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Numero do processo: 10783.720367/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES. Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.353          2 Relatório  Por  economia  processual,  adoto  o  relatório  elaborada  na  decisão  recorrida,  abaixo transcrito:  Trata­se de pedido de reconhecimento de direito creditório (ressarcimento) de  Cofins do 2° trimestre de 2010, no valor de R$1.294.351,16 (um milhão, duzentos e  noventa  e  quatro  mil,  trezentos  e  cinqüenta  e  um  reais  e  dezesseis  centavos),  oriundo do sistema de não­cumulatividade (fls. 2/32).  A  autoridade  fiscal  decidiu  pela  procedência  parcial  do  pedido,  conforme  Despacho  Decisório  de  fl.  40,  com  fundamento  na  Informação  Fiscal  SEFIS/DRF/VIT/ES n° 14/2012, às fls. 33/37, onde alega que:  1.  NICCHIO  SOBRINHO  CAFÉ  foi  objeto  de  procedimento  de  auditoria  amparado  pelo  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  ­  Fiscalização n° 07.2.01.00­00­2011­01479­2 que teve como escopo a  verificação  de  pretensos  créditos,  oriundos  principalmente  da  aquisição de café para revenda, deduzidos contabilmente dos valores  devidos das contribuições não cumulativas para o PIS/COFINS, bem  como utilizados na compensação de tributos e contribuições mediante  pedido de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP;  2.  a  auditoria  fiscal  comprovou  à  saciedade  que  a  Empresa  autuada  apropriou­se  de  créditos  integrais  fictos  decorrentes  da  compra  de  café, razão pela qual foram objeto de glosas;  3.  a Empresa  autuada  lançou mão de um ardil  disseminado por  todo o  estado  do  Espírito  Santo  e  de  Minas  Gerais,  que  consiste  na  interposição fraudulenta de pseudo­atacadista para dissimular vendas  de  café  de  pessoa  física  para  empresas  exportadoras  e  torrefadoras,  gerando créditos ilícitos;  4.  as  investigações  originadas  na  operação  fiscal  "TEMPO  DE  COLHEITA",  deflagrada  pela  DRF/Vitória,  em  outubro  de  2007,  resultaram  na  comunicação  de  tais  fatos  ao  Ministério  Público  Federal;  5.  em  01/06/2010,  deflagrou­se  a  operação  BROCA  parceria  do  Ministério  Público,  Polícia  Federal,  e  Receita  Federal,  onde  foram  cumpridos mandados  de  busca  e  apreensão  em  74  locais,  dentre  os  quais os estabelecimentos da NICCHIO SOBRINHO CAFÉ;  6.  A  criação  e  utilização  dessas  meras  figuras  formais,  travestidas  de  atacadistas  de  café  em  grão,  provocaram  e  provocam  notável  distorção  no  mercado  de  café,  beneficiando  torrefadoras  e  grandes  exportadoras;  7.  na NICCHIO SOBRINHO CAFÉ, o valor das notas fiscais em nome  dessas  empresas  de  fachada  ­  "laranjas"  ­  ultrapassou  o  valor  de  R$256 MILHÕES;  Fl. 17387DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.354          3 8.  provas  e  documentos  produzidos  durante  os  trabalhos  fiscais  constam  do  processo  fiscal  n°  10783.720371/2012­47,  desse  modo,  a  Informação  Fiscal  e  Despacho  Decisório,  bem  como  o  aludido  processo  serão  cientificados  simultaneamente  à  Empresa,  por  se  tratarem  do mesmo  objeto,  qual  seja:  análise,  glosa  e  recomposição  dos créditos a descontar.  Devidamente cientificada, em 12/03/2012 (fl. 57), a interessada apresentou, às  fls.  64  e  seguintes,  em  11/04/2012,  a  correspondente  Manifestação  de  Inconformidade, onde alegou, na mesma linha da impugnação nos autos do PAF n°  10783.720371/2012­47, em resumo, que:  1.  se impõe a nulidade da decisão, pois houve cerceamento do direito de  defesa  e  do  contraditório,  vez que  a  autuada  não  pode  participar  da  produção da prova, o que gera a invalidade do MPF;  2.  a  Autoridade  Administrativa  em  momento  algum  oportunizou  à  empresa o direito de participar da colheita dos depoimentos prestados  pelos produtores rurais, corretores e maquinistas;  3.  o mesmo  raciocínio  se  aplica  aos  documentos  que  a Receita  diz  ter  recebido do Ministério Público;  4.  o direito de crédito decorrente da não­cumulatividade está de acordo  com a legislação, pois adquiriu bens de pessoa jurídica domiciliada no  País para posterior revenda;  5.  as  aquisições  de  bens  se  deram  por  intermédio  de  pessoas  jurídicas  ativas  no  CNPJ  e  no  Sintegra,  com  documentos  que  não  foram  declarados  inidôneos  e  pagamentos  efetuados  por  meio  de  transferência bancária;  6.  não há atribuição  legal, nem possibilidade de a empresa exportadora  verificar  a  atuação  da  empresa  intermediária,  pois  tal  procedimento  cabe à Receita Federal;  7.  as  empresas  citadas  como  supostamente  laranjas  procediam  por  intermédio  de  corretores  de  café,  vendendo  para  todo  mercado  brasileiro, sendo a Impugnante uma das adquirentes;  8.  ao  adquirir  'café  cru  em  grão'  o  revende  no  mercado  externo,  em  alguns  casos,  antes  da  revenda,  o  rebeneficia,  sem  o  exercício  cumulativo  das  atividades  de  padronizar,  beneficiar,  preparar  e  misturar tipos ou separar por densidade dos grãos;  9.  o  adquirente  das  sociedades  cooperativas  de  produção  agropecuária  tem  direito  ao  aproveitamento  integral  dos  créditos  da  contribuição  em referência, porque estas não têm direito à manutenção dos créditos  ordinários originados da aquisição de bens e serviços;  10.  a cadeia produtiva do café a ser exportado pressupõe três etapas;  11.  na  primeira  etapa,  a  venda  de  café  de  pessoa  física,  produtor  rural,  não há Cofins incidente sobre a venda para cooperativa, mas a venda  de pessoa  jurídica  (cerealista,  agropecuária  e  sociedade  cooperativa)  para  cooperativa de produtos do  código NCM 9.01,  faz­se mediante  suspensão da exigibilidade;  Fl. 17388DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.355          4 12.  o  adquirente necessita  ter os  requisitos  apontados na  legislação para  que a suspensão citada seja aplicável: lucro real, exerça as atividades  citadas no §6° do art. 8°, caput, da Lei n° 10.925/2004, e utilização do  produto  in natura ou  insumo na fabricação de produtos classificados  no capítulo 9 da NCM;  13.  em virtude da suspensão na etapa anterior sociedades cooperativas de  produção agropecuária  têm direito ao aproveitamento presumido dos  créditos da contribuição, visto que produzem "café cru em grão";  14.  a  sociedade  cooperativa  de  produção  agropecuária,  inclusive  agroindustrial,  antes  adquirente  na  1a  etapa,  agora,  fornecedora,  vende "café cru em grão" beneficiado para empresa exportadora, no  caso, a empresa ora impugnante;  15.  nesse caso, a recorrente/adquirente tem direito ao aproveitamento do  crédito integral, se a venda decorre de ato não­cooperativo;  16.  se  a  venda  decorre  de  ato  cooperativo,  a  recorrente/adquirente  também  tem  direito  ao  aproveitamento  do  crédito  integral,  mas  a  legislação prevê ajuste na base de cálculo;  17.  a  autoridade  fiscal  desconsiderou  uma  das  etapas  do  processo  produtivo do café, mais especificamente, a 2a etapa;  18.  somente  na  saída  do  café  in  natura,  destinado  à  utilização  como  insumo de produção do café cru em grão, é obrigatória a  suspensão  da  exigibilidade  da  Cofins,  assim,  o  aproveitamento  do  crédito  presumido  ocorre  apenas  na  segunda  etapa,  não  sendo  o  caso  da  impugnante que atua na terceira etapa;  19.  se  os  fornecedores  da  impugnante  deixaram  de  recolher  tributos  ou  apresentaram  declarações  falsas  não  cabe  a  esta  qualquer  responsabilidade;  20.  responsabilidade  solidária  aplica­se  somente  ao  sujeito  passivo  e  decorre sempre de lei, não podendo ser presumida;  21.  a impugnante, se solicitada, entregaria os documentos de registros de  CNPJ  e  Sintegra  a  respeito  dos  seus  fornecedores,  e,  ainda,  notas  fiscais e comprovantes de pagamento;  22.  a  responsabilidade  solidária  não  pode  ser  presumida,  deve  ser  provada,  como  não  foi  provada,  a  compensação/ressarcimento  deve  ser deferida;  23.  não  há  prova  de  dolo,  e,  além  disso,  a  multa  de  150%  viola  os  princípios da proporcionalidade e do não­confisco.  A  inconformada  cita  legislação,  doutrina  e  jurisprudência  e,  com  base  na  argumentação expendida, requer:  1.  produção de novas provas mediante diligências para conferência das  notas fiscais, pagamentos efetuados e cadastros das pessoas jurídicas  fornecedoras;  Fl. 17389DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.356          5 2.  deferimento  da  juntada  de  documentos  que  acompanham  a  Manifestação de Inconformidade;  3.  reforma da decisão  exarada  e  reconhecimento  integral  do  crédito de  ressarcimento  pleiteado,  visando  homologação  da  compensação  declarada;  4.  reconhecimento  integral  do  direito  creditório  de  PIS/Cofins  decorrente das aquisições de cooperativa.  Ao julgar referida manifestação de inconformidade, a 17ª Turma da DRJ/Rio  de Janeiro1 proferiu o Acórdão nº 12­56041, de 16/05/2013, com a seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010  Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito.  Comprovada  a  existência  de  simulação/dissimulação  por  meio  de  interposta  pessoa,  com  o  fim  exclusivo  de  afastar  o  pagamento  da  contribuição  devida,  é  de  se  glosar  os  créditos  decorrentes  dos  expedientes  ilícitos,  desconsiderando  os  negócios  fraudulentos, a  fim de  fazer  recair a responsabilidade  tributária,  acompanhada  da  devida  multa  de  ofício,  sobre  o  sujeito passivo autuado.  Uso  de  Interposta  Pessoa.  Inexistência  de  Finalidade  Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado.  Negócios  efetuados  com  pessoas  jurídicas,  artificialmente  criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem  qualquer  finalidade  comercial,  visando  reduzir  a  carga  tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular  negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e  fraude  contra  a  Fazenda  Pública,  rejeitando­se  peremptoriamente  qualquer eufemismo de planejamento tributário.  Cooperativa.  Regime  de  Suspensão  da  exigibilidade.  Obrigatoriedade.  A  obrigatoriedade  do  regime  de  suspensão  de  exigibilidade  do  crédito  tributário,  no  âmbito  da  não­cumulatividade  de  PIS  e  Cofins,  nas  vendas  da  cooperativa  agropecuária  para  a  agroindústria,  não  se  desqualifica  pelo  descumprimento  de  obrigações acessórias impostas às partes envolvidas no negócio,  havendo, por outro lado, o benefício fiscal do crédito presumido  para o adquirente.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010  Nulidade  Não  padece  de  nulidade  a  decisão,  lavrada  por  autoridade  competente,  contra  o  qual  o  contribuinte  pode  exercer  o  Fl. 17390DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.357          6 contraditório  e  a  ampla  defesa,  onde  constam  os  requisitos  exigidos  nas  normas  pertinentes  ao  processo  administrativo  fiscal.  Juntada de Novas Provas  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação;  precluído  o direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em outro momento  processual,  exceto  quando  justificado  por  motivo  legalmente  previsto.  Diligência. Perícia. Desnecessária. Indeferimento  Indefere­se  o  pedido  de  diligência  (ou  perícia)  quando  a  sua  realização  revele­se  prescindível  ou  desnecessária  para  a  formação da convicção da autoridade julgadora.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Não  concordando  com  referida  decisão  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  fls.  17.155  em  diante,  por  meio  do  qual  apresenta  basicamente  os  mesmos  argumentos  colocados  em  sua  manifestação  de  inconformidade  e  que  podem  ser  assim  resumidos.  ­  nulidade  do  auto  de  infração  e  processo  administrativo  fiscal  em  face  do  cerceamento ao amplo direito de defesa. Argumenta que não foram observados o art. 5º,  inc.  LIV  e  LV  da  CF  e  os  art.  2º,  inc.  X,  3º,  inc.  III,  e  38  da  Lei  nº  9.784/99.  Isto  porque  os  depoimentos  pessoais  de  testemunhas  colhidos  e  utilizados  foram  realizados  à  sua  revelia.  Afirma  que  a  fiscalização  parte  "de  constatações  fáticas  particulares,  pontuais  e  unilaterais  para,  com  isso,  construir  uma  'conclusão  generalizada'  sobre  o  mercado  e  a  empresa  fiscalizada. Cita doutrina e jurisprudência do CARF para fundamentar as suas razões;  ­ nulidade da decisão recorrida por ter se valido de provas ilícitas. De acordo  com o recorrente a decisão se valeu, em alguns de seus trechos, de provas colhidas no inquérito  policial que embasou a ação penal da Operação Broca, autos nº 2008.50.05.005.38­3, ação que  fora  trancada por  força do HC nº 2012.02.01.014311­5,  impetrado diretamente no TRF da 2ª  Região. Transcreve ementa do citado HC a qual afirma a inexistência de crime de estelionato e  de quadrilha;  ­ que deve ser mantido o seu direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e  Cofins, uma vez que foram cumpridos, por parte do recorrente, todos os requisitos necessários  à utilização dos referidos créditos, quais sejam, "a) aquisição de mercadorias de fornecedoras  enquadradas na situação jurídica 'ativa' na RFB; b) emissão de nota fiscal de venda e registro  das mesmas na contabilidade da empresa interessada; c) pagamento integral no preço via TED  na conta corrente que as fornecedoras mantinham nos bancos mais tradicionais do País e d) real  ingresso da mercadoria no estoque da adquirente". Relaciona, por amostragem, o nome de uma  série  de  fornecedoras  que  estariam  regulares  na  época  da  aquisição  das  mercadorias.  Cita  jurisprudência  do  STJ  no  sentido  de  que  a  obrigatoriedade  de  verificar  a  idoneidade  de  documentos e de regularidade da empresa é do fisco e não do contribuinte;  Fl. 17391DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.358          7 ­ afirma que "não há nos autos qualquer documento ou outro meio de prova  que vincule a empresa recorrente às  fornecedoras de café,  senão na condição de compradora  das  mercadorias  que  lhes  foram  vendidas".  Que  na  condição  de  compradora,  a  regra  era  a  utilização do "corretor de café" para intermediar as operações de compra e venda, não sendo  comum um relacionamento comercial entre o produtor e o adquirente do café. Desta forma, não  havia  preocupação  da  empresa  em  buscar  maiores  informações  a  respeito  da  fornecedora,  sendo  que  todas  as  operações  de  compra  estão  devidamente  registradas  na  contabilidade  e  escrita fiscal, fazendo prova em seu favor;  ­ sustenta que a Receita Federal, está tentando de maneira oblíqua fazer com  que o recorrente  repare o erário por obrigações  tributárias que seriam de responsabilidade de  suas fornecedoras de café. Defende que a legislação do PIS/Cofins não atribui como requisito  para manutenção dos créditos tributários "ter ou não ter a vendedora armazém, imóvel próprio  ou alugado, quantidade mínima ou máxima de funcionários, etc.". Cita doutrina para concluir  que  cabe  ao  fisco  o  ônus  de  provar  o  fato  constitutivo  do  lançamento  e  também  a  improcedência do fato impeditivo de seu direito ao crédito, com base no art. 9º do Decreto nº  70.235/72;  ­ que enquanto a Receita Federal não declarar a  inidoneidade, ou  inaptidão,  das  pessoas  jurídicas,  atribuição  que  lhe  é  exclusiva,  não  há  que  falar  em  invalidade  das  aquisições dos créditos tributários efetuados, uma vez que foram adquiridos de empresas com  seu funcionamento regular perante o cadastro do CNPJ;  ­ não há prova de  fraude ou dolo, e,  além disso, a multa de 150% viola os  princípios da proporcionalidade e do não­confisco;  ­  cita  a  legislação  de  regência  no  sentido  de  garantir  o  direito  ao  aproveitamento integral do crédito nas aquisições de café das cooperativas. Cita, o que segundo  ele  seriam  as  três  etapas  de  beneficiamento  do  café,  para  concluir  que  na  aquisição  das  cooperativas  ele não  atua na 2ª  etapa,  que  seria o beneficiamento propriamente dito,  e nesta  condição  a  aquisição  do  café  das  cooperativas  seria  integralmente  tributada  gerando  por  consequência direito ao integral aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins;  ­  insiste  na  realização  de  diligência  para  "i)  conferir  todas  as  compras  da  RECORRENTE,  sobretudo  as  notas  fiscais  dos  fornecedores,  ii)  os  comprovantes  de  pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente das empresas, bem como iii)  os  cadastros  das  pessoas  jurídicas  atacadistas  de  café  nas  Receitas  Federal  e  Estadual,  no  período em que ocorreram aquisições de bens".  Segundo  a defesa  a diligência  também seria  importante  para  "conferência  da  legalidade  das  aquisições  provenientes  do  estado  de Minas  Gerais, principalmente do Município de Manhuaçu".  É o relatório.  Fl. 17392DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.359          8 Voto             Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal  O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de  admissibilidade, por isso deve ser conhecido.  Conforme  o  que  tudo  dos  autos  consta,  a  glosa  de  créditos  de  Cofins  realizadas no presente processo é decorrência da fiscalização realizada no contribuinte a qual  gerou o processo administrativo fiscal nº 10783.720371/2012­47, no qual houve  toda a glosa  dos  créditos  e  recomposição  de  toda  a  apuração  do  PIS  e  da  Cofins  no  regime  da  não­ cumulatividade,  gerando  os  correspondentes  autos  de  infração.  De  forma  que  o  destino  do  julgamento do presente processo é totalmente dependente do que for decidido no processo nº  10783.720371/2012­47.  Mantido  os  lançamentos  naquele  processo,  forçoso  é  manter  o  indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação das compensações constantes  do  presente  processo.  Da  mesma  forma  a  anulação  de  glosas  constantes  naquele  processo  gerariam efeitos correspondentes no presente processo, de acordo com o período de apuração a  que se refere.   Esclareço ainda que os argumentos de defesa utilizados pelo contribuinte no  processo  nº  10783.720371/2012­47,  são  idênticos  aos  utilizados  no  presente  processo.  De  forma que já analisei aquele processo, proferindo voto pela manutenção do lançamento, o qual  peço  vênia  para  transcrevê­lo  abaixo,  utilizando­o  como  razão  para  negar  provimento  ao  presente recurso voluntário.  (...)  Nulidade do Lançamento  O  recorrente  solicita  a  nulidade  dos  autos  de  infração  e  do  processo  administrativo fiscal em face do cerceamento ao amplo direito de defesa. Argumenta  que não foram observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc.  III,  e  38  da Lei  nº  9.784/99.  Isto  porque  os  depoimentos  pessoais  de  testemunhas  colhidos e utilizados foram realizados à sua revelia.   Esclareço  que  não  vislumbrei  nos  autos  de  infração  constantes  do  presente  processo, qualquer mácula que pudessem torná­los nulos.  Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº  8.748/93:  Art. 59 São nulos:  I­  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente;  II­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou  com  preterição  do  direito de defesa;  Fl. 17393DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.360          9 Todos os  atos praticados no presente processo  foram executados por pessoa  competente e sem preterição do direito de defesa.  Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade  do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta, e conterá obrigatoriamente:  (...).  III­ a descrição do fato;  IV­  a  disposição  legal  infringida  e  a  penalidade  aplicável.  Por sua vez, assim dispõe o art. 142 do CTN:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento  administrativo tendente a verificar a ocorrência do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar  o  sujeito  passivo  e,  sendo  caso,  propor  a  aplicação  da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de  responsabilidade funcional.  Verifica­se  que  constam  adequadamente  descritos  os  fatos  apurados  pela  autoridade,  a  fundamentação  legal,  a matéria  tributável,  os  valores  apurados  e  os  fatos  motivadores  da  autuação,  permitindo  ao  contribuinte  conhecer  todos  os  elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciando­lhe todos os meios para  livre e plenamente manifestar  suas  razões de defesa. Não há nem  incerteza  e nem  falta  de  liquidez  na  autuação,  pois  o  valor  exigido  está  apontado  e  a  matéria  tributável  devidamente  caracterizada  e  fundamentada.  A  análise  de  mérito  destas  questões podem levar à improcedência do lançamento e não a sua nulidade.  O contribuinte insiste que houve cerceamento ao seu amplo direito de defesa e  que não teriam sido observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º,  inc.  III,  e  38  da  Lei  nº  9.784/99.  Vejamos  o  que  dispõe  estes  dispositivos  constitucionais e legais.  Constituição Federal  Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção  de qualquer natureza, garantindo­se aos brasileiros  e  aos  estrangeiros  residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade,  à  igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos  seguintes:  (...)  Fl. 17394DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.361          10 LIV ­ ninguém será privado da liberdade ou de seus  bens sem o devido processo legal;  LV  ­  aos  litigantes,  em  processo  judicial  ou  administrativo,  e  aos  acusados  em  geral  são  assegurados o contraditório e ampla defesa, com os  meios e recursos a ela inerentes;  (...)  Lei nº 9.784/99  Art.  2o A  Administração  Pública  obedecerá,  dentre  outros,  aos  princípios  da  legalidade,  finalidade,  motivação,  razoabilidade,  proporcionalidade,  moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança  jurídica, interesse público e eficiência.   Parágrafo  único.  Nos  processos  administrativos  serão observados, entre outros, os critérios de:  (...)   X  ­  garantia  dos  direitos  à  comunicação,  à  apresentação  de  alegações  finais,  à  produção  de  provas e à  interposição de  recursos, nos processos  de que possam resultar  sanções  e nas situações de  litígio;  (...)   Art.  3o O  administrado  tem  os  seguintes  direitos  perante  a  Administração,  sem  prejuízo  de  outros  que lhe sejam assegurados:  (...)      III ­ formular alegações e apresentar documentos  antes  da  decisão,  os  quais  serão  objeto  de  consideração pelo órgão competente;  (...)   Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e  antes  da  tomada  da  decisão,  juntar  documentos  e  pareceres,  requerer  diligências  e  perícias,  bem  como aduzir  alegações  referentes  à matéria  objeto  do processo.      §  1o Os  elementos  probatórios  deverão  ser  considerados  na  motivação  do  relatório  e  da  decisão.      §  2o Somente  poderão  ser  recusadas,  mediante  decisão  fundamentada,  as  provas  propostas  pelos  interessados  quando  sejam  ilícitas,  impertinentes,  desnecessárias ou protelatórias.  Fl. 17395DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.362          11 Vê­se  que  a  Constituição  Federal  garante  no  processo  administrativo  o  contraditório  e  ampla  defesa  e  que  ninguém  seja  privado  da  liberdade  ou  de  seus  bens sem o devido processo legal. Ora o contribuinte está exercendo o seu direito de  ampla defesa. O Decreto nº 70.235/72, o qual regulamenta o processo administrativo  tributário,  garante  duas  instâncias  administrativas  para  apresentação  da  defesa  ao  lançamento  fiscal.  Para  tanto  foi  apresentada  impugnação  ao  lançamento  e  agora,  diante de improcedência da impugnação, está sendo apreciado o recurso voluntário.  E nem há que se falar que o contribuinte esteja sendo privado de seus bens ou de sua  liberdade,  sem  o  devido  processo  legal,  pois  o  objeto  do  presente  processo  é  a  exigência  de  crédito  tributário  e  seus  consectários  legais,  cuja  exigibilidade  está  suspensa até a trânsito em julgado do presente processo.  Não  foi  negado  acesso  ao  contribuinte  de  nenhum  elemento  de  prova  constante  do  presente  processo.  Tanto  é  que  ele  faz  referência  aos  depoimentos  pessoais utilizados para compor a convicção da acusação fiscal. No caso a  lei não  determina que é direito do acusado de participar da tomada de depoimentos e demais  diligências  realizadas  previamente  ao  lançamento  fiscal.  Ficaria  até  impraticável  a  realização da fiscalização nos contribuintes, caso eles tivessem que obrigatoriamente  estar  presentes  em  todos  os  atos  fiscalizatórios.  Não  houve  qualquer  afronta  aos  dispositivos  legais  da  Lei  nº  9.784/99,  acima  citados.  No  presente  caso,  o  contribuinte está exercendo o seu direito de defesa de forma plena.   O  fato  de  os  autos  de  infração  terem  sido  lavrados  após  colhidos  os  depoimentos  de  terceiros  e  coleta  de  provas  e  informações  diversas,  mas  sem  intimação  prévia  do  contribuinte,  não  implica  em  qualquer  ilegalidade.  O  contencioso  administrativo  só  se  inicia,  nos  termos  do  art.  14  do  Decreto  nº  70.235/72  com  a  apresentação  da  impugnação  ao  lançamento  por  parte  do  contribuinte. Inclusive, nos termos da Súmula CARF nº 46, "o lançamento de ofício  pode  ser  realizado  sem  prévia  intimação  ao  sujeito  passivo,  nos  casos  em  que  o  Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário".  Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração.  Nulidade de Decisão Recorrida  O contribuinte pede a nulidade da decisão  recorrida por ela  ter se valido de  provas  ilícitas. De acordo com o  recorrente a decisão se valeu, em alguns de  seus  trechos,  de  provas  colhidas  no  inquérito  policial  que  embasou  a  ação  penal  da  Operação Broca, autos nº 2008.50.05.005.38­3, ação que fora trancada por força do  HC  nº  2012.02.01.014311­5,  impetrado  diretamente  no  TRF  da  2ª  Região.  Transcreve ementa do citado HC a qual afirma a inexistência de crime de estelionato  e de quadrilha.  O objetivo do julgamento no processo administrativo é aferir a legalidade dos  atos  administrativos,  para  que  estes  coadunem­se  o mais  próximo  possível  com  a  legislação  tributária.  O  art.  31  do  Decreto  nº  70.235/72  que  regula  o  processo  administrativo fiscal, assim dispõe sobre o conteúdo da decisão de 1ª instância:  Art.  31.  A  decisão  conterá  relatório  resumido  do  processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de  intimação,  devendo  referir­se,  expressamente,  a  todos  os  autos  de  infração  e  notificações  de  lançamento objeto do processo, bem como às razões  de  defesa  suscitadas  pelo  impugnante  contra  todas  as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de  1993)  Fl. 17396DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.363          12 Por sua vez, o art. 59, inc. II do mesmo decreto aborda as situações quanto à  nulidade dos atos adminsitrativos:  Art. 59 São nulos:  (...);  II  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou  com  preterição  do  direito de defesa.  Vê­se  que  a  decisão  a  quo  foi  proferida  por  autoridade  competente,  está  devidamente  fundamentada  e  aborda  todas  as  razões  de  defesa  suscitadas  pelo  contribuinte em sua impugnação. Não houve preterimento do direito de defesa, tanto  é que o contribuinte em seu recurso voluntário denota perfeita compreensão do que  foi decidido.  Quanto  a  afirmativa de que  a decisão  teria  sido  embasada  em elementos de  prova  declarados  ilícitos  pelo  TRF  da  2ª  Região  no  HC  nº  2012.02.01.014311­5,  concluo que esta afirmação não está correta. Neste sentido é relevante transcrever o  trecho do recurso voluntário:  (...)  "Não  obstante  tais  transcrições  serem  um  absurdo  por  si  só,  é  imperioso  registrar  que  esses  elementos  probatórios  encaixam­se  no  conceito de prova ilícita, pois ação penal na qual se encontra vinculada  (autos nº 2008.50.05.00538­3) foi trancada, isto é, extinta, por força da  decisão  proferida  no  HC  n.  2012.02.01.014311­5,  impetrado  diretamente  no  colendo  TRIBUNAL  REGIONAL  FEDERAL  DA  2ª  REGIÃO. (Doc 02).  No  referido  habeas  corpus,  a  egrégia  Primeira  Turma  Especializada  do  TRF  da  2ª  Região  afirmou  categoricamente  a  inexistência de crime de estelionato, bem como afastou com todo acerto  a  existência  de  crime  de  quadrilha.  Eis  a  ementa  do  acórdão,  cuja  relatoria  foi  confiada  ao  eminente  e  culto  Des.  ANTÔNIO  IVAN  ATHIE (doc. 02):  EMENTA: Princípio da especialidade. Ações  visando  redução  e/ou  não  recolhimento  de  tributos  não  configura  estelionato,  face  estarem tipificadas na Lei 8137/90. Artigo 12  do  Código  Penal.  Tampouco  existe  eventual  crime de quadrilha antes de existir o próprio  crime  que,  em  tese,  fora  praticado.  Adaptação  do  voto  do  relator  neste  sentido,  adotando a  tese desenvolvida pelo Des. Abel  Gomes,  no  julgamento.  Ordem  concedida,  estendida aos demais acusados, para trancar  a ação penal.   (...)  Da leitura da ementa resta claro que não houve qualquer declaração de que as  provas  obtidas  e  disponibilizadas  à  Receita  Federal  sejam  ilícitas.  A  conclusão  é  evidente no sentido de que, pelo princípio da especialidade das penas, o crime que  Fl. 17397DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.364          13 pode ter sido praticado pelos acusados é o previsto na Lei nº 8.137/90, ou seja, crime  contra a ordem tributária. Portanto a ação penal que tratava dos crimes de estelionato  e formação de quadrilha foi extinta. Claro que o crime contra a ordem tributária de  que trata a Lei nº 8.137/90 não era objeto daquela ação penal, pois nestes casos, a  denúncia só pode ser oferecida após a constituição definitiva do crédito tributário, a  qual se dá após o trânsito em julgado dos processos de lançamento fiscal.   Desta  forma,  afasto a preliminar de nulidade da decisão  recorrida,  suscitada  pelo contribuinte em seu recurso voluntário.  Mérito  ­ Glosa dos Créditos de PIS e Cofins nas Aquisições de Pseudo­ Atacadistas.  O contribuinte argumenta em sua defesa que deve ser mantido o seu direito ao  aproveitamento  dos  créditos  de  PIS  e  Cofins,  uma  vez  que  foram  cumpridos,  por  parte  do  recorrente,  todos  os  requisitos  necessários  à  utilização  dos  referidos  créditos, quais sejam, "a) aquisição de mercadorias de fornecedoras enquadradas na  situação  jurídica  'ativa'  na RFB; b)  emissão de nota  fiscal  de venda e  registro das  mesmas na contabilidade da empresa interessada; c) pagamento integral no preço via  TED na conta corrente que as fornecedoras mantinham nos bancos mais tradicionais  do País e d) real  ingresso da mercadoria no estoque da adquirente". Relaciona, por  amostragem, o nome de uma série de fornecedoras que estariam regulares na época  da  aquisição  das  mercadorias.  Cita  jurisprudência  do  STJ  no  sentido  de  que  a  obrigatoriedade  de  verificar  a  idoneidade  de  documentos  e  de  regularidade  da  empresa  é do  fisco  e não do contribuinte. Afirma que "não há nos autos qualquer  documento ou outro meio de prova que vincule a empresa recorrente às fornecedoras  de  café,  senão  na  condição  de  compradora  das  mercadorias  que  lhes  foram  vendidas". Que na condição de compradora, a regra era a utilização do "corretor de  café"  para  intermediar  as  operações  de  compra  e  venda,  não  sendo  comum  um  relacionamento comercial entre o produtor e o adquirente do café. Desta forma, não  havia  preocupação  da  empresa  em  buscar  maiores  informações  a  respeito  da  fornecedora, sendo que todas as operações de compra estão devidamente registradas  na contabilidade e escrita fiscal, fazendo prova em seu favor.  Toda  esta  argumentação  já havia  sido  apresentada  na  sua  impugnação  e  foi  rebatida  de  forma  didática  pela  decisão  recorrida.  Da  análise  dos  elementos  apresentados  pelo  contribuinte  em  sua  defesa  constato  que  o  conjunto  de  provas  trazidos  pela  fiscalização  são  contundentes  no  sentido  de  que  a  recorrente  efetivamente participou conscientemente de um esquema fraudulento para burlar a  legislação  tributária,  sobretudo  o  aproveitamento  de  créditos  de  PIS  e  Cofins  de  maneira indevida.  As inúmeras notas fiscais de aquisição de café apresentadas pelo contribuinte  e  sua  escrituração  contábil  e  fiscal  não  afasta  a  acusação  fiscal,  ao  contrário,  o  aproveitamento  dos  créditos  depende  efetivamente  de  todo  os  elementos  apresentados pelo contribuinte, quais sejam: a) aquisição de mercadorias; b) emissão  de  nota  fiscal  de  venda  por  parte  do  vendedor  e  seu  registro  na  contabilidade  do  adquirente; c) pagamento do preço; e d) real ingresso da mercadoria no estoque da  adquirente. Ora,  a  acusação  fiscal  não nega  estes  fatos,  ao contrário  concorda que  foram  realizados,  mas  relata  com  detalhes  impressionantes,  que  tudo  isto  foi  orquestrado para simular a verdadeira operação engendrada na compra do café, ou  seja, foi colocado artificialmente entre o produtor rural e os verdadeiros adquirentes  do  produto,  empresas  atacadistas  que  só  existiam  para  emissão  de  nota  fiscal  intermediária para permitir o aproveitamento indevido de créditos de PIS e Cofins.  Fl. 17398DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.365          14 Longe  de  escorada  em  simples  presunção,  como  argúi  a  Recorrente,  a  autuação  encontra  suporte  fático,  restando  comprovada  a  simulação  nas operações  de  compra  às  pessoas  jurídicas  atacadistas,  já  que  de  fato  eram  realizadas  aos  produtores  pessoas  físicas.  O  Termo  de  Encerramento  da  Ação  Fiscal,  fls.  1660/1962, é bastante detalhado e não há razão ao contribuinte em afirmar que não  foi cumprido o art. 9º do Decreto nº 70.235/72.  Por  economia  processual  e  considerando  que  o  contribuinte  não  rebateu  especificamente as conclusões decorrentes do acórdão  recorrido,  transcrevo abaixo  parte do voto, no qual fica evidente sua participação no esquema de fraude. Portanto  com  base  no  §  1º  do  art.  50  da Lei  nº  9.784/99,  utilizo  partes  da  própria  decisão  recorrida como razões de decidir.  (...)  No  quadro  legal  de  regime  não­cumulativo,  que  então  se  instituía,  passou  a  ser  tributariamente  interessante  adquirir  bens  e  serviços  de  pessoa  jurídica,  e não diretamente de pessoa  física/produtor  rural. Assim, optar por  uma  pessoa  jurídica,  no  caso  atacadista  de  café,  em  detrimento  de  um  produtor  rural  ­  pessoa  física,  pode  situar­se  de  fato  no  domínio  do  assim  chamado planejamento  tributário do adquirente. Embora, claro, a  introdução  de um elo a mais na cadeia produtiva eleve os custos desse adquirente, pois  aquele  atacadista  intermediário,  além  de  seus  custos  operacionais  normais,  deverá  recolher  as  contribuições  incidentes  sobre  as  receitas  auferidas  nas  suas alíquotas normais (1,65% e 7,6%), podendo se creditar no percentual de  apenas 35% do crédito, calculado com as mesmas alíquotas.  Evidencia­se, então, que a aquisição da mercadoria da Pessoa Jurídica,  ao  invés  da  aquisição  direta  do  produtor  rural,  embora,  resulte  para  o  adquirente  creditamento  integral,  o  seu  custo  de  aquisição  necessariamente  será maior. De  qualquer  forma,  a  escolha  por  uma  forma,  ou  outra,  poderá  fazer parte de um planejamento tributário, sem qualquer óbice legal.  Situação  bem  diferente  é  aquela  em  que  a  pessoa  jurídica  atacadista  introduz­se nesta cadeia sob os auspícios do adquirente, sob uma aparência de  regularidade  formal,  apenas  para  gerar  crédito  para  o  comprador;  porque,  neste  caso,  o  procedimento  só  gera  uma  vantagem  global  apreciável,  para  ambos,  se  este  atacadista  não  cumprir  com  ônus  tributário  que  lhe  será  próprio. Tal situação nada tem de planejamento tributário, tratando­se de pura  fraude fiscal. As provas dos autos militam a favor de que esta situação tenha  de fato ocorrido.  Deve­se notar, em primeiro lugar, que as pessoas jurídicas atacadistas,  fornecedoras do contribuinte autuado, constituídas como visto quase todas já  em  pleno  regime  da  não­cumulatividade,  estiveram,  quase  sempre,  em  situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em  relação  as  suas  obrigações  acessórias,  seja  em  relação  ao  pagamento  de  tributos...  (...)  No conjunto as empresas deste quadro movimentaram R$ 1,75 bilhão  de  Reais mas  praticamente  nada  recolheram  de  PIS/Cofins,  no  período  de  2003/2007.  A  este  quadro  de  incompatibilidade  entre  volume  financeiro  movimentado  e  total  recolhido  de  tributos,  acrescentado  de  situação  de  omissão e inatividade declarada ­ inapta, nula, baixada ou suspensa ­, junta­ Fl. 17399DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.366          15 se  mais  um  fato,  constatado  em  diligências  nas  empresas,  nenhuma  das  empresas diligenciadas possui armazéns, nenhum funcionário contratado  e, nenhuma estrutura logística.  Ora,  tudo  que  se  espera  de  uma  empresa  atacadista  de  café  é  a  existência  de  uma  estrutura  que  a  capacite movimentar  grandes  volumes  de  café. Ofende,  portanto,  a  qualquer  limite  de  razoabilidade  a  inexistência  de  depósitos,  funcionários  e  logística,  encontrando,  ao  invés  disso,  escritórios  estabelecidos em pequenas salas comerciais de acomodações acanhadas.  A fiscalização exemplifica a exiguidade e precariedade das instalações  constatadas nas empresas diligenciadas, com a fotografia do estabelecimento  da JC BINS (v. fl. 1675), cujo nome fantasia é Cafeeira Colatina, um imóvel  de minguados 40 m2, com equipamentos e material de escritório: uma mesa,  um  armário,  meia  dúzia  de  pastas,  telefone,  fax  e  um  computador.  Vale  sublinhar,  contudo, que  este mesmo atacadista de  café movimentou mais de  149 milhões de Reais apenas no período de 2006 a 2007 (fls. 1674/1675).  A fiscalização fornece outro exemplo de precariedade das  instalações,  com a fotografia do estabelecimento da Nova Brasília Comércio de Café Ltda  (fl.  1678),  onde  o mesmo  quadro  de  exiguidade  das  instalações  constatadas  nas  empresas  diligenciadas  se  repete,  um  imóvel  de  minguadas  dimensões,  com  equipamentos  e  material  de  escritório:  duas  mesas,  duas  cadeiras,  um  armário, meia  dúzia  de  caixas,  telefone,  fax  e  um  computador. A Empresa,  dotada de tal patrimônio, movimentou mais de 300 milhões de Reais, apenas  no período de 2007 a 2009. Como fornecedora da Nicchio Sobrinho teria  negociado mais de 8 milhões de Reais, apenas no curto período de janeiro a  agosto de 2009 (fl. 1679).  Tudo  indica  até  aqui  que  as  autodenominadas  "atacadistas"  são  empresas  de  fachadas,  que  se  prestaram  a  uma  simulação/dissimulação  de  uma  operação  de  compra  e  venda  de  café,  pois  financeiramente  movimentavam  grandes  somas,  mas  não  tinham  como  operar  com  as  mercadorias. Além do fato de ter, como se viu, um existência fantasmagórica  do  ponto  de  vista  da  tributação,  descumprindo  obrigações  acessórias  e  também  a  principal,  consistente  em  pagar  tributo.  É  cedo,  porém,  enunciar  esta hipótese como provada, embora seja inegável sua plausibilidade.  A  impugnante  alega  que  se  o  esquema  ocorreu,  não  foi  com  sua  conivência,  que  procurava  tão  somente  adquirir  café  de  pessoas  jurídicas,  afirmando nada ter a ver com qualquer fraude, ou prejuízo que as atacadistas,  seus fornecedores, tenham perpetrado contra o Erário. Não é bem assim, como  se verá na seqüência.  Antônio Gava, inicialmente sócio e depois administrador da Colúmbia,  no depoimento que se encontra às fls. 230/232 dos autos, corrobora a tese da  auditoria  de  modo  expresso,  e,  sem  peias  ou  meias  palavras,  esclarece  o  modus operandi das empresas envolvidas:  Que  a  Colúmbia  funciona  como  recebedora  da nota fiscal do produtor e emissora da nota  fiscal  de  saída,  que  vai  para  o  real  proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro  comprador de café;  Fl. 17400DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.367          16 O real comprador de café adquire o produto  do  produtor  rural  por  intermédio  de  corretores de café;  Que  os  compradores  de  café  efetuam  depósitos nas contas correntes da Colúmbia,  e  esta  efetiva  o  pagamento  aos  produtores  rurais.(destaquei)  Registre­se que Thiago de Resende Gava, filho de Antônio Gava, antes  de  fundar  a Colúmbia,  trabalhou  na Nicchio Sobrinho. Logrou  a Colúmbia  negociar  mais  de  55 milhões  de  Reais  em  fornecimento  de  café  para  a  Nicchio Sobrinho, apenas no período de 2006/2008.  Em  outro  depoimento  à  Fiscalização,  agora  de  Alexandre  Pancieri,  sócio da Do Grão, encontra­se apoio para a hipótese de uma ação coordenada  no sentido de fraudar a Fazenda Nacional. Todavia, o apoio desta vez vem no  sentido  de  esclarecer  outro  aspecto  da  situação  sob  suspeita:  a  de  que  as  empresas  (ou  pelo  menos  algumas  delas)  eram  previamente  montadas,  não  nasciam de um acordo livre das vontades dos  sócios para atuar na mercado,  mas eram engendradas por terceiros interessados:  Indagado  pela  fiscalização,  ALEXANDRE  PANCIERI  confirmou  figurar  no  quadro  societário  da  DO  GRAO  como  interposta  pessoa  e  revelou  que,  na  verdade,  é  classificador  de  café  na  FONTE  RICA,  corretora  de  seu  irmão  Paulo  Pancieri  Júnior.  Assegurou  que  DO  GRAO  foi  constituída  a  pedido  de LUIZ FERNANDO  MATTEDE. (fl. 1687)  Destacamos  a  afirmação  do  sócio  da  Empresa Do Grão,  cujo  quadro  societário compunha­se de apenas dois sócios, que a empresa fora criada "a  pedido" do Sr. Luiz Fernando Mattede. A Empresa, dessa forma constituída,  movimentou milhões, entre 2003/2006, mas não recolheu absolutamente nada  aos cofres públicos a  título de  tributo, no período. Entre 2006 e 2008, a Do  Grão teria negociado cerca de 9 milhões de Reais em café com a Nicchio  Sobrinho. Porém, toda a estrutura empresarial da Do Grão restringe­se a uma  pequena sala em Colatina.  Vale  notar  que  o  Sr.  Luiz  Fernando  Mattede  Tomazi,  citado  no  depoimento de Alexandre Pancieri, era um dos administradores da Do Grão,  exercendo  a  função  mediante  procuração.  Foi  também  um  dos  sócios  fundadores da Acádia Comércio e Exportação Ltda, o outro era Flávio Tardin  Faria, que, aliás, era o outro administrador da Do Grão. A Acádia Comércio e  Exportação Ltda apresentou recolhimento nulo entre 2003/2009.  Luiz Fernando Mattede Tomazi  é  ainda  um dos  sócios  fundadores  da  L&L  Comércio  e  Exportação  de  Café  Ltda  (fl.  1688),  empresa  que  movimentou milhões entre 2003 e 2006, e apresentou recolhimento ZERO no  período. Entre 2008 e 2009, a Do Grão teria negociado cerca de 12 milhões  de Reais em café com a Nicchio Sobrinho.  Fato notável é que as empresas Do Grão, Acádia e L&L funcionam no  mesmo  prédio  (Av.  Silvio  Ávidos,  Ed.  Silver  Center)  ,  e  ainda  têm  a  Fl. 17401DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.368          17 companhia  de  mais  quatro  empresas  fiscalizadas  na  mesma  operação:  Colúmbia,  JC Bins,  Stange's Corretagem e  a V Munaldi  ­ ME. Fato  apenas  curioso  não  se  tratassem  de  "atacadistas  de  café",  atividade  que  por  sua  própria natureza  exige  espaço,  funcionários  e  logística  sofisticada. Quanto  a  esta última empresa citada V Munaldi ­ ME, no depoimento de seu titular de  direito Vilson Munaldi (fl. 1689) à Fiscalização é declarado que o verdadeiro  proprietário é o Sr. Altair Braz Alves.  O Sr. Altair Braz Alves confirmou o depoimento de Vilson Munaldi,  admitindo ser o verdadeiro proprietário da V Munaldi ­ ME, embora figurasse  o nome daquele nesta condição. Mais esclarecedor ainda é o depoimento de  Altair quanto ao modus operandi da engrenagem que vai se revelando como  esquema  fraudulento  para  vender  notas  fiscais  e  simular  elo  na  cadeia  produtiva  inexistente,  tendo  por  fim  ultimo  gerar  fictícios  créditos  de  PIS/Cofins  no  regime  da  não­cumulatividade.  No  ano  de  2006,  a Nicchio  Sobrinho  registrou mais  de  4 milhões  de  reais  em notas  da V. Munaldi. O  depoimento completo de Altair está às fls. 275/278. Na seqüência, destacam­ se alguns pontos.  O  citado  depoimento  estabelece  os  seguintes  pontos  cruciais.  Afirma  que  a  empresa V Munaldi  ­ ME nunca  foi  atacadista, nem mesmo  sequer  atuou no seguimento de compra e venda de café, pois, a empresa foi criada  unicamente para fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores de  café, que adquiriam a mercadoria diretamente dos produtores rurais.  Neste sentido, ao receber a nota fiscal do produtor rural por intermédio  de office­boy do verdadeiro comprador, emitia Nota Fiscal de Entrada, e, na  mesma data, emitia nota fiscal de saída para o verdadeiro comprador. Afirma  ainda Altair que a operação real de compra e venda se dava diretamente  entre  o  comprador  final  e  o  produtor  rural,  funcionando  a  sua  empresa  como repassadora de recursos financeiros dos compradores para os produtores  rurais.  Nesta  linha,  afirma  que  nunca  teve  qualquer  contato  com  os  produtores rurais, no que tange às operações descritas nas notas.  Decorre  logicamente,  do  que  fora  dito  até  agora,  que  a  Empresa  V  Munaldi ­ ME não era remunerada mediante lucro resultante da atividade de  compra  e  venda  de  café,  porque  não  realizava  tais  atividades,  mas  recebia  "comissão",  conforme  admitira  Sr.  Altair,  que  precisou  o  valor  na  faixa  de  R$0,35  a  R$0,50  por  saca  de  café,  pagos  pelo  verdadeiro  comprador.  Destaque­se que Altair  fora empregado da Nicchio Sobrinho, antes de  se  tornar o "proprietário" da V Munaldi (fl. 276).  Em  resposta  à  intimação  da  autoridade  fiscal,  as  empresas Colúmbia,  Acádia, Do Grão e L&L confirmam a dedução acima (v. fls. 248 e ss):  Vale  ressaltar  que  em  alguns  casos,  a  Fiscalizada  nem  mesmo  procurava  o  vendedor/produtor,  pois  o  comprador  (seja  indústria, exportador ou corretora), depois de  fazer a negociação direta com o produtor ou  com  a  corretora  de  mercado  futuro,  apenas  informava a Fiscalizada que iria precisar de  seus serviços, quais sejam receber a Nota do  Produtor,  receber  o  dinheiro,  pagar  o  produtor  e  emitir  Nota  Fiscal  de  Venda/Viagem.  Fl. 17402DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.369          18 Os  recursos  transitados  pela  conta  da  Fiscalizada  são  dos  compradores  do  café,  sejam estes corretores futuros, especuladores  de  mercado,  indústrias  torrefadoras,  cerealistas, atacadistas ou exportadores.  Os  sócios  e/ou  gestores  da  fiscalizada,  na  realidade e em verdade,  são e  sempre  foram  agentes  de  comércio  (corretores  de  café),  sendo  por  imposição  do mercado  (empresas  que atuam do mesmo modo que a fiscalizada)  transformada  em  pessoas  jurídicas,  para  continuar  ganhando  pelo  serviço  prestado  e  sujeitando­se  a  situações  como  a  presente  fiscalização  por  exigência  e  imposição  dos  compradores,  posto  que  esta  seja  a  única  forma  de  sobreviver  em  sua  atividade  comercial (gn)  O  depoimento  denuncia  a  fraude,  confirma  seu  modus  operandi,  e,  ainda, demonstra a participação efetiva dos compradores, entre os quais está a  contribuinte, ora impugnante. Não se trata de depoimento qualquer, mas dos  próprios fornecedores da contribuinte. Observe­se no  item 4, fl. 289, citação  expressa à Nicchio Sobrinho:  Dependendo  da  necessidade  do  Comprador  em baixar seu caixa "dois" ou de gerar mais  créditos  de  entrada  para  caucionar  as  vendas, solicitavam a emissão das notas com  valores  acima  do  mercado,  inclusive  acima  da  pauta  fiscal,  que  via  de  regra  já  é  mais  elevada  que  o  preço  comercial.  Todas  as  empresas  fizeram  e  fazem uso  desta  prática,  podendo­se destacar .... Nicchio Sobrinho, ...  Algumas  empresas  Exportadoras/Indústrias  comprovadamente,  pelo  que foi registrado até agora, efetivamente participaram da montagem e do uso  do  esquema  fraudulento.  Há  prova  documental  neste  sentido,  e  os  depoimentos também convergem perfeitamente para este ponto.  Por  exemplo,  no  depoimento  do  corretor  de  café Arylson  Storck  de  Oliveira, às fls. 412/414, textualmente se declara:  "(...)ligava  para  as  exportadoras  com  o  objetivo  de  vender  café  de  produtor  rural  e  era  informado  de  que  não  havia  a  menor  possibilidade  de  que  as  exportadoras  adquirissem  café  de  pessoa  física,  que  as  exportadoras  respondiam ao  declarante  que  somente  estavam  aceitando  café  de  pessoa  jurídica" (item 2)  "a  maioria  dos  sócios  ou  titulares  das  empresas  constituídas  para  guiar  café  para  as  exportadoras  e  Indústrias  são  ex­ Fl. 17403DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.370          19 funcionários  das  próprias  exportadoras  do  Estado do Espírito Santo" (item 3)  "pela emissão da nota fiscal para guiar o café  para as exportadoras as interpostas empresas  recebem  um  determinado  valor  por  saca  de  café, que o 'mercado de nota fiscal' chegou a  tal ponto que há uma disputa para ver quem  vende a sua nota fiscal por um menor preço  por saca de café " (item 4).(gn)  O depoimento esclarece que as próprias exportadoras somente estavam  aceitando café de pessoa jurídica, isto é, recusavam o café da pessoa física.  Na verdade continuavam a comprar dos produtores rurais, apenas utilizavam  pessoas jurídicas para "guiar o café", expressão, que neste caso, não passa de  eufemismo para a prática simulatória/dissimulatória.  Noutro depoimento (fls. 449/454), do corretor Luciano Arpini Gobbi, o  depoente  afirma  que  houve  uma  fase  em  que  o  produtor  rural  guiava  diretamente o café para as exportadoras e  indústrias e  recebia diretamente o  pagamento,  mas  depois  estas  empresas,  exportadoras  e  indústrias,  passaram exigir  que  o  café  fosse  descarregado nelas  com nota  fiscal  de  pessoa jurídica.  No depoimento do corretor João Carlos de Abreu Zampier  (fls. 441 e  seguintes,  item  12),  identifica­se  os  intermediários  como  empresas  laranjas,  cuja finalidade é vender nota fiscal:  Que o declarante afirmou que o mercado de  café se "prostituiu"porque alguns corretores  começaram  a  negociar  café  dispensando  a  cobrança  da  comissão  de  corretagem,  e  devido  ao  aparecimento  de  empresas  laranjas  que  entraram  no  mercado  de  café  vendendo  nota  fiscal  para  ganhar  um  percentual sobre as vendas de café; (gn)  Em  mais  um  depoimento,  de  um  outro  corretor  ­  Valério  Antônio  Dallapícula  ­  ,  novamente de modo muito  explícito é descrita  a  fraude  (fls.  529/534),  afirma,  por  exemplo,  que  os  reais  compradores  (exportadoras  e  indústrias) perguntavam aos produtores quem iria "guiar" o café, muitas vezes  elas mesmas indicando um nome, denunciando até uma reunião entre as reais  compradoras  e  os  corretores  para  passar  "orientações",  entre  as  quais,  a  de  pulverizar  o  café  guiado  em  várias  empresas,  diminuindo  o  volume  da  Colúmbia, a de não mencionar o nome do produtor  rural no fechamento das  operações, nem deixar pistas (telefone, e­mail, MSN):  Que  a  interposição  de  uma  pessoa  jurídica  para mascarar a operação de compra de café  das  empresas  acima  relacionadas  diretamente do produtor rural iniciou­se com  as  próprias  compradoras  de  café,  que  no  inicio  as  notas  fiscais  do  produtor  eram  trocadas pela nota fiscal da interposta pessoa  dentro  do  próprio  armazém  da  empresa  compradora, que nessas operações o corretor  Fl. 17404DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.371          20 recebia  das  compradoras  o  nome  da  interposta pessoa jurídica pelo qual o café do  produtor rural era guiado para dentro do seu  armazém;(gn)  (...)  Que  então  se  criou  um  círculo  vicioso:  o  comprador  satisfeito  com  o  café  sendo  guiado  em  nome  de  uma  pessoa  jurídica  passou  a  solicitar  que  os  corretores  indicassem  "empresas"  para  que  os  produtores rurais guiassem o café;  (...)  Que  confirma  a  ocorrência  de  uma  reunião  na  NICCHIO  SOBRINHO,  na  qual  o  declarante  estava  presente,  juntamente  com  outros  corretores,  onde  foi  dito  que  os  corretores  teriam  de  diminuir  a  quantidade  de  café  guiado  em  nome  da  COLÚMBIA,  pulverizando com outras "empresas"; (gn)  (... )  Há, nos autos, outros depoimentos de corretores todos convergindo para  os pontos acima destacados.  As  declarações  dos  produtores  rurais  esclarecem  pontos  adicionais  e  confirmam outros já sublinhados por corretores. É o caso do depoimento do  produtor rural/maquinista Sr. Fernando Plantikow Neto (fls. 307/308):  (...)  4)(...)  que  realizava  venda  de  café  de  sua  propriedade e de seus familiares, assim como,  intermediava  a  venda  de  café  de  meeiros  e  pequenos  produtores  rurais  da  região  diretamente  com  as  seguintes  empresas  que  por  ora  se  recorda:  (...),  NICCHIO SOBRINHO e (...);  5)Que, a partir de um determinado momento,  o declarante se recorda que os compradores  dessas  empresas,  (...),  (...)  e  Sr  Edinho  (Nicchio  Sobrinho)  indicaram  que  o  declarante  procurasse  as  'empresas'  Do  Grão,  Colúmbia,  Acádia,  L&L,  dentre  outras, para  que guiasse o  café  do produtor  rural  para  uma  dessas  empresas  listadas;  que, ao depois,  era efetuada a  troca da nota  fiscal  do  produtor  rural  pela  nota  fiscal  de  uma  das  empresas  indicadas  guiando  o  café  para a (...) Nicchio Sobrinho e (...);  (...)  Fl. 17405DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.372          21 7)  Que  o  declarante  afirmou  que  é  descontado  um  determinado  valor,  que  chegava  a  R$1,00,  do  produtor  rural,  para  pagar o fornecedor da nota fiscal que guiou  o café para as empresas acima citadas;  8) Que  o  declarante  afirmou  que  a  troca  de  nota  fiscal do produtor  rural ocorria  em um  determinado ponto, previamente estabelecido,  sendo  que  um  moto  boy  comparecia  para  efetuar a troca;  (...)(gn)  Nota­se  aí,  na  citação  expressa  à  Nicchio  Sobrinho  pelo  produtor  rural/maquinista,  o  papel  ativo  da  autuada  na  operação,  fato  que  refuta  a  hipótese  de  fraude  sem  sua  participação,  exceto  se  é  admitida  a  teoria  conspiratória,  onde  "atacadistas",  corretores  do  ramo  e  produtores  rurais  de  café  conspiram  com  o  único  propósito  de  prejudicar  a  contribuinte,  ora  impugnante.  Mas  diante  da  convergência  irresistível  dos  depoimentos  de  personagens,  que  atuam  com  funções  distintas  na  cadeia  produtiva,  a  teoria  conspiratória revela­se mera fantasia. O exame de mais um depoimento firma  mais  ainda esta  convicção. Trata­se do depoimento do produtor  rural  Jarbas  Alexandre  Nicoli,  a  descrição  detalhada  torna  inteiramente  plausível  a  hipótese  de  uma  intermediação  fictícia  com  a  participação  ativa  dos  reais  adquirentes (indústrias e exportadores) (fl. 322/323):  1) Que o declarante informou que é produtor  de  café  na  região  de  Jaguaré,  com  uma  produção  anual  média  em  torno  de  10.000  (dez  mil)  sacas,  sendo  a  mesma  em  parceria/meação;  2)  Que  o  declarante  afirmou  que  a  comercialização  de  seu  café,  produzido  em  meação, é  feita por  intermédio de corretores  localizados em Colatina;  3)  Que  Paulo  Zache,  Junior  Preti  (RP  COMISSÁRIA) e Fernando Alvarenga (CASA  DO  CAFE)  são  corretores  de  café  em  Colatina  e  que  com  quem  o  declarante,  preponderantemente, mantém contato para a  venda do café;  4)  Que o declarante afirmou nunca ter  negociado pessoalmente com a COLÚMBIA,  (...) V. MUNALDI (...) ACÁDIA, DO GRÃO;  (...)  6)  Que  o  declarante  afirmou  que  os  corretores  acima  citados,  por  intermédio  de  FAX,  repassavam  o  nome  da  empresa  que  deveria  constar  na  nota  fiscal  do  produtor  rural;  Fl. 17406DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.373          22 7)  Que  o  declarante  afirmou  que  nunca  pagou qualquer tipo de remuneração ou valor  de  corretagem  para  os  corretores  acima  citados;  (...)  10)  Que  a  partir  de  2003,  ainda  por  intermédio de corretores de café da região de  Colatina,  o  declarante  não  mais  conseguia  vender  sua  produção  diretamente  para  exportadores  e  indústrias,  sendo  o  declarante  orientado  pelos  mesmos  corretores  a  guiar  seu  café  em  nome  de  outras pessoas  tais como: COLUMBIA e V.  MUNALDI:,    (...)  12)  Que  os  corretores  informavam  ao  declarante  que  as  notas  fiscais  de  produtor  rural  seriam  trocadas  quando  o  motorista  chegasse  nas  redondezas  de  Colatina.  que  preferencialmente  se  dava  em  um  posto  de  gasolina;  que  neste  momento  o  próprio  motorista ligava para determinado número de  telefone,  fornecido  pelo  corretor,  comunicando  a  sua  chegada  a  fim  de  possibilitar o recebimento da nota fiscal para  o local onde o café era descarregado; (gn).  E,  finalmente,  o  depoimento  do  produtor  rural  Américo  Barbosa  Martins (fls. 295/296):   (...)  após  concretizar  a  negociação,  o  café  negociado  por  Junior  Pretti  é  guiado  por  meio  de  nota  fiscal  de  produtor  do  declarante  em  nome  da  COLUMBIA,  e  poucas vezes em nome da C DÁRIO ME, WR  DA  SILVA  LTDA ME  e WG  DE  AZEVEDO  BRASIL COFFEE, (...);  (...)  após  a  descarga  do  café  o  corretor  Junior  Pretti  informa  ao  declarante  que  o  café  foi  descarregado/armazenado  nos  armazéns  do  (...), NICCHIO SOBRINHO  e  (...), em Colatina, e (...), em Vitória;  O produtor  rural  (Américo Barbosa Martins) afirma que "do  total dos  recursos depositados na conta corrente do declarante por cada operação de  venda  de  café  é  descontado  o  valor  de  R$1,00  por  saca;­que  o  declarante  afirma que­o­próprio  Junior Pretti  dizia que  esta  quantia  seria  destinada à  própria COLÚMBIA". Júnior Pretti aí referido é o corretor encarregado, no  caso, da transação real e direta do produtor rural com a Nicchio Sobrinho ( e  Fl. 17407DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.374          23 outras empresas), mas que também operava contatos entre a real adquirente e  o pseudo adquirente do café do produtor rural, pois o produtor rural afirma  na seqüência que "não conhece e nunca negociou com a COLÚMBIA, (...),  ou  seus  sócios,  sendo que o  único  contato  do  declarante  na negociação do  café era com o corretor Júnior Pretti" (fl. 296).  A  fiscalização  intimou  vários  outros  produtores  rurais  para  esclarecer  pontos  dos  negócios  respectivos,  dos  resultados  obtidos  concluiu­se,  em  resumo,  que  (1)  os  produtores  rurais  desconhecem  as  pessoas  jurídicas  que constam como destinatárias das suas próprias notas fiscais. Ou seja,  eles  negociavam  o  café  com  a  adquirente  Nicchio  Sobrinho  e  outros  compradores,  mas  nas  notas  eram  substituídos  pela  Colúmbia,  Do  Grão,  Acádia, L&L, Miranda Com. Exp. e Imp. de Café e outras pseudo­empresas;  (2) as notas eram ou preenchidas pelos reais compradores (Exportadoras e  Indústrias), ou preenchidas pelo produtor com dados que lhes eram fornecidos  pela Nicchio Sobrinho; (3) o café era retirado da propriedade rural pela  Nicchio  Sobrinho,  e  nos  seus  armazéns  descarregado,  (4)  Sr.  Carlos  Henrique,  genro  do  Sr.  Nicchio  Sobrinho,  participa  ativamente  no  setor  de  compra da Nicchio Sobrinho.  Repita­se:  as  'pseudo­empresas'  que  constam  nas  notas  fiscais  de  venda dos produtores rurais não participam da negociação, são desconhecidas  dos produtores rurais, mas aparecem no momento de preenchimento da Nota  Fiscal por exigência do real comprador.  Quando  a Autoridade  Fiscal  requisita  às  Empresas Do Grão, Acádia,  L&L  e  Colúmbia  informar  se  era  do  "pleno  conhecimento"  dos  comerciantes,  exportadores  e  indústrias,  ou  seja,  dos  compradores  de  que  apenas  forneciam  a  nota  fiscal,  para  respaldar  operação,  que  na  verdade  se  dava entre real comprador e produtor rural, a resposta corrobora o que já está  fartamente  provado:  "Sim.  Os  grandes  atacadistas,  assim  como  os  Torradores e os Exportadores tinham e tem pleno conhecimento de que as  notas fiscais são vendidas, como também sabem que nossa empresa nunca  recolheu  nenhum  valor  de  PIS  e  Cofins.  Vale  dizer  que  eles  até  incentivaram a abertura de  varias empresas  (...)".  (v.  por  exemplo  fl.  258,  item  2).  Acrescenta,  em  outro  momento,  que  "regra  geral,  é  o  comprador  (torrador,  exportador  ou  atacadista)  diretamente  por  si  ou  por  meio  do  Corretor  que  o  assessorou  no  negócio,  que  determina  qual  empresa  vai  faturar,  ou melhor,  emitir  a  nota Fiscal  para  guiar  o  produto  da  lavoura  para os depósitos dos compradores". (v. por exemplo fl. 258, item 3, fine)  Em  outro  momento  ainda,  relatam  as  empresas  citadas  Do  Grão,  Acádia, L&L e Colúmbia, que após fiscalização da Receita, as Torrefadoras  passaram a exigir que os antigos maquinistas, "que antigamente faziam uso da  nossa empresa para guiar o café, constituíssem empresas suas para guiar o  café". E assim, explicam, surgiram outras atacadistas, "que na verdade são  a  personificação  jurídica  dos  antigos  maquinistas".  Estas  novas  empresas  "passaram a fazer os mesmos atos que os Grandes Atacadistas, Torradores e  Exportadores, ou seja, comprar notas de pessoas jurídicas para acobertar as  compras  feitas  diretamente  dos  produtores,  já  que  os  Maquinistas,  só  compram  café  dos  produtores  rurais  de  suas  comunidades  locais"  (fls.  259/260, itens 6 e 7).  Claro está que as empresas fornecedoras da empresa, ora autuada, tais  como Do Grão, Acádia, L&L, Colúmbia e outras arroladas nestes autos, não  Fl. 17408DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.375          24 operam no mercado de compra­venda de café, mas atuam em outro 'mercado',  a  saber,  'mercado  de  compra­venda  de  nota  fiscal'.  Esta  conclusão  sobejamente demonstrada por farto suporte documental presente nos autos, é  constantemente ratificada nos depoimentos dos próprios envolvidos na fraude.  Veja, por exemplo, o depoimento (fls. 539/541) de Thiago de Resende Gava,  assistido por Advogado, sócio de fato da Colúmbia, admitindo que a W R da  SILVA  (para  quem  trabalhou)  " nunca  comprou  nem  vendeu  um  grão  de  café..", esclarecendo ainda a finalidade de toda a engrenagem montada:  "que  o  objetivo  das  operações  realizadas  desta  forma é proporcionar um ganho maior  para  as  empresas  exportadoras  e/ou  torrefadoras  de  café,  pois  se  fosse  emitida  nota  fiscal  do  produtor  rural  diretamente  para  as  empresas  exportadoras,  estas  não  teriam direito ao crédito de tributos de 9,25%  sobre  o  valor  da  compra  de  café. Que  alem  disso  as  empresas  exportadoras/torrefadoras  teriam  que  recolher  o  valor  referente  ao  FUNRURAL  sobre  a  nota  fiscal  do produtor  rural (..)"    Empresas como Nova Brasília, Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, V.  Munaldi, e outras funcionam como  'laranjas', termo, aliás, corriqueiramente  empregado  no  meio,  como  se  registra  no  depoimento  dos  corretores.  Por  exemplo, em seu depoimento Devanir Fernandes dos Santos "afirmou que as  empresas exportadoras e Indústrias, compradoras de café, para os as quais o  declarante  atua  como corretor  de  café,  tem pleno  conhecimento  de que  as  empresas  que  constam  nas  notas  fiscais  como  vendedoras  de  café  são  laranjas" (fl. 423, item 5).  Quanto ao preço da nota fiscal vendida, até final de 2003 era de 1%, o  valor de Hum Real por saca de café vigorou entre 2004 e 2006, pois conforme  explicaram  Do  Grão,  Acádia,  L&L  e  Colúmbia  "quando  abriram  muitas  empresas novas, o preço foi caindo'" para R$0,50 ou R$0,30 (v. fl. 259, item  5). Observar também o que declara a Colúmbia à fl. 32, item b: "para a nossa  empresa o que importa não é o preço da saca de café, mas sim a quantidade  de sacas, já que a nossa remuneração (é)pelo número de sacas".  A  face  financeira  da  simulação  consistiu,  conforme  demonstrou  a  Fiscalização,  quase  sempre  na  abertura  de  contas­correntes  pela  real  compradora  (Indústria  ou  exportadora,  por  exemplo,  Nicchio  Sobrinho)  em  nome  de  uma  "atacadista"  (por  exemplo,  V.  Munaldi),  mas  para  ser  movimentada  por  um  procurador,  corretor  ou  pelo  próprio  produtor  rural  (exemplo, Fernando Plantikow Neto):  Por exemplo, a conta n° 52.191­4 aberta em nome  da V. MUNALDI no SICOOB ­ unidade de BAIXO  GUANDÚ  ­  ES,  era  movimentada  pelo  produtor/maquinista  FERNANDO  PLATIKOW  NETO.  Indagada  sobre a origem dos depósitos na  citada conta da V. MUNALDI, Adriana Lopes Dal  Cól  Soares,  então  tesoureira  da  unidade  do  SICCOB, esclareceu que, em sua maioria, eram da  NICCHIO SOBRINHO (fl. 1709)(gn)  Fl. 17409DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.376          25 Às  fls.  1723/1724,  no  Termo  de  Encerramento  Fiscal,  há  uma  lista  fornecida  pela  própria  Colúmbia  de  contas­correntes  abertas  em  seu  nome,  mas movimentadas por outras pessoas.  Como prova documental (v. fl. 1731), a Fiscalização cita dois cadernos  contendo  anotações  de  Edson  Everaldo  Bortolozzo  (o  citado  Edinho),  comprador da Nicchio Sobrinho. No caderno de compra da Nicchio Sobrinho  aparecem  o  nome  do  produtor  rural  e  o  nome  da  empresa  "atacadista"  contratada para guiar o café, isto é, para vender a falsa nota fiscal. Observe­se  o  exemplo  destacado  à  fl.  1731,  onde  aparece  o  nome Mazolini  (produtor  rural)  seguida  do  n°  999  (pedido)  e  da  abreviação  "Col"  de  Colúmbia.  O  diálogo reproduzido na seqüência, fl. 1732), confirma a real compra e já fecha  a  simulação. No  caso  a  compra  é  do  produtor  rural Ocimar Gomes, mas  a  nota  fiscal  deveria  ser  da  Ypiranga.  No  diálogo  "Edinho"  da  Nicchio  Sobrinho adverte o corretor duas vezes, primeiro com a expressão "acorda" e  depois,  mas  diretamente,  com  "e  se  espalhar  já  sabe  que  acontece".  Os  diálogos mais  completos  encontram­se  reproduzidos às  fls.  904/908 e  estão  recheados de expressões análogas às citadas. No  trecho citado no Termo de  Encerramento Fiscal (fl. 1732) aparece o número do pedido (nv 112):  edinns (14:18:27): cafe do ocimar fica fechado  edinns (14:18:31): qual firma?  edinns (14:19:24): acorda  Sidnei VG (14:19:31): Ypiranga  edinns (14:19:38): nv 112  Sidnei VG (14:19:46): Agradecido...  edinns (14:19:57): e se espalhar ja sabe que acontece  Na  nota  fiscal  da  Nicchio  Sobrinho  aparece  todo  o  combinado  no  diálogo, vide sua reprodução à fl. 909. O suposto vendedor é a Ypiranga, mas  o  número  nv  112,  referente  ao  pedido  fechado  do  corretor  com  o  produtor  rural,  aparece  no  canto  inferior  esquerdo  do  engendrado  documento,  e  o  transportador  é  o  próprio  Ocimar  Gomes,  o  produtor  rural!  A  prova  da  simulação/dissimulação é cabal.  Entre outras provas documentais, há as planilhas de "controle diário  de  compras",  que  foram  anexadas  nos  e­mails  de  Edson  Bortolozzo  (o  Edinho) para os dirigentes da Nicchio Sobrinho. As planilhas encontram­se às  fls. 1103/1374 dos autos, e no relatório da Autoridade Fiscal conclui­se que:  Essas planilhas de compras foram anexadas aos emails e  encaminhadas por EDSON BORTOLOZZO aos dirigentes  da  empresa:  SÉRGIO  NICCHIO,  JORGE  NICCHIO,  MAXWEL  NICCHIO,  NICCHIO  JÚNIOR,  PEDRO  NICCHIO e  outros. É mais  um  tipo  de documento,  onde  restou,  portanto,  comprovado  que  os  dirigentes  da  empresa tinham pleno conhecimento acerca das compras  de  café  de  produtores/maquinistas  documentadas  com  notas de empresas laranjas. (gn)  Fl. 17410DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.377          26 Também  a  planilha  de  fl.  1594  demonstra  a  existência  da  operação  fictícia, pois ao lado da quantidade de sacas registra­se o valor de R$1,30, que  representa a aludida remuneração por saca do (pseudo) atacadista para "guiar"  o  café. As notas  fiscais  citadas na planilha  (2a  coluna)  simulam a  venda de  "PJ" para outra PJ, encobrindo a venda real do produtor rural para a PJ:  Por exemplo, a planilha mostra que no dia 26/05/2010 foi  emitida  a  nota  fiscal  n°  4843  com 180  sacas  de  café  ao  preço  unitário  de  R$234,00  para  a  NICCHIO  SOBRINHO,  referente  à  compra  NV  0684/10  ­  Confirmação  n°  0197/10.  Compulsando  a  nota  fiscal  n°  4843  ,  da  RODRIGO  SIQUEIRA,  que  fora  apresentada  pela NICCHIO SOBRINHO em atendimento à  intimação  fiscal,  verifica­se  que  se  trata  de  venda  de  Domingos  Perim que conduziu o seu próprio veículo de placa MPO  1651 até o armazém da NICCHIO SOBRINHO (fl. 1.613).  De documentos recebidos da Polícia Federal (fls. 224/225), a planilha  de saídas da Colúmbia (v. fl. 1759 e ss) para a Nicchio Sobrinho deixa claro  a  distinção  entre  o  vendedor  ficto  (a  própria  Colúmbia)  e  o  vendedor  real,  pessoa  física/produtor  rural. A origem da mercadoria  é o produtor  rural,  no  caso Edmar Muller, e o destino é a Nicchio Sobrinho. Edmar Muller, no  entanto,  declarou  que  sua  produção  é  negociada  diretamente  com Nicchio  Sobrinho, mas  que  em  determinado  ponto  era  efetuada  a  troca  das  notas  fiscais (fls. 304/305).  A Fiscalização comprovou que a própria Nicchio Sobrinho depositava  os  recursos  que  a  Colúmbia  necessitava  para  o  pagamento  exato  aos  produtores  rurais  (fls.  1765/1766).  Comparar  a  planilha  de  fl.  1764  (Razão  Analítico da própria Nicchio Sobrinho) com a planilha de fls. 1765/1766: É  curioso notar que a "venda" do café para a Colúmbia, e a "revenda" desta para  a  Nicchio  Sobrinho  eram  efetuadas  pelo  mesmo  preço,  situação  comercialmente muito heterodoxa.  Antonio Gava (já citado sócio da Colúmbia) confirmou a mecânica de  pagamentos  da Nicchio  Sobrinho  aos  produtores  rurais  e,  simultaneamente,  aos (pseudo) atacadistas (reproduzido parcialmente às fls. 1771/1772):  (...)  QUE,  para  pagar  a  NICCHIO  SOBRINHO,  mais  precisamente  para  os  sócios  SÉRGIO,  MAXUEL  e  JORGE, foi orientado por eles a vender nota fiscal, com  vistas a possibilitar o creditamento das contrubuições PIS  e  COFINS  por parte da empresa. QUE, esclarecendo melhor, passou  a  fornecer  a  nota  fiscal  de  sua  empresa,  em  virtude  da  compra  de  café  da  NICCHIO  SOBRINHO  diretamente  para o produtor; QUE, ficou acertado com os sócios da  NICCHIO  SOBRINHO  que  seria  abatida  da  dívida  de  R$0,80  a  R$1,00  por  saca  de  café  guiada  por  sua  empresa  (...).  QUE,  fazia  contatos  com  SÉRGIO,  MAXUEL  e  JORGE  por  telefone,  (...)  QUE,  para  pagamento  dos  produtores  rurais  de  café  adquirido  pela  empresa  NICCHIO  SOBRINHO,  os  sócios  dessa  empresa  depositavam os valores em uma conta da COLÚMBIA e  Fl. 17411DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.378          27 lhe  mandavam  posteriormente  uma  relação  dos  produtores  de  café  que  deveriam  ser  pagos,  com  os  respectivos montantes discriminados (...).  O  depoimento  resume  com  coerência  tudo  o  que  a  documentação  extensa  amealhada  pela Fiscalização  (e  também pela Polícia Federal  e  pelo  Ministério Público) e constante dos autos confirma.  Do  Ministério  Público  do  Espírito  Santo  ­  Grupo  GETPOT  ­  a  fiscalização recebeu e analisou um relatório financeiro correspondendo a uma  espécie de livro caixa ("caixa 2"), documento apreendido na Operação Acádia  deflagrada "com o objetivo de coibir sonegação fiscal de ICMS" (fl. 223), que  detalha ganhos das 'pseudo­empresas' Do Grão e L&L, Acádia e D'Cristo. O  documento  reproduzido  (fl.  1866)  mostra  que  a  receita  é  claramente  proveniente de venda de notas. O total de ganho no fechamento geral relativo  à Empresa Do Grão corresponde à diferença desses créditos (provenientes de  pessoas físicas) contra as despesas (nada a ver com compra de café) (vide fl.  3706).  Documento  ainda  mais  conclusivo  ­  se  isso  é  possível  ­  quanto  ao  efetivo uso do esquema pela Nicchio Sobrinho é o que transcreve conversas  efetuadas mediante MSN. Neste voto, parte de tais diálogos já foi citada. Um  dos  diálogos  é  travado  entre  funcionário  do  setor  financeiro  da  Nicchio  Sobrinho  e  o  corretor  Edson  Pancieri  Filho  da  Clonal  Corretora,  que  confirmou a conversa (fls. 432 e ss) e entregou o arquivo correspondente (fl.  435).  Ali  são  tratados  pagamentos  da  Nicchio  Sobrinho  a  produtor  rural.  Ocorre que o pagamento ali registrado (R$59.722,00) é depositado na conta  de WR da Silva (vide cópia do extrato do Razão analítico à fl. 1719) no valor  de R$59.800,00 (2 X 29.900); onde a diferença deve­se a quebra de peso (fl.  1719). Examine­se o que diz Weverton Rosa da Silva (WR DA SILVA):  Que a WR DA SILVA não é empresa comercial de café,  muito  menos  atacadista,  conforme  consta  no  contrato  social;  Que  na  verdade  a  WR  DA  SILVA  fornece  NOTA  FISCAL para guiar o café do PRODUTOR RURAL para  as  empresas  exportadoras  e  indústrias,  que  são  as  reais  compradoras do café dos produtores rurais;  Que pela operação de  fornecimento da nota  fiscal a WR  DA  SILVA  recebe  R$0,30  (trinta  centavos)  a  R$0,50  (cinqüenta centavos)por saca de café;  Que o declarante afirmou que as empresas exportadoras  e indústrias (para as quais a WR DA SILVA guia o café)  compram o café diretamente do produtor rural ou, mais  frequentemente,  por  intermédio  de  corretores  ou  corretoras;  O papel  fictício das  "atacadistas"  na negociação direta entre produtor  rural  e  a Nicchio Sobrinho  evidencia­se  em muitos  documentos  nos  autos.  Mas,  apenas  os  diálogos  transcritos  bastariam  para  refutar  a  tese  de  conspiração,  ainda  mais  que  se  compatibilizam  perfeitamente  com  todo  o  resto  do  conjunto  probatório,  inclusive  notas  fiscais,  pagamentos  via  transferências eletrônicas, e depoimentos de corretores e produtores rurais.  Fl. 17412DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.379          28 Ressalte­se que a mecânica desvendada pela Fiscalização extrapola os  limites  do  estado do Espírito Santo  e  atinge  outros membros  da Federação,  particularmente,  atinge  Minas  Gerais,  onde  as  autoridades  fiscais  também  diligenciaram  e  colheram  provas  que  apontam  para  a mesma  conclusão:  as  empresas  "atacadistas"  são  chamadas  no  último  ato  para  representar  a  cena  final, sem qualquer participação efetiva do ponto de vista comercial (capítulo  6, do Termo de Encerramento Fiscal, item 5.10).  Finalmente, a impugnante tenta fazer crer que não há liame algum entre  a  recorrente  e  algumas  empresas  atacadistas,  seus  fornecedores,  assim,  os  créditos derivados das aquisições destas empresas não poderiam ser glosados.  Alega que se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou  apresentaram  declarações  falsas  não  cabe  a  esta  qualquer  responsabilidade.  No  entanto,  a  alegação  não  procede  porquanto  a  caracterização  daqueles  fornecedores  como  empresa  atacadista  sem  capacidade  operacional,  com  existência  fantasmagórica  do  ponto  vista  fiscal,  mas  com  movimento  apreciável  de  recursos  restou  incontroverso. Além disso,  encontram­se  bem  definidas como empresas criadas com o propósito de vender nota fiscal, não  com o propósito de comercializar café, logo, não seria crível ­ contrariando o  que  afirma  seus  próprios  sócios  e  administradores  ­  que  teria  vendido  café  somente para a Nicchio Sobrinho.    Uma  vez  confessado  pelas  próprias  "atacadistas",  fornecedoras  da  contribuinte,  que  não  vendiam  café, mas  apenas  forneciam  nota  fiscal  para  uma operação eufemisticamente chamada de "guiar o café", conclui­se que a  correspondente compra do café pela contribuinte não passa de simples arranjo  documental com vistas a vantagens tributárias ilícitas. Em suma, se não houve  a venda conforme confessado ­ por quem podia confessar ­tampouco poderia  ter havido a compra, a contrario senso, estar­se ia diante de fenômeno único  no mundo  jurídico,  onde  uma  compra  não  se  conecta  com  sua  contraparte  lógica, a venda.  O  simples  fato  de  que  "comprou,  pagou  e  recebeu  a mercadoria",  o  que  seria  suficiente  para  garantir  o  crédito  de  PIS/Cofins,  na  forma  do  parágrafo  único  do  art.  82,  da  Lei  n°  9.430/96,  não  é  eficaz,  porquanto  a  Fiscalização investiga resposta à outra questão: "de quem ?". E as provas dos  autos  direcionam  para  a  resposta  de  que  "comprou,  pagou  e  recebeu  a  mercadoria" de produtor rural (pessoa física), não de pessoa jurídica, no que  pese  as  notas  fiscais  tenham  sido  construídas  para  mascarar  a  realidade,  fazendo  nelas  constar  "empresas"  sem  qualquer  vínculo  com  o mercado  de  café,  mas  criadas  para  participar  de  um  estratagema  de  ataque  à  Fazenda  Nacional.  No  quadro  probatório  assentado  têm­se  ainda  por  irrelevantes  as  alegações  da  inconformada  quanto  à  inexistência  de  declaração  de  inidoneidade/inaptidão das empresas fornecedoras; ao tempo em que efetuou  as  transações,  e  de  que  tomou  o  cuidado  de  verificar  a  regularidade  das  empresas  fornecedoras  no CNPJ  ou  Sintegra. As  alegações  são  irrelevantes  porque  independentemente  da  declaração  de  inaptidão,  em  ato  oficial  adequado emitido pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil, a  documentação  fiscal  pode  ser  considerada  como  tributariamente  ineficaz,  quando comprovado não ter havido a transação a que se refere, permitindo  concluir que os documentos apresentados mascaram uma aquisição fictícia de  Fl. 17413DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.380          29 mercadorias, impondo­se afastar a faculdade de a interessada calcular crédito  de PIS/Cofins na incidência não­cumulativa.  A  alegação  da  contribuinte  de  que  não  é  possível  concluir  que  teve  conhecimento  da  prática  ilícita  de  fornecedores  não  prevalece  diante  dos  depoimentos  e da  prova  robusta  reunida  pela Autoridade Fiscal. Da mesma  forma,  a  alegação  de  que  responsabilidade  solidária  aplica­se  somente  ao  sujeito  passivo,  decorre  de  lei  e  não  pode  ser  presumida  é  irrelevante,  pois  não  há  imputação  de  solidariedade.  Nem  a  Fiscalização  está  responsabilizando  a  autuada  por  tributos  que  não  foram  pagos  por  seus  fornecedores,  nem  está  aplicando  penalidade  por  infração  cometida  por  terceiros,  mas  essencialmente  glosou  créditos  da  não­cumulatividade,  que  entendeu indevidos, porque decorrentes de negócios inexistentes, meramente  simulados, enfim,  imputou responsabilidade por atos cometidos pela própria  autuada.  A infração tributária cometida, independente da repercussão penal dos  mesmos  atos,  consistiu  basicamente  em  se  apropriar  de  créditos  fiscais  indevidamente,  pois  já  se  explicou,  neste  voto,  que  a  compra  de  café  diretamente  de  pessoa  física  dá  ao  comprador  um  direito  de  crédito  presumido,  correspondente a 35% do crédito que  seria devido  se o negócio  fosse realizado com pessoa jurídica.  (...)  O  contribuinte,  em  seu  recurso  voluntário,  não  contestou  especificamente  nenhum destes argumentos. Como disse combateu genericamente a acusação de que  não  teria  provas  no  processo  de  sua  participação. A  única  questão  específica  que  argumentou  nesta  parte,  em  relação  à  decisão  recorrida,  é  que  ela  teria  utilizado  provas ilícitas, situação esta que já foi explicitada neste voto na análise da preliminar  de nulidade da decisão da DRJ.  Mérito  ­  Direito  à  Manutenção  do  Crédito  na  Aquisição  de  Café  das  Cooperativas.  Após  fazer  um  diagnóstico  bem  detalhado  das  aquisições  efetuadas  diretamente de pessoas físicas, produtores rurais de café, conforme tópico anterior, a  fiscalização concluiu que nestas aquisições a recorrente faz jus ao crédito presumido  do  PIS  e  Cofins  nos  termos  do  art.  8º  da  Lei  nº  10.925/2004.  Portanto,  nestas  aquisições de café in natura diretamente dos produtores rurais, mas com intermédio  da interposição fraudulenta de pseudo­atacadistas, a adquirente beneficia este café in  natura para venda no mercado externo. Conclui­se assim que o contribuinte exerce a  produção  agroindustrial,  consistente  no  exercício  cumulativo  das  atividades  de  padronizar, beneficiar, preparar e misturar  tipos de café para definição de aroma e  sabor  (blend)  ou  separar  por  densidade  dos  grãos,  com  redução  dos  tipos  determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no  código 09.01 da NCM (art. 6º da IN SRF nº 660/2006).  A  partir  daí,  ao  analisar  os  créditos  decorrentes  das  aquisições  de  café  oriundos  de  cooperativas  de  produção  rural,  a  fiscalização  conclui  que  as  vendas  deveriam ter sido efetuadas com suspensão da incidência do PIS e da Cofins e que o  contribuinte  somente  teria  direito  ao  crédito  presumido,  efetuando  a  glosa  dos  créditos integrais apropriados pelo recorrente. Assim se pronuncia a fiscalização:  (...)  Fl. 17414DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.381          30 Desse  modo,  a  NICCHIO  SOBRINHO  preenche  os  requisitos  estabelecidos  para  a  aplicação  da  suspensão  nas  compras  de  café  efetuadas  com as cooperativas, a saber:  a) apura IRPJ com base no lucro real;  b) exerce atividade agroindustrial definida no art. 6°, II; e  c) utiliza o café adquirido com suspensão como insumo na fabricação  de produtos de que trata o inciso I do art. 5°.  Portanto, efetuou­se a glosa dos créditos integrais sobre tais aquisições  e apurou­se o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004.  (...)  Em atendimento ao Termo de Início da Ação Fiscal, no qual o contribuinte foi  intimado a detalhar o seu processo produtivo, a empresa assim se pronunciou (fl. 6):  (...)  Item 2.7 ­ Informamos que a empresa é uma produtora na concepção da  lei, uma vez que em relação aos produtos classificados no código 0901.11.10  (Café em grãos), adota o exercício cumulativo das atividades de padronizar,  beneficiar, preparar e misturar  tipos de café para definição de aroma e sabor  (blend)  e  separar  por  densidades  de  grãos,  com  redução  dos  tipos  determinados pela classificação oficial.  (...)  Agora, após o lançamento consumado, o contribuinte quer alterar totalmente a  realidade  antes  afirmada. Agora  ele  não  é mais  um  típico  beneficiador  de  café  na  concepção  da  lei. De  forma  inusitada  ele  agora  já  adquire  o  grão  beneficiado  e  é  somente um revendedor de café que nesta condição não tem mais direito ao crédito  presumido e sim ao crédito integral. Que sua principal atividade é a revenda de café  já beneficiado. Para tanto traz como prova, uma amostra das notas de aquisição das  cooperativas, nas quais não consta o carimbo  indicativo da  suspensão do PIS e da  Cofins. Junto com esta pretensa prova, apresenta como se fosse uma realidade óbvia  do mercado as  três etapas da comercialização do café: 1ª) a compra do produto  in  natura; 2ª ) o beneficiamento transformando o café in natura em "café cru em grão";  e 3º) a revenda do "café cru em grão" pela recorrente no máximo exercendo sobre o  produto  algum  rebeneficiamento,  o  qual  não  atingiria  as  condições  cumulativas  previstas  no  art.  6º  da  IN  SRF  nº  660/2006.  Contrariando  o  que  declarou  expressamente, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, agora ele afirma que  atua na 3ª etapa, o que caracteriza simples revenda. Muito oportuno esta mudança,  não fosse uma necessidade essencial de fazer prova efetiva em seu favor.  O ônus da prova, na  caso é do contribuinte, primeiro porquê  ele altera uma  realidade  antes  por  ele  afirmada  e  confirmada  pela  fiscalização.  Segundo  porque  estamos falando de apuração de crédito de PIS e Cofins, cuja certeza e liquidez deve  ser comprovada por quem afirma. Veja o que dispõe os art. 333, inc. I do CPC e 170  do CTN:  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I  ­  ao  autor,  quanto  ao  fato  constitutivo  do  seu  direito;  Fl. 17415DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.382          31 (...)  Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  pública.(destaquei)  Quanto ao que ele diz ser as  três etapas do processo produtivo do café, não  vejo qualquer óbice de que qualquer contribuinte, ou membro da cadeia produtiva do  café,  realize as  três conjuntamente, ou somente duas delas, ou até mesma uma em  cada elo. Esta situação relatada como óbvia, da realidade do mercado, longe de ser  um elemento de prova contundente, não passa de uma afirmação banal, que não traz  nenhuma utilidade que possa alterar a realidade fática e a consequente utilização da  legislação tributária.  Portanto, entendo correta a apuração realizada pela fiscalização e confirmada  pelo acórdão recorrido. Vejamos o que diz a  legislação a respeito da suspensão do  PIS e Cofins e o consequente aproveitamento do crédito presumido.   Lei nº 10.925/04  Art.  9o A  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de  venda:      (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.051,  de  2004)         I  ­  de  produtos  de  que  trata  o  inciso  I  do  §  1o do  art.  8o desta  Lei,  quando  efetuada  por  pessoas  jurídicas  referidas  no  mencionado  inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)      II  ­  de  leite  in  natura,  quando  efetuada  por  pessoa  jurídica  mencionada  no  inciso  II  do  §  1o do  art.  8o desta  Lei;  e (Incluído  pela  Lei  nº  11.051, de 2004)      III  ­  de  insumos  destinados  à  produção  das  mercadorias  referidas  no  caput  do  art.  8o desta  Lei,  quando  efetuada  por  pessoa  jurídica  ou  cooperativa  referidas  no  inciso  III  do  §  1o do  mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051,  de 2004)      §  1o O  disposto  neste  artigo: (Incluído  pela  Lei nº 11.051, de 2004)      I  ­  aplica­se  somente  na  hipótese  de  vendas  efetuadas  à  pessoa  jurídica  tributada  com  base  no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de  2004)      II  ­ não se aplica nas vendas efetuadas pelas  pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do  Fl. 17416DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.383          32 art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de  2004)      §  2o A  suspensão  de  que  trata  este  artigo  aplicar­se­á  nos  termos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  ­ SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de  2004) (Destaquei)  Da leitura desse dispositivo, entendo que a suspensão não é uma mera opção  dos  contribuintes,  ao  contrário,  estando  atendidas  as  condicionantes  impostas  pela  lei, a suspensão do PIS e Cofins é obrigatória. Note que o § 2º da Lei autoriza que a  Secretaria  da  Receita  Federal  estabeleça  termos  e  condições  para  aplicação  da  suspensão. Neste sentido foi editada a IN SRF nº 660/2006, a qual regulamentou a  suspensão das contribuições e o aproveitamento do crédito presumido. Para melhor  clareza, transcreve se abaixo trechos essenciais da referida instrução normativa:  DO ÂMBITO DE APLICAÇÃO  Art.  1º Esta  Instrução  Normativa  disciplina  a  comercialização  de  produtos  agropecuários  na  forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº10.925, de 2004.  DA  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DAS  CONTRIBUIÇÕES   DOS PRODUTOS VENDIDOS COM SUSPENSÃO  Art.  2º Fica  suspensa  a  exigibilidade  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente  da venda:  I  ­  de  produtos  in  natura  de  origem  vegetal,  classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul  (NCM) nos códigos:  a)  10.01  a  10.08,  exceto  os  códigos  1006.20  e  1006.30;  b) 12.01 e 18.01;  II ­ de leite in natura;  III  ­  de  produto  in  natura  de  origem  vegetal  destinado  à  elaboração  de  mercadorias  classificadas no código 22.04, da NCM; e  IV ­ de produtos agropecuários a serem utilizados  como  insumo  na  fabricação  dos  produtos  relacionados no inciso I do art. 5º.  § 1º Para a aplicação da suspensão de que  trata o  caput,  devem  ser  observadas  as  disposições  dos  arts. 3º e 4º.  Fl. 17417DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.384          33 § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas  com  suspensão,  deve  constar  a  expressão  "Venda  efetuada  com  suspensão  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS",  com  especificação  do  dispositivo legal correspondente.  DAS  PESSOAS  JURÍDICAS  QUE  EFETUAM  VENDAS COM SUSPENSÃO  Art.  3º A  suspensão  de  exigibilidade  das  contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente  as vendas efetuadas por pessoa jurídica:  I  ­  cerealista,  no  caso  dos  produtos  referidos  no  inciso I do art. 2º;  II  ­  que  exerça  cumulativamente  as  atividades  de  transporte,  resfriamento  e venda a granel,  no caso  do produto referido no inciso II do art. 2º; e  III  ­  que  exerça  atividade  agropecuária  ou  por  cooperativa de produção agropecuária, no caso dos  produtos de que  tratam os  incisos  III e IV do art.  2º.  § 1º Para os efeitos deste artigo, entende­se por:  I  ­  cerealista,  a  pessoa  jurídica  que  exerça  cumulativamente  as  atividades  de  limpar,  padronizar, armazenar e comercializar produtos  in  natura  de  origem  vegetal  relacionados  no  inciso  I  do art. 2º;  II  ­ atividade agropecuária, a atividade econômica  de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e  outros  animais,  nos  termos  do  art.  2º da  Lei  nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e  III  ­  cooperativa  de  produção  agropecuária,  a  sociedade  cooperativa  que  exerça  a  atividade  de  comercialização  da  produção  de  seus  associados,  podendo  também  realizar  o  beneficiamento  dessa  produção.    § 2º Conforme determinação do inciso II do § 4º do  art.  8º e  do  §  4º do  art.  15  da  Lei  nº 10.925,  de  2004, a pessoa jurídica cerealista, ou que exerça as  atividades  de  transporte,  resfriamento  e  venda  a  granel  de  leite  in  natura,  ou  que  exerça  atividade  agropecuária  e  a  cooperativa  de  produção  agropecuária,  de  que  tratam  os  incisos  I  a  III  do  caput,  deverão  estornar  os  créditos  referentes  à  incidência não­cumulativa da Contribuição para o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  quando  decorrentes  da  aquisição  dos  insumos  utilizados  nos  produtos  Fl. 17418DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.385          34 agropecuários  vendidos  com  suspensão  da  exigência das contribuições na forma do art. 2º.  § 3º No caso de algum produto relacionado no art.  2º também  ser  objeto  de  redução  a  zero  das  alíquotas  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  nas  vendas  efetuadas  à  pessoa  jurídica  de  que  trata  o  art.  4º prevalecerá  o  regime  de  suspensão,  inclusive com a aplicação do § 2º deste  artigo.  DA APLICAÇÃO DA SUSPENSÃO  Art.  4º Aplica­se  a  suspensão  de  que  trata  o  art.  2º somente  na  hipótese  de,  cumulativamente,  o  adquirente:  I  ­ apurar  o  imposto  de  renda  com base no  lucro  real;  II  ­  exercer  atividade  agroindustrial  na  forma  do  art. 6º; e  III  ­  utilizar  o  produto  adquirido  com  suspensão  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  de  que  tratam os incisos I e II do art. 5º.  (...)  § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for  destinada à revenda.  DO  CRÉDITO  PRESUMIDO DO  DIREITO  AO  DESCONTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS  Art.  5º A  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade  agroindustrial,  na  determinação  do  valor  da  Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar  no  regime  de  não­cumulatividade,  pode  descontar  créditos  presumidos  calculados  sobre  o  valor  dos  produtos  agropecuários  utilizados  como  insumos  na fabricação de produtos:  I  ­  destinados  à  alimentação  humana  ou  animal,  classificados na NCM:  a)  no  capítulo  2,  exceto  os  códigos  02.01,  02.02,  02.03,  0206.10.00,  0206.20,  0206.21,  0206.29,  0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1;  b) no capítulo 4;  c)  nos  códigos  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99;  Fl. 17419DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.386          35 d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; (Redação original)  e) nos códigos 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09  e  2209.00.00;   f) no capítulo 23, exceto o código 23.09.90.  g)  no  capítulo  3,  exceto  os  produtos  vivos  deste  capítulo;  h) no capítulo 16;  II ­ classificados no código 22.04, da NCM.  §  1º O  direito  ao  desconto  de  créditos  presumidos  na  forma  do  caput  aplica­se,  também,  à  sociedade  cooperativa que exerça atividade agroindustrial.  § 2º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os  incisos  I  a  III  do  caput  do  art.  3º a  utilização  de  créditos presumidos na forma deste artigo.  §  3º Aplica­se  o  disposto  neste  artigo  também  em  relação  às  mercadorias  relacionadas  no  caput  quando, produzidas pela própria pessoa jurídica ou  sociedade  cooperativa,  forem  por  ela  utilizadas  como insumo na produção de outras mercadorias.  DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL  Art.  6º Para  os  efeitos  desta  Instrução  Normativa,  entende­se por atividade agroindustrial:  I  ­  a  atividade  econômica  de  produção  das  mercadorias  relacionadas  no  caput  do  art.  5º,  excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da  Lei nº 8.023, de 1990; e  II  ­  o  exercício  cumulativo  das  atividades  de  padronizar,  beneficiar,  preparar  e  misturar  tipos  de café para definição de aroma e sabor (blend) ou  separar por densidade dos grãos, com redução dos  tipos  determinados  pela  classificação  oficial,  relativamente aos produtos classificados no código  09.01 da NCM.  DOS  INSUMOS  QUE  GERAM  CRÉDITO  PRESUMIDO  Art.  7º  Geram  direito  ao  desconto  de  créditos  presumidos  na  forma  do  art.  5º,  os  produtos  agropecuários:  I  ­  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  com  suspensão  da  exigibilidade  das  contribuições na forma do art. 2º;  Fl. 17420DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.387          36 II  ­  adquiridos  de  pessoa  física  residente  no  País;  ou  III  ­  recebidos  de  cooperado,  pessoa  física  ou  jurídica, residente ou domiciliada no País.  (...)  Verifica­se  que  a  Instrução  Normativa  editada  pela  Receita  Federal,  em  atendimento à exigência do § 2º do art. 9º da Lei nº 10.925/2004, estabeleceu alguns  regramentos  para  o  cumprimento  da  suspensão  nas  aquisições  de  café  para  beneficiamento  e  fica  evidente  que  a  suspensão  na  aquisição  era  obrigatória  da  simples  leitura do  seu  art. 4º  acima  transcrito,  pois  a  recorrente preenche  todas  as  suas condições conforme constatou a fiscalização. A ausência da expressão "Venda  efetuada  com  suspensão  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS"  em  algumas das notas fiscais de aquisição não são suficientes para fazer prova de que o  produto  não  foi  adquirido  com  suspensão.  Pode  ter  havido  somente  um  descumprimento de uma obrigação acessória, a qual a recorrente poderia ter exigido  a sua correção no momento do recebimento da mercadoria.   Em  seu  recurso  o  contribuinte  afirma  "da  impossibilidade  jurídica  de  aproveitamento do crédito presumido em duplicidade na cadeia do café". Em síntese  aduz que tendo a cooperativa já aproveitado do crédito presumido nas aquisições do  café  do  produtor  rural  este  crédito  só  pode  ser  aproveitado  uma  vez,  cabendo  o  crédito  integral  para  a  recorrente  que  adquiriu  o  café  da  cooperativa.  Correta  a  primeira  afirmação  de  que  não  há  previsão  legal  para  aproveitamento  do  crédito  presumido  em  duplicidade.  Isto  decorre  da  própria  sistemática  do  sistema  de  créditos. No caso o § 2º do art. 3º da  IN nº 660/2006, acima  transcrito, prevê que  nestas situações, quando a cooperativa utilizou­se do crédito presumido na aquisição  do produtor rural e efetuou a venda com suspensão, caso dos autos, ela deve estornar  estes  créditos  apropriados  na  aquisição.  Portanto  a  segunda  afirmação  não  é  verdadeira de que a recorrente poderia apropriar­se integralmente do crédito de PIS  e Cofins.   Assim correta a glosa dos créditos integrais apropriados pelo contribuinte e a  manutenção do crédito presumido apropriado pela fiscalização.  Mérito ­ Multa Qualificada de 150%  Neste ponto o contribuinte afirma que não há prova de fraude ou dolo, e, além  disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do não­confisco.  Penso  que  a  questão  da  existência  de  fraude  ou  dolo  já  foi  enfrentada  na  questão  de mérito  inicial,  pois  a  exigência  do  presente  lançamento  só  se  sustenta  ante  a  comprovação  da  prática  simulatória  de  adquirir  o  produto  diretamente  de  produtores  rurais  com  a  inserção  fictícia  do  pseudo­atacadista.  O  dolo  restou  caracterizado e enseja a qualificação da penalidade nos exatos termos do art. 44, § 1º  da Lei nº 9.430/96.  Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas as seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade ou diferença de imposto ou contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  Fl. 17421DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.388          37 inexata; (Vide  Lei  nº  10.892,  de  2004) (Redação  dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   (...)  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I  do  caput  deste  artigo  será  duplicado  nos  casos  previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502, de 30  de novembro de 1964, independentemente de outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.(Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  2007)  Por sua vez assim dispõe a Lei nº 4.502/64:   Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade fazendária:      I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária principal, sua natureza ou circunstâncias  materiais;      II  ­  das  condições  pessoais  de  contribuinte,  suscetíveis  de  afetar  a  obrigação  tributária  principal ou o crédito tributário correspondente.      Art  . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  impôsto  devido  a  evitar ou diferir o seu pagamento.      Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou  mais  pessoas  naturais  ou  jurídicas,  visando  qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.  O procedimento sistemático de contribuir para a emissão dessas notas fiscais e  depois  se  utilizar  dos  créditos  básicos  do  PIS  e  Cofins,  que  como  se  sabe  são  superiores ao crédito presumido a que faz jus (este foi reconhecido pela fiscalização,  cabe ressaltar), caracteriza o dolo, consistente na intenção de impedir ou ao menos  retardar o conhecimento, por parte do Fisco, de todas as características essenciais do  fato gerador, com vistas a reduzir o montante do tributo devido e evitar ou diferir o  seu pagamento. Daí a fraude, cominada com a multa no percentual de 150%.   Quanto à argumentação de inconstitucionalidade da norma em decorrência do  suposto  caráter  confiscatório  da  multa  aplicada,  é  necessário  lembrar  que  este  Conselho  não  é  competente  para  se  pronunciar  a  este  respeito,  conforme  Súmula  CARF nº 2:  Súmula  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária.  Fl. 17422DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.389          38 Pedido de Diligência  O  contribuinte  insiste  na  realização  de  diligência  para  "i)  conferir  todas  as  compras  da  RECORRENTE,  sobretudo  as  notas  fiscais  dos  fornecedores,  ii)  os  comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente  das empresas, bem como iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café  nas Receitas Federal e Estadual, no período em que ocorreram aquisições de bens".  Segundo  a  defesa  a  diligência  também  seria  importante  para  "conferência  da  legalidade  das  aquisições provenientes  do  estado  de Minas Gerais,  principalmente  do Município de Manhuaçu".  Também neste caso concordo com a decisão recorrida. No meu entendimento  as questões que o contribuinte colocam para  ser diligenciadas não são pertinentes,  pois já estão exaustivamente demonstradas no lançamento fiscal, ou por intermédio  de sua defesa. Não há nenhum questionamento quanto à existência das notas fiscais  emitidas  pelos  fornecedores. A  fiscalização  reconhece  a  sua  existência  tendo  sido  elas utilizadas para o cálculo matemático das glosas e dos lançamentos ­ sendo que o  contribuinte não impugnou qualquer questão relativa a estes cálculos, restringindo a  discussão somente quanto ao direito ao crédito. Da mesma forma não há relevância  quanto a existência dos pagamentos, depósitos bancários e cadastro ativo ou não nas  Receitas Federal  e Estadual. De  igual  forma a  fiscalização não negou a existência  dos  pagamentos,  depósitos  bancários  e  as  situações  cadastrais.  Assim  também  a  fiscalização não diferenciou os tipos de operações em conformidade com o local de  sua aquisição, seja em Colatina, Manhuaçu ou outro município qualquer.  Em  conclusão  nego  o  pedido  de  diligência  por  entender  que  constam  dos  autos todos os elementos necessários para realizar o julgamento.  Multas Isoladas  Observa­se  que  não  houve  impugnação  específica  quanto  à  aplicação  das  multas  isoladas em decorrência da não homologação das compensações declaradas  ou do indeferimento dos pedidos de ressarcimento. Certo que se no mérito as glosas  e o próprio lançamento fossem afastados haveria também o consequente afastamento  destas multas, o que não é o caso.   Porém, embora não contestadas especificamente no recurso voluntário, parte  das multas  isoladas  foram  aplicadas  com base  nos  § 15  e  16  do  art.  74  da Lei nº  9.430/96. Estes  dispositivos  legais  foram  revogados  pelo  art.  27,  inc.  II  da Lei  nº  13.137/2015, retirando tal penalidade do ordenamento jurídico. Desta forma entendo  que a aplicação desta penalidade deve ser excluída do lançamento tributário, em face  do disposto no art. 106, inc. II, "a" do CTN.  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa,  excluída  a  aplicação  de  penalidade  à  infração dos dispositivos interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido  Fl. 17423DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720367/2012­89  Acórdão n.º 3301­002.786  S3­C3T1  Fl. 17.390          39 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento  de tributo;  c)  quando  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.  Portanto,  diante  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário, somente para afastar a exigência das multas isoladas aplicadas com base  nos § 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mantendo intacto o restante do crédito  tributário exigido no presente processo.  (...)  (Fim da transcrição do voto)  Portanto, pelas mesmas razões do voto proferido no processo de lançamento  fiscal  nº  10783.720371/2012­47,  acima  transcrito,  voto  por  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário para manter o indeferimento do ressarcimento solicitado e a não homologação das  compensações correspondentes.  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator                                Fl. 17424DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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6249558 #
Numero do processo: 10611.001042/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 09/08/2002 a 02/03/2006 PREJUDICIAL DE MÉRITO. INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO DA RFB. QUESTÃO SUPERADA NO JULGAMENTO DE SEGUNDO GRAU. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO ÓRGÃO DE JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU PARA APRECIAÇÃO DAS QUESTÕES DE MÉRITO. POSSIBILIDADE. Uma vez superada a prejudicial de mérito, para que não se configure a supressão de instância, os autos devem retornar ao órgão de julgamento de primeira instância, para que novo julgamento seja realizado, com vistas à apreciação das questões de mérito suscitadas na peça impugnatória, que não foram analisadas no julgado recorrido. DRAWBACK FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR (SECEX) E SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (RFB). INEXISTÊNCIA. No âmbito do regime aduaneiro drawback, incluindo a modalidade fornecimento no mercado interno, inexiste conflito de competência na atuação da Secex e da RFB, porque a primeira atua na concessão do regime enquanto que a segunda fiscaliza a correta aplicação do regime, inclusive a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela beneficiária, dos requisitos e condições fixados ato concessório e na legislação de regência.
Numero da decisão: 3201-001.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 21.237          1 21.236  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10611.001042/2009­70  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  3201­001.816  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de novembro de 2014  Matéria  DRAWBACK SUSPENSÃO  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  SMS SIEMAG EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA              ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Período de apuração: 09/08/2002 a 02/03/2006  DRAWBACK  SUSPENSÃO.  FISCALIZAÇÃO  DOS  REQUISITOS  DO  REGIME.  COMPETÊNCIA  DA  AUTORIDADE  FISCAL  DA  SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. POSSIBILIDADE.  O  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  tem  competência  para  fiscalizar  o  cumprimento  dos  requisitos  do  regime  de  drawback  na  modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário,  sua  exclusão  em  razão  do  reconhecimento  de  beneficio,  e  a  verificação,  a  qualquer  tempo,  da  regular  observação,  pela  importadora,  das  condições  fixadas na legislação pertinente (Súmula CARF nº 100).  DRAWBACK FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. CONFLITO  DE COMPETÊNCIA ENTRE SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR  (SECEX) E SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (RFB).  INEXISTÊNCIA.  No  âmbito  do  regime  aduaneiro  drawback,  incluindo  a  modalidade  fornecimento  no  mercado  interno,  inexiste  conflito  de  competência  na  atuação da Secex e da RFB, porque a primeira atua na concessão do regime  enquanto que a  segunda  fiscaliza a correta aplicação do  regime,  inclusive a  verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela beneficiária, dos  requisitos e condições fixados ato concessório e na legislação de regência.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 09/08/2002 a 02/03/2006  PREJUDICIAL  DE  MÉRITO.  INCOMPETÊNCIA  DA  FISCALIZAÇÃO  DA  RFB.  QUESTÃO  SUPERADA  NO  JULGAMENTO  DE  SEGUNDO  GRAU. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO  ÓRGÃO  DE  JULGAMENTO  DE  PRIMEIRO  GRAU  PARA  APRECIAÇÃO DAS QUESTÕES DE MÉRITO. POSSIBILIDADE.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 10 42 /2 00 9- 70 Fl. 21237DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     2 Uma  vez  superada  a  prejudicial  de  mérito,  para  que  não  se  configure  a  supressão de  instância,  os  autos devem  retornar  ao órgão de  julgamento de  primeira  instância,  para  que  novo  julgamento  seja  realizado,  com  vistas  à  apreciação das questões de mérito suscitadas na peça impugnatória, que não  foram analisadas no julgado recorrido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  JOEL MIYAZAKI ­ Presidente.   CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Joel  Miyazaki  (presidente), Winderley Morais  Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento  e  Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras.    Relatório  Por  bem descrever  a matéria  de que  trata  este  processo,  adoto  e  transcrevo  abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida.   Trata­se  de  autos  de  infração  referentes  a  Imposto  de  Importação  (II),  Imposto  sobre Produtos  Industrializados  (IPI),  COFINS­Importação  e  PIS/PASEP­Importação,  lavrados  em  decorrência  de  a  fiscalização  ter  considerado  descumprido  o  regime  aduaneiro  especial  Drawback  Suspensão  –  Fornecimento  no  Mercado  Interno,  em  relação  aos  Atos  Concessórios  (AC)  a  seguir  identificados.  O  lançamento  abrangeu  as Declarações  de  Importação  (DI’s)  relacionadas  a  fls.  1060/1620  e  1853/1918,  e  totalizou  R$  49.969.134,34  à  época de sua formalização, sendo que a razão social da autuada  foi  posteriormente  alterada  para  SMS  SIEMAG  EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA.  AC Nº BEM A SER PRODUZIDO DESTINATÁRIO  2002.0025831  Laminador  a  Frio  e  Linha  de  Decapagem  CSNIMSA Aços Revestidos S/A (*)  2004.0258718  Convertedor  Companhia  Siderúrgica  TubarãoCST (**)  (*)  Incorporada  pela CISA,  que  por  sua  vez  foi  incorporada  à  Companhia Siderúrgica Nacional CSN  (**) Hoje, Arcelormittal Tubarão Comercial S/A  Em relação ao AC nº 2002.0025831, consta nos autos o pedido  de  baixa,  junto  com  o  Relatório  Unificado  de  Drawback  (fls.  Fl. 21238DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.238          3 864892)  ;  a  tradução  da  Proposta  Comercial  Consolidada,  elaborada pela SMS DEMAG AG (fls. 821836), e dos contratos  de financiamento externo firmados (KfW: fls. 893988; EDC: fls.  11081159;  e  BNDES:  fls.  11601179)  ;  o  extrato  das  DI’s  vinculadas (fls. 11802186) ; e cópia das Notas Fiscais referentes  ao fornecimento dos equipamentos à CSN (fls. 2187/2188).  Quanto ao AC nº 2004.0258718, consta a tradução da Proposta  Comercial  Consolidada,  formulada  pelo  SMS  GROUP  (fls.  22332261), e dos contratos de  financiamento externo aplicados  (KfW – fls. 22652336 e EIB – 23382390) ; o pedido de baixa e o  Relatório Unificado de Drawback  (fls.  23952419)  ;  extrato das  DI’s  vinculadas  (fls.  24202511)  ;  e  cópia  da  Nota  Fiscal  referente ao fornecimento do equipamento à CST (fls. 2512).  DA AUTUAÇÃO  A fiscalização registrou os exames realizados, os fatos apurados  e  a  legislação  aplicável  em  detalhado  Relatório  de  Auditoria  Fiscal,  que  é  parte  integrante  dos  Autos  de  Infração  (fls.  576669).  O  Relatório  foi  dividido  em  itens,  dentre  os  quais  serão  comentados  os  que  interessam  diretamente  à  solução  da  lide.  Observa­se que os termos e expressões destacados reproduzem a  forma como os fatos foram apresentados pela autoridade fiscal.  3. ASPECTO LEGAL  Nesse item a autoridade lançadora discorre sobre a competência  dos órgãos envolvidos na concessão e na fiscalização do regime  em foco, esclarecendo que a atuação de cada um deles é definida  na  legislação  específica  que  regula  o  Drawback  Suspensão,  inclusive  no  Regulamento  Aduaneiro.  A  fiscalização  concluiu  que  não  há  nenhuma  dúvida  quanto  às  atribuições  de  cada  órgão, considerando que:  É  complementar  o  trabalho  da  SECEX  e  da  SECRETARIA  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL,  uma  cuida  da  concessão e a outra da fiscalização, constituição e cobrança dos  impostos e contribuições e a aplicação de penalidade.  Em  seguida  consta  longa  explanação  sobre  o  conceito  e  a  finalidade  dos  regimes  aduaneiros  especiais,  bem  como  da  legislação  a  eles  aplicável.  Foi  ressaltado  que  nesses  regimes  são  aplicáveis  as  disposições  do  art.  111,  I∙,  do  Código  Tributário Nacional  (CTN),  no  tocante  à  interpretação  restrita  da legislação aplicável, e arremata:  [...]  a  concessão  e  utilização  do  benefício  do  REGIME  ADUANEIRO  ESPECIAL  DE  DRAWBACK  –  modalidade  SUSPENSÃO  –  sub­modalidade  FORNECIMENTO  MERCADO  INTERNO  somente  poderá  ser  efetivada  com  plena observância do art. 78 do Decreto­Lei nº 37/66 e art. 5º da  Lei nº 8.032/90 com redação dada pela Lei nº 10.184/2001 e com  regulamentação  expressa  nos  arts.  335  e  336  do  Decreto  nº  Fl. 21239DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     4 4.543/2002 (antigo Regulamento Aduaneiro – RA e nos arts. 383  e 384 do atual RA aprovado pelo Decreto 6.759/09).  Em  relação  à  legislação  editada  pela  SECEX/DECEX  (Departamento  de Comércio  Exterior),  a  autoridade  lançadora  informou  que,  devido  aos  Atos  Concessórios  analisados  terem  sido  emitidos  em  momentos  distintos  (AC  nº  2002.0025831:  21/2/2002  e  AC  nº  2004.0258718:  3/1/2005),  submetem­se  a  regras  específicas.  O  primeiro  foi  emitido  sob  a  vigência  do  Comunicado DECEX n° 21, de 11/7/1997 (DOU de 23/7/1997), e  o  segundo  da  Portaria  SECEX  nº  14,  de  17/11/2004  (DOU  de  23/11/2004).  4. DAS AÇÕES DA FISCALIZAÇÃO  Nessa parte do Relatório é  feita  exposição  sobre as  intimações  realizadas  e  o  atendimento  delas,  por  meio  do  qual  foram  esclarecidos  aspectos  como  a  sistemática  de  licitação  e  contratação das obras, os financiamentos externos utilizados, as  importações  realizadas  ao  amparo  do  regime,  inclusive  a  modalidade de desembolso dos recursos para pagamento delas,  o fornecimento dos bens finais no mercado interno, entre outros.  4.3 CONSTATAÇÕES  Com  base  nas  informações  obtidas  junto  às  empresas  diretamente  envolvidas  na  operacionalização  do  regime  (DEMAG, CSN e CST), a fiscalização elaborou tópico específico  para registrar suas conclusões (fls. 625650), no qual demonstra  que  as  licitações  internacionais  referentes  a  ambos  os  Atos  Concessórios em tela foram realizadas por meio de cartaconvite,  e  que  não  foi  apresentado  nenhum  outro  documento  de  divulgação dos certames, consoante trecho do Relatório a seguir  reproduzido:  A DEMAG não apresentou nenhum documento de divulgação  da  Licitação  e  apenas  informou,  para  os  dois  Atos  Concessórios:  “ACs  2002.0025831  (projeto  CISA)  e  2004.0258718  (projeto  CST/Convertedor #3):  Ambas  as  licitações  foram  divulgadas  aos  respectivos  participantes  por  meio  das  cartas­convite  acima  referida.”  (negritamos)  No tocante às importações vinculadas ao regime, a fiscalização  efetuou  o  levantamento  do  total  de  tributos  suspensos,  que  atingiu R$ 19.108.438,51, e informou que todas foram realizadas  dentro do período de  validade dos Atos Concessórios,  os quais  foram  registrados  no  campo  “Dados  Complementares”  das  respectivas  Declarações  de  Importação  (DI’s)  vinculadas.  Quanto ao pagamento das importações foi afirmado que:  Atendendo a nossa intimação – fls. nºs 671/673; 690 e 692/694,  no  tocante  aos  pagamentos  das  importações,  a  DEMAG  em  13/03/09, fls. nºs 704/709, assim se manifestou:  Fl. 21240DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.239          5 “O pagamento de 85% das importações, cujo percentual segue  as  políticas  de  crédito  definidas  pelos  bancos  governamentais,  com recursos liberados pelo KfW e EDC deu­se diretamente no  exterior,  sem  o  trânsito  físico  de  recursos  pelo  país,  em  conformidade  com  os  procedimentos  de  desembolsos  estabelecidos nos respectivos contratos. Esta situação, note­se, é  autorizada  pela  legislação  cambial  brasileira,  e  não  prejudica  a  natureza de operação de ‘crédito externo’ atribuída aos contratos  firmados com o KfW e EDC." (negritamos)  Em relação ao fornecimento dos bens finais no mercado interno,  a  fiscalização  informou  que  foi  apresentada  cópia  da  documentação referente à entrega deles e que a beneficiária do  regime  apresentou  cópias  das  primeiras  vias  das  notas  fiscais  referentes  ao  fornecimento,  que  foram  emitidas  nos  períodos  a  seguir indicados:  AC nº 2002.0025831 – entre 16/9/2002 a 14/12/2004  AC nº 2004.0258718 – entre 12/7/2005 a 30/8/2006  Sobre o exame quanto a esse aspecto foi dito ainda que:  A este, com fins de melhor informar, juntamos apenas, às fls. nº  1621/1622, cópias das notas fiscais­faturas nºs 000389 e 000498,  relativamente às remessas parciais da Linha de Decapagem e do  Laminador, respectivamente.  [...]  Da  mesma  forma,  juntamos  apenas,  à  fl.  1919,  cópia  da  nota  fiscal­fatura nº xxxx, relativa à remessa parcial do Convertedor.  Ainda  em  relação  ao  fornecimento  no  mercado  interno,  no  Relatório de Auditoria tem um tópico específico para registrar a  vistoria física dos equipamentos, em que consta, inclusive, fotos  deles nas instalações da CSN e da CST.  Em  seguida,  a  fiscalização  abre  um  tópico  denominado  “O  REAL BENEFICIÁRIO DOS ATOS CONCESSÓRIOS”, no  qual demonstra que a empresa SMS DEMAG AG, controladora  alemã  da  beneficiária  do  regime,  foi  quem  mais  se  beneficiou  dos  Atos  Concessórios  em  comento,  pois  forneceu  a  quase  totalidade  dos  bens  importados  ao  amparo  do  regime.  A  fiscalização aduz que, embora os Atos Concessórios sob exame  tenham  sido  concedidos  à  SMS  DEMAG  LTDA,  na  Proposta  Comercial Consolidada constam as seguintes disposições:  1. DEFINIÇÕES  [...]  CONSÓRCIO: Significa  o  grupo de  empresas,  não  organizadas  de  forma  corporativa  ou  como  pessoa  jurídica,  que  trabalharão  juntas, sob a liderança da SMS DEMAG AG, com o intuito de  fornecer  a  OBRA  à  CISA  de  acordo  com  os  termos  do  CONTRATO.  Fl. 21241DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     6 MEMBROS DO CONSÓRCIO: O CONSÓRCIO  é  constituído  das seguintes empresas:  SMS  DEMAG  AG,  com  sede  em  EduardSchloemann  Str.  4,  Dusseldorf, Alemanha, denominada doravante, ‘SMS’.  MANNESMANN  DEMAG  LTDA,  com  sua  sede  e  unidade  industrial  na  Av.  das  Nações,  999  –  Distrito  Industrial,  Vespasiano  (MG),  Brasil,  denominada  doravante,  no  presente,  ‘MDL’.  PROECO  LIMITED ...  SIEMENS AG ...  SIEMENS LTDA ...  ROSS AIR SYSTEMS INS  COMPANHIA  BRASILEIRA  DE  TECNOLOGIA  INDUSTRIAL  [...]  5. TERMOS DE PAGAMENTO  [...]  5.2.1. A PARTE IMPORTADA será paga de acordos de crédito  a  serem  celebrados  entre  a  CISA  e  as  respectivas  instituições  financeiras.  Os  desembolsos  desses  créditos  deverão  ser  efetuados  diretamente  aos  MEMBROS  DO  CONSÓRCIO  estrangeiros  por  entregas  feitas/serviços  prestados,  segundo  cronograma  de  pagamento  contratual  e  de  acordo  com  os  procedimentos  a  serem  estipulados  nos  respectivos  acordos  de  crédito.  A autoridade lançadora informou que, em atendimento ao item 9  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  3600  (fls.  671/673),  que  diz  respeito  à  declaração  da  empresa  licitante  certificando  que  a  beneficiária do drawback foi a vencedora da licitação, a autuada  informou e apresentou:  AC 2002.0025831 (projeto CISA)  Carta  de  intenção,  de  21.12.99,  emitida  pela  CSNIMSA  Aços  Revestidos S/A, declarando a intenção de adjudicar o contrato de  fornecimento  ao  consórcio  vencedor  da  licitação  internacional  [...].  Em  relação  ao  AC  2004.0258718,  consta  no  Relatório  de  Auditoria  que  também  houve  a  formação  de  um  consórcio  de  empresas, mas a Proposta Comercial Consolidada foi elaborada  pelo “SMS GROUP”  (e não apenas pela SMS DEMAG AG),  e  consta  nesse  documento  que  a  liderança  será  exercida  pela  autuada.  De  acordo  com  a  autoridade  fiscal,  do  total  de  importações  realizadas  pela  SMS  DEMAG  LTDA,  75,29%  das  importações  Fl. 21242DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.240          7 referentes ao AC nº 2002.0025831, e 100% das relativas ao AC  nº  2004.0258718  foram  adquiridas  junto  à  SMS  DEMAG  AG.  Trata­se  de  empresa  alemã  que  liderou  o  consórcio  para  fornecimento da obra à CISA, é detentora de 99,99% do capital  da  autuada,  e  recebeu  no  exterior,  diretamente  dos  agentes  financiadores, o pagamento pelo  fornecimento das mercadorias  importadas.  Fechando  esse  tópico  a  fiscalização  apresentou  a  seguinte  conclusão:  Diante do exposto, esta Fiscalização entende que a DEMAG foi  apenas  intermediária  na  negociação  privada  realizada  entre  a  SMS DEMAG AG  e  os  clientes  CST  e CSN.  Sua  participação  teve, senão como único, o maior objetivo ser a beneficiária dos  Atos  Concessórios,  por  meio  dos  quais,  foi  possível  realizar  importações  com  a  suspensão  do  pagamento  de  impostos  e  contribuições.  5. DAS IRREGULARIDADES APURADAS  Na sequência, o Relatório de Auditoria traz item específico para  descrever  as  irregularidades  apuradas  (fls.  650662),  no  qual  consta que:  Inquestionavelmente,  cabe  à  empresa  beneficiária  do Regime  o  ônus da prova, ou seja, deve demonstrar e comprovar de  forma  inequívoca ao Fisco que cumpriu todas as condições e requisitos  pré­estabelecidos  no  Ato  Concessório,  e  ainda,  que  zelou  pelo  cumprimento  de  toda  a  legislação  que  disciplina  o  Regime  Aduaneiro Especial de Drawback, já citados no item 3.2.3 – fls.  581/593 – para que possa usufruir dos incentivos.  Após  a  análise  de  toda  a  documentação  apresentada  pela  DEMAG, bem como pela CSN e pela CST [...] concluímos que a  beneficiária descumpriu algumas exigências legais.  Assim,  todas  as  importações  realizadas  ao  amparo  do Regime  Aduaneiro Especial de Drawback – modalidade Suspensão –  submodalidade Fornecimento  no Mercado  Interno devem  ser  tratadas à luz do Regime Aduaneiro de Importação Comum, onde  a regra é o pagamento dos tributos.  As  irregularidades apuradas são apresentadas destacadamente,  consoante síntese a seguir.  5.1. LICITAÇÃO INTERNACIONAL  A  fiscalização aduz que,  tratando­se da  concessão de benefício  público,  um  dos  requisitos  principais  a  ser  observado  é  a  isonomia,  no  sentido  de  não  ser  instituído  tratamento  desigual  entre contribuintes que se encontrem em situações equivalentes.  Para  esse  fim,  faz­se  necessário  que  a  benesse  fiscal  esteja  ao  alcance  de  todos  os  interessados  que  atendam  aos  requisitos  estabelecidos,  o  que  só  é  possível  por  meio  da  adequada  publicidade. A legislação que regula o benefício em foco exige  Fl. 21243DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     8 edital  e  prova  de  sua  publicação  relativamente  à  licitação  ser  promovida pela empresa que pretende adquirir o produto final.  O  Comunicado  DECEX  nº  21/1997  estipulava,  inclusive,  a  concorrência  internacional como modalidade a  ser empregada  (Anexo VIII da CND).  Conforme  consta  no  Relatório  de  Auditoria,  a  própria  beneficiária  do  regime  informou  que  a  comunicação  das  licitações  internacionais  referentes  aos  atos  concessórios  sob  exame foi feita por meio de carta­convite, contrariando assim o  disposto  na  legislação  aplicável.  Como  a  carta­convite  é  divulgada  apenas  aos  convidados  escolhidos  pela  entidade  promotora  do  certame,  outras  empresas  que  poderiam  se  interessar, e até vir a ganhar a  licitação, não tiveram a devida  oportunidade. Assim, a  fiscalização considerou que a DEMAG,  ao participar e ganhar uma licitação restrita a um grupo seleto  de  convidados,  não  provou  a  publicidade  do  evento,  e  nem  poderia, pois ela não existiu.  A autoridade  lançadora entendeu prejudicado um dos objetivos  do regime especial em tela, que é justamente o de possibilitar às  empresas nacionais disputarem em condições de igualdade com  suas  concorrentes  estrangeiras.  Argumentou  que,  ao  procurar  dar  interpretação  extensiva  à  exigência  de  edital,  a  SMS  DEMAG  LTDA  vai  de  encontro  ao  disposto  no  artigo  111  do  CTN, que impõe interpretação restrita às normas que disponham  sobre suspensão do crédito tributário.  5.2 PAGAMENTO DAS IMPORTAÇÕES  Em  relação  aos  recursos  utilizados  para  pagamento  das  operações no âmbito do regime, a DEMAG informou que, para  cumprir a exigência de financiamento proveniente de instituição  financeira governamental, como estabelece o artigo 5º da Lei nº  8.032/90:  [...] a CSNIMSA firmou três financiamentos, a saber:  1) Kreditanstalt für Wiederaufbau – KfW, de 13.07.01, Contrato  nº 9198, no valor de EUR 28.934.172,00 mais USD 900.000,00;  2)  Export  Development  Corporation  (EDC),  de  24.04.01,  Contrato nº 880BRA2201, no valor de USD 5.809.377,00;  3)  BNDES  –  de  14.08.01,  Contrato  nº  01.2.309.1.1,  contendo  dois subcréditos (“A” e “B”) no valor total de R$ 57.204.600,00,  com recursos captados no exterior em moeda estrangeira.  [...]  a CST  firmou dois contratos  de  financiamentos  externos,  a  saber:  1) Kreditanstalt  für Wiederaufbau – KfW,  de  21.07.04, Acordo  Estrutural nº 1.153, no valor de US$ 140.000.000,00;  2) European Investment Bank (EIB), de 21.07.01, s/nº, no valor  de USD 70.000.000,00.  De acordo com o Relatório Fiscal, ao ser questionada sobre os  contratos  de  financiamento  e  a  forma  de  pagamento  das  Fl. 21244DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.241          9 operações  vinculadas  ao  regime, a autuada  informou  (fl.  658)  que:  O pagamento de 85% das importações, cujo percentual segue  as  políticas  de  crédito  definidas  pelos  bancos  governamentais,  com  recursos  liberados  pelo KfW  e  EDC, deu­se  diretamente  no  exterior,  sem  o  trânsito  físico  de  recursos  pelo  país,  em  conformidade  com  os  procedimentos  de  desembolsos  estabelecidos nos respectivos contratos. Essa situação, note­se, é  autorizada  pela  legislação  cambial  brasileira,  e  não  prejudica  a  natureza de operação de “crédito externo” atribuída aos contratos  firmados com o KfW e EDC. (Destaquei)   Em relação aos 15% restantes consta nos autos que, para o Ato  Concessório nº 2002.0025831:  No que tange ao pagamento dos restantes 15% do preço dos bens  e  insumos  importados,  este  deu­se  mediante  o  emprego  de  recursos captados pela CSNIMSA junto ao BNDES, por meio do  contrato de 14.08.01, acima mencionado.  Tal pagamento, que corresponde a antecipação ao fornecedor, foi  efetuado pela SMS Demag, conforme informado nas Declarações  de  Importação  –  DIs,  por  intermédio  de  uma  transferência  internacional  de  recursos,  do  Brasil  para  o  exterior,  como  comprova  o  anexo  contrato  de  câmbio,  com  os  recursos  recebidos  da  CSNIMSA  provenientes  do  contrato  com  o  BNDES, que também serviram para cobrir a parcela nacional dos  equipamentos fornecidos pela SMS Demag à CSNCISA.  Para o Ato Concessório nº 2004.0258718 foi dito que:  O  pagamento  dos  restantes  15%  do  preço  dos  bens  e  insumos  importados, bem como a parcela nacional do equipamento, está  relacionado ao contrato do EIB acima mencionado.  Em  relação  a  essa  sistemática  de  pagamento  a  fiscalização  considerou que:  A  alegação  da  beneficiária  que  "Esta  situação,  note­se,  é  autorizada  pela  legislação  cambial  brasileira,  e  não  prejudica  a  natureza  de  operação  de  crédito  externo  atribuída  aos  contratos  firmados com o KfW e EDC" pode atender à legislação cambial  e  aos  contratos  de  financiamento,  porém  prejudica,  ou  melhor,  descaracteriza  todo o processo da submodalidade de Drawback  Fornecimento  no Mercado  Interno,  que  tem  previsão  legal  e  normas específicas já citadas e transcritas neste Relatório.  A autoridade  lançadora concluiu que  ficou prejudicado um dos  objetivos  fundamentais  do  regime,  que  é  o  de  propiciar  o  ingresso líquido de divisas em decorrência do resultado cambial  das operações  vinculadas,  de  forma a refletir  positivamente no  Balanço de Pagamentos do País. Mesmo na submodalidade em  tela,  como  é  exigido  que  o  pagamento  ao  fornecedor  nacional  vencedor  da  licitação  internacional  seja  feita  em  moeda  conversível,  proveniente  de  financiamento  externo,  é  esperado  Fl. 21245DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     10 resultado cambial positivo. Para reforçar esse entendimento  foi  citada a doutrina de Araújo e Sartori (2004).  De  acordo  com  o  Relatório  de  Auditoria,  era  esperado  que  a  beneficiária do regime efetuasse diretamente os pagamentos dos  itens  importados  aos  fornecedores  estrangeiros,  e  que  os  adquirentes dos produtos finais lhe pagassem pela totalidade do  fornecimento  no  mercado  interno  com  recursos  oriundos  dos  financiamentos  captados  no  exterior  junto  a  KfW  e  EDC.  A  fiscalização aduz  que  a  autuada  recebeu  apenas  15% do  valor  antecipado  para  quitação  das  importações,  pagos  com  o  empréstimo concedido pelo BNDES.   Os  outros  85%  foram  pagos  diretamente  aos  fornecedores  estrangeiros pelos referidos agentes financeiros que concederam  os empréstimos à CSN e à CST, e não ingressaram no mercado  nacional.  A autoridade lançadora concluiu que autuada utilizou o regime  moldando­o  aos  seus  interesses  e  conveniências,  para  se  beneficiar da suspensão dos tributos quando da importação das  mercadorias,  sem  a  observância  de  todos  os  requisitos  legais  exigidos,  o  que  tornou  exigível  a  totalidade  dos  tributos  suspensos.  7.  DECADÊNCIA  DOS  TRIBUTOS  NO  REGIME  DE  DRAWBACK MODALIDADE SUSPENSÃO  Após discorrer sobre as irregularidades apuradas e penalidades  aplicáveis  (item  6),  a  fiscalização  expõe  seu  entendimento  no  tocante  à  decadência.  Alerta  que  a  contagem  do  prazo  decadencial  relativo  aos  tributos  suspensos  deve  se  basear  na  regra  geral  prescrita  no  artigo  173,  I,  do  CTN.  A  autoridade  lançadora  entende  que  o  termo  inicial  é  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  a  beneficiária  do  regime  apresenta a documentação para baixa do Ato Concessório ou, na  falta desses elementos, quando o SECEX/DECEX assim o faz, de  forma a possibilitar à Secretaria da Receita Federal do Brasil o  exercício  de  seu  dever  de  verificar  a  regularidade  fiscal  das  operações.  Em relação ao Ato Concessório  (AC) nº  2002.0025831,  apesar  de ter prazo de validade até 19/11/2005, a beneficiária encerrou  o  fornecimento  no  mercado  interno  em  14/12/2004  e,  em  30/09/2005  enviou  ofício  à  SECEX,  objetivando  demonstrar  o  cumprimento  das  obrigações  assumidas.  Quanto  ao  AC  nº  2004.0258718,  sua  data  de  validade  era  até  22/02/2007,  o  fornecimento no mercado interno foi encerrado em 24/04/2006 e,  em  12/03/2007,  a  beneficiária  enviou  a  documentação  necessária  para  atestar  o  adimplemento  das  obrigações  pactuadas.  Assim,  a  fiscalização  considerou  que  o  prazo  de  decadência  começou  a  ser  contado  a  partir  de  2006,  para  as  importações  vinculadas  ao  primeiro AC,  e  de  2008 para  as  do  segundo.  8. CONCLUSÃO  Finalizando seu Relatório, a fiscalização concluiu que:  Fl. 21246DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.242          11 No  item  5,  fls.  nºs  647/660,  relatamos  de  forma  detalhada  as  irregularidades praticadas peia DEMAG, ao descumprir parte da  legislação  que  disciplina  o  Regime  Aduaneiro  Especial  de  Drawback,  modalidade  Suspensão,  submodalidade  Fornecimento no Mercado Interno.  As  irregularidades  são  relativas  à  LICITAÇÃO  INTERNACIONAL  e  aos  PAGAMENTOS  DAS  IMPORTAÇÕES,  que  uma  vez  realizados,  não  obedeceram  à  forma  preconizada  na  legislação  citada  e  descrita  às  fls.  nºs  576/593.  [...]  As  infrações  praticadas  pela  DEMAG  macularam  todo  o  processo de forma irremediável, não restando a esta Fiscalização,  por  dever  de  ofício,  encerrar  esta  ação  fiscal,  concluindo  pelo  INADIMPLEMENTO  dos Atos Concessórios  de Drawback,  modalidade  Suspensão,  submodalidade  Fornecimento  no  Mercado Interno n°s 2002.0025831 e 2004.0258718.  Dos exames levados a efeito, a autoridade lançadora apurou que  a beneficiária não cumpriu todas as exigências estabelecidas na  legislação que regula o Drawback Suspensão – Fornecimento no  Mercado  Interno,  contaminando  assim  todo  o  procedimento.  Portanto,  considerou  que  todas  as  importações  realizadas  sob  amparo dos Atos Concessórios em tela devem ser tratadas à luz  do  regime de  importação comum,  ou  seja,  com pagamento  dos  tributos incidentes. Dessa forma, lavrou os Autos de Infração em  debate para exigência dos tributos que estavam suspensos.  DA IMPUGNAÇÃO  Irresignada  com  o  lançamento,  do  qual  tomou  ciência  pessoal  em  11/5/2009,  a  autuada  apresentou  impugnação  (fls.  25602634), em 10/6/2009, na qual aduz os argumentos a seguir  sintetizados. Alega preliminarmente a:  a)  ocorrência  da  decadência,  que  se  verifica  ao  se  aplicar  a  regra do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN);  e  b)  incompetência da RFB quanto ao exame dos requisitos para  concessão do drawback;  No tocante ao mérito, a impugnante sustenta a:   a) improcedência da acusação velada de simulação;  b)  regularidade  da  sistemática  de  pagamento  das  importações  realizadas; e  c) cumprimento da meta cambial pactuada.  Simulação  Fl. 21247DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     12 Em  relação  ao  trecho  do  Relatório  Fiscal  que  fala  sobre  simulação, a impugnante aduziu que se trata de uma “acusação  velada”, pois:  O trecho acima transcrito é o último parágrafo desenvolvido pela  Autoridade  fiscal  antes  de  esta  iniciar  a  descrição  das  supostas  irregularidades  verificadas  com  relação  aos  Atos  Concessórios  (p.  75  do  RAF).  Curiosamente  a  descrição  dessas  supostas  irregularidades  não  faz  qualquer  menção  à  afirmação  que  a  precedeu, de forma que não parece ser possível a manutenção do  Auto de  Infração com base nela. Mesmo assim, por ela constar  dos autos do presente processo administrativo, a Impugnante não  se quedará silente a seu respeito, demonstrando a inexistência de  qualquer base fática ou jurídica também a esse respeito.  [...]  Descabe  a  alegação  de  simulação  com  relação  às  operações  praticadas com base nos Atos Concessórios, pois:  (i)  ausência  de  prova  cabal  de  simulação:  a  simulação  só  é  caracterizada quando se evidencia aquilo que BETTI1 denomina  "divergência  consciente  entre  a  causa  típica  do  negócio  e  a  determinação  causal,  ou  seja,  a  intenção  prática  concretamente  procurada". Esse elemento nuclear da simulação, por  seu  turno,  não  se  afigura  devidamente  comprovado  enquanto  ser  demonstrado,  cabalmente,  que,  além  do  negócio  dito  simulado  não ter existido, o reverso, o negócio dissimulado, realmente se  concretizara. Trazendo esse conceito para o caso presente, não se  vislumbra,  nos  autos,  qualquer  prova  conclusiva  de  que  CST,  CSN,  e  SMS  AG,  tenham  estabelecido  relações  comerciais,  e,  sobretudo,  relações  jurídicas capazes de evidenciar a ocorrência  de transações comerciais diretas entre elas (importações por CST  e CSN);  (ii) a Impugnante importou, industrializou, e forneceu: é fato  incontroverso  que  a  Impugnante  importou  insumos  (matérias  primas, materiais  secundários,  etc.),  destinados  à  fabricação  de  máquinas que foram encomendadas por CST e CSN. É também  fato  incontroverso  que  a  Impugnante  produziu  esses  equipamentos  no  Brasil,  fabricou­os,  industrializou­os;  o  que,  aliás, é um dos requisitos do drawback "mercado  interno". Esse  requisito,  por  sua  vez,  sequer  foi  questionado  pela  Autoridade  fiscal.  Logo,  deve­se  reconhecer  que  CST  e  CSN  somente  conseguiram  adquirir  aquilo  que  queriam  (os  equipamentos  prontos  e  acabados)  em  razão  da  relevante  atuação  da  Impugnante. Se o papel da  Impugnante  tivesse  se  restringido, a  figurar como um “Veículo" para obtenção de benefícios  fiscais,  até  hoje CST  e CSN  teriam  em  suas  plantas  um  amontoado de  peças  e  insumos  desprovidos  de  qualquer  funcionalidade.  As  fotografias  anexadas  ao  RAF  (pp.  6171)  mostram  que  os  equipamentos  encomendados  foram  fabricados  e  fornecidos  a  CST e CSN, com plenas condições de operação. Isso, permita­se  dizer, não decorreu de intervenção divina; e  (iii) os pagamentos ocorreram como dita a praxe de mercado  e de acordo com o Direito Privado: a questão dos pagamentos  relativos  às  importações  realizadas  sob  o  amparo  dos  Atos  Fl. 21248DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.243          13 Concessórios  será  analisada  de  maneira  pormenorizada  mais  adiante (item 5 desta Impugnação). Por ora, cumpre assinalar que  a  realização  de  pagamentos  no  exterior,  diretamente  aos  fornecedores estrangeiros, não comprova a prática de simulação.  Em  primeiro  lugar,  porque  o  fluxo  de  pagamentos  adotado  foi  aquele comumente utilizado pelo mercado, em  transações desse  tipo.  Em  segundo  lugar,  porque  o  pagamento  não  se  confunde  com a  entrega do dinheiro  (traditio). O que ocorreu no exterior  não  foi  a  efetivação  de  pagamentos  por  CST  e  CSN,  de  obrigações  de  sua  titularidade.  Diversamente,  verificou­se  tão  somente  a  tradição  de  recursos  devidos  à  Impugnante,  diretamente  aos  fornecedores  estrangeiros,  de  quem  a  Impugnante,  por  seu  turno,  era  devedora.  O  fato  de  alguém  realizar  pagamento  de  dívida  de  terceiro,  por  conta  própria,  ou  por  conta  e  ordem  do  terceiro,  é  absolutamente  admitido  no  Direito Privado (ver, nesse sentido, os artigos 304, 346 e ss. do  Código Civil).  Ainda  no  tocante  a  essa  acusação,  a  impugnante  requer  que,  subsidiariamente,  caso  se  entenda  que  ela  atuou  de  maneira  simulada  em  operações  de  importação  que  teriam  sido  realizadas  pela  CSN  e  pela  CST,  que  a  cobrança  dos  tributos  devidos  seja  direcionada  para  essas  empresas,  já  que  nesse  cenário o fato gerador teria sido praticado por elas.  Licitação Internacional  A  impugnante  alegou  que  todos  os  documentos  relativos  às  licitações  internacionais  promovidas  pela  CSNCISA  e  CST  foram  devidamente  analisados  e  aprovados  pela  SECEX.  Em  relação aos questionamentos da  fiscalização a defesa  informou  que:  Em vista dessa solicitação, a Impugnante esclareceu que, quanto  às  licitações  promovidas  por  CST  e  CSN,  a  convocação  dos  concorrentes dera­se por meio do envio de cartas­convite.  Asseverou  ainda  que  esse  procedimento  era  extremamente  comum  no  mercado  internacional,  e  que,  ademais,  não  contrariava  a  legislação  de  regência  do  drawback  "mercado  interno",  que,  embora mencionasse  a  apresentação  de  cópia  de  edital para fins de emissão de ato concessório, de fato, estar­se­ia  referindo ao documento de  instalação da  licitação  internacional,  o qual nem sempre seria um edital.  A  Autoridade  fiscal  não  atentou  para  os  recentes  desenvolvimentos  da  legislação  ordinária  atinente  ao  drawback  "mercado  interno".  Fundamental,  no  caso,  a  interpretação  autêntica  contida  no  artigo  3º  da  Lei  n°  11.732/08.  [...]  A  Impugnante faz questão de transcrevê­lo:  “Art. 3° Para efeito de interpretação do art. 5º da Lei no 8.032,  de  12  de  abril  de  1990,  licitação  internacional  é  aquela  promovida  tanto  por  pessoas  jurídicas  de  direito  público  como  por  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  do  setor  público  e  do  setor privado.  Fl. 21249DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     14 § 1º Na licitação internacional de que trata o caput deste artigo,  as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado do  setor  público  deverão  observar  as  normas  e  procedimentos  previstos  na  legislação  específica,  e  as  pessoas  jurídicas  de  direito privado do setor privado, as normas e procedimentos  das entidades financiadoras.  § 2° (VETADO)  § 3º Na ausência de normas e procedimentos específicos das  entidades  financiadoras,  as  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  do  setor  privado  observarão  aqueles  previstos  na  legislação brasileira, no que couber.”  [...] (original sem grifos e negrito).  Quando foram editados o item 2, inciso I, do Anexo E da Portaria  SECEX n° 14/04, e o item 2, alínea "a", do anexo VII da CND,  ainda não existia o artigo 3º da Lei n° 11.732/08. Nessa época, o  Fisco  defendia  o  entendimento  de  que  apenas  as  licitações  internacionais  promovidas  por  pessoas  jurídicas  integrantes  da  Administração  Pública,  sob  os  auspícios  da  Lei  n°  8.666/93,  seriam aptas a  se beneficiarem do drawback "mercado  interno".  Tal  entendimento,  inclusive,  veio  a  ser  exprimido,  posteriormente,  por  intermédio  do  Ato  Declaratório  Interpretativo n° 12/07.  Quando  tais  atos  infralegais  exigiam  a  apresentação  de  edital,  partiam da premissa de que a  licitação  internacional deveria ser  pública.  Como  a  Lei  n°  8.666/93  impunha,  como  regra,  que  licitações de grande porte fossem processadas sob a modalidade  de concorrência, então DECEX e SECEX creram ser razoável e  necessário,  para  o  exercício  de  suas  funções  administrativas,  requerer a apresentação do edital, o qual necessariamente estaria  presente.  Nada obstante,  aquele entendimento do Fisco veio  a  se mostrar  incorreto. E quem evidenciou tal equívoco hermenêutico não foi  a  Doutrina,  ou  a  Jurisprudência,  mas  o  próprio  legislador  ordinário.  Mas  as  normas  do  DECEX  e  da  SECEX  aqui  comentadas,  quando  exigiam  a  apresentação  de  edital,  com  certeza  não  levaram em consideração a  interpretação mais  correta do  artigo  5º  da  Lei  n°  8.032/90,  posteriormente  externada  por  via  autêntica.  Essa certeza vem de um só fato: se DECEX e SECEX tivessem  considerado  a  hipótese  de  ser  privada  a  licitação  internacional,  não teriam feito menção apenas ao edital, porquanto nem toda  licitação internacional privada possui edital.  Aliás,  repare­se  que  o  próprio  DECEX  evidenciou  não  ser  tão  rígida  a  interpretação  das  normas  em  comento,  pois  emitiu  os  Atos Concessórios, a despeito da inexistência de editais.  Aqui  é  válido,  a  título  ilustrativo,  demonstrar  que  a  maioria  absoluta das instituições  financeiras  internacionais que possuem  normas  relativas  a  licitações  prevêem  modalidades  em  que  Fl. 21250DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.244          15 inexiste  edital.  Como  exemplo,  merecem  menção  as  seguintes  instituições financeiras:  Para  demonstrar  que  determinadas  modalidades  de  licitação  internacional  podem  ser  feitas  por  meio  de  carta­convite,  a  impugnante cita e  transcreve  trechos das regras que anexa aos  autos  do  Banco  Mundial  ("Diretrizes  para  Aquisições  no  Âmbito  dos  Empréstimos  do  BIRD  e  Créditos  da  AID”  –  licitação  internacional  limitada  –  Doc.  3)  e  do  Banco  Interamericano  de  Desenvolvimento  ("Políticas  Básicas  de  Aquisições”  –  licitação  privada  – Doc.  4);  do European Bank  for  Reconstruction  and  Development  (“Procurement  Policies  and  Rules”  –  licitação  seletiva  –  Doc.  6),  entre  outros.  Cita  também  Tratado  Internacional  celebrado  no  âmbito  da  Organização  Mundial  do  Comércio  (OMC),  denominado  de  “Agreement  on  Gonvernment  Procurement”  ou  Acordo  sobre  Licitações  Governamentais,  que  também  prevê  a  licitação  seletiva, nos termos de seu art. XV (Doc. 8).  Diante desses elementos a defesa aduziu:  Vê­se  que,  CONCEITUALMENTE,  não  há  qualquer  incompatibilidade entre uma licitação e a sua instauração por  intermédio de cartas­convite.  Ou seja, ao contrário do que supôs a Autoridade fiscal, repita­se,  não necessariamente uma licitação internacional possui um edital  correlato.  Trazendo  essa  constatação  conceitual  para  o  caso  em  tela,  é  necessário  ter­se  em  mente  que  as  entidades  financiadoras  dos  projetos  acobertados  pelos  Atos  Concessórios  previam  a  realização de licitação por intermédio de cartas­convite.  Frise­se:  o  mero  fato  de  os  financiamentos  terem  sido  APROVADOS e CONCEDIDOS pelas agências financiadoras é  prova  suficiente  de  que  as  licitações  internacionais  privadas  atenderam às exigências daquelas instituições financeiras. Acaso  houvesse  algum  requisito  para  a  licitação  internacional  não  cumprido naqueles casos, não  teriam sequer sido concedidos os  financiamentos  e,  muito  menos,  teriam  sido  liberados  os  recursos.  Se  o  edital  fosse  uma  exigência  daquelas  entidades  financiadoras,  então  não  seriam  concedidos  os  financiamentos  sem sua existência.  Por  último,  é  sabido  que  apenas  quando  inexistem  normas  e  procedimentos  impostos  pelas  entidades  financiadoras  é  que  se  aplicam  as  normas  e  procedimentos  previstos  na  legislação  brasileira.  Nesse  caso  é  bom  que  se  diga  tais  normas  são  aplicáveis no que couber. No caso concreto em exame, existiam  tais normas, e, segundo elas, como visto, a exigência de edital era  descabida.  Acrescenta, ainda, que foram enviadas cartasconvite não apenas  para  a  ela,  como  também  a  outras  empresas  vistas  pelas  promotoras  das  licitações  como  hábeis  a  atenderem  Fl. 21251DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     16 adequadamente  ao  escopo  do  certame.  Tal  fato  demonstra  a  publicidade  do  procedimento  com  relação  aos  potenciais  adjudicatários.  Fluxo de Pagamentos  Em relação ao fluxo de pagamento das importações realizadas, a  impugnante sustenta que não há nenhuma irregularidade, pois:  [...] deu­se com estrita observância ao disposto nos contratos de  financiamento  celebrados  com  as  entidades  financiadoras  externas, KfW, EIB e EDC, os quais já constam dos autos (fls.) e  consistia, sinteticamente, do seguinte:  (i)  15% do  valor  relativo  aos  insumos  importados  foram  pagos  anteriormente  aos  respectivos  embarques,  com  o  emprego  de  valores  disponibilizados  à  Impugnante,  por  CST  e  CSN.  Tais  montantes foram remetidos aos fornecedores estrangeiros; e  (ii) 85% do valor  relativo aos  insumos  importados  foram pagos  diretamente  aos  fornecedores  estrangeiros,  pelas  entidades  financiadoras  externas,  ante  a  realização  de  desembolsos  parciais, à medida em que os embarques eram realizados.  Inexiste dispositivo legal, constante de lei em sentido formal, que  subsidie o entendimento da Autoridade fiscal a respeito do tema.  Nem mesmo  as  normas  infralegais,  de  lavra  da  SECEX  ou  do  DECEX,  estabelecem  obrigatoriedade  de  trânsito  físico  do  produto dos financiamentos captados no exterior pelo Brasil.  O pagamento não se confunde com a tradição. Esta corresponde  ao ato de entrega de uma coisa.  Essa  distinção  mostrase  relevante  na  medida  em  que  a  Autoridade fiscal instaurou uma discussão a respeito do fluxo de  pagamentos adotado por CST e CSN. Devese esclarecer que este  não  possui  relação  com  a  figura  do  pagamento,  em  sentido  técnico, mas com a da tradição. É dizer, o fluxo de pagamentos  nada mais é do que o modo,  lugar e  tempo em que o objeto do  pagamento  (moeda  conversível)  é  entregue,  e,  portanto,  não  possui influência direta sobre a caracterização do pagamento.  Frisese, ademais, que a tradição não é objeto do artigo 5º da Lei  n° 8.032/90.  A  Autoridade  fiscal  afirmou,  num  primeiro  momento,  que  "esperava" que a Impugnante efetuasse o pagamento diretamente  aos fornecedores estrangeiros.  Juridicamente, é seguro dizer que isso ocorreu.  Isto,  pois  a  Impugnante,  na  condição  de  devedora  quanto  às  importações,  ajustou  com  as  entidades  financiadoras,  por  intermédio de CST e CSN, que aquelas efetuariam, por sua conta  e ordem, a entrega (tradição) do montante correspondente a 85%  do  valor  dos  insumos  importados  diretamente  aos  fornecedores  estrangeiros. Desse modo, dois fatos jurídicos distintos restaram  configurados:  Fl. 21252DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.245          17 (i)  tradição:  as  entidades  financiadoras  entregaram  os  recursos  aos  fornecedores estrangeiros, na condição de mandatárias da  Impugnante: e  (ii)  pagamento:  ao  fazer  com  que  as  entidades  financiadoras  entregassem recursos aos seus credores, com o intuito específico  de  liberarse  do  vínculo  obrigacional que  a  vinculava  àqueles,  a  Impugnante proporcionou o pagamento.  O  elemento  sensível  a  ser  percebido  nesse  ponto  é  que  as  entidades  financiadoras  não  agiram  por  sua  livre  e  espontânea  vontade.  Diversamente,  agiram  em  nome  da  Impugnante,  no  interesse desta, representandoa.  O  interesse  representado  por  este  ato  foi  exatamente  a  manifestação  de  vontade  de  liberarse  da  dívida  decorrente  das  importações. Isso não é nada senão pagamento.  Num  segundo  momento,  a  Autoridade  fiscal  afirmou  que  "esperava"  que  CST  e  CSN  efetuassem  um  pagamento  diretamente  à  Impugnante,  como  contraprestação  pelo  fornecimento no mercado interno. Isso também ocorreu.  Incitadas  pela  Impugnante,  CST  e  CSN  fizeram  com  que  as  entidades financiadoras, em vez de lhes entregar integralmente o  produto  dos  empréstimos  contraídos,  separassem  um montante,  correspondente  a  85%  das  importações  realizadas  pela  Impugnante,  e  entregasse  diretamente  aos  fornecedores  estrangeiros. As  entidades  financiadoras,  então,  aturam  também  como  mandatárias  de  CST  e  CSN,  no  interesse  destas,  representandoas.  Assim, dois fatos jurídicos também se caracterizaram:  (i)  tradição:  as  entidades  financiadoras  entregaram  os  recursos  aos  fornecedores  estrangeiros,  também  na  condição  de  mandatárias de CST e CSN: e  (ü)  pagamento:  ao  fazer  com  que  as  entidades  financiadoras  entregassem recursos aos seus credores, com o intuito específico  de  liberarse  do  vínculo  obrigacional que  a  vinculava  àqueles,  a  Impugnante proporcionou o pagamento.  Tal  situação,  aliás,  encontrase  plenamente  refletida  pela  escrituração contábil da Impugnante (Doc. 14).  Para  explicar  a  escrituração  contábil  dos  adiantamentos  recebidos,  a  Impugnante  apresentou  exemplo  numérico  resumindo os principais lançamentos envolvidos (fls. 26102612).  Em seguida prosseguiu com suas explicações:  Ou seja,  não se mostra  cabível qualquer questionamento  acerca  do  fato  de  que,  juridicamente,  a  Impugnante  pagou  aos  seus  credores estrangeiros, e CST e CSN pagaram à Impugnante. E é  esse pagamento que importa à Lei n° 8.032/08. (sic)  Fl. 21253DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     18 Não  deve  causar  estranheza  o  fato  de,  no  caso  vertente,  os  empréstimos terem sido contratados diretamente por CST e CSN.  Além  de  essa  prática  ser  comum  no  mercado  em  que  atua  a  Impugnante,  ela  se  encontra  em  consonância  com  a  estrutura  jurídica acima descrita (em que CST e CSN fizeram as entidades  financiadoras efetuarem pagamentos em nome da Impugnante), e  foi  aceita  e  aprovada  pelo  Banco  Central  do  Brasil,  que  dela  tomou  conhecimento  por  intermédio  das  Declarações  de  Importação, registradas no SISCOMEX, e dos ROF's relativos a  cada operação de crédito.  Por fim, a Impugnante chama a atenção para dois fatos de ordem  prática, que devem ser levados em conta quando do exame dessa  matéria:  (i) em primeiro lugar, todo o fluxo de pagamentos acima descrito  fora analisado e cuidadosamente apreciado pelo DECEX. Assim,  além do Banco Central do Brasil, o DECEX também acolhera a  sistemática  de  entrega  de valores  adotada  por CST  e CSN. Tal  circunstância  ganha  relevo  quando  esse  questionamento  da  Autoridade  fiscal  é  contraposto  ao  princípio  da  segurança  jurídica,  o  qual  não  pode  ser  ignorado  quando  do  julgamento  desta Impugnação.  (ii)  o  fluxo  de  pagamentos  ora  debatido  é  adotado  pela  quase  totalidade  das  empresas  envolvidas  em  operações  de  drawback  "mercado  interno".  Mas  não  apenas  por  elas.  O  BNDES,  por  exemplo,  quando  fornece  empréstimos  a  empresas  estrangeiras,  que  estão  importando  bens  ou  serviços  provenientes  do  Brasil,  não  envia  o  dinheiro  ao  país  de  origem  do  mutuário.  Pelo  contrário,  efetua  o  pagamento  diretamente  ao  fornecedor  brasileiro.  Isso  reforça  o  que  está  sendo  destacado  pela  Impugnante, de que a prática, nacional e internacional, consagra  o procedimento adotado no presente caso.  Resultado Cambial  A defesa aduz que a sistemática de pagamento das importações  não acarretou prejuízo ao resultado cambial do regime, que deve  ser apurado levandose em conta o valor líquido do fornecimento  interno em  relação ao valor bruto das  importações. De acordo  com a impugnante:  Percebese que o resultado cambial exigido pela CND, bem como  pela Portaria SECEX n° 14/04, é aquele decorrente da divisão do  valor  bruto  das  importações  pelo  montante  líquido  das  exportações.  Notese:  o  objeto  da  norma  invocada  pela  Autoridade  fiscal  não  possui  qualquer  relação  com  o  fluxo  de  pagamentos  adotado. O  parâmetro  "básico"  a  ser  atendido  é  de  40% entre as importações e as exportações, pouco importando o  caminho seguido pelo dinheiro.  Como as normas acima transcritas deixam claro, esse percentual  é  uma  referência  básica.  Desse  modo,  não  se  excluía  a  possibilidade  de  o  DECEX,  no  âmbito  da  sua  competência,  aprovar operações envolvendo percentuais diferentes, desde que  fosse  obtido  "ganho  cambial"  na  operação,  Isso  fica  bem  claro  em vista do disposto no § 2º do artigo 76 da Portaria SECEX n°  14/04, que tornou explícita tal possibilidade.  Fl. 21254DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.246          19 Cabe  questionar,  nesse  passo,  como  se  verifica  a  questão  do  resultado  cambial  no  caso  do  drawback  "mercado  interno”,  em  que inexistem exportações.  Não  há  segredo  nisso.  Linhas  acima  se  demonstrou  que  o  drawback  "mercado  interno"  nada  mais  é  que  o  fruto  de  uma  ficção,  por  meio  da  qual  o  fornecimento  no  mercado  interno,  decorrente de licitação internacional e mediante pagamento com  recursos em moeda conversível, provenientes de financiamentos  contraídos  junto  a  instituições  financeiras  determinadas,  foi  equiparado a exportação.  Com  relação  ao  Ato  Concessório  CSN,  o  resultado  cambial  concretamente obtido, considerandose a  taxa de câmbio da data  da sua emissão, foi o seguinte, consoante evidencia seu pedido de  baixa e relatório unificado (fls. 849 e ss.):  (i)  Valor  Líquido  de  "Exportação"  (Fornecimento  no  Mercado  Interno): US$ 37,010,175.04;  (ii) Valor Bruto de Importação: US$ 13,936,358.66;  (iii) Razão Cambial (“ii”/”i”): 37,66%  Esclareçase que, a depender da taxa de cambio que se considere,  a  razão  cambial  acima  indicada  pode  variar.  Nada  obstante,  qualquer que seja a cotação adotada, constatase que o  resultado  cambial  da  operação  realizada  entre  a  Impugnante  e  a  CSN  mostrase sempre melhor do que aquele aprovado pelo DECEX, e  sempre representando ganho cambial.  Com  relação  ao  Ato  Concessório  CST,  os  números  são  os  seguintes, consoante se pode extrair do próprio Ato Concessório:  (i) Valor  Líquido  de  "Exportação”.  (Fornecimento  no Mercado  Interno): US$ 28,047,705.00;  (ii) Valor Bruto de Importação: US$ 10,300,033.00; e  (iii) Razão Cambial (= "ii”/"i”): 36,72%  Também  se  verifica,  acerca  do  Ato  Concessório  CST,  que  o  ganho cambial se concretizou. Nesse sentido também versam as  informações constantes do respectivo pedido de baixa e relatório  unificado (Doc. 18).  De modo que, em vista de  todo o exposto, não resta alternativa  senão  reconhecer  que  as  operações  realizadas  com  amparo  nos  Atos  Concessórios  atenderam  plenamente  as  especificações  definidas  pelo  DECEX  e  pela  SECEX,  uma  vez  que  proporcionaram o ganho cambial esperado.  Fica  evidente,  portanto,  que para demonstrar que  foi atingido o  resultado  cambial  objetivado  pelo  drawback  "mercado  interno",  basta mostrar  que  a  parcela  nacional  fornecida  foi maior  que  a  parcela importada, de acordo com o compromisso aprovado pelo  Fl. 21255DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     20 DECEX. Como foi esse o caso da presente operação, não restam  dúvidas acerca do atendimento do resultado cambial almejado.  Ao  final  da  peça  defensória,  a  impugnante  requer  a  insubsistência do lançamento, cancelandose o respectivo crédito  tributário,  bem  como  que  todas  as  intimações  e  notificações  a  serem  produzidas  no  âmbito  do  presente  processo  sejam  encaminhadas  ao  endereço  de  seus  procuradores,  com  cópias  para ela. Subsidiariamente, é requerido que:   [...] caso o Auto de Infração não seja inteiramente cancelado com  base  nas  razões  acima  aduzidas,  devese,  ao menos,  proceder  à  imputação  dos  tributos  pagos  pela  Impugnante,  com  relação  ao  fornecimento efetuado no mercado interno, com o fito de reduzir  o  montante  cobrado  em  virtude  do  presente  processo  administrativo.  De  fato,  prevalecendo  o  entendimento  de  que  a  Impugnante  atuou de maneira  simulada nas operações  realizadas por CST e  CSN,  então  restariam  configuradas  unicamente  operações  de  importação,  entre  aquelas  e  os  fornecedores  estrangeiros,  sobre  as  quais  não  incidiriam  os  tributos  pagos  nas  saídas  efetuadas  pela Impugnante (IPI, PIS e COFINS).  Ainda subsidiariamente, caso não seja integralmente cancelado o  Auto  de  Infração  com  base  no  direito  acima  argüido,  o  que  se  admite  apenas  para  argumentar,  devese,  ao  menos,  ser  determinada  a  exclusão  dos  juros  de  mora  incidentes  sobre  a  multa de oficio, nos termos dos artigos 161 do CTN e 61, § 3º, da  Lei n° 9.430/96.  DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA  A fim de serem esclarecidos aspectos necessários para formar a  convicção  dos  julgadores,  foi  determinada  a  realização  de  diligência,  para  que  a  autoridade  preparadora  adotasse  as  seguintes medidas:  a)  oficiar  à  SECEX  para  se  manifestar  quanto  aos  aspectos  a  seguir indicados, relativamente às irregularidades apontadas pela  fiscalização  quando  do  exame  dos  Atos  Concessórios  de  Drawback  Suspensão  –  Fornecimento  no  Mercado  Interno  nº  2002.0025831  e  2004.0258718,  tendo  em  vista  envolverem  questões atinentes aos requisitos para a concessão do regime:  1. ausência dos editais de convocação e de prova da publicidade  das respectivas licitações internacionais;  2.  sistemática  de  pagamento  das  importações  da  autuada  diretamente no exterior, com recursos dos empréstimos externos  concedidos  à CSN e  à CST,  sem o  trânsito desses  recursos nas  contas da beneficiária dos atos concessórios, e com controle do  fornecimento das mercadorias importadas realizado pela empresa  alemã  SMS  DEMAG AG,  que  recebeu  a  quase  totalidade  dos  valores aplicados nessas operações; e  3. definição do beneficiário do regime, uma vez que apesar de os  atos concessórios  terem sido deferidos à SMS DEMAG LTDA,  verificase que nas propostas comerciais consolidadas consta que  Fl. 21256DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.247          21 o  fornecimento  dos  bens  será  realizado  por  um  consórcio  de  empresas,  sendo que na  referente  à obra da CSN,  a  liderança  é  formalmente atribuída à SMS DEMAG AG;   b)  apurar  de  que  forma  os  pagamentos  da  CST  e  da  CSN,  referentes  aos  equipamentos  finais  fornecidos  no  mercado  interno, foram repassados para a SMS DEMAG LTDA, informar  o  total  de  repasse  relativo  a  cada  Ato  Concessório,  e  anexar  documentação comprobatória;  c)  informar se a  industrialização e o fornecimento dos referidos  equipamentos foram efetivamente realizados pela SMS DEMAG  LTDA;  d) trazer ao processo outros documentos ou esclarecimentos que  a  autoridade  preparadora  entenda  necessários  ou  relevantes  à  instrução destes  autos e  ao  conseqüente  julgamento da presente  lide; e  e)  cientificar  o  sujeito  passivo  da  presente  Resolução  e  de  seu  resultado, e do prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar.  Em  atendimento  à  diligência  determinada  por  este  Órgão  Julgador,  a  autoridade  preparadora  apresentou  os  seguintes  esclarecimentos (fls. 20.54320544):  Os quesitos constantes às  fls. 3.623/24 exarados pela Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em Fortaleza  (CE)  foram respondidos pela Secretaria do Comércio Exterior SECEX  (quesito "a" itens 1, 2 e 3) e pela SMS DEMAG ( quesitos "b" e  "c"), como segue:  Quesito "a" itens 1, 2 e 3 Ofícios n°s 799/2011/IRFBHE/Gabin,  1015/2011/IRFBHE/Gabin  e  ofício  10/2012/SECEX,  fls  n°s  3.646/47, 3.665/66 e 3.667, respectivamente.  Quesitos  "b"  e  "c"  Termo  de  Intimação  Fiscal  n°  002311  e  resposta  da  interessada  SMS  DEMAG  LTDA  correspondência  s/n° de 24/10/11, fls n°s 3.649/50 e 3.651/63, nesta ordem.  Atendendo nosso Termo de  Intimação  fiscal  n°  000177,  fls  n°s  3.675/77,  a  interessada  apresentou,  por  meio  de  sua  correspondência s/n°, de 21/03/12, fls n°s 3.678 os arquivos em  formato PDF, tamanho máximo de 10Mb armazenados em 2 CD  não  regraváveis  em  substituição  aos  anteriores  contidos  no  pendrive.  Esses  arquivos  foram  integrados  às  fls.  n°s  3.729  a  20.493  ao  eprocesso sem ateste.  Quanto ao quesito "d" " trazer ao processo outros documentos ou  esclarecimentos  que  a  autoridade  preparadora  entenda  necessários  ou  relevantes  à  instrução  destes  autos  e  ao  conseqüente,  julgamento  da  presente  lide:"  anexei  às  fls  n°s  20.494/542,  o  inteiro  teor  do  Julgado  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  CARF  Terceira  Seção  de  Julgamento  tendo  como  recorrente  a  própria  SMS  DEMAG  Fl. 21257DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     22 LTDA  e  tratando  da  mesma  submodalidade  do  Regime  de  Drawback ou seja Fornecimento Mercado Interno quanto ao Ato  concessório 1616.00/0000639, de 17 de maio de 2000 Processo  n° 10611.003414/200650 Recurso ° 341.902 Voluntário Acórdão  n° 310100.289 – 1ª Câmara  / 1ª Turma Ordinária Sessão de  16  de  novembro  de  2009  Matéria  DRAWBACK  Suspensão  Recorrente SMS DEMAG LTDA Recorrida DRJFortaleza/ CE.  Em síntese, os resultados dessa diligência foram:  1) A SECEX, oficiada a  se manifestar  sobre as  irregularidades  apontadas  pela  fiscalização  relativamente  a  requisitos  para  concessão  do  regime  (ausência  de  edital  de  convocação  e  de  prova  da  publicidade  das  licitações  internacionais;  sistemática  de  pagamento  das  importações  e  adjudicação  da  obra  a  um  consórcio  de  empresas  –  e  não  à  beneficiária  do  regime),  respondeu:  3. Esclareço que os Atos Concessórios  (AC) em questão  foram  concedidos ao beneficiário SMS SIEMAG EQUIPAMENTOS E  SERVIÇOS LTDA, de inscrição no CNPJ nº 60.843.404/000130.  A concessão de ambos os atos cumpriu todos os requisitos legais  vigentes. Posteriormente,  seguindo  recomendação do Ministério  Público, em 2006, os AC foram revistos e anulados.  4.  Ademais,  a  edição  da  Medida  Provisória  nº  418/2008,  convertida na Lei nº 11.732/2008, gerou fato novo e, em 2008, a  empresa  solicitou  nova  revisão,  a  partir  da  qual  os ACs  foram  restabelecidos, respeitados todos os aspectos legais pertinentes, e,  atualmente  encontramse  em  processo  de  análise  de  baixa  pelo  DECEX.  2) A SMS DEMAG LTDA, em relação aos pagamentos recebidos  de  CST  e  CSN,  após  esclarecer  a  sistemática  de  antecipação  para quitação das importações, informou que:  1.2 Ato Concessório nº 2002.0025831 – CSN  Conforme informado durante a auditoria fiscal conduzida por V.  Sas.  no  âmbito  do  presente  processo  administrativo  (fls.  704  e  seguintes), para cumprir com as exigências constantes do artigo  5º da Lei nº 8.032/90 acerca do  financiamento do  fornecimento  que  se  efetuaria  no  mercado  interno,  a  CSN  celebrou  três  contratos de financiamento (todos já anexados ao presente feito),  a saber:  [...]  Este último contrato (fls. 1038 e seguintes) serviu de lastro para  o  pagamento  dos  dois  montantes  aqui  abordados  (15%  das  importações e parcela local).  Conforme  se  extrai  dos  documentos  contábeis  acostados  às  fls.  718, 719, 724 e 726 dos autos, a parcela paga pela CSN a título  de  adiantamento  de  15%  das  importações  totaliza  R$  4.590.483,58.  Extraise,  ademais,  do  pedido  de  baixa  do  ato  concessório  ora  comentado (fls. 849 e seguintes), que os pagamentos repassados  Fl. 21258DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.248          23 à  Requerente,  correspondentes  à  parcela  local  (em  atenção  às  notas fiscais emitidas), remontam a R$ 46.171.636,39 (= total –  importações).  1.3. Ato Concessório nº 2004.0258718 – CST  Conforme informado durante a auditoria fiscal conduzida por V.  Sas.  no  âmbito  do  presente  processo  administrativo  (fls.  704  e  seguintes),  a  CST  celebrou  dois  contratos  de  financiamento  (ambos já anexados ao presente feito), a saber:  [...]  Este último contrato (fls. 1771 e seguintes) serviu de lastro para  o  pagamento  dos  dois  montantes  aqui  abordados  (15%  das  importações e parcela local).  Destacase  que  as  informações  financeiras  e  esquema  de  pagamento desse contrato foram devidamente registrados perante  o  Banco  Central  do  Brasil,  como  evidencia  o  ROF  anexado  à  impugnação (fls. 2305 e seguintes).  Conforme  se  extrai  dos  documentos  contábeis  acostados  às  fls.  711 dos autos, a parcela paga pela CST a título de adiantamento  de 15% das importações perfaz R$ 4.261.665,84.  Extraise,  ademais,  do  pedido  de  baixa  do  ato  concessório  ora  comentado  (fls.  1.828  e  seguintes),  que  os  pagamentos  repassados  à  Requerente,  correspondentes  à  parcela  local  (em  atenção às notas fiscais emitidas), remontam a R$ 78.054.726,48  (= total – importações).  3) No tocante à comprovação da industrialização, a impugnante,  após  comentar  os  elementos  já  disponibilizados  à  fiscalização  relativos  ao  fornecimento  dos  bens  no  mercado  interno,  assim  respondeu ao TIF nº 002311 (fls. 36513659):  Como se vê, o fornecimento no mercado interno foi amplamente  verificado durante a auditoria fiscal da qual decorreu a lavratura  do  auto  de  infração.  Toda  as  provas  pertinentes  foram  adequadamente  produzidas,  pela  Requerente,  e  também  por  V.  Sas. [...]  A  fabricação,  pela  Requerente,  dos  equipamentos  fornecidos  a  CSN  e  CST,  jamais  foi  questionada  nos  presentes  autos.  Tornouse assim questão incontroversa. Nada obstante, com vistas  a  cooperar  com  a  adequada  formação  da  convicção  dos  I.  Julgadores,  a  Requerente,  enfatizando  sua  disposição  em  colaborar  com  o  trabalho  de  V.  Sas.  apresenta  os  seguintes  elementos [...]  Devido  à  conversão  do  processo  para  o  formato  digital,  a  impugnante foi intimada a apresentar os referidos elementos no  formado  adequado  (TIF  nº  000177,  de  29/2/2012),  tendo  informado que:  Fl. 21259DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     24 [...]  apresentamos  os  documentos  que  comprovam  a  fabricação  dos  equipamentos  pela  “SMS”,  os  quais  já  foram  entregues  a  essa Fiscalização, em 24/10/2011, nos formatos eletrônicos PDF,  dwg  e  jpg  [...]  agora  apresentados  somente  no  formato  PDF  contidos em CD não regravável como solicitado para adequação  de documentos na conversão do processo para o meio eletrônico  (eprocesso), a saber:  a) Ordens de Produção: total 10.710 páginas, em três arquivos;  b) Desenhos/Projetos: aprox. 5.500 desenhos;  c) Fotografias: aprox. 1.500 fotos;  d) Norma de Fabricação SMS nº SN200:  total de 131 páginas em único arquivo.  DA MANIFESTAÇÃO SOBRE A DILIGÊNCIA  A impugnante tomou ciência da diligência e de seu resultado em  17/5/2012 e apresentou manifestação  sobre esses  elementos  em  18/6/2012  fls.  2054720566),  da  qual  são  reproduzidos  os  seguintes trechos:  Como  informa  a  Autoridade  fiscal  no  Termo  de  Anexação  e  Despacho  de  Encaminhamento  de  23/04/2012  (fls.  20543),  o  quesito  "a",  itens  1,  2  e  3,  foi  respondido  pela  Secretaria  de  Comércio Exterior SECEX, mediante o Oficio 10/2012/SECEX  (fls.  3667).  Já  os  quesitos  "b"  e  "c"  foram  atendidos  pela  Requerente.  Após coletar as respostas acima referidas, a Autoridade fiscal não  realizou  qualquer  análise  adicional,  ou  formulou  qualquer  juízo  acerca  das  informações  obtidas.  Considerandose  tal  cenário,  a  Requerente utilizase da oportunidade que lhe foi concedida para,  assim como a Autoridade fiscal pretendeu fazer, destacar alguns  aspectos  que  certamente  haverão  de  influenciar  a  formação  da  convicção  dos  Senhores  Julgadores,  tornando  ainda  mais  evidente a necessidade de cancelamento do Auto de Infração.  A resposta da SECEX, constante do Ofício 10/2012/SECEX (fls.  3667), foi categórica:  "Esclareço  que  os  Atos  Concessórios  (AC)  em  questão  foram  concedidos ao beneficiário SMS SIEMAG EQUIPAMENTOS E  SERVIÇOS  LTDA.,  de  inscrição  no  CNPJ  n°  60.863.404/000130.  A  concessão  de  ambos  os  atos  cumpriu  todos  os  requisitos  legais vigentes (...)".  Ao assim se pronunciar, a SECEX não deixa dúvidas sobre o real  estado de  coisas  a  ser  considerado pela DRJ para o  julgamento  do  presente  caso:  todos  os  requisitos  de  concessão  foram  cumpridos  pela  Requerente,  quanto  aos  dois  atos  concessórios  questionados por meio do Auto de Infração. A SECEX, portanto,  ratificou  o  quanto  exposto  e  demonstrado  na  Impugnação  apresentada neste processo administrativo, ou seja:   Fl. 21260DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.249          25 Convocação  por  meio  de  CartasConvite  à  Legal  Nada  a  Questionar  Identificação  do  Beneficiário  (Adjudicação  ao  Consórcio)  à  Legal Nada a Questionar  Fluxo de Pagamentosà Legal Nada a Questionar  [...]  Tivesse  a  SECEX  indeferido  o  pedido  de  Ato  Concessório  de  Drawback  feito  pela  Requerente,  por  entender  que  as  informações e documentos apresentados pela mesma estavam em  desacordo  com  as  normas  sobre  a matéria,  a  Requerente  ainda  teria  tempo e oportunidade de rescindir os  respectivos contratos  de fornecimento com CSN e CST, que previam a utilização dos  benefícios  do  regime  de  drawback,  e  cujos  contratos  não mais  fariam sentido sem a aprovação do regime pela SECEX, pois que  as condições básicas dos negócios se assentavam nos benefícios  trazidos pelo regime de drawback.  A  Requerente,  absolutamente,  não  daria  prosseguimento  aos  contratos de fornecimento, caso tivesse a menor suspeita de que  as  operações  de  drawback  aprovadas  pela  SECEX  seriam  colocadas em dúvida pela RFB, ou melhor, canceladas pela RFB,  pois  o  que  para  a  SECEX  tudo  foi  aprovado  de  acordo  com  a  legislação de regência, para a RFB não está.  O  fato  é que  a Requerente agiu de boafé,  tendo apresentado ao  SECEX  todas  as  informações  e  documentos  solicitados  pelo  órgão, os quais foram considerados corretos e suficientes para a  emissão dos atos  concessórios de drawback, o que  lhe  trouxe  a  necessária  segurança  jurídica  para  seguir  com  os  contratos  assinados com a CSN e CST.  IV APÓS  O VEREDITO DA SECEX, NADA RESTOU... O AUTO DE  INFRAÇÃO DEVE SER CANCELADO  Nesse  estado  de  coisas,  todos  os  fundamentos  do  Auto  de  Infração foram reputados insubsistentes por quem de direito. Por  conseguinte,  inexistindo  qualquer  outra  razão  a  amparar  a  pretensão fiscal aqui criticada sendo certo que, a essa altura dos  fatos não se admite a revisão de lançamento, ex vi do que dispõe  o  artigo  149,  §  único  do  Código  Tributário  Nacional  CTN  (a  seguir examinado em maiores detalhes), há uma coisa só a fazer:  julgarse  procedente  a  Impugnação,  cancelandose  o  Auto  de  Infração.  V  QUESTÕES  ADICIONAIS:  DESCABIMENTO  DE  REVISÃO  DO  LANÇAMENTO  E  MODIFICAÇÃO  DE  CRITÉRIO JURÍDICO  A indagação que, naturalmente,  invade a mente do  leitor, nesse  momento, é a seguinte: se o quesito "a" da diligência abrangia a  totalidade  dos  fundamentos  do  Auto  de  Infração,  a  que  se  Fl. 21261DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     26 referem os  quesitos  "b"  e  "c"? Devem eles  ser  considerados  de  algum modo relevantes para o julgamento do presente caso?  Para  se  responder  às  indagações  acima  propostas,  é  necessário  lembrar  que  diligências  têm  por  objetivo  esclarecer  fatos  que  integram o rol de discussões de um processo administrativo. Não  são  espaços  para  a  proposição  de  inovações  ou  aprimoramentos ao lançamento tributário.  Os quesitos  "b"  e  "c" da diligência não podem ser  incluídos na  presente lide porque isso implicaria, a um só tempo, mudança de  critério jurídico, e ilegal revisão de lançamento. Esse catastrófico  efeito decorre de uma simples situação: em momento algum, na  história  do  presente  processo,  foi  apontada  qualquer  irregularidade  envolvendo  qualquer  dos  aspectos  objeto  dos  citados quesitos.  Muito pelo contrário.  No que tange ao tema do quesito "b", a Autoridade fiscal intimou  a  CSN  (fls.  1920)  a  apresentar  comprovante  dos  pagamentos  efetuados,  por  aquela,  em  favor  da  Requerente.  Consta  do  relatório de auditoria fiscal que tais documentos foram entregues  (fls.  1628/1629).  O  mesmo  ocorreu  com  a  CST:  a  Autoridade  fiscal  a  intimou  (fls.  1920)  a  apresentar  comprovante  dos  pagamentos efetuados em favor da Requerente. A CST atendeu à  requisição que lhe foi formulada, apresentando os documentos e  informações solicitados, como se apreende da carta de fls. 1927.  Ocorre  que  a  Autoridade  fiscal,  de  posse  de  todos  esses  documentos,  entendeu  não  haver  qualquer  irregularidade,  tanto  que  não  fez  constar,  dentre  o  rol  de  infrações  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  qualquer  menção  ao  repasse  de  valores  à  Requerente. Ou seja, a Autoridade fiscal auditou os repasses de  pagamentos  à  Requerente,  concluindo  não  haver  qualquer  aspecto a ser criticado.  Em relação ao acórdão do CARF (nº 310100.289) anexado pela  autoridade  preparadora  quando  da  diligência  determinada  por  este Órgão Julgador, a impugnante alegou que:  Em primeiro lugar, o acórdão trazido à colação pela Autoridade  fiscal  confirma  a  competência  da  SECEX  para  verificar  os  requisitos de concessão do regime de drawback ...  Em segundo lugar, o crédito tributário foi mantido, naquele caso,  sob  uma  acusação  que  não  encontra  par  no  presente  processo  administrativo,  qual  seja,  a  de  simulação.  Embora  exista  uma  insinuação  nesse  sentido  no  Auto  de  Infração  (tanto  que,  para  afastar  eventuais  dúvidas,  a  Requerente  dedicou  parte  de  sua  Impugnação a demonstrar a inexistência de qualquer simulação),  não há, no caso presente, uma acusação formalizada, verbalizada,  de  que  teria  havido  simulação.  Consequência  natural  dessa  circunstância  é  a  inexistência  de  qualquer  prova  sobre  uma  simulação que se pudesse supor existente.  [...]  Fl. 21262DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.250          27 Concluise,  pois,  que  o  acórdão  em  questão,  diversamente  de  reforçar  a  pretensão  fiscal,  reforça  a  necessidade  de  cancelamento do Auto de Infração.   Isto,  pois,  como  aqui  se  discutem  apenas  aspectos  técnicos  relativos  aos  requisitos  de  concessão  do  regime  de  drawback,  sendo estes de competência da SECEX (como reconheceu a DRJ,  aqui; e como reconhece o acórdão n° 310100.289), deve o Auto  de Infração ser cancelado, em vista da manifestação da SECEX  acima já examinada.  Retornados  os  autos  para  apreciação  desta  Turma  de  Julgamento, decidiuse pela necessidade de nova diligência  (fls.  2056820578),  pois  algumas  informações  solicitadas  não  foram  apresentadas  de  forma  a  esclarecer  satisfatoriamente  os  fatos  correspondentes. Assim, foi solicitado que a Unidade de Origem  adotasse as seguintes medidas:  a) esclarecer se foram examinados os pagamentos efetuados pela  CSN  e  pela  CST  à  SMS  Demag  Ltda.  referentes  à  parcela  nacional (valor total de cada bem deduzido dos adiantamentos já  realizados – valor total das importações dos respectivos insumos  e componentes) dos bens finais fornecidos no mercado interno, e  qual  foi  o  resultado  desse  exame,  ou  seja,  o  que  foi  apurado  como  pago  para  cada  Ato  Concessório,  de  que  forma  esses  pagamentos  foram  feitos  à  SMS  Demag  Ltda.  (depósito,  transferência,  cheque,  conta  utilizada),  qual  a  origem  dos  recursos utilizados para realização desses pagamentos, e quais os  documentos que comprovam essas informações;  b)  informar  se,  com  base  nos  livros  e  documentos  fiscais  solicitados  à  SMS  Demag  Ltda.  no  item  17  do  Termo  de  Intimação Fiscal nº 003600,  e nos demais elementos  constantes  nos autos, podese definir se foi ou não a própria beneficiária do  regime quem industrializou os equipamentos finais  fornecidos à  CSN e à CST;  Como  é  de  praxe,  foi  facultado  à  autoridade  preparadora  apresentar  outros  elementos  que  entendesse  relevantes  para  elucidação dos fatos, e requerida a ciência ao sujeito passivo da  diligência e de seus resultados.  Visando obter os dados necessários para prestar as informações  solicitadas,  a  Unidade  de  Origem  intimou  o  sujeito  passivo  a  apresentar demonstrativos dos  recebimentos da CSN e da CST,  referentes  à  parcela  nacional,  discriminando  cada  operação,  inclusive  quanto  à  forma  de  pagamento,  acompanhado  de  documentação comprobatória (fls. 2058220584).  Com  base  nos  elementos  fornecidos  pela  autuada,  inclusive  na  auditoria fiscal e nas fases anteriores da instrução processual, a  autoridade  preparadora  produziu  a  Informação  Fiscal  a  fls.  2107521.130, da qual se destacam os seguintes esclarecimentos  e conclusões, em síntese:  Fl. 21263DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     28 A  intermediação  na  negociação  privada  citada  por  esta  Fiscalização  referese  somente  às  importações,  cujos  fornecimentos  –  em  sua maior  parte  –  foi  realizado  pela  SMS  DEMAG AG,  conforme  se  constata  às  fls.  648  a  650,  tendo  a  mesma  sida  paga,  diretamente  no  exterior,  pelos  agentes  financiadores dos empréstimos contraídos pela CSN e CST.  [...]  Não  afirmamos  que  a  SMS  DEMAG  LTDA  não  tenha  realizado  a  industrialização.  Nada  foi  apurado  na  auditoria  realizada que pudesse nos possibilitar tal afirmação!  [...]  A  SMS  DEMAG  LTDA  [...]  apresentou  comprovantes  de  recebimentos  (extratos  bancários),  os  demonstrativos  devidamente  preenchidos,  conforme  intimação  [...]  e  algumas  informações que foram devidamente transcritas na parte 1, linha  acima.  [...]  Assim,  fruto  do  trabalho  agora  realizado,  no  demonstrativo  abaixo apresentamos o “.. o resultado desse exame, ou seja, o  que  foi  apurado  como pago  para  cada Ato Concessório  ...”,  parte do que se determina na Resolução 8.002.474 da 7ª Turma  da DRJ/FOR – fls. 20.577, último § e 20.578.  O  resultado  decorre  das  informações/documentos  no  presente  apresentados  pela  SMS  DEMAG  LTDA,  por  meio  de  sua  correspondência,  s/nº  de  02/10/13  –  fls. Nºs  20.600  a  20.691  –  como  valores  recebidos  da  CSN  e  CST  e  também  as  informações/documentos  apresentados,  à  época,  por  essas  empresas como valores pagos.  Ato Concessório nº 2002.0025831  [...]  Conforme  se  constata,  os  valores  informados  pela  CSN  e CST  como  pagos  à  SMS  DEMAG  LTDA  são  inferiores  aos  informados  pela  SMS  DEMAG  LTDA  como  recebidos  das  mesmas.  Entretanto,  não  podemos  negar  a  efetividade  de  pagamentos  efetuados  pela  CSN  e  CST,  de  conformidade  com  as  “exportações  fictas”  compromissadas nos Atos Concessórios de  Drawback  –  modalidade  Suspensão  –  submodalidade  Fornecimento  no  Mercado  Interno  nº  2002.0025831  e  2004.0258718,  entretanto,  repetimos,  foram  insuficientes.  Esperavase mais!  Esperavase  que  as  divisas  –  representativas  dos  financiamentos  contraídos no exterior que efetivamente ocorreram, conforme se  comprova pelos contratos apresentados pela beneficiária – fls. nºs  893 a 988, 1.108 A 1.159, 1.161 A 1.179, 2.265 A 2.322, 2.326  A  2.337  e  2.338  a  2.390  –  entrassem  no  território  nacional  em  quantidade  suficiente  para  o  pagamento  de  100%  das  importações + parcela nacional (mercadorias + serviços) e não  Fl. 21264DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.251          29 apenas para o pagamento de 15% das importações + parcela  nacional (mercadorias + serviços).  Em relação à origem e comprovação dos pagamentos recebidos  pela  beneficiária  do  regime  relativos  à  “parcela  nacional”  a  autoridade  lançadora  assim  se  pronunciou,  em  relação  a  cada  Ato Concessório em foco:  Para o Ato Concessório nº 2002.0025831  Temos  pois  que o  valor  recebido  no  total  de R$ 46.171.636,39  declarado e comprovado pela SMS DEMAG LTDA – é inferior  ao valor do financiamento obtido junto ao BNDES (Contrato nº  01.2.309.1.1  –  subcréditos  “a”  e  “b”,  R$  41.890.800,00  e  R$  15.313.800,00  respectivamente,  que  totalizou R$ 57.204.600,00  – fls. nºs. 1.16 e 1.179 – o que respalda a operação.  Para o Ato Concessório nº 2004.0258718   Temos pois que o valor  recebido no  total de R$ 78.054.726,48,  declarado e comprovado pela SMS DEMAG LTDA – é inferior  ao valor do financiamento obtido junto ao European Investment  Bank – EIB (contrato F1 Nº BR, de 21/07/04), que totalizou US$  70,000,000.00 – fls. nºs. 2.338 a 2.390 o que respalda a operação.  No  tocante  à  confirmação  quanto  à  efetiva  industrialização  e  fornecimento  dos  equipamentos  no  mercado  interno,  foi  informado que:  Assim,  tendo  como  elementos  de  prova  os  documentos  apresentados tanto pela SMS DEMAG LTDA quanto pela CSN  e CST – acima relacionados – e, ainda pela constatação de que os  equipamentos/máquinas  objeto  das  exportações  fictas  encontravamse  nos  parques  industriais  da  CSN  e  CST,  em  19/02/09  e  02/03/09,  respectivamente,  datas  das  nossas  visitas  técnicas, conforme fotos – fls. 6356 a 645 – concluímos que foi a  SMS  DEMAG  LTDA,  beneficiária  do  Regime  Aduaneiro  Especial  de  Drawback,  quem  industrializou  e  forneceu  os  equipamentos/máquinas à CSN e à CST.  A  impugnante  foi  cientificada  da  segunda  diligência  e  de  seu  resultado  em  21/11/2013,  e  apresentou  manifestação  tempestivamente,  em  6/12/2013  (fls.  21.13521160),  na  qual  inicialmente alerta sobre o risco de inovação no julgamento, no  caso  de  alteração  do  critério  jurídico  do  lançamento,  e  em  seguida conclui que:  [...]  todas  as  respostas  apresentadas  pelas  Autoridades  Fiscais  objetivamente  aos  quesitos  “a”  e  “b”  da  Resolução  foram  amplamente  favoráveis  à  Manifestante  na  medida  que  demonstraram,  de  forma  cabal,  que  houve  a  efetiva  industrialização e o subsequente fornecimento dos equipamentos  no  mercado  interno,  bem  como  a  realização  de  pagamentos  à  Manifestante para tanto.   Fl. 21265DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     30 Na sequência, volta a discorrer  sobre a incompetência da RFB  para  analisar  os  requisitos  para  concessão  do  Drawback  e  a  regularidade do fluxo de pagamento das importações. Tratase da  reiteração e complementação de argumentos já apresentados na  inicial, diante da Informação Fiscal produzida pela fiscalização,  que  renovou  seu  entendimento  quanto  às  irregularidades  apuradas na auditoria fiscal no tocante ao processo licitatório e  à sistemática de pagamento das importações.  A manifestante aduziu que a delimitação de atribuições entre a  SECEX e a RFB, no caso sob exame, está em plena sintonia com  a  mais  abalizada  doutrina  administrativa  atual,  conforme  demonstram  os  acórdãos  do  CARF  cujas  ementas  reproduz,  inclusive  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  cujo  julgamento  foi  unânime  (Acórdãos  310100.328,  de  4/12/2009  e  9303001.932, de 11/4/2012). Destaca que ambas as decisões são  claras as dispor sobre a ausência de competência da RFB para  revisar  os  requisitos  necessários  a  concessão  do  regime  pela  Secex,  como  salientaram  os  conselheiros  Tarásio  Campelo  Borges  e  Susy  Gomes  Hoffmann,  relatores  dos  acórdãos  supracitados.  Com  base  nesse  entendimento  e  na manifestação  da  SECEX,  a  impugnante  considerou  que  não  há  dúvidas  quanto  à  regularidade dos Atos Concessórios em tela.   Em seguida a defendente torna a discorrer sobre a regularidade  do  fluxo  de  pagamento,  inclusive  para  demonstrar  que  a  sistemática  utilizada,  com  desembolso  de  85%  do  valor  das  importações diretamente no exterior, não comprometeu o ganho  cambial  das  operações.  Destaca  que  inexiste  norma  que  disponha  sobre  a  necessidade  das  divisas  externas  captadas  transitarem  fisicamente  no  País,  e  diferencia  pagamento  de  tradição, para concluir que:  Neste  estado  de  coisas,  juridicamente  é  seguro  dizer  que  os  ‘pagamentos’ de fato ocorreram no Brasil. O que ocorreu no  exterior foi apenas a ‘tradição’ das divisas, ou seja, a sua efetiva  entrega  física. A  tradição  das  divisas,  por  sua  vez,  através  das  entidades  financiadoras  na  condição  de  mandatárias  da  Manifestante.  A manifestante sustenta que essa prática é comum em operações  de  financiamento  internacional,  sendo conhecida como buyer’s  credit, e que contou com a anuência não apenas da Secex, como  também  do  Banco  Central  do  Brasil  (Bacen),  onde  os  empréstimos contratados pela CSN e CST foram registrados no  módulo ROF do SISBACEN.  Foi  salientado  que,  assim que  houve  a  tradição  das  divisas  no  exterior,  os  pagamentos  foram  devidamente  refletidos  na  contabilidade da requerente.  A  impugnante  alegou  que  o  resultado  cambial  previsto  para  o  regime independe da forma de pagamento das importações, pois  o  que  deve  ser  comparado  é  a  relação  entre  o  valor  total  das  importações  e  o  valor  líquido  das  exportações,  no  caso  o  fornecimento no mercado interno, consoante dispõe a legislação  regente. A defendente informou que o cálculo do ganho cambial  Fl. 21266DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.252          31 foi demonstrado nos pedidos de baixa dos Atos Concessórios em  foco,  com  base  nos  dados  contidos  no  Relatório  Unificado  de  Drawback (RUD), bem como na impugnação apresentada.  Ao  final  da  manifestação  sobre  a  segunda  diligência  foi  reiterado  o  pedido  para  cancelamento  integral  do  crédito  tributário.  Sobreveio  decisão  da  7ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou, por unanimidade de votos, procedente a impugnação,  cancelando o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido  encontram­se consubstanciados na ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 09/08/2002 a 02/03/2006  DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA.  A  contagem do  prazo  decadencial  para  lançamento  referente a  operação  vinculada  ao  regime  aduaneiro  especial  Drawback  Suspensão obedece à regra do art. 173, I, do CTN, pois durante  a  vigência  do  ato  concessório  os  tributos  incidentes  na  importação ficam suspensos, e o Fisco só poderá exigi­los se, e  quando, ficar caracterizado o descumprimento do regime.  ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Período de apuração: 09/08/2002 a 02/03/2006  DRAWBACK  SUSPENSÃO.  REVISÃO  DE  REQUISITO  PARA  CONCESSÃO DO REGIME. ILEGITIMIDADE DA RFB.  No âmbito do regime aduaneiro especial Drawback Suspensão,  cabe  à  Secretaria  do  Comércio  Exterior  o  exame  quanto  aos  requisitos  para  sua  concessão,  os  quais  não  são  suscetíveis  de  revisão  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  a  quem  compete  fiscalizar  a  regularidade  das  operações  vinculadas,  inclusive  quanto  ao  cumprimento  dos  termos  e  condições  pactuados no ato concessório.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 09/08/2002 a 02/03/2006  LANÇAMENTO.  INSUFICIÊNCIA  DE  PROVA.  VÍCIO  MATERIAL.  É  nulo,  por  vício  material,  o  lançamento  baseado  em  irregularidades  cujos  indícios  trazidos  aos  autos  sejam  insuficientes para comprová­las.  Como o valor do crédito tributário exonerado ficou acima do limite alçada, o  Presidente da Turma recorreu de ofício a este Conselho.  É o relatório.  Fl. 21267DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     32   Voto             Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto  O recurso de ofício atende aos requisitos legais de admissibilidade, razão pela  qual dele tomo conhecimento.  O  auto  de  infração  foi  lavrado  devido  a  fiscalização  ter  verificado  o  descumprimento pela contribuinte do ter considerado descumprido o regime aduaneiro especial  Drawback  Suspensão  –  Fornecimento  no  Mercado  Interno,  em  relação  a  dois  Atos  Concessórios.  A  contribuinte  não  teria  atendido  aos  requisitos  concernentes  à  licitação  internacional  e  ao  pagamento  das  importações  em  moeda  conversível,  proveniente  de  financiamento com recursos financeiros captados no exterior.  Impugnado  o  lançamento,  a  7ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento em Fortaleza/CE declarou a nulidade do auto de infração, devido a entender que a  RFB não possuiria competência para verificar os citados requisitos, que seriam de competência  da Secex.   Em sendo esta a questão em julgamento neste recurso de ofício, esclarece­se  que o CARF já possui entendimento sumulado de que o Auditor­Fiscal da Receita Federal do  Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na  modalidade suspensão:  Súmula CARF nº 100: O Auditor­Fiscal da Receita Federal do  Brasil  tem  competência  para  fiscalizar  o  cumprimento  dos  requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí  compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão  em  razão  do  reconhecimento  de  beneficio,  e  a  verificação,  a  qualquer  tempo,  da  regular  observação,  pela  importadora,  das  condições fixadas na legislação pertinente.  Observo ainda que,  em se  tratando de  regime aduaneiro especial Drawback  Suspensão – Fornecimento no Mercado Interno, encontra­se na área de competência da RFB a  verificação  dos  requisitos  de  aos  requisitos  concernentes  à  licitação  internacional  e  ao  pagamento das importações em moeda conversível.  Neste  sentido,  dada  a  clareza  e  a  propriedade  na  explanação  da  matéria,  transcrevo  excerto  do  voto  proferido  no  acórdão  nº  3102­002.225  –  1ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária  /  3ª Seção, de  lavra do Conselheiro  José Fernandes do Nascimento,  ao qual  adoto  como razões de decidir:  [...]Portanto, a questão principal que precisa ser dirimida nesta  assentada  cinge­se,  novamente,  a  análise  da  competência  da  RFB  para  apreciar  os  requisitos  concernentes  à  licitação  internacional  e  ao  financiamento  externo  das  importações.  Em  seguida,  se superada essa questão, precisa  ser decidido  se  este  Colegiado  pode  analisar  as  questões  de  fundo,  atinentes  à  licitação  internacional  e  ao  financiamento  externo  das  importações, que não foram apreciadas no julgado recorrido.  Fl. 21268DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.253          33 Nos  autos,  inexiste  controvérsia  no  sentido  de  que  a  Secex  é o  órgão  competente  para  a  concessão  do  regime  drawback  suspensão, modalidade fornecimento no mercado interno. Nesse  sentido, expressamente asseverou a autoridade fiscal no excerto  da Descrição dos Fatos (fl. 3603), a seguir transcrito:  1)  A  SECEX  detém  competência  exclusiva  para  conceder  o  regime suspensivo de drawback quando efetivamente cumpridas  a  formalização,  o  acompanhamento  e  a  verificação  do  adimplemento  do  compromisso  de  exportar,  ou  (no  caso  vertente)  o  compromisso  de  fornecer  no  mercado  interno  equipamentos  fabricados  no  País  com  peças  importadas.  Ao  atestar o adimplemento do regime (que no caso vertente nunca se  deu), a Secex confirma tão somente a condição suspensiva do  regime,  que  até  o  momento  se  encontrava  sob  condição  resolutória. (grifos do original)  Aliás,  esse  entendimento  está  em  consonância  com  disposto  no  art. 338 do Decreto nº 4.543, de 2002 (Regulamento Aduaneiro  de 2002 – RA/2002), e o estatuído no art. 2º1 da Portaria MEFP  nº 594, de 25 de agosto de 1992. Aliás, em consonância com o  disposto no referido preceito regulamentar, no âmbito da Secex,  na época dos  fatos,  vigia o Comunicado Decex nº 21, de 11 de  novembro de 1997, com as alterações posteriores, que tratava da  concessão  do  regime  drawback,  modalidade  fornecimento  no  mercado interno, no Título 14 do Capítulo III, com os seguintes  dizeres, in verbis:  TÍTULO 14 ­ Drawback para Fornecimento no Mercado Interno  14.1  Operação  especial  concedida,  exclusivamente  na  modalidade  suspensão,  para  importação  de  matéria­prima,  produto  intermediário  e  componente  destinados  a  processo  de  industrialização,  no  País,  de máquinas  e  equipamentos  a  serem  fornecidos  no  mercado  interno,  em  decorrência  de  licitação  internacional,  conforme  disposto  no  art.  5º  da  Lei  nº  8.032,  de  12/04/90.  14.2 Deverá ser observado o disposto no Título 8 e no Anexo VII  desta CND.  Do  Título  8,  que  trata  das  considerações  gerais  sobre  os  requisitos e condições para concessão de todas as modalidades  do  regime  drawback  suspensão,  extrai­se  os  seguintes  excertos  relevantes para o deslinde da controvérsia, a seguir transcritos:  TÍTULO 8 Considerações Gerais  8.1 Para pleitear o Regime de Drawback, modalidade suspensão,  a  empresa  deverá  apresentar  o  formulário  Pedido  de  Drawback  consignando  a  classificação  na  Nomenclatura                                                              1 "Art. 2º Constitui atribuição da Secretaria Nacional de Economia SNE,  nos termos do art. 2o, da Lei no 8.085,  de 23 de outubro de 1990, a concessão do regime, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua  formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar."  Fl. 21269DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     34 Comum do MERCOSUL (NCM), a descrição, a quantidade e  o  valor da mercadoria a  importar  e do produto  a  exportar,  em  moeda  de  livre  conversibilidade,  dispensada  a  referência  a  preços unitários.  1. Deverá ser observado, obrigatoriamente, o disposto no Anexo  III desta CND.  [...]  8.6 No exame do Pedido de Drawback, será levado em conta o  resultado cambial da operação.  1. A relação básica a ser observada é de 40% (quarenta por  cento),  estabelecida  pela  comparação  do  valor  total  das  importações,  aí  incluídos  o  preço  da  mercadoria  no  local  de  embarque no exterior e as parcelas estimadas de  seguro,  frete e  demais  despesas  incidentes,  com  o  valor  líquido  das  exportações,  assim  entendido  o  valor  no  local  de  embarque  deduzido  das  parcelas  de  comissão  de  agente,  eventuais  descontos e outras deduções.  2.  Quando  da  apresentação  do  pleito,  a  interessada  deverá  fornecer  os  valores  estimados  para  seguro,  frete,  comissão  de  agente, eventuais descontos e outras despesas.  8.7  A  concessão  do  Regime  dar­se­á  com  a  emissão  de  Ato  Concessório de Drawback.  8.8  O  prazo  de  validade  do  Ato  Concessório  de  Drawback  é  determinado  pela  data­limite  estabelecida  para  a  efetivação  das  exportações vinculadas e será compatibilizado ao ciclo produtivo  do produto  a exportar,  com o objetivo de permitir  a exportação  no menor prazo possível.  [...]  8.10  Poderá  ser  solicitada,  por  meio  do  formulário  Aditivo  ao  Pedido  de  Drawback,  a  inclusão  de  mercadoria  não  prevista  quando da  concessão do Regime, desde que  fique  caracterizada  sua utilização na industrialização do produto a exportar.  1. Na análise do pleito serão observadas as normas em vigor  para o Regime, inclusive no tocante ao resultado cambial.  [...](grifos não originais)  Especificamente  em  relação  o  regime  drawback  suspensão,  modalidade  fornecimento  no  mercado  interno,  os  trechos  do  Anexo VII  representativos paro apreciação do caso  em apreço,  seguem reproduzidos:  ANEXO  VII  FORNECIMENTO  NO  MERCADO  INTERNO  (LICITAÇÃO INTERNACIONAL)  1.  Poderá  ser  concedido  o  Regime  de  Drawback,  modalidade  suspensão,  para  os  casos  que  envolverem  a  importação  de  matéria­prima,  produto  intermediário  e  componente  destinados  a  processo  de  industrialização,  no  País,  de  máquinas  e  equipamentos  a  serem  fornecidos  no  mercado  Fl. 21270DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.254          35 interno,  em decorrência de  licitação  internacional, na  forma do  art. 5º da Lei nº 8.032, de 12/04/90.  2. O formulário Pedido de Drawback deverá ser acompanhado da  seguinte documentação:  a) cópia do edital da concorrência internacional;  b) cópia da proposta do fornecimento;  c) catálogos técnicos e/ou especificações e detalhes do material a  ser importado;  d)  declaração  da  empresa  licitante  certificando  que  a  empresa  foi  vencedora  da  licitação  e  que  o  Regime  de  Drawback foi considerado na formação do preço apresentado  na proposta;  e)  correspondência  do  órgão  financiador  aprovando  a  adjudicação;  [...](grifos não originais)  Com base na relação de documentos exigidos para concessão do  regime em apreço, verifica­se que o controle exercido pela Secex  limita­se apenas a verificação do cumprimento de formalidades  meramente  formais  e  burocráticas,  atinentes  à  documentação  apresentada.  No  que  tange  à  licitação  internacional  e  ao  financiamento  externo (alíneas “a”, “d” e “e”), requisitos indispensáveis para  concessão  do  regime,  a  Secex  limita­se  a  exigir,  no  primeiro  caso, cópia do edital da licitação internacional e declaração da  empresa licitante informando a empresa vencedora do certame e  que o regime drawback foi considerado na formação do preço na  proposta  de  financiamento.  No  segundo  caso,  mera  correspondência do órgão financiador.  É  indubitável  que,  em  relação aos  requisitos  para  a  concessão  do  regime,  a  apreciação  e  a  decisão  de  mérito  cabiam  às  autoridades  competentes  da  Secex.  No  entanto,  há  que  se  diferenciar a verificação do cumprimento dos  requisitos para a  concessão  do  regime  da  verificação  do  cumprimento  das  condições  estabelecidas  no  ato  de  concessão  do  regime,  bem  como os as condições e requisitos estabelecidos na legislação de  regência.  Feita esta diferença básica,  tem­se ainda que as consequências  decorrentes  do  descumprimento  dos  requisitos  para  concessão  do  regime  e  do  descumprimento  dos  requisitos  e  condições  do  regime  também  são  distintos.  No  primeiro  caso,  implicará  no  indeferimento  do  regime,  se  constatado  previamente  à  emissão  do ato concessório, ou na anulação do referido ato, se detectado  posteriormente.  Neste  caso,  inequivocamente,  a  matéria  é  da  competência  exclusiva  da  Secex.  Essa  segunda  hipótese,  nulidade do ato, foi o que ocorreu no caso em tela.   Fl. 21271DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     36 Nessa  situação,  obviamente,  o  regime  deixa  de  existir  e  os  tributos suspensos passam a ser imediatamente exigíveis. Quanto  a essa questão,  inexiste controvérsia, uma vez que há anuência  da  própria  Relatora  do  voto  que  serviu  de  fundamento  da  decisão recorrida.  A  controvérsia  emerge  quanto  à  apreciação  dos  requisitos  e  condições  do  regime.  Neste  ponto,  entendeu  a  Turma  de  Julgamento  a  quo  que  o  simples  restabelecimento  do  ato  concessório  era  suficiente  para  espancar  todas  as  irregularidades  apontadas  pela  fiscalização,  que,  no  que  tange  ao  financiamento  externo,  relacionam  às  irregularidades  ocorridas  após  a  concessão  do  regime  e  que,  certamente,  não  foram analisadas pelo Decex.  Por  força dessa circunstância, com a devida vênia, discorda­se  do  entendimento  da  i.  Relatora,  haja  vista  que  o  restabelecimento  do  ato  concessório  representa  a  confirmação  de  que  os  requisitos  para  a  concessão  do  regime  foram  atendidos,  segundo  o  entendimento  do  Decex.  No  caso,  específico, o requisito relativo à licitação internacional.  Porém,  essa  condição,  embora  necessária,  não  era  suficiente  para assegurar a manutenção da suspensão do crédito tributário  contemplada na concessão do regime, que exige ainda que sejam  cumpridas as condições estabelecidas no ato de concessão e na  legislação de regência, o que só pode ser verificado em momento  posterior, durante ou após a conclusão do regime.  E  a  competência  para  verificar  o  cumprimento  das  referidas  condições,  posteriormente  a  concessão  do  regime,  induvidosamente, desde que haja exclusão de crédito tributário,  induvidosamente, é da RFB, conforme expressamente previsto no  art.  3º  da  Portaria MEFP  nº  594,  de  25  de  agosto  de  1992,  a  seguir transcrito:  Art. 3o Constitui atribuição do Departamento da Receita Federal  –  DpRF2  a  aplicação  do  regime  e  a  fiscalização  dos  tributos,  nesta  compreendidos  o  lançamento  de  crédito  tributário,  sua  exclusão  em  razão  de  reconhecimento  do  benefício  e  a  verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela  importadora,  dos  requisitos  e  condições  fixados  pela  legislação pertinente. (grifos não originais)  De  acordo  com  o  referido  artigo,  infere­se  que,  diferentemente  do  que  entendeu  a  Turma  de  Julgamento  de  primeiro  grau,  enquanto não  transcorrido o prazo de decadência do direito de  lançar o crédito tributário suspenso, a RFB tem sim competência  para verificar, o regular cumprimento dos requisitos e condições  fixados  no  ato  de  concessão  e  na  legislação  e,  se  apurado  irregularidades  que  importem  no  descumprimento  de  tais  requisitos e condições,  tem o poder­dever de  lançar os  tributos  devidos,  com  os  consectários  legais  cabíveis,  em  consonância  com disposto no art. 142 do CTN e do art. 10 do PAF, o que foi  feito no caso em comento.                                                              2 Secretaria da Receita Federal do Brasil, atualmente.  Fl. 21272DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.255          37 Por  todas  essas  razões,  não  se  pode  concordar  com  o  entendimento  da  i.  Relatora,  explicitado  no  voto  que  serviu  de  fundamento do julgado recorrido (fl. 5103), no sentido de que a  fiscalização  da  RFB  não  tinha  competência  para  verificar  o  cumprimento dos requisitos atinentes à licitação internacional e  ao  financiamento  externo  das  importações,  sob  argumento  de  que  a  verificação  e  a  fiscalização  de  tais  requisitos  eram  da  alçada exclusiva do Decex.  Admitir tal entendimento, a meu ver, resultaria na vinculação da  atividade  de  lançamento  do  tributo  não  à  lei,  conforme  determina  o  art.  142  do  CTN,  mas  ao  que  fosse  decidido  por  outro  órgão  administrativo,  que,  sabidamente  não  tem  competência  para  se  pronunciar,  em  caráter  definitivo,  sobre  matéria de natureza tributária, em especial, sobre a legitimidade  de concessão de incentivo fiscal.  Por  essa  razão,  entende­se  que,  em  face  das  competências  distintas,  o  ato  concessório  emitido  pelo  Decex,  induvidosamente,  não  vincula  a  atividade  de  lançamento  da  autoridade fiscal da RFB, a quem compete, inclusive, verificar o  atendimento  das  condições  estabelecidas  no  referido  ato.  É  de  sabença  que,  na  emissão  do  referido  ato,  são  fixadas  algumas  condições,  que,  se  descumpridas,  inevitavelmente,  acarreta  a  perda  do  incentivo  fiscal  previsto  para  o  respectivo  regime  de  drawback.  Não  é  demais  ressaltar,  mais  uma  vez,  que  não  se  podem  confundir  os  requisitos  fixados  para  concessão  do  regime  ou  emissão do ato concessório, que se encontram estabelecidos em  atos  normativos  editados  pela  própria  Secex  (no  caso,  o  Comunicado  Decex  nº  21,  de  1997),  com  os  requisitos  e  condições fixados na legislação para fruição do incentivo fiscal  do  regime. Na primeira hipótese,  é óbvio  que  não cabe  a RFB  invadir a seara de competência da Secex e adentrar no mérito ou  alterar  decisão  proferida  pelo  referido  Órgão,  sob  pena  de  ingerência  indevida  nas  atribuições  de  outro  órgão  administrativo.  Nesse  ponto,  nenhuma  divergência  há  com  o  entendimento do i. Relatora.   Enquanto  que,  na  segunda  hipótese,  é  inquestionável  a  competência  assegurada  a  RFB,  para  fiscalizar  o  regular  cumprimento  dos  requisitos  e  condições  do  regime,  fixados  na  legislação de regência, com a finalidade, inclusive, de verificar o  adimplemento das obrigações assumidas no ato de concessão do  regime pelo Decex.  Nesse sentido, é evidente que a atuação dos dois órgãos ocorre  em momentos e de forma distintos e complementares. Com efeito,  cabe  à  Secex,  previamente,  a  concessão  do  regime  e  a  RFB,  posteriormente,  fiscalizar  os  requisitos  e  condições  legais  estabelecidos para fruição do regime.  Não  se  pode  olvidar  que  as  prerrogativas  da  RFB  e  de  seus  auditores  fiscais,  em matéria  de  competência  para  fiscalizar  o  cumprimento  da  legislação  relativa  a  tributos  tem  precedência  Fl. 21273DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     38 sobre os demais órgãos e é de índole constitucional, uma vez que  expressamente  atribuída  no  art.  37,  XVIII,  da  Constituição  Federal  de  1988.  Com  base  nessa  competência,  uma  vez  constatada  qualquer  irregularidade,  que  implique  exigência  de  crédito  tributário,  a  autoridade  fiscal  tem  o  poder­dever  de  realizar  o  lançamento  do  crédito  tributário,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  conforme  expressamente  dispõe  o  art. 142 do CTN.  Além disso,  por  ser o  regime drawback  suspensão uma espécie  de  isenção  sob  condição  resolutória,  sujeita  a  evento  futuro  e  incerto (adimplemento dos requisitos e condições do regime), em  conformidade com disposto no art. 179, § 2º, combinado com o  artigo  155,  ambos  do  CTN,  o  crédito  tributário,  obrigatoriamente,  deverá  ser  lançado  sempre  que  constatado  que  o  contribuinte  não  cumpriu  ou  deixou  de  satisfazer  os  requisitos legais para concessão de tal benefício fiscal.  Assim,  fica  demonstrado  que,  no  caso  em  tela,  a  fiscalização  tinha  sim  competência  para  verificar  o  cumprimento  dos  requisitos  relativos  (i)  à  existência  regular  da  licitação  internacional  e  (ii)  ao  efetivo  pagamento  das  importações  em  moeda conversível, proveniente de financiamento concedido por  instituição  financeira  internacional,  da  qual  o Brasil  participe,  ou  por  entidade  governamental  estrangeira  ou,  ainda,  pelo  Banco  Nacional  de  Desenvolvimento  Econômico  e  Social  BNDES,  com  recursos  captados  no  exterior,  pois  se  trata  de  requisito  fixado  no  art.  5º  da  Lei  nº  8.032,  de  1990,  com  a  redação da Lei nº 10.184, de 2001, a seguir transcrito:  Art.  5º O  regime  aduaneiro  especial  de  que  trata  o  inciso  II  do  art. 78 do Decreto­Lei no37, de 18 de novembro de 1966, poderá  ser  aplicado  à  importação  de  matérias­primas,  produtos  intermediários e componentes destinados à fabricação, no País,  de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado  interno,  em  decorrência  de  licitação  internacional,  contra  pagamento  em  moeda  conversível  proveniente  de  financiamento concedido por instituição financeira internacional,  da  qual  o  Brasil  participe,  ou  por  entidade  governamental  estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento  Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.184,  de  2001)  (grifos  não  originais)  Com  base  no  referido  preceito  legal,  infere­se  que  a  comprovação  do  pagamento  das  máquinas  e  equipamentos,  produzidos  e  fornecidos  no  mercado  interno,  em  moeda  conversível  originária  de  financiamento  externo  concedido  por  instituição financeira pública estrangeira ou o pelo BNDES, com  recursos  captados  no  exterior,  trata­se  de  requisito  imprescindível  para  aplicação  e  fruição  do  incentivo  fiscal  do  regime drawback, modalidade fornecimento no mercado interno.  No  caso,  se  o  pagamento  dos  equipamentos  fornecidos  no  mercado interno ocorreu após a concessão do regime e emissão  do  ato  concessório,  é  óbvio  que  a  verificação  do  cumprimento  deste  requisito  pode  e  deve  ser  feito  pela  fiscalização  da RFB.  Essa verificação, certamente, não implicará qualquer ingerência  Fl. 21274DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10611.001042/2009­70  Acórdão n.º 3201­001.816  S3­C2T1  Fl. 21.256          39 nas  prerrogativas  de  concessão  do  regime,  que,  conforme  anteriormente exposto, limita­se a exigência de apresentação de  uma mera correspondência emitida pelo órgão financiador.  Dessa  forma,  fica  demonstrado  que  a  mera  apresentação  da  documentação  relacionada  no  item  2  do  Anexo  VII  do  Comunicado  Decex  nº  21,  de  1997,  embora  seja  requisito  necessário  para  concessão  do  regime  pelo  Decex,  certamente,  não tem o condão de excluir a competência da RFB de verificar,  posteriormente,  enquanto  não  decaído  do  direito  de  lançar  o  tributo,  se  os  equipamento  foram pagos  em moeda  conversível,  proveniente  de  financiamento  ou  de  recursos  financeiros  captados no exterior pelo BNDES. Não admitir que a RFB não  detém tal competência, na prática, significaria a impossibilidade  material  de  verificação  do  cumprimento  de  requisito  essencial,  instituído em lei, para fruição dos benefícios fiscais decorrentes  da aplicação do regime em tela.  No caso, certamente, a mera apresentação da cópia do edital da  licitação internacional, acompanhada de declaração da empresa  licitante, certificando que a empresa beneficiária do regime foi a  vencedora  do  certame  e  que  o  regime  de  drawback  foi  considerado  na  formação  do  preço  apresentado  na  proposta,  não  impede  que  a  fiscalização  da  RFB  verifique  os  requisitos  estabelecidos para a referida licitação fora cumprido.  Por  fim,  no  mesmo  sentido  do  entendimento  aqui  esposado,  consolidou­se  a  jurisprudência  deste  Conselho,  por  meio  da  Súmula CARF nº 100, de obrigatória adoção pelo membros deste  Órgão de julgamento, cujo enunciado segue transcrito:  O Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil  tem competência  para  fiscalizar  o  cumprimento  dos  requisitos  do  regime  de  drawback  na  modalidade  suspensão,  aí  compreendidos  o  lançamento  do  crédito  tributário,  sua  exclusão  em  razão  do  reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo,  da  regular  observação,  pela  importadora,  das  condições  fixadas  na legislação pertinente.  Por  todas  essas  razões,  chega­se  a  conclusão  de  que,  ao  contrário do que entendeu a Turma de Julgamento de primeira  instância,  a  RFB  tem  sim  competência  para  fiscalizar  o  cumprimento  dos  requisitos  e  condições  da  modalidade  do  regime drawback suspensão em destaque, incluindo os requisitos  concernentes  à  licitação  internacional  e  ao  pagamento  das  importações  em  moeda  conversível,  proveniente  de  financiamento com recursos financeiros captados no exterior.  Neste passo,  uma  vez  superada  a  questão  prejudicial  suscitada  pela  Turma  de  Julgamento  a  quo,  uma  questão  de  índole  eminentemente  processual  remanesce  e  deve  ser  dirimida:  este  Colegiado  prossegue  na  análise  e  conhece  das  questões  de  mérito ou deve devolver os autos ao órgão de julgamento a quo,  para  julgamento  das  questões  de  méritos  não  apreciadas  no  julgado recorrido?  Fl. 21275DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     40 A  segunda  alternativa,  a  meu  ver,  transparece  ser  a  mais  adequada  com  o  princípio  do  devido  processo  legal,  rege  o  processo  administrativo  fiscal,  sob  pena  de  supressão  de  instância  e  de  restar  configurado  o  cerceamento  do  direito  de  defesa da autuada.   Diante  de  todo  o  exposto,  voto  por  dar  parcial  provimento  ao  recurso  de  ofício, para afastar a prejudicial de incompetência da RFB, anulando a decisão a quo, devendo  o presente processo  retornar a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE  para fim de apreciação das questões de mérito suscitadas na peça impugnatória.  Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto ­ Relator                                Fl. 21276DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO

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Numero do processo: 18471.001550/2006-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. TRANSAÇÕES EFETUADAS NO CONTEXTO DA OPERAÇÃO "BEACON HILL". É cabível a qualificação da multa de ofício, quando comprovada a participação do Contribuinte na intermediação de operações de câmbio à margem do sistema bancário nacional. Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 11/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1846; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 1.429          1 1.428  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  18471.001550/2006­69  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­003.756  –  2ª Turma   Sessão de  29 de janeiro de 2016  Matéria  Normas gerais de direito tributário ­ multa de ofício qualificada  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  ANTÔNIO GONÇALVES CARNEIRO    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2001  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  MULTA  DE  OFÍCIO.  QUALIFICAÇÃO.  TRANSAÇÕES  EFETUADAS  NO  CONTEXTO  DA  OPERAÇÃO "BEACON HILL".   É  cabível  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  quando  comprovada  a  participação  do  Contribuinte  na  intermediação  de  operações  de  câmbio  à  margem do sistema bancário nacional.  Recurso Especial do Procurador provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.  (assinado digitalmente)  CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  MARIA HELENA COTTA CARDOZO ­ Relatora.    EDITADO EM: 11/02/2016  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 50 /2 00 6- 69 Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     2 Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior e Gerson Macedo Guerra.    Relatório  Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física,  acrescido  de  juros  de  mora  e  multa  de  ofício  qualificada,  tendo  em  vista  a  omissão  de  rendimentos  relativa  ao  ano­calendário  de  2000.  O  Relatório  Fiscal  de  fls.  41  a  44  assim  registra:  "Tendo  em  vista  todos  estes  elementos  citados  como:  o  Memorando  259/2006  da  Secretaria  da  Receita  Federal;  a  própria  resposta  do  contribuinte  através  de  seu  advogado  em  30.10.2006,  bem  como  o  próprio  depoimento  do  fiscalizado  à  Justiça Federal, esta auditoria se mostra convencida de que o Sr.  ANTÔNIO  intermediava  operações  de  câmbio  à  margem  do  sistema financeiro.  Do  ponto  de  vista  tributário  em  relação  ao  ano­calendário  de  2000, e seguindo o item 3.3.3 do Roteiro caso Beacon Hill, que  orienta  a  busca  do  valor  do  ganho  obtido  nas  operações  de  casos  como  o  do  estudo,  e  assim  proceder  à  tributação  dos  valores obtidos como omissão de  rendimentos,  (item 3.3.3  ­  a),  esta  auditoria  entendeu  que  o melhor a  fazer  seria  totalizar  as  operações,  calcular  o  percentual  de  0,5%,  dividir  por  2,  para  apurar o ganho de cada sócio e desta  forma encontrar o valor  que  deveria  ter  sido  declarado  individualmente  na  DIRPF,  exercício  2001,  ano­calendário  2000,  do  contribuinte,  mensalmente.  E,  assim  foi  feito  conforme  demonstram  as  planilhas mensais em anexo.  Porém como uma parte deste valor já foi declarado e pago, via  carnê­leão,  no montante  de  R$  415,50  mensais,  teríamos  para  achar  o  valor  a  lançar  a  cada  mês,  de  junho  a  dezembro  de  2000, no auto de infração, de deduzir este valor já recolhido, o  que foi feito quando dos cálculos no auto de infração."  Impugnado o lançamento, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no  Rio de Janeiro/ RJ II, observou a necessidade de juntada de documentos aos autos, razão pela  qual solicitou a diligência de fls. 86.  Em  09/08/2007,  a  DRJ  no  Rio  de  Janeiro/RJ  II  considerou  procedente  o  lançamento, por meio de decisão assim ementada (fls. 106 a 115):  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício: 2001  MULTA  DE  OFÍCIO  DEVIDO  À  OCORRÊNCIA  DE  SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. O lançamento de  multa  qualificada  exige  que  a  autoridade  fiscalizadora  traga  elementos  para  os  autos  que  provem  a  presença  de  Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 18471.001550/2006­69  Acórdão n.º 9202­003.756  CSRF­T2  Fl. 1.430          3 elemento  subjetivo na  conduta do  contribuinte de  forma a  demonstrar que este quis os resultados que os art. 71 a 73  da  lei  4.502/64  elencam  como  caracterizadores  de  sonegação,  fraude  ou  conluio,  ou  mesmo  que  assumiu  o  risco  de  produzi­los.  Manutenção  da  multa  quando  os  elementos dos autos fazem prova de tal conduta.  PRESUNÇÃO  JURIS  TANTUM.  INVERSÃO  DO  ÔNUS  DA  PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO.  A  presunção  legal  juris  tantum  inverte  o  ônus  da  prova. Neste  caso,  a  autoridade  lançadora  fica  dispensada  de  provar  que  o  depósito  bancário  não  comprovado  (fato  indiciário)  corresponde, efetivamente, ao auferimento de  rendimentos  (fato  jurídico  tributário).  Cabe  ao  Fisco  simplesmente  provar  a  ocorrência  do  fato  indiciário;  e  ao  contribuinte  cumpre  provar  que o fato presumido não existiu na situação concreta.  ADEQUAÇÃO  DA  PRESUNÇÃO  LEGAL.  VINCULAÇÃO  DA  AUTORIDADE  ADMINISTRATIVA.  Não  cabe  ao  julgador  administrativo  discutir  se  a  presunção  estabelecida  em  lei  é  apropriada  ou  não,  pois  se  encontra  totalmente  vinculado  aos  ditames  legais  (artigo  116,  inciso  III,  da  Lei  n.°  8.112/1990),  mormente  quando  do  exercício  do  controle  de  legalidade  do  lançamento  tributária  (artigo  142  do  Código  Tributário  Nacionál ­ CTN).  Nesse  passo,  não  é  dado  apreciar  questões  que  importem  a  negação de  vigência  e  eficácia  do  preceito  legal  que,  de modo  inequívoco,  estabelece  a  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos (artigo 42, caput, da Lei n.° 9.430/1996).  PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de  prova documental deve ser  feita durante a fase de impugnação,  precluindo o direito de o interessado fazê­lo em outro momento  processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de  sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira­se  a fato ou a direito superveniente ou destine­se a contrapor fatos  ou razões posteriormente trazidos aos autos.  INCONSTITUCIONALIDADE.  ILEGALIDADE.  A  autoridade  administrativa  não  possui  atribuição  para  apreciar  a  argüição  de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais.  As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional  gozam  de  presunção  de  Constitucionalidade  de  legalidade  até  decisão em contrário do Poder Judiciário.  PEDIDO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS  Deve  ser  indeferido  o  pedido  de  juntada  de  novas  provas,  quando  for  prescindível  para  o  deslinde  da  questão  a  ser  apreciada, contendo o processo os elementos necessários para a  formação da livre convicção do julgador."  Cientificado  da  decisão  de  Primeira  Instância,  o  Contribuinte  interpôs  o  Recurso Voluntário de fls. 120 a 142.   Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     4 O julgamento do recurso foi convertido em diligência, por meio do Acórdão  nº  3804­00.002,  de  19/03/2009  (fls.  154  a  161).  Em  atendimento,  foram  juntados  os  documentos de fls. 166 a 1.298.  Em  sessão  plenária  de  18/09/2012,  foi  julgado  o  Recurso  Voluntário  nº  164.726, prolatando­se o Acórdão nº 2801­002.669 (fls. 634 a 639), assim ementado:  “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Exercício: 2001  OMISSÃO DE RENDIMENTOS.  Estando  devidamente  comprovada  nos  autos  a  omissão  de  rendimentos  de  IRPF,  inclusive  tendo  sido  reconhecida  pelo  próprio  contribuinte,  mediante  depoimento  prestado  ao  Juízo  Federal,  a  descaracterização  do  lançamento  somente  pode  ocorrer  se  forem  apresentados  documentos  hábeis  e  idôneos  capazes de contrapor as provas que fundamentaram a autuação.  PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente sua convicção.  ÔNUS DA PROVA.  Cabe ao contribuinte produzir provas de que o fato gerador não  tenha  ocorrido,  para  fins  de  descaracterização  do  lançamento,  não podendo ser imputado esse ônus ao Fisco.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  CARÁTER  DE  CONFISCO. INOCORRÊNCIA.  O conceito de confisco, previsto no art. 150, V, da Constituição  Federal, não se aplica à multa de lançamento de ofício, por não  se constituir tributo, mas sim penalidade pecuniária prevista em  lei.  MULTA  QUALIFICADA.  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE.  JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO.  A  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito  passivo  (Súmula  CARF  nº  14).  O  evidente  intuito  de  fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização.   DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.  Com  exceção  das  decisões  judiciais  transitadas  em  julgado,  proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral,  as  demais  decisões  administrativas  e  judiciais  não  vinculam os  julgamentos  deste  Conselho,  posto  que  inexiste  lei  que  lhes  atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos  entre  as  partes  envolvidas,  não  beneficiando nem prejudicando  terceiros.  Preliminares Rejeitadas.  Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 18471.001550/2006­69  Acórdão n.º 9202­003.756  CSRF­T2  Fl. 1.431          5 Recurso Voluntário Provido em Parte.”  A decisão foi assim registrada:  “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,  rejeitar as preliminares suscitadas pelo recorrente e, no mérito,  pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para  desqualificar  a  multa  de  ofício  lançada,  reduzindo­a  ao  percentual  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento).  Vencidos  os  Conselheiros Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre  e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que votaram por declarar nula  a decisão de primeira instância.”  Cientificada  do  acórdão  em  13/02/2013  (ciência  pessoal  às  fls.  640),  a  Fazenda Nacional  interpôs,  em  27/02/2013  (RM – Relação  de Movimentação  de  fls.  642)  o  Recurso Especial de fls. 643 a 653, visando rever a desqualificação da multa de ofício.  Ao  Recurso  Especial  foi  dado  seguimento,  conforme  o  despacho  de  07/06/2013 (fls. 1.416/1.417).  No apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese:  ­  a  sonegação  refere­se  à  conduta  (comissiva ou omissiva) para  impedir  ou  retardar  o  conhecimento  da  ocorrência  do  fato  gerador  ou  das  condições  pessoais  da  contribuinte;  fraude,  do  artigo  72,  que  não  se  trata  de  fraude  à  lei,  mas  ao  Fisco,  atua  na  formação  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  impedindo  ou  retardando  sua  ocorrência, como, também, depois de formado, modificando­o para reduzir imposto ou diferir  seu pagamento;  ­ há necessidade de se analisar a conduta do contribuinte, se de fato ocorreu  dano ao erário e se possuía ou devia possuir consciência de que causava o dano;  ­ no caso concreto,  faz­se mister examinar se a materialidade da conduta se  ajusta à norma inserida nos artigos da Lei nº 4.502/64 a que remete a Lei nº 9.430/96 em seu  artigo  44,  inciso  II  (atual  art.  44,  I,  c/c  §  1º,  da  Lei  nº  9.430/96,  conforme  nova  redação  conferida  pela  Lei  nº  11.488,  de  15  de  junho  de  2007,  resultante  da  conversão  da  MP  nº  351/2007);  ­  como  visto,  restou  cristalina  a  atividade  ilícita  do  autuado,  observada  a  partir  da  conduta  de  enviar  recursos  para  o  exterior,  à  margem  do  sistema  financeiro,  em  esquema fraudulento, objeto de investigações pela Polícia Feeral.  ­  destarte,  conforme provam os  documentos  constantes  dos  autos,  o  sujeito  passivo, repita­se, por sua ação firme e abusiva, em burla ao cumprimento da obrigação fiscal,  demonstrou  conduta  consciente  de  quem  procura  e  obtém  determinado  resultado:  enriquecimento sem causa;  ­  para  o  elemento  subjetivo  do  injusto,  há  exigência  de  outros  elementos,  destacando­se,  para  o  caso,  o  especial  fim  de  agir,  onde  o  agente  busca  um  resultado  compreendido no tipo, mas que não precisa necessariamente alcançar;  Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     6 ­ surgem como elementos da conduta a consciência e a vontade, pois que a  conduta foi realizada e, mais, dirigida a uma determinada finalidade, além de ser exteriorizada.  ­ tudo considerado, conclui­se que o contribuinte: i) praticou atividade ilícita  comprovada,  descrita  no  auto  de  infração  e  confirmada  no  termo  de  verificação  fiscal,  observada a partir da apuração de remessas de recursos para o exterior, à margem do sistema  financeiro,  em  atividade  que  indica  o  intuito  de  fraude;  ii)  como  resultado  de  sua  conduta  dolosa,  houve  diminuição  do  efetivo  valor  da  obrigação  tributária,  com  o  conseqüente  pagamento a menor do tributo devido, em evidente prejuízo ao erário; iii) a conduta foi sempre  resultado de sua vontade, livre e consciente, já que realizada de forma sistemática, objetivando  impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal;  iv)  a  conduta  demonstrou  desprezo  ao  cumprimento  da  obrigação  fiscal,  ao  princípio  da  solidariedade  de  matriz  constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo;  ­  por  todos os motivos  expostos,  deve  ser mantida  a qualificação da multa,  posto que amparada nos comandos  legais aplicáveis e  justificada pelo contexto probante que  instrui os presentes autos.  Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso  Especial, reformando­se o acórdão recorrido, para restabelecer a multa de 150%.  Cientificado  em  24/06/2014  (fls.  1.423  a  1.425),  o  Contribuinte  quedou­se  silente (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.427).    Voto             Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo a atende  aos  demais  pressupostos  de  admissibilidade,  portanto  deve  ser  conhecido.  Não  foram  oferecidas Contrarrazões.  Trata­se  de  omissão  de  rendimentos,  tendo  em  vista  a  intermediação  de  operações  de  câmbio  à  margem  do  sistema  financeiro,  no  contexto  do  esquema  que  ficou  conhecido como "Beacon Hill", que originou a CPI do Banestado. A Fiscalização totalizou as  operações,  aplicou o percentual de ganho de 0,5%, dividiu por dois, pois havia um sócio do  Contribuinte, e ainda subtraiu do valor apurado os rendimentos declarados, sujeitos ao carnê­ leão. Foi aplicada multa qualificada no percentual de 150%.   No acórdão recorrido, a penalidade foi desqualificada, conforme o seguinte  fundamento:  "Assim, para que seja possível a qualificação da multa de ofício  faz­se necessária a caracterização do evidente intuito de fraude  pelo  contribuinte  e  que  tal  procedimento  seja  perfeitamente  demonstrado  na  autuação,  com  o  devido  esclarecimento  na  descrição  dos  fatos  do  auto  de  infração.  O  evidente  intuito  de  fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização.  Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 18471.001550/2006­69  Acórdão n.º 9202­003.756  CSRF­T2  Fl. 1.432          7 Compulsando  os  autos,  tanto  no  auto  de  infração  (fls.  45/48)  quanto  no  Relatório  Fiscal  01  (fls.  41/44),  parte  integrante  do  auto  de  infração,  não  consta  qualquer  informação  ou  esclarecimento  acerca  das  razões  que  resultaram  na  qualificação  da  multa,  ou  seja,  não  foi  demonstrado  e  comprovado  que  o  contribuinte,  ao  omitir  os  rendimentos  lançados, incorreu em evidente intuito de fraude.  Conforme  jurisprudência  pacífica  deste  Conselho,  consolidada  na Súmula  CARF  nº  14,  a  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude do sujeito passivo.  Por  tais  razões  deve  ser  afastada  a  qualificação  da  multa  de  ofício aplicada."  Primeiramente,  esclareça­se  que,  no  que  tange  à  Súmula  CARF  nº  14,  aplicada  no  acórdão  recorrido,  a  jurisprudência  da Câmara  Superior  tem  sido  no  sentido  de  aceitar­se Recurso Especial, desde que o Recorrente indique paradigma em que, tratando­se de  situação  fática  semelhante,  dita  súmula  não  tenha  sido  aplicada,  mantendo­se  a  multa  qualificada.  E  nesse  sentido  a  Fazenda  Nacional  indica  paradigma  em  que  se  examinou  o  mesmo contesto da operação "Beacon Hill", mantendo­se a qualificadora, conforme o seguinte  fundamento, reproduzido no recurso:  "Nessa  linha,  nos  parece  cristalino  que,  ao  ultrapassarmos  a  questão  da  sujeição  passiva,  isto  é,  ao  esposarmos  o  entendimento de que se encontram reunidos nos autos elementos  que tornam indubitável que foi a Recorrente a responsável pela  entrega dos recursos, no exterior, a  terceiros, a caracterização  do intuito de fraude prescinde de maior dilação probatória, vez  que  o  processo  investigativo,  em  especial  o  promovido  no  âmbito  do Ministério  Público  Federal  e  do  Departamento  de  Policia  Federal,  revelou  (segundo  a  decisão  prolatada  pelo  Juízo  Federal  da  r  Vara Criminal  de  Curitiba  ­  fls.  189/192)  uma montagem de  esquema  fraudulento,  um  sistema  paralelo  de  remessas, mantido  à margem de  qualquer  controle  oficial,  constituindo,  assim,  ambiente  propício  à  sonegação  fiscal,  evasão de divisas e ainda lavagem de dinheiro."  (destaques da  Recorrente)  Assim,  na  mesma  linha  do  paradigma,  no  entender  desta  Conselheira  a  participação do Contribuinte na  intermediação de operações de câmbio à margem do sistema  financeiro, no contexto do esquema que ficou conhecido como "Beacon Hill", por si  só,  já é  suficiente para a manutenção da qualificadora, uma vez que não se pode falar, em absoluto, de  "simples  omissão  de  rendimentos".  Com  efeito,  a  utilização  dos  artifícios  da  operação  ora  tratada não deixa dúvidas, no sentido da intenção de ocultar os valores movimentados.   Nesse  mesmo  sentido  foi  proferido  por  esta  Turma  o  Acórdão  nº  9202­ 002.551, de 05/03/2013, em que se deu provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional,  assim registrando:  Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     8 "É  certo  que  a  jurisprudência  do CARF  é  no  sentido  de  que  a  reiteração  da  “simples  omissão  de  rendimentos”  não  enseja  a  qualificação  da  penalidade,  tanto  é  assim  que  foi  editada  a  Súmula CARF  nº  14,  sem  ressalvas  quanto  a  eventual  conduta  reiterada.  Entretanto,  repita­se  que  as  provas  dos  autos  não  apontam  para  uma  simples  omissão  reiterada, mas  sim  para  a  participação  em  esquema  internacional  de  remessas  de  divisas  ao  exterior,  à  margem  do  sistema  bancário  nacional,  conduta  esta  que,  ainda  que  fosse  ausente  a  reiteração,  ensejaria  a  qualificação da penalidade.  Em  face  de  tal  contexto,  evidentemente  que  é  incabível  a  aplicação da Súmula CARF nº 14. Com efeito, a participação no  esquema  que  ficou  conhecido  como  “CPI  do  Banestado”,  caracterizado  como  um  conjunto  de  operações  visando  a  remessa  irregular  de moeda,  à margem do  sistema bancário  e,  principalmente,  da  tributação,  de  forma  alguma  autoriza  a  desqualificação da penalidade, eis que é evidente a existência de  dolo."  Diante  do  exposto,  dou  provimento  ao  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda Nacional.    (assinado digitalmente)  MARIA HELENA COTTA CARDOZO ­ Relatora                              Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO

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6322038 #
Numero do processo: 10980.016579/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 NULIDADES. INEXISTÊNCIA. As hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. A Receita Federal do Brasil possui competência para indicar, no auto de infração, os responsáveis pelo crédito tributário lançado. RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. De acordo com o citado art. 135, III, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. DECADÊNCIA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. A aplicação do disposto no art. 61 da Lei 8.981, de 1995 decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela administração tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%. A incidência em referência sustenta-se na presunção legal de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, desloca-se a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173, I, do mesmo diploma. DECADÊNCIA. MULTA E JUROS ISOLADOS. TERMO DE INÍCIO. As multas e os juros lançados isoladamente decorrem de lançamento de oficio e, por decorrência, não se submetem, para fins da contagem do prazo da decadência do poder-dever em constituir o crédito tributário, às regras do lançamento por homologação. Assim o prazo decadencial começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento do crédito tributário poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. PAGAMENTOS SEM CAUSA COMPROVADA. Os pagamentos a beneficiários não identificados, ou a terceiros, quando não for comprovada a operação ou sua causa, sujeitam-se à incidência do imposto exclusivamente na fonte. MULTA DE OFÍCIO E JUROS EXIGIDOS ISOLADAMENTE. A fonte pagadora que deixar de reter e recolher dos beneficiários dos rendimentos o imposto de renda suscetível de antecipação do valor devido no ajuste anual, responde pela multa de oficio e juros moratórios, exigidos isoladamente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A conduta consistente na utilização de interpostas pessoas para acobertar movimento próprio, buscando fugir ao recolhimento de tributos, materializa artifício doloso e enseja a imposição da multa de ofício qualificada.
Numero da decisão: 2301-004.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Acompanhou pelas conclusões a Conselheira Alice Grecchi.. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator e Presidente EDITADO EM: 23/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 NULIDADES. INEXISTÊNCIA. As hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. A Receita Federal do Brasil possui competência para indicar, no auto de infração, os responsáveis pelo crédito tributário lançado. RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. De acordo com o citado art. 135, III, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. DECADÊNCIA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. A aplicação do disposto no art. 61 da Lei 8.981, de 1995 decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela administração tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%. A incidência em referência sustenta-se na presunção legal de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, desloca-se a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173, I, do mesmo diploma. DECADÊNCIA. MULTA E JUROS ISOLADOS. TERMO DE INÍCIO. As multas e os juros lançados isoladamente decorrem de lançamento de oficio e, por decorrência, não se submetem, para fins da contagem do prazo da decadência do poder-dever em constituir o crédito tributário, às regras do lançamento por homologação. Assim o prazo decadencial começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento do crédito tributário poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. PAGAMENTOS SEM CAUSA COMPROVADA. Os pagamentos a beneficiários não identificados, ou a terceiros, quando não for comprovada a operação ou sua causa, sujeitam-se à incidência do imposto exclusivamente na fonte. MULTA DE OFÍCIO E JUROS EXIGIDOS ISOLADAMENTE. A fonte pagadora que deixar de reter e recolher dos beneficiários dos rendimentos o imposto de renda suscetível de antecipação do valor devido no ajuste anual, responde pela multa de oficio e juros moratórios, exigidos isoladamente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A conduta consistente na utilização de interpostas pessoas para acobertar movimento próprio, buscando fugir ao recolhimento de tributos, materializa artifício doloso e enseja a imposição da multa de ofício qualificada.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2261; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 70          1 69  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.016579/2007­74  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2301­004.531  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  8 de março de 2016  Matéria  Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Recorrente  IRIS COLOR EXPRESS COMERCIO DE MAT FOTOGRAFICOS LTDA.  Recorrida  União (Fazenda Nacional)     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 2002, 2003, 2004  NULIDADES. INEXISTÊNCIA.  As hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal são as elencadas  no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972.  LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA.  A  Receita  Federal  do  Brasil  possui  competência  para  indicar,  no  auto  de  infração, os responsáveis pelo crédito tributário lançado.  RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA.  De acordo com o citado art. 135, III, os diretores, gerentes ou representantes  de pessoas  jurídicas de direito privado são pessoalmente  responsáveis pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou infração de lei.  DECADÊNCIA.  PAGAMENTO  A  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO.  IMPOSTO  DE  RENDA  TRIBUTADO  EXCLUSIVAMENTE NA FONTE.   A aplicação do disposto no art. 61 da Lei 8.981, de 1995 decorre, sempre, de  procedimentos  investigatórios  levados a efeito pela administração  tributária,  não  sendo  razoável  supor  que  o  contribuinte,  espontaneamente,  promova  pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e,  em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%.   A  incidência  em  referência  sustenta­se  na  presunção  legal  de  que  os  pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em  virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, desloca­se a  responsabilidade  pelo  recolhimento  do  tributo  correspondente  para  quem  efetuou o pagamento.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 65 79 /2 00 7- 74 Fl. 816DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   2 No  caso,  a  constituição  do  crédito  tributário  correspondente  só  pode  ser  efetivada  com  base  no  art.  149,  I,  do Código  Tributário Nacional,  sendo  a  decadência  do  direito  de  se  promover  tal  procedimento  disciplinada  pelo  disposto no art. 173, I, do mesmo diploma.  DECADÊNCIA. MULTA E JUROS ISOLADOS. TERMO DE INÍCIO.   As  multas  e  os  juros  lançados  isoladamente  decorrem  de  lançamento  de  oficio e, por decorrência, não se submetem, para fins da contagem do prazo  da decadência do poder­dever em constituir o crédito tributário, às regras do  lançamento  por  homologação. Assim  o  prazo  decadencial  começa  a  fluir  a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  que  o  lançamento  do  crédito tributário poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN.   PAGAMENTOS SEM CAUSA COMPROVADA.  Os pagamentos a beneficiários não identificados, ou a terceiros, quando não  for comprovada a operação ou sua causa, sujeitam­se à incidência do imposto  exclusivamente na fonte.  MULTA DE OFÍCIO E JUROS EXIGIDOS ISOLADAMENTE.  A  fonte  pagadora  que  deixar  de  reter  e  recolher  dos  beneficiários  dos  rendimentos o imposto de renda suscetível de antecipação do valor devido no  ajuste  anual,  responde  pela  multa  de  oficio  e  juros  moratórios,  exigidos  isoladamente.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.  A  conduta  consistente  na  utilização  de  interpostas  pessoas  para  acobertar  movimento próprio, buscando fugir ao recolhimento de  tributos, materializa  artifício doloso e enseja a imposição da multa de ofício qualificada.      Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros  do  colegiado, por unanimidade, negar provimento  ao  recurso voluntário,  nos  termos do voto do  relator. Acompanhou pelas conclusões a Conselheira Alice Grecchi..    (assinado digitalmente)  João Bellini Júnior  Relator e Presidente    EDITADO EM: 23/03/2016  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Júnior  (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi,  Ivacir Júlio de  Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca  Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).  Relatório  Trata­se de recurso voluntário em face do Acórdão 06­16.917, exarado pela  1ª Turma da DRJ em Curitiba (fls. 427 a 453 – numeração dos autos eletrônicos).   Fl. 817DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.016579/2007­74  Acórdão n.º 2301­004.531  S2­C3T1  Fl. 71          3 O auto de infração (fls. 377 a 399), constitui crédito tributário referente a: (a)  falta  de  recolhimento  do  imposto  de  renda  na  fonte  sobre  pagamentos  sem  causa  ou  de  operação não comprovada; (b) multa isolada por falta de retenção ou recolhimento do Imposto  sobre  a  Renda  Retido  na  Fonte  (IRRF)  e  (c)  juros  isolados  falta/atraso  na  retenção  ou  recolhimento do IRRF.  É  exigido  crédito  tributário  no  montante  de  R$718.444,93,  sendo  R$98.341,88 de IRRF; R$66.554,61, de juros moratórios sobre o IRRF lançado, calculados até  31/10/2007; R$147.512,77, de multa de ofício proporcional ao IRRF lançado; R$359.087,93, a  de  multa  de  ofício  lançada  isoladamente;  e  R$46.947,74,  de  juros  de  mora  lançados  isoladamente.  Tomando  emprestado  o  relatório  do  acórdão  da  DRJ,  verifica­se  que  as  infrações  determinantes  da  lavratura  do  auto  de  infração  se  subdividem  em  dois  grupos  distintos.  A  primeiro  deles  se  refere  a  pagamentos  que  beneficiaram  diretamente  os  irmãos  Ricardo  de  Almeida  César  e  Ednaldo  de  Almeida  Cezar,  únicos  sócios  da  autuada.  Tais  pagamentos ocorreram por meio de saques por eles efetuados diretamente em caixas bancários;  na  quitação  de  gastos  pessoais,  como  conta  de  luz,  telefone,  tv  por  assinatura,  planos  de  previdência  privada,  títulos  de  capitalização,  etc;  e  também por meio  de  valores  sacados  de  cheques  utilizados  no  pagamento  de  aquisição  de  terrenos  e  construção  de  residências  para  eles, embora a escritura tenha sido outorgada em nome de uma empresa pertencente à sua mãe.  Parcela significativa desses valores foi movimentada em contas­corrente e de  poupança mantidas nos  nomes dos próprios beneficiários  acima citados,  no banco Bradesco,  mas  que  pertenciam  de  fato  à  pessoa  jurídica  autuada,  conforme  declararam  os  titulares.  Inúmeros  pagamentos  foram  realizados  à  construtora que  edificou  as  residências  dos  sócios,  com recursos sacados de estabelecimentos que eram de fato meras filiais da empresa autuada,  mas  que  se  encontravam  registrados  em  nome  de  empresas  “laranjas”,  conforme  restou  apurado no PAF relativo ao lançamento de  IRPJ e reflexos. Esses pagamentos, bem como as  respectivas  empresas  “laranjas”  que  os  teriam  efetuado,  se  encontram  discriminados  às  fls.  356­359. A fiscalização considerou que tal artifício exterioriza dolo evidente, pelo que, sobre  tais pagamentos, exclusivamente, aplicou multa de ofício qualificada.  Os  pagamentos  que  compõem  esse  primeiro  grupo,  ou  seja,  aqueles  que  beneficiaram os dois sócios,  listados às fls. 360­369, foram caracterizados como rendimentos  recebidos de pessoas jurídicas sujeitos à tributação na fonte a título de antecipação do imposto  devido  no  ajuste  anual.  Em  razão  de  já  haver  transcorrido  o  prazo  para  apresentação  das  declarações  anuais  respectivas,  a  responsabilidade  sobre  o  imposto  foi  atribuída  diretamente  aos  beneficiários.  Assim,  a  autuação  sobre  a  fonte  pagadora  contempla  a  multa  de  ofício  isolada, pela falta de retenção e recolhimento, bem como os juros moratórios.  A segunda espécie de infração é composta pelos pagamentos realizados pela  autuada cujos beneficiários não puderam ser identificados, seja por não terem sido localizados  ou por não  apresentarem comprovação da  causa. Esses pagamentos  se  encontram  listados  às  fls.  371­372,  e  foram  considerados  pagamentos  sem  causa  e  tributados  exclusivamente  na  fonte, com reajustamento da base de cálculo.  Os  fatos  e  circunstâncias  determinantes  da  feitura  do  lançamento,  aqui  sintetizados,  se  encontram  detalhados  no  termo  de  verificação  fiscal  das  fls.  349­372.  É  também  conveniente  a  leitura  do  termo  de  encerramento  da  ação  fiscal  do  processo  administrativo fiscal 10980.006978/2007­27, relativo ao IRPJ e reflexos (fls. 690 a 752).  Fl. 818DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   4 Foram  lavrados  termos  atribuindo  sujeição  passiva  solidária  aos  sócios  Ricardo de Almeida César e Ednaldo de Almeida Cezar (fls. 403 e 404), em face dos art. 124 e  135 do CTN.  A  autuada  foi  cientificada  do  lançamento  em 03/12/2007  (fl.  388). Em  sua  impugnação, alegou, em síntese, que:  (a) há nulidade do auto de infração em função de:  (a.1)  a  base  de  cálculo  já  ter  sido  utilizada  em  outro  auto  de  infração  veiculado no processo administrativo fiscal 10980.006978/2007­27, no qual o Fisco entendeu  que  a movimentação  da  conta  corrente  dos  sócios  da  autuada  era  receitas  da  própria  pessoa  jurídica  e  tributou  tais  valores  com  base  no  lucro  arbitrado;  no  presente  auto  de  infração,  o  Fisco quer fazer crer que os mesmos valores movimentados nas contas correntes dos sócios são  receitas das pessoas físicas e que devem ser tributados tanto na pessoa física quanto na pessoa  jurídica (dever de retenção);   (a.2) da isenção na distribuição de lucro em regime arbitrado, uma vez que já  foi  autuada  em  mais  de  R$22.000.000,00,  pelo  regime  de  lucro  arbitrado,  em  virtude  de  receitas consideradas omitidas, sendo descabido o presente lançamento, relativo ao imposto de  renda  que  deveria  ter  sido  retido  na  fonte  em  face  dos  pagamentos  destinados  aos  sócios,  porquanto esses têm direito à distribuição de lucros da pessoa jurídica com isenção de imposto  de renda, mesmo quando apurado sob o regime de lucro arbitrado; na hipótese de manutenção  do auto de infração do IRPJ, os sócios teriam direito a receber uma quantia vultosa a título de  distribuição de lucro com isenção de imposto de renda, o que anularia o lançamento; por essa  razão, requereu sejam este e o auto de infração do IRPJ julgados simultaneamente;  (b)  o  prazo  decadencial  para  efetuar  o  lançamento  de  tributos  sujeitos  a  lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, e que por  essa  razão os períodos  anteriores  a dezembro de 2002  já estariam atingidos pela decadência,  uma vez que  a autuação data de dezembro de 2007;  é descabido o  argumento de que o  fato  gerador  do  rendimento,  pela  pessoa  física,  ocorre  somente  no  ajuste  anual,  pois  os  valores  recebidos de pessoa jurídica devem sofrer retenção na fonte;  (c)  é  descabida  a  aplicação  da multa  qualificada  de  150%,  uma  vez  que  a  movimentação financeira de sociedades a ela  ligadas era centralizada na  figura de seu gestor  financeiro, Ricardo de Almeida César, conforme comprovado no processo administrativo fiscal  10980.006978/2007­27; essa centralização decorria de contratos de franquia, com o intuito de  fomentar  suas  operações  comerciais,  bem  como  reduzir  preços  junto  a  fornecedores,  com  a  prática de compras em conjunto; em caso de saldo credor da franqueadora, o gestor destinava  recursos  das  franqueadas  diretamente  para  as  contas  por  si  indicadas;  não  existe  nenhuma  irregularidade ou intenção de fraude em encontrar pagamentos ligados aos sócios da Íris Color  nas  contas  das  franqueadas,  sendo  que  a  franqueadora  tem  o  direito  ao  recebimento mensal  calculado sobre o faturamento das franqueadas.  Na  impugnação  apresentada  pelas  pessoas  físicas  apontadas  como  responsáveis solidários, foi alegado, em síntese, que:  (a) há incompetência da autoridade fiscal na solidariedade tributária, uma vez  que o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), em nenhum momento prevê a conduta de  determinar  as  pessoas  que  responderão  solidariamente  com  o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  sendo  que,  ao  assim  agir,  a  autoridade  fiscal  invade  a  competência  destinada  à  autoridade judicial e incorre em ilegalidade;  Fl. 819DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.016579/2007­74  Acórdão n.º 2301­004.531  S2­C3T1  Fl. 72          5 (b)  há  incompetência  da  autoridade  fiscal  em  verificar  a  ocorrência  de  ato  ilícito, requisito previsto no art. 135 do CTN para a responsabilização pessoal dos sócios, uma  vez que tal enquadramento depende da constatação da prática de ilícitos por parte dos gerentes,  cuja competência pertenceria à autoridade judicial;   (c)  mesmo  admitindo  a  obrigação  por  parte  da  autuada  relativamente  aos  juros  e  multas  sobre  os  valores  que  deveriam  ser  retidos,  os  impugnantes  em  nada  seriam  beneficiados,  pois  foram  tributados  pelos  autos  de  infração  10980.016556/2007­60  e  10980.016207/2007­48;  não  existindo  benefício  algum  com  a  ausência  de  retenção,  não  há  falar em solidariedade por beneficiamento direto, conforme prevê a regra do art. 124 do CTN.  A  DRJ  julgou  a  impugnação  improcedente  em  acórdão  que  recebeu  as  seguintes ementas:  DECADÊNCIA.  AUSÊNCIA  DE  PAGAMENTO.  Se  não  houve  pagamento  antecipado  pelo  contribuinte,  não  há  o  que  homologar nem se pode falar em lançamento por homologação.  Surge a figura do lançamento direto substitutivo, previsto no art.  149, V do CTN, cujo prazo decadencial rege­se pela regra geral  do art. 173,1 do CTN  PAGAMENTOS SEM CAUSA COMPROVADA. Os pagamentos  a beneficiários não identificados, ou a terceiros, quando não for  comprovada a operação ou sua causa, sujeitam­se à  incidência  do imposto exclusivamente na fonte.  MULTA DE OFÍCIO E JUROS EXIGIDOS ISOLADAMENTE. A  fonte pagadora que deixar de reter e recolher dos beneficiários  dos rendimentos o imposto de renda suscetível de antecipação do  valor  devido  no  ajuste  anual,  responde  pela  multa  de  oficio  e  juros moratórios, exigidos isoladamente.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A conduta consistente na  utilização  de  interpostas  pessoas  para  acobertar  movimento  próprio, buscando fugir ao recolhimento de tributos, materializa  artifício  doloso  e  enseja  a  imposição  da  multa  de  ofício  qualificada.  Como restou infrutífera a tentativa da intimação pela contribuinte do acórdão  da DRJ no domicílio fiscal (fls. 461 e 462), foi dada ciência por edital, que foi afixado de 08 a  23 de maio de 2008 (fl. 464). Os responsáveis solidários Ednaldo de Almeida Cezar e Ricardo  de Almeida César  foram  intimados  por  aviso  de  recebimento  EBCT,  ambos  em  16/05/2008  (fls. 481 e 482).  Em 16/06/2008, foi apresentado recurso voluntário pela contribuinte (fls. 486  a 496) e pelos responsáveis tributários (fls. 503 a 508), no qual foram reiterados, em síntese, os  termos de suas impugnações.  O processo foi distribuído para este relator em 12/02/2015 (fl. 815).  É o relatório.   Fl. 820DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   6 Voto             Conselheiro Relator João Bellini Júnior  Os recursos voluntários são tempestivos e abordam matérias de competência  desta Turma. Portanto, deles tomo conhecimento.  RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE  QUESTÕES PRELIMINARES  DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM FUNÇÃO DA BASE DE CALCULO JÁ UTILIZADA EM OUTRO  AUTO DE INFRAÇÃO – BIS IN IDEM   De  acordo  com  o  contribuinte,  haveria  nulidade  da  decisão  recorrida,  em  função da base de calculo já ter sido utilizada em outro auto de infração, configurando bis in  idem.  Não lhe assiste razão.  É consabido que no processo administrativo  fiscal as causas de nulidade se  limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972:  Art. 59. São nulos:  I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  –  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que  dele diretamente dependam ou sejam conseqüência.  §  2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento ou solução do processo.  § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora  não  a  pronunciará  nem  mandará  repetir  o  ato  ou  suprir­lhe  a  falta.  (Parágrafo  acrescentado  pela  Lei  8.748,  de  1993.)  A  teor  do  art.  60  do  mesmo  diploma  legislativo,  as  irregularidades,  incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser  sanadas  se  “resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa, ou quando não influírem na solução do litígio”:  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio.  Fl. 821DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.016579/2007­74  Acórdão n.º 2301­004.531  S2­C3T1  Fl. 73          7 Nesse sentido, a jurisprudência consolidada desde os tempos do 1o Conselho  de Contribuintes:  PRELIMINAR DE NULIDADE – Não se configurando nenhuma  das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que  rege o processo administrativo fiscal, não se pode admitir pedido  de  nulidade,  mormente  quando  fica  demonstrado  à  saciedade  que  a  recorrente  teve  oportunidade  e  exerceu  o  mais  amplo  direito de defesa. (1º CC – Ac. 101­93.381 – 1ª C. – Rel. Kazuki  Shiobara – DOU 29.06.2001 – p. 103)  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  –  As  causas  de  nulidade  do  processo administrativo estão elencadas no art. 59, incs. I e II do  Decreto  nº  70.235/72.  (1º CC  –  Ac.  103­19.982  –  3ª  C.  –  Rel.  Neicyr de Almeida – DOU 22.06.1999 – p. 6)  NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO – As causas de nulidade  no  processo  administrativo  fiscal  estão  elencadas  no  art.  59,  incisos I e II, do Decreto n.° 70.235/72. Não pode ser inquinado  de  nulo  o  lançamento  efetuado  em  acordo  com  as  disposições  legais  de  regência.  (1º  CC  –  Ac.  105­12.292  –  5ªC  –  DOU  05.05.1998 – p. 14)  NULIDADE DO  PROCESSO  FISCAL  – O  Auto  de  Infração  e  demais  termos  do  processo  fiscal  só  são  nulos  nos  casos  previstos  no  art.  59  do  Decreto  nº  70.235/72  (Processo  Administrativo Fiscal).  (1º CC  –  Ac.  106­09.632  –  6ª C  – Rel.  Adonias dos Reis Santiago – DOU 17.12.1998)  NULIDADE – Não é nulo o Auto de Infração que contém todos  os  elementos  necessários  à  compreensão  inequívoca  pelo  contribuinte  das  exigências  e  dos  fatos  que  o  motivaram.  Somente  serão  nulos  os  atos  e  termos  processuais  se  lavrados  por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa  (Art.  59  do  Decreto  nº  70.235/72).  (1º  CC  –  Proc.  10245.000092/99­12 – Rec. 133570 – (Ac. 107­07028) – 2ª C. –  Rel. Natanael Martins – DOU 07.07.2003 – p. 31)  PAF – NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade  no processo administrativo estão elencadas no art. 59, incisos I e  II  do  Decreto  nº  70.235/72  (Ac.  108­06.897)  –  3ª  C.  –  Relª  Marcia Maria Loria Meira – DOU 07.06.2002 – p. 47)  NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça  de  defesa  denotar perfeita  compreensão  da  descrição  dos  fatos  que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos  motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se  falar  em  nulidade  dos  atos  em  litígio.  (processo  11075.900013/2008­99,  Acórdão  1801­001.499,  Relator(a)  Carmen Ferreira Saraiva)  Mais  recentemente,  tal  jurisprudência  vem  sendo  confirmada  pelas  Turmas  que integram a 2ª Seção do CARF:  NULIDADE  CARÊNCIA  DE  FUNDAMENTO  LEGAL  INEXISTÊNCIA As  hipóteses  de  nulidade  do  procedimento  são  Fl. 822DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   8 as  elencadas  no  artigo  59  do  Decreto  70.235,  de  1972,  não  havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais  quando  o  fundamento  argüido  pelo  contribuinte  a  título  de  preliminar  se  confundir  com  o  próprio  mérito  da  questão.  (processo:  11634.000552/200681,  Acórdão:  2202­002.892,  relator: Antonio Lopo Martinez)  Preliminar. Nulidade.  Não  se  apresentando  as  causas  elencadas  no  artigo  59  do  Decreto  nº  70.235/72,  não  há  que  se  falar  em  nulidade.  (processo:  10680.015093/2005­31,  Acórdão:  2801­00.790,  redatora­designada Amarylles Reinaldi e Henriques Resende)  Não  estão  apontadas  quaisquer  atos  ou  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente ou despacho ou decisão proferidos por autoridade incompetente (art. 59, I), nem  despachos ou decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de  defesa (art. 59, II). Logo, não há nulidade do auto de infração.  A existência ou não de bis in idem é questão de mérito; caso comprovada, a  solução a ser dada é a procedência da contestação (impugnação ou recurso voluntário), em face  de não restar observado o aspecto subjetivo do lançamento, restando, nesse caso, ferido o art.  142 do CTN. É provimento distinto da declaração de nulidade do procedimento, que se ampara  no retrocitado art. 59 do Decreto 70.235, de 1972.   Dessa forma, não se configurou a nulidade suscitada.  De qualquer  sorte,  analiso  a questão do bis  in  idem. Sobre  esse  tema, peço  vênia para transcrever as razões do acórdão recorrido, as quais assumo como minhas, mutatis  mutandis:  A contribuinte afirma, equivocadamente, que os “valores pagos  a  pessoas  físicas,  na  movimentação  financeira  das  contas  correntes  dos  sócios  da  ímpugnante  “  já  foram  objeto  de  lançamento no PAF n° l0980.006978/200727.  Em  realidade,  conforme  se  vê  nos  documentos  de  fls.  09,  98  e  102,  a  empresa  autuada  declarou  que  as  contas  bancárias  de  seus  dois  sócios  eram  utilizadas  exclusivamente  para  a  sua  movimentação  financeira.  Por  conseqüência,  tendo  a  pessoa  jurídica  autuada  assumida  a  integral  responsabilidade  pelo  movimento  nas  contas  pessoais  dos  sócios,  foi  intimada  a  comprovar a origem dos recursos que nela ingressaram. Não o  tendo  feito,  foi  autuada  por  omissão  de  receitas,  por  força  da  presunção legal instituída pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996.  Tem­se, portanto, que a base de cálculo do lançamento do IRPJ  foi  composta  pelos  depósitos  e  créditos  bancários.  Logo,  em  nada se confunde com a base de cálculo deste  lançamento, que  contempla  apenas  o  fenômeno  inverso,  ou  seja,  a  saída  dos  recursos das contas bancárias, quando reverteram em beneficio  dos sócios ou de pessoas não identificadas, conforme esclarecido  no Termo de Verificação Fiscal.  Ora,  se  tais  recursos  pertencem  à  pessoa  jurídica  impugnante,  fato  reiteradamente  declarado  por  ela,  devem  ser  devidamente  justificados  quando  utilizados  em  pagamentos  a  terceiros,  sem  Fl. 823DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.016579/2007­74  Acórdão n.º 2301­004.531  S2­C3T1  Fl. 74          9 causa comprovada, ou em proveito pessoal dos sócios, a teor do  inciso I do art. 674 do RIR/99, verbis:  "Art.  674. Está  sujeito à  incidência do  imposto,  exclusivamente  na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento  efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado,  ressalvado  o  disposto  em  normas  especiais  (Lei  n°  8.981,  de  1995, art. 61).  §  1°  A  incidência  prevista  neste  artigo  aplica­se,  também,  aos  pagamentos efetuados ou aos  recursos entregues a terceiros ou  sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não  for  comprovada  a  operação  ou  a  sua  causa  (Lei  n°  8.981,  de  1995, art. 61,§1 (...)  §  3  °  O  rendimento  será  considerado  líquido,  cabendo  o  reajustamento  do  respectivo  rendimento  bruto  sobre  o  qual  recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3°)”. (Grifei).   A  impugnante  precisa  compreender  que  se  trata  de  dois  fenômenos ocorridos em momentos distintos. O primeiro, quando  ela, pessoa  jurídica, aufere as receitas e os recursos  ingressam  na conta bancária – ainda que mantida em nome de sócios, ou  de  interpostas  pessoas.  O  segundo  ocorre  quando  ela,  pessoa  jurídica, transfere os recursos para os sócios, ou faz pagamentos  que  revertem  em  seu  proveito,  como  pagamentos  de  despesas  pessoais,  e  pagamentos  para  a  construtora  que  edificou  suas  mansões, ou ainda, quando os sócios realizam saques das contas  bancárias.  A toda evidência, não estão sendo feitos dois lançamentos sobre  a  mesma  base  imponível.  Os  lançamentos  versam  sobre  rendimentos  auferidos  por  pessoas  distintas.  (Grifos  no  original.)  DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM FUNÇÃO DA ISENÇÃO NA DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO EM  REGIME ARBITRADO   Segundo  a  recorrente,  haveria  nulidade  do  auto  de  infração  em  função  da  isenção  na  distribuição  de  lucro  em  regime  arbitrado,  tendo  em  vista  que  já  foi  autuada  em  mais de R$22.000.000,00, pelo regime de lucro arbitrado, em virtude de receitas consideradas  omitidas. Além disso, requer o julgamento do presente recurso voluntário em conjunto com o  recurso voluntário do processo administrativo fiscal 10980.006978/2007­27, pois, segundo ela,  “se prevalecerem as receitas consideradas omitidas pela Receita Federal do Brasil, caberá aos  sócios o direito de distribuição de lucro isenta de imposto de renda no regime de apuração do  lucro presumido e conseqüente nulidade do presente auto de infração”.  Não  lhe  assiste  razão  pelas  razões  já  expostas  quanto  ao  conteúdo  das  nulidades no processo administrativo fiscal.  Tratada a questão como de mérito, a recorrente também não está com a razão.   Ocorre  que  o  benefício  fiscal  da  isenção  dos  lucros  recebidos  por  pessoa  jurídica, previsto no art. 10 da Lei 9.259, de 1995 (disciplinado pela Instrução Normativa 73,  Fl. 824DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   10 de  1997),  não  abrange  valores  pagos  a  qualquer  outro  título,  tais  como pro  labore,  serviços  prestados e transferências voluntárias.  A  recorrente  teria  direito  a  distribuir  o  valor  do  lucro  (real,  presumido  ou  arbitrado),  sem  incidência  do  imposto  sobre  a  renda,  caso  tivesse  reconhecido  as  receitas  e  escriturado os pagamentos a título de distribuição de lucros.   Porém,  a  contribuinte  não  reconheceu  as  receitas  e,  consequentemente,  não  escriturou como lucros os valores em questão.   Portanto,  não  se  subsume  à  regra  isentiva,  independente  de  ser  julgado  o  presente  recurso  voluntário  em  separado  do  recurso  voluntário  do  processo  administrativo  fiscal 10980.006978/2007­27.  QUESTÕES DE MÉRITO  DA DECADÊNCIA  É alegada a decadência do poder­dever do Fisco constituir o crédito tributário  pelo lançamento, referente aos períodos de janeiro a novembro de 2002, em face do disposto  no art. 150, § 4º, do CTN.  Deve­se  registrar que,  em 21/12/2010, houve a  edição da Portaria MF 586,  que incluiu o art. 62­A no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  (RICARF),  aprovado pela Portaria MF 256, de 2009, o qual determinou  a observância,  pelo  CARF  das  decisões  definitivas  de mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei 5.869, de 1973 (Código de Processo Civil) :   Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.   §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão nos termos do art. 543­B.  § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo  relator ou por provocação das partes.   Decorrentemente,  no  que  se  refere  à  contagem  do  prazo  decadencial,  em  observância do disposto no art. 62­A do RICARF, deve­se adotar as conclusões exaradas no  Recurso Especial 973.733/SC (2007/0176994­0), cuja ementa abaixo se transcreve:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  Fl. 825DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.016579/2007­74  Acórdão n.º 2301­004.531  S2­C3T1  Fl. 75          11 PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.   1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).   2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).   3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).   (...)  7. Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Grifos  no original.)  Assim,  na  ausência  de  pagamento  ou  nas  hipóteses  de  dolo,  fraude  e  simulação, aplica­se o  art. 173,  I, do CTN, e o prazo de cinco anos para  constituir o crédito  tributário  tem  como  termo  inicial  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado.   Fl. 826DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   12 A ciência do auto de infração ocorreu em 03/12/2007 (fl. 388). No caso em  tela, trata­se, como visto, do lançamento de (a) multa e juros isolados por falta de retenção ou  recolhimento do IRRF e de (b) falta de recolhimento do IRRF sobre pagamentos sem causa ou  operação não comprovada.  Quanto  aos  primeiros  –  multa  e  juros  isolados  por  falta  de  retenção  ou  recolhimento do IRRF, deve­se considerar que o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º,  do  CTN,  é  restrito  ao  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos  tributos  cuja  legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da  autoridade administrativa.   Conforme dispõe o art. 149, VI, do CTN, o lançamento é efetuado e revisto  de  ofício  pela  autoridade  administrativa  quando  se  comprove  ação  ou  omissão  do  sujeito  passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária.   A multa e os juros lançadas isoladamente, por sua vez, não se coadunam com  a  modalidade  de  lançamento  por  homologação,  uma  vez  que  sempre  decorrem  de  um  lançamento de ofício.   Deve­se,  assim,  aplicar  à  multa  e  aos  juros  isolados  a  regra  do  prazo  decadencial prevista no art. 173, I, do CTN.   Nesse sentido, a jurisprudência deste CARF:  MULTA  ISOLADA.  DECADÊNCIA.  TERMO  DE  INÍCIO.  As  multas lançadas isoladamente decorrem de lançamento de oficio  e  por  coerência  não  se  submetem,  para  fins  da  contagem  de  prazos  de  decadência,  às  regras  do  lançamento  por  homologação. Assim o prazo decadencial começa a fluir a partir  do  primeiro  dia  seguinte  àquele  que  o  lançamento  do  crédito  tributário poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do  CTN. (Acórdão 9202­003.562, Relator(a) Gustavo Lian Haddad)  JUROS  ISOLADOS.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  PRAZO  DECADENCIAL. Não se trata de lançamento de tributo sujeito à  homologação,  mas  sim  de  penalidades  impostas  para  punir  a  falta  de  retenção  do  imposto  de  renda  no  momento  do  recebimento  dos  rendimentos  (juros  isolados),  e,  portanto,  a  contagem  do  prazo  decadencial  submete­se  à  regra  geral  estabelecida  no  art.  173,  inciso  I,  do  CTN.  O  prazo  para  a  Fazenda  Pública  constituir  de  oficio  o  crédito  tributário  decorrente da exigência de juros isolados decorrentes de valores  não retidos e não recolhidos pela fonte pagadora é o previsto no  inciso  I  do  art.  173  do  CTN,  ou  seja,  cinco  anos  contados  do  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia  ter  sido  efetuado. No presente  caso,  todos  valores  não  retidos e não recolhidos objeto do presente lançamento deram­se  os  entre  31.01.1999  e  31.12.1999.  Ou  seja,  para  os  fatos  geradores  mais  remotos,  o  termo  inicial  para  a  contagem  do  prazo decadencial dá­se no dia 01/01/2000 e o termo final no dia  31/12/2004. Considerando que o sujeito passivo foi cientificado  do  auto  de  infração,  em  29/09/2004,  portanto,  antes  de  transcorrido  o  prazo  de  cinco  contados  do  primeiro  dia  do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado, não há que se  falar  em decadência. Recurso  especial  Fl. 827DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.016579/2007­74  Acórdão n.º 2301­004.531  S2­C3T1  Fl. 76          13 provido.  (Acórdão  9202­003.248,  Relator(a)  Elias  Sampaio  Freire)  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo  para a Fazenda Pública constituir de oficio o crédito tributário  decorrente da exigência de multa e juros isolados é o previsto no  inciso  I  do  art.  173  do  CTN,  ou  seja,  cinco  anos  contados  do  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia ter sido efetuado. Registre­se que as hipóteses do artigo  151  do  CTN  não  suspendem  o  prazo  decadencial,  para  efetivação  do  lançamento,  mas  tão  somente  o  prazo  prescricional, para a cobrança judicial do crédito tributário. Em  outras palavras, o Fisco não poderá inscrever em dívida ativa ou  ajuizar  execução  fiscal  de  crédito  que  esteja  com  sua  exigibilidade  suspensa,  mas  poderá  efetuar  o  lançamento,  exercendo o seu direito potestativo, nos termos do artigo 142 do  CTN. Preliminar de  incompetência  rejeitada. Recurso de ofício  negado.  Argüição  de  decadência  acolhida.  (Acórdão  2202­ 002.204,  Relator(a)  Maria  Lucia  Moniz  de  Aragao  Calomino  Astorga)  Nesse sentido, para as multas e juros isolados cujo fato gerador ocorreu em  2002,  o  termo  inicial  para  a  contagem  do  prazo  decadencial  é  o  primeiro  dia  de  janeiro  de  2003, e o termo final 31 de dezembro de 2008. Não ocorreu, portanto, a decadência.  Por sua vez, o lançamento que versa sobre a falta de recolhimento do IRRF  sobre pagamentos  sem causa ou operação não comprovada, nos expressos  temos  legais,  é de  tributação exclusiva na fonte:  Art.  61.  Fica  sujeito  à  incidência  do  Imposto  de  Renda  exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento,  todo pagamento efetuado pelas pessoas  jurídicas a beneficiário  não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais.  §  1º  A  incidência  prevista  no  caput  aplica­se,  também,  aos  pagamentos efetuados ou aos  recursos entregues a terceiros ou  sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não  for  comprovada  a  operação  ou  a  sua  causa,  bem  como  à  hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991.  Tal  regime  jurídico  é  incompassível  com  o  pagamento  antecipado,  pois  decorre,  sempre,  de  procedimentos  investigatórios  levados  a  efeito  pela  administração  tributária, não sendo razoável supor que a contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos  sem explicitação da  causa ou  a beneficiários não  identificados  e,  em  razão disso,  antecipe o  pagamento do imposto à alíquota de 35%. O lançamento só pode se dar de oficio, à luz do art.  149 do CTN, sendo que o prazo decadencial é o definido no art. 173, I, do CTN.  Nesse sentido, a jurisprudência deste CARF:  DECADÊNCIA.  PAGAMENTO  A  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO.  IMPOSTO  DE  RENDA  TRIBUTADO  EXCLUSIVAMENTE  NA  FONTE.  A  aplicação  do  disposto  no  art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre,  de  procedimentos  investigatórios  levados  a  efeito  pela  Fl. 828DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   14 Administração  Tributária,  não  sendo  razoável  supor  que  o  contribuinte,  espontaneamente,  promova  pagamentos  sem  explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em  razão  disso,  antecipe  o  pagamento  do  imposto  à  alíquota  de  35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em  referência  sustenta­se  na  presunção  (da  lei)  de  que  os  pagamentos  foram  utilizados  em  operação,  passível  de  tributação,  em  que,  em  virtude  do  desconhecimento  do  beneficiário  ou  da  sua  natureza,  desloca­se  a  responsabilidade  pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou  o  pagamento.  No  caso,  a  constituição  do  crédito  tributário  correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do  Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se  promover  tal  procedimento  disciplinada  pelo  disposto  no  art.  173  do  mesmo  diploma.  (Acórdão  1301­001.545,  Relator(a)  Wilson Fernandes Guimaraes)  DECADÊNCIA. IR­FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A  BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Em se tratando de fato  jurídico  tributário  cuja  tributação  é  condicionada  a  procedimento de ofício da autoridade fiscal, não há que se falar  em atividade de lançamento por parte do contribuinte, sujeita a  aplicação  do  prazo  decadencial  estabelecido  no  art.  150  do  CTN, pelo qual se homologa a atividade, independentemente da  natureza  do  tributo.  Se  o  contribuinte  realiza  pagamentos  que  pela  natureza  não  estariam  sujeito  à  retenção  de  IR­Fonte,  porém,  a  fiscalização  logra  comprovar  que  os  valores  tiveram  outra destinação, essa sim sujeita a tributação (pagamentos sem  causa), o lançamento só pode se dar de oficio, à luz do art. 149  do CTN, sendo que o prazo decadencial é o definido no art. 173,  inciso  do  mesmo  Código.  (Acórdão  1402­000.320,  Relator(a)  Leonardo Henrique Magalhaes de Oliveira)  Assim, para os períodos cujo fato gerador ocorreu em 2002, o termo inicial  para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia de janeiro de 2003, e o termo final 31  de dezembro de 2008. Não ocorreu, portanto, a alegada decadência.  DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO  No  caso  em  questão,  foi  aplicada multa  qualificada  de  150%,  em  face  das  seguintes razões:  Os pagamentos efetuados à Construtora Greenwood por meio de  cheques  de  empresas  do  Grupo  Ms  Color  em  nome  de  interpostas pessoas  teve a multa qualificada, conforme previsto  no art. 4o, II, da Lei n" 9.430/96, em virtude de haver indícios de  intenção dolosa de deixar de recolher o tributo devido aos cofres  públicos.  Na  lição de Ponte de Miranda  (Tratado de Direito Privado. Rio de  Janeiro;  Borsoi,  t.2,  §  177),  dolo  é  a  direção  da  vontade  para  contrariar  a  direito. No  suporte  fático,  estão  o  ato,  positivo  ou  negativo,  a  contrariedade  a  direito,  e  a  direção  da  vontade  que  liga  aquele a essa.   § 177. Conceito de dolo  Fl. 829DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.016579/2007­74  Acórdão n.º 2301­004.531  S2­C3T1  Fl. 77          15 Dolo  é  a  direção  da  vontade  para  contrariar  a  direito.  No  suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade  a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa. Não só o  agente  atua  e  contraria  a  direito:  quer  que  o  ato  contrarie  a  direito; ou quer contrariar a direito, e atua para isso. Sabe que o  ato  (ou  omissão)  contraria  a  sua  promessa,  viola  o  direito,  a  pretensão,  a  ação  ou  exceção  do  seu  credor,  e  pratica  o  para  contrariar a direito. A lei veda­lhe algum ato, ou omissão, e quer  violá­la, praticando­o, ou omitindo. Não é preciso que o agente  queira as consequências do ato, ainda que sejam próprias desse.  Nem que as preveja. Basta querer o ato contrário a direito.  Na apreciação da prova, o julgador forma livremente sua convicção (art. 29  do  Decreto  70.235,  de  1972).  Assim  se  dá  com  a  prova  do  dolo.  Dada  uma  determinada  infração  tributária,  não  há  outra  possibilidade  de  que  tenha  ocorrido:  (a)  mero  erro,  evidenciando culpa, ou (b) vontade em praticar o ato, demonstrando o dolo.  As questões de fato do presente caso foram minuciosamente desveladas pelo  voto do acórdão recorrido, o qual peço vênia para transcrever:  Os pagamentos aludidos  se encontram discriminados no  item 2  da  intimação  de  fls.  93­96,  e  diz  respeito  a  repasses,  à  construtora, de  recursos sacados de contas bancárias mantidas  em  nome  de  9  empresas  distintas,  que  a  impugnante  afirma  serem suas  franqueadas,  enquanto a  fiscalização afirma que se  tratam  de  estabelecimentos  da  própria  impugnante,  explorados  fraudulentamente em nome de empresas laranjas.  Essas  empresas  –  franqueadas,  na  versão  da  impugnante;  laranjas na versão do Fisco ­ são as seguintes: 1) Centro Color  Comércio  de  Materiais  Fotográficos  Ltda,  que  emitiu  17  cheques;  2)  Roma  Color  Comércio  de  Materiais  Fotográficos  Ltda,  que  emitiu  12  cheques;  3)  Pro­Photo  Comércio  de  Materiais  Fotográficos  Ltda,  que  emitiu  2  cheques;  4)  Art  Comércio de Materiais fotográficos Ltda, que emitiu 25 cheques;  5) Cento e Cinco Comércio de Materiais Fotográficos Ltda, que  emitiu 1 cheque; 6) Flipper Comércio de Materiais Fotográficos  Ltda,  que  emitiu  29  cheques;  7)  Paraná  Color  Comércio  de  Materiais  Fotográficos,  que  emitiu  14  cheques;  8)  Savona  Comercial Ltda, que emitiu 1 cheque; e 9) Siena Comercial Ltda,  que  emitiu  10  cheques.  Os  cheques  sacados  contra  as  contas  mantidas  em  nome  de  cada  uma  dessas  pessoas  jurídicas  se  encontram discriminados  na  intimação de  fls.  93­96,  e  também  no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 349­352.  A impugnante argumenta que a movimentação financeira dessas  empresas  era  centralizada  na  figura  de  seu  gestor  financeiro,  Ricardo de Almeida César, e que estaria comprovado no PAF n°  10980.006978/2007­27  que  o  Sr.  Ricardo  centralizava  a  movimentação  financeira  das  empresas  franqueadas  com  o  intuito  de  fomentar  suas  operações  comerciais,  bem  como  reduzir preços junto aos  fornecedores, pela prática de compras  em conjunto. Adiciona que o mesmo senhor era responsável pelo  encontro de contas das franqueadas com a franqueadora, e que,  em  caso  de  saldo  credor  da  franqueadora,  destinava  recursos  Fl. 830DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   16 das  franqueadas  diretamente  para  as  contas  indicadas  pela  impugnante.  Arremata  argumentando  não  existir  qualquer  irregularidade  ou  intuito  de  fraude  em  encontrar  pagamentos  ligados aos seus sócios nas contas correntes das franqueadas.  Com  relação  essa  linha  de  argumentos,  cumpre  ponderar  que  cada  pessoa  jurídica  idônea,  ou  seja,  aquela  com  existência  efetiva,  com  patrimônio  próprio,  explorada  e  dirigida  pelas  pessoas  que  figuram  como  seus  sócios,  possui  autonomia  jurídica  com  relação às  demais  pessoas  jurídicas  existentes  no  universo. Seu patrimônio não se confunde com o patrimônio das  outras. Ademais, apesar de não ser praxe no mercado, até seria  possível  que  a  impugnante  firmasse  contrato  de  franquia  com  outra  pessoa  jurídica  ­  existente  de  fato  e  pertencente  a  verdadeiros empresários, pessoas que empregaram seus capitais  e assumiram o risco do negócio  ­ e  recebesse procuração para  gerir a parte financeira da empresa franqueada.  Pode­se  afirmar  com  segurança  que  essa  não  é  a  praxe  do  mercado,  até  pelos  conflitos  de  interesse  que  fatalmente  surgiriam.  Entretanto,  em  tese,  poderia  ocorrer.  Nesse  caso,  absolutamente  excepcional,  em  que  a  franqueadora movimenta  livremente os recursos das  franqueadas, deveriam ser mantidos  os mais  rígidos controles  financeiros, capazes de propiciar,  em  qualquer  momento,  a  mais  transparente  prestação  de  contas.  Não é o que acontece neste caso concreto, com a impugnante e  suas franqueadas.  A  impugnante afirmou que o Sr. Ricardo de Almeida César era  responsável  pelo  encontro  de  contas  (crédito  e  débito)  das  franqueadas  com  a  franqueadora.  Entretanto,  a  fiscalização  demonstrou no PAF 10980.006978/2007­27 que a impugnante e  suas 'franqueadas' compunham um caixa único e que não existia  qualquer mecanismo de controle destinado a separar os recursos  de cada 'franqueada', seus créditos e seus débitos.  A  fiscalização  demonstrou  alhures  que  cada  uma  das  franqueadas  investigadas  era  composta  por  'laranjas',  pessoas  que  emprestaram  seus  nomes  para  a  constituição  da  empresa,  mas que não eram, de fato, sócios da pessoa jurídica respectiva,  e que esse esquema tinha por escopo a evasão fiscal.  A impugnante solicitou (fls. 414) o apensamento deste ao PAF n°  10980.006978/2007­27,  no  intuito  de  que  "o  julgamento  do  presente  auto  de  infração  esteja  em  consonância  com  o  julgamento do auto n° 10980.006978/2007­27". Seu pedido não  encontra  condições  de  ser  atendido,  até  porque  aquele  já  foi  julgado, sob minha relatoria, por esta mesma Turma, em sessão  de  25/01/2008,  conforme  Acórdão  n°  06­16.649.  Transcrevo  a  seguir os fundamentos do Voto ali proferido, restrito aos tópicos  em  que  foram  examinados  aspectos  pertinentes  aos  pontos  discutidos nestes autos,  com ênfase para as dezenove  empresas  'franqueadas',  onde  quedam  evidenciadas  as  razões  de  meu  convencimento de que a multa qualificada deve ser mantida, em  face do dolo evidenciado na conduta da impugnante:  TRANSCRIÇÃO DE PARTES DO VOTO PROFERIDO NO PAF  N° 10980.006978/2007­27:  Fl. 831DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.016579/2007­74  Acórdão n.º 2301­004.531  S2­C3T1  Fl. 78          17 (...)  Por  outro  lado,  o  lançamento  está  fulcrado  na  seguinte  premissa:  19  (dezenove)  pessoas  jurídicas,  formalmente  constituídas  e  revestidas  da  condição  de  franqueadas,  não  são  empresas autônomas, e sim meras projeções da impugnante. Por  esse  motivo,  a  impugnante  está  sendo  chamada  a  responder  pelos débitos relativos às operações formalmente praticadas em  nome daquelas. Esse é o  fulcro em que se apóia o  lançamento.  Basta  comprovar  a  inconsistência  dessa  premissa,  que  a  total  improcedência  do  lançamento  exsurge  como  conseqüência  automática.  Se  essa  premissa  é  falsa,  se  as  pessoas  jurídicas  franqueadas  não  são  apenas  'laranjas',  se  essas  pessoas  jurídicas  materializam  verdadeiros  projetos  comuns  de  empresários  que  concertaram  seus  esforços,  capitais  e  vontades  para  a  exploração  de  uma  atividade  comercial,  então  nenhuma  dificuldade  existe  em  comprovar  essa  'verdade';  e  as  provas  dessa  verdade  não  precisam  ser  buscadas  nos  documentos  apreendidos. Pelo contrário, essas provas compõem o cotidiano  dessas pessoas e empresas.  Cumpre  recordar  que  o  Fisco  não  questionou  a  substância  de  uma  pessoa  jurídica  distanciada  da  impugnante,  e  sim  de  dezenove, e  todas  ligadas a  ela  financeiramente da  forma mais  íntima possível.  Ora, tratando­se de dezenove empresas, seria extremamente fácil  que  a  impugnante  colhesse,  no  cotidiano  dessas  empresas,  ou  pelo  menos  de  algumas,  comprovantes  inequívocos  de  que  funcionavam como unidades autônomas; de que as pessoas que  figuravam como  sócios eram realmente  seus proprietários; que  possuíam capacidade financeira para o empreendimento; de que  participaram  de  sua  gestão  etc.  A  impugnante  poderia,  por  exemplo,  comprovar  que  ocorreram  repasses  relativos  a  pró­ labore  das  contas  das  empresas  para  as  pessoas  que  figuram  como sócias. São infinitas as formas pelas quais um verdadeiro  empresário  pode  comprovar  sua  condição  e  o  vínculo  com  sua  empresa.  Essas  provas  podem  ser  colhidas  no  cotidiano  da  empresa,  junto  aos  seus  funcionários,  fornecedores,  vizinhos,  senhorios,  associações  de  classe,  bancos,  contadores,  advogados,  demais  pessoas  com  quem  mantêm  relações  comerciais,  etc.  Uma  empresa  não  é  uma  ilha.  Dezenove  empresas  não  são  dezenove  ilhas  isoladas  no meio  do  oceano.  Tome­se  por  exemplo  os  sócios  da  impugnante,  Sr. Ricardo  de  Almeida  César  e  Ednaldo  de  Almeida  Cezar,  ambos  reconhecidamente  empresários. Existem milhares  de  evidências  que confluem para comprovar sua condição, pelo simples fato de  que  ela  é  verdadeira.  Porque  então,  tratando­se  das  dezenove  empresas 'franqueadas', não existe nenhuma evidência de que os  seus  sócios  são,  de  fato,  empresários?  Aliás,  cada  uma  dessas  empresas  possui,  além  do  contrato  original  ­  muitas  vezes  fraudado de forma grosseira ­ várias alterações, todas assinadas  por duas testemunhas e um advogado. Ora, essas testemunhas e  Fl. 832DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   18 advogados  não  foram  ­  ainda  ­  'apreendidos'.  Poderiam,  portanto,  prestar  informações  valiosas  que  auxiliassem  na  localização  da  maioria  dos  sócios  que,  por  uma  estranha  particularidade  dos  sócios  das  franqueadas,  invariavelmente  jamais são encontrados.  Se essas dezenove empresas pertenceram mesmo às pessoas que  figuram  como  seus  sócios,  durante  o  longo  tempo  em  que  funcionaram,  com  certeza,  deixaram  registros  indeléveis  que  podem  ser  facilmente  recuperados.  Cumpre  recordar  que  a  fiscalização, que jamais esteve próxima a essas empresas e não  conhecia  o  seu  cotidiano,  em  espaço  de  tempo  relativamente  curto,  e  tendo  que  transpor  ingentes  dificuldades,  conseguiu  coligir tantas evidências que respaldam sua tese. O que impede,  portanto,  que  a  impugnante,  que  conhece  tão  de  perto  a  realidade  dessas  empresas,  seus  proprietários,  seu  funcionamento,  produza  a  cabal  comprovação  da  verdade  que  defende?  (...)  2 ­ Ilegitimidade do sujeito passivo Íris Color  Não é possível alguém contratar algo consigo mesmo. Tampouco  é possível uma pessoa jurídica celebrar um contrato, de franquia  ou de outra espécie qualquer, consigo mesma. A celebração de  um contrato pressupõe a existências de pelo menos duas pessoas  distintas. Essa é a premissa subjacente a qualquer análise que se  faça  das  alegações  da  impugnante  de  que  a  movimentação  financeira  que  ensejou  a  tributação  pertence  a  outras  pessoas  jurídicas,  com as  quais  teria  celebrado  contrato de  franquia,  e  não a ela própria.  (...) Aqui, a fiscalização está sustentando peremptoriamente que  os  estabelecimentos  nos  quais  foram  geradas  as  receitas  pertencem de fato à impugnante e, por conseqüência, lhe atribui  a  condição  de  sujeito  passivo  de  débitos  incidentes  sobre  suas  próprias operações, que praticou valendo­se do artifício doloso  de formalizar tais operações em nome de empresas laranjas.  Por  conseqüência,  o  que  deve  ser  investigado  é  se  a  realidade  documentada  formalmente pelos  contratos  sociais,  contratos de  franquia,  notas  fiscais  de  venda,  etc,  corresponde  à  realidade  dos  fatos,  ou  seja,  se  as  pessoas  jurídicas  tinham  existência  autônoma e de fato praticaram as operações, o que as tornaria  responsáveis  pelos  próprios  débitos  tributários,  ou  se,  pelo  contrário,  a  imputação  fiscal  procede,  e  as  empresas  franqueadas  eram  mesmo  'laranjas',  mero  prolongamentos  de  fato da própria impugnante, operando em nome, por conta e sob  a  responsabilidade  e  direção  desta. Em outras  palavras,  o  que  cumpre  investigar  é  se  os  débitos  pertencem  à  própria  impugnante. Caso seja este o convencimento que se imponha, a  alegação deixa de ter sentido, pois é despropositada a pretensão  de deixar de responder pelos débitos próprios.  Postas  tais  considerações,  e  sem prejuízo de novas abordagens  do  tema ao  longo deste voto, serão apreciadas na seqüência as  alegações  formuladas  pela  impugnante  nesse  tópico  da  peça  defensória.  Na  primeira  delas,  reconhece  que  os  depoimentos  Fl. 833DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.016579/2007­74  Acórdão n.º 2301­004.531  S2­C3T1  Fl. 79          19 prestados ao Ministério Público Estadual, reportados no subitem  "2.1" do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal"  (fls.  203­206),  coadunam  a  tese  do  Fisco  de  que  as  empresas  estavam  em  nome  de  interpostas  pessoas.  Entretanto,  sustenta  que as declarações de Gabriel Cardoso Vidal, Noemi de Oliveira  Sales  e Nanei Maria Cardoso Vidal não merecem acolhimento,  pelos cinco motivos que enumera.  Antes de apreciá­los, contudo, abro um parêntese para registrar  que, além dos depoimentos dessas  três pessoas citadas, existem  também  os  depoimentos  de  Nilson  João  Cardoso  e  Raquel  Denise  Rosa  dos  Santos  (fls.  179­181  e  188­190  do  Anexo  I,  volume I), igualmente contundentes, que não foram referidos na  impugnação.  Voltando  às  alegações  da  impugnante,  o  primeiro  motivo  alegado  para  desqualificar  os  depoimentos  é  que  teriam  sido  colhidos  após  a  busca e  apreensão dos  documentos  e  por  isso,  conhecedores  das  irregularidades,  os  declarantes  teriam  sido  instruídos a afirmar que as empresas pertenciam aos  sócios da  impugnante.  Restaure­se  a  verdade  dos  fatos.  O  Mandado  de  Busca  e  Apreensão (fls. 308) foi emitido em 24/02/2006, e a apreensão se  efetivou  às  9:00  horas  do  dia  14/03/2006  (fls.  311).  De  outro  lado,  os  depoimentos  foram  prestados  em  05/09/2005  (Nilson  João  Cardoso  Vidal),  11/11/2005  (Gabriel  Cardoso  Vidal),  25/11/2005 (Nanei Maria Cardos Vidal), 11/05/2006 (Noemi de  Oliveira  de  Sales)  e  06/12/2006  (Raquel  Denise  Rosa  dos  Santos), conforme se vê às fls. 179­192 do Anexo I, volume I.  Como  se  vê,  as  declarações  de  Nilson  João  Cardoso  Vidal,  Gabriel Cardoso Vidal e sua mãe, Nanei Maria Cardoso Vidal,  foram prestadas antes da apreensão. A alegação da impugnante  é absurda, porquanto discrepa da cronologia dos fatos.  O  segundo  motivo  alegado  é  a  falta  de  intimação  para  acompanhar  os  depoimentos  e  eventual  acareação  entre  as  partes, pelo Ministério Público  Mais uma alegação despropositada. Não compete ao Ministério  Público, aos Fiscais ou aos delegados de polícia, estabelecerem  contraditórios, procederem a acareações, etc, quando recebem e  investigam  denúncias.  Essa  fase  é  meramente  inquisitória.  O  contraditório se instaura posteriormente, em face da autoridade  incumbida  de  eventual  julgamento,  quando deve  ser  ofertada  a  oportunidade de se produzirem as provas cabíveis.  O terceiro motivo alegado é que deveriam ser ouvidas  todas as  pessoas sócias das franqueadas, e não apenas três depoimentos  aleatórios.  Outra  alegação  sem  sentido.  Em  primeiro  lugar,  não  foram  apenas  três,  e  sim  cinco,  as  pessoas  ouvidas  pelo  Ministério  Público, cujos depoimentos  foram sintetizados no subitem "2.1"  do Termo de Verificação e Encerramento  da Ação Fiscal"  (fls.  Fl. 834DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   20 203­206).  Em  segundo  lugar,  fica  ao  critério  do  Ministério  Público  decidir  a  quantidade  de  depoimentos  necessária  à  comprovação  das  denúncias  que  eventualmente  formular  no  âmbito penal. Caso as provas sejam frágeis, o acusado deveria  agradecer, e não reclamar ­ já que facilita a prova em contrário.  Contudo,  essa  é  uma  questão  restrita  à  esfera  penal  (Poder  Judiciário),  competente  para  apreciar  eventual  denúncia  formulada  pelo  Ministério  Público  ao  instaurar  o  processo  próprio,  em  cujo  curso  certamente  serão  colhidos  outros  elementos  probatórios.  Descabe,  portanto,  cogitar  aqui  a  respeito.  Para os fins perseguidos nestes autos, que tratam exclusivamente  de  crédito  tributário,  importa  destacar  que  a  fiscalização  não  embasa  sua  imputação  apenas  nos  depoimentos  colhidos  pelo  Ministério Público, mas também em inúmeros outros elementos,  todos  devidamente  referenciados  no  Termo  de  Verificação  e  Encerramento da Ação fiscal. Caso esse conjunto probatório não  seja  suficiente  para  formar  o  convencimento  desta  Turma  Julgadora,  por  certo  será  reconhecida  a  improcedência  do  lançamento.  Por outro lado,  impende ressaltar que a fiscalização despendeu  ingentes  esforços  para  intimar  todas  as  pessoas  que  figuram  como  sócios  das  dezenove  empresas  'laranjas',  e  que,  quando  não  logrou  êxito,  o  insucesso  se  deve  à  inconsistência  dos  endereços  grafados  nos  contratos  sociais.  Segundo  o  item  "2.3.1" do Termo de Verificação e Encerramento (fls. 228), nove  pessoas  forneceram  o  mesmo  endereço,  e  nenhuma  foi  ali  localizada. Outra v/corrência relatada no item "2.3.5" (fls. 229),  é que vários sócios informaram como endereços residenciais os  endereços das empresas, onde obviamente não residem. Também  relata (item "2.36", fls. 230) que foram enviadas 44 (quarenta e  quatro)  intimações  a  supostos  sócios  (laranjas),  das  quais  22  (vinte  e  duas)  foram  devolvidas  constando  a  informação  "desconhecido" ou "endereço inexistente"; 17 (dezessete) com a  informação  de  "mudou­se"  ou  "não  entregue",  e  somente  5  (cinco) foram atendidas.  Ademais,  quando  reclamam  que  todos  os  sócios  das  empresas  franqueadas  deveriam  ser  ouvidos,  exteriorizam  sua  crença  de  que estes têm condições de prestar testemunhos convincentes em  seu benefício. Por  isso,  em vez de  reclamar que  foram ouvidas  apenas três pessoas ­ em realidade cinco, cujas declarações lhes  prejudicam ­, os sócios da impugnante deveriam, eles próprios,  recorrer  àquelas  pessoas,  com  quem  teriam  mantido  relações  comerciais durante tanto tempo.  De todo o exposto, a conclusão que se impõe é que a reclamação  improcede. Se a impugnante considerasse mesmo proveitosos os  depoimentos  dos  sócios  das  empresas  franqueadas,  tê­los­ia  trazido,  de  iniciativa  própria.  Se  não  o  fez,  é  porque  nem  ela  conseguiu  localizá­los,  ou,  se  tem  alguma  noção  de  seu  paradeiro,  sabe  que  o  que  têm  a  dizer  não  reverterá  em  seu  benefício,  tal  como  aconteceu  com  os  depoimentos  daquelas  pessoas localizadas pela fiscalização.  Fl. 835DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.016579/2007­74  Acórdão n.º 2301­004.531  S2­C3T1  Fl. 80          21 O quarto motivo alegado é que  "as  empresas  são  franqueadas,  possuem  sócios  diferentes,  (...)  possuindo  total  gerência  administrativa,  respondendo  inclusive  por  dívidas  trabalhistas,  não  podendo  ser  responsável  como  sujeito  passivo  dessas  receitas ".  Ora,  esse  é  o  ponto  central  a  ser  investigado  nestes  autos:  averiguar  se  as  empresas  franqueadas  constituem  mesmo  unidades  econômicas  distintas  da  impugnante,  com  sócios,  capitais e, principalmente, administrações distintas desta, o que  as  tornaria  aptas  a  responder  pelos  débitos;  ou  se,  pelo  contrário,  são  meros  simulacros,  'homens­de­palha'  criados  apenas para assumir malfeitorias alheias. E sendo o busílis, não  pode  ser  tomado  como  premissa  para  validar  qualquer  conclusão.  O quinto motivo alegado é que os depoimentos das três pessoas  mencionadas  alhures  pela  impugnante  (Gabriel Cardoso Vidal,  Noemi de Oliveira Sales e Nanei Maria Cardoso Vidal), dentre  cinco  prestados  ao  Ministério  Público,  foram  produzidos  em  procedimento  administrativo,  e  que  os  depoentes  não  juraram  dizer  somente  a  verdade,  sob  as  penas  da  lei,  o  que  lhes  possibilitaria maquiar ou alterar a verdade.  A alegação seria digna da análise que se fará na seqüência, caso  as  imputações  fiscais  estivessem  respaldadas  apenas  nos  cinco  depoimentos originais. Entretanto, da mesma forma que, na ação  penal,  o  Poder  Judiciário  não  formará  seu  convencimento  baseado  apenas  nos  depoimentos  colhidos  pelo  Ministério  Público,  este  Colegiado  também  não  o  fará.  Os  depoimentos  constituem  o  instrumento  deflagrador  da  ação  fiscal.  O  lançamento está  embasado em um amplo,  robusto  e harmônico  conjunto  de  provas.  Logo,  a  impugnante  pode  ficar  tranqüila,  com  relação  a  esse  ponto,  porquanto  os  membros  deste  Colegiado não são  ingênuos e  também não estão vinculados às  declarações  prestadas  ao  Ministério  Público  e  mesmo  às  conclusões  deste,  sendo  que  as  provas  ali  produzidas  somente  exercerão  aqui  alguma  influência  na  medida  em  que  se  harmonizarem com os demais elementos colacionados no curso  da  ação  fiscal  e  permitirem  formar  um  convencimento  inequívoco.  Por  outro  lado,  cumpre  ter  em  vista  que  a  veracidade  de  uma  assertiva se afere pelo grau de correspondência entre o que foi  dito e a realidade factual a que se reporta; e não pela presença  ou ausência de juramento ou outras formalidades. Imaginem­se,  por exemplo, duas assertivas formuladas por pessoas distintas: a  primeira delas  jura que dois mais dois  formam um conjunto de  cinco  unidades;  a  segunda  pessoa,  sem  jurar,  afirma  estar  convencida de que dois mais dois formam um conjunto de quatro  unidades.  Ora,  em  face  de  versões  antagônicas  e  mutuamente  excludentes,  a  pessoa  encarregada  de  determinar  qual  delas  é  verdadeira deverá aferir ­ por si mesma ­ a consistência de cada  assertiva  em  confronto  com  a  realidade  matemática,  e  não  se  fiando em juramentos ou formalidades de qualquer espécie.  Fl. 836DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   22 Dando  concretude  a  esse  raciocínio,  tem­se  nestes  autos,  por  exemplo, que um documento com fé pública, o contrato social de  SPLASH  Color  Comércio  de  Materiais  Fotográficos  Ltda  (fls.  06­09 do anexo XX), devidamente arquivado na Junta Comercial  do Estado do Rio Grande do Sul sob n° 43203.794.350, registra  que,  em  06/04/1998,  o  Sr.  Ivanildo  Alcântara,  ali  qualificado  como comerciante, associou­se a outro senhor na constituição de  empresa  sediada  em  Porto  Alegre  (RS),  destinada  à  comercialização  de  materiais  fotográficos,  etc,  que  investiu,  a  título de capital, a importância de R$ 23.750,00 e que assumiu a  gerência do empreendimento. De outro lado, em uma declaração  simples,  prestada  sem  qualquer  juramento,  da  qual  sequer  consta  reconhecimento  de  firma  (fls.  87  do mesmo Anexo XX),  aquele mesmo senhor afirma: 1) que nunca foi sócio de qualquer  empresa; 2) que tomou conhecimento de que as empresas Splash  Color  Com.  Materiais  Fotográficos  Ltda  e  Grancolor  Com.  Materiais  Fotográficos  Ltda  estavam  registradas  em  seu  nome  quando  foi apresentar a declaração de  isenção à Secretaria da  Receita Federal,  e não conseguiu; 3) que desconfia que  cópias  de  seus  documentos  foram  obtidas  quando  algumas  pessoas  se  dirigiram  ao  bairro  onde  mora  (Jardim  Savana  ­  invasão),  aproximadamente  em  1998,  e  solicitaram  os  documentos  alegando  que  seriam  usados  no  cadastro  para  recebimento  de  cestas  básicas,  brinquedos,  roupas;  4)  que  foram  levados  documentos de diversas pessoas residentes na vizinhança; 5) que  nunca  assinou  contratos  sociais  ou  alterações,  mas  assinou  folhas em branco, a pedido das pessoas que  levaram cópias de  seus  documentos;  e  6)  que  trabalha  comprando  e  vendendo  papéis usados, de catadores, pelo que recebe R$ 400,00 mensais.  Confrontando  os  dois  documentos,  constato  que  o  primeiro  deles, pelo fato de ser inscrito no registro público, ser subscrito  por  duas  testemunhas  e  um  advogado,  goza  da  presunção  relativa de veracidade. Entretanto, indago: ele é mais verdadeiro  ­ no sentido de retratar a realidade factual com maior exatidão ­  do  que o  segundo? O senhor  Ivanildo,  pelo  simples  fato  de  ter  seu  nome grafado  em um contrato  social  revestido  de  todas  as  formalidades,  deixou  de  ser  um  humilde  catador  de  papel?  Deixou  de  residir  em  um  moquiço,  situado  em  uma  invasão  (favela)  localizada  às  fétidas  margens  do  Canal  Belém,  em  Curitiba  (PR)  e  passou  a  ser  um  próspero  empresário,  com  significativos  capitais  aplicados  em  uma  empresa  na  capital  Gaúcha? Deixou de perambular pelas ruas de Curitiba com seu  carrinho, catando papelão, ferro velho e latinhas e se tornou um  respeitável administrador de empresas na capital gaúcha? Existe  pelo menos um comprovante de que tenha sido remunerado por  sua  atividade  empresarial?  A  resposta  é  um  enfático  não.  É  absolutamente  certo  que  o  segundo  documento,  apesar  de  sua  singeleza,  retrata  com  maior  precisão  a  triste  realidade  desse  senhor.  E  não  somente  a  dele,  como  a  realidade  das  demais  pessoas,  também  residentes  na  mesma  invasão  e  que  tiveram  seus documentos fraudulentamente utilizados na constituição de  empresas 'franquaeadas' da íris Color. Ainda com o foco voltado  para  o  contrato  social  da  empresa  'franqueada'  Splash  Color  Comércio de Materiais Fotográficos Ltda (fls. 06­09) do Anexo  XX,  enfatizo  que  o  Sr.  Ivanildo  Alcântara  teria  subscrito  e  integralizado,  em  moeda  corrente,  capital  no  importe  de  R$  Fl. 837DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.016579/2007­74  Acórdão n.º 2301­004.531  S2­C3T1  Fl. 81          23 23.750,00  (vinte  e  três  mil,  setecentos  e  cinqüenta  reais)  e  foi  investido da função de gerente da sociedade.  Ora, sabendo­se da modesta condição social e financeira do Sr.  Ivanildo  ­  catador  de  sucatas,  residente  em  uma  invasão  às  margens  do  Canal  Belém  ­,  não  há  como  conferir  alguma  credibilidade  ao  'documento'  registrado  na  Junta  Comercial  dando conta de que teria investido mais de vinte e três mil reais  em uma empresa, na cidade de Porto Alegre (RS). Além do mais,  em que momento e como, teria administrado tal empresa? Talvez  por videoconferência, enquanto perambulava com seu carrinho,  pelas ruas de Curitiba (PR)?  Além do mais,  a  falsidade material  dos  contratos  sociais dessa  pessoa  jurídica  'franqueada'  salta  à  vista.  Visualize­se  a  reprodução da assinatura que teria sido aposta pelo Sr. Ivanildo  no contrato original (fls. 09 do Anexo XX):  (...)  Compare­se essa com a reprodução da assinatura que teria sido  aposta pelo mesmo senhor na primeira alteração contratual da  Splash  Color  (fls.  10  do  Anexo  XX),  que  é  parecida,  mas  não  semelhante,  às  assinaturas  apostas  na  segunda  e  terceira  alterações:  (...)  Por último,  visualize­se a assinatura que  consta da carteira de  identidade do Sr. Ivanildo (fls. 88 do anexo XX):  (...)  Do  confronto  entre  as  três  assinaturas,  constata­se  grande  semelhança  entre  aquela  aposta  no  contrato  original  e  aquela  espelhada  em  sua  identidade,  o  que  ratifica  sua  declaração  de  que assinou folhas em branco, a pedido de pessoas que levaram  cópias  de  seus  documentos.  Já  as  assinaturas  apostas  nas  alterações  são  absurdamente  diversas  de  qualquer  assinatura  que  possa  provir  do  punho  desse  senhor.  Não  é  necessário  qualquer  conhecimento  grafotécnico  para  se  afirmar  com  convicção  que  se  trata  de  falsificação  grosseira,  sem  qualquer  cuidado tendente a imitar a assinatura original. Aliás, também a  assinatura  do  outro  'sócio',  Jorge Luiz  de  Souza Neves,  aposta  na alteração também é visivelmente falsificada, como se constata  à primeira vista.  É óbvio, portanto, que as provas em geral devem ser valoradas  pela  sua  capacidade  de  refletir  a  realidade,  e  não  pelas  formalidades de que se revestem.  Volto  à  análise  dos  documentos  da  Splash Color  Comércio  de  Materiais  Fotográficos  Ltda,  pelo  dom  que  têm  de  representar  todas  as  demais  empresas  'franqueadas',  e  por  envolver  a  Sra.  Nanei Maria Cardoso  Vidal,  cujo  depoimento  é  desqualificado  pela impugnante.  Fl. 838DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   24 Pois bem, é absolutamente inequívoco que, apesar de o contrato  social  de  fls.  06­09  ter  sido  registrado  na  Junta  Comercial,  a  pessoa  jurídica  cuja  constituição  se  propôs  a  documentar  não  chegou a ser criada de fato, uma vez que, com toda a certeza, o  Sr. Ivanildo Alcântara e o Sr. Jorge Luiz de Souza Neves não se  associaram para qualquer exploração, e tampouco empregaram  algum  capital  nesse  mister.  A  constituição  de  uma  sociedade,  como  todo  ato  jurídico,  é  um  ato  de  vontade.  Como  poderiam  esses dois cidadãos se associar, se jamais tiveram tal intenção?  O  que  se  constata,  portanto,  é  que  essa  pessoa  jurídica  tem  existência  formal,  abstraída  a  fraude  clara,  mas  carece  de  existência  material.  Nessas  condições,  estará  apta  a  assumir  alguma  obrigação  decorrente  de  operações  que  pratiquem  em  seu nome?  Prossigo.  Sendo  essa  empresa  uma  fraude  inequívoca  no  momento em que  foi criada  teria, em algum momento posterior  se  tornado  legítima?  E  quando  isso  teria  ocorrido?  Em  que  momento  pessoas  idôneas  teriam  negociado  com  esses  sócios  não­idôneos,  e deles adquirido as  suas quotas,  de  forma que a  empresa  deixasse  de  ser  'laranja'  e  passasse  a  representar  verdadeira  associação  de  vontades,  capitais  e  esforços  para  a  exploração  de  uma  atividade  econômica?  Teria  sido  quando  a  Sra.  Nanei  Maria  Cardoso  Vidal  subscreveu  a  alteração  contratual?  (...)  2 ­ Impossibilidade de constituição de crédito tributário através  de informações aduzidas por outras empresas  Argumenta que 19 (dezenove) empresas foram fiscalizadas, e que  foi aberto termo de início de fiscalização para cada uma delas.  Acrescenta que todas as empresas franqueadas foram intimadas  a  apresentar  seus  livros  fiscais,  escrituração  contábil,  movimentação financeira, justificação de depósitos, entre outros,  mas que ela, a impugnante, não teve acesso a essas informações  e  não  teve  vistas  dos  autos  ou  oportunidade  de  se  manifestar  quanto  aos  documentos  e  informações  prestados  pelas  franqueadas.  Mais  uma  vez,  a  impugnante  está  tangenciando  o  núcleo  da  imputação que recai sobre seus ombros. Com efeito, estabelece a  premissa  de  que  dezenove  empresas  alheias  a  ela  teriam  sido  fiscalizadas. Ora,  como  foi  dito,  o  lançamento  está  fundado na  premissa  de  que  essas  dezenove  empresas  não  são  associações  verdadeiras  de  empresários  que  efetivamente  exploraram  e  gerenciaram  empreendimentos  montados  por  suas  iniciativas  e  com  capitais  próprios;  e  sim  meras  unidades  econômicas  montadas,  exploradas  e  administradas  pela  impugnante,  acobertada  por  empresas  'laranjas'.  Em  outras  palavras,  a  impugnante  está  sofrendo as  conseqüências  tributárias  de  suas  próprias operações, e não das operações praticadas por outras  dezenove empresas.  Por  isso, a  impugnante, em vez de, apegada apenas ao aspecto  formal,  reclamar  que  estão  sendo  utilizadas  informações  de  terceiros  às  quais  não  teve  acesso,  deveria  demonstrar  a  Fl. 839DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.016579/2007­74  Acórdão n.º 2301­004.531  S2­C3T1  Fl. 82          25 inconsistência  da  imputação  fiscal,  e  que  cada  uma  dessas  pessoas jurídicas pertencia efetivamente às pessoas que figuram  como  seus  titulares  e  que  foram  outras  pessoas,  e  não  os  próprios  sócios  da  impugnante,  quem  as  criaram  e  administraram.  Basta  a  impugnante  demonstrar  que  essas  pessoas  jurídicas  foram efetivamente constituídas pelas pessoas  que  Existem  duas  assinaturas,  como  está  evidente.  Ocorreu,  todavia, que o Sr. Nilson Assinou abaixo de onde foi grafado o  seu  nome,  um  pouco  acima  da  assinatura  do  Promotor  de  Justiça,  Sr.  Marcelo  Alves  de  Souza,  como  se  visualiza  facilmente. A alegação improcede.  RECURSO VOLUNTÁRIO DOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS  INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA DETERMINAR OS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS  INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA VERIFICAR A OCORRÊNCIA DE ATO ILÍCITO  OS  responsáveis  tributários  alegam  a  incompetência  para  determinar  as  pessoas  que  responderão  solidariamente  para  com  o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária.  Asseveram também que não caberia à autoridade lançadora a verificação da ocorrência de ato  ilícito,  necessária  ao  requisito  para  a  responsabilidade  prevista  no  artigo  135  do  Código  Tributário Nacional (CTN), para a qual seria competente apenas a autoridade judicial.  Não lhes assiste razão. A competência da autoridade preparadora para lançar,  prevista  no  art.  142  do CTN,  inclui  a  competência  para  praticar  os  atos  relacionados  com  a  eficácia  emanante  do  lançamento,  inclusive  o  de  apontar possíveis  responsáveis  pelo  crédito  tributário  para  que  exerçam  o  contraditório  e  a  ampla  defesa  já  no  processo  administrativo  fiscal.  Ademais,  a  identificação  e  o  combate  aos  atos  ilícitos  (à  legislação  tributária  de  competência da Receita Federal do Brasil) diz respeito à essência desse órgão administrativo.  É  uníssona  a  jurisprudência  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais (CARF) nesse sentido:  Assunto:  Normas  Gerais  de  Direito  Tributário  Período  de  apuração:  01/01/1991  a  31/12/1998  SUCESSÃO  DE  EMPRESAS.  CONTINUIDADE  ATIVIDADES  DA  SUCEDIDA.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA  SUBSIDIÁRIA  DA  SUCESSORA.  Os  responsáveis  tributários  que  porventura  tenham  sido  apontados  em  termos  de  sujeição  passiva  como  responsáveis  solidários  ou  responsáveis  subsidiários  podem  discutir administrativamente o seu vínculo de responsabilidade,  por muito mais  razão  a  empresa  que  foi  apontada  como  único  sujeito  passivo  da  relação  obrigacional  tributária.  Não  faz  nenhum  sentido  deixar  para  se  discutir  em  sede  de  execução a  legitimidade  passiva  da  empresa  recorrida.  A  uma  porque  a  súmula nº 71 do CARF garante que: "Todos os arrolados como  responsáveis  tributários  na  autuação  são  parte  legítima  para  impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e  do respectivo vínculo de responsabilidade". A duas porque o que  se  discute  efetivamente  é  a  legitimidade  passiva  da  empresa  recorrida, posto que se houver conclusão pela aplicabilidade do  art. 133, I do CTN, a empresa recorrida é o sujeito passivo; caso  contrário,  ao  se  concluir pela  aplicabilidade do  art.  133,  II  do  Fl. 840DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   26 CTN a empresa recorrida não pode ser eleita o  sujeito passivo  principal do lançamento (...) (Acórdão 9202­003.391, Relator(a)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos)  Também  a  Súmula  CARF  71  versa  sobre  os  responsáveis  tributários,  admitindo  sua  impugnação  e  recurso,  e  consequentemente,  a  possibilidade  desses  serem  indicados no auto de infração:   Todos os arrolados como responsáveis  tributários na autuação  são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência  do  crédito  tributário  e  do  respectivo  vínculo  de  responsabilidade.  DA AUSÊNCIA DE BENEFICIAMENTO NO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE  Os  responsáveis  alegam  que  não  seriam  beneficiados  pela  ausência  de  retenção do IRRF, “pois foram tributados pelos autos de infração n° 10980.016556/2007­60 e  10980.016207/2007­48, respectivamente do Sr. Ricardo e do Sr. Ednaldo”, pelos quais “foram  autuados  a  pagar  o  imposto  de  renda  total  acrescido  de  juros  e  multa  em  outros  autos  de  infração”. Assim, não haveria falar em solidariedade por beneficiamento direto conforme prevê  a regra do artigo 124 do CTN.  Não lhes assiste razão.  Por  primeiro,  cumpre  assentar  que  os  recorrentes  não  juntaram  aos  autos  cópias dos processos administrativos fiscais 10980.016556/2007­60 e 10980.016207/2007­48,  para que se possa averiguar o seu conteúdo. Reza o Decreto 70.235, de 1972 que a prova do  alegado deve acompanhar a impugnação:  Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência. (Grifou­se.)  Art. 16. A impugnação mencionará:  I ­ a autoridade julgadora a quem é dirigida;  II ­ a qualificação do impugnante;  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de  1993)  V ­ se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial,  devendo  ser  juntada  cópia  da  petição.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.196, de 2005)  (...)  Fl. 841DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.016579/2007­74  Acórdão n.º 2301­004.531  S2­C3T1  Fl. 83          27 §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997)   b) refira­se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei  nº 9.532, de 1997)   c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Grifou­se.)  Mesmo  que  superado  esse  obstáculo,  melhor  sorte  não  assistiria  aos  responsáveis  solidários.  Os  termos  de  responsabilização  passiva  solidária  (fls.  403  e  404),  indicam  “que  o  sujeito  passivo  solidário,  sócio  da  fiscalizada,  foi  beneficiário  de  diversos  rendimentos  sem  a  respectiva  retenção  de  IR  na  fonte,  inclusive  de  contas  bancárias  de  empresas em nome de  interpostas pessoas”. Como fundamento  legal,  foram indicados os art.  124  e  135  do  CTN.  Do  presente  processo,  consta  que  ambos  os  sócios  detinham,  de  fato,  poderes de gerência.  Ora,  de  acordo  com  o  citado  art.  135,  III,  os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  são  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de  poderes ou infração de lei.  Não  há  dúvidas  de  que  estamos  diante  de  caso  de  infração  à  legislação  tributária, como amplamente debatido neste processo.  Ademais,  embora não  tenha sido  juntadas a estes autos cópias dos autos de  infração referidos nos processos 10980.016556/2007­60 e 10980.016207/2007­48, pesquisa no  sítio  eletrônico  deste  CARF  permite  que  se  obtenha  voto  relativo  ao  processo  10980.016207/2007­48, e permite verificar­se que a matéria lançada é omissão de rendimentos  recebidos  de  pessoas  jurídicas  e  omissão  de  rendimentos  recebidos  a  título  de  resgate  de  contribuições de previdência privada e FAPI :  Contra  o  contribuinte  acima  qualificado  foi  lavrado  o Auto  de  Infração de fls. 222 a 225, integrado pelos demonstrativos de fls.  217 a 221, pelo qual se exige a importância de R$179.136,12, a  título de  Imposto de Renda Pessoa Física ­  IRPF, acrescida de  multa de ofício de 75% e 150% e juros de mora, em virtude da  apuração das seguintes infrações:   1. omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, anos­ calendário 2002 a 2004;   2.  omissão  de  rendimentos  recebidos  a  título  de  resgate  de  contribuições  de  previdência  privada  e  FAPI,  ano­calendário  2002.  Como  referido  no  relatório  do  presente  processo,  no  presente  processo  é  lançado,  em  atenção  ao  Parecer  Normativo  Cosit  1,  de  2002,  tão­somente  multa  de  ofício  Fl. 842DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   28 isolada e juros moratórios, pela falta de retenção e recolhimento do IRRF em pagamentos que  beneficiaram diretamente os Srs. Ricardo de Almeida César e Ednaldo de Almeida Cezar.   IRRF.  ANTECIPAÇÃO  DO  IMPOSTO  APURADO  PELO  CONTRIBUINTE.  NÃO  RETENÇÃO  PELA  FONTE  PAGADORA. PENALIDADE.  Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza  de  antecipação,  antes  da  data  fixada  para  a  entrega  da  declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da  data prevista para o encerramento do período de apuração em  que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado  ou  anual,  no  caso  de  pessoa  jurídica,  serão  exigidos  da  fonte  pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora.  Verificada  a  falta  de  retenção  após  as  datas  referidas  acima  serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de  mora  isolados,  calculados  desde  a  data  prevista  para  recolhimento do  imposto que deveria  ter  sido  retido até a data  fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de  pessoa  física,  ou,  até  a  data  prevista  para  o  encerramento  do  período  de  apuração  em  que  o  rendimento  for  tributado,  seja  trimestral,  mensal  estimado  ou  anual,  no  caso  de  pessoa  jurídica; exigindo­se do contribuinte o imposto, a multa de ofício  e  os  juros  de  mora,  caso  este  não  tenha  submetido  os  rendimentos à tributação. (Grifou­se.)  O  fato  de  ter  havido  o  lançamento  da  receita  omitida  nas  pessoas  físicas,  também em atenção ao Parecer Normativo Cosit 1, de 2002, não elide o presente lançamento,  nem influencia a regra de responsabilidade do art. 135, III, do CTN.  Por  tais  motivos,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  dos  sujeitos passivos solidários.   Voto,  portanto,  por  rejeitar  as  preliminares,  e  no  mérito,  por  NEGAR  PROVIMENTO aos recursos voluntários.  (assinado digitalmente)  João Bellini Júnior  Relator                             Fl. 843DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR

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Numero do processo: 16832.000085/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. NECESSIDADE. Justifica-se a necessidade da emissão de Requisição de Movimentação Financeira quando demonstrada de forma inequívoca a hipótese de sua indispensabilidade para o andamento do procedimento fiscal em curso, nos termos do artigo 4o , § 6o, do Decreto n. 3724/2001. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. POSSIBILIDADE. Quando a empresa faz opção pelo lucro presumido e não tem a sua escrituração desqualificada pela autoridade fiscal, o valor da receita omitida na determinação da base de cálculo deve obedecer ao regime de tributação escolhido para o período-base. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante a oferta de provas hábeis e idôneas. A ausência de tal providência valida o lançamento regularmente efetuado. CSLL.PIS.COFINS.LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da estreita relação de causa e de efeito existente entre ambos, afastando-se da tributação as parcelas de PIS e COFINS deslocadas de seus períodos de apuração para o último mês de cada trimestre, sem que isso implique novação ou prejuízo ao contribuinte.
Numero da decisão: 1201-001.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. NECESSIDADE. Justifica-se a necessidade da emissão de Requisição de Movimentação Financeira quando demonstrada de forma inequívoca a hipótese de sua indispensabilidade para o andamento do procedimento fiscal em curso, nos termos do artigo 4o , § 6o, do Decreto n. 3724/2001. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. POSSIBILIDADE. Quando a empresa faz opção pelo lucro presumido e não tem a sua escrituração desqualificada pela autoridade fiscal, o valor da receita omitida na determinação da base de cálculo deve obedecer ao regime de tributação escolhido para o período-base. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante a oferta de provas hábeis e idôneas. A ausência de tal providência valida o lançamento regularmente efetuado. CSLL.PIS.COFINS.LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da estreita relação de causa e de efeito existente entre ambos, afastando-se da tributação as parcelas de PIS e COFINS deslocadas de seus períodos de apuração para o último mês de cada trimestre, sem que isso implique novação ou prejuízo ao contribuinte.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2284; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16832.000085/2009­10  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  1201­001.347  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  03 de fevereiro de 2016  Matéria  Auto de Infração  Recorrentes  METALIGHT COMÉRCIO DE MATERIAL ELÉTRICO LTDA.              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004, 2005, 2006  REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. NECESSIDADE.  Justifica­se  a  necessidade  da  emissão  de  Requisição  de  Movimentação  Financeira  quando  demonstrada  de  forma  inequívoca  a  hipótese  de  sua  indispensabilidade  para  o  andamento  do  procedimento  fiscal  em  curso,  nos  termos do artigo 4o , § 6o, do Decreto n. 3724/2001.  OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO  COMPROVADA.  TRIBUTAÇÃO  PELO  LUCRO  PRESUMIDO.  POSSIBILIDADE.  Quando  a  empresa  faz  opção  pelo  lucro  presumido  e  não  tem  a  sua  escrituração desqualificada pela autoridade fiscal, o valor da receita omitida  na  determinação  da  base  de  cálculo  deve obedecer  ao  regime de  tributação  escolhido para o período­base.  PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.  A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo­o  para o contribuinte, que pode refutá­la mediante a oferta de provas hábeis e  idôneas.  A  ausência  de  tal  providência  valida  o  lançamento  regularmente  efetuado.  CSLL.PIS.COFINS.LANÇAMENTOS REFLEXOS.  Aplica­se  ao  lançamento  reflexo  o  mesmo  tratamento  dispensado  ao  lançamento matriz, em razão da estreita relação de causa e de efeito existente  entre  ambos,  afastando­se  da  tributação  as  parcelas  de  PIS  e  COFINS  deslocadas de seus períodos de apuração para o último mês de cada trimestre,  sem que isso implique novação ou prejuízo ao contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 00 85 /2 00 9- 10 Fl. 830DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16832.000085/2009­10  Acórdão n.º 1201­001.347  S1­C2T1  Fl. 3          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento aos recursos voluntário e de ofício.    (documento assinado digitalmente)  Marcelo Cuba Netto – Presidente     (documento assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida – Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto,  Roberto  Caparroz  de  Almeida,  Gilberto  Baptista,  João  Carlos  de  Figueiredo  Neto  e  Ester  Marques Lins de Sousa.    Relatório  Os fatos que ensejaram a autuação são bastante claros e podem ser descritos a  partir do relatório elaborado pela autoridade lançadora, a seguir transcrito:  1.  A  pessoa  jurídica  em  lide,  apesar  de  "Ativa"  nos  cadastros  desta Secretaria, foi encontrada fechada, sem funcionamento, no  endereço cadastral;  2.  Apresentou  as  DIRPJ/2005,  DIRPJ/2006  e  DIRPJ/2007  na  qualidade  de  microempresa,  tendo  apurado  seu  imposto  pela  modalidade de "Lucro Presumido";  3. Foi dirigida  intimação ao  sócio,  que  se  fez  representar  pela  contadora atual e procuradora, que acompanha a fiscalização e  assina os Termos lavrados;  4.  Não  conseguiu  apresentar  todos  os  elementos  a  que  foi  repetidas vezes intimada, razão pela qual teve o sigilo bancário  suspenso e seus extratos bancários obtidos diretamente junto as  instituições financeiras com que operou nos anos­calendário em  lide;  5.  A  partir  das  informações  contidas  nos  extratos  bancários,  foram  levantados e relacionados, em planilhas elaboradas pela  fiscalização,  os  lançamentos  a  crédito,  identificados  por  data,  valor  e  histórico,  com  o  objetivo  de  apurar  a  receita  efetivamente auferida pelo contribuinte nos períodos em exame;  Fl. 831DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16832.000085/2009­10  Acórdão n.º 1201­001.347  S1­C2T1  Fl. 4          3 6.  O  contribuinte  foi  sucessivas  vezes  intimado  a  justificar/  explicar/comprovar, com base em documentação hábil e idônea,  os  lançamentos  a  crédito,  dentre  os  relacionados  nas  mencionadas planilhas, que não configurassem receita auferida  pelo  exercício  da  atividade  social,  para  serem,  por  isso,  excluídos do levantamento de interesse fiscal;  7.  Desta  forma,  restaram  consideradas  as  operações  a  crédito  por  fim  constantes  das  planilhas  ora  anexadas  como  partes  integrantes  e  complementares  do  presente  feito,  discriminadas  por  instituição  financeira  e  conta­corrente  e  consolidadas  ao  mês;  8. Os somatórios dos totais mensais apurados na forma descrita  acima,  que  configuram  Receitas  Apuradas  mês  a  mês,  foram  então consolidados por trimestre e confrontados com as Receitas  Brutas  declaradas  ao  trimestre,  conforme  Quadro  Demonstrativo ­ Apuração de Valores Omitidos, também anexo,  integrante e complementar ao presente feito;  9.  Dada  a  dificuldade  encontrada  na  perfeita  identificação  individualizada  de  cada  uma  dessas  operações  na  escrita  contábil,  a  fiscalização  preferiu  optar  pela  alternativa  mais  favorável  ao  contribuinte,  de  presumir  que  a  receita  declarada  estaria totalmente contida e representada dentre os créditos em  conta bancária considerados;  10. Assim, as diferenças aritméticas encontradas, que mensuram  a  superioridade  das  receitas  apuradas  em  relação  às  receitas  declaradas, demonstradas no dito Quadro, configuram, portanto,  receita auferida e omitida, nos moldes do que autoriza o disposto  no  art.  528  do  Decreto  3.000/99,  RIR/99,  o  que  constitui  interesse  fiscal  e  obriga  à  lavratura  de  auto  de  infração,  para  lançamento do crédito tributário devido;  11. Intimado a explicar as diferenças encontradas, o contribuinte  alegou  que  as  irregularidades  apuradas  foram  involuntárias,  fruto  dos  erros  cometidos  na  área  de  contabilidade,  devido  a  serviços terceirizados contratados a época;  12.  Foram  desprezados  das  apurações  fiscais,  por  sua  insignificância  ou  tipo  de  operação,  os  extratos  das  contas  havidas no BRADESCO, nas agências 31102, 32622 e 16291, de  n° 40158, 144260, 150126, respectivamente, e no HSBC, agência  317, conta n° 19834­10.  Ciente da intimação, a empresa apresentou impugnação, na qual, em síntese,  alegou que:  1. Através da leitura dos termos da presente autuação contata­se  que foram indicados os artigos 25 e 42 da Lei n° 9.430/1.996 e o  artigo 528 do RIR/99;  2. O procedimento fiscal está ancorado em diversas requisições  de movimentação  financeira  (RMF),  utilizadas  para  acessar  as  informações sobre as contas bancárias do autuado, sendo que a  Fl. 832DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16832.000085/2009­10  Acórdão n.º 1201­001.347  S1­C2T1  Fl. 5          4 quebra  do  sigilo  bancário  somente  poderia  ser  feita  de  acordo  com  procedimento  estabelecido  na  legislação  fiscal,  mais  precisamente  a  Lei  Complementar  n°  105  de  10  de  janeiro  de  2001, o Decreto n° 3.724/2001 e a Portaria SRF n° 180 de 1o de  fevereiro de 2001;  3. A mera  juntada aos autos de cópia da RMF não serve como  fundamento que  especificou os  suportes  legal e  fático,  os quais  permitiram a expedição daquela;  4 Portanto, as provas  trazidas aos autos  são  imprestáveis para  suportar a autuação, já que a Constituição Federal de 1988 não  permite a utilização de provas obtidas por meio ilícito;  5. Deveria  ter  sido adotado o Lucro Arbitrado, não podendo a  fiscalização adotar o regime de tributação que mais lhe convém,  ainda  que  seja  o  mesmo  lucro  presumido  adotado  pelo  contribuinte;  6. Da  leitura do artigo 530 do RIR/99 chega­se à conclusão de  que  se  o  contribuinte  não  possui  escrituração,  ou  recusar­se  a  apresentá­la,  ou  mesmo  sendo  esta  imprestável,  deverá  a  autoridade proceder ao arbitramento do lucro;  7. Inequivocamente foi o que aconteceu no caso em tela, pois, em  primeiro  lugar,  o  Termo  de Constatação Fiscal  noticia  que  no  endereço cadastral a empresa não fora encontrada;  8.  Por  outro  lado,  a  própria  auditora  assevera  que  a  empresa  “não  conseguiu  apresentar  todos  os  documentos  a  que  foi  repetidas  vezes  intimada” e  que “o contribuinte  foi,  sucessivas  vezes,  intimado  a  justificar/explicar/comprovar,  com  base  em  documentação hábil  e  idônea, os  lançamentos a crédito, dentre  os relacionados nas mencionadas planilhas”;  9. Percebe­se ter a apuração ocorrido somente com suporte nos  extratos  bancários  disponibilizados  pelas  instituições  financeiras, e não com fulcro na escrita contábil do autuado;  10. Então não poderia a  fiscalização adotar o  regime do  lucro  presumido, pois a contribuinte não disponibilizou, dentre outros  livros e documentos, o Livro Caixa, obrigatório por lei;  11. Por outro lado, como poderia apurar o lucro presumido se a  própria  fiscalização  afirmou  que  não  era  possível  identificar  a  efetiva movimentação financeira?  12.  O  parágrafo  primeiro  do  artigo  42  da  Lei  n°  9.430/1996  determina  claramente  que  os  valores  creditados  em  contas  de  depósitos  ou  de  investimento  fossem  analisados  de  forma  individualizada para fins de apuração da receita omitida, o que  não ocorreu, pois a intimação não relacionou os depósitos cuja  origem o contribuinte deveria demonstrar;  13. Foram  indicados  valores  não  correspondentes  ao montante  dos depósitos bancários feitos nas contas bancárias, mas meros  indicadores  do  valor  da movimentação  financeira  do  titular  da  Fl. 833DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16832.000085/2009­10  Acórdão n.º 1201­001.347  S1­C2T1  Fl. 6          5 conta,  não  cabendo  exigir  deste  que  comprove  de  forma  individualizada  sua  origem  se  a  própria  intimação  não  os  individualiza;  14.  Ao  intimar  genericamente  sobre  a  origem  dos  depósitos  bancários apenas pelos valores globalizados a autoridade fiscal  praticamente  transferiu  para  o  contribuinte  o  ônus  de  realizar  todo o procedimento;  15.  Para  corroborar  o  exposto  é  mister  dizer  que  a  própria  fiscalização assevera que em função da “dificuldade encontrada  na  perfeita  identificação  individualizada  de  cada  uma  destas  operações na escrita contábil, a fiscalização preferiu optar pela  alternativa  mais  favorável  ao  contribuinte,  de  presumir  que  a  receita  declarada  estaria  totalmente  contida  e  representada  dentre os créditos em conta bancária considerados”;  16. Não caberia à autoridade fiscal fazer o que considerava mais  favorável ao contribuinte já que a lei deve ser aplicada sempre,  devendo  ter  sido  arbitrado  o  lucro  em  decorrência  da  inexistência dos livros contábeis;  17. Ainda que  se  considere que os poucos documentos a que a  fiscalização  teve  acesso  justificassem  a  adoção  do  lucro  presumido deveria a auditora ter laborado com mais vigor para  identificar os depósitos de forma individualizada, quando então  teria descoberto que vários créditos correspondem, por exemplo,  a  meras  transferências  bancárias.  No  HSBC  o  contribuinte  possuía duas contas recebendo em uma delas valores referentes  à cobrança/desconto das vendas realizadas e cobradas por meio  de  boleto  bancário  e,  na  outra,  os  valores  correspondentes  às  cobranças  feitas diretamente aos clientes. Quando certo cliente  não pagava o boleto, o contribuinte costumava quitar o débito,  efetuando ele mesmo o pagamento, para num segundo momento  efetuar  a  cobrança  diretamente  e,  assim,  proceder  ao  depósito  do valor na segunda conta bancária mencionada;  18.  Portanto,  para  caracterização  da  infração  de  omissão  de  receitas  decorrente  de  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada existem duas condições: que o  sujeito passivo seja  regularmente  intimado  e  que  os  créditos  sejam  analisados  individualizadamente,  o  que  implica  intimação  para  a  comprovação dos mesmos;  19. Houve  equívoco  na  apuração  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  COFINS,  haja  vista  que  a  lei  tributária  determina  que  tais  contribuições  sejam  apuradas  mensalmente  e  a  fiscalização  as  apurou trimestralmente.  Em sessão de 17 de março de 2001 a 9a Turma da Delegacia de Julgamento  do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos,  julgou parcialmente procedente a  impugnação,  para manter os lançamentos a título de IRPJ e CSLL, mas afastando parte dos lançamentos de  PIS e COFINS, por erro na sistemática utilizada na autuação.   Da decisão foi apresentado Recurso de Ofício, por força do limite de alçada.  Fl. 834DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16832.000085/2009­10  Acórdão n.º 1201­001.347  S1­C2T1  Fl. 7          6  Por  seu  turno,  a  interessada  interpôs  Recurso  Voluntário,  no  qual  repetiu,  basicamente, os argumentos da impugnação, acrescidos à tese de que a decisão de 1a instância  teria inovado o lançamento.   Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator   O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele  conheço.  Em primeiro  lugar,  alega a Recorrente que não  foram  trazidos aos  autos os  motivos  que  ensejaram  a  “quebra  do  sigilo  bancário”  promovida  pelas  requisições  de  movimentação financeira.  Ocorre que a empresa foi, por diversas vezes, na pessoa de seu representante  legal,  intimada para apresentar documentos e  informações, sendo que, em nenhuma delas, se  dignou  a  responder  à  fiscalização.  Não  existe  nos  autos  qualquer  documento  produzido  ou  apresentado pela empresa, razão que considero suficiente para as requisições de movimentação  financeira,  pois,  de  outro modo,  não  teria  a  autoridade  fiscal  condições  de  levar  adiante  os  trabalhos de auditoria.   Entendo  que  os  procedimentos  legais  foram  seguidos  e,  neste  ponto,  não  assiste razão à interessada.  A Recorrente também alega que os lançamentos não poderiam ser efetuados  pelo  lucro presumido, pois  a  fiscalização deveria  ter  arbitrado o  resultado, visto que não  foi  apresentado qualquer documento, inclusive o Livro Caixa, que seria obrigatório.  O  regime  de  tributação  no  caso  de  omissão  de  receitas  decorrente  de  depósitos bancários está previsto nos artigos 287 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda:  Art.  287. Caracterizam­se  também  como  omissão  de  receita  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42).  §1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, §1º).  §2º  Os  valores  cuja  origem  houver  sido  comprovada,  que  não  houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas  de  tributação  Fl. 835DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16832.000085/2009­10  Acórdão n.º 1201­001.347  S1­C2T1  Fl. 8          7 específicas,  previstas  na  legislação  vigente  à  época  em  que  auferidos ou recebidos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, §2º).  §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados  os  decorrentes  de  transferência  de  outras  contas  da própria pessoa  jurídica  (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, §3º,  inciso I).  Tratamento Tributário   Art.  288.  Verificada  a  omissão  de  receita,  a  autoridade  determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados  de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a  pessoa  jurídica no  período  de  apuração a  que corresponder  a  omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). (grifamos)  Percebe­se  que  a  legislação  é  clara  no  sentido  de  indicar  que  o  regime  de  tributação  deverá  ser  aquele  a  que  estiver  submetida  a  empresa.  No  caso  dos  autos,  a  interessada fez opção pelo lucro presumido, apurado trimestralmente, e assim foram lançados  os valores decorrentes da omissão, a título de IRPJ e CSLL.  Este  Turma  tem  decidido  que  o  arbitramento  do  lucro  é  medida  extrema,  aplicável  somente  em  casos  específicos.  Entendo  correto,  portanto,  o  tratamento  jurídico  utilizado pela fiscalização, conforme descrito no Termo de Verificação, a seguir transcrito:  ­  a  partir  das  informações  contidas  nos  extratos  bancários,  foram  levantados e relacionados, em planilhas elaboradas pela  fiscalização,  os  lançamentos  a  crédito,  identificados  por  data,  valor  e  histórico,  com  o  objetivo  de  apurar  a  receita  efetivamente auferida pelo contribuinte nos períodos em exame;  ­  o  contribuinte  foi  sucessivas  vezes  intimado  a  justificar/  explicar/comprovar, com base em documentação hábil e idônea,  os  lançamentos  a  crédito,  dentre  os  relacionados  nas  mencionadas planilhas, que não configurassem receita auferida  pelo  exercício  da  atividade  social,  para  serem,  por  isso,  excluídos do levantamento de interesse fiscal;  ­ desta forma, restaram consideradas as operações a crédito por  fim  constantes  das  planilhas  ora  anexadas  como  partes  integrantes  e  complementares  do  presente  feito,  discriminadas  por  instituição  financeira  e  conta­corrente  e  consolidadas  ao  mês;  ­  os  somatórios  dos  totais mensais apurados  na  forma descrita  acima,  que  configuram  Receitas  Apuradas  mês  a  mês,  foram  então consolidados por trimestre e confrontados com as Receitas  Brutas  declaradas  ao  trimestre,  conforme  Quadro  Demonstrativo ­ Apuração de Valores Omitidos, também anexo,  integrante e complementar ao presente feito.  No mesmo sentido, temos que a base legal do auto de infração é o artigo 42  da Lei n. 9.430/96, que confere presunção de omissão de receita aos depósitos cuja origem não  seja comprovada pelo titular, nos seguintes termos:  Fl. 836DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16832.000085/2009­10  Acórdão n.º 1201­001.347  S1­C2T1  Fl. 9          8 Art.42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  §2º  Os  valores  cuja  origem  houver  sido  comprovada,  que  não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:   I ­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;  II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso  anterior, os de valor  individual  igual ou  inferior a R$ 1.000,00  (mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ calendário,  não  ultrapasse  o  valor  de  R$  12.000,00  (doze  mil  reais).  A presunção contida no artigo 42 tem o condão de inverter o ônus da prova,  normalmente  a  cargo  do  Fisco,  nas  hipóteses  em  que  o  Contribuinte  omite  os  valores  depositados em conta de sua titularidade.   Nesses  casos,  a  lei  determina  que  compete  ao  interessado  fazer  prova  da  origem de tais recursos, até então desconhecidos. A prova exigida deve ser hábil e idônea, ou  seja, suficiente e conclusiva em relação aos fatos que originaram os respectivos depósitos ou  transferências.  A  não  comprovação  pelo  interessado  ou  a  apresentação  de  documentos  frágeis  ou  insuficientes  materializa,  no  campo  jurídico,  a  presunção,  e  torna  de  rigor  o  lançamento do montante detectado.   Por  óbvio  que  cabe  à  autoridade  fiscal  intimar,  averiguar  e  determinar  a  apresentação dos documentos que considera necessários para a comprovação dos depósitos. As  intimações  foram  feitas,  com  a  devida  ciência  do  contribuinte,  que,  todavia,  não  apresentou  documentos que demonstrassem a origem dos depósitos.  Diante de tal situação, optou a fiscalização por considerar que toda a receita  estaria  contida  nos  créditos  verificados  nas  contas  bancárias,  o  que  certamente  não  trouxe  qualquer prejuízo à Recorrente ou maculou os lançamentos, ao contrário do que foi alegado no  Recurso Voluntário:  Fl. 837DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16832.000085/2009­10  Acórdão n.º 1201­001.347  S1­C2T1  Fl. 10          9 Dada  a  dificuldade  encontrada  na  perfeita  identificação  individualizada  de  cada  uma  dessas  operações  na  escrita  contábil,  a  fiscalização  preferiu  optar  pela  alternativa  mais  favorável  ao  contribuinte,  de  presumir  que  a  receita  declarada  estaria totalmente contida e representada dentre os créditos em  conta bancária considerados;  Assim,  as  diferenças  aritméticas  encontradas,  que mensuram  a  superioridade  das  receitas  apuradas  em  relação  às  receitas  declaradas, demonstradas no dito Quadro, configuram, portanto,  receita auferida e omitida, nos moldes do que autoriza o disposto  no  art.  528  do  Decreto  3.000/99,  RIR/99,  o  que  constitui  interesse  fiscal  e  obriga  à  lavratura  de  auto  de  infração,  para  lançamento do crédito tributário devido;  Intimado  a  explicar  as  diferenças  encontradas,  o  contribuinte  alegou  que  as  irregularidades  apuradas  foram  involuntárias,  fruto  dos  erros  cometidos  na  área  de  contabilidade,  devido  a  serviços terceirizados contratados a época.  Conquanto  tenha  mencionado  no  relatório  a  dificuldade  de  individualizar  todas  as  operações  e  correlacioná­las  com  as  atividades  da  empresa,  constam  dos  autos  planilhas  pormenorizadas  que  indicam,  um  a  um,  os  lançamentos  a  crédito  que  foram  considerados  na  autuação,  de  sorte  que  não  vislumbro  qualquer  irregularidade  ou  vício  nos  lançamentos efetuados a título de IRPJ e CSLL.  A  Recorrente  alega  que  alguns  valores  teriam  sido  considerados  de  forma  incorreta, pois seriam relativos a “meras transferências bancárias”. Contudo, embora tenha sido  intimada,  por  diversas  vezes,  a  se  manifestar  sobre  os  créditos,  simplesmente  optou  pelo  silêncio e, dessa forma, não apresentou qualquer documento ou demonstrativo que subsidiasse  seus argumentos.  Por  fim,  diz  a  interessada  que  houve  agravamento  da  exigência  na  decisão  recorrida, pois, ao afastar a periodicidade trimestral no caso do PIS e da COFINS, não poderia  o julgador de 1a instância ter apurado novo valor para esses tributos.  Para  a  compreensão  da  questão,  convém  ressaltar  o  que  ficou  decidido  no  primeiro julgamento, que também é objeto do Recurso de Ofício apresentado a este Conselho:   Quanto  ao  argumento  de  que houve  equívoco  na  apuração  da  base tributável do PIS e da COFINS , a meu ver, tem razão em  parte a contribuinte.  Essas  contribuições  tem  periodicidade mensal  conforme  artigo  74 do Decreto n° 4.524/2002 que tem por matriz legal o artigo 2o  da LC n° 70/1991 e art. 2o da Lei n° 9715/1998. Tais dispositivos  foram citados pela contribuinte em sua impugnação.  Portanto, é  improcedente a autuação sobre valores deslocados  de seus efetivos períodos de apuração, e que correspondem aos  dois primeiros meses de cada trimestre.  Assim,  conforme  quadro  demonstrativo  a  seguir, mantenho  os  valores da autuação apenas para os valores da receita apurada  Fl. 838DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16832.000085/2009­10  Acórdão n.º 1201­001.347  S1­C2T1  Fl. 11          10 referente  ao  terceiro  mês  de  cada  trimestre,  deduzindo  os  valores  das  receitas  declaradas.  Relativamente  ao  ano  calendário de 2004 as receitas informadas para apuração de PIS  e COFINS constaram na Declaração Integrada de Informações  Econômico­Fiscais  da  pessoa  Jurídica  ­  DIPJ2005.  Nos  anos  calendários de 2005 e 2006 as receitas que serviram de base de  cálculo  para  essas  contribuições  constou  nos  DACON  ­  (Demonstrativo de apuração de contribuições sociais), por força  da  IN SRF 540/2005,  sendo esta a  fonte para a  receita mensal  declarada.  Ressalto  que  a  receita  declarada  informada  pela  contribuinte  sempre  foi  nos  mesmos  valores  para  ambas  as  contribuições. (grifamos)  Percebe­se  que  a  decisão  recorrida  reconheceu  o  erro  na  definição  da  periodicidade dos citados tributos, exonerando os montantes relativos aos dois primeiros meses  de  cada  trimestre,  mantendo  apenas  o  valor  do  terceiro mês,  que  foi  apurado  corretamente.  Com  isso,  reduziu  substancialmente  o  valor  da  autuação,  o  que,  por  certo  não  implica  em  agravamento  ou  novação  do  lançamento,  mas  apenas  em  adequação  da  base  de  cálculo  autuada.  Considero correto o procedimento adotado pela decisão de 1a instância, pois  o  PIS  e  a  COFINS  devem  efetivamente  ser  apurados  em  bases  mensais,  razão  pela  qual  entendo que não assiste razão à empresa e, no mesmo sentido,  também não deve prosperar o  Recurso de Ofício interposto em função da exoneração parcial dos dois tributos.  Ante  o  exposto  CONHEÇO  do  Recurso Voluntário  e,  no mérito,  voto  por  NEGAR­LHE  provimento,  assim  como  CONHEÇO  do  Recurso  de  Ofício  para  também  NEGAR­LHE provimento.  É como voto.    (documento assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida ­ Relator                                Fl. 839DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO

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Numero do processo: 11128.002272/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2005 PETIÇÃO FAZENDÁRIA RECEBIDA COMO EMBARGOS. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. Vinculada aos autos de acórdão que não tem referência com o presente processo administrativo. Erro material conhecido para determinar a desvinculação do acórdão equivocado e, por conseguinte, a vinculação aos autos do acórdão adequado.
Numero da decisão: 3402-002.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por votação unânime, dar provimento aos embargos inominados para determinar (i) a desvinculação do acórdão registrado sob o nº 3101-000.996 do processo em epígrafe, bem como (ii) a vinculação do acórdão registrado sob o nº 3101-000.997 nos autos em tela e (iii) ulterior intimação da União, por intermédio da sua Procuradoria, para que tome as medidas que entender pertinentes. Ausentes os Conselheiros Jorge Freire e Valdete Aparecida Marinheiro. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por votação unânime, dar provimento aos embargos inominados para determinar (i) a desvinculação do acórdão registrado sob o nº 3101-000.996 do processo em epígrafe, bem como (ii) a vinculação do acórdão registrado sob o nº 3101-000.997 nos autos em tela e (iii) ulterior intimação da União, por intermédio da sua Procuradoria, para que tome as medidas que entender pertinentes. Ausentes os Conselheiros Jorge Freire e Valdete Aparecida Marinheiro. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM     2 Relatório  1. Trata­se de auto de infração com o escopo de exigir multa pela informação  a  destempo  a  respeito  de  carga  transportada  pela  via marítima  para  fins  de  exportação,  nos  termos do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto­lei n. 37/66.  2. O contribuinte impugnou a aludida exigência e, em 20/01/2011, deparou­se  com r. decisão de fls. 88/93 pela improcedência da referida impugnação.  3.  Diante  deste  quadro,  o  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  de  fls.  97/109,  o  qual  foi  julgado  procedente  por  unanimidade  por  este  Tribunal  Administrativo.  Uma vez intimada, a União apresentou manifestação de fls., oportunidade em que, em suma,  aventou a existência de erro material no v. acórdão embargado.  4.  Referida  petição  fazendária  foi  recebida  pelo  então  Presidente  da  1a.  Câmara desta 3a. Seção como se embargos inominados fossem (decisão de fls.).  5. É o relatório.  Voto             Conselheiro Diego Diniz Ribeiro ­ Relator  6.  Recebo  e  conheço  a  manifestação  fazendária  como  se  embargos  inominados  fossem, haja vista a  finalidade da  referida petição  (suprir  erro material cometido  nos autos), bem como pelo fato do recurso preencher os seus pressupostos de admissibilidade.  7. Em relação ao mérito, o recurso merece provimento.  8. Conforme se observa dos autos e da ata de julgamento do presente caso, o  recurso  voluntário  interposto  pelo  contribuinte  foi  julgado  procedente  por  votação  unânime,  decisão essa retratada pelo acórdão registrado sob o n. 3101­000.997. Acontece que, no ato de  vinculação  do  referido  acórdão  ao  processo  em  epígrafe,  foi  realizada  a  juntada  do  acórdão  registrado sob o n. 3101­000.996, o qual, por sua vez, não tem qualquer correspondência com o  processo  em  epígrafe,  mas  sim  com  o  processo  administrativo  n.  11128.00966/2007­29,  da  empresa Wilson Sons Agência Marítima.  9.  Resta  claro,  portanto,  que  o  acórdão  embargado  foi  indevidamente  vinculado aos autos, razão pela qual os embargos inominados interpostos pela União devem ser  acolhidos.  10. Ex positis, dou provimento  aos embargos  inominados e determino, por  conseguinte, (i) a desvinculação do acórdão registrado sob o n. 3101­000.996 do processo em  epígrafe, bem como (ii) a vinculação do acórdão registrado sob o n. 3101­000.997 nos autos  em tela e  (iii) ulterior  intimação do contribuinte e da União para que tomem as medidas que  entenderem pertinentes.  11. É como voto.  Diego Diniz Ribeiro ­ Relator  Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11128.002272/2007­17  Acórdão n.º 3402­002.880  S3­C4T2  Fl. 173          3                               Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM

score : 1.0
6274495 #
Numero do processo: 13603.724506/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado - além de seu emprego para locação a terceiros - a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento
Numero da decisão: 3301-002.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. 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Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. 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POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. 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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 1.495          1 1.494  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.724506/2011­21  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.800  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de janeiro de 2016  Matéria  Pedido de Compensação ­ PER/DCOMP  Recorrente  CNH INDUSTRIAL LATIN AMERICA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CREDITAMENTO  PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO  E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.  O  inciso  VI  do  artigo  3º  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  vincula  o  creditamento  em  relação  a  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  ­  além  de  seu  emprego  para  locação  a  terceiros  ­  a  seu  uso  “na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços”.  Portanto,  o  legislador  restringiu  o  creditamento  da  contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização  das mercadorias  (ou  na  prestação  de  serviços),  não  sendo  razoável  admitir  que  seja  passível  do  cômputo  de  créditos  a  aquisição  irrestrita  de  bens  necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  UTILIZAÇÃO  DE  BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE  DO  DIREITO.  REALIDADE  FÁTICA.  SERVIÇOS  ENQUADRADOS  PARCIALMENTE  COMO  INSUMOS  NOS  TERMOS  DO  REGIME.  DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE.  No regime de incidência não­cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis  10.637  de  2002  e  10.833  de  2003  (art.  3o,  inciso  II)  possibilitam  o  creditamento  tributário pela utilização de bens  e  serviços  como  insumos na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na  prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.   O  escopo  das  mencionadas  leis  não  se  restringe  à  acepção  de  insumo  tradicionalmente  proclamada  pela  legislação  do  IPI  e  espelhada  nas  Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, §  4º),  sendo  mais  abrangente,  posto  que  não  há,  nas  Leis  nos  10.637/02  e     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 45 06 /2 01 1- 21 Fl. 3628DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          2 10.833/03,  qualquer  menção  expressa  à  adoção  do  conceito  de  insumo  destinado  ao  IPI,  nem  previsão  limitativa  à  tomada  de  créditos  relativos  somente  às  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem.   Contudo,  deve  ser  afastada  a  interpretação  demasiadamente  elástica  e  sem  base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa  dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se  referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não  dá  margem  a  que  se  considerem  como  insumos  passíveis  de  creditamento  despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.   Logo, há que se conferir  ao conceito de  insumo previsto pela  legislação do  PIS  e  da  COFINS  um  sentido  próprio,  extraído  da  materialidade  desses  tributos  e  atento  à  sua  conformação  legal  expressa:  são  insumos  os  bens  e  serviços  utilizados  (aplicados  ou  consumidos)  diretamente  no  processo  produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso  dos  bens,  não  sofram  alterações  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre o produto em fabricação.  Realidade  em  que  a  empresa,  fabricante  de  máquinas  e  equipamentos  de  grande porte,  busca  se  creditar da  contribuição  em  função  de  serviços  com  despacho  aduaneiro,  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais  dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por  não  estarem  relacionados  diretamente  à  atividade  produtiva  da  interessada,  não dão direito a creditamento.  Diferentemente,  poderão  alicerçar  creditamento  os  serviços  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  produção  e  de  estoque  nas  instalações  fabris  (sistema  just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES  DA  TRANSFERÊNCIA  DE  PRODUTO  ACABADO  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  INTERESSADA,  OU  AINDA,  PELOS  FRETES  DO  TRANSPORTE  DE  MERCADORIAS  DESTINADAS  AO  ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE.  No  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  a  possibilidade  de  creditamento  em  relação  a  despesas  com  frete  e  armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos  para  revenda  ou  produzidos  pelo  sujeito  passivo,  e,  ainda  assim,  quando  o  ônus for suportado pelo mesmo.  Logo, por  falta de previsão  legal, é  inadmissível o creditamento em face de  fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos  da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas  ao ativo imobilizado ou a uso e consumo.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS  CALCULADOS  EM  RELAÇÃO  A  FRETES  PAGOS  NA  Fl. 3629DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          3 COMPRA  DE  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA.  POSSIBILIDADE.  O  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  admite  o  creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de  insumos adquiridos de pessoas jurídicas.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  COMPENSAÇÃO  OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL.  A  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie  do  saldo  credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais  não  incidem  as  contribuições  em  tela),  passou  a  alcançar  todos  os  créditos  apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem  como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as  importações  ­  no  caso  de  pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  regime  da  não­ cumulatividade  ­  nas  hipóteses  albergadas  pelo  artigo  15  da  Lei  nº  10.865/2004,  dentre  as  quais  se  inclui  a  aquisição  de  bens  para  revenda  (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004).  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  SALDO  CREDOR.  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO.  TRIMESTRALIDADE  DA  APURAÇÃO.  Poderá  ser  objeto  de  compensação  ou  de  ressarcimento  o  saldo  credor  da  Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art.  3º  das Leis nos  10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art.  15 da Lei nº  10.865/2004,  acumulado  ao  final  de  cada  trimestre  do  ano­calendário,  em  virtude  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS  (artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004).  Recurso ao qual se dá parcial provimento      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  na  forma  do  relatório  e  do  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara  Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes  pelo  transporte  na  transferência  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  interessada,  bem  como  relativamente  aos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  ativo  imobilizado.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.  Fl. 3630DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          4 Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal,  Francisco  José  Barroso  Rios,  José Henrique Mauri,  Luiz  Augusto  do  Couto  Chagas, Marcelo  Costa Marques  d'Oliveira, Maria  Eduarda Alencar  Câmara  Simões,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares,  OAB/MG nº 136.654.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ  Belo Horizonte (fls. 13603.724506/2011­21 do processo eletrônico), que, por unanimidade de  votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não  reconhecimento  integral  do  direito  creditório  pleiteado  mediante  as  declarações  de  compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de Apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  DECORRENTES  DE  EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO.   A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de  exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao  ressarcimento  ou  à  compensação  demanda  a  comprovação,  pela  contribuinte,  da  existência  de  crédito  líquido  e  certo  contra  a  Fazenda  Pública.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.  Geram  créditos  os  dispêndios  realizados  com  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  observadas  as  ressalvas  legais.  O  termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer  fator que  onere  a  atividade  econômica,  mas  tão­somente  como  aqueles  bens  ou  serviços  que  sejam  diretamente  empregados  na  produção  de  bens  ou  na  prestação de serviços.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS.  Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo  transporte,  assim  como  o  frete,  integra  o  custo  de  aquisição  de  bens  ou  mercadorias adquiridas.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  SOBRE  IMPORTAÇÃO  VINCULADOS  A  RECEITA  DE  EXPORTAÇÃO.  RESSARCIMENTO.  COMPENSAÇÃO.   Fl. 3631DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          5 A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo  credor  apurado  em  decorrência  de  operações  de  importação,  autorizada  pelo  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  alcança  tão­somente  os  créditos  previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO.   A  autoridade  competente  para  decidir  sobre  o  pedido  de  ressarcimento,  restituição  ou  compensação  de  créditos  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  referido  direito,  sendo  que  somente  são  passíveis  de  compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar  de liquidez e certeza para serem utilizados.   Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte   Direito Creditório Reconhecido em Parte   O presente processo  diz  respeito  a declarações  de  compensação  – DCOMP  relativas a saldo credor de COFINS apurado no período de 01/07/2009 a 31/07/2009, no valor  total de R$ 2.139.562,24, em conformidade com o artigo 6º da Lei nº 10.833, de 2003. Desse  montante, a unidade jurisdicionante do contribuinte já reconhecera o direito sobre a parcela de  R$  1.984.130,67.  Por  seu  turno,  a  DRJ  recorrida  entendeu  que  deverão  ser  também  restabelecidos  os  créditos  apropriados  sobre  a  utilização  de  água  e  esgoto  das  filiais  “Contagem”  e  “Curitiba”,  bem  como os  créditos  relativos  aos  seguros  pagos  pelos  fretes  de  bens ou mercadorias adquiridas pela interessada.   Assim,  com  base  nos  cálculos  elaborados  posteriormente  pela  DRF  Contagem  em  conseqüência  da  decisão  da DRJ,  segundo  os  quais  a  quantia  adicional  a  ser  creditada  em  favor  do  sujeito  passivo  corresponde  a R$  3.232,48  (ressalvado  o  desconto  de  alguma  parcela  outrora  compensada  evidenciada  em  alguns  processos  da  empresa  sobre  a  mesma matéria), tem­se que o montante em litígio corresponde a R$ 152.199,09.  Segue,  abaixo,  o  relato  dos  fatos  transcrito  da  decisão  recorrida,  o  qual  é  padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria:  Com o  intuito  de  verificar  a  apuração do  IPI,  bem  como o PIS  e  a  Cofins  da  pessoa  jurídica,  foi  emitido,  em  11/05/2011,  o  Mandado  de  Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF­F n.º: 06.1.10.00­2011­00427­3).  Em  decorrência,  a  autoridade  fiscal  lavrou  o  Termo  de  Início  de  Fiscalização,  intimando  o  sujeito  passivo  a  apresentar,  dentre  outros  elementos,  arquivos  digitais  referentes  aos  itens  4.3.1,  4.3.2,  4.3.3,  4.3.4,  4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001,  escrituração  contábil  digital,  nos  termos  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  787,  de  2007,  relação  dos  produtos  fabricados  pelo  estabelecimento,  certidão de objeto  e pé de ações  judiciais  referentes ao  IPI, PIS e Cofins,  relação das contas contábeis  referentes a créditos, receitas e exclusões da  base de  cálculo do PIS  e da Cofins, memoriais de apuração das bases de  cálculo  utilizadas  no  preenchimento  dos Demonstrativos  de Apuração  das  Contribuições Sociais – Dacon ­ e demonstrativo dos fretes de compras de  bens utilizados como insumos.   De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de  erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições  Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os  Fl. 3632DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          6 memoriais  de  apuração  das  bases  de  cálculo  dos  Dacon  e  demais  documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal.  Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de  créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais):    P.A.   3.1.  3.2.  3.3.  3.4.  3.5.  3.6.  3.7.  TOTAL  ME/FAT  MI   ME  jan/08  3,26  2.845,44  1.367,77  0,00  0,00  36,02  127.836,13  132.088,62  20,23%  105.371,64  26.716,98  fev/08  3,26  5.381,60  1.515,51  0,00  0,00  38,86  91.338,39  98.277,62  14,25%  84.274,71  14.002,91  mar/08  3,26  5.967,74  1.390,14  0,00  0,00  29,65  71.482,90  78.873,69  18,07%  64.623,36  14.250,33  abr/08  3,26  4.719,18  1.627,64  0,00  38,13  186,26  180.784,88  187.359,35  16,34%  156.741,83  30.617,52  mai/08  49,44  8.261,21  1.586,73  0,00  159,52  496,78  125.875,75  136.429,43  19,55%  109.752,61  26.676,82  jun/08  49,44  5.983,14  2.042,36  0,00  50,27  191,73  108.912,17  117.229,11  16,40%  98.001,10  19.228,01  jul/08  151,12  9.659,18  1.909,71  26,51  150,14  587,80  121.509,41  133.993,87  16,20%  112.289,14  21.704,73  ago/08  151,12  7.179,43  1.921,09  3,76  132,18  1.291,51  118.778,39  129.457,48  22,26%  100.645,30  28.812,18  set/08  168,13  3.074,82  1.883,11  6,96  217,27  1.647,18  104.600,83  111.598,30  24,00%  84.811,15  26.787,15  out/08  241,91  6.252,08  1.770,70  0,00  136,81  1.219,34  122.203,64  131.824,48  23,59%  100.727,26  31.097,22  nov/08  318,76  8.491,53  1.719,92  8,63  91,80  1.456,49  70.934,88  83.022,01  22,87%  64.032,81  18.989,20  dez/08  532,25  4.150,69  1.471,63  0,20  112,63  1.467,26  131.074,08  138.808,74  37,59%  86.634,00  52.174,74  jan/09  532,25  5.385,90  1.179,67  0,00  173,76  1.879,16  51.684,90  60.835,64  14,79%  51.837,44  8.998,20  fev/09  532,25  11.673,37  1.262,98  33,26  104,68  3.510,75  64.575,01  81.692,30  15,53%  69.008,40  12.683,90  mar/09  532,25  10.388,31  441,21  7,40  25,91  2.776,46  44.105,65  58.277,19  16,48%  48.672,38  9.604,81  abr/09  532,25  2.838,07  1.572,35  1.164,99  40,14  3.401,09  24.839,83  34.388,72  9,90%  30.983,35  3.405,37  mai/09  532,25  5.261,01  874,84  2.569,55  27,06  3.012,90  45.330,66  57.608,27  7,28%  53.414,17  4.194,10  jun/09  532,25  3.246,92  958,43  0,00  14,04  2.405,55  50.649,08  57.806,27  18,59%  47.059,37  10.746,90  jul/09  532,25  7.110,54  720,28  2.897,56  59,09  3.385,00  34.676,13  49.380,85  17,15%  40.912,30  8.468,55  ago/09  532,25  1.953,83  1.175,60  92,21  46,59  1.767,91  33.182,54  38.750,93  8,12%  35.604,80  3.146,13  set/09  532,25  5.565,34  445,25  1.389,50  25,96  4.099,24  17.784,73  29.842,27  14,27%  25.583,88  4.258,39  out/09  532,25  4.171,09  2.445,14  1.917,99  14,83  2.016,65  29.949,93  41.047,88  7,37%  38.023,58  3.024,30  nov/09  532,25  5.999,82  1.378,43  1.289,05  20,70  4.449,68  33.600,99  47.270,92  9,53%  42.765,50  4.505,42  dez/09  532,25  3.670,03  1.580,37  4.930,84  37,09  11.126,51  39.091,41  60.968,50  8,26%  55.933,91  5.034,59  jan/10  532,25  3.502,79  2.203,49  20,65  27,72  1.117,50  14.467,59  21.871,99  8,45%  20.023,98  1.848,01  fev/10  532,25  7.916,35  1.523,09  0,00  18,55  3.337,67  90.260,30  103.588,21  6,86%  96.482,90  7.105,31  mar/10  532,25  1.633,53  1.589,22  299,59  33,98  3.206,79  54.032,80  61.328,16  13,04%  53.333,25  7.994,91  abr/10  532,25  18.149,44  1.551,72  474,12  33,89  3.384,16  213.636,74  237.762,32  14,80%  202.585,29  35.177,03  mai/10  532,25  6.014,24  1.054,57  190,05  46,59  5.760,11  52.717,10  66.314,91  7,27%  61.493,82  4.821,09  jun/10  532,25  8.552,18  1.487,26  72,44  41,18  2.397,81  93.602,34  106.685,46  11,08%  94.864,71  11.820,75  jul/10  532,25  8.892,22  1.229,17  3.311,98  44,16  6.016,23  64.426,44  84.452,45  13,12%  73.372,29  11.080,16  ago/10  532,25  10.200,72  1.366,51  2.038,99  41,63  1.732,96  37.199,94  53.113,00  10,40%  47.589,25  5.523,75  set/10  532,25  7.053,10  1.284,13  5.068,86  61,18  5.531,16  43.200,69  62.731,37  7,76%  57.863,42  4.867,95  LEGENDA:   P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO;  Fl. 3633DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          7 3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO;   3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS;   3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO;   3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES;   3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS.   MI. MERCADO INTERNO   ME. MERCADO EXTERNO  ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO   Como resultado,  foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao  mercado  externo,  sendo  que,  a  fim  de  se  apurar  os  saldos  passíveis  de  ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade  fiscal executou  alguns ajustes.   O primeiro  deles,  segundo  ela,  deriva  do  fato  de  que,  em  virtude  do  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Durante  a  auditoria,  constatou­se  que  a  contribuinte  importou,  para  fins  de  revenda,  diversas  máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01  e  87.04  da  Nomenclatura  Comum  do Mercosul,  previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de  PIS/Cofins  foram  submetidos  indevidamente  ao  rateio  proporcional  entre  mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a  ser  reclassificado  como  não  ressarcível.  Já  o  segundo  ajuste  diz  respeito,  conforme  a  fiscalização,  à  possibilidade  de  compensação,  antes  do  encerramento do trimestre, de créditos de importação vinculados à receita de  exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o  ressarcimento  dos  créditos  de  importação,  a  compensação  antecipada  possibilitada  pelo  art.  42  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  900,  de  2008,  menciona  apenas  aqueles  créditos  oriundos  de  aquisições  no  mercado  interno.  Por  créditos  de  importação,  entende  aqueles  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados  ao  ativo  imobilizado.  Refere­se  ao  caput  do  art.  34  desta  Instrução  Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto  no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que  indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre  para fins de pedido de ressarcimento.  Assim,  após  efetuados  os  ajustes,  prossegue  a  fiscalização,  a  contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos  valores  que  demonstra.  Afirma  a  autoridade  fiscal  que  a  reapuração  dos  saldos  de  PIS  e  Cofins  não  altera  os  valores  passíveis  de  ressarcimento  indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última  PER/Dcomp  para  desconto  das  contribuições  a  recolher,  é  de  R$  9.048.196,92,  de  PIS  e  de  R$  12.349.027,24,  de  Cofins,  respectivamente.  Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado.  Por  fim,  calcula  os  créditos  passíveis  de  ressarcimento,  elabora  demonstrativos  e  sugere  o  deferimento  parcial  dos  diversos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensações  efetuados,  de  acordo  com  os  valores  que  indica no Termo de Verificação Fiscal.   As  glosas  efetuadas  bem  como  as  justificativas  estão  detalhadas  no  Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e  Fl. 3634DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          8 Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade  fiscal.  Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em  27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como  resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57.  Como base  legal  são  citados,  entre  outros,  os  seguintes  dispositivos:  Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº  600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008.  Cientificada  em  27/02/2012,  a  contribuinte  apresentou,  em  28/03/2012,  a  manifestação  de  inconformidade  às  fls.  69  a  101  e  155,  acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em  síntese, que:  ­ A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial,  com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235,  de 1972;  ­ As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram  com  que  os  créditos  de  PIS/Cofins  fossem  recalculados  mensalmente.  Obtidos  os  novos  valores  passíveis  de  ressarcimento  e  compensação,  as  compensações  foram  homologadas  até  esse  limite,  indeferindo,  integral  ou  parcialmente, aqueles que o superaram;   ­ Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas  em  parte  e  34  receberam  resposta  negativa.  Por  sua  vez,  os  respectivos  despachos  decisórios,  em  que  tais  entendimentos  foram  apresentados,  constaram  de  51  processos  administrativos  de  crédito,  dos  quais  41  trouxeram  resultados  contrários  aos  interesses  da  requerente.  A  decisão  recorrida, para que se apresenta a presente manifestação de inconformidade,  é  um  desses.  Como  todos  esses  41  processos  se  referem  a  uma  mesma  matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que  as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se  requer;  ­  Segundo  a  fiscalização,  a  recorrente  não  estava  autorizada  a  se  creditar  sobre as  seguintes bases: ativo  imobilizado –  inclusão  indevida de  bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF),  utilização  de  água  e  esgoto  em  processos  industriais  (item  3.3  do  TVF),  fretes  –  transporte  de  produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF),  fretes  –  inclusão  indevida  do  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes­ inclusão indevida  do  seguro  pago  (item  3.6  do  TVF)  e  fretes  –  falta  de  identificação  das  mercadorias  transportadas  (item 3.7 do TVF). Mas  ela  estava, na  verdade,  haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria;   ­  Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas  com veículos e  com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor  a  base  de  cálculo  dos  créditos  por  não  serem  diretamente  destinadas  às  atividades  de  industrialização.  Entretanto,  consoante  art.  3o  das  Leis  nº  10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso,  não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  Fl. 3635DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          9 essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento  tecnológico;   ­  Item  3.2  do  TVF.  Esses  serviços,  ao  contrário  do  que  sustenta  a  fiscalização,  são,  sim,  utilizados  de  forma  direta  na  atividade  industrial,  sobretudo  porque  são  a  ela  essenciais.  Os  insumos,  na  sistemática  do  PIS/Cofins,  são  aquelas  despesas,  custos  ou  encargos  essenciais  ao  desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São,  de acordo com doutrinadores,  todos os elementos  físicos ou  funcionais  (...)  que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o  produto.  Jurisprudência  administrativa  do  CARF  apresenta  o  mesmo  posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 3202­00.226, de 08/02/2010 e nº  9303­01.035,  de  23/08/2010.  Julgados  dos  Tribunais  Regionais  Federais  e  Superior  Tribunal  de  Justiça  também  vão  no  mesmo  sentido.  No  caso,  os  serviços  são  essenciais.  Aqueles  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização,  que  depende  da  entrega  de  insumos  na  lógica  do  sistema  just  in  time.  (“produção  enxuta,  por  demanda”).  Conforme  se  afere  dos  contratos  ora  anexados  (doc.  5),  tais  serviços  consistem  na  gestão  inteligente  do  fornecimentos  de  bens  a  serem  aplicados  no  processo  produtivo.  Não  se  trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como  pareceu  entender  a  fiscalização.  O  que  essa  pessoa  jurídica  fornece  é  a  otimização do processo industrial,  serviço diretamente  ligado à produção e  cujo  fator  intelectual  é  preponderante.  Esse  tipo  de  serviço,  sobretudo  no  setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há  como  afastar  a  sua  natureza  de  insumo  e,  via  de  conseqüência,  de  gasto  passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente  vinculado  à  produção,  inclusive  qualificado  como  verdadeiro  custo  de  produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o  desconto de créditos;  ­  Item  3.3  do  TVF.  Somente  foram  admitidas  para  efeito  de  creditamento  a  água  aplicada  nos  processos  industriais  de  “têmpera”  e  “lavagem  e  prova  hídrica”,  pois  somente  nesses  casos  haveria  o  contato  direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos  industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a  fiscalização  glosou  os  créditos  não  apenas  quanto  aos  dois  últimos  processos,  mas  em  relação  a  todos  eles,  sob  o  argumento  de  que  a  contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada  um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há  dúvida  que  a  água  empregada  em  todos  esses  quatro  processos  permite  o  aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de  insumo  e  é  empregada,  de  forma  essencial,  na  produção,  descabendo  a  exigência  de  contato  físico  direto  com  os  produtos  fabricados,  consoante  jurisprudência do CARF e  julgados dos Tribunais Regionais Federais e do  Superior Tribunal de Justiça;   ­  Item  3.4  do  TVF.  O  fato  de  a  transferência  de  bens  entre  estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como  uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos  de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto  é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado.  E  transportar  as  mercadorias  entre  os  diversos  estabelecimentos  é  fundamental  para  o  curso  regular  das  operações  da  pessoa  jurídica  Fl. 3636DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          10 principalmente  por  dois  motivos:  (a)  A  contribuinte  possui  um  variado  portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas  (“Case”,  “New  Holland”,  “Kobelco”  e  “Steyr”,  por  exemplo)  para  setores  do  mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas  suas  plantas  industriais  não  estão  preparadas  para  fabricarem  todos  esses  produtos,  até porque,  aliás,  isso  demandaria  investimentos  de  elevadíssima  monta. Mormente  pela  variedade  de  estabelecimentos  em  todo  o  país,  que  também  operam  como  centros  de  venda,  fornecendo  todos  os  produtos  da  marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do  mercado,  mesmo  para  aquelas  mercadorias  que  não  são  fabricadas  no  próprio  estabelecimento,  de modo  que  valores  consideráveis  são  gastos  no  transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b)  São  produzidas  máquinas  e  equipamentos  pesados,  os  quais  gozam  de  particularidades  quanto  à  sua  estocagem,  sobretudo  pelos  grandes  e  diferenciados  tamanhos. É  possível,  por  isso,  que  devido  a  uma queda nas  vendas,  por  exemplo,  determinado  estabelecimento  fique  sem  espaço  para  alocar  a  sua  produção,  o  que  tornará  necessária  a  busca  por  outras  unidades.  Nessas  situações  é  desejável  que  seja  feita  a  transferência  para  outro estabelecimento,  pois a  locação de  espaços para  tal  pode  se mostrar  excessivamente onerosa muito em virtude das  elevadas dimensões dos bens  produzidos.  Além  disso,  os  fretes  em  exame  são  despesas  vinculadas  ao  processo  de  produção,  o  que  reforça  a  possibilidade  de  creditamento.  De  fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há  falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de  qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o  fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que  elas sejam auferidas deve ser considerado  insumo. Julgados do CARF e do  Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese;   ­ Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na  jurisprudência  administrativa  que  o  frete  pago  na  aquisição  de  bens  necessários  ao  desenvolvimento  da  atividade  industrial  permite  o  creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a  RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual  entendimento  jurisprudencial  sobre  o  tema,  quaisquer  custos  de  aquisição  devem autorizar o desconto de créditos;   ­  Item  3.6  do  TVF.  Entendeu  o  fisco  que  o  seguro,  normalmente  destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido  descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia  ter  se  creditado  com  base  no  valor  total  do  Conhecimento  de  Transporte  Rodoviário de Cargas ­ CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é  custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira  e  única  contratante  desse  serviço.  O  destaque  no  CTRC  é  apenas  uma  exigência  legal  instituída  para  permitir  a  identificação  da  composição  do  frete.  O  RICMS/MG,  em  seu  art.  81,  inciso  XIII,  trata  o  seguro  como  “valores dos componentes do  frete”. O seguro, portanto,  foi avençado pela  transportadora, que apenas  informa o seu  respectivo  valor em atendimento  ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e,  sendo  o  frete  na  aquisição  de  insumos  passível  de  creditamento,  agiu  de  forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é  o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigura­ se  legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do  RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de  aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF.  Fl. 3637DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          11 Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art.  289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles;   ­ Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de  boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornou­se, então,  praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos  itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja  dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos  correspondentes,  o  que  apenas  não  faz  agora,  com esta defesa, e não  fez durante o procedimento  fiscal,  em  razão do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias.  De  qualquer  forma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  um  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam à  compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada  desses  documentos,  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação  de  exigência  fiscal  claramente  desproporcional e ilegítima;   ­ Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp  ora  examinados,  e  também  daqueles  outros  apresentados  no  período  fiscalizado,  decorreram  de  aquisições  realizadas  no mercado  interno  e  no  exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação  de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam  ter  sido  utilizados  para  efeito  de  ressarcimento  e  compensação,  segundo a  qual  apenas  as  importações  amparadas  pelo  art.  15  da  aludida  lei  é  que  permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém,  não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam  nos  mencionados  arts.  15  e  17.  Na  verdade,  todo  o  creditamento  de  PIS/Cofins  –  Importação deriva  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  seria  o  equivalente  funcional  dos  arts.  3o  das Leis nº  10.637,  de  2002  e  nº  10.833,  de  2003,  que  tratam  de  créditos  no  mercado  interno.  O  art.  17  é  apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns  casos, e em conjunto com o art. 15. A  função do art. 17 é,  exclusivamente,  tratar  das  situações  em  que  o  recolhimento  de  PIS/Cofins  não­cumulativo  deixa  de  ser  feito  com  base  nas  alíquotas  de  1,65%  e  7,6%  e  passa  a  contemplar  alíquotas  diferenciadas,  nos  casos  de  aplicação  do  “regime  monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A  contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos  e serviços  tratados no art. 17 é,  justamente, quando cuida da quantificação  do  crédito.  Ou  seja,  o  art.  17  não  vem  trazer  regulação  especial  para  os  créditos de produtos específicos, de  forma a excluir a aplicação do art. 15.  Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente  as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15  fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o  art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação.  Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art.  17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior  em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal  do Brasil  abona essa  conclusão  (Acórdão nº 3803­000.885, de 27/10/2010,  do  CARF).  Interpretação  distinta  representaria  grave  ofensa  à  isonomia  tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam  Fl. 3638DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          12 submetidas  a  tratamentos  fiscais  distintos,  sem  qualquer  justificação.  Na  verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria  ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime  monofásico),  teriam  o  seu  direito  de  crédito  excessivamente  limitado.  Essa  violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei  nº  10.865,  de  2004,  foi  justamente,  segundo  sua  exposição  de  motivos,  introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços  produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito  às  regras  da  proporcionalidade  e  razoabilidade,  afinal,  qual  seria  a  razão  jurídica  para  se  permitir  a  utilização  de  créditos  de  importação  em  PER/Dcomp  e  excluir,  ao  mesmo  tempo,  esse  direito  daquelas  operações  abarcadas  pelo  art.  17?  Razão  não  há,  estando  claro  que  o  exame  da  legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo  que deve ser descartada;   ­  Item  4.3  do  TVF.  Foram  reposicionados  parcelas  dos  créditos  de  importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se  originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do  respectivo  trimestre­calendário.  O  procedimento  teve  efeito  nefasto  e  desproporcional:  vários  dos  débitos  compensados,  no  período  autuado,  ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com  o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados  para  o  último  mês  do  trimestre  correspondente,  neste  terceiro  mês  havia  saldo  suficiente  para  homologar,  ainda  que  em  parte,  as  compensações  realizadas  nos  dois  primeiros  meses.  Desse  modo,  caso  se  entenda  por  validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso  de  um  ou  dois  meses,  isto  é,  aquele  decorrente  da  espera  até  o  fim  do  trimestre;  ­  Erros  de  cálculo.  Em  cada  mês  em  que  os  créditos  foram  recalculados  ocorreram  impropriedades  na  quantificação  desses  créditos,  consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins ­ abril a junho de  2008  (PER/Dcomp  nº  41058.12544.220708.1.1.09­9018  e  nº  33371.36444.290710.1.7.09­8945).  Somente  foi  considerado  o  montante  ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre.  Ou seja,  não  foi  feita a  recomposição do crédito  relativo ao  ressarcimento  (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  3.267.967,06  e  não  R$  3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período.  Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs –  Valor  utilizado  valorado de  acordo  com  o  tipo  de  crédito”  há  valores  que  divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp  originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a  última  versão  sobrepôs  a  primeira,  fazendo  com  que  os  débitos  fossem  compensados  com multa  e  juros.  É  de  se  notar  que  a  data  da  transmissão  original  estava  dentro  do  período  para  recolhimento  (antes  da  data  de  vencimento)  e  que  não  houve  aumento  do  débito  compensado,  somente  redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins ­ outubro a dezembro de 2008  (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.09­0408). Somente foi considerado  o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa  ao  trimestre.  Ou  seja,  não  foi  feita  a  recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento).  Caso  tivesse  sido  feita  a  recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e  não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é  Fl. 3639DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          13 superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  140).  (c)  Ressarcimento  de Cofins  ­  julho  a  setembro  de  2010  (PER/Dcomp  nº  19382.21408.281010.1.1.09­0687).  Não  foi  feita  a  recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento). Caso tivesse sido  feita a recomposição, o valor passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  6.541.682,26  e  não  R$  6.201.733,66,  o  que  gerou  uma diferença  de R$ 339.948,90,  que  é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  141).  (d)  Ressarcimento  de  Cofins  ­  abril  de  2010  (PER/Dcomp  nº  02755.47816.300610.1.3.09­4563). O fisco partiu de montante de créditos de  mercado  externo  diferente  daquele  que  consta  no  PER/Dcomp,  sendo  considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado  é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp,  o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  5.511.341,71  e  não  R$  2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior  ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl.  141).  Esses  erros,  que  são  verificados  em  todas  as  competências,  são  inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e  do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requer­se,  desde  já,  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  os  referidos  equívocos  sejam  definitivamente  comprovados.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa,  em  razão  do  exíguo  tempo  para  recorrer,  posto  que  são  mais  de  200  PER/Dcomp  envolvidos,  que  devem  ser  revistos  em  todos  os  critérios  apontados pela fiscalização, alguns deles complexos;  Em 20/08/2012, a contribuinte  juntou aos autos mídia  em CD com o  que  entende  ser  as  informações  necessárias  para  que  seja  verificada  a  vinculação  dos  fretes  autuados  no  item  3.7  do  TVF  com  a  compra  de  insumos,  de  modo  a  comprovar  a  legitimidade  dos  créditos  aproveitados  sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos).   Ao  final,  requer  a  contribuinte:  a)  o  julgamento  conjunto  dos  processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade  do  procedimento  fiscal  e  de  seus  correspondentes  frutos,  o  TVF  e  os  despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do  mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes  ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das  vinculações,  conforme  demonstrado;  d)  o  reconhecimento  da  existência  de  todos  os  créditos  de  PIS/Cofins  utilizados  pela  interessada  nos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensação  vinculados  ao  MPF­F  n.º:  06.1.10.00­2011­ 00427­3,  transmitidos  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010,  com  o  conseqüente  deferimento  e  homologação  de  todos  os  PER/Dcomp  objetos  deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados;  f)  caso  os  argumentos  anteriores  não  sejam  acatados,  que  os  erros  expressamente  apontados  sejam  definitivamente  corrigidos  e  g)  subsidiariamente,  sejam  decotados  os  juros  e  multas  decorrentes  do  reposicionamento  de  créditos  efetuados  pela  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil.   A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a  recorrente  ocorreu  em  21/01/2014  (fls.  1463).  Inconformada,  a  mesma  apresentou,  em  Fl. 3640DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          14 28/01/2014,  o  recurso  voluntário  de  fls.  1465/1492,  onde  reitera  os  argumentos  aduzidos  na  primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final:  a)  o  julgamento  conjunto deste  com os demais processos  da  empresa,  haja  vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º,  do Regimento Interno do CARF;  b)  seja  determinada  a  realização  de  diligência  para  os  esclarecimentos  referentes  à  glosa  de  créditos  calculados  sobre  fretes  (item  3.7  do  TVF),  diligência  cuja  necessidade  seria  reforçada  diante  do  reconhecimento,  pela  DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos;  c)  seja o  recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que  sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do  TVF,  bem  como  reconhecida  a  regularidade  da  utilização  dos  créditos  de  PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF),  e,  finalmente,  sejam  descontados  juros  e  multa  calculados  quando  do  reposicionamento  dos  créditos  (item 4.3  do TVF),  de modo que  se  refiram  tão­somente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera  até o fim do trimestre).   No que diz respeito ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – fretes pelo  transporte de mercadorias não identificadas – a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção  do CARF, em sessão transcorrida em 19/08/2014, converteu o julgamento em diligência "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo  e  os  correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos  casos  em  que  os  mesmos,  realmente,  correspondem  a  fretes  pela  aquisição  de  insumos,  conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Tal diligência foi determinada considerando que os documentos apresentados  pela suplicante poderiam efetivamente subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou  não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas.  Em resposta à diligência supra foi acostado aos autos Relatório Fiscal de fls.  3607/3612, padrão para todos os processos ora em julgamento da interessada, sobre o qual nos  reportaremos doravante ao apresentarmos nosso voto.  Intimado  a manifestar­se,  o  sujeito passivo,  apresentou petição onde  requer  seja prorrogado por mais 30 dias o prazo para sua manifestação, o que fez com fundamento nos  princípios da ampla defesa e do contraditório.  Não obstante, até a presente data, não foi apresentada nova manifestação da  interessada no que diz respeito à matéria em discussão nos autos.  É o relatório.   Voto             Da admissibilidade do recurso  Fl. 3641DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          15 O  recurso  é  tempestivo,  posto  que  apresentado  (em  28/01/2014)  dentro  do  prazo  legal  de  30  dias  contados  da  data  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  (que  ocorreu em 21/01/2014 ­ conf. fls. 1463).   Quanto  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  os  mesmos  se  encontram  presentes.   Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo.   Da matéria em litígio  Conforme relatado, vê­se que a contenda envolve a homologação parcial de  pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo  credor de COFINS, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões  relativas ao cômputo de créditos calculados sobre:  a)  bens destinados ao ativo  imobilizado e não utilizados na produção  (item  3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF);  b)  serviços  não  empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF);  c)  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF);  d)  fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a  uso e consumo (item 3.5 do TVF); e,  e)  fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF).  Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item  4.2  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  segundo  o  qual,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20051,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da Lei  nº  10.865/2004  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação.  Assim,  em  relação  aos  créditos  enquadrados  no  artigo  17  da  mesma  Lei  nº  10.865/2004  –  que  remete  às  importações  de  produtos  objeto  do  §  3º  do  artigo  8º  da  Lei  em  tela2  (dentre  outros)  –  estes,  por  falta  de                                                              1      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    2  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:  Fl. 3642DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          16 previsão  legal,  não  poderiam  ser  objeto  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar  da  possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Por  fim,  a  lide  envolve  também a  análise quanto  à possibilidade ou não de  compensação  de  créditos  de  importação  vinculados  a  receita  de  exportação  antes  do  encerramento do trimestre.  Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa  trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao  pleito do sujeito passivo.  Do regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS  O  regime  da  incidência  não­cumulativa  das  contribuições  sociais  foi  instituído,  inicialmente,  para  o  PIS/PASEP,  mediante  a  publicação  da  Lei  nº  10.637,  de  30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), tendo passado a produzir efeitos,  em relação à não­cumulatividade da referida contribuição, a partir de 1o de dezembro de 2002.  Posteriormente,  com  a  publicação  da  Lei  nº  10.833,  de  29/12/2003  –  conversão  da Medida  Provisória  nº  135,  de  2003  –,  tal  regime  foi  estendido  à  COFINS.  Concernente  à  não­ cumulatividade  da  COFINS  a  lei  em  evidência  passou  a  produzir  efeitos  a  partir  de  1º  de  fevereiro de 2004.  Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência não­cumulativa do  PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas  pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real.  A  legislação  pertinente  ao  regime  autoriza  o  desconto  de  créditos  apurados  com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis  nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Além disso, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da  Lei  nº  10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de mercadorias;  b) prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas  e;  c)  vendas  a  empresa  comercial  exportadora como fim específico de exportação. Em tais hipóteses, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição a  recolher ou para compensação com outros  tributos administrados pela Receita  Federal. Finalmente, acaso aludido crédito não possa ser utilizado por nenhuma dessas formas  até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo solicitar seu ressarcimento  em dinheiro.   A  seguir,  examinaremos  a  legitimidade  dos  créditos  calculados  pela  interessada  seguindo  a  mesma  ordem  utilizada  pela  fiscalização  no  Termo  de  Verificação  Fiscal ­ TVF.   Das  glosas  objeto  do  item  3.1  do  TVF:  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado e não utilizados na produção                                                                                                                                                                                              [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e          II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3643DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          17 A  fiscalização  entendeu  que  as  despesas  com  veículos  e  com móveis  para  salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por  não  estarem  diretamente  vinculados  às  atividades  de  industrialização.  Por  sua  vez,  o  sujeito  passivo entende que aludido creditamento estaria alicerçado no artigo 3º das Leis 10.637/2002  e 10.833/2003.   Segundo  defende  a  interessada,  seria  inapropriado  afirmar  que  os  bens  em  evidência  não  se  prestariam  ao  exercício  de  sua  atividade  industrial. Afirma que  “quaisquer  bens imobilizados, que sejam empregados na atividade econômica do contribuinte (direta ou  indiretamente),  autorizam  o  creditamento”,  e  ainda,  que  “os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  Recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento tecnológico”.  O  creditamento  relativo  a  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado  está  fundamentado nos incisos VI e VII, §§ 1º, 14, 16 e 21 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em  relação  ao  PIS/PASEP,  regramento  no  mesmo  sentido  consta  da  Lei  nº  10.637/2002.  Reproduzimos, abaixo, os dispositivos da Lei nº 10.833/2003 que são mais  relevantes para a  resolução da contenda:  Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  [...]  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros,  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros,  utilizados nas atividades da empresa;  [...]  § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota  prevista  no  caput  do  art.  2º  desta  Lei  sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)  [...]  III ­ dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos  incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;  [...]  (grifo nosso)  O  inciso  VI  do  artigo  3º  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  vincula  o  creditamento  em  relação  a  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado – além de seu emprego para locação a terceiros – a seu uso “na produção de bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços”.  Portanto,  o  legislador  restringiu  o  creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização  das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do  cômputo de créditos a aquisição de “quaisquer bens imobilizados [...]empregados na atividade  econômica do contribuinte (direta ou indiretamente)”, como defende a interessada.  Fl. 3644DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          18 Com efeito, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao  exercício das atividades estatutárias da pessoa jurídica, aí incluídos aqueles que tem finalidade  unicamente  administrativa,  ou  seja,  que  não  são  empregados  diretamente  na produção  ou  na  comercialização de mercadorias  e de  serviços,  ou  ainda, na  locação. Apenas  esses últimos  é  que fazem jus ao creditamento.  No mais, muito embora este relator entenda que os móveis de escritório e os  automóveis de passageiros possam ser necessários ao exercício das atividades da empresa, tais  não  se  enquadram  na  amplitude  conceitual  de  insumo  na  produção  dos  bens  destinados  à  venda. Essas despesas, com efeito, são de caráter geral, não estando vinculadas diretamente ao  processo de industrialização, razão pela qual entendemos não ser legítimo o cômputo de crédito  com base em tais rubricas.  É por essa  razão que deverá ser negado provimento ao recurso na parte em  que  o  sujeito  passivo  pretende  se  creditar  do  PIS  e  da  COFINS  pela  aquisição  de  bens  destinados ao ativo imobilizado, mas não utilizados na produção.  O  alcance  do  conceito  de  insumo  para  fins  do  regime  de  incidência  não­ cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS será tratada com mais detalhes no tópico seguinte.  Das  glosas  objeto  do  item  3.2  do  TVF:  serviços  não  empregados  diretamente na industrialização  A  fiscalização  glosou  o  creditamento  correspondente  a  alguns  serviços  que  não foram “empregados diretamente na industrialização”.   Reproduzo o trecho do relatório fiscal correspondente à questão:  Instado,  conforme  Termo  de  Intimação  nº  0551/2011,  a  informar  quais  tipos  de  serviços  prestavam  as  empresas  Fiat  do  Brasil  S/A  e GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos,  e  a  apresentar  os  respectivos  contratos,  a  empresa respondeu, em 01/09/2011, o seguinte:   “Serviços prestados à INTIMADA pela FIAT DO BRASIL S/A:  • Comércio Exterior:  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de Exportação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário;  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de importação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário.  • Contabilidade Geral;  • Controle Fiscal;  • Contas a pagar e Tesouraria;  • Controle de ativo fixo;  • Registro Fiscal;  • Faturamento;  • Gestão tributária e societária;  • Serviços de assessoria a expatriados.  Fl. 3645DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          19 Serviços  prestados  à  INTIMADA  pela  GFL  GESTÃO  DE  FATORES  LOGÍSTICOS LTDA:  • Gerenciamento  das  operações  de  transporte  "IN Bound"  ­  Transportes  de  materiais/produtos  que  adentram  na  fábrica  da  contratante  e  "Follow­up"  ­ Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela  contratada, perante os fornecedores da contratante.”  Nenhuma  destas  atividades  pode  ser  considerada  como  aplicada  ou  consumida  na  fabricação de  produtos. Os  serviços prestados  pela Fiat  do  Brasil S/A, claramente, têm caráter administrativo, mas mesmo os prestados  pela GFL não podem ser considerados insumos. Neste sentido, a ementa da  Solução de Consulta Nº 125 de 2007 – DISIT – 10ª RF declara:  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS  DE MOVIMENTAÇÃO E CONTROLE DE ESTOQUES. Não gera direito a  crédito  da  Cofins  a  aquisição  de  serviços  de  movimentação  e  controle  de  estoques  de  matérias­primas,  materiais  de  embalagem  e  produtos  acabados,  realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada.   As  contas  contábeis  responsáveis  pelo  registro  dos  créditos  de  PIS  e  COFINS  incidentes  sobre  serviços,  conforme  resposta  ao  Termo  de  Início  entregue  em 08/06/2011,  são  as  de  nos  144240 e  144241,  e  a  esmagadora  maioria  dos  lançamentos  referem­se  a  serviços  prestados  pelas  duas  empresas mencionadas anteriormente, com algumas exceções: a nota fiscal  nº  149087  da  Metropolitana  Vigilância  Comercial,  cujo  crédito  o  contribuinte afirmou não  ter  incluído na base de cálculo, e algumas notas  fiscais,  em 2010,  referentes  a  treinamentos  técnicos de  diversos  tipos,  aos  quais,  pelos  mesmos  argumentos  expostos  acima,  é  vedada  a  geração  de  créditos.      Deste  modo,  todo  o  crédito  descrito  como  “Serviço  Nacional”  nas  memórias  de  cálculo  entregues  em  08/07/2011,  em  resposta  ao  Termo  de  Início, deve ser glosado [...]  A  análise  do  problema  envolve  essa  que  talvez  seja  a  questão  mais  controvertida em relação à não­cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS: definir o que são  insumos para fins de creditamento das citadas contribuições.   O  inciso  II  do  artigo  3o  das Leis  10.833/2003  e 10.637  de  2002  autoriza  o  cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda.   As  normais  legais  stricto  sensu  que  prevêem  a  não­cumulatividade  (Leis  10.637/2002  e  10.833/2003)  são  omissas  quanto  ao  alcance do  termo  “insumo” para  fins  de  cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontra­se  disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no  247,  de  21/11/2002  (dispositivo  incluído  pela  IN  SRF  no  358,  de  09/09/2003)  –  não­ cumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no  404,  de  12/03/2004  –  não­cumulatividade  da  COFINS  –,  segundo  os  quais,  para  fins  de  aquisição  de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos,  deverão  ser  assim  concebidos  (como  insumos), aqueles:   I ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda:   a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem  e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano  Fl. 3646DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          20 ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam  incluídas no ativo imobilizado;   b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na produção ou fabricação do produto;   II ­ utilizados na prestação de serviços:  a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não  estejam incluídos no ativo imobilizado; e   b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na prestação do serviço.   Para a doutrina, há os que defendem a ampla consideração como insumo de  todas  as  despesas  da  empresa,  como  Natanael  Martins3.  Segundo  ele,  pelo  fato  das  contribuições em comento alcançarem a receita total das empresas, a única forma de assegurar  sua  integral  não­cumulatividade  seria  se  “os  créditos  apropriáveis  alcançarem  todas  as  despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”.  Também na mesma toada, Solon Sehn4, segundo o qual,  salvo  nas  hipóteses  expressamente  vedadas  pela  Lei  nº  10.833/2003,  o  crédito  de  insumo  deve  ser  calculado  a  partir  do  custo  de  produção  da  legislação do imposto de renda (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º;  Decreto nº 3.000/1999, arts. 290 e 291), abrangendo as matérias­primas e  quaisquer  outros  bens,  direitos  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  no  processo  de  fabricação,  diretos  ou  indiretos,  independentemente  de  desgaste, dano ou perda de propriedades físico­químicas.  Por  sua  vez,  Marco  Aurélio  Greco5  defende  que  os  insumos,  para  fins  de  PIS/Pasep e Cofins, não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda,  uma vez que há distinção material entre  receita e  renda. Patrícia Madeira comenta a  lição de  Greco asseverando que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo  (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua  apuração; no entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação  da  receita,  que  é  materialidade  do  PIS  e  da  Cofins”.  A  ideia  de  insumo  proclamada  pela  legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o  IPI  [...]  tributo  cuja  não­cumulatividade  se  opera  pelo  método  subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha                                                              3 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática não­cumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO.  Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos  (coord.).  PIS­Cofins:  questões  atuais  e polêmicas. São Paulo:  Quartier Latin,  2005.  p.  204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade  do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  4  SEHN, Solon. PIS­COFINS: Não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p.  317.  5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não­ cumulatividade  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins.  São  Paulo:  IOB  Thompson.  Porto  Alegre:  Instituto  de  Estudos  Tributários, 2004. p. 112­122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117­118), foi extraído da Dissertação  de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127­128 – referência já citada.     Fl. 3647DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          21 havido  incidência  na  operação  anterior  para  que  o  insumo  seja  creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo  fisicamente apreensível.  Como  a  receita  decorre  de  uma  prestação  de  serviços  ou  da  produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo  o  que  for  inerente  àquilo  que  denomina  de  “processo  formativo  da  receita”. Em suas palavras:  relevante  é  determinar  quais  os  dispêndios  ligados  à  prestação  de  serviços e à  fabricação/produção que digam respeito aos  respectivos  fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e  os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá  – em princípio – direito à dedução.  Há  ainda  outros  pensamentos  doutrinários  diversos  que  revelam  grandes  divergências concernentes aos critérios sobre o que pode ou não ser considerado como insumo  para fins de creditamento do PIS/Pasep e da COFINS no regime da não­cumulatividade. Culpa  da legislação lamentavelmente intrincada sobre o assunto.   De  nossa  parte,  dadas  as  limitações  impostas  ao  creditamento  pelo  texto  normativo, temos nos manifestado no sentido de que o legislador optou por um regime de não­ cumulatividade parcial, muito embora respeitável doutrina defenda que deveria ser dado ao  regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, penso,  não encontra alicerce na legislação pertinente.  Com efeito, além da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo,  a lei contempla várias outras hipóteses de creditamento em virtude de despesas incorridas pela  pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados  nas  atividades  da  empresa,  bem  como  da  energia  consumida  em  seus  estabelecimentos,  ressalvadas  as  exceções  legais.  O  detalhamento  das  possibilidades  de  creditamento  e  das  vedações  ao  mesmo,  sujeitos  a  emendas  normativas  implementadas  no  decorrer  do  tempo,  revela,  sem  nenhuma  dúvida,  que  o  legislador  sempre  optou  por  um  regime  de  não­ cumulatividade seletivo.  Especialmente sobre o alcance do termo “insumo” vejamos, primeiramente, o  teor  do  inciso  II  do  artigo  3o  de  ambas  as  leis  10.637/2002  e  10.833/2003  que,  sobre  a  correspondente contribuição determinada na forma do artigo 2o de cada lei, permite o desconto  de créditos calculados em relação a:  II  ­  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  à  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes; (redação original da Lei 10.637/2002)  II  –  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes;  (Lei  10.637/2002  ­  redação  dada  pela  Lei  nº  10.684,  de  30.5.2003)  II  ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o  art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de  julho de 2002, devido pelo  fabricante ou  importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação original da lei nº  Fl. 3648DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          22 10.833/2003.  Na  Lei  nº  10.637/2002  essa  redação  é  decorrente  da  Lei  nº  10.865, de 2004)  Da  leitura  das  redações  do  dispositivo  que  trata  do  creditamento  em  decorrência  da  aquisição  de  insumos  –  a  atual  e  as  historicamente  concebidas  para  referido  preceito – constata­se que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca  se  apresentou  no  texto  normativo  de  forma  isolada,  mas  continuamente  associado  ao  seu  papel de fator de produção ou na prestação de serviços.   Em razão disso, penso que só podem ser considerados como insumos os bens  e os serviços diretamente utilizados, necessários e essenciais à prestação de serviços ou à  fabricação  dos  produtos  destinados  à  venda,  o  que  requer,  pois,  análise  individual  do  processo  produtivo  da  pessoa  jurídica  que  busca  o  creditamento  segundo  o  regime  da  não­ cumulatividade.   No caso presente, entendo que os serviços prestados à  interessada pela Fiat  do  Brasil  S.A.  (despacho  aduaneiro  de  importação  e  exportação,  serviços  de  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária  e  societária,  serviços  de  assessoria  e  expatriados)  não  se  destinam  diretamente  à  atividade  de  “fabricação  de  máquinas  e  equipamentos  para  terraplenagem, pavimentação e construção, peças e acessórios, exceto tratores – instalação de  máquinas e equipamentos industriais” (conforme ficha cadastral junto ao CNPJ).  Logo, muito embora entendamos que o conceito de insumo seja mais elástico  que o  adotado pela Receita Federal  nas  suas  instruções normativas nos  247, de 21/11/2002 e  404,  de  12/03/2004,  conforme  razões  acima  desenvolvidas,  e mesmo  admitindo  que muitos  desses serviços são essenciais à dinâmica empresarial no seu aspecto macro, todos eles dizem  respeito a atividades de caráter meramente administrativo, não estando relacionados, de forma  direta, à atividade produtiva da interessada.   Contudo,  em  relação  aos  serviços  prestados  pela GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos  Ltda.,  (“Gerenciamento  das  operações  de  transporte  ‘Inbound’  ­  Transportes  de  materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Follow­up" ­ Acompanhamento  de  entrega  de  materiais  e  componentes  a  ser  realizado  pela  contratada,  perante  os  fornecedores  da  contratante”),  esses,  por  estarem  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras  da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”.  Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz  sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual  entendo  que  os  créditos  calculados  com  base  nos  serviços  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos.  Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que  sejam admitidos os  créditos  calculados  pelo  sujeito passivo  em  relação  aos  serviços pagos  à  GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda.  Das  glosas  objeto  dos  itens  3.4  e  3.5  do  TVF:  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  e  fretes  pelo  transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo  Fl. 3649DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          23 A  Lei  nº  10.833/2003,  em  seu  artigo  3º,  inciso  IX,  admite  o  desconto  de  créditos  da  COFINS  calculados  com  base  em  “armazenagem  de  mercadoria  e  frete  na  operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”.  Isso também se aplica ao PIS/PASEP não cumulativo em razão do disposto no artigo 15, inciso  II, da mesma norma7.  Como se vê, a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete  e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda  ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo.  Trata­se, pois, de hipótese de creditamento da contribuição bastante restrita, a  despeito daquela inerente ao desconto de créditos calculados em relação a insumos, conforme  ressaltado.   Essa  restrição  ao  gozo  do  mecanismo  creditório  se  observa  também  em  relação a outros casos previstos no regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS, como,  por  exemplo,  nos  casos  de  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos;  máquinas,  equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para  locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação  de  serviços;  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis;  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­ alimentação,  fardamento  ou  uniforme  fornecidos  aos  empregados  por  pessoa  jurídica  que  explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.  No mais, entendo que aludidos fretes  também não caracterizam insumo, até  porque,  conforme  asseverado  pela  instância  recorrida,  o  frete  pago  na  compra  de  insumos  integra o custo de aquisição (artigo 289, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado  pelo Decreto nº 3.000, de 1999), podendo assim gerar créditos quando contratado com pessoa  jurídica domiciliada no país e suportado pela adquirente.  Logo, por falta de previsão legal, entendo que o sujeito passivo não faz jus ao  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  (item  3.4  do  TVF),  ou  ainda,  pelos  fretes  do  transporte  de  mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF).  Em sintonia com o entendimento acima esposado, a seguinte jurisprudência:  TRIBUTÁRIO.  PIS/COFINS  NÃO  CUMULATIVOS.  FRETE  INTERCOMPANY.  OPERAÇÃO  DE  VENDA  NÃO  CARACTERIZADA  (ART. 3º, IX, L10833). ENQUADRAMENTO COMO INSUMO (ART. 3º, II,  L10833). IMPOSSIBILIDADE.   1. O  frete  intercompany,  referente  à  alocação dos  produtos  acabados  das  indústrias  para  os  centros  de  distribuição  da  empresa,  configura  simples  transferência interna, não estando diretamente relacionado às operações de  venda.  Com  efeito,  apenas  enseja  o  aproveitamento  dos  créditos  de  PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, o transporte  de bens diretamente ao consumidor final. Precedentes desta Turma.                                                               7   Art.  15. Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­cumulativa  de  que  trata  a  Lei  nº  10.637,  de 30  de  dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)     [...]     II ­ nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de  2004)  Fl. 3650DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          24 2. Em que pese, em uma perspectiva econômica, a distribuição dos produtos  das fábricas para as filiais ser etapa do iter percorrido pela mercadoria até  chegar  à  sua  destinação  final,  a  "operação  de  venda",  enquanto  negócio  jurídico, é  relação estabelecida estritamente entre os  sujeitos  fornecedor e  adquirente. Deste modo,  as  etapas  anteriores  à  destinação  do  produto  ao  consumidor  final,  ainda  âmbito  da  empresa  (fornecedora),  não  podem ser  consideradas operações de venda.   3.  Na  linha  do  que  defende  a  doutrina  mais  moderna,  o  conceito  de  "insumo",  no  campo  tributário,  não  é  uniforme  para  todas  as  exações.  Assim,  os  conceitos  encontrados  no  IPI  não  são,  de  fato,  suficientes  para  abarcar  todos  os  custos  que  podem  gerar  créditos  de  PIS/COFINS.  Enquanto na  legislação de  regência daquele  imposto, há referência  tão­só  às  despesas  referentes  à  industrialização  dos  bens  (matérias­primas,  produtos  intermediários,  materiais  de  embalagem  etc.)  aqui,  as  receitas  submetidas  às  contribuições  não  são  unicamente  decorrentes  da  venda  de  produtos industrializados.   4. Se o conceito de insumo do IPI é demasiado restritivo, não é o caso de ir­ se  ao  outro  extremo,  estendendo­o  de  tal  modo  a  incorporar  "todo  e  qualquer custo ou despesa necessário à atividade de empresa", nos termos  da legislação do IRPJ, como o quer o apelante. A não­cumulatividade deve  estar adstrita à materialidade do tributo ­ para PIS/COFINS, receita; para  IR,  lucro  líquido.  Logo,  também  imprestável,  o  conceito  de  despesa  operacional do RIR/99, de modo a equiparar PIS/COFINS a IR.   5.  Nesse  contexto,  de  intermédio,  primeiramente,  há  que  se  ter,  por  parâmetro, as próprias regras legais das contribuições em tela. Assim, o art.  3º, II, da Lei nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar  os  créditos  calculados  em  relação  a  "bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo na prestação de  serviços  e na produção ou  fabricação de bens ou  produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes".   6.  Portanto,  o  conceito  legal  de  insumo,  para  efeito  de  crédito  de  PIS/COFINS, abrange os dispêndios indispensáveis à produção de bens ou  à prestação de serviços geradores de renda. Noutros termos, todos os itens  diretamente  relacionados  com  a  produção  do  contribuinte  e  que  afetem  o  montante  das  receitas  tributáveis  pelas  contribuições  constituem  crédito  utilizáveis na apuração destas.   7.  Por  seu  turno,  Marco  Aurélio  Greco  preconiza  o  critério  da  essencialidade  ou  relevância  para  análise  do  conceito  de  insumo,  a  ser  entendido  sob  uma  perspectiva  dinâmica.  Devem,  assim,  ser  rechaçados  como tal os gastos realizados por mera conveniência do contribuinte.   8. Na hipótese dos autos, a apelante é empresa que se dedica às atividades  de industrialização e comercialização de farinha de trigo, massas, biscoitos,  margarinas  e  cremes  vegetais.  A  ser  assim,  não  é  de  entender­se  o  frete  entre estabelecimentos, para distribuição dos produtos acabados às  filiais,  como inerente ou essencial à atividade econômica ou ao processo produtivo  desenvolvido  pelo  contribuinte.  Tal  custo  é  posterior  ao  processo  de  fabricação dos bens destinados à  venda, não consistindo, pois,  em insumo  direto.   9.  Assim,  seja  como  for,  quer  se  entendendo  insumo  como  o  gasto  relacionado diretamente ao processo produtivo, quer como aquele essencial  a este, o frete intercompany não pode ser compreendido como tanto. É que  ele  corresponde  a  dispêndio  elegível  a  título  de  mera  conveniência  da  pessoa  jurídica  (não  alcançando  "perante  o  fator  de  produção  o  nível  de  Fl. 3651DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          25 uma  utilidade  ou  necessidade"),  visando  à  melhor  distribuição  dos  bens  fabricados ao adquirente final.   Apelação a que se nega provimento.  (Tribunal Regional Federal da 5a Região. Primeira Turma. Apelação Cível nº  544709.  Relator  Des.  Federal  José  Maria  Lucena.  Data  do  acórdão:  15/05/2014. Publicado em: 22/05/2014)    TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  FRETE  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  EMPRESA  CONTRIBUINTE.  DEDUTIBILIDADE.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO  LEGAL.   1 ­ O art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.627/02 prevêm as hipóteses em que é  possível  o contribuinte deduzir os valores de PIS e COFINS recolhidos na  sistemática  da  não­cumulatividade.  A  utilização  do  crédito  presumido,  em  relação ao frete, está relacionada ao transporte da mercadoria destinada à  operação de venda, o que exclui o frete realizado entre os estabelecimentos  de uma mesma empresa. Interpretação restritiva determinada pelo art. 111  do CTN.   2  ­  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  pronunciou­se  no  sentido  de  que  o  conceito de  insumo não abrange as operações de  transferência  interna de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  de  uma  mesma  pessoa  jurídica  (AGRESP 1335014).   3 ­ Recurso conhecido e improvido. Sentença confirmada.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação Cível  nº  526.709. Relator Des.  Federal Geraldine  Pinto Vital  de  Castro. Data do acórdão: 29/04/2014. Publicado em 14/05/2014)     TRIBUTÁRIO.  CONSTITUCIONAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  ARTIGO  3º,  INCISO  IX.  ARTIGO  15,  INCISO  II.  LEI  Nº  10.833/03. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.   1 ­ No caso em exame, a recorrente objetiva assegurar o alegado direito ao  creditamento,  a  título  de PIS/COFINS,  de  valores  despendidos  com  fretes  contratados  pela  impetrante  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos e pontos de distribuição.   2  ­  A  questão  em  discussão  nestes  autos  diz  respeito  ao  regime  da  não  cumulatividade da contribuição ao PIS/COFINS, previsto nos §§ 12 e 13, do  artigo  195  da  Constituição  Federal,  introduzidos  pela  Emenda  Constitucional nº 42, de 19.12.2003, e instituído pela Medida Provisória nº  66/2002  (DOU  30.08.2002),  convertida  na  Lei  nº  10.637/2002  (DOU  31.12.2002)  no  que  diz  respeito  ao  PIS,  e  pela  Medida  Provisória  nº  135/2003  (DOU  31.10.2003),  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003  (DOU  31.12.2003) referente à COFINS.   3 ­ Outrossim, a Lei nº 10.637/02 também dispôs em seu artigo 3º (caput e  incisos)  sobre  os  créditos  passíveis  de  descontos  a  título  de  PIS  do  valor  apurado  na  forma  do  artigo  2º  da  referida  lei.  E,  no  que  tange  a  "frete",  estabeleceu o inciso II, do art. 15 da Lei nº 10.833/03 (COFINS) a respeito  da aplicabilidade, também à contribuição ao PIS, do previsto no inciso IX,  do artigo 3º dessa mesma lei, nos termos mencionados, valendo ressaltar a  Fl. 3652DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          26 interpretação  restrita  dada  pela  lei  no  sentido  de  se  tratar  de  "frete  na  operação  de  venda,  nos  casos  dos  incisos  I  e  II,  quando  o  ônus  for  suportado pelo vendedor" (grifos meus).   4  ­  Nesse  passo,  considerando  que  as  regras  da  não­cumulatividade  das  contribuições  sociais  em  comento  estão  afetas  à  definição  infraconstitucional,  ao  amparo  da  Lei  Maior,  os  aludidos  diplomas  normativos  restringiram  a  hipótese  de  creditamento,  não  abrangendo  a  hipótese  pretendida  nestes  autos,  como  equivocadamente  entende  a  impetrante, ora recorrente.   5  ­ Observa­se  que  a  pretensão  formulada  neste mandamus  não  encontra  guarida  legal  para  prosperar,  porquanto  a  impetrante  objetiva  o  creditamento  a  título  de  PIS/COFINS  de  valores  despendidos  com  "fretes  contratados  pela  impetrante,  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos  e  pontos  de  distribuição",  hipótese  essa  não  amparada  pela  lei  de  regência,  que  restringe  o  creditamento  ao  frete  à  operação de  venda da mercadoria, nos termos assinalados no inciso IX, do art. 3º da Lei  nº 10.833/03.   6 ­ Vale mencionar que a lei pode estabelecer exclusões ou vedar deduções  de  créditos  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  das  exações  em  comento, ao amparo constitucional, havendo direito de creditamento apenas  nas hipóteses taxativamente previstas em lei, sob pena de violação ao artigo  111 do Código Tributário Nacional.   7  ­  Na  verdade,  verifica­se  que  a  recorrente  insurge­se  quanto  à  base  de  cálculo  das  contribuições  ao  PIS/COFINS,  objetivando  a  redução  da  incidência da exação, ao que cumpre salientar que não cabe ao Judiciário  atuar como legislador positivo, haja vista que a redução da base de cálculo  somente  ocorre  mediante  expressa  previsão  legal,  a  cargo  do  Poder  Legislativo. Ademais, cumpre salientar, ainda que se tratasse de hipótese de  creditamento, não restou comprovada, nestes autos, a totalidade dos valores  efetivamente despendidos com a "contratação de fretes" pela impetrante, no  período reclamado, objeto de pedido de compensação nestes autos. Assim,  não restando demonstrado o alegado direito líquido e certo, apto a amparar  a  pretensão  veiculada  na  presente  ação  mandamental,  não  merece  prosperar o apelo da impetrante.   8 ­ Apelação não provida.  (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação Cível nº  325.368.  Relator  Des.  Federal  Nery  Junior.  Data  do  acórdão:  19/12/2013.  Publicado em: 10/01/2014)     TRIBUTÁRIO ­ AÇÃO ORDINÁRIA ­ PIS E COFINS ­ LEIS Nº 10.637/2002  E 10.833/2003 ­ REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE ­ DESPESAS DE  FRETE  ­  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA  ­  CREDITAMENTO  ­  IMPOSSIBILIDADE.   1. É da essência do sistema de produção de bens e serviços que toda pessoa  jurídica,  a  fim  de  que  possa  desenvolver  as  suas  atividades,  tenha  de  adquirir insumos, matérias­primas ou serviços de outras pessoas jurídicas.   2.  Assim,  é  natural  que  uma  parcela  das  suas  receitas,  dos  recursos  advindos do desempenho das suas atividades empresariais seja destinada ao  Fl. 3653DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          27 pagamento  dos  seus  custos,  das  suas  despesas  operacionais,  ou  seja,  à  remuneração  dos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço.  Os  pagamentos  feitos  aos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço  representarão faturamento destes e sujeitar­se­ão, por sua vez, à incidência  do  PIS  e  da  COFINS.  O  que  é  dispêndio,  desembolso  para  uma  pessoa  jurídica representa ingresso de valores, receita operacional para outra. Isso  é uma consequência natural do fato de o legislador constituinte ter eleito o  faturamento  e,  posteriormente,  todas  as  receitas  como  hipótese  de  incidência  para  contribuição  destinada  ao  financiamento  da  seguridade  social. Quando houver  várias  fases  ou  etapas  de  circulação  econômica,  a  incidência sobre o faturamento será necessariamente cumulativa.   3. As únicas  deduções  ou  exclusões  possíveis  seriam aquelas  previstas  em  lei,  que  teriam  a  natureza  de  isenção,  de  favor  fiscal,  determinado  discricionariamente pelo legislador, segundo juízo político de conveniência  e oportunidade em consonância com o interesse público; ou aquelas que já  se encontram fora da base de cálculo das contribuições questionadas, isto é,  que não correspondem às receitas de venda de bens e serviços ou às receitas  das atividades empresariais, representando situação de não­incidência.   4. O artigo 195, § 9º da CF/88, acrescido pela EC nº 20/98 e alterado pela  EC  nº  47/2005  prevê  a  possibilidade  de  as  contribuições  sociais  terem  alíquotas  ou  bases  de  cálculo  diferenciadas,  em  razão  da  atividade  econômica, da utilização intensiva de mão­de­obra, do porte da empresa ou  da  condição  estrutural  do  mercado  de  trabalho,  conforme  opção  a  ser  exercida pelo legislador ordinário.   5. Por  sua vez,  o § 12, do artigo 195 da CF/88, acrescentado pela EC nº  42/2003,  determina  que  a  lei  definirá  os  setores  de  atividade  econômica  para os quais a contribuição social sobre as receitas será não­cumulativa.   6. A Lei nº 10.637/02, no inciso II do artigo 3º, prevê que do valor apurado  do  PIS  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  relativos  a  bens  e  serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação  de bens ou produtos destinados à venda.   7.  Já  a  Lei  nº  10.833/03,  no  inciso  IX  do  artigo  3º,  dispõe  que  do  valor  apurado de COFINS a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados  em  relação  à  armazenagem  de mercadoria  e  frete  na  operação  de  venda,  quando o ônus for suportado pelo vendedor.   8.  Como  as  exclusões  e  isenções  tributárias  devem  ter  interpretação  restritiva, conforme o artigo 111, incisos I e II, do CTN, a previsão legal de  desconto de créditos relativos a fretes nas operações de vendas não abarca  as  despesas  incorridas  no  transporte  interno  de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  do  contribuinte,  porque  não  são  despesas  diretamente  relacionadas  em  operações  de  venda.  A  transferência  interna  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa  não  caracteriza  uma  operação  de  venda,  e,  por  isso,  as  despesas  de  frete  desse  transporte  não  estão  relacionadas direta e imediatamente com a venda de mercadorias.   9. Precedentes deste TRF e do STJ.   10. Apelação da autora desprovida.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação  Cível  nº  545.908.  Relator  Des.  Federal  Luiz  Mattos.  Data  do  acórdão: 23/07/2013. Publicado em: 05/08/2013)   (grifos nossos)  Fl. 3654DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          28 Finalmente,  o  precedente  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  que  alicerçou  a  fundamentação de alguns dos julgados acima referenciados  TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002  E  10.833/2003.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  DE  FRETE.  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA.  CREDITAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL.   1.  Consoante  decidiu  esta  Turma,  "as  despesas  de  frete  somente  geram  crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que  sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente.   2.  O  frete  devido  em  razão  das  operações  de  transportes  de  produtos  acabados  entre  estabelecimento  da mesma  empresa,  por  não  caracterizar  uma operação de venda, não gera direito ao creditamento.   3. A  norma que  concede benefício  fiscal  somente pode  ser  prevista  em  lei  específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do  CTN,  não  se  admitindo  sua  concessão  por  interpretação  extensiva,  tampouco analógica. Precedentes.   4. Agravo regimental não provido  (STJ.  Segunda  Turma.  Agravo  Regimental  no  Recurso  Especial  nº  1.335.014.  Relator  Min.  Castro  Meira.  Data  do  acórdão:  18/12/2012.  Publicado em: 08/02/2013)  (Grifos nossos)  Das  glosas  objeto  do  item  3.7  do  TVF:  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não identificadas  Quanto  às  glosas  em  vista  dos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  não  identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal:  Como  demonstrado  anteriormente,  a  possibilidade  de  creditamento  nos  casos  em  que  se  entende  a  despesa  com  frete  como  um  serviço  utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem  (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº  10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras  palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito  do PIS  e  da COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos;  assim,  caso  a  pessoa  jurídica  adquira um bem de  pessoa  física,  o  transporte  deste  bem, mesmo  feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do  mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não  haverá créditos relacionados com as despesas de fretes.   Não  havendo  informação,  na  Escrituração  Fiscal,  das  notas  fiscais  dos bens  considerados  como  insumos associados aos  fretes,  lavrou­se  em  14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte  associasse,  nota  fiscal  por  nota  fiscal,  os  fretes  com  as  mercadorias  transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendo­se  observar lay­out específico para tanto.   Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo  adicional  de  vinte  dias,  por  nós  deferido.  Em  24/10/2011,  a  empresa  apresentou  apenas  dados  parciais,  e  requereu  mais  algum  tempo  para  Fl. 3655DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          29 terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por  mais quinze dias o prazo final.   Na data aprazada, o  sujeito passivo  entregou os arquivos,  os quais,  porém,  não  possuíam  todos  os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte.   [...]  No  caso  em  tela,  essencial  era  a  vinculação  entre  as  despesas  de  frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por  intermédio  do  arquivo  de  vínculos,  que  possuía  tanto  a  identificação  das  notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou  venda de mercadorias. Entretanto,  nos arquivos entregues  em 08/11/2011,  anexos  ao  processo,  duas  falhas  foram  observadas:  por  um  lado,  notas  fiscais de  transporte  relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não  foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de  mercadorias  indicadas  no  arquivo  de  vínculos  não  foram  encontradas  no  “Arquivo  de  NF.txt”,  nem  na  Escrituração  Fiscal.  Estas  duas  irregularidades  foram  relacionadas,  respectivamente,  nos  demonstrativos  “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração  Fiscal”,  em  anexo.   A  título  de  exemplo,  tomemos  uma  das  diversas  notas  fiscais  não  encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as  notas  fiscais  de  transporte  e  as  notas  fiscais  de  mercadorias:  o  Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única,  emitido  pela  Transportadora  Rodomeu  Ltda,  em  anexo.  Trata­se  de  um  documento  relativo  ao  transporte  de  mercadorias  importadas  da  CNH  America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total  somava R$ 65.741,50.   Tal  creditamento  é  vedado  pela  RFB,  conforme  dispõem  várias  consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84,  da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo:  “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS.   O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica­se,  exclusivamente,  em  relação  aos  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  e  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa jurídica domiciliada no País.   O  desconto  de  créditos,  no  caso  de  importações  sujeitas  ao  pagamento  da  Cofins­Importação,  sujeita­se  ao  disposto  nos  arts.  7º  e  15,  §  3º,  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  determinam  que  a  base  de  cálculo  desses  créditos  corresponde  ao  valor  aduaneiro  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação, quando integrante do custo de aquisição.  Assim,  o  frete  pago  para  transportar  bens  importados,  empregados  como  insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento  fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte  de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso)  Deste  modo,  é  forçoso  concluir  que  a  falta  de  vinculação  entre  os  fretes  e  as  mercadorias  transportadas  impede  a  constatação  não  só  da  irregularidade  acima  descrita,  mas  de  quaisquer  outras  que  a  empresa  porventura tenha cometido.  [...]  Fl. 3656DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          30 Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas  144238  ­  PIS  a  recuperar  ­  insumos  e  144239  ­ COFINS  a  recuperar  –  insumos,  e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias  não Encontradas  na Escrituração Fiscal”,  todo  o  valor  das  contribuições  creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a  falta de  determinada  associação  impede  o  cálculo  do  valor  creditado  proporcionalmente.  (os destaquem em negrito não constam do original)  Extrai­se dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada  pela  fiscalização  para  a  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  os  fretes  foi,  essencialmente,  a  impossibilidade  de  vinculação  “entre  as  despesas  de  frete  e  os  insumos  pretensamente  adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as  notas  fiscais  de  entrada  dos  insumos.  A  ausência  desse  vínculo  impediu  a  autoridade  administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas  como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”.  Decerto,  “apenas  os  fretes  associados  a  bens  tidos  como  insumos  no  âmbito  do  PIS  e  da  COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos”,  muito  embora  a  autoridade  administrativa  tenha  afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo  frete pago para  transportar bens  importados empregados como insumos do processo produtivo.  Segundo  a  defesa  apresentada  pelo  sujeito  passivo:  “[...]  se  há  créditos  de  insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também,  créditos  referentes  a  seus  correlatos  fretes”.  Ressalta  ainda  a  reclamante  que  “a  maioria  esmagadora de tais  fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101:  Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou  produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”.  Ainda segundo a recorrente:  Os  CFOPs  das  notas  fiscais  são  provas  cabais  de  que  os  correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e  2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em  que, tendo­se em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02  e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a  própria Receita Federal, aliás. Veja­se um exemplo:  “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete  pago  a  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  na  aquisição  de  matéria­ prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo  destes  insumos  para  fins  de  cálculo  do  crédito  a  ser  descontado  da  Cofins.”  (Solução  de  Consulta  n.  197,  de  16  de  Agosto  de  2011  –  sem  destaques no original)  Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente:  segundo  o  inciso  IX  do  citado  art.  3º,  o  “frete  na  operação  de  venda”  autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais.  É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez  a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido  realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais  de  50  mil  linhas,  na  qual  indicou,  uma  a  uma,  nota  fiscal  autuada  e  respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a  Fl. 3657DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          31 maior  parte  dos  fretes  autuados  se  referia  a  situações  em  que  o  creditamento estava claramente autorizado.  Sobre  a  planilha  reportada  e  demais  argumentos  suscitados  pelo  sujeito  passivo, asseverou a instância recorrida, verbis:  9.  FRETES.  FALTA  DE  IDENTIFICAÇÃO  DAS  MERCADORIAS  TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF.  Diante da ausência de  informação, na escrituração  fiscal, das notas  fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi  intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete,  os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três  arquivos distintos. Após  algumas  prorrogações,  a  recorrente  apresentou  a  documentação  solicitada, que,  contudo, não apresentava  todos os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias  transportadas.  Ponderou  a  autoridade  fiscal  que  a  falta  de  vinculação  entre  fretes  e  mercadorias  transportadas,  além  de  impedir  o  creditamento,  também  impede  a  constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a  exemplo  de  frete  pago  para  transporte  de  bens  importados,  empregados  como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril.   Suscita  a  interessada,  quanto  ao  tema,  que  a  glosa  decorreu  da  ausência  de  vinculação  de  boa  parte  dos  fretes  aos  respectivos  insumos  adquiridos,  estornando­se,  então, praticamente  todo o  crédito de  fretes  do  período,  exceto  aqueles  tratados  nos  itens  anteriores,  que  tiveram  análise  própria  e  apartada.  Solicita,  para  que  não  hajam  dúvidas  quanto  ao  seu  direito  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas  não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em  razão  do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias. De  qualquer  forma,  afirma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  ou  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos.  Por  fim,  na  eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima.  A  contribuinte  juntou  aos  autos  mídia  em  CD,  incluindo  as  informações  que  entendeu  necessárias  para  o  restabelecimento  desses  créditos,  a  qual  foi  convertida  em  documentos  anexados  aos  autos.  Examinando  esses  documentos,  pode­se  observar  que  se  trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização  (código  CTRC,  CTRC,  data de emissão, data  fiscal, código,  ID, razão social e CNPJ) e dados da  nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e  CNPJ).   Não  obstante,  do  exame  dessa  planilha  não  resta  comprovada  a  vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto,  fazia­se necessário que  fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos  fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez.   Fl. 3658DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          32 Em adição, pode­se observar que a aludida planilha apresenta mais  de 50.000  linhas com dados para verificação, enquanto que a  interessada,  ao  trazê­la  aos  autos,  limitou­se  a  requerer  fosse  verificada  a  vinculação  dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos.   Ocorre  que  o  ônus  de  prova  do  direito  ao  creditamento  é  da  contribuinte,  como  adiante  se melhor  verá,  a  quem  competia,  no mínimo,  apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de  dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para  o fisco.  Ressalte­se que, para  fins de  creditamento,  a  legislação exige que o  crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a  alegação  de  que  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações,  quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de  insumos.   Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item.  (grifos nossos)  No voto que direcionou a diligência à unidade de origem, ressaltamos, com a  devida  vênia,  que  a  DRJ  não  caminhou  bem  ao  apreciar  a  questão.  Na  ocasião,  assim  nos  manifestamos:     A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela  instância  a  quo,  é  a  de  que  esta  não  examinou  adequadamente  a  documentação  e  os  argumentos  apresentados  pelo  sujeito  passivo.  Isso  porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação  [...]”,  onde  a  interessada alega  que  “[...]  para  aproximadamente  20% das  referidas  operações,  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos  [...]”,  não  foi  efetivamente  apreciada  pela  instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido  acima.    Como  a  própria  DRJ  afirma,  o  documento  acostado  aos  autos  pela  reclamante  “trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID,  razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data  de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem  sim  subsidiar  o  necessário  exame  para  verificar  se  existe  ou  não  vínculo  entre os fretes e as mercadorias transportadas.     No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia  de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que  o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório.  Foi  com  essa  motivação  que  propusemos  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da  COFINS nos  casos  em  que  os mesmos,  realmente,  correspondem a  fretes  pela  aquisição  de  insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Em resposta à diligência  supra a unidade de origem apresentou o Relatório  Fiscal de fls. 3607/3612, de onde destacamos o seguinte trecho:  Fl. 3659DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          33   [...]    Vários  dos  CTRCs  informados  na  planilha  anexa  à  Manifestação  de  Inconformidade, cerca de 1/3, já haviam sido aceitos pela fiscalização, pois  não constam dos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à  Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na  Escrituração Fiscal” e, portanto, seus créditos de PIS e COFINS não foram  objeto  de  glosa.  Tais  documentos  estão  relacionados  na  planilha  anexa  denominada “CTRCs e Notas Fiscais Não Relacionados a Glosas Efetuadas  na Ação Fiscal”.     Dos CTRCs remanescentes da defesa do sujeito passivo, dois deles se  referem a documentos cujas notas fiscais a eles associadas originariamente  não  tinham  sido  escrituradas  (“Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas na Escrituração Fiscal” do item 3.7 do TVF). Informadas novas  notas de entrada após o desfecho da ação fiscal, solicitamos ao contribuinte,  via  Termo  de  Intimação  nº  001­201500011,  item  1,  cientificado  pessoalmente  em  04/02/2015,  que  nos  exibisse  tanto  estes  dois  Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas como as quatro Notas  Fiscais  a  eles  vinculadas,  determinação  esta  cumprida  parcialmente  em  24/02/2015 e 16/03/2015: foi apresentado o CTRC nº 4510 e as notas fiscais  nos 1720 e 1721, mas não o CTRC nº 514599 e as notas fiscais nos 55999 e  56000.     Também  por  meio  deste  Termo  de  Intimação  visamos  comprovar  a  veracidade dos demais vínculos  informados cujos créditos  foram objeto de  glosa (que corresponderiam parcialmente ao demonstrativo “Notas Fiscais  de  Fretes  não  Associadas  à  Tabela  de  Vínculos”  do  item  3.7  do  TVF),  solicitando  assim,  por  amostragem,  algumas  Notas  Fiscais  e  CTRCs,  por  meio  do  item  2  da  mencionada  intimação.  Apesar  de  alguns  CTRCs  (nos  68797  e  886)  e  uma  Nota  Fiscal  (nº  37183)  não  terem  sido  entregues,  segundo  o  contribuinte,  em  virtude  do  “grande  volume  de  documentos  arquivados”,  pôde­se  concluir,  em  consonância  com  este,  que  a  documentação  apresentada  referenda  a  planilha  por  ele  elaborada  e  anexada  à  Manifestação  de  Inconformidade,  com  exceção  destes  documentos não exibidos.      Apesar  de  considerarmos  comprovados  os  vínculos  informados  na  defesa  do  sujeito  passivo,  algumas  das  notas  fiscais  relacionadas,  salvo  melhor juízo, não permitem a apropriação dos créditos relacionados a seus  fretes.  Tal  ocorre  porque  se  referem  a  aquisições  de  bens  para  uso  ou  consumo  ou  destinados  ao  imobilizado,  nos  CFOPs  – Códigos  Fiscais  de  Operação – nos 1551, 2551 e 2556.     Neste  sentido, aliás,  foi a decisão em 1ª  instância em relação ao  item  3.5 do mencionado TVF, como demonstra a ementa a seguir:   “REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.”   Fl. 3660DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          34   Na planilha anexa “Fretes de Bens Destinados a Imobilizado ou a Uso  e  Consumo”  detalhamos  todos  estes  registros  e,  abaixo,  temos  o  resumo  mensal destes créditos, cuja glosa, s.m.j, deverá ser mantida:  Mês  PIS  COFINS  fev/2008  0,92  4,24  jun/2008  3,94  18,13  ago/2008  1,30  6,00  set/2008  3,99  18,40  dez/2008  7,40  34,10  fev/2009  1,13  5,21  mar/2009  2,44  11,19  abr/2009  17,02  78,36  mai/2009  2,02  9,28  jun/2009  10,49  48,30  jul/2009  2,06  9,53  ago/2009  3,67  16,90  set/2009  12,88  59,36  out/2009  9,12  41,98  dez/2009  16,59  76,37  jan/2010  0,48  2,21  fev/2010  17,17  79,05  mar/2010  1,42  6,54  abr/2010  14,41  66,34  mai/2010  5,17  23,77  jun/2010  7,81  35,98  jul/2010  14,48  66,68  ago/2010  36,33  167,37  set/2010  8,98  41,42    Por  outro  lado,  reunimos  todas  as  glosas  que  o  contribuinte  logrou  comprovar  indevidas na planilha “Glosas Revertidas”, a  seguir  totalizadas  mensalmente:  Mês  PIS  COFINS  jan/2008  286,53  1.319,78  fev/2008  381,23  1.755,95  mar/2008  3,92  18,06  abr/2008  605,72  2.790,07  mai/2008  804,26  3.704,48  jun/2008  148,17  682,45  jul/2008  2.010,67  9.261,50  ago/2008  3.674,28  16.924,00  Fl. 3661DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          35 set/2008  1.445,04  6.656,14  out/2008  4.608,03  21.224,31  nov/2008  374,20  1.723,23  dez/2008  7.588,03  34.950,81  jan/2009  668,90  3.081,03  fev/2009  7.495,94  34.525,92  mar/2009  1.386,62  6.387,71  abr/2009  2.007,42  9.245,72  mai/2009  738,41  3.401,16  jun/2009  6.265,02  28.855,01  jul/2009  3.300,66  15.202,28  ago/2009  840,01  3.869,59  set/2009  719,75  3.315,29  out/2009  965,56  4.447,56  nov/2009  1.303,04  6.001,82  dez/2009  2.257,21  10.397,23  jan/2010  1.974,52  9.094,68  fev/2010  2.248,05  10.354,84  mar/2010  490,59  2.259,87  abr/2010  3.197,74  14.728,89  mai/2010  1.315,44  6.059,04  jun/2010  791,94  3.648,05  jul/2010  1.508,77  6.949,40  ago/2010  2.920,90  13.452,87  set/2010  2.954,21  13.607,00    Cumpre lembrar que a planilha “Glosas Revertidas” obedece ao que foi  evidenciado originalmente pela fiscalização no demonstrativo “Notas Fiscais  de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos”, ou seja, contém apenas a  identificação  do  CTRC  e  o  valor  do  PIS  e  da  COFINS  glosados.  Esta  planilha  também inclui o Conhecimento de Transporte Rodoviário nº 4510,  do  demonstrativo  “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração Fiscal”, cuja admissibilidade de créditos ficou evidenciada pela  apresentação do documento e das notas fiscais a ele relacionadas.     É importante notar que as planilhas citadas neste relatório incluem o 1º  trimestre  de  2010,  período  para  o  qual  o  contribuinte,  à  época  da  fiscalização,  não  havia  ainda  apresentado  Pedidos  de  Ressarcimento,  portanto, sem que houvesse possibilidade de ocorrerem glosas efetuadas pela  fiscalização.  Porém,  como  nas  planilhas  mencionadas  no  Termo  de  Verificação Fiscal,  assim como  no  demonstrativo  anexo  à Manifestação  de  Inconformidade  há  referências  a  documentos  deste  período,  optamos  por  relacioná­los  também  neste  trabalho,  apesar  desta  informação  não  gerar  qualquer efeito sobre os direitos pleiteados pelo contribuinte.   *****  Fl. 3662DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          36   Em face do acima exposto, e à luz das informações trazidas pelo sujeito  passivo  durante  a  fiscalização  e  por  ocasião  da  sua  Manifestação  de  Inconformidade, concluímos a diligência solicitada pela 2ª Turma Especial,  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  do Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  no  sentido  de  considerar  como  créditos  de  PIS/COFINS  correspondentes a  fretes pela aquisição de  insumos os apurados na escrita  do sujeito passivo, diminuídos das glosas do TVF, acrescidos, no entanto, dos  valores discriminados na última tabela deste Relatório Fiscal.     [...]  Intimada  do  teor  do  relatório  fiscal  acima  reportado,  o  qual  é  padrão  para  todos  os  processos  da  interessada  que  ora  apresentamos  para  julgamento,  a  recorrente,  mediante expediente de fls. 3617/3619, ressalta que as glosas revertidas, em comparação com  as  glosas  originais,  totaliza  valor  inexpressivo,  e  que,  dado  o  grande  volume  de  dados  a  analisar, tem necessidade que seja estendido em mais 30 dias o prazo para sua manifestação.  Até  a  presente  data,  contudo,  o  sujeito  passivo  não  apresentou  nenhum  argumento  adicional  frente  ao  resultado  da  diligência  fiscal  conduzida  pelo  Auditor  Fiscal  responsável pela diligência, e pela própria ação fiscal.  Portanto,  considerando  o  criterioso  trabalho  conduzido  pela  autoridade  administrativa,  retratado  por  último  na  fundamentação  objeto  do  relatório  fiscal  acima  transcrito  parcialmente,  e  ainda,  diante  da  não  apresentação,  pela  recorrente,  de  razões  objetivas  capazes  de  abalar  minimamente  o  resultado  do  trabalho  da  autoridade  em  tela,  entendo  que  deverão  ser  mantidas  as  glosas  inerentes  a  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não admitidas pelo regime da não­cumulatividade, ajustadas nos termos do  aduzido relatório fiscal.   Consequentemente,  há  que  se  dar  provimento  em  parte  aos  argumentos  apresentados  pela  reclamante,  mas  apenas  no  que  concerne  aos  ajustes  perpetrados  pela  autoridade fiscal, acima referenciados.  Da reclassificação de créditos – item 4.2 do TVF  O  sujeito  passivo  também  se  insurge  contra  a  reclassificação  de  créditos  objeto  do  item  4.2  do  Termo  de Verificação  Fiscal.  Segundo  a  fiscalização,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20058,  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº                                                              8      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    Fl. 3663DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          37 10.865/2004 – além do saldo credor apurado na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e  10.833/2003  –  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Contudo,  em  relação  aos  créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações  de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/20049 (dentre outros) – estes,  “por  falta  de  previsão  legal”,  não  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Ressalta  a  autoridade  administrativa  que  a  recorrente  importou  diversas  máquinas  e  veículos  para  revenda  enquadradas  nos  códigos  tarifários  elencados  no  §  3º  do  artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/2004, “cujos créditos de PIS e COFINS foram submetidos,  indevidamente, ao rateio proporcional entre o mercado externo e o faturamento total”.  Vejamos  a  questão  analisando  cronologicamente  os  preceitos  inerentes  ao  regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS que tem relevância para a presente análise.  Como  já  ressaltado  linhas  cima,  o  artigo  3o  das  Leis  nos  10.637/2002  e  10.833/2003 autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos  da pessoa  jurídica. No âmbito dos preceitos  legais em tela, esse direito de crédito alcança os  “bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País” ou os “custos e despesas  incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País” (§ 3º do artigo 3o das  Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 – grifos nossos). Estabelece ainda o § 7º do mesmo artigo  3º das normas em evidência que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar­se à incidência não­ cumulativa  do  PIS  e  da COFINS  em  relação  apenas  a  parte  de  suas  receitas,  o  crédito  será  apurado,  exclusivamente,  em  relação  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  a  essas  receitas.   Ainda no que concerne às  leis que criaram o regime da não­cumulatividade  das contribuições em tela, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de  mercadorias;  b)  prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento represente ingresso de divisas e; c) vendas a empresa comercial exportadora como  fim específico de exportação. Em tais hipóteses – “unicamente” –, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição  a  recolher  ou  para  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  Receita Federal. Ainda restrito a esse horizonte, acaso aludido crédito não possa ser utilizado  por nenhuma dessas formas até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo  solicitar seu ressarcimento em espécie (vide §§ 1º e 2º do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e §§  1º e 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003.  Posteriormente,  foi  editada  a  Lei  nº  10.865,  de  30/04/2004,  que  instituiu  o  PIS  e  a  COFINS  incidentes  sobre  as  importações  de  bens  e  de  serviços.  A  norma  em  tela  também  dispôs  sobre  o  creditamento  das  referidas  contribuições  incidentes  sobre  as                                                              9  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:     [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e          II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3664DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          38 importações,  conforme  o  correspondente  artigo  15,  cujos  trechos  relevantes  seguem  abaixo  transcritos:  Art.  15.  As  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  apuração  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637,  de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições  de  que  trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses:   I ­ bens adquiridos para revenda;  II  ­  bens  e  serviços utilizados  como  insumo na prestação de  serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustível e lubrificantes;  III ­ energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica;   IV  ­  aluguéis  e  contraprestações  de  arrendamento  mercantil  de  prédios,  máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade  da empresa;  V  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  para  locação  a  terceiros  ou  para  utilização  na  produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação  dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica­ se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e  serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei.   § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo nos meses  subseqüentes.  [...]  § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicam­se, no que couber, as disposições  dos §§ 7o e 9o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e  10.833, de 29 de dezembro de 2003.  [...]  § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que  tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei:  I – produtos dos §§ 1º a 3º e 5º a 7º do art. 8º desta Lei, quando destinados à  revenda;  [...]  Por seu turno, o artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 estabelece que   Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no 10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos  §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]  Fl. 3665DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          39 (grifo nosso)  Importa destacar que os produtos de que  trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº  10.865/2004  são  “máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  –  NCM”.  Não  há  controvérsia  quanto  à  subsunção  das  mercadorias  importadas  pelo  sujeito  passivo  nesse  dispositivo,  já  que  ele  próprio  afirma  isso  quando  denomina  a  planilha  “Importação  para  Revenda  de Máquinas  e  Veículos – Lei 10.865/2004, art. 8º, § 3º ” (grifou­se) – vide item 4.2 do TVF.  Historicamente, vê­se que, até aqui, o regime da não­cumulatividade do PIS e  da COFINS autorizava unicamente o desconto dos créditos calculados em conformidade com o  regime,  prevendo,  contudo,  a  compensação  ou  o  ressarcimento  em  espécie  (se  inexistir  a  possibilidade  de  dedução  da  contribuição  a  recolher  ou  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  RFB)  exclusivamente  no  caso  de  as  receitas  serem  decorrentes  da  exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior.   Sobreveio  então  a  Lei  nº  11.033,  de  21/12/2004,  cujo  artigo  17  permitia  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  decorrentes  das  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.   Pouco tempo depois foi publicada a Lei nº 11.116, de 18/05/2005, cujo artigo  16 estabelece os seguinte:  Art.  16.  O  saldo  credor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em  virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004,  poderá ser objeto de:  I  ­  compensação com débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  observada a legislação específica aplicável à matéria; ou   II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica  aplicável à matéria.   Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de  agosto de 2004 até o último trimestre­calendário anterior ao de publicação  desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a  partir da promulgação desta Lei.  Vê­se,  pois,  que  a  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da  exportação de mercadorias ou de  serviços para o  exterior  (sobre  as quais não  incidem as  contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das  Leis nos  10.637/2002 e  10.833/2003, bem como os  créditos decorrentes da  incidência das  contribuições em tela sobre as importações – no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime  da não­cumulatividade – nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004.  Ora, dentre essas hipóteses consta o creditamento em função da aquisição de  bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004), razão pela qual entendemos  Fl. 3666DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          40 que a possibilidade de utilização dos créditos para  fins de compensação ou de  ressarcimento  ampara  as  compras,  pelo  sujeito passivo, das máquinas  e dos veículos destinadas  à  revenda.  Quando  o  §  8º  do  artigo  15  diz  que  “as  pessoas  jurídicas  importadoras,  nas  hipóteses  de  importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei”  em  relação,  dentre  outros,  aos  produtos  do  §  3º  do  artigo  8º  (“máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da Nomenclatura Comum do Mercosul  –  NCM”), penso que tal assertiva é restrita à forma de apuração do direito creditório.   Com efeito, estabelece o § 3º do artigo 15 da lei nº 10.865/2004 que   O  crédito  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  será  apurado  mediante  a  aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  sobre  o  valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na  forma do art. 7º  desta  Lei,  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação,  quando  integrante do custo de aquisição.  Portanto, a regra geral de apuração do crédito é a aplicação das alíquotas de  1,65% para o PIS e de  7,6% para a COFINS  (artigo 2º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003,  respectivamente).  Contudo,  na  realidade  presente,  inerente  à  importação  das  máquinas  e  veículos cujos códigos estão elencados no § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004, ao qual faz  referência  o  inciso  I  do  artigo  17  da  mesma  lei,  os  créditos  serão  apurados  “mediante  a  aplicação das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação específica, sobre o valor de que trata o § 3º do art. 15 desta Lei”, ou seja, “sobre o  valor  que  serviu  de  base  de  cálculo  das  contribuições,  na  forma  do  art.  7º  desta  Lei  [10.865/2004], acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo  de aquisição”.  De  fato,  o  artigo  17  da  Lei  nº  10.865/2004  trata  especificamente  da  possibilidade  de  desconto  de  créditos  nas  hipóteses  que  elenca,  e  nada  diz  a  respeito  de  eventual  restrição  à  utilização  do  direito  creditório  calculado  segundo  as  formas  prescritas.  Reproduzo, abaixo, o  teor do disposto no referido preceito no que importa para a solução do  presente litígio:  Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]   §  2º  Os  créditos  de  que  trata  este  artigo  serão  apurados  mediante  a  aplicação das alíquotas da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS  incidentes  sobre  a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação  específica,  sobre  o  valor  de  que trata o § 3º do art. 15 desta Lei.  Fl. 3667DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          41 [...]  Por  fim,  vale  destacar  que  quase  todos  os  demais  parágrafos  do  artigo  17  tratam,  exclusivamente,  de  formas  de  apuração  de  crédito  nas  hipóteses  abrangidas  pelos  mesmos (regime monofásico). A única exceção é o § 8º do preceito em tela, o qual, quando diz  que “o disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta  Lei”,  corrobora  o  presente  entendimento  concernente  ao  qual  o  artigo  17  particulariza  a  apuração do crédito (e unicamente isso) quando aludida apuração foge à regra geral objeto do  artigo 15.  Em conclusão, e no que concerne ao presente tópico, entendo como indevida  a  reclassificação  como  “não  ressarcível”  operada  pela  fiscalização,  uma  vez  que,  conforme  demonstrado, os créditos em tela poderão, sim, ser utilizados para fins de compensação ou de  ressarcimento.  Nessa parte, portanto, também dou provimento ao recurso do sujeito passivo.  Do reposicionamento dos créditos – item 4.3 do TVF  Segundo relatado, foram reposicionadas parcelas dos créditos de importação  aproveitados  em  PER/Dcomp  ao  argumento  de  que  estes,  por  se  originarem  do  mercado  externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestre­calendário. De fato,  conforme o Termo de Verificação Fiscal, o ajuste foi feito em vista da compensação, antes de  findo o trimestre, de créditos do PIS/COFINS importação vinculados a receitas de exportação.  Referido  ajuste  foi  baseado  no  artigo  42  da  IN  RFB  nº  900/2008,  cujo  §  7º  autorizava  a  compensação  de  créditos  decorrentes  de  custos,  despesas  e  encargos  incorridos no mercado  interno  vinculados  a  receitas  de  exportação,  mesmo  antes  de  findo  o  trimestre  do  ano­ calendário a que se refere o crédito.  Em pesquisa à mais atual  instrução normativa que trata do assunto observei  que tal regramento permanece em vigor. Com efeito, o artigo 49, § 6º, da IN RFB nº 1.300, de  20/11/2012,  dispõe  que  a  compensação  dos  créditos,  dentre  outras  hipóteses,  decorrentes  de  custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão,  isenção, alíquota  zero ou não  incidência,  “poderá  ser  efetuada  somente depois do  encerramento do  trimestre­ calendário”.  Tal  regramento,  de  fato,  está  amparado  no  caput  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/2005, segundo o qual poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento   o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na  forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833,  de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de  2004, acumulado ao  final de  cada  trimestre do ano­calendário  em virtude  do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004.  (grifo nosso)  Vale  lembrar  que  o  artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004  trata,  justamente,  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.  Fl. 3668DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          42 Portanto, não há embasamento legal que autorize o sujeito passivo a utilizar  os créditos do PIS/COFINS importação antes de findo o trimestre correspondente.  Quanto ao pedido para “decotar os juros e multa calculados, de modo a que  refiram, tão­somente, ao atraso de um ou dois meses  (i.e, aquele decorrente da espera até o  fim  do  trimestre”,  acaso  a  incidência  dos  encargos  tenha  extrapolado  o  correspondente  trimestre (tal não ficou claro no TVF), entendo que, de fato, deverão ser efetuados os ajustes  necessários a considerar a incidência de juros e multa de mora do débito apenas até o término  de cada  trimestre  ­ data  a partir da qual o  contribuinte passou a  ter direito ao crédito. Dessa  forma,  serão  corrigidos  até  a  data  da  compensação  unicamente  os  débitos  em  aberto  posteriormente aos ajustes em tela.  Nesse tópico, portanto, dou provimento parcial ao pedido da recorrente, nos  termos do parágrafo anterior.  Dos erros de cálculo  No  que  concerne  aos  erros  de  cálculo  o  sujeito  passivo  alega  que  a  DRJ  recorrida,  “sem  muitas  justificativas,  também  negou  a  realização  de  diligência  para  tal  verificação”.  Todavia,  ressaltou  que,  “quanto  a  dois  dos  quatro  períodos  apontados  como  exemplos na explanação (abr/2010 e jul a set/2010) os erros de cálculo já foram reconhecidos  e o direito creditório da Recorrente declarados (Acórdãos ns. 02­46.070 e 02­46.072)”.  De  fato,  dentre  todos  os  processos  da  empresa  sob  nossa  responsabilidade  que  ora  trazemos  à  pauta,  observamos  que  a  primeira  instância  já  reconheceu  crédito  remanescente  em  relação  aos  seguintes  processos  da  recorrente  nos  respectivos montantes  a  seguir  discriminados:  13603.724502/2011­43  (R$  7.743,90),  13603.724508/2011­11  (R$  132.933,34), 13603.724529/2011­36 (R$ 339.948,59), 13603.724627/2011­73 (R$ 1.114,90) e  13603.724631/2011­31 (R$ 596.928,10).   Agora, nada mais há que se apreciar em relação ao assunto, uma vez que a  reclamante  não  contesta  o  resultado  das  correções  perpetradas  pela  DRJ,  tendo­se  limitado  unicamente  a  reiterar  a  necessidade  de  “[...]  diligência  para  a  verificação  da  correção  do  cálculo dos créditos a que tem direito [...]”, pleito com respeito ao qual negamos provimento  pelo fato de o mesmo não estar revestido de verossimilhança que revele sua necessidade.   Portanto, nessa parte, entendo que deverá ser negado provimento ao recurso.  Da conclusão  Por  todo  o  exposto,  voto  para  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  no  seguinte sentido:  I)  negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de  bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF);  II)  reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os  créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL  Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF);  Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724506/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.800  S3­C3T1  Fl. 0          43 III) manter  o  entendimento  da  fiscalização  pela  impossibilidade  de  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado entre estabelecimentos da  interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda,  pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou  a uso e consumo (item 3.5 do TVF);  IV) quanto  à  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  fretes  pela  “falta  de  identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial  provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade  fiscal no relatório de diligência de fls. 3607/3612;  V)  concernente  à  reclassificação  de  créditos  (item  4.2  do  TVF),  desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela  fiscalização, uma vez  caracterizada  a  possibilidade  de  utilização  dos  créditos,  para  fins  de  compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos  veículos destinadas à revenda;   VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial  provimento  ao  recurso  para  permitir  o  ajuste  necessário  de  forma  a  considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas  até o término de cada trimestre ­ data a partir da qual a contribuinte passou a  ter direito ao crédito;  VII)  negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo.  Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2016.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator                                Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS

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Numero do processo: 19515.002025/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos dos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. No caso de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, a justificativa da origem em distribuição de lucros pagos por pessoas jurídicas só pode ser aceita se restar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da transferência de numerário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. LEVANTAMENTO PATRIMONIAL. FLUXO FINANCEIRO. POSSIBILIDADE. O fluxo financeiro de rendimentos será apurado à medida que os rendimentos e ganhos forem percebidos, onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês. Caracteriza-se como omissão de rendimentos a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Em relação aos fatos geradores ocorridos até o ano-calendário de 2006, a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. SÚMULA CARF Nº 14. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 25. “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64”. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”.
Numero da decisão: 2201-002.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso para: a) desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%; b) excluir da exigência a multa isolada decorrente de não recolhimento de valores devidos a título de "carnê-leão". Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI – Presidente-Substituto. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 30/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2125; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.002025/2009­12  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­002.719  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de dezembro de 2015  Matéria  IRPF  Recorrente  CARLOS DE CARVALHO CRESPO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2006, 2007  Ementa:  NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.  Comprovada  a  regularidade  do  procedimento  fiscal,  fundamentalmente  porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os  requisitos dos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar  em nulidade do lançamento.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  NORMA.  INCOMPETÊNCIA.  SÚMULA CARF Nº 2.   Nos  exatos  termos  da  Súmula  nº  2,  do  CARF,  falece  competência  a  este  órgão  julgador  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária.  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO.  PREVISÃO  NA  LEI  COMPLEMENTAR Nº 105/2001.  A Lei Complementar nº 105/2001 permite  a quebra do  sigilo por parte das  autoridades  e  dos  agentes  fiscais  tributários  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados  indispensáveis pela autoridade administrativa competente.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS.  No  caso  de  omissão  de  rendimentos  com  base  em  depósitos  bancários,  a  justificativa da origem em distribuição de lucros pagos por pessoas jurídicas  só  pode  ser  aceita  se  restar  comprovada,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, a efetividade da transferência de numerário.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 25 /2 00 9- 12 Fl. 2188DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     2 ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  GASTOS  E/OU  APLICAÇÕES  INCOMPATÍVEIS  COM  A  RENDA  DECLARADA.  LEVANTAMENTO  PATRIMONIAL.  FLUXO  FINANCEIRO.  POSSIBILIDADE.  O fluxo financeiro de rendimentos será apurado à medida que os rendimentos  e  ganhos  forem  percebidos,  onde  serão  considerados  todos  os  ingressos  e  dispêndios realizados no mês. Caracteriza­se como omissão de rendimentos a  realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte.  MULTA  ISOLADA  DO  CARNÊ­LEÃO  E  MULTA  DE  OFÍCIO.  CONCOMITÂNCIA.  Em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  até  o  ano­calendário  de  2006,  a  aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima  quando incide sobre uma mesma base de cálculo.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E  JURÍDICAS.  MULTA  QUALIFICADA.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO DO DOLO. SÚMULA CARF Nº 14.  Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula do CARF, não há que se falar em  qualificação  da  multa  de  ofício  nas  hipóteses  de  mera  omissão  de  rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude.  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.  LANÇAMENTO POR  PRESUNÇÃO.  MULTA  QUALIFICADA.  INOCORRÊNCIA.  SÚMULA  CARF Nº 25.  “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não  autoriza a qualificação da multa de ofício,  sendo necessária a comprovação  de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64”.  SELIC. SÚMULA CARF N° 4.  “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais”.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso para: a) desqualificar a multa de  ofício, reduzindo­a ao percentual de 75%; b) excluir da exigência a multa isolada decorrente de  não recolhimento de valores devidos a título de "carnê­leão".    Assinado Digitalmente  CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI – Presidente­Substituto.     Assinado Digitalmente  EDUARDO TADEU FARAH ­ Relator.    Fl. 2189DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.002025/2009­12  Acórdão n.º 2201­002.719  S2­C2T1  Fl. 3          3 EDITADO EM: 30/12/2015  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO  MEES STRINGARI  (Presidente substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente  convocado),  IVETE  MALAQUIAS  PESSOA  MONTEIRO,  MARIA  ANSELMA  CROSCRATO  DOS  SANTOS  (Suplente  convocada),  CARLOS  CESAR  QUADROS  PIERRE,  MARCELO  VASCONCELOS  DE  ALMEIDA,  EDUARDO  TADEU  FARAH  e  ANA  CECILIA  LUSTOSA  DA  CRUZ.  Ausente,  justificadamente,  o  Presidente  da  Turma  Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR.  Relatório  Trata  o  presente  processo  de  lançamento  de  ofício  relativo  ao  Imposto  de  Renda Pessoa Física, anos­calendário 2005 e 2006, consubstanciado no Auto de Infração, fls.  1797/1807,  pelo  qual  se  exige  o  pagamento  do  crédito  tributário  total  no  valor  de  R$ 2.042.884,33, calculado até 29/05/2009.  A  fiscalização  apurou  omissão  de  rendimentos  de  aluguéis  recebidos  de  pessoa  jurídica;  omissão  de  rendimentos  de  aluguéis  recebidos  de  pessoa  física;  omissão  de  rendimentos  tendo  em  vista  a  variação  patrimonial  a  descoberto;  omissão  de  rendimentos  caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada  e  falta de  recolhimento do  imposto de renda da pessoa física devido a título de carnê­leão. A autoridade fiscal aplicou a  multa de ofício de 150%. Foi também formalizada Representação Fiscal para Fins Penais que  originou o processo n° 19515.002128/2009­82.  Cientificado do  lançamento, o contribuinte apresenta  Impugnação alegando,  conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  PRELIMINARMENTE  ILEGALIDADE  DE  PRESUMIR­SE  DEPÓSITO  BANCÁRIO  COMO RENDA  ­ depósitos bancários, por si só, não caracterizam fato gerador  do  imposto  de  renda,  podendo  configurar  meros  indícios  de  renda, já que a realização de depósitos bancários pode advir de  incontáveis fontes, sem que qualquer delas represente aquisição  de  disponibilidade  econômica  ou  jurídica  de  renda  ou  de  proventos  (cita a  súmula 182 do extinto TFR, o Decreto Lei n°  2.471, de 01/09/1988, jurisprudência e doutrina);  ­ mesmo após o advento da Lei n° 9.430/96, o depósito bancário  não  constitui,  por  si  só,  fato  gerador  da  aquisição  da  disponibilidade econômica ou jurídica de renda pois, o artigo 42  da  Lei  n°  9.430/96  operou  uma  significativa  mudança  no  tratamento  tributário  da  movimentação  bancária  invertendo  o  ônus da prova, passando o contribuinte a ter que comprovar que  os  depósitos  em  sua  conta  bancária  não  se  referem  a  receitas  omitidas,  contudo  tendo  em  vista  que  a  pessoa  física  está  desobrigada de escrituração contábil e depende da boa vontade  do  banco  depositante,  é  necessário  que  seja  comprovada  a  Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     4 utilização dos valores depositados como renda consumida, para  que o depósito bancário se transforme em renda tributável;  ­ além do mais, pela dicção do artigo 110, do CTN, a presunção  contida  no  art.  42  da  Lei  n°  9.430/96,  não  pode  alterar  o  conceito  de  renda  ou  de  provento  para  neles  incluir  depósitos  bancários, podendo, quando muito, autorizar a tributação de tais  depósitos por presunção, desde que verificado caso a caso, bem  como se ocorreu a renda consumida;  DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA  ­  o  agente  fiscal  desconsiderou  documentos  reconhecidos  pela  legislação  federal  como  é  o  caso  do  Contrato  Social  devidamente registrado, pelo simples fato de não ter constado na  DIRPF/2006,  fato que não  tem o condão de desconstituir o ato  jurídico  perfeito;  ­  o  Fisco,  por  conclusão  presunçosa  e  por  mera  liberalidade,  selecionou  os  documentos  que  serviriam  de  base  para  a  autuação,  agindo  de  forma  arbitrária  e  não  proporcionando  ao  contribuinte  o  direito  amplo  de  defesa,  quando  da  subtração  e/ou  ausência  de  análise  de  documentos  inerentes  e  relevantes  ao  processo  em  lide  para  demonstrar  a  realidade dos fatos em questão;  DA DESNECESSIDADE DE NOTIFICAÇAO POR VIA POSTAL  ­ verifica­se mais uma irregularidade praticada no procedimento  fiscal vez que a ciência do auto de infração se deu por via postal,  apesar  do  recorrente  ter  se  colocado  sempre  à  disposição  da  fiscalização (cita jurisprudência);  DA VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO  ­  o  sigilo  bancário  é  garantia  constitucional,  se  cogitando  sua  quebra apenas em casos restritíssimos (somente para fins penais  e  nunca  fiscais),  sendo  que  qualquer  falha  nesse  procedimento  ou  inobservância  do  disposto  no  artigo  5°,  inciso  XII,  da  Constituição  Federal  (autorização  judicial),  contamina  de  nulidade  a  prova  ­  informações  cedidas  pelas  Instituições  Financeiras ­ que embasou o lançamento tributário;  DA AUSÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA  OCORRÊNCIA  DO  FATO  JURÍDICO  TRIBUTÁRIO  (FATO  GERADOR)  ­ os atos administrativos devem ser claros e precisos de forma a  que o administrado possa entender o que se está passando, o que  não ocorre no presente caso;  ­  o  lançamento  é  um  ato  jurídico  administrativo,  sendo  que  o  administrador  tem a  obrigação de  demonstrar  a  ocorrência  do  fato descrito no antecedente da norma tributária que faz nascer  o direito subjetivo do credor exigir seu crédito do contribuinte;  ­  o  Sr.  Fiscal  em  nenhum  momento  procurou  demonstrar  a  subsunção do conceito do  fato ao conceito da norma, deixando  de  apresentar  todos  os  elementos  que  integram  o  suposto  fato  jurídico  tributário,  deixando­se  claro  que  o  Sr.  Fiscal  não  apresentou  no  seu  ato  jurídico  administrativo  do  lançamento  Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.002025/2009­12  Acórdão n.º 2201­002.719  S2­C2T1  Fl. 4          5 tributário os elementos caracterizadores da ocorrência dos fatos  jurídicos  tributários,  impossibilitando  ao  contribuinte  total  compreensão dos motivos que levaram ao lançamento do débito,  cerceando seu direito de defesa;  ­  houve  qualificação  da  multa  sem  que  fossem  carreadas  pelo  fisco  quaisquer  provas  que  evidenciassem  a  conduta  dolosa  do  recorrente de evitar a ocorrência do fato gerador do tributo;  ­  ausente  a  comprovação  da  ocorrência  de  qualquer  das  hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, não  é  aplicável  a multa  prevista  no  inciso  II  do  art.  44,  da  Lei  n°  9.430/96,  pois  não  há  qualquer  indício  de  dolo  ou  culpa  que  ensejam  a  tipicidade  do  ilícito  tributário/penal  (transcreve  jurisprudência administrativa);  MÉRITO  ­  necessária  se  faz  o  método  explicativo  por  parágrafo  do  Relatório Fiscal que se segue:  I — DO PROCEDIMENTO FISCAL ­  em nenhum momento  foi  aberto  MPF  próprio  para  diligenciar  a  pessoa  jurídica,  portanto,  é  descabida  qualquer  alegação  quanto  à  desqualificação  dos  documentos  solicitados  pela  própria  fiscalização em relação às empresas citadas na lide;  II — DOS DADOS OBTIDOS ­ todas as informações solicitadas  foram  devidamente  esclarecidas  com  documentação,  demonstrando  a  idoneidade  do  impugnante  não  cabendo multa  de ofício, muito menos o seu agravamento,  III  —  DA  DOCUMENTAÇÃO  APRESENTADA  ­  da  documentação  apresentada  pelo  contribuinte  ficou  evidenciado  que  a  origem  dos  depósitos,  sendo  que  tal  documentação  foi  desconsiderada para atender os possíveis quesitos da  lavratura  do auto de infração em lide;  IV ­ DA ANÁLISE DAS DIRPFs — DIRPF/2005 — ratifica­se a  saída  do  impugnante  em  dezembro/2004;  DIRPF/2006  e  DIRPF/2007  —  o  impugnante  não  declarou  o  cônjuge  como  dependente pelo fato de apresentarem declaração em separado o  que  não  traz  prejuízo  ao  Fisco  e  todos  os  tributos  da  pessoa  jurídica foram recolhidos não havendo omissão de rendimentos;  V — DAS IRREGULARIDADES FISCAIS DETECTADAS  1.1 — MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA — o auto é nulo porque  houve  quebra  irregular  de  sigilo  bancário  e  movimentação  financeira não é fato gerador de IR, além do fato de que apesar  do  cônjuge  declarar  em  separado  todos  os  bens  e  os  valores  recebidos a título de rendimentos isentos e não tributáveis estão  na declaração no impugnante sendo que a AFRFB tributou 50%  dos depósitos no cônjuge;  1.2  —  DAS  JUSTIFICATIVAS/COMPROVAÇÕES  APRESENTADAS  PELO  CONTRIBUINTE  —  a  fiscalização  Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     6 desconsiderou os documentos apresentados pelo contribuinte por  acreditar  não  serem  hábeis  e  idôneos,  arbitrando  o  auto  de  infração que não pode prosperar por desrespeito ao princípio da  inviolabilidade  da  intimidade  (quebra  irregular  de  sigilo  bancário)  e  princípio  da  ampla  defesa  (desconsideração  dos  documentos);  1.3  —  DA  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  —  discorre  sobre  presunção  para  concluir  que  no  tocante  à  pessoa  física,  a  presunção  legal  estabelecida  pelo  art.  42  da  Lei  n°  9.430/96,  colide  com  as  diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois não  estabelece  uma  correlação  lógica  e  segura  entre  o  depósito  bancário  (fato  indiciário)  e  a  omissão  de  rendimentos  (fato  provável),  sendo  que  movimentação  bancário  não  corporifica  fato gerador do imposto de renda (transcreve jurisprudência);  ­ a fiscalização agiu com excesso e exação, não se comportando  dentro dos limites fixados pela lei, sendo inaceitável e inviável a  pretensão  do Fisco  de  fazer  incidir  o  tributo  sobre o  resultado  obtido pela adição de valores (transcreve jurisprudência);  2 — DOS RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS  2.1 — DA ANÁLISE DA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA —  relacionando  o  faturamento,  pagamento  de  impostos  e  distribuição de  lucros, dos anos­calendário de 2005 e 2006, da  pessoa  jurídica Empresa Show Bali Ltda, argumenta que  todos  os valores a  título de movimentação bancária têm origem legal  na  distribuição  de  lucros  das  empresas  das  quais  é  sócio,  fato  comprovado  pela  documentação  apresentada  —  documentos  hábeis é idôneos e não mera alegações;  ­ caso a tributação prospere é de se concluir que os documentos  apresentados que comprovam o recolhimento dos impostos pelas  pessoas  jurídicas  não  são  hábeis  e  idôneos  cabendo  o  seu  ressarcimento às pessoas  jurídicas,  sendo que se a  fiscalização  entendesse que existe "erro contábil" na escrituração dos livros  diário  e  razão  deveria  ter  efetuado  procedimento  fiscal  nas  pessoas jurídicas o que não foi feito;  ­ mesmo se houvesse equívocos contábeis, a AFRFB não poderia  ter desconsiderado o fato da existência real do lucro distribuído,  que  é  a  origem  da  movimentação  financeira,  não  se  podendo  tributar  na  pessoa  física  do  sócio  o  que  já  foi  tributado  na  pessoa ,jurídica;  ­  a  empresa  Mibelar  Sociedade  Anônima  entrou  para  a  sociedade da empresa Shock Machine em 06/12/2004, através do  Contrato de Compra e Venda e Cessão de quotas de sociedade,  retirando­se nessa ato o impugnante, ficando estabelecido que os  lucros anteriores seriam pagos ao impugnante posteriormente, o  que ocorreu em 2005 (justificando a movimentação financeira),  porém  a  adquirente  não  pagou  a  aquisição  de  quotas  e  foi  promovido  o  distrato  social  em  02/06/2009,  não  tendo  sido  corrigidos os lançamentos contábeis;  ­  a  fiscalização  não  pode  desconsiderar  os  contratos  firmados  entre  as  partes  por  não  possuírem  registro  em  cartório  e/ou  Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.002025/2009­12  Acórdão n.º 2201­002.719  S2­C2T1  Fl. 5          7 reconhecimento  de  firmas,  pois  o  contrato  firmado  toma­se  lei  entre as partes;  2.2  —  DOS  LIVROS  FISCAIS  COMO  PROVA  A  FAVOR  DO  CONTRIBUINTE — transcreve trecho do Termo de Verificação  onde  consta  que  os  livros  apresentados  "...não  foram  considerados  documentação  hábil  e  idônea  a  comprovar  a  distribuição  de  lucros  ao  contribuinte",  argumentando  que  a  desconsideração  por  parte  da  fiscalização  dos  documentos  entregues  não  procede  pois  os  valores  recebidos  a  título  de  lucros  distribuídos  foram  devidamente  comprovados  e  os  documentos apresentados são hábeis e idôneos;  2.3  —  DA  INCONSISTÊNCIA  DAS  INFORMAÇÕES  APRESENTADAS  PELO  CONTRIBUINTE  —a  inconsistência  alegada  pela  AFRFB  (existência  de  conflito  de  informações  contidas  nos  Livros  Diários  apresentados,  nas  DIPJs  das  pessoas  jurídicas e nos  informes de  rendimentos emitidos pelas  pessoas  jurídicas)  é  presunçosa  e  caberia  à  fiscalização  circularizar  as  informações  junto  as  pessoas  jurídicas  e  não  invalidar a documentação entregue;  2.4 — DA INDIVIDUAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DOS LUCROS  DISTRIBUÍDOS  —  argumenta  que  caberia  a  fiscalização  diligenciar junto às pessoas jurídicas em questão para provar as  suas  considerações  quanto  à  alegação  de  omissão,  não  aceitação  dos  lucros  distribuídos  e  dos  documentos  entregues,  pois o ônus da prova é do fisco, destacando, ainda, que não há  lançamento  contábil  relativo  à  distribuição  de  lucros  no  ano­ calendário  de  2006  pela  empresa  Shock  Machine  porque  não  houve tal distribuição;  2.5 — DA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS DA PESSOA SHOCK  MACHINE  —  a  fiscalização  considerou  não  ser  possível  o  recebimento de lucros dessa pessoa jurídica no período indicado  ris  planilhas  e  Livros  Diários  porque  o  contribuinte  não  era  sócio  da  empresa  no  período,  argumenta  o  impugnante  que  comprovou a origem a título da movimentação bancária, quando  do recebimento da empresa em questão por Contrato avençado  entre as partes e já acostados aos autos;  2.6  —  DA  DISTRIBUIÇÃO  DE  LUCROS  DA  MIBELAR  SOCIEDADE ANÔNIMA — o  valor de R$ 990.000,00,  deveria  ser  pago  em  cumprimento  ao  já  citado  contrato,  contudo  o  acordo  realizado  não  foi  honrado,  não  houve  aporte  dos  recursos, que só poderiam ter sido feito por contrato de câmbio  já que a empresa é sediada no Uruguai, contudo, a declaração  da pessoa física do impugnante não foi retificada para corrigir o  equívoco,  fato que não  traz nenhum prejuízo ao Fisco uma vez  que não houve entrada de recursos passíveis de tributação;  2.7  —  DA  GLOSA  DOS  RENDIMENTOS  ISENTOS  E  NÃO  TRIBUTÁVEIS  DECLARADOS  PELO  CONTRIBUINTE  —  o  valor glosado de R$ 2.100.397,98 (2005) são R$ 2.100.000,00 de  lucros  da  Show  Ball,  cuja  documentação  que  comprova  a  distribuição é hábil e idônea e R$ 397,98 de dividendos e ações  Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     8 devidamente  declaradas  ao  fisco;  o  valor  de  R$  2.690.000,00  (2006)  são  R$  1.700.000,00  de  lucros  da  Show  Ball,  cuja  documentação que comprova a distribuição é hábil e idônea e o  valor de R$ 990.000,00, como já explicado, não foi recebido pois  o acordo com a empresa Mibelar não foi cumprido; quanto aos  demais  valores  de  lucros  distribuídos,  conclui­se  que  foram  considerados, e, portanto, os lucros recebidos da empresa Shock  Machine não podem formar a base de cálculo para apuração de  impostos  como  equivocadamente  a  AFRFB  o  fez  no  presente  processo;  3 — DA ANÁLISE DA VARIAÇÃO PATRIMONIAL DOS ANOS­ CALENDÁRIO DE 2005 E 2006 — ao desconsiderar parte dos  rendimentos isentos e não tributáveis resultou sem patrimônio a  descoberto,  sendo  claro  que  a  documentação  apresentada  comprova  a  distribuição  de  lucros,  a  fiscalização  não  diligenciou  as  pessoas  jurídicas  para  que  seus  documentos  fossem  desconsiderados  e  que  nenhuma  análise  pode  ser  realizada  sumariamente,  principalmente  por  deliberalidade  do  Fisco,  ficando comprovado o cerceamento do direito de defesa,  por abuso da autoridade fiscal;  ­  questiona  a  consideração  como  dispêndio  da  retomada  das  quotas  da  pessoa  jurídica  Shock  Machine,  no  valor  de  R$  990.000,00,  pelo  descumprimento  do  contrato  celebrado  com a  empresa Mibelar, pois não houve nenhum pagamento, o que ser  comprova, ainda, pelo fato de não ter havido crédito nas contas  do  impugnante  quando  da  celebração  do  contrato  (que  só  poderia ser pelo Banco Central pelo fato da empresa Mibelar ser  sediada no Uruguai);  4  —  DA  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  TRIBUTÁVEIS  —  o  impugnante não se manifesta quanto à omissão de  rendimentos  tributáveis recebidos de pessoas Físicas e jurídicas;  5 — DA MULTA ISOLADA CARNÊ­LEÃO — argumenta que a  imputação  da  multa  isolada  é  válida  desde  1°  de  janeiro  de  1997, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal  previsto  no  artigo  8°  da  Lei  n°  7.713/88,  entretanto,  a  sua  exigência  fica  limitada  ao  prazo  fixado  para  a  entrega  da  declaração de ajuste anual (transcreve jurisprudência);  DA  UTILIZAÇÃO  DA  TAXA  SELIC  PARA  CÁLCULO  DE  JUROS   (...)  A  4ª  Turma  da DRJ  em  São  Paulo/SP2  julgou  integralmente  procedente  o  lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas:  NULIDADE  Constatado  que o procedimento  fiscal  foi  realizado com estrita  observância das normas de regência, tendo sido os atos e termos  lavrados  por  servidor  competente  e  respeitado  o  direito  de  defesa do  contribuinte,  fica afastada a hipótese de nulidade do  lançamento.  ILICITUDE DE PROVAS. SIGILO BANCÁRIO.  Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.002025/2009­12  Acórdão n.º 2201­002.719  S2­C2T1  Fl. 6          9 São lícitas as provas obtidas com respaldo na legislação vigente  à época da ocorrência do procedimento de fiscalização.  O  acesso  às  informações  bancárias  não  configura  quebra  do  sigilo  bancário,  haja  vista  ser  imposto  às  autoridades  administrativas, seu resguardo durante todo o procedimento. Há,  na verdade; mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo  assegurado  pela  instituição  financeira,  e  passa  a  ser  mantido  também pelas autoridades administrativas.  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.  O  acréscimo  patrimonial,  não  justificado  pelos  rendimentos  tributáveis,  não  tributáveis  ou  isentos  e  tributados  exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de  documentação hábil que não deixe margem a dúvida.  Para  que  sejam  utilizados  como  recursos  no  fluxo  financeiro  mensal,  os  valores  correspondentes  à  retirada  de  lucros  em  empresas das quais o contribuinte é sócio deve vir acompanhada  de prova inequívoca da efetiva transferência do numerário.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997.  A  Lei  n°  9430/96,  que  teve  vigência  a  partir  de  01/01/1997,  estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de  rendimentos  que  autoriza  o  lançamento  do  imposto  correspondente  quando  o  titular  da  conta  bancária  não  comprovar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  valores  depositados  em  sua  conta  de  depósito  ou  investimento.  MULTA QUALIFICADA.  A  conduta  reiterada  do  contribuinte  em  omitir  rendimentos,  evidência a intenção de reduzir o montante do imposto devido, o  que dá ensejo à aplicação da multa qualificada.  MULTA ISOLADA.  É cabível  o  lançamento da multa  isolada  sobre carnê  leão não  recolhido  não  estando  sua  cobrança  inibida  pela  entrega  da  declaração de ajuste anual.  TAXA SELIC.  A  utilização  da  taxa  SELIC  como  juros  moratórios  decorre  de  expressa  disposição  legal.  A  apreciação  e  decisão  de  questões  que  versem  sobre  a  constitucionalidade  de  atos  legais  são  de  competência  exclusiva  do Poder  Judiciário,  salvo  se  já  houver  decisão  do  Supremo  Tribunal  Federal  declarando  a  inconstitucionalidade  da  lei  ou  ato  normativo,  hipótese  em que  compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação.  JUROS DE MORA. SUSPENSÃO.  Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     10 Os juros de mora serão devidos, inclusive durante o período em  que  a  respectiva  cobrança  houver  sido  suspensa  por  decisão  administrativa  ou  judicial,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante integral.  DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO.  As  decisões  judiciais,  a  exceção  daquelas  proferidas  pelo  STF  sobre  a  inconstitucionalidade  de  normas  legais,  e  as  administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual  seus  julgados  não  se  aproveitam  em  relação  a  qualquer  outra  ocorrência senão àquela objeto da decisão.  REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.  A  Representação  Fiscal  deve  sempre  ser  elaborada  quando  se  constatar fatos que, em tese configuram Crime Contra a Ordem  Tributária,  e  é  encaminhada  ao  Ministério  Público,  somente  após proferida decisão final na esfera administrativa.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  O  contribuinte  foi  cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  04/01/2010  (fl.  1950)  e,  em  03/02/2010,  interpôs  o  recurso  de  fls.  1953  e  seguintes,  sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Eduardo Tadeu Farah  O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade.    Cuida  o  presente  lançamento  de  omissão  de  rendimentos  de  aluguéis  recebidos de pessoa jurídica; omissão de rendimentos de aluguéis  recebidos de pessoa física;  omissão  de  rendimentos  tendo  em  vista  a  variação  patrimonial  a  descoberto;  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  e  falta  de  recolhimento do imposto de renda da pessoa física devido a título de carnê­leão, relativamente  a  fatos  ocorridos  nos  anos­calendário  2005  e  2006.  A  autoridade  fiscal  aplicou  a  multa  de  ofício de 150%.   Antes  de  se  entrar  no mérito  da  questão,  cumpre  enfrentar  as  preliminares  suscitadas pelo recorrente.  Sobre  a  alegação  de  nulidade  do  auto  de  infração,  em  razão  da  falta  de  certeza e liquidez, verifica­se que a exigência levada a feito pela autoridade fiscal encontra­se  alicerçada nos preceitos legais, o que confere legitimidade ao crédito tributário apurado, que só  poderá ser elidida mediante prova em sentido contrário. No Auto de Infração de fls. 1797/1807  são  mencionados  os  dispositivos  legais  infringidos,  bem  como  discriminados  os  valores  da  exigência  fiscal.  Ademais,  o  conteúdo  da  autuação  está  minuciosamente  especificado  nas  Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.002025/2009­12  Acórdão n.º 2201­002.719  S2­C2T1  Fl. 7          11 planilhas de fls. 1695/1756, nos demonstrativos de fls. 1786/1796 e no Termo de Verificação  Fiscal de fls. 1757/1785.  Verifica­se, também, que o recorrente ao questionar a autuação, tanto em sua  Impugnação  quanto  em  seu  Recurso  Voluntário,  demonstrou  ter  pleno  conhecimento  da  matéria  consubstanciada  no Auto  de  Infração,  transcrevendo,  inclusive,  jurisprudência  deste  Órgão.  Portanto,  não  identifiquei  no  lançamento  qualquer  ausência  dos  elementos  caracterizadores da ocorrência do fato jurídico tributário, já que a autoridade fiscal constatou a  ocorrência do  fato gerador da obrigação principal e constituiu a exigência nos  exatos  termos  consagrados pelo art. 142 do CTN.  Ausente  prejuízo  à  defesa  do  autuado  e  preenchidos  os  preceitos  estabelecidos  no  art.  142  do  CTN,  bem  como  os  requisitos  do  arts.  10  e  11  do Decreto  n°  70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.  Quanto à alegada quebra ilegal do sigilo bancário, diferentemente do que faz  crer  o  contribuinte,  o  art.  6º  da  Lei  Complementar  n°  105/2001  autoriza  o  fisco  examinar  informações  relativas  ao  contribuinte,  constantes  de  documentos,  livros  e  registros  de  instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas,  inclusive os referentes às contas de  depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e  tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.   No que tange à alegação de que a administração pública não pode aplicar lei  manifestamente ilegal ou inconstitucional, deve ser esclarecido que não cabe ao CARF afastar  a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno  (Portaria MF nº 343/2015).  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  E também nesse sentido a Súmula CARF nº 2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.   Portanto, válido o afastamento do sigilo bancário do contribuinte.  No que toca à preliminar de cerceamento do direito de defesa, em razão da  alegação  de  que  o  fisco  “por  conclusão  presunçosa  e  por mera  liberalidade”  selecionou  os  documentos  que  serviriam  de  base  para  a  autuação,  constato,  pois,  que  a  autoridade  fiscal  analisou a integralidade dos elementos processuais e apreciou todos os argumentos suscitados  pelo  recorrente.  Na  verdade,  o  procedimento  administrativo  fiscal  tem  caráter  apuratório  e  inquisitorial e precede a formalização do lançamento, enquanto o processo administrativo fiscal  somente se inicia com a impugnação do lançamento pelo contribuinte. As garantias do devido  processo  legal,  em  sentido  estrito,  contraditório  e  ampla  defesa,  são  próprias  do  processo  administrativo fiscal.  Ante a esses argumentos, deve ser rejeitada a suscitada preliminar.  Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     12 Sobre  a  alegação  de  que  a  planilha  apresentada  pelo  Auditor  Fiscal  não  condiz com a realidade dos fatos, penso que a matéria se confunde com o mérito e, portanto,  com ele será examinada.  Dos Depósitos Bancários  No  mérito,  cumpre  trazer  a  lume  a  legislação  que  serviu  de  base  ao  lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis:  Art.42  ­  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de  depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a  ocorrência de omissão de rendimentos. Trata­se de uma presunção  legal do  tipo  juris  tantum  (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e  suficiente  ao  estabelecimento  da  presunção,  para  que  fique  evidenciada  a  omissão  de  rendimentos.  Na  presunção  legal  a  lei  se  encarrega  de  presumir  a  ocorrência  do  fato  gerador, razão pela qual há necessidade de se comprovar o nexo causal entre cada depósito e o  fato que represente omissão. Além do mais, a autoridade fiscal não tem que demonstrar renda  incompatível, sinais exteriores de riqueza e, tampouco, renda consumida, conforme se observa  da Súmula CARF nº 26:   A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa  o Fisco  de  comprovar  o  consumo da  renda  representada pelos  depósitos bancários sem origem comprovada.   Sobre  a  argumentação  de  que  os  depósitos  bancários  não  conduziriam  a  presunção  de  disponibilidade  econômica,  vale  registrar  que  o  fato  gerador  do  Imposto  de  Renda,  conforme  art.  43  do  Código  Tributário  Nacional1,  alberga  tanto  as  disponibilidades  econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza.  No  que  tange  à  alegação  de  que  a  presunção  contida  no  art.  42  da  Lei  n°  9.430/1996  não  pode  alterar  o  conceito  de  renda  ou  provento  para  nele  incluir  depósitos  bancários,  conforme prevê o  art.  110 do CTN,  cumpre  esclarecer que  a presunção  da Lei nº  9.430/1996  está  condicionada  apenas  à  falta  de  comprovação  da  origem  dos  recursos  depositados, em nome do fiscalizado, em instituições financeiras.  Inaplicável, também, a alegação de ofensa a Súmula 182 do antigo Tribunal  Federal de Recursos, visto que ela foi  inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei nº  9.430/1996, que  tornou  lícita  a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada  como meio de presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos.                                                               1 CTN – Lei  n° 5.172, de  1966 – Art.  43. O  imposto,  de  competência da União,  sobre  a  renda  e proventos  de  qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:  I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos;  II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso  anterior.  Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.002025/2009­12  Acórdão n.º 2201­002.719  S2­C2T1  Fl. 8          13 Passando  às  questões  pontuais  de  mérito,  alega  o  suplicante  que  a  movimentação financeira  tem como origem os  lucros distribuídos pelas pessoas  jurídicas das  quais é sócio, conforme documentação apresentada.   No  que  tange  à  alegação  supra,  cumpre  reproduzir  trecho  do  Termo  de  Verificação Fiscal (fl. 1771/1774):  2.2  ­  DOS  LIVROS  FISCAIS  COMO  PROVA  A  FAVOR  DO  CONTRIBUINTE  (...)  Os  Livros  Diários  envolvendo  as  pessoas  jurídicas  Show  Ball  Informática  e  Shock  Machine  Ltda.,  apresentados  pelo  contribuinte,  não  contém  o  cumprimento  de  formalidade  extrínseca  obrigatória,  qual  seja,  a  prévia  autenticação  dos  termos de abertura e encerramento em órgão de registro próprio  (PN CST n° 11/85 e  IN DNRC n° 65/97), no caso específico, a  Junta Comercial do Estado de São Paulo ­ JUCESP.  Da  leitura  dos  quadros  demonstrativos  acima,  item V,  2.  1,  do  presente Termo de Verificação Fiscal, verificamos que a pessoa  jurídica Show Ball  Informática Ltda. e a pessoa  jurídica Shock  Machine Ltda., seja com relação ao ano­calendário de 2005 ou  de 2006, tiveram seus Livros Diário autenticados pela JUCESP  em  datas  posteriores  às  datas  de  apresentação  de  suas  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica.  No  caso  específico  da  pessoa  jurídica  Show  Ball  Informática  Ltda, é importante salientar que o registro do Livro Diário, dos  anos­calendário  de  2005  e  2006,  ocorreu  em  01/10/2008,  ou  seja,  em  data  posterior  inclusive  ao  início  da  presente  ação  fiscal, o que se deu em 08/08/2008.  2.3  —  DA  INCONSISTÊNCIA  DAS  INFORMAÇÕES  APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE  Conforme  discriminado  no  item  V,  2.1,  deste  Termo  de  Verificação  Fiscal,  apuramos  a  existência  de  conflito  de  informações  contidas  nos  Livros  Diário  apresentados,  nas  Declarações  de  Informações  Econômico­Fiscais  das  pessoas  jurídicas  envolvidas,  nos  Informes  de  Rendimento  fornecidos  pelas  mesmas  e  nas  alterações  sociais  averbadas  junto  à  JUCESP.  2.4  ­ DA INDIVIDUAÇAO E  IDENTIFICAÇAO DOS LUCROS  DISTRIBUÍDOS  (...)  Ocorre  que  as  pessoas  jurídicas  Shock Machiné  Ltda.  e  Show  Ball  Informática  Ltda.,  no  ano­calendário  de  2006,  não  individualizaram/especificaram  nos  seus  Livros  Diários  a  distribuição de lucros aos seus sócios.  Fl. 2200DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     14 Se isso não fosse suficiente, especificamente no Livro Diário de  2006  da  pessoa  jurídica  Shock  Machine  Ltda.,  não  há  sequer  lançamento contábil relativo à distribuição de lucro.  Entretanto,  no  balanço  relativo  aquele  ano­calendário  consta  distribuição  de  lucros  a  Carlos  de Carvalho Crespo,  à  Regina  Abdallá Kalil Crespo e à Maria Aparecida Dias de Souza sendo  que  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  referida pessoa jurídica somente Maria Aparecida Dias de Souza  faria parte do quadro societário.  Assim, ficou prejudicada a constatação precisa e individualizada  da  distribuição  trimestral  do  lucro  presumido  das  referidas  pessoas  jurídicas,  referente  ao  ano­calendário  de  2006,  e  em  conseqüência a averiguação dos lucros efetivamente distribuídos  ao contribuinte.  2.5 ­ DA DISTRIBUIÇAO DE LUCROS DA PESSOA JURIDICA  SHOCK MACHINE  Se  as  explanações  contidas  nos  subitens:  2.1,  2.2,  2.3  e  2.4  acima  não  bastassem,  especificamente,  no  caso  da  Pessoa  Jurídica  Shock  Machine  Ltda.,  consideramos  que  não  seria  possível a ocorrência de distribuição de  lucros ao contribuinte,  nos  termos  das  planilhas  por  ele  apresentadas,  e  dos  lançamentos contábeis apurados nos Livros Diário retidos, uma  vez  que,  seja  no  período  de  06/12/2004  a  02/06/2006  ou  no  Período  de  05/02/2005 a 15/07/2006, o mesmo não  fazia  parte  do  quadro  societário  da  pessoa  jurídica  em  questão,  portanto  não detinha a posição de beneficiário, na qualidade de sócio ou  acionista.  (...)  2.6  ­  DA  DISTRIBUIÇÃO  DE  LUCROS  DA  MIBELAR  SOCIEDAD ANONIMA  Por  fim,  em  sua  Declaração  de  Rendimentos  relativa  ao  ano­ calendário  de  2006  o  contribuinte  declarou  ter  recebido  rendimentos isentos e não tributáveis, a título de distribuição de  lucros, da pessoa  jurídica Mibelar Sociedad Anônima, no valor  de R$ 990.000,00.  Devidamente  intimado  a  comprovar  tal  rendimento  o  contribuinte afirmou que não participou do quadro societário da  referida  pessoa  jurídica,  que  apenas  havia  realizado  negócio  jurídico com a mesma.  Em busca aos Sistemas Informatizados da Secretaria da Receita  Federal  do  Brasil  constatamos  que  a  pessoa  jurídica  Mibelar  Sociedad Anônima e empresa  estrangeira e não consta  entrega  de DIPJ relativas aos anos­calendário de 2005 e 2006 (fls. 226 a  fls. 228).  Assim  sendo,  constatamos  que  o  contribuinte  não  comprovou,  mediante  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea,  a  distribuição de  lucros,  no ano­calendário de 2006, no  valor  de  R$ 990.000,00.  Fl. 2201DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.002025/2009­12  Acórdão n.º 2201­002.719  S2­C2T1  Fl. 9          15 2.7  ­  DA  GLOSA  DOS  RENDIMENTOS  ISENTOS  E  NÃO  TRIBUTÁVEIS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE  Desse modo, considerando o conjunto de documentos disponível  à  fiscalização  até  o  presente  momento,  composto  pelas  declarações de rendimento das pessoas físicas do contribuinte e  seu  cônjuge, das declarações de  informações  econômico­fiscais  das pessoas  jurídicas envolvidas, dos  livros  fiscais e alterações  contratuais  analisadas,  apuramos  que  o  contribuinte  não  comprovou, mediante  a  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea,  a  distribuição  de  lucros  proveniente  das  pessoas  jurídicas  Show  Ball  Ltda.,  Shock  Machine  Ltda.  e  Mibelar  Sociedad Anônima, nos anos­calendário de 2005 e 2006, assim  glosamos, com base no disposto nos artigos 43, 44, 45, 142 e 149  do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66), artigos 39, XXIX,  38, 845, parágrafo 1º 904 e 926 do Regulamento do Imposto de  Renda e Proventos de Qualquer Natureza ­ Decreto 3.000/99, e  artigo 10 da Lei 9.249/95, os seguintes valores declarados pelo  contribuinte como rendimentos isentos e não tributáveis:  (...)  No  que  se  refere  à  distribuição  de  lucros,  de  demais  pessoas  jurídicas,  o  contribuinte  apresentou  informes  de  rendimentos  demonstrando­os.  Assim,  os  mesmos  foram  considerados  como  rendimentos isentos e não tributáveis, conforme discriminado na  planilha de fls. 1742. (grifei)  Do  exposto,  verifica­se  que  a  fiscalização  efetuou  um  levantamento  minucioso,  relativamente  às  justificativas  de  origem  dos  créditos  bancários  aportados  no  movimento  financeiro do contribuinte. Assim, em que pese  alegue o  recorrente que existiam  lucros  na  empresa Show Boll  Ltda,  em  razão  do  pagamento  de  imposto  de  renda  na pessoa  jurídica, verifica­se que de fato o contribuinte não comprovou, por meio dos registros contábeis  da citada empresa, os valores distribuídos a título de lucros (TVF – fl. 1766).  Da  mesma  forma,  embora  alegue  o  recorrente  que  os  lucros  da  empresa  Shock Machine foram distribuídos ao recorrente, conforme informe de rendimentos, verifica­se  que a pessoa jurídica não informou qualquer valor na DIPJ apresentada (TVF – fl. 1767).  Com efeito, diferentemente do que afirma o recorrente, não se trata de negar  validade  aos  documentos  apresentados  pelo  recorrente,  mas,  sobretudo,  que  os  documentos  apresentados, por si só, não foram suficientes para comprovar a origem dos créditos bancários.   Embora alegue o suplicante que os lucros existem e foram distribuídos, pois  as  pessoas  jurídicas  efetivamente  pagaram  os  impostos,  cumpre  esclarecer  que o  inciso  I  do  § 3°  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430/1996,  expressamente  dispõe,  para  efeito  de  determinação  da  receita omitida, que os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter  sua  origem  comprovada  de  forma  individual,  com  apresentação  de  documentos  que  demonstrem a sua origem, com indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova,  como  já  mencionado,  recai  exclusivamente  sobre  o  contribuinte,  não  bastando  indicar  uma  fonte genérica para comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário.   Fl. 2202DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     16 Ainda que as pessoas jurídicas tenham informado nas DIPJ’s e contabilizados  os  lucros,  a  informação  comprovaria,  no  máximo,  que  possuía  recursos  financeiros  para  depositar em sua conta pessoal; entretanto, para efeito de afastar a presunção legal de omissão  de receitas do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o depósito há de ser comprovado documentalmente  de forma individualizada. Consolidou­se nesse sentido a jurisprudência deste Conselho:  IRPF  ­  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  COMPROVAÇÃO  DA  ORIGEM  DOS  DEPÓSITOS  ­  Para  elidir  a  presunção  de  omissão  de  rendimentos  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser  feita  de  forma  inequívoca,  correlacionando,  de  forma  individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos.  A  alegação  de  que  as  origens  dos  depósitos  foram  cheques  omitidos  por  uma  empresa  deve  ser  comprovada  com  a  demonstração  de  que  os  depósitos  se  referem  aos  referidos  cheques,  não  bastando  para  tanto  a  mera  existência  de  proximidade  de  datas  entre  as  emissões  dos  cheques  e  os  depósitos. Embargos acolhidos.  (Acórdão nº 104­23276, de 25­ 6­2008,  da  4ª  Câmara  do  1º  Conselho  de  Contribuintes,  conselheiro (a) relator (a) Pedro Paulo Pereira Barbosa) (grifei)  A alegação de que por não possui escrita contábil não poderia individualizar  os valores em sua conta bancária, não socorre o suplicante, já que a partir da edição da Lei nº  9.430/1996, o sujeito passivo da obrigação  tributária estava ciente de que deveria manter em  seu  poder  as  informações  e os  documentos  necessários  a  comprovar  a  origem dos  depósitos  feitos em suas contas bancárias. O que não significa manter  escrituração contábil  tal qual  as  pessoas  jurídicas, mas  sim o mínimo de organização que  lhe permita  informar  e  comprovar,  com  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  que  circulam  pelas  suas  contas  bancárias.   Quanto à alegação de que a totalidade dos valores depositados em suas contas  bancárias deveriam ser imputados ao contribuinte, cabe esclarecer que o § 6° do art. 42 da Lei  nº 9.430/1996 determina que o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular  mediante divisão pela quantidade de titulares:  §  6o  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.  Assim,  para  a  validade  do  lançamento  a  autoridade  fiscal  corretamente  observou as prescrições constantes do supracitado § 6° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996.  Portanto, para que se reconheçam os lucros distribuídos informados em suas  DIRPF’s como origens, é necessário à demonstração de que os depósitos são de fato oriundos  da pessoa jurídica, caso contrário, a conclusão que se impõe é que os valores não transitaram  pelas contas bancárias do suplicante.  Dessarte,  os  valores  informados  a  título  de  lucros  distribuídos,  desacompanhados da vinculação do depósito, não são hábeis à comprovação a origem.  Fl. 2203DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.002025/2009­12  Acórdão n.º 2201­002.719  S2­C2T1  Fl. 10          17 Do Acréscimo Patrimonial  No que tange ao acréscimo patrimonial a descoberto alega o recorrente que a  fiscalização imputou como aplicação o valor de R$ 990.000,00, relativo à aquisição de Quotas  de  Capital  da  Empresa  Shock Machine  Ltda.  Contudo,  assevera  que  o  comprador,  Mibelar  Sociedad Anônima, não efetuou o pagamento e, consequentemente, o recorrente nunca perdeu  a condição de sócio da empresa Shock Machine. Assim, solicita que seja considerado os lucros  distribuídos como rendimentos isentos e não tributáveis e desconsiderado, como aplicação de  recursos  em  dezembro  de  2006,  as  990.000  quotas  da  pessoa  jurídica  Shock Machine  Ltda  informada na declaração de bens da DIRPF/2007, já que se trata de retomada das quotas sem  qualquer desembolso financeiro.  Embora  alegue  o  recorrente  que  o  valor  de  R$  990.000,00  não  deve  ser  considerado  no  fluxo  financeiro,  em  razão  do  distrato  social  de  fls.  2157/2154,  penso  que  o  montante efetivamente ingressou no patrimônio do contribuinte e, dessa feita, deve compor o  Demonstrativo  Mensal  da  Evolução  Patrimonial  e  Financeira  de  fl.  1736.  Relativamente  à  operação, cumpre transcrever novamente trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 1769):  Da análise do contrato de compra e venda e cessão de quotas de  sociedade e outras avenças e instrumento particular de distrato e  outras  avenças,  envolvendo  a  pessoa  jurídica  Shock  Machine  Ltda., apresentados pelo contribuinte, temos:  1  ­  A  documentação  apresentada  pelo  contribuinte  envolve  cópias  simples,  sem  chancela  da  JUCESP,  ou  mesmo  de  qualquer cartório ou outro órgão oficial.  2  ­  05/02/2005  ­  Contrato  de  venda  de  quotas  de  Carlos  de  Carvalho  Crespo  para  Mibelar  Sociedad  Anônima,  por  R$  970.000,00,  com  1°  pagamento  em  10/03/2005  e  mais  15  parcelas de R$ 64.666,66.  No  referido  documento  consta  cláusula  de  que  os  lucros  existentes em 2005 e 2006, num total de R$ 2.178.000,00, seriam  distribuídos a Carlos de Carvalho Crespo. Além disso, a data na  qual  o Contrato  foi  celebrado  é  posterior  à  data  de averbação  junto à JUCESP (06/12/2004).  3 ­ 15/07/2005 ­ Distrato da negociação indicada no item 02. A  data  do  distrato  é  posterior  à  data  de  averbação  junto  à  JUCESP (02/06/2006).  De fato, os documentos juntados pelo suplicante, por si só, não são hábeis a  comprovar os fatos alegados. Não de pode perder de vista que quando não estão presente nos  autos prova objetiva da ocorrência de determinada situação, a autoridade julgadora formará sua  livre convicção, na forma do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972:  Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará livremente sua convicção (...)  Da mesma forma, não há como considerar como origem os valores relativos à  distribuição de lucros da Shock Machine Ltda, já que não foi declarado na DIPJ qualquer valor  a esse título (TVF – fl. 1765).  Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     18 Da Multa Qualificada  Em relação à qualificação da multa, a autoridade julgadora a quo resumiu os  fatos caracterizados da penalidade. Veja­se:  Como  relatado  pela  fiscal  autuante  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  a  ação  reiterada  do  contribuinte,  nos  anos­calendário  fiscalizados, pela omissão de  rendimentos  recebidos de pessoas  físicas  e  jurídicas  evidenciados  pela  fiscalização,  não  há  como  ser  considerada  conduta  involuntária,  mas  sim  como  uma  conseqüência  direta  da  intenção  deliberada  de  omitir  rendimentos e também informações em sua declaração de ajuste  anual,  o  que  torna  perfeitamente  aplicável  a multa  qualificada  prevista no §1° do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996.  Ora, os argumentos despendidos pela autoridade recorrida nada mais é do que  o  próprio  pressuposto  da  autuação,  ou  seja,  simples  omissão  de  rendimentos  ou  declaração  inexata,  sem  qualquer  prova  de  conduta  dolosa.  Com  efeito,  a  infração  a  dispositivo  de  lei,  mesmo  que  resulte  diminuição  de  pagamento  de  tributo,  não  autoriza  presumir  intuito  de  fraude. Não  bastam  apenas  divergências  e/ou  omissão,  ainda  que  reiterada,  entre  os  valores  declarados e os apurados para alicerçarem o evidente intuído de fraude. Para a qualificação da  penalidade deveria o fisco trazer provas que materializassem o dolo do sujeito passivo. Assim,  relativamente aos itens 001 e 002 do Auto de Infração (fls. 1799/1807), transcreve­se a Súmula  CARF nº 14, verbis:  A  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito passivo.  No que tange ao item 003 ­ Acréscimo Patrimonial a Descoberto (fl. 1808),  cita­se, outrossim, a Súmula CARF nº 25:  A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72  e 73 da Lei n° 4.502/64.  Incomprovada a fraude ensejadora da multa isolada, esta não pode subsistir.  Dessa forma, deve o percentual da multa de ofício, relativamente aos itens 01, 02 e 03 do Auto  de Infração, ser reduzido para 75%.  Da Aplicação da Multa Isolada  Quanto  à  exigência  concomitante  da  multa  de  ofício  e  da  multa  isolada,  decorrente  do  mesmo  fato  (omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  física  e  falta  de  recolhimento  do  IRPF  devido  a  título  de  carnê­leão),  penso  não  ser  possível  cumular  as  referidas  penalidades,  pois  até  a  vigência  da Medida  Provisória  nº  351,  de  22  de  janeiro  de  2007, não havia previsão legal para a essa incidência cumulativa. Esse entendimento é pacifico  neste Órgão Administrativo, consoante a ementa da CSRF:  MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA  – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da  multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de  1996)  e  da multa  de  ofício  (incisos  I  e  II,  do  art.  44,  da Lei  n  9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma  Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.002025/2009­12  Acórdão n.º 2201­002.719  S2­C2T1  Fl. 11          19 base  de  cálculo.”  (Câmara  Superior  do  Conselho  de  Contribuintes  /  Primeira  turma,  Processo  10510.000679/2002­ 19, Acórdão n° 01­04.987, julgado em 15/06/2004).  Assim,  em  relação  aos  anos­calendário  de  2005  e 2006,  deve­se  excluir  da  exigência a multa isolada do carnê­leão.  Por fim, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre  débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de  inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para  títulos federais, consoante determina a Súmula nº 4 do CARF:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da Receita Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.    Ante  a  todo  o  exposto,  voto  por  rejeitar  as  preliminares  e,  no  mérito,  dar  provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa qualificada, bem como excluir  a multa isolada do carnê­leão.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah                                          Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 19515.003021/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Não sendo a conta bancária de titularidade do autuado, conforme declarado em decisão judicial transitada em julgado, e decorrendo todas as autuações de presunção de omissão de receita com base em depósitos de origem não comprovada ingressados em tal conta, há que se cancelar os lançamentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS
Numero da decisão: 1302-001.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. EDELI PEREIRA BESSA - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2016; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 782          1 781  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.003021/2006­17  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.730  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  9 de dezembro de 2015  Matéria  IRPJ e outros.  Recorrente  AGROPASTORIL PRATA LTDA  Recorrida   FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2001, 2002  DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ERRO NA  IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.   Não sendo a conta bancária de  titularidade do autuado, conforme declarado  em decisão judicial transitada em julgado, e decorrendo todas as autuações de  presunção  de  omissão  de  receita  com  base  em  depósitos  de  origem  não  comprovada ingressados em tal conta, há que se cancelar os lançamentos.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA.  CSLL.  COFINS.  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  PIS. Tratando­se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a  decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos  lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.    EDELI PEREIRA BESSA ­ Presidente.    ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator.     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edeli  Pereira  Bessa  (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta  Félix, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 21 /2 00 6- 17 Fl. 782DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     2 Relatório  Versa  o  presente  processo  sobre  recurso  voluntário  interposto  pelo  contribuinte (doc. a fls. 343 e segs.) em face do Acórdão n˚ 1230.532 (doc. a fls. 325 e segs.),  proferido  pela  4ª  Turma  da  DRJ/RJI,  pelo  qual  foi  negado  provimento  à  impugnação  do  contribuinte e, consequentemente, mantidos os lançamentos do IRPJ, CSLL, Cofins e PIS, se  não vejamos como dispõe a sua ementa, in verbis:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA­IRPJ  Ano­calendário: 2001, 2002  OMISSÃO  DE  RECEITA  OU  RENDIMENTO.  DEPOSITO  BANCÁRIO.  ORIGEM NÃO COMPROVADA.  Configuram omissão de receita ou rendimento os valores creditados em conta  bancaria  cuja  origem  não  tenha  sido  comprovada,  mediante  documentação  hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado.  PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO  DESPROVIDA DE PROVA. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL.  A presunção  legal  tem o condão de  inverter o ônus da prova,  transferindo­o  para o sujeito passivo, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas  hábeis e idôneas. Não trazendo aos autos documentos e alegações capazes de  elidir,  no  todo  ou  em  parte,  o  lançamento  fiscal,  este  fica mantido  em  sua  integralidade.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS/COFINS/CSLL.  O decidido quanta ao lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ­  IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, tendo em vista que  se originam dos mesmos elementos de prova.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2001, 2002  PROTESTO POR NOVAS PROVAS.  Indefere­se  o  pedido  pela  produção  posterior  de  provas,  quando  não  são  atendidas  as  exigências  contidas  na  norma  de  regência  do  contencioso  administrativo fiscal vigente á. época da impugnação.  FALTA DE PROVAS.  INADMISSIBILIDADE DA NEGAÇÃO GERAL E  DA MERA ALEGAÇÃO.  As alegações de defesa devem vir acompanhadas de fundamentos de fato e de  direito. Não  se  admitem,  no  processo  administrativo  fiscal,  a  negação  geral  nem as alegações desprovidas de fundamentos.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido      A recorrente, cientificada do Acórdão em 28/05/2010 (cf. Termo a fls. 572),  interpôs, em 25/06/2010, recurso voluntário (doc. a fls. 574 e segs.).    Como se trata de uma questão exclusivamente de prova, peço vênia aos meus  pares para transcrever integralmente o recurso voluntário, mesmo porque, no seu corpo, traz a  resposta da DRJ à impugnação da recorrente, in verbis:  A  Recorrente  desenvolve  as  seguintes  atividades  sociais,  locação  e  administração  de  seus  bens  móveis  e  imóveis,  exploração  da  atividade  agropecuária em geral por conta própria, com terceiros e de terceiros. Para o  desenvolvimento  de  suas  atividades,  a  Recorrente  era  proprietária  de  um  imóvel rural denominado Fazenda Prata, com área total de 10.611,40 hectares,  localizado na Cidade de Cárceres, 15 km após Curvelândia 12 Km esquerda,  Estado do Mato Grosso, cadastrado na Receita Federal do Brasil sob o NIRF  3184489­8.  Fl. 783DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.003021/2006­17  Acórdão n.º 1302­001.730  S1­C3T2  Fl. 783          3 Vale  mencionar  que  em  19  de  janeiro  de  2001,  a  Fazenda  Prata  foi  desapropriada  pelo  INCRA,  conforme  se  verifica  na Certidão  expedida  nos  autos  da  Ação  de  Desapropriação,  processo  n°  2000.36.00.008337­6,  em  trâmite perante a Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de Mato Grosso.  Frise­se que, o imóvel denominado Fazenda Prata era o único imóvel, ou  seja,  era  a  única  fonte  de  rendimento  e  faturamento  da  Recorrente,  estando  "aberta"  perante  a  Receita  Federal  somente  para  aguardar  o  pagamento das verbas indenizatórias em decorrência da desapropriação  realizada  pelo  INCRA,  ou  seja,  após  janeiro  de  2001,  não  teve  mais  operações comerciais.  Ocorre que,  a Recorrente  foi  surpreendida,  com o Auto de  Infração  lavrado  pela  Receita  Federal  do  Brasil,  nos  autos  do  Processo  Administrativo  n°  19515.003021/2006­17,  decorrente  da  conclusão  do  Mandado  de  Procedimento Fiscal n° 08.1.90.00­2006­00968­8, pela qual foram analisadas  as movimentações financeiras realizadas em nome da Empresa, nos exercícios  de 2001 e 2002.  Isso  porque,  através  do  referido  Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  foi  constatada  a  movimentação  financeira  realizada  em  uma  conta  corrente  n°  26007­0, aberta na Cooperativa de Crédito Rural do Noroeste do Mato Grosso  — SICREDI NOROESTE MT, no valor de R$ 4.514.386,12, em 2001, e R$  2.881.525,78 em 2002, que não correspondia com as  receitas  e  rendimentos  declarados pela Recorrente.  Desta forma, foi lavrado o referido Auto de Infração pela Receita Federal do  Brasil,  visando  exigir  da  Empresa­Requerente  o  valor  de  R$  6.900.342,57  (seis milhões, novecentos mil, trezentos e quarenta e dois reais e cinqüenta e  sete  centavos),  que  corresponde  aos  seguintes  tributos,  IRPJ,  PIS,  CSLL  e  COFINS,  acrescidos  de  multa  de  oficio  e  mora,  bem  como  de  juros  moratórios,  incidentes  sobre  a  suposta  omissão  de  receita  (movimentação  financeira  realizada  na  Cooperativa  de  Crédito  Rural  do Noroeste  do Mato  Grosso — SICREDI NOROESTE MT).  Desta forma, a Recorrente apresentou sua Defesa Administrativa informando  que a conta corrente aberta na Cooperativa de Crédito Rural do Noroeste do  Mato  Grosso  —  SICREDI  NOROESTE  MT,  foi  realizada  de  forma  fraudulenta.  No entanto, de forma totalmente equivocada, a Delegacia da Receita Federal  do Brasil de Julgamento em São Paulo I, julgou improcedente a impugnação,  sob as infundadas argumentações, a saber:  ­  Não  se  admite  mais  a  negação  geral,  que  é  a  simples  discordância desprovida de provas,  ­  É  evidente  que  qualquer movimentação  financeira  retrata  um  fato  patrimonial.  A  não  demonstração  da  origem  dessa  movimentação implica na sujeição à tributação com fundamento  na presunção  legal de que a mesma corresponde a uma receita  omitida, ou seja, uma aquisição de disponibilidade econômica ou  jurídica  em  consonância  com  o  disposto  no  ad.  43  do  Código  Tributário Nacional ­ CTN, sendo esta receita omitida a base de  cálculo dos tributos ora guerreados;  ­ ainda que se alegasse a inexistência desta alteração contratual  (06/10/1998), ou mesmo que a assinatura não se assemelhasse as  Fl. 784DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     4 constantes  da  suposta  alteração  contratual,  ainda  assim,  não  seria  possível  afirmar  que  a  procuração  não  foi  conferida  pela  empresa, pois, é notório que muitas pessoas apresentam mais de  uma assinatura, ou mesmo, com o passar do tempo, alteram­na;  ­  Não  é  possível  acolher  a  alegação  de  não  titulariedade  da  conta­corrente, pelo simples fato de a assinatura da procuração  não  conter  a  identificação  da  pessoa  que  a  assina  e  nem  se  assemelhar  às  assinaturas  constantes  dos  documentos  acima  citados.  Em  outras  palavras,  esta  alegação  não  prova  que  o  mandato não tenha sido conferido pela empresa em epígrafe.  ­  inverossímil  que  alguém  pudesse  abrir  uma  conta  de  forma  fraudulenta  em  nome  de  pessoa  jurídica  há  anos  instalada  em  uma  região  próxima  a  fim  de  praticar  diversos  ilícitos  penais  durante 1 (um) ano e 7 (sete) meses;  ­ a prova contundente de que a empresa era, de fato, detentora  da  conta  existente  na  Cooperativa  de  Crédito  (SICREDI)  encontra­se  nos  cheques  acostados  às  folhas  462/482  em  decorrência  da  dlligência  fiscal  realizada  (emitidos  de  forma  nominativa a diferentes pessoas físicas e jurídicas);  ­  estes  cheques  foram  compensados  em  diferentes  instituições  financeiras, o que denota, a existência de todas essas pessoas.  ­ não é crível que diferentes pessoas físicas e jurídicas estivessem  envolvidas  em  um  enorme  conluio,  arquitetado  em  apenas  6  (seis) dias, praticando diversos  ilícitos penais contra a empresa  em  epigrafe,  ou,  ainda,  que  tivessem  recebido  valores  tão  expressivos de outra pessoa que não aquela emitente dos cheques  recebidos  e  descontados,  o  que  conduz  à  conclusão  que  estes  cheques,  e,  consequentemente,  que  a  conta  existente  na  Cooperativa de Crédito eram, de fato, de propriedade do sujeito  passivo.  Ocorre  que,  tais  fundamentações  são  totalmente  descabidas  e  indevidas,  devendo  tal  decisão  ser  integralmente  reformada,  pelos  motivos  a  seguir  expostos:  II  —  DA  FRAUDE  NA  ABERTURA  DA  CONTA  CORRENTE  NA  COOPERATIVA  DE  CREDITO  RURAL  DO  NOROESTE  DO  MATO  GROSSO — SICREDI  Ao  contrário  do  que  alega  a  respeitável  decisão  ora  recorrida,  está  evidente  que houve fraude na abertura da Conta Corrente na SICREDI, eis que:  ­ a procuração não possui o reconhecimento de firma;  ­ não existe a  identificação do  responsável  legal da Agropastoril Prata Ltda.  que outorgou a referida procuração;  ­  as  assinaturas  da  procuração  não  correspondem,  nem  se  assemelham  a  qualquer uma das assinaturas dos sócios da empresa, conforme se verifica nos  Contratos Sociais;  ­  a  Conta  Corrente  fraudulenta  foi  aberta  utilizando­se  o  Instrumento  Particular de Constituição de Filial, onde não existe qualquer cláusula com a  previsão  de  poderes  de  administração  ou  de  possibilidade  de  outorga  de  procuração,  isso  porque,  tal  previsão  consta  somente  no Contrato  Social  da  matriz da Empresa;  Fl. 785DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.003021/2006­17  Acórdão n.º 1302­001.730  S1­C3T2  Fl. 784          5 ­ a procuração em nome da Agropastoril somente poderia ser outorgada pelos  sócios  Onisio  Prata  ou  Albertina  de  Grammont  Machado  Prata,  de  forma  isolada, conforme pode­se verificar pelo Contrato Social.  Vale  frisar,  que  diante  das  barbaridades  e  dos  crimes  praticados  por  desconhecidos  interessados  na  abertura  fraudulenta  da  conta  corrente,  antes  mesmo de tomar ciência da decisão ora recorrida, em 13 de maio de 2010, a  Recorrente apresentou DENÚNCIA perante o Ministério Público Federal em  São  Paulo,  solicitando  a  abertura  de  Inquérito  Policial,  visando  apurar  o  crimes aqui cometidos (doc. n° 02).  O  Procurador  da  República,  Doutor  Patrick  Montemor,  recebeu  a  DENÚNCIA,  processando­a  sob  o  n°  1.34.0001.004833/2010­86,  e  encaminhando­a  para  o  Superintendente  da  Policia  Federal  em  São  Paulo  através do Oficio MPF/PR/SP/GAB n° 12578/2010.  Vale mencionar, ainda, que o Superintendente da Policia Federal determinou a  abertura de Inquérito, bem como o direcionamento do mesmo para a Policia  Fazendária,  recebendo  as  seguintes  identificações:  SIAPRO  08500.039042/2010­91 e Protocolo COR— 121.937­1.  Ora Excelências,  a Recorrente quer  ver  a  resolução do  caso,  tanto quanto  a  Receita  Federal  do  Brasil,  com  a  apuração  dos  verdadeiros  interessados  na  abertura da Conta Corrente fraudulenta.    Vale mencionara, que para melhor investigação do caso, eis que a Recorrente  não possui os meios adequados para isso, foi necessário acionar o Ministério  Público  Federal  e  a  Policia  Federal,  para  que  estes  possam  investigar  tais  fatos, eis que como a Receita Federal do Brasil (que podemos dizer, poderia  ter  acionado  estes  órgãos  há  muito  tempo  antes  da  lavratura  do  Auto  de  Infração), possuem os meios legais para apuração de tais fatos, inclusive com  a possibilidade de solicitar a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico dos  envolvidos em tais crimes.  Além do mais, a alegação da respeitável decisão, de que mesmo a procuração  não tenha todos os dados do outorgante, bem como de seu representante legal  que  possa  conferir  poderes  á  terceiros,  e  ainda  que  não  tenha  a  firma  reconhecida, que isto não comprova que a procuração não foi outorgada pela  Recorrente, deve ser totalmente afastada, eis que totalmente e drúxula ilegal.  Isso porque, a outorga de uma procuração segue normas legais rígidas, que se  não  admite  qualquer  tipo  violação  sob  pena  de  ser  considerada  inválida.  Assim,  a  procuração  somente  será  considerada  totalmente  válida,  se  seguir  fielmente  o  disposto  nos  artigos  1.288  e  1.289,  do  antigo  Código  Civil  (vigente à época da outorga da Procuração Falsa), a saber:...  Além do mais, o Banco Central do Brasil editou a resolução n° 2747, de 2000,  pela qual determinou que as  instituições  financeiras, adotassem critérios que  visassem  evitar  a  fraude  e  prejuízos  5  terceiros,  com  a  solicitação  de  informações e documentos comprobat6rios 5 todos que desejassem abrir uma  conta corrente em uma Instituição Financeira, a saber:...  Logo, deveria a Instituição Financeira, solicitar  informações, como atividade  principal,  atos  que  qualifiquem  e  autorizem  os  representantes  legais  para  a  outorga  de  procuração,  entre  outros  requisitos,  no  entanto,  sem  qualquer  explicação  não  foi  requerido  nenhum  documento  essencial  para  verificar  a  veracidade dos dados na abertura da conta corrente.  Fl. 786DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     6 Isso  porque,  como  dito  anteriormente,  foi  utilizadomcomo  "ato/documento  que Autoriza a Representação", um Instrumento Particular de Constituição de  Filial, onde nem consta o tipo de atividade da Recorrente, muito menos a sua  representação  legal  (administração  perante  terceiros),  muito  menos  ficou  demonstrado por quem foi outorgada a procuração, ou seja, está evidente, que  houve fraude e o conluio do SICREDI, pois nenhum documento apresentado  para a abertura da Conta Corrente, obedeceu o que estava disposto no Código  Civil, muito menos as Resoluções do Banco Central do Brasil.  Ademais,  como  já  dito,  a  procuração  foi  elaborada  de  forma  maliciosa,  omitindo os dados do representante legal da empresa que possui poderes para  a  outorga  de  poderes  á  terceiros,  ou  seja,  como  é  possível  conferir  se  a  assinatura contida naquela procuração é válida, se não sei quem a assinou?  Ora, mais um motivo pelo qual o Código Civil determinava o reconhecimento  da  firma  na  procuração,  para  poder  confirmar  que  quem  outorgou  a  procuração tinha poderes para tanto, seja por um Instrumento Público, ou por  determinação contida no Contrato Social da empresa.  Vale mencionar, ainda, que a assinatura constante na Procuração "Falsa" não  corresponde à nenhuma das assinaturas dos sócios, o que pode ser facilmente  verificado pela análise de todos os contratos sociais acostados aos autos.    Além do mais, o reconhecimento d firma, requisito obrigatório por lei, o que  comprova  a  fraude  e  o  conluio  da  SICREDI,  já  confirmaria  de  imediato  de  quem  seria  a  assinatura  constante  na  procuração,  e  diga­se,  novamente,  não  pertence à nenhum dos sócios da Recorrente.  Para  comprovar  mais  uma  vez,  a  fraude  e  o  conluio  do  SICREDI,  vale  mencionar,  que  foi  utilizada  como  "ato/documento  que  Autoriza  a  Representação",  um  Instrumento  Particular  de  Constituição  de  Filial,  registrado  na  JUCESP  em  16  de  junho  de  1988,  conforme  se  verifica  na  Ficha­Proposta Cadastro para Abertura de Contas.  O Instrumento Particular de Constituição de Filial, possui 2 (duas) páginas, e  em  nenhuma  cláusula  ou  parágrafo,  dispõe  sobre  a  concessão  de  poder  de  administração, ou de qualquer possibilidade de outorga de procuração, eis que  somente disciplina o seguinte:  1 0 local onde sera instalada a Filial;  2  A  transferência  do  capital  social  da  Matriz  para  a  Filial  para  a  sua  constituição; e  3 total do capital social da filial consolidado.  Ora  Excelências,  o  poder  de  administração  e  de  representação  legal  da  Recorrente,  esta  prevista,  única  e  exclusivamente,  no  Contrato  Social  da  Matriz,  a  qual  concede  tal  poder  somente  para  os  sócios  Onísio  Prata  ou  Albertina de Grammont Machado Prata, de forma isolada.  Logo,  está  evidente,  mais  uma  vez,  que  a  Conta  Corrente  foi  aberta  de  maneira  fraudulenta,  e  em  conluio  com  o  SICREDI,  eis  que  este  nem  verificou  se  o  ato  que  embasou  a  outorga  de  procuração  (falsa),  tinham  os  requisitos necessários para a sua concessão (poder de administração de quem  a assinou).  Vale mencionar,  ainda,  que  a Cooperativa de Crédito Rural do Noroeste do  Mato Grosso — SICREDI NOROESTE MT encaminhou resposta à Secretaria  da Receita Federal em 1º de novembro de 2006, informando o seguinte:  Fl. 787DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.003021/2006­17  Acórdão n.º 1302­001.730  S1­C3T2  Fl. 785          7 "Informamos,  ainda,  que  não  é  usual,  por  parte  desta  cooperativa,  a  utilização  de  procuração  sem  firma  reconhecida,  bem  como  que  a  entrega dos extratos ao referido diente era efetuada na própria agência  desta cooperativa, na cidade de São José dos Quatro Marcos­ MT".  Ora,  está  evidente  que  não  é  comum  uma  Instituição  Financeira  adotar  tal  procedimento,  até  porque  isto  vai  totalmente  contra  o  Código  Civil,  bem  como as normas do BACEN.  Além do mais, vale mencionar, que após uma busca pelo nome do Fraudador  ou "Laranja", Vagner Alberto Gouveia, foi descoberto através do website do  Diário  de  Cuiabá,  uma  noticia  publicada  em  20  de  maio  de  2003,  que  o  mesmo trabalhava como "responsável pelo setor de compra de bovinos”, para  a Frigorifico Quatro Marcos, inscrita no CNPJ sob o n° 01.311.661/0001­09,  que incrivelmente está localizada na cidade de Sao José dos Quatro Marcos,  ou seja, na mesma Cidade onde a Conta Corrente foi aberta na SICREDI (doc.  n° 03).  Ademais,  é  importante  mencionar,  que  o  Frigorifico  Quatro  Marcos  era  o  maior abatedouro da  região, e um dos maiores de Mato Grosso  (com várias  plantas  frigorificas  espalhadas  pelo  Estado),  onde  adquiria  grande  parte  da  produção  da  bovina  da  região,  inclusive  da  Recorrente,  quando  esta  ainda  estava em atividade.  O  mais  alarmante  e  intrigante,  é  que  os  cheques  juntados  aos  autos  pela  SICREDI, são destinados às empresas que têm como objeto social, criação de  bovinos  ou  criação  de  bovinos  para  corte,  bem  como  para  algumas  pessoas  físicas  (provavelmente  produtores  rurais),  ou  seja,  provavelmente,  seria  o  pagamento pela aquisição de bovinos para abate.  Vale mencionar,  ainda,  que  o  Frigorifico Quatro Marcos  em  2009,  por má­ gestão  entrou  com  o  pedido  de  Recuperação  Judicial,  e  que  atualmente,  arrendou  sua  planta  em  São  José  do  Quatro Marcos  para  o  Grupo  JBS —  Friboi, conforme noticias colhidas em diversos websites (doc.n° 04).  A Recorrente, usualmente, vendia gados para abate para o Frigorifico Quatro  Marcos,  quando  ainda  estava  em  atividade  e  antes  de  ter  sua  Fazenda  desapropriada pelo INCRA.  Desta  forma,  existe uma coincidência,  nestes  fatos,  em que um  funcionário,  do  setor  de  compras  de  bovinos,  do  Frigorifico  Quatro Marcos,  abrir  uma  conta corrente em nome da Recorrente, onde estes sabiam que esta já estava  sem atividade em decorrência da desapropriação da sua Fazenda.  E ainda, as movimentações bancárias serem, provavelmente, para a aquisição  de bovinos. Isso porque, a maioria dos cheques nominais eram destinados às  empresas do setor de  criação de bovinos,  ou pessoas  físicas  (provavelmente  produtores rurais).  Outro  fato  grave,  é  que  a  movimentação  financeira,  era,  única  e  exclusivamente,  realizada  pelo  falso  procurador,  ou  seja,  nenhum  outro  representante legal tinha poderes para tanto, fato no mínimo curioso, e ainda,  os extratos e cheques eram retirados somente na agência da SICREDI, ou seja,  nunca  iam  para  o  endereço  da  Recorrente,  talvez  para  evitar  que  esta  descobrisse a fraude.  Além do mais,  a  fraude  foi perpetrada por um grupo seleto de pessoas, mas  não  conforme  menciona  a  decisão  ora  recorrida,  por  todos  aqueles  destinatários  de  créditos  (representados  por  cheques nominais), mas  alguém  que tinha interesse de esconder a receita obtida por estas transações de compra  Fl. 788DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     8 e  venda  de  bovinos,  provavelmente  para  fazer  "caixa  2"  ou  lavagem  de  dinheiro.  E  ainda,  vale mencionar,  que  certamente,  eles  não  fizeram  isso  em  6  (seis)  dias  como  sugere  a decisão, mas  foi  pré­meditado muito  antes disso, mas  a  falha cometida pelos Fraudadores, foi que não se atentaram para o fato de que  a  partir  de  2001,  a Receita  Federal  começou  a  fiscalizar  as movimentações  bancárias, para apuração de ilícitos fiscais, ou seja, pensaram que nunca iriam  descobrir a abertura fraudulenta da conta­corrente.  Diante  destas  novas  informações  obtidas,  em  18  de  junho  de  2010,  a  Recorrente  apresentou  esses  novos  fatos  à  Delegacia  da  Policia  Federal  Fazendária, conforme comprova a petição protocolizada (doc. n° 05).  Vale  informar,  ainda,  que  a  Recorrente  também  solicitou  abertura  de  procedimento  administrativo  perante  o  Banco  Central  do  Brasil,  para  que  investigasse a fraude bancária, bem como a responsabilidade da Cooperativa  de Crédito Rural do Noroeste do Mato Grosso — SICREDI NOROESTE MT,  no presente caso (doc. n° 06).  Desta  forma,  está  evidente  que  a  Conta  Corrente  foi  aberta  de  forma  fraudulenta por Terceiros, ou seja, a Recorrente não tem qualquer relação com  as movimentações financeiras realizadas na Cooperativa de Crédito Rural do  Noroeste do Mato Grosso — SICREDI NOROESTE MT.  Logo,  a  única  explicação  para  as  movimentações  financeiras  é  de  que  foi  realizada  por  Terceiros  totalmente  desconhecidos  da  Recorrente,  e  que  abriram  a Conta  Corrente  na Cooperativa  de Crédito  Rural  do Noroeste  do  Mato  Grosso  —  SICREDI  NOROESTE  MT  de  forma  fraudulenta,  e  provavelmente com o interesse de realizar "caixa 2" ou lavagem de dinheiro,  fato este que está  sendo  investigado pelo Ministério Público Federal,  e pela  Policia Federal, em razão da DENÚNCIA apresentada pela Recorrente.  III — DO PEDIDO  Ante  ao  acima  exposto,  requer  que  o  presente  RECURSO  ADMINISTRATIVO seja devidamente recebido e processado, para que seja  reformada  a  respeitável  decisão  recorrida,  para  que  o  Auto  de  Infração,  processo n° 19515.003021 12006­17  seja devidamente  cancelado e  anulado,  por ser totalmente indevido e descabido.      Em  30/04/2012,  a  recorrente  apresentou  petição  ao  Presidente  da  1ª  Sejul/CARF, na qual alega o seguinte:  Em  25  de  abril  de  2011,  a  ora  Requerente  ajuizou  uma  AÇÃO  DECLARATÓRIA  DE  INEXISTÊNCIA  DE  RELAÇÃO  JURÍDICA  cumulada  com  REPARAÇÃO  DE  DANOS  MATERIAIS  E  MORAIS  em  face  da  COOPERATIVA  DE  CRÉDITO  RURAL  DO  NOROESTE  DO  MATO  GROSSO  —  SICREDI  NOROESTE  MT,  processo  nº  583.00.2011.137702­8  (Ordem nº  692/2011),  em  trâmite  perante  a  21ª Vara  Cível  do  Foro  Central  da  Comarca  de  São  Paulo,  objetivando  declarar  a  nulidade  o  contrato  de  abertura  de  conta  corrente  pelo  falso  procurador,  Wagner Alberto Gouveia.  Tendo em vista a matéria discutida nos autos, o MM. Juizo da 21ª Vara Cível  do Foro Central determinou a realização de perícia grafotécnica, para verificar  se a assinatura constante na procuração não tinha sido firmada por algum dos  Sócios da ora Requerente.  O  Perito  Judicial,  Senhor  Shunji  Nassuno,  em  27  de  março  de  2012  apresentou seu Laudo Pericial onde concluiu que a assinatura oposta na falsa  Fl. 789DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.003021/2006­17  Acórdão n.º 1302­001.730  S1­C3T2  Fl. 786          9 procuração  não  pertence  à  nenhum  dos  sócios  da  ora  Requerente,  ou  seja,  confirmando a fraude na abertura da conta­corrente perante a Sicredi.  Logo, está evidente que as movimentações financeiras, na conta­corrente que  gerou a suposta omissão de receita, foram realizadas por Terceiros totalmente  desconhecidos da Recorrente.  Vale destacar, ainda, que tal fato está sendo apurado no Inquérito Policial que  está  tramitando  perante  a  1ª  Vara  Criminal  da  Justiça  Federal  da  Subseção  Judiciária  de  São  Paulo,  processo  nº  0013426­92.2010.4.03.6181,  que  foi  iniciado somente após a requisição formal da ora Recorrente.  Ante  ao  acima  exposto,  reitera  o  pedido  para  que  o  presente  RECURSO  ADMINISTRATIVO  seja  integralmente  provido,  para  que  o  Auto  de  Infração,  processo  nº  19515.003021/2006­17,  seja  devidamente  cancelado  e  anulado, por ser totalmente indevido e descabido.    O laudo do perito Shunji Nassuno foi juntado a fls. 618 e segs, sendo que, ao  responder quesitos, o perito sustenta que a assinatura aposta na procuração em tela não era de  nenhum dos sócios nem poderia ser por algum deles simulada, no mesmo sentido responde o  perito com relação ao Sr. Vagner Alberto Gouveia.     Na  sessão  de  28/08/2014,  esta  Turma  Julgadora  converteu  o  julgamento  destes  autos  em  diligência,  por  meio  da  Resolução  nº  1302­000.329,  para  que  a  unidade  preparadora:   a)  juntasse,  aos  autos,  a  certidão  de  objeto  e  pé  da  AÇÃO  DECLARATÓRIA  DE  INEXISTÊNCIA  DE  RELAÇÃO  JURÍDICA  cumulada com REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS E MORAIS,  que  a  recorrente  diz  ter  ajuizado  em  face  da  COOPERATIVA  DE  CRÉDITO  RURAL  DO  NOROESTE  DO  MATO  GROSSO  —  SICREDI  NOROESTE  MT,  nos  autos  do  processo  nº  583.00.2011.137702­8  e,  que  segundo  informa,  tramitou  ou  tramita  perante a 21ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de São Paulo; e  b) após cumprida a diligência, concedesse prazo de 30 dias à recorrente  para se pronunciar sobre as conclusões da diligência e, posteriormente,  encaminhasse os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento.      Em resposta à Diligência, a DERAT/SP informou, a fls. 775, o seguinte:  “Tendo em vista Resolução nº 1302­000.329 – 3º Câmara  /  2º Turma  Ordinária, de 28 de agosto de 2014, a qual converteu o julgamento em  diligência, em atendimento ao item (a), juntamos ao presente processo  cópia  da  certidão  de  objeto  e  pé  do  processo  0137702­ 96.2011.8.26.0100 (fls. 767 – 774, numeração e­processo) que declarou  a inexistência de relação jurídica entre o requerente Agropastoril Prata  Ltda, CNPJ 43.883.107/0001­38 e o requerido Cooperativa de Crédito  Rural  do Noroeste  do Mato Grosso  –  SICREDI Noroeste MT, CNPJ  33.022.690/0001­39.”.  A  fls.  778,  consta  a  Intimação  2833/2014,  pela  qual  foi  dada  ciência  ao  recorrente  do  resultado  da  diligência,  como  também,  foi­lhe  concedido  prazo  para  se  manifestar nos autos. A recorrente não   É o relatório.  Fl. 790DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     10   Voto             Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  foi  subscrito  por  mandatários  com  poderes para  tal,  conforme procuração e  substabelecimento  a  fls.  529 e  536,  razão pela qual  dele conheço.  Trata­se o lançamento em tela de presunção de omissão de receita com base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovadas  na  conta  corrente  n°  26007­0  junto  à  Cooperativa de Crédito Rural do Noroeste de Mato Grosso — SICREDI .   A questão posta para decisão deste Colegiado se resumia apenas em saber se  a conta bancária n° 26007­0 junto à Cooperativa de Crédito Rural do Noroeste de Mato Grosso  — SICREDI era de titularidade da recorrente ou se ela tinha sido vítima de uma fraude como  alega.     A  Certidão  de  objeto  e  Pé  da  Ação  Declaratória  de  Inexistência  de  Relação Jurídica a  fls. 769, deixa claro que a  recorrente  foi vítima de uma  fraude e que não  tinha  qualquer  relação  jurídica  com  a  Cooperativa  de  Crédito  Rural  do  Noroeste  de  Mato  Grosso — SICREDI, logo, não era de sua titularidade a conta corrente, na qual a Fiscalização  identificou os depósitos bancários de origem não comprovada.   Ora,  não  sendo  a  conta  de  titularidade  da  recorrente  e  decorrendo  todas  as  autuações  ora  em  julgamento  da  presunção  de  omissão  de  receita  com  base  em  depósitos  bancários de origem não comprovada  ingressados em tal conta, há que se dar provimento ao  recurso voluntário, para cancelar os lançamentos do IRPJ, CSLL, Cofins e Contribuição para o  PIS.     Em  face  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  cancelar integralmente os autos de infração do IRPJ (fls. 352/357), CSLL (fls. 372/377), Cofins  (fls. 365/371) e Contribuição para o PIS (fls. 358/364).  Alberto Pinto Souza Junior ­ Relator                                Fl. 791DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA

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6323609 #
Numero do processo: 10980.726071/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO É lícita a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. COMPROVAÇÃO DA INTENÇÃO DE VENDA - NÃO INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS - INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ART. 3° DA LEI N° 8.718/98 A Fiscalização concluiu que havia intenção de venda, com base no "Termo de Adesão e Procuração à Oferta Pública de Ações da BM&FS/A e Carta-Mandato à BOVESPA. Portanto, tratava-se de ações classificáveis no ativo circulante, cuja venda implicava no reconhecimento de receita operacional, integrante do faturamento e tributável pelo PIS e COFINS, nos termos dos art. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98. Não aplicáveis a previsão legal de não incidência sobre receitas não operacionais e a inconstitucionalidade da incidência das contribuições sobre receitas não integrantes do faturamento. COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO BACEN PARA AVALIAR A CORREÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL De acordo com a Lei n° 10.593/02 e o Regimento Interno da SRF (atual RFB), este órgão é competente para fiscalizar a apuração do PIS e COFINS. Ademais, a conclusão do autuante baseou-se nos art. 177 e 179 da Lei n° 6.404/76, aos quais está sujeira a autuada e estão em harmonia com as normas do COSIF.
Numero da decisão: 3301-002.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, a negar provimento ao Recurso Voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal- Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Paulo Roberto Duarte Moreira, Francisco José Barroso Rios e Marcelo Costa Marques d'Oliveira. A Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões declarou-se impedida.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 10          1 9  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.726071/2010­83  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.882  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de março de 2016  Matéria  PIS e COFINS  Recorrente  HSBC BANK BRASIL S.A. ­ BANCO MULTIPLO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007  CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL ­ MANIFESTA INTENÇÃO DE VENDA ­  ART. 179 DA LEI N° 6.404/76 E "PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE"   A  classificação  contábil  de  um  bem  deve  ser  efetuada  de  acordo  com  sua  natureza e a intenção ou não de mantê­lo no patrimônio de forma duradoura,  à  luz da atividade da empresa. Diante dos documentos que comprovam que  havia  intenção  de  venda,  as  ações  da  BOVESPA  S/A  e  da  BM&F  S/A  deveriam  ter  sido  classificadas no  ativo  circulante. E  a  receita da  alienação  como operacional,  integrante do faturamento da instituição financeira e, por  conseguinte,  tributável pelo PIS e COFINS. Observância do art. 179 da Lei  n°  6.404/76  e  do  "Princípio  da  Oportunidade",  que  é  um  dos  princípios  contábeis geralmente aceitos que devem ser adotados, por  força do art.  177  da Lei n° 6.404/76, e dos art. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98.  COMPROVAÇÃO  DA  INTENÇÃO  DE  VENDA  ­  NÃO  INCIDÊNCIA  SOBRE  RECEITAS  NÃO  OPERACIONAIS  ­  INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ART. 3° DA LEI N° 8.718/98  A Fiscalização concluiu que havia  intenção de venda, com base no "Termo  de Adesão  e Procuração  à Oferta Pública de Ações  da BM&FS/A e Carta­ Mandato  à BOVESPA. Portanto,  tratava­se de  ações  classificáveis no  ativo  circulante,  cuja  venda  implicava  no  reconhecimento  de  receita  operacional,  integrante do  faturamento  e  tributável  pelo PIS  e COFINS,  nos  termos  dos  art.  2°  e  3°  da  Lei  n°  9.718/98.  Não  aplicáveis  a  previsão  legal  de  não  incidência  sobre  receitas  não  operacionais  e  a  inconstitucionalidade  da  incidência das contribuições sobre receitas não integrantes do faturamento.  COMPETÊNCIA  EXCLUSIVA  DO  BACEN  PARA  AVALIAR  A  CORREÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 60 71 /2 01 0- 83 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 11          2 De  acordo  com  a  Lei  n°  10.593/02  e  o  Regimento  Interno  da  SRF  (atual  RFB), este órgão é competente para fiscalizar a apuração do PIS e COFINS.  Ademais,  a  conclusão  do  autuante  baseou­se  nos  art.  177  e  179  da  Lei  n°  6.404/76,  aos  quais  está  sujeira  a  autuada  e  estão  em  harmonia  com  as  normas do COSIF.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007  LANÇAMENTO SOBRE A MESMA MATÉRIA FÁTICA  Aplica­se à Contribuição para o PIS o decidido sobre a COFINS, por se tratar  da mesma matéria fática.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007  INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO  É lícita a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  a  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  Andrada Márcio Canuto Natal­ Presidente.   Marcelo Costa Marques d'Oliveira ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Andrada  Márcio  Canuto Natal,  Luiz Augusto  do Couto Chagas,  Semíramis  de Oliveira  Duro,  Paulo Roberto  Duarte  Moreira,  Francisco  José  Barroso  Rios  e  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira.  A  Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões declarou­se impedida.        Fl. 759DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 12          3   Relatório    Adoto o relatório da decisão de primeira instância:    Em  decorrência  de  ação  fiscal  levada  a  efeito  contra  a  contribuinte  identificada,  autorizada  pelo  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  Diligência  nº  09.1.01.002009020814  e  Mandado  de  Procedimento  FiscalFiscalização  nº  09.1.01.002008000216,  foram  lavrados  autos  de  infração  de  Imposto  de  Renda  Pessoa Jurídica, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o  Programa de  Integração Social, Contribuição para Financiamento da Seguridade  Social.   Conforme Termo de Desmembramento, foram apartadas as exigências do PIS  e da Cofins não decorrentes do IRPJ lançado no PAF nº 10980.723481/201072, em  atendimento  ao  disposto  na  Portaria  RFB  nº  666/2008,  e  que  fazem  parte  do  presente litígio.   O  auto  de  infração  de  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social – Cofins exige o recolhimento de R$ 4.951.684,43 de Cofins, R$ 3.713.763,31  a título de multa de lançamento de ofício (75%), além dos acréscimos legais; e o de  Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS exige o recolhimento de  R$  804.648,71  de  PIS,  R$  603.486,52  a  título  de  multa  de  lançamento  de  ofício  (75%), além dos acréscimos legais; tendo como fundamento legal para a Cofins os  arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 21, 26 e 51 do Decreto nº 4.524, de 17  de dezembro de 2002, e o art. 18 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003; e para o  PIS o art. 2º, I, “a” e parágrafo único, 3º, 10, 26 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002.   No Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Ação Fiscal, consta que  o  procedimento  de  fiscalização  consistiu  na  verificação  da  tributação  de  ganhos  auferidos  pela  contribuinte  na  devolução  dos  patrimônios  sociais  da  Bolsa  de  Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias e de Futuros (BM&F),  quando da transformação dessas entidades de associações civis sem fins lucrativos  em  sociedades  empresariais  constituídas  sob  a  forma  de  sociedade  anônima  de  capital  aberto,  processo  que  se  convencionou  chamar  de  desmutualização,  tendo  sido  constatado  falta  de  recolhimento  das  contribuições  ao  PIS  e  à  Cofins,  nos  períodos  de  apuração  de  10/2007,  11/2007  e  12/2007,  incidentes  sobre  a  receita  auferida  na  venda  das  ações  então  recebidas  nessa  operação,  indevidamente  consideradas  como  Ativo  Permanente  em  vez  de  Ativo  Circulante,  em  face  ao  compromisso  firmado  de  venda  de  todas  as  ações  da Bovespa Holding  e  de  pelo  menos 35% das ações da BM&F.   Cientificada  dos  lançamentos  em  06/09/2010,  a  interessada  apresentou  impugnação  em  06/10/2010,  por  intermédio  de  seus  representantes  legais,  onde  tece, em suma, as seguintes considerações:  a) no tópico “Breve Histórico da Operação de Desmutualização das Bolsas”,  relata  que  a  BM&F  e  a  Bovespa  eram  associações  civis  sem  fins  lucrativos,  enquadradas no art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; que, em 1997, houve a primeira  Fl. 760DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 13          4 reestruturação  da  Bovespa,  na  qual  foram  criadas  duas  empresas  distintas,  a  Clearing  S/A  (posteriormente  denominada Companhia Brasileira  de Liquidação  e  CustódiaCBLC) e a Bovespa Serviços e Participações S/A;   b) quanto às corretoras que possuíam títulos patrimoniais, houve apenas uma  substituição de títulos, que não constituiu fato gerador de IRPJ e CSLL em face de  não  haver  disponibilidade  jurídica  ou  econômica,  conforme  Solução  de  Consulta  Cosit  nº 13, de 10/11/1997; que em 10/08/2000, a  impugnante adquiriu da HSBC  Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S/A as 1.500 ações da CBLC que esta  possuía,  pelo  valor  de R$ 2.310.019,82;  posteriormente,  recebeu mais  600  ações,  em virtude de aumento de capital da CBLC;   c) que visando a unificação de suas operações e obtenção de lucros com suas  atividades,  a  Bovespa  e  a  BM&F  iniciaram,  em  2007,  mais  uma  reestruturação  societária  (desmutualização),  que  se  deu  mediante  cisão  das  associações  e  incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto; assim,  os títulos detidos por corretoras na BM&F e na Bovespa foram trocados por ações  das novas companhias – BM&F S/A e Bovespa Holding S/A, respectivamente;   d)  que  a  BM&F  sofreu  cisão  parcial  pela  qual  criouse  a  BM&F  S/A;  em  decorrência  dessa  operação,  formalizada  pelo  “Instrumento  de  Protocolo  e  Justificativa  da  Operação  de  Cisão  Parcial  da  Bolsa  de  Mercadorias  &  FuturosBM& F”, de 17/09/2007, e da “Ata da Assembleia Geral Extraordinária da  BM&F  S.A.”,  de  20/09/2007,  houve  emissão  de  ações  ordinárias  da  BM&F  S/A,  atribuídas aos detentores de títulos patrimoniais da BM&F; que a cisão da Bovespa  foi  aprovada  por  Assembleias  Gerais  Extraordinárias  (AGE)  realizadas  em  28/08/2007, aprovando versão de parte de seu patrimônio à Bovespa Serviços e à  Bovespa Holding S/A;   e) que em 14/12/2007 foi constituída a sociedade, cuja denominação passou a  ser  “Nova  Bolsa  S/A”,  em  08/04/2008,  com  o  objetivo  de  participar  de  outras  sociedades;  os  Protocolos  e  Justificação  de  Incorporação  celebrados  em  17/04/2008 entre a BM&F S/A e a Nova Bolsa S/A, e entre a Bovespa Holding e a  Nova Bolsa S/A, resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S/A e a  Bovespa Holding, deliberando pela incorporação da BM&F S/A pela Nova Bolsa,  mediante  versão  à  companhia  do  patrimônio  líquido  da  BM&F  S/A,  e  pela  incorporação das ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa S/A;   f)  que,  em  assembleias  realizadas  em  08/05/2008,  foram  aprovadas  as  incorporações, pela Nova Bolsa S/A, da BM&F S/A e das ações da Bovespa Holding  S/A, unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na  Nova Bolsa S/A, que passou a se denominar BM&F Bovespa S/A.   g) No  tópico  “III.1 Da  Improcedência  do  Lançamento  quanto  ao  IRPJ  e  à  CSLL sobre Suposto Ganho de Capital”, disserta sobre a “III.1.1 Inaplicabilidade  do  art.  239  do  RIR  ao  presente  caso  –  Inexistência  da  alegada  devolução  do  patrimônio, muito menos por parte de entidade  isenta”; sobre o “III.1.2 Custo de  aquisição – necessidade de consideração das atualizações dos valores patrimoniais  do  título  da  BM&F”;  e  sobre  “III.1.3  Vício  nos  lançamentos  efetuados  para  o  anocalendário de 2008 – erro flagrante na subsunção dos fatos ao critério temporal  da hipótese de incidência tributária”.   h) No  tópico “III.2  – Da  Improcedência  do Lançamento  de Multas  e  Juros  Isolados  por  Suposta  Falta  de  Recolhimento  da  Estimativa  Mensal”,  destaca  a  “III.2.1  Impossibilidade  de  cobrança  da multa  isolada  –  inexistência  de  saldo  de  imposto  e  de  contribuição  a  pagar  no  final  do  ano­calendário”  ;  “III.2.2  Da  Fl. 761DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 14          5 impossibilidade de  cobrança, após o  término do ano­calendário, de multa  e  juros  por não recolhimento de estimativas mensais”; e “III.2.3 Da ilegalidade da Multa  Isolada Aplicada – Ocorrência de bis in idem quanto à CSLL”.   i)  No  tópico  “Da  improcedência  do  lançamento  quanto  ao  PIS  e  à  Cofins  sobre  a  venda  das  ações”,  argumenta  que  a  principal  discussão  diz  respeito  à  classificação  contábil  dos  títulos  pretensamente  alienados  pela  impugnante,  adquiridos em decorrência do processo de desmutualização das Bolsas, dado que a  legislação aplicável ao caso exclui da base de cálculo da contribuição ao PIS e da  Cofins a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente (art. 3º, § 2º, IV,  da Lei nº 9.718, de 1998);   j)  que  a  fiscalização  fundamentou  seu  posicionamento  no  fato  de  a  impugnante ter assinado Termo de Adesão em que se comprometeu a alienar 35%  de suas ações da BM&F S/A e de ter enviado CartaMandato à Bovespa expressando  sua intenção de alienar todas as suas ações da Bovespa Holding S/A; que esse fatos  demonstrariam  a  intenção  da  impugnante  de  proceder  à  venda  da  ações  e,  por  conseguinte,  exigiriam  a  contabilização  no  ativo  circulante  e  consideração  das  receitas obtidas como parte integrante da receita bruta;   k)  refuta  tal  entendimento  ao  argumento  de  que  os  títulos  sempre  foram  representativos de participações permanentes em outras entidades e sua venda não  constituiu receita operacional; que os grupos contábeis sofreram modificações em  decorrência  das  alterações  promovidas  nos  últimos  tempos  na  Lei  das  S/A,  em  especial as introduzidas pelas Leis nº 11.638, de 2007, e 11.941, de 2009; explicita  as  alterações  sofridas  na  Lei  das  S/A,  especificamente  em  seu  art.  178,  para  demonstrar quais ativos estavam e agora estão abarcados pelos diferentes grupos  de  contas  do  ativo;  conclui  que,  embora  os  grupos  contábeis  tenham  tido  suas  rubricas alteradas, seu conteúdo, relativamente aos investimentos e imobilizado, se  mantém, pelo que permanece plenamente válida e aplicável a regra tributária que  garante a não  tributação das  receitas não operacionais decorrentes da venda dos  ativos anteriormente classificados no grupo de Ativo Permanente;   l) que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718,  de  1998,  que  ampliou,  indevidamente,  o  conceito  de  faturamento  para  abranger  todas  as  receitas  da  empresa,  independentemente  de  sua  classificação  contábil,  sendo que  tal parágrafo  foi  posteriormente  revogado pela Lei nº 11.941, de 2009  (art.  79,  XII);  que  enquadram­se  no  conceito  de  faturamento  os  rendimentos  decorrentes das atividades que fazem parte do objeto social das empresas, mas não  é o caso de ganhos com a venda de um imóvel, que seria tributável se realizada por  uma  empresa  com  o  objeto  social  de  comercialização  de  imóveis;  ainda  que  se  admitisse que a venda das ações está prevista em seu objeto social (administração  de carteira de valores mobiliários), não significa que toda e qualquer alienação de  participação  societária  corresponde a uma  receita operacional,  ainda mais  em  se  tratando  de  título  próprios  e  que,  desde  sua  aquisição,  estiveram  contabilizados  como bens do Ativo Permanente;   m) argumenta que alienar as ações que possuía da BM&F S/A e da Bovespa  Holding  S/A,  após  a  desmutualização  ocorrida  em  2007,  não  faz  parte  do  objeto  social da impugnada, razão pela qual a receita obtida com as aludidas vendas tem a  natureza  de  receita  não  operacional;  que  pouca  diferença  faz  se  a  impugnante  deveria ter contabilizado as ações recebidas em seu ativo circulante ou permanente,  pois  o  que  importa  é  a  essência  da  operação  realizada,  isto  é,  se  o  resultado  é  oriunda da atividade típica da impugnante ou não; que, como visto, a alienação de  ações recebidas em substituição das ações da CBLC e o título da BM&F não fazem  Fl. 762DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 15          6 e nunca fizeram parte do objeto social da impugnante; que, ainda que a legislação  aplicável à impugnante não excluísse da base de cálculo da contribuição ao PIS e  da Cofins a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente, o fato é que  as receitas oriundas da alienação das ações não são operacionais, não integrando o  faturamento ou a receita bruta da impugnante;   n)  no  tópico  “Da  competência  absoluta  do  Bacen  para  a  avaliação  da  correção  de  procedimentos  contábeis  da  impugnante  –  impossibilidade  de  ingerência  da  fiscalização”  aduz  que  constitui  competência  privativa  do  Bacen,  dentre  outras,  exercer  a  fiscalização  das  instituições  financeiras  e  aplicar  as  penalidades  previstas  na  legislação;  que,  portanto,  é  o  Bacen  que  tem  a  competência  funcional  exclusiva  para  definir  se  a  contabilização  das  ações  oriundas  do  processo  de  desmutualização  foi  correta;  que  tanto  o Bacen  como  a  RFB  têm  cada  qual,  parcela  de  atribuições  para  decidir  os  assuntos  que  lhe  são  afetos,  deles  não  podendo  fugir  ou  extrapolar;  que  a  RFB,  por  intermédio  do  Parecer  Normativo  nº  78,  de  1978,  já  manifestou  o  seu  entendimento  sobre  a  necessidade observância, pela própria RFB, das normas e manifestações expressas  pelo Bacen; cita o Parecer nº GQ50, de 1994, a Advocacia Geral da União para  afirmar que a fiscalização só poderia desconstituir a operação pactuada e tributar  eventuais receitas que deveriam  ter  sido registradas em razão do suposto erro na  contabilização das ações se o Bacen assim determinasse;   o) no tópico “Do erro da fiscalização em tributar a venda de 45% das ações  da BM&F S/A ao invés de 35%”, assevera que a fiscalização entendeu que somente  35% das ações da BM&F S/A recebidas e alienadas pela  impugnante  teriam sido  compromissadas para venda e, portanto, passíveis de tributação pelo PIS e Cofins;  que esses 35% foram formados da seguinte forma: 25% das ações seriam vendidas  na Oferta Pública Inicial e 10% seriam vendidas ao grupo General Atlantic; ocorre  que a fiscalização fez incidir o PIS e a Cofins sobre a receita oriunda de venda de  45%  das  ações;  quanto  aos  10%  adicionais,  não  havia  qualquer  manifestação  expressa  da  intenção  de  venda,  de  modo  que  não  poderiam  essas  ações  serem  reclassificadas  para  o  ativo  circulante  e  a  receita  de  sua  venda  tida  como  operacional;   p) no tópico “Da ilegalidade da incidência de juros sobre multa” argúi que  não há como se pretender a  incidência de juros  sobre multas, na medida em que,  por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital,  eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e  não foi; que os juros não podem incidir sobre a multa, na medida em que essa não  retrata a obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor do dívida,  como forma de punir o devedor; que, a multa não tem como ser prevista em norma  primária,  pois  seus  efeitos  não  integram  a  materialidade  da  obrigação  prevista  naquela norma; que essa linha de pensamento não resta prejudicada pelo disposto  no  art.  113,  §  3º,  do  CTN,  pois  multa  não  é  tributo  e  o  descumprimento  da  obrigação principal não tem o condão de transformar a multa em tributo; que falta  lei que autorize a incidência de juros sobre multa; e   q) no  tópico “Da  ilegalidade da aplicação da  taxa Selic” alega que a  taxa  Selic visa a remuneração do investidor, e não a aplicação como sanção pelo atraso  no cumprimento de uma obrigação; ademais, não foi criada por lei, o que ofende o  princípio da legalidade, bem como o disposto no art. 161, § 1º, do CTN, razão pela  qual  não  pode  ser  admitida  sua  utilização  como  juros  de  mora  na  presente  autuação.   Fl. 763DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 16          7 Ao  final,  protesta  para  provar  o  alegado  por  todos  os  meios  de  prova  em  direito  admitidos;  requer  o  provimento  integral  da  presente  impugnação,  determinando  o  cancelamento  integral  dos  autos  de  infração  em  questão  e,  consequentemente, o seu arquivamento definitivo, como medida de Direito e Justiça.   A  DRJ  em  Curitiba/PR  julgou  improcedente  a  impugnação.  Reproduzo  a  ementa do Acórdão:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS   Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007   BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA CUMULATIVA.   A contribuição para a Cofins  tem como fato gerador o  faturamento mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente de sua denominação ou classificação contábil, salvo as receitas  não operacionais decorrentes da venda de ativo imobilizado ou permanente.   INCIDÊNCIA.  ‘DESMUTUALIZAÇÃO’.  ALIENAÇÃO  DE  AÇÕES  DA  BOVESPA HOLDING S/A E DA BM&F S/A   Demonstrada que a intenção da sociedade, quando do recebimento de ações  da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, decorrente do processo denominado de  “desmutualização”  (unificação  das  operações  das  então  existentes  BM&F  e  Bovespa, à época estabelecidas sob a forma de entidades civis sem fins lucrativos,  em  uma  única  sociedade  anônima  de  capital  aberto,  com  ações  negociadas  no  mercado  de  valores),  era  a  sua  negociação,  não  se  caracteriza  a  alienação  realizada como decorrente da venda de ativo permanente e, em conseqüência, deve  integrar a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins.   ALEGAÇÕES DE  INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS  AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS.   O  julgador  da  esfera  administrativa  deve  limitar­se  a  aplicar  a  legislação  vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência  para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade.   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007   BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA.   A  contribuição  para  o  PIS/Pasep  tem  como  fato  gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente de sua denominação ou classificação contábil, salvo as receitas  não operacionais decorrentes da venda de ativo imobilizado ou permanente.   INCIDÊNCIA.  ‘DESMUTUALIZAÇÃO’.  ALIENAÇÃO  DE  AÇÕES  DA  BOVESPA HOLDING S/A E DA BM&F S/A   Demonstrada que a intenção da sociedade, quando do recebimento de ações  da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, decorrente do processo denominado de  “desmutualização”  (unificação  das  operações  das  então  existentes  BM&F  e  Bovespa, à época estabelecidas sob a forma de entidades civis sem fins lucrativos,  Fl. 764DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 17          8 em  uma  única  sociedade  anônima  de  capital  aberto,  com  ações  negociadas  no  mercado  de  valores),  era  a  sua  negociação,  não  se  caracteriza  a  alienação  realizada como decorrente da venda de ativo permanente e, em conseqüência, deve  integrar a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins.   ALEGAÇÕES DE  INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS  AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS.   O  julgador  da  esfera  administrativa  deve  limitarse  a  aplicar  a  legislação  vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência  para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007   MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.   Cobram­se juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial  de  Liquidação  e  Custódia  (Selic),  e multa  de  ofício,  por  expressa  previsão  legal.  Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido   Irresignado,  o  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário,  no  qual,  basicamente, repete os argumentos contidos na impugnação. A Procuradoria Geral da Fazenda  Nacional (PGFN), por sua vez, apresentou contrarrazões, em que ratifica o posicionamento da  autuante.  É o relatório.                  Fl. 765DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 18          9   Voto             O Recurso Voluntário reúne os requisitos legais de admissibilidade, pelo que  dele tomo conhecimento.   Trata­se de auto de infração (fls. 158 a 165) para cobrança das Contribuições  para o PIS  e COFINS  incidentes  sobre  receita  financeira derivada da alienação das  ações da  BOVESPA Holding S/A e da BM&F S/A,  recebidas no  âmbito do processo denominado de  "desmutualização".  De  acordo  com  o  Termo  de  Verificação  e  Encerramento  Parcial  de  Ação  Fiscal  (fls.  166  a  193),  a  Recorrente  contabilizou  as  ações  no  ativo  permanente,  subgrupo  investimentos, e, por conseguinte,  as  receitas das vendas das ações como não operacionais  e  não tributáveis pelo PIS e COFINS.  Contudo, de acordo com a autuante, dado ao compromisso prévio assumido  pela autuada de vender  a  totalidade das  ações da BOVESPA S/A e de  pelo menos 35% das  ações da BMF S/A, as ações deveriam ter sido registradas no ativo circulante. Por conseguinte,  a  receita  financeira  derivada  da  venda  das  ações  era  operacional  e,  portanto,  sujeita  às  incidências do PIS e da COFINS.  Os  créditos  tributários,  incluindo multa  de  ofício  de  75%  e  juros  de mora,  montam a R$ 10.045.792,38, de COFINS, e R$ 1.632.441,22, de PIS.  No  tocante  às  razões  de  mérito,  o  Recurso  Voluntário  divide­se  em  cinco  tópicos, os quais serão tratados separadamente.    I)  "Da Não Alteração Da Classificação Contábil, Quando Da Conversão  De Títulos Em Ações ­ Inexistência De Devolução De Patrimônio"  No auto de infração e na decisão recorrida consta que, no âmbito do processo  de  desmutualização,  a  associação  civil  sem  fins  lucrativos BM&F e  a CBLC S/A  efetuaram  devolução de capital aos seus associados e acionistas, respectivamente, e que, posteriormente,  investiram em ações da BOVESPA Holding S/A e BM&F S/A.  Nos  livros  contábeis  da  Recorrente,  os  títulos  patrimoniais  da BM&F  e  as  ações  da CBLC encontravam­se  no  ativo  permanente,  subgrupo  investimentos. Contudo,  em  razão  da  mudança  das  naturezas  dos  ativos,  a  Recorrente  teria  de  ter  conferido  às  ações  recebidas novo tratamento contábil, notadamente em razão de ter se comprometido a vender a  totalidade das ações da BOVESPA S/A e pelo menos 35% das ações da BM&F S/A.  E o novo tratamento contábil seria o de itens integrantes do ativo circulante.  Com  isto,  as  receitas derivadas das  alienações das  ações ocorridas no  curso do  ano de 2007  seriam  operacionais  e,  por  conseguinte,  componentes  das  bases  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS.   Fl. 766DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 19          10 A Recorrente,  por  sua vez,  alega que  teria havido  "transformação do  título  patrimonial, detido pela Recorrente em relação à associação BMF, e das ações da CBLC, em  ações de novas sociedades formadas no processo de desmutualização, a partir da cisão parcial  das  antigas  associações."  Assim  sendo,  à  luz  do  art.  179  da  Lei  n°  6.404/76,  não  estaria  obrigada a proceder "a uma nova classificação contábil distinta daquela conferida aos títulos  representativos  do  patrimônio  das  associações  e  das  ações  da  CBLC."  As  novas  ações  deveriam permanecer classificadas no ativo permanente, subgrupo investimentos, e, portanto, a  receita obtida com a alienação das ações seria não operacional, não tributável para fins de PIS e  COFINS.  Para  auxiliar  na  sustentação  de  seus  argumentos,  acostou  parecer  do  Professor  Modesto  Carvalhosa,  que  ratifica  que  não  houve  devolução  de  capital  das  associações, porém "sub­rogação real (. . .) instituto por meio do qual, numa relação jurídica,  opera­se a substituição de uma coisa por outra, mantendo­se inalterada a posição originária."  Outrossim, juntou outro parecer, do Professor Eliseu Martins, o qual endossa que a receita da  venda das novas ações seria operacional somente se "tivesse existido uma decisão de compra  dessa ações com o intuito de obter lucro (. . .)."  Por fim, cita os Acórdãos n° 3403­001.734 e 3403­001.757 da 3°Turma da 4°  Câmara da 3° Seção do CARF, em sessões dos dias 22/8/2012 e 25/9/2012, respectivamente,  os quais proferiram decisões no sentido de suas alegações.  Na última reunião desta Turma, apresentei meu posicionamento acerca deste  tema, o qual é oposto ao apresentado pela Recorrente.   A classificação contábil de um bem deve ser efetuada de acordo com o art.  179  da  Lei  n°  6.404/76  e  os  Princípios  Contábeis  Geralmente  Aceitos  (PCGA),  cuja  observação é mandatória, nos termos do art. 177 desta Lei, a saber:  "Art.  177.  A  escrituração  da  companhia  será mantida  em  registros  permanentes,  com  obediência  aos  preceitos  da  legislação  comercial  e  desta  Lei  e  aos  princípios  de  contabilidade  geralmente  aceitos,  devendo  observar  métodos  ou  critérios  contábeis  uniformes  no  tempo  e  registrar  as  mutações  patrimoniais  segundo  o  regime  de  competência.  (. . .)  Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo:  I  ­  no  ativo  circulante:  as  disponibilidades,  os  direitos  realizáveis no curso do exercício  social  subseqüente  e as  aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte;  II  ­  no  ativo  realizável  a  longo  prazo:  os  direitos  realizáveis  após  o  término  do  exercício  seguinte,  assim  como  os  derivados  de  vendas,  adiantamentos  ou  empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo  243),  diretores,  acionistas  ou  participantes  no  lucro  da  companhia,  que  não  constituírem  negócios  usuais  na  exploração do objeto da companhia;  Fl. 767DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 20          11 III  ­  em  investimentos:  as  participações  permanentes  em  outras  sociedades  e os direitos de qualquer natureza, não  classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à  manutenção da atividade da companhia ou da empresa;  (. . .)”(grifos nossos)  Dentre  os  PCGAs,  para  o  caso  em  tela,  destaca­se  o  "Princípio  da  Oportunidade", previsto no art. 6° da Resolução CFC n° 750/93. A redação deste art. vigorou  até 27/5/2010, abrangendo os fatos geradores em comento, quando foi alterada pela Resolução  n° 1.282/10, que, todavia, não modificou sua essência:  “Art.  6°  O  Princípio  da  Oportunidade  refere­se,  simultaneamente,  à  tempestividade  e  à  integridade  do  registro do patrimônio e das suas mutações, determinando  que este  seja  feito de  imediato e com a extensão correta,  independentemente das causas que as originaram.  Parágrafo  único  –  Como  resultado  da  observância  do  Princípio da Oportunidade:  I  –  desde  que  tecnicamente  estimável,  o  registro  das  variações  patrimoniais  deve  ser  feito mesmo na  hipótese  de somente existir razoável certeza de sua ocorrência;  II  –  o  registro  compreende  os  elementos  quantitativos  e  qualitativos,  contemplando  os  aspectos  físicos  e  monetários;  III  –  o  registro  deve  ensejar  o  reconhecimento  universal  das variações ocorridas no patrimônio da Entidade em um  período de tempo determinado, base necessária para gerar  informações úteis ao processo decisório de gestão.” (grifos  nossos)  Para  a  conclusão  do  tema,  há  que  se  trazer  ainda  à  discussão  os  seguintes  elementos:  a) As ações da BM&F S/A ingressaram no patrimônio da Recorrente no mês  de outubro de 2007 e foram alienadas nos meses de novembro e dezembro de 2007 (fls. 170 e  171). As da BOVESPA S/A, por sua vez, ingressaram em setembro de 2007 e foram vendidas  em outubro de 2007 (fls. 170 e 171).  b) A Recorrente consignou sua intenção de alienar 35% ou mais das ações da  BM&F  S/A  e  100%  das  ações  da  BOVESPA  Holding  S/A,  por  meio  da  conclusão  dos  seguintes  documentos, mencionados  no Termo  de Encerramento Parcial  de Ação  Fiscal  (fls.  168 e 169):  “1) o Termo de Adesão e Procuração à Oferta Pública de Distribuição  Secundária de Ações da Bolsa de Mercadorias e de Futuros – BM&F S/A,  assinado  pelo  HSBC  em  05/11/2007,  para  vender  1.736.564  ações  de  sua  titularidade,  parte  delas  (1.510.056  ações)  alocada  à  Oferta  Base  (lote  Fl. 768DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 21          12 principal)  e  uma  quantidade  correspondente  a  até  15%  desse  montante  (226.508 ações) destinada ao lote suplementar;   2) o Contrato de Indenização e Outras Avenças, assinado também em  05/11/2007,  onde  o  HSBC,  na  qualidade  de  acionista  vendedor,  obriga­se  perante  a  BM&F  a  manter  inalterada  a  quantidade  de  ações  ordinárias  colocada à venda e, em não honrando tal compromisso, os valores devidos a  título de indenização, bem como o prazo para seu pagamento e os encargos  por atraso no mesmo;   (...)  4) o Termo de Re­Ratificação do Acordo de Acionistas da BM&F S/A,  assinado  em  05/11/2007,  onde  o  HSBC,  como  partícipe  no  Acordo  de  Acionistas para alienar parte de suas ações (10% para investidor estratégico  e 25% na Oferta Pública Inicial), concorda em alterar tal compromisso de  venda de modo a permitir, aos que assim desejarem, a alienação de parcela  superior aos 35%;   (...)   6)  a  Carta­Mandato  enviada  à  Bovespa  pelo  HSBC,  onde  este  manifesta: sua concordância em outorgar, com validade até 31/12/2007, de  forma irrevogável  e  irretratável, poderes para a administração da Bovespa  selecionar  e  contratar,  dentre  instituições  financeiras  de  reputação  internacional  e  com  comprovada  experiência  na  coordenação  de  ofertas  públicas  de  ações  nos  mercados  brasileiro  e  internacional,  as  Instituições  que  coordenarão  a  Oferta  Pública;  sua  intenção  de  participar  da  Oferta  Secundária  de  ações  de  emissão  da Bovespa Holding  a  serem distribuídas  (uma  vez  concluída  a  desmutualização  da  Bovespa  e  a  reestruturação  do  grupo  de  entidades  formado  pela  Bovespa,  CBLC  e  Bovespa  Serviços  e  Participações S/A), ofertando à  venda o  equivalente a 100% das ações de  que  venha  a  ser  titular;  que  possui  todas  as  aprovações  societárias  necessárias  para  a  outorga  do  mandato  em  questão,  que  obriga  seus  eventuais sucessores na titularidade dos títulos patrimoniais da Bovespa, das  ações da CBLC, bem como das ações da Bovespa Holding que as substituirá;   7)  Procuração,  assinada  em  27/09/2007,  que  nomeia  e  constitui  a  Bovespa  Holding  S/A  para  representar  o  HSBC  Bank  Brasil  S/A  –  Banco  Múltiplo  perante  todas  as  instituições  privadas  e  órgãos  públicos  participantes  ou  envolvidos  na Oferta Pública,  com  poderes,  dentre  vários  outros, para realizar a oferta de até 3.882.732 ações ordinárias de emissão  da  Companhia,  desde  que  o  preço  por  ação  ordinária  seja  fixado  no  Bookbuilding  em,  no  mínimo,  R$  14,50  (estas  ações  foram  negociadas  na  Oferta Pública ao valor unitário de R$ 23,00)”.(grifos nossos)  Minha interpretação dos art. 177 e 179 da Lei n° 6.404/76 e do "Princípio da  Oportunidade",  acima  transcritos,  é  a  de  que  a  classificação  contábil  de  um  bem  deve  ser  efetuada  de  acordo  com  sua  natureza  e  a  intenção  de mantê­las  ou  não  no  patrimônio,  bem  como,  à  luz  das  atividades  típicas  desenvolvidas  pelo  proprietário.  E  tal  avaliação  deve  ser  efetuada no momento do ingresso no patrimônio da empresa, bem como quando da ocorrência  de qualquer evento que altere as premissas sobre as quais se baseou a análise inicial.  Fl. 769DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 22          13 No caso em comento, verifica­se que as novas ações recebidas poderiam ser  livremente  negociadas.  E  que  havia  manifesta  intenção  de  vendê­las.  E  que,  no  rol  das  atividades  típicas praticadas pela Recorrente,  encontrava­se a negociação de  títulos e valores  mobiliários.  Adicionalmente,  cumpre  mencionar  que  os  ingressos  no  patrimônio  (setembro  e  outubro  de  2007),  as  conclusões  dos  compromissos  de  venda  (setembro  e  novembro  de  2007)  e  as  alienações  propriamente  ditas  (outubro,  novembro  e  dezembro  de  2007)  ocorreram  em  datas muito  próximas.  Tais  fatos,  envolvendo  operações  extremamente  significativas  e  objetos  de  longas  e  detalhadas  negociações  entre  as  partes  envolvidas,  autorizam­nos  a  concluir  que,  no momento  dos  ingressos  das  novas  ações  no  patrimônio  da  Recorrente, já havia o firme e irretratável compromisso de vender pelo menos 35% das ações  da BM&F S/A e a totalidade das da BOVESPA Holding S/A.  Isto posto, combinando os elementos citados nos dois parágrafos precedentes,  conclui­se  que  as  ações  da  BM&F  S/A  e  da  BOVESPA  S/A  realmente  deveriam  ter  sido  classificadas  no  ativo  circulante  da  Recorrente.  E,  as  receitas  financeiras  auferidas  com  as  alienações,  consideradas  como  operacionais,  integrantes  do  faturamento  e,  por  conseguinte,  tributáveis pelo PIS e COFINS, de acordo com o caput dos art. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98 e art.  3° do Decreto n° 4.524/02.  Com base  no  acima exposto,  nego  provimento  aos  argumentos  contidos  no  tópico "Da Não Alteração Da Classificação Contábil, Quando Da Conversão De Títulos Em  Ações ­ Inexistência De Devolução De Patrimônio".     II) "Escrituração das Ações no Ativo Permanente ou no Ativo Circulante ­  Intenção de Venda como Fator Determinante da Classificação Contábil"  A Recorrente alega que não há provas nos autos de que tinha a  intenção de  alienar  as  ações.  Assim  sendo,  requer  que  seja  cancelado  o  Auto  de  Infração,  pois  a  Fiscalização  teria  concluído  que  as  novas  ações  deveriam  ter  sido  registradas  no  ativo  circulante e efetuado o  lançamento de ofício, baseada em "indícios e presunções", o que não  seria admitido em Direito.  Adicionalmente, aduz que a receita em comento não pode ser tributada pelo  PIS e COFINS, porque a venda de bens do ativo permanente não está sujeita a tais incidências,  nos termos do inc. IV do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. Porque o STF (RE 346.084‑ 6/PR,  357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG) declarou a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da  Lei  n°  9.718/98,  que  pretendia  tributar  pelo  PIS  e  COFINS  todas  as  receitas  da  empresa,  independente  de  sua  classificação  contábil. Com  isto,  teria  restado  como  base  tributável  tão  somente  as  receitas derivadas das  atividades operacionais. E,  por  fim, porque as  receitas  em  comento não seriam derivadas das  suas  atividades  típicas e usuais, uma vez que oriundas de  alienação de bens do ativo permanente.  Divirjo da Recorrente.  A intenção ou não de vender um direito determina sua classificação contábil,  conforme estabelecido no já transcrito art. 179 da Lei n° 6.404/76, a qual, naturalmente, produz  reflexos tributários.   Fl. 770DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 23          14 Em sendo um critério subjetivo, cabe àquele que aplicar a norma a obrigação  de encontrar evidências que levem à classificação contábil mais adequada às circunstâncias que  se apresentarem.  No caso em comento, a Fiscalização concluiu que havia a intenção de venda,  com  base  nos  seguintes  documentos:  "Termo  de  Adesão  e  Procuração  à  Oferta  Pública  de  Distribuição  Secundária  de  Ações  da  Bolsa  de  Mercadorias  e  de  Futuros  –  BM&F  S/A",  "Termo de Re­Ratificação do Acordo de Acionistas da BM&F S/A" e "Carta­Mandato enviada  à Bovespa pelo HSBC" (fls. 168 e 169). Portanto, não se baseou em "indícios e presunções",  porém em documentos em que constam compromissos firmados pela Recorrente.  E os  fatos de o  inc.  IV do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 dispor que as  contribuições não incidem sobre receita da venda de bens do ativo permanente e de o STF ter  declarado a  inconstitucionalidade do § 1° do  art. 3° da Lei n° 9.718/98,  afastando o PIS e a  COFINS  das  receitas  que  não  sejam  típicas  da  atividade  do  contribuinte,  também  não  a  socorrem.   Conforme expus no tópico anterior, a Fiscalização concluiu tratar­se de venda  de direitos classificáveis no ativo circulante, cuja receita de venda era operacional, integrante  do  faturamento  e,  assim  tributável  para  fins  de  PIS  e  COFINS.  E  chegou  à  tal  conclusão,  baseada  nos  compromissos  de  venda  firmados  pela  Recorrente  e  de  tratar­se  de  instituição  financeira,  em  cujo  objeto  social  inclui­se  este  tipo  de  transação.  Assim,  também  neste  particular, andou bem a Fiscalização.  Com  base  no  acima  exposto,  nego  provimento  aos  argumento  contidos  no  tópico "Escrituração Das Ações No Ativo Permanente Ou No Ativo Circulante ­ Intenção De  Venda Como Fator Determinante Da Classificação Contábil".    III) "Da Competência Absoluta Do BACEN Para Avaliação Da Correção  De  Procedimentos  Contábeis  Do  Recorrente  ­  Impossibilidade  De  Ingerência  Da  Fiscalização"  Neste  tópico,  a  Recorrente  alega  que  compete  exclusivamente  ao  Banco  Central  do  Brasil  ­  BACEN  (item  1.1.2.1  do  COSIF)  concluir  quanto  à  adequação  da  classificação  contábil  conferida  as  ações da BOVESPA S/A e da BM&F S/A,  recebidas por  força  do  processo  de  desmutualização.  Como  o  BACEN  não  teria  se  oposto,  expressa  ou  tacitamente, não caberia à Receita Federal do Brasil (RFB) fazê­lo.  Dispõem as alíneas "a" e "c" do inc. I do art. 6° da Lei n° 10.593/02:  "Art.  6º  São  atribuições  dos  ocupantes  do  cargo  de  Auditor­ Fiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei  nº 11.457, de 2007)  I  ­  no  exercício  da  competência  da  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela  Lei nº 11.457, de 2007)  a)  constituir,  mediante  lançamento,  o  crédito  tributário  e  de  contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007)   Fl. 771DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 24          15 (. . .)  c)  executar  procedimentos  de  fiscalização,  praticando  os  atos  definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com  o  controle  aduaneiro,  apreensão  de  mercadorias,  livros,  documentos, materiais, equipamentos e assemelhados;  (. . .)"  Outrossim, o art. 1° do Regimento  Interno da Secretaria da Receita Federal  (atualmente,  Receita  Federal  do  Brasil  ­  RFB),  o  qual  foi  aprovado  e  regularmente  é  aperfeiçoado  por  atos  do Ministro  da  Fazenda,  dispõe  que  compete  àquele  órgão  "planejar,  dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar os serviços de fiscalização, lançamento,  cobrança,  arrecadação  e  controle  dos  tributos  e  demais  receitas  da  União  sob  sua  administração (grifo nosso)."   Portanto, é inegável que cabia à SRF revisar as bases de cálculo do PIS e da  COFINS  da  Recorrente  e,  na  hipótese  de  identificar  algum  procedimento  que  não  se  coadunasse  com  a  legislação  em  vigor  à  época,  efetuar  o  devido  lançamento  de  ofício.  Portanto,  a  Fiscalização  atuou  dentro  de  seus  limites  de  atuação  e  cumpriu  seu  papel  institucional.  Ademais,  cumpre  destacar  que  a  autuante  concluiu  quanto  à  classificação  contábil das novas ações com base na Lei n° 6.404/76, à qual a Recorrente também está sujeita.  E,  especificamente,  fundamentou  no  art.179,  o  qual  é  respeitado  pelas  normas  do  COSIF  (item1.11.3).  Isto  posto,  nego  provimento  aos  argumentos  apresentados  no  tópico  "Da  Competência Absoluta Do BACEN Para Avaliação Da Correção De Procedimentos Contábeis  Do Recorrente ­ Impossibilidade De Ingerência Da Fiscalização".    IV) "Subsidiariamente  ­ Do Erro Da Fiscalização Em Tributar A Venda  De 45% Das Ações Da BM&F S/A Ao Invés De 35%"  A Recorrente aponta erro no trabalho da autuante. Esta  teria  indicado que a  manifesta intenção de venda seria de 35% das ações da BM&F S/A, porém teria computado na  base  tributável  o  resultado  obtido  com  a  venda  de  45% daquelas  ações. Requer,  portanto,  a  redução do crédito tributário lançado de ofício.  De  acordo  com  o  Termo  de  Re­Ratificação  do  Acordo  de  Acionistas  da  BM&F S/A, assinado em 05/11/2007, a Recorrente, como partícipe no Acordo de Acionistas  para  alienar  parte  de  suas  ações  (10%  para  investidor  estratégico  e  25%  na  Oferta  Pública  Inicial),  concorda  em  alterar  tal  compromisso  de  venda,  de modo  a  permitir,  aos  que  assim  desejarem, a alienação de parcela superior aos 35%.   Assim,  como  havia  o  compromisso  de  vender  uma  quantidade  igual  ou  superior  a  35%  das  ações  da  BM&F  S/A,  agiu  corretamente  a  Fiscalização.  Portanto,  nego  provimento aos argumentos contidos no tópico "Subsidiariamente ­ Do Erro Da Fiscalização  Em Tributar A Venda De 45% Das Ações Da BM&F S/A Ao Invés De 35%".  Fl. 772DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 25          16   V) "Da Ilegalidade Da Incidência De Juros Sobre Multa"  A Recorrente  alega  que  não  há  lei  que  autorize  a  incidência de  juros Selic  sobre a multa de ofício. Cita os Acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes n° 107­08.679 de  27/7/2006 e da Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 9101­00.722, de 8/11/2010.  Trata­se de matéria controversa, com decisões favoráveis (Acórdãos n° 3402­ 002.856 e 3402­002.901 da 2° Turma da 4° Câmara da 3° Seção) e desfavoráveis (Acórdãos n°  1402­002.065 da 2° Turma da 4° Câmara da 1° Seção e 9303­003.385 da 3° Turma da Câmara  Superior de Recursos Fiscais) aos contribuintes proferidas pelo CARF.   Consigno que discordo da interpretação da Recorrente.  Dispõe o art. 113 do CTN:  " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  (. . .)" (grifo nosso)  A redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de  conceituados  tributaristas,  que  repudiam  o  fato  de  o  conceito  de  obrigação  tributária  compreender  tributo  e  penalidade.  Contudo,  não  podemos  nos  furtar  a  aplicá­lo.  Assim,  no  caso em tela, a obrigação tributária abrange PIS, COFINS e multa de ofício.   Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN:  "Art.  161. O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  (. . .)" (grifo nosso)  Portanto,  é  lícita  a  incidência  de  juros  sobre  a  obrigação  tributária,  consistente em tributo e/ou penalidade pecuniária. Neste sentido, apresentou­se o entendimento  do STJ no AgRg no REsp n° 1335688/PR (DJ de 10/12/2012):  "PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMA  QUE  COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ.  1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira  Seção do STJ no  sentido de que: "É  legítima a  incidência de  juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  Fl. 773DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10980.726071/2010­83  Acórdão n.º 3301­002.882  S3­C3T1  Fl. 26          17 crédito  tributário."  (REsp  1.129.990/PR,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJ  de  14/9/2009).  De  igual  modo:  REsp  834.681/MG,  Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.  2. Agravo regimental não provido." (grifo nosso)  Sobre a taxa de juros a ser aplicada, reporto­me à Súmula CARF n° 4:  "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais."  Com  base  no  acima  exposto,  nego  provimento  às  alegações  contidas  no  tópico "Da Ilegalidade Da Incidência De Juros Sobre Multa".    CONCLUSÃO  Nego provimento ao Recurso Voluntário.    Relator ­ Marcelo Costa Marques d'Oliveira                                   Fl. 774DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL

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