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Numero do processo: 13888.903418/2015-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior.
PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO.
Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ.
Numero da decisão: 1302-003.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.903415/2015-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.903415/201535, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 34 18 /2 01 5- 79 Fl. 213DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação utilizandose de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao 2º trimestre de 2011 para extinguir sob condição resolutória débitos próprios. Despacho Decisório (DD) eletrônico considerou inexistente o crédito, uma vez que o valor do DARF estava totalmente vinculado ao débito de IRPJ trimestral (código 2089) daquele período, não homologando a compensação pleiteada na DComp. Em sua manifestação de inconformidade, a Empresa diz que reconheceu, após a notificação do DD, o erro cometido pela contabilidade, uma vez que não retificou a DCTF de junho/2011, sendo que o valor da DCTF original não correspondia ao valor constatado e declarado em DIPJ, sendo este último o valor considerado correto. Assim retificou a DCTF e pediu o anulação do DD e a homologação da compensação requerida. A 4ª Turma da DRJ de Recife proferiu acórdão considerando improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO VIA DIPJ. SEM FORÇA PROBATÓRIA. A DIPJ não é suficiente, por si só, para comprovar erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo necessário trazer provas documentais outras suficientes, tais como livros fiscais e contábeis, e, conforme o caso, documentos fiscais, para que o julgador administrativo possa verificar se o tributo apurado naquela declaração corresponde ao montante escriturado. Em sede de recurso voluntário, a Empresa busca demonstrar seu direito creditório, acostando: a DCTF retificadora; o DARF com recolhimento a maior; a DIPJ 2012; Diário Geral de 2011; Razão Analítico contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; balancete de verificação relativo a junho de 2011. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.903418/201579 Acórdão n.º 1302003.248 S1C3T2 Fl. 3 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.239, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.903415/2015 35, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.239): "O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 25 de julho de 2016, tendo apresentado o recurso em 12 de agosto de 2016, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de mandato. Conheço do recurso voluntário. Como sói acontecer estamos tratando de declaração de compensação por pagamento a maior sem que a Requerente tenha retificado a DCTF correspondente. Assim, nos batimentos do Sistema de Controle de Créditos (SCC) o valor é negado. Não consta do processo que a Empresa tenha sido intimada em momento anterior à emissão do DD, e há que se fazer registro que, caso a retificação apontada tivesse ocorrido, o despacho eletrônico de nãohomologação não teria sido expedido. Então, retificando posteriormente a citada declaração, a Recorrente requer, em manifestação de inconformidade, que a DRJ considere o erro e reconheça o valor corrigido de IRPJ, com base em sua DIPJ, o que não acontece por falta de comprovação lastreada em documentos e livros contábeis e fiscais. Estamos tratando de empresa administradora de bens, tributada pelo lucro presumido, com objeto de compra e venda de bens imóveis (fl. 11). Na receita do 2ª trimestre de 2011 consta parcela significativa de venda de bens imóveis (R$11.110.500,00) oferecida no percentual de presunção de 8% e outra parte relativa a prestação de serviços, embora não conste do seu objeto social (R$52.100,35), o que entendo não prejudicar seu direito, oferecida no percentual de 32% (fls. 199 e 201), esta última com pequena diferença de 50 reais a menor. Inicialmente, entendo que as provas apresentadas nesta oportunidade devem ser aceitas, ante uma escalada que começa pela determinação de que a DCTF teria que ser retificada (DD); com a apresentação da respectiva retificação, esta deixa de ser aceita por falta de provas (Acórdão DRJ); e, finalmente, sendo apresentadas as provas relativas à retificação, vem o processo à apreciação desta turma. A questão está centrada na retificação da DCTF: caso fosse feita antes do DD, nada do que está em análise teria ocorrido; como foi feita depois do DD, exigese prova de que a retificação está conforme a escrita contábil e fiscal. Fl. 215DF CARF MF 4 Então, entendo ser compreensível a apresentação em sede de manifestação de inconformidade apenas da DCTF retificadora, haja vista que a prova de sua correção é dedução, não é requerida expressamente, se não somente depois do acórdão recorrido. Noutras palavras, a fundamentação do indeferimento do pleito na falta de comprovação só veio a tona com o acórdão recorrido. Sem adentrar no questionamento sobre se a dedução referida seria exigível ou não, haja vista que ainda temos que considerar e sopesar, também, o princípio da verdade material, entendo que a aceitação, conforme apontei até agora, teria respaldo no artigo 16 § 4º alínea "c" do Decreto nº 70.235, de 1972. Conhecidas as provas juntadas pelo Recorrente, entendo que são suficientes para demonstrar a correção de seus cálculos e, consequentemente, da DCTF retificadora apresentada, fazendo jus ao direito creditório pleiteado, no valor original de R$3.578,12, conforme declaração de compensação ora em julgamento. Assim, a decisão deste processo, limitado que está à Declaração de Compensação, seria o provimento do recurso voluntário, com o reconhecimento do direito creditório requerido de R$3.578,12 e homologando a compensação requerida na DComp 09584.08284.290415.1.3.046505. Todavia, este processo é paradigma para os de nº 13888.903416/201580, 13888.903417/201524, 13888.903418/201579, 13888.903419/201513, 13888.903420/201548, 13888.903421/201592, 13888.903422/201537, 13888.903423/201581, 13888.903424/201526, 13888.903425/201571, 13888.903426/201515, 13888.903427/201560, 13888.903428/201512, 13888.903431/201528, 13888.903432/201572, 13888.903433/201517, 13888.903434/201561, 13888.903435/201514, 13888.903436/201551, 13888.903437/201503, 13888.903438/201540, 13888.903439/201594, 13888.903440/201519, 13888.903441/201563, 13888.903442/201516, 13888.903443/201552, 13888.903444/201505 e 13888.903445/201541, conforme previsto no artigo 47, § 1º do Anexo II do RICARF, abaixo transcrito: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, será formado lote de recursos repetitivos e, dentre esses, definido como paradigma o recurso mais representativo Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.903418/201579 Acórdão n.º 1302003.248 S1C3T2 Fl. 4 5 da controvérsia. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) Assim, todos os processos citados tratam de declarações de compensação, tendo como crédito o pagamento a maior relativo ao 2º trimestre de 2011, lucro presumido, cuja análise se procedeu nestes autos. A Empresa comprova o valor total de crédito de R$51.260,05, que, na sistemática de repetitivos, limita o valor total a ser utilizado nos demais processos conjuntamente com este. Feitas estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado na DComp, e homologando a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, a despeito da posição deste relator no julgamento do recurso paradigma, impõese dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Declaração de Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Peço vênia para divergir da decisão do Relator, fundamentada na busca pela verdade material, um dos princípios que informam o processo administrativo fiscal. É que, conforme o art. 170 do CTN, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Declaração de Compensação (DComp) por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. Fl. 217DF CARF MF 6 No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação de que tratam estes autos, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou a DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba/SP. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O art. 16, §§4º a 6º, do Decreto nº 70.235, de 1972, de aplicação ao presente processo, por força do art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe acerca do momento para a apresentação das referidas provas: " Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.903418/201579 Acórdão n.º 1302003.248 S1C3T2 Fl. 5 7 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacouse) A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na, também retificada, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e que alega ser o correto. Deste modo, deve ser considerada irretocável a decisão de primeira instância, para quem: "20. Então, atualmente a DIPJ não possui força probante, por si só, das informações prestadas na Dcomp. Portanto, para provar que a DCTF foi preenchida com erro e, por conseguinte, que a apuração contida na DIPJ representa a realidade fiscal do contribuinte, tornase necessário que o contribuinte traga aos autos provas documentais, tais como os livros contábeis e fiscais, na parte de interesse, e documentos fiscais, conforme o caso, de forma a permitir ao julgador administrativo verificar se o que foi declarado na DIPJ corresponde ao registrado na escrituração. 21. Frisese, adicionalmente, que, ainda que se desconsiderasse o caráter informativo da DIPJ e o caráter de confissão da DCTF, ainda assim seria necessária a comprovação documental (escrituração) do valor correto do IRPJ apurado haja vista a discrepância entre as informações constantes nessas duas declarações, ambas de lavra do contribuinte. 22. Como o interessado não trouxe aos autos qualquer outro documento que não a própria DIPJ, entendo que não comprovou o erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo devido considerar a utilização integral do Darf para a liquidação do débito nela declarado." Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada e informado na DIPJ original. Cabia ao sujeito passivo instruir a sua manifestação de inconformidade com todos os elementos necessários para a demonstração inconteste do seu suposto crédito. Era seu totalmente o ônus da prova. Não se desincumbindo de tal mister, operase a preclusão consumativa, sobre a qual Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido Fl. 219DF CARF MF 8 exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." As questões que se põem, neste instante, são três: 1) as novas provas trazidas aos autos apenas com o Recurso Voluntário devem ser admitidas? 2) se admitidas, as novas provas são suficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado? 3) se admitidas as provas e não sendo suficientes, há a necessidade de realização de alguma diligência para suprir eventual dúvida remanescente com estes novos elementos? Entendo que o limite temporal previsto no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito, não pode ser excepcionado a não ser nas hipóteses que se enquadrem nas suas alíneas. Não estou só neste posicionamento, cabendo citar a Professora Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2011): "Em tais situações, e apenas nelas, autorizase a juntada de novos documentos até mesmo em instante posterior ao ato decisório de primeira instância, sendo apreciados pelo órgão julgador de segundo grau, caso seja interposto recurso. O direito de contraporse à exigência fiscal e de produzir provas dos seus argumentos é regrado pelo ordenamento, que, não admitindo a instabilidade das relações jurídicas, fixa termos dentro dos quais as atividades hão de ser realizadas. Assim ocorre com a instrução probatória. Pertinente é a crítica de James Marins à prática adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consistente em apreciar provas em grau de recurso, independentemente do preenchimento dos pressupostos legais. O direito à produção probatória implica observância aos limites temporais à sua realização, além, é claro, do atendimento ao requisito de sua obtenção por meio lícito." Tratando acerca da possibilidade de flexibilização de tais regras, Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, pp. 6465) é categórica, mas prevê o que entende ser uma nova hipótese de exceção: "Entendemos que o limite temporal é inflexível. Tal inflexibilidade contempla, entretanto, o recebimento de provas após a impugnação, nas duas e somente duas, situações a seguir: (i) Se a prova não tiver sido juntada antes pelas razões previstas nas alíneas a,b e c do §4º acima. (ii) Pela impossibilidade de o sujeito passivo defenderse de forma plena, considerando a complexidade da autuação versus o tempo que lhe foi legalmente conferido para apresentação da defesa. Tratase, nessa medida, de comprovada impossibilidade material de se defender no prazo legal." No meu julgar, a hipótese veiculada pela doutrinadora, na verdade, já é albergada pela alínea "a" do §4º, na medida em que poderia ser entendido como um acontecimento inevitável e para o qual o sujeito passivo não concorreu ainda que culposamente, para contemplar os requisitos previstos por Maria Helena Diniz para a força maior (Código Civil Comentado, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997, pp. 747748). Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.903418/201579 Acórdão n.º 1302003.248 S1C3T2 Fl. 6 9 De outra parte, para afastar a alegação de que o não acolhimento de documentos extemporâneos, na ausência de configuração das hipóteses de exceção previstas no texto legal, configuraria ofensa à ampla defesa, valhome da lição de Maria Teresa Martínez Lopes e Marcela Cheffer Bianchini (Aspectos polêmicos sobre o momento de apresentação da prova no processo administrativo fiscal federal in: A prova no processo tributário, São Paulo: Dialética, 2010, p. 48): "Devese observar que a justificativa apresentada para o entendimento que ocorre afronta ao princípio da ampla defesa quando não são apreciadas provas apresentadas após a impugnação é de índole constitucional e, portanto, para afastar a aplicabilidade do parágrafo 4º do artigo 16 do PAF, devese alegar sua inconstitucionalidade, mas é vedado por lei aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." No caso dos autos, não há alegação da Recorrente de qualquer motivo que a impediu de trazer aos autos as novas provas, nem ainda estas se referem a fato ou direito superveniente, de modo que se afastam das hipóteses das alíneas "a" e "b" do referido §4º. Apenas com muito "contorcionismo hermenêutico" se poderia entender que o caso se enquadra na alínea "c" do citado dispositivo. É que não é possível admitir que o sujeito passivo foi surpreendido com a insuficiência dos elementos de prova apresentados com a Manifestação de Inconformidade. Em que a comprovação de que apresentou uma DCTF retificadora, reduzindo o débito confessado; a comprovação de que o débito anteriormente confessado em DCTF tinha um valor superior; a comprovação de que o débito informado em DIPJ retificadora corresponde ao novo valor confessado; e a comprovação de que efetuou pagamento em montante equivalente ao débito inicialmente confessado poderia atestar a liquidez e certeza do crédito tributário invocado? É óbvio que seria necessário demonstrar com a escrituração contábil e fiscal, bem como com os elementos que a embasaram, que os valores que conduzem ao novo débito confessado tem suporte fático e não são mera criação do sujeito passivo, de modo a conferir ao crédito pleiteado a certeza e liquidez exigida pela legislação. Assim, entendo que não devem ser conhecidos os novos documentos apresentados, uma vez que a Manifestação de Inconformidade era o momento adequado para a comprovação do crédito tributário. Decidir em sentido diverso, ainda que visando à busca da verdade material significa contrariar a expressa disposição legal do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Reconheço que há julgados, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adotam a chamada "formalidade moderada", para, com base no art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999, bem como no critério da adequação entre meios e fins (previsto para o processo administrativo no art. 2º, inciso VI, daquela mesma norma), acatar a juntada de provas fora das regras prescritas no PAF. Fl. 221DF CARF MF 10 Com a devida vênia, entendo que tal corrente não observa que a própria disciplina trazida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, já adota uma "formalidade moderada", quando prevê hipóteses razoáveis em que se pode mitigar o formalismo de se exigir que as provas sejam apresentadas no momento da Impugnação. Não há uma formalidade irrestrita ou exacerbada no dispositivo em questão, mas um regramento, adequado e necessário a meu ver, para o saudável funcionamento do processo administrativo, sem margens a chicanas, máfé processual ou indevida protelação. Válida mais uma vez a lição da Professora Professora Fabiana Del Padre Tomé (Op. cit.): "A doutrina costuma distinguir verdade material e verdade formal, definindo a primeira como a efetiva correspondência entre proposição e acontecimento, ao passo que a segunda seria uma verdade verificada no interior de determinado jogo, mas susceptível de destoar da ocorrência concreta, ou seja, da verdade real. Com base em tais argumentos, é comum identificar o processo administrativo tributário com a busca pela verdade material, e o processo judicial tributário com a realização da verdade formal. Nesse sentido posicionamse Alberto Xavier, Paulo Celso B. Bonilha e James Marins, dentro outros, considerando a busca pela verdade material um princípio de observância indeclinável da administração tributária, em oposição ao princípio da verdade formal que preside o processo civil e prioriza a formalidade processual probatória. Essa corrente doutrinária proclama o abandono da formalidade, na esfera administrativa, em prol da produção de prova e contraprova, para, com isso, alcançar a verdade material. Tal conclusão, entretanto, não procede. O que se consegue, em qualquer processo, é a verdade lógica, obtida em conformidade com as regras de cada sistema. Conquanto nos processos administrativos sejam dispensadas certas formalidades, isso não implica a possibilidade de serem apresentadas provas ou argumentos a qualquer instante, independentemente da espécie e forma. É imprescindível a observância do procedimento estabelecido em lei, ainda que esse rito dê certa margem de liberdade aos litigantes." Observase, portanto, que esta busca pela verdade material, bem como o atendimento ao citado critério da adequação entre meios e fins, não pode ser algo que passe ao largo dos procedimentos estabelecidos, e tolere que o administrado vá apresentando as provas "a contagotas", mesmo que em momento processual posterior ao adequado. Lembrese que o art 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, como acima destacado, impõe ao sujeito passivo a apresentação na Impugnação das "provas que possuir", sob pena, inclusive de representar a supressão da instância, com a consequente violação do devido processo legal, posto que a conduta do sujeito passivo subtrairia ao julgador de primeira instância a possibilidade de apreciar as provas juntadas em momento posterior, que seriam examinadas, exclusivamente, pelo julgador do CARF. Tal fato, inclusive, é constatado pela Recorrente, que apresenta pedido subsidiário para que os autos sejam baixados à autoridade julgadora a quo, para que esta possa se pronunciar sobre os novos elementos de prova. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.903418/201579 Acórdão n.º 1302003.248 S1C3T2 Fl. 7 11 Ora, se a regra processual foi originalmente prevista para os procedimentos de constituição do crédito tributário, quanto mais válida será para os procedimentos de restituição e compensação, em que o ônus de provar a existência do direito creditório recai exclusivamente sobre o sujeito passivo. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, ainda que fossem acatados os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples do Diário Geral de 2011; do Razão Analítico das contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; e do balancete de verificação relativo a junho de 2011. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária. Se o sujeito passivo confessou, à época dos fatos geradores, um valor de débito e o quitou por recolhimento; se o sujeito, tempos depois, informou este mesmo valor em sua DIPJ, qual a razão para, agora, afirmar que tal valor está incorreto? É imprescindível que ele explicite o erro cometido e como chegou ao novo valor. Assim, mesmo que se acatem os novos documentos (decisão da maioria dos meus pares), terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, elementos de prova insuficientes, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado na Dcomp de que tratam os presentes autos. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada na Dcomp apresentada. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Com a devida venia ao D. Relator mas, o caso vertente, conforme posição por mim adotada em diversos processos passados, o ônus probatório em procedimentos de compensação administrativa é, para além de dúvidas razoáveis, do contribuinte. Isto é, a luz dos preceitos do art. 170 do CTN, a liquidez e certeza do crédito cuja recuperação se postula Fl. 223DF CARF MF 12 deve ser demonstrada pelo contribuinte, quando assim for instado pelas autoridades competentes. E, para que não recaia sobre mim a pecha de incoerente, sustento, de fato, que pelo princípio da verdade material seja atribuível às autoridades administrativas o mister de, quando menos, declinar os motivos que as levaram a não reconhecer a mencionada liquidez e certeza do direito creditório postulado (de sorte que o contribuinte possa entender, quiçá, quais provas deva produzir). Na hipótese em exame, todavia, o recorrente transmitiu DCOMP, veiculando um crédito cujo valor, declinado em DARF que lhe dera origem, estava integralmente vinculado a um débito regularmente confessado, sem que se apurasse qualquer saldo a compensar... Em outras palavras, a autoridade administrativa, aqui, por uma limitação imposta pelo próprio postulante, apontou como "questão problema" apenas a inexistência de saldo compensável, desincumbindose, neste particular, do dever de indicar qualquer outro ponto de discórdia, até por ausência de dados suficientes para assim se proceder. Não me oponho, é verdade, a que o contribuinte apresente DCTF ou mesmo DIPJ retificadora, sob alegação de erro de preenchimento, mesmo que posteriormente à prolação do competente despacho decisório desde que, contudo, esta correção venha devidamente acompanhada dos documentos que lhe comprovem a lisura e acuidade (o ônus, insistase, é de que retifica a declaração). Até porque, por força dos preceitos do art. 373, I, do CPC, compete ao requerente a comprovação do "fato constitutivo de seu direito". Se o fato que constitui o direito é o erro de preenchimento de DCTF ou DIPJ, compete a quem o alega a sua demonstração e tal demonstração deve ser feita no momento oportuno, isto é, quando da apresentação de sua impugnação (art. 16 do Decreto 70.235/75). Assim, entendo, a apresentação extemporânea de documentos necessários ao cumprimento do dever definido nos mencionados preceitos legais (art. 371 do CPC e 16 do Decreto 70.235), impede o seu conhecimento nesta fase processual. O motivo que me levou, no entanto, a concordar com as conclusões do D. Relator, cinge ao fato da maioria de meus pares ter decidido por, justamente, conhecer dos documentos trazidos pelo recorrente por ocasião da interposição de suas razões de insurgência, a par das limitações do, por vezes invocado, art. 16 do Decreto 70.235. Ato contínuo, conhecidos os preditos documentos, a única conclusão que me resta é pela procedência das alegações trazidas pelo insurgente, e, assim, reconhecer o seu direito creditório conforme posto pelo voto vencedor. Por tais razões, e só por elas, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.013484/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVISÃO LEGAL DAS ATRIBUIÇÕES DO AUDITOR-FISCAL DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
A atividade do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem ampla disciplina legal e suas atribuições estão previstas em diversos dispositivos de distintos diplomas legais, nenhum deles fazendo alusão à necessidade de credenciamento desse profissional junto ao Conselho Regional de Contabilidade ou de formação superior em Ciências Contábeis.
FOLHA DE PAGAMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A simples conduta no sentido de deixar de preparar a folha de pagamento das remunerações pagas e/ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas pertinentes já configura infração à legislação apta a ensejar a lavratura do auto de infração respectivo.
A obrigação acessória não implica a existência de uma obrigação principal da qual dependa.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Os documentos fiscais analisados pela autoridade fiscal foram relacionados em termos específicos juntados no aludido auto de infração da obrigação principal.
A descrição dos fatos apurados pela fiscalização permite a compreensão perfeita da origem do tributo lançado e do seu enquadramento legal. A forma como os respectivos valores foram apurados foi igualmente demonstrada com clareza.
PRESUNÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO.
Com sua omissão em prestar informações às autoridades fiscais, o próprio recorrente deu causa à necessidade de utilização do arbitramento/aferição indireta, que não se trata de presunção, mas de meio legítimo de apuração da base de cálculo em hipóteses como a dos presentes autos.
PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E TIPICIDADE TRIBUTÁRIA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULACARFN°02.
A análise de questões constitucionais que envolvam a autuação é vedada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a teor do que dispõe aSúmulaCARF nº2, segundo a qual O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2402-006.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVISÃO LEGAL DAS ATRIBUIÇÕES DO AUDITORFISCAL DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A atividade do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem ampla disciplina legal e suas atribuições estão previstas em diversos dispositivos de distintos diplomas legais, nenhum deles fazendo alusão à necessidade de credenciamento desse profissional junto ao Conselho Regional de Contabilidade ou de formação superior em Ciências Contábeis. FOLHA DE PAGAMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A simples conduta no sentido de deixar de preparar a folha de pagamento das remunerações pagas e/ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas pertinentes já configura infração à legislação apta a ensejar a lavratura do auto de infração respectivo. A obrigação acessória não implica a existência de uma obrigação principal da qual dependa. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Os documentos fiscais analisados pela autoridade fiscal foram relacionados em termos específicos juntados no aludido auto de infração da obrigação principal. A descrição dos fatos apurados pela fiscalização permite a compreensão perfeita da origem do tributo lançado e do seu enquadramento legal. A forma como os respectivos valores foram apurados foi igualmente demonstrada com clareza. PRESUNÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 34 84 /2 00 8- 45 Fl. 696DF CARF MF Com sua omissão em prestar informações às autoridades fiscais, o próprio recorrente deu causa à necessidade de utilização do arbitramento/aferição indireta, que não se trata de “presunção”, mas de meio legítimo de apuração da base de cálculo em hipóteses como a dos presentes autos. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E TIPICIDADE TRIBUTÁRIA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULACARFN°02. A análise de questões constitucionais que envolvam a autuação é vedada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a teor do que dispõe aSúmulaCARF nº2, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vicepresidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1128.534, da 6ª Turma da DRJ de Recife (fls. 84/92), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração DEBCAB nº 37.110.5277. De acordo com o relatório fiscal de fls. 21/22, verificouse o descumprimento do disposto no art. 32, I, da Lei n° 8.212/91, que estabelece a obrigatoriedade da empresa de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. Relata o auditor que aos 20/02/2008, a empresa foi intimada a apresentar, além de outros documentos, folhas de pagamentos das remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço. Confrontados os dados das folhas de pagamento com os informados na RAIS, na GFIP e em planilha de custos com alimentação elaborada e entregue pela própria empresa, constatouse a não inclusão de segurados empregados na folha de pagamento em algumas competências, fato que configura infração ao disposto no dispositivo legal acima Fl. 697DF CARF MF mencionado, c.c. art. 225, I e § 9º do Decreto nº 3.048/99, ensejando a lavratura do presente auto de infração. O contribuinte apresentou impugnação tempestivamente alegando, em síntese: a) Nulidade da ação fiscal, uma vez que a nomeação pelo Poder Público não é suficiente para que o agente fiscal tenha capacidade técnica e legal para exercer essa função. No seu entendimento, as auditorias contábeisfiscais e os exames de documentos pertinentes à matéria autuada somente terão eficácia e validade plenas quando realizadas por profissional regularmente credenciado pelo respectivo Conselho Regional de Contabilidade, qualificação esta que o fiscal autuante não demonstrou possuir por ocasião das diligências fiscalizatórias, fulminando de nulidade o procedimento fiscal; b) Não lhe pode ser imputada multa relativamente à preparação da folha de pagamento uma vez que o próprio TEAF – Termo de Encerramento de Ação Fiscal indica que foram examinadas as folhas de pagamento da recorrente, RAIS, GFIP's, planilha de custo e outros elementos; c) Partindo do pressuposto de que o acessório segue o principal, passa, então, a apontar irregularidades, no seu entender, constantes da autuação principal por falta de pagamento do tributo. Assim, alega que a ausência de especificidade quanto aos documentos fiscais compulsados que serviram de base para a autuação impede que se determinem, com precisão e segurança, os fatos geradores relativos ao suposto débito do contribuinte e, por consequência, o exercício regular do seu direito de defesa. Ademais, diz que o auto foi lavrado sem a demonstração das rubricas relacionadas com as respectivas bases de cálculo, de modo que a autuação não reúne elementos suficientes a uma constituição segura e precisa do crédito tributário, impondose, portanto, a declaração de sua nulidade e também das autuações ditas “acessórias”; d) Argumenta que o agente fiscal classificou como infração o que, de fato, não é, uma vez que se baseou em suposta inexistência de documentos, unicamente pelo fato de não terem sido apresentados na data indicada, procedendo à descrição de “teórica ocorrência” de infração com base em presunção de irregularidade; e) Afirma que a presunção de valores para fins de tributação ofende os princípios da legalidade e da tipicidade; e f) Por fim, requer a declaração de nulidade do auto de infração, uma vez configurado abuso de poder pela falta de enquadramento legal e de convicção da natureza dos serviços prestados, falta de qualificação das receitas tributáveis, além de presunção sobre a efetiva incidência tributária. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário integralmente, em julgado assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 698DF CARF MF Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDÊNCIA SOCIAL. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO. Deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas pertinentes, constitui infração por descumprimento de obrigação acessória definida na legislação previdenciária CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. A autuação encontrase devidamente instruída, não havendo que se falar em cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado dessa decisão aos 26/02/2010, o contribuinte interpôs recurso voluntário, reprodução da impugnação, aos 24/03/2010, cujos argumentos, já acima relatados, reputamos desnecessário repetir, já que, como dito, são rigorosamente os mesmos. Requer, ao final, o provimento do recurso para anular o auto de infração. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. PREVISÃO LEGAL DAS ATRIBUIÇÕES DO AUDITORFISCAL O recorrente dá início às suas razões de recurso impugnando a legitimidade da atuação do agente fiscal. Segundo argumenta, a verificação de suposta infração tributária, à falta de maiores indícios, deve se apoiar em verificação fiscal mediante análise de lançamentos contábeis em livros mercantis e fiscais, em confronto com os documentos que lhes deram origem. Afirma que, em que pese da análise do auto, restar demonstrado que o fiscal tem conhecimento sobre a matéria autuada, a nomeação pelo Poder Público não é suficiente para que o agente fiscal tenha capacidade técnica e legal para exercer essa função, sendo necessário que seja regularmente habilitado no respectivo Conselho Regional de Contabilidade, circunstância que não foi demonstrada por ele por ocasião da lavratura do auto de infração, o que caracteriza ilegalidade e abuso de poder funcional. Desse modo, partindo do pressuposto de que o fiscal não seja profissional regularmente habilitado junto ao C.R.C., o exercício dessas atividades fiscalizatórias, Fl. 699DF CARF MF privativas de contadores, viola o princípio da reserva legal, atenta contra a legislação federal que regulamenta a profissão e, com consequência da incapacidade jurídica do agente, seu trabalho resta sem eficácia administrativafiscal e sem validade jurídica (art. 104, I e 166, IV do CC). Não tem razão o recorrente. As atribuições do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil estão previstas na lei que rege a carreira, qual seja Lei nº 10.593/02, e no Decreto nº 6.641/08, que a regulamenta, que, como bem observado pela decisão recorrida, não menciona precedência ou exclusividade de nenhum curso superior em relação a outro para desempenho da função. Segundo o art. 6º da referida lei, com redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.457/07 (que, aliás, dispõe sobre a Administração Tributária Federal): “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 1o O Poder Executivo poderá cometer o exercício de atividades abrangidas pelo inciso II do caput deste artigo em caráter privativo ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. (...)”. Dispõem, ainda, os artigos 2º, “caput” e 3º, “caput”, da Lei n° 11.457/07, o seguinte: “Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, Fl. 700DF CARF MF arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...)”. “Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...)”. Por fim, também o art. 33, parágrafo 1º da Lei nº 8.212/91 faz alusão expressa às atribuições do AuditorFiscal da Receita Federal no que diz respeito às atividades relativas à tributação, arrecadação, fiscalização, cobrança e recolhimento de contribuições previdenciárias e, bem assim, de exame da contabilidade das empresas: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (...)”. Portanto, como se vê, a atividade do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem ampla disciplina legal, e suas atribuições estão previstas em diversos dispositivos de distintos diplomas, todos no mesmo sentido, nenhum deles fazendo alusão à necessidade de credenciamento desse profissional junto ao Conselho Regional de Contabilidade ou de formação superior em Ciências Contábeis. Opiniões em contrário, por mais abalizadas que sejam, não têm o condão de infirmar o que diz a lei e, dado que a este tribunal não é dado modificar a lei ou deixar de aplicála, maiores digressões a esse respeito tratarseia de discussão ociosa e, data venia, este não é o fórum adequado onde deva ter lugar. Desse modo, não assiste razão ao recorrente e legítima a atuação do auditor fiscal, não havendo que se falar em ilegalidade, nulidade ou abuso de poder funcional. Esse, aliás, é o entendimento consolidado deste Conselho, expresso na súmula CARF de nº 08, segundo a qual “o Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador”. DAS FOLHAS DE PAGAMENTO Fl. 701DF CARF MF O recorrente argumenta que não lhe pode ser imputada multa por descumprimento de obrigação acessória relativamente à preparação da folha de pagamento uma vez que o próprio Termo de Encerramento de Ação Fiscal indica que foram analisadas as folhas de pagamento, RAIS, GFIP´s, planilhas de custos e outros elementos. Assim, conclui que não pode prosperar autuação por falta de apresentação de documentos. Argumenta, ainda, que o agente fiscal classificou como infração o que, de fato, não é, uma vez que se baseou em suposta inexistência de documentos unicamente pelo fato de o recorrente não têlos apresentado na data indicada. Ocorre que diversamente do alegado pelo recorrente, a infração cometida, no presente caso, e em razão da qual foi autuado não diz respeito à inexistência de documentos ou não apresentação na data indicada, mas sim ao fato de a folha de pagamento não ter sido preparada de acordo com as normas e padrões estabelecidos pelo órgão competente. Com efeito, o art. 32, I da lei nº 8.212/91, que tipifica a infração cometida pelo recorrente, dispõe o seguinte: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (...).” Pois bem. Da leitura do dispositivo legal em questão, constatase que a simples conduta no sentido de deixar de preparar a folha de pagamento das remunerações pagas e/ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas pertinentes já configura infração à legislação apta a ensejar a lavratura do auto de infração respectivo. E conforme consta do relatório fiscal (fls. 21/22), confrontando os dados das folhas de pagamento com informações constantes da RAIS, da GFIP e de planilhas de custos com alimentação elaborada pelo próprio recorrente, ficou evidenciada a existência de segurados empregados que não foram devidamente relacionados nas folhas de pagamento em algumas competências, como determina o dispositivo legal acima mencionado. Ou seja, o recorrente infringiu a norma diante da omissão de segurados nas folhas de pagamento, pelo que sem razão em suas alegações quanto a este aspecto. DO PROCESSO PRINCIPAL (PAF 19647.013501/200844) DA REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Como relatado, argumentando que o acessório segue o principal, o recorrente trouxe para o recurso voluntário alegações voltadas contra a autuação principal por falta de pagamento do tributo, em suas palavras, visando a “robustecer a ilegitimidade do procedimento da autuação acessória e que ora se impugna”. Fl. 702DF CARF MF Nesse sentido, alega que a ausência de especificidade quanto aos documentos fiscais compulsados que serviram de base para a autuação impede que se determinem, com precisão e segurança, os fatos geradores relativos ao suposto débito do contribuinte e, por consequência, o exercício regular do seu direito de defesa, que o auto foi lavrado sem a demonstração das rubricas relacionadas com as respectivas bases de cálculo, de modo que a autuação não reúne elementos suficientes a uma constituição segura e precisa do crédito tributário, impondose, portanto, a declaração de sua nulidade e também das autuações ditas “acessórias”, e que a presunção de valores para fins de tributação ofende os princípios da legalidade e da tipicidade. Sem razão o recorrente. Com efeito, como nos ensina a doutrina, o que o Código Tributário Nacional chama impropriamente de “obrigações acessórias” se trata, em verdade, de deveres instrumentais impostos por lei no interesse do Fisco objetivando viabilizar a fiscalização do recolhimento dos tributos. Nessa linha, a obrigação dita acessória independe da efetiva existência da obrigação principal. Nesse sentido, ensina o professor Luciano Amaro1: “A acessoriedade da obrigação dita "acessória" não significa (como se poderia supor, à vista do princípio geral de que o acessório segue o principal) que a obrigação tributária assim qualificada dependa da existência de uma obrigação principal à qual necessariamente se subordine. As obrigações tributárias acessórias (ou formais ou, ainda, instrumentais) objetivam dar meios à fiscalização tributária para que esta investigue e controle o recolhimento de tributos (obrigação principal) a que o próprio sujeito passivo da obrigação acessória, ou outra pessoa, esteja, ou possa estar, submetido. Compreendem as obrigações de emitir documentos fiscais, de escriturar livros, de entregar declarações, de não embaraçar a fiscalização etc. Desse modo, a lei impõe obrigações ao indivíduo “X”, por uma ou mais de várias possíveis razões: a) ora se atende o interesse, de controlar o recolhimento de tributos do indivíduo “X” (obrigação principal de “X”). mediante registros formais do fato gerador desses tributos (emissão de notas, escrituração de livros etc. que traduzem obrigações acessórias de “X”); b) ora, aquilo a que se visa, com a obrigação acessória de “X”, é o controle do cumprimento da obrigação principal de “Y”, que mantém alguma relação jurídica com “X”; c) ora se quer apenas investigar a eventual existência de obrigação principal de “X” ou de “Y” (por exemplo, “X” pode ser isento de tributos e, não obstante, possuir obrigações formais para preenchimento das condições a cujo cumprimento a lei subordina o direito a isenção). Em suma a obrigação acessória de “X” não supõe que “X” (ou “Y”) possua, necessariamente, alguma obrigação principal; basta a probabilidade de existir obrigação principal de “X” ou de “Y”.” (destacamos) É dizer, havendo ou não obrigação principal, a “obrigação acessória”, no presente caso, o dever de preparar a folha de pagamento das remunerações pagas e/ou creditadas a todos os segurados a serviço do recorrente em consonância com as normas e padrões estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social remanesce íntegro, conforme determina o art. 32, I da Lei nº 8.212/91. Nessa linha, esclarecedor, igualmente, é o ensinamento de Roque Antônio Carraza sobre os deveres instrumentais: 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 249. Fl. 703DF CARF MF “Inadimplida a prestação [aludindo aos deveres instrumentais], que se traduz num fazer, num nãofazer ou num suportar, a relação jurídica que veicula um dever extinguese, cedendo lugar a um liame de índole sancionatória – geralmente a uma penalidade de cunho pecuniário (multa) , o que, retornando à idéia inicial, demonstra que o “vinculo dos deveres instrumentais nasce e se exaure no padrão eficacial médio”. Além disso, o legislador, ao sancionar o descumprimento de um dever jurídico com uma multa, está se limitando a recorrer a um dos mais corriqueiros expedientes do Direito para impor a obediência de seus mandamentos, isto é, está acenando com medida que vulnera fundo um dos bens mais precisos da pessoa: a propriedade. Aliás, cumprido ou não, o dever jurídico remanesce integro, a apontar as sendas pelas quais seus destinatários haverão de conduzirse. Remarcamos que os deveres instrumentais não se confundem com os tributos. Apenas, por assim dizer, documentam a incidência ou a nãoincidência (v.g., a isenção), em ordem a permitir que os tributos venham lançados e cobrados com exatidão e as isenções se façam corretamente sentir.” (CARRAZA, Roque Antônio. Curso de Direito Constitucional Tributário. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 330.) (destacamos) Em outros termos, ainda que o recorrente estivesse regular no que diz respeito ao recolhimento de contribuições previdenciárias à Seguridade Social e, em face disso, a mesma diligência fiscalizatória não tivesse culminado também na lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação principal (o que, de fato, não ocorreu), ainda assim, a presente autuação por descumprimento de “obrigação acessória” restaria íntegra, uma vez que restou devidamente comprovado que o recorrente, de fato, não obedeceu aos padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social ao deixar de informar em folha de pagamento segurados empregados que lhe prestaram serviços em determinadas competências, infringindo, assim, o dever instrumental imposto pelo art. 32, I da Lei nº 8.212/91. E, de mais a mais, cumpre esclarecer que o auto principal, que tem por objeto o lançamento de contribuições previdenciárias previstas no art. 22, I e II da Lei nº 8.212/91 (contribuições previdenciária patronal e ao SAT) incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados no período de 2004, teve decisão administrativa definitiva que concluiu pela procedência do lançamento. Sobre os argumentos tecidos pelo recorrente contra a infração principal, mesmo considerando que não lhe aproveitam no que diz respeito ao presente julgamento, uma vez que, como já exposto, o dever instrumental remanesce íntegro ainda que inexistisse a obrigação principal, considerando que o recurso voluntário se trata de reprodução fiel da impugnação, e não trouxe nenhum argumento novo visando a rebater os fundamentos apresentados pelo julgador de primeira instância para contrapor o entendimento manifestado na decisão recorrida, nos termos do que dispõe o art. 57, §3º do RICARF, com a redação que lhe atribuiu a Portaria MF nº 329/2007, peço vênia para me valer, a respeito deles, da decisão de primeira instância, que adoto por seus próprios fundamentos, com os quais estou plenamente de acordo. Nessa linha, sobre a alegação de ausência de especificidade dos instrumentos fiscais compulsados que serviram de base para a autuação, o que teria impedido que se determinassem os fatos geradores do tributo supostamente devido, comprometendo o exercício regular o direito de defesa do recorrente, esclareçase que os documentos fiscais analisados Fl. 704DF CARF MF pela autoridade fiscal foram relacionados em termos específicos juntados no aludido auto de infração da obrigação principal (fls. 170/175), quais sejam Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF) e Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF). Além desses documentos, os relatórios fiscais também discriminam pormenorizadamente os documentos analisados pela fiscalização que serviram de base para apuração do fato gerador. Sobre o exercício do direito de defesa pelo recorrente, a ele foi dada ampla oportunidade de produzir provas e de se manifestar. O teor de sua impugnação, reproduzida no recurso voluntário, bem demonstra esse fato, bem como todas as seguidas intimações a ele dirigidas lhe dando oportunidade para apresentar documentos e livros, como, por exemplo, para que cumprisse seu dever de exibir à fiscalização os livros Diário e Razão para assim, eventualmente, comprovar o recolhimento regular das contribuições devidas à Seguridade Social. A descrição dos fatos apurados pela fiscalização permite a compreensão perfeita da origem do tributo lançado e do seu enquadramento legal. A forma como os respectivos valores foram apurados, por sua vez, foi igualmente demonstrada com clareza. Desse modo, não tem razão o recorrente no que diz respeito à alegação de abuso de poder por parte da autoridade fiscal, ausência de enquadramento legal do crédito tributário e de demonstração das rubricas relacionadas com as respectivas bases de cálculo. O relatório fiscal especificou os segurados e respectivas remunerações, sobre as quais incidiram as contribuições questionadas. Portanto, as receitas tributáveis foram devidamente qualificadas, não havendo presunção sobre a incidência tributária. Na verdade, o que o recorrente chama de presunção se trata, na verdade, de arbitramento. O arbitramento é instrumento posto à disposição da fiscalização sempre que não estiverem presentes os elementos que viabilizam a apuração direta do total devido, conforme disposto no Código Tributário Nacional e na Lei n° 8.212/91. Com efeito, nos autos de infração relacionados com o descumprimento de obrigação principal, diante da constatação de omissão de segurados empregados nas folhas de pagamento, RAIS e GFIP, não restou alternativa à autoridade fiscal senão se valer do método denominado aferição indireta/arbitramento, conforme previsto na legislação. Constatase, portanto, que com sua omissão em prestar informações às autoridades fiscais, o próprio recorrente deu causa à necessidade de utilização do arbitramento e da aferição indireta, a que ele se refere indevidamente como “presunção”, mas que se trata, em verdade, de método legítimo de apuração do valor da base de cálculo e, consequentemente do crédito tributário, em hipóteses como a dos presentes autos. DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA TIPICIDADE TRIBUTÁRIA Por fim, o recorrente argumenta que o lançamento, dado que fundado em presunção, ofende os princípios constitucionais da legalidade e tipicidade tributária. Sobre este ponto, a análise de questões constitucionais que envolvam a autuação é vedada a este tribunal, a teor do que dispõe a Súmula CARF nº 2, segundo a qual Fl. 705DF CARF MF “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de em afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 706DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.978917/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/12/2004
MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologando-se as compensações até o limite do direito creditório reconhecido.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologandose as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 17 /2 01 2- 59 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.978917/201259 Acórdão n.º 3302005.965 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) formulado, em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que fazia jus à restituição pleiteada pelo fato de que o crédito informado era proveniente de recolhimento de multa de mora indevida, em razão da denúncia espontânea, tendo em vista o recolhimento espontâneo do tributo devido, nos termos do art. 138 do CTN. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.300, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o instituto da denúncia espontânea não exclui a multa de mora estipulada na legislação tributária, porquanto o seu pagamento é expressamente previsto para os casos em que o recolhimento do tributo ocorre espontaneamente após o vencimento da obrigação, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. Ressaltou, ainda, o julgador de piso, que as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reafirmou as razões de defesa suscitadas na Manifestação de Inconformidade, enfatizando o instituto da denúncia espontânea, especialmente o seu reconhecimento pelo CARF e pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.978917/201259 Acórdão n.º 3302005.965 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.954, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.978899/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.954): 1. Admissibilidade O presente Recurso Voluntário é tempestivo, eis que a Recorrente tomou ciência da decisão em 21.03.2016 (efls. 71) e apresentou o Recurso em 20.04.2016 (efls.72), portanto dentro do prazo de 30 dias de que trata o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72. A matéria é de competência deste Colegiado e o recurso revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. Mérito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se analisar o mérito recursal. 2.1. Denúncia Espontânea. Em relação ao instituto da denúncia espontânea e a sua atual disciplina no âmbito do Poder Judiciário e no CARF, tal entendimento encontra respaldo na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais que no processo 10980.004263/200730 foi proferido o Acórdão n. 9303005.874, na sessão de 18 de outubro de 2017, cuja ementa, de Relatoria do I. Conselheiro Rodrigo Pôssas é abaixo transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental.." Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.978917/201259 Acórdão n.º 3302005.965 S3C3T2 Fl. 5 4 Quando da prolação da referida decisão, em sede de Recurso Especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais salientou que em razão da existência de Recurso Especial em sistemática dos Recursos Repetitivos no STJ, a matéria sequer pode ser apreciada pelo CARF. "A matéria tratada no presente recurso referese somente ao cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de pagamento a destempo, mas feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual se confessou o respectivo débito, e antes do início de qualquer procedimento fiscal. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, sob a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Especial nº 1.149.022/SP, que trata da matéria, foi interposto pela autora, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que entendeu que não se configurava a denúncia espontânea o deliberado pagamento a destempo do tributo, não discutido judicialmente, cujo lançamento deve por ele ser efetuado." Tratandose de Recurso Repetitivo submetido à norma do artigo 543C do CPC, aplicase a Portaria MF n. 343/2015, art. 62 § 2º que determina a aplicação da decisão, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Quando da discussão da controvérsia no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no bojo do já mencionado Recurso Especial, o Ilmo. Conselheiro Rodrigo Pôssas salientou que o referido entendimento vincula as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, verbis: "Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA PGFN/CRJ/Nº 1114/2012 (...) (...) 5. ... em resposta à consulta da RFB, segue em lista anexa a esta Nota a delimitação dos julgados proferidos pelo STF e STJ, relacionados pela RFB, para efeitos de que aquele órgãoproceda ao cumprimento, no seu âmbito,do quanto disposto no Parecer PGFN 2025/2011. (...) 45 RESP 1.149.022/SP (...) Resumo: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.978917/201259 Acórdão n.º 3302005.965 S3C3T2 Fl. 6 5 lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente." No caso concreto a Recorrente realizou uma compensação tributária e, independente de qualquer atuação estatal, posteriormente identificou o erro, recolheu a diferença e emitiu nova DCTF (...) Imperioso destacar que pela análise da documentação trazida aos autos a nova DCTF foi apresentada APÓS o recolhimento da diferença do tributo, que se deu independente de qualquer atuação por parte da Administração Pública, razão pela qual a Recorrente entende não serem devidos juros moratórios. Efetivamente, é de se constatar que o caso ora submetido a análise deste Colegiado amoldase com perfeição à jurisprudência deste Colegiado, aliás de observância compulsória, razão mais que suficiente para que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, cabendo à unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito pleiteado, cabendo à unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16692.720061/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja julgado e prolatado acórdão definitivo no âmbito administrativo do processo nº 10880.936363/2011-31.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Relatório
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja julgado e prolatado acórdão definitivo no âmbito administrativo do processo nº 10880.936363/2011-31. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. Relatório
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja julgado e prolatado acórdão definitivo no âmbito administrativo do processo nº 10880.936363/201131. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 92 .7 20 06 1/ 20 13 -1 7 Fl. 621DF CARF MF Processo nº 16692.720061/201317 Resolução nº 1402000.730 S1C4T2 Fl. 621 2 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Trata o presente processo do pedido de restituição PER/DCOMP nº 20581.25020.160209.1.2.029529 (fls. 02 a 08) meio da qual o contribuinte pretende a restituição de crédito de saldo negativo de IRPJ apurado pela empresa sucedida CNPJ: 61.594.065/000105, no valor de R$ 7.258.951,37 referente ao período de 01/01/2006 a 31/03/2006. O contribuinte impetrou Mandado de Segurança visando que a autoridade administrativa procedesse à análise, dentre outros, do pedido de restituição nº 20581.25020.160209.1.2.029529 e a liminar foi concedida. (fls. 10/13) Assim, por meio do despacho decisório de fls. 71 a 77, a análise foi efetuada pela autoridade administrativa e o direito creditório foi reconhecido apenas em parte, no valor de R$ 4.282.394,23, sob o fundamento de que a compensação da estimativa mensal do mês de março/2006, no valor de R$ 1.907.971,77 foi homologada apenas parcialmente, no valor de R$ 81.188,59, não havendo de certeza e liquidez quanto ao restante, e dessa forma não podendo compor o saldo negativo do exercício. (Para melhor entendimento, sugiro verificar a parte do r. Despacho Decisório que descreve a apuração do crédito pleiteado e o montante que foi reconhecido). Cientificada do despacho decisório em 09/10/2013 (comprovante fl. 79), a interessada apresentou em 21/10/2013 a manifestação de inconformidade de fls. 82/90, acompanhada dos documentos de fls. 91/104, onde alega, em síntese: (i) não pode haver glosa das estimativas compensadas vez que ainda não teria havido prolação de despacho decisório; (ii) da ilegalidade da glosa das estimativas cujas decisões das compensações se encontram com efeito suspenso por força de recurso administrativo; (iii) da ilegalidade da diminuição do saldo negativo sob pena de dúplice cobrança do crédito tributário; e (iv) da prejudicialidade do julgamento em razão da pendencia de decisão definitiva acerca da compensação das estimativas. Ato contínuo, a DRJ julgou improcedente a manifestação de conformidade, mantendo o r. Despacho Decisório em seus termos. O v. acórdão da DRJ registrou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 ESTIMATIVAS COMPENSADAS. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 16692.720061/201317 Resolução nº 1402000.730 S1C4T2 Fl. 622 3 A restituição e/ou compensação de saldo negativo condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito. A estimativa é antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, constituindo dedução, somente quando comprovada a sua extinção mediante pagamento ou compensação homologada. DUPLICIDADE DE COBRANÇA. NÃO OCORRÊNCIA. Somente fica caracterizada a duplicidade de cobrança se houver coincidência entre os tributos, períodos de apurações e valores, o que não ocorre no presente caso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 16692.720061/201317 Resolução nº 1402000.730 S1C4T2 Fl. 623 4 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Do sobrestamento do feito devido a pendência de decisão dos demais processos que tratam das compensação das estimativas que compões o saldo negativo que se pretende compensar neste processo: O presente processo encontrase dependendo do julgamento do processo que está julgando a compensação da estimativa de março de 2006 com crédito de IPI do primeiro trimestre de 2006, que compõe o saldo negativo objeto do pedido de restituição em análise neste processo. A parcelas da estimativa de IRPJ do mês de março de 2006 cuja a compensação não foi homologada, permanece com a exigibilidade suspensa em razão de manifestação de inconformidade oferecida nos autos do processo 10880.936363/201131. As DCOMP´s tratadas nos processos acima indicados ainda não foram objeto de decisão administrativa definitiva, uma vez que aguardam julgamento pelo CARF/MF acerca dos recursos apresentados, nos processos acima indicados. Ou seja, caso sobrevenha decisão administrativa definitiva no sentido da homologação das estimativas compensadas, tal decisão implicará necessariamente no reconhecimento integral do crédito de Saldo Negativo pleiteado nos presentes autos, mostrandose cristalina a relação de prejudicialidade mantida entre este processo e os processos acima indicados. Vejam nobres Conselheiro, notese que o sobrestamento do presente processo até que haja julgamento definitivo das estimativas que compõem o crédito pleiteado é decorrência lógica do próprio raciocínio traçado no acórdão ora atacado. Isto porque, reconhecidamente, o valor revertido por meio do provimento da manifestação de inconformidade ou de Recurso Voluntário deverá ser devidamente computado no saldo negativo, implicando na necessidade de se aguardar o desfecho dos processos que controlam as estimativas. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 16692.720061/201317 Resolução nº 1402000.730 S1C4T2 Fl. 624 5 O entendimento para sobrestar os processos que acarretam prejudicialidade ao presente julgamento dos autos do processo em epígrafe, pode ser visto, em recente decisão, onde o CARF determinou o sobrestamento do processo referente a saldo negativo até o julgamento definitivo dos processos referentes as estimativas, conforme atesta a Resolução nº 1402000.348, proferida no PA 10880.902342/201112, cujas linhas conclusivas transcrevemos: “Isso porque na composição do saldo negativo há estimativas que foram compensadas. A parcela de estimativa compensada no processo 10880.900202/2011 18 foi homologada por meio do Acórdão 1801002.015, não sendo óbice para a continuidade da presente análise. Contudo, o restante da estimativa de janeiro de 2005 foi compensada e, até o momento, não homologada. A discussão a esse respeito se dá no bojo do processo nº 10880.673243/200901, sobrestado por meio da Resolução nº 1402000.347. Entendo, portanto, que o presente processo deva ser sobrestado até que seja proferida decisão, no âmbito do CARF (recurso voluntário), no processo nº 10880.673243/200901. 3 CONCLUSÃO Assim sendo, voto no sentido de sobrestar o julgamento até que seja apreciado o recurso voluntário relativo ao processo nº 10880.673243/200901, devendo tal processo ser vinculado ao presente. Os autos deverão ser remetidos à unidade de origem para ciência do contribuinte da presente Resolução, retornando em seguida ao CARF até que se encontre em condição de julgamento.” (2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF; Resoluçao nº 1402000.348; PA 10880.902342/201112; julgado em 20.01.2016; Relator Fernando Brasil de Oliveira Pinto) Por fim, insta ressaltar que o argumento constate no acórdão de que inexiste norma que autorize a suspensão do trâmite processual não se encontra em consonância com o Regulamento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015), uma vez que o art. 6º, §§4 e 6º do Anexo II determinam o sobrestamento do processo quando dependente de decisão de processos vinculados por decorrência, assim como foi decidido no julgado acima transcrito. Vejamos o texto do dispositivo citado: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito Fl. 625DF CARF MF Processo nº 16692.720061/201317 Resolução nº 1402000.730 S1C4T2 Fl. 625 6 creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; (...) § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. (...) § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. Desta forma, ante a nítida correlação existente entre o crédito pleiteado nestes autos e os Processos Administrativos indicados acima, impõese ao menos o sobrestamento deste feito até o julgamento definitivo no CARF/MF do processo nº 10880.936363/201131. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 626DF CARF MF
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Numero do processo: 13678.000205/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2007
INCLUSÃO.
Indeferida, em razão de CNAE incompatível, a migração automática do
Simples Federal para o Simples Nacional, o sujeito passivo somente poderá ingressar no novo sistema se, após a regularização, exercer formalmente a opção no prazo legal.
Numero da decisão: 1201-000.727
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 INCLUSÃO. Indeferida, em razão de CNAE incompatível, a migração automática do Simples Federal para o Simples Nacional, o sujeito passivo somente poderá ingressar no novo sistema se, após a regularização, exercer formalmente a opção no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima, (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, André Almeida Blanco (Suplente Convocado), João Carlos de Lima Junior e Régis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13678.000205/200759 Acórdão n.º 120100.727 S1C2T1 Fl. 36 2 Conforme descrito no termo de fl. 2, a contribuinte teve indeferida sua inclusão no Simples Nacional sob o argumento de que exercia atividade vedada, qual seja, o transporte rodoviário coletivo de passageiros, com itinerário fixo, intermunicipal em região metropolitana (CNAE 49213/02). Apresentada manifestação de inconformidade contra o indeferimento da opção (fl. 1), a DRJ de origem não a conheceu, por intempestiva (fls. 11/12). Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 14/15) pedindo a reforma da decisão de primeiro grau, alegando, em síntese, que o pedido de inclusão no Simples Nacional deve ser conhecido, pelo fato de haver providenciado a devida correção do CNAE dentro do prazo legal. Apreciado o voluntário, a Turma resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse acostada aos autos prova da data em que a contribuinte foi intimada do termo de indeferimento fl. 2, haja vista que foi levantada dúvida sobre a tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade (fls. 17/18). Do relatório elaborado pela autoridade diligenciante (fls. 20/21) é possível concluir que a RFB não utiliza o serviço postal para intimar o sujeito passivo sobre o indeferimento de sua opção pelo Simples Nacional, daí porque não há como juntar aviso de recebimento (AR). Esclarece, ainda, que a intimação sobre o indeferimento da opção é realizada eletronicamente, em resposta à sua transmissão. A interessada apresentou contrarazões ao relatório de diligência afirmando em resumo o seguinte (fl. 28): a) que quando a empresa tomou conhecimento de que não tinha migrado automaticamente para o Simples Nacional, através de consulta junto ao site da Receita Federal, fez o termo de opção no dia 16/07/2007, conforme recibo n° 00.00.80.09.20, e constatou que sua atividade estava errada, não sendo a atividade que a empresa exerce; b) que a alteração contratual com a atividade correta da empresa, que é o Transporte Escolar, atividade permitida para inclusão no Simples Nacional, foi encaminhada para a Jucemg em 09/08/2007, e posteriormente foi solicitada a alteração junto a Receita Federal do Brasil conforme recibo de entrega do documento de nº MG46662030, do dia 20/08/2007, data final para inclusão no Simples; c) que até esta data o Sistema da Receita Federal do Brasil ainda não havia feito a devida alteração e a empresa consta como não optante pelo Simples Nacional; d) que sendo assim, a empresa espera ser atendida na impugnação do termo de indeferimento da opção pelo Simples Nacional, passando a ser optante, retroagindo a 01/07/2007, haja vista que fez as alterações e solicitação em tempo hábil. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13678.000205/200759 Acórdão n.º 120100.727 S1C2T1 Fl. 37 3 A DRJ de origem considerou intempestiva a manifestação de inconformidade proposta pela contribuinte. Em seu recurso voluntário a interessada não questiona a tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. Em situações como esta, via de regra, o voluntário não é conhecido. No entanto, em se tratando de microempresas e empresas de pequeno porte, entendo que, por força do tratamento jurídico diferenciado exigido pelo art. 179 da Constituição Federal, é necessário verificar, de ofício, a questão da tempestividade da manifestação de inconformidade. É o que passo a fazer. Pois bem, o termo de indeferimento foi cientificado à interessada por meio de acesso feito por ela própria a sítio específico da RFB em 16/07/2007 (fl. 2), tendo sido ali informado que a migração automática fora indeferida em razão de o CNAE 49213/02 (transporte rodoviário coletivo de passageiros, com itinerário fixo, intermunicipal em região metropolitana) representar atividade econômica vedada ao ingresso no Simples Nacional, conforme estabelecido no Anexo I à Resolução CGSN nº 6/2007. Em sua defesa alega a contribuinte não exercer a atividade acima citada, e sim a atividade de transporte escolar, CNAE 49248/00, razão pela qual promoveu alteração em seu contrato social, com registro na Jucemg em 09/08/2007 (fl. 5), ou seja, ainda dentro do prazo para opção ao Simples Nacional. De ver, todavia, que o novo CNAE abrange atividades que podem permitir, ou não, o ingresso no Simples Nacional, conforme estabelecido no Anexo II à Resolução CGSN nº 6/2007. Para essas atividades não há migração automática, podendo o sujeito passivo, no entanto, fazer opção formal, desde que apresentada declaração de que somente exerce atividade não impeditiva, conforme Resolução CGSN nº 6/2007, abaixo transcrita: Art. 1º Esta Resolução dispõe sobre os códigos de atividades econômicas previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) informados pelos contribuintes no CNPJ para verificar se as microempresas (ME) e as empresas de pequeno porte (EPP) atendem aos requisitos pertinentes, conforme previsto no art. 9º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007. Art. 2º O Anexo I relaciona os códigos de atividades econômicas previstos na CNAE impeditivos ao Simples Nacional. Art. 3º O Anexo II relaciona os códigos de atividades econômicas previstos na CNAE que abrangem concomitantemente atividade impeditiva e permitida ao Simples Nacional. Parágrafo único. A ME ou a EPP que exerça atividade econômica cujo código da CNAE conste do Anexo II não participará da migração prevista no art. 18 da Resolução CGSN nº 4, de 2007, podendo, entretanto, efetuar a opção de acordo com o art. 7º da mesma Resolução, sob condição de declaração de que exerce tão somente atividades permitidas no Simples Nacional. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13678.000205/200759 Acórdão n.º 120100.727 S1C2T1 Fl. 38 4 Não consta nos autos que a contribuinte tenha efetuado a opção formal pelo Simples Nacional, nem que tenha apresentado a acima citada declaração. Isso posto, não tendo sido indeferida a opção formal (já que tal opção sequer foi efetuada), a manifestação de inconformidade cuja tempestividade está a se examinar só pode ser vista como uma contrariedade da contribuinte frente ao termo que lhe indeferiu a migração automática. De fato, no presente processo, o único ato administrativo contrário ao interessada da contribuinte é o termo de indeferimento de fl. 2, portanto, somente contra esse ato é possível a apresentação de manifestação de inconformidade. Tendo a interessada sido cientificada do termo de indeferimento em 16/07/2007, e contra ele apresentado manifestação de inconformidade apenas em 24/09/2007, é de se considerála intempestiva, por força do disposto no art. 23, § 2º, III, do Decreto nº 70.235/72. Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 38DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 28/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 13819.901116/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/05/2004
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-006.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 03/05/2004 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Recurso Voluntário Não Conhecido
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/05/2004 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 11 16 /2 00 8- 51 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13819.901116/200851 Acórdão n.º 3302006.080 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada (DCOMP), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não havia sustentado a existência do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que "temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, (...) portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo" (sic). Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, que fosse feita revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 05035.483, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando a ausência de prova do direito creditório pleiteado. Ressaltou a DRJ que o contencioso administrativo não se prestava ao pedido formulado pelo contribuinte, havendo rito específico para pedido de cancelamento, e que a autoridade encarregada da cobrança haveria de cuidar para que, comprovada a coincidência entre os débitos exigidos por meio da DCOMP e os relacionados com o pagamento alegado, não houvesse cobrança duplicada do débito tributário. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ratificando os argumentos da Manifestação de Inconformidade e alegando não ter se utilizado do crédito apontado na DCOMP, vez que promovera o pagamento integral do débito cuja compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento. Destacou o recorrente que o pagamento integral do débito ocorrera antes mesmo da ciência da não homologação da compensação declarada, não podendo ser compelido ao pagamento em duplicidade do citado débito. Sustentou, ainda, que o pagamento é causa de extinção do crédito tributário e que, muito embora a DCOMP constitua confissão de dívida, tal preceito não pode ferir o art. 149, II e IV do CTN, no sentido de que fosse promovida a revisão de ofício. Por fim, pediu que, em caso de não se entender pelo cancelamento da DCOMP, fosse a repartição de origem oficiada para que não houvesse cobrança duplicada do débito tributário. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13819.901116/200851 Acórdão n.º 3302006.080 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.068, de 24/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13819.900462/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.068): O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a apreciálo. Do Contencioso Administrativo. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13819.901116/200851 Acórdão n.º 3302006.080 S3C3T2 Fl. 5 4 comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. No caso em estudo, o contribuinte informou, em sua primeira oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado, por meio de DARF, o pagamento integral do débito que pretendia compensar, bem como pediu, de modo suficientemente claro, a revisão de ofício para fins de cancelamento da DCOMP. Assim, no que cinge ao suposto crédito declarado na DCOMP em comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede de manifestação de inconformidade, fazendo com que sequer tenha se instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em litígio. A DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o contencioso administrativo não se presta ao pedido formulado pela contribuinte, havendo rito específico para o pedido de cancelamento. No recurso voluntário, o contribuinte ratificou todos os argumentos produzidos por ocasião da manifestação de inconformidade, renovando o pedido de revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP e, por conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação, sob pena de pagamento em duplicidade. Repisese que desde sua primeira manifestação neste PAF, a empresa reconheceu a inexistência do direito creditório antes alegado e pugnou pela revisão de ofício, com o cancelamento da DCOMP e extinção da cobrança decorrente de sua não homologação. Segundo previsão legal do § 9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por meio de Manifestação de Inconformidade, contra a não homologação da declaração de compensação. Nesse sentido, temse que a competência dos órgãos de julgamento administrativo, no que diz respeito às declarações de compensação, está adstrita ao reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não, da compensação declarada. Ocorre que o caso em estudo não versa sobre a não homologação da DCOMP, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito creditório, tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13819.901116/200851 Acórdão n.º 3302006.080 S3C3T2 Fl. 6 5 cancelamento da DCOMP, o que escapa à competência dos julgadores administrativos. Não estando a retificação ou o cancelamento de declarações, entregues pelo sujeito passivo, inseridos na esfera de competências do julgador administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou litígio. Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do direito creditório não homologado pelo Despacho Decisório, não há e nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento administrativo, vez que também não podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo contribuinte nestes autos. Observese, entretanto, que há indícios de que o débito antes pretendido compensar foi pago por meio de DARF pelo contribuinte antes da emissão do despacho decisório, devendo a unidade responsável avaliar se o referido pagamento é passível de alocação ao débito oriundo da DCOMP em comento. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910611/2015-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/06/2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/06/2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 11 /2 01 5- 02 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910611/201502 Acórdão n.º 3301005.279 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.510. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910611/201502 Acórdão n.º 3301005.279 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910611/201502 Acórdão n.º 3301005.279 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910611/201502 Acórdão n.º 3301005.279 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.910611/201502 Acórdão n.º 3301005.279 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.910611/201502 Acórdão n.º 3301005.279 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.001391/2011-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
PENALIDADE. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 PENALIDADE. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
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LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 13 91 /2 01 1- 48 Fl. 347DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a empresa SOCIÉTÉ AIR FRANCE (fls. 3/10), para constituição de crédito tributário referente à multa regulamentar no valor de R$ 30.000,00, decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a 6 embarques aéreos realizados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Segundo a Fiscalização, a Recorrente registrou intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos Despachos de Exportação (DDE) relacionados na planilha juntada à fl. 11 (informações extraídas do SISCOMEX EXPORTAÇÃO fls. 12/29), descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea 'e' do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Em seu Relatório, afirma o Fisco que a obrigação do transportador encontra se estabelecida no art. 37 do Decretolei, com observância do prazo estipulado no art. 39, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994. Que o referido prazo deveria ser observado pelo transportador, por veículo, cada um identificado pelo respectivo vôo, em que se transportaram as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação (DDE). Cientificado do Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do lançamento, alegando (i) erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do Siscomex, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. Na decisão de piso (prolatada pela DRJ em Florianópolis/SC), destacou o julgador administrativo que o registro dos dados de embarque no Siscomex após o prazo estabelecido pela legislação de regência constitui infração objetiva cominada com a multa de cinco mil reais por viagem cujos dados de embarque foram registrados intempestivamente, em face de expressa determinação legal, sendo mantido o crédito tributário de R$ 30.000,00. Quanto às demais alegações do contribuinte, a Delegacia de Julgamento afastouas, ora por falta de comprovação, ora em razão da necessária observância do princípio da legalidade por parte da Administração Pública, cuja atividade é vinculada e obrigatória. Cientificado da decisão em 13/12/2012 e, não concordando, interpôs em 21/12/2012, o Recurso Voluntário em que reitera seu pedido de cancelamento total do Auto de Infração, repisando os argumentos de defesa apresentados na Impugnação, resumido nas seguintes razões: 1) o Auto de Infração foi lavrado com base em incorreta tipificação dos fatos, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma; 2) após alterações do §2º do art. 102 do Decretolei nº 37/1966 pela Lei nº 12.350/2010, o instituo da denuncia espontânea passou a excluir não somente as penalidades de natureza tributária, mas também as penalidades administrativas; 3) prova imperfeita, o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas (reproduz no corpo recurso) que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa; 4) inexistência de embaraço a fiscalização e violação à finalidade do ato admnistrativo; Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10715.001391/201148 Acórdão n.º 3402005.943 S3C4T2 Fl. 348 3 5) violação do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade; e 6) a fiscalização agiu em desacordo com os dispostos nos artigos 63 e 65, da Lei nº 5.025/1966. Junto ao Recurso Voluntário, trouxe aos autos cópias de acórdãos do CARF sobre a matéria e de um Ofício do SERPRO, datado de 11/11/2011, informando sobre as indisponibilidades ocorridas no sistema SISCOMEX durante o ano 2004. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para análise do recurso que proferiu o Acórdão nº 3803006.266 (3ª Turma Especial), sessão de 22/07/2014 (fls. 182/188), que no voto condutor, o Relator aduz que "Considerando que as informações foram prestadas intempestivamente pelo Recorrente mas antes de qualquer atividade da fiscalização e alguns dias depois das datas dos vôos em que as mercadorias exportadas foram transportadas, temse que nenhuma das exceções acima referenciadas se aplica ao presente caso". Ao final, o Colegiado decide que no caso sob análise, no momento da prestação de informações pelo transportador, as Declarações de Exportação já haviam sido apresentadas, restringindose a obrigação acessória aos registros dos embarques no SISCOMEX, medida essa de controle meramente administrativo, o que em nada afeta o cumprimento das obrigações tributárias principais. E conclui da seguinte forma (fl. 182): "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento". (Grifei) Cientificada do Acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF (Acórdão nº 9303003.751, de 26/04/2016, fls. 260/268), deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela RFB para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Turmas Ordinárias (TO) para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte em seu recurso. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, cabe informar que a empresa recorreu ao Poder Judiciário e a Fazenda Nacional (PGFN) recorreu da liminar concedida, culminando que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região TRF01, proferiu decisão no Agravo de Instrumento nº 1005165 84.2016.4.01.0000 (Processo Referência: 100696887.2016.4.01.3400), em que restou cassada a liminar concedida do MS 100696887.2016.4.01.3400, impetrada pela SOCIETE AIR FRANCE (fls. 297/345). Fl. 349DF CARF MF 4 Os autos foram distribuídos à esta Turma Ordinária, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no Acórdão proferido pela 3ª Turma da CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do Acórdão proferido na Turma Especial, que deixou de deliberar sobre os demais pontos abordados, a despeito do Relator têlos citados em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, apenas os demais argumentos aduzidos no Recurso Voluntário da Recorrente. Como relatado, a Recorrente alega em sua Impugnação e repisa no Recurso Voluntário que (i) o Auto de Infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma; (ii) com as alterações do §2º do art. 102 do Decreto Lei nº 37/1966 pela Lei nº 12.350/2010, o instituo da denuncia espontânea passou a excluir não somente as penalidades de natureza tributária, mas também as penalidades administrativas; (iii) o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas que impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias; (iv) inexistência de embaraço a fiscalização; (v) violação do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade e (vi) aplicação do disposto nos art. 63 e 65 da Lei nº 5.025/66. Ressaltase que o argumento da ocorrência de direito superveniente, autorizando a aplicação do instituto da denúncia espontânea às multas administrativas (item (ii) do tópico acima), matéria esta que já foi enfrentada e decidido pelo seu afastamento pelo Acórdão proferido pela 3ª Turma da CSRF. 1. Da alegada Nulidade do lançamento Quanto ao argumento sustentado pela Recorrente que é nulo o lançamento, ao fundamento que ocorreu erro na tipificação do Auto de Infração e também que não haveria provas do cometimento da infração, entendo que nos dois argumentos não assiste razão à Recorrente, explico. Vejase o que alega a Recorrente em seu recurso: Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10715.001391/201148 Acórdão n.º 3402005.943 S3C4T2 Fl. 349 5 Pois bem. Verificase no Auto de Infração, no quadro "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fl. 5/6 dos autos), que a Fiscalização enquadrou a infração na alínea 'e' do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, na redação conferida pela Lei n.º 10.833, de 2003, que tipifica a conduta de deixar de prestar as informações requeridas, na alínea “c” do mesmo dispositivo, combinado com dispositivos da IN/SRF nº 28/1994 e IN/SRF nº 510/2005. Vejase: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga. (Grifei) Como pode ser visto, o alegado enquadramento incorreto não se verifica. De outra forma, a multa em apreço é decorrente, tãosomente, da impontualidade da interessada quanto ao cumprimento da obrigação acessória de que trata a alínea 'e1 do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 1966, infração essa que, se não informada, seria passível de conhecimento pela autoridade aduaneira. Portanto, perfeitamente tipificada e enquadramento da a infração à norma. Vejase o consignado no texto do Auto de Infração (fl. 5): "001 NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEICULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme dispõe o art. 147, do DecretoLei 37/66, regulamentado pelo art. 203, inciso VI, da Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, com vistas à verificação do cumprimento da obrigação acessória disposta no art 37, da IN/SRF nº 28/1994, alterado pelo art.1º, da IN/SRF Fl. 351DF CARF MF 6 nº 1.096/2010, foram apurados registros de dados de embarque intempestivos, referentes aos transportes internacionais realizados em Outubro de 2008, no Aeroporto Internacional do Rio de JaneiroALF/GIG". (Grifei) Resta constatado nos autos que os dados que embasaram o lançamento, estão relacionados no demonstrativo de fl. 11, separado por numero de DDE, data do Embarque, Data da Informação e nº do Vôo, sendo que tais informações foram extraídas do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX, módulo EXPORTAÇÃO), um Sistema de controle informatizado que reflete, num único ambiente, onde permanecem gravadas todas as informações relativas ao comércio exterior (incluindo o registro de embarque de mercadorias destinadas ao exterior) e no qual é exercido o controle governamental do Brasil, a partir inclusive, de informações registradas pelos próprios importadores, exportadores, depositários e transportadores, por seus empregados ou representantes legais. Os extratos encontramse apensados aos autos às fls. 12/29. Alega também a Recorrente que o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa. Ora, se houve alguma das informações relacionadas na planilha de forma incorreta, é ônus da Recorrente demonstrar, trazendo aos autos as provas documentais que comprovem o erro supostamente cometido pela Fiscalização. Afinal, conforme conhecido brocardo jurídico, alegar e não provar é o mesmo que não alegar, devendo o julgador observar as regras de distribuição do ônus probatório. Contudo, a Recorrente nada trouxe que infirmasse qualquer das informações encartadas no demonstrativo elaborado à fl. 11. Quanto ao alegado que o Auto de Infração lavrado não foi instruído com qualquer documento que comprove a infração imputada à mesma, caracterizando o cerceamento do direito de defesa, verificase que o Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente e teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, detalhada no Auto de Infração, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a sua lavratura. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou Impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, a Recorrente protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72, foi observado, tanto no lançamento tributário, como no curso do devido processo administrativo fiscal. Assim, a nulidade alegada pela Recorrente quanto ao possível erro de enquadramento legal da penalidade não deve prosperar, haja vista que o tipo infracional está perfeitamente descrito na norma e se coaduna com o fato ocorrido, qual seja, o atraso na prestação dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. No mesmo sentido verificase que as informações das datas foram extraídas do Sistema de controle de exportação, o SISCOMEX. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10715.001391/201148 Acórdão n.º 3402005.943 S3C4T2 Fl. 350 7 2. Do valor da multa Da análise da tabela acostada aos autos à fl. 11, temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação DDE, cujos embarques foram efetuados e informados nos seguintes dias: 04/10/2008 (vôo AFR443); 05/10/2008 (2 vôos: AFR443 e 447); 10/10/2008 (vôo AFR447); 27/10/2008 (vôo AF443) e 30/10/2008 (vôo AFR447), visto que ultrapassado o prazo de 07 dias estabelecido para o registro no SISCOMEX, conforme o estabelecido no artigo 37 da IN SRF nº 28/94 (redação dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010). Assim, sem reparos a decisão a quo, uma vez que encontrase correto o critério utilizado para aplicação da penalidade, ao considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador, ou seja, por embarque/vôo, o que resultou em 06 vôos, no caso em apreço, resultando no valor de R$ 30.000,00. 3. Da alegada prova imperfeita falhas técnicas do SISCOMEX Aduz em seu recurso que o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias. No que diz respeito ao argumento que atribui à ocorrência de problemas no SISCOMEX como sendo motivador do registro dos dados de embarque fora do prazo fixado, tenhoo como daqueles que não transcende de si mesmo, é genérico e desprovido de elementos de prova, e dessa ocorrência não se teve notícia concreta nos autos. Como já asseverado, não basta sustentar que falhas ocorreram no aludido sistema e exemplificálas descrevendo algumas que se teriam verificado inclusive em períodos anteriores ao que ocorreram os embarques das mercadorias objeto dos autos. Assim, a pretensão calçada nesse argumento não tem como prosperar no sentido de afastar a aplicação da multa ora litigada. No que se refere às alegações quanto às informações da Fiscalização de que as datas informadas como sendo do registro dos dados de embarque seriam, na verdade, as datas das averbações ou que as mesmas não refletem as tentativas de registros por parte da transportadora, também são desprovidas de comprovação nos autos. Sobre os argumentos de problemas existentes no registro das informações, as mesmas não foram comprovadas de forma que pudessem afastar a exigência do cumprimento do prazo em questão. Ainda que as decisões administrativa e judicial trazidas aos autos para sustentar sua tese não vincule o julgador, é de se destacar que as ementas aludem à necessária comprovação das falhas no SISCOMEX. Quanto a informação trazido pelo Ofício Resposta expedido pelo SERPRO, oriundo de pedidos judiciais efetuado pela Recorrente, que revela os casos de inconsistência e do desempenho da unidade de monitoração do sistema SISCOMEX, o referido Órgão de processamento de dados apresentou a relação de panes registradas ao longo do ano de 2004, ou seja, período distinto do discutido nesses autos que é referente ao ano de 2008 (fls. 173/179). Quanto às alegações no tocante à aplicação da IN RFB n.º 835/2008, que trata de normas de contingência, é de se destacar que referida norma traz em seu bojo as situações em que se aplicaria e, principalmente, os ritos para que se contingenciassem problemas de origem técnica determinando procedimentos a serem cumpridos pelos Fl. 353DF CARF MF 8 interessados. E como se vê da análise dos autos, nada consta que tais procedimentos tenham sido adotados no período da autuação em relação à autuada. Por fim, no que respeita ao encargo de se provar o que se alega, de se ver o disposto no inciso III do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que diz: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir: (redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 1993) Grifei 4. Da alegada inexistência de embaraço à fiscalização A Recorrente alega a inexistência de embaraço à fiscalização, desoneração às exportações e violação á finalidade do Ato administrativo. Cabe ressaltar que na vigência da IN SRF nº 28, de 1994, a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37, era entendida pela RFB como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação emprestada ao art. 37 do Decretolei nº 37, de 1966 pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003: “Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado". Posto isto, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à RFB, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00, prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Portanto, ainda que a IN SRF nº 28/94, como alega, possa definir o atraso como embaraço, o Decreto Lei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, previu multa específica para a intempestividade na prestação das referidas informações. Assim, para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela Administração Tributária para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Por fim, tendo em vista o princípio da legalidade a que está sujeito o Ato administrativo, é de se afastar, também, as alegações quanto à inexistência de embaraço à fiscalização e os demais argumentos quanto à desoneração às exportações, violação à finalidade do ato administrativo e que não houve prejuízo ao interesse público, pois nenhum tributo teria deixado de ser recolhido. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10715.001391/201148 Acórdão n.º 3402005.943 S3C4T2 Fl. 351 9 5. Violação à proporcionalidade e à razoabilidade caráter confiscatório da multa O argumento de que a multa viola princípios constitucionais não pode ser apreciado pelo julgador administrativo, pois falece competência aos agentes administrativos para afastar a aplicação de dispositivos legais plenamente vigentes. Para que incida a penalidade em questão, basta que se configure a situação fática eleita pelo legislador para a sua aplicação, sendo absolutamente desnecessária qualquer consideração Além disso, quanto ao argumento de desproporcionalidade e da razoabilidade, a única possibilidade de não aplicação da multa seria pela declaração de inconstitucionalidade da mesma, o que é vedado expressamente pelo artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 e pela Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Nesse diapasão, quanto à aplicação dos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco, cabe destacar que uma vez materializada a hipótese de incidência prevista na norma penal, é defeso à Fiscalização aduaneira, à luz dos mencionados princípios, mitigar a aplicação da penalidade imposta pela legislação, eis que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a fiscalização aplicar a sanção em sua inteireza conforme determina a norma legal, em atendimento ao preceito contido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 6. Da aplicação do disposto nos art. 63 e 65 da lei nº 5.025/66. Por fim, em seu recurso a Recorrente sustenta que: Muito embora seja um argumento inovador no recurso, analisase a aplicabilidade dos referidos artigos da Lei nº 5.025/66: Art. 63. Ficam os órgãos responsáveis pela fiscalização de embarque obrigados a prestar os mais amplos esclarecimentos sobre os direitos e deveres dos exportadores, bem como dar a necessária assistência à realização normal das operações de exportação, tendo em vista os objetivos da presente lei. Art. 65. Quando ocorrerem, na exportação, erros ou omissões caracteristicamente sem a intenção de fraude e que possam ser de imediato Fl. 355DF CARF MF 10 corrigidos, a autoridade responsável pela fiscalização alertará o exportador e o orientará sobre a maneira correta de proceder. Repisese que encontrase correta a tipificação com base no art.107, IV, "e", do DecretoLei37/66, afinal deixaram de ser registrados os embarques no prazo normativo, por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta porta, ou ao agente de carga; Portanto, não assiste razão as alegações de violação à proporcionalidade, razoabilidade ou isonomia, porquanto se tratar de obrigação de fazer, ensejando o seu descumprimento o apenamento previsto no ordenamento legal (multa de R$ 5.000,00 por fato gerador), não havendo de se falar em ausência de prejuízo ou boafé. É dever da empresa tomar conhecimento das leis e normas vigentes, e à Fiscalização cabe autuar o infrator no caso de cometimento de irregularidade encontrada, tal como ocorrido à espécie, ao passo que os invocados artigos 63 e 65 da Lei nº 5.025/66, em nenhum momento não eximem o transgressor da multa aplicada (obrigação de fazer). Em outras palavras, havendo previsão na legislação aduaneira para o registro do embarque, a omissão ou registro a destempo, por si só, têm o condão de lastrear a sanção imputada. Ademais, como citado acima, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a Fiscalização aplicar a sanção em sua inteireza conforme determina a norma legal, em atendimento ao preceito contido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional. 6. Dispositivo Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto e negarlhe provimento, mantendose hígida a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 356DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914541/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
MATÉRIAS. IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72
Matéria não impugnada em sede de primeira instância e suscitada somente em recurso voluntário é preclusa, não devendo ser conhecida, nos termo do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 -PAF.
DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSTO SOBRE PRODUTO IMPORTADO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de valores de IPI passíveis de restituição, frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido.
Numero da decisão: 3201-004.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer, por preclusão, das preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 MATÉRIAS. IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72 Matéria não impugnada em sede de primeira instância e suscitada somente em recurso voluntário é preclusa, não devendo ser conhecida, nos termo do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 -PAF. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSTO SOBRE PRODUTO IMPORTADO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de valores de IPI passíveis de restituição, frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer, por preclusão, das preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 MATÉRIAS. IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72 Matéria não impugnada em sede de primeira instância e suscitada somente em recurso voluntário é preclusa, não devendo ser conhecida, nos termo do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 PAF. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSTO SOBRE PRODUTO IMPORTADO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de valores de IPI passíveis de restituição, frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer, por preclusão, das preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 45 41 /2 00 8- 40 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10980.914541/200840 Acórdão n.º 3201004.342 S3C2T1 Fl. 185 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade (fls. 05/21), apresentada em 03/11/2008, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 05558.41513.150304.1.3.048694, nos termos do despacho decisório emitido em 25/09/2008 pela DRF/Curitiba (fl. 1). Segundo o despacho decisório, cientificado em 02/10/2008 (fl. 2), a compensação não foi homologada porque o crédito indicado pela contribuinte em sua DCOMP (pagamento a maior de PIS/PASEP, código 8109, PA 12/2002, no valor total de R$ 51.208,40, recolhido em 15/03/2004) não foi localizado nas bases de dados da RFB. Na manifestação de inconformidade interposta, a contribuinte alega que o crédito informado estava errado, tratandose, em verdade, de crédito IPI proveniente da Ação Ordinária n°. 97.01.01.79778. Reconhece que realmente não existe o Darf informado, mas argumenta que o crédito foi originariamente preenchido errado sendo que o "crédito de IPI, é que, de fato, foi utilizado para pagamento do débito de COFINS de 02/2004 — ora discutido". Sustenta que tal ação judicial transitou em julgado, tendo sido reconhecidas as compensações efetuadas, de modo que o crédito de IPI foi utilizado para pagamento do débito da Cofins de 02/2004, ora discutido, como se verifica dos documentos anexos. Argumenta, também, que a Administração Pública devese pautar pela busca da verdade material, ou seja, "buscar mais do que os dados existentes nos processos e declarações, mas sim o que efetivamente ocorreu". Colaciona, para tanto, doutrina de importantes autores que ressaltam que o princípio da verdade material deve guiar as atividades da Administração Pública. Afirma que, "em sua origem, créditos decorrentes de medidas judiciais ou, enfim, quaisquer créditos que o contribuinte apresenta para compensação com seus débitos são valores pagos indevidamente ou a maior". Desse modo, sustenta, que independentemente da denominação utilizada, o que há que se verificar é a sua efetiva existência. Sustenta, ademais, que a Administração Pública devese conduzir pelo principio do informalismo, ou seja, "não poderá Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10980.914541/200840 Acórdão n.º 3201004.342 S3C2T1 Fl. 186 3 aterse a rigorismos formais ao considerar as manifestações do administrado". Diante desses princípios — informalismo e verdade material — alega que "eventual equívoco no preenchimento do pedido de compensação deve ser superado pelas autoridades fiscais". Argumenta, também, que "mesmo se admitíssemos a impossibilidade de `salvabilidade' dos dados informados na compensação, restaria, ainda, o dever de a Administração Pública de proceder à pesquisa de possíveis créditos anteriores que tivessem sido utilizados na compensação". Afirma que não respeitado este pressuposto, "estarseá frente a enriquecimento ilícito da Administração Pública, configurado pela dupla tributação, ao passo em que não seriam levados em consideração as compensações validamente efetivadas". Alega, outrossim, que inexiste prova material contra a contribuinte. Preconiza que "não há prova contundente quanto à suposta inexistência do crédito ofertado pelo contribuinte em compensação, mas ao contrário, há simplesmente uma busca em extratos do sistema da Receita Federal, através do qual a autoridade ,fiscal busca em um "mar de recolhimentos" os créditos apresentados". Assevera, nessa linha, que "basta um código de recolhimento diferente, um período de apuração diverso, ou o recolhimento em um CNPJ de uma empresa, por exemplo, incorporada, para que o sistema seja incapaz de apontar com precisão os recolhimentos efetivados pela contribuinte". Sustenta que "por conta da total ausência de provas e de sua incontestável boafé, há que ser afastada a glosa efetivada pela .fiscalização e, conseqüentemente, a não homologação da compensação requerida". Por fim, alega que existe a possibilidade de correção dos créditos de ressarcimento de IPI, conforme já se posicionou o Poder Judiciário, colacionando, para tanto, alguns acórdãos do STJ. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0628.345, sessão de 22/09/2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. VEDAÇÃO DE RETIFICAÇÃO. Na hipótese de inexatidão material verificada no preenchimento da DCOMP, a retificação somente é Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.914541/200840 Acórdão n.º 3201004.342 S3C2T1 Fl. 187 4 admitida para as declarações pendentes de decisão administrativa. Incabível a retificação de DCOMP através de manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O fundamento da decisão a quo foi a impossibilidade de correção de inexatidões materiais (erros de preenchimento) em sede de manifestação de inconformidade. Asseverou o relator que tais retificações somente são admitidas enquanto pendente de decisão administrativa, de forma que após a prolação do despacho decisório incabível retificação do PER/Dcomp. Quanto às ofensas aos princípios da verdade material, do informalismo e da vedação ao enriquecimento ilícito, discorreu a decisão recorrida que a legislação tributária impõe ao servidor público o dever de observância às normas legais e regulamentares, e dessas decorre prescrições que limitam o direito temporal e material às retificações pretendidas pela contribuinte, que no presentes autos não se figurou como um direito líquido e certo. Apontou que os argumentos da contribuinte invocam, em verdade, a inversão do ônus probante em se tratando de direito creditório. Em relação à prova material, está consubstanciada em um DARF não localizado nos sistemas informatizados da RFB. Destacou que a contribuinte foi intimada da inexistência do DARF informado na Dcomp 05558.41513.150304.1.3.048694, podendo retificála e comprovar o pagamento indevido. A retificação não foi aceita em razão de informar débito superior ao originalmente informado (art. 59 da IN SRF 600). Proferido despacho decisório deste indeferimento. Por fim, o trânsito em julgado da decisão judicial informada pela contribuinte não altera a questão trazida aos autos, pois não determinou que se admitisse a retificações das informações do crédito após decisão administrativa (despacho decisório). Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário inovando sua defesa, em matéria preliminar, quanto à nulidade do despacho decisório sob a alegada ausência de motivação e atribuição à autoridade fazendária do ônus da prova da inexistência do direito creditório. No mérito, repisa que o direito creditório decorre da sentença na Ação Ordinária nº 97.01.017978 e alega que a decisão transitada em julgado favorável à empresa reconheceu as compensações efetuadas. Insiste que apesar dos equívoco na Dcomp existe crédito suficiente a ensejar a compensação declarada. Por fim, ressalta que a decisão judicial assegura a correção dos créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10980.914541/200840 Acórdão n.º 3201004.342 S3C2T1 Fl. 188 5 O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Matérias preclusas As matérias suscitadas em preliminar são preclusas. Não se observou na impugnação ofertada pelo contribuinte qualquer contestação em relação à nulidade do despacho decisório sob o fundamento de ausência de motivação. Também não houve contestação expressa acerca da alegada atribuição à autoridade fazendária do ônus da prova da inexistência do direito creditório. Quanto a essas duas matérias consumouse a preclusão nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 PAF: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) De acordo com esse dispositivo do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. É defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação, quando em sede de recurso pretende alargar os limites do litígio já consolidado. Isto posto, não conheço da arguição ampara no fundamento de que o despacho decisório é nulo por ausência de fundamentação e da alegação de que seria atribuição da autoridade fazendária do ônus da prova da inexistência do direito creditório. Mérito Inferese do despacho decisório que a não homologação da compensação pleiteada decorreu da não localização nos sistemas da RFB do DARF que ampararia o pretenso pagamento indevido. Com a ciência da contribuinte e a manifestação de inconformidade em face do despacho denegatório da compensação, instaurouse a fase litigiosa na qual é oportunizado a comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado. O equívoco no preenchimento da origem do crédito mantémse em segundo plano no litígio. Estaria sem razão a decisão recorrida se o crédito decorresse unicamente de um equívoco material que não comportasse retificação do PER/Dcomp. Acaso a contribuinte comprovasse documentalmente (escrita fiscal) a existência líquida e certa do pagamento indevido ou a maior, haveria de ser reconhecido o direito por este Colegiado, com fulcro no princípio da verdade material. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10980.914541/200840 Acórdão n.º 3201004.342 S3C2T1 Fl. 189 6 Ocorre que em sede de manifestação de inconformidade exsurgiu a verdadeira materialidade do pretenso crédito que, segundo a recorrente, tratase de decisão transitada em julgado, "tendo sido reconhecidas as compensações efetuadas". É de se pontuar que se a decisão judicial tivesse de fato reconhecida as "compensações efetuadas" não haveria litígio pois a ordem emanada do Poder Judiciário, por imperatividade e precedência, não comportaria julgamento administrativo, mas sim seu cumprimento pela unidade da Receita Federal. Mister verificar de que se trata a ação ordinária e sua decisão transitada em julgado. Na inicial o pedido foi formulado para (fls. 99/101): "(a) declarar o direito de fazer a sua escrita fiscal, desde a data da promulgação da Constituição de 1988, para o fim de efetuar o lançamento a crédito dos valores correspondentes ao IPI incidente sobre as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados em seus produtos fabris, ainda que estes venham a ser tributados, nas operações de saída, â alíquota zero, bem assim o direito de proceder à manutenção desses créditos; (b) declarar o direito de proceder a correção monetária do valor de tais créditos (...) (c) declarar o direito de a Suplicante, ex vi do disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 27.12.96, no art 1o do Decreto n° 2.138, de 29.01.97, e nas Instruções Normativas n°s 21/97, 37/97 e 73/97, da Secretaria da Receita Federal, utilizar os créditos do IPI, sempre pelos valores monetariamente atualizados, convertidos em UFIR's, para, mediante dedução no valor do IPI devido nas eventuais saldas, para o mercado interno, de outros produtos, que sejam tributadas, e, no respeitante aos saldos que remanescerem, mediante compensação, com quaisquer tributos ou contribuições; administrados pela Secretaria da Receita Federal, ou ainda na forma da legislação vigente acima mencionada; (d) declarar e ver reconhecido o direito de a Suplicante adotar na atualização monetária dos saldos credores do IPI, o índice geral de Preços IPC dos meses de janeiro de 1989, março, abril, maio de 1990, fevereiro, março e abril de 1991, nos percentuais correspondentes a 42,72%, 84,32%, 44,80%, 7,87%, 21,87%, 11,79% e 5,01%, respectivamente." A decisão da 16ª Vara da Justiça Federal (fl. 109) concedeu parcial provimento para: (a) declarar o direito de a Autora efetuar o lançamento a crédito dos valores correspondentes ao IPI, nos últimos dez anos anteriores à propositura da ação, incidente sobre as matérias primas, produtos intermediário e material de embalagem utilizados em seus produtos fabris (...) bem assim o direito de Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10980.914541/200840 Acórdão n.º 3201004.342 S3C2T1 Fl. 190 7 proceder à manutenção dos referidos créditos, podendo, para tanto, refazer a sua escrita fiscal; (b) autorizar a utilização dos créditos de IPI, para dedução no valor do IPI devido nas eventuais saídas de produtos que sejam tributados, e para compensação dos eventuais saldos remanescentes com valores referentes ao próprio IPI ou outros impostos federais; [...] (c) [...] proceder à correção monetária do valor dos créditos mencionados nos itens "a" e "b" acima, desde os respectivos lançamentos. [...] A contribuinte interpôs Recurso de Apelação, no qual o Tribunal da 2ª Região deulhe provimento para (fl. 125) reconhecer o "direito à compensação nos moldes da legislação citada, submetendose ao procedimento administrativo perante à Receita Federal, nos termos postulados em seu apelo". O Recurso Especial pela União foi inadmitido e o Agravo de Instrumento foi assim ementado (fls. 129/132): TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. IPI COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. ART. 49, DA MP Nº 66, DE 29/08/2002 (CONVERSÃO NA LEI Nº 10.637, DE 30/12//2002). ART. 21, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 210, DE 1º/10/2002. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. Vinha entendendo, face à posição firmada pela egrégia 1ª Seção, que a compensação só poderia ser utilizada, nos termos da Lei nº 8.383/91, entre tributos da mesma espécie, isto é, entre os que tiverem a mesma natureza jurídica, e uma só destinação orçamentária. No entanto, a legislação que rege o tema sofreu alterações ao longo dos anos, mais ainda por intermédio da recente Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002), que em seu art. 49 alterou o art. 74, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96. 2. O referido art. 74 passou a expor: “o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”. 3. Disciplinando o citado dispositivo, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 1º/10/2002, cujo art. 21 estatuiu: “o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10980.914541/200840 Acórdão n.º 3201004.342 S3C2T1 Fl. 191 8 relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF”. 4. In casu, apesar de o IPI envergar espécime diferente e natureza jurídica diversa de outros tributos, cada qual com destinações orçamentárias próprias, não há mais que se impor limites à compensação, face à nova legislação que rege a espécie, podendo, pois, serem compensados entre si ou com quaisquer outros tributos que sejam administrados/arrecadados pela SRF. 5. A compensação deverá ser efetuada nos exatos termos estabelecidos pelo art. 49, da Lei nº 10.637/02, bem como pela IN/SRF nº 210, de 30/11/2002, observandose, principalmente, não excluídos os demais comandos legais e normativos, o seguinte: a) o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração daquele Órgão; b) a aludida compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados; c) poderseão utilizar, na mencionada compensação, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento encaminhado à SRF, desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da “Declaração de Compensação”; d) declarada a compensação, ficará obrigada a Secretaria da Receita Federal a extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 6. Precedentes desta Corte Superior. 7. Agravo de Instrumento não provido. Depreendese das decisões acima que, ao contrário do que alega a recorrente, não há um crédito líquido e certo a ser prontamente utilizado em compensações, inclusive na que trata o presente processo. O provimento foi no sentido de autorizar a escrituração e manutenção de créditos de IPI e utilização de eventuais saldos remanescentes em compensação. Em sede de recurso de apelação o provimento foi específico para que o direito à compensação se realizasse "nos moldes da legislação citada, submetendose ao procedimento administrativo perante à Receita Federal (...)"; ou seja, a utilização do crédito estaria sujeito a procedimento administrativo da RFB para fins de apuração e confirmação de seu valor. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10980.914541/200840 Acórdão n.º 3201004.342 S3C2T1 Fl. 192 9 No Agravo de Instrumento perante o STJ a decisão assentou que (i) a compensação se efetuaria "nos exatos termos estabelecidos pelo art. 49, da Lei nº 10.637/02, bem como pela IN/SRF nº 210, de 30/11/2002, observandose, principalmente, não excluídos os demais comandos legais e normativos"; (ii) o crédito a compensar estaria sujeito a confirmação ("passível de restituição"); (iii) a compensação seria "efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados"; e (iv) restaria facultado à empresa a utilização de "créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento encaminhado à SRF, desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da “Declaração de Compensação”". À vista do exposto, certo é que o provimento judicial ao direito à compensação não dispensou a comprovação de certeza e liquidez do crédito, procedimento este a ser realizado com base nas informações prestadas nas Declarações e comprovadas com a escrita contábil e fiscal da contribuinte. Dessa forma, com razão a decisão recorrida. Do ponto de vista formal (documental), observase nos autos tanto em manifestação de inconformidade como e recurso voluntário que a contribuinte não traz qualquer elemento comprobatório que sustente suas alegações no sentido de que haveria um pretenso direito creditório decorrente do provimento na Ação Ordinária nº 97.01.017978. A ausência da prova viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, da Lei nº 13.115/2015 (Código de Processo Civil), verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Lei nº 13.105/2015 CPC "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10980.914541/200840 Acórdão n.º 3201004.342 S3C2T1 Fl. 193 10 I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Portanto, é de se negar o direito à restituição/compensação pois a contribuinte não trouxe nenhuma informação/comprovação que caracterize seu direito creditório. Encaminhado este voto com o entendimento de que a contribuinte não comprovou seu direito creditório, restaria prejudicada o enfrentamento da matéria relativa à atualização do crédito. Ademais, tal direito encontrase encartado na decisão judicial, não podendo sequer esta Turma manifestarse, impondose, assim, o dever da unidade de origem observar o que foi decidido no âmbito do Poder Judiciário. Conclusão 1. As matérias "nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação" e "a atribuição da autoridade fazendária do ônus da prova da inexistência do direito creditório" suscitadas em preliminares e não versadas na manifestação de inconformidade são preclusas. 2. A recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo Diante do exposto, não conheço das preliminares em razão de preclusão e, no mérito, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.735112/2012-25
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE.
A subsunção aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos arts. 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material ali previstos. Inexiste norma que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou, ainda, que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição de outras pessoas jurídicas.
Não há previsão legal, no contexto da mencionada legislação, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica, sendo indevida a amortização do ágio pelo sujeito passivo.
INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO.
Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera empresa veículo para transferência do ágio à incorporadora.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
A decisão prolatada no lançamento matriz estende-se ao lançamento decorrente, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-003.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial quanto à amortização do ágio transferido à Hipercard BM pela Unicard e Unipart, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram dessa matéria. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto à empresa modelo para IRPJ e CSLL e quanto à contemporaneidade do laudo. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das matérias relacionadas à aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício e incidência de juros sobre multa, constantes do recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos arts. 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material ali previstos. Inexiste norma que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou, ainda, que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição de outras pessoas jurídicas. Não há previsão legal, no contexto da mencionada legislação, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica, sendo indevida a amortização do ágio pelo sujeito passivo. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera empresa veículo para transferência do ágio à incorporadora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estende-se ao lançamento decorrente, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial quanto à amortização do ágio transferido à Hipercard BM pela Unicard e Unipart, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram dessa matéria. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto à empresa modelo para IRPJ e CSLL e quanto à contemporaneidade do laudo. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das matérias relacionadas à aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício e incidência de juros sobre multa, constantes do recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo.
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IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos arts. 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material ali previstos. Inexiste norma que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou, ainda, que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição de outras pessoas jurídicas. Não há previsão legal, no contexto da mencionada legislação, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica, sendo indevida a amortização do ágio pelo sujeito passivo. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera empresa veículo para transferência do ágio à incorporadora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 51 12 /2 01 2- 25 Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.805 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial quanto à amortização do ágio transferido à Hipercard BM pela Unicard e Unipart, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram dessa matéria. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto à empresa modelo para IRPJ e CSLL e quanto à contemporaneidade do laudo. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das matérias relacionadas à aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício e incidência de juros sobre multa, constantes do recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo. Relatório Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional interposto em face da decisão proferida no Acórdão nº 1301002.280 (fls. 1.602 e ss.), pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 11 de abril de 2017, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Inicialmente, foram lavrados de autos de infração para a constituição de créditos tributários de IRPJ e de CSLL, cumulados com multa de ofício e juros, relativos ao anocalendário de 2007, em razão de: a) falta de adição ao lucro real de despesa com amortização de ágio; b) exclusão indevida de despesa de amortização de ágio; c) falta de recolhimento de estimativas mensais do imposto e da contribuição (com o lançamento de multas isoladas); e d) exclusão indevida de despesa não dedutível de amortização de ágio lançada no LALUR/2007. Foram indicados como fundamentação legal dos lançamentos os seguintes dispositivos: arts. 2º, 3º e 19 da Lei nº 9.249/95, art.2º da Lei nº 7.689/88 (e alterações), art. 1º da Lei nº 9.316/96, art. 28 da Lei nº 9.430/96, art. 37 da Lei nº 10.637/02 e arts. 247, 249, 250, 385 e 386 do RIR/99. Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.806 3 A descrição dos fatos e operações é bastante relevante para a compreensão das matérias sob análise, cabendo reproduzir, a seguir, trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 20 e ss.), com destaque para as informações mais pertinentes. No ano calendário de 2007 a empresa registrou em sua contabilidade, em conta de despesa operacional, valores que reduziram os seus resultados tributáveis do IRPJ e da CSLL, nos seguintes totais de lançamentos a débito: Conta Valor 8181000009 AMORTIZAÇÃOAGIO 145.441.572,62 8199900226 AMORTIZAÇÃO DE AGIO 147.160.506,28 Assim, em 30/11/2011, a empresa foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal n° 02 , a demonstrar, conforme o plano de contas da empresa, as despesas de amortização de ágio que reduziram os resultados tributáveis do IRPJ e da CSLL dos períodos de apuração de 2007, 2008 e 2009; bem como, apresentar as justificativas para as suas dedutibilidades e toda a documentação que lhes dá lastro (por exemplo: Atas de Assembleias Gerais, Atas de Reuniões de Conselhos, Contratos de Compra/Venda de Quotas/Ações, Protocolos de eventos societários, Laudos de Avaliação, Planilhas de Amortização, etc). De acordo com os documentos recebidos em 16/01/2012 (CRT UAF007/2012) e 09/03/2012 (CRTUAF080/2012), concernentes à formação do ágio na aquisição de investimentos e suas respectivas amortizações, foram apresentadas planilhas onde são demonstrados os valores dos ágios e as respectivas amortizações mensais, conforme abaixo: Ainda sobre a amortização do ágio, a empresa foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal n° 05, a demonstrar a formação dos ágios nas aquisições de investimentos, incluindo toda a documentação que lhe dá lastro e a apresentar os Contratos de Compra/Venda de Quotas/Ações, Protocolos e Justificação de Incorporação e Laudos de Avaliação relacionados aos eventos de formação do ágio. (...) A fiscalizada apresentou ainda a tradução oficial do "Contrato de Compra e Venda de Ações e Quotas", onde destacamos os seguintes elementos: Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.807 4 As partes envolvidas: Vendedoras: Holla Beheer B.V. ("Holla Beheer") BR Participações e Empreendimentos S.A. ("BRPAR") Compradoras: Unicard Banco Múltiplo S.A. ("Unicard") Unipart Participações Internacionais Ltd. ("Unipart") Objeto do Contrato: Hipercard Administradora de Cartão de Crédito Ltda. ("Hipercard ACC") Conabinu Participações Ltda. ("Conabinu") (empresa veículo) (...) A CLÁUSULA 2 do referido contrato de compra e venda (fls. 06) especifica as condições de Compra e Venda entre as partes, onde destacamos: (a) A Holla neste ato comprometese a vender todas as quotas emitidas e em circulação detidas por ela no capital da HiperCard, que representam no total 31,78% do capital social emitido e em circulação da HiperCard, conforme posteriormente especificado no Apenso 2.1, livres e desembaraçadas de quaisquer Gravames, para a Compradora da Sócia Financeira no Exterior, e a Compradora da Sócia Financeira no Exterior neste ato comprometese a adquirir essas quotas da Holla ("Quotas da HiperCard"); (c) A BRPAR neste ato comprometese a vender todas as quotas emitidas e em circulação detidas por ela no capital da Newco Financeira, que representam no total 100% do capital social emitido e em circulação da Newco Financeira, para a Compradora da Sócia Financeira no Brasil, e a Compradora da Sócia Financeira no Brasil neste ato comprometese a adquirir essas quotas da BRPAR ("Quotas da Newco Financeira"); De acordo com a cláusula acima, a Unipart adquiriu da Holla Beheer a totalidade da sua participação na Hipercard ACC, representando 31,78% do capital social emitido e em circulação, enquanto que a Unicard adquiriu da BRPAR a totalidade das cotas do capital social da Conabinu (Newco Financeira), empresa veículo utilizada para a transferência dos 68,22% restantes do capital social da Hipercard ACC. A criação da empresa veículo ocorreu 40 dias antes da efetivação da negociação da Hipercard ACC, com Capital Social de apenas R$ 100,00, sendo um dos seus sócios o Sr. Cláudio Coracini, então procurador da Unicard. Em seguida os dois sócios pessoas físicas da Conabinu transferiram a Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.808 5 totalidade das suas cotas para a BRPAR. Esta alteração de titularidade da Conabinu teve por finalidade a efetivação da transferência das cotas da Hipercard ACC para o Unicard, por meio de um planejamento tributário, cujo único objetivo foi a tentativa de transferir o ágio pago pela Unicard para a fiscalizada. Esta operação encontrase detalhada no capítulo 1.1.2. Planejamento Tributário. (...) Conforme podemos extrair da cláusula acima, o preço de compra estimado do Hipercard ACC foi pago pelos compradores da sócia financeira (Unicard e Unipart) aos vendedores (BRPAR e Holla Beheer) no fechamento, situação esta ocorrida defato, conforme cláusula 4, abaixo reproduzida. (...) A Compradora da Sócia Financeira no Exterior (Unipart) pagou a quantia de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares) pela totalidade das cotas que a Holla Beheer detinha na Hipercard ACC, representando 31,78% do capital social da adquirida. A Compradora da Sócia Financeira no Brasil (Unicard) pagou US$ 36.000.000,00 (trinta e seis milhões de dólares) diretamente à BRPAR, representando a parcela do preço de compra estimado da participação de 68,22% que esta possuía na Hipercard ACC. A Unicard efetuou ainda o pagamento de US$ 78.467.892,07 (R$ 228.639.743,91), através de aumento de capital na empresa veículo (Conabinu), no mesmo valor, em 01/03/2004, conforme resposta apresentada pelo contribuinte em 26/07/2012 (CRTUAF415/2012). Com isto fica comprovado que o pagamento pela totalidade das cotas do capital social da Hipercard foram pagos integralmente pela Unipart e Unicard. Ágio Conabinu A fiscalizada tenta justificar a origem do ágio intitulado "Conabinu" através da venda da participação de 68,22% que a BRPAR detinha na Hipercard ACC para a empresa veículo. Para isto apresenta um contrato de compra e venda de quotas, datado de 27/02/2004 e formalizado na língua inglesa. Tal contrato de compra e venda é parte integrante da sequência de atos previstos no step 4 do Apenso 1.1A, intitulado "Sale Transfer Steps". Tais atos têm como objetivo a contabilização do ágio na empresa veículo e a sua posterior transferência para a fiscalizada através da incorporação da mesma. Conforme exposto anteriormente, o ato de venda da participação de 68,22% no Hipercard ACC ocorreu entre a BRPAR e a Unicard, porém, com a utilização de empresa veículo. Assim é que, para fins de tributação, cabe a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado (alienação do investimento no Hipercad ACC via empresa veículo Conabinu), conforme capítulo 1.1.2. Planejamento Tributário, tendo como consequência a glosa da amortização do ágio pela fiscalizada, uma vez que não restou comprovada transferência do ágio da Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.809 6 Unicard para a Hipercard BM em cumprimento das condições legais para sua amortização (Art. 386 do RIR/99). Ágio Conabinu/Hipercard De acordo com a resposta apresentada pela empresa, a sequência de atos societários que justificaria este ágio foi a seguinte: a) O Unibanco aumenta o capital na Unicard com sua participação no Hipercard BM; b) Com isso o Unicard, que havia adquirido a Conabinu, passa a controlar o Hipercard BM; c) Em seguida o Hipercard BM incorpora a Conabinu e recebe o saldo de ágio que inicialmente havia sido escriturado e amortizado na Unicard, no valor de R$ 142.398.917,40. A resposta apresentada corrobora, em parte, com o entendimento desta fiscalização, uma vez que o ágio foi apurado na Unicard, tanto é que esta iniciou a amortização do mesmo, conforme quadro abaixo reproduzido da referida resposta: Ágio de incorporação Conabinu x Hipercard Banco Múltiplo Saldo inicial do ágio (03/2004) 156.242.868,01 Ágio amortizado na Unicard (Grifos nossos) (13.843.950,61) 142.398.917,40 Por outro lado, a fiscalizada deixou de justificar e comprovar a efetiva transferência do ágio para a Hipercad BM, fato este claramente evidenciado na resposta sucinta apresentada pela mesma. A seguinte questão permanece sem resposta: como o ágio inicialmente apurado e amortizado na Unicard foi recebido pela Hipercad BM, diante do permissivo legal contido no art. 386 do RIR/99? Alem disso, a fiscalizada deixou de demonstrar a origem deste ágio, quais os valores de sua formação e qual a transação que o gerou. Ágio Hipercard Para justificar a dedutibilidade deste ágio, a fiscalizada apresenta a seguinte sequência de eventos societários: a) O Unipart adquiriu a participação de 31,78% da Royai Ahold no Hipercard ACC, pelo valor de US$ 100.000.000 (R$ 291.380.000,00); b) Posteriormente o Hipercard BM incorpora o Hipercard ACC; c) Apresenta um quadro indicando o montante do ágio que inicialmente havia sido escriturado e amortizado na Unipart e em seguida transferido para o Hipercard BM, no valor de R$ 228.599.470,35. Mais uma vez a resposta apresentada corrobora, em parte, o entendimento desta fiscalização, uma vez que o ágio foi apurado Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.810 7 na Unipart, tanto é que esta iniciou a amortização do mesmo, conforme quadro abaixo reproduzido da referida resposta: Agio de incorporação Hipercard ADIYI.C.C. x Hipercard Banco Múltiplo R$ Saldo inicial do ágio (03/2004) 258.474.090,47 Ágio amortizado na Unipart INTERNACIONAL (Grifos nossos) (29.874.620,12) (ref. 31,78% do investimento na Hipercard Adm. de Cartões de Crédito) Saldo do ágio 228.599.470,35 Novamente, a fiscalizada deixou de justificar e comprovar a efetiva transferência do ágio para a Hipercad BM, fato este claramente evidenciado na resposta sucinta apresentada pela mesma. A seguinte questão permanece sem resposta: como o ágio inicialmente apurado e amortizado na Unipart foi recebido pela Hipercad BM, diante do permissivo legal contido no art. 386 do RIR/99? Ágio Modelo MIF Na tentativa de justificar a escrituração deste ágio, a fiscalizada restringiuse a citar o laudo de avaliação e a 7a alteração contratual da empresa Modelo Investimentos Financeiros Ltda. (MIF), informando apenas que nesta operação houve uma apuração de ágio no valor R$ 179.162.971,20. Ora, mesmo após sucessivas intimações, os esclarecimentos e documentos apresentados pela empresa mais uma vez não foram suficientes para justificar a composição e a dedutibilidade do ágio, uma vez que não restou demonstrada a sua origem, os valores pagos pela transação e a apuração do sobrepreço. Desta forma, temos por não comprovada a sua origem e em consequência a sua dedutibilidade. Diante das justificativas e documentos apresentados, podemos concluir que: As empresas compradoras da Hipercard ACC foram Unicard Banco Múltiplo S.A. e Unipart Participações Internacionais Ltd.. Desta forma, o ágio formado na transação foi pago por estas e somente poderia ser dedutível caso ocorresse um dos eventos relacionados no art 386 do RIR/99; A Conabinu Participações Ltda (chamada também de Newco Financeira) foi um mero veículo, um instrumento, algo criado apenas para que parte do ágio da operação transitasse por ela e que posteriormente possibilitasse o seu aproveitamento, de forma indevida, pela fiscalizada, conforme exposto no capítulo 1.1.2. Planejamento Tributário; A fiscalizada não logrou êxito na comprovação da formação do ágio supostamente apurado na incorporação da Modelo Investimentos Financeiros (MIF). Desta forma, esta fiscalização procederá à glosa das amortizações de ágio indedutíveis, através da lavratura de autos de infração específicos do IRPJ e da CSLL, nesta data. Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.811 8 (...) De todo o exposto, temos que, no ano calendário objeto desta fiscalização (2007), a fiscalizada deixou de adicionar, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as DESPESAS INDEDUTÍVEIS de amortização de ágio lançadas nas seguintes contas contábeis: Conta Valor Tributo Referência 8181000009 AMORTIZACAOAGIO 145.441.572,62 IRPJ e CSLL Ágios Conabinu, Conabinu/Hipercard e Hipercard 8199900226 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO 35.832.594,12 CSLL Ágio MIF (diferença entre a adição devida e a realizada) GLOSA DE EXCLUSÃO INDEVIDA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Temos que, no ano calendário objeto desta fiscalização (2007), a fiscalizada excluiu indevidamente, na apuração do lucro real, a DESPESA INDEDUTÍVEL de amortização de ágio lançada no LALUR de 2007, item 3.01 Ágio Amortizado na Aquisição de Ações, conta 023.052 Ágio Amortizado Modelo Invest. Financeiro Ltda, no valor de R$ 2.986.049,52. Logo, será essa exclusão glosada e cobrada de ofício por esta fiscalização, através da lavratura de auto de infração específico do IRPJ. FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL MENSAL POR ESTIMATIVA Tendo em vista que, no ano calendário de 2007, a empresa optou pela forma de tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro real anual, com pagamento das estimativas mensais, e, em se considerando a infração apurada por esta fiscalização, que altera o resultado fiscal do período de apuração e de sua respectiva estimativa mensal, apurase que a empresa deixou de efetuar os pagamentos do IRPJ e da CSLL a título de estimativa mensal. A falta do pagamento do IRPJ e da CSLL devidos mensalmente por estimativa está sujeita a multa de 50% sobre o valor que deixou de ser pago, conforme disposto no artigo 44 da Lei n° 9.430/1997, inciso II, alínea b, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007 (conversão da Medida Provisória n° 351 de 22/01/2007). Cientificado dos autos de infração, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1.210 e ss.), na qual questionou todos os pontos relativos à autuação, com os seguintes argumentos, em síntese: A dedução das despesas de amortização do ágio relacionado à Hipercard Administradora de Cartão de Crédito teria sido correta, pois que, em todos os casos, estariam presentes as condições dos arts. 385 e 386 do RIR, de 1999. Muito embora até dezembro de 2007, mês da incorporação da Modelo Investimento, as amortizações do ágio Modelo não Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.812 9 fossem dedutíveis na apuração do IRPJ, em face do disposto no art. 391 do RIR, de 1999, seria indiscutível o direito de a Hipercard Banco Múltiplo deduzilas da base de cálculo da CSLL, por ausência de vedação legal nesse sentido. A base dessa contribuição seria o Lucro Líquido e não o Lucro Real. A incorporação da MIF (fls. 222 a 223 e fls. 787 a 796), teria "disparado" o direito de computar na apuração do lucro real as amortizações do ágio Modelo, motivo por que se excluiu a quantia de R$ 2.986.048,52, "até então tratada como neutra no cômputo do lucro real e controlada no Lalur". Não seria possível exigirse multa isolada (falta de pagamento de estimativas) de forma concomitante com multa de ofício (proporcional). Em 27 de junho de 2013, a 3ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e manteve os lançamentos efetuados. Com a ciência da decisão o contribuinte, por meio de novo patrono, apresentou recurso voluntário (fls. 1.388), no qual aduziu, em síntese, os seguintes pontos: (I) Da Improcedência das Glosas das Despesas Relativas à Amortização dos ágios: (I.1) Amortização do Ágio é induzida pela lei e não fruto de Planejamento Tributário; (I.2) Os requisitos necessários para a legítima amortização do Ágio nos termos dos artigos 7º, III e 8º da Lei 9.532/97; (I.3) Do Ágio Modelo MIF: (I.3.1) Da origem do ágio apurado; (I.3.2) Quanto à infração relativa ao IRPJ; (I.3.3) Quanto à infração relativa à CSLL; (I.4) Do Ágio Hipercard; (I.5) Do Ágio Conabinu/Hipercard; (I.6) Da efetiva aquisição de Investimento com ágio pelo recorrente; (I.7) Dos Ajustes contábeis que reduziram o patrimônio líquido da Hipercard ACC majorando os ágios pagos pela Unipart e pela Unicard; (I.8) Do Ágio Conabinu; (I.8.1) Quanto à falta de dispêndio por parte da Conabinu; (I.8.2) Quanto à suposta "Empresa Veículo"; (II) Quanto à multa Isolada; Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.813 10 (III) Quanto à não incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 1.546), com o objetivo de rebater os pontos suscitados pela defesa. Na sessão de julgamento de 11 de abril de 2017, a 1a Turma da 3a Câmara, ao apreciar o recurso voluntário decidiu, por maioria de votos, darlhe provimento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ÁGIO. FORMAÇÃO. NEGÓCIO ENTRE PARTES INDEPENDENTES. FUNDAMENTO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE RENTABILIDADE FUTURA. VALIDADE DA FORMAÇÃO. Ao se demonstrar que o ágio discutido nos autos se formou em negócio firmado entre partes independentes, em regime de livre mercado, foi respaldado por laudo baseado na expectativa de rentabilidade futura da investida e que houve um efetivo sacrifício patrimonial da adquirente em benefício dos alienantes do investimento, não se há de questionar o registro contábil do ágio, como a diferença entre o valor do sacrifício patrimonial e o valor de patrimônio líquido da investida. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si sós, não invalidam as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. No caso vertente, a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a transferência do ágio. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalida as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.814 11 diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n. 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. IRPJ. CSLL. BASES DE CÁLCULO. IDENTIDADE. INOCORRÊNCIA. A aplicação, à Contribuição Social sobre o Lucro, das mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, por expressa disposição legal, não alcança a sua base de cálculo. Assim, em determinadas circunstâncias, para que se possa considerar indedutível um dispêndio na apuração da base de cálculo da contribuição, não é suficiente a simples argumentação de que ele, o dispêndio, é indedutível na determinação do lucro real, sendo necessária, no caso, disposição de lei nesse sentido. Com a ciência da decisão a Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 1.631), indicando como paradigmas os acórdãos nº 9101002.188 e 9101002.186, para questionar essencialmente a ausência de confusão patrimonial entre investidora e investida, nos seguinte termos (destaques no original): Todavia, para que haja esse encontro num mesmo patrimônio do ágio com o investimento que lhe deu origem, é imprescindível que a “mais valia” contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participa da confusão patrimonial. O REAL INVESTIDOR (adquirente de fato), portanto, deve se confundir com o investimento que adquiriu. Tal constatação é obtida em face da seguinte expressão utilizada pela legislação: “na qual detenha participação societária ADQUIRIDA com ágio”. Vêse que o verbo “adquirir” é utilizado pela norma em seu sentido econômico, ou seja, decorrente de uma espécie de compra e venda, oriundo de um sacrifício patrimonial. Portanto, a Lei nº 9.532/1997 estabelece que a dedução do ágio somente é autorizada quando a pessoa jurídica que tiver ADQUIRIDO outra, incorporála ou for por ela incorporada. Na verdade, o que o grupo Unibanco tentou orquestrar foi a transformação do ágio por ele pago quando da aquisição das ações Unipart e Unicard em uma verdadeira “moeda de dedução”, a qual poderia ser transmitida internamente a quem Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.815 12 quisesse. O grupo Unibanco tentou “autonomizar” o ágio. Sem maiores delongas, é evidente que esse não foi o intuito do legislador ao editar os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Assim, apesar do decidido no acórdão recorrido, em sentido oposto, decidiu a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão nº 9101002.188, ao reconhecer que a dedutibilidade do ágio só pode ser reconhecida quando houver a confusão patrimonial entre a investida e a real investidora (adquirente de fato), afastando a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas, ainda que com propósito negocial, por ausência de normatização, cuja ementa segue integralmente transcrita: (...) Evidente, pois, a divergência jurisprudencial acerca da interpretação da legislação tributária (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 e arts. 385, 386 e 391 do Decreto nº 3.000/99), no que toca ao aproveitamento do ágio transferido. A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais exige o encontro do investimento com o ágio no mesmo patrimônio mediante a incorporação entre a investida e sua investidora original, real adquirente da participação societária. Diversamente, o colegiado a quo se manifestou no sentido da possibilidade da amortização do ágio pelo contribuinte, ainda que não tenha laudo contemporâneo, ainda que ausente o propósito negocial (incorporação reversa somente para fins de gozo de benefício fiscal), ainda não ocorrido a necessária e total confusão patrimonial entre investida e o investidor original. Ao final, pede o restabelecimento da autuação fiscal pela glosa da despesa de amortização de ágio e seus reflexos tributários e o retorno à turma a quo para julgamento das matérias não apreciadas na oportunidade. O recurso especial fazendário foi admitido pelo despacho de fls. 1.682 e segs. Por seu turno, o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 1.700), nas quais questiona o conhecimento do recurso fazendário, além de apresentar fundamentos de mérito para o seu não provimento. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.816 13 Conhecimento O recurso especial fazendário, ao qual foi dado seguimento pelo despacho de fls. 1.682, teve seu conhecimento questionado pelo contribuinte em sede de contrarrazões. A Fazenda Nacional discute a possibilidade de se amortizar o ágio transferido da investidora original para sua investida, por meio das chamadas empresasveículo, com posterior incorporação reversa. Nesse contexto, indicou como paradigmas os acórdãos nº 9101002.188 e 9101002.186, em que a primeira Turma da CSRF decidiu pela impossibilidade de aproveitamento do ágio nessa hipótese. As duas decisões possuem ementas semelhantes, que bem demonstram a posição adotada naqueles julgados: TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. Não há previsão legal, no contexto dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar, que foi o caso dos autos, sendo indevida a amortização do ágio pela recorrida. A tese de fundo das decisões veda a amortização do ágio quando o pagamento é efetuado por uma investidora original e posteriormente transferido para uma empresa veículo, que vem a desaparecer por força de incorporação reversa ou "às avessas". O contribuinte alega, em contrarrazões, que não haveria divergência na interpretação da lei tributária, mas apenas quanto à interpretação dos fatos, pois o acórdão recorrido teria entendimento convergente com os acórdãos paradigmas que entenderam ser necessária “a confusão patrimonial entre a investida e o real adquirente da participação societária”. Neste ponto, cabe referir que o mesmo procedimento de auditoria fiscal junto ao contribuinte em epígrafe deu origem ao processo nº 10480.729104/201321, referente aos períodos de 2008 a 2010, o qual foi julgado recentemente por este Colegiado, na sessão de 5 de junho de 2018. Naquela votação, a maioria do colegiado, incluindo esta relatora, acompanhou o voto condutor da ilustre conselheira Cristiane Silva Costa pelo conhecimento do recurso fazendário na matéria "à amortização do ágio transferido à Hipercard BM pela Unicard e Unipart". É também o meu posicionamento neste caso. Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.817 14 Para demonstrar as razões de conhecer do recurso e bem cotejar os fatos, trago a síntese dos fatos analisados no primeiro acórdão paradigma (9101002.188): • 28/09/2005 as empresas ACHE LABORATÓRIOS FARMACÊUTICA S/A e MAGENTA PARTICIPAÇÕES S.A. constituem a empresa DELTA PARTICIPAÇÕES FARMACÊUTICAS S.A., com a subscrição e integralização do capital social no valor de R$ 100,00 (R$ 99,00 pela ACHE, e R$ 1,00 pela MAGENTA); • 17/10/2005 as empresas ACHE e MAGENTA adquirem a totalidade das quotas da empresa BIOSINTETICA (ora Recorrente) pelo valor de R$ 491.200.000,00. Em face dessa aquisição, a ACHE passa a deter o controle societário da BIOSINTETICA, enquanto a MAGENTA apenas 1 (uma) quota dessa empresa; • 30/11/2005 a ACHE subscreve e integraliza o aumento de capital da DELTA com a totalidade das quotas que detém da BIOSINTETICA pelo valor de R$ 491.200.000,00. Nessa operação a ACHE "cobra" da DELTA um ágio sobre as quotas da BIOSINTETICA no valor de R$ 437.552.361,10; • 31/03/2006 — a BIOSINTETICA incorpora a DELTA, absorve o ágio "pago" por essa empresa sobre suas próprias quotas, e passa a amortizálo para fins tributários; O relator do voto paradigma, Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, ao apreciar tais fatos, assim consignou: Portanto, o §6° do art. 386 do RIR/99, sob o significado pessoal, se dirige investida que incorporar a investidora que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição da participação societária (tanto o valor do principal quanto o valor do ágio). Ou seja, quando ocorre a incorporação, pela investida, da investidora "original" ou investidora stricto sensu (no sentido de que a originalidade está indissociavelmente ligada a pessoa jurídica que paga o ágio e, por isso mesmo, tem confiança na rentabilidade futura, pois é quem assume o risco) é que se dá a subsunção do fato à norma e surge a prerrogativa de amortização do sobrepreço. (...) Da mesma forma que no aspecto pessoal, a confusão de patrimônios, principal item do aspecto material, para fins de enquadramento no §6° do art. 386 do RIR/99, consumase quando, na investida, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobreavaliado) passam a se comunicar diretamente (os riscos se fundem: o risco do investimento assim entendido os recursos aportados e o risco do empreendimento). No presente processo, a fiscalização, a seu turno, após análise das operações, concluiu que: Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.818 15 21.1. As empresas compradoras da Hipercard ACC foram Unicard Banco Múltiplo S.A e Unipart Participações Internacionais Ltd.. Desta forma, o ágio formado na transação foi pago por estas e somente poderia ser dedutível caso ocorresse um dos eventos relacionados no art. 386 do RIR/99. 21.2. A Conabinu Participações Ltda (chamada também de Newco Financeira) foi um mero veículo, um instrumento, algo criado apenas para que parte do ágio da operação transitasse por ela e que posteriormente possibilitasse o seu aproveitamento, de forma indevida pela fiscalizada, conforme exposto no capítulo 1.1.2. Planejamento Tributário; 21.3. A fiscalizada não logrou êxito na comprovação da formação do ágio supostamente apurado na incorporação da Modelo Investimentos Financeiros (MIF). 21.4. Desta forma, esta fiscalização procederá à glosa das amortizações de ágio indedutíveis através da lavratura de autos de infração específicos do IRPJ e da CSLL, nesta data. A relatora registrou que sua apreciação das normas previstas nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 (art. 386 do RIR/99) levou em consideração os seguintes pontos da autuação: 1) Como as compradoras da Hipercard ACC foram originalmente a Unipart e a Unicard, o ágio decorrente da aquisição só poderia ter sido deduzido por elas, e o que ocorreu foi uma suposta transferência indevida de ágio para a Recorrente; 2) A Conabinu seria uma empresa veículo, criada apenas para que parte do ágio transitasse por ela e posteriormente permitisse a amortização pela Recorrente, o que inviabilizaria a dedução do ágio pela Recorrente; 3) Que a Recorrente não teria logrado êxito na comprovação da formação do ágio apurado na incorporação da MIF. Ao final, concluiu pela validade da dedutibilidade do ágio: O que a ora Recorrente adquiriu, de fato, foi um investimento com ágio e não a simples transferência de ágio. E tal fato, nos termos da lei, art. 7o e 8o da Lei 9.532/97, passa a ter a dedutibilidade das amortizações. O valor pago pela adquirente, pela Hipercard ACC, para a BRPAR, empresa independente, possui intrínseco tal benefício fiscal, o que corrobora o objetivo precípuo do legislador, viabilizando a aquisição de empresa brasileira, controlada por empresa no exterior. Ora, se os investimentos foram transferidos para a Recorrente, assim como os ágios respectivos, verificase a confusão patrimonial dos patrimônios das investidas pela investidora, passando o ágio a ser dedutível para fins fiscais. Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.819 16 Como se vê, o acórdão recorrido deu uma interpretação à legislação tributária distinta da do paradigma, para concluir pela legitimidade da amortização do ágio, por considerar que inexistiria vedação legal à transferência do investimento, ou seja, essa seria uma consequência fática que tem como pressuposto uma autorização legal. Aqui, não se trata de simples divergência quanto à interpretação dos fatos, mas da qualificação jurídica dos fatos dada de forma distinta por recorrido e paradigma, o que permite a competência da Câmara Superior de Recursos Fiscais com vistas a discutir a interpretação da legislação tributária. Diante da similitude fática entre os casos e da efetiva ocorrência de interpretação divergente em relação à possibilidade de amortização do ágio . Sobre o "ágio modelo", que se refere à aquisição da Modelo Investimentos Financeiros (MIF), antiga denominação de Hipercard Investimentos Ltda, contudo, a conclusão é distinta. A acusação fiscal aponta a não comprovação, pelo contribuinte, da formação do ágio apurado na incorporação da Modelo Investimentos Financeiros (MIF), consignando que: Ágio Modelo MIF Na tentativa de justificar a escrituração deste ágio, a fiscalizada restringiuse a citar o laudo de avaliação e a 7a alteração contratual da empresa Modelo Investimentos Financeiros Ltda. (MIF), informando apenas que nesta operação houve uma apuração de ágio no valor R$ 179.162.971,20. Ora, mesmo após sucessivas intimações, os esclarecimentos e documentos apresentados pela empresa mais uma vez não foram suficientes para justificar a composição e a dedutibilidade do ágio, uma vez que não restou demonstrada a sua origem, os valores pagos pela transação e a apuração do sobrepreço. Desta forma, temos por não comprovada a sua origem e em consequência a sua dedutibilidade. A leitura da acusação fiscal nos leva a concluir que o fundamento para a indedutibilidade do ágio foi a não comprovação de sua origem e composição. Ocorre, contudo, que o recurso fazendário não é aplicável nessa hipótese, pois verificase que a matéria admitida neste julgamento diz respeito à transferência do ágio em favor de terceiros, por meio de interpostas pessoas jurídicas. Assim, assiste razão ao contribuinte, quando este pugna pela dissociação entre os fundamentos da autuação e a matéria veiculada pelo recurso especial fazendário, que, como visto, apenas menciona o ágio MIF nos parágrafos finais, nos seguintes termos: Por fim, vale apenas mencionar a total aplicação dos argumentos acima citados (ausência de absorção do patrimônio da empresa que de fato realizou o investimento) para a discussão em torno da amortização de ágio envolvendo a empresa MODELO INVESTIMENTOS FINANCEIROS LTDA. (MIF). Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.820 17 Isso porque, a simples leitura do laudo, elaborado por Trevisan Consultores em janeiro de 2006, que suportou as operações que culminaram com a incorporação da MIF pelo HIPERCARD BM em dezembro de 2007, já demonstra que foi o UNIBANCO quem realizou de fato o investimento, e não o HIPERCARD BM. Também aqui (operações da MIF), não há se permitir qualquer amortização ou dedutibilidade de despesas com ágio por quem não realizou efetivamente o investimento. As breves considerações da Fazenda Nacional sobre o ágio MIF não correspondem aos fundamentos da autuação, nos moldes apresentados pela fiscalização, posto que a justificativa para a indedutibilidade, como visto, foi a não comprovação da origem e do ágio, tema que não se enquadra na matéria que ensejou o conhecimento do recurso. Nesse contexto, deve ser mantida a decisão recorrida, que ao analisar o ágio MIF assim se manifestou: Do "Ágio Modelo" Este ágio referese à aquisição da Modelo Investimentos Financeiros (MIF), antiga denominação de Hipercard Investimentos Ltda. Em 06/01/2006, a Recorrente adquiriu 100% das cotas da MIF da empresa Sonae Distribuição Brasil S.A. (SDB), pelo valor de R$ 201.825.230,44, conforme item 1) "Objeto e preço" do contrato de compra e venda, fls. 1332. O PL da MIF era de R$ 22.662.258,67, fls. 1353, de tal forma, que foi apurado um ágio de R$ 179.162.971,20, baseado em rentabilidade futura, nos termos do laudo de avaliação de fls. 518/542, com data de 06/01/2006. Nos termos do referido laudo, a rede de supermercados Sonae teve faturamento de R$ 3,8 bilhões em 2004, com cerca de 140 lojas concentradas na região Sul do país, uma base de 1,2 milhões de cartões, faturamento de R$ 710 milhões nos últimos doze meses, com resultado contábil do PL de R$17 milhões no mesmo período. Ainda, no final de 2005 o Walmart adquiriu as operações de varejo da Sonae no Brasil, e o Unibanco, por sua vez, contribui com o negócio comprando o direito de implementar o modelo de negócios do Hipercard na Sonae. Em dezembro de 2007, a Recorrente realizou a incorporação da MIF, e excluiu indevidamente, nos termos da Fiscalização, o valor referente à amortização do ágio, na base de cálculo do IRPJ. Já no cálculo da CSLL, por entender que não havia determinação legal para adicionála antes da incorporação, nada fez. A Fiscalização, a seu turno entendeu ser esta exclusão não legal, efetuou a glosa referente a um mês de dezembro de 2007, no Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.821 18 valor de R$ 2.986.049,52 para fins de IRPJ, e considerou como despesa não dedutível para fins de CSLL, glosando o montante anual, no valor de R$35.832.594,24, nos seguintes termos: (...) Diante dos documentos apresentados, contrato de compra e venda, bem como demonstração financeira, reputo que a origem do ágio está de fato comprovada. Houve o efetivo pagamento, nos termos do contrato de compra e venda. A empresa vendedora, SDB, é parte independente; e o pagamento do ágio está baseado em laudo de avaliação que demonstra a rentabilidade futura da negociação. Houve a futura incorporação da MIF pela Recorrente, precisamente em 12/2007, presentes, assim, os requisitos para que houvesse a fruição do benefício fiscal para utilização da amortização do respectivo ágio, nos termos do art. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Dessa forma, a alegação do autuante de que não restou demonstrada a origem, os valores pagos e apuração do sobrepreço não devem prevalecer. Neste ponto, por entender que o recurso fazendário não se aplica ao mencionado ágio, voto por manter inalterada a decisão recorrida, sendo desnecessário, por força de tal conclusão, qualquer manifestação acerca da pertinência ou extemporaneidade do laudo de avaliação, posto que a matéria não se encontra sub judice. Em relação ao mesmo ágio "modelo" MIF, a infração da CSLL pela Glosa das despesas de amortização de ágio foi assim caracterizada: Conta Valor Tributo Referência 8181000009 AMORTIZACAOAGIO 145.441.572,62 IRPJ e CSLL Ágios Conabinu, Conabinu/Hipercard e Hipercard 8199900226 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO 35.832.594,12 CSLL Ágio MIF (diferença entre a adição devida e a realizada) No entendimento da Fiscalização, este ágio não seria passível de dedução para fins de cálculo da CSLL, nos termos do art. 57 da Lei 8.981/95, com a redação dada pela Lei 9.065/95 e do art. 28 da Lei 9.430/96. No recurso voluntário, o contribuinte aduziu, em síntese, os seguintes pontos: (I) Da Improcedência das Glosas das Despesas Relativas à Amortização dos ágios: (I.1) Amortização do Ágio é induzida pela lei e não fruto de Planejamento Tributário; (I.2) Os requisitos necessários para a legítima amortização do Ágio nos termos dos artigos 7º, III e 8º da Lei 9.532/97; (I.3) Do Ágio Modelo MIF: (I.3.1) Da origem do ágio apurado; Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.822 19 (I.3.2) Quanto à infração relativa ao IRPJ; (I.3.3) Quanto à infração relativa à CSLL; [...] Por seu turno, a decisão recorrida assim consignou, após tratar do ágio "modelo" MIF: Infração da CSLL Glosa das despesas de amortização de ágio No entendimento da Fiscalização, este ágio não seria passível de dedução para fins de cálculo da CSLL, nos termos do art. 57 da Lei 8.981/95, com a redação dada pela Lei 9.065/95 e do art. 28 da Lei 9.430/96. Ressalto, por fim, que a PFN não apresentou recurso especial quanto à exigência de CSLL com relação ao "ágio modelo", razão pela qual não haverá pronunciamento de mérito a esse respeito. Conta Valor Tributo Referência 8181000009 AMORTIZACAOAGIO 145.441.572,62 IRPJ e CSLL Ágios Conabinu, Conabinu/Hipercard e Hipercard 8199900226 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO 35.832.594,12 CSLL Ágio MIF (diferença entre a adição devida e a realizada) Da mesma forma, não cabe conhecimento de qualquer arguição em relação ao laudo, cuja relevância para fins de autuação ficou restrita ao ágio "modelo" MIF. Mérito Com base nos fundamentos da autuação, concluise que os temas em discussão a partir do recurso especial admitido se referem a: a) não aceitação da dedução do ágio transferido para a Recorrente, visto que as compradoras originais da Hipercard ACC foram a Unipart e a Unicard; e b) utilização da empresa Conabinu como veículo para a operação, criada apenas para que parte do ágio transitasse por ela e posteriormente fosse aproveitado pelo contribuinte. Para início da análise convém ressaltar o contexto do ágio e de sua possibilidade de amortização no Brasil. A matéria encontrase disciplinada nos arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97, que dispõem sobre o registro e a amortização do ágio gerado em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.823 20 nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.824 21 § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Já a sistemática de apuração do ágio deve seguir o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1° O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2° O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3° O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2° deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. À luz da legislação de regência, percebese que o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição de um investimento e o seu valor patrimonial. Isso significa que a figura do ágio decorre do fato de uma das partes se comprometer a pagar à outra, pela aquisição do investimento, um valor superior àquele registrado no patrimônio líquido. A expressão “pagar” pode ser entendida em sentido amplo, contemplando diversas modalidades, desde que todas impliquem algum tipo de desembolso ou ônus para o adquirente. Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.825 22 Assim, deve o intérprete atentar para as circunstâncias fáticas e jurídicas da operação, que incluem, entre outras, o propósito negocial, o efetivo pagamento ou desembolso pela aquisição, a sequência cronológica das operações, a adequada avaliação da rentabilidade futura e, sobretudo, a análise entre as posições inicial e final de cada interveniente. No caso dos autos os dois primeiros pontos da autuação fiscal decorrem da utilização da empresa Conabinu Participações Ltda. (também chamada de Newco Financeira) como veículo para possibilitar a amortização do ágio, pois, como relata a fiscalização, as empresas compradoras da Hipercard ACC foram Unicard Banco Múltiplo S.A. e Unipart Participações Internacionais Ltd. e, desse modo, o ágio formado na transação somente poderia ser dedutível caso ocorresse um dos eventos relacionados no art. 386 do RIR/99. A questão posta diz respeito, portanto, à possibilidade de transferência do ágio para o contribuinte e a utilização de uma empresa veículo na operação, que, em síntese, pode assim ser relatada: a) A Hipercard Administradora de Cartão de Crédito Ltda. (Hipercard ACC) tinha como sócias a empresa BR Participações e Empreendimentos S/A (BRPAR), que detinha 68,22% das ações, e a empresa holandesa Holla Beheer B. V. (Holla), que detinha 31,78% das ações. b) A BRPAR adquiriu 100% das cotas da empresa Conabinu Participações Ltda., aumentando o seu capital social mediante a integralização de recebíveis a serem pagos pela Hipercard ACC. c) As empresas do Grupo Unibanco, Unipart Participações Ltda. e Unicard Banco Múltiplo S/A, adquiriram as cotas da empresa Hipercard ACC e apuraram um ágio de R$ 200.287.697,19 e R$ 31.352.543,50, respectivamente. d) A Unicard e a Unipart conferiram ao Hipercard BM a totalidade das cotas do capital da Conabinu e na Hipercard ACC, respectivamente, transferindo o ágio registrado nas empresa Unicard e Unipart para a Hipercard BM. e) A Hipercard BM incorporou as empresas Conabinu e Hipercard ACC, o que ensejou a transferência do ágio da Unicard e Unipart para o contribuinte. Ricardo Mariz de Oliveira analisa os requisitos das normas relativas ao ágio, com destaque para as operações societárias, em sua obra “Fundamentos do Imposto de Renda”, merecendo transcrição o seguinte trecho (págs. 763 e segs.): A norma legal contida no artigo 7º e 8º foi promulgada com vistas a facilitar as privatizações levadas a cabo pelo Governo Federal, pois passou a permitir a dedução fiscal de certos ágios antes indedutíveis. Todavia a norma não se restringiu ao programa de privatização, tendo se estendido a toda e qualquer situação que se subsuma às suas hipóteses fáticas de incidência. (...) Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.826 23 Uma primeira observação é no sentido de que os art. 7º e 8º não revogaram o disposto no art. 25 do Decretolei n. 1.598, que continua a vigir e a declarar indedutíveis as amortizações de quaisquer ágios, quaisquer que sejam seus fundamentos econômicos, assim como declara não tributáveis as amortizações de quaisquer deságios, enquanto o respectivo investimento permanecer no ativo permanente da pessoa jurídica adquirente do mesmo. Destarte, os efeitos fiscais dependem da realização das condições inseridas nos art. 7º e 8º da Lei nº 9.532, que são pressupostos para a dedução dos ágios, nos casos e circunstâncias em que admitida, assim como a tributação dos ágios. (...) Voltando ao primeiro e principal requisito para que a amortização seja dedutível , haver absorção de patrimônio por meio de incorporação, fusão ou cisão , devese ter presente que, a despeito da largueza de opções dadas pela Lei n. 9532 para a consecução do seu desiderato, tratase de condição a ser cumprida em sua substância, e não apenas formalmente, até tendo em vista a continuidade da vigência da norma de proibição de dedução da amortização se não houver um desses atos, prevista no art. 25 do Decretolei n. 1598. Com razão, a dedução fiscal da amortização é admitida a partir do momento em que “a pessoa jurídica [...] absorver patrimônio de outra”, segundo o “caput” do art. 7º, o que deve representar uma ocorrência efetiva. Outrossim, não se trata de absorção de patrimônio de qualquer pessoa jurídica, pois o mesmo dispositivo acrescenta que deve ser a pessoa jurídica “na qual detenha participação societária adquirida com ágio”. E, ademais, o dispositivo ainda restringe a forma de absorção, dizendo que ela deve ocorrer “em virtude de incorporação, fusão ou cisão”. Essa disposição legal evidencia acima de qualquer dúvida que a exigência é de reunião total (por incorporação ou fusão) ou parcial (por cisão) da pessoa jurídica investidora e da pessoa jurídica investida. O art. 8º, letra “b”, dá a alternativa de se inverter a ordem, ou seja, trata a absorção da investidora pela investida (a chamada “incorporação para baixo” ou “down stream merger”) do mesmo modo que a absorção da investida pela investidora (a “incorporação para cima” ou “up stream merger”), que está prevista no art. 7º. Seja como for, o relevante para a lei é a substância da reunião das duas (ou mais de duas pessoas jurídicas), por um dos atos jurídicos nos dois artigos. Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.827 24 Esta exigência decorre não apenas da literalidade dos art. 7º e 8º, mas também, e principalmente, do espírito (a “mens legis” ou “ratio legis”) da norma por eles veiculada. Realmente, a racionalidade da norma está em que, por ter havido a reunião da pessoa jurídica a que se refira a expectativa da rentabilidade com a pessoa jurídica pagadora do ágio, este seja deduzido daqueles mesmos lucros esperados ou o mesmo se dê quando o ágio for referente ao valor de mercado dos bens do patrimônio da pessoa jurídica a que se refere a participação adquirida. O objetivo da norma legal é permitir que o ágio fundado em expectativa de rentabilidade, pago na aquisição de um negócio através da aquisição de participação societária na pessoa jurídica que explore esse negócio, seja lançado contra os lucros desse negócio, de modo a que os tributos devidos sobre tais lucros sejam calculados após a dedução da amortização do ágio. O espírito dessa norma é inequívoco, pois a lei permite a amortização do ágio quando ele tenha por fundamento econômico a expectativa de lucros futuros daquele negócio, o que bem justifica a consideração do ágio como dedutível na proporção da realização desses lucros, estabelecida na demonstração desse fundamento, e observado o limite máximo anual previsto na leis, embora, como dito, não haja absoluta e mandatória correlação entre as quotas de amortização de cada períodobase fiscal e o lucro nele apurado efetivamente (correlação de resto impossível de ser matematicamente determinada). Por isso mesmo, para que esse objetivo seja atingido, é necessário trazer o lucro para dentro da pessoa jurídica que tenha adquirido a participação societária com a expectativa de rentabilidade do mesmo (situação descrita no art. 7º) ou levar o ágio para dentro da pessoa jurídica produtora do lucro esperado (situação descrita no art. 8º), o que se faz por incorporação ou cisão de uma delas e absorção pela outra. Ou, ainda, o mesmo objetivo pode ser alcançado levandose o ágio e o lucro para dentro de uma nova pessoa jurídica, o que se faz por fusão das duas pessoas jurídicas. (...) Realmente, os art. 7º e 8º da Lei n. 9532 têm um objetivo – a concessão do benefício de uma dedução especial do ágio – um requisito para tanto, que é a absorção do patrimônio onde esteja o ágio, ou do patrimônio que vai gerar o lucro ao o ágio se refira. Isso inobstante, após a junção das pessoas jurídicas com os recursos financeiros relativos ao ágio participando do ativo da mesma pessoa jurídica (quando for o caso) poderem eles ser empregados para o pagamento de custo e despesas, o que não se confunde com a natureza do ágio mantido em ativo diferido e com a sua amortização, tanto quanto o capital social e os Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.828 25 recursos derivados da sua integralização podem ser usados para pagar custos e despesas, mas não se transformam em custos e despesas. Portanto, essa norma de concessão do direito à dedução fiscal da amortização é uma norma excepcional, baseada em motivações extratributárias de (1)conveniência da política fiscal no sentido de favorecer as privatizações, à época da promulgação da Lei n. 9532, e também de (2) justiça econômica contida na amortização do ágio pago na aquisição do negócio, paulatinamente à geração dos lucros que tenham dado lastro a ele, eis que estes são sujeitos à tributação quando surgidos. Este último dado é que justifica a extensão da norma a quaisquer aquisições, mesmo às feitas fora do programa de privatizações que estava em andamento na data da Lei n. 9532. O segundo aspecto apresentase exatamente a partir do primeiro e da condição legal para a dedução fiscal da amortização (que é a absorção de patrimônio através da incorporação, fusão ou cisão), consistindo na exigência de que a amortização se processe contra os próprios lucros cuja expectativa tenha dado fundamento econômico ao ágio, exigência esta não expressa na lei, mas decorrente de um imperativo lógico que se pode dizer estar implícito na lei. Realmente, a exigência de incorporação, fusão ou cisão não é uma condição vazia de sentido, que possa ser cumprida apenas formalmente, como, por exemplo, deixar o ágio na investidora e incorporar a ela, por cisão parcial da cindida, uma atividade que não é a geradora de lucro cuja expectativa tenha gerado o lucro. (grifouse) Assim, o escopo implícito na lei, ao estabelecer a condição de realização de incorporação, fusão ou cisão, é unir o ágio e os lucros a que ele se refira numa mesma pessoa jurídica e, portanto, num mesmo lucro tributável. Isso representa o núcleo racional da exigência condicional para a dedução do ágio, que se manifesta mediante a absorção de um patrimônio pelo outro. Daí decorre uma análise que tem sido empreendida com frequência em julgados desta Câmara Superior, relativamente aos aspectos pessoal e material das operações que ensejaram o ágio, posto que os arts. 385 e 386 do RIR/99 (que refletem a dicção legal, já mencionada) se dirigem à investidora que vier a incorporar sua investida (ou por ela ser incorporada), para que, neste momento, surja a possibilidade de amortização da mais valia, paga em momento anterior por forca de expectativa de rentabilidade futura da investida. E aqui surge a necessidade de que a investidora passível de aproveitamento do ágio seja a investidora original, ou seja, aquela que efetivamente desembolsou recursos, acreditou no investimento e assumiu os riscos do negócio. Sobre este ponto específico, convém reproduzir as pertinentes considerações formuladas pelo i. conselheiro André Mendes de Moura no acórdão nº 9101002.301: Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.829 26 que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA (Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs.). Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.830 27 absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.831 28 SCHOUERI, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Considerandose o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo, aperfeiçoase o lançamento fiscal e o termo inicial para contagem do prazo decadencial. [...] Enfim, aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. (grifouse) Como visto, a regra se aplica tanto na hipótese de incorporação da investida pela investidora como em sentido contrário, quando a investidora é incorporada pela sua investida (a chamada incorporação reversa ou às avessas). Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.832 29 A exigência legal, nos dois casos, reside no fato de que a incorporação deve envolver a investidora original, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na rentabilidade futura, pagou o sobrepreço e assumiu os correspondentes riscos. E é exatamente este o ponto atacado pela fiscalização e ressaltado pela Fazenda Nacional em contrarrazões: a presença do real investidor na operação, que deve se confundir com o investimento que adquiriu. A confusão patrimonial, como se sabe, é o principal requisito material previsto pelo art. 386 do RIR/99, pois a sua ocorrência permite a comunicação direta entre o investimento e o lucro esperado, assim como promove a fusão dos riscos envolvidos. Isso também se observa na incorporação às avessas, em que a empresa responsável por gerar a rentabilidade esperada no futuro passa a deter o ágio baseado em tal expectativa. E, na exata medida em que esses dois aspectos não são observados, como no caso sob análise, por força da indevida transferência do ágio por meio de interposta pessoa jurídica, tornase forçoso reconhecer o argumento de impossibilidade de dedução das despesas decorrentes, nos termos em que formulado pela fiscalização. Este tem sido o entendimento da CSRF, que exige a presença do investidor original na operação de incorporação e o encontro do investimento com o ágio no mesmo patrimônio, requisitos que não se amoldam à hipótese dos autos, como relatado pela autoridade fiscal: No caso sob análise: 1) a criação da Conabinu; 2) a utilização desta empresa na aquisição do controle acionário da Hipercard ACC; 3) a incorporação das empresas veículo e investida; e 4) a transferência do controle acionário para a fiscalizada (Hipercard BM) apenas fazem parte do enredo montado para, no final, tudo permanecer como antes, com a única diferença que, com este enredo, a fotografia claramente destaca o benefício fiscal planejado e intentado pelos adquirentes de fato (Unipart e Unicard), uma vez que, sem as etapas anteriormente descritas, ficariam impedidos de aproveitar, através de sua controlada (Hipercard BM), o ágio pago na aquisição da Hipercard ACC. (grifouse) Como argumento complementar, a fiscalização também fundou a autuação na figura do abuso de direito, consubstanciado pela intenção de evitar ou mitigar os efeitos tributários da operação, como se depreende das seguintes conclusões: Ao caso sob exame, qual foi o excesso praticado? O Unicard e a Unipart dispunham de instrumentos na legislação societária que lhe davam liberdade para agir com relação às operações de aquisição de participação societária, de subscrição de capital e de incorporação de sociedade. No entanto, a legislação tributária somente permite a dedução de despesa de amortização de ágio quando decorrente de absorção do patrimônio de outra Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.833 30 pessoa jurídica através de incorporação, fusão ou cisão. Como os adquirentes não tinham interesse em promover qualquer desses eventos em sua investida, engendrouse o planejamento fiscal abusivo já amplamente demonstrado através dos atos e fatos relatados no presente relatório fiscal, onde, através de operações estruturadas em seqüência e utilizandose de empresa veículo, a fiscalizada (Hipercard BM) pretendeu aproveitar indevidamente o benefício fiscal de dedutibilidade do ágio apurado na aquisição do investimento (Hipercard ACC). A partir dos fatos narrados, convém relacionálos com a figura do abuso de direito, veiculada pelo art. 187 do Código Civil: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Entendo que a figura realmente se enquadra na hipótese dos autos, de sorte que a reorganização societária, mediante o emprego de empresa veículo, teve como propósito a obtenção de vantagem fiscal, que demonstra a falta de um propósito negocial real, como aponta a acusação fiscal. Ressaltese que Marco Aurélio Greco, na já clássica obra Planejamento Tributário, 3a edição, fls. 210211, cuida especificamente da figura do abuso de direito em relação às possibilidades de autoorganização societária: Nesse contexto é que vejo a inserção da temática do abuso do direito de autoorganização no âmbito tributário. Ou seja, a possibilidade de serem identificadas situações concretas em que os atos realizados pelos particulares, embora juridicamente válidos, não serão oponíveis ao Fisco quando forem fruto de um uso abusivo do direito de autoorganização que, por isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e da isonomia fiscal. Aqui reside um ponto importante. Independentemente da validade jurídica do ato e do direito de auto organização das sociedades, a questão diz respeito, essencialmente, à oponibilidade das condutas em relação ao Fisco, principalmente quando o seu único objetivo é o de obter vantagens tributárias. É certo que, em relação ao ágio, a regra geral é de indedutibilidade e que as situações em que a amortização deste como despesa são possíveis exigem perfeita subsunção dos fatos às normas tributárias, como demonstrado. Aliás, o próprio Marco Aurélio reconhece, na sequência do parágrafo acima reproduzido, que depois do Código Civil de 2002 o abuso de direito "não é apenas caso de inoponibilidade perante o Fisco, mas hipótese de ato ilícito" que destrói um dos requisitos indispensáveis para que se tenha um efetivo planejamento tributário. Nesse contexto, assiste razão à Fazenda Nacional em relação aos dois pontos até aqui analisados, pertinentes aos ágios Conabinu, Conabinu/Hipercard e Hipercard: Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.834 31 transferência do ágio para o contribuinte e utilização de empresa veículo na operação, como fatores que impossibilitam a sua dedutibilidade, nos moldes do que entendeu a fiscalização. Em relação a esses ágios, considerando que não houve fundamentação distinta para o lançamento da CSLL, como ocorreu no ágio MIF (e que não foi objeto de recurso), aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Por fim, o contribuinte em contrarrazões pede, de modo subsidiário, que sejam devolvidas à turma a quo, em caso de provimento do recurso fazendário, as matérias que constavam do recurso voluntário e que não foram apreciadas pela decisão recorrida, a saber: a) aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício; b) incidência de juros sobre multa. Em casos semelhantes, prevaleceu nesta CSRF o entendimento de que nas hipóteses em que a glosa de despesas foi cancelada no julgamento do recurso voluntário, o processo deve ser restituído ao Colegiado recorrido para análise e manifestação acerca das matérias não apreciadas naquela oportunidade. Citese, a título de exemplo, o que restou decidido no acórdão nº 9101 002.188, que teve a seguinte ementa, no que interessa a este tópico: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 MULTA QUALIFICADA. MATÉRIA NÃO EXAMINADA NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Uma vez restabelecidas as autuações fiscais, deverá haver julgamento quanto à multa qualificada, fazendose necessário o retorno à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados em relação a essa matéria no recurso voluntário. Portanto, na medida em que esta CSRF restabeleceu as glosas antes canceladas, fazse necessária a devolução dos autos à Turma a quo para que sejam analisadas as matérias citadas e questionadas no recurso voluntário do contribuinte: a) aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício e b) incidência de juros sobre multa. Ante o exposto, voto por: a) CONHECER parcialmente do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em relação às glosas das despesas de amortização dos ágios decorrentes da transferência para a contribuinte (ágio Hipercard) e da utilização de empresa veículo (ágio Conabinu); b) DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para restabelecer as autuações fiscais relacionadas às glosas das despesas de amortização dos ágios decorrentes da transferência para a contribuinte (ágio Hipercard) e da utilização de empresa veículo (ágio Conabinu); e Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.835 32 c) após ser dada ciência às partes desta decisão, DETERMINAR o retorno dos autos à Turma a quo, para que seja prolatada nova decisão quanto aos temas abordados no recurso voluntário e que deixaram de ser apreciados no acórdão nº 1301002.280 (aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício e incidência de juros sobre multa). (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa O recurso especial da Procuradoria fundase, essencialmente, na impossibilidade de transferência de ágio, que – no entender do Recorrente – só poderia ser amortizado pelas adquirentes Unicard e Unipart: Na verdade, o que o grupo Unibanco tentou orquestrar foi a transformação do ágio por ele pago quando da aquisição das ações Unipart e Unicard em uma verdadeira “moeda de dedução”, a qual poderia ser transmitida internamente a quem quisesse. O grupo Unibanco tentou “autonomizar” o ágio. Sem maiores delongas, é evidente que esse não foi o intuito do legislador ao editar os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. (trecho do recurso especial, fls. 17) Destaco trecho do voto condutor do Relator do acórdão recorrido, elaborado pela Conselheira Amélia WakakoMorishita Yamamoto: Importante ressaltar novamente que todas essas operações "Ágio Hipercard" e "Ágio Conabinu/Hipercard" foram realizadas seguindo os parâmetros de mercado, em que se objetivou a aquisição da Hipercard ACC, operação realizada entre partes independentes, valor pago com ágio, que se basearam em laudos de avaliação realizada por empresa terceira, que calculou a rentabilidade futura pelo método de fluxo de caixa descontado (fls. 409/454). (...) Esses ágios, posteriormente transferidos para a Recorrente, quando da incorporação das empresas Conabinu e Hipercard ACC, passaram a ser deduzido na base de cálculo do IRPJ. Da Ausência de Propósito Negocial – Uso de EmpresaVeículo(...) Quanto a utilização de empresasveículo, entendo, não há qualquer vedação, vez que irrefutável a aplicação do art. 2º, § 3º Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.836 33 da Lei n. 6.404/76, base legal para a constituição de holdings com o objetivo único de beneficiarse de incentivos fiscais. No que tange à incorporação reversa, esta é totalmente possível no âmbito do direito societário e, ademais, é autorizado por lei que regula especificamente a amortização fiscal do ágio, qual seja, o art. 8º, “b” da Lei nº 9.532/97: “Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” O pressuposto para a permissão de amortização fiscal do ágio é a confusão patrimonial entre investidora e investida, que se consumou, como anteriormente demonstrado (pela redação do art. 7º da Lei nº 9532/97), e nesse contexto, se encaixa a expressa admissão da incorporação reversa ou às avessas pelo art. 8º da Lei nº 9.532/1997. A mera transferência do ágio da investidora para a investida, por meio de veículo, ao final, quando incorporada aquela veículo, demonstra apenas uma conseqüência fática que tem como pressuposto uma autorização legal. Do Laudo de Avaliação Conforme colocado já acima, os mencionados ágios decorreram de expectativa de rentabilidade futura, de acordo com o laudo de avaliação de fls. 410/455, realizado pela empresa CreditSuisseFirst Boston, empresa terceira independente. Importante refutar aqui o ponto colocado nas Contrarrazões da Fazenda Nacional, relacionado ao momento da realização do laudo, considerandoo extemporâneo e imprestável porque elaborado em setembro de 2004, quando as operações foram realizadas em 01/03/2004, em que pese tal colocação não ter sido aventado no TVF nem na decisão recorrida. Verificase que o laudo de avaliação trata do período de 2004 a 2010, utilizase do método de fluxo de caixa descontado da Hipercard ACC, chegando à conclusão de que o valor da empresa varia de R$658 milhões a R$741 milhões no caso "standalone" e de R$883 milhões a R$976 milhões no caso "com sinergia". O valor pago foi de R$630 milhões. Assim, cabe ressaltar então, que quando da data das operações realizadas, bem como da incorporação, que frisese ocorreu em junho de 2005, após a data do laudo, não havia nenhuma disposição legal que determinasse alguma formalidade para a confecção dessa avaliação, da forma como hoje é exigida. (...) Assim, de se aceitar o laudo técnico de avaliação acostado aos autos, que a seu turno serviu de base para fundamentar economicamente o ágio. (...) Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.837 34 Da Transferência do Investimento Em 30/06/2005, mais de um ano após a negociação da Hipercard ACC, a Unicard e a Unipart conferiram a Hipercard BM, ora Recorrente, a totalidade das cotas de sua titularidade o capital da Conabinu e Hipercard ACC, respectivamente. Isso pode ser facilmente verificado da análise dos documentos societários de fls.488/496, 502/504 e 1036/1041. Importante tópico levantado no Auto de Infração é a questão atinente à "transferência do ágio", já que a fiscalização entendeu que UNIPART e UNICARD foram as empresas que efetivamente tiveram o dispêndio do ágio, e o benefício existente, amortização fiscal do mesmo somente seria possível nessas empresas, não havendo possibilidade de suas transferências para a Recorrente Hipercard BM, já que ela nada adquiriu. O que a ora Recorrente adquiriu, de fato, foi um investimento com ágio e não a simples transferência de ágio. E tal fato, nos termos da lei, art. 7º e 8º da Lei 9.532/97, passa a ter a dedutibilidade das amortizações. O valor pago pela adquirente, pela Hipercard ACC, para a BRPAR, empresa independente, possui intrínseco tal benefício fiscal, o que corrobora o objetivo precípuo do legislador, viabilizando a aquisição de empresa brasileira, controlada por empresa no exterior. Ora, se os investimentos foram transferidos para a Recorrente, assim como os ágios respectivos, verificase a confusão patrimonial dos patrimônios das investidas pela investidora, passando o ágio a ser dedutível para fins fiscais. Importante ressaltar novamente que todas essas operações "Ágio Conabinu", "Ágio Hipercard" e "Ágio Conabinu/Hipercard" foram realizadas seguindo os parâmetros de mercado, em que se objetivou a aquisição da Hipercard ACC, operação realizada entre partes independentes, valor pago com ágio, que se basearam em laudos de avaliação realizada por empresa terceira, que calculou a rentabilidade futura pelo método de fluxo de caixa descontado (fls. 409/454). Adoto as razões do acórdão recorrido, acima colacionado, para confirmar a legitimidade do ágio tratado nos autos. Com efeito, é legítima a transferência de ágio em operação societária, fundamentandose a hipótese no artigo 248, da Lei nº 6.404/1976 e no artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976. Desde a original redação, a Lei nº 6.404/1976 obrigava que o investimento adquirido fosse avaliado pelo método de equivalência patrimonial. O artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 tinha a seguinte redação ao tempo dos fatos tratados nestes autos, regulando o desdobramento do custo de aquisição em ágio por rentabilidade futura: Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.838 35 Art. 20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Consta do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) reprodução da disposição legal em seu artigo 385, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10480.735112/201225 Acórdão n.º 9101003.740 CSRFT1 Fl. 1.839 36 II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Ao tratar do ágio sobre expectativa de rentabilidade futura, o artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 como também sua reprodução no RIR/99 trata indistintamente das hipóteses de aquisição da participação, sem qualquer restrição. Portanto, a exigência da aplicação do método de equivalência patrimonial decorre da própria lógica do artigo 248, da Lei nº 6.404/1976, como também do conceito adotado pelo artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976. A transferência de ágio por meio de operações societárias devidamente registradas , portanto, decorre da regular transferência de investimento em observância a estas normas. Afinal, o artigo 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, ao tratar da confusão patrimonial como condição da amortização do ágio não tem qualquer referência ao "investidor original". A exigência legal é de investimento adquirido com ágio, que poderá ser deduzido quando houver a confusão patrimonial pela empresa que detenha o investimento adquirido, ou mesmo pela própria investida caso ocorra incorporação reversa. Tenho manifestado neste Colegiado a minha posição sobre a dispensabilidade de confusão patrimonial (fundada pelos artigos 7º e 8º, acima citados) entre investidora original e investida original, na medida em que a legislação não atribui interpretação restritiva nesse sentido. Há que se ponderar se a origem do ágio é legítima (com a existência de partes independentes, pagamento, demonstração da rentabilidade futura, etc.). Nesse contexto, uma vez demonstrada a legítima origem do ágio (até mesmo reconhecida pelo auditor fiscal autuante), não há restrição pela sua transferência e, assim, a confusão patrimonial ser efetuada por terceira pessoa jurídica que tenha recebido o ágio juntamente com o investimento. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria quanto ao ágio. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1840DF CARF MF
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