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Numero do processo: 13807.005089/2004-07
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/07/1999 a 31/10/2003
CRÉDITO DE CSLL. 1.ª SEÇÃO DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Crédito de CSLL é tributo de competência da 1.ª Seção conforme Art. 2 do Anexxo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Se o processo for distribuído para outra seção, esta deve declinar a competência para a 1.ª Seção de julgamento.
Numero da decisão: 3201-003.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência à primeira seção do CARF. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
(assinatura eletrônica)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura eletrônica)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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COMPETÊNCIA. Crédito de CSLL é tributo de competência da 1.ª Seção conforme Art. 2 do Anexxo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Se o processo for distribuído para outra seção, esta deve declinar a competência para a 1.ª Seção de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência à primeira seção do CARF. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinatura eletrônica) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura eletrônica) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 50 89 /2 00 4- 07 Fl. 258DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 122 em face da decisão de primeira instância neste procedimento administrativo fiscal da DRJ/SP de fls. 109 que indeferiu a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte de fls. 93, restando indeferido o pedido de restituição e não homologada a compensação com créditos de CSLL, Pis e Cofins. Como de costume desta Turma de julgamento, segue a transcrição do relatório da decisão de primeira instância para apreciação: "A contribuinte qualificada em epígrafe apresentou manifestação de inconformidade em face de indeferimento do Pedido de Restituição formulado e conseqüente não homologação das compensações vinculadas ao presente processo. 0 Pedido de Restituição foi recepcionado em 12/07/2004 (fl. 01), referindose A multa moratória em razão de atrasos nos recolhimentos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (código 2172), contribuição para o PIS/PASEP (sobre faturamento — código 8109, e não cumulativo — código 6912), efetuados no período de 30/09/1999 a 22/12/2003, conforme planilha anexada A fl. 18 e DARF (cópias As fls. 19 a 66). Vinculado ao presente processo foi apresentado o PER/DCOMP de n° 42738.02658.190704.1.3.042709, informando a compensação dos seguintes débitos (fls. 69 a 72): Tributo Código Vencimento Valor pleiteado Cofins 2172 15/08/2001 3.566.154,40 PIS/PASEP 8109 15/08/2001 899.945,17 Cofins 2172 13/07/2001 952.892,96 Analisando o pleito, a Autoridade Administrativa proferiu o Despacho Decisório de fls. 74 a 82, indeferindo o pedido de restituição e não homologando as compensações declaradas, conforme sintetizado abaixo: Trata o presente processo de Pedido de Restituição no montante de R$ 8.905.928,50, referente As multas de mora e juros dos pagamentos de PIS, Cofins e CSLL, referentes aos períodos de apuração de julho/1999 a outubro/2003, recolhidos em atraso. Com base nos créditos que pleiteia, busca a extinção dos débitos relativos a tributos administrados pela SRF, relacionados em Declaração de Compensação eletrônica de n° 42738.02658.190704.1.3.042709, transmitida A Receita Federal em 19/07/2004. A requerente entende que a multa de mora foi paga indevidamente, uma vez que a exclusão da responsabilidade por infrações, em virtude de denúncia espontânea, a que alude o art. 138 do CTN, atingiria a multa de mora. 0 art. 138 do CTN integra a Seção IV (Responsabilidade por Infrações) e guarda uma relação lógica com os dois artigos precedentes (136 e 137), que tratam das responsabilidades objetiva e pessoal do agente. Tais dispositivos dizem respeito somente A multa punitiva, decorrente de infração A legislação tributária. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13807.005089/200407 Acórdão n.º 3201003.093 S3C2T1 Fl. 259 3 0 art. 161 do CTN estabelece que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, sejam elas de natureza moratória ou penal. 0 art. 138 do CTN dispõe que a denúncia espontânea exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela infração, ficando o fisco impedido de lançar a multa de oficio (multa de natureza penal), mantendose, no entanto, a obrigação de pagar a multa moratória (multa de natureza indenizatória), devida desde o dia seguinte ao do vencimento do cumprimento da obrigação principal. No ordenamento jurídico vigente, o legislador criou a multa de mora para coibir o descumprimento dos prazos legais para pagamento dos tributos. A interpretação de que o art. 138 do CTN impede a aplicação da multa de mora retiraria toda a imperatividade da norma que fixa prazos para recolhimento de tributos/contribuições. 0 vigente art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, nab pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Os artigos 161 e 134, do crN, evidenciam que o próprio Código Tributário Nacional tratou da multa moratória, sendo incongruente interpretar que o art. 138 a exclui na hipótese em que esta é cabível. 0 art. 138 faz parte do Capitulo V (Responsabilidade Tributária) do Titulo II (Obrigação Tributária), referindose ao chamado arrependimento eficaz, em que se dispensa a penalidade pecuniária quando o pagamento do tributo/contribuição desfaz a irregularidade. Tratandose de multa de mora, a irregularidade é o descumprimento do prazo, e esta não de desfaz com o pagamento extemporâneo. A doutrina, consoante entendimentos expressos por consagrados tributaristas, como Paulo de Barros Carvalho (in Curso de Direito Tributário, 2a ed., São Paulo, Saraiva, 1986, p. 322/3) e Fábio Fanucchi (Curso de Direito Tributário Brasileiro, 4a ed., Resenha Tributária, p. 453), temse pronunciado no sentido de ser de natureza indenizatória a multa de mora, cabível nos pagamentos efetuados em atraso. 0 instituto da denúncia espontânea exclui a responsabilidade por infrações, afastando a penalidade aplicável ao contribuinte infrator, por este ter agido espontaneamente, não se aplicando à multa de mora, que não tem a natureza jurídica de penalidade. Os julgados administrativos, do Conselho de Contribuintes (Acórdãos de n's 10807268, de 30/01/2003, 10244873, de 20/06/2001, 105 13378, de 10/11/2000, 10512822, de 13/05/1999, 10610930, de Fl. 260DF CARF MF 4 23/09/1998, 10512478, de 16/07/1998), e também o Judiciário (decisão proferida no MS de n° 96.03.0768286, DJ2, de 30/10/1996, p. 82911), têm confirmado este entendimento. Diante do exposto, indeferese o pedido de restituição e não se homologa a declara o de compensação n° 42738.02658.190704.1.3.042709. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 15/02/2008 (fl. 83, verso), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 86 a 90), em 14/03/2008, com as seguintes alegações, em síntese: Em face de diversos julgados emitidos pelo Superior Tribunal de Justiça, bem como decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda requereu restituição, nos termos da Instrução Normativa da SRF n° 210, de 2002, dos valores pagos a maior em virtude de cobrança de multa moratória, em discordância expressa ao que reza o artigo 138 do Código Tributário Nacional. A liquidez e certeza do direito da requerente decorrem da norma expressa no artigo 138 do CTN. A doutrina e a jurisprudência têm respaldado uma interpretação teleológica do art. 138 do CTN, sempre direcionada ao estimulo do saneamento das irregularidades no plano fiscal por meio da atuação do próprio sujeito passivo da obrigação tributária, antecipando o recolhimento aos cofres públicos. Como já decidiu o E. Superior Tribunal de Justiça, estabelecer penalidades em denúncia espontânea, no caso em tela, a exigência de multa moratória e o acréscimo financeiro, seria "desconsiderar o voluntário saneamento da falta, malferindo o fim inspirado da denúncia espontânea e animando o contribuinte a permanecer na indesejada impontualidade, comportamento prejudicial A arrecadação da receita" (RESP no 9.421 — PR). A outorga da possibilidade do recolhimento espontâneo do tributo devido, sem incidência de penalidades, antes de qualquer procedimento fiscal, muito se assemelha A figura do arrependimento eficaz previsto no art. 15 do Código Penal. Ao propiciar o recolhimento do tributo e de seus consectdrios legais sem imposição de penalidades, o art. 138 do CTN estimula o adimplemento voluntário da obrigação tributária sem qualquer prejuízo A Fazenda Pública Federal, A medida que o tributo é recolhido devidamente corrigido e acrescido de juros moratórios. Desgarrada das finalidades do art. 138 do CTN, a Fazenda Pública Federal ainda sustenta diferença de tratamento, sob a ótica desse dispositivo, entre a multa moratória e a punitiva, como se aquela não correspondesse também a uma sanção pela violação do dever de pagar pontualmente o tributo, tal como a penalidade imposta pelo acréscimo financeiro decorrente da impontualidade. Não lid como distinguir a multa moratória de outros tipos de multa para fins de sua exclusão do âmbito do artigo 138, A medida que o vocábulo infração, nele inserido, é suficientemente amplo para abranger todo e qualquer tipo de violação da lei tributária ao qual se vincula. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13807.005089/200407 Acórdão n.º 3201003.093 S3C2T1 Fl. 260 5 0 pagamento fora do prazo imposto pela norma tributária importa na sua infringência, havendo, pois, uma infração pela qual responde o contribuinte se não efetuar a sua denúncia espontânea com as providências previstas no mesmo artigo 138 do CTN. Na doutrina essa questão tem sido muito debatida, entendendose inexistir distinção, para fins de incidência desse dispositivo legal, entre as multas moratórias e as indenizatórias. Dentre os tributaristas que versaram a matéria destacase Sacha Calmon Navarro Coelho (Comentários ao Código Tributário Nacional, 2a edição, Forense, 1998, p. 335), Aliomar Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro, p. 261) e Fábio Fanucchi (Curso de Direito Tributário Brasileiro, p. 438). Outra não é a orientação da jurisprudência, como na decisão do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário n° 106.068 — SP, relatado pelo Ministro Rafael Mayer, e em inúmeras decisões do E. Superior Tribunal de Justiça, cujas ementas transcreve. Conclui pelo acolhimento do pedido de restituição e requer a total reforma da decisão que o indeferiu." A Ementa deste Acórdão de primeira instância administrativa fiscal foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/1999 a 31/10/2003 MULTA DE MORA INCIDENTE EM RECOLHIMENTOS EFETUADOS COM ATRASO. CABIMENTO NOS DÉBITOS RECONHECIDOS ESPONTANEAMENTE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. O recolhimento de tributo efetuado após o vencimento deve ser acrescido da multa moratória, por expressa determinação legal. E incabível a restituição da multa moratória recolhida e, em conseqüência, não se homologam as compensações declaradas em DCOMP eletrônica, vinculada ao crédito pleiteado. Solicitação Indeferida" Após o protocolo do Recurso Voluntário, os autos foram distribuídos e pautados. Esta Turma de julgamento em fls. 248 entendeu ser necessário converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: "Nesse contexto e com referência à entendimentos anteriores desta Turma, a exemplo a Resolução 3201000695, entendese que o presente julgamento deva ser convertido em diligência, a fim de que a unidade preparadora formalize um novo processo administrativo, para o qual deverá ser transferido o crédito tributário decorrente apenas da CSLL, devendo permanecer nos autos os demais créditos de PIS e COFINS. Fl. 262DF CARF MF 6 Ao término do procedimento, ambos os processos administrativos devem ser devolvidos a esta turma para prosseguimento no julgamento." Conforme despacho de fls 255 a diligência não pôde ser cumprida nos seguintes termos: "Em resposta à resolução de fls. 248 a 253, informo que o Sistema Sief não contempla o desmembramento do crédito. Caso seja realizado manualmente, ocorre a impossibilidade de lançamento dos eventos no processo desmembrado, uma vez que o sistema não permite lançamento de eventos em data anterior à protocolização do processo." Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria estranha à esta 3.ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, está ausente o requisito de admissibilidade, portanto o Recurso Voluntário não deve ser conhecido. Conforme Art. 2 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho podese verificar a competência da primeira seção para julgar o tributo em questão, conforme segue: "Seção I Das Seções de Julgamento Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)." Não somente a presença do tributo está no próprio relatório transcrito neste voto, da decisão de primeira instância, como pode ser verificado que o contribuinte solicita crédito de CSLL em fls. 2 a 77, assim como no despacho da autoridade de origem de fls. 79 e demais peças e documentos dos autos. O regimento interno soluciona este aparente conflito de competências, conforme Anexo II, Art. 8.º, I, transcrito a seguir: "Art. 8º Na hipótese prevista no § 1º do art. 7º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: I da 1ª (primeira) Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais;" Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13807.005089/200407 Acórdão n.º 3201003.093 S3C2T1 Fl. 261 7 Em razão do exposto, votase para DECLINAR A COMPETÊNCIA para a 1.ª Seção de julgamento, conforme regimento interno. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 264DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.012689/2007-26
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2006
IMPUGNAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO.
O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal.
Numero da decisão: 1803-000.952
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes, que conhecia do recurso e negava-lhe provimento.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2006 IMPUGNAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1533; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 68 1 67 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.012689/200726 Recurso nº 883.690 Voluntário Acórdão nº 180300.952 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de junho de 2011 Matéria MULTA ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO Recorrente ORGANIZAÇÃO CEARENSE DE DISTRIBUIÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2006 IMPUGNAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes, que conhecia do recurso e negavalhe provimento. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Marcelo de Assis Guerra, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10380.012689/200726 Acórdão n.º 180300.952 S1TE03 Fl. 69 2 Fl. 89DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10380.012689/200726 Acórdão n.º 180300.952 S1TE03 Fl. 70 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 16): Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrado auto de infração de multa, no valor total de R$ 4.049,61, em virtude da apresentação em atraso da Declaração de Débitos e Créditos de Tributários Federais (DCTF) relativa ao primeiro semestre de 2006 (fl. 5). 2. Cientificado da pretensão fiscal, o sujeito passivo apresentou impugnatória em 29.10.2007 (fls. 1/3), requerendo o cancelamento das multas, com base nos seguintes argumentos: (i) a apresentação espontânea das DCTFs elide a multa, porquanto, a multa só começaria a ser cobrada a partir da notificação para entrega a DCTF, o que não ocorreu; (ii) o atraso na entrega da declaração foi de apenas cinco meses, e não oito. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 15): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 DCTF. MULTA POR ATRASO. A apresentação de declaração fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator às penalidades legais, salvo se caracterizada alguma situação de dispensa legal de apresentação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 3. Cientificada da referida decisão em 06/07/2010 (fls. 21), a tempo, em 20/07/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 22 a 38, instruído com os documentos de fls. 39 a 65, nele produzindo um alentado estudo sobre os princípios da legalidade e da reserva legal e sobre a natureza jurídica da obrigação acessória, para concluir que a criação de obrigações acessórias por meio de normas infralegais é inconstitucional, sendo este o caso da DCTF. Em mesa para julgamento. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10380.012689/200726 Acórdão n.º 180300.952 S1TE03 Fl. 71 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Preclusão 4. Com relação às alegações trazidas com o Recurso Voluntário [inconstitucionalidade da obrigação acessória da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF)] (fls. 22 a 38), e que não constaram da Impugnação apresentada (fls. 1 a 3), o que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. 5. De todo modo, incidiria na espécie a Súmula Carf nº 2, de seguinte teor: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, por conter, unicamente, matéria preclusa, não questionada na fase impugnatória. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 91DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
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Numero do processo: 10510.002224/2005-72
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA — RESERVA LEGAL.
AVERBAÇÃO — ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá excluí-la da base de cálculo para apuração do ITR.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.440
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10510.002224/2005-72 Recurso n° 343.349 Voluntário Acórdão n° 2101-00.440 — 1" Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2010 Matéria ITR Recorrente USINA SÃO JOSÉ DO PINHEIRO LTDA Recorrida i a TUR_MA/DRJ-RECIFE/PE Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA — RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO — ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá excluí-la da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatorr---) CIO • MARCOS • PO - Presidente ,7 1/ JOSÉ RA D\--,TVSTA SANTOS - Relator EDITADO EM: 18 JH N 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage e Robinson Passos de Castro e Silva. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 11-23.118, proferido pela ia Turma da DRJ Recife (fls. 133/145), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração às fls. 02/06. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/06, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 2001, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Fonte Escondida", localizado no município de Areia Branca - SE, com área total de 891,1 ha, cadastrado na SRF sob o n° 3.161.852-9, no valor de R$ 35.877,59 (trinta e cinco mil oitocentos e setenta e sete reais e cinqüenta e nove centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 31/08/2005, perfazendo um crédito tributário total de R$ 87.925,20 (oitenta e sete mil novecentos e vinte e cinco reais e vinte centavos). 2. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITRJ2001 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do ITR, fl. 02, a fiscalização apurou a seguinte infração: a) exclusão, indevida, da tributação de 891,1 ha de área de utilização limitada. 3. A exclusão indevida, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl.06, tem origem na falta de apresentação dos documentos solicitados. 4. O Auto de Infração foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 10/10/2005, conforme AR de fl. 19. 5. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 09/11/2005, a impugnação de fls. 20/131, alegando, em síntese: 1— que foi intimada a apresentar documentos para análise dos dados informados na DITR/2001 e em tempo hábil compareceu para explicar que não possuía os documentos solicitados; — que o § 7° do art. 10 da Lei n°9.393, de 1996, com redação -dada pela MP 2.166-67, de 2001, para obter a exclusão dessas áreas, está dispensado da comprovação de tal circunstância, bastando, para tanto, declaração destas áreas; ou seja, é desnecessária a apresentação e comprovação, pelo contribuinte, de Ato Declaratório Ambiental — ADA, cabendo à autoridade fiscal a prove da falta de veracidade do declarado; III — transcreve ementas do Conselho de Contribuintes; IV— transcreve ementas da área judicial; V — que o Laudo Técnico comprova a existência da área de utilização limitada; 2 Processo n° 10510.002224/2005-72 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.440 Fl. 184 VI — que o Conselho de Contribuintes entende que a comprovação da área de utilização limitada não depende exclusivamente de seu reconhecimento através do ADA ou da prévia averbação à margem da matrícula de registro de imóveis no cartório competente, podendo ser comprovada por meio de Laudo Técnico ou outras provas idôneas; VII— que o imóvel em questão encontra-se descrito no art. 2° do Decreto n° 10.557, de 2005, que criou o Parque Nacional Serra de Itabaiana, e o art. 40 declarou como de utilidade pública, para fins de desapropriação pelo lhama. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador a quo manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao protocolo do Ato Declarató rio Ambiental - ADA no Ibama ou em órgão estadual competente, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica. Deverá ser reconhecida pelo lhama e averbada à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. (-1 A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Lançamento Procedente Em sua peça recursal (fls. 149/162), a contribuinte repisa as mesmas questões declinadas perante o Órgão julgador de primeiro grau. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. 3 O litígio em exame decorre da glosa integral da área de utilização limitada, conforme Demonstrativo de Apuração do 1TR, à fl. 02, e Descrição dos Fatos do Auto de Infração, à fl. 06. Intimado, o contribuinte não apresentou o ADA nem a averbação no registro imobiliário, desta área, conforme Termo de Intimação Fiscal à fl. 07. Cumpre ressaltar que, para constituição da Reserva Particular do Patrimônio Natural, também se faz necessário a elaboração de ato ambiental específico, denominado de Termo de Compromisso, e averbação deste no Cartório Imobiliário, conforme determina o artigo 21 da Lei n° 9.985, de 2000. Do exame das peças processuais e elementos de prova juntados pelo contribuinte em sua impugnação ao lançamento e em sede recursal, verifica-se que o voto condutor da decisão recorrida não merece qualquer reparo (fls. 135/145), tendo em vista que a averbação de reserva florestal do imóvel denominado Fazenda Fonte Escondida e Outras somente ocorreu no ano de 2006, conforme Termo de Responsabilidade à fl. 172/173, e o pedido do ADA ocorreu no ano seguinte (fl. 179). Laudos Técnicos não substituem as exigências legais estabelecidas para fruição do beneficio fiscal. Também não houve qualquer ato de desapropriação, por utilidade pública, do imóvel rural em comento, razão pela qual permanece a autuada na sujeição passiva tributária. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, somente produzindo efeitos fiscais a partir deste ato. Por tal motivo, inóqua a apresentação de laudo técnico ou a criação no ano de 2005 do Parque Nacional Serra de Itabaiana, através do Decreto n° 10557, já que a exigência tributária em exame refere-se ao ITR do exercício de 2001. • Na forma do art. 144 do urN, o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Na ausência de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador, tal área deverá compor a base de cálculo para tributação do ITR do exercício de 2001. Mais recentemente, a discussão a respeito sobre a necessidade do ADA ou da averbação da área de reserva legal no registro imobiliário para fins de isenção do ITR foi objeto de intenso debate na 2' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, prevalecendo ao final o entendimento de que a averbação no registro imobiliário e o protocolo do pedido do ADA (no prazo de seis meses a contar da data para apresentação da DITR) condição para o reconhecimento dessas áreas como isentas de tributação pelo ITR (Acórdão n° 9202-00.077, sessão de 17/08/2009). Peço vênia ao ilustre relator Júlio César Vieira Gomes, para a transcrição do seu voto, com o qual concordo e adoto como razões de decidir: Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (-) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. 4 Processo n° 10510.002224/2005-72 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.440 Fl. 185 Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n° 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinaão para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. E o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2°, com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16. § § 2°. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbado à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinaçã o, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fux e o RMS 18301 / MG, Min. João Otávio de Noronha, a 6 . reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa à propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbá-la junto ao órgão competente). Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo. São Paulo. Atlas. 2003. 15a ed., p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas com fundamento no poder de policia do - Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social. (destaquei) 5 De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as áreas submetidas à restrição do pagamento do I7R. Com as devidas vênias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e só: Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do 1TR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal) • De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero ato de averbação, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade especifica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declarató rio do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive à administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário n° 127.562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman) É uma peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. É a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a área de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da área eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição firmou-se a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. ''Cr‘ 6 Processo n° 10510.002224/2005-72 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.440 Fl. 186 A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: (-) IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas caiares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinaçã o nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve_ Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23.370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min. Septilveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA: _ . 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legal: A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2 0 do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do 7 imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf L. 8.629/93, art. 10, IV),sem que esteja identificada na sua averbação (v.g MS 22.688) Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186/ DF, Tribunal Pleno, de relatoria do Ministro Carlos Brito, publicado no DJ de 02/03/2007: Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Precedente: MS 22.688. Peço licença para transcrever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado: Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger, apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção. Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007). Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Quanto às exigências relacionadas à reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do LIR da área ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo. Em razão do exposto, entendo que deve ser incluído na base de cálculo do ITR o valor correspondente à reserva legal não averbada à época do fato gerador. Considerando os fundamentos acima expostos, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões - D - 11 de março de 2010 JOSÉ RALVI' O S STASANTOS 8
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Numero do processo: 15922.000023/2007-74
Data da sessão: Wed Jun 09 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2301-000.065
Decisão: RESOLVEM os membros da Terceira Câmara, Primeira Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, na forma do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Julio Cesar Vieira Gomes que votaram pela prescindibilidade de nova diligência, acatando resposta do médico perito.
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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RESOLVEM os membros da Terceira Câmara, Primeira Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, na forma do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Julio Cesar Vieira Gomes que votaram pela prescindibilidade de nova diligência, acatando resposta do médico perito.. JULIO A. Ti '11'. • OMES — Presidente DAMIÃO CORDEI-Imr DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente) e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente) JUL,10 OMES — Presidente Processo n" 15922.(.100(12.3/2007-74 Resolução n " 2301-00.065 S2-C3TI Fl 2 Relatório 'Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa THYSSENKRUPP METALÚRGICA CAMPO LIMPO LTDA contra decisão que julgou procedente o lançamento de créditos previdenciários destinados ao financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. A decisão de primeira instância restou assim ementada: "CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA — CUSTEIO — AFERIÇÃO DA ALlOUOTA ADICIONAL PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. — A empresa que tiver trabalhado,. sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde deste, ou sua integridade lis/eu, estará sujeita ao pagemmento de contribuição adicional, ao artigo 22, inciso II da Lei n" 8.212/91. 2 — A falta, incoerência ou incompatibilidade dos documentos da empresa relativos aos riscos ambientais do trabalho autoriza o lançamento, por aferição indireta, das aliquotas adicionais na firma da lei, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. 3 — A fiscalização do INSS tem competência legal e funcional para verificar os documentos relacionados à segurança do trabalho que tenham reflexo em termos de contribuições sociais, não estando adstrita à prévia verificação pelos .fiscais do MTE. 4 — A _fiscalização fará o lançamento de ofício da contribuição adicional sempre que se constatam- a falta ou a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação relacionado às contribuições sociais: LANÇAMENTO PROCEDENTE" O contribuinte, inconformado com a decisão, interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese os seguintes argumentos: a) preliminarmente, "compete a Justiça do trabalho apreciar e julgar toda e qualquer controvérsia decorrente da relação de trabalho, incluindo-se as contribuições previdenciárias decorrentes de suas decisões"; logo cabe ao magistrado trabalhista julgar e executar as contribuições devidas; b) pleiteia ainda a nulidade do lançamento fiscal tendo em vista a ausência de avaliações técnicas-periciais para avaliar o ambiente de trabalha no que tange a insalubridade e a periculosidade; a nulidade da decisão proferida por falta de fundamentação, não indicando, por exemplo, o motiva pelo qual as programas de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) propostos pela recorrente estariam em desacordo com as normas aplicáveis, inclusive não houve indicação do artigo infringido, desrespeitando, assim, o principio da ampla defesa e contraditório; 2 3 Processo n" 15922 000023/2007-74 s2-c3r Resolução n." 2301-00.065 Fl 3 c) assevera que os laudos judiciais relacionados ao período de fiscalização que atestaram a inexistência de insalubridade nos locais auditados, não foram discutidos nem examinados pela decisão vergastada. As contra-razões do fisco pugnaram pela conservação da decisão recorrida, a qual manteve a integralidade do lançamento fiscal haja vista a ausência de elementos novos e suficientes para refutar tal decisão. Em seguida, a 2" Câmara de Julgamento (CM) converteu o julgamento em diligência para que o perito técnico bem como o fisco se manifestassem sobre os quesitos formulados a respeito da exposição dos segurados a agentes de risco. Logo após, o fisco indicou o médico perito, o qual emitiu oficio a Delegacia da Receita Federal de jundiá esclarecendo que o fato de avaliar os agentes nocivos na data atual implicaria em uma análise que poderia não refletir a realidade encontrada durante o exercício de 1999 a 200.3, prejudicando, assim, a conclusão do laudo pericial. E, ainda, solicita liberação de verbas para custear o procedimento, e orientações sobre como proceder com a realização da perícia determinada. (fis. .3690/3691) É o relatório, Voto Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Como acima relatado, a decisão anterior da então 2" Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS foi exarada no sentido de converter o julgamento em diligência, o que gerou como efeito processual imediato a devolução de toda a matéria a novo julgamento, por este colegiada, em sede revisionaL Desta forma, já que ultrapassada a questão de conhecimento do recurso pelo decisum da 2" CM, passo a analisar as razões trazidas à lume. DAS PRELIMINARES REALIZAÇÃO E DILIGÊNCIA DA PRELIMINAR - REALIZAÇÃO E DILIGÊNCIA Preliminarmente, o meu voto é pela manutenção da decisão recorrida, que determinou a realização de perícia técnica para avaliação dos riscos ambientais supostamente enfrentados pelos empregados da empresa, Isso porque, era o entendimento do colegiado que à época analisou o caso e que resultou numa decisão a ser respeitada pela Administração Pública. Até porque, nos termos da Processo n" 15922.000023/2007-74 S2-CITA Resolução 11 " 2301-00.065 F I 4 Lei n." 9.784/99, em seu art. 2", parágrafo único, inciso X, é assegurado aos contribuintes a produção de provas nos processos administrativos.. Além do mais, a segurança jurídica deve militar em favor do contribuinte, pois não se pode admitir que este Conselho reforme decisão anterior que assegurou à recorrente a realização de diligência requerida para sanar dúvidas concretas apontadas pelo próprio relator à época da emissão de resolução do CRPS. E no presente caso, o procedimento de aferição adotado pelo fisco deve ser analisado com muita cautela, dado tratar-se de medida extrema a ser utilizado somente quando reste plenamente comprovado que a empresa, pela sua atividade, expõe seus empregados a riscos que ensejam a aposentadoria especial, e não efetua ou efetua precariamente o controle desses agentes, de tal sorte que seus trabalhadores efetivamente permaneçam expostos a tais riscos. O próprio art. 33, § 3" da Lei n" 8.212/91, confere ao fisco o poder de inscrever de oficio o débito tributário que julgar devido, Depreende-se que a importância reputada deve ser a mais próxima possível da realidade, pois o arbitramento não possui caráter de penalidade, mas sim de cobrar o que é devido em razão do seu objeto principal, qual seja o de custear aposentadoria especial. Além do mais, no âmbito trabalhista, conforme reza o artigo 195, caput, a caracterização da insalubridade e da periculosidade será feita mediante perícia técnica a ser realizada por um Médico ou Engenheiro do Trabalho, o que justifica a realização de diligência a fim de verificar a existência do agente nocivo, já que somente haverá incidência de tributo se demonstrada a respectiva exposição dos trabalhadores, consoante ventilado na decisão do CRPS. Eis o teor do dispositivo celetista: "Art 195 - A caracterização e a chissil icação da insalubridade e da periculosidade, segundo as . normas do Ministério do Trabalho, far-se-ão através de pericia a cargo de Médico do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho. Desta forma, acolho a preliminar de diligência para verificação in locu das condições ambientais de trabalho no que tange a nocividade dos agentes, conforme determinado na assentada anterior.. CONCLUSÃO Assim, voto por CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA. É como voto. DAMIÀO CORDEIRO DE MORAES - Relatou 4
score : 1.0
Numero do processo: 10380.011431/2005-41
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2000
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
MULTA QUALIFICADA.
Acontinuidade na prática de omissão, declarada como conhecida pela empresa recorrente, dá ensejo à imputação da multa de 150%, configurando o dolo.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas
operações.
Numero da decisão: 1803-001.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento em parte ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2000 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. MULTA QUALIFICADA. Acontinuidade na prática de omissão, declarada como conhecida pela empresa recorrente, dá ensejo à imputação da multa de 150%, configurando o dolo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações.
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. MULTA QUALIFICADA. Acontinuidade na prática de omissão, declarada como conhecida pela empresa recorrente, dá ensejo à imputação da multa de 150%, configurando o dolo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Tratase de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10380.011431/200541 Acórdão n.º 180301.219 S1TE03 Fl. 112 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento em parte ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente processo, de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ/Simples, contribuição para o Programa de Integração Social — PIS/Simples, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL/Simples, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS/Simples e da Contribuição para Seguridade Social — INSS/Simples, com base em omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários nas contas correntes n° 82.3952, agência 06750, do Banco do Brasil e n° 21.756, agência 0667, do Banco Itaú, não escriturados, sendo deduzido o valor dos rendimentos da pessoa física de R$ 42.800,00 declarado na DIRPF/2001. Foi apurada, ainda, insuficiência de recolhimento de tributos pela sistemática do Simples em função da omissão de receitas acima mencionada. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de impugnação, tendo apresentado defesa para cada um dos tributos alegando, em apertada síntese, que em conformidade com os extratos bancários acostados ao presente feito, registrou no exercício de 1999 movimentação financeira superior aos limites estabelecidos para o enquadramento como microempresa ou empresa de pequeno porte, razão pela qual a exclusão de ofício do Simples é medida que se impõe para efeitos de apuração e lançamento de tributos Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10380.011431/200541 Acórdão n.º 180301.219 S1TE03 Fl. 113 3 relativos ao exercício subsequente de 2000, segundo disciplina a Lei 9.317/96, em seus artigos 2°, 9°, 12 a 16. Prossegue referindo que o lançamento é ato administrativo vinculado, segundo o artigo 143 do CTN e que decorre da obrigação principal, posto que tem a mesma natureza desta (artigo 139 do CTN). Assim, quando a lei define a hipótese de incidência do tributo nada mais faz do que declarar a existência da obrigação tributária abstratamente. Ocorrendo o fato gerador, concretizase a obrigação tributária, formalizandose através do lançamento. O ato de lançamento constitui formalmente o crédito tributário, sendo que no caso em análise, caberia à autoridade fiscal atentar para os mandamentos da Lei n° 9.317/96, no que dispõe acerca da necessária, prévia e obrigatória exclusão do Simples, sob pena de atentarse contra o princípio da legalidade, pois a constituição do crédito tributário se dá através de um ato da autoridade administrativa denominado lançamento tributário, que deve aperfeiçoarse nos limites da lei (9.317/96), como todo e qualquer ato administrativo. Salienta que não existe qualquer margem de liberdade para o agente que deve aterse única e exclusivamente ao que está prescrito pelo tipo legal. Não poderá avaliar os dados que disponha para então decidir sobre a conveniência ou oportunidade de celebração do ato. Refere que no presente caso, não poderia ter escolhido o regime de tributação do qual deveria ter, necessariamente, excluído a empresa recorrente do Simples. O lançamento tributário não permite discricionariedade (art. 142, parágrafo único, CTN). De igual modo, aduz que sendo o lançamento o ato jurídico administrativo mediante o qual se determina a base de cálculo e a alíquota aplicável, formalizando o crédito tributário, a exclusão motivada do Simples, no caminho da definição numérica do crédito tributário, é fundamental à legalidade do ato. A importância correspondente ao crédito tributário, calculada com base no presente auto de infração, em sendo mantida, será resultado de operação matemática que conjuga base de cálculo e alíquota manifestamente ilegais, por ofensa aos dispositivos já transcritos da Lei n° 9.317/96. Também aborda a recorrente o princípio da legalidade, ao referir que o ato do agente público deve conformarse com a moralidade e a finalidade administrativas, pois Administração legítima só é aquela que se reveste de legalidade administrativa, princípio expresso no art. 37 da Constituição Federal. Em relação ao auto de infração da Contribuição para a Seguridade Social/INSSSimples, observa a ausência de fato tributável, pois no anocalendário de 2000 não manteve contrato de trabalho com nenhum empregado, nem mesmo contratou serviços de terceiros que envolvessem mão de obra laboral, razão pela qual não realizou despesa relativa à folha de pagamentos de salários ou pagamentos a terceiros prestadores de serviços. Desse modo, entende a recorrente que se o contribuinte não realizou qualquer dos antecedentes da regra matriz de incidência tributária da contribuição em exame (aspectos materiais), não se materializou a hipótese de incidência prevista no art. 22 da Lei n° 8.212/91, em qualquer de suas modalidades, vale dizer, não há fato gerador da obrigação tributária, nos termos dos arts. 114 e 116 do CTN. Ainda, salienta que a Lei Complementar n° 84/99 foi revogada, portanto entende ser dispensáveis maiores considerações. Por fim, por ter se afastado da legalidade, a ação fiscal implementada mediante a eleição de regime de tributação diverso do definido em lei para o presente caso, bem como pela ausência de fato gerador para a contribuição do INSS/Simples, a recorrente requer que seja determinado o cancelamento dos débitos fiscais. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10380.011431/200541 Acórdão n.º 180301.219 S1TE03 Fl. 114 4 A autoridade de primeira instância, ao apreciar o feito, manteve o auto de infração, porquanto que no seu entendimento a empresa recorrente, ao não contestar os valores apurados pela fiscalização, assumiu haver prestado falsa declaração à Secretaria da Receita Federal do Brasil, vez que apresentou Declaração do Simples, referente ao anocalendário de 2000, sem refletir suas receitas decorrentes da movimentação financeira constante dos extratos bancários que deu azo à autuação, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96. De igual modo, a autoridade atenta para o fato de que, no anocalendário de 1999, a empresa recorrente também afirma que sua movimentação financeira foi superior ao limite estabelecido para a permanência no regime de tributação pelo Simples, sem, contudo, fazer constar tal movimentação financeira, declarando valores ínfimos de receitas, em sua Declaração Simplificada do referido exercício, fato que, segundo o entendimento do julgador a quo, caracteriza evidente intuito de fraude e deliberada intenção do contribuinte em sonegar tributos ao fisco federal, importando em aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, nos termos do artigo 44, II, da Lei 9.430/96. Entende o julgador de primeira instância que “ninguém pode beneficiarse da sua própria torpeza”, ou seja, não pode a recorrente fazer uso do argumento falacioso de que não está correta a forma de tributação da receita por ela mesma omitida, propugnando pela sua exclusão de oficio do Simples com efeitos a partir de 2000 e como consequência a adoção do lucro real, fato que implicaria a improcedência dos lançamentos. Frisa que a exclusão de oficio do Simples somente ocorreria caso a Secretaria da Receita Federal do Brasil tivesse conhecimento de que no anocalendário de 1999 a recorrente extrapolara o limite de receita para permanência no regime de tributação pelo Simples, fato este sonegado pela própria recorrente ao fazer constar na Declaração do Simples do aludido ano receitas bem inferiores ao referido limite. Ressaltese que para referido período não foi deflagrado procedimento fiscal a ensejar o conhecimento das receitas auferidas pela empresa que levassem ao procedimento do fisco em excluíla de oficio do regime do Simples. Finda o entendimento, aduzindo que caberia à própria empresa, como conhecedora de suas receitas e que extrapolara o limite de permanência no Simples, promover sua exclusão voluntária dessa sistemática de tributação, o que não ocorreu. De igual modo, reflete que o procedimento da fiscalização está correto, porque do contrário estaria premiando o procedimento do infrator confesso de não declarar suas receitas. E, com relação à alegação de ausência de fato tributável para o lançamento da contribuição do INSS/Simples, esclarece a autoridade a quo que a recorrente ao optar pelo regime de tributação pela sistemática do Simples a ele se sujeita, não havendo que se falar em tributação específica para cada tributo, ou seja, feita a opção, os recolhimentos devem obediência à sistemática do Simples e não mais à legislação específica para cada tributo. Assim, devida a contribuição do INSS/Simples, eis que lançada de acordo com a legislação do Simples. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário tempestivamente aduzindo, em apertada síntese o já disposto em seara de impugnação. É o relatório. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10380.011431/200541 Acórdão n.º 180301.219 S1TE03 Fl. 115 5 Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração para a cobrança de IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e INSS todos sob a sistemática do Simples, com base em omissão de receitas, caracterizadas por depósitos bancários nas contas correntes n° 82.3952, agência 06750, do Banco do Brasil e n° 21.756, agência 0667, do Banco Itaú, não escriturados. Saliento que a fiscalização tomou o cuidado de deduzir, quando da lavratura do auto de infração, os valores constantes das contas bancárias, provenientes da pessoa física no montante de R$ 42.800,00, declarado na DIRPF/2001. Foi apurada, ainda, insuficiência de recolhimento de tributos pela sistemática do Simples, em função da omissão de receitas, acima mencionada. De igual modo, observo que a presente autuação se deu através da sistemática de apuração dos extratos bancários, mas que estes foram alcançados pela empresa contribuinte ao fisco, através de intimação da mesma. Tudo conforme se verifica da documentação alcançada. A empresa recorrente não nega que os valores depositados em suas contas bancárias não formam omitidos e que com isso não tenha extrapolado os limites permitidos em lei para a permanência na sistemática do Simples, razão pela qual entendo que a autuação, nas fundamentações nas quais foi elaborada, encontrase perfeitamente coerente com a realidade fática. Atento para o fato de que nas duas peças apresentadas pela recorrente, tanto na Impugnação, como no Recurso Voluntário, a empresa não nega que tenha omitido os rendimentos e também não justifica a sua permanência no SIMPLES, contrariando as normas ou mesmo alegando desconhecer a Lei que fundamenta a sistemática que rege o SIMPLES, muito pelo contrário, reflete profundo conhecimento da sistemática do SIMPLES ao discorrer com muita veemência a legislação na tentativa de aplicar a exclusão apenas no ano subsequente ao que a fiscalização o fez. Nesse contexto, identifico o meu entendimento com o voto de primeira instância ao dispor que a empresa recorrente não pode beneficiarse da sua própria torpeza, ou seja, a empresa sabendo que extrapolara, no anocalendário de 1999, os valores que lhe permitiam permanecer na sistemática do SIMPLES, não poderia em hipótese alguma seguir tributando pela mesma, tal como o fez, ainda mais que no ano seguinte, qual seja o de 2000, permaneceu, reiteradamente, com depósitos sem justificativa, omitindo valores, posto que não refuta a autuação e tão pouco comprova os rendimentos através de provas carreadas ao processo. Desse modo, não há como aceitar as alegações da empresa recorrente que tão somente limitase a contraporse à nulidade do auto, baseando sua defesa, tanto em seara de Impugnação, quanto de Recurso Voluntário na contraposição do auto de infração aos ditames da Lei 9.317/96 ou aos princípios constitucionais da legalidade e da moralidade, ambos Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10380.011431/200541 Acórdão n.º 180301.219 S1TE03 Fl. 116 6 disciplinados pelos artigos 5° e 37 da Carta Magna. Neste caminho, há que atentar para dois aspectos do procedimento administrativo, quais sejam: Temas Constitucionais e a Esfera Administrativa: A esfera administrativa não é a apropriada para tratar de assuntos constitucionais, posto não ter competência para dispor, aferir e decidir sobre assuntos em que somente o poder Judiciário poderá apreciar, tal como o desrespeito a princípios constitucionais. Neste caminho cumpre por bem frisar a Súmula CARF n° 2 que se debruça sobre o tema, senão vejamos: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Tema da Nulidade do Auto de Infração: A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Isso porque, em não havendo vícios em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. Ademais, entendo que o auto de infração foi perfeitamente lavrado e encontrase em conformidade com os determinantes legais para a sua formalização, haja vista que a empresa foi legalmente intimada, do contrário não teria apresentado suas razões de defesa em seara de impugnação e também em recurso voluntário. Ainda, o auto de infração encontrase dirigido ao sujeito passivo de direito, legitimamente constituído para recebêlo, consta a data e o local da sua lavratura, está descrito, de forma circunstanciada, o fato imponível do tributo está devidamente cobrado, bem como perfeitamente fundamentado com a capitulação estipulada na norma, na qual se enquadra a imputação legal, não restando qualquer dúvida de que não possui qualquer vício que o torne nulo. Multa Qualificada: Já no tocante à multa qualificada, entendo que procede a imputação, visto que a prática realizada pela empresa perdurou por três anos, o que na realidade demonstra a continuidade na prática da conduta errônea. Diante do conhecimento fático da situação que a empresa não só demonstrou saber, como deveria conhecer e que não lhe permitia permanecer na sistemática do SIMPLES, é que entendo dar respaldo à imputação da multa qualificada. Acontinuidade na prática de omissão, declarada como conhecida pela empresa recorrente, dá ensejo à imputação da multa de 150%, configurando o dolo. Depósito Bancário: Já quanto aos depósitos bancários, propriamente ditos, entendo que o auto de infração é procedente tendo em vista que a própria contribuinte, ora recorrente, não apresenta Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10380.011431/200541 Acórdão n.º 180301.219 S1TE03 Fl. 117 7 provas em sua defesa, muito pelo contrário confessa ter extrapolado os limites disciplinados pela sistemática do simples, ora depositados em suas contas bancárias e não explica os depósitos ali constantes. Como não foi juntada prova de que os valores tidos como devidos por esse auto de infração foram realmente pagos, fundamento a compreensão de que o auto de infração é procedente e deve ser mantido. Ademais, há que se ressaltar que a prova é imputada ao contribuinte e não ao fisco, no tocanto ao consumo da renda. Em outras palavras, cumpre à empresa recorrente comprovar, através de documentação hábil e idônea, que não se trata de renda consumida o que está explicitado nos extratos bancários, bem como a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assim, como a empresa recorrente não logrou comprovar a origem dos recursos utlizados nas operações em apreço, é que voto por manter a autuação. Diante do exposto, voto em NEGAR provimento ao recurso. É como eu voto. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 11618.002736/2005-01
Data da sessão: Fri May 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1999, 2000, 2001
ENTIDADE IMUNE OU ISENTA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
A imunidade, isenção ou não incidência não afastam o dever de cumprir as
demais obrigações acessórias previstas na legislação, tal como a apresentação da DIPJ.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DIPJ.
A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória.
Numero da decisão: 1101-000.313
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A imunidade, isenção ou não incidência não afastam o dever de cumprir as demais obrigações acessórias previstas na legislação, tal como a apresentação da DIPJ. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DIPJ, A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, •FRAN, CO DE SA S RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente, CARLOS EDUARDO DE , ALMEIDA GUERREIRO - Relator EDITADO EM: 02/06/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa e Shelley Henrique Dalcamim. Ausente o conselheiro José Ricardo da Silva. Relatório Trata-se de auto de infração por atraso na entrega de declaração, relativa aos anos-calendários de 1999 a 2001, tendo como sujeito passivo o conselho de escola pública. Em 01/08/2005, o Conselho da Escola Maria das Dores Silva apresentou impugnação relativa ao lançamento de oficio de multas por atraso na entrega de declarações dos anos-calendários de 1999 a 2001 (proc, fls. 1 e 2), Alega que não dispõe de recursos e que de acordo com a Resolução FNDE CD n° 17, de 9 de maio de 2005, os recursos que recebe do governo federal só podem ser aplicados em educação, Diz que sua única fonte de recurso é o Programa Dinheiro Direto na Escola (PUDE), que não pode ser aplicada em multas. Diz que não omitiu, mas apenas se atrasou na entrega da declaração. Adiciona que isso ocorreu por não ter em seus quadros profissionais de contabilidade, não ter computador, não ter intemet, e por depender da colaboração graciosa da comunidade. Em 11/08/2006, a DRJ em Recife considerou procedente o lançamento (proc. fls.. 18 e 19). Na decisão é informado que o contribuinte não contestou o atraso na entrega e centrou sua defesa na sua falta de recursos, Também, é esclarecido que: 1°) houve a infração e a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada a lei (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN); 2") que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do CTN); 3°) que ninguém pode alegar o desconhecimento da lei para subtrair-se ao seu cumprimento. O contribuinte foi cientificado do acórdão, em 29/09/2006, e apresentou recurso voluntário, em 30/10/2006 (proc. fls 24 a 29). No recurso ele repete os argumentos que havia apresentado à URJ e adiciona que a criação dos conselhos escolares foi uma imposição do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação e Ministério da Educação, para a transferência dos recursos do PUDE, e por isso deveria ser considerada uma pessoa jurídica atípica sujeita a uma interpretação mitigada da lei. Diz que é imune. Também, argumenta que a Medida Provisória n° 16, de 27/12/2001, não pode ser aplicada retroativamente, aos anos de 1999 e 2000, e que para a aplicação em 2001 seria necessário haver uma intimação da Receita, fato que não ocorreu. Por fim diz que os dirigentes não poderão arcar com a multa, pois administram o conselho sem remuneração. È o relatório, 2 Processo n" 116 )8.002736/2005-01 Si-CIT1 Acórdão n." 1101-00313 Fl 42 Voto O recurso é tempestivo e dele torno conhecimento. A recorrente não contesta os fatos (atraso na entrega de suas declarações), mas discute o direito aplicado, argumentando não ser possível a aplicação retroativa da Medida Provisória no 16, de 2001, e que não foi intimada para apresentar a declaração. Além disso, diz merecer um tratamento diferenciado e uma aplicação mitigada da lei, por não ter recursos, por existir em decorrência de imposição do Ministério da Educação, por ser imune, e porque seus dirigentes não poderem arcar com a multa. Mas, me parece que nenhum dos argumentos trazidos pelo contribuinte tem o condão de afastar a autuação. Em primeiro lugar, em que pese a alegada falta de recursos e os outros argumentos apresentados pelo contribuinte, não há nenhuma regra que determine que a legislação deva ser aplicada de modo mitigado aos conselhos escolares e nem há qualquer regra que os dispense das multas por descumprimento das obrigações acessórias. Ao contrário, como bem disse a DRI: 1°) a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada a lei (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN); 2') a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art, 136 do CTN); 3') ninguém pode alegar o desconhecimento da lei para subtrair-se ao seu cumprimento. Em segundo lugar, mesmo sendo imune ou isento, o contribuinte está obrigado a apresentar DIRI, tal corno dispõe a IN SRF n" 127, de .30 de outubro de 1998 , verbis (grifei): Art. 1 0, Fica instituída a Declaração de 4formações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, Art. 2". A partir do ano-calendário de 1999, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, anualmente, até o último dia útil do mês de setembro, a DIPJ, centralizada pela matriz. Parágrafo único, A obrigatoriedade a que se refere este artigo não se aplica: I - às microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Micro empresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES,. II - aos órgãos públicos, às autarquias e )(Undações públicas, A obrigação acessória das pessoas jurídicas imunes e isentas de apresentar declaração está prevista em diversas instruções normativas (IN SRF n° 2, n° 100, IV 118 e n° . ._• 3 162 todas de 1999), cabendo destacar, no caso da DIPJ para o ano-calendário de 1999, o art. 3" da IN SRF tf 28, de 2000 (grifei): Art. 3" A DIPJ relativa ao ano-calendário de 1999 deverá ser apresentada: I - até 31 de maio, no caso das pessoas jurídicas imunes ou isentas,. II - até 30 de . junho, no caso das demais pessoas jurídicas obrigadas à apresentação da D1PJ Para os anos de 2000 e 2001, a obrigação é determinada pelas IN ri° 22, de 2001, e 146, de 2002, nos mesmos termos, como se percebe nas transcrições abaixo: Art. 3" A DIPJ relativa ao ano-calendário de 2000 deverá ser apresentada. 1 - até 31 de maio de 2001, no caso das pessoas jurídicas imunes ou isentas, 11 - até 29 de junho de 2001, no caso das demais pessoas jurídicas obrigadas à apresentação da DIPJ, • t 3" A DIPJ relativa ao ano-calendário de 2001 deverá ser apresentada I - até 31 de maio de 2002, no caso das pessoas jurídicas imunes ou isentas, 11- até 28 de junho de 2002, no caso das demais pessoas jurídicas obrigadas à apresentação da DIPJ. De outra banda, ao contrário do que pretende o contribuinte, a punição pelo descumprimento dessas obrigações acessórias (apresentar declaração) é prevista há muito tempo e desde antes da MP n° 16, de 2001. O art.88 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995, estabelece que: Art. 88. A . falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo .fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica.. I - à multa de mora de um por cento ao mês ou .fração sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago,. ii - à multa de duzentas UFIR a oito mil UFIR, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § O valor mínimo a ser aplicado será: o) de duzentas UFIR, para as pessoas _físicas; b) de quinhentas UFIR, para as pessoas jurídicas § 2". A não regularização no prazo previsto na intimação, ou em caso de reincidência, acarretará o agravamento da multa em cem por cento sobre o valor anteriormente aplicado. 4 Processo In' 11618.002736/2005-01 Si-CM Acórdão n 1101-00.313 Fl. 43 § 3" As reduções prevista,s no artigo 6" da Lei n" 8.218, de 29 de agosto de 1991 e artigo 60 da Lei n" 8..383, de 1991 não se aplicam às multas previstas neste artigo. O art. 27 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, determina que: Art. 27 A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei n" 8.981, de 1995 149, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1" do art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei n"9 249, de 26 de dezembro de 1995.. Parágrafo único, A multa a que se refere o art. 88 da Lei n'' 8 981, de 1995, será: a) deduzida do imposto a ser restituído ao contribuinte, se este tiver direito à restituição,' Notas b) exigida por meio de lançamento efetuado pela Secretaria da Receita Federal, notificado ao contribuinte. O art. 16 da Lei ri' 9.718, de 27 de novembro de 98, prescreve que: Art. 16. A pessoa jurídica que, obrigada a apresentar, à Secretaria da Receita Federal, declaração de WOrmações, deixar de fazê-lo ou fizer após o prazo fixado para sua apresentação, sujeitar-se-á à multa de um por cento ao mês ou .fração, incidente sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago, relativo ao ano-calendário a que corresponderem as respectivas informações. Parágrafo único, Ao disposto neste artigo aplicam-se as normas constantes dos §§ 1" a 3" do art. 88 da Lei R" 8,981, de 20 de .janeiro de 1995, e do art. .27 da Lei n" 9.532, de 1997. Portanto, não é pertinente a alegação de que o auto de infração referente aos anos-calendários de 1999 e 2000 decorreram de aplicação retroativa da MP n" 16, de 27 de dezembro 2001. Eles decorrem da legislação acima mencionada e que foi devidamente citada no auto de infração. Por fim, a MP n° 16, de 2001, foi convertida na Lei tf 10,426, de 24 de abril de 2002, que na redação original de seu art. 7° prevê o seguinte (grifei): Art. 7" O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), nos prazos .fixados, ou que as apresentar com incorreções ou onzis.sões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á às seguintes multas: 5 - de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa juridica informado na D1PJ, ainda que integralmente pago, no caso de . fidta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no 30; II - de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIN', ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3", IH - de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) infOrmações incorretas ou omitidas. IV - de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas (Inciso acrescentado pela Lei n°11051, de 29,12 2004, DOU 30. 12..2004) § 1" Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos 1 e II do capa!, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente .fixado para a entrega da declaração e como termo . final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do auto de inflação § 2" Observado o disposto no § 3", as multas serão reduzidas. I - à metade, quando a declaração fim- apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II - a 75% (setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação, § A multa mínima a ser aplicada será de.. I - R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n" 9..317, de 5 de dezembro de 1996; II - R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos, § 4° Considerar-se-á não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, § 5" Na hipótese do § 4", o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de 10 (dez) dias, contado da ciência da intimação, e sujeitar-se-á à multa prevista no inciso 1(10 capta, observado o disposto nos §§ 1" a 3". Conforme se depreende da leitura do artigo e em especial do caput e do inciso 1 do § 2", acima transcritos, existe previsão de multa tanto para quem entrega em atraso espontaneamente a declaração, como para que não apresenta a declaração espontaneamente, demandando atuação da fiscalização. Portanto, está equivocado o contribuinte ao alegar que seria necessário haver urna intimação para que a multa pudesse ser aplicada. • 6 Processo n" 11618 002736/2005-01 S1-CITI Acórao n " 1101-00 313 FL 44 Por estas razões, voto por negar provimento ao Recluso Voluntário, paia manter o crédito tributário lançado de oficio, --------• . -,/1:-------: ,Z. CARLOS EDUARDO 5DE ALMEIDA GUERREIRO 7
score : 1.0
Numero do processo: 11065.004522/2005-65
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2005 a 30106/2005
CRÉDITO.. RESSARCIMENTO.
A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada.
Recurso negado
Numero da decisão: 9303-001.046
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial.
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Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Despesas com combustíveis e remoção de resíduos industriais Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional Indústria de Peles Minuano Ltda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30106/2005 CRÉDITO.. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relatar EDITADO EM: 10/11/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa .Martínez LOpez, Susy Gomes , Hoffmann_ e H Carlos „Alberto Freitas Barreto. Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: A empresa INDUSTRIA DE PELES MINUANO LTDA já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de PIS não-cumulativo, previsto no § do ar! .5 da Lei n' 10 637/2002, relativo ao 2' trimestre de 2005 A DRF em Novo Hamburgo - RS indeferiu, cal pai te, o pedido da interessada, alegando que- - não foi incluída na base de cálculo da Cofins as receitas com créditos de ICMS tiansferidos para tercehos; e 2 - no cálculo do beneficio pleiteado a recorrente utilizou indevidamente créditos decoirente_s de: a) dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados pela .foto deveiculas,. e b) dispêndios com a remoção de resíduos industriais. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações consta do relatói io da decisão recorrida, que leio em sessão. A 2.2 'numa de Julgamento da DRJ em Porto Alegre - RS indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão 10-11.120, de 16/02/2007, ratificando o entendimento da DRF em Novo Hamburgo - RS e, também, indeferindo o pedido de atualização monetária do ressarcimento pela Selic. Ciente desta decisão em 15/03/2007, a interessada ingressou, no dia 03/04/2007, com o recurso voluntário de . fls. 139/163, no qual alega, em apei tada síntese, que: 1 - o montante do ICMS registrado no ativo da recorrente, realizado na fiirnia prevista na legislação deste imposto - pagamento a fbriiecedores -, não se constitui cai receita, razão pela qual não pode ser mantida a decisão recorrida. Cita jui isprudência administiativa; 2 - os combustíveis e lubrificantes consumidos pela frota de veículos (doze caminhões e duas Kombis) têm vínculo dii eto com a atividade da empresa. Servem para o transpoi te de produtos e insumo,s entre estabelecimentos da recorrente; 3 - os esicluos são retirados (restos de com o, gordura, lodo, etc ) dos tanques onde o couro é tratado e transportados poi caminhões, duas ou três vezes poi dia. Para iealizar este serviço contratou e paga uma pessoa jurídica; e 4 - .sobre o crédito pleiteado deve ser aplicada a taxa Selic desde a data de promcolização cio pedido de ressarcimento Cita jurisprudência da CSRF 2 Processo n" 11 065 .004522/2005-65 Acórdão " 9303-01,046 CSIIF-T3 Fl. 324 Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído, conforme despacho exarado na última folha dos autos -11 191 Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso, em acórdão assim ementado: Assunto.' Contribuição para o P1S/Pasep PERÍODO DE APURAÇÃO.- 01/04/2005 a 30/06/2005 PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. REALIZAÇÃO DE CRÉDITO DO IC11,1S- A realização dos créditos do ICMS, por qualquer uma das .formas permitidas na legislação do imposto, não se constitui receita e, portanto, o Seu valor não integra a base de cálculo do PIS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Recurso voluntário pi ovido em parte„ Inconformada, a PGFN apresentou recurso especial requerendo a reforma do acórdão em foco, postulando pela inclusão das receitas de cessão de créditos do ICMS na base de cálculo do Pis/Pasep, bem como pela impossibilidade de se apropriar, como crédito de dessa contribuição, dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. A presidenta da Câmara recorrida, deu seguimento ao recurso, no tocante a essa segunda matéria (impossibilidade de se apropriar', como crédito de Pis/Pasep, dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais) e negou em relação à base de cálculo da contribuição (inclusão das receitas de cessão de créditos do ICMS na base de cálculo do Pis/Pasep) No tocante à parte do recurso que não logrou admissibilidade, a Douta Procuradoria agravou, mas o reexame não lhe foi favorável, conforme despacho de tl. 289. Contrarrazões do sujeito passivo às fls, .294 a 313, É o relatório,. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço 3 A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insurno, trazido no inciso 11 do art. 3" da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil deu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do PIS e da Cofins não cumulativas o mesmo que foi dado para o IPI, mas precisamente, o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringe-se ao de matéria-prima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorro-me dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n" 13974.000199/2003-61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a corrfirmação da decisão recorrida. Isso a meu vei, poiém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediárias e matei ia/ de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de "insumos" aqui referido À primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10637. Em segundo lugar, ao usai a expressão "ins.umas", claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu "serviços", de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem, Ora, uma simples leitura do artigo 3° da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI, No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiu-se o credita.mento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc.. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos corno sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: 4 Processo n" I 1065 004522/2005-65 Acórdão r" 9303-01.046 CSRF-T3 Fl 325 Art. 3 Do valor apurado na forma do cai 2 0 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: omissis - bens e serviços, utilizados como illS111110 na prestação de serviços e na produção ou .fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 0 da Lei n' 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificadas nas posições 87 03 e 87.04 da TIPI; III - (VETADO) IV — aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresàs e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; VI - máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VII - edificações e benfeitorias em 1 imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei, - energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontram-se reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem com as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. .3° transcrito linhas acima Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres 5
score : 1.0
Numero do processo: 10540.000874/2003-64
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DA PESSOA JURÍDICA.
Os elementos constantes dos autos indicam quais são os rendimentos
tributáveis recebidos pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2201-001.233
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DA PESSOA JURÍDICA. Os elementos constantes dos autos indicam quais são os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DA PESSOA JURÍDICA. Os elementos constantes dos autos indicam quais são os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Fl. 163DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 04/12), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, no qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 7.179,27, calculados até junho de 2003. De acordo com o Auto de infração (fl. 09): O presente auto de infração originouse da revisão de sua declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2001, ano calendário de 2000, efetuada com base nos artigos 788, 835 a 839, 841, 844, 871, 926 e 992, do regulamento do imposto de renda, decreto 3.000, de 26 de março de 1999. Foi constatada a existência de irregularidades na declaração, conforme descrito e capitulado em anexo. Foram alterados os valores das seguintes linhas de sua declaração: * rend. / recebidos de pessoas jurídicas para R$ 121.191,51. * deduções / dependentes para R$ 2.160,00. * deduções / despesas com instrução para R$ 0,00. * imposto de renda retido na fonte para R$ 22.488,26. Foi apurado imposto suplementar (código darf 2904) no valor de R$ 3.228,30 na revisão de sua declaração. Foi lançada multa por atraso na entrega da declaração (código darf 5320) no valor de R$ 257,16. Vide instruções de pagamento anexas. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: O interessado impugna auto de infração do imposto de renda do exercício 2001, lavrado para incluir rendimentos tributáveis e glosar um dependente e despesas de instrução. Os rendimentos em questão foram informados em DIRF pelo Banco do Brasil S/A (fls. 52), no valor de R$ 44.924,79, com imposto retido na fonte de R$ 10.022,18. Em sua declaração, o contribuinte incluíra apenas o imposto na fonte. Durante a ação fiscal o contribuinte apresentou comprovante de rendimentos (fls. 67) e recibo (fls. 47), onde consta haver recebido em abril de 2000 verbas salariais correspondentes aos valores informados na DIRF pela fonte pagadora. Alegava, porém, que este pagamento se referiria a aposentadoria retroativa, e que este valor fora estornado pelo Banco. O processo foi baixado em diligência, e o Banco do Brasil foi intimado a informar o motivo da exclusão, na DIRF retificadora, dos valores informados como tributáveis no comprovante de rendimentos. Fl. 164DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10540.000874/200364 Acórdão n.º 220101.233 S2C2T1 Fl. 2 3 Em resposta, o Banco explica (fls. 78) que o INSS concedera ao funcionário aposentadoria retroativa; que os proventos pagos no período abrangido pela aposentadoria retroativa, em 1998 e 1999, foram estornados na folha de pagamento e que estes mesmos valores foram pagos e tributados na fonte mais uma vez em 2000, por entender que se refeririam a contratos de trabalho distintos. Como estes valores, porém, já haviam sido tributados nos anos próprios, haveria ocorrido a tributação em duplicidade em 2000. Esclarece ainda (fls. 83) que o valor correto do imposto retido em duplicidade fora de R$ 9.451,14, e não R$ 10.785,72. Quanto às glosas de despesas de instrução, o interessado apresenta o recibo de fls. 02, no valor de R$ 1.870,00. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Comprovado o pagamento de rendimentos tributáveis, cabe a sua inclusão no lançamento. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Comprovadas as deduções glosadas, cabe o seu restabelecimento. Lançamento Procedente em Parte Em relação ao aresto proferido, destacase: O recibo de fls. 02 comprova despesas de educação com um dependente, no valor de R$ 1.870,00, o que dá direito à dedução de R$ 1.700,00, obedecido o limite de dedução a este título por dependente. Cabe, portanto, alterar o lançamento... Intimado da decisão de primeira instância, Augusto Raimundo Santana Aguiar apresenta Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos apresentados em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos, a autoridade lavrou a exigência em função da DIRF apresentada pela fonte pagadora, Banco do Brasil, fl. 52, informando que o recorrente Fl. 165DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 recebeu, no ano calendário 2000, o montante de R$ 44.924,79, relativo a rendimentos tributáveis, com R$ 10.022,18, referente ao IRRF. Inconformado, o recorrente apresenta sua peça recursal a este e. Conselho Administrativo pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância alegando que o referido rendimento não foi pago, conforme se verifica da DIRF retificadora entregue pelo Banco do Brasil S/A às fls. 71/72. Ressaltese que de acordo com a DIRF, fl. 52, o recorrente desprezou o rendimento tributável e incluiu apenas o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 10.022,18. Com o objetivo de esclarecer de vez à questão a autoridade julgadora de primeira instância converteu o processo em diligência para que a fonte pagadora explicasse o seguinte (fl. 74): Considerando que as verbas pagas ao contribuinte em abril de 2000 são todas elas tributáveis; considerando que o fato gerador do tributo é o crédito dos rendimentos na conta do contribuinte; considerando que apesar disso o Banco excluiu os rendimentos em DIRF retificadora (fls. 71), proponho que a fonte pagadora seja intimada a esclarecer quais os rendimentos pagos ao interessado em 2000, e por que os rendimentos tributáveis atestados pelos documentos de fls. 47 e 67 foram excluídos na DIRF retificadora. Em resposta aos questionamentos acima, informou o Banco do Brasil S/A (fl. 78): Em referência ao Termo de Intimação 05.10.3.00 DRF Vitória da Conquista 05103002006000274, de 06 de julho de 2006, protocolado na agência Brumado (BA), em 17 de julho de 2006 e recebido nesta GEREL Brasília, via fax, em 17 de julho de 2006, informamos que em função da concessão de aposentadoria retroativa, pelo INSS, ao Sr.Augusto Raimundo Santana Aguiar, CPF: 058.584.88587, houve tributação em duplicidade de seus proventos. A situação de aposentadoria retroativa ocorre independentemente da vontade do Banco do Brasil, ou seja, o funcionário protocola pedido de aposentadoria junto ao INSS e continua trabalhando. Quando há a concessão da aposentadoria com data retroativa, o banco estorna os proventos pagos através da folha de pagamento — proventos estes que foram tributados nas épocas dos pagamentos e que na maioria dos casos se referem a exercícios fiscais já encerrados e paga contra recibo esses mesmos valores, por entender que se referem a contratos de trabalho distintos, tributandoos novamente. (...) Valor recolhido em duplicidade, quando da concessão da aposentadoria retroativa: (...) Rendimentos Período Mês/ano Imposto Recolhido Fl. 166DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10540.000874/200364 Acórdão n.º 220101.233 S2C2T1 Fl. 3 5 44.924,79 12/11/1998 a 17/02/2000 Abril de 2000 10.022,18 Pois bem, pelo que se depreende da informação prestada pela fonte pagadora, quando há concessão da aposentadoria com data retroativa, o banco estornava os proventos pagos através da folha de pagamento (proventos estes tributados nas épocas dos pagamentos e que na maioria dos casos se referem a exercícios fiscais já encerrados) e pagava contra recibo esses mesmos valores. De fato, compulsandose o extrato do recorrente, fls. 111, verificase a existência de um crédito no valor de R$ 44.924,79, no dia 18/04/2000 e, em contrapartida, três débitos, um no dia 18/04/2000 no valor de R$ 10.298,34, outro no dia 20/04/2000 no valor de R$ 8.218,22 e, em seguida, um débito no valor de R$ 26.408,23 no dia 20/04/2000. Sendo assim, em que pese alegue o recorrente que a DIRF retificadora, fls. 71, demonstra um imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 10.785,72, e, portanto, que fazia jus a uma restituição de R$ 10.019,90 está não é a realidade dos autos. Em verdade, o recorrente não logrou comprovar a efetividade da retenção e/ou recolhimento do imposto retido. Além do mais, a DIRF retificadora entregue pelo Banco do Brasil encontrase totalmente dissociada das peças coligidas aos autos, principalmente em relação ao extrato de fl. 111. Além do que, de acordo com o documento nº 05, fl. 108, o próprio recorrente demonstra que efetivamente não recebeu o valor informado pela fonte pagadora, razão pela qual não pode se beneficiar do IRRF no valor de R$ 10.022,18. Isto posto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 167DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10140.001894/2002-84
Data da sessão: Mon Jun 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/1996 a 30/06/1997
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-000.986
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por tratar-se de matéria sumulada.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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(ATUAL SENECAR COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA.) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1996 a 30/06/1997 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por tratar-se de matéria sumulada. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator EDITADO EM: 16/11/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Fl. 1DF CARF MF Excluído Documento de 561 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0219.13200.1X2X. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 505/523, contra decisão do Acórdão nº 202-17697 da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência de a fazenda pública constituir o crédito tributário referente aos períodos de apuração compreendidos entre dezembro de 1996 e junho de 1997. A Fazenda Nacional, em sua petição recursal, defende que a decisão recorrida não poderia afastar a incidência do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, diante da presunção de constitucionalidade das leis, corolário da supremacia que é deferida à Constituição, como vértice do ordenamento jurídico. Por intermédio do Despacho nº 202-256 de fls. 530/531, o recurso foi admitido. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 539/547. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A controvérsia se instaurou por entendimentos divergentes quanto ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário referente à contribuição para o PIS. A recorrente defende a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212/91, uma vez que o PIS classifica-se como uma contribuição para Seguridade Social, devendo ser regido pelo referido ditame legal. Não obstante, consoante noção cediça, o Supremo Tribunal Federal publicou no Diário Oficial da União, do dia 20/06/2008, o enunciado da Súmula Vinculante nº 08, verbis: Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Fl. 2DF CARF MF Excluído Documento de 561 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0219.13200.1X2X. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10140.001894/2002-84 Acórdão n.º 9303-00.986 CSRF-T3 Fl. 561 3 Legislação: Decreto-Lei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Sobre o tema “súmula vinculante”, aduzo abordagem digna de aplausos do Ministro Gilmar Mendes: Outra situação decorre de adoção de súmula vinculante (art. 103-A da CF, introduzido pela EC n. 45/2004), na qual se afirma que determinada conduta, dada prática ou uma interpretação é inconstitucional. Nesse caso, a súmula acabará por dotar a declaração de inconstitucionalidade proferida em sede incidental de efeito vinculante. A súmula vinculante, ao contrário do que ocorre no processo objetivo, decorre de decisões tomadas em casos concretos, no modelo incidental, no qual também existe, não raras vezes, reclamo por solução geral. Ela só pode ser editada depois de decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal ou de decisões repetidas das Turmas. Desde já, afigura-se inequívoco que a referida súmula conferirá eficácia geral e vinculante às decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal sem afetar diretamente a vigência de leis declaradas inconstitucionais no processo de controle incidental. E isso em função de não ter sido alterada a cláusula clássica, constante do art. 52, X, da Constituição, que outorga ao Senado a atribuição para suspender a execução de lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Não resta dúvida de que a adoção de súmula vinculante em situação que envolva a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo enfraquecerá ainda mais o já debilitado instituto da suspensão de execução pelo Senado. É que essa súmula conferirá interpretação vinculante à decisão que declara a inconstitucionalidade sem que a lei declarada inconstitucional tenha sido eliminada formalmente do ordenamento jurídico (falta de eficácia geral da decisão declaratória de inconstitucionalidade). Tem-se efeito vinculante da súmula, que obrigará a Administração a não mais aplicar a lei objeto da declaração de inconstitucionalidade (nem a orientação que dela se dessume), sem eficácia erga omnes da declaração de inconstitucionalidade. (grifo meu) Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 3DF CARF MF Excluído Documento de 561 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0219.13200.1X2X. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Fl. 4DF CARF MF Excluído Documento de 561 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0219.13200.1X2X. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CLEUZA TAKAFUJI em 18/11/2010 10:09:45. Documento autenticado digitalmente por CLEUZA TAKAFUJI em 18/11/2010. Documento assinado digitalmente por: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO em 11/12/2010 e GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO em 30/11/2010. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 21/02/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP21.0219.13200.1X2X Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 476BBB5D6118E7E65845E2FFCE897D6689686693 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10140.001894/2002-84. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16327.001706/2004-88
Data da sessão: Mon Dec 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1998
DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI N. 8.212/91. Não se conhece de recurso calcado em dispositivo declarado inconstitucional e já sumulado pelo E. Supremo Tribunal Federal - Súmula Vinculante nº 08.
DECADÊNCIA. ART. 173 DO CTN. Nos casos em que há dolo, fraude ou conluio, independentemente da existência de pagamento, a regra aplicável é aquela prevista no artigo 173, I do CTN. DECADÊNCIA. ART. 173, PARAGRAFO ÚNICO DO CTN. INAPLICÁVEL. DIPJ. O prazo estabelecido no inciso I, será antecipado apenas nos casos em que iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Assim, sendo a DIPJ mera declaração e por não caracterizar medida preparatória indispensável ao lançamento, não deverá ser antecipado o inicio do prazo decadencial.
Numero da decisão: 9101-000.475
Decisão: Acordam os membros do colegiado 1) por maioria de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer as exigências do IRPJ e CSLL no 4º trimestre de 1998 e do PIS no mês de dezembro de 1999, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e Antonio Praga. 2) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso do contribuinte para reconhecer a decadência da CSLL até 3 o trimestre de 1998, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e Antonio Praga, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1998 DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI N. 8.212/91. Não se conhece de recurso calcado em dispositivo declarado inconstitucional e já sumulado pelo E. Supremo Tribunal Federal - Súmula Vinculante nº 08. DECADÊNCIA. ART. 173 DO CTN. Nos casos em que há dolo, fraude ou conluio, independentemente da existência de pagamento, a regra aplicável é aquela prevista no artigo 173, I do CTN. DECADÊNCIA. ART. 173, PARAGRAFO ÚNICO DO CTN. INAPLICÁVEL. DIPJ. O prazo estabelecido no inciso I, será antecipado apenas nos casos em que iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Assim, sendo a DIPJ mera declaração e por não caracterizar medida preparatória indispensável ao lançamento, não deverá ser antecipado o inicio do prazo decadencial.
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(ATUAL DENOMINAÇÃO DE ATLAS DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA.) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI N. 8.212/91. Não se conhece de recurso calcado em dispositivo declarado inconstitucional e já sumulado pelo E. Supremo Tribunal Federal Súmula Vinculante nº 08. DECADÊNCIA. ART. 173 DO CTN. Nos casos em que há dolo, fraude ou conluio, independentemente da existência de pagamento, a regra aplicável é aquela prevista no artigo 173, I do CTN. DECADÊNCIA. ART. 173, PARAGRAFO ÚNICO DO CTN. INAPLICÁVEL. DIPJ. O prazo estabelecido no inciso I, será antecipado apenas nos casos em que iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Assim, sendo a DIPJ mera declaração e por não caracterizar medida preparatória indispensável ao lançamento, não deverá ser antecipado o inicio do prazo decadencial Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado 1) por maioria de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer as exigências do IRPJ e CSLL no 4o. trimestre de 1998 e do PIS no mês de dezembro de 1999, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e Antonio Praga. 2) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso do contribuinte para reconhecer a decadência da CSLL até 3o trimestre de 1998, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e Antonio Praga, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Fl. 3100DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0217.15569.FJTI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 (Documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (Documento assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Relator (Documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Redator Designado Ad Hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Antônio Praga, Karem Jureidini Dias, Albertina Silva dos Santos Lima, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Adriana Gomes Rêgo, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri, Leonardo de Andrade Couto e Susy Gomes Hoffman (Vice Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Relatório Do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional Com base no permissivo do art. 5º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do MF nº 55/98, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial (fls 2698/2706), contra acórdão proferido pela antiga 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 2611/2639 e 2692/2693), que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência relativa ao IRPJ e ao PIS, referentes ao anobase de 1998, tendo em vista ter o contribuinte entregue a declaração de rendimentos em 28.09.1999, e o lançamento só ter ocorrido em 15.12.2004, estando à decisão assim ementada, verbis: “CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CIÊNCIA DE DEPOIMENTO DE TERCEIROS ANTES DO LANÇAMENTO – Não corresponde a cerceamento do direito de defesa a impossibilidade de vista de depoimento de terceiros, colhidos durante a fase de investigação, ainda mais quando é concedido conhecimento no prazo de impugnação. IRPJ – DECADÊNCIA – FRAUDE – ART. 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN – O Imposto de Renda é considerado lançamento por homologação e a contagem do prazo de decadência se inicia conforme o art. 150, §4º, do CTN, a menos que tenha ocorrido fraude, dolo ou simulação. Nesses casos, o prazo decadencial transcorre a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, nos termos do art. 173 do CTN, sendo antecipado ao dia seguinte ao da entrega da Declaração de Rendimentos, considerada como medida preparatória indispensável ao lançamento (parágrafo único do art. 173) CSL/COFINS – DECADÊNCIA – FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO – APLICAÇÃO DO ART. 45 DA LEI 8212/91 – Na hipótese em que se constatou fraude, dolo ou simulação, o prazo decadencial deixa de seguir o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, e passa a ser contado conforme o art. 173 do mesmo diploma. Especificamente para as contribuições sociais (CSL e COFINS), este dispositivo foi transcrito pelo art. 45 da Lei 8212/91, porém com o prazo especial de 10 anos. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – Se o trabalho investigatório da fiscalização identificou que a movimentação bancária em nome de interpostas Fl. 3101DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0217.15569.FJTI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001706/200488 Acórdão n.º 9101000.475 CSRFT1 Fl. 3.097 3 pessoas pertencia efetivamente à pessoa jurídica, é contra esta que deve ser lavrado o lançamento de ofício. IRPJ – ARBITRAMENTO – ART. 42 DA LEI 9430/96 – DESPROPORCIONALIDADE – Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei 9430/96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não seja proporcional para cômputo como lucro da pessoa jurídica, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RIR/99, art. 530, II, “a” e “b”). Recurso negado.” Em seu recurso especial, a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, sustenta contrariedade do acórdão recorrido ao disposto no art. 173 do CTN, por entender que o disposto no § único do referido artigo não dá margem para interpretação de que “qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento” diz respeito a ato praticado pelo contribuinte, ou seja, a simples entrega de declaração de rendimentos não constitui ato preparatório para fins de contagem do prazo decadencial. Sustenta também, contrariedade do acórdão recorrido com o disposto no artigo 45 da Lei 8.212/91, que prescreve o prazo decadencial de 10 (dez) anos para o Fisco apurar e constituir seus créditos relativos às contribuições sociais, no presente caso, ao PIS. Por fim, alega contrariedade à evidência da prova, afirmando ser o período de apuração do IRPJ e da CSLL anual, tendo o fato gerador de aperfeiçoado em 31.12.1999 e por isso, o prazo decadencial somente teria se iniciado em 01.01.2000 e finalizado em 31.12.2004. Ao recurso especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento pelo Presidente da Câmara recorrida (Despacho n. 108073/2007, fls. 2708/2709), ante a constatação de estarem atendidos os pressupostos legais de admissibilidade do recurso mediante a demonstração de contrariedade à lei. Regularmente intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 2824/2836), alegando, em síntese: (i) Inadmissibilidade parcial do recurso interposto pela Fazenda Nacional, uma vez que o reconhecimento da decadência em relação aos fatos geradores do IRPJ dos 3 primeiros trimestres de 1998 e do PIS relativos aos meses de janeiro a novembro de 1998 jamais poderiam ter sido objeto de recurso especial fundado no inciso I do art. 5º do RICSRF uma vez que o julgamento foi unânime. (ii) Que nenhum dispositivo legal foi contrariado, sendo acertada a aplicação do artigo 173, do CTN, pelo acórdão recorrido. (iii) Inaplicabilidade do art. 45 da Lei 8212/91, tendo em vista a natureza jurídica tributária do PIS, aplicando a regra contida no art. 146, III, “b” da Constituição Federal. (iv) inexistência de contrariedade a evidencia da prova, vez que a entrega da declaração de rendimentos antecipa a contagem do prazo decadencial. Fl. 3102DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0217.15569.FJTI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Requer ao final seja dado provimento ao seu recurso para reformar o acórdão recorrido, por afronta às provas dos autos e aos artigos 45 da Lei 8212/91 e 173 do CTN. Do Recurso Especial da Contribuinte. Com base no permissivo do art. 5º, II, e art. 7, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do MF n. 55/98, a contribuinte interpõe recurso especial (fls 2648/2674), contra acórdão proferido pela antiga 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 2611/2639), que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência relativa ao IRPJ e ao PIS, referentes ao anobase de 1998, tendo em vista ter o contribuinte entregue a declaração de rendimentos em 28.09.1999, e o lançamento só ter ocorrido em 15.12.2004, estando à decisão ementada conforme já transcrito acima. Em seu recurso especial, a contribuinte, sustenta a decadência em relação à contribuição social sobre o lucro (CSL), sendo inaplicável a regra contida no art. 45 da Lei 8212/91, que prescreve 10 anos, tendo em vista a natureza de tributo da presente contribuição, juntando inclusive acórdãos paradigmas de modo a demonstrar a divergência de entendimentos. Sustenta ainda que, mesmo que aplicável ao caso, à norma contida no art. 173, I do CTN, o prazo decadencial já teria findado, pois teve seu início antecipado em razão da entrega da declaração de rendimentos, ou seja, 5 anos contados de 28.09.1999. Requer ao final seja dado provimento ao seu recurso especial, reformado a decisão a quo para reconhecer a decadência do lançamento de CSLL nos termos do art. 150, § 4º ou ao menos do art. 173, I ambos do CTN. Tendo em vista a existência de inexatidões materiais contidas no acórdão recorrido, o Conselheiro Dorival Padovan opôs embargos de declaração em decisão assim ementada (fls. 2692/2693): “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – INEXATIDÃO MATERIAL – INTEGRAÇÃO DO ACÓRDÃO – Cabem embargos de declaração quando existir inexatidão material no acórdão, que será sanado, e, no caso, não produzirá efeitos infringentes, vez que mantida a decisão anteriormente adotada. “Embargos acolhidos” Em face de nova decisão, a contribuinte foi novamente intimada a apresentar recurso especial e assim o fez, sob os mesmo argumentos do recurso anteriormente interposto (2716/2742). Ao recurso especial da contribuinte foi dado seguimento pelo Presidente da Câmara recorrida (Despacho n. 108224/2007, fls. 2889), ante a constatação de estarem atendidos os pressupostos legais de admissibilidade do recurso mediante a demonstração de contrariedade à lei. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 2892/2899), alegando, em síntese, que o prazo decadencial para o lançamento da CSL é de 10 anos, conforme disposto n o art. 45 da Lei 8212/91 e que assim, resta acertada a decisão recorrida, devendo ser, portando, mantida. É o relatório. Fl. 3103DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0217.15569.FJTI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001706/200488 Acórdão n.º 9101000.475 CSRFT1 Fl. 3.098 5 Voto Vencido Conselheiro Valmir Sandri, Relator Do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional O presente recurso foi interposto com base no permissivo do art. 5º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do MF n. 55/98, tendo a D. Procuradoria da Fazenda Nacional demonstrado o dissídio jurisprudencial, na medida em que juntou aos autos acórdãos paradigmas que aplicaram o prazo decadencial de dez anos para a constituição pela Fazenda Nacional do crédito tributário referentes às contribuições sociais (PIS), contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.212/91, enquanto a decisão recorrida entendeu que deve prevalecer o prazo de cinco anos estipulado no §4º do art. 150 do CTN, discorrendo ainda o recurso acerca do malferimento do art. 173 do CTN, para efeito da contagem do prazo decadencial do tributo relativo ao IRPJ. Como se vê, cingese a controvérsia ao acolhimento pelo acórdão recorrido da preliminar de decadência para a constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ com fatos geradores ocorridos trimestralmente no anocalendário de 1998 (arbitramento) e PIS, pelo fato de ter sido acolhido como termo inicial para efeito da contagem do prazo decadencial a data de 29.09.1999 (data da entrega da declaração 28.09.1999), ao passo que foi dada ciência ao contribuinte do lançamento na data de 15.12.2004, portanto, em data posterior a 5 (cinco) anos dos respectivos fatos geradores. Da análise do recurso interposto pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional, depreendese que muito embora a mesma tenha demonstrado fundamentadamente a contrariedade do acórdão recorrido em relação ao disposto no artigo 45 da Lei 8.212/91, que prescreve o prazo decadencial de 10 (dez) anos para a constituição de créditos relativo às contribuições sociais (PIS), desta matéria não o conheço, tendo em vista a Súmula Vinculante n. 08, editada pelo E. Supremo Tribunal Federal, verbis: “Súmula Vinculante nº 08 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, tendo o E. Supremo Tribunal Federal reconhecido à inconstitucionalidade do parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam da decadência e prescrição de crédito tributário, o recurso ora interposto em relação à matéria aqui ventilada perdeu seu objeto, eis que prejudicado o argumento da D. Procuradoria em relação ao malferimento do art. 45 da Lei nº. 8.212/91, porquanto, todos os atos praticados com base no referido dispositivo estão eivados de iliceidade, tendo em vista ter o mesmo sido declarado inconstitucional pelo Pretório Excelso. Sendo assim, por encontraremse não só os órgãos do Poder Judiciário, mas principalmente a Administração Pública Direta e Indireta vinculada à referida súmula, voto no Fl. 3104DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0217.15569.FJTI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 sentido de não conhecer do recurso especial quanto ao presente item – art. 45, da Lei n. 8.212/91 . Por outro lado, entendo que a matéria relativa ao argumento de malferimento ao art. 173 do CTN pelo acórdão recorrido deve ser conhecida, eis que a D. Procuradoria demonstrou, fundamentadamente, a sua aplicabilidade para os casos em que a regra para efeito de contagem do prazo decadencial se desloca do § 4º., art. 150 do CTN, para a regra disposta no art. 173, do mesmo diploma legal. Como visto acima, a fiscalização arbitrou o lucro da contribuinte relativo ao anocalendário de 1998 em bases trimestral, tendo ainda qualificada a multa de ofício (150%). Sendo assim, nesta hipótese qualificação da multa , independentemente de ter ocorrido pagamento ou não e, abstraindose da data da entrega da DIPJ, o termo inicial para efeito da contagem do prazo decadencial para os 1º., 2º. e 3º. trimestres do anocalendário de 1998, exvi do disposto no art. 173, do CTN, começou a fluir a partir de 01 de janeiro de 1999, encerrandose em 31.12.2003, não restando dúvida, portanto, quanto ao perecimento do direito do fisco constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ, tendo em vista que no 1º. dia dos trimestres seguintes (1º., 2º. e 3º.), o fisco já poderia constituir o crédito tributário. Entretanto, quanto ao 4º. trimestre do anocalendário mereceria acolhida o recurso da D. Procuradoria caso a contribuinte não tivesse apresentado sua DIPJ do ano calendário ora em questão na data de 28.09.1999 (fl. 2302), hipótese em que se antecipa o inicio do prazo decadencial para o dia da entrega da declaração de rendimentos, se feita no anoseguinte ao da ocorrência dos fatos geradores, ex vi do disposto no art. 173, § único, do CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Assim, tendo a contribuinte, como visto acima, apresentado sua DIPJ do ano calendário de 1998, na data de 28.09.1999, o termo inicial para efeito da contagem do prazo decadencial deuse na data de 29.09.1999, tendo em vista que a medida preparatória do lançamento, prevista no § único do art. 173 do CTN, pode advir tanto da Fazenda Pública como do contribuinte, mormente quando a legislação atribui ao sujeito passivo da obrigação tributária o dever de apurar e antecipar o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa – lançamento por homologação , conforme o presente caso. Não se alegue ainda, para afastar o argumento acima despendido, que a declaração de rendimentos apresentada pelo contribuinte tem apenas efeitos informativos, eis que é através dela que o contribuinte dá conhecimento ao fisco da apuração do tributo, informando as receitas, despesas, adições e exclusões, isenções, incentivos fiscais, etc., tendo Fl. 3105DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0217.15569.FJTI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001706/200488 Acórdão n.º 9101000.475 CSRFT1 Fl. 3.099 7 aqui uma participação direta do sujeito ativo da relação jurídica tributária (fisco), por ocasião da análise sumária da DIPJ. Pelos argumentos acima expostos, entendo que andou bem a r. decisão recorrida que afastou a exigência por entender já decaído o direito do fisco em constituir o crédito tributário, razão porque, nego provimento ao recurso da D. Procuradoria no presente item. Do Recurso Especial da Contribuinte. Tendo a decisão recorrida mantida à exigência quanto a Contribuição Social sobre o Lucro, com base no permissivo do art. 5º, II, e art. 7, II, do RICSRF Portaria do MF n. 55/98 , a contribuinte interpõe recurso especial (fls 2648/2674), sustentando a decadência para o fisco constituir referida contribuição (CSLL), por entender inaplicável a regra contida no art. 45 da Lei 8.212/91, que prescreve 10 anos, tendo em vista a natureza de tributo da presente contribuição, juntando inclusive acórdãos paradigmas de modo a demonstrar a divergência de entendimentos. Conforme os argumentos já expostos acima quando analisado o recurso especial da D. Procuradoria da Fazenda Nacional, entendo que deve ser reformada a r. decisão recorrida que não reconheceu a decadência relativa à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com fatos geradores ocorridos em 1998, seja em relação à regra contida no art. 45 da Lei n. 8.212/91, eis que inaplicável em vista da Súmula Vinculante n. 8, seja em relação ao disposto no art. 173 do CTN, como visto acima, mesmo com sua aplicação, já havia decaído o direito do fisco constituir a referida contribuição. A vista do acima exposto, quanto ao recurso da D, Procuradoria, voto no sentido de: (i) NÃO CONHECER do recurso quanto ao malferimento do art. 45, da Lei n. 8.212/91; (ii) CONHECER do recurso e NEGAR provimento quanto ao malferimento do art. 173, do CTN; quanto ao recurso da contribuinte, voto no sentido de CONHECER do recurso de divergência e lhe DAR PROVIMENTO para afastar a exigência relativa à CSLL, tendo em visto a decadência do direito do fisco constituir o referido crédito tributário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Voto Vencedor Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Redator Designado Ad Hoc. Tendo em vista que fui nomeado redator “ad hoc” do voto vencedor, passo à análise da questão relativa à análise do prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ, CSLL (trimestral) e PIS, cujos fatos geradores se deram no ano de 1998. Fl. 3106DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0217.15569.FJTI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 A divergência desta câmara não é relativa à definição do artigo aplicável, se o 150, §4º ou 173 do CTN, já que houve a manutenção da multa agravada imposta pela fiscalização. A discussão é relativa à interpretação do parágrafo único do artigo 173, do CTN. Peço vênia para discordar do voto proferido pelo relator quanto à forma de contagem do prazo aplicável. Cumpre a transcrição do mencionado artigo: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Nos termos do voto do relator, no caso, houve a consumação da decadência para todo o período de 1998, isto porque entendeu que a DIPJ apresentada pelo contribuinte na data de 28.09.1999 teria antecipado o início do prazo decadencial para o dia da entrega da declaração de rendimentos. Entretanto, para a aplicação do artigo 173, parágrafo único, do CTN, são necessários três requisitos: (i) notificação, (ii) ao sujeito passivo, ou seja, deve partir do sujeito ativo, (iii) que constitua medida preparatória indispensável ao lançamento. No caso dos autos, não verificouse qualquer dos requisitos mencionados, senão vejamos: (i) houve a entrega de DIPJ, a qual é mera declaração, formalizada pelo sujeito passivo, com caráter informativo e não se confunde com a notificação, (ii) a DIPJ é declaração do sujeito passivo ao sujeito ativo e (iii) a DIPJ não constitui medida preparatória indispensável ao lançamento. Ora, se no caso não existiu notificação ao sujeito passivo, mas sim uma declaração do contribuinte, o início do prazo deve ser aquele do inciso I, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desse modo, tendo em vista que a ciência do lançamento se deu em 15/12/2004, nos termos do disposto no artigo 173, I, do CTN: (i) em relação ao IRPJ e CSLL, para os três primeiros trimestres de 1998, o prazo começou a fluir a partir de 01 de janeiro de 1999, encerrandose em 31 de dezembro de 2003 e para o quarto trimestre, o prazo começou a fluir a partir de 01 de janeiro de 2000, encerrandose em 31 de dezembro de 2004; (ii) em relação ao PIS, apuração mensal, para os meses de janeiro a novembro, o prazo começou a fluir a partir de 01 de janeiro de 1999, encerrandose em 31 de Fl. 3107DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0217.15569.FJTI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001706/200488 Acórdão n.º 9101000.475 CSRFT1 Fl. 3.100 9 dezembro de 2003 e para o mês de dezembro, o prazo começou a fluir a partir de 01 de janeiro de 2000, encerrandose em 31 de dezembro de 2004. Portanto, não houve perecimento do direito do fisco constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL do 4º trimestre de 1998 e relativo ao PIS de dezembro de 1998. Assim, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer as exigências do IRPJ e CSLL no 4o. trimestre de 1998 e do PIS no mês de dezembro de 1999 e dou provimento parcial ao recurso do contribuinte para reconhecer a decadência da CSLL até 3o trimestre de 1998. É como voto. (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior Redator Fl. 3108DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0217.15569.FJTI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MOEMA NOGUEIRA SOUZA em 14/01/2014 16:42:00. Documento autenticado digitalmente por MOEMA NOGUEIRA SOUZA em 14/01/2014. Documento assinado digitalmente por: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO em 27/01/2014, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR em 14/01/2014 e VALMIR SANDRI em 14/01/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/02/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0217.15569.FJTI Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16327.001706/2004-88. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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