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Numero do processo: 10680.918872/2012-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010
PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não tendo sido a matéria contestada na manifestação de inconformidade, considera-se não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual.
Numero da decisão: 3002-000.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria nulidade da multa de mora e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO. Não tendo sido a matéria contestada na manifestação de inconformidade, considera-se não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual.
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CHEBLY EMPREENDIMENTOS DE PUBLICIDADE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO. Não tendo sido a matéria contestada na manifestação de inconformidade, considerase não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria nulidade da multa de mora e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 72 /2 01 2- 10 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.918872/201210 Acórdão n.º 3002000.053 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de declaração de compensação de pagamento a maior de Cofins, no valor de R$ 15.875,90, relativa ao mês junho/2010 e transmitida por meio de Per/Dcomp em fevereiro/2011 (fls. 26 a 30). A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (DRF/BHE) não homologou a compensação por haver constatado que o pagamento discriminado no Per/Dcomp havia sido utilizado integralmente para a quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação solicitada (fl. 31). A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual esclareceu que, a partir da informação constante no Despacho Decisório de que o crédito utilizado no Per/Dcomp não estava na DCTF da competência declarada, providenciou a retificação das DCTF das competências 06/2010, 09/2010 e 12/2010, de acordo com os valores corretos já declarados na DIPJ/2011 (fls. 2 a 5). A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) proferiu o Acórdão nº 0245.930 (fls. 45 a 48), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que a verificação do DACON anterior ao despacho decisório não evidenciou a existência de pagamento indevido ou a maior e que a retificação de DACON e DCTF após o despacho decisório não eram suficientes para demonstrar a razão do contribuinte. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar em crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 55 a 65), no qual apresentou as seguintes alegações: a) o erro cometido pela contribuinte consistiu em considerar meras transferências bancárias entre contas da contribuinte como se fossem receitas (faturamento) e incluílas, equivocadamente, na base de cálculo da Cofins; b) em não ocorrendo o fato gerador, não surge a obrigação tributária, sendo o mero erro formal da contribuinte insuficiente para embasar a cobrança indevida do tributo; e Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.918872/201210 Acórdão n.º 3002000.053 S3C0T2 Fl. 4 3 c) caso não se entenda pelo reconhecimento do crédito, com a consequente homologação da compensação, a multa de mora deve ser anulada por ser flagrantemente desproporcional e, portanto, inconstitucional e ilegal, caracterizando o confisco vedado pelo art. 150 da CF. A título de prova, juntouse: 1 planilha com os créditos em conta bancária que representam as transferências consideradas equivocadamente como faturamento – competências 06/2012 e 09/2012 (fls. 66 e 67); e 2 extratos bancários do Banco do Brasil e do Banco Itaú, relativos ao mês 06/2010 (fls. 68 a 75). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A situação que ora se analisa trata de um contribuinte que, ao ter negada a homologação de sua declaração de compensação, apresenta uma manifestação de inconformidade na qual alega a ocorrência de erro de cálculo, sem apresentar qualquer explicação sobre a origem ou a natureza do alegado erro, acompanhada da retificação da DCTF e do Dacon, sem juntar, porém, qualquer documento que justifique e demonstre a correção das retificações efetuadas. Apenas agora, em fase de recurso voluntário, esclarece que seu erro consistiu na inclusão na base de cálculo da Cofins de certos valores creditados em sua conta bancária, decorrentes de empréstimos para capital de giro e resgates de títulos, como se fossem receitas das atividades da empresa. E junta extratos bancários que mostram a origem desses depósitos. Tratase, então, de uma discussão sobre o que configura prova, o ônus da prova e o momento para a sua produção. Quanto ao fato de não constituir prova a simples retificação da DCTF e do Dacon após decisão denegatória, desacompanhada de documentação que a ampare, parece não haver dúvida, uma vez que nem a recorrente contestou esse ponto na decisão de primeira instância. Partilhase desse entendimento da DRJ, que tem sua raiz no art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), que assim dispõe: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.918872/201210 Acórdão n.º 3002000.053 S3C0T2 Fl. 5 4 § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Aliese à essa determinação do CTN que a DCTF é o documento que formaliza o cumprimento da obrigação acessória de informar créditos e débitos à Administração em relação aos principais tributos federais, tendo força de confissão de dívida e representando instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme o art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984. Dessa forma, resta indiscutível a necessidade de comprovação do erro que se pretende corrigir por meio de retificação da declaração visando à redução do débito. Relativamente à responsabilidade pelo ônus da prova, pertence ao requerente nas solicitações de restituição, ressarcimento e compensação, uma vez ser ele a alegar o direito perante a Fazenda Nacional. Define o Código de Processo Civil em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre o tema, assim dispõe a Lei nº 9.874, de 1999, que trata dos processos administrativos: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. (grifado) Mas sobre esse ponto parece também não haver divergência, pois o contribuinte, ciente da sua omissão no desenrolar do processo, tenta agora fazer a produção de prova. E aí reside o ponto fulcral deste julgamento. O Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal, dispõe sobre a impugnação ou a manifestação de inconformidade da seguinte forma (que segue o mesmo rito por força do disposto no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.918872/201210 Acórdão n.º 3002000.053 S3C0T2 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo recorrente a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância, considerado o contraditório em toda a sua extensão. Entretanto, quando por sua própria vontade o recorrente não exerce o seu direito, chega ao Colegiado uma discussão esvaziada. Consoante o art. 16 do PAF, preclui o direito do recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior, ou por novos fatos ou razões, trazidos aos autos ou ocorridos após a juntada da manifestação. Ainda, sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição da recorrente em que demonstre, com fundamentos, a ocorrência de alguma das exceções previstas na Norma. Pois bem, nenhuma das condições estabelecidas pelo PAF se faz presente. Tanto o motivo do alegado direito ao crédito quanto as ditas provas somente se deram a conhecer nesta fase, sem qualquer explicação pela apresentação tardia injustificada. Por consequência, configurada está a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal. Para tanto, esperase, ao menos, que o contribuinte tenha tentado demonstrar o seu direito, por meio de alegações substanciais e da juntada de documentação robusta à manifestação de inconformidade, ou seja, que tenha desempenhado sua parte no momento oportuno. Em havendo o contribuinte procedido dessa forma, poderseia conceber o conhecimento da documentação juntada ao recurso voluntário, visando a esclarecer algum ponto ou a reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo natural no decorrer da marcha processual. Mas não é o caso nestes autos. Um segundo aspecto importante para o aceite extemporâneo diz respeito ao valor probatório da documentação apresentada na fase do recurso voluntário. É de conhecimento corrente que a compensação somente pode ser autorizada para os créditos líquidos e certos, por força do art. 170 do CTN. Logo, as provas tardias deveriam se desincumbir dessa tarefa com excelência, de tal forma que não restasse ao julgador senão adotar o caminho proposto pelo contribuinte (considerando que ele houvesse atendido o pressuposto anterior). Sobre esse quesito, a recorrente traz uma planilha de movimentação da conta bancária, com os 5 depósitos em conta bancária que teriam sido acrescidos indevidamente à base de cálculo da Cofins e foram por ela excluídos quando das retificações de DCTF e Dacon. Essa planilha, que se transcreve a seguir, está acompanhada dos extratos bancários (fls. 66 a Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.918872/201210 Acórdão n.º 3002000.053 S3C0T2 Fl. 7 6 75). Na planilha foi informado tratarse de movimentação do ano de 2012, mas esse lapso foi desconsiderado, uma vez estar claro que se refere à 2010. Data Descrição da Movimentação Valores Excluídos Faturamento Planilha 1 08/06 J. Chebly 4.800,00 2 10/06 Banco do Brasil Giro Flex 250.000,00 3 11/06 Itaú (resgate aplicação compromissada) 17.011,43 4 24/06 Banco do Brasil (TED crédito em conta) 150.000,00 5 24/06 Itaú (resgate aplicação compromissada) 100.014,53 Total 521.825,96 1.357.540,38 Diferença Apurada 835.714,42 Os 4 últimos créditos possuem correspondência nos extratos bancários, que demonstrariam que estamos diante de depósitos decorrentes de empréstimo para capital de giro e de resgate de uma aplicação (operação compromissada). No entanto, o primeiro valor, de R$ 4.800,00, não consta dos extratos na data informada, mas sim em 01/06/2010, como valor creditado por MINASBR COM, por meio do Doc 341.0590, sugerindo que, neste caso, ao contrário do que afirma a contribuinte, poderíamos estar diante de receita por serviços prestados. Lembrase que a contribuinte é empresa do setor de publicidade. Uma simples averiguação, realizada em um conjunto tão pequeno de dados já nos aponta uma inconsistência na planilha do contribuinte e que, se confirmada, teria por consequência a certeza de que a retificação realizada no Dacon e na DCTF é equivocada quanto ao depósito de R$ 4.800,00. Ainda que seja valor irrisório diante da totalidade, serve para demonstrar que as provas trazidas não fazem certeza, nem liquidez. O segundo aspecto, também fundamental, é que se consideramos apenas as informações existentes nos autos, não há como saber se tais valores compunham de fato a base de cálculo da Cofins, nem se a sua exclusão acarretaria verdadeiramente a redução da Cofins devida de R$ 40.951,21 para R$ 25.071,46. A recorrente efetua uma alteração que afeta o cálculo da contribuição para todo o período (junho/2010), mas não providencia informações que evidenciam o que alega, como uma memória de cálculo da contribuição, antes e após as exclusões, amparada em documentos contábeis e fiscais revestidos das necessárias formalidades. Em suma, está precluso o direito de apresentação de prova documental e, ainda que assim não fosse, a documentação juntada em fase de recurso voluntário não logra demonstrar o direito da recorrente. Por fim, não conheço da alegação de nulidade da multa de mora, por ser desproporcional e caracterizar o confisco vedado pelo art. 150 da CF, visto que esta matéria não foi refutada na manifestação de inconformidade e não existe previsão legal para inovação das alegações nesta fase processual. Como dito anteriormente, a manifestação de inconformidade é peça fundamental do contencioso administrativo, vez que delimita a lide. O PAF determina que os motivos de fato e direito, bem como as razões e os pontos de discordância sejam mencionados Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.918872/201210 Acórdão n.º 3002000.053 S3C0T2 Fl. 8 7 na manifestação de inconformidade, devendo ser considerada matéria não impugnada aquela que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, nos termos dos seus arts. 16, inciso III, e 17. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer da matéria nulidade da multa de mora e, em relação à parte conhecida do recurso voluntário, negar provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.727523/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1667; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 201 1 200 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.727523/201166 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.257 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de fevereiro de 2018 Assunto PIS DCOMP Recorrente FEDEX BRASIL LOGISTICA E TRANSPORTE S.A. (denominação atual de RAPIDÃO COMETA LOGÍSTICA E TRANSPORTE S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata o presente processo de análise e acompanhamento de DCOMPs transmitidas pela empresa FEDEX BRASIL LOGISTICA E TRANSPORTE S.A., atual denominação de RAPIDÃO COMETA LOGÍSTICA E TRANSPORTE S/A, CNPJ nº 10.970.887/0000102, entre os períodos de 21/09/2009 e 21/10/2009, através das quais pretendeu efetuar compensações de débitos para com a RFB (PIS/COFINS/IRRF), utilizando se de créditos de PIS decorrentes da Ação Ordinária nº 95.00089262, transitada em julgado em 23/08/2005, que se refere a inconstitucionalidade das alterações introduzidas pelos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 27 52 3/ 20 11 -6 6 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10480.727523/201166 Resolução nº 3402001.257 S3C4T2 Fl. 202 2 Decretoslei n°s 2.445 e 2.449, de 1988, na sistemática de apuração do PIS e direito de compensação dos valores indevidamente recolhidos. Por bem consolidar os fatos ocorridos neste processo até o julgamento de primeira instância, colaciono os principais trechos do relatório do Acórdão nº 1052.851, exarado pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) de Porto Alegre (RS), de fls. 131/135: "(...) Analisados os elementos constantes do processo, a DRF de origem anexou Informação Fiscal onde fez relato acerca da análise das DCOMPs e da medida judicial fundamentadora das declarações de compensação, referindo, em especial, à Informação Fiscal produzida no processo nº 19647.020530/200862 (pedido de habilitação de créditos). Foi emitido Despacho Decisório que decidiu reconhecer direito creditório no montante de R$ 463.506,76 e também: a) homologar totalmente as compensações declaradas na DCOMP nº 13547.21399.211009.1.3.578915; b) homologar parcialmente as compensações declaradas na DCOMP nº 03227.99700.210909.1.3.571854; c) não homologar as compensações declaradas na Dcomp nº 38675.01122.191009.1.3.576694; d) determinar fosse efetuada a cobrança dos débitos indevidamente compensados (relacionados). Cientificada em 12/09/2011 (AR de fl. 38) e não se conformando com a decisão administrativa, a contribuinte apresentou em 05/10/2011 manifestação de inconformidade onde inicialmente referiu à decisão administrativa, registrando, a seguir, os seguintes argumentos: Forma de apuração dos créditos e das compensações. Utilização de índices de atualização divergentes e não aplicação de juros de mora determinados em sentença • verificouse que ocorreu pequena diferença entre o valor dos créditos originais apresentados pela empresa e os valores dos créditos originais apurados pela RFB. Essa não explicou no DD a diferença verificada entre os valores de créditos originados até 31/12/1991; • constatouse que os índices de atualização do crédito utilizados pela RFB divergem dos índices de atualização utilizados pela Justiça Federal, o que provocou a redução indevida do crédito da empresa. Solicita que para fins de atualização dos valores recolhidos até 31/12/1991 sejam utilizados os índices de atualização estabelecidos pela Justiça Federal conforme tabela de índices que segue anexa; • a RFB descumpriu comandos determinados judicialmente. O órgão fiscalizador não incluiu, para fins de cálculo de atualização monetária do crédito, os valores relativos aos juros de mora reconhecidos na sentença, à razão de 1% ao mês a partir do trânsito em julgado. Não cabe ao órgão administrativo interpretar a decisão proferida, mas dar cumprimento a ela. Neste sentido, deveria ter incluído nos cálculos de atualização dos créditos o valor relativo aos juros de mora devidos; Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10480.727523/201166 Resolução nº 3402001.257 S3C4T2 Fl. 203 3 • esses procedimentos incorretos levaram à nãohomologação das compensações declaradas e geraram indevida cobrança de débitos que não foram alcançados pelos créditos. Deverão ser refeitos os cálculos de acordo com os índices da Justiça Federal, aplicandose os juros determinados em sentença. Pedido • estando demonstrado que ocorreram falhas na apuração dos créditos da empresa, em descumprimento ao determinado na sentença judicial, requer seja processada sua manifestação de inconformidade, para que, ao final, seja julgada integralmente procedente, determinandose sejam refeitos os cálculos dos créditos, conforme demonstrado, reconhecendose integralmente os créditos pleiteados e homologando se as compensações realizadas. É o relatório. Sobreveio então o Acórdão da DRJ/POA, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentado pela Recorrente, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2009 a 30/09/2009 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. A compensação de créditos de PIS deve ser operacionalizada de acordo com o determinado em decisão judicial transitada em julgado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. APURAÇÃO. IMPLEMENTAÇÃO. Tendo o Órgão de origem implementado os cálculos dos valores de PIS passíveis de compensação com estrita obediência às determinações judiciais, não pode a autoridade julgadora reformulálos. PIS. MEDIDA JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. CÁLCULOS. Não são de ser aceitos cálculos apresentados pela contribuinte quando os mesmos não discriminarem a forma clara e precisa de sua confecção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 06/01/2015, conforme se constata pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital (Portal eCAC), a Recorrente tomou ciência do Acórdão recorrido (fl. 140). Não se conformando com o resultado da decisão, em 05/02/2015 (fl. 142), apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário, valendose dos mesmos argumentos apresentados em sua impugnação, assim resumidos (fls. 142/144): Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10480.727523/201166 Resolução nº 3402001.257 S3C4T2 Fl. 204 4 Aduz que por força da Ação Judicial n° 95.00089262, transitada em julgado em 23/08/2005, solicitou habilitação do crédito no montante de R$ 3.413.762,81 e em seguida efetuou a compensação de tributos devidos a RFB, tais como COFINS, PIS e IRRF, mediante a transmissão de PER/DCOMP. Posteriormente, em revisão de cálculos pela DRF em Recife/PE, foi detectado que o crédito devido era de R$ 1.553.999,13, acrescido dos juros; alega que a Recorrente já havia compensado valores no montante de R$ 3.388.798,62 cuja interpretação fiscal em somente homologar as compensações das contribuições devidas ao PIS, em obediência a Decisão Judicial, de forma a restar um saldo devedor de R$ 2.475.753,06, conforme demonstrativo no corpo recurso; informa que obteve acesso ao parcelamento que alude a Lei nº 12.996 de 18/06/2014, conforme Recibo de Pedido de Parcelamento anexado aos autos à fl. 145, restando um saldo devedor das compensações não homologadas de R$ 640.953,57; que apesar da decisão judicial transitada em julgado ter determinado a compensação de créditos de PIS com débitos de PIS, o art. 74 da Lei n° 9.430/96, permitiu que os créditos decorrentes de ações judiciais pudessem ser compensados com débitos relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB; Ainda que a decisão judicial fosse anterior a Lei n° 9.430/96, esse direito não pode ser negado aos contribuintes, em face do princípio da retroatividade benigna da Lei Tributária. Ao final requer, que seja reconhecido o seu direito e homologado os PER/ DCOMP nº 38675.01122.191009.1.3.576694, em sua totalidade, bem como parcialmente o PER/DCOMP n° 03227.99700.210909.1.3.571854. Os autos foram, então, encaminhados a este CARF e distribuído para este Relator analisar o recurso. Petição Ocorrência de Fato Novo Em 03/02/2015, a FEDEX BRASIL LOGÍSTICA E TRANSPORTE S/A., apresentou junto a DRF em Recife/PE, o Requerimento expondo o seguinte: "(...) Que tempestivamente a Requerente aderiu ao parcelamento especial instituído pela Lei nº 12.996 de 18 de junho de 2014, conforme Recibo de Pedido de Parcelamento Da Lei nº 12.996 de 18 de Junho de 2014 n° 00091799898092129550, de 28/08/2014, aqui anexado". (Grifei). Os documentos (assinados digitalmente) encontramse anexados ao eProcesso às fls. 167/198. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da Admissibilidade dos Recursos O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10480.727523/201166 Resolução nº 3402001.257 S3C4T2 Fl. 205 5 2. Da necessidade de Conversão em Diligência A controvérsia suscitada se refere a análise e acompanhamento de DCOMPs transmitidas pela empresa, entre os períodos de 21/09/2009 e 21/10/2009, através das quais pretende efetuar compensações de débitos com a RFB, utilizandose de créditos de PIS decorrentes da Ação Ordinária nº 95.00089262, transitada em julgado em 23/08/2005. No entanto, verificase nos autos que a Recorrente solicita a desistência PARCIAL do recurso administrativo, em razão da adesão ao parcelamento federal instituído pela Lei nº 12.996 de 18 de junho de 2014, conforme Recibo de Pedido de Parcelamento n° 00091799898092129550, de 28/08/2014 à fl. 145. Consta, na forma do Requerimento de fl. 167, que a Recorrente apresentou PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO, conforme trecho abaixo reproduzido: "(...) Que teve ciência do julgamento do processo 10480.727523/201166 sem que tenha ocorrido a fase de consolidação das modalidades de parcelamento, a Requerente requer em atendimento ao art. 8º, §6º da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 13 de 2014, desistência parcial do Processo indicado, no valor original de R$ 1.834.799,49 (um milhão, oitocentos e trinta e quatro mil, setecentos e noventa e nove reais e quarenta e nove centavos), relativo ao código de recolhimento 5856 (Cofins), do período de apuração 31.08.2009 e vencimento 25.09.2009, cujo valor deverá ser desmembrado do PER/DCOMP n° 03227.99700.2Í0909.1.3.571854". 3. Dos efeitos do Pedido Quando do recurso voluntário a empresa já manifestara que o parcelamento estava em curso, ou seja, em face de consolidação dos débitos. Agora, conforme consta no Requerimento de fl. 167, a Recorrente expressa formalmente o seu pedido de desistência parcial referente ao recurso voluntário apresentado neste processo, por aderir ao parcelamento federal instituído pela Lei nº 12.996, de 2014. Conforme definido pelo art. 78, § 2º e § 3º, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF), quanto aos efeitos de pedido de parcelamento, assim disciplina: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. (grifei). Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10480.727523/201166 Resolução nº 3402001.257 S3C4T2 Fl. 206 6 § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º (...) Grifei. Como em seu Requerimento o Recorrente afirma que PARTE dos créditos discutidos neste processo, foram incluídos no parcelamento, o que implica na aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nas normas expedidas pela Fazenda Nacional, no tocante a parte dos débitos incluídos nesse pedido de parcelamento. Conforme se depreende da leitura do parágrafo 4º do art. 78 do RICARF, o pedido formalizado pelo Recorrente, importa na desistência parcial do Recurso Voluntário e em renúncia ao direito sobre o qual se funda a própria ação, conforme se verifica pela sua petição de fl. 167 e seguintes. Desta forma, em havendo desistência parcial do sujeito passivo, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da DRF/RECIFE/PE, proceda à análise de todos os fatos e se entender necessário poderá intimar a Recorrente para apresentar outros documentos e/ou informações, a critério da fiscalização, com vistas as seguintes providências: (i) promover o apartamento dos valores objeto da desistência parcial apresentada em 03/02/2015 (fl. 167), em virtude da adesão, por parte da Recorrente, ao PARCELAMENTO de Débitos Federal, conforme cópia do Pedido de Parcelamento da Lei nº 12.996, de 18/06/2014, à fl. 169. (ii) discriminar quais créditos tributários constituídos por meio do lançamento de que trata este processo foi objeto do mencionado parcelamento; (iii) há coincidência, mesmo que parcial, entre os tributos objeto da Ação Ordinária nº 95.00089262, transitada em julgado em 23/08/2005 e os tributos lançados no presente processo? Em caso positivo, descriminálos. (iv) por fim, o Fisco deve esclarecer se há (ou não) a existência comprovada do direito aos créditos restantes suscetíveis de serem utilizados na compensação tratados nestes autos. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF, deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados nesta solicitação de diligência, podendo inclusive, manifestarse sobre a possível existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pela Recorrente contestada nos demais itens do Recurso Voluntário (fls. 142/144). Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10480.727523/201166 Resolução nº 3402001.257 S3C4T2 Fl. 207 7 Após concluir os trabalhos e promovendo as informações necessárias, os autos devem retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (Assinatura Digital) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.002625/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/01/1999
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário.
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo.
DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E STJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE.
A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento.
Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG).
Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da a restituição administrativa do indébito.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.902
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso voluntário por intempestivo e, quanto à questão da decadência, conhecer da matéria de ofício para rejeitá-la.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/1997 a 31/01/1999 INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E STJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE. A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG). Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da a restituição administrativa do indébito. Recurso voluntário negado.
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Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E STJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE. A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 26 25 /2 00 7- 01 Fl. 100DF CARF MF 2 do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG). Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da a restituição administrativa do indébito. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso voluntário por intempestivo e, quanto à questão da decadência, conhecer da matéria de ofício para rejeitála. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Como bem apontado pelo Acórdão recorrido, o presente feito tem origem em pedido de restituição (fl. 01), efetivado em 15/06/2007, relativo a crédito da Contribuição ao PIS/ PASEP, abrangendo o período de 06/1997 a 01/1999. Constam também dos autos declarações de compensação relativas ao suposto direito creditório. A autoridade fiscal de origem indeferiu o pleito e, consequentemente, não homologou as declarações de compensação, por meio do despacho de fls. 32/35, tendo em vista o escoamento do prazo de cinco anos, contado da data do pagamento indevido ou maior que o devido, para o pedido da restituição do indébito.. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 41/54), alegando, em síntese, que: i) houve intempestividade nas reedições das Medidas Provisórias que sucederam a de n. 1.212/1996, o que teria criado o chamado "vácuo legislativo", cuja consequência jurídica relevante é que a exação PASEP não teve exigibilidade legal eficaz no Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10935.002625/200701 Acórdão n.º 3402004.902 S3C4T2 Fl. 112 3 período anterior à vigência da Lei n°. 9.715/98; ii) assim, os recolhimentos ao PASEP efetuados entre 06/1997 e 01/1999 seriam indevidos; iii) não se pode falar em extinção, por decadência, do direito à restituição, visto que o STJ decidiu que para tributos lançados por homologação aplicase a tese dos "cinco mais cinco" anos. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no Acórdão da DRJ de Curitiba/PR (fls 63 a 67), cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1997 a 31/01/1999 A PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO UTILIZADO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Cabível a nãohomologação de declaração de compensação, por inexistir o crédito nela vindicado, posto que indeferido o pedido de reconhecimento de direito creditório vinculado. Manifestação de Inconformidade improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho por meio de petição de fls 72 a 96, repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade. Outrossim, apresenta alegação preliminar de nulidade do acórdão recorrido, pois teria sido omisso ao não apreciar a questão da inconstitucionalidade das reedições das medidas provisórias que sucederam a de n. 1.212/1996. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Notificado do julgamento a quo em 01 de março de 2010 (segundafeira), conforme AR de fls 69, a Contribuinte apresentou seu recurso voluntário em 01 de abril de 2010 (quintafeira), ou seja, um dia após expirado o prazo para tal. Em seu recurso voluntário a Recorrente não apresentou qualquer justificativa que poderia alterar o termo final do seu prazo. Pois bem. O próprio Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, estabelece que o prazo para a propositura de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias: Fl. 102DF CARF MF 4 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, tendo o contribuinte apresentado o Recurso Voluntário fora do trintídio legal, não há dúvidas que o presente Recurso é intempestivo, razão pela qual voto no sentido de não conhecêlo. Entretanto, conforme se depreende do relato acima, as questões a serem aqui solucionadas são duas: i) ocorrência ou não de decadência do direito do contribuinte à restituição do indébito; ii) o direito ao crédito pleiteado, com base em declaração de inconstitucionalidade das reedições das Medidas Provisórias que sucederam a de n. 1.212/1996. Uma vez que a decadência constitui matéria de ordem pública, conhecível a qualquer tempo do processo, é de se admitir a sua análise. Isto porque o artigo 63 da Lei n. 9.784/19991 aparta o problema da intempestividade (preclusão temporal) das demais hipóteses de preclusão, admitindo, no seu parágrafo segundo, a revisão de ofício de questões de ordem pública, que não precluem. Ademais, é preciso lembrar que o processo administrativo fiscal deve ser regido pelo princípio da eficiência e da informalidade moderada, o que também leva à conclusão pela necessidade de análise da decadência. Sobre a decadência, é válido lembrar que a questão do prazo para a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação passou por algumas reviravoltas jurisprudenciais. Inicialmente a posição que prevalecia no Superior Tribunal de Justiça (STJ) era a interpretação redacional do artigo 156, VII, do Código Tributário Nacional (CTN), segundo a qual somente com a homologação é que se daria a extinção do crédito tributário e, portanto, o início do computo do prazo para a repetição de indébito do artigo 168. Dessa forma, somandose o prazo de cinco anos para a homologação, com mais cinco anos para a repetição, o contribuinte detinha prazo de dez anos para pleitear a restituição de tributos. Tratavase da conhecida tese dos cinco mais cinco. Contudo, o advento da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005 (LC 118/2005), afirmando que, para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de (artigo 150, § 1º), o STJ reviu a questão. Em seus novos julgamentos (e.g. Recurso Especial 982.985, Relator: Ministro Luiz Fux. Julgamento: 10 jun. 2008. Órgão Julgador: Primeira Turma. Publicação: DJe, 07 ago. 2008), decidiu que não obstante a LC 118/2005 se autointitular interpretativa, evidentemente inovou a ordem jurídica tributária, alterando por completo o entendimento solidificado pelo STJ sobre o prazo prescricional para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação (tese dos cinco mais cinco). 1 Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. § 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. § 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10935.002625/200701 Acórdão n.º 3402004.902 S3C4T2 Fl. 113 5 Dessa forma, foi deliberado que, a partir de sua entrada, passaram a existir dois regimes jurídicos distintos: i) os recolhimentos indevidos feitos a partir da sua entrada em vigor (9 de junho de 2005) passaram a ter como prazo para sua restituição cinco anos contados a partir do instante em que é feito o pagamento antecipado; ii) já os pagamentos indevidos que ocorreram anteriormente à vigência da Lei Complementar 118/05 permanecem sob a disciplina que imperava à época, vale dizer, que a contagem do prazo de cinco anos para a restituição só se inicia a partir da homologação, expressa ou tácita, feita pelo fisco. Este último entendimento apresentado pelo STJ, entretanto, foi parcialmente modificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao analisar a matéria (RE 566.621/RS, Pleno, Relatora Ministra Ellen Gracie. j. 04.08.2011), 2 que entendeu como relevante não a data dos pagamento indevidos, mas sim a dada da formulação dos pedidos de restituição, para a contagem do prazo dos contribuintes. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621, julgado por meio do rito dos recursos repetitivos. Nesse sentido, destaco a ementa do REsp n. 1.269.570/MG: Ementa CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO 2 Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Fl. 104DF CARF MF 6 DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543 B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1269570 / MG, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, Data do Julgamento 23/05/2012, Data da Publicação/Fonte, DJe 04/06/2012 RT vol. 924 p. 802.) Pois bem. No presente caso, o contribuinte indicou no Pedido de Restituição que o indébito era referente a pagamentos efetuados entre 06/1997 e 01/1999. Todavia, o pedido de restituição da Municipalidade somente foi formalizado em 15/06/2007. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10935.002625/200701 Acórdão n.º 3402004.902 S3C4T2 Fl. 114 7 Uma vez que o artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, 3 prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos recursos repetitivos, concluise que está de fato decaído o direito da Recorrente. Afinal, o pedido de restituição foi formulado em 15/06/2007, vale dizer, em data posterior a 09/06/2005, que segundo a jurisprudência acima destacada, é data para a qual já se utiliza o prazo de cinco anos para a contagem do prazo decadencial/prescricional. Como não há nenhum pagamento posterior a 15/06/2002, todo o montante requerido por meio do presente processo administrativo está decaído. Estando fulminado pela decadência o direito à restituição do indébito in casu questão preliminar de julgamento , despicienda a análise do mérito do processo administrativo, que mesmo que fosse favorável à Recorrente, não lhe daria o crédito pretendido. Ademais, o despacho decisório utilizou como fundamento para não homologar as compensações justamente a ocorrência da decadência, sendo portanto essa a questão que circunscreve a lide do presente processo administrativo. Por essas razões que, saliento, é incabível falar em omissão do acórdão guerreado, que justamente por esses motivos não adentrou na questão da alegada falta de amparo legal para a exigência da Contribuição ao PIS no período em apreço. Dispositivo Ex positis, voto no sentido não conhecer do recurso voluntário e, quanto à questão da decadência, conhecer e negar provimento ao pedido da Contribuinte. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 3 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 18186.732727/2015-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade fiscal. O ônus da prova recai sobre o contribuinte, que instado pela autoridade fiscal, deve comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas na declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2002-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Recorrente PAULO HENRIQUE SALVADOR BRAGATO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade fiscal. O ônus da prova recai sobre o contribuinte, que instado pela autoridade fiscal, deve comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas na declaração de ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 73 27 27 /2 01 5- 89 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 18186.732727/201589 Acórdão n.º 2002000.049 S2C0T2 Fl. 97 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2014, ano calendário 2013, tendo em vista a apuração de deduções indevidas com dependentes e de despesas médicas e com instrução , previdência privada e FAPI. O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/36), alegando, em síntese, que faz jus a deduzir os valores declarados e indicando a juntada de documentação comprobatória de todos os valores declarados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) deu parcial provimento à Impugnação (fls. 59/69), mantendo integralmente a glosa da previdência privada e Fapi e parcialmente a das despesas médicas, em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. Apenas a contribuição previdenciária privada comprovadamente paga pelo contribuinte e que preencha os requisitos definidos na legislação do IR é dedutível da base de cálculo do ajuste anual. DEDUÇÕES. DEPENDENTE. Quando comprovada a relação de dependência, deve ser cancelada a glosa correspondente. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Apenas é dedutível da base de cálculo do imposto de renda devido a despesa médica comprovada, relativa ao contribuinte e seus dependentes. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, para o titular e dependentes, observados os comprovantes apresentados e o limite legal de dedução estabelecido para o anocalendário. Cientificado dessa decisão em 20/2/2017 (fl.73), o contribuinte formalizou, em 17/3/2017 (fl.76), Recurso Voluntário (fls. 76/81), no qual apresenta as seguintes alegações: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 18186.732727/201589 Acórdão n.º 2002000.049 S2C0T2 Fl. 98 3 não pode se conformar com a glosa da despesa com a previdência privada e FAPI, uma vez que, além de apresentar o documento comprobatório, o desconto se deu no limite de 12% permitido na legislação. reproduz trechos da autuação, de sua impugnação e da decisão de piso, ressaltando que a contribuição paga foi no valor de R$24.695,35 e o valor deduzido foi de R$21.792,49, em observância ao limite legal de 12% dos rendimentos tributáveis. aduz que o comprovante de rendimentos e a declaração de ajuste demonstram que as informações foram inseridas corretamente como sendo pagamentos efetuados pelo titular. alega que o comprovante e a sua DIRPF deixam claro que a despesa com o Fapi é só dele, não havendo nada relacionado a dependentes. reforça que a despesa com a Previdência Privada e Fapi é do titular Paulo Henrique Salvador Bragato, CPF 094.868.57865, ora recorrente. requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Como o recurso apresentado não estava assinado, a Unidade preparadora intimou o contribuinte para regularização. Em atendimento, recurso de idêntico teor foi anexado às fls. 88/93. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.94). É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 18186.732727/201589 Acórdão n.º 2002000.049 S2C0T2 Fl. 99 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O sujeito passivo recorre apenas quanto à glosa da previdência privada e Fapi. A DRJ manteve a glosa integral do valor declarado, consignando: Houve a glosa integral da dedução com Previdência Privada e Fapi informada por falta de comprovação, conforme solicitado no termo de intimação. Inconformado, assevera o interessado que faz jus à dedução, conforme documentos que anexa. Dispõe o artigo 74 do Regulamento do Imposto de Renda vigente, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/1999: “Art. 74. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto poderão ser deduzidas (Lei n.º 9.250, de 1995, art. 4º, incisos IV e V) I – as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II – as contribuições para entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. § 1º A dedução permitida pelo inciso II aplicase exclusivamente à base de cálculo relativa a rendimentos do trabalho com vínculo empregatício ou de administradores, assegurada, nos demais casos, a dedução dos valores pagos a Fl. 99DF CARF MF Processo nº 18186.732727/201589 Acórdão n.º 2002000.049 S2C0T2 Fl. 100 5 esse título, por ocasião da apuração da base de cálculo do imposto devido no anocalendário (Lei n.º 9.250, de 1995, art. 4º, parágrafo único). § 2º A dedução a que se refere o inciso II deste artigo, somada à prevista no art. 82, fica limitada a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos (Lei n.º 9.250, de 1995, art.11). (grifos acrescidos) Concomitantemente, o art. 83 do mesmo diploma legal preconiza que: “Art. 83. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, e Lei nº 9.477, de 1997, art. 10, inciso I): 5. de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74, 75, 78 a 81, e 82, e da quantia de um mil e oitenta reais por dependente;” (grifos acrescidos) Já os arts. 06 e 07 da Instrução Normativa SRF nº 588/2005 condicionam a dedução da Previdência Privada a contribuições para a Previdência Oficial, excetuandose os beneficiários de aposentadoria ou pensão concedidas por regime próprio de previdência ou pelo regime geral de previdência social, a partir de 01 de janeiro de 2005, in verbis: Dedução das contribuições pagas pela pessoa física Art. 6º As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência complementar e sociedades seguradoras domiciliadas no País e destinadas a custear benefícios complementares aos da Previdência Social, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. § 1º O disposto no caput aplicase, inclusive, às contribuições ao Fapi. § 2º Excetuamse da condição de que trata o caput os beneficiários de aposentadoria ou pensão concedidas por regime próprio de previdência ou pelo regime geral de previdência social, mantido, entretanto, o limite de 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na Fl. 100DF CARF MF Processo nº 18186.732727/201589 Acórdão n.º 2002000.049 S2C0T2 Fl. 101 6 determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. § 3º Os prêmios de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência são indedutíveis para fins de determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. Art. 7º As contribuições para planos de previdência complementar e para Fapi, cujo titular ou quotista seja dependente, para fins fiscais, do declarante, podem ser deduzidas desde que o declarante seja contribuinte do regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observado o disposto no art. 6º. Parágrafo único. Na hipótese de dependente com mais de 16 anos, a dedução a que se refere o caput fica condicionada, ainda, ao recolhimento, em seu nome, de contribuições para o regime geral de previdência social, observada a contribuição mínima, ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(grifos acrescidos) Dito isto, do exame dos documentos acostados aos autos, verificase que o interessado, não obstante ter apresentado o documento de fl. 17, não saneou a irregularidade apontada pela autoridade tributária na Notificação de Lançamento, na medida em que não apresentou comprovação de pagamento de contribuição à Previdência Privada e Fapi, com discriminação dos valores pagos por beneficiário, conforme solicitado na intimação de fl. 45. Desta forma, mantémse a glosa. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o contribuinte defende que o comprovante de rendimentos é hábil e suficiente a fazer a prova exigida. No caso, verificase que, desde o início da ação fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar documento comprobatório da contribuição à previdência privada com especificação do valor pago por beneficiário (fl.45). A decisão de piso julgou improcedente a impugnação nesse tocante justamente em função da ausência de demonstração do valor pago por beneficiário. Ainda que cientificado desses fatos, o contribuinte insiste que o comprovante de rendimentos é suficiente para respaldar seu direito à dedução. Como apontado na decisão de piso, o comprovante de rendimentos não se revela hábil a fazer a prova quanto aos beneficiários do plano de previdência. O documento Fl. 101DF CARF MF Processo nº 18186.732727/201589 Acórdão n.º 2002000.049 S2C0T2 Fl. 102 7 comprova que o contribuinte sofreu o ônus da contribuição, descontada direto em folha de pagamento, mas não quem são os beneficiários. Essa exigência se justifica pelo fato da legislação de regência, reproduzida na decisão de piso, impor regras e limitações para a dedutibilidade dessas contribuições. Em consulta efetuada no sítio da instituição beneficiária do pagamento, verificase que a Infraprev administra, além de outros, planos voltados aos familiares dos participantes, como se demonstra abaixo (consulta efetuada em 9/3/2018): Planos de Benefícios O Infraprev administra o Plano de Contribuição Variável (Plano CV), com mais de 95% dos participantes, o Plano de Contribuição Definida (Plano PAI I), associativo, voltado aos familiares e dois planos de Benefício Definido (BDI e BDII) fechados ao ingresso de novos participantes. ... Sobre o Plano O Plano Associativo Infraprev I (PAI I), também conhecido como Plano Anei, tem o objetivo de acumular recursos financeiros para todos aqueles que são importantes para você cônjuges, filhos, netos, sobrinhos, primo, cunhado, nora, genro. Garante uma renda adicional que pode ser usada para aposentadoria ou para realizar um sonho de curto, médio ou longo prazo. O valor do benefício é o resultado da soma das contribuições mensais, acrescido do retorno dos investimentos do Infraprev. Para aderir ao plano, empregados da Infraero; participantes do Infraprev; aposentados e pensionistas devem estar associados à Associação Nacional dos Empregados da Infraero (ANEI) para indicar seus beneficiários. Veja como participar do Plano em Associese. (destaques acrescidos) Esclareçase que as normas que estabelecem deduções da base de cálculo do imposto de renda têm o efeito de excluir uma parcela do rendimento do contribuinte que, normalmente, seria tributada; conseqüentemente, constituem verdadeiras isenções tributárias. No direito tributário, e mais especificamente na legislação do imposto de renda, a regra é a da universalidade da tributação; assim, qualquer exclusão a esse princípio constitui norma excepcional, e dessa forma deve ser tratada. Assim, não tendo o contribuinte se desincumbido a contento do ônus de comprovar que faz jus a deduzir o valor declarado, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 18186.732727/201589 Acórdão n.º 2002000.049 S2C0T2 Fl. 103 8 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relator Fl. 103DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720228/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento a Dra. Maria Carolina Gomes Sampaio OAB/MG 103.400, escritório Rolim, Viotti e Leite Campos.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento a Dra. Maria Carolina Gomes Sampaio OAB/MG 103.400, escritório Rolim, Viotti e Leite Campos. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO O presente processo trata de pedido de restituição de créditos de Cofins dos períodos de apuração de junho/1999 a fevereiro/2006, no valor total de R$ 214.182.086,53, decorrentes de decisão judicial transitada em julgado nos autos da Ação Rescisória nº 2006.01.00.0107238/MG (fls. 2/5). Esse crédito foi utilizado para a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 22 8/ 20 14 -8 1 Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 3 2 compensação de diversos débitos por meio de declarações de compensação transmitidas entre 18/03/2014 e 03/10/2014 (fls. 323/354 e 1.173/1.176). O “Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado” anteriormente formulado pelo interessado foi deferido no Processo nº 16327.720138/201490 (fls. 6/9). A Deinf/SPO/Diort, após apreciar o pedido de restituição e as compensações declaradas, proferiu o Despacho Decisório de fls. 1.237/1.244, no qual decidiu pelo deferimento parcial do pedido de restituição, reconhecendo o direito creditório no valor original de R$ 30.347,19, e pela consequente homologação parcial das compensações declaradas na Dcomp nº 08932.75468.180314.1.3.540253 e não homologação das compensações declaradas nas Dcomps nºs 01764.20190.300414.1.3.541873, 26981.97149.120514.1.7.542875, 22038.24484.300514.1.3.544809, 16376.51311.280714.1.7.544203, 17941.53741.170614.1.3.545865, 15782.82011.180714.1.3.541360, 26252.63043.200814.1.3.544623 e 10246.27445.031014.1.7.545305. No Despacho Decisório também se decidiu pelo lançamento de ofício de multa isolada de 50% sobre os valores dos créditos da Cofins utilizados nas respectivas Dcomps cujas compensações não foram homologadas, à luz do disciplinado pelo art. 45, §1º, inciso I, da IN RFB nº 1.300/2012. Na Ação Rescisória nº 2006.01.00.0107238/MG, impetrada contra o Acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança Preventivo nº 1999.38.00.0212911/MG, que havia mantido a cobrança da Cofins nos termos do art. 3º e §1º da Lei 9.718/98, o TRF da 1ª Região julgou procedente o pedido, concedendo à impetrante o direito de calcular a Cofins afastandose o §1º do art. 3º da Lei 9.718/98, com a adoção da sistemática anterior estabelecida no art. 2º da Lei Complementar (LC) nº 70/91. Tal decisão transitou julgado em 06/04/2009. Constam desses autos documentos da ação judicial nas fls. 53/321. A autoridade a quo destaca que, na medida judicial em questão, o contribuinte não formulou pedido específico para que fossem delimitadas expressamente as receitas que se enquadrariam na base de cálculo da Cofins após o afastamento em definitivo do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, ou seja, o interessado não requereu que suas receitas de intermediação financeira, rendas de arrendamento mercantil, rendas advindas de aplicações financeiras de liquidez e de títulos e valores mobiliários fossem classificadas como não operacionais e, estivessem, portanto, fora da composição da base de cálculo da Cofins. Diante da ausência de requerimento expresso para que fossem detalhadas as receitas tributáveis a serem enquadradas no conceito de prestação de serviços, o Judiciário não deliberou acerca desse ponto. Assim, a composição das receitas passíveis de tributação pela Cofins foi delimitada com base no Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007. O Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, posteriormente reiterado pelas Notas PGFN/CRJ nº 178/2009 e nº 842/2009, conclui que a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, não impede que o PIS e a Cofins incidam sobre as receitas decorrentes dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras, empresas de capitalização, gestoras de ativos, sociedades de arrendamento mercantil e pelas seguradoras, só sendo excluídas da base de cálculo das contribuições as receitas não operacionais. Assim, Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 4 3 as receitas de intermediação financeira, com títulos de capitalização, títulos e valores mobiliários e receitas de aplicações interfinanceiras de liquidez e prêmios de seguros auferidas classificamse como receitas vinculadas à atividade fim dessas pessoas jurídicas, ou seja, estão diretamente relacionadas ao seu objeto social, e devem ser tributadas. Não há, portanto, pagamento indevido de Cofins incidente sobre as receitas operacionais, bem como o direito à compensação desses valores. No cálculo do montante a ser restituído e compensado foi reconhecido o direito à exclusão das receitas não operacionais da base de cálculo da Cofins. Cientificado do Despacho Decisório em 04/02/2015 (fl. 1.254), o contribuinte apresentou, em 05/03/2015, a manifestação de inconformidade de fls. 1.257/1.289, acompanhada dos documentos de fls. 1.290/1.507, com os argumentos a seguir sintetizados. Inicialmente, relata e transcreve as decisões proferidas no curso da Ação Rescisória nº 2006.01.00.0107238, ajuizada contra o Acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.021291 1. O Acórdão do TRF proferido naquela ação transitou em julgado favoravelmente ao contribuinte em 06/04/2009, sendo julgado procedente o pedido rescisório e declarado o direito à compensação da Cofins recolhida a maior desde fevereiro de 1999. Em seguida, explica que o crédito apresentado para habilitação e posterior compensação corresponde aos pagamentos a maior da Cofins decorrentes da diferença entre os valores recolhidos sobre a totalidade de suas receitas, como previa a Lei nº 9.718/98, e aqueles calculados sobre o seu efetivo faturamento, qual seja, receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias. Após transcrever a fundamentação utilizada para não homologar integralmente as compensações, afirma que autoridade fiscal desconsiderou totalmente e por isso ofendeu a decisão transitada em julgado, que expressamente determinou que a base de cálculo da Cofins fosse calculada com base no faturamento, tal qual previsto na legislação anterior à Lei nº 9.718/98, ou seja, como consignado na LC nº 70/91. Preliminarmente, requer a conexão do presente processo ao PAF nº 16327.721033/201458, no qual está sendo discutida a cobrança de multa isolada no montante de 50% do valor do débito não compensado, para que ambos sejam julgados em conjunto, pois o que for decidido nestes autos poderá afetar a cobrança da multa lançada. Argumenta ser falha a interpretação posta no Despacho Decisório de que o STF teria adotado posicionamento de que o PIS e a Cofins podem incidir sobre receitas operacionais das pessoas jurídicas relacionadas às suas atividades principais, sendo inconstitucional apenas sua incidência sobre as receitas não operacionais, como a receita de aluguel de imóveis ou de alienação de ativos. Além do Tribunal não ter se manifestado sobre a tributação ou não das atividades operacionais das pessoas jurídicas, o Despacho Decisório ignorou que o Acórdão transitado em julgado dispôs expressamente que deve ser observada a base de cálculo prevista no art. 2º da LC nº 70, de 1991 (e não os dispositivos da Lei nº 9.718/98), que prevê de forma clara que faturamento deve ser entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, sem qualquer menção à atividade principal da pessoa jurídica ou às receitas operacionais. Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 5 4 O Parecer PGFN/CAT nº 2.273/2007 e o Despacho Decisório imputam às decisões do STF e à própria LC nº 70/91 afirmação que não está lá, no sentido de que o faturamento corresponderia à receita operacional das pessoas jurídicas. Dessa forma, é totalmente insubsistente a alegação do Despacho Decisório de que, como não teria formulado pedido específico para que suas receitais financeiras fossem classificadas como não operacionais e estivessem fora da composição da base de cálculo da Cofins, seria devida a contribuição sobre essas receitas. O pedido expresso foi no sentido de recolhimento da Cofins com base na LC nº 70/91, a qual já delimita a incidência da contribuição apenas sobre as vendas de mercadorias e serviços. Não sendo as receitas de operações de instituições financeiras advindas da venda de mercadorias e serviços, obviamente estão fora do campo de incidência da Cofins. Lembra que quando se pretendeu exigir das instituições financeiras o PIS sobre base de cálculo diversa do faturamento, previuse expressamente na legislação uma grandeza diversa de “receita de prestação de serviços e venda de mercadorias”, como no caso do Fundo Social de Emergência , em que se estabeleceu que a base de cálculo do PIS seria a “receita bruta operacional nos termos da legislação do imposto de renda”, conceito que procurava expandir a base de cálculo para além do simples “faturamento”, como disposto no art. 2º da LC nº 70/91. Transcreve, em seguida, trechos dos Pareceres de dois juristas sobre o tema (íntegra em anexo), os quais concluem não ser possível a equiparação das receitas oriundas das atividades empresarias com as receitas de vendas de mercadorias e da prestação de serviços para a delimitação do conceito de faturamento e sobre a impossibilidade de se diferenciar esse conceito em relação a determinado segmento econômico para permitir a tributação de receitas distintas das obtidas de vendas e prestação de serviços. A fiscalização olvidou que a Procuradoria da Fazenda Nacional empreendeu todos os esforços para fazer prevalecer nos autos da ação judicial o entendimento manifestado no parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, mas os recursos por ela interpostos foram todos desprovidos, tendo prevalecido o Acórdão do TRF da 1ª Região. A PGFN reconheceu em seu Recurso Extraordinário que o referido Acórdão havia autorizado a apuração da Cofins com base na receita de prestação de serviços (faturamento) sem considerar o valor das receitas financeiras e por esse motivo incluiu um tópico em seu recurso chamado “Inaplicabilidade das decisões proferidas no STF ao caso em tela”, para tentar reformar o Acórdão e ampliar o alcance do termo faturamento, como se ele englobasse todas as receitas decorrentes do objeto social da empresa. Portanto, o Despacho Decisório vai de encontro ao que a própria PGFN afirmou em juízo acerca do conteúdo do Acórdão proferido pelo TRF da 1ª Região, ou seja, que esse Acórdão viabiliza “que as Autoras/Recorridas se furtem ao pagamento da Cofins sobre as receitas de suas atividades típicas”. Assim, operouse a preclusão consumativa em relação à discussão trazida pelo fisco, pois não é juridicamente possível trazer argumentos já discutidos na via judicial para tentar mitigar a coisa julgada na esfera administrativa, pois esses argumentos não tiveram força para impedir a sua efetivação. A esse respeito, cita os arts. 473 e 474 do CPC. Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 6 5 Traz, sobre o tema, decisões judiciais do STJ e do TRF da 3ª Região e Reclamação interposta pela União ao STF. Apresenta também decisões do CARF que adotaram o mesmo entendimento que defende, nos quais foi expressamente reconhecida a impossibilidade de revisão da coisa julgada, resguardandose o direito da entidade financeira de recolher o PIS sem a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição. Conclui que, nos termos da decisão judicial, a base de cálculo da Cofins não deve ser extraída da interpretação do fisco sobre os demais dispositivos da Lei nº 9.718/98 não declarados inconstitucionais, mas unicamente do art. 2º da LC nº 70/91, que delimita de forma rígida quais receitas devem ser computadas no conceito de faturamento. Em outro tópico, explicita o conceito de faturamento de acordo com a jurisprudência do STF (valor das receitas decorrentes de operações de venda de mercadorias, em conta própria ou alheia, e operações de prestação de serviços), ressaltando que até o advento da Lei 9.718/98 as diversas normas exaradas pelo legislador respeitaram esse conceito. Registra os entendimentos adotados por esse Tribunal no julgamento da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada definitivamente em 09/11/2005 quando do julgamento dos Recursos Extraordinários (RE) nºs 346.084, 390.840, 358.273 e 357.950. Destaca o voto do Ministro Marco Aurélio, relator do recurso considerado o leading case, que definiu faturamento como “... o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita de natureza diversa.” Ressalta que o STF, nos diversos julgados, não fez distinção sobre a variedade de ramos de atividade econômica dos contribuintes, determinando, de forma indistinta, que faturamento equivale à receita decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, e também não utilizou os conceitos de receita operacional e não operacional como forma de diferenciação entre faturamento e receita bruta. Traz o voto de outros Ministros, enfatizando que todos eles tiveram esse entendimento sobre o conceito de faturamento, válido também para as instituições financeiras. A definição constitucional não pode abranger situação em que não está se cobrando preço, nem celebrando negócio de natureza bilateral e contraprestacional. Não é o fato de determinada receita resultar da exploração do objeto social da pessoa jurídica que se está diante de faturamento. A legislação fiscal, ao dispor que o lucro operacional da empresa é o resultado das suas atividades normais, não autoriza cobrança da Cofins sobre os ingressos decorrentes das atividades típicas, pois, nesse caso, estariase restaurando, ainda que parcialmente, a eficácia do §1º do art. 3º da Lei nº 9.178/98, julgado inconstitucional. O STF interpretou a expressão receita bruta presente do caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98 de forma a estreitar o seu entendimento até fazê lo coincidir com a noção de faturamento como aquele decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias. E os §5º e 6º desse artigo, não declarados inconstitucionais, tratam de exclusões da base de cálculo que só fazem sentido se fosse aceita pelo STF uma base de cálculo ampla e irrestrita. No entanto, foi considerada inconstitucional a inclusão de todas as receitas na base de cálculo da contribuição. Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 7 6 Volta a afirmar que a fiscalização ignora o decidido no seu caso concreto, que, muito além de declarar este ou aquele artigo da Lei nº 9.718/98 inconstitucional, decidiu que a receita bruta a que se refere a Lei engloba tãosomente as vendas de mercadorias e serviços, como consignado na LC nº 70/91. Aborda ainda o reconhecimento pelo STF em repercussão geral do RE nº 609.096, em que se discute a composição da base de cálculo do PIS/Cofins para as instituições financeiras. Entende que o STF identificou uma nova discussão e que, mesmo se decidido em favor da União, não poderá haver aplicação ex tunc sobre sentenças transitadas em julgado há mais de dois anos que tenham entendimento contrário ao eventual novo posicionamento do Tribunal, como no caso concreto. Destaca que a MP nº 627/2013, convertida na Lei nº 12.973/2014, definiu que o conceito de receita bruta operacional de que trata o art. 12 do Decretolei nº 1.598/97 passará a compreender também “as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não compreendidos nos incisos I a III”, o que corrobora o entendimento de que a LC nº 70/91 nunca previu a incidência do PIS/Cofins sobre as receitas decorrentes das atividades principais da pessoa jurídica. A citada Lei também alterou o art. 3º da Lei nº 9.718/98. Assim, somente a partir de 01/01/2015, quando a Lei nº 12.973/2014 entrou em vigor, a receita bruta operacional passou a ser não apenas aquela decorrente da venda de bens e serviços, como pacificado pelo STF, mas toda a receita do objeto social das empresas, ou seja, até essa data, a receita operacional não compreendia a base de cálculo das instituições financeiras. Caso contrário, seria inútil a referida alteração prevista na Lei nº 12.973/2014. Transcreve a manifestação do relator da MP nº 627/2013 no processo legislativo da sua conversão em Lei, que afirmou que essa MP trazia “fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário”, reconhecendo que antes da alteração em questão não havia que se falar em exigência do PIS/Cofins sobre as atividades principais da pessoa jurídica. Reproduz também manifestação da Consultoria Tributária da Câmara dos Deputados sobre as inovações da MP. Conclui que a MP nº 627/2013 e a Lei nº 12.973/2014 vieram alterar o ordenamento jurídico com a desvinculação da base de cálculo do PIS/Cofins ao faturamento e a tributação das receitas operacionais, mas apenas após a vigência da Lei. E se o STF entender que antes dessa alteração legislativa a base de cálculo do PIS/Cofins compreendia as receitas operacionais, esse entendimento não será aplicável, tendo em vista o trânsito em julgado da Ação Rescisória. Por fim, requer seja acolhida a sua defesa para que seja reformado o Despacho Decisório e homologadas todas as compensações declaradas; seja outorgado à manifestação de inconformidade o efeito de suspender a exigibilidade do crédito tributário; e seja reconhecida a conexão com o processo nº 16327.721033/201458. AUTO DE INFRAÇÃO – PROCESSO Nº 16327.721033/201458 Em decorrência da não homologação das compensações de que trata o presente processo, foi lavrado Auto de Infração para a exigência de multa isolada, que deu origem ao processo administrativo nº 16327.721033/201458, em apenso. Ressaltese que todas as referências a números de folhas feitas neste item do relatório se referem ao processo apenso. Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 8 7 No Termo de Verificação Fiscal (fls. 3/7), a fiscalização, após citar os arts. 113, 114, 139 e 144 do CTN, sustenta que a aplicação de multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada encontrase expressamente prevista no art. 74, §17, da Lei nº 9.430/96, alterado pela Lei nº 12.249/2010, em vigor no período em que as compensações foram declaradas (18/03/2014 a 03/10/2014). A matéria foi regulamentada à época pela IN SRF nº 900/2008, em seu art. 38, §1º, inciso I. A mesma previsão encontrase no art. 45 da IN RFB nº 1.300/2012, atualmente em vigor. A penalidade pecuniária tem como fato gerador o ato de promover a compensação posteriormente não homologada, ou seja, considerase ocorrido o fato gerador da multa isolada na data de apresentação da Declaração de Compensação, pois neste momento houve a transgressão de norma previamente estabelecida, a qual exige o aproveitamento de crédito líquido e certo, passível de restituição. A base de cálculo para lançamento da multa isolada corresponde ao total do crédito utilizado, o que equivale ao total do débito expressamente confessado na Declaração de Compensação, com os respectivos acréscimos legais cabíveis. O cálculo da multa isolada foi efetuado no percentual de 50% sobre os valores das compensações não homologadas, totalizando o montante de R$ 6.477.451,14. Cientificado da autuação em 19/12/2014 (fl. 18), o contribuinte apresentou, em 13/01/2015, a impugnação de fls. 22/46, acompanhada dos documentos de fls. 48/82, na qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Inicialmente, relata os fatos que levaram à emissão do Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações pleiteadas de créditos de Cofins decorrentes do trânsito em julgado da Ação Rescisória nº 2006.01.00.0107238/MG. Sobre o presente lançamento, diz que a nova multa isolada de 50%, prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é incompatível com a sistemática da compensação por homologação, porque inexiste dano a ser penalizado (já que o débito não compensado será cobrado) e porque essa sistemática já contempla penalidade específica para a não homologação do crédito, o que implica dizer que a multa isolada representa uma dupla penalidade. Ademais, essa multa implica abusiva limitação ao direito de petição, à ampla defesa e ao contraditório e ao próprio direito de pleito à compensação do indébito, em franca violação dos princípios da boafé, moralidade e proporcionalidade, além da vedação ao não confisco. No lançamento por homologação, é imprescindível o mecanismo da compensação tributária para corrigir eventuais erros no cálculo e no recolhimento do tributo, de forma a assegurar uma rápida e eficaz recuperação do indébito tributário e a evitar o enriquecimento ilícito da Administração e erros que impliquem a perda da arrecadação de tributos devidos. Apesar da autorização, prevista no art. 170 do CTN, para que cada ente, de acordo com a sua conveniência, institua o procedimento de compensação, essa competência está vinculada ao princípio da legalidade e ao crivo da constitucionalidade. Em seguida, descreve as multas previstas na atual sistemática da compensação (multa de mora de 20% e multa isolada de 150%) e afirma que a partir da Lei nº 12.249/10 foi instituída nova modalidade Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 9 8 de multa isolada no percentual de 50% sobre o débito não compensado, que deve ser aplicada mesmo nos casos de mera divergência de entendimento entre o contribuinte e a Receita sobre a existência ou o valor do crédito, sem qualquer suspeita de falsidade na declaração do contribuinte. No caso de a compensação não ser homologada, inexiste dano, uma vez que o fisco irá cobrar os valores não homologados. A ampliação do campo de aplicação da multa isolada implica a dupla penalização do contribuinte pelo suposto cometimento de uma única infração, contrariando a sistemática da compensação e da imposição de penalidades. Salienta que o STJ há muito pacificou o entendimento de que não há distinção entre a multa moratória e a punitiva, sendo ambas penalidades impostas em razão de uma infração. Assim, a exigência cumulativa das multas de 20% e 50% é inadmissível e caracteriza o bis em idem, por se tratarem de duas multas aplicáveis sobre uma única infração/obrigação, isto é, a suposta falta de recolhimento do imposto. A eventual não homologação da compensação, que é uma conduta lícita, já é suficientemente punida pela multa de 20%, além de o débito decorrente não poder ser objeto de novas compensações e ficar sujeito à inscrição em dívida ativa e cobrança imediata, o que implica o risco de inclusão do contribuinte no Cadin e impossibilidade de renovação da sua certidão de regularidade fiscal. Portanto, não há qualquer fundamento razoável capaz de justificar a imposição de tal penalidade, quando não se constata a intenção de burlar a legislação tributária. Cita entendimento do STF sobre o tema e defende que não se pode admitir a cobrança da multa isolada no caso concreto. Argumenta que o lançamento da multa isolada, ainda que não seja considerada bis in idem, implica violação ao direito de petição, ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório, previstos constitucionalmente, uma vez que inibe a busca de crédito pelo procedimento de compensação, na medida em que impõe que uma conduta lícita possa ser severamente punida. O direito de petição dá ao particular a faculdade de reivindicar e exigir soluções e impede o Poder Público de impor sanções por não aprovar ou acolher o simples requerimento realizado. Ao aplicar a multa de 50% como resposta a esse direito, o fisco viola o direito de petição e o próprio direito à compensação, na medida que impõe uma multa em razão da mera pretensão de compensação de débitos declarados/confessados, que podem ser exigidos imediatamente, com valores recolhidos indevidamente ou a maior. Transcreve decisão do TRF da 4º Região que declarou inconstitucionais os §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Lembra também que está em trâmite no STF a ADI nº 4.905 ajuizada pela Confederação Nacional das Indústrias no mesmo sentido. Reafirma que o contribuinte não pode ser penalizado por ato legitimamente permitido (requerer a compensação), ou seja, por ato não infracional, e por divergir do fisco quanto aos valores objeto da compensação, uma vez que se trata de interpretação da legislação tributária, de ampla complexidade, o que causa inúmeras controvérsias acerca de valores. Essa divergência não pode ser considerada má fé do contribuinte, a qual justificaria a imposição da multa isolada de 150%, mas nunca a de 50%. Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 10 9 Salienta que a RFB noticiou a redução considerável dos pedidos de compensação após a entrada em vigor da nova multa, o que demonstra a intimidação dos contribuintes e o manifesto cerceamento do seu direito de petição. Argumenta ainda que a multa isolada de 50% não é razoável e claramente desproporcional. Como o simples pedido de compensação não implica qualquer prejuízo à Administração, que poderá exigir os valores correspondentes às compensações não homologadas imediatamente, a imposição da multa isolada de 50% acrescida da multa de 20% caracteriza a natureza de sanção política daquela, o que é abominado pela ordem constitucional. A indução ao pagamento de uma exação mediante interdição ou restrição ao direito dos contribuintes é um tratamento estatal arbitrário e inadmissível num Estado Democrático de Direito. A exigência dessa multa carece de plausibilidade jurídica, pois cria uma penalidade completamente desvinculada da prática de um ilícito, de forma atentatória à moralidade, além de representar embaraço ao exercício de um direito constitucionalmente assegurado. A inequívoca desproporção entre o desrespeito à norma e a consequência jurídica (a multa) evidencia também o caráter confiscatório da punição, atentando contra o patrimônio do contribuinte. A multa fiscal não pode ser transformada em instrumento de arrecadação, devendo guardar proporção com a gravidade da conduta. Sobre o assunto, cita jurisprudência do STJ. Assim, diante da inconstitucionalidade e da ilegalidade da multa isolada de 50%, que viola o direito à compensação de forma desarrazoada e desproporcional, deve ser cancelado integralmente o Auto de Infração. No item “Impossibilidade da aplicação de multa isolada – suficiência dos créditos de Cofins para liquidar as compensações”, o contribuinte reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas, já relatados anteriormente. Por fim, requer seja cancelado o Auto de Infração, seja porque a multa isolada de 50% não é compatível com o instituto da compensação, além de violar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, ou porque possui créditos suficientes para a homologação de todos os Per/Dcomps transmitidos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/06/1999 a 28/02/2006 INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras e assemelhadas. As receitas oriundas da atividade operacional, incluindo as receitas de intermediação financeira, compõem o faturamento Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 11 10 dessas entidades e a base de cálculo da Cofins, já que são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A aplicação da multa isolada de 50% calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada encontrase expressamente prevista na legislação que rege a matéria, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo afastála. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Trata o presente processo de discussão acerca da base de cálculo das contribuições a ser utilizada para as instituições financeiras. Em recente decisão da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi decidido no Acórdão 9303005.051 pela não incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras próprias destas instituições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 12 11 Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros. Considerando a posição adotada pela Câmara Superior, entendo necessário a conversão do presente julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias e em seguida os autor deverão retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 1626DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.900608/2008-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2004
ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO.
CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de
defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.578
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para superar a prejudicial de erro no preenchimento da DCOMP e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem, para que aprecie a regularidade do crédito, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (relator) e Sérgio Luiz Bezerra presta, que davam provimento ao recurso. Tudo nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. Ausente momentaneamente o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. Presente no julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta,
Nome do relator: Carlos Pelá
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APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para superar a prejudicial de erro no preenchimento da DCOMP e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem, para que aprecie a regularidade do crédito, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (relator) e Sérgio Luiz Bezerra presta, que davam provimento ao recurso. Tudo nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. Ausente momentaneamente o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. Presente no julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Ass inado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13609.900608/200802 Acórdão n.º 140200.578 S1C4T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Jaci de Assis Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Trata o presente processo de solicitação de compensação, transmitida pela Recorrente por meio de PER/DCOMP que não foi homologada por suposta inexistência de crédito disponível para compensação do débito informado. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo em síntese que: (i) A autoridade fazendária se equivocou, porquanto a empresa faz jus à homologação do crédito, não por se tratar de pagamento indevido, mas por se tratar de saldo negativo de IRPJ; (ii) O erro material no preenchimento do PER/DCOMP não pode resultar em perda do direito ao crédito, conforme entendimento jurisprudencial do Conselho de Contribuintes; (iii) A Lei 9.430196 e a IN n° 210, de 2002, vigentes à época do pedido de compensação, não previam a não homologação do crédito na hipótese de erro material. A 2ª Turma de Julgamento da DRF de Belo Horizonte, indeferiu a solicitação da Recorrente ao fundamento de que a alegação de erro no preenchimento da DCOMP não poderia ser admitida, vez que a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados, o que não é permitido pela legislação. Irresignada, a Recorrente apresenta peça recursal, repisando os argumentos da peça impugnatória e argumentando que a fundamentação legal utilizada pela decisão recorrida não era válida há época da declaração de compensação (ano de 2004), a saber, art. 56 da IN SRF n° 460, de 18/10/2004, art. 657 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005, e art. 77 da IN RFB n° 900 de, 30 de dezembro de 2008. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Ass inado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13609.900608/200802 Acórdão n.º 140200.578 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Vencido Conselheiro Carlos Pelá, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Verificando os documentos anexados pela Requerente (DARF's, PERD/COMP e DIPJ fls.36 a 54), percebese que a empresa faz jus à homologação do crédito, não por configurar pagamento indevido ou a maior, mas por estar configurada a existência de saldo negativo de IRPJ. Dessa forma, entendo que não pode a Requerente ser prejudicada na compensação do saldo negativo acumulado em razão de erro material no preenchimento do PERD/COMP. A jurisprudência deste Conselho reconhece que mero erro de fato no preenchimento de declarações e documentos relativos às obrigações acessórias dos contribuintes não podem implicar em cobrança de tributo, desde que a obrigação principal tenha sido devidamente satisfeita. Vejamos: ERRO MATERIAL — Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através de circunstâncias em que a declaração é feita. (..). (Acórdão 180300.256, CARF 1a. Seção 3a. Turma Especial, Data de decisão: 09/12/2009, publicada em: 09/12/2009) IRRF COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DIPJ PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Tendo sido devidamente comprovado nos autos,através da diligência fiscal realizada, que a contribuinte cometeu erro de fato no preenchimento de sua Declaração de Rendimentos, em observância ao principio da verdade material, deve ser reconhecido o direito creditório em favor da contribuinte. ACÓRDÃO 110100.132, CARF 1a. Seção 1a. Turma da 1a. Câmara, Data de decisão: 18/06/2009, publicada em: 18/06/2009) Com efeito, invoco o princípio da verdade material para decidir com base nos fatos que representam a realidade do contribuinte, afastando o lançamento e as exigências dele decorrentes. Ademais, acrescento que a autoridade fiscal deve observar a legislação de regência vigente à época em que foi transmitida a declaração de compensação pretendida pelo sujeito passivo. Posto isso, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o erro do contribuinte no preenchimento da declaração e homologar a compensação efetuada pelo contribuinte até o limite do crédito disponível. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Ass inado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13609.900608/200802 Acórdão n.º 140200.578 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tal qual o ilustre Relator, não comungo do entendimento do nobre Relator do Acórdão Recorrido. Isso porque não há impedimento legal para reconhecimento de erro material cometido no preenchimento de declaração, desde que realmente seja um erro de fato. A Instrução Normativa No. 900/2008, artigos 76 e seguintes, vedaria a retificação de erros dessa natureza, mas repito, não há vedação legal nesse sentido. Este Conselho já reconheceu a possibilidade da comprovação de erro no preenchimento de declarações no transcurso do processo administrativo. Vejamos alguns julgados que amparam esse entendimento. Acórdão 10808689, de 25/1/2006 IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Acórdão 10194955, de 15/04/2005 IRPJ AUDITORIA EM DCTF FALTA DE PAGAMENTO. Comprovado que a diferença apurada na auditoria deveuse, exclusivamente, a erro no preenchimento da declaração, cancelase o auto de infração. Acórdão 10321472, de 5/12/2003 CSLL ERRO O PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL IMPRESCINDÍVEL COMPROVAÇÃO MATERIAL DO EQUÍVOCO OU DO ERRO DE FATO A ordem jurídica vigente não permite a cobrança de tributos sem que seja procedida a determinação da matéria tributável, consoante dispõe o artigo 142 do CTN. Entretanto, nos casos em que o contribuinte não logra comprovar, materialmente, os equívocos ou erros de fato que teria cometido quando do preenchimento da declaração não vejo como não prevalecer à tributação pretendida exclusivamente com base no procedimento sumário de revisão das declarações de ajuste (malhas fiscais). Portanto, cabível a apreciação do mérito pela autoridade administrativa, qual seja o erro no preenchimento da declaração, levandose em conta eventuais compensações posteriores com o mesmo crédito pleiteado. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Ass inado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13609.900608/200802 Acórdão n.º 140200.578 S1C4T2 Fl. 5 5 Divirjo do entendimento do ilustre relator quanto a possibilidade do imediato provimento do recurso, pois, o mérito ainda não foi analisado seja DRF, seja pela DRJ. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que aprecie a DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento, adentrando ao mérito. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Ass inado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 11522.720796/2016-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS DEVEM ESTAR JUNTADAS AO PROCESSO. COMPROVAÇÃO DE DEPENDÊNCIA PARA EFEITOS FISCAIS.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo.
A prova tem que ser apresentada, não basta alegação da ocorrência ou da condição.
Necessária a apresentação de comprovação de dependência para efeitos fiscais. Não cumprida adequadamente a comprovação.
Numero da decisão: 2001-000.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS DEVEM ESTAR JUNTADAS AO PROCESSO. COMPROVAÇÃO DE DEPENDÊNCIA PARA EFEITOS FISCAIS. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. A prova tem que ser apresentada, não basta alegação da ocorrência ou da condição. Necessária a apresentação de comprovação de dependência para efeitos fiscais. Não cumprida adequadamente a comprovação.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS DEVEM ESTAR JUNTADAS AO PROCESSO. COMPROVAÇÃO DE DEPENDÊNCIA PARA EFEITOS FISCAIS. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. A prova tem que ser apresentada, não basta alegação da ocorrência ou da condição. Necessária a apresentação de comprovação de dependência para efeitos fiscais. Não cumprida adequadamente a comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 72 07 96 /2 01 6- 13 Fl. 68DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 4.780,31, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2014, referente ao que segue: O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente não deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos de despesas médicas de outras pessoas que não figuram como dependentes do Contribuinte na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à posição de que não deveriam ser abatidas despesas médicas com plano de saúde que inclui pessoas que não são da sua dependência para efeitos fiscais, conforme declaração de ajuste do imposto sobre a renda do Recorrente, como segue: (...) (...) No mérito, argumenta em síntese que houve erro no preenchimento da declaração, pois a elaborou em conjunto com o cônjuge exatamente em razão da despesa com o plano de saúde, que não podia ser arcada separadamente por ela. Como não foi aceito o seu procedimento, apresentou em 05/07/2016 declaração em separado para o cônjuge, e requer agora a retificação da sua declaração para considerar apenas as despesas médicas próprias, no valor de R$23.344,96 (fl.3). (...) No mérito, a legislação tributária estabelece que as despesas médicas dedutíveis restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte para o seu próprio tratamento ou o de seus dependentes relacionados na declaração de ajuste anual. O contribuinte invoca o direito de retificar a sua declaração para excluir as despesas médicas com o plano de saúde do cônjuge. Porém, esta não foi a despesa glosada no lançamento, mas a de quatro outros beneficiários que não são dependentes do contribuinte, relacionados em sua declaração. Além do que a retificação que pleiteia é vedada expressamente pela legislação tributária após a notificação do lançamento, como dispõe o art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 147 (...). Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11522.720796/201613 Acórdão n.º 2001000.202 S2C0T1 Fl. 69 3 § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifouse) Isso posto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, com os acréscimos legais pertinentes. Assim, conclui o acórdão vergastado pela 1mprocedência da impugnação para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 4.780,31, referente à glosa do valor das despesas médicas, com plano de saúde. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) É o relatório. Fl. 70DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O que se evidencia com facilidade de visualização é que o Recorrente utilizouse de abatimento do imposto sobre a renda mediante apresentação de documentação que inclui outras pessoas que não são justificadamente seus dependentes para efeito de dedução do imposto, em desacordo, portanto, com os temos da legislação. O texto base da divergência interpretativa está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (grifei). III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11522.720796/201613 Acórdão n.º 2001000.202 S2C0T1 Fl. 70 5 legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Logo, seria legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, por comprovação mediante apresentação de documento hábil de seu plano de saúde, nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento, desde que se referisse exclusivamente à pessoa do Recorrente, de vez que não constam em sua declaração de ajuste anual, outros dependentes que não sua esposa, que por sua própria informação, neste processo, consta como não mais dependente em razão da feitura de declaração em separado, a partir de retificação de declaração que ela teria realizado em 05/07/2016. Neste caso o Fisco requer a apresentação da comprovação da dependência fiscal não de sua esposa que apresentou declaração em separado, mas a das demais pessoas que aparecem na comprovação apresentada pelo Recorrente e que não figuram na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda como seus dependentes para efeitos fiscais. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ se fundamenta na afirmativa de que as despesas médicas para serem deduzidas do imposto devem ter sido incorridas com o próprio declarante ou de seus dependentes legalmente comprovados, nos termos da legislação tributária, sem permissão legal para retificação de declaração nesta fase do processo administrativo, nos seguintes termos: No mérito, a legislação tributária estabelece que as despesas médicas dedutíveis restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte para o seu próprio tratamento ou o de seus dependentes relacionados na declaração de ajuste anual. O contribuinte invoca o direito de retificar a sua declaração para excluir as despesas médicas com o plano de saúde do cônjuge. Porém, esta não foi a despesa glosada no lançamento, mas a de quatro outros beneficiários que não são dependentes do contribuinte, relacionados em sua declaração. Além do que a retificação que pleiteia é vedada expressamente pela legislação tributária após a notificação do lançamento, como dispõe o art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN): No exame da documentação acostada ao presente processo verificase que o Recorrente não apresentou a documentação comprobatória na forma estipulada em lei para a comprovação da despesa que utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto. Também não conta com a possibilidade legal de retificar a declaração de ajuste anual, nesta fase processual. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendo os termos do acórdão vergastado com a mantença da exigência do crédito tributário referente a imposto suplementar no valor de R$ 4.780,31. (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 72DF CARF MF 6 Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.001142/2002-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 17/02/1998
IMUNIDADE DO ART. 150, VI, C, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS PARA A IMUNIDADE.
Segundo a firme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), relativamente à operação de importação, a imunidade prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988) abrange o Imposto sobre a Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), fazendo jus a ela a entidade de assistência social que comprova o preenchimento dos requisitos legais (Aplicação do art. 62, § 1º, II, c, do RICARF/2015)
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS PARA A IMUNIDADE. Segundo a firme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), relativamente à operação de importação, a imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988) abrange o Imposto sobre a Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), fazendo jus a ela a entidade de assistência social que comprova o preenchimento dos requisitos legais (Aplicação do art. 62, § 1º, II, “c”, do RICARF/2015) Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 11 42 /2 00 2- 20 Fl. 571DF CARF MF 2 Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra a Resolução nº 330200.074, proferida na Sessão de 23 de outubro de 2012, que segue integralmente transcrito: “PROCESSO A ALFÂNDEGA DO AEROPORTO INTERNACIONAL TANCREDO NEVES (MG) constituiu crédito tributário pelo lançamento, em face de SOCIEDADE MINEIRA DE CULTURA, devidamente qualificada nos autos. A exigência tributária se deu por meio dos autos de infração de fls. 0207 e 0814, inerentes ao imposto de importação e do IPIimportação, respectivamente, acrescidos da multa de oficio e dos juros de mora, perfazendo na data dos lançamentos o montante de R$ 143.285,96. AUTUAÇÃO Conforme descrição dos fatos e Relatório de Ação Fiscal de fls. 1532 (parte integrante dos autos), as mercadorias importadas por meio da Declaração de Importação (DI) n° 98/0151644 5, de 17/02/1998, objeto da isenção prevista no artigo 1° da Lei n° 8.010/90 (destinação à projeto de pesquisa científica e tecnológica), não foram utilizadas nas finalidades previstas, de modo a fazer jus ao gozo do beneficio fiscal. Como razões para lançar, a fiscalização argumentou que, de acordo com as licenças de importação que consubstanciaram a referida DI, as mercadorias se destinavam aos seguintes projetos de pesquisa: 1° " Automação de laboratórios de metrologia eletroeletrônica e melhoria das qualidades de calibração através da integração de seus equipamentos", cujo coordenador era o Prof. Márcio José da Silva; 2° " Método preciso de determinação da força eletromotriz de uma pilha padrão", cuja coordenadora era a Profª. Aparecida Terayama Sallum. Todavia: a) em relação ao 1° projeto, a bem da verdade, tratouse de projeto de investimento em infraestrutura de um laboratório de metrologia chamado "METRUM", fato confirmado pelo Prof. Marcelo Ladeira (membro do Comitê Consultivo do CNPQ) no Relatório de Inspeção n° 15/99, e que, segundo o Termo de Declarações Prestadas n°001/2002 (fls. 371 374), onde consta o depoimento levado a termo da Professora Aparecida Terayama Sallum, (...) houve prestação de serviços para a empresa Toshiba (..) prestados sem finalidade lucrativa e com enfoque na pesquisa (...) Sendo este o único serviço prestado com recebimento de valor que foi bem inferior ao praticado no mercado, e ainda que, Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10611.001142/200220 Acórdão n.º 3302004.964 S3C3T2 Fl. 572 3 no período de 1998 a 2000, por falta de conhecimento que os equipamentos haviam sido adquiridos com benefício da Lei 8010, o Laboratório estava sendo preparado para prestação de serviços, constando também que a aquisição dos equipamentos foi concebida com a condição de serem utilizados, prioritariamente, como recurso didático em cursos executados pela Universidade (PUC MINAS) em conjunto com a Eletrobrás; b) em relação ao 2° projeto, consta que o mesmo foi iniciado em fevereiro de 1992 e concluído em junho de 1993, enquanto que a importação se deu posteriormente, em 17/02/1998. Por tais razões, entendeu estar configurado o desvio de finalidade, pelo que lavrou os autos de infração e formalizou o processo em comento. Os elementos de prova e demais peças que instruem a autuação foram juntados às folhas 33 411 (Volume 1). CIÊNCIA E DEFESA A autuada foi cientificada em 03/10/2002 (quintafeira), conforme fls. 02, 08 e 412, e apresentou suas peças impugnatórias em 04/11/2002 (segundafeira), nos termos dos documentos de fls. 420430 (Imposto de Importação) e 437447 (IPIimportação), cujo teores, por serem idênticos, podem ser resumidos conforme parágrafos seguintes. Aduz que: é uma instituição de ensino credenciada para o gozo dos benefícios da Lei n° 8.010/90 junto ao CNPq; o CNPq certificou o cumprimento das disposições, de acordo com o Certificado de Regularidade n°15/99 de modo diverso ao entendimento da fiscalização (inexistência de projeto de pesquisa no momento do fato gerador), o artigo 145 do Regulamento Aduaneiro (Dec. 91.030/85) prevê a comprovação posteriormente ao fato gerador do emprego da mercadoria nos casos de isenção vinculada à destinação dos bens; o depoimento da Sra. Aparecida Terrayama Sallum (fls. 371374) não é capaz de alterar a constatação do Parecer Técnico do CNPq (fls. 346348), já que foi tomado sem formalidade ou acareação. Alega ainda que, ainda que não fizesse jus ao beneficio fiscal da Lei 8010/90, o imposto não poderia ser exigido em face da imunidade do artigo 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal, considerando ainda que atende aos requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional, e, assim sendo, argumenta que o Supremo Tribunal Federal já pacificou o entendimento no sentido que a imunidade alcança também o Imposto de Importação e o IPI, ex vi das ementas de diversos julgados (fls. 427429), bem como o então Conselho de Contribuintes, por Fl. 573DF CARF MF 4 meio da Câmara Superior de Recursos Fiscais, acompanhou o entendimento do STF, conforme ementas transcritas. Por fim, requer o provimento da impugnação e cancelamento dos lançamentos.” A DRJFortaleza/Ce julgou improcedente a impugnação (fls. 456/463), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 17/02/1998 a 19/02/1998 ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. INAPLICABILIDADE. BENS DESTINADOS A ATIVIDADE QUE NÃO SE CONFIGURA COMO DE PESQUISA. O disposto na Lei n° 8.010/90 não se aplica às importações de bens destinados às atividades de produção, ensino, extensão, administração, assistência social e médicohospitalar, ou a qualquer outra atividade que não se configure como de pesquisa. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. PEDIDO DE RECONHECIMENTO. COMPETÊNCIA. O exercício das atividades relacionadas ao reconhecimento de imunidade tributária, inclusive a sua apreciação, é da competência regimental da unidade administrativa local, ex vi do inciso X do artigo 203 da Portaria MF n° 125/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 468/479), alegando, em síntese: que o entendimento manifestado pela Fiscalização, de que os bens importados não foram destinados à pesquisa científica e tecnológica, advém tãosomente do depoimento pessoal da Profª Aparecida Terrayama Sallum (fls. 371/374), tomado sem qualquer formalidade ou acareação. Entretanto, consta dos autos Certificado de Regularidade expedido pelo CNPq, declarando que a Sociedade Mineira de Cultura vem cumprindo as disposições regulamentares no que diz respeito à utilização de bens importados sob os benefícios da Lei nº. 8.010/1990 (fls. 352/353); que, quanto à documentação associada à DI 98/01615445, o CNPq concluiu que os laboratórios foram utilizados em pesquisas realizadas por alunos de pósgraduação, vez que ali foi desenvolvido um trabalho de medição de distorção harmônica por um aluno do mestrado de engenharia elétrica, desconstituindo, assim, o entendimento inicial, de que, a princípio, não caracterizaria atividade de pesquisa, mas, sim, de investimento em infraestrutura; que a decisão recorrida entendeu que esta conclusão do CNPq não seria “a melhor expressão do direito para o gozo do benefício fiscal pretendido”, mas não indicou o porquê de considerar que o referido trabalho não comprovaria o uso dos bens em projetos de pesquisa; Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10611.001142/200220 Acórdão n.º 3302004.964 S3C3T2 Fl. 573 5 que a exigência do artigo 1° da Lei 8.010/90 é a de que os bens sejam destinados à pesquisa científica e tecnológica, e não que sejam destinados, exclusivamente, â pesquisa científica e tecnológica. Assim, não há qualquer vedação de que os bens, além de serem utilizados para pesquisas científica e tecnológica (como foram em relação ao trabalho de medição de distorção harmônica, desenvolvido por aluno do mestrado em Engenharia Elétrica) sejam também utilizados como recurso didático em cursos executados pela PUC; que, se na revisão do lançamento, a autoridade fiscal argumenta que os requisitos da isenção do artigo 1° da Lei 8.010/90 não foram preenchidos, nada impede que a Entidade sustente a não incidência do IPI e do II sobre os bens importados com base na imunidade tributária, especialmente porque a imunidade independe de prévio reconhecimento de qualquer autoridade fiscal, que a imunidade tributária opera sem necessidade de autorizações ou despachos da autoridade fiscal. Enquadrandose na previsão constitucional, observados os requisitos legais, tem a Entidade, desde logo, direito à imunidade, independente de seu reconhecimento expresso por parte da entidade fiscal;e que, conforme estabelece o art. 32, §1º da Lei nº. 9.430/96, não há despacho de reconhecimento de imunidade, mas sim despacho de suspensão da imunidade. Dessa forma, tornase incontroverso o enquadramento na previsão constitucional do artigo 150, VI, "c", da CF, bem como o cumprimento dos requisitos legais do artigo 14 do CTN, aplicandose ao caso a imunidade em relação ao II e IPI ora exigidos; Ao final, pede o cancelamento dos lançamento do II e do IPI vinculado, seja pela isenção do art. 1º da Lei nº. 8.010/92, seja pela imunidade do art. 150, VI, “c” da Constituição Federal. Por meio da referida Resolução, o julgamento foi convertido em diligência perante a unidade de origem da Receita Federal do Brasil, para que a recorrente fosse intimada a comprovar que, à época do registro da declaração de importação, preenchia as condições para o reconhecimento da imunidade, especificamente em relação aos seguintes pontos: 1º. Demonstrar o atendimento aos requisitos previstos no artigo 14 do CTN; 2º. Demonstrar o atendimento aos requisitos previstos no parágrafo 2º do art. 12 da Lei 9.532/97. Após o esclarecimento dos pontos acima relacionados, a fiscalização da ALF Tancredo Neves (MG) poderá, se entender necessário, manifestarse sobre os fatos apurados e as provas apresentadas em decorrência da diligência. Ao fim da instrução processual a Interessada devera ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Fl. 575DF CARF MF 6 Por meio da Informação Fiscal de fls. 564/565, a autoridade fiscal prestou os seguintes esclarecimentos: a) em resposta à intimação que lhe fora endereçada, a recorrente apresentou os documentos de fls. 510/532, que, como estavam relacionados à questão jurídica diversa da isenção da Lei 8.010/1990, abstevese de manifestarse a respeito; e b) no que tange o reconhecimento de imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, em análise formal, os elementos apresentados atendiam aos requisitos previstos no art. 14 do CTN e aos previstos no art. 12, § 2º, da Lei 9.532/1997. Em 13/9/2016, a recorrente foi cientificada da citada informação fiscal, porém não se manifestou a respeito. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide cingese a duas questões: a) se foram cumpridos os requisitos da isenção, prevista no art. 1º da Lei 8.010/1990, para os bens importados por meio da Declarações de Importação (DI) nº 98/0151644 5, registrada em 17/02/1998; e, alternativamente, b) se os impostos lançados (II e IPI) poderiam ser exigidos da recorrente, tendo em vista ela ser detentora da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988). Os referidos preceitos legal e constitucional têm o seguinte teor, in verbis: Lei 8.010/1990: Art. 1º São isentas dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e do adicional ao frete para renovação da marinha mercante as importações de máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, bem como suas partes e peças de reposição, acessórios, matériasprimas e produtos intermediários, destinados à pesquisa científica e tecnológica. § 1º As importações de que trata este artigo ficam dispensadas do exame de similaridade, da emissão de guia de importação ou documento de efeito equivalente e controles prévios ao despachos aduaneiro. § 2º O disposto neste artigo aplicase somente às importações realizadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq, e por entidades sem fins lucrativos ativas no fomento, na coordenação ou na execução de programas de pesquisa científica e tecnológica ou de ensino, devidamente credenciadas pelo CNPq. CF/1988: Art.150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10611.001142/200220 Acórdão n.º 3302004.964 S3C3T2 Fl. 574 7 [...] VI instituir impostos sobre: [...] c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; [...] Noticiam os autos que os bens importados por meio da citada DI foram objeto de 10 (dez) Licenças de Importação (LI), sendo que os bens discriminados em 9 (nove) LI foram destinado ao projeto “Automação de laboratórios de metrologia eletroeletrônica e melhoria das qualidades de calibração através da integração de seus equipamentos” e os bens relacionados em 1 (uma) LI foram destinados ao projeto “Método preciso de determinação da força eletromotriz de uma pilha padrão”. Para a autoridade fiscal, os bens importados para aplicação em projeto de pesquisa científica e tecnológica teve outra destinação, a saber: 1) parte foram destinados para projeto de pesquisa concluído antes da realização da operação de importação; e b) a parte restante para projetos de infraestrutura, especificamente, utilizado no Laboratório de Metrologia (METRUM) do Instituto Politécnico da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (IPUC) e empregados em diversas atividades, tais como capacitação de recursos humanos, ensino, prestação de serviços, exceto na pesquisa científica e tecnológica. No que tange aos bens destinados ao primeiro projeto, há provas nos autos que demonstram que a LI foi emitida em 1997 e a DI registrada em 1998, enquanto projeto foi concluído em junho de 1993, ou seja, cerca de 5 (cinco) anos antes da importação. Assim, por notória impossibilidade material, inequivocamente, os respectivos bens não foram utilizados no referido projeto de pesquisa, o que confirma o desvio de finalidade apurado pela autoridade fiscal. Aliás, em relação a esse ponto não existe controvérsia, posto que a própria autuada nada alegou nas suas peças defensivas sobre essa constatação. Em relação aos bens destinados ao segundo projeto, o conjunto probatório coligido aos autos pela autoridade fiscal revela que os correspondentes equipamentos foram utilizados em pesquisa científica e tecnológica, mas em atividades de ensino, capacitação de recursos humanos, prestação de serviços etc. Por sua vez, a recorrente alegou que a exigência do art. 1° da Lei 8.010/1990 era a de que os bens fossem destinados à pesquisa cientifica e tecnológica, e não que fossem destinados, exclusivamente, à pesquisa cientifica e tecnológica. Logo, para a recorrente, não havia qualquer vedação de que os bens utilizados para pesquisas cientifica e tecnológica fossem “também utilizados como recurso didático em cursos executados pela PUC.” A recorrente cita o “Relatório de Inspeção n° 15/99 (fls 345 a 367)”, expedido pelo CNPq, como prova de que os bens importados foram utilizados “em projetos de pesquisa cientifica ou tecnológica.” Acontece que, no citado relatório, não foi informado, de forma conclusiva, que os equipamentos importados foram utilizados em projetos de pesquisa científica e Fl. 577DF CARF MF 8 tecnológica, mas que fora “apresentado um trabalho de medição de distorção harmônica, desenvolvido por aluno do mestrado em Engenharia Elétrica”, o que no entendimento deste Relator não constitui prova suficiente para infirmar as conclusões da autoridade fiscal acerca do desvio de finalidade do emprego dos equipamentos, apurada após exaustivo de trabalho de inspeção física, oitivas de professores e, em especial, da Coordenadora do citado laboratório. Além disso, apurou a autoridade fiscal que, no momento registro da DI (fato gerador da obrigação tributária) não existia projeto de pesquisa científica e tecnológica, e sim um projeto de estruturação de um laboratório de metrologia, o que, de forma congruente, ratifica a conclusão do desvio de finalidade dos equipamentos importados. Assim, uma vez demonstrado o desvio de finalidade dos equipamentos importados, consequentemente, os impostos que deixaram ser exigidos no momento da importação, sob condição dos bens serem destinados ao emprego em pesquisa científica e tecnológica, induvidosamente, passaram a ser devidos, em razão do descumprimento do disposto no art. 12 do Decretolei 37/1966, a seguir transcrito: Art. 12 A isenção ou redução, quando vinculada à destinação dos bens, ficará condicionada ao cumprimento das exigências regulamentares, e, quando for o caso, à comprovação posterior do seu efetivo emprego nas finalidades que motivarem a concessão. Superada a primeira questão, passase a análise da segunda questão atinente à aplicação ao caso em tela da imunidade tributária, prevista no art. 150, VI, “c”, da CF/1988. Para a recorrente, se na revisão do lançamento a autoridade fiscal argumentou que os requisitos da isenção do art. 1º da Lei 8.010/1990 não foram preenchidos, nada impedia lhe de alegar em sua defesa a não incidência do IPI e do II sobre os bens importados com base na imunidade tributária, especialmente porque, ao contrário do que fora afirmado pela decisão recorrida, a imunidade tributária independe de prévio reconhecimento da autoridade fiscal. Assim, uma vez atendidos os requisitos legais previstos na norma constitucional, desde logo, a entidade tem assegurado o direito à imunidade tributária, independentemente do reconhecimento expresso por parte da entidade fiscal. E com base nos elementos apresentados pela recorrente na fase de diligência, a autoridade fiscal constatou que, sob ponto de vista formal, a recorrente atendia os requisitos fixados no art. 14 do CTN e no art. 12, § 2º, da Lei 9.532/1997, o que significa que a recorrente preenche os requisitos exigidos para gozo da imunidade prevista no citado preceito constitucional. Dado esse contexto, induvidosamente, a solução da lide passa pela definição do alcance da imunidade, prevista no art. 150, VI, “c”, da CF/1988, ou seja, se dita imunidade restringese apenas aos impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços, segundo a classificação adotada pelo CTN, ou também alcança o Imposto de Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado a importação, impostos incidentes sobre a operação de importação, por incidirem sobre bens que integrantes do patrimônio da entidade beneficiária da referida imunidade. A questão foi analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e encontrase pacificada no sentido de que a imunidade prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal, em favor das instituições de assistência social, abrange o II e o IPI, que incidem sobre bens a serem utilizados na prestação de seus serviços específicos. A título de exemplo, transcrevese a seguir os enunciados das ementas dos seguintes julgados: Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10611.001142/200220 Acórdão n.º 3302004.964 S3C3T2 Fl. 575 9 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMPORTAÇÃO DE "BOLSAS PARA COLETA DE SANGUE". A imunidade prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal, em favor das instituições de assistência social, abrange o Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados, que incidem sobre bens a serem utilizados na prestação de seus serviços específicos. Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Recurso não conhecido. (RE 243807/SP, Primeira Turma, rel. Ministro Ilmar Galvão, DJ 28.04.2000) AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. A imunidade prevista no artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal, em favor das instituições de assistência social, abrange o Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados, que incidem sobre bens a serem utilizados na prestação de seus serviços específicos. Agravo regimental a que se nega provimento. (AIAgR nº 378454/SP, Segunda Turma, rel. Ministro Maurício Corrêa, DJ 29.11.2002). Em face dessa pacífica jurisprudência, com base nas conclusões exaradas no Parecer PGFN/CRJ/nº 2138/2006, a PGFN editou o Ato Declaratório PGFN nº 9, de 16 de novembro de 2006, por meio do qual ficaram dispensadas a apresentação de contestação e a interposição de recursos e autorizada a desistência dos já interpostos, desde que inexistente outro fundamento relevante, relativo às “ações judiciais que visem obter a declaração de que a imunidade prevista no art. 150, VI, ‘c’ da Constituição da República abrange o imposto de importação e o imposto sobre produtos industrializados, desde que a instituição de assistência social, sem fins lucrativos, utilize os bens na prestação de seus serviços específicos”. Dessa forma, em conformidade com o disposto no art. 62, § 1º, II, “c”, do Anexo II do RICARF/2015, adotase aqui, razão decidir, o mesmo entendimento exarado na pacífica jurisprudência do STF. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso voluntário, para afastar a cobrança dos impostos lançados. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 579DF CARF MF 10 Fl. 580DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000393/2006-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2001, 2002
LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Não havendo antecipação do
tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar do 1o. dia do ano seguinte, na forma do artigo 173, I do CTN.
PEDIDO DE PERÍCIA. É de ser indeferido o pedido de perícia feito em desacordo com a legislação pertinente, mormente quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria.
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA.
Presumem-se receitas omitidas os recursos creditados em conta bancária cujo titular não consiga comprovar, mediante documentação hábil e idônea (art. 42 da Lei nº 9.430/1996) sua origem.
Recurso Voluntário Negado Provimento.
Numero da decisão: 1402-000.586
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Não havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar do 1o. dia do ano seguinte, na forma do artigo 173, I do CTN. PEDIDO DE PERÍCIA. É de ser indeferido o pedido de perícia feito em desacordo com a legislação pertinente, mormente quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. Presumem-se receitas omitidas os recursos creditados em conta bancária cujo titular não consiga comprovar, mediante documentação hábil e idônea (art. 42 da Lei nº 9.430/1996) sua origem. Recurso Voluntário Negado Provimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1873; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000393/200683 Recurso nº 164.880 Voluntário Acórdão nº 140200.586 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2011 Matéria IRPJ AÇÃO FISCAL Recorrente MONTE MOR S/A COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Não havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar do 1o. dia do ano seguinte, na forma do artigo 173, I do CTN. PEDIDO DE PERÍCIA. É de ser indeferido o pedido de perícia feito em desacordo com a legislação pertinente, mormente quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. Presumemse receitas omitidas os recursos creditados em conta bancária cujo titular não consiga comprovar, mediante documentação hábil e idônea (art. 42 da Lei nº 9.430/1996) sua origem,. Recurso Voluntário Negado Provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório MONTE MOR S/A COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E E XPORTAÇÃO recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo – I em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte, acima identificada, foi autuada, em 19.04.2006 (fl. 115), e intimada a recolher o crédito tributário relativo ao IRPJ, no valor de R$ 17.258.647,65; contribuição para o PIS, R$ 475.874,69; Cofins, R$ 2.196.346,20; e CSLL, R$ 6.254.574,73, neles incluídos a multa proporcional e os juros de mora, calculados até 31.03.2006, com os enquadramentos legais descritos no Termo de Verificação Fiscal e nos autos de infração (fls. 87/139). Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 87/93), a presente autuação ocorreu em decorrência da constatação de incompatibilidade entre os valores declarados pela contribuinte em suas Declarações de Informações Econômico Fiscais dos anoscalendário de 2001 e 2002 e aqueles movimentados em suas contascorrentes bancárias. Intimada a justificar as diferenças, a contribuinte respondeu que elas já teriam sido esclarecidas mediante apresentação dos documentos e livros fiscais entregues à fiscalização e que a receita tributável decorreria da diferença entre a compra e venda de “TBills”, já contabilizada e tributada como receita financeira. A Autoridade Fiscal constatou que a contribuinte declarara em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica relativa ao anocalendário de 2000 valores de receitas muito abaixo daqueles movimentados em suas contas correntes bancárias, no mesmo período. Após a análise dos documentos entregues pela contribuinte para tentar justificar os depósitos bancários, a autoridade fiscal concluiu que restaram sem justificativas os montantes de R$ 27.527.766,46 e R$ 705.837,41 para os anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente. A contribuinte foi intimada dos autos de infração, em 20.04.2006, conforme documento juntado a fl. 146, oferecendo peça impugnatória ao feito fiscal a fls. 148/174, em 17.05.2006, alegando, em síntese, o quanto se segue: (i) A autuada, ao ser intimada pela autoridade fazendária a justificar a diferença entre as receitas declaradas e os valores movimentados em suas contas bancárias no anocalendário de 2001, explicara que ela decorria de contratos de compra e venda “TBills”, sendo que a receita tributável seria a diferença entre a compra e venda desses títulos, já contabilizadas e levadas à tributação a título de receitas financeiras; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 3 3 (ii) Já com relação à diferença apurada no ano calendário de 2002, a autuada já se justificara, conforme documento anexo (doc. 1), de maneira que o valor apurado não tem condições de subsistir; (iii) Dessa maneira, ao analisar apenas a operação de venda dos títulos, a fiscalização se deparou com grandes entradas de dinheiro nas contas bancárias da autuada, sendo que, no mesmo período, houve compras desses mesmos títulos, gerando despesas devidamente contabilizadas, mas desconsideradas pelo Fisco; (iv) Esse procedimento resultou numa indevida tributação, uma vez que a autuação foi feita sem se descontar, dos valores recebidos pelas vendas dos títulos, aqueles pagos em suas aquisições; (v) Ocorreu a extinção do crédito tributário relativo ao IRPJ e das contribuições sociais relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 19.04.2001, nos estritos termos do art. 150, § 4º do CTN; (vi) De acordo com os arts. 145, I, § 1º e 153, III da Constituição Federal, combinado com os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional, a autuada tem o direito de ser tributada a título de IR e CSLL com base na riqueza produzida, ou seja, com base na renda líquida ou tributável, apurada na forma da lei, sob pena de ser indevidamente tributada em seu patrimônio ou capital; assim, de acordo com a Constituição e o CTN, renda é o aumento ou um acréscimo patrimonial, pressuposto para a tributação do IR e da CSLL, situação que só poderia ser verificada neste caso, após a efetiva recomposição do patrimônio da autuada, com o abatimento dos valores pagos pela empresa na compra das TBills, cuja inobservância resulta na violação aos princípios constitucionais tributários da capacidade contributiva e da vedação ao confisco; (vii) As entradas de dinheiro, nas contas bancárias da autuada, realizadas por Sipasa Empreendimentos e Comércio Ltda., Fort Marcas e Miudezas Ltda., Quilombo Empreendimentos e Part. Ltda., Neomarkets Com. E Serviços Ltda., Bombril S/A, Orra Indústria e Comércio Ltda., G. D. Factoring Ltda., Dulcini S/A, Tecnologia Bancária S/A e Duagro S/A Administração e Participações, têm origem comprovada porque se efetivaram por conta e ordem de terceiro; (viii) Na condição de vendedora dos títulos, a autuada contabilizou essas entradas e, após a dedução dos valores pagos na aquisição desses títulos, apurou o IR e a CSLL devidos pelo efetivo acréscimo patrimonial; (ix) Em atenção ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo, devem ser permitidas a juntada posterior de documentos e a realização de perícia contábil para que se demonstre que os valores que devem compor a base de cálculo do IR e da CSLL são aqueles referentes ao acréscimo patrimonial auferido pela empresa, em razão da diferença verificada entre o valor de compra e o de venda da comercialização do TBills. (x) Também não merece prosperar a autuação relativa ao Pis e à Cofins, pois os valores utilizados como base de cálculo não correspondem aos de faturamento, mas de receitas financeiras, não abrangidas pelas leis complementares nº 7/70 e 70/91; (xi) A Lei nº 9.718/98 procurou alterar o conceito de faturamento, de maneira a se permitir a cobrança do Pis/Pasep e Cofins sobre todas as receitas das empresas, tanto as operacionais quanto as não operacionais, desvirtuando o conceito jurídico de faturamento. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 4 4 (xii) Neste sentido, cita excerto de voto proferido nos autos da ADI nº 1.1031 e a Emenda Constitucional nº 20/1998, que deu nova redação ao inc. I do art. 195 da Constituição, ambos a fundamentar que não se confunde receita e faturamento; (xiii) Afirma, ainda, que a Lei nº 9.718/98, ao não respeitar o conceito privado de faturamento, também infringiu o disposto no art. 110 do CTN; (xiv) O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 357.950/RS, em que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da lei nº 9.718/98, também manifestou entendimento de que uma emenda constitucional não teria o poder de constitucionalizar uma lei posta em vigor antes da própria emenda; (xv) O art. 239 da Constituição Federal recepcionou a Lei Complementar nº 7/70, razão pela qual não poderia a lei nº 9.718/98 têla revogada na parte que tratava de sua base de cálculo, sem incorrer em afronta ao comando constitucional; (xv) Ademais, ainda que fosse considerada improcedente a afirmação da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/1998 em face do art. 239, ainda assim haveria ofensa à Constituição Federal, uma vez que a modificação pretendida nas contribuições ao Pis e à Cofins dependeria de edição de nova lei complementar, nos termos do art. 195, § 4º do texto constitucional, por acarretar na instituição de novas fontes de receitas para a seguridade social; (xvi) Portanto, não pode prosperar a autuação relativa ao Pis e à Cofins, uma vez que seu objeto não se enquadra no conceito de receita bruta trazida pelas Leis Complementares nº 7/70 e 70/91; (xvi) Ao final, reafirma o pedido de realização de perícia contábil, bem como a apresentação de novos documentos que se fizerem necessários, observando que os livros originais razão e diário estão à disposição das autoridades fazendárias na sede da empresa; A decisão recorrida está assim ementada: PROTESTO PELA JUNTADA DE NOVAS PROVAS E ARGUMENTOS. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvado o disposto nas alíneas “a” a “c” do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de expor os motivos que as justifiquem e de formular os quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. Manifestamente prescindível a instrução probatória pleiteada, visto que o deslinde do feito envolve eminentemente matéria de direito, estando os fatos amplamente documentados nos autos. INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE JURISDICIONAL. O controle de constitucionalidade de atos normativos é da competência do Poder Judiciário, restringindose o julgador administrativo à análise da legalidade da autuação fiscal. DECISÃO DO STF. DECLARAÇÃO INCIDENTAL DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VINCULAÇÃO ÀS PARTES. COMPETÊNCIA DO JULGADOR. EXTENSÃO ERGA OMNES. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO DO CHEFE DO PODER EXECUTIVO OU DO SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL. É vedado ao julgador administrativo, sem que exista Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 5 5 expressa autorização do Chefe do Poder Executivo ou do Secretário da Receita Federal, estender os efeitos de decisão do STF sobre inconstitucionalidade de ato normativo proferida incidentalmente, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE TÍTULOS. LÍNGUA ESTRANGEIRA. TRADUÇÃO. OBRIGATORIEDADE. INSTRUMENTO PARTICULAR. EFICÁCIA PERANTE TERCEIROS. REGISTRO PÚBLICO. NECESSIDADE. A tradução para o vernáculo e o registro público de instrumento negocial particular são solenidades legalmente exigidas para que o contrato surta efeitos em face de terceiros. IRPJ. DECADÊNCIA. CINCO ANOS. TERMO INICIAL. O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo ao IRPJ começa a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PIS. COFINS. CSLL. DECADÊNCIA. O direito de efetuar o lançamento das contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social extinguese em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ser constituído. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ALEGAÇÃO DE SE TRATAR DE NUMERÁRIO PROVENIENTE DE VENDA DE ATIVOS FINANCEIROS. OPERAÇÕES COM TÍTULOS DO TESOURO NORTE AMERICANO (TBILLS). Presumemse receitas omitidas os recursos creditados em conta bancária cujo titular não consiga comprovar, mediante documentação hábil e idônea (art. 42 da Lei nº 9.430/1996) sua origem, sendo insuficiente a apresentação de cópias de instrumentos particulares de contratos de venda de títulos do tesouro norteamericano (TBills), sem que se demonstre, cabalmente, a efetividade das transações. CSLL. PIS. COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que constituem infração à legislação de vários tributos implica na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que o julgamento que reconhece a ocorrência desses eventos repercute em todos os lançamentos a eles vinculados. Lançamento procedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, com fulcro em omissão de receitas apurada em face de depósitos bancários cuja justificativa de origem não foi aceita pela Fiscalização, nos montantes de R$ 27.527.766,46 e R$ 705.837,41 para os anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente. A auditoria fiscal foi iniciada em 2004(fl.1), todavia, os autos de infração (fls. 115 a 139), no valor total de R$ 26.185.443,27, incluindo a multa de oficio de 75% e juros de mora a taxa Selic, foram lavrados em abril de 2006, e cientificados via postal em 28/04/2006. Verificase que o contribuinte optou pelo lucro real anual, tanto no ano calendário de 2001, quanto em 2002, conforme DIPJ as fls. 2 e seguintes do anexo I. Nessas mesmas DIPJ verificase também que não há qualquer recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins no transcurso desses anos. Em seu recurso voluntário a recorrente repisa as mesmas alegações da peça impugnatória, que passo a apreciar. 1) Preliminar de decadência. O recorrente sustenta que se está diante de um lançamento por homologação, a teor do disposto no art. 150, § 4o do CTN. Assim, conclui pela decadência do lançamento do relativamente aos valores apurados até março de 2001, haja vista que os autos de infração foi cientificado em abril/2006. Ao presente caso aplicase o art.173 inciso I, cuja contagem do prazo é mais elástica, haja vista que o contribuinte não efetuou recolhimentos de tributos até naqueles períodos, conforme evidencia a DIPJ juntada às fls. 2 e seguintes do anexo I.. Nesse sentido vem decidindo o Superior Tribunal de JustiçaSTJ, cite como exemplo o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 7 7 pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Diante do exposto, rejeito a preliminar. 2) Nulidade da decisão de 1a. instância por indeferimento do pedido de perícia. A decisão de 1a. instancia indeferiu o pedido de perícia pelos seguintes fundamentos: Conforme expressamente previsto no Decreto nº 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4º, somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Portanto, neste momento processual, deve ser indeferido o pedido genericamente feito, uma vez não demonstradas a necessidade e a fundamentação legal pertinente. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 8 8 A mesma trilha segue o pedido de perícia, conforme se infere dos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972 que tratam da matéria: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” (grifei) “Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar, será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” Por seu turno, o artigo 420, § único, I, do Código de Processo Civil, dispõe que: “Art. 420.A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. Parágrafo único O juiz indeferirá a perícia quando: I a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; (...) ” No caso vertente, seria despicienda a realização de perícia ou diligência, visto que a autoridade administrativa tem o conhecimento e a competência funcional para apreciar as questões envolvidas no presente feito, não sendo necessária a intervenção de profissional com conhecimento especial de técnico, bem como não foi trazido aos autos elemento de prova algum que desse ensejo à manifestação do autuante. Por pertinente, trago à colação jurisprudência administrativa do Egrégio 1º Conselho de Contribuintes, que corrobora com o entendimento ora exposto: “DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Visando viabilizar a verdade final, devem objetivar a prova de fatos que o sujeito passivo não tenha condições de trazer para os autos, ou cujo carreamento lhe traria ônus desproporcional. O requerente deverá, porém, trazer qualquer prova, mesmo que indiciária, de sua efetiva existência. Exigese, ainda, que o contribuinte tenha demonstrado, de forma cabal, mesmo que parcialmente, a incorreção do levantamento fiscal” (Acórdão 10173.852, Rel. Amador Outerelo Fernández, DOU de 27.04.1983, p. 6763) A despeito de a autoridade administrativa ser detentora de poderes de instrução de amplitude maior do que a observada no âmbito do processo civil, é defesa a substituição das partes em matéria probatória. Nesse sentido é a lição de PAULO CELSO B. BONILHA: “(...) o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos, mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Da Prova no Direito Administrativo Tributário, 2ª Ed., São Paulo, Dialética, 1997, p. 77 e 78) A argumentação tecida já ensejaria o indeferimento do pedido de perícia da interessada. Entretanto, o mero descumprimento das disposições contidas no artigo 16, inciso IV e § 1º do Decreto nº 70.235/1972 já é suficiente para fulminar o pedido da impugnante: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 9 9 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) § 1.º. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” (grifei) Diante do mandamento contido no dispositivo acima, aliado à inobservância dos requisitos legais por parte da interessada, devem ser considerados não formulados os pedidos de diligência e perícia da interessada. De toda a sorte, entendo evidente a prescindibilidade de instrução probatória, uma vez que os fatos estão amplamente documentados nos autos. Pois bem, na análise das alegações recursais quanto a essa questão, formei convencimento de que a contribuinte em verdade pretende suprir a deficiência probatória de sua defesa mediante realização de perícia. Tal procedimento é absolutamente impróprio. As provas devem ser apresentadas e produzidas pelo recorrente, que teve tempo hábil para isso seja durante a auditoria fiscal, seja no transcurso do processo administrativo. Entretanto o contribuinte nada mais apresentou em seu recurso voluntário. O artigo 29 do Decreto 70.235/1972 (PAF) estabelece que “ Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Uma vez que o julgador de 1a. instância entendeu ser desnecessária a realização da perícia e justificou sua negativa, bem com enfrentou o mérito fundamentando sua decisão, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Nesse sentido é pacifica a jurisprudência deste Conselho, cite os seguintes acórdãos, cuja ementa transcrevo: PRELIMINAR PERÍCIA. INDEFERIMENTO É de se indeferir a solicitação de perícia quando não for necessário o conhecimento técnico especializado, não podendo servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos. (Acórdão 10613589 de 16/10/2003). NORMAS PROCESSUAIS – NULIDADE – PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA – Não se cogita de nulidade quando a autoridade julgadora indefere pedido de diligência ou perícia por entender que os elementos constantes dos autos são suficientes para o julgamento do feito. (acórdão 10196.397 de 19/10/2007). Rejeito também esta preliminar. 3) Mérito A infração imputada à impugnante é a de omissão de receitas, caracterizada pela falta de comprovação da origem de depósitos efetuados em suas contas bancárias. A base legal da autuação foi o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 10 10 financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Alterado pela Lei nº 9.481, de 13/08/1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002) Vejamos os fundamentos da decisão recorrida, quanto ao mérito: A autuada, ao ser intimada pela autoridade fazendária a justificar a diferença entre as receitas declaradas e os valores movimentados em suas contas bancárias no ano calendário de 2001, explicara que ela decorria de contratos de compra e venda “T Bills”, sendo que a receita tributável seria a diferença entre a compra e venda desses títulos, já contabilizadas e levadas à tributação a título de receitas financeiras; A alegação de que os valores encontrados em suas contas bancárias, relativamente ao anocalendário de 2001, seriam correspondentes ao produto de transações de vendas de títulos do tesouro norteamericano (TBills) não restou comprovada. A impugnante alega, às fls. 166/167, que as entradas de dinheiro em suas contas bancárias foram realizadas por Sipasa Empreendimentos e Comércio Ltda., Fort Marcas e Miudezas Ltda., Quilombo Empreendimentos e Part. Ltda., Neomarkets Com. E Serviços Ltda., Bombril S/A, Orra Indústria e Comércio Ltda., G. D. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 11 11 Factoring Ltda., Dulcini S/A, Tecnologia Bancária S/A e Duagro S/A Administração e Participações. Conforme planilha elaborada pela própria impugnante, de fls. 536/539, as entradas em dinheiro seriam justificadas pelas operações de venda de TBills, consignados nos instrumentos contratuais de números 2, 3, 4, 5, 9, 11, 14, 20, 26, 29, 35, 36 e 37. Compulsando os mencionados contratos, verificase que, apesar de a impugnante ter elencado nove empresas como responsáveis pelos depósitos encontrados em suas contas bancárias, os mencionados contratos abrangem apenas três empresas: Sipasa Empreendimentos e Comércio Ltda., Fort Marcas e Miudezas Ltda. e Duagro S/A Administração e Participações. Os instrumentos contratuais com a Sipasa (contratos nºs 2, 5, 11, 14, 20, 26, 29, 35 e 36) não se prestam a atestar a efetiva realização da operação neles consignadas. Primeiro, porque eles não identificam aqueles que subscrevem o suposto instrumento contratual. Pela parte da contribuinte, por comparação, seria possível admitir que se reconhece a assinatura de seu procurador, Laodse de Abreu Duarte. Entretanto, em relação aos adquirentes dos títulos, não restou qualificada a pessoa que lançou a assinatura nos mencionados instrumentos, de maneira a não se poder identificar e se certificar da regularidade dos mencionados documentos. Verificase ainda, que as testemunhas que assinam os mencionados instrumentos também não foram devidamente identificadas, constando tãosomente as respectivas assinaturas e número de RGs. Além da ausência desses requisitos essenciais à validade desses instrumentos negociais, a comprovação material da efetividade da operação não restou demonstrada. Embora a contribuinte tenha juntado cópias de extratos bancários cujos valores coincidiriam com os valores constantes desses instrumentos contratuais, o fato é que não restou demonstrado que tais créditos bancários correspondem a pagamentos efetuados pela Sipasa. Vale dizer, não foi demonstrado que os créditos bancários correspondem, efetivamente, a depósitos ou créditos efetuados pela Sipasa. Cabe observar que em processo anteriormente formalizado em face da Monte Mor (PAF nº 19515.003476/200543), em que fora apurada infração da mesma espécie que se discute nos presentes autos – omissão de receitas em decorrência de existência de depósitos bancários sem comprovação de origem – mas em ano calendário diverso, a fiscalizada também alegou que os valores encontrados em suas contas bancárias eram oriundas de pagamentos de venda de TBills à Sipasa. Todavia, àquela ocasião, a autoridade fiscal concluiu, em diligência realizada junto à Sipasa, que não ocorrera transferências bancárias para a Monte Mor compatíveis com as datas e os valores constantes dos supostos contratos de venda dos títulos do tesouro americano, conforme excerto de seu relatório, juntado a fls. 566/570 a seguir transcrito: “O cruzamento dos valores que foram depositados nas contas correntes bancárias da empresa fiscalizada, tendo como origem os ‘pagamentos’ feitos pela empresa SIPASA EMPRENDIMENTOS E COMÉRCIO LTDA, NÃO foram localizados nos extratos bancários desta última, na relação datavalor” Portanto, as cópias dos instrumentos contratuais que teriam sido celebrados entre a Monte Mor e a Sipasa, não podem ser aceitos como prova de origem dos depósitos bancários e, como não foi feita uma cabal demonstração de que a Sipasa despendeu Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 12 12 recursos para o pagamento dos títulos, temse como não comprovada a origem dos recursos bancários que seriam correspondentes a essa operação financeira. Quanto aos supostos instrumentos contratuais que teriam sido celebrados com a empresa Fort Marcas e Miudezas Ltda. (3, 4 e 9), verificase que também apresentam os mesmos vícios que comprometem a aceitação como instrumentos regulares e válidos: ausência de identificação e qualificação dos contratantes; simples assinatura das testemunhas, sem a devida qualificação, somente constando um número de RG. Além dessas irregularidades, também constam informações da Fort Marcas no mencionado relatório do PAF nº 19515.003476/200543 que implicam em rejeitar os mencionados documentos apresentados pela impugnante. Conforme pesquisa realizada pelo AuditorFiscal autuante (fl. 5 do relatório), a empresa fora formalmente constituída em 24.03.1999, no município de Camocim, estado do Ceará. Declarouse como microempresa à Secretaria da Receita Federal, tendo apresentado uma única declaração de informações econômicofiscais de pessoa jurídica, no anocalendário de 1999, fazendo constar dela uma receita bruta anual de R$ 3.942,00. A autoridade fiscal também constatou que a empresa encontrase em situação de inaptidão junto aos registros cadastrais da SRF, uma vez que ela omitiuse em cumprir suas obrigações tributárias e, ainda, não foi localizada no domicílio fiscal eleito. Verificou ainda a autoridade fazendária que a pessoa natural responsável pela empresa junto à SRF teve seu CPF cancelado em razão de irregularidades constatadas. Ou seja, tudo leva a crer que Fort Marcas Comercial de Miudezas Ltda não existe de fato ou, caso tenha tenha existido, seu nome foi utilizado para acobertar operações que ela não teria condições econômicas de ter realizado. Assim, não é possível aceitar que Fort Marcas Comercial de Miudezas Ltda., em face das situações de irregularidades junto à SRF e cuja receita bruta conhecida é de R$ 3.942,00, teria condições de ter adquirido um montante de R$ 6.278.390,53 em títulos da dívida americana, conforme dados constantes da planilha apresentada pela contribuinte. Ademais, ainda que a Fort Marcas tivesse capacidade econômica e estivesse regularizada perante o Fisco, os documentos apresentados pela impugnante não são suficientes para identificar a Fort como a titular dos depósitos e créditos feitos às contas bancárias da impugnante. Portanto, à semelhança do ocorrido com a Sipasa, também a própria materialidade das transações com os alegados TBills não ficou demonstrada, de maneira que se confirma a presunção de omissão de receitas decorrentes da não comprovação da origem dos depósitos bancários. Quanto ao último contrato relacionado pela impugnante, o de nº 37, supostamente celebrado com Duagro S/A Administração e Participações, verificamse as mesmas irregularidades intrínsecas aos instrumentos contratuais até então comentadas, razão pela qual tornase prescindível elencálas novamente. Todavia, verificase que no caso do suposto contrato com a Duagro, a impugnante sequer tentou apontar em seus extratos qual seria o crédito correspondente ao valor transacionado no contrato de venda de TBill. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 13 13 Portanto, concluise que também em relação à Duagro, também não podem ser aceitos os documentos juntados como comprovantes de origem dos depósitos a eles supostamente vinculados. (...) De qualquer maneira, a impugnante não conseguiu demonstrar a materialidade das operações de venda de títulos, uma vez que não foram apresentados documentos hábeis e idôneos que comprovassem a vinculação direta entre os depósitos e créditos encontrados nas contas da fiscalizada com a saída de recursos das supostas adquirentes das TBills. A alegação de que os depósitos teriam sido efetuados por conta e ordem de terceiros como justificativa de os adquirentes não aparecerem como os titulares dos depósitos não restou demonstrada. Não há nos autos documentos que apóiem tal tese. Quanto às alegações de que a impugnante teria direito de ser tributada em conformidade com sua renda líquida, de maneira que houvesse um abatimento dos valores despendidos na aquisição dos TBills, cumpre observar que se o contribuinte optante pelo Lucro Real incorre em custos ou despesas em suas atividades, tem a faculdade de deduzilas do resultado e, conseqüentemente, diminuir a base de cálculo tributável. Todavia, fica a seu juízo reconhecêlas ou não, conforme permita a legislação, não cabendo tal procedimento à autoridade fiscal que apenas verificará a regularidade da dedução feita. Portanto, se eventualmente a fiscalizada efetuou qualquer operação e esta gerou despesas, seu reconhecimento contábil já deveria ter sido efetuado pela própria interessada, não cabendo neste momento a autoridade fiscal proceder a retificações em sua escrita contábil. Já a autoridade lançadora deu cumprimento ao determinado no disposto no art. 42, § 2º da Lei nº 9.430/1996, ou seja, adicionou os valores correspondentes à omissão de receitas decorrentes da não comprovação de origem dos depósitos bancários ao resultado para fins de apuração do Lucro Real, tendo descontado o prejuízo fiscal e compensado as bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores. Portanto, não houve ofensa à legislação que rege a matéria para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Relativamente à diferença apurada no anocalendário de 2002, a autuada tenta se justificar, apresentado o documento de nº 1, que se trata de mera fotocópia do documento outrora apresentado junto à autoridade lançadora, no curso do procedimento de fiscalização (fls. 83/84). Entretanto, conforme se depreende da leitura do termo de verificação fiscal, o próprio auditorfiscal já havia aceito parcialmente a justificativa apresentada. Com efeito, conforme consta de seu Termo de Constatação Fiscal, dos valores depositados na conta do Banco BBV, R$ 134.000,00 era composto por sete valores correspondentes a cheques devolvidos e um, correspondente a crédito posteriormente anulado, excluindo tal valor do montante de créditos a ser comprovada a origem. Assim, o valor a ser justificado seria o resultado da diferença entre o montante de depósitos em suas contascorrentes bancárias, de R$ 872.984,02, deduzidos: o estorno aceito pela autoridade fiscal (R$ 134.000,00), o próprio valor já declarado em DIPJ (R$ 34.876,89) e um ajuste feito em junho de 2002, no valor de R$ 1.730,28. Ou seja, restou sem explicação uma diferença de o de R$ 705.837,41. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 14 14 Em sede de impugnação, a autuada limitouse a trazer uma nota fiscal de venda de mercadorias de R$ 225.000,00 que poderia explicar a origem de parte dos depósitos em suas contas bancárias no ano de 2002. Entretanto, ainda que se aceite como válido e bom este documento fiscal, percebese que, embora seja demonstrada sua regular origem, não ficou demonstrado que houve sua regular contabilização e oferecimento do valor da venda à tributação. E isto resta evidente se se notar que o valor de receita declarado em DIPJ (R$ 34.876,89) já é manifestamente inferior a esta única nota fiscal. Portanto, as explicações trazidas quanto às diferenças verificadas no anocalendário de 2001 não demonstram a regular contabilização e oferecimento à tributação do valor de R$ 705.837,41. Aplicase ao PIS e a Cofins as considerações acerca da matéria fática e de direito que levou à conclusão de que houve omissão de receitas em decorrência da não comprovação da origem dos depósitos bancários encontrados nas contas correntes da fiscalizada, anteriormente enfrentadas na impugnação ao lançamento do IRPJ e da CSLL. Quanto ao questionamento da inconstitucionalidade da lei nº 9.718/1998 e do pronunciamento dado pelo Supremo Tribunal Federal, é de se registrar que não compete ao julgador administrativo afastar a aplicação de ato legal posto regularmente no ordenamento jurídico e que esteja com plena eficácia. A Lei nº 9.718, de 27/11/1998 aplicase, no âmbito da legislação tributária federal, às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, de que tratam o art. 239 da Constituição e produziu efeitos, em relação aos arts. 2° a 8°, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999 e, encontrase, até a presente data, em plena vigência, inclusive no que se refere ao art. 3º, § 1º. O fato de o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do recurso extraordinário nº 346.084/PR, ter declarado por maioria a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, não desobriga a contribuinte a observar tal dispositivo normativo, eis que a decisão proferida não opera efeitos erga omnes, mas somente entre as partes interessadas, uma vez não se tratar de controle direto de constitucionalidade. Observese que o Decreto nº 2.346/97 que consolida normas de procedimentos a serem observadas pela Administração Pública Federal em razão de decisões judiciais, assim estabelece em seus artigos 1º, § 3º e 4º, inciso I: “Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1º Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. § 2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Fl. 14DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 15 15 Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. § 3º O Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou do AdvogadoGeral da União, poderá autorizar a extensão dos efeitos jurídicos de decisão proferida em caso concreto.” (...) Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Inexistentes atos afastando a aplicação das disposições contidas no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as mesmas devem prevalecer na esfera administrativa. Assim, devem ser mantidos também os lançamentos do PIS e da Cofins. Por fim, assevero que ao fundamentos acima transcritos nada cabe acrescentar, pelo que peço vênia para adotálos aqui como razões de decidir. Estou plenamente convencido de que a contribuinte nada comprovou quanto a origem dos depósitos bancários que efetivamente foram realizados em sua contacorrente bancária. 4) Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e no, mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 15DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10830.722108/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO PLEITEADO NA ESFERA JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO.
Por força de específica determinação legal, considera-se não declarada a compensação em que o contribuinte tenha utilizado crédito proveniente de decisão judicial sem trânsito em julgado.
DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE.
Por estar submetido ao rito recursal estabelecido na Lei 9.784/1999 (art. 56 e seguintes), não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, de recurso voluntário perante este Conselho, contra decisão proferida por meio de despacho decisório que considerou não declarada a compensação realizada pelo sujeito passivo, exceto no caso de estrito cumprimento de decisão judicial, em que haja expressa determinação no sentido da observância do rito processual/recursal fixado no Decreto 70.235/1972, como ocorreu no caso em tela.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.916
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 CRÉDITO PLEITEADO NA ESFERA JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO. Por força de específica determinação legal, considera-se não declarada a compensação em que o contribuinte tenha utilizado crédito proveniente de decisão judicial sem trânsito em julgado. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. Por estar submetido ao rito recursal estabelecido na Lei 9.784/1999 (art. 56 e seguintes), não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, de recurso voluntário perante este Conselho, contra decisão proferida por meio de despacho decisório que considerou não declarada a compensação realizada pelo sujeito passivo, exceto no caso de estrito cumprimento de decisão judicial, em que haja expressa determinação no sentido da observância do rito processual/recursal fixado no Decreto 70.235/1972, como ocorreu no caso em tela. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1797; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.722108/201441 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302004.916 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria PIS/COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente SANASA SOCIEDADE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E SANEAMENTO S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 CRÉDITO PLEITEADO NA ESFERA JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO. Por força de específica determinação legal, considerase não declarada a compensação em que o contribuinte tenha utilizado crédito proveniente de decisão judicial sem trânsito em julgado. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. Por estar submetido ao rito recursal estabelecido na Lei 9.784/1999 (art. 56 e seguintes), não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, de recurso voluntário perante este Conselho, contra decisão proferida por meio de despacho decisório que considerou não declarada a compensação realizada pelo sujeito passivo, exceto no caso de estrito cumprimento de decisão judicial, em que haja expressa determinação no sentido da observância do rito processual/recursal fixado no Decreto 70.235/1972, como ocorreu no caso em tela. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 21 08 /2 01 4- 41 Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10830.722108/201441 Acórdão n.º 3302004.916 S3C3T2 Fl. 3 2 PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte obteve sentença judicial declarando a sua imunidade tributária. Como o art. 10, IV, da Lei nº 10.833, de 2003, prevê que as pessoas jurídicas imunes continuam a apurar e recolher a contribuição pelo regime cumulativo, mas a requerente havia recolhido a contribuição de acordo com o regime não cumulativo, ela retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), adequando os débitos a esse regime e compensou a diferença recolhida a maior por meio das DComp ora analisadas. A DRF/CampinasSP, por meio do despacho decisório constante nos autos, considerou as compensações não declaradas porquanto entendeu que se tratava de crédito discutido judicialmente e a legislação de regência prevê que a compensação somente pode ser efetuada após o trânsito em julgado da ação, caso contrário será considerada não declarada. Não há previsão legal para apresentação de manifestação de inconformidade nos casos de despacho decisório que considera a compensação não declarada, tampouco para suspensão dos débitos objeto da compensação. No entanto, a contribuinte obteve judicialmente a suspensão da exigibilidade dos débito objeto da compensação, bem assim o direito de apresentar manifestação de inconformidade contra o despacho decisório prolatado. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte alega, em resumo, que obteve na Justiça, em antecipação de tutela, o reconhecimento de sua imunidade tributária recíproca, cuja apelação da União encontrase pendente de julgamento, e: · Argumenta que o art. 8º, IV, da Lei nº 10.637, de 2002, bem assim o art. 10, IV, da Lei nº 10.833, de 2003, prevêem que as pessoas jurídicas imunes estão excepcionadas da apuração não cumulativa das contribuições sociais, assim foi obrigada a apurálas pelo regime cumulativo. · No entanto, mesmo devendo apurar o PIS e a Cofins pelo regime cumulativo a partir de 25/02/2009, continuou a recolhêlos com base na sistemática não cumulativa até março de 2010. Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10830.722108/201441 Acórdão n.º 3302004.916 S3C3T2 Fl. 4 3 · Desta forma, identificado o erro, a recorrente refez os cálculos desse período e “se utilizou das vias legais paras as respectivas compensações”. · Alega que a compensação promovida foi por reflexo da declaração da imunidade tributária, não podendo se aplicar a vedação do art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN), pois não discute ou contesta a legalidade ou cobrança das contribuições nem o crédito utilizado nas DComp analisadas. · Argumenta que “tributo” é sempre o valor devido pelo sujeito passivo ao Fisco e “crédito do sujeito passivo”, o valor devido por aquele a este, oriundo de recolhimentos indevidos. · O indébito tributário, portanto, não é tributo nem receita do Estado, sendo mero ingresso de caixa, não sendo alcançado pela norma em comento. · O termo tributo mantém maior rigidez nos arts. 170 a 174 do CTN, referindose sempre ao crédito do sujeito ativo. O crédito do sujeito passivo é sempre chamado de “crédito do sujeito passivo” para não ocorrer confusão. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e mantido íntegro o questionado despacho decisório, nos termos do Acórdão nº 14055.874. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que considerase não declarada a compensação cujo crédito provém de decisão judicial não transitada em julgado, não cabendo a apresentação de manifestação de inconformidade, salvo em caso de determinação judicial em sentido contrário. A recorrente foi cientificada da referida decisão e inconformada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase de manifestação de inconformidade. A recorrente protocolou ainda petição juntando documentação aos autos e requerendo a manutenção da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários que já se encontravam suspensos por determinação judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.913, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.722070/201415, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10830.722108/201441 Acórdão n.º 3302004.916 S3C3T2 Fl. 5 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.913): "O recurso foi apresentado tempestivamente, não trata de matéria da competência deste Colegiado, por falta de previsão legal, porém, dele tomase conhecimento, em cumprimento da determinação judicial exarada no Mandado de Segurança nº 000747782.2014.4.03.6105, impetrado pela recorrente perante 4ª Vara da Justiça Federal de Campinas/SP, que determinou aplicação do rito processual/recursal do Decreto 70.235/1972. Conforme bem delineado no relatório precedente, a controvérsia cinge se ao direito ou não de a recorrente proceder a compensação do suposto indébito tributário decorrente da mudança do regime não cumulativo para regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, amparada por decisão judicial não transitada em julgada. Para melhor compreensão do objeto lide, veja a seguir o resumo dos principais fatos que motivaram a recorrente a realizar o procedimento compensatório em apreço: Em 14 de novembro de 2008 o contribuinte ingressou com a ação ordinária n° 2008.61.05.0118663 (PAJ 12971.000226/200959), junto à 3ª Vara Federal de Campinas, com pedido de antecipação de tutela, objetivando a declaração do direito de deixar de apurar e recolher impostos e contribuições sociais, sob alegação de imunidade tributária nos termos do art. 150, VI "a" da Constituição Federal. Em 03 de dezembro de 2008 foi indeferida a antecipação de tutela. Em 25 de fevereiro de 2009 o TRF3 deferiu parcialmente a antecipação de tutela, em sede de agravo de instrumento, para reconhecer a imunidade tributária da autora concernente aos impostos federais. Em 29 de março de 2010 o Juízo de 1ª instância julgou parcialmente procedente a ação para declarar a inconstitucionalidade da cobrança de impostos federais, reconhecendose a imunidade tributária da autora, nos exatos termos do art. 150, VI, "a", da Constituição Federal. Em 26 de abril de 2010 julgou procedente os embargos de declaração opostos pelo contribuinte para manter a antecipação da tutela deferida pelo TRF3. O recurso de apelação da União foi recebido no efeito devolutivo e até a presente data encontrase no Tribunal Regional Federal da 3 a Região aguardando julgamento, conforme pesquisa no site do Tribunal. No entanto, ainda sem o trânsito em julgado da ação, o contribuinte retificou suas obrigações acessórias (conforme extratos da DCTF em anexo, em que alterou a apuração da COFINS da nãocumulatividade para a cumulatividade) e Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10830.722108/201441 Acórdão n.º 3302004.916 S3C3T2 Fl. 6 5 requereu administrativamente a repetição do indébito na forma de declarações de compensação. Por sua vez, considerando que a fiscalizada não declarou em DCTF os valores devidos que estão com a exigibilidade suspensa, em face da sentença não definitiva, foi efetuado o lançamento dos créditos tributários devidos, os quais são controlados pelo processo administrativo 10830.723884/201205 (lançamentos relativos a COFINS e PIS), dentre outros. De acordo com o despacho decisório em apreço, a autoridade da unidade de origem da Receita Federal do Brasil considerou não declarada as referidas compensações, com base no art. 170A1 do CTN, que veda a compensação de crédito objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, e tendo em conta o disposto no art. 742, § 12, II, “d”, da Lei 9.430/1996, que atribui a condição de não declarada a compensação de crédito objeto de decisão judicial sem trânsito em julgado. Por sua vez, no presente recurso voluntário, a recorrente alegou que a compensação por ela promovida fora reflexo da declaração da imunidade tributária prolatada no âmbito da Ação Ordinária n° 2008.61.05.0118663, logo, não poderia ser aplicada ao presente caso a vedação determinada no art. 170A do CTN, pois, na referida ação não estava em discussão a legalidade ou cobrança das contribuições nem o crédito utilizado nas DComp colacionadas aos autos. Acontece que, diferentemente do que alegou a recorrente, a leitura da petição inicial (fls. 172/196) revela que, por meio da referida ação, expressamente ela pleiteou que a União fosse condenada “a restituirlhe as quantias que pagou indevidamente, no montante a ser apurado em liquidação de sentença, devidamente atualizadas, pelos índices cabíveis, desde a data de cada pagamento, até a data da efetiva devolução, com juros e correção monetária [...]”. Dessa forma, o teor da citada peça processual confirma que a referida ação foi proposta com o objetivo não só de não recolher os impostos e contribuições federais, bem como obter o direito de ser restituída dos valores dos impostos e contribuições indevidos recolhidos. E o fato de a sentença judicial prolatada no âmbito da referida ação (fls. 260/262) ter assegurado o direito de a recorrente ser restituída das quantias pagas indevidamente e de não pagar as quantias futuras em relação apenas aos impostos federais, em razão da imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, 1 Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 2 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou [...] Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10830.722108/201441 Acórdão n.º 3302004.916 S3C3T2 Fl. 7 6 “a”, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), não tem o condão de afastar a discussão judicial em torno do pedido de restituição e não pagamento das contribuições sociais. Até a decisão final, com trânsito em julgado, tal matéria ainda se encontra sob crivo do Poder Judiciário, portanto, ainda pendente de julgamento na esfera judicial. No caso, embora o pedido de não pagamento e restituição da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não tenha sido acatado na referida decisão judicial, com base no entendimento de que as pessoas jurídicas imunes estavam sujeitas ao regime cumulativo de apuração das citadas contribuições, a recorrente apresentou várias Declarações de Compensação (DComp), incluindo as encartadas nos presentes autos, em que utilizou como crédito a diferença a maior entre o valor apurado e recolhido pelo regime não cumulativo e o valor supostamente devido pelo regime cumulativo. Dessa forma, resta demonstrado que o indébito tributário objeto do procedimento compensatório em apreço, inequivocamente, encontravase, na data da apresentação das DComp, e ainda se encontra em discussão na esfera judicial, segundo noticiam os autos. E somente após o trânsito em julgado da derradeira decisão judicial é que se terá o desfecho definitivo para os pleitos de restituição formulados no âmbito do citado processo judicial. Dada essa circunstância, ao considerar não declarada as compensações em tela, o titular da unidade de origem da RFB decidiu em perfeita consonância com o disposto no art. 170A do CTN e em cumprimento ao que determina o art. 74, § 12, II, “d”, da Lei 9.430/1996. Além disso, ainda que a recorrente não tivesse postulado em Juízo a restituição das referidas contribuições, o que se admite apenas por hipótese, indiretamente, a apuração do suposto indébito decorrente da mudança do regime apuração não cumulativo para regime cumulativo somente poderia ser feita após o do trânsito em julgado da decisão judicial final a ser prolatada no âmbito da citada ação ordinária. Dada essa condição, resta evidenciado que somente após proferida a decisão judicial final com trânsito em julgado, o eventual crédito apurado com base na adoção do novo regime apuração das contribuições ostentará os atributos da certeza e liquidez exigidos pelo art. 170 do CTN. E sem tais atributos, certamente, o suposto crédito não é passível de restituição e, por conseguinte, de compensação, consoante dispõe o caput do art. 74 da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) grifos não originais Por todas essas razões, não merece reparo à decisão proferida no questionado despacho decisório, que considerou as compensações em apreço não declaradas, com respaldo no art. 74, § 12, II, “d”, da Lei 9.430/1996. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida." Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10830.722108/201441 Acórdão n.º 3302004.916 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1137DF CARF MF
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