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8944802 #
Numero do processo: 10384.723807/2013-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3402-003.045
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402-003.040, de 23 de junho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10384.723812/2013-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402- 003.040, de 23 de junho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10384.723812/2013-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Pedido de Ressarcimento cuja origem é o crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, apurado conforme o disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, originado de decisão judicial transitada em julgado. Após procedimento de verificação fiscal, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Teresina/PI emitiu o Despacho Decisório, reconhecendo em parte o direito creditório, a ser corrigido mediante aplicação da Taxa Selic, e homologando as Declarações de Compensação no limite do crédito reconhecido, bem como indeferindo o Pedido de Ressarcimento. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 84 .7 23 80 7/ 20 13 -3 3 Fl. 317DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3402-003.045 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.723807/2013-33 Cientificada do Despacho Decisório, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente por unanimidade de votos nos termos do v. Acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, sendo os argumentos de defesa resumidos no respectivo relatório e os fundamentos da decisão sumariados na seguinte Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI PEDIDO DE RESSARCIMENTO. RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. INCONFORMIDADE. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS. MANUTENÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. Se os documentos anexados aos autos e os argumentos debatidos não são suficientes para que se possam questionar os termos do Despacho Decisório, forçosa sua ratificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Contribuinte foi intimada do v. acórdão de primeira instância, apresentando tempestivamente o recurso voluntário, pelo qual pediu o provimento para que seja determinada improcedência deste processo, em face do atentado ao Direito de Defesa, na forma do artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72, combinados com os artigos 15 e 16 do Código do Processo Civil. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: 1. Pressupostos legais de admissibilidade A Contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância pela via eletrônica em data de 06/05/2020, enquanto estava vigente a suspensão dos prazos para a prática de atos processuais no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até 29 de maio de 2020, nos termos da Portaria nº 10.199, de 20 de abril de 2020. Após, foi prorrogada até 30 de junho de 2020 a suspensão dos prazos para a prática de atos processuais perante a Receita Federal do Brasil, bem como para o protocolo de peças processuais junto aos Centros de Atendimento ao Contribuinte da RFB, na modalidade presencial e virtual - CAC e e-CAC, conforme Portaria RFB nº 543, de 20/03/2020, com a redação dada pela Portaria RFB nº 936, publicada em 29/05/2020. Considerando a suspensão acima detalhada e, iniciando a contagem do prazo recursal em 01/07/2020, é tempestivo o recurso voluntário protocolado em data de 30/07/2020, resultando em seu conhecimento. 2. Da necessária conversão do julgamento do recurso em diligência 2.1. Como relatado, versa o presente litígio sobre pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI sobre exportação de manufaturados, apurado na forma prevista pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Em razão de decisão judicial transitada em julgado no Mandado de Segurança nº 1999.40.00001865-5, reconhecendo o direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI sobre insumos utilizados em seu processo produtivo adquiridos de pessoas físicas, produtores rurais e cooperativas agrícolas, corrigido mediante a aplicação da Taxa Selic, Fl. 318DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3402-003.045 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.723807/2013-33 a Unidade de Origem procedeu à verificação fiscal, concluindo pela existência parcial do crédito e homologando as Declarações de Compensação da seguinte forma: i) Homologação integral da Declaração de Compensação nº 08738.51547.280510.1.3.51-3880; ii) Homologação parcial da Declaração de Compensação nº 2530.75302.280510.1.3.51-4010; iii) Não homologação das Declarações de Compensação nº 20266.28400.270412.1.3.51-6532, 24562.32804.310512.1.3.51-0650, 20374.37583.200612.1.3.51-1660, 14310.34763.250612.1.3.51-8936, 17322.27985.200712.1.3.51-8696, 40191.86583.190912.1.3.51-4602, 33926.53949.200812.1.3.51-0010, 33916.39092.210812.1.3.51-3503 e 42290.29530.240812.1.3.51-7948; iv) Indeferido o Pedido de Ressarcimento nº 24746.12870.200410.1.1.51-1660. Em Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte informou que o crédito se refere aos anos de 1995 a 2001 e que a análise administrativa de todo esse período constava do PAF nº 10384.722165/2012-74, porém desmembrados pela SAORT da DRF de origem, de acordo com os trimestres abrangidos. O presente processo abrange o 1º trimestre de 1999, sendo apresentado pela Contribuinte o PER/DCOMP com saldo credor de R$ 244.351,49 (duzentos e quarenta e quatro mil, trezentos e cinquenta e um reais e quarenta e nove centavos). A Fiscalização reconheceu o crédito no valor de R$ 76.798,01(setenta e seis mil, setecentos e noventa e oito reais e um centavo). Argumentou a Recorrente que: i) O equívoco do Fisco ao desconsiderar os valores auditados dos primeiros trimestres de 1997 e 1998, resultou em erro material; ii) Após formulada a impugnação, foi lançada nova acusação, apontando que a Contribuinte não transmitiu os pedidos de ressarcimentos através do programa PERDCOMP, referentes ao 1º Trimestre de 1997 e 1º trimestre de 1998. O ilustre Julgador de primeira instância decidiu pela improcedência da defesa, concluindo que: i) O desmembramento dos processos observou a regra do art. 21, §§ 2º, 7º e 8º da IN RFB nº 1300/2012, que estipula que cada pedido de ressarcimento deverá referir-se a um único trimestre-calendário; ii) O valor de R$ 390.175,17 refere-se ao valor dos débitos declarados pela contribuinte nas DCOMP’s deste processo, e que não tiveram as compensações homologadas por falta de direito creditório reconhecido. Por esta razão foram objeto de cobrança conforme DARFs expedidos às fls. 543/560; iii) O suposto crédito de IPI não se presta, no caso, para ser utilizado na compensação de outros tributos administrados pela Receita Federal, mas somente para o abatimento de débitos de IPI apurados à época. Para a utilização na compensação de outros débitos administrados pela Receita Federal, precisaria ser objeto de pedido de ressarcimento, o que não ocorreu. 2.2. Com relação ao 1º trimestre de 1997 e do 1º trimestre de 1998, informou a Recorrente em razões recursais que o Pedido de Ressarcimento foi protocolado em 04/08/1999 (Protocolo nº 11924.000397/99-84), colacionando as seguintes folhas do processo: Fl. 319DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3402-003.045 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.723807/2013-33 Fl. 320DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3402-003.045 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.723807/2013-33 Destaco igualmente as seguintes demonstrações consignadas em peça recursal: Fl. 321DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3402-003.045 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.723807/2013-33 Os processos acima relacionados constam do lote de repetitivos julgados nesta oportunidade com o caso em análise. E consta no documento de fls. 499-501 a seguinte observação sobre os créditos pleiteados e desmembrados: Fl. 322DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 3402-003.045 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.723807/2013-33 2.3. Com relação à possibilidade legal do transporte do saldo credor de um trimestre para outro, além do reflexo com relação à desconsideração dos PER/DCOMPs relativos ao 1º trimestre de 1997 e 1º trimestre de 1998, igualmente pediu a Contribuinte a análise e apuração do direito creditório com base no fluxo contábil da conta escritural, possibilitando a constatação de saldos que devem ser transportados para o período seguinte, tendo em vista tratar-se de uma sequência de crédito-escritural, iniciada em abril de 1995 e concluída em dezembro de 2001. 2.4. Considerando que a controvérsia pendente neste processo cinge-se sobre a possibilidade ou não, diante da legislação aplicável, do transporte do saldo credor de um trimestre para outro, refletindo na apuração do período subsequente e, diante da comprovação de protocolo dos pedidos de ressarcimentos, na forma acima demonstrada, resta dúvida relevante que deve ser sanada antes de se proceder ao julgamento deste litígio. Esclareço que esta Relatora não afasta a necessária aplicação da regra do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, uma vez que cabe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Todavia, diante dos indícios acima, tornando possível o erro ventilado, aplica-se o Princípio da Verdade Material, pelo qual a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, devendo prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para demonstração do direito pleiteado. O Ilustre Doutrinador MEIRELLES (2003, p. 660) 1 assim preleciona: O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio administrado, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. Observo igualmente a necessária atenção aos Princípios da Finalidade e Razoabilidade na busca pela verdade material. No mesmo sentido, destaco a lição de Leandro Paulsen 2 : O processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, conforme ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na apreciação dos fatos, poderá julgar conveniente a realização de diligência que considere necessárias à complementação das provas ou ao esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos no processo. Diante dos fatos acima, é necessário que a Unidade de Origem preste esclarecimentos sobre os protocolos identificados pela Recorrente, bem como esclareça a forma como procedeu à apuração do crédito presumido de IPI, quando da análise efetuada antes do desmembramento por trimestre-calendário sobre o período de apuração de 1995 a 2001. 2.5. Para tanto, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Intimar a Contribuinte para apresentar o comprovante de protocolo do Pedido de Ressarcimento referente ao 1º trimestre de 1997 e 1º trimestre de 1998, realizado em 04/08/1999 (Protocolo nº 11924.000397/99-84); b) Sendo comprovado pela Recorrente o protocolo mencionado em Item “a”, esclarecer se a apuração realizada por meio do MPF 03.3.01.00-2012-00380-5 no PAF 1 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro, 28. ed. atualizada. São Paulo: Malheiros, 2003. p. 660. 2 PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 5ª edição, Porto Alegre, Livraria do Advogado. Fl. 323DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 da Resolução n.º 3402-003.045 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.723807/2013-33 nº 10384.722165/2012-74, considerou os saldos remanescentes relativos ao 1º trimestre de 1997 e 1º trimestre de 1998; c) Esclarecer se a apuração realizada por meio do MPF 03.3.01.00-2012-00380-5 no PAF nº 10384.722165/2012-74, antes do desmembramento dos trimestres e abrangendo o período de apuração de 1995 a 2001, considerou as transferências de saldos remanescentes de trimestres anteriores; d) Em caso de resposta negativa quanto aos Itens “b” e “c”, realizar a apuração do crédito presumido de IPI indicado pela Recorrente, considerando a transferência de saldos remanescentes de trimestres anteriores, abrangendo o período de apuração de 1995 a 2001, inclusive com relação ao 1º trimestre de 1997 e 1º trimestre de 1998, mediante a comprovação de item “a”; e) Elaborar Relatório Fiscal esclarecendo de forma conclusiva sobre as apurações efetuadas e, sendo o caso, recalcular os valores apurados com o resultado da diligência; f) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. 2.6 Concluída a diligência, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto condutor. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator. Fl. 324DF CARF MF Documento nato-digital

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8930988 #
Numero do processo: 19647.000198/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/03/2004, 30/04/2004, 16/06/2004, 12/07/2004, 13/10/2004, 10/05/2005, 22/06/2005, 18/08/2005, 07/10/2005, 26/10/2005, 21/11/2005 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decreto-lei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decreto-lei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratando-se de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. PRECLUSÃO Não se pode conhecer da matéria trazida à tona pela defesa somente em sede de recurso voluntário, por disposição expressa do art. 17 do Decreto no 70.235/1972 (na redação dada pela Lei no 9.532/1997), alastrado às manifestações de inconformidade pelo art. 74, § 11 da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003: “Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela recorrente. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 05/03/2004, 30/04/2004, 16/06/2004, 12/07/2004, 13/10/2004, 10/05/2005, 22/06/2005, 18/08/2005, 07/10/2005, 26/10/2005, 21/11/2005 AZEITONAS VERDES BENEFICIADAS As azeitonas verdes, cujo amargor característico tenha sido retirado por meio de processo diverso dos aplicados exclusivamente para sua conservação transitória para fins de transporte, classificam-se no código 2005.70.10.
Numero da decisão: 3201-008.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, em razão da inovação dos argumentos de defesa (preclusão consumativa), e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para que seja excluído o ICMS da base de cálculo das contribuições conforme decidido no RE STF nº 559.937/RS; vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima que deu provimento em maior extensão para manter a classificação tarifária no código 0711.20.10. Os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles e Laércio Cruz Uliana Junior, votaram pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES

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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/03/2004, 30/04/2004, 16/06/2004, 12/07/2004, 13/10/2004, 10/05/2005, 22/06/2005, 18/08/2005, 07/10/2005, 26/10/2005, 21/11/2005 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decreto-lei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decreto-lei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratando-se de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. PRECLUSÃO Não se pode conhecer da matéria trazida à tona pela defesa somente em sede de recurso voluntário, por disposição expressa do art. 17 do Decreto no 70.235/1972 (na redação dada pela Lei no 9.532/1997), alastrado às manifestações de inconformidade pelo art. 74, § 11 da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003: “Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela recorrente. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 05/03/2004, 30/04/2004, 16/06/2004, 12/07/2004, 13/10/2004, 10/05/2005, 22/06/2005, 18/08/2005, 07/10/2005, 26/10/2005, 21/11/2005 AZEITONAS VERDES BENEFICIADAS As azeitonas verdes, cujo amargor característico tenha sido retirado por meio de processo diverso dos aplicados exclusivamente para sua conservação transitória para fins de transporte, classificam-se no código 2005.70.10.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, em razão da inovação dos argumentos de defesa (preclusão consumativa), e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para que seja excluído o ICMS da base de cálculo das contribuições conforme decidido no RE STF nº 559.937/RS; vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima que deu provimento em maior extensão para manter a classificação tarifária no código 0711.20.10. Os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles e Laércio Cruz Uliana Junior, votaram pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/03/2004, 30/04/2004, 16/06/2004, 12/07/2004, 13/10/2004, 10/05/2005, 22/06/2005, 18/08/2005, 07/10/2005, 26/10/2005, 21/11/2005 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decreto-lei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decreto-lei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratando-se de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. PRECLUSÃO Não se pode conhecer da matéria trazida à tona pela defesa somente em sede de recurso voluntário, por disposição expressa do art. 17 do Decreto no 70.235/1972 (na redação dada pela Lei no 9.532/1997), alastrado às manifestações de inconformidade pelo art. 74, § 11 da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003: “Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela recorrente. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 05/03/2004, 30/04/2004, 16/06/2004, 12/07/2004, 13/10/2004, 10/05/2005, 22/06/2005, 18/08/2005, 07/10/2005, 26/10/2005, 21/11/2005 AZEITONAS VERDES BENEFICIADAS As azeitonas verdes, cujo amargor característico tenha sido retirado por meio de processo diverso dos aplicados exclusivamente para sua conservação transitória para fins de transporte, classificam-se no código 2005.70.10. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 01 98 /2 00 7- 39 Fl. 593DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, em razão da inovação dos argumentos de defesa (preclusão consumativa), e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para que seja excluído o ICMS da base de cálculo das contribuições conforme decidido no RE STF nº 559.937/RS; vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima que deu provimento em maior extensão para manter a classificação tarifária no código 0711.20.10. Os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles e Laércio Cruz Uliana Junior, votaram pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório que consta no acórdão recorrido, resumidamente: Em desfavor de Karne Keijo Logística Integrada Ltda., foram lavrados autos de infração com vistas à cobrança de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins incidentes sobre a importação, além de multa regulamentar por erro de classificação fiscal. Segundo a descrição constante do Relatório de Fiscalização às fls. 181 a 190, a autuada promovera a importação de azeitonas próprias para consumo, classificáveis no código NCM 2005.70.00, e quando da realização dos despachos de importação litigiosos, informara que tais mercadorias, no estado em que se encontravam, seriam impróprias para consumo e, portanto, classificáveis em algum dos desdobramentos da subposição 0711.20. As alíquotas da subposição eleita pelo sujeito passivo são de 0% tanto para a Contribuição para o PIS/Pasep quando para a Cofins, enquanto que, se adotada a classificação proposta pela autoridade fiscalizadora, seriam aplicáveis as alíquotas de 1,65% e 7,60%, respectivamente. Segundo aponta a autoridade fiscal, a subposição 0711.20 alberga as azeitonas que receberam beneficiamentos voltados exclusivamente à sua conservação provisória, mediante a utilização de água salgada ou salmoura, enquanto a posição 2005.70.00 ampararia as azeitonas que receberam os tratamentos necessários para a retirada do amargor próprio, mediante a utilização de soda ou por meio de fermentação prolongada em água salgada. Em síntese, concluiu a autoridade fiscal que as mercadorias alvo do presente litígio não receberiam qualquer tratamento antes da sua comercialização ao consumidor, e tal conclusão estaria amparada nos seguintes elementos: a) O intervalo entre a data de entrada e saída do estabelecimento que, à época das importações, era responsável pela industrialização dos produtos (pessoa jurídica All Fl. 594DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Bacon), em princípio, não seria suficiente para a realização das operações de beneficiamento (média de 4,4 dias para 3,6 toneladas, conforme tabela à fl. 186); b) As declarações do sócio da pessoa jurídica All Bacon, Sr. Paulo Roberto Estrela da Silva, tomadas a termo, dariam notícia de que as azeitonas já entravam no estabelecimento próprias para consumo e acondicionadas em “bombonas” de 180 Kg. As operações realizadas no estabelecimento se limitariam a acondicionar as azeitonas em baldes de 2,0 a 2,5 Kg e promover a troca da salmoura em que chegavam as azeitonas, esclarecendo que essa troca não acarretaria alteração no estado dos produtos. Tal descrição coincidiria com as informações prestadas pelo sócio da pessoa jurídica Cartago Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda., responsável pela realização do mesmo tipo de operação para a impugnante, no momento em que se desenvolveu a ação fiscal. Referida descrição teria sido ainda corroborada pelas informações prestadas pelos empregados da própria impugnante. c) O sítio da importadora na internet informaria sua condição de distribuidora de mercadorias, exibindo para fins de comercialização, diretamente a atacadistas, azeitonas com a mesma apresentação informada pelas pessoas jurídicas responsáveis pelas operações de beneficiamento e pelos empregados da importadora. Tal fato, no entendimento da Termo de Prestação de Esclarecimentos à fl. 171. fiscalização, descartaria a hipótese de que, após a comercialização, os produtos ainda receberiam algum tratamento especial visando a torná-los próprios para o consumo; d) O Código Alimentário Argentino apresentaria um fluxograma para a preparação das azeitonas verdes e, com relação ao seu acondicionamento, informaria a diferença entre a salmoura de cobertura utilizada para comercialização envasada e a empregada no produto destinado para a venda a granel. A primeira deveria ter uma concentração de cloreto de sódio entre 4 e 8% e a segunda, entre 6 e 10%, o que reforça a percepção de que a troca da salmoura não se destinava a alterar o estado do produto, mas tão somente adequar sua conservação à forma de acondicionamento. Devidamente cientificada em 10/01/2007, comparece a impugnante ao processo em 09/02/2007 para impugnar a exigência, alegando, em síntese: 1. Nulidade do auto de infração, em razão de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Após longa explanação acerca das normas e princípios que regem a atuação da administração pública e da citação de doutrina acerca do tema, argúi que o procedimento seria nulo em razão de que o auto de infração teria sido lavrado quando o mandado se encontraria extinto por decurso de prazo. Acresce que não teria recebido comunicação da prorrogação do prazo do mandado e que, sem o referido instrumento, a autoridade fiscal padeceria de incompetência. Cita jurisprudência administrativa. 2. Mudança de critério jurídico Argumenta que todas as declarações teriam sido regularmente processadas e, em tais oportunidades, não teria sido formulado qualquer questionamento acerca da exatidão do código tarifário empregado, 0711.20.10. Consequentemente, todos os lançamentos teriam sido homologados. Assim sendo, não poderia a autoridade fiscal, em razão de erro de interpretação, rever o critério jurídico empregado no despacho de importação. Cita doutrina e jurisprudência. 3. Erro da base de cálculo Após conceituar a base de cálculo e citar doutrina acerca do tema, argumenta que o art. 7º da Lei nº 10.864, de 2004 teria descumprido o comando do § 2º, III, “a” do art. 149 da Constituição Federal de 1988, pois previra a inclusão de parcelas diversas das que compõem o valor aduaneiro, base de cálculo das contribuições litigiosas segundo o comando constitucional. Cita doutrina e jurisprudência contrária a tal alargamento. Fl. 595DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 4. Exatidão do código NCM empregado Sustenta o sujeito passivo que tanto as notas fiscais acostadas ao processo, com vistas a demonstrar que o produto passaria por operação de beneficiamento antes de sua revenda, quanto os documentos expedidos pelo 5 Ademais, alega que o Poder Judiciário já se manifestara acerca do tema e ratificara a correção do código empregado pelo sujeito passivo. Transcreve trecho da liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança 2005.8..000167846. A impugnação foi julgada pela DRJ Recife, acórdão nº11038.800, de 21/11/2012, improcedente. Irresignada apresentou recurso voluntário, onde discorre sobre os seguintes pontos, resumidamente: - obteve liminar em Mandado de Segurança que lhe permitiu não incluir o ICMS na base de cálculo das contribuições PIS e Cofins e o desembaraço das declarações de importação; - a administração deve rever seus atos quando constatada a ilegalidade dos mesmos; - impossibilidade da reclassificação da mercadorias após o desembaraço, configurando mudança de critério jurídico; - a fiscalização entendeu que apesar de as azeitonas estarem acondicionadas em água salgada já estariam próprias para consumo; - a empresa sempre utilizou o código 0711.20.10 correspondente a “azeitonas em água salgada” relativamente a produtos conservados transitoriamente mas impróprios para alimentação humana; - a produtora e exportadora do produto comprova que ela é imprópria para consumo humano; - na liminar o D. juízo entendeu não ser razoável a exigência de nova classificação mormente quando em outra ocasiões a mesma classificação foi utilizada com o regular desembaraço aduaneiro Fl. 596DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 - insurge-se contra a inclusão na base de cálculo das contribuições PIS e Cofins dos valores devidos a título de II, ICMS, ISS, além das próprias contribuições, o que alega ser inconstitucional; - alega ser indevida a cobrança de juros e multa de mora. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Consta nos autos que a contribuinte teve ciência do acórdão DRJ em 07/01/2013, conforme AR efl. 531, e apresentou Recurso Voluntário em 06/02/2013, solicitação de juntada efl. 591. Também consta aposta à cópia do Recurso Voluntário juntada ao processo a data de recebimento em 05/02/2013, com identificação ilegível do servidor que praticou o ato, efl. 533, além de estar rasurada a data. E a data de assinatura do documento pela contribuinte consta como 04/02/2013. Em sua peça recursal manifesta-se sobre a tempestividade do recurso afirmando que: Decorrência do exercício da cautela, para fins de aferição da admissibilidade recursal, importa acentuar que o contribuinte, ora Recorrente, foi intimado do Acórdão presentemente objurgado em 07/01/2013, consoante atesta o aviso de recebimento, rastreado pelo código RQ663216367BR, anexo a esta petição (DOC. 02). A interposição do recurso em espécie, na presente data, 05/02/2013, portanto, denota-lhe a tempestividade. Ciente da possível existência da intempestividade, apresenta extenso arrazoado solicitando que seja apreciado o seu recurso. Entende que não houve inércia de sua parte, e que por ser um ato nulo deve ser assim reconhecido pela Administração. III. A VIABILIDADE DA APRECIAÇÃO DESTAS RAZÕES RECURSAIS PELO CARF É possível, no caso vertente, doutos conselheiros, alcançar a inexistência de inércia por parte da Recorrente, a qual apresentou Impugnação contra o Auto de Infração em foco. ... À guisa de ratificação de toda a argumentação ora empreendida, ensina HELY LOPES MEIRELLES: Essa atitude administrativa [de revisão dos próprios atos, quando viciados] é plenamente justificada pelo interesse reciproco do Poder Público em obviar um pleito judicial que conduziria ao mesmo resultado da decisão interna da Administração. (...) Daí porque a doutrina tem aconselhado o conhecimento e provimento da reclamação extemporânea, quando é manifesto o direito reclamado. (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 19. ed. Atualizada. São Paulo: Malheiros, 1994, p. 572). Não é outra a conclusão a que se chega a partir da leitura conjunta das normas contidas nos arts. 27 e 65, ambos da Lei n° 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: Art. 27. O desatendimento [pelo contribuinte] da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado. Fl. 597DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo a pedido ou de oficio, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada. Ainda que se encontre superada, no curso de um processo administrativo, então, determinada fase recursal, quando o contribuinte alegar a existência de circunstâncias relevantes que possam justificar a inadequação do lançamento ou de decisão que o convalide, deve o Poder Público receber e analisar o pedido interposto, não propriamente como recurso, mas como uma revisão de ato administrativo a pedido da parte interessada Não existe discordância a respeito da data do recebimento da intimação, 07/01/2013. O Decreto nº 70.235/72 – PAF, estipula prazo fatal de 30 dias para apresentação de recurso: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ... Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. O prazo findou em 07/01/2013, segunda-feira, por isso, a teor do parágrafo único do art. 5º considera-se o prazo final em 06/02/2013. Como a solicitação de juntada se deu em 06/02/2013, data em que não há dúvida sobre sua veracidade, já que não está rasurada como no caso da data aposta ao recurso, é possível confirmar a tempestividade. Logo, o presente recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Da autuação A empresa apresentou Declarações de Importação de azeitonas provenientes da Argentina, classificando-as na subposição 0711.20, e a fiscalização entendeu ser correta a NCM subitem 2005.70.00. A recorrente foi autuada por erro na classificação fiscal da mercadoria, sendo-lhe imputada a multa constante do art. 84, inciso I, da Medida Provisória n ° 2158-35/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n° 10.833/03, cobrado a diferença de tributos, conforme arts. 2°, 97, 482 a 485, 489, 491, 570, 602, 603, incisos I e IV, 604, inciso IV, 636, inciso I e §§ 3°, 4° e 5°, e 684 do Decreto n° 4.543/02. Art. 84, inciso I, da MP 2.158, de 24/08/01, além da multa do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Nos autos constam vários documentos em duplicidade o que dificulta a sua análise. Do Mandado de Segurança Fl. 598DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 A recorrente afirma que obteve liminar em Mandado de Segurança nº 2005.83.00.016784-6 que lhe permitiu não incluir o ICMS na base de cálculo das contribuições PIS e Cofins e o desembaraço das declarações de importação. Consta à efl. 247 a decisão liminar da 7ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco determinando a imediata liberação das mercadorias constantes da LI nº 05/1820714-2 independentemente da modificação da classificação fiscal tarifária das mercadorias, em 15/12/2005. Em consulta o site do TRF05 na internet, processo nº 0000834- 17.2006.4.05.0000, em 11/12/2006 foi publicado acórdão, e em 04/06/2007 o processo foi enviado para baixa definitiva. E em consulta ao site da Justiça Federal em Pernambuco, tem-se que o processo foi arquivado por ter se exaurido com a liberação das mercadorias: Dessa forma, uma vez que a concessão da medida liminar esgotou todo o objeto deste mandamus, tendo exaurido todos os seus efeitos com a liberação das mercadorias importadas, restou perdido o objeto desta demanda Não existe nenhuma menção ao Mandado de Segurança na peça impugnatória, por isso não foi analisado pela instância inicial, e como esclarecido, tanto o pedido inicial quanto a decisão judicial foram para a liberação imediata de apenas uma Licença de Importação, fugindo ao escopo desse processo administrativo. Quanto a não inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, esse pleito não consta do Mandado de Segurança, e a recorrente apresenta cópia do REsp STF nº 559.607-9. Por isso deixo de conhecer as alegações sobre o Mandado de Segurança, por preclusão e por não coincidência de objeto com a presente autuação. Mudança de Critério Jurídico. Alega a impossibilidade da reclassificação da mercadorias após o desembaraço, configurando mudança de critério jurídico, violando o art. 146 do CTN. Invoca a Súmula TFR 227: “A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento". Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Fl. 599DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Quanto a mudança de critério jurídico, esse assunto já foi amplamente debatido por esse Conselho, sendo já a posição predominante que é possível a revisão aduaneira, e somente para citar exemplos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/08/2007 a 30/06/2010 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227-TFR. ART. 146-CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decreto-lei no 37/1966, com a redação dada pelo Decreto-lei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Data da Sessão 24/10/2017. Relator LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO. Acórdão 3401-004.020 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227-TFR. ART. 146-CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decreto-lei no 37/1966, com a redação dada pelo Decreto-lei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Data da Sessão 26/06/2017. Relator ROSALDO TREVISAN. Acórdão 3401-003.812. E também acórdãos nºs 3201-003.744, 9303-006.839, 9303-006.332, 3201- 003.661, 3301-004.095, 3302-005.322, dentre outros. De acordo com o art. 146 do CTN quatro condições devem estar presentes para a configuração da mudança do critério jurídico. Condições essas cumulativas: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um Fl. 600DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos nossos) 1) a modificação do critério jurídico seja efetuada pela autoridade administrativa ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial, no caso será de ofício ou por meio de decisão administrativa ou judicial, respectivamente; 2) a autoridade administrativa efetuou um lançamento anterior onde fixou o critério jurídico; 3) a modificação é efetuada em relação a um mesmo sujeito passivo; e 4) o fato gerador deve ser posterior à modificação de critério. Preliminarmente é necessário que tenha ocorrido o lançamento onde a autoridade administrativa expressou o critério jurídico adotado. Esse lançamento deve ser aquele realizado de ofício, conforme estabelecido no art. 142 c/c art. 149 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; Fl. 601DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Nos casos de importação de mercadorias, onde é registrada a Declaração de Importação, não há lançamento de ofício, mas lançamento por homologação, conforme previsto no art. 150 do CTN, uma vez que o importador ou seu representante apuram o crédito tributário, e declaram o valor devido concomitantemente efetuando o recolhimento por meio de débito automático. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A declaração de importação efetuada pelo importador engloba um procedimento que visa a verificação do cumprimento das normas de controle aduaneiro e tributárias. Após o registro da declaração de importação pelo contribuinte inicia-se o despacho aduaneiro onde a fiscalização efetua a conferência aduaneira e a seguir efetua o desembaraço aduaneiro. Efetuado o desembaraço aduaneiro e a entrega da mercadoria não se encerra o trabalho da fiscalização. É possível a realização da revisão aduaneira em até 5 (cinco) anos após o registro da DI. A forma de atuação aduaneira é fruto de estudos realizados pela comunidade aduaneira internacional, e adotado pela maioria das aduanas do mundo, com o objetivo de garantir celeridade aos trâmites aduaneiros, sem descuidar da segurança necessária no comércio exterior, com a proteção das economias nacionais. Se não fosse esse modo peculiar de atuação não seria possível garantir que as empresas e demais intervenientes obtivessem acesso às suas mercadorias no mínimo de tempo possível. Essa forma de atuação da fiscalização aduaneira, garantindo a rapidez e segurança de toda a cadeia comercial, só é possível de ser executada caso exista a possibilidade de a aduana poder revisar seus atos, que para a rapidez de sua efetivação pode ser necessário a não verificação, ou verificação parcial, de alguns aspectos tributários. Fl. 602DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Assim é que o desembaraço aduaneiro não tem natureza de ato de lançamento de ofício e tampouco ato de homologação expressa do auto lançamento, por não atender os requisitos fixados no art. 150 do CTN. O desembaraço tem o efeito jurídico de autorizar a liberação da mercadoria, conforme expressamente estabelecido no art. 51 do Decreto-lei nº 37/1966: Art.51 - Concluída a conferência aduaneira, sem exigência fiscal relativamente a valor aduaneiro, classificação ou outros elementos do despacho, a mercadoria será desembaraçada e posta à disposição do importador.(Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º - Se, no curso da conferência aduaneira, houver exigência fiscal na forma deste artigo, a mercadoria poderá ser desembaraçada, desde que, na forma do regulamento, sejam adotadas as indispensáveis cautelas fiscais.(Incluído pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º - O regulamento disporá sobre os casos em que a mercadoria poderá ser posta à disposição do importador antecipadamente ao desembaraço.(Incluído pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) Logo, como todas as informações sobre a operação de importação na DI foram prestadas pelo importador, previamente ao início do despacho aduaneiro, não se pode dizer que a fiscalização tenha definido critério jurídico. A revisão aduaneira esta prevista nas normas legais, com base no art. 149 do CTN que prevê a possibilidade de a lei determinar a revisão de ofício do lançamento pela autoridade administrativa. Assim o Regulamento Aduaneiro, veio disciplinar a matéria, a partir da autorização legal expressa no art. 54 do Decreto-Lei nº 37/66: Art.54 - A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto-Lei.(Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) ... Art.638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação.(Decreto-Lei nº 37, de 1966, art. 54,com a redação dada pelo Decreto-Lei n o 2.472, de 1988, art. 2 o ; e Decreto-Lei nº 1.578, de 1977, art. 8º). §1 o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. §2 o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I- do registro da declaração de importação correspondente(Decreto-Lei nº 37, de 1966, art. 54,com a redação dada pelo Decreto-Lei n o 2.472, de 1988, art. 2 o ); e II-do registro de exportação. Fl. 603DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 §3 o Considera-se concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Também é importante relembrar que o art. 146, III, “b”, da CF/1988 determina que somente a lei complementar pode definir qual ato administrativo tem o efeito de extinguir o crédito tributário. E o desembaraço aduaneiro não se encontra mencionado no rol taxativo dos atos extintivos do crédito tributário, art. 156 do CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; II - a compensação; III - a transação; IV - remissão; V - a prescrição e a decadência; VI - a conversão de depósito em renda; VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X - a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei.(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)(Vide Lei nº 13.259, de 2016) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. A respeito da aplicação da Súmula 227, de 18/11/1986, do antigo Tribunal Federal de Recursos (TFR), extinto pela CF 1988, que dispõe : “A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento.”, temos que ela foi editada há quase quatro décadas, em face de antecedentes (por exemplo: REO 0104733/MG, 6ª turma, DJ 13/06/1985), e desde então o direito aduaneiro teve várias transformações, seja por aprimoramento da legislação interna ou dos acordos internacionais que o Brasil participa, e também pela própria dinâmica do comércio exterior. Pode-se dizer que a Súmula nº 227 tornou-se obsoleta em face das mudanças legais e infra legais implementadas nas últimas décadas. O Decreto-Lei nº 37/1966, base do direito aduaneiro, foi submetido a inúmeras alterações em seus quase sessenta anos de existência, merecendo destaque a reforma veiculada pelo Decreto-Lei nº 2.472/1988 em que todo o capítulo relativo ao controle aduaneiro de mercadorias foi reformulado. E após essa mudança alterou-se a natureza do trabalho realizado na conferência aduaneira. O controle fiscal, antes exercido quase exclusivamente durante a conferência, foi distribuído entre conferência e revisão aduaneira, tendo em vista a celeridade dos procedimentos Fl. 604DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 e como consequência da implantação de controles de análise de risco. Atualmente a maior parte das declarações de importação são parametrizadas para o canal verde de conferência, onde são desembaraçadas pelo Siscomex após batimentos efetuados com informações contidas nas bases de dados da RFB. Assim a conferência aduaneira é fiscalização preliminar, que se torna definitiva após o prazo decadencial para o lançamento dos tributos e apuração das infrações, conforme art. 54, e a revisão aduaneira ocupa papel crucial no sucesso do controle aduaneiro atual. Segundo a tese dominante nos órgãos julgadores administrativos, mesmo nos casos em que os produtos importados são submetidos à conferência aduaneira, até mesmo com exigência fiscal no curso do desembaraço, não há vedação ao reexame do despacho aduaneiro. Existem posições dentro do CARF que acatam a tese de mudança de critério jurídico quando a mercadoria foi desembaraçada no canal vermelho, mas mesmo dentro desse limite, é tese que mostra-se vencida na maioria dos julgamentos. Quanto ao argumento de que a orientação dada no curso do despacho de importação, afastaria a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora, nos termos do artigo 100 do CTN, temos que tal procedimento não se enquadra em nenhum dos incisos elencados no referido artigo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Observa-se que este procedimento não é ato normativo expedido por autoridade administrativa, nem tampouco pratica reiterada uma vez que foi a manifestação fiscal em uma única declaração de importação. Assim, o ato de desembaraço da mercadoria por qualquer canal de parametrização, mesmo sob canal vermelho, não tem por si só, qualquer efeito homologatório ou normativo quanto à classificação fiscal proposta pelo importador. Não fixa, por parte do Fisco, qualquer “critério jurídico” ou “norma complementar” pelos quais se deva orientar o contribuinte em ocasiões futuras, portanto, nesta situação, a reclassificação fiscal de uma mercadoria durante a revisão aduaneira não se caracteriza como introdução de uma mudança no “critério jurídico” ou na “norma complementar”, pois não houve anterior caracterização destes institutos que possibilitasse uma posterior mudança de entendimento. Fl. 605DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Não cabe falar em violação de ato jurídico perfeito, de direito adquirido, da segurança jurídica ou da capacidade contributiva. No caso, ainda não havia se configurado ato jurídico perfeito ou direito adquirido, porquanto ainda não se esgotara o tempo previsto em lei para a consecução desses efeitos, os quais somente se consolidariam com decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. Pelo mesmo motivo, está preservada a segurança jurídica, a qual, nos termos da lei tributária, se traduz na impossibilidade de o Fisco efetuar o lançamento após o quinquênio legal, estando legalmente a assegurada a prerrogativa de fazê-lo dentro desse prazo. Outrossim, cabe observar que a RFB disponibiliza o procedimento de Consulta, que pode ser utilizado pelo contribuinte sempre que houver dúvidas a respeito da aplicação da legislação, inclusive a correta classificação fiscal. Após os esclarecimentos necessários, concluo pela validade do procedimento de revisão aduaneira, e deixo de acatar a alegação da recorrente. Da classificação fiscal da mercadoria O ponto central da controvérsia está na classificação fiscal da mercadoria. A recorrente entende como correta a NCM 0711.20.10 – Azeitonas conservadas com água salgada, descrevendo a mercadoria nas declarações de importação como : “Azeitonas verdes “arauco” cosecha 2003 1 ...”. As importações estão amparadas com Fatura Comercial em nome da empresa “AGRO-RODEO” – elaboration de aceitunas y encurtidos em general, descritas como “aceitunas verdes arauco cosecha 2003”, com “origen y procedencia” em Mendoza – Argentina e NCM 0711.20.10.000Y. No conhecimento de carga consta que se tratam de tambores contendo “aceitunas verdes arauco cosecha 2003” com origem e procedência de Mendoza na Argentina. No packing list consta a mesma informação. O certificado de origem Mercosul, consta NCM 0711.20.10 e descrição “com agua salada” e “... toneladas de aceitunas verdes arauco cosecha 2003...” Informa que sempre utilizou a NCM 0711.20.10, correspondente a “azeitonas com água salgada”, relativa a produtos hortícolas conservados transitoriamente, mas impróprios para alimentação neste estado. A fiscalização entendeu que apesar de as azeitonas estarem acondicionadas em água salgada já estariam próprias para consumo: Afirmou que a subposição 0711.20 refere-se às azeitonas submetidas a um tratamento que apenas lhes assegure provisoriamente a conservação durante o transporte ou a armazenagem, antes da utilização definitiva, desde que permaneçam impróprias para consumo, neste estado, conforme esclarece a Nesh da posição 0711. O tratamento para conservação da azeitona é feito mediante a utilização de água salgada ou salmoura. 1 a "cosecha" ou colheita são de anos diferentes Fl. 606DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Já o subitem NCM 2005.70.00 é dedicado às azeitonas que passaram por tratamentos especiais, aplicados no intuito de eliminar o amargor próprio da fruta, tornando -as aptas para serem consumidas (não necessariamente a azeitona tem que estar pronta para consumo imediato, mas deve ter sido objeto de tratamento que possibilite o seu futuro consumo e que não sirva apenas para sua conservação durante o transporte ou a armazenagem). Esses tratamentos podem se dar por meio da utilização de soda ou pela fermentação prolongada da azeitona em solução de água salgada. Acrescentou que em procedimentos de fiscalização foi constatado que as azeitonas importadas já haviam sido submetidas a tratamentos especiais para a retirada do seu amargor. Consta a efl. 179 Termo de Constatação do Sr. Paulo Roberto Estrela da Silva, sócio da empresa All Bacon Defumados Salgados e Congelados Ltda, que prestou serviços para a recorrente, e no caso das azeitonas o serviço consistia em recebimento das azeitonas em “bombonas”, próprias para consumo, e o seu fracionamento em recipientes de menor volume. E durante o fracionamento havia a troca da salmoura sem alteração no estado das azeitonas. Á efl. 181 temos Termos de Constatação relativo ao comparecimento da fiscalização nas instalações da empresa Karne Keijo. Foi informado pela funcionária da empresa que as azeitonas chegam ao estabelecimento em bombonas de 180 kg e são encaminhadas para estabelecimento terceirizado para troca da salmoura e fracionamento das azeitonas em baldes de 2,5kg, para posterior venda a atacado. À efl. 189 e sgs. consta o Relatório da fiscalização, onde informa que: 1) a demanda de fiscalização partiu de denúncia da DRF Foz do Iguaçu sobre classificação incorreta; 2) a RF09 realizou estudo sobre as azeitonas e sua classificação fiscal onde constatou que 85% das azeitonas exportadas pela Argentina são próprias para consumo; 3) foram solicitadas as notas ficais de entrada e saída do estabelecimento que demonstraram haver operações de industrialização por encomenda realizadas pela empresa ALL Baccon; 4) a industrialização contratada deu-se em curto período de tempo, média de 4,4 dias; 5) a recorrente não possui instalações para efetuar o beneficiamento do produto; 6) no site da empresa consta que o produto é oferecido ao varejo na mesma apresentação recebida da terceirizada. Segundo a literatura técnica as azeitonas são frutos da Olea Europaea (Oliveira) colhidos no ponto de amadurecimento adequado. Após a colheita, os frutos são tratados com uma solução diluída de soda cáustica para melhorar a textura e, principalmente, para a retirada de um glícosídeo de sabor muito amargo, chamado oleuropeína. Na sequência, são lavados e colocados em salmoura para conservação e início do processo de fermentação láctica. No caso das azeitonas verdes, o processo dura 60 dias no mínimo e, no caso das azeitonas pretas, são 180 dias de fermentação láctica. Durante esse processo, as azeitonas são mantidas em tanques e logo após colocadas em barricas plásticas. Nessas barricas, o produto é mantido transitoriamente em salmoura de fermentação láctica, sendo transportado até a indústria onde se fará seu processamento final. Este consiste em limpeza, seleção e tratamento térmico (pasteurização) em embalagem final em potes de vidro hermeticamente fechados. No Relatório da Superintendência da Receita Federal da 9ª Região Fiscal (SRRF09), abordando o tema, identificou que permaneceriam no Capítulo 7 apenas as azeitonas conservadas transitoriamente em água salgada ou adicionadas de outras substâncias, porém impróprias para alimentação, vez que não passaram por nenhum tratamento. Fl. 607DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Diz que o tratamento especial tem por objetivo tornar o produto comestível, com a eliminação do amargor do próprio fruto. “Esse tratamento especial pode ser pela utilização de hidróxido de sódio (soda cáustica), antes da fermentação (método mais rápido) ou ainda, apenas com a colocação dos frutos diretamente em solução de água e sal, em grandes reservatórios, onde passarão pelo processo de fermentação ácida (método mais lento para a retirada do amargor).” 10. O fluxograma para a preparação de azeitonas verdes é o seguinte: a. Recepção e inspeção da matérias b. Lavagem c. Tratamento com álcali (destrói a maior parte do princípio amargo, a oleupeína, permeabiliza a pele e melhora a textura das azeitonas); d. Imersão em salmoura; e. Fermentação; f. Seleção e classificação (nesta etapa se separam os frutos defeituosos e se classificam por tamanho); g. Acondicionamento (para as azeitonas que se comercializam envasadas, a salmoura de cobertura deve ter uma concentração de cloreto de sódio de 4 a 8%, e as que se comercializam a granel, entre 6 a 10%); h. Envasamento (as formas de apresentação incluem as descaroçadas, recheadas com alcaparras, anchovas ou sardinhas, pimentão vermelho, trufas, pepinos, cebolinhas, etc.); i. Azeitonas verdes. A classificação fiscal de mercadorias baseia-se na Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, ou simplesmente Sistema Harmonizado, promulgado pelo Decreto nº 97.409, de 22 de dezembro de 1988, e no texto das Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado, aplicáveis por força do Decreto nº 435, de 1992. Para a correta classificação fiscal é preciso seguir uma metodologia própria que inclui a aplicação das Regras Gerais de Classificação e das Regras Complementares do Mercosul. À época dos fatos estava vigente a NCM 2002 com os seguintes textos, na NCM definida pela recorrente: 07.11 PRODUTOS HORTÍCOLAS CONSERVADOS TRANSITORIAMENTE (POR EXEMPLO: COM GÁS SULFUROSO OU ÁGUA SALGADA, SULFURADA OU ADICIONADA DE OUTRAS SUBSTÂNCIAS DESTINADAS A ASSEGURAR TRANSITORIAMENTE A SUA CONSERVAÇÃO), MAS IMPRÓPRIOS PARA ALIMENTAÇÃO NESTE ESTADO 0711.20 -Azeitonas 0711.20.10 Com água salgada NT 0711.20.20 Com água sulfurada ou adicionada de outras substâncias NT 0711.20.90 Outras 0 E na NCM definida pela fiscalização Fl. 608DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 20.05 OUTROS PRODUTOS HORTÍCOLAS PREPARADOS OU CONSERVADOS, EXCETO EM VINAGRE OU EM ÁCIDO ACÉTICO, NÃO CONGELADOS, COM EXCEÇÃO DOS PRODUTOS DA POSIÇÃO 20.06 2005.70.00 -Azeitonas A questão central gira em torno de se identificar se o produto era próprio para consumo humano ou não. Se caracterizado que as mercadorias encontravam-se impróprias para consumo, sua classificação será dada pela posição 0711, como defende a recorrente, por outro lado, se consideradas próprias para consumo, tais mercadorias passam a classificar-se na posição 2005, como entende a Fiscalização. Não existem laudos para o produto e a fiscalização concluiu que o produto era próprio para consumo humano por maneira indireta, em diligência à empresa recorrente e empresa terceirizada, e no confronto com documentos fiscais de entrada e saída. Foi confirmado que não houve processo de industrialização que trouxesse modificações ao produto e que o mesmo era apenas fracionado em embalagens menores e oferecido a venda para consumo, logo ele foi importado em estado próprio para consumo. Além disso, foi constatado que o tempo de permanência na empresa terceirizada não era suficiente para a industrialização do produto, segundo a literatura técnica, tornando-o de produto não próprio para consumo para a condição de próprio para consumo. Outra informação trazida pela fiscalização foi a de que, segundo a autoridade agropecuária do governo da Argentina, 85% das azeitonas exportadas são próprias para o consumo e o Brasil é o único importador da mercadoria. Esses indícios levaram a confirmação de que o produto entrava no país em estado de próprio para consumo, em oposição ao afirmado pela recorrente de que o produto no estado em que foi importado não era próprio para consumo A recorrente, por sua vez, não analisa a classificação da mercadoria ou dispende tempo para efetuar uma identificação detalhada da mercadoria. Não apresentou laudos técnicos ou o processo de industrialização que efetua, em suas instalações ou por meio de empresa terceirizada. Em tempo, a fiscalização confirmou, in loco, que a recorrente não possui instalações que permitam qualquer processo de industrialização da mercadoria. Restringe-se a afirmar que sempre utilizou a NCM 0711.20.10, que os documentos comprovam que a mercadoria corresponde a “azeitonas com água salgada”, que a produtora e exportadora assevera que a mercadoria é imprópria para consumo humano, e que o MM. Juiz da 7ª Vara Federal, no Mandado de Segurança entendeu não ser razoável a exigência de nova classificação da mercadoria, já que em outras ocasiões a empresa utilizou essa classificação e ocorreu o regular desembaraço aduaneiro. Sendo assim, a fiscalização demonstrou com clareza que as mercadorias importadas já se apresentavam próprias para consumo. O conjunto de elementos colacionados caracteriza que o produto não foi submetido, após a importação, a qualquer tratamento especial destinado a alterar suas propriedades de modo a torná-lo próprio para consumo, como o beneficiamento por meio de imersão em substância alcalina ou fermentação capaz de retirar o amargor que lhe é próprio. Fl. 609DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Restou caracterizado que as únicas operações a que foram submetidas as mercadorias, após a importação, foram o fracionamento (acondicionamento em embalagens menores para fins de venda) e a troca da salmoura. Tais operações não se confundem com aquelas empregadas no intuito de tornar o produto apto ao consumo. Por fim, cumpre registrar que as informações consignadas no site da impugnante permitem concluir que, após fracionado, o produto seria revendido diretamente a empresas atacadistas, o que reforça a noção de que, naquele momento, já se encontraria apto ao consumo posto que não passaria por qualquer outro processo de beneficiamento. Ante o exposto, considerando-se que a mercadoria não foi submetida, no Brasil, a processo de beneficiamento capaz de torná-la apta ao consumo, forçoso é concluir que tal condição já se encontrava presente no momento da importação Como é sabido, a tabela da nomenclatura de mercadorias é construída de maneira que os capítulos se desdobrem conforme o nível de industrialização a que são submetidas as mercadorias, ou seja, partindo das mercadorias com zero grau de industrialização, capítulo 01 até as mercadorias com alto processo de industrialização, nos últimos capítulos, como o 96. Assim é que as mercadorias do capítulo 07 encontram-se em fase de industrialização inferior às mercadorias do capítulo 20. Por esse motivo a NESH da posição 0711 traz a seguinte informação: Esta posição compreende os produtos hortícolas que tenham sido submetidos a um tratamento que lhes assegure provisoriamente a conservação durante o transporte ou armazenagem, antes da utilização definitiva (por exemplo, por meio de gás sulfuroso ou água salgada, sulfurada ou adicionada de outras substâncias), desde que permaneçam impróprios para consumo, neste estado. Estes produtos destinam-se geralmente a servirem como matérias-primas na indústria das conservas. Consistem principalmente em cebolas comestíveis, azeitonas, alcaparras, pepinos, pepininhos (cornichons), cogumelos, trufas e tomates. Apresentam-se geralmente em barris ou em tambores. Todavia, classificam-se no Capítulo 20 os produtos que, mesmo apresentados em água salgada, tenham sofrido previamente tratamentos especiais, tais como pela soda, por fermentação láctica, a fim de torna-los imediatamente consumíveis (por exemplo, as azeitonas verdes ou curtidas, o chucrute, os pepininhos (cornichons), o feijão verde). (grifos nossos) Por outro lado, a NESH da posição 2005 consigna: Entre as preparações compreendidas na presente posição podem citar-se: 1)As azeitonas preparadas para consumo por tratamento especial em solução diluída de soda ou maceração prolongada em água salgada. (As azeitonas simplesmente conservadas provisoriamente em água salgada, classificam-se na posição 07.11 ver a Nota Explicativa desta posição). O que confirma a correta identificação pela fiscalização da NCM 2005.70.00, pela aplicação das regras de classificação RG1 e RG6: Fl. 610DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 20.05 OUTROS PRODUTOS HORTÍCOLAS PREPARADOS OU CONSERVADOS, EXCETO EM VINAGRE OU EM ÁCIDO ACÉTICO, NÃO CONGELADOS, COM EXCEÇÃO DOS PRODUTOS DA POSIÇÃO 20.06 2005.70.00 -Azeitonas Confirmando tal entendimento, já existe manifestação do Ceclam – Centro de Classificação de Mercadorias da RFB sobre o mesmo produto, Solução de Divergência nº 98.020, de 12/11/2019, Solução de Consulta nº 98.065, de 02/03/2021, Solução de consulta nº 98.014, de 31/01/2019: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código NCM: 2005.70.00 Mercadoria: Azeitonas verdes, com ou sem caroço, previamente tratadas por fermentação láctica, conservadas transitoriamente em água salgada para assegurar sua conservação, apresentadas em tambores plásticos, com peso líquido de 268 kg e peso drenado de 175 kg. Dispositivos Legais: RGI 1 e RGI 6 da NCM/SH, constante da TEC, aprovada pela Res. Camex nº 125, de 2016, e da Tipi, aprovada pelo Decreto nº 8.950, de 2016, e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Dec. nº 435, de 1992, e atualizadas pela IN RFB nº 1.788, de 2018, e alterações. Além disso, o CARF já se pronunciou algumas vezes sobre a classificação fiscal do produto: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). AZEITONAS PREPARADAS. Para fins de classificação fiscal, após serem submetidas a processos de adoçamento (desamerização) e fermentação láctica, as azeitonas são consideradas preparadas para consumo humano e, neste estado, classificam-se no código 2005.70.00 da NCM. (Acórdão nº3002-000.548, de 14/01/2019) CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AZEITONAS PROCESSADAS POR TRATAMENTO ESPECIAL. Classificam-se no Capítulo 20 as importações de azeitonas que tenham sofrido previamente tratamentos especiais, a fim de torná-las imediatamente consumíveis. Para fins de Classificação Fiscal, a legislação brasileira não interfere na caracterização do termo “imediatamente consumíveis”. (acórdão nº 3402-008.209 de 25/03/2021) CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). AZEITONAS PREPARADAS. Fl. 611DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 Para fins de classificação fiscal, após serem submetidas a processos de adoçamento (desamerização) e fermentação láctica, as azeitonas são consideradas preparadas para consumo humano e, neste estado, classificam-se no código 2005.70.00 da NCM. (acórdão nº 9303-006.855 de 12/06/2008) Por fim, não merece prosperar as alegações da recorrente quanto ao fato de o exportador ter atestado que as mercadorias seriam impróprias para consumo imediato ou a manifestação do Poder Judiciário. Como já detalhado, os documentos apresentados por ocasião da importação, fatura comercial, conhecimento de carga e certificado de origem, consignavam a descrição da mercadoria e a classificação fiscal tal qual informada pela recorrente, todavia, tal informação restou descaracterizada pelas evidências coletadas pela fiscalização. Concluo que foi correta a NCM 2005.70.00 identificada pela fiscalização. Da cobrança de juros e multa de mora. A recorrente insurge-se contra a cobrança de juros e multa, e traz a necessária aplicação do art. 63 da Lei nº 9.430/96, que no § 2º dispõe que a interposição de ação judicial favorecida com medida liminar interrompe a incidência de multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou a contribuição. Afirma ser indevida a aplicação da multa de mora no percentual de 20%. Informa que em 30/05/2007 foi publicado acórdão referente a apelação em Mandado de Segurança nº 97.473-PE o qual deu provimento à apelação interposta pela Fazenda Nacional nos autos do Mandado de Segurança da recorrente em que questionava a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins na Importação. A empresa interpôs embargos de declaração, que suspende os efeitos da decisão embargada, tendo sido julgado e o acórdão publicado em 17/09/2007. E que ao tempo da lavratura do auto de infração a decisão que dera provimento à apelação da Fazenda Nacional não estava surtindo efeitos, daí porque não deveria ter sido aplicada a multa de mora. A recorrente não apresenta as peças processuais judiciais a que faz referência. A única menção que existe nos autos, conforme já esclarecido, refere-se a Mandado de Segurança para liberação de mercadoria constante de uma única LI, que foi cumprido e o processo arquivado. Além disso, a questão apresentada é nova nessa instância recursal, não tendo sido apresentada em impugnação, por isso deixo de conhecê-la. Do ICMS na base de cálculo das contribuições. Fl. 612DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 O Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, por intermédio do RE 559.937/RS, julgado sob a sistemática da repercussão geral, conforme ementa que ora se reproduz: “Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS –importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente não cumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. Fl. 613DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3201-008.789 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.000198/2007-39 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” A decisão em comento transitou em julgado em 29/10/2014, de modo que sua observância é impositiva. Conclusão Pelo exposto, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida voto pelo provimento parcial do recurso para que seja excluído o ICMS da base de cálculo das contribuições conforme decidido no RE STF nº 559.937/RS. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Fl. 614DF CARF MF Documento nato-digital

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6274166 #
Numero do processo: 11543.000184/2004-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência junto à DRF/Vitória/ES, na forma do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1482; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 3          1 2  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11543.000184/2004­29  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3301­000.233  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  28 de janeiro de 2016  Assunto  Contribuição para PIS e Cofins  Recorrente  Unicafé Cia Comércio Exterior  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção  de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência  junto à DRF/Vitória/ES, na forma do voto do relator.    (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente      (assinado digitalmente)  José Henrique Mauri ­ Relator.      Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio  Canuto Natal  (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto  do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.         RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 00 18 4/ 20 04 -2 9 Fl. 8445DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 4          2 Relatório:  Por bem descrever os fatos, adota­se o relatório exarado na decisão de primeira  grau, que segue transcrito:  Trata  o  presente  processo  de  Pedidos  de  Ressarcimento/Declarações  de  Compensação  (Dcomp)  de  crédito  relativo  a  COFINS  não  cumulativa  referente  ao  período de apuração : 01/07/2004 a 30/09/2004 (3º Trimestre de 2004), no valor de R$  6.737.997,48.  A DRF/Vitória  exarou  o  despacho  decisório  de  fls.  144,  com  base  no  Parecer  SEORT/DRF/VIT  nº  1.426/2009  (fls.  133  e  ss.),  decidindo  reconhecer  em  parte  o  direito creditório pleiteado, no valor de R$ 4.005.046,12 e homologar as compensações  apresentadas no presente processo, até o limite do crédito reconhecido.  No Parecer SEORT, que serviu de base para o Despacho Decisório, a autoridade  fiscal registra, em resumo, que:  1.  • A avaliação do histórico do livro Razão do período mostra que o contribuinte registra  como  variação  cambial  passiva  despesas  de  variação  cambial  na  venda,  bem  como  despesas de variação cambial relacionadas à antecipação de contrato de câmbio – ACC;  2.  • Como a ACC tem caráter de financiamento, tal despesa se enquadra na previsão legal.  No  entanto,  não  há  qualquer  previsão  para  utilização  das  demais  despesas  de  variação  cambial,  como  formadoras do direito  creditório  da não­cumulatividade,  cabendo  serem  excluídas as despesas de variação cambial passiva não atreladas a ACCs nos históricos  dos lançamentos no livro Razão do contribuinte;  3.  • Dentro do item despesas financeiras, o contribuinte indica as despesas relacionadas aos  juros remuneratórios. Após intimado foi constatado que o mesmo se refere a Juros sobre  o Capital Próprio. É pacífico que os juros pagos aos sócios investidores não são despesas  de empréstimos, visto que não existe uma dívida da entidade para com os sócios;  4.  • Foram excluídos da base de cálculo dos créditos da contribuição os valores pagos aos  acionistas a título de juros remuneratórios nos valores de R$ 280.385,58 em cada mês do  trimestre em análise.  5.  • Despesas decorrentes do pagamento de corretagem não dão direito ao crédito, haja vista  não  caracterizarem  insumos  utilizados  na  prestação  de  serviços  ou  na  produção  ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda;  6.  • O contribuinte informa despesas com materiais com direito a crédito, contabilizadas na  conta  3101030031  – materiais  de manutenção.Ocorre  que  o  somatório  destas  despesas  contabilizadas  nos  balancetes  apresentados  totalizam  valores  diversos  daqueles  informados pelo contribuinte. Dessa forma, foram glosados da base de cálculo os valores  informados  nos  demonstrativos  que  excederam  o  valor  contabilizado  na  conta  3101030031;  7.  • Foram analisadas as aquisições de café dos fornecedores pessoas jurídicas responsáveis  por 70% das aquisições da Unicafé no ano de 2004;  8.  •  Nesta  amostragem,  60%  do  volume  financeiro  total  registrado  referem­se  a  fornecedores  que  se  enquadram  como  pessoas  jurídicas  que  se  declararam  à  Receita  Fl. 8446DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 5          3 Federal do Brasil  em situação de  inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o  órgão. Outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular,  eis  que  a  receita  declarada  é  nula,  portanto  totalmente  incompatível  com  o  valor  das  vendas  realizadas,  isto  considerando  apenas  as  operações  mercantis  com  o  ora  requerente;  9.  • A tabela às fl. 139 apresenta as compras dos fornecedores irregulares;  10.  •  Verifica­se  que  há  a  pretensão  de  obtenção  de  crédito  da  COFINS  de  fevereiro  a  dezembro  de  2004  sob  compras  de  fornecedores  em  situações  incompatíveis  com  a  receita declarada que totalizariam R$ 10.859.898,63, valores estes nunca recolhidos aos  cofres públicos;  11.  •  Como  se  pode  extrair,  a  situação  é  paradoxal,  haja  vista  que  a  Fazenda  Nacional  é  instada a  ressarcir um pretenso direito creditório que, como contrapartida, não possui o  recolhimento dos tributos devidos na etapa imediatamente anterior;  12.  • Diante do que  foi  retratado, a plausível conclusão conduz  inadmissibilidade do pleito  formulado,  no  que  toca  às  ditas  compras,  em  razão  de  um  claro  enriquecimento  sem  causa  em  detrimento  dos  cofres  públicos,  o  que  representa  uma  cessão  de  interesses  públicos em favor de particulares;  13.  • Com efeito, o princípio da não­cumulatividade, tal como insculpido no art. 153, § 3º, II  da CF/88  (não  obstante  referir­se  ao  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  IPI,  sem  sombra  de  dúvida  é  o  paradigma  adotado  para  esta  novel  roupagem  das  contribuições  sociais em comento), estabelece a compensação do que for devido em cada operação com  o montante cobrado na anterior;  14.  •  Irrefragável  é  a  concepção  segundo  a  qual  a  efetiva  cobrança  ou,  na  pior  hipótese,  a  pressuposição  de  sua  ocorrência,  é  condição  sine  qua  nom  para  a  admissão  do  creditamento. Vale esclarecer que tal "cobrança", para os tributos sujeitos ao denominado  "lançamento por homologação", onde a lei atribui ao próprio contribuinte a iniciativa de  apuração  e  recolhimento  do  montante  devido,  é  caracterizada  pela  efetiva  adoção  de  referidos procedimentos;  15.  •  Isto  se  dá  porque,  diversamente  do  que  só  ocorre  com  o  IPI,  onde  o  imposto  vem  destacado na respectiva nota fiscal de aquisição, o que faz presumir a sua incidência, na  apuração  dos  créditos  de  PIS/Pasep  e  Cofins  tal  cálculo  é  realizado  pela  aplicação  da  alíquota cabível sobre o valor das compras realizadas, o que não conduz a tal conjectura;  16.  • Como  restou  demonstrado  na  hipótese  relatada,  sabidamente  não  houve  o  respectivo  recolhimento  tributário  de  forma  tal  que  não  há  razoabilidade  em  se  admitir  o  reconhecimento  do  direito  creditório,  sob  pena  de  se  patrocinar  verdadeira  sangria nas  finanças públicas;  17.  • Isto posto, foi providenciada a relação nominal dos fornecedores que se encontram nas  situações  descritas,  bem  como  a  listagem  das  notas  fiscais  das  aquisições  não  aproveitadas, às fl.92/107, e foi promovida a glosa pertinente, conforme tabela à fl.108;    Fl. 8447DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 6          4 18.  • Procedeu­se, então, à utilização dos créditos na dedução do débito da COFINS apurado  no mês: verificando­se a existência de créditos disponíveis para compensação, cabendo o  reconhecimento do direito creditório de R$ 4.005.046,12, relativo à não­cumulatividade  da COFINS vinculado à exportação.    A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 08/09/2009 (fl. 150) e  apresentou,  em  24/09/2009,  a  Manifestação  de  Inconformidade  de  fl.  151  e  ss.  alegando, em síntese que:  1.  • A  recorrente possui  registros em seus  livros contábeis de contas de ativo e passivo,  valores que representam direitos e obrigações  indexadas ao dólar americano, que, por  óbvio, têm reflexos tributários;  2.  • As variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes  aplicáveis,  devem  ser  consideradas  para  efeito  de  apuração  do  lucro  operacional  da  entidade empresária;  3.  • Assim, as despesas da variação cambial passiva devem ser incluídas na determinação  do lucro operacional, sendo devido o correspondente registro como despesas incorridas  em  cada  exercício,  independentemente  do  seu  pagamento,  devendo  por  sua  vez,  ser  apropriado à  luz das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2004, como formadoras do direito  creditório da não­cumulatividade;  4.  • Conceber os  juros sobre capital próprio pagos como despesas  financeiras  (parágrafo  único, artigo 30 da IN SRF nº 11/96), nada mais é, senão, atribuir tratamento isonômico  às sociedades;  5.  •  Isto porque, da mesma forma que a empresa é  tributada quando recebe  tais  rubricas  (Artigo 29, § 4º,  alínea  “a”),  está autorizada  legalmente a  tomada de créditos quando  tais despesas são suportadas pela entidade empresária por ocasião do pagamento a outra  pessoa jurídica;  6.  •  Pode­se  concluir  que,  seja  por  quaisquer  dos  raciocínios  empregados  chega­se  a  mesma conclusão: a decisão exarada pela fiscalização deverá ser reformada, já que não  encontra abrigo no ordenamento jurídico brasileiro;  7.  •  A  atividade  de  corretagem  de  café  é  essencial  ao  comércio  atacadista  de  café.  O  corretor  de  café  é  um  consultor  do  produtor,  assim  como  do  comprador  que  traz  os  diversos lotes para o exportador e o torrador;  8.  •  A  atuação  do  profissional  de  corretagem  de  café  é  absolutamente  necessária  à  comercialização do produto;  9.  •  Em  tais  condições,  não  há  como  afastar  que  os  desembolsos  decorrentes  do  pagamento de corretagem de café, sejam desconsiderados como insumos à atividade da  contribuinte;  10. •  A  Autoridade  Fiscal,  alega  que  a  manifestante  adquiriu  mercadorias  de  empresas  inativas,  com  receita  incompatível,  com  receita  nula  e  omissa  ao  longo  do  ano  calendário 2004, porém deve ser notado que as glosas das rubricas deram­se de modo  Fl. 8448DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 7          5 precipitado,  com  base  na  afoita  alegação  de  que  as  aludidas  empresas  fornecedoras  estavam irregulares;  11. • Não há nos  autos  a demonstração  jurídica do preenchimento dos  requisitos  legais  e  regulamentares da  inidoneidade das  empresas  fornecedoras ou qualquer  comprovação  de que tenham deixado de funcionar nos endereços respectivos;  12. • As empresas que comprovarem a efetivação do pagamento do preço e o recebimento  das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados;  13. • A boa fé da empresa Recorrente é ainda demonstrada pelo fato de que esta teve o zelo  de fazer consultas ao SINTEGRA e ao próprio banco de dados da Secretaria da Receita  Federal  do Brasil,  com o objetivo de comprovar a  regularidade  jurídica das empresas  fornecedoras;  14. • Ainda que  as  empresas  fornecedoras  estivessem  inativas no momento  da  realização  das operações de fornecimento de mercadorias, no ano de 2004, o que não é verdade, a  manifestante não poderia jamais ser prejudicada por fatos que não causou;  15. • A análise do caso concreto demonstra que há efetiva comprovação de que a empresa  adquirente,  ora Recorrente,  promoveu o pagamento do valor  acordado para  aquisição  das mercadorias e recebeu o produto em um dos seus estabelecimentos, elencando seus  fornecedores e os respectivos recolhimentos;  Posteriormente,  em  21/12/2010,  a  contribuinte  carreou  aos  autos  petição  intitulada Aditivo à Manifestação de Inconformidade corroborando os pontos suscitados  na Manifestação originária e salientando a boa fé da contribuinte.  Em  25/05/2011,  a  então  5ª  Turma  da DRJ/RJ2,  atual  17ª  Turma  da DRJ/RJO  encaminhou  o  processo  em  diligência,  para  que  a  Delegacia  de  origem  prestasse  maiores esclarecimentos quanto às irregularidades apuradas na apropriação de créditos  da  não­cumulatividade  do  PIS  sobre  as  aquisições  de  café  junto  a  pessoas  jurídicas  inaptas, inativas ou omissas;   Em atendimento ao solicitado, foram anexados aos autos vasta documentação e o  resultado do procedimento de diligência  realizado pelo SEFIS/DRF/Vitória  consta do  Relatório Fiscal em fls.12.589/12.818. No referido Termo, a autoridade fiscal registra,  em resumo, que:  1.  • A utilização de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de  produtores para obtenção e apropriação dos créditos do PIS/COFINS foi descortinada  nas  investigações  da DRF/Vitória/ES  (“Operação Tempo  de Colheita”),  iniciadas  em  outubro de 2007, e que resultaram posteriormente na “Operação Broca”, deflagrada em  01/06/2010,  fruto  da  parceria  entre  o  Ministério  Público  Federal,  Polícia  Federal  e  Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão;  2.  • No  início,  as  investigações  restringiram­se  ao  estado do Espírito Santo,  que produz  café  conilon  e  arábica,  e  onde  estão  localizadas  importantes  exportadoras  de  café  do  país. E, após a “Operação Broca”,  foram realizadas diligências no Sul da Bahia  (café  conilon) e Região da Zona Mata Mineira e Sul de Minas Gerais (café arábica);  3.  • Fato é que na diligência  iniciada em 25/03/2009, antes, portanto, da deflagração da  “Operação Broca”, a UNICAFÉ apresentou para o período de 12/2002 a 12/2008 um  Fl. 8449DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 8          6 rol  disseminado  com  mais  de  700  fornecedores  pessoas  jurídicas,  inclusive  várias  cooperativas, no qual  já despontavam à época diversas empresas laranjas do ES e um  conjunto de indícios de que as supostas empresas fornecedoras de Minas Gerais haviam  trilhado o mesmo caminho;  4.  • No extenso rol de supostos fornecedores de café, é importante mencionar a ACÁDIA,  COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de  café  localizadas  na  cidade  de COLATINA,  norte  do ES,  uns  dos  principais  alvos  na  “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil  em Vitória – ES.;  5.  • A UNICAFÉ,  com matriz  em Vila Velha/ES  e  armazéns  localizados  nas  principais  regiões  produtoras  de  café,  como  por  exemplo:  MANHUMIRIM  (Região  da  Mata  Mineira),  VARGINHA  (Sul  de Minas  Gerais)  e  VILA  VELHA  (Região  da  Grande  Vitória/ES), tem escritório localizado no edifício PALÁCIO DO CAFÉ/VITÓRIA/ES,  onde também funciona o Centro de Comércio de Café de Vitória (C.C.C.V), bem como  outras empresas exportadoras e corretoras de café;  6.  •  Por  se  tratarem  de  pessoas  jurídicas  cadastradas  como ATACADISTAS DE CAFÉ  com  vultosa  movimentação  financeira,  esperava­se  encontrar  empresas  com  uma  estrutura operacional e logística compatível com tal volume de supostas vendas;  7.  •  De  forma  diametralmente  oposta  às  tradicionais  empresas  ATACADISTAS  DE  CAFÉ,  situadas  em  COLATINA,  LINHARES  e  GRANDE  VITÓRIA,  o  que  se  viu  foram pequenas salas com acomodações acanhadas. Nenhum armazém, nenhum quadro  de  funcionários,  nenhuma  estrutura  logística  indispensável  para  o  funcionamento  de  uma empresa ATACADISTA DE CAFÉ. Algumas situadas muito próximas às maiores  e tradicionais empresas comerciais exportadoras de café, que supostamente seriam suas  clientes.  Não  era  viável  economicamente  a  inclusão  desse  tipo  de  “empresa”  na  comercialização de café  entre produtor e  essas  tradicionais  atacadistas exportadoras  e  torrefadoras, dada a pequena margem de preço praticado pelo produtor  e o pago pela  exportadora/indústria e a carga tributária incidente sobre o faturamento (PIS/COFINS)  pela então legislação vigente da não­cumulatividade;  8.  •  O  avanço  das  investigações  mostrou  que  se  estava  diante  de  um  grande  esquema  montado  de  empresas  laranjas  de  dimensão  nacional  usadas  como  intermediárias  fictícias na compra de café de produtores/maquinistas;  9.  •  Aliás,  as  investigações  da  Receita  Federal  realizadas  antes  da  deflagração  da  Operação Broca haviam delineado diversas negociações de compras de café da própria  UNICAFÉ, no ES, nas quais corroboraram a existência do esquema fraudulento;  10. •  O  modus  operandi  descrito  detalhadamente  pelos  agentes  da  cadeia  de  comercialização  (produtor/maquinista,  corretor  e  representantes  das  fictas  intermediárias  –  empresas  laranjas)  foi  devidamente  demonstrado  mediante  confrontação dos documentos colhidos no de decorrer das investigações e robustecido  com aqueles apreendidos na Operação Broca;  11. •  No  início  das  investigações  no  Espírito  Santo,  ANTÔNIO  GAVA,  sócio  da  COLÚMBIA, situada em COLATINA/ES, em breve palavras contidas nas declarações  Fl. 8450DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 9          7 prestadas  em  30/11/2007,  apontou  para  o  esquema  de  venda  de  notas  fiscais  da  COLÚMBIA para guiar café de produtor;  12. • Em seguida, a V. MUNALDI surgiu como mais uma “firma” vendedora de nota. Em  28/02/2008, ALTAIR BRÁZ ALVES, da V. MUNALDI, revelou o modus operandi do  esquema;  13. •  Em  06/03/2008,  em  resposta  às  indagações  fiscais,  COLÚMBIA,  ACÁDIA,  DO  GRÃO e L & L, todas de COLATINA/ES, manifestaram­se de igual teor. Relataram à  época que não possuíam imóveis, veículos, tampouco funcionários, e que, quando havia  necessidade,  contratavam  serviços  terceirizados  de  motoboy  para  entrega  de  documentos;  14. •  Quanto  à  origem  dos  recursos  creditados  nas  contas  correntes,  afirmaram  categoricamente  que  eram  recursos  que  pertenciam  a  terceiros  compradores  do  café:  Asseveraram que não são e nunca foram empresas comercializadoras ou atacadistas de  café;  15. • Recebida a  informação de quem era o vendedor, o comprador poderia ou não  fazer  contato  com  o  mesmo.  Certo  é  que  o  comprador  depositava  o  valor  na  conta  da  COLÚMBIA,  ACÁDIA,  DO  GRÃO  e  L  &  L  e  “exigia  que  o  produtor  ‘guiasse’  o  produto com nota de produtor para a fiscalizada”.  16. • E prosseguem relatando que: recebendo a nota fiscal do produtor, liberavam para este  o  valor  da  venda  e  emitiam  em  seguida  uma  nota  fiscal  própria  de  venda  para  a  Compradora;  17. • A ressaltar ainda das respostas das diligenciadas que o comprador “EXIGIA QUE O  PRODUTOR  ‘GUIASSE’  O  PRODUTO  COM  NOTA  DE  PRODUTOR  PARA  A  FISCALIZADA”  E  ELAS,  EM  CONTRAPARTIDA,  EMITIAM  UMA  NOTA  FISCAL DE SAÍDA PARA O COMPRADOR. Assim, não operam como atacadistas  de café, mas, sim, são usadas como uma ponte de repasse de recursos dos compradores  para  produtores  rurais/maquinistas.  Agem  desta  forma  “POR  IMPOSIÇÃO  DOS  COMPRADORES (QUE SÃO POUCOS E PODEROSOS)”;  18. •  Revelaram,  ainda,  que  em  hipótese  alguma  teriam  “recursos  para  operar  da  forma  como  operaram  nos  últimos  anos,  mormente  considerando  a  pesada  carga  tributária  imposta por  lei  na operação,  em  especial  da  forma  como  exigida pelos  compradores,  qual seja com incidência integral de PIS/COFINS”;  19. •  No  início,  em  2003,  as  exportadoras  sinalizaram  e  algumas  chegaram  a  indicar  as  pseudo empresas para guiar suas compras de café, conforme declarado por maquinistas,  produtores rurais, corretores e os próprios sócios das empresas de fachada;  20. • Criou­se, então, a figura da intermediária fictícia, cujo objetivo era vender nota fiscal.  A princípio, com poucas “empresas”, esse mercado paralelo de pseudo atacadistas de  café  expandiu­se  rapidamente  de  tal  modo  que  gerou  uma  concorrência  no  preço  cobrado pela venda da nota fiscal. A existência e o modo delas operarem não só é de  pleno conhecimento das empresas exportadoras e  torrefadoras como algumas ditavam  as regras e outras simplesmente se omitiram, sendo assim culpadas dessa cumplicidade  silenciosa;  Fl. 8451DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 10          8 21. •  Com  base  nos  depoimentos,  fica  claro  que  as  exportadoras  sabiam  da  condição  de  laranja  das  empresas  que  documentavam  artificialmente  as  vendas  de  produtores/maquinistas como sendo suas, a consulta efetivada ao SINTEGRA e CNPJ  para verificar a situação fiscal (ativa e sem restrições) da “empresa” que estava guiando  o café. Tal procedimento era adotado a cada descarga nos armazéns da UNICAFÉ, quer  fosse  no  ES,  quer  fosse  em MG,  ou  outro  estado,  conforme  cópia  dos  documentos  juntada pela própria UNICAFÉ nos autos ora diligenciados;  22. •  Aliás,  esse  não  era  procedimento  exclusivo  da  UNICAFÉ.  Ao  contrário,  todas  as  exportadoras e  torrefadoras auditadas  lançavam mão da mesma prática, o que vem ao  encontro das declarações prestadas pelos corretores no curso das investigações;  23. • A fiscalização diligenciou mais de uma centena de produtores rurais do ES. No início,  a  maioria  produtores  de  café  conilon  do  norte  e  noroeste  do  estado,  estendendo  posteriormente para outras regiões do ES e de outros estados (Bahia e Minas Gerais). O  critério  utilizado  foi  ouvir  aqueles  identificados  como  maiores  produtores  de  determinadas regiões;  24. • Os produtores ouvidos mostraram total desconhecimento acerca das pseudo empresas  atacadistas  usadas  para  guiar  o  café.  Negociavam  com  pessoas  conhecidas,  de  sua  confiança,  ou  seja,  os  corretores, maquinistas  e  empresas  da  sua  região,  contudo,  no  momento da retirada do café surgiam nomes de “empresas” desconhecidas;  25. • Sem exceção, os depoimentos dos produtores têm o mesmo teor: as notas fiscais do  produtor  rural,  preenchidas  pelos  compradores/corretores/maquinistas  ou  a  mando  deles,  têm  como  destinatárias  supostas  “empresas”  totalmente  desconhecidas  dos  depoentes e que não são as reais adquirentes do café negociado;  26. • Ao longo dessas oitivas, surgiram novos nomes de pseudo atacadistas, principalmente,  criadas a partir de 2006. A fiscalização diligenciou grande parte delas, que resultou na  sua Inaptidão/Suspensão no cadastro do CNPJ;  27. • A existência e o modo delas operarem não só era de pleno conhecimento das empresas  exportadoras  e  torrefadoras  como  algumas  ditavam  as  regras.  A  corroborar  os  depoimentos do corretor ARYLSON STORCK e de FLÁVIO TARDIN FARIA e LUIZ  FERNANDO MATTEDE TOMAZI, administradores das empresas laranjas ACÁDIA,  DO GRÃO e L&L, transcritos na DENÚNCIA PR/COL/ES;  28. • Os representantes da Colúmbia, Acádia, L&L e Do Grão respondendo às indagações  dos  Auditores  Fiscais  asseguraram  que  exportadoras  e  indústrias  tinham  pleno  conhecimento  da  venda  de  notas  e  que  era  prática  adotada  em  todo  o  país.  Acrescentaram  que  muitas  destas  laranjas  eram  operadas  por  ex­funcionário  das  próprias  exportadoras  e  corretores,  fato  devidamente  comprovado  nas  investigações  realizadas no ES e, posteriormente, nas diligências efetuadas em MG;  29. • A fraude e o seu modus operandi foram corroboradas nas oitivas colhidas no curso das  investigações  perante  os  produtores/maquinistas  e  corretores  juntamente  com  a  vasta  documentação  apresentada  por  eles  e  para  fulminar  os  documentos  apreendidos  na  “OPERAÇÃO BROCA”, inclusive na própria UNICAFÉ;  Fl. 8452DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 11          9 30. •  Na  oitiva  do  dia  26/11/2008,  o  corretor  LUIZ  FERNANDES  ALVARENGA  informou  que,  antes  de  constituir  a CASA DO CAFÉ CORRETORA  e COLATINA  CORRETORA  DE  CAFÉ,  trabalhou  na  UNICAFÉ,  na  qual  alcançou  a  função  de  subgerente de compras na filial em COLATINA/ES;   31. •  Luiz  Fernandes  Alvarenga  explicou  minuciosamente  seu  trabalho  de  corretor,  ratificando o relato de outros corretores quanto a utilização de empresas  laranjas para  guiar café do produtor e/ou maquinista para as exportadoras/torrefadoras. Deixou claro  a  responsabilidade  e o  risco do produtor e/ou maquinista pela qualidade  e entrega do  café,  bem  como  a  identificação  destes  para  o  comprador  (exportador  e  indústria  torrefadora),  que  se  dá  mediante  apresentação  de  amostras  do  café  ou  por  descrição  sobre  a  qualidade  e  a  procedência  do  café,  que  são  passadas  por  telefone  e/ou meio  eletrônico;  32. Na  resposta  ao  questionamento  dos  Auditores  Fiscais  sobre  as  operações  da  COLÚMBIA, THIAGO GAVA e ANTÔNIO GAVA, acrescentaram que  também são  gestores  da W  R  DA  SILVA,  que  foi  criada  por  CARLIANO  DÁRIO,  da  empresa  laranja  C.  DÁRIO,  e  que  passaram  a  operar  com  a  W  R  DA  SILVA  no  lugar  da  COLÚMBIA, nos mesmos moldes desta: venda de nota  fiscal para guiar café para as  empresas compradoras;  33. •  Entre  os  documentos  encaminhados  pela  Polícia  Federal,  por  intermédio  do  citado  Ofício  nº  4568/2009SR/DPF/ES  –  (OPERAÇÃO  BROCA),  vieram  confirmações  de  pedido, documento  firmado pelo corretor para  sacramentar a negociação de compra e  venda de café,  emitidas pela CASA DO CAFÉ CORRETORA, como por exemplo: a  CONFIRMAÇÃO DE PEDIDO N° 0163/05 , de 07/03/2005, retrata uma operação de  compra da UNICAFÉ para entrega futura na 2ª quinzena de maio de 2005 à opção do  vendedor.  No  próprio  corpo  da  confirmação,  está  escrito  com  todas  as  letras  que  o  vendedor das 250 sacas de café conilon para a UNICAFÉ foi “EDMAR FRANCISCO  MULLER, CPF: 780.470.64720, JAGUARÉ – CENTRO”;  34. • No campo observação do citado documento, o  ranço do esquema: “O CAFÉ SERÁ  ENTREGUE EM NOME DA COLÚMBIA COM. DE CAFÉ LTDA”;  35. •  A  corroborar  que  na  emissão  das  confirmações  firmadas  nas  operações  de  entrega  futura o vendedor é o produtor/maquinista e que na reemissão a empresa laranja passa a  figurar  como  fícto  vendedor,  os  documentos  apreendidos  durante  a  OPERAÇÃO  BROCA na LIBRA CORRETORA DE CAFÉ, situada no PALÁCIO DO CAFÉ;  36. • Como exemplo, a CONFIRMAÇÃO DE NEGÓCIO N° 82/2010, de 25/02/2010, na  qual  a  LIBRA CORRETORA  intermediou  a  compra  de  500  sacas  de  canilon  para  a  UNICAFÉ com previsão de entrega a partir do mês de abril/2010;  37. • Afirmou não conhecer Antônio Gava e Thiago Gava, gestores da COLÚMBIA e W.R.  DA SILVA, Altair Bráz Alves,  gestor da V. MUNALDI – ME,  e Fernando Mattede,  gestor da ACÁDIA, DO GRÃO e L & L;  38. •  Alegou  que  desde  2003  não  consegue  vender  café  diretamente  para  as  empresas  exportadoras,  ou  seja,  com  nota  fiscal  de  produtor. Assim,  teria  sido  orientado  pelos  corretores a guiar o café em nome de COLÚMBIA, V. MUNALDI e etc;  Fl. 8453DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 12          10 39. •  Questionado,  então,  sobre  as  suas  notas  de  produtor  supostamente  destinadas  à  COLÚMBIA,  V. MUNALDI,  DO  NORTE  CAFÉ, WR  DA  SILVA,  ACÁDIA,  DO  GRÃO, respondeu detalhadamente sobre a  figura da fícta  interposição de uma pessoa  jurídica na operação entre o produtor e as exportadoras, o transporte em veículo próprio  e a troca de nota fiscal, preferencialmente em postos de gasolina;  40. • O arquivo “COLÚMBIA SAÍDAS” mostra que desde 2005 AMÉRICO JOSÉ MAI já  realizava venda de café para a UNICAFÉ por meio da empresa  laranja COLÚMBIA.  Entre  2005  e  2008,  pela  COLÚMBIA,  foram  mais  de  20  mil  sacas  de  café  para  a  UNICAFÉ. Por exemplo, em 2005, foram 2 mil sacas de café;  41. •  Documentos  apreendidos  na  L&L,  no  curso  da  OPERAÇÃO  BROCA,  mostram  vendas  de  café  para  entrega  futura  de  LUIZ  CRISTIANO  MULLER.  Entre  eles,  CONFIRMAÇÕES DE NEGÓCIO,  da  corretora LIBRA/COLIBRI,  nas  quais  a  L&L  figura como pseudovendedora de café conilon para a UNICAFÉ. Não obstante isso, há  também a anotação manuscrita identificando o produtor/maquinista “LUIZ MULLER”;  42. •  Junto  com as  confirmações,  foram  apreendidas  planilhas  contendo  a movimentação  mensal de notas emitidas pela L&L com discriminação completa do valor cobrado pela  empresa  laranja  pela  venda  da  nota  fiscal  à  LUIZ MULLER  para  guiar  café  para  a  UNICAFÉ e outras exportadoras;  43. •  Não  se  pode  olvidar  que  o  corretor  EDUARDO  LIMA  BORTOLINI,  da  LIBRA/COLIBRI,  declarou  que,  fechada  a  operação  com  o  maquinista,  emite  a  CONFIRMAÇÃO DE  NEGÓCIO  para  o  comprador  (UNICAFÉ).  Como  se  trata  de  compra  em  04/03/2009  para  entrega  futura  na  2ª  quinzena  de  maio  de  2009,  no  momento da definição da empresa laranja usada como intermediária fictícia, certamente  houve a reemissão da confirmação para acobertar essa situação, como visto nos outros  exemplos que retrataram esse  tipo de operação e corroborado com as declarações dos  corretores;  44. • Os fatos apurados trazem, por conseguinte, a certeza de que, definitivamente, não era  venda de café das empresas  laranjas emitentes dos documentos  fiscais, mas,  sim, dos  produtores/maquinistas  para  a  UNICAFÉ.  A  emissão  de  notas  fiscais  da  interposta  fictícia  não  foi  mais  do  que  o  produto  da  fraude.  A  contrafação  de  uma  operação  comercial;  45. • Certo  é que  a UNICAFÉ não  só  tinha pleno conhecimento do  esquema  fraudulento  como dele se beneficiou;  46. • Diante desses fatos, restou demonstrado a utilização pela UNICAFÉ de meios ilícitos  para a obtenção de crédito tributário o que afasta os limites impostos pela boa­fé. São  operações fingidas, que mascaram a realidade;  47. •  Repete­se  a  afirmação  do  corretor  JOAQUIM  DA  SILVA  ALMEIDA  de  que  “as  exportadoras e/ou indústrias fazem questão de saber quem é o dono do café, pois assim  os mesmos sabem se a procedência do café é boa ou ruim”;  48. • Os  representantes da COLÚMBIA, ACÁDIA, L & L e DO GRÃO respondendo às  indagações  dos  Auditores  Fiscais  asseguraram  que  exportadoras  e  indústrias  tinham  pleno  conhecimento  da  venda  de  notas  e  que  era  prática  adotada  em  todo  o  país.  Fl. 8454DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 13          11 Acrescentaram  que  muitas  destas  laranjas  eram  operadas  por  ex­funcionários  das  próprias  exportadoras  e  corretores,  fato  devidamente  comprovado  nas  investigações  realizadas no ES e, posteriormente, nas diligências em Minas Gerais;  49. •  No  curso  das  investigações,  os  Auditores  Fiscais  constataram  registros  de  vultosas  compras nas empresas exportadoras do ES de supostas fornecedoras situadas no estado  de Minas Gerais, principalmente, no município de Manhuaçu (municípios da Zona da  Mata Mineira) e de Varginha e municípios adjacentes (Sul de Minas Gerais);  50. •  Entretanto,  a  confrontação  da  movimentação  financeira  com  dados  fiscais  dessas  supostas  atacadistas  de  café  no  estado  de  Minas  Gerais  não  mostrou  um  quadro  diferente  do  encontrado  pelos  Auditores  Fiscais  no  Espírito  Santo:  movimentação  financeira  milionária  para  empresa  na  situação  de  inativa,  omissa  ou  simplesmente  preenchida zerada;  51. • Assim, mesmo antes da deflagração da OPERAÇÃO BROCA e dos Auditores Fiscais  tomarem conhecimento da denúncia anônima sobre a mesmo tipo de fraude no estado  de Minas Gerais, a análise dos dados fiscais e financeiros apontavam nesse sentido, que  foi  reforçado com as declarações de alguns produtores/maquinistas do Espírito Santo,  situados na Região do Caparaó, divisa entre os estados do ES e MG;  52. • Em conclusão, temos que a introdução do regime não cumulativo do PIS/COFINS foi  um  novo  marco  regulatório  na  comercialização  de  café  em  grão  no  país.  As  exportadoras  e  indústrias,  por  razões  óbvias,  demonstraram  para  os  corretores  resistência na aquisição de café de produtores rurais, pois não dava direito ao crédito de  PIS/COFINS  integral de 9,25% do valor da operação, conforme narrado por diversos  corretores;   53. Então, “o modelo de  firmas  laranjas  foi a solução à nova lei do PIS/COFINS”, como  disse o comprador de café de uma determinada exportadora;  54. • Na mesma linha, o corretor LUIZ FERNANDES ALVARENGA, de COLATINA/ES,  que as assegurou que a “utilização de ‘laranjas’ visava permitir a compensação do PIS e  da  COFINS  pelas  exportadoras  e  indústrias”.  Ou  nas  palavras  do  corretor  PAULO  ROBERTO MARSON, de VARGINHA, as laranjas eram para “esquentar o crédito”;  55. •  A  migração  para  empresas  laranjas  foi  um  movimento  orquestrado  e  coordenado.  Exportadoras e  indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de  que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as  mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento  do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros;  56. •  Esse  foi  o  quadro  delineado  de  como  o mercado  de  café  atuava  no  país,  antes  das  modificações introduzidas pela Lei n° 12.599/2012 e da MP n° 609/2013;  57. •  Foram  analisadas  minuciosamente  a  origem  e  o  modus  operandi  do  esquema  de  interposição  de  empresa  de  fachada,  “laranja”,  para  apenas  gerar  créditos  ilícitos  em  operações fictícias na compra e venda de café.  Fl. 8455DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 14          12 O  contribuinte  foi  cientificado  do  Termo  de  Enceramento  de  Diligência  em  09/07/2013  –  fl.12.819/12.824  e  apresentou,  em  07/08/2013,  a  Manifestação  de  fls.  13.036/13.118, alegando o seguinte:  1.Antes  de  adentrar  ao  mérito,  propriamente  dito,  do  Relatório  de  Diligência  Fiscal,  necessária  se  faz  a  indicação  de  algumas  questões  preliminares  vislumbradas  pelo  contribuinte  que,  de  pronto,  importam  na  nulidade  do  trabalho  realizado  pela  fiscalização;  2.  Faz­se  necessário  destacar  que  a  conduta  adotada  pela  Fiscalização  nestes  autos  revelou  a  busca  pelo  acesso  irrestrito  às  informações  internas  e  gerenciais  da  Contribuinte,  importando  em  flagrante  quebra  de  sigilo  de  dados,  sem  amparo  em  nenhuma  autorização  judicial  para  tal  procedimento,  o  que  transgride  o  direito  fundamental insculpido no artigo 5º, incisos X e XII, da CF/88;  3. Há que se lembrar, ainda, que o interesse público jamais pode ser confundido com o  interesse da Fazenda Pública. É justamente por isso que a avaliação dos indícios para a  viabilização  da  quebra  do  sigilo  de  dados  somente  pode  ser  reconhecida  pelo  Poder  Judiciário, ou seja, não pode e nem deve ficar sob a vontade do órgão fiscalizador, que,  ao  final,  se  valerá  de  tal  expediente  –  única  e  exclusivamente  –  para  aumentar  a  arrecadação, como ocorreu no presente caso;  4.  Não  obstante,  outrossim,  a  Fiscalização  não  trouxe  aos  autos  provas  de  que  a  Contribuinte  tenha  agido  em  conjunto  com  as  empresas  intituladas  de  fachada, muito  pelo contrário;  5. Apesar de a evidente quebra de sigilo de dados da Contribuinte apenas comprovar a  correção  das  operações  de  compra  e  venda  de  café  realizadas  pela  mesma,  sempre  cercadas  de  todas  as  precauções  necessárias,  a  violação  ao  seu  direito  fundamental  à  restrição  de  acesso  de  suas  informações  bancárias,  fiscais,  contábeis,  telefônicas  e  eletrônicas  restou  claramente  configurada,  razão  pela  qual  o  acervo  documental  levantado pela Fiscalização deve ser  sumariamente desconsiderado, visto que coletado  através de procedimento de todo ilegal;  6.  No  caso  vertente,  os  dados  submetidos  a  sigilo  colhidos  por  ocasião  do  Inquérito  Policial  instaurado  e  utilizados  como  fundamentos  no  Relatório  de  Diligência  Fiscal,  foram indiscriminada e ilegalmente utilizados em desfavor da contribuinte, uma vez que  não se observou as balizas estipuladas pela Jurisprudência Pátria;  7. Ademais,  para  ser  válido,  o  depoimento  de  terceiros  que  visa  imputar  a  prática  de  qualquer conduta à Contribuinte, necessariamente, deve ser realizada na presença deste e  seu  defensor,  pois  visa  assegurar­lhes  o  respeito  ao  princípio  constitucional  do  contraditório, ampla defesa, bem como o direito a reperguntas;  8. Em respeito aos princípios da legalidade e da moralidade, a Fiscalização deveria  ter  reproduzido na sua integralidade e sem qualquer tipo de recorte, os documentos que se  utiliza  para  embasar  as  suas  constatações,  conduta  que,  lamentavelmente,  não  adotou,  fragilizando todo o trabalho desenvolvido;  9.Impende salientar que nenhum dos sócios ou empregados da contribuinte estão entre  os  denunciados  após  as  investigações  provenientes  das  Operações  Broca  e  Tempo  de  Fl. 8456DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 15          13 Colheita. Vale dizer que não recai sobra a interessada nem sobre as pessoas físicas a ela  vinculadas  sequer  uma  suspeita  de  que  tenham  participado  em  qualquer  atividade  fraudulenta ou criminosa;  10.  No  caso  é  de  se  sobrevalorizar  o  fato  de  inexistirem  declarações  que  deponham  contra  a  idoneidade  e  a  boa  fé  da  contribuinte.  Nada  havendo  especifica  e  particularmente contra a pessoa jurídica, a fiscalização não pode querer se beneficiar de  generalizações sobre fraude difusa no mercado cafeeiro;  11. Não se pode permitir que se concretize a existência de fraude ou conluio, conforme  sugere o Relatório de Diligência Fiscal, a partir de elementos dúbios, por meio de meras  presunções  que  advêm  de  provas  testemunhais  colhidas  unilateralmente  pela  administração, pois se estaria favorecendo o Poder Público em detrimento da segurança  jurídica;  12.  Importante  asseverar  que  a  Confirmação  de  Negócio  nada  mais  é  do  que  um  documento “informal” (não exigido pela legislação) em que o vendedor se compromete  a entregar o café no prazo e na qualidade especificada nas tratativas, e o comprador, a  pagar o preço negociado. A função é simplesmente de documentar o que foi combinado.  Nada mais;  13.  Enfatiza­se  que,  tendo  em  vista  o  interesse  objetivo  do  comprador  de  café  no  produto,  e  sendo  este uma  commodity,  não  tem o mesmo  relação,  e  nem necessita  se  relacionar com os produtores e/ou empresas atacadistas. Dado o dinamismo do mercado,  o relacionamento é, na grande maioria das vezes, com os corretores;  14. Nesse panorama, para os compradores, como é o caso da contribuinte, tanto faz se os  fornecedores,  e  mesmo  os  corretores,  têm  escritório  luxuosos,  grandes  parques  de  estocagem, enormes galpões ou uma única salinha. O comprador paga quando chega o  café ao seu armazém, e desde que seja com a qualidade combinada;  15. Não se pode exigir que as empresas compradoras fiscalizem seus vendedores, sejam  eles, produtores, maquinistas ou empresas atacadistas;  16. E a verdade é que se as fraudes existiram, em hipótese alguma podem ser imputadas  à contribuinte. Não há obrigação legal e não pode ser exigida dos compradores mais do  que uma verificação cadastral das empresas com quem negociam. E isso foi feito;  17.Atualmente, a contribuinte figura entre as maiores e mais renomadas exportadoras de  café do mundo, e conta com estabelecimentos comerciais em todas as principais regiões  produtoras de café do Brasil, o que a habilita comercializar os melhores e mais variados  tipos de café do Brasil, para mais de 40 países;  18.  Impende registrar, por oportuno, que conforme publicação no DJ de 11/12/2012, o  Hábeas  Corpus  nº  2012.02.01.0143115,  impetrado  por  um  dos  denunciados  na  Ação  Penal  nº  2008.50.05.005383,  teve  sua  segurança  concedida  pelo  E.TRF  da  2ª  Região  para trancamento desta Ação Penal;  19.  O  Acórdão  em  questão  corrobora  a  conclusão  pela  completa  fragilidade  dos  elementos  indiciários  contidos  no  Inquérito  Policial  que,  repise­se,  embasou  integralmente o Relatório de Diligência Fiscal;  Fl. 8457DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 16          14 20. Pontuadas essas questões no que diz respeito à tradição da Contribuinte no mercado  de  café,  somados  à  impossibilidade  de  extensão  dos  efeitos  das  Operações  Broca  e  Tempo de Colheita, a conclusão óbvia só pode ser no sentido de que não há que se falar  em fraude “orquestrada” ou “planejada” pela Unicafé;  21. Afinal, a Unicafé preza e responde pela sua própria idoneidade, e de mais ninguém;  22. O que existe no documento contraditado é apenas um discurso apelativo,  lastreado  em  elementos  probatórios  débeis  carentes  de  conexão  lógica  entre  si  e  que,  absolutamente, não comprovam o dolo da Contribuinte;  23.  No  caso  vertente,  não  há  prova  minimamente  consistente  que  possa  conduzir  à  conclusão  de  que  a  Contribuinte  desejava  a  fraude  ou  de  que  coordenou  ou  mesmo  orquestrou  a  fraude,  vale  dizer,  não  demonstrou  o  Relatório  de  Diligência  Fiscal,  o  domínio do fato;  24. A glosa operada está lastreada em meros indícios e ilegítimas presunções, extraídas  de  depoimentos  em  processo  administrativo  onde  sequer  foi  garantido  o  direito  ao  contraditório;  25.  A  farta  documentação  apresentada  foi  juntada  com  o  objetivo  de  atender  ao  que  dispõe o parágrafo único do art.82 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual as empresas que  comprovarem a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não  poderão  ter  seus  créditos  glosados.  É  o  que  demonstram  os  documentos  juntados  por  ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade nos autos do presente PAF;  26. Acrescenta­se o fato que, das 89 empresas citadas no Relatório de Diligência Fiscal  como  supostas  “pseudoatacadistas”,  é  possível  aferir  que  34  delas  estão  ativas,  o  que  torna a compra de mercadorias das mesmas atos lícitos;  27. À luz da diretriz constitucional, uma pessoa apenas pode ser considerada violadora  da ordem jurídica na hipótese de existirem provas incontroversas de sua culpabilidade;  28. Ante o exposto, requer seja reconhecida e declarada a nulidade absoluta do Relatório  de  Diligência  Fiscal,  e  que  sejam  afastadas  as  infundadas  e  descabidas  imputações  e  acusações direcionadas à Contribuinte.  Na  seqüência  foi  exarado  o  Acórdão  12­61.155,  de  2013,  da  17ª  Turma  da  DRJ/RJ1,  fls. 13.457/13.499, ora  recorrido, onde os membros daquela Turma de Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  acordaram  por  julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade, mantendo a decisão da Unidade da RFB na íntegra, fls. 267/289 (fls. 133/244  no processo papel), com a seguinte ementa:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  FRAUDE.  DISSIMULAÇÃO.  DESCONSIDERAÇÃO.  NEGÓCIO ILÍCITO.  Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de  interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da  Fl. 8458DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 17          15 contribuição  devida,  é  de  se  glosar  os  créditos  decorrentes  dos  expedientes  ilícitos,  desconsiderando­se  os  negócios  fraudulentos.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  JUROS REMUNERATÓRIOS DO CAPITAL PRÓPRIO.  É  incabível  o  desconto  de  créditos  apurados  segundo  o  regime  não  cumulativo,  calculados  sobre  juros  pagos  ou  creditados  a  pessoas jurídicas a título de remuneração do capital próprio, sob o  argumento de que constituem despesas financeiras decorrentes de  empréstimos  e  financiamentos,  no  período  em  que  havia  autorização  legal  para  o  desconto  de  créditos  relativamente  a  essas despesas.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Irresignado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 13.511/13.620,  repisando  os  argumentos  apresentados  na  Manifestação  de  Inconformidade,  acrescentado, em síntese:  1.  O Órgão a quo pautou  sua decisão,  tão  somente,  em um conjunto probatório parco  e  reconhecidamente deficiente,  2.  existência  de  vício  processual  quanto  á  execução  da  diligência  requerida  pela  DRJ,  posto que o relatório de Diligência Fiscal extrapolou os limites da Diligência acordada  na DRJ, ocorrendo uma inovação da autuação por parte da fiscalização.  3.  Com a inovação, a fiscalização, de forma indevida, reforçou a fundamentação da glosa,  deturpando o procedimento fiscal.  4.  Inaplicabilidade  da  legislação  civil  e  do  artigo  116,  parágrafo  único  do  CTN  para  desconsideração dos negócios jurídicos.  5.  Descaracterização das aquisições do café de pessoas jurídicas, caracterizando­as como  adquiridas de pessoas físicas, sem contudo indicação da base legal e de quais seriam os  produtores rurais dos quais a recorrente teria adquirido o café.  Em  1/10/2014  houve  juntada  de  petição,  fls.  13.696/13.699  requerendo,  adicionalmente:  a)  Na eventualidade de ser mantida a glosa dos créditos  integrais,  lhe seja  assegurado o direito de apropriação dos créditos presumidos apurados na forma do art. 8º da  Lei nº 10.925/04; e  b)  Que  os  referidos  créditos  presumidos  sejam  utilizados  na  âmbito  deste  próprio processo, em observância ao disposto no art. 7º­A na Lei nº 12.599/2012, para fins das  DComp e PER então apresentados.  Por sorteio, foi­me distribuído o presente feito para relatar e pautar.  É o relatório.  Fl. 8459DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 18          16 Voto:  Conselheiro José Henrique Mauri ­ Relator   O  Recurso Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade. Dele tomo conhecimento.  As  indicações  de  folhas  no  presente  voto,  não  havendo  informação  contrária,  referem­se à numeração constante no e­processo.  Registre­se  que  em  semelhantes  condições  encontram­se  treze  processos  de  titularidade  da  recorrente,  a  seguir  identificados,  todos  de  minha  relatoria  e  igualmente  pautados para julgamento:  seq.  processo  Tributo  Período  (mês/ano)  1  11543.003690/2004­70  Cofins  7/04 a 9/04  2  11543.003689/2004­45  PIS  7/04 a 9/04  3  11543.000371/2005­93  PIS  1/05 a 3/05  4  11543.000767/2004­50  PIS  1/04 a 3/04  5  11543.000184/2004­29  PIS  10/03 a 12/03  6  11543.002342/2004­85  Cofins  4/04 a 6/04  7  11543.000117/2005­95  Cofins  10/04 a 12/04  8  11543.000118/2005­30  PIS  10/04 a 12/04  9  11543.000372/2005­38  Cofins  1/05 a 3/05  10  11543.001116/2005­68  PIS  4/05 a 6/05  11  11543.001117/2005­11  Cofins  4/05 a 6/05  12  11543.001879/2005­17  Cofins  7/05 a 9/05  13  11543.001878/2005­64  PIS  7/05 a 9/05    Dessa  forma,  visando  a  celeridade  processual,  o  presente  voto  alcançará  a  totalidade  dos  processos,  sendo  que  o  teor  das  informações  e  dados  serão  individualizados,  sempre que necessário.  Vislumbro, desde já necessidade de conversão do presente feito em Diligência,  conforme fundamento a seguir.  Conforme delineado no relato precedente, o cerne da controvérsia cinge­se (I) a  glosa integral dos créditos calculados sobre o valor das despesas de corretagem na compra do  café em grão (II) a glosa integral dos créditos calculados sobre os juros remuneratórios sobre o  capital próprio e (III) a glosa parcial dos créditos calculados sobre a aquisição de café cru em  grão de pessoas jurídicas irregulares (inativas, omissas ou sem receita declarada).  Fl. 8460DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 19          17 Relativamente ao item (III), a eventual manutenção, por parte desse colegiado,  da glosa dos créditos ordinários, obtidos irregularmente, ensejaria a apreciação de conseqüente  direito, ou não, ao aproveitamento do crédito presumido, fruto de reconhecimento de que tais  operações foram processadas junto a pessoas físicas ruralistas.  Repercutirá ainda na definição quanto ao alcance temporal e na modalidade do  aproveitamento do crédito presumido. isto é, o crédito poderá ser utilizado exclusivamente para  fins  de  compensação  com  débitos  da  própria  contribuição,  para  compensação  com  outros  tributos, ressarcimento em espécie, ou ainda nenhuma delas.  Isso  porque  no  período  de  ocorrência  do  fato  gerador,  englobando  todos  os  processos sob análise, compreende outubro de 2003 a setembro de 2005, houve edição da Lei  10.925/2004, vigência a partir de 1º de agosto de 2004, que estabeleceu novos dispositivos para  o  crédito  presumido,  até  então  disciplinado  na  Lei  10.833/2003,  §§  5º  e  6º  do  art.  3º  e  10637/2002, §§ 10 e 11 do art. 3º.  Nesse contexto, verifica­se omissão nos Despachos Decisórios da DRF/ES que,  se não suprido, poderá levar a decisão distorcida da realidade, por parte desse colegiado.   A priori, DRF/ES, neste e nos demais processos relacionados, reconheceu que,  tendo a aquisição do café ocorrido de pessoas  físicas,  a  recorrente  tem direito a apropriar os  respectivos créditos presumidos, a partir de 1º de agosto de 2004, data em que entrou em vigor  o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23/7/2004. Quanto aos períodos anteriores, até 31/7/2004, a DRF  silenciou­se.  Entretanto, a afirmação acima não está clara no texto dos Despachos Decisórios  quanto ao reconhecimento, quantificação e efetiva apropriação, por parte da fiscalização, dos  créditos presumidos.  Exemplificadamente,  v.  excerto  do  Despacho  Decisório  1.426,  processo  11543.003.690/2004­70, fls. 285:  [...]  Como  restou  demonstrado  na  hipótese  relatada,  sabidamente  não  houve  o  respectivo  recolhimento  tributário  de  forma  tal  que  não  há  razoabilidade  em  se  admitir  o  reconhecimento  do  direito  creditório,  sob pena de se patrocinar verdadeira sangria nas finanças públicas.  Isto  posto,  foi  providenciada  a  relação  nominal  dos  fornecedores  (tabela  resumo  supra  apresentada)  que  se  encontram  nas  situações  descritas,  bem  como  a  listagem  das  notas  fiscais  das  aquisições  não  aproveitadas,  as  fls.92/107,  e  foi  promovida  a  glosa  pertinente,  conforme tabela à f1.108.  Confirmou­se no arquivo de notas fiscais de entrada que o contribuinte  efetuou aquisições de produtores rurais, pessoas físicas, tendo o direito  ao  crédito  presumido.  Ocorre  que  o  contribuinte  não  apurou  estes  créditos  nos  períodos  anteriores,  utilizando­os,  posteriormente,  de  forma acumulada em julho/04. Neste item cabe a ressalva que embora  tenha  sido  confirmado  o  direito  ao  crédito  presumido  relativo  ás  compras  de  pessoas  físicas,  produtores  rurais  (agroindústria),  tal  crédito, seguindo o disposto no art. 8° §3°, II, da IN SRF N°660/2006  Fl. 8461DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 20          18 que  disciplinou  a  Lei  n°  10925/2004  não  pode  ser  objeto  de  compensação com  tributos diversos, nem de pedido de ressarcimento.  Assim  sendo,  todo  este  crédito  a  partir  de  1°  de  agosto/2004  foi  alocado  ao  crédito  da  não  cumulatividade  do  mercado  interno.  Ressalta­se que foi apurado crédito residual decorrente das operações  no mercado interno neste trimestre no valor de R$ 391.253,05, crédito  estes que sera incorporado ao crédito de mercado interno apurado no  período subseqüente, e por conseqüência utilizado no confronto com o  débito  da  própria  contribuição  (não  é  possível  compensação  ou  ressarcimento deste crédito atrelado ao mercado interno).  [...]  Conforme se depreende do texto acima, não ficou patente se o credito presumido  referente a aquisição pessoa física rural, oriundo da desconsideração das operações simuladas,  tenha sido efetivamente reconhecido ou apropriado, isto é, o segundo parágrafo guarda relação  com o primeiro ou são dois tópicos independentes, cuidando de itens distintos?  Não  obstante  o  acima  exposto,  nota­se  que  os  ajustes  efetivados  pela  fiscalização,  por meio  dos  respectivos demonstrativos de  apuração do  débito/crédito,  não  refletem  harmonização  de  procedimentos  entre  os  processos.  Para  uns  processos  constam  a  apropriação e quantificação do crédito presumido, conquanto para outros não há tal indicação  quantitativa, ainda que se refiram igualmente a períodos dentro da vigência da Lei 10.925/2004  (v.  fls  265  e  149  dos  processos  11543.003690/2004­70  e  11543.000371/2005­93,  respectivamente).  Vejamos a relação processual e as respectivas informações:  UNICAFÉ ­   Crédito Presumido PF Rural em substituição do PJ simulado  seq.  processo  Tributo  Período  (mês/ano)  Nota  demonstrativo  fls. e­processo  1  11543.003690/2004­70  Cofins  7/04 a 9/04  Crédito não quantificado  265  2  11543.003689/2004­45  PIS  7/04 a 9/04  Crédito não quantificado  285  3  11543.000371/2005­93  PIS  1/05 a 3/05  Crédito quantificado  149  4  11543.000767/2004­50  PIS  1/04 a 3/04  Crédito não reconhecido  181  5  11543.000184/2004­29  PIS  10/03 a 12/03  Crédito não reconhecido  1140/1142  6  11543.002342/2004­85  Cofins  4/04 a 6/04  Crédito não reconhecido  157  7  11543.000117/2005­95  Cofins  10/04 a 12/04  Crédito não quantificado  123  8  11543.000118/2005­30  PIS  10/04 a 12/04  Crédito não quantificado  141  9  11543.000372/2005­38  Cofins  1/05 a 3/05  Crédito quantificado  120  10  11543.001116/2005­68  PIS  4/05 a 6/05  Crédito quantificado  110  11  11543.001117/2005­11  Cofins  4/05 a 6/05  Crédito quantificado  106  12  11543.001879/2005­17  Cofins  7/05 a 9/05  Crédito quantificado  123  13  11543.001878/2005­64  PIS  7/05 a 9/05  Crédito quantificado  126    Diante  do  exposto,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligencia  para  que  a  unidade da Receita Federal do Brasil, DRF/Vitória/ES diligencie no sentido de:  Relativamente à glosa dos créditos referentes às aquisições de pessoas jurídicas  irregulares, informar:  Fl. 8462DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.000184/2004­29  Resolução nº  3301­000.233  S3­C3T1  Fl. 21          19 1.  se houve reconhecimento do direito ao crédito presumido pessoa física rural.  2.  se foram apropriados os respectivos créditos presumidos, quantificá­los.  3.  qual  o  tratamento  dispensado  ao  crédito  presumido  em  relação  ao  período  anterior  à  vigência da Lei 10.925/2004 (1º/8/2004).  4.  Outras informações que entender relaventes.  As  informações  poderão,  a  critério  da Unidade  da RFB,  serem  proferidas  em  conjunto, numa única informação, replicadas, por cópia, em todos os processos relacionados.  Por  derradeiro,  cientificar  o  sujeito  passivo  do  resultado  da  diligência,  intimando­o a manifestar­se, se desejar, no prazo regulamentar.  Cumprindo­se  a  diligência  os  autos  deverão  retornar  ao  Carf  para  prosseguimento.    É como voto.    José Henrique Mauri ­ Relator  Fl. 8463DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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Numero do processo: 10120.729212/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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3301­000.859  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  25 de setembro de 2018  Assunto  RESSARCIMENTO  Recorrente  CARAMURU ALIMENTOS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  o  processo  seja  redistribuído,  por  conexão,  à  Primeira  Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira  (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da  Costa  Cavalcanti  Filho,  Salvador  Cândido  Brandão  Junior,  Ari  Vendramini,  Semiramis  de  Oliveira Duro e Valcir Gassen.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto contra decisão de primeira  instância  que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão  da  repartição  de  origem  de  parcial  deferimento  do  ressarcimento  de  crédito  presumido  da  contribuição (PIS/Cofins) pleiteado, decisão essa lastreada em relatórios fiscais elaborados pela  Fiscalização,  em  que  se  detectaram  divergências  em  relação  às  informações  prestadas  pelo  contribuinte no Dacon, na Escrituração Fiscal Digital das Contribuições (EFD Contribuições) e  nos arquivos digitais de notas fiscais.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 29 21 2/ 20 12 -1 0 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10120.729212/2012­10  Resolução nº  3301­000.859  S3­C3T1  Fl. 3            2 Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  havia  alegado  (i)  cerceamento do seu direito de defesa (motivação genérica do despacho decisório), (ii) relação  de  causa  e  efeito  existente  entre  este  e  o  processo  administrativo  nº  10120.725.254/2015­16  (auto  de  infração),  (iii)  direito  a  crédito  presumido  decorrente  da  venda  com  suspensão  no  mercado interno de farelo de soja e (iv) direito a crédito presumido referente à soja adquirida  para produção de farelo.  A  Delegacia  de  Julgamento  (DRJ)  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade, afastando os itens pleiteados pelo contribuinte por falta de previsão legal.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância,  o  contribuinte  interpôs Recurso  Voluntário e  requereu o  reconhecimento do seu direito,  repisando os mesmos argumentos de  defesa encetados na Manifestação de Inconformidade.  É o relatório.    Voto  Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio o decidido na Resolução nº 3301­000.857, de 25/09/2018, proferida no  julgamento do  processo nº 10120.729209/2012­98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela  decisão (Resolução nº 3301­000.857):  6.  O  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  legais  de  interposição,  dele,  portanto, tomo conhecimento.  7.  Entretanto,  diante  da  petição  de  fls.  245,  apresentada  pela  recorrente,  verifica­se que já existe processo vinculado a este, por conexão, em trâmite pela  1ª  Turma  Ordinária  da  Quarta  Câmara  da  3ª  Seção  deste  CARF,  de  nº  10120.725254/2015­16.  CONCLUSÃO  8. Assim, diante deste fato, deve ser este processo redistribuído, por conexão,  para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção.  Destaque­se  que,  não  obstante  o  processo  paradigma  se  referir  unicamente  ao  crédito presumido da Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos  termos ao crédito  presumido da Contribuição para o PIS.  Importa  registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e  jurídica  encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento  lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10120.729212/2012­10  Resolução nº  3301­000.859  S3­C3T1  Fl. 4            3 Portanto, aplicando­se  a decisão do paradigma ao presente processo,  em razão  da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu  redistribuir o presente processo à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção deste CARF,  por já existir processo vinculado a este por conexão (processo nº 10120.725254/2015­16).  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira  Fl. 234DF CARF MF

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7283182 #
Numero do processo: 13770.720968/2014-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para elaboração de novo laudo médico, nos termos do voto do relator. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Raphael Madeira Abad - Redator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Walker Araújo, Diego Weis Jr (Suplente convocado) e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 2          1 1  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13770.720968/2014­91  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3302­000.745  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  17 de abril de 2018  Assunto  IPI ­ isenção  Recorrente  Floriano da Conceição Ramos Moschen  Recorrida  Fazenda Nacional    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento  em  diligência  para  elaboração  de  novo  laudo  médico,  nos  termos  do  voto  do  relator.  (assinatura digital)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente   (assinatura digital)  Raphael Madeira Abad ­ Redator  Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José  Fernandes  do Nascimento, Maria  do  Socorro  Ferreira Aguiar,  José Renato  Pereira  de Deus,  Jorge  Lima Abud, Walker Araújo, Diego Weis  Jr  (Suplente  convocado)  e  Raphael Madeira  Abad.     Relatório  Por bem transcrever os fatos, adota­se o relatório da DRJ/Belo Horizonte, fls.  O  Recorrente  formulou  “requerimento  de  isenção  de  IPI  pessoa  portadora  de  deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autista” (fls. 02) o que fez com arrimo  na Lei n. 8.989/1995.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 70 .7 20 96 8/ 20 14 -9 1 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13770.720968/2014­91  Resolução nº  3302­000.745  S3­C3T2  Fl. 3          2 Para  tanto,  juntou os documentos  legalmente exigidos,  dentre os quais merece  destaque  o  “Laudo  de  Avaliação  ­  Deficiência  Física  e/ou  Visual.”emitido  por  “Serviço  Médico Privado integrante do Sistema Único de Saúde ­ SUS, acostado às fls. 04, onde consta  que o Recorrente é acometido de enfermidade caracterizada como CID M16­7 e M21, assim  detalhadas:   “Paciente  apresenta  artrose  no  quadril  direito,  foi  submetido  a  Artrodese  no  mesmo,  em  consequência  de  osteomielite  na  juventude.  Apresentando limitação de movimento.”  Juntou  aos  autos  também  deferimento  do  pedido  de  Prorrogação  de  Auxílio  Doença (Fls 07 e seguintes), o que ocorreu em julho de 2014.  Há  nos  autos  ainda  outros  documentos  que  evidenciam  que  o  Recorrente  apresenta  limitações físicas, como o cartão de estacionamento em vaga especial emitido pela  Prefeitura Municipal de Serra. (fls. 15), bem como “passe livre” de transporte público (fls. 17).  Contudo, a Delegacia da Receita Federal de Vitória  (ES), ao analisar o pedido  de  reconhecimento  do  direito  à  isenção  do  IPI  na  aquisição  de  automóveis  de  passageiros  formulado  pelo  Recorrente  (fls.  31  e  seguintes)  constatou  que  a  Carteira  Nacional  de  Habilitação  emitida  apenas  4  dias  antes  do  referido  pedido  de  isenção  não  contém  qualquer  restrição em razão de enfermidade, bem como que no exame médico ao qual foi submetido não  há menção  a  qualquer  dificuldade  para  conduzir  veículos.  (fls.  32),  o  que  aparenta  ser  uma  contradição com os laudos apresentados.   A referida Delegacia ressaltou que o exame médico tem por objetivo exatamente  detectar  eventuais  dificuldades  para  a  condução  de  veículos  e  apontá­las,  juntamente  com  indicação de adaptações no veículo, o que não ocorreu no caso concreto.  Tal fato motivou o INDEFERIMENTO do pedido de isenção (fls. 33).  Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade  de  fls.  37,  o  Recorrente  invocou  a  legislação que favorece a pessoa portadora de deficiência, afirmando que sua sua deficiência é  apta a ensejar­lhe o benefício pleiteado.  A questão foi submetida ao crivo da Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento  (DRJ  )  de  Ribeirão  Preto  (fls.  41),  ao  reanalisar  a  questão,  concluiu  que  a  enfermidade apresentada pelo Recorrente não se subsume àquelas que ensejam a concessão da  isenção  pleiteada,  eis  que  a  Lei  8.989/95  expressamente  condiciona  o  benefício  fiscal  ao  “COMPROMETIMENTO DA FUNÇÃO FÍSICA”, julgando improcedente a manifestação de  inconformidade.  O  contribuinte,  irresignado  com  a  Decisão  prolatada  pela  DRJ  apresenta  Recurso Voluntário, sustentando, em síntese, que é sim portador de deficiência, argumentando  que juntou todos os documentos que a lei exige para demonstrar tal situação, especialmente o  laudo  de  avaliação médica,  comprovantes  de  passe  livre,  bem  como  declaração  da  junta  da  Previdência Social. Alega ainda que sua deficiência, apesar de existente, é compatível com a  condução  de  veículos  e  que,  por  esta  razão  possui  inclusive  direito  de  vaga  especial  de  estacionamento.  É o Relatório.  Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13770.720968/2014­91  Resolução nº  3302­000.745  S3­C3T2  Fl. 4          3 VOTO   O Recurso Administrativo atende os pressupostos de admissibilidade.  Com  o  objetivo  de  promover  a  isonomia,  especialmente  no  que  tange  o  tratamento  desigual  aos  desiguais,  a  Lei  8.989/95  estabelece  hipóteses  de  isenção  do  IPI  incidente sobre os veículos automotores.  No  que  diz  respeito  à  isenção  por  deficiência  física,  exige  a  demonstração  de  que  exista  comprometimento  de  função  física,  com  consequente  dificuldade  para  o  desempenho de funções.  A  isenção  de  IPI  pleiteada  pelo  Recorrente  era  normalizada  pela  Instrução  Normativa n. 607, revogada pela IN988/2009 que por sua vez foi posteriormente revogada pela  IN 1769/2017. No caso da Recorrente, cujo requerimento foi formulado em 2014, aplica­se a  legislação ao seu tempo vigente, qual seja a IN 988/2009.  A  referida  Instrução  Normativa  estabelece  o  procedimento  para  o  gozo  do  benefício.  Assim, segundo a referida Instrução Normativa, o documento apto a comprovar  a deficiência é o “Laudo de Avaliação” de que trata o inciso I do artigo 3.  Compulsando os autos é possível constatar que às fls. 04 e seguintes foi juntada  a  documentação  legalmente  exigida,  onde  consta  que  o Requerente  apresenta  “Limitação  de  Movimento”, e foi firmado por dois médicos.  Na ficha “informações complementares” (fls. 5) há menção de que o Requerente  foi submetido a PERÍCIA PERANTE JUNTA MÉDICA, que constatou que a enfermidade não  é  de  origem  estética  e  resulta  de  dificuldade  para  o  desempenho  das  funções  do  membro  inferior,  e que gera uma  INCAPACIDADE para o desempenho de atividade,  tudo elaborado  em formulário padronizado e firmado por dois médicos.  Desta  forma,  não  há  dúvida  que  o  Recorrente  acostou  aos  autos  todos  os  documentos legalmente exigidos para a concessão do benefício.  Muito mais do que  isto, o Recorrente  juntou aos autos outros documentos que  indicam  a  sua  incapacidade,  como  o  “passe  livre”e  a  concessão  do  beneficio  previdenciário  expedido pelo INSS.  Contudo,  os  argumentos  contrários  à  concessão  do  benefício  repousam­se  no  fato de que apesar da junta médica afirmar que o Recorrente possui enfermidade que resulta em  dificuldade  para  o  desempenho  das  funções  do  membro  inferior  com  incapacidade  para  desempenho de atividade, tal deficiência sequer foi notada pelo médico que expediu a CNH, o  que não pode ser desprezado por esta Turma.  Assim,  apesar  do  Recorrente  haver  trazido  aos  autos  documentação  comprobatória de doença, também juntou documento que prova a inexistência de deficiência,  qual seja a sua CNH onde não há qualquer observação no campo de restrições (fls. 13)  Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13770.720968/2014­91  Resolução nº  3302­000.745  S3­C3T2  Fl. 5          4 Às fls. 29 está acostada a ficha de acompanhamento do processo da obtenção da  CNH  junto  ao  DETRAN,  onde  há  menção  de  que  o  Recorrente  foi  aprovado  nos  exames  médicos com a menção APTO.  Havendo documentos públicos contendo informações contraditórias, entende­se  que  é necessário baixar o  feito  em diligência,  para que o Requerente  seja  submetido  a  junta  médica Oficial, preferencialmente do Serviço Publico Federal de Saúde, que deverá atestar se o  Recorrente preenche ou não os requisitos para a concessão do beneficio pleiteado, conforme a  legislação em vigor.  (assinado digitalmente)  Raphael Madeira Abad  Fl. 61DF CARF MF

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9009013 #
Numero do processo: 10970.720014/2013-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3302-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo na Origem até a decisão final do processo nº 10970.720096/2012-54, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado(a)), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Vinicius Guimaraes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Paulo Regis Venter.
Nome do relator: DENISE MADALENA GREEN

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo na Origem até a decisão final do processo nº 10970.720096/2012-54, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado(a)), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Vinicius Guimaraes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Paulo Regis Venter.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-30T11:01:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-30T11:01:40Z; Last-Modified: 2021-09-30T11:01:40Z; dcterms:modified: 2021-09-30T11:01:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-30T11:01:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-30T11:01:40Z; meta:save-date: 2021-09-30T11:01:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-30T11:01:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-30T11:01:40Z; created: 2021-09-30T11:01:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2021-09-30T11:01:40Z; pdf:charsPerPage: 2413; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-30T11:01:40Z | Conteúdo => 0 S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10970.720014/2013-52 Recurso Voluntário Resolução nº 3302-001.861 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2021 Assunto DILIGÊNCIA/SOBRESTAMENTO Recorrente UNIAO-COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo na Origem até a decisão final do processo nº 10970.720096/2012-54, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado(a)), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Vinicius Guimaraes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Paulo Regis Venter. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins não- cumulativos, relativos ao período de janeiro a dezembro/2008. No Termo de Verificação Fiscal restou consignando que foram apuradas infrações de glosa de créditos sobre despesas de fretes em operações de vendas, encargos de depreciação/amortização de bens do ativo imobilizado e outras operações com direito a crédito, ajustes positivos de crédito e omissão de receitas por bonificações recebidas, além de redução do saldo de créditos a descontar em razão de lançamentos promovidos nos Autos de Infração de nºs. 10970.000.981/2010-51, 10970.720.021/2011-92, 10970.720.069/2011-09, 10970.720.173/2011-95, 10970.720.025/2012- 51 e 10970.720.096/2012-54, conforme trecho abaixo: "Isto, em virtude das infrações constatadas neste Auto de Infração e da redução do saldo de créditos a descontar oriundo dos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, que foi promovida pelos lançamentos constantes dos Autos de Infração de nºs. 10970.000.981/2010-51, 10970.720.021/2011-92, 10970.720.069/2011-09, 10970.720.173/2011-95, 10970.720.025/2012-51 e 10970.720.096/2012-54 cujos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 70 .7 20 01 4/ 20 13 -5 2 Fl. 19634DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 demonstrativos de apuração encontram-se respectivamente nos Documentos a [...]. Como resultado, houve a ocorrência de débitos a pagar de PIS e COFINS, em alguns meses do período auditado, objeto deste Auto de Infração." A empresa apresenta impugnação às fls. 884/994 na qual alega, em síntese: a) “a Impugnante tem direito a creditamento em relação a todos os insumos vinculados as suas atividades de prestação de serviços, quais sejam, logística, armazenagem e distribuição, nos termos do Art. 3º, II da Lei n° 10.833/2003. Mas, não apenas. E, sim em relação a TODOS OS INSUMOS RELACIONADOS À SUA ATIVIDADE COMERCIAL TAMBÉM LHE CONFEREM DIREITO A CRÉDITO DE PIS E COFINS. É o que passaremos a demonstrar”; b) discorre longamente sobre a não cumulatividade do PIS e da Cofins para concluir que “O CONCEITO DE INSUMOS PARA PIS E COFINS É ABRANGENTE E COMPORTA TODOS OS DISPÊNDIOS QUE CONTRIBUAM DE FORMA DIRETA OU INDIRETA PARA O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA VISANDO À OBTENÇÃO DE RECEITA, SALVO EXPRESSA PREVISÃO LEGAL EM SENTIDO CONTRÁRIO”; c) DA ILEGALIDADE DA GLOSA DE CRÉDITOS RELATIVOS ÀS DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES (ITEM 1.1 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL): c.1) “a Impugnante contabilizou os seguintes valores a título de despesas com combustíveis e lubrificantes, valores estes informadas na linha 07 das Fichas 06A (PIS) e 16A (COFINS) da DACON, a título de ‘Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda’: R$ 5.574.895,04 - jan a dez/2008 eR$ 394.083,82 - set a dez/2008. Em momento algum cogita-se que tais despesas referem-se às atividades de armazenagem. Na verdade, os combustíveis e lubrificantes são, de fato, despesas relativas a FRETES, porquanto foram consumidos pelos veículos próprios (caminhões) utilizados na entrega das mercadorias adquiridas pelos clientes da Impugnante. Logo, há permissivo expresso que admite o creditamento de tais valores”; c.2) “a legislação em vigor AUTORIZA EXPRESSAMENTE O CRÉDITO DE QUAISQUER VALORES GASTOS COM FRETES DE MERCADORIAS POR OCASIÃO DA ENTREGA AOS RESPECTIVOS CLIENTES, QUANDO O ÔNUS FOR INTEIRAMENTE SUPORTADO PELO VENDEDOR, SEM QUALQUER DISTINÇÃO DE USO DE FROTA PRÓPRIA OU DE TERCEIROS CONTRATADOS”; c.3) DA VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA ISONOMIA E DA LIVRE CONCORRÊNCIA; e) DA ILEGALIDADE DA GLOSA DE CRÉDITOS RELATIVOS AOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO/AMORTIZAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (ITEM 1.2. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL): e.1) “foram desconsideradas as despesas de depreciação registradas nas contas contábeis abaixo no período em análise: e.2) “em hipótese alguma poderia o r. fiscal ter adotado interpretação restritiva da legislação em vigor, admitindo apenas o creditamento de que tratam os art. 3º, inciso VII e seu §1°, inciso III para COFINS e art. 15, II para o PIS, ambos da Lei n° Fl. 19635DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 10.833/2003, os quais permitem que a pessoa jurídica desconte créditos calculados sobre os encargos de depreciação ou amortização incorridos mensalmente, somente de bens classificados como edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros utilizados na atividade da empresa”; e.3) “Aplica-se. sim, ao presente caso, o permissivo para desconto de créditos de PIS e COFINS calculados sobre encargos de depreciação e amortização, de que tratam o Art. 3°. VI e §1°, II para COFINS e Art. 15. II para PIS, ambos da Lei n° 10.833/2003. Como a Impugnante não é uma empresa eminentemente comercial, mas também uma prestadora de serviços de logística, armazenagem e distribuição, tem direito, portanto, de descontar créditos de PIS e COFINS sobre os encargos de depreciação e amortização sobre as máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS”; e.4) “DA ILEGALIDADE DA RESTRIÇÃO TEMPORAL AO CREDITAMENTO DE PIS E COFINS SOBRE DEPRECIAÇÃO DE EDIFICAÇÕES. Outro ponto que igualmente não se pode admitir diz respeito à limitação temporal imposta pelo art. 31 da Lei n° 10.865/04, que restringiu no tempo o aproveitamento de créditos sobre a depreciação de máquinas, equipamentos e edificações”; f) DA ILEGALIDADE DA GLOSA RELATIVA A OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO - CRÉDITO SOBRE CUSTOS DE MANUTENÇÃO (ITEM 1.3. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL) f.1) “a r. fiscalização questionou os seguintes valores considerados na conformação da base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS do período de setembro/2008: Primeiramente, registre-se que há um erro material na página 6 do Termo de Verificação Fiscal, quando informa que os creditamentos supra teriam ocorrido no mês de janeiro/2008. Em verdade, tais creditamentos ocorreram no mês de setembro/2008. TRATAM-SE DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS APROVEITADOS NO MÊS DE SETEMBRO DE 2008, RELATIVOS AOS CUSTOS DE MANUTENÇÃO INCORRIDOS PELA IMPUGNANTE NO EXERCÍCIO DAS SUAS ATIVIDADES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LOGÍSTICA, ARMAZENAGEM E DISTRIBUIÇÃO, APURADOS NO PERÍODO DE 2003 A AGOSTO/2008 PARA PIS E FEVEREIRO/2004 A AGOSTO II008 PARA COFINS Quanto ao crédito apurado no período de agosto/2008, segue abaixo a memória de cálculo Isto posto, deve ser retificado o lançamento, permitindo-se o creditamento de PIS e COFINS sobre os custos de manutenção incorridos pela Impugnante no período de 2003 a agosto/2008 e por ela aproveitados em setembro/2008” Fl. 19636DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 g) DA ILEGALIDADE DA GLOSA DE AJUSTES POSITIVOS DE CRÉDITOS - CRÉDITOS SOBRE CUSTO DE IPI (ITEM 1.4. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL) g.1) “A r. fiscalização questionou os seguintes valores considerados como ajustes positivos de créditos de PIS e COFINS no mês de janeiro/2008: Como visto, tais aproveitamentos realizados no mês de janeiro/2008 referem-se a CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS E COFINS SOBRE O CUSTO DO IPI RELATIVO ÀS AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS DO FABRICANTE/INDUSTRIAL apurados no período de agosto/2003 a dezembro/2007 para PIS e no período de fevereiro/2004 a dezembro/2007 para COFINS”. g.2) “Como se verá, diante da legislação em vigor, não há dúvida de que o custo do IPI incidente sobre as aquisições internas e interestaduais realizados por tais estabelecimentos (CFOP 1102, 2102 e 2117) ensejam o creditamento respectivo de PIS e COFINS”; h) DA ILEGALIDADE DA GLOSA DOS AJUSTES POSITIVOS DE CRÉDITOS - PROCESSO DE CONSULTA SOBRE CRÉDITOS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA (ITEM 1.5 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL) h.1) DO PROCESSO DE CONSULTA SOBRE CRÉDITOS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA - COMPROVAÇÃO DOS ESTORNOS DE CRÉDITOS a Impugnante formulou consulta para a SRFB, a qual foi objeto do processo n° 12179.002634/2008-18, em que foi questionado o seu direito de manter os créditos de PIS e COFINS, à alíquota de 9,25%, sobre as aquisições de produtos sujeitos ao regime monofásico, a partir de 06.09.2004. Com base na consulta, a Impugnante aproveitou créditos de PIS e COFINS sobre as aquisições de produtos sujeitos ao regime monofásico, apurados de forma extemporânea, os quais foram creditados na sua escrita fiscal no período de setembro a dezembro de 2008. Em 26.01.2009, foi proferida a Solução de Consulta n° 02 - SRRF/63 RF/Disit (Doe. 12), no sentido de que, "com exceção do álcool para fins carburantes, que se sujeita a normas específicas, a aquisição, para posterior revenda, de mercadorias sujeitas a regimes monofásicos do PIS e da COFINS não gera direito a créditos dessas contribuições, por expressa vedação legal". Tão logo a Impugnante foi intimada da referida Solução de Consulta, ciente dos efeitos legais da Consulta, tratou de promover, imediatamente, os respectivos estornos de créditos, devidamente formalizados nas DACONs dos períodos de janeiro a abril de 2009. conforme atestam as declarações anexas (Doe. 13). Ressalte-se que a Impugnante teve que fazer estornos proporcionais dos créditos durante os meses de janeiro a abril/2009, pois, operacionalmente, não é possível transmitir DACONs com valores negativos, razão pela qual tais DACONS foram transmitidas com valores zerados nos meses de janeiro/fevereiro e março/2009, tendo sido o remanescente estorno implementado em abril/2009 Fl. 19637DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 h.2) DOS CRÉDITOS RELATIVOS AOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO - NOVEMBRO/2008 (PERÍODO DE APURAÇÃO: MAIO/2004 A OUTUBRO/2008] Parte dos creditamentos de PIS e COFINS realizados no mês de novembro de 2008 refere-se a créditos extemporâneos relativos aos encargos de depreciação e amortização sobre bens do ativo imobilizado, apurados no período de maio/2004 a outubro/2008: PIS - R$ 140.721,81 e COFINS - R$ 648.173, 20. h.3) DOS CRÉDITOS RELATIVOS A OUTROS INSUMOS Antes de tratarmos especificamente sobre as despesas que foram utilizadas para apuração dos créditos retro mencionados, torna-se conveniente ressaltar que os mesmos sequer foram previamente analisados pelo r. Fiscal. Ou seja, NÃO SE TRATA DE GLOSA DE CRÉDITOS, até mesmo porque, o r. fiscal simplesmente desconsiderou tais lançamentos diante da ausência de resposta do Contribuinte no processo fiscalizatório. i) DA SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITAS À TRIBUTAÇÃO DO PIS E COFINS: BONIFICAÇÕES RECEBIDAS EM DISPONIBILIDADES (ITEM 2 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL) i.1) DA NATUREZA JURÍDICA DAS BONIFICAÇÕES RECEBIDAS EM DISPONIBILIDADES i.2) DA CARACTERIZAÇÃO DAS BONIFICAÇÕES PAGAS EM MOEDA COMO INSTRUMENTOS DE REDUÇÃO DE CUSTOS DO PREÇO DAS MERCADORIAS - FATO INCONTROVERSO E RECONHECIDO PELO PRÓPRIO FISCAL AUTUANTE i.3) DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/COFINS À LUZ DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E LEIS ORDINÁRIAS N° 10.833/2003 E 10.637/2002 i.4) DO DESCOMPASSO EM SE TRIBUTAR TAIS VALORES PROVENIENTES DE BONIFICAÇÕES EM FACE DO PRINCÍPIO DA NÃO - CUMULATIVIDADE i.5) DOS DESCONTOS OBTIDOS: RECEITAS FINANCEIRAS ISENTAS DE TRIBUTAÇÃO DE PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVAS j) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL OU PERÍCIA A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, baixou o processo em diligência fiscal por meio do Despacho nº 05, de 03 de abril de 2013 (fls.18044/18045), em função do que consta do Termo de Verificação Fiscal e de algumas das alegações da impugnante (fls. 21/44), quanto às glosas relativas: 1. ajustes positivos de crédito – (item 1.4 do TVF); 2. ajustes positivos de créditos processo de consulta sobre créditos de produtos sujeitos à tributação monofásica; 3. créditos relativos a outros insumos. Às fls. 19366/19387 consta o Relatório Fiscal, que conclui: CONCLUSÃO: Através deste trabalho, foi efetuado o recálculo das contribuições para o PIS e COFINS, incidência não cumulativa, dos meses de janeiro a dezembro de 2008, tendo sido efetuada a recomposição do fluxo de saldos de créditos a descontar, conforme documentos c informações prestados pelo sujeito passivo em sua peça impugnatória, em atendimento aos quesitos postulados pela autoridade julgadora de primeira instância. Apurados os valores a serem excluídos do cálculo do PIS e COFINS, a título de créditos a descontar, conforme demonstrado nos "Quadros 1.2 e 2.5". estes foram transpostos para os "Demonstrativos dos Créditos da Contribuição", fl. 19.310 a 19.313 (PIS) e fl. 19.314 a 19.317 (COFINS). Fl. 19638DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 Os valores finais obtidos, de PIS e COFINS, foram transpostos para os "Demonstrativos de Apuração do PIS e COFINS e da Movimentação dos Saldo de Créditos a Descontar", às fls. 19.322 a 19.325 e 19.318 a 19.321. respectivamente. Nestes constam: o saldo de créditos a descontar acumulado nos anos anteriores ao auditado, o fluxo de compensação com as contribuições incidentes sobre as infrações apuradas e a composição do saldo final de créditos a descontar, existente em 31/12/2008. Nesta recomposição, foi mantida a compensação integral dos saldos de créditos a descontar de PIS c COFINS gerados durante os meses de janeiro a dezembro de 2008, com débitos do próprio período, uma vez que, em virtude dos lançamentos anteriormente efetuados, Autos de Infração de nos. 10970.000.981/2010-51, 10970.720.021/2011-92, 10970.720.069/2011-09, 10970.720.173/2011-95, 10970.720.025/2012-51 e 10970.720.096/2012-54, não havia saldos remanescentes de créditos a descontar, em 31/12/2007. Como resultado final, foi elaborado o "Demonstrativo de Apuração de Pis e Cofins Devidos - Incidência Não Cumulativa", contendo a "Proposta de Alteração de Lançamento de Ofício", à fl. 19.326, a ser submetida à autoridade julgadora, para análise e considerações. A coluna de "Valores Lançados no Auto de Infração - Valor Devido" de PIS foi obtida das fls. 015 a 016 e da COFINS, das fls. 006 a 007 , do presente processo. É o que há a se relatar. Intimada a autuada peticionou aos autos (fls.19353/19364), reiterando os argumentos aduzidos em sede de impugnação. Sobreveio o Acórdão nº 09-55453, de 13/11/2014 (fls.19400/19416), que, por unanimidade de votos, concluiu pela procedência de parte da Impugnação apresentada, nos termos da diligência fiscal solicitada, conforme abaixo: Créditos apurados na diligência efetuada -créditos extemporâneos referente a IPI não recuperável, destacado em Notas Fiscais de compras de mercadorias para revenda dos anos 2003, 2005, 2006 e 2007 apropriados pela impugnante em janeiro de 2008 = Cofins = R$ 1.145.192,54 e PIS/Pasep = R$ 283.412,04 (fl. 19.329); - créditos extemporâneos sobre encargos de depreciação incorridos no período de maio/2004 a dezembro/2007, referentes à conta contábil “Edificações – 13.02.01.0010”, declarados na DACON do mês de novembro de 2008 = Cofins = R$ 4.309,66 e PIS/Pasep = R$ 2.482,82 (fl. 19.339). Eis a ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2008 PIS/PASEP - COFINS. INSUMOS O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. PIS/PASEP - COFINS. CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das Contribuições. PIS/PASEP - COFINS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO Fl. 19639DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 Para fazer jus a créditos relativos a depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, tais itens devem ser utilizados na produção de bens destinados à venda ou a prestação de serviços. PIS/PASEP - COFINS. CRÉDITO SOBRE CUSTOS DE MANUTENÇÃO Os custos de manutenção que geram créditos de PIS/Pasep e Cofins são aqueles relativos a máquinas e equipamentos usados no processo produtivo da empresa ou na prestação de serviços a terceiros. PIS/PASEP - COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. PIS/PASEP - COFINS. AQUISIÇÃO DE PRODUTO MONOFÁSICO PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Não podem ser descontadas como crédito as aquisições de produtos para revenda sujeitos à tributação monofásica, ainda que sua receita de venda seja sujeita à alíquota zero. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante da exoneração do crédito lançado, recorreu-se de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. Inconformada, a autuada interpôs Recurso Voluntário (fls.19431/19550), por meio do qual repete, basicamente, os mesmo argumentos já declinados em sua impugnação. Acrescenta que a decisão recorrida deve ser anulada em face da negativa da reunião dos processos para julgamento em conjunto, pela existência de conexão e por cerceamento de defesa, diante da falta de fundamentação e motivação. Por fim, requer a reforma do acórdão recorrido e julgados improcedentes os autos de infração. Alternativamente, seja retificado o lançamento do crédito adicional reconhecido pela autoridade fiscal no procedimento de diligência fiscal. Tendo em vista o Recurso de Ofício, a autuada interpôs contrarrazões às fls. 19523/19539. Em 27 de julho de 2017, esta Turma, por meio da Resolução nº 3302-000.650, converteu o julgamento do processo em diligência, para sobrestar o julgamento e encaminhar o processo para a SECAM, a fim de que se aguarde a formação de lote com os processos 10970.000981/2010-51, 10970.720021/2011-92, 10970.720069/2011-09, 10970.720173/2011- 95, 10970.720025/2012-51 e 10970.720096/2012-54, para que, então, retorne para julgamento em conjunto. Em resposta a Coordenação-Geral de Gestão do Julgamento – Cojul e a Divisão de Análise de Retorno e Distribuição de Processos – Dipro, apresentaram a situação dos referidos processos, conforme abaixo: Consultando a situação dos referidos processos, verifica-se: Processo 10970.000981/2010-51: Recurso Voluntário julgado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento em 27/07/2018, resultando no Acórdão 1201- 002.325, cuja decisão foi por dar-lhe provimento. Cientificada, a PGFN não apresentou recurso especial e o processo encontra-se na VR 06RF DEFIS para cálculo do valor da redução após o acórdão proferido pelo CARF; Fl. 19640DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 Processo 10970.720021/2011-92: Recurso Voluntário julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em 27/02/2018, resultando no Acórdão 3402- 004.937, cuja decisão foi por negar-lhe provimento. Cientificado, o contribuinte não apresentou recurso especial e o processo encontra-se na PSFN Uberlândia; Processo 10970.720069/2011-09: Recurso Voluntário julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em 27/02/2018, resultando no Acórdão 3402- 004.939, cuja decisão foi por negar-lhe provimento. Cientificado, o contribuinte não apresentou recurso especial e o processo encontra-se na PSFN Uberlândia; Processo 10970.720173/2011-95: Recurso Voluntário julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em 27/02/2018, resultando no Acórdão 3402- 004.940, cuja decisão foi por negar-lhe provimento. Cientificado, o contribuinte não apresentou recurso especial e o processo encontra-se na PSFN Uberlândia; Processo 10970.720025/2012-51: Recurso Voluntário julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em 27/02/2018, resultando no Acórdão 3402- 004.938, cuja decisão foi por negar-lhe provimento. Cientificado, o contribuinte não apresentou recurso especial e o processo encontra-se na PSFN Uberlândia; Processo 10970.720096/2012-54: Resolução 3302-000.651, de 27/07/2017, determinou o seu sobrestamento com encaminhamento à então Secam, a fim de que se aguarde a formação de lote com os processos 10970.000981/2010-51, 10970.720021/2011-92, 10970.720069/2011-09, 10970.720173/2011-95 e 10970.720025/2012-51, inclusive com este, para que, então, retorne ao ex-Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, para julgamento em conjunto. Como se pode ver, à exceção deste processo e do de nº 10970.720096/2012-54, os demais processos encontram-se julgados, com decisões definitivas, cujas cópias foram juntados às fls. 19.561 a 19.628 destes autos. Assim, considerando que o então Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, relator originário destes autos, não mais integra nenhum dos colegiados da Seção, encaminhe- se à 2ªTurma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, para novo sorteio no âmbito da referida turma. Na forma regimental, o processo foi distribuído a esta relatora. É o relatório. Voto Conselheiro Denise Madalena Green , Relator. A recorrente foi intimada da decisão de piso em 24/11/2014 (fl.19428) e protocolou Recurso Voluntário em 23/11/2014 (fl. 19431) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/72 1 . Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como relatado, trata o presente processo de Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos, relativos ao período de janeiro a dezembro/2008 em razão de glosa de créditos sobre despesas de fretes em operações de vendas, encargos de depreciação/amortização de bens do ativo imobilizado e outras operações com direito a crédito, ajustes positivos de crédito e omissão de receitas por bonificações recebidas, além de redução do saldo de créditos a descontar em razão de lançamentos promovidos nos outros Autos de Infração de nºs. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 19641DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 da Resolução n.º 3302-001.861 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720014/2013-52 10970.000.981/2010-51, 10970.720.021/2011-92, 10970.720.069/2011-09, 10970.720.173/2011- 95 e 10970.720.025/2012-51 e 10970.720.096/2012-54. Inicialmente cumpre esclarecer que o presente processo foi baixado em diligência conforme voto do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (fls.19557/19560), em virtude da conexão verificada, nos termos do artigo 6º, §1º, inciso II do Anexo II do RICARF, requereu-se a reunião de todos os processos para julgamento em conjunto. Após o pedido de diligência que resultou a informação de fls. 19631/19633, foram juntados aos autos as decisões definitivas dos Processos: 10970.000981/2010-51, 10970.720021/2011-92, 10970.720069/2011-09, 10970.720173/2011-95, 10970.720025/2012- 51, 10970.720096/2012-54. Com exceção ao Processo nº 10970.720096/2012-54, que foi distribuído para esta relatora e ainda aguarda decisão definitiva. Verifica-se, claramente, que o lançamento consubstanciado nestes autos é decorrente ou vinculado por decorrência, formalizado (constituição de créditos tributários) em virtude da redução do saldo de créditos a descontar em razão de lançamentos promovidos nos Autos de Infração referidos acima. Dessa forma, o que decidido naqueles processos, repercutirá nos autos ora em litígio. Portanto, não é possível, ou melhor, não se mostra adequado o julgamento deste processo antes do julgamento definitivo do Processo nº 10970.720096/2012-54, sob pena de ocasionar inconvenientes insuperáveis quando da liquidação desta decisão, haja vista que, como dito, qualquer modificação que redunde alteração dos saldos credores apurados naquele processo terá obrigatória influência neste. Diante desses fatos, voto por determinar o retorno dos autos a unidade de origem para sobrestar este processo até o julgamento definitivo do Processo nº 10970.720096/2012-54. Após o julgamento definitivo do mencionado processo, a Unidade Preparadora deve apurar a repercussão da liquidação dos julgados nos Processos nº 10970.000.981/2010-51, 10970.720.021/2011-92, 10970.720.069/2011-09, 10970.720.173/2011-95 e 10970.720.025/2012-51 e 10970.720.096/2012-54 neste processo, elaborar relatório fiscal conclusivo, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011 2 . Posteriormente, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green 2 Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação (Lei nº 9.784, de 1999, art. 28). Fl. 19642DF CARF MF Documento nato-digital

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6799573 #
Numero do processo: 15374.724380/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer, Mércia Trajano Damorim e Winderley Morais Pereira (Relator). Designado para a formalização da diligência a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Leonardo Garcia Bites, OAB nº 173.049. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Relator e Presidente Substituto. Assinado digitalmente Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo - Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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3201­000.840  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  28 de março de 2017  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  PETRÓLEO  BRASILEIRO S/A ­ PETROBRÁS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  vencidos  os  Conselheiros  José  Luiz  Feistauer,  Mércia  Trajano  Damorim e Winderley Morais Pereira (Relator). Designado para a formalização da diligência a  Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o  Advogado Leonardo Garcia Bites, OAB nº 173.049.   Assinado digitalmente   Winderley Morais Pereira ­ Relator e Presidente Substituto.   Assinado digitalmente   Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo ­ Redatora Designada  Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio  Schappo,  Ana  Clarissa  Masuko  dos  Santos  Araujo,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Paulo  Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.                RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 24 38 0/ 20 09 -4 7 Fl. 552DF CARF MF Processo nº 15374.724380/2009­47  Resolução nº  3201­000.840  S3­C2T1  Fl. 5.988          2 Relatório     Por  bem  descrever  os  fatos  adoto,  com  as  devidas  adições,  o  relatório  da  primeira instância que passo a transcrever.  "Trata o presente processo de Declaração de Compensação  (Dcomp)  de  crédito  originário  de  pagamento  efetuado  a  maior  relativo  à  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  –  PIS  (código  8109), período de janeiro de 2004. A DEMAC/RJO exarou o despacho  decisório  de  fl.  59,  com  base  no Parecer Conclusivo  nº  40/2011  (fls.  54/58)  decidindo  não  reconhecer  o  direito  creditório  pleiteado  e  não  homologar  a  compensação  declarada. No Parecer Conclusivo  consta  consignado, em resumo, que:  a) A contribuinte retificou a DCTF reduzindo o valor do PIS declarado  para o período em questão de R$ 18.415.915,69 para R$ 26.485,79. O  valor  retificado  em  DCTF  coincide  com  o  declarado  na  DIPJ/2005  para  o  PIS  cumulativo,  importância  que  se  repete  no DACON;  b)  A  interessada  foi  intimada  a  justificar  a  retificação  da  COFINS  declarada e apresentar cópia do balancete mensal, páginas dos livros  Diário e Razão e outros documentos fiscais e contábeis.   Em resposta, apresentou as justificativas de fls. 17/21, planilha com a  composição da base de cálculo do álcool (que segundo a empresa, é o  único produto com incidência cumulativa no período) e cópia de parte  do balancete de janeiro/2004; c) A interessada esclareceu apenas como  apurou o valor do PIS cumulativo que constou na DCTF retificadora,  sem se preocupar em apresentar a composição da base de cálculo que  resultou no valor originalmente declarado ou especificar e justificar os  ajustes efetuados nessa apuração, em que pese ter sido expressamente  intimada; d) Havendo a contribuinte efetuado um pagamento de PIS no  montante  de  R$  18.442.401,48,  certamente  ocorreu  o  lançamento  contábil  do  referido  valor  em  contrapartida  de  despesa  de  PIS,  bem  como  existe  planilha  de  apuração  do  montante  recolhido.  Posteriormente,  quando  apresentada  a  DCTF  retificadora,  deve  ter  ocorrido o estorno de parte da despesa no Livro Diário e no Razão. E é  de  se  presumir  também  que  vinculados  a  estas  retificações  nos  lançamentos  contábeis  ocorreram  também  estornos  de  receitas,  ou  registro  de  créditos  na  contabilidade  que  repercutiram  no  PIS  de  janeiro de 2004 ou, pelo menos, foi feita uma memória de cálculo para  justificar a retificação; e) Ressalte­se que a contribuinte declarou nas  DCTF de meses anteriores,  valores da mesma ordem de grandeza do  montante  recolhido  em  janeiro  de  2004;  f)  A  prova  do  indébito  tributário  compete  ao  sujeito  passivo  que  teria  efetuado  pagamento  indevido  ou  a  maior  que  o  devido.  Decorre  daí  que  o  pedido  de  reconhecimento  de  indébito  tributário  deve  estar  necessariamente  instruído  com  as  provas  no  qual  se  fundamenta,  sob  pena  de  pronto  indeferimento;  g)  Como  a  interessada,  apesar  de  intimada,  não  apresentou  motivação  nem  juntou  documentação  hábil  para  demonstrar  os  possíveis  erros  nos  valores  declarados  na DCTF,  não  são aceitáveis a retificação feita pela contribuinte, a tácita repetição de  indébito solicitada e a compensação declarada.  Fl. 553DF CARF MF Processo nº 15374.724380/2009­47  Resolução nº  3201­000.840  S3­C2T1  Fl. 5.989          3 A contribuinte  foi  cientificada do Despacho Decisório  em 28/03/2011  (fl. 109) e apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/04/2011  (fls. 65/69), alegando, em síntese que:  a)  Até  a  competência  12/2003,  o  PIS  não­cumulativo,  cujo  recolhimento deveria ser realizado no código 6912 era feito através do  código 8109, em razão de uma limitação no programa da DCTF, que  não  permitia  informar  o  valor  “Dedução  CIDE­Combustíveis  –  DCIDE”  no  código  6912.  Por  essa  razão,  o PIS  não­cumulativo  era  lançado  na  DCTF  no  código  8109  e  eram  recolhidos  dois  DARF’s  neste código, um para a venda cumulativa (no caso, somente o álcool)  e outro para a  venda não­cumulativa; b) A partir de 01/2004,  com o  saneamento  da  pendência  na  DCTF,  passou­se  a  informar  os  recolhimentos nos códigos 6824 (combustíveis), 8109 (cumulatividade)  e 6912 (não­cumulatividade);  c) O  recolhimento  estimado  foi  realizado  com  base  no  procedimento  até  então  adotado  (DARF  8109),  razão  pela  qual  este  apresentou  grande variação. Como não era possível fazer REDARF para o código  6912,  foi  efetuado  recolhimento  espontâneo  para  o  código  6912;  d)  Nos  meses  subseqüentes,  os  recolhimentos  de  PIS  código  8109  apresentam relativamente a mesma ordem de  grandeza;  e) Apresenta  tabelas  com  a  base  de  cálculo  e  os  recolhimentos  relativos  ao  PIS  cumulativo; f) Requer seja declarada legítima a compensação efetuada,  procedendo­se  a  sua  devida  homologação  e  protesta  pela  juntada  posterior de documentos complementares."  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  decidiu  pela  manutenção  do  despacho decisório,  por  entender que  as  alegações  e os  documentos  trazidos  pela Recorrente não comprovariam o pagamento a maior do PIS. A decisão da DRJ foi assim  ementada:   “ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  Período  de  apuração:  01/01/2004  a  31/01/2004  IMPUGNAÇÃO.  ALEGAÇÃO  SEM PROVAS.  A  manifestação  de  inconformidade  apresentada  contra  decisão  que  reconheceu  em  parte  o  direito  creditório  pleiteado  deverá  conter  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  deverá  vir  acompanhada  dos  dados  e  documentos  comprovadores dos fatos alegados.  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA.  A  prova  deve  ser  apresentada  na  manifestação  de  inconformidade,  precluindo o direito de fazê­lo em outro momento processual, por força  do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.  Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não  Reconhecido"  A  decisão  da  primeira  instância  detalha  as  inconsistência  encontradas  na  apuração do PIS  que  demonstram que  não  trata­se de  simples  equivoco no preenchimento de  códigos ou da  DCTF. As afirmações da autoridade de piso foram assim esclarecidas.  "Em  sua  defesa  a  interessada  procura  justificar  a  redução  do  valor  devido declarado esclarecendo que até o período de apuração 12/2003,  Fl. 554DF CARF MF Processo nº 15374.724380/2009­47  Resolução nº  3201­000.840  S3­C2T1  Fl. 5.990          4 em razão de uma limitação do programa de preenchimento da DCTF, o  PIS  nãocumulativo  (código  de  arrecadação  6912)  era  informado  juntamente  com  o  PIS  cumulativo  (código  8109).  Consequentemente,  eram  realizados  dois  recolhimentos  no  código  8109,  um  referente  ao  valor devido apurado no regime cumulativo e outro correspondente ao  PIS nãocumulativo.  Prossegue  esclarecendo  que  a  partir  de  janeiro  de  2004  foi  solucionado  o  problema  no  programa  da  DCTF,  possibilitando  a  informação  do  PIS  devido  apurado  para  os  códigos  6824  (combustíveis), 8109 (cumulatividade) e 6912 (nãocumulatividade).  No entanto, o recolhimento da contribuição apurada para o período em  base  estimativa  foi  efetuado  seguindo  o  procedimento  até  então  adotado, decorrendo daí a grande variação entre o valor declarado e o  valor  pago.Como  não  era  possível  a  retificação  do  DARF  para  o  código 6912,  foi  realizado outro  recolhimento neste mesmo código, o  que  acabou  por  configurar  o  crédito  decorrente  de  recolhimento  a  maior no código 8109.  A  justificativa do contribuinte não condiz com os dados extraídos dos  sistemas da RFB.  De  acordo  com  o  alegado,  o  pagamento  realizado  no  valor  de  R$  18.415.915,69  corresponderia,  ao menos  em parte,  ao PIS  devido  no  regime não­cumulativo.  Logo,  com  a  retificação  da  DCTF,  deveria  ter  ocorrido  uma  transferência  do  montante  declarado  no  código  8109  para  o  código  6912. Não é o que se observa, contudo. O quadro abaixo apresenta um  resumo dos pagamentos realizados e dos débitos declarados na DCTF  original e na última retificadora:  .... (tabela fl. 4 da decisão da DRJ)   Verifica­se  que  todos  os  pagamentos  foram  realizados  na mesma  data,  em  13/02/2004,  em  valores  equivalentes  aos  débitos  declarados  para  os  códigos  8109  e  6912  na DCTF  original  (entregue em 14/05/2004). Mais de um ano depois, em 01/09/2005, o contribuinte apresentou a  primeira DCTF  retificadora  alterando  apenas  o  débito  relativo  ao  PIS  cumulativo  (8109). O  débito declarado para o PIS nãocumulativo permaneceu o mesmo.  Fl. 555DF CARF MF Processo nº 15374.724380/2009­47  Resolução nº  3201­000.840  S3­C2T1  Fl. 5.991          5 Outras duas DCTF retificadoras foram apresentadas, em 17/02/2006 e  09/05/2006,  mantendo  as  mesmas  informações  contidas  na  primeira  retificadora em relação aos débitos de PIS.  Observe­se que o débito  total de PIS declarado (considerando os  três  regimes  de  apuração)  sofreu  uma  expressiva  redução  com  a  declaração  retificadora  apresentada  (de  R$  28.296.707,53  para  R$  9.880.791,83).  Ou  seja,  não  houve  a  transferência  de  valor  supostamente declarado indevidamente no código 8109 para o código  6912. Ressaltese, ainda, que o pagamento alegado como indevido, no  valor  de  R$  18.415.915,69,  é  muito  superior  à  soma  dos  valores  informados  na  retificadora  como  devidos  no  regime  cumulativo  e  nãocumulativo (R$ 7.953.451,87 + R$ 26.485,78 = R$ 7.979.437,65).  Todos  esses  dados  demonstram  a  inconsistência  da  tese  do  contribuinte.  Não  se  trata  de  simples  equívoco  no  preenchimento  do  código de arrecadação que possa ser facilmente detectado através da  análise  comparativa  das  DCTF’s  apresentadas  e  pagamentos  realizados.   Se, como alega o contribuinte, o total pago no código 8109 abrangia o  PIS  devido  no  regime  cumulativo  e  nãocumulativo,  para  que  haja  o  reconhecimento  do  direito  creditório  faz­se  necessário  demonstrar  a  base de cálculo e a apuração da contribuição devida nos dois regimes  de  apuração,  confrontar  os  débitos  apurados  com  os  pagamentos  realizados  nos  diferentes  códigos  de  arrecadação  e  concluir  pela  existência ou não de pagamento a maior.  Ocorre que os documentos trazidos aos autos não permitem o cálculo  do  montante  devido,  tendo  em  vista  que  os  valores  informados  no  demonstrativo  de  apuração  do  PIS  constante  da  DIPJ/2005  não  conferem  completamente  com  os  registros  no  balancete  mensal  apresentado  e,  conforme  se  verifica  em  diversos  outros  processos  formalizados  para  análise  de  outras  compensações  declaradas  pelo  contribuinte,  a  empresa  realiza  ajustes  extra  contábeis  acatados,  ao  menos  em  parte,  pela  Delegacia  de  origem,  ajustes  estes  não  demonstrados nos presentes autos.  Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário,  repisando as  alegações apresentadas na impugnação, reafirmando o direito ao crédito e que a documentação  juntada  seria  suficiente para comprovar o  indébito  tributário. A Recorrente discorre  sobre  as  informações e os documentos apresentados durante o processo que foram assim detalhadas no  recurso.   “Com  efeito,  a  Recorrente  trouxe  à  colação  cópia  integral  do  seu  Balancete Patrimonial referente ao mês de Janeiro de 2004, sendo que,  na página 32 do aludido documento, nos códigos 3110103, 3110104 e  3120104,  verifica­se,  de  forma  clara,  simples  e  objetiva,  as  receitas  advindas  da  venda  de  ÁLCOOL  HIDRATADO  NACIONAL  e  de  ÁLCOLL ANIDRO NACIONAL, bem como as devoluções atinentes ao  ÀLCOOL ANIDRO NACIONAL ­ únicos produtos, frise­se novamente,  em que ocorreu a incidência do PIS cumulativo sobre a receita oriunda  destes.  Fl. 556DF CARF MF Processo nº 15374.724380/2009­47  Resolução nº  3201­000.840  S3­C2T1  Fl. 5.992          6 Pois bem. Fazendo­se uma análise detida de  tal documento, apura­se  facilmente  tanto  a  base  de  cálculo  referente  ao  PIS  CUMULATIVO  (cód.  8109)  devido  nos  mês  de  janeiro  de  2004  ­  que  decorre  das  receitas advindas da  venda do ÁLCOOL HIDRATADO NACIONAL e  de ÁLCOOL ANIDRO NACIONAL, e que foi objeto de apresentação de  DCTF  retificadora  pela  Recorrente  ­,  quanto  aquela  relativa  à  incidência não cumulativa do aludido tributo (Cód. 6912 ­ que NÃO foi  objeto  de  retificação  por  parte  da  Recorrente  na  DCTF  retificadora  por ela apresentada)."(fls. 209 a 210)  Na apreciação do  recurso voluntário,  a  turma  resolveu converter o  julgamento  em diligência a fim de que unidade preparadora procedesse a apuração dos valores devidos do  PIS cumulativo e do PIS não cumulativo para o período em discussão, informando em relatório  se o cálculo obtido corresponde aos valores apresentados pela recorrente e que foram objeto de  retificação da DCTF, caso estes valores estejam corretos se são suficientes para comprovar o  direito creditório pleiteado.   A Unidade de Origem procedeu a diligência, consubstanciado no relatório fiscal  (fls. 486 a 490). Nos termos da diligência, a Fiscalização realizou a auditoria, concluindo que  os  documentos  apresentados  não  confirmam  as  alegações  da  Recorrente.  O  trecho  abaixo,  extraído do relatório fiscal, detalha as conclusões da Autoridade Fiscal.  "Considerando o  exposto, a diligência solicitada pelo CARF para  ter  consistência  demanda  a  auditoria  dos  créditos  utilizados  pela  contribuinte  para  reduzir  a  contribuição  informada  originalmente  no  Dacon  e,  por  consequência,  necessida  que  a  empresa  forneça  documentação  que  comprove  a  validade  das  deduções  de  PIS,  permitindo  ao  Fisco  verificar  se  as  operações  que  compuseram  os  créditos de PIS enquadram­se nas hipóteses previstas em lei para sua  geração.  Assim,  para  verificar  a  validade  das  informações  prestadas  pela  interessada em DCTF e Dacon, o Fisco solicitou os arquivos digitais  previstos  no  ADE  Cofins/RFB  nº  25,  de  2010,  cuja  estruturação  possibilita a análise dos valores devidos a  título de PIS  cumulativo  e  não­cumulativo.  No  entanto,  a  recorrente apresentou  os  arquivos  no  formato no ADE  Cofins/RFB  nº  15,  editado  em  2001,  quando  a  sistemática  da  não­ cumulatividade sequer ainda era aplicada ao PIS.  Esclareça­se que sem os arquivos complementares de apuração de PIS  previstos no ADE Cofins nº 25, de 2010 , não é possível realizar uma  auditoria  eficaz,  tendo  em  vista  a  ausência  de  informações  como:  Código de Situação Tributária, Alíquota, Base de Cálculo, Valor  etc.  Ora, como o Fisco pode saber, por exemplo, se a tributação ocorreu no  regime  monofásico  ou  se  houve  suspensão  ou  isenção  do  PIS  em  determinada operação, sem o CST ­ Código de Tributação Tributária.  Ou  como  saber  se  ao  produto  foi  aplicada  a  alíquota  geral  ou  uma  alíquota específica, senão há essa informação nos arquivos fiscais.  O ADE Cofis nº 15, de 2001, estabeleceu a forma de apresentação e as  especificações  técnicas dos arquivos digitais de que  trata a Instrução  Normativa  SRF  nº  86,  de  1999.  Posteriormente,  o  citado  ato  sofreu  sucessivas alterações através dos ADE Cofis nº 55 e ADE Cofis nº 25, a  Fl. 557DF CARF MF Processo nº 15374.724380/2009­47  Resolução nº  3201­000.840  S3­C2T1  Fl. 5.993          7 fim  de  permitir  ao  Fisco  melhorar  sua  capacidade  de  auditar  os  tributos federais.  Importante ressaltar para o caso em concreto que as alterações feitas  nos  atos  declaratórios  estabeleceram,  entre  outras  informações,  a  entrega de arquivos complementares de PIS necessários à auditoria de  apuração  desta  contribuição,  principalmente  na  sistemática  de  não­ cumulatividade.  Não é demais lembrar que no caso em questão, não há que se falar em  aplicação  retroativa  da  legislação  e  falta  de  eficácia  da  norma  procedimental superveniente. O Código Tributário Nacional, dispõe em  seu art. 144:  ....  No caso em questão, como mencionado: i) a empresa reduziu o total de  débitos de PIS a pagar de R$ 171.177.548,17 para R$ 9.880.791,83; ii)  a maior parte das deduções foram realizadas sob a rubrica de "Outras  deduções"; iii) a Petrobrás alega que o pagamento indevido decorre de  erros de preenchimentos dos códigos de receita;  iv) esta hipótese não  explica  as  retificações  efetuadas  nas  declarações  da  contribuinte;  v)  apesar  das  oportunidades  concedidas  ao  longo  do  processo  administrativo  fiscal,  a  interessada  não  esclarece  a  origem  das  deduções  constantes  no Dacon  retificador;  e,  por  fim,  vi)  a  empresa  apresentou arquivos distintos daqueles solicitados pelo Fisco, que não  possibilitam a plena verificação dos créditos de PIS previstos no art. 3º  da Lei nº 10.833, de 2003.  Em suma, como o referido resumo mostra, a contribuinte não ofereceu  ao Fisco conjuntos probatório capaz de  justificar, seja as retificações  realizadas no Dacon e na DCTF, seja sua apuração de PIS.  ...  Desta forma, considerando que os arquivos digitais apresentados não  estão em conformidade com as alterações promovidas pelo ADE nº 25,  e  portanto  falta  os  arquivos  não  possuem  os  dados  específicos  necessários à apuração do PIS/Cofins,  resta prejudicada a diligência  solicitada para a apuração do PIS cumulativo e não­cumulativo, razão  pela  qual  entende  esta  fiscalização  que  deve  ser  mantido  a  não­ homologação  da DCOMP,  pois  a  compensação  só  pode  ser  efetuada  com  crédito  líquido  e  certo,  apurado  por meio  de  provas  hábeis  que  evidenciam a  sua correta e  completa composição, o que,  no presente  caso,  não  foi  demonstrado  pela  contribuinte  junto  à  Fazenda  Nacional."  Cientificada  das  conclusões  da  diligência,  a  Recorrente  veio  aos  autos  e  se  manifestou (fls. 494 a 501), alegando a nulidade da diligência por não proceder a análise dos  documentos sob a alegação que não teriam sido apresentados nos termos do Ato Declaratório  Executivo Cofis nº 25/2010. A Recorrente apresentou as seguintes alegações:  Inicialmente, não se pode aceitar, permissão vênia, a premissa lançada  na  diligência,  pautada  única  e  exclusivamente  no  estratagema  de  se  socorrer na  falta  de  apresentação da documentação elaborada  sob  o  crivo  do  Ato Declaratório Cofis  nº  25/2010,  de modo  a  se  furtar  em  Fl. 558DF CARF MF Processo nº 15374.724380/2009­47  Resolução nº  3201­000.840  S3­C2T1  Fl. 5.994          8 analisar  detidamente  a  robusta  documentação  apresentada  pela  Contribuinte,  não  menos  capaz  de  permitir  a  aferição  de  certeza  e  liquidez do indébito em questão, a qual  fora acostada às fls. 311/411,  cujas  autenticações  constam  à  fls.  413/481,  acrescido  dos  termos  de  anexação de arquivos não pagináveis (fls. 482/485).  Isto porque, considerando a competência em análise (Janeiro/2004), a  Contribuinte  se  viu  obrigada  a  apurar,  lançar  e  recolher  os  tributos  devidos  naquele  momento  valendo­se,  para  tanto,  das  obrigações  acessórias então vigentes.  Dentre  elas,  aplicavam­se  as  disposições  do  Ato  Declaratório  Executivo Cofis nº 15/2001, razão pela qual se impunha a ela gerar e  manter os arquivos digitais dentro daquilo que fora especificado pelo  aludido ADE, de  forma que, caso demandada, os apresentasse (e não  os  criasse)  para  análise,  em  estrita  obediência  a  regra  prevista  no  artigo 195 do CTN.  Todavia, pautado, com dito alhures, no fato de que os arquivos digitais  não se encontravam na forma exigida pelo Ato Declaratório Executivo  Cofis  nº  25/2010,  a  DEMAC/RJO  sequer  se  aventurou  a  analisar  o  crédito,  buscando,  para  tanto,  arrimo  na  norma  disposta  no  §  1º  do  artigo 144 do CTN que assim dispõe:  ...  Fazer menção à aludida norma se revela indevida, na medida em que  trata claramente da aplicação de  regra referentes ao  lançamento que  se torna vigente entre a data do fato gerador e o momento definido por  lei para a concretização do lançamento do tributo, fato que ­ com toda  clareza  ­ não representa a hipótese em discussão, posto que  todos os  atos acima descritos (fato gerador e lançamento do tributo) ocorreram  em  Janeiro  de  2004,  vale dizer, momento  bem anterior  à  entrada  em  vigência das disposições do ADE nº 25/2010.  Desse modo houve por apurar,  lançar e  recolher os  tributos  segundo  legislação vigente à época, com destaque para o ADE nº 15/2001.  Dessa  forma,  não  há  que  se  falar  na  aplicação  retroativa  da  regra  constante  no  §  1º  do  artigo  144  do  CTN  no  intuito  de  justificar  a  exigência  dos  arquivos  digitais  na  forma  do  ADE  Cofis  nº  25/2010  para  lançamento  que  há  muito  se  concretizou,  e  tampouco  se  valer  deste único argumento no  intuito de  justificar a não análise do vasto  material probatório apresentado pela Contribuinte.  Alega também a Recorrente, a existência do direito creditório, que segundo seu  entendimento,  justificaria  a  existência  da  divergência  entre  as  informações  apresentadas  na  DCTF e DCTF retificadora. Os argumentos foram assim apresentado nas suas contrarrazões.  A  Contribuinte  atestou  que  até  dezembro  de  2003,  em  razão  de  limitação  existente  no  programa  da  DCTF,  a  dedução  CIDE­ Combustível  não  era  permitida  no  código  6912,  razão  pela  qual  se  utilizava do Código 8109, de modo a registrar a parcela do PIS pago  no DARF CIDE­COmbustível, cujo mês de janeiro de 2004 apresentou  grande variação em relação ao  recolhimento ESTIMADO. Como não  era  possível  fazer  o REDARF,  foi  realizado  recolhimento  espontâneo  Fl. 559DF CARF MF Processo nº 15374.724380/2009­47  Resolução nº  3201­000.840  S3­C2T1  Fl. 5.995          9 para o código 6912, razão pela qual o recolhimento sob código 8109 se  tornou  pagamento  a  maior,  conforme  demonstrado  na  DCTF  retificadora  e  DACON  retificadora,  todos  eles  validados  pela  fiscalização no decorrer desse processo.  Dito isto, o argumento trazido pela fiscalização para não homologar o  crédito  cai  por  terra,  posto  que  não  há,  como  entendiam,  qualquer  remanejamento do pagamento a maior pra o código 6912, visto que tal  repasse  já  fora  feito  em  razão  do  recolhimento  espontâneo,  ou  seja,  utilizou­se moeda nora para o seu pagamento.  Assim, o código 8109 registra apenas operações realizadas com álcool,  devidamente  apontado  nas  contas  contábeis  3110­103  e  3110­104,  documentos  esses  apresentados  com  a  manifestação  de  inconformidade,  sem  qualquer  questionamento  por  parte  da  Fiscalização  e  que  demonstra  que  o  DARF  no  montante  de  R$  18.415.915,69  foi  recolhido  a  maior,  ensejando,  ao  seu  turno,  o  reconhecimento desse indébito.  No  curso  da  diligência,  aberta  pela  DEMAC/RJO,  a  Contribuinte  apresentou vasta documentação de modo a demonstrar  sua apuração  do PIS Cumulativo como do PIS não­cumulativo.  Nesse  sentido,  reiteramos  a  documentação  apresentada  em  atendimento da intimação (Sistema de Validação de Arquivos contido  às  fls.  311/412,  devidamente  autenticados  às  fls.  413/481,  além  dos  arquivos não pagináveis constante às  fls. 482/485), que sequer  foram  analisados pela fiscalização, em verdadeiro cerceamento ao direito de  defesa,  pacificamente  reconhecidos  por  este  Colendo  Conselho,  bem  como a flagrante violação ao princípio da verdade material.  Com estas considerações, os autos retornaram ao CARF para prosseguimento do  julgamento.  É o Relatório.    Voto Vencido   Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.  O  recurso  é  voluntário  e  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido.  Inicialmente alega a Recorrente que a Unidade de Origem não poderia exigir a  apresentação de documentos e informações fiscais de acordo com as previsões do ADE Cofis  nº  25/2010.  Entendo  não  assistir  razão  ao  recurso,  a  apresentação  de  documentos  na  modalidade do ADE, não se configura em aplicação de nova legislação para apuração do PIS,  mas,  um  procedimento  a  ser  adotado  para  apresentação  de  documentos  e  informações  necessárias a realização da diligência. A alegação que a Recorrente não possui as informações  no modelo solicitado pela Autoridade responsável pela diligência, não pode ser utilizada como  argumento para justificar a apresentação no modelo solicitado pela RFB.   Fl. 560DF CARF MF Processo nº 15374.724380/2009­47  Resolução nº  3201­000.840  S3­C2T1  Fl. 5.996          10 Quanto ao mérito do direito creditório quando da análise do despacho decisório,  a  Fiscalização  intimou  a  Recorrente  para  justificar  os motivos  que  levaram  a  retificação  da  DCTF com a redução significativa do valor devido de PIS. A Recorrente informou que tratava­ se  de  erro  no  código  informado  para  recolhimento,  mas  não  apresentou  as  informações  e  documentos necessários a comprovação destas alegações. As conclusões do despacho decisório  além  da  ausência  de  documentos  concluiu  que  não  se  tratava  de  simples  equivoco  no  preenchimento do código de DARF, mas envolvia divergências na apuração do PIS cumulativo  e não cumulativo, sendo necessário para comprovar o recolhimento indevido, que a Recorrente  apresentasse  o  cálculo  do  PIS  cumulativo  e  não  cumulativo  para  o  período  e  os  respectivos  lançamentos contábeis que comprovariam a procedência da retificação da DCTF.  Não resta dúvida é que o pleito da Recorrente não é justificado pela afirmação  de simples erro de informação de código no recolhimento do tributo e diante das divergências é  necessário fazer o cálculo do PIS no regime cumulativo e não cumulativo. Sem a apresentação  da  apuração  com  a  respectiva  documentação,  não  é  possível  identificar  os  supostos  erros  e  equívocos que segundo a Recorrente teria ocorrido na informação do código.  O despacho decisório deixou clara a necessidade da  apresentação da  apuração  do  PIS  cumulativo  e  não  cumulativo  com  os  respectivos  documentos  para  comprovar  o  recolhimento indevido da contribuição, conforme se verifica do trecho abaixo:  No  presente  caso,  tendo  em  conta  que  a  contribuinte  originalmente  declarou em DCTF a título de PIS de  janeiro de 2004 o montante de  R$.18.442.401,48 (fl, 24), recolhendo o referido valor por  .intermédio  de dois DARF (fls. 22/23), e posteriormente retificou o tributo devido,  para  R$26.485,78  (fl.  26),  com  efeito,  é  preciso  que  a  contribuinte  demonstre  o  seu  direito  creditório,  até  porque  ò  art;  147  do  CTN  estabelece  que  a  retificação  de  declaração  por  iniciativa  do  sujeito  passivo,­quando  vise  a  reduzir  tributo,  só  é  admissível  mediante  comprovação do alegado erro.   Nesse sentido, após ser intimada a esclarecer os motivos da retificação  realizada e apresentar os documentos que amparavam ó.procedimento,  a  contribuinte  acostou  aos  autos:  a)  planilha  de  apuração  do  PIS  cumulativo  referente  ao  valor  retificado,  que  segundo  a  empresa  incidia somente sobre o álcool; e b) cópias de duas folhas do balancete  de  janeiro  de  2004.  Ou  seja,  a  interessada  esclareceu  apenas  como  apurou o valor do PIS cumulativo que constou na DCTF retificadora,  sem se preocupar em,apresentar á composição da base de cálculo que  resultou no valor originalmente declarado ou especificar,e justificar os  ajustes efetuados nessa apuração, em que pese ter sido expressamente  intimada.  Cabe observar que havendo a contribuinte efetuado um pagamento de  PIS no montante de R$ 18.442.401,48, certamente, observando a boa  técnica contábil e os princípios de governança corporativa, ocorreu o  lançamento contábil do referido valor em, contrapartida de despesa de  PIS,  bem  como  existe  planilha  de  apuração  do  montante  recolhido.  Posteriormente,  quando  apresentada  a  DCTF  retificadora,  deve  ter  ocorrido o estorno de parte da despesa no Livro Diário e no Razão. E é  de  se  presumir  também  que  vinculados  a  estas  retificações  nos  lançamentos  contábeis  ocorreram  também  estornos  de  receitas,  ou  registro  de  créditos  na  contabilidade  que  repercutiram  no  PIS  de  Fl. 561DF CARF MF Processo nº 15374.724380/2009­47  Resolução nº  3201­000.840  S3­C2T1  Fl. 5.997          11 janeiro de 2004, ou, pelo menos, foi feita uma memória de cálculo para  justificar a retificação.  O despacho decisório deixou claro que a não homologação do direito creditório  pleiteado  pela Recorrente  deu­se  por  ausência de  comprovação  documental  e  explicita  quais  seriam  as  informações  suficientes  para  comprovar  o  indébito  e mesmo  com o  conhecimento  destas informações é protocolado a manifestação de inconformidade sem apresentar o cálculo  do PIS.  A decisão de piso, reafirmou a posição já explicitada no despacho decisório, da  necessidade de apresentação da apuração do PIS cumulativo e não cumulativo e os documentos  necessários e novamente esclareceu a necessidade da Recorrente demonstrar a apuração do PIS  cumulativo e não cumulativo para comprovar o crédito pleiteado, conforme verifica­se abaixo  do trecho extraído da decisão da DRJ:  Verifica­se que todos os pagamentos foram realizados na mesma data,  em 13/02/2004, em valores equivalentes aos débitos declarados para os  códigos  8109  e  6912  na  DCTF  original  (entregue  em  14/05/2004).  Mais  de  um  ano  depois,  em  01/09/2005,  o  contribuinte  apresentou  a  primeira DCTF retificadora alterando apenas o débito relativo ao PIS  cumulativo  (8109).  O  débito  declarado  para  o  PIS  não­cumulativo  permaneceu o mesmo.  Outras duas DCTF retificadoras foram apresentadas, em 17/02/2006 e  9/05/2006,  mantendo  as  mesmas  informações  contidas  na  primeira  retificadora em relação aos débitos de PIS.  Observe­se que o débito  total de PIS declarado (considerando os  três  regimes  de  apuração)  sofreu  uma  expressiva  redução  com  a  declaração  retificadora  apresentada  (de  R$  28.296.707,53  para  R$  9.880.791,83).  Ou  seja,  não  houve  a  transferência  de  valor  supostamente declarado indevidamente no código 8109 para o código  6912. Ressalte­se, ainda, que o pagamento alegado como indevido, no  valor  de  R$  18.415.915,69,  é  muito  superior  à  soma  dos  valores  informados na retificadora como devidos no regime cumulativo e não­ cumulativo (R$ 7.953.451,87 + R$ 26.485,78 = R$ 7.979.437,65).  Todos  esses  dados  demonstram  a  inconsistência  da  tese  do  contribuinte.  Não  se  trata  de  simples  equívoco  no  preenchimento  do  código de arrecadação que possa ser facilmente detectado através da  análise  comparativa  das  DCTF’s  apresentadas  e  pagamentos  realizados.  Se, como alega o contribuinte, o total pago no código 8109 abrangia o  PIS  devido  no  regime  cumulativo  e  não­cumulativo,  para  que  haja  o  reconhecimento  do  direito  creditório  faz­se  necessário  demonstrar  a  base de cálculo e a apuração da contribuição devida nos dois regimes  de  apuração,  confrontar  os  débitos  apurados  com  os  pagamentos  realizados  nos  diferentes  códigos  de  arrecadação  e  concluir  pela  existência ou não de pagamento a maior.  Ocorre que os documentos trazidos aos autos não permitem o cálculo  do  montante  devido,  tendo  em  vista  que  os  valores  informados  no  demonstrativo  de  apuração  do  PIS  constante  da  DIPJ/2005  não  conferem  completamente  com  os  registros  no  balancete  mensal  Fl. 562DF CARF MF Processo nº 15374.724380/2009­47  Resolução nº  3201­000.840  S3­C2T1  Fl. 5.998          12 apresentado  e,  conforme  se  verifica  em  diversos  outros  processos  formalizados  para  análise  de  outras  compensações  declaradas  pelo  contribuinte,  a  empresa  realiza  ajustes  extra  contábeis  acatados,  ao  menos  em  parte,  pela  Delegacia  de  origem,  ajustes  estes  não  demonstrados nos presentes autos.  Ciente  do  despacho  decisório  e  da  decisão  da  primeira  instância  que  condicionaram  o  reconhecimento  do  direito  creditório  a  apresentação  das  informações  e  apuração  do PIS  cumulativo  e não  cumulativo,  a Recorrente  veio mais  uma vez  aos  autos  e  reafirma  as  alegações  de  equívocos  na  apuração  e  o  preenchimento, mas  não  demonstra  de  forma  clara  e  inequívoca  os  erros  alegados  e  não  apresenta  as  informações  e  documentos  necessários a comprovação do crédito, que  já  foram de  forma exaustiva citados no despacho  decisório e na decisão da primeira instância.  Apesar  de  estar  claro  nos  autos  e  nas  decisões  anteriores,  a  necessidade  da  apresentação da  apuração do PIS cumulativo e não cumulativo para comprovação do crédito  alegado.  Esta  turma,  na  busca  da  verdade  dos  fatos  e  apesar  das  duas  oportunidades  já  concedidas a Recorrente para apresentar a apuração do PIS cumulativo e não cumulativo para o  período,  resolveu converter o  julgamento em diligência para que a Recorrente mais uma vez  tivesse a oportunidade de apresentar as  informações, cálculos e documentos necessários para  comprovação  do  crédito  pleiteado.  Desta  feita  a  diligência  ainda  determinou  que  a  Receita  Federal refizesse os cálculos do PIS cumulativo e não cumulativo, procedimento que seria de  obrigação da Recorrente, mas em uma última tentativa de buscar a verdade real para solucionar  o litígio. A Fiscalização, conforme bem detalhado na informação fiscal da diligência, intimou a  Recorrente  a  apresentar  os  documentos  e  informações  necessários  a  apuração  do  PIS  cumulativo  e  não  cumulativo.  Em  atendimento  a  intimação,  a  Recorrente  apresentou  documentos  em  formatos  diferentes  daqueles  exigidos  pela  FIscalização,  inviabilizando  a  realização da diligência, conforme bem explicitado nas conclusões da diligência.    No caso em questão, como mencionado: i) a empresa reduziu o  total  de débitos de PIS a pagar de R$ 171.177.548,17 para R$ 9.880.791,83;  ii)  a  maior  parte  das  deduções  foram  realizadas  sob  a  rubrica  de  "Outras  deduções";  iii)  a  Petrobrás  alega  que  o  pagamento  indevido  decorre de erros de preenchimento dos códigos de  receita.  iv) apesar  das  oportunidades  concedidas  ao  longo  do  processo  administrativo  fiscal,  a  interessada não  esclarece a  origem das  deduções  constantes  no Dacon  retificador;  e,  por  fim,  vi)  a  empresa  apresentou  arquivos  distintos daqueles solicitados pelo Fisco, que não possibilitam a plena  verificação dos créditos de PIS previstos no art. 3º da Lei nº 10.833, de  2003.  Cientificada da impossibilidade da Unidade de Origem em realizar a diligência,  a  Recorrente  se  insurge  quanto  a  posição  adotada  pela  RFB,  mas,  em  nenhum  momento  apresentou os documentos no formato exigido, ou apresentou informações, cálculos e apuração  que  comprovasse  suas  alegações. Pede para que  seja determinada  a Unidade de Origem que  promova os cálculos no formato que entende sejam suficientes.   Entendo que a posição da Recorrente não pode prevalecer, a exigência feita pela  fiscalização para  realização da diligência não  se mostra descabida ou  absurda,  simplesmente  pede que  sejam apresentadas  as  informações  em um  formato que  é utilizado desde o  ano de  2010.  Se  a Recorrente  não  possui  os  dados  no  formato  solicitado  pela  Fiscalização,  poderia  solicitar  prazo  para  fazer  as  adequações  necessárias  ou  então  propor  outras  soluções,  mas  Fl. 563DF CARF MF Processo nº 15374.724380/2009­47  Resolução nº  3201­000.840  S3­C2T1  Fl. 5.999          13 diferente disto. A Recorrente apresentou em um formato diferente daquele solicitado e afirma  na  manifestação  da  diligência  que  a  Fiscalização  caberia  fazer  a  diligência  com  aquelas  informações.  Cabe  ressaltar,  que  a  comprovação  do  crédito  é  da  Recorrente  e  não  da  Fiscalização. Na  determinação  da diligência  realizada pela  turma do CARF  foi  além do  que  seria o norma de imprimir a Recorrente a obrigação de comprovar de forma clara e inconteste o  erro, determinou que a Receita Federal refizesse o cálculo do PIS cumulativo e não cumulativo,  procedimento que seria de obrigação da Recorrente para comprovar o recolhimento indevido.  Mas,  a  resolução  do  CARF  passou  este  ônus  a  Unidade  de  Origem,  que  em  atendimento  a  resolução  do  CARF,  iniciou  os  procedimentos  para  realizar  a  apuração,  solicitando  à  Recorrente as  informações no formato necessário ao cumprimento a diligência. A Recorrente  ao decidir apresentar as informações em formato diferente daquele solicitado pela Fiscalização,  não atendeu a intimação, o que inviabilizou a diligência. Ao se manifestar, a Recorrente alega a  improcedência  da  intimação  da  Fiscalização  e  insiste  em  não  apresentar  os  documentos  no  formato exigido alegando que não existe prejuízo na apuração do PIS.   Nos  termos bem detalhados no  relatório de diligência,  o  argumento  central  da  Recorrente para a grande diferença na apuração do PIS por motivo de cálculos da contribuição,  somente  poderia  ser  confirmado  a  partir  da  indicação  clara  dos  cálculos  elaborados  pela  Recorrente, que ensejaram a alteração das informações do PIS na DCTF retificadora, amparada  em  documentação  comprobatória,  que  no  entender  da  Fiscalização,  somente  poderia  ser  possível de aferição com a informação nos termos definidos pelo ADE Cofis nº 25/2010.  A  alegação  que  a  partir  dos  documentos  apresentados  seria  possível  apurar  a  veracidade  das  alegações  da  Recorrente  configura­se  em  uma  inversão  do  ônus  da  prova  quanto a apuração de direito creditório. A autoridade  fiscal  tem o ônus  da comprovação dos  fatos  quando  da  realização  do  lançamento  tributário.  Entretanto,  estamos  tratando  de  caso  diverso.  O  despacho  foi  motivado  por  falta  de  comprovação  do  crédito  alegado  pela  Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação  da  existência  do  crédito.  A  simples  alegação  sem  a  apresentação  de  informações  não  é  suficiente  para  alterar  o  despacho  decisório  que  não  homologou  o  pedido  de  compensação,  muito  menos,  obrigar  a  Fiscalização  da  Receita  Federal  que  promova  a  busca  das  provas  necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso.  A Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância e apresentou seu  recurso voluntário. Cientificada da diligência fiscal e já com o conhecimento das conclusões da  Fiscalização e da decisão da primeira instância, apresentou seu recurso voluntário trazendo em  linhas gerais, as mesmas alegações já apresentadas nas contrarrazões da diligência e não trouxe  nenhum questionamento objetivo que pudesse levantar qualquer dúvida quanto as conclusões  do  trabalho  fiscal.  Não  apresentando  nenhuma  contestação  objetiva  sobre  as  apurações  da  diligência, tampouco indicou os cálculos que demonstram a apuração detalhada que motivaram  a  alteração  dos  valores  devidos  do  PIS.  Novamente  se  resumiu  a  questões  preliminares  e  quanto ao mérito,  reafirma que a obrigação é da Receita Federal em refazer os cálculos para  apurar  as  informações  da  Recorrente.  Vale  novamente  ressaltar  que  a  ônus  da  prova  para  apuração do direito creditório é do Contribuinte.  A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non,  para a compensação, necessitando de prova clara e inconteste do direito creditório. No caso em  Fl. 564DF CARF MF Processo nº 15374.724380/2009­47  Resolução nº  3201­000.840  S3­C2T1  Fl. 6.000          14 tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar indicação clara das  provas a comprovar as suas alegações.   Analisando  a  situação  da  necessidade  da  prova,  lembro  a  lição  de  Humberto  Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a  prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a  causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo  que  pretende  resguardar  através  da  tutela  jurisdicional.  Isto  porque,  segundo máxima  antiga,  fato  alegado  e  não  provado  é  o mesmo  que  fato  inexistente.”  1  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido de negar provimento ao recurso voluntário.   Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira     Voto Vencedor   Conselheira Ana Clarissa Masuko do Santos Araujo   O presente processo tem como objeto Declaração de Compensação (Dcomp) de  crédito originário de pagamento efetuado a maior relativo à Contribuição para o Programa de  Integração Social – PIS (código 8109), período de janeiro de 2004, cujo pedido foi denegado,  em síntese, por falta de comprovação do direito creditório.  E nesse sentido, como bem detalhado no relatório do relator, foram concedidas  diversas oportunidades para a Recorrente demonstrar as suas alegações, sendo que ao final, o  foco das discussões deslocou­se para questão colateral, qual seja, a possibilidade ou não de se  exigir as demonstrações do crédito nos moldes estabelecidos pelo ADE Cofis nº 25/2010.  A  Recorrente  discorre  sobre  as  informações  e  os  documentos  apresentados  durante o processo que foram assim detalhadas no recurso.  “Com  efeito,  a  Recorrente  trouxe  à  colação  cópia  integral  do  seu  Balancete Patrimonial referente ao mês de Janeiro de 2004, sendo que,  na página 32 do aludido documento, nos códigos 3110103, 3110104 e  3120104,  verifica­se,  de  forma  clara,  simples  e  objetiva,  as  receitas  advindas  da  venda  de  ÁLCOOL  HIDRATADO  NACIONAL  e  de  ÁLCOLL ANIDRO NACIONAL, bem como as devoluções atinentes ao  ÀLCOOL ANIDRO NACIONAL ­ únicos produtos, frise­se novamente,  em que ocorreu a incidência do PIS cumulativo sobre a receita oriunda  destes.  Pois bem. Fazendo­se uma análise detida de  tal documento, apura­se  facilmente  tanto  a  base  de  cálculo  referente  ao  PIS  CUMULATIVO  (cód.  8109)  devido  nos  mês  de  janeiro  de  2004  ­  que  decorre  das  receitas advindas da  venda do ÁLCOOL HIDRATADO NACIONAL e  de ÁLCOOL ANIDRO NACIONAL, e que foi objeto de apresentação de  DCTF  retificadora  pela  Recorrente  ­,  quanto  aquela  relativa  à  incidência não cumulativa do aludido tributo (Cód. 6912 ­ que NÃO foi  objeto  de  retificação  por  parte  da  Recorrente  na  DCTF  retificadora  por ela apresentada)."(fls. 209 a 210)                                                              1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387.  Fl. 565DF CARF MF Processo nº 15374.724380/2009­47  Resolução nº  3201­000.840  S3­C2T1  Fl. 6.001          15 Essas  questões  foram  bem  expostas  por  ocasião  da  sustentação  oral,  pelo  patrono  da Recorrente,  sensibilizando os  julgadores,  inclusive  por  estar  configurada  a  turma  por nova composição, em relação ao julgamento inicial da lide.  Ademais,  deve  ser observado que  a  retificação da DCTF,  reduzindo o valor o  PIS declarado para o período em questão,  de R$ 18.415.915,69 para R$ 26.485,79,  coincide  com o declarado na DIPJ/2005 para o PIS­cumulativo, importância que se repete no DACON.  Ponderou­se,  inclusive,  como  bem  pontuado  pelo  Relator,  que  as  questões  atinentes ao PIS não­cumulativo, que foi o que de fato obstou que houvesse a comprovação do  direito creditório, foram trazidas pela própria Recorrente. Que, ainda, não era possível alongar  indefinidamente o processo administrativo fiscal, considerando­se que inúmeras oportunidades  para o exercício o ônus probatório foram concedidas.  Sem dúvidas. A função do contencioso administrativo fiscal não é eternizar os  litígios, relevando­se obrigações acometidas aos contribuintes, mormente aqueles com o porte  da  Recorrente,  que  dispõem  de  estrutura  o  suficiente  para  manter  em  dia  suas  obrigações  acessórias, perante o Fisco.   Por  outro  lado,  a  acomodação  de  princípios  vetores  do  direito  brasileiro,  determina que se esgote a busca pela verdade material, não como um  fim em si mesmo, em  face da indisponibilidade do crédito tributário. porém, norteando­se para a realização de outros  princípios, como a legalidade e a eficiência.   É  dizer,  a  conjuntura  atual  do  assoberbado  Judiciário  brasileiro,  evidencia  a  fundamental função do contencioso administrativo como instrumento para conter esse gargalo,  permitindo  a  operacionalidade  da  máquina  administrativa  e  a  diminuição  dos  custos  dos  contribuintes, em longas demandas judiciais.  E nesse sentido, objetivamente, é sabido que houve problemas operacionais na  transição  de  sistemas,  não  se  questiona  a  verossimilhança das  alegações  da Recorrente,  nem  mesmo  as  declarações  por  ela  exaradas.  Trata­se  de  um  problema  de  prova,  que,  aparentemente, pode ser mais facilmente solucionado do que se aventou ao longo do desenrolar  processual.   Isto porque, o pedido que delimita o presente processo, é o reconhecimento do  pagamento a maior ou indevido de PIS cumulativo, para o período em referência. Quaisquer  outras questões que afloraram nos autos,  extrapolam os  limite da lide, devendo ser objeto de  outro processo, como eventual auto de infração, para exigência do PIS não­cumulativo.  Repete­se, a lide traz como base o pagamento a maior do PIS Cumulativo para  a competência 01/2004, que gerou DCTF retificadora para os valores que a recorrente entendeu  devidos, os quais coincidem com os mesmos valores informados na DIPJ e essa diferença entre  o valor devido e o valor recolhido do PIS Cumulativo para o mês de 01/2004, que repercute em  objeto da Declaração de Compensação (Dcomp) aqui discutida.   O caso  concreto  acabou por conduzir  ao  entendimento de que o pagamento  a  maior de PIS cumulativo tem repercussão com o pagamento do PIS não cumulativo, portanto,  teria o contribuinte que atender a exigência fiscal e detalhar todo o procedimento de apuração  do  valor  recolhido  de  PIS  não  cumulativo  para  o  mês  de  01/2004,  inclusive,  com  a  apresentação dos arquivos digitais previstos no ADE Cofins/RFB nº 25, de 2010.   Fl. 566DF CARF MF Processo nº 15374.724380/2009­47  Resolução nº  3201­000.840  S3­C2T1  Fl. 6.002          16 Não  é  esse  o  objeto  da  lide,  compensar  valores  pagos  a  maior  do  PIS  não  cumulativo, portanto, cabe ao fisco conferir o correto valor devido do PIS cumulativo para o  mês 01/2004 e se confere com os valores declarados e pagos.  E nesse sentido, a Recorrente afirmou que é possível comprovar cabalmente o  pagamento indevido. Assim sendo, deve ser a conversão do julgamento em diligência, para que  a unidade de origem intime a Recorrente a comprovar o pagamento a maior ou indevido de PIS  cumulativo,  referentes  ao  seu  pedido  de  compensação,  intimando­a  para  o  atendimento  da  solicitação em 30 dias , prorrogáveis uma vez, devendo, após a formalização do relatório fiscal,  intimá­la para sua manifestação, devendo, após , os autos retornarem para o prosseguimento do  julgamento.   Ana Clarissa Masuko do Santos Araujo  Assinado digitalmente      Fl. 567DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.937203/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão de primeira instância e do despacho decisório. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto votaram pelas conclusões quanto à nulidade da decisão de primeira instância. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro fará declaração de voto sobre o tema. No mérito, CONVERTER o julgamento em diligência, determinando-se o sobrestamento do feito na Câmara até que seja proferida decisão de mérito no recurso voluntário referente ao processo nº 11610.001436/2003-13, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por TELEFÔNICA BRASIL S/A contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em contestação ao Despacho Decisório de fl. 413, por meio do qual a autoridade fiscal: a) homologou integralmente a compensação objeto do PER/DCOMP nº 15825.41689.200809.1.7.02-5652, extinguindo o débito de estimativa de IRPJ do mês de agosto de 2008 (vide fl. 419); b) homologou parcialmente a compensação objeto do PER/DCOMP nº 09489.27776.301008.1.3.02-2000, extinguindo parcialmente o débito de estimativa de IRPJ do mês de setembro de 2008 (vide fl. 419); e c) não homologou a compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 05854.93092.231109.1.3.02-8744, apresentado com fim de extinguir os débitos de PIS/PASEP e Cofins não cumulativos do mês de janeiro de 2009 (vide fl. 419). Com vistas aos encontros de contas necessários à efetivação das compensações objeto dos PER/DCOMP supracitados, a recorrente ofereceu o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007, composto das seguintes parcelas, conforme o declarado no PER/DCOMP nº 15825.41689.200809.1.7.02-5652: Verifica-se que as parcelas acima, somadas, alcançam a importância de R$ 744.008.613,51. Esse total, subtraído do IRPJ devido, no valor de R$ 652.495.708,66, conduziria à quantia de R$ 91.512.904,85, para o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007 Todavia, consta, na “Análise das Parcelas de |Crédito”, às fls. 415/417, que a Fiscalização não confirmou as seguintes parcelas, relativamente ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007: Em razão da não confirmação das parcelas adrede destacadas, a autoridade fiscal estabeleceu que o saldo negativo disponível, relativamente ao ano-calendário de 2007, não ultrapassava a importância de R$ 86.883.379,83. Como já dito, o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007 apurado pela autoridade fiscal, reduzido para R$ 86.883.379,83: a) possibilitou a extinção integral do débito de estimativa de IRPJ do mês de agosto de 2008; b) possibilitou a extinção parcial do débito de estimativa de IRPJ do mês de setembro de 2008; c) depois das compensações referidas nas alíneas "a" e "b" anteriores, não afetou os débitos de PIS/PASEP e Cofins não cumulativos do mês de janeiro de 2009 (vide fl. 419), por insuficiência de saldo. Uma vez impugnado o Despacho Decisório à fl. 413, a autoridade de primeira instância proferiu a decisão consubstanciada no acórdão às fls. 823/832, assim ementado: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à confirmação da existência e suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO INCIDENTE NO EXTERIOR. Para fins de compensação do imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, faz-se necessária a apresentação do documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior, o qual deve ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Esse reconhecimento é dispensado quando comprovado que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. SALDO NEGATIVO DE IRPJ COMPOSTO POR ESTIMATIVAS COMPENSADAS. As estimativas mensais cuja compensação não foi homologada não entram na composição do saldo negativo de IRPJ passível de restituição ou compensação.” Ciência da decisão de primeira instância no dia 30/04/2015, à fl. 863. Recurso a este Colegiado às fls. 865/887, com entrada na repartição de origem no dia 27/05/2015. Nessa oportunidade, aduz o seguinte: especificamente para o ano-calendário de 2007, a recorrente apurou saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 91.512.904,85, de acordo com o informado na DIPJ. Tal montante poderia ser utilizado em procedimento de compensação, por meio de PER/DCOMP, para abater débitos tributários; interessada em exercer tal faculdade, a recorrente apresentou os PER/DCOMP abaixo: PER/DCOMP Valor compensado (não atualizado) 15825.41689.200809.1.7.02-5652 R$ 80.576.104,61 09489.27776.301008.1.3.02-2000 R$ 8.453.556,52 05854.93092.231109.1.3.02-8744 R$ 2.483.243,72 Valor total compensado R$ 91.512.904,85 contudo, a autoridade fiscal apenas homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP n° 09489.27776.301008.1.3.02-2000 e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP n° 05854.93092.231109.1.3.02-8744, ao argumento de que a recorrente não havia logrado êxito (i) na comprovação integral do imposto de renda pago no exterior e (2) no saldo negativo de períodos anteriores, utilizado para compensar a estimativa referente ao mês de novembro de 2007 (PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 - doc. n° 9 da manifestação de inconformidade); impugnado o feito, sobreveio decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade. Todavia, essa decisão é nula, porquanto a autoridade julgadora a quo indeferiu o pedido de juntada posterior dos documentos, entregues pela recorrente com o intuito de complementar os argumentos expostos em sua defesa; isso porque, segundo o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo, a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos e entender como eles se sucederam, sem dispensar documentos que podem influenciar na decisão, tal e qual o que teria ocorrido em decorrência da apreciação dos documentos juntados pela recorrente às fls. 728/737, 740/750 e 753/819, uma vez que se referem a elementos aptos a repercutir no mérito da questão controvertida, ou seja, no conhecimento da compensação realizada pela recorrente; nesses termos, não resta alternativa distinta do reconhecimento da nulidade do acórdão recorrido, com o retorno dos autos à instância de piso para a realização de novo julgamento; ademais, uma leitura superficial do despacho decisório é suficiente para revelar que este ato administrativo carece de um elemento condicionante de sua validade: a descrição clara e precisa dos argumentos que motivaram a conclusão a favor da insuficiência do crédito e, consequentemente, da homologação parcial e da não homologação das compensações; isso porque o despacho decisório simplesmente afirma que o valor do direito creditório disponível à recorrente é inferior àquele por ela declarado, sem explicar os motivos que levaram a autoridade a proclamar a insuficiência alegada; também deve-se ressaltar que a Fiscalização tampouco esclareceu quais débitos não foram compensados com o crédito que a recorrente invocara, deixando a esta a tarefa de relacionar o valor do crédito reconhecido com o valor do principal do débito que lhe está sendo ora exigido; dessa feita, resta claro que o despacho decisório contém vício que compromete sua validade, em prejuízo à defesa da recorrente, garantida pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, previstos no inciso LV, do artigo 5o, da Constituição da República de 1988; não se deve esquecer, também, que o Decreto n° 70.235/72, em seu artigo 9o, estabelece que a exigência de crédito fiscal deve ser instruída com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, o que evidentemente não foi observado, no caso; diante do acima exposto, a recorrente requer seja reconhecida a nulidade da presente cobrança, por vício insanável no despacho decisório, remetendo-se o feito novamente às autoridades fiscais competentes para o fim de se proferir novo despacho, dessa vez devidamente fundamentado, à vista das provas coligidas, ocasião em que deverá ser garantido à recorrente o direito à apresentação de nova manifestação de inconformidade; caso os argumentos acima não sejam acolhidos, o que se admite apenas para argumentar, a recorrente expõe, adiante, a origem do crédito utilizado para compensação e como esse crédito foi utilizado, conforme seus registros contábeis, oportunidade no curso da qual serão demonstradas sua regularidade e suficiência; com relação ao imposto de renda pago no exterior, cabe dizer que o acórdão recorrido não reconheceu os valores que foram retidos, a esse título, pelas pessoas jurídicas Aliança Atlântica Holding B.V. ("Aliança") e Portugal Telecom ("P. Telecom"), no momento da distribuição de dividendos; a recorrente juntou às fls. 728/737 comprovantes da operação de câmbio referentes à deliberação, pela Aliança, da distribuição de dividendos correspondentes ao ano de 2006, o que comprova o recebimento de valores do exterior. Além disso, há de se observar que o Atestado da Receita Federal do Brasil comprova o rendimento devidamente pago pela mencionada pessoa jurídica (fls. 740/750); em complemento, a recorrente também anexou, às fls. 753/819 dos autos: (i) contratos de câmbio que comprovam os valores remetidos pela Aliança e pela P. Telecom; (ii) extrato bancário que comprova o recebimento dos valores remetidos pela Aliança; e (iii) pedidos de retenção, na fonte, do imposto português sobre os dividendos pagos pela Aliança e pela P. Telecom. Se a Turma recorrida tivesse considerado tais documentos adicionais, ou, ao menos, aceitado o pedido de diligência, certamente o rumo do processo seria outro; ora, a legislação é clara ao permitir a compensação do imposto de renda retido por empresas situadas no exterior, quando da distribuição de dividendos. Por isso, a recorrente converteu o montante retido, aplicando a taxa de câmbio vigente à época para, em seguida, deduzir o valor resultante da conversão do imposto devido, conforme prevê a lei; vale ressaltar que o não reconhecimento do documento de arrecadação do imposto de renda pago no exterior, pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que foi recolhido, em nada altera seu direito ao aproveitamento dos valores retidos; como se sabe, o registro do documento de arrecadação no Consulado da Embaixada Brasileira consiste em mera formalidade, suprida no momento em que o contribuinte efetivamente comprova que houve a retenção do imposto, seja por documento de arrecadação, balanço da empresa que pagou o imposto, documentos contábeis que comprovam o lançamento dos valores recebidos, extratos bancários, dentre outros; a recorrente também adverte que a remessa feita por pessoas jurídicas estrangeiras, para o pagamento de dividendos, necessariamente se submete à fiscalização do Banco Central do Brasil ("BACEN"), na medida em que se celebra contrato de câmbio, à luz da legislação em vigor; dessa forma, poderia a Fiscalização solicitar informações ao BACEN para fins de comprovação de que houve o recolhimento do imposto, uma vez que aquela instituição exige a comprovação do pagamento dos tributos devidos antes de aceitar e efetuar a remessa; destaque-se, ainda, que, no caso de existir previsão na legislação do país onde se localiza a pessoa jurídica que efetuou a retenção, quanto à incidência do imposto de renda estrangeiro sobre o pagamento de dividendos, fica o contribuinte dispensado de apresentação do documento de arrecadação reconhecido pelo órgão arrecadador e registrado no Consulado da Embaixada Brasileira, nos termos do artigo 16, § 2°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; nesse cenário, ainda que o crédito utilizado seja questionado pelas autoridades fiscais, é inadmissível a cobrança de multa e juros, nos termos do artigo 100 do CTN; presente tal quadro, resta claramente demonstrado que a recorrente faz jus ao cômputo dos valores integrais do imposto pago no exterior, para fins de composição do saldo negativo do ano-calendário de 2007, do que se conclui que a Fiscalização não pode deixar de homologar a compensação efetuada pela recorrente, com relação a essa parcela creditória; no que afeta às estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, deve-se assinalar que acórdão recorrido não conheceu o valor de R$ 2.146.281,16, utilizado como crédito, pela recorrente, para compensação com a estimativa referente ao mês de novembro de 2007. Tal valor refere-se a estimativas que foram compensadas com saldo negativo de IRPJ acumulado de períodos anteriores, por meio do PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 (doc. n° 10 da manifestação de inconformidade); vale salientar que o montante total de R$ 88.550.780,07, relativo ao saldo negativo apurado no período de 01/01/2002 a 31/12/2002 (e informado na DIPJ entregue em 2003 - doc. n° 11 da manifestação de inconformidade), foi empregado nas seguintes compensações: Total apurado DIPJ Saldo Negativo -R$ 88.550.780,07 doc. n° 10 acima PER/DCOMP (Crédito utilizado) (a) PER/DCOMP n° 41537.59384.140803.1.3.02-7212 (retificada pela DCOMP n° 28447.61860.271207.1.7.02-6906) (R$ 54.975.877,22) doc. n° 12 da manifestação de inconformidade (b) PER/DCOMP n° 19578.01638.300903.1.3.02-4670 (R$ 4.120.559,51) doc. n° 13 da manifestação de inconformidade (c) PER/DCOMP n° 3'833.84671.280803.1.3.02-4129 (R$ 28.257.977,03) doc. n° 14 da manifestação de inconformidade Saldo remanescente R$ 1.196.366,31 (não atualizado) — (d) Saldo remanescente atualizado para 12/2007 R$ 2.146.281,16 — nesse sentido, a recorrente ressalta que apresentou, nos autos, uma tabela que expõe, em detalhes, a apuração do referido saldo negativo do ano-calendário de 2002 (doc. n° 15 da manifestação de inconformidade); conforme evidenciado pelos documentos indicados acima, o valor de R$ 2.146.281,16, utilizado como crédito no PER/DCOMP em discussão, corresponde justamente ao valor remanescente do saldo negativo apurado na DIPJ do ano-calendário de 2002, que ainda não havia sido aproveitado pela recorrente; a esse respeito, impende ter em conta que, passados mais de cinco anos, não pode a Fiscalização, nos termos do artigo 150, § 4o, questionar as bases declaradas pelo contribuinte, pois tais informações já foram objeto de homologação tácita, tornando-se insuscetíveis, como tal, a qualquer questionamento; por fim, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, é preciso esclarecer que não procede a alegação de que o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 está atrelado ao processo administrativo n° 13807.003136/2004-70. Isso porque, em referido processo administrativo, discute-se tão somente o despacho decisório que não homologou integralmente as compensações realizadas por meio dos PER/DCOMPs nº 41537.59384.140803.1.3.02.7212, 31833.84671.280803.1.3.02-4129 e 19578.01638.3000903.1.3.02-4670; como informado pela recorrente naquele processo, o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 não é retificador e não possui qualquer vínculo com os créditos relacionados aos PER/DCOMP anteriormente mencionados; ainda no mesmo tópico, vale elucidar que, em 16/9/2008, também sob o equivocado entendimento de que o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 seria retificador do PER/DCOMP n° 41537.59384.140803.1.3.02.7212, as autoridades fiscais proferiram um segundo despacho decisório, cuja nulidade é atualmente discutida no âmbito do processo administrativo n° 16306.000.180/2008-91; diante disso, a recorrente entende que demonstrou a origem do saldo negativo utilizado para compensar a estimativa do período de novembro de 2007; em face do relatado, a recorrente requer seja acolhido eintegralmente provido o presente recurso voluntário para o fim de que seja, em preliminar, reconhecida (i) a nulidade do acórdão, no que se refere ao não conhecimento dos documentos juntados, bem como (ii) a nulidade da cobrança, em face da falta de motivação do despacho decisório; caso assim não se entenda, o que se admite apenas a títulode argumentação, a recorrente requer que, no mérito, o recurso voluntário seja julgado integralmente procedente e, consequentemente, reconhecido o direito creditório a que faz jus, sendo homologadas as compensações efetuadas e cancelados os débitos em cobrança, uma vez comprovadas a origem, a existência e a suficiência do crédito utilizado para a compensação; a recorrente protesta, ainda, provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de quaisquer, inclusive pela juntada de novos documentos, reiterando seu pedido quanto à conversão do julgamento em diligência, bem como a realização de perícia contábil para a elucidação da verdade real dos fatos ora alegados. É o relatório.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA

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nome_relator_s : FLAVIO FRANCO CORREA

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secao_s : Primeira Seção de Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão de primeira instância e do despacho decisório. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto votaram pelas conclusões quanto à nulidade da decisão de primeira instância. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro fará declaração de voto sobre o tema. No mérito, CONVERTER o julgamento em diligência, determinando-se o sobrestamento do feito na Câmara até que seja proferida decisão de mérito no recurso voluntário referente ao processo nº 11610.001436/2003-13, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por TELEFÔNICA BRASIL S/A contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em contestação ao Despacho Decisório de fl. 413, por meio do qual a autoridade fiscal: a) homologou integralmente a compensação objeto do PER/DCOMP nº 15825.41689.200809.1.7.02-5652, extinguindo o débito de estimativa de IRPJ do mês de agosto de 2008 (vide fl. 419); b) homologou parcialmente a compensação objeto do PER/DCOMP nº 09489.27776.301008.1.3.02-2000, extinguindo parcialmente o débito de estimativa de IRPJ do mês de setembro de 2008 (vide fl. 419); e c) não homologou a compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 05854.93092.231109.1.3.02-8744, apresentado com fim de extinguir os débitos de PIS/PASEP e Cofins não cumulativos do mês de janeiro de 2009 (vide fl. 419). Com vistas aos encontros de contas necessários à efetivação das compensações objeto dos PER/DCOMP supracitados, a recorrente ofereceu o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007, composto das seguintes parcelas, conforme o declarado no PER/DCOMP nº 15825.41689.200809.1.7.02-5652: Verifica-se que as parcelas acima, somadas, alcançam a importância de R$ 744.008.613,51. Esse total, subtraído do IRPJ devido, no valor de R$ 652.495.708,66, conduziria à quantia de R$ 91.512.904,85, para o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007 Todavia, consta, na “Análise das Parcelas de |Crédito”, às fls. 415/417, que a Fiscalização não confirmou as seguintes parcelas, relativamente ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007: Em razão da não confirmação das parcelas adrede destacadas, a autoridade fiscal estabeleceu que o saldo negativo disponível, relativamente ao ano-calendário de 2007, não ultrapassava a importância de R$ 86.883.379,83. Como já dito, o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2007 apurado pela autoridade fiscal, reduzido para R$ 86.883.379,83: a) possibilitou a extinção integral do débito de estimativa de IRPJ do mês de agosto de 2008; b) possibilitou a extinção parcial do débito de estimativa de IRPJ do mês de setembro de 2008; c) depois das compensações referidas nas alíneas "a" e "b" anteriores, não afetou os débitos de PIS/PASEP e Cofins não cumulativos do mês de janeiro de 2009 (vide fl. 419), por insuficiência de saldo. Uma vez impugnado o Despacho Decisório à fl. 413, a autoridade de primeira instância proferiu a decisão consubstanciada no acórdão às fls. 823/832, assim ementado: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à confirmação da existência e suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO INCIDENTE NO EXTERIOR. Para fins de compensação do imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, faz-se necessária a apresentação do documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior, o qual deve ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Esse reconhecimento é dispensado quando comprovado que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. SALDO NEGATIVO DE IRPJ COMPOSTO POR ESTIMATIVAS COMPENSADAS. As estimativas mensais cuja compensação não foi homologada não entram na composição do saldo negativo de IRPJ passível de restituição ou compensação.” Ciência da decisão de primeira instância no dia 30/04/2015, à fl. 863. Recurso a este Colegiado às fls. 865/887, com entrada na repartição de origem no dia 27/05/2015. Nessa oportunidade, aduz o seguinte: especificamente para o ano-calendário de 2007, a recorrente apurou saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 91.512.904,85, de acordo com o informado na DIPJ. Tal montante poderia ser utilizado em procedimento de compensação, por meio de PER/DCOMP, para abater débitos tributários; interessada em exercer tal faculdade, a recorrente apresentou os PER/DCOMP abaixo: PER/DCOMP Valor compensado (não atualizado) 15825.41689.200809.1.7.02-5652 R$ 80.576.104,61 09489.27776.301008.1.3.02-2000 R$ 8.453.556,52 05854.93092.231109.1.3.02-8744 R$ 2.483.243,72 Valor total compensado R$ 91.512.904,85 contudo, a autoridade fiscal apenas homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP n° 09489.27776.301008.1.3.02-2000 e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP n° 05854.93092.231109.1.3.02-8744, ao argumento de que a recorrente não havia logrado êxito (i) na comprovação integral do imposto de renda pago no exterior e (2) no saldo negativo de períodos anteriores, utilizado para compensar a estimativa referente ao mês de novembro de 2007 (PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 - doc. n° 9 da manifestação de inconformidade); impugnado o feito, sobreveio decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade. Todavia, essa decisão é nula, porquanto a autoridade julgadora a quo indeferiu o pedido de juntada posterior dos documentos, entregues pela recorrente com o intuito de complementar os argumentos expostos em sua defesa; isso porque, segundo o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo, a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos e entender como eles se sucederam, sem dispensar documentos que podem influenciar na decisão, tal e qual o que teria ocorrido em decorrência da apreciação dos documentos juntados pela recorrente às fls. 728/737, 740/750 e 753/819, uma vez que se referem a elementos aptos a repercutir no mérito da questão controvertida, ou seja, no conhecimento da compensação realizada pela recorrente; nesses termos, não resta alternativa distinta do reconhecimento da nulidade do acórdão recorrido, com o retorno dos autos à instância de piso para a realização de novo julgamento; ademais, uma leitura superficial do despacho decisório é suficiente para revelar que este ato administrativo carece de um elemento condicionante de sua validade: a descrição clara e precisa dos argumentos que motivaram a conclusão a favor da insuficiência do crédito e, consequentemente, da homologação parcial e da não homologação das compensações; isso porque o despacho decisório simplesmente afirma que o valor do direito creditório disponível à recorrente é inferior àquele por ela declarado, sem explicar os motivos que levaram a autoridade a proclamar a insuficiência alegada; também deve-se ressaltar que a Fiscalização tampouco esclareceu quais débitos não foram compensados com o crédito que a recorrente invocara, deixando a esta a tarefa de relacionar o valor do crédito reconhecido com o valor do principal do débito que lhe está sendo ora exigido; dessa feita, resta claro que o despacho decisório contém vício que compromete sua validade, em prejuízo à defesa da recorrente, garantida pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, previstos no inciso LV, do artigo 5o, da Constituição da República de 1988; não se deve esquecer, também, que o Decreto n° 70.235/72, em seu artigo 9o, estabelece que a exigência de crédito fiscal deve ser instruída com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, o que evidentemente não foi observado, no caso; diante do acima exposto, a recorrente requer seja reconhecida a nulidade da presente cobrança, por vício insanável no despacho decisório, remetendo-se o feito novamente às autoridades fiscais competentes para o fim de se proferir novo despacho, dessa vez devidamente fundamentado, à vista das provas coligidas, ocasião em que deverá ser garantido à recorrente o direito à apresentação de nova manifestação de inconformidade; caso os argumentos acima não sejam acolhidos, o que se admite apenas para argumentar, a recorrente expõe, adiante, a origem do crédito utilizado para compensação e como esse crédito foi utilizado, conforme seus registros contábeis, oportunidade no curso da qual serão demonstradas sua regularidade e suficiência; com relação ao imposto de renda pago no exterior, cabe dizer que o acórdão recorrido não reconheceu os valores que foram retidos, a esse título, pelas pessoas jurídicas Aliança Atlântica Holding B.V. ("Aliança") e Portugal Telecom ("P. Telecom"), no momento da distribuição de dividendos; a recorrente juntou às fls. 728/737 comprovantes da operação de câmbio referentes à deliberação, pela Aliança, da distribuição de dividendos correspondentes ao ano de 2006, o que comprova o recebimento de valores do exterior. Além disso, há de se observar que o Atestado da Receita Federal do Brasil comprova o rendimento devidamente pago pela mencionada pessoa jurídica (fls. 740/750); em complemento, a recorrente também anexou, às fls. 753/819 dos autos: (i) contratos de câmbio que comprovam os valores remetidos pela Aliança e pela P. Telecom; (ii) extrato bancário que comprova o recebimento dos valores remetidos pela Aliança; e (iii) pedidos de retenção, na fonte, do imposto português sobre os dividendos pagos pela Aliança e pela P. Telecom. Se a Turma recorrida tivesse considerado tais documentos adicionais, ou, ao menos, aceitado o pedido de diligência, certamente o rumo do processo seria outro; ora, a legislação é clara ao permitir a compensação do imposto de renda retido por empresas situadas no exterior, quando da distribuição de dividendos. Por isso, a recorrente converteu o montante retido, aplicando a taxa de câmbio vigente à época para, em seguida, deduzir o valor resultante da conversão do imposto devido, conforme prevê a lei; vale ressaltar que o não reconhecimento do documento de arrecadação do imposto de renda pago no exterior, pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que foi recolhido, em nada altera seu direito ao aproveitamento dos valores retidos; como se sabe, o registro do documento de arrecadação no Consulado da Embaixada Brasileira consiste em mera formalidade, suprida no momento em que o contribuinte efetivamente comprova que houve a retenção do imposto, seja por documento de arrecadação, balanço da empresa que pagou o imposto, documentos contábeis que comprovam o lançamento dos valores recebidos, extratos bancários, dentre outros; a recorrente também adverte que a remessa feita por pessoas jurídicas estrangeiras, para o pagamento de dividendos, necessariamente se submete à fiscalização do Banco Central do Brasil ("BACEN"), na medida em que se celebra contrato de câmbio, à luz da legislação em vigor; dessa forma, poderia a Fiscalização solicitar informações ao BACEN para fins de comprovação de que houve o recolhimento do imposto, uma vez que aquela instituição exige a comprovação do pagamento dos tributos devidos antes de aceitar e efetuar a remessa; destaque-se, ainda, que, no caso de existir previsão na legislação do país onde se localiza a pessoa jurídica que efetuou a retenção, quanto à incidência do imposto de renda estrangeiro sobre o pagamento de dividendos, fica o contribuinte dispensado de apresentação do documento de arrecadação reconhecido pelo órgão arrecadador e registrado no Consulado da Embaixada Brasileira, nos termos do artigo 16, § 2°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; nesse cenário, ainda que o crédito utilizado seja questionado pelas autoridades fiscais, é inadmissível a cobrança de multa e juros, nos termos do artigo 100 do CTN; presente tal quadro, resta claramente demonstrado que a recorrente faz jus ao cômputo dos valores integrais do imposto pago no exterior, para fins de composição do saldo negativo do ano-calendário de 2007, do que se conclui que a Fiscalização não pode deixar de homologar a compensação efetuada pela recorrente, com relação a essa parcela creditória; no que afeta às estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, deve-se assinalar que acórdão recorrido não conheceu o valor de R$ 2.146.281,16, utilizado como crédito, pela recorrente, para compensação com a estimativa referente ao mês de novembro de 2007. Tal valor refere-se a estimativas que foram compensadas com saldo negativo de IRPJ acumulado de períodos anteriores, por meio do PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 (doc. n° 10 da manifestação de inconformidade); vale salientar que o montante total de R$ 88.550.780,07, relativo ao saldo negativo apurado no período de 01/01/2002 a 31/12/2002 (e informado na DIPJ entregue em 2003 - doc. n° 11 da manifestação de inconformidade), foi empregado nas seguintes compensações: Total apurado DIPJ Saldo Negativo -R$ 88.550.780,07 doc. n° 10 acima PER/DCOMP (Crédito utilizado) (a) PER/DCOMP n° 41537.59384.140803.1.3.02-7212 (retificada pela DCOMP n° 28447.61860.271207.1.7.02-6906) (R$ 54.975.877,22) doc. n° 12 da manifestação de inconformidade (b) PER/DCOMP n° 19578.01638.300903.1.3.02-4670 (R$ 4.120.559,51) doc. n° 13 da manifestação de inconformidade (c) PER/DCOMP n° 3'833.84671.280803.1.3.02-4129 (R$ 28.257.977,03) doc. n° 14 da manifestação de inconformidade Saldo remanescente R$ 1.196.366,31 (não atualizado) — (d) Saldo remanescente atualizado para 12/2007 R$ 2.146.281,16 — nesse sentido, a recorrente ressalta que apresentou, nos autos, uma tabela que expõe, em detalhes, a apuração do referido saldo negativo do ano-calendário de 2002 (doc. n° 15 da manifestação de inconformidade); conforme evidenciado pelos documentos indicados acima, o valor de R$ 2.146.281,16, utilizado como crédito no PER/DCOMP em discussão, corresponde justamente ao valor remanescente do saldo negativo apurado na DIPJ do ano-calendário de 2002, que ainda não havia sido aproveitado pela recorrente; a esse respeito, impende ter em conta que, passados mais de cinco anos, não pode a Fiscalização, nos termos do artigo 150, § 4o, questionar as bases declaradas pelo contribuinte, pois tais informações já foram objeto de homologação tácita, tornando-se insuscetíveis, como tal, a qualquer questionamento; por fim, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, é preciso esclarecer que não procede a alegação de que o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 está atrelado ao processo administrativo n° 13807.003136/2004-70. Isso porque, em referido processo administrativo, discute-se tão somente o despacho decisório que não homologou integralmente as compensações realizadas por meio dos PER/DCOMPs nº 41537.59384.140803.1.3.02.7212, 31833.84671.280803.1.3.02-4129 e 19578.01638.3000903.1.3.02-4670; como informado pela recorrente naquele processo, o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 não é retificador e não possui qualquer vínculo com os créditos relacionados aos PER/DCOMP anteriormente mencionados; ainda no mesmo tópico, vale elucidar que, em 16/9/2008, também sob o equivocado entendimento de que o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02-7770 seria retificador do PER/DCOMP n° 41537.59384.140803.1.3.02.7212, as autoridades fiscais proferiram um segundo despacho decisório, cuja nulidade é atualmente discutida no âmbito do processo administrativo n° 16306.000.180/2008-91; diante disso, a recorrente entende que demonstrou a origem do saldo negativo utilizado para compensar a estimativa do período de novembro de 2007; em face do relatado, a recorrente requer seja acolhido eintegralmente provido o presente recurso voluntário para o fim de que seja, em preliminar, reconhecida (i) a nulidade do acórdão, no que se refere ao não conhecimento dos documentos juntados, bem como (ii) a nulidade da cobrança, em face da falta de motivação do despacho decisório; caso assim não se entenda, o que se admite apenas a títulode argumentação, a recorrente requer que, no mérito, o recurso voluntário seja julgado integralmente procedente e, consequentemente, reconhecido o direito creditório a que faz jus, sendo homologadas as compensações efetuadas e cancelados os débitos em cobrança, uma vez comprovadas a origem, a existência e a suficiência do crédito utilizado para a compensação; a recorrente protesta, ainda, provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de quaisquer, inclusive pela juntada de novos documentos, reiterando seu pedido quanto à conversão do julgamento em diligência, bem como a realização de perícia contábil para a elucidação da verdade real dos fatos ora alegados. É o relatório.

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1301­000.427  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  20 de junho de 2017  Assunto  COMPENSAÇÃO  Recorrente  TELEFÔNICA BRASIL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares  de  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância  e  do  despacho  decisório.  Os  Conselheiros  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro,  Amélia  Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto votaram pelas conclusões  quanto à nulidade da decisão de primeira  instância. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola  Caseiro  fará  declaração  de  voto  sobre  o  tema.  No mérito,  CONVERTER  o  julgamento  em  diligência, determinando­se o sobrestamento do feito na Câmara até que seja proferida decisão  de mérito no recurso voluntário referente ao processo nº 11610.001436/2003­13, nos termos do  voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Flávio Franco Corrêa ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Fernando  Brasil  de  Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola  Caseiro,  Flávio  Franco  Corrêa,  Jose  Eduardo  Dornelas  Souza, Milene  de  Araujo Macedo  e  Roberto Silva Junior.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  por  TELEFÔNICA  BRASIL  S/A  contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente manifestação de inconformidade     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 37 20 3/ 20 12 -9 1 Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.031          2 apresentada em contestação ao Despacho Decisório de fl. 413, por meio do qual a autoridade  fiscal:  a)  homologou  integralmente  a  compensação  objeto  do  PER/DCOMP  nº  15825.41689.200809.1.7.02­5652,  extinguindo  o  débito  de  estimativa  de  IRPJ  do  mês  de  agosto de 2008 (vide fl. 419);  b)  homologou  parcialmente  a  compensação  objeto  do  PER/DCOMP  nº  09489.27776.301008.1.3.02­2000, extinguindo parcialmente o débito de estimativa de IRPJ do  mês de setembro de 2008 (vide fl. 419); e  c)  não  homologou  a  compensação  declarada  pelo  PER/DCOMP  nº  05854.93092.231109.1.3.02­8744, apresentado com fim de extinguir os débitos de PIS/PASEP  e Cofins não cumulativos do mês de janeiro de 2009 (vide fl. 419).   Com vistas aos encontros de contas necessários à efetivação das compensações  objeto  dos  PER/DCOMP  supracitados,  a  recorrente  ofereceu  o  crédito  decorrente  do  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano­calendário  de  2007,  composto  das  seguintes  parcelas,  conforme  o  declarado no PER/DCOMP nº 15825.41689.200809.1.7.02­5652:        Verifica­se  que  as  parcelas  acima,  somadas,  alcançam  a  importância  de  R$  744.008.613,51.  Esse  total,  subtraído  do  IRPJ  devido,  no  valor  de  R$  652.495.708,66,  conduziria à quantia de R$ 91.512.904,85, para o saldo negativo de IRPJ do ano­calendário de  2007   Todavia,  consta,  na  “Análise  das Parcelas  de  |Crédito”,  às  fls.  415/417,  que  a  Fiscalização não confirmou as seguintes parcelas, relativamente ao saldo negativo de IRPJ do  ano­calendário de 2007:      Em razão da não confirmação das parcelas adrede destacadas, a autoridade fiscal  estabeleceu  que  o  saldo  negativo  disponível,  relativamente  ao  ano­calendário  de  2007,  não  ultrapassava a importância de R$ 86.883.379,83.   Como já dito, o saldo negativo de IRPJ do ano­calendário de 2007 apurado pela  autoridade fiscal, reduzido para R$ 86.883.379,83:  Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.032          3 a)  possibilitou  a  extinção  integral  do  débito  de  estimativa  de  IRPJ  do mês  de  agosto de 2008;  b)  possibilitou  a  extinção  parcial  do  débito  de  estimativa  de  IRPJ  do mês  de  setembro de 2008;  c) depois das compensações referidas nas alíneas "a" e "b" anteriores, não afetou  os débitos de PIS/PASEP e Cofins não cumulativos do mês de janeiro de 2009 (vide fl. 419),  por insuficiência de saldo.  Uma vez  impugnado o Despacho Decisório à  fl. 413, a autoridade de primeira  instância proferiu a decisão consubstanciada no acórdão às fls. 823/832, assim ementado:  “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ­ DCOMP  A  homologação  da  compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo  condiciona­se à confirmação da existência e suficiência do crédito nela  utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes.  COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO INCIDENTE NO EXTERIOR.  Para fins de compensação do imposto de renda incidente, no exterior,  sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro  real,  faz­se  necessária  a  apresentação  do  documento  relativo  ao  imposto  de  renda  incidente  no  exterior,  o  qual  deve  ser  reconhecido  pelo  respectivo  órgão  arrecadador  e  pelo  Consulado  da  Embaixada  Brasileira no país em que for devido o imposto. Esse reconhecimento é  dispensado quando comprovado que a legislação do país de origem do  lucro,  rendimento ou ganho de capital  prevê a  incidência do  imposto  de  renda  que  houver  sido  pago,  por  meio  do  documento  de  arrecadação apresentado.  SALDO  NEGATIVO  DE  IRPJ  COMPOSTO  POR  ESTIMATIVAS  COMPENSADAS.  As  estimativas  mensais  cuja  compensação  não  foi  homologada  não  entram  na  composição  do  saldo  negativo  de  IRPJ  passível  de  restituição ou compensação.”  Ciência da decisão de primeira instância no dia 30/04/2015, à fl. 863.  Recurso a este Colegiado às fls. 865/887, com entrada na repartição de origem  no dia 27/05/2015. Nessa oportunidade, aduz o seguinte:   1)  especificamente  para  o  ano­calendário  de  2007,  a  recorrente  apurou  saldo  negativo  de  IRPJ  no  montante  de  R$  91.512.904,85,  de  acordo  com  o  informado  na  DIPJ.  Tal  montante  poderia  ser  utilizado  em  procedimento  de  compensação, por meio de PER/DCOMP, para abater débitos  tributários;  2)  interessada  em  exercer  tal  faculdade,  a  recorrente  apresentou  os PER/DCOMP abaixo:  PER/DCOMP  Valor compensado (não atualizado)  Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.033          4 15825.41689.200809.1.7.02­5652  R$ 80.576.104,61  09489.27776.301008.1.3.02­2000  R$ 8.453.556,52  05854.93092.231109.1.3.02­8744  R$ 2.483.243,72  Valor total compensado  R$ 91.512.904,85  3)  contudo,  a  autoridade  fiscal  apenas  homologou  parcialmente  a  compensação  declarada  no  PER/DCOMP  n°  09489.27776.301008.1.3.02­2000  e  não  homologou  a  compensação  declarada  no  PER/DCOMP  n°  05854.93092.231109.1.3.02­8744,  ao  argumento  de  que  a  recorrente não havia logrado êxito (i) na comprovação integral  do  imposto de renda pago no exterior e (2) no saldo negativo  de  períodos  anteriores,  utilizado  para  compensar  a  estimativa  referente  ao  mês  de  novembro  de  2007  (PER/DCOMP  n°  17037.09325.271207.1.3.02­7770  ­ doc.  n° 9 da manifestação  de inconformidade);   4)  impugnado o feito, sobreveio decisão da DRJ, que negou  provimento  à manifestação  de  inconformidade.  Todavia,  essa  decisão  é  nula,  porquanto  a  autoridade  julgadora  a  quo  indeferiu  o  pedido  de  juntada  posterior  dos  documentos,  entregues  pela  recorrente  com  o  intuito  de  complementar  os  argumentos expostos em sua defesa;   5)  isso porque, segundo o princípio da verdade material, que  norteia  o  processo  administrativo,  a  autoridade  julgadora  deverá  buscar  a  realidade  dos  fatos  e  entender  como  eles  se  sucederam,  sem dispensar documentos que podem  influenciar  na  decisão,  tal  e  qual  o que  teria  ocorrido  em decorrência  da  apreciação  dos  documentos  juntados  pela  recorrente  às  fls.  728/737,  740/750  e  753/819,  uma  vez  que  se  referem  a  elementos  aptos  a  repercutir  no  mérito  da  questão  controvertida,  ou  seja,  no  conhecimento  da  compensação  realizada pela recorrente;  6)  nesses  termos,  não  resta  alternativa  distinta  do  reconhecimento  da  nulidade  do  acórdão  recorrido,  com  o  retorno dos autos à instância de piso para a realização de novo  julgamento;   7)  ademais,  uma  leitura  superficial  do  despacho decisório  é  suficiente para revelar que este ato administrativo carece de um  elemento  condicionante  de  sua  validade:  a  descrição  clara  e  precisa dos argumentos que motivaram a conclusão a favor da  insuficiência do crédito e, consequentemente, da homologação  parcial e da não homologação das compensações;   8)  isso porque o despacho decisório simplesmente afirma que  o valor do direito creditório disponível à  recorrente é  inferior  Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.034          5 àquele por ela declarado, sem explicar os motivos que levaram  a autoridade a proclamar a insuficiência alegada;   9)  também  deve­se  ressaltar  que  a  Fiscalização  tampouco  esclareceu quais débitos não foram compensados com o crédito  que  a  recorrente  invocara,  deixando  a  esta  a  tarefa  de  relacionar  o  valor  do  crédito  reconhecido  com  o  valor  do  principal do débito que lhe está sendo ora exigido;   10)  dessa  feita,  resta  claro  que  o  despacho  decisório  contém  vício  que  compromete  sua  validade,  em  prejuízo  à  defesa  da  recorrente,  garantida  pelos  princípios  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  previstos  no  inciso  LV,  do  artigo  5o,  da  Constituição da República de 1988;   11)  não  se  deve  esquecer,  também,  que  o  Decreto  n°  70.235/72,  em  seu  artigo  9o,  estabelece  que  a  exigência  de  crédito  fiscal  deve  ser  instruída  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis à comprovação do ilícito, o que evidentemente  não foi observado, no caso;   12)  diante  do  acima  exposto,  a  recorrente  requer  seja  reconhecida  a  nulidade  da  presente  cobrança,  por  vício  insanável  no  despacho  decisório,  remetendo­se  o  feito  novamente às autoridades fiscais competentes para o fim de se  proferir novo despacho, dessa vez devidamente fundamentado,  à  vista  das  provas  coligidas,  ocasião  em  que  deverá  ser  garantido  à  recorrente  o  direito  à  apresentação  de  nova  manifestação de inconformidade;   13)  caso os argumentos acima não sejam acolhidos, o que se  admite apenas para argumentar, a recorrente expõe, adiante, a  origem  do  crédito  utilizado  para  compensação  e  como  esse  crédito  foi  utilizado,  conforme  seus  registros  contábeis,  oportunidade  no  curso  da  qual  serão  demonstradas  sua  regularidade e suficiência;   14)  com  relação  ao  imposto  de  renda  pago no  exterior,  cabe  dizer  que o  acórdão  recorrido  não  reconheceu  os  valores  que  foram  retidos,  a  esse  título,  pelas  pessoas  jurídicas  Aliança  Atlântica  Holding  B.V.  ("Aliança")  e  Portugal  Telecom  ("P.  Telecom"), no momento da distribuição de dividendos;   15)  a  recorrente  juntou  às  fls.  728/737  comprovantes  da  operação de câmbio referentes à deliberação, pela Aliança, da  distribuição de dividendos correspondentes ao ano de 2006, o  que  comprova  o  recebimento  de  valores  do  exterior.  Além  Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.035          6 disso, há de se observar que o Atestado da Receita Federal do  Brasil  comprova  o  rendimento  devidamente  pago  pela  mencionada pessoa jurídica (fls. 740/750);   16)  em  complemento,  a  recorrente  também  anexou,  às  fls.  753/819 dos autos: (i) contratos de câmbio que comprovam os  valores  remetidos pela Aliança e pela P. Telecom; (ii) extrato  bancário  que  comprova  o  recebimento  dos  valores  remetidos  pela Aliança; e (iii) pedidos de retenção, na fonte, do imposto  português  sobre  os  dividendos  pagos  pela  Aliança  e  pela  P.  Telecom.  Se  a  Turma  recorrida  tivesse  considerado  tais  documentos  adicionais,  ou,  ao  menos,  aceitado  o  pedido  de  diligência, certamente o rumo do processo seria outro;   17)  ora,  a  legislação  é  clara  ao  permitir  a  compensação  do  imposto  de  renda  retido  por  empresas  situadas  no  exterior,  quando  da  distribuição  de  dividendos.  Por  isso,  a  recorrente  converteu  o  montante  retido,  aplicando  a  taxa  de  câmbio  vigente à época para, em seguida, deduzir o valor resultante da  conversão do imposto devido, conforme prevê a lei;   18)  vale ressaltar que o não reconhecimento do documento de  arrecadação  do  imposto  de  renda  pago  no  exterior,  pelo  Consulado  da  Embaixada  Brasileira  no  país  em  que  foi  recolhido,  em  nada  altera  seu  direito  ao  aproveitamento  dos  valores retidos;   19)  como se sabe, o registro do documento de arrecadação no  Consulado  da  Embaixada  Brasileira  consiste  em  mera  formalidade,  suprida  no  momento  em  que  o  contribuinte  efetivamente comprova que houve a retenção do imposto, seja  por documento de arrecadação, balanço da empresa que pagou  o  imposto,  documentos  contábeis  que  comprovam  o  lançamento  dos  valores  recebidos,  extratos  bancários,  dentre  outros;   20)  a  recorrente  também  adverte  que  a  remessa  feita  por  pessoas  jurídicas  estrangeiras,  para  o  pagamento  de  dividendos,  necessariamente  se  submete  à  fiscalização  do  Banco  Central  do  Brasil  ("BACEN"),  na  medida  em  que  se  celebra contrato de câmbio, à luz da legislação em vigor;   21)  dessa  forma, poderia a Fiscalização solicitar  informações  ao  BACEN  para  fins  de  comprovação  de  que  houve  o  recolhimento do imposto, uma vez que aquela instituição exige  a  comprovação  do  pagamento  dos  tributos  devidos  antes  de  aceitar e efetuar a remessa;   Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.036          7 22)  destaque­se,  ainda,  que,  no  caso  de  existir  previsão  na  legislação  do  país  onde  se  localiza  a  pessoa  jurídica  que  efetuou  a  retenção,  quanto  à  incidência  do  imposto  de  renda  estrangeiro  sobre  o  pagamento  de  dividendos,  fica  o  contribuinte  dispensado  de  apresentação  do  documento  de  arrecadação  reconhecido  pelo  órgão  arrecadador  e  registrado  no Consulado  da Embaixada Brasileira,  nos  termos  do  artigo  16, § 2°, inciso II, da Lei n° 9.430/96;   23)  nesse  cenário,  ainda  que  o  crédito  utilizado  seja  questionado  pelas  autoridades  fiscais,  é  inadmissível  a  cobrança de multa e juros, nos termos do artigo 100 do CTN;   24)  presente  tal  quadro,  resta  claramente  demonstrado  que  a  recorrente faz jus ao cômputo dos valores integrais do imposto  pago no exterior, para fins de composição do saldo negativo do  ano­calendário de 2007, do que se conclui que a Fiscalização  não  pode  deixar  de  homologar  a  compensação  efetuada  pela  recorrente, com relação a essa parcela creditória;   25)  no  que  afeta  às  estimativas  compensadas  com  saldos  negativos de períodos anteriores, deve­se assinalar que acórdão  recorrido não conheceu o valor de R$ 2.146.281,16, utilizado  como  crédito,  pela  recorrente,  para  compensação  com  a  estimativa  referente  ao mês  de  novembro  de  2007.  Tal  valor  refere­se  a  estimativas  que  foram  compensadas  com  saldo  negativo de  IRPJ acumulado de períodos anteriores, por meio  do PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02­7770 (doc. n°  10 da manifestação de inconformidade);   26)  vale salientar que o montante  total de R$ 88.550.780,07,  relativo ao saldo negativo apurado no período de 01/01/2002 a  31/12/2002 (e informado na DIPJ entregue em 2003 ­ doc. n°  11  da  manifestação  de  inconformidade),  foi  empregado  nas  seguintes compensações:  Total apurado DIPJ  Saldo Negativo ­R$  88.550.780,07  doc. n° 10 acima  PER/DCOMP  (Crédito utilizado)    (a) PER/DCOMP n° 41537.59384.140803.1.3.02­7212 (retificada  pela DCOMP n° 28447.61860.271207.1.7.02­6906)  (R$ 54.975.877,22)  doc. n° 12 da  manifestação de  inconformidade   (b) PER/DCOMP n° 19578.01638.300903.1.3.02­4670  (R$ 4.120.559,51)  doc. n° 13 da  manifestação de  inconformidade   (c) PER/DCOMP n° 3'833.84671.280803.1.3.02­4129  (R$ 28.257.977,03)  doc. n° 14 da  manifestação de  inconformidade   Saldo remanescente  R$ 1.196.366,31  (não atualizado)  —  (d) Saldo remanescente atualizado para 12/2007  R$ 2.146.281,16  —        Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.037          8 27)  nesse  sentido, a  recorrente  ressalta que apresentou, nos autos,  uma  tabela  que  expõe,  em  detalhes,  a  apuração  do  referido  saldo  negativo  do  ano­calendário  de  2002  (doc.  n°  15  da  manifestação de inconformidade);   28)  conforme  evidenciado  pelos  documentos  indicados  acima,  o  valor  de  R$  2.146.281,16,  utilizado  como  crédito  no  PER/DCOMP em discussão,  corresponde  justamente  ao valor  remanescente  do  saldo  negativo  apurado  na  DIPJ  do  ano­ calendário de 2002, que ainda não havia sido aproveitado pela  recorrente;  29)  a  esse  respeito,  impende  ter  em  conta  que,  passados mais  de  cinco anos, não pode a Fiscalização, nos termos do artigo 150,  § 4o, questionar as bases declaradas pelo contribuinte, pois tais  informações já foram objeto de homologação tácita, tornando­ se insuscetíveis, como tal, a qualquer questionamento;   30)  por  fim,  ao  contrário  do  que  restou  consignado  no  acórdão  recorrido, é preciso esclarecer que não procede a alegação de  que o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02­7770 está  atrelado ao processo administrativo n° 13807.003136/2004­70.  Isso  porque,  em  referido  processo  administrativo,  discute­se  tão  somente  o  despacho  decisório  que  não  homologou  integralmente  as  compensações  realizadas  por  meio  dos  PER/DCOMPs  nº  41537.59384.140803.1.3.02.7212,  31833.84671.280803.1.3.02­4129  e  19578.01638.3000903.1.3.02­4670;   31)  como  informado  pela  recorrente  naquele  processo,  o  PER/DCOMP  n°  17037.09325.271207.1.3.02­7770  não  é  retificador  e  não  possui  qualquer  vínculo  com  os  créditos  relacionados aos PER/DCOMP anteriormente mencionados;  32)  ainda  no  mesmo  tópico,  vale  elucidar  que,  em  16/9/2008,  também  sob  o  equivocado  entendimento  de  que  o  PER/DCOMP  n°  17037.09325.271207.1.3.02­7770  seria  retificador  do  PER/DCOMP  n°  41537.59384.140803.1.3.02.7212,  as  autoridades  fiscais  proferiram  um  segundo  despacho  decisório,  cuja  nulidade  é  atualmente discutida no âmbito do processo administrativo n°  16306.000.180/2008­91;   33)  diante disso, a recorrente entende que demonstrou a origem do  saldo  negativo  utilizado  para  compensar  a  estimativa  do  período de novembro de 2007;   34)  em  face  do  relatado,  a  recorrente  requer  seja  acolhido  e  integralmente provido o presente recurso voluntário para o fim  Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.038          9 de  que  seja,  em  preliminar,  reconhecida  (i)  a  nulidade  do  acórdão,  no  que  se  refere  ao  não  conhecimento  dos  documentos  juntados,  bem  como  (ii)  a  nulidade  da  cobrança,  em face da falta de motivação do despacho decisório;   35)  caso  assim  não  se  entenda,  o  que  se  admite  apenas  a  título  de argumentação, a recorrente requer que, no mérito, o recurso  voluntário  seja  julgado  integralmente  procedente  e,  consequentemente,  reconhecido  o  direito  creditório  a  que  faz  jus,  sendo  homologadas  as  compensações  efetuadas  e  cancelados  os  débitos  em  cobrança,  uma  vez  comprovadas  a  origem, a existência e a suficiência do crédito utilizado para a  compensação;   36)  a  recorrente  protesta,  ainda,  provar  o  alegado  por  todos  os  meios  de  prova  em  direito  admitidos,  sem  exceção  de  quaisquer,  inclusive  pela  juntada  de  novos  documentos,  reiterando  seu  pedido  quanto  à  conversão  do  julgamento  em  diligência,  bem  como  a  realização  de  perícia  contábil  para  a  elucidação da verdade real dos fatos ora alegados.  É o relatório.   Voto  Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator.  Na  interposição  do  presente  recurso,  foram  reunidos  os  requisitos  de  recorribilidade. Dele conheço.  Em  primeiro  lugar,  a  recorrente  pleiteia  o  reconhecimento  da  nulidade  do  acórdão  recorrido,  ao  argumento  de  violação  ao  princípio  da  verdade  real,  porquanto  a  autoridade  julgadora  a  quo,  ao  indeferir  o  pedido  de  juntada  posterior  de  documentos,  entregues pela recorrente com o intuito de complementar a tese defensiva, deixou de buscar a  realidade  dos  fatos  e  entender  como  eles  se  sucederam,  dispensando  o  conhecimento  de  elementos aptos a repercutir no mérito da decisão.  Deve­se  consignar  que  a  recorrente  juntou  três  grupos  de  documentos  à  impugnação,  depois  de  vencido  o  prazo  legal  de  30  dias,  contados  da  ciência  do Despacho  Decisório. O primeiro desses grupos reúne documentos trazidos aos autos com a finalidade de  comprovar  "a  operação  de  câmbio  referente  à  deliberação  da  distribuição  de  dividendos  correspondentes  ao  ano­calendário  de  2006  da  Aliança  Atlântica  Holding  B.V",  às  fls.  729/737; o segundo grupo é integrado ­ nas palavras da recorrente ­ pelo "atestado da Receita  Federal  do Brasil  que  comprova  o  rendimento  pago  pela Aliança Atlântica Holding B.V"  e  pelo "Formulário de referência 2012 da Requerente em que consta sua participação societária  na Aliança Atlântica Holding B.V e na Portugal Telecom", às fls. 741/750; e o terceiro grupo  congrega, ainda nas palavras da recorrente, "contratos de câmbio que comprovam os valores  remetidos pela Aliança Atlântica e pela Portugal Telecom", "extrato bancário que comprova o  recebimento dos valores  remetidos pela Aliança Atlântica",  "atestado da Receita Federal do  Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.039          10 Brasil que reconheceu o rendimento dos valores pagos pela Aliança Atlântica" e "pedidos de  redução  na  fonte  do  imposto  português  sobre  os  dividendos  pagos  pela Aliança Atlântica  e  pela Portugal Telecom em 2007", às fls. 754/816.   A regra que disciplina o prazo para entrega de documentos está inscrita no § 4º  do artigo 16 do Decreto nº 70.245/1972, verbis:  "Art. 16........  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual,  a menos  que:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.532,  de  1997) (Produção de efeito)  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº  9.532, de 1997) (Produção de efeito)  b) refira­se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela  Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção  de efeito)" (grifei)  De plano,  impende  reparar  o  inusitado  do  pedido,  que  se  apoia  no  fato  de  ter  sido exarada uma decisão ­ pasme­se ­ de acordo com a lei.   Em momento algum, a recorrente mostrou empenho argumentativo em prol da  admissibilidade  da  prova  documental  intempestivamente  juntada  aos  autos.  No  caso  em  julgamento,  cabia  à  recorrente,  mais  precisamente,  trazer  evidências  da  eventual  impossibilidade de reunir o material probatório de que se cogita, por motivo de  força maior,  consoante  o  que  prevê  a  alínea  "a"  do  §  4º  do  artigo  16  do Decreto  nº  70.235/1972,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.532/1997.  Essa  omissão  não  pode  ser  suprida  pelo  julgador  administrativo, chamando para si a assunção do ônus argumentativo que recai sobre aquele que  pleiteia  certo  direito  que,  em  princípio,  sequer  pode  ser  examinado,  por  força  da  preclusão  temporal. Assim, para vencer a barreira imposta pelo tempo, o ordenamento jurídico impõe ao  interessado  o  encargo  de  justificar  a  abertura  de  prazo,  em  caráter  excepcional.  Indubitavelmente,  tal  excepcionalidade só pode ser  justificada pela ocorrência de motivos de  força  maior,  isto  é,  acontecimentos  cujos  efeitos  não  era  possível  evitar  ou  impedir,  assim  excluindo a culpa. Isso porque não se pode perder de vista que a perda de prazo para a juntada  de provas documentais pode decorrer da negligência do recorrente que atue em desrespeito ao  dever de guardar e preservar  livros e demais documentos  relativos à  sua atividade, a  teor do  que prescreve o artigo 264 do RIR/1999, verbis:  "Art. 264.  A  pessoa  jurídica  é  obrigada  a  conservar  em  ordem,  enquanto não prescritas eventuais ações que  lhes  sejam pertinentes,  os  livros,  documentos  e  papéis  relativos  a  sua  atividade,  ou  que  se  refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar  sua  situação  patrimonial  (Decreto­Lei  nº  486,  de  1969,  art.  4º)."  (grifei)  Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.040          11 À vista do exposto, ao rejeitar a admissão de provas documentais fora do prazo  da impugnação, a não ser se restar configurado o evento de força maior, a lei processual opera  com  a  presunção  de  culpa  in  custodiendo.  Obviamente,  a  rigor,  não  se  vislumbra  como,  efetivamente,  a  autoridade  julgadora  possa  alegar  e,  menos  ainda,  comprovar  a  causa  excludente da culpa, já que não participa do cotidiano do recorrente.   Mas  não  se  desconhece  que  alguns  julgados  com  frequência  recorrem  a  um  "caminho  alternativo"  para  suplantar  o  bloqueio  do  §  4º  do  artigo  16  do  Decreto  nº  70.235/1972: a evocação do que se denominou chamar de princípio da verdade material. Tais  situações são características de prática legiferante instituidora de exceções casuísticas à  regra  legal1 que fora aprovada no curso do devido processo legislativo. Ora, tratando­se de um órgão  carente  de  legitimidade  democrática,  não  é  possível  admitir  que  o  CARF  possa  produzir  decisões administrativas que se põem em colisão com a regra  legal, mormente porque, como  ordinariamente  se  vê,  são,  com  igual  frequência,  desprovidas  de  consistente  argumentação  jurídica justificadora da superação à regra aprovada pelas instâncias político­democráticas.  Tal cenário aponta para uma disfunção do órgão julgador administrativo, quando  este  evoca  o  chamado  princípio  da  verdade  material  como  se  tivesse  nas  mãos  uma  carta  coringa,  por  si  só  forte  o  bastante  para  derrotar  a  regra  legal,  instituída  para  pautar  o  procedimento do juiz e a conduta dos litigantes. Em qualquer instância judicante, a superação à  regra  legal  requer  a  demonstração  da  cadeia  de  fundamentação  suficiente,  idônea,  racionalmente passível de comprovação e controlável intersubjetivamente2, afinal não se pode  perder  de  vista  que  a  existência  de  regra  legal  implica  prévia  escolha,  no  âmbito  político­ representativo, de princípios eventualmente colidentes, como a eficiência, a justiça e a razoável  duração do processo3. Por isso, "a regra jurídica, válida e vigente, estabelece um significativo  ônus  argumentativo para  a  sua  superação, posto que o desenvolvimento do Direito por parte  das  instâncias  administrativas  judicantes  ultrapassa  o  plano  originário  da  lei,  modificando  significativamente o panorama jurídico."4  Outrossim,  não  se  desconhece  que  a  função  do  real,  no  processo,  é  absolutamente essencial,  como pontuam Marinoni  e Arenhart5,  afinal  se  a  regra  jurídica  tem  uma hipótese fática, é essencial o conhecimento do fato ocorrido para que se produza o efeito  previsto na regra,  sob pena de  se  inviabilizar  sua concretização. Diante disso, concebeu­se o  princípio da verdade material como um dos princípios básicos do processo administrativo. Por  tal perspectiva, em nome da verdade material, a atuação cognitiva do julgador não pode sofrer  restrição.  Nesse  escopo,  a  verdade  material  tem  sido  tratada,  em  sede  de  jurisdição  administrativa,  com  referência  a  um  valor  superior  à  legalidade,  justificante  das  ações  jurisdicionais que desconsideram a preclusão temporal prevista no Decreto nº 70.235/1972, o  que, por si só, deveria convocar os membros da jurisdição administrativa fiscal ao debate em  torno da existência de poder conferido à segunda instância administrativa para deixar de aplicar  ato normativo com força de lei.                                                              1  SEPÚLVEDA,  Antonio  Guimarâes.  Déficit  de  argumentação  nas  decisões  do  CARF:  princípio  da  verdade  material  versus  regra  preclusiva.  Disponível  em:  <file:///D:/Users/61231002700/Downloads/22072­86860­1­ PB.pdf>. Acesso em 03/08/2017.   2  Op. cit.  3 Op. cit.  4 Op. cit.  5 MARINONI, Luiz Alberto, ARENHART, Sérgio Cruz. Manual do processo do conhecimento. São Paulo: RT,  2000, p. 274/275.   Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.041          12 É  de  sabença  geral  que,  de  acordo  com  o  artigo  26­A  do  Decreto  nº  70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, é vedado aos órgãos de julgamento,  no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Essa  regra  jurídica está reproduzida no artigo 62 do Anexo II do RICARF, como também está na Súmula  CARF nº 2. Não bastasse a proibição da  lei  e do Regimento  Interno, o § 4º do artigo 16 do  Decreto nº 70.235/1972 tem sido menosprezado ao argumento de que o princípio da verdade  material encontra fundamento na própria Constituição da República. Ora, se o artigo 26­A do  Decreto nº 70.235/1972 suprime do julgador administrativo a autoridade para negar vigência a  ato normativo aprovado pelo Poder Legislativo sob fundamento de inconstitucionalidade, não  pode o julgador administrativo avocar o princípio da verdade material para deixar de aplicar o  §  4º  do  artigo  16  do  Decreto  nº  70.235/1972,  porque  tal  atitude  implica  negar  vigência  ao  próprio artigo 26­A do Decreto nº 70.235/1972 e ao artigo 62 do Anexo II do RICARF.  Recorde­se  que  a  presunção  de  constitucionalidade  das  leis  fundamenta6  a  cláusula  de  reserva  de  plenário  do  artigo  97  da  Carta  Magna  de  1988.  Soube  o  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  prestar­lhe  as  devidas  reverências,  consagrando­a  na  Súmula  Vinculante nº 10, segundo a qual "viola a cláusula de reserva de plenário a decisão de órgão  fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei  ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte". (grifei)  Também  cabe  destacar  que  o  Presidente  da  República  pode  propor  ação  declaratória de  inconstitucionalidade para a  retirada do ordenamento  jurídico pátrio de  lei ou  ato  normativo  federal  ou  estadual,  na  forma  do  artigo  103,  I,  alínea  “a”,  da  vigente  Constituição  da  República.  Vê­se,  pois,  que  o  Chefe  do  Poder  Executivo  federal  não  pode  deixar de aplicar a  lei que considere inconstitucional, pois, se não houvesse tal restrição, não  haveria  sentido  na  prescrição  constitucional  do  artigo  103,  I,  alínea  “a”,  da  vigente  Constituição  da  República.  Ora,  se  o  Chefe  do  Poder  Executivo  federal  não  pode  alegar  inconstitucionalidade para não aplicar a  lei, o CARF, órgão  integrante da estrutura do Poder  Executivo federal, também não pode deixar de aplicá­la, ainda que os membros do colegiado  entendam que a lei é inconstitucional.   Não é demais  insistir que, deixar de aplicar o § 4º do artigo 16 do Decreto nº  70.235/1972  ao  argumento  de  que  o  princípio  da  verdade material  supera  a  legalidade,  é  o  mesmo que declarar a inconstitucionalidade do mencionado dispositivo legal. De duas, uma: ou  se  aplica,  reconhecendo­lhe  a  vigência,  ou  não  se  aplica  o  §  4º  do  artigo  16  do Decreto  nº  70.235/1972,  negando­lhe  vigência,  embora  não  tenha  sido  revogado,  como  também  não  se  registra que tenha sido objeto de decisão do STF em controle concentrado7, por meio de ação  direta  de  inconstitucionalidade  (ADI),  ação  declaratória  de  constitucionalidade  (ADC)  ou  arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF)8.                                                               6  Segundo  Agravo  Regimental  no  Recurso  Extraordinário  nº  636359/AP,  Plenário,  relator Ministro  Luiz  Fux,  Plenário, Dje nº 224 de 25 nov. 2011.   7 CRFB/1988, artigo 102: “[…] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal,  nas  ações  diretas  de  inconstitucionalidade  e  nas  ações  declaratórias  de  constitucionalidade  produzirão  eficácia  contra  todos e efeito vinculante,  relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública  direta e  indireta, nas esferas  federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de  2004)”.    8 Vale trazer à luz o seguinte trecho da decisão monocrática do Ministro Celso de Melo, no julgamento da Rcl nº  5.512­MC, em sessão de 26 ago. 2008:  “[...] Na realidade, a decisão que o Relator proferiu, em sede de arguição  de descumprimento de preceito fundamental, mesmo ad referendum do Plenário desta Corte, porque imputável ao  Supremo  Tribunal  Federal,  apresenta­se  impregnada  de  efeito  vinculante  e  de  eficácia  geral  (erga  omnes),  Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.042          13 Diga­se, ainda, que o § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 não foi objeto  de reclamação9 ao STF, na forma do artigo 102, I, alínea “l” da Constituição da República de  1988. Na mesma linha, afirma­se que não existe, a respeito do citado dispositivo legal, súmula  da  jurisprudência  dominante  do  STF,  autorizada  pelo  artigo  103­A  da  vigente  Carta  Constitucional, introduzido pela Emenda Constitucional nº 45/2004.  Por último, assevera­se que não há decisão sobre o § 4º do artigo 16 do Decreto  nº 70.235/1972, proferida pelo STF sob a sistemática da repercussão geral de que trata o artigo  543­B do anterior Código de Processo Civil (CPC/1973), nem decisão sobre o mesmo assunto  proferida pelo Superior Tribunal de  Justiça  (STJ),  segundo o  rito dos  recursos  repetitivos de  que trata o artigo 543­C do CPC/1973.   Portanto, o § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 não foi revogado nem  objeto  de  decisão  vinculante do STF  e do STJ  que houvesse  obstado  sua  incidência. Nessas  circunstâncias,  deixar  de  aplicá­lo  implica  julgamento  de  constitucionalidade,  a  despeito  da  vedação ao exercício de jurisdição constitucional por órgãos judicantes do Poder Executivo.  O fato é que o julgador pode deixar de aplicar ato normativo com força de lei,  enquanto não revogado – por óbvio, desde que atue no exercício da jurisdição constitucional.  Aqui,  é  necessário  reiterar  que  o  julgador  da  jurisdição  administrativa  fiscal  não  tem  competência para  o  exercício de  jurisdição  constitucional,  conforme Súmula CARF nº  2,  pois não integra os quadros da magistratura.   A  verdade  real  é  um  daqueles  casos  em  que  a  dogmática  jurídica  abraçou  o  senso comum para andarem juntos, seguindo as lições de Luis Alberto Warat, relembradas por  Lenio Streck. Este autor, recordando o mestre argentino, salienta que “a dogmática jurídica, ao  servir de instrumento para a interpretação/ sistematização/aplicação do Direito, vai aparecer  como um conjunto de técnicas de “fazer crer”, com as quais os juristas conseguem produzir a  linguagem oficial do Direito.” 10 (grifei)  A verdade material,  entendida como a concordância entre um  fato ocorrido na  realidade sensível e a ideia que dele fazemos, está atrelada a uma concepção filosófica calcada  no  paradigma  do  objeto,  já  superada  pelos  pressupostos  da  filosofa moderna.  Todavia,  essa  visão filosófica ultrapassada ainda continua a exercer influência sobre processualistas atuais.                                                                                                                                                                                            suscetível de legitimar, quando eventualmente descumprida, o ajuizamento de reclamação, tal como assinala, em  obra  monográfica  (Arguição  de  Descumprimento  de  Preceito  Fundamental,  p.  314/316,  item  n.  3,  2007,  Saraiva/IDP), o eminente Ministro Gilmar Mendes:  'Os vários óbices à aceitação do instituto da reclamação em  sede de controle concentrado parecem  ter  sido  superados, estando agora o STF em condições de ampliar o uso  desse importante e singular instrumento da jurisdição constitucional brasileira. Com o advento da Lei nº 9.882/99,  que estendeu o reconhecimento do efeito vinculante aos demais órgãos do Poder Público, a questão assume relevo  prático, em razão, especialmente, do objeto amplo da ADPF, que envolve até mesmo o direito municipal. Não há  dúvida de que a decisão de mérito proferida em ADPF será dotada de efeito vinculante, dando azo, por  isso,  à  reclamação para assegurar a autoridade da decisão do STF. Da mesma forma, cabível a reclamação para assegurar  a  autoridade da decisão proferida  em ADPF, não há  razão para não  reconhecer  também o efeito  vinculante da  decisão proferida em cautelar na ADPF (art. 5°, § 3°, da Lei n. 9.882/99), o que importa, igualmente, na admissão  da reclamação para garantir o cumprimento de decisão adotada pelo Tribunal em sede de cautelar.[...]”   9  CRFB/1988,  artigo  102:  “Compete  ao  Supremo  Tribunal  Federal,  precipuamente,  a  guarda  da  Constituição,  cabendo­lhe: I – processar e julgar, originariamente: […] l) a reclamação para a preservação de sua competência e  garantia da autoridade de suas decisões;”   10WARAT,  Luiz  Alberto  apud  STRECK,  Lenio  Luiz.  A  ficção  da  verdade  real  e  os  sintomas  da  falta  de  compreensão  filosófica  da  ciência  processual.  Disponível  em:  <http://www.amprs.org.br/arquivos/revista_artigo/arquivo_1325166560.pdf>. Acesso em: 03/08/2017.  Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.043          14 A  visão  do  conhecimento  que  a  filosofia  centrada  no  objeto  proporciona  despreza que a reconstrução de acontecimentos pretéritos sofre a influência das pessoas que o  presenciaram, ou até daquele que precisa receber a informação sobre o ocorrido para valorá­lo,  como  o  juiz.  Asseguram  Marinoni  e  Arenhart11  que,  “sempre,  o  sujeito  que  percebe  uma  informação  (seja  presenciando  diretamente  o  fato,  ou  conhecendo­o  através  de  outro meio)  altera o seu real conteúdo, absorve­o à sua maneira, acrescentando­lhe um toque pessoal que  distorce (se é que essa palavra pode ser aqui utilizada) a realidade. Mais que isso, o julgador  (ou o historiador, ou enfim, quem quer que deva reconstruir fatos do passado) jamais poderá  excluir, terminantemente, a possibilidade de que as coisas tenham­se passado de forma diversa  àquela a que suas  conclusões o  levaram”. Esses  autores  firmemente  expõem que  a verdade,  como meta utópica,  exerce  importante papel na  estrutura do processo. O  juiz deve se pautar  pela orientação de que a verdade deve ser buscada, malgrado consciente de que não se pode  alcançá­la, porquanto a verdade não passa de um ideal. Por essa óptica, a função da verdade no  processo é meramente mítica, motivo por que, enquanto objeto ideal, não pode impor restrições  ao processo além do mínimo necessário.12   Nesse contexto, Marinoni e Arenhart13 traçam comentários valiosos:   “Some­se  a  isso  tudo  o  fato  de  que  a  relação  da  verdade  com  o  processo  (juiz  e  provas) vem permeada de certas particularidades, as quais muitas vezes excluem a  possibilidade de que o magistrado efetivamente encontre a verdade. É o que observa  GIOVANNI  VERDE,  ao  ponderar  que,  no  processo,  as  regras  sobre  prova  não  regulam apenas os meios de que o  juiz pode  servir­se para “descobrir  a verdade”,  mas  também  traçam  limites  à  atividade  probatória,  tornando  inadmissíveis  certos  meios de prova, resguardando outros interesses (como a intimidade, o silêncio etc.)  ou  ainda  condicionando  a  eficácia  do  meio  probatório  à  adoção  de  certas  formalidades (como o uso de instrumento público). Diante dessa proteção legal (de  forte  intensidade)  a  outros  interesses,  ou,  ainda,  da  submissão  do  mecanismo  de  “revelação  da  verdade”  a  certos  requisitos,  parece  não  ser  difícil  perceber  que  o  compromisso que o direito (e, em especial, o processo) tem com a verdade não é tão  inexorável como aparenta ser.”   O  sistema  de  regras  processuais  vigente,  abarcando  limitações  e  formalidades impostas para a produção da prova, denota que o desenhista institucional não quis  fixar a verdade “das coisas tais como elas são” – a verdade real ­ como objetivo concreto a ser  alcançado  pelo  julgador,  não  obstante  constituir  objetivo  utópico  da  atividade  judicante,  mesmo porque não se pode esperar que esse fim seja realizado no processo.   Dessa  forma,  a  verdade  não  é mais  do  que meio  retórico  indispensável  ao  debate  perante  o  julgador.  Embora  a  verdade  não  seja  alcançável,  as  partes  devem  legitimamente  atuar  como  se  estivessem  agindo  para  buscá­la.  No  debate  instaurado  no  processo,  cada  um  dos  litigantes  se  esforça  para  fazer  valer  suas  afirmações,  que,  ao  final,  serão refutadas ou confirmadas. A verdade do processo é o resultado que só se atinge após o  debate. Sem dúvida, se o processo é concebido com o fim de se obter a verdade, esta resulta do  debate entre as partes, ainda que seja uma verdade válida apenas para os participantes. Assim,  o  conteúdo das  assertivas  de  cada  um  nada  tem  a  ver  com a  verdade,  pois,  no  processo,  “o                                                              11 Op. cit., p. 281.  12 MICHELI, Gian Antonio, TARUFO, Michele apud MARINONI, ARENHART. Op. cit., p. 278.  13Op. cit., p. 282.  Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.044          15 verdadeiro  e  o  falso  não  têm  origem  nas  coisas,  nem  na  razão  individual,  mas  no  procedimento”14.  Considerando  o  fato  de  que  a  recorrente  perdeu  o  prazo  fixado  no  procedimento  de  impugnação,  previsto  no  Decreto  nº  70.235/1972,  para  a  juntada  de  documentos comprobatórios,  e por não  justificar a  intempestividade com base em motivo de  força  maior,  não  há  como  admitir,  sem  agredir  a  lei,  a  produção  de  efeitos  ao  ingresso  intempestivo  desse  material  no  corpo  dos  autos.  Como  mencionado  acima,  nem  mesmo  o  indigitado princípio da verdade material pode socorrê­la.   De acordo com os fundamentos acima colacionados, não há qualquer defeito  na decisão recorrida a acarretar a pronúncia de nulidade.  Na  questão  seguinte,  a  recorrente  suplica  o  reconhecimento  da  nulidade  do  Despacho Decisório, ao argumento de que este padece de um déficit de elementos descritivos  necessários à perfeita compreensão dos motivos determinantes da decisão tomada, a acarretar  prejuízo à defesa,  sem esquecer de que o Decreto n° 70.235/72, em seu artigo 9o,  estabelece  que a exigência de crédito fiscal deve ser instruída com todos os termos, depoimentos, laudos e  demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, o que evidentemente não  foi observado, no caso.   Não  há  como  concordar  com  a  recorrente.  Repare­se:  no  documento  “Análise  de  Crédito”  que  acompanha  o  Despacho  Decisório,  à  fl.  415,  estão  descritos  os  seguintes elementos:  “a) Data da Consulta: 31/7/2013 14:28:27  b) Nome/Nome Empresarial: TELEFONICA BRASIL S.A.  c) CPF/CNPJ: 02.558.157/0001­62  d)  PER/DCOMP  com  demonstrativo  de  crédito:  15825.41689.200809.1.7.02­ 5652  e) Número do processo de crédito: 10880­937.203/2012­91  f) Período de apuração do crédito: Exercício 2008 ­ 01/01/2007 a 31/12/2007  g) Tipo de Crédito: Saldo Negativo de IRPJ  h) Despacho Decisório (Nº de Rastreamento): 023611898  i)  Valor  original  do  saldo  negativo  informado  no  PER/DCOMP  com  demonstrativo de crédito: R$ 91.512.904,85  j) Valor do saldo negativo disponível: R$ 86.883.379,83”                                                              14 MARONONI, ARENHART. op. cit., p. 284/286. Claro que o procedimento que se utiliza para chegar à verdade  deve propiciar igual oportunidade discursiva aos debatedores.  Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.045          16   No  item  “Informações  Complementares  da Análise  de Crédito”,  também  à  fl.  414,  a  autoridade fiscal consignou informações importantes com o intento de explicar o procedimento  de verificação do saldo negativo oferecido pela recorrente ao encontro de contas:  “O crédito de saldo negativo foi analisado a partir das informações prestadas em  um  único  PER/DCOMP,  aquele  identificado  como  "PER/DCOMP  com  demonstrativo  de  crédito".  Regra  geral,  trata­se  do  primeiro  PER/DCOMP  transmitido  pelo  sujeito  passivo  informando  aproveitamento  do  saldo  negativo  do  período de apuração.  Na  análise  do  crédito,  foram  verificadas  as  parcelas  de  composição  do  saldo  negativo  informadas  na  pasta  "Crédito"  do  PER/DCOMP,  tendo  por  premissa  que  a  soma destas parcelas deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido  no período, se houver, e a apuração do saldo negativo.  Quando  houver  divergência  entre  o  valor  do  saldo  negativo  informado  no  PER/DCOMP e na DIPJ correspondente ao período de apuração do crédito analisado, o  reconhecimento do direito creditório está limitado ao menor destes dois valores. “  No  Despacho  Decisório,  à  fl.  413,  no  item  “Fundamentação,  Decisão  e  Enquadramento Legal”,  a  autoridade  fiscal  apresentou  os  fundamentos  fáticos  e  jurídicos  da  decisão tomada, já considerando a insuficência do crédito para compensar os débitos tributários  declarados nos PER/DCOMP examinados:  “Analisadas  as  informações  prestadas  no  documento  acima  identificado  e  considerando  que  a  soma  das  parcelas  de  composição  do  crédito  informadas  no  PER/DCOMP  deve  ser  suficiente  para  comprovar  a  quitação  do  imposto  devido  e  a  apuração do saldo negativo, verificou­se:  PARCELAS  DE  COMPOSIÇÃO  DO  CRÉDITO  INFORMADAS  NO  PER/DCOMP    Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo  de crédito: R$ 91.512.904,85 Valor na DIPJ: R$ 91.512.904,85  Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 744.008.613,51  IRPJ devido: R$ 652.495.708,66  Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório  das parcelas na DIPJ) ­ (IRPJ devido) limitado ao menor valor  entre  saldo  negativo DIPJ  e  PER/DCOMP,  observado  que  quando  este  cálculo  resultar negativo, o valor será zero.  Valor do saldo negativo disponível: R$ 86.883.379,83  Informações  complementares  da  análise  do  crédito  estão  disponíveis  na  página  internet da Receita Federal, e integram este despacho.  O crédito reconhecido foi  insuficiente para compensar  integralmente os débitos  informados pelo sujeito passivo, razão pela qual:  Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.046          17 HOMOLOGO  PARCIALMENTE  a  compensação  declarada  no  PER/DCOMP:  09489.27776.301008.1.3.02­2000.  NÃO HOMOLOGO a  compensação  declarada no(s)  seguinte(s)  PER/DCOMP:  05854.93092.231109.1.3.02­8744.   Valor  devedor  consolidado,  correspondente  aos  débitos  indevidamente  compensados, para pagamento até 29/06/2012.    Para  informações  complementares  da  análise  de  crédito,  detalhamento  da  compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação  de  valores  devedores  e  emissão  de  DARF,  consultar  o  endereço  www.receita.fazenda.gov.br,  menu  "Onde  Encontro",  opção  "PERDCOMP",  item  "PER/DCOMP­Despacho Decisório".  Enquadramento  Legal:  Art.  168  da  Lei  nº  5.172,  de  1966  (Código  Tributário  Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN RFB  900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução  Normativa RFB nº 900, de 2008.” (grifos no original)  Por  sua vez, o elementos das designadas “Parcelas de Composição do Crédito  Informadas  no  PER/DCOMP”,  constantes  das  “Informações  Complementares  da  Análise  de  Crédito”, à fl. 413, estão adequadamente explicados no item “Termos Utilizados na Análise do  Crédito do Saldo Negativo”, à fl. 415, verbis:  “Tabela  Parcelas  de  composição  do  crédito  informadas  no  PER/DCOMP:  demonstra  as  antecipações  detalhadas  pelo  sujeito  passivo  na  pasta  "Crédito" do PER/DCOMP e os valores confirmados mediante consulta aos sistemas da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  ou  pela  apresentação  de  documentos  comprobatórios pelo sujeito passivo, sendo:  PARC. CRÉDITO ­ Parcelas de Composição do Crédito  IR EXTERIOR ­ Imposto de Renda Pago no Exterior  RETENÇÕES FONTE ­ Imposto de Renda Retido na Fonte  PAGAMENTOS  ESTIM.  COMP.  SNPA  ­  Estimativas  Compensadas  com  Saldo  Negativo  de  Períodos Anteriores  ESTIM. PARCELADAS ­ Estimativas Parceladas  DEM.  ESTIM.  COMP.  ­  Estimativas  Compensadas  com  Outros  Tributos  ou  Demais Estimativas Compensadas  SOMA PARC. CRED. ­ Soma das Parcelas de Crédito  Valor  na  DIPJ:  valor  do  saldo  negativo  informado  na  Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais  da Pessoa  Jurídica  (DIPJ)  correspondente  ao  período  de apuração do crédito analisado.  Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.047          18 Somatório  das  parcelas  de  composição  do  crédito  na  DIPJ:  antecipações informadas pelo sujeito passivo na DIPJ na ficha "Cálculo de Imposto de  Renda sobre o Lucro Real", referentes a retenções na fonte, pagamento de imposto no  exterior ou de renda variável, e compensação, parcelamento ou pagamento de débitos  de estimativa.  IRPJ  devido:  valor  do  imposto  sobre  o  lucro  real  apurado  subtraídos  os  incentivos fiscais, as isenções e as deduções do imposto, previstos na legislação.  Valor do saldo negativo disponível:  é o valor do  saldo negativo  apurado  após a confirmação das parcelas de composição do crédito, deduzido o imposto devido,  limitado  ao  valor  do  saldo  negativo  informado  na  DIPJ.  O  valor  considerado  como  "Parcelas  Confirmadas"  para  cálculo  do  saldo  negativo  disponível  é  limitado  ao  somatório  das  parcelas  de  composição  do  crédito  informadas  na  DIPJ.”  (grifos  no  original)  Toda a exposição acima ainda conta o complemento da “Análise das Parcelas de  Crédito,  com  suas  listas  de  fls.  415/417,  mediante  as  quais  a  autoridade  Fiscal  efetuou  a  segregação entre valores confirmados e não confirmados dos seguintes componentes do saldo  negativo  oferecido  para  compensação  com  débitos  tributários:  imposto  de  renda  pago  no  exterior,  imposto de renda retido na fonte, pagamentos, estimativas compensadas com saldos  negativos de períodos anteriores e demais estimativas compensadas.  Portanto, não há dúvida de que o Despacho Decisório  tem o suporte  fático de  uma  grande  gama  de  informações  suficientemente  claras,  afora  o  exigível  enquadramento  jurídico, pois, não fosse assim, a recorrente não demonstraria, como efetivamente demonstrou,  que  pôde  compreender  a  acusação  e  seus  fundamentos,  como  revelam  os  trechos  abaixo,  destacados da manifestação de inconformidade, verbis:  “[...  ]  6.  Com  base  na  prerrogativa  permitida  pela  legislação  tributária,  em  20.8.2009,  a  Requerente  apresentou  o  PER/DCOMP  no  15825.41689.200809.1.7.02­ 5652 1,  requerendo a compensação do saldo negativo de  IRPJ apurado em 2008 com  débitos de IRPJ do ano­base de 2007.  7. Entretanto,  em 1.6.2012,  foi  proferido o Despacho Decisório no 023611898,  que  homologou  parcialmente  a  compensação  declarada  no  PER/DCOMP  no  09489.27776.301008.1.3.02­2000  (doc.  nº  7)  e  não  homologou  a  compensação  declarada  o  PER/DCOMP  no  05854.93092.231109.1.3.02­8744  (doc.  nº  8),  sob  o  fundamento  de  que  a  Requerente  não  foi  capaz  de  comprovar  integralmente  (i)  o  imposto  de  renda  pago  no  exterior  e  (ii)  o  saldo  negativo  de  períodos  anteriores  utilizado  para  compensar  a  estimativa  referente  ao  mês  de  novembro  de  2007  (PER/DCOMP no 17037.09325.271207.1.3.02­7770 ­ doc. nº 9).  8. Em que pese os fundamentos alegados pelas autoridades fiscais, a Requerente  não  pode  concordar  com  o  Despacho  Decisório  em  comento,  motivo  pelo  qual  irá  demonstrar a seguir que o referido Despacho é nulo pois não traz motivação adequada  para o indeferimento da compensação.  9. Além  disso,  caso  assim  não  se  entenda,  o  que  se  admite  apenas  a  titulo  de  argumentação,  a  Requerente  demonstrará  que  (i)  há  legislação  que  não  exige  a  comprovação da retenção do imposto pago no exterior; e (ii) o saldo negativo utilizado  foi originado em 2003 e ainda não havia sido utilizado pela Requerente, motivos pelos  quais  deve  ser  integralmente  reconhecido  o  direito  creditório  decorrente  do  saldo  negativo  de  IRP3  apurado  no  ano  de  2007  e,  consequentemente,  homologada  a  compensação objeto do PER/DCOMP no 15825.41689.200809.1.7.02­5652.  Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.048          19 [...]  17.  A  Requerente  demonstrará  adiante  a  origem  do  crédito  utilizado  para  compensação  e  como  ele  foi  utilizado,  conforme  os  seus  registros  contábeis,  oportunidade na qual sera evidenciada a sua regularidade e suficiência. Senão, vejamos.  Crédito de Imposto de Renda Pago no Exterior — Dividendos  18. Com relação aos valores de Imposto de Renda pago no exterior, a Requerente  destaca  que  não  foram  reconhecidos  pela  Receita  Federal  os  valores  de  Imposto  de  Renda  que  foram  retidos  pelas  empresas  Aliança  Atlantica  Holding  B.V.  e  Portugal  Telecom  (das  quais  a  Requerente  é  acionista)  em  decorrência  da  distribuição  de  dividendos.  [...]  (b) Estimativas compensadas com saldos de períodos anteriores  27.  0  despacho  decisório  indica  também  que  as  autoridades  fiscais  não  reconheceram o valor de R$ 2.146.281,16 utilizado como crédito pela Requerente para  compensação  com  a  estimativa  devida  referente  ao mês  de  novembro  de  2007  [...]”  (grifos no original)  Como se vê, é indiscutível que a recorrente compreendeu as razões das decisões  da Administração Tributária que proclamaram:  a)  a  homologação  integral  da  compensação  objeto  do  PER/DCOMP  nº  15825.41689.200809.1.7.02­5652,  extinguindo­se  o  débito  de  estimativa  de  IRPJ  do mês  de  agosto de 2008 (vide fl. 419);  b)  a  homologação  parcial  da  compensação  objeto  do  PER/DCOMP  nº  09489.27776.301008.1.3.02­2000, extinguindo­se parcialmente o débito de estimativa de IRPJ  do mês de setembro de 2008 (vide fl. 419); e   c)  a  não  homologação  da  compensação  declarada  pelo  PER/DCOMP  nº  05854.93092.231109.1.3.02­8744, apresentado com fim de extinguir os débitos de PIS/PASEP  e Cofins não cumulativos do mês de janeiro de 2009 (vide fl. 419).  A  inexistência  de  déficit  da  clareza  suficiente  à  compreensão  dos motivos  da  decisão tomada direciona o julgador à certificação de que não houve prejuízo à defesa, o que  também lhe impõe a rejeição do pedido de reconhecimento nulidade do Despacho Decisório.  A  terceira  questão  preliminar  afeta  às  estimativas  compensadas  com  saldos  negativos de períodos anteriores. Sobre o tema, a recorrente menciona que o acórdão recorrido  não  conheceu  o  valor  de R$  2.146.281,16,  utilizado  como  crédito  para  compensação  com  a  estimativa  referente  ao  mês  de  novembro  de  2007.  Tal  valor  refere­se  a  estimativas  compensadas  com  saldo  negativo  de  IRPJ  acumulado  de  períodos  anteriores,  por  meio  do  PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02­7770.   A DRJ, ao seu  turno,  salientou que a  recorrente  intenta, no presente processo,  “demonstrar  a  legitimidade da  compensação  do  débito  de  estimativa  do PA novembro/2007,  efetuada  mediante  a  entrega  da  DCOMP  nº  17037.09325.271207.1.3.02­7770.  Todavia,  a  discussão administrativa acerca da não homologação da compensação desse débito é objeto de  outro processo administrativo, o de nº 13807.003136/2004­70”, daí advertindo que a questão  Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.049          20 está  sob  a  jurisdição  do  CARF  para  julgamento  de  recurso  voluntário  contra  decisão  de  primeira  instância,  que  considerou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada naqueles autos.  Já  a  recorrente  alega  que,  ao  contrário  do  que  restou  consignado  no  acórdão  recorrido, não procede a alegação de que o PER/DCOMP n° 17037.09325.271207.1.3.02­7770  está  atrelado  ao processo  administrativo n° 13807.003136/2004­70.  Isso porque,  em  referido  processo  administrativo,  discute­se  tão  somente  o  despacho  decisório  que  não  homologou  integralmente  as  compensações  realizadas  por  meio  dos  PER/DCOMPs  nº  41537.59384.140803.1.3.02.7212,  31833.84671.280803.1.3.02­4129  e  19578.01638.3000903.1.3.02­4670.  Contudo, no exame dos autos do processo nº 13807.003136/2004­70, podem ser  observadas  as  seguintes  anotações  do  relatório  do  acórdão  nº  16­20.589,  prolatado  pela  5º  Turma da DRJ/SPO I, em sessão de 02/03/2009, às fls. 1.279 e seguintes:  “[...] 6. Em 18/12/2007 a interessada apresentou DIPJ 2003 retificadora (ND n°  1279630­60, a  fls. 261/265), em que aumentou o valor do saldo negativo apurado, de  R$  87.354.413,75  para R$  88.550.780,07, mediante  dedução  destacada  das  retenções  oriundas de órgãos públicos no cálculo do saldo de IR a pagar.  7.  Em  27/12/2007,  com  base  nessa  declaração  retificadora,  a  interessada  apresentou  a  Per/Dcomp  n°  17037.09325.271207.1.3.02­77,  que  deu  origem  ao  processo administrativo n° 16306.000180­2008­91, cujos autos  foram juntados aos do  presente processo, com vistas a julgamento conjunto.  8. Nos autos do processo ora juntado, n° 16306.000180­2008­91, a DERAT/SPO  indeferiu o pleito da contribuinte, em despacho decisório a fls. 05/06, esclarecendo que  tal indeferimento não trazia nenhum prejuízo à interessada, uma vez que a modificação  introduzida pela DIPJ 2003 retificadora (cômputo das retenções de IR promovidas por  órgãos públicos) já havia sido apreciada na análise do pleito do presente processo, ora  principal.  9.  A  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  nos  autos  do  processo  administrativo  n°  16306.000180­2008­91  (Per/Dcomp  n°  17­.637­ .09325.27120T1.3.02­7770), a­fls. 13121, com as alegações abaixo sintetizadas:  [...]  10.  No  despacho  decisório  que  também  integra  a  lide  ora  enfrentada,  a  fls.  275/287  dos  autos  principais,  a  autoridade  local  expôs  as  razões  da  manutenção  do  indeferimento do pleito da interessada, a seguir sintetizadas: [...]”  Adiante, no voto, disse o relator do supracitado acórdão nº 16­20.589:  “46.  Também  não  se  observa  a  nulidade  imputada  ao  despacho  decisório  proferido a fls. 05/07 do processo ora juntado (autos n° 16306.000180/2008­91).  47. Embora nesses autos tenha a autoridade recorrida  indeferido a pretensão da  recorrente  por  considerar  a  Per/Dcomp  n°  17.037.09325.271207.1.3.02­7770  como  retificadora  da  Per/Dcomp  n°  41537.59384.140803.1.3.02.7212,  não  há  qualquer  prejuízo defesa da contribuinte perante a autoridade julgadora.  [...]  Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.050          21 115. Em conclusão, no tocante à controvérsia cuja solução nos incumbe, entendo  que  deva  ser  INDEFERIDA  a  solicitação  da  recorrente,  bem  como,  NÃO  HOMOLOGADAS  as  compensações  declaradas  nos  autos  (processos  n°  13807.003136/2004­70 e 16306.0000180/2008­91), devendo ser mantidos os termos do  despacho  recorrido,  que  indeferiu  o  pleito  da  requerente  à  compensação  de  débitos  próprios com suposto saldo credor de IRPJ do ano­calendário 2002, após constatar­se  inexistente o saldo credor de IRPJ apurado na DIPJ 2003 entregue pela contribuinte.”  (grifei)  À fl. 1.765 do aludido processo nº 13807.003136/2004­70, consta que o recurso  voluntário  interposto  contra  o  acórdão  nº  16­20.589  está  pendente  de  julgamento  e  que  o  referido  feito  foi  avocado  pelo  relator  do  apelo  do  mesmo  recorrente,  inserto  nos  autos  do  processo  nº  11610.001436/2003­13,  a  fim de  que houvesse  julgamento  em  conjunto,  pela  1ª  Turma/4ª Câmara/1ª Seção.  Perante  tal  circunstância,  o  julgamento  do  recurso  voluntário  não  pode  prosseguir, em face da dependência da solução que será proclamada nos autos do processo nº  11610.001436/2003­13.  Considerando  que  o  presente  processo  é  decorrente  daquele  e  que  ambos estão pendentes de decisão de mesma instância, propõe­se que se converta o julgamento  em diligência, sobrestando­se o feito na Câmara até que a 1ª Turma/4ª Câmara/1ª Seção decida  o mérito do processo principal.   É como voto.  (assinado digitalmente)  Flávio Franco Corrêa    Declaração de Voto   Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro   Com a devida vênia, divirjo do voto do Ilustre Relator no que tange à admissão  de provas documentais fora do prazo da impugnação.  Embora  a  Recorrente  as  tenham  apresentado  em  momento  posterior  a  Impugnação, estando sujeita a pena de preclusão, conforme o art. 16 do Decreto nº. 70.235/72,  entendo  que  a  preclusão  processual  deve  ser  mitigada  em  virtude  da  busca  pela  verdade  material, tendo o julgador o dever de se valer de qualquer prova acostada aos autos para apurar  a legalidade da tributação.  Desse modo, entendo que deve prevalecer o principio da verdade material, em  que  impõe­se  sejam  sanadas  as  falhas,  omissões  e  enganos  eventualmente  cometidos  pelo  contribuinte.   Assim, manifesto­me  contrário  ao  voto  condutor  neste  ponto,  reconhecendo  a  validade das provas apresentadas em momento posterior a Impugnação, conquanto sejam meio  hábil para a verificação do crédito tributário que ensejou a exação fiscal em comento.  É como voto.  Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10880.937203/2012­91  Resolução nº  1301­000.427  S1­C3T1  Fl. 1.051          22 (assinado digitalmente)  Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro      Fl. 1051DF CARF MF

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Numero do processo: 10380.905804/2018-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3201-003.079
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decididono RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. Vencidos os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior e Márcio Robson Costa que rejeitaram a diligência e negaram provimento ao Recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.045, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10380.905742/2018-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente).
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA

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Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. Vencidos os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior e Márcio Robson Costa que rejeitaram a diligência e negaram provimento ao Recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.045, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10380.905742/2018-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 05 80 4/ 20 18 -6 1 Fl. 1832DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3201-003.079 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.905804/2018-61 Trata-se de pedido de ressarcimento de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) não-cumulativo, por bem retratar os fatos, reproduzo parte do relatório DRJ: Trata-se de Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório (...), que indeferiu Pedido de Restituição (PER) de pagamento indevido (...). O crédito não foi reconhecido porque o recolhimento se encontra integralmente apropriado ao débito correspondente declarado pelo contribuinte em DCTF e Dacon. (...) o contribuinte manifestou inconformidade (...), alegando em preliminar a nulidade do despacho, por ausência de motivação e análise do mérito, porquanto a avaliação do crédito limitou-se ao cruzamento eletrônico do pedido com os dados das declarações prestadas, o que ofende o princípio da verdade material, ante os meios de que a Administração dispõe para averiguar a existência do crédito (intimação ao contribuinte, diligência fiscal). No mérito, aduz que, diante do rumo jurisprudencial dado ao conceito de insumos (“nem tão próximo do conceito aplicado na legislação do IPI e nem tão distante daquele que refere-se ao Imposto de Renda”), viu-se diante do fato de ter deixado de apropriar créditos que lhe seriam de direito, e, consequentemente, de ter efetuado o recolhimento das aludidas contribuições a maior, sem que tivesse procedido ao desconto do crédito relativo à aquisição de certos insumos em sua apuração mensal (art. 3º, caput, II, e §4º, das Leis nº 10.637/02 e 10. 833/03). Alude que vários créditos foram aproveitados de forma extemporânea, independentemente da retificação da DCTF e Dacon, por força do §4º do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 (cf. Solução de Divergência Cosit nº 06/2008). Juntou relação de créditos por operação a serem computados, distinguido-lhes as modalidades pela cor. Em vista disso, pede a restituição do pagamento indevido, corrigido pela taxa Selic. Seguindo a marcha processual normal, foi julgado improcedente o pleito da contribuinte, a DRJ compreendendo que contribuinte não faria jus ao seu pleito. Diante dos fatos acima narrados, a contribuinte pede reforma da decisão em recurso voluntário repisamos os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 1833DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3201-003.079 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.905804/2018-61 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado na resolução paradigma como razões de decidir: 1 Com a devida vênia, divirjo do bem elaborado voto apresentado pelo Ilustre Conselheiro relator, tendo sido designado para elaboração do voto vencedor em relação à conversão do julgamento em diligência. Minha compreensão foi no sentido de que o processo não se encontra maduro para decisão, merecendo o julgamento ser convertido em diligência. Explica-se: Uma das matérias em litígio diz respeito a possibilidade ou não do aproveitamento dos denominados créditos extemporâneos de PIS e da COFINS. A decisão recorrida, em breve síntese, trilhou no sentido de que no âmbito das contribuições sociais apuradas pelo regime não-cumulativo, exige-se a segregação dos créditos por períodos de apuração devido ao fato de que os créditos, neste regime, são passíveis de repetição segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração, ou seja, é preciso que, em cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de repetição por qualquer uma das formas previstas (compensação ou ressarcimento, por exemplo). Por sua vez, a Recorrente defende que, nos termos do § 4º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes, autorizando aí, expressamente e sem qualquer oportunidade para interpretação diversa, o aproveitamento extemporâneo de créditos de PIS e COFINS. Esta Turma de Julgamento em recentes decisões, em processos que envolvem a análise do aproveitamento de créditos extemporâneos das contribuições tem decidido pela conversão do julgamento em diligência. A título ilustrativo cito as Resoluções nº’s 3201-003.009, de 22/06/2021 e 3201- 003.010, de 23/06/2021, ambas de relatoria da Relatora Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Outras Turmas de Julgamento da 3ª Seção, em casos análogos, de igual modo, tem decidido pela conversão do julgamento em diligência, como por exemplo, as Resoluções nº’s 3401-001.999, 3302-001.180, 3401-001.546 e 3401-001.827, tudo com vistas a se apurar efetivamente o crédito pleiteado e se não foi aproveitado em outro período. Diante do exposto, voto por converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decidido no RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários 1 Deixa-se de transcrever o voto vencido do relator, que pode ser consultado na resolução paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 1834DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3201-003.079 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.905804/2018-61 para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decididono RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 1835DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 19515.002133/2010-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2202-000.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto. Relatório
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO

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2202­000.811  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  07 de março de 2018  Assunto  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  VICENTE RENATO PAOLILLO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Waltir de Carvalho ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator   Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waltir de Carvalho, Junia  Roberta Gouveia  Sampaio, Dilson  Jatahy  Fonseca Neto, Rosy Adriane  da Silva Dias,  Paulo  Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto.      Relatório Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  nos  autos  do  processo  nº  19515.002133/2010­29, em face do acórdão nº 17­48.048, julgado pela 3ª Turma da Delegacia  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em São Paulo  II  (DRJ/SP2),  em sessão  realizada  em 02 de  fevereiro de 2011, no qual os membros daquele  colegiado entenderam por  julgar procedente  em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 13 3/ 20 10 -2 9 Fl. 746DF CARF MF Processo nº 19515.002133/2010­29  Resolução nº  2202­000.811  S2­C2T2  Fl. 747          2 Por bem descrever os  fatos,  adoto o  relatório da DRJ de origem que  assim os  relatou:  "Contra o contribuinte em epígrafe  foi  lavrado o auto de  infração de  fls.  407  a  415,  referente  ao  ano­calendário  de  2005,  para  a  constituição do crédito tributário no montante de R$ 774.884,47, sendo  R$ 271.607,55 a titulo de imposto, R$ 378.772,03, de multa de oficio, e  R$ 124.504,89, de juros de mora, calculados até 30/06/2010.  Consta  da  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  (fls.  412  a  415) que foram apuradas as seguintes infrações:  ­ omissão de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos de pessoas  jurídicas.  Enquadramento  legal:  arts.  1°  a  3  0  e  §§  da  Lei  n°  7.713/1988;  arts.  1°  a  3°  da  Lei  n°  8.134/1990;  arts.  49  a  53  do  Decreto n° 3.000/1999 ­ RIR11999; art. 10 da Lei n° 11.119/2005;  ­  rendimentos  pagos  a  sócio  de  empresa,  excedentes  ao  lucro  presumido,  depois  de  deduzidos  o  IRPJ  e  a  CSLL,  uma  vez  não  demonstrado,  através  de  escrituração  contábil  feita  com  observância  da  lei  comercial,  que  o  lucro  efetivo  é  superior  ao  lucro  presumido.  Enquadramento  legal: Ato Declaratório Normativo COSIT n° 4/1996,  inciso II; artigo 663 do RIR11999 e art. 1 ° da Lei n°11.119/2005;  ­  omissão de  rendimentos caracterizada por depósitos bancários  com  origem não comprovada. Enquadramento legal: art. 849 do RIR11999  e artigo 1 0 da Lei n° 11.119/2005.  O Termo de Verificação Fiscal de fls. 355 a 395, que integra o auto de  infração, consigna o que segue, em síntese:  ­  da  análise  das  informações  prestadas  no  curso  da  ação  fiscal  e  documentadas por meio de extratos bancários, verificou­se que Vicente  Renato Paolillo movimentou recursos pela conta corrente n° 44281, da  agência  11500 — Corporate  I,  do Banco  Safra  S/A  (único  titular),  e  pelas  contas­correntes  d'  s  01.014131­1  e  01.758759­8  (em  co­ titularidade com Alexandre Husni, CPF n° 076.064.278­87, e Roberto  Cabariti,  CPF  n°  031.875.198­49)  e  01.850001­1  (em  co­titularidade  com  Mariângela  Guarianas  Tumani,  CPF  n°  508.810.788­91),  da  agência  0384­1  do  Banco  Nossa  Caixa  S/A,  incompatíveis  com  os  rendimentos  declarados,  razão  pela  qual  foi  intimado  a  apresentar  documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem dos recursos  depositados nas referidas contas correntes (fls. 10 a 74);  ­ à presente auditoria­fiscal não se aplica o disposto no artigo 42, § 30,  inciso II, da Lei n° 9.430/1996, no artigo 4 ° da Lei n° 9.481/1997 e no  artigo  849,  §  2°,  inciso  II,  do RIR11999,  tendo  em  vista  a  soma  dos  valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 ultrapassar R$ 80.000,00,  conforme planilha "D" anexa (fls. 402 a 406);  ­o_  contribuinte  e  os  outros  co­titulares  das  contas­correntes  não  lograram  comprovar  a  origem  dos  recursos  movimentados  por  meio  dos depósitos relacionados na tabela inserida no item 2.3 do Termo de  Verificação Fiscal (fls. 356 e 357), conforme razões especificadas nos  itens 2.4 a 2.79 e 2.84 a 2.91 (fls. 357 a 368);  Fl. 747DF CARF MF Processo nº 19515.002133/2010­29  Resolução nº  2202­000.811  S2­C2T2  Fl. 748          3 ­  uma  vez  que  as  contas  correntes  n  os  01.014131­4,  01.758759­8  e  01.850001­1, acima referidas, têm mais de um titular, os depósitos cuja  origem  dos  recursos  não  foi  comprovada  foram  repartidos  proporcionalmente,  conforme  Planilhas  "B"  e  "C"  anexas  (fls.  397  a  399) que, assim como a Planilha "A" (fl. 396), fazem parte integrante e  indissociável  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  constante  do  presente  feito;  ­  constatou­se,  também,  que  o  interessado  auferiu  rendimentos  de  aluguéis, recebidos da empresa Oxigênio Desenvolvimento de Políticas  Públicas  e  Sociais,  CNPJ  no  59.587.949/0001­82,  por  meio  de  depósitos  efetuados  na  conta­corrente  n°  01.850001­1,  da  agência  bancária  acima  citada,  referentes  ao  imóvel  situado  na  Rua  José  Clemente, esquina da Rua Estados Unidos, n° 153, que possui em co­ propriedade,  à  proporção  de  50%  (cinquenta  por  cento),  com  Alexandre Husni;  ­ o referido bem foi informado na declaração de bens da DIRPF/2006  do contribuinte,  todavia,  os  respectivos  rendimentos  (relacionados no  item  2.83  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  fl.  367)  não  foram  declarados;  ­  apurou­se,  ainda,  em  auditoria  fiscal  realizada  junto  As  pessoas  físicas  sócias  da  pessoa  jurídica  Advocacia  Husni­Paolillo­Cabariti  S/C e também nesta última, que foram depositados R$ 2.552.446,40 em  contas  bancárias  particulares  dos  sócios,  recursos  esses  não  devolvidos A  pessoa  jurídica,  nem  por  esta  declarados  como  receita,  conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal do auto de infração  emitido  contra  a  referida  pessoa  jurídica,  objeto  do  Processo  n°  19515.002234/2010­08  (cujos  itens  1.3  a  2.75  foram  transcritos  nas  páginas 15 a 34 do Termo de Verificação Fiscal constante do presente  feito, fls. 369 a 388);  ­  com  a  recomposição  da  receita  bruta  da  pessoa  jurídica  citada,  devido  à  inclusão  dos R$ 2.552.446,40,  apurou­se o  lucro  presumido  que poderia ter sido distribuído aos sócios, considerando­se o limite de  32%  (trinta  e  dois  por  cento)  da  receita,  menos  o  IRPJ  e  o  CSLL  devidos, o qual foi comparado com o que os sócios haviam recebido em  suas  contas  bancárias  somado  ao  informado  na  DIPJ/2006,  constatando­se  excesso  de  distribuição  de  lucros,  a  ser  tributado  na  pessoa  física  do  sócio,  conforme  demonstrado  nas  Tabelas  I  a  V  inseridas no item 2.66 do Termo de Verificação Fiscal relativo A ação  fiscal levada a efeito na pessoa jurídica (transcrição de fls. 384 a 386),  com  fundamento  no  artigo  10  da  Lei  n°  9.249/1995,  nos  artigos  55,  inciso XIX, e 663, caput e parágrafo único, do RIR/1999, e no artigo  51, §§ 3 0 e 4°, da Instrução Normativa SRF n° 11/1996;  ­ foram juntadas ao presente feito cópias de documentos acostados ao  Processo  n°  19515.002234/2010­08,  acima mencionado,  dos  quais  já  não constavam similares nestes autos (fls. 268 a 354):  O interessado foi cientificado em 28/07/2010, por via postal (fl. 417) e,  em  23/08/2010,  encaminhou,  também  por  via  postal  (fl.  483),  a  impugnação de fls. 447 a 467.  Fl. 748DF CARF MF Processo nº 19515.002133/2010­29  Resolução nº  2202­000.811  S2­C2T2  Fl. 749          4 Argui  a  decadência  do  direito  A  constituição  do  crédito  tributário  correspondente aos  fatos anteriores a 23 de  julho de 2005,  conforme  interpretação que faz do disposto no artigo 150 do Código Tributário  Nacional.  Entende  que  são  isentos  de  tributação  todos  os  valores  recebidos  no  ano­calendário  de  2005  da  empresa  Advocacia  Husni —  Paolillo —  Cabariti S/C, uma vez que esta tem condições de demonstrar através de  escrituração contábil (fls. 469 a 482) o montante do lucro distribuível  aos sócios.  Pugna  pelo  cancelamento  do  lançamento,  por  considerar  que  não  haveria prova da ação ou omissão dolosa por parte do contribuinte e  muito menos de haver cometido  fraude e que a autoridade  lançadora  não  teria descrito a ação ou omissão dolosa que  teria dado ensejo A  aplicação da multa qualificada.  Relativamente  A  apuração  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada,  alega  que  os  depósitos  bancários  não  representam  aquisição  de  disponibilidade  econômica,  nos  termos  do  artigo  43  do  Código  Tributário  Nacional.  Argumenta  que  se  trata  de  principio  que  não  pode  ser  alterado  em  função  da  nova  lei.  Afirma  que  o  Fisco  não  procedeu  à  análise  individual  de  cada  crédito.  Assevera  que  o  lançamento  se  baseia  em  presunção,  pois  teriam  sido  tributados  valores  incompatíveis  com  honorários  profissionais  do  contribuinte,  e  que  muitos  dos  valores  tributados representariam reembolso de despesas de clientes.  Observa que a soma dos recursos declarados, de R$ 563.533,05, com o  valor  apurado  no  lançamento  como  auferido  a  titulo  de  lucros  distribuídos e aluguéis não declarados, no montante de R$ 848.806,64,  justificaria os depósitos feitos nos bancos.  Na sequência, reafirma que o lançamento seria fruto de presunção, que  não  teria  havido  análise  individual  de  cada  depósito  e  dos  recursos  ingressados  no  período  e que  não  teria  sido  considerada a  atividade  exercida pelo contribuinte.  Ao  final,  requer:  i)  seja  acolhida  a  arguição  de  decadência;  ii)  seja  decretada  a  nulidade  do  auto  de  infração;  iii)  no  mérito,  seja  cancelado o  lançamento por  inexistência do fato gerador do tributo e  consequente anulação da multa qualificada.  Às  fls. 484 a 486, anexou­se petição do contribuinte, que encaminhou  cópia de DARF referente à parte não litigiosa do presente processo."  A  DRJ  de  origem  entendeu  pela  procedência  em  parte  da  impugnação  apresentada pelo contribuinte, mantendo­se, assim, parcialmente o crédito tributário lançado. A  parte dispositiva do acórdão conta com a seguinte redação:  "Vistos, relatados e discutidos estes autos, ACORDAM os membros da  3' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em  São  Paulo  II,  por  unanimidade,  rejeitar  as  arguições  de  nulidade  e  decadência  e,  no  mérito,  considerar  procedente  em  parte  a  impugnação,  em  razão  da  redução  da  multa  correspondente  à  Fl. 749DF CARF MF Processo nº 19515.002133/2010­29  Resolução nº  2202­000.811  S2­C2T2  Fl. 750          5 infração  descrita  como  "Omissão  de  Rendimentos  de  Alugueis  e  Royalties  Recebidos  de  Pessoas  Jurídicas"  para  75%  (setenta  e  cinco por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar  o presente julgado." (grifou­se)  O  contribuinte,  inconformado  com  o  resultado  do  julgamento,  apresentou  recurso voluntário, às fls. 692/707, reiterando, em parte, as alegações expostas em impugnação  quanto ao que foi vencido, requerendo a este Colegiado proceda em:  a)  declarar  decaído  o  direito  de  proceder  ao  lançamento  relativo  ao  período anterior a 23 de julho de 2005;  b) cancelar a multa qualificada, por inexistência de dolo ou fraude; e  por  fim  c)  cancelar o  lançamento do  imposto  de  renda pessoa  física,  uma  vez  que  os  lucros  distribuídos  são  isentos,  quando  apurados  contabilmente.  Por fim, apresenta o contribuinte petição de fls. 737/745, onde requer a nulidade  do  auto de  infração,  com base no  art.  61 do Decreto 70.235/72,  face  ao descumprimento da  Súmulas nº 29 e 14 do CARF  É o relatório.    Voto  Conselheiro Martin da Silva Gesto ­ Relator   O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os  demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.   Primeiramente,  necessário  referir  a  necessidade  de  diligência,  pois  o  processo  não é possível ser julgado na forma como se encontra.  Ocorre que, conforme aponta o contribuinte a fl. 738, o Termo de Verificação  Fiscal, à fl. 496, assim refere:  Fl. 750DF CARF MF Processo nº 19515.002133/2010­29  Resolução nº  2202­000.811  S2­C2T2  Fl. 751          6    Portanto,  verifica­se  que  as  contas  correntes  nº  01.014131­1  e  01.758759­8  possuem co­titularidade com Alexandre Husni e Roberto Cabariti, bem como a conta corrente  01.850001­1 possui co­titularidade com Mariângela Guarianas Tumani.  Todavia,  não  consta  nos  autos  se  foram  intimados  Alexandre  Husni,  Roberto  Cabariti  e  Mariângela  Guarianas  Tumani.  Entendo  por  imprescindível  constar  nos  autos  a  intimação do co­titular para que igualmente comprove a origem de seus depósitos.  Este  Conselho  tem  entendido,  cujo  entendimento  encontra­se  pacificado  por  meio  de  súmula,  de  que  em  se  tratando  de  conta  conjunta  deve  ser  também  intimado  o  co­ titular  para  a  comprovação  da  origem  dos  depósitos  realizados. Neste  sentido,  há  a  Súmula  CARF nº 29, que assim dispõe:  "Todos  os  co­titulares  da  conta  bancária  devem  ser  intimados  para  comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede  à  lavratura  do  auto  de  infração  com  base  na  presunção  legal  de  omissão  de  receitas  ou  rendimentos,  sob  pena  de  nulidade  do  lançamento."  Ante  o  exposto,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência,  a  Unidade  Preparadora  informar  se  houve  a  intimação  dos  co­titulares  das  conta  bancárias  conjuntas  (Alexandre Husni, Roberto Cabariti  e Mariângela Guarianas Tumani),  para  comprovar,  com  documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos, e faça juntada de documentos hábeis a  comprovar tais intimações.  Ao  final,  com  vistas  a  garantir  o  contraditório  e  o  amplo  direito  de  defesa,  cientificar  o  contribuinte  acerca  desta  diligência  e  dos  resultados  dela  decorrentes,  assegurando­lhe prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação.  Tomadas as providências acima, os autos devem retornar a este Colegiado para  apreciação.  (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator  Fl. 751DF CARF MF Processo nº 19515.002133/2010­29  Resolução nº  2202­000.811  S2­C2T2  Fl. 752          7   Fl. 752DF CARF MF

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