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Numero do processo: 10882.903777/2009-40
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 37 77 /2 00 9- 40 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903777/200940 Acórdão n.º 1802002.508 S1TE02 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratam os autos da declaração de compensação nº 18839.45690.270406.1.3.049610, transmitida eletronicamente em 27/04/2006, com base em créditos relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO: 30/09/2001 CÓDIGO DE RECEITA : 2089 VALOR TOTAL DO DARF : 21.040,09 DATA DE ARRECADAÇÃO: 30/11/2001 A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 20/04/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 4), cuja decisão não homologou a declaração de compensação por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 20.421,08. Cientificado dessa decisão em 29/04/2009, o sujeito passivo apresentou em 28/05/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 e 3, acrescida de documentação anexa. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903777/200940 Acórdão n.º 1802002.508 S1TE02 Fl. 4 3 Em síntese, a contribuinte esclarece que teria recolhido indevidamente três parcelas de IRPJ referentes ao período em análise. Uma vez constatado o recolhimento indevido, retificou suas declarações. Apresenta quadro demonstrativo e anexa aos autos cópias das declarações. Ao final, solicita a homologação da compensação requerida por meio do PER/DCOMP em análise, cancelandose o débito fiscal dela decorrente. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Brasília/DF) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0356.219, de 17 de outubro de 2013, cientificado ao interessado em 20/12/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2001 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil/fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 17/01/2014. A Recorrente alega que: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903777/200940 Acórdão n.º 1802002.508 S1TE02 Fl. 5 4 há equívoco na decisão recorrida ao sustentar que a pessoa jurídica deveria, em sua manifestação de inconformidade, provar, através dos seus assentamentos contábeis/fiscais embasando sua escrituração com a apresentação de documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, fundamentando seus lançamentos contábeis com o comprovante de retençãoemitido em seu nome pela fonte pagadora; tal entendimento é totalmente descabido na análise do presente contencioso administrativo fiscal posto que a Recorrente em sua impugnação item "d" deixou claro que o todo alegado poderia ser devidamente comprovado através da Declaração de Informações Econômico Fiscais/2002, entregue e encaminhada à Secreraria da Receita Federal do Brasil; é cediço que a Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ é a reprodução integral dos assentamentos contábeis/fiscais do sujeito passivo e, os dados nela contidos, estão permanentemente à disposição de autoridade fiscal para apreciação, análise e contestações que se fizerem necessárias; o crédito tributário que deu origem ao pedido de compensação não homologado pela Autoridade Administrativo preparadora, não tem sua origem em imposto de renda retido na fonte como sugerido pela ilustre JulgadoraRelatora fls. 43 dos autos, mas sim da diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor devido constante da Declaração de Informações EconômicoFiscais, pertinente ao 3o Trimestre do AnoCalendário de 2001; conforme informado pela Recorrente o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ código da receita 2089, referente ao 3o Trimestre de 2001, apurado e informado na DIPJ somou a quantia de R$ 6.627,82 (seis mil, seiscentos e vinte e sete reais e oitenta e dois centavos), e o valor recolhido, conforme atestado através dos DARF's anexados aos autos somou a quantia de R$ 63.201,54 (sessenta e três mil, duzentos e um reais e cinquenta e quatro centavos); havendo receitas decorrentes de prestação de serviços e estando dentro dos limites previstos pela legislação tributária, a fonte pagadora deve proceder à devida retenção do imposto/contribuições devidos o qual, por sua vez, será deduzido do imposto ou contribuição a pagar/recolher; no Ano Calendário de 2001, submeteuse ao regime de tributação com base no Lucro Presumido e, no 3o Trimestre do período de apuração encerrado em 30 de setembro de 2001, recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no montante de R$ 63.201,54 (sessenta e três mil, duzentos e um reais e cinquenta e quatro centavos), em três parcelas, conforme a seguir demonstrado, que foram devidamente informados em DCTF: IRPJ 3° Trimestre — PA 30/09/2001 Data vencimento/recolhimento Valor Recolhido em R$ I a Parcela 31/10/2001 20.831,79 2a Parcela 30/11/2001 21.040,09 3a Parcela 28/12/2001 21.329,66 TOTAL 63.201,54 após a entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais do Exercício de 2002 Ano Calendário de 2001 constatou que o valor efetivamente devido no 3o Trimestre de 2001, era de R$ 6.627,82 (seis mil seiscentos e vinte e sete reais e oitenta e dois centavos), fato este verificado em tempo posterior através de auditoria interna a fim de analisar os procedimentos de natureze contábil/fiscal adotados pela Recorrente; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903777/200940 Acórdão n.º 1802002.508 S1TE02 Fl. 6 5 ao determinar a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicou sobre a receita auferida no 3° Trimestre de 2001, a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a alíquota efetiva a ser aplicada era de 8% (oito por cento), em face de suas atividades operacionais. Daí a origem do seu direito creditório. Ipso fato procedeu à retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ fls. 14/18 dos autos e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF fls. 19/27 dos autos; diante da constatação das inconsistências acima apontadas a Recorrente concluiu que no 3o Trimestre de 2001, recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, em valores acima do efetivamente devido no montante de R$ 56.573,72 (cinquenta e seis mil, quinhentos e setenta e três reais e setenta e dois centavos), abaixo demonstrado: IRPJ 3o Trimestre PA 30/09/2001 Data venct0/recolhimento Valor Recolhido em R$ Valor Devido em R$ Valor Recolhido a Maior I a Parcela 31/10/2001 20.831,79 6.627,82 14.203,97 2a Parcela 30/11/2001 21.040,09 21.040,09 3a Parcela 28/12/2001 21.329,66 21.329,66 TOTAL 63.201,54 6.627,82 56.573,72 o crédito reclamado através deste PER/DCOMP referese ao pagamento da quota recolhida em 30 de novembro de 2001, o qual está devidamente comprovado através das declarações apresentadas em sua impugnação; os valores informados na DCTFRetificadora, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 19/27 dos autos estão sobejamente comprovados através dos dados extraídos da Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do Exercício de 2002 AnoCalendário de 2001, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 14/18 dos autos e dos DARF's anexados aos autos do presente contencioso administrativo fiscal fls. 11/13 . Finalmente requer provimento do recurso voluntário e protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 18839.45690.270406.1.3.049610 (fls.05/09), transmitido em 27/04/2006, em que a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ e CSLL relativos ao 1º Trimestre de 2006 no total de R$ 20.421,08 com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no valor de R$ 11.478,26, código – 2089, relativo ao Período de Apuração: 30/09/2001; Data de Arrecadação: 30/11/2001, no valor de R$ 21.040,09. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903777/200940 Acórdão n.º 1802002.508 S1TE02 Fl. 7 6 Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 20/04/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 21.040,09, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. De inicio, cabe registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico), utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc) na data em que apresentado o PER/DCOMP. No caso, por se tratar de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado no PER/DCOMP com a informação do débito constante na DCTF na data em que transmitido o PER/DCOMP. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para a compensação indicada. A Recorrente, no essencial, alega que o crédito está sobejamente comprovado por meio dos valores informados na DCTF Retificadora, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 18/26 através dos dados extraídos da Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do Exercício de 2002 AnoCalendário de 2001, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 13/17 e dos DARF's anexados aos autos do presente contencioso administrativo fiscal fls. 10/12 . Como se vê, o contribuinte informa o crédito a compensar no PER/DCOMP nº 18839.45690.270406.1.3.049610, transmitido em 27/04/2006 e procedeu a retificação da DIPJ/2002 e DCTF relativa ao 3º trimestre de 2001 após a apresentação do PER/DCOMP ou seja em 29/12/2006. Portanto, na data da transmissão do PER/DCOMP não há falar em crédito a ser compensado com débitos do contribuinte. No entendimento da decisão recorrida não basta a retificação da DCTF e da DIPJ/2002 para comprovar o direito creditório, pois, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Recorrente alega que, ao determinar a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicou sobre a receita auferida no 3° Trimestre de 2001, a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a alíquota efetiva a ser aplicada era de 8% (oito por cento), em face de suas atividades operacionais. Daí a origem do seu direito creditório. Diz que, ipso fato procedeu à retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF como explicitado acima. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903777/200940 Acórdão n.º 1802002.508 S1TE02 Fl. 8 7 De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que comprove suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito ... A Recorrente, genericamente, protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2002 e DCTF. E, demonstrar cabalmente suas atividades operacionais mediante notas fiscais para os fins de apuração do lucro presumido, a se verificar qual o percentual de aplicação se 8% (retificadora) ou 32% como apurado nas declarações originais. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Como bem esclarecido na decisão recorrida, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903777/200940 Acórdão n.º 1802002.508 S1TE02 Fl. 9 8 haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 27/04/2006, tomou ciência do despacho decisório expedido em 20/04/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 28/05/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903777/200940 Acórdão n.º 1802002.508 S1TE02 Fl. 10 9 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 10218.720828/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado) , Ricardo Anderle (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado) , Ricardo Anderle (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 08 28 /2 00 7- 71 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, CATTANI SA TRANSPORTES E TURISMO, foi lavrado auto de infração do ITR/2004, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 28/12/2007, tendo como objeto o imóvel denominado “Gleba Joana Peres I” (NIRF 4.880.1364), com área total de 2.467,0 ha, localizado no município de Tucuruí – PA. A descrição dos fatos, os enquadramentos legais da infração e o demonstrativo da multa de ofício e dos juros de mora encontram se às fls. 01 e 02. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2004, iniciou se com o termo de intimação de fls. 04, para a contribuinte apresentar laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação/grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Na análise desses documentos e da DITR/2004, a autoridade fiscal desconsiderou o VTN declarado de R$ 32.981,00 (R$ 13,37/ha), arbitrando o em R$ 403.033,79 (R$ 163,37/ha), com base no SIPT, com o conseqüente aumento do VTN tributável e apuração de imposto suplementar de R$ 31.824,54, conforme demonstrativo de fls. 02. Cientificada do lançamento em 27/12/2007 (fls.03), a contribuinte protocolou em 21/01/2008, por meio de representante legal, a impugnação de fls. 18/22, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 22/24, alegando, em síntese: Discorda do procedimento fiscal, por arbitrar um VTN em desacordo com a realidade fática e o valor de mercado do imóvel, invadido e inviabilizado para exploração comercial além de incoerente com o exercício de 2005, sendo indevida a diferença do imposto, juros e multa, não tendo havido subavaliação do valor declarado, igual ao de compra, nem informações distorcidas; não houve regular instalação do procedimento administrativo, com a informação de que se tratava de lançamento de ofício, tendo a requerente apenas sido intimada a comprovar o pagamento do imposto e apresentar laudo no teor da NBR 14653, norma que não estabelece obrigação tributária, contemplada na Lei 9.393/1996; não foram consideradas as áreas ambientais de preservação permanente e de utilização limitada, tendo sido tributada a área total do imóvel. Ao final, a contribuinte protesta pela juntada de outros documentos, requer a realização de prova pericial, relaciona os quesitos a serem respondidos e indica o perito responsável, para comprovar o alegado, para que seja julgada procedente a presente impugnação e cancelada a notificação de lançamento em questão. Ressalva se que as referências à numeração das folhas deste processo, feitas no relatório e no voto, referem se aos autos originalmente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas folhas estão reproduzidas sob a forma de imagem. A DRJ a partir da analise dos argumentos do interessado, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10218.720828/200771 Acórdão n.º 2202002.836 S2C2T2 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2003 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. DA MULTA E DOS JUROS DE MORA LANÇADOS. Apurado imposto suplementar em procedimento fiscal, por subavaliação do VTN informado na declaração do ITR/2003, cabe exigi lo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito com o resultado, o interessado interpõe recurso voluntário, reiterando basicamente as mesmas razões da impugnação. Os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converteram o julgamento em diligência, para que fosse trazido o extrato do SIPT. O referido extrato foi acostado as fls. 69. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. No relativo ao Valor da Terra Nua VTN, entendeu a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Razão pela qual, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10218.720828/200771 Acórdão n.º 2202002.836 S2C2T2 Fl. 4 5 VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls 69, é calculado sem aptidão agrícola. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Assim se manifesta o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Artigo 12 Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (o grifo não é do original) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, penso ser irrelevante continuar a discussão da questão do Laudo de Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que nesses casos, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 15889.000506/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO PELO FISCO. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE.
A quebra do sigilo bancário pelo Fisco, sem autorização judicial, está prevista no art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 2001, dispositivo em plena vigência, apto a embasar procedimento fiscal.
Tal conclusão não se altera pelo fato de a matéria estar em discussão no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do artigo 543-B, do Código de Processo Civil - CPC, pois somente as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, como determinado pelo art. 62-A do anexo II do RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária - Súmula CARF nº 2. DECADÊNCIA. FRAUDE.
Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN - Súmula CARF nº 72.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Os Mandados de Procedimento Fiscal - MPFs deste processo foram emitidos de acordo com as determinações da legislação de regência, inexistindo qualquer nulidade deles decorrentes.
Ademais, o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada - Súmula CARF nº 26.
Hipótese em que o Fisco cumpriu todos os requisitos legais e o recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários.
ERRO DE APURAÇÃO. NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO. INEXISTÊNCIA.
Correto o lançamento com base no lucro real trimestral, forma de tributação adotada pelo contribuinte. Cotejando-se o volume de receitas omitidas e as declaradas, e considerados os significativos prejuízos auferidos pela Contribuinte em parte dos exercícios fiscalizados, conclui-se não ser legítima a afirmação de que a Fiscalização não teria considerando os custos correspondentes ao montante de receitas tributadas no ato de lançamento. O montante do lucro tributado pelo regime do lucro real na hipótese é bastante próximo ao montante do lucro que seria tributado por meio do lucro arbitrado. Tal fato é indicativo seguro de que, no caso, estão sendo considerados os custos necessários à geração das receitas tributadas e, por conseguinte, o lucro real da Contribuinte.
PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO.
Correto o procedimento de compensação das infrações apuradas com o saldo de prejuízos fiscais acumulados, não tendo ocorrido a glosa de prejuízos de anos anteriores.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
Caracteriza-se sonegação, nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, a prática de não contabilizar parte expressiva da movimentação financeira da pessoa jurídica, bem como de utilizar contas dos sócios com o objetivo de ocultação do faturamento efetivamente obtido, o que enseja a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF).
LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS, COFINS E CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática. Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1102-001.253
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho, e João Otávio Oppermann Thomé. Designado para redigir declaração de voto o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária - Súmula CARF nº 2. DECADÊNCIA. FRAUDE. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN - Súmula CARF nº 72. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Os Mandados de Procedimento Fiscal - MPFs deste processo foram emitidos de acordo com as determinações da legislação de regência, inexistindo qualquer nulidade deles decorrentes. Ademais, o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada - Súmula CARF nº 26. Hipótese em que o Fisco cumpriu todos os requisitos legais e o recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários. ERRO DE APURAÇÃO. NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO. INEXISTÊNCIA. Correto o lançamento com base no lucro real trimestral, forma de tributação adotada pelo contribuinte. Cotejando-se o volume de receitas omitidas e as declaradas, e considerados os significativos prejuízos auferidos pela Contribuinte em parte dos exercícios fiscalizados, conclui-se não ser legítima a afirmação de que a Fiscalização não teria considerando os custos correspondentes ao montante de receitas tributadas no ato de lançamento. O montante do lucro tributado pelo regime do lucro real na hipótese é bastante próximo ao montante do lucro que seria tributado por meio do lucro arbitrado. Tal fato é indicativo seguro de que, no caso, estão sendo considerados os custos necessários à geração das receitas tributadas e, por conseguinte, o lucro real da Contribuinte. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. Correto o procedimento de compensação das infrações apuradas com o saldo de prejuízos fiscais acumulados, não tendo ocorrido a glosa de prejuízos de anos anteriores. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Caracteriza-se sonegação, nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, a prática de não contabilizar parte expressiva da movimentação financeira da pessoa jurídica, bem como de utilizar contas dos sócios com o objetivo de ocultação do faturamento efetivamente obtido, o que enseja a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS, COFINS E CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
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CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. A quebra do sigilo bancário pelo Fisco, sem autorização judicial, está prevista no art. 6 o da Lei Complementar nº 105, de 2001, dispositivo em plena vigência, apto a embasar procedimento fiscal. Tal conclusão não se altera pelo fato de a matéria estar em discussão no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do artigo 543-B, do Código de Processo Civil - CPC, pois somente as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, como determinado pelo art. 62-A do anexo II do RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária - Súmula CARF nº 2. DECADÊNCIA. FRAUDE. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN - Súmula CARF nº 72. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Os Mandados de Procedimento Fiscal - MPFs deste processo foram emitidos de acordo com as determinações da legislação de regência, inexistindo qualquer nulidade deles decorrentes. Fl. 7563DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.558 2 Ademais, o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA. O art. 42 da Lei n o 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada - Súmula CARF nº 26. Hipótese em que o Fisco cumpriu todos os requisitos legais e o recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários. ERRO DE APURAÇÃO. NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO. INEXISTÊNCIA. Correto o lançamento com base no lucro real trimestral, forma de tributação adotada pelo contribuinte. Cotejando-se o volume de receitas omitidas e as declaradas, e considerados os significativos prejuízos auferidos pela Contribuinte em parte dos exercícios fiscalizados, conclui-se não ser legítima a afirmação de que a Fiscalização não teria considerando os custos correspondentes ao montante de receitas tributadas no ato de lançamento. O montante do lucro tributado pelo regime do lucro real na hipótese é bastante próximo ao montante do lucro que seria tributado por meio do lucro arbitrado. Tal fato é indicativo seguro de que, no caso, estão sendo considerados os custos necessários à geração das receitas tributadas e, por conseguinte, o lucro real da Contribuinte. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. Correto o procedimento de compensação das infrações apuradas com o saldo de prejuízos fiscais acumulados, não tendo ocorrido a glosa de prejuízos de anos anteriores. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Fl. 7564DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.559 3 Caracteriza-se sonegação, nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, a prática de não contabilizar parte expressiva da movimentação financeira da pessoa jurídica, bem como de utilizar contas dos sócios com o objetivo de ocultação do faturamento efetivamente obtido, o que enseja a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS, COFINS E CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho, e João Otávio Oppermann Thomé. Designado para redigir declaração de voto o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator (assinado digitalmente) ___________________________________ Antonio Carlos Guidoni Filho – Redator Designado para declaração de voto (assinado digitalmente) Fl. 7565DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.560 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, bem como Autos de Infração reflexos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, que totalizaram R$ 47.373.750,75, incluindo principal, multa de 150% e juros de mora calculados até outubro de 2008 (fls. 4 a 95). Por bem narrar os fatos, transcrevo a descrição da ação fiscal e das infrações lançadas constante no relatório do acórdão de 1 a instância (fls. 7.447 a 7.450): Conforme descrição dos fatos de fl. 4 e Termo de Verificação Fiscal de fls.76/92, foi apurada omissão de receitas caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, realizados junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A fiscalização teve início em junho de 2007 sobre a Industria de Plásticos Bariri e sobre as pessoas físicas Georges Assad Azar, sócio majoritário da empresa, e Georges Nabil Hajj, sócio minoritário e sobrinho de Georges Assad Azar. Fiscalizado Georges Assad Azar Intimado a apresentar extratos bancários, bem como comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em suas contas, não se manifestou. Expedidas Requisições de Movimentações Financeiras – RMF e sendo recebidos os extratos bancários, foi intimado por mais duas vezes a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados, sendo informado por seu procurador em 21/02/2008 “que em razão da documentação apresentada e acostada ao presente, não há mais informações a serem prestadas a esta fiscalização”. Fl. 7566DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.561 5 Intimadas, por amostragem, empresas que efetuaram depósitos nas contas bancárias do fiscalizado Georges Assad Azar, concluiu a fiscalização, diante de farta documentação comprobatória – notas fiscais, boletos bancários, respostas, outros – que todas as empresas intimadas mantiveram relacionamento comercial com a indústria de Plásticos Bariri, tendo origem neste relacionamento os depósitos bancários feitos em suas contas. Destaca ainda a fiscalização que, além de constatar a origem dos depósitos, foi informado na resposta da empresa “Estofagel”, fl. 3.868, o “subfaturamento” praticado pela fiscalizada, “através do expediente de exigir o depósito da diferença entre o valor subfaturado, constante da nota fiscal de saída, e o preço real da operação de venda, em conta bancária de Georges Assad Azar”. Identificado também pela fiscalização que, em amostragem de cheques emitidos por Georges Assad Azar, observa-se que, em sua grande maioria, são nominais ao emitente, e em vários casos, no verso dos cheques há anotações que indicam a destinação para pagamento de duplicatas, ou de empresas fornecedoras da Industria de Plásticos Bariri. Diante dos fartos indícios e provas colhidos no curso da fiscalização, e, a não manifestação de Georges Assad Azar quanto à origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, concluiu a fiscalização que os recursos que transitaram nas suas contas bancárias tiveram origem nas operações mercantis da industria de Plásticos Bariri Ltda. Fiscalizado Georges Nabil Hajj Intimado a apresentar extratos bancários, bem como comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em suas contas. Georges Nabil Hajj, sócio minoritário da indústria de Plásticos Bariri Ltda, apresenta extratos, sendo verificada diferença entre informações disponíveis nos sistemas e extratos bancários apresentados. Expedidas Requisições de Movimentações Financeiras – RMF e sendo recebidos os extratos bancários, foi novamente intimado para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados. Em resposta a intimação, informa que recebeu em 29/01/1999 a cessão de 0,5% das quotas da empresa, para fins da Indústria se manter como sociedade. A “benevolência” de seu tio – Georges Assad Azar – além de visar à manutenção da sociedade depois da retirada de sua ex-esposa, ‘era poder se utilizar dos mais variados expedientes com o cadastro dos fiscalizado, e do irmão deste, Michel Nabil El Hajj’. ‘Um dos artifícios utilizados pelo Sr. Georges Assad Azar, era fazer movimentações financeiras com as contas de seus sobrinhos, para que o verdadeiro faturamento da indústria de Plásticos Bariri Ltda não fosse registrado nas contas correntes da sociedade e, assim, incompatível com o subfaturamento, fato que poderia levantar suspeitas ao fisco.’ Complementa informando que toda movimentação das contas bancárias eram decorrentes de relações comerciais da indústria de Plásticos Bariri Ltda e que o Sr. Georges Assad Azar detinha procuração com amplos poderes parta movimentação bancária de suas contas, não tendo Georges Nabil Hajj qualquer poder de gerência na sociedade. Fl. 7567DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.562 6 Em declaração prestada nas dependências da DRF, informa que, dentre suas atribuições na empresa, ‘eventualmente fazia uma conferência diária do faturamento, nas ausências de GEORGES ASSAD AZAR, consistente em verificar as notas fiscais emitidas no dia anterior, que vinham acompanhadas de ‘boletos’, em três vias, os quais registravam a operação em bases reais: valor da venda, quantidade vendida, produto vendido, sendo que as notas fiscais eram emitidas por valor subfaturado’. ‘Que os cheques das contas bancárias relacionadas eram previamente preenchidos por funcionário da indústria de Plásticos Bariri, e assinados pelos declarantes, sendo, via de regra, nominados ao ‘office-boy’ de nome IVAN, para a realização de pagamentos diversos no caixa bancário’. Intimadas, por amostragem, empresas que efetuaram depósitos nas contas bancárias de Georges Nabil Hajj, concluiu a fiscalização, diante de farta documentação comprobatória, que as empresas intimadas mantiveram relacionamento comercial com a indústria de Plásticos Bariri, tendo origem neste relacionamento os depósitos bancários feitos em suas contas. Identificado também pela fiscalização que em amostragem de cheques emitidos por Georges Nabil Hajj, em sua grande maioria, eram nominais à pessoa de IVAN DOS SANTOS MAURÍCIO, que de acordo com as informações disponíveis nos sistemas da Receita Federal, mantinha vínculo empregatício com a indústria de Plásticos Bariri LTDA, corroborando a informação prestada por Georges Nabil Hajj de que os cheques eram nominados ao ‘office-boy’ de nome IVAN, para a realização de pagamentos diversos no caixa bancário’. Diante dos esclarecimentos prestados, corroborados pelas informações obtidas das empresas depositantes de recursos em suas contas bancárias, e das cópias de cheques de sua emissão, concluiu a fiscalização que os recursos que transitaram nas contas bancárias de Georges Nabil Hajj tiveram origem nas operações mercantis da Indústria de Plásticos Bariri Ltda. Indústria de Plásticos Bariri Intimado a apresentar extratos bancários, bem como comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em suas contas, apresentou parte dos extratos bancários. Havendo indícios de contas bancárias não escrituradas, foram expedidas Requisições de Movimentações Financeiras – RMF e, sendo recebidos os extratos bancários, foram analisados em cotejo com livros fiscais da empresa, segregando-se os depósitos cuja contabilização não foi encontrada, os quais foram conciliados com depósitos de origem não comprovada em nome de Georges Assad Azar e Georges Nabil Hajj. “Desta forma, foram excluídas eventuais transferências entre contas bancárias, bem como lançamentos de origem comprovada, como por exemplo, empréstimos bancários, juros de poupança, e outros.” A empresa foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias, relacionados no anexo do referido Termo, aí incluídos os depósitos feitos nas contas bancárias de Georges Assad Azar e Georges Nabil Hajj. Fl. 7568DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.563 7 Diante de resposta parcial apresentada pela fiscalizada, as autoridades fiscais acataram e consideraram comprovados os lançamentos bancários, cheques devolvidos e outros lançamentos demonstrados. Exaurido o prazo para atendimento conclusivo à intimação e não sendo apresentadas novas justificativas, procedeu-se à determinação da base de cálculo, tributando em nome da Indústria de Plásticos Bariri Ltda, como receita omitida, os depósitos bancários de origem não comprovada, feitos em favor de Georges Assad Azar e Georges Nabil Hajj, e os depósitos feitos em favor da empresa, para os quais não foi demonstrada a respectiva contabilização. O quadro abaixo demonstra a Omissão de Receita verificada para cada um dos fiscalizados (valores em Reais): ANO Georges Assad Azar Georges Nabil Hajj Plásticos Bariri Total 2003 7.419.588,99 4.279.634,17 2.088.965,89 13.788.189,05 2004 10.519.880,72 3.548.030,28 567.018,57 14.634.929,57 2005 12.519.262,85 3.199.604,05 101.650,56 15.820.517,56 Total 30.458.732,56 11.027.268,50 2.757.635,02 44.243.636,18 A determinação da receita omitida foi demonstrada em anexo ao Termo de Constatação e de Intimação de 25/09/2008, bem como em cinco anexos ao Termo de Verificação Fiscal, detalhando todos os passos utilizados para sua apuração. Foi aplicada multa de ofício de 150%, justificada, por tudo o que foi apurado, pela omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários efetivados nas contas dos sócios, oriundos de operações mercantis da fiscalizada, à margem da escrituração, bem assim em depósitos bancários em favor da própria indústria, não contabilizados. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 7.294 a 7.344), acatada como tempestiva. Socorro-me, mais uma vez, do relatório do acórdão de primeira instância na parte em que descreve os termos desse recurso (fls. 7.450 a 7.452): Cientificada do lançamento em 11/12/2008, conforme AR de folha 6.861, a interessada, por seus advogados e procuradores, ingressou, em 12/01/2009, com peça impugnatória de fls. 6.869/6.919 e documentação anexa de fls. 6.920/6.967, sendo esta referente à cópia da alteração do contrato social da contribuinte (6.920/6.924), procuração (6.925/6.927), cópias extratos bancários (6.928/6.931), cópias LALUR (6.932/6.944), cópia de proposta de compra de título de capitalização (6.945), cópias termos de rescisão de contrato de trabalho (6.946/6.949), cópia de passaporte Georges Assad Azar (6.950/6.958), cópias de cédulas de crédito bancário e documentos correlatos (6.959/6.967), alegando, em suma: 1 – A nulidade do auto de infração, acolhendo-se as preliminares de falta de identificação específica dos valores depositados nas contas bancárias dos sócios; a utilização de presunções para lançamento tributário; a obrigatoriedade do lançamento pelo lucro arbitrado e a ausência de dedução de custos extracontábeis. Fl. 7569DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.564 8 2 – Declaração da decadência de parte do débito lavrado relativo ao período de janeiro a novembro de 2003, nos termos do artigo 150, §4º do CTN. O lançamento foi lavrado em 11/12/2008, e, entendendo a impugnante a não ocorrência de crime contra a ordem tributária, encontrar-se-iam decaídos os fatos geradores ocorridos até dezembro de 2003. 3 – Falta de comprovação pela Autoridade Fiscal da origem, destinação e titularidade dos valores depositados em nome das pessoas físicas e jurídica para fins de caracterizá-la como receita operacional da impugnante. Questiona o fato da Autoridade Fiscal ter utilizado amostragem tanto nas intimações às empresas que realizaram depósitos nas contas bancárias das pessoas físicas, como na requisição de cópias dos cheques às instituições financeiras. Entende que a fiscalização teria o dever de demonstrar individualmente que todos depósitos nas contas bancárias dos sócios são relacionados com a atividade da empresa, não podendo, utilizando-se de amostragem, transferir o ônus da prova para o sócio e a empresa, e, considerar como receita da sociedade todos depósitos efetuados nas contas bancárias dos sócios. Destaca a presença de respostas evasivas por empresas depositantes nas contas bancárias, entendendo, assim, conflitantes as repostas apresentadas. Informa que ambos sócios, Georges Assad Azar e Georges Nabil Hajj tinham poder de gerência na sociedade, respondendo pela empresa o sócio Georges Nabil Hajj principalmente na ausência do Sr. Georges Assad Azar, juntando cópias de passaporte deste, bem como de contrato de capitalização e termos de rescisão de contratos que diz serem assinados por Georges Nabil Hajj. Discorre ainda que o sócio Georges Nabil Hajj figura como sócio em outras empresas, podendo ser parte de sua movimentação bancária decorrente de movimentações daquelas empresas. 4 – Ilegalidade do ato administrativo no tocante a falta de motivação para fins de apuração da receita através do lucro real, inclusive sem a dedução de eventual custo a ser apurado extra-contabilmente. Alega a necessidade de detalhamento pela Autoridade Lançadora dos depósitos para fins de integrar a base imponível da exação. Declara a impossibilidade de constituição de crédito tributário por meio de simples extrato bancário desprovido de outros meios de provas para fins de constituição do fato gerador dos tributos lançados. Alega que não cabe o lançamento por presunção, devendo a fiscalização demonstrar que os depósitos representaram efetivamente renda. Discorre a impugnante, argumentando quanto ao dever de busca da verdade material pela Autoridade Fiscal, que “deve ser observado certamente que os valores das receitas da atividade comercial devem estar contidos nos créditos bancários não comprovados pelo FISCO.” Entende que deveria a autoridade fiscal, da mesma forma que apurou receitas extracontábeis, pela igualdade de tratamento, também apurar as despesas e custos extracontábeis. Fl. 7570DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.565 9 Conclui que, se assim não procedeu, obrigatoriamente deveria utilizar o arbitramento. 5 – Nulidade do ato administrativo pela discricionariedade quanto à opção de apuração pelo lucro real em face da expressa previsão legal quanto ao arbitramento. Entende improcedente o Auto de Infração e requer seu cancelamento, vez que a autuação se lastreou em regime de apuração baseado em contabilidade classificada como imprestável para fins de apuração do lucro real, quando o correto deveria ser por arbitramento por expressa previsão legal. Manifesta que, por a autoridade fiscal ter utilizado depósitos e créditos bancários não contabilizados como omissão de receita, inclusive de movimentação financeira dos sócios, bem como aplicado multa qualificada por sonegação fiscal, seria sua contabilidade imprestável, entendendo, que neste caso, seria obrigatória a tributação pelo lucro arbitrado. 6 – Subsidiariamente, a exclusão das receitas decorrente das operações ‘COMPROR’ detalhada no 35, ‘e.2’, relativo aos depósitos de R$ 74.325,64 + 68.083,16 + 68.680,35 + R$ 68.717,83, efetuados a partir de 21/10/2004, por não constituir receita operacional. Discorre a impugnante que a operação “COMPROR” não caracteriza receita, sendo apenas o “desconto” pela instituição financeira de depósitos realizados para fins de quitação de créditos liberados para pagamento de fornecedores. Explica: “No prazo acordado, a IMPUGNANTE efetuava depósito na sua própria conta corrente (transferência entre Agência) mediante IDENTIFICAÇÃO do DOCUMENTO – 1030061, relativo ao valor utilizado acrescidos dos encargos pactuados. Estando o crédito devidamente identificado, a Instituição Financeira promovia o imediato desconto mediante informação “OPERAÇÃO DE COMPROR”. Conclui que os valores não caracterizam receita operacional, sendo ao contrário despesas, nos termos do art. 226 do RIR/99, solicitando, assim, sua exclusão da base imponível. Junta à impugnação cópia de cédula de crédito bancário – financiamento – abertura de limite de crédito – Compor, datada de 24/05/2006. 7 – No lançamento foi declarada como indevida a compensação de prejuízos anteriores ao período apurado pela fiscalização, especialmente do ano-calendário de 1997, caracterizando retroatividade a fatos consumados pela decadência e fazendo tábula rasa do princípio da segurança-jurídica. Junta planilha na impugnação, visando retratar o LALUR (também cópias anexas à impugnação – fls. 6.932/6.944) que entende demonstrar o alegado. Assim, requer o reconhecimento da compensação dos prejuízos fiscais apurados em anos anteriores e, conseqüentemente, a exclusão destes valores para fins de incidência tributária. Fl. 7571DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.566 10 8 – Inobservância do prazo para o cumprimento do MPF sem a devida prorrogação e intimação, porquanto entre a data do início e o término do procedimento decorreu 132 dias. 9 – Declaração da ilicitude dos extratos bancários obtidos diretamente pela Autoridade Fiscal mediante requisições por quebra do sigilo bancário constitucionalmente garantido, sendo inconstitucionais e ilegais as normas que autorizam citada obtenção de dados bancários. 10 – A improcedência da aplicação da multa de 150%, pela ausência de dolo, porquanto simples falta de contabilização não configura dolo, fraude ou simulação para fins de agravamento. Complementa que foi imputado a prática de delito penal tributário com base em presunções, sem nenhum detalhamento pela Autoridade Fiscal. Discorre quanto à violação de princípios com o da capacidade contributiva, do não confisco, da razoabilidade e proporcionalidade. 11 – Requer que as intimações sejam lançadas exclusivamente em nome do Advogado e procurador. 12 – Requer produção de prova pericial para apuração da receita operacional com as deduções legais, ou subsidiariamente, a apuração mediante arbitramento. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou o lançamento procedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 7.444 a 7.471): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. PESSOA INTERPOSTA. Comprovado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento de titularidade das pessoas físicas dos sócios pertencem à pessoa jurídica, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas deverá ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. Fl. 7572DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.567 11 A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. PREJUÍZO FISCAL. COMPENSAÇÃO.AJUSTE LALUR. A apuração de lucro real em decorrência de infrações constatadas em ação fiscal, autoriza a compensação dos prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores, devendo o contribuinte realizar os devidos ajustes no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). DESPESAS. CUSTOS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao impugnante a apresentação de eventuais custos ou despesas não contabilizados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. Constatando-se que o conjunto probatório é sólido e suficiente no sentido de confirmar a prática dolosa da fiscalizada que quis o resultado de sonegar tributos, agindo por vários anos seguidos com intenção de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados, há que ser mantida a multa qualificada de 150%. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. A proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 Fl. 7573DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.568 12 INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Considera-se não formulado o pedido de perícia ou diligência que deixe de atender os requisitos legais. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. NULIDADE. MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Lançamento Procedente Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) não se admitiu o argumento de que a fiscalização teria o dever de demonstrar individualmente que todos depósitos nas contas bancárias dos sócios são relacionados com a atividade da empresa, não podendo, utilizando-se de amostragem, transferir o ônus da prova para o sócio e a empresa, e, considerar como receita da sociedade todos depósitos efetuados nas contas bancárias dos sócios. Isso porque ficou claramente demonstrado que os recursos que transitaram nas contas bancárias dos sócios tiveram origem nas operações mercantis da Indústria de Plásticos Bariri Ltda; b) a previsão do § 3º do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, de que, “para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente” determina apenas que a apuração da receita bruta omitida será analisada individualmente por cada depósito bancário, como o fez a autoridade lançadora, e não que, para caracterizar valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencente a terceiro, é necessária a comprovação individual da origem de cada depósito pelo Auditor Fiscal, como alega o impugnante; c) não foram tributados os depósitos bancários, mas a receita que eles representam por expressa disposição legal; d) refutou-se o argumento de que não aconteceu a busca pela verdade material pelo Fisco, pois o autuante demonstrou que os depósitos bancários não foram escriturados pelo contribuinte, não apresentando o impugnante nenhuma documentação que Fl. 7574DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.569 13 refutasse referidos depósitos, sua origem, bem como se algum valor referia-se a transferências entre contas correntes de mesma titularidade, movimentos de empréstimos, adiantamentos, cheques devolvidos. Além disso, o autuante analisou todas as provas e argumentos apresentados pelo interessado; e) caberia à fiscalizada apresentar eventuais custos ou despesas “extracontábeis” e não à Autoridade Fiscal; f) o lançamento detalhou individualmente os depósitos utilizados para fins de integrar a base imponível da exação; g) não existia a obrigatoriedade do lançamento pelo lucro arbitrado, sob o argumento de que a utilização de depósitos e créditos bancários não contabilizados como omissão de receita, inclusive de movimentação financeira dos sócios, bem como aplicado multa qualificada por sonegação fiscal, tornaria imprestável sua escrituração para fins de apuração do lucro real. Isso porque, em nenhum momento, a autoridade fiscal classificou como imprestável a escrituração da fiscalizada para fins de apuração do lucro real. E o art. 288 do RIR/99 determina o lançamento da omissão de receita de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração, sendo aplicado de ofício o regime de apuração pelo lucro arbitrado, apenas e tão somente, quando a fiscalização classificar como imprestável a escrituração do contribuinte; h) não foram tributados os créditos bancários decorrentes das operações ‘COMPROR’. Os depósitos de R$ 74.325,64, R$ 68.083,16, R$ 68.680,35 e R$ 68.717,83, efetuados a partir de 21/10/2004, sugerem que houve uma entrada de recursos para cobrir pagamentos de financiamentos bancários (operação de COMPROR); i) correta a compensação de ofício do saldo de prejuízos fiscais, tendo em vista alteração do resultado da contribuinte em função da apuração de omissão de receitas, motivo que os saldos remanescentes vão sendo ajustados aos novos resultados da fiscalizada; j) manteve-se a multa qualificada, por se entender ter sido comprovado o evidente intuito de fraude, diante da irregular conduta adotada pelo sujeito passivo, que agiu, por vários anos seguidos, com intenção de impedir ou retardar, dolosamente, o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência dos fatos geradores. RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão de primeira instância em 6/5/2009 (fl. 7.480), o contribuinte apresentou, em 5/6/2009, o recurso de fls. 7.481 a 7.531, onde repete os argumentos da impugnação, em especial: a) nulidade do auto de infração, por estar fundado em extratos bancários com base em meras presunções ofertadas pelo Fisco, sobretudo quando as informações se encontram conflitantes, sendo que os fatos pressupostos foram apurados por “amostragem"; b) a verificação de movimentação bancária por si só não demonstra nenhuma exteriorização de riqueza que permita a incidência do gravame fiscal, inclusive quando incidente sobre conta bancária de pessoa física, sem a devida comprovação. Ao lado da Fl. 7575DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.570 14 movimentação dos valores na conta corrente do contribuinte, é igualmente necessário que se faça comprovação da utilização dos valores depositados, de forma a evidenciar aumento de patrimônio e os chamados “sinais exteriores de riqueza”, vez que os simples depósitos bancários são tidos como meros indícios; c) o lançamento deveria, obrigatoriamente, ter se dado na modalidade do arbitramento, pois a apuração ocorreu sem apoio nos livros contábeis, logo, ausente a escrituração contábil idônea necessária na forma das leis comerciais e fiscais, sobretudo quando a própria Autoridade promove a qualificação da multa por indícios de sonegação, caracterizando como imprestável para fins de determinar o lucro real; d) a escolha pelo regime tributário a ser aplicável não constitui ato discricionário da Autoridade Fiscal. O art. 47 da Lei 8.981, de 1995, é claro ao dispor sobre a obrigatoriedade da apuração por arbitramento quando a escrituração contábil não possuir condições necessárias para averiguar o lucro real; e) o mesmo raciocínio aplicado quanto à apuração da movimentação bancária para fins de incidência tributária deveria ser atribuído a eventuais custos não contabilizados, para fins de apuração do lucro real. Nesse sentido, a ausência de sua apuração denota imprestabilidade da contabilidade, logo, a obrigatoriedade do arbitramento; f) os depósitos de R$ 74.325,64, R$ 68.083,16, R$ 68.680,35 e R$ 68.717,83 não correspondem a receitas, mas sim a despesas. Trata-se de depósitos para cobrir o financiamento obtido para pagar seus fornecedores (operação COMPROR); g) o Auditor Fiscal declarou como indevida a compensação dos prejuízos fiscais apurados em face da reversão após lançamento das infrações constatadas no período- base de 2003, 2004 e 2005, compensações do período 30/09/2004, 31/12/2004 e 31/03/2005. Contudo, a reversão dos prejuízos por conta da suposta omissão de receita não tem o condão de invalidar a apuração dos prejuízos apurados anteriormente, especialmente do ano-calendário de 1997, sob pena de torna perniciosa a fiscalização através da possibilidade de retroagir a fatos consumados pela decadência e fazer tábula rasa do princípio da segurança jurídica. Do exposto, conclui-se que a glosa dos prejuízos apurados no ano-calendário de 1997 não poderá ser concretizada, e, consequentemente, deverá ser excluído da suposta “receita operacional” obtida através da movimentação bancária; h) o auto de infração não pode prosperar, pois passaram-se 132 dias sem que o MPF fosse prorrogado e o contribuinte tivesse ciência formal de sua prorrogação, nos termos dos arts. 12, 13 e 15 da Portaria RFB n° 4.066, de 2007; i) não procede a qualificação da multa, por falta de comprovação de dolo à sonegação fiscal, tendo o contribuinte cumprido todas as intimações da autoridade fiscal, não sendo possível a imputação da prática de delito penal tributário com base em presunções; j) as multas de 75% e de 150% tem caráter confiscatório e são inconstitucionais; l) decadência dos fatos geradores ocorridos até novembro de 2003, pois a autuação fiscal foi lavrada no dia 11/12/2008; Fl. 7576DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.571 15 m) os valores que transitaram nas contas bancárias dos Srs. Georges Assaad Azar e Georges Nabil Hajj, na qualidade de sócios e administradores do recorrente, não poderiam integrar a base imponível da exação. Noutro ponto, o próprio Sr. Georges Nabil Hajj figura como sócio em outras empresas, levando a crer que parte da sua movimentação bancária possui origem em valores percebidos, devidamente, por aquelas empresas, logo, indevidamente lançados no presente Auto de Infração; n) o lançamento é ilegal por se basear em quebra de sigilo bancário sem ordem judicial. Ao final, requer seja provido o presente recurso para fins de reconhecer a ocorrência da nulidade, bem como a improcedência pelas razões de fato e de direito que alicerçam a atuação fiscal, cancelando-se o Auto de Infração. Este processo foi a mim distribuído numerado digitalmente até a fl. 7.556. Esclareça-se que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do e-processo. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O lançamento sob análise tributou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a qualificação da multa pela prática de sonegação. Foram considerados os depósitos efetuados tanto nas contas-correntes da empresa, quanto nas dos sócios Georges Assad Azar e Georges Nabil Hajj, por se entender comprovado que todas essas contas eram utilizadas para realizar a movimentação financeira da pessoa jurídica. A sonegação foi caracterizada pela utilização das contas dos sócios para ocultar operações mercantis da Indústria de Plásticos Bariri, à margem da escrituração, bem como por depósitos bancários não contabilizados em favor da própria indústria. A Fiscalização se utilizou dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas para reduzir as infrações de omissões de receita, e por isso lançou infrações de glosas de prejuízos e bases negativas compensados indevidamente, quando esses saldos não foram mais suficientes em períodos futuros. Em sua defesa, o recorrente levanta diversas preliminares de nulidade do lançamento, preliminar de decadência, bem como ataca o mérito da autuação. 1 – PRELIMINARES DE NULIDADES DO LANÇAMENTO Fl. 7577DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.572 16 1.1 – Nulidade da Quebra do Sigilo Bancário pelo Fisco O recorrente afirma não ser possível a quebra do sigilo bancário pelo Fisco, sem autorização judicial, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal – STF. Inicio com a transcrição do dispositivo legal que permite o acesso à movimentação financeira pela Fisco, o art 6 o da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Esse artigo de lei está em plena vigência, não possuindo este CARF competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2. Tal conclusão não se altera pelo fato de a matéria estar em discussão no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do artigo 543-B do Código de Processo Civil – CPC. Isso porque apenas as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, como determinado pelo art. 62- A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Acrescente-se que a Portaria GMF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62- A do anexo II do RICARF, acabando assim com a possibilidade de sobrestamento de julgamentos no CARF até a decisão definitiva do STF. Dessa forma, correto o procedimento fiscal embasado em dispositivo legal em plena vigência. 1.2 – Nulidade do MPF O recorrente também defende a nulidade do lançamento devido à falta de notificação das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Fl. 7578DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.573 17 Como bem esclarecido pela decisão recorrida, e demonstrado pelo documento de fl. 5.371, o MPF sob análise foi emitido em 21/5/2008, com base na Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007. Nos termos do art. 4° desse ato legal, o MPF é emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, e sua ciência se dá no sítio da RFB na Internet, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Já a prorrogação do prazo, segundo o art. 12 dessa mesma Portaria, poderá ser efetuada pela autoridade emitente tantas vezes quantas necessárias. Assim, não existe a obrigatoriedade de intimação pessoal de cada prorrogação, devendo o fiscalizado, se assim o desejar, confirmar a validade do MPF diretamente na Internet. Observe-se que os documentos de fls. 5.369 a 5.371 demonstram que os requisitos previstos na legislação foram cumpridos, pois a empresa foi cientificada tanto do Termo de Intimação, quanto do MPF que autorizava o início da ação fiscal. Já o documento de fl. 7.424 demonstra as devidas prorrogações do MPF. Ademais, devo registrar que é o entendimento majoritário desta Turma, apesar de não unânime, de que o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. Como exemplo, cito o Acórdão nº 1102-000.911, julgado na sessão de 7 de agosto de 2013, de relatoria do Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. No mesmo sentido, transcrevo ementa de decisão unânime da 1 a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101-001.457, proferida na sessão de 15 de agosto de 2012, tendo por relator o Conselheiro Valmir Sandri: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – VALIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele instaurado e possibilitar-lhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta. 1.3 – Demais Nulidades O recorrente também afirma que o lançamento é nulo por falta de comprovação de que os depósitos nas contas dos sócios eram de titularidade da pessoa jurídica e pela não adoção do arbitramento dos lucros. Por envolverem a análise mais aprofundada dos fatos subjacentes, deixarei para abordar tais preliminares juntamente com o mérito. Fl. 7579DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.574 18 2 - PRELIMINAR DE DECADÊNCIA A decisão recorrida entendeu inexistir decadência do lançamento, aplicando ao caso as determinações do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN, que inicia a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, por considerar comprovado o evidente intuito de fraude, caracterizado pela intenção dolosa de reduzir os tributos devidos. O recorrente pugna pela utilização da regra do art. 150, §4 o , do CTN, que conta o prazo fatal a partir da ocorrência do fato gerador, afirmando não ter agido com dolo. Assim, defende a decadência dos fatos geradores ocorridos até novembro de 2003, pois teve ciência da autuação fiscal apenas no dia 11/12/2008 (fl. 7.284). A utilização da regra do art. 173, inciso I, do CTN, nos casos de dolo, fraude ou simulação, é pacífica, estando inclusive estampada no enunciado da Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. Como esclarecerei mais adiante no voto, entendo que a qualificação da multa foi correta, e que, assim, é irreparável a conclusão da DRJ que entendeu inexistir qualquer crédito tributário decadente. Para o IRPJ e CSLL, por se tratar de lucro real trimestral, até o terceiro trimestre de 2003, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado seria 1º/1/2004, terminando em 31/12/2008. O mesmo raciocínio vale para o PIS e a COFINS, com fatos geradores mensais. Entretanto, alerto que, caso a Turma entenda não ser cabível a qualificação da penalidade, com a aplicação do art. 150, §4 o , do CTN e o início do prazo decadencial no fato gerador, forçoso será também o reconhecimento da decadência parcial de todos os tributos lançados. Diante do exposto, rejeito a preliminar de decadência. 3 – MÉRITO 3.1 – Omissão de Rendimentos: Depósitos de Origem Não Comprovada O lançamento tributou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com base no art. 42 da Lei n o 9.430, de 1996. Transcrevo o dispositivo legal que embasou o lançamento: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 7580DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.575 19 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5 o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6 o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Acrescente-se que os limites do inciso II do § 3º foram alterados para R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente, pelo art. 4 o da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997. Assim, vê-se que a lei criou uma presunção legal de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto à Fl. 7581DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.576 20 instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. Por isso, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Para afastar a presunção legal, não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. No caso, verifico que o procedimento fiscal atendeu os termos da lei, pois o contribuinte foi intimado a apresentar seus extratos bancários; com a recusa parcial eles foram obtidos diretamente dos bancos; depois da totalização dos depósitos, intimou-se o sujeito passivo a justificar sua origem; e só após foi lavrado o auto de infração com os depósitos sem origem justificada. 3.2 – Necessidade de Comprovação do Consuma da Renda O recorrente defende a impossibilidade de tributação de extratos bancários, e afirma que a movimentação bancária não é receita, sendo necessário que se faça comprovação da utilização dos valores depositados, de forma a evidenciar aumento de patrimônio e os chamados “sinais exteriores de riqueza”. Contudo, a jurisprudência e argumentos citados se referiam à legislação anterior ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo que o novo regramento tem sua aplicação pacificamente aceita nos moldes acima exposto. De qualquer modo, a matéria não comporta mais discussão administrativa desde a publicação da Súmula CARF nº 26, que possui o seguinte enunciado: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 3.3 – Titularidade dos Depósitos A defesa também afirma que não ficou demonstrado que todos os depósitos eram de titularidade da empresa, que a Fiscalização se utilizou indevidamente de amostragem, e que os depósitos nas contas dos sócios poderiam ser de titularidade deles. Contudo, entendo que o trabalho fiscal foi bastante consistente e conseguiu demonstrar que toda a movimentação financeira era da pessoa jurídica. Para os créditos em nome do Sr. Georges Nabil Hajj, sócio minoritário e sobrinho do Sr. Georges Assad Azar, o próprio titular declarou que toda a movimentação financeira era da empresa, e que as contas-correntes eram utilizadas para ocultar o verdadeiro faturamento de Indústrias de Plástico Bariri. Fl. 7582DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.577 21 Além disso, diversas informações fornecidas sobre o esquema, como o pagamento de dívidas da empresa com as contas desse sócio e a participação do office-boy de nome Ivan, foram confirmadas pela obtenção de cópias de cheques. Mais ainda, diversos emitentes dos cheques depositados confirmaram que depositavam parte dos pagamentos a Indústrias de Plástico Bariri naquela conta-corrente por ordem do Sr. Georges Assad Azar. Para as contas-correntes em nome do Sr. Georges Assad Azar, apesar de o titular não ter prestado qualquer esclarecimento à Fiscalização, a circularização com diversos fornecedores confirmou o mesmo esquema de utilização das contas do sócio para ocultar o verdadeiro faturamento da pessoa jurídica. Assim, entendo que as provas trazidas aos autos são mais que suficientes para confirmar que TODOS os depósitos das contas-correntes dos sócios utilizados no lançamento eram de propriedade da empresa. Penso que a amostragem utilizada foi adequada para suportar a conclusão, passando a ser ônus da defesa demonstrar o contrário. Contudo, o recorrente apenas traz alegações genéricas, afirmando não ser possível o uso apenas de amostragem, e que seria possível que parte dos depósitos fossem de titularidade dos sócios. Ora, em um esquema fraudulento, nos moldes como descrito, onde se utilizavam diversos artifícios para esconder o subfaturamento, evidentemente será impossível a confirmação do ilícito por todos os partícipes. Contudo, as cópias de cheques utilizados para pagar contas da empresa, os depoimentos de fornecedores, e as confirmações dos sócios minoritários, aliadas à ausência de qualquer explicação ou argumento contrário razoáveis, servem para demonstrar que as contas dos sócios trazem a movimentação financeira da pessoa jurídica. Observe-se que o § 5 o do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que se faça o lançamento em nome do verdadeiro titular da conta, no caso de interposição de pessoa. Quantos aos depósitos não justificados nas contas em nome da empresa, não há muito o que se acrescentar, já que se trata de direta aplicação da lei. Acrescente-se, apenas, que a empresa apresentou parte de suas contas, e que a Fiscalização verificou que, para essas, todos os depósitos estavam contabilizados. Entretanto, verificou-se que existiam algumas contas em nome da pessoa jurídica que também estavam à margem da escrituração, o que demonstra a prática do conhecido “caixa dois”. Assim, estabelecido que todos os depósitos constantes do lançamento pertencem à pessoa jurídica, os argumentos genéricos apresentados não servem para refutar o lançamento. Se parte dos depósitos pertenciam aos sócios, não basta à defesa simples declarações sem provas. Como já dito, após a intimação para a comprovação da origem dos recursos creditados nas contas, inverte-se o ônus da prova, e somente se deixa de considerar com receita o depósito inequivocamente correlacionado com sua origem. 3.4 – Depósitos Relacionados à Operação COMPROR Fl. 7583DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.578 22 A única tentativa real de justificar parte dos depósitos diz respeito aos créditos de R$ 74.325,64, R$ 68.083,16, R$ 68.680,35 e R$ 68.717,83, que o contribuinte afirma se prestarem a cobrir o financiamento obtido para pagar seus fornecedores (operação COMPROR). A autoridade fiscal não admitiu essa explicação, entendendo que esses depósitos, de fato, serviram para cobrir os financiamentos bancários, mas que, para isso, deveriam ter sua origem comprovada, sob pena de serem considerados rendimentos omitidos. O recorrente esclarece que o banco disponibiliza crédito rotativo mediante o pagamento das notas fiscais emitidas por seus fornecedores, através de Solicitações de Utilização de Créditos - SUC. Na época do pagamento da dívida, o banco debitava automaticamente a conta corrente no valor dos empréstimos, acrescido dos encargos. Desse modo, os depósitos em análise teriam sido feitos para quitar esses empréstimos, o que se verifica facilmente pelo valor e data, compatíveis com os pagamentos dos financiamentos. Contudo, as explicações dadas não refutam a análise da Fiscalização. Ao contrário, a confirmam. Na verdade, o contribuinte esclarece qual foi a utilização dos créditos bancários: o pagamento de dívidas. Mas, para afastar o lançamento, deveria esclarecer qual foi a origem dos depósitos. Isto é, de qual receita tributada se utilizou para pagar o financiamento. Não o fazendo, permanece a conclusão de que os empréstimos foram quitados com rendimentos auferidos à margem da contabilidade. 3.5 – Necessidade de arbitramento O recorrente defende que o lançamento deveria, obrigatoriamente, ter se dado na modalidade do arbitramento, não sendo lícita a tributação pelo lucro real trimestral. Isso porque a própria acusação fiscal considerou a escrituração contábil imprestável para apurar o lucro real, pois não permitia identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Assim, a escolha pelo regime tributário a ser aplicável não constituiria ato discricionário da Autoridade Fiscal, já que o art. 47 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, seria claro ao dispor sobre a obrigatoriedade da apuração por arbitramento quando a escrituração contábil não possuir condições necessárias para averiguar o lucro real. Acrescenta que, do mesmo modo que se presumiu a omissão de rendimentos, dever-se-ia, também, considerar a existência de custos não contabilizados. Nesse sentido, justifica-se, também, o arbitramento. Sem razão a defesa. Entendo que o arbitramento dos lucros poderia ter sido uma possibilidade a ser considerada pela autoridade fiscal, caso decidisse enveredar sua acusação no sentido de Fl. 7584DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.579 23 imprestabilidade da escrituração. Entretanto, foi também correta a alternativa utilizada de admitir que a escrituração era aceitável, mas que apenas não trazia toda a movimentação financeira. O que não se pode admitir é o contribuinte em nada colaborar com a Fiscalização no sentido de comprovar a origem dos depósitos, forçar um lançamento de omissão de receitas pelo valor total, e, em sede de recurso, defender que a autoridade fiscal deveria ter considerado sua escrituração imprestável e arbitrado seus lucros, escapando assim da totalidade do lançamento. Trata-se, no meu entender, de tentativa de se beneficiar de sua própria torpeza, atitude em tudo rechaçada pelo Direito. O curioso é que já enfrentei, em outros processos, a tese contrária: a de que a não escrituração de depósitos e créditos bancários oriundos de contas correntes mantidas pela empresa em instituições financeiras não invalida a escrituração contábil, pois, em que pese a ausência de comprovação da origem dos valores, tal fato poderia ensejar presunção legal de omissão de receita ou rendimento, porém passível de tributação como adição ao lucro real apurado, como prescreve o art. 288 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99. Assim, se alguma dessas teses antagônicas tivesse validade, a autoridade fiscal ficaria em estado de constante insegurança. Quando verificasse a existência de movimentação bancária não escriturada, não saberia se deveria, ou não, arbitrar os lucros. Ao contribuinte autuado sempre restaria a utilização da interpretação que defende o procedimento contrário. E o crédito tributário ficaria refém do entendimento adotado pela Turma Julgadora que apreciasse o lançamento, em um futuro distante. É por isso que entendo que existem diversas maneiras que a Fiscalização pode fundamentar a autuação, em função das provas colhidas e da legislação aplicável. A análise do caso importará em verificar se o lançamento foi devidamente fundamentado. No caso sob análise, a acusação foi consistente tanto com as provas, quanto com a lei tributária, e merece ser mantida. Finalmente, também não procede o argumento de existência de custos não contabilizados. Se eles existissem, bastaria a sua comprovação pela defesa para a sua exclusão do resultado tributado, não sendo lícita a pretensão de que eles sejam presumidos pelo arbitramento. Para ajudar a decisão dos que pensam diferente, e entendem que a necessidade de arbitramento decorre da representatividade dos depósitos tributados com relação às receitas já declaradas, elaborei a tabela abaixo. ANO Depósitos Não Comprovados Receitas Declaradas % 2003 13.788.189,05 33.263.034,88 41,45% 2004 14.634.929,57 39.357.748,08 37,18% 2005 15.820.517,56 36.700.221,67 43,11% Total 44.243.636,18 109.321.004,63 Fl. 7585DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.580 24 Os depósitos não comprovados foram extraído do Termo de Verificação Fiscal (fl. 90) e a receitas declaradas foram totalizadas a partir das demonstrações dos resultados das DIPJs (fls. 227 a 230, 305 a 308, 396 a 399). 3.6 – Compensação de Prejuízos O recorrente afirma que a autoridade fiscal, ao proceder à compensação de ofício das infrações apuradas com o saldo de prejuízos acumulados, indevidamente glosou prejuízos de anos anteriores, em especial do ano de 1997. A decisão recorrida efetuou meticulosa análise do procedimento fiscal, concluindo que não houve qualquer prejuízo ao contribuinte. Transcrevo seus argumentos (fls. 7.466 a 7.467): 2.11 - Compensação de Prejuízos Anteriores ao Período Apurado pela Fiscalização, Especialmente do Ano-Calendário de 1997. A impugnante alega que foi declarada como indevida a compensação de prejuízos anteriores ao período apurado pela fiscalização, especialmente do ano- calendário de 1997, caracterizando retroatividade a fatos consumados pela decadência e fazendo tábula rasa do princípio da segurança-jurídica. Da análise do demonstrativo da compensação de prejuízos fiscais, anexo ao Auto de Infração, contata-se não ser procedente a argumentação da impugnante. Inicia o demonstrativo (fl. 63) com saldo de prejuízos operacionais e não operacionais da fiscalizada, de R$ 5.939.366,11 e R$ 21.876,34, respectivamente, sendo estes oriundos das próprias DIPJ apresentadas pela impugnante desde sua abertura, 29/04/1993, até 31/12/2002. SALDO DE PREJUÍZOS OPERACIONAIS Período *1994 *1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 jan 4.686,24 fev 7.802,81 mar 8.286,41 86.641,13 61.314,57 213.113,39 706.712,71 202.671,49 368.356,67 abr 11.828,02 mai 7.005,77 jun 11.265,82 67.641,98 63.209,64 39.922,62 96.914,49 391.532,20 142.248,49 jul 15.988,24 ago 19.481,13 set 12.177,08 40.776,21 71.431,68 266.531,61 926.724,85 133.564,33 433.800,95 out 11.292,35 nov -4.435,25 dez 8.721,51 71.732,50 160.809,86 349.465,72 369.749,60 108.384,82 377.979,86 Total 956,32 73.078,29 114.100,13 266.791,82 356.765,75 869.033,34 2.100.101,65 836.152,84 1.322.385,97 Saldo 956,32 74.034,61 188.134,74 454.926,56 811.692,31 1.680.725,65 3.780.827,30 4.616.980,14 5.939.366,11 * 1994 e 1995 - saldos atualizados até 01/1996 Analisando a planilha acima, contata-se que os valores a serem compensados apresentados na impugnação para os anos de 1996 a 2002 (fls. 6.888 /6.889) são iguais. O único ano em que se verifica divergência, refere-se ao valor a ser compensado em 31/12/1995, que foi informado na impugnação como R$ 74.314,27, Fl. 7586DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.581 25 sendo o saldo corrigido, de acordo com as declarações da contribuinte de R$ 74.034,61 (Demonstrativo da compensação de prejuízos fiscais – SAPLI juntado nas fls. 6.998 a 7.013). Quanto ao saldo de prejuízo não operacional, apresenta a impugnante o mesmo valor informado pelas Autoridades Fiscais no demonstrativo (fl. 63), ou seja, R$21.876,34. Nos demonstrativos da compensação de prejuízos fiscais (fl. 63 a 68), tendo em vista alteração do resultado da contribuinte em função da apuração de omissão de receitas, foram concedidos à fiscalizada, a compensação dos saldos de prejuízos a compensar, motivo que os saldos remanescentes vão sendo ajustados aos novos resultados da fiscalizada. Desta forma, logicamente, ocorreram alterações nos saldos acumulados e nos períodos de compensação dos prejuízos, antecipando-se a compensação em função da apuração dos novos resultados. A título de exemplo, no 1º trimestre de 2003 (fl. 63), foram compensados R$ 1.114.105,90 do saldo de prejuízo fiscal do contribuinte, sendo R$ 4.510,00 de prejuízo não operacional e R$ 1.109.595,90 de prejuízo operacional. Destarte, todo saldo de prejuízo fiscal operacional referente aos anos de 1994 a 1998 (R$811.692,31) e parte do prejuízo fiscal operacional de 1999 (R$297.903,59) foram utilizados para compensação do lucro real apurado no 1º trimestre de 2003. Nos trimestres seguintes, da mesma forma, segue-se na compensação dos saldos de prejuízos fiscais, até que no 1º trimestre de 2005 todo saldo de prejuízo fiscal foi compensado. Destaca-se que os Auditores Fiscais intimaram “o contribuinte para realizar os devidos ajustes, a partir das alterações demonstradas neste auto, no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR)” (termo de encerramento de fl. 6.860), motivo que deve a impugnante ajustar referido livro, conforme Auto de Infração e seus demonstrativos. Portanto, demonstrada a improcedência da alegação da impugnante de que foi considerada indevida a compensação de prejuízos anteriores ao período apurado pela fiscalização, especialmente do ano-calendário de 1997, não há como se alterar o lançamento. No voluntário, o recorrente simplesmente repete os termos da impugnação, em nada contestando a análise da decisão recorrida. Analisei os argumentos do julgador a quo, e com eles concordo, e por isso concluo não proceder o argumento de glosa de prejuízos de períodos anteriores. 4 – MULTAS APLICADAS 4.1 – Qualificação da Multa Fl. 7587DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.582 26 O recorrente alega que não é possível a qualificação da multa, porque cumpriu todas as intimações da autoridade fiscal, não sendo possível a imputação da prática de delito penal tributário com base em presunções. Contudo, penso que a Fiscalização comprovou devidamente o intuito doloso de suprimir tributos, pela não contabilização de parte expressiva da movimentação financeira da pessoa jurídica, bem como pelo uso de contas dos sócios com o objetivo de ocultação do faturamento efetivamente obtido. Nesse sentido, ficou demonstrada a ocorrência de omissão dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que é considerado como prática de sonegação nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, e justifica a duplicação da penalidade, de acordo com o §1 o do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. 4.2 – Multas Confiscatórias Finalmente, não assiste razão ao recorrente quando defende que as multas aplicadas são confiscatórias e inconstitucionais. Essa penalidade está prevista explicitamente em lei, e não é permitido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). 5 - CONCLUSÕES Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Declaração de Voto Em que pese a excelência do voto condutor deste acórdão, pede-se vênia para discordar de parte dos fundamentos aduzidos pelo ilustre Conselheiro Relator para justificar a regularidade dos lançamentos. Fl. 7588DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.583 27 Diferentemente do quanto mencionado no voto supra, a atividade de lançamento é plenamente vinculada, conforme expressamente disposto no art. 142 do CTN. Não há discricionariedade no exercício da atividade da Fiscalização que lhe permita “escolher” entre os regimes de apuração de lucro dispostos na legislação para fins de constituição de crédito tributário. Feita a opção pelo contribuinte por determinado regime de apuração, esta (opção) deve ser respeitada pela Fiscalização, salvo se não lhe for possível auditar a apuração do contribuinte respectiva, o que implicará tributação pelo regime do lucro arbitrado. Assim dispõe o art. 47 da Lei n. 8.981/95, verbis: “Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o Decreto-Lei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV - o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; (...) VII - o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário; VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977.” (Grifou-se). Esses dispositivos estão reproduzidos no artigo 530 do RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n º 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 1 º ): I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Fl. 7589DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.584 28 II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV - o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V - o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI - o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. (grifou-se) Como se sabe, o art. 1º da Lei nº 9.430/96 prevê três regimes de apuração de lucro, quais sejam, o Lucro Real, o Lucro Presumido e o Lucro Arbitrado. Com base no art. 6º do Decreto-lei nº 1.598/77, o Lucro Real pode ser definido como sendo o lucro líquido “ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária”. Ou seja, trata-se do resultado aritmético da subtração das despesas aferidas pela pessoa jurídica do montante das receitas auferidas em um determinado período, modificado por alguns ajustes previstos na legislação tributária. Por relevante, vale registrar a intuitiva assertiva de que não é possível auferir receitas sem contrair despesas, cujo montante (de despesas) guarda certa proporcionalidade com o volume de receitas, de sorte que quanto maior o volume de receitas, maior será o montante das despesas correspondentes no período. Por sua vez, conforme determina o art. 532 do RIR/99, o Lucro Arbitrado é apurado, quando as receitas da pessoa jurídica são conhecidas pela Fiscalização, mediante a multiplicação (i) de um percentual ficto de margem de lucro (mesmo percentual do Lucro Presumido), acrescido de 20% (vinte por cento), sobre a (ii) receita bruta conhecida do período de apuração. No caso da Contribuinte, o Lucro Arbitrado corresponderia a 9,6% (nove vírgula seis por cento, ou seja, 8% acrescido de 20%) do total de sua receita bruta conhecida. Portanto, para fins de apuração do Lucro Arbitrado, a lei presume que 90,4% (noventa vírgula quatro por oito por cento) das receitas auferidas pela Contribuinte são absorvidos por custos e despesas necessários para o exercício de sua atividade. Eis aí a razão do arbitramento. Se não é possível aferir com segurança o lucro real do período por deficiência da escrituração contábil do contribuinte (deficiência essa que pode decorrer do próprio significativo contraste entre o montante de receitas omitidas vis-à–vis Fl. 7590DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.585 29 as receitas declaradas), impõe-se à Fiscalização (e não “se permite”) arbitrar o respectivo lucro, na forma e nos termos em que previstos na legislação, sob pena de, em não o fazendo, afastar- se da tributação sobre o lucro ou renda e passar a tributar receitas como se lucro ou renda fossem. A consequência imediata de não ser possível verificar e auditar o lucro real do contribuinte em determinado período, ante a ausência de apresentação de contabilidade regular no curso de fiscalização, é a de que a Fiscalização, via de regra, deixa de tributar o lucro para tributar receitas como se lucro fossem, em contrariedade a todos os regimes de apuração de lucro existentes na legislação tributária brasileira. A respeito desse tema, vale invocar a jurisprudência do CARF, que é remansosa no sentido de que a escrituração fiscal do contribuinte deve ser desconsiderada nos casos em que for significativa a diferença entre o total de receitas declaradas e o total de receitas omitidas, ante a caracterização da tributação de receitas como se lucro fossem. Confira-se: “(...) CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRADO O LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancária realizada pela empresa. Não é regular a contabilidade que deixa de registrar a maior parte das transações realizadas pelo contribuinte, ainda que formalmente correta. Nos casos em que a contabilidade da empresa não registrar a real movimentação financeira, com receita declarada em percentual muito aquém daquela apurada pela fiscalização, deverá a autoridade fiscal proceder ao arbitramento do lucro, ainda que a pessoa jurídica seja tributada com base no lucro real. O artigo 24, da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 47, da Lei nº 8.981, de 1995. O artigo 47, da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. (CARF, Ac. nº 1402-000.456, julgado em 25.02.2011. Grifou-se) No mesmo sentido: “IRPJ/CSLL — ARBITRAMENTO — ART. 42 DA LEI 9430/96 — DESPROPORCIONALIDADE. Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei 9430/96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não seja proporcional para cômputo como lucro da pessoa jurídica, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RIR/99, art. 530, II, "a" e "b").” (CARF, Ac. nº 1301-000.425, julgado em 11.11.2010. Grifou-se) No mesmo sentido: Fl. 7591DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.586 30 “OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO EM NOTAS FISCAIS "ESPELHADAS". NECESSIDADE DE CERTEZA DO MONTANTE TRIBUTÁVEL. ÔNUS DA FAZENDA. INCONSISTÊNCIA DAS PROVAS LEVANTADAS. VÍCIO MATERIAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. DIFERENÇA ENTRE OMISSÃO E RECEITA DECLARADA. CABIMENTO DO LUCRO ARBITRADO. INSUBSISTÊNCIA DA MULTA QUALIFICADA. ... E, igualmente considerando valor vultoso da receita omitida em cotejo com a receita declarada, e série de inconsistências técnicas, restou inconfiável e inidônea a escrita fiscal do contribuinte, com o que, na esteira da jurisprudência sobre idêntica matéria, devia a d.autoridade administrativa proceder o arbitramento do lucro, desta feita como não assim procedido, o auto é nulo de pleno direito.” (CARF, Acórdão nº 1202- 00.116, julgado em 27.07.2009. Grifou-se) No mesmo sentido: “ARBITRAMENTO - ESCRITA IMPRESTÁVEL - Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, e sendo tal omissão de receitas em montante vultoso, a evidenciar enorme descompasso entre as receitas omitidas e aquelas declaradas, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado. Não tendo o crédito tributário sido constituído por essa forma de apuração, a exigência de IRPJ e CSLL deve ser exonerada.” (CARF, Acórdão nº 1301-00.042, julgado em 12.03.2009. Grifou-se) No mesmo sentido: “Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano- calendário: 2002, 2003, 2004 BASE DE CÁLCULO. LUCRO ARBITRADO. Se o valor dos custos e despesas registrados na contabilidade é insignificante quando comparado ao valor da omissão de receita apurada pela fiscalização, é de se reconhecer que a escrituração da pessoa jurídica é imprestável à determinação do lucro real, sendo, nesse caso, obrigatório o arbitramento do lucro. LUCRO PRESUMIDO. O coeficiente de presunção aplicável às pessoas jurídicas dedicadas ao transporte rodoviário de cargas é de 8%”. (CARF, Acórdão 1201-000.898, julgado em 09.10.2013) Reitere-se que se trata de entendimento que resguarda a incidência de imposto de renda sobre os valores que correspondam, efetivamente ou de maneira arbitrada, ao lucro da pessoa jurídica, e, a contrario sensu, afasta a incidência de imposto de renda sobre receita. Caso se autorize a tributação de receitas omitidas à tributação em valores, proporcionalmente, muito maiores do que o das receitas declaradas, haverá tributação de incidência de IRPJ sobre receita, e não sobre lucro. Fl. 7592DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15889.000506/2008-11 Acórdão n.º 1102-001.253 S1-C1T2 Fl. 7.587 31 Fixada a discordância conceitual sobre o tema, diga-se que esta (discordância) não leva a conclusão distinta daquela a que chegou o ilustre Conselheiro Relator sobre a procedência dos lançamentos lavrados sob o regime do lucro real. Em que pesem algumas deficiências na escrituração da Contribuinte, entre as quais a existência de contas correntes não escrituradas, a Fiscalização entendeu que os elementos por ela (Contribuinte) apresentados seriam suficientes para a apuração do lucro real, razão pela qual seria desnecessário o arbitramento. E, mais relevante, os elementos dos autos confirmam citada percepção da Fiscalização, pois a divergência entre o montante de receitas declaradas vis-à-vis o volume de receitas omitidas não permite concluir que a tributação pelo regime do lucro real na hipótese tenha implicado tributação de receitas como se lucro fossem. Cotejando-se o volume de receitas omitidas e as declaradas, e considerados os significativos prejuízos auferidos pela Contribuinte em parte dos exercícios fiscalizados, conclui-se não ser legítima a afirmação da Contribuinte de que a Fiscalização não teria considerando os custos correspondentes ao montante de receitas tributadas por meio dos lançamentos. No ponto, vale mencionar que o montante do lucro tributado pelo regime do lucro real na hipótese é bastante próximo ao montante do lucro que seria tributado por meio do lucro arbitrado. Tal fato é indicativo seguro de que, no caso, estão sendo considerados nos lançamentos os custos necessários à geração das receitas tributadas e, por conseguinte, o próprio lucro real da Contribuinte. Por tais fundamentos, orienta-se voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 7593DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 10 /01/2015 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10880.984593/2009-92
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
POSSIBILIDADE DE COMPENSAR ANTECIPAÇÃO EM TESE. AFASTADO O ÓBICE.
Julgamentos anteriores do CARF. Anulação da decisão para nova ser proferida.
Numero da decisão: 1802-002.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado), Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira).
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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AFASTADO O ÓBICE. Julgamentos anteriores do CARF. Anulação da decisão para nova ser proferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado), Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 45 93 /2 00 9- 92 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984593/200992 Acórdão n.º 1802002.518 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório A ora Recorrente apresentou, em 9/4/2008, a Per/Dcomp nº 31050.99155.090408.1.7.046755, corrigindo DCOMP anterior, por meio do qual solicita compensação de parte do débito de estimativa do IRPJ do mês de janeiro/2005, com o crédito, no valor de R$ 267910,84, referente a pagamento a maior de estimativa do IRPJ de agosto de 2005. A DERAT, através do Despacho Decisório exarado em 21/09/2009, não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que não é passível de ser compensado o crédito de estimativa. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 28/10/2009, alegando, em suma que: Em janeiro de 2005, um de seus clientes rescindiu um contrato em que a Impugnante fornecia energia e, em razão disso, ela tornouse credora da multa contratual devida pelo cliente "Solvay". De início, entendeu que os valores recebidos da multa, um doze avos, deveriam ser reconhecidos como receita em regime de caixa. Depois, percebeu que essa receita deveria ser reconhecida pelo regime de competência, ou seja, deveria ser incluída na apuração do resultado do período em que ocorreu o fato jurídico, em janeiro de 2005. Com isso, foram realizados os devidos ajustes em sua contabilidade e procedido nova apuração dos tributos nesse período. De outro lado, os valores dos tributos que já haviam sido recolhidos ao longo do anocalendário de 2005, tornaramse indevidos, originando um saldo credor a seu favor. 0 despacho decisório indeferiu a compensação realizada pela contribuinte por entender que o valor recolhido a maior a titulo de estimativa mensal do IRPJ de fevereiro de 2005, somente poderia ser compensado ao final do período de apuração do lucro, com base no teor do disposto no artigo 10 da IN n° 600/2005. Não se justifica exigir determinado valor que foi recolhido indevidamente por mero erro de fato, por violação ao principio constitucional da estrita legalidade. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984593/200992 Acórdão n.º 1802002.518 S1TE02 Fl. 4 3 Não se aplica a vedação constante do artigo 10 da IN no 600/2005 ao caso concreto. As estimativas recolhidas são meros adiantamentos dos valores devidos ao final do ano Calendário e poderão não retratar a realidade subjacente. No presente caso, o direito a compensação do valor indevidamente recolhido é imediato, pois o erro de fato cometido pela contribuinte não trouxe qualquer prejuízo ao Erário. Ainda que os valores ora cobrados fossem exigíveis, eles não poderiam ser lançados, pois, a doutrina e jurisprudência são unânimes ao proclamarem a impossibilidade de lançamento de crédito tributário apurado por estimativa após o encerramento do períodobase. Constatandose eventual insuficiência da estimativa do imposto, as autoridades fazendárias apenas poderiam apurar o tributo devido após o encerramento do períodobase e constituir eventual diferença do crédito tributário. Por fim, ainda que se entendesse pela manutenção da exigência em tela, a aplicação da multa deveria ser afastada porque procedeu a quitação do tributo em relação ao fato gerador de janeiro de 2005 de forma espontânea. Em 20 de dezembro de 2010, a 4ª Turma da DRJ/SP1 proferiu o Acórdão nº 1628.701, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e mantendo o despacho da DRF de São Paulo, sob o seguinte fundamento: "Voto (...) 6.Conforme acima relatado, o despacho decisório não homologou a compensação, pois o crédito pleiteado se referia a pagamento a maior de estimativa de fevereiro de 2005 e somente poderia ser compensado na apuração do valor devido do IRPJ, no final do anocalendário de 2005. 7. A não aceitação da compensação foi decidida com base no que vem estabelecido na Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005 (publicada no DOU de 30/12/2005), em seus artigos 10 e 77, que repete o que já era previsto na Instrução Normativa SRF n°460, de 18/10/2004. "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do MAI ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou Fl. 122DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984593/200992 Acórdão n.º 1802002.518 S1TE02 Fl. 5 4 pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRRI ou de CSLL do período. Art. 77. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. 8. Logo, está claro que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa — como no presente caso , este valor somente poderia ter sido utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. 9. Deste modo, não era possível à Impugnante à época da transmissão da DCOMP sob análise — pleitear restituição/compensação de IRPJ calculado por estimativa eventualmente pago a maior que o devido. 10. Nesse ponto, é de se notar que os AFRFB, inclusive julgadores, devem aterse aos limites impostos pelas normas legais. 11. Nesse sentido, vejase a lição de Luiz Henrique de Barros Arruda, em "Processo Administrativo Fiscal”, 2a ed., Ed. Atlas, 1994, pág. 85: "Como órgãos de jurisdição administrativa, sua função, no contexto do sistema de autocontrole da legalidade dos atos administrativos, consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais ou decisões das autoridades a quo com as normas legais vigentes." 12. Esse também é o entendimento da jurisprudência administrativa: "LEGALIDADE DAS NORMAS FISCAIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como Tribunal Administrativo que é, e, tampoirtco, ao juizo de primeira instancia, o exame da legalidade das leis e normas administrativas." (Ac. 106 07 .303/1996). LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS Compete exclusivamente ao Judiciário o exame da legalidade/4.nstitucionalidade das leis. Recurso negado." (2° CC — 2° Cam. Acórdão n° 20210665. Data da sessão: 10/11/98.) 13. Norma especifica a este respeito foi estabelecida no art. 70 da Portaria MF n° 58/2006, a ser respeitada no âmbito das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, transcrito abaixo: "Art. 7° 0 julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112 ' de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos." 14. Assim dispõe, o art. 116, III, da Lei n°8.112/1990, retrocitado: "Art.116. Sao deveres do servidor: III observar as normas legais e regulamentares;" 15. Com referencia ao argumento da Impugnante da impossibilidade da cobrança da estimativa, ern que a compensação não foi homologada, por ter se encerrado o períodobase, cabe analisar o previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (alterado pelos artigos 49 da MP n° 66, de 30/08/2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002, e 17 da MP 135, de 31/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 30/12/2003), assim dispõe, em seus §§ 1° e 6°: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984593/200992 Acórdão n.º 1802002.518 S1TE02 Fl. 6 5 "Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível d restituição ou de ressarcimento, poderá na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002). §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (..) § 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dosdébitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003)" (g.m). 16. Portanto, a Declaração de Compensação (DCOMP) entregue constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados (indevidamente compensados) e com a aplicação da multa de mora, pois, ao contrário da afirmação da Impugnante, não houve a quitação do débito. 17. Em face do exposto, não comprovado direito creditório, VOTO no sentido de INDEFERIR a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão recorrida.” Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 24/02/2011, ressaltando, primeiramente, a tempestividade do recurso sub examine. Após, reiterou os argumentos invocados na manifestação de inconformidade, bem como atacou o acórdão proferido pela autoridade fiscal, requerendo a sua reforma, destacando, em suma, a inaplicabilidade do art. 10 da IN nº 600/2005 para o presente caso, bem como requerendo a compensação dos valores declarados na Per/Dcomp nº 33677.92947.281205.1.3.046310. Esse o Relatório. Segue meu Voto. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984593/200992 Acórdão n.º 1802002.518 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 27/01/2011 e o Recurso Voluntário foi interposto em 24/02/2011. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito A ora recorrente alega que um de seus cliente rescindiu contrato de fornecimento de energia, e em razão disso, a mesma tornouse credora da multa contratual estipulada em contrato, no caso de rescisão por uma das partes. Alega ainda que erroneamente achou que os valores recebidos a título de multa deveriam ser reconhecidos como receita em regime de caixa, porém, depois em melhor análise entendeu que essa receita deveria ser reconhecida pelo regime de competência, incluída na apuração do resultado do período em que ocorreu o fato jurídico, ou seja, em janeiro de 2005. Para acerto dos valores, foram realizados ajustes em sua contabilidade e procedida nova apuração dos tributos, entretanto, os valores que já haviam sido recolhidos ao longo do anocalendário de 2005, tornaramse indevidos, originando um saldo credor a seu favor. A autoridade julgadora indeferiu a compensação por entender que o valor recolhido a maior a titulo de estimativa mensal do IRPJ de fevereiro de 2005, somente poderia ser compensado ao final do período de apuração do lucro, com base no teor do disposto no artigo 10 da IN n° 600/2005. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984593/200992 Acórdão n.º 1802002.518 S1TE02 Fl. 8 7 Entretanto, nos moldes da Súmula CARF 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Desta forma, voto pelo parcial provimento do recurso para afastar o óbice de não se considerar crédito à antecipação, anulo a decisão anterior e devolvo os autos a Delegacia de origem para nova decisão. É o meu VOTO. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 126DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 13702.000695/2003-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1998
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cassio Schappo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1998 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cassio Schappo e Flavio de Castro Pontes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 06 95 /2 00 3- 15 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13702.000695/200315 Acórdão n.º 3801005.034 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13702.000695/200315, contra o acórdão nº 0128.796, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belém (DRJ/BEL), na sessão de julgamento de 18 de março de 2014, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “ Tratase o processo de Auto de Infração nº 0031910 de IPI, às fls 7 a 15, referente aos períodos de apuração de abril, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 1998 que exige o recolhimento de R$ 1.274.065,91, sendo R$ 479.478,08 de imposto e R$ 794.587,83 de multa de lançamento de ofício e juros de mora, calculados até 31/07/2003. Em consulta à “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal – IPI/1998” fl. 8, verificase que a autuação é resultante da falta de recolhimento, apurada em auditoria interna de DCTF. Os anexos – “Demonstrativo dos Créditos Vinculados não confirmados do auto de infração”, fls. 9 a 11, informam que o número do processo declarado referese a outro débito. Regularmente intimada, com ciência do lançamento por via postal, AR à fl. 76, ocorrida em 18 de agosto de 2003, a interessada apresentou a impugnação de fls. 3, em 16 de setembro de 2003, na qual alega: “vem impugnar o Auto de Infração (Doe. 6), com base no art. 16, inciso I do Decreto n° 70.235/72, em função de parte do débito ter sido compensado através do processo n° 13702.000617/9784 (Doc. 7) R$ 24.565.41, e outra parte te sido compensada através do processo n° 13702.000279/9834 (Doe. 8) R$ 455.341,72”. “Cumpre esclarecer que, por um erro de preenchimento da DCTF, o valor informado no 4 trimestre de 1998 foi de R$ 30.974,84, quando o valor apurado de IPI e efetivamente compensado foi R$ 31.403,89” À fl. 137/138 consta despacho proferido pela Diort/Demac/RJO em que a autoridade fiscal afirma: “Em fls. 103/134 foram juntados os extratos do sistema informatizado PROFISC onde são informados os débitos Fl. 182DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13702.000695/200315 Acórdão n.º 3801005.034 S3TE01 Fl. 4 3 cadastrados nos citados processos (débitos compensados no processo n° 13702.000279/9834 em fls. 103/126 ; débitos compensados no processo n° 13702.000617/9784 em fls. 130/134), cabendo informar que, com relação aos débitos nos valores de R$ 12.287.67, período de apuração 01/04/98, e, R$ 12.277,74, período de apuração 11/04/98, não constam no processo administrativo n°. 13702.000617/9784 os pedidos de compensação juntados em fls. 16/17 do presente processo, assim como referidos débitos não se encontram cadastrados no mesmo, conforme PROFISC de fls. 130/134. Também no processo n°. 15374.002.432/200840, apenso ao de n°. 13702.000617/9784, não se encontram cadastrados referidos débitos, fls. 127/127” A DRJ de Belém (DRJ/BEL) decidiu pela parcial procedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 1998 Dctf. Revisão Interna. Compensação. Constatada a existência de outro processo administrativo fiscal que trata do mesmo tema, contribuição, período de apuração compensação impõese o cancelamento da exigência, sob pena de duplicidade de cobrança. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fl. 159/164, expondo que: 1 Afirma que foram consolidados Pedidos de Compensação, apresentados em 17 e 29/04/1998 e chancelados pela Agência da Receita Federal em Campo Grande ; 2 Assegura que a despeito da efetiva juntada da prova dos pedidos de compensação atrelados aos períodos de apuração, houve descaso por parte da DRJ, fazendo menção genérica à ausência desta prova.; 3 Alega prejuízo ao direito da ampla defesa do contribuinte, uma vez que a ilustre DRJ deixou de impulsionar o processo da forma mais adequada, na qual não emprestou a validade devida à prova trazida aos autos.; 4 Entende ter juntado prova hábil e evidente sobre os protocolos de pedido de compensação dos débitos referentes ao IPI. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13702.000695/200315 Acórdão n.º 3801005.034 S3TE01 Fl. 5 4 É o sucinto relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13702.000695/200315 Acórdão n.º 3801005.034 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Da Ausência de Comprovação Consultados os autos, é possível observar que o pedido de compensação a que se refere o contribuinte, localizado às fl. 13/14, não passa de simples protocolo, não havendo confirmação de seu deferimento. Evidenciado isto e analisado o extrato do profisc, não é possível localiza a compensação pretendida pelo contribuinte referente ao período de 20/04/1998 e 11/04/1998, no qual foi apontado todos os períodos de apuração que foram compensados. Não havendo comprovação do a compensação pretendida pelo contribuinte nos períodos já citados, o seu deferimento cumulados com a ausência no sistema da receita, tenho que carece de razão o contribuinte não havendo, pois, apresentando a documentação idônea, completa e capaz de comprovar o direito creditório alegado, devendo ser ressaltado que o recorrente se limitou a apresentar os mesmos documentos outrora colacionados no processo. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333 O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. II – ao réu, quanto à existência de fato impeditiva, modificativa ou extintiva do direito do autor.” Desta forma, em especial pela não comprovação da compensação do crédito, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que deu parcial provimento a impugnação, remanescendo Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13702.000695/200315 Acórdão n.º 3801005.034 S3TE01 Fl. 7 6 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 186DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10580.911724/2009-05
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003
NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2003 NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 24 /2 00 9- 05 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso de embargos que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão lavrado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamentos do Carf, em que foi conhecido e negado provimento ao Recurso Voluntário interposto. Ao analisar a questão, a 2ª Turma Especial proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 Direito ao crédito não conhecido. Ausência de prova do crédito pleiteado. Em recurso que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão em epígrafe, argumentando que houve contradição, no que concerne ao reconhecimento do crédito pleiteado para possível compensação, e que houve, também, omissão quanto à negativa de acolhimento dos termos da sentença proferida no mandado de segurança nº 2009.34.00.031.4472, em andamento na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Voto Verificase que o presente Recurso de Embargos é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. Por intermédio de manobra diversionista, o recorrente pretende efeitos infringentes em sede de embargos, o que é vedado pela legislação de regência. Tal motivo já é suficiente para negar provimento. Contudo, para elucidar a questão, renovase aqui os termos da decisão proferida em sede de recurso voluntário. O recorrente tem, em tese, ao seu favor, uma decisão judicial precária apenas, pois o processo ainda está em andamento e, por via de conseqüência, não aconteceu o trânsito em julgado do mandado de segurança. Esta situação, portanto, s.m.j., não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários, nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 66 da lei nº 8.383/91. Ou seja, para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e da certeza, o que, de fato, não foram preenchidos. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911724/200905 Acórdão n.º 3802004.220 S3TE02 Fl. 112 3 Inclusive, aprofundando um pouco mais o debate, não há nos autos, qualquer prova que o contribuinte é beneficiário da noticiada decisão judicial, já que não há documentos que comprovam a condição de ser o ora recorrente integrante dos quadros associativos da associação que consta no polo ativo do mandado de segurança, muito menos os atos constitutivos dela para saber o funcionamento do regramento jurídico nos casos de representação coletiva em sede judicial. Portanto, pelas razões acima expostas, CONHEÇO dos presentes Embargos e, no mérito, Rejeitoos. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 170DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 12457.721273/2013-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 13/07/2012
MULTA DE CESSÃO DE NOME. OCULTAÇÃO NO COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES.
A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.
Numero da decisão: 3101-001.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão: Por maioria, negou-se provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Fez sustentação oral o Dr. Felipe Nóbrega Rocha, OAB/SP 286.551, advogado do sujeito passivo.
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Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente em exercício e relator.
EDITADO EM: 16/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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OCULTAÇÃO NO COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão: Por maioria, negouse provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Fez sustentação oral o Dr. Felipe Nóbrega Rocha, OAB/SP 286.551, advogado do sujeito passivo. . Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente em exercício e relator. EDITADO EM: 16/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Adolpho Bergamini, José AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 72 12 73 /2 01 3- 35 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário referente à aplicação da multa de 10% (dez por cento) sobre o valor da operação, por alegada cessão de nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. As Declarações de Importação nºs 12/12832630 e nº 12/12836474 foram submetidas a procedimento especial de controle aduaneiro por suspeita de ocultação do real adquirente nas operações de importação, infração punível com pena de perdimento das mercadorias. A ação fiscal decorreu de operação realizada pela Receita Federal denominada “Operação Moinho de Vento” que teve por alvo, além do contribuinte supracitado, outras 3 (três) empresas que se utilizavam do mesmo modus operandi (simulação de operações de comércio exterior por intermédio da PAN ASIA). Segundo a alegação fiscal, a PANASIA registrou 155 DIs que tiveram como destino final da farinha de trigo a empresa COMEX COMPANY IMPORTADORA DE GENEROS ALIMENTICIOS LTDA (COMEX) em 2012. Também foi constatado que as atividades do escritório de despacho aduaneiro “D' Antonelli Assessoria em Comércio Exterior LTDA” funcionavam na mesma sala comercial onde funcionava o escritório da COMEX e que, após análise dos documentos extraídos na diligência, teria sido comprovado que as transações da COMEX eram realizadas pela despachante DENISE ANTONELLI, sóciaadministradora da D'Antonelli e exsócia da COMEX. Ao analisar as operações de importação realizadas pela importadora, em conjunto com os documentos apreendidos no procedimento fiscal, a Fiscalização concluiu que a empresa PAN ASIA TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, na qualidade de empresa importadora intermediária (interposta), e a empresa COMEX INDUSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, na qualidade de verdadeiro adquirente (oculto) das mercadorias estrangeiras, agiram em conluio no cometimento da infração de ocultação do verdadeiro adquirente em operações de comércio exterior. Segundo a Fiscalização houve, de fato, a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas mediante simulação. Assim, foi proposta a pena de perdimento das mercadorias por se considerar dano ao Erário, conforme inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976 com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, pena prevista no parágrafo 1º do mesmo artigo. Em razão de as mercadorias importadas terem sido consumidas ou revendidas, a Fiscalização lavrou auto de infração para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, conforme determinado no parágrafo 3º do mesmo artigo 23, do Decretolei nº 1.455/1976, conforme processo nº 12457.732151/201293. Concomitantemente ao auto de infração lavrado para exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, autuado em outro processo administrativo fiscal, a Fiscalização lavrou o auto de infração do presente processo para exigência da multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, objeto dos presentes autos. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 12457.721273/201335 Acórdão n.º 3101001.812 S3C1T1 Fl. 4 3 O sujeito passivo PAN ASIA apresentou a impugnação, alegando, em síntese que já fora autuada no processo nº 12457.732151/201293 como sujeito passivo solidário relativamente à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, operandose um verdadeiro bis in idem; que o Fisco não comprova a ocorrência de fraude ou simulação nas operações em comento, limitandose a imputar como fraudulentas importações que não se encaixam perfeitamente nas modalidades comerciais de importação reconhecidas; que seria uma trading e o próprio ordenamento jurídico brasileiro reconhece a possibilidade de uma empresa contratar uma trading para realizar operações de comércio exterior; que, após efetuar as negociações com o exportador, a COMEX repassa as operações para a PAN ASIA a qual as financia, com recursos próprios, desembaraça as mercadorias e as revende às suas clientes. Neste processo a PAN ASIA aufere lucro, até mesmo como remuneração pelo trabalho despendido e pelo capital próprio imobilizado com financiamento da operação em nome próprio; que as importações foram registradas como importação direta haja vista ser a importadora a real adquirente das mercadorias, arcando, inclusive, com o pagamento do câmbio perante o exportador com recursos próprios. Não há qualquer adiantamento por parte dos clientes. A impugnante descreve a origem dos recursos utilizados para pagar o câmbio referente a cada DI constante no auto de infração. A impugnante requereu também o vínculo àquilo que ficar decidido na Ação Judicial nº 003783522.2012.4.01.3400, haja vista a alegada coincidência de objetos processo administrativo e da ação judicial. A manutenção do Auto de Infração teve como fundamento o quanto restou consignado na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/07/2012 CESSÃO DE NOME. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA PECUNIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. Se a propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal não for feita com o mesmo objeto do lançamento, não há que se falar em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, reapresentando os mesmos argumentos aduzidos na impugnação, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ para cancelar integralmente o auto de infração lavrado. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – relator. O recurso é tempestivo e atente os pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Versa o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário referente à aplicação da multa de 10% (dez por cento) sobre o valor da operação, por alegada cessão de nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Conforme decidido pelo julgador a quo, não há que se falar em concomitância da Ação Judicial referente ao processo nº 003783522.2012.4.01.3400 e do presente processo administrativo. O objeto da Ação Judicial em referência é o desembaraço de mercadorias, diferente do presente processo que se refere à multa por cessão de nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. A recorrente alega que as despesas incorridas nos processos de importação foram arcadas exclusivamente por ela, que seria a responsável jurídica e financeira pelas operações. A autoridade fiscal não fundamenta o auto de infração nesse ponto, afirmando que, formalmente, a PAN ASIA importa, fecha o cambio, emite nota fiscal de revenda e aguarda o pagamento desta nota fiscal. Porém, materialmente, ela cede seu nome na importação, adianta seu capital para fechamento do cambio e recebe a devolução deste montante alguns dias depois, revestido na forma de operação de compra e venda no mercado interno. Segundo o entendimento fiscal, a formatação adotada para a operação analisada, apresentada como “importação direta”, não corresponde à verdadeira intenção negocial, por ter verificado que as mercadorias importadas foram destinadas a outras empresas (os reais adquirentes das mercadorias), no presente caso, a COMEX. A PAN ASIA ao pretender aparentar ser, além de importadora, a real adquirente das mercadorias, serviu de interposta pessoa1 aos verdadeiros responsáveis pela operação. Apreciando a alegação fiscal, as provas colacionadas e as razões de defesa, entendo que ficou comprovada a ocultação da empresa COMEX nas operações de importação objeto das DI’s 12/12832630 e nº 12/12836474, e o evidente o intuito doloso da empresa PAN ASIA quando não registrou nas declarações de importação os responsáveis pelas operações, ocultandoos. A autoridade fiscal demonstra e comprova, através dos elementos de prova abaixo especificados, que a empresa COMEX era responsável por contratar o moinho de sua preferência, contratar o despachante de sua preferência, contratar o transportador internacional de sua preferência e somente tomar emprestado o nome da Fl. 258DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 12457.721273/201335 Acórdão n.º 3101001.812 S3C1T1 Fl. 5 5 PANASIA para o registro formal da operação. A PANASIA não possuía qualquer ingerência sobre as escolhas dos intervenientes no comércio exterior, apesar de ser ela, documentalmente, o importador e adquirente por conta própria das mercadorias. Encontramse nos autos as seguintes constatações fiscais, acompanhadas de seus elementos de prova, cujo conteúdo fundamenta a alegação fiscal de ocultação da empresa COMEX nas referidas operações de importação declaradas como sendo da empresa PAN ÁSIA: (I) Negociação com o fornecedor estrangeiro As atividades do escritório de despacho aduaneiro “D' Antonelli Acessoria em Comércio Exterior LTDA” funcionavam na mesma sala comercial onde funcionava o escritório da COMEX e que as transações da COMEX eram realizadas pela despachante Denise Antonelli, sócia administradora da D'Antonelli, e exsócia da empresa, que negociava com o fornecedor estrangeiro de acordo com o interesse da COMEX, e posteriormente enviava documentos tais como fatura comercial e licenciamento de importação (LI) à empresa interposta (PANASIA) para depois fechar o câmbio; A despachante solicitava quantidade e tipo de farinha para o exportador, conforme dinheiro disponível e pedido de clientes. Conversas entre a Sra Denise e o exportador sugerem que negociações de interesse da importadora, como o fechamento do câmbio, eram feitas de acordo com o interesse da real adquirente das mercadorias (Comex) e seus clientes; Arquivos magnéticos/digitais retidos durante a ação de diligência fiscal no escritório da COMEX, nos quais foram extraídos documentos tais como planilhas com dados sobre a formação do preço de venda da PAN ASIA, despesas na importação de farinha de trigo, e também um contrato de câmbio firmado entre o Banco Mercantil do Brasil e a PAN ASIA, que não diziam respeito a terceira empresa que não a real importadora; Planilha com o título de “3 cargas Joãozinho“, indicando que as importações eram negociadas conforme interesse do sócio administrador da COMEX, o Sr João; Planilhas relativa às DI's 12/12248939, 12/12282339, 12/12599324 e 12/12736208, denominadas “PANASIA/COMEX”, com a descrição detalhada dos custos para realização de uma operação de importação de farinha; Mensagem de correio eletrônico do exportador na Argentina enviado para o Sr João, da Comex, com cópia para a PAN ASIA, demonstrando que a principal interessada nos documentos e na operação era a COMEX; (II) Negociação com o transportador internacional de carga Fl. 259DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 6 A COMEX não possuía local de armazenagem de mercadorias próprio e utilizava os serviços de transporte e armazenagem da transportadora DELAVI E FILHOS TRANSPORTES LTDA; Segundo Termo de Realização de Diligência, foi constatado que todas as cargas estocadas na transportadora eram de propriedade da Comex. O sócio administrador da transportadora, o Sr Jailson Delavi da Silva informou que após ordem do Sr. João Ribas (sócioadministrador da Comex) e envio da fatura de exportação também pelo Sr João, ele (o Sr Delavi) enviava um caminhão até a cidade de Puerto Iguazu na Argentina para carregar a farinha de trigo. O Sr Delavi relatou ainda que sua empresa emitia então o CRT e o MIC baseado nos dados da importação enviados por email pelo pessoal da Comex. Informou também que as ordens de carga e descarga da farinha de trigo importada da Argentina eram dadas pela Comex. No procedimento de diligência na Delavi foram retidos documentos com dados para depósito do frete, que estavam em nome da Panasia, porém, destinados ao Sr João (da Comex); (IV) Utilização da PAN ASIA como empresa interposta Foi identificado na sede da empresa PAN ASIA em ITAJAI/SC, orientação passada pelo Sr. Nilo Simas Jr. (PAN ASIA) a terceira empresa acerca dos procedimentos que deveriam ser adotados nas próximas importações de farinha de trigo, agora em nome de PAN ASIA, descrevendo detalhadamente o fluxo negocial das operações de importação de farinha de trigo via Foz do Iguaçu/PR, que configuraria a cessão de nome nas operações de comércio exterior; Também foi identificado na sede da PAN ASIA email relativo ao valor cobrado (por caminhão) para que empresas de Foz do Iguaçu importem farinha de trigo utilizando seu nome, de forma a caracterizar a sua prestação de serviço, não operação por sua conta própria; (V) Fluxo físico das mercadorias A autoridade fiscal apresenta ainda a patente falta de logística no que se refere ao fluxo das cargas importadas e declaradas: a importadora PAN ASIA desembaraça suas cargas de farinha de origem/procedência argentina no Porto Seco de Foz Iguaçu/PR, com destino a sua sede em Itajaí/AC, distante cerca de 839 quilômetros do ponto de desembaraço aduaneiro, para depois remetêla a empresa COMEX em Foz do Iguaçu novamente. Não há que se alegar também que os referidos elementos de prova seriam apenas indícios. Conforme já afirmou Aliomar Baleeiro (RE 68.006MG), “SIMULAÇÃO Indícios vários e convergentes são prova”. Entendo que existiu a intenção deliberada dos agentes em praticar o ilícito, esquivandose do devido controle aduaneiro na importação. A simulação das operações de importação é evidente, visto que ocorreu a divergência entre a vontade e a declaração, procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros, no caso a fiscalização aduaneira. Também é evidente a fraude praticada, caracterizada como uma ação dolosa tendente a excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação principal, no caso a sujeição passiva. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 12457.721273/201335 Acórdão n.º 3101001.812 S3C1T1 Fl. 6 7 A fiscalização aduaneira apontou ainda os seguintes elementos motivadores à ocultação processada pelas interessadas: (i) Violação ao Controle Aduaneiro, com a não submissão das empresas aos procedimentos de habilitação no SISCOMEX, e interferência na avaliação de risco nas operações; e (ii) busca de benefício fiscal do Estado de Santa Catarina, que resultou numa alíquota efetiva de importação de farinha de trigo de apenas 4%. Além do exposto, destacase a intenção da empresa PAN ÁSIA na prática do ilícito, tendo em vista a divulgação em seu próprio sítio na internet do “serviço” de cessão de nome de forma quase explícita, expondo inclusive apresentando as vantagens de importar com a PANASIA: “reduzem de forma matemáticafinanceira o imposto mais importante e significativo, ou seja, o ICMS”. A penalidade aplicada nos presentes autos, com base no artigo 33 da Lei 11.488/2007, referese a penalidade especifica para empresas que fazem a cessão de seus nomes e documentos para realização de operações de comércio exterior, em substituição à inaptidão do CNPJ, sem, no entanto, excluir as demais penas previstas para o caso. Ficou demonstrado nos autos que o real adquirente das mercadorias importadas ficou oculto, a margem do devido controle aduaneiro, além de outras razões patrimoniais e fiscais porventura existentes. Também ficou comprovado que a empresa PAN ÁSIA cedeu seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, enquadrandose no tipo legal previsto pelo artigo 33 da Lei 11.488/2007. Diante do exposto, voto por negar provimento aos recursos voluntários apresentados. Sala das sessões, em 24 de fevereiro de 2015. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 261DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 18088.720390/2011-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
A ocorrência de depósitos bancários sem a devida comprovação da origem dos mesmos pode ser tida como uma hipótese de presunção de omissão de receitas com inversão do dever de provar, de modo a justificar a tributação se o sujeito passivo não a desconstituir.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
O percentual de multa será duplicado nos casos em que restar comprovada a ação ou omissão dolosa do contribuinte.
Numero da decisão: 1803-002.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao Recurso.
(Assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Arthur José André Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK RODRIGUES, FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. A ocorrência de depósitos bancários sem a devida comprovação da origem dos mesmos pode ser tida como uma hipótese de presunção de omissão de receitas com inversão do dever de provar, de modo a justificar a tributação se o sujeito passivo não a desconstituir. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. O percentual de multa será duplicado nos casos em que restar comprovada a ação ou omissão dolosa do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao Recurso. (Assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado digitalmente) Arthur José André Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 03 90 /2 01 1- 41 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK RODRIGUES, FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa FURLAN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) que considerou a impugnação apresentada pelo contribuinte improcedente e manteve o lançamento. 2. De acordo com o relatório da fiscalização (fls. 594/602) identificouse omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários cuja a origem não foi comprovada e a insuficiência de recolhimento dos tributos devidos pela sistemática do Simples Nacional. 3. Destaco trecho da peça fiscal que descreve com clareza os fatos que levaram a autoridade fiscal a tais conclusões: 1) Este procedimento teve como origem a auditoria fiscal no contribuinte JOEL MARCIANO (MPF 08122 2011 00021), pai da sócia MARIA SONIA MARCIANO FURLAN, onde se constatou movimentação financeira no Banco Bradesco, agência 192, Conta 0100501 incompatível com os rendimentos declarados. 2) Cabe frisar que a citada conta corrente era conjunta entre JOEL MARCIANO e SONIA MARIA MARCIANO FURLAN. Não tendo o titular da conta atendido á intimação para entregar os extratos bancários – termo 01/21/2011 de 12.01.2011 (fls 163) e respostas às fls 164/165, eles foram requisitados diretamente à instituição financeira através de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) – Lei Complementar 105/2001 – fls 166/169. As informações foram requisitadas com fulcro no artigo 3°, incisos VII e XI do Decreto 3.724/2011. 3) Analisando os extratos bancários (fls 170/213), constatouse: 3.1 Mais de 250 depósitos (feitos em cheques e em dinheiro) cuja soma resultou em valores totais superiores a R$ 2,2 milhões – anexo 2 do termo 02/021/2011 –fls 229/233 3.2 Mais de 600 cheques compensados e/ou pagos em dinheiro, num valor total de cerca de R$ 1,7 milhões. Cabe frisar que na declaração de IRPF do ano de 2007 não consta aquisição de bens pelos titulares da conta – anexo 1 do termo 02/021/2011 – fls 216/228 3.3 Vinte e sete (27) débitos com a rubrica “pagamento de contas” num valor total de cerca de R$ 309 mil – anexo 4 do termo 02/021/2011 – fls 235. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720390/201141 Acórdão n.º 1803002.539 S1TE03 Fl. 3 3 3.4 Seiscentos e noventa e um (691) cheques depositados e posteriormente devolvidos, num total de cerca de R$ 141 mil . O Sr. Joel Marciano foi intimado item 5.1 do termo 02/021/2011 (fls 214/215) a esclarecer se tinha cedido suas contas correntes para o uso de terceiros (pessoa física ou jurídica). Em caso positivo, deveria informar o nome, CPF/CNPJ e endereço de quem, de fato, se utilizou a conta corrente. Também foi intimado a apresentar cópias dos cheques emitidos, cheques depositados e a informar quem foi/foram os beneficiários dos pagamentos constantes no anexo 4. Em resposta à intimação informou que a conta era conjunta com Maria Sonia Marciano Furlan e ainda, textualmente: “não me consta a utilização da referida conta por terceiros ou em negócios alheios aos interesses da outra titular”. Declarou também que não possuía cópia dos documentos solicitados e nem guardava registro dos pagamentos. A sócia Maria Sonia também foi intimada para apresentar esclarecimentos. Declarou que a movimentação da conta era exclusivamente de sua responsabilidade e que a operou para atender a negócios relacionados a seus interesses particulares, constituindose de descontos de cheques prédatados da empresa a qual fazia parte (FURLAN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA). Além disso tratavase de prática informal e continuada de operações de factoring. Além disso foi identificada movimentação bancária típica de pessoa jurídica, como pagamento a fornecedores, pagamento de contas entre outas. A pessoa jurídica também alegou se tratar de movimentação de factoring, mas não comprovou tais operações, tampouco escriturouas no livro caixa. A fiscalização identificou que a movimentação da conta corrente e totalmente incompatível com os rendimentos declarados pelos dois envolvidos. Ainda foi identificado a emissão de centenas de cheques da conta conjunta para pagamento de fornecedores da empresa fiscalizada. Informação confirmada pelos fornecedores da contribuinte. Constam também 27 cheques sacados da conta conjunta de Joel e Maria Sonia, num valor total de R$ 125.972,02 (fls 381/531 e rol constante no termo 01/458/2011. Os cheques eram nominais a Reginaldo Furlan, filho dos sócios da pessoa jurídica. Diante disso, concluiuse que houve a cessão, para uso pela pessoa jurídica FURLAN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA, da conta a qual Joel e Maria Sonia são titulares e a, respectiva, afronta ao artigo 7° , parágrafo 1° , “a”, da Lei 9.317/96 e artigo 26, parágrafo 2° da Lei Complementar 123/2006, que determina que toda a movimentação da empresa, inclusive bancária, deve ser escriturada no livro caixa. Após ter sido intimado a apresentar informações sobre a conduta constatada pela fiscalização a contribuinte não apresentou qualquer comprovação e tampouco justificou quaisquer itens do termo 05/407/2011. 3. Após devidamente intimada em 25/11/2011 a empresa apresentou impugnação tempestiva às fls. 654/683. 4. No entanto, a DRJ do Rio de Janeiro a julgou improcedente. A decisão a quo restou ementada nos seguintes termos: Fl. 756DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Por presunção legal, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do Simples Nacional, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras dessa sistemática de tributação, relativa ao período de apuração a que corresponder a receita omitida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. Incabível a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, quando devidamente demonstrado nos autos que a pessoa jurídica autuada tem relação direta com a situação que constituiu o fato gerador do tributo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (fls. 693/703) 5. Cientificado da decisão em 17/09/2012, conforme AR de fl. 715, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente (fls.718/730), o qual em síntese tem como argumentos o que segue: a) questiona o fato da decisão recorrida não ter feito nenhuma alusão à atividade habitual de fomento mercantil exercida pela Sra. Maria Sonia Marciano Furlan e a equiparação dessa pessoa física à pessoa jurídica; b) restou demonstrado que o confronte entre a soma dos cheques sacados e pagamentos debitados na aludida conta (R$ 2.078.824,25) com os débitos nela efetuados (R$ 2.218.149,52), resulta em importância equivalente ao redito das operações de fomento praticadas durante o ano de 2007; c) defende que a fiscalização incidiu em erro na identificação do sujeito passivo, pois as operações que ensejaram os créditos bancários verificados no período auditado são de titularidade de pessoa física e não da empresa; d) sustenta que os fatos econômicos que ensejaram os depósitos/créditos bancários impedem a tributação dos mesmos não só na impugnante, mas também na pessoa física cotitular da conta bancária em respeito ao art. 150, inciso II, do RIR99; Fl. 757DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720390/201141 Acórdão n.º 1803002.539 S1TE03 Fl. 4 5 e) questiona o fato da decisão recorrida não ter feito nenhuma menção à incidência dos motivos determinantes da exclusão de ofício do Simples Nacional e tributação com base no arbitramento de lucros já a partir do primeiro mês em que não foi escriturada a movimentação financeira, inclusive bancária, comandos expressamente previstos na legislação pertinente e enfatizados na impugnação; f) compete ao Fisco, por imposição legal, proceder a exclusão da contribuinte do Simples Nacional, no entanto, a negligência nesse proceder não pode ser invocada como alicerce para manter tributação formalizada sob o critério incompatível com a legislação vigente; g) a previsão de tributação pelo lucro arbitrado é consequência natural dos fatos denunciados pela fiscalização com previsão expressa no art. 530, II, “a” do RIR/99 c/c art. 32, da LC 123/2006; h) considera inadmissível presumir que os valores ingressados na conta bancária atribuída à pessoa jurídica e até mesmo na conta onde ela figura como titular sejam estranham ao faturamento declarado e tributado; i) a decisão a quo se contradiz ao considerar os fatos denunciado hábeis a respaldar a tributação e a justificar a aplicação da multa de 150%, mas não são hábeis para determinar a exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional, em desobediência à Lei Complementar; j) da mesma forma entendem que os recursos movimentados na conta bancária são presumidamente de titularidade da recorrente, mas embora os saques e demais débitos nela efetuados correspondam ao pagamento de obrigações de sua responsabilidade, presumese que os créditos não possuem origem em receitas faturadas. k) acredita que os rendimentos tempestivamente declarados por pessoas físicas e jurídicas fiscalizadas devem ser instrumento hábil para justificar a origem de recursos depositados/creditados em contas bancárias; l) inexiste qualquer menção de sujeição passiva solidária ou intimação aos sócios da pessoa jurídica e ao seu funcionário Reginaldo Furlan. 6. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento do Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Arthur José André Neto DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE Fl. 758DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 O recurso é tempestivo, bem como preenche todos os requisitos de admissibilidade. Sendo assim, conheço do recurso e passo à análise do mérito. DO MÉRITO A presunção em comento foi consagrada no art. 42, da Lei 9.430/96, que possui a seguinte redação: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." (grifei) Observese que o dispositivo acima transcrito tratase de uma presunção juris tantum, cabendo ao contribuinte demonstrar a origem dos recursos utilizados, o que não foi feito no caso dos autos. O art. 18 da Lei 9.317/96 determina que aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que a empresa esteja obrigada a apresentar. Ora, com a devida venia, a contribuinte teve a oportunidade de demonstrar as origens dos depósitos, contudo, quedouse inerte. O único que, de fato, conhece a origem dos depósitos é o contribuinte, sendo assim, sobre ele deve recair o peso de provar que os depósitos não se referem a auferimento de receita. A matéria trazida à baila em outras oportunidades já foi discutida nesta Corte Administrativa, sendo o seu entendimento explicitado no julgado abaixo colacionado: “OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Tributase como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei 9.430, de 27/12/1996, bem assim as receitas escrituradas no livro Caixa e não oferecidas à tributação. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. (Processo 15956.000397/200964, Acórdão 1301001.459, 3º Câmara / 1º Turma Ordinária, Sessão de 08/04/2014). Ademais, não é necessária a comprovação da utilização desta verba como renda consumida. Nesse sentido, este Conselho editou a Súmula CARF nº 26, in verbis: Fl. 759DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720390/201141 Acórdão n.º 1803002.539 S1TE03 Fl. 5 7 “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Segundo o relatório fiscal o procedimento teve como origem a auditoria fiscal no contribuinte Joel Marciano, onde se constatou movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados por ele. Assim foi solicitado a entrega de extratos bancários. Como o contribuinte não atendeu ao termo de intimação, a movimentação financeira foi requisitada diretamente à instituição financeira por meio de Requisição de Movimentação Financeira (RMF). Procedimento legitimado legalmente por previsão expressa no art. 3º, incisos VII e XI do Decreto 3.724/2011. Constatouse o que segue: 3.1 Mais de 250 depósitos (feitos em cheques e em dinheiro) cuja soma resultou em valores totais superiores a R$ 2,2 milhões – anexo 2 do termo 02/021/2011 –fls 229/233 3.2 Mais de 600 cheques compensados e/ou pagos em dinheiro, num valor total de cerca de R$ 1,7 milhões. Cabe frisar que na declaração de IRPF do ano de 2007 não consta aquisição de bens pelos titulares da conta – anexo 1 do termo 02/021/2011 – fls 216/228 3.3 Vinte e sete (27) débitos com a rubrica “pagamento de contas” num valor total de cerca de R$ 309 mil – anexo 4 do termo 02/021/2011 – fls 235. 3.4 Seiscentos e noventa e um (691) cheques depositados e posteriormente devolvidos, num total de cerca de R$ 141 mil . Após tal constatação sucederamse mais onze intimações, solicitando esclarecimentos aos envolvidos identificados (Joel Marciano, Sonia Maria, fornecedores, Reginaldo Furlan e a própria recorrente). Para ao final, da análise da documentação e da analise dos esclarecimentos concluirse pela omissão de receitas, referentes a depósitos bancários não comprovados e o respectivo lançamento de IRPJ, PIS/COFINS, CSLL e INSS. Cumpre mencionar que era dever da recorrente, por enquadrar na sistemática de recolhimentos de tributos do Simples Nacional, escriturar toda a movimentação financeira da empresa (inclusive bancária) no livro Caixa. Cumpre mencionar que durante o procedimento fiscalizatório, por meio do termo 03/407/2011, foi oportunizado À contribuinte refazer a escrituração do livro caixa, para que toda a movimentação financeira da empresa fosse devidamente registrada, mas mesmo assim, a recorrente não o fez, sob o argumento de que as operações eram “informais” e impossibilitariam promover a reescrituração. Assim, não há o que se questionar quanto a caracterização da omissão de receita da recorrente. Na ocasião do procedimento fiscalizatório, este resultou no Auto de Infração de número 18088.720389/201117 referente ao período de Janeiro a Junho de 2007 (SIMPLES FEDERAL) e na lavratura de outros dois Autos de Infração de números Fl. 760DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 8 18088.720390/201141 (período de Julho a Dezembro de 2007 SIMPLES NACIONAL) e 18088.720391/201196 (PAGAMENTO SEM CAUSA/OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA;. Em que pese restar consolidada a omissão de receita e a cessão de conta corrente de pessoa física para pessoa jurídica, à época do julgamento do processo n. 18088.720389/201117 por esta turma me posicionei no sentido de reconhecer que é possível presumir que os valores a título de receita bruta contidas da DIPJ tenham transitado nas contas bancárias objeto de análise naqueles autos e consequentemente admiti que fossem excluídas da base de cálculo os valores a título de receita bruta informadas na DIPJ no período de janeiro a junho de 2007 do ano calendário de 2007. Assim, por coerência, defendo que os valores a título de receita bruta da DIPJ sejam excluídos da base de cálculo dos tributos cobrados nesses autos e por consequência sejam revistos os percentuais de apuração desses tendo em vista a redução do montante oferecido à tributação. Quanto a sua alegação de erro na identificação do sujeito passivo, levantada pela recorrente, não merece guarida tendo em vista que restou devidamente comprovada a cessão de conta corrente de pessoa física à pessoa jurídica, resta correto que a recorrente figure no polo passivo da presente autuação. Ademais considera a recorrente que a previsão de tributação pelo lucro arbitrado é consequência natural dos fatos denunciados pela fiscalização com previsão expressa no art. 530, II, “a” do RIR/99 c/c art. 32, da LC 123/2006. Afasto tal argumento tendo em vista que para optarse pelo lucro arbitrado é necessário estarem presentes requisitos legais que autorizem tal procedimento, haja vista que a empresa apesar de não comprovar os referidos depósitos bancários e não ter registrado a movimentação financeira a eles correspondentes, mantinha a sua escrituração contábil de acordo conforme determina a LC 123/06. Mantenho também a qualificação da multa aplicada à recorrente. A penalidade prevista no Art. 44 §1º da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007, aplica conceito o conceito de sonegação insculpido no art. 71 da Lei 4.502/64, o qual entende sonegação como toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, relativo à: (i) ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; ou (ii) condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Assim, diante do fato de que – como bem asseverou a autoridade fiscal o contribuinte faltou com a verdade ao responder à intimação do auditor fiscal alegando que os recursos foram movimentados apenas na conta de titularidade da recorrente, bem como alegou a negociação informal de créditos com a titular da conta, apesar de se tratar de valores superiores a 2 milhões de reais e a inquestionável utilização de conta corrente de pessoa física para movimentar receitas da pessoa jurídica, entre outros fatos relatados nos autos, correta a aplicação da penalidade de forma qualificada. Ademais, como bem asseverou a decisão nos autos de n. 18088.720389/201117, no qual se analisava o mesmo contexto fático, “Não se trata assim de simples apuração de receita, mas restou comprovado o evidente intuito de fraude da recorrente”. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720390/201141 Acórdão n.º 1803002.539 S1TE03 Fl. 6 9 Quanto a alegação de inexiste qualquer menção de sujeição passiva solidária ou intimação aos sócios da pessoa jurídica e ao seu funcionário Reginaldo Furlan, consta nos autos que o auditor fiscal elaborou representação fiscal para fins penais, nos termos da Portaria n. 2.439/2010, apondo como responsáveis os sócios da pessoa Maria Sonia Marciano Furan e Reynaldo Camargo Furlan; Joel Marciano, titular da conta corrente 100501, que foi utilizada para movimentar recursos da empresa à margem da contabilidade; Reginaldo Furlan, que efetuou saques da conta 100501 e à Antônio Valdeci Jacob, sócio da empresa KiKakau, fornecedora da Furlan, por ter prestado falsas informações ao Fisco, conforme narrado no item 11.4 do relatório fiscal. Dessa feita, mantenho o lançamento fiscal com relação aos tributos cobrados no presente auto de infração (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS), devendo ser revisto os percentuais de apuração desses, tendo em vista a redução do montante oferecido à tributação. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, nos termos acima delineados. É como voto. (assinado digitalmente) Arthur José André Neto Relator Fl. 762DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10384.004538/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A norma prevista no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 é meramente programática, não ensejando qualquer espécie de sanção em decorrência de seu descumprimento.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
AUSÊNCIA DE PROVAS. PERÍODO DE APURAÇÃO DO FATO GERADOR. SERVIDORES TITULARES DE CARGO COMISSIONADO.
Consoante apurado pela análise do mérito se mantém a Decisão de primeira instância, visto que, sem o devido conteúdo probatório nos autos, torna-se impossível refutar a notificação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.830
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos em negar provimento ao recurso. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Bianca Delgado Pinheiro, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor quanto à multa moratória.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator designado
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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INOCORRÊNCIA. A norma prevista no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 é meramente programática, não ensejando qualquer espécie de sanção em decorrência de seu descumprimento. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. AUSÊNCIA DE PROVAS. PERÍODO DE APURAÇÃO DO FATO GERADOR. SERVIDORES TITULARES DE CARGO COMISSIONADO. Consoante apurado pela análise do mérito se mantém a Decisão de primeira instância, visto que, sem o devido conteúdo probatório nos autos, tornase impossível refutar a notificação. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 45 38 /2 00 9- 26 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 69 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos em negar provimento ao recurso. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Bianca Delgado Pinheiro, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor quanto à multa moratória. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator designado Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 70 3 Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal nº 37.243.8679, lavrado em 08/10/2009, em face do Estado do Piauí – Procuradoria Geral de Justiça, no valor R$ 600.724,30 (seiscentos mil e setecentos e vinte e quatro reais e trinta centavos), referente às contribuições sociais previdenciárias parte segurados, concernentes à prestação de serviço remunerado, devidas e não recolhidas pelo Estado, no período de 01/01/2006 a31/12/2007. Segundo o Relatório Fiscal, foi constatado o exercício de função pública por servidores comissionados sem a incidência do recolhimento das contribuições previdenciárias devidas na prestação de serviço remunerada. Ciente da autuação, o Estado do Piauí apresentou impugnações, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Teresina (PI), entendido pela improcedência da impugnação. Segue ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a31/12/2007 RELATÓRIOS PRODUZIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ENTREGA AO SUJEITO PASSIVO EM ARQUIVOS DIGITAIS. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao • sujeitopassivo em arquivos digitais autenticados pelo auditorfiscal da RFB. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Estando o auto de infração devidamente instruído com os documentos e demonstrativos que embasaram os valores lançados, não há que se falar em cerceamento de defesa. Tendo o contribuinte tomado ciência regularmente do lançamento, do qual recebeu cópia integral, descabe a alegação de cerceamento de defesa por falta de recebimento de cópias dos documentos que instruem o processo, se este estava à sua disposição para vista ou obtenção de cópia. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Tendo a intimação, acerca da decisão administrativa, sido dirigida à Procuradoria Geral de Justiça, e não à Procuradoria Geral do Estado, o Estado do Piauí impetrou Mandado de Segurança com pedido de liminar em face do Gerente da Seção de Fl. 70DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 71 4 Controle de Acompanhamento Tributário da Receita Federal, buscando a nulidade provisória da intimação. O pedido liminar foi deferido e, nova intimação realizada, abrindose novo prazo recursal. Assim, irresignado com a decisão que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, o estado interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, alegando em síntese: a) Nulidade absoluta do auto de infração, em virtude da intempestividade da decisão proferida após a impugnação, posto haver sido ultrapassado o prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei 11.457/2007; b) Parcial inocorrência do fato gerador, na medida em que alguns servidores indicados como titulares, exclusivamente, de cargo comissionado, mantinham, à época, vínculo efetivo com o órgão fiscalizado ou outro órgão integrante da Administração Pública estadual, devendose afastar o art. 40, §3º da Constituição Federal; Ademais, há, dentre tais servidores, os que são filiados ao regime próprio de previdência do Estado IAPEP o que afasta a competência impositiva do INSS e da Receita Federal. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 72 5 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Da Nulidade No que tange ao pedido de nulidade, revelase completamente infundado falar de nulidade da decisão com fulcro no art. 3º do Decreto 70.235/72, bem como de nulidade absoluta do Auto de Infração, baseandose no art. 24 da Lei 1.457/2007. Senão vejamos. A ora recorrente alega que a intimação inicial não foi realizada dentro do prazo de 30 dias descrito no art. 3º do Decreto 70.235/72 e que o Auto encontrase eivado de nulidade, uma vez que a decisão da DRJ/PI não observou o prazo legal de 360 dias, previsto no art. 24 da Lei 1.457/2007, para o julgamento da impugnação. Nesta seara, convém destacar o pacífico entendimento, tanto administrativo quanto judicial, de que os prazos para que as autoridades fiscais pratiquem os atos inerentes às suas funções, são meramente cominatórios e não peremptórios. Ademais, ressaltase que a norma do art. 24 da lei nº 11.457/2007, é meramente programática, não ensejando qualquer espécie de sanção em decorrência de seu descumprimento. Por fim, com relação ao erro na destinação da intimação, percebese que tal infortúnio não comprometeu o princípio da ampla defesa e do contraditório, posto que a Recorrente apresentou o seu recurso tempestivamente. Isto posto, passase a analisar o mérito da autuação. Do Mérito A ora recorrente alega que durante o período de apuração do fato gerador, alguns servidores apontados como titulares, puramente, de cargo comissionado, mantinham e/ou mantêm vínculo efetivo com o órgão fiscalizado ou outro órgão integrante da Administração Pública estadual, o que afastaria o Regime Geral da Previdência Social. Todavia, não junta provas suficientes e pertinentes que comprovem tal alegação. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 73 6 Destarte, para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo, consoante dicção do art. 333, II, do Código de Processo Civil (Lei. Nº 5.869/73). Com relação à apresentação de provas, os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 estabelecem o momento: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I – (....) – (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Grifei) (...) Nesta instancia recursal, a recorrente não juntou provas que possam comprovar suas alegações, alegando meramente em sua defesa a ocorrência dos fatos sem contudo provar nenhum deles. Alegar sem provar é o mesmo que não provar. Nesta senda, devido à ausência de conteúdo probatório juntado aos autos, compreendese que o lançamento fiscal seguiu os ditames legais previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão de primeira instância, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar o presente lançamento. Da Aplicação das Penalidades A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do referido art. 35 (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de Fl. 73DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 74 7 mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 75 8 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 76 9 Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II, do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 77 10 agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica Isto posto, analisarseá ao mérito Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos no período de jan/2006 a jan/2007, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de outubro de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 78 11 Voto Vencedor DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Ouso discordar, data maxima venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo ao regime jurídico aplicável à determinação da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributaria principal formalizada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. O caso ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 79 12 §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 80 13 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.243.8679, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2006 a dezembro/2007. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 81 14 Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal acima indicado a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que mesmo um computador, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, consegue determinar, sem erro, qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II, da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 82 15 estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 83 16 I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 84 17 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 85 18 Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria, o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. No caso, considerou o preclaro Relator que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91), por considerar que tal penalidade era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Sendo assim, a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de 20% até novembro/2008, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. Se nos antolha não proceder o argumento de que a penalidade referente à multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveuse data venia a comparação de Fl. 85DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 86 19 nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). De tal equívoco, no entendimento deste Subscritor, resultou no voto de relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de ofício) para uma infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos Fl. 86DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 87 20 geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido Fl. 87DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 88 21 no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não houver ocorrido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude e sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, e que o período de apuração do crédito tributário se prolonga, sem solução de continuidade, desde janeiro/2006 até dezembro/2007, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da art. Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto no sentido de o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado em qualquer caso, unicamente, o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.004538/200926 Acórdão n.º 2301002.830 S2C3T1 Fl. 89 22 É como voto Arlindo da Costa e Silva, redator designado. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13864.720146/2012-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º, DO CTN. PAGAMENTO PARCIAL.
A jurisprudência do STJ firmou entendimento de que o inicio da contagem do prazo decadencial nos casos de pagamento parcial de tributos se inicia da data do fato gerador.
PLANOS FUNERÁRIOS. TRIBUTAÇÃO DAS MENSALIDADES. CABIMENTO.
Como a disponibilidade econômica decorre, em regra, da disponibilidade jurídica, as mensalidades pagas pelos contratantes de planos funerários constituem rendimento tributável desde o momento em que auferidas, independente do seu efetivo atendimento.
OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO DO IRPJ. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto de renda a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão.
Recurso conhecido e parcialmente provido.
Numero da decisão: 1201-001.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para acolher a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL relativamente aos 1o, 2o e 3o trimestres de 2007 e das contribuições para o PIS e para a COFINS referentes aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a setembro de 2007, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Relator Roberto Caparroz de Almeida, que não acolhia a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Correia Fuso.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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DE URNAS FUNERÁRIAS E SERVIÇOS LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º, DO CTN. PAGAMENTO PARCIAL. A jurisprudência do STJ firmou entendimento de que o inicio da contagem do prazo decadencial nos casos de pagamento parcial de tributos se inicia da data do fato gerador. PLANOS FUNERÁRIOS. TRIBUTAÇÃO DAS MENSALIDADES. CABIMENTO. Como a disponibilidade econômica decorre, em regra, da disponibilidade jurídica, as mensalidades pagas pelos contratantes de planos funerários constituem rendimento tributável desde o momento em que auferidas, independente do seu efetivo atendimento. OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO DO IRPJ. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto de renda a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. Recurso conhecido e parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para acolher a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL relativamente aos 1o, 2o e 3o trimestres de 2007 e das contribuições para o PIS e para a COFINS referentes aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a setembro de 2007, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Relator Roberto Caparroz de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 46 /2 01 2- 07 Fl. 912DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digita lmente em 19/02/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13864.720146/201207 Acórdão n.º 1201001.020 S1C2T1 Fl. 3 2 Almeida, que não acolhia a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Correia Fuso. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao IRPJ e à CSLL dos anoscalendário de 2007 e 2008, nos quais a autoridade fiscal apurou omissão de receitas, referente a valores identificados como créditos e depósitos bancários não declarados ou contabilizados, no montante total de R$ 2.290.886,70. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal, foram solicitadas as informações de todas as contas correntes, poupança e contas de investimento mantidas em nome do Contribuinte, com os respectivos extratos. O Contribuinte alegou dificuldades na obtenção dos documentos bancários solicitados e autorizou, em 17 de maio de 2010, o auditor fiscal a intimar diretamente os bancos. Com a resposta da requisição de movimentação financeira dos bancos, a autoridade fiscal intimou o Banco Santander a esclarecer as diferenças apuradas pelo cotejo da DCPMF e das RMF relativas ao Contribuinte, conforme intimação de fls. 93/94. Por meio de ofício encaminhado em 4 de novembro de 2011, o Banco Santander reconheceu as inconsistências apuradas pela fiscalização, apresentou novos montantes e informou que retificaria as declarações perante a Receita Federal (fls. 97 a 295). Fl. 913DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digita lmente em 19/02/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13864.720146/201207 Acórdão n.º 1201001.020 S1C2T1 Fl. 4 3 Em 28 de junho de 2012 o Contribuinte foi intimado a apresentar os livros Diário e Razão, referentes aos anoscalendário de 2007 e 2008, bem como a retirar os documentos já entregues, relativos ao anocalendário de 2006. A autoridade lançadora afirmou que os valores relacionados nos extratos retificados foram contabilizados, mas não levados a resultado, porque escriturados no exigível a longo prazo, nos seguintes termos: A empresa adota como procedimento contábil lançar os valores referentes às mensalidades do plano de serviços funerários para contraprestação futura, a crédito da conta fundo de reservas/associados, objetivando a garantia do cumprimento das obrigações assumidas perante os associados de seu plano de auxílio funeral, sendo este lançamento o responsável pela movimentação financeira elevada em relação ao valor oferecido a tributação em suas declarações de IRPJ, caracterizando a omissão de receita por ocasião da apuração do lucro real. Este procedimento faz com que a maior parte das receitas só sejam apropriadas ao resultado e consequentemente tributadas quando o serviço de funeral é efetivamente prestado. No entanto, não existe base legal que suporte este procedimento por parte do contribuinte. O correto seria que a Aussel lançasse seus valores a resultado quando do efetivo recebimento (caixa/bancos) de cada parcela de seu plano de auxílio funeral. Os lançamentos foram acrescidos de multa qualificada, que, no entender da autoridade, justificarseia em razão de não se tratar de simples erro, mas de conduta dolosa recorrente. Inconformada com os lançamentos, a autuada apresentou impugnação, cujas alegações podem ser assim sintetizadas: 1. Houve decadência em relação a parte dos montantes lançados, pois deve ser aplicado o § 4º, do art. 150, do CTN, com a contagem a partir do fato gerador. 2. Tendo em vista que o Auto de Infração foi lavrado em outubro de 2012, os tributos exigidos com fato gerador ocorrido há mais de cinco anos contados dessa data estariam fulminados pela decadência, a saber: IRPJ referentes ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2007; PIS, COFINS e CSLL relativos aos fatos geradores ocorridos até 30/09/2007. 3. Nulidade do lançamento, por se basear em extratos requisitados diretamente às instituições bancárias, o que configuraria violação de sigilo, conforme jurisprudência do STF. 4. Que os valores das mensalidades recebidas pela Impugnante constituem fundo de reserva, devidamente escriturado sob rubrica própria, no qual é possível verificarse que o Fl. 914DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digita lmente em 19/02/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13864.720146/201207 Acórdão n.º 1201001.020 S1C2T1 Fl. 5 4 oferecimento à tributação das respectivas receitas ocorria quando do efetivo atendimento funerário aos contratantes. 5. Assim, os valores debatidos não se incorporavam ao patrimônio da Impugnante e, em consequência, não podiam ser tratados como receitas tributáveis, por falta de disponibilidade econômica. 6. Que os valores pagos estariam condicionados a prestação futura, o que poderia ensejar rescisões contratuais. 7. Que tais montantes não podem ser considerados rendimentos, pela não ocorrência do fato gerador. 8. Que o percentual de presunção do lucro utilizado, de 32% foi incorreto, visto não se tratar de prestação de serviços, mas de venda de mercadorias e produtos, como caixões, lápides e flores. 9. Que não se pode presumir a vontade do agente na prática de fraude, sonegação ou conluio, razão pela qual deve ser afastada a multa qualificada de 150%, visto que a conduta adotada pelo Contribuinte apoiavase em questão interpretativa da legislação aplicável. Em sessão de 25 de julho de 2013, a 13a Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo decidiu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte o lançamento, mantendo os créditos, mas afastando a qualificação da multa. As ementas a seguir resumem o entendimento adotado por aquela instância de julgamento: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA. IRPJ. Anocalendário: 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. PLANO DE SERVIÇOS FUNERÁRIOS. APROPRIAÇÃO DA RECEITA. Cabe ao contribuinte controlar, segregar e demonstrar, de forma clara, as parcelas a serem apropriadas como receitas auferidas Fl. 915DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digita lmente em 19/02/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13864.720146/201207 Acórdão n.º 1201001.020 S1C2T1 Fl. 6 5 nos respectivos períodos de apuração, de modo a respeitar o método da porcentagem completada (stage of completion), referenciado no Pronunciamento Técnico CPC 30. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Nas circunstâncias em que o contribuinte deixa de praticar oportunamente a atividade de apuração e recolhimento do tributo devido, não há de se cogitar acerca de lançamento por homologação, mas sim de situação que exigiu lançamento de ofício, previsto no art. 149, especialmente no inciso V, do Código Tributário Nacional, ao qual se aplica o prazo decadencial determinado pelo art. 173, I, do mesmo diploma legal. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ, acarreta o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. MULTA QUALIFICADA. NÃO SUBSUNÇÃO. Não comprova ou presume a existência de dolo conduta do contribuinte baseada em convicção de estar agindo segundo permissivo legal. Cientificada da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual reproduz, basicamente, os argumentos da impugnação, à exceção do tema sobre a nulidade do lançamento, que não foi objeto de contestação. Os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Passaremos a analisar, por tópicos, os principais argumentos trazidos pela Recorrente. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digita lmente em 19/02/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13864.720146/201207 Acórdão n.º 1201001.020 S1C2T1 Fl. 7 6 1. Da arguição de Decadência Com a publicação do Recurso Especial n. 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, que teve como relator o Ministro Luiz Fux, a matéria encontrase definida no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e deve, portanto, ser seguida neste Colegiado, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal Fl. 917DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digita lmente em 19/02/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13864.720146/201207 Acórdão n.º 1201001.020 S1C2T1 Fl. 8 7 (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) No caso dos autos tratase de lançamento por omissão de receitas, no qual entendo que não há, por parte da autoridade fiscal, o que homologar, de modo que o dies a quo do prazo decadencial deve ser deslocado para a regra geral do artigo 173, I, do CTN. Nesse sentido já se posicionava a jurisprudência do STJ antes mesmo do acórdão supracitado, conforme ementa da lavra do Ministro Castro Meira, que reproduzo: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. No lançamento por homologação, o contribuinte, ou o responsável tributário, deve realizar o pagamento antecipado do tributo antes de qualquer procedimento administrativo, ficando a extinção do crédito condicionada à futura homologação expressa ou tácita pela autoridade fiscal competente. Havendo pagamento antecipado, o Fisco dispõe do prazo decadencial de cinco anos, a contar do fato gerador, para homologar o que foi pago ou lançar a diferença acaso existente (art. 150, § 4°, do CTN). Se não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, não há o que homologar, nem se pode falar em lançamento por homologação. Surge a figura do lançamento direto substitutivo, previsto no art. 149, V, do CTN, cujo prazo decadencial se rege pela regra geral do art. 173, 1, do CTN: cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o pagamento antecipado deveria ter sido realizado. (grifamos) A tese segundo a qual a regra do art. 150, § 4°, do CTN deve ser aplicada cumulativamente com a do art. 173, I, do CTN, resultando em prazo decadencial dez anos, já não encontra guarida nesta Corte. Precedentes. Recurso especial do autor provido, prejudicado o da municipalidade.(REsp 1024092/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07.08.2008, DJe 04.09.2008) Conquanto me pareça que os Acórdãos retrocitados sejam mais do que suficientes para elucidar a questão, no intuito de que não pairem dúvidas sobre a aplicação da Fl. 918DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digita lmente em 19/02/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13864.720146/201207 Acórdão n.º 1201001.020 S1C2T1 Fl. 9 8 regra neles prevista para as hipóteses de omissão de receita, como ocorre no caso em tela, trago à colação recente decisão do próprio STJ, que expressamente consagra a regra do artigo 173, I, do CTN para as hipóteses de omissão relativas ao PIS, nos exatos moldes do que se discute nestes autos: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. PIS. OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. ATO FINAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o sujeito passivo omitese no cumprimento dos deveres que lhe foram legalmente atribuídos, deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento de ofício (CTN, art. 149), iniciandose o prazo decadencial de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito (art. 173, I, do CTN). 2. Se a Fazenda Pública notifica o contribuinte do auto de infração no prazo de cinco anos a que alude o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência do direito à constituição do crédito tributário. 3. O direito de lançar é potestativo. Logo, iniciado o procedimento fiscal com a lavratura do auto de infração e a devida ciência do sujeito passivo da obrigação tributária no prazo legal, desaparece o prazo decadencial. (grifamos) (EDcl no REsp 1162055 SP 2009/00655845, Relator Ministro CASTRO MEIRA, Segunda Turma, Julgamento em 07/12/2010 e Publicação no DJe de 14/02/2011). Em razão do exposto afasto a preliminar de decadência trazida pela Recorrente, visto que foi dada ciência dos lançamentos dentro do prazo de cinco anos, ou seja, em outubro de 2012. 2. Da omissão de receitas Aduz a Recorrente que os valores omitidos seriam relativos a mensalidades pagas pelos contratantes de planos funerários e que, nesse sentido, comporiam um fundo de reserva que não se constituiria em rendimento tributável, visto que não haveria a disponibilidade econômica dos valores, dado que a movimentação só ocorreria quando do efetivo atendimento aos contratantes. Assim, não teriam ocorrido os fatos geradores do imposto de renda que foram lançados a título de omissão. Pareceme que a tese formulada não possui qualquer esteio legal. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digita lmente em 19/02/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13864.720146/201207 Acórdão n.º 1201001.020 S1C2T1 Fl. 10 9 Em primeiro lugar, o Código Tributário Nacional já adverte sobre a possibilidade jurídica da tributação na espécie, ante a ocorrência do fato gerador pela disponibilidade econômica do rendimento. Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Ademais, também não pode prosperar o argumento da Recorrente, no sentido de que a ausência de disponibilidade econômica decorre da possibilidade de rescisão contratual pelos associados do plano. Isso porque é cediço que a disponibilidade econômica em regra advém da disponibilidade jurídica da renda, como no caso dos autos, em que os valores são lastreados por contrato firmado entre as partes. Ora, pareceme natural que quase todos os contratos possam, de alguma forma, ser rescindidos, sem que tal circunstância obstaculize a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, até porque a legislação traz comando em sentido contrário. Com efeito, o artigo 218 do Regulamento do Imposto sobre a Renda estabelece que: Art.218. O imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, das sociedades civis em geral e das sociedades cooperativas em relação aos resultados obtidos nas operações ou atividades estranhas à sua finalidade, será devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos (grifamos) E na esteira da regra de incidência prevista no CTN o artigo seguinte do RIR/99, em seu parágrafo único, considera irrelevante a denominação jurídica dos rendimentos: Artigo 219 (...) Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto. Diante da determinação legal, entendo que as mensalidades pagas pelos associados do plano devem ser oferecidas à tributação, na medida em que recebidas, o que demonstra o acerto da autoridade fiscal ao considerar os valores escriturados e não declarados ao fisco como omissão de receitas. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digita lmente em 19/02/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13864.720146/201207 Acórdão n.º 1201001.020 S1C2T1 Fl. 11 10 Subsidiariamente, a Recorrente formula pedido no sentido de que a base de cálculo, porventura considerada, seja calculada com o percentual de presunção de 8% (receita bruta de mercadorias e produtos) e não de 32% (prestação de serviços), como considerado na autuação. Como a Contribuinte optou pela modalidade de tributação pelo lucro presumido cabe, de fato, verificar os critérios para a escolha do percentual de presunção. Nesse ponto, qualquer argumento de natureza contábil ou procedimental trazido pela Recorrente tornase inócuo diante da disposição contida na Lei Complementar n. 116/03, que expressamente enquadra a atividade da empresa como prestação de serviços, conforme se pode depreender do item 25 da sua lista anexa: 25 Serviços funerários. 25.01 – Funerais, inclusive fornecimento de caixão, urna ou esquifes; aluguel de capela; transporte do corpo cadavérico; fornecimento de flores, coroas e outros paramentos; desembaraço de certidão de óbito; fornecimento de véu, essa e outros adornos; embalsamento, embelezamento, conservação ou restauração de cadáveres. A interpretação sistemática das normas tributárias nos leva a concluir que a autoridade fiscal aplicou corretamente o índice de presunção para fins de tributação do lucro. Ademais, resta evidente que os contratos firmados pela Recorrente não são de “compra e venda de mercadorias”, até porque não parece razoável imaginar que alguém firmasse tal compromisso, especialmente na modalidade de pagamento antecipado das parcelas. O argumento é paradoxal e contradiz a própria linha de defesa apresentada no recurso, pois se fosse realmente caso de compra e venda de mercadorias não poderia a Recorrente criar um fundo para tanto nem tampouco apropriar o resultado somente quando do evento morte, dado que o negócio seria perfeito e acabado desde o início, e não sujeito a evento futuro com data incerta. Seria, em outras palavras, um financiamento de compra e venda, o que certamente não reflete o caso dos autos. Aqui, temos um contrato de prestação de serviços, expressamente tipificado pela norma tributária de regência, que, inclusive, alberga o fornecimento do caixão e de todos os outros elementos necessários à sua concretização. Por fim, quanto ao argumento sobre a exorbitância da multa de ofício, que restou consignada em 75% ante a desqualificação promovida pela decisão recorrida, convém ressaltar que se trata de matéria legal, sendo defeso a este Conselho manifestarse sobre sua eventual constitucionalidade, conforme fixado pela Súmula CARF nº. 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo inalterada a decisão de primeira instância. É como voto. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digita lmente em 19/02/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13864.720146/201207 Acórdão n.º 1201001.020 S1C2T1 Fl. 12 11 (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Voto Vencedor Com o devido respeito ao entendimento do nobre Relator, ouso divergir quanto à questão da decadência. Entendo que a jurisprudência fixada pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo (RESP 973.733/SC), traz outra conotação a respeito da questão da omissão de receita que não aquela simplesmente de aplicar o artigo 173, inciso I, do CTN. Isso porque, com bem definido na jurisprudência, se houve pagamento do tributo, a despeito de ser irrisório, o fato é que houve a comunicação da Fazenda, iniciando a contagem do prazo decadencial nos termos do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. Não é o fato de omitir receita que vai sugerir a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN. A aplicação de qual regra a ser feita dependerá da existência do dolo, fraude ou simulação, que no caso em discussão foi derrubado pela DRJ, e se houve pagamento parcial ou não dos tributos exigidos. No caso dos autos houve pagamento parcial do IRPJ, da CSLL, do Pis e da Cofins. Portanto, acolho a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL relativamente aos 1o, 2o e 3o trimestres de 2007 e das contribuições para o PIS e para a COFINS referentes aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a setembro de 2007, aplicando o disposto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, bem como o disposto no entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria, haja vista o lançamento ter ocorrido em outubro de 2012. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso – Redator Designado Fl. 922DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digita lmente em 19/02/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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