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Numero do processo: 10380.902913/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
João Otavio Opperman Thome Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Relatório
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otavio Opperman Thome Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otavio Opperman Thome – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 02 91 3/ 20 09 -3 5 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902913/200935 Resolução nº 1102000.257 S1C1T2 Fl. 3 2 Anocalendário: 2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. INTEGRAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO AO PAGAMENTO A MAIOR. ART. 10 DA IN SRF 600/2005. CARÁTER VINCULANTE. Por força do artigo 10 das INs SRF no 460, de 2004, e 600, de 2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “O processo versa sobre compensação (PER/DCOMP n° 35116.21077.150705.1.3.045028), que objetiva compensar recolhimento a maior de estimativa de IRPJ, pago em 30/11/2004. O total do crédito original utilizado nesta DCOMP foi de R$ 60.461,20. 2. O Despacho Decisório (fls. 06/07) considerou improcedente o crédito informado na PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. 3. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: os artigos 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005 e artigo 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação contra o referido ato administrativo, alegando que: • No período em questão, o contribuinte declarou em DCTF débito tributário relativo a estimativa mensal de IRPJ/CSLL, pagandoo. Posteriormente, verificando erro, transmitiu a devida DCTF retificadora, diminuindo tal débito. Depois de encerrado o anocalendário em questão, apresentou PER/DCOMP, aproveitandose da diferença entre o valor pago e a quantia declarada na DCTF retificadora. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902913/200935 Resolução nº 1102000.257 S1C1T2 Fl. 4 3 • Para sua surpresa, a contribuinte recepcionou Intimação/Despacho Decisório pela Secretaria da Receita Federal (SRF), comunicando a improcedência do crédito informado na PER/DCOMP, sob o argumento de que tal crédito tratavase de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado como dedução do imposto de renda mensal da pessoa jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ao para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. • Pelo que está acima exposto, fica muito evidente que, ainda que o tributo recolhido em demasia fosse considerado estimava mensal da IRPJ/CSLL, logo, passível de compensa cão apenas após a constituição do saldo negativo ao final do período de, apuração, a compensação pleiteada pela requerente ainda seria legitima. • Ocorre que, quando a compensação foi pleiteada, o exercício já estava encerrado, logo, jamais o despacho decisório poderia ainda tratar tais recolhimentos como mera estimativa, tendo em conta que já era cediço o quantum devido no regime de apuração pelo lucro real anual. • Em síntese, por qualquer via tal recolhimento é indevido ou a maior, pois o montante da obrigação tributária já era conhecido quando a compensa cão foi pleiteada, sendo injustificável a motivação do despacho decisório, que alegou que o recolhimento por estimativa só poderia servir para compor o saldo negativo do IRPJ/CSLL ao final do período de apuração. • Ocorre que o Despacho Decisório ora impugnado ignorou completamente o fato da ocorrência do erro no recolhimento, como foi exposto, tendo a integralidade do valor recolhido como tributo pago por estimativa. Na situação considerada pelo fisco, o valor da compensação darseia com a posterior verificação da existência de pagamento indevido, passível apenas no final do exercício, ao comparar o valor recolhido com o montante devido ao fim do período de apuração com base no regime de Lucro Real Anual. • Infelizmente o Despacho Decisório, de forma incauta, fundamentase em regra geral sem considerar as particularidades do caso concreto, no qual o recolhimento efetuado foi superior ao devido e declarado através da DCTF. Situação bem diversa, talvez a que tenha fundamentado a decisão impugnada, é aquela na qual o contribuinte realiza pagamentos por estimativa mensal e os declara ao fisco e, em dado período de apuração, vislumbra que os recolhimentos superam o lucro real até aquele momento, porém, antes mesmo do encerramento do exercício, quando apenas então teria a condição de contemplar se os recolhimentos efetuados e declarados ao fisco eram ou não indevidos. • O caso da impugnante é bem diverso, o valor declarado ao fisco como devido por estimativa mensal de IRPJ/CSLL é inferior ao que foi recolhido, logo, inegável a caracterização de pagamento indevido. • Ocorre que o Despacho Decisório fundamenta a decisão nele contida igualando o caso da impugnante com a metodologia de apuração por estimativa presente no regime de lucro real anual, onde, na declaração anual de ajuste, vislumbrase se os recolhimentos estimados são superiores ou inferiores ao devido, resultando na constatação de pagamento indevido. • Tal confusão fica notória quando a decisão expõe que "por tratarse de pagamento ao titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Fl. 120DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902913/200935 Resolução nº 1102000.257 S1C1T2 Fl. 5 4 Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ e CSLL do período". Como se vê, a decisão impugnada considera que o recolhimento efetuado pela impugnante era devido ao titulo de estimativa mensal, quando a DCTF do período de apuração em debate demonstrava valor inferior ao que foi efetivamente recolhido, constituindose assim em pagamento indevido. • A impugnante entende estar havendo um notório mal entendido por parte da SRF, quando pretende tratar de pagamento por estimativa o que não é, pois coma já foi exaustivamente exposto tratase de pagamento em excesso do recolhimento mensal por estimativa. De outra forma, pelo que pretende a SRF, jamais poderia haver pagamento indevido ou a maior quando o contribuinte fosse recolher a estimativa mensal, pois, em qualquer circunstância tal recolhimento seria considerado uma estimativa mensal, a ser totalizada ao final do exercício, e comparada com o quantum devido no Lucro Real anual. • A situação sobredita não pode merecer guarida jurídica, pois ignora completamente um fato da vida real de qualquer contribuinte, 'ão passível de ocorrer no cotidiano que há previsão legal para seu tratamento, que é o erro no cômputo do tributo devido pelo contribuinte, levandoo a recolher mais do que o exigido pela legislação. Pela decisão ora impugnada, tal realidade seria irrelevante quando tratase de recolhimento por estimativa, pois o contribuinte estimando certo ou errado o valor do tributo mensal, tal estimativa seria dada como efetiva para efeito de comparação com o valor anual devido. • Obviamente, tal entendimento não pode prosperar, pois cerceia completamente um direito liquido e certo do contribuinte de reaver o que erroneamente apurou e recolheu. Admitir o contrário seria subverter inclusive principio geral de direito, no qual há repulsa geral ao locupletamento sem causa, neste caso, por parte da Fazenda Pública. • Diante do exposto, resta evidente tratarse de recolhimento indevido, visto realizado em monta superior ao declarado em DCTF, justificandose o pedido de compensação pleiteado e refutandose por completo a negativa do fisco em reconhecer tal límpido direito. • Ainda que a hipótese levantada no Despacho Decisório merecesse guarida, apesar da notória impropriedade da decisão em aplicar regra genérica a caso especifico circunstancialmente diverso, outros detalhes táticos merecem especial atenção, pois •de forma alguma poderiam ter sido completamente ignorados na motivação da decisão impugnada. Posteriormente, percebendo que havia recolhido valor a maior, a empresa transmitiu o PER/DCOMP, tendose ainda retificado a DCTF. • Diante dos fatos ignorados no Despacho Decisório, resta evidenciado que o recolhimento gerador do direito creditório pleiteado já era passível de comparação com o valor efetivamente devido para o anocalendário em questão. Isso porque, no momento da entrega da DIPJ, já se sabia qual era o IRPJ/CSLL efetivamente devido pelo regime de apuração do Lucro Real Anual. • O valor do IRPJ/CSLL devido no ano em questão havia sido informado ao fisco, quando da transmissão da DIPJ. Nestes termos, já era possível determinar que os recolhimentos realizados por estimativa mensal ao longo do exercício superavam o valor efetivamente devido no calendário, motivando a composição do saldo negativo demonstrado na Ficha 12 A da DIPJ mencionada. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902913/200935 Resolução nº 1102000.257 S1C1T2 Fl. 6 5 • De outro modo, é logicamente inviável admitir que, no momento da transmissão do PER/DCOMP, já após o encerramento do resultado do ano ern questão, ainda, se pudesse tratar os recolhimentos efetuados naquele ano como estimativas mensais, quando já havia o aperfeiçoamento do quantum devido, manifestadamente inferior ao total recolhido ao longo do exercício. • Tal ilógica acepção tragada no despacho decisório afronta qualquer hermenêutica, ou mesmo, a mera etimologia do instituto defendido pelo fisco, qual seja, o da estimativa. Por definição de nossa pátria linguagem, estimativa é a previsão de um valor, circunstância ou resultado. Desta forma, é irrazoável admitir ainda se tratar de estimativa de recolhimento de tributo devido, quando já se sabe, e não apenas se estima, o valor definitivo da contribuição devida. Em simples questionamento: Como se pode considerar recolhimento estimado da IRPJ/CSLL de determinado anocalendário, quando o pedido de compensação se deu posteriormente? • Em que pese a impugnante ter por certo, como já foi exaustivamente demonstrado, tratarse de recolhimento indevido, pois recolheu valor de estimativa mensal superior aquele declarado ao fisco, ainda que se admitisse a ilógica tese do fisco, considerando tratarse de recolhimento por estimativa, logo, restrito a composição de saldo negativo, no caso concreto em análise, também se trataria de saldo negativo, fato formalmente consignado na DIPJ transmitida pelo contribuinte. • Sabendo de tais fatos, a compensação pleiteada pela impugnante é devida por encontrar respaldo fático e legal, visto que, pelo que já foi fartamente exposto, a origem do crédito não homologado foi o pagamento indevido, seja por se tratar de recolhimento a maior quando comparado com o valor devido declarado em DCTF, seja pelo fato de já se ter, na época do pleito de compensação, a certeza de que tais recolhimentos excediam ao tributo devido no final do exercício em questão. • O direito a restituição ou compensação dos valores indevidamente recolhidos pelo contribuinte encontrase previsto no inciso II do art. 165 do CTN. • Para a fruição do direito, fazse necessária a ocorrência de pagamento indevido, decorrente de erro do contribuinte quando do recolhimento do tributo ou ainda, na extinção de decisão condenatória que cominava ao contribuinte o pagamento de tributo. • Dito isto, tendo em vista o que já foi relatado, resta evidente tratarse de recolhimento indevido. Ocorre que, em um primeiro momento, a impugnante declarou valor a titulo de estimativa mensal do IRPJ/CSLL devido. Em momento posterior, revisando o cômputo da monta devida, o contribuinte constatou erro da determinação do montante do débito, retificando a competente declaração (DCTF), informando que o valor correto seria outro menor. • Pelo exposto, fica notório que o fato descrito se alinha perfeitamente com a hipótese de recolhimento indevido prevista no art.165, II, do CTN, acima transcrito, por tratarse de inequívoco erro no cálculo do montante do débito, sendo importante salientar que o equivoco foi devidamente saneado e informado SRF através da retificação da DCTF do período. • Em relação a transmissão da DCTF retificadora é relevante relembrar o que dispõe o §10 do art. 90 da IN SRF n° 255/02, vigente it época dos fatos em debate, abaixo transcrito: Art. 9º. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902913/200935 Resolução nº 1102000.257 S1C1T2 Fl. 7 6 elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1° A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. • Da leitura da norma acima, se extrai que, ao transmitir a DCTF retificadora informando valor de débito relativo a IRPJ/CSLL devida por estimativa inferior ao originalmente declarado, o novo valor declarado substituiu o anterior para todos os efeitos, tendo em vista que a declaração retificadora substitui integralmente a retificada. Desta feita, é inegável que o valor devido ao titulo da exação em debate é inferior ao que foi declarado, logo, alinhandose plenamente na figura de pagamento indevido, prevista no art. 165, II, do CTN. • Pelo que decidiu o despacho da SRF em impugnação, o contribuinte jamais erraria no recolhimento estimado de IRPJ e CSLL, quando sujeito ao lucro real anual, pois qualquer que fosse a monta recolhida estarseia sempre diante de recolhimento por estimativa, negando o fato, até usual, de que o contribuinte pode erra no cálculo do débito. Se a própria norma (art. 165, II, CTN) previu a possibilidade de erro do contribuinte, jamais poderia o intérprete afastar tal comum, corriqueira e verossímil possibilidade. • Diante de tamanha impropriedade, parece ao contribuinte tratarse de mera confusão no trato das circunstâncias particulares do caso concreto por parte da SRF, que confundiu o recolhimento alvo do pedido de compensa cão com o valor mensal apurado com base no regime de estimativa, pois o valor recolhido foi superior ao valor da estimativa, logo, em parte indevido. O que não poderia ser alvo de compensa cão, pelas normas expostas como fundamento da decisão, é o valor do tributo calculado e recolhido ao titulo de estimativa, ou seja, o valor exato da exação devida sob o regime de estimativa e não eventuais recolhimentos a maior. • Sobre este fato, é importante analisar o que diz o inciso IV do §4° do art. 2° da Lei No. 9.430/96, abaixo transcrito, aplicável à IRPJ/CSLL, conforme art. 28 da Lei N°. 9430/96: Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15. da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1 ° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. § 4° Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. • Como está claro na norma acima, o que está vinculado ao tributo devido no regime de apuração anual é o valor recolhido na forma do art. 2°, ou seja, o tributo calculado na forma ali prescrita, logo, o que foi pago em excesso não foi pago na forma prevista na lei, logo, não está inserido na vinculação sobredita. Sendo a norma omissa a qualquer valor eventualmente pago em excesso, por ausência previsão legal, jamais poderia a SRF pretender fazer tal vincula ção, uma vez que o legislador não o fez. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902913/200935 Resolução nº 1102000.257 S1C1T2 Fl. 8 7 • Neste exato sentido, o então Conselho de Contribuintes proferiu decisões pela possibilidade de compensa cão dos valores pagos a maior, de forma indevida, nos recolhimento de estimativas mensais de IR e CSLL já no mês subseqüente ao mesmo. Ainda mais flagrante é tal direito no caso em debate, quando a compensação foi feita apenas no exercício subseqüente, quando não mais há de ser falar em estimativa, visto que já era conhecido o quantum devido no exercício. • Tal entendimento pode ser exemplificado pelas seguintes decisões: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO O valor do recolhimento a titulo de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetido o lucro real anual, é passível de compensação/restituição, a partir do mês seguinte. O valor que está vinculado à apuração no final do ano é a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência do referido sistema. (Acórdão 10516205, Processo No. 14033.000221/2005 28, 1 ° CC, Quinta Câmara, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves, Provimento por unanimidade). [O contribuinte aduziu outros atos administrativos em seu favor] • Por tudo que foi exposto, resta claro o direito da impugnante, configurado que está o pagamento a maior, logo indevido, tendo em vista que excedente ao que preconiza o art, 2° da Lei 9.430/96, desta feita, alheio a vincula ção dada aos recolhimentos por estimativa. Motivo este, pelo qual, o egrégio Conselho de Contribuintes tem reiteradamente reconhecido o erro da SRF ao vincular o pagamento excedente das estimativas mensais em debate. • Afora tudo o que 16 foi exposto, que deixa de forma induvidosa o direito da impugnante, o art. 858, §1°, II do RIR/99 • A justificativa trazida pelo fisco para negar neste e em outros casos a compensação de estimativas mensais de IR e CSLL seria o fato de não se saber, por ocasião do recolhimento, se haveria ou não recolhimento indevido, visto que ainda não se saberia a exação devida no regime anual. No caso em tela, tal justificativa não tem qualquer sentido pois, como já dito, a compensação foi pleiteada no ano seguinte, logo, quando já se sabia o valor da obrigação anual e, por conseguinte, já se tinha a certeza da impropriedade do recolhimento feito em demasia. Portanto, se o Fisco prefere fazer vista grossa à realidade do pagamento indevido, como já demonstrado, não pode negar que a hipótese levantada para negar a compensação não se aplica ao caso presente. • A própria SRF, através do Ato Declaratório SRF No. 3/00, reconhece o direito dos contribuintes em compensarem o saldo negativo do 1RPJ e CSSL já a partir de janeiro do ano calendário subseqüente, conforme se vê abaixo transcrito: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1° e 6º da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro liquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902913/200935 Resolução nº 1102000.257 S1C1T2 Fl. 9 8 compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (G.N). • Da simples leitura da norma acima se extrai que, ainda que diante de insensata visão de não reconhecer como indevidos os recolhimentos alvo do pleito de compensação, a impugnante teria o direito de compensar os valores recolhidos. No caso em análise, pleiteouse a compensação dos mesmos apenas posteriormente, quando a norma torna passível de compensação, quando negativo, o tributo recolhido ao titulo de estimativa mensal já a partir de janeiro do exercício subseqüente. • Como fica evidente, ainda que os valores recolhidos a maior não fossem considerados como indevidos, logo passíveis de restituição ou compensação, na época em que as compensações foram pleiteadas já eram passíveis de compensação ao titulo de saldo negativo de 1RPJ/CSLL em relação ao ano calendário em questão. • Do exposto, se extrai que não ha como negar o direito da compensação pleiteada pelo contribuinte, de outra forma, terseia a insólita situação do contribuinte ser obrigado a recolher o débito cuja compensação não foi homologada, tão somente para gerar novo direito creditório passível de restituição ou compensação. Isto é evidente, pois caso a compensação não seja homologada, o crédito fiscal usado na mesma, decorrente do pagamento a maior da estimativa ou na pior das hipóteses, constituinte de saldo negativo de IRPJ, ficaria novamente desvinculado, logo, passível de restituição ou compensação. • A absurda situação acima descrita parece há muito não mais existir no ordenamento jurídico pátrio, pois é de flagrante atentado ao principio da economia processual ou, em uma visão mais finalista, afronta o instituto da compensação, há décadas aplicável as relações obrigacionais e hoje prevista no art. 368 do Código Civil. • Em resumo, o fisco tem que restituir ou compensar os valores em debate de qualquer maneira, seja através da compensação já pleiteada, objeto do presente processo, ou em pedido futuro, pois ao negar a presente compensação, os valores recolhidos tornamse desvinculados de qualquer relação jurídica, devendo pois ser imediatamente restituídos ao contribuintes, pois de outra forma estaria caracterizado o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública, possibilidade rechaçada pelo ordenamento pátrio. 5. Por fim, o administrado requereu: que fosse homologada a declaração de compensação, seja pelo fato do recolhimento objeto do pedido de compensação ter sido efetuado em monta superior ao que determina a lei, seja pelo fato deste valor, na época do pedido de compensação, já compor saldo negativo de IRPJ/CSLL; e que fosse cancelada a cobrança constante na intimação / despacho decisório. 6. É o relatório.” O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que não seria possível a compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas em vistas à vedação contida na Instrução Normativa nº 600/05. Em sede de recurso voluntário a Contribuinte reproduz suas alegações da manifestação de inconformidade, requerendo a homologação da compensação, pois não haveria óbice legal para a compensação do pagamento a maior ou indevido de estimativas. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902913/200935 Resolução nº 1102000.257 S1C1T2 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Conforme salientado em sede de relatório supra, a Contribuinte sustenta que em 30.11.2004 efetuou o recolhimento do valor de R$878.015,61 (fls. 35) para pagamento do montante de estimativas de IRPJ do mês de outubro de 2004. Citado montante, após a apresentação de DCTF retificadora (fls. 43), foi reduzido para 108.377,04, razão pela qual restou caracterizado o recolhimento a maior de tributo devido naquele período. O valores respectivo, atualizado em 15.07.2005, totalizaria R$855.145,42. Em 15.07.2005, transmitiu a PER/DCOMP n. 35116.21077.150705.1.3.045028 (fls. 02/05), por meio da qual utilizou parte dos créditos para quitação de débitos de COFINS do mês de junho de 2005, no valor de R$67.178,44. Segundo a Contribuinte, pois, restariam ainda R$787.966,97 para posterior compensação, considerados os acréscimos legais incidentes sobre o montante principal do direito creditório alegado. Noticia a Contribuinte que, em 29.07.2005, transmitiu a PER/DCOMP n. 17608.90414.290705.1.3.044120, por meio da qual pretendeu utilizar o montante de crédito original de R$709.177,37 dos R$769.638,77 que entendia fazer jus por força do recolhimento de DARF e retificação de DCTF acima citados – para quitação dos débitos arrolados na declaração de compensação. Considerados os respectivos encargos moratórios, o montante compensado perfez o montante supra de R$787.966,97. É a primeira das compensações citadas que é objeto desse processo administrativo. A pretensão da Contribuinte foi indeferida pela RFB, sob o fundamento de que eventuais créditos relativos ao recolhimento a maior de estimativas de IRPJ apenas poderiam ser utilizados na dedução do IRPJ devida ao final do período de apuração ou na composição do respectivo saldo negativo após a entrega da declaração de ajuste. Pois bem. A possibilidade de compensação de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior ao longo de determinado anocalendário, independentemente da formação do saldo negativo do período respectivo, não comporta divagações, ante a edição da Súmula CARF nº 84, do seguinte teor, verbis: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Contudo, em que pese a pacificação dessa questão jurídica, a caracterização do indébito de estimativas recolhidas ao longo do anocalendário pressupõe, além do recolhimento a maior, que o valor respectivo (das estimativas) não componham o saldo negativo apurado no anocalendário correspondente, sob pena de possibilitar ao contribuinte dupla restituição de tributos sobre o mesmo pagamento. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902913/200935 Resolução nº 1102000.257 S1C1T2 Fl. 11 10 Nessa hipótese, em que o contribuinte considera (por opção) as estimativas recolhidas na formação do saldo negativo do período correspondente, a restituição que se deve deferir é a deste (saldo negativo) e não do eventual indébito decorrente daquele particular (e provisório) recolhimento de tributo, salvo em caso de retificação da DIPJ (quanto ao montante do saldo negativo) pelo contribuinte antes do respectivo pedido de retificação/compensação. No caso, embora os elementos dos autos não sejam suficientes para verificar se a estimativa de outubro de 2004 compôs (ou não) o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, a Contribuinte apresentou planilha de cálculos a fls. 53, por meio da qual sugere que as estimativas cuja restituição se requer também compõem tal saldo negativo, informado na ficha 12 da DIPJ 2005 a fls. 55. Nesses termos, considerados (a) a pretensão da Contribuinte de compensar o valor do saldo negativo de IRPJ informado em sua DIPJ e não o montante de estimativas recolhidas em outubro de 2004, já que fez constar dele (saldo negativo) o valor de tais estimativas; e (b) o provável erro de preenchimento da declaração de compensação respectiva, que se extrai do teor da própria manifestação de inconformidade e da alegada composição do saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2004; e (c) a ausência de elementos nos autos para reconhecer, desde já, o direito creditório da Contribuinte, orientase voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que sejam adotadas as seguintes providências: (a) seja atestada a existência, ou não, de PER/DCOMP´s relativa ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004; (b) seja atestada, de forma conclusiva e justificada, se existe saldo passível de utilização para que seja procedida a compensação do saldo negativo de IRPJ com os débitos objeto do pedido de compensação deste processo, considerados todos os demais pedidos de compensação relacionados ao direito creditório proveniente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004. Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 127DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10469.724626/2011-22
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2802-000.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 10/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Contra a contribuinte foi emitida notificação de lançamento relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2009, exercício 2010 em razão de suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Foram deduzidos os honorários advocatícios pagos e compensado o imposto de renda retido na fonte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .7 24 62 6/ 20 11 -2 2 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10469.724626/201122 Resolução nº 2802000.139 S2TE02 Fl. 69 2 Não concordando com a exigência a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2 juntamente com os documentos de fls. 9 a 38, alegando em síntese que: a) os valores recebidos se referem a rendimentos acumulados na participação de seu cônjuge em operações bélicas na segunda guerra mundial que gerou precatórios quanto às verbas correspondentes; b) que possui 70 anos de idade o que a torna isenta do imposto de renda; c) que anexa as planilhas de cálculo e demais documentos para reavaliação, tendo em vista ter apresentado a declaração de ajuste anual de acordo com orientações recebidas no plantão fiscal; d) que requer sejam os valores recebidos acumuladamente submetidos à tributação em conformidade com os meses a que correspondem os rendimentos; e) por fim, solicita o acolhimento da impugnação e o cancelamento do crédito tributário. Em julgamento, a 1a Turma da DRJ/REC julgou procedente o lançamento aos fundamentos de que a contribuinte não nega o recebimento dos rendimentos, alegando tratarse de valores isentos, recebidos acumuladamente, em razão da participação de seu marido em operações bélicas da II Guerra Mundial; que do exame da documentação contida nos autos não é possível aferir a natureza dos rendimentos percebidos pela contribuinte, não havendo nos autos documento que indique tratarse de pensão devida a excombatente, tampouco que tal pensão seria de espécie tal a fazer jus a isenção; que não procede, nos termos da lei, a alegação de gozar de isenção do imposto apenas em razão da idade (70 anos) e passa a tecer considerações acerca da disciplina adequada para a tributação da rendimentos recebidos acumuladamente, bem como da modificação de atos normativos da Receita Federal quanto à matéria. Cientificada (fls.5758), a contribuinte apresenta o recurso voluntário de fls.61 e ss. Alegando que se desconsiderou a IRRF e repisando tratarse de rendimentos isentos. Assim, em sede preliminar, os autos versam sobre rendimentos recebidos acumuladamente em razão de decisão judicial. Considerando que o Recurso Extraordinário 614406RS, que versa acerca da matéria, teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010 e ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). É que, nos termos do artigo 543B do CPC, a admissão da repercussão geral de um ou mais recursos extraordinários implica em que sejam os mesmos identificados como representativos de controvérsia, sobrestandose os demais, verbis: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10469.724626/201122 Resolução nº 2802000.139 S2TE02 Fl. 70 3 § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. Nesses termos, sou pelo sobrestamento do presente recurso, até o julgamento definitivo da ação judicial mencionada. É como voto. Carlos André Ribas de Mello Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10830.016368/2010-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
VALE-TRANSPORTE. NÃO INCIDÊNCIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA
Quando paga parcela de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a Lei 101.101/2000, ocorre a incidência da contribuição previdenciária.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO
Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Crédito Tributário Mantido Parcialmente
Numero da decisão: 2403-002.893
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão do lançamento dos valores referentes à tributação do Vale Transporte pago em pecúnia, a exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008 e o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 VALE-TRANSPORTE. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA Quando paga parcela de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a Lei 101.101/2000, ocorre a incidência da contribuição previdenciária. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Crédito Tributário Mantido Parcialmente
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NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA Quando paga parcela de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a Lei 101.101/2000, ocorre a incidência da contribuição previdenciária. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Crédito Tributário Mantido Parcialmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 63 68 /2 01 0- 51 Fl. 27DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão do lançamento dos valores referentes à tributação do Vale Transporte pago em pecúnia, a exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008 e o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 28DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.016368/201051 Acórdão n.º 2403002.893 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 0533.942 da 6ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de auto de infração n° 37.300.4923 referente à contribuição previdenciária prevista no art. 20 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa às competências de 01/2006 a 12/2008, tendo o auditor fiscal, após ressaltar que aplicou o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), dadas as alterações promovidas pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, assim relatado as irregularidades apuradas (fls. 19/20): LEVANTAMENTO: "VT" (multa anterior, aplicada 03/2006, 03/2008 e 09/2008), "VT1" (multa de oficio até 11/2008, aplicada em 01/2006 a 02/2006, 04/2006 a 02/2008, 04/2008 a 08/2008 e 10/2008 a 11/2008) e "VT2 " (multa de ofício após 11/2008, aplicada em 12/2008) referese ao período de 01/2006 a 12/2008 Onde as BASES DE CALCULO (consideradas pela contribuinte com isenção das Contribuições Previdenciárias e sem informar em GFIP) são os valores declarados pelo contribuinte em suas Folhas de Pagamentos, rubrica de provento entitulado Pagamento Vale Transporte (código n" 200 de remuneração), pagamentos efetuados aos funcionários. A conquista social do valelransporte não integra o saláriode contribuição (Base de Cálculo) quando paga em conformidade com A Lei n" 7.418, de 16/12/1985. Porém paga em dinheiro, em desconformidade com a Lei n° 7.418, integra a Base de Cálculo da Contribuição. Os valores das contribuições dos Segurados foram calculadas individualmente, (conforme Demonstrativo anexo da Contribuição do Segurado) pelo acréscimo na Base de cálculo da rubrica Vale transporte, e deduzidos os valores declarados, restando apenas a Diferença, que é parte reclamada neste Auto. LEVANTAMENTO: "PL" (multa anterior, aplicada 03/2006, 03/2008 e 09/2008) e "PL1" (multa de ofício, aplicada em 04/2006, 09/2006, 10/2006, 04/2008 e 10/2008) referese ao período de 03/2006 a 10/2008 ~ São as contribuições dos segurados referentes as BASES DE CÁLCULOS (consideradas pela contribuinte com isenção das Contribuições Previdenciárias e sem informar em GFIP) declaradas pelo contribuinte em suas Folhas de Pagamentos, rubrica de provento entitulada PLR Fl. 29DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Participação Lucros e Resultados — (código de remuneração 247 e 248), pagamentos e ou créditos efetuados a funcionários, Conforme Demonstrativo Anexo. A autuada deixou de cumprir os requisitos exigidos pela Lei 10.101/2000, que regula a Participação dos funcionários nos Resultados da Empresa, não efetuando nem definindo Metas, nem critérios de aferição. Por exemplo, o Funcionário só fica sabendo que terá um acordo após o término do período acordado, de tal forma, o Acordo do PLR do exercício de 2008, foi firmado em 18/09/2008 (relativo ao primeiro semestre de 2008) e em 25/03/2009 (relativo ao segundo semestre de 2008). Portanto estes pagamentos entitulados PLR, estão em desacordo com a Lei 10.101/2000, e são Bases de Cálculos para o INSS, conforme previsto no inc. I do art. 28 da Lei n" 8.212/91 inc I do art. 214 do Regulamento da Previdência Social — RPS/99. Os valores das contribuições dos Segurados foram calculadas individualmente (conforme Demonstrativo anexo da Contribuição do Segurado) pelo acréscimo na Base de cálculo da rubrica PLR, e deduzidos os valores declarados, restando apenas a Diferença, que é parte reclamada neste Auto. Cientificada regularmente do auto de infração em 07/12/2010, a contribuinte apresentou impugnação em 05/01/2011 (fls. 221/235 do processo administrativo |i n° 10830016370/201020 ao qual este se encontra apensado), na qual alega, em síntese, que: • com a edição do Decreto n° 4.480, de 17 de setembro de 2003, que dispõe sobre a autorização de desconto em folha de pagamento, houve um reconhecimento expresso, no inciso IX do § Io do art. 2o, que o valetransporte, ainda que pago em dinheiro, não configura remuneração. Assim, por meio desse decreto, se formalizou o entendimento da jurisprudência no sentido de reconhecer o instituto do pagamento do vale transporte em dinheiro; a própria Convenção de Trabalho aplicável à autuada, nos anos 2005/2007 e 2007/2009, em seu item 47, fundamenta a possibilidade do pagamento em dinheiro do valetransporte, nos termos do Decreto n° 4.480, de 2003; reza a alínea f do § 9o do art. 28 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria não integra o saláriode contribuição. O mesmo vale para o FGTS (§ 6o do art. 15 da Lei n° 8.036, de 1990); o fato gerador da contribuição previdenciária ou do FGTS só pode ser determinado por força de lei (art. 97, inciso I e II, do CTN), por se tratar de tributo, em razão do princípio da legalidade tributária (art. 150, inciso I, da Constituição Federal). E a lei não dispõe que incide a contribuição previdenciária ou o FGTS sobre o valetransporte quando ele é pago em dinheiro; a jurisprudência, tanto do Tribunal Superior do Trabalho quanto do Supremo Tribunal Federal, tem o entendimento de que o vale Fl. 30DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.016368/201051 Acórdão n.º 2403002.893 S2C4T3 Fl. 4 5 transporte pago em dinheiro não constituiu base de incidência de contribuição previdenciária ou de FGTS; o legislador, ao utilizar a expressão entre outros no § Io do art. 2° da Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, cogitou da maneira mais ampla possível da aferição de regras da PLR. A exigência está na transparência dos critérios. De todo modo, delimita a lei o campo dessas regras: cumprimento do pacto; periodicidade da distribuição; período de vigência; e prazo para revisão do avençado. Fora disso, podem as partes inovar, já que os incisos I e II, do referido dispositivo legal, são exemplificativos, não configurados como de caráter obrigatório, mas meramente facultativo entre as partes, e dentre eles estão as questões das metas; são dois os fundamentos do auto de infração em relação aos levantamentos PL e PL1: (/) não efetuar nem definir metas; e (//') não efetuar nem definir critérios de aferição; o § 1° e seus incisos I e II do art. 2o da Lei n° 10.101, de 2000, é claro quanto à faculdade de se efetuar e definir metas. A expressão podendo ser considerados, pela simples interpretação literal, traz a possibilidade, e não a obrigação, de se efetuar ou mesmo de se definir metas. Dessa forma, ante à faculdade conferida pela legislação, a contribuinte agiu dentro dos ditames legais, estando respaldada no princípio da legalidade, pelo qual ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algumas senão em virtude de lei (art. 5o, inciso II, da Constituição Federal). Por contrariar esse princípio, o auto de infração deve ser declarado nulo; o mesmo § Io do art. 2o da Lei n° 10.101, de 2000, traz a expressão inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. O auditor fiscal utilizou a expressão critérios de aferição. Dentro do texto do Relatório Fiscal, essa expressão pode dar duplo entendimento. O primeiro, como sendo critério de aferição das metas, ficando, nesse caso, válida a alegação acima feita, de que agiu dentro dos ditames legais. E segundo, como sendo o mecanismo de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, pois a Lei n° 10.101, de 2000, no sentido literal, traz somente esta possibilidade. Conforme se pode verificar nos Acordos de Participação nos Lucros e Resultados referentes aos anos de 2006, 2007 e 2008, objeto da fundamentação das autuações, mais uma vez a regra da Lei n° 10.101, de 2000, foi fielmente seguida pela contribuinte, ao facultar à comissão de funcionários signatária de tais acordos amplo acesso à contabilidade da empresa; • seguindo orientação do seu sindicato de classe, como se verifica em carta anexada aos autos, optou, dentro dos ditames legais, em se reservar pela faculdade de efetuar e definir metas Fl. 31DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Vale transporte pago em dinheiro não sofre tributação. · PLR paga em conformidade com a Lei 10.101/2000. É o relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.016368/201051 Acórdão n.º 2403002.893 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA O lançamento está baseado no entendimento que o vale transporte foi pago aos segurados em desacordo com os ditames legais, uma vez que foi pago em pecúnia. O lançamento estava conforme o ordenamento legal. Todavia, a Advocacia Geral da União, seguindo orientação ditada na decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 478.410/SP, que considerou inconstitucional a tributação previdenciária incidente sobre vale transporte pago em pecúnia, tendo em vista sua natureza indenizatória, editou a Súmula 60. SÚMULA Nº 60, DE 8 DE DEZEMBRO DE 2011 "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Portanto, deve ser afastada do lançamento a parcela referente ao Vale Transporte. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR Fl. 33DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A CF, nos termos do art. 7º, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, é , portanto, uma normas constitucionais de eficácia limitada. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, tratase de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25112008, Segunda Turma, DJE de 1912 2008. Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1º dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.016368/201051 Acórdão n.º 2403002.893 S2C4T3 Fl. 6 9 A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) A Lei nº. 10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma definição para “participação nos lucros ou resultados”, logo, se de acordo com a Lei 10.101/2000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do “nome”, não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, Fl. 35DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 conforme previsto na Lei nº. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei nº. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: a) A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; · Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. c) É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; Fl. 36DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.016368/201051 Acórdão n.º 2403002.893 S2C4T3 Fl. 7 11 IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Nesse sentido, apresento jurisprudência do CARF e também do STJ: CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. (...)NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO Fl. 37DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.(...). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão 240100545) STJ PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido (REsp 856160/PR, Relatora Ministra ELIANA CALMON, DJe 23/06/2009). Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.101/2000. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.016368/201051 Acórdão n.º 2403002.893 S2C4T3 Fl. 8 13 Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. A recorrente questiona a tributação da PLR e afirma que cumpriu todas determinações da Lei 10.101/2000. O Relatório Fiscal especifica que “A autuada deixou de cumprir os requisitos da lei 10.10/2000 que regula a Participação dos Funcionários nos Resultados da Empresa, não efetuando nem definindo Metas, nem critérios de aferição.” Analisei todos Acordos de Participação nos Lucros e Resultados anexos ao Relatório Fiscal e constatei que efetivamente nada consta acerca de metas e critérios de aferição de resultados. Os Acordos simplesmente definem quanto e quando será pago. O recurso apresentado não faz prova da previsão de metas e critérios de aferição nos acordos. Entendo que faltam elementos essenciais para compatibilizar os Acordos e os pagamentos efetuados com os ditames da Lei 10.101/2000 e que, portanto, correta a tributação. DA MULTA APLICADA Fl. 39DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 No que se referem à multa de mora aplicada, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea e decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: Fl. 40DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.016368/201051 Acórdão n.º 2403002.893 S2C4T3 Fl. 9 15 “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/2008, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 11/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso determinando a exclusão do lançamento dos valores referentes à tributação do Vale Transporte pago em pecúnia, a exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008 e o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 42DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 18088.000186/2009-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 16/06/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTO.
Constitui infração apresentar para a fiscalização documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2403-002.781
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTO. Constitui infração apresentar para a fiscalização documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 01 86 /2 00 9- 96 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000186/200996 Acórdão n.º 2403002.781 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1431.496 da 9ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte, mantido o crédito tributário, com a seguinte ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTO. Constitui infração à legislação previdencidria apresentar, a empresa, documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. EMPRESA OPTANTE PELO LUCRO PRESUMIDO. DISPENSA DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Encontrase dispensada da apresentação de escrituração contábil a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, desde que mantenha escrituração do livro Caixa, o qual deverá conter toda a movimentação financeira da empresa, inclusive bancária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Foi julgado procedente o argumento apresentado pela defesa acerca da impossibilidade de autuação com fundamento na sonegação do livro Diário uma vez que, conforme facultado pela legislação vigente, a autuada optou pela escrituração do livro Caixa. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização em relação ao contribuinte acima identificado (Debcad n° 37.217.2717), por infração ao disposto no artigo 33, §§2° e 3° da Lei no 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n° 449/08, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 De acordo com os fatos relatados pela fiscalização as fls. 07/14, a empresa, optante pelo lucro presumido, foi intimada a apresentar os livros Diário e Razão, tendo o mesmo disponibilizado o livro Caixa, exercendo a opção conferida pelo artigo 225, §16, II do Regulamento da Previdência Social. Analisando, contudo, os lançamentos constantes no livro Caixa, a autoridade fiscal constatou diversas inconsistências, assim resumidas no relatório fiscal: Pelo exposto, tendo o seu livro caixa saldo credor, não tendo o contribuinte registrado naquele livro toda sua movimentação bancária, por ter utilizado outras contas bancárias para quitação de valores devidos por esta, desconsiderando o principio da entidade, registrar documentos em data diversa da sua ocorrência, por registros confessamente indevidos, o sujeito passivo incorreu em irregularidades que fulminaram a veracidade dos registros contábeis, não merecendo fé os seus documentos. Conclui afirmando que: Com tal postura a pessoa jurídica deixou de exibir livro relacionado com as contribuições previstas na lei 8212 (livros diários), infringindo desta forma, exação prevista no parágrafo 2 do artigo 33 da lei 8212. Pelo descumprimento da obrigação acessória, foi aplicada a multa estabelecida no artigo 283, inciso II, alínea "j" do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, no montante de R$13.291,66. IMPUGNAÇÃO Por não concordar com os termos da autuação a empresa, por seu representante legal, apresentou impugnação ao débito alegando, em síntese, a nulidade do auto de infração por entender que autuação levada a efeito por mera presunção não atende aos critérios jurídicos que autorizam a utilização dessa técnica. Nesse sentido, entende não ser possível a presente autuação uma vez que o livro apresentado foi inadmitido pelo próprio fisco. Argumenta que, se o próprio auditor fiscal admitiu a possibilidade de apresentação do livro Caixa, deveria considerá lo para todos os demais termos do procedimento fiscalizatório. Ainda a fim de demonstrar a impropriedade da atividade fiscal, argumenta que o livro caixa não se destina à apuração de lucro, entendendo incorreta a ilação do fisco sobre esse aspecto. Indaga, em seguida, se o fisco deu oportunidade ao contribuinte para apresentação do livro Diário. Questiona o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao utilizar o livro Caixa para justificar a autuação e, em seguida, desconsiderálo e proceder autuação com base na ilação de que não foram apresentados os livros. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000186/200996 Acórdão n.º 2403002.781 S2C4T3 Fl. 4 5 Argumenta, em seguida, que em nenhum momento o auditor fiscal procurou demonstrar a subsunção do conceito do fato ao da norma, deixando de apresentar os elementos que integram o fato jurídico tributário(fato gerador). Nesse sentido, entende ter a autoridade fiscal desprezado aspectos relevantes ao refutar a alegação do contribuinte de que os lançamentos 286 e 279 teriam sido lançados em duplicidade. Argumenta, ainda, não ser possível aferir pelo livro Caixa eventual situação superavitária ou deficitária e não ter sido oportunizado ao contribuinte o direito de apresentar demais documentos e livros contábeis. Pretende, com isso, demonstrar a nulidade da autuação. Transcreve, em seguida, doutrina acerca da aplicação do principio da verdade material na aplicação de multa punitiva. Requer, finalmente, sejam acatadas as razões impostas reconhecendo a nulidade da autuação. DILIGÊNCIA Diante das alegações da defesa, os autos foram encaminhados à DRF de origem para a elaboração de relatório complementar, no qual fosse esclarecido qual a efetiva obrigação acessória descumprida pelo contribuinte. Foi, então, emitido o relatório complementar de fls. 86/verso, no qual a autoridade autuante esclareceu que a autuada cometeu as duas condutas preconizadas no artigo 33, §§2° e 3º da Lei n° 8.212/91: sonegação de documentos e apresentação deficiente de documentos. MANIFESTAÇÃO COMPLEMENTAR Cientificada a autuada acerca do conteúdo da diligência fiscal, a mesma apresentou manifestação complementar afirmando, em síntese, a impossibilidade de se autuar a empresa pela sonegação do livro Diário, urna vez que o regime tributário vivenciado pela autuada (lucro presumido) a dispensa da obrigação da exibição e escrituração do livro contábil. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: Fl. 192DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 · o fato narrado pela fiscalização não se subsume ao dispositivo legal invocado como fundamento de validade da autuação; · o fato atribuído no auto infracional ao recorrente (deixar de exibir livro) é manifestamente improcedente e contraria o teor da narrativa elaborada pela própria autoridade fiscal, que mencionou expressamente que lhe fora exibido o livro Caixa; · o relatório complementar elaborado pela fiscalização pretende inovar em relação ao auto de infração originário, visando afastar sua nulidade, o que não se admite; · o Regulamento da Previdência Social, espécie normativa em que o auto de infração se fundamenta para aplicar a sanção, exorbita as previsões da Lei 8.212/91 e impõe ao recorrente obrigação e sanção tributárias não previstas em lei. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000186/200996 Acórdão n.º 2403002.781 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A autuação está fundamentada nos parágrafos 2º e 3º do artigo 33 da Lei 8.212/91. Auto de infração DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa, o segurado da previdencia social, o serventuario da justica ou o titular de serventia extrajudicial, o sindico ou seu representante, o comissario ou o liquidante de empresa em liquidacao judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuicoes previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que nao atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informacao diversa da realidade ou que omita a informacao verdadeira, conforme previsto no art. 33, paragrafos 2. e 3. da referida Lei, com redacao da MP n. 449, de 03.12.2008, combinado com o artigo 233, paragrafo unico do Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Lei 8.212/91 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou Fl. 194DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O Relatório Fiscal apresenta detalhadamente os vícios do livro Caixa e conclui que a empresa deixou de exibir o Livro Diário. RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO Entretanto, da análise do livro caixa a auditoria identificou as seguintes incongruências: A Guia da Previdência Social GPS de 12/2005, de R$ 408,26, recolhida em 02/01/2006 não consta nos registros contábeis; A Guia da Previdência Social GPS de 01/2006, de R$ 835,12, recolhida em 02/02/2006 consta apenas o montante de R$ 301,81 referente ao campo Terceiros, no livro; As GPS 01/2006 de R$ 572,44, GPS 03/2006 de R$ 1256,68, GPS 04/2006 no de R$519,20 e R$ 601,02, GPS 05/2006 de R$ 389,40 e R$ 655,66, GPS 06/2006 R$ 1261,62, GPS 07/2006 de R$ 928,85 e R$ 389,40, GPS 09/2006 de R$ 856,25 e GPS 10/2006 de $ 29.812,42 estão a crédito no livro caixa, todas de código 2631 (valores retidos em nota fiscal e com obrigatoriedade de recolhimento pelo tomador do serviço, no caso os contratantes da Omega); Duas GPS de R$ 59,50 constam no livro caixa em 03/11/2006 e não constam dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil; Não há no livro caixa no mês 02/2006 (folha de 01/2006), nenhum gasto com folha de pagamento (fora apresentado folha com movimento); Inexiste apropriação de gasto com prólabore do sócio nas competências de 03/2006 a 12/2006 (consta movimento nas folhas de pagamento); Foram identificados 42 DARF, recolhidos que não constam no livro da empresa, principalmente aqueles referentes a dois processos de parcelamento de débito 13851001768200544 e 13851001824200544; Dois DARF um pago em 31/10/2006 estão com apropriação no livro caixa em 15/08/2006 e 28/04/2006; Fl. 195DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000186/200996 Acórdão n.º 2403002.781 S2C4T3 Fl. 6 9 Por fim o documento contábil encontrase com saldo credor de 02/03/2006 a 20/07/2006 e de 07/08/2006 a 29/10/2006. ... Da análise destes ratificaramse diversos lançamentos efetuados no livro caixa, contudo diversos lançamentos na conta do Banco do Brasil e do Itaú não estão apropriados no livro caixa, bem como lançamentos do caixa não constam dos extratos bancários conforme abaixo. ... Não podemos olvidar ainda que alguns documentos de quitação de crédito (documentos de arrecadação federal DARF) foram pagos, mas não aparecem nem no livro caixa, nem nos extratos bancários apresentados, pois foram quitados através de contas em outros bancos ou agências, são eles abaixo citados. ... Existem dois DARF pagos em 31/10/2006 estão com apropriação no livro caixa em 15/08/2006 e 28/04/2006, e não aparecem nos extratos bancários disponibilizados, pois foram recolhidos através de conta corrente no banco 001 da agência 3111 (mesmo banco e agência onde constam pagamento de tributos da pessoa física do Sr Ricardo Merussi — sócio da empresa). ... Em atendimento ao TIF 04, o sujeito passivo apresentara alguns documentos que originaram lançamentos no livro caixa, alguns vieram acompanhados do respectivo recibo de quitação, sendo que os codificados como 086 e 116 foram quitados através de débitos em contas correntes de outros titulares que não a Omega (o primeiro através de C/C 62855, agência 00825 do Banco do Brasil de titularidade de Tech Inox Ind e Com Ltda e o outro através de conta do Unibanco). ... Pelo exposto, tendo seu o livro caixa saldo credor, não tendo o contribuinte registrado naquele livro toda sua movimentação bancária, por ter utilizado outras contas bancárias para quitação de valores devidos por esta, desconsiderando o principio da Entidade, registrar documentos em data diversa da sua ocorrência, por registros confessamente indevidos, o sujeito passivo incorreu em irregularidades que fulminaram a veracidade dos registros contábeis, não merecendo fé os seus documentos. Com tal postura a pessoa jurídica deixou de exibir livro relacionado com as contribuições previstas na lei 8212 (livros diários), infringindo desta forma, exação prevista no parágrafo 2 do artigo 33 da lei 8212. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 A DRJ entendeu necessário diligência para explicitar a infração que motivou a autuação. DILIGÊNCIA Constatase que o relatório fiscal elaborado pela autoridade autuante não demonstra claramente qual foi a infração praticada pelo contribuinte, já que menciona, a principio, a escrituração deficiente do livro Caixa para, em seguida, afirmar que a empresa deixou de exibir o livro Diário. Observase que a infração prevista no artigo 33, §§2° e 3º da Lei n° 8.212/91 comporta duas espécies de descumprimento da obrigação acessória, quais sejam: 1. Recusa ou sonegação de documentos, ou 2. Apresentação deficiente de documentos. Assim, deve ser objeto de esclarecimento, pela autoridade fiscal, qual a obrigação acessória efetivamente descumprida pelo sujeito passivo. Entendo, portanto, ser necessário o retorno dos autos à DRF de origem para que seja elaborado relatório fiscal complementar, demonstrando, de maneira clara e objetiva, qual foi a infração efetivamente praticada pelo contribuinte, assegurando ao mesmo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Em resposta à diligência solicitada, foi elaborado Relatório Complementar que explicita que as motivações para a autuação foi a falta da apresentação do livro Diário e as deficiências do Livro Caixa. RELATÓRIO COMPLEMENTAR Al/DEBCAD n° 37.217.2717 2 O auto de infração fora emitido com fulcro nos parágrafos 2° e 3° do artigo 33 da lei 8212, o qual prevê o descumprimento da obrigação acessória qualificados como recusa, sonegação, ou apresentação deficiente de documentos. 3 O relatório da infração descreve de forma inequívoca que o contribuinte disponibilizara o livro caixa, contudo este contém diversos lançamentos divergentes com os extratos bancários disponibilizados, o que fulminara a confiabilidade daquele documento, o qual tornouse inservível para qualquer apuração fiscal. 4 Desta forma, sendo desconsiderado o registro disponibilizado pela fiscalizada, uma vez que a lei faculta a apresentação do livro caixa em substituição ao livro diário necessária permaneceu a obrigatoriedade de apresentação deste último, e Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000186/200996 Acórdão n.º 2403002.781 S2C4T3 Fl. 7 11 como não fora realizado, qualificou a autuada na espécie de descumprimento de sonegação de apresentação de documentos. 5 Entretanto não fora a única obrigação inadimplida pela fiscalizada, uma vez ainda que deixara de apropriar registros bancários no livro caixa incorrera em outra conduta com previsão no mesmo § 3º do artigo 33 da lei 8212, que é a apresentação deficiente daquele documento. 6 Pelo exposto resta claro de que a pessoa jurídica cometera as duas condutas preconizadas, a de sonegar bem como de apresentar de forma deficiente livro contábil, as duas qualificadas na presente exação fiscal. Concordo com a DRJ tanto quanto à desnecessidade da apresentação do Livro Diário quanto com o entendimento que ficaram bem comprovados os vícios do Livro Caixa. Entendo também que esses vícios são suficientes para considerar devida a autuação. Entendo que a autuação está fundamentada na Lei e não percebo excessos no Decreto, na forma apresentada pela recorrente. Também entendo que o Relatório Complementar não inovou, simplesmente esclareceu. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recuso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10715.005898/2010-90
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2008 a 29/02/2008
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 58 98 /2 01 0- 90 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005898/201090 Acórdão n.º 3801004.799 S3TE01 Fl. 13 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005898/201090 Acórdão n.º 3801004.799 S3TE01 Fl. 14 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.005898/201090, contra o acórdão nº 0729.205, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 13 de maio de 2012, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 130.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: em razão do erro operacional de seu estabelecimento no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, as informações concernentes ao embarque das mercadorias foram fornecidas com atraso, variável, em sua grande maioria, de 01 a 08 dias além do prazo concedido pela legislação para a prestação das informações junto ao Siscomex, nos termos da tabela que acompanha o Auto de Infração. ao contrário do que faz crer a autoridade administrativa, não basta à mera inobservância da legislação aduaneira para validar a imputação de multa. Mister que se configure a intenção dolosa do agente em fraudar o controle aduaneiro, bem como o dano ao Erário incorrido, a fim de justificar a imputação das multas capitaneadas pela legislação que regulamenta o comercio exterior, o que não se apresenta no presente caso. a aplicação da pena de multa mostrase de todo desarrazoada e desproporcional, devendo na espécie se aplicado o artigo 654, do Regulamento Aduaneiro vigente época, Decreto 4.543/2002, o qual prevê a relevação de multa quando a infração não tenha resultado em falta ou insuficiência de recolhimento de tributos. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005898/201090 Acórdão n.º 3801004.799 S3TE01 Fl. 15 4 o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que se aplica às infrações da mesma espécie, apuradas em uma mesma ação fiscal, a teoria da continuidade delitiva, de modo que, ainda que se entendesse pela configuração da infração, esta somente poderia ensejar a imputação de uma multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por todas as infrações apurados na fiscalização. Requer que o Auto de Infração seja julgado improcedente, com a consequente relevação da multa, em razão da ausência de dolo ou prejuízo ao Erário, bem como por força da desproporcionalidade entre a infração cometida e a sanção imposta; ou, em sede de pedido eventual, na hipótese de configurada a infração, e não relevada a multa, que o credito tributário seja reduzido ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil, reais), mediante aplicação da teoria da continuidade delitiva. É o relatório. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 130.000,00 para R$ 30.000,00 referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 29/02/2008 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração ontida a línea e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. É incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005898/201090 Acórdão n.º 3801004.799 S3TE01 Fl. 16 5 Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculado e obrigatória. Impugnação rocedente em Parte Crédito Tributário Mantido Parte Inconformada com a improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 O auto de infração seria nulo por não comprovar as supostas infrações; 2 A infração não é objetiva, sendo necessário perquirir se houve dolo ou dano ao Erário; 3 Aplicação do art. 654 quanto à relevação multa, tendo em vista a ausência de dolo ou dano ao Erário; 4 A manutenção da multa ofende os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005898/201090 Acórdão n.º 3801004.799 S3TE01 Fl. 17 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Denúncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005898/201090 Acórdão n.º 3801004.799 S3TE01 Fl. 18 7 “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005898/201090 Acórdão n.º 3801004.799 S3TE01 Fl. 19 8 excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Nulidade do auto de infração Entendo que não assiste razão o recorrente na sua insurgência sobre a nulidade do auto de infração por não bem comprovar a conduta da recorrente. A fiscalização apresentou a planilha contendo o número das declarações, a data do embarque a data em que foi enviada a declaração e a que voo pretendia, não se olvidando que estas informações são feitas de forma eletrônica e pelo próprio recorrente. Nestes termos, não havendo o recorrente comprovado que de fato as datas de envio não seriam aquelas que apontados pelo fisco, não logrou êxito em desincumbirse do ônus de comprovar a tempestividade das emissões, por força do art. 333, II, do CPC. Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005898/201090 Acórdão n.º 3801004.799 S3TE01 Fl. 20 9 Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN que: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Havendo dúvida sobre capitulação legal do fato deve ser afastada a aplicação da multa. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005898/201090 Acórdão n.º 3801004.799 S3TE01 Fl. 21 10 punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer que uma vez apresentada a declaração está explicita a denúncia espontânea, motivadora da exclusão da multa regulamentar. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10314.001790/99-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/11/1998
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE.
O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acoram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ivan Allegretti, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/11/1998 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acoram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ivan Allegretti, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 17 90 /9 9- 29 Fl. 859DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10314.001790/9929 Acórdão n.º 9303003.168 CSRFT3 Fl. 860 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. "A interessada importou partes e peças para uso próprio em montagem de veículos, dando entrada em seu estoque e utilizando, para a mesma operação, duas Declarações de Importação, efetuando pagamento com débito automático, tendo sido uma delas cancelada posteriormente pela IRF/SP, onde ocorreu o desembaraço aduaneiro. A interessada, em razão desse cancelamento, pleiteou a restituição de tributos, tendo a IRF/SP entendido pertinente o pleito em razão do que preceitua a Instrução Normativa IN/SRF 34/98, encaminhando o processo para a DRF/São José dos Campos para as providencias finais cabíveis. A DRF/São José dos Campos intimou a interessada a apresentar o Plano de Contas da Empresa, constatando que houve a contabilização do imposto pago a maior a débito de uma conta do Ativo Imobilizado que, pela sua natureza, implica em transferência do encargo financeiro para o custo do imobilizado passível de alienação e/ou depreciação e o resultado contábil/fiscal da empresa, entendendo ser incabível a restituição pretendida por não atender ao que preceitua o art. 166 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN), devolvendo o processo à IRF/SP. A IRF/SP reiterou os termos de sua decisão, conforme IN/SRF 34/98, devolvendo o processo à DRF/São José dos Campos para que decidisse sobre a restituição, conforme preceitua o art. 6° da supracitada Instrução Normativa. 0 Delegado de São José dos Campos enviou um Notes no sentido de que a restituição de tributos aduaneiros prevista na IN 34/98 seja procedida com observância do disposto no art. 166 do CTN e, novamente, devolveu o processo à IRF/SP. A IRF/SP mais lima vez reiterou os termos de sua decisão inicial, notificando a interessada da decisão da DRF/São José dos Campos, por economia processual. Ciente da decisão da DRF/São José dos Campos que negou a restituição, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade para esta DRJ/SPOII, alegando, em síntese, que agiu conforme preceitua a IN 34/98, especifica para o cancelamento de declarações de importação objeto de multiplicidade de registros, não sendo cabível ao caso a Fl. 860DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10314.001790/9929 Acórdão n.º 9303003.168 CSRFT3 Fl. 861 3 verificação efetuada pela DRF/São José dos Campos, por violar o principio da legalidade, e nem a previsão do art. 166 do CTN." A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "Assunto: Imposto sobre a Importação – II. Data do fato gerador: 10/11/1998 Ementa: Restituição de Imposto de Importação. Duplicidade de Declarações de Importação. Ainda que cancelada a Declaração de Importação, a restituição do tributo somente será feita a quem prove haver assumido seu encargo financeiro, conforme preceitua a Lei 5.172/66 Código Tributário Nacional. Solicitação indeferida" Inconformada com a decisão que lhe foi desfavorável, a contribuinte recorre ao então Terceiro Conselho de Contribuintes, repisando, em síntese, os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. Julgando o feito, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de contribuintes deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. Somente nos casos de tributos que comportem, por sua natureza jurídica, transferência do respectivo encargo financeiro, ou seja, aqueles para os quais a lei assim estabelece, aplicase a regra do art. 166, do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A Fazenda Nacional dissentiu da decisão que lhe foi desfavorável e apresentou recurso especial, fls. 734 a 744 (numeração digital), por meio do qual requereu a reforma do acórdão vergastado para que a restituição pleiteada seja indeferida já que o sujeito passivo não comprovou que assumira o ônus financeiro do imposto de importação, cuja restituição pretende ser autorizada,deixando, portanto, de atender ao requisito imposto pelo art. 166 do CTN. O recurso especial fazendário foi admitido pelo então Presidente da câmara recorrida, nos termos do Despacho nº 1307131777, fls. 824 a 828 (numeração digital). Contrarrazões vieram às fls. 840 a 852 (autos digitais). É o Relatório. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10314.001790/9929 Acórdão n.º 9303003.168 CSRFT3 Fl. 862 4 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atendeu aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A questão que se apresenta a debate cingese em decidir se a restituição do imposto de importação está condicionada ao atendimento dos requisitos fixados no art. 166 do CTN. De início, cabe esclarecer que o litígio não envolve a existência do indébito, posto que, quanto a isso não há controvérsia. Diante disso, devese passar de imediato ao debate acerca da exigência da autoridade fazendária de condicionar a restituição ao fato de a requerente não haver demonstrado o atendimento das condições estabelecidas no mencionado dispositivo legal. O art. 166 do Código Tributário Nacional, assim trata a matéria: Art. 166 A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, esteja por este expressamente autorizado a recebêla. A norma inserta no dispositivo retrotranscrito é destinada, especificamente, aos de tributo cuja natureza jurídica implica transferência do encargo financeiro, do sujeito passivo da obrigação tributária – contribuinte de direito ao contribuinte de fato, vale dizer, àquele que adquire a mercadoria ou o serviço prestado. Como bem anotou o conselheiro José Luiz Novo Rossari, no voto condutor do Acórdão nº 30132.780 da primeira câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, que transcrevo para fundamentar este voto: Essa situação ocorre com os impostos classificados no próprio CTN como Impostos sobre a Produção e a Circulação, v.g. IPI, ICMS, IOF, os quais são comumente classificados como impostos indiretos por grande parte dos estudiosos em direito tributário. No Imposto de Importação não se tipificam as figuras de contribuinte de direito e contribuinte de fato, visto que a lei básica aduaneira (art. 1o, inciso I, do Decretolei no 37/66, com a redação que lhe deu o art. 1o do Decretolei no 2.472/88) estabelece que a responsabilidade tributária pela introdução de mercadoria estrangeira no País é do importador e o imposto pago no despacho aduaneiro não é destacado em notas fiscais para repasse aos consumidores subseqüentes. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10314.001790/9929 Acórdão n.º 9303003.168 CSRFT3 Fl. 863 5 Destarte, não se caracteriza o Imposto de Importação como um imposto indireto. E em decorrência, tal imposto não se classifica entre os que comportam transferência do encargo financeiro de que trata o art. 166 do CTN. Importante ressaltar que, já por ocasião da instituição da Instrução Normativa SRF no 21, de 10/3/1997, houve a preocupação da SRF em disciplinar a matéria ora sob exame. Para isso foi estabelecido no art. 18 da referida IN que, verbis: “Art. 18. Nenhum contribuinte poderá solicitar restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outrem (IOF e IPI)” A norma retrotranscrita deixou claro serem os ali indicados (IOF e IPI) os tributos federais sujeitos à prova de assunção do encargo financeiro para os fins previstos no art. 166 do CTN. No entanto, a matéria voltou a ter a preocupação da SRF, tendo sido editado o Parecer Cosit no 47, de 17/11/2003, que, analisando as particularidades do Imposto de Importação com vistas à aplicabilidade do disposto no art. 166 do CTN, deu disciplina final à matéria no sentido de que descabe tal requisito no caso de pedido de restituição desse tributo. Tal Parecer recebeu a seguinte ementa, verbis: “IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Reforma do Parecer CST/DAA no 1.965, de 18 de julho de 1980.” A orientação trazida pela Cosit, órgão responsável pela interpretação da legislação tributária federal, ficou claramente explicitada no Parecer Cosit no 47/2003, que reformou o Parecer CST adotado no julgamento de primeira instância e dispensou o sujeito passivo de comprovar a assunção do encargo financeiro. Tratandose de norma de caráter interpretativo, é inteiramente aplicável à hipótese o disposto nos art. 106, I, do CTN, que permite a interpretação retroativa nos casos da espécie, razão pela qual entendo estar assegurado o direito de restituição à recorrente. Diante do exposto e considerando que ficou confirmado no processo o cancelamento da DI e o pagamento do imposto reclamado, matéria de fato que nem foi suscitada na decisão Fl. 863DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10314.001790/9929 Acórdão n.º 9303003.168 CSRFT3 Fl. 864 6 recorrida, voto por que seja dado provimento ao recurso voluntário. De outro lado, o fato de o sujeito passivo haver escriturado o valor do II pago como custo, não importa em perda do direito à restituição do indébito, pois a lei não previu tal restrição, e o onde a lei não restringe não cabe ao intérprete fazêlo. Todavia, cabe ao Fisco, se o sujeito passivo utilizou esse custo como despesa dedutível do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, glosála. No caso presente, é incontroverso a existência do indébitos, havendo divergência apenas no tocante ao direito de restituição em face do não atendimento dos requisitos do art. 166 do CTN, e da escrituração do valor do imposto pago como custos, todavia, conforme escrito linhas acima, a forma de escrituração do indébito que se pretende repetir, pode ensejar autuação (glosa de despesas) pertinente ao Imposto de Renda, mas não é causa impeditiva de restituição, já no tocante aos requisitos do art. 166 do CTN, demonstrouse linhas acima que o imposto de importação não se afigura como imposto que por sua natureza comporta a repercussão tributária, como é o caso do IPI, do ICMS e do IOF. Registrese, por oportuno, que nada impede a Fiscalização de apurar eventuais irregularidades nas declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica decorrentes da escrituração e utilização como custos dos valores correspondentes aos indébitos destes autos e, se houver, exija, de ofício, a diferença do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro. Frente ao exposto, dou provimento ao recurso, sem prejuízo de verificação, por parte da Delegacia de origem, da certeza e liquidez dos valores alegados, com base na Legislação específica. Frente ao exposto, nego provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 864DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.000100/98-93
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991
DIREITO CREDITÓRIO. FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. FALTA DE COMPETÊNCIA REGIMENTAL.
Compete à Terceira Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem acerca da aplicação da legislação atinente à Contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial).
Numero da decisão: 1802-000.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR da competência para a 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em razão da matéria (Finsocial).
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros: Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: Nelso Kichel
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FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. FALTA DE COMPETÊNCIA REGIMENTAL. Compete à Terceira Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem acerca da aplicação da legislação atinente à Contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR da competência para a 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em razão da matéria (Finsocial). (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 01 00 /9 8- 93 Fl. 769DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.000100/9893 Acórdão n.º 1802000.144 S1TE02 Fl. 770 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros: Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.000100/9893 Acórdão n.º 1802000.144 S1TE02 Fl. 771 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 614/620 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Salvador (fls. 532/535) que indeferiu Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório da DRF/Salvador (fls. 470/479). Quantos fatos, consta dos autos que a contribuinte: em 08/01/1998, protocolizou Pedido de Restituição de pagamento indevido ou a maior a título de Finsocial dos períodos de apuração setembro/89 a setembro/91, no valor de R$ 517.941,89. Direito creditório pleiteado, cujo valor consta apurado pela contri buinte na planilha de cálculo (fls. 04/06, 138 e 142). nessa data, protocolizou, ainda, Pedido de Compensação Tributária, informando débitos da Cofins, código de receita 2172, dos períodos de apuração de setembro/97, outubro/97 e novembro/97 (fl. 07). instruiu seu pleito, juntando ainda os documentos de fls. 08/131; em 22/03/1999, acostou aos autos um adendo (aditamento) à petição inicial, informando e requerendo o seguinte (fl.132/133), in verbis: (...) 1 – que amparado em liminar judicial prolatada nos autos n° 93.51776, posteriormente confirmada em sentença, a partir do mês competência maio de 1993 a peticionária passou a compensar o seu crédito decorrente do recolhimento a maior do FINSOCIAL, com impostos e contribuições de sua responsabilidade. 2 que o Tribunal Regional Federal – 1ª Região, por entender que a compensação, embora sendo um direito do contribuinte, era matéria exclusiva da Administração Tributária, optou pela concessão do direito à restituição, julgando prejudicada a remessa oficial. Não tendo a peticionária, contudo, requerido a execução do julgado para reaver os valores recolhidos a maior. 3 que, com essa decisão desfavorável à compensação, tratou a Receita Federal de pressionar a Peticionária para, imediatamente, recolher os valores que, segundo ela, foram compensados indevidamente, ou requerer o parcelamento de todos valores devidos pela empresa. 4 que, em decorrência desse posicionamento do Fisco, tratou a empresa de, através dos processos n°10580.003.910/9658, 10580.008.024/9639 e 10580.008.025/9600, requerer o parcelamento do seu débito. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.000100/9893 Acórdão n.º 1802000.144 S1TE02 Fl. 772 4 Do PEDIDO (...) a que, (...), sejam CONVALIDADAS todas as compensações efetuadas a partir do mês de maio de 1993, para tanto, está anexando nova PLANILHA de cálculos,(...); b que sejam CANCELADOS os pedidos de PARCELAMENTO relacionados no item 4 desta petição, com a SUSPENSÃO dos CARNÊS de pagamentos; (...) nessa data, também, juntou Pedido de Compensação, informando débitos das exações fiscais abaixo (fl. 134): a) da CSLL, código de receita 2484, dos períodos de apuração maio/1993, junho/1993, julho/1993, novembro/1994. Ainda, informou débito relativo ao saldo da CSLL do anocalendário 1995 (declaração de ajuste anual), no valor de 50.623,41 UFIR (= R$ 41.951,62), com vencimento em 30 /04/1996 (vide também DIRPJ 1996 –Ficha 11 fl. 599); b) do IRPJ, código de receita 2362, dos períodos de apuração de maio/1993, junho/1993 e julho/1993; Outros Pedidos de Compensação foram juntados: 1) em 01/02/2000, Pedido de Compensação de débitos da Cofins, código 2172, dos períodos de apuração março, abril, maio e junho/1999 (fls. 343 e 362); 2) em 09/11/2004, Pedido de Compensação de débitos da Cofins, código de receita 2172, dos PA novembro/2000, abril, maio e junho/2001 (fl. 378); 3) em 01/02/2000, Pedido de Compensação de débitos da Cofins, código de receita 2172, dos PA dezembro/1997, janeiro, fevereiro, março e abril/1998, e agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro/1998, e janeiro/1999 (fl. 384). A DRF/Salvador, unidade de origem da SRF, enfrentando o mérito do pleito da contribuinte, reconheceu o direito creditório em parte, a título de Finsocial dos PA setembro/89 a setembro/91, no valor de R$ 353.182,02 e a homologou a compensação dos débitos até o o limite do crédito deferido, conforme Despacho Decisório, de 16/03/2005, fundamentado no Parecer nº 67/2005, de 03/03/2005, e anexos (fls. 470/479), A propósito, transcrevo, no que pertinente, os fundamentos do citado Parecer e parte dispostiva do Despacho Decisório da DRF/Salvador: (...) A solicitação fundamentase na Ação Judicial n° 93.00085298, através da qual a peticionária questionou a majoração das aliquotas do F1NSOCIAL promovidas pelo artigo 7º da Lei 7.787/89, artigo 1° da Lei 7.894/89 e artigo 1° da Lei 8.147/90 e requereu a devolução/compensação dos valores indevidamente pagos a maior. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.000100/9893 Acórdão n.º 1802000.144 S1TE02 Fl. 773 5 No campo 05 do Pedido de Restituição de fl. 01, formalizado em 29/12/97, a postulante requer que o crédito a que faz jus seja destinado à compensação de débitos parcelados através dos processos n° 10580.008024/9639, 10580.008025/9602 e 10580.003910/9658. Foram juntados ao processo, ainda, os Pedidos de Compensação de fls. 03, 117, 318, 346, 352 e 358, nos quais a empresa solicita a compensação do saldo credor remanescente com outros débitos de sua responsabilidade. Além dos documentos já mencionados integram o processo os DARFs originais dos recolhimentos efetuados a maior (fls. 19/45), cópias dos Registros de Apuração de ISS/ICMS de fls. 49/110, comprobatórias da receita bruta mensal auferida nos meses de setembro de 1989 a setembro de 1991, os demonstrativos de apuração do crédito pleiteado (fls. 121 e 125) assim como cópias de partes do processo judicial n°93.0008529 8 (fls. 142/187 e do processo de execução n° 98.00195005 (fls. 189/197). Às fls. 198/208, a interessada apresentou memorial contendo esclarecimentos sobre a compensação pleiteada que, juntamente com outros documentos acostados ao processo, subsidiaram o GAJ — Grupo de Ações Judiciais/SECAT — DRF SALVADOR na elaboração da Informação de fls. 294/298, através da qual foram prestados esclarecimentos acerca da ação judicial impetrada pela empresa assim como dos débitos por ela compensados. Sintetizamos a seguir apenas as inferências e os pontos abordados pelo GAJ no tocante ao trânsito em julgado da decisão judicial, por ser fundamental ao deslinde da questão sob análise: a homologação ou não das compensações efetuadas pela requerente: 1. a ação ordinária n° 93.00085298 que garantiu à autora o direito à restituição do FINSOCIAL pago a maior transitou em julgado em 21/08/1995 (fl. I 87); 2. o acórdão transitado em julgado manteve a decisão monocrática mas não autorizou a compensação pretendida pela empresa, o que implicaria na apuração do valor pago em excesso e emissão do respectivo precatório por ocasião da liquidação da sentença; 3. consoante argumenta a interessada às fls. 115/116, a revogação do direito à compensação compeliua a parcelar os débitos da COFINS dos meses de maio a julho de 1993 através do processo 10580.003910/9658, que por não ter sido integralmente quitado, foi encaminhado para inscrição na Dívida Ativa da União; 4. nesta mesma petição a empresa esclarece não haver ingressado com ação de execução por estar promovendo as compensações no âmbito administrativo; 5. por não haver obtido autorização judicial para promover a compensação pretendida, a postulante impetrou ação de Fl. 773DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.000100/9893 Acórdão n.º 1802000.144 S1TE02 Fl. 774 6 execução do titulo judicial através do processo n° 1998.33.00.0195005 ( fls. 136/138 c 189/190); 6. ocorre, porém, que após o trânsito em julgado da sentença, ocorrido em 21/08/95, foi regulamentada a possibilidade de compensação na esfera administrativa, estando subordinada, contudo, à desistência da execução judicial; 7. face à possibilidade de compensação administrativa, em 05/05/1999 a empresa protocolou em juizo o pedido de desistência da ação de execução (fls. 192/195), o qual foi homologado, extinguindo a execução e os embargos propostos pela Fazenda (fls. 196/197); 8. de acordo com a certidão de fl. 266, exarada pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região, o processo de execução não foi ainda encerrado por força da apelação interposta pela autora contra decisão judicial monocrática que impôs à impetrante as custas remanescentes c/ os honorários advocaticios de 10% (dez por cento) conforme evidenciam os documentos fls. 189/190; 9. os extratos de fls. 283/286 atestam que a ação de embargos interposta pela União Federal à execução foi extinta e arquivada o que significa que a execução dos valores não poderá mais ser revertida, tratandose de matéria preclusa uma vez que nem a autora nem a União se insurgiram contra a homologação da desistência da execução (fls. 192/193); 10. assim, para os efeitos previstos nas normas de compensação, já houve o encerramento do caso jurídico sob discussão, porquanto os créditos pretendidos pela empresa não mais poderão ser objeto de execução judicial tendo havido o trânsito em julgado concernente a esta matéria o que garante à requerente o direito à homologação das compensações do FINSOCIAL com a COFINS. (...) Cumpre esclarecer que em procedimento de auditoria e saneamento realizado por funcionário do SEORT nos débitos com compensação pleiteada no presente processo foram detectados aspectos relevantes que foram informados detalhadamente nos despachos e documentos de fls. 323, 331, 334, 353, 356, 371, 373 e 377. Tais informações subsidiaram a elaboração da planilha constante no anexo III, integrante deste parecer, na qual foram elencados os débitos indicados para compensação assim como sua situação nos sistemas da Receita Federal. Além das informações contidas no anexo III foram relacionados a seguir alguns pontos importantes para a compreensão dos procedimentos de saneamento adotados pelo SEORT: 1. a não aposição no campo 3 dos Pedidos de Compensação de fl. 318 e 358 do número do presente processo gerou a formalização indevida do processo n° 10580.000894/0045 que, Fl. 774DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.000100/9893 Acórdão n.º 1802000.144 S1TE02 Fl. 775 7 por também versar sobre o crédito decorrente do pagamento a maior do FINSOCIAL, foi a este juntado por anexação (fl. 320) tendo sido os débitos nele indicados para compensação cadastrados no PROFISC neste processo (fls. 4I 8/420); 2. por não terem sido PROFISCADOS em tempo hábil, os débitos relacionados à fl. 03 foram objeto de Auto de Infração eletrônico emitido pelo sistema FISCEL o qual, por ser indevido, foi cancelado posteriormente (fls. 331 e 334); 3. em virtude do equivoco descrito no item 1 e conseqüente inconsistência no Sistema PROFISC, os débitos indicados para compensação à fl. 358 também foram objeto de Auto de Infração eletrônico pelo sistema FISCEL e, a exemplo do ocorrido no item 2, foi cancelado consoante evidenciam os documentos de fls. 371 e 373); 4. foi solicitado o cancelamento da inscrição em Divida Ativa da União de todos os débitos indicados para compensação neste processo e indevidamente encaminhados à PFN — Procuradoria da Fazenda Nacional após a formalização do pleito (fls. 329/330, 441/442). Dentre as solicitações formalizadas pelo contribuinte neste processo duas merecem especial atenção, tendo sido destacadas nos itens 1 e 2 a seguir. 1. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE FL. 01. No campo 05 do pedido de Restituição de fl. 01 a empresa manifestou a pretensão de destinar parte do crédito postulado à compensação de débitos parcelados através dos processos n° 10580.008024/9639, 10580.008025/9602 e 10580.003910/96 58. O documento de fl. 301 evidencia que dois dos processos em questão foram extintos por quitação enquanto o terceiro foi enviado à PFN por falta de pagamento. Os débitos inscritos em Divida Ativa da União foram parcelados no âmbito da PFN (fls. 354/355). Dessa forma não há porque se falar neste processo em compensação dos débitos parcelados pela PFN ou incluídos nos processos de parcelamento já extintos. 2DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE FL. 352 A Declaração de Compensação de fl. 352 foi entregue em 19/11/2004 em formulário aprovado pela Instrução Normativa n° 210/2002 (Anexo VI) que, nesta data, já havia sido integralmente revogada pela Instrução Normativa n° 460. de 18/10/2004. O aludido dispositivo legal estabelece em seus artigos 31 e 76 os critérios para uso do PROGRAMA PER/DCOMP e dos formulários aprovados pelos anexos nos seguintes termos: (...) Fl. 775DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.000100/9893 Acórdão n.º 1802000.144 S1TE02 Fl. 776 8 Na situação sob análise, ainda que a empresa pudesse comprovar a impossibilidade de apresentar a PER/DCOMP eletrônica e a necessidade do uso de formulário, o mesmo não poderia ser acatado por não ter sido aprovado pela Instrução Normativa n° 460/2002 e sim por um dispositivo legal já revogado. Por conseguinte, a Declaração de Compensação de fl. 352 deve ser considerada como não formulada na forma proposta no despacho de fl. 353. Feitas as devidas considerações quanto aos débitos indicados para compensação restanos, por fim, corroborar integralmente com o teor do despacho de fl. 377 que opinou pela convalidação apenas das compensações formalmente pleiteadas neste processo e que estejam em conformidade com a legislação em vigor, exceto dos valores já extintos por pagamento ou parcelamento. Face ao exposto, proponho o reconhecimento do direito creditorio em favor do contribuinte no valor de R$353.182,02 (trezentos e cinqüenta e três mil, cento e oitenta e dois reais e dois centavos) e a homologação da compensação dos débitos consignados na coluna 8 do demonstrativo constante no anexo III, que integra este parecer, observado o limite do crédito. (...) CONCLUSÃO Tendo em vista o parecer retro, que aprovo, e com base no artigo 165 da Lei 5.172/66 (CTN) e artigo 120 do Decreto n°92.698/86, reconheço em favor do contribuinte qualificado no presente processo direito creditório no valor de R$ 353.182,02 (trezentos e cinqüenta e três mil, cento e oitenta e dois reais e dois centavos), e homologo a compensação na forma proposta. (...) Restaram ainda débitos em aberto da Cofins (pela insuficiência do direito creditório pleiteado e deferido), conforme Carta de Cobrança (fls. 508/510). Ciente desse decisum em 31/03/2005 (fl. 512), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 25/04/2005 (fls. 513/516), insurgindose apenas contra a homologação da compensação do débito da CSLL do anocalendário 1995 (declaração de ajuste) com vencimento em 29/03/1996, cujas razões que transcrevo a seguir, in verbis: (...) DA HOMOLOGAÇÃO DOS VALORES COMPENSADOS Após o reconhecimento do seu crédito tratou a DRF em Salvador de homologar corretamente os valores relativos às DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, com as quais concorda a empresa. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.000100/9893 Acórdão n.º 1802000.144 S1TE02 Fl. 777 9 Contudo, além dos valores objeto de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO homologadas, foi incluída, erroneamente, a quantia de R$50.623,41(cinqüenta mil, seiscentos vinte e três reais e quarenta e hum centavos), relativa Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do exercício de 1995, vencida em 29/03/1996, inserida às fls. 317 do autos, com a qual não concorda a empresa, pelas seguintes razões: 1 Essa quantia não foi objeto de pedido de Compensação, não ocorrendo, por via de conseqüência, suspensão de sua exigibilidade, pelo que, deveria ter sido cobrada pelo Fisco, no tempo oportuno, como ocorreu, embora equivocadamente, até com os valores constantes das declarações de compensação. 2 Esse valor vencido, como informa o próprio Fisco, em 29/03/1996 estava regularmente constituído naquela data, fluindo, a partir de daí, o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para sua cobrança pelo Fisco. Ocorre, Senhores (...), que tal quantia nunca foi cobrada e nem listada em conta corrente de devedores, não havendo, em conseqüência, por inércia do Fisco, nenhum ato, nesses últimos 8 anos e dias, que pudesse suspender a prescrição qüinqüenal, hoje reconhecida e aceita pelo Superior Tribunal de Justiça, em reiterada jurisprudência, reafirmada pelo Recurso Especial, n° 388.000, cópia anexa, decisão esta reafirmada pela Primeira Seção daquele Tribunal, ao julgar os Embargos de Divergência interposto pela União Federal. De referência às demais quantias, todas objeto de pedidos de compensação, cujo saldo não foi suficiente para cobriIa, está providenciado o pagamento através de pedido de parcelamento. Por tudo isso, é de ser considerado não COMPENSADA a quantia de R$ 50.623,41, por não ter sido objeto de Declaração de Compensação e não podendo, por outro lado, ser compensada de oficio por tratar débito constituído a mais de 5 (cinco) anos, portanto, prescrito. (...) A DRJ/Salvador indeferiu a manifestação de inconformidade, pois a contribuinte, diversamente do que alegou, apresentara, sim, pedido de compensação do débito (saldo a pagar de CSLL do anocalendário 1995), conforme Acórdão de 24/05/2005 (fls. 532/535), cuja ementa transcrevo: (...) Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 1989, 1990, 1991 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO Fl. 777DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.000100/9893 Acórdão n.º 1802000.144 S1TE02 Fl. 778 10 O prazo prescricional se inicia a partir da constituição definitiva do crédito tributário, não alcançando débito objeto de pedido de compensação apresentado pela contribuinte e ainda pendente de apreciação pela Secretaria da Receita Federal. Solicitação Indeferida (...) Para melhor compreensão dessa decisão, transcrevo a fundamentação do voto condutor do acórdão recorrido, in verbis (fl. 535): (...) 7. A irresignação da interessada — que se cinge ao valor de R$ 50.623,41 relativo à CSLL do exercício de 1995 e cujo transcurso do prazo prescricional impediria sua inclusão na compensação efetuada pela DRF/Salvador — não resiste a simples análise do demonstrativo anexo ao Parecer n° 067/2005 SEORTPJ. 8. Na coluna 6 ("Pedido Compensação Fls.") à fl. 453, consta que o pedido de compensação daquela quantia encontrase à fl. 117, devidamente preenchido e assinado pelo sócio da empresa, conforme documento à fl. 495, com data de 17/03/1999. Encontravase, portanto, em discussão no presente processo, não havendo que se falar no transcurso do prazo decadencial. (...) Obs: em 30/05/2005, a contribuinte juntou aos autos Aditamento da Manifestação de Inconformidade (fls.536/540), já contra outra tese, argumentando, estribado em provas juntadas aos autos, que houve duplicidade de pagamento da CSLL do anocalendário 1995 (saldo do ajuste anual), porém tal petição não foi objeto de análise pela DRJ/Salvador, pois já havia sido prolatado, em 24/05/2005, o citado Acordão pela 4ª Turma da DRJ/Salvador, conforme despacho (fl. 609). Ciente do Acórdão da DRJ/Salvador em 13/09/2006 (fl. 613), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 05/10/2006 (fls.614/620), repetindo as razões já aduzidas na petição de aditamento da Manifestação de Inconformidade (não apreciada pela DRJ/Salvador), ou seja: que, em 17/12/1996, foi autuada pela RFB pela falta de pagamento do saldo CSLL do anocalendário 1995, valor do principal R$ 41.951,62 (saldo apurado na DIRPJ 1996, anobase 1995), gerando o processo nº 10580.008172/9626, cuja cópia dos autos desse processo, contendo o auto infração e a DIRPJ 1996, foram juntados aos presentes autos (fls.543/608); que o débito do saldo da CSLL do anocalendário 1995 foi pago em duplicidade, pois: a) foi objeto de parcelamento aprovado em 31/01/1997, inscrito em dívida ativa, e quitado em 29/11/2002, com o benefício do Art. 14 da MP 75, de 24/10/2002, e baixado em 14/01/2008 (fls. 560/586 e 638/697); Fl. 778DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.000100/9893 Acórdão n.º 1802000.144 S1TE02 Fl. 779 11 b) foi objeto, também, de Pedido de Compensação, em 22/03/1999 (fls. 132/134), e cuja compensação acabou sendo homologada pela DRF/Salvador, em 16/03/2005 (fls. 470/479); que, na homologação da compensação, ainda, houve distorção de valor, pois no Pedido de Compensação foi informado 50.623,41 UFIR (= R$ 41.951,62), mas foi compensado pela DRF/Salvador como sendo R$ 50.623,41, não se observando que a unidade desse valor não é o Real, mas sim a UFIR; que faz jus, por conseguinte, à devolução do valor compensado indevidamente, pois, na data da emissão do despacho decisório da DRF/Salvador, já não existia o débito do saldo da CSLL do anocalendário 2005 (já estava quitado no processo de parcelamento). Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu provimento ao recurso, para que seja reforma a decisão recorrida. A 3ª Câmara do então 3º Conselho de Contribuintes, atual CARF, na Sessão de 15/10/2008, declinou da competência, conforme Acórdão nº 30335.711 (fls. 705/711), Relatora Vanessa Albuquerque Valente, cuja ementa desse decisum transcrevo a seguir, in verbis: (...) Processo na 10580.000100/9893 Recurso n° 137.787 Voluntário Matéria FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Acórdão n° 30335.711 Sessão de 15 de outubro de 2008 Recorrente RETIRAUTO VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida DRJSALVADOR/BA ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990, 1991 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Competência Ratione Materiae. Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio ou voluntário de decisão de 1ª Instância que envolva a aplicação da legislação referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuições, inclusive, penalidade isolada. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.000100/9893 Acórdão n.º 1802000.144 S1TE02 Fl. 780 12 ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, em razão da matéria, nos termos do voto da relatora. (...) Houve a remessa dos presentes autos à 1ª Seção de Julgamento do CARF, em 27/10/2010, conforme despacho de fl. 713 e, posteriormente, distribuídos por sorterio para esta Relatoria. É o relatório. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.000100/9893 Acórdão n.º 1802000.144 S1TE02 Fl. 781 13 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. Não conheço do recurso, por falta de competência regimental. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária, ou seja, pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de Finsocial dos períodos de apuração setembro/89 a setembro/91 cumulado com declarações de compensação tributária. A unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Salvador homologou parcialmente as declarações de compensação até o limite do crédito deferido. Na instância a quo, a contribuinte acatou a decisão quanto ao crédito deferido, mas discordou, em parte, da compensação homologada, alegando que o débito da CSLL (saldo a pagar do anocalendário 1995) não teria sido objeto de pedido de compensação, o qual, ademais, já estaria prescrito e que, nessa parte, o crédito do Finsocial deveria ser restituído, ante a inexistência desse débito da CSLL. Diversamente do alegado pela contribuinte na manifestação de inconformidade, a DRJ/Salvador demonstrou no Acórdão, que proferiu, que a contribuinte apresentara, sim, declaração de compensação informando débito da CSLL (saldo a pagar do anocalendário 1995), não acatando os argumentos da contribuinte, mantendo a decisão da DRF de origem. Nesta instância recursal, apresentando tese diversa, a contribuinte pediu a reforma da decisão recorrida, que denegara a manifestação de inconformidade, argumentando: a) que no montante dos débitos extintos pela parcial homologação da compensação tributária, constou, indevidamente, o débito da CSLL (saldo do ajuste do ano calendário 1995); b) que referido saldo da CSLL a pagar foi, simultaneamente, objeto do processo de parcelamento e de compensação tributária; c) que, na data da parcial homologação da compensação tributária, o saldo da CSLL a pagar já não existia (já havia sido extinto, há muito tempo, por pagamento no processo de parcelamento); d) que, por conseguinte, houve pagamento em duplicidade do saldo da CSLL do anocalendário 1995; e) que, sendo assim, em relação aos débitos extintos pela parcial homologação tributária, deve ser excluído o valor atinente ao saldo da CSLL do anocalendário 1995, e ressarcido, devolvido, o respectivo direito creditório da exação fiscal, denominada Finsocial; Fl. 781DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.000100/9893 Acórdão n.º 1802000.144 S1TE02 Fl. 782 14 f) que deve ser reformada a decisão recorrida, para devolução do respectivo crédito de FINSOCIAL. Como visto, os autos tratam de processo de compensação tributária, cujo direito creditório deferido, e utilizado para quitação dos débitos informados, é concernente à Contribuição Finsocial e que, na data da homologação parcial da compensação tributária, o débito da CSLL, suscitado nesta instância recursal, em tese já estava extinto, não se justificando a homologação da compensação, nessa parte. Por isso, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida para exclusão do débito da CSLL da compensação tributária homologada, reclamando, por conseguinte, a devolução do respectivo direito creditório deferido atinente ao Finsocial, pela inexistência do referido débito da CSLL que, muito tempo antes, já havia sido quitado em processo de parcelamento. Que a devolução do crédito do Finsocial, nessa parte, impõese para evitar duplicidade de quitação desse débito da CSLL. Sem entrar no mérito se houve, ou não, pagamento em duplicidade do referido saldo de CSLL do anocalendário 1995, salta aos olhos a falta de competência desta 1ª Seção de Julgamento para conhecimento, no mérito, dessa matéria. Senão vejamos: 1º) O direito creditório pleiteado é atinente à contribuição Finsocial; 2º) – Se, em tese, houve quitação em duplicidade do saldo CSLL a pagar do anocalendário 1995 (primeiro, quitado no processo de Parcelamento e, por último, quitado novamente pela compensação homologada objeto do recurso), então a recorrente busca a reforma da compensação que foi, indevidamente, homologada na parte que incluiu débito inexistente da CSLL, matéria ainda não transitada em julgado. Ora, se, em tese, a compensação foi homologada, indevidamente, na parte que incluiu débito inexistente da CSLL, utilizando crédito de Finsocial, então a contribuinte busca a reforma da decisão a quo, pleiteando a devolução do respectivo crédito de Finsocial, pela inexistência do débito da CSLL que fora, indevidamente, compensado. Por conseguinte, se, em tese, houve pagamento em duplicidade, a reforma da decisão recorrida, para devolução de direito creditório atinente à contribuição (Finsocial), relativo ao débito compensado indevidamente, compete à 3ª Seção de Julgamento do CARF conhecer no mérito da matéria, e não para esta 1ª Seção de Julgamento, pela inteligência do art. 4º do Anexo II do RICARF. No caso, o direito creditório pleiteado define a competência regimental para conhecimento, no mérito, da matéria. Nesse sentido, transcrevo o disposto no art. 4º, II, do Anexo II, da PORTARIA Nº 256, DE 22 DE JUNHO DE 2009, in verbis: (...) Fl. 782DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.000100/9893 Acórdão n.º 1802000.144 S1TE02 Fl. 783 15 Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I – (...) II – Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL); (...) Diante do exposto, data venia está equivocada a decisão prolatada, proferida, pela 3ª Câmara do então 3º Conselho de Contribuintes, atual CARF, na Sessão de 15/10/2008, que declinou da competência à 1ª Seção de Julgamento, conforme Acórdão nº 30335.711 (fls. 705/711), Relatora Vanessa Albuquerque Valente, cuja ementa desse decisum transcrevo a seguir, in verbis: (...) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990, 1991 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Competência Ratione Materiae. Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio ou voluntário de decisão de 1ª Instância que envolva a aplicação da legislação referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuições, inclusive, penalidade isolada. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, em razão da matéria, nos termos do voto da relatora. (...) Como visto, diversamente do entendimento exarado pela 3ª Seção Julgamento deste CARF, não se trata de devolução de crédito de CSLL, mas sim de compensação, em tese, homologada indevidamente e, ainda, não transitada em julgado, na parte que utilizou crédito de Finsocial para quitação de débito inexistente de CSLL. Vale dizer, a recorrente pediu a reforma da decisão a quo que homologara, indevidamente, compensação tributária, na parte que extinguiu débito da CSLL que, em tese, já estaria anteriormente quitado, sobejando, por conseguinte, crédito (direito créditório) a restituir de Finsocial, nessa parte. Portanto, pelo Regimento Interno compete à 3ª Seção de Julgamento deste CARF apreciar se há crédito, ou não, de Finsocial a restituir, em face da alegação da recorrente Fl. 783DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.000100/9893 Acórdão n.º 1802000.144 S1TE02 Fl. 784 16 de que o fisco, quando da homologação da compensação tributária, não teria observado que o saldo a pagar da CSLL do anocalendário 1995, muito tempo antes, já teria sido quitado (objeto de pagamento em processo de parcelamento), configurando a compensação, nessa parte, duplicidade de quitação desse mesmo débito. Diante do exposto, retornem os autos deste processo à Secretaria da 2ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento do CARF, para posterior encaminhamento à 3ª Seção de Julgamento, a qual tem competência regimental para apreciação da lide (direito creditório do Finsocial em processo de compensação tributária), consoante art. 4º, II, do Anexo II do RICARF. É o meu voto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 784DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 16682.900918/2010-49
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/03/2007
ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP.
Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1802-002.513
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa , Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do anocalendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 09 18 /2 01 0- 49 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900918/201049 Acórdão n.º 1802002.513 S1TE02 Fl. 120 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa , Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900918/201049 Acórdão n.º 1802002.513 S1TE02 Fl. 121 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 82/105 contra decisão da 7ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (efls. 69/75) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos: que, em 31/01/2008, a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, declaração de compensação tributária nº 40821.96829.310108.1.3.040769 (efls. 02/06), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ – Entidades Financeiras/Estiamtiva Mensal, código de receita 2319, do PA dezembro/2007, data de vencimento 31/01/2008, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 136.458,58; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 136.458,58. b) crédito utilizado: aproveitamento de pretenso direito creditório de R$ 123.491,93 (valor original), referente pagamento supostamente indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal, código de receita 2319, do PA fevereiro/2007, DARF no valor de R$ 169.307,15, data do recolhimento, arrecadação, 30/03/2007. Cópia do comprovante de arrecadação (efl. 53). Valor do crédito na data de transmissão (valor original): R$ 123.491,93. Em 06/09/2010, a DEMAC/Rio de Janeiro, mediante a emissão do Despacho Decisório de efl. 07, denegou o direito creditório pleiteado, nos seguintes termos: (...). Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 123.491,93. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLLJ devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900918/201049 Acórdão n.º 1802002.513 S1TE02 Fl. 122 4 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art . 10 da Instrução Normativa SRF n° 600 , de 2005. Art. 74 da Lei 9.430 , de 2 7 de dezembro de 1996, (...) Ciente desse despacho decisório em 22/09/2010 por via postal – Aviso de Recebimento – AR (efl.11), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 22/10/2010 (efls. 12/37), juntando ainda documentos (efls. 38/66), pedindo a reforma da referida decisão monocrática, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, por evidente erro de fato, indicou e recolheu o montante de R$ 169.307,15 a título de IRPJ –Estimativa Mensal do PA fev/2007, quando o certo seria indicar o montante de apenas R$ 45.815,22, recolhendo a maior, portanto, R$ 123.491,93; que se trata de mero erro na transposição das informações fiscais, não se justificando exigir da contribuinte determinado valor que foi recolhido indevidamente por mero erro de fato, conforme entendimento dos Tribunais Regionais Federais; que o não reconhecimento do direito à compensação, pelo simples fato de ter se equivocado no preenchimento do DARF que culminou no recolhimento/pagamento indevido ou a maior, viola o princípio da legalidade estrita; que é evidente o direito ao crédito, razão pela qual a compensação deve ser homologada; que não concorda com o entendimento de que só poderia utilizar o crédito no final do ano calendário; que apura o IRPJ por meio de estimativas antecipadas mensalmente e que, por força do que dispõe o artigo 2º, § 4º, IV da Lei nº 9.430/96, somente os valores corretamente calculados e recolhidos com base nas regras de estimativa mensal devem aguardar a apuração do lucro real no final do anocalendário para que possam ser utilizados ou para compor o saldo negativo do período; que hipóteses diametralmente opostas são aquelas que, embora a estimativa mensal tenha sido corretamente apurada segundo as regras aplicáveis, houve recolhimento incorreto e a maior não relacionado com os valores registrados na escrituração contábil, em decorrência de mero equívoco no preenchimento do DARF; que, nesses casos, a lei não obriga que o contribuinte aguarde o término do anocalendário para utilizar os créditos em compensação; que o montante excedente, àquele apurado com base na estimativa mensal, é um crédito decorrente de pagamento a maior e indevido, passível de ser utilizado em compensações nos termos do artigo 165, I e II do CTN; Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900918/201049 Acórdão n.º 1802002.513 S1TE02 Fl. 123 5 que, no caso em discussão, o direito à compensação surgiu imediatamente após constatado o erro de fato cometido que gerou o indébito tributário e traz julgados, precedentes, do então Conselho de Contribuintes, atual CARF; que o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005 não veda a compensação efetivada pela interessada, pois tem aplicação restrita para recolhimentos do imposto estimado, antecipação de pagamentos à luz da legislação de regência, que não é caso; que, ademais, a IN SRF nº 900/2008 revogou o art. 10 da IN SRF nº 600/2005, implicando inexistência de vedação; que pugna pela aplicação retroativa da IN 900/2008, por força do artigo 106, inciso II, alíneas a e b do CTN; que. ainda, não cabe mais a cobrança da estimativa de dezembro de 2007 após o encerramento do anocalendário (caso a compensação não seja aceita, ficando o débito em aberto), devendo prevalecer o valor do tributo efetivamente devido no final do período; que caberia, no caso de estimativas não recolhidas, a cobrança da multa isolada, conforme dispõe o artigo 44, II, b da Lei nº 9.430/96; que o ordenamento jurídico atual veda a cobrança da estimativa após o encerramento do anobase; que agiu pautado na boa fé, não havendo dano ao Erário, pois o valor recolhido a maior do PA fevereiro/2007 será utilizado para quitar débito do IRPJ do PA dezembro do mesmo ano; que o fisco foi beneficiado pois o montante de R$ 123.491,93, que seria pago apenas após a apuração da estimativa do PA dezembro/2007, foi pago antecipadamente, no PA fevereiro/2007 (imposto recolhido em março/2007), possuindo a sua disponibilidade; que ignorar a existência de crédito implica o enriquecimento indevido da Fazenda Nacional, o que não é admitido pelo Direito; que a não homologação da compensação não poderia vir acompanhada da cobrança da multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 74, §11, da Lei nº 9.430/96; que cabe multa e juros moratórios quando o contribuinte esteja em atraso (em mora), ou que tenham transcorridos 30 (trinta) dias contados da data em que teve ciência da decisão que não homologou os seus pedidos de compensação, o que não ocorreu no presente caso; que ainda, caso não fosse homologada a compensação, a interessada observou todas as normas e atos normativos, de acordo com o artigo 100, I, § único, do CTN, devendo ser excluída a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e atualização do valor monetário; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900918/201049 Acórdão n.º 1802002.513 S1TE02 Fl. 124 6 que não pode ser aplicada a taxa SELIC, sob pena de violação aos artigos 5º, II e 150, I , ambos da CF/88. A DRJ/Rio de Janeiro I (7ª Turma), sem adentrar no mérito quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado em face de óbice na legislação infralegal para restituição de mera antecipação do IRP – Estimativa Mensal (IN SRF nº 600/2005, art. 10), julgou, de plano, a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 04/10/2011 (efls. 69/75), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/03/2007 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Na vigência da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devido ao fim do anocalendário ou para compor o saldo negativo do período em questão. COMPENSAÇÃO APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO É pacífico o entendimento que se aplica aos procedimentos de compensação a legislação vigente à época da apresentação da DCOMP. COMPENSAÇÃO ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS Cabe a cobrança dos acréscimos moratórios dos débitos cuja compensação não foi homologada. COBRANÇA TAXA SELIC A cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC tem previsão legal, não podendo esta autoridade julgadora afastar a sua aplicação. CANCELAMENTO DE DÉBITO DE ESTIMATIVA Esta autoridade julgadora não tem competência para cancelar débitos devidamente confessados em DCTF ou DCOMP, cabendo à unidade jurisdicionante do contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900918/201049 Acórdão n.º 1802002.513 S1TE02 Fl. 125 7 Ciente dessa decisão em 26/04/2012– Aviso de Recebimento AR(efls. 79 e 114), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/05/2012 (efls.82/105), juntando ainda os documentos de efls. 106/114, pedido a reforma da decisão recorrida, reiterando as razões constantes da defesa apresentada na instância a quo e já resumidas neste relatório; acrescentando: Da regularidade da compensação efetuada: pediu o reconhecimento do crédito, a extinção do débito confessado na DCOMP pela sua homologação; que os vínculos obrigacionais em Direito Tributário decorrem da subsunção do fato à norma, não se justificando exigir do contribuinte determinado valor que foi recolhido indevidamente por mero erro de fato; que, nesse sentido, cita precedentes dos Tribunais Regionais Federais; Da possibilidade de utilizar créditos decorrentes de recolhimentos indevidos do IRPJ para extinguir débitos em compensações antes do término do ano calendário (Acórdão nº 105.16205): que é inaplicável o art. 10 da IN SRF 460/2004 e IN SRF 600/2005 (Acórdão nº 140100.420, de 26/01/2011); da aplicação retroativa da IN RFB 900/2008 (Acórdão nº 120200.466, de 25/01/2011); Da impossibilidade de lançamento e cobrança de crédito tributário apurado após o término do anocalendário, e a inexistência de prejuízo ao fisco no caso concreto (cita precedentes do CARF): que, se inocorrer a homologação da compensação por não reconhecimento do crédito, o débito de estimativa mensal não pode ser exigido após o término do respectivo anocalendário, devendo prevalecer a apuração com base no Lucro Real. Da indevida exigência de multa moratória e juros de mora ; que, tecnicamente, não estaria em mora, enquanto não houver decisão final irrecorrível administrativametne, em seu desfavor, não homologando a compensação objeto dos autos; que é ilegal/inconstitutcional a exigência dos juros mora com supedâneo na taxa SELIC. Por fim, com base nesses argumentos, a recorrente pediu provimento ao recurso para reconhecimento do crédito e exinção do débito pela homologação da compensação tributária informada, objeto dos autos. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900918/201049 Acórdão n.º 1802002.513 S1TE02 Fl. 126 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária, pedido de reconhecimento do direito creditório (crédito pleiteado contra o fisco) no valor de R$ 123.491,93 (valor original), e utilização/aproveitamento desse crédito, caso reconhecido, para quitação/extinção do débito confessado na DCOMP, mediante homologação da compensação. Vale dizer, em 31/08/2008 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP a compensação tributária nº 40821.96829.310108.1.3.040769 (efls. 02/06), onde informou: a) débito compensado: IRPJ – Estimativa Mensal do PA dezembro/2007, sob condição resolutória, no valor R$ 136.458,58 (principal); b) crédito utilizado: R$ 123.491,93 (valor original), referente pagamento supostamente indevido ou a maior de IRPJ Estimativa Mensal, código de receita 2319, do PA fevereiro/2007, DARF – comprovante de arrecadação no valor de R$ 169.307,15, data do recolhimento, arrecadação, 30/03/2007 (efl. 53). A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois não seria possível a restituição do IRPJ Estimativa Mensal (que tem caráter de mera antecipação), mas sendo possível seu aproveitamento apenas no ajuste anual ou para compor o saldo negativo do anocalendário, apurado na declaração de ajuste anual Nas razões do recurso a contribuinte rebelase contra a decisão a quo, pleiteando sua reforma, argumentando: que efetuou pagamento indevido, por erro de fato; que, por evidente erro de fato, indicou e recolheu o montante de R$ 169.307,15 a título de IRPJ –Estimativa Mensal do PA fev/2007, quando o certo seria indicar o montante de apenas R$ 45.815,22, recolhendo a maior, portanto, R$ 123.491,93; que o valor recolhido a maior, na verdade, é indevido, pois não está relacionado com a legislação de regência, conforme demonstra escrituração contábil do período; que a restrição constante do art. 10 da IN nº 600/2005 seria ilegal, pois tal óbice não consta do art. 74 da Lei nº 9.430/96; que, ademais, o art. 10 da IN 600/2005 deixou de existir a partir da edição da IN RFB 900/2008, devendo ser aplicada retroativamente o novel ato normativo; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900918/201049 Acórdão n.º 1802002.513 S1TE02 Fl. 127 9 que tem direito à restituição e à compensação tributária do que pagara indevidamente, ou a maior. Nesta instância recursal, compulsando os autos, observase que no ano calendário 2007 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL com base no Lucro Real anual, com obrigação de efetuar antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário (CTN, art. 165, I). No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal da CSLL, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final do ano calendário (encerramento do exercício), exigindose a apresentação de declaração de ajuste anual; b) não há falar ou objetar recolhimentos mensais indevidos (pagamentos por antecipação), quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução); c) eventual recolhimento a maior do imposto ou contribuição será deduzido do valor apurado no encerramento do anocalendário ou irá compor o saldo negativo; Não obstante, considerase pagamento indevido o excesso de recolhimento de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta mensal ou com o balanço de suspensão/redução mensal. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso indevido do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (pagamento não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) e sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo subsequente tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como o despacho decisório e a decisão a quo não adentratam na análise do mérito do direito creditório pleiteado pela contribuinte na DCOMP, pois se limitaram a consignar que o pagamento por antecipação de estimativa mensal não se devolve em qualquer caso, mas apenas saldo negativo no ajuste anual, sem fazer a distinção suscitada pela recorrente (Súmula CARF nº 84) e, ainda, pelo fato da contribuinte, nas duas oportunidades que teve nos autos (por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário) não ter produzido prova cabal do alegado erro de fato que levara ao recolhimento indevido do IRPJ do PA fevereiro/2007 (deixou de juntar prova de escrituração contábil/fiscal, como Fl. 127DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900918/201049 Acórdão n.º 1802002.513 S1TE02 Fl. 128 10 cópia dos livros Diário, Razão, Balancentes de suspensão/redução, livro Lalur etc, para confrontar a DIPJ e a DCTF), entendo cabível, no caso, afastar o óbice do saldo negativo, uma vez que eventual pagamento em excesso (pagamento indevido) por erro de base de cálculo estimada do imposto ou contribuição ou por erro com base em balancete de suspensão/redução, é possível o aproveitamento/restituição ainda no decorrer do próprio anocalendário sem necessidade de leválo para o saldo negativo. Porém , como dito, há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide (quanto ao fato constitutivo do crédito pleiteado e à liquidez e certeza), pois quanto ao pretenso direito creditório do IRPJ do PA fevereiro/2007: a) sequer há cópia completa, nos autos, da DIPJ 2008, anocalendário 2007 quanto à apuração do IRPJ (se há saldo a pagar ou a restituir), pois contribuinte juntou apenas fragmento de suposta DIPJ, ou seja, cópia da Ficha 11, que trata das estimativas apuradas (efl. 52). Há dúvida, fundada, se a contribuinte utilizou, ou não, todas as estimativas recolhidas na apuração do imposto, na declaração de ajuste anual; b) não há comprovante de entrega da DIPJ 2008 (data de entrega, transmissão eletrôncia da DIPJ); b) não há comprovante de entrega da DCTF relativo ao débito do IRPJ Estimativa Mensal dos PA fev/2007, pois a contribuinte juntou apenas fragmento, uma folha, que seria de suposta DCTF (efl. 51); c) ainda não consta dos autos cópia da escrituração contábil: embora a recorrente alegue pagamento em excesso (pagamento indevido), não consta dos autos cópia da escrituração contábil do anocalendáro 2007 que pudesse comprovar, de forma cabal, a existência do alegado erro de fato, erro de base de cálculo estimada do IRPJ do PA fevereiro/2007 ou na apuração com base em balancete de suspensão/redução, e que pudesse justificar a formação e existência do direito creditório pleiteado. Para alteração de débito informado em DCTF (redução ou subtração de débito confessado) após ciência do despacho decisório, somente mediante comprovação do alegado erro de fato. Para confrontação da DCTF primitiva e da DIPJ, é necessário a juntada da escrituração contábil. Tendo por escopo a busca da verdade material, afasto o óbice constante do despacho decisório e da decisão recorrida de que somente seria possível a restituição do saldo negativo, pois, diversamente, é possível sim a devolução de direito creditório decorrente de pagamento em excesso (pagamento antecipado indevido), por erro de fato ou material na base de cálculo estimada ou na apuração da exação fiscal com base em balancete de suspensão/redução, sem necessidade de levar referido excesso de pagamento para o saldo negativo na declaração de ajuste anual, conforme Súmula CARF nº 84. Ainda, para evitar supressão de instância de julgamento (pois não houve análise de mérito pelas decisões anteriores nos presentes autos quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado) e para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório (há necessidade de saneamento – instrução processual complementar), devem ser devolvidos os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DEMAC/Rio de Janeiro, para que enfrente, no mérito, Fl. 128DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900918/201049 Acórdão n.º 1802002.513 S1TE02 Fl. 129 11 o direito creditório pleiteado e a compensação efetuada pela recorrente, tomando, antes, as seguintes providências: a) intime a contribuinte a comprovar, à luz da escrituração contábil/fiscal, o alegado erro de fato na apuração do IRPJ sobre a receita bruta ou com base em balancete de suspensão/redução quanto ao PA Fevereiro/2007, que teria culminado no pagamento indevido ou maior dessa exação fiscal (apresentar a escrituração contábil/fiscal livros Diário, Razão, Balancentes de suspensão/redução, livro Lalur etc para confrontar a DIPJ, DCTF, Comprovante de Arrecadação, quanto aos dados de apuração do IRPJ do referido PA, relacionado ao crédito pleiteado); b) verificar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve, ou não, o alegado erro material na determinação do valor da base tributável ou na apuração da exação fiscal, quanto ao PA fevereiro/2007 que teria gerado o suposto pagamento indevido, excesso; c) na hipótese de excesso de antecipação de pagamento de exação fiscal do mencionado PA por erro material (pagamento indevido), verificar se o valor do direito creditório pleiteado compôs ou não o saldo negativo na declaração de ajuste do anocalendário 2007; Vale dizer, quanto ao PA fevereiro/2007 apurar, verificar, se é hipótese de restituição de excesso de antecipação de pagamento por erro de fato na base de cálculo estimada ou erro de fato com base em balancete de suspensão/redução (pagamento indevido, excesso) ou se trata de hipótese de mera devolução de saldo negativo por antecipação de pagamento efetuada na forma da legislação de regência, ou ainda se é nenhuma dessas hipóteses (inexistência de valor a restituir). Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 600/2005, e determinar a devolução dos autos à unidade de origem da RFB, no caso à DEMAC/Rio de Janeiro para que enfrente, proceda julgamento de mérito quanto ao credito pleiteado na DCOMP, ou seja, quanto à lide objeto dos autos. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 129DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 17437.720179/2011-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - INCONSTITUCIONALIDADE
Considerando que a fundamentação legal para a exação em questão está prevista no art.25, incisos I e II da Lei n 8.212/91 e que esses dispositivos foram reconhecidos como inconstitucional pelo STF no RE 596.177/RS, a responsabilidade da empresa adquirente de produção rural adquirida de pessoa física também desaparece, razão pela qual o Auto de Infração de Obrigação Principal - AIOP não poderá prosperar.
A contribuição para o SENAR veiculada no AIOP nº 37.361.763-1 (parte Terceiros - SENAR), embora não tenha sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no RE 596.177/RS, não pode ser exigida do sub-rogado, o caso a Recorrente, como conseqüência lógica da declaração de inconstitucionalidade do art. 25, Lei 8.212/1991, posto ser o fundamento para a constituição da base de cálculo da contribuição ao SENAR, na hipótese dos autos (art. 30, IV, lei 8212/1991 c/c art. 25, Lei 8212/1991).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ewan Teles Aguiar - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: EWAN TELES AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - INCONSTITUCIONALIDADE Considerando que a fundamentação legal para a exação em questão está prevista no art.25, incisos I e II da Lei n 8.212/91 e que esses dispositivos foram reconhecidos como inconstitucional pelo STF no RE 596.177/RS, a responsabilidade da empresa adquirente de produção rural adquirida de pessoa física também desaparece, razão pela qual o Auto de Infração de Obrigação Principal - AIOP não poderá prosperar. A contribuição para o SENAR veiculada no AIOP nº 37.361.763-1 (parte Terceiros - SENAR), embora não tenha sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no RE 596.177/RS, não pode ser exigida do sub-rogado, o caso a Recorrente, como conseqüência lógica da declaração de inconstitucionalidade do art. 25, Lei 8.212/1991, posto ser o fundamento para a constituição da base de cálculo da contribuição ao SENAR, na hipótese dos autos (art. 30, IV, lei 8212/1991 c/c art. 25, Lei 8212/1991). Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Ewan Teles Aguiar - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2014; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 155 1 154 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17437.720179/201159 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.984 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente ARROZEIRA BOM JESUS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA INCONSTITUCIONALIDADE Considerando que a fundamentação legal para a exação em questão está prevista no art.25, incisos I e II da Lei n 8.212/91 e que esses dispositivos foram reconhecidos como inconstitucional pelo STF no RE 596.177/RS, a responsabilidade da empresa adquirente de produção rural adquirida de pessoa física também desaparece, razão pela qual o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP não poderá prosperar. A contribuição para o SENAR veiculada no AIOP nº 37.361.7631 (parte Terceiros SENAR), embora não tenha sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no RE 596.177/RS, não pode ser exigida do sub rogado, o caso a Recorrente, como conseqüência lógica da declaração de inconstitucionalidade do art. 25, Lei 8.212/1991, posto ser o fundamento para a constituição da base de cálculo da contribuição ao SENAR, na hipótese dos autos (art. 30, IV, lei 8212/1991 c/c art. 25, Lei 8212/1991). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 43 7. 72 01 79 /2 01 1- 59 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ewan Teles Aguiar Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17437.720179/201159 Acórdão n.º 2403002.984 S2C4T3 Fl. 156 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 381398, apresentado contra Acórdão nº 1044.181 – 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Pelotas RS, fls. 367372, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo os créditos tributários exigidos, oriundos de descumprimento de obrigação tributária legal principal, DEBCAD 37.356.8320 no valor de R$ 442.823,82 e DEBCAD 37.356.8347 no valor de R$ 42.173,70. Conforme Relatório Fiscal, fls. 2132, com Anexos às fls. 3352, o lançamento referese às contribuições previdenciárias de produtor rural pessoa física, incidentes sobre a aquisição de sua produção rural, incluída a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, e a contribuições para o Serviço Nacional de aprendizagem Rural – SENAR, incidentes sobre a aquisição de produção rural de produtor rural pessoa física. Do lançamento Em decorrência de ação fiscal levada a efeito na empresa Arrozeira Bom Jesus Ltda., foram lavrados os seguintes Autos de Infração – AI: ► AI DEBCAD nº 37.356.8320: no valor de R$ 442.823,82 (quatrocentos e quarenta e dois mil, oitocentos e vinte e três reais e oitenta e dois centavos) consolidado em 14/10/2011, referente a contribuições previdenciárias de produtor rural pessoa física, incidentes sobre a aquisição de sua produção rural, incluída a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, nas competências 01/2007 a 12/2008; e ► AI DEBCAD nº 37.356.8347: no valor de R$ 42.173,70 (quarenta e dois mil, cento e setenta e três reais e setenta centavos), consolidado em 14/10/2011, referente a contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, incidentes sobre a aquisição de produção rural de produtor rural pessoa física, nas competências 01/2007 a 12/2008. O Relatório Fiscal informa que as contribuições exigidas dizem respeito a operações de compra de produto rural, contabilizadas na conta denominada “Compra de arroz em casca – código 3.1.02.01.01”, nos lançamentos contábeis da autuada. A empresa impugnou tempestivamente a exigência. A ciência dos AI`s ocorreu em 07/11/2011, enquanto que as impugnações foram protocoladas em 06/12/2011. As impugnações dos dois Autos de Infração trazem, como argumento, que “a impugnante entende que a regra que institui a contribuição do empregador rural pessoa física sobre o resultado da comercialização da produção não encontra amparo na Constituição Federal, não possuindo fundamento de validade em quaisquer dos dispositivos possíveis: (i) art. 195, § 8º, da CF; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 (ii) art. 195, I, b, da CF; e (iii) art. 195, § 4º, da CF; razão pela qual não deveria ter sido retida e nem repassada à União Federal.” Alega a “ausência de suporte constitucional da norma jurídicotributária que institui a contribuição do empregador rural sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção.” Afirma, a autuada, nas impugnações aos Autos de Infração DEBCAD nº 37.356.8320 e nº 37.356.8347, que as contribuições do artigo 25 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, e do artigo 6º da Lei nº 9.528/1997, respectivamente, não encontram “fundamento de validade para a regra que institui a contribuição ora questionada, três possibilidades já foram cogitadas, seja pela doutrina, seja pela jurisprudência pátria”, citando, como primeira, o parágrafo 8º do artigo 195 da Constituição Federal de 1988 – CF /88; como segunda, o inciso I, alínea “b”, do mesmo artigo 195 da CF/88; e terceira, o parágrafo 4º deste mesmo artigo 195 da CF/88. Explana que nenhuma das três alternativas “merece respaldo, razão pela qual” se reputam inconstitucionais o artigo 25 do RPS e o artigo 6º da Lei nº 9.528/1997. Tece extensas considerações a este respeito, concluindo que “Por qualquer ângulo que se examine a questão, portanto, não há como subsistir a cobrança dos valores devidos pelos produtores rurais pessoas físicas a título de contribuição sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, em razão da ausência de suporte constitucional para a norma jurídicotributária que institui tal exação.” Afirma inexistir “responsabilidade tributária do impugnante em virtude da invalidade da cobrança do FUNRURAL”, já que “Condição para impor validamente a obrigação de retenção estabelecida no art. 30, inciso III, da Lei n° 8.212/91, é a validade da própria contribuição previdenciária.” Assim, sendo inconstitucionais as contribuições previstas no artigo 25 do RPS e no artigo 6º da Lei nº 9.528/1997, “não há como exigir que o impugnante tenha realizado a retenção e, ainda, que tenha repassado os valores correspondentes para a União Federal.” Ainda, que “em virtude da invalidade das referidas contribuições, a autuação levada a efeito não merece subsistir, pois pretende cobrar tributo que não deveria ter sido recolhido nem mesmo pelo produtor empregador rural pessoa física na condição de contribuinte.” Alega, também, a impossibilidade da exigência dos “valores da obrigação principal do impugnante se este não fez a retenção.” Mesmo que assim não fosse, entende que, por não realizar a retenção, à impugnante só poderia ser imposta multa por descumprimento de obrigação acessória “relacionada ao dever de retenção, sendo que a cobrança dos valores devem ser realizadas dos efetivos contribuintes.” Assim, “não há como cobrar a obrigação principal da impugnante, mesmo que se abstraia a circunstância da inconstitucionalidade da cobrança das contribuições em foco.” Requer a invalidação dos Autos de Infração, com o reconhecimento da ocorrência da: a) inexistência do dever de retenção, em virtude da inconstitucionalidade das contribuições dos incisos I e II do art. 25 da Lei n° 8.212/91; Fl. 406DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17437.720179/201159 Acórdão n.º 2403002.984 S2C4T3 Fl. 157 5 b) inexistência do dever de retenção, em virtude da inconstitucionalidade da contribuição ao SENAR, estipulada pelo art. 6º da Lei n° 9.528/97; c) na hipótese de não serem admitidos os pedidos anteriores, inexistência do dever de recolhimento das contribuições, em não tendo sido realizada a retenção, por falta da capacidade contributiva do responsável tributário. A DRJ manteve integralmente os Autos de Infração, com a seguinte Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A constitucionalidade e a legalidade das leis são vinculadas para a Administração Pública. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRAZO. É de nenhum efeito o protesto genericamente formulado no tocante à produção de provas. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicílio tributário, assim considerado o do endereço, pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO.REPASSE. As contribuições do produtor rural pessoa física devem ser retidas nas notas fiscais de aquisição de produto rural e, por subrogação da empresa adquirente, repassadas à Seguridade Social. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 SENAR. CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. REPASSE. As contribuições do produtor rural pessoa física, para o SENAR devem ser retidas nas notas fiscais de aquisição de produto rural e, por subrogação da empresa adquirente, ser repassadas àquele Serviço. Impugnação Improcedente Fl. 407DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Crédito Tributário Mantido Intimada da r. Decisão e, persistindo inconformada, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, que reitera os argumentos que haviam sido deduzidos quando da Impugnação, que em suma requer: a) inexistência do dever de retenção, em virtude da inconstitucionalidade das contribuições dos incisos I e II do art. 25 da Lei n° 8.212/91; b) inexistência do dever de retenção, em virtude da inconstitucionalidade da contribuição ao SENAR, estipulada pelo art. 6º da Lei n° 9.528/97; c) na hipótese de não serem admitidos os pedidos anteriores, inexistência do dever de recolhimento das contribuições, em não tendo sido realizada a retenção, por falta da capacidade contributiva do responsável tributário. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17437.720179/201159 Acórdão n.º 2403002.984 S2C4T3 Fl. 158 7 Voto Conselheiro Ewan Teles Aguiar, Relator A) PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. B) DO MÉRITO (i) Da prova documental e pericial Em relação ao protesto pela produção de provas, cumpre observar, primeiro, que nos termos do artigo 16, incisos I e IV, do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, publicado no DOU de 07/03/1972, a impugnação deveria ter mencionado as provas que a impugnante possuísse; e, segundo, especificamente no que se refere à prova documental, conforme o parágrafo 4º desse mesmo artigo 16 do Decreto, esta deveria ter sido apresentada na impugnação, restando precluso o direito da impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que (a) houvesse ficado demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) se referisse a fato ou a direito superveniente; ou (c) se destinasse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, circunstâncias não comprovadas no presente caso. É, portanto, de nenhum efeito o protesto genericamente formulado pela recorrente, no tocante à produção de provas não podendo prosperar a alegação da recorrente. (ii) Da inconstitucionalidade do art. 25, I, Lei 8.212/1991 – decisão do STF no RE 596.177/RS O assunto em debate é de simples deslinde e de posição remansosa nesta turma de julgamento. Assim trago, como razões de decidir, Acórdão número 2403002.274 da lavra do Eminente Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, nos seguintes termos: “ ... (i) Da inconstitucionalidade do art. 25, I, Lei 8.212/1991 – decisão do STF no RE 596.177/RS A contribuição do empregador rural pessoa física que deve incidir sobre a comercialização da produção rural encontra fundamento legal no art.25, da Lei n 8.212/91, in verbis: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, Fl. 409DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. A contribuição incidente sobre a produção rural tem como responsável pelo pagamento a empresa adquirente da produção, conforme determinação da Lei n 8.212/91: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Entretanto, recente julgado do Supremo Tribunal federal – STF decidiu pela inconstitucionalidade do art.1º da Lei n 8.540/1992, que deu nova redação ao art. 25 da Lei 8.212/91. Na ocasião, o Recurso Extraordinário RE 596.177/RS, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, tinha como discussão a afronta direta do art.25 da Lei n 8.212/91 à Carta Magna, considerando que referida contribuição não tinha fundamento de validade na Constituição Federal, tendo em vista que sua criação ocorreu mediante lei ordinária, não obedecendo preceito constitucional elencado no art.195, parágrafo 4 combinado com o art.154, I. O Ministro Relator decidiu pela inconstitucionalidade do art.1o da Lei 8.540/92, que deu nova redação ao 25, I e II, da Lei n 8.212/91, conhecendo e dando provimento ao apelo extraordinário, acolhendo assim a tese da parte Recorrente de ser necessária, para a instituição e cobrança da contribuição do art.25 da Lei n 8.212/91, uma lei complementar em respeito ao art.195, parágrafo 4 da Constituição Federal. Segue a Ementa da decisão do STF, publicada em 29.08.2011: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17437.720179/201159 Acórdão n.º 2403002.984 S2C4T3 Fl. 159 9 I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. Outrossim, embora o site do STF, em consulta realizada em 10.09.2013, aponte a existência de Embargos de Declaração nº 64572/2011, opostos pela PGFN em 26.09.2011, considero que, a par do art. 338 do Regimento Interno do STF RISTF, os Embargos se limitam a corrigir a inexatidão, ou a sanar a obscuridade, dúvida, omissão ou contradição. RISTF Art. 338. Se os embargos forem recebidos, a nova decisão se limitará a corrigir a inexatidão, ou a sanar a obscuridade, dúvida, omissão ou contradição, salvo se algum outro aspecto da causa tiver de ser apreciado como conseqüência necessária. Desta forma, não deve prosperar a hipótese de não se aplicar a decisão do STF no RE 596.177/RS na hipótese dos autos pois, a princípio, os Embargos de Declaração se limitam a corrigir a inexatidão, ou a sanar a obscuridade, dúvida, omissão ou contradição. Cumpre ressaltar que o art. 62A, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desse modo, considerando que a fundamentação legal para a exação em questão está prevista no art.25, incisos I e II da Lei n 8.212/91 e que esses dispositivos foram reconhecidos como inconstitucional pelo STF no RE 596.177/RS, a responsabilidade da empresa adquirente de produção rural adquirida de pessoa física também desaparece, razão pela qual o AIOP nº 37.361.7623 (parte empresa e SAT) não poderá prosperar. Outrossim, não se pode deixar de destacar que embora haja uma linha de argumentação no sentido de que a redação dada pela Lei 10.256/2001 ao art. 25 da lei 8.212/1991 não se submeteria Fl. 411DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 ao alcance do RE 596.177/RS, tal argumento não pode prosperar nesta instância administrativa porque recairia no ponto de apreciação de constitucionalidade no presente âmbito administrativo que é vedado pela Súmula 02, CARF. A contribuição para o SENAR veiculada no AIOP nº 37.361.763 1 (parte Terceiros SENAR), embora não tenha sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no RE 596.177/RS, não pode ser exigida do subrogado, o caso a Recorrente, como conseqüência lógica da declaração de inconstitucionalidade do art. 25, Lei 8.212/1991 posto ser o fundamento para a constituição da base de cálculo da contribuição ao SENAR, na hipótese dos autos (art. 30, IV, lei 8212/1991 c/c art. 25, Lei 8212/1991). No mesmo diapasão, descabe a exigência da obrigação acessória veiculada no AIOA nº 37.361.7615 (Código de Fundamentação Legal – CFL 68) – apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias relacionadas na autuação principal em função da insubsistência do AIOP principal, AIOP nº 37.361.7623 (parte empresa e SAT) CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário, para DAR PROVIMENTO ao AIOP nº 37.361.7623, AIOP nº 37.361.7631 e AIOA nº 37.361.7615.” O AI DEBCAD nº 37.356.8320, lançamento de crédito previdenciário, trata da contribuição do empregador rural pessoa física, como definido pelo inciso V, alínea “a” do artigo 12 da Lei nº 8.212/91, em auto de infração lavrado em nome da empresa adquirente da produção rural. Dispõe o artigo 25 da Lei nº 8.212/91 e alterações, que a contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do artigo 22, dessa mesma lei, é de 2,1% da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. Os incisos III e IV do artigo 30 determinam que é obrigação da empresa adquirente o recolhimento das contribuições de que tratam os incisos I e II do artigo 25, todos da mesma Lei nº 8.212/91. O AI DEBCAD nº 37.356.8347 trata da contribuição do empregador rural pessoa física para o SENAR – criado pela Lei nº 8.315/1991 –, conforme determinado pelo artigo 6º da Lei nº 9.528/1997, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001: Assim, considerando que a fundamentação legal para a exação em questão está prevista no art. 25, incisos I e II da Lei n 8.212/91 e que esses dispositivos foram reconhecidos como inconstitucional pelo STF no RE 596.177/RS, a responsabilidade da empresa adquirente de produção rural adquirida de pessoa física também desaparece, razão pela qual o AI DEBCAD nº 37.356.8320 não poderá prosperar. Outrossim, não se pode deixar de destacar que embora haja uma linha de argumentação no sentido de que a redação dada pela Lei 10.256/2001 ao art. 25 da lei 8.212/1991 não se submeteria ao alcance do RE 596.177/RS, tal argumento não pode prosperar nesta instância administrativa porque recairia no ponto de apreciação de constitucionalidade no presente âmbito administrativo que é vedado pela Súmula 02, CARF. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17437.720179/201159 Acórdão n.º 2403002.984 S2C4T3 Fl. 160 11 A contribuição para o SENAR veiculada no AI DEBCAD nº 37.356.8347, embora não tenha sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no RE 596.177/RS, não pode ser exigida do subrogado, o caso a Recorrente, como conseqüência lógica da declaração de inconstitucionalidade do art. 25, Lei 8.212/1991 posto ser o fundamento para a constituição da base de cálculo da contribuição ao SENAR, na hipótese dos autos (art. 30, IV, lei 8212/1991 c/c art. 25, Lei 8212/1991). CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, para DAR PROVIMENTO. É como voto. Ewan Teles Aguiar Fl. 413DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11516.004002/2010-64
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 40 02 /2 01 0- 64 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, que julgou parcialmente procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 302.857,74 relativo aos anoscalendário 2007 e 2008. O procedimento fiscal e os termos da impugnação estão bem descritos pela decisão recorrida, motivo pelo qual pedese a devida vênia para a transcrição do respectivo relatório: Segundo descreve a autoridade autuante no Termo de Verificação Fiscal às fls. 190 a 195, o lançamento do imposto cumulado com os mencionados consectários legais decorreu da omissão de rendimentos consistente em depósitos bancários de origem não comprovada. Mais precisamente, descreve a fiscalização que a infração foi apurada em face das seguintes constatações: a) Apurada movimentação financeira nas contascorrentes do contribuinte incompatível com a renda declarada, foram solicitados e recebidos os extratos bancários do contribuinte que foi, então, intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados, em 2007 e 2008, na contacorrente n.º 40408 da agência n.º 254 do Banco do Estado de Santa Catarina (BESC) e na contacorrente n.º 299.5085 da agência n.º 31852 do Banco do Brasil(fls. 158 a 166); b) Em atendimento à intimação, o contribuinte apresentou as alegações seguintes: b.1) Todos os recursos depositados nas contascorrentes em relevo são oriundos das atividades desenvolvidas pelo declarante e declaradas em suas DIRPF, além de recursos da venda de automóveis e de imóveis, assim como recursos próprios que entravam e saíam das contas; b.2) O valor de R$ 350.957,57, depositado 14/03/08 na conta do BESC trata se de cheque que foi devolvido, em razão da não concretização de negócio imobiliário; b.3) O valor de R$ 250.000,00 depositado no Banco do Brasil, em 22/05/2007, referese a parte do pagamento do imóvel alienado do qual o contribuinte recebeu R$ 300.000,00, sendo que os demais R$ 50.000,00 foram sendo depositados nos dias seguintes; b.4) A venda de automóveis somou R$ 100.000,00, a atividade agropastoril foi de R$ 354.472,15 e houve outros rendimentos no valor de R$ 20.600,01 e recursos próprios de R$ 39.689,41. c) Em face dos esclarecimentos apresentados, a fiscalização considerou que restou evidenciado o seguinte: c.1) Relativamente ao item b.2, constatouse que, efetivamente, há o registro da devolução do cheque depositado e não houve sua reapresentação, em razão de que o valor de R$ 350.957,57 foi desconsiderado da planilha inicial; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.004002/201064 Acórdão n.º 2802003.292 S2TE02 Fl. 246 3 c.2) Em relação ao valor do item b.3, no montante de R$ 250.000,00, constatouse que a data do depósito (que constou erroneamente na planilha como sendo no ano de 2008 quando o correto é 2007) é compatível com a data do contrato do imóvel referido, contudo, o valor restante (R$ 50.000,00) não encontra respaldo nos valores depositados "nos dias seguintes" conforme dito pelo contribuinte, sendo que, não houve nenhuma indicação de datas e valores para esses depósitos posteriores. Assim sendo, o valor R$ 250.000,00 foi desconsiderado da planilha inicial, não sendo possível desconsiderar o valor restante; c.3) Quanto às alegações contidas no item b.4, foi constatado que não há qualquer data ou valor especifico de depósito nem qualquer documento relativamente à venda dos automóveis citados. No que pertine à atividade agropastoril, não obstante o valor referido esteja declarado nas DIRPF, nenhuma referência específica foi feita quanto a eventuais datas e valores recebidos e depositados em conta, além do que nenhuma das notas fiscais apresentadas possui equivalência de datas e valores com os extratos bancários. Finalmente, em relação aos alegados "outros rendimentos" e "recursos próprios", não houve qualquer esclarecimento acerca do que se referem nem tampouco acerca de datas e valores dos recebimentos e depósitos em conta. Assim, nenhum dos valores desse item possui respaldo para ser desconsiderado do montante de depósitos em análise. d) Feitas essas considerações, concluiu a fiscalização que, do montante inicial, equivalente a R$ 1.166.719,14, constante na planilha enviada ao contribuinte, devem ser desconsiderados os valores de R$ 350.957,57 e de R$ 250.000,00, para os quais houve justificativas razoáveis, restando como não esclarecidos os restantes R$ 565.761,57. Esse valor foi considerado como rendimento omisso e tributado, nos termos da legislação pertinente. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 208 a 214, onde, em síntese: Relativamente ao anocalendário de 2007, reclama que, muito embora o valor da venda do imóvel declarada na DIRPF, relativa ao anocalendário de 2007, e cujo contrato foi juntado às fls. 186 e 187, tenha sido de R$ 300.000,00, a autoridade autuante considerou apenas a parcela de R$ 250.000,00, sumindo com os R$ 50.000,00 restantes para retornálos como rendimento omisso, ao que aduz que utilizara a parcela de R$ 50.000,00 como capital de giro, por meio de depósitos e retiradas em contacorrente; Neste quadro, argumenta que não é obrigado a depositar exatamente o valor que possui em espécie, eis que pode utilizar o dinheiro como bem lhe aprouver, podendo ainda emprestálo e recebêlo de volta, em cheque ou espécie, adiantar pagamentos, etc., não sendo cabível a simples presunção de omissão de renda tributável, sem que existam outros elementos, decorrentes da atividade fiscalizatória que corroborem com essa presunção, mesmo porque os valores detectados podem ter origem em renda não tributável ou até em renda que já foi tributada, ao que transcreve ementa de decisão prolatada pelo antigo Tribunal Federal de Recursos segundo a qual os depósitos bancários, embora possam refletir sinais exteriores de riqueza, não caracterizam por si sós rendimentos tributáveis, devendo, para tanto, demonstrarse o aumento patrimonial e o aumento da receita de modo inequívoco; Em outro plano, alega que o valor de R$ 400,00 foi considerado rendimento tributável por duas vezes, pois se trata de cheque apresentado em 18.04.2007 e que, devolvido por insuficiência de fundos, foi reapresentado em 25.04.2007, sendo novamente devolvido pela mesma alínea, o que implicou na consideração de R$ 800,00 para fins de tributação, valores esses que o requerente não recebeu; Fl. 247DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 De forma similar, alega que, em 10.05.2007, foi depositado outro cheque no valor de R$ 1.857,00 que foi devolvido por insuficiência de fundos e apenas creditado em 14.05.2007, por ocasião da reapresentação em sua conta corrente, pelo que o valor de RS 1.857,00 foi considerado duplamente para fins de tributação pela autoridade autuante; No mesmo passo, alega que também foi considerado tributável o depósito realizado em 05.09.2007, referente ao cheque no importe de R$ 2.080,00, valor esse que foi devolvido em 06.09.2007 e não foi reapresentado ao banco, tratandose, portanto, de verba inexistente, mas tributada no presente processo administrativo; Em outro plano ainda, alega que, no relatório do auditorfiscal, não foram consideradas as receitas provenientes da atividade agropastoril, declaradas no imposto de renda de 2007 e que atingiram a cifra de R$ 80.765,43, ao que argumenta que dessa receita tem de ser descontada a despesa com insumos e outros gastos, conforme consta na declaração, pois a atividade decorrente dessa receita vai gerar lucro apenas no futuro, quando os pinheiros puderem ser cortados em sua plenitude, o que ocorre no plantio com mais de 25 anos. Na mesma linha, após descrever os custos em que incorre para manter a atividade agropastoril, e ponderar que o rendimento que provém dessa atividade é considerado isento até o limite de R$ 57.163,15, conclui, no ponto, sua argumentação alegando que o lucro dessa atividade é praticamente inexistente, conforme laudo juntado à declaração e não impugnado pelo auditorfiscal, mas que, no entanto, os valores dela provenientes movimentam a contacorrente do requerente, razão pela qual devem ser considerados como capital, e não como lucro; Na seqüência, alega que, além da receita agropastoril, também obteve outras receitas declaradas no importe de R$ 20.010,00 (vinte mil e dez reais) e tinha recursos próprios em 31.12.2006 no valor de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) em espécie, mas que, muito embora tais recursos tenham sido utilizados no transcorrer do ano de 2007, não foram considerados pela fiscalização para comprovar a origem de sua movimentação bancária; No ponto, argumenta que há de ser considerado que muitos dos depósitos feitos em sua contacorrente são oriundos de saques feitos em dias anteriores e que muitas receitas obtidas em atividades desenvolvidas pelo requerente, em várias oportunidades, não foram depositadas logo que geradas, deixando, portanto, de causar a coincidência entre receita e depósito, mas que, além de tal fato não gerar tributação, o requerente tem liberdade para depositar e sacar de sua conta corrente, ao que aduz que o imposto devido à Receita Federal tem como fato gerador o lucro e cabe ao Fisco provar que houve lucro e que esse gerou imposto, visto que a mera especulação com base nos extratos bancários do contribuinte não comprova o "suposto rendimento omitido". Relativamente ao anocalendário de 2008, alega que a receita agropastoril do requerente atingiu o montante de R$ 273.706,72 (duzentos e setenta e três mil, setecentos e seis reais e setenta e dois centavos), mas que essa receita também foi desconsiderada pelo auditorfiscal, que lavrou o auto de infração ora combatido; Ademais disso, reclama que a receita obtida com vendas de veículos, em outubro e em dezembro de 2008, constantes de sua declaração do imposto de renda, também não foram consideradas, mas que essas receitas também estão presentes na movimentação bancária, ainda que não necessariamente na mesma data em que os veículos foram comercializados; Neste quadro, repisa que a simples "presunção de omissão" de renda supostamente tributável com base apenas nos depósitos bancários de origem não comprovada não pode levar à conclusão da existência de fato gerador do imposto de Fl. 248DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.004002/201064 Acórdão n.º 2802003.292 S2TE02 Fl. 247 5 renda, pois, para tanto, devem existir outros elementos, decorrentes da atividade fiscalizatória, que corroborem com a mencionada presunção, até porque os valores detectados poderão ter sido originados de renda não tributável ou até mesmo de renda já tributada, como alega ter ocorrido no presente caso; Para reforçar suas alegações, transcreve excerto doutrinário e ementas de decisões publicadas em 2000, pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais, que comungaram do mesmo entendimento pelo qual pugna o impugnante; Finalmente, em face de todo o exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado ou, a permanecer entendimento contrário a esta solicitação, requer que seja reduzido o percentual da multa, para que essa não abandone sua índole punitiva optando por caráter meramente confiscatório. A autuação foi parcialmente mantida no julgamento de primeira instância, conforme entendimento consubstanciado no acórdão assim ementado: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os valores creditados em conta de depósito ou investimento, mantida junto à instituição financeira, caracterizam omissão de rendimentos quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CHEQUES DEVOLVIDOS O valor dos depósitos bancários, cujos créditos foram estornados pelo banco em virtude da devolução dos cheques depositados, deve ser excluído da base de cálculo do imposto de renda que foi lançado de ofício com arrimo na presunção legal de omissão de receita caracterizada pela não comprovação da origem de depósitos bancários. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 6/11/2012, repisando as razões da impugnação e demandando a reforma do acórdão objurgado. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Inicialmente, esclareçase que os pedidos formulados quanto aos valores de R$ 400,00, R$ 1.857,00 e R$ 2.080,00, atinentes ao anocalendário 2007, já foram acatados no julgamento de primeira instância. A autuação teve como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Desde o início da vigência desse preceito, a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Com efeito, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada essa omissão. Nesse contexto, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, fica caracterizada a omissão de rendimentos. A análise da movimentação financeira deve ser individualizada por operação, oportunizandose ao contribuinte a identificação, caso a caso, da natureza e origem dos respectivos valores, por meio de documentação hábil e idônea, procedimento que foi escorreitamente realizado pela fiscalização no caso em tela. Intimado a comprovar a origem dos depósitos listados às fls. 158/166, o autuado trouxe razões que ensejaram, como visto, a exclusão de alguns desses créditos, remanescendo um total de R$ 565.761,57 considerados omissão de rendimentos, conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 190/195). Com os ajustes efetuados pela DRJ/FNS, os rendimentos omitidos referentes ao anocalendário 2007 passaram à cifra de R$ 307.553,35. O autuado aduz que realizou venda de imóvel no valor de R$ 300 mil em 2007, de acordo com documentos de fls. 186/187, mas que só foram considerados R$ 250 mil como justificativa para a origem dos depósitos, o que não estaria correto, pois o saldo de R$ 50 mil foi posteriormente utilizado como capital de giro, através de depósitos e retiradas em contacorrente. Não obstante tal manifestação, e em que pese não haver previsão legal para que a justificação da origem se dê com coincidência de datas e valores, o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 exige que a comprovação demandada aconteça de maneira individualizada, não sendo suprida tal exigência legal pelas alegações genéricas formuladas pelo contribuinte. Destaquese, também, que nos extratos bancários relativos aos períodos próximos à data do negócio jurídico em questão, 21/5/2007, não há montante que sequer se aproxime dos aventados R$ 50 mil (fls. 72/78), motivo pelo qual esse valor não serve para a justificação de quaisquer dos depósitos. Na mesma linha, não prospera a postulação de que sejam considerados os valores informados nas Declarações de Ajuste Anual como receita de atividade rural, R$ 80.765,00 em 2007 (fl. 11) e R$ 273.706,00 (fl. 23). Do cotejo entre as notas fiscais apresentadas (fls. 133/155) e os créditos bancários sujeitos à comprovação resta evidente que em nada se aproximam as respectivas Fl. 250DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.004002/201064 Acórdão n.º 2802003.292 S2TE02 Fl. 248 7 datas e valores. Registrese que o contribuinte não aponta quais seriam os depósitos que estariam vinculados a tais notas, ou mesmo aos valores declarados. Ora, conforme já mencionado, o ônus do contribuinte era apresentar documentação apta a justificar de maneira individualizada os depósitos, sendo oportuno observar ainda, não ser possível, na situação examinada, excluir do montante dos depósitos bancários sujeitos à comprovação os rendimentos declarados nas Declarações de Ajuste, pois não possuem eles caráter tal a justificar seu trânsito necessário por contascorrente bancárias. Igualmente, o fato de o contribuinte ter declarado manter valores em espécie não significa que eles tenham servido de lastro para a movimentação bancária questionada, à míngua de qualquer prova nesse sentido. Melhor sorte não favorece ao pleito de que seja considerada a "receita com venda de veículo, em outubro de 2008 e em dezembro de 2008, constantes na declaração do imposto de renda". Ainda que tenham sido declaradas tais vendas (fl. 20), não foi apresentado documentação apta a amparar tais informações, e, mais uma vez, não há valores sequer semelhantes aos dos cogitados negócios nos extratos bancários (fls. 57/60 e 118/131). Por fim, deve ser afastada a alegação de caráter confiscatório da multa de ofício, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 251DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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