Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,484)
- Primeira Turma Ordinária (16,434)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Primeira Turma Ordinária (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,516)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,721)
- Terceira Câmara (68,184)
- Segunda Câmara (57,010)
- Primeira Câmara (21,265)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,874)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,921)
- Segunda Seção de Julgamen (115,679)
- Primeira Seção de Julgame (77,486)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,117)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,476)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,893)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,657)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,651)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,653)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (18,907)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10384.723807/2013-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3402-003.045
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402-003.040, de 23 de junho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10384.723812/2013-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202106
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 10384.723807/2013-33
anomes_publicacao_s : 202108
conteudo_id_s : 6459538
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3402-003.045
nome_arquivo_s : Decisao_10384723807201333.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : PEDRO SOUSA BISPO
nome_arquivo_pdf_s : 10384723807201333_6459538.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402-003.040, de 23 de junho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10384.723812/2013-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 23 00:00:00 UTC 2021
id : 8944802
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:39:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610565756747776
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-08-26T19:23:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-08-26T19:23:01Z; Last-Modified: 2021-08-26T19:23:01Z; dcterms:modified: 2021-08-26T19:23:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-08-26T19:23:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-08-26T19:23:01Z; meta:save-date: 2021-08-26T19:23:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-08-26T19:23:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-08-26T19:23:01Z; created: 2021-08-26T19:23:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2021-08-26T19:23:01Z; pdf:charsPerPage: 2377; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-08-26T19:23:01Z | Conteúdo => 00 SS33--CC 44TT22 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10384.723807/2013-33 RReeccuurrssoo Voluntário RReessoolluuççããoo nnºº 3402-003.045 – 3ª Seção de Julgamento/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 23 de junho de 2021 AAssssuunnttoo DILIGÊNCIA - IPI RReeccoorrrreennttee FONCEPI NATURAL WAXES LTDA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402- 003.040, de 23 de junho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10384.723812/2013-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Pedido de Ressarcimento cuja origem é o crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, apurado conforme o disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, originado de decisão judicial transitada em julgado. Após procedimento de verificação fiscal, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Teresina/PI emitiu o Despacho Decisório, reconhecendo em parte o direito creditório, a ser corrigido mediante aplicação da Taxa Selic, e homologando as Declarações de Compensação no limite do crédito reconhecido, bem como indeferindo o Pedido de Ressarcimento. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 84 .7 23 80 7/ 20 13 -3 3 Fl. 317DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3402-003.045 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.723807/2013-33 Cientificada do Despacho Decisório, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente por unanimidade de votos nos termos do v. Acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, sendo os argumentos de defesa resumidos no respectivo relatório e os fundamentos da decisão sumariados na seguinte Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI PEDIDO DE RESSARCIMENTO. RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. INCONFORMIDADE. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS. MANUTENÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. Se os documentos anexados aos autos e os argumentos debatidos não são suficientes para que se possam questionar os termos do Despacho Decisório, forçosa sua ratificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Contribuinte foi intimada do v. acórdão de primeira instância, apresentando tempestivamente o recurso voluntário, pelo qual pediu o provimento para que seja determinada improcedência deste processo, em face do atentado ao Direito de Defesa, na forma do artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72, combinados com os artigos 15 e 16 do Código do Processo Civil. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: 1. Pressupostos legais de admissibilidade A Contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância pela via eletrônica em data de 06/05/2020, enquanto estava vigente a suspensão dos prazos para a prática de atos processuais no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até 29 de maio de 2020, nos termos da Portaria nº 10.199, de 20 de abril de 2020. Após, foi prorrogada até 30 de junho de 2020 a suspensão dos prazos para a prática de atos processuais perante a Receita Federal do Brasil, bem como para o protocolo de peças processuais junto aos Centros de Atendimento ao Contribuinte da RFB, na modalidade presencial e virtual - CAC e e-CAC, conforme Portaria RFB nº 543, de 20/03/2020, com a redação dada pela Portaria RFB nº 936, publicada em 29/05/2020. Considerando a suspensão acima detalhada e, iniciando a contagem do prazo recursal em 01/07/2020, é tempestivo o recurso voluntário protocolado em data de 30/07/2020, resultando em seu conhecimento. 2. Da necessária conversão do julgamento do recurso em diligência 2.1. Como relatado, versa o presente litígio sobre pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI sobre exportação de manufaturados, apurado na forma prevista pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Em razão de decisão judicial transitada em julgado no Mandado de Segurança nº 1999.40.00001865-5, reconhecendo o direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI sobre insumos utilizados em seu processo produtivo adquiridos de pessoas físicas, produtores rurais e cooperativas agrícolas, corrigido mediante a aplicação da Taxa Selic, Fl. 318DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3402-003.045 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.723807/2013-33 a Unidade de Origem procedeu à verificação fiscal, concluindo pela existência parcial do crédito e homologando as Declarações de Compensação da seguinte forma: i) Homologação integral da Declaração de Compensação nº 08738.51547.280510.1.3.51-3880; ii) Homologação parcial da Declaração de Compensação nº 2530.75302.280510.1.3.51-4010; iii) Não homologação das Declarações de Compensação nº 20266.28400.270412.1.3.51-6532, 24562.32804.310512.1.3.51-0650, 20374.37583.200612.1.3.51-1660, 14310.34763.250612.1.3.51-8936, 17322.27985.200712.1.3.51-8696, 40191.86583.190912.1.3.51-4602, 33926.53949.200812.1.3.51-0010, 33916.39092.210812.1.3.51-3503 e 42290.29530.240812.1.3.51-7948; iv) Indeferido o Pedido de Ressarcimento nº 24746.12870.200410.1.1.51-1660. Em Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte informou que o crédito se refere aos anos de 1995 a 2001 e que a análise administrativa de todo esse período constava do PAF nº 10384.722165/2012-74, porém desmembrados pela SAORT da DRF de origem, de acordo com os trimestres abrangidos. O presente processo abrange o 1º trimestre de 1999, sendo apresentado pela Contribuinte o PER/DCOMP com saldo credor de R$ 244.351,49 (duzentos e quarenta e quatro mil, trezentos e cinquenta e um reais e quarenta e nove centavos). A Fiscalização reconheceu o crédito no valor de R$ 76.798,01(setenta e seis mil, setecentos e noventa e oito reais e um centavo). Argumentou a Recorrente que: i) O equívoco do Fisco ao desconsiderar os valores auditados dos primeiros trimestres de 1997 e 1998, resultou em erro material; ii) Após formulada a impugnação, foi lançada nova acusação, apontando que a Contribuinte não transmitiu os pedidos de ressarcimentos através do programa PERDCOMP, referentes ao 1º Trimestre de 1997 e 1º trimestre de 1998. O ilustre Julgador de primeira instância decidiu pela improcedência da defesa, concluindo que: i) O desmembramento dos processos observou a regra do art. 21, §§ 2º, 7º e 8º da IN RFB nº 1300/2012, que estipula que cada pedido de ressarcimento deverá referir-se a um único trimestre-calendário; ii) O valor de R$ 390.175,17 refere-se ao valor dos débitos declarados pela contribuinte nas DCOMP’s deste processo, e que não tiveram as compensações homologadas por falta de direito creditório reconhecido. Por esta razão foram objeto de cobrança conforme DARFs expedidos às fls. 543/560; iii) O suposto crédito de IPI não se presta, no caso, para ser utilizado na compensação de outros tributos administrados pela Receita Federal, mas somente para o abatimento de débitos de IPI apurados à época. Para a utilização na compensação de outros débitos administrados pela Receita Federal, precisaria ser objeto de pedido de ressarcimento, o que não ocorreu. 2.2. Com relação ao 1º trimestre de 1997 e do 1º trimestre de 1998, informou a Recorrente em razões recursais que o Pedido de Ressarcimento foi protocolado em 04/08/1999 (Protocolo nº 11924.000397/99-84), colacionando as seguintes folhas do processo: Fl. 319DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3402-003.045 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.723807/2013-33 Fl. 320DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3402-003.045 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.723807/2013-33 Destaco igualmente as seguintes demonstrações consignadas em peça recursal: Fl. 321DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3402-003.045 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.723807/2013-33 Os processos acima relacionados constam do lote de repetitivos julgados nesta oportunidade com o caso em análise. E consta no documento de fls. 499-501 a seguinte observação sobre os créditos pleiteados e desmembrados: Fl. 322DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 3402-003.045 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.723807/2013-33 2.3. Com relação à possibilidade legal do transporte do saldo credor de um trimestre para outro, além do reflexo com relação à desconsideração dos PER/DCOMPs relativos ao 1º trimestre de 1997 e 1º trimestre de 1998, igualmente pediu a Contribuinte a análise e apuração do direito creditório com base no fluxo contábil da conta escritural, possibilitando a constatação de saldos que devem ser transportados para o período seguinte, tendo em vista tratar-se de uma sequência de crédito-escritural, iniciada em abril de 1995 e concluída em dezembro de 2001. 2.4. Considerando que a controvérsia pendente neste processo cinge-se sobre a possibilidade ou não, diante da legislação aplicável, do transporte do saldo credor de um trimestre para outro, refletindo na apuração do período subsequente e, diante da comprovação de protocolo dos pedidos de ressarcimentos, na forma acima demonstrada, resta dúvida relevante que deve ser sanada antes de se proceder ao julgamento deste litígio. Esclareço que esta Relatora não afasta a necessária aplicação da regra do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, uma vez que cabe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Todavia, diante dos indícios acima, tornando possível o erro ventilado, aplica-se o Princípio da Verdade Material, pelo qual a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, devendo prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para demonstração do direito pleiteado. O Ilustre Doutrinador MEIRELLES (2003, p. 660) 1 assim preleciona: O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio administrado, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. Observo igualmente a necessária atenção aos Princípios da Finalidade e Razoabilidade na busca pela verdade material. No mesmo sentido, destaco a lição de Leandro Paulsen 2 : O processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, conforme ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na apreciação dos fatos, poderá julgar conveniente a realização de diligência que considere necessárias à complementação das provas ou ao esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos no processo. Diante dos fatos acima, é necessário que a Unidade de Origem preste esclarecimentos sobre os protocolos identificados pela Recorrente, bem como esclareça a forma como procedeu à apuração do crédito presumido de IPI, quando da análise efetuada antes do desmembramento por trimestre-calendário sobre o período de apuração de 1995 a 2001. 2.5. Para tanto, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Intimar a Contribuinte para apresentar o comprovante de protocolo do Pedido de Ressarcimento referente ao 1º trimestre de 1997 e 1º trimestre de 1998, realizado em 04/08/1999 (Protocolo nº 11924.000397/99-84); b) Sendo comprovado pela Recorrente o protocolo mencionado em Item “a”, esclarecer se a apuração realizada por meio do MPF 03.3.01.00-2012-00380-5 no PAF 1 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro, 28. ed. atualizada. São Paulo: Malheiros, 2003. p. 660. 2 PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 5ª edição, Porto Alegre, Livraria do Advogado. Fl. 323DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 da Resolução n.º 3402-003.045 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.723807/2013-33 nº 10384.722165/2012-74, considerou os saldos remanescentes relativos ao 1º trimestre de 1997 e 1º trimestre de 1998; c) Esclarecer se a apuração realizada por meio do MPF 03.3.01.00-2012-00380-5 no PAF nº 10384.722165/2012-74, antes do desmembramento dos trimestres e abrangendo o período de apuração de 1995 a 2001, considerou as transferências de saldos remanescentes de trimestres anteriores; d) Em caso de resposta negativa quanto aos Itens “b” e “c”, realizar a apuração do crédito presumido de IPI indicado pela Recorrente, considerando a transferência de saldos remanescentes de trimestres anteriores, abrangendo o período de apuração de 1995 a 2001, inclusive com relação ao 1º trimestre de 1997 e 1º trimestre de 1998, mediante a comprovação de item “a”; e) Elaborar Relatório Fiscal esclarecendo de forma conclusiva sobre as apurações efetuadas e, sendo o caso, recalcular os valores apurados com o resultado da diligência; f) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. 2.6 Concluída a diligência, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto condutor. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator. Fl. 324DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 19647.000198/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 05/03/2004, 30/04/2004, 16/06/2004, 12/07/2004, 13/10/2004, 10/05/2005, 22/06/2005, 18/08/2005, 07/10/2005, 26/10/2005, 21/11/2005
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA
A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decreto-lei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decreto-lei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratando-se de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional.
PRECLUSÃO
Não se pode conhecer da matéria trazida à tona pela defesa somente em sede de recurso voluntário, por disposição expressa do art. 17 do Decreto no 70.235/1972 (na redação dada pela Lei no 9.532/1997), alastrado às manifestações de inconformidade pelo art. 74, § 11 da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela recorrente.
ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 05/03/2004, 30/04/2004, 16/06/2004, 12/07/2004, 13/10/2004, 10/05/2005, 22/06/2005, 18/08/2005, 07/10/2005, 26/10/2005, 21/11/2005
AZEITONAS VERDES BENEFICIADAS
As azeitonas verdes, cujo amargor característico tenha sido retirado por meio de processo diverso dos aplicados exclusivamente para sua conservação transitória para fins de transporte, classificam-se no código 2005.70.10.
Numero da decisão: 3201-008.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, em razão da inovação dos argumentos de defesa (preclusão consumativa), e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para que seja excluído o ICMS da base de cálculo das contribuições conforme decidido no RE STF nº 559.937/RS; vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima que deu provimento em maior extensão para manter a classificação tarifária no código 0711.20.10. Os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles e Laércio Cruz Uliana Junior, votaram pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202107
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/03/2004, 30/04/2004, 16/06/2004, 12/07/2004, 13/10/2004, 10/05/2005, 22/06/2005, 18/08/2005, 07/10/2005, 26/10/2005, 21/11/2005 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decreto-lei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decreto-lei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratando-se de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. PRECLUSÃO Não se pode conhecer da matéria trazida à tona pela defesa somente em sede de recurso voluntário, por disposição expressa do art. 17 do Decreto no 70.235/1972 (na redação dada pela Lei no 9.532/1997), alastrado às manifestações de inconformidade pelo art. 74, § 11 da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela recorrente. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 05/03/2004, 30/04/2004, 16/06/2004, 12/07/2004, 13/10/2004, 10/05/2005, 22/06/2005, 18/08/2005, 07/10/2005, 26/10/2005, 21/11/2005 AZEITONAS VERDES BENEFICIADAS As azeitonas verdes, cujo amargor característico tenha sido retirado por meio de processo diverso dos aplicados exclusivamente para sua conservação transitória para fins de transporte, classificam-se no código 2005.70.10.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 19647.000198/2007-39
anomes_publicacao_s : 202108
conteudo_id_s : 6452935
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3201-008.789
nome_arquivo_s : Decisao_19647000198200739.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : MARA CRISTINA SIFUENTES
nome_arquivo_pdf_s : 19647000198200739_6452935.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, em razão da inovação dos argumentos de defesa (preclusão consumativa), e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para que seja excluído o ICMS da base de cálculo das contribuições conforme decidido no RE STF nº 559.937/RS; vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima que deu provimento em maior extensão para manter a classificação tarifária no código 0711.20.10. Os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles e Laércio Cruz Uliana Junior, votaram pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
id : 8930988
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:39:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610565760942080
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-08-04T14:55:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-08-04T14:55:16Z; Last-Modified: 2021-08-04T14:55:16Z; dcterms:modified: 2021-08-04T14:55:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-08-04T14:55:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-08-04T14:55:16Z; meta:save-date: 2021-08-04T14:55:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-08-04T14:55:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-08-04T14:55:16Z; created: 2021-08-04T14:55:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2021-08-04T14:55:16Z; pdf:charsPerPage: 2228; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-08-04T14:55:16Z | Conteúdo => S3-C2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19647.000198/2007-39 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-008.789 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2021 Recorrente KARNE KEIJO LOGISTICA E INTEGRADA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/03/2004, 30/04/2004, 16/06/2004, 12/07/2004, 13/10/2004, 10/05/2005, 22/06/2005, 18/08/2005, 07/10/2005, 26/10/2005, 21/11/2005 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decreto-lei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decreto-lei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratando-se de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. PRECLUSÃO Não se pode conhecer da matéria trazida à tona pela defesa somente em sede de recurso voluntário, por disposição expressa do art. 17 do Decreto no 70.235/1972 (na redação dada pela Lei no 9.532/1997), alastrado às manifestações de inconformidade pelo art. 74, § 11 da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003: “Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela recorrente. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 05/03/2004, 30/04/2004, 16/06/2004, 12/07/2004, 13/10/2004, 10/05/2005, 22/06/2005, 18/08/2005, 07/10/2005, 26/10/2005, 21/11/2005 AZEITONAS VERDES BENEFICIADAS As azeitonas verdes, cujo amargor característico tenha sido retirado por meio de processo diverso dos aplicados exclusivamente para sua conservação transitória para fins de transporte, classificam-se no código 2005.70.10. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 01 98 /2 00 7- 39 Fl. 593DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, em razão da inovação dos argumentos de defesa (preclusão consumativa), e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para que seja excluído o ICMS da base de cálculo das contribuições conforme decidido no RE STF nº 559.937/RS; vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima que deu provimento em maior extensão para manter a classificação tarifária no código 0711.20.10. Os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles e Laércio Cruz Uliana Junior, votaram pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório que consta no acórdão recorrido, resumidamente: Em desfavor de Karne Keijo Logística Integrada Ltda., foram lavrados autos de infração com vistas à cobrança de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins incidentes sobre a importação, além de multa regulamentar por erro de classificação fiscal. Segundo a descrição constante do Relatório de Fiscalização às fls. 181 a 190, a autuada promovera a importação de azeitonas próprias para consumo, classificáveis no código NCM 2005.70.00, e quando da realização dos despachos de importação litigiosos, informara que tais mercadorias, no estado em que se encontravam, seriam impróprias para consumo e, portanto, classificáveis em algum dos desdobramentos da subposição 0711.20. As alíquotas da subposição eleita pelo sujeito passivo são de 0% tanto para a Contribuição para o PIS/Pasep quando para a Cofins, enquanto que, se adotada a classificação proposta pela autoridade fiscalizadora, seriam aplicáveis as alíquotas de 1,65% e 7,60%, respectivamente. Segundo aponta a autoridade fiscal, a subposição 0711.20 alberga as azeitonas que receberam beneficiamentos voltados exclusivamente à sua conservação provisória, mediante a utilização de água salgada ou salmoura, enquanto a posição 2005.70.00 ampararia as azeitonas que receberam os tratamentos necessários para a retirada do amargor próprio, mediante a utilização de soda ou por meio de fermentação prolongada em água salgada. Em síntese, concluiu a autoridade fiscal que as mercadorias alvo do presente litígio não receberiam qualquer tratamento antes da sua comercialização ao consumidor, e tal conclusão estaria amparada nos seguintes elementos: a) O intervalo entre a data de entrada e saída do estabelecimento que, à época das importações, era responsável pela industrialização dos produtos (pessoa jurídica All Fl. 594DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Bacon), em princípio, não seria suficiente para a realização das operações de beneficiamento (média de 4,4 dias para 3,6 toneladas, conforme tabela à fl. 186); b) As declarações do sócio da pessoa jurídica All Bacon, Sr. Paulo Roberto Estrela da Silva, tomadas a termo, dariam notícia de que as azeitonas já entravam no estabelecimento próprias para consumo e acondicionadas em “bombonas” de 180 Kg. As operações realizadas no estabelecimento se limitariam a acondicionar as azeitonas em baldes de 2,0 a 2,5 Kg e promover a troca da salmoura em que chegavam as azeitonas, esclarecendo que essa troca não acarretaria alteração no estado dos produtos. Tal descrição coincidiria com as informações prestadas pelo sócio da pessoa jurídica Cartago Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda., responsável pela realização do mesmo tipo de operação para a impugnante, no momento em que se desenvolveu a ação fiscal. Referida descrição teria sido ainda corroborada pelas informações prestadas pelos empregados da própria impugnante. c) O sítio da importadora na internet informaria sua condição de distribuidora de mercadorias, exibindo para fins de comercialização, diretamente a atacadistas, azeitonas com a mesma apresentação informada pelas pessoas jurídicas responsáveis pelas operações de beneficiamento e pelos empregados da importadora. Tal fato, no entendimento da Termo de Prestação de Esclarecimentos à fl. 171. fiscalização, descartaria a hipótese de que, após a comercialização, os produtos ainda receberiam algum tratamento especial visando a torná-los próprios para o consumo; d) O Código Alimentário Argentino apresentaria um fluxograma para a preparação das azeitonas verdes e, com relação ao seu acondicionamento, informaria a diferença entre a salmoura de cobertura utilizada para comercialização envasada e a empregada no produto destinado para a venda a granel. A primeira deveria ter uma concentração de cloreto de sódio entre 4 e 8% e a segunda, entre 6 e 10%, o que reforça a percepção de que a troca da salmoura não se destinava a alterar o estado do produto, mas tão somente adequar sua conservação à forma de acondicionamento. Devidamente cientificada em 10/01/2007, comparece a impugnante ao processo em 09/02/2007 para impugnar a exigência, alegando, em síntese: 1. Nulidade do auto de infração, em razão de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Após longa explanação acerca das normas e princípios que regem a atuação da administração pública e da citação de doutrina acerca do tema, argúi que o procedimento seria nulo em razão de que o auto de infração teria sido lavrado quando o mandado se encontraria extinto por decurso de prazo. Acresce que não teria recebido comunicação da prorrogação do prazo do mandado e que, sem o referido instrumento, a autoridade fiscal padeceria de incompetência. Cita jurisprudência administrativa. 2. Mudança de critério jurídico Argumenta que todas as declarações teriam sido regularmente processadas e, em tais oportunidades, não teria sido formulado qualquer questionamento acerca da exatidão do código tarifário empregado, 0711.20.10. Consequentemente, todos os lançamentos teriam sido homologados. Assim sendo, não poderia a autoridade fiscal, em razão de erro de interpretação, rever o critério jurídico empregado no despacho de importação. Cita doutrina e jurisprudência. 3. Erro da base de cálculo Após conceituar a base de cálculo e citar doutrina acerca do tema, argumenta que o art. 7º da Lei nº 10.864, de 2004 teria descumprido o comando do § 2º, III, “a” do art. 149 da Constituição Federal de 1988, pois previra a inclusão de parcelas diversas das que compõem o valor aduaneiro, base de cálculo das contribuições litigiosas segundo o comando constitucional. Cita doutrina e jurisprudência contrária a tal alargamento. Fl. 595DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 4. Exatidão do código NCM empregado Sustenta o sujeito passivo que tanto as notas fiscais acostadas ao processo, com vistas a demonstrar que o produto passaria por operação de beneficiamento antes de sua revenda, quanto os documentos expedidos pelo 5 Ademais, alega que o Poder Judiciário já se manifestara acerca do tema e ratificara a correção do código empregado pelo sujeito passivo. Transcreve trecho da liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança 2005.8..000167846. A impugnação foi julgada pela DRJ Recife, acórdão nº11038.800, de 21/11/2012, improcedente. Irresignada apresentou recurso voluntário, onde discorre sobre os seguintes pontos, resumidamente: - obteve liminar em Mandado de Segurança que lhe permitiu não incluir o ICMS na base de cálculo das contribuições PIS e Cofins e o desembaraço das declarações de importação; - a administração deve rever seus atos quando constatada a ilegalidade dos mesmos; - impossibilidade da reclassificação da mercadorias após o desembaraço, configurando mudança de critério jurídico; - a fiscalização entendeu que apesar de as azeitonas estarem acondicionadas em água salgada já estariam próprias para consumo; - a empresa sempre utilizou o código 0711.20.10 correspondente a “azeitonas em água salgada” relativamente a produtos conservados transitoriamente mas impróprios para alimentação humana; - a produtora e exportadora do produto comprova que ela é imprópria para consumo humano; - na liminar o D. juízo entendeu não ser razoável a exigência de nova classificação mormente quando em outra ocasiões a mesma classificação foi utilizada com o regular desembaraço aduaneiro Fl. 596DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 - insurge-se contra a inclusão na base de cálculo das contribuições PIS e Cofins dos valores devidos a título de II, ICMS, ISS, além das próprias contribuições, o que alega ser inconstitucional; - alega ser indevida a cobrança de juros e multa de mora. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Consta nos autos que a contribuinte teve ciência do acórdão DRJ em 07/01/2013, conforme AR efl. 531, e apresentou Recurso Voluntário em 06/02/2013, solicitação de juntada efl. 591. Também consta aposta à cópia do Recurso Voluntário juntada ao processo a data de recebimento em 05/02/2013, com identificação ilegível do servidor que praticou o ato, efl. 533, além de estar rasurada a data. E a data de assinatura do documento pela contribuinte consta como 04/02/2013. Em sua peça recursal manifesta-se sobre a tempestividade do recurso afirmando que: Decorrência do exercício da cautela, para fins de aferição da admissibilidade recursal, importa acentuar que o contribuinte, ora Recorrente, foi intimado do Acórdão presentemente objurgado em 07/01/2013, consoante atesta o aviso de recebimento, rastreado pelo código RQ663216367BR, anexo a esta petição (DOC. 02). A interposição do recurso em espécie, na presente data, 05/02/2013, portanto, denota-lhe a tempestividade. Ciente da possível existência da intempestividade, apresenta extenso arrazoado solicitando que seja apreciado o seu recurso. Entende que não houve inércia de sua parte, e que por ser um ato nulo deve ser assim reconhecido pela Administração. III. A VIABILIDADE DA APRECIAÇÃO DESTAS RAZÕES RECURSAIS PELO CARF É possível, no caso vertente, doutos conselheiros, alcançar a inexistência de inércia por parte da Recorrente, a qual apresentou Impugnação contra o Auto de Infração em foco. ... À guisa de ratificação de toda a argumentação ora empreendida, ensina HELY LOPES MEIRELLES: Essa atitude administrativa [de revisão dos próprios atos, quando viciados] é plenamente justificada pelo interesse reciproco do Poder Público em obviar um pleito judicial que conduziria ao mesmo resultado da decisão interna da Administração. (...) Daí porque a doutrina tem aconselhado o conhecimento e provimento da reclamação extemporânea, quando é manifesto o direito reclamado. (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 19. ed. Atualizada. São Paulo: Malheiros, 1994, p. 572). Não é outra a conclusão a que se chega a partir da leitura conjunta das normas contidas nos arts. 27 e 65, ambos da Lei n° 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: Art. 27. O desatendimento [pelo contribuinte] da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado. Fl. 597DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo a pedido ou de oficio, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada. Ainda que se encontre superada, no curso de um processo administrativo, então, determinada fase recursal, quando o contribuinte alegar a existência de circunstâncias relevantes que possam justificar a inadequação do lançamento ou de decisão que o convalide, deve o Poder Público receber e analisar o pedido interposto, não propriamente como recurso, mas como uma revisão de ato administrativo a pedido da parte interessada Não existe discordância a respeito da data do recebimento da intimação, 07/01/2013. O Decreto nº 70.235/72 – PAF, estipula prazo fatal de 30 dias para apresentação de recurso: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ... Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. O prazo findou em 07/01/2013, segunda-feira, por isso, a teor do parágrafo único do art. 5º considera-se o prazo final em 06/02/2013. Como a solicitação de juntada se deu em 06/02/2013, data em que não há dúvida sobre sua veracidade, já que não está rasurada como no caso da data aposta ao recurso, é possível confirmar a tempestividade. Logo, o presente recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Da autuação A empresa apresentou Declarações de Importação de azeitonas provenientes da Argentina, classificando-as na subposição 0711.20, e a fiscalização entendeu ser correta a NCM subitem 2005.70.00. A recorrente foi autuada por erro na classificação fiscal da mercadoria, sendo-lhe imputada a multa constante do art. 84, inciso I, da Medida Provisória n ° 2158-35/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n° 10.833/03, cobrado a diferença de tributos, conforme arts. 2°, 97, 482 a 485, 489, 491, 570, 602, 603, incisos I e IV, 604, inciso IV, 636, inciso I e §§ 3°, 4° e 5°, e 684 do Decreto n° 4.543/02. Art. 84, inciso I, da MP 2.158, de 24/08/01, além da multa do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Nos autos constam vários documentos em duplicidade o que dificulta a sua análise. Do Mandado de Segurança Fl. 598DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 A recorrente afirma que obteve liminar em Mandado de Segurança nº 2005.83.00.016784-6 que lhe permitiu não incluir o ICMS na base de cálculo das contribuições PIS e Cofins e o desembaraço das declarações de importação. Consta à efl. 247 a decisão liminar da 7ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco determinando a imediata liberação das mercadorias constantes da LI nº 05/1820714-2 independentemente da modificação da classificação fiscal tarifária das mercadorias, em 15/12/2005. Em consulta o site do TRF05 na internet, processo nº 0000834- 17.2006.4.05.0000, em 11/12/2006 foi publicado acórdão, e em 04/06/2007 o processo foi enviado para baixa definitiva. E em consulta ao site da Justiça Federal em Pernambuco, tem-se que o processo foi arquivado por ter se exaurido com a liberação das mercadorias: Dessa forma, uma vez que a concessão da medida liminar esgotou todo o objeto deste mandamus, tendo exaurido todos os seus efeitos com a liberação das mercadorias importadas, restou perdido o objeto desta demanda Não existe nenhuma menção ao Mandado de Segurança na peça impugnatória, por isso não foi analisado pela instância inicial, e como esclarecido, tanto o pedido inicial quanto a decisão judicial foram para a liberação imediata de apenas uma Licença de Importação, fugindo ao escopo desse processo administrativo. Quanto a não inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, esse pleito não consta do Mandado de Segurança, e a recorrente apresenta cópia do REsp STF nº 559.607-9. Por isso deixo de conhecer as alegações sobre o Mandado de Segurança, por preclusão e por não coincidência de objeto com a presente autuação. Mudança de Critério Jurídico. Alega a impossibilidade da reclassificação da mercadorias após o desembaraço, configurando mudança de critério jurídico, violando o art. 146 do CTN. Invoca a Súmula TFR 227: “A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento". Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Fl. 599DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Quanto a mudança de critério jurídico, esse assunto já foi amplamente debatido por esse Conselho, sendo já a posição predominante que é possível a revisão aduaneira, e somente para citar exemplos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/08/2007 a 30/06/2010 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227-TFR. ART. 146-CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decreto-lei no 37/1966, com a redação dada pelo Decreto-lei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Data da Sessão 24/10/2017. Relator LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO. Acórdão 3401-004.020 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227-TFR. ART. 146-CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decreto-lei no 37/1966, com a redação dada pelo Decreto-lei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Data da Sessão 26/06/2017. Relator ROSALDO TREVISAN. Acórdão 3401-003.812. E também acórdãos nºs 3201-003.744, 9303-006.839, 9303-006.332, 3201- 003.661, 3301-004.095, 3302-005.322, dentre outros. De acordo com o art. 146 do CTN quatro condições devem estar presentes para a configuração da mudança do critério jurídico. Condições essas cumulativas: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um Fl. 600DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos nossos) 1) a modificação do critério jurídico seja efetuada pela autoridade administrativa ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial, no caso será de ofício ou por meio de decisão administrativa ou judicial, respectivamente; 2) a autoridade administrativa efetuou um lançamento anterior onde fixou o critério jurídico; 3) a modificação é efetuada em relação a um mesmo sujeito passivo; e 4) o fato gerador deve ser posterior à modificação de critério. Preliminarmente é necessário que tenha ocorrido o lançamento onde a autoridade administrativa expressou o critério jurídico adotado. Esse lançamento deve ser aquele realizado de ofício, conforme estabelecido no art. 142 c/c art. 149 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; Fl. 601DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Nos casos de importação de mercadorias, onde é registrada a Declaração de Importação, não há lançamento de ofício, mas lançamento por homologação, conforme previsto no art. 150 do CTN, uma vez que o importador ou seu representante apuram o crédito tributário, e declaram o valor devido concomitantemente efetuando o recolhimento por meio de débito automático. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A declaração de importação efetuada pelo importador engloba um procedimento que visa a verificação do cumprimento das normas de controle aduaneiro e tributárias. Após o registro da declaração de importação pelo contribuinte inicia-se o despacho aduaneiro onde a fiscalização efetua a conferência aduaneira e a seguir efetua o desembaraço aduaneiro. Efetuado o desembaraço aduaneiro e a entrega da mercadoria não se encerra o trabalho da fiscalização. É possível a realização da revisão aduaneira em até 5 (cinco) anos após o registro da DI. A forma de atuação aduaneira é fruto de estudos realizados pela comunidade aduaneira internacional, e adotado pela maioria das aduanas do mundo, com o objetivo de garantir celeridade aos trâmites aduaneiros, sem descuidar da segurança necessária no comércio exterior, com a proteção das economias nacionais. Se não fosse esse modo peculiar de atuação não seria possível garantir que as empresas e demais intervenientes obtivessem acesso às suas mercadorias no mínimo de tempo possível. Essa forma de atuação da fiscalização aduaneira, garantindo a rapidez e segurança de toda a cadeia comercial, só é possível de ser executada caso exista a possibilidade de a aduana poder revisar seus atos, que para a rapidez de sua efetivação pode ser necessário a não verificação, ou verificação parcial, de alguns aspectos tributários. Fl. 602DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Assim é que o desembaraço aduaneiro não tem natureza de ato de lançamento de ofício e tampouco ato de homologação expressa do auto lançamento, por não atender os requisitos fixados no art. 150 do CTN. O desembaraço tem o efeito jurídico de autorizar a liberação da mercadoria, conforme expressamente estabelecido no art. 51 do Decreto-lei nº 37/1966: Art.51 - Concluída a conferência aduaneira, sem exigência fiscal relativamente a valor aduaneiro, classificação ou outros elementos do despacho, a mercadoria será desembaraçada e posta à disposição do importador.(Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º - Se, no curso da conferência aduaneira, houver exigência fiscal na forma deste artigo, a mercadoria poderá ser desembaraçada, desde que, na forma do regulamento, sejam adotadas as indispensáveis cautelas fiscais.(Incluído pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º - O regulamento disporá sobre os casos em que a mercadoria poderá ser posta à disposição do importador antecipadamente ao desembaraço.(Incluído pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) Logo, como todas as informações sobre a operação de importação na DI foram prestadas pelo importador, previamente ao início do despacho aduaneiro, não se pode dizer que a fiscalização tenha definido critério jurídico. A revisão aduaneira esta prevista nas normas legais, com base no art. 149 do CTN que prevê a possibilidade de a lei determinar a revisão de ofício do lançamento pela autoridade administrativa. Assim o Regulamento Aduaneiro, veio disciplinar a matéria, a partir da autorização legal expressa no art. 54 do Decreto-Lei nº 37/66: Art.54 - A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto-Lei.(Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) ... Art.638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação.(Decreto-Lei nº 37, de 1966, art. 54,com a redação dada pelo Decreto-Lei n o 2.472, de 1988, art. 2 o ; e Decreto-Lei nº 1.578, de 1977, art. 8º). §1 o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. §2 o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I- do registro da declaração de importação correspondente(Decreto-Lei nº 37, de 1966, art. 54,com a redação dada pelo Decreto-Lei n o 2.472, de 1988, art. 2 o ); e II-do registro de exportação. Fl. 603DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 §3 o Considera-se concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Também é importante relembrar que o art. 146, III, “b”, da CF/1988 determina que somente a lei complementar pode definir qual ato administrativo tem o efeito de extinguir o crédito tributário. E o desembaraço aduaneiro não se encontra mencionado no rol taxativo dos atos extintivos do crédito tributário, art. 156 do CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; II - a compensação; III - a transação; IV - remissão; V - a prescrição e a decadência; VI - a conversão de depósito em renda; VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X - a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei.(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)(Vide Lei nº 13.259, de 2016) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. A respeito da aplicação da Súmula 227, de 18/11/1986, do antigo Tribunal Federal de Recursos (TFR), extinto pela CF 1988, que dispõe : “A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento.”, temos que ela foi editada há quase quatro décadas, em face de antecedentes (por exemplo: REO 0104733/MG, 6ª turma, DJ 13/06/1985), e desde então o direito aduaneiro teve várias transformações, seja por aprimoramento da legislação interna ou dos acordos internacionais que o Brasil participa, e também pela própria dinâmica do comércio exterior. Pode-se dizer que a Súmula nº 227 tornou-se obsoleta em face das mudanças legais e infra legais implementadas nas últimas décadas. O Decreto-Lei nº 37/1966, base do direito aduaneiro, foi submetido a inúmeras alterações em seus quase sessenta anos de existência, merecendo destaque a reforma veiculada pelo Decreto-Lei nº 2.472/1988 em que todo o capítulo relativo ao controle aduaneiro de mercadorias foi reformulado. E após essa mudança alterou-se a natureza do trabalho realizado na conferência aduaneira. O controle fiscal, antes exercido quase exclusivamente durante a conferência, foi distribuído entre conferência e revisão aduaneira, tendo em vista a celeridade dos procedimentos Fl. 604DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 e como consequência da implantação de controles de análise de risco. Atualmente a maior parte das declarações de importação são parametrizadas para o canal verde de conferência, onde são desembaraçadas pelo Siscomex após batimentos efetuados com informações contidas nas bases de dados da RFB. Assim a conferência aduaneira é fiscalização preliminar, que se torna definitiva após o prazo decadencial para o lançamento dos tributos e apuração das infrações, conforme art. 54, e a revisão aduaneira ocupa papel crucial no sucesso do controle aduaneiro atual. Segundo a tese dominante nos órgãos julgadores administrativos, mesmo nos casos em que os produtos importados são submetidos à conferência aduaneira, até mesmo com exigência fiscal no curso do desembaraço, não há vedação ao reexame do despacho aduaneiro. Existem posições dentro do CARF que acatam a tese de mudança de critério jurídico quando a mercadoria foi desembaraçada no canal vermelho, mas mesmo dentro desse limite, é tese que mostra-se vencida na maioria dos julgamentos. Quanto ao argumento de que a orientação dada no curso do despacho de importação, afastaria a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora, nos termos do artigo 100 do CTN, temos que tal procedimento não se enquadra em nenhum dos incisos elencados no referido artigo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Observa-se que este procedimento não é ato normativo expedido por autoridade administrativa, nem tampouco pratica reiterada uma vez que foi a manifestação fiscal em uma única declaração de importação. Assim, o ato de desembaraço da mercadoria por qualquer canal de parametrização, mesmo sob canal vermelho, não tem por si só, qualquer efeito homologatório ou normativo quanto à classificação fiscal proposta pelo importador. Não fixa, por parte do Fisco, qualquer “critério jurídico” ou “norma complementar” pelos quais se deva orientar o contribuinte em ocasiões futuras, portanto, nesta situação, a reclassificação fiscal de uma mercadoria durante a revisão aduaneira não se caracteriza como introdução de uma mudança no “critério jurídico” ou na “norma complementar”, pois não houve anterior caracterização destes institutos que possibilitasse uma posterior mudança de entendimento. Fl. 605DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Não cabe falar em violação de ato jurídico perfeito, de direito adquirido, da segurança jurídica ou da capacidade contributiva. No caso, ainda não havia se configurado ato jurídico perfeito ou direito adquirido, porquanto ainda não se esgotara o tempo previsto em lei para a consecução desses efeitos, os quais somente se consolidariam com decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. Pelo mesmo motivo, está preservada a segurança jurídica, a qual, nos termos da lei tributária, se traduz na impossibilidade de o Fisco efetuar o lançamento após o quinquênio legal, estando legalmente a assegurada a prerrogativa de fazê-lo dentro desse prazo. Outrossim, cabe observar que a RFB disponibiliza o procedimento de Consulta, que pode ser utilizado pelo contribuinte sempre que houver dúvidas a respeito da aplicação da legislação, inclusive a correta classificação fiscal. Após os esclarecimentos necessários, concluo pela validade do procedimento de revisão aduaneira, e deixo de acatar a alegação da recorrente. Da classificação fiscal da mercadoria O ponto central da controvérsia está na classificação fiscal da mercadoria. A recorrente entende como correta a NCM 0711.20.10 – Azeitonas conservadas com água salgada, descrevendo a mercadoria nas declarações de importação como : “Azeitonas verdes “arauco” cosecha 2003 1 ...”. As importações estão amparadas com Fatura Comercial em nome da empresa “AGRO-RODEO” – elaboration de aceitunas y encurtidos em general, descritas como “aceitunas verdes arauco cosecha 2003”, com “origen y procedencia” em Mendoza – Argentina e NCM 0711.20.10.000Y. No conhecimento de carga consta que se tratam de tambores contendo “aceitunas verdes arauco cosecha 2003” com origem e procedência de Mendoza na Argentina. No packing list consta a mesma informação. O certificado de origem Mercosul, consta NCM 0711.20.10 e descrição “com agua salada” e “... toneladas de aceitunas verdes arauco cosecha 2003...” Informa que sempre utilizou a NCM 0711.20.10, correspondente a “azeitonas com água salgada”, relativa a produtos hortícolas conservados transitoriamente, mas impróprios para alimentação neste estado. A fiscalização entendeu que apesar de as azeitonas estarem acondicionadas em água salgada já estariam próprias para consumo: Afirmou que a subposição 0711.20 refere-se às azeitonas submetidas a um tratamento que apenas lhes assegure provisoriamente a conservação durante o transporte ou a armazenagem, antes da utilização definitiva, desde que permaneçam impróprias para consumo, neste estado, conforme esclarece a Nesh da posição 0711. O tratamento para conservação da azeitona é feito mediante a utilização de água salgada ou salmoura. 1 a "cosecha" ou colheita são de anos diferentes Fl. 606DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Já o subitem NCM 2005.70.00 é dedicado às azeitonas que passaram por tratamentos especiais, aplicados no intuito de eliminar o amargor próprio da fruta, tornando -as aptas para serem consumidas (não necessariamente a azeitona tem que estar pronta para consumo imediato, mas deve ter sido objeto de tratamento que possibilite o seu futuro consumo e que não sirva apenas para sua conservação durante o transporte ou a armazenagem). Esses tratamentos podem se dar por meio da utilização de soda ou pela fermentação prolongada da azeitona em solução de água salgada. Acrescentou que em procedimentos de fiscalização foi constatado que as azeitonas importadas já haviam sido submetidas a tratamentos especiais para a retirada do seu amargor. Consta a efl. 179 Termo de Constatação do Sr. Paulo Roberto Estrela da Silva, sócio da empresa All Bacon Defumados Salgados e Congelados Ltda, que prestou serviços para a recorrente, e no caso das azeitonas o serviço consistia em recebimento das azeitonas em “bombonas”, próprias para consumo, e o seu fracionamento em recipientes de menor volume. E durante o fracionamento havia a troca da salmoura sem alteração no estado das azeitonas. Á efl. 181 temos Termos de Constatação relativo ao comparecimento da fiscalização nas instalações da empresa Karne Keijo. Foi informado pela funcionária da empresa que as azeitonas chegam ao estabelecimento em bombonas de 180 kg e são encaminhadas para estabelecimento terceirizado para troca da salmoura e fracionamento das azeitonas em baldes de 2,5kg, para posterior venda a atacado. À efl. 189 e sgs. consta o Relatório da fiscalização, onde informa que: 1) a demanda de fiscalização partiu de denúncia da DRF Foz do Iguaçu sobre classificação incorreta; 2) a RF09 realizou estudo sobre as azeitonas e sua classificação fiscal onde constatou que 85% das azeitonas exportadas pela Argentina são próprias para consumo; 3) foram solicitadas as notas ficais de entrada e saída do estabelecimento que demonstraram haver operações de industrialização por encomenda realizadas pela empresa ALL Baccon; 4) a industrialização contratada deu-se em curto período de tempo, média de 4,4 dias; 5) a recorrente não possui instalações para efetuar o beneficiamento do produto; 6) no site da empresa consta que o produto é oferecido ao varejo na mesma apresentação recebida da terceirizada. Segundo a literatura técnica as azeitonas são frutos da Olea Europaea (Oliveira) colhidos no ponto de amadurecimento adequado. Após a colheita, os frutos são tratados com uma solução diluída de soda cáustica para melhorar a textura e, principalmente, para a retirada de um glícosídeo de sabor muito amargo, chamado oleuropeína. Na sequência, são lavados e colocados em salmoura para conservação e início do processo de fermentação láctica. No caso das azeitonas verdes, o processo dura 60 dias no mínimo e, no caso das azeitonas pretas, são 180 dias de fermentação láctica. Durante esse processo, as azeitonas são mantidas em tanques e logo após colocadas em barricas plásticas. Nessas barricas, o produto é mantido transitoriamente em salmoura de fermentação láctica, sendo transportado até a indústria onde se fará seu processamento final. Este consiste em limpeza, seleção e tratamento térmico (pasteurização) em embalagem final em potes de vidro hermeticamente fechados. No Relatório da Superintendência da Receita Federal da 9ª Região Fiscal (SRRF09), abordando o tema, identificou que permaneceriam no Capítulo 7 apenas as azeitonas conservadas transitoriamente em água salgada ou adicionadas de outras substâncias, porém impróprias para alimentação, vez que não passaram por nenhum tratamento. Fl. 607DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Diz que o tratamento especial tem por objetivo tornar o produto comestível, com a eliminação do amargor do próprio fruto. “Esse tratamento especial pode ser pela utilização de hidróxido de sódio (soda cáustica), antes da fermentação (método mais rápido) ou ainda, apenas com a colocação dos frutos diretamente em solução de água e sal, em grandes reservatórios, onde passarão pelo processo de fermentação ácida (método mais lento para a retirada do amargor).” 10. O fluxograma para a preparação de azeitonas verdes é o seguinte: a. Recepção e inspeção da matérias b. Lavagem c. Tratamento com álcali (destrói a maior parte do princípio amargo, a oleupeína, permeabiliza a pele e melhora a textura das azeitonas); d. Imersão em salmoura; e. Fermentação; f. Seleção e classificação (nesta etapa se separam os frutos defeituosos e se classificam por tamanho); g. Acondicionamento (para as azeitonas que se comercializam envasadas, a salmoura de cobertura deve ter uma concentração de cloreto de sódio de 4 a 8%, e as que se comercializam a granel, entre 6 a 10%); h. Envasamento (as formas de apresentação incluem as descaroçadas, recheadas com alcaparras, anchovas ou sardinhas, pimentão vermelho, trufas, pepinos, cebolinhas, etc.); i. Azeitonas verdes. A classificação fiscal de mercadorias baseia-se na Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, ou simplesmente Sistema Harmonizado, promulgado pelo Decreto nº 97.409, de 22 de dezembro de 1988, e no texto das Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado, aplicáveis por força do Decreto nº 435, de 1992. Para a correta classificação fiscal é preciso seguir uma metodologia própria que inclui a aplicação das Regras Gerais de Classificação e das Regras Complementares do Mercosul. À época dos fatos estava vigente a NCM 2002 com os seguintes textos, na NCM definida pela recorrente: 07.11 PRODUTOS HORTÍCOLAS CONSERVADOS TRANSITORIAMENTE (POR EXEMPLO: COM GÁS SULFUROSO OU ÁGUA SALGADA, SULFURADA OU ADICIONADA DE OUTRAS SUBSTÂNCIAS DESTINADAS A ASSEGURAR TRANSITORIAMENTE A SUA CONSERVAÇÃO), MAS IMPRÓPRIOS PARA ALIMENTAÇÃO NESTE ESTADO 0711.20 -Azeitonas 0711.20.10 Com água salgada NT 0711.20.20 Com água sulfurada ou adicionada de outras substâncias NT 0711.20.90 Outras 0 E na NCM definida pela fiscalização Fl. 608DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 20.05 OUTROS PRODUTOS HORTÍCOLAS PREPARADOS OU CONSERVADOS, EXCETO EM VINAGRE OU EM ÁCIDO ACÉTICO, NÃO CONGELADOS, COM EXCEÇÃO DOS PRODUTOS DA POSIÇÃO 20.06 2005.70.00 -Azeitonas A questão central gira em torno de se identificar se o produto era próprio para consumo humano ou não. Se caracterizado que as mercadorias encontravam-se impróprias para consumo, sua classificação será dada pela posição 0711, como defende a recorrente, por outro lado, se consideradas próprias para consumo, tais mercadorias passam a classificar-se na posição 2005, como entende a Fiscalização. Não existem laudos para o produto e a fiscalização concluiu que o produto era próprio para consumo humano por maneira indireta, em diligência à empresa recorrente e empresa terceirizada, e no confronto com documentos fiscais de entrada e saída. Foi confirmado que não houve processo de industrialização que trouxesse modificações ao produto e que o mesmo era apenas fracionado em embalagens menores e oferecido a venda para consumo, logo ele foi importado em estado próprio para consumo. Além disso, foi constatado que o tempo de permanência na empresa terceirizada não era suficiente para a industrialização do produto, segundo a literatura técnica, tornando-o de produto não próprio para consumo para a condição de próprio para consumo. Outra informação trazida pela fiscalização foi a de que, segundo a autoridade agropecuária do governo da Argentina, 85% das azeitonas exportadas são próprias para o consumo e o Brasil é o único importador da mercadoria. Esses indícios levaram a confirmação de que o produto entrava no país em estado de próprio para consumo, em oposição ao afirmado pela recorrente de que o produto no estado em que foi importado não era próprio para consumo A recorrente, por sua vez, não analisa a classificação da mercadoria ou dispende tempo para efetuar uma identificação detalhada da mercadoria. Não apresentou laudos técnicos ou o processo de industrialização que efetua, em suas instalações ou por meio de empresa terceirizada. Em tempo, a fiscalização confirmou, in loco, que a recorrente não possui instalações que permitam qualquer processo de industrialização da mercadoria. Restringe-se a afirmar que sempre utilizou a NCM 0711.20.10, que os documentos comprovam que a mercadoria corresponde a “azeitonas com água salgada”, que a produtora e exportadora assevera que a mercadoria é imprópria para consumo humano, e que o MM. Juiz da 7ª Vara Federal, no Mandado de Segurança entendeu não ser razoável a exigência de nova classificação da mercadoria, já que em outras ocasiões a empresa utilizou essa classificação e ocorreu o regular desembaraço aduaneiro. Sendo assim, a fiscalização demonstrou com clareza que as mercadorias importadas já se apresentavam próprias para consumo. O conjunto de elementos colacionados caracteriza que o produto não foi submetido, após a importação, a qualquer tratamento especial destinado a alterar suas propriedades de modo a torná-lo próprio para consumo, como o beneficiamento por meio de imersão em substância alcalina ou fermentação capaz de retirar o amargor que lhe é próprio. Fl. 609DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Restou caracterizado que as únicas operações a que foram submetidas as mercadorias, após a importação, foram o fracionamento (acondicionamento em embalagens menores para fins de venda) e a troca da salmoura. Tais operações não se confundem com aquelas empregadas no intuito de tornar o produto apto ao consumo. Por fim, cumpre registrar que as informações consignadas no site da impugnante permitem concluir que, após fracionado, o produto seria revendido diretamente a empresas atacadistas, o que reforça a noção de que, naquele momento, já se encontraria apto ao consumo posto que não passaria por qualquer outro processo de beneficiamento. Ante o exposto, considerando-se que a mercadoria não foi submetida, no Brasil, a processo de beneficiamento capaz de torná-la apta ao consumo, forçoso é concluir que tal condição já se encontrava presente no momento da importação Como é sabido, a tabela da nomenclatura de mercadorias é construída de maneira que os capítulos se desdobrem conforme o nível de industrialização a que são submetidas as mercadorias, ou seja, partindo das mercadorias com zero grau de industrialização, capítulo 01 até as mercadorias com alto processo de industrialização, nos últimos capítulos, como o 96. Assim é que as mercadorias do capítulo 07 encontram-se em fase de industrialização inferior às mercadorias do capítulo 20. Por esse motivo a NESH da posição 0711 traz a seguinte informação: Esta posição compreende os produtos hortícolas que tenham sido submetidos a um tratamento que lhes assegure provisoriamente a conservação durante o transporte ou armazenagem, antes da utilização definitiva (por exemplo, por meio de gás sulfuroso ou água salgada, sulfurada ou adicionada de outras substâncias), desde que permaneçam impróprios para consumo, neste estado. Estes produtos destinam-se geralmente a servirem como matérias-primas na indústria das conservas. Consistem principalmente em cebolas comestíveis, azeitonas, alcaparras, pepinos, pepininhos (cornichons), cogumelos, trufas e tomates. Apresentam-se geralmente em barris ou em tambores. Todavia, classificam-se no Capítulo 20 os produtos que, mesmo apresentados em água salgada, tenham sofrido previamente tratamentos especiais, tais como pela soda, por fermentação láctica, a fim de torna-los imediatamente consumíveis (por exemplo, as azeitonas verdes ou curtidas, o chucrute, os pepininhos (cornichons), o feijão verde). (grifos nossos) Por outro lado, a NESH da posição 2005 consigna: Entre as preparações compreendidas na presente posição podem citar-se: 1)As azeitonas preparadas para consumo por tratamento especial em solução diluída de soda ou maceração prolongada em água salgada. (As azeitonas simplesmente conservadas provisoriamente em água salgada, classificam-se na posição 07.11 ver a Nota Explicativa desta posição). O que confirma a correta identificação pela fiscalização da NCM 2005.70.00, pela aplicação das regras de classificação RG1 e RG6: Fl. 610DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 20.05 OUTROS PRODUTOS HORTÍCOLAS PREPARADOS OU CONSERVADOS, EXCETO EM VINAGRE OU EM ÁCIDO ACÉTICO, NÃO CONGELADOS, COM EXCEÇÃO DOS PRODUTOS DA POSIÇÃO 20.06 2005.70.00 -Azeitonas Confirmando tal entendimento, já existe manifestação do Ceclam – Centro de Classificação de Mercadorias da RFB sobre o mesmo produto, Solução de Divergência nº 98.020, de 12/11/2019, Solução de Consulta nº 98.065, de 02/03/2021, Solução de consulta nº 98.014, de 31/01/2019: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código NCM: 2005.70.00 Mercadoria: Azeitonas verdes, com ou sem caroço, previamente tratadas por fermentação láctica, conservadas transitoriamente em água salgada para assegurar sua conservação, apresentadas em tambores plásticos, com peso líquido de 268 kg e peso drenado de 175 kg. Dispositivos Legais: RGI 1 e RGI 6 da NCM/SH, constante da TEC, aprovada pela Res. Camex nº 125, de 2016, e da Tipi, aprovada pelo Decreto nº 8.950, de 2016, e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Dec. nº 435, de 1992, e atualizadas pela IN RFB nº 1.788, de 2018, e alterações. Além disso, o CARF já se pronunciou algumas vezes sobre a classificação fiscal do produto: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). AZEITONAS PREPARADAS. Para fins de classificação fiscal, após serem submetidas a processos de adoçamento (desamerização) e fermentação láctica, as azeitonas são consideradas preparadas para consumo humano e, neste estado, classificam-se no código 2005.70.00 da NCM. (Acórdão nº3002-000.548, de 14/01/2019) CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AZEITONAS PROCESSADAS POR TRATAMENTO ESPECIAL. Classificam-se no Capítulo 20 as importações de azeitonas que tenham sofrido previamente tratamentos especiais, a fim de torná-las imediatamente consumíveis. Para fins de Classificação Fiscal, a legislação brasileira não interfere na caracterização do termo “imediatamente consumíveis”. (acórdão nº 3402-008.209 de 25/03/2021) CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). AZEITONAS PREPARADAS. Fl. 611DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Para fins de classificação fiscal, após serem submetidas a processos de adoçamento (desamerização) e fermentação láctica, as azeitonas são consideradas preparadas para consumo humano e, neste estado, classificam-se no código 2005.70.00 da NCM. (acórdão nº 9303-006.855 de 12/06/2008) Por fim, não merece prosperar as alegações da recorrente quanto ao fato de o exportador ter atestado que as mercadorias seriam impróprias para consumo imediato ou a manifestação do Poder Judiciário. Como já detalhado, os documentos apresentados por ocasião da importação, fatura comercial, conhecimento de carga e certificado de origem, consignavam a descrição da mercadoria e a classificação fiscal tal qual informada pela recorrente, todavia, tal informação restou descaracterizada pelas evidências coletadas pela fiscalização. Concluo que foi correta a NCM 2005.70.00 identificada pela fiscalização. Da cobrança de juros e multa de mora. A recorrente insurge-se contra a cobrança de juros e multa, e traz a necessária aplicação do art. 63 da Lei nº 9.430/96, que no § 2º dispõe que a interposição de ação judicial favorecida com medida liminar interrompe a incidência de multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou a contribuição. Afirma ser indevida a aplicação da multa de mora no percentual de 20%. Informa que em 30/05/2007 foi publicado acórdão referente a apelação em Mandado de Segurança nº 97.473-PE o qual deu provimento à apelação interposta pela Fazenda Nacional nos autos do Mandado de Segurança da recorrente em que questionava a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins na Importação. A empresa interpôs embargos de declaração, que suspende os efeitos da decisão embargada, tendo sido julgado e o acórdão publicado em 17/09/2007. E que ao tempo da lavratura do auto de infração a decisão que dera provimento à apelação da Fazenda Nacional não estava surtindo efeitos, daí porque não deveria ter sido aplicada a multa de mora. A recorrente não apresenta as peças processuais judiciais a que faz referência. A única menção que existe nos autos, conforme já esclarecido, refere-se a Mandado de Segurança para liberação de mercadoria constante de uma única LI, que foi cumprido e o processo arquivado. Além disso, a questão apresentada é nova nessa instância recursal, não tendo sido apresentada em impugnação, por isso deixo de conhecê-la. Do ICMS na base de cálculo das contribuições. Fl. 612DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 O Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, por intermédio do RE 559.937/RS, julgado sob a sistemática da repercussão geral, conforme ementa que ora se reproduz: “Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS –importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente não cumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. Fl. 613DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” A decisão em comento transitou em julgado em 29/10/2014, de modo que sua observância é impositiva. Conclusão Pelo exposto, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida voto pelo provimento parcial do recurso para que seja excluído o ICMS da base de cálculo das contribuições conforme decidido no RE STF nº 559.937/RS. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Fl. 614DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000184/2004-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência junto à DRF/Vitória/ES, na forma do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11543.000184/2004-29
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5566963
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3301-000.233
nome_arquivo_s : Decisao_11543000184200429.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 11543000184200429_5566963.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência junto à DRF/Vitória/ES, na forma do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6274166
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:37:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610565773524992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1482; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 3 1 2 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.000184/200429 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.233 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de janeiro de 2016 Assunto Contribuição para PIS e Cofins Recorrente Unicafé Cia Comércio Exterior Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência junto à DRF/Vitória/ES, na forma do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 00 18 4/ 20 04 -2 9 Fl. 8445DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 4 2 Relatório: Por bem descrever os fatos, adotase o relatório exarado na decisão de primeira grau, que segue transcrito: Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo a COFINS não cumulativa referente ao período de apuração : 01/07/2004 a 30/09/2004 (3º Trimestre de 2004), no valor de R$ 6.737.997,48. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 144, com base no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 1.426/2009 (fls. 133 e ss.), decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 4.005.046,12 e homologar as compensações apresentadas no presente processo, até o limite do crédito reconhecido. No Parecer SEORT, que serviu de base para o Despacho Decisório, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: 1. • A avaliação do histórico do livro Razão do período mostra que o contribuinte registra como variação cambial passiva despesas de variação cambial na venda, bem como despesas de variação cambial relacionadas à antecipação de contrato de câmbio – ACC; 2. • Como a ACC tem caráter de financiamento, tal despesa se enquadra na previsão legal. No entanto, não há qualquer previsão para utilização das demais despesas de variação cambial, como formadoras do direito creditório da nãocumulatividade, cabendo serem excluídas as despesas de variação cambial passiva não atreladas a ACCs nos históricos dos lançamentos no livro Razão do contribuinte; 3. • Dentro do item despesas financeiras, o contribuinte indica as despesas relacionadas aos juros remuneratórios. Após intimado foi constatado que o mesmo se refere a Juros sobre o Capital Próprio. É pacífico que os juros pagos aos sócios investidores não são despesas de empréstimos, visto que não existe uma dívida da entidade para com os sócios; 4. • Foram excluídos da base de cálculo dos créditos da contribuição os valores pagos aos acionistas a título de juros remuneratórios nos valores de R$ 280.385,58 em cada mês do trimestre em análise. 5. • Despesas decorrentes do pagamento de corretagem não dão direito ao crédito, haja vista não caracterizarem insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; 6. • O contribuinte informa despesas com materiais com direito a crédito, contabilizadas na conta 3101030031 – materiais de manutenção.Ocorre que o somatório destas despesas contabilizadas nos balancetes apresentados totalizam valores diversos daqueles informados pelo contribuinte. Dessa forma, foram glosados da base de cálculo os valores informados nos demonstrativos que excederam o valor contabilizado na conta 3101030031; 7. • Foram analisadas as aquisições de café dos fornecedores pessoas jurídicas responsáveis por 70% das aquisições da Unicafé no ano de 2004; 8. • Nesta amostragem, 60% do volume financeiro total registrado referemse a fornecedores que se enquadram como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Fl. 8446DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 5 3 Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão. Outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é nula, portanto totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com o ora requerente; 9. • A tabela às fl. 139 apresenta as compras dos fornecedores irregulares; 10. • Verificase que há a pretensão de obtenção de crédito da COFINS de fevereiro a dezembro de 2004 sob compras de fornecedores em situações incompatíveis com a receita declarada que totalizariam R$ 10.859.898,63, valores estes nunca recolhidos aos cofres públicos; 11. • Como se pode extrair, a situação é paradoxal, haja vista que a Fazenda Nacional é instada a ressarcir um pretenso direito creditório que, como contrapartida, não possui o recolhimento dos tributos devidos na etapa imediatamente anterior; 12. • Diante do que foi retratado, a plausível conclusão conduz inadmissibilidade do pleito formulado, no que toca às ditas compras, em razão de um claro enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos, o que representa uma cessão de interesses públicos em favor de particulares; 13. • Com efeito, o princípio da nãocumulatividade, tal como insculpido no art. 153, § 3º, II da CF/88 (não obstante referirse ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, sem sombra de dúvida é o paradigma adotado para esta novel roupagem das contribuições sociais em comento), estabelece a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado na anterior; 14. • Irrefragável é a concepção segundo a qual a efetiva cobrança ou, na pior hipótese, a pressuposição de sua ocorrência, é condição sine qua nom para a admissão do creditamento. Vale esclarecer que tal "cobrança", para os tributos sujeitos ao denominado "lançamento por homologação", onde a lei atribui ao próprio contribuinte a iniciativa de apuração e recolhimento do montante devido, é caracterizada pela efetiva adoção de referidos procedimentos; 15. • Isto se dá porque, diversamente do que só ocorre com o IPI, onde o imposto vem destacado na respectiva nota fiscal de aquisição, o que faz presumir a sua incidência, na apuração dos créditos de PIS/Pasep e Cofins tal cálculo é realizado pela aplicação da alíquota cabível sobre o valor das compras realizadas, o que não conduz a tal conjectura; 16. • Como restou demonstrado na hipótese relatada, sabidamente não houve o respectivo recolhimento tributário de forma tal que não há razoabilidade em se admitir o reconhecimento do direito creditório, sob pena de se patrocinar verdadeira sangria nas finanças públicas; 17. • Isto posto, foi providenciada a relação nominal dos fornecedores que se encontram nas situações descritas, bem como a listagem das notas fiscais das aquisições não aproveitadas, às fl.92/107, e foi promovida a glosa pertinente, conforme tabela à fl.108; Fl. 8447DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 6 4 18. • Procedeuse, então, à utilização dos créditos na dedução do débito da COFINS apurado no mês: verificandose a existência de créditos disponíveis para compensação, cabendo o reconhecimento do direito creditório de R$ 4.005.046,12, relativo à nãocumulatividade da COFINS vinculado à exportação. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 08/09/2009 (fl. 150) e apresentou, em 24/09/2009, a Manifestação de Inconformidade de fl. 151 e ss. alegando, em síntese que: 1. • A recorrente possui registros em seus livros contábeis de contas de ativo e passivo, valores que representam direitos e obrigações indexadas ao dólar americano, que, por óbvio, têm reflexos tributários; 2. • As variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, devem ser consideradas para efeito de apuração do lucro operacional da entidade empresária; 3. • Assim, as despesas da variação cambial passiva devem ser incluídas na determinação do lucro operacional, sendo devido o correspondente registro como despesas incorridas em cada exercício, independentemente do seu pagamento, devendo por sua vez, ser apropriado à luz das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2004, como formadoras do direito creditório da nãocumulatividade; 4. • Conceber os juros sobre capital próprio pagos como despesas financeiras (parágrafo único, artigo 30 da IN SRF nº 11/96), nada mais é, senão, atribuir tratamento isonômico às sociedades; 5. • Isto porque, da mesma forma que a empresa é tributada quando recebe tais rubricas (Artigo 29, § 4º, alínea “a”), está autorizada legalmente a tomada de créditos quando tais despesas são suportadas pela entidade empresária por ocasião do pagamento a outra pessoa jurídica; 6. • Podese concluir que, seja por quaisquer dos raciocínios empregados chegase a mesma conclusão: a decisão exarada pela fiscalização deverá ser reformada, já que não encontra abrigo no ordenamento jurídico brasileiro; 7. • A atividade de corretagem de café é essencial ao comércio atacadista de café. O corretor de café é um consultor do produtor, assim como do comprador que traz os diversos lotes para o exportador e o torrador; 8. • A atuação do profissional de corretagem de café é absolutamente necessária à comercialização do produto; 9. • Em tais condições, não há como afastar que os desembolsos decorrentes do pagamento de corretagem de café, sejam desconsiderados como insumos à atividade da contribuinte; 10. • A Autoridade Fiscal, alega que a manifestante adquiriu mercadorias de empresas inativas, com receita incompatível, com receita nula e omissa ao longo do ano calendário 2004, porém deve ser notado que as glosas das rubricas deramse de modo Fl. 8448DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 7 5 precipitado, com base na afoita alegação de que as aludidas empresas fornecedoras estavam irregulares; 11. • Não há nos autos a demonstração jurídica do preenchimento dos requisitos legais e regulamentares da inidoneidade das empresas fornecedoras ou qualquer comprovação de que tenham deixado de funcionar nos endereços respectivos; 12. • As empresas que comprovarem a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados; 13. • A boa fé da empresa Recorrente é ainda demonstrada pelo fato de que esta teve o zelo de fazer consultas ao SINTEGRA e ao próprio banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com o objetivo de comprovar a regularidade jurídica das empresas fornecedoras; 14. • Ainda que as empresas fornecedoras estivessem inativas no momento da realização das operações de fornecimento de mercadorias, no ano de 2004, o que não é verdade, a manifestante não poderia jamais ser prejudicada por fatos que não causou; 15. • A análise do caso concreto demonstra que há efetiva comprovação de que a empresa adquirente, ora Recorrente, promoveu o pagamento do valor acordado para aquisição das mercadorias e recebeu o produto em um dos seus estabelecimentos, elencando seus fornecedores e os respectivos recolhimentos; Posteriormente, em 21/12/2010, a contribuinte carreou aos autos petição intitulada Aditivo à Manifestação de Inconformidade corroborando os pontos suscitados na Manifestação originária e salientando a boa fé da contribuinte. Em 25/05/2011, a então 5ª Turma da DRJ/RJ2, atual 17ª Turma da DRJ/RJO encaminhou o processo em diligência, para que a Delegacia de origem prestasse maiores esclarecimentos quanto às irregularidades apuradas na apropriação de créditos da nãocumulatividade do PIS sobre as aquisições de café junto a pessoas jurídicas inaptas, inativas ou omissas; Em atendimento ao solicitado, foram anexados aos autos vasta documentação e o resultado do procedimento de diligência realizado pelo SEFIS/DRF/Vitória consta do Relatório Fiscal em fls.12.589/12.818. No referido Termo, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: 1. • A utilização de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores para obtenção e apropriação dos créditos do PIS/COFINS foi descortinada nas investigações da DRF/Vitória/ES (“Operação Tempo de Colheita”), iniciadas em outubro de 2007, e que resultaram posteriormente na “Operação Broca”, deflagrada em 01/06/2010, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; 2. • No início, as investigações restringiramse ao estado do Espírito Santo, que produz café conilon e arábica, e onde estão localizadas importantes exportadoras de café do país. E, após a “Operação Broca”, foram realizadas diligências no Sul da Bahia (café conilon) e Região da Zona Mata Mineira e Sul de Minas Gerais (café arábica); 3. • Fato é que na diligência iniciada em 25/03/2009, antes, portanto, da deflagração da “Operação Broca”, a UNICAFÉ apresentou para o período de 12/2002 a 12/2008 um Fl. 8449DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 8 6 rol disseminado com mais de 700 fornecedores pessoas jurídicas, inclusive várias cooperativas, no qual já despontavam à época diversas empresas laranjas do ES e um conjunto de indícios de que as supostas empresas fornecedoras de Minas Gerais haviam trilhado o mesmo caminho; 4. • No extenso rol de supostos fornecedores de café, é importante mencionar a ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de café localizadas na cidade de COLATINA, norte do ES, uns dos principais alvos na “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES.; 5. • A UNICAFÉ, com matriz em Vila Velha/ES e armazéns localizados nas principais regiões produtoras de café, como por exemplo: MANHUMIRIM (Região da Mata Mineira), VARGINHA (Sul de Minas Gerais) e VILA VELHA (Região da Grande Vitória/ES), tem escritório localizado no edifício PALÁCIO DO CAFÉ/VITÓRIA/ES, onde também funciona o Centro de Comércio de Café de Vitória (C.C.C.V), bem como outras empresas exportadoras e corretoras de café; 6. • Por se tratarem de pessoas jurídicas cadastradas como ATACADISTAS DE CAFÉ com vultosa movimentação financeira, esperavase encontrar empresas com uma estrutura operacional e logística compatível com tal volume de supostas vendas; 7. • De forma diametralmente oposta às tradicionais empresas ATACADISTAS DE CAFÉ, situadas em COLATINA, LINHARES e GRANDE VITÓRIA, o que se viu foram pequenas salas com acomodações acanhadas. Nenhum armazém, nenhum quadro de funcionários, nenhuma estrutura logística indispensável para o funcionamento de uma empresa ATACADISTA DE CAFÉ. Algumas situadas muito próximas às maiores e tradicionais empresas comerciais exportadoras de café, que supostamente seriam suas clientes. Não era viável economicamente a inclusão desse tipo de “empresa” na comercialização de café entre produtor e essas tradicionais atacadistas exportadoras e torrefadoras, dada a pequena margem de preço praticado pelo produtor e o pago pela exportadora/indústria e a carga tributária incidente sobre o faturamento (PIS/COFINS) pela então legislação vigente da nãocumulatividade; 8. • O avanço das investigações mostrou que se estava diante de um grande esquema montado de empresas laranjas de dimensão nacional usadas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores/maquinistas; 9. • Aliás, as investigações da Receita Federal realizadas antes da deflagração da Operação Broca haviam delineado diversas negociações de compras de café da própria UNICAFÉ, no ES, nas quais corroboraram a existência do esquema fraudulento; 10. • O modus operandi descrito detalhadamente pelos agentes da cadeia de comercialização (produtor/maquinista, corretor e representantes das fictas intermediárias – empresas laranjas) foi devidamente demonstrado mediante confrontação dos documentos colhidos no de decorrer das investigações e robustecido com aqueles apreendidos na Operação Broca; 11. • No início das investigações no Espírito Santo, ANTÔNIO GAVA, sócio da COLÚMBIA, situada em COLATINA/ES, em breve palavras contidas nas declarações Fl. 8450DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 9 7 prestadas em 30/11/2007, apontou para o esquema de venda de notas fiscais da COLÚMBIA para guiar café de produtor; 12. • Em seguida, a V. MUNALDI surgiu como mais uma “firma” vendedora de nota. Em 28/02/2008, ALTAIR BRÁZ ALVES, da V. MUNALDI, revelou o modus operandi do esquema; 13. • Em 06/03/2008, em resposta às indagações fiscais, COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L, todas de COLATINA/ES, manifestaramse de igual teor. Relataram à época que não possuíam imóveis, veículos, tampouco funcionários, e que, quando havia necessidade, contratavam serviços terceirizados de motoboy para entrega de documentos; 14. • Quanto à origem dos recursos creditados nas contas correntes, afirmaram categoricamente que eram recursos que pertenciam a terceiros compradores do café: Asseveraram que não são e nunca foram empresas comercializadoras ou atacadistas de café; 15. • Recebida a informação de quem era o vendedor, o comprador poderia ou não fazer contato com o mesmo. Certo é que o comprador depositava o valor na conta da COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L e “exigia que o produtor ‘guiasse’ o produto com nota de produtor para a fiscalizada”. 16. • E prosseguem relatando que: recebendo a nota fiscal do produtor, liberavam para este o valor da venda e emitiam em seguida uma nota fiscal própria de venda para a Compradora; 17. • A ressaltar ainda das respostas das diligenciadas que o comprador “EXIGIA QUE O PRODUTOR ‘GUIASSE’ O PRODUTO COM NOTA DE PRODUTOR PARA A FISCALIZADA” E ELAS, EM CONTRAPARTIDA, EMITIAM UMA NOTA FISCAL DE SAÍDA PARA O COMPRADOR. Assim, não operam como atacadistas de café, mas, sim, são usadas como uma ponte de repasse de recursos dos compradores para produtores rurais/maquinistas. Agem desta forma “POR IMPOSIÇÃO DOS COMPRADORES (QUE SÃO POUCOS E PODEROSOS)”; 18. • Revelaram, ainda, que em hipótese alguma teriam “recursos para operar da forma como operaram nos últimos anos, mormente considerando a pesada carga tributária imposta por lei na operação, em especial da forma como exigida pelos compradores, qual seja com incidência integral de PIS/COFINS”; 19. • No início, em 2003, as exportadoras sinalizaram e algumas chegaram a indicar as pseudo empresas para guiar suas compras de café, conforme declarado por maquinistas, produtores rurais, corretores e os próprios sócios das empresas de fachada; 20. • Criouse, então, a figura da intermediária fictícia, cujo objetivo era vender nota fiscal. A princípio, com poucas “empresas”, esse mercado paralelo de pseudo atacadistas de café expandiuse rapidamente de tal modo que gerou uma concorrência no preço cobrado pela venda da nota fiscal. A existência e o modo delas operarem não só é de pleno conhecimento das empresas exportadoras e torrefadoras como algumas ditavam as regras e outras simplesmente se omitiram, sendo assim culpadas dessa cumplicidade silenciosa; Fl. 8451DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 10 8 21. • Com base nos depoimentos, fica claro que as exportadoras sabiam da condição de laranja das empresas que documentavam artificialmente as vendas de produtores/maquinistas como sendo suas, a consulta efetivada ao SINTEGRA e CNPJ para verificar a situação fiscal (ativa e sem restrições) da “empresa” que estava guiando o café. Tal procedimento era adotado a cada descarga nos armazéns da UNICAFÉ, quer fosse no ES, quer fosse em MG, ou outro estado, conforme cópia dos documentos juntada pela própria UNICAFÉ nos autos ora diligenciados; 22. • Aliás, esse não era procedimento exclusivo da UNICAFÉ. Ao contrário, todas as exportadoras e torrefadoras auditadas lançavam mão da mesma prática, o que vem ao encontro das declarações prestadas pelos corretores no curso das investigações; 23. • A fiscalização diligenciou mais de uma centena de produtores rurais do ES. No início, a maioria produtores de café conilon do norte e noroeste do estado, estendendo posteriormente para outras regiões do ES e de outros estados (Bahia e Minas Gerais). O critério utilizado foi ouvir aqueles identificados como maiores produtores de determinadas regiões; 24. • Os produtores ouvidos mostraram total desconhecimento acerca das pseudo empresas atacadistas usadas para guiar o café. Negociavam com pessoas conhecidas, de sua confiança, ou seja, os corretores, maquinistas e empresas da sua região, contudo, no momento da retirada do café surgiam nomes de “empresas” desconhecidas; 25. • Sem exceção, os depoimentos dos produtores têm o mesmo teor: as notas fiscais do produtor rural, preenchidas pelos compradores/corretores/maquinistas ou a mando deles, têm como destinatárias supostas “empresas” totalmente desconhecidas dos depoentes e que não são as reais adquirentes do café negociado; 26. • Ao longo dessas oitivas, surgiram novos nomes de pseudo atacadistas, principalmente, criadas a partir de 2006. A fiscalização diligenciou grande parte delas, que resultou na sua Inaptidão/Suspensão no cadastro do CNPJ; 27. • A existência e o modo delas operarem não só era de pleno conhecimento das empresas exportadoras e torrefadoras como algumas ditavam as regras. A corroborar os depoimentos do corretor ARYLSON STORCK e de FLÁVIO TARDIN FARIA e LUIZ FERNANDO MATTEDE TOMAZI, administradores das empresas laranjas ACÁDIA, DO GRÃO e L&L, transcritos na DENÚNCIA PR/COL/ES; 28. • Os representantes da Colúmbia, Acádia, L&L e Do Grão respondendo às indagações dos Auditores Fiscais asseguraram que exportadoras e indústrias tinham pleno conhecimento da venda de notas e que era prática adotada em todo o país. Acrescentaram que muitas destas laranjas eram operadas por exfuncionário das próprias exportadoras e corretores, fato devidamente comprovado nas investigações realizadas no ES e, posteriormente, nas diligências efetuadas em MG; 29. • A fraude e o seu modus operandi foram corroboradas nas oitivas colhidas no curso das investigações perante os produtores/maquinistas e corretores juntamente com a vasta documentação apresentada por eles e para fulminar os documentos apreendidos na “OPERAÇÃO BROCA”, inclusive na própria UNICAFÉ; Fl. 8452DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 11 9 30. • Na oitiva do dia 26/11/2008, o corretor LUIZ FERNANDES ALVARENGA informou que, antes de constituir a CASA DO CAFÉ CORRETORA e COLATINA CORRETORA DE CAFÉ, trabalhou na UNICAFÉ, na qual alcançou a função de subgerente de compras na filial em COLATINA/ES; 31. • Luiz Fernandes Alvarenga explicou minuciosamente seu trabalho de corretor, ratificando o relato de outros corretores quanto a utilização de empresas laranjas para guiar café do produtor e/ou maquinista para as exportadoras/torrefadoras. Deixou claro a responsabilidade e o risco do produtor e/ou maquinista pela qualidade e entrega do café, bem como a identificação destes para o comprador (exportador e indústria torrefadora), que se dá mediante apresentação de amostras do café ou por descrição sobre a qualidade e a procedência do café, que são passadas por telefone e/ou meio eletrônico; 32. Na resposta ao questionamento dos Auditores Fiscais sobre as operações da COLÚMBIA, THIAGO GAVA e ANTÔNIO GAVA, acrescentaram que também são gestores da W R DA SILVA, que foi criada por CARLIANO DÁRIO, da empresa laranja C. DÁRIO, e que passaram a operar com a W R DA SILVA no lugar da COLÚMBIA, nos mesmos moldes desta: venda de nota fiscal para guiar café para as empresas compradoras; 33. • Entre os documentos encaminhados pela Polícia Federal, por intermédio do citado Ofício nº 4568/2009SR/DPF/ES – (OPERAÇÃO BROCA), vieram confirmações de pedido, documento firmado pelo corretor para sacramentar a negociação de compra e venda de café, emitidas pela CASA DO CAFÉ CORRETORA, como por exemplo: a CONFIRMAÇÃO DE PEDIDO N° 0163/05 , de 07/03/2005, retrata uma operação de compra da UNICAFÉ para entrega futura na 2ª quinzena de maio de 2005 à opção do vendedor. No próprio corpo da confirmação, está escrito com todas as letras que o vendedor das 250 sacas de café conilon para a UNICAFÉ foi “EDMAR FRANCISCO MULLER, CPF: 780.470.64720, JAGUARÉ – CENTRO”; 34. • No campo observação do citado documento, o ranço do esquema: “O CAFÉ SERÁ ENTREGUE EM NOME DA COLÚMBIA COM. DE CAFÉ LTDA”; 35. • A corroborar que na emissão das confirmações firmadas nas operações de entrega futura o vendedor é o produtor/maquinista e que na reemissão a empresa laranja passa a figurar como fícto vendedor, os documentos apreendidos durante a OPERAÇÃO BROCA na LIBRA CORRETORA DE CAFÉ, situada no PALÁCIO DO CAFÉ; 36. • Como exemplo, a CONFIRMAÇÃO DE NEGÓCIO N° 82/2010, de 25/02/2010, na qual a LIBRA CORRETORA intermediou a compra de 500 sacas de canilon para a UNICAFÉ com previsão de entrega a partir do mês de abril/2010; 37. • Afirmou não conhecer Antônio Gava e Thiago Gava, gestores da COLÚMBIA e W.R. DA SILVA, Altair Bráz Alves, gestor da V. MUNALDI – ME, e Fernando Mattede, gestor da ACÁDIA, DO GRÃO e L & L; 38. • Alegou que desde 2003 não consegue vender café diretamente para as empresas exportadoras, ou seja, com nota fiscal de produtor. Assim, teria sido orientado pelos corretores a guiar o café em nome de COLÚMBIA, V. MUNALDI e etc; Fl. 8453DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 12 10 39. • Questionado, então, sobre as suas notas de produtor supostamente destinadas à COLÚMBIA, V. MUNALDI, DO NORTE CAFÉ, WR DA SILVA, ACÁDIA, DO GRÃO, respondeu detalhadamente sobre a figura da fícta interposição de uma pessoa jurídica na operação entre o produtor e as exportadoras, o transporte em veículo próprio e a troca de nota fiscal, preferencialmente em postos de gasolina; 40. • O arquivo “COLÚMBIA SAÍDAS” mostra que desde 2005 AMÉRICO JOSÉ MAI já realizava venda de café para a UNICAFÉ por meio da empresa laranja COLÚMBIA. Entre 2005 e 2008, pela COLÚMBIA, foram mais de 20 mil sacas de café para a UNICAFÉ. Por exemplo, em 2005, foram 2 mil sacas de café; 41. • Documentos apreendidos na L&L, no curso da OPERAÇÃO BROCA, mostram vendas de café para entrega futura de LUIZ CRISTIANO MULLER. Entre eles, CONFIRMAÇÕES DE NEGÓCIO, da corretora LIBRA/COLIBRI, nas quais a L&L figura como pseudovendedora de café conilon para a UNICAFÉ. Não obstante isso, há também a anotação manuscrita identificando o produtor/maquinista “LUIZ MULLER”; 42. • Junto com as confirmações, foram apreendidas planilhas contendo a movimentação mensal de notas emitidas pela L&L com discriminação completa do valor cobrado pela empresa laranja pela venda da nota fiscal à LUIZ MULLER para guiar café para a UNICAFÉ e outras exportadoras; 43. • Não se pode olvidar que o corretor EDUARDO LIMA BORTOLINI, da LIBRA/COLIBRI, declarou que, fechada a operação com o maquinista, emite a CONFIRMAÇÃO DE NEGÓCIO para o comprador (UNICAFÉ). Como se trata de compra em 04/03/2009 para entrega futura na 2ª quinzena de maio de 2009, no momento da definição da empresa laranja usada como intermediária fictícia, certamente houve a reemissão da confirmação para acobertar essa situação, como visto nos outros exemplos que retrataram esse tipo de operação e corroborado com as declarações dos corretores; 44. • Os fatos apurados trazem, por conseguinte, a certeza de que, definitivamente, não era venda de café das empresas laranjas emitentes dos documentos fiscais, mas, sim, dos produtores/maquinistas para a UNICAFÉ. A emissão de notas fiscais da interposta fictícia não foi mais do que o produto da fraude. A contrafação de uma operação comercial; 45. • Certo é que a UNICAFÉ não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiou; 46. • Diante desses fatos, restou demonstrado a utilização pela UNICAFÉ de meios ilícitos para a obtenção de crédito tributário o que afasta os limites impostos pela boafé. São operações fingidas, que mascaram a realidade; 47. • Repetese a afirmação do corretor JOAQUIM DA SILVA ALMEIDA de que “as exportadoras e/ou indústrias fazem questão de saber quem é o dono do café, pois assim os mesmos sabem se a procedência do café é boa ou ruim”; 48. • Os representantes da COLÚMBIA, ACÁDIA, L & L e DO GRÃO respondendo às indagações dos Auditores Fiscais asseguraram que exportadoras e indústrias tinham pleno conhecimento da venda de notas e que era prática adotada em todo o país. Fl. 8454DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 13 11 Acrescentaram que muitas destas laranjas eram operadas por exfuncionários das próprias exportadoras e corretores, fato devidamente comprovado nas investigações realizadas no ES e, posteriormente, nas diligências em Minas Gerais; 49. • No curso das investigações, os Auditores Fiscais constataram registros de vultosas compras nas empresas exportadoras do ES de supostas fornecedoras situadas no estado de Minas Gerais, principalmente, no município de Manhuaçu (municípios da Zona da Mata Mineira) e de Varginha e municípios adjacentes (Sul de Minas Gerais); 50. • Entretanto, a confrontação da movimentação financeira com dados fiscais dessas supostas atacadistas de café no estado de Minas Gerais não mostrou um quadro diferente do encontrado pelos Auditores Fiscais no Espírito Santo: movimentação financeira milionária para empresa na situação de inativa, omissa ou simplesmente preenchida zerada; 51. • Assim, mesmo antes da deflagração da OPERAÇÃO BROCA e dos Auditores Fiscais tomarem conhecimento da denúncia anônima sobre a mesmo tipo de fraude no estado de Minas Gerais, a análise dos dados fiscais e financeiros apontavam nesse sentido, que foi reforçado com as declarações de alguns produtores/maquinistas do Espírito Santo, situados na Região do Caparaó, divisa entre os estados do ES e MG; 52. • Em conclusão, temos que a introdução do regime não cumulativo do PIS/COFINS foi um novo marco regulatório na comercialização de café em grão no país. As exportadoras e indústrias, por razões óbvias, demonstraram para os corretores resistência na aquisição de café de produtores rurais, pois não dava direito ao crédito de PIS/COFINS integral de 9,25% do valor da operação, conforme narrado por diversos corretores; 53. Então, “o modelo de firmas laranjas foi a solução à nova lei do PIS/COFINS”, como disse o comprador de café de uma determinada exportadora; 54. • Na mesma linha, o corretor LUIZ FERNANDES ALVARENGA, de COLATINA/ES, que as assegurou que a “utilização de ‘laranjas’ visava permitir a compensação do PIS e da COFINS pelas exportadoras e indústrias”. Ou nas palavras do corretor PAULO ROBERTO MARSON, de VARGINHA, as laranjas eram para “esquentar o crédito”; 55. • A migração para empresas laranjas foi um movimento orquestrado e coordenado. Exportadoras e indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros; 56. • Esse foi o quadro delineado de como o mercado de café atuava no país, antes das modificações introduzidas pela Lei n° 12.599/2012 e da MP n° 609/2013; 57. • Foram analisadas minuciosamente a origem e o modus operandi do esquema de interposição de empresa de fachada, “laranja”, para apenas gerar créditos ilícitos em operações fictícias na compra e venda de café. Fl. 8455DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 14 12 O contribuinte foi cientificado do Termo de Enceramento de Diligência em 09/07/2013 – fl.12.819/12.824 e apresentou, em 07/08/2013, a Manifestação de fls. 13.036/13.118, alegando o seguinte: 1.Antes de adentrar ao mérito, propriamente dito, do Relatório de Diligência Fiscal, necessária se faz a indicação de algumas questões preliminares vislumbradas pelo contribuinte que, de pronto, importam na nulidade do trabalho realizado pela fiscalização; 2. Fazse necessário destacar que a conduta adotada pela Fiscalização nestes autos revelou a busca pelo acesso irrestrito às informações internas e gerenciais da Contribuinte, importando em flagrante quebra de sigilo de dados, sem amparo em nenhuma autorização judicial para tal procedimento, o que transgride o direito fundamental insculpido no artigo 5º, incisos X e XII, da CF/88; 3. Há que se lembrar, ainda, que o interesse público jamais pode ser confundido com o interesse da Fazenda Pública. É justamente por isso que a avaliação dos indícios para a viabilização da quebra do sigilo de dados somente pode ser reconhecida pelo Poder Judiciário, ou seja, não pode e nem deve ficar sob a vontade do órgão fiscalizador, que, ao final, se valerá de tal expediente – única e exclusivamente – para aumentar a arrecadação, como ocorreu no presente caso; 4. Não obstante, outrossim, a Fiscalização não trouxe aos autos provas de que a Contribuinte tenha agido em conjunto com as empresas intituladas de fachada, muito pelo contrário; 5. Apesar de a evidente quebra de sigilo de dados da Contribuinte apenas comprovar a correção das operações de compra e venda de café realizadas pela mesma, sempre cercadas de todas as precauções necessárias, a violação ao seu direito fundamental à restrição de acesso de suas informações bancárias, fiscais, contábeis, telefônicas e eletrônicas restou claramente configurada, razão pela qual o acervo documental levantado pela Fiscalização deve ser sumariamente desconsiderado, visto que coletado através de procedimento de todo ilegal; 6. No caso vertente, os dados submetidos a sigilo colhidos por ocasião do Inquérito Policial instaurado e utilizados como fundamentos no Relatório de Diligência Fiscal, foram indiscriminada e ilegalmente utilizados em desfavor da contribuinte, uma vez que não se observou as balizas estipuladas pela Jurisprudência Pátria; 7. Ademais, para ser válido, o depoimento de terceiros que visa imputar a prática de qualquer conduta à Contribuinte, necessariamente, deve ser realizada na presença deste e seu defensor, pois visa assegurarlhes o respeito ao princípio constitucional do contraditório, ampla defesa, bem como o direito a reperguntas; 8. Em respeito aos princípios da legalidade e da moralidade, a Fiscalização deveria ter reproduzido na sua integralidade e sem qualquer tipo de recorte, os documentos que se utiliza para embasar as suas constatações, conduta que, lamentavelmente, não adotou, fragilizando todo o trabalho desenvolvido; 9.Impende salientar que nenhum dos sócios ou empregados da contribuinte estão entre os denunciados após as investigações provenientes das Operações Broca e Tempo de Fl. 8456DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 15 13 Colheita. Vale dizer que não recai sobra a interessada nem sobre as pessoas físicas a ela vinculadas sequer uma suspeita de que tenham participado em qualquer atividade fraudulenta ou criminosa; 10. No caso é de se sobrevalorizar o fato de inexistirem declarações que deponham contra a idoneidade e a boa fé da contribuinte. Nada havendo especifica e particularmente contra a pessoa jurídica, a fiscalização não pode querer se beneficiar de generalizações sobre fraude difusa no mercado cafeeiro; 11. Não se pode permitir que se concretize a existência de fraude ou conluio, conforme sugere o Relatório de Diligência Fiscal, a partir de elementos dúbios, por meio de meras presunções que advêm de provas testemunhais colhidas unilateralmente pela administração, pois se estaria favorecendo o Poder Público em detrimento da segurança jurídica; 12. Importante asseverar que a Confirmação de Negócio nada mais é do que um documento “informal” (não exigido pela legislação) em que o vendedor se compromete a entregar o café no prazo e na qualidade especificada nas tratativas, e o comprador, a pagar o preço negociado. A função é simplesmente de documentar o que foi combinado. Nada mais; 13. Enfatizase que, tendo em vista o interesse objetivo do comprador de café no produto, e sendo este uma commodity, não tem o mesmo relação, e nem necessita se relacionar com os produtores e/ou empresas atacadistas. Dado o dinamismo do mercado, o relacionamento é, na grande maioria das vezes, com os corretores; 14. Nesse panorama, para os compradores, como é o caso da contribuinte, tanto faz se os fornecedores, e mesmo os corretores, têm escritório luxuosos, grandes parques de estocagem, enormes galpões ou uma única salinha. O comprador paga quando chega o café ao seu armazém, e desde que seja com a qualidade combinada; 15. Não se pode exigir que as empresas compradoras fiscalizem seus vendedores, sejam eles, produtores, maquinistas ou empresas atacadistas; 16. E a verdade é que se as fraudes existiram, em hipótese alguma podem ser imputadas à contribuinte. Não há obrigação legal e não pode ser exigida dos compradores mais do que uma verificação cadastral das empresas com quem negociam. E isso foi feito; 17.Atualmente, a contribuinte figura entre as maiores e mais renomadas exportadoras de café do mundo, e conta com estabelecimentos comerciais em todas as principais regiões produtoras de café do Brasil, o que a habilita comercializar os melhores e mais variados tipos de café do Brasil, para mais de 40 países; 18. Impende registrar, por oportuno, que conforme publicação no DJ de 11/12/2012, o Hábeas Corpus nº 2012.02.01.0143115, impetrado por um dos denunciados na Ação Penal nº 2008.50.05.005383, teve sua segurança concedida pelo E.TRF da 2ª Região para trancamento desta Ação Penal; 19. O Acórdão em questão corrobora a conclusão pela completa fragilidade dos elementos indiciários contidos no Inquérito Policial que, repisese, embasou integralmente o Relatório de Diligência Fiscal; Fl. 8457DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 16 14 20. Pontuadas essas questões no que diz respeito à tradição da Contribuinte no mercado de café, somados à impossibilidade de extensão dos efeitos das Operações Broca e Tempo de Colheita, a conclusão óbvia só pode ser no sentido de que não há que se falar em fraude “orquestrada” ou “planejada” pela Unicafé; 21. Afinal, a Unicafé preza e responde pela sua própria idoneidade, e de mais ninguém; 22. O que existe no documento contraditado é apenas um discurso apelativo, lastreado em elementos probatórios débeis carentes de conexão lógica entre si e que, absolutamente, não comprovam o dolo da Contribuinte; 23. No caso vertente, não há prova minimamente consistente que possa conduzir à conclusão de que a Contribuinte desejava a fraude ou de que coordenou ou mesmo orquestrou a fraude, vale dizer, não demonstrou o Relatório de Diligência Fiscal, o domínio do fato; 24. A glosa operada está lastreada em meros indícios e ilegítimas presunções, extraídas de depoimentos em processo administrativo onde sequer foi garantido o direito ao contraditório; 25. A farta documentação apresentada foi juntada com o objetivo de atender ao que dispõe o parágrafo único do art.82 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual as empresas que comprovarem a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados. É o que demonstram os documentos juntados por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade nos autos do presente PAF; 26. Acrescentase o fato que, das 89 empresas citadas no Relatório de Diligência Fiscal como supostas “pseudoatacadistas”, é possível aferir que 34 delas estão ativas, o que torna a compra de mercadorias das mesmas atos lícitos; 27. À luz da diretriz constitucional, uma pessoa apenas pode ser considerada violadora da ordem jurídica na hipótese de existirem provas incontroversas de sua culpabilidade; 28. Ante o exposto, requer seja reconhecida e declarada a nulidade absoluta do Relatório de Diligência Fiscal, e que sejam afastadas as infundadas e descabidas imputações e acusações direcionadas à Contribuinte. Na seqüência foi exarado o Acórdão 1261.155, de 2013, da 17ª Turma da DRJ/RJ1, fls. 13.457/13.499, ora recorrido, onde os membros daquela Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, acordaram por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão da Unidade da RFB na íntegra, fls. 267/289 (fls. 133/244 no processo papel), com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da Fl. 8458DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 17 15 contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. JUROS REMUNERATÓRIOS DO CAPITAL PRÓPRIO. É incabível o desconto de créditos apurados segundo o regime não cumulativo, calculados sobre juros pagos ou creditados a pessoas jurídicas a título de remuneração do capital próprio, sob o argumento de que constituem despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos, no período em que havia autorização legal para o desconto de créditos relativamente a essas despesas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 13.511/13.620, repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, acrescentado, em síntese: 1. O Órgão a quo pautou sua decisão, tão somente, em um conjunto probatório parco e reconhecidamente deficiente, 2. existência de vício processual quanto á execução da diligência requerida pela DRJ, posto que o relatório de Diligência Fiscal extrapolou os limites da Diligência acordada na DRJ, ocorrendo uma inovação da autuação por parte da fiscalização. 3. Com a inovação, a fiscalização, de forma indevida, reforçou a fundamentação da glosa, deturpando o procedimento fiscal. 4. Inaplicabilidade da legislação civil e do artigo 116, parágrafo único do CTN para desconsideração dos negócios jurídicos. 5. Descaracterização das aquisições do café de pessoas jurídicas, caracterizandoas como adquiridas de pessoas físicas, sem contudo indicação da base legal e de quais seriam os produtores rurais dos quais a recorrente teria adquirido o café. Em 1/10/2014 houve juntada de petição, fls. 13.696/13.699 requerendo, adicionalmente: a) Na eventualidade de ser mantida a glosa dos créditos integrais, lhe seja assegurado o direito de apropriação dos créditos presumidos apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/04; e b) Que os referidos créditos presumidos sejam utilizados na âmbito deste próprio processo, em observância ao disposto no art. 7ºA na Lei nº 12.599/2012, para fins das DComp e PER então apresentados. Por sorteio, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 8459DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 18 16 Voto: Conselheiro José Henrique Mauri Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. As indicações de folhas no presente voto, não havendo informação contrária, referemse à numeração constante no eprocesso. Registrese que em semelhantes condições encontramse treze processos de titularidade da recorrente, a seguir identificados, todos de minha relatoria e igualmente pautados para julgamento: seq. processo Tributo Período (mês/ano) 1 11543.003690/200470 Cofins 7/04 a 9/04 2 11543.003689/200445 PIS 7/04 a 9/04 3 11543.000371/200593 PIS 1/05 a 3/05 4 11543.000767/200450 PIS 1/04 a 3/04 5 11543.000184/200429 PIS 10/03 a 12/03 6 11543.002342/200485 Cofins 4/04 a 6/04 7 11543.000117/200595 Cofins 10/04 a 12/04 8 11543.000118/200530 PIS 10/04 a 12/04 9 11543.000372/200538 Cofins 1/05 a 3/05 10 11543.001116/200568 PIS 4/05 a 6/05 11 11543.001117/200511 Cofins 4/05 a 6/05 12 11543.001879/200517 Cofins 7/05 a 9/05 13 11543.001878/200564 PIS 7/05 a 9/05 Dessa forma, visando a celeridade processual, o presente voto alcançará a totalidade dos processos, sendo que o teor das informações e dados serão individualizados, sempre que necessário. Vislumbro, desde já necessidade de conversão do presente feito em Diligência, conforme fundamento a seguir. Conforme delineado no relato precedente, o cerne da controvérsia cingese (I) a glosa integral dos créditos calculados sobre o valor das despesas de corretagem na compra do café em grão (II) a glosa integral dos créditos calculados sobre os juros remuneratórios sobre o capital próprio e (III) a glosa parcial dos créditos calculados sobre a aquisição de café cru em grão de pessoas jurídicas irregulares (inativas, omissas ou sem receita declarada). Fl. 8460DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 19 17 Relativamente ao item (III), a eventual manutenção, por parte desse colegiado, da glosa dos créditos ordinários, obtidos irregularmente, ensejaria a apreciação de conseqüente direito, ou não, ao aproveitamento do crédito presumido, fruto de reconhecimento de que tais operações foram processadas junto a pessoas físicas ruralistas. Repercutirá ainda na definição quanto ao alcance temporal e na modalidade do aproveitamento do crédito presumido. isto é, o crédito poderá ser utilizado exclusivamente para fins de compensação com débitos da própria contribuição, para compensação com outros tributos, ressarcimento em espécie, ou ainda nenhuma delas. Isso porque no período de ocorrência do fato gerador, englobando todos os processos sob análise, compreende outubro de 2003 a setembro de 2005, houve edição da Lei 10.925/2004, vigência a partir de 1º de agosto de 2004, que estabeleceu novos dispositivos para o crédito presumido, até então disciplinado na Lei 10.833/2003, §§ 5º e 6º do art. 3º e 10637/2002, §§ 10 e 11 do art. 3º. Nesse contexto, verificase omissão nos Despachos Decisórios da DRF/ES que, se não suprido, poderá levar a decisão distorcida da realidade, por parte desse colegiado. A priori, DRF/ES, neste e nos demais processos relacionados, reconheceu que, tendo a aquisição do café ocorrido de pessoas físicas, a recorrente tem direito a apropriar os respectivos créditos presumidos, a partir de 1º de agosto de 2004, data em que entrou em vigor o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23/7/2004. Quanto aos períodos anteriores, até 31/7/2004, a DRF silenciouse. Entretanto, a afirmação acima não está clara no texto dos Despachos Decisórios quanto ao reconhecimento, quantificação e efetiva apropriação, por parte da fiscalização, dos créditos presumidos. Exemplificadamente, v. excerto do Despacho Decisório 1.426, processo 11543.003.690/200470, fls. 285: [...] Como restou demonstrado na hipótese relatada, sabidamente não houve o respectivo recolhimento tributário de forma tal que não há razoabilidade em se admitir o reconhecimento do direito creditório, sob pena de se patrocinar verdadeira sangria nas finanças públicas. Isto posto, foi providenciada a relação nominal dos fornecedores (tabela resumo supra apresentada) que se encontram nas situações descritas, bem como a listagem das notas fiscais das aquisições não aproveitadas, as fls.92/107, e foi promovida a glosa pertinente, conforme tabela à f1.108. Confirmouse no arquivo de notas fiscais de entrada que o contribuinte efetuou aquisições de produtores rurais, pessoas físicas, tendo o direito ao crédito presumido. Ocorre que o contribuinte não apurou estes créditos nos períodos anteriores, utilizandoos, posteriormente, de forma acumulada em julho/04. Neste item cabe a ressalva que embora tenha sido confirmado o direito ao crédito presumido relativo ás compras de pessoas físicas, produtores rurais (agroindústria), tal crédito, seguindo o disposto no art. 8° §3°, II, da IN SRF N°660/2006 Fl. 8461DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 20 18 que disciplinou a Lei n° 10925/2004 não pode ser objeto de compensação com tributos diversos, nem de pedido de ressarcimento. Assim sendo, todo este crédito a partir de 1° de agosto/2004 foi alocado ao crédito da não cumulatividade do mercado interno. Ressaltase que foi apurado crédito residual decorrente das operações no mercado interno neste trimestre no valor de R$ 391.253,05, crédito estes que sera incorporado ao crédito de mercado interno apurado no período subseqüente, e por conseqüência utilizado no confronto com o débito da própria contribuição (não é possível compensação ou ressarcimento deste crédito atrelado ao mercado interno). [...] Conforme se depreende do texto acima, não ficou patente se o credito presumido referente a aquisição pessoa física rural, oriundo da desconsideração das operações simuladas, tenha sido efetivamente reconhecido ou apropriado, isto é, o segundo parágrafo guarda relação com o primeiro ou são dois tópicos independentes, cuidando de itens distintos? Não obstante o acima exposto, notase que os ajustes efetivados pela fiscalização, por meio dos respectivos demonstrativos de apuração do débito/crédito, não refletem harmonização de procedimentos entre os processos. Para uns processos constam a apropriação e quantificação do crédito presumido, conquanto para outros não há tal indicação quantitativa, ainda que se refiram igualmente a períodos dentro da vigência da Lei 10.925/2004 (v. fls 265 e 149 dos processos 11543.003690/200470 e 11543.000371/200593, respectivamente). Vejamos a relação processual e as respectivas informações: UNICAFÉ Crédito Presumido PF Rural em substituição do PJ simulado seq. processo Tributo Período (mês/ano) Nota demonstrativo fls. eprocesso 1 11543.003690/200470 Cofins 7/04 a 9/04 Crédito não quantificado 265 2 11543.003689/200445 PIS 7/04 a 9/04 Crédito não quantificado 285 3 11543.000371/200593 PIS 1/05 a 3/05 Crédito quantificado 149 4 11543.000767/200450 PIS 1/04 a 3/04 Crédito não reconhecido 181 5 11543.000184/200429 PIS 10/03 a 12/03 Crédito não reconhecido 1140/1142 6 11543.002342/200485 Cofins 4/04 a 6/04 Crédito não reconhecido 157 7 11543.000117/200595 Cofins 10/04 a 12/04 Crédito não quantificado 123 8 11543.000118/200530 PIS 10/04 a 12/04 Crédito não quantificado 141 9 11543.000372/200538 Cofins 1/05 a 3/05 Crédito quantificado 120 10 11543.001116/200568 PIS 4/05 a 6/05 Crédito quantificado 110 11 11543.001117/200511 Cofins 4/05 a 6/05 Crédito quantificado 106 12 11543.001879/200517 Cofins 7/05 a 9/05 Crédito quantificado 123 13 11543.001878/200564 PIS 7/05 a 9/05 Crédito quantificado 126 Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligencia para que a unidade da Receita Federal do Brasil, DRF/Vitória/ES diligencie no sentido de: Relativamente à glosa dos créditos referentes às aquisições de pessoas jurídicas irregulares, informar: Fl. 8462DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/200429 Resolução nº 3301000.233 S3C3T1 Fl. 21 19 1. se houve reconhecimento do direito ao crédito presumido pessoa física rural. 2. se foram apropriados os respectivos créditos presumidos, quantificálos. 3. qual o tratamento dispensado ao crédito presumido em relação ao período anterior à vigência da Lei 10.925/2004 (1º/8/2004). 4. Outras informações que entender relaventes. As informações poderão, a critério da Unidade da RFB, serem proferidas em conjunto, numa única informação, replicadas, por cópia, em todos os processos relacionados. Por derradeiro, cientificar o sujeito passivo do resultado da diligência, intimandoo a manifestarse, se desejar, no prazo regulamentar. Cumprindose a diligência os autos deverão retornar ao Carf para prosseguimento. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 8463DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10120.729212/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.859
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10120.729212/2012-10
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6050843
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-000.859
nome_arquivo_s : Decisao_10120729212201210.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10120729212201210_6050843.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7866672
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:38:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610565781913600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1653; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.729212/201210 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.859 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de setembro de 2018 Assunto RESSARCIMENTO Recorrente CARAMURU ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de parcial deferimento do ressarcimento de crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) pleiteado, decisão essa lastreada em relatórios fiscais elaborados pela Fiscalização, em que se detectaram divergências em relação às informações prestadas pelo contribuinte no Dacon, na Escrituração Fiscal Digital das Contribuições (EFD Contribuições) e nos arquivos digitais de notas fiscais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 29 21 2/ 20 12 -1 0 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10120.729212/201210 Resolução nº 3301000.859 S3C3T1 Fl. 3 2 Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado (i) cerceamento do seu direito de defesa (motivação genérica do despacho decisório), (ii) relação de causa e efeito existente entre este e o processo administrativo nº 10120.725.254/201516 (auto de infração), (iii) direito a crédito presumido decorrente da venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja e (iv) direito a crédito presumido referente à soja adquirida para produção de farelo. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando os itens pleiteados pelo contribuinte por falta de previsão legal. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.857, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10120.729209/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.857): 6. O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. 7. Entretanto, diante da petição de fls. 245, apresentada pela recorrente, verificase que já existe processo vinculado a este, por conexão, em trâmite pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da 3ª Seção deste CARF, de nº 10120.725254/201516. CONCLUSÃO 8. Assim, diante deste fato, deve ser este processo redistribuído, por conexão, para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente ao crédito presumido da Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos ao crédito presumido da Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10120.729212/201210 Resolução nº 3301000.859 S3C3T1 Fl. 4 3 Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu redistribuir o presente processo à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção deste CARF, por já existir processo vinculado a este por conexão (processo nº 10120.725254/201516). (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13770.720968/2014-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para elaboração de novo laudo médico, nos termos do voto do relator.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Raphael Madeira Abad - Redator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Walker Araújo, Diego Weis Jr (Suplente convocado) e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13770.720968/2014-91
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5862374
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-000.745
nome_arquivo_s : Decisao_13770720968201491.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAPHAEL MADEIRA ABAD
nome_arquivo_pdf_s : 13770720968201491_5862374.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para elaboração de novo laudo médico, nos termos do voto do relator. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Raphael Madeira Abad - Redator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Walker Araújo, Diego Weis Jr (Suplente convocado) e Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7283182
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:38:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610565782962176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13770.720968/201491 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.745 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de abril de 2018 Assunto IPI isenção Recorrente Floriano da Conceição Ramos Moschen Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para elaboração de novo laudo médico, nos termos do voto do relator. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Raphael Madeira Abad Redator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Walker Araújo, Diego Weis Jr (Suplente convocado) e Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem transcrever os fatos, adotase o relatório da DRJ/Belo Horizonte, fls. O Recorrente formulou “requerimento de isenção de IPI pessoa portadora de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autista” (fls. 02) o que fez com arrimo na Lei n. 8.989/1995. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 70 .7 20 96 8/ 20 14 -9 1 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13770.720968/201491 Resolução nº 3302000.745 S3C3T2 Fl. 3 2 Para tanto, juntou os documentos legalmente exigidos, dentre os quais merece destaque o “Laudo de Avaliação Deficiência Física e/ou Visual.”emitido por “Serviço Médico Privado integrante do Sistema Único de Saúde SUS, acostado às fls. 04, onde consta que o Recorrente é acometido de enfermidade caracterizada como CID M167 e M21, assim detalhadas: “Paciente apresenta artrose no quadril direito, foi submetido a Artrodese no mesmo, em consequência de osteomielite na juventude. Apresentando limitação de movimento.” Juntou aos autos também deferimento do pedido de Prorrogação de Auxílio Doença (Fls 07 e seguintes), o que ocorreu em julho de 2014. Há nos autos ainda outros documentos que evidenciam que o Recorrente apresenta limitações físicas, como o cartão de estacionamento em vaga especial emitido pela Prefeitura Municipal de Serra. (fls. 15), bem como “passe livre” de transporte público (fls. 17). Contudo, a Delegacia da Receita Federal de Vitória (ES), ao analisar o pedido de reconhecimento do direito à isenção do IPI na aquisição de automóveis de passageiros formulado pelo Recorrente (fls. 31 e seguintes) constatou que a Carteira Nacional de Habilitação emitida apenas 4 dias antes do referido pedido de isenção não contém qualquer restrição em razão de enfermidade, bem como que no exame médico ao qual foi submetido não há menção a qualquer dificuldade para conduzir veículos. (fls. 32), o que aparenta ser uma contradição com os laudos apresentados. A referida Delegacia ressaltou que o exame médico tem por objetivo exatamente detectar eventuais dificuldades para a condução de veículos e apontálas, juntamente com indicação de adaptações no veículo, o que não ocorreu no caso concreto. Tal fato motivou o INDEFERIMENTO do pedido de isenção (fls. 33). Em sua Manifestação de Inconformidade de fls. 37, o Recorrente invocou a legislação que favorece a pessoa portadora de deficiência, afirmando que sua sua deficiência é apta a ensejarlhe o benefício pleiteado. A questão foi submetida ao crivo da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ ) de Ribeirão Preto (fls. 41), ao reanalisar a questão, concluiu que a enfermidade apresentada pelo Recorrente não se subsume àquelas que ensejam a concessão da isenção pleiteada, eis que a Lei 8.989/95 expressamente condiciona o benefício fiscal ao “COMPROMETIMENTO DA FUNÇÃO FÍSICA”, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. O contribuinte, irresignado com a Decisão prolatada pela DRJ apresenta Recurso Voluntário, sustentando, em síntese, que é sim portador de deficiência, argumentando que juntou todos os documentos que a lei exige para demonstrar tal situação, especialmente o laudo de avaliação médica, comprovantes de passe livre, bem como declaração da junta da Previdência Social. Alega ainda que sua deficiência, apesar de existente, é compatível com a condução de veículos e que, por esta razão possui inclusive direito de vaga especial de estacionamento. É o Relatório. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13770.720968/201491 Resolução nº 3302000.745 S3C3T2 Fl. 4 3 VOTO O Recurso Administrativo atende os pressupostos de admissibilidade. Com o objetivo de promover a isonomia, especialmente no que tange o tratamento desigual aos desiguais, a Lei 8.989/95 estabelece hipóteses de isenção do IPI incidente sobre os veículos automotores. No que diz respeito à isenção por deficiência física, exige a demonstração de que exista comprometimento de função física, com consequente dificuldade para o desempenho de funções. A isenção de IPI pleiteada pelo Recorrente era normalizada pela Instrução Normativa n. 607, revogada pela IN988/2009 que por sua vez foi posteriormente revogada pela IN 1769/2017. No caso da Recorrente, cujo requerimento foi formulado em 2014, aplicase a legislação ao seu tempo vigente, qual seja a IN 988/2009. A referida Instrução Normativa estabelece o procedimento para o gozo do benefício. Assim, segundo a referida Instrução Normativa, o documento apto a comprovar a deficiência é o “Laudo de Avaliação” de que trata o inciso I do artigo 3. Compulsando os autos é possível constatar que às fls. 04 e seguintes foi juntada a documentação legalmente exigida, onde consta que o Requerente apresenta “Limitação de Movimento”, e foi firmado por dois médicos. Na ficha “informações complementares” (fls. 5) há menção de que o Requerente foi submetido a PERÍCIA PERANTE JUNTA MÉDICA, que constatou que a enfermidade não é de origem estética e resulta de dificuldade para o desempenho das funções do membro inferior, e que gera uma INCAPACIDADE para o desempenho de atividade, tudo elaborado em formulário padronizado e firmado por dois médicos. Desta forma, não há dúvida que o Recorrente acostou aos autos todos os documentos legalmente exigidos para a concessão do benefício. Muito mais do que isto, o Recorrente juntou aos autos outros documentos que indicam a sua incapacidade, como o “passe livre”e a concessão do beneficio previdenciário expedido pelo INSS. Contudo, os argumentos contrários à concessão do benefício repousamse no fato de que apesar da junta médica afirmar que o Recorrente possui enfermidade que resulta em dificuldade para o desempenho das funções do membro inferior com incapacidade para desempenho de atividade, tal deficiência sequer foi notada pelo médico que expediu a CNH, o que não pode ser desprezado por esta Turma. Assim, apesar do Recorrente haver trazido aos autos documentação comprobatória de doença, também juntou documento que prova a inexistência de deficiência, qual seja a sua CNH onde não há qualquer observação no campo de restrições (fls. 13) Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13770.720968/201491 Resolução nº 3302000.745 S3C3T2 Fl. 5 4 Às fls. 29 está acostada a ficha de acompanhamento do processo da obtenção da CNH junto ao DETRAN, onde há menção de que o Recorrente foi aprovado nos exames médicos com a menção APTO. Havendo documentos públicos contendo informações contraditórias, entendese que é necessário baixar o feito em diligência, para que o Requerente seja submetido a junta médica Oficial, preferencialmente do Serviço Publico Federal de Saúde, que deverá atestar se o Recorrente preenche ou não os requisitos para a concessão do beneficio pleiteado, conforme a legislação em vigor. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720014/2013-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3302-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo na Origem até a decisão final do processo nº 10970.720096/2012-54, nos termos do voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Denise Madalena Green - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado(a)), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Vinicius Guimaraes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Paulo Regis Venter.
Nome do relator: DENISE MADALENA GREEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202108
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 10970.720014/2013-52
anomes_publicacao_s : 202110
conteudo_id_s : 6494598
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3302-001.861
nome_arquivo_s : Decisao_10970720014201352.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : DENISE MADALENA GREEN
nome_arquivo_pdf_s : 10970720014201352_6494598.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo na Origem até a decisão final do processo nº 10970.720096/2012-54, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado(a)), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Vinicius Guimaraes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Paulo Regis Venter.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
id : 9009013
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:40:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610565785059328
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-30T11:01:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-30T11:01:40Z; Last-Modified: 2021-09-30T11:01:40Z; dcterms:modified: 2021-09-30T11:01:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-30T11:01:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-30T11:01:40Z; meta:save-date: 2021-09-30T11:01:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-30T11:01:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-30T11:01:40Z; created: 2021-09-30T11:01:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2021-09-30T11:01:40Z; pdf:charsPerPage: 2413; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-30T11:01:40Z | Conteúdo => 0 S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10970.720014/2013-52 Recurso Voluntário Resolução nº 3302-001.861 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2021 Assunto DILIGÊNCIA/SOBRESTAMENTO Recorrente UNIAO-COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo na Origem até a decisão final do processo nº 10970.720096/2012-54, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado(a)), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Vinicius Guimaraes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Paulo Regis Venter. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins não- cumulativos, relativos ao período de janeiro a dezembro/2008. No Termo de Verificação Fiscal restou consignando que foram apuradas infrações de glosa de créditos sobre despesas de fretes em operações de vendas, encargos de depreciação/amortização de bens do ativo imobilizado e outras operações com direito a crédito, ajustes positivos de crédito e omissão de receitas por bonificações recebidas, além de redução do saldo de créditos a descontar em razão de lançamentos promovidos nos Autos de Infração de nºs. 10970.000.981/2010-51, 10970.720.021/2011-92, 10970.720.069/2011-09, 10970.720.173/2011-95, 10970.720.025/2012- 51 e 10970.720.096/2012-54, conforme trecho abaixo: "Isto, em virtude das infrações constatadas neste Auto de Infração e da redução do saldo de créditos a descontar oriundo dos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, que foi promovida pelos lançamentos constantes dos Autos de Infração de nºs. 10970.000.981/2010-51, 10970.720.021/2011-92, 10970.720.069/2011-09, 10970.720.173/2011-95, 10970.720.025/2012-51 e 10970.720.096/2012-54 cujos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 70 .7 20 01 4/ 20 13 -5 2 Fl. 19634DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 demonstrativos de apuração encontram-se respectivamente nos Documentos a [...]. Como resultado, houve a ocorrência de débitos a pagar de PIS e COFINS, em alguns meses do período auditado, objeto deste Auto de Infração." A empresa apresenta impugnação às fls. 884/994 na qual alega, em síntese: a) “a Impugnante tem direito a creditamento em relação a todos os insumos vinculados as suas atividades de prestação de serviços, quais sejam, logística, armazenagem e distribuição, nos termos do Art. 3º, II da Lei n° 10.833/2003. Mas, não apenas. E, sim em relação a TODOS OS INSUMOS RELACIONADOS À SUA ATIVIDADE COMERCIAL TAMBÉM LHE CONFEREM DIREITO A CRÉDITO DE PIS E COFINS. É o que passaremos a demonstrar”; b) discorre longamente sobre a não cumulatividade do PIS e da Cofins para concluir que “O CONCEITO DE INSUMOS PARA PIS E COFINS É ABRANGENTE E COMPORTA TODOS OS DISPÊNDIOS QUE CONTRIBUAM DE FORMA DIRETA OU INDIRETA PARA O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA VISANDO À OBTENÇÃO DE RECEITA, SALVO EXPRESSA PREVISÃO LEGAL EM SENTIDO CONTRÁRIO”; c) DA ILEGALIDADE DA GLOSA DE CRÉDITOS RELATIVOS ÀS DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES (ITEM 1.1 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL): c.1) “a Impugnante contabilizou os seguintes valores a título de despesas com combustíveis e lubrificantes, valores estes informadas na linha 07 das Fichas 06A (PIS) e 16A (COFINS) da DACON, a título de ‘Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda’: R$ 5.574.895,04 - jan a dez/2008 eR$ 394.083,82 - set a dez/2008. Em momento algum cogita-se que tais despesas referem-se às atividades de armazenagem. Na verdade, os combustíveis e lubrificantes são, de fato, despesas relativas a FRETES, porquanto foram consumidos pelos veículos próprios (caminhões) utilizados na entrega das mercadorias adquiridas pelos clientes da Impugnante. Logo, há permissivo expresso que admite o creditamento de tais valores”; c.2) “a legislação em vigor AUTORIZA EXPRESSAMENTE O CRÉDITO DE QUAISQUER VALORES GASTOS COM FRETES DE MERCADORIAS POR OCASIÃO DA ENTREGA AOS RESPECTIVOS CLIENTES, QUANDO O ÔNUS FOR INTEIRAMENTE SUPORTADO PELO VENDEDOR, SEM QUALQUER DISTINÇÃO DE USO DE FROTA PRÓPRIA OU DE TERCEIROS CONTRATADOS”; c.3) DA VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA ISONOMIA E DA LIVRE CONCORRÊNCIA; e) DA ILEGALIDADE DA GLOSA DE CRÉDITOS RELATIVOS AOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO/AMORTIZAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (ITEM 1.2. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL): e.1) “foram desconsideradas as despesas de depreciação registradas nas contas contábeis abaixo no período em análise: e.2) “em hipótese alguma poderia o r. fiscal ter adotado interpretação restritiva da legislação em vigor, admitindo apenas o creditamento de que tratam os art. 3º, inciso VII e seu §1°, inciso III para COFINS e art. 15, II para o PIS, ambos da Lei n° Fl. 19635DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 10.833/2003, os quais permitem que a pessoa jurídica desconte créditos calculados sobre os encargos de depreciação ou amortização incorridos mensalmente, somente de bens classificados como edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros utilizados na atividade da empresa”; e.3) “Aplica-se. sim, ao presente caso, o permissivo para desconto de créditos de PIS e COFINS calculados sobre encargos de depreciação e amortização, de que tratam o Art. 3°. VI e §1°, II para COFINS e Art. 15. II para PIS, ambos da Lei n° 10.833/2003. Como a Impugnante não é uma empresa eminentemente comercial, mas também uma prestadora de serviços de logística, armazenagem e distribuição, tem direito, portanto, de descontar créditos de PIS e COFINS sobre os encargos de depreciação e amortização sobre as máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS”; e.4) “DA ILEGALIDADE DA RESTRIÇÃO TEMPORAL AO CREDITAMENTO DE PIS E COFINS SOBRE DEPRECIAÇÃO DE EDIFICAÇÕES. Outro ponto que igualmente não se pode admitir diz respeito à limitação temporal imposta pelo art. 31 da Lei n° 10.865/04, que restringiu no tempo o aproveitamento de créditos sobre a depreciação de máquinas, equipamentos e edificações”; f) DA ILEGALIDADE DA GLOSA RELATIVA A OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO - CRÉDITO SOBRE CUSTOS DE MANUTENÇÃO (ITEM 1.3. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL) f.1) “a r. fiscalização questionou os seguintes valores considerados na conformação da base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS do período de setembro/2008: Primeiramente, registre-se que há um erro material na página 6 do Termo de Verificação Fiscal, quando informa que os creditamentos supra teriam ocorrido no mês de janeiro/2008. Em verdade, tais creditamentos ocorreram no mês de setembro/2008. TRATAM-SE DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS APROVEITADOS NO MÊS DE SETEMBRO DE 2008, RELATIVOS AOS CUSTOS DE MANUTENÇÃO INCORRIDOS PELA IMPUGNANTE NO EXERCÍCIO DAS SUAS ATIVIDADES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LOGÍSTICA, ARMAZENAGEM E DISTRIBUIÇÃO, APURADOS NO PERÍODO DE 2003 A AGOSTO/2008 PARA PIS E FEVEREIRO/2004 A AGOSTO II008 PARA COFINS Quanto ao crédito apurado no período de agosto/2008, segue abaixo a memória de cálculo Isto posto, deve ser retificado o lançamento, permitindo-se o creditamento de PIS e COFINS sobre os custos de manutenção incorridos pela Impugnante no período de 2003 a agosto/2008 e por ela aproveitados em setembro/2008” Fl. 19636DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 g) DA ILEGALIDADE DA GLOSA DE AJUSTES POSITIVOS DE CRÉDITOS - CRÉDITOS SOBRE CUSTO DE IPI (ITEM 1.4. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL) g.1) “A r. fiscalização questionou os seguintes valores considerados como ajustes positivos de créditos de PIS e COFINS no mês de janeiro/2008: Como visto, tais aproveitamentos realizados no mês de janeiro/2008 referem-se a CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS E COFINS SOBRE O CUSTO DO IPI RELATIVO ÀS AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS DO FABRICANTE/INDUSTRIAL apurados no período de agosto/2003 a dezembro/2007 para PIS e no período de fevereiro/2004 a dezembro/2007 para COFINS”. g.2) “Como se verá, diante da legislação em vigor, não há dúvida de que o custo do IPI incidente sobre as aquisições internas e interestaduais realizados por tais estabelecimentos (CFOP 1102, 2102 e 2117) ensejam o creditamento respectivo de PIS e COFINS”; h) DA ILEGALIDADE DA GLOSA DOS AJUSTES POSITIVOS DE CRÉDITOS - PROCESSO DE CONSULTA SOBRE CRÉDITOS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA (ITEM 1.5 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL) h.1) DO PROCESSO DE CONSULTA SOBRE CRÉDITOS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA - COMPROVAÇÃO DOS ESTORNOS DE CRÉDITOS a Impugnante formulou consulta para a SRFB, a qual foi objeto do processo n° 12179.002634/2008-18, em que foi questionado o seu direito de manter os créditos de PIS e COFINS, à alíquota de 9,25%, sobre as aquisições de produtos sujeitos ao regime monofásico, a partir de 06.09.2004. Com base na consulta, a Impugnante aproveitou créditos de PIS e COFINS sobre as aquisições de produtos sujeitos ao regime monofásico, apurados de forma extemporânea, os quais foram creditados na sua escrita fiscal no período de setembro a dezembro de 2008. Em 26.01.2009, foi proferida a Solução de Consulta n° 02 - SRRF/63 RF/Disit (Doe. 12), no sentido de que, "com exceção do álcool para fins carburantes, que se sujeita a normas específicas, a aquisição, para posterior revenda, de mercadorias sujeitas a regimes monofásicos do PIS e da COFINS não gera direito a créditos dessas contribuições, por expressa vedação legal". Tão logo a Impugnante foi intimada da referida Solução de Consulta, ciente dos efeitos legais da Consulta, tratou de promover, imediatamente, os respectivos estornos de créditos, devidamente formalizados nas DACONs dos períodos de janeiro a abril de 2009. conforme atestam as declarações anexas (Doe. 13). Ressalte-se que a Impugnante teve que fazer estornos proporcionais dos créditos durante os meses de janeiro a abril/2009, pois, operacionalmente, não é possível transmitir DACONs com valores negativos, razão pela qual tais DACONS foram transmitidas com valores zerados nos meses de janeiro/fevereiro e março/2009, tendo sido o remanescente estorno implementado em abril/2009 Fl. 19637DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 h.2) DOS CRÉDITOS RELATIVOS AOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO - NOVEMBRO/2008 (PERÍODO DE APURAÇÃO: MAIO/2004 A OUTUBRO/2008] Parte dos creditamentos de PIS e COFINS realizados no mês de novembro de 2008 refere-se a créditos extemporâneos relativos aos encargos de depreciação e amortização sobre bens do ativo imobilizado, apurados no período de maio/2004 a outubro/2008: PIS - R$ 140.721,81 e COFINS - R$ 648.173, 20. h.3) DOS CRÉDITOS RELATIVOS A OUTROS INSUMOS Antes de tratarmos especificamente sobre as despesas que foram utilizadas para apuração dos créditos retro mencionados, torna-se conveniente ressaltar que os mesmos sequer foram previamente analisados pelo r. Fiscal. Ou seja, NÃO SE TRATA DE GLOSA DE CRÉDITOS, até mesmo porque, o r. fiscal simplesmente desconsiderou tais lançamentos diante da ausência de resposta do Contribuinte no processo fiscalizatório. i) DA SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITAS À TRIBUTAÇÃO DO PIS E COFINS: BONIFICAÇÕES RECEBIDAS EM DISPONIBILIDADES (ITEM 2 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL) i.1) DA NATUREZA JURÍDICA DAS BONIFICAÇÕES RECEBIDAS EM DISPONIBILIDADES i.2) DA CARACTERIZAÇÃO DAS BONIFICAÇÕES PAGAS EM MOEDA COMO INSTRUMENTOS DE REDUÇÃO DE CUSTOS DO PREÇO DAS MERCADORIAS - FATO INCONTROVERSO E RECONHECIDO PELO PRÓPRIO FISCAL AUTUANTE i.3) DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/COFINS À LUZ DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E LEIS ORDINÁRIAS N° 10.833/2003 E 10.637/2002 i.4) DO DESCOMPASSO EM SE TRIBUTAR TAIS VALORES PROVENIENTES DE BONIFICAÇÕES EM FACE DO PRINCÍPIO DA NÃO - CUMULATIVIDADE i.5) DOS DESCONTOS OBTIDOS: RECEITAS FINANCEIRAS ISENTAS DE TRIBUTAÇÃO DE PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVAS j) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL OU PERÍCIA A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, baixou o processo em diligência fiscal por meio do Despacho nº 05, de 03 de abril de 2013 (fls.18044/18045), em função do que consta do Termo de Verificação Fiscal e de algumas das alegações da impugnante (fls. 21/44), quanto às glosas relativas: 1. ajustes positivos de crédito – (item 1.4 do TVF); 2. ajustes positivos de créditos processo de consulta sobre créditos de produtos sujeitos à tributação monofásica; 3. créditos relativos a outros insumos. Às fls. 19366/19387 consta o Relatório Fiscal, que conclui: CONCLUSÃO: Através deste trabalho, foi efetuado o recálculo das contribuições para o PIS e COFINS, incidência não cumulativa, dos meses de janeiro a dezembro de 2008, tendo sido efetuada a recomposição do fluxo de saldos de créditos a descontar, conforme documentos c informações prestados pelo sujeito passivo em sua peça impugnatória, em atendimento aos quesitos postulados pela autoridade julgadora de primeira instância. Apurados os valores a serem excluídos do cálculo do PIS e COFINS, a título de créditos a descontar, conforme demonstrado nos "Quadros 1.2 e 2.5". estes foram transpostos para os "Demonstrativos dos Créditos da Contribuição", fl. 19.310 a 19.313 (PIS) e fl. 19.314 a 19.317 (COFINS). Fl. 19638DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 Os valores finais obtidos, de PIS e COFINS, foram transpostos para os "Demonstrativos de Apuração do PIS e COFINS e da Movimentação dos Saldo de Créditos a Descontar", às fls. 19.322 a 19.325 e 19.318 a 19.321. respectivamente. Nestes constam: o saldo de créditos a descontar acumulado nos anos anteriores ao auditado, o fluxo de compensação com as contribuições incidentes sobre as infrações apuradas e a composição do saldo final de créditos a descontar, existente em 31/12/2008. Nesta recomposição, foi mantida a compensação integral dos saldos de créditos a descontar de PIS c COFINS gerados durante os meses de janeiro a dezembro de 2008, com débitos do próprio período, uma vez que, em virtude dos lançamentos anteriormente efetuados, Autos de Infração de nos. 10970.000.981/2010-51, 10970.720.021/2011-92, 10970.720.069/2011-09, 10970.720.173/2011-95, 10970.720.025/2012-51 e 10970.720.096/2012-54, não havia saldos remanescentes de créditos a descontar, em 31/12/2007. Como resultado final, foi elaborado o "Demonstrativo de Apuração de Pis e Cofins Devidos - Incidência Não Cumulativa", contendo a "Proposta de Alteração de Lançamento de Ofício", à fl. 19.326, a ser submetida à autoridade julgadora, para análise e considerações. A coluna de "Valores Lançados no Auto de Infração - Valor Devido" de PIS foi obtida das fls. 015 a 016 e da COFINS, das fls. 006 a 007 , do presente processo. É o que há a se relatar. Intimada a autuada peticionou aos autos (fls.19353/19364), reiterando os argumentos aduzidos em sede de impugnação. Sobreveio o Acórdão nº 09-55453, de 13/11/2014 (fls.19400/19416), que, por unanimidade de votos, concluiu pela procedência de parte da Impugnação apresentada, nos termos da diligência fiscal solicitada, conforme abaixo: Créditos apurados na diligência efetuada -créditos extemporâneos referente a IPI não recuperável, destacado em Notas Fiscais de compras de mercadorias para revenda dos anos 2003, 2005, 2006 e 2007 apropriados pela impugnante em janeiro de 2008 = Cofins = R$ 1.145.192,54 e PIS/Pasep = R$ 283.412,04 (fl. 19.329); - créditos extemporâneos sobre encargos de depreciação incorridos no período de maio/2004 a dezembro/2007, referentes à conta contábil “Edificações – 13.02.01.0010”, declarados na DACON do mês de novembro de 2008 = Cofins = R$ 4.309,66 e PIS/Pasep = R$ 2.482,82 (fl. 19.339). Eis a ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2008 PIS/PASEP - COFINS. INSUMOS O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. PIS/PASEP - COFINS. CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das Contribuições. PIS/PASEP - COFINS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO Fl. 19639DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 Para fazer jus a créditos relativos a depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, tais itens devem ser utilizados na produção de bens destinados à venda ou a prestação de serviços. PIS/PASEP - COFINS. CRÉDITO SOBRE CUSTOS DE MANUTENÇÃO Os custos de manutenção que geram créditos de PIS/Pasep e Cofins são aqueles relativos a máquinas e equipamentos usados no processo produtivo da empresa ou na prestação de serviços a terceiros. PIS/PASEP - COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. PIS/PASEP - COFINS. AQUISIÇÃO DE PRODUTO MONOFÁSICO PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Não podem ser descontadas como crédito as aquisições de produtos para revenda sujeitos à tributação monofásica, ainda que sua receita de venda seja sujeita à alíquota zero. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante da exoneração do crédito lançado, recorreu-se de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. Inconformada, a autuada interpôs Recurso Voluntário (fls.19431/19550), por meio do qual repete, basicamente, os mesmo argumentos já declinados em sua impugnação. Acrescenta que a decisão recorrida deve ser anulada em face da negativa da reunião dos processos para julgamento em conjunto, pela existência de conexão e por cerceamento de defesa, diante da falta de fundamentação e motivação. Por fim, requer a reforma do acórdão recorrido e julgados improcedentes os autos de infração. Alternativamente, seja retificado o lançamento do crédito adicional reconhecido pela autoridade fiscal no procedimento de diligência fiscal. Tendo em vista o Recurso de Ofício, a autuada interpôs contrarrazões às fls. 19523/19539. Em 27 de julho de 2017, esta Turma, por meio da Resolução nº 3302-000.650, converteu o julgamento do processo em diligência, para sobrestar o julgamento e encaminhar o processo para a SECAM, a fim de que se aguarde a formação de lote com os processos 10970.000981/2010-51, 10970.720021/2011-92, 10970.720069/2011-09, 10970.720173/2011- 95, 10970.720025/2012-51 e 10970.720096/2012-54, para que, então, retorne para julgamento em conjunto. Em resposta a Coordenação-Geral de Gestão do Julgamento – Cojul e a Divisão de Análise de Retorno e Distribuição de Processos – Dipro, apresentaram a situação dos referidos processos, conforme abaixo: Consultando a situação dos referidos processos, verifica-se: Processo 10970.000981/2010-51: Recurso Voluntário julgado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento em 27/07/2018, resultando no Acórdão 1201- 002.325, cuja decisão foi por dar-lhe provimento. Cientificada, a PGFN não apresentou recurso especial e o processo encontra-se na VR 06RF DEFIS para cálculo do valor da redução após o acórdão proferido pelo CARF; Fl. 19640DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 Processo 10970.720021/2011-92: Recurso Voluntário julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em 27/02/2018, resultando no Acórdão 3402- 004.937, cuja decisão foi por negar-lhe provimento. Cientificado, o contribuinte não apresentou recurso especial e o processo encontra-se na PSFN Uberlândia; Processo 10970.720069/2011-09: Recurso Voluntário julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em 27/02/2018, resultando no Acórdão 3402- 004.939, cuja decisão foi por negar-lhe provimento. Cientificado, o contribuinte não apresentou recurso especial e o processo encontra-se na PSFN Uberlândia; Processo 10970.720173/2011-95: Recurso Voluntário julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em 27/02/2018, resultando no Acórdão 3402- 004.940, cuja decisão foi por negar-lhe provimento. Cientificado, o contribuinte não apresentou recurso especial e o processo encontra-se na PSFN Uberlândia; Processo 10970.720025/2012-51: Recurso Voluntário julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em 27/02/2018, resultando no Acórdão 3402- 004.938, cuja decisão foi por negar-lhe provimento. Cientificado, o contribuinte não apresentou recurso especial e o processo encontra-se na PSFN Uberlândia; Processo 10970.720096/2012-54: Resolução 3302-000.651, de 27/07/2017, determinou o seu sobrestamento com encaminhamento à então Secam, a fim de que se aguarde a formação de lote com os processos 10970.000981/2010-51, 10970.720021/2011-92, 10970.720069/2011-09, 10970.720173/2011-95 e 10970.720025/2012-51, inclusive com este, para que, então, retorne ao ex-Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, para julgamento em conjunto. Como se pode ver, à exceção deste processo e do de nº 10970.720096/2012-54, os demais processos encontram-se julgados, com decisões definitivas, cujas cópias foram juntados às fls. 19.561 a 19.628 destes autos. Assim, considerando que o então Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, relator originário destes autos, não mais integra nenhum dos colegiados da Seção, encaminhe- se à 2ªTurma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, para novo sorteio no âmbito da referida turma. Na forma regimental, o processo foi distribuído a esta relatora. É o relatório. Voto Conselheiro Denise Madalena Green , Relator. A recorrente foi intimada da decisão de piso em 24/11/2014 (fl.19428) e protocolou Recurso Voluntário em 23/11/2014 (fl. 19431) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/72 1 . Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como relatado, trata o presente processo de Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos, relativos ao período de janeiro a dezembro/2008 em razão de glosa de créditos sobre despesas de fretes em operações de vendas, encargos de depreciação/amortização de bens do ativo imobilizado e outras operações com direito a crédito, ajustes positivos de crédito e omissão de receitas por bonificações recebidas, além de redução do saldo de créditos a descontar em razão de lançamentos promovidos nos outros Autos de Infração de nºs. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 19641DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 10970.000.981/2010-51, 10970.720.021/2011-92, 10970.720.069/2011-09, 10970.720.173/2011- 95 e 10970.720.025/2012-51 e 10970.720.096/2012-54. Inicialmente cumpre esclarecer que o presente processo foi baixado em diligência conforme voto do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (fls.19557/19560), em virtude da conexão verificada, nos termos do artigo 6º, §1º, inciso II do Anexo II do RICARF, requereu-se a reunião de todos os processos para julgamento em conjunto. Após o pedido de diligência que resultou a informação de fls. 19631/19633, foram juntados aos autos as decisões definitivas dos Processos: 10970.000981/2010-51, 10970.720021/2011-92, 10970.720069/2011-09, 10970.720173/2011-95, 10970.720025/2012- 51, 10970.720096/2012-54. Com exceção ao Processo nº 10970.720096/2012-54, que foi distribuído para esta relatora e ainda aguarda decisão definitiva. Verifica-se, claramente, que o lançamento consubstanciado nestes autos é decorrente ou vinculado por decorrência, formalizado (constituição de créditos tributários) em virtude da redução do saldo de créditos a descontar em razão de lançamentos promovidos nos Autos de Infração referidos acima. Dessa forma, o que decidido naqueles processos, repercutirá nos autos ora em litígio. Portanto, não é possível, ou melhor, não se mostra adequado o julgamento deste processo antes do julgamento definitivo do Processo nº 10970.720096/2012-54, sob pena de ocasionar inconvenientes insuperáveis quando da liquidação desta decisão, haja vista que, como dito, qualquer modificação que redunde alteração dos saldos credores apurados naquele processo terá obrigatória influência neste. Diante desses fatos, voto por determinar o retorno dos autos a unidade de origem para sobrestar este processo até o julgamento definitivo do Processo nº 10970.720096/2012-54. Após o julgamento definitivo do mencionado processo, a Unidade Preparadora deve apurar a repercussão da liquidação dos julgados nos Processos nº 10970.000.981/2010-51, 10970.720.021/2011-92, 10970.720.069/2011-09, 10970.720.173/2011-95 e 10970.720.025/2012-51 e 10970.720.096/2012-54 neste processo, elaborar relatório fiscal conclusivo, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011 2 . Posteriormente, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green 2 Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação (Lei nº 9.784, de 1999, art. 28). Fl. 19642DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15374.724380/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer, Mércia Trajano Damorim e Winderley Morais Pereira (Relator). Designado para a formalização da diligência a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Leonardo Garcia Bites, OAB nº 173.049.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator e Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15374.724380/2009-47
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5732944
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-000.840
nome_arquivo_s : Decisao_15374724380200947.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15374724380200947_5732944.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer, Mércia Trajano Damorim e Winderley Morais Pereira (Relator). Designado para a formalização da diligência a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Leonardo Garcia Bites, OAB nº 173.049. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Relator e Presidente Substituto. Assinado digitalmente Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo - Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6799573
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:37:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610565790302208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1382; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 5.987 1 5.986 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.724380/200947 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.840 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de março de 2017 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer, Mércia Trajano Damorim e Winderley Morais Pereira (Relator). Designado para a formalização da diligência a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Leonardo Garcia Bites, OAB nº 173.049. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator e Presidente Substituto. Assinado digitalmente Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 24 38 0/ 20 09 -4 7 Fl. 552DF CARF MF Processo nº 15374.724380/200947 Resolução nº 3201000.840 S3C2T1 Fl. 5.988 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) de crédito originário de pagamento efetuado a maior relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (código 8109), período de janeiro de 2004. A DEMAC/RJO exarou o despacho decisório de fl. 59, com base no Parecer Conclusivo nº 40/2011 (fls. 54/58) decidindo não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar a compensação declarada. No Parecer Conclusivo consta consignado, em resumo, que: a) A contribuinte retificou a DCTF reduzindo o valor do PIS declarado para o período em questão de R$ 18.415.915,69 para R$ 26.485,79. O valor retificado em DCTF coincide com o declarado na DIPJ/2005 para o PIS cumulativo, importância que se repete no DACON; b) A interessada foi intimada a justificar a retificação da COFINS declarada e apresentar cópia do balancete mensal, páginas dos livros Diário e Razão e outros documentos fiscais e contábeis. Em resposta, apresentou as justificativas de fls. 17/21, planilha com a composição da base de cálculo do álcool (que segundo a empresa, é o único produto com incidência cumulativa no período) e cópia de parte do balancete de janeiro/2004; c) A interessada esclareceu apenas como apurou o valor do PIS cumulativo que constou na DCTF retificadora, sem se preocupar em apresentar a composição da base de cálculo que resultou no valor originalmente declarado ou especificar e justificar os ajustes efetuados nessa apuração, em que pese ter sido expressamente intimada; d) Havendo a contribuinte efetuado um pagamento de PIS no montante de R$ 18.442.401,48, certamente ocorreu o lançamento contábil do referido valor em contrapartida de despesa de PIS, bem como existe planilha de apuração do montante recolhido. Posteriormente, quando apresentada a DCTF retificadora, deve ter ocorrido o estorno de parte da despesa no Livro Diário e no Razão. E é de se presumir também que vinculados a estas retificações nos lançamentos contábeis ocorreram também estornos de receitas, ou registro de créditos na contabilidade que repercutiram no PIS de janeiro de 2004 ou, pelo menos, foi feita uma memória de cálculo para justificar a retificação; e) Ressaltese que a contribuinte declarou nas DCTF de meses anteriores, valores da mesma ordem de grandeza do montante recolhido em janeiro de 2004; f) A prova do indébito tributário compete ao sujeito passivo que teria efetuado pagamento indevido ou a maior que o devido. Decorre daí que o pedido de reconhecimento de indébito tributário deve estar necessariamente instruído com as provas no qual se fundamenta, sob pena de pronto indeferimento; g) Como a interessada, apesar de intimada, não apresentou motivação nem juntou documentação hábil para demonstrar os possíveis erros nos valores declarados na DCTF, não são aceitáveis a retificação feita pela contribuinte, a tácita repetição de indébito solicitada e a compensação declarada. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 15374.724380/200947 Resolução nº 3201000.840 S3C2T1 Fl. 5.989 3 A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 28/03/2011 (fl. 109) e apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/04/2011 (fls. 65/69), alegando, em síntese que: a) Até a competência 12/2003, o PIS nãocumulativo, cujo recolhimento deveria ser realizado no código 6912 era feito através do código 8109, em razão de uma limitação no programa da DCTF, que não permitia informar o valor “Dedução CIDECombustíveis – DCIDE” no código 6912. Por essa razão, o PIS nãocumulativo era lançado na DCTF no código 8109 e eram recolhidos dois DARF’s neste código, um para a venda cumulativa (no caso, somente o álcool) e outro para a venda nãocumulativa; b) A partir de 01/2004, com o saneamento da pendência na DCTF, passouse a informar os recolhimentos nos códigos 6824 (combustíveis), 8109 (cumulatividade) e 6912 (nãocumulatividade); c) O recolhimento estimado foi realizado com base no procedimento até então adotado (DARF 8109), razão pela qual este apresentou grande variação. Como não era possível fazer REDARF para o código 6912, foi efetuado recolhimento espontâneo para o código 6912; d) Nos meses subseqüentes, os recolhimentos de PIS código 8109 apresentam relativamente a mesma ordem de grandeza; e) Apresenta tabelas com a base de cálculo e os recolhimentos relativos ao PIS cumulativo; f) Requer seja declarada legítima a compensação efetuada, procedendose a sua devida homologação e protesta pela juntada posterior de documentos complementares." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela manutenção do despacho decisório, por entender que as alegações e os documentos trazidos pela Recorrente não comprovariam o pagamento a maior do PIS. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. A manifestação de inconformidade apresentada contra decisão que reconheceu em parte o direito creditório pleiteado deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e deverá vir acompanhada dos dados e documentos comprovadores dos fatos alegados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" A decisão da primeira instância detalha as inconsistência encontradas na apuração do PIS que demonstram que não tratase de simples equivoco no preenchimento de códigos ou da DCTF. As afirmações da autoridade de piso foram assim esclarecidas. "Em sua defesa a interessada procura justificar a redução do valor devido declarado esclarecendo que até o período de apuração 12/2003, Fl. 554DF CARF MF Processo nº 15374.724380/200947 Resolução nº 3201000.840 S3C2T1 Fl. 5.990 4 em razão de uma limitação do programa de preenchimento da DCTF, o PIS nãocumulativo (código de arrecadação 6912) era informado juntamente com o PIS cumulativo (código 8109). Consequentemente, eram realizados dois recolhimentos no código 8109, um referente ao valor devido apurado no regime cumulativo e outro correspondente ao PIS nãocumulativo. Prossegue esclarecendo que a partir de janeiro de 2004 foi solucionado o problema no programa da DCTF, possibilitando a informação do PIS devido apurado para os códigos 6824 (combustíveis), 8109 (cumulatividade) e 6912 (nãocumulatividade). No entanto, o recolhimento da contribuição apurada para o período em base estimativa foi efetuado seguindo o procedimento até então adotado, decorrendo daí a grande variação entre o valor declarado e o valor pago.Como não era possível a retificação do DARF para o código 6912, foi realizado outro recolhimento neste mesmo código, o que acabou por configurar o crédito decorrente de recolhimento a maior no código 8109. A justificativa do contribuinte não condiz com os dados extraídos dos sistemas da RFB. De acordo com o alegado, o pagamento realizado no valor de R$ 18.415.915,69 corresponderia, ao menos em parte, ao PIS devido no regime nãocumulativo. Logo, com a retificação da DCTF, deveria ter ocorrido uma transferência do montante declarado no código 8109 para o código 6912. Não é o que se observa, contudo. O quadro abaixo apresenta um resumo dos pagamentos realizados e dos débitos declarados na DCTF original e na última retificadora: .... (tabela fl. 4 da decisão da DRJ) Verificase que todos os pagamentos foram realizados na mesma data, em 13/02/2004, em valores equivalentes aos débitos declarados para os códigos 8109 e 6912 na DCTF original (entregue em 14/05/2004). Mais de um ano depois, em 01/09/2005, o contribuinte apresentou a primeira DCTF retificadora alterando apenas o débito relativo ao PIS cumulativo (8109). O débito declarado para o PIS nãocumulativo permaneceu o mesmo. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 15374.724380/200947 Resolução nº 3201000.840 S3C2T1 Fl. 5.991 5 Outras duas DCTF retificadoras foram apresentadas, em 17/02/2006 e 09/05/2006, mantendo as mesmas informações contidas na primeira retificadora em relação aos débitos de PIS. Observese que o débito total de PIS declarado (considerando os três regimes de apuração) sofreu uma expressiva redução com a declaração retificadora apresentada (de R$ 28.296.707,53 para R$ 9.880.791,83). Ou seja, não houve a transferência de valor supostamente declarado indevidamente no código 8109 para o código 6912. Ressaltese, ainda, que o pagamento alegado como indevido, no valor de R$ 18.415.915,69, é muito superior à soma dos valores informados na retificadora como devidos no regime cumulativo e nãocumulativo (R$ 7.953.451,87 + R$ 26.485,78 = R$ 7.979.437,65). Todos esses dados demonstram a inconsistência da tese do contribuinte. Não se trata de simples equívoco no preenchimento do código de arrecadação que possa ser facilmente detectado através da análise comparativa das DCTF’s apresentadas e pagamentos realizados. Se, como alega o contribuinte, o total pago no código 8109 abrangia o PIS devido no regime cumulativo e nãocumulativo, para que haja o reconhecimento do direito creditório fazse necessário demonstrar a base de cálculo e a apuração da contribuição devida nos dois regimes de apuração, confrontar os débitos apurados com os pagamentos realizados nos diferentes códigos de arrecadação e concluir pela existência ou não de pagamento a maior. Ocorre que os documentos trazidos aos autos não permitem o cálculo do montante devido, tendo em vista que os valores informados no demonstrativo de apuração do PIS constante da DIPJ/2005 não conferem completamente com os registros no balancete mensal apresentado e, conforme se verifica em diversos outros processos formalizados para análise de outras compensações declaradas pelo contribuinte, a empresa realiza ajustes extra contábeis acatados, ao menos em parte, pela Delegacia de origem, ajustes estes não demonstrados nos presentes autos. Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando o direito ao crédito e que a documentação juntada seria suficiente para comprovar o indébito tributário. A Recorrente discorre sobre as informações e os documentos apresentados durante o processo que foram assim detalhadas no recurso. “Com efeito, a Recorrente trouxe à colação cópia integral do seu Balancete Patrimonial referente ao mês de Janeiro de 2004, sendo que, na página 32 do aludido documento, nos códigos 3110103, 3110104 e 3120104, verificase, de forma clara, simples e objetiva, as receitas advindas da venda de ÁLCOOL HIDRATADO NACIONAL e de ÁLCOLL ANIDRO NACIONAL, bem como as devoluções atinentes ao ÀLCOOL ANIDRO NACIONAL únicos produtos, frisese novamente, em que ocorreu a incidência do PIS cumulativo sobre a receita oriunda destes. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 15374.724380/200947 Resolução nº 3201000.840 S3C2T1 Fl. 5.992 6 Pois bem. Fazendose uma análise detida de tal documento, apurase facilmente tanto a base de cálculo referente ao PIS CUMULATIVO (cód. 8109) devido nos mês de janeiro de 2004 que decorre das receitas advindas da venda do ÁLCOOL HIDRATADO NACIONAL e de ÁLCOOL ANIDRO NACIONAL, e que foi objeto de apresentação de DCTF retificadora pela Recorrente , quanto aquela relativa à incidência não cumulativa do aludido tributo (Cód. 6912 que NÃO foi objeto de retificação por parte da Recorrente na DCTF retificadora por ela apresentada)."(fls. 209 a 210) Na apreciação do recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora procedesse a apuração dos valores devidos do PIS cumulativo e do PIS não cumulativo para o período em discussão, informando em relatório se o cálculo obtido corresponde aos valores apresentados pela recorrente e que foram objeto de retificação da DCTF, caso estes valores estejam corretos se são suficientes para comprovar o direito creditório pleiteado. A Unidade de Origem procedeu a diligência, consubstanciado no relatório fiscal (fls. 486 a 490). Nos termos da diligência, a Fiscalização realizou a auditoria, concluindo que os documentos apresentados não confirmam as alegações da Recorrente. O trecho abaixo, extraído do relatório fiscal, detalha as conclusões da Autoridade Fiscal. "Considerando o exposto, a diligência solicitada pelo CARF para ter consistência demanda a auditoria dos créditos utilizados pela contribuinte para reduzir a contribuição informada originalmente no Dacon e, por consequência, necessida que a empresa forneça documentação que comprove a validade das deduções de PIS, permitindo ao Fisco verificar se as operações que compuseram os créditos de PIS enquadramse nas hipóteses previstas em lei para sua geração. Assim, para verificar a validade das informações prestadas pela interessada em DCTF e Dacon, o Fisco solicitou os arquivos digitais previstos no ADE Cofins/RFB nº 25, de 2010, cuja estruturação possibilita a análise dos valores devidos a título de PIS cumulativo e nãocumulativo. No entanto, a recorrente apresentou os arquivos no formato no ADE Cofins/RFB nº 15, editado em 2001, quando a sistemática da não cumulatividade sequer ainda era aplicada ao PIS. Esclareçase que sem os arquivos complementares de apuração de PIS previstos no ADE Cofins nº 25, de 2010 , não é possível realizar uma auditoria eficaz, tendo em vista a ausência de informações como: Código de Situação Tributária, Alíquota, Base de Cálculo, Valor etc. Ora, como o Fisco pode saber, por exemplo, se a tributação ocorreu no regime monofásico ou se houve suspensão ou isenção do PIS em determinada operação, sem o CST Código de Tributação Tributária. Ou como saber se ao produto foi aplicada a alíquota geral ou uma alíquota específica, senão há essa informação nos arquivos fiscais. O ADE Cofis nº 15, de 2001, estabeleceu a forma de apresentação e as especificações técnicas dos arquivos digitais de que trata a Instrução Normativa SRF nº 86, de 1999. Posteriormente, o citado ato sofreu sucessivas alterações através dos ADE Cofis nº 55 e ADE Cofis nº 25, a Fl. 557DF CARF MF Processo nº 15374.724380/200947 Resolução nº 3201000.840 S3C2T1 Fl. 5.993 7 fim de permitir ao Fisco melhorar sua capacidade de auditar os tributos federais. Importante ressaltar para o caso em concreto que as alterações feitas nos atos declaratórios estabeleceram, entre outras informações, a entrega de arquivos complementares de PIS necessários à auditoria de apuração desta contribuição, principalmente na sistemática de não cumulatividade. Não é demais lembrar que no caso em questão, não há que se falar em aplicação retroativa da legislação e falta de eficácia da norma procedimental superveniente. O Código Tributário Nacional, dispõe em seu art. 144: .... No caso em questão, como mencionado: i) a empresa reduziu o total de débitos de PIS a pagar de R$ 171.177.548,17 para R$ 9.880.791,83; ii) a maior parte das deduções foram realizadas sob a rubrica de "Outras deduções"; iii) a Petrobrás alega que o pagamento indevido decorre de erros de preenchimentos dos códigos de receita; iv) esta hipótese não explica as retificações efetuadas nas declarações da contribuinte; v) apesar das oportunidades concedidas ao longo do processo administrativo fiscal, a interessada não esclarece a origem das deduções constantes no Dacon retificador; e, por fim, vi) a empresa apresentou arquivos distintos daqueles solicitados pelo Fisco, que não possibilitam a plena verificação dos créditos de PIS previstos no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Em suma, como o referido resumo mostra, a contribuinte não ofereceu ao Fisco conjuntos probatório capaz de justificar, seja as retificações realizadas no Dacon e na DCTF, seja sua apuração de PIS. ... Desta forma, considerando que os arquivos digitais apresentados não estão em conformidade com as alterações promovidas pelo ADE nº 25, e portanto falta os arquivos não possuem os dados específicos necessários à apuração do PIS/Cofins, resta prejudicada a diligência solicitada para a apuração do PIS cumulativo e nãocumulativo, razão pela qual entende esta fiscalização que deve ser mantido a não homologação da DCOMP, pois a compensação só pode ser efetuada com crédito líquido e certo, apurado por meio de provas hábeis que evidenciam a sua correta e completa composição, o que, no presente caso, não foi demonstrado pela contribuinte junto à Fazenda Nacional." Cientificada das conclusões da diligência, a Recorrente veio aos autos e se manifestou (fls. 494 a 501), alegando a nulidade da diligência por não proceder a análise dos documentos sob a alegação que não teriam sido apresentados nos termos do Ato Declaratório Executivo Cofis nº 25/2010. A Recorrente apresentou as seguintes alegações: Inicialmente, não se pode aceitar, permissão vênia, a premissa lançada na diligência, pautada única e exclusivamente no estratagema de se socorrer na falta de apresentação da documentação elaborada sob o crivo do Ato Declaratório Cofis nº 25/2010, de modo a se furtar em Fl. 558DF CARF MF Processo nº 15374.724380/200947 Resolução nº 3201000.840 S3C2T1 Fl. 5.994 8 analisar detidamente a robusta documentação apresentada pela Contribuinte, não menos capaz de permitir a aferição de certeza e liquidez do indébito em questão, a qual fora acostada às fls. 311/411, cujas autenticações constam à fls. 413/481, acrescido dos termos de anexação de arquivos não pagináveis (fls. 482/485). Isto porque, considerando a competência em análise (Janeiro/2004), a Contribuinte se viu obrigada a apurar, lançar e recolher os tributos devidos naquele momento valendose, para tanto, das obrigações acessórias então vigentes. Dentre elas, aplicavamse as disposições do Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15/2001, razão pela qual se impunha a ela gerar e manter os arquivos digitais dentro daquilo que fora especificado pelo aludido ADE, de forma que, caso demandada, os apresentasse (e não os criasse) para análise, em estrita obediência a regra prevista no artigo 195 do CTN. Todavia, pautado, com dito alhures, no fato de que os arquivos digitais não se encontravam na forma exigida pelo Ato Declaratório Executivo Cofis nº 25/2010, a DEMAC/RJO sequer se aventurou a analisar o crédito, buscando, para tanto, arrimo na norma disposta no § 1º do artigo 144 do CTN que assim dispõe: ... Fazer menção à aludida norma se revela indevida, na medida em que trata claramente da aplicação de regra referentes ao lançamento que se torna vigente entre a data do fato gerador e o momento definido por lei para a concretização do lançamento do tributo, fato que com toda clareza não representa a hipótese em discussão, posto que todos os atos acima descritos (fato gerador e lançamento do tributo) ocorreram em Janeiro de 2004, vale dizer, momento bem anterior à entrada em vigência das disposições do ADE nº 25/2010. Desse modo houve por apurar, lançar e recolher os tributos segundo legislação vigente à época, com destaque para o ADE nº 15/2001. Dessa forma, não há que se falar na aplicação retroativa da regra constante no § 1º do artigo 144 do CTN no intuito de justificar a exigência dos arquivos digitais na forma do ADE Cofis nº 25/2010 para lançamento que há muito se concretizou, e tampouco se valer deste único argumento no intuito de justificar a não análise do vasto material probatório apresentado pela Contribuinte. Alega também a Recorrente, a existência do direito creditório, que segundo seu entendimento, justificaria a existência da divergência entre as informações apresentadas na DCTF e DCTF retificadora. Os argumentos foram assim apresentado nas suas contrarrazões. A Contribuinte atestou que até dezembro de 2003, em razão de limitação existente no programa da DCTF, a dedução CIDE Combustível não era permitida no código 6912, razão pela qual se utilizava do Código 8109, de modo a registrar a parcela do PIS pago no DARF CIDECOmbustível, cujo mês de janeiro de 2004 apresentou grande variação em relação ao recolhimento ESTIMADO. Como não era possível fazer o REDARF, foi realizado recolhimento espontâneo Fl. 559DF CARF MF Processo nº 15374.724380/200947 Resolução nº 3201000.840 S3C2T1 Fl. 5.995 9 para o código 6912, razão pela qual o recolhimento sob código 8109 se tornou pagamento a maior, conforme demonstrado na DCTF retificadora e DACON retificadora, todos eles validados pela fiscalização no decorrer desse processo. Dito isto, o argumento trazido pela fiscalização para não homologar o crédito cai por terra, posto que não há, como entendiam, qualquer remanejamento do pagamento a maior pra o código 6912, visto que tal repasse já fora feito em razão do recolhimento espontâneo, ou seja, utilizouse moeda nora para o seu pagamento. Assim, o código 8109 registra apenas operações realizadas com álcool, devidamente apontado nas contas contábeis 3110103 e 3110104, documentos esses apresentados com a manifestação de inconformidade, sem qualquer questionamento por parte da Fiscalização e que demonstra que o DARF no montante de R$ 18.415.915,69 foi recolhido a maior, ensejando, ao seu turno, o reconhecimento desse indébito. No curso da diligência, aberta pela DEMAC/RJO, a Contribuinte apresentou vasta documentação de modo a demonstrar sua apuração do PIS Cumulativo como do PIS nãocumulativo. Nesse sentido, reiteramos a documentação apresentada em atendimento da intimação (Sistema de Validação de Arquivos contido às fls. 311/412, devidamente autenticados às fls. 413/481, além dos arquivos não pagináveis constante às fls. 482/485), que sequer foram analisados pela fiscalização, em verdadeiro cerceamento ao direito de defesa, pacificamente reconhecidos por este Colendo Conselho, bem como a flagrante violação ao princípio da verdade material. Com estas considerações, os autos retornaram ao CARF para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente alega a Recorrente que a Unidade de Origem não poderia exigir a apresentação de documentos e informações fiscais de acordo com as previsões do ADE Cofis nº 25/2010. Entendo não assistir razão ao recurso, a apresentação de documentos na modalidade do ADE, não se configura em aplicação de nova legislação para apuração do PIS, mas, um procedimento a ser adotado para apresentação de documentos e informações necessárias a realização da diligência. A alegação que a Recorrente não possui as informações no modelo solicitado pela Autoridade responsável pela diligência, não pode ser utilizada como argumento para justificar a apresentação no modelo solicitado pela RFB. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 15374.724380/200947 Resolução nº 3201000.840 S3C2T1 Fl. 5.996 10 Quanto ao mérito do direito creditório quando da análise do despacho decisório, a Fiscalização intimou a Recorrente para justificar os motivos que levaram a retificação da DCTF com a redução significativa do valor devido de PIS. A Recorrente informou que tratava se de erro no código informado para recolhimento, mas não apresentou as informações e documentos necessários a comprovação destas alegações. As conclusões do despacho decisório além da ausência de documentos concluiu que não se tratava de simples equivoco no preenchimento do código de DARF, mas envolvia divergências na apuração do PIS cumulativo e não cumulativo, sendo necessário para comprovar o recolhimento indevido, que a Recorrente apresentasse o cálculo do PIS cumulativo e não cumulativo para o período e os respectivos lançamentos contábeis que comprovariam a procedência da retificação da DCTF. Não resta dúvida é que o pleito da Recorrente não é justificado pela afirmação de simples erro de informação de código no recolhimento do tributo e diante das divergências é necessário fazer o cálculo do PIS no regime cumulativo e não cumulativo. Sem a apresentação da apuração com a respectiva documentação, não é possível identificar os supostos erros e equívocos que segundo a Recorrente teria ocorrido na informação do código. O despacho decisório deixou clara a necessidade da apresentação da apuração do PIS cumulativo e não cumulativo com os respectivos documentos para comprovar o recolhimento indevido da contribuição, conforme se verifica do trecho abaixo: No presente caso, tendo em conta que a contribuinte originalmente declarou em DCTF a título de PIS de janeiro de 2004 o montante de R$.18.442.401,48 (fl, 24), recolhendo o referido valor por .intermédio de dois DARF (fls. 22/23), e posteriormente retificou o tributo devido, para R$26.485,78 (fl. 26), com efeito, é preciso que a contribuinte demonstre o seu direito creditório, até porque ò art; 147 do CTN estabelece que a retificação de declaração por iniciativa do sujeito passivo,quando vise a reduzir tributo, só é admissível mediante comprovação do alegado erro. Nesse sentido, após ser intimada a esclarecer os motivos da retificação realizada e apresentar os documentos que amparavam ó.procedimento, a contribuinte acostou aos autos: a) planilha de apuração do PIS cumulativo referente ao valor retificado, que segundo a empresa incidia somente sobre o álcool; e b) cópias de duas folhas do balancete de janeiro de 2004. Ou seja, a interessada esclareceu apenas como apurou o valor do PIS cumulativo que constou na DCTF retificadora, sem se preocupar em,apresentar á composição da base de cálculo que resultou no valor originalmente declarado ou especificar,e justificar os ajustes efetuados nessa apuração, em que pese ter sido expressamente intimada. Cabe observar que havendo a contribuinte efetuado um pagamento de PIS no montante de R$ 18.442.401,48, certamente, observando a boa técnica contábil e os princípios de governança corporativa, ocorreu o lançamento contábil do referido valor em, contrapartida de despesa de PIS, bem como existe planilha de apuração do montante recolhido. Posteriormente, quando apresentada a DCTF retificadora, deve ter ocorrido o estorno de parte da despesa no Livro Diário e no Razão. E é de se presumir também que vinculados a estas retificações nos lançamentos contábeis ocorreram também estornos de receitas, ou registro de créditos na contabilidade que repercutiram no PIS de Fl. 561DF CARF MF Processo nº 15374.724380/200947 Resolução nº 3201000.840 S3C2T1 Fl. 5.997 11 janeiro de 2004, ou, pelo menos, foi feita uma memória de cálculo para justificar a retificação. O despacho decisório deixou claro que a não homologação do direito creditório pleiteado pela Recorrente deuse por ausência de comprovação documental e explicita quais seriam as informações suficientes para comprovar o indébito e mesmo com o conhecimento destas informações é protocolado a manifestação de inconformidade sem apresentar o cálculo do PIS. A decisão de piso, reafirmou a posição já explicitada no despacho decisório, da necessidade de apresentação da apuração do PIS cumulativo e não cumulativo e os documentos necessários e novamente esclareceu a necessidade da Recorrente demonstrar a apuração do PIS cumulativo e não cumulativo para comprovar o crédito pleiteado, conforme verificase abaixo do trecho extraído da decisão da DRJ: Verificase que todos os pagamentos foram realizados na mesma data, em 13/02/2004, em valores equivalentes aos débitos declarados para os códigos 8109 e 6912 na DCTF original (entregue em 14/05/2004). Mais de um ano depois, em 01/09/2005, o contribuinte apresentou a primeira DCTF retificadora alterando apenas o débito relativo ao PIS cumulativo (8109). O débito declarado para o PIS nãocumulativo permaneceu o mesmo. Outras duas DCTF retificadoras foram apresentadas, em 17/02/2006 e 9/05/2006, mantendo as mesmas informações contidas na primeira retificadora em relação aos débitos de PIS. Observese que o débito total de PIS declarado (considerando os três regimes de apuração) sofreu uma expressiva redução com a declaração retificadora apresentada (de R$ 28.296.707,53 para R$ 9.880.791,83). Ou seja, não houve a transferência de valor supostamente declarado indevidamente no código 8109 para o código 6912. Ressaltese, ainda, que o pagamento alegado como indevido, no valor de R$ 18.415.915,69, é muito superior à soma dos valores informados na retificadora como devidos no regime cumulativo e não cumulativo (R$ 7.953.451,87 + R$ 26.485,78 = R$ 7.979.437,65). Todos esses dados demonstram a inconsistência da tese do contribuinte. Não se trata de simples equívoco no preenchimento do código de arrecadação que possa ser facilmente detectado através da análise comparativa das DCTF’s apresentadas e pagamentos realizados. Se, como alega o contribuinte, o total pago no código 8109 abrangia o PIS devido no regime cumulativo e nãocumulativo, para que haja o reconhecimento do direito creditório fazse necessário demonstrar a base de cálculo e a apuração da contribuição devida nos dois regimes de apuração, confrontar os débitos apurados com os pagamentos realizados nos diferentes códigos de arrecadação e concluir pela existência ou não de pagamento a maior. Ocorre que os documentos trazidos aos autos não permitem o cálculo do montante devido, tendo em vista que os valores informados no demonstrativo de apuração do PIS constante da DIPJ/2005 não conferem completamente com os registros no balancete mensal Fl. 562DF CARF MF Processo nº 15374.724380/200947 Resolução nº 3201000.840 S3C2T1 Fl. 5.998 12 apresentado e, conforme se verifica em diversos outros processos formalizados para análise de outras compensações declaradas pelo contribuinte, a empresa realiza ajustes extra contábeis acatados, ao menos em parte, pela Delegacia de origem, ajustes estes não demonstrados nos presentes autos. Ciente do despacho decisório e da decisão da primeira instância que condicionaram o reconhecimento do direito creditório a apresentação das informações e apuração do PIS cumulativo e não cumulativo, a Recorrente veio mais uma vez aos autos e reafirma as alegações de equívocos na apuração e o preenchimento, mas não demonstra de forma clara e inequívoca os erros alegados e não apresenta as informações e documentos necessários a comprovação do crédito, que já foram de forma exaustiva citados no despacho decisório e na decisão da primeira instância. Apesar de estar claro nos autos e nas decisões anteriores, a necessidade da apresentação da apuração do PIS cumulativo e não cumulativo para comprovação do crédito alegado. Esta turma, na busca da verdade dos fatos e apesar das duas oportunidades já concedidas a Recorrente para apresentar a apuração do PIS cumulativo e não cumulativo para o período, resolveu converter o julgamento em diligência para que a Recorrente mais uma vez tivesse a oportunidade de apresentar as informações, cálculos e documentos necessários para comprovação do crédito pleiteado. Desta feita a diligência ainda determinou que a Receita Federal refizesse os cálculos do PIS cumulativo e não cumulativo, procedimento que seria de obrigação da Recorrente, mas em uma última tentativa de buscar a verdade real para solucionar o litígio. A Fiscalização, conforme bem detalhado na informação fiscal da diligência, intimou a Recorrente a apresentar os documentos e informações necessários a apuração do PIS cumulativo e não cumulativo. Em atendimento a intimação, a Recorrente apresentou documentos em formatos diferentes daqueles exigidos pela FIscalização, inviabilizando a realização da diligência, conforme bem explicitado nas conclusões da diligência. No caso em questão, como mencionado: i) a empresa reduziu o total de débitos de PIS a pagar de R$ 171.177.548,17 para R$ 9.880.791,83; ii) a maior parte das deduções foram realizadas sob a rubrica de "Outras deduções"; iii) a Petrobrás alega que o pagamento indevido decorre de erros de preenchimento dos códigos de receita. iv) apesar das oportunidades concedidas ao longo do processo administrativo fiscal, a interessada não esclarece a origem das deduções constantes no Dacon retificador; e, por fim, vi) a empresa apresentou arquivos distintos daqueles solicitados pelo Fisco, que não possibilitam a plena verificação dos créditos de PIS previstos no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Cientificada da impossibilidade da Unidade de Origem em realizar a diligência, a Recorrente se insurge quanto a posição adotada pela RFB, mas, em nenhum momento apresentou os documentos no formato exigido, ou apresentou informações, cálculos e apuração que comprovasse suas alegações. Pede para que seja determinada a Unidade de Origem que promova os cálculos no formato que entende sejam suficientes. Entendo que a posição da Recorrente não pode prevalecer, a exigência feita pela fiscalização para realização da diligência não se mostra descabida ou absurda, simplesmente pede que sejam apresentadas as informações em um formato que é utilizado desde o ano de 2010. Se a Recorrente não possui os dados no formato solicitado pela Fiscalização, poderia solicitar prazo para fazer as adequações necessárias ou então propor outras soluções, mas Fl. 563DF CARF MF Processo nº 15374.724380/200947 Resolução nº 3201000.840 S3C2T1 Fl. 5.999 13 diferente disto. A Recorrente apresentou em um formato diferente daquele solicitado e afirma na manifestação da diligência que a Fiscalização caberia fazer a diligência com aquelas informações. Cabe ressaltar, que a comprovação do crédito é da Recorrente e não da Fiscalização. Na determinação da diligência realizada pela turma do CARF foi além do que seria o norma de imprimir a Recorrente a obrigação de comprovar de forma clara e inconteste o erro, determinou que a Receita Federal refizesse o cálculo do PIS cumulativo e não cumulativo, procedimento que seria de obrigação da Recorrente para comprovar o recolhimento indevido. Mas, a resolução do CARF passou este ônus a Unidade de Origem, que em atendimento a resolução do CARF, iniciou os procedimentos para realizar a apuração, solicitando à Recorrente as informações no formato necessário ao cumprimento a diligência. A Recorrente ao decidir apresentar as informações em formato diferente daquele solicitado pela Fiscalização, não atendeu a intimação, o que inviabilizou a diligência. Ao se manifestar, a Recorrente alega a improcedência da intimação da Fiscalização e insiste em não apresentar os documentos no formato exigido alegando que não existe prejuízo na apuração do PIS. Nos termos bem detalhados no relatório de diligência, o argumento central da Recorrente para a grande diferença na apuração do PIS por motivo de cálculos da contribuição, somente poderia ser confirmado a partir da indicação clara dos cálculos elaborados pela Recorrente, que ensejaram a alteração das informações do PIS na DCTF retificadora, amparada em documentação comprobatória, que no entender da Fiscalização, somente poderia ser possível de aferição com a informação nos termos definidos pelo ADE Cofis nº 25/2010. A alegação que a partir dos documentos apresentados seria possível apurar a veracidade das alegações da Recorrente configurase em uma inversão do ônus da prova quanto a apuração de direito creditório. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de informações não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. A Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância e apresentou seu recurso voluntário. Cientificada da diligência fiscal e já com o conhecimento das conclusões da Fiscalização e da decisão da primeira instância, apresentou seu recurso voluntário trazendo em linhas gerais, as mesmas alegações já apresentadas nas contrarrazões da diligência e não trouxe nenhum questionamento objetivo que pudesse levantar qualquer dúvida quanto as conclusões do trabalho fiscal. Não apresentando nenhuma contestação objetiva sobre as apurações da diligência, tampouco indicou os cálculos que demonstram a apuração detalhada que motivaram a alteração dos valores devidos do PIS. Novamente se resumiu a questões preliminares e quanto ao mérito, reafirma que a obrigação é da Receita Federal em refazer os cálculos para apurar as informações da Recorrente. Vale novamente ressaltar que a ônus da prova para apuração do direito creditório é do Contribuinte. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação, necessitando de prova clara e inconteste do direito creditório. No caso em Fl. 564DF CARF MF Processo nº 15374.724380/200947 Resolução nº 3201000.840 S3C2T1 Fl. 6.000 14 tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar indicação clara das provas a comprovar as suas alegações. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Voto Vencedor Conselheira Ana Clarissa Masuko do Santos Araujo O presente processo tem como objeto Declaração de Compensação (Dcomp) de crédito originário de pagamento efetuado a maior relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (código 8109), período de janeiro de 2004, cujo pedido foi denegado, em síntese, por falta de comprovação do direito creditório. E nesse sentido, como bem detalhado no relatório do relator, foram concedidas diversas oportunidades para a Recorrente demonstrar as suas alegações, sendo que ao final, o foco das discussões deslocouse para questão colateral, qual seja, a possibilidade ou não de se exigir as demonstrações do crédito nos moldes estabelecidos pelo ADE Cofis nº 25/2010. A Recorrente discorre sobre as informações e os documentos apresentados durante o processo que foram assim detalhadas no recurso. “Com efeito, a Recorrente trouxe à colação cópia integral do seu Balancete Patrimonial referente ao mês de Janeiro de 2004, sendo que, na página 32 do aludido documento, nos códigos 3110103, 3110104 e 3120104, verificase, de forma clara, simples e objetiva, as receitas advindas da venda de ÁLCOOL HIDRATADO NACIONAL e de ÁLCOLL ANIDRO NACIONAL, bem como as devoluções atinentes ao ÀLCOOL ANIDRO NACIONAL únicos produtos, frisese novamente, em que ocorreu a incidência do PIS cumulativo sobre a receita oriunda destes. Pois bem. Fazendose uma análise detida de tal documento, apurase facilmente tanto a base de cálculo referente ao PIS CUMULATIVO (cód. 8109) devido nos mês de janeiro de 2004 que decorre das receitas advindas da venda do ÁLCOOL HIDRATADO NACIONAL e de ÁLCOOL ANIDRO NACIONAL, e que foi objeto de apresentação de DCTF retificadora pela Recorrente , quanto aquela relativa à incidência não cumulativa do aludido tributo (Cód. 6912 que NÃO foi objeto de retificação por parte da Recorrente na DCTF retificadora por ela apresentada)."(fls. 209 a 210) 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 15374.724380/200947 Resolução nº 3201000.840 S3C2T1 Fl. 6.001 15 Essas questões foram bem expostas por ocasião da sustentação oral, pelo patrono da Recorrente, sensibilizando os julgadores, inclusive por estar configurada a turma por nova composição, em relação ao julgamento inicial da lide. Ademais, deve ser observado que a retificação da DCTF, reduzindo o valor o PIS declarado para o período em questão, de R$ 18.415.915,69 para R$ 26.485,79, coincide com o declarado na DIPJ/2005 para o PIScumulativo, importância que se repete no DACON. Ponderouse, inclusive, como bem pontuado pelo Relator, que as questões atinentes ao PIS nãocumulativo, que foi o que de fato obstou que houvesse a comprovação do direito creditório, foram trazidas pela própria Recorrente. Que, ainda, não era possível alongar indefinidamente o processo administrativo fiscal, considerandose que inúmeras oportunidades para o exercício o ônus probatório foram concedidas. Sem dúvidas. A função do contencioso administrativo fiscal não é eternizar os litígios, relevandose obrigações acometidas aos contribuintes, mormente aqueles com o porte da Recorrente, que dispõem de estrutura o suficiente para manter em dia suas obrigações acessórias, perante o Fisco. Por outro lado, a acomodação de princípios vetores do direito brasileiro, determina que se esgote a busca pela verdade material, não como um fim em si mesmo, em face da indisponibilidade do crédito tributário. porém, norteandose para a realização de outros princípios, como a legalidade e a eficiência. É dizer, a conjuntura atual do assoberbado Judiciário brasileiro, evidencia a fundamental função do contencioso administrativo como instrumento para conter esse gargalo, permitindo a operacionalidade da máquina administrativa e a diminuição dos custos dos contribuintes, em longas demandas judiciais. E nesse sentido, objetivamente, é sabido que houve problemas operacionais na transição de sistemas, não se questiona a verossimilhança das alegações da Recorrente, nem mesmo as declarações por ela exaradas. Tratase de um problema de prova, que, aparentemente, pode ser mais facilmente solucionado do que se aventou ao longo do desenrolar processual. Isto porque, o pedido que delimita o presente processo, é o reconhecimento do pagamento a maior ou indevido de PIS cumulativo, para o período em referência. Quaisquer outras questões que afloraram nos autos, extrapolam os limite da lide, devendo ser objeto de outro processo, como eventual auto de infração, para exigência do PIS nãocumulativo. Repetese, a lide traz como base o pagamento a maior do PIS Cumulativo para a competência 01/2004, que gerou DCTF retificadora para os valores que a recorrente entendeu devidos, os quais coincidem com os mesmos valores informados na DIPJ e essa diferença entre o valor devido e o valor recolhido do PIS Cumulativo para o mês de 01/2004, que repercute em objeto da Declaração de Compensação (Dcomp) aqui discutida. O caso concreto acabou por conduzir ao entendimento de que o pagamento a maior de PIS cumulativo tem repercussão com o pagamento do PIS não cumulativo, portanto, teria o contribuinte que atender a exigência fiscal e detalhar todo o procedimento de apuração do valor recolhido de PIS não cumulativo para o mês de 01/2004, inclusive, com a apresentação dos arquivos digitais previstos no ADE Cofins/RFB nº 25, de 2010. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 15374.724380/200947 Resolução nº 3201000.840 S3C2T1 Fl. 6.002 16 Não é esse o objeto da lide, compensar valores pagos a maior do PIS não cumulativo, portanto, cabe ao fisco conferir o correto valor devido do PIS cumulativo para o mês 01/2004 e se confere com os valores declarados e pagos. E nesse sentido, a Recorrente afirmou que é possível comprovar cabalmente o pagamento indevido. Assim sendo, deve ser a conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime a Recorrente a comprovar o pagamento a maior ou indevido de PIS cumulativo, referentes ao seu pedido de compensação, intimandoa para o atendimento da solicitação em 30 dias , prorrogáveis uma vez, devendo, após a formalização do relatório fiscal, intimála para sua manifestação, devendo, após , os autos retornarem para o prosseguimento do julgamento. Ana Clarissa Masuko do Santos Araujo Assinado digitalmente Fl. 567DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.937203/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão de primeira instância e do despacho decisório. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto votaram pelas conclusões quanto à nulidade da decisão de primeira instância. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro fará declaração de voto sobre o tema. No mérito, CONVERTER o julgamento em diligência, determinando-se o sobrestamento do feito na Câmara até que seja proferida decisão de mérito no recurso voluntário referente ao processo nº 11610.001436/2003-13, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo e Roberto Silva Junior.
Relatório
Trata-se de recurso voluntário interposto por TELEFÔNICA BRASIL S/A contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em contestação ao Despacho Decisório de fl. 413, por meio do qual a autoridade fiscal:
a) homologou integralmente a compensação objeto do PER/DCOMP nº 15825.41689.200809.1.7.02-5652, extinguindo o débito de estimativa de IRPJ do mês de agosto de 2008 (vide fl. 419);
b) homologou parcialmente a compensação objeto do PER/DCOMP nº 09489.27776.301008.1.3.02-2000, extinguindo parcialmente o débito de estimativa de IRPJ do mês de setembro de 2008 (vide fl. 419); e
c) não homologou a compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 05854.93092.231109.1.3.02-8744, apresentado com fim de extinguir os débitos de PIS/PASEP e Cofins não cumulativos do mês de janeiro de 2009 (vide fl. 419).
Com vistas aos encontros de contas necessários à efetivação das compensações objeto dos PER/DCOMP supracitados, a recorrente ofereceu o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007, composto das seguintes parcelas, conforme o declarado no PER/DCOMP nº 15825.41689.200809.1.7.02-5652:
Verifica-se que as parcelas acima, somadas, alcançam a importância de R$ 744.008.613,51. Esse total, subtraído do IRPJ devido, no valor de R$ 652.495.708,66, conduziria à quantia de R$ 91.512.904,85, para o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007
Todavia, consta, na Análise das Parcelas de |Crédito, às fls. 415/417, que a Fiscalização não confirmou as seguintes parcelas, relativamente ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007:
Em razão da não confirmação das parcelas adrede destacadas, a autoridade fiscal estabeleceu que o saldo negativo disponível, relativamente ao ano-calendário de 2007, não ultrapassava a importância de R$ 86.883.379,83.
Como já dito, o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007 apurado pela autoridade fiscal, reduzido para R$ 86.883.379,83:
a) possibilitou a extinção integral do débito de estimativa de IRPJ do mês de agosto de 2008;
b) possibilitou a extinção parcial do débito de estimativa de IRPJ do mês de setembro de 2008;
c) depois das compensações referidas nas alíneas "a" e "b" anteriores, não afetou os débitos de PIS/PASEP e Cofins não cumulativos do mês de janeiro de 2009 (vide fl. 419), por insuficiência de saldo.
Uma vez impugnado o Despacho Decisório à fl. 413, a autoridade de primeira instância proferiu a decisão consubstanciada no acórdão às fls. 823/832, assim ementado:
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à confirmação da existência e suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes.
COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO INCIDENTE NO EXTERIOR.
Para fins de compensação do imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, faz-se necessária a apresentação do documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior, o qual deve ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Esse reconhecimento é dispensado quando comprovado que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ COMPOSTO POR ESTIMATIVAS COMPENSADAS.
As estimativas mensais cuja compensação não foi homologada não entram na composição do saldo negativo de IRPJ passível de restituição ou compensação.
Ciência da decisão de primeira instância no dia 30/04/2015, à fl. 863.
Recurso a este Colegiado às fls. 865/887, com entrada na repartição de origem no dia 27/05/2015. Nessa oportunidade, aduz o seguinte:
especificamente para o ano-calendário de 2007, a recorrente apurou saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 91.512.904,85, de acordo com o informado na DIPJ. Tal montante poderia ser utilizado em procedimento de compensação, por meio de PER/DCOMP, para abater débitos tributários;
interessada em exercer tal faculdade, a recorrente apresentou os PER/DCOMP abaixo:
PER/DCOMP
Valor compensado (não atualizado)
15825.41689.200809.1.7.02-5652
R$ 80.576.104,61
09489.27776.301008.1.3.02-2000
R$ 8.453.556,52
05854.93092.231109.1.3.02-8744
R$ 2.483.243,72
Valor total compensado
R$ 91.512.904,85
contudo, a autoridade fiscal apenas homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP n° 09489.27776.301008.1.3.02-2000 e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP n° 05854.93092.231109.1.3.02-8744, ao argumento de que a recorrente não havia logrado êxito (i) na comprovação integral do imposto de renda pago no exterior e (2) no saldo negativo de períodos anteriores, utilizado para compensar a estimativa referente ao mês de novembro de 2007 (PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 - doc. n° 9 da manifestação de inconformidade);
impugnado o feito, sobreveio decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade. Todavia, essa decisão é nula, porquanto a autoridade julgadora a quo indeferiu o pedido de juntada posterior dos documentos, entregues pela recorrente com o intuito de complementar os argumentos expostos em sua defesa;
isso porque, segundo o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo, a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos e entender como eles se sucederam, sem dispensar documentos que podem influenciar na decisão, tal e qual o que teria ocorrido em decorrência da apreciação dos documentos juntados pela recorrente às fls. 728/737, 740/750 e 753/819, uma vez que se referem a elementos aptos a repercutir no mérito da questão controvertida, ou seja, no conhecimento da compensação realizada pela recorrente;
nesses termos, não resta alternativa distinta do reconhecimento da nulidade do acórdão recorrido, com o retorno dos autos à instância de piso para a realização de novo julgamento;
ademais, uma leitura superficial do despacho decisório é suficiente para revelar que este ato administrativo carece de um elemento condicionante de sua validade: a descrição clara e precisa dos argumentos que motivaram a conclusão a favor da insuficiência do crédito e, consequentemente, da homologação parcial e da não homologação das compensações;
isso porque o despacho decisório simplesmente afirma que o valor do direito creditório disponível à recorrente é inferior àquele por ela declarado, sem explicar os motivos que levaram a autoridade a proclamar a insuficiência alegada;
também deve-se ressaltar que a Fiscalização tampouco esclareceu quais débitos não foram compensados com o crédito que a recorrente invocara, deixando a esta a tarefa de relacionar o valor do crédito reconhecido com o valor do principal do débito que lhe está sendo ora exigido;
dessa feita, resta claro que o despacho decisório contém vício que compromete sua validade, em prejuízo à defesa da recorrente, garantida pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, previstos no inciso LV, do artigo 5o, da Constituição da República de 1988;
não se deve esquecer, também, que o Decreto n° 70.235/72, em seu artigo 9o, estabelece que a exigência de crédito fiscal deve ser instruída com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, o que evidentemente não foi observado, no caso;
diante do acima exposto, a recorrente requer seja reconhecida a nulidade da presente cobrança, por vício insanável no despacho decisório, remetendo-se o feito novamente às autoridades fiscais competentes para o fim de se proferir novo despacho, dessa vez devidamente fundamentado, à vista das provas coligidas, ocasião em que deverá ser garantido à recorrente o direito à apresentação de nova manifestação de inconformidade;
caso os argumentos acima não sejam acolhidos, o que se admite apenas para argumentar, a recorrente expõe, adiante, a origem do crédito utilizado para compensação e como esse crédito foi utilizado, conforme seus registros contábeis, oportunidade no curso da qual serão demonstradas sua regularidade e suficiência;
com relação ao imposto de renda pago no exterior, cabe dizer que o acórdão recorrido não reconheceu os valores que foram retidos, a esse título, pelas pessoas jurídicas Aliança Atlântica Holding B.V. ("Aliança") e Portugal Telecom ("P. Telecom"), no momento da distribuição de dividendos;
a recorrente juntou às fls. 728/737 comprovantes da operação de câmbio referentes à deliberação, pela Aliança, da distribuição de dividendos correspondentes ao ano de 2006, o que comprova o recebimento de valores do exterior. Além disso, há de se observar que o Atestado da Receita Federal do Brasil comprova o rendimento devidamente pago pela mencionada pessoa jurídica (fls. 740/750);
em complemento, a recorrente também anexou, às fls. 753/819 dos autos: (i) contratos de câmbio que comprovam os valores remetidos pela Aliança e pela P. Telecom; (ii) extrato bancário que comprova o recebimento dos valores remetidos pela Aliança; e (iii) pedidos de retenção, na fonte, do imposto português sobre os dividendos pagos pela Aliança e pela P. Telecom. Se a Turma recorrida tivesse considerado tais documentos adicionais, ou, ao menos, aceitado o pedido de diligência, certamente o rumo do processo seria outro;
ora, a legislação é clara ao permitir a compensação do imposto de renda retido por empresas situadas no exterior, quando da distribuição de dividendos. Por isso, a recorrente converteu o montante retido, aplicando a taxa de câmbio vigente à época para, em seguida, deduzir o valor resultante da conversão do imposto devido, conforme prevê a lei;
vale ressaltar que o não reconhecimento do documento de arrecadação do imposto de renda pago no exterior, pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que foi recolhido, em nada altera seu direito ao aproveitamento dos valores retidos;
como se sabe, o registro do documento de arrecadação no Consulado da Embaixada Brasileira consiste em mera formalidade, suprida no momento em que o contribuinte efetivamente comprova que houve a retenção do imposto, seja por documento de arrecadação, balanço da empresa que pagou o imposto, documentos contábeis que comprovam o lançamento dos valores recebidos, extratos bancários, dentre outros;
a recorrente também adverte que a remessa feita por pessoas jurídicas estrangeiras, para o pagamento de dividendos, necessariamente se submete à fiscalização do Banco Central do Brasil ("BACEN"), na medida em que se celebra contrato de câmbio, à luz da legislação em vigor;
dessa forma, poderia a Fiscalização solicitar informações ao BACEN para fins de comprovação de que houve o recolhimento do imposto, uma vez que aquela instituição exige a comprovação do pagamento dos tributos devidos antes de aceitar e efetuar a remessa;
destaque-se, ainda, que, no caso de existir previsão na legislação do país onde se localiza a pessoa jurídica que efetuou a retenção, quanto à incidência do imposto de renda estrangeiro sobre o pagamento de dividendos, fica o contribuinte dispensado de apresentação do documento de arrecadação reconhecido pelo órgão arrecadador e registrado no Consulado da Embaixada Brasileira, nos termos do artigo 16, § 2°, inciso II, da Lei n° 9.430/96;
nesse cenário, ainda que o crédito utilizado seja questionado pelas autoridades fiscais, é inadmissível a cobrança de multa e juros, nos termos do artigo 100 do CTN;
presente tal quadro, resta claramente demonstrado que a recorrente faz jus ao cômputo dos valores integrais do imposto pago no exterior, para fins de composição do saldo negativo do ano-calendário de 2007, do que se conclui que a Fiscalização não pode deixar de homologar a compensação efetuada pela recorrente, com relação a essa parcela creditória;
no que afeta às estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, deve-se assinalar que acórdão recorrido não conheceu o valor de R$ 2.146.281,16, utilizado como crédito, pela recorrente, para compensação com a estimativa referente ao mês de novembro de 2007. Tal valor refere-se a estimativas que foram compensadas com saldo negativo de IRPJ acumulado de períodos anteriores, por meio do PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 (doc. n° 10 da manifestação de inconformidade);
vale salientar que o montante total de R$ 88.550.780,07, relativo ao saldo negativo apurado no período de 01/01/2002 a 31/12/2002 (e informado na DIPJ entregue em 2003 - doc. n° 11 da manifestação de inconformidade), foi empregado nas seguintes compensações:
Total apurado DIPJ
Saldo Negativo -R$ 88.550.780,07
doc. n° 10 acima
PER/DCOMP
(Crédito utilizado)
(a) PER/DCOMP n° 41537.59384.140803.1.3.02-7212 (retificada pela DCOMP n° 28447.61860.271207.1.7.02-6906)
(R$ 54.975.877,22)
doc. n° 12 da manifestação de inconformidade
(b) PER/DCOMP n° 19578.01638.300903.1.3.02-4670
(R$ 4.120.559,51)
doc. n° 13 da manifestação de inconformidade
(c) PER/DCOMP n° 3'833.84671.280803.1.3.02-4129
(R$ 28.257.977,03)
doc. n° 14 da manifestação de inconformidade
Saldo remanescente
R$ 1.196.366,31
(não atualizado)
(d) Saldo remanescente atualizado para 12/2007
R$ 2.146.281,16
nesse sentido, a recorrente ressalta que apresentou, nos autos, uma tabela que expõe, em detalhes, a apuração do referido saldo negativo do ano-calendário de 2002 (doc. n° 15 da manifestação de inconformidade);
conforme evidenciado pelos documentos indicados acima, o valor de R$ 2.146.281,16, utilizado como crédito no PER/DCOMP em discussão, corresponde justamente ao valor remanescente do saldo negativo apurado na DIPJ do ano-calendário de 2002, que ainda não havia sido aproveitado pela recorrente;
a esse respeito, impende ter em conta que, passados mais de cinco anos, não pode a Fiscalização, nos termos do artigo 150, § 4o, questionar as bases declaradas pelo contribuinte, pois tais informações já foram objeto de homologação tácita, tornando-se insuscetíveis, como tal, a qualquer questionamento;
por fim, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, é preciso esclarecer que não procede a alegação de que o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 está atrelado ao processo administrativo n° 13807.003136/2004-70. Isso porque, em referido processo administrativo, discute-se tão somente o despacho decisório que não homologou integralmente as compensações realizadas por meio dos PER/DCOMPs nº 41537.59384.140803.1.3.02.7212, 31833.84671.280803.1.3.02-4129 e 19578.01638.3000903.1.3.02-4670;
como informado pela recorrente naquele processo, o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 não é retificador e não possui qualquer vínculo com os créditos relacionados aos PER/DCOMP anteriormente mencionados;
ainda no mesmo tópico, vale elucidar que, em 16/9/2008, também sob o equivocado entendimento de que o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 seria retificador do PER/DCOMP n° 41537.59384.140803.1.3.02.7212, as autoridades fiscais proferiram um segundo despacho decisório, cuja nulidade é atualmente discutida no âmbito do processo administrativo n° 16306.000.180/2008-91;
diante disso, a recorrente entende que demonstrou a origem do saldo negativo utilizado para compensar a estimativa do período de novembro de 2007;
em face do relatado, a recorrente requer seja acolhido eintegralmente provido o presente recurso voluntário para o fim de que seja, em preliminar, reconhecida (i) a nulidade do acórdão, no que se refere ao não conhecimento dos documentos juntados, bem como (ii) a nulidade da cobrança, em face da falta de motivação do despacho decisório;
caso assim não se entenda, o que se admite apenas a títulode argumentação, a recorrente requer que, no mérito, o recurso voluntário seja julgado integralmente procedente e, consequentemente, reconhecido o direito creditório a que faz jus, sendo homologadas as compensações efetuadas e cancelados os débitos em cobrança, uma vez comprovadas a origem, a existência e a suficiência do crédito utilizado para a compensação;
a recorrente protesta, ainda, provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de quaisquer, inclusive pela juntada de novos documentos, reiterando seu pedido quanto à conversão do julgamento em diligência, bem como a realização de perícia contábil para a elucidação da verdade real dos fatos ora alegados.
É o relatório.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.937203/2012-91
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5890364
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.427
nome_arquivo_s : Decisao_10880937203201291.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FLAVIO FRANCO CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 10880937203201291_5890364.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
id : 7388120
ano_sessao_s : 2017
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão de primeira instância e do despacho decisório. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto votaram pelas conclusões quanto à nulidade da decisão de primeira instância. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro fará declaração de voto sobre o tema. No mérito, CONVERTER o julgamento em diligência, determinando-se o sobrestamento do feito na Câmara até que seja proferida decisão de mérito no recurso voluntário referente ao processo nº 11610.001436/2003-13, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por TELEFÔNICA BRASIL S/A contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em contestação ao Despacho Decisório de fl. 413, por meio do qual a autoridade fiscal: a) homologou integralmente a compensação objeto do PER/DCOMP nº 15825.41689.200809.1.7.02-5652, extinguindo o débito de estimativa de IRPJ do mês de agosto de 2008 (vide fl. 419); b) homologou parcialmente a compensação objeto do PER/DCOMP nº 09489.27776.301008.1.3.02-2000, extinguindo parcialmente o débito de estimativa de IRPJ do mês de setembro de 2008 (vide fl. 419); e c) não homologou a compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 05854.93092.231109.1.3.02-8744, apresentado com fim de extinguir os débitos de PIS/PASEP e Cofins não cumulativos do mês de janeiro de 2009 (vide fl. 419). Com vistas aos encontros de contas necessários à efetivação das compensações objeto dos PER/DCOMP supracitados, a recorrente ofereceu o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007, composto das seguintes parcelas, conforme o declarado no PER/DCOMP nº 15825.41689.200809.1.7.02-5652: Verifica-se que as parcelas acima, somadas, alcançam a importância de R$ 744.008.613,51. Esse total, subtraído do IRPJ devido, no valor de R$ 652.495.708,66, conduziria à quantia de R$ 91.512.904,85, para o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007 Todavia, consta, na Análise das Parcelas de |Crédito, às fls. 415/417, que a Fiscalização não confirmou as seguintes parcelas, relativamente ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007: Em razão da não confirmação das parcelas adrede destacadas, a autoridade fiscal estabeleceu que o saldo negativo disponível, relativamente ao ano-calendário de 2007, não ultrapassava a importância de R$ 86.883.379,83. Como já dito, o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007 apurado pela autoridade fiscal, reduzido para R$ 86.883.379,83: a) possibilitou a extinção integral do débito de estimativa de IRPJ do mês de agosto de 2008; b) possibilitou a extinção parcial do débito de estimativa de IRPJ do mês de setembro de 2008; c) depois das compensações referidas nas alíneas "a" e "b" anteriores, não afetou os débitos de PIS/PASEP e Cofins não cumulativos do mês de janeiro de 2009 (vide fl. 419), por insuficiência de saldo. Uma vez impugnado o Despacho Decisório à fl. 413, a autoridade de primeira instância proferiu a decisão consubstanciada no acórdão às fls. 823/832, assim ementado: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à confirmação da existência e suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO INCIDENTE NO EXTERIOR. Para fins de compensação do imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, faz-se necessária a apresentação do documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior, o qual deve ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Esse reconhecimento é dispensado quando comprovado que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. SALDO NEGATIVO DE IRPJ COMPOSTO POR ESTIMATIVAS COMPENSADAS. As estimativas mensais cuja compensação não foi homologada não entram na composição do saldo negativo de IRPJ passível de restituição ou compensação. Ciência da decisão de primeira instância no dia 30/04/2015, à fl. 863. Recurso a este Colegiado às fls. 865/887, com entrada na repartição de origem no dia 27/05/2015. Nessa oportunidade, aduz o seguinte: especificamente para o ano-calendário de 2007, a recorrente apurou saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 91.512.904,85, de acordo com o informado na DIPJ. Tal montante poderia ser utilizado em procedimento de compensação, por meio de PER/DCOMP, para abater débitos tributários; interessada em exercer tal faculdade, a recorrente apresentou os PER/DCOMP abaixo: PER/DCOMP Valor compensado (não atualizado) 15825.41689.200809.1.7.02-5652 R$ 80.576.104,61 09489.27776.301008.1.3.02-2000 R$ 8.453.556,52 05854.93092.231109.1.3.02-8744 R$ 2.483.243,72 Valor total compensado R$ 91.512.904,85 contudo, a autoridade fiscal apenas homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP n° 09489.27776.301008.1.3.02-2000 e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP n° 05854.93092.231109.1.3.02-8744, ao argumento de que a recorrente não havia logrado êxito (i) na comprovação integral do imposto de renda pago no exterior e (2) no saldo negativo de períodos anteriores, utilizado para compensar a estimativa referente ao mês de novembro de 2007 (PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 - doc. n° 9 da manifestação de inconformidade); impugnado o feito, sobreveio decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade. Todavia, essa decisão é nula, porquanto a autoridade julgadora a quo indeferiu o pedido de juntada posterior dos documentos, entregues pela recorrente com o intuito de complementar os argumentos expostos em sua defesa; isso porque, segundo o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo, a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos e entender como eles se sucederam, sem dispensar documentos que podem influenciar na decisão, tal e qual o que teria ocorrido em decorrência da apreciação dos documentos juntados pela recorrente às fls. 728/737, 740/750 e 753/819, uma vez que se referem a elementos aptos a repercutir no mérito da questão controvertida, ou seja, no conhecimento da compensação realizada pela recorrente; nesses termos, não resta alternativa distinta do reconhecimento da nulidade do acórdão recorrido, com o retorno dos autos à instância de piso para a realização de novo julgamento; ademais, uma leitura superficial do despacho decisório é suficiente para revelar que este ato administrativo carece de um elemento condicionante de sua validade: a descrição clara e precisa dos argumentos que motivaram a conclusão a favor da insuficiência do crédito e, consequentemente, da homologação parcial e da não homologação das compensações; isso porque o despacho decisório simplesmente afirma que o valor do direito creditório disponível à recorrente é inferior àquele por ela declarado, sem explicar os motivos que levaram a autoridade a proclamar a insuficiência alegada; também deve-se ressaltar que a Fiscalização tampouco esclareceu quais débitos não foram compensados com o crédito que a recorrente invocara, deixando a esta a tarefa de relacionar o valor do crédito reconhecido com o valor do principal do débito que lhe está sendo ora exigido; dessa feita, resta claro que o despacho decisório contém vício que compromete sua validade, em prejuízo à defesa da recorrente, garantida pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, previstos no inciso LV, do artigo 5o, da Constituição da República de 1988; não se deve esquecer, também, que o Decreto n° 70.235/72, em seu artigo 9o, estabelece que a exigência de crédito fiscal deve ser instruída com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, o que evidentemente não foi observado, no caso; diante do acima exposto, a recorrente requer seja reconhecida a nulidade da presente cobrança, por vício insanável no despacho decisório, remetendo-se o feito novamente às autoridades fiscais competentes para o fim de se proferir novo despacho, dessa vez devidamente fundamentado, à vista das provas coligidas, ocasião em que deverá ser garantido à recorrente o direito à apresentação de nova manifestação de inconformidade; caso os argumentos acima não sejam acolhidos, o que se admite apenas para argumentar, a recorrente expõe, adiante, a origem do crédito utilizado para compensação e como esse crédito foi utilizado, conforme seus registros contábeis, oportunidade no curso da qual serão demonstradas sua regularidade e suficiência; com relação ao imposto de renda pago no exterior, cabe dizer que o acórdão recorrido não reconheceu os valores que foram retidos, a esse título, pelas pessoas jurídicas Aliança Atlântica Holding B.V. ("Aliança") e Portugal Telecom ("P. Telecom"), no momento da distribuição de dividendos; a recorrente juntou às fls. 728/737 comprovantes da operação de câmbio referentes à deliberação, pela Aliança, da distribuição de dividendos correspondentes ao ano de 2006, o que comprova o recebimento de valores do exterior. Além disso, há de se observar que o Atestado da Receita Federal do Brasil comprova o rendimento devidamente pago pela mencionada pessoa jurídica (fls. 740/750); em complemento, a recorrente também anexou, às fls. 753/819 dos autos: (i) contratos de câmbio que comprovam os valores remetidos pela Aliança e pela P. Telecom; (ii) extrato bancário que comprova o recebimento dos valores remetidos pela Aliança; e (iii) pedidos de retenção, na fonte, do imposto português sobre os dividendos pagos pela Aliança e pela P. Telecom. Se a Turma recorrida tivesse considerado tais documentos adicionais, ou, ao menos, aceitado o pedido de diligência, certamente o rumo do processo seria outro; ora, a legislação é clara ao permitir a compensação do imposto de renda retido por empresas situadas no exterior, quando da distribuição de dividendos. Por isso, a recorrente converteu o montante retido, aplicando a taxa de câmbio vigente à época para, em seguida, deduzir o valor resultante da conversão do imposto devido, conforme prevê a lei; vale ressaltar que o não reconhecimento do documento de arrecadação do imposto de renda pago no exterior, pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que foi recolhido, em nada altera seu direito ao aproveitamento dos valores retidos; como se sabe, o registro do documento de arrecadação no Consulado da Embaixada Brasileira consiste em mera formalidade, suprida no momento em que o contribuinte efetivamente comprova que houve a retenção do imposto, seja por documento de arrecadação, balanço da empresa que pagou o imposto, documentos contábeis que comprovam o lançamento dos valores recebidos, extratos bancários, dentre outros; a recorrente também adverte que a remessa feita por pessoas jurídicas estrangeiras, para o pagamento de dividendos, necessariamente se submete à fiscalização do Banco Central do Brasil ("BACEN"), na medida em que se celebra contrato de câmbio, à luz da legislação em vigor; dessa forma, poderia a Fiscalização solicitar informações ao BACEN para fins de comprovação de que houve o recolhimento do imposto, uma vez que aquela instituição exige a comprovação do pagamento dos tributos devidos antes de aceitar e efetuar a remessa; destaque-se, ainda, que, no caso de existir previsão na legislação do país onde se localiza a pessoa jurídica que efetuou a retenção, quanto à incidência do imposto de renda estrangeiro sobre o pagamento de dividendos, fica o contribuinte dispensado de apresentação do documento de arrecadação reconhecido pelo órgão arrecadador e registrado no Consulado da Embaixada Brasileira, nos termos do artigo 16, § 2°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; nesse cenário, ainda que o crédito utilizado seja questionado pelas autoridades fiscais, é inadmissível a cobrança de multa e juros, nos termos do artigo 100 do CTN; presente tal quadro, resta claramente demonstrado que a recorrente faz jus ao cômputo dos valores integrais do imposto pago no exterior, para fins de composição do saldo negativo do ano-calendário de 2007, do que se conclui que a Fiscalização não pode deixar de homologar a compensação efetuada pela recorrente, com relação a essa parcela creditória; no que afeta às estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, deve-se assinalar que acórdão recorrido não conheceu o valor de R$ 2.146.281,16, utilizado como crédito, pela recorrente, para compensação com a estimativa referente ao mês de novembro de 2007. Tal valor refere-se a estimativas que foram compensadas com saldo negativo de IRPJ acumulado de períodos anteriores, por meio do PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 (doc. n° 10 da manifestação de inconformidade); vale salientar que o montante total de R$ 88.550.780,07, relativo ao saldo negativo apurado no período de 01/01/2002 a 31/12/2002 (e informado na DIPJ entregue em 2003 - doc. n° 11 da manifestação de inconformidade), foi empregado nas seguintes compensações: Total apurado DIPJ Saldo Negativo -R$ 88.550.780,07 doc. n° 10 acima PER/DCOMP (Crédito utilizado) (a) PER/DCOMP n° 41537.59384.140803.1.3.02-7212 (retificada pela DCOMP n° 28447.61860.271207.1.7.02-6906) (R$ 54.975.877,22) doc. n° 12 da manifestação de inconformidade (b) PER/DCOMP n° 19578.01638.300903.1.3.02-4670 (R$ 4.120.559,51) doc. n° 13 da manifestação de inconformidade (c) PER/DCOMP n° 3'833.84671.280803.1.3.02-4129 (R$ 28.257.977,03) doc. n° 14 da manifestação de inconformidade Saldo remanescente R$ 1.196.366,31 (não atualizado) (d) Saldo remanescente atualizado para 12/2007 R$ 2.146.281,16 nesse sentido, a recorrente ressalta que apresentou, nos autos, uma tabela que expõe, em detalhes, a apuração do referido saldo negativo do ano-calendário de 2002 (doc. n° 15 da manifestação de inconformidade); conforme evidenciado pelos documentos indicados acima, o valor de R$ 2.146.281,16, utilizado como crédito no PER/DCOMP em discussão, corresponde justamente ao valor remanescente do saldo negativo apurado na DIPJ do ano-calendário de 2002, que ainda não havia sido aproveitado pela recorrente; a esse respeito, impende ter em conta que, passados mais de cinco anos, não pode a Fiscalização, nos termos do artigo 150, § 4o, questionar as bases declaradas pelo contribuinte, pois tais informações já foram objeto de homologação tácita, tornando-se insuscetíveis, como tal, a qualquer questionamento; por fim, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, é preciso esclarecer que não procede a alegação de que o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 está atrelado ao processo administrativo n° 13807.003136/2004-70. Isso porque, em referido processo administrativo, discute-se tão somente o despacho decisório que não homologou integralmente as compensações realizadas por meio dos PER/DCOMPs nº 41537.59384.140803.1.3.02.7212, 31833.84671.280803.1.3.02-4129 e 19578.01638.3000903.1.3.02-4670; como informado pela recorrente naquele processo, o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 não é retificador e não possui qualquer vínculo com os créditos relacionados aos PER/DCOMP anteriormente mencionados; ainda no mesmo tópico, vale elucidar que, em 16/9/2008, também sob o equivocado entendimento de que o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 seria retificador do PER/DCOMP n° 41537.59384.140803.1.3.02.7212, as autoridades fiscais proferiram um segundo despacho decisório, cuja nulidade é atualmente discutida no âmbito do processo administrativo n° 16306.000.180/2008-91; diante disso, a recorrente entende que demonstrou a origem do saldo negativo utilizado para compensar a estimativa do período de novembro de 2007; em face do relatado, a recorrente requer seja acolhido eintegralmente provido o presente recurso voluntário para o fim de que seja, em preliminar, reconhecida (i) a nulidade do acórdão, no que se refere ao não conhecimento dos documentos juntados, bem como (ii) a nulidade da cobrança, em face da falta de motivação do despacho decisório; caso assim não se entenda, o que se admite apenas a títulode argumentação, a recorrente requer que, no mérito, o recurso voluntário seja julgado integralmente procedente e, consequentemente, reconhecido o direito creditório a que faz jus, sendo homologadas as compensações efetuadas e cancelados os débitos em cobrança, uma vez comprovadas a origem, a existência e a suficiência do crédito utilizado para a compensação; a recorrente protesta, ainda, provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de quaisquer, inclusive pela juntada de novos documentos, reiterando seu pedido quanto à conversão do julgamento em diligência, bem como a realização de perícia contábil para a elucidação da verdade real dos fatos ora alegados. É o relatório.
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:38:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610565810225152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.030 1 1.029 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.937203/201291 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.427 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de junho de 2017 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente TELEFÔNICA BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão de primeira instância e do despacho decisório. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto votaram pelas conclusões quanto à nulidade da decisão de primeira instância. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro fará declaração de voto sobre o tema. No mérito, CONVERTER o julgamento em diligência, determinandose o sobrestamento do feito na Câmara até que seja proferida decisão de mérito no recurso voluntário referente ao processo nº 11610.001436/200313, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por TELEFÔNICA BRASIL S/A contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente manifestação de inconformidade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 37 20 3/ 20 12 -9 1 Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.031 2 apresentada em contestação ao Despacho Decisório de fl. 413, por meio do qual a autoridade fiscal: a) homologou integralmente a compensação objeto do PER/DCOMP nº 15825.41689.200809.1.7.025652, extinguindo o débito de estimativa de IRPJ do mês de agosto de 2008 (vide fl. 419); b) homologou parcialmente a compensação objeto do PER/DCOMP nº 09489.27776.301008.1.3.022000, extinguindo parcialmente o débito de estimativa de IRPJ do mês de setembro de 2008 (vide fl. 419); e c) não homologou a compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 05854.93092.231109.1.3.028744, apresentado com fim de extinguir os débitos de PIS/PASEP e Cofins não cumulativos do mês de janeiro de 2009 (vide fl. 419). Com vistas aos encontros de contas necessários à efetivação das compensações objeto dos PER/DCOMP supracitados, a recorrente ofereceu o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007, composto das seguintes parcelas, conforme o declarado no PER/DCOMP nº 15825.41689.200809.1.7.025652: Verificase que as parcelas acima, somadas, alcançam a importância de R$ 744.008.613,51. Esse total, subtraído do IRPJ devido, no valor de R$ 652.495.708,66, conduziria à quantia de R$ 91.512.904,85, para o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 Todavia, consta, na “Análise das Parcelas de |Crédito”, às fls. 415/417, que a Fiscalização não confirmou as seguintes parcelas, relativamente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007: Em razão da não confirmação das parcelas adrede destacadas, a autoridade fiscal estabeleceu que o saldo negativo disponível, relativamente ao anocalendário de 2007, não ultrapassava a importância de R$ 86.883.379,83. Como já dito, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 apurado pela autoridade fiscal, reduzido para R$ 86.883.379,83: Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.032 3 a) possibilitou a extinção integral do débito de estimativa de IRPJ do mês de agosto de 2008; b) possibilitou a extinção parcial do débito de estimativa de IRPJ do mês de setembro de 2008; c) depois das compensações referidas nas alíneas "a" e "b" anteriores, não afetou os débitos de PIS/PASEP e Cofins não cumulativos do mês de janeiro de 2009 (vide fl. 419), por insuficiência de saldo. Uma vez impugnado o Despacho Decisório à fl. 413, a autoridade de primeira instância proferiu a decisão consubstanciada no acórdão às fls. 823/832, assim ementado: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase à confirmação da existência e suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO INCIDENTE NO EXTERIOR. Para fins de compensação do imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, fazse necessária a apresentação do documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior, o qual deve ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Esse reconhecimento é dispensado quando comprovado que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. SALDO NEGATIVO DE IRPJ COMPOSTO POR ESTIMATIVAS COMPENSADAS. As estimativas mensais cuja compensação não foi homologada não entram na composição do saldo negativo de IRPJ passível de restituição ou compensação.” Ciência da decisão de primeira instância no dia 30/04/2015, à fl. 863. Recurso a este Colegiado às fls. 865/887, com entrada na repartição de origem no dia 27/05/2015. Nessa oportunidade, aduz o seguinte: 1) especificamente para o anocalendário de 2007, a recorrente apurou saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 91.512.904,85, de acordo com o informado na DIPJ. Tal montante poderia ser utilizado em procedimento de compensação, por meio de PER/DCOMP, para abater débitos tributários; 2) interessada em exercer tal faculdade, a recorrente apresentou os PER/DCOMP abaixo: PER/DCOMP Valor compensado (não atualizado) Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.033 4 15825.41689.200809.1.7.025652 R$ 80.576.104,61 09489.27776.301008.1.3.022000 R$ 8.453.556,52 05854.93092.231109.1.3.028744 R$ 2.483.243,72 Valor total compensado R$ 91.512.904,85 3) contudo, a autoridade fiscal apenas homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP n° 09489.27776.301008.1.3.022000 e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP n° 05854.93092.231109.1.3.028744, ao argumento de que a recorrente não havia logrado êxito (i) na comprovação integral do imposto de renda pago no exterior e (2) no saldo negativo de períodos anteriores, utilizado para compensar a estimativa referente ao mês de novembro de 2007 (PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.027770 doc. n° 9 da manifestação de inconformidade); 4) impugnado o feito, sobreveio decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade. Todavia, essa decisão é nula, porquanto a autoridade julgadora a quo indeferiu o pedido de juntada posterior dos documentos, entregues pela recorrente com o intuito de complementar os argumentos expostos em sua defesa; 5) isso porque, segundo o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo, a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos e entender como eles se sucederam, sem dispensar documentos que podem influenciar na decisão, tal e qual o que teria ocorrido em decorrência da apreciação dos documentos juntados pela recorrente às fls. 728/737, 740/750 e 753/819, uma vez que se referem a elementos aptos a repercutir no mérito da questão controvertida, ou seja, no conhecimento da compensação realizada pela recorrente; 6) nesses termos, não resta alternativa distinta do reconhecimento da nulidade do acórdão recorrido, com o retorno dos autos à instância de piso para a realização de novo julgamento; 7) ademais, uma leitura superficial do despacho decisório é suficiente para revelar que este ato administrativo carece de um elemento condicionante de sua validade: a descrição clara e precisa dos argumentos que motivaram a conclusão a favor da insuficiência do crédito e, consequentemente, da homologação parcial e da não homologação das compensações; 8) isso porque o despacho decisório simplesmente afirma que o valor do direito creditório disponível à recorrente é inferior Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.034 5 àquele por ela declarado, sem explicar os motivos que levaram a autoridade a proclamar a insuficiência alegada; 9) também devese ressaltar que a Fiscalização tampouco esclareceu quais débitos não foram compensados com o crédito que a recorrente invocara, deixando a esta a tarefa de relacionar o valor do crédito reconhecido com o valor do principal do débito que lhe está sendo ora exigido; 10) dessa feita, resta claro que o despacho decisório contém vício que compromete sua validade, em prejuízo à defesa da recorrente, garantida pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, previstos no inciso LV, do artigo 5o, da Constituição da República de 1988; 11) não se deve esquecer, também, que o Decreto n° 70.235/72, em seu artigo 9o, estabelece que a exigência de crédito fiscal deve ser instruída com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, o que evidentemente não foi observado, no caso; 12) diante do acima exposto, a recorrente requer seja reconhecida a nulidade da presente cobrança, por vício insanável no despacho decisório, remetendose o feito novamente às autoridades fiscais competentes para o fim de se proferir novo despacho, dessa vez devidamente fundamentado, à vista das provas coligidas, ocasião em que deverá ser garantido à recorrente o direito à apresentação de nova manifestação de inconformidade; 13) caso os argumentos acima não sejam acolhidos, o que se admite apenas para argumentar, a recorrente expõe, adiante, a origem do crédito utilizado para compensação e como esse crédito foi utilizado, conforme seus registros contábeis, oportunidade no curso da qual serão demonstradas sua regularidade e suficiência; 14) com relação ao imposto de renda pago no exterior, cabe dizer que o acórdão recorrido não reconheceu os valores que foram retidos, a esse título, pelas pessoas jurídicas Aliança Atlântica Holding B.V. ("Aliança") e Portugal Telecom ("P. Telecom"), no momento da distribuição de dividendos; 15) a recorrente juntou às fls. 728/737 comprovantes da operação de câmbio referentes à deliberação, pela Aliança, da distribuição de dividendos correspondentes ao ano de 2006, o que comprova o recebimento de valores do exterior. Além Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.035 6 disso, há de se observar que o Atestado da Receita Federal do Brasil comprova o rendimento devidamente pago pela mencionada pessoa jurídica (fls. 740/750); 16) em complemento, a recorrente também anexou, às fls. 753/819 dos autos: (i) contratos de câmbio que comprovam os valores remetidos pela Aliança e pela P. Telecom; (ii) extrato bancário que comprova o recebimento dos valores remetidos pela Aliança; e (iii) pedidos de retenção, na fonte, do imposto português sobre os dividendos pagos pela Aliança e pela P. Telecom. Se a Turma recorrida tivesse considerado tais documentos adicionais, ou, ao menos, aceitado o pedido de diligência, certamente o rumo do processo seria outro; 17) ora, a legislação é clara ao permitir a compensação do imposto de renda retido por empresas situadas no exterior, quando da distribuição de dividendos. Por isso, a recorrente converteu o montante retido, aplicando a taxa de câmbio vigente à época para, em seguida, deduzir o valor resultante da conversão do imposto devido, conforme prevê a lei; 18) vale ressaltar que o não reconhecimento do documento de arrecadação do imposto de renda pago no exterior, pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que foi recolhido, em nada altera seu direito ao aproveitamento dos valores retidos; 19) como se sabe, o registro do documento de arrecadação no Consulado da Embaixada Brasileira consiste em mera formalidade, suprida no momento em que o contribuinte efetivamente comprova que houve a retenção do imposto, seja por documento de arrecadação, balanço da empresa que pagou o imposto, documentos contábeis que comprovam o lançamento dos valores recebidos, extratos bancários, dentre outros; 20) a recorrente também adverte que a remessa feita por pessoas jurídicas estrangeiras, para o pagamento de dividendos, necessariamente se submete à fiscalização do Banco Central do Brasil ("BACEN"), na medida em que se celebra contrato de câmbio, à luz da legislação em vigor; 21) dessa forma, poderia a Fiscalização solicitar informações ao BACEN para fins de comprovação de que houve o recolhimento do imposto, uma vez que aquela instituição exige a comprovação do pagamento dos tributos devidos antes de aceitar e efetuar a remessa; Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.036 7 22) destaquese, ainda, que, no caso de existir previsão na legislação do país onde se localiza a pessoa jurídica que efetuou a retenção, quanto à incidência do imposto de renda estrangeiro sobre o pagamento de dividendos, fica o contribuinte dispensado de apresentação do documento de arrecadação reconhecido pelo órgão arrecadador e registrado no Consulado da Embaixada Brasileira, nos termos do artigo 16, § 2°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; 23) nesse cenário, ainda que o crédito utilizado seja questionado pelas autoridades fiscais, é inadmissível a cobrança de multa e juros, nos termos do artigo 100 do CTN; 24) presente tal quadro, resta claramente demonstrado que a recorrente faz jus ao cômputo dos valores integrais do imposto pago no exterior, para fins de composição do saldo negativo do anocalendário de 2007, do que se conclui que a Fiscalização não pode deixar de homologar a compensação efetuada pela recorrente, com relação a essa parcela creditória; 25) no que afeta às estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, devese assinalar que acórdão recorrido não conheceu o valor de R$ 2.146.281,16, utilizado como crédito, pela recorrente, para compensação com a estimativa referente ao mês de novembro de 2007. Tal valor referese a estimativas que foram compensadas com saldo negativo de IRPJ acumulado de períodos anteriores, por meio do PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.027770 (doc. n° 10 da manifestação de inconformidade); 26) vale salientar que o montante total de R$ 88.550.780,07, relativo ao saldo negativo apurado no período de 01/01/2002 a 31/12/2002 (e informado na DIPJ entregue em 2003 doc. n° 11 da manifestação de inconformidade), foi empregado nas seguintes compensações: Total apurado DIPJ Saldo Negativo R$ 88.550.780,07 doc. n° 10 acima PER/DCOMP (Crédito utilizado) (a) PER/DCOMP n° 41537.59384.140803.1.3.027212 (retificada pela DCOMP n° 28447.61860.271207.1.7.026906) (R$ 54.975.877,22) doc. n° 12 da manifestação de inconformidade (b) PER/DCOMP n° 19578.01638.300903.1.3.024670 (R$ 4.120.559,51) doc. n° 13 da manifestação de inconformidade (c) PER/DCOMP n° 3'833.84671.280803.1.3.024129 (R$ 28.257.977,03) doc. n° 14 da manifestação de inconformidade Saldo remanescente R$ 1.196.366,31 (não atualizado) — (d) Saldo remanescente atualizado para 12/2007 R$ 2.146.281,16 — Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.037 8 27) nesse sentido, a recorrente ressalta que apresentou, nos autos, uma tabela que expõe, em detalhes, a apuração do referido saldo negativo do anocalendário de 2002 (doc. n° 15 da manifestação de inconformidade); 28) conforme evidenciado pelos documentos indicados acima, o valor de R$ 2.146.281,16, utilizado como crédito no PER/DCOMP em discussão, corresponde justamente ao valor remanescente do saldo negativo apurado na DIPJ do ano calendário de 2002, que ainda não havia sido aproveitado pela recorrente; 29) a esse respeito, impende ter em conta que, passados mais de cinco anos, não pode a Fiscalização, nos termos do artigo 150, § 4o, questionar as bases declaradas pelo contribuinte, pois tais informações já foram objeto de homologação tácita, tornando se insuscetíveis, como tal, a qualquer questionamento; 30) por fim, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, é preciso esclarecer que não procede a alegação de que o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.027770 está atrelado ao processo administrativo n° 13807.003136/200470. Isso porque, em referido processo administrativo, discutese tão somente o despacho decisório que não homologou integralmente as compensações realizadas por meio dos PER/DCOMPs nº 41537.59384.140803.1.3.02.7212, 31833.84671.280803.1.3.024129 e 19578.01638.3000903.1.3.024670; 31) como informado pela recorrente naquele processo, o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.027770 não é retificador e não possui qualquer vínculo com os créditos relacionados aos PER/DCOMP anteriormente mencionados; 32) ainda no mesmo tópico, vale elucidar que, em 16/9/2008, também sob o equivocado entendimento de que o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.027770 seria retificador do PER/DCOMP n° 41537.59384.140803.1.3.02.7212, as autoridades fiscais proferiram um segundo despacho decisório, cuja nulidade é atualmente discutida no âmbito do processo administrativo n° 16306.000.180/200891; 33) diante disso, a recorrente entende que demonstrou a origem do saldo negativo utilizado para compensar a estimativa do período de novembro de 2007; 34) em face do relatado, a recorrente requer seja acolhido e integralmente provido o presente recurso voluntário para o fim Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.038 9 de que seja, em preliminar, reconhecida (i) a nulidade do acórdão, no que se refere ao não conhecimento dos documentos juntados, bem como (ii) a nulidade da cobrança, em face da falta de motivação do despacho decisório; 35) caso assim não se entenda, o que se admite apenas a título de argumentação, a recorrente requer que, no mérito, o recurso voluntário seja julgado integralmente procedente e, consequentemente, reconhecido o direito creditório a que faz jus, sendo homologadas as compensações efetuadas e cancelados os débitos em cobrança, uma vez comprovadas a origem, a existência e a suficiência do crédito utilizado para a compensação; 36) a recorrente protesta, ainda, provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de quaisquer, inclusive pela juntada de novos documentos, reiterando seu pedido quanto à conversão do julgamento em diligência, bem como a realização de perícia contábil para a elucidação da verdade real dos fatos ora alegados. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente recurso, foram reunidos os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Em primeiro lugar, a recorrente pleiteia o reconhecimento da nulidade do acórdão recorrido, ao argumento de violação ao princípio da verdade real, porquanto a autoridade julgadora a quo, ao indeferir o pedido de juntada posterior de documentos, entregues pela recorrente com o intuito de complementar a tese defensiva, deixou de buscar a realidade dos fatos e entender como eles se sucederam, dispensando o conhecimento de elementos aptos a repercutir no mérito da decisão. Devese consignar que a recorrente juntou três grupos de documentos à impugnação, depois de vencido o prazo legal de 30 dias, contados da ciência do Despacho Decisório. O primeiro desses grupos reúne documentos trazidos aos autos com a finalidade de comprovar "a operação de câmbio referente à deliberação da distribuição de dividendos correspondentes ao anocalendário de 2006 da Aliança Atlântica Holding B.V", às fls. 729/737; o segundo grupo é integrado nas palavras da recorrente pelo "atestado da Receita Federal do Brasil que comprova o rendimento pago pela Aliança Atlântica Holding B.V" e pelo "Formulário de referência 2012 da Requerente em que consta sua participação societária na Aliança Atlântica Holding B.V e na Portugal Telecom", às fls. 741/750; e o terceiro grupo congrega, ainda nas palavras da recorrente, "contratos de câmbio que comprovam os valores remetidos pela Aliança Atlântica e pela Portugal Telecom", "extrato bancário que comprova o recebimento dos valores remetidos pela Aliança Atlântica", "atestado da Receita Federal do Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.039 10 Brasil que reconheceu o rendimento dos valores pagos pela Aliança Atlântica" e "pedidos de redução na fonte do imposto português sobre os dividendos pagos pela Aliança Atlântica e pela Portugal Telecom em 2007", às fls. 754/816. A regra que disciplina o prazo para entrega de documentos está inscrita no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.245/1972, verbis: "Art. 16........ § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)" (grifei) De plano, impende reparar o inusitado do pedido, que se apoia no fato de ter sido exarada uma decisão pasmese de acordo com a lei. Em momento algum, a recorrente mostrou empenho argumentativo em prol da admissibilidade da prova documental intempestivamente juntada aos autos. No caso em julgamento, cabia à recorrente, mais precisamente, trazer evidências da eventual impossibilidade de reunir o material probatório de que se cogita, por motivo de força maior, consoante o que prevê a alínea "a" do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 9.532/1997. Essa omissão não pode ser suprida pelo julgador administrativo, chamando para si a assunção do ônus argumentativo que recai sobre aquele que pleiteia certo direito que, em princípio, sequer pode ser examinado, por força da preclusão temporal. Assim, para vencer a barreira imposta pelo tempo, o ordenamento jurídico impõe ao interessado o encargo de justificar a abertura de prazo, em caráter excepcional. Indubitavelmente, tal excepcionalidade só pode ser justificada pela ocorrência de motivos de força maior, isto é, acontecimentos cujos efeitos não era possível evitar ou impedir, assim excluindo a culpa. Isso porque não se pode perder de vista que a perda de prazo para a juntada de provas documentais pode decorrer da negligência do recorrente que atue em desrespeito ao dever de guardar e preservar livros e demais documentos relativos à sua atividade, a teor do que prescreve o artigo 264 do RIR/1999, verbis: "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º)." (grifei) Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.040 11 À vista do exposto, ao rejeitar a admissão de provas documentais fora do prazo da impugnação, a não ser se restar configurado o evento de força maior, a lei processual opera com a presunção de culpa in custodiendo. Obviamente, a rigor, não se vislumbra como, efetivamente, a autoridade julgadora possa alegar e, menos ainda, comprovar a causa excludente da culpa, já que não participa do cotidiano do recorrente. Mas não se desconhece que alguns julgados com frequência recorrem a um "caminho alternativo" para suplantar o bloqueio do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972: a evocação do que se denominou chamar de princípio da verdade material. Tais situações são características de prática legiferante instituidora de exceções casuísticas à regra legal1 que fora aprovada no curso do devido processo legislativo. Ora, tratandose de um órgão carente de legitimidade democrática, não é possível admitir que o CARF possa produzir decisões administrativas que se põem em colisão com a regra legal, mormente porque, como ordinariamente se vê, são, com igual frequência, desprovidas de consistente argumentação jurídica justificadora da superação à regra aprovada pelas instâncias políticodemocráticas. Tal cenário aponta para uma disfunção do órgão julgador administrativo, quando este evoca o chamado princípio da verdade material como se tivesse nas mãos uma carta coringa, por si só forte o bastante para derrotar a regra legal, instituída para pautar o procedimento do juiz e a conduta dos litigantes. Em qualquer instância judicante, a superação à regra legal requer a demonstração da cadeia de fundamentação suficiente, idônea, racionalmente passível de comprovação e controlável intersubjetivamente2, afinal não se pode perder de vista que a existência de regra legal implica prévia escolha, no âmbito político representativo, de princípios eventualmente colidentes, como a eficiência, a justiça e a razoável duração do processo3. Por isso, "a regra jurídica, válida e vigente, estabelece um significativo ônus argumentativo para a sua superação, posto que o desenvolvimento do Direito por parte das instâncias administrativas judicantes ultrapassa o plano originário da lei, modificando significativamente o panorama jurídico."4 Outrossim, não se desconhece que a função do real, no processo, é absolutamente essencial, como pontuam Marinoni e Arenhart5, afinal se a regra jurídica tem uma hipótese fática, é essencial o conhecimento do fato ocorrido para que se produza o efeito previsto na regra, sob pena de se inviabilizar sua concretização. Diante disso, concebeuse o princípio da verdade material como um dos princípios básicos do processo administrativo. Por tal perspectiva, em nome da verdade material, a atuação cognitiva do julgador não pode sofrer restrição. Nesse escopo, a verdade material tem sido tratada, em sede de jurisdição administrativa, com referência a um valor superior à legalidade, justificante das ações jurisdicionais que desconsideram a preclusão temporal prevista no Decreto nº 70.235/1972, o que, por si só, deveria convocar os membros da jurisdição administrativa fiscal ao debate em torno da existência de poder conferido à segunda instância administrativa para deixar de aplicar ato normativo com força de lei. 1 SEPÚLVEDA, Antonio Guimarâes. Déficit de argumentação nas decisões do CARF: princípio da verdade material versus regra preclusiva. Disponível em: <file:///D:/Users/61231002700/Downloads/22072868601 PB.pdf>. Acesso em 03/08/2017. 2 Op. cit. 3 Op. cit. 4 Op. cit. 5 MARINONI, Luiz Alberto, ARENHART, Sérgio Cruz. Manual do processo do conhecimento. São Paulo: RT, 2000, p. 274/275. Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.041 12 É de sabença geral que, de acordo com o artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, é vedado aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Essa regra jurídica está reproduzida no artigo 62 do Anexo II do RICARF, como também está na Súmula CARF nº 2. Não bastasse a proibição da lei e do Regimento Interno, o § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 tem sido menosprezado ao argumento de que o princípio da verdade material encontra fundamento na própria Constituição da República. Ora, se o artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972 suprime do julgador administrativo a autoridade para negar vigência a ato normativo aprovado pelo Poder Legislativo sob fundamento de inconstitucionalidade, não pode o julgador administrativo avocar o princípio da verdade material para deixar de aplicar o § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, porque tal atitude implica negar vigência ao próprio artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972 e ao artigo 62 do Anexo II do RICARF. Recordese que a presunção de constitucionalidade das leis fundamenta6 a cláusula de reserva de plenário do artigo 97 da Carta Magna de 1988. Soube o Supremo Tribunal Federal (STF) prestarlhe as devidas reverências, consagrandoa na Súmula Vinculante nº 10, segundo a qual "viola a cláusula de reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte". (grifei) Também cabe destacar que o Presidente da República pode propor ação declaratória de inconstitucionalidade para a retirada do ordenamento jurídico pátrio de lei ou ato normativo federal ou estadual, na forma do artigo 103, I, alínea “a”, da vigente Constituição da República. Vêse, pois, que o Chefe do Poder Executivo federal não pode deixar de aplicar a lei que considere inconstitucional, pois, se não houvesse tal restrição, não haveria sentido na prescrição constitucional do artigo 103, I, alínea “a”, da vigente Constituição da República. Ora, se o Chefe do Poder Executivo federal não pode alegar inconstitucionalidade para não aplicar a lei, o CARF, órgão integrante da estrutura do Poder Executivo federal, também não pode deixar de aplicála, ainda que os membros do colegiado entendam que a lei é inconstitucional. Não é demais insistir que, deixar de aplicar o § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 ao argumento de que o princípio da verdade material supera a legalidade, é o mesmo que declarar a inconstitucionalidade do mencionado dispositivo legal. De duas, uma: ou se aplica, reconhecendolhe a vigência, ou não se aplica o § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, negandolhe vigência, embora não tenha sido revogado, como também não se registra que tenha sido objeto de decisão do STF em controle concentrado7, por meio de ação direta de inconstitucionalidade (ADI), ação declaratória de constitucionalidade (ADC) ou arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF)8. 6 Segundo Agravo Regimental no Recurso Extraordinário nº 636359/AP, Plenário, relator Ministro Luiz Fux, Plenário, Dje nº 224 de 25 nov. 2011. 7 CRFB/1988, artigo 102: “[…] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)”. 8 Vale trazer à luz o seguinte trecho da decisão monocrática do Ministro Celso de Melo, no julgamento da Rcl nº 5.512MC, em sessão de 26 ago. 2008: “[...] Na realidade, a decisão que o Relator proferiu, em sede de arguição de descumprimento de preceito fundamental, mesmo ad referendum do Plenário desta Corte, porque imputável ao Supremo Tribunal Federal, apresentase impregnada de efeito vinculante e de eficácia geral (erga omnes), Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.042 13 Digase, ainda, que o § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 não foi objeto de reclamação9 ao STF, na forma do artigo 102, I, alínea “l” da Constituição da República de 1988. Na mesma linha, afirmase que não existe, a respeito do citado dispositivo legal, súmula da jurisprudência dominante do STF, autorizada pelo artigo 103A da vigente Carta Constitucional, introduzido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. Por último, asseverase que não há decisão sobre o § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, proferida pelo STF sob a sistemática da repercussão geral de que trata o artigo 543B do anterior Código de Processo Civil (CPC/1973), nem decisão sobre o mesmo assunto proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo o rito dos recursos repetitivos de que trata o artigo 543C do CPC/1973. Portanto, o § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 não foi revogado nem objeto de decisão vinculante do STF e do STJ que houvesse obstado sua incidência. Nessas circunstâncias, deixar de aplicálo implica julgamento de constitucionalidade, a despeito da vedação ao exercício de jurisdição constitucional por órgãos judicantes do Poder Executivo. O fato é que o julgador pode deixar de aplicar ato normativo com força de lei, enquanto não revogado – por óbvio, desde que atue no exercício da jurisdição constitucional. Aqui, é necessário reiterar que o julgador da jurisdição administrativa fiscal não tem competência para o exercício de jurisdição constitucional, conforme Súmula CARF nº 2, pois não integra os quadros da magistratura. A verdade real é um daqueles casos em que a dogmática jurídica abraçou o senso comum para andarem juntos, seguindo as lições de Luis Alberto Warat, relembradas por Lenio Streck. Este autor, recordando o mestre argentino, salienta que “a dogmática jurídica, ao servir de instrumento para a interpretação/ sistematização/aplicação do Direito, vai aparecer como um conjunto de técnicas de “fazer crer”, com as quais os juristas conseguem produzir a linguagem oficial do Direito.” 10 (grifei) A verdade material, entendida como a concordância entre um fato ocorrido na realidade sensível e a ideia que dele fazemos, está atrelada a uma concepção filosófica calcada no paradigma do objeto, já superada pelos pressupostos da filosofa moderna. Todavia, essa visão filosófica ultrapassada ainda continua a exercer influência sobre processualistas atuais. suscetível de legitimar, quando eventualmente descumprida, o ajuizamento de reclamação, tal como assinala, em obra monográfica (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, p. 314/316, item n. 3, 2007, Saraiva/IDP), o eminente Ministro Gilmar Mendes: 'Os vários óbices à aceitação do instituto da reclamação em sede de controle concentrado parecem ter sido superados, estando agora o STF em condições de ampliar o uso desse importante e singular instrumento da jurisdição constitucional brasileira. Com o advento da Lei nº 9.882/99, que estendeu o reconhecimento do efeito vinculante aos demais órgãos do Poder Público, a questão assume relevo prático, em razão, especialmente, do objeto amplo da ADPF, que envolve até mesmo o direito municipal. Não há dúvida de que a decisão de mérito proferida em ADPF será dotada de efeito vinculante, dando azo, por isso, à reclamação para assegurar a autoridade da decisão do STF. Da mesma forma, cabível a reclamação para assegurar a autoridade da decisão proferida em ADPF, não há razão para não reconhecer também o efeito vinculante da decisão proferida em cautelar na ADPF (art. 5°, § 3°, da Lei n. 9.882/99), o que importa, igualmente, na admissão da reclamação para garantir o cumprimento de decisão adotada pelo Tribunal em sede de cautelar.[...]” 9 CRFB/1988, artigo 102: “Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: […] l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões;” 10WARAT, Luiz Alberto apud STRECK, Lenio Luiz. A ficção da verdade real e os sintomas da falta de compreensão filosófica da ciência processual. Disponível em: <http://www.amprs.org.br/arquivos/revista_artigo/arquivo_1325166560.pdf>. Acesso em: 03/08/2017. Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.043 14 A visão do conhecimento que a filosofia centrada no objeto proporciona despreza que a reconstrução de acontecimentos pretéritos sofre a influência das pessoas que o presenciaram, ou até daquele que precisa receber a informação sobre o ocorrido para valorálo, como o juiz. Asseguram Marinoni e Arenhart11 que, “sempre, o sujeito que percebe uma informação (seja presenciando diretamente o fato, ou conhecendoo através de outro meio) altera o seu real conteúdo, absorveo à sua maneira, acrescentandolhe um toque pessoal que distorce (se é que essa palavra pode ser aqui utilizada) a realidade. Mais que isso, o julgador (ou o historiador, ou enfim, quem quer que deva reconstruir fatos do passado) jamais poderá excluir, terminantemente, a possibilidade de que as coisas tenhamse passado de forma diversa àquela a que suas conclusões o levaram”. Esses autores firmemente expõem que a verdade, como meta utópica, exerce importante papel na estrutura do processo. O juiz deve se pautar pela orientação de que a verdade deve ser buscada, malgrado consciente de que não se pode alcançála, porquanto a verdade não passa de um ideal. Por essa óptica, a função da verdade no processo é meramente mítica, motivo por que, enquanto objeto ideal, não pode impor restrições ao processo além do mínimo necessário.12 Nesse contexto, Marinoni e Arenhart13 traçam comentários valiosos: “Somese a isso tudo o fato de que a relação da verdade com o processo (juiz e provas) vem permeada de certas particularidades, as quais muitas vezes excluem a possibilidade de que o magistrado efetivamente encontre a verdade. É o que observa GIOVANNI VERDE, ao ponderar que, no processo, as regras sobre prova não regulam apenas os meios de que o juiz pode servirse para “descobrir a verdade”, mas também traçam limites à atividade probatória, tornando inadmissíveis certos meios de prova, resguardando outros interesses (como a intimidade, o silêncio etc.) ou ainda condicionando a eficácia do meio probatório à adoção de certas formalidades (como o uso de instrumento público). Diante dessa proteção legal (de forte intensidade) a outros interesses, ou, ainda, da submissão do mecanismo de “revelação da verdade” a certos requisitos, parece não ser difícil perceber que o compromisso que o direito (e, em especial, o processo) tem com a verdade não é tão inexorável como aparenta ser.” O sistema de regras processuais vigente, abarcando limitações e formalidades impostas para a produção da prova, denota que o desenhista institucional não quis fixar a verdade “das coisas tais como elas são” – a verdade real como objetivo concreto a ser alcançado pelo julgador, não obstante constituir objetivo utópico da atividade judicante, mesmo porque não se pode esperar que esse fim seja realizado no processo. Dessa forma, a verdade não é mais do que meio retórico indispensável ao debate perante o julgador. Embora a verdade não seja alcançável, as partes devem legitimamente atuar como se estivessem agindo para buscála. No debate instaurado no processo, cada um dos litigantes se esforça para fazer valer suas afirmações, que, ao final, serão refutadas ou confirmadas. A verdade do processo é o resultado que só se atinge após o debate. Sem dúvida, se o processo é concebido com o fim de se obter a verdade, esta resulta do debate entre as partes, ainda que seja uma verdade válida apenas para os participantes. Assim, o conteúdo das assertivas de cada um nada tem a ver com a verdade, pois, no processo, “o 11 Op. cit., p. 281. 12 MICHELI, Gian Antonio, TARUFO, Michele apud MARINONI, ARENHART. Op. cit., p. 278. 13Op. cit., p. 282. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.044 15 verdadeiro e o falso não têm origem nas coisas, nem na razão individual, mas no procedimento”14. Considerando o fato de que a recorrente perdeu o prazo fixado no procedimento de impugnação, previsto no Decreto nº 70.235/1972, para a juntada de documentos comprobatórios, e por não justificar a intempestividade com base em motivo de força maior, não há como admitir, sem agredir a lei, a produção de efeitos ao ingresso intempestivo desse material no corpo dos autos. Como mencionado acima, nem mesmo o indigitado princípio da verdade material pode socorrêla. De acordo com os fundamentos acima colacionados, não há qualquer defeito na decisão recorrida a acarretar a pronúncia de nulidade. Na questão seguinte, a recorrente suplica o reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório, ao argumento de que este padece de um déficit de elementos descritivos necessários à perfeita compreensão dos motivos determinantes da decisão tomada, a acarretar prejuízo à defesa, sem esquecer de que o Decreto n° 70.235/72, em seu artigo 9o, estabelece que a exigência de crédito fiscal deve ser instruída com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, o que evidentemente não foi observado, no caso. Não há como concordar com a recorrente. Reparese: no documento “Análise de Crédito” que acompanha o Despacho Decisório, à fl. 415, estão descritos os seguintes elementos: “a) Data da Consulta: 31/7/2013 14:28:27 b) Nome/Nome Empresarial: TELEFONICA BRASIL S.A. c) CPF/CNPJ: 02.558.157/000162 d) PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: 15825.41689.200809.1.7.02 5652 e) Número do processo de crédito: 10880937.203/201291 f) Período de apuração do crédito: Exercício 2008 01/01/2007 a 31/12/2007 g) Tipo de Crédito: Saldo Negativo de IRPJ h) Despacho Decisório (Nº de Rastreamento): 023611898 i) Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 91.512.904,85 j) Valor do saldo negativo disponível: R$ 86.883.379,83” 14 MARONONI, ARENHART. op. cit., p. 284/286. Claro que o procedimento que se utiliza para chegar à verdade deve propiciar igual oportunidade discursiva aos debatedores. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.045 16 No item “Informações Complementares da Análise de Crédito”, também à fl. 414, a autoridade fiscal consignou informações importantes com o intento de explicar o procedimento de verificação do saldo negativo oferecido pela recorrente ao encontro de contas: “O crédito de saldo negativo foi analisado a partir das informações prestadas em um único PER/DCOMP, aquele identificado como "PER/DCOMP com demonstrativo de crédito". Regra geral, tratase do primeiro PER/DCOMP transmitido pelo sujeito passivo informando aproveitamento do saldo negativo do período de apuração. Na análise do crédito, foram verificadas as parcelas de composição do saldo negativo informadas na pasta "Crédito" do PER/DCOMP, tendo por premissa que a soma destas parcelas deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido no período, se houver, e a apuração do saldo negativo. Quando houver divergência entre o valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP e na DIPJ correspondente ao período de apuração do crédito analisado, o reconhecimento do direito creditório está limitado ao menor destes dois valores. “ No Despacho Decisório, à fl. 413, no item “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal”, a autoridade fiscal apresentou os fundamentos fáticos e jurídicos da decisão tomada, já considerando a insuficência do crédito para compensar os débitos tributários declarados nos PER/DCOMP examinados: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 91.512.904,85 Valor na DIPJ: R$ 91.512.904,85 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 744.008.613,51 IRPJ devido: R$ 652.495.708,66 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 86.883.379,83 Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.046 17 HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 09489.27776.301008.1.3.022000. NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 05854.93092.231109.1.3.028744. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/06/2012. Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN RFB 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008.” (grifos no original) Por sua vez, o elementos das designadas “Parcelas de Composição do Crédito Informadas no PER/DCOMP”, constantes das “Informações Complementares da Análise de Crédito”, à fl. 413, estão adequadamente explicados no item “Termos Utilizados na Análise do Crédito do Saldo Negativo”, à fl. 415, verbis: “Tabela Parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP: demonstra as antecipações detalhadas pelo sujeito passivo na pasta "Crédito" do PER/DCOMP e os valores confirmados mediante consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) ou pela apresentação de documentos comprobatórios pelo sujeito passivo, sendo: PARC. CRÉDITO Parcelas de Composição do Crédito IR EXTERIOR Imposto de Renda Pago no Exterior RETENÇÕES FONTE Imposto de Renda Retido na Fonte PAGAMENTOS ESTIM. COMP. SNPA Estimativas Compensadas com Saldo Negativo de Períodos Anteriores ESTIM. PARCELADAS Estimativas Parceladas DEM. ESTIM. COMP. Estimativas Compensadas com Outros Tributos ou Demais Estimativas Compensadas SOMA PARC. CRED. Soma das Parcelas de Crédito Valor na DIPJ: valor do saldo negativo informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do crédito analisado. Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.047 18 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: antecipações informadas pelo sujeito passivo na DIPJ na ficha "Cálculo de Imposto de Renda sobre o Lucro Real", referentes a retenções na fonte, pagamento de imposto no exterior ou de renda variável, e compensação, parcelamento ou pagamento de débitos de estimativa. IRPJ devido: valor do imposto sobre o lucro real apurado subtraídos os incentivos fiscais, as isenções e as deduções do imposto, previstos na legislação. Valor do saldo negativo disponível: é o valor do saldo negativo apurado após a confirmação das parcelas de composição do crédito, deduzido o imposto devido, limitado ao valor do saldo negativo informado na DIPJ. O valor considerado como "Parcelas Confirmadas" para cálculo do saldo negativo disponível é limitado ao somatório das parcelas de composição do crédito informadas na DIPJ.” (grifos no original) Toda a exposição acima ainda conta o complemento da “Análise das Parcelas de Crédito, com suas listas de fls. 415/417, mediante as quais a autoridade Fiscal efetuou a segregação entre valores confirmados e não confirmados dos seguintes componentes do saldo negativo oferecido para compensação com débitos tributários: imposto de renda pago no exterior, imposto de renda retido na fonte, pagamentos, estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores e demais estimativas compensadas. Portanto, não há dúvida de que o Despacho Decisório tem o suporte fático de uma grande gama de informações suficientemente claras, afora o exigível enquadramento jurídico, pois, não fosse assim, a recorrente não demonstraria, como efetivamente demonstrou, que pôde compreender a acusação e seus fundamentos, como revelam os trechos abaixo, destacados da manifestação de inconformidade, verbis: “[... ] 6. Com base na prerrogativa permitida pela legislação tributária, em 20.8.2009, a Requerente apresentou o PER/DCOMP no 15825.41689.200809.1.7.02 5652 1, requerendo a compensação do saldo negativo de IRPJ apurado em 2008 com débitos de IRPJ do anobase de 2007. 7. Entretanto, em 1.6.2012, foi proferido o Despacho Decisório no 023611898, que homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP no 09489.27776.301008.1.3.022000 (doc. nº 7) e não homologou a compensação declarada o PER/DCOMP no 05854.93092.231109.1.3.028744 (doc. nº 8), sob o fundamento de que a Requerente não foi capaz de comprovar integralmente (i) o imposto de renda pago no exterior e (ii) o saldo negativo de períodos anteriores utilizado para compensar a estimativa referente ao mês de novembro de 2007 (PER/DCOMP no 17037.09325.271207.1.3.027770 doc. nº 9). 8. Em que pese os fundamentos alegados pelas autoridades fiscais, a Requerente não pode concordar com o Despacho Decisório em comento, motivo pelo qual irá demonstrar a seguir que o referido Despacho é nulo pois não traz motivação adequada para o indeferimento da compensação. 9. Além disso, caso assim não se entenda, o que se admite apenas a titulo de argumentação, a Requerente demonstrará que (i) há legislação que não exige a comprovação da retenção do imposto pago no exterior; e (ii) o saldo negativo utilizado foi originado em 2003 e ainda não havia sido utilizado pela Requerente, motivos pelos quais deve ser integralmente reconhecido o direito creditório decorrente do saldo negativo de IRP3 apurado no ano de 2007 e, consequentemente, homologada a compensação objeto do PER/DCOMP no 15825.41689.200809.1.7.025652. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.048 19 [...] 17. A Requerente demonstrará adiante a origem do crédito utilizado para compensação e como ele foi utilizado, conforme os seus registros contábeis, oportunidade na qual sera evidenciada a sua regularidade e suficiência. Senão, vejamos. Crédito de Imposto de Renda Pago no Exterior — Dividendos 18. Com relação aos valores de Imposto de Renda pago no exterior, a Requerente destaca que não foram reconhecidos pela Receita Federal os valores de Imposto de Renda que foram retidos pelas empresas Aliança Atlantica Holding B.V. e Portugal Telecom (das quais a Requerente é acionista) em decorrência da distribuição de dividendos. [...] (b) Estimativas compensadas com saldos de períodos anteriores 27. 0 despacho decisório indica também que as autoridades fiscais não reconheceram o valor de R$ 2.146.281,16 utilizado como crédito pela Requerente para compensação com a estimativa devida referente ao mês de novembro de 2007 [...]” (grifos no original) Como se vê, é indiscutível que a recorrente compreendeu as razões das decisões da Administração Tributária que proclamaram: a) a homologação integral da compensação objeto do PER/DCOMP nº 15825.41689.200809.1.7.025652, extinguindose o débito de estimativa de IRPJ do mês de agosto de 2008 (vide fl. 419); b) a homologação parcial da compensação objeto do PER/DCOMP nº 09489.27776.301008.1.3.022000, extinguindose parcialmente o débito de estimativa de IRPJ do mês de setembro de 2008 (vide fl. 419); e c) a não homologação da compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 05854.93092.231109.1.3.028744, apresentado com fim de extinguir os débitos de PIS/PASEP e Cofins não cumulativos do mês de janeiro de 2009 (vide fl. 419). A inexistência de déficit da clareza suficiente à compreensão dos motivos da decisão tomada direciona o julgador à certificação de que não houve prejuízo à defesa, o que também lhe impõe a rejeição do pedido de reconhecimento nulidade do Despacho Decisório. A terceira questão preliminar afeta às estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores. Sobre o tema, a recorrente menciona que o acórdão recorrido não conheceu o valor de R$ 2.146.281,16, utilizado como crédito para compensação com a estimativa referente ao mês de novembro de 2007. Tal valor referese a estimativas compensadas com saldo negativo de IRPJ acumulado de períodos anteriores, por meio do PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.027770. A DRJ, ao seu turno, salientou que a recorrente intenta, no presente processo, “demonstrar a legitimidade da compensação do débito de estimativa do PA novembro/2007, efetuada mediante a entrega da DCOMP nº 17037.09325.271207.1.3.027770. Todavia, a discussão administrativa acerca da não homologação da compensação desse débito é objeto de outro processo administrativo, o de nº 13807.003136/200470”, daí advertindo que a questão Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.049 20 está sob a jurisdição do CARF para julgamento de recurso voluntário contra decisão de primeira instância, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada naqueles autos. Já a recorrente alega que, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, não procede a alegação de que o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.027770 está atrelado ao processo administrativo n° 13807.003136/200470. Isso porque, em referido processo administrativo, discutese tão somente o despacho decisório que não homologou integralmente as compensações realizadas por meio dos PER/DCOMPs nº 41537.59384.140803.1.3.02.7212, 31833.84671.280803.1.3.024129 e 19578.01638.3000903.1.3.024670. Contudo, no exame dos autos do processo nº 13807.003136/200470, podem ser observadas as seguintes anotações do relatório do acórdão nº 1620.589, prolatado pela 5º Turma da DRJ/SPO I, em sessão de 02/03/2009, às fls. 1.279 e seguintes: “[...] 6. Em 18/12/2007 a interessada apresentou DIPJ 2003 retificadora (ND n° 127963060, a fls. 261/265), em que aumentou o valor do saldo negativo apurado, de R$ 87.354.413,75 para R$ 88.550.780,07, mediante dedução destacada das retenções oriundas de órgãos públicos no cálculo do saldo de IR a pagar. 7. Em 27/12/2007, com base nessa declaração retificadora, a interessada apresentou a Per/Dcomp n° 17037.09325.271207.1.3.0277, que deu origem ao processo administrativo n° 16306.000180200891, cujos autos foram juntados aos do presente processo, com vistas a julgamento conjunto. 8. Nos autos do processo ora juntado, n° 16306.000180200891, a DERAT/SPO indeferiu o pleito da contribuinte, em despacho decisório a fls. 05/06, esclarecendo que tal indeferimento não trazia nenhum prejuízo à interessada, uma vez que a modificação introduzida pela DIPJ 2003 retificadora (cômputo das retenções de IR promovidas por órgãos públicos) já havia sido apreciada na análise do pleito do presente processo, ora principal. 9. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade nos autos do processo administrativo n° 16306.000180200891 (Per/Dcomp n° 17.637 .09325.27120T1.3.027770), afls. 13121, com as alegações abaixo sintetizadas: [...] 10. No despacho decisório que também integra a lide ora enfrentada, a fls. 275/287 dos autos principais, a autoridade local expôs as razões da manutenção do indeferimento do pleito da interessada, a seguir sintetizadas: [...]” Adiante, no voto, disse o relator do supracitado acórdão nº 1620.589: “46. Também não se observa a nulidade imputada ao despacho decisório proferido a fls. 05/07 do processo ora juntado (autos n° 16306.000180/200891). 47. Embora nesses autos tenha a autoridade recorrida indeferido a pretensão da recorrente por considerar a Per/Dcomp n° 17.037.09325.271207.1.3.027770 como retificadora da Per/Dcomp n° 41537.59384.140803.1.3.02.7212, não há qualquer prejuízo defesa da contribuinte perante a autoridade julgadora. [...] Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.050 21 115. Em conclusão, no tocante à controvérsia cuja solução nos incumbe, entendo que deva ser INDEFERIDA a solicitação da recorrente, bem como, NÃO HOMOLOGADAS as compensações declaradas nos autos (processos n° 13807.003136/200470 e 16306.0000180/200891), devendo ser mantidos os termos do despacho recorrido, que indeferiu o pleito da requerente à compensação de débitos próprios com suposto saldo credor de IRPJ do anocalendário 2002, após constatarse inexistente o saldo credor de IRPJ apurado na DIPJ 2003 entregue pela contribuinte.” (grifei) À fl. 1.765 do aludido processo nº 13807.003136/200470, consta que o recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1620.589 está pendente de julgamento e que o referido feito foi avocado pelo relator do apelo do mesmo recorrente, inserto nos autos do processo nº 11610.001436/200313, a fim de que houvesse julgamento em conjunto, pela 1ª Turma/4ª Câmara/1ª Seção. Perante tal circunstância, o julgamento do recurso voluntário não pode prosseguir, em face da dependência da solução que será proclamada nos autos do processo nº 11610.001436/200313. Considerando que o presente processo é decorrente daquele e que ambos estão pendentes de decisão de mesma instância, propõese que se converta o julgamento em diligência, sobrestandose o feito na Câmara até que a 1ª Turma/4ª Câmara/1ª Seção decida o mérito do processo principal. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Declaração de Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Com a devida vênia, divirjo do voto do Ilustre Relator no que tange à admissão de provas documentais fora do prazo da impugnação. Embora a Recorrente as tenham apresentado em momento posterior a Impugnação, estando sujeita a pena de preclusão, conforme o art. 16 do Decreto nº. 70.235/72, entendo que a preclusão processual deve ser mitigada em virtude da busca pela verdade material, tendo o julgador o dever de se valer de qualquer prova acostada aos autos para apurar a legalidade da tributação. Desse modo, entendo que deve prevalecer o principio da verdade material, em que impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo contribuinte. Assim, manifestome contrário ao voto condutor neste ponto, reconhecendo a validade das provas apresentadas em momento posterior a Impugnação, conquanto sejam meio hábil para a verificação do crédito tributário que ensejou a exação fiscal em comento. É como voto. Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10880.937203/201291 Resolução nº 1301000.427 S1C3T1 Fl. 1.051 22 (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 1051DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.905804/2018-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3201-003.079
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decididono RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. Vencidos os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior e Márcio Robson Costa que rejeitaram a diligência e negaram provimento ao Recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.045, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10380.905742/2018-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente).
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202107
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 10380.905804/2018-61
anomes_publicacao_s : 202109
conteudo_id_s : 6482947
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3201-003.079
nome_arquivo_s : Decisao_10380905804201861.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10380905804201861_6482947.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decididono RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. Vencidos os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior e Márcio Robson Costa que rejeitaram a diligência e negaram provimento ao Recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.045, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10380.905742/2018-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
id : 8989563
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:40:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610565834342400
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-20T12:19:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-20T12:19:57Z; Last-Modified: 2021-09-20T12:19:57Z; dcterms:modified: 2021-09-20T12:19:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-20T12:19:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-20T12:19:57Z; meta:save-date: 2021-09-20T12:19:57Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-20T12:19:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-20T12:19:57Z; created: 2021-09-20T12:19:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2021-09-20T12:19:57Z; pdf:charsPerPage: 2626; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-20T12:19:57Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.905804/2018-61 Recurso Voluntário Resolução nº 3201-003.079 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2021 Assunto CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Recorrente DASS NORDESTE CALCADOS E ARTIGOS ESPORTIVOS S.A Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decididono RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. Vencidos os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior e Márcio Robson Costa que rejeitaram a diligência e negaram provimento ao Recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.045, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10380.905742/2018-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 05 80 4/ 20 18 -6 1 Fl. 1832DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3201-003.079 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.905804/2018-61 Trata-se de pedido de ressarcimento de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) não-cumulativo, por bem retratar os fatos, reproduzo parte do relatório DRJ: Trata-se de Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório (...), que indeferiu Pedido de Restituição (PER) de pagamento indevido (...). O crédito não foi reconhecido porque o recolhimento se encontra integralmente apropriado ao débito correspondente declarado pelo contribuinte em DCTF e Dacon. (...) o contribuinte manifestou inconformidade (...), alegando em preliminar a nulidade do despacho, por ausência de motivação e análise do mérito, porquanto a avaliação do crédito limitou-se ao cruzamento eletrônico do pedido com os dados das declarações prestadas, o que ofende o princípio da verdade material, ante os meios de que a Administração dispõe para averiguar a existência do crédito (intimação ao contribuinte, diligência fiscal). No mérito, aduz que, diante do rumo jurisprudencial dado ao conceito de insumos (“nem tão próximo do conceito aplicado na legislação do IPI e nem tão distante daquele que refere-se ao Imposto de Renda”), viu-se diante do fato de ter deixado de apropriar créditos que lhe seriam de direito, e, consequentemente, de ter efetuado o recolhimento das aludidas contribuições a maior, sem que tivesse procedido ao desconto do crédito relativo à aquisição de certos insumos em sua apuração mensal (art. 3º, caput, II, e §4º, das Leis nº 10.637/02 e 10. 833/03). Alude que vários créditos foram aproveitados de forma extemporânea, independentemente da retificação da DCTF e Dacon, por força do §4º do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 (cf. Solução de Divergência Cosit nº 06/2008). Juntou relação de créditos por operação a serem computados, distinguido-lhes as modalidades pela cor. Em vista disso, pede a restituição do pagamento indevido, corrigido pela taxa Selic. Seguindo a marcha processual normal, foi julgado improcedente o pleito da contribuinte, a DRJ compreendendo que contribuinte não faria jus ao seu pleito. Diante dos fatos acima narrados, a contribuinte pede reforma da decisão em recurso voluntário repisamos os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 1833DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3201-003.079 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.905804/2018-61 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado na resolução paradigma como razões de decidir: 1 Com a devida vênia, divirjo do bem elaborado voto apresentado pelo Ilustre Conselheiro relator, tendo sido designado para elaboração do voto vencedor em relação à conversão do julgamento em diligência. Minha compreensão foi no sentido de que o processo não se encontra maduro para decisão, merecendo o julgamento ser convertido em diligência. Explica-se: Uma das matérias em litígio diz respeito a possibilidade ou não do aproveitamento dos denominados créditos extemporâneos de PIS e da COFINS. A decisão recorrida, em breve síntese, trilhou no sentido de que no âmbito das contribuições sociais apuradas pelo regime não-cumulativo, exige-se a segregação dos créditos por períodos de apuração devido ao fato de que os créditos, neste regime, são passíveis de repetição segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração, ou seja, é preciso que, em cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de repetição por qualquer uma das formas previstas (compensação ou ressarcimento, por exemplo). Por sua vez, a Recorrente defende que, nos termos do § 4º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes, autorizando aí, expressamente e sem qualquer oportunidade para interpretação diversa, o aproveitamento extemporâneo de créditos de PIS e COFINS. Esta Turma de Julgamento em recentes decisões, em processos que envolvem a análise do aproveitamento de créditos extemporâneos das contribuições tem decidido pela conversão do julgamento em diligência. A título ilustrativo cito as Resoluções nº’s 3201-003.009, de 22/06/2021 e 3201- 003.010, de 23/06/2021, ambas de relatoria da Relatora Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Outras Turmas de Julgamento da 3ª Seção, em casos análogos, de igual modo, tem decidido pela conversão do julgamento em diligência, como por exemplo, as Resoluções nº’s 3401-001.999, 3302-001.180, 3401-001.546 e 3401-001.827, tudo com vistas a se apurar efetivamente o crédito pleiteado e se não foi aproveitado em outro período. Diante do exposto, voto por converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decidido no RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários 1 Deixa-se de transcrever o voto vencido do relator, que pode ser consultado na resolução paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 1834DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3201-003.079 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.905804/2018-61 para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decididono RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 1835DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002133/2010-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2202-000.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto.
Relatório
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.002133/2010-29
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5858174
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-000.811
nome_arquivo_s : Decisao_19515002133201029.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 19515002133201029_5858174.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7254989
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:38:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610565838536704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 746 1 745 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002133/201029 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.811 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 07 de março de 2018 Assunto IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente VICENTE RENATO PAOLILLO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 19515.002133/201029, em face do acórdão nº 1748.048, julgado pela 3ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2), em sessão realizada em 02 de fevereiro de 2011, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 13 3/ 20 10 -2 9 Fl. 746DF CARF MF Processo nº 19515.002133/201029 Resolução nº 2202000.811 S2C2T2 Fl. 747 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 407 a 415, referente ao anocalendário de 2005, para a constituição do crédito tributário no montante de R$ 774.884,47, sendo R$ 271.607,55 a titulo de imposto, R$ 378.772,03, de multa de oficio, e R$ 124.504,89, de juros de mora, calculados até 30/06/2010. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 412 a 415) que foram apuradas as seguintes infrações: omissão de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos de pessoas jurídicas. Enquadramento legal: arts. 1° a 3 0 e §§ da Lei n° 7.713/1988; arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/1990; arts. 49 a 53 do Decreto n° 3.000/1999 RIR11999; art. 10 da Lei n° 11.119/2005; rendimentos pagos a sócio de empresa, excedentes ao lucro presumido, depois de deduzidos o IRPJ e a CSLL, uma vez não demonstrado, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é superior ao lucro presumido. Enquadramento legal: Ato Declaratório Normativo COSIT n° 4/1996, inciso II; artigo 663 do RIR11999 e art. 1 ° da Lei n°11.119/2005; omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Enquadramento legal: art. 849 do RIR11999 e artigo 1 0 da Lei n° 11.119/2005. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 355 a 395, que integra o auto de infração, consigna o que segue, em síntese: da análise das informações prestadas no curso da ação fiscal e documentadas por meio de extratos bancários, verificouse que Vicente Renato Paolillo movimentou recursos pela conta corrente n° 44281, da agência 11500 — Corporate I, do Banco Safra S/A (único titular), e pelas contascorrentes d' s 01.0141311 e 01.7587598 (em co titularidade com Alexandre Husni, CPF n° 076.064.27887, e Roberto Cabariti, CPF n° 031.875.19849) e 01.8500011 (em cotitularidade com Mariângela Guarianas Tumani, CPF n° 508.810.78891), da agência 03841 do Banco Nossa Caixa S/A, incompatíveis com os rendimentos declarados, razão pela qual foi intimado a apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem dos recursos depositados nas referidas contas correntes (fls. 10 a 74); à presente auditoriafiscal não se aplica o disposto no artigo 42, § 30, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, no artigo 4 ° da Lei n° 9.481/1997 e no artigo 849, § 2°, inciso II, do RIR11999, tendo em vista a soma dos valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 ultrapassar R$ 80.000,00, conforme planilha "D" anexa (fls. 402 a 406); o_ contribuinte e os outros cotitulares das contascorrentes não lograram comprovar a origem dos recursos movimentados por meio dos depósitos relacionados na tabela inserida no item 2.3 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 356 e 357), conforme razões especificadas nos itens 2.4 a 2.79 e 2.84 a 2.91 (fls. 357 a 368); Fl. 747DF CARF MF Processo nº 19515.002133/201029 Resolução nº 2202000.811 S2C2T2 Fl. 748 3 uma vez que as contas correntes n os 01.0141314, 01.7587598 e 01.8500011, acima referidas, têm mais de um titular, os depósitos cuja origem dos recursos não foi comprovada foram repartidos proporcionalmente, conforme Planilhas "B" e "C" anexas (fls. 397 a 399) que, assim como a Planilha "A" (fl. 396), fazem parte integrante e indissociável do Termo de Verificação Fiscal constante do presente feito; constatouse, também, que o interessado auferiu rendimentos de aluguéis, recebidos da empresa Oxigênio Desenvolvimento de Políticas Públicas e Sociais, CNPJ no 59.587.949/000182, por meio de depósitos efetuados na contacorrente n° 01.8500011, da agência bancária acima citada, referentes ao imóvel situado na Rua José Clemente, esquina da Rua Estados Unidos, n° 153, que possui em co propriedade, à proporção de 50% (cinquenta por cento), com Alexandre Husni; o referido bem foi informado na declaração de bens da DIRPF/2006 do contribuinte, todavia, os respectivos rendimentos (relacionados no item 2.83 do Termo de Verificação Fiscal, fl. 367) não foram declarados; apurouse, ainda, em auditoria fiscal realizada junto As pessoas físicas sócias da pessoa jurídica Advocacia HusniPaolilloCabariti S/C e também nesta última, que foram depositados R$ 2.552.446,40 em contas bancárias particulares dos sócios, recursos esses não devolvidos A pessoa jurídica, nem por esta declarados como receita, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal do auto de infração emitido contra a referida pessoa jurídica, objeto do Processo n° 19515.002234/201008 (cujos itens 1.3 a 2.75 foram transcritos nas páginas 15 a 34 do Termo de Verificação Fiscal constante do presente feito, fls. 369 a 388); com a recomposição da receita bruta da pessoa jurídica citada, devido à inclusão dos R$ 2.552.446,40, apurouse o lucro presumido que poderia ter sido distribuído aos sócios, considerandose o limite de 32% (trinta e dois por cento) da receita, menos o IRPJ e o CSLL devidos, o qual foi comparado com o que os sócios haviam recebido em suas contas bancárias somado ao informado na DIPJ/2006, constatandose excesso de distribuição de lucros, a ser tributado na pessoa física do sócio, conforme demonstrado nas Tabelas I a V inseridas no item 2.66 do Termo de Verificação Fiscal relativo A ação fiscal levada a efeito na pessoa jurídica (transcrição de fls. 384 a 386), com fundamento no artigo 10 da Lei n° 9.249/1995, nos artigos 55, inciso XIX, e 663, caput e parágrafo único, do RIR/1999, e no artigo 51, §§ 3 0 e 4°, da Instrução Normativa SRF n° 11/1996; foram juntadas ao presente feito cópias de documentos acostados ao Processo n° 19515.002234/201008, acima mencionado, dos quais já não constavam similares nestes autos (fls. 268 a 354): O interessado foi cientificado em 28/07/2010, por via postal (fl. 417) e, em 23/08/2010, encaminhou, também por via postal (fl. 483), a impugnação de fls. 447 a 467. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 19515.002133/201029 Resolução nº 2202000.811 S2C2T2 Fl. 749 4 Argui a decadência do direito A constituição do crédito tributário correspondente aos fatos anteriores a 23 de julho de 2005, conforme interpretação que faz do disposto no artigo 150 do Código Tributário Nacional. Entende que são isentos de tributação todos os valores recebidos no anocalendário de 2005 da empresa Advocacia Husni — Paolillo — Cabariti S/C, uma vez que esta tem condições de demonstrar através de escrituração contábil (fls. 469 a 482) o montante do lucro distribuível aos sócios. Pugna pelo cancelamento do lançamento, por considerar que não haveria prova da ação ou omissão dolosa por parte do contribuinte e muito menos de haver cometido fraude e que a autoridade lançadora não teria descrito a ação ou omissão dolosa que teria dado ensejo A aplicação da multa qualificada. Relativamente A apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, alega que os depósitos bancários não representam aquisição de disponibilidade econômica, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Argumenta que se trata de principio que não pode ser alterado em função da nova lei. Afirma que o Fisco não procedeu à análise individual de cada crédito. Assevera que o lançamento se baseia em presunção, pois teriam sido tributados valores incompatíveis com honorários profissionais do contribuinte, e que muitos dos valores tributados representariam reembolso de despesas de clientes. Observa que a soma dos recursos declarados, de R$ 563.533,05, com o valor apurado no lançamento como auferido a titulo de lucros distribuídos e aluguéis não declarados, no montante de R$ 848.806,64, justificaria os depósitos feitos nos bancos. Na sequência, reafirma que o lançamento seria fruto de presunção, que não teria havido análise individual de cada depósito e dos recursos ingressados no período e que não teria sido considerada a atividade exercida pelo contribuinte. Ao final, requer: i) seja acolhida a arguição de decadência; ii) seja decretada a nulidade do auto de infração; iii) no mérito, seja cancelado o lançamento por inexistência do fato gerador do tributo e consequente anulação da multa qualificada. Às fls. 484 a 486, anexouse petição do contribuinte, que encaminhou cópia de DARF referente à parte não litigiosa do presente processo." A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, parcialmente o crédito tributário lançado. A parte dispositiva do acórdão conta com a seguinte redação: "Vistos, relatados e discutidos estes autos, ACORDAM os membros da 3' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II, por unanimidade, rejeitar as arguições de nulidade e decadência e, no mérito, considerar procedente em parte a impugnação, em razão da redução da multa correspondente à Fl. 749DF CARF MF Processo nº 19515.002133/201029 Resolução nº 2202000.811 S2C2T2 Fl. 750 5 infração descrita como "Omissão de Rendimentos de Alugueis e Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas" para 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado." (grifouse) O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 692/707, reiterando, em parte, as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencido, requerendo a este Colegiado proceda em: a) declarar decaído o direito de proceder ao lançamento relativo ao período anterior a 23 de julho de 2005; b) cancelar a multa qualificada, por inexistência de dolo ou fraude; e por fim c) cancelar o lançamento do imposto de renda pessoa física, uma vez que os lucros distribuídos são isentos, quando apurados contabilmente. Por fim, apresenta o contribuinte petição de fls. 737/745, onde requer a nulidade do auto de infração, com base no art. 61 do Decreto 70.235/72, face ao descumprimento da Súmulas nº 29 e 14 do CARF É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, necessário referir a necessidade de diligência, pois o processo não é possível ser julgado na forma como se encontra. Ocorre que, conforme aponta o contribuinte a fl. 738, o Termo de Verificação Fiscal, à fl. 496, assim refere: Fl. 750DF CARF MF Processo nº 19515.002133/201029 Resolução nº 2202000.811 S2C2T2 Fl. 751 6 Portanto, verificase que as contas correntes nº 01.0141311 e 01.7587598 possuem cotitularidade com Alexandre Husni e Roberto Cabariti, bem como a conta corrente 01.8500011 possui cotitularidade com Mariângela Guarianas Tumani. Todavia, não consta nos autos se foram intimados Alexandre Husni, Roberto Cabariti e Mariângela Guarianas Tumani. Entendo por imprescindível constar nos autos a intimação do cotitular para que igualmente comprove a origem de seus depósitos. Este Conselho tem entendido, cujo entendimento encontrase pacificado por meio de súmula, de que em se tratando de conta conjunta deve ser também intimado o co titular para a comprovação da origem dos depósitos realizados. Neste sentido, há a Súmula CARF nº 29, que assim dispõe: "Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento." Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, a Unidade Preparadora informar se houve a intimação dos cotitulares das conta bancárias conjuntas (Alexandre Husni, Roberto Cabariti e Mariângela Guarianas Tumani), para comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos, e faça juntada de documentos hábeis a comprovar tais intimações. Ao final, com vistas a garantir o contraditório e o amplo direito de defesa, cientificar o contribuinte acerca desta diligência e dos resultados dela decorrentes, assegurandolhe prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação. Tomadas as providências acima, os autos devem retornar a este Colegiado para apreciação. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 751DF CARF MF Processo nº 19515.002133/201029 Resolução nº 2202000.811 S2C2T2 Fl. 752 7 Fl. 752DF CARF MF
score : 1.0
