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Numero do processo: 11330.000997/2007-67
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4º DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN.
As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN quando se referirem a débitos devidamente declarados em GFIP.
CONTRIBUIÇÕES A SEGURIDADE SOCIAL DECLARADAS EM GFIP.
As informações apuradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP são suficientes ao lançamento tributário. A não comprovação de erro no que declarado, confirma o acerto dos valores apurados.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.854
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a) para declarar a decadência referente às competências anteriores a 07/2002, inclusive.
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4º DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN quando se referirem a débitos devidamente declarados em GFIP. CONTRIBUIÇÕES A SEGURIDADE SOCIAL DECLARADAS EM GFIP. As informações apuradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP são suficientes ao lançamento tributário. A não comprovação de erro no que declarado, confirma o acerto dos valores apurados. Recurso Voluntário Provido em Parte
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DOS APOS E PENS DA CEF/RJ Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4O DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN quando se referirem a débitos devidamente declarados em GFIP. CONTRIBUIÇÕES A SEGURIDADE SOCIAL DECLARADAS EM GFIP. As informações apuradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP são suficientes ao lançamento tributário. A não comprovação de erro no que declarado, confirma o acerto dos valores apurados. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11330.000997/200767 Acórdão n.º 280300.854 S2TE03 Fl. 223 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a) para declarar a decadência referente às competências anteriores a 07/2002, inclusive. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11330.000997/200767 Acórdão n.º 280300.854 S2TE03 Fl. 224 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a segurados empregados declarados em GFIP e, em relação ao 13º salário, apuradas em folhas de pagamentos. A DecisãoNotificação – fls 206 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte : • Os lançamentos inseridos no DSD restaram comprometidos, pois a recorrente não teve tempo hábil de dispor de todos os documentos necessários à comprovação dos referidos recolhimentos, motivo pelo qual depende de maior lapso de tempo. • O artigo 322, da Instrução Normativa n° 70, determina que a correção pelo infrator da falta até a decisão que julgar o auto de infração é circunstância atenuante da penalidade aplicada, o que demonstra a intenção do legislador em atenuar a penalidade àquele que busca corrigir a sua falta. • Analisando a notificação de lançamento Fiscal de Débito, verificase que a notificante não indica a taxa de juros aplicada e devida, pois se limitou apenas a indicar o valor total dos juros. Portanto, a indicação do índice de juros é obrigatório em toda cobrança de divida, ainda mais se esta cobrança é efetuada pelo poder público. Sem a indicação da taxa de juros, o contribuinte fica sem condições aceitar o valor lançado como devido. Ademais, a transparência é principio que deve ser exigido em toda relação, pois a sua ausência dificulta a legitimação de uma cobrança, ainda mais quando o índice de juros quase alcança o valor originário lançado. Assim, mesmo sem saber a taxa de juros aplicada, o valor discriminado na DSD desde logo é impugnado, pois como já exposto não é aceitável a cobrança de quase 100% de juros. • Pugna pela procedência do presente recurso, para que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito seja anulada, diante dos vícios apontados, sendo ainda excluída a cobrança de multa. É o relatório. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11330.000997/200767 Acórdão n.º 280300.854 S2TE03 Fl. 225 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º ou 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade do art. 173 seria na hipótese de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) O 150, § 4º, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11330.000997/200767 Acórdão n.º 280300.854 S2TE03 Fl. 226 5 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) A regra do 150 §4º é aplicada quando temos antecipação parcial de pagamento, inocorrência de fraude ou dolo ou débitos declarados em GFIP, caso dos autos. Nessa última hipótese também já se manifestou o STJ, no rito do art. 543C do Código Processual, consoante RESP 1.143.094/SP e 1.120.295/SP . Aplicandose a regra do prefalado artigo, há que se reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 07/2002, inclusive, uma vez que a ciência do débito foi em 09/08/2007. Ante o exposto, reconheço a preliminar de decadência, nos termos do voto proferido. DO MÉRITO O recurso apresentado limitase a contestar a multa e juros aplicados, além de constar que “recorrente não teve tempo hábil de dispor de todos os documentos necessários à comprovação dos referidos recolhimentos, motivo pelo qual depende de maior lapso de tempo”. Sobre o tempo hábil para apresentação de documentos, temos que a notificação foi lavrada fundamentada nos documentos apresentados, inclusive a empresa não foi autuada pela falta de apresentação de documentos, a demonstrar que não há documentos a serem apresentados. A base da notificação foram as GFIP´s e folhas de pagamentos, documentos entregues à fiscalização. DA MULTA DE MORA APLICADA A multa de mora aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. A multa aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, fls. 44, e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. A atenuação presente no artigo 322, da Instrução Normativa n° 70/2002 diz respeito a autos de infração lavrados em razão do descumprimento de obrigação acessória, o Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11330.000997/200767 Acórdão n.º 280300.854 S2TE03 Fl. 227 6 que não é o caso presente, que diz respeito a não recolhimento de contribuições sociais – obrigação principal. DA TAXA SELIC A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito. Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Dessa feita, foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Os valores da referida taxa são públicos, com ampla divulgação nacional, não havendo que se falar em omissão dos mesmos. O relatório DSD DISCRIMINATIVO SINTÉTICO DE DÉBITO – fls 21 e ss, indica ainda, mês a mês, os valores aplicados. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11330.000997/200767 Acórdão n.º 280300.854 S2TE03 Fl. 228 7 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para declarar a decadência referente às competências anteriores a 07/2002, inclusive. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13891.000220/99-56
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2004
Ementa: ITR-1994.DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. PRESERVAÇÃO PERMANENTE, ÁREA IMPRESTÁVEL, ÁREA DE CULTURAS. GRAU DE UTILIZAÇÃO.
Não cabe declaração retificadora após notificação.No entanto, são válidas as informações prestadas por meio de laudo técnico quanto à área de reserva legal, de preservação permanente, área plantada e área imprestável. Foram atestadas por profissionais habilitados, sob responsabilidade, ressalvando-se a possibilidade de contestação posterior decorrente de fiscalização.Não informadas as quantidades mensais de cabeças de gado, inviabilizando o cálculo da área de pastagem. Não cabe desconsiderar as informações prestadas com base em mera suposição, sem verificação efetiva pela administração tributária, não cabe penalizar o declarante com um grau de utilização zero, como fez a decisão recorrida.O grau de utilização para a propriedade, com base nas informações prestadas, é de aproximadamente 34,7%.
MULTA DE MORA
Incabível a cobrança de multa de mora não lançada. O pagamento de tributo remanescente poderá ser efetuado até trinta dias a contar da ciência da decisão final administrativa sem multa no presente caso.
JUROS DE MORA
Não constituem penalidade e são sempre devidos pelo simples transcurso do tempo.
RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
Numero da decisão: 303-31.468
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar a área de reserva legal, de preservação permanente e de plantações descritas no laudo técnico e excluir a exigência de multa de mora, na forma do relatório e voto que
passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
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ementa_s : ITR-1994.DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. PRESERVAÇÃO PERMANENTE, ÁREA IMPRESTÁVEL, ÁREA DE CULTURAS. GRAU DE UTILIZAÇÃO. Não cabe declaração retificadora após notificação.No entanto, são válidas as informações prestadas por meio de laudo técnico quanto à área de reserva legal, de preservação permanente, área plantada e área imprestável. Foram atestadas por profissionais habilitados, sob responsabilidade, ressalvando-se a possibilidade de contestação posterior decorrente de fiscalização.Não informadas as quantidades mensais de cabeças de gado, inviabilizando o cálculo da área de pastagem. Não cabe desconsiderar as informações prestadas com base em mera suposição, sem verificação efetiva pela administração tributária, não cabe penalizar o declarante com um grau de utilização zero, como fez a decisão recorrida.O grau de utilização para a propriedade, com base nas informações prestadas, é de aproximadamente 34,7%. MULTA DE MORA Incabível a cobrança de multa de mora não lançada. O pagamento de tributo remanescente poderá ser efetuado até trinta dias a contar da ciência da decisão final administrativa sem multa no presente caso. JUROS DE MORA Não constituem penalidade e são sempre devidos pelo simples transcurso do tempo. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
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Processo n° : 13891.000220/99-56 Recurso n° : 123.926 Acórdão n° : 303-31.468 Sessão de : 16 de junho de 2004 Recorrente : TERTULINO GUIMARÃES Recorrida : TERCEIRA CÂMARA DO 3° CONSELHO ITR-1994.DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. PRESERVAÇÃO PERMANENTE, ÁREA IMPRESTÁVEL, ÁREA DE CULTURAS. GRAU DE UTILIZAÇÃO. Não cabe declaração retificadora após notificação.No entanto, são Óválidas as informações prestadas por meio de laudo técnico quanto à área de reserva legal, de preservação permanente, área plantada e área imprestável. Foram atestadas por profissionais habilitados, sob responsabilidade, ressalvando-se a possibilidade de contestação posterior decorrente de fiscalização.Não informadas as quantidades mensais de cabeças de gado,inviabilizando o cálculo da área de pastagem. Não cabe desconsiderar as informações prestadas com base em mera suposição, sem verificação efetiva pela administração tributária, não cabe penalizar o declarante com um grau de utilização zero, como fez a decisão recorrida.° grau de utilização para a propriedade, com base nas informações prestadas, é de aproximadamente 34,7%. MULTA DE MORA Incabível a cobrança de multa de mora não lançada. O pagamento de tributo remanescente poderá ser efetuado até trinta dias a contar da ciência da decisão final administrativa sem multa no presente caso. • JUROS DE MORA Não constituem penalidade e são sempre devidos pelo simples transcurso do tempo RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar ,a área de reserva legal, de preservação permanente e de plantações descritas no laudo técnico e excluir a exigência de multa de mora, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. :, 1 , í I/ DM , Processo n° : 13891.000220/99-56 Acórdão n° : 303-31.468 ( 1 JO 7n 5 14 e LANDA COSTA P esidente ZE I, ' np • LOIBMAN Relato l ii Formalizado em: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Sérgio de Castro Neves, Nilton Luiz Bartoli, Nanci Gama, Silvio Marcos Barcelos Fiúza e Davi Evangelista (Suplente). Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecília Barbosa. • 1 2 Processo n° : 13891.000220/99-56 Acórdão n° : 303-31.468 RELATÓRIO E VOTO Trata-se de retomo de diligência. Aqui se consideram transcritos os termos do relatório de fls. 62/67. Antes da diligência determinada já constavam do processo os documentos de fls. 05, 06, 07, 08, 09, 10/13, 14, 15, 16, 17 e 18. Após ser intimado (vide documento de fl. 27) a apresentar a documentação prevista no anexo IX da NE SRF/COSAR/COSIT n° 07/96, apresentou apenas o requerimento de fl. 29,em 03/07/2000, solicitando prorrogação de prazo por mais 90 dias para a apresentação dos documentos requeridos, justificando que, já providenciara a elaboração de 110 laudos,averbação de reserva legal e autorização do IBAMA para área de preservação permanente. Em 20/11/2000 a ARF/Porto Ferreira informou que até aquela data o interessado não apresentara os documentos solicitados. No recurso voluntário requereu ao Conselho de Contribuintes que : a)Acolhesse a declaração retificadora, que indica 100% de utilização da propriedade, e autorizasse novo lançamento conforme antes requerido na impugnação, autorizado em ato do SRF, IN SRF 165/99; b)Cancelasse a multa e juros de mora, consoante esclarece o ADN 005/94 da COSIT. Estão anexados às fls. 56/58 documentos que atestam a efetivação de arrolamento de bens em montante suficiente para garantir o seguimento do recurso. Houve, então, a Resolução 303-00.878 que determinou a realização de diligência para que a repartição de origem intimasse o contribuinte a apresentar documentos que identificassem a área de reserva legal, a área imprestável na propriedade em análise, bem como informações e/ou documentos comprobatórios de produção vegetal e de atividade pecuária no período-base sob análise. Em resposta o interessado fez juntar aos autos os documentos de fls. 78/85 que consistem em : a) Memorial Descritivo da propriedade rural assinado pelo Técnico em Agrimensura Nilson Cardoso dos Santos, CREA 2258TD/GO, indicando a medição de 1.014,42 ha de área de reserva legal, 81,96 ha de preservação permanente, e 1.802,04 de área de exploração (planta baixa em anexo na fl. 79); 3 Processo n° : 13891.000220/99-56 Acórdão n° : 303-31.468 b) Original do Laudo Técnico de Avaliação, que já constava às fls. 55, assinado pelo Eng. Agrônomo Luis Francisco Ferrari (fls. 80/81); c) Cópia da Escritura de Compra e Venda do imóvel (fls. 82/85); É o relatório. Passo ao voto: No voto condutor da Resolução já havíamos afastado a possibilidade de retificação da declaração de ITR após notificação. Registra-se, ainda, por oportuno, que a lide que remanesce trata da determinação do grau de utilização da propriedade, na medida que o contribuinte pretende que se considere 100% de utilização da propriedade, pede que sejam consideradas as áreas de distribuição do imóvel, as plantações e a atividade pecuária, bem como o afastamento da multa e dos juros de mora. Como o interessado não trouxe aos autos nenhuma informação do IBAMA acerca das áreas de reserva legal e de preservação permanente surge de imediato a questão de se aproveitar ou não as informações atestadas no laudo e no trabalho de agrimensura quanto a estes itens. Ainda que os documentos trazidos aos autos pelo interessado não correspondam exatamente ao especificado na Resolução referida, parece ser possível aproveitar algumas informações prestadas pelos técnicos responsáveis pelo laudo técnico e pela agrimensura. É importante ressaltar que tais informações são sempre passíveis de confirmação pela fiscalização tributária e sujeitam seus autores a eventual responsabilidade civil e criminal no caso de apuração de falsidade ideológica nos termos da legislação regente da matéria. S É verdade que a retificação de declaração não pode ser feita após a notificação do contribuinte (CIN, art. 147, § 1°), daí , entretanto, não se pode concluir que as declarações originalmente apresentadas são corretas. Se os valores constantes desta são manifestamente duvidosos, pode a autoridade fiscalizadora reputá-los como não-merecedores de boa-fé, e mesmo que calcule o valor do imposto com base nos dados fornecidos, deve sujeitá-los a fiscalização posterior. Discordo, ainda, da posição assumida pela DRJ em condicionar a aceitação das áreas de reserva legal e de preservação permanente para fms de isenção do tributo sobre as mesmas, somente a partir da data de averbação perante no cartório competente. Ocorre que a Medida Provisória n° 2.166-65, de 28/06/2001(publicada no DOU de 29/06/2001) acrescentou um § 70 ao art. 100 da Lei 9.393/1996, como se mostra a seguir : "Art.10. 4 Processo n° : 13891.000220/99-56 Acórdão n° : 303-31.468 § 7°. A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. "(grifos meus)". Não se pode desdenhar do caráter interpretativo da redação determinada pela MP 2.166-67/01, no art. 10, § 7°, da Lei 9.393/96. Veja-se que mesmo o Decreto 4.382/2002, antecedido de exposição de motivos, a EM 217/MF, nos seus parágrafos 2°, 3° e 4°, explicita que desde a criação do ITR, sua tributação, fiscalização, arrecadação e administração não haviam sido objetos de regulamentação específica, e a adoção do Regulamento ora proposta (Decreto 4.382/2002) objetiva • regulamentar a Lei 9.393/96, que não traz inovações quanto aos dispositivos vigentes, mas tão-somente cumpre a sua finalidade esclarecedora, tanto para o contribuinte quanto para o próprio Fisco. O Anexo à EM 217/MF corrobora o antes exposto. Portanto não é novidade que embora conceitos como área aproveitável e área efetivamente utilizada já fossem veiculados desde a Lei 8847/94, somente com o tempo é que a Administração foi solidificando seu entendimento e orientando os contribuintes a respeito. De forma que quando se utiliza um compêndio informativo de perguntas e respostas produzido pela SRF, em 2001, por exemplo, para demonstrar o grau de utilização de uma propriedade para apuração do ITR de 1994 ou de 1996, nada há de errado nisso, não apenas porque não houve alteração dos conceitos legais, mas também por falta de regulamentação específica, o que, de resto, sempre ficou evidenciado nas próprias publicações da SRF. A utilização de índices de lotação de gado, de índices de produção mínima por hectare para produtos vegetais, e a forma de calcular a área efetivamente utilizada nessas atividades embora tenham sido esclarecidas posteriormente ao fato gerador do tributo, não apenas não invalidam • sua utilização para demonstração no processo, como é o que deve ser feito. O raciocínio vale para a definição das áreas isentas que não sofreu qualquer modificação desde o início da tributação do ITR. A Lei 9.393/96 interpretada em conjunto com o Código Florestal, de forma sistemática, com as novas redações, que são posteriores à Lei 10.165/2000, não autoriza a exigência de averbação do ADA na data do fato gerador do tributo, para fins de isenção do ITR (sobre as áreas de reserva legal ou de preservação permanente). Tais áreas, quando existentes, não são isentas por estarem averbadas no Cartório, mas porque estão enquadradas na definição legal dada pela Lei 4.771/65. A tentativa de emprestar à lei a base legal para a exigência pretendida na decisão recorrida, determinaria no Decreto 4.382/2002, no art. 12, quando trata das áreas de reserva legal, contradição entre os §§ 1° e 2°, posto que primeiro afirma que as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data da ocorrência do fato gerador, para em seguida reconhecer que no caso de posse a reserva legal é assegurada não mais pela averbação no Cartório de 'Processo n° : 13891.000220/99-56 Acórdão n° : 303-31.468 Imóveis, mas por um Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor perante o órgão ambiental competente, informando sua localização (da reserva legal), suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação. Neste ponto o Regulamento evoca a Lei 4.771/65, art. 16, § 10, acrescentado pela MP 2.166-67, de 2001, art. 1°, e mais uma vez fica evidenciado o caráter elucidativo e interpretativo da MP ,tão injustamente negligenciado. O que desponta como finalidade da averbação, prevista no Código Florestal é que quando a averbação seja possível, então sirva para garantir a responsabilização de preservação da área não apenas pelo proprietário, mas também por terceiros que venham a adquirir o imóvel rural. Se o caso for de mera posse, ainda assim se faz necessário garantir responsabilidade pela preservação, e aí se determina o Termo de Ajustamento de Conduta perante o órgão ambiental competente. Tais disposições da Lei 4.771/65 nada têm a ver com fiscalização do ITR, nem muito menos com isenção do ITR. A norma é, pois, aplicável aos fatos pretéritos, seja sob o critério apontado pelo art. 106 do CTN, pelo seu espírito claramente elucidativo, seja porque explicita a disciplina legal que já era aplicável antes embora sem a mesma clareza. ,Nem o Código Florestal, nem a Lei 9.393/97, mormente após a redação dada ao seu art. 10, pela MP 2166-67/2001 representam embasamento legal para exigência do ADA para fins de reconhecimento de isenção das áreas de reserva legal, ou de preservação permanente. As informações prestadas pelo contribuinte sobre a distribuição das áreas do imóvel, notadamente quanto à área total do imóvel, à área de reserva legal , à área de preservação permanente e à área inaproveitável, devem ser consideradas na determinação da base de cálculo do ITR. •No entanto não levaremos em conta a área de pastagens e o n° de cabeças de gado informados nos laudos porque a lacônica informação não permite deduzir qual a quantidade média de cabeças de gado na propriedade no período em causa, ficando impossibilitado o cálculo da "área de pastagem aceita" com base nos índices de lotação mínimos determinados na legislação de regência. As considerações acima, como se sabe, influirão no grau de utilização da propriedade e afetarão a alíquota a ser aplicada sobre a base de cálculo firmada. Ressalta-se a acuidade da advertência constante do § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/96 acima transcrito, válida, segundo meu entendimento, para a disciplina de ambos os litigantes. 6 Processo n° : 13891.000220/99-56 Acórdão n° : 303-31.468 Ocorre que o contribuinte afirma que tais informações não constaram na declaração por equívoco, mas foram atestadas por profissionais sob responsabilidade, ressalvando-se a possibilidade de contestação posterior decorrente de fiscalização. Penso que é mais acertado agir assim do que sumariamente e, sem base em verificação efetiva pela administração tributária, simplesmente atribuir à propriedade grau de utilização zero, como fez a decisão recorrida. Vejamos, então, qual o grau de utilização (GU) a ser considerado para o imóvel rural em causa. Embora se trate do ITR/94, podemos utilizar como guia, conforme explicado acima, a Lei 9.393/96, para elucidar o cálculo do GU a ser considerado. Ocorre que os critérios além de serem os mesmos antes válidos, somente ao longo do tempo foram sendo mais bem explicitados e definidos. O cálculo da área utilizada pela atividade rural deve levar em conta as áreas que tenham servido de plantação, pastagem (nativa ou plantada), observados também os índices de produtividade e de lotação para gado. Seguindo as determinações da Lei 9.393/96 e as orientações emanadas de Manual de Perguntas e Respostas sobre o ITR, divulgado pela SRF na Internet (em 04/07/2001) observa-se que: 1) o imóvel em foco tem área de 2.898,3 hectares; 2) a área servida de pastagem "aceita" seria a menor entre a área de pastagem declarada pelo contribuinte e a área obtida pelo quociente entre o número de cabeças do rebanho ajustado e o índice de lotação mínimo legal; 3) para se obter o rebanho ajustado para cálculo da "área de pastagem aceita" dever-se-ia ,no caso, contar os animais do rebanho de grande e de pequeno porte,mês a mês, determinar o número médio anual e em seguida a quantidade de cabeças ajustadas, resultado da multiplicação do n° médio de animais (de grande porte/de pequeno porte) pelo fator de ajuste correspondente. Os dados conhecidos até aqui com relação à propriedade rural são: Área Total : 2.898,30 ha Reserva Legal : 1.014,42 ha Pres. Permanente : 81,96 ha Pastagem declarada : 400,00 ha Área plantada com vegetais : 400,00 ha 7 Processo n° : 13891.000220/99-56 Acórdão n° : 303-31.468 Animais de grande porte : 310 cabeças Animais de pequeno porte: 40 cabeças A propriedade comportaria o quantitativo pecuário indicado no laudo, porém a informação não explicita as quantidades mensais de cabeças de gado, para que se pudesse tomar a média, omissão que impossibilita o cálculo da "área de pastagem aceita". Considerando as demais áreas indicadas no laudo, a área plantada com produtos vegetais, e servindo-nos da orientação emanada da SRF, via internet, já citada, podemos concluir sobre o grau de utilização da propriedade. Teremos: Área Total do imóvel 2.898,30 ha Reserva Legal • 1.014,42 ha Preserv.Permanente • 81,96 ha Área Inaproveitável 649,20 ha Área plantada 400,00 ha A área plantada com banana, cana de açúcar, laranja, mandioca, feijão e milho é correspondente a 400 hectares (conforme informação de fls. 80). Ocorre que a área utilizável é 1.152,7 ha [2.898,30 — (1014,42+81,96+649,20) = 1.152,7 hectares]. Teremos, então para o GU: 400,0 : 1.152,7 = 34,7% aproximadamente. Pela Tabela I do Anexo à Lei 8.847/94, para Grau de Utilização entre 30% e 50%, e área de 2.898,3 hectares, a alíquota aplicável será de 1,70 %. Por fim diga-se que não tendo sido lançada multa de mora é incabível a sua cobrança sobre o valor do tributo remanescente no presente caso. O contribuinte exerceu tempestivamente seu direito à impugnação e recurso contra o lançamento efetuado, permanecendo a exigência em suspenso até a decisão final administrativa. A partir da ciência de tal decisão o contribuinte disporá de trinta dias para efetuar o pagamento do débito remanescente sem a imposição de multa. Quanto aos juros de mora, é uníssona a jurisprudência dos tribunais e também do Conselho de Contribuintes, não há margem a dúvida de que juros de mora não constituem penalidade, são sempre devidos pelo simples transcurso do tempo. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 16 de junho de 2004. - ZE AL 'e O LOIBMAN - Relator 8
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007693/2007-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato
gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35-A, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009.
Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, na aplicação da multa de ofício a aplicada aos valores do créditos tributários lançados por oficio em NFLD de fatos geradores não declarados em GFIP, deve aplicado o
art. 35-A, da Lei n. 8.212/1992, incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao sujeito passivo, comparando-se a aplicação da multa do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1998, com a multa do art. 35, da Lei n. 8.212/1992, na redação anterior à MP n. 449/2008.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.733
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, : por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a) para: a) decretar a nulidade do lançamento pela decadência dos créditos tributários referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente à data de 1º de janeiro de 2001. b) que seja aplicada a multa disposta o art. 35-A, da Lei n. 8.212/1991, incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao sujeito passivo, comparando-se a aplicação da multa do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, com a multa do art. 35, da Lei n. 8.212/1991, na redação anterior à MP n. 449/2008. (Assinado Digitalmente)
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35-A, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, na aplicação da multa de ofício a aplicada aos valores do créditos tributários lançados por oficio em NFLD de fatos geradores não declarados em GFIP, deve aplicado o art. 35-A, da Lei n. 8.212/1992, incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao sujeito passivo, comparando-se a aplicação da multa do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1998, com a multa do art. 35, da Lei n. 8.212/1992, na redação anterior à MP n. 449/2008. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
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DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35A, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, na aplicação da multa de ofício a aplicada aos valores do créditos tributários lançados por oficio em NFLD de fatos geradores não declarados em GFIP, deve aplicado o art. 35A, da Lei n. 8.212/1992, incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao sujeito passivo, comparandose a aplicação da multa do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1998, com a multa do art. 35, da Lei n. 8.212/1992, na redação anterior à MP n. 449/2008. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.007693/200711 Acórdão n.º 280300.733 S2TE03 Fl. 319 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, : por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a) para: a) decretar a nulidade do lançamento pela decadência dos créditos tributários referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente à data de 1º de janeiro de 2001. b) que seja aplicada a multa disposta o art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao sujeito passivo, comparandose a aplicação da multa do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, com a multa do art. 35, da Lei n. 8.212/1991, na redação anterior à MP n. 449/2008. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.007693/200711 Acórdão n.º 280300.733 S2TE03 Fl. 320 3 Relatório O presente Recurso Voluntário apresentado (fls. 284314) busca a revisão total da decisão a quo (fls.264276), que manteve crédito constituído pela NFLD a título de da incidência de contribuições previdenciárias e destinadas a terceiras entidades, obtidos de confrontos entre levantamentos sobre a folha de pagamentos e recolhimentos sobre os vencimentos pagos aos funcionários da fundação autárquica requerente exclusivamente comissionados. A ocorrência dos eventos sobre os quais incidiu a norma de imposição tributária se deu nas competências de 01/01/1999 a 31/12/2004, sendo o lançamento cientificado no dia 20.06.2006 (fls.209). Em seu recurso, a contribuinte alegou os mesmos argumentos legais da impugnação: 4.1. Comissionados. A Lei n° 8.212/91, em seu artigo 13 (somente alterado pela Lei n° 9.876 em 26.11.99), previu a exclusão do Regime Geral dos servidores sujeitos Regime Próprio de Previdência Social, não existindo qualquer ressalva ao ocupante de cargo efetivo no período em referencia. Os empregados relacionados contribuíram para o sistema estadual (RPPS), havendo previsão legal na legislação estadual para tanto. 4.1.1. Até o final de 1992, vigorou a Lei Estadual n° 4.766/63 (com alterações das Leis Estaduais n° 5.082/68 e n° 9.577/91 que atribuía os comissionados a obrigatoriedade de inscrição no Regime Próprio (art. 6º) 4.1.2. Em 21/12/1992, passou a vigorar a Lei Estadual n° 10.219/92 (alterada pela Lei n° 10.464/93) que estabelecia a qualidade de segurado obrigatório aos ocupantes de cargos em comissão quando servidores públicos. 4.1.3. Nos termos do art. 24, I, da Lei Estadual n° 10.219/92, os ocupantes de cargos em comissão são abrangidos pelo Regime Próprio, pois são servidores públicos, conforme se infere nas lições dos tratadistas José CreteIla Júnior, Celso Antonio Bandeira de Mello e Diogo de Figueiredo Moreira Neto. 4.1.4. 0 art. 15 da Lei Estadual n° 10.219/92 veda a possibilidade de mais de uma aposentadoria pelo Fundo Previdenciário. Portanto, se os comissionados completarem o tempo de aposentadoria em outro sistema, contando o tempo do sistema do Fundo Estadual, poderão se aposentar e legar pensões. 4.1.5. A conclusão dos Auditores de que sistema próprio de previdência é aquele que garante a aposentadoria e a pensão por morte é equivocada e desprovida de fundamento legal. 0 STJ Fl. 325DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.007693/200711 Acórdão n.º 280300.733 S2TE03 Fl. 321 4 consagra que a previdência social não é limitada A aposentadoria, mas também a uma série de serviços a que o comissionado tem direito, tais como, licença para tratamento de saúde, licença gestante, licença paternidade, licença por acidente de trabalho. A linha de raciocínio dos Auditores leva ao equivoco de se exigir que o sistema próprio de previdência possua mecanismos de proteção ao trabalhador em situação de desemprego voluntário (seguro desemprego), art. 201, III, da Constituição da República. 4.1.6. Destarte, os comissionados estavam cobertos por uma série de benefícios além de contarem o tempo de serviço para fins de aposentadoria em outros sistemas de previdência. Até mesmo na esfera federal é possível a contagem recíproca, conforme dispõe o art. 103, I, da Lei n° 9.527/97 e assegura o art. 201, § 9 0, da Constituição da República. Por outro lado, nenhum beneficio ou serviço da seguridade social pode ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio, conforme o art. 195, § 5°, da Constituição. 4.1.7. Portanto, (1) a Lei n° 8.212/91, na redação vigente à época, exclui do Regime Geral os servidores vinculados a sistema de previdência próprio; (2) os comissionados, sem vinculo efetivo, quer sejam aposentados ou não, eram servidores públicos e encontravamse sujeitos ao Regime Próprio, por força das Leis Estaduais n° 4.766/63 e n° 10.219/92; (3) a impossibilidade de aposentadoria por tempo de serviço pelo regime próprio, não desnatura o sistema e não obriga o enquadramento do Regime Geral, por inexistência de disposição legal neste sentido; (4) sempre foi possível a contagem de tempo de serviço no desempenho das funções comissionadas para fins de aposentadoria em outros sistemas, assegurada a compensação financeira entre os mesmo. Assim, não prospera o lançamento. 4.2. Imunidade. Exigir contribuição do empregador, quando se trata do Estado (ou Autarquia Estadual), importa inobservância à imunidade tributária, garantida pela Constituição (CR, art. 150, VI, a), posto que tal pagamento tem natureza de imposto (enquanto a do empregado é taxa). 4.3. Dos coresponsáveis. Foram indicadas várias autoridades estaduais como coresponsáveis pelos débitos, mas inexiste fundamentação legal da responsabilidade atribuida aos intitulados coresponsáveis. Portanto, há ofensa ao principio do contraditório e da ampla defesa (CR, art. 5°, LV). A relevância da omissão decorre do fato de não se saber qual o objeto da responsabilidade atribuída aos agentes públicos. 4.3.1. A Lei n° 8.212/91 previu a responsabilidade dos administradores e servidores somente nas hipóteses do seu art. 41. Prevendo a responsabilização de seus agentes, em especial pela aplicação da OS n° 214/99, o Estado do Parana ingressou com mandado de segurança preventivo Fl. 326DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.007693/200711 Acórdão n.º 280300.733 S2TE03 Fl. 322 5 no sentido de impedir a autuação (notificação) dos servidores descritos no art. 41 da Lei n° 8.212/91 e na OS n° 214/99, os quais não são os arrolados nas notificações. 4.3.2. Os Auditores notificaram inclusive os Procuradores Gerais do Estado, sem nenhum respaldo legal e sem qualquer nexo causal com os fatos descritos na referida notificação. Portanto, houve também ofensa ao art. 5°, II, da Constituição da República. 4.3.3. A notificação não poderia ter sido lavrada com relação As autoridades apontadas como coresponsáveis porque a responsabilidade é objetiva (CR, art. 37, § 6°) e, assim, somente a pessoa jurídica de direito público, que é o sujeito passivo da tributação, poderia sofrer autuação para aplicação da sanção tributária (multa) pelo descumprimento do dever instrumental de seu funcionário (se provada a culpa ou o dolo no seu procedimento),podendo buscar ressarcimento junto a este, se for o caso. 4.3.4. Não se pode afastar a responsabilidade objetiva do Estado para punir diretamente o funcionário público, sob pena de infração A autonomia do Ente Político e de invasão à competência administrativa, pois estaria decidindo quem agiu dolosa ou culposamente por presunção e depois buscando um ressarcimento que o Ente competente poderia julgar não devido. 4.3.5. Somente nos casos em que a responsabilidade é subjetiva é que seek chamados a responder pela infração os sócios da pessoa jurídica (de direito privado) os mandatários, prepostos ou empregados, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas de direito privado (previstas no art. 134 do* CTN — o qual se dirige apenas As pessoas jurídicas de direito privado). 4.3.6. 0 art. 136 do CTN recomenda a responsabilidade objetiva como regra. 0 art. 112 traça critérios de interpretação e o art. 137 relaciona os casos em que a responsabilidade do agente é pessoal. Mas, no caso presente não há crime. Se houvesse responsabilidade subjetiva, somente o seria para comprovar o dolo ou culpa do agente e a responsabilização seria sempre do Estado, jamais pessoal do agente. 4.3.7. No caso em questão, não há responsabilidade do Estado, mas se houvesse esta não poderia ser imputada a nenhum funcionário público estadual, senão ao próprio Estado (sujeito passivo do tributo denominado contribuição previdenciária). Fl. 327DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.007693/200711 Acórdão n.º 280300.733 S2TE03 Fl. 323 6 4.3.8. Embora, os Auditores não tenham fundado a autuação em nenhum dispositivo legal, não ha dúvida quanto A inconstitucionalidade do art. 289 do Decreto n° 3.048/99 e da OS n° 214/99, que atribui como regra geral a responsabilidade subjetiva dos ilícitos tributários, contrariando os arts. 113, 136, e 137 do CTN, bem como aos arts. 5°, II; 37, § 6°;e 150, I, da Constituição. Há também ofensa ao Estado Democrático de Direito, pois os atos normativos e decretos não podem inovar a ordem jurídica, menos ainda quando contrariem a Constituição e Lei Complementar. Além disso, há ofensa ao principio da separação dos poderes e ao principio da legalidade e da vinculação. 4.4. Por fim, requer a completa desconsideração do lançamento, extinguindose a notificação e o crédito constituído. Contudo, o recurso referese apenas aos períodos de 01/1996 até 12/1998, não trabalhando os períodos efetivamente lançados. O recurso foi considerado tempestivo pela autoridade preparadora, seguindo originalmente para o 2º Conselho de Contribuintes, que teve suas competências transferidas à 2ª Seção de Julgamento do CARF/MF, e, por conseguinte, veio distribuído à presente Turma Especial e relator. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.007693/200711 Acórdão n.º 280300.733 S2TE03 Fl. 324 7 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II Preliminarmente, em face à análise do Recurso e dos autos do processo, atentase à extinção dos créditos constituídos em razão da ocorrência de decadência, indiferente de futuros vícios ou nulidades que venham ser apontadas. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado e obrigatório à administração pública, emitiu a Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, que pacificou o entendimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Observese a NFLD é referente às fatos geradores são dos períodos de 01/1999 a 12/2001, todos não declarados em GFIP. Neste caso, apesar da natureza das contribuições tendentes ao lançamento por homologação, seguindo, a priori, o prazo decadencial do art. 150, §4º, CF/1998, ou seja, de 5(cinco) anos a partir do fato gerador. De qualquer forma, a decadência dos créditos tributários em questão por ser um típico lançamento de ofício também se vêm pelo disposto no art. 173, I, c/c art. 156, inciso V, do CTN, contando o prazo de 5(cinco) anos do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na interpretação em análise de recurso repetitivo do Superior Tribunal de Justiça, o início do prazo decadencial se dá “ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível” (REsp. n. 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, 18.09.2009), de obediência necessária pela presente Turma Especial (art. 62A, do RI/CARF). Fl. 329DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.007693/200711 Acórdão n.º 280300.733 S2TE03 Fl. 325 8 Atentese ao fato que o dia de ciência da NFLD foi 20.06.2006, assim estarão extintos os créditos oriundos da incidência da norma tributária sobre fatos geradores anteriores à 1º/01/2001. Assim, resta prejudicada a discussão dos períodos já decadentes. III Quanto aos períodos não caducos, verificase que a aplicação do Regime Geral de Previdência aos funcionários públicos exclusivamente comissionados já estava em pleno vigor, que foi muito bem demonstrado pela decisão a quo (fls. 274275) e que o presente voto filiase aos seus fundamentos, em que, no período do crédito tributário (01/2001 a 13/2004), por forca da Lei Estadual do Paraná n° 12.398/98, com as alterações da Lei Estadual do Paraná n° 12.556/99, da Constituição da República (art. 40, § 13), e, a partir da Emenda Constitucional Estadual do Paraná n° 07/00, da própria Constituição do Estado do Paraná (art. 35, § 13), bem como do art. 12, I, "a", da Lei n° 8.212/91 e do art. 9 0, I, i, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, o ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão é segurado do Regime Geral. Os argumentos do recorrente não são suficientes para obterse a revisão da decisão a quo, aos quais o presente voto filiase. Atestandose que a recorrente apenas indicou como equivocados os créditos fiscais de 01/1996 até 12/1998, e não da questionada NFLD. Também não há em se falar em imunidade tributária da Recorrente, com base no art. 150, IV, a, da CF/1988, pois a mesma somente inclui impostos, excluindose contribuições sociais previdenciárias (Pleno: RE 135.284, rel. Min. Carlos Velloso; e RE 150.755, rel. Min. Sepúlveda Pertence; Primeira Turma: RE 141.715, rel. Min. Moreira Alves; e Segunda Turma: REAgR 278.636, rel. Min. Mauricio Corrêa). Ainda a própria Constituição Federal, em seu art. 40, §13º (red. EC 20/1998), que eminentemente exclui qualquer possibilidade da adesão de funcionários com vínculo exclusivamente comissionado aderir ao Regime de Previdência Próprio da categoria funcional, somente permitida a do Regime Geral de Previdência. Ademais, quanto às demais alegações de inconstitucionalidade da incidência das normas das contribuições sobre a remuneração dos funcionários comissionados exclusivamente, não podem ter a sua aplicação afastada. Em razão de que sob a mera alegação de confisco, inconstitucionalidade e ilegalidade de tais dispositivos legais que fundamentam expressamente o lançamento não tem o condão de autorizar ao Administrador Público, agente fiscal ou julgador do contencioso administrativo, de afastar a sua aplicação. No caso dos conselheiros do CARF/MF, tal impedimento está disposto no art. 62, do seu Regimento Interno,salvo exceções estabelecidas no mesmo dispositivo e no art. 62A. IV Da mesma forma, quanto à responsabilização dos dirigentes da Recorrente, entendo como plenamente demonstrado pela própria decisão recorrida, a qual se transcreve trecho (fls. 276): 8. Pressupondo que a notificação foi lavrada contra os co responsáveis listados pela fiscalização, o impugnante sustenta a ausência de fundamentação legal para a atribuição de responsabilidade, a inconstitucionalidade do art. 289 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 e da OS n° 214/99, e ofensa ao Estado Democrático de Direito, bem como a ofensa aos artigos 5°, II e LV, 37, § 6°, 150, Fl. 330DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.007693/200711 Acórdão n.º 280300.733 S2TE03 Fl. 326 9 I, da Constituição da República e contrariedade aos artigos 112, 113, 136 e 137 do CTN. 8.1. Ressaltese, contudo, que a referida premissa não corresponde à realidade. A notificação não foi lavrada contra os representantes legais da notificada constantes no "CORESP — Relação de co responsáveis" (fls. 201), mas sim contra a autarquia notificada, conforme consta na folha de rosto da NFLD e no Relatório Fiscal. 8.2. No Relatório anexo "CORESP", apenas identificouse o dirigente da Autarquia e o respectivo período de gestão; não obstante os administradores de autarquias que se encontrarem em mora, por mais de 30 (trinta) dias, no recolhimento das contribuições previstas na Lei n° 8.212/91, sejam solidariamente responsáveis pelo respectivo pagamento, nos termos do art. 42 da Lei n° 8.212/91. 8.3. Assim, não prosperam as alegações da defesa de ausência de fundamento legal e de ofensa aos princípios e normas relacionados na impugnação, bem como de inconstitucionalidade de dispositivos legais e infralegais não aplicados. Dessa forma, quanto à aplicação das contribuições previdenciárias, pelo lançamento, nos períodos não decadentes está correto. V Por final, à multa aplicada sobre as contribuições lançadas de ofício, com a alteração da redação do art. 35 e inclusão do art. 35A, da Lei n. 8.212/1992, pela Medida Provisória n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, por serem parte dos créditos lançados em razão de omissão de informações que deveriam ser declaradas, ordena que seja aplicada a multa estabelecida no art. 44, I, da Lei n. 9.430/1998, de 75% (Setenta e Cinco Porcento) sobre o valor do crédito. Toda multa tributária é uma sanção, ou seja, tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da Fl. 331DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.007693/200711 Acórdão n.º 280300.733 S2TE03 Fl. 327 10 obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 32A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da multa do art. 44, da Lei n. 9.430/1996, não pode ser cumulada com qualquer outro, entendo que deve ser aplicado o art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao sujeito passivo, comparandose a aplicação da multa do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, com a multa do art. 35, da Lei n. 8.212/1991, na redação anterior à MP n. 449/2008. VI Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reformando a decisão anterior e o lançamento, no sentido de: a) decretar a nulidade do lançamento pela decadência dos créditos tributários referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente à data de 1º de janeiro de 2001. b) que seja aplicada a multa disposta o art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao sujeito passivo, comparandose a aplicação da multa do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, com a multa do art. 35, da Lei n. 8.212/1991, na redação anterior à MP n. 449/2008. Sala de Sessões, 12 de maio de 2011. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 332DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.007693/200711 Acórdão n.º 280300.733 S2TE03 Fl. 328 11 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.909058/2009-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/11/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO
DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e
objetivam, tão-somente, sanar contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado.
Embargos Acolhidos
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-002.731
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
acolher os embargos de declaração do contribuinte, rerratificando o Acórdão nº 3803-002.113, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tãosomente, sanar contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração do contribuinte, rerratificando o Acórdão nº 3803002.113, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira , Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 2 ITAIQUARA ALIMENTOS S.A. formulou, em 23 de janeiro de 2012, os Embargos de Declaração de fls. s/nº, contra o Acórdão nº 3803002.113, de 7 de novembro de 2011, fls. 48 a 50, assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2004 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Invocando o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, a embargante acusa a decisão embargada de incorrer em contradição ao tomar como base de decidir os fundamentos da decisão recorrida, que são distintos dos levantados na fundamentação da decisão embargada. Requer ainda reconsideração do indeferimento do pedido de sobrestamento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. s/nº merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão nº 3803002.113, de 7 de novembro de 2011. Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Contradição Compulsando o voto condutor da decisão embargada, constato que dele constou, sob o título “Conclusão”, o que segue: Conclusão Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10865.909058/200941 Acórdão n.º 380302.731 S3TE03 Fl. 3 3 Nada a reparar na decisão recorrida, cujos fundamentos, forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 7 de novembro de 2011 Alexandre Kern Há que se dar razão à Embargante. Com a locução recém transcrita, o Acórdão embargado findou por encampar os fundamentos levantados pela decisão de primeira instância, sem, contudo ter discorrido sobre eles em sua fundamentação, limitandose a analisar a questão sob a ótica probatória. Nesse sentido, portanto, entendo que a contradição deve ser sanada pela via dos presentes declaratórios. A contradição é meramente aparente. Na verdade, a fórmula empregada na conclusão do voto condutor da decisão embargada não deveria dele constar, tratandose de erro manifesto na formalização do acórdão. Assim, retifico a decisão embargada, cuja conclusão passa a ser, simplesmente, a que segue: Conclusão Em face dessas considerações, nego provimento ao recurso. Pedido de reconsideração do indeferimento do pedido de sobrestamento A propósito do pedido de reconsideração, recorro à doutrina Humberto Theodoro Junior1 (2004, p. 560), que leciona que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam à reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. A jurisprudência não destoa: A omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazêlo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicandolhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” (Edcl em REsp 56.201BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32346) 1 THEODORO JUNIOR. Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 41ª ed. Rio de Janeiro: Ed.Forense. 2004. p. 560 e ss Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Salientada a natureza específica deste recurso, qual seja, a de propiciar a correção, integração e complementação da decisão, o pedido em tela não merece acolhida, posto que a via empregada não se presta para o simples reexame do litígio, obtendo nova análise da questão sob determinado ângulo, como meio de alterar o decidido Não conheço o pedido. Conclusão Com essas considerações, voto pelo acolhimento dos declaratórios do contribuinte, apenas para rerratificar a decisão embargada, sem alterarlhe o resultado do julgamento. Sala das Sessões, em Alexandre Kern Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10865.909058/200941 Acórdão n.º 380302.731 S3TE03 Fl. 4 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: Interessada: Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no , de , da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em . [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000109/2007-36
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
A contribuição do segurado contribuinte individual encontra respaldo legal no art. 12, inciso V, art. 21, art. 28, inciso III, art. 30, inciso II e parágrafos 2o., 4o. e 5o., todos da Lei nº 8.212/91
A contribuição da empresa sobre a remuneração paga ao contribuinte individual encontra respaldo legal no art. 1o., incisos I e II, e art. 3; todos da Lei Complementar n. 84, de 18.01.96,
MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. SELIC.
Sobre as contribuições sociais em atraso, incidirá multa e juros de mora, que não poderão ser relevados, conforme determinação legal.
É lícita a utilização da Taxa SELIC para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Receita Federal do Brasil.
Deve ser feita a análise dos valores das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica ao contribuinte, se cabível.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.538
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A contribuição do segurado contribuinte individual encontra respaldo legal no art. 12, inciso V, art. 21, art. 28, inciso III, art. 30, inciso II e parágrafos 2o., 4o. e 5o., todos da Lei nº 8.212/91 A contribuição da empresa sobre a remuneração paga ao contribuinte individual encontra respaldo legal no art. 1o., incisos I e II, e art. 3; todos da Lei Complementar n. 84, de 18.01.96, MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. SELIC. Sobre as contribuições sociais em atraso, incidirá multa e juros de mora, que não poderão ser relevados, conforme determinação legal. É lícita a utilização da Taxa SELIC para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Receita Federal do Brasil. Deve ser feita a análise dos valores das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica ao contribuinte, se cabível. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1981; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 154 1 153 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12571.000109/200736 Recurso nº 258.438 Voluntário Acórdão nº 280300.538 – 3ª Turma Especial Sessão de 15 de março de 2011 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PARAFUSOS E CONEXÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A contribuição do segurado contribuinte individual encontra respaldo legal no art. 12, inciso V, art. 21, art. 28, inciso III, art. 30, inciso II e parágrafos 2o., 4o. e 5o., todos da Lei nº 8.212/91 A contribuição da empresa sobre a remuneração paga ao contribuinte individual encontra respaldo legal no art. 1o., incisos I e II, e art. 3; todos da Lei Complementar n. 84, de 18.01.96, MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. SELIC. Sobre as contribuições sociais em atraso, incidirá multa e juros de mora, que não poderão ser relevados, conforme determinação legal. É lícita a utilização da Taxa SELIC para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Receita Federal do Brasil. Deve ser feita a análise dos valores das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica ao contribuinte, se cabível. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12571.000109/200736 Acórdão n.º 280300.538 S2TE03 Fl. 155 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lançada contra a empresa INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PARAFUSOS E CONEXÕES LTDA, com finalidade de apurar o crédito relativo às contribuições não recolhidas à Seguridade Sociais, correspondentes às contribuições previdenciárias das empresas, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais, período de janeiro de 1999 a abril de 2005, e as contribuições de 11% (onze por cento) dos segurados contribuintes individuais, que deveriam ter sido descontadas dos pagamentos efetuados a partir de abril de 2003, não declarados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIPs, sendo emitida Representação Fiscal para Fins Penais, conforme Relatório Fiscal de fls. 54/57. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO A ciência da notificação fiscal se deu em 31/08/2007, fl. 01, inconformado o recorrente apresentou impugnação, fls. 68 a 70. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento, fls. 84 a 94. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte tomou ciência da decisão em 07/01/2008, fls. 96, inconformado interpôs recurso voluntário em 06/02/2008, fls. 100 a 104, alegando em síntese: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA não se sabe como se obteve o valor a título de juros e multa, necessitando do detalhamento e memória do cálculo. Não basta saber o percentual de multa e juros que estão previstos na lei. Assim o lançamento deve ser anulado; DECADÊNCIA – o prazo é de cinco anos. Dessa forma, todos os valores apurados antes de 31 de agosto de 2002 estão atingidos pela decadência. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, fls. 108, e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. A contribuição do segurado contribuinte individual encontra respaldo legal no art. 12, inciso V, art. 21, art. 28, inciso III, art. 30, inciso II e parágrafos 2o., 4o. e 5o., todos da Lei nº 8.212/91, bem como, demais dispositivos legais constantes do relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD, constante dos autos. A contribuição da empresa sobre a remuneração paga ao contribuinte individual encontra respaldo legal no art. 1o., incisos I e II, e art. 3; todos da Lei Complementar n. 84, de 18.01.96, bem como, demais dispositivos legais constantes do relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD, constante dos autos. Quanto à questão relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser analisada. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12571.000109/200736 Acórdão n.º 280300.538 S2TE03 Fl. 156 5 observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão exarado em Recurso Especial REsp 761908 / SC, 2005/01010128, T1 PRIMEIRA TURMA, relator Ministro LUIZ FUX (1122), publicação DJ 18/12/2006 p. 322, prevê a aplicação de regras de contagem de decadência distintas em um mesmo lançamento de contribuições previdenciárias, cujo excerto transcrevemos: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DE SEUS CRÉDITOS. DECADÊNCIA. LEI 8.212/91 (ARTIGO 45). ARTIGOS 150, § 4º, E 173, I, DA CF/88. ACÓRDÃO ASSENTADO EM FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. ....... 11. In casu, a notificação de lançamento, lavrada em 31.10.2001 e com ciente em 05.11.2001, abrange duas situações: (1) diferenças decorrentes de créditos previdenciários recolhidos a menor (abril e novembro/1991, março a julho/1992; novembro e dezembro/1992; setembro a novembro/1993, janeiro/1994, março/1994 a janeiro/1998; e março e junho/1998); e (2) débitos decorrentes de integral inadimplemento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a autônomos (maio a novembro/1996; janeiro a julho/1997; setembro e dezembro/1997; e janeiro, março e dezembro/1998) e das contribuições destinadas ao SAT incidente sobre pagamentos de reclamações trabalhistas (maio/1993; abril/1994; e setembro a novembro/1995). 12. No primeiro caso, considerandose a fluência do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, encontram se fulminados pela decadência os créditos anteriores a novembro/1996. 13. No que pertine à segunda situação elencada, em que não houve entrega de GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), nem confissão ou qualquer pagamento parcial, incide a regra do artigo 173, I, do CTN, contandose o prazo decadencial qüinqüenal do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta sorte, encontramse hígidos os créditos decorrentes de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a autônomos e caducos os decorrentes das contribuições para o SAT." Nosso grifo REGRA DO ART. 173, INCISO I DO CTN. No caso em concreto, o período do lançamento se deu em 01/1999 a 04/2005. Não houve pagamento antecipado nem declaração em GFIP, conforme Discriminativo Analítico de Débito – DAD (fls. 4/13). A ciência da notificação se deu em 31/08/2007 (fl. 01). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 Logo deve ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para essas competências encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos até a competência novembro de 2002, inclusive 13/2002 (13o. salário) se houver. A competência dezembro de 2002 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, data em que se exigia o pagamento antecipado, ou seja, em janeiro de 2003; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, o dia 1o de janeiro de 2004, a qual findaria em 31 de dezembro de 2008. Destarte, ficam excluídas do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2002, inclusive, em razão da regra decadencial disposta no art. 173, inciso I do CTN, passando a análise do mérito para as demais competências. Não procedem os argumentos de cerceamento de defesa acerca do lançamento não permitir o entendimento e conferência dos valores obtidos a título de juros e multa, bem como, da necessidade de detalhamento e memória do cálculo. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamento – RL contendo a competência (mês e ano), a base de cálculo, a discriminação da observações; e, ainda, o Discriminativo Analítico de Débito – DAD que informa as alíquotas e os valores das contribuições previdenciárias devidas; as Instrução para o Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal; e demais informações constantes das folhas 01 a 101, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91, e demais dispositivos mencionados nos autos. Ademais, os juros e a multa estão demonstrados no Relatório Discriminativo Sintético de Débito – DSD, fls. 14 a 19, por competência (mês/ano), por levantamento (AUT) e por estabelecimento (76.250.570/0001 00), com o montante do total apurado, bem como, no Fundamentos Legais do Débito – FLD: 601 Acréscimos Legais – Multa e 602 Acréscimos Legais Juros, fls. 45/46, demonstrando o detalhamento por competência e sua memória de cálculo, juntamente com a legislação aplicada. Assim, restam afastadas as argüições quanto à dificuldade de apuração e conferência dos valores, bem como da necessidade de detalhamento e memória do cálculo. Ressaltase que os acréscimos legais em decorrência dos juros e multa aplicados, com base nos arts. 34 e 35 da Lei n º 8.212/91, sofreram alterações trazidas pela Lei n º 11.941/2009, sendo transferidas para o arts. 35 e 35A da Lei n º 8.212/91. A aplicação dos juros equivalente a taxa SELIC, para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias em atraso, encontra respaldo legal no art. 34 da Lei n º 8.212/91. É utilizada como índice de juros de mora e não de atualização monetária. A utilização da referida taxa surgiu com o advento da Lei n° 9.065/95, artigo 13, quando os juros de mora, a partir de abril de 1995, passaram a ser calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), acumulada mensalmente. Apesar do art. 34 da Lei n º 8.212/91 ter sido revogado pela Lei n º 11.941/2009, a cobrança do juros no percentual de 1% (um por cento) e taxa SELIC foram mantidos, nos termos do art. 35 da Lei n º 8.212/91, com redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Ademais, o Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 161 e § 1o., dispõe que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, permitindo que a lei disponha de modo diverso. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12571.000109/200736 Acórdão n.º 280300.538 S2TE03 Fl. 157 7 Ressaltese que o juros não é penalidade, não se aplicando a retroatividade benigna, tampouco a denúncia espontânea, para esta última conforme expressamente previsto no art. 138 do CTN. A espontaneidade da denúncia se dá antes do início de qualquer procedimento administrativo ou fiscal: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. nosso grifo A jurisprudência do STJ entende ser a taxa SELIC aplicável aos créditos de natureza tributária: RESP 529502 / SC RECURSO ESPECIAL. ALÍNEA "A". TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC POSSIBILIDADE ITERATIVOS PRECEDENTES. É firme a orientação deste Sodalicio no sentido da aplicabilidade da Taxa SELIC para a cobrança de débitos fiscais, entendimento consagrado pela colenda Primeira Seção quando do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC, Relator Ministro Luiz Fux, j. 14.05.03. Ressalva deste Magistrado. Na mesma esteira, os seguintes precedentes: REsp 462710/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU 09.06.2003, REsp 475.904/PR, Relatar Min. José Delgado, DJU 12.05.2003, e REsps 596.198/PR, DJU 14.06.2004 e 443.343/RS, DJU 24.11.2003, ambos relatados por este Magistrado. Recurso especial improvido. ÁgRg no RESP 636703 / PR TRIBUTÁRIO. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS DECLARADAS EM DCTF. PRÉVIO PROCESSO ADMINISTRATIVO, DESNECESSIDA DE. SELIC. APLICABILIDADE. I Nos casos em que o contribuinte comunica a existência de obrigação tributária pode o crédito fiscal ser inscrito em divida ativa e cobrado em execução, independentemente de qualquer procedimento administrativo. Precedentes: REsp n° 551.015/AL, deste Relatar, DJ de 04/10/2004; REsp n° 624.907/PR, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 28/02/2005. II A partir do advento da Lei 9.250, de 1995, passou a ser legitima a aplicação da taxa SELIC no campo tributário. Múltiplos precedentes jurisprudenci ais. III Agravo regimental improvido. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 8 A multa aplicada pela Lei n º 8.212/91, na redação introduzida pela Lei n º 11.941/2009, estabelece a distinção entre multa de mora (art. 35) e a multa de ofício (art. 35 A). Suas aplicações devem seguir formas distintas, aplicandose para a multa de mora o art. 61 da Lei n º 9.430/96, e para a multa de ofício o art. 44 da Lei n º 9.430/96. Este entendimento, também, é corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no Processo AGRESP 200601560547. A multa de mora, art. 35 da Lei n º 8.212/91, deve ser aplicada para pagamento fora do prazo previsto na legislação e será calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso limitada a 20% (vinte por cento), nos termos do art. 61 da Lei n º 9.430/96. A multa de ofício, art. 35A da Lei n º 8.212/91, deve ser aplicada nos termos do art. 44 da Lei no9.430/96 (I 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal). O lançamento de ofício está previsto no art. 149 do CTN: Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que as cominações impostas por meio de lançamento de ofício decorrem do fato de omissão na declaração e recolhimento intempestivos da contribuição, nos termos do Processo REAgR 241087. O julgado é acompanhado pelo STJ, REsp 330519/RS, e Tribunais Federais TRF3ª Região, AC 94.03.0108363/SP, e TRF1ª Região, AC 1997.01.00.0475312/DF; que compreendem que deve ser efetuado o lançamento de ofício quando constatadas diferença a menor, ou inexistência de pagamento, ou irregularidades na declaração de tributos sujeitos a lançamento por homologação (omissão ou inexatidão). As alterações trazidas pela Lei n º 8.212/91 quanto a aplicação da multa devem ser observadas no caso objeto de análise, buscando o disposto nos artigos 106, inciso II, e 112, ambos do CTN, no sentido de se analisar e aplicar a norma que for mais benéfica ao contribuinte. A análise será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, por descumprimento de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. No presente caso, por estar a notificação fiscal classificada como fato de omissão na declaração e recolhimento intempestivos da contribuição de tributos sujeitos a lançamento por homologação (omissão ou inexatidão), considerando que os tribunais (STF e STJ) fixaram entendimento de que se trata de lançamento de ofício, a multa aplicada será a prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, desde que mais favorável ao contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, excluindo do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2002, inclusive, em razão da regra Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12571.000109/200736 Acórdão n.º 280300.538 S2TE03 Fl. 158 9 decadencial disposta no art. 173, inciso I do CTN; e determinar a retificação da multa moratória sobre os créditos constituídos oriundos de fato omissos na declaração e recolhimento intempestivos da contribuição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, devendose aplicar o disposto no art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10073.720390/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2007
IRRF. COMPROVAÇÃO. OUTROS ELEMENTOS DE PROVA. ADMISSIBILIDADE. PROVA DA RETENÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS
Mesmo na ausência dos comprovantes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, a pessoa jurídica poderá se valer do valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção por meio de outros elementos hábeis e idôneos.
DCOMP. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1302-004.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes e André Severo Chaves (Suplente convocado) e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (relator) e André Severo Chaves (Suplente convocado) que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Henrique.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, André Severo Chaves (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes e André Severo Chaves (Suplente convocado) e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (relator) e André Severo Chaves (Suplente convocado) que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Henrique. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio - Relator (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, André Severo Chaves (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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COMPROVAÇÃO. OUTROS ELEMENTOS DE PROVA. ADMISSIBILIDADE. PROVA DA RETENÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS Mesmo na ausência dos comprovantes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, a pessoa jurídica poderá se valer do valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção por meio de outros elementos hábeis e idôneos. DCOMP. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes e André Severo Chaves (Suplente convocado) e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (relator) e André Severo Chaves (Suplente convocado) que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Henrique. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 03 90 /2 01 2- 80 Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.673 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10073.720390/2012-80 (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, André Severo Chaves (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por COOPERARH - COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS EM RECURSOS HUMANOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO contra acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada diante da homologação parcial da compensação de crédito de IRRF com débitos da própria interessada no âmbito do que prevê o art. 45 da Lei nº 8.541/92. A unidade de origem não reconheceu a integralidade do crédito indicado para compensação porque havia divergências entre os valores de IRRF, no correspondente código de receita, com os valores informados em DIRF pelas respectivas fontes pagadoras. Em sua manifestação de inconformidade, a interessada alegou que a causa da divergência seria o fato de os tomadores de serviço deixarem de informar na DIRF os valores retidos. Junta nota fiscal de serviço prestado para comprovar essa circunstância. A DRJ, no entanto, alegou que a nota fiscal juntada não se prestava à comprovação por ser emitida pela própria interessada. Haveria, pelo menos, que se juntar o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora na conformidade do que previa o art. 943, § 2º do RIR/99. Ademais, em consultas aos sistemas informatizados da RFB, verificou que não havia alterações nas DIRF das fontes pagadoras Inconformado, o responsável pela empresa perante ao CNPJ apresentou recurso voluntário onde, essencialmente, repete que os tomadores realizaram as retenções nos valores originalmente apontados. Reproduz tabela contendo números das notas fiscais e valores retidos pelas seis fontes pagadoras informadas na DCOMP. Junta cópias dessas notas fiscais no tocante às cinco fontes pagadoras cujos créditos não haviam sido contemplados no despacho decisório. Alega, ainda, que não se poderia aplicar multa de ofício nem multa e juros de mora na conformidade do que dispõem as Súmulas CARF nº 14 e 25. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, Relator Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.673 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10073.720390/2012-80 O recurso voluntário é tempestivo e, segundo informações prestadas em despacho de encaminhamento da própria unidade de origem, foi apresentado pela pessoa responsável porque a interessada já se encontra baixada no CNPJ. Tanto que o resultado do julgamento na primeira instância havia sido enviado para o seu domicílio. Nessas condições, considero prudente tomar conhecimento do recurso. Como relatado, o caso trata de compensação de crédito de IRRF com débitos da própria interessada no âmbito do que prevê o art. 45 da Lei nº 8.541/92. O despacho decisório listou os valores de IRRF indicados na DCOMP que se mostraram divergentes daquilo que havia sido comprovado em DIRF. Assim, homologou a compensação na mesma conformidade. Como a nota fiscal apresentada na manifestação de inconformidade foi emitida pela própria interessada, a instância a quo a considerou imprestável para alterar o conteúdo do despacho decisório. Em seu recurso, contudo, o responsável pela interessada reproduziu uma tabela contendo os números das notas fiscais e valores retidos pelas seis fontes pagadoras informadas na DCOMP. Além disso, juntou cópias dessas mesmas notas fiscais respeitante às cinco fontes pagadoras cujos créditos não haviam sido contemplados no despacho decisório (fls. 63 a 99). Ora, pelo que se pode verificar, a interessada realmente emitiu as notas fiscais referentes aos serviços prestados cujas retenções totalizaram os valores indicados na DCOMP. As cópias juntadas revelam que os valores retidos a título de IRRF totalizam os montantes indicados para cada fonte pagadora (a exceção fica por conta da fonte pagadora cujos créditos já haviam sido contemplados no despacho decisório). Entendo que exigir a comprovação via informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras é uma espécie de probatio diabolica para o contribuinte do porte da interessada. É cediço que há erros na produção desses documentos e na consequente elaboração e transmissão das DIRF. Todas as notas fiscais revelam o valor correspondente a 1,5% do serviço prestado que seria retido a título de IRRF. Os valores revelados totalizam os montantes indicados na DCOMP. Não vejo porque não dar razão à recorrente. Uma questão que se poderia levantar seria o motivo pelo qual a interessada só apresentou uma nota fiscal com a sua manifestação de inconformidade e, inclusive, quando se constata que ela não fazia parte da tabela posteriormente apresentada com o recurso. De fato, parece ter havido um engano sobre a nota juntada naquela ocasião. Isto porque sua emissão se deu em maio de 2007 quando todos os créditos informados na DCOMP se referiram às retenções efetuadas em abril daquele mesmo ano. Nesse contexto, considero que a apresentação posterior dos elementos efetivos de prova podem configurar a situação de “fato superveniente” prevista no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É de se propor, então, a homologação integral da compensação pleiteada. Assim, apesar de esdrúxula, fica prejudicada a alegação subsidiária atinente às multas e juros. Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.673 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10073.720390/2012-80 Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para homologar a integralidade da compensação originalmente formulada. (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregório Voto Vencedor Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, Redator designado Em que pese o bem fundamentado voto do Conselheiro Relator, dele divergi, no que fui acompanhado pela maioria dos meus pares, conforme fundamentos a seguir expostos. Como apontado pelo Relator, o crédito compensado na Declaração de Compensação (DComp) de que trata os autos se relaciona ao disposto no art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, na redação conferida pela Lei nº 8.981, de 1995: Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) A Recorrente, Cooperativa de Trabalho, busca se valer dos valores de IRRF que supostamente teriam sido retidos em pagamentos a ela realizados (código de receita 3280), para compensar os débitos a título de IRRF incidente sobre os pagamentos realizados a trabalhadores sem vínculo empregatício (código de receita 0588). Após, no Despacho Decisório de fls. 24/25, haver-se reconhecido o crédito apenas até o limite informado pelas fontes pagadoras em Declarações de Rendimentos Pagos e Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), a Recorrente apresentou, junto com a Manifestação de Inconformidade, Notas Fiscais de sua emissão nas quais se encontra destacado o valor das retenções que busca compensar. As referidas Notas Fiscais, contudo, isoladamente apresentadas, foram consideradas, pela autoridade julgadora de primeira instância, insuficientes para a comprovação das retenções em questão. A posição dos julgadores a quo é no sentido de que o comprovante de retenção é o documento por excelência exigido pela legislação, para o ateste das retenções, conforme o art. Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.673 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10073.720390/2012-80 943 do Decreto nº 3.000, de 1999 - RIR/1999, posto se tratar de documento produzido por terceiro que não a beneficiária do seu conteúdo. Não obstante, admite que, Excepcionalmente, caso a fonte pagadora não forneça o comprovante acima ao beneficiário, não entregue a DIRF ou a preencha indevidamente, poder-se-ia admitir outros meios lícitos de prova, porém não aqueles apresentados pelo contribuinte, de produção própria de quem se beneficiaria de seu conteúdo. Cabe, portanto, discordar do Conselheiro Relator no sentido de que se estaria exigindo prova impossível por parte da Recorrente. A posição encampada pelo Acórdão recorrido se encontra em perfeito alinhamento com o entendimento prevalecente neste Conselho e, inclusive, neste Colegiado, no sentido de que, a despeito da literalidade da legislação, a apresentação dos comprovantes de rendimentos não é condição sine qua non para a comprovação das retenções sofridas, sendo possível aos contribuintes realizarem a referida comprovação por meio de outros documentos, desde que hábeis e idôneos. Tal posição está materializada na Súmula CARF nº 143, a seguir reproduzida: A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Neste sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O contribuinte tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por outros meios, que efetivamente sofreu as retenções que alega. A prova insuficiente, como, por exemplo, com a apresentação tão somente das notas fiscais, impossibilita o reconhecimento do IRRF e a consequente homologação da compensação apresentada. (Acórdão nº 1002- 001.152, de 2 de abril de 2020, Relator Conselheiro Marcelo José Luz de Macedo) Assim, uma vez que as retenções que alega haver sofrido não constam das DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, cabia à Recorrente, comprová-las por outros meios hábeis e idôneos, tais como escrituração comercial e extratos bancários com demonstração do recebimento do valor líquido. Assim, a prova das retenções lhe era plenamente possível a partir dos documentos que já deveriam estar em seu poder, de modo a amparar os seus registros contábeis. Com o Recurso Voluntário, contudo, a Recorrente se limita a apresentar os mesmos demonstrativos e notas fiscais já considerados insuficientes pela decisão contestada, não sendo hábeis para comprovar as suas alegações de que “as retenções foram realizadas e os pagamentos pelos serviços (...) foram realizados com desconto do valor retido”. Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-004.673 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10073.720390/2012-80 O fato de estar consignada nas Notas Fiscais, por parte da própria Recorrente, a ocorrência das retenções a título de IRRF jamais pode se admitida como uma prova da sua efetiva existência. Cabe, portanto, o reconhecimento de que não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito tributário compensado, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 373, do Código de Processo Civil, devendo ser mantida a decisão recorrida. Por fim, é certo que a realização de diligências não pode ser converter em procedimento para realizar a coleta das provas cuja apresentação incumbia à Recorrente. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 108DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003973/2004-57
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
Ementa: APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS – Não deve ser atendido pedido de apresentação de novas provas se dissonante com as hipóteses previstas no Decreto n° 70.235/72.
ESPONTANEIDADE – o pedido de parcelamento não impede a constituição do crédito tributário pela via do lançamento de ofício, se promovido após o início da ação fiscal.
ARBITRAMENTO – Só resta à autoridade fiscal promover o arbitramento do lucro, se o sujeito passivo, que optou indevidamente pela sistemática diferenciada e favorecida, não puder promover sua escrituração aos moldes do lucro real.
MULTA AGRAVADA – apesar de promovida representação fiscal para fins penais, a multa foi estabelecida originariamente pela autoridade lançadora no patamar de 75% – próprio das infrações de cunho objetivo.
CSLL – Aplica-se ao lançamento reflexo o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito existente entre eles.
Numero da decisão: 103-23.158
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares
suscitadas e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,.• • TERCEIRA CÂMARA Processo n° 10950.003973/2004-57 Recurso n° 151.637 Voluntário Matéria IRPJ e outro Acórdão n° 103-23.158 Sessão de 09 de agosto de 2007 Recorrente Pastorinha - Produtos Enzimáticos LTDA. Recorrida 2' Turma/DRJ-Curtiba/PR Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS — Não deve ser atendido pedido de apresentação de novas provas se dissonante com as hipóteses previstas no Decreto n° 70.235/72. ESPONTANEIDADE — o pedido de parcelamento não impede a constituição do crédito tributário pela via do lançamento de oficio, se promovido após o início da ação fiscal. ARBITRAMENTO — Só resta à autoridade fiscal promover o arbitramento do lucro, se o sujeito passivo, que optou indevidamente pela sistemática diferenciada e favorecida, não puder promover sua escrituração aos moldes do lucro real. MULTA AGRAVADA — apesar de promovida representação fiscal para fins penais, a multa foi estabelecida originariamente pela autoridade lançadora no patamar de 75% — próprio das infrações de cunho objetivo. CSLL Aplica-se ao lançamento reflexo o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito existent entre eles. C001/033 Fls. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Pastorinha - Produtos Enzimáticos LTDA.. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas ; no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. .r4: e é RO P ' OU - . • : ER Presidente fr'''.i),(L'At.- C9 3 (74? GUIL ERME ADOLFO DO SANTOS MENDES Relat 19 OUT 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva, Márcio Machado da Silva, Leonardo de Andrade Couto, Alexandre Barbosa Jaguaribe, Antonio Carlos Guidoni Filho e Paulo Jacinto do Nascimento.. (11(- Processo n.°10950.003973/2004-57 CCO I /CO3• Acórdão rt.• 103-23.158 Fls. 3 Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foram lavrados auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica às fls. 43 a 55 e de Contribuição Social sobre o Lucro às fls. 56 a 68. A impugnação foi apresentada às fls. 304 a 307. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: "1. Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal-Fiscalização n° 09.1.05.00-2004-00268-0 (fLs. 01/02), foram lavrados, em 18/11/2004, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA 2. O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ ((ls. 43/55) exige o recolhimento de R$ 29.619,27 a título de imposto e R$ 22.214,40 a título de multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além dos acréscimos legais. 3. A contribuinte, após ter sido desenquadrada da sistemática do SIMPLES, teve o seu lucro arbitrado em face de não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais que permitisse a apuração do resultado com base no Lucro Real, fato esse admitido pelo próprio sócio da pessoa jurídica, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal ((Is. 21/25), com fundamento no art. 530 do RIR de 1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999): ano-calendário de 2001 - 1° trimestre R$ 110.044,00 ano-calendário de 2001- 2° trimestre R$ 107331,86 ano-calendário de 2001 -3° trimestre R$ 221.470,45 ano-calendário de 2001 -4° trimestre R$ 212.024,18 ano-calendário de 2002 - 1° trimestre R$ 110.393,67 ano-calendário de 2002- 2° trimestre R$ 113.244,90 ano-calendário de 2002 - 3° trimestre R$ 127199,73 ano-calendário de 2002 - 4° trimestre R$ 140.911,98 ano-calendário de 2003 - 1° trimestre as 215.070,08 ano-calendário de 2003 - 2° trimestre R$ 152.746,00 Processo o. 10950.00397312004-57 CCO 1/CO) Acórdão o.' 103-23.158 Fls. 4 ano-calendário de 2003 - 3° trimestre R$ 143.494,00 ano-calendário de 2003 -4° trimestre R$ 155.094,70 ano-calendário de 2004 - 1° trimestre R$ 133.094,16 ano-calendário de 2004 - 2° trimestre R$ 114.579,20 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 4. O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido - CSLL (fls. 56/68) exige o recolhimento de R.$ 22.214,39 a título de contribuição e R$ 16.660,73 a título de multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996, além dos acréscimos legais. 5. O lançamento refere-se à mesma infração que deu causa ao lançamento de IRPJ, com infração ao disposto no art. 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, arts. 19 e 20 da Lei n° 9249, de 1995, art. 29 da Lei n° 9.430, de 1996, e art. 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 1999, e suas reedições. 6. Regularmente intimada em 09/12/2004, a interessada apresentou, em 10/01/2005, a tempestiva impugnação de fls. 304/307, instruída com os documentos de fls. 308/311, nos mesmos termos da apresentada nos autos do processo 10950.003971/2004-68 (exigência de SIMPLES no ano-calendário de 2000), cujo teor é sintetizado a seguir. 6.1. Relata que por motivos alheios à administração da empresa, o então responsável técnico pela escrituração contábil/ fiscal não apresentou de maneira correta as informações exigidas pelo fisco federal, por meio das declarações de imposto de renda, situação que o levou a ser desligado de sua função; que, por má sorte, nessa interinidade, teve desencadeado contra ela a ação fiscal tratada nos autos; que, sabedora da necessidade de cumprir com suas obrigações fiscais, providenciou, em caráter preventivo, a adesão ao parcelamento do SIMPLES, nos termos da Lei n° 10.925, de 2004, para, de forma mais branda, conseguir quitar sua dívida fiscal. 6.2. Argumenta que prestou os esclarecimentos necessários ao auditor-fiscal autuante e, após ser levada a abrir mão de sua permanência na sistemática do SIMPLES, para sua surpresa, acabou sendo autuada arbitrariamente com base no lucro real, cuja sistemática é mais onerosa para ela; que, como as microempresas laboram no limite da sobrevivência, optar pela punição mais onerosa é condená-las à morte, além de afrontar os mais comezinhos princípios de direito. 6.3. Argúi que a autuação em tela não deve prosperar em face de ela não ter jamais ultrapassado o limite de faturamento estabelecido para exclusão do SIMPLES; que a apresentação da declaração espontânea de exclusão dessa sistemática decorreu de Processo n.° 10950.003973/2004-57 CCO I /CO3 Acórdão n.° 103-23.158 Fls. 5 interpretação errônea da situação, levada pela precariedade dos trabalhos técnicos que dispunha e pelo desespero e ansiedade por salvar a empresa. 6.4. Questiona a aplicação da multa agravada e do coeficiente de agravamento via ato administrativo e cita, nesse sentido, os Acórdãos nos 101-92328 e 104-19682 do Primeiro Conselho de Contribuintes; entende que, conforme preceitua o art. 150, M, da Constituição Federal, que assegura a igualdade de direitos entre os contribuintes, deve ela ser mantida na sistemática do SIMPLFS, ainda que, acuada pelo fisco, tenha firmado uma declaração optando pela tributação com base no lucro arbitrado; que conspira a seu favor o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa. 6.5. Protesta pela posterior juntada de todos os documentos e provas em direito admitidos e requer sejam acatadas as considerações aqui externadas, extinguindo os créditos tributários existentes no processo administrativo em epígrafe, além de ser determinada a sua manutenção na sistemática do SIMPLES e ser assegurado o direito de inclusão de seus débitos tributários no parcelamento instituído pela Lei n° 10.925, de 2004, por serem estas medidas de inteira JUSTIÇA. 7. A Representação Fiscal para Fins Penais (processo na 10950.003976/2004-91) encontra- se apensada aos autos do processo 10950.003971/2004-68, relativo à exigência de SIMPLES do exercício de 2001, ano-calendário de 2000". DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 317 a 326) negou provimento à defesa em razão dos seguintes fundamentos: Preliminarmente Exclusão do simples Não toma conhecimento das razões acerca da exclusão do SIMPLES por considerar precluído o direito a tal contestação. A ciência do ato declaratório executivo de exclusão, cuja cópia consta da fl. 14, foi realizada em 14/10/2004 (cópia do AR às fls. 13). Todavia, não houve impugnação tempestiva contra o referido ato. Pedido para apresentar novas provas e documentos Negou o pedido para apresentação posterior de novos documentos e demais provas admitidas em direito, por não se caracterizar as hipóteses previstas no Decreto n° 70.245/72 que autorizam excepcionalmente ajuntada após o prazo para a impugnação. Processo n.• 10950.003973/2004-57 CCOI/CO3• Acórdão n.• 103-23.158 Fls. 6 No mérito Pedido de parcelamento Apesar de ter solicitado via intemet pedido de parcelamento do SIMPLES, dentro do prazo estipulado no art. 10, § 1°, inciso I, da Lei n° 10.925/04, e de ter pago as três primeiras parcelas a título de antecipação, não foi deferido o pedido por ter deixado de efetuar a negociação até 30/12/2004, conforme previsão do art. 8° da TN/SRF n° 444/04. Ademais, por estar excluída do SIMPLES desde 01/01/2001, "não haveria qualquer possibilidade de inclusão naquele parcelamento de débitos tributados com base no lucro arbitrado". O referido pedido de parcelamento, portanto, não afasta qualquer item da presente autuação. Arbitramento do lucro Considerou correto o arbitramento do lucro. Uma vez excluída do SIMPLES, a autuada estava obrigada à tributação pelo lucro real, que exige a confecção da escrituração conforme as leis comerciais e fiscais. No entanto, a própria interessada declarou perante a autoridade (fl. 11) estar impossibilitada, tecnicamente, de apurar o lucro real. Ademais, o sujeito passivo apresentou, via intemet, DIPJ para os exercícios de 2002 a 2004 com base no lucro arbitrado com o fito de se adiantar ao procedimento fiscal. No entanto, tais apresentações foram intempestivas (todas em 28/09/2004), pois posteriores ao início da ação fiscal (14/09/2004). A decisão de primeiro grau destacou também que as DCTF trimestrais relativas aos anos de 2001 a 2004 também foram entregues após o início do procedimento fiscal, o que impede que se considerem os valores nelas consignados para o fim de se afastar a autuação. Assim, só restou à autoridade arbitrar o lucro com base na receita conhecida a partir dos valores escriturados no Livro de Registro de Apuração do ICMS (hipótese prevista no inciso I, art. 530 do RIR/99). Em relação ao acórdão do Conselho de Contribuintes citado pela defesa, trata de matéria estranha à autuação, qual seja, "agravamento do coeficiente de arbitramento". Da multa agravada Apesar de ter sido formulada representação fiscal para fins penais, a multa foi aplicada no patamar de 75%. Assim, deixou a autoridade de primeiro grau de tomar conhecimento das razões apresentadas contra o agravamento de ulta por serem estranhas ao processo. • Processo n.• 10950.003973/2004-57 CCOI/CO3 Acórdão ri.• 103-23.158 Fls. 7 • Da Contribuição Social sobre o Lucro Confirmou a autuação da CSSL em face de decorrer dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ. Do RECURSO voturnÁmo O sujeito passivo apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 331 a 337, no qual, em síntese, reitera as razões trazidas na impugnação, mas acrescenta mais um ponto. Alega que a lei não pode retroagir para prejudicar o réu. Com base no art. 7° da Lei 9.317/96 — a qual regula o SIMPLES — estava dispensada à manutenção de escrituração fiscal. Assim, não pode ser apenada por não ter cumprido tal exigência. DOS DEMAIS ATOS PROCESSUAIS O presente processo foi distribuído à Colenda Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, a qual proferiu a Resolução n° 303-01.139, às fls. 344 a 346, nos seguintes termos: "RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário no que conceme à exclusão do Simples e declinar competência ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes para julgamento das demais matérias, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado". É o Relatório. Processo n.° 10950.003973/2004-57 CC01/CO3• Acórdão n.° 103-23.158 Fls. 8 Voto Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Relator PRELIMINARES Da exclusão do simples Como descrito no relatório, a exclusão do Simples foi questão submetida à apreciação da Terceira Turma do Terceiro Conselho, a qual não tomou conhecimento e declinou o julgamento da autuação quanto às demais matérias para este Colegiado. Assim, estabeleço como premissa do meu voto a exclusão do contribuinte da sistemática diferenciada e favorecida das microempresas e empresas de pequeno porte para os anos-calendário aqui tratados. Do pedido para apresentar novas provas e documentos Não há reparos à decisão da Delegacia de Julgamento, pois está de acordo com o disposto no Decreto n° 70.235/92 que regula o processo administrativo fiscal. Ademais, desde a formulação da impugnação nenhum documento, ou prova, foi carreado pela defesa aos autos. MÉRITO Pedido de parcelamento Concordo com a posição da autoridade julgadora de primeiro grau, mas apenas em relação às suas conclusões. Se o pedido de parcelamento tivesse sido formulado antes do inicio do procedimento fiscal, mesmo em desconformidade com a legislação relativa ao parcelamento e relativamente aos tributos sob a sistemática favorecida, configurar-se-ia hipótese de denúncia espontânea para os efeitos da exclusão da responsabilidade relativa à multa punitiva na exata proporção dos créditos confessados de cada um dos tributos. No entanto, o pedido foi posterior e, assim, não acarreta qualquer dos efeitos excludentes próprios da espontaneidade. O lançamento está correto ao abarcar os tributos e os acréscimos punitivos e moratórios. Do arbitramento do lucro Processo n.• 10950.003973/2004-57 CCOI/CO3 Acórdão n.• 103-23.158 Fls. 9 Fixada a premissa de exclusão do SIMPLES, o sujeito passivo se submete à tributação pelo lucro real, a qual exige o cumprimento de diversas obrigações formais, com a escrituração de livros fiscais e comerciais. Em momento algum, a defesa alegou e, muito menos, comprovou que no curso do procedimento de fiscalização poderia demonstrar à autoridade fazendária a apuração pelo regime do lucro real. Diante da premissa de exclusão do SIMPLES e, conferida a oportunidade para o sujeito passivo demonstrar a apuração pelo regime do lucro real sem que o fizesse, só restou à autoridade lançar pela sistemática do lucro arbitrado. Como já discorrido pela autoridade de primeiro grau, o Acórdão n° 104-19682, transcrito na peça de defesa, não diz respeito à matéria aqui tratada. O arbitramento foi realizado simplesmente com base em percentual da receita conhecida, o que está em consonância com o direito aplicável à hipótese. Não houve aplicação retroativa de lei. O arbitramento é forma suplementar de determinação da base de cálculo, empregada sempre que não for possível ou não mereça fé a determinação por meio de outras formas, como o lucro real. Seus esteios legais (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n°9.430, de 1996, art. 1°) estavam vigentes bem antes dos períodos-base da presente autuação. Da multa agravada Não houve agravamento da multa. Apesar da existência de representação fiscal para fins penais, o percentual de 75% aplicado diz respeito à sanção pecuniária decorrente da caracterização objetiva — isto é, sem qualquer consideração de intenção do agente — da infração de omissão da obrigação principal de declarar e recolher os valores os tributos devidos. Dos demais tributos Como o proferido no lançamento do IRPJ norteia a decisão dos lançamentos decorrentes, a procedência total do procedimento em relação ao crédito do imposto propaga seus efeitos à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Conclusão Voto, pois, por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 09 de agosto de 2007 çn j *- 1751 ERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10880.995971/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1401-000.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira. Relatório Por bem expor o caso dos autos, reproduzo abaixo relatório da Delegacia de origem complementando-o a seguir: Trata o presente processo das compensações declaradas por meio dos PER/DCOMP’s a seguir relacionados (fls. 02-11 e 39-59), com utilização do direito creditório de R$ 122.551,90 de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2006: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 95 97 1/ 20 11 -8 8 Fl. 623DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1401-000.755 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.995971/2011-88 2. A DERAT/São Paulo, por meio do despacho decisório proferido em 02/12/2011 (fls. 12-16), rastreamento nº 013583870, não reconheceu o direito creditório pleiteado em face de o montante das parcelas de composição do crédito confirmadas (R$ 1.570.815,71) não ser suficiente sequer para quitar o imposto devido (R$ 1.869.558,08): 3. Em consequência, restaram não homologadas as compensações declaradas nos autos. 4. Regulamente cientificado por via postal em 20/12/2011 (AR às fls. 13 e 248), a reclamante, por intermédio de seu representante legal (mandato às fls. 21-23), apresentou, em 19/01/2012, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 17-20, instruída com os documentos de fls. 21-247, cujo teor é sintetizado a seguir: Fl. 624DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1401-000.755 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.995971/2011-88 a) alega que apresentou manifestação de inconformidade nos autos do processo nº 10880.946293/2009-13, contra a decisão anterior que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 03494.01712.130406.1.7.02-7336, b) que cometeu erros materiais ao informar as parcelas de composição do crédito no PER/DCOMP nº 41839.17845.170709.1.7.02-9387 e na Ficha 12 A da DIPJ 2007; c) esclarece que, na condição de agência de publicidade, é responsável pelo pagamento do imposto de renda e envio do informe para o contratante do serviço (anunciante), que deve prestar a informação correspondente em sua DIRF; contudo, as retenções não foram totalmente informadas pelos anunciantes, prejudicando sua utilização na formação do saldo negativo em análise; d) entende fazer jus ao saldo negativo de IRPJ de R$ 135.969,29, cujas parcelas de composição do crédito são formadas pelos seguintes valores: (i) R$ 1.570.815,81 de pagamentos com Darf; (ii) R$ 210.428,00 de estimativa compensada em PER/DCOMP; (iii) R$ 168.041,97 de imposto de renda recolhido com código de receita 8045; (iv) R$ 43.109,51 de IRRF sobre aplicação financeiras; (v) R$ 1.205,37 de saldo não utilizado do IR retido pela fonte pagadora CNPJ nº 60.579.703/0001-48; R$ 11.926,71 de saldo não utilizado do imposto de renda recolhido com código de receita 8045. Quando do julgamento da DRJ, a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, apresentou a contribuinte recurso a esse Conselho arguindo em síntese: 01)Que o despacho decisório seria nulo pois não apresentou o detalhamento da compensação e a fundamentação legal do indeferimento e por esse motivo foi cerceado o direito de defesa da contribuinte e que não poderia ser julgado esse processo previamente ao de nº 10880.900383/2010-93 e ao 10880.946293/2009-13 pois tratam de parcelas de estimativas com saldo negativo de período anterior. 02)Que o erro material pode ser ultrapassado para contemplar o pedido de R$135.969,29 03)Que o IRRF é de sua obrigação e que juntou todas as DARF´s do imposto pago no valor de R$179.968,68 04) Que os valores pagos com estimativas no ano anterior somam R$1.587.433,19 Fl. 625DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1401-000.755 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.995971/2011-88 03)Que os valores pagos em janeiro 2006, são compensações controladas no processo 10880.946293/2009-13 e que mesmo que as estimativas não fossem confirmadas os valores seriam cobrados e pagos, permitindo a compensação. 05)Que a contribuinte teria direito à compensação. Este é o relatório do essencial. VOTO Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga, Relatora. Preliminarmente – Nulidade do despacho decisório Como se pode verificar, o inconformismo da Recorrente se centra na maneira como foi fundamentado o Despacho Decisório, que foi considerada adequada pela decisão de primeira instância. A contribuinte defendeu-se de forma coerente, ao fazer alusões a situações hipotéticas que poderiam dar origem ao direito creditório, como a inclusão indevida de valores na base de cálculo e erro de fato na apuração do imposto. Tais alegações demonstram que teve conhecimento dos fatos e do direito pertinentes ao processo. O exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o valor total do crédito utilizado na compensação declarada não existia. Em suma, os motivos da não homologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. Não se vislumbra, assim, no Despacho Decisório recorrido qualquer ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, bem como do devido processo legal, visto que ele foi plenamente observado pela Autoridade que o proferiu e exercitado pela Interessada, por meio da manifestação apresentada. Ademais, todos os elementos próprios devidos ao processo foram respeitados, em estreita obediência aos ditames da Lei nº 9.784/1999 (regra geral) e do Decreto n° 70.235/1972 (regra específica), não se observando, ainda, qualquer das situações de nulidade enumeradas no art. 59, do Decreto n° 70.235/1972. Diante do exposto, rejeito a alegação de nulidade. Quanto às compensações anteriores, analisaremos no item abaixo, mas é certo que uma não depende da outra e a sua menção não gera qualquer prejuízo à recorrente capaz de abalar o contraditório e ampla defesa. DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Fl. 626DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1401-000.755 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.995971/2011-88 Como bem explicado pela Contribuinte, os valores recolhidos a título de IRRF, no caso da recorrente, é atribuído à própria recorrente por força da Lei n.º 7.450/85, art. 53, inciso II e parágrafo único. A não confirmação dos valores, de acordo com o despacho decisório, ocorreu pois as DIRF´s de seus clientes não foram localizadas/apresentadas. Tratou a contribuinte de juntar aos autos todas as DARF´s de pagamento, sendo que a soma dos valores retidos totaliza R$179.968,68 Entretanto, como não há nos autos as DIRF´s das tomadoras de serviço, seria necessário que a contribuinte demonstrasse também, quais os valores foram recebidos, de que empresa e, ainda que fosse demonstrado se os valores recebidos foram oferecidos à tributação. Sem essa comprovação impossível o reconhecimento do crédito pleiteado. Assim, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que os autos sejam remetidos à unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que a autoridade administrativa possa proceder às seguintes verificações: 1- intimar a contribuinte para juntar aos autos a comprovação de quais valores foram recebidos e em que data e, ainda a comprovação de que tais valores foram oferecidos à tributação ; 2- após a juntada dos documentos, fazer relatório demonstrando quais os valores foram retidos e se os valores foram oferecidos à tributação. 3 - A contribuinte deve ser intimada para se manifestar sobre o resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Após, os autos deverão retornar para julgamento. (documento assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 627DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10108.000569/2001-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
Dimensão do Imóvel Rural
Regra geral, a área do imóvel a ser considerada é aquela que consta dos assentamentos. Entretanto, se forem apresentadas provas robustas do equívoco do registro imobiliário e, principalmente, da 'adoção das providências necessárias à sua correção, em nome do princípio da verdade material, é possível acatar a verdadeira dimensão apurada mediante georreferenciamento.
Áreas de Pastagens Aceitas.
A área de pastagens, para efeito de cálculo do ITR, será definida por meio da comparação entre a dimensão da área coberta de vegetação dedicada a tal finalidade e a área calculada tomando por base o índice de lotação do município de situação do imóvel. A área aceita será a que apresentar a menor dimensão.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3201-000.127
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara /1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar a redução da área total do imóvel para 6.116,2 ha. e a área de pastagem de 4.466,07, nos termos do voto do Relator. I
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 Dimensão do Imóvel Rural Regra geral, a área do imóvel a ser considerada é aquela que consta dos assentamentos. Entretanto, se forem apresentadas provas robustas do equívoco do registro imobiliário e, principalmente, da 'adoção das providências necessárias à sua correção, em nome do princípio da verdade material, é possível acatar a verdadeira dimensão apurada mediante georreferenciamento. Áreas de Pastagens Aceitas. A área de pastagens, para efeito de cálculo do ITR, será definida por meio da comparação entre a dimensão da área coberta de vegetação dedicada a tal finalidade e a área calculada tomando por base o índice de lotação do município de situação do imóvel. A área aceita será a que apresentar a menor dimensão. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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Numero do processo: 10580.720187/2007-16
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-000.876
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso provido.
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DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/07/2011 Fl. 67DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Sidney Ferro Barros, Lúcia Reiko Sakae, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 3ª Turma da DRJ Salvador que, tendo julgado parcialmente procedente a impugnação, manteve parte da glosa de despesas médicas (R$7.200,00), a saber: a) R$6.900,00 referente à médica Alessandra saraiva Cesare porque o recibo apresentado foi emitido de forma global para todo o ano de 2004 e o contribuinte apresentou os extratos bancários sem indicar os pagamentos realizados (documentos apresentado em sede de diligência); b) R$300,00 com a Clínica Tuffi Hassan S/C Ltda sob o fundamento de que a cópia da nota fiscal apresentada não estava autenticada e foi emitida contra “diversos clientes” sem identificar o nome do autuado. Como fundamentou do lançamento foi apontado que “regularmente intimado, o contribuinte não atende à intimação”, realizandose a glosa por falta de comprovação. Ciência do acórdão da DRJ 3m 27/11/2009 (e/fls. 55). Recurso voluntário apresentado em 23/12/2009 (fls. 56). Na peça recursal encontramse as seguintes alegações: 1. desde o ano de 2004 é portadora de “cardiomiopatia dilatada, bronquiestasia, osteoporose e obesidade, com piora no quadro cardiovascular, evoluindo em insuficiência cardíaca classe funcional IIIII (NYHA)”, necessitando, por isso, de “acompanhamento e tratamento clínico regular e constante, considerando a presença de cardiopatia grave de prognóstico incerto”; 2. a enfermidade exigia acompanhamento médico regular, fato que somado À dificuldade de locomoção, decorrente da idade e, à época, fratura compressiva de vértebra lombar, impunha o atendimento domiciliar; 3. o recibo da médica Alessandra Saraiva Césare foi emitido de forma global para o ano de 2004, pois em razão da relação de confiança mantida com a médica não se preocupou de pegar os recibos mensalmente, de forma que somente tomou o recibo para fins de imposto de renda; 4. os pagamentos eram sempre em espécie, a pedido da própria médica, certamente para se livrar da incidência da CPMF vigente à época, e na data acertada para o atendimento domiciliar, o qual não havia dito preciso para ocorrer; 5. sua movimentação bancária indica saques regulares que eram utilizados para despesas habituais, inclusive médica; Fl. 68DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720187/200716 Acórdão n.º 280200.876 S2TE02 Fl. 68 3 6. conforme consta no acórdão recorrido, ao constatar que a recorrente possuía plano de saúde, a Receita Federal realizou diligência fiscal e verificou que a recorrente não solicitou qualquer reembolso no ano de 2004. Requer prioridade de tramitação do processo com base no Estatuto do idoso. O processo foi distribuído a esse Conselheiro exclusivamente pelo sistema informatizado eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Tratase de litígio sobre a comprovação de despesas médicas no valor total de R$7.200,00, em face de acórdão que não admitiu a dedução de R$6.900,00 referente à médica Alessandra Saraiva Cesare porque o recibo apresentado foi emitido de forma global para todo o ano de 2004 e o contribuinte apresentou os extratos bancários sem indicar os pagamentos realizados, e de R$300,00 com a Clínica Tuffi Hassan S/C Ltda, esta última sob o fundamento de que a cópia da nota fiscal apresentada não estava autenticada e foi emitida contra “diversos clientes” sem identificar o nome do autuado. Quanto ao óbice apontado para a dedução da despesa de R$300,00, a recorrente apresentou documento emitido pela Clínica Tuffi Hassan S/C Ltda no qual se corrige a nota fiscal para constar como contratante do serviço (consultas) a recorrente, bem como um dos recibos indicados na nota fiscal que também referese à recorrente (fls. 61/62). Entendo que a exigência de autenticação da cópia, por si só, no caso desses autos, não é suficiente para manter a glosa. Devese restabelecer essa dedução. No tocante à comprovação do efetivo desembolso, único obstáculo apontado pela DRJ para aceitar a dedução da outra despesa no montante de R$6.900,00, exponho meu posicionamento sobre o tema. Considero que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimálo a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço, na esteira do comando legal do §3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 1943. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento: “regularmente intimado, o contribuinte não atendeu à intimação”, realizandose a glosa por falta de comprovação Neste caso concreto, cotejando a imputação constante do lançamento, a impugnação, a peça recursal e os documentos trazidos aos autos, considero que não há elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. Aponto principalmente que a indicação de um valor global para todo o ano (recibo às fls.15) e a falta de indicação individualizada de saques correspondentes a cada desembolso não são suficientes para negar eficácia ao recibo apresentado, notadamente diante do quadro descrito no relatório médico (fls. 14). É cabível restabelecer também a dedução de R$6.900,00. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 70DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720187/200716 Acórdão n.º 280200.876 S2TE02 Fl. 69 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.720187/200716 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2802000.876. Brasília/DF, 01/07/2011 ____________________________________________ JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 71DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 72DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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