artigo 161 do CTN e no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, sob o fundamento de que "com relação aos juros de mora, o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9439/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão"; curiosamente, ao apresentar as razões pelas quais entende que seu recurso especial deve ser provido quanto a tal matéria, a Fazenda Nacional possivelmente sabedora de que tais artigos na verdade não amparam sua tese, ao se referir ao artigo 161 do CTN pondera que "o legislador pátrio não prima pela qualidade da redação das leis que elabora" (fl. 679) e quanto ao "caput" do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 o acusa de "não ter boa redação''' (fl. 686); com a devida vênia, o problema da Recorrente não está na qualidade da redação desses dispositivos legais, que não são merecedores das críticas acima, mas no fato de que tais dispositivos simplesmente não amparam sua pretensão, o que é atestado, aliás, pela própria Recorrente quando afirma que "o caput e o §3º do art. 61, da Lei nº 9.430/96, ao disporem sobre a incidência de juros de mora e da multa de mora a que se referem, aludem à aplicação desses acréscimos legais sobre débitos com prazo de vencimento" (fl. 686); de fato, como admite a própria Recorrente, o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 regula os acréscimos moratórios incidentes sobre tributos pagos espontaneamente em atraso pelo contribuinte, e não a multa de ofício, como já decidiu o E. STJ no acórdão assim ementado: Agravo Regimental no Recurso Especial n° 868.847/RS, julgado pela C. lª Turma do STJ em 15.12.2009 [...]; de acordo com o voto da I. Ministra relatora, Denise Arruda, "verbis": "Dessa forma, a pretensão recursal é manifestamente improcedente, porquanto o Tribunal Regional julgou nos limites estabelecidos pelo art. 44, I, da Lei 9.430/96. Com efeito, O ART. 61 DA LEI 9.430/96. LOCALIZADO NA SEÇÃO IV (DOS ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS). NÃO REGULA MULTAS DE OFICIO. Uma interpretação sistemática e lógica deve ser feita nos termos do art. 11, III, b e c, da Lei Complementar 95/98: Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 13 12 "Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: ... III para a obtenção de ordem lógica: a) reunir sob as categorias de agregação subseção, seção, capítulo, título e livro apenas as disposições relacionadas com o objeto da lei; b) restringir o conteúdo de cada artigo da lei a um único assunto ou princípio; c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; d) promover as discriminações e enumerações por meio dos incisos, alíneas e itens. "" o artigo 61 invocado pela Recorrente integra o Capítulo V da lei n° 9.430/96, que trata das "DISPOSIÇÕES GERAIS", e, mais especificamente, a Seção IV sobre "Acréscimos Moratórios'", juntamente com o artigo 62, sobre o termo inicial da incidência dos juros no pagamento parcelado do IRPF e no pagamento das quotas de ITR, e o artigo 63, que permitiu ao contribuinte que vê cassada a liminar ou sentença que suspendia a exigibilidade do tributo pagar o mesmo só com a multa e os juros moratórios; especificamente, o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 teve como única finalidade reduzir os percentuais de multa de mora, como bem demonstra a exposição de motivos (que se refere ao artigo 63 do projeto, que virou o artigo 61 da lei, "verbis": [...]; como se vê, portanto, e assim como os artigos 62 e 63, o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 tem como destinatário única e exclusivamente o sujeito passivo, pois, por se tratar de regra pertinente à multa de mora, que é a multa devida pelo contribuinte que paga o tributo em atraso sem que tenha havido lançamento de ofício, referese a multa que só pode ser paga enquanto a Autoridade Administrativa não tiver efetuado lançamento de ofício, hipótese na qual a multa de mora cede lugar à multa de ofício. Portanto, é o sujeito passivo que, ao pagar sem qualquer ordem prévia da Administração Tributária o tributo em atraso, aplicará o artigo 61 da Lei n° 9.430/96; os "débitos" referidos pelo "caput" e § 3º do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 são somente os débitos tributários não constituídos, que evidentemente não comportam a multa de ofício decorrente do lançamento tributário; na verdade, a regra da Lei n° 9.430/96 aplicável às multas de lançamento de ofício é o artigo 44, cuja ementa é justamente "Multas de Lançamento de Ofício", sendo certo que tal artigo não prevê a incidência de juros moratórios sobre tais multas, ao contrário do artigo 43 dessa lei, que, ao tratar das multas isoladas, prevê expressamente no seu parágrafo único a incidência de juros moratórios; além disso, caso como pretende a Fazenda Nacional, a expressão "débitos para com a União" inclua também a multa de ofício, a conseqüência dessa hipótese é a Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 14 13 incidência de multa de mora não só sobre os débitos de tributos e contribuições pagos em atraso, mas também sobre a multa de ofício, já que o caput do artigo 61 determina que "Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora"; ora, a partir do momento que se considera que a Receita Federal, que pratica a atividade de lançamento "vinculada e obrigatória''' por força do parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, jamais entendeu possível (e muito menos tentou) fazer incidir multa de mora sobre multa de ofício, demonstrado está que a interpretação do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 que ampararia a pretensão da Fazenda de fazer incidir juros moratórios sobre a multa de ofício é "data máxima venia" absurda até mesmo sob a ótica da própria Receita Federal; daí porque a única interpretação possível do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada, até porque referido artigo está a disciplinar os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento; mas não é só, pois também no que refere à interpretação do artigo 161 do CTN não assiste razão à Recorrente, já que ao contrário do que sustenta a Fazenda tal artigo só se aplica ao montante do tributo devido, e não da multa incidente sobre o seu pagamento em atraso; é claro que a Recorrida não desconhece que em alguns artigos do Código Tributário Nacional a expressão "crédito tributário" necessariamente também abrange, além do montante do tributo devido, a multa, os juros e demais acréscimos porventura cabíveis; exemplo de artigo em que a expressão "crédito tributário" deve evidentemente incluir a penalidade pecuniária é o artigo 151, que trata da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Caso contrário, a impugnação tempestivamente apresentada pelo sujeito passivo suspenderia a exigibilidade do tributo, mas não da multa decorrente do seu não pagamento, o que seria absurdo; por outro lado, assim como a interpretação de determinados artigos do Código Tributário Nacional que trate do crédito tributário pode exigir que naquela norma específica (como no artigo 151) a expressão signifique também os juros e multas, a interpretação de outros artigos pode exigir exatamente o oposto, ou seja, que o crédito tributário corresponda apenas ao valor do tributo devido, sem acréscimo de juros e multa. É o que ocorre, por exemplo, com o artigo 157, que integra, aliás, a sessão do Código que trata do "pagamento" no qual se insere o artigo 161. De acordo com tal artigo: "Art. 157. A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário." a razão de ser deste artigo é a de deixar bem claro que não se aplica ao Direito Tributário a regra do artigo 410 do Código Civil (correspondente ao artigo 819 do Código de 1917), segundo a qual: Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 15 14 "Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, esta converterseá em alternativa a beneficio do credor. " portanto, o que o artigo 157 quer dizer é que, não pago o tributo no seu vencimento, a multa porventura imposta não substitui o imposto, não dispensa o seu pagamento, mas a ele se soma. E cristalinamente claro que, ao dizer que "a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário", o artigo 157 quer dizer exatamente que "a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do tributo", e não faria qualquer sentido supor que tal artigo poderia ser interpretado como "a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do tributo e da penalidade; é exatamente o que ocorre quanto ao artigo 161, segundo o qual, "verbis": [...]; "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. " como o "crédito", além de figurar no caput, aparece também no §2º, a Recorrida procederá ao exame de ambas as ocorrências da expressão para demonstrar, com maior força, que ela se refere apenas ao tributo, e não à multa de ofício; a exemplo do que ocorre no artigo 157 do Código, no qual nitidamente o "crédito tributário" exclui a penalidade, temos no caput do artigo 161 uma clara distinção entre o "crédito" mencionado no seu início, o qual é acrescido de juros de mora, e as "penalidades cabíveis" que podem ser aplicadas se o crédito não for pago no vencimento e que não são prejudicadas pela incidência dos juros de mora; distintas as "penalidades cabíveis" do "crédito", é de se concluir que o caput do artigo 161 pretende simplesmente dizer que ao tributo não pago no vencimento são acrescidos os juros de mora, e que tais juros, por decorrerem única e exclusivamente da mora do sujeito passivo, não excluem a imposição das "penalidades cabíveis", que têm como causa a infração tributária; ora, se o caput do artigo 161 do Código Tributário Nacional pretende dizer apenas que o tributo não pago no vencimento é acrescido de juros e esses juros não impedem a imposição das penalidades cabíveis, não faz sentido atribuir ao "crédito" nele tratado amplitude para abranger, além do tributo, a penalidade pecuniária. O fato de a expressão "crédito tributário" poder, em tese, ser utilizada em um sentido amplo, a abarcar também a penalidade pecuniária, não significa que ela sempre possa ou deva ter esse sentido, já que, como demonstrado, a expressão "crédito tributário" também pode apresentar um sentido estrito correspondente apenas ao tributo, excluída a penalidade pecuniária. Em suma, o intérprete do Código Tributário Nacional não pode atribuir à expressão "crédito tributário" o sentido que lhe Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 16 15 aprouver, devendo buscar, na leitura do dispositivo legal específico e efetuada a necessária interpretação, o sentido que se revele adequado ao caso concreto; nesse contexto, tendo sido demonstrado que o trecho do caput do artigo 161 segundo o qual "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis" deve ser lido de acordo com a acepção estrita de crédito, ou seja, que "o tributo não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis", é possível demonstrar igualmente o equívoco do emprego da acepção ampla da expressão "crédito tributário", a significar "o tributo e a penalidade pecuniária"; com efeito, se o trecho do caput do artigo 161 acima transcrito pudesse ser lido como "o tributo e a penalidade pecuniária não integralmente pagos no vencimento são acrescidos de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis", a conseqüência disso seria absurda, pois tal redação permitiria não apenas que sobre a penalidade pecuniária não paga no vencimento incidissem juros, mas também que sobre essa "penalidade pecuniária" não paga no vencimento (trinta dias contados do lançamento, no caso dos tributos federais) fosse imposta nova "penalidade cabível", e assim por diante, em uma sequência infinita de multas sobre multas impostas a cada trinta dias; assim, se a Fiscalização constatasse que o sujeito passivo não pagou R$100,00 no vencimento, aplicaria multa de ofício R$75,00, que, não paga no respectivo vencimento (trinta dias), demandaria (além da incidência dos juros) a imposição de nova multa de ofício, agora no valor de R$56,25 (75% de R$75,00), que, se não paga nos trinta dias subseqüentes à sua imposição, geraria nova multa no valor de R$42,19 (75% de 56,25), em uma sequência infinita de multas que evidentemente não encontra fundamento jurídico; ora, o absurdo dessa conclusão demonstra o equívoco da premissa, qual seja, de que o "crédito" de que trata o caput do artigo 161 refirase não só ao tributo como também à penalidade pecuniária; e da mesma forma que no caput do artigo 161, no seu §2º o "crédito" também significa apenas o tributo, pois, quando se afirma que "o disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito", pretendese dizer, inequivocamente, que "o disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do tributo"; aliás, nem poderia ser de outra forma, pois, se o devedor formula a sua consulta dentro do prazo legal para o pagamento do tributo, não estando, portanto, em mora no momento da apresentação da consulta e, portanto, não sujeito a qualquer multa , não faria sentido, nesta hipótese, que o "crédito" mencionado no §2º pudesse se referir também à uma "multa" necessariamente inexistente; concluise, portanto sobretudo considerandose não se esperar que o legislador utilize, no mesmo artigo, idênticas expressões com significados diferentes que o sentido atribuído pelo §2º do artigo 161 à palavra "crédito" corrobora a conclusão de que, também no caput deste artigo, o legislador a empregou no sentido de mero tributo, não abrangendo, portanto, a penalidade pecuniária; Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 17 16 em face de todo o exposto, concluise que o artigo 161 do Código Tributário Nacional não autoriza que sobre a multa não paga no vencimento incidam juros moratórios; de se salientar que especificamente a este respeito já são vários os acórdãos da Jurisprudência Administrativa reconhecendo o não cabimento da exigência, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja 1ª Turma decidiu em sessão realizada em 08.11.2010 pela não incidência dos referidos juros, no acórdão assim ementado: Acórdão 910100.722 [...]; além disso, o mesmo entendimento foi firmado, por 12 votos a 2 pela C. 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ao julgar o recurso especial n° 202131.351 (Acórdão CSRF/0203.133), bem como da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos autos do processo n° 10680.011107/200629 (acórdão n° 220100.126), e também das C. 1ª, 3ª e 5ª Câmaras do E. 1º Conselho de Contribuintes nos autos dos processos n° 19515.003663/200527 (acórdão 101 96523), n° 16327.004079/200275 (acórdão 10196.008), n° 16327.001458/200556 (acórdão n° 10196601), n° 16327.001400/200511 (Acórdão 10323.423), n° 16327.000106/200311 (acórdão n° 10323.566) e n° 16327.001228/200414 (acórdão n° 10516.472), e C. 1ª, 2ª e 3ª Câmaras do E. 2º Conselho (acórdãos 20178.718, 20216.397 e Recurso 147.616); a propósito, vale referir a esclarecedora e valiosa declaração de voto conjunta que foi proferida por ocasião da sessão de julgamento de 06 de maio de 2009 pelos Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho e Andréia Dantas Lacerda Moneta nos autos do processo n° 10680.011107/200629, acórdão n° 220100.126: [...]; no mesmo sentido, ainda, vale transcrever o seguinte excerto do bem fundamentado voto do ilustre Conselheiro Antônio Zomer, "verbis": "Não me parece que a palavra "débitos" utilizada pelo caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 está a contemplar o principal e a multa de ofício. Com efeito, se assim fosse, esse dispositivo estaria a amparar a cobrança da multa de mora sobre a multa de ofício, pois, que, taxativamente, prega que "Os débitos para com a União (...) serão acrescidos de multa de mora.". Assim, não vejo como o parágrafo 3° do referido artigo possa embasar a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, porque não é dado à autoridade administrativa aplicar um dispositivo legal apenas em parte. A se entender que o termo "débitos" encampa o principal e a multa de ofício, não se pode fazer incidir a multa de mora, disposto no caput, sobre o principal e os juros de mora, tratados no parágrafo 3º sobre o principal e a multa de ofício. (...) Restaria, por derradeiro, a possibilidade de aplicação, sobre as multas de oficio não pagas no vencimento, dos juros previstos no art. 161 do Código Tributário Nacional, que assim determina: (...) Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 18 17 Entretanto, nem aqui a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio encontra guarida. Isto porque a redação do art. 161 do CTN permite inferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de ofício, mas apenas o tributo, pois se assim não fosse, deixaria de ter sentido a expressão "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis" que aparece logo depois da previsão dos juros sobre o crédito. Se a multa de ofício está contida no termo crédito, de que penalidade estaria tratando a parte final do art. 161 do CTN? A conclusão a que chego, mais uma vez, é que o CTN também não buscou regular a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio. Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da cobrança os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício."(Recurso n° 125.436, acórdão 20216.397, fls. 433). resta, assim, demonstrada a manifesta improcedência do presente recurso especial interposto pela Fazenda Nacional; ante o exposto, pede e espera a Recorrida seja negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Após ser intimada do Acórdão nº 1401001.887, que acolheu os embargos de declaração por ela apresentados, a contribuinte interpôs recurso especial em 24/08/2017 (efls. 1096), também alegando que a decisão recorrida deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, mas nesse caso a divergência diz respeito às seguintes matérias: 1 não incidência do IRPJ e da CSLL na alienação de participação societária no exterior; 2 decadência – lucros gerados até 1997 (inclusive); e 3 inaplicabilidade da Lei nº 9.532, de 1997 – lucros gerados até 1997 (inclusive). No exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso apenas em relação às matérias constantes dos itens "1" e "3" acima indicados. Houve negativa de seguimento em relação à matéria tratada no item "2", conforme o despacho exarado em 24/11/2017 pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Esse despacho de exame de admissibilidade foi exarado em caráter definitivo, conforme § 2º, inciso VII [rejeição de acórdão indicado como paradigma por enquadrarse nas hipóteses do § 12 do art. 67], do art. 71 (Anexo II) do RI/CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com a redação das Portarias MF nºs 152, de 2016, e 329, de 2017. Entendeuse que os acórdãos paradigmas apresentados para a segunda divergência contrariavam Súmula do CARF, no caso, a Súmula CARF nº 78. Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 19 18 Quanto às matérias admitidas do recurso, a contribuinte apresenta os seguintes argumentos: QUANTO À NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E CSLL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA NO EXTERIOR. DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. ao entender que incide IRPJ e CSLL na alienação de participação societária no exterior, o v. acórdão recorrido divergiu de decisão unânime da C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais assim ementada: "IRPJ E OUTROS LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ANOS CALENDÁRIO 1999 e 2000 A alienação de participação societária em controlada no exterior pela controladora no Brasil não constitui "disponibilização" de lucros, cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação." (Acórdão n° 910101.303 doc. 01) e ainda no mesmo sentido pode ser citada a seguinte decisão da C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "IRPJ E OUTROS LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ANOS CALENDÁRIO 1999 e 2000 A conferência de participação societária não constitui "disponibilização" de lucros, cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação. (...)" (Acórdão n° 9101001.678 doc. 02) como se pode bem observar simplesmente comparandose as ementas, enquanto o v. acórdão recorrido concluiu que "Na alienação de participação em empresa sediada no exterior há o emprego de lucros da coligada exterior, em favor da coligada no Brasil, o que configura hipótese de disponibilização", os acórdãos paradigmas consagram entendimento diametralmente oposto, qual seja, que "A alienação de participação societária em controlada no exterior pela controladora no Brasil não constitui "disponibilização" de lucros", bem como que "A conferência de participação societária não constitui "disponibilização" de lucros"; ou seja, enquanto o v. acórdão entendeu que alienação de participação societária caracteriza disponibilização de lucros, ou seja, o fato gerador do IRPJ e da CSLL, os acórdãos paradigmas concluíram que tal alienação não constitui disponibilização de lucro, sendo, assim, absolutamente clara a divergência; DO MÉRITO. DA NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA INVOCADA PELO FISCO: A ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA NÃO IMPLICA DISPONIBILIDADE DE LUCRO. conforme consta expressamente do Termo de Verificação, a exigência fiscal está fundamentada especificamente no artigo 1º, parágrafo 2º, alínea "b", Item 4 da Lei 9.532/97, que considera pago o lucro auferido no exterior quando ocorrer o emprego do seu Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 20 19 valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior; contudo, como demonstrado pela Recorrente na impugnação e no recurso voluntário, a norma legal acima não dá amparo à autuação fiscal porque, diferentemente do que afirma a fiscalização, a hipótese de disponibilização de lucros contemplada na norma, capaz de desencadear a tributação no Brasil, não ocorre no caso concreto; com efeito, para que a norma prevista no artigo 1º, parágrafo 2º, alínea "b", item 4 da Lei 9.532/97 possa ser aplicável: (i) é necessário que ocorra o emprego do valor dos próprios lucros em benefício da coligada ou controladora no Brasil; (ii) considerase ocorrido tal emprego inclusive se aqueles lucros forem utilizados em aumento de capital da própria controlada ou coligada que os produziu. diversamente do decidido pelo acórdão recorrido, a alienação de participação acionária não tem em absoluto o efeito de um emprego do valor daqueles lucros em benefício da recorrente, porque os lucros permaneceram nas empresas coligada (Jalua) e controlada (CCBP) após as operações em causa; o que houve foi única e exclusivamente a alienação da participação acionária nas sociedades investidas geradoras dos lucros para outra sociedade, o que é situação absolutamente distinta daquela prevista na norma; também não há de se falar em aumento de capital das próprias sociedades investidas geradoras dos lucros, pois este permaneceu inalterado pelas operações em causa, de mera alienação de participação acionária; em face disso, fica evidenciado que no caso concreto não ocorreu disponibilização dos lucros em causa nem de fato, porque a Recorrente jamais se beneficiou diretamente do valor daqueles lucros, nem de direito, porque os fatos como ocorridos não se subsumem à norma legal invocada. E não tendo havido a disponibilização quer fática quer jurídica dos lucros, não se pode falar em tributação pelo IRPJ e CSL; com efeito, a aquisição de disponibilidade jurídica e econômica é a "situação em que se tem o poder de utilizar, poupar ou consumir a renda ou os proventos de qualquer natureza, seja pelo fato de sua detenção física, a título definitivo e incondicional, seja pela existência de capacidade legal para lhes dar destino eficaz, mesmo sem lhes deter a posse física." (cf. Antonio Carlos Garcia de Souza, Gilberto Ulhôa Canto e Ian de Porto Alegre Muniz in "Fato Gerador do Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza, Caderno de Pesquisas Tributárias, Ed. Resenha Tributária, vol. 11, pág. 40); assim, se a sociedade investida apurou lucro e não o distribuiu, não há que se falar em acréscimo patrimonial disponível para a sociedade investidora que tinha mera expectativa de direito sobre aqueles lucros, os quais não se transferem para seu patrimônio enquanto não praticado o ato jurídico da distribuição; Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 21 20 de se salientar, ademais, que no caso das ações da Jalua S.A. sua alienação se deu para outra empresa também domiciliada no Brasil (EAGLE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS S/A), e não no exterior, conforme facilmente se constata dos contratos de fls. 90/95; assim, a prova cabal de que não houve o emprego dos lucros em favor da Recorrente reside no fato de que, como os lucros acumulados permaneceram no patrimônio líquido da Jalua após a alienação pela Recorrente de sua participação societária naquela companhia a outra sociedade residente no Brasil, vindo a ocorrer qualquer das hipóteses de disponibilização previstas em lei aquela nova acionista ficaria obrigada a adicionar à base de cálculo do IRPJ e da CSL os mesmos lucros que se pretende tributar pelos autos de infração lavrados; o que em hipótese alguma se pode admitir, mas é exatamente o que está a fazer a Fiscalização por meio dos autos de infração lavrados, é que seja exigido da Recorrente IRPJ e CSL sobre um lucro que jamais lhe foi disponibilizado; verificase, assim, que a largueza de "interpretação" atribuída pelo ilustre fiscal autuante ao artigo 1º, parágrafo 2º, alínea "b", item 4 da Lei 9.532/97, além de manifestamente improcedente, viola também a própria sistemática de tributação de lucros no exterior; de fato, a improcedência de tal interpretação foi reconhecida por esta C. lª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica das ementas dos acórdãos indicados como paradigma: [...]; a correção do entendimento defendido pela contribuinte pode ser aferido pela simples leitura do artigo 1º da Lei n° 9.532/97, "verbis": "Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. §1° Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: a) no caso de filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados; b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. §2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considera se: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 22 21 1 o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2 a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3 a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4 o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior." de fato, podese inicialmente constatar com toda a facilidade que as condutas descritas nos itens 1, 2 e 3 da alínea "b" do §2° do artigo 1º da Lei n° 9.532/97 são inequivocamente condutas pertinentes apenas à controlada ou coligada no exterior; com efeito, ao se referir o item 1 ao "crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil", é evidente que tal crédito só poderá ser feito pela controlada ou coligada no exterior, não fazendo qualquer sentido, por exemplo, que a controladora ou coligada brasileira pudesse "creditar" em favor de si mesma algo de que não dispõe; também o item 2, ao tratar da "entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária", deixa claro que só quem pode entregar é a controlada ou coligada no exterior, não sendo igualmente possível que a sociedade brasileira "entregasse" a seu próprio representante (ou seja, a si mesma), coisa para ela indisponível; da mesma forma, o item 3 quando se refere à "remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça", deixa claro que só quem pode remeter é a coligada ou controlada no exterior, já que sendo a "beneficiária", como visto, a sociedade controlada ou coligada no Brasil, não faria sentido algum que esta "remetesse" para si mesma coisa da qual não dispõe; portanto, não é razoável pretender que o item 4, ao se referir ao "emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior", esteja a dispor de forma diversa, pois não faz sentido que a "beneficiária" (isto é, a sociedade brasileira) "empregue" em seu próprio benefício valor do qual não dispõe; mas, além disso, a própria premissa da qual partem a Fiscalização e o v. acórdão recorrido revela a incorreção de sua conclusão, pois se o "emprego de valor" em questão puder ser efetuado pela própria pessoa jurídica brasileira (como sustenta o lançamento), é certo que nesse caso o valor "empregado" pela sociedade brasileira terá que lhe ser anteriormente disponível (já que ninguém pode empregar o que não dispõe), o que logicamente exclui a aplicação do artigo 1° dessa lei, que trata justamente do momento em que os lucros das controladas ou coligadas no exterior tornamse disponíveis para a controladora ou coligada brasileira; A IN 38/96 EVIDENCIA A IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA. Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 23 22 não fosse o acima exposto suficiente para demonstrar a improcedência do lançamento fiscal, é certo que a leitura do artigo 2º da Instrução Normativa n° 38/96 evidencia a insubsistência das autuações fiscais, a par de serem manifestamente ilegais; de fato, longe de dar suporte à autuação, o art. 2° da Instrução Normativa n° 38/96, lido em sua inteireza, apenas evidencia a manifesta improcedência da autuação, a par de ser manifestamente ilegal; com efeito, quando instituído, o regime da Lei 9.249/95 mereceu acirradas críticas da doutrina por prever a tributação dos lucros auferidos no exterior independentemente de estes terem sido distribuídos ou não, em violação ao disposto no artigo 43 do Código Tributário Nacional, como já decidido pelo Supremo Tribunal Federal a propósito do ILL; a Administração, reconhecendo a impossibilidade de se exigir tributos daquela forma, baixou a Instrução Normativa n° 38/96 pela qual esclareceu, sem qualquer base legal, que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior somente deveriam ser tributados quando disponibilizados, assim entendidos os lucros pagos ou creditados à matriz, controladora ou coligada, passando a elencar inúmeras hipóteses de disponibilização (art. 2º e parágrafos), inclusive aquela do parágrafo 9º, "verbis": Art. 2º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido do período base, para efeito de determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados. § 1º Consideramse disponibilizados os lucros pagos ou creditados à matriz, controladora ou coligada, no Brasil, pela filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, considerase: I creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliada no exterior; II pago o lucro, quando ocorrer: a) o crédito do valor em conta bancária em favor da matriz, controladora ou coligada, domiciliada no Brasil; b) a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; c) a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; d) o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliada no exterior. (...) Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 24 23 § 9º Na hipótese de alienação do patrimônio da filial ou sucursal, ou da participação societária em controlada ou coligada, no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil deverão ser adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real da alienante no Brasil. como era de se esperar, a IN 38/96 também mereceu acirradas críticas da doutrina porque, de um lado, passava a negar aplicação ao sistema legalmente vigente e, de outro, definia ela própria, sem base em lei, em que hipóteses ocorreriam a tributação pelo IRPJ dos lucros apurados no exterior em flagrante violação aos princípios da legalidade estrita e da tipicidade fechada, previstos nos artigos 5º, II e 150, I da CF/88 e 97 do CTN e aos artigos 84, IV da CF/88 e 99 do CTN que limitam o conteúdo e alcance dos decretos e demais normas de inferior hierarquia aos das leis que visam regulamentar; não obstante isso, continuou o Fisco a aplicála até o advento da Lei 9.532/1997, que introduziu, agora por lei, o conceito de disponibilização tal como disciplinado na IN 38/96, mas deixando de reproduzir várias hipóteses nela previstas, em especial aquela do artigo 2°, parágrafo 9°; com isso, a IN 38/96 que, como se disse, já sofria críticas da doutrina por contrariar e ir além do disposto nas Leis 9.249/95 e 9.430/96, passou a ser considerada incompatível com a Lei 9.532/97, portanto por ela revogada (art 2º, par. 1º da LICC), já que prevê hipóteses de disponibilização de lucros não previstas expressamente na lei, acarretando a exigência de pagamento de tributo por força de mero ato regulamentar; de se salientar, ademais, que o simples fato de o artigo 2º da IN 38/96 estabelecer no seu parágrafo 2º, inciso II, alínea "d" exatamente a mesma hipótese de disponibilização atualmente contemplada pelo artigo 1º, parágrafo 2º, letra "b", item 4, da Lei 9.532/97, enquanto a alienação de participação societária está prevista em parágrafo distinto do artigo 2º da IN 38 (§9º), por si só já evidencia tratarse de hipóteses absolutamente distintas. E, tendo a lei mantido apenas uma destas hipóteses de disponibilização, evidentemente não se pode pretender fazer nela incluir aquilo que a própria Secretaria da Receita Federal ao editar a IN 38/96 entendeu que lá não se enquadrava; VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE ESTRITA, DA TIPICIDADE FECHADA E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA, BEM COMO À COMPETÊNCIA TRIBUTARIA OUTORGADA PELA CF/88. como decorrência do acima exposto, verificase ainda que no caso concreto, por estar sendo feita sem base legal, mas simplesmente a partir de mera "interpretação" do Fisco (que já se demonstrou ser totalmente descabida), a exigência não pode prosperar também porque implica violação aos arts. 5º, II e 150, I, da CF/88 e o art. 97 do Código Tributário Nacional, que consagram o princípio da legalidade estrita em matéria tributária; ora, no caso concreto está ocorrendo exatamente o que o princípio da legalidade e tipicidade buscam vedar: a utilização exacerbada do subjetivismo na interpretação e aplicação da legislação ao caso concreto, que fez com que o intérprete ignorasse a letra da lei passando a aplicála a situação de fato nela não prevista; entretanto, na lição de Carlos Maximiliano (Hermenêutica e Aplicação do Direito, Forense, 15ª edição) a interpretação das normas jurídicas embora deva ser feita Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 25 24 utilizandose o intérprete de todos os métodos ao seu alcance, não pode levar a conclusões distorcidas e contrárias à intenção de legislador, "verbis": [...]; atendida a recomendação de Maximiliano, surge a verdade no caso concreto: a operação praticada pela Recorrente não acarretou qualquer disponibilidade dela sobre os lucros apurados pela sociedade investida; de fato, para que fosse possível exigir da Recorrente a tributação sobre o valor dos lucros em causa, deveria a fiscalização demonstrar que o efeito da operação, seria, de fato, encontrar dentro da Recorrente o valor correspondente aos lucros apurados no exterior pela sua investida. Como estes mesmos lucros permaneceram no exterior, a tributação está recaindo sobre valor que a Recorrente não auferiu e sobre o qual jamais teve qualquer disponibilidade; e como já dito acima, a tributação dos lucros auferidos no exterior antes de sua disponibilização para a sociedade investidora no Brasil implica a tributação do que não é renda nem lucro da empresa nacional, que jamais teve disponibilidade sobre eles, mas sim da então investida estrangeira, onde permaneceram mesmo após a operação acima; assim, as exigências em causa violam frontalmente também o disposto nos arts. 153, III, 195, I, "c" da CF/88 c/c art. 43 do CTN, e ainda o artigo 145, parágrafo 1º da CF/98, além de contrariar a jurisprudência do Plenário do Supremo Tribunal Federal quando decidiu pela inconstitucionalidade do ILL no RE 172.0581SC, de 30.06.95, pois os lucros, em especial os oriundos do exterior, somente podem ficar sujeitos ao IRPJ e à CSLL quando efetivamente percebidos pela matriz, controladora ou coligada no Brasil, regras então em vigor que foram parcialmente incorporadas no RIR/99 aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26.03.99, nos arts. 394 e seguintes; razão pela qual assiste total razão ao i. Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva quando assim concluiu nos autos do Processo Administrativo n° 16327.001478/200527, de interesse de CRBS S.A. (empresa do mesmo grupo econômico da Recorrente), "verbis": [...]; ademais, a se admitir que a norma legal teria o alcance pretendido pelas autoridades fiscais, então a norma em questão seria inconstitucional e ilegal por pretender tributar algo que pelas razões acima expostas não consubstancia em absoluto disponibilidade jurídica ou financeira de renda ou lucro da empresa autuada, em violação aos artigos 5º, LIV, 145, parágrafo 1º, 150, IV, 153, III, 195, I da Constituição Federal, artigos 43, 44 e 110 do Código Tributário Nacional e artigo 2º da Lei n° 7.689/88; DA DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. por fim, vale ressaltar que não obstante o que foi decidido no v. acórdão recorrido, certo é que tal decisão contrariou o entendimento consignado em duas decisões da mesma C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, indicadas como paradigma, tendo a primeira delas, unânime, sido assim ementada: Acórdão n° 910101.303 [...]; no mesmo sentido foi a decisão também proferida pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais assim ementada: Acórdão n° 9101001.678 [...]; Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 26 25 por outro lado, a doutrina é absolutamente pacífica no exato sentido dos acórdãos supra transcritos; de se salientar que a impossibilidade de se considerar disponibilizados os lucros auferidos por empresa coligada no exterior em razão da simples alienação das ações correspondentes a este investimento já vem sendo reiteradamente reconhecida também pelo Poder Judiciário, podendo ser citada a seguinte decisão proferida pela C. Terceira Turma do E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região nos autos da Apelação/Reexame Necessário n° 000171790.2002.4.03.6100, verbis: [...]; e ainda pode ser citada a seguinte decisão proferida pela C. Sexta Turma do E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região nos autos da Apelação Cível n° 0001855 91.2001.4.03.6100, verbis: [...]; QUANTO AOS LUCROS GERADOS ATÉ 1997 (INCLUSIVE): DECADÊNCIA E INAPLICABILIDADE DA LEI 9.532/97. DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. a Recorrente demonstrou no recurso interposto a impossibilidade de se considerar como base tributável os lucros auferidos até 1997 pela sociedade no exterior não só porque a Lei n° 9.532/97, fundamento legal da exigência, só pode alcançar lucros ocorridos a partir de 1998, como ainda porque os lucros auferidos nos anos de 1996 e 1997 nos termos da Lei n° 9.249/95 seriam tributáveis tão logo auferidos, de modo que já estariam alcançados pela decadência, considerando que o lançamento em questão foi lavrado somente em 30/09/2005; a esse respeito, porém, assim constou da r. decisão recorrida, "verbis": [...]; ocorre que ao assim decidir o v. acórdão recorrido divergiu em 2 aspectos distintos de outras decisões; primeiramente, quanto à decadência o v. acórdão recorrido divergiu de duas decisões deste E. Conselho: [...]; em segundo lugar, ao não reconhecer a inaplicabilidade da Lei n° 9.532/97 em relação aos anos anteriores a 1997 (inclusive) divergiu de decisão da 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que nos termos da decisão abaixo indicada reconheceu que a Lei n° 9532/97 somente pode ser aplicada em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1998, "verbis": "TRATADO BRASILPORTUGAL PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO (ART. 10) TRIBUTAÇÃO DE DIVIDENDOS POSSIBILIDADE A PARTIR DA LEI N° 9.532/97 (ART. 1º). Pelo art. 10 do Tratado Internacional Brasil Portugal (DecretoLegislativo n° 59/71 e Decreto n° 69.393/71) autorizava se que os dividendos da sociedade residente na Ilha da Madeira pagos à sociedade no Brasil poderiam ser tributados pelo Brasil, o que, entretanto, somente passou a ocorrer com o advento da Lei nº 9.532/97 (art.1º) sobre os fatos ocorridos a partir de 1998, em razão dos princípios da anterioridade e da irretroatividade. Assim, a exigência fiscal não pode levar em consideração os dividendos gerados até 1997, inclusive." (grifos nossos, Acórdão n° 10707.352, doc. 05). Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 27 26 a divergência portanto é manifesta pois enquanto o v. acórdão manteve o lançamento com base na Lei n° 9.532/97 mesmo com relação aos lucros anteriores a 1997 (inclusive), o v. acórdão indicado como paradigma entendeu que a Lei n° 9.532/97 somente pode ser aplicada em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1998; resta, assim, inequivocamente demonstrada a divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas sobre a mesma questão; DO MÉRITO. conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal, quando do lançamento fiscal as autoridades fiscais levaram em consideração os lucros auferidos no exterior nos anos de 1996 a 2000 por empresa coligada e incluiu os mencionados lucros na base de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2000; ocorre que até o ano de 1998 vigorava apenas o artigo 25 da Lei n° 9.249/95, que previa a tributação dos lucros auferidos por controlada no exterior tão logo auferidos, de modo que quando da lavratura dos autos de infração já havia ocorrido a decadência relativamente àqueles lucros auferidos até o ano de 1997 (inclusive), sendo inaplicável a Lei n° 9.532/97; não obstante assim seja, o v. acórdão recorrido afastou a decadência e a manteve o lançamento com base na Lei n° 9.532/97 mesmo em relação aos lucros auferidos até 1997 (inclusive) por entender que, verbis: [...]; ocorre que ao contrário do que entendeu aquela decisão, a Lei n° 9.249/95, que disciplinava os lucros gerados em 1996 e em 1997, era expressa no sentido de que: "Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano." (grifos nossos) portanto, nos termos dispostos na Lei n° 9.249/95, o fato gerador seria o dia 31 de dezembro do anocalendário da apuração do lucro no exterior. E não obstante a IN n° 38/96 tenha estabelecido que a ocorrência do fato gerador se dá em 31 de dezembro do ano em que ocorreu a disponibilização, certo é que a lei que vigorava à época (Lei 9.249/95) dispunha de forma diferente, de modo que o disposto na IN não se aplica, sendo certo, ademais que a Lei 9.532/97, que tratou a matéria nessa parte de acordo com o previsto na IN, só passou a ter vigência em 01/01/98, não sendo igualmente aplicável aos lucros daqueles anos; portanto, a Lei 9.532/1997, invocada pelas autoridades fiscais como fundamento legal da autuação, não pode alcançar os lucros gerados até 1997 (inclusive); dessa forma, devem ser excluídos do lançamento fiscal os lucros gerados anteriormente a 1998 (no caso, 1996 e 1997); DO PEDIDO. ante o exposto, pede e espera a Recorrente seja admitido e provido o presente Recurso Especial, reformandose o v. acórdão recorrido na esteira da jurisprudência Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 28 27 colacionada, de modo a reconhecer a flagrante improcedência do lançamento, ou quando menos para que sejam excluídos da base de cálculo da tributação os lucros gerados até 1997 (inclusive), pelas razões acima expostas, como medida de direito e de justiça. Como já mencionado, o recurso especial da Contribuinte só foi admitido em relação às matérias acima abordadas, ou seja, à "não incidência do IRPJ e da CSLL na alienação de participação societária no exterior" e à "inaplicabilidade da Lei nº 9.532, de 1997 – lucros gerados até 1997 (inclusive)". CONTRARRAZÕES DA PGFN Em 19/01/2018, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu em parte o recurso especial da contribuinte, e em 02/02/2018, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DA NÃO COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. entendeu o conselheiro pela configuração do dissenso jurisprudencial, no que toca à ‘(3) “inaplicabilidade da Lei nº 9.532, de 1997 – lucros gerados até 1997 (inclusive)”’, conforme excerto do despacho de admissibilidade do recurso especial, a seguir transcrito: [...]; contudo, não obstante a desejada semelhança fática das situações, qual seja, a inaplicabilidade da Lei nº 9.532/97 aos fatos geradores ocorridos até 1998, não é o acórdão nº 10707.352 apto a demonstrar a controvérsia jurisprudencial, porquanto, além do arcabouço fático em que proferidas as decisões ser diverso, não foi analisada a mesma legislação invocada no acórdão recorrido; enquanto o acórdão recorrido abordou a hipótese de disponibilização de lucros quando da alienação de participação societária em coligada e controlada no exterior; o acórdão paradigma analisou a tributação de dividendos pagos somente por controlada, além da existência de tratado internacional envolvendo o caso concreto, conforme ementa novamente reproduzida a seguir: [...]; pela simples leitura da ementa verificase que não se tratava de caso envolvendo a alienação de participação societária em controlada no exterior pela controladora no Brasil para capitalizar outra controlada, como o caso aqui em discussão, mas sim a tributação de dividendos pagos à controladora brasileira; outrossim, e mais forte para a negativa de seguimento do recurso quanto a esse ponto, é o fato de a decisão paradigma não enfrentar a questão da legalidade da IN SRF nº 38/96, ponto discutido no acórdão recorrido; aliás, digase de passagem, o acórdão paradigma sequer cita mencionada instrução normativa, seja para se manifestar acerca da sua legalidade ou ilegalidade, simplesmente transita entre as Leis nºs 9.249/95 e 9.532/97, como se a IN SRF nº 38/96 não existisse no mundo jurídico; contudo, de forma diversa, o acórdão recorrido enfrenta a Lei nº 9.249/95 à luz da IN SRF nº 38/96 e da Lei nº 9.532/97, uma vez que dispuseram sobre o momento de disponibilização do lucro prevista na citada Lei nº 9.249/95; Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 29 28 assim, impossível falarse em divergência de decisões quando essas não analisaram o mesmo arcabouço jurídico, a mesma legislação, para se alcançar a solução posta. Obviamente, que diante da discussão envolvendo a IN SRF nº 38/96 no acórdão recorrido, temos uma discussão diversa do paradigma; nesse sentido, a recorrente não logrou demonstrar a existência de divergência jurisprudencial hábil a justificar o recebimento do recurso especial por ela interposto, uma vez que o paradigma, acórdão nº 10707.532, não se presta a comprovar a divergência suscitada, pois, sequer citou a IN SRF nº 38/96; ou seja, impossível invocar o dissídio jurisprudencial, uma vez que o confronto foi estabelecido entre arcabouços normativos diversos; nesses termos, fica claro que a suposta adoção de tese jurídica contrária, se existente, ocorreu em contexto fático totalmente diverso, razão pela qual não pode ser tomado como paradigma apto à demonstração da divergência jurisprudencial; logo, pela diversidade do quadro fático no qual proferido o acórdão indicado como paradigma e a decisão recorrida, o recurso especial manejado pela contribuinte não merece seguimento; DOS FUNDAMENTOS PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. a recorrente alega que a alienação de participação societária em controlada/coligada no exterior pela controladora no Brasil para capitalizar outra controlada não configuraria emprego do valor em favor da beneficiária, nos termos do item 4, alínea “b”, parágrafo 2°, do art. 1° da Lei 9.532/97; as alegações da recorrente não merecem prosperar, devendo ser mantido o acórdão recorrido, conforme será demonstrado; o cerne da controvérsia gira em torno da interpretação a ser conferida ao item 4 da alínea "b" do § 2º do art. 1º da Lei nº 9.532/97, ou seja, definição do alcance da expressão “emprego do valor, em favor da beneficiária”. Nesse sentido, cumpre trazer a lume a evolução da legislação; com a edição da Lei 9.249/95, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior passaram a ser tributados pelas pessoas jurídicas domiciliadas no país, tendo como momento da tributação a data de 31 de dezembro de cada ano; já com a edição da Lei 9.532/97, a tributação dos lucros auferidos no exterior passou a ser em 31 de dezembro do anocalendário em que os lucros tiverem sido disponibilizados; após, com a Medida Provisória n° 2.15834, de 28.07.2001, houve nova alteração do momento em que deveriam ser tributados os lucros, qual seja, data do balanço no qual tiverem sido apurados, segundo o art. 74. E, ainda, estabeleceuse que os lucros apurados por controlada até 31.12.2001 deveriam ser disponibilizados em 31.12.2002, salvo se ocorrida antes dessa data, qualquer das hipóteses de disponibilização prevista na legislação; Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 30 29 voltando ao cerne da controvérsia, a jurisprudência do CARF há muito vem se debruçando sobre a correta interpretação da expressão “emprego do valor, em favor da beneficiária” e, após longos debates, consolidou posicionamento segundo o qual a finalidade da norma contida no referido preceptivo legal foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização do lucro que não esteja compreendida nas demais situações previstas no §2º do art. 1º da Lei n.º 9.532/97; nesse sentido, confirase o seguinte julgado da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que consolidou o entendimento de que a alienação das participações societárias caracteriza o emprego do valor dos lucros incorporados ao investimento: Acórdão nº 9101001.768 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2002. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. EMPREGO DO VALOR. A finalidade da norma contida no item 4 da alínea “b” do § 2º, da Lei nº 9.532, de 1997, foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento mediante conferência para integralização de capital de outras empresas. (Precedentes: Ac. CSRF nº 910100.420, de 03/11/2009, relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho; Ac. nº 110200.059, de 29/09/2009, relatora Sandra Maria Faroni). aliás, por tratar da matéria ora analisada com profundidade, analisando os posicionamentos adotados no âmbito do Conselho, trazse à baila interessante comentário elaborado pelo procurador da Fazenda Nacional Moisés de Sousa Carvalho Pereira, intitulado de “Análise Lucros de Controlada no Exterior Emprego do Valor”, publicado na “Coletânea de Jurisprudência do CARF em processos relevantes julgados em 2013”. In verbis: [...]; voltando ao caso em análise, de acordo com Termo de Verificação Fiscal, volume 2, constatouse a realização de operações que caracterizaram disponibilização de lucros, segundo o item 4, alínea b, parágrafo 2°, art. 1° da Lei 9.532/97, eis que nessa operação de integralização de capital houve a transferência de participação societária (capital acrescido de lucros); portanto, verificouse que a operação na qual a recorrente transferiu suas quotas da Jalua S.A., para a Eagle Distribuidora de Bebidas S/A, configurando hipótese de disponibilização de lucros; tendo a Jalua auferido um lucro, de 1996 a 1999 no montante de R$ 633.189.610,40 e de jan a agosto de 2000, R$ 163.995.900,00; outrossim, também configurada a disponibilização de lucros na operação na qual o contribuinte transferiu suas quotas da CCB Paraguay, para a Jalua S.A, tendo a CCB Paraguay auferido um lucro, de 1998 a março de 2000 no valor de R$ 1.325.466,19; assim, a fiscalização entendeu que mencionadas operações configurariam disponibilização de lucros à recorrente, nos termos do item 4, alínea “b”, parágrafo 2° do art. 1° da Lei 9.532/97; Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 31 30 vale a pena transcrever excertos do Termo de Verificação Fiscal, que descreve as operações: [...]; assim, é incontroverso que houve alienação das ações, e que ao tempo dessas alienações foram auferidos lucros, conforme descrito no TVF. Logo, quando da operação de venda o patrimônio da investidora já havia sido afetado pela valorização dos investimentos na controlada/coligada em correspondência aos lucros nelas acumulados; portanto, a teor do disposto no artigo 1°, §2°, "b", item 4, da Lei nº 9.532/97, a alienação de participação societária configura hipótese de disponibilização de lucros, por restar caracterizado o emprego do valor, em favor da beneficiária, ocorrido na data da referida alienação; não se desconhece a existência de alguns poucos julgados favoráveis à tese da contribuinte no sentido de que a transferência de participação societária não configura a hipótese do item 4, alínea b, §2º do art. 1º da Lei n.º 9.532/97, no entanto, não se pode dizer que esses julgados retratem o entendimento atual do CARF, porquanto prevalece na Câmara Superior a tese de que na expressão “emprego do valor, em favor da beneficiária” se insere as movimentações de participação acionária; a comprovar isso, o recente acórdão da CSRF nº 9101002.467, inclusive envolvendo a Skol: [...]; em conclusão, o investimento na subsidiária registrado no ativo da empresa brasileira é valorizado pelos lucros auferidos no exterior, em função da equivalência patrimonial. Logo, ao utilizar esse investimento valorizado em seu favor, para quaisquer fins, a investidora dispõe dos lucros apurados no exterior, ou melhor, emprega em seu favor o valor dos lucros, incorporados no custo do investimento; por fim, convém somente salientar que o item 4 alínea b do §2º do art. 1º da Lei 9.532/97 prevê expressamente como hipótese de emprego do valor, o aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior: “4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior”. assim, igualmente sem sucesso qualquer argumento no sentido de que não houve alienação da participação acionária, mas apenas mera capitalização da empresa investida por meio de admissão de novo acionista e diluição de participação societária; passandose ao próximo tópico, quanto à inaplicabilidade da Lei nº 9.532/97 no que toca aos lucros gerados até 1997, na eventualidade de não acolhimento da questão preliminar suscitada, necessário se faz o enfrentamento da questão de fundo, na qual melhor sorte não merece a pretensão do recorrente; sustenta a recorrente que a Lei n° 9532/97 somente pode ser aplicada em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1998. Alega que até o ano de 1998 vigorava apenas o artigo 25 da Lei n° 9.249/95, que previa a tributação dos lucros auferidos por controlada no exterior tão logo auferidos, de modo que quando da lavratura dos autos de Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 32 31 infração já havia ocorrido a decadência relativamente àqueles lucros auferidos até o ano de 1997 (inclusive), sendo inaplicável a Lei n° 9.532/97. Contudo, sem razão a recorrente; como a recorrente mesmo reconhece, os lucros oriundos do exterior estão sujeitos à tributação em virtude do que dispõe inicialmente o art. 25 da Lei 9.249/95; contudo, olvidase a recorrente que a IN 38/96 regulamentou a supracitada norma, dispondo sobre o momento da tributação do lucro: [...]; embora o diferimento da tributação do lucro até o período em que fosse posto à disposição não estivesse expressamente previsto na Lei nº 9.249/95, a IN SRF nº 38/96, ao permitilo, em consonância com art. 43 do CTN, concedeu um justo benefício ao contribuinte, sem lhe agravar o ônus; de fato, com a postergação na ocorrência do fato gerador, a RFB disciplinou a aplicação do preceito legal, sem criar nem aumentar a obrigação tributária dos contribuintes. Nesse contexto não há que falar em violação do princípio da reserva legal expresso no art. 9º, I, do CTN e no art. 150, I, da CR/88; portanto, o art. 25 da Lei 9.249/95 e a IN 38/96 fixaram que quando há emprego do valor dos lucros auferidos no exterior tais lucros são considerados como disponibilizados ao residente no Brasil; assim, aplicandose aos anos calendário 96 e 97 o disposto no art. 25 da Lei nº 9.249/95 c/c art. 2º da IN SRF nº 38/96, verificase que, ao contrário do que pretende a recorrente, a autuação é irretocável, não havendo que se cogitar em retroatividade da Lei nº 9.532/97, porquanto não foi o que ocorreu; convém destacar que o art. 25 da referida lei já determinava que os lucros, rendimentos e ganhos de capital, auferidos no exterior, seriam computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas, correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano; desse modo, deve ser mantida a decisão recorrida uma vez que está de acordo com a legislação tributária; assim, impossível também a pretensão da recorrente de exclusão da base de cálculo da tributação dos lucros no exterior gerados até 1997, devendose manter o acórdão recorrido; DO PEDIDO. por todo o exposto, requer a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) o não conhecimento do recurso especial, por ausência de requisito essencial, quanto à matéria aplicabilidade da Lei nº 9.532/97 – lucros gerados até 1997; outrossim, no mérito, seja negado provimento ao recurso especial da contribuinte, mantendose a decisão recorrida por seus próprios e jurídicos fundamentos, bem como com fundamento nas razões expendidas acima. Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 33 32 É o relatório. Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 34 33 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço dos recursos especiais, porque eles preenchem os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto autos de infração de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário de 2000, lavrados em decorrência da tributação de lucros no exterior (considerados disponibilizados quando da alienação de participações societárias) e da glosa de despesa com juros pagos à empresa coligada domiciliada no exterior. A decisão de primeira instância administrativa afastou parte da segunda infração, admitindo a dedução das despesas de juros relativas ao período de março a agosto de 2000. A decisão de segunda instância administrativa (decisão ora recorrida), por sua vez, entre outras questões, manteve parte do lançamento de IRPJ e CSLL sobre lucros no exterior (excluindo da base de cálculo desses tributos a parcela correspondente à Reserva Legal), e afastou a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O recurso especial da PGFN busca restabelecer a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. E o recurso especial da contribuinte ataca a decisão recorrida na parte em que ela manteve a tributação dos lucros no exterior. O exame da matéria que é objeto do recurso especial da contribuinte (tributação de lucros no exterior) deve preceder o julgamento da questão da incidência dos juros sobre a multa, porque o que for decidido para aquela primeira matéria pode ter implicações diretas na segunda. É que se for afastada a própria tributação dos lucros no exterior (rubrica principal), não há que se apreciar nenhuma questão sobre os acréscimos legais (no caso, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício). Em razão disso, inicio o julgamento pelo recurso especial da contribuinte. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE O recurso especial da contribuinte aponta divergência jurisprudencial em relação à parte da decisão que manteve a tributação dos lucros no exterior. No contexto do recurso especial da contribuinte, são duas as divergências a serem examinadas. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 35 34 1 NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA NO EXTERIOR. Nessa primeira divergência, a contribuinte contesta de forma ampla a tributação dos lucros no exterior, defendendo a ideia de que as operações que ela realizou (alienação de participação societária) não configura hipótese de disponibilização de lucros, capaz de desencadear a questionada tributação. Para compreender bem o contexto que motivou a autuação fiscal, no que diz respeito à tributação de lucros no exterior, é importante reproduzir o conteúdo do Termo de Verificação Fiscal (efls. 227/233): 1. DESCRIÇÃO DOS FATOS [...] 1.2 A Companhia Brasileira de Bebidas é uma Sociedade Anônima de capital fechado, constituída em 28/09/1966, com sede no município de Jaguariúna, estado de São Paulo, conforme endereço acima, cadastrada como Indústria (Fabricação de cervejas e chopes) e sucessora por incorporação da Companhia Cervejaria Brahma; 1.3 A Companhia Cervejaria Brahma, CNPJ 33.366.980/000108, por sua vez, foi uma Sociedade Anônima de capital aberto, constituída em 19/09/1966, com sede no município do Rio de Janeiro, no estado de mesmo nome, CNPJ n° 33.366.980/000108, cadastrada como Indústria (Fabricação de cervejas e chopes) possuindo, entre outras, participação de 1995 a 2000 na empresa Jalua S/A, com sede no Uruguai, e de 1998 a 2000, na Companhia Cervejaria Brahma Paraguay, no Paraguai e detinha no ano de 1999, 98.174.615 ações ordinárias da Jalua S/A, equivalendo a 51,255% do total e 99,99% das cotas da CCB Paraguay; 1.4 Em 31/12/1999 a Companhia Cervejaria Brahma transferiu a titularidade de 19.154.154 ações da Jalua S.A., equivalendo a 10% do total do Capital Social da empresa uruguaia, no valor de R$ 174.246.389,23, a titulo de aporte de capital, a Eagle Distribuidora de Bebidas S/A, objeto do MPF n° 08.1.71.002004001730 e processo n° 16327.001759/200407; 1.5 Em 02/01/2000 a CCB transferiu a titularidade de 38.308.308 ações da Jalua S.A., equivalendo a 20% do total do Capital Social da empresa uruguaia, no valor de R$ 336.253.128,20, à Eagle Distribuidora de Bebidas S/A, conforme Contrato de Cessão de Ações as fls. 90 a 92 ; O pagamento seria efetuado, conforme contrato, através de crédito para a conta da cedente, com vencimento em 15/01. O pagamento seria efetuado, conforme contrato, através de crédito para a conta da cedente, com vencimento em 15/09/2000; 1.6 Em 02/09/2000 a CCB transferiu a titularidade de 40.712.153 ações da Jalua S.A., equivalendo a 21,2549995% do total do Capital Social da empresa uruguaia, no valor de R$ 389.038.608,50, à Eagle Distribuidora de Bebidas S/A, conforme Contrato de Cessão de Ações as fls.93 a 95. O pagamento seria efetuado, conforme contrato, através de crédito para a conta da cedente, com vencimento em 15/09/2001. 1.7 A Jalua S.A. apresentou: Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 36 35 1.7.1 em 2000, até setembro, ou seja, data da alienação de 21,255% de suas ações, por parte da CCB, conforme balancetes acostados aos auto, um lucro de R$ 163.995.900,00 (fls. 119); 1.7.2 em 1999, conforme documentos acostados aos autos, um Lucro Bruto de R$ 545.206.409,73 e uma reserva legal de R$ 15.978.567,92 (fls. 112); 1.7.3 em 1998, conforme documentos acostados aos autos, um Lucro Bruto de R$ 22.865.142,68 (fls 106); 1.7.4 em 1997, conforme documentos acostados aos autos, um Lucro Bruto de R$ 3.804.096,94 (fls. 101); 1.7.5 em 1996, conforme documentos acostados aos autos, um Lucro Bruto de R$ 45.335.393,13 (fls. 096); 1.8 Em 11 de abril de 2000, as cotas da empresa na CCB Paraguay foram alienadas à Jalua S/A (fls. 132 e 133); 1.9 A CCB Paraguay apresentou: 1.9.1 Em 1998, conforme documentos acostados aos autos, um prejuízo fiscal de 33.656.700 G (fls. 137, 138 e 147); 1.9.2 Em 1999, conforme documentos acostados aos autos, um lucro de 1.690.347.338 G ( fls. 148 e 151); 1.9.3 Em 2000, até 31 de março: tendo em vista a falta de balancetes, o lucro foi calculado proporcionalmente ao número de meses, ou seja: 1.9.3.1 Resultado anual 3.968.490.787 G (fls. 164 e 171); 1.9.3.2 Resultado até 31/03 992.122.697 G; 1.9.4 Total 2.648.813.335 G que, ao câmbio da data da alienação das cotas, ou seja, 11 de abril de 2000, resulta em R$ 1.325.466,19; [...] 2. DA ANALISE DOS FATOS E DO DIREITO APLICÁVEL: [...] 2.5 Portanto a operação na qual o contribuinte transferiu suas quotas da Jalua S.A., para a Eagle Distribuidora de Bebidas S/A descrita nos itens 1.5 e 1.6 acima, configura hipótese de disponibilização de lucros conforme item 4, alínea b, §2°, art.1° da Lei 9.532/97; Conforme o item 1.7 acima, a Jalua auferiu um lucro, de 1996 a 1999 no montante de R$ 633.189.610,40 e de 01/jan a 31/agosto de 2000, R$ 163.995.900,00. Tendo em vista que a tributação ocorre sobre parcela do Lucro proporcional ao montante das ações transferidas temos: 2.5.1 De 1996 a 02/01/2000: 20% de R$ 633.189.610,40, ou seja R$ 126.637.922,08 Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 37 36 2.5.2 De 1996 a 31/08/2000: 21,255% de R$ 633.189.610,40 + R$ 163.995.900,00, ou seja, R$ 169.441.780,24 2.5.3 Total de R$ 296.079.702,32 que será objeto de lançamento tributário nesse Auto de Infração. 2.6 Da mesma forma, a operação na qual o contribuinte transferiu suas quotas da CCB Paraguay, para a Jalua S.A. descrita no item 1.8 acima, configura hipótese de disponibilização de lucros conforme item 4, alínea b, §2°, art.1° da Lei 9532/97; Conforme o item 1.9 acima, a CCB Paraguay auferiu um lucro, de 1998 a 31 de março de 2000 no valor de R$ 1.325.466,19; Tendo em vista que a tributação ocorre sobre parcela do Lucro proporcional ao montante das ações transferidas temos: 2.6.1 A participação da CCB na CCB Paraguay era de 99,90%. Portanto obtemos um valor de R$ 1.324.140,72 que devem ser oferecidos à tributação no Brasil; [...] A divergência diz respeito ao disposto no art. 1º, §2º, alínea "b", item 4 da Lei 9.532/97, que considera pago o lucro auferido no exterior quando ocorrer o emprego do seu valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. Cabe analisar qual o alcance da expressão "emprego do valor, em favor da beneficiária", contida no referido dispositivo, para fins de definir se a situação sob exame configura ou não hipótese de disponibilização de lucros contemplada na norma, capaz de desencadear a tributação da empresa brasileira por lucros no exterior. No entender da contribuinte, a alienação da participação acionária não tem em absoluto o efeito de um emprego do valor daqueles lucros em benefício dela, porque os lucros permaneceram nas empresas coligada (Jalua) e controlada (CCBP) após as operações em causa. Ainda segundo a contribuinte, o que houve foi única e exclusivamente a alienação da participação acionária (que ela detinha nas sociedades investidas geradoras dos lucros) para outra sociedade, o que seria situação absolutamente distinta daquela prevista na norma que prevê a tributação de lucros no exterior. Essa questão sobre a disponibilização dos lucros no exterior (se há ou não a disponibilização), quando a empresa brasileira aliena suas participações em empresas controladas e colidas no exterior, já vem sendo há muito tempo examinada, desde os tempos do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, e depois pelo CARF. Transcrevo aqui o voto que orientou o Acórdão n° 110200.059, proferido pela exConselheira Sandra Maria Faroni em julgamento realizado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, na sessão de 29/09/2009: Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 38 37 Acórdão n° 110200.059 Sessão de 29 de setembro de 2009 [...] Voto Conselheira Sandra Maria Faroni. Cuidase de exigências de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004, relativo aos lucros auferidos no exterior. A fiscalização aponta duas infrações, a saber: 1 [...] 2 Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, dos lucros auferidos no exterior pelas empresas controladas, pela filial AGÊNCIA GRAND CAYMAN (ILHAS CAYMAN), e pelas controladas ou coligadas AFINCO AMÉRICAS MADEIRA SGPS LTDA (ILHA DA MADEIRA), ITAUBANK LTD (ILHAS CAYMAN), BFB OVERSEAS INC (CURAÇAO, ANTILHAS HOLANDESAS) e ITB HOLDING (ILHAS CAYMAN), considerados disponibilizados. O recurso apresentado foi articulado sob sete títulos, que a seguir analiso, não necessariamente na ordem em que foram apresentados, registrando que as conclusões se aplicam a ambas as exações, naquilo que não houver razão especifica para tratamento diverso. [...] 2 Ausência de disponibilização dos lucros auferidos no exterior pelas controladas. Alega o Recorrente que a transferência de sua participação no capital das controladas para integralização de capital de outras empresas no exterior não configura "emprego do valor", tratado no item 4 do § 2°, alínea b do art. 1° da Lei no. 9.532/97, argumentando que o sujeito da ação do verbo empregar só pode ser a controlada ou coligada, que, no caso, não praticaram nenhuma ação. O art. 1° da Lei n° 9.532, de 1997, estabeleceu: Art. 1° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica, domiciliada no Brasil. §1° Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: (...) b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. (...) Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 39 38 §2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. As situações tratadas na alínea "a" e nos itens 1, 2 e 3 da alínea "b" do § 2° do artigo são muito claras, não dando margem a discussões. Todas as dúvidas trazidas à discussão no Conselho contêmse no alcance que tem sido dado à expressão "emprego do valor", referida no item 4. Registro que não estou analisando a constitucionalidade da lei, não só porque foge à competência deste Conselho fazêlo, mas também porque é indubitável que o disposto no item 4 da alínea "b" do § 2° não conflita com o art. 43 do CTN e com o conceito constitucional de renda. O objeto da análise é quanto ao alcance do conceito de "emprego do valor". A norma determina que os lucros serão considerados disponibilizados na data do pagamento, e que se considera pago o lucro, quando ocorrer o emprego do valor, em favor da beneficiária. A presunção legal estabelecida não contém qualquer vinculação com o agente da ação que materializa o emprego. O vocábulo disponibilidade significa a faculdade de dispor dos bens. Dispor é um dos atributos do direito de propriedade. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. (CC, art. 1.228). Significa o poder que o proprietário tem de se desfazer do bem, inclusive para integrálo ao patrimônio de outra pessoa. Alguém só pode dispor de algo de que seja proprietário, o que implicitamente, significa que num momento anterior adquiriu a disponibilidade desse bem. (A disponibilidade é adquirida mediante transferência da propriedade). Importa verificar se as situações que na prática têm sido enquadradas no referido item 4 traduzem a aquisição da disponibilidade dos lucros. Uma quota ou ação representa parcela da propriedade da investidora no patrimônio da investida. Se esse patrimônio contém lucros acumulados, ao alienar o investimento (simplesmente para dele se desfazer, ou para Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 40 39 integralizar capital de outra sociedade), a sociedade dispôs de sua participação no patrimônio da investida, incluindo a parcela de lucros nela compreendidos. Não é relevante que o lucro permaneça no PL da investida. Vejase que, contabilmente, o resultado positivo (lucro) auferido através da coligada ou controlada se materializou por ocasião da apuração da equivalência patrimonial, tendo afetado o lucro líquido. Assim, o PL da investidora brasileira já se encontra afetado pela valorização do investimento na investida, correspondente aos lucros nela acumulados. Se esse investimento é utilizado para qualquer fim por exemplo, restituir capital aos sócios da investidora ou para adquirir participação no capital de outras empresas (integralizar capital subscrito) , é óbvio que a investidora dispôs dos lucros que auferiu através da coligada no exterior (que estão contidos no investimento alienado). Conforme ponderou o ilustre Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, em voto condutor do Acórdão 94.747/2005, "o ordenamento jurídico tem suas bases muito mais ligadas a interpretações sistemáticas e finalísticas, a ensejar um conjunto sustentado em certa axiologia, ainda que mutável no tempo, do que a restritivas interpretações literais". E concluiu o brilhante Conselheiro que a disponibilização de que trata a norma é o uso do valor adicionado pelos lucros auferidos no exterior, para quaisquer fins, ainda que seja para pagamento de dívida. É assim que deve ser interpretada a expressão "o emprego do valor, em favor da beneficiária.".. Sabese que a lei não contém palavras inúteis. Perguntase: a não ser o aumento de capital da coligada ou controlada, expressamente previsto na norma, que outra situação se conteria no item 4 que não correspondesse a alienação do investimento? Não identifico nenhuma. Nos debates travados em julgamento pretérito, levantouse, como exemplo, que poderia ser para pagamento de dívida do investidor. Ora, levando em conta que as entidades (investidora e investida) não se confundem, a utilização dos lucros acumulados na investida para esse fim (pagamento de dívida do sócio/acionista) pressupõe um passo anterior (ainda que implícito, oculto) de transferência dos lucros acumulados para conta representativa de passivo exigível da investida, situação prevista na alínea "a" do § 2° do artigo, e uma ordem/autorização da investidora. A finalidade da norma (item 4 da alínea "b" do § 2°) foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo. E a alienação do investimento, por qualquer forma, entre elas a conferência para integralização de capital de outras empresas, corresponde à sua realização. Ao alienar a participação, cujo valor já está afetado pelos lucros acumulados na investida, a investidora realizou os lucros, devendo incluílos para tributação. O valor pelo qual o investimento foi alienado só tem relevância para a apuração do resultado na alienação (que pode, inclusive, neutralizar a tributação dos lucros, se o valor da venda for inferior ao valor contábil do investimento). A Câmara Superior de Recursos Fiscais também tem entendido que a alienação de participação em empresa controlada ou colida no exterior caracteriza a hipótese prevista no art. 1º, §2º, alínea "b", item 4, da Lei 9.532/97 ("emprego do valor, em favor da Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 41 40 beneficiária"), configurando situação de disponibilização de lucros capaz de desencadear a tributação da empresa brasileira por lucros no exterior. Nesse sentido, transcrevo o voto proferido pelo Conselheiro André Mendes de Moura no Acórdão nº 9101003.087, julgamento realizado por esta 1ª Turma da CSRF em 13/09/2017: Acórdão nº 9101003.087 Sessão de 13 de setembro de 2017 [...] Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. São dois recursos especiais, da Contribuinte e da PGFN, cada qual apreciado em tópico específico. 1. Recurso Especial da Contribuinte. Lucros no Exterior. Emprego de Valor. Em relação à admissibilidade do recurso especial da Contribuinte, adoto as razões dos despachos de exame de admissibilidade de 723/726, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecêlo. Foi devolvida para o Colegiado a matéria emprego de valor nos lucros do exterior. Passo ao exame do mérito. Os fatos concernentes à matéria litigiosa encontramse descritos com precisão no relatório da decisão recorrida: [...]; Sobre o emprego de valor, a redação vigente à época da autuação era a seguinte: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. §1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: a) no caso de filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados; b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. §2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 42 41 a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. (grifei) Tratase de matéria já bastante discutida, tanto pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, quanto pelo CARF. No caso em tela, a Contribuinte detinha participação societária na FIQ (sediada na Ilha da Madeira Portugal) que auferiu lucros no exterior, e se desfez do investimento em operações que se consumaram em 31/12/1999, evento que, no entendimento da autoridade autuante, teria caracterizado a disponibilização de lucros, por meio do emprego de valor (art. 1º, inciso b e § 2º, item 4 do inciso b, da Lei nº 9.532, de 1997). Entendo que não há reparos em tal interpretação. Peço vênia para apreciar a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela doutrina de GERALDO ATALIBA. Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Os aspectos analisados no presente voto são o material, pessoal, territorial e temporal. Ou seja, para se consumar a hipótese de incidência, há que se concretizar a ocorrência de todos os aspectos previstos na norma. A empresa investidora (Contribuinte) passou a auferir lucros no exterior, a partir do anocalendário de 1996, na proporção de sua participação na sua investida. Isso porque a sua investida, empresa controlada FIQ com sede no exterior, auferiu lucros. Entendo ser o aspecto material de hipótese de incidência prevista no caput do art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997. Transcrevo novamente o caput: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Ocorre que a consumação do aspecto material, por si só, não é suficiente para a concretização da hipótese de incidência. Passemos adiante. Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 43 42 Quanto ao aspecto pessoal, a redação do caput não deixa dúvidas de que a norma estabelece, no pólo ativo, a presença de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, e no passivo, empresa com sede no exterior. A empresa no Brasil atua no exterior por meio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas. No caso em tela, a FIQ (pólo passivo, empresa com sede no exterior) é controlada da Contribuinte (pólo ativo, empresa com sede no Brasil). Portanto, percebese que o aspecto pessoal encontrase atendido. Por sua vez, o diploma, ao tratar do aspecto temporal, discorre sobre o balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados, momento em que optou por positivar uma série de hipóteses, relacionadas nos §§ 1º e 2º do artigo em estudo. No caso de controladas e coligadas, a disponibilização ocorre na data (1) do pagamento ou (2) do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. Observase, portanto, que enquanto os lucros permanecerem na investida, sem utilização, não há que se falar em disponibilização. Utilizo o termo "utilização", vez que restou clara, pela redação dada pela norma, que a disponibilização não se restringe à remessa dos lucros para o Brasil, stricto sensu. Os termos "pagamento" ou "crédito" não foram adotados por acaso. A disponibilização, a realização do lucro, pode ser operacionalizar mediante diferentes situações. Precisamente nessa perspectiva, é fundamental constatar que a quota ou ação da investidora (Contribuinte) na investida (FIQ) percebe uma valorização, auferida mediante o método de equivalência patrimonial (MEP), em razão do lucro auferido pela investida. E, em se tratando da data do pagamento, optou o legislador em positivar quatro hipóteses, do qual transcrevo na sequência: 1ª) o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2ª) a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3ª) a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4ª) o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. As hipóteses de pagamento do lucro abrangem tanto atos de iniciativa da empresa investida quanto da investidora. As três primeiras, (1) o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil, (2) entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária e (3) a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça, pressupõem ato da investida. Na terceira, ampliase o aspecto territorial, ao dizer que a remessa em favor da beneficiária pode ser para o Brasil ou para qualquer outra praça. Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 44 43 Já a quarta, precisamente o emprego de valor, pressupõe um ato que pode ser tanto da investida, quanto da investidora, que, sendo detentora de participação da investida, pode, a qualquer momento, dispor de suas ações ou quotas, da melhor maneira que lhe convier, como, por exemplo, por meio de alienação, transferência, conferência para integralizar capital em outras empresas, dentre outros. E também, na quarta hipótese, não por acaso dispôs o legislador que a negociação pode ocorrer em qualquer praça. Ora, ao dispor do investimento, a investidora tem liberdade para negociar com qualquer outra empresa, independente de sua localização. Pode alienar sua participação societária de uma empresa no exterior tanto para uma empresa localizada no exterior quanto para uma empresa localizada no Brasil. E, em se tratando de investimento em coligada ou controlada, o valor das ações é avaliado pelo método de equivalência patrimonial (MEP), que permite refletir, na proporção da participação societária do investidor, os lucros auferidos pela investida. Enquanto o lucro estava sendo auferido na investida, e refletido via MEP na investidora, não havia que se falar em disponibilização para a investidora. Por sua vez, sendo tal investimento alienado para outra empresa, entendeu o legislador que seria hipótese no qual o lucro, até então não disponibilizado pela investida, passaria a ser disponibilizado, porque serviu para valorizar a participação alienada. Ou seja, o lucro auferido pela investida foi empregado, quando o investimento foi desfeito. Portanto, no caso em análise, a partir do momento em que a investidora (Contribuinte) decidiu se desfazer da investida (FIQ), e se beneficiou da valorização do ativo (ações) para efetuar a operação, valorização essa que se viabilizou a partir dos lucros auferidos pela controlada refletidos no investimento por meio da equivalência patrimonial, restou evidente a consumação do emprego de valor. Não há nenhuma dúvida de que ocorreu aqui o “emprego do valor, em favor da beneficiária”, no caso, da empresa brasileira que alienou as participações que detinha em empresas controladas e coligadas no exterior. A finalidade da norma contida no item 4 da alínea “b” do § 2º do art. 1º da Lei nº 9.532/1997 não pode ser outra, senão a de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não esteja compreendida nas demais situações previstas no referido §2º. Não há como defender a ideia de que a alienação das participações societárias (onde os lucros estavam acumulados) não representa uma forma de disponibilização dos lucros no exterior. Ao contrário disso, a alienação das participações societárias é uma típica forma de realização dos lucros auferidos no exterior, lucros que ainda não haviam sido tributados pelas leis brasileiras. Desse modo, adotando os mesmos fundamentos transcritos acima, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte, relativamente a essa primeira divergência. Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 45 44 2 INAPLICABILIDADE DA LEI Nº 9.532, DE 1997 – LUCROS GERADOS ATÉ 1997 (INCLUSIVE). Por meio dessa outra divergência, a contribuinte sustenta que a Lei 9.532/1997, invocada pelas autoridades fiscais como fundamento legal da autuação, não pode alcançar os lucros gerados até 1997 (inclusive). Antes de adentrar no mérito do recurso, é preciso fazer alguns esclarecimentos e também tratar de algumas questões preliminares. Mencionamos que por meio da primeira divergência, a contribuinte contestou de forma ampla a tributação dos lucros no exterior. Contudo, essa segunda divergência diz respeito a apenas uma parte dos lucros no exterior, ou seja, aqueles gerados nos anos calendário de 1996 e 1997. Conforme se observa pela transcrição do TVF contida no início do tópico anterior, a maior parte dos lucros no exterior foram gerados a partir de 1998, de modo que essa segunda divergência não abrange a parcela do crédito tributário relativa a esses lucros. Outra observação preliminar importante diz respeito à própria possibilidade de conhecimento do recurso. Em síntese, a contribuinte alega que até o final de 1997 vigorava apenas o artigo 25 da Lei n° 9.249/95, que previa a tributação dos lucros auferidos por controlada no exterior tão logo auferidos. Sendo assim, a sistemática de tributação prevista na Lei 9.532/1997 (vigente a partir de 01/01/1998) não poderia incidir retroativamente sobre os lucros gerados até 31/12/1997. Ocorre que essa divergência sobre a inaplicabilidade da Lei 9.532/1997 para os lucros gerados até 31/12/1997 foi apresentada conjuntamente com a divergência sobre a decadência dos créditos tributários relativos a esses mesmos lucros, e a divergência em relação à decadência não foi admitida, porque os paradigmas contrariavam a Súmula CARF nº 78. Cabe, pois, registrar que essas duas linhas de argumentação (irretroatividade da Lei 9.532/1997 e decadência dos fatos geradores submetidos à Lei 9.249/1995) estão bastante interligadas. Numa abordagem, a contribuinte alega que a Lei 9.532/1997 não poderia alcançar os lucros gerados até 1997, que esses lucros só poderiam ser tributados pelas regras da Lei 9.249/1995. E complementarmente, ela alega que haveria decadência para os fatos geradores submetidos às regras da Lei 9.249/1995. A interrelação entre essas linhas de argumentação pode ser verificada no próprio contexto do recurso especial da contribuinte. Mesmo assim, não se pode aplicar a Súmula CARF nº 78 para negar conhecimento à divergência sobre a irretroatividade da Lei 9.532/1997, porque a súmula trata expressamente da contagem de prazo decadencial. A Súmula CARF nº 78, entretanto, tem implicações na análise de mérito da divergência sob exame. É que as decisões que a motivaram tiveram que tratar do momento da Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 46 45 ocorrência do fato gerador, e isso também repercute na questão sobre a irretroatividade da Lei 9.532/1997, como ficará demonstrado mais adiante. Há ainda que se tratar de uma última questão preliminar. É que, de acordo com as contrarrazões da PGFN, o Acórdão paradigma nº 10707.352 não seria apto a demonstrar a divergência sobre a inaplicabilidade da Lei 9.532/1997 para os lucros gerados até 31/12/1997, porque essa decisão não tratou de caso envolvendo a alienação de participação societária em controlada no exterior pela controladora no Brasil para capitalizar outra controlada, como o caso aqui em discussão, mas sim da tributação de dividendos pagos à controladora brasileira. E além disso, a decisão paradigma também não teria enfrentado a questão da legalidade da IN SRF nº 38/96, ponto discutido no acórdão recorrido. Realmente há essas diferenças apontadas pela PGFN, mas elas não são suficientes para prejudicar a caracterização da divergência jurisprudencial. Para a caracterização da divergência sob exame, é irrelevante se a disponibilização do lucro no exterior se deu mediante alienação de participação societária ou via pagamento de dividendos à investidora brasileira. No contexto dessa segunda divergência, não está em questão se uma determinada situação caracteriza ou não a disponibilização dos lucros no exterior (matéria tratada na primeira divergência). O que importa aqui é que as decisões cotejadas divergiram sobre o alcance das mesmas regras contidas no art. 1º Lei 9.532/1997, relativamente à tributação dos lucros surgidos antes da referida lei (ou seja, surgidos no período da Lei 9.249/1995), mas disponibilizados depois de sua vigência. As considerações sobre a IN SRF nº 38/96 também não prejudicam a divergência. É que elas fazem parte justamente da argumentação que levou o acórdão recorrido a decidir de forma diferente do paradigma. Portanto, o recurso deve mesmo ser conhecido em relação à divergência sobre a aplicação da Lei 9.532/1997 para a tributação de lucros no exterior surgidos antes dela (ou seja, surgidos no período específico da Lei 9.249/1995: anoscalendário 1996 e 1997). Quanto ao mérito, como já mencionado anteriormente, a divergência sob exame tem relação com a Súmula CARF nº 78: Súmula CARF nº 78: A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não a data do auferimento dos lucros pela empresa sediada no exterior. Isso porque as decisões que motivaram a referida súmula, ao analisarem questões sobre decadência, tiveram que tratar do momento da ocorrência do fato gerador. E algumas dessas decisões trataram especificamente de lucros gerados nos anoscalendário de 1996 e 1997, mas, mesmo assim, consideraram como termo inicial da Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 47 46 contagem do prazo decadencial a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não a data do auferimento dos lucros pela empresa sediada no exterior. Vale transcrever trechos dos votos que orientaram duas das seis decisões que motivaram a edição da referida súmula: Acórdão n° 10809.592 A legislação tributária vigente à época do levantamento do lucro, 1996 e 1997, previa que a tributação ocorreria na data da apuração do lucro, entretanto, com a mudança legislativa processada em 1997 por meio da Lei n° 9.532, o momento da incidência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica foi deslocado para a data na qual esse lucro tornouse disponível para a empresa controladora. Assim, não há que falar em decadência quanto aos lucros apurados em 1996 e 1997, quando sua disponibilização aconteceu em 31 de dezembro de 2000 e o lançamento do IRPJ em 30 de setembro de 2005, menos de cinco anos, portanto. Acórdão n° 10196.364 Não tendo havido disponibilização dos lucros apurados no período de 1996 a 2001, em nenhuma das formas previstas na legislação de regência anterior à MP n° 2.15835/2001, os lucros da controlada mexicana existentes até 31 de dezembro de 2001, deveriam ser considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002. Só a partir desta data poderia o Fisco exigir os tributos decorrentes da disponibilização destes lucros, portanto somente a partir desta data poderia começar a contar o prazo decadencial. Como a ciência dos lançamentos se deu em 01 de dezembro de 2005, não ocorreu in casu, a suscitada decadência, pelo quê REJEITO a preliminar. Vêse que essas duas decisões que orientaram a Súmula CARF nº 78 manifestaram claramente o entendimento de que o fato gerador para a tributação dos lucros no exterior surgidos em 1996 e 1997 se dava em momento posterior, na disponibilização desses lucros, ou seja, já na vigência ou da Lei 9.532/1997 ou da MP 2.15835/2001. Pelo sentido dessas decisões, portanto, não há que se falar que no caso ora analisado a tributação dos lucros gerados em 1996/1997 se deu pela aplicação retroativa da Lei 9.532/1997, porque a disponibilização desses lucros (aspecto temporal do fato gerador) aconteceu posteriormente, já na vigência da referida lei. Esta 1ª Turma da CSRF já examinou especificamente a questão trazida com a divergência sob exame, quando exarou o Acórdão nº 9101002.223, de 04/02/2016, orientado pelo voto da Conselheira Adriana Gomes Rêgo: Acórdão nº 9101002.223 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 48 47 DECADÊNCIA ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR LUCROS AUFERIDOS POR CONTROLADA OU COLIGADA EM 1996 E 1997. A IN SRF nº 38/96, ao considerar que os lucros no exterior auferidos em 1996 e 1997 deveriam ser reconhecidos pela controladora ou coligada no Brasil somente quando disponibilizados, adotou a única interpretação possível para a tributação de lucros no exterior. A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não a data do auferimento dos lucros pela empresa sediada no exterior (Súmula CARF nº 78). Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Marcos Aurélio Pereira Valadão votaram pelas conclusões. A Conselheira Cristiane Silva Costa apresentará Declaração de Voto. [...] Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. [...] Neste aspecto, a discussão cingese na interpretação do disposto no art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, no sentido de verificar quando ocorria o fato gerador relativo à tributação, por pessoa jurídica controladora situada no Brasil, de lucros auferidos por controlada situada no exterior em 1996 e 1997. Discutese, aqui, a legalidade da IN SRF nº 38, de 1996, que tratou do assunto nos seguintes termos: IN SRF nº 38/96: [...]; O art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, por sua vez, tinha a seguinte redação: [...]; Analisando inicialmente a Lei, verificase que no §2º do art. 25 foi dado o tratamento para os lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais e controladas de pessoa jurídica situadas no Brasil, enquanto que o §3º foi abordada a hipótese das coligadas. Para as coligadas, o §3º é claro, porque o inciso I já afirma que os lucros “realizados” pela coligada serão adicionados ao lucro líquido da pessoa jurídica brasileira, na proporção da participação desta no capital da estrangeira, daí porque não se tem dúvidas de que lucros realizados conotam regime de caixa, portanto, efetiva disponibilização. Comparando esse §3º com o §2º, verificase que o correspondente ao inciso I do §3º é, na verdade, o inciso II do §2º, porque a regra do inciso I do Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 49 48 §2º é, na verdade, um comando para a pessoa jurídica situada fora do Brasil, o que só pode ocorrer, como de fato foi feito, quando a pessoa jurídica situada no Brasil detém o “comando”, quer seja como matriz, quer seja como controladora. Diz o inciso I do §2º que “as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira”, ou seja, a lei está até aqui dizendo como as pessoas jurídicas controladas, como as filiais e as sucursais devem demonstrar a apuração de seus lucros. Já o inciso II do §2º, que é o equivalente ao inciso I do §3º para as coligadas, é que fala que os lucros “a que se refere o inciso I” serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação na pessoa jurídica estrangeira. Então o que se precisa verificar é o que quis dizer o legislador ao mencionar “lucros a que se refere o inciso I” , no sentido de identificar se estava falando em regime de caixa ou competência. A separação em parágrafos era necessário, de qualquer forma, porque para as coligadas, a regra do inciso I do §2º não poderia ser aplicada, vez que a coligada brasileira não poderia determinar como a coligada estrangeira deveria apurar seus lucros. Também não podemos dizer que a expressão “auferirem” no inciso I do §2º conota idéia de regime de competência, porque a regra do inciso I do §2º só estava tratando de como deveria ser apurado o lucro da pessoa jurídica estrangeira. Não existe no inciso I do §2º nenhuma regra que define o momento em que os lucros auferidos no exterior seriam tributados no Brasil. O inciso I apenas traz o comando de apuração de lucros por exercícios fiscais segundo as normas brasileiras. Mas não trata do momento da tributação. O inciso II, por sua vez, manda reconhecer esse lucro na pessoa jurídica brasileira, segundo o critério da proporção da participação. Mas a IN SRF nº 38, de 1996, deixou claro que os lucros seriam reconhecidos quando disponibilizados, ou seja, de acordo com o regime de caixa. E o questionamento que surge nos autos é justamente no sentido de se verificar se a IN estaria correta ao adotar essa interpretação. Para realizar tal verificação, entendo oportuno trazer à tona o art. 43 do Código Tributário Nacional, que sofreu alteração com a inserção de um §2º para excepcionalizar que, na hipótese de receita ou rendimento do exterior, a lei poderia estabelecer as condições e o momento em que se daria a disponibilidade, para fins de incidência do imposto de renda. [...] É de constatar que esta alteração somente ocorreu em 2001. Assim, até a alteração do art. 43 do CTN pela Lei Complementar nº 104, de 2001, o legislador ordinário teria que considerar para efeito de lucros auferidos no exterior, o critério do efetivo pagamento, ou seja, o regime de caixa, sob pena desta norma ser considerada inconstitucional por alterar o conceito de renda, fato gerador material do imposto de renda, portanto, matéria que, à luz do art. 146 da Constituição Federal, está reservada à Lei Complementar. Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 50 49 Aliás, não é por outra razão que, ainda antes da alteração da Lei Complementar, novamente o legislador ordinário tratou do assunto e manteve o entendimento de que a tributação seria pelo regime de caixa, como se pode observar com publicação da Lei nº 9.532, de 1997: [...]; E, somente com a MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ou seja, após Lei Complementar nº 104, que data de 10 de janeiro de 2001, é que o cômputo passou a ser no balanço em que apurado, conforme art. 74 que ora transcrevo: [...]; No caso em apreço e, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 82/100, a Recorrente transferiru para sua única sócia na Holanda, cem por cento das ações de sua controlada no Uruguai, a Inverdays Company S/A, no dia 2 de setembro de 2002. Analisando ainda o parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/ 2001, temos: [...]; Como tal parágrafo dispunha que, se ocorresse alguma das hipóteses de disponibilização da legislação em vigor, esta deveria ser observada para os efeitos de se considerar disponibilizados os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001, e, considerando que antes de 31 de dezembro de 2002, ocorreu hipótese de disponibilização prevista na legislação em vigor, aplicavase, ao caso em tela, a Lei nº 9.532, 1997, segundo a qual, os lucros eram considerados disponibilizados no Brasil, no caso de controlada, na data do pagamento, assim considerado o aumento de capital social: [...]; Portanto, a hipótese é de tributação de lucros quando estes são disponibilizados no exterior, aplicandose ao caso a Súmula CARF nº 78, cujo enunciado ora colaciono: [...]; Como o lucro foi pago em agosto de 2002, nesta data ocorre o fato gerador e começa a contagem do prazo decadencial. E, se o contribuinte tomou ciência da autuação em 28/06/2005 ( fl. 70), descabe falar em decadência do direito de lançar. Por essa razão, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Em relação aos lucros surgidos nos anoscalendário de 1996 e 1997, ficou bastante esclarecido que o fato gerador se dá apenas na disponibilização destes lucros. No caso concreto, a disponibilização dos lucros no exterior ocorreu somente no curso do anocalendário de 2000, quando a Lei 9.532/1997 estava plenamente em vigor. Portanto, não há que se falar em aplicação retroativa da referida lei para tributar os lucros surgidos em 1996 e 1997, ou algo semelhante. Desse modo, adotando os mesmos fundamentos acima transcritos, e mais uma vez ressaltando o entendimento manifestado pelas decisões que motivaram a edição da Súmula CARF nº 78, voto no sentido de também NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte em relação à divergência apresentada no tópico "inaplicabilidade da Lei nº 9.532, de 1997 – lucros gerados até 1997 (inclusive)". Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 51 50 RECURSO ESPECIAL DA PGFN Mantida a tributação sobre lucros no exterior, cabe analisar agora a divergência suscitada pela PGFN, relativamente à incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Quanto a esse tema, tenho sempre adotado as razões de decidir do Acórdão nº 910100.539, proferido em 11/03/2010 por esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com a relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner: De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. E a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 52 51 do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de ofício a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 53 52 Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, §1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 54 53 REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n.) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Registro ainda uma outra decisão da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, reiterando o entendimento de que é “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), conforme a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. O voto que conduziu a referida decisão consignou: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 16327.001400/200511 Acórdão n.º 9101003.750 CSRFT1 Fl. 55 54 no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’ ” Na esteira dessas bem lançadas razões de decidir, concluo que sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Ademais, após a elaboração deste voto, mas antes da sessão de julgamento, foi aprovada e publicada a Súmula CARF nº 108, de observância obrigatória para os Conselheiros do CARF e que trata da matéria: Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN. Resumindo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte para as duas divergências apreciadas, e de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, para fins de restabelecer a incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.914072/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES.
Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece-se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-002.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhecese o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 40 72 /2 01 2- 71 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10783.914072/201271 Acórdão n.º 1201002.572 S1C2T1 Fl. 3 2 Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de pagamento indevido de CSLL. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que a contribuinte não preenchia os requisitos para caracterizarse como prestadora de serviços hospitalares, nos termos de consulta por ela mesmo formulada à Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal tendo em vista a adoção dos percentuais de 8% e 12% para fins de presunção do lucro tributável pelo IRPJ e CSLL, respectivamente, e não 32% como adotado originariamente, o que gerou o recolhimento indevido. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado preliminarmente que a decisão de primeira instância é nula, uma vez não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório. Se superada a preliminar, argúi a recorrente que preenche os requisitos para ser considerada como prestadora de serviços hospitalares, nos termos da legislação de regência da matéria, conforme apontam os fatos devidamente comprovados nos autos mediante a farta documentação apresentada. Colaciona jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.556, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.912343/2012 54, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10783.914072/201271 Acórdão n.º 1201002.572 S1C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.556): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Nulidade da decisão de primeira instância. É arguida a nulidade da decisão de primeira instância por não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório, qual seja, o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Ocorre que essa utilização deuse em face do percentual de Lucro Presumido aplicado à receita, inicialmente 32% como informou a própria recorrente e não 8% (IRPJ) ou 12% (CSLL) como é o pretendido. E essa é exatamente a fundamentação da manifestação de inconformidade e, por óbvio, foi a matéria tratada na decisão de piso. Vêse pois que, embora a decisão não tenha se detido em específico no fato de que o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação de débitos, essa conclusão é facilmente extraída da fundamentação, em que é analisada toda a questão relativa ao percentual de Lucro Presumido aplicável em face da atividade da recorrente: se 32%, como considerado na decisão, o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação do quanto devido pela contribuinte, não restando assim nenhum saldo a restituir. Rejeitase a preliminar. Mérito. Argúi a recorrente que é prestadora de serviços hospitalares, incidindo pois a exceção prevista na alínea "a", do inciso III, do § 1º, do artigo 15, da Lei nº 9.249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1o Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10783.914072/201271 Acórdão n.º 1201002.572 S1C2T1 Fl. 5 4 citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA. (Destaque acrescido) Traz extenso arrazoado em que justifica o enquadramento de sua atividade como de prestação de serviços hospitalares, anexando documentos. Colaciona também jurisprudência nesse sentido. Junto com a manifestação de inconformidade, veio a Solução de Consulta nº 09/2008, emitida pela DISIT da Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, base da decisão de piso. Ao final dessa Solução de Consulta, são discriminados os requisitos cumulativos para que a contribuinte seja considerada como prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus então aos percentuais de Lucro Presumido de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Tais requisitos foram analisados individualmente na decisão de piso. O primeiro requisito é o desempenho de atividade prevista no inciso I, alínea "c", do artigo 27 da IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004: “prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação”. Conforme a decisão de primeira instância, segundo o que consta no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES: "... ali está registrado que a interessada presta atendimento de internação, dispondo de nove leitos. Além disso, presta serviços de apoio ao diagnóstico e terapia, pois dispõe de equipamentos para diagnóstico por imagem ( raio x – fl. 81) e serviço de diagnóstico por anatomia patológica ou citopatológica (...). Por estas razões, concluo que a interessada atende o primeiro requisito estatuído na Solução de Consulta nº 9. Quanto ao segundo requisito, assim está registrado no voto condutor da decisão de piso: O segundo requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, assim dispõe: “b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10783.914072/201271 Acórdão n.º 1201002.572 S1C2T1 Fl. 6 5 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e” [...] Como esclarece o contribuinte, a empresa está situada em endereço próprio, no meio andar do 7º andar do prédio do Centro Hospitalar Granmater, o que se encontra ratificado pelo OF/SESA/GEVS/NVS/CHEFIA/N ° 634, de 23 de setembro de 2008, da Secretaria de Saúde do Espírito Santo que informa (...): “A empresa NEOCARE CUIDADOS INTENSIVOS EM NEONATOLOGIA S/S LTDA, CNPJ 03.826.269/0001 10, está na área do CENTRO HOSPITALAR GRANMATER, CNPJ 03.691.392/000170, fazendo parte do seu Projeto Arquitetônico, aprovado conforme o "Programa Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde" e de"Dimensionamento Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes", estando apta conforme legislação em vigor. Portanto, seu licenciamento faz parte do conjunto do Centro Hospitalar Granmater.” Deste modo, em 23 de setembro de 2008, estava apta a exercer suas atividades. Sucede que o pedido formulado referese ao ano calendário de 2.006. Então, há que se ver se o Hospitalar Granmater, onde a empresa funciona, atendia os requisitos estabelecidos pela Vigilância Sanitária, ..., quanto ao período em exame: Entendeu o então relator que, como a licença, no ano calendário 2006, não abrangeu todo o ano, mas um período de sete meses, esse requisito não restaria preenchido. Contudo, o que se poderia concluir quanto a essa questão seria, no máximo, que, nos meses em que não havia a licença, não teria havido o preenchimento do referido requisito. No entanto, essa conclusão não pode ser aceita, pois não poderia haver a aplicação de sistemáticas diversas de apuração do lucro para fins do IRPJ e da CSLL em um só ano, nem tampouco a de que haveria uma extensão do não preenchimento do requisito para todo o ano de 2006. Como visto também, as licenças foram válidas por um período de sete meses, o que corresponde a mais da metade do ano. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10783.914072/201271 Acórdão n.º 1201002.572 S1C2T1 Fl. 7 6 Portanto, quanto ao segundo requisito, concluise que ele foi preenchido. No que respeita ao terceiro requisito, consta do multicitado voto: Passo ao exame do terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7 ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, que determina: “c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil.” A fim de examinar a matéria, transcrevemos parte da ementa contida na Solução de Consulta nº 9: “PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Considerase prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido, o estabelecimento assistencial de saúde que atender cumulativamente aos seguintes requisitos previstos no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005: (...) c) tratarse de empresário ou de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Novo Código Civil, reunindo fatores de produção e circulação, com profissionalismo e economicidade, e valendose de profissionais não só para o desenvolvimento das atividades auxiliares mas também para o exercício da atividadefim.”(grifei) Esta matéria também foi tratada pela Solução de Consulta DISIT nº 252, de 13 de setembro de 2.005, da 9ª Região Fiscal, parcialmente transcrita: “14. À vista do exposto, concluise que, para fins de definição dos percentuais de presunção a serem utilizados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, constitui prestação de serviços hospitalares a atividade exercida nos ramos de imagenologia, ginecologia e obstetrícia, desde que a contribuinte seja constituída de fato e de forma como sociedade empresária, o que pressupõe a existência: (i) de estrutura física própria, na conformidade do art. 27, § 1º, da IN SRF nº 480, de 2004, cf. redação dada pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005; e (ii) de empregados Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10783.914072/201271 Acórdão n.º 1201002.572 S1C2T1 Fl. 8 7 com competência técnica para realizar sua atividade fim sem a necessidade de atuação dos sócios.”(grifei) Segundo o que consta ..., a empresa não possui médicos (profissionais SUS) e possui 20 profissionais não SUS. Tais informações não elucidam se há médicos contratados pela empresa. De acordo com os contratos sociais ..., no ano de 2.006, as sócias da empresa eram Cíntia Ginaid de Souza e Circe Ginaid de Souza, ambas médicas. Do exame dos documentos anexos aos autos não há como se inferir que a empresa possua profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fim, sem a necessidade de atuação dos sócios, restando incomprovado o atendimento ao terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9. Não há dúvidas de que a recorrente é pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária. A questão levantada é a de que não se pode saber se a empresa possuía "profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fins, sem a necessidade de atuação dos sócios". Em que pese a fragilidade da questão relacionada à atuação dos sócios, uma vez que pode existir uma sociedade com sócios que sejam profissionais habilitados em número suficiente para a prestação do serviço a que se destina a empresa, não é crível que uma prestadora de serviços de UTI neonatal, localizada no prédio de um hospital, com vários leitos, não disponha de profissionais médicos, além dos sócios, para a prestação dos serviços. É quase certo que haja a prestação de serviços de médicos que também o fazem para o próprio hospital em que se insere fisicamente a recorrente, ou que tenha havido a contratação de profissionais por meio também de pessoas jurídicas. Assim, aqui também há que se entender preenchido o requisito. Por fim, no que tange ao quarto requisito, assim registrou o relator no voto condutor da decisão recorrida: Por fim, o quarto requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, determina: “d) que os estabelecimentos hospitalares (em regime de atendimento de urgência ou não), sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007, aqui para efeito de cálculo do percentual reduzido de IRPJ, a ser utilizado por empresas prestadoras de tais serviços, nas Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10783.914072/201271 Acórdão n.º 1201002.572 S1C2T1 Fl. 9 8 condições previstas nas leis e dispositivos sobre o assunto.” Tendo em vista a citação do ADI nº 19 de 10/12/2007, segue a transcrição do dispositivo: “Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'', da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 , os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida.” Nos autos não há provas suficientes para comprovar que a empresa disponha de “estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos”. Portanto, o quarto requisito estatuído pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, restou incomprovado. Mais uma vez, frisese, a recorrente é uma prestadora de serviços de UTI neonatal que funciona fisicamente no prédio de um hospital. Não há dúvida quanto a possuir estrutura material e de pessoal (quanto a esta última vejase comentário ao requisito anterior) destinada a atender a internação de pacientes Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10783.914072/201271 Acórdão n.º 1201002.572 S1C2T1 Fl. 10 9 (as notas fiscais constantes dos autos confirmam esse tipo de serviço) com assistência permanente durante vinte e quatro horas, com disponibilidade de serviços de radiologia e laboratório. Portanto, cumprido também o quarto e último requisito. Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.728391/2016-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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Numero do processo: 13971.721216/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
JUÍZO DE CONHECIMENTO DO RECURSO.
Não se conhece de recurso cujas matérias estejam submetidas ao Poder Judiciário, por concomitância de instâncias, conforme Súmula Carf nº 1.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3201-004.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso, por concomitância de matéria na esfera judicial. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnio e. Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 JUÍZO DE CONHECIMENTO DO RECURSO. Não se conhece de recurso cujas matérias estejam submetidas ao Poder Judiciário, por concomitância de instâncias, conforme Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Não se conhece de recurso cujas matérias estejam submetidas ao Poder Judiciário, por concomitância de instâncias, conforme Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso, por concomitância de matéria na esfera judicial. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnio e. Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 12 16 /2 01 4- 81 Fl. 430DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Tratase de Auto de Infração correspondente à Contribuição para o Programa de Integração Social e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) incidente sobre a folha de salários de janeiro a dezembro de 2009, no valor de R$ 83.603,61, acrescido da multa de ofício e juros de mora. Consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF) que, por força de decisão judicial cautelar, proferida nos autos da Ação Civil Pública nº 2116569.2013.4.01.3400, impetrada pelo Ministério Público Federal, à RFB foi determinado que constituísse os créditos da seguridade social até 31/12/2009. Também consta que, apesar disso, a ação fiscal (Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0920400.2013.00427), foi encerrada sem o levantamento da Contribuição para o PIS/Pasep, pois se considerou, na ocasião, que a entidade estaria isenta da contribuição, tendo em vista o artigo 8º da Lei nº 11.096/2005 (adesão ao PROUNI). A Autoridade Fiscal coloca que a isenção do artigo 8º da Lei 11.096 de 13/01/2005 não alcança o Contribuição para o PIS/Pasep sobre a folha de salário; assim o lançamento foi efetuado com fundamento no art, 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001. Quanto a imunidade, que para usufruir a imunidade prevista no Art. 195, §7º, da CF/88 a entidade há que cumprir os requisitos legais, sendo que um deles é justamente possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – Cebas que o Ministério Público Federal busca a anulação na Ação Civil Pública nº 2116569.2013.4.01.3400. E que, assim, caso a referida Ação Civil Pública logre êxito e o Cebas venha a ser cancelado, a entidade não fará jus à imunidade da Contribuição para o PIS/Pasep sobre a folha de salário. A impugnante contesta o lançamento, inicialmente, suscitando a decadência em relação aos créditos tributários constituídos, conforme dispõe o artigo 173, inciso I, do CTN. No mais, alega, em síntese, que o lançamento é insubsistente, e pede sua nulidade, pois detém a condição, de fato e de direito, de entidade beneficente de assistência social, com certificação (Cebas) em pleno vigor, o que obsta a hipótese de lançamento tributário. Afirma que é legítima entidade educacional voltada a promoção da justiça social e da dignidade humana, que, além das bolsas concedidas pelo PROUNI, desenvolve ações de inclusão dos carentes ao ensino e aos direitos sociais, portanto, caindo por terra a argumentação trazida no auto de infração ora impugnado. Assim, goza de desoneração tributária referente as Contribuições Sociais, direito conferido expressamente no art. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13971.721216/201481 Acórdão n.º 3201004.192 S3C2T1 Fl. 3 3 195, § 7º, da Constituição Federal, regulado pela Lei n° 12.101/2009, o que lhe garante a fruição deste benefício na qualidade de imunidade, conforme reiterada jurisprudência, notadamente do Supremo Tribunal Federal. Por fim, alega que para fazer jus à imunidade em relação Contribuições em tela, cumpre os requisitos cumulativamente exigidos para tanto, previstos, antes no art. 55 da Lei n° 8.212/91 e, mais recentemente, no art. 29 da Lei n° 12.101/2009. Acrescento que, conforme notícia do Termo de Verificação Fiscal, a matéria da isenção/imunidade do Pis para entidades beneficentes de assistência social também foi submetida ao Poder Judiciário, no âmbito da Ação Ordinária 2002.72.05.0012207 (SC), pretendendo a declaração de inexigibilidade do PIS, em face da imunidade tributária conferida pelo art. 195, §7º, da CF/88, com a restituição dos valores recolhidos indevidamente a esse título. A DRJ/Florianópolis/SC – 4ª Turma, por meio do Acórdão 737.151, de 3/04/2015, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo o lançamento. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO JUDICIAL. COINCIDÊNCIA DE MATÉRIAS. EXIGÊNCIA DEFINITIVA. A matéria objeto de lançamento fiscal que tenha sido submetida à apreciação judicial pelo Ministério Público não será analisada na esfera administrativa, pelo que se reputa definitiva a exigência no âmbito administrativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 MATÉRIA INCONTESTE. EXIGÊNCIA DEFINITIVA. O julgador administrativo é impedido de manifestarse em relação a matéria contra a qual o impugnante não se manifestou expressamente, pelo que se reputa definitivo, na esfera administrativa, o lançamento na parte relacionada a tal matéria. A entidade então apresentou Recurso Voluntário, onde reitera as razões de defesa da Impugnação, com exceção da decadência. Voto Fl. 432DF CARF MF 4 Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. Observo inicialmente que o recurso é tempestivo. A exigência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS é, no caso da isenção de PIS para receitas das instituições de educação sem fins lucrativos, impositiva por comando do Decreto 4.524/2002, art. 46, § único1. Observo que o art. 55 da lei 8.212/91, que tratava da matéria, foi parcialmente considerado inconstitucional, na parte que trata do conceito de beneficência, na ADI 2028: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 32 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário, vencidos os Ministros Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Reajustou o voto o Ministro Ricardo Lewandowski, para acompanhar o Relator. Em seguida, o Tribunal fixou a seguinte tese de repercussão geral: "Os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar". Não votou o Ministro Edson Fachin por suceder o Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Luiz Fux, que proferiu voto em assentada anterior. Presidência da Ministra Cármen Lúcia. Plenário, 23.02.2017. Transcrevo excerto do acórdão: “No mérito, por unanimidade e nos termos do voto do Ministro Teori Zavascki, o Tribunal julgou procedente o pedido para declarar a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 9.732/1998, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei nº 8.212/1991 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, bem como dos arts. 4º, 5º e 7º da Lei nº 9.732/1998” Agora, trechos do voto condutor: Por tudo o que se vem de expor, fica evidenciado que (a) entidade beneficente de assistência social (art. 195, § 7º ) não é conceito equiparável a entidade de assistência social sem fins lucrativos (art. 150, VI); (b) a Constituição Federal não reúne elementos discursivos para dar concretização segura ao que se possa entender por modo beneficente de prestar assistência social; (c) a definição desta condição modal é indispensável para garantir que a imunidade do art. 195, § 7º, da CF cumpra a 1 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. Parágrafo único. Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 13971.721216/201481 Acórdão n.º 3201004.192 S3C2T1 Fl. 4 5 finalidade que lhe é designada pelo texto constitucional; e ( d) esta tarefa foi outorgada ao legislador infraconstitucional, que tem autoridade para definila, desde que respeitados os demais termos do texto constitucional. (...) As requerentes enfatizam que esse dispositivo (a) restringiria o benefício constitucional da imunidade, ao confundir o conceito de entidade beneficente com o de entidade filantrópica (versão da Lei 9.249/96); além de (b) operar delegações implícitas de poderes ao Conselho Nacional de Assistência Social, autoridade administrativa responsável pelo registro e emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Não é bem assim. As sucessivas redações do art. 55, II, da Lei 8.212/91 têm em comum a exigência de (a) registro da entidade perante o CNAS; (b) a obtenção do certificado expedido por este órgão; e (c) a validade trienal do documento. Como o conteúdo da norma tem relação com a certificação da qualidade de entidade beneficente, fica afastada a tese de vício formal. Cuidam essas normas de meros aspectos procedimentais necessários à verificação do atendimento das finalidades constitucionais da regra de imunidade. Neste aspecto, sempre caberá lei ordinária, como já reafirmado em outras oportunidades pela jurisprudência do STF. É insubsistente, ainda, a alegação de violação aos §§ 1° e 6º do art. 199 da CF, por confusão dos conceitos de entidade beneficente e entidade filantrópica. A mera designação, pela Lei 9.429/96, do certificado necessário para fruir a imunidade como Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos não induz à conclusão de que todos os serviços tenham que ser forçosamente prestados de modo gratuito. Tanto assim que a lei admitia o enquadramento de entidades de saúde na qualificação de beneficentes caso reservassem 60% dos atendimentos para o SUS. Também não é possível extrair, como quer a requerente, da mera exigência de registro e obtenção de certificado, uma violação implícita à vedação de delegação de poderes. Tratase, no ponto, de competência administrativa legítima que, de resto, já foi tida por constitucional por diversos precedentes do Tribunal, dentre os quais refiro o seguinte: EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA: DESPROVIMENTO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SOBRE PRETENSO DIREITO ADQUIRIDO DA RECORRENTE AO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CEBAS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. 1. As entidades reconhecidas como de caráter filantrópico antes da publicação do DecretoLei n. 1.572, de 1º.9.1977, não têm direito adquirido à renovação e manutenção de certificados de filantropia. Precedentes. Não são, portanto, imunes ao Fl. 434DF CARF MF 6 pagamento da contribuição para a seguridade social referente à quota patronal de previdência social se não atenderem aos requisitos previstos na legislação vigente quando da requisição do certificado. 2. A exigência de emissão e renovação periódica do certificado de entidade de fins filantrópicos, prevista no inc. 11 do art. 55 da Lei n. 8.212/91 (revogado pela Lei n. 12.101/2009), não ofendia os arts. 146, 11, e 195, § 7º, da Constituição da República. Precedentes. A inclusão dessa matéria no procedimento da repercussão geral (Recurso Extraordinário n. 566.622, Relator o Ministro Marco Aurélio) não serve como óbice à apreciação de recursos não abrangidos pelo art. 543A do Código de Processo Civil, como sucede com o recurso ordinário em mandado de segurança. 3. Embargos de declaração acolhidos para prestar esclarecimentos, sem modificação do julgado. (RMS 27369 ED, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2014, DJe 27/11/2014) É que, conforme explicitado, há também um domínio jurídico suscetível de disciplina por lei ordinária, como o que diz respeito à outorga a determinado órgão da competência de fiscalizar, mediante a emissão de certificado, o suprimento dos requisitos para fruição da imunidade do art. 195, § 7º, da CF. E ficou expresso, no acórdão recorrido, que a demandante não satisfez uma das exigências validamente previstas pela Lei 8.212/91, a saber, a do seu art. 55, I, de obtenção de título de utilidade pública federal. Isto é bastante para manter a autoridade do acórdão recorrido, frustrando a pretensão recursal. Sugerese, assim, quanto ao Tema 32, seja consolidada, para efeitos de repercussão geral, a tese de que a reserva de lei complementar aplicada à regulamentação da imunidade tributária prevista no art. 195, § 7º, da CF limitase à definição de contrapartidas a serem observadas para garantir a finalidade beneficente dos serviços prestados pelas entidades de assistência social, o que não impede seja o procedimento de habilitação dessas entidades positivado em lei ordinária. (destaquei) Copio os referidos dispositivos legais considerados inconstitucionais: "Art.55. ......................................................................................................... .......................................................... III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008) Rejeitada ........................................................................................ Fl. 435DF CARF MF Processo nº 13971.721216/201481 Acórdão n.º 3201004.192 S3C2T1 Fl. 5 7 § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008) Rejeitada § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008) Rejeitada § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento." (NR) (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008) Rejeitada "Art.55. ......................................................................................................... .......................................................... III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Vide Medida Provisória nº 446, de 2008) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) ........................................................................................ § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Vide Medida Provisória nº 446, de 2008) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Vide Medida Provisória nº 446, de 2008) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento." (NR) (Vide Medida Provisória nº 446, de 2008) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) Temse então que os aspectos materiais da definição de entidades beneficentes de assistência social, isto é, o conceito aplicável de beneficência, somente pode ser definido em lei complementar, porém os aspectos formais podem ser, e foram, definidos em Lei ordinária. A Lei 12.101/2009, que teve redação dada pela Lei 13.151/2015, estabelece apenas requisitos formais para a obtenção do CEBAS. Não mais estabelece conceito de assistência social, vazados nos dispositivos inconstitucionais. Portanto, o cumprimento dos requisitos formais da Lei 12.101/2009, é exigível para fruição da imunidade. Fl. 436DF CARF MF 8 Não obstante, no presente caso, o cumprimento dos requisitos para a obtenção do CEBAS foi submetido à apreciação do Poder Judiciário, por ação do Ministério Público, conforme relatado, de modo que este colegiado não pode conhecer desta matéria, por concomitância de instâncias. Com efeito, o Carf não pode emitir juízo acerca da exigência do Cebas, posto que tal matéria será decidida judicialmente, e caberá à Receita Federal cumprir as determinações judiciais que afetarem o presente julgamento, sem intermediação do Carf. Ainda que a recorrente não seja a demandante da ação, a razão do não conhecimento não é derivada da autoria, mas incompatibilidade de decisão administrativa quando haja decisão judicial na mesma matéria, para a mesma parte. A isenção/imunidade constitucional do Pis em relação às entidades beneficentes de assistência social também foi submetida ao Poder Judiciário, por demanda da recorrente, conforme relatado, e do mesmo modo, tal matéria não pode ser conhecida por este colegiado de julgamento administrativo, por aplicação da Súmula Carf nº 1. Não havendo outra matéria a apreciar, voto pelo não conhecimento do recurso. Os demais conselheiros da Turma acompanharam meu voto pelas conclusões, para reconhecer a concomitância com relação à Ação Ordinária 2002.72.05.0012207 (SC). (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 437DF CARF MF
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