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Numero do processo: 13603.720155/2014-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2010, 29/10/2010, 25/11/2010, 29/11/2010, 17/12/2010, 11/08/2011, 24/02/2012, 12/06/2012, 17/07/2012, 19/07/2012, 09/08/2012, 17/10/2012, 22/11/2012
INFRAÇÃO. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Consoante art. 106, II, a do Código Tributário Nacional, nos atos não definitivamente julgados, a superveniência de norma que deixa de definir determinada conduta como infracional aplica-se aos fatos pretéritos, situação que alcança a revogação do art. 74, § 15 da Lei nº 9.430/96 pelo art. 27, II da Lei nº 13.137/2015.
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. FUNDAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. MULTA. DESCABIMENTO.
Demonstrada a improcedência do fundamento que embasou a consideração das compensações como não declaradas, nos termos do art. 74, § 12 da Lei nº 9.430/96, por via reflexa, completamente descabida a inflição da multa prevista no art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/03.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3401-004.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Consoante art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional, nos atos não definitivamente julgados, a superveniência de norma que deixa de definir determinada conduta como infracional aplicase aos fatos pretéritos, situação que alcança a revogação do art. 74, § 15 da Lei nº 9.430/96 pelo art. 27, II da Lei nº 13.137/2015. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. FUNDAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. MULTA. DESCABIMENTO. Demonstrada a improcedência do fundamento que embasou a consideração das compensações como não declaradas, nos termos do art. 74, § 12 da Lei nº 9.430/96, por via reflexa, completamente descabida a inflição da multa prevista no art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/03. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Rosaldo Trevisan – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 01 55 /2 01 4- 22Fl. 371DF CARF MF 2 Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Albergam estes autos lançamento para exigência de multas isoladas de que tratam os arts. 74, § 15 da Lei nº 9.430/96, pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, e 18, § 4º da Lei nº 10.833/03, compensação considerada não declarada. Relata a fiscalização que o requerente incluiu, entre os créditos passíveis de ressarcimento, valores sub judice no pedido de ressarcimento de IPI, razão porque foi indeferido integralmente o saldo credor pleiteado e, por via reflexa, consideradas não declaradas as compensações aviadas. Em impugnação o contribuinte sustentou que o pedido de ressarcimento englobaria créditos diversos, não se limitando àqueles registrados por força de ordem judicial vigente, mas também aqueles relacionados às aquisições de insumos aplicados em produtos exportados ou produtos com tributação na TIPI, motivo pelo que restaram violados os princípios da legalidade, verdade material e devido processo legal, padecendo de nulidade a autuação; que a multa do art. 74 da Lei nº 9.430/96 seria incabível, uma vez que os créditos não admitidos estavam amparados em decisão judicial válida e vigente; que a multa do art. 18 da Lei nº 10.833/03 também seria inaplicável, porquanto possuidor de créditos suficientes à liquidação das compensações aviadas; que os livros de apuração do IPI demonstrariam a legitimidade dos créditos apurados; e, alternativamente, rogou a redução da penalidade e sua incidência apenas sobre os créditos oriundos da ação judicial. O julgamento foi convertido em diligência para levantamento dos créditos passíveis de ressarcimento, isto é, aqueles originários de aquisições de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) e aqueles decorrentes da demanda judicial, com segregação dos montantes correspondentes, por período de apuração. Encerrado o procedimento, foi o contribuinte cientificado de seu teor, manifestandose no sentido de reforçar que as compensações aviadas somavam quantias inferiores aos valores reconhecidos como passíveis de ressarcimento. A DRJ Belém/PA deu provimento à impugnação, mediante decisão assim ementada: “RESSARCIMENTO. PEDIDO. MULTA ISOLADA. Consoante art. 106, II, a, do CTN, aplicase a lei a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração. Destarte, com o advento da Lei n. 13.137, de 2015, insubsistente a multa sobre o pedido de ressarcimento indeferido ou indevido prevista no revogado art. 74, §15, da Lei n. 9.430, de 1996. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13603.720155/201422 Acórdão n.º 3401004.369 S3C4T1 Fl. 11 3 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. Uma vez afastada a condição de não declaradas das declarações de compensação a que se refere o art. 74 §12, II, da Lei n. 9.430, de 1996, igualmente afastadas restam as multas correlatas de que trata o art. 18, §4o, da Lei n. 10.833, de 2003.” Dessa decisão foi interposto o recurso de ofício de que trata o art. 34 do Decreto nº 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator A remessa necessária preenche os requisitos para seu reexame, pelo que, dela conheço. A primeira penalidade imposta – pedido de ressarcimento indeferido ou indevido –, lastreada no art. 74, § 15 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010, foi julgada improcedente pela superveniente revogação do dispositivo, pelo art. 27, II da Lei nº 13.137/2015, aplicandose, na situação, a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional, incidindo a lei nova a fato pretérito quando deixa de definilo como infração, desde que se cuide de ato não definitivamente julgado. Irrepreensível a decisão a quo, não merecendo qualquer reparo e dispensando maiores comentários. Concernente à multa remanescente, entendeu o colegiado improcedente a consideração das compensações como não declaradas, à vista do resultado da diligência (efls. 273/276), que, por seu turno, reconheceu que parcela do crédito era proveniente de aquisições de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos exportados ou tributados na TIPI, ainda que com alíquota zero, mesmo que a outra parcela se originasse de registro de créditos fundados em decisão judicial ainda não transitada em julgado. Nesse diapasão, formado o saldo credor por parte de créditos que, à luz da legislação vigente, garantiriam o seu ressarcimento, mesmo que outra fração encontrasse vedação legal, não seria possível o indeferimento integral do pedido, como ocorreu, de maneira que as compensações não poderiam ser simplesmente consideradas não declaradas, o que, por conseqüência, impossibilitaria a imposição da multa correspondente, valendo a remissão ao excerto específico do voto condutor: “Na espécie, ao promover as compensações controvertidas, valeuse a interessada de direito creditório não submetido ao crivo do Poder Judiciário. Consoante apurado pela autoridade fiscal responsável pela diligência em que Fl. 373DF CARF MF 4 convertido o julgamento, remanescem, conforme demonstrativo de fl. 276, para além do apreciado por aquele Poder, importâncias a serem ressarcidas. Inadmissível que, pela simples presença, entre aqueles levados ao pedido de ressarcimento, de valores contemplados por decisão judicial pendente de trânsito em julgado, sejam referidos pedidos sumária e integralmente indeferidos e as compensações consideradas não declaradas, ensejando, em conseqüência, a aplicação da multa prevista no art. 18, §4o, da Lei n. 10.833, de 2003. É dizer, ao lado de direito creditório decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, encontramse créditos não passíveis de alteração pela referida decisão, provenientes de insumos utilizados em produtos regularmente tributados, isentos, tributados à alíquota zero ou amparados pela imunidade resultante de exportação. De rigor, a par do direito ao ressarcimento do somatório apurado à fl. 276, tem a interessada o direito à consideração das declarações de compensação correspondentes, em oposição à pecha de não declaradas ensejante das multas censuradas. Por outro giro verbal, uma vez afastada a condição de não declaradas das declarações de compensação, igualmente afastadas restam as multas correlatas a que se reporta o art. 18, §4o, da Lei n. 10.833, de 2003.” Então, na linha de raciocínio exposta, bastante plausível, digase, havendo parte saldo credor passível de ressarcimento, ainda que influenciado por créditos vedados, não seria possível indeferilo na totalidade e, por via reflexa, inadequado reconhecer como não declaradas as compensações respectivas, o que tornaria a multa aplicada, com fulcro no art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/03, completamente descabida, ex vi de sua expressa redação: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” (destacado) De outra banda, trilhando caminho distinto, a partir das decisões exaradas nos processos de ressarcimento específicos, temse que todos foram objeto de manifestação de inconformidade e competente julgamento pela mesma DRJ Belém/PA, oportunidade que, do Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13603.720155/201422 Acórdão n.º 3401004.369 S3C4T1 Fl. 12 5 universo de 15 (quinze) processos examinados, à exceção de 02 (dois), que foram julgados parcialmente procedentes, todos as demais foram reputados procedentes, de modo a se reconhecer direito creditório suficiente a solver as compensações declaradas. Para melhor visualização da situação, confeccionei o seguinte demonstrativo: Assim, se os indeferimentos de créditos foram todos revertidos e as declarações de compensações acolhidas, até o limite do crédito disponível, mostrase infundada a multa por compensação não declarada, ora exigida. Mesmo naqueles casos em que o direito de crédito não foi suficiente à cobertura integral dos valores indicados nas declarações de compensação, a revelar excesso de compensação, PAs 13603.900724/201331 e 13603.900725/201385, verificase infração tributária sujeita a penalidade distinta – art. 74, § 17 da Lei nº 9.430/96. Sob esse ângulo, também não merece qualquer censura a decisão sub examine, que deve ser integralmente mantida pelos seus próprios fundamentos. Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Robson José Bayerl Fl. 375DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901297/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. As conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Relatório
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.901297/201011 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.388 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 14 de março de 2018 Assunto PER/DCOMP Recorrente XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. As conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: "Versa o presente litígio sobre manifestação de inconformidade em face da homologação parcial da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 34191.89418.150306.1.3.033091 (fls. 10 a 138), que aponta como crédito saldo negativo de CSLL apurado no ano RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 01 29 7/ 20 10 -1 1 Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 3 2 calendário 2004. Vinculadas a esta DCOMP inicial por objetivarem aproveitar o mesmo direito creditório também foram apresentadas as DCOMPs 00089.24929.150506.1.3.036400 (fls. 02 a 05) e 02878.71018.130406.1.3.034558 (fls. 06 a 09). 2. A autoridade administrativa recorrida não reconheceu o direito creditório integralmente porque não confirmou no sistema DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) toda a CSLL informada na DCOMP como retida na fonte por outras pessoas jurídicas. A declarante informou retenções na fonte de R$1.572.685,27 e no banco de dados da administração tributária foi confirmado apenas o montante de R$529.974,61, o que resultou em saldo negativo disponível de R$529.974,61, resultado da diferença entre o valor confirmado e a CSLL devida de zero (fl. 139). As parcelas confirmadas de CSLL retida na fonte, bem como as não confirmadas e as confirmadas parcialmente encontramse no detalhamento da análise do crédito (fls. 140 a 168). À fl. 169 encontrase o Detalhamento da Compensação dos débitos declarados que aponta a homologação integral da compensação formalizada na DCOMP 34191.89418.150306.1.3.033091, a homologação parcial da compensação declarada na DCOMP 02878.71018.130406.1.3.034558 e a não homologação da compensação veiculada na DCOMP 00089.24929.150506.1.3.036400. 3. Cientificada do despacho decisório em 19/10/2010 (fls. 171 e 172), a contribuinte, irresignada, apresentou em 17/11/2010, representada por mandatária (fls. 186 a 217) a manifestação de inconformidade de fls. 173 a 186, instruída com os documentos de fls. 187 a 1341, na qual afirma que: 3.1. apresenta os comprovantes de retenção cuja CSLL é superior ao valor confirmado pela autoridade fiscal (fls. 244 a 323) que perfazem um crédito de CSLL não reconhecido no valor de R$73.401,55 e os comprovantes de retenção não identificados pela autoridade fiscal (fls. 324 a 786) que totalizam um crédito de CSLL de R$226.507,92; 3.2. para as demais retenções não confirmadas pela autoridade fiscal, apresenta os detalhes por documento fiscal que não deixam dúvidas quanto à veracidade dos créditos pleiteados (demonstrativos de fls. 787 a 1341); 3.3. a não homologação da compensação pleiteada significa enriquecimento ilícito do Erário Público, já que a requerente efetivamente sofreu a retenção do crédito pleiteado e não apurou lucro tributável (ficha 17 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica à fl. 243), tendo direito à compensação, nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, devidamente atualizada (artigo 28, caput e § 1º, da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal nº 600/2005), inclusive com outros tributos administrados pela Receita Federal, de acordo com ementas de soluções de consulta reproduzidas; e 3.4. de acordo com os princípios do informalismo e da busca pela verdade material, definidos em doutrinas reproduzidas, a autoridade julgadora deve abrir mão de formalismos extremos e determinar as diligências na documentação contábil e fiscal da requerente de forma a Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 4 3 verificar a verdadeira situação da contribuinte, inclusive com a juntada de outros documentos aos autos.” 2. Em sessão de 19 de dezembro de 2014, a 1ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte (fls. 173/186) para reconhecer saldo negativo de CSLL, relativa ao anocalendário 2004, no valor de R$ 46.677,00, além do que já foi reconhecido no despacho decisório recorrido, e homologar parcialmente as compensações até o limite do direito creditório reconhecido, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1664.338 (fls. 1508/1528), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RETENÇÕES NA FONTE. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. APRESENTAÇÃO. CONFIRMAÇÃO. SALDO NEGATIVO RECONHECIDO. Comprovado nos autos, por meio de comprovantes de retenção confirmados em declarações apresentadas pelas fontes pagadoras, que a manifestante sofreu retenções na fonte de CSLL que não foram considerados pela autoridade recorrida na formação do saldo negativo, cabe homologar a declaração de compensação até o novo limite reconhecido. RETENÇÃO. APROVEITAMENTO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. REQUISITO. Para poder compensar na declaração de rendimentos o tributo retido na fonte, o contribuinte deve possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. 3. Com o reconhecimento adicional do crédito decorrente de saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário 2004, restou não reconhecido o valor de R$ 996.033,66. Incidências Processuais Valor Reconhecido Despacho Decisório R$ 529.974,61 Decisão da DRJ/SPO R$ 46.677,00 Total Reconhecido R$ 576.651,61 Diferença (Declarado R$ 1.572.685,27 576.561,61) R$ 996.033,66 4. A DRJ/SPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, por entender que: 4.1. A manifestante não teria elaborado os quesitos relativos aos exames de diligência desejados, motivo pelo qual não deve ser considerada (artigos 16, inciso V, §1º, 18, caput, e 28 do Decreto nº 70.235/1972); 4.2. Não há necessidade de diligência porque o litígio pode ser decidido com a análise da prova documental que instrui a manifestação de inconformidade (§4º, do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972) e é ônus do contribuinte apresentar às autoridades o que possui; Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 5 4 4.3. Para que possa utilizar a CSLL retida na fonte deve o contribuinte (i) oferecer à tributação os respectivos rendimentos na mesma declaração de apuração do saldo negativo; (ii) apresentar os respectivos comprovantes de retenção emitidos em seu nome pela fonte pagadora (artigo 55, da Lei nº 7.450/1985), conforme modelo previsto no artigo 31 da IN/SRF nº 480/2004; 4.4. A Recorrente atende ao primeiro requisito e parcialmente o segundo, pois apresenta apenas parte dos comprovantes de retenções e substitui a ausência destes com demonstrativos (fls. 787 a 1341), o que não pode ser aceito de acordo com a legislação. 5. Cientificada da decisão via Domicílio Tributário Eletrônico em 12/05/2015 (fl. 1541), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 1585/1606) em 11/06/2015 (Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, fl. 1546), alegando, em síntese: 5.1. Nulidade do Despacho Decisório ante a violação do artigo 65, da IN RFB 900/2005 (Vigente à Época). · O citado dispositivo impõe à autoridade administrativa que, em caso de dúvida, condicione o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do crédito tributário pleiteado pelo sujeito passivo ou ainda determinar a realização de diligência. · As autoridades fiscais não efetuaram a confirmação da integralidade do crédito decorrente de saldo negativo de CSLL, anocalendário 2004, por meio da análise das DIRFs submetidas pelas fontes pagadoras e de seus sistemas internos (SIAFI Sistema de Acompanhamento Financeiro), tanto no caso das retenções realizadas por órgãos públicos como por outras pessoas jurídicas. 5.2. No mérito, trouxe os seguintes pontos de destaque: I. Das retenções comprovadas mediante Informes de Rendimento I. 1. Dos novos Informes de Rendimentos localizados pela Recorrente · Em nítida demonstração de boafé, localizou e acostou às fls. 1612/1642 (doc. 03) comprovantes de retenção na fonte, códigos 6147 e 6190 (retenções efetuadas por órgãos públicos). · Alinhada com a legislação, ao apurar o montante de CSLL retido na fonte, aplicou a proporcionalização do total de tributos retidos à razão de, respectivamente, 1/5.85 (código 6147, retenção de CSLL de 17,09%) e 1/9.45 (código 6190, retenção de CSLL de 10,58%). Ainda, adotou o mesmo procedimento das autoridades fiscais ao não trazer distorções entre CNPJs de matriz e filial nos termos exarados à fl. 1.513, conforme tabela de fls. 1593/1594, o que totalizou o direito creditório complementar de R$ 348.719,31. · Portanto, tais informes devem ser considerados para fins de reconhecimento do direito creditório correspondente. I. 2. Dos valores não confirmados pela DRJ em razão de mero erro no preenchimento da DCOMP Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 6 5 · A partir da análise da tabela apresenta pela DRJ às fls. 1514/1527, verificou se que foram desconsiderados, por mero erro no preenchimento da DCOMP, tanto créditos apontados pela própria autoridade fiscal em valor superior ao reportado pela Recorrente como aqueles por ela localizados, mas não declarados pelo contribuinte, o que não pode prevalecer com fundamento nos próprios julgados do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. · O acórdão da DRJ mesmo reconhecendo que a Recorrente sofreu as retenções de CSLL na monta total de 212.409, 87 reconheceu apenas R$ 22.982,67. Portanto, a diferença creditória de R$ 189.427,20, ainda que confirmada pelas próprias autoridades fiscais, deixou de ser considerada para fins de composição do saldo negativo de CSLL, anocalendário 2004. · A Recorrente argumenta que o valor deve ser majorado haja vista que os informes de rendimento de fls. 619 e 621 foram reportados pelas autoridades fiscais como zerados, sem razão ou justificativa. Contudo, os comprovantes de retenção apontam respectivamente R$ 42.020,40 e R$ 478,16 de retenções, o que perfaria R$ 7.182,97 (R$ 42.020,40/5.85) e R$ 81,74 (R$ 478,16/5,85) de antecipações de CSLL. Assim, total não confirmado pelas autoridades fiscais seria de R$ 196.691,91 (R$ 189.427,20 + R$ 7.182,97 + R$ 81,74). · Sustenta que houve mero erro de fato quando do preenchimento da informação em PER/DCOMP, o que não pode, inclusive de acordo com a própria jurisprudência do C. CARF, afastar o direito ao crédito respectivo, sob pena de enriquecimento ilícito da União. II. Das retenções comprovadas mediante outros meios · A Recorrente sustenta que as autoridades fiscais desprezaram os demais documentos apresentados durante o deslinde do feito, mesmo sendo meios idôneos e aptos a comprovar a totalidade das retenções de CSLL sofridas. Tal procedimento, inclusive, contraria a uníssona jurisprudência administrativa. · Nessa linha, argumenta que muito embora o documento ordinário hábil a comprovar as retenções na fonte suportadas pelo sujeito passivo seja o Informe de Rendimentos, esse não é o único meio de prova. · Considera que a falta desse documento não basta para indeferir de plano o direito creditório e, por essa razão, ainda em sede de à Manifestação de Inconformidade ofertou à apreciação das autoridades fiscais o Relatório do Sistema de Contas a Receber (fls. 787 a 1341), retirado dos sistemas contábeis da contribuinte, no qual consta a indicação da razão social da fonte retentora, seu respectivo CNPJ, mês e ano em que ocorreu a citada retenção na fonte da ora Recorrente, o amparo legal a respaldar a retenção na fonte, o valor cobrado pela prestação de serviço, o montante total de retenção na fonte por nota fiscal, o valor exclusivamente referente a CSLL, dentre outras informações. Portanto, entende ter apresentado o detalhamento de todas as retenções as quais compuseram o crédito formalizado em PER/DCOMP. · Com fundamento no princípio da verdade material e na jurisprudência, sustenta que não pode ser penalizada por não ter recebido Informe de Rendimentos das fontes pagadoras. Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 7 6 5.3. Por fim, requerer o conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário, para o fim de decretar a nulidade da decisão da DRJ ou decidindo em favor do contribuinte (artigo 59; 3° do Decreto 70.235/72), reconhecendo integralmente o Saldo Negativo de CSLL do anocalendário de 2004 pleiteado, homologandose as compensações declaradas no montante total de R$ 996.033,66. · No mais, se os esclarecimentos prestados e a documentação ofertada ainda não forem suficientes para comprovar a íntegra do Saldo Negativo de CSLL de exercício 2005, pugna pela realização de diligência ou perícia, nos termos do art. 16, IV, Decreto 70.235/72, a fim de corroborar que efetivamente sofreu a totalidade das retenções na fonte alegadas. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Em virtude da necessidade de baixar os autos em diligência, atenhome aos pressupostos e fundamentos hábeis a justificar tal providência a ser atendida pela douta autoridade preparadora. 8. Assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório, bem como que seu direito não pode ser inviabilizado pela conduta omissa da fonte pagadora. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 9. No mais, ainda que a Recorrente não tenha efetuado a retificação das declarações, tal circunstância não pode, por si só, obstar o legítimo direito de crédito do contribuinte. Exceção à essa regra se dá justamente quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 10. Logo, somente diante da efetiva análise documental e mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar o motivo pelo qual as provas acostadas merecem ser desconsideras, que o direito creditório não deve ser reconhecido. 11. Ademais, é inequívoco que, em caso de dúvidas quanto à exatidão da informações prestadas, a autoridade fiscal poderá (i) condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios adicionais; (ii) realizar diligência fiscal no estabelecimento do contribuinte; (iii) oficiar aos órgãos da administração pública que efetuaram a retenção; e (iv) buscar informações através de consultas aos sistemas internos SRF SIEF DIRF SINAL, com fundamento no artigo 65, da IN RFB 900/2005 e nos artigos 36 e 37 da Lei nº 9.784/1999, verbis: Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 8 7 IN RFB 900/2005 Art. 65. A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas." Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (grifos nossos) 19. No presente caso, não cabe declarar nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, mas sim afastar pontos incontroversos e seguir com a análise do mérito relativo à qualidade das provas apresentadas pela ora Recorrente para fins de demonstrar a origem do direito creditório. 12. Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, a busca da verdade material. 13. Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública. A boafé processual, a razoabilidade e a cooperação são pressupostos essenciais para trazer satisfatividade às decisões proferidas e evitar o litígio no âmbito do Poder Judiciário. O Estado é um só e o custo do contencioso é suportado por todos os cidadãos brasileiros. I. Das retenções comprovadas mediante Informes de Rendimento I. 1. Dos novos Informes de Rendimentos localizados pela Recorrente Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 9 8 14. Diante das premissas supra e considerando que a contribuinte apresentou novos informes de rendimentos (fls. 1612/1642) relativos aos códigos de retenção 6190 e 6147 (órgãos públicos), acolho o pedido da contribuinte para que sejam devidamente apreciados e confirmados os valores apresentados, inclusive através dos sistemas SRF SIEF DIRF SINAL e/ou através de ofício ao ente estatal, para fins de reconhecimento do direito creditório complementar, cujo valor indicado pela Recorrente é de R$ 348.719,31. I. 2. Dos valores não confirmados pela DRJ em razão de mero erro no preenchimento da DCOMP 15. Conforme acima esclarecido, meros erros de fato no preenchimento da DCOMP não podem preterir o direito creditório do contribuinte. 16. De acordo com a jurisprudência desse E. Conselho, é fundamental que o contribuinte comprove (i) a efetiva ocorrência da retenção e (ii) que tais rendimentos foram oferecidos à tributação. Essa, inclusive, parece a melhor interpretação da Súmula do CARF nº 80, segundo a qual: "Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto." 17. No acórdão da DRJ (fls. 1508/1528) e mais precisamente às fls. 1513, restou consignado que a Recorrente atendeu ao primeiro requisito. 18. Quanto ao segundo, mesmo confirmando que a Recorrente sofreu as retenções de CSLL relativas aos códigos 6190 e 6147 (órgãos públicos) na monta total de 212.409,87, no r. acórdão da DRJ foi reconhecido apenas R$ 22.982,67 porque a contribuinte ora não declarou alguns valores retidos ora declarou valores inferiores ao localizado pelas autoridades fiscais. A autoridade julgadora entendeu que não caberia a ela majorar de ofício o PER/DCOMP (fls. 1513/1526). 19. Contudo, estamos tratando de saldo creditório decorrente de retenções efetuadas por órgãos públicos reconhecido pelas próprias autoridades fiscais, porém não considerados para fins de composição do Saldo Negativo de CSLL, anocalendário 2004, de R$ 88.219,69 (somatório constante das incidência controvertidas apontadas no Recurso Voluntário de fls. 1585/1606): CSLL Retida Reconhecido pelas Autoridades Fiscais CSLL informada em DCOMP CSLL já reconhecida Valor a Reconhecer Diferença reconhecida pelas autoridades e não considerada R$ 212.409,87 R$ 135.088,57 R$101.210,51 R$ 22.982,67 R$ 88.216,69 20. Temos que, a desconsideração dos documentos apresentados pela Recorrente e dos valores confirmados pela própria autoridade fiscal, a par de não ser amparo legal, viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e contraditório efetivo hábeis a assegurar a busca da verdade material e da eficiência processual, conforme prevê os artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999, especialmente quando estamos tratando dos códigos de retenção 6190 e 6147 que envolvem serviços prestados pela Recorrente aos próprios órgãos públicos. Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 10 9 21. Portanto, desde já devem ser reconhecidos os créditos já confirmados pela própria autoridade fiscal às fls. 1513/1526, segregados pela Recorrente às fls. 1596/1598, descontada a diferença do que já foi reconhecido quando do despacho decisório e do r. acórdão da DRJ. 22. Relativamente às demais incidências que geraram dúvidas (diferenças), caberia às autoridades fiscais adotar os procedimentos constantes do item 14 para fins de confirmar o direito creditório do contribuinte. 23. Sob aspecto, desde já acolho o argumento da Recorrente no sentido de que devem ser considerados os informes de rendimentos de fls. 619 (valor retido de R$ 42.020,40) e 621 (valor retido de R$ 956,32) que foram reportados pelas autoridades fiscais como zerados, sem razão ou justificativa. II. Das retenções comprovadas mediante outros meios 24. Conforme já salientado, a efetiva ocorrência da retenção pode ser comprovada tanto através do Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte como a partir das consultas aos sistemas SRF SIEF DIRF SINAL, para a matriz e filiais, conforme códigos de receita 6147, 6190 (retenções efetuadas por órgãos públicos), 5987 (retenção de CSLL sobre pagamentos efetuados por pessoas jurídicas de direito privado) e por meio dos registros contábeis, fiscais e documentação que lhe sirva de suporte. 25. A Recorrente, relativamente à retenções efetuadas por órgãos públicos e outras pessoas jurídicas de direito privado, apresentou às fls. 787 a 1341 o Relatório do Sistema de Contas a Receber, retirados dos seus sistemas contábeis. 26. De fato, as autoridades fiscais, em caso de dúvidas acerca da idoneidade de documentação apresentada pela Recorrente, devem intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos, realizar diligência fiscal em seu estabelecimento e/ou buscar a confirmação das informações (retenções indicadas na DCOMP e documentação complementar/suporte apresentada) através de consultas aos sistemas internos SRF SIEF DIRF SINAL para fins de resguardar o direito creditório do contribuinte e, em última análise, a busca da verdade material. 27. Nesse sentido, embora não acolha o pedido de perícia requerido pela Recorrente, cujos quesitos foram formulados à luz da documentação de fls. 787 a 1341, considero fundamental converter o julgamento em diligência para que a prova apresentada seja apreciada e sejam tomadas as providências que serão abaixo relacionadas. 28. Ressaltese que, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/99, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício e os atos de instrução que exijam a atuação do interessado devem realizarse de modo menos oneroso para estes. 29. No mais, também em homenagem aos princípios acima citados, saliento que é dever da Recorrente apresentar com clareza, coerência e assertividade a composição dos valores e respectivos comprovantes que detém relativos às retenções por sofridas, de forma organizada e alinhada ao declarado em DCOMP ou apta a justificar eventuais erros de fato. Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 11 10 30. A documentação probatória contábil e fiscal (além das declarações, as notas fiscais podem fazer às vezes, por exemplo), deve ser suficiente para suprir a ausência do informe de rendimentos e cabe ao contribuinte justificar a ausência do referido documento. 31. A falta de declarações, esclarecimentos e provas eficientes sobre a composição dos montantes retidos que estejam exclusivamente em posse do contribuinte, acabam por dificultar sobremaneira a atividade da autoridade fiscal e dos julgadores, critérios estes serão observados quando do retorno dos autos para julgamento definitivo. 32. Diante do exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora: (i) Aprecie e confirme os valores das retenções apresentados às fls. 1612/1642, inclusive através dos sistemas SRF SIEF DIRF SINAL e/ou através de ofício ao ente estatal, para fins de reconhecimento do direito creditório complementar, cujo valor indicado pela Recorrente é de R$ 348.719,31. (ii) Informe o montante dos créditos comprovados e reconhecidos pela r. decisão da DRJ para fins de analisar se houve utilização da diferença recolhida a maior em outro PER/DCOMP apresentado pela contribuinte. (iii) Reconheça os créditos já confirmados pela própria autoridade fiscal às fls. 1513/1526, segregados pela Recorrente às fls. 1596/1598, ainda que por erro de fato da contribuinte não constem da DCOMP ou constem a menor, descontada a diferença do que já foi reconhecido quando do despacho decisório e do r. acórdão da DRJ. (iv) Considere e compute no montante do crédito os informes de rendimentos de fls. 619 (valor retido de R$ 42.020,40) e 621 (valor retido de R$ 956,32) que foram reportados pelas autoridades fiscais como zerados, sem razão ou justificativa. (v) Aprecie o Relatório do Sistema de Contas a Receber de fls. 787 a 1341, retirados dos sistemas contábeis da Contribuinte e, em caso de dúvidas: intime o contribuinte a prestar esclarecimentos assertivos, realize diligência fiscal em seu estabelecimento e/ou busque a confirmação das informações (retenções indicadas na DCOMP e documentação complementar/suporte apresentada) através de consultas aos sistemas internos SRF SIEF DIRF SINAL e/ou ofício aos órgãos envolvidos, para resguardar o direito creditório do contribuinte e, em última análise, a busca da verdade material. 33. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 1659DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920672/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.196
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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(Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos IPI. O contribuinte apresentou PER/DCOMP informando como origem do direito creditório valores referentes a ressarcimento de crédito presumido de IPI. O Despacho Decisório Eletrônico da unidade local da Receita Federal reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado, contudo, o mesmo foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados, resultando na não homologação parcial da compensação apresentada. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual informa que o valor do crédito foi considerado insuficiente para a quitação dos débitos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 20 67 2/ 20 09 -4 7 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10980.920672/200947 Resolução nº 3402001.196 S3C4T2 Fl. 334 2 informados em razão de haver sido exigido, além dos juros de mora por ele calculados, também a multa moratória, que no seu entendimento seria indevida, já que encontrase ao amparo de denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Discorre sobre o caráter punitivo da multa, aponta desrespeito aos princípios da legalidade, tipicidade, razoabilidade e proporcionalidade e defende ainda o direito a atualização monetária do crédito. Sobreveio então o Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte. Na questão de fundo, entendeu o colegiado de primeiro grau estar correta a incidência de juros e multa de mora sobre os débitos compensados, desde o seu vencimento até a data da entrega da Declaração de Compensação. Entendeu ainda que a denúncia espontânea não ilide o pagamento da multa moratória. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bazerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.188, de 29 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10980.911025/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.188: "O recurso é tempestivo, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como bem pontuado pelo Acórdão recorrido, o valor solicitado pela Recorrente por meio das PER/DOMPs foi integralmente reconhecido, não havendo o que reformar no Despacho Decisório no tocante ao crédito, inclusive quanto à atualização deste pela Taxa Selic. A principal discordância da Contribuinte diz respeito ao critério utilizado pelo Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC para a efetivação das compensações, o qual resultou em insuficiência do crédito para quitar integralmente os débitos declarados. Isto porque nas compensações de débitos na data de transmissão do PER/DCOMP o contribuinte apropriou apenas o principal e juros moratórios enquanto o SCC fez a imputação proporcional também de multa moratória. Assim, percebese que o ponto fulcral da lide é a capacidade da compensação tributária formalizada pela Recorrente implicar nos Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10980.920672/200947 Resolução nº 3402001.196 S3C4T2 Fl. 335 3 efeitos da denúncia espontânea, já que tal instituto lhe exime do recolhimento de multa, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. De um lado, o acórdão recorrido afirma que: A título de esclarecimento, acrescentase que os débitos já vencidos que motivaram a presente controvérsia foram informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF – apresentada antes da transmissão do PERDCOMP em que foi declarada a compensação, estando correta a imputação feita pelo sistema de controle de créditos, sendo legítima a cobrança do saldo devedor remanescente especificado no DDE. A seu turno, a Recorrente em diversas passagens de sua peça dirigida ao CARF afirma que não havia declarado tais débitos em DCTF, vejase um exemplo: De fato a Recorrente ao efetuar a compensação do tributo a que estava em atraso ainda não o havia declarado incidindo, portanto, os exatos termos requeridos pela legislação de regência e interpretação jurisprudencial para a ocorrência da denúncia espontânea. Compulsando os autos, constato que não se encontra juntada a DCTF. Assim, havendo dúvidas sobre o direito da Recorrente e resguardando o futuro julgamento do Colegiado sobre o mérito, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. É a resolução." Importante frisar que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10980.920672/200947 Resolução nº 3402001.196 S3C4T2 Fl. 336 4 ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.905354/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/10/2010
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE.
A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras.
PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.942
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2010 a 31/10/2010 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2010 a 31/10/2010 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 54 /2 01 2- 19 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10283.905354/201219 Acórdão n.º 3302004.942 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho Decisório pela unidade de origem que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega em síntese que: • Sua manifestação de inconformidade era tempestiva e afirmou que recebeu a Intimação da Exigência em 23/01/2013 e apresentou a manifestação em 22/02/2013. • Ressalta, que “ainda que o recurso seja intempestivo, o que se admite apenas para fins de argumentação, a autoridade local encarregada da administração do tributo (Delegacia da Receita Federal em Manaus) não é competente para julgar a tempestividade do recurso, devendo este seguir para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, órgão competente para julgar tal fato, conforme previsão do art. 35 do Decreto nº 70.235/72.” • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10283.905354/201219 Acórdão n.º 3302004.942 S3C3T2 Fl. 4 3 • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo de energia elétrica prevista no inciso III, conforme DACONs retificadoras para pagamento das contribuições vencidas no período; • “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. 17ª TURMA ACÓRDÃO N° 1246124 de 10 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Em face das evidências de erro na apuração e recolhimento do tributo, e não se verificando outros impedimentos ao reconhecimento do direito creditório alegado, cumpre admitir a compensação promovida até o limite do crédito informado na DCOMP. 3ª TURMA ACÓRDÃO N° 1638673 de 11 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO. SALDO UTILIZÁVEL. Verificado erro no despacho decisório, o qual afirmara equivocadamente ter sido o valor pago indevidamente totalmente utilizado em momento anterior, restabelecese o direito ao crédito contra o Fisco a ser utilizado nas compensações constantes da DCOMP. Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 • “é fato que a Declaração entregue à Receita Federal do Brasil pela Manifestante não nega seu direito à compensação e, mais, comprova a legitimidade de seu comportamento idôneo.” • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo e homologar integralmente a PER/DCOMP constante nos autos. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08 033.521. O fundamento adotado foi o de que a manifestação de inconformidade havia sido apresentada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal, considerandose, portanto, intempestiva. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10283.905354/201219 Acórdão n.º 3302004.942 S3C3T2 Fl. 5 4 Cientificada, a requerente protocolou o recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, em sede de preliminar, a recorrente alegou que a decisão do órgão julgador de primeiro grau de não analisar o mérito em razão da apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade não merecia prosperar, pelas seguintes razões: a) a manifestação da inconformidade fora apresentada com apenas 1 (um) dia de atraso, porque não fora possível protocolar no dia 21/1/2015, mas somente no dia seguinte, por “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.”; e b) não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.”; e c) a autoridade julgadora desconsiderou os princípios basilares do processo administrativo, a saber, os Princípios da Verdade Material, da Moralidade e do Informalismo Moderado É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.936, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10283.905335/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.936): "O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese à preliminar de intempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade, que foi apreciada no julgamento de primeiro grau, por força do que dispõe o art. 56, § 2º, do Decreto 7.574/2011, a seguir transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no70.235, de 1972, arts. 14e15). [...] Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10283.905354/201219 Acórdão n.º 3302004.942 S3C3T2 Fl. 6 5 §2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. [...] (grifos não originais) Não há controvérsia nos autos quanto ao descumprimento do prazo de apresentação da manifestação de inconformidade. Nas próprias peças defensivas colacionadas aos autos, a recorrente, expressamente, reconhecera que a peça instauradora do litígio fora apresentada no dia seguinte ao vencimento do prazo de 30 (trinta) dias, fixado no art. 15 do Decreto 70.235/1972. Diante dessa constatação, não remanesce qualquer dúvida que, como não foi instaurado o litígio em relação ao mérito, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/1972, induvidosamente, este Colegiado não poderá se manifestar sobre as questões meritórias alegadas pela recorrente no recurso em apreço. Portanto, a presente análise limitarseá à preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pela recorrente. E em relação a essa questão, no recurso em apreço, a recorrente alegou que a manifestação da inconformidade não fora apresentada dentro prazo legal, porque “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.” Acontece que a recorrente não trouxe à colação dos autos nenhum elemento probatório que confirmasse o alegado. Assim, em razão dessa omissão, por razão óbvia, não há ser acatada tal alegação. A recorrente alegou que não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.” No âmbito do processo administrativo fiscal, por disposição expressa do caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, é expressamente vedado ao julgador afastar aplicação ou deixar de observar preceito legal dotado de plena vigência e eficácia, inclusive, em situações que, em tese, possa configurar conflito com os princípios constitucionais explícitos ou implícitos. Assim, ainda que se possa vislumbrar, no caso em tela, algum conflito com os princípios da razoabilidade, ampla defesa e do contraditório, há de prevalecer o disposto no art. 14, combinado com o disposto no art. 15, ambos do Decreto 70.235/1972. Portanto, não há como acatar a presente alegação suscitada pela recorrente. Com base no mesmo fundamento, também não merece acolhimento a alegação da recorrente de que a autoridade julgadora desconsiderou princípios basilares do processo administrativo, tais como os princípios da verdade material, da moralidade e do informalismo moderado. Aliás, no caso, não houve desconsideração dos referidos princípios no julgamento de primeiro grau, haja vista que as autoridades julgadoras Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10283.905354/201219 Acórdão n.º 3302004.942 S3C3T2 Fl. 7 6 não apreciaram as questões meritórias, por estrito cumprimento do disposto nos referidos preceitos legais. Com base nessas considerações, resta demonstrado que a decisão de primeiro foi proferida com estrita observância das normas legais que regem o processo administrativo fiscal, portanto, não há qualquer reparo a ser feito. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra a decisão recorrida. Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo restou configurada a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não trazendo a recorrente à colação dos autos nenhum elemento probatório que infirmasse a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 185DF CARF MF
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Numero do processo: 13161.000811/2005-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 DCOMP. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. É nula a decisão de 1 a. instância que deixa de apreciar matérias impugnadas pelo contribuinte, ainda que não se trata de questões específicas do direito creditório pleiteado ou da compensação, especialmente alegações de decadência ou prescrição. Preliminar Acolhida. Decisão de 1 a. Instância Anulada.
Numero da decisão: 1402-000.747
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para determinar que outra seja proferida, com o enfrentamento das alegações da defesa, inclusive as trazidas no recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. É nula a decisão de 1a. instância que deixa de apreciar matérias impugnadas pelo contribuinte, ainda que não se trata de questões específicas do direito creditório pleiteado ou da compensação, especialmente alegações de decadência ou prescrição. Preliminar Acolhida. Decisão de 1a. Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para determinar que outra seja proferida, com o enfrentamento das alegações da defesa, inclusive as trazidas no recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório COMERCIAL DE PETROLEO ZENATTI, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Comercial de Petróleo Zenatti Ltda., acima qualificada, apresentou PER/DCOMP consignando crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, no valor de R$ 1.200.000,00, para compensação com débitos relativos ao IRPJ e CSLL, apuração trimestral, do primeiro trimestre de 2003, nos respectivos valores de R$ 185.101,87 e R$ 78.944,49 (incluídos os juros e a multa moratória). A compensação não foi homologada, conforme Parecer SARAC/DRF/DOU nº 302/2008 e respectivo despacho decisório (f. 26 a 30). O fundamento foi que não havia crédito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2001. A ciência quanto ao referido despacho decisório ocorreu em 8 de setembro de 2008 (AR à f. 36). Em 30 de setembro de 2008 foi protocolada a manifestação de inconformidade (f. 37 a 57), firmada pelo sócio gerente (cópia dos documentos pessoais do signatário e do contrato social da sociedade e respectivas alterações às f. 58 a 84). Nela, após breve relato dos fatos, é aduzido, em apertada síntese, que: a) uma vez tendo sido indeferida (sic) a compensação, não houve a produção de nenhum efeito tributário, não se podendo falar em confissão irretratável quanto aos débitos; b) os débitos, cujos fatos geradores ocorreram em 1º de janeiro de 2003, encontramse decaídos, conforme disposição do art. 150, § 4º, do CTN. Ao final, é requerida a declaração de decadência e a nulidade da cobrança. A decisão recorrida está assim ementada: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃOCONHECIMENTO. Manifestação de inconformidade cujas razões não abrangem assuntos cuja competência pertence às DRJs não pode ser conhecida. Impugnação não conhecida. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as decisões recorridas, nos seguintes termos:. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 3 (...) a recorrente, tempestivamente, impugnou a exigência em epígrafe onde, através do Recurso de Manifestação de Inconformidade, argüindo a extinção do débito tributário compensado, mediante a superveniência da DECADÊNCIA na forma dos arts. 150, parágrafo 4°. c/c art. 156,V ambos do CTN, ao escopo de que: 3.1 Em se tratando de tributos cujo lançamento é por homologação, encontramse suscetíveis ao prazo decadencial desde a ocorrência dos fatos geradores, (01.01.2003), máxime porque ao não serem extintos, sob forma de compensação, o procedimento engendrado pela recorrente, não produziu quaisquer efeitos jurídicos tributários, necessitando serem, obrigatoriamente, constituídos riela recorrida para tornaremse oponíveis e exigíveis, sob pena de extinção por decurso de prazo ou caducidade. .3.2 Tendo os fatos geradores, em apreço, ocorridos em 01.01.2003, o direito potestativo do Sujeito Ativo, (recorrida) , de exigilos exauriu se em 31.12.2007, sendo que a notificação para pagamento em 08.09.2008 é extemporânea, pela qual perdeu eficácia e exigibilidade; Logo, extintos por excelência, (art. 150, parágrafo 4°. c/c art. 156, V do CTN). (...) 4. Sob análise, a Delegacia de Julgamento, (de 1 a• Instância), relatou que, embora o Recurso de Inconformidade apresentado seja regular e tempestivo, encontrandose atendido todos os requisitos legais para tanto, está impedida para apreciar e enfrentar as questões argüidas pela recorrente, de modo que a extinção do crédito tributário, por decadência, tratase de ” questão periférica" além da sua competência funcional estabelecida no art. 174, I, II e II do Regimento Interno. 5 Com efeito, agarrada nessa insígnia deixou de conhecer a manifestação de inconformidade, incontroversamente, regular e tempestiva proposta pela recorrente, restando assim Ementada: (...) 6. A r. decisão acima, é no mínimo surreal, sobretudo porque a A. julgadora " a quo" omitiu de forma mendaz as disposições do art. 174, parágrafo 20. do Ri o qual estabelece a competência exclusiva das Delegacias de Julgamento para apreciar e julgar os indeferimentos e nãohomologações dos pedidos de compensações ou ressarcimentos dos contribuintes, sujeitos passivos, (recorrente). 7. Portanto, deve ser irremediavelmente reformada, decretando sua nulidade plena, para que outra seja prolatada, esbatendo e enfrentando as questões suscitadas pela recorrente, senão vejamos: RAZÕES DE RECURSO. PRELIMINARMENTE NULIDADE DA R. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA — DRJ —OFENSA DOS PRINCIPIOS DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA E AMPLA DEFESA, . 8 A recorrente possuindo créditos tributários, referentes ao IRPJ, referente ao ano calendário de 2001, utilizando as prerrogativas legais do art. 74 da Lei 9.430/96 e INSRF 600/2005 procedeu a confluenciação entre débitos tributários, cujos fatos geradores ocorrem em • 01.01.2003, objetivando, como isso, a sua extinção mediante compensação, na forma do art. 156, II do CTN. 9 Ressalta aos olhos que ambos, créditos e débitos, se tratam se tributos Federais, administrados pela Secretaria da Receita Federal, plausíveis de exauriremse entre si. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 4 10 Logo se vê que, de um lado a compensação é uma fattispecie da extinção do crédito tributário, como de outro, a decadência também é, encontrandose retratada no inciso V do mesmo versículo do art. 156. (..) 13 A malgrado a decisão ora recorrida, a competência da DRJ para julgar a manifestação de inconformidade proposta pela recorrente está plenamente evidenciada no art. 174 do Regimento Interno da Receita Federal, o qual foi utilizado de maneira míope e proteiforme na sanha malévola de, cerceando o direito Constitucional à ampla defesa e devido processo legal, cobrar tributo natimorto pelo instituto da decadência, cobrindo, com efeito, a sua desídia e incúria no exercício funcional de têlo constituído dentro do prazo qüinqüenal. 14 Ora, não tendo homologada a compensação pela Receita Federal de Dourados, desencadeouse, adrede, a cobrança dos respectivos débitos tributários, sendo que a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente teve por objetivo argüir a sua impossibilidade potestativa obrigacional, haja vista que os mesmos encontram se sucumbidos pelo instituto da decadência; 15 Factível que, a competência funcional da DRJ repontase inerente às questões argüidas pela recorrente, a teor do art. 174, I e parágrafo 2°. do Regimento Interno, caindo por terra os pífios argumentos trazidos pela recorrida, no intuito de esquivar se, às canhas, o enfrentamento da manifestação de inConformidade proposta, utilizando como pano de frente • argumentos inverídicos e carentes de boafé, exigidos do administrador publico, (art. 37 da CF188). 16 Vale dizer por fim que, as disposições do art. 174, I e parágrafo 2°. do Regimento Interno, (Portaria MF 95/2007), estão em perfeita sintonia e racionalidade com o art. 74 da Lei 9.430/96, parágrafos 9°., 10 e 11, os quais facultam ao sujeito passivo, (recorrente), propor impugnações e recursos contra o não reconhecimento da oposição à • exigibilidade do crédito tributário, especialmente, quando se tratar de causas extintivas de direito, como a prescrição e decadência, contidas, inclusive, no próprio RIR/99, art. 899. 17 Negar o enfrentamento da extinção do crédito tributário sob o prima da decadência, além de aviltar o princípio Constitucional da ampla defesa e contraditório, transformou a decisão administrativa proferida pela Delegacia da Receita Federal de Dourados, em una e irrecorrivel o que é extremamente vedado no ordenamento jurídico, espezinhando, "mutatis mutandi", o direito pétreo ao duplo grau de jurisdição; (...) 19 Ante aos fatos e fundamentos retro expendidos, PEDE a recorrente, seja o presente Recurso Ordinário conhecido e dadolhe integral provimento para, reconhecendo a competência jurisdicional da Delegacia de julgamento de Campo Grande, consoante as disposições dos arts. 174 do R.I c/c art. 74 da Lei 9.430/96, decretar a nulidade da decisão proferida na respectiva manifestação de inconformidade, determinando a • remessa do processo à aquela DRJ, para que outra seja proferida, submetendo a novo julgamento, enfrentando e esbatendo todas as questões 11 opostas, especialmente, a decadência, a quais tem o condão de extinguir o crédito tributário, na forma dos arts. 150, parágrafo 4°. c/c art. 156, V ambos do CTN e, art. 899 do RIR199. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 5 DECADÊNCIA — EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO —MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA — ARGUIÇÃO Como anunciado, a decadência qüinqüenal imprimida nos débitos compensados, tratase de matéria de ordem pública capaz de extinguir o crédito tributário, por isso, nada impede que seja argüida e reconhecida em qualquer grau de jurisdição, inclusive, de ofício pelo julgador. 21 Porquanto, embora a decadência não tenha sido enfrentada pela r. decisão recorrida, nada impede que seja preliminarmente aferida em sede recursal, pela qual a recorrente repristina os argumentos expendidos em primeiro grau, os quais conduzem, ao reconhecimento da extinção do crédito tributário exigido, de modo que não foi tempestivamente constituído. (...) 34 De todo exposto, PEDE a recorrente seja o presente RECURSO ORDINÁRIO, conhecido e dadolhe integral provimento no sentido de: (1) Acolher a preliminar suscitada, reconhecendo a competência jurisdicional da Delegacia de julgamento de Campo Grande, consoante as disposições dos arts. 174 do R.I c/c art. 74 da Lei 9.430/96, DECRETANDO A NULIDADE DA DECISÃO proferida na respectiva manifestação de inconformidade, determinando a remessa do processo à aquela DRJ, para que profira nova decisão e julgamento, enfrentando e esbatendo todas as questões opostas, especialmente, a decadência, a quais tem o condão de extinguir o crédito tributário, (arts. 150, • parágrafo 40• cic art. 156, V ambos do CTN e, art. 899 do RIR199); (ii) PEDE, cumulativamente, por subsidiariedade, considerando a matéria de ordem Pública argüida, seja reconhecida a decadência sobre os débitos tributários em apreço, na forma do art. 150, parágrafo 4°. c/c art. 899 do RIR/99, uma vez que entre a data dos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2003 até a notificação de cobrança, (08.09.2008), decorreu mais de 05 (cinco) anos, extinguindoos a teor do art. 156, V do CTN. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Conforme relatado, a decisão de 1a. instância não conheceu da impugnação sendo que no recurso voluntário o contribuinte propugna a nulidade dessa decisão. Pois bem Nos fundamentos do voto condutor da aludida decisão extraise os seguintes excertos: (...) a competência das DRJs é limitada. Neste processo, o que está em discussão são as compensações declaradas por meio das DCOMPs referidas no primeiro parágrafo do relatório. E, ainda, quando a portaria se refere a manifestação de inconformidade contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição e compensação, restringe o julgamento ao fato de haver ou não o crédito pleiteado e se esse crédito é passível de compensação, conforme indicação efetuada pelo contribuinte na DCOMP. Ou seja, o litígio pode versar somente sobre a decisão anterior do delegado ou inspetor, no que tange à homologação da compensação declarada. Questões periféricas como a suspensão da exigibilidade dos débitos declarados na DCOMP, a exigência dos débitos em face de a declaração consistir em confissão de dívida, a incidência da multa moratória sobre esses débitos ou a prescrição intercorrente, não estão entre aquelas sobre as quais a DRJ pode se manifestar, por faltarlhe competência. Esse o motivo para que não sejam conhecidas as razões e argumentos relativamente aos débitos considerados como confessados de forma irretratável e, por conseguinte, à decadência deles. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de não conhecer da manifestação de inconformidade, por incompetência. Do confronto das razões de decidir do acórdão recorrido com as alegações de defesa do contribuinte em 1a. instância (fl. 39 e seguintes), verificase de plano que a decisão deixou de enfrentar a principal alegação da recorrente, qual seja, a decadência do tributo devido (debito) na data da ciência do despacho que não homologou a DCOMP (8/9/2008), vide tópico “Pedido” à fl. 57. O contribuinte reitera essa alegação no recurso, todavia, entendo que, em principio, inocorreu a decadência, pelo que não é possível a aplicação do disposto no art. 59, §3o. do PAF. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 7 ISSO POSTO, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para determinar que outra seja proferida, com o enfrentamento das alegações da defesa, inclusive as trazidas no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 10980.007973/2009-83
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2006
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRP3, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não
há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (Acórdão CSRF 9101/00.401 de 2/10/2009).
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 1402-000.486
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (relator), Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio José Praga de Souza.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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BALANÇO DE ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. AJUSTES. LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. Recorrente WM SERVIÇOS DE LAVANDERIA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida 1a. TURMA DA DRJ EM CURTIBA PR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRP3, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (Acórdão CSRF 9101/00.401 de 2/10/2009). Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (relator), Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 79 73 /2 00 9- 83 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 167 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que manteve o Auto de Infração lavrado em razão do excesso de compensação de prejuízos fiscais com o lucro real relativo ao período de janeiro a agosto de 2006, levada à cabo por parte de SUZUKI TECNOLOGIA E SISTEMAS DE LAVANDERIA LTDA extinta em 22 de setembro de 2006 em razão de sua incorporação pela Recorrente. A Recorrente apresentou Impugnação (fls. 41/52), trazendo as seguintes alegações, conforme relatório da DRJ/CTA: "Inicialmente alega a inaplicabilidade da limitação do artigo 15 da Lei n° 9.065/1995 à compensação integral de prejuízos fiscais no caso de incorporação de sociedades, e se referindo a evolução legislativa sobre essa limitação, diz que essa foi originalmente introduzida pelos artigos 42 e 58 da Lei n. 8.981/1995, o qual teve sua constitucionalidade questionada em face do conceito Constitucional de renda que exsurge do artigo 153, III, da CF/1988 e do artigo 43 do CTN. Relata que tais questionamentos conduziram a que fosse introduzido na Medida Provisória n" 947/199, o artigo 12 com vistas a estabelecer a vigência temporária dos artigos 42 c 58 da Lei n°8.981/1995 até 31/12/1995. Diz que somente no texto da proposta de Lei de Conversão da Medida Provisória n° 998/1995, promulgada sob a forma da Lei n° 9.065/1995, é que foi introduzido o artigo 15 invocado pelo auto de infração, que com sua nova redação veio esclarecer que os limites a que se referia a lei aplicavam unicamente com relação aos prejuízos fiscais, evidenciando a revogação tácita dos limites temporais à compensação de prejuízos, previstos na legislação anterior e excluídos da nova sistemática. Argui que a limitação de 30% para a compensação de prejuízos fiscais estabelecida no artigo 15 da Lei n. 9.065/1995 constitui uma derrogação ao princípio segundo o qual só é legítima a tributação de acréscimos patrimoniais reais e efetivos consagrada no artigo 43 do CTN. Que a desconsideração de uma parcela dos prejuízos fiscais efetivamente incorridos leva a tributar um valor superior àquele que constitui a verdadeira renda, representando taxação de patrimônio ou capital. Aduz que a única razão que torna tolerável a limitação quantitativa em causa vis a vis o artigo 43 do CTN está em que se reconheceu que o direito a compensação desses prejuízos pode ser exercido sem qualquer limitação temporal. Revela que o Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser válido o limite de 30% estabelecido inicialmente na Lei n. 8.981/1995, tornado permanente pela Lei n" 9.065/1995. Argumenta que tais fundamentos não se aplicam aos casos em que há a extinção da pessoa jurídica, tendo em vista incidir nesta hipótese a limitação especial prevista no artigo 33 do Decretolei n" 2.341/1987. Que a perda do direito de compensação na hipótese de reorganização societária constitui uma derrogação excepcional ao princípio da sucessão a título universal, e uma vez que não há a possibilidade Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 168 3 jurídica de uma compensação futura, pelo que o direito à compensação se extingue definitivamente e na sua totalidade com a incorporação. Alega que a única interpretação que permite validamente harmonizar tais limites como o sistema tributário é a de que a limitação quantitativa de 30% fica afastada naqueles casos em que seja aplicável a limitação contida no artigo 33 do Decreto lei n° 2.341/1987. Isto se dá porque a regra especial do artigo 33 do Decretolei n. 2.341/1987 derroga a limitação geral estabelecida pela Lei n° 9.065/1995, nos casos de fusão, cisão ou incorporação. Aduz que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido de se admitir a compensação integral do prejuízo fiscal, independentemente do limite quantitativo de 30%, no caso de incorporação de sociedade, com fundamento de que, determinando a perda definitiva desse direito, ele não é suscetível de utilização no futuro." A DRJ/CTA optou por manter a decisão de primeira instância, afirmando, em síntese, que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas constitui faculdade cujo exercício é admitido somente diante da efetiva existência desses saldos e limitado a 30% (trinta por cento) do lucro real ou da base de cálculo da CSLL do ano, inexistindo exceção para situações específicas, tais como, in casu, de extinção da pessoa jurídica por incorporação. Inconformada, a Contribuinte apresenta recurso voluntário, em que repisa os argumentos utilizados na sua Impugnação, além de trazer à colação vasta doutrina e jurisprudência sobre a matéria. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 169 4 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. O cerne da questão é saber se a Contribuinte está ou não autorizada a compensar integralmente os prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas, na apuração do imposto devido em seu último exercício social, quando esta for extinta por incorporação. Historicamente, a disciplina da compensação de prejuízos fiscais com lucros de exercícios futuros iniciouse com a Lei nº 154/1947. Referida lei limitava o exercício do direito a essa dedução em até três exercícios posteriores àquele em que fora apurado o prejuízo. Posteriormente, com o advento do DecretoLei nº 1.493/76, o exercício do direito de compensar prejuízos fiscais foi ampliado para possibilitar sua compensação com os lucros de até quatro exercícios futuros. Dita possibilidade mantevese com o advento da Constituição de 1967 e DecretoLei nº 1.598/77, sob a então nova sistemática de valores apurados e registrados na escrituração fiscal. Continuamente, com o advento da Lei 8.383/91 o prazo máximo para a compensação de prejuízos fiscais acumulados foi eliminado, posteriormente reinserido pela Lei nº 8.541/1992 e, por fim, novamente eliminado com o advento das Leis nº 8.981 e 9.065 de 1995. Contudo, apesar de não haver mais limitação temporal, as novas leis de 1995 inovaram trazendo uma limitação quantitativa, a denominada “trava dos 30%”. Vejamos: Art. 42 da Lei nº 8.981/95 A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Art. 15 da Lei nº 9.065/95 O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. A partir daí, a compensação de prejuízos fiscais acumulados passou a se sujeitar ao limite de 30% (trinta por cento) do lucro e o excesso pode ser compensado em exercícios seguintes, até a sua extinção total. Assim, a história nos conta que o legislador sempre reconheceu a importância e necessidade da compensação de prejuízos fiscais e, por isso, nunca houve limitação ao direito da plena compensação de prejuízos fiscais acumulados. Concluise, portanto, que o contexto Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 170 5 normativo brasileiro desde sempre tomou como base o pressuposto da continuidade da pessoa jurídica. O princípio da continuidade da pessoa jurídica foi desenvolvido pela ciência contábil, de forma que essa tivesse instrumentos hábeis para prever o auferimento de lucro em sociedades com prazo indeterminado. O próprio Conselho Federal de Contabilidade já discorreu que o princípio da continuidade pressupõe a continuação da entidade no futuro, fazendo com que “a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levem em conta essa circunstância” (Art. 5º, da Resolução CFC nº 750/1993, alterada pela Resolução CFC nº 1.282/2010). Esse pressuposto deve ser compreendido como princípio lógico e objetivo a nortear as regras de apuração do IRPJ e da CSLL. Da mesma forma e não por outra razão, a periodicização da apuração do resultado empresarial deve ser vista como ficção legal, reconhecida pela legislação societária e tributária com o simples objetivo de inserir, no contexto da continuidade da pessoa jurídica, um lapso temporal que possibilite a comparabilidade periódica do seu desempenho. Noutras palavras, digase que a regramatriz de incidência do IRPJ e da CSLL não se realiza em um só exercício. Inexistindo comunicabilidade entre os exercícios sociais estabelecidos, a apuração de qualquer resultado tributável será distorcida. É, pois, justamente esse o intuito da compensação, realizar a integração do resultado de exercícios passados e futuros, fazendo com que a tributação recaia sobre o que é de fato lucro tributável/acréscimo patrimonial e não sobre o que é patrimônio ou capital. Nesse sentido, citese o memorável trabalho do mestre e doutor Eurico Marcos Diniz de Santi a respeito do tema: “Aplicar a Regramatriz de Incidência do IRPJ e da CSLL significa constituir um enredo normativo formando um sistema de regras. Ou seja, a Regramatriz de Incidência do IRPJ e da CSLL é um feixe normativo formado (i) pelas regras de apuração do IRPJ e da CSLL (regras de conhecimento de receitas e despesas, adições e exclusões); (ii) pela regra de compensação de prejuízos fiscais (que integra o feixe das regras de apuração e estabelece a relação entre a regra de apuração do exercício atual e os prejuízos fiscais de exercícios anteriores); (iii) pela regra de ajuste anual (que consolida a relação entre apuração do lucro real e as estimativas e retenções na fonte desse mesmo anobase) e eventuais regras outras não pertinentes para essa análise. Portanto, a Regramatriz de Incidência do IRPJ e da CSLL pressupõe o cálculo lógico dessas três regras integradas. A incidência isolada de cada uma dessas regras, juridicizando determinado fato, implica em uma “fotografia” que é simples perspectiva parcial da Regramatriz de Incidência do IRPJ e da CSLL. Tão somente o conjunto ordenado dessas três regras aplicadas conjuntamente pode constituir o “filme normativo” que representa a hipótese de incidência e os respectivos fatos geradores do IRPJ e da CSLL.” (in Revista Dialética de Direito Tributável nº 185, pgs. 42 e 43). Em profunda consonância com esses pressupostos é que o Conselho de Contribuintes sempre afirmou, o que se comprova facilmente por seu histórico de decisões, que nos casos de encerramento ou extinção empresarial, não se aplica a trava de 30% (trinta por cento). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 171 6 Isso porque, especialmente nesses casos, não haverá possibilidade de a pessoa jurídica utilizar os prejuízos fiscais acumulados em exercícios futuros. Lembrando, ainda, que o prejuízo da incorporada não se soma ao da incorporadora por expressa vedação legal. Vale dizer que a legislação atual não é limitadora, mas, sim, garantidora do direito dos contribuintes, já que torna imprescritível o direito do contribuinte compensar prejuízos fiscais acumulados com o lucro liquido apurado posteriormente. Como bem lembram os julgados do então Conselho de Contribuintes, “a norma ao impor a trava na compensação, não pretendeu tolher o direito dos contribuintes de não recolher o IRPJ sobre a recuperação do capital, correspondente ao lucro após o prejuízo. Pretendeu sim uma arrecadação mínima, se apurado lucro líquido, com a limitação de prejuízo fiscal acumulado” (1º Conselho de Contribuintes / 8ª. Câmara / Acórdão 10807.456 em 02.07.2003). Prova disso é que a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 998 convertida na Lei nº 9.065/95 esclarece que a limitação quantitativa inserida no ordenamento jurídico só se justifica em razão de não haver limitação temporal: “Arts. 15 e 16 do Projeto: (...) A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo”. Além do que, o Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 183.155, já manifestou entendimento no sentido de que não há impedimentos para o aproveitamento do prejuízo fiscal acumulado até o seu esgotamento. Vejamos: “Observese detalhe de importância fundamental: embora esteja limitada a dedução de prejuízo ao exercício de 1995, não há empecilho de que os 70% (setenta por cento) restantes venham a ser abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução”. Destarte, vale observar que o Supremo Tribunal Federal, no Recurso Especial nº 344.994, decidiu pela constitucionalidade da trava, da mesma forma como decidia este Conselho. Contudo, a decisão da suprema corte tem sido continuamente mal interpretada por parte de algumas autoridades fiscais que se apegam à literalidade em contrapartida à análise contextual e histórica das normas brasileiras. Esse entendimento contrário, culminou na decisão proferida pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão nº 910100.401. A esse respeito, cabe refletir que apesar de atual, esse julgado não condiz com a vasta e ampla jurisprudência do CARF sobre o assunto, tampouco atende aos preceitos preconizados por este Conselho ao longo dos últimos anos. Analisemos os dois principais argumentos utilizados no acórdão referido e adotados, desde então, por autoridades fiscais e algumas Delegacias Regionais de Julgamento, quais sejam: (i) não existe previsão legal expressa ao aproveitamento dos prejuízos fiscais nos casos de encerramento e extinção empresarial; e (ii) o direito ao abatimento de prejuízos fiscais acumulados é expressivo de benefício fiscal a favor do contribuinte. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 172 7 No que pertine ao argumento utilizado pelas autoridades fiscais de que as regras atuais não afirmam expressamente que a trava de 30% (trinta por cento) não se aplica aos casos de encerramento e extinção da pessoa jurídica, tal argumento não merece prosperar. É sabido que existem no ordenamento jurídico normas implícitas e normas explícitas. A possibilidade de compensar integralmente prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas em casos de encerramento e extinção empresarial é o típico exemplo de norma implícita, que decorre de normas explícitas e positivadas, bem como de normas fundamentais e princípios basilares do direito. Sua existência é conseqüência do raciocínio lógico que parte das normas expressas, dispensando, a redundância que seria, se observados os conceitos de renda, lucro e proventos de qualquer natureza, os princípios da continuidade empresarial e da comunicabilidade dos exercícios, a edição de norma expressa com o conteúdo que já decorre de normas explícitas. Aliás, o fisco não pode explorar lacunas da própria legislação fiscal para restringir a interpretação do conceito de renda, lucro e proventos de qualquer natureza e, ainda, deixar de observar a proporcionalidade no fluxo arrecadatório em contraponto a conceitos constitucionais como isonomia, capacidade contributiva e o nãoconfisco. De outro giro, o uso da expressão “benefício fiscal” não parece contextualizado, tampouco apropriado para os casos em comento. Em sua acepção, beneficio fiscal denota regime especial de tributação que se mostra mais vantajoso em relação aos regimes normais. Logo, benefícios fiscais não podem recair sobre bases em que sequer há tributação, como é o caso de prejuízos fiscais. No mais, incentivos fiscais, como são conhecidos os benefícios desoneradores concedidos pelo legislador tributário, pretendem induzir o contribuinte a um comportamento prédefinido, incentivando reações específicas, especialmente na esfera econômica. Sob esse prisma, negar ao contribuinte a possibilidade de compensar integralmente prejuízo ou base negativa acumulada quando do encerramento ou extinção de suas atividades performa conduta inversa e nitidamente desincentivadora àqueles que se arriscam na empreitada empresarial. Verificase, dessa forma, que os argumentos utilizados nas decisões desfavoráveis à compensação integral não se sustentam ou não se aplicam. Nesse escopo, desconsiderar prejuízos equiparase a desconsiderar deduções ou direito a créditos, perfazendo meios de majorar silenciosamente a tributação, sem autorização legal. Posto isso, entendo que as razões invocadas para negar o direito à compensação não podem prevalecer neste caso, de modo que voto por dar provimento ao recurso voluntário, para considerar correta a compensação integral dos prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas no momento em que extinta a pessoa jurídica, apurouse os resultados de seu último exercício social. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 173 8 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Redator Designado. Nos debates para julgamento do recurso voluntário interposto neste processo divergi do ilustre relator, conselheiro Carlos Pelá, quanto a legalidade da limitação das compensações de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, nas hipóteses de extinção da empresa. De inicio, repisei considerações acerca do limites de atuação deste colegiado no que tange a observância de normas legais e decretos. Isso porque, em razão de sua jurisdição limitada, não pode, o CARF, órgão administrativo de julgamento do Ministério da Fazenda, negar aplicação a dispositivo legal em vigor, enquanto não reconhecida pelo STF sua desconformidade com a Constituição. Essa matéria, inclusive, é objeto da Súmula do No. 1 do CARF, cujo enunciado é o seguinte: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Além disso, este Colegiado não detém competência para o afastamento de dispositivo legal regularmente inserido no ordenamento jurídico brasileiro, tampouco darlhe interpretação extensiva, sob a alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade do ato. Tal competência é privativa do Poder Judiciário, conforme determina a Constituição da República em seu artigo 102, I, “a”. Esse entendimento está sedimentado nas diversas turmas do CARF, da CSRF e dos antigos Conselhos, mas devo reconhecer que vem sendo extrapolado em muitas decisões em face da dificuldade de estabelecer qual o seu limite. Relembrei, inclusive, um exemplo emblemático da observação desse limite: a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre ressarcimentos de IPI (crédito básico ou crédito presumido). Embora seja pacífico que ressarcimento não se confunde com restituição, a própria CSRF durante vários anos, em determinada composição de sua 2a. Turma, concedia a incidência de Selic sobre os ressarcimentos, a partir do momento que passei a presidila esse entendimento foi revertido, isso porque prevaleceu na nova composição daquele Colegiado que não há previsão legal para essa incidência. Reafirmo, então, que no presente caso, não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima do limite de trinta por cento do lucro real, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa, daí peço vênia para adotar os jurídicos fundamentos do voto condutor do acórdão CSRF 910100.401 de 2/10/2009, julgamento do qual participei: “(...) Quanto ao mérito, busca a Recorrente, na qualidade de incorporadora, reconhecimento do direito à compensação do pagamento que a incorporada realizou como estimativa. No balanço de incorporação foi realizado todo o prejuízo fiscal – mesmo acima do limite de 30% – de sorte que todas as estimativas se constituíram em saldo negativo de IRPJ, objeto do pedido de compensação. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 174 9 Em 30 de maio de 2003 ela apresenta Declaração de Compensação (PER/DCOMP), transmitida eletronicamente, objetivando compensar o crédito acima mencionado correspondente ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2000, apurado pela empresa incorporada, Fertilizantes Serrana S/A, no valor de R$ 7.778.295,55, com débito do IRPJ do período de apuração abril de 2003 (estimativa mensal), no valor de R$ 11.443.428,41. No acórdão recorrido a composição do crédito se apresenta na ordem seguinte: Imposto de Renda Retido na Fonte: R$ 1.242.157,81 Pagamentos efetuados: R$ 5.371.649,37 Estimativas Compensadas: R$ 1.164.488,37 Total: R$ 7.778.295,55 Conforme despacho decisório de fls. 58/59, a referida composição do crédito está representada pelos documentos de fls. 03/09. Nesse sentido, temos: Afirma a autoridade administrativa que inicialmente apreciou o pedido, o seguinte: (...) 1. os pagamentos estavam confirmados e declarados em DCTF; 2. as estimativas compensadas tinham sido devidamente declaradas em DCTF; e 3. no que tange ao imposto de renda na fonte, consideradas as Declarações de Imposto Retido na Fonte entregues pelas fontes pagadoras, o montante seria de R$ 995.956,60, inferior, portanto, ao declarado pela recorrente. Complementa a referida autoridade que o valor pleiteado pela recorrente não pode prevalecer porque a empresa incorporada não considerou o limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais previsto em lei, daí ter resultado em errôneo saldo final de imposto de renda a recuperar. Ou melhor, se a contribuinte tivesse considerado o limite de 30% na compensação de prejuízo, não haveria imposto a ser restituído. Refeitos os cálculos para melhor apurar o imposto devido pela incorporada, dentro do limite legal de 30% da compensação dos prejuízos fiscais, indefere a homologação da compensação do imposto na forma requerida. Logo, considerando o limite do prejuízo de 30%, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária, em São Paulo, refez o quadro de apuração do saldo do imposto, concluindo que a sucessora ainda estaria em débito para com o Tesouro Nacional pela incorporação da empresa, já que a Recorrente, na qualidade de sucessora, é beneficiada ou responde por todos os direitos e obrigações da sucedida (ex vi do art. 227 da Lei n° 6.404, de 1976). A decisão recorrida dá razão à Recorrente, no tocante à análise da (Derat/SPO) ao considerar, para efeito de ajuste, sob o título ANTECIPAÇÕES POR ESTIMATIVA, o valor de R$ 7.724.358,93, apurando um saldo devedor no valor de R$ 434.592,27, sem, contudo, demonstrar a composição desses valores. Todavia, afirma que a discussão é irrelevante quando se constata que, mesmo considerando o total de imposto declarado e pago por estimativa, pela sucedida (R$ 7.970.560,37), ainda assim, se considerasse o limite dos prejuízos em 30%, restaria saldo de imposto a pagar eis que a compensação integral dos prejuízos fiscais pela extinção da empresa, face à incorporação, é, de fato, indevida. Daí resulta que o foco da presente lide consiste em analisar se há amparo legal que permita a compensação integral dos prejuízos fiscais, sem observância do Fl. 9DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 175 10 limite de 30% a que se refere o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995, quando do desaparecimento da empresa, por incorporação, em decorrência de reorganização societária ou por qualquer outro motivo. Este o cerne da questão a ser enfrentada neste processo. Confesso seduzirme, inicialmente, a tese defendida pela Recorrente, de sorte que no acórdão paradigma, da então 8a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com ela concordei. Todavia, melhor refletindo, revi meu posicionamento pelos motivos que neste voto discorro. Um dos exemplos trazidos a lume, também como paradigma, é a decisão proferida no recurso 126597, Ac. CSRF/0104.258 de 01/12/2002, do i. Conselheiro Celso Alves Feitosa, que negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional e está assim decidido e ementado: (...) Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Verinaldo Henrique da Silva. COMPENSAÇÃO PREJUÍZO E BASE NEGATIVA – No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada. Nesse julgado a decisão afirma que não há óbice a compensação integral, nos casos de declaração de encerramento de atividades, tanto do imposto de renda das pessoas jurídicas, quanto da contribuição social sobre o lucro E na mesma linha, com o brilhantismo habitual, o i. patrono da Recorrente sustenta que o limite imposto através do artigo 15 da Lei 9065/1995 não se aplica nos casos de extinção da pessoa jurídica em virtude de incorporação pois, caso contrário, a empresa incorporada perderia o direito à compensação de prejuízos, o que não corresponde à finalidade do mencionado artigo, conforme entendimento até então majoritário da jurisprudência deste Colegiado. Mas, esta não é a melhor interpretação para o conteúdo semântico do artigo 15 da Lei 9065/1995. Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial no.307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: O princípio da legalidade, do mesmo modo que impõe a exigência de cobrança a tributo só por lei expressa, também, exige que a compensação de prejuízos com lucros para fins tributários somente ocorra com autorização legislativa. Insubsistente a tese da recorrente de que não há proibição da compensação pretendida. No regime de direito público, especialmente no campo do direito tributário, a relação jurídica decorre de norma positiva. O silêncio da lei não cria direitos para nenhuma das partes: sujeito ativo e sujeito passivo. Outrossim, no trato de qualquer benefício fiscal, mesmo concedido por lei, a interpretação é restritiva. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 176 11 Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N.8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5o, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do inicio de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto a interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de benefício fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 4.Já quanto à limitação da compensação dos prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994, destaco, por oportuno, as palavras sucintas e rigorosamente claras com que rejeitou o pedido de liminar,ocasião em que o eminente Juiz Federal Antônio Albino Ramos de Oliveira assentou quanto importa para o deslinde da questão: "A lei questionada limitou as deduções de prejuízos da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social referentes a exercício futuro. Vedado estaria fazêlo em relação a fatos geradores já ocorridos quando de sua publicação, ou para exigência no mesmo exercício. " (fl. 44) 5.(...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8.981/95 mera expectativa de direito donde o não cabimento da impetração. 6.Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 177 12 Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8.981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7.A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito"oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito líquido e certo à "socialização"dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. É apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. E a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o benefício será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CF, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art. 5o, XXXVI). (...) 8.Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado eis que a norma que cuida de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva , nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. Neste sentido é a jurisprudência consoante arestos a seguir elencados: Ementa: .... I. A legislação pertinente ao Simples ao prever exclusão do crédito tributário deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111, I do CTN. ....” (STJ. REsp 825012/MG. Rel.: Min. Castro Meira. 2ª Turma. Decisão: 16/05/06. DJ de 26/05/06, p. 250.) Ementa: .... I. Da leitura do art. 151 do CTN dessumese que as possibilidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário nele estão exauridas, não comportando interpretação extensiva do seu conteúdo, ante o teor do art. 111, inciso I, do CTN. ....” (STJ. Resp 782729/PR. Rel.: Min. Castro Meira. 2ª Turma. Decisão: 06/12/05. DJ de 01/02/06, p. 506.) “Ementa: .... I. O art. 111 do CTN, que prescreve a interpretação literal da norma, não pode levar o aplicador do direito à absurda conclusão de que esteja ele impedido, no seu mister de apreciar e aplicar as normas de direito, de valerse de uma equilibrada ponderação dos elementos lógicosistemático, histórico e finalístico ou teleológico, os quais integram a moderna Fl. 12DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 178 13 metodologia de interpretação das normas jurídicas. ....” (STJ. REsp 192531/RS. Rel.: Min. João Octavio de Noronha. 2ª Turma. Decisão: 17/02/05. DJ de 16/05/05, p. 275.) “Ementa: .... II. Nos termos do art. 111 do CTN, a interpretação das normas de índole tributária não comportam ampliações ou restrições, e, sendo possível mais de uma interpretação, todas razoáveis, deve prevalecer aquela que mais se aproxima do elemento literal. ....” (TRF 2ª Região. AMS 94.02.140859/RJ. Rel.: Des. Federal Poul Erik Dyrlun. 6ª Turma. Decisão: 15/12/04. DJ de 10/01/05, p. 52.) De fato, quando a lei quis que fosse liberado o limite a compensação de 30% dos prejuízos fiscais, o fez de forma expressa, como foi o caso dos lucros auferidos pelas empresas inseridas no regime Befiex, como se vê no artigo 95 da Lei 8981/1995, com a redação inserida através do artigo 1o. da Lei 9065/1995, a saber: "Art. 95. As empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, poderão compensar o prejuízo fiscal verificado em um períodobase com o lucro real determinado nos seis anoscalendário subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas." Nesta esteira a Instrução Normativa SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, vem determinando, quanto a Compensação de Prejuízos Fiscais, o seguinte: Art. 35. Para fins de determinação do lucro real, o lucro líquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda, poderá ser reduzido pela compensação de prejuízos fiscais em até, no máximo, trinta por cento. (...) § 4º O limite de redução de que trata este artigo não se aplica aos prejuízos fiscais decorrentes da exploração de atividades rurais, bem como aos apurados pelas empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, nos termos do art. 95 da Lei nº 8.981 com a redação dada pela Lei nº 9.065, ambas de 1995. Nesta normativa, também, a confirmação do que dispunha o artigo 14 da Lei 8023/1990, no que tange ao tratamento diferenciado concedido às empresas que exercem atividades rurais que podiam compensar todos os prejuízos incorridos, sem limites. Lei 8023/1990: Art. 14. O prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nos anosbase posteriores. O permissivo é posteriormente ampliado para a CSLL através do art. 41 da MP 2.11332 de 21/06/2001, como segue: MP 2.11332 de 21/06/2001 Art.41.O limite máximo de redução do lucro líquido ajustado, previsto no art. 16 da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995, não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural, relativamente à compensação de base de cálculo negativa da CSLL. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 179 14 A interpretação fundada em argumentos finalísticos serve de auxílio à interpretação, mas não pode ser fundamento para negar validade à interpretação jurídica consagrada aos conceitos tributários. Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente. Mas, por amor ao debate, mesmo que de benefício fiscal não se tratasse, no mínimo teríamos que admitir que as normas jurídicas exceptivas à trava dos 30% acima referidas também devem ser interpretadas de maneira restrita. É de se ver. As normas jurídicas exceptivas, como é o caso, só abrange os antecedentes que especifica, devendo se utilizar, sim, do argumento a “contrario sensu”. Esse, inclusive, é o ensinamento do nosso mestre Jusfilósofo Pernambucano Lourival Vilanova em sua obra prima “As Estruturas Lógicas e o Sistema do Direito Positivo”, do qual extraímos o seguinte excerto: “A norma jurídica exceptiva só abrange os antecedentes que especifica, não outros, delineando conjuntounimembre ou conjuntomultimembre de sujeitos ou ações que caem fora da órbita de abrangência (da extensão em sentido lógico) ou âmbitodevalidade da norma geral. (...) Não consta, é certo, na enumeração das normas para preenchimento das lacunas, ao lado da inferência analógica, a inferência a contrario, mas ela está implícita em cânones, como meras diretivas (normas, ainda que sem a estrutura de verdadeiras normas de Direito Positivo), como a de que ´inclusão de um, importa na exclusão de outro´, ou no preceito já mencionado do art. 6º da antiga Introdução ao Código Civil, segundo o qual a lei que abre exceções a regras gerais só abrange os casos que especifica. Com isso, o legislador quis incorporar o adágio exceptiones strictissimae interpretationis sunt, ou indicar normativamente ao intérprete que, no Direito especial, como no Direito excepcional, não se deve pregar a extensão analógica, mas a excludência do que não está implícita ou explicitamente regulado, mediante a via do argumento a contrario sensu. Dizendo com F.Ferrar: ´pois se o legislador, por considerações especiais de utilidade, dispôs limitadamente a certos fatos ou pessoas, nos outros casos entendeu que o mesmo tratamento não tivesse lugar´(As Estruturas Lógicas e o Sistema de Direito Positivo, 1ª Edição, Ed. Max Lemond, páginas 263,265 e 266).(Destaquei) Vêse que a boa hermenêutica baseada nos ensinamentos de Lourival Vilanova ampara a utilização do argumento a contrario sensu, perfeitamente válido em se tratando de norma exceptiva. É quando um argumento que é considerado “quase lógico” (na visão de Perelman e Tyteca, no Tratado da Argumentação), passa a ser totalmente lógico no mundo do Direito (Lourival Vilanova). Não bastasse a obrigatoriedade da interpretação literal da norma que cuida de incentivo fiscal; dos argumentos expendidos pela Ministra Ellen Gracie; do tratamento interpretativo das normas exceptivas, por si, suficiente para ilidir os respeitáveis argumentos expendidos pela Recorrente que clama, em seu favor, por interpretação histórica e finalística, lembro, ainda, mais alguns pontos da evolução legislativa tratando de compensação em incorporações, cujas conclusões apontam para a total preocupação do legislador em não permitir, direta ou indiretamente, que esses eventos se transformem unicamente em instrumentos de aproveitamento disfarçados de prejuízos fiscais entre empresas: Fl. 14DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 180 15 a) no ano de 1976 foi elaborada a Lei no. 6.404/76, das Sociedades por Ações, que trazia no artigo 227 previsão de incorporação de uma sociedade por outra, sucedendo a incorporadora nos direitos e obrigações da incorporada; b) na esteira, o Decretolei no. 1.598/77, editado com finalidade de adaptar a legislação do imposto sobre a renda às inovações da Lei de Sociedade por Ações (Lei 6.404 de 15/12/76), instituiu a permissão, no § 5o. do artigo 64, de compensação dos prejuízos da sociedade extinta pela incorporadora; c) momento no qual obedeciase então ao princípio da legalidade estrita e era certo o direito à compensação d) O Decretolei no. 1.730, de 17 de dezembro de 1979, deu nova redação a este dispositivo (parágrafo 5o.do artigo 64), retirando a antiga redação do mundo jurídico. A redação do Decretolei 1.730 de 17 de dezembro de 1979 é a seguinte: Art. 1 São procedidas as seguintes alterações no Decretolei n 1.598 de 26 de dezembro de 1977: (omissis) § 3o. (omissis) IV São revogados os parágrafos 6o.e 8° do artigo 64, renumerado como parágrafo 6° o atual parágrafo 7o., e, passando o parágrafo 5o. a vigorar com a seguinte redação: "§ 5°. O Conselho Monetário Nacional pode autorizar a compensação do prejuízo de uma pessoa jurídica com o lucro real de outra, do mesmo grupo ou sob controle comum, quando a medida atender a interesses de segurança e fortalecimento da empresa nacional". Com a edição do Decretolei n° 2.341, de 29 de junho de 1987, enterrase a possibilidade de realizar esta compensação, ao dispor o artigo 33: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos da sucedida. Deste modo, antes, em 1977 era possível compensar todo prejuízo. Em 1979, só com autorização do Conselho Monetário Nacional e, finalmente a partir de 1987, definitivamente, passou a ser proibido o aproveitamento em caso de incorporação. A mesma conclusão nos traz Hiromi Higushi in "Imposto de Renda Interpretação e Prática" 2002: " O art. 22 da MP n° 2.15835/01 dispõe que aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do Decretolei n° 2.341/87. Estes dois arts. estão assim redigidos: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 181 16 Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Antes da alteração, aquelas duas vedações para compensação somente eram aplicáveis na determinação do lucro real para pagamento do imposto de renda. A partir de 011099, as vedações aplicamse também para a base de cálculo da CSLL". A questão de direito é devidamente enfrentada no acórdão 10323.477, voto vencido do i. Conselheiro Antonio Bezerra Neto, a quem peço vênia para a transcrição seguinte, por bem definirem a matéria dos autos; (...)Em relação ao outro aspecto, a suposta peculiaridade do caso que se cuida (cisão parcial), em momento algum a lei estabeleceu exceções à regra de limitação para os casos ou de extinção, ou de sucessão por incorporação, fusão ou cisão. Ou seja, a lei não admitiu como direito subjetivo da empresa compensar seus prejuízos, de forma que, sobrevindo extinção ou sucessão, deixarseia de aplicar a limitação prevista na lei, de forma a permitir a compensação. O fato incerto de a lei estabelecer que a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente de seu patrimônio líquido, apenas implica reconhecer o fato óbvio de que a empresa não foi totalmente extinta, e por isso foi estipulado um critério matemático (proporcionalidade em relação ao percentual do capital cindido) para resguardar os prejuízos fiscais da empresa cindida, que por sua vez terá a oportunidade de compensar esses prejuízos, pela sistemática normal das demais empresas, o que implica em limitação dos 30% e não vedação da plena compensação de prejuízos ou da base de cálculo negativa da CSLL, como quer fazer crer a recorrente. Outrossim, data máxima vênia, também não cabe o argumento utilizado pela CSRF e em alguns julgados da 1ª Câmara, calcado em uma interpretação finalística. Dizem que pelo fato de o texto legal não ter cerceado o direito do contribuinte de compensar os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994 com o lucro real obtido a partir de 10 de janeiro de 1995 (extinção da trava temporal), isso implicaria dizer que estaria sempre garantido o aproveitamento de todo o estoque de prejuízos da empresa. É que esse raciocínio só é válido no pressuposto da continuidade da vida empresarial da empresa. É claro que em uma descontinuidade da mesma, como é o caso de uma incorporação ou cisão, a regra de limitação da “trava de 30%” deve prevalecer. Ademais, não é todo juízo de finalidade que derroga o conteúdo semântico de uma norma, mormente essa, que traz uma regra de vedação bastante clara sem comportar qualquer tipo de exceção. Um mínimo de conteúdo semântico merece ser respeitado, não podendo ficar ao livre arbítrio do intérprete. Diferentemente da pretensão exarada na tese vigente neste Conselho há vedação legal ao aproveitamento dos prejuízos nos casos de incorporação, como se vê na leitura do Decretolei 2.341/1987: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.007973/200983 Acórdão n.º 1402000.486 S1C4T2 Fl. 182 17 Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. O artigo 32 explicita que a pessoa jurídica não pode compensar seus próprios prejuízos, quando “entre a data da apuração e da compensação ocorra modificação de seu controle societário ou ramo de atividade”. Para não deixar dúvidas quanto a impossibilidade de aproveitamento, no caso de extinção, o parágrafo único textifica que, nos casos de cisão parcial só é possível compensar a parcela que remanesce na cindida, na proporção dos próprios prejuízos. Exsurge do referido dispositivo que a lei determina, nos casos de extinção da empresa, que os prejuízos perecem junto com a incorporada em seu último ano de vida, que é a exata situação dos autos. Independentemente da proibição do artigo 15 da Lei 8.981/1995, o Decretolei já proibia qualquer aproveitamento de prejuízos nos casos de encerramento de atividades, o que prova que o suposto direito adquirido pretendido, já não existia desde então. Permanecer aceitando a tese implicaria negar vigência ao dispositivo de lei validamente editado. (...)” (Os grifos e destaques são do original). Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário e manter a tributação. É este o voto condutor do presente acórdão. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 17DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 21/01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 16095.720151/2011-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF.
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, conforme enunciado da Súmula CARF nº 04.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-005.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recuso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, conforme enunciado da Súmula CARF nº 04. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 51 /2 01 1- 77 Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 359 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recuso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr. Relatório Tratase de auto de infração para constituição de crédito tributário de IPI, relativo aos períodos de janeiro/2006 a dezembro/2007, em razão da utilização de saldos credores de anos anteriores e de créditos indevidos apurados sobre aquisições de insumos sujeitos à alíquota zero, imunes e não tributadas, bem como sobre correção monetária destes créditos escriturada no RAIPI, além de crédito lançado em duplicidade na escrita fiscal, conforme Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (efl. 185 a ). Em impugnação, alegou cerceamento de defesa, que a vedação ao creditamento de IPI nas aquisições de insumos isentos, alíquota zero ou nãotributados fere o princípio constitucional a nãocumulatividade do IPI, citou doutrina e jurisprudência, afirmou que é irrelevante a destinação da mercadoria, sendo devido o crédito vinculado a saídas imunes ou tributadas à alíquota zero, alegou o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, pugnando pela sua redução e a ilegalidade dos juros de mora à taxa Selic Apreciando a defesa da empresa, a Segunda Turma da DRJ em Recife julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito de IPI, na aquisição de insumos, ligase à operação precedente em que o imposto foi cobrado. O produto amparado por suspensão de IPI, assim como, o isento, o não tributado ou o sujeito à alíquota zero não geram direito a crédito ao seu adquirente industrial. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas a aplicação da multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 360 3 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa SELIC tem previsão legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não se cogita da nulidade do auto de infração quando, além de formalmente perfeito, em nada malferido tenha sido o direito de defesa do contribuinte. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Com fundamento em juízo sobre ilegalidade de norma tributária, não compete à autoridade administrativa negar sua aplicação ao caso concreto. Prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário, por força de dispositivo constitucional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em preliminar, a recorrente alega cerceamento de defesa por desconsiderar as informações por ela prestadas. Sem razão a recorrente, não havendo reparos a se fazer na decisão recorrida, cujas razões nesta parte, adoto como fundamento de decidir e abaixo transcrevo: "Do cerceamento do direito de defesa O impugnante manifesta em seu arrazoado postulação de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, alegando que a fiscalização deixou de considerar informações Fl. 360DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 361 4 por ele prestadas. Por se configurar a análise de tal questão como prejudicial à apreciação dos demais temas, passo ao exame da matéria. Primeiramente, cumpre observar que o art. 142 do CTN estipula, como etapas do procedimento de lançamento, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo e a aplicação da penalidade, quando cabível. Por pertinente, vejase o teor do mencionado dispositivo legal: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” No caso que se cuida, o lançamento foi efetivado mediante lavratura de auto de infração, cuja formalização deve submeter se aos requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), que consistem na competência do autuante e na observância das formalidades pertinentes ao seu conteúdo indispensável, destacandose como essenciais: a qualificação do autuado; a descrição do fato, da disposição legal infringida e da penalidade aplicável; a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Em razão desses pressupostos, o art. 59 do PAF, com a redação da Lei nº 8.748/93, prevê, expressamente, duas hipóteses de nulidade para o aludido ato, a saber: a incompetência do agente e o cerceamento do direito de defesa, consoante dispõe, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente. II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A meu ver, o lançamento contestado, além de se revestir dos requisitos formais indispensáveis, posto que se encontra bem fundamentado e detalhado quanto às irregularidades identificadas, tendo sido estabelecida a correspondência entre os fatos constatados e as hipóteses de incidência tributária, bem como as penalidades pelo descumprimento da obrigação principal definidas na legislação, não se enquadra em nenhum dos dispositivos do artigo acima transcrito (59 do PAF), haja Fl. 361DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 362 5 vista que não se materializou a incompetência de que tratam os incisos I e II, e, ao contrário do que alega o impugnante, não se pode falar em cerceamento de defesa, tendo o autuado sido devidamente cientificado da autuação e apresentado todas as razões de defesa que entendeu pertinente, através das quais inclusive demonstrou ter entendido com clareza todo o procedimento fiscal realizado. Quanto à questão, é curial salientar também que a ação fiscal tem caráter inquisitivo e o diálogo probatório é conduzido pela fiscalização de forma discricionária, uma vez que não se trata tecnicamente de um processo, mas de um procedimento tendente a apurar a matéria tributável. Assim, o momento adequado à admissão das provas voluntárias por parte do contribuinte é a partir da impugnação, quando é instaurada a fase litigiosa do procedimento (art. 14 do PAF) e se inicia o processo fiscal propriamente dito, descabendo qualquer alegação de limitação no franqueamento à sua participação ao longo da ação fiscal. Portanto, é permitido a autoridade fiscal, baseandose nos elementos que dispuser, lavrar o auto de infração sem ter, necessariamente, que levar em consideração informações prestadas pelo contribuinte. Aliás, mesmo não tendo sido esclarecidas quais informações foram supostamente deixadas à margem pela fiscalização, vale frisar que eventual falha na consideração de elementos trazidos pelo contribuinte poderia repercutir na robustez probatória do lançamento efetuado e prejudicar a fundamentação do Fisco, mas nunca causar qualquer prejuízo ao contribuinte. Dessa forma, afastase a alegação de cerceamento do direito de defesa suscitada pelo defendente." De outro giro, destacase que a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer deste tipo de alegação, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas no artigo 621 d Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 363 6 No mérito, o fundamento da autuação foi a escrituração indevida de créditos de IPI sobre aquisição de insumos tributados à alíquota zero, imunes e não tributadas. Ocorre que a recorrente ajuizou o Mandado de Segurança sob o nº 2001.61.00.0110650, tendo como objeto o reconhecimento judicial sobre as entradas de MP, PI e ME adquiridos com alíquota zero ou isentos e, ainda, dos produtos consumidos no processo de industrialização, bem como dos produtos destinados ao ativo permanente, segundo informações contidas no processo 10875.002415/200171, de acompanhamento da ação judicial pelo Setor de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF/Guarulhos. Em consulta processual ao site do Tribunal Regional da 3º Região, obtémse a seguinte decisão proferida: APELAÇÃO CÍVEL Nº 001106569.2001.4.03.6100/SP 2001.61.00.0110650/SP EMENTA TRIBUTÁRIO IPI INSUMOS NÃO TRIBUTADOS, ISENTOS OU COM ALÍQUOTAZERO PRODUTO FINAL TRIBUTADO COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS ADMNISTRADOS PELA SRF IMPOSSIBILIDADE. A Suprema Corte, mudando seu anterior entendimento sobre a matéria, decidiu pela inexistência de direito a crédito relativo à aquisição de produtos nãotributados, isentos ou tributados com alíquota zero. Prejudicada a questão da atualização monetária. Incabível o aproveitamento de crédito de IPI decorrente da aquisição de bens para compor o ativo fixo. Apelação da União Federal e remessa oficial, tida por ocorrida, providas. Apelação da impetrante prejudicada. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, dar provimento à apelação da União Federal e à remessa oficial, tida por ocorrida, e julgar prejudicada a apelação da impetrante, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 18 de fevereiro de 2010. NERY JÚNIOR Desembargador Federal Relator Constatase, assim, a existência de concomitância entre as esferas administrativa e judicial em relação à alegação de possibilidade de creditamento de IPI sobre as aquisições de insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquota zero e, portanto, deixase Fl. 363DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 364 7 de apreciar o recurso nesta parte. É o que dispõe o Decreto nº 7.574/2011, consolidando as normas do Processo Administrativo Fiscal, em seu art. 87: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. No mesmo sentido, o art. 78, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 e a Súmula CARF nº 1: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No caso, aplicase o disposto no Parecer Normativo Cosit nº 7/2014, que assim concluiu: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; Fl. 364DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 365 8 c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação), de aplicação de pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o InspetorChefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; i) é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; Fl. 365DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 366 9 k) o disposto neste Parecer aplicase de igual modo a qualquer modalidade de processo administrativo no âmbito da RFB, ainda que sujeito a rito processual diverso do Decreto nº 70.235, de 1972; l) a configuração da concomitância entre as esferas administrativa e judicial não impede a aplicação do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, c/c a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 12 de fevereiro de 2014; m) ficam revogados o Parecer MF/SRF/COSIT/GAB nº 27, de 13 de fevereiro de 1996 e o ADN Cosit nº 3, de 14 de fevereiro de 1996. Destarte, deixase de conhecer as alegações relativas à matéria objeto da ação judicial e declarase formalmente a definitividade do lançamento no âmbito administrativo, cabendo à unidade administrativa de origem a verificação do atual andamento processual e os efeitos das decisões vigentes sobre a matéria em questão. Concernente à alegação da necessidade de se manter o creditamento em relação às saídas desoneradas, dela não se conhece, em razão de o lançamento ter sido fundamentado, exclusivamente, na impossibilidade de aquisições de insumos sujeitos à alíquota zero, imunes ou não tributados, não tendo sido alegado qualquer argumento quanto à tributação dos produtos aos quais a recorrente deu saída. Relativamente à alegação da natureza confiscatória da multa aplicada, reitera se a impossibilidade de conhecimento por este Conselho de argüições de inconstitucionalidade, a teor da Súmula CARF nº 2 e que a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% decorre da falta de recolhimento do tributo devido, conforme as disposições do artigo 80 da Lei nº 4.502/642, sendo sua aplicação atividade vinculada e obrigatória por parte da autoridade fiscal, nos termos do artigo 1423 do CTN. . 2 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) 3 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 367 10 Sobre a legitimidade da taxa Selic como juros moratórios, previstos no artigo 61, §3º4 da Lei nº 9.430, de 1996, descabem maiores considerações, conforme decidido no REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, e de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa Selic como juros moratórios é legítima. Diante do exposto, voto para conhecer, em parte, do recuso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) ... § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 367DF CARF MF Processo nº 16095.720151/201177 Acórdão n.º 3302005.302 S3C3T2 Fl. 368 11 Fl. 368DF CARF MF
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Numero do processo: 13982.001173/2001-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/01/1997, 31/12/1998, 31/12/1999, 31/12/2000
ATOS COM ASSOCIADOS - ATOS COOPERATIVOS,
Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais.
Numero da decisão: 1201-001.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Leonam Rocha de Medeiros; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Leonam Rocha de Medeiros; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Leonam Rocha de Medeiros; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 11 73 /2 00 1- 70 Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração, págs. 1.047/1.050, opostos pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), em face do Acórdão nº 10196957 de 15 de outubro de 2008, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte CC, págs. 1.026/1.046. 2. Os embargos foram admitidos. 3. A Embargante aponta omissão: O voto do acórdão recorrido aduz serem cooperados os atos realizados entre o contribuinte e a Cooperativa A1 a partir do momento em que esta incorporou as Cooperativas Santa Lúcia e Arco íris, via sucessão legal. Entretanto, não ficou claro qual o fundamento legal para se considerar como associada ao contribuinte a empresa incorporadora Cooperativa A1. Há dispositivo expresso no estatuto ou na ata de constituição prevendo que a incorporadora de associadas, associada é?! O simples fato de incorporar associadas não lhe dá o condão de se considerar associada. Assim, faltou no acórdão, antes de qualquer outro assunto, qual o fundamento legal para considerar a incorporadora Cooperativa Al como associada? Dessa forma, requer o pronunciamento dessa Câmara sobre o fundamento legal para entender como associada a incorporadora de associadas Cooperativa Al. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 4. Consta do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 49. O presidente da Câmara participará do planejamento da quantidade de lotes a ser sorteada aos conselheiros dos colegiados vinculados à Câmara e dos recursos repetitivos. (...) §5º Os processos que retornarem de diligência, os conexos, decorrentes ou reflexos e os com embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. §6º Os embargos de declaração opostos contra decisões e os processos de retorno de diligência de turmas extintas serão distribuídos ao relator ou redator, independentemente de sorteio Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 4 3 ou, caso relator ou redator não mais pertencer à Seção, o Presidente da respectiva Câmara devolverá para sorteio no âmbito da Seção. 5. Haja vista a extinção da Turma a que pertencia o relator do acórdão embargado, passo à análise e voto. Mérito. 6. Trata o processo de auto de infração exigindo Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, devido à apuração incorreta, com fatos geradores em 31/12/1998, 31/12/1999 e 31/12/2000; e multa isolada pelo não recolhimento de estimativas mensais, com fatos geradores desde 31/12/1997 até 31/12/2000; o contribuinte impugnou o lançamento e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC DRJ/FNS, julgou o lançamento nulo, porque efetuado ao desabrigo de Mandado de Procedimento Fiscal MPF; e recorreu de ofício de sua decisão; a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes CC, págs. 878/895, deu provimento ao recurso de ofício, restabelecendo a exigência; em relação a esta decisão, o contribuinte apresentou Recurso à Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF, de págs. 903/908, no qual cita como processo matriz o de nº 13982.001172/200125, em relação ao qual junta cópia de Acórdão do CC que negou o recurso de ofício da DRJ/FNS, em relação a acórdão de teor análogo (nulidade por falta de MPF, págs. 910/924); a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN apresentou Contrarrazões de págs. 951/962 e apontou que o presente feito não é decorrente daquele; e o Recurso Especial do contribuinte foi negado pela CSRF, Acórdão nº 101132782 de 5 de dezembro de 2005, págs. 965/984. 7. À vista disso, os autos foram restituídos à DRJ/FNS, para análise do mérito; esta proferiu o Acórdão nº 1217.050, de 14 de novembro de 2007, págs. 988/998, considerando o lançamento procedente em parte e, na questão em pauta, sua decisão foi: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL Ano calendário: 1997,1998, 1999,2000 (...) ATOS COM NÃO ASSOCIADOS ATOS NÃO COOPERATIVOS .São considerados atos não cooperativos as operações de aquisições de matéria prima com terceiros, mesmo que em caráter de urgência. ATOS COM NÃO ASSOCIADOS ATOS NÃO COOPERATIVOS São considerados atos não cooperativos as operações de aquisições de matéria prima com Cooperativa não filiada. A incorporação de associados não confere a condição, à incorporadora, de filiada à Cooperativa (autuada). 8. No Recurso Voluntário, págs. 1.013/1.020 contra o Acórdão supra, o contribuinte argumentou: Objetouse na impugnação ser inadequada a interpretação fiscal, pois a Cooperativa era, de fato e de direito, associada da recorrente desde 1° janeiro/2000, pois, sendo incorporadora das Cooperativas Santa Lúcia e Arco íris, e sendo estas filiadas da recorrente ao tempo da incorporação, a Cooperativa A1 sucedeuas nos direitos e obrigações, na data da incorporação. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 5 4 As cooperativas incorporadas eram associadas da recorrente e esse direito não se extinguiu, e sim transmitiuse à Cooperativa Al por via da sucessão legal, processandose mais tarde, por formalidade, o registro de filiação que foi efetuado com efeito retroativo ao dia 01/01/2000. 9. No Acórdão embargado, o relator concluiu: Pois bem, em 1º de janeiro de 2000, a Cooperativa A1, incorporou as Cooperativas Santa Lúcia e Arco Iris, as quais eram filiadas à recorrente e realizavam antes dessa data, transações comerciais com a mesma. Após a incorporação, mais precisamente no período de 01/01/2000, até 16/06/2000, a Cooperativa A1, continuou realizando operações com a recorrente, digase de passagem, as mesmas operações que as cooperativas incorporadas realizavam, ou seja, ainda que a mencionada cooperativa tenha efetuado seu pedido de filiação à recorrente e aceito somente em 16/06/2000, todos os sócios das incorporadas eram filiados à interessada, e continuaram sendo mesmo após a incorporação. Diante disso, é de se aceitar como sendo atos cooperados, todos aqueles realizados entre a recorrente e a Cooperativa A1, a partir do momento em que esta incorporou as Cooperativas Santa Lúcia e Arco Iris, as quais eram regularmente filiadas à defendente. Ou seja, as cooperativas incorporadas eram associadas da recorrente e o direito não se extinguiu por ocasião da incorporação, e sim foi transmitido à Cooperativa Al, por via de sucessão legal, tendo sido formalizado, posteriormente, o registro de filiação. Nessas condições, sou pela exclusão da tributação do resultado das operações realizadas entre a recorrente e a Cooperativa Al. 10. Consta do termo de Verificação Fiscal que a Autuada é cooperativa central, cujas associadas são todas cooperativas que atuam no ramo da agropecuária; portanto, tratase de cooperativa definida no art. 6º, II da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971: Art. 6º As sociedades cooperativas são consideradas: II cooperativas centrais ou federações de cooperativas, as constituídas de, no mínimo, 3 (três) singulares, podendo, excepcionalmente, admitir associados individuais; (...) Dos Associados Art. 29. O ingresso nas cooperativas é livre a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade, desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto, ressalvado o disposto no artigo 4º, item I, desta Lei. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 6 5 § 1° A admissão dos associados poderá ser restrita, a critério do órgão normativo respectivo, às pessoas que exerçam determinada atividade ou profissão, ou estejam vinculadas a determinada entidade. § 2° Poderão ingressar nas cooperativas de pesca e nas constituídas por produtores rurais ou extrativistas, as pessoas jurídicas que pratiquem as mesmas atividades econômicas das pessoas físicas associadas. § 3° Nas cooperativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações, poderão ingressar as pessoas jurídicas que se localizem na respectiva área de operações. § 4° Não poderão ingressar no quadro das cooperativas os agentes de comércio e empresários que operem no mesmo campo econômico da sociedade. Art. 30. À exceção das cooperativas de crédito e das agrícolas mistas com seção de crédito, a admissão de associados, que se efetive mediante aprovação de seu pedido de ingresso pelo órgão de administração, complementase com a subscrição das quotas partes de capital social e a sua assinatura no Livro de Matrícula. (...) Art. 59. Pela incorporação (Obs. de outra cooperativa), uma sociedade cooperativa absorve o patrimônio, recebe os associados, assume as obrigações e se investe nos direitos de outra ou outras cooperativas. Parágrafo único. Na hipótese prevista neste artigo, serão obedecidas as mesmas formalidades estabelecidas para a fusão, limitadas as avaliações ao patrimônio da ou das sociedades incorporandas. (...) Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. 11. O Autuante classificou como atos não cooperativos: Decorre também das aquisições de matériaprima (AVES E SUÍNOS) efetuadas junto à COOPERATIVA A1, CNPJ 03.470.626/000150, no período de 1s de Janeiro a 16 de Junho de 2000, às fls. 648. A relação das cooperativas filiadas, no período, encontrase apensada ao processo às lis. 180 a 182. Quanto as aquisições efetuadas junto à cooperativa A1, cumpre fazer os seguintes esclarecimentos: Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 7 6 Os estabelecimentos de SÃO MIGUEL DO OESTE (SUÍNOS), MARAVILHA E QUILOMBO (AVES) adquiriram matériaprima da COOPERATIVA A1, no período acima mencionado, como se fossem aquisições de cooperativa filiada, entretanto de acordo com a Lei n9 5.764/71 esta não o era, como demonstraremos a seguir. A cooperativa A1 foi criada em outubro de 1999 com 159 filiados, conforme ata de fundação às fls. 161 a 169. Em 01/01/2000 incorporou as cooperativas AGROPECUÁRIA SANTA LÚCIA e REGIONAL ARCO (RIS LTDA, as quais eram filiadas da COOPERCENTRAL (COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE), conforme ata nº 2. às fls. 170 a 171. Portanto a partir desta data estas foram extintas. A partir desta data a cooperativa A1 passou a fornecer matéria prima em seu nome para a COOPERCENTRAL. Esta por sua vez passou a considerar estas aquisições com se fossem de associados. Ocorre que a cooperativa A1 só efetuou o seu pedido de filiação em 15 de Maio de 2000, conforme documento às fls. 160, o qual foi aceito em 16/06/2000, conforme a ata do conselho de administração, às fls. 159. (...) O estatuto da COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE LTDA, o fiscalizado, assim estabelece, às fls, 115: REFORMA ESTATUTÁRIA: "Art. 39 Poderão filiarse todas as cooperativas agropecuárias, singulares, centrais ou federações, que exerçam quaisquer uma das atividades objeto daquela, funcionem legalmente e concordem com o que estabelece este estatuto. § 19 O pedido de ingresso será por escrito e mediante anexação da Ata da Assembléia Geral que aprovou a sua filiação. § 29 Aceita a admissão pelo Conselho de Administração, a filiada adquire os direitos e assume as obrigações deste estatuto, das deliberações tomadas e das imposições legais (grifo nosso); § 3 A admissão se formalizará na assinatura dos representantes legais no Livro de Matricula." Depreendese dos dispositivos legais acima mencionados que para a cooperativa A1 se tornar filiada da COOPERCENTRAL, fezse necessário que aquela manifestasse sua vontade (adesão voluntária) e que esta, por sua vez, aprovasse, através de deliberação do conselho de administração. Assim não fosse não haveria o pedido da cooperativa A1,às fls. 160, e não haveria a aprovação pela COOPERCENTRAL, às fls. 159. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 8 7 Ocorre que estes fatos só ocorreram em 15 de maio de 2000, e em 16 de junho de 2000. 1.1 PROCESSO Nº 13982.001172/200125 12. Com relação ao processo nº 13982.001172/200125, foi apensado ao processo nº 13982.000788/200421, do mesmos contribuinte, no qual a mesma questão foi objeto de Acórdão do CARF nº 1301002.082 (transcrito no exame de admissibilidade anexado às págs. 1.061/1.070) que decidiu: ASSOCIAÇÃO À COOPERATIVA. REQUISITOS Tornarse associado à cooperativa exige não só a manifestação de vontade de ser associado e de sujeitarse à disciplina estatutária da entidade objeto do interesse do pretendente; exigemse, ainda, aprovação do órgão de administração da cooperativa à qual se requer a associação, a subscrição do capital social e a assinatura do Livro de Matriculas. 13. O contribuinte apresentou recurso especial, que foi admitido, porém ainda não foi julgado; no recurso especial se socorre do Acórdão nº 10196.957 da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de 15 de outubro de 2008: CSLL — ATOS COOPERATIVOS — São considerados atos cooperativos aqueles realizados com sociedade cooperativa incorporadora de outras sociedades cooperativas filiadas à Cooperativa (autuada), tendo em vista que as transações continuaram sendo realizadas regularmente. 14. Consta do processo nº 13982.000788/200421, em 18/10/20117, que o contribuinte aderiu ao parcelamento PERT, porém não havia validade até a data. 2 Petição. 15. Em 26/09/2017, a interessada juntou Petição: (...) requerer a desistência parcial dos pedidos formulados no presente processo e renunciar às respectivas alegações de direito nas quais se funda esta demanda, tendo em vista o interesse na inclusão dos débitos objeto da autuação fiscal no Programa Especial de Regularização Tributária – PERT, estabelecido pela MP nº 783/2017. Outrossim, requerse a imediata implementação pela Secretaria da Receita Federal, dos valores reduzidos em sede de julgamento do Recurso Voluntário, no qual acordaram os membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que : a) seja admitida a exclusão da tributação das transações realizadas com a Cooperativa A1; b) seja admitida a exclusão das despesas financeiras da base tributável das receitas financeiras; c) seja excluído o item relativo ao ganho de capital na venda de bens do ativo permanente; e d) excluída a multa de ofício isolada. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 9 8 Por fim, requerse a adesão parcial nos termos da Instrução Normativa RFB 1711/2017 que regulamentou a MP 783/2017, bem como, a implementação das reduções já obtidas, antes da consolidação do débito. 16. Em síntese, não há desistência da questão objeto dos Embargos. 3 Operações com empresa que incorporou cooperativas associadas. Ato cooperativo? Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 18/05/2017 Nº Acórdão 1201001.746 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 COOPERATIVAS. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DIFERENCIADO. ALCANCE. ATOS COOPERATIVOS.O tratamento tributário diferenciado dispensado às cooperativas, conforme previsto no art. 146, III, c da CF não se aplica de forma automática e direta a qualquer ato das cooperativas, mas tão somente aos seus atos cooperativos. Não são as cooperativas que recebem tratamento diferenciado mas os atos cooperativos.A simples aquisição de mercadoria de não associadas no mercado local para posterior exportação, não configura ato cooperativo. 17. Não há decisão da CSRF sobre a questão em debate; há acórdãos divergentes das DRJ e do CC . 18. Cabe entender a disposição do art. 59 da Lei nº 5.764, de 1971, como base legal para a conclusão no Acórdão embargado? Art. 59. Pela incorporação (Obs. de outra cooperativa), uma sociedade cooperativa absorve o patrimônio, recebe os associados, assume as obrigações e se investe nos direitos de outra ou outras cooperativas. 19. No entanto, referido dispositivo se refere a dívidas e direitos de recebimento, ativos e passivos, e não a filiação a cooperativa central. 20. Conta às págs. 161/..., transcrição da Ata NR. 474 Conselho Administração, autenticada pelo Vice Presidente da Recorrente: Aos dezesseis dias do mês de junho de dois mil, às dezesete horas, na sala de reuniões da Presidência da Coopercentral, em Chapecó (SC)t reuniramse os membros do Conselho de Administração da Cooperativa Central Oeste Catarinense Lida, senhores: José Zeferino Pedrozo, Marcos Antonio Zordan e Darci Pedro Hartmann. Iniciandose a reunião o sr. Aury Luiz Bodanese convidou o Sr. Luiz Antonio Lise para fazer a apresentação do balancete do mês de maio/2000, sendo analisado amplamente pelos Conselheiros. Continuando, o Conselho comentou sobre estoques de produtos suínos e aves em nossas unidades industriais, bem como preços praticados no segmento. Na sequência o Sr. Presidente apresentou o pedido de filiação datado de 15/05/2000, com efeitos retroativo à partir de Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 13982.001173/200170 Acórdão n.º 1201001.943 S1C2T1 Fl. 10 9 01/01/2000, da COOPERATIVA A1, que hora incorpora o ativo e o passivo das cooperativas: Cooperativa Agropecuária Santa Lúcia Lida, e Cooperativa Regional Arco Iris Lida, Após discutido foi aceito o pedido de filiação. Nada mais havendo para ser tratado, a reunião foi encerrada lavrandose a presente ata que após lida e aprovada será por todos assinada. Chapecó (SC), 16 de junho de 2000. (Grifouse.) 21. Assim, uma vez que foram cumpridas as formalidades de associação da Cooperativa A1, no período autuado, cabe considerar as operações realizadas entre a autuada e a Cooperativa A1, como atos cooperativos. Conclusão. Voto por acolher e DAR provimento os embargos de declaração, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1107DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002149/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 49 /2 01 0- 31 Fl. 193DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre porém que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Fl. 194DF CARF MF Processo nº 19515.002149/201031 Acórdão n.º 2201004.162 S2C2T1 Fl. 193 3 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito á defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Fl. 195DF CARF MF 4 Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 196DF CARF MF Processo nº 19515.002149/201031 Acórdão n.º 2201004.162 S2C2T1 Fl. 194 5 § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 18186.724582/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 10/04/1982 a 10/12/1983
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA NÃO FIXADOS NA DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. POSSIBILIDADE.
Na atualização do indébito tributário é cabível a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais, denominados de expurgos inflacionários, fixados na Tabela Única da Justiça Federal, aprovado pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de Julho de 2007.
Numero da decisão: 1201-001.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/04/1982 a 10/12/1983 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA NÃO FIXADOS NA DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. POSSIBILIDADE. Na atualização do indébito tributário é cabível a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais, denominados de expurgos inflacionários, fixados na Tabela Única da Justiça Federal, aprovado pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de Julho de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 45 82 /2 01 1- 19 Fl. 596DF CARF MF 2 Relatório Adotase o relatório da decisão de primeira instância, com os complementos necessários: 1. Trata o presente processo de pedido de restituição de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ referente ao período de 10/04/1982 a 10/12/1983, decorrente de Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, no valor já atualizado de R$ 31.078.860,76, conforme o PER nº 41374.09158.250712.1.2.543755. 2. Juntamente com o referido PER, a empresa apresentou também as seguintes DCOMPs: 3. De acordo com o Despacho Decisório (fls 486 a 492), a Justiça Federal decidiu, nos autos da ação judicial nº 00.0943309 (fls 078 a 085), pela restituição da quantia de Cr$ 1.187.165.563, corrigidos da data do efetivo pagamento até o dia 28/02/1986 pela ORTN, e daí em diante pela variação da OTN, e juros de 1% ao mês. 4. Para efetuar a análise do referido pedido, a contribuinte apresentou, após ser intimada, a declaração de rendimentos referente ao exercício 1983, assim como, comprovantes de recolhimento de IR (fls 383 a 460). 5. De acordo com os documentos apresentados, apenas a parcela recolhida em dezembro de 1982 gerou crédito, o qual, convertido em ORTN, totalizou em 31/12/1983 a quantia de 541.677,59 ORTN, conforme quadro da folha 489. 6. Considerando que a decisão judicial (fls 084 a 085) determinou a correção do crédito pela ORTN até 28/02/1986 e na seqüência pela OTN, a fiscalização converteu o valor de 541.677,59 para Cruzados Novos, com a multiplicação pelo Fl. 597DF CARF MF Processo nº 18186.724582/201119 Acórdão n.º 1201001.990 S1C2T1 Fl. 3 3 valor da OTN de janeiro de 1989 (NCz$ 6,17), que totalizou NCz$ 3.342.150,73 em 31/01/1989. 7. Continuando seus cálculos, a autoridade fiscal fundamentou a atualização na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/1997 (para valores pagos ou recolhidos no período de 01/01/1988 e 31/12/1991). Com isso o valor em questão foi atualizado até 31/12/1995, conforme quadro abaixo: 8. Considerando também que a decisão judicial transitada em julgado determina a incidência de juros de 1% ao mês sobre o valor corrigido da causa, a fiscalização calculou que desde 30/12/1982 (data do recolhimento da parcela que originou o crédito) até 31/12/1995 são 156 meses, os quais geram 156% de juros, conforme abaixo: 9. Dessa forma, foi reconhecido crédito no valor de R$ 7.262.976,39, com data de 31/12/1995, sobre o qual incidirá o acréscimo de juros SELIC. 10. Conseqüentemente foram totalmente homologadas as DCOMPs nºs 35907.23303.250712.1.3.543748, 39775.18498.250712.1.3.540012, 11100.12654.231112.1.7.540342, 24140.23816.250912.1.3.542344, 17078.46795.251012.1.3.544387 e 38302.13865.231112.1.3.546720, parcialmente homologada a DCOMP nº 25932.83371.301112.1.3.548500, não tendo sido homologada a DCOMP nº 26249.60062.201212.1.3.548071 (vide folhas 496 a 500). 11. Assim, a contribuinte foi cientificada da referida decisão em 13/11/2014 (vide documento de fl. 504). Inconformada, apresentou manifestação de inconformidade, tempestivamente em 28/11/2014. Tal manifestação está consubstanciada no documento anexado às fls 530 a 540, onde resumidamente argumenta o que segue. Manifestação de Inconformidade 12. A interessada inicia sua defesa com uma narrativa sobre os fatos para, na seqüência, argumentar que a autoridade fiscal deveria ter considerado nos cálculos de atualização do crédito apenas os índices “... previstos no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal conforme entendimento pacificado do E. Superior Tribunal de Justiça, inclusive em sede de recurso repetitivo, e aplicado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais”. 13. A defesa propriamente dita será relatada nos tópicos a seguir. Suficiência do Crédito Reconhecido Judicialmente 14. Alega a contribuinte “... que a diferença entre o valor do crédito reconhecido pelo r. despacho decisório e aquele apontado pela Impugnante no referido pedido de restituição, i.e., R$ 8.357.453,08 (valor histórico em janeiro de Fl. 598DF CARF MF 4 1996, correspondente a R$ 30.309.139,33 em agosto de 2011, mês em que protocolado o pedido de habilitação em tela, e a R$ 31.078.860,76 em julho de 2012, mês em que transmitido o pedido de restituição em referência, tudo conforme fls. 03, 182, 452 e 453) decorre única e exclusivamente dos índices de correção monetária adotados por esta d. Delegacia para a sua atualização”. 15. A interessada destaca que tanto ela quanto a fiscalização partiram do mesmo valor, qual seja, Cr$ 1.187.145.563,00. Tal valor foi atualizado pela autoridade fiscal de acordo com os índices da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/1997: 16. No entanto, a empresa entende que os índices a serem utilizados para a atualização do crédito deveriam ser os aprovados pela Resolução 561/CFJ, de 02/07/2007, de acordo com o entendimento pacificado da Primeira Seção do STJ nos autos do Recurso Especial nº 1.012.903/RJ. 17. Ressalta a contribuinte que, “... em razão desse entendimento pacificado do E. Superior Tribunal de Justiça, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional já inclusive editou o Ato Declaratório nº 10/08, por meio do qual aprova o Parecer PGFN/CRJ nº 2.601/08 e ‘declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007’”. 18. Para corroborar o seu entendimento, a empresa traz julgados do CARF relacionados ao tema e afirma que não resta dúvida sobre a necessidade de reforma do despacho decisório guerreado. 19. Por todo o exposto a interessada requer que a manifestação de inconformidade seja julgada procedente, o direito creditório seja reconhecido e as compensações homologadas. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente conforme decisão assim ementada: INDÉBITOS. CORREÇÃO. Ressalvado comando judicial em contrário, a correção dos indébitos originados no período de 01/01/1988 a 31/12/1991 atenderá ao que dispõe a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/1997, corrigindoos até 31.12.1995. A Fl. 599DF CARF MF Processo nº 18186.724582/201119 Acórdão n.º 1201001.990 S1C2T1 Fl. 4 5 partir de 1° de janeiro de 1996, serão acrescidos juros SELIC e 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Em 31 de agosto de 2016 (Termo à fl. 565), foi solicitada a juntada do Recurso Voluntário (fls. 566 a 582) no qual, foi alegado: "... o Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso Especial n° 1.012.903 e com base no regime do artigo 543C do CPC, já pacificou o entendimento por sua 1ª Seção de que una repetição do indébito tributário, a correção monetária é calculada segundo os índices indicados no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02.07.2007, do Conselho da Justiça Federal. E a Corte Especial do E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do RESP 1.112.524 já decidiu que "a correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita", ... Nesta hipótese, o Regimento Interno deste C. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em seu artigo 62, é expresso no sentido de que este E. Tribunal Administrativo não só pode como deve aplicar aos processos sob julgamento as decisões do Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento realizado nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil, como ocorre no caso da matéria em debate, estabelecendo o parágrafo 2° do referido artigo 62 que tais decisões definitivas dc mérito "deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF'\ "verbis": [...] Outrossim, em razão desse entendimento pacificado do E. Superior Tribunal de Justiça, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ja inclusive editou o Ato Declaratório n° 10/08, por meio do qual aprova o Parecer PGFN/CRJ n° 2.601/08 e ''declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n.° 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007". A respeito do Ato Declaratório n° 10/08 da PGFN entendeu a r. decisão recorrida que o mesmo não tem influencia no caso concreto pois "não consta dos autos nenhum documento que comprove que a empresa, no decorrer do processo judicial tenha Fl. 600DF CARF MF 6 pleiteado judicialmente a utilização dos índices constantes na Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal". Ressaltou ainda a r. decisão recorrida que "o cálculo da restituição/compensação em questão foi realizado com a estrila observância ao que ficou determinado na ação ordinária n° 943.3090, na qual não consta que os índices inflacionários teriam sido determinados judicialmente (...) Dessa forma, coube a aplicação dos índices determinados nas normas administrativas, resultando correto o procedimento adotado". Ocorre que ainda que tal questão (aplicação de índices a título de correção monetária que reflitam a real perda de aquisição da moeda) não tenha sido objeto de discussão na ação judicial, é exatamente por esta razão que deve ser apreciada e decidida na esfera administrativa, evidenciando o referido Ato Declaratório n° 10/08 da PGFN que a matéria já está definitivamente pacificada no sentido defendido pela Recorrente, não havendo qualquer impedimento para que o entendimento do mencionado Ato Declaratório seja aplicado ao caso concreto. Nessas condições, fazse mister o reconhecimento do direito pleiteado pela Recorrente, cm conformidade à pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre a questão e nos termos do referido Ato Declaratório n° 10/08 da PGFN. [...] De fato, como já decidiu o E. Superior Tribunal de Justiça, a correção monetária é mecanismo que visa à mera recomposição do patrimônio, de modo que deve ser calculada por índices que reflitam a real perda do poder aquisitivo da moeda no período, independente de expressa previsão legal, sob pena de ser devolvido à ora Recorrente, mesmo após sagrarse vencedora em ação de repetição de indébito/compensação, valores inferiores àqueles indevidamente recolhidos, em flagrante violação ao direito de propriedade, à coisa julgada e aos princípios que vedam o confisco e o enriquecimento indevido de uma das partes no processo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Admissibilidade. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 18186.724582/201119 Acórdão n.º 1201001.990 S1C2T1 Fl. 5 7 A questão se resume na definição de quais os índices de atualização monetária devem ser aplicados aos créditos que detém a recorrente: se os da Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal ou os da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/1997. É pacífico de que na decisão proferida na ação ordinária n° 943.3090, não constou que os índices inflacionários teriam sido determinados judicialmente. A recorrente argumenta "que ainda que tal questão (aplicação de índices a título de correção monetária que reflitam a real perda de aquisição da moeda) não tenha sido objeto de discussão na ação judicial, é exatamente por esta razão que deve ser apreciada e decidida na esfera administrativa, evidenciando o referido Ato Declaratório n° 10/08 da PGFN que a matéria já está definitivamente pacificada no sentido defendido pela Recorrente, não havendo qualquer impedimento para que o entendimento do mencionado Ato Declaratório seja aplicado ao caso concreto". A questão já foi enfrentada neste colegiado, inclusive em outra Seção de Julgamento, assim como na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, adotase como razões de decidir, os excertos do voto proferido pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, abaixo transcritos, condutor do acórdão nº 3302 003.748 de 29 de março de 2017: Em relação à utilização dos índices de correção monetária integral, denominados de expurgos inflacionários, fixados pelo Poder Judiciário, mas não previstos na legislação tributária, embora tenha suscitado ampla controvérsia no âmbito deste Conselho, quando não determinados na decisão definitiva transitada julgada, a partir do julgamento dos Recursos Especiais nºs. 1.012.903/RJ (Rel. Min. Teori Zavaski, julgado em 8/10/2008) e 1.112.524/DF (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 1/9/2010), submetidos ao Rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do CPC), os quais vinculam os julgamentos deste colegiado, por força do disposto no art. 62, § 1º, II, “b”, do RICARF/2015, a jurisprudência deste Conselho também passou admitir a correção monetária integral do indébito tributário. No caso, não há controvérsia de que a decisão judicial favorável a recorrente, que transitou em julgado em 16/4/1999, proferida no âmbito da Ação Ordinária nº 92.00263593, que tramitou perante a 17ª Seção Judiciária Federal de São Paulo, não determinara a inclusão dos expurgos inflacionários no cômputo dos índices de correção monetária dos créditos pleiteados pela recorrente. Aliás, sequer a matéria foi abordada no referido julgado, consoante se extrai dos relevantes excertos dos julgados colacionados aos autos, extraídos dos autos da citada ação judicial. No âmbito deste Colegiado, o assunto foi abordado com brilhantismo pela i. Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no voto condutor da decisão consignada no acórdão nº 3302002.163. Aqui adotase razão decidir os fundamentos exarados nos excertos extraídos do referido voto, a seguir transcritos: É sabido que a Fazenda Nacional sempre manifestouse ser descabida a aplicação dos índices expurgados para fins de correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos, defendendo que somente seria possível, para este fim, a utilização de índices legalmente Fl. 602DF CARF MF 8 estatuídos e, neste sentido, foram inúmeras as decisões administrativas de 1ª instância de julgamento. Todavia, encontrase pacificado no âmbito do STJ entendimento diverso no sentido de que devem ser incluídos, para fins de correção monetária de indébitos tributários, os percentuais dos expurgos inflacionários verificados na implantação dos planos governamentais, com a orientação de que os índices a serem utilizados para correção dos débitos judiciais serão aqueles constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02/07/2007. Entende o STJ que a incidência da correção monetária decorre de lei (Lei nº 6.988/81), sendo, assim, desnecessária a expressa menção no pedido formulado em juízo, a teor do que dispõe o art. 293 do CPC. Exatamente neste sentido foram as decisões proferidas nos Recursos Especiais nºs. 1.112.524/DF (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 01/09/2010) e 1.012.903/RJ (Rel. Min. Teori Zavaski), submetidos ao Rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do CPC), os quais vinculam os julgamentos deste colegiado, nos termos do art. 62A, do RICARF, cuja ementa do Recurso Especial nº 1.112.524/DF se transcreve a seguir: Recurso Especial nº 1.112.524/DF RECURSO ESPECIAL 2009/00421318 (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 01/09/2010; DJe 30/09/2010): RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: AgRg no REsp 895.102/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 15.10.2009, DJe 23.10.2009; REsp 1.023.763/CE, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.06.2009, DJe 23.06.2009; AgRg no Fl. 603DF CARF MF Processo nº 18186.724582/201119 Acórdão n.º 1201001.990 S1C2T1 Fl. 6 9 REsp 841.942/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 16.06.2008; AgRg no Ag 958.978/RJ, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Quarta Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.06.2008; EDcl no REsp 1.004.556/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 05.05.2009, DJe 15.05.2009; AgRg no Ag 1.089.985/BA, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 19.03.2009, DJe 13.04.2009; AgRg na MC 14.046/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24.06.2008, DJe 05.08.2008; REsp 724.602/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21.08.2007, DJ 31.08.2007; REsp 726.903/CE, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 10.04.2007, DJ 25.04.2007; e AgRg no REsp 729.068/RS, Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em 02.08.2005, DJ 05.09.2005). 2. É que: "A regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença (CPC, 128 e 460) é decorrência do princípio dispositivo. Quando o juiz tiver de decidir independentemente de pedido da parte ou interessado, o que ocorre, por exemplo, com as matérias de ordem pública, não incide a regra da congruência. Isso quer significar que não haverá julgamento extra, infra ou ultra petita quando o juiz ou tribunal pronunciarse de ofício sobre referidas matérias de ordem pública. Alguns exemplos de matérias de ordem pública: a) substanciais: cláusulas contratuais abusivas (CDC, 1º e 51); cláusulas gerais (CC 2035 par. ún) da função social do contrato (CC 421), da função social da propriedade (CF art. 5º XXIII e 170 III e CC 1228, § 1º), da função social da empresa (CF 170; CC 421 e 981) e da boafé objetiva (CC 422); simulação de ato ou negócio jurídico (CC 166, VII e 167); b) processuais: condições da ação e pressupostos processuais (CPC 3º, 267, IV e V; 267, § 3º; 301, X; 30, § 4º); incompetência absoluta (CPC 113, § 2º); impedimento do juiz (CPC 134 e 136); preliminares alegáveis na contestação (CPC 301 e § 4º); pedido implícito de juros legais (CPC 293), juros de mora (CPC 219) e de correção monetária (L 6899/81; TRF4ª 53); juízo de admissibilidade dos recursos (CPC 518, § 1º (...)" (Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery, in "Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante", 10ª ed., Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007, pág. 669). 3. A correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita. Fl. 604DF CARF MF 10 4. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção desta Corte (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários a serem aplicados em ações de compensação/repetição de indébito, quais sejam: (i) ORTN, de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986; (iii) OTN, de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo inflacionário no mês de junho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN, de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE, de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC, de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial, em dezembro de 1991; (x) UFIR, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996 (Precedentes da Primeira Seção: REsp 1.012.903/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 08.10.2008, DJe 13.10.2008; e EDcl no AgRg nos EREsp 517.209/PB, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.11.2008, DJe 15.12.2008). 5. Deveras, "os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicamse, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos" (REsp 66733/DF, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 02.08.1995, DJ 04.09.1995). 6. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/05 (09.06.2005), nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.") (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: RESP 1.002.932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado Fl. 605DF CARF MF Processo nº 18186.724582/201119 Acórdão n.º 1201001.990 S1C2T1 Fl. 7 11 a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, em decorrência da jurisprudência pacificada do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer PGFN/CRJ nº 2601/2008, no sentido de que fosse dispensada a apresentação de contestação, recursos, bem como autorizada a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visassem obter declaração de que era devida, como fator de atualização de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovado pela Resolução nº 561 do Conselho da justiça Federal, de 02 de Julho de 2007, o qual foi aprovado pelo o senhor Ministro da Fazenda para fins da Lei nº 10.522, de 19/07/2002 e do Decreto nº 2.346, de 10/10/97, conforme Despacho publicado no DOU em 08/12/2008, e do qual resultou a emissão do Ato Declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional nº 10, de 1º de Dezembro de 2008. Tal Parecer e Ato Declaratório emitidos na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, igualmente respaldam a presente decisão, tendo em vista o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea “a” do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF). Registrese que esta matéria inclusive já foi objeto de apreciação pela egrégia 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais,por meio do Acórdão nº 930300.248, de 21/10/2009, que mudou o sentido da jurisprudência administrativa em favor dos contribuintes, da lavra do eminente Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Assim, como bem exposto no referido voto, a questão foi submetida e decidida pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, previstas no artigo 543C do antigo CPC, em que foi reconhecida a utilização dos índices inflacionários expurgado. No mesmo sentido, a própria PGFN, por meio do Parecer PGFN/CRJ nº 2.601/2008, recomendou que fossem autorizadas pelo Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, nas ações judiciais que versassem sobre a atualização monetária de débitos judiciais pelos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Fl. 606DF CARF MF 12 Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007, o que culminou com a edição do Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional nº 10/2008, em que manifestada a concordância com a referida proposta. Assim, por força do disposto no art. 62, § 1º, II, alíneas “b” e “c”, e § 2º, do Anexo II do RICARF/2015, aqui devem ser reproduzidos os fundamentos aduzidos nos referidos julgados e Parecer, para reconhecer a aplicação os expurgos inflacionários. Da mesma forma, a 3ª Turma da CSRF vem decidindo a questão, conforme recentes julgados cujos enunciados das ementas seguem transcritos: Acórdão nº 9303003.096: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal. Recurso Especial do Contribuinte Provido Concernente às alegações quanto aos pedidos de compensação, com razão a decisão recorrida, uma vez que não há pedidos de compensação formulados neste processo, mas apenas pedido de restituição, consistindo a alegação estranha a este processo, da qual não se conhece. Acórdão nº 9303003.282: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1990 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE FINSOCIAL RECONHECIDOS EM SENTENÇA JUDICIAL. CÁLCULO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. No presente caso, em razão de expressa previsão em decisão judicial de que os créditos reconhecidos deveriam ser atualizados plenamente, afigurase devida a atualização monetária. Além disso, a partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal. Aplicação do entendimento do E. STJ externado no REsp 1112524/DF, julgado na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, com base na Súmula 62A do CARF. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 18186.724582/201119 Acórdão n.º 1201001.990 S1C2T1 Fl. 8 13 Recurso Especial do Procurador Negado.. Com base nessas considerações, no caso em tela, devem ser aplicados os índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02/07/2007, conforme recomendação expressa no Parecer PGFN/CRJ nº 2.601/2008. Conclusão. Em face do exposto, conheço do recurso para, no mérito, DARLHE provimento. A unidade de origem deverá conferir os cálculos trazidos pela recorrente. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 608DF CARF MF
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