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Numero do processo: 13855.000241/2001-39
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: COFINS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. EXAME DE MATÉRIA CONSITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. O prazo de decadência da Contribuição destinada ao Financiamento da Seguridade Social – COFINS é de dez anos, conforme previsto pelo artigo 45 da Lei n° 8.212/91. Ao julgador administrativo é defeso o exame de matéria constitucional, nos termos do que dispõe o artigo 22A Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes.
NORMAS PROCESSUAIS – Intempestividade Efeitos. Não se conhece do recurso especial interposto após transcorrido o prazo quinzenal, contado da data da ciência do despacho que rejeitou os embargos declaratórios apresentados pelo sujeito passivo contra a decisão a quo.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: CSRF/02-02.633
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Maria Teresa Martinez Lopes que negaram provimento ao recurso.
Nome do relator: Flávio de Sá Munhoz
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COFINS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. EXAME DE MATÉRIA CONSITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. 0 prazo de decadência da Contribuição destinada ao Financiamento da Seguridade Social — COFINS é de dez anos, conforme previsto pelo artigo 45 da Lei n° 8.212/91. Ao julgador administrativo é defeso o exame de matéria constitucional, nos termos do que dispõe o artigo 22A Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. NORMAS PROCESSUAIS — Intempestividade Efeitos. Não se conhece do recurso especial interposto após transcorrido o prazo quinzenal, contado da data da ciência do despacho que rejeitou os embargos declaratórios apresentados pelo sujeito passivo contra a decisão a quo. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Maria Teresa Martinez Lopes que negaram provimento ao recurso. 4K D Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdão n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Fls. 2 MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS Presidente FLAVIO DE SA MUNHOZ Relator FORMALIZADO EM: I 0 JUL 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros. JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, GILENO GURJA0 BARRETO, ANTONIO ANTONIO BEZERRA NETO, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, HENRIQUE PINHEIRO TORRES e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdão n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Fls. 3 Relatório Trata-se de recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, contra o Acórdão n° 201-77.360, proferido pela Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, com fundamento no art. 32, inciso I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. 0 processo foi instaurado a partir da lavratura de auto de infração contra a interessada em decorrência de suposto recolhimento a menor de Cofins, nos períodos de apuração compreendidos entre Agosto de 1993 e Junho de 2000. Apesar de não haver data de recebimento do auto de infração, há declaração de recurso do recebimento do auto, datada de março de 2001. A decisão recorrida deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, acolhendo a preliminar de decadência, em relação aos fatos geradores anteriores a cinco anos da data da lavratura do auto de infração, aplicando a regra do art. 150, § 4 0, que estabelece que o prazo decadencial para a constituição do credito tributário é de cinco anos, nos termos da ementa a seguir transcrita: COFINS. DECADÊNCIA. Nos termos do art. 146, inciso III, "b", da Constituição Federal, cabe a Lei Complementar estabelecer normas sobre decadência. Sendo assim, não prevalece o prazo previsto no art. 45 da Lei le 8.212/91, devendo ser aplicadas a Cofins as regras do CTN (Lei n" 5.172/66). A Fazenda Nacional, não se conformando com a decisão proferida pela c. Primeira Camara, interpôs recurso especial, no qual sustenta que o prazo decadencial aplicável Cofins é o disposto no art. 45 da Lei n° 8.212/91, pelo fato de a decisão recorrida, ao deixar de aplicá-la ao caso concreto dos autos, declarou a inconstitucionalidade do referido dispositivo. Conclui, assim, que não poderia a decisão recorrida afastar a incidência do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, diante do principio da presunção da constitucionalidade das leis, corolário da supremacia que é deferida à Constituição, como vértice do ordenamento jurídico. Alega, ainda, que tal decisão, portanto, caso seja mantida, terá sido proferida pela e. Câmara a quo mediante usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal. Por fim, a Fazenda Nacional sustenta a constitucionalidade do mencionado dispositivo legal e sua aplicabilidade ao lançamento tributário em análise. A d. Presidente da Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Despacho n° 201-195 (fls. 498 a 500), recebeu o "recurso interposto pelo procurador da Fazenda Nacional 'As fls. 484/496 quanto a questão da decadência dos tributos lançados por homologação", tendo em vista que "estão presentes os requisitos para interposição do recurso especial: a decisão não foi unânime (art. 32, I); o recurso é tempestivo (art. 33); e, a contrariedade a lei está demonstrada na exposição apresentada pelo ilustre Representante da Fazenda (art. 33, § 1°)". A Interessada foi intimada, em 26 de Julho de 2004, do Acórdão proferido pela Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e informada do prazo de 15 (quinze) dias para a apresentação de contra- razões (fl. 513), por via postal com aviso de recebimento (fl. 514). Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdão n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Eis. 4 Em 02/8/04, tempestivamente, opôs Embargos de Declaração, para fins de sanar suposta obscuridade, quanto a revogação absoluta da LC n° 70/91 pela Lei no 9.718/98. Na mesma data, apresentou contra-razões ao recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 529 a 538), sustentando, em breve síntese, o acerto da decisão recorrida. Os Embargos foram rejeitados, nos termos do Despacho 301 (fls. 548), cientificado a Recorrente em 14/3/05. Em 30/3/05, a Recorrente interpôs Recurso Especial (fls. 561 a 568), visando a refonna da decisão recorrida, na parte mantida. Remetidos os autos a Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, foi certificada a intempestividade do Recurso Especial interposto pela Recorrente. Assim, não atendidos os requisitos básicos para admissibilidade e processamento, foi negado seguimento ao Recurso Especial da Recorrente. Após, os autos foram encaminhados para julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por esta Eg. Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais. E o Relatório. Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdâo n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Fls. 5 Voto Conselheiro FLAVIO DE SA MUNHOZ, Relator 0 Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte não foi admitido pela d. Presidente da Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, tendo em vista que ele não preenchia as condições de admissibilidade, por ter sido apresentado após o transcurso do prazo legal. Tendo em vista que contra o despacho que negou seguimento ao seu recurso especial, não cabe interposição de agravo, nos termos do que estabelece o art. 9 0, § 2°, inciso I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, a referida decisão se tornou definitiva em relação ao recurso do sujeito passivo. Por seu turno, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional reúne as condições de admissibilidade; dele tomo conhecimento. A decisão recorrida, proferida pela c. Primeira Camara do E. Segundo Conselho de Contribuintes, não alcançou a unanimidade de votos e o recurso, tempestivamente interposto, foi fundamentado em suposta contrariedade a. lei, nos termos do art. 32, inciso I do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 55/98. A questão a ser enfrentada no julgamento do presente recurso se restringe verificação do prazo para a realização do lançamento de oficio aplicável a Cofins. A Fazenda Nacional sustenta nas razões de seu recurso que o prazo de decadência para o lançamento de Cofins é de dez anos, com fundamento no art. 45 da Lei n° 8.212/91. A Lei n° 8.212/91 se aplica as contribuições devidas à seguridade social, previstas no art. 195, inciso I da CF/88. A Cofins está abrangida no rol das contribuições sociais mencionadas no referido dispositivo constitucional. Confira-se a redação dos artigos 45 e 11 da Lei n° 8.212/91: "Art. 45. 0 direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; "Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: Parágrafo ÚlliCO. Constituem contribuiçães sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) dos empregados domésticos; Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdão n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Fls. 6 c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário-de- contribuição; d) as das empresas, incidentes sobre o faturamento e lucro; Observa-se absoluta identidade entre as contribuições sociais definidas no art. 11 da Lei n°8.212/91 e as previstas no art. 195, Ida CF/88, este último assim redigido: "Art.195. A seguridade social sera .financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I- do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a ‘folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, a pessoa física que lhe preste serviço, mesnio sem vinculo empregaticio; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro" A Cofins foi recepcionada pela CF/88 pelo dispositivo legal acima transcrito e se encontra incluída na outorga de competência nele inserida, diferentemente do que ocorre em relação ao PIS, que foi recepcionado pelo art. 239 do Ato das Disposições Gerais, confome decidiu o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE 150.164-1, cujo voto do relator, Ministro limar Galvdo, está assim redigido: "Por outro lado, a existência de ducts contribuições sobre o faturamento esta prevista na própria Carta (art. 195, I e 239) [referindo-se ao Finsocial e ao PIS], motivo singelo, mas bastante, não apenas para que não se possa falar em inconstitucionalidade, mas também para infirmar a ilação de que a contribuição do artigo 239 satisfa: a previsão do art. 195, I, no que toca a contribuição calculada sobre o faturamento". Assim, para o reconhecimento da decadência da Cofins, seria necessário o confronto das disposições do art. 45 da Lei n° 8.212/91 com as disposições do art. 150, § 4° do CTN, o que é defeso ao julgador administrativo, a teor do disposto na Portaria MF n° 103/2002 e art. 22A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, por envolver exame de constitucionalidade de normas em decorrência da aplicação do principio da hierarquia. Este confronto teria que ser feito nos termos do que estabelece o art. 146, inciso III, alínea "h" da Constituição Federal, ou seja, teria que ser apreciada a constitucionalidade do art. 45 da Lei IV 8.212/91. Corn efeito, o controle de legalidade do ato administrativo, atribuído pelo art. 2° da Lei n° 9.784/99, somente pode ser exercido no âmbito dos Conselhos de Contribuintes para afastar a aplicação de determinada lei ao caso concreto se este, em razão da melhor interpretação da lei, não se subsumir à hipótese nela descrita. Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdão n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Fls. 7 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2007 M/PFLAVIO DE SA MUNHOZ
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904039/2006-43
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO - IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS
Rendimentos de aplicações financeiras estão sujeitos à retenção na fonte. Os valores retidos são dedutíveis do IRPJ apurado no período, desde que estas receitas efetivamente estejam incluídas na apuração do resultado do período, de acordo com a Súmula CARF n.º 80, e acompanhados da comprovação documental prevista na legislação vigente.
Numero da decisão: 1103-000.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Sérgio Fernandes Barroso - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, e Aloysio José Percínio da Silva.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO - IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS Rendimentos de aplicações financeiras estão sujeitos à retenção na fonte. Os valores retidos são dedutíveis do IRPJ apurado no período, desde que estas receitas efetivamente estejam incluídas na apuração do resultado do período, de acordo com a Súmula CARF n.º 80, e acompanhados da comprovação documental prevista na legislação vigente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 104 1 103 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.904039/200643 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.825 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2013 Matéria IRPJ Recorrente POLIEMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/C Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO IRRF APLICAÇÕES FINANCEIRAS Rendimentos de aplicações financeiras estão sujeitos à retenção na fonte. Os valores retidos são dedutíveis do IRPJ apurado no período, desde que estas receitas efetivamente estejam incluídas na apuração do resultado do período, de acordo com a Súmula CARF n.º 80, e acompanhados da comprovação documental prevista na legislação vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 40 39 /2 00 6- 43 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.904039/200643 Acórdão n.º 1103000.825 S1C1T3 Fl. 105 2 Tratase de Declarações de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso "Saldo Negativo de IRPJ" apurado no 4° trimestre de 1999, no valor de R$29.301,36. As compensações foram declaradas mediante a apresentação das DCOMPs. Essas DCOMPs foram cadastradas nos processos 10680.907757/200671, 10680.907758/2006 16 e 10680.720546/200898, enquanto o crédito encontrase controlado por este processo. Considerando que as DCOMPs utilizam a mesma origem de crédito na extinção de débitos, a análise do procedimento foi efetuada em um mesmo processo, este, de número 10680.904039/200643. DESPACHO DECISÓRIO DRF Verificando as DCOMPs apresentadas pelo contribuinte a DRF/Belo HorizonteMG emitiu em 19/06/2008 o Despacho Decisório anexado às fls. 31 a 35, onde, sinteticamente: Constata que o contribuinte utilizou como crédito nas DCOMPs o saldo negativo de IRPJ apurado no 4° trimestre de 1999, sem, contudo, informar na DIPJ a apuração deste crédito. Verificou as DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras encontrando um IRRF no valor de R$ 26.533,33 para o trimestre em referência; salienta que "não há excessos de IRRF dos trimestres anteriores" a compensar no 4° trimestre. Diante destas constatações, recompõe a apuração do IRPJ informada pelo contribuinte em sua DIPJ, encontrando um "saldo de imposto a pagar" no valor negativo de R$8.198,06. Ou seja, a DRF homologa parcialmente as compensações declaradas pelo contribuinte, utilizando o direito de crédito reconhecido, no valor de R$ 8.198,06, intimando o contribuinte a quitar os débitos indevidamente compensados, em função da insuficiência do crédito utilizado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 24/06/2008, conforme AR Aviso de Recebimento anexado à fl. 45. Irresignado, o contribuinte apresenta em 24/07/2008 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 46 a 48, onde resumidamente argumenta: "O saldo negativo informado nas PER/DCOMP tem origem em saldo de crédito anterior, existente e acompanhado pela escrita contábil da REQUERENTE, aproveitados em parte ao longo do exercício de 1999 (..)". Identifica os créditos mencionados em planilha demonstrativa. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.904039/200643 Acórdão n.º 1103000.825 S1C1T3 Fl. 106 3 Menciona que o princípio do Direito Administrativo é "verificar a verdade dos fatos" sem se ater à rigidez da forma processual, argumentando que não se negou e nem se nega a fornecer as informações necessárias para a constatação dos créditos informados. Por fim, propugna pela reforma do Despacho Decisório exarado pela DRF e a homologação das compensações declaradas. A 3.ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, por meio do acórdão n.º 0220.665, decidiu: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. IRRF APLICAÇÕES FINANCEIRAS Os rendimentos de aplicações financeiras estão sujeitos à retenção na fonte, e os valores retidos são dedutíveis do IRPJ apurado, desde que estas receitas efetivamente estejam incluídas na apuração do resultado da empresa e acompanhados da comprovação documental prevista na legislação vigente.” A contribuinte, recorre: O REQUERENTE optou pela apuração do IRPJ através do lucro presumido no decorrer do ano calendário de 1999, utilizandose nas DCOMP's o valor pago a maior, apurado no 4.º trimestre de 1999. Nesse contexto, a REQUERENTE apresentou, em 27/06/2003, PER/DCOMPs, na época na versão 1.0, instituída pela Instrução Normativa n° 320, de 11/04/2003, para fins de compensação de Saldo Negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 29.301,36 (vinte e nove mil trezentos e um reais e trinta e seis centavos), apurado no 4° trimestre do ano corrente de 1999, com débitos diversos especificados nos respectivos pedidos. Uma vez processada as DCOMP'S indicadas, foram as mesmas baixadas para tratamento manual, sendo ao final, homologadas em parte, nos termos do Despacho Decisório 0912, proferido em 19 de junho de 2008, sob a fundamentação de que não foram localizados, nas DIPJ relativas ao exercício de 1999, o Saldo Negativo pleiteado. Irresignado com a decisão que não homologou totalmente as DCOMP's apresentadas, o REQUERENTE apresentou manifestação de inconformidade, que foi indeferida sob o argumento, em síntese, que não foi comprovado a origem do crédito, sendo portanto inexistente. Ocorre que o Saldo Negativo informado nas PER/DCOMP tem origem em saldo de créditos anteriores, existente e acompanhado pela escrita contábil da REQUERENTE, aproveitados em parte ao longo do exercício de 1999, consoante se tem da planilha anexa. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.904039/200643 Acórdão n.º 1103000.825 S1C1T3 Fl. 107 4 Destarte, tendo em vista a escrituração, com estrita observância das leis comerciais e fiscais, o REQUERENTE comprova através das cópias anexas do livro razão analítico, referente ao período de julho a dezembro de 1998, a origem do crédito bem como sua suficiência na extinção dos débitos perseguidos nas DCOMP's. De se salientar que o aproveitamento dos créditos existentes, durante o ano de 1999, foi devidamente considerado quando da apresentação, durante aquele ano, das respectivas DIPJ trimestrais. Assim, a REQUERENTE apurou, no quarto trimestre de 1999, o saldo escritural decorrente do aproveitamento destes créditos, perfazendo o Saldo Negativo informado nas PER/DCOMP apresentadas. Há de se levar em consideração que, a versão 1.0 do software DCOMP, existente à época, não permitia ao contribuinte fornecer dados detalhados da composição do crédito apurado, mas tão somente o seu saldo, conforme fosse apurado, pelo que foi informado o Saldo Negativo apurado até o quarto trimestre de 1999, tendo em vista o pagamento através de IRF ter sido maior que o imposto de renda apurado no final do período, momento da apuração do lucro real. Dessa forma, sendo inequívoca a existência do Saldo Negativo informado, inexiste qualquer óbice para sejam homologadas as DCOMP's apresentadas, em sua integralidade, impondose a reforma do Despacho Decisório ora impugnado. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A recorrente praticamente repete os argumentos já colacionados na impugnação. Sem acrescentar nada de novo, ou melhor, sem questionar pontualmente o acórdão recorrido. Dessa forma, transcreverei partes do referido acórdão para a solução da lide, a saber: “Em sua manifestação de inconformidade o contribuinte argumenta que o crédito utilizado tem origem em retenções na fonte ocorridas no decorrer do ano calendário de 1999, identificando estas retenções na planilha demonstrativa à fl. 47. De pronto, cabe esclarecer que, ainda que as antecipações efetuadas através de retenções na fonte em valor maior que o efetivamente devido sejam passíveis de restituição ou compensação em períodos posteriores, a identificação do crédito utilizado na DCOMP deve corresponder ao período em que elas efetivamente ocorreram. Ou seja, "retenções a maior" Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.904039/200643 Acórdão n.º 1103000.825 S1C1T3 Fl. 108 5 ocorridas no primeiro trimestre/99 devem ser inequivocamente identificadas na DCOMP como correspondentes àquele período, e assim sucessivamente. Neste contexto, o crédito utilizado nas DCOMP's em análise neste processo foram apurados no 4° trimestre de 1999, dessa forma, somente indébitos (IR a maior ou indevido) apurados neste período poderão ser utilizados para homologar as compensações em comento. Eventuais indébitos apurados pelo contribuinte em outros períodos deverão ser utilizados pelo contribuinte em nova DCOMP onde serão inequivocamente identificados estes créditos. Confirase:. Lei n°9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão.(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) (Os grifos não são do original) Assim, sendo,considerando o pretenso crédito utilizado nas DCOMP's em análise neste processo, somente os dados de apuração correspondentes ao 4° trimestre de 1999 serão verificados neste voto.” A contribuinte informara em suas DCOMPs que houvera excessos de créditos apurados no 4.º trimestre de 1999. Contudo, apesar de na DIPJ (4.ºsemestre de 1999, a contribuinte informar somente R$ 18. 335,27, pelas DIRFs reconheceuse R$ 26.533,33, ou seja, mais do que declarado pela contribuinte. Como a própria contribuinte na mesma ficha declarara R$ 14.601,16 de imposto apurado pelo lucro presumido, e R$ 3.734,11 de adicional, desde o despacho decisório e confirmado pelo acórdão guerreado, reconheceuse de valor pago a maior de R$ 8.198, 06, e não o valor de R$ 29.301,36 como informado como créditos em excesso para o 4.º trimestre de 1999. Apesar de já se poder parar neste ponto, pois, os créditos tem que ser identificados de forma correta, no período de apuração correto, o acórdão atacado continuou na análise, pois, a contribuinte, desde a impugnação, e agora no recurso, alega que os créditos teriam sido retidos de janeiro a dezembro e 1999. Contudo, para que estas retenções pudessem ser aproveitadas no referido trimestre, as receitas correspondentes deveriam ter sido oferecidas no 4.º período de apuração. Neste ponto, esclarecedor é a Súmula CARF n.º 80 que determina: “Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda Fl. 112DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.904039/200643 Acórdão n.º 1103000.825 S1C1T3 Fl. 109 6 retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.” O acórdão da DRJ por meio das DIRFs apurara, pelo contrário que se a contribuinte tivesse informado todas as fontes do 4.º período, teria que informar R$ 132.695,04, contudo, ela só informara R$ 78.985,41 (DIPJ). Assim, na realidade em vez de crédito para o 4.º trimestre a contribuinte teria de pagar R$ 5,229,35, e pagou zero. Na realidade, entendo, que o reconhecimento parcial ocorrido, desde o despacho fora errado, pois, se as receitas não foram oferecidas à tributação no respectivo trimestre, não se poderia aproveitar a totalidade das fontes. Contudo, neste acórdão, não se pode mais alterar o valor reconhecido desde a DRF de origem. Na realidade, a contribuinte não pode alterar a origem dos créditos pleiteados após o despacho decisório. Isto só poderia se dar se houvesse comprovado algum tipo de erro, coisa que nem sequer foi ventilado pela contribuinte. De todo o exposto, em consonância com a Súmula CARF n.º 80, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 07 de março de 2013 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 113DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.000005/2008-00
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005
DIRIGENTE ÓRGÃO PÚBLICO - DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI
Pelo princípio da retroatividade benigna da lei, o dirigente de órgão público deixa de ser o responsável pela multa aplicada no caso de descumprimento de obrigação acessória verificada no âmbito do órgão em questão, em razão da revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-003.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005 DIRIGENTE ÓRGÃO PÚBLICO - DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Pelo princípio da retroatividade benigna da lei, o dirigente de órgão público deixa de ser o responsável pela multa aplicada no caso de descumprimento de obrigação acessória verificada no âmbito do órgão em questão, em razão da revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991 Recurso Voluntário Provido
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 00 05 /2 00 8- 00 Fl. 982DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 13/20), em ação fiscal realizada no Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Sergipe — DER/SE, Autarquia Estadual, foi verificada a omissão de fatos geradores em GFIP, os quais estão especificados no citado relatório. A autuação se deu contra o Diretor Presidente da Autarquia com base no art. 41 da Lei nº 8.212/1991, ora revogado. O autuado tomou ciência do lançamento em 20/12/2007 e apresentou defesa (fls. 177/183) onde requer o reconhecimento do seu direito à ampla defesa e solicita a relevação da multa. Pelo Acórdão nº 1515.829 (fls. 466/469) a 6ª Turma da DRJ/Salvador manteve a autuação sem a relevação da multa sob o argumento de que o autuado não demonstrou a correção integral da falta. Contra tal decisão, o autuado apresentou recurso tempestivo (ls. 472/479) e efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.000005/200800 Acórdão n.º 2402003.182 S2C4T2 Fl. 485 3 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão com base no art. 41 da Lei nº 8.212/1991 que assim estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Ocorre que o dispositivo em questão foi revogado pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Por tratarse de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, ou seja, penalidade, entendo que cabe observar as disposições do Código Tributário Nacional no que tange à retroatividade da lei. O Códex Tributário dispõe, em seu art. 106, o seguinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A meu ver, a revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991 se enquadra na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN acima transcrito, ou seja, a penalidade deixou de ser aplicada contra o dirigente do órgão. Nesse sentido, com base no princípio da retroatividade benigna da lei, entendo que o lançamento não pode prevalecer. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 985DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10675.000166/2004-89
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO
A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA).
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.071
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso. ád( C O AL: r FREIT . BARRETO — Presidente ,N9 ELIAS SAMP 10 FREIRE Relator EDITADO EM: 18 SET 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em virtude de o acórdão recorrido ter descartado para fins da não incidência do ITR: a exigência do Ato Declaratório Ambiental — ADA no prazo nonnativamente disciplinado; e a averbação da reserva legal, antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A primeira questão controvertida posta à apreciação trata-se da obrigatoriedade ou não do Ato Declaratório Ambiental — ADA, nos termos em que dispõem as normas do fisco federal, para fins da não incidência do ITR. Para se dirimir a controvérsia dos autos, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural - ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento. Para tanto, ressalto do art. 10 da Lei 9.393/96 os trechos que interessam: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. 2 Processo n° 10675.000166/2004-89 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.071 Fl. 3 § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: - vriv, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c)pastagens cultivadas e melhoradas; d)florestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n o 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) compro vadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Da transcrição acima, destaca-se que, quando da apuração do imposto devido, exclui-se da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico e das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, remetendo o dispositivo citado para a Lei 4.771/65 (Código Florestal). O Código Florestal (Lei n° 4.771/65, na redação da Lei n° 7.803/89) foi extremamente minucioso ao estabelecer os parâmetros específicos para a conceituação das áreas de preservação permanente e as de reserva legal, nos arts. 2°, 3°, 16 e 44, que vão aqui reproduzidos: "Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei n°7.803 de 18.7.1989) 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n°7.803 de 18.7.1989) (:1-- 3 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45 0, equivalente a 100% na linha de maior declive; fi nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo.(Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Art. 3° Consideram-se, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) afixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor cientifico ou histórico; fi a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações 4 silvícolas; Processo n° 10675.000166/2004-89 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.071 Fl. 4 h) a assegurar condições de bem-estar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2° As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições a) nas regiões Leste Meridional, Sul e Centro-Oeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindo-se, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucaria angustifolia" (Bert - O. Ktze), não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerando-se, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1° Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computar-se-ão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. (Parágrafo único renumerado pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) § 2°Á reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) § 3 0 Aplica-se às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro- Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803, de 18.7.1989) A expedição de atos normativas pela Administração Tributária deve ater-se à observância dos princípios da legalidade e da razoabilidade. Embora o Código Tributário Nacional estabeleça que a obrigação acessória decorre da legislação tributária (art. 113, § 2°), expressão que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares (atos normativos, decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades tributários e convênios), não se deve perder de vista que sobrepaira sobre todo o sistema o princípio da legalidade. Em comentário ao dispositivo, Luiz Alberto Gurgel de Faria enfatiza, na esteira da melhor doutrina, que apenas a lei formal poderia ser fonte de obrigação tributária acessória: (Código Tributário Nacional Comentado, Coord. Vladimir Passos de Freitas, 3a ed., Ed. RT, pp. 551-552) A obrigação acessória decorre da 'legislação tributária' ( 2°), o que há de ser interpretado em harmonia com a Constituição FederaL Com efeito, nos termos do art. 96 do CTN, a referida expressão 'compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes', de modo que, na concepção do legislador de 1966 (ano da promulgação do CTIV), quaisquer desses atos poderiam instituir uma obrigação acessória. Ocorre que, na Carta Magna em vigor, o princípio da legalidade foi reforçado -'ninguém será obrigado afazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei' (art. 5°, II) -, demonstrando que as obrigações acessórias hão de ser criadas Processo n° 10675.000166/2004-89 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.071 Fl. 5 através de lei, formal e materialmente considerada, advinda, portanto, do Poder Legislativo, cabendo aos decretos e demais normas complementares o papel de explicitar a lei, viabilizando a sua melhor forma de execução, quando necessário Portanto Administração Tributária não pode instituir obrigações acessórias sem que haja pertinência objetiva entre ela e a obrigação tributária principal. Não deve o contribuinte ser onerado com exigências desnecessárias e impertinentes para o pagamento do imposto. A leitura das normas constantes no Código Florestal evidencia que ali foram expostos de modo minucioso todas as particularidades relativas à caracterização das áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Não há pertinência entre o cumprimento da obrigação tributária principal, no que tange à apuração e o pagamento do imposto, no que diz respeito à exclusão das áreas em tela e a exigência de Ato Declaratório Ambiental. Entendo que a IN n° 67/97, no quanto comporta à regulamentação do art. 10, § 1 0, inc. II, alínea 'a', da Lei n° 9.393/96, desbordou de seus limites, vale dizer, o ato administrativo operou extra-legem . Com efeito, a exigência de ato declaratório se encontra tão-só nas alíneas e 'c' do inciso II do § 1° da Lei n° 9.393/96. Nessas hipóteses tal exigência da IN n° 67/97 encontra fundamento na lei, condição necessária para sua validade enquanto ato normativo derivado. Entretanto, no que diz com a alínea 'a' do inciso II do § 1° da Lei n° 9.393/96, não se vislumbra esse fundamento, até porque essa alínea faz remissão expressa à lei n° 4.771/65 e à Lei n° 7.803/89, que definem quais sejam as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Diferentemente, quando o legislador entendeu necessária a declaração para a determinação de áreas de interesse ecológico e comprovadamente imprestáveis, o fez de maneira expressa. Portanto, a irresignação da Fazenda Nacional, neste ponto, não merece prosperar. Inclusive, porque o r. acórdão se mostra em sintonia com a jurisprudência da CSRF que firmou entendimento de que a comprovação da área de Preservação Permanente não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Colaciono os seguintes precedentes: ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO - A comprovação da área de Preservação Permanente, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declarató rio Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. Não existe previsão legal que determine a necessidade de averbar, à margem da matrícula do imóvel, a área de Preservação Permanente. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/03- 05.514 ) IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) — ÁREAS ISENTAS DE TRIBUTAÇÃO (PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL) — COMPROVAÇÃO — ATO DECLARA TÓRIO AMBIENTAL (ADA) REQUERIDO 7 FORA DO PRAZO REGULAMENTAR. - O ADA, mesmo requerido a destempo junto ao IBAMA, não pode ser descartado para fins de comprovação da existência das áreas isentas de tributação. Além disso, não é tal documento o único meio de prova da existência das referida áreas. Tendo o contribuinte carreado para os autos Laudo Técnico contemporâneo ao fato gerador, indicando a existência de áreas de reserva legal e de preservação permanente, é de se exclui-las da base de cálculo do ITR.Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/03-04.244) Precedentes do STJ também são no sentido de que se permite a exclusão da base de cálculo do ITR de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmou-se no sentido de que "o Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Deelaratário Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 8I2.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007; REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1112283 / PB, PRIMEIRA TURMA, Relator Ministro BENEDITO GONÇALVES, DJe 01/06/2009) TRIBUTÁRIO - IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - BASE DE CÁLCULO - EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATORIO AMBIENTAL DO IBAlgA. I. O Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/96, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA. 2. Recurso especial provido. (REsp 665123 / PR, SEGUNDA TURMA, Relatora Ministra EMANA CALMON, DJ 05/02/2007 p. 202) A segunda questão controvertida disse respeito à exigência da averbação da área de reserva legal para fins de isenção do ITR. A decisão recorrida partiu da premissa de que o Código Florestal ao tratar da averbação da área de reserva legal o fez com finalidade diversa da tributária, ao concluir que a Processo n° 10675.000166/2004-89 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.071 Fl. 6 exigência de averbação como pré-condição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na lei ambiental. Para o deslinde da questão vale repassar as normas legais regedoras da isenção de ITR incidente sobre a área de reserva legal e, conseqüentemente, do próprio conceito de área de reserva legal. Inicialmente, há de se esclarecer que o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada , nos termos em que disciplina o art. 144 do CTN. O art. 10, § 1°, inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10 sç 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei n° Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), portanto, à época dos fatos geradores, previa a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: sç 2°Á reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989). Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro- Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. ()( 9 Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803, de 18.7.1989) No meu entender a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida área seja, efetivamente, considerada como área de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n° 22.688/PB) é explícito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada como área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis, assim ementado: EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbaç ão existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96. (GRIFEI) Mandado de segurança indeferido. Por relevante, transcrevo excerto voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence proferido no julgado do Mandado de Segurança acima ementado, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Processo n° 10675.000166/2004-89 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.071 Fl. 7 Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 náo existe reserva legaL (GRIFEI) Portanto, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Destarte, a área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Por todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, de modo a retificar o acórdão recorrido no que se refere à área de reserva legal não averba ea o registro de imóveis à época dos fatos geradores. Elias Samp 10: reire Relator 11
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Numero do processo: 19647.008609/2005-72
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996
RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL ESGOTADO.
Tratando-se de indébito tributário advindo de recolhimento efetuado a maior por iniciativa do contribuinte, tem-se que decorrido o prazo de cinco anos, contados a partir do pagamento, opera-se a extinção do direito de pleitear a restituição, nos termos do artigo 168, I, c.c. artigo 165, I, ambos do CTN.
Numero da decisão: 1302-000.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente em Exercício), Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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PRAZO PRESCRICIONAL ESGOTADO. Tratandose de indébito tributário advindo de recolhimento efetuado a maior por iniciativa do contribuinte, temse que decorrido o prazo de cinco anos, contados a partir do pagamento, operase a extinção do direito de pleitear a restituição, nos termos do artigo 168, I, c.c. artigo 165, I, ambos do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente em Exercício), Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 86 09 /2 00 5- 72 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.008609/200572 Acórdão n.º 1302000.963 S1C3T2 Fl. 430 2 Relatório CIROL ROYAL S/A, já qualificada nos presentes autos, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 212/217), contra o Acórdão nº 1122.233, de 14 de maio de 2008 (fls. 199/204), proferido pela colenda 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Recife PE, o pedido de restituição de fls. 01, protocolado em 23.08.2005. Na mencionada data, a interessada apresentou o pedido de restituição correspondente ao saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica apurado em 31.12.1996, o qual, após ser apreciado pela repartição de origem, foi indeferido (fls. 97), com fundamento no artigo 168 do CTN, em razão do transcurso do prazo decadencial para pleitear a repetição de indébito. Tempestivamente a pessoa jurídica apresentou manifestação de inconformidade (fls. 100/102), sob o argumento de que a decisão da DRF/Recife, que não estaria em consonância com a melhor interpretação do Código Tributário Nacional (art.150, §4°), nem com a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), como também na esfera administrativa, que o prazo para pleitear o indébito tributário, nos tributos lançados por homologação começa a fluir a partir da homologação, e no caso de ter sido tácita, somente a partir do quinto (5°) ano a contar da data do fato gerador. Ao apreciar o pleito da contribuinte, a turma julgadora de primeiro grau indeferiu o pedido nos termos do acórdão citado, cuja ementa possui a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL ESGOTADO. O prazo para restituição de indébito é de cinco anos contados da data do recolhimento que abrangeu o pagamento do tributo, conforme disposto no art.168, do CTN. O protocolo do pedido foi registrado em 23.08.2005, já na vigência da LC 118/05. Solicitação Indeferida Ciente da decisão de primeira instância em 06/01/2009 (fls. 207) e com ela não se conformando, a contribuinte recorre a este Colegiado por meio do recurso voluntário apresentado em 04/02/2009 (fls. 212), onde apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: a) No que diz respeito a legislação que regia as regras da restituição e compensação de indébito tributário do contribuinte, para aquele ano Fl. 234DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.008609/200572 Acórdão n.º 1302000.963 S1C3T2 Fl. 431 3 calendário de 1996 e para o exercício financeiro de 1997 era o artigo 66 da Lei n. 8383191 e a Instrução Normativa n. 67/92. Dessa forma, naquele ano, para aqueles fatos jurídicos tributários estavam valendo as normas disciplinadas pela IN 67/92; b) que o único objetivo era ratificar o seu crédito tributário (indébito tributário), para poder compensar com seus débitos tributários futuros, a partir daquela data; c) que a pessoa jurídica com direito a restituição caso da Impugnante conforme DIRP3/97) poderá compensar os valores no recolhimento de tributos apurados em período subsequente. Se a legislação autorizou a compensar os valores a restituir, sem sombra de dúvida, é porque o crédito a favor do contribuinte consignado na DIRPJ já estava reconhecido, exceto nos casos em que o mesmo tenha sido questionado pelo Ente Tributante Federal; d) que não se pode deixar de levar em consideração as argumentações proferidas na Manifestação de Inconformidade. Principalmente a tese da contagem do prazo para restituição do indébito tributário; fundamentada no somatório de 5 anos a partir do fato gerador para fins de homologação tácita ou expressa de tributos lançados por homologação e de mais 5 anos, após a homologação tácita ou expressa, para fins de se pleitear a restituição de valores pagos indevidamente. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.008609/200572 Acórdão n.º 1302000.963 S1C3T2 Fl. 432 4 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Como visto do relato, a lide se limita ao pleito da recorrente, no sentido de ver reconhecido o direito à compensação de parte dos recolhimentos efetuados a título de IRPJ, a qual resultou saldo negativo do mencionado tributo. Sobre a matéria que trata de restituição ou compensação de valores indevidamente pagos, o comando inserto no art. 168 do Código Tributário Nacional, prevê: Art. 168 – O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. II – na hipótese do inciso III do art. 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Vimos acima que o prazo é sempre de cinco anos, porém, a data de início da sua contagem possui variadas situações que manifestam a ocorrência do indébito tributário, as quais estão previstas no artigo 165 do CTN, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II – erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.008609/200572 Acórdão n.º 1302000.963 S1C3T2 Fl. 433 5 No caso dos autos, o indébito resultou demonstrado por iniciativa do próprio contribuinte através do recolhimento a maior do IRPJ relativo ao anocalendário de 1996. Nesse caso, o pedido de restituição/compensação tem assento nos incisos I e II do artigo 165 do CTN, contandose o prazo de decadência a partir de cada pagamento indevido, ou “da data da extinção crédito tributário”, de acordo com o que estabelece o inciso I do artigo 168, do CTN. Nesses termos, o direito de pleitear restituição de valor pago indevidamente, ainda que antecipado, não estava na dependência de qualquer homologação das atividades informadas pelo sujeito passivo, nem mesmo da chamada homologação tácita, posto que já poderia ser exercitado tão logo evidenciado o pagamento a maior, através da iniciativa da retificação da declaração de rendimentos. Diante disso, apresentado o pedido após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, I do CTN, consumouse a preclusão do direito, restando caracterizada a decadência bem reconhecida pela turma julgadora de primeira instância. Com efeito, a partir da ocorrência do fato gerador, a recorrente já tinha o direito de pleitear a repetição ou a compensação do indébito tributário, advindo do recolhimento a maior efetuado, porém, não o fez, tendo apresentado o presente pedido de restituição somente em 14/05/2003, ou seja, após decorrido o prazo decadencial de cinco anos, previsto no artigo 168, I, do CTN. Com isso, fica demonstrada a improcedência do argumento utilizado pela recorrente no que se refere a não ocorrência da decadência qüinqüenal de seu direito ao crédito. No que diz respeito ao argumento utilizado para rebater a ocorrência do prazo decadencial declarado pela colenda turma julgadora de primeiro grau, onde afirma que referido prazo só teria início com a homologação do lançamento, também não lhe assiste razão, visto que seu direito de reaver o valor de IRPJ pago a maior, não estava na pendência de qualquer homologação por parte da autoridade fazendária, pelo contrário, já poderia ter sido exercitado tão logo evidenciado o pagamento a maior. Os dispositivos supracitados são suficientemente claros para por fim à discussão acerca da ocorrência da decadência do direito da Recorrente de reaver o valor de IRPJ recolhido a maior no anocalendário de 1996. Referido entendimento, encontrase bem explicitado no no Acórdão nº 108 05.791, cuja ementa transcrevo abaixo: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN: O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera Fl. 237DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.008609/200572 Acórdão n.º 1302000.963 S1C3T2 Fl. 434 6 indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. Recurso negado. Portanto, de acordo com as disposições legais acima mencionadas e, considerando a data da protocolização do pedido de restituição, concluise que o direito de a recorrente pleitear a restituição do crédito de IRPJ referente ao anocalendário de 1996, encontrase irremediavelmente atingido pela decadência qüinqüenal, como bem reconhecido pelos julgadores de primeira instância. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 238DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 13308.000114/2002-17
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CRITÉRIO DE QUANTIFICAÇÃO E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES. INEXISTÊNCIA DE SISTEMA DE CUSTO COORDENADO E INTEGRADO COM ESCRITURAÇÃO. CRITÉRIO ALGÉBRICO DE QUANTIFICAÇÃO E MÉTODO PEPS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES.
Na ausência de sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será (i) apurada pelo critério algébrico, somando-se a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindo-se, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências, e (ii) avaliada pelo método PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai), que segue a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque.
COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. DOCUMENTAÇÃO ADEQUADA. LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI E NOTAS FISCAIS DE ENTRADA.
O livro Registro de Apuração do IPI e as notas fiscais de aquisição dos insumos são considerados documentos hábeis e idôneos para comprovar o valor do crédito presumido do IPI.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ESCRITURAL. INDEFERIMENTO POR MEIO DE ATO ADMINISTRATIVO OU NORMATIVO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. TERMO INICIAL. DATA DA CIÊNCIA DO ATO DE INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de ressarcimento, em dinheiro ou mediante compensação, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo credor do IPI pleiteado, dando ensejo a incidência da taxa Selic, calculada a partir da data da ciência do respectivo ato administrativo ou normativo (aplicação da jurisprudência do STJ, por força do art. 62-A do RI-CARF).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, para: a) reconhecer o direito da Interessada ao crédito presumido do IPI do mês dezembro de 2001, no valor originário de R$ 389.885,18; b) homologar a compensação dos débitos declarados nas DComp de fls. 333/390, que deverá ser realizada nos termos do art. 13 da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 1997; e c) determinar o ressarcimento em dinheiro, na forma do § 8º do art. 12, combinado com o disposto no inciso V do § 2º do art. 13, ambos da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, do valor remanescente do crédito presumido do IPI do 4º trimestre dede 2001, que deverá ser acrescido do valor equivalente à variação da taxa Selic, apurada a partir de 07/06/2006, data da ciência do citado Despacho de Decisório, até o mês anterior ao ressarcimento e de 1% relativamente ao mês em que for efetuado depósito da importância ressarcida, conforme estabelecido no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 01/11/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausentes os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CRITÉRIO DE QUANTIFICAÇÃO E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES. INEXISTÊNCIA DE SISTEMA DE CUSTO COORDENADO E INTEGRADO COM ESCRITURAÇÃO. CRITÉRIO ALGÉBRICO DE QUANTIFICAÇÃO E MÉTODO PEPS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES. Na ausência de sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será (i) apurada pelo critério algébrico, somando-se a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindo-se, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências, e (ii) avaliada pelo método PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai), que segue a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. DOCUMENTAÇÃO ADEQUADA. LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI E NOTAS FISCAIS DE ENTRADA. O livro Registro de Apuração do IPI e as notas fiscais de aquisição dos insumos são considerados documentos hábeis e idôneos para comprovar o valor do crédito presumido do IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ESCRITURAL. INDEFERIMENTO POR MEIO DE ATO ADMINISTRATIVO OU NORMATIVO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. TERMO INICIAL. DATA DA CIÊNCIA DO ATO DE INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de ressarcimento, em dinheiro ou mediante compensação, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo credor do IPI pleiteado, dando ensejo a incidência da taxa Selic, calculada a partir da data da ciência do respectivo ato administrativo ou normativo (aplicação da jurisprudência do STJ, por força do art. 62-A do RI-CARF). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, para: a) reconhecer o direito da Interessada ao crédito presumido do IPI do mês dezembro de 2001, no valor originário de R$ 389.885,18; b) homologar a compensação dos débitos declarados nas DComp de fls. 333/390, que deverá ser realizada nos termos do art. 13 da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 1997; e c) determinar o ressarcimento em dinheiro, na forma do § 8º do art. 12, combinado com o disposto no inciso V do § 2º do art. 13, ambos da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, do valor remanescente do crédito presumido do IPI do 4º trimestre dede 2001, que deverá ser acrescido do valor equivalente à variação da taxa Selic, apurada a partir de 07/06/2006, data da ciência do citado Despacho de Decisório, até o mês anterior ao ressarcimento e de 1% relativamente ao mês em que for efetuado depósito da importância ressarcida, conforme estabelecido no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausentes os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CRITÉRIO DE QUANTIFICAÇÃO E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES. INEXISTÊNCIA DE SISTEMA DE CUSTO COORDENADO E INTEGRADO COM ESCRITURAÇÃO. CRITÉRIO ALGÉBRICO DE QUANTIFICAÇÃO E MÉTODO PEPS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES. Na ausência de sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será (i) apurada pelo critério algébrico, somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências, e (ii) avaliada pelo método PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai), que segue a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. DOCUMENTAÇÃO ADEQUADA. LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI E NOTAS FISCAIS DE ENTRADA. O livro Registro de Apuração do IPI e as notas fiscais de aquisição dos insumos são considerados documentos hábeis e idôneos para comprovar o valor do crédito presumido do IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ESCRITURAL. INDEFERIMENTO POR MEIO DE ATO ADMINISTRATIVO OU NORMATIVO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. TERMO INICIAL. DATA DA CIÊNCIA DO ATO DE INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de ressarcimento, em dinheiro ou mediante compensação, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 8. 00 01 14 /2 00 2- 17 Fl. 454DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 escritural do saldo credor do IPI pleiteado, dando ensejo a incidência da taxa Selic, calculada a partir da data da ciência do respectivo ato administrativo ou normativo (aplicação da jurisprudência do STJ, por força do art. 62A do RI CARF). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, para: a) reconhecer o direito da Interessada ao crédito presumido do IPI do mês dezembro de 2001, no valor originário de R$ 389.885,18; b) homologar a compensação dos débitos declarados nas DComp de fls. 333/390, que deverá ser realizada nos termos do art. 13 da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 1997; e c) determinar o ressarcimento em dinheiro, na forma do § 8º do art. 12, combinado com o disposto no inciso V do § 2º do art. 13, ambos da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, do valor remanescente do crédito presumido do IPI do 4º trimestre dede 2001, que deverá ser acrescido do valor equivalente à variação da taxa Selic, apurada a partir de 07/06/2006, data da ciência do citado Despacho de Decisório, até o mês anterior ao ressarcimento e de 1% relativamente ao mês em que for efetuado depósito da importância ressarcida, conforme estabelecido no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausentes os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 018.804, de 31 de julho de 2007 (fls. 322/332), proferido pelos membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém/PA, em que, por unidade de votos, indeferiram o pedido de ressarcimento, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 3802001.369 S3TE02 Fl. 325 3 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pelo art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento do pleito. Solicitação Indeferida. Por bem descrever os fatos até prolação da decisão de primeiro grau, adoto o Relatório encartado no Acórdão recorrido, que segue transcrito: A interessada acima qualificada formulou, em 31/05/2002, pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor original de R$ 389.885,18 (fl. 01), referente ao 4º trimestre de 2001, com fundamento no art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Também constam do presente processo pedidos de compensação de fls. 69/74. 2. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, após procedimento fiscal que visou à comprovação e aferição dos valores pleiteados pela contribuinte, opinou pelo indeferimento total do crédito, sob os seguintes fundamentos, constantes do Termo de Verificação Fiscal de fls. 90/118: a) “o estabelecimento produz calçados, sendo que todo o processo de industrialização é feito sob encomenda, somando 19 o número de estabelecimentos industrializadores” (fl. 91), de acordo com informação prestada pela interessada. b) Em demonstrativo intitulado “Vendas Referentes Remessas p/ Depósito”, apresentado pela requerente, encontramse listadas, por exemplo, saídas de produtos (Remessa para depósito em estabelecimento de terceiros – CFOP 5.99) ocorridas em 5/5/1999, sendo que tais produtos somente teriam sido devolvidos ao estabelecimento (nele reingressado), por meio de notas fiscais de entrada do próprio contribuinte (NF de Remessa nº 6744 e NF de Entrada nº 20000), em 19/12/2001, portanto, mais de dois anos e sete meses após a saída declarada (fl. 92). c) “O Interessado, ainda, dá saída a mercadorias como ‘remessa de amostra’ ou ‘remessa para teste de amostra’, classificadas nos CFOP 699 ou 799, que até a data da informação prestada não haviam retornado, chegando a somar, estas saídas, no mês de junho/2000, R$ 309.151,76; até a data da informação prestada também não foram estornados os créditos respectivos, que possivelmente foram lançados na entrada destas mercadorias” (fl. 149). “Da mesma forma, o Interessado dá saída a mercadorias nos CFOP 5.12 e 6.12 – Venda de mercadorias adquiridas e/ou recebidas de terceiros, sem o devido estorno de possíveis créditos lançados nas respectivas entradas” (fl. 93). Fl. 456DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 d) “O interessado declara que todos os seus produtos são industrializados por terceiros e que ocorrem, até o desenvolvimento do produto final, várias etapas no processo de industrialização, realizada por vários estabelecimentos industrializadores, com várias entradas, portanto, destes produtos semiacabados em seu estabelecimento e, por outra, deixou de apresentar justamente as informações relativas a estas industrializações (...), necessárias e imprescindíveis ao devido esclarecimento da questão em pauta: os procedimentos do estabelecimento quanto à emissão e registro de documentos e livros fiscais, os necessários e suficientes ao cálculo dos créditos pleiteados...” (fl. 108). e) A própria contribuinte declara que “a partir de janeiro de 2002 deuse o início da implantação de um novo programa (...) ficando pronto agora em dezembro de 2003 a parte do controle da produção que vai alimentar o livro modelo 3 referente ao movimento dos produtos prontos e intermediários”, o que indicaria a inexistência de quaisquer controles quanto a MatériasPrimas (MP), Produtos Intermediários (PI) e Materiais de Embalagem (ME) utilizados diretamente no processo industrial. Aduz a fiscalização que, de fato, “o Interessado nada apresentou sobre quaisquer movimentações de matériasprimas, material de embalagem etc”, ressaltando que “ainda que não dispusesse mesmo do que seria devido, o livro modelo 3 – Registro de Controle da Produção e do Estoque (ou fichas substitutivas ou outro controle equivalente) (...) não apresentou quaisquer controles que sejam, algum controle que valha como tal sobre alguma parte do seu processo produtivo” (fl. 109, grifouse). f) Por último, consignouse que os “procedimentos de emissão e registro de documentos e livros fiscais, pelo estabelecimento industrial (..) impossibilitam a aplicação das legislações do Crédito Presumido – IPI (Lei nº 9.363/96 e Portaria MF 38/97) ..., o cálculo dos valores de créditos pleiteados (...)” (fls. 117/118). 3. Em 22/03/2006, por intermédio do Despacho Decisório de fl. 260, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza indeferiu o pedido de ressarcimento em tela e não homologou as compensações correlatas, em face de que a interessada, não mantendo qualquer Controle da Produção e Estoque, haveria inviabilizado a verificação dos valores a serem ressarcidos. 4. A interessada tomou ciência do referido Despacho Decisório em 07/06/2006 (AR de fl. 261) e apresentou, em 29/06/2006 (fl. 262), a manifestação de inconformidade de fls. 264/289, na qual alega, em síntese, que: a) vários fatos ocorridos no curso do procedimento fiscal induziriam ofensa ao seu direito de defesa. Aponta que a fiscalização, com o mero propósito de prejudicála, relacionou no Termo de Verificação Fiscal processos que não constavam do respectivo Termo de Início. b) A matéria referente ao crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS/Cofins, instituído pela Lei nº 9.363, de Fl. 457DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 3802001.369 S3TE02 Fl. 326 5 1996, é de simples compreensão e aplicação, sendo que foram disponibilizados à fiscalização, a partir de dados retirados dos controles de estoque e livros fiscais existentes, quadros demonstrativos de exportação e movimentação contábil dos insumos. Com base na legislação pertinente e nos quadros demonstrativos apresentados, o que a fiscalização deveria ter verificado era: se as MP, PI e ME foram adquiridas no mercado nacional; se tais aquisições amparavamse em documentos fiscais hábeis, idôneos e se estavam devidamente registradas nos livros fiscais; se as exportações informadas foram efetivamente realizadas; se as receitas totais correspondem àquelas informadas em outras declarações decorrentes de obrigações acessórias; se o cálculo da relação Receita de Exportação/Receitas Totais encontravase correta; e se o cálculo do crédito presumido encontravase correto. Ressalta que, “com um pouco de boa vontade”, poderseia facilmente constatar “onde e para que finalidade foram utilizados todos os insumos adquiridos pela contribuinte”, que é empresa “quase que exclusivamente exportadora” (fl. 274). c) Tomando em conta sua premissa de que a legislação pertinente é de fácil aplicação, sustenta não haver qualquer razoabilidade nas solicitações emanadas da fiscalização, que envolveriam milhares de documentos fiscais, cujo atendimento se fazia quase impossível no prazo concedido, pelo que sustenta que “o agente fiscal tinha certeza que a empresa não teria condições de atender às solicitações, no formato pedido”, sendo que “sua intenção era alegar improcedentes os pedidos da contribuinte, mesmo antes de iniciarse a verificação fiscal” (fls. 282/283). d) Acresce que “disponibilizou todas as notas fiscais de compras e de vendas; os livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias; os livros de inventários; os documentos de exportação; os livros razões e diários; bem como as fichas técnicas de produção que serviriam de base para a confecção das fichas de custos dos materiais utilizados, em cada modelo fabricado”, documentos os quais seriam “mais que suficientes para confirmar as exportações realizadas, bem como a aquisição dos insumos utilizados na sua produção” (fl. 283). Observa, ainda, que mesmo que tivesse condições de atender às informações requeridas, a fiscalização “levaria décadas para analisálas” (fl. 283), indicando que, em caso de dúvida quanto aos insumos e respectivas quantidades utilizadas na fabricação dos calçados exportados, bastaria haverse “multiplicado a quantidade de calçados exportados de cada modelo, pela quantidade de insumos definidos nas fichas de custos dos materiais por modelo” (fl. 283). e) Invoca o art. 9º, IV, do Decreto nº 2.637, de 1998 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/1998), para asseverar que a hipótese normativa diz respeito exatamente às operações que realiza, quais sejam: idealiza os produtos finais, define os processos de industrialização, define a quantidade e qualidade dos materiais a serem utilizados na produção, adquire todos os insumos e os Fl. 458DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 remete a outras empresas para industrialização. Desta forma, afirma que “nas vendas para o mercado interno dos produtos finais, se tributáveis, a responsável pelo pagamento do IPI é a contribuinte, não as empresas que realizaram o beneficiamento do couro ou de qualquer outra industrialização. Assim, os créditos sobre os insumos, também, pertencem à contribuinte, inclusive o crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS e Cofins” (fl. 285). f) Registra que o não reconhecimento do direito líquido e certo ao crédito presumido causará um total desequilíbrio em seu fluxo de caixa, uma vez que na formação do preço final de venda dos seus produtos foram deduzidos os valores relativos ao ressarcimento pleiteado. g) Por último, insurgese contra a anexação dos autos do processo nº 10380.009239/200161 (fl. 68), em que constavam os pedidos de compensação que ora figuram às folhas 69/74 do presente processo, por entender incabível, haja vista não se vincularem aqueles pedidos de compensação ao crédito presumido cujo ressarcimento pleiteia. 5. Em face de tais alegações, a requerente peticiona no sentido de que: a) decisão recorrida seja reformada; b) sejam homologadas as compensações de débitos vinculadas ao presente processo; c) o PAF nº 10380.009239/200161 seja desconsiderado no presente julgamento. d) o ressarcimento do crédito presumido de IPI seja atualizado, dentre a data do protocolo do pedido e a data do efetivo ressarcimento, pela taxa Selic; e) seja deferida perícia “para constatar a veracidade dos documentos e cálculos relativos às aquisições de insumos, exportações e tudo o mais necessário, para comprovar o direito ao crédito presumido de IPI solicitado” (fl. 364), indicando quesitos relacionados às exportações que realizou, à comprovação da idoneidade ou não dos documentos de aquisição de MP, PI e ME, bem como quanto à devida escrituração fiscal e contábil de tais documentos, além da possibilidade de se estabelecer correlação entre os insumos adquiridos e os produtos exportados. 6. Em 24/05/2007, a interessada apresenta requerimento para que seja juntada aos autos cópia simples de acórdão proferido, em seu favor, pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, o qual se encontra às folhas 305/320 e exibe ementa no sentido de que “o estabelecimento exportador, equiparado a produtor (...) faz jus ao crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96, seja por se enquadrar no conceito de exportador, seja porque este conceito não pode alterar o objetivo da norma, de garantir o ressarcimento das exações ao PIS e Cofins incidentes no ciclo de produção de produtos exportados (...)” (fl. 305). Fl. 459DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 3802001.369 S3TE02 Fl. 327 7 Inconformada com o referido Acórdão, a Interessada apresentou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou todos os termos e argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, especialmente, o pleito de atualização do valor do crédito pleiteado, com base na variação da taxa Selic, calculada a partir da data do protocolo do pedido. Em aditamento, em síntese, alegou que: a) nas fiscalizações anteriores, os pedidos formulados foram deferidos, total ou parcial, enquanto que nas duas últimas fiscalizações houve o indeferimento total dos pedidos formulados. Tal fato causaralhe estranheza, haja vista que não houve mudança na legislação, no processo produtivo, nos controles dos estoques nem nos registros fiscais e contábeis; b) a única mudança que ocorrera fora o desfecho das duas últimas fiscalizações, em que o indeferimento fora motivado não pela inidoneidade dos documentos analisados ou exportações fraudulentas ou algo parecido, mas em decorrência da impossibilidade de identificação da utilização dos insumos utilizados nos produtos vendidos, o que houvera sido possível nas fiscalizações anteriores; c) estranhava ainda o fato de a decisão recorrida, da lavra da DRJ Belém, ter aceito as alegações da fiscalização, enquanto que as decisões preferidas pela DRJ Recife, no julgamento dos processos relativos à primeira fiscalização (realizada pelo mesmo AuditorFiscal, também com proposta de indeferimento dos pedidos, baseada nos mesmos argumentos apresentados nos presentes autos), determinara a realização de perícia, para confirmar a alegada impossibilidade de identificar o consumo dos insumos, bem como os cálculos dos créditos pleiteados; d) um controle nos moldes desejados pela Fiscalização e DRJ Belém apenas facilitaria a identificação dos insumos, entretanto, a falta desse controle não poderia ser argumento para negar a verdadeira compra dos materiais, sua industrialização e exportação; e) a Lei nº 9.363, de 1996, em seu artigo 2°, era clara ao afirmar que o crédito presumido seria calculado tendo como base a totalidade das compras de matériasprimas, materiais de embalagem e materiais intermediários. O legislador, em nenhum momento, menciona os vocábulos “consumido” ou “utilizado”. A base do incentivo era “o VALOR TOTAL DAS AQUISIÇÕES”. f) como não possuía sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, o valor dos insumos consumidos, para efeito do que determinava o art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, era apurado através da soma algébrica das movimentações dos estoques (§ 7°) e, neste caso, mantinha a relação dos estoques dos insumos (§ 14), o que se deu com a apresentação dos relatórios de produção e venda, dos controles internos e do Livro de Inventário; g) a apuração do crédito presumido do IPI, para aqueles que não possuíam sistema de custo integrado à contabilidade comercial, nos termos do art. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 1º da Instrução Normativa SRF nº 103, de 1997, ou seja, para aqueles em que não fosse permitida a identificação dos insumos (§ 1°), a apuração dos insumos que geravam crédito era baseada nos documentos fiscais das aquisições (§ 2°) e as parcelas dos estoques existentes no final de cada período de apuração eram determinadas por critério de rateio (§ 3°), efetuado com base em percentual, apurado mensalmente, resultante da relação entre a soma dos insumos que geram direito ao crédito presumido e os valores totais dos insumos adquiridos (4°), ou seja, a apurados dos estoques, para efeito do cálculo dos insumos consumidos no período de apuração, era resultado de uma operação algébrica; h) havia disponibilizado à fiscalização “TODAS AS NOTAS FICAIS DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE TODOS OS SEUS ESTABELECIMENTOS, bem como os livros fiscais onde foram escrituradas essas notas fiscais”, dessa forma, havia atendido, integralmente, o que determinava o § 1° do Art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997; i) todo o cálculo do crédito presumido do IPI, para os contribuintes que não tinham sistema de custo integrado à contabilidade, em conformidade com a legislação vigente à época, estava centrada (i) na comprovação das exportações (RE, SD, B/L, invoices, contrato de câmbio); (ii) na comprovação do total das receitas brutas operacionais (notas fiscais de vendas); (iii) no total das aquisições de insumos (notas fiscais de compras e importações); e (iv) na aquisição de insumos nacionais (notas fiscais). Uma vez comprovada a veracidade desses elementos, não havia razão do indeferimento total do pedido de ressarcimento; j) o objetivo do Fisco era retardar ao máximo o deferimento dos pedidos de ressarcimento. Nesses casos, os contribuintes só obtinham sucesso no Conselhos de Contribuintes, como foi o caso da Recorrente, relativamente aos processos nºs 13308.000054/9994, 13308.000072/9976, 13308.000082/0006, 13308.000086/0096 e 13308.000114/0020, referentes aos pedidos de ressarcimento objeto da primeira fiscalização; e k) caso este Colegiado não sentisse confortável para reverter a decisão recorrida, para o bem da verdade material, ratificava o pedido de realização de diligência apresentado anteriormente, para esclarecimento dos quesitos especificados (fls. 413/414). No final, requereu a reforma do Acórdão recorrido, para que fosse deferido o ressarcimento do valor do crédito pleiteado, acrescido da variação da Taxa Selic, desde o protocolo do pedido, e homologadas as compensações declaradas. Em 11/05/2009, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de abril de 2011, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. Na Sessão de 21 de novembro de 2011, por meio da Resolução nº 3802 000.007, este Colegiado, por unanimidade, converteu o julgamento em diligência, para que a Unidade da Receita Federal de origem juntasse aos autos o documento comprobatório da ciência da decisão recorrida. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 3802001.369 S3TE02 Fl. 328 9 Por fim, em 25/05/2012, por meio do Despacho de fl. 431, os presentes autos retornaram a este Conselho, com proposta de que o presente Recurso fosse considerado tempestivo, uma vez que não fora possível a localização o documento de ciência da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, inclusive o limite de alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto dos presentes autos. Os presentes autos tratam do pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI, instituído pelo art. 1º Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e disciplinado pela Portaria MF nº 38, de 27 de dezembro de 1997, no valor total de R$ 389.885,18, apurado no 4º trimestre de 2001, conforme Demonstrativo de fl. 10. O valor do referido crédito foi parcialmente utilizado na compensação dos débitos informados nas Declarações de Compensação (DComp) eletrônicas de fls. 333/390. O pedido de ressarcimento e as compensações declaradas foram realizadas em conformidade com o disposto na Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março 1997, e Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro 2002, vigentes nas datas de formalização dos respectivos procedimentos. Do objeto da presente controvérsia. A Turma de Julgamento de primeiro grau manteve o indeferimento do pleito em tela, com base no argumento de que o controle de entrada e saída de mercadorias não era efetivo, bem como a emissão de notas fiscais, a escrituração fiscal e contábil e o controle de estoque não eram revestidos de coerência e confiabilidade, de modo que indicasse, com precisão, quais as MP, os PI e os ME que efetivamente faziam parte do processo produtivo, haja vista que o direito ao aproveitamento dos créditos presumidos respectivos cingiase à concreta aplicação de tais insumos no processo produtivo da empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, nos termos do art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996. Por outro lado, a Recorrente reafirmou a alegação de que a comprovação da existência do crédito presumido do IPI davase apenas com a análise da idoneidade das notas fiscais de aquisição dos insumos e a sua adequada escrituração no livro de entrada de mercadoria e nos livros contábeis da empresa e que o valor do crédito objeto do presente Pedido de Ressarcimento estava comprovado com as Notas Fiscais dos insumos adquiridos no referido trimestre, devidamente escrituradas e submetidas à fiscalização, independentemente do fato d’esses insumos terem sidos consumidos naquele trimestre ou não. Com base nesse breve resumo, resta demonstrado que o cerne da presente controvérsia restringese ao aspecto fáticoprobatório, especificamente em relação aos tipos de Fl. 462DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 documentos e livros fiscais necessários e suficientes para a comprovação do valor do crédito presumido do IPI apurado no mês dezembro de 2001. Da análise da presente controvérsia. Em conformidade como disposto no artigo 2º da Lei nº 9.363, de 1996, a base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total dos insumos adquiridos no mês, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Sobre a base de cálculo assim determinada será aplicado o percentual de 5,37%, obtendose, dessa forma, o valor do crédito presumido do IPI a que tem direito a pessoa jurídica produtoraexportadora. A documentação exigida para comprovação dos insumos aplicados na fabricação dos produtos exportados encontrase explicitada no art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, a seguir transcrito: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. [...] (grifos não originais) Em consonância com o referido preceito legal, dispõe o § 1º do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, a seguir transcritos: Art. 11. O estabelecimento que apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, inclusive o estabelecimento matriz, no caso de apuração centralizada, deverá escriturálo no item 005 do quadro "Demonstrativo de Créditos", do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de sua origem no quadro "Observações". § 1º No caso de apuração centralizada, o estabelecimento matriz deverá manter arquivadas, além dos originais das notas fiscais das próprias aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, cópias das notas fiscais correspondentes às aquisições efetuadas pelos demais estabelecimentos, que permitam a verificação do crédito apurado. [...] (grifos não originais). Com base nos referidos comandos normativos, temse que, para fim de comprovação do valor do crédito presumido do IPI, apurado no 4º trimestre de 2001, era necessário e suficiente a apresentação do livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, devidamente escriturado na forma dos arts. 375 a 376, todos do RIPI/98, e das notas fiscais de aquisição dos insumos e das notas de fiscais de saída dos produtos exportados. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 3802001.369 S3TE02 Fl. 329 11 Nesse sentido, em consonância com o disposto na legislação do IPI, o § 1º do art. 9º1 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, vigente na data da formulação do presente pedido de ressarcimento, determinava que o pedido de ressarcimento, na época feito em formulário impresso, fosse instruído com cópias das folhas do livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, correspondentes ao período de apuração. Esse comando normativo, vem corroborar o entendimento aqui esposado, no sentido de que os documentos hábeis e idôneos para comprovar o valor do crédito presumido pleiteado são o livro Registro de Apuração do IPI e as referidas notas fiscais. Conforme anteriormente delineado, os nobres Julgadores da Turma de Julgamento a quo mantiveram o indeferimento do direito creditório pleiteado nos presentes autos com base no argumento de que a Recorrente não dispunha de um controle de estoque, revestido de coerência e confiabilidade, respaldado em notas fiscais e escrituração fiscal e contábil idôneas, que indicassem com precisão os insumos aplicados no processo produtivo da empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, nos termos do art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996. No meu entendimento, esse argumento seria procedente caso fosse obrigatória apuração do crédito presumido com base apenas no sistema de custo coordenado e integrado com escrituração comercial da pessoa jurídica. Porém, a adoção do referido sistema era opcional, segundo o disposto nos §§ 5º a 8º e 14 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, vigente no período de apuração dos créditos em apreço, que seguem transcritos: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. [...] § 5º A apuração do crédito presumido será efetuada com base em sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial da pessoa jurídica, que permita, ao final de cada mês, a determinação das quantidades e dos valores das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados na produção durante o período. § 6º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá manter sistema de controle permanente de estoques, no qual a avaliação dos bens será efetuada pelo método da média ponderada móvel ou pelo método denominado PEPS, no qual se considera que as saídas das unidades de bens seguem a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. 1 "Art. 9º A apuração do crédito presumido, a título de ressarcimento das contribuições para PIS/PASEP e COFINS, será efetuada pelo contribuinte, observadas as normas do art. 3º da Portaria MF nº, de 038 de 27 de fevereiro de 1997. § 1º O pedido de ressarcimento em espécie será instruído com cópias das folhas do livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, correspondentes ao período de apuração. [...]" Fl. 464DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 12 § 7º No caso de pessoa jurídica que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será apurada somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências. § 8º Na hipótese do parágrafo anterior, a avaliação das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção, durante o mês, será efetuada pelo método PEPS. [...] § 14. A empresa deverá manter em boa guarda as memórias de cálculo dos créditos presumidos e, se não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, as respectivas relações de quantidades e valores das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens em estoque no final de cada período de apuração. [...] De acordo com o disposto no § 7º do art. 3º em destaque, caso a pessoa jurídica não possua sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de insumos utilizada em cada mês seria determinada pelo método algébrico, “somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências”, representado pela equação: Quantidade de Insumo Consumida = Estoque Inicial + Compras Estoque Final. Para atender a essa exigência, a pessoa jurídica beneficiária deveria exibir as notas fiscais de compra dos insumos e as relações de quantidades e valores dos insumos em estoque no final de cada período, o que poderia ser feito com a apresentação do livro Registro de Inventário, modelo 7, previsto no inciso VII do art. 345 do RIPI/98. Logo, para comprovar o valor do crédito presumido do IPI, não era obrigatória a utilização de um controle de estoque nos moldes preconizados pela Fiscalização e ratificado nos julgados precedentes. Além disso, grande parte dos documentos e das informações solicitadas no Termo de Intimação Fiscal de fls. 128/133 não foram relacionados nos preceitos normativos anteriormente analisados. É oportuno ainda destacar que o Pedido de Ressarcimento de fl. 01 foi instruído adequadamente, uma vez que acompanhado dos elementos exigidos pela Instrução Normativa SRF n.º 21, de 1997. Ademais, foram disponibilizados para a Autoridade Fiscal os livros e as notas fiscais necessários à análise do pleito e que esta não apontou qualquer discrepância em relação ao saldo de crédito presumido do IPI do mês do dezembro de 2001, informado no Demonstrativo de Apuração do Crédito encartado na DCTF do 4º trimestres 2001 (fl. 10). Com base nessas considerações, sou favorável ao reconhecimento do direito creditório pleiteado no Pedido de Ressarcimento de fl. 01, no valor de R$ 389.885,18, o qual foi parcialmente utilizado na compensação dos débitos discriminados nas DComp eletrônicas de fls. 333/390. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 3802001.369 S3TE02 Fl. 330 13 Após as referidas compensações, o saldo remanescente do crédito reconhecido deve ser ressarcido em dinheiro à Recorrente, na forma do § 8º do art. 12, combinado com o disposto no inciso V do § 2º do art. 13, ambos da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, vigente na data da formalização do presente pedido de ressarcimento. Do ressarcimento em dinheiro do saldo remanescente: atualização pela taxa Selic. Na peça recursal em apreço, defendeu a Recorrente o direito de atualização do valor do crédito a ser ressarcido, com base na taxa Selic, calculada a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento em apreço, com base no argumento de que o contribuinte seria penalizado pelo atraso no pagamento do referido valor e haveria grave ofensa aos princípios da isonomia e da vedação ao enriquecimento ilícito. A matéria já foi apreciada pelo C. Superior Tribunal de Justiça (STJ), que consolidou o entendimento de que o impedimento da utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, por meio de ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural desse tipo crédito, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente pela taxa Selic, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Acerca do assunto, a Primeira Seção do E. STJ aprovou a Súmula de nº 411, cujo enunciado dispõe que “é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrentes de resistência ilegítima do Fisco”. Nesse sentido, o acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, transitado em julgado em 03/03/2010, que ficou assim ementado, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo Fl. 466DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 14 legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) grifos do original Nos presentes autos, em 22 de março de 2006, foi proferido o Despacho Decisório de fl. 260, em que foi denegado o direito creditório pleiteado e não homologada as compensações declaradas. Em 07/06/2006 (fl. 261), a Recorrente foi cientificada do referido Despacho. Em cumprimento ao disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, adoto o inteiro teor do acórdão proferido pelo E. STJ no âmbito do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, que passa a fazer parte integrante deste voto, como se transcrito aqui estivesse, e com base nos fundamentos jurídicos nele consignados, reconheço o direito à atualização do saldo remanescente do crédito do IPI a ser ressarcido em dinheiro, com base na variação da taxa Selic, calculada a partir de 07/06/2006, data da ciência do referido Despacho Decisório, até o mês anterior ao ressarcimento e de 1% relativamente ao mês em que for efetuado depósito da importância ressarcida, conforme estabelecido no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Da conclusão. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para: a) reconhecer o direito da Interessada ao crédito presumido do IPI do mês dezembro de 2001, no valor originário de R$ 389.885,18; b) homologar a compensação dos débitos declarados nas DComp de fls. 333/390, que deverá ser realizada nos termos do art. 13 da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 1997; e c) determinar o ressarcimento em dinheiro, na forma do § 8º do art. 12, combinado com o disposto no inciso V do § 2º do art. 13, ambos da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, do valor remanescente do crédito presumido do IPI do 4º trimestre de 2001, que deverá ser acrescido do valor equivalente à variação da taxa Selic, apurada a partir de 07/06/2006, data da ciência do citado Despacho de Decisório, até o mês anterior ao ressarcimento e de 1% relativamente ao mês em que for efetuado depósito da importância ressarcida, conforme estabelecido no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 3802001.369 S3TE02 Fl. 331 15 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 468DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 13629.001422/2003-18
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.033
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:21:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:21:25Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:21:26Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:21:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:21:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:21:26Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:21:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:21:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:21:25Z; created: 2009-09-30T11:21:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-09-30T11:21:25Z; pdf:charsPerPage: 1046; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:21:25Z | Conteúdo => 1 CSRF-T2 Fl. 1 1 ‘ '51kt,i ____ ,'!--* .: =1. ;. ‘ 'd MINISTÉRIO DA FAZENDA = CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13629.001422/2003-18 Recurso n° 303-130.968 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.033 — 2 Turma Sessão de 17 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S/A - MBR Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros to colegiado, po unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. L CARLO' • L : ml! TAS B . ". TO — Presidente11 \ .1 ‘ 01, JULIO 1\11 A i IE 18 , GOMES — R - lator 1EDITADO EM: 18 S T 2009 1 Processo n° 13629.001422/2003-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.033 Fl. 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão, no qual, decidiu-se pela exclusão da base de cálculo do ITR da área do imóvel de preservação ambiental permanente, ainda que não informada em ato declaratório ambiental ou informada intempestivamente. Alega o ilustre representante da Fazenda Nacional que deve prosperar o entendimento consubstanciado nos acórdãos paradigmas que reconhecem a aplicação do artigo 10, §4°, inciso I da instrução Normativa SRF n° 43/97. Também que em nenhuma das sucessivas instruções normativas que foram posteriormente editadas tal obrigação fora dispensada e nem mesmo após a Medida Provisória n° 2.166-67, de 24/08/2001 que acrescentou o parágrafo 7° no artigo 10 da Lei n° 9.393/66: Artigo 10 (..) §7° A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, §1 0 deste artigo não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. E ainda que: a) A exigência existe desde a Lei n° 6.938, de 31/08/1981 com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000, reiterando-se os termos da supracitada instrução normativa; b) A exigência alinha-se com a norma que consagrou o beneficio, servindo como meio para comprovação da área alcançada; c) A declaração evita que o direito seja comprovado por meios mais gravosos e dispendiosos, como a nomeação de peritos; e d) Não se discute a materialidade, isto é, ser ou não a área de preservação permanente ou reserva legal, mas apenas o descumprimento de exigência essencial para que se valha do direito legal ao beneficio tributário, sempre interpretado literalmente. Em contra-razões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. É o relatório. 2 Processo n° 13629.001422/2003-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.033 Fl. 3 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Verifico que foram atendidos os pressupostos para admissibilidade do recurso; portanto, passo ao seu exame. Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. A divergência é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental - ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. 1‘ (.) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (-) II — área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: 3 Processo n° 13629.001422/2003-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.033 Fl. 4 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. § 1° A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIAI, e a distribuição das áreas, à situação existente em I° de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. (.) § 3 0 São áreas de utilização limitada: § 4° As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declarató rio do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declarató rio junto ao IBAMA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (.) Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama. Sendo que para o exercício de 1998, o prazo se expirou em 31/05/1999, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR11998, que foi 30/11/1998, conforme Instrução Normativa SRF n° 136, de 20/11/1998. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: 4 Processo n° 13629.001422/2003-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.033 Fl. 5 IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto AP1 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 150 (..) § 6. 0 Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.°, NI, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: 5 1 Processo n° 13629.001422/2003-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.033 Fl. 6 IV - a fixação de aliquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Reitero que a delegação através da expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o MAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários , ao gozo da isenção, seja ela específica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especque as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impedido para o gozo da isenção; caso distinto da exigência de averbação, que é requisito para constituição da área de reserva legal. Em razão do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso 1 interposto pela Fazenda Na, i i n./11 \E mi . Julio Ces "i Vi 41 ra Gomes - Relator 1 . , r.-.1 • ' fr I i. f .n 4 1 6
score : 1.0
Numero do processo: 10320.003103/2004-02
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2000, 2001
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE VENDAS
Sujeita-se à tributação a contribuinte que não comprovar por intermédio de documentos hábeis e idôneos as devoluções de vendas que reduziram o seu lucro.
OMISSÃO DE RECEITAS - PASSIVO FICTÍCIO
Considera-se omissão de receitas a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou não comprovadas, quando o contribuinte não comprovar a totalidade do valor lançado na conta de Fornecedores ou Outras Contas do Passivo, autorizado assim, à autoridade administrativa à presunção relativa de omissão de receita caracterizada como passivo fictício, relativamente à diferença não comprovada
PERÍCIA. INDEFERIMENTO
Constando dos Autos todos os elementos de convicção necessários à solução do litígio, rejeita-se, por prescindível, o pedido de perícia ou de diligência para configurar a natureza da obra executada.
MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO.
A multa constitui sanção de ato ilícito, não se caracterizando como tributo, sendo, portanto, inaplicável ao caso o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal de 1988.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-la, nos moldes da legislação que a instituiu.
LANÇAMENTO REFLEXO
O decidido quanto ao lançamento principal se estende ao lançamento reflexo por uma relação direta de causa e efeito.
Numero da decisão: 1202-000.094
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Ausente, momentaneamente, o conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Valéria Cabral Géo Verçoza
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2000, 2001 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE VENDAS Sujeita-se à tributação a contribuinte que não comprovar por intermédio de documentos hábeis e idôneos as devoluções de vendas que reduziram o seu lucro. OMISSÃO DE RECEITAS - PASSIVO FICTÍCIO Considera-se omissão de receitas a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou não comprovadas, quando o contribuinte não comprovar a totalidade do valor lançado na conta de Fornecedores ou Outras Contas do Passivo, autorizado assim, à autoridade administrativa à presunção relativa de omissão de receita caracterizada como passivo fictício, relativamente à diferença não comprovada PERÍCIA. INDEFERIMENTO Constando dos Autos todos os elementos de convicção necessários à solução do litígio, rejeita-se, por prescindível, o pedido de perícia ou de diligência para configurar a natureza da obra executada. MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO. A multa constitui sanção de ato ilícito, não se caracterizando como tributo, sendo, portanto, inaplicável ao caso o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal de 1988. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-la, nos moldes da legislação que a instituiu. LANÇAMENTO REFLEXO O decidido quanto ao lançamento principal se estende ao lançamento reflexo por uma relação direta de causa e efeito.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO , Processo n° 10320.003103/2004-02 Recurso n° 150.964 Voluntário Acórdão n° 1202-00.094 — 2 a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2009 Matéria CSLL Recorrente IMPERIAL MOTOS LTDA. Recorrida 3' TURMA DA DRJ FORTALEZA/CE Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2000, 2001 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE VENDAS Sujeita-se à tributação a contribuinte que não comprovar por intermédio de documentos hábeis e idôneos as devoluções de vendas que reduziram o seu lucro. OMISSÃO DE RECEITAS - PASSIVO FICTÍCIO Considera-se omissão de receitas a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou não comprovadas, quando o contribuinte não comprovar a totalidade do valor lançado na conta de Fornecedores ou Outras Contas do Passivo, autorizado assim, à autoridade administrativa à presunção relativa de omissão de receita caracterizada como passivo fictício, relativamente à diferença não comprovada PERÍCIA. INDEFERIMENTO Constando dos Autos todos os elementos de convicção necessários à solução do litígio, rejeita-se, por prescindível, o pedido de perícia ou de diligência para configurar a natureza da obra executada. MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO. A multa constitui sanção de ato ilícito, não se caracterizando como tributo, sendo, portanto, inaplicável ao caso o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal de 1988. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-la, nos moldes da legislação que a instituiu. LANÇAMENTO REFLEXO Ok — Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 2 O decidido quanto ao lançamento principal se estende ao lançamento reflexo por uma relação direta de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso. NELSON L SSOAN O - Presidente. 1/6ft5r--- VALÉA' IA CABRAL GtO VERÇOZA - Relatora. EDITADO EM: 3 O SET 2009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho (Presidente da turma), Cândido Rodrigues Neuber, Orlando José Gonçalves Bueno, Irineu Bianchi, Valéria Cabral Géo Verçoza, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Mário Sérgio Fernandes Barroso e Karem Jureidini Dias. 2 Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 3 Relatório Contra o Sujeito Passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL, fls. 09/27, para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados no valor total de R$ 990_ 199,81, inclusive encargos legais. A autuada é uma sociedade limitada que tem corno objeto social a venda de motos e peças da montadora Honda. Os itens apurados pela Fiscalização, relatados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 10/18, foram os seguintes: I —CSLL sobre omissão de receitas: falta de pagamento da CSLL devida sobre receitas omitidas Vendas canceladas incomprovada Devoluções de vendas incomprovada A d. Autoridade Fiscal constatou, no curso da fiscalização que os valores lançados na contabilidade a título de "vendas canceladas" não representavam, na verdade, retorno de mercadorias vendidas. Tratavam-se de simples remessas de mercadcorids para os mais diversos motivos, como já mencionados antes (para exposição, para divulgação etc) [..] O retorno das mesmas não configuraria devolução de vendas, mas simples volta das mercadorias ao estabelecimento da empresa que antes as havia remetido. Ou seja, tais fatos não gerariam desfazimento de vendas pois as saída não o foram a título de vendas. Como corolário, teríamos que: se as saídas não afetara in as vendas, no retorno das mercadorias saídas, não poderia haver redução no valor das vendas, pois que tais saídas não ocorreram a título de vendas. Não poderiam, portanto, afetar o valor destas (fl. 12-13). Passivo Fictício: Manutenção no Passivo, em 31.12.2000, de Obrigações a Pagar incomprovadas, embora tenha sido a empresa intimada a apresentar os documentos (Títulos de Crédito / Documentos Equivalentes), que comprovassem a existência, nessa data, de tais dívidas. (/1.16-7)) II - Adições ao Lucro Líquido antes da CSL,L, — Despesas não dedutiveis — Lei n° 9.249/95: Despesas indedutiveis: (fl. 17) A empresa registrou em sua escrituração contábil, sem fazer nenhum ajuste de natureza fiscal, apuração do Lucro Real dos C-)5 3 Processo n° 1 0320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 4 respectivos trimestres, conforme resumidamente abaixo se evidencia, e devidamente demonstrado no —Quadro Geral de Infrações Apuradas", em anexo, DESPESAS .INDEDUTÍVEIS, a titulo de "Perdas com Cheques", sem atender [sie/ para os requisitos da INDEDUTIBILIDADE a que se refere o art. 9", da Lei n° 9.430/96, reproduzido no art. 340 c/c o art. 249, estes do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n" 3.000/99, embora tenha sido solicitada para tal, conforme Termos Fiscais comprobató rios, anexas. Inconformado com a autuação acima descrita, da qual tomou ciência em 30/12/2004 (fls. 09), o contribuinte, em 28/01/2005, apresenta impugnação (fls. 1351/1376), alegando o seguinte: Dos fatos: a) afirma que a alegação de omissão de receita não pode prosperar porque a lei não prevê como hipótese da ocorrência dessa infração o lançamento a débito de conta redutora de vendas. b) reconhece que cometeu erros na ernissão de notas fiscais, ao emiti-las como venda e não como remessa de mercadorias para exposição / divulgação. A contabilização das vendas foram [sie] realizadas com base no Livro de Apuração Fiscal, o qual refletia o engano apontado ao norte, ou seja, os lançamentos equivocados destas notas fiscais na coluna de vendas, interferiram artificialmente no montante das receitas auferidas com vendas, por considerar operações (vendas) que factualmente nunca existiram (1l. 1352) Assim, para anular o efeito fiscal que a emissão dessas notas causaria na apuração da receita e conseqüentemente na respectiva tributação, efetuou lançamentos contábeis invertendo os lançamentos anteriores. c) chama atenção para o fato de que o objeto social da empresa é a revenda de motos e que a emissão da nota fiscal de venda é fundamental para o emplacamento do veiculo. Assim, não poderia haver venda de motos sem emissão da respectiva nota fiscal. Acrescenta: Portanto, com um simples levantamento do estoque, tomando-se por base as Notas Fiscais de emissão dos fornecedores, menos as saídas, a diferença será facilmente identificada, urna vez que esta diferença é a soma da Notas Fiscais de saída com a numeração de Chassi repetido, pois só deve ter uma nota fiscal para cada moto. «Is. 1352)) d) segundo a autuada, a Autoridade Fiscal equivocou-se ao justificar em seu relato fiscal que não fora demonstrado o lançamento do retorno da mercadoria ao estoque. Isso porque, como a autuada não tem custo integrado à contabilidade, o lançamento de baixa dos ... • • .:-estoques ! - • . .* - ... - . - 11 • - e•—e •.e - f._ z. -.1:. - :: -;-•:: . . e e . . • II - a711 - : •• e-. : • e. , •:: e-- •:. z •- -• e e e. - e. -.1 ,'4, 4 _ _ __ c ___ Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 5 e) afirma que levou até a sede da Receita Federal um caminhão repleto de documentos mas a fiscalização recusou-se a recebê-los, alegando que eram muitos documentos e talvez estivessem de forma desordenada, impossibilitando, assim, a apuração da realidade dos fatos. Por esse motivo entende a autuada que a Administração Pública não primou pela busca da verdade real. Do direito: a) Princípio da legalidade: Ao discorrer sobre o principio da legalidade afirma que houve desrespeito ao mesmo quando a Autoridade Fiscal aplicou sobre a impugnante uma penalidade em relação a uma conduta que não está legalmente definida como omissão de receita. Ressalta que (fl. 1.354) ... na legislação pertinente a omissão de receitas, não existe a previsão de que vendas canceladas e não comprovadas são omissões de receita. {.--1 Consoante o artigo 10, inciso IV, do Decreto n° 7 0.235, de 6 de março de 1972, a Autoridade Fiscal deve mencionar, no Auto de Infração, a disposição legal infringida e a penali dade aplicável, dessa forma é nulo de pleno direito o Auto que não atende a este requisito. ... atender a esse requisito é observar o princípio da legalidade, pois, qualquer tributo para ser exigido é necessário que sua imposição seja albergada por Lei que o defina. Ademais é princípio de direito penal que não há penalidade sem anterior previsão legal. Cita o acórdão relativo ao Recurso 122.000, da l a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, no qual ficou consignado que a diferença apurada no confronto entre a escrituração fiscal e contábil, correspondente a vendas canceladas e impostos incidentes sobre as vendas, não podem ser consideradas receitas omitidas para determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas. b) Base de cálculo: (fls. 1556) Quanto à base de cálculo do imposto sobre a renda a autuada argumenta: A Autoridade Fiscal, no firme propósito de autuar a impugnante, considerou como omissão de receita valores que foram contabilizados como redutora das contas de receita, vendas canceladas, sendo que não apurou os custos referentes a esta suposta omissão de receita. Como não foram excluídos os custos das supostas receitas omitidas, o Agente fiscal considerou como acréscimo patrimonial receitas sem considerar as compras correspondentes cyf 5 Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202 -00.094 Fl. 6 as mesmas, esse procedimento não é albergado pelo artigo 43 do Código Tributário Nacional ... Cita vários tributaristas que expõem suas idéias no sentido de que não há o que ser tributado se não houver ingresso, no patrimônio da pessoa, de produto do capital, do trabalho ou combinação de ambos ou, ainda, de proventos de qualquer natureza que representem acréscimos patrimoniais. c) Confisco: (fls. 1360) Segundo a autuada, a cobrança de multa de 75% é confiscatória, o que, no seu entender, é vedado pela Constituição Federal. Desenvolve sua argumentação no sentido de que não praticou nenhum ato ilícito que autorizasse a aplicação da pena de confisco. Menciona, ainda, decisão do Supremo Tribunal Federal, RE 92.165-6 no sentido de que é possível a redução da multa imposta pelo não pagamento de tributo. d) Arbitramento do lucro: (fls. 1361) Reconhece a autuada que não apresentou parte da documentação solicitada pela fiscalização pois a mesma foi destruída. Por esse motivo não obteve êxito na comprovação das vendas canceladas. Reconhece, também, o fato de a contabilidade haver sido feita de forma resumida, nas suas palavras "contrariando o Regulame7itc, do Imposto de Renda", e a falta de documentação. Afirma que "não é qualquer escrita nurnerária que pode ser considerado [sic] como registro contábil. Desta forma, consta-se (sic] cz inexistência da contabilidade" (fl. 1363). Mais adianta continua: ... pode-se concluir que a contabili dczde apresentada às Autoridades Fiscais são [sic] imprestáveis, desta forma impossibilitando a apuração da real base de cálculo do imposto de renda. Assim, CONSTATA-SE A IMPERATIVIDADE DO ARBITRAMENTO, isto é, a contabilidade deveria ter sido desclassificada e o lucro arbitrado. (fl. 13 63 -64). Cita acórdão n° 101-94.346, REC 13 2.711, da 1' Câmara do Conselho de Contribuintes , assim ementado: IRPJ. ARBITRAMENTO DE LUCRO. LANÇAMENTO CONDICIONAL. Inexistindo arbitramerz to condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação da escrituração retifi ca da, porquanto o -é Iii'd I à ddddd •• ••. •.. ••• ,." imprestável porque registrada, por partidas mensais, sem acompanhamento de livros auxiliares. 94, -44 6 • Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 7 Finaliza esse tópico da seguinte forma: ... Utilizar os registros da Impugnante que não obedeceu [sic] a nenhum dispositivo legal, não podendo sequer ser considerada como contabilidade, é TER DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS, pois em casos de fatos semelhantes, foi mantida [sie] o arbitramento das Autoridades Lançadoras (fl. 1849). e) Suposta infração à legislação, apuração do imposto: A impugnante insiste no fato de que (fl. 1368) os casos que são considerados como omissão de receita são aqueles definidos no artigo 281 do Regulamento do Imposto de Renda, nas preliminares já foi transcrito de forma literal, não define como hipótese de omissão de receita os valores contabilizados como redução das receitas. Ressalta, mais uma vez, que o objeto social da autuada é a venda de motos e que não há como a moto ser emplacada sem a devida nota fiscal. Necessária, portanto, a emissão de nota fiscal de venda para cada mercadoria efetivamente vendida. Por outro lado, em sua peça impugnatória a autuada demonstra a existência de notas fiscais diversas emitidas com referência ao mesmo número de chassi (fl. 1369-70). Por conseguinte, como existem mais notas fiscais emitidas com o mesmo número de chassi e não existem motos com número de chassi repetido, a autuada demonstrou haver duplicidade de lançamentos como receita. Diante do exposto, dúvidas não pairam de que o lançamento efetuado pela contabilidade como vendas canceladas trata-se de um estorno de valores lançados em duplicidade, desta forma manter o feito fiscal é no mínimo cometer uma injustiça.(fls. 1370) Em seguida a autuada discorre sobre a forma de contabilização correta de suas operações e o modo que ela efetivamente utilizou para concluir que ... é possível asseverar que a falta do lançamento do estorno dos custos não afeta em nada o resultado, mas considerar a receita sem o devido custo, atribui uma distorção considerável, alterando totalmente o resultado. Isso foi o que fez a autoridade fiscal. (fl. 1856) Posteriormente chama atenção para o fato de que as hipóteses legais que caracterizam a omissão de receita não contemplam a contabilização de lançamentos (em contas redutoras) que reduzam a receita. As Autoridades Fiscais no seu relatório não deixa [sie] qualquer dúvida de que a suposta infração cometida pelo contribuinte foi a contabilização de valores como redutora das receitas, desta forma não está incluído nas situações definidas pela Lei, como omissão de receita. (ti. 1.372) (...) uf 7 Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 8 Ainda a base de cálculo do imposto de renda não é a receita e sim o acréscimo na disponibilidade, ou seja, lucro, desta forma, para que seja uma tributação justa e de acordo com a legislação vigente é necessário o reconhecimento também dos custos, correspondentes as supostas receita omitidas. O. 1.373) A autuada insiste na utilização do lucro arbitrado tendo em vista a imprestabilidade de sua escrita contábil, segundo seu entendimento. Vejamos sua argumentação: (fl. 1.374) ... o arbitramento do lucro não é opção das Autoridades Fiscais, é determinação legal do artigo 148 do Código Tributário Nacional, não deixa a escolha da autoridade sim determina que situação em que a documentação não merece fé deve ser arbitrado, quando também é impossível apurar o valor real do imposto. A autuada entendeu ser necessária a realização de perícia, indicando perito e elaborando quesitos à fl. 1.375. Ao final requer a nulidade do feito fiscal alegando cerceamento de defesa e vícios formais insanáveis decorrentes da não observância, por parte das Autoridades fiscalizadoras, da legislação vigente na data do auto de infração. Caso não seja esse o entendimento da Autoridade Julgadora, requer seja julgado improcedente o auto de infração, uma vez que não houve omissão de receita nem o cometimento de qualquer ato ilícito. Em se mantendo a exigência fiscal, seja determinada a apuração do imposto com base no lucro arbitrado. Em 05 de maio de 2005 a 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza houve por bem, por unanimidade de votos considerar procedente o lançamento. Os principais fundamentos da decisão estão abaixo transcritos: a) Nulidade da exigência: Os fatos alegados na impugnação como ensejadores da nulidade do auto de infração não se enquadram em nenhuma das hipóteses previstas no Decreto n° 70.235/72, artigo 59. Não houve, por parte da autuada, questionamento sobre a capacidade do agente que efetuou o lançamento nem a demonstração de que houve cerceamento de defesa. b) Pedido de perícia: O pedido de perícia foi indeferido por não ser a mesma necessária ao deslinde da questão a ser apreciada. c) Omissão de receitas caracterizada pela falta de comprovação de valores nçados -a titulo de vendas canceladas: 8 Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 9 O trabalho da fiscalização apontou que várias notas fiscais canceladas não foram computadas no valor das vendas, logo não poderiam ter sido subtraídas do valor das mesmas. Do voto condutor da decisão de P Instância extraímos o seguinte trecho (fls. 1458-59: A Contabilidade, como ciência, e, igualmente, a técnica de sua aplicação, integrando a função administrativa de controle, tem como normas balizadoras a rigorosa fidelidade aos fatos de gestão da empresa e o embasamento obrigcztório em documentação hábil e idônea. Assim, cabe à pess-ocz jurídica a prova de que os registros efetuados em sua escrituração correspondem aos fatos realmente ocorridos em sua gestão. O assunto ora em discussão é, antes de qualquer coisa, uma questão de caráter probatório. Deste modo, ou as provas trazidas pela autuada são suficientes para comprovar que as vendas canceladas, escrituradas nos seus Livros Diário e Razão, efetivamente compuseram o valor das vendas e que realmente ocorreu a devolução das mercadorias e o seu respectivo ressarcimento, ou resta incólume o auto de infraçr.-i o formalizado pelo fisco. Contudo, não se vislumbra no conjunto probatório trazido aos autos pela impugnante a força necessária para clesconstituir o lançamento em questão e frustrar a pretensão esta tal. O fato de a fiscalizada ter ou não custo integrado não temi qualquer influência na omissão de receita apurada, pois a questão, como já sobejamente demonstrada pela fiscalização, diz respeito a simples cancelamento de notas fiscais de vendas registradas apenas nos Livros Diário/Razão e não registradas nas Livros de Saída, Entrada e Inventário, por conseguinte, sem nenhum desdobramento no custo das mercadorias vendidas. Quanto à alegada falta de fundamento para a tributação como omissão de receitas, esta não procede. Ora, se os valores constantes nas notas fiscais de saídas canceladas não majoraram as vendas e foram delas incorretamente subtraídas, ocorre redução indevida da receita bruta oferecida à tributação, ficando caracterizada a omissão de receitas. Quanto às notas fiscais constantes do demonstrativo de fls. 1854/1855, apresentadas pela autuada, à guisa de comprovar a duplicidade de lançamentos como receita, este relator não detectou qualquer relação delas com quaisquer das notas fiscais relacionadas com os valores lançados a título de omissão de receitas, por conseguinte, não há que se falar em duplicidade de lançamento. Ressalta-se que a autuada sequer ousou demonstrar esta possível relação na sua escrituração contábil/fiscal. Quanto à alegação da contribuinte de que a autoridade fiscal devesse ter aprofundado a investigação em busca da verdade material, rebate afirmando que o sujeito passivo foi intimado por mais de 10 vezes a fazer as comprovações necessárias para ilidir as irregularidades identificadas. Jr(77a 9 Processo n° 10320.003103/2004-02 S1 -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 10 d) Passivo fictício A infração descrita no item 2 do auto de infração refere-se à presunção legal de omissão de receitas decorrente de manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou incomprovadas. Segundo a autoridade julgadora, a ocorrência de hipótese que permite a aplicação da presunção legal tem por efeito a inversão do ônus da prova. A contribuinte, durante a fiscalização, comprovou apenas parte do saldo da conta obrigações a pagar em 31/12/2000. A manutenção da autuação nesse particular deveu-se à falta de provas que elidissem a presunção legal. Além disso, a alegação de que a contribuinte ofereceu à fiscalização um caminhão de documentos não restou provada. Por esse motivo foi mantida a autuação relativa ao valor não comprovado. e) Arbitramento / tributação pelo lucro real Em relação ao disposto no artigo 530, incisos I, II e VI do RIR/99 a existência dos pressupostos neles relacionados somente autorizam o arbitramento se tornar imprestável a escrituração para a apuração do lucro real e/ou irzipossivel a sua apuração. No caso, ainda que os livros apresentados pelo contribuinte não estivessem registrados em cartório e que alguns documentos entregues fossem inidõneos ou não estivessem em boa ordem, todo o conjunto de livros e documento.s apresentados permitiram à autoridade fiscal a determina çdo cio lucro real, sem a necessidade de partir para o arbitrarrzen to, que seria meio mais gravoso ao contribuinte. f) Suposta alteração da base de cálculo do IRPJ — artigo 43 do CTN ... verificadas incorreções na apuração do lucro liquido, em decorrência de omissão de receitas corczcterizada pela falta de comprovação de lançamentos a titulo de vendas canceladas, independentemente de tal fato implicar ou não em acréscimo patrimonial, tal incorreção terá reflexo na apuração do imposto devido, justificando-se, desta forma, o lançamento de oficio g) Multa de oficio — Confisco Em relação à multa, não se trata de multa de mora, mas de multa de oficio, tendo caráter punitivo, e não compensatório. Assim, seu percentual é fixado em Junção da gravidade da infração à legislação, e não da çdc. Uma vez positivada a norma, é dever- da autoridade fiscal aplicá la sem- perquirir acerca daittStisra irilustiçu dos efeitos •o •fs.. g • ' i••• n • II/. (") 10 Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 11 Ressalta-se que a autoridade administrativa não tem competência legal para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, matéria reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa h) Ciência do auto de infração A ciência do auto de infração se deu em 30/12/2004 conforme se verifica às fls. 09 e27. i) Despesas não dedutíveis Quanto à infração referente às despesas não dedutiveis, o contribuinte não apresentou razões de mérito para elidi-la, razão pela qual permanece incólume a exigência fiscal a este título. j) Quesitos formulados pela autuada A autoridade fiscal responde a cada um dos quesitos formulados pela autuada com o objetivo de demonstrar a desnecessidade da perícia. A autuada foi intimada da decisão de 1" Instância em 15/02/2006, e, irresignada com a mesma, apresentou recurso voluntário em 15/03/2006 (fls. 1474 a 1483) aduzindo, em síntese, que a autoridade julgadora de 1' Instância recusou-se a determinar a realização de perícia, equivocando-se em sua decisão. Discorre sobre as respostas aos quesitos por ela formulados ressaltando as suas falhas. Vejamos: (fls. 1479-83) O primeiro quesito a recorrente fez a seguinte pergunta: 1) Os livros diários estão devidamente registrados na Junta Comercial do Estado do Maranhão? RESP: os livros Diário n°06 e 07 foram devidamente registrados na Junta Comercial do Estado do Maranhão em 27/06/2004 9ver fls. 550 e 630) antes pois da lavratura do presente auto de infração datada [sic] de 29/12/2004. Com efeito, a Instrução Normativa 16/84, determina que o registro do livro diário que contém os lançamentos base de cálculo do imposto de renda deve ser registrado antes da data prevista para a entrega da declaração de imposto, como está bem demonstrado na resposta da autoridade julgadora no quesito n° 01 não resta a menor dúvida de que o registro aconteceu após a data limite para tanto, portanto este livro além das irregularidades apontadas na impugnação que é parte deste recurso não atente as formalidade [sic_ 1 do devido egistro. ..g.-- I I Processo n° 10320.003103/2004-02 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 12 Assim, fica claro que a autoridade fiscal não arbitrou o lucro somente com o intuito de penalizar a recorrente, calculando imposto sobre uma base de cálculo que não tem a certeza de sua existência, pois está demonstrado na impugnação que existem [sie] mais de uma nota fiscal coma natureza de venda para uma única moto. No quesito segundo a autoridade julgadora afirma que mesmo os livros estando totalmente irregulares, os documentos apresentados permitiram o cálculo do imposto e que o arbitramento do lucro seria mais oneroso ao contribuinte. Ora, Senhor Julgador, se os livros estavam irregulares, a Autoridade fiscal tinha obrigação de proceder ao arbitramento do lucro ou determinar a realização de perícia para apurar a verdade material dos fatos, vez que os livros apresentados não forneciam aos nobres auditores a condição necessária de certeza para definição do imposto devido pela Recorrente. (.) Resta claro e evidente que a Recorrente não omitiu receita alguma, isto porque a autoridade julgadora de primeira instância é categórica quando afirma que todas as Notas Fiscais de venda emitidas pela Recorrente foram registradas no livro diário e razão, apenas não foram registradas no livro de saída de mercadorias. Conforme legislação vigente, e através dos registros contábeis que e apurado o resultado da pessoa jurídica e não sobre o livro de saída. O livro de saída tem a única finalidade que é a apuração do ICMS. Portanto, se todas as notas fiscais foram registradas no livro diário e razão mesmo aquelas que foram emitidas em duplicidade, dúvidas não há da justeza do estorno das mesmas. Ainda sobre as respostas dos quesitos, no quesito de n° 6, a Recorrente pergunta se existem notas fiscais em duplicidade referente a uma mesma moto, a Autoridade Julgadora afirma que não, mas como este afirma com tanta segurança se não fez qualquer diligência na sede da Recorrente? Ora, Colendo Conselho o pedido de perícia tem como finalidade a obtenção de informações para completar aquelas que estão nos autos, portanto as respostas apenas com base no auto não dão respaldo para tornar qualquer decisão. Diante do exposto não resta mais nada a provar, pois não se pode falar em omissão de receita, se não foi identificada venda sem nota fiscal e nem tão pouco venda não contabilizada. Com isso, a Recorrente não vislumbra como a autoridade julgadora manteve o auto de infração sobre a acusação de omissão de recata. dip • , • • • • • • • ' • •• •: - •• • :: -; da recorrente não atendia aos aspectos legais para a autoridade ç) 12 Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 13 fiscal ter condições de apurar, além da possível receita, também os custo correspondentes, o que caracteriza estar a Recorrente sofrendo tributação sobre a receita e não sobre o lucro, como corretamente teria que ser. Respeitável Conselho, a decisão de primeira instância manteve a multa confiscatória sob o argumento que o a [sic] Constituição Federal estabelece vedação para o legislador e não para o aplicador, o que é um completo absurdo, pois se a Constituição Federal proíbe o maior (Legislador), com toda certeza proíbe o menor (aplicador). Ora, o aplicador da lei é a autoridade fiscal e não a julgadora, pois a esta cabe observar o ordenamento jurídico como um todo e não somente uma lei especifica, e não cabem aqui argumentos para demonstrar que a Constituição Federal é parte do ordenamento jurídico. A autoridade julgadora de primeira instância não fez qualquer comentário sobre a legalidade da aplicação de multa superior a 30%. Portanto, fica claro e cristalino que de acordo com a Constituição Federal não pode haver multa confiscató ria em matéria tributária. A autoridade julgadora tenta afastar a multa confiscató ria sobre a justificativa de não se tratar de matéria tributária, ora a multa tem como base de cálculo tributo, assim fica claro que se aplica o disposto na Constituição Federal. 3. Do pedido 3.1 Por todo o exposto, a signatária requer a este Conselho que seja reformada a decisão de primeira instância com a decretação da nulidade decisão [sic] de primeira instância e consequentemente do feito fiscal, por inobservância da legislação vigente e vícios formais insanáveis decorrentes da não observância dos direitos da recorrente garantidos na Constituição Federal. Em assim não entendendo o Nobre Julgador, o que não espera a defendente, seja julgado improcedente o Auto de Infração da multa isolada, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL e Contribuição Social sobre o Lucro, tendo em vista que não existiu [sic] os referidos tributos, por ser medida de inteira justiça. Em 30/03/2006, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário - SACAT — encaminhou os autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes, informando que a contribuinte apresentou recurso contra o Acórdão DRJ/FOR 6.167/. É o relatório. a C2f 13 Processo n° 10320.003103/2004-02 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 14 Voto Conselheira Valéria Cabral Géo Verçoza, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A recorrente apresenta nos autos do presente processo os mesmos argumentos aduzidos no Recurso 150.959, relativo à autuação concernente ao imposto de renda, pelos mesmos fatos apontados no presente processo. Quanto à CSLL não foi apresentado nenhum argumento distinto, que pudesse elidir a autuação, independentemente do resultado do julgamento da tributação pelo imposto sobre a renda. Os aspectos abaixo foram devidamente analisados nos autos do processo concernente à infração à legislação do imposto sobre a renda (Processo 10320.003102/2004- 50) e merecem ser transcritos pela sua pertinência ao caso em concreto. 1) Omissão de receitas: vendas canceladas incomprovadas e devoluções de vendas incomprovadas Em seu recurso a autuada afirma que o cálculo do imposto de renda realizado pela autoridade lançadora está equivocado pois não existe omissão de receita. Segundo a recorrente, na decisão de l' Instância ficou consignado no voto que todas as notas fiscais de venda emitidas pela recorrente foram registradas no livro diário e razão, apenas não foram registradas no livro de saída de mercadorias. Cabe-nos aqui, porém, transcrever literalmente o que consta do voto condutor da decisão de 1' Instância: 5) A impugnante registrou todas as notas fiscais emitidas? Quanto às notas fiscais canceladas objeto da autuação, estas foram registradas apenas nos Livros Diário e Razão. Não foram registradas no Livro de Saídas e por conseguinte não foram computadas no valor das vendas. Isso significa que as vendas canceladas, lançadas nos livros Diário e Razão serviram para diminuir a base de cálculo do imposto sobre a renda uma vez que reduziram ficticiamente a receita. Na verdade, o que foi constatado pela fiscalização é que várias notas fiscais canceladas não foram computadas anteriormente no valor das vendas e, portanto, não poderiam ser subtraídas do valor das vendas. Se a venda correspondente a determinado cancelamento não foi registrada, como depois cancelar tal operação. Os cancelamentos efetuados pelo contribuinte, portanto, estão reduzindo indevidamente os valnre.s de rerei A recorrente não logrou êxito em desfazer a constatação da fiscalização, pois não apresentou documentos hábeis e idôneos que comprovassem que as vendas canceladas, (19 14 Processo n° I 0320.003 I 03/2004-02 S I -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 15 escrituradas nos Livros Diário e Razão efetivamente compuseram o valor das vendas realizadas e que realmente ocorreram devoluções de mercadorias com respectivo ressarcimento. Portanto, não há qualquer razão para a desconstituição do auto de infração nesse particular. A recorrente se equivoca ao afirmar que não há omissão de receita uma vez que da receita contabilizada ela está excluindo de vendas, a título de cancelamento, que nunca existiram. Nesse ponto, portanto, não merecem prosperar as alegações da recorrente. 2) Passivo fictício Durante a fiscalização foi apurada a manutenção no passivo, de obrigações a pagar que restaram incomprovadas. A empresa, então foi intimada para apresentar documentos que comprovassem a existência de tais dívidas. Dos documentos apresentados pela recorrente os valores que evidentemente correspondiam a dívidas foram abatidos dos valores inicialmente apurados pela fiscalização, restando um passivo fictício no montante de R$ 455.065,49 (valores históricos). Em sua peça recursal a empresa não apresentou nenhuma nova justificativa ou documento que embasasse a existência do passivo apontado como fictício. Como se trata de uma presunção legal nos termos do art. 281 do RIR199, há, nessa hipótese inversão do ônus da prova, ou seja, registrado o passivo sem o respectivo suporte documental, cabe à pessoa jurídica fiscalizada demonstrar a veracidade de seus registros com base em documentação hábil e idônea. Como isso não foi possível, não resta alternativa a não ser a manutenção do lançamento. 3) Exclusões/Compensações não autorizadas na apuração do lucro real Segundo o voto condutor da decisão de 1' Instância, Quanto à infração referente às despesas não dedutiveis, o contribuinte não apresentou razões de mérito para elidi-la, razão pela qual permanece incólume a exigência fiscal a esse título. Como se tomou matéria incontroversa, mantém-se, também sobre esse aspecto o auto de infração. 4) Aplicação de multa supostamente confiscatória Nos termos do Decreto 70.235/72, não cabe ao julgador administrativo deixar de aplicar a lei sob o fundamento de inconstitucionalidade.. A alegação de que a multa é confiscatória e, portanto, feriria o disposto na Constituição Federal já foi amplamente discutida e votada pelo órgão administrativo. Não cabe ao órgão julgador, na esfera administrativa, a análise da constitucionalidade da lei. Vejamos a posição consolidada nos antigos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Número do Recurso:-118904 Câmara:-TERCEIRA CÂMARA Número do Processo:-13819.001823/97-68 Tipo do Recurso:-VOLUNTÁRIO Matéria:-IRPJ E OUTROS Recorrente:-KOSTAL ELETROMECÂNICA LTDA. C2f 15 Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 16 RecorridatInteressado:-DRJ-CAMPWAS/SP Data da Sessão:-22/01/2008 01:00:00 Relator:-Leonardo de Andrade Couto Decisão:-Acórdão 103-23340 Resultado:-NPU - NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Ementa: ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstituci onalidade de lei tributária. (Súmula 1° CC n° 2) Número do Recurso:-151086 Câmara:-SÉTIMA CÂMARA Número do Processo:-10830.007801/2003-38 Tipo do Recurso:-VOLUNTA' RIO Matéria:-CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Recorrente:-LAB. LINEA DO BRASIL INDÚSTRIA, COMÉRCIO E TECNOLOGIA DE LABORATÓRIOS LTDA. Recorrida/Interessado:-4° TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP Data da Sessão:-24/05/2007 00:00:00 Relator:-Hugo Correia Sotero Decisão:-Acórdão 107-09041 Resultado:-IVPU-IVEGADOPROWEWOPORUNANIMIDADE MULTA CONFISCA TÓRIA. ARGUIÇÃO DE INCOSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Legitima a imposição da penalidade pecuniária no caso, não havendo que se falar em confisco. Para que se afira a natureza confiscatória da multa ou se ela afronta a capacidade contributiva do contribuinte, é necessário que se adentre no mérito da constitucionalidade da mesma, competência esta que não têm os órgãos administrativos julgadores. Súmula 1"CC n" 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente cumpre salientar que o recorrente insiste na realização da perícia. Como bem salientado pela decisão de 1' Instância e nos termos da legislação vigente, artigos 18 e 28 do Decreto n° 70.235/72, a perícia será deferida quando for considerada imprescindível para o deslinde da questão, o que não se verificou nos presentes autos. A autoridade julgadora considerou dispensável e desnecessária a realização da perícias em razão dos autos conterem elementos suficientes para a formação da convicção, posição essa com a qual coaduno. Diante de todo o exposto, e tendo em vista que a autuação da CSLL decorre do imposto apurado por infração à legislação do imposto sobre a renda, e que os períodos em análise no presente recurso correspondem ao do processo 10320.003102/2004-50, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo na íntegra o auto de infração. É como voto. iluto-jo a/12/J ffi---e Cif Valéria Cabral Géo Verçoza 16
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001158/2003-01
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
Ofende o Principio da Legalidade a imposição de condição que modifique a base de cálculo, com majoração do tributo, por ato infra-legal, no caso Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL.
Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser
anterior ao fato gerador da obrigação tributária.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.010
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada),
Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 4te CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13116.001158/2003-01 Recurso n° 303-132.304 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.010 — 2aTurma Sessão de 17 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CARNEIRO E ANTONIO LTDA. Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Ofende o Principio da Legalidade a imposição de condição que modifique a base de cálculo, com majoração do tributo, por ato infra-legal, no caso Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso. - / Miro CARLOS ALB ' 1 FREITAS :ARRETO - Presidente 411 A 1 MARCOS 1Ah I I- elator EDITADO EM ."'" • 1 NI Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão no 303-33.345, exarado na sessão de julgamento de 12 de julho de 2006. A interposição do recurso de deu com supedâneo no inciso II do art. 5° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, vigente à época de sua interposição: Art. 5° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: (.) II. decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Hodiernamente tal recurso tem supedâneo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Despacho em que se admite o recurso às fls. 148/150. Recurso da Fazenda Nacional às fls. 130/139. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 173/179. É o relatório. Passo ao voto. 2 Processo n° 13116.001158/2003-01 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.010 Fl. 2 Voto ' Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relato?' Recurso Especial de Divergência tempestivo. Passo a verificar o outro requisito de admissibilidade: a comprovação da divergência na interpretação de lei tributária entre duas câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou de turma da CSRF. A 3a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes no acórdão recorrido decidiu: ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL, A teor do artigo 100, § 7° da Lei n° 9 393/96, basta a simples declaração do contribuinte para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectá rios legais em caso de falsidade. Nos termos do artigo 10, inciso II, alínea "'A", da Lei n° 9.393/96, não são tributáveis as áreas de PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL A Fazenda Nacional recorre à instância especial sob a alegação de que deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de preservação permanente, pois o contribuinte apresentou o ADA fora do prazo previsto na legislação de regência. Argumentou ainda que a glosa das áreas de reserva legal também devem ser mantida, tendo em vista a ausência de averbação da área declarada no Registro de Imóveis. Para comprovar as duas divergências apresentou como paradigma o acórdão n° 302-36.278, de 09 de julho de 2004, exarada pela r Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, com o qual pretende comprovar a divergência suscitada, in verbis: ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de área de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio. As áreas de reserva devem ser averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Conforme visto, restou estabelecida as divergências de interpretação de lei tributária entre a 2' e 3' Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes, pelo quê o recurso especial deve ser admitido. Previamente, há que se esclarecer que não se coaduna com a melhor interpretação a argumentação acerca da desnecessidade de produção de prova da existência das áreas declaradas tem base no disposto no § 70 da Lei n° 9.393/96, incluído pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, verbis: § 7° A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto 3 correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Da simples leitura do dispositivo transcrito chega-se à conclusão de que o que não é necessária é a prévia comprovação das áreas declaradas. É da essência da atividade de fiscalização que a autoridade tributária, com o fito de comprovar informação constante das diversas declaraçôes elaboradas pelos contribuintes, intime-os a proceder a comprovação daquilo que foi declarado. Assim, a lei desobriga da prévia comprovação, mas não limita a atividade de fiscalização, impedindo a autoridade tributária de proceder seu mister de averiguar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou de outros aspectos que possam impactar o dimensionamento do crédito tributário devido. Sendo assim, há de se verificar se houve a comprovação nos autos da existência das áreas declaradas. No mérito. A primeira discussão que se trava nestes autos cinge-se em saber se a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, para fins de exclusão das mesmas da base de incidência do rrR, depende, ou não, do cumprimento da exigência da protocolização tempestiva do ADA, a ser emitido pelo MAMA ou órgão conveniado. Vejamos a legislação de regência da matéria. A legislação aplicável estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II • (.) - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Conforme visto, as áreas de preservação permanente são aquelas descritas nos § 2° e § 3° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: (.) 4 Processo n° 13116.001158/2003-01 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.010 Fl. 3 § 2°Á reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área. § 3 0 Aplica-se às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais. A exigência do ADA como requisito para a exclusão das áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR encontra-se estabelecida no 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 43, de 1997, com redação da IN SRF n° 67, de 1997: Art 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. (.) § 40 As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declarató rio do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: I - as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declarató rio do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei n° 4.771, de 1965; II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. A exigência da apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente, estabelecida em legislação infra-legal, contrapõe-se ao principio da reserva legal, posto que a desconsideração das áreas de preservação permanente e de reserva legal, como tal, representam sua inclusão na área tributável pelo ITR. Assim, qualquer restrição à exclusão de áreas da tributação do ITR, por corresponder a aumento de tributo, deve ser instituída por lei, ex vi do inciso II combinado com o § 1° do art. 97 do Código Tributário Nacional: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (.) 5 II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; (.) § 1 0 Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em torná-lo mais oneroso. Tanto é assim que o art. 1° da Lei n° 10.165, de 2000 estabeleceu aquela condição ao incluir o art. 17-0 na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17-0 Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declarató rio Ambiental - ADA, deverão recolher ao 'barna a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei tf 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria." (NR) (.) § 1' A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Portanto, se a obrigação de apresentação do ADA foi instituída posteriormente por lei, não poderia o órgão de administração tributária antecipar tal exigência, que resulta majoração de tributo, por meio de instrução normativa. Assim, a área de preservação permanente deve ser excluída da tributação do ITR, salvo no tocante à área de reserva legal que passaremos a analisar. Em relação à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador (condição prevista no Código Florestal Brasileiro (Lei n° 4.771, de 1965), incluída pelo § 2° do art. 16 da lei n° 7.803, de 1989. 2ff- A 3' Turma da CSRF vinha decidindo no sentido de que a comprovação da área declarada como de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, poderia dar- se por outros meios de prova, independendo da averbação de tal área à margem da matricula do imóvel rural no registro de imóveis competente ou mesmo de sua averbação posterior. Neste sentido reproduzo a ementa do acórdão CSRF/03-05.505, de 12 de novembro de 2007: Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. - A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR não depende exclusivamente de sua prévia averbação no cartório competente, e seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas, inclusive a sua averbação procedida posteriormente à data do fato gerador. Peço vênia para discordar do posicionamento, então adotado, pelas razões a seguir apresentadas. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393/1996, supra transcrito. 6 Processo n° 13116.001158/2003-01 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.010 Fl. 4 Conforme visto, a definição do que seja "área de reserva legal" encontra-se estabelecida no § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989: § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22.688/PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Veja-se o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2 0 do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.156/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação 7 posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393, de 1996 e do § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal • daquela área. Quando a Lei n° 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2° do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (.) 2 0 A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matricula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considera-se constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Tendo em vista que a ausência de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador, tais área deverão compor a base de cálculo para tributação do ITR. Vê-se que o contribuinte promoveu a retificação das informações contidas em sua DITR discriminando as áreas de preservação permanente, sem, no entanto, discriminar a área de reserva legal, que conforme descrito acima, é de no mínimo 20%, por obrigatoriedade legal (como decidido pela autoridade julgadora de primeira instância). Veja-se excertos do recurso voluntário que trata do tema: Esse segundo "Laudo Técnico" atende a exigência da fiscalização e autoriza, em princípio, a aceitação de toda a área apontada como sendo de preservação permanente (1,915,0ha). 8 Processo n'' 13116.001158/2003-01 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.010 Fl. 5 - Entretanto, no presente caso é preciso pressupor que esteja contida nessa área uma área de utilização limitada/reserva legal obrigatória de, no mínimo, 20% da área total do imóvel, pois seria difícil acreditar que além dessa área de preservação permanente, com 1.915, o imóvel ainda possui uma área distinta de reserva legal obrigatória de 521,0 ha, Se isso fosse verdade, é preciso considerar que praticamente todo o imóvel estivesse inserido dentro de área de proteção ambiental, pois a soma dessas duas áreas corresponde a 93,5% da sua área total, com isso, se considerada a área ocupada com benfeitorias, praticamente deixaria de existir área aproveitável destinada à pastagens e à produção vegetal. 10. A obrigatoriedade da destinação de, no mínimo, 20% da área total do imóvel à título de reserva legal, em razão da sua localização, está prevista no a r t. 16, inciso I I , da Lei n° 4771/1965 (Código Florestal), com a redação dada pelo art. 1 o da Medida Provisória n° 2166/2001, da seguinte forma; Tal ponto é confirmado pelo contribuinte em suas contrarrazões: E para encerrar essa controvérsia, em 13 de janeiro de 2004, foi averbada à margem da escritura do imóvel, a área de 532,38 há, como de Reserva Legal, conforme certidão anexa. No tocante à área de reserva legal que, de antemão, nunca foi requerido seu acatamento no presente recurso, sempre esteve preservada e impedida de ser explorada, tendo em vista o art. 16 e alíneas da lei n°4.771/1965 (.) Sendo assim, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para manter a tributação do ITR sobre a área de reserva legal, correspondente a 20%, corresponde. e a ,38 ha. Caio Marcos Candido - Relator. Lr-1T- 9
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001382/2007-00
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 05/02/2004, 28/02/2004
MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO.
A Lei nº 11.051/04, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei nº 11.196/05.
Numero da decisão: 1401-000.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente).
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 05/02/2004, 28/02/2004 MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Lei nº 11.051/04, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei nº 11.196/05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 82 /2 00 7- 00 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra o primeiro acórdão recorrido, fls. 131135: Trata o presente processo de auto de infração exigindo a multa isolada referente a compensações de débitos com crédito de terceiro, decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. 2. No Termo de Constatação o autor da ação fiscal relata (fls. 72 a 76): Dos fatos 2.1. A contribuinte apresentou Declarações de Compensação transmitidas eletronicamente, buscando a utilização de crédito oriundo de ação judicial identificada pelo n° 131/2002, da Seção Judiciária de Sao João do Triunfo/PR, tendo sido o crédito descrito como oriundo de "Tutela Antecipada" nas DCOMP elaboradas através do programa PER/DCOMP, para compensação de débitos tributários de sua titularidade, relativos a impostos e contribuições administrados pela Receita Federal. 2.2. As DCOMP foram apresentadas em 05/02/2004 e 28/02/2004, e as compensações declaradas foram consideradas indevidas por decisão administrativa proferida pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo — DERAT/SPO. 2.3. Intimada, a contribuinte não apresentou elementos que pudessem esclarecer ou justificar as compensações indevidamente realizadas. Da Ação Judicial n° 131/2002, da Vara de São Joao do Triunfo/PR 2.4. De acordo com a decisão administrativa proferida, a ação judicial n° 131/2002 está em trâmite pelo TRF/4a Regido, não havendo decisão transitada em julgado. 2.5. Tal ação foi movida por Diego Hoebel Munoz contra Centrais Elétricas do Brasil S.A. — Eletrobrás, com vistas a ver executados títulos denominados "Obrigações da Eletrobrás". Intervindo a Unido, em face de pleito para reconhecimento de direito de compensação com tributos federais, o juizo estadual declarouse incompetente, tendo sido os autos transferidos para a Justiça Federal em Curitiba/PR. 2.6. Na Justiça Federal em Curitiba/PR, a ação n° 131/2002 deu origem ao processo n° 2003.70.00.0447770, que se encontra em tramitação no TRF/4a Região. 2.7. Quanto ao mérito, essa ação referese a títulos denominados "Obrigações da Eletrobrás" que, por serem títulos de natureza Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001382/200700 Acórdão n.º 1401000.851 S1C4T1 Fl. 169 3 cambidria ao portador, são obrigações autônomas, não guardando natureza tributária. Dos títulos denominados "Obrigações da Eletrobrás" 2.8. 0 art. 40 da Lei n° 4.156, de 1962, instituiu um empréstimo a ser cobrado dos consumidores de energia elétrica pelos respectivos distribuidores, diretamente na conta mensal de consumo de energia, destinado à empresa Centrais Elétricas do Brasil S.A. — Eletrobrás. 2.9. 0 Decreto n° 68.419, de 1971, regulamentou a questão relativa à emissão dos títulos que serviram para pagamento do empréstimo tomado e a destinação dos recursos arrecadados com o assim denominado "empréstimo compulsório". 2.10. Os recursos do citado empréstimo destinaramse exclusiva e diretamente empresa Eletrobrás, e não ao Tesouro Nacional ou à União, e a sua arrecadação também se deu de forma distinta daquela aplicável aos tributos, sendo depositada em agência do Banco do Brasil S.A., diretamente à ordem da Eletrobrás. 2.11. A obrigação sob análise não pode ter natureza tributária porque não tem, em seu pólo ativo, uma pessoa de direito público interno, e a disposição do § 3° do art. 4º da Lei n° 4.156, de 1962, que estabeleceu responsabilidade solidária da Unido na liquidação dos títulos apresentados pelo contribuinte não tem o condão de atribuir a tais títulos, de natureza financeira, um caráter tributário. 2.12. 0 que ocorreu, na realidade, foi a instituição de um empréstimo compulsório de consumidores de energia elétrica para a Eletrobrás, quitado através da emissão de cautelas de obrigações da própria Eletrobrás. A partir da emissão das cautelas ao portador, e da conseqüente quitação dos empréstimos compulsórios, a relação jurídica remanescente é decorrente do próprio título, e tem natureza estritamente financeira. Da Multa Isolada 2.13. Tratandose de crédito derivado de "Obrigações da Eletrobrás", pleiteado por meio de discussão judicial de terceiro processada via ação n° 131/2002 da Vara da Justiça de Sao João do Triunfo, convertida na ação judicial n° 2003.70.00.0447770, constatase que o crédito pleiteado (i) é de natureza não tributária, e (ii) referese a crédito cuja utilização é vedada por disposição legal expressa no art. 170A do CTN por ser objeto de discussão judicial em ação que não transitou em julgado. 2.14. A infração está tipificada no art. 18, caput e § 2°, da Lei n° 10.833, de 2003 (texto original) para as DCOMP entregues até 29/12/2004. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 2.15. Ainda hoje, com o texto legal da Lei n° 10.833, de 2003, alterado pela Lei n° 11.196, de 2005 e pela MP n° 351, de 2007, permanece o cabimento da aplicação da multa isolada para o caso sob análise, tendo em vista tratarse de compensação utilizando créditos que não se referem a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, bem como de títulos públicos e de créditos de terceiros (art. 18, § 4º da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004, Lei n°11.196, de 2005, e MP n°351, de 2007). 2.16. A base de cálculo da multa isolada é o valor correspondente ao valor total do débito indevidamente compensado, nos termos do art. 18, caput e § 2° da Lei n° 10.833, de 2003, art. 3º, § 1º, da IN SRF n° 460, de 2003, tendo sido extraído diretamente das DCOMP, conforme abaixo totalizado: DCOMP Valor compensado (R$) 22762.61923.280204.1357.6819 2.620.535,46 24550.49149.050204.1357.6043 11.918.390,85 30470.52972.280204.1357.6709 51.017,87 19267.54866.280204.1357.4017 3.179,04 09466.93037.280204.1357.5015 21.788,52 40676.54402.280204.1357.7118 7.760,44 Valor indevidamente compensado 14.622.672,18 Percentual da multa 75% Valor da Multa Isolada 10.967.004,14 3. Por meio de auto de infração (fls. 77 a 79) foi constituído o crédito tributário no valor acima, tendo como enquadramento legal o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com redação dada pelas Leis it's 11.051, de 2004, 11.196, de 2005, e pelo art. 18 da Medida Provisória n° 351, de 2007; art. 74, caput e inciso II do § 12, da Lei n° 9.430, de 1996 (com redação dada pelas Leis nº 10.637, de 2002 e 11.051, de 2004); e art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996 (texto original e alterado com redação dada pela MP n°351, de 2007). 4. Cientificada do auto de infração em 06/06/2007, a contribuinte apresentou, por meio de seus procuradores, em 06/07/2007, a impugnação de fls. 95 a 105, aduzindo, em síntese: Dos fatos e do auto 4.1. por meio das DCOMP, As quais o Termo de Constatação faz remissão, a impugnante pretendia compensar créditos decorrentes do empréstimo compulsório destinado empresa Centrais Elétricas do Brasil S.A. — Eletrobrás, instituído pela Lei n° 4.156, de 28/11/1962, com débitos de Imposto de Renda (IR), Contribuição Social sobre o Lucro (CSL), Contribuição Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001382/200700 Acórdão n.º 1401000.851 S1C4T1 Fl. 170 5 para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e para o Programa de Integração Social (PIS). 4.2. as compensações pleiteadas pela impugnante não foram admitidas pela DERAT/SP, por meio do Despacho Decisório DERAT/SP, de 31/08/2006, proferido nos autos do processo n° 10880.720746/200622, como segue: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. A compensação de débitos perante a Secretaria da Receita Federal está condicionada à existência de crédito em favor do mesmo sujeito passivo. Dispositivos legais: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 74, caput, com redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Compensações não admitidas. 4.3. em decorrência da compensação não ter sido admitida, a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em Sao Paulo — DEFIC entendeu que o AUTO deveria ser lavrado para exigir a multa isolada prevista no art. 18 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, com a redação dada pelas Leis n's 11.051, de 2004, e 11.196, de 2005; Nãocabimento da multa isolada imposta por falta de previsão legal 4.4. os únicos supostos fundamentos utilizados pelo AUTO para exigir a multa isolada, que tinham base legal na época da ocorrência do fato gerador (i.e., na data da apresentação das DCOMP), seriam o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal ou não ter natureza tributária; 4.5. quanto à alegada vedação legal expressa à compensação, o art. 170A do CTN dispõe que "é vedada a compensação mediante aproveitamento do tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial"; 4.6. no processo n° 2003.70.00.0447770, mencionado no AUTO, não tem por objeto contestar judicialmente o empréstimo compulsório destinado à ELETROBRAS, mas tãosomente requerer seu ressarcimento, de acordo com a Lei n° 4.156, de 1962; 4.7. com efeito, o crédito que a impugnante pretendia compensar decorre do pagamento do empréstimo compulsório, e não da cobrança judicial do seu ressarcimento; 4.8. no caso dos autos não se discute judicialmente a existência do crédito, apenas exigese o seu pagamento, sendo, portanto, descabida a alegação de que a compensação pretendida estaria vedada pelo art. 170A do CTN; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 4.9. quanto à natureza tributária do empréstimo compulsório destinado à Eletrobrás S.A., tratase de questão já superada pelo Supremo Tribunal Federal, como se depreende da ementa que transcreve; 4.10. não há, nos termos da redação do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, vigente época da entrega das declarações, fundamento legal para a multa isolada exigida; 4.11. nesse sentido é a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes; Nãocabimento da multa isolada por infringência aos arts. 97, V e 113 do CTN 4.12. a multa isolada exigida tem fundamento no § 2° do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação dada pelas Leis nº 11.051, de 2004, e 11.196, de 2005, ou seja, a referida multa é devida no caso de compensação não declarada de débito já "pré constituído" pelo contribuinte; 4.13. a imposição dessa multa isolada, em casos como o acima, viola frontalmente o CTN, especificamente o seu art. 97, V, combinado com o art. 113; 4.14. de acordo com o §1° do art. 113 do CTN, apenas a multa de descumprimento de obrigação acessória seria autônoma em relação à obrigação de pagar tributo, não sendo aplicável na hipótese de compensação não declarada de débitos "pré onstituídos" pelo contribuinte, os quais permaneceriam exigíveis. 4.15. nessa conformidade, a multa isolada exigida é indevida, já que a hipótese da impugnante não é de descumprimento de obrigação acessória, mas de nãoquitação de débitos de tributos e contribuições federais em razão de compensações não admitidas pela fiscalização; Do efeito confiscatório da multa isolada 4.16. ainda que a aplicação da multa não infringisse o CTN, sua cobrança no percentual de 75% tem efeito confiscatório, tendo os tribunais já reconhecido que tal percentual, abusivo, deve ser substituído pelo percentual de 20%. A 2ª Turma da DRJ/SPOI, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por meio do Acórdão nº 1615.726, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 05/02/2004, 28/02/2004 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL SEM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. Exigese a multa de oficio isolada calculada sobre o valor total dos débitos em cujas compensações foi utilizado crédito de terceiro, decorrente de ação judicial sem decisão transitada em julgado, por serem tais compensações, à época da apresentação do PER/DCOMP, vedadas por expressa determinação legal. A Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001382/200700 Acórdão n.º 1401000.851 S1C4T1 Fl. 171 7 legislação superveniente alterou o enquadramento da conduta, passando a considerar aquelas compensações não declaradas, e manteve a incidência da multa de oficio isolada. MULTA ISOLADA. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. Na esfera administrativa cabe a estrita observância da norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. A análise da alegação de que a multa exigida seria confiscatória não pode ser feita nessa instância. Lançamento Procedente Cientificada do Acórdão em 16/06/2008 (fls. 145), em 16/06/2008 a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 146160, reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória e apresentado os seguintes argumentos adicionais: a) A base legal da multa isolada (art. 18 da Lei nº 10.833/03) teria sido revogada pela Lei nº 11.051/04, de aplicação retroativa. Segundo a recorrente, a citada multa passou a ser aplicável apenas nas hipóteses em que ficasse caracteriza a prática de sonegação, fraude ou conluio, as quais não foram suscitadas no auto. Tal entendimento já teria sido consagrado no âmbito do extinto Conselho de Contribuintes, conforme julgados que mencionou (fls. 150152); b) Não existe base legal para a aplicação de juros sobre a multa isolada. Os “débitos” a que se refere o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, segundo o caput do mesmo artigo, dizem respeito tão somente à obrigação principal originária. Além disso, (que permite a lavratura de auto de infração para exigir crédito tributário correspondente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente, sobre o qual incidem juros de mora a partir do seu vencimento) não se aplica à multa isolada de que trata o art. 18 da Lei n° 10.833/03 porque, à época em que foi editada a Lei n° 9.430/96, obviamente, ainda não existia previsão legal de imposição da citada multa. Nestes termos, a recorrente formulou os segintes requerimentos: a) cancelamento do lançamento da multa isolada objeto do auto; ou, subsidiariamente; b) redução do percentual da multa para 20%; ou, também subsidiariamente, c) redução do percentual da multa para 50%; e, em quaisquer das hipóteses, d) cancelamento da cobrança de juros de mora sobre a multa ou, subsidiariamente, determinação para que tais juros sejam cobrados em montante não superior a 1% ao mês. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Suposta ausência de previsão legal para exigência da multa isolada Inicialmente, a recorrente alegou que, nos termos da redação original do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003 (vigente na época da entrega das declarações), não havia fundamento legal para a exigência da multa isolada exigida; Afirmou que inexistia vedação legal expressa à compensação, uma vez que o processo n° 2003.70.00.0447770 não tinha por objeto contestar judicialmente o empréstimo compulsório destinado à ELETROBRÁS, mas tãosomente requerer seu ressarcimento. Consequentemente, não haveria que se cogitar de que a compensação pretendida estaria vedada pelo art. 170A do CTN. Além disso, sustentou que o empréstimo compulsório destinado à Eletrobrás S.A. possuía natureza tributária, consoante decisão do Supremo Tribunal Federal. Não assiste razão à recorrente. No que tange à vedação legal para compensação, prevista no art. 170A do CTN, cumpre destacar que no presente caso não existe apenas uma, mas três razões que impediam a compensação pretendida pela contribuinte: a) tratavamse de créditos de natureza não tributária; b) tratavamse de créditos de terceiros; c) os aludidos créditos eram objeto de contestação judicial, mas não havia trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Para maior clareza, transcrevo parcialmente a decisão denegatória da compensação, proferida pela autoridade competente da unidade de origem, fls. 5861, grifado): Portanto, nos termos da lei vigente que disciplina a compensação tributária conforme o art. 170 do CTN (i.e.: art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas diversas alterações) admite se que créditos apurados pelo contribuinte, relativos a tributos administrados pela SRF, passíveis de restituição ou ressarcimento, poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios (para os quais também não haja impedimento) relativos a tributos também administrados pela própria SRF. Enfatizese que apenas se estritamente observados esses requisitos podese falar em hipótese na qual a compensação tem respaldo na legislação vigente. Assim sendo, à. vista da documentação apresentada e das questões de direito acima expostas, concluise ser inaceitável a compensação ora pretendida, posto que o crédito alegado pela interessada não tem origem em direitos dela própria, caracterizando modalidade de compensação a qual não encontra amparo na legislação tributária. Além disso, o processo judicial de terceiro não transitou em julgado, dando ensejo também à vedação do art. 170A do CTN. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001382/200700 Acórdão n.º 1401000.851 S1C4T1 Fl. 172 9 Importante frisar que a contribuinte foi intimada a comprovar o trânsito em julgado da ação judicial (proposta por terceiro), bem como a comprovar que a contribuinte era parte legitima para usufruir das determinações judiciais proferida na retrocitada ação. O Termo de Constatação de fls. 7276 revela que a contribuinte não apresentou esclarecimentos ou justificativas hábeis, capazes de comprovar minimamente o seu direito à compensação pretendida. Diante do exposto, é forçoso reconhecer que a situação dos autos enquadravase, com perfeição, à hipótese prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/03, com a redação vigente à época de apresentação dos PER/DCOMP, verbis (grifado): Art. 18. 0 lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Vale dizer que tal entendimento era amplamente reconhecido por este Egrégio Conselho Adminstrativo de Recursos Fiscais, conforme demonstram os seguintes julgados: OBRIGAÇÕES DA ELETROBRAS Não compete à Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. MULTA DE OFÍCIO É devida a multa isolada quando se tenta compensar crédito de natureza não tributária. (Acórdão nº 11080.000237/200668, Sessão de 01/09/2010, unânime) PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE OBRIGAÇÃO AO PORTADOR DA ELETROBRÁS. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSIÇÃO DE MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DIRETA DA REGRA DO ART. 18, DA LEI Nº. 10.833/2003. (Acórdão nº 10709318, Sessão de 06/03/2008, unânime) COMPENSAÇÃO CSLL OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS TITULOS NÃO ADMINISTRADOS PELA SRF E ADQUIRIDOS DE TERCEIROS – MULTA ISOLADA CABIMENTO Nos termos do CTN e da legislação que rege a matéria, compensações consideradas não declaradas ensejam a aplicação de multa isolada prevista no artigo 44, I, da Lei nº 9.430/1996. (Acórdãos nº 10708650 e 10708651, ambos da Sessão de 26/07/2006, unânimes) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF (código 0561). MULTA ISOLADA. Só é permitido o pagamento ou a compensação de débitos tributários com créditos da mesma natureza, quais sejam, de natureza tributária. Nenhum titulo da dívida pública pode ser utilizado como forma de pagamento de tributos, inclusive no que se refere à compensação. As obrigações da Eletrobrás representam créditos de natureza financeira, afastados, portanto, do permissivo legal. Não homologada a compensação, cabível a exigência da multa isolada, no percentual de 75%. (Acórdão nº 30238.760, de 13/06/2007). Diante de todo o exposto, considero claramente demonstrado que, no presente caso, várias são as causas impeditivas às compensações pleiteadas: • Os alegados créditos não têm natureza tributária; • Não existe ação judicial transitada em julgado; e • Os créditos pertencem a terceiros. Não admitidas as compensações por expressa disposição legal, a aplicação da multa isolada, em tese, encontrava respaldo no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003. Revogação da base legal da multa isolada Na sequência de sua peça recursal, a recorrente alegou que a base legal da multa isolada (art. 18 da Lei nº 10.833/03) teria sido revogada pela Lei nº 11.051/04, de aplicação retroativa. Segundo a recorrente, a citada multa passou a ser aplicável apenas nas hipóteses em que ficasse caracteriza a prática de sonegação, fraude ou conluio, as quais não foram suscitadas no auto. Tal entendimento já teria sido consagrado no âmbito do extinto Conselho de Contribuintes, conforme julgados que mencionou (fls. 150152). Assiste razão à recorrente. Com efeito, o embasamento legal utilizado para o lançamento foi o art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Vejamos a redação do citado artigo, dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/2004 (verbis, grifado): Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da.Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. [...] Fl. 179DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001382/200700 Acórdão n.º 1401000.851 S1C4T1 Fl. 173 11 § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. [...] § 4° A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso lI do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Conforme já esclarecido, o caso dos autos enquadrase na hipótese de compensação considerada não declarada. Como facilmente se percebe, após o advento do art. 25 da Lei n° 11.051/2004, somente remanesceu no ordenamento jurídico a multa isolada de 150%, nos casos em que ficasse caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da.Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Somente com a publicação da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, se previu novamente a aplicação da multa não qualificada, o que força o entendimento de que não havia previsão para a aplicação da referida multa após a publicação da Lei nº 11.051, de 2004. Consequentemente, também é indevida a exigência da referida multa para fatos geradores ocorridos anteriormente à Lei nº 11.051/04, por força do princípio da retroatividade benigna (art. 106, II do CTN). Neste sentido, existem inúmeros precedentes no âmbito desta Corte: MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Lei nº 11.051, de 2004, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude, situação que vigorou até a publicação da Lei nº 11.196, de 2005. (Acórdão nº 20179.389, DOU 15/02/2007) COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Lei nº 11.051, de 2004, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito defraude. (Acórdão nº 20179.666, DOU 18/2/2007) Fl. 180DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 12 Diante do exposto, considero procedente a alegação da Recorrente relativa à revogação da base legal da multa isolada. Consequentemente, o presente recurso voluntário merece ser provido. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 181DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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