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Numero do processo: 10920.724260/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
NULIDADE POR OMISSÃO INSANÁVEL DA DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Verificada ausência de manifestação por parte da decisão recorrida sobre matéria cuja omissão é insanável, verifica-se cerceamento ao direito de defesa decorrente da supressão de instância, resultando na nulidade da decisão de piso.
Numero da decisão: 1101-002.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, para anular a decisão de primeira instância para que outra seja proferida com análise de todos os pontos controvertidos na impugnação.
Assinado Digitalmente
Jeferson Teodorovicz – Relator
Assinado Digitalmente
Efigênio de Freitas Júnior – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Roney Sandro Freire Correa, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente).
Nome do relator: JEFERSON TEODOROVICZ
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CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Verificada ausência de manifestação por parte da decisão recorrida sobre matéria cuja omissão é insanável, verifica-se cerceamento ao direito de defesa decorrente da supressão de instância, resultando na nulidade da decisão de piso. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, para anular a decisão de primeira instância para que outra seja proferida com análise de todos os pontos controvertidos na impugnação. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Júnior – Presidente Fl. 1966DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Roney Sandro Freire Correa, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário protocolado pelo contribuinte e responsáveis solidários (efls. 1898/1961, contra acórdão da DRJ, efls. 1850/1886, que julgou improcedente impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte/responsável (efl. 1778/1838), contra auto de infração de IRPJ e reflexos (05/115) lavrado e lastreado em Relatório Fiscal (efls.117/207) que gerou crédito tributário de IPRJ do ano calendário de 2011, 2012 e 2013. Para síntese dos fatos, reproduzo o relatório do acórdão recorrido: Trata-se de autos de infração, às fls. 4-116, lavrados para exigir de KR INVESTIMENTOS LTDA. – EPP, pessoa jurídica que apurou Imposto de Renda na modalidade do lucro presumido nos anos-calendário de 2011, 2012 e 2013, crédito tributário de R$ 8.625.492,89, relativo àquele período, conforme discriminado na tabela abaixo, em virtude de haver omitido receitas, cf. discriminado no Relatório Fiscal às fls. 117-207. 2. Foi imputada responsabilidade solidária ao administrador da sociedade empresária, senhor Gilmar Krutzsch, nos termos dos arts. 134 e 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, porque, a juízo da Autoridade Fiscal a quo, teria havido infração a diversos dispositivos do Código Civil – Lei n° 10.406 de 10/01/2002, e da Lei 8.137/90, que trata dos crimes contra a ordem tributária. Ação Fiscal 3. A Fiscalização informa, em primeiro lugar, que, de acordo com o contrato social, datado de 01/04/2011, às fls. 216-221, o objeto social de KR Investimentos Ltda. – EPP consiste em: 1) administração e locação de investimentos, bens e direitos, próprios e de terceiros; 2) participação em outras sociedades; 3) assessoria administrativa; 4) intermediação de negócios; e 5) compra, venda, Fl. 1967DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 3 alienação e locação de ativos financeiros, direitos creditórios e direitos de ações judiciais e extrajudiciais. 4. Em seguida, acrescenta que, nos termos do art. 33, I e §2º, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, a contribuinte perdeu a espontaneidade desde o momento em que tomou ciência – em 05/06/2014 – do Termo de Diligência nº 2014.00259-1-01, cf. se verifica às fls. 210-212. Por esse motivo, as declarações retificadoras de DIPJ, DCTF e DACON do período – A/C de 2011 a 2013 – não foram levadas em conta no curso do procedimento fiscal. 5. Além das retificações antes referidas – continua a Fiscalização – a contribuinte optou pelo parcelamento de débitos estatuído pela Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014, cf. comprovante de 25/08/2014, naquela mesma data, efetuou o primeiro pagamento, no valor de R$ 22.887,68, cf. documentos às fls. 1.774- 1.777. Tal iniciativa, contudo, não teve o condão de modificar o andamento da Ação Fiscal. 6. No dia 26/06/2014, os sócios da fiscalizada compareceram à sede da DRF/Blumenau-SC onde tomaram ciência do Termo de Início de Fiscalização, cf. documento às fls. 223-226, e foram intimados a apresentar extratos bancários de todas as contas mantidas em instituições financeiras. 7. Na ocasião, prestaram depoimento sobre as atividades da entidade, coligido às fls. 213-214 e declararam que, em razão dos negócios realizados pela KR, ocorriam depósitos das cessionárias dos direitos transacionados diretamente na conta corrente da fiscalizada. Os diretores mencionaram dois cedentes de créditos: Lubanco Advogados do Brasil, sociedade sediada no Rio de Janeiro e em Brasília; e Anser Participações, com sede no Rio de Janeiro. 8. Em 14/08/2014, a fiscalizada atendeu ao Termo de Início, trazendo ao conhecimento da Autoridade Fiscal parte dos documentos solicitados nas intimações expedidas até aquele momento. Dando continuidade à Ação Fiscal, em 20/10/2014, a contribuinte foi intimada – por meio do Termo de Intimação 2014.00226-0-02, às fls. 587-589 – a apresentar extratos bancários que suprissem as lacunas da documentação até então entregue. 9. Dada a inércia do sujeito passivo, porém, a Fiscalização expediu Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, dirigida à Caixa Econômica Federal – CEF, instituição financeira em que a fiscalizada mantinha sua única conta corrente. 10. Ato contínuo, a Autoridade Lançadora requereu, por meio do Termo de Intimação nº 2014.00226-0-03, à fl. 659, que a fiscalizada apresentasse os anexos – não entregues – dos contratos celebrados com os dois clientes antes referidos: Lubanco e Anser. O objetivo da demanda, segundo a Fiscalização, era apurar o valor a ser pago pelos serviços de intermediação prestados pela fiscalizada. 11. Em resposta, a contribuinte afirmou não dispor dos anexos requeridos. Diante desse fato, a Fiscalização intimou então as contratantes a apresentar os respectivos anexos; diligências que se revelaram, contudo, infrutíferas. 12. De posse das informações bancárias, a Fiscalização informou a KR que os depósitos bancários desprovidos de comprovação de origem seriam tomados como omissão de receitas nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por esse motivo, no próprio termo de intimação – o de nº Fl. 1968DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 4 2014.00226-0-05 – a fiscalizada era instada a apresentar justificativa para todos os créditos em sua conta corrente, indicando as respectivas motivações e origens, devidamente documentadas. 13. A interessada requereu dilação de prazo, porém, face às sucessivas concessões anteriores e à reiterada omissão, tal pedido, no entender da Autoridade Fiscal a quo, estava “despido de razoabilidade” e, por esse motivo, foi indeferido. 14. Eis que, em 20/07/2015, sem se referir a uma intimação específica, a interessada apresentou novos documentos entre os quais cópias de contratos com Anser e Lubanco, além de Cortez Advogados, acompanhadas dos respectivos anexos e autorizações de pagamentos, fls. 282-291. 15. De posse de todos os documentos reunidos, a Autoridade Fiscal a quo entendeu restar configurada a omissão de receitas resultantes de suas atividades operacionais e também por presunção legal. Foram observadas ainda receitas financeiras escrituradas mas não declaradas ou não confessadas em DCTF, conforme minuciosamente consignado nas fls. 125- 195 do Relatório Fiscal. 16. Segue-se a descrição resumida das infrações apuradas Infração – Omissão de Receitas da Atividade 17. O cotejamento dos extratos bancários da KR com os registros de sua escrituração contábil demonstrou que a fiscalizada movimentou, nos anos- calendário de 2011, 2012 e 2013 o montante de R$ 21.098.740,45. Sua receita declarada nesse período, contudo, cf. DIPJs originais, foi de apenas R$ 7.544.494,45 (35,75%). 18. Segundo a Autoridade Fiscal, a grande maioria dos créditos na conta bancária na CEF ocorreu por meio de Transferência Eletrônicas de Disponíveis – TED. Os extratos daquela instituição financeira, porém, diferentemente dos de outros bancos, não discriminam os remetentes dos recursos. A grande maioria desses créditos bancários, na contabilidade, foi escriturada a crédito da conta Adiantamento Clientes, com históricos tais como: "VL ADIANTAMENTO DE CLIENTE ANSER" ou "VL ADIANTAMENTO DE CLIENTE MTR". 19. De acordo com a KR, tais recursos teriam apenas transitado por sua conta corrente; para a Fiscalização, porém, como a fiscalizada também se dedicava à compra, venda, alienação e locação de ativos financeiros (cf. Cláusula Segunda, alínea ‘e’, de seu Contrato Social, à fl. 216), a intermediação de negócios alegada coexistia com transações com papéis promovidas pelo próprio sujeito passivo. 20. Os créditos bancários em questão, portanto, podiam referir-se a pagamentos por créditos adquiridos de terceiros ou a negócios entabulados pela própria fiscalizada, configurando, nesse último caso, receita operacional. 21. Com efeito, a Autoridade Fiscal a quo informa que apurou a existência de uma conta denominada “AÇÕES DIVERSAS”, no Livro Razão do ano-calendário de 2013, em que estavam registradas a aquisição de ativos – precatórios e créditos e que os referidos lançamentos contábeis na conta “VL ADIANTAMENTO DE CLIENTE ANSER”, foram escriturados sem indicar a natureza da operação, chegando a receber registros tanto da Anser, quanto da Lubanco . Fl. 1969DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 5 22. Afirma a Autoridade Fiscal a quo: Há aqui uma inconsistência flagrante, a mostrar que o histórico poderia estar dissimulando a verdadeira natureza da operação, que não seria adiantamento de valores, mas sim receita tributável. 23. Face às lacunas verificadas, a Fiscalização realizou diligências em sociedades empresárias identificadas na escrituração contábil como remetentes de recursos para a KR Investimentos. Diligências em MTR Transportes e MTR Logística 24. As sociedades MTR Transportes e MTR Logística foram diligenciadas, porque, nos três anos fiscalizados, foram encontrados lançamentos contábeis dessas sociedades no montante de R$ 13.193.125,80 com o histórico “VL ADIANTAMENTO DE CLIENTE MTR”. 25. Em resposta às intimações, as duas pessoas jurídicas esclareceram que contrataram a fiscalizada para intermediar a aquisição de ativos financeiros, precatórios estaduais e direitos creditórios de origem judicial. As respostas foram acompanhadas de cópias de contratos, juntados às fls. 600-601 (1 contrato de MTR Logística) e fls. 606-611 (3 contratos de MTR Transportes). 26. Dois dos contratos apresentados por MTR Transportes dizem respeito, segundo a Fiscalização, tão-somente à prestação de serviços de intermediação e, assim, os valores recebidos pela KR em razão deles: R$ 4.500.000,00, do primeiro contrato, e R$ 1.200.000,00, do segundo, constituem resultado operacional da fiscalizada, porque ocorreram na forma de repasses regulares em datas predeterminadas, acertadas no instrumento contratual. 27. A Autoridade Fiscal identificou os créditos vinculados a esses contratos nos extratos bancários disponíveis e os cotejou com os registros contábeis da KR. Verificou, então, omissão de registros na contabilidade e na declaração na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Concluiu este tópico com a tabela à fl. 134, reproduzida abaixo, que sintetiza as omissões até então apuradas. 28. Importa registrar que o último valor apurado, R$ 130.000,00, não foi constituído nos AI, conforme será tratado adiante neste voto. 29. Ainda em relação a essas empresas, o terceiro contrato de MTR Transportes, às fls. 608-609, e o contrato de MTR Logística se diferenciavam dos dois referidos anteriormente, porque contemplavam a compra de ativos financeiros, direitos creditórios e precatórios federais e estaduais. Sobre eles, a Autoridade Fiscal a quo afirma, à fl. 139, que as diligenciadas apresentaram, verbatim: (...) uma miríade de documentos de cessão de direitos creditórios em favor delas - escrituras públicas, em sua maioria - com a interveniência quase sempre de Gilmar Krutzsch ou João Antonio Calegário Vieira como mandatários delas. 30. A Autoridade Fiscal a quo afirma ainda que constatou a venda direta de direitos creditórios da Fiscalizada à MTR, o que a levou a concluir, à fl. 142: “(...) Fl. 1970DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 6 transparece apenas a atuação da Fiscalizada, o que se coaduna com os termos constantes dos contratos firmados entre elas”. O objetivo final dos negócios com esses papéis, acrescenta, é a compensação de tributos fiscais e previdenciários. 31. O quadro à fl. 150, consolida as receitas omitidas provenientes desses contratos de MTR Transporte e MTR Logística. 32. Analogamente, aos dois contratos da MTR Transportes, antes referidos, também foram apurados créditos cujas notas fiscais foram reconhecidas como receitas, mas que não foram declaradas em DIPJ, matéria que foi tratada adiante no Relatório Fiscal. E assim será abordada neste relatório. Diligências em Koehler Tinturaria Ltda 33. A sociedade empresária Koehler Tinturaria Ltda. transferiu R$ 4.155.177,72 para a fiscalizada, por esse motivo foi intimada a esclarecer a natureza dessas operações; em sua resposta, informou que se tratava de contrato assinado com a Lubanco – cliente da KR – que a orientou a efetuar os pagamentos em favor da fiscalizada a partir de junho de 2011 – informação confirmada pela Autoridade Fiscal a quo. 34. A Fiscalização destaca, nesse ponto do relatório, a estreita ligação existente entre os dois sócios da KR com as sociedades Anser e Lubanco. Afirmando, in verbis: Observe-se que estas duas empresas celebraram contratos envolvendo a transferência de direitos creditórios e sua utlização a transferência de direitos tributários e previdenciários com a Kohler, com a Texarte e com a A. S. Têxtil. 35. Tais valores, portanto, no entender da Autoridade Fiscal, constituiriam remuneração da contribuinte; e a KR, mesmo intimada a comprovar a origem de todos os créditos existentes em sua conta corrente, não se pronunciou, cf. parágrafo 137, à fl. 162 do Relatório Fiscal. 36. O quadro à fl. 163, reproduzido abaixo, consolida os créditos apurados que configurariam omissão de receitas nos negócios da KR com a Koehler Tinturaria, totalizando R$ 4.155.177,72. 7 Fl. 1971DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 7 Diligências em Texarte Têxtil e AS Textil 37. Situação análoga a da Kohler foi verificada nos negócios relacionados à sociedade empresária Texarte Têxtil, cujos resultados chegaram a R$ 627.731,30, cf.. tabela à fl. 166, reproduzida abaixo. 38. Também em relação a essa omissão de receitas apurada no relatório, apenas R$ 586.231,30 foram constituídos nos autos de infração, como se verá adiante neste voto. 39. A omissão relacionada à AS Têxtil monta a R$ 500.000,00, cf. tabela a fl. 173, reproduzida abaixo. 8 Fl. 1972DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 8 40. Tais valores apurados foram compreendidos como omissão de receitas. Créditos recebidos das pessoas jurídicas Lubanco e Anser cedentes dos papéis negociados pela fiscalizada 41. Extratos bancários da KR registram a existência de R$ 446.977,78 de créditos oriundos das sociedades empresárias Lubanco e Anser (cf. tabela à fl. 173), entretanto, não foram apuradas, entre as notas fiscais emitidas pela fiscalizada, “nenhuma em face de Lubanco, e apenas três em face da Anser”, que totalizavam R$ 1.438.220,22, cf. quadro à fl. 174 reproduzido abaixo. 42. Afirma, então, a Autoridade Fiscal a quo: 160. Os valores originados da Lubanco, sem correspondência em notas fiscais e não reconhecidos como receitas na contabilidade consubstanciam receita operacional da Fiscalizada, haja vista a contrato firmado com a Lubanco em data anterior aos créditos. (...) 161. Os créditos oriundos da Anser, no entanto, não podem ser relacionados às notas fiscais emitidas por absoluta incompatibilidade 43. Os valores assim apurados foram considerados como receita operacional por haver contrato de prestação de serviços pela fiscalizada com as cedentes em data anterior aos créditos. Receitas escrituradas mas não declaradas em DIPJ 44. Afora as receitas já comentadas, a fiscalizada escriturou receitas em sua contabilidade que não foram, contudo, oferecidas à tributação, cf. quadro à fl. 179, reproduzido abaixo. Importa destacar mais uma vez que as DIPJ retificadoras apresentadas depois da primeira notificação não foram levadas em consideração pela Autoridade Fiscal a quo, em razão de a espontaneidade da fiscalizada haver sido excluída conforme visto anteriormente. Fl. 1973DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 9 45. Segundo a Fiscalização, as diferenças apuradas neste tópico configuram omissão de receita. Ademais, também foram consideradas receitas não tributadas aquelas referentes aos meses em que não houve a emissão de notas fiscais apesar de ter havido receitas reconhecidas, e. g. janeiro de 2012. 46. Ademais, foram constituídos os tributos declarados na DIPJ e DACON, mas não confessados em DCTF, cf. tabela à fl. 185, reproduzida abaixo. Omissão de Receitas Presunção Legal - Art. 42 Lei 9.430/96 47. Continua a Autoridade Fiscal afirmando que foi possível comprovar a origem de parte dos créditos verificados na conta bancária da fiscalizada. Além desses, contudo, foram encontrados créditos “para os quais a Fiscalização não conseguiu descortinar a sua origem e natureza”. 48. Argumenta a Autoridade Fiscal a quo: 204. Diga-se que não basta a identificação do remetente. Para afastar a presunção do artigo 42 da Lei 9.430/96, necessária a comprovação de que tais créditos tiveram origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva e/ou já tributados exclusivamente na fonte. Ou ainda, que tiveram origem em rendimentos tributáveis já oferecidos à tributação ou mesmo que não consubstanciam a natureza de rendimentos. 49. O quadro à fl. 188 consolida as receitas nessa situação que alcançam o total de R$ 343.013,35 (no A/C de 2011); R$ 814.691,84 (no A/C de 2012) e R$ 709.715,87 (no A/C de 2013). Fl. 1974DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 10 Omissão de Receitas Financeiras 50. Continuando o Relatório Fiscal informa que a fiscalizada auferiu receitas financeiras nos anos-calendário fiscalizados, cf. quadro à fl. 189, reproduzido abaixo. 51. Tais valores foram escriturados na contabilidade e levados ao resultado do exercício, porém não foram adicionados ao lucro presumido apurado nas DIPJ dos respectivos anos-calendário, exceto pelos trimestres 3 e 4 do ano-calendário de 2013, e mesmo nesse caso, como a DIPJ do A/C 2013 foi apresentada depois de iniciada a Ação Fiscal, tais lançamentos não foram levados em conta na constituição dos tributos. 52. Informa a Autoridade Fiscal que, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, os rendimentos financeiros auferidos pela KR no período foram adicionados ao valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei n° 8.981, de 1995, nos termos do art. 25 da Lei 9.430, de 1996. Síntese Fl. 1975DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 11 53. A tabela à fl. 191, reproduzida abaixo, consolida todos os valores cf. as categorias antes referidas. Qualificação da Multa 54. No entender da Fiscalização, a existência de vultosos créditos bancários oriundos, de fato, de receitas operacionais mantidos em contas de adiantamento de clientes, não reconhecidos como receita, nem oferecidos à tributação – além da circunstância de haver receitas escrituradas, não confessadas ou apenas parcialmente declaradas ao Fisco – somados ao fato de a contribuinte haver deixado de confessar tributos quando a receita foi declarada, implicam a qualificação da multa aplicada (150%), “por restar caracterizada a prática de sonegação prevista no art. 71 da Lei 4.502/64”. 55. Acrescenta que foi verificado evidente intuito de fraude, no termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, em razão de a fiscalizada: a) deixar de declarar como receitas operacionais créditos bancários da ordem de R$ 12.241.005,86 entre 2011 e 2013, o que corresponde a um valor 60% maior do que o efetivamente declarado nas DIPJ originais, 3 b) usar de lançamentos contábeis em conta de adiantamento de clientes com contrapartida em “banco”, sem reflexo em conta de resultado para registrar os créditos havidos, c) deixar de declarar ao Fisco receitas reconhecidas contabilmente da ordem de R$ 3.792.960,53 e d) deixar de confessar, na DCTF, total ou parcialmente, os tributos apurados na DIPJ ou na DACON. 56. Referidas condutas – aduz – amoldam-se à hipótese prevista para a sonegação, art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, dado que teria ocorrido o fato gerador, comprovada pela existência de receitas oriundas de prestação de serviços que foram mantidas fora do conhecimento do Fisco. 57. Afirma a Autoridade Fiscal a quo: 236. A intenção de sonegar no presente caso é indiscutível: não há como justificar como não intencional, ou seja, não há como se atribuir a qualquer erro ou equívoco escusável o fato de declarar um valor correspondente a pouco menos de um terço das receitas apuradas, ou pouco menos da metade do valor omitido. Esclarecendo: a Fiscalizada declarou R$ Fl. 1976DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 12 7.544.494,45 nas DIPJ originais, antes do início do procedimento fiscal, valor este que retificou para R$ 10.044.397,69 após o referido início. Significa dizer que antes mesmo de qualquer conclusão da Fiscalização a Fiscalizada já tinha admitido uma omissão de R$ 2.499.903,24! 237. Mas o valor da omissão apurado pela Fiscalização foi muito maior que estes 2,5 milhões rapidamente descobertos pela Fiscalizada, na verdade o valor omitido alcançou R$ 16.033.966,39, superior ao total admitido pela Fiscalizada. 58. Não seria o caso, pois, de se caracterizar os fatos graves relatados como mero equívoco, nem mesmo a retificação de declarações promovida pela Fiscalizada teria esse condão, face a conduta dolosa descrita. Ciência 59. A sociedade empresária foi devidamente cientificada em 16/12/2015, cf. Termo de Ciência às fls. 1.073-1.074. Na mesma data, foi dada ciência ao administrador da entidade, senhor Gilmar Krutzsch, a quem se imputou responsabilidade tributária, cf. documento às fls. 1.075-1.077. 60. A KR, por meio de mesmo diretor Gilmar Krutzsch, cf. documentos societários às fls. 216-221, apresentou impugnação em 15 de janeiro de 2016, às fls. 1.079- 1.140, acompanhada dos documentos juntados às fls. 1.141-1.776. 61. O senhor Gilmar Krutzsch, em nome próprio, apresentou impugnação juntada às fls. 1.778-1.838. Impugnação da pessoa jurídica KR – Questões preliminares 62. A impugnante afirma, em caráter preliminar, que “muitos dos documentos que integram o Auto de Infração” foram obtidos pela fiscalização sem autorização judicial ou da própria contribuinte, o que consistiria, a seu juízo, “ilegalidade e inconstitucionalidade” suficientes para inquinar de nulidade todo procedimento fiscalizatório. 63. Teria havido também coação dos representante da entidade e má-fé dos agentes públicos na reunião ocorrida em 26/06/2014 entre seus diretores e “03 Auditores Fiscais, mais o chefe da Delegacia de Blumenau”, haja vista que, na ocasião, tentou-se distorcer as informações prestadas sobre as atividades da contribuinte. Por esse motivo, todas as informações então colhidas deveriam ser desconsideradas. 64. Não foram levados em conta, tampouco, documentos juntados ao feito que demonstrariam as relações contratuais da contribuinte com seus clientes. Também foi ignorado o fato de que: toda a movimentação financeira da contribuinte fiscalizada, se deu via conta bancária, ou seja, as entradas e saídas estão devidamente registradas através de TED's bancárias. Isso significa dizer que a comprovação da origem e destino dos recursos não ocorreu de forma duvidosa. 65. Teria havido cerceamento de direito de defesa porque a motivação das operações financeiras discutidas no feito – consignada nos contratos celebrados entre a KR e seus clientes – permaneceu à disposição da Fiscalização e mesmo assim não foi levada em conta na Ação Fiscal, como também não o foram, os valores devolvidos pela Fiscalizada a seus clientes. 66. Acrescenta que a qualificação da multa é “inconstitucional e ilegal”, além de injustificada no caso em tela e, igualmente, o arrolamento de bens promovido Fl. 1977DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 13 pela Fiscalização, porque infringe o direito de propriedade, notadamente do sócio administrador. 67. Haveria, por fim, ilegitimidade ativa do ente fiscalizador, porque o domicílio fiscal da pessoa jurídica autuada se situa na cidade de Jaraguá do Sul-SC, que faz parte da circunscrição da DRF/Joinville-SC e não há nos autos justificativa para o procedimento fiscalizatório ter sido conduzido por Autoridade Fiscal da DRF/Blumenau-SC. 68. Requer que sejam desconsiderados todos os parágrafos que transmitem opinião pessoal da Autoridade Fiscal e também os que não contenham base fática ou legal, porque demonstram claro afastamento da verdade real. 69. Acrescenta que não teve acesso ao conteúdo das diligências realizadas pela Impugnada junto a seus clientes, sofrendo, também por isso, cerceamento em seu direito de defesa. Pergunta: “como exercer o direito ao contraditório, a ampla defesa, ao devido processo legal, se a Impugnada não juntou a íntegra das diligências e respostas fornecidas pelos diligenciados?” 70. Teria havido, igualmente, infração à Portaria SRF n° 3.007, de 2001 que estabelece as normas de emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, segundo a fiscalizada, verbatim: A expedição de um MPF-D, para a execução de um procedimento fiscalizatório, visando à homologação do lançamento, fere o Princípio da Motivação dos atos administrativos, por desvio de finalidade da autoridade outorgante e por excesso de poder com que agem as autoridades fiscais. É, portanto, um documento irremediavelmente nulo, sendo nulas também suas prorrogações e todos os atos e conseqüências decorrentes, configurando-se, inclusive, imprestáveis, os documentos apurados sob sua égide. 71. Ademais, recorreu a Fiscalização aos arts. 2º e 3º, VII, do Decreto n° 3.724, de 2001, que se referem à “quebra de sigilo bancário” da contribuinte, o que somente poderia ocorrer durante procedimento de fiscalização. Acesso indevido por parte da Autoridade Fiscal a dados do movimentação bancária 72. Seria inadequada – repisa a contribuinte – a presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, porque não há uma correlação lógica, direta e segura entre o os depósitos não justificados e o rendimento supostamente omitido, porque a movimentação bancária em si não tipifica renda e, assim, não constitui fato gerador do Imposto de Renda. 73. Traz ao feito respeitável jurisprudência administrativa e judicial. 74. No caso em tela, a contribuinte afirma que comprovou todas as movimentações financeiras de sua conta corrente por meio de contratos que a obrigavam a receber valores por conta e ordem de terceiros com a incumbência de repassá-los a outros contratados, mantendo para si apenas o valor dos serviços prestados. 75. Nesses termos, afirma: não é possível estabelecer uma correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos pois todos os créditos foram justificados bem como todas as transferências à terceiros têm amparo contratual e o encargo probatório transferido para a contribuinte, foi plenamente atendido. Fl. 1978DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 14 76. E, em seguida, acrescenta: Todavia, ainda que se pudesse afirmar que a presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96 resiste a todas as críticas, cabe perguntar se o Fisco terá vantagem em utilizá-la. Como regra, não! Com efeito, na execução da auditoria, se o caminho adotado for simplesmente somar os depósitos e exigir do contribuinte a comprovação da origem dos recursos, é possível prever a lavratura de autos de infração com crédito tributário de montante estratosférico, que no final resultará em simples registros estatísticos, muito úteis para chancelar discursos voluntaristas, mas sem nenhuma efetividade. 77. Dado que a movimentação bancária sozinha não comprova a presença de rendimento tributável, outros elementos deveriam ter sido reunidos para caracterizar a omissão de receita. Nos autos atacados, porém, os próprios depósitos bancários foram considerados fato imponível “em clara e inequívoca presunção legal decorrente da inversão do ônus da prova dentro do processo administrativo tributário”. 78. Insiste que, no caso concreto, foi demonstrada a origem dos recursos, por meio de documentos auto-explicativos, por isso, forçosamente, a conclusão deveria ter sido que referidos depósitos bancários não corresponderiam em sua totalidade a fato gerador do tributo. 79. Tendo havido erro no cálculo do tributo, em homenagem ao principio da verdade material, o lançamento deveria ser revisado. Revogação do Artigo 42 da Lei 9.430, de 1996 80. A contribuinte abraça teoria segundo a qual o art. 42 da Lei 9.430, de 1996, fonte da presunção jurís tantum de omissão de receita antes referida, vigorava no ordenamento jurídico ao tempo em que à Administração Tributária era vedada a “quebra do sigilo bancário”, o que a obrigava a recorrer ao Poder Judiciário, nos termos do art. 38, §5º da Lei n° 4.595, de 1964. 81. Eis que o art. 5º, §4º, da Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001 2001, facultou a “quebra administrativa do sigilo bancário do contribuinte”, atendidas as condições que especifica, 82. Assim, conclui, o emprego de presunções relativas para a apuração da base de cálculo dos tributos só seria concebível em matéria fiscal, se a Autoridade Administrativa não dispusesse de outros meios para apurar e quantificar a verdadeira base de cálculo do tributo. Dado que a Lei Complementar nº 105, de 2001, estabeleceu meios para a apuração direta da movimentação financeiras, por parte da Fiscalização, o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 está tacitamente revogado. Estorno dos valores apontados como receita bruta – Exclusão total da base tributável 83. A impugnante informa que parte dos valores depositados em sua conta corrente bancária foram devolvidos a seus clientes em razão de desfazimento de negócios, ou de comum acordo entre as partes. Operações desse tipo não foram levados em conta pela Fiscalização. 84. Os valores em tela encontram-se discriminados à fl. 1.103 e totalizam R$ 180.164,42, de Malharia Diana Ltda, e R$ 640.000,00 de Texarte Têxtil. A alegação é comprovada com documentos respectivamente às fls. 1.399 e 1411-1431. Fl. 1979DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 15 Prova material da base tributável 85. A contribuinte questiona os montantes discriminados por meio de TED como segue: 1) Kohler Tinturaria Ltda.: depositou o valor de R$ 4.155.177,72, conforme consignado na pagina 35 item 116, sendo que está devidamente comprovado através do contrato, anexo ao contrato e autorização de depósito, sendo que desse montante depositado, 37% (trinta e sete por cento) coube a Impugnante, qual seja R$ 1.537.415,76 (um milhão, quinhentos e trinta e sete mil, quatrocentos e quinze reais e setenta e seis centavos). Os documentos acostados aos autos, assim como a afirmação constante às fis. 37/38/39/40/41/42/43/44/45 assim o demonstram. 2) A.S. Têxtil Ltda.: esta empresa depositou o montante de R$ 500.000,00 na conta da Impugnante. Conforme os documentos ora acostados, resta demonstrada de forma inconteste que a origem dos depósitos está consubstanciada no contrato firmado com o advogado dr. José Roberto Cortez de São Paulo (SP), para realização de trabalho jurídico em face do passivo tributário existente, que já encontrava-se em sede de execução fiscal. Note-se que a empresa sequer cumpriu com a totalidade do contrato. Portanto, os pagamentos realizados a Impugnante, TEM SUA ORIGEM NO CONTRATO COM O Dr. JOSE ROBERTO CORTEZ. NADA TEM HAVER COM COMPENSAÇÃO DE VALORES!! A propósito desta prova inequívoca (contrato com José Roberto Cortez) porque documental e contemporânea aos fatos, resta demonstrado que o depoimento do representante legal da empresa A.S Têxtil Ltda., carece de seriedade, e não se presta aos fins que pretende a Impugnada. 3) ANSER REPRESENTAÇÕES: Os créditos recebidos de Anser, conforme descriminado às fls. 57 item 158/159, referem-se a recebimento de comissão pela intermediação de negócios, conforme demonstram os contratos firmados entre as partes, fato este inclusive reconhecido exaustivamente pelo auditor fiscal em seu fatídico relatório; 4)ANSER: o sr. Auditor sequer mencionou os repasses que a Impugnante fez a esta empresa. O valor remetido com fulcro nos contratos firmados perfaz o montante de R$ 6.735.319,26 durante os anos de 2011/2012 e 2013. Ora, esse valor tem origem nos contratos firmados entre as partes e os clientes, intermediados, e por conclusão obvia não pode ser considerada receita tributável da Impugnante 5)TEX COTTON IND. DE CONFECÇÕES LTDA.: a empresa depositou na conta da Impugnante o valor de R$ 308.320,22. Este valor refere-se a pagamento de comissão por intermediação de negócios. A comissão paga refere-se a contrato firmado da Texcotton com a Anser, e valor depositado para a Impugnante, foi a comissão a que tinha direito. Os documentos juntados pela Impugnante, bem como a própria empresa Tex Cotton demonstram a veracidade das alegações - vide também a pagina 59/61; 6) MTR TRANSPORTES LTDA., e MTR LOGÍSTICA LTDA.: estes clientes de fato depositaram o valor de R$ 13.193.125,80 na conta corrente da Impugnante, abrangendo os anos de 2011/2012/2013. Tudo foi movimentado via transferência bancária (TED). As paginas 13/14/15/16/17/18 demonstram claramente os repasses. Este repasses referem-se a compra de precatórios estaduais (SP e RJ), conforme demonstram as escrituras públicas e contratos anexos. A saber: Fl. 1980DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 16 6.1- aquisição de precatórios estaduais de São Paulo no importe de R$ 3.652.046,69. O percentual pago no precatório (as vezes com variação foi em média de 27%, sendo que foi transacionado com a empresa o percentual de 55%. Portanto, lucro da Impugnante foi de 28%). 6.2-aquisição de direito creditório federal consubstanciado nos autos n. 0056491- 31.1995.4.02.5102, da 2. Vara Federal de Niteroi/RJ, no importe de R$ 5.300.000,00. O percentual pago por este crédito foi de 70%, sendo que foi repassado o percentual de 45% ao cedente, e a Impugnante obteve um ganho de 25%. 6.3- contrato celebrado em nome da empresa (MTR Transportes) com o dr. José Roberto Cortez (SP), restou demonstrado e reconhecido pela Impugnada às páginas 27/28 item 90/91 do presente relatório,que houveram repasses no valor de R$ 2.376.865,70 no período fiscalizado. Este nem . sequer foi deduzido do montante depositado pela empresa, tendo sido incluído na base de cálculo utilizada pelo sr. Agente fiscalizador. Só podem existir duas hipóteses para a conclusão do D. Auditor Fiscal: desconhecimento técnico ou MÁ-FÉ! 6.4- contratos de compra de debêntures da Investidora, para as empresas em referência. Esse montante foi de R$ 1.169.636,46, sendo o percentual pago o montante de 55%. O percentual que remunerou a Impugnante foi de 15%, conforme demonstra os contratos anexos. 6.5- contratos de compra de venda de precatórios, celebrado com a Curi Créditos Tributários (SP), no valor de R$ 468.612,28. Este valor também transitou na conta corrente da Impugnante. 86. Desse modo – conclui – todos os valores recebidos antes referidos devem ser subtraídos dos valores remetidos aos terceiros antes de se considerar a base tributável. Inconstitucionalidade e ilegalidade da transferência do sigilo bancário para o fisco 87. Até o advento da Lei complementar nº 105, de 2001, prevalecia no ordenamento jurídico brasileiro a exigência de expressa ordem judicial, para que houvesse a transferência de dados financeiros ao Fisco, posto que somente o Poder Judiciário está autorizado a sopesar, em casos assim, o interesse público. No entender da contribuinte, a transferência do sigilo de dados bancários para o Fisco fere o direito à dignidade, à liberdade, à intimidade e à privacidade de pessoa naturais e jurídicas. 88. Acrescenta que: A prática da quebra, com base na Lei 105/2001, constitui-se numa aberração jurídica como também limitando a atividade da administração tributária ao subordiná-la aos direitos individuais previstos na Carta Magna. Conclui-se que se inviabiliza então a idéia segundo a qual ao se confrontar os direitos constitucionalmente amparados, sigilo bancário e fiscalização tributária, o segundo se sobreponha, em razão da relevância dos bens jurídicos envolvidos 89. Desse modo, todas as transferências de sigilo seriam inconstitucionais, malgrado ausência da posição definitiva do STF sobre a matéria e,portanto, devem ser anulados os atos que nelas se apóiem. Validade das declarações retificadoras apresentadas 90. As declarações retificadoras apresentadas – alega a impugnante – não trouxeram prejuízo ao fisco e, cf. respeitável jurisprudência, revelam-se Fl. 1981DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 17 perfeitamente legais, não cabendo a alegação de extemporaneidade ou de falta de espontaneidade. 91. A Autoridade Fiscal não considerou as retificadoras, no que diz respeito às multas aplicadas, em desacordo com o preconizado na lei do REFIS – Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014, ao qual aderiu a impugnante. Registra que os sistemas da RFB aceitaram que referidas retificadores fossem transmitidas. Reaquisição da espontaneidade 92. Alternativamente, alega que readquiriu a espontaneidade, porque tomou ciência de uma das diligências em 05/06/2014, enquanto o início do procedimento, cf. Termo de Início da Fiscalização, ocorreu em 26/06/2014, representando uma continuidade da diligência efetuada. 93. A matéria espontaneidade, continua, é disciplinada pelo art. 7º do Decreto n° 70.235, de 1972, e segundo jurisprudência administrativa, a contribuinte pode recuperá-la, quando o Fisco não dá seguimento à fiscalização iniciada há mais de 60 dias. 94. A contribuinte, em seguida, aduz: declara sua vontade de que todo e qualquer débito remanescente do Auto de Infração em tela, uma vez esgotados os recursos, em qualquer esfera e todos os meios da mais ampla defesa, seja dada a possibilidade de incluí-los no parcelamento da Lei 12.996/2014”. (...) Portanto, requer que se considere readquirida a espontaneidade em 12/10/2014 e que qualquer levantamento tenha início na nova situação fática produzida pelas declarações retificadoras e pela adesão ao parcelamento da Lei 12.996/2014. Serão assim, nulos, inválidos e carentes de qualquer substância os Autos de Infração aqui combatidos por não considerarem a situação descrita acima. Multa qualificada 95. Contesta a qualificação da multa aplicada arrolando os seguintes argumentos: (...) optou pela tributação pelo lucro presumido não havendo como se falar em qualquer despesa montada, maquiada ou não incorrida, pela própria definição do regime de tributação; (...) a maior parte da presente autuação tem como base valores contabilizados e não declarados, bem como, valores contabilizados, declarados mas não confessados como débito. Como pode haver justificativa para lançamento de multa qualificada em valores contabilizados. E mais, é completamente absurdo o lançamento de multa qualificada com valores declarados. Como poderá se justificar o evidente intuito de fraude ou dolo em valores de faturamento informados ao fisco federal. O auditor fiscal nem se deu ao trabalho de segregar ou tentar qualificar de forma diferente. De forma açodada, equivocada e descuidada coloca quase todo o valor autuado sob a mesma multa qualificada. 96. Salienta que não houve representação fiscal para fins penais, o que demonstraria, a seu juízo, a falta de base para a tipificação agravada. 97. Ademais, a qualificação da multa “beira as raias do confisco”, em desacordo com o determinado pelo artigo 150, inciso IV da Constituição Federal, cf. respeitável jurisprudência trazida ao feito. Ilegalidade do arrolamento de bens pessoais do sócio administrador Fl. 1982DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 18 98. A responsabilidade pessoal prevista no art. 135 do CTN apresenta nítido caráter subsidiário e excepcional, exigindo provas consistentes de atuação, por parte do administrador, com excesso de poderes ou infração à lei ou contrato. 99. No caso em tela – acrescenta – não foram esgotadas a localização de bens do interessado, nem o crédito se encontra com a exigibilidade suspensa. 100. O arrolamento dos bens se fundamenta no art.64 da Lei n.° 9.532, de 1997, entretanto a Autoridade Fiscal não tinha razão para arrolar os bens particulares do sócio administrador porque a KR ofereceu bens e ativos financeiros suficientes para garantir o montante da autuação. 101. Além do mais, o arrolamento de bens constitui nulidade insanável porque não há “permissivo legal expresso para arrolamento de bens m nome dos sócios por dívidas da sociedade”, cf. respeitável jurisprudência. Petitório 102. Requer, por fim, que a impugnação seja julgada procedente e preliminarmente, cancelado o lançamento fiscal em razão das ilicitudes referidas na peça impugnatória, ou, no mérito, que seja afastada a imputação face a ausência de seus pressupostos, ou, sucessivamente, que somente se atenha aos valores descontados e que seja afastada a qualificação da multa em razão de ausência de dolo. Impugnação do senhor Gilmar Krutzsch 103. O senhor Gilmar Krutzsch apresentou em 15/01/2016 impugnação em nome próprio, na qual, em essência, repete os argumentos apresentados na peça impugnatória da pessoa jurídica, os quais não serão repetidos neste relatório por uma questão de economia processual, sendo julgados em conjunto adiante neste voto. Resolução, Diligência, Autos de Infrçaão Complementares e Impugnação 104. Em 23/01/2017, por meio da Resolução nº 06-000.039, esta 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba-PR fez os autos retornarem à Unidade de origem em virtude de haver sido detectado equívoco no cálculo do montante do crédito tributário constituído, cf. referido anteriormente neste relatório. 105. Depois de reapreciar os fatos, a Autoridade Fiscal a quo lavrou Autos de Infração Complementares que constam do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.720635/2017-48 apensado a este feito, cujos valores se encontram resumidos na tabela abaixo. 106. Informa a Autoridade Fiscal a quo, no Relatório Fiscal às fls. 40-45, do Processo Administrativo Fiscal em apenso: Fl. 1983DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 19 14. Esclareça-se que na lavratura deste Auto de Infração foram considerados os eventuais parâmetros de adicional de Imposto de Renda, tendo sido indicados no campo "informações complementares" os valores do lucro presumido informados nas DIPJ 2012 e 2013, suficientes, já estes, para posicionar o valor lançado integralmente na faixa do adicional. 107. Foi igualmente imputada responsabilidade solidária ao senhor Gilmar Krutzsch. Nova ciência 108. A sociedade empresária e o responsável solidário tomaram ciência do novo lançamento em 24/03/2017 e 05/04/2017, respectivamente, cf. cópias de Avisos de Recebimento – AR às fls. 48 e 51 do PAF apensado. 109. Em 05/05/2017, a KR apresentou impugnação aos Autos de Infração Complementares, juntada às fls. 54-60 do PAF nº 13971.720635/2017-48. 110. Em breve resumo, afirma que não sente necessidade de repetir o conteúdo da impugnação trazida ao processo 10920.724260/2015-31, porque os mesmos motivos e argumentações antes apresentados permaneceriam aplicáveis; entretanto, afirma que os créditos tributários constituídos em acréscimo não foram objeto de lançamento por conta de erro na transcrição de uma tabela para outra – sem, contudo, esclarecer a razão dessa afirmação. 111. Sustenta que teria havido decadência na constituição dos créditos tributários objeto dos autos de infração complementares, porque os recebimentos que motivaram os lançamentos: o da MTR Transportes Ltda. no valor de R$ 130.000,00 e o da Texarte Textil ltda, no valor de R$ 41.500,00, são respectivamente de 10/11/2011 e de fevereiro de 2012. 112. Dado que a ciência dos lançamentos ocorreu em 24/03/2017 e que não é cabível a qualificação da multa no caso concreto, entende que ambos os créditos tributários estariam fulminados pela decadência. 113. Requer o acolhimento da impugnação em conjunto com os argumentos apresentados no Processo principal ou pelos argumentos próprios que são agora apresentados. 114. O senhor Gilmar Krutzsch não formalizou impugnação contra os autos- complementares. 115. É o que importa relatar. Nada obstante, o acórdão recorrido julgou improcedente a pretensão impugnatória, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. Fl. 1984DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 20 COAÇÃO DE REPRESENTANTES. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. A oitiva de dirigentes da pessoa jurídica na sede da DRF, com a redução a termo dos depoimentos na presença de três Autoridades Fiscais não pode ser considerada medida coativa e não configura cerceamento de direito de defesa. ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105, DE 2001. O Supremo Tribunal Federal acolheu a tese da constitucionalidade da transferência de dados bancários das instituições financeiras para a Administração Tributária - RE 601.314-SP, Relator: Min. Edson Fachin. DIPJ RETIFICADORA APRESENTADA APÓS O LANÇAMENTO. INEFICÁCIA. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir-se de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, devendo a base de cálculo ser reduzida em relação aos ingressos justificados na impugnação. ARROLAMENTO DE BENS. O procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após, devidamente cientificado em 18.07.2017 (AR às efls.1895: O contribuinte interpôs o recurso voluntário em 17.08.2017 (efls. 1896), às efls. 1898/1961 e renovando os argumentos já expostos em sede impugnatória, com as seguintes alegações, a seguir sumarizadas: III – DA PRELIMINAR DE NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Fl. 1985DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 21 Provas Ilegais e Cerceamento de Direito de Defesa; Nulidade Do Lançamento Por Desrespeito Às Regras De Emissão Dos Mandados De Procedimento Fiscal; IV – MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA – INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO DIRETA COM RECEITA (RENDA) TRIBUTÁVEL - Da Verdade Material x Verdade Formal - E do Real Rendimento do Contribuinte Impugnante; A Revogação Do Artigo 42 Da Lei 9.430/96 Em Face da Antinomia Com o Parágrafo 4. Do Art. 5. Da Lei Complementar 105/2001. V – DA RESTITUIÇÃO (ESTORNO) DOS VALORES APONTADOS COMO RECEITA BRUTA – EXCLUSÃO TOTAL DA BASE TRIBUTÁVEL Da Alegação de Omissão de Receitas da Atividade. VI – DA VERDADE MATERIAL – PROVA IRREFUTÁVEL DA BASE TRIBUTÁVEL – VALORES REMETIDOS AOS CONTRATANTES. VII – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDA DE. VIII – DA VALIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DIPJ/DACON/DCTF – ADESÃO AO REFIS. IX – DA REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE, DA VALIDADE DAS DIPJ, DCTF E DACON RETIFICADORAS E DA POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DOS EVENTUAIS DÉBITOS NO PARCELAMENTO DA LEI 12.996/2014. X – DA MULTA QUALIFICADA. Inconstitucionalidade e Ilegalidade. 45. Ausência de fato gerador. XI – DA ILEGALIDADE DO ARROLAMENTO DE BENS PESSOAIS DO SÓCIO ADMINISTRADOR. Para, ao final, requerer: XII - DO PEDIDO Face ao exposto, requer-se: 1) A reforma do acórdão impugnado, com o julgamento de total improcedência da autuação fiscal consubstanciada no Processo Administrativo nº 10920-724.260/2015-31 e 13971.720635/2017-48 (acórdãos 06.59.646/06.59.647), pelos argumentos anteriormente delineados, notadamente pela arbitrariedade, ilegalidade e inconstitucionalidade do uso indevido das informações bancárias do contribuinte, cerceamento de defesa (falta de juntada de todos os documentos inerentes a fiscalização realizada), pela indevida base de cálculo utilizada (movimentação bancária), pelo não abatimento de valores com origem declarada e reconhecida pela Recorrente, fulcrada em contratos/anexos/autorização/escrituras públicas anexadas aos autos); 2) Que seja anulado o arrolamento de bens do sócio administrador, dada sua completa ilegalidade; 3) Alternativamente, caso o acórdão não seja julgado totalmente improcedente, requer-se: 3.1) Que seja reconhecida e considerada legítima e válida, as retificações de DIPJ/DACON/DCTF relativas aos exercícios envolvidos no processo em epígrafe, assim como a adesão aos termos da Lei 12.996/2014; 3.2) Que sejam considerados os valores repassados (ted’s enviadas), eis que comprovada a origem dos depósitos e remessas, de forma a se deduzir/abater da base de cálculo dos tributos (IR/CSLL/Pis/Cofins), ora discutidos, por se tratar de trânsito de valores de terceiros, verdadeiros titulares dos contratos e direitos creditórios intermediados pela Recorrente; 3.3) Seja anulada a multa qualificada de 150%, eis que totalmente incabível no presente caso; 3.4) A produção de provas em direito admitidas, notadamente a testemunhal, pericial, provas complementares a serem juntadas no curso do processo administrativo em consonância com a verdade real, e outras que se fizerem necessárias. Após, os autos foram encaminhados ao CARF, para apreciação e julgamento. É o Relatório. VOTO Fl. 1986DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 22 Conselheiro Jeferson Teodorovicz, Relator O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. Conforme relatado, trata-se de autos de infração, às fls. 4-116, lavrados para exigir de KR INVESTIMENTOS LTDA. – EPP, pessoa jurídica que apurou Imposto de Renda na modalidade do lucro presumido nos anos-calendário de 2011, 2012 e 2013, fundamentado em suposta omissão de receitas. A recorrente alega preliminarmente a nulidade do lançamento, pois estaria baseado em provas ilegais, a saber a quebra de sigilo da Recorrente. Contudo, o questionamento apresentado pelo contribuinte sobre a obtenção de informações de entidades financeiras por parte da autoridade fiscal, também não merece prosperar, pois tal permissivo legal se encontra perfeitamente válido, conforme o art. 6ª da Lei Complementar n. 105/2001. Com efeito, conforme já vem se manifestando este Tribunal Administrativo, é perfeitamente “(...) lícito ao fisco, sobretudo após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial” (Acórdão n. 104-23.518). Acrescente-se que a quebra de sigilo fiscal encontra amparo em norma válida vigente e eficaz, não podendo ser afastada por suposta inconstitucionalidade, conforme dispõe a Súmula CARF n. 2; Ademais, a matéria já foi objeto de análise pelo Supremo Tribunal Federal que se manifestou pela validade da norma, com repercussão geral reconhecida: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do Fl. 1987DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 23 contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24-02-2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-198 DIVULG 15-09- 2016 PUBLIC 16-09-2016) Portanto, não há que se falar em violação de sigilo, de sorte que afasto a referida alegação. Na mesma linha, afasto a alegação de cerceamento de direito de defesa, haja vista que o recorrente, em minha leitura, não foi prejudicado em seu direito de defender-se sob esse prisma: Noutro norte, é importante destacar que a Recorrente não teve acesso, ao conteúdo das diligências realizadas pela Recorrida junto a seus clientes, cerceando assim o direito de defesa da contribuinte em questão. Este fato está confessado pela Impugnada no relatório fiscal dos autos de infração (páginas: 13; 35; 47; 50 do relatório fiscal do auto de infração originário). Deve-se lembrar que a etapa inquisitiva prescinde da participação do contribuinte, que precisa da correta instauração do processo tributário para considerar-se prejudicado em sua defesa, o que, na fase inquisitiva, ainda não se manifesta. Por outro lado, adianto que outros argumentos levam este julgador a entender pelo risco manifesto ao cerceamento ao direito de defesa, mas por outros fundamentos, que adiante será explicado. Fl. 1988DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 24 Antes disso, a Recorrente alega ainda a nulidade do lançamento por desrespeito às regras de emissão dos mandados de procedimento fiscal. Contudo, também sem razão a Recorrente, pois se aplica ao caso a inteligência da Súmula CARF n. 171: Súmula CARF nº 171 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes: 9101-004.676, 9202-008.028, 9303-009.609, 1201 003.397,1301-004.043, 1302-004.407, 1401-003.974, 1402-003.702, 2201 006.455, 2202-005.050, 2401-007.673, 2402-008.269, 3201-006.663, 3301 005.617, 3302-006.583, 3401-006.575 e 3402-007.198. Assim, entendo que também deve ser afastada referida alegação. Alega-se ainda a inexistência de correlação lógica entre a movimentação bancária e o conceito de renda tributável. A matéria controvertida no mérito diz respeito à omissão de receita por presunção legal, decorrente da comprovação de depósitos bancários não declarados pela contribuinte, mercê da aplicação do art. 42 da Lei 9430/96, segundo o qual: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vê-se que o dispositivo legal estipula presunção legal juris tantum de omissão de receita, sempre que o sujeito passivo mantiver recursos creditados em instituição financeira sem origem justificável ou comprovada. Naturalmente, a contribuinte pode afastar tal presunção mediante apresentação de escrituração que demonstre a origem das operações e o eventual pagamento dos tributos. Contudo, a presunção deve ser mantida nas hipóteses em que o sujeito passivo não apresente qualquer elemento capaz de demonstrar a origem dos recursos, inclusive, quando houver interposição de pessoa que detenha ou maneje recurso de terceiro tendente a reduzir ou evitar artificialmente a tributação devida. Nesse aspecto, não há qualquer violação da aplicação do referido artigo que importa mera presunção, imputando ao contribuinte o ônus de comprovar suas alegações, bem como a origem dos depósitos bancários. Tampouco há que se falar em revogação do art. 42 da Lei n. 9.430/1996 pelo art. 105 da Lei Complementar n. 105/2001, haja vista que este dispositivo não trata dos efeitos fiscais de eventual verificação de depósitos com origem não comprovada, não havendo coincidência de conteúdo que pudesse ensejar uma revogação tácita. Assim, novamente, afasto a referida alegação. Fl. 1989DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 25 Por outro lado, vê-se que a recorrente sustenta também que que vários dos valores depositados em sua conta bancária foram ressarcidos aos clientes, por desfazimento dos negócios, ou por acordo entre as partes: Dos valores devolvidos/estornados: 1) Malharia Diana Ltda.: depositou em 2011 o valor de R$ 180.164,42, sendo que referido valor foi devolvido em sua integralidade para a depositante em agosto de 2012 (prova nos autos); 2) Texarte Têxtil Ltda.: depositou o valor de R$ 627.731,30, conforme explicitado na pagina 50 item 147 do relatório fiscal do auto de infração originário. Os documentos anexos, fazem prova robusta e incontestável que durante os exercícios de 2014 e 2015 a Recorrente devolveu (estornou) à sua cliente o valor de R$ 640.000,00. Portanto, não há que se falar em tributação de valores estornados. Nota-se que o acórdão pontuou os argumentos da impugnação segregando por depositante. No entanto, no voto condutor da decisão de piso, não há qualquer referência à Malharia Diana Ltda. Ainda, no que diz respeito à Taxarte, o acórdão consigna: Receitas oriundas de Texarte Têxtil e AS Têxtil 179. A situação da Texarte Têxtil e da AS Têxtil é idêntica a da tinturaria Kohler, vale dizer foram detectados créditos bancários oriundos dessas pessoas jurídicas em contas “Adiantamento de Clientes” não oferecidas a tributação; tais valores, por esse motivo, foram “levados ao Auto de Infração para a constituição dos tributos devidos”. 180. Do mesmo modo, a contribuinte limita-se a alegar que tais recursos possuem origem definida, sem, contudo, demonstrar quais parcelas afetariam o resultado da entidade nem como se produziria tal efeito. 181. Mais uma vez andou bem a Autoridade Fiscal, em face dos elementos disponíveis, ao constituir o crédito tributário. Por outro lado, conforme já exposto, quanto à Malharia Dianta, conforme relatório da decisão de piso: Estorno dos valores apontados como receita bruta – Exclusão total da base tributável 83. A impugnante informa que parte dos valores depositados em sua conta corrente bancária foram devolvidos a seus clientes em razão de desfazimento de negócios, ou de comum acordo entre as partes. Operações desse tipo não foram levados em conta pela Fiscalização. 84. Os valores em tela encontram-se discriminados à fl. 1.103 e totalizam R$ 180.164,42, de Malharia Diana Ltda, e R$ 640.000,00 de Texarte Têxtil. A alegação é comprovada com documentos respectivamente às fls. 1.399 e 1411- 1431. Fl. 1990DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.085 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.724260/2015-31 26 Nada obstante expressamente mencionado no Relatório da decisão recorrida, analisando o voto condutor do acórdão recorrido, no que tange à Malharia Diana Ltda (ou “Diana Ltda”) verifica-se que, apesar de ter sido elencada no relatório (fls. 1865), essa matéria não foi objeto de análise pela DRJ, e nem eventuais documentos disponibilizados pelo recorrente sobre, de sorte que o melhor caminho importa na devolução dos autos para complementação da decisão, sob risco de supressão de instância, e nulidade da decisão por cerceamento ao direito de defesa. Logo, identifico aqui nulidade insanável da decisão por supressão de instância, haja vista a lacuna identificada, o que importa na necessidade de devolução dos autos à autoridade julgadora de piso para preenchimento da omissão apontada. Por fim, deixo de me manifestar sobre as demais matérias questionadas, pela perda de objeto. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso para dar-lhe provimento para anular a decisão de primeira instância para que outra seja proferida com análise de todos os pontos controvertidos na impugnação. É como voto. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz Fl. 1991DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10970.720301/2015-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013
CONHECIMENTO. MATÉRIAS ALHEIAS AO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE.
Não merece conhecimento a parcela do Recurso Voluntário que ataca questões alheias ao objeto do processo administrativo sob julgamento.
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL – DEFINITIVIDADE – TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO – AUSÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO – IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO.
A ausência de interposição de recurso voluntário contra a decisão administrativa que promoveu a exclusão da empresa do Simples Nacional torna essa exclusão definitiva, vedada sua rediscussão em processos fiscais posteriores.
SÚMULA CARF nº 77
A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão.
INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 162.
O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento.
PRECLUSÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. AUTUAÇÃO E SOLIDARIEDADE QUE SE MANTÊM.
Se a parte autuada não apresenta impugnação ao lançamento fiscal resta configurada a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída mesmo que apresente posteriormente recurso voluntário tempestivo. Deve prevalecer, para ambas as partes da relação processual, o direito ao contraditório e o acesso ao duplo grau de jurisdição, que seriam violados caso o recurso voluntário fosse admitido.
RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE. ILEGITIMIDADE PARA QUESTIONAMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº. 172.
A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 2101-003.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) não conhecer do recurso com relação aos responsáveis solidários; b) conhecer parcialmente do recurso da contribuinte, não conhecendo das alegações referentes ao ato de exclusão do Simples e seus efeitos, à inexistência de grupo econômico e quanto à responsabilidade solidária dos demais sujeitos passivos; e na parte conhecida, rejeitar a preliminar e dar-lhe provimento parcial, para reduzir a multa de ofício qualificada ao percentual de 100%
Assinado Digitalmente
Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior – Relator
Assinado Digitalmente
Mário Hermes Soares Campos – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Débora Fófano dos Santos, Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior, Ana Carolina Silva Barbosa e Mário Hermes Soares Campos (Presidente).
Nome do relator: SILVIO LUCIO DE OLIVEIRA JUNIOR
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MATÉRIAS ALHEIAS AO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. Não merece conhecimento a parcela do Recurso Voluntário que ataca questões alheias ao objeto do processo administrativo sob julgamento. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL – DEFINITIVIDADE – TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO – AUSÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO – IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO. A ausência de interposição de recurso voluntário contra a decisão administrativa que promoveu a exclusão da empresa do Simples Nacional torna essa exclusão definitiva, vedada sua rediscussão em processos fiscais posteriores. SÚMULA CARF nº 77 A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 162. O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. PRECLUSÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. AUTUAÇÃO E SOLIDARIEDADE QUE SE MANTÊM. Se a parte autuada não apresenta impugnação ao lançamento fiscal resta configurada a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída mesmo que apresente posteriormente recurso voluntário tempestivo. Deve prevalecer, para Fl. 673DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 2 ambas as partes da relação processual, o direito ao contraditório e o acesso ao duplo grau de jurisdição, que seriam violados caso o recurso voluntário fosse admitido. RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE. ILEGITIMIDADE PARA QUESTIONAMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº. 172. A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) não conhecer do recurso com relação aos responsáveis solidários; b) conhecer parcialmente do recurso da contribuinte, não conhecendo das alegações referentes ao ato de exclusão do Simples e seus efeitos, à inexistência de grupo econômico e quanto à responsabilidade solidária dos demais sujeitos passivos; e na parte conhecida, rejeitar a preliminar e dar-lhe provimento parcial, para reduzir a multa de ofício qualificada ao percentual de 100% Assinado Digitalmente Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior – Relator Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Débora Fófano dos Santos, Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior, Ana Carolina Silva Barbosa e Mário Hermes Soares Campos (Presidente). RELATÓRIO Fl. 674DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 3 Trata-se de Recurso Voluntário interposto por CENTRO DE EDUCAÇÃO E CULTURA JORGE AMADO LTDA. - EPP em conjunto com os responsáveis solidários STOESSEL LUIZ VINHAS RIBEIRO e THOME DE FREITAS CAIRES JUNIOR (e-fls. 487/504), em face do Acórdão nº. 16-81.226 (e-fls. 344/379), que julgou a Impugnação improcedente, mantendo o crédito contido em 03 (três) Autos de Infração lavrados pela fiscalização, conforme descrição a seguir: (1) AI DEBCAD n.º 51.083.196-6, no montante de R$ 667.270,39 (seiscentos e sessenta e sete mil e duzentos e setenta reais e trinta e nove centavos), consolidado em 07/12/2015, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no artigo 22, incisos I, II e III da Lei n.º 8.212/91, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas às competências 01/2010 a 13/2013 – levantamentos CI, FP, PF e TA; (2) AI DEBCAD n.º 51.083.197-4, no montante de R$ 19.159,72 (dezenove mil e cento e cinquenta e nove reais e setenta e dois centavos), consolidado em 07/12/2015, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados contribuintes individuais, não descontadas, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas às competências 04/2010 a 12/2010, 01/2011, 02/2011, 08/2011 a 12/2011, 01/2012 a 06/2012, 08/2012 a 12/2012 – levantamentos PF e TA; (3) AI DEBCAD n.º 51.083.198-2, no montante de R$ 189.385,15 (cento e oitenta e nove mil e trezentos e oitenta e cinco reais e quinze centavos), consolidado em 07/12/2015, referente a contribuições destinadas a terceiros – SALÁRIO-EDUCAÇÃO, INCRA, SEST, SENAT, SESC e SEBRAE – incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas às competências 01/2010 a 13/2013 – levantamentos FP e TA. Consoante o Relatório Fiscal, lavrado pela autoridade fiscal lançadora, parte integrante do Auto de Infração (e.fls. 82/89), as contribuições lançadas decorrem do fato de que a contribuinte foi excluída de ofício do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. Sendo assim, foi efetuado o presente lançamento, para efeito de apuração e formalização dos créditos relativos às contribuições devidas à Seguridade Social (parte patronal e Gilrat, segurados e terceiros). A recorrente foi excluída do Regime do Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/UBL/Nº 099/2015 (anexado aos autos por cópia - e.fl. 169), de Fl. 675DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 4 05/11/2015, com efeitos a partir de 1º de julho de 2007, e facultado o prazo de 30 dias para a empresa apresentar manifestação de inconformidade, conforme processo nº 10970.720246/2015- 72 – em que consta a Representação Fiscal para exclusão do Simples Nacional. Regularmente cientificada, a interessada (Centro de Educação e Cultura Jorge Amado LTDA) apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, em 07/04/2017, por meio do Acórdão n.º 16-77.161, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Em consulta processual junto ao CARF não foi localizado Recurso Voluntário referente ao processo em referência. A consulta junto ao COMPROT informa que o processo nº 10970.720246/2015- 72 se encontra arquivado desde 27/06/2017, se tonando definitiva sua exclusão do Simples Nacional. Ainda conforme o Relatório Fiscal, para efeito de apuração das Contribuições, a auditoria fiscal considerou como salário de contribuição e base de cálculo do lançamento os seguintes documentos apresentados pela empresa: a) informações contábeis fornecidas em meio digital, em formato PDF, e por ela considerado como Diário e Razão, relativas ao período de 01/2010 a 12/2013; b) folha de pagamento de salários em formato PDF, relativas ao período de 01/2010 a 12/2013; e c) cópias de documentos relativos aos empregados, tais como ficha de registro de empregado, aviso de férias, rescisões de contrato de trabalho. Esclarece a fiscalização, que foi aplicada a multa de ofício qualificada (no percentual de 150%), por ter restado configurado o intuito de fraude mediante simulação do contrato social da empresa, com a interposição de pessoas no lugar dos reais sócios, administradores e beneficiários das atividades, bem como pela sonegação de tributos, eis que a abertura e aquisição de diversas empresas objetivaram o rateio da receita bruta anual entre elas, de modo a possibilitar a opção pelo sistema simplificado de tributação. Foram arrolados como responsáveis solidários do lançamento os sócios de fato Stoessel Luiz Vinhas Ribeiro e Thomé de Freitas Caires Júnior. Os principais elementos e conclusões da autoridade fiscal lançadora encontram-se sintetizados no Relatório da decisão recorrida nos seguintes termos: O Relatório Fiscal, de fls. 82 a 89, comum aos 3 (três) AI’s, em suma, traz as seguintes informações: que foram analisados os seguintes documentos apresentados pela empresa: a) informações contábeis fornecidas em meio digital, em formato PDF, e por ela considerado como Diário e Razão, relativas ao período de 01/2010 a 12/2013; b) folha de pagamento de salários em formato PDF, relativas ao período de 01/2010 a 12/2013; e c) cópias de documentos relativos aos empregados, tais como ficha de registro de empregado, aviso de férias, rescisões de contrato de trabalho, etc.; Fl. 676DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 5 que a empresa foi excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela Lei Complementar n.º 123, de 14/12/2006, com efeitos da exclusão a contar de 01/07/2007, conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/UBL n.º 0099/2015, de 05/11/2015 (DOCUMENTO 1), que seria encaminhado ao contribuinte juntamente com este processo; que a exclusão de ofício da empresa se deu através do Processo n.º 10970.720246/2015-72, em face da Representação Fiscal para Fins de Exclusão do Simples Nacional, e teve como base legal a Lei Complementar n.º 123, de 14/12/2006, em seu artigo 29, inciso IV, que assim dispõe: “Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando: (...) IV - a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas;”; que restou configurada, ainda, a existência de um grupo econômico, embora não constituído formalmente, composto pelas seguintes empresas: Colégio Teorema Ltda. 05.910.265/0001-40 Núcleo Educativo Ltda. 24.811.861/0001-18 Centro de Educação e Cultura Jorge Amado Ltda. 07.166.800/0001-26 Centro Educacional Fernando Sabino Ltda. 07.184.797/0001- 73 Comércio de Alimentação Saudável Ltda. 07.857.678/0001-34 Instituto de Educação Fernando Pessoa Ltda. 10.687.974/0001-49 Instituto de Educação Cora Coralina Ltda. 05.518.747/0001-50 Instituto de Educação Jornalista Roberto Maciel Ltda. 06.268.345/0001-07 Instituto de Educação Zelia Gattay Ltda. 10.734.039/0001-96 Instituto Vigotski de Educação e Cultura Ltda. 02.774.245/0001-00 Instituto de Educação Global 15.065.682/0001-98 Modernize Desenvolvimento em Educação Ltda. 71.238.836/0001-77 SGE Soluções Globais em Educação Ltda. – ME 02.805.697/0001-01 que os valores lançados não foram informados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP); no item “4.1 – LEVANTAMENTOS FP – FOLHA DE PAGAMENTO e CI – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL”: a) que os fatos geradores dos levantamentos são constituídos pelos valores informados em folha de pagamento de salário; b) que os valores considerados como salário de contribuição estão demonstrados no ANEXO I – ITEM 1 (segurado empregado) e ITEM 2 (contribuinte individual); c) que os recolhimentos efetuados através do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), cujos valores foram obtidos através do Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (PGDAS), relativos à contribuição patronal previdenciária (INSS/CPP), foram considerados como crédito conforme ANEXO II; no item “4.2 – LEVANTAMENTO PF – PRESTADOR DE SERVIÇO PESSOA FÍSICA”: a) que o fato gerador das contribuições lançadas é constituído pelos valores pagos a prestadores de serviço pessoa física, sem relação de emprego, considerado segurado contribuinte individual, cujo conceito se encontra na Lei n.º Fl. 677DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 6 8.212/91, em seu artigo 12, inciso V, alínea “g”; b) que a contribuição a cargo da empresa é de 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, conforme artigo 22, inciso III da lei anteriormente citada; c) que, para o cálculo da contribuição a cargo do segurado, deve ser utilizada a alíquota de 11% (onze por cento), conforme previsto na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 21, c/c o artigo 30, § 4º; d) que, em não sendo efetuados os descontos e os recolhimentos, fica a empresa diretamente responsável pela contribuição, de acordo com a Lei n.º 8.212/91, em seu art. 33, § 5º; e) que a identificação dos lançamentos contábeis relativos aos pagamentos efetuados aos prestadores de serviços pessoa física e o demonstrativo do salário de contribuição e da contribuição devida pelo segurado constam do ANEXO III; no item “4.3 – LEVANTAMENTO TA – TRANSPORTADOR AUTONOMO”: a) que o fato gerador deste levantamento é constituído pelos valores pagos a pessoas físicas, prestadores de serviços de transporte de carga e passageiro; b) que, por exercer atividade econômica mediante prestação de serviços sem vínculo de emprego, a filiação do transportador autônomo à Previdência Social é obrigatória, e o seu enquadramento, enquanto segurado, se dá na condição de contribuinte individual, de acordo com o art. 9º, inciso V, alíneas “j” e “l”, c/c o § 15, incisos I e II do Regulamento da Previdência Social (RPS) – Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999; c) que, restando caracterizado o transportador autônomo de carga ou passageiro como segurado contribuinte individual, será devida pela empresa a contribuição previdenciária de 20%, que incidirá sobre sua remuneração; d) que a base de cálculo da contribuição corresponderá a 20% do valor bruto auferido pelo frete, de acordo com o § 4º do art. 201 do RPS; e) que, com relação à contribuição devida pelo segurado, a empresa está obrigada a efetuar a sua arrecadação, descontando-a da respectiva remuneração e recolhendo-a juntamente com a contribuição a seu cargo, conforme disposto na Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, em seu art. 4º; f) que os transportadores autônomos devem contribuir para o SEST e o SENAT, de acordo com a Lei n.º 8.706, de 14/09/1993, em seu art. 7º, inciso II; g) que a Instrução Normativa RFB n.º 971, de 13/11/2009, em seu art. 65, § 5°, normatiza a condição do transportador autônomo enquanto contribuinte do SEST e do SENAT; h) que é de responsabilidade da empresa tomadora dos serviços do transportador autônomo a retenção e o recolhimento de tais contribuições, tendo em vista o contido no art. 78, inciso IV da citada IN; i) que a forma de apuração da base de cálculo da contribuição e a indicação do código FPAS estão previstas no art. 111-I, incisos I e II da IN RFB 971/09; j) que, caso não sejam efetuados os descontos e os recolhimentos, fica a empresa diretamente responsável pelas contribuições devidas pelo segurado, de acordo com a Lei n.º 8.212/91, em seu art. 33, § 5º; k) que os valores pagos aos transportadores autônomos foram obtidos mediante análise das informações contábeis fornecidas pela empresa e estão demonstrados no ANEXO IV; Fl. 678DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 7 que a multa de ofício encontra-se disciplinada pelo art. 44, inciso I da Lei n.º 9.430, de 27/12/1996, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 11.488, de 15/06/2007; que, quando de uma evidente intenção, livre e consciente, do contribuinte de evitar a ocorrência do fato gerador mediante sonegação, fraude ou conluio – caracterizados pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30/11/1964 – a multa passa a ser de 150%, conforme disposto no § 1° do artigo acima citado; que a interposição de pessoa no contrato social da empresa e o atendimento dos interesses dos sócios ocultos, em detrimento dos interesses da sociedade formalmente constituída, caracterizam simulação; que seria aplicada a multa de ofício qualificada no percentual de 150% uma vez que, de acordo com a farta documentação e as informações presentes no processo que resultou na exclusão da empresa do Simples Nacional, restou configurado o intuito de fraude mediante simulação do contrato social da empresa, com a interposição de pessoas no lugar dos reais sócios, administradores e beneficiários das atividades, bem como pela sonegação de tributos, eis que a abertura e aquisição de diversas empresas objetivaram o rateio da receita bruta anual entre elas, de modo a possibilitar a opção pelo sistema simplificado de tributação; que a utilização de interpostas pessoas em seu quadro societário também evitou que a empresa incorresse nas situações de vedação tanto ao tratamento jurídico diferenciado quanto ao regime de tributação, previstas na LC n.º 123/96, em seu art. 3°, § 4°, incisos III, IV e V; que, com base no Código Tributário Nacional (CTN), em seu art. 124, quando da utilização de “laranjas” na constituição de empresas, é possível caracterizar o sócio “de fato” como responsável solidário da pessoa jurídica no polo passivo da obrigação tributária, em razão da existência de interesses comuns na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal; que era factível, ainda, com base no art. 135 do CTN, responsabilizar pessoalmente o sócio “de fato” pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de prática de infração de lei, uma vez que, nessa situação, não seria necessário que o agente compusesse o quadro societário da pessoa jurídica mas, restando provado o exercício das atividades como diretor, a administrasse e atuasse de forma determinante para a prática dos ilícitos, ou seja, praticaria o fato gerador conjuntamente com a pessoa jurídica e se beneficiaria diretamente dos resultados obtidos; que, assim, comprovado que os verdadeiros administradores e beneficiários dos lucros do “empreendimento” não eram aqueles indicados no contrato social, tem-se a ocorrência de dolo, fraude e simulação, devendo o lançamento ser efetuado contra os responsáveis nos termos da lei, que Fl. 679DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 8 responderão solidariamente pelo crédito constituído, na impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação pelo contribuinte; que foram emitidos os Termos de Sujeição Passiva Solidária em face das evidências de que o contrato social e respectivas alterações tivessem sido formalizados com falsa declaração quanto à composição do quadro societário da empresa, eis que sua efetiva representação estaria a cargo de Stoessel Luiz Vinhas Ribeiro, CPF n.º XXXXXXXXX, e de Thomé de Freitas Caires Júnior, CPF n.º XXXXXXXXX; que a interposição de pessoa, por configurar, em tese, crime de falsidade ideológica, previsto no art. 299 do Código Penal, seria objeto de comunicação à autoridade competente para adoção das providências cabíveis; que, de acordo com o contrato social e alterações, a empresa tem como objeto social a prestação de serviço de ensino infantil, fundamental, médio e curso livre de línguas estrangeiras; que as alíquotas aplicadas estão relacionadas no Discriminativo do Débito (DD); que foram apresentados arquivos digitais contendo informações relativas à contabilidade, folha de pagamento e aviso/recibo de férias. A contribuinte e os responsáveis solidários foram regularmente cientificados. Foi apresentada impugnação tempestiva, constando como peticionante somente a empresa Centro de Educação e Cultura Jorge Amado Ltda (e-fls. 274/281). Os argumentos da Impugnação foram bem sintetizados pela decisão de piso: Dos fatos: Informa, aqui, a empresa, que, em síntese, o Fisco alegaria que ela deveria ser excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar n.º 123, de 14/12/2006, por planejamento tributário abusivo, quando a sua constituição ocorresse por interpostas pessoas (artigo 29, inciso IV), e pelo fato da receita bruta global ultrapassar o limite estabelecido pela LC n.º 123/06. Da preliminar – do cerceamento de defesa: Segundo a impugnante, se configuraria cerceamento de defesa com ofensa ao art. 5º, LV da Constituição Federal, quando se criasse óbice à parte ao acesso aos meios e recursos a ela inerentes, ou quando, no tocante à prova, ocorresse a negativa da produção de prova pericial necessária ao deslinde do feito. Destaca que, na hipótese dos autos, teria sido intimada em 21/12/2015, "coincidentemente" às vésperas do recesso forense e do período festivo do Natal e do Ano Novo. Fl. 680DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 9 Entende que, para um caso complexo como esse, em que teria havido fiscalização pelo período de três anos (01/2010 a 12/2013), e a representação possuía 59 laudas com seríssimas acusações, o prazo de 30 (trinta) dias seria insuficiente e desproporcional para a apresentação de impugnação. Afirma que o Fisco teria levado anos para elaborar a representação, que teve sua origem nos Ofícios n.º OF/PR/MG/C/632/2013, de 02/04/2013, e OF/PR/MG/C/1907/2013, de 26/08/2013, encaminhados pelo Ministério Público Federal à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uberlândia, com cópia da decisão de primeira instância prolatada em 05/11/2009 relativa ao processo trabalhista de n.º 0733-2004-063-03-00-2, da Vara do Trabalho de Ituiutaba, que teria requisitado a realização de procedimentos fiscais para a verificação de possível ocorrência de sonegação de contribuição previdenciária por parte das reclamadas Centro Polieducacional de Ituiutaba Ltda (1º reclamado) e Instituto de Educação Carlos Drumond de Andrade Ltda (2º reclamado). Observa que a auditora responsável pelo caso teria elaborado minuciosa representação, com tempo hábil e todas as condições de pesquisar a fundo informações nº sistema da Receita Federal, internet, bem como analisar documentos, e outros meios, e que, ademais, teria contado com o seu apoio, tendo, ao longo desses anos, se demonstrado participativa e colaborado com todo o processo administrativo. Nota que ela, que precisaria de advogado, contador, entre outros profissionais para poder analisar o conjunto fático-probatório e apresentar impugnação, teria sido claramente prejudicada em seu direito de defesa, ficando, por, no mínimo, 15 (quinze)dias, impossibilitada de buscar a orientação e apoio desses profissionais no período de recesso e festividades. Salienta que o prazo concedido seria insuficiente e desproporcional, pois desequilibraria a relação jurídica entre as partes e lhe causaria cerceamento de defesa. E, deste modo, fazendo referência aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa, bem como da razoabilidade e proporcionalidade, requer a dilação e/ou devolução do prazo na ordem de 30 (trinta) dias, para complementação da impugnação, sob pena de nulidade da representação. Do mérito – da questão do contrato de franquia – da alegação de inexistência de grupo econômico: Menciona, aqui, a empresa, que a questão da sua exclusão do SIMPLES teria sido enfrentada a partir da premissa fática de que as empresas Instituto Vigotski de Educação e Cultura Ltda.; Centro de Educação Jorge Amado Ltda.; Centro Educacional Fernando Sabino Ltda.; Instituto de Educação Cora Coralina Ltda.; Instituto de Educação Fernando Pessoa Ltda.; Instituto de Educação Jornalista Roberto Maciel Ltda.; Instituto de Educação Zélia Gattay Ltda.; Núcleo Educativo Ltda.; Colégio Teorema Ltda.; Modernize Desenvolvimento em Educação Ltda.; Fl. 681DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 10 Comercio de Alimentação Saudável Ltda.; SGE Soluções Globais em Educação Ltda. seriam empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico (denominado "GRUPO NACIONAL"), do qual Stoessel Luiz Vinhas Ribeiro e Thome de Freitas Caires Júnior seriam os proprietários/administradores de fato, conforme se extrairia da Representação Fiscal para fins de exclusão do Simples Nacional. Esclarece, então, que teria iniciado suas atividades de ensino, sob a bandeira "NACIONAL", no sistema de franquia, através de contrato de franquia firmado, nº ano de 2004 (cópia do contrato de franquia em anexo), com a empresa Modernize Desenvolvimento em Educação Ltda ME., cujo instrumento jurídico não poderia ser desprezado, com base nas alegações do Fisco. Relata que, no caso, teria firmado com a franqueadora e proprietária da marca "NACIONAL" – Modernize Desenvolvimento em Educação Ltda. ME., um contrato de uso da marca, pelo sistema de franquia, e que, com isso, teria adquirido o direito de explorar a logomarca, os métodos de ensino, as cores e os caracteres que identificam o "NACIONAL" em seus estabelecimentos, a tecnologia, os serviços compartilhados no setor financeiro/operacional(objetivando a otimização de custos), inexistindo qualquer vínculo jurídico ou comercial entre elas, ou com as demais empresas franqueadas. Cita entendimento doutrinário segundo o qual o contrato de franquia se caracterizaria "pela licença outorgada a empresa comercial autônoma, para colocação de produtos no mercado com o uso da marca do titular, que lhe presta assistência técnica e comercial, tudo mediante percentual incidente sobre o respectivo faturamento". Transcreve, em seguida, o art. 2º da Lei n.º 8.955/1994, que disporia que “Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semiexclusiva produtos ou serviços e, eventualmente, também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem que, no entanto, fique caracterizado vínculo empregatício.”. Destaca que o contrato de franquia teria como um elemento essencial e indiscutível que as partes seriam autônomas, cada uma tendo o seu patrimônio (como centro de imputação dos seus direitos e obrigações financeiras), correndo cada uma delas por sua própria conta os riscos correspondentes. Registra que, embora independentes, seria certo que, para o sucesso da franquia, seria necessária a participação ativa na rotina do franqueado, de modo a estabelecer contato direto com as lojas da rede, possibilitando aos franqueados buscarem o aprendizado e a resolução de seus problemas de forma conjunta, sendo a união entre franqueados benéfica para os negócios, trazendo ainda mais o fortalecimento da marca e da rede, e que essa aproximação entre os Fl. 682DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 11 franqueados viria sendo utilizada, com muito sucesso pelas maiores franquias existentes no Brasil. Para ela, assim, diferente do alegado pela fiscalização, a colaboração mútua (seja de serviços; experiências e/ou apoio financeiro) não serviria para descaracterizar o contrato de franquia, sendo que, pelo contrário, a aproximação/colaboração entre franqueadora/franqueados (entre eles também) estaria sendo a fórmula de sucesso de muitas redes de franquia brasileiras. Afirma que, embora existisse em tal contrato um forte elemento de cooperação entre as partes, ainda assim se caracterizaria como um contrato fechado e sinalagmático, no qual as prestações fundamentais das partes se mostrariam uma relação direta de débito e crédito, ou seja, caberia ao franqueador fornecer todas as condições para que o franqueado exercesse o seu negócio e este fazê-lo segundo os limites determinados pelo primeiro. Ressalta, desta forma, que, no caso em tela, não se trataria de grupo econômico, observando que a marca/expressão NACIONAL seria utilizada para designar um sistema de ensino, sendo marca registrada de propriedade da empresa Modernize Desenvolvimento de Educação Ltda. Explica que, na condição de detentora exclusiva da marca NACIONAL a Modernize teria celebrado com ela contratos de franquia para a exploração desta logomarca. Defende que nenhuma irregularidade haveria, no fato de ela e as demais empresas fiscalizadas estarem operando a marca NACIONAL como franqueadas da detentora da marca, não decorrendo deste fato, a formação de grupo econômico, ou qualquer responsabilidade, mesmo que subsidiária destas empresas, uma vez que seriam franquias distintas e autônomas entre si. Observa que as empresas possuiriam cada qual o seu quadro societário e acervo patrimonial próprio, bem como que não teria havido aquisição de fundo de comércio de uma empresa pela outra, não acarretando, o negócio jurídico estabelecido entre a franqueadora e os franqueados, responsabilidade daquelas pelas obrigações fiscais, civis, e trabalhistas contraídas desta, bem como das demais franqueadas. Segundo ela, mesmo que, em decorrência de suas obrigações contratuais, o franqueador-cedente agisse no sentido de divulgação da marca ou na manutenção de requisitos da qualidade do ensino perante o público consumidor, estabelecendo padrões e prestando treinamento direto ao franqueado ou ao pessoal por este admitido, não haveria que se falar em grupo econômico. Alega que se trataria de contrato de franquia, afirmando que a cooperação empresarial não seria capaz, per si, de configurar empresas envolvidas como integrantes de um grupo econômico, eis que a capacidade de controle da qualidade por parte da franqueadora, nº sentido de preservar a integridade da marca cedida, não seria suficiente para caracterizar subordinação de comando próprio do conceito do grupo econômico disposto no art. 22, § 2º da CLT. Fl. 683DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 12 Lembra, então, que a fiscalização teria se utilizado de muitas dados e/ou informações extraídas de processos trabalhistas, e cita artigo doutrinário, segundo o qual: “os grupos de direito somente podem ser formados mediante a celebração de uma convenção(contrato, claro) entre todas as sociedades participantes, cujo objetivo econômico específico estará em se obrigarem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns”; “obrigatória a designação de uma sociedade controladora, ou de comando do grupo, necessariamente brasileira”; “são absolutamente inafastáveis... (i) controle por uma sociedade sobre todas as demais; e que este controle esteja fundado na (ii) titularidade de ações ou de cotas ou, ainda, mediante acordo entre os sócios”; “Nada disto acontece em relação ao contrato de franquia, inexistindo qualquer participação societária entre franqueador e franqueado”. Informa, em seguida, que, em relação ao Direito Trabalhista, o conceito de grupo – grupo econômico por subordinação ou de dominação – se encontraria no parágrafo 2º do art. 2º da CLT, segundo o qual: "Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas". Afirma que, de acordo com o parágrafo 2º do artigo 2º da CLT, todas as empresas integrantes do mesmo grupo econômico responderiam solidariamente pelo pagamento das obrigações trabalhistas, estabelecendo a lei trabalhista uma garantia legal em prol da efetiva solvabilidade dos créditos trabalhistas. Cita entendimento doutrinário no sentido de que “para a configuração do grupo econômico, deve-se avaliar a existência, em maior ou menor grau, de uma unidade diretiva comum, bem como prova consistente desta existência”, sendo a direção unitária o elemento essencial do grupo, porque, se inexistente, as empresas estariam liberadas para cada uma seguir o seu caminho de acordo com as suas determinações, aspecto que retiraria a integração empresarial necessária para que um grupo pudesse ser considerado como tal. Menciona que a Justiça do Trabalho tem identificado grupos de empresas constituídos informalmente a partir dos seguintes indícios: (I) a direção e/ou administração das empresas pelos mesmos sócios e gerentes e o controle de uma pela outra; (II) a origem comum do capital e do patrimônio das empresas; (III) a comunhão ou a conexão de negócios. Frisa, então, que os requisitos do grupo, para os efeitos da CLT, não seriam encontrados no contrato de franquia, a não ser que se provasse fraude ou anomalia contratual, o que não seria o caso. Destaca que, nesse tipo especial de contrato, não haveria controle do franqueador sobre o franqueado (do ponto de vista societário, conforme a LSA) e Fl. 684DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 13 não seria o franqueador o responsável pela direção do franqueado (direção considerada como a prática dos atos de gestão empresarial, sob responsabilidade do administrador). Para ela, portanto, não haveria como responsabilizar o franqueador pelos débitos trabalhistas de seu franqueado e vice-versa, bem como pelos débitos das empresas franqueadas, já que franqueado e franqueador seriam empresas independentes, com gestão própria, capital e patrimônios individuais e administração distinta. Ressalta que as empresas fiscalizadas, na qual ela está incluída, seriam franquias da marca "Nacional", e possuiriam autonomia e independência no desenvolvimento de sua atividade comercial. Explica que, dessa forma, na presente hipótese, a franqueada não se encontraria sob direção, controle ou administração do franqueador, não existindo, portanto, ingerência direta da franqueadora nos negócios dela. Segundo ela, consignada a existência de contrato de franquia entre ela e a franqueadora, restaria inaplicável a exclusão do regime do Simples Nacional, tendo em vista que a franqueada exploraria atividade de forma autônoma e independente em relação ao franqueador, sendo que, na verdade, o que ocorreria seria apenas a cessão do direito de uso de marca. Faz referência, então, ao caso da empresa Engefort, que teria recorrido ao TST alegando que o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP) teria violado o princípio da legalidade, tendo sido o argumento da empresa o de que, conforme a CLT, somente se admitiria grupo econômico formado verticalmente, por ser indispensável a existência de sujeição entre as pessoas jurídicas. Lembra que o parágrafo 2º do artigo 2º da CLT definiria que, quando as empresas, mesmo tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou outra atividade econômica, tanto a principal quanto as subordinadas seriam responsáveis, para os efeitos da relação de emprego. Informa que, ao analisar recurso da Engefort, o relator teria assinalado que, segundo a jurisprudência do TST, a mera existência de sócios em comum e de relação de coordenação entre as empresas não constituiria elemento suficiente para a caracterização do grupo econômico, tendo citado decisão da Subseção I Especializada em Dissídios Individuais(SDI-1), que, ao interpretar o teor do artigo 2º, parágrafo 2º, da CLT, teria pacificado o entendimento a respeito desse tema, e havendo concluído, assim, que a decisão do TRT nº sentido de que a existência de sócio em comum demonstraria a unidade de comando econômico e caracterizaria a formação de grupo econômico entre as empresas teria contrariado esse entendimento. Salienta que referida decisão teria sido unânime, e já teria transitado em julgado – Processo RR-191700-17.2007.5.15.0054. Fl. 685DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 14 E finaliza, afirmando que, dessa forma, na presente hipótese, a franqueada não se encontraria sob direção, controle ou administração do franqueador e/ou de qualquer outra empresa fiscalizada, não existindo, portanto, ingerência direta do franqueador e/ou de qualquer outra empresa fiscalizada nos negócios da franqueada, o que não configuraria a constituição de um grupo econômico, mas, sim, de um contrato de franquia típico Submetida a julgamento, decidiu a 12ª Turma da DRJ/São Paulo pela improcedência da impugnação apresentada. A decisão exarada apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando os Autos de Infração (AI’s) são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendo-lhe concedido prazo para sua manifestação, e quando o Relatório Fiscal e os Anexos dos AI’s, bem como os demais elementos constantes dos autos, oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam as autuações. PEDIDO DE DILAÇÃO DO PRAZO PARA APRESENTAR DEFESA. INDEFERIMENTO. Não é possível a concessão de dilação de prazo para apresentação de defesa, por ausência de previsão normativa. O prazo para impugnação é de 30 (trinta) dias, contados da data de ciência das autuações, nos termos do artigo 15 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DISCUSSÃO INOPORTUNA EM PROCESSO DE LANÇAMENTO FISCAL TRIBUTÁRIO. O foro adequado para a discussão acerca da exclusão da empresa do Simples Nacional é o respectivo processo instaurado para esse fim, não cabendo, em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário, a rediscussão acerca dos motivos que conduziram à expedição de Ato Declaratório Executivo da exclusão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A empresa Centro de Educação e Cultura Jorge Amado Ltda foi intimada do resultado do julgamento da impugnação pela via eletrônica, em 20/02/2018 conforme e-fl. 396. Fl. 686DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 15 Os responsáveis solidários Stoessel Luiz Vinhas Ribeiro e Thome de Freitas Caires Junior foram cientificados do resultado do julgamento pela via postal, também em 20/02/2018, conforme Ars de e-fls. 651/652. Conforme Termo de Solicitação de Juntada de e-fl. 398, em 14/03/2018 foi apresentado Recurso Voluntário em nome de Centro de Educação e Cultura Jorge Amado Ltda. No preâmbulo do recurso (e-fls. 487/504) se verifica como recorrentes “CENTRO DE EDUCAÇÃO E CULTURA JORGE AMADO LTDA. EPP e OUTROS” sugerindo que a peça recursal tenha sido apresentada em conjunto pela empresa e responsáveis solidários. Os argumentos apresentados no Recurso Voluntário podem ser assim sintetizados: Em sede de preliminares: Possibilidade de apresentação de provas após a impugnação - A recorrente sustenta que a juntada de documentos em momento posterior à impugnação deve ser admitida, pois se enquadra na exceção prevista no art. 16, §4º, “a”, do Decreto 70.235/1972. Afirma que a complexidade das acusações fiscais exigiu extensa busca em arquivos próprios, de terceiros, cartórios, instituições financeiras e órgãos públicos, tornando impossível a apresentação de todas as provas no prazo inicial de 30 dias. Nulidade da exclusão do SIMPLES – Afirma que o ato de exclusão do SIMPLES é nulo, pois não apresenta fundamentos específicos que demonstrem a suposta utilização de interpostas pessoas em sua administração. Sustenta que o Termo de Sujeição Passiva Solidária é genérico, não individualiza qualquer conduta e não descreve fatos ou provas, limitando-se a alegações vagas sobre uso da marca “NACIONAL” e suposto grupo econômico. Argumenta que, por se tratar de ato administrativo vinculado, a exclusão exige motivação clara, demonstração dos pressupostos de fato e de direito e apresentação de provas pelo Fisco, conforme arts. 9º e 10 do Decreto 70.235/1972 e art. 142 do CTN. No mérito: Contrato de franquia celebrado entre a Recorrente e a empresa Modernize Desenvolvimento em Educação Ltda. – ME – Inexistência de grupo econômico - Afirma que a utilização da marca “NACIONAL” decorre exclusivamente de contrato de franquia firmado com a empresa Modernize, sem qualquer vínculo societário, gerencial ou de subordinação entre as empresas. Sustenta que franquia não caracteriza grupo econômico, pois não implica comunhão de sócios, gestão comum, compartilhamento de empregados ou unidade operacional Ausência de interesse jurídico comum para fins de solidariedade tributária - A recorrente afirma que não há qualquer participação dos responsáveis solidários na realização do fato gerador dos tributos devidos por outras empresas, inexistindo interesse jurídico comum, como exige o art. 124, I, do CTN. Explica que a mera relação comercial e a utilização de marca comum não configuram solidariedade. Argumenta que solidariedade tributária só se aplica Fl. 687DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 16 quando os sujeitos estão no mesmo polo da relação tributária, o que não ocorre aqui. Deste modo, não há base legal para incluí-los como responsável solidário. Ao final do recurso, reiterou pelo acolhimento das preliminares levantadas para apreciação dos documentos apresentados após a impugnação e a anulação do despacho que determinou a exclusão da empresa do Regime do Simples Nacional. No mérito pugna pelo provimento do recurso para que seja declarada a improcedência da exclusão dos Simples Nacional e requer a realização de sustentação oral perante o Carf. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento dos Recursos Voluntários. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheiro Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior, Relator. 1. Admissibilidade Cientificado da decisão de 1ª. instância em 20/02/2018 (intimação eletrônica à e-fl. 396), o recorrente apresentou, em 14/03/2018 (cf. e-fl. 398), Recurso Voluntário (e-fls. 487/504), sendo tempestivo. Atendido tal requisito de admissibilidade, passo a analisar o conhecimento dos temas abordados em sede de Recurso Voluntário. 1.1 Da exclusão do Simples Nacional e inexistência de grupo econômico O recorrente aduz em preliminar que o ato de exclusão do SIMPLES é nulo, pois não apresenta fundamentos específicos que demonstrem a suposta utilização de interpostas pessoas em sua administração. No mérito, argumenta que os trechos contratuais referentes ao contrato de franquia demonstram claramente não existir qualquer vínculo gerencial entre ela e as demais empresas citadas pela Fiscalização. Sustenta que sua relação com a Modernize se limita ao referido contrato de franquia, pelo qual passou a utilizar a marca “NACIONAL”, sem que isso implique controle, gestão compartilhada ou interferência administrativa da franqueadora. Alega ainda que não se pode falar em grupo econômico apenas pelo uso comum da marca, uma vez que tal circunstância decorre unicamente do modelo de franquia adotado. Para a Fl. 688DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 17 Recorrente, o conceito de grupo econômico exige vínculo de coordenação ou subordinação entre as empresas, com atuação conjunta e organizada para fins econômicos, o que não se verifica no contrato de franquia celebrado. Ressalta também que não há qualquer formalização jurídica que demonstre união societária, subordinação, identidade de interesses ou coordenação operacional entre a Recorrente e as empresas mencionadas pela Fiscalização. Segundo afirma, as pessoas jurídicas não possuem sócios em comum, não compartilham instalações, nem utilizam empregados de forma conjunta, razão pela qual não haveria suporte fático para a presunção de grupo econômico. Com relação ao tópico em análise, vale destacar o que fora reportado pela decisão de piso: Cabe, aqui, observar que, conforme informado no Relatório Fiscal, de fls. 82 a 89, a empresa CENTRO DE EDUCAÇÃO E CULTURA JORGE AMADO LTDA. – EPP(CNPJ 07.166.800/0001-26) foi excluída de ofício do SIMPLES NACIONAL por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uberlândia – MG(DRF/UBL) n.º 99, de 05/11/2015, em decorrência do Processo Administrativo n.º 10970.720246/2015-72. (...) Do mérito – da questão do contrato de franquia – da alegação de inexistência de grupo econômico: No que diz respeito à argumentação da empresa referente ao contrato de franquia firmado com a Modernize Desenvolvimento em Educação Ltda. e à questão do grupo econômico, apresentada em sua defesa, cumpre mencionar que a fiscalização já se pronunciou sobre estas questões, tanto por meio da Representação Fiscal para Fins de Exclusão do Simples Nacional, que consta no processo n.º 10970.720246/2015-72, quanto por meio dos Termos de Sujeição Passiva Solidária n.º 01 e 02, de fls. 90 a 161, relativos ao presente processo administrativo, cabendo, aqui, a esta autoridade julgadora reiterar os seus termos. (...) Com relação à afirmação da impugnante de que restaria inaplicável a sua exclusão do regime do Simples Nacional – tendo por base o seu entendimento no sentido de existência de um contrato de franquia típico, e de não configuração de um grupo econômico – é de se registrar que o foro adequado para a discussão acerca da exclusão da empresa do Simples Nacional é o respectivo processo instaurado para esse fim, qual seja, no caso, o de n.º 10970.720246/2015-72, não cabendo, em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário, a rediscussão acerca dos motivos que conduziram à expedição de Ato Declaratório Executivo (ADE) da exclusão. Cabe observar que, embora a constituição deste crédito seja decorrente da exclusão retro mencionada, a discussão a respeito da exclusão do contribuinte do Fl. 689DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 18 Simples Nacional deve ser levantada e analisada exclusivamente no âmbito do processo respectivo. Tanto é assim que, no referido processo, foi assegurado ao contribuinte o direito de apresentar manifestação de inconformidade contra o citado ADE, no prazo de 30(trinta) dias da ciência. Por sinal, cumpre salientar que a empresa apresentou manifestação de inconformidade, nos autos do processo n.º 10970.720246/2015-72, tendo sido a sua exclusão do Simples Nacional aí discutida e apreciada, pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, em sessão de 07/04/2017, e que tal manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, em primeira instância, por meio do Acórdão n.º 16-77.161. Ressalte-se, aqui, que não cabe reapreciação, no âmbito dos presentes autos, de matéria já decidida em processo próprio. (...) Cabe mencionar, no caso, também, que não há como se acolher, aqui, o pedido da impugnante no sentido de extinção da representação – com o reconhecimento de sua tese de existência de contrato lícito de franquia e de inexistência de grupo econômico – e da sua manutenção no Simples Nacional, lembrando que o presente processo trata apenas da constituição de crédito tributário por meio de Autos de Infração, e não da exclusão da empresa do referido regime tributário diferenciado, que é objeto de processo administrativo diverso, qual seja, o de n.º 10970.720246/2015-72. (sem grifos no original) Conforme relatado anteriormente, o processo em que foi analisada a manifestação de inconformidade, após julgamento pela DRJ em São Paulo não foi objeto de Recurso Voluntário e se encontra arquivado desde 2017. Com relação ao argumento acerca da inexistência de grupo econômico, constato que as menções feitas pelo Relatório Fiscal acerca das demais empresas integrantes do grupo econômico, assim como as citações realizadas pela decisão de piso acerca do processo específico foram no sentido de fazer alusão e caracterizar a existência de grupo econômico como uma das motivações que deram ensejo a exclusão do Regime do Simples Nacional. Nos presentes autos o sujeito passivo é a empresa recorrente (Centro de Educação e Cultura Jorge Amado) e os sócios de fato, sujeitos passivos solidários Stoessel Luiz Vinhas Ribeiro e Thome de Freitas Caíres Junior. Não há outra empresa integrante do grupo econômico arrolada como responsável tributária ou solidária, não havendo se falar em grupo econômico. Nesse sentido, uma vez caracterizada a definitividade da exclusão do Simples Nacional realizada na forma do Ato Declaratório Executivo DRF/UBL/Nº 099/2015, o presente feito não é o foro adequado para rediscussão dos elementos que motivaram a exclusão, tendo sido, na forma acima, oportunizados à recorrente o contraditório e a ampla defesa no que diz respeito a tal exclusão. Fl. 690DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 19 A Súmula CARF nº 77 estabelece de forma cristalina acerca da matéria: Súmula CARF nº 77 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 10/12/2012 A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE)de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Dessa forma, o procedimento de exclusão do Simples Nacional e o lançamento das contribuições decorrentes dessa exclusão constituem atos administrativos distintos e independentes, cada qual com objeto e finalidade próprios. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho, verbis Acórdão Carf 2101-03.168, de 21/07/2025 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 EXCLUSÃO DO REGIME DO SIMPLES. QUESTÃO JÁ DISCUTIDA EM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. A questão referente à exclusão da empresa do regime SIMPLES NACIONAL de tributação por já ter sido discutida em procedimento administrativo próprio, não deve ser novamente analisada nas autuações que buscam constituir o crédito tributário decorrente desta exclusão. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. DESISTÊNCIA POR QUITAÇÃO DO DÉBITO. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, importa na desistência do recurso, que não será conhecido. RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE. ILEGITIMIDADE PARA QUESTIONAMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº. 172. A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado. Acórdão CARF 2102-0.03.711, de 03/04/2025 Ementa(s)Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2018 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL – DEFINITIVIDADE – TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO – AUSÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO – IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO. Fl. 691DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 20 A ausência de interposição de recurso voluntário contra a decisão administrativa que promoveu a exclusão da empresa do Simples Nacional torna essa exclusão definitiva e acobertada pela coisa julgada administrativa, impedindo sua rediscussão em processos fiscais posteriores. LANÇAMENTO DE OFÍCIO VINCULADO À EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL – POSSIBILIDADE – SÚMULA CARF Nº 77 É legítima a constituição de crédito tributário relativo a contribuições sociais previdenciárias com base nas regras aplicáveis às empresas não optantes do Simples Nacional, ainda que em processo distinto, quando a exclusão do regime já tiver sido formalizada. Aplicação da Súmula CARF nº 77: “A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão.” BASE DE CÁLCULO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DECLARADOS EM GFIP – INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO – AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 148 DO CTN O uso das informações declaradas pelo próprio contribuinte em GFIP como base de cálculo para o lançamento de contribuições previdenciárias não configura arbitramento, mas sim aferição direta com base em confissão de dívida. Afasta-se a alegação de ilegalidade prevista no art. 148 do CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE EXCLUSÃO DO SIMPLES – INCIDÊNCIA DAS ALÍQUOTAS DO REGIME GERAL – LEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA Verificada a exclusão do Simples Nacional com efeitos retroativos, a empresa sujeita-se à tributação nos moldes do regime geral, nos termos do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, com exigência das contribuições patronais, GILRAT e de terceiros sobre a folha de pagamento. CERCEAMENTO DE DEFESA – INOCORRÊNCIA – RELATÓRIOS FISCAIS DETALHADOS E CIÊNCIA DA AUTUAÇÃO Não há cerceamento de defesa quando os relatórios e documentos constantes dos autos permitem ao contribuinte a perfeita compreensão dos fatos e fundamentos do lançamento, viabilizando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Recurso voluntário conhecido e, no mérito, negado provimento. Assim, não conheço das alegações do recorrente concernentes à nulidade do Ato Declaratório de Exclusão, por inexistência de grupo econômico, uma vez que se relacionam integralmente à exclusão do recorrente do Simples Nacional. 1.2 Do recurso apresentado pelos responsáveis solidários O Recurso Voluntário foi protocolado em nome de Centro de Educação e Cultura Jorge Amado Ltda e consta a expressão E OUTROS no primeiro parágrafo logo após a qualificação do recorrente, sugerindo que a peça recursal tenha sido apresentada em conjunto pela empresa e responsáveis solidários Stoessel Luiz Vinhas Ribeiro e Thome de Freitas Caires Junior. Fl. 692DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 21 Da análise dos autos verifico que, apesar de terem sido cientificados do crédito, os sócios de fato não apresentaram impugnação ao lançamento. Nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Em vista dessas considerações, por não ter sido instaurado o litígio administrativo com a impugnação tempestiva aos lançamentos, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235 de 1972, o argumentos deduzidos no recurso voluntário relacionados aos responsáveis solidários Stoessel Luiz Vinhas Ribeiro e Thome de Freitas Caires Junior não poderão ser apreciados por esta instância de julgamento. Nesse sentido entendimento sumulado pelo Carf, vejamos: Súmula CARF nº 162 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Dessa forma a matéria relacionada a solidariedade tributária a cargo dos sócios de fato e responsáveis solidários não comporta conhecimento. 1.3 Da responsabilidade solidária questionada pela empresa Já quanto à insurgência do contribuinte referente à responsabilidade solidária imputada a terceiros, reitere-se que o único recorrente (recurso parcialmente conhecido) é o sujeito passivo autuado na qualidade de contribuinte, uma vez que o recurso na parte relacionada aos responsáveis solidários não foi sequer conhecido. Assim, com arrimo na Súmula CARF nº 172, não conheço das alegações relacionadas à necessidade de exclusão dos demais sujeitos passivos solidários (em especial quanto à inexistência do interesse comum previsto no art. 124, I do CTN), verbis: Súmula CARF nº 172 A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado. Portanto, também não merece conhecimento as alegações relacionadas à inexistência de interesse comum, de forma que não se pudesse caracterizar a existência de responsabilidade solidária. 2. Preliminar O recorrente sustenta em preliminar que a juntada de documentos após a apresentação da impugnação deve ser admitida, amparando-se na exceção prevista no art. 16, Fl. 693DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 22 §4º, “a”, do Decreto nº 70.235/1972, que permite a apresentação tardia quando demonstrada a impossibilidade de fazê-lo oportunamente. Argumenta que, diante da complexidade das acusações fiscais e da necessidade de recuperar informações em arquivos próprios, de terceiros, instituições financeiras e órgãos públicos, o prazo legal de 30 dias mostrou-se inviável, especialmente considerando que os fatos fiscalizados remontam ao período de 2009 a 2013. Assinala que a fiscalização desenvolveu suas conclusões ao longo de meses e até anos, mediante diligências e perícias, ao passo que o contribuinte não dispõe de prazo equivalente para rebater toda a construção argumentativa do Fisco. Limitar a produção probatória, assim, violaria o princípio da estrita legalidade e comprometeria a busca pela verdade material, que rege o processo administrativo e tem respaldo no art. 3º, III, da Lei nº 9.784/1999, ao assegurar o direito de apresentar documentos antes da decisão final. Por essas razões, o recorrente requer o conhecimento das provas apresentadas nesta fase, para que passem a integrar regularmente os autos e sejam consideradas no julgamento da impugnação administrativa anteriormente protocolada. Importante esclarecer que o artigo 16 do Decreto nº 70.235 de 1972 limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. A preclusão temporal para a apresentação de provas foi ressalvada apenas nas situações previstas nas alíneas do §4º abaixo reproduzidas: Art.16. A impugnação mencionará: (...) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; Fl. 694DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 23 c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Em que pese o pedido do recorrente no sentido de caracterizar a juntada posterior de documentos por motivo de força maior, na situação em exame é incabível aceitar o pleito uma vez que não restou demonstrado nos autos de forma inequívoca que havia fato impeditivo à sua apresentação junto com a impugnação. Dessa forma, rejeito a preliminar. 3. Multa aplicada A autuação fiscal aplicou a multa qualificada de 150% sobre as contribuições apuradas, em razão da exclusão da empresa do Simples Nacional. Considerou-se como clara a estratégia fraudulenta adotada com a interposição de pessoas jurídicas e a estratégia do grupo econômico para manter empresa no Simples diminuindo a tributação devida. A decisão de piso entendeu que a multa da forma qualificada estaria embasada na legislação e que as empresas envolvidas e sócio administrador teriam agido em ajuste doloso para reduzir a carga tributária, senão, vejamos: E, por fim, é de se registrar que deve ser, aqui, mantida a multa de ofício qualificada no percentual de 150%, tendo restado configurado, no caso, o intuito de fraude mediante simulação do contrato social da empresa, com a interposição de pessoas no lugar dos reais sócios, administradores e beneficiários das atividades, bem como pela sonegação de tributos, eis que a abertura e aquisição de diversas empresas objetivaram o rateio da receita bruta anual entre elas, de modo a possibilitar a opção pelo sistema simplificado de tributação, conforme explicitado no Relatório Fiscal, de fls. 82 a 89. No presente caso, entendo que ficou comprovada a intenção de fraudar o Fisco e que a multa qualificada deve ser mantida. Ressalto que, com a alteração promovida pela Lei nº. 14.689/2023, no artigo 44 da Lei nº. 9.430/96, e a aplicação do princípio da retroatividade da norma mais benigna, a penalidade deve ser reduzida a 100%. 4. Sustentação oral e memoriais Registre-se que a patrona da recorrente realizou sustentação oral por videoconferência, oportunidade em que reiterou os argumentos constantes do Recurso Voluntário e reforçados nos memoriais apresentados. Nos referidos memoriais, foi mencionada decisão proferida no âmbito da Justiça Federal, nos autos do processo nº 1004718-51.2023.4.06.3803, com o objetivo de demonstrar a suposta irregularidade do procedimento administrativo que resultou na exclusão do regime do Simples Nacional. Ocorre que, da análise do material apresentado, verifica-se que o caso judicial invocado não se refere à CENTRO DE EDUCAÇÃO E CULTURA JORGE AMADO LTDA. – EPP, recorrente nestes autos, mas a outra pessoa jurídica, vinculada a procedimento administrativo Fl. 695DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.594 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720301/2015-24 24 diverso. Não há, portanto, identidade subjetiva entre o processo judicial citado e o presente processo administrativo (10970.720301/2015-24), circunstância que impede a utilização daquele precedente como fundamento para infirmar as conclusões aqui adotadas. Assim, por tratar de situação fática e jurídica estranha à recorrente destes autos, a decisão mencionada nos memoriais não possui aptidão para alterar o entendimento firmado neste voto. 5. Conclusão Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso com relação responsáveis solidários, conhecer parcialmente do recurso do contribuinte, não conhecendo das alegações referentes ao Ato Declaratório de Exclusão do Simples e seus efeitos; a inexistência de grupo econômico e quanto à responsabilidade solidária dos demais sujeitos passivos e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar dar-lhe parcial provimento para reduzir a multa a 100%. Assinado Digitalmente Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior Fl. 696DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 13896.902905/2019-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 16/12/2016
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO.
É incabível o conhecimento de tese apresentada apenas em Recurso Voluntário, relativa à fixação de marco temporal para a exigibilidade do tributo com base em alteração interpretativa da Receita Federal, quando ausente da Manifestação de Inconformidade. Caracterizada a inovação recursal, aplica-se a preclusão prevista no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, afastando-se o exame da matéria.
Numero da decisão: 1302-007.821
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da inovação recursal, encontrando-se a matéria alcançada pela preclusão processual. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-007.802, de 20 de fevereiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 10882.907850/2020-68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
SÉRGIO MAGALHÃES LIMA – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nimer Chamas, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral), Míriam Costa Faccin, Natália Uchoa Brandão, Sérgio Magalhães Lima (Presidente).
Nome do relator: SERGIO MAGALHAES LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 16/12/2016 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. É incabível o conhecimento de tese apresentada apenas em Recurso Voluntário, relativa à fixação de marco temporal para a exigibilidade do tributo com base em alteração interpretativa da Receita Federal, quando ausente da Manifestação de Inconformidade. Caracterizada a inovação recursal, aplica-se a preclusão prevista no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, afastando-se o exame da matéria.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 16/12/2016 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. É incabível o conhecimento de tese apresentada apenas em Recurso Voluntário, relativa à fixação de marco temporal para a exigibilidade do tributo com base em alteração interpretativa da Receita Federal, quando ausente da Manifestação de Inconformidade. Caracterizada a inovação recursal, aplica-se a preclusão prevista no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, afastando-se o exame da matéria. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da inovação recursal, encontrando-se a matéria alcançada pela preclusão processual. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-007.802, de 20 de fevereiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 10882.907850/2020-68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente SÉRGIO MAGALHÃES LIMA – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nimer Chamas, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral), Míriam Costa Faccin, Natália Uchoa Brandão, Sérgio Magalhães Lima (Presidente). Fl. 179DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.821 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.902905/2019-49 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto em face de decisão de primeira instância que deixou de conhecer da manifestação de inconformidade apresentada, concluindo, por conseguinte, pela inexistência de direito relativo a crédito declarado em PER/DCOMP, no qual o interessado informou recolhimento indevido de IRRF. O Despacho Decisório, com fundamento em Parecer técnico, não reconheceu o crédito pleiteado. O Parecer examinou o presente pedido em conjunto com outros de mesma natureza, todos relacionados à alegação de pagamento indevido de IRRF incidente sobre remessas ao exterior decorrentes da remuneração de direitos. Consta do relatório da DRJ que o interessado fundamentou seu pedido em decisão proferida em Mandado de Segurança, do qual não é parte, bem como em ação própria (Mandado de Segurança), ainda pendente de decisão à época. O Parecer registrou que a Solução de Divergência Cosit nº 27/2008 havia afastado a incidência do IRRF nessas hipóteses, mas que esse entendimento foi alterado pela Solução de Consulta Cosit nº 154/2016, publicada em 07/12/2016, posteriormente ratificada pela Solução de Divergência Cosit nº 18/2017, que cancelou o entendimento anterior. Destacou-se que tais atos possuem efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil, e que a decisão judicial invocada não produz efeitos em relação ao interessado, nem havia decisão favorável em sua própria ação judicial. Concluiu-se, assim, que são devidos os recolhimentos de IRRF sobre remessas ao exterior com período de apuração posterior a 07/12/2016, afastando o direito creditório alegado. O interessado foi cientificado da decisão e apresentou Manifestação de Inconformidade. Nela, sustentou que a Solução de Consulta Cosit nº 154/2016 contrariou entendimento anteriormente consolidado e adotou distinção indevida entre licença de uso e licença de comercialização de software, em desacordo com a orientação do STF no RE nº 176.626/SP. Argumentou que os valores pagos ao exterior correspondem à aquisição de mercadoria para revenda, inexistindo remuneração autônoma pelo direito de distribuição, ainda que os contratos utilizem essa terminologia. Ressaltou, ainda, que, com a evolução tecnológica, o software passou a ser disponibilizado por meio digital, e cita o REsp nº 1.641.775/SP como precedente favorável à sua tese. A DRJ decidiu pelo não conhecimento da manifestação apresentada, ao fundamento de que houve renúncia à instância administrativa, em virtude da propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com idêntico objeto. Entendeu-se que a submissão da controvérsia ao Poder Judiciário afasta a possibilidade de apreciação da matéria na esfera administrativa, nos Fl. 180DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.821 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.902905/2019-49 3 termos da jurisprudência consolidada sobre a concomitância entre as instâncias administrativa e judicial Após ciência da decisão, interpôs recurso voluntário no qual sustenta que a causa de pedir da ação judicial proposta (Mandado de Segurança) não coincide com a matéria tratada na impugnação administrativa, de modo que o processo administrativo deveria prosseguir em relação à tese que não está submetida à jurisdição judicial. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo, tendo em vista a ciência da decisão de primeira instância em 15/05/2024 (fls. 64) e sua interposição em 14/06/2024 (fls. 67/74), motivo pelo qual passo ao exame das razões recursais. O contribuinte, em seu recurso, sustenta que a causa de pedir da ação judicial (Mandado de Segurança nº 5000711-92.2020.4.03.6144) não coincide com a matéria tratada na impugnação administrativa, de modo que o processo administrativo deveria prosseguir em relação à tese que não está submetida à jurisdição judicial. A tese recursal desenvolvida pelo contribuinte consiste na fixação do marco temporal de validade da exigência fiscal com base nas alterações interpretativas promovidas pela Receita Federal, especialmente a partir da publicação do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 07/2017. Sustenta que, se o entendimento anterior, consubstanciado na Solução de Divergência COSIT nº 27/2008, foi cancelado apenas com o ADI nº 07/2017, publicado em 26/12/2017, apenas a partir dessa data poderia a nova interpretação produzir efeitos. Assim, as compensações e restituições relativas a períodos anteriores seriam legítimas, mesmo diante da nova posição da RFB. Ao final de seu recurso, conclui: 10. Foram estes os esclarecimentos prestados pela Recorrente em Manifestação de Inconformidade que, por uma interpretação expansiva da vedação lançada na Súmula Carf nº 01, não foram analisados. 11.Entretando, o que se vê é apenas um apontamento de incorreção de datas para a exigibilidade do tributo em questão, onde comprovou-se que Fl. 181DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.821 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.902905/2019-49 4 os recolhimento efetuados a tal título (Código DARF 9427) até 26.12.17 seriam indevidos, legitimando os respectivos pedidos de restituição/compensação, muito diferente do abordado do Mandado de Segurança trazido à baila, onde o que se busca é o efetivo reconhecimento da inexigibilidade, de forma ampla, da não incidência do IRRF sobre as importâncias remetidas ao exterior para pagamento de softwares padronizados. 12.Nesse sentido, a matéria desenvolvida na manifestação não analisada pela r. autoridade fiscal estampa o nítido erro da administração na sucessão de interpretações – Solução de consulta, nova solução de divergência e ato declaratório – e suas respectivas datas de vigência, não fazendo qualquer menção ou análise do mérito ou razoabilidade da exigência tributária versada, essa sim discutida na ação judicial. Todavia, embora o Recorrente afirme, no item 10 de seu recurso (reproduzido acima), que os esclarecimentos ora apresentados já teriam sido prestados em sede de Manifestação de Inconformidade, o exame dessa peça revela que a matéria atualmente suscitada não foi oportunamente arguida. Naquela ocasião, a insurgência limitou-se a sustentar a inexigibilidade do IRRF em qualquer hipótese, com fundamento na natureza jurídica das remessas ao exterior, qualificadas como aquisição de software padronizado, sem, contudo, desenvolver argumentação específica quanto à eventual aplicação prospectiva de nova interpretação administrativa ou à definição de marco temporal para a produção de seus efeitos. Verifica-se, assim, que a tese segundo a qual a exigência somente seria válida a partir de 26/12/2017 — ou, alternativamente, de abril de 2017 — foi suscitada exclusivamente em sede de Recurso Voluntário, configurando inovação recursal, em afronta ao disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que delimita o objeto litigioso às matérias oportunamente impugnadas. Desse modo, a matéria veiculada no Recurso Voluntário não pode ser conhecida, não em razão da renúncia à instância administrativa, nos termos da decisão recorrida com fundamento na Súmula CARF nº 1, mas em virtude da preclusão consumativa, uma vez que não foi suscitada no momento processual próprio. O seu conhecimento nesta fase implicaria indevida supressão de instância, com a necessidade de devolução dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para apreciação de questão não previamente impugnada, em desconformidade com o disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, segundo o qual se considera Fl. 182DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.821 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.902905/2019-49 5 não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Não se trata, ademais, de hipótese de admissão excepcional de prova documental destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, nos termos do art. 16, § 4º, alínea “c”, do referido diploma legal, porquanto a questão ora suscitada não decorre de fato superveniente nem constitui mera contraposição a elementos introduzidos posteriormente no processo, mas representa fundamento jurídico autônomo que deveria ter sido oportunamente deduzido na Manifestação de Inconformidade. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em razão da inovação recursal, encontrando-se a matéria alcançada pela preclusão processual. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da inovação recursal, encontrando-se a matéria alcançada pela preclusão processual. Assinado Digitalmente SÉRGIO MAGALHÃES LIMA – Presidente Redator Fl. 183DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10882.907864/2020-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 17/11/2017
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO.
É incabível o conhecimento de tese apresentada apenas em Recurso Voluntário, relativa à fixação de marco temporal para a exigibilidade do tributo com base em alteração interpretativa da Receita Federal, quando ausente da Manifestação de Inconformidade. Caracterizada a inovação recursal, aplica-se a preclusão prevista no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, afastando-se o exame da matéria.
Numero da decisão: 1302-007.804
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da inovação recursal, encontrando-se a matéria alcançada pela preclusão processual. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-007.802, de 20 de fevereiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 10882.907850/2020-68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
SÉRGIO MAGALHÃES LIMA – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nimer Chamas, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral), Míriam Costa Faccin, Natália Uchoa Brandão, Sérgio Magalhães Lima (Presidente).
Nome do relator: SERGIO MAGALHAES LIMA
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 17/11/2017 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. É incabível o conhecimento de tese apresentada apenas em Recurso Voluntário, relativa à fixação de marco temporal para a exigibilidade do tributo com base em alteração interpretativa da Receita Federal, quando ausente da Manifestação de Inconformidade. Caracterizada a inovação recursal, aplica-se a preclusão prevista no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, afastando-se o exame da matéria. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da inovação recursal, encontrando-se a matéria alcançada pela preclusão processual. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-007.802, de 20 de fevereiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 10882.907850/2020-68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente SÉRGIO MAGALHÃES LIMA – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nimer Chamas, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral), Míriam Costa Faccin, Natália Uchoa Brandão, Sérgio Magalhães Lima (Presidente). Fl. 86DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.804 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.907864/2020-81 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto em face de decisão de primeira instância que deixou de conhecer da manifestação de inconformidade apresentada, concluindo, por conseguinte, pela inexistência de direito relativo a crédito declarado em PER/DCOMP, no qual o interessado informou recolhimento indevido de IRRF. O Despacho Decisório, com fundamento em Parecer técnico, não reconheceu o crédito pleiteado. O Parecer examinou o presente pedido em conjunto com outros de mesma natureza, todos relacionados à alegação de pagamento indevido de IRRF incidente sobre remessas ao exterior decorrentes da remuneração de direitos. Consta do relatório da DRJ que o interessado fundamentou seu pedido em decisão proferida em Mandado de Segurança, do qual não é parte, bem como em ação própria (Mandado de Segurança), ainda pendente de decisão à época. O Parecer registrou que a Solução de Divergência Cosit nº 27/2008 havia afastado a incidência do IRRF nessas hipóteses, mas que esse entendimento foi alterado pela Solução de Consulta Cosit nº 154/2016, publicada em 07/12/2016, posteriormente ratificada pela Solução de Divergência Cosit nº 18/2017, que cancelou o entendimento anterior. Destacou-se que tais atos possuem efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil, e que a decisão judicial invocada não produz efeitos em relação ao interessado, nem havia decisão favorável em sua própria ação judicial. Concluiu-se, assim, que são devidos os recolhimentos de IRRF sobre remessas ao exterior com período de apuração posterior a 07/12/2016, afastando o direito creditório alegado. O interessado foi cientificado da decisão e apresentou Manifestação de Inconformidade. Nela, sustentou que a Solução de Consulta Cosit nº 154/2016 contrariou entendimento anteriormente consolidado e adotou distinção indevida entre licença de uso e licença de comercialização de software, em desacordo com a orientação do STF no RE nº 176.626/SP. Argumentou que os valores pagos ao exterior correspondem à aquisição de mercadoria para revenda, inexistindo remuneração autônoma pelo direito de distribuição, ainda que os contratos utilizem essa terminologia. Ressaltou, ainda, que, com a evolução tecnológica, o software passou a ser disponibilizado por meio digital, e cita o REsp nº 1.641.775/SP como precedente favorável à sua tese. A DRJ decidiu pelo não conhecimento da manifestação apresentada, ao fundamento de que houve renúncia à instância administrativa, em virtude da propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com idêntico objeto. Entendeu-se que a submissão da controvérsia ao Poder Judiciário afasta a possibilidade de apreciação da matéria na esfera administrativa, nos Fl. 87DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.804 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.907864/2020-81 3 termos da jurisprudência consolidada sobre a concomitância entre as instâncias administrativa e judicial Após ciência da decisão, interpôs recurso voluntário no qual sustenta que a causa de pedir da ação judicial proposta (Mandado de Segurança) não coincide com a matéria tratada na impugnação administrativa, de modo que o processo administrativo deveria prosseguir em relação à tese que não está submetida à jurisdição judicial. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo, tendo em vista a ciência da decisão de primeira instância em 15/05/2024 (fls. 64) e sua interposição em 14/06/2024 (fls. 67/74), motivo pelo qual passo ao exame das razões recursais. O contribuinte, em seu recurso, sustenta que a causa de pedir da ação judicial (Mandado de Segurança nº 5000711-92.2020.4.03.6144) não coincide com a matéria tratada na impugnação administrativa, de modo que o processo administrativo deveria prosseguir em relação à tese que não está submetida à jurisdição judicial. A tese recursal desenvolvida pelo contribuinte consiste na fixação do marco temporal de validade da exigência fiscal com base nas alterações interpretativas promovidas pela Receita Federal, especialmente a partir da publicação do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 07/2017. Sustenta que, se o entendimento anterior, consubstanciado na Solução de Divergência COSIT nº 27/2008, foi cancelado apenas com o ADI nº 07/2017, publicado em 26/12/2017, apenas a partir dessa data poderia a nova interpretação produzir efeitos. Assim, as compensações e restituições relativas a períodos anteriores seriam legítimas, mesmo diante da nova posição da RFB. Ao final de seu recurso, conclui: 10. Foram estes os esclarecimentos prestados pela Recorrente em Manifestação de Inconformidade que, por uma interpretação expansiva da vedação lançada na Súmula Carf nº 01, não foram analisados. 11.Entretando, o que se vê é apenas um apontamento de incorreção de datas para a exigibilidade do tributo em questão, onde comprovou-se que Fl. 88DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.804 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.907864/2020-81 4 os recolhimento efetuados a tal título (Código DARF 9427) até 26.12.17 seriam indevidos, legitimando os respectivos pedidos de restituição/compensação, muito diferente do abordado do Mandado de Segurança trazido à baila, onde o que se busca é o efetivo reconhecimento da inexigibilidade, de forma ampla, da não incidência do IRRF sobre as importâncias remetidas ao exterior para pagamento de softwares padronizados. 12.Nesse sentido, a matéria desenvolvida na manifestação não analisada pela r. autoridade fiscal estampa o nítido erro da administração na sucessão de interpretações – Solução de consulta, nova solução de divergência e ato declaratório – e suas respectivas datas de vigência, não fazendo qualquer menção ou análise do mérito ou razoabilidade da exigência tributária versada, essa sim discutida na ação judicial. Todavia, embora o Recorrente afirme, no item 10 de seu recurso (reproduzido acima), que os esclarecimentos ora apresentados já teriam sido prestados em sede de Manifestação de Inconformidade, o exame dessa peça revela que a matéria atualmente suscitada não foi oportunamente arguida. Naquela ocasião, a insurgência limitou-se a sustentar a inexigibilidade do IRRF em qualquer hipótese, com fundamento na natureza jurídica das remessas ao exterior, qualificadas como aquisição de software padronizado, sem, contudo, desenvolver argumentação específica quanto à eventual aplicação prospectiva de nova interpretação administrativa ou à definição de marco temporal para a produção de seus efeitos. Verifica-se, assim, que a tese segundo a qual a exigência somente seria válida a partir de 26/12/2017 — ou, alternativamente, de abril de 2017 — foi suscitada exclusivamente em sede de Recurso Voluntário, configurando inovação recursal, em afronta ao disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que delimita o objeto litigioso às matérias oportunamente impugnadas. Desse modo, a matéria veiculada no Recurso Voluntário não pode ser conhecida, não em razão da renúncia à instância administrativa, nos termos da decisão recorrida com fundamento na Súmula CARF nº 1, mas em virtude da preclusão consumativa, uma vez que não foi suscitada no momento processual próprio. O seu conhecimento nesta fase implicaria indevida supressão de instância, com a necessidade de devolução dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para apreciação de questão não previamente impugnada, em desconformidade com o disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, segundo o qual se considera Fl. 89DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.804 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.907864/2020-81 5 não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Não se trata, ademais, de hipótese de admissão excepcional de prova documental destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, nos termos do art. 16, § 4º, alínea “c”, do referido diploma legal, porquanto a questão ora suscitada não decorre de fato superveniente nem constitui mera contraposição a elementos introduzidos posteriormente no processo, mas representa fundamento jurídico autônomo que deveria ter sido oportunamente deduzido na Manifestação de Inconformidade. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em razão da inovação recursal, encontrando-se a matéria alcançada pela preclusão processual. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da inovação recursal, encontrando-se a matéria alcançada pela preclusão processual. Assinado Digitalmente SÉRGIO MAGALHÃES LIMA – Presidente Redator Fl. 90DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900821/2012-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2009
IRRF. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO.
Comprovado em sede de diligência o crédito postulado, reconhece-se o direito a sua compensação.
Numero da decisão: 1002-004.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva – Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Aílton Neves da Silva (Presidente), Ricardo Pezzuto Rufino, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luís Ângelo Carneiro Baptista, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó e Andrea Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO. Comprovado em sede de diligência o crédito postulado, reconhece-se o direito a sua compensação. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Aílton Neves da Silva (Presidente), Ricardo Pezzuto Rufino, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luís Ângelo Carneiro Baptista, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó e Andrea Viana Arrais Egypto. RELATÓRIO Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade, aproveito e reproduzo parcialmente o relatório produzido pelo Acórdão recorrido, complementando-o ao final. Fl. 1431DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.230 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10283.900821/2012-14 2 Trata-se de manifestação de inconformidade contra a NÃO HOMOLOGAÇÃO de compensação declarada. O despacho decisório questionado foi exarado nos seguintes termos: (...) Cientificado do despacho decisório em 19/03/2012, conforme Aviso de Recebimento dos Correios à fl. 184, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 24/04/2012 (fl. 2), alegando, em síntese, ter havido pagamento indevido, devido a incorreção da DCTF. Junta demonstrativo da Folha de Pagamento para justificar a incorreção. Em 04/06/2012 (fl. 193) a manifestante foi intimada do Comunicado da SEORT/DRF-MANAUS (fls. 191-192) a respeito do arquivamento do processo devido à intempestividade da manifestação de inconformidade. Irresignada, em 14/06/2012 a manifestante apresentou recurso contra a declaração de intempestividade da manifestação de inconformidade, alegando tê- la protocolado pelos correios em 18/04/2012, data que deveria ser considerada como sendo a do protocolo, nos termos do Ato Declaratório Cosit nº 19/1997. Alega, por fim, que tendo sido intimada do despacho decisório em 19/03/2012, seu prazo para apresentação de defesa em 30 dias se encerraria em 18/04/2012, portanto sua manifestação de inconformidade seria tempestiva. Conforme acórdão n. 16-90.282, de 11 de outubro de 2019 (e-fl. 255), a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/SPO, pelas razões que se seguem: O motivo da não homologação da compensação declarada residiu no fato do direito creditório informado na DCOMP referir-se a pagamento utilizado integralmente na quitação de débito regularmente confessado em DCTF. Alega a manifestante que teria equivocadamente realizado pagamento indevido. O reconhecimento do indébito de IRRF, passível de embasar pedidos de restituição / ressarcimento, somente é possível quando o alegado indébito não se encontrar confessado pela empresa em DCTF. Em pesquisa ao sistema DCTF, observa-se que não houve a retificação da declaração vigente (15/12/2009) ao tempo do despacho decisório (01/03/2012), como se comprova pelas telas abaixo: (...) A necessidade de retificação de DCTF em pedido de restituição ou declaração de compensação é disciplinada no Parecer Normativo COSIT nº. 2, de 28 de agosto de 2015, como se lê abaixo: (...) Fl. 1432DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.230 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10283.900821/2012-14 3 Conforme o texto transcrito, é indispensável a retificação da DCTF, o que não ocorreu no presente caso. Aponte-se, ainda, que ao tempo da apresentação da manifestação de inconformidade, a DCTF ainda era passível de retificação, haja vista que o prazo extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração, conforme prescreve a Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 5º. (...) Em resumo, temos um pagamento alegadamente indevido, porém sem a retificação da DCTF (retificável ao tempo do PER/DCOMP), que é exigida nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 2, de 28 de agosto de 2015. Temos, por isso, que o débito é devido e o despacho decisório está correto em não homologar a compensação declarada e deve ser mantido. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário de e-fls. 269, no qual, em síntese, alega que: - deveria ter declarado em DCTF que o débito do referido IRRF sobre rendimentos do trabalho assalariado perfazia o valor de R$ 100.061,39; - demonstrou a composição dos valores que acarretaram a apuração correta do IRRF sobre rendimentos do trabalho assalariado, para o mês de janeiro de 2009, no valor de R$ 100.061,39; - houve, de fato, mero erro material no preenchimento da DCTF, que pode e deve ser sanado pela autoridade administrativa, para fins de reconhecimento do pagamento indevido (em duplicidade) ora pugnado como gerativo de crédito compensável; - ainda que a Recorrente não tenha efetuado a retificação da sua DCTF, de janeiro de 2009, para corrigir o valor efetivamente devido de R$ 100.061,39 (cem mil e sessenta e um reais e trinta e nove centavos), tal fato não desconstitui o seu direito ao crédito, diante do pagamento indevido de IRRF; -Inclusive, este C. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais firmou entendimento, exatamente neste sentido, afirmando que a falta de retificação da DCTF não impede o reconhecimento do direito ao crédito, quando o contribuinte apresenta documentos suficientes a comprová-lo. Após uma primeira análise dos autos, o colegiado decidiu baixar o processo em diligência, conforme Resolução n.º 1002-000.461, desta 2.ª Turma Extraordinária (e-fls. 308), a seguir reproduzida: Fl. 1433DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.230 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10283.900821/2012-14 4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência e remeter os autos à Unidade de Origem, devendo o órgão administrativo: 1) verificar a procedência do crédito vindicado por meio de análise da escrituração contábil-fiscal do sujeito passivo; 2) confirmar se as receitas que derem origem as retenções pleiteadas foram oferecidas à tributação no respectivo período-base examinado, conforme exigência da legislação tributária; 3) elaborar Relatório circunstanciado conclusivo sobre o resultado da verificação. Em Relatório de Diligência a Unidade Preparadora apresentou esclarecimentos (e- fls. 1391) e o Recorrente, suas contrarrazões. Após, os autos foram encaminhados a esta relatoria para prosseguimento. É o relatório do necessário. VOTO Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 43 c/c o art. 65 da Portaria MF nº 1.634/2023 (Regimento Interno do CARF). Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Como dito no preâmbulo, a controvérsia instalada diz respeito à comprovação da existência de indébito relativo a IRRF, cujo pleito foi julgado improcedente pela instância a quo, basicamente, por ausência de retificação do débito na DCTF do período-base examinado. Em sede recursal, o Recorrente apresentou argumentação e documentos que indicavam a probabilidade de inexistência do crédito vindicado, motivo pelo qual o colegiado decidiu baixar o processo em diligência. Em cumprimento à diligência, a Unidade de Origem exarou o Despacho EQAUD/DRF/MNS Nº 930/2025, de 01 de julho de 2025, integralmente reproduzido a seguir (destaques deste relator): Fl. 1434DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.230 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10283.900821/2012-14 5 Prezados, atendendo ao disposto na Resolução nº 1002.000.461 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária, de 9 de agosto de 2023, onde houve conversão do julgamento em diligência solicitando o abaixo disposto, apresento os dados que foram apurados. “1) verificar a procedência do crédito vindicado por meio de análise da escrituração contábil-fiscal do sujeito passivo; 2) confirmar se as receitas que derem origem as retenções pleiteadas foram oferecidas à tributação no respectivo período-base examinado, conforme exigência da legislação tributária; 3) elaborar Relatório circunstanciado conclusivo sobre o resultado da verificação; 4) cientificar o Recorrente do resultado da diligência, reabrindo lhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação quanto ao relatório produzido” Verificando a escrituração contábil-fiscal do sujeito passivo foi possível verificar discrepância entre valores informados na DCTF e na DIRF, sendo a segunda menor, motivo o qual foi emitida a Intimação nº 1196/2025-EQAUD/DRF- MANAUS/AM, solicitando que fosse apresentada a documentação relacionada à informações previdenciárias, tendo em vista que o crédito pleiteado (código de receita 0561 – IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado) tem relação direta com a folha de pagamento. O contribuinte, dentro do prazo previsto, apresentou toda documentação solicitada, bem como diversos documentos que julgava necessário aos esclarecimentos necessários a elucidar a questão. Por fim, verificado toda documentação apresentada, DIRF e Portal IRPJ, juntamente com os pagamentos realizados do contribuinte, foi possível atestar que o contribuinte faz jus ao direito creditório pleiteado em sua totalidade, em que pese ter ocorrido o erro no preenchimento da DCTF ainda que tenha havido 2 retificações desta. (...) Como se observa do destaque, a Unidade preparadora atestou, em sua totalidade, o direito creditório reclamado. Não havendo ressalvas a fazer relacionadas à mencionada Informação Fiscal, deve ser dado provimento ao recurso. Fl. 1435DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.230 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10283.900821/2012-14 6 Dispositivo Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso, reconhecendo o crédito vindicado e homologando a compensação até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva. Fl. 1436DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907825/2020-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 12/05/2017
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO.
É incabível o conhecimento de tese apresentada apenas em Recurso Voluntário, relativa à fixação de marco temporal para a exigibilidade do tributo com base em alteração interpretativa da Receita Federal, quando ausente da Manifestação de Inconformidade. Caracterizada a inovação recursal, aplica-se a preclusão prevista no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, afastando-se o exame da matéria.
Numero da decisão: 1302-007.756
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da inovação recursal, encontrando-se a matéria alcançada pela preclusão processual. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-007.753, de 20 de fevereiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 10882.907822/2020-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
SÉRGIO MAGALHÃES LIMA – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nimer Chamas, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral), Míriam Costa Faccin, Natália Uchoa Brandão, Sérgio Magalhães Lima (Presidente).
Nome do relator: SERGIO MAGALHAES LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 12/05/2017 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. É incabível o conhecimento de tese apresentada apenas em Recurso Voluntário, relativa à fixação de marco temporal para a exigibilidade do tributo com base em alteração interpretativa da Receita Federal, quando ausente da Manifestação de Inconformidade. Caracterizada a inovação recursal, aplica-se a preclusão prevista no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, afastando-se o exame da matéria.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 12/05/2017 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. É incabível o conhecimento de tese apresentada apenas em Recurso Voluntário, relativa à fixação de marco temporal para a exigibilidade do tributo com base em alteração interpretativa da Receita Federal, quando ausente da Manifestação de Inconformidade. Caracterizada a inovação recursal, aplica-se a preclusão prevista no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, afastando-se o exame da matéria. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da inovação recursal, encontrando-se a matéria alcançada pela preclusão processual. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-007.753, de 20 de fevereiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 10882.907822/2020-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente SÉRGIO MAGALHÃES LIMA – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nimer Chamas, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral), Míriam Costa Faccin, Natália Uchoa Brandão, Sérgio Magalhães Lima (Presidente). Fl. 90DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.756 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.907825/2020-84 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto em face de decisão de primeira instância que deixou de conhecer da manifestação de inconformidade apresentada, concluindo, por conseguinte, pela inexistência de direito relativo a crédito declarado em PER/DCOMP, no qual o interessado informou recolhimento indevido de IRRF. O Despacho Decisório, com fundamento em Parecer técnico, não reconheceu o crédito pleiteado. O Parecer examinou o presente pedido em conjunto com outros de mesma natureza, todos relacionados à alegação de pagamento indevido de IRRF incidente sobre remessas ao exterior decorrentes da remuneração de direitos. Consta do relatório que o interessado fundamentou seu pedido em decisão proferida em Mandado de Segurança, do qual não é parte, bem como em ação própria (Mandado de Segurança), ainda pendente de decisão à época. O Parecer registrou que a Solução de Divergência Cosit nº 27/2008 havia afastado a incidência do IRRF nessas hipóteses, mas que esse entendimento foi alterado pela Solução de Consulta Cosit nº 154/2016, publicada em 07/12/2016, posteriormente ratificada pela Solução de Divergência Cosit nº 18/2017, que cancelou o entendimento anterior. Destacou-se que tais atos possuem efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil, e que a decisão judicial invocada não produz efeitos em relação ao interessado, nem havia decisão favorável em sua própria ação judicial. Concluiu-se, assim, que são devidos os recolhimentos de IRRF sobre remessas ao exterior com período de apuração posterior a 07/12/2016, afastando o direito creditório alegado. O interessado foi cientificado da decisão e apresentou Manifestação de Inconformidade. Nela, sustentou que a Solução de Consulta Cosit nº 154/2016 contrariou entendimento anteriormente consolidado e adotou distinção indevida entre licença de uso e licença de comercialização de software, em desacordo com a orientação do STF no RE nº 176.626/SP. Argumentou que os valores pagos ao exterior correspondem à aquisição de mercadoria para revenda, inexistindo remuneração autônoma pelo direito de distribuição, ainda que os contratos utilizem essa terminologia. Ressaltou, ainda, que, com a evolução tecnológica, o software passou a ser disponibilizado por meio digital, e cita o REsp nº 1.641.775/SP como precedente favorável à sua tese. A DRJ decidiu pelo não conhecimento da manifestação apresentada, ao fundamento de que houve renúncia à instância administrativa, em virtude da propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com idêntico objeto. Entendeu-se que a submissão da controvérsia Fl. 91DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.756 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.907825/2020-84 3 ao Poder Judiciário afasta a possibilidade de apreciação da matéria na esfera administrativa, nos termos da jurisprudência consolidada sobre a concomitância entre as instâncias administrativa e judicial Após ciência da decisão, interpôs recurso voluntário no qual sustenta que a causa de pedir da ação judicial proposta (Mandado de Segurança) não coincide com a matéria tratada na impugnação administrativa, de modo que o processo administrativo deveria prosseguir em relação à tese que não está submetida à jurisdição judicial. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo, tendo em vista a ciência da decisão de primeira instância em 20/08/2024 (fl. 90) e sua interposição em 28/08/2024 (fls. 92/100), motivo pelo qual passo ao exame das razões recursais. O contribuinte, em seu recurso, sustenta que a causa de pedir da ação judicial (Mandado de Segurança nº 5000711-92.2020.4.03.6144) não coincide com a matéria tratada na impugnação administrativa, de modo que o processo administrativo deveria prosseguir em relação à tese que não está submetida à jurisdição judicial. A tese recursal desenvolvida pelo contribuinte consiste na fixação do marco temporal de validade da exigência fiscal com base nas alterações interpretativas promovidas pela Receita Federal, especialmente a partir da publicação do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 07/2017. Sustenta que, se o entendimento anterior, consubstanciado na Solução de Divergência COSIT nº 27/2008, foi cancelado apenas com o ADI nº 07/2017, publicado em 26/12/2017, apenas a partir dessa data poderia a nova interpretação produzir efeitos. Assim, as compensações e restituições relativas a períodos anteriores seriam legítimas, mesmo diante da nova posição da RFB. Ao final de seu recurso, conclui: 10. Foram estes os esclarecimentos prestados pela Recorrente em Manifestação de Inconformidade que, por uma interpretação expansiva da vedação lançada na Súmula Carf nº 01, não foram analisados. Fl. 92DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.756 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.907825/2020-84 4 11.Entretando, o que se vê é apenas um apontamento de incorreção de datas para a exigibilidade do tributo em questão, onde comprovou-se que os recolhimento efetuados a tal título (Código DARF 9427) até 26.12.17 seriam indevidos, legitimando os respectivos pedidos de restituição/compensação, muito diferente do abordado do Mandado de Segurança trazido à baila, onde o que se busca é o efetivo reconhecimento da inexigibilidade, de forma ampla, da não incidência do IRRF sobre as importâncias remetidas ao exterior para pagamento de softwares padronizados. 12.Nesse sentido, a matéria desenvolvida na manifestação não analisada pela r. autoridade fiscal estampa o nítido erro da administração na sucessão de interpretações – Solução de consulta, nova solução de divergência e ato declaratório – e suas respectivas datas de vigência, não fazendo qualquer menção ou análise do mérito ou razoabilidade da exigência tributária versada, essa sim discutida na ação judicial. Todavia, embora o Recorrente afirme, no item 10 de seu recurso (reproduzido acima), que os esclarecimentos ora apresentados já teriam sido prestados em sede de Manifestação de Inconformidade, o exame dessa peça revela que a matéria atualmente suscitada não foi oportunamente arguida. Naquela ocasião, a insurgência limitou-se a sustentar a inexigibilidade do IRRF em qualquer hipótese, com fundamento na natureza jurídica das remessas ao exterior, qualificadas como aquisição de software padronizado, sem, contudo, desenvolver argumentação específica quanto à eventual aplicação prospectiva de nova interpretação administrativa ou à definição de marco temporal para a produção de seus efeitos. Verifica-se, assim, que a tese segundo a qual a exigência somente seria válida a partir de 26/12/2017 — ou, alternativamente, de abril de 2017 — foi suscitada exclusivamente em sede de Recurso Voluntário, configurando inovação recursal, em afronta ao disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que delimita o objeto litigioso às matérias oportunamente impugnadas. Desse modo, a matéria veiculada no Recurso Voluntário não pode ser conhecida, não em razão da renúncia à instância administrativa, nos termos da decisão recorrida com fundamento na Súmula CARF nº 1, mas em virtude da preclusão consumativa, uma vez que não foi suscitada no momento processual próprio. O seu conhecimento nesta fase implicaria indevida supressão de instância, com a necessidade de devolução dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para apreciação de questão não previamente impugnada, em desconformidade com o Fl. 93DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.756 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.907825/2020-84 5 disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, segundo o qual se considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Não se trata, ademais, de hipótese de admissão excepcional de prova documental destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, nos termos do art. 16, § 4º, alínea “c”, do referido diploma legal, porquanto a questão ora suscitada não decorre de fato superveniente nem constitui mera contraposição a elementos introduzidos posteriormente no processo, mas representa fundamento jurídico autônomo que deveria ter sido oportunamente deduzido na Manifestação de Inconformidade. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em razão da inovação recursal, encontrando-se a matéria alcançada pela preclusão processual. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da inovação recursal, encontrando-se a matéria alcançada pela preclusão processual. Assinado Digitalmente SÉRGIO MAGALHÃES LIMA – Presidente Redator Fl. 94DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10183.006490/96-35
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2003 Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PROCESSUAL. LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. NULIDADE.
É nula a Notificação de Lançamento emitida sem o nome do órgão que a expediu, sem identificação do chefe desse órgão ou outro servidor autorizado e sem a indicação do seu respectivo cargo e matrícula, em flagrante descumprimento às disposições do art. 11, IV, do Decreto n° 70.235/72.
Precedentes da Terceira Turma e do Pleno, da Câmara Superior
de Recursos Fiscais.
Negado provimento ao Recurso Especial.
Numero da decisão: CSRF/03-03.867
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso, nos
termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES
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LANÇAMENTO - NULIDADE Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessado(a) : ST MADEIRAS LTDA Sessão de : 04 DE NOVEMBRO DE 2003 Acórdão n° : CSRF/0•-03.867 PROCESSUAL. LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nula a Notificação de Lançamento emitida sem o nome do órgão que a expediu, sem identificação do chefe desse órgão ou outro servidor autorizado e sem a indicação do seu respectivo cargo e matrícula, em flagrante descumprimento às disposições do art. 11, IV, do Decreto n° 70.235/72. Precedentes da Terceira Turma e do Pleno, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Negado provimento ao Recurso Especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. _ - - P E V.4 C)DRIGUES PRESIDENT- sok. PAULO ROBy-f r ó CUCO ANTUNES RELATO FORMALIZADO EM: O 2 MAR 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES; MOACYR ELOY DE MEDEIROS; MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e NILTON LUIZ BARTOL1. Processo n° : 10183.006490/96-35 Acórdão n° : CSRF/03-03.867 'Recurso n° :301-123223 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Recorre a Procuradoria da Fazenda Nacional a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma do Acórdão n° 301-30.093, proferido em sessão do dia 20/02/2002, pela C. Primeira Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, cuja Ementa, ora transcrita, retrata, em síntese, a decisão adotada, "verbis" "ITR --- NULIDADE DO LANÇAMENTO. A falta do preenchimento dos requisitos essenciais do lançamento, constantes do artigo 11 do Decreto 70.235/72, acarreta a nulidade do lançamento. Aplicação do artigo 6° da IN SRF 54/97.'' Em seu Recurso tempestivo a D. Procuradoria pretende a reforma do citado "decisum'', trazendo corno paradigma cópia do Acórdão n° 302-34.831, prolatado em 07 de junho de 2001, pela C. Segunda Câmara, do mesmo Conselho, que se colocou em posição completamente contrária. Esta a matéria única a ser examinada por este Colegiado, de natureza processual. 11, / É o Relatório. , II, 2 Processo n° : 10183.006490/96-35 Acórdão n° CSRF/03-03.867 VOTO Conselheiro PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, Relator: O Recurso é tempestivo, reunindo os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O lançamento do crédito tributário que aqui se discute, constituído pela Notificação de Lançamento de fls. 03 está inquinado pela nulidade, uma vez que a referida Notificação foi emitida por processo eletrônico, não contendo a indicação do cargo ou função, nome e número de matrícula do chefe do órgão expedidor, ou de outro servidor autorizado a emitir tal documento. Com efeito, o Decreto n° 70.237/72, dispõe: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: IV -- a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula.' É inquestionável que o lançamento tributário cuja notificação que o constituiu não guarde observância ao disposto no mencionado art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72 é nulo de pleno direito, devendo assim ser declarado, inclusive de ofício, pela autoridade competente ou pelo julgador administrativo, conforme o caso. Esse é o entendimento já ratificado por este Colegiado, através de copiosa jurisprudência, podendo-se citar, apenas como exemplo, os Acórdãos n°s. CSRF/03.150, 03.151, 03.153, 03.154, 03.156, 03.158, 03.172, 03.176, 03.182, dentre muitos outros. 3 11 (4/1 /- - / Processo n° : 10183.006490/96-35 Acórdão n° : CSRF/03-03.867 Igualmente decidiu o PLENO desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão inédita realizada no dia 11/12/2001 quando, em julgamento do Recurso RD/102-0.804 (PLENO), proferiu o Acórdão n° CSRF/PLEN0-00.002, assim ementado: "IRPF -- NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO -- AUSÊNCIA DE REQUISITOS -- NULIDADE -- VÍCIO FORMAL -- A ausência de formalidade intrínseca determina a nulidade do ato. Lançamento anulado por vício formal." Para finalizar, também é certo que tal entendimento se coaduna com as determinações da própria Administração, como se depreende do Ato Declaratório COSIT n° 002, de 03/02/1999 e da IN SRF n° 094, de 24/12/1997. Por tais razões e considerando que a Notificação de Lançamento do ITR apresentada nestes autos não preenche os requisitos legais, especificamente aqueles estabelecidos no art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72, não merecendo reparos o Acórdão recorrido, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial aqui em exame. Sala das Sessões-DF, em 04 de novembro de 2003. PAULO ROBER d CO ANTUNES RELATOR 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10380.724500/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.171
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, tendo em vista o que determina o art. 62-a do RICARF.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.72450/201047 Recurso nº 921.042 Resolução nº 1302000.171 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 12/06/2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente J. MACEDO S. A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, tendo em vista o que determina o art. 62a do RICARF. Marcos Rodrigues de Mello – relator e presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.72450/201047 Resolução n.º 1302000.171 S1C3T2 Fl. 2 2 Relatório. O processo versa sobre lançamento tributário consubstanciado em auto de infração de IRPJ (fls. 02/12), no valor global de R$19.196.730,78. A infração designada pelo auditor fiscal foi de exclusão/compensação não autorizada na apuração do lucro real, nas seguintes modalidades: (i) exclusão indevida de provisões não dedutíveis; (ii) exclusão indevida de pagamento do PAES; e (iii) inobservância do limite de 30% na compensação de prejuízos. 2. Segundo a autoridade fiscal: Com efeito, a empresa que protagonizou as exclusões, em 31/12/2006, foi J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100, localizada na Rua Benedito Macêdo, n° 79, Cais do Porto, CEP 60.180000, na cidade de FortalezaCe, incorporada, naquele mesmo dia, por ÁGUIA S/A, CNPJ 14.998.371/000119, com sede social na Via Centro, n° 374, BR 324, Km 20, Centro Industrial de Aratu, na cidade de Simões Filho, Estado da Bahia, que, digase de passagem, é pertencente ao mesmo grupo econômico e tem patrimônio liquido menor do que o da incorporada (a menor incorporou a maior) e vultosos prejuízo fiscal (da ordem de R$ 100.000.000.00) e base de cálculo negativa de contribuição social (cerca de R$ 83.000.000.00). Por relevante, notese que a incorporadora, Águia S/A, CNPJ 14.998.371/000119, no evento da incorporação, assumiu o nome empresarial e o endereço social de J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100. Assim, agora, temos duas J MACÊDO, uma, a incorporadora (antiga Águia S/A, CNPJ 14.998.771/000119), e a outra, a incorporada, de CNPJ 72.027.014/000100, que fez a exclusão indevida na DIPJ apresentada por motivo da incorporação, na data já citada. Por essa razão, o lançamento está sendo efetuado contra a sucessora, J MACÊDO S/A, CNPJ 14.998.371/0001 19. 3. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 329/356) contra o lançamento, em 23/11/2010, com as seguintes alegações: ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DE PROVISÕES Caso, porém, o evento que a provisão garantia não venha ou não mais possa se concretizar, a provisão deverá ser revertida, sendo excluído o valor provisionado na apuração do lucro real e, simultaneamente, reconhecido no resultado do exercício. Nesse exato sentido é a didática lição da Conselheira SANDRA MARIA FARONI no voto proferido no Acórdão n.° 10195.899, de 6 de dezembro de 2006: ‘É inquestionável que a pessoa jurídica pode constituir as provisões consideradas necessárias para refletir sua real situação econômicofinanceira, devendo, todavia, adicionar ao lucro líquido as provisões consideradas indedutíveis, para efeito de apuração do Lucro Real. Nesse caso, no período em que ocorrer a reversão contábil da provisão previamente adicionada, o valor revertido pode ser excluído do lucro líquido para apuração do lucro real. Para justificar a exclusão são necessários dois pressupostos: (1) que quando da constituição da provisão o respectivo valor tenha sido adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real; (2) que tenha ocorrido a reversão contábil da parcela excluída, isto é, que o referido valor tenha sido contabilizado como receita do exercício, o que justifica a exclusão, dado que já ocorrera a tributação quando da constituição da provisão’. Os procedimentos acima indicados, quais sejam, adição das provisões não dedutíveis no momento da sua constituição e a sua exclusão, seja por ocasião do pagamento da obrigação provisionada, seja em razão de sua reversão (motivada pela não verificação do evento), com a contabilização do valor provisionado como receita do exercício, foram rigorosamente observados pela IMPUGNANTE. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.72450/201047 Resolução n.º 1302000.171 S1C3T2 Fl. 3 3 Sucede, no entanto, que a produção da prova documental de todos os eventos em questão é um processo complexo, que demanda uma verificação analítica de todos e cada um dos lançamentos contábeis dos valores provisionados de modo a poder identificar com precisão a sua respectiva adição na apuração do lucro real no ano de formação da provisão. Ocorre que para comprovar a adição de cada um dos valores referentes às provisões excluídas, a IMPUGNANTE necessitava fazer um levantamento dos registros contábeis dos anos anteriores, de modo a identificar com precisão e clareza o ano em que as provisões a que respeitam foram constituídas. E, nesse particular, enquanto foi mais simples comprovar provisões individuais de valores relevantes, como, por exemplo, a provisão "Vr. Ref IPI Dinel incorporado no PAEX" no valor de R$ 4.797.838,63, adicionada ao lucro real no ano de 2003 (doc. n.° 2), já não é tão fácil vincular as provisões de obrigações trabalhistas, eis que o valor adicionado por ocasião da constituição das provisões corresponde ao somatório dos valores estimados dos pedidos formulados em todas as reclamações trabalhistas ajuizadas contra a IMPUGNANTE, ao passo que os valores efetivamente pagos são, na maioria das vezes, distintos por refletirem os termos de acordos entabulados entre as partes. Essa peculiaridade faz com que as provisões para reclamações trabalhistas acabem tendo um caráter global e genérico, sendo adicionados os valores das contingências estimados com base nos pedidos formulados nas ações numa única conta que constitui um conjunto uno e indivisível, por outro lado, as exclusões, quando realizadas, observam rigorosamente os termos dos acordos celebrados, em valores, via de regra, inferiores aos inicialmente pedidos pelos reclamantes, o que, aliás, aponta para a adição de uma provisão maior do que a obrigação efetivamente materializada. Todas essas considerações servem para justificar as razões pelas quais a IMPUGNANTE não conseguiu, no prazo assinalado pela Fiscalização, realizar a vinculação entre a prévia adição dos valores provisionados e sua posterior exclusão. Na verdade este trabalho vinha sendo realizado pela IMPUGNANTE quando foi surpreendida com a notificação da lavratura dos autos de infração. A parte do trabalho que já se encontra concluída comprova, como se pode ver da documentação anexada (doc. n.° 3), que valores provisionados, excluídos em 2006, foram adicionados em períodos anteriores, ou mesmo no próprio anobase de 2006, e correspondem a obrigações pagas naquele mesmo ano. No que concerne às provisões objeto de reversão em 2006, a IMPUGNANTE esclarece que os lançamentos contábeis que comprovam referida reversão, cuja localização os autos de infração alegam não ter sido possível efetuar, foram devidamente apresentados à fiscalização, em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, em meio magnético, como determina o Ato Declaratório Executivo COFIS n.° 15, de 23 de outubro de 2001. Em relação às mesmas, a IMPUGNANTE também comprova através da documentação anexa (doc. n.°4) os anos de sua formação, bem como o lançamento a crédito de resultado do exercício do seu respectivo valor. No que respeita aos demais itens, notadamente as provisões trabalhistas, a IMPUGNANTE considera imprescindível a realização ou de diligência ou de perícia contábil para que seja esclarecido se as exclusões de provisões não dedutíveis levadas a cabo no exercício de 2006 e glosadas pelos autos de infração, teriam sido objeto de adição na apuração do lucro real em exercícios anteriores, em valor compatível com o de sua posterior exclusão. Assim, em obediência ao disposto no art. 16, IV, do Decreto n.° 70.235/72, a IMPUGNANTE requer, desde já, a realização das providências em questão e indica em separado, em documento anexo à presente impugnação (doc. n.° 5), para facilidade de identificação, o perito e respectiva qualificação, bem como formula os quesitos que deverão ser respondidos pela perícia contábil, norteando os respectivos trabalhos. ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DO PAES No que respeita à glosa da exclusão no valor de R$ 4.169.101,14, referente a pagamentos ao parcelamento especial instituído pela Lei n.° 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), a IMPUGNANTE esclarece que se trata de valores correspondentes a créditos de IPI sobre Fl. 888DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.72450/201047 Resolução n.º 1302000.171 S1C3T2 Fl. 4 4 operações não tributadas, apropriados no passado pela IMPUGNANTE e tratados como créditos a compensar. Com a glosa pelo Fisco das compensações levadas a efeito com utilização de referidos créditos de IPI pela IMPUGNANTE, esta procedeu à provisão dos respectivos valores (R$ 17.895.063,92), adicionandoos ao lucro real, como determina a legislação fiscal, como se verifica da documentação anexa (lançamentos contábeis e Lalur doc. n.° 6). Com a criação do PAES, a IMPUGANTE optou, em 2005, pela inclusão do valor da dívida em referido programa (cfr. doc. n.° 7), dando baixa na provisão anteriormente constituída, e registrando os valores no "contas a pagar". Muito embora pelo regime de competência já pudesse a IMPUGNANTE ter procedido à exclusão do valor da provisão anteriormente constituída e adicionada ao lucro real a esse título, atendendo a orientação de seus auditores fiscais optou por somente proceder a referida exclusão pelo regime de caixa, por ocasião do efetivo pagamento das parcelas em que a dívida havia sido dividida no PAES, o que somente veio a ocorrer em 2006 (doc. n.° 8). ILEGALIDADE DA GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Com efeito, no ano de 1999, no contexto de um amplo processo de reestruturação de negócios das empresas relacionadas (doc. n.° 9), os ativos operacionais da Águia S/A foram integralmente transferidos para a empresa J. Macedo Alimentos do Nordeste S/A, empresa que passou a concentrar as operações de alimentos. A partir daquela data, a Águia assumiu funções de holding pura, detentora de participações nas sociedades relacionadas. O novo modelo de negócios do Grupo exigiu a adoção de uma série de medidas visando melhorar as sinergias operacionais com (i) organização e concentração das atividades de produção e comercialização de farinhas de trigo, massas, biscoitos, misturas para bolos, etc; (ii) segregação das atividades que não se referiam a estes negócios; (iii) enxugamento de estruturas ociosas; (iv) eliminação de estruturas duplicadas; e (v) priorização da manutenção de empresas localizadas em regiões incentivadas. Foi precisamente no contexto de tal reestruturação que a IMPUGNANTE incorporou a J. Macedo S/A (CNPJ 72.027.014/000100), assim como também no mesmo período outras empresas relacionadas foram extintas. O fato de a IMPUGNANTE ter passado a adotar a denominação da incorporada, aliás, a sua denominação tradicional e pela qual é nacionalmente reconhecida não é suficiente para desqualificar a operação, acoimandoa de artificial e com intuito puramente fiscal. Há muito se pacificou o entendimento de que, deparandose o administrador com dois caminhos igualmente legítimos para atingir um mesmo fim, um dos quais também apresenta um melhor resultado do ponto de vista econômicofiscal em comparação ao outro, não lhe é exigível optar pelo mais oneroso. O que importa ter presente é que a operação de incorporação seria realizada de qualquer forma e que a escolha do modelo levou em consideração, entre outros fatores, é inegável, a intenção de preservar o estoque de prejuízos fiscais legitimamente registrados pela Águia S/A no período em que exercia atividade industrial. Calça, aliás, como uma luva lição de MARIAM SEIF, Relatora de acórdão doutrinário sobre a matéria quando Presidente do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O direito à compensação dos prejuízos apurados em exercícios anteriores com o lucro do exercício está na base da própria sistemática da legislação do imposto de renda que incide sobre o somatório dos ganhos e perdas apurados pelas pessoas jurídicas. A ratio legis por trás desta nova sistemática estava em limitar o montante da compensação anual, assegurando ao Fisco uma tributação mínima, mas, por outro lado, reconhecendo o direito do contribuinte à compensação do montante integral dos prejuízos, conquanto diferida no tempo, como revela EDSON VIANNA DE BRITO, tido como mentor intelectual da norma. Como se vê tal Fl. 889DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.72450/201047 Resolução n.º 1302000.171 S1C3T2 Fl. 5 5 norma jamais teve por intuito que a limitação de 30% fosse uma restrição definitiva ao direito do contribuinte à compensação de seus prejuízos fiscais. Pelo contrário, veio ela permitir a utilização dos prejuízos remanescentes em períodos posteriores por prazo indeterminado. É isso, aliás, o que se infere da exposição de motivos da Medida Provisória n.° 998/95, reedição das Medidas Provisórias n° 947/95 e 972/95, que deu origem, por conversão, à Lei n.° 9.065/95. Esse elemento histórico e finalístico da norma, por si só, já é suficiente para demonstrar que, na sistemática adotada pela lei, só há sentido em se aplicar o limite de 30% se os prejuízos fiscais puderem ser compensados por prazo indeterminado. A tais elementos somase ainda a interpretação dada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que apenas considera válido o limite de 30% estabelecido inicialmente na Lei n.° 8.981/95, e tornado permanente pela Lei n.° 9.065/95, em razão de ter tornado possível a compensação integral dos prejuízos, em vista da abolição do prazo prescricional. É o que se conclui do acórdão relativo ao REsp n.° 183.155, assim ementado (no mesmo sentido, confirase os acórdãos relativos aos julgamentos do AgRg no REsp 499.175/SP; e REsp n.° 168.379/PR). . A lógica do sistema pretendido pelo legislador quando da instituição da limitação de 30%, que assegurou a compensação do montante integral dos prejuízos fiscais, deixa de existir quando ocorre a extinção da pessoa jurídica, tendo em vista incidir nesta hipótese a limitação especial prevista no art. 33 do DecretoLei n.° 2.341/87. A derrogação excepcional ao princípio da sucessão universal importa, nestes casos, na perda integral dos prejuízos acumulados, uma vez que não há a possibilidade jurídica de uma compensação futura devido à intransmissibilidade do direito, que se extingue, definitivamente e em sua totalidade, com a incorporação. Ora, quando a pessoa jurídica extinta não possui lucros do exercício compensáveis com seus prejuízos fiscais não se pode falar em conflito entre os limites previstos no DecretoLei n.° 2.341/87 e na Lei n.° 9.065/95. Mas o mesmo já não ocorre quando a pessoa jurídica a ser extinta tem resultados positivos, capazes de isoladamente absorver seus prejuízos pela compensação. A aplicação cumulativa do limite de 30% nestes casos corresponde a uma desconsideração definitiva e já não mais temporária dos prejuízos, resultando em um decréscimo patrimonial. O pressuposto de aplicação do limite de 30%, consistente em reconhecerlhe a natureza de mero diferimento do direito à compensação dos prejuízos, deixa de existir neste caso. Nesta circunstância, a limitação quantitativa não mais representa a postergação do direito à compensação dos prejuízos fiscais, como pretendeu o legislador, mas a sua efetiva perda. Por tal razão é que, na hipótese de extinção da pessoa jurídica, falta o pressuposto lógico e intrínseco do art. 15 da Lei n.° 9.065/95, consistente na garantia de compensação futura dos prejuízos, por prazo indeterminado, pressuposto este que torna incompatível a aplicação de tal limite com o preceito do art. 33 do DecretoLei n° 2.341/87, que impede a sua transmissão para a sucessora. E mais, ao se admitir a hipótese de que ambas as limitações pudessem conviver, se estaria permitindo a tributação do patrimônio do contribuinte em violação ao art. 43 do CTN e em contrariedade com o espírito da Lei n.° 9.065/95. Daí é que a única interpretação conforme a finalidade da norma e que permite validamente harmonizar tais limites com o nosso sistema tributário é a de que o limite de 30% fica afastado naqueles casos em que seja aplicável a limitação contida no art. 33 do DecretoLei n.° 2.341/87. Isto se dá porque a regra especial do art. 33 do DecretoLei n.° 2.341/87 prevalece sobre a limitação geral estabelecida pela Lei n.° 9.065/95, quando houver a extinção da pessoa jurídica em razão de fusão, cisão ou incorporação. Em matéria tributária, aplicamse, em especial, as regras de interpretação previstas nos arts. 107 e 108 do CTN. Ora, a interpretação segundo os princípios gerais de direito tributário e de direito público conduzem à conclusão inequívoca de que o limite de 30% à compensação dos prejuízos não pode se aplicar cumulativamente com a perda do direito, pois interpretação contrária conduziria à ofensa aos princípios da capacidade contributiva, do não confisco e da vedação à tributação do patrimônio. [Aduziu decisões administrativas] Fl. 890DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.72450/201047 Resolução n.º 1302000.171 S1C3T2 Fl. 6 6 OS ERROS COMETIDOS PELO AUTO DE INFRAÇÃO Para além das razões atrás desenvolvidas, que conduzem à total invalidade das exigências formuladas pelos autos de infração contra a IMPUGNANTE, passase de seguida a demonstrar os erros incorridos pela fiscalização na apuração do montante de tais exigências, pelo que, ainda que as mesmas viessem a ser mantidas por este órgão julgador, o que se admite apenas a título de argumentação, deverá, o seu valor, ser necessariamente recalculado, computandose as despesas com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e a redução de imposto devido à incidência do lucro da exploração. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA DE SUCESSOR Por fim, a IMPUGNANTE se insurge contra a cobrança da multa de ofício formulada pelos autos de infração, tendo em vista que a mesma tem natureza punitiva, e, como tal, caráter personalíssimo, não podendo transbordar da pessoa do infrator, não sendo, assim, aplicável a eventuais sucessores, como é o caso da IMPUGNANTE em relação à J. Macedo S/A. Isso mesmo já restou pacificado na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos extintos Primeiro e Segundo Conselhos de Contribuintes, como se depreende das seguintes ementas de acórdãos proferidos por aqueles órgãos. 4. O sujeito passivo também anexou os documentos de fls. 357/502, 506/584 e 587/684. 5. A DRJ decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 PROVISÃO INDEDUTÍVEL. EXCLUSÃO. PRESSUPOSTOS. LALUR. ADIÇÃO NO PERÍODO DE SUA CONSTITUIÇÃO. CONTROLE NA PARTE B. COMPROVAÇÃO. Para justificar a exclusão de provisão indedutível, tornase necessário ao contribuinte comprovar: que, no período de formação da provisão, o referido valor tenha sido adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real; a demonstração de controle efetivo da provisão na parte B do LALUR. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE TRINTA POR CENTO. Inexiste previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima do limite máximo de trinta por cento do lucro real, ainda que seja na época da incorporação da sociedade empresária. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 PERÍCIA. ENCARGO PROBATÓRIO. A realização de perícia não se presta para produção de provas que o sujeito passivo possuía o encargo probatório de trazer ao processo, juntamente com a impugnação. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.72450/201047 Resolução n.º 1302000.171 S1C3T2 Fl. 7 7 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE SOB CONTROLE COMUM. Podese responsabilizar o sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pela sociedade incorporada, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadoras e incorporadas, estavam sob controle comum. A recorrente tomou ciência do acórdão em 11/08/2011e apresentou recurso em 12/09/2011, onde reafirma os argumentos apresentados em sede de impugnação. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.72450/201047 Resolução n.º 1302000.171 S1C3T2 Fl. 8 8 Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido, mas os autos não se encontram em condições para permitir o julgamento por este colegiado. Dispõe o RICARF: Um dos temas que levou à interposição do recurso foi a possibilidade de compensação integral de prejuízos, matéria declarada sob repercussão geral pelo STF no RE 591.340. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para aguardo do que for decidido no citado RE. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator Fl. 893DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 14751.000142/2005-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.150
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, baixar o processo em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Anocalendário: 2000, 2001 ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURIDICA Anocalendário: 2000, 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, baixar o processo em diligência nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Rodrigues de Mello Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Marcos Rodrigues Mello. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.447 2 Relatório ENERGISA PARAÍBA DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A. (anteriormente denominada SOCIEDADE ANÕNIMA DE ELETRIFICAÇÃO DO PARAÍBA SAELPA), já qualificada, inconformada com a decisão da 3ª Turma da DRJ de Recife/PE, recorre a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Contra a empresa foram lavrados Autos de Infração para exigência de crédito tributário de IRPJ e CSLL de R$ 6.112.616,03, aí já incluidos principal, juros e multa, referentes aos fatos geradores ocorridos nos anos calendários de 2000 e 2001, cujos enquadramentos legais encontramse discriminados nos respectivos autos de infração. Os valores do IRPJ devido resultam de divergências constatadas entre os valores declarados nas DCTFs e os devidos, apurados com base nas receitas de vendas dos serviços registrados no livro Registro dos Serviços Prestados n° 01 e Declarações de Serviço, (cópias anexas de folhas 39/82 e 83/118), respectivamente apurados nos demonstrativos de fls. 13/36. Foi elaborado auto de infração complementar da CSLL, referente à falta de recolhimento do adicional da referida contribuição, tendo em vista a base de cálculo da CSLL apurada no lançamento de folhas relativa ao ano calendário de 2000. Segundo a descrição dos fatos (fls 0507) e do Relatório Fiscal (fls. 19127), foram apuradas infrações decorrentes de glosas de despesas, adições e exclusões indevidas do lucro real relativas à contabilização do Acordo Geral do Setor Elétrico, nos seguintes termos: 001 IRPJ CUSTOS DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS GLOSA DE CUSTO. A) R$ 10.434.423,05 de energia comprada faturamento complementar. Nota Fiscal emitida pela CHESF n° 5342 no valor de [RS 10.908.181,17 R$ 473.758,12], pelos depósitos bancários efetuados pela SAELPA, referente ao faturamento complementar, conforme acordo do setor elétrico (faturamento dos contratos iniciais deveriam ser reduzidos na ordem de 2% a 3%, em função do racionamento de energia elétrica, ocorrido entre jun/2001 e fev/2002, que reduziu o consumo de energia elétrica na ordem de 20%, o que implicou na emissão das faturas de junho a novembro de 2001, pela CHESF, reduzidas de 20% do montante inicialmente contratado), correspondente a 17% (20% 3%) dos montantes contratados no período de junho a novembro de 2001, em função do Termo Aditivo n°01 ao Contrato Inicial de Compra e Venda de Energia Elétrica, celebrado entre SAELPA e CHESF. Energia não fornecida à CHESF, não é custo em 2001, é direito a recuperar (ativo circulante ou realizável a longo prazo Parecer COS1T n° 26). INFRAÇÃO: A SAELPA não adicionou este valor na apuração do lucro real (despesa indedutível art.249, I, 251 e §único, 290, I e 300, do RIR/99). B) R$ 2.871.961,74 de energia comprada em dez/2001 – estornos não adicionados. Provisão CHESF dez/2001 R$ 12.084.922,43. Complemento CHESF abr a dez R$ 11.096.782,02. Relativo à diferença entre os dois lançamentos contábeis na conta ENERGIA COMPRADA – INICIAL (DÉBITO), nos valores de R$ 12.084.922,43 e R$ 11.096.782,02, respectivamente, custos levado à apuração do resultado do exercício, e os valores comprovados pela CHESF, através das notas fiscais 5324 e 5342, nos montantes de (R$ 11.973.825,10 R$ 2.098.505,44) e (R$ 10.908.181,17 R$ 473.758,12). CHESF: Nota Fiscal emitida pela CHESF 5324 no valor de R$ 11.973.825,10, Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.448 3 referente ao faturamento pela demanda/energia contratada (menos) 3 x R$ 699.501,81 = R$ 2.098.505,44 (estornos de cada parcela de pagamento igual R$ 3.291.773,22, totalizando R$ 9.875.319,66 de pagamentos efetuados pela SAELPA). INFRAÇÃO: A SAELPA não adicionou os valores dos estornos na apuração do lucro real (despesa indedutível art.249, 1,251 e §único, 290,1 e 300, do RIR/99). C) R$ 70.342.053,18 de compra de energia. Provisionamento da compra de energia no mercado atacadista no ano calendário de 2001 diferença entre a implementação do acordo e o efetivamente recebido do mercado atacadista referente a lançamentos contábeis na conta 615.03.3.5.4.1 – subconta 4103 Energia Comprada Curto Prazo, contrapartida na conta 211.01.2 Suprimento de Energia Elétrica Subconta Energia de curto prazo (custo levado à apuração do resultado do exercício). INFRAÇÃO: A SAELPA não adicionou este valor na apuração do lucro real (despesa indedutível art.249, I, do RIR/99). 002 GLOSAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS. A) R$ 10.359.592,48. INFRAÇÃO: A SAELPA contabilizou, sem amparo legal, a atualização monetária dos débitos de ICMS parcelados (tendo o estado da Paraíba dispensado as respectivas atualizações — juros e multa), no anocalendário de 2000, nos valores de R$ 3.106.397,18, r$ 6.377.734,28, r$ 286.745,25 e r$ 588.715,77 e não adicionou ao lucro líquido na apuração do lucro real (art.251 e §único, 299 e §§ 1° e 2 0, e 377, do RIR/99). 003 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL. INFRAÇÃO: despesas indedutíveis art.249, i, do 12112/99. A) R$ 13.452.296,34 Provisão para créditos de liquidação duvidosa — da redução dos títulos provisionados em 2001 "títulos provisionados em 2000 por X e também provisionados em 2001 por X Y" Redução no montante de títulos provisionados em 2000 aplicada por majoração indevida dos valores provisionados fls.54 a 57, fato este reconhecido pela SAELPA. Fundamentase a autuação na existência de 904.370 registros de títulos provisionados (RIR/99, art. 340, § 1° perdas com créditos decorrentes de suas atividades), com o mesmo número de matrícula e a mesma data de vencimento, onde somando estes registros temse R$ 58.121.067,24 e R$ 44.673.929,56, em 2000 e 2001, respectivamente. Intimada a SAELPA a justificar o motivo da redução dos valores relativos a determinados consumidores informou que: "A Saelpa em 2001 emitiu em torno de pelo menos 9 milhões de contas de energia elétrica, que com certeza forçam correções no faturamento inicial. Adicionalmente, em face da privatização da Empresa, ocorreram alterações nos Sistemas de Faturamento e Arrecadação que também contribuíram para o seu incremento do número de contas Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.449 4 corrigidas e outro fator de relevância em 2001, que veio a incrementar de forma significativa as correções de contas de energia elétrica foi o Programa de Racionamento do Governo Federal ". “Esses fatos foram relevantes nas alterações das contas informadas pelo Senhor Fiscal no Termo de Constatação e Intimação Fiscal que ora justificamos." B) R$ 265.600,00 Provisão p/cred de liquidação duvidosa provisão de cheques sem provisão de fundos (valor referente pdd para cheques em cobrança a mais de 120 dias), por ter sido constatado que os cheques com data de emissão até 30/06/2004 constam da relação de cheques devolvidos e que vários cheques foram emitidos após 30/06/2000, período que não é permitido considerálos como perda com recebimento pela legislação vigente. C) R$ 1.690.105,00 Provisão para créditos de liquidação duvidosa Dispêndio a reembolsar de difícil recebimento. Salários de funcionários da SAELPA cedidos (liberados) a outros órgãos do Estado e Prefeituras no período anterior à privatização da empresa, sendo os mais relevantes, nos anos de 1998 e 1999, pelo honorários advocatícios ao Sr. Carlos Frederico Nóbrega Farias. D) R$ 399.351,00 Provisão para créditos de liquidação duvidosa Provisão para ajustes do contas a receber Para ajustar a diferença existente entre o saldo contábil e comercial, do contas a receber de contas de energia elétrica (diferença ente o saldo do relatório do setor de faturamento e arrecadação e o saldo contábil — saldo do balancete superior ao de sua comercialização. Valor indedutível por força do art. 13, I da Lei nº 9.249/95, devendo ser adicionada ao LLE para apuração do Lucro Real. E) R$ 4.813.022,08 – Provisão para créditos de liquidação duvidosa Diferença entre os valores provisionados e adicionados no anocalendário de 2000, com 120.123 registros fl. 51. Da análise das provisões constituídas em 2000, com 1.939.934 registros, totalizando R$ 81.839.140,61 e dos títulos a receber que foram adicionados especificamente na apuração do Lucro Real, com 294.731 registros, perfazendo R$ 28.766.429,00, constatouse a existência de vários títulos que foram provisionados no ano calendário de 2000 com um valor "X", e por entendêla indedutível, a SAELPA efetuou uma adição ao lucro líquido por "XY", Y igual a R$ 4.813.022,08. F) R$ 161.806,19 Provisão para créditos de liquidação duvidosa Provisão para baixa de conta de serviços prestados a terceiros Valores de difícil recebimento de serviços prestados a terceiros, no valor de R$ 122.114,00 (setdez/1999, não recebidas até 11/2000) e R$ 39.691,20 (perda em 11/2000), não tendo a SAELPA apresentado as notas fiscais que respaldam os serviços prestados, apenas relatórios por ela elaborados, além de que, vários serviços tiveram como beneficiária a própria SAELPA e os materiais utilizados denotam ampliação, aperfeiçoamento ou modernização da rede de distribuição. G) R$ 324.321,86 Títulos provisionados e não adicionados ao LLE Provisão para crédito de liquidação duvidosa anocalendário de 2000 empresas intimadas (Cerâmica Elizabeth S/A, Nortelas S/A, gráfica Santa Merta Ltda. Indústria de Bebidas Antártica da Paraíba S/A, Myrtel Empreendimentos Hoteleiros Ltda. e Agar Brasileiro Indústria e Comércio Ltda.) não correspondência dos valores dos títulos provisionados pela SAELPA com os constantes nas respectivas faturas. H) R$ 62.939,20 Exclusão da provisão de cheques em cobrança, no valor de R$ 265.600,00, dos cheques da relação DFFR, correspondente a valores em duplicidade, cheques acima de R$ 5.000,00 e cheques vencidos a menos de 180 dias. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.450 5 I) R$ 8.836,35 Exclusão da provisão de cheques em cobrança, no valor de R$ 265.600,00, dos cheques da relação do faturamento, correspondente a valores em duplicidade. J) R$ 187.339,79 Provisão para créditos de liquidação duvidosa Provisão de títulos superiores a R$ 30.000,00 vencidos a mais de um ano, sem comprovação de ter sido iniciado e mantido os procedimentos judiciais para o recebimento, sem comprovação de sua constituição. K) R$ 7.936.588,47 Provisão de crédito de liquidação duvidosa a título judicial A fiscalização constatou: 1°) que a SAELPA não observou as regras da legislação do IRPJ para contabilização das perdas de títulos de liquidação duvidosa "a SAELPA não emitiu a fatura complementar referente ao aumento questionado judicialmente (20%) – no caso de empresas mercantis, a operação será caracterizada pela emissão da fatura, mesmo que englobe mais de uma nota fiscal – IN SRF n° 93/1997, art. 24, § 5"; 2°) não correspondência dos valores de alguns títulos provisionados com os constantes nas respectivas faturas, além de inconsistências entre os títulos constantes do arquivo judicial.xls e o arquivo títulos a receber em 2001 "títulos provisionados a título de ações judiciais que não constam na relação de títulos a receber L) R$ 2.348.826,44 Provisão constituída em 31/12/2001. Títulos vencidos entre 01/07/2001 e 31/12/2001, menos de 6 meses. M) R$ 228.966,25 Da provisão constituída em 31/12/2001. Existência de 25 registros de títulos vencidos entre 01/01/2001 e 30/06/2001, acima de R$ 5.000,00, menos de 01 ano. N) R$ 2.500.237,26 Baixa de contas incobráveis, referente ao registro da baixa de contas de consumidores das classes residencial, industrial, comercial e rural, vencidas até 01/01/98, de valores R$ 0,01 a R$ 5.000,00, já provisionadas em 31/12/2000 e não adicionadas na apuração do lucro real em 31/12/2000 e 31/12/2001 duplicidade de provisão. O) R$ 998.992,23 Títulos provisionados e não adicionados ao LLE Provisão para crédito de liquidação duvidosa Anocalendário de 2001 Empresas intimadas (Cerâmica Elizabeth S/A, Nortelas S/A, Gráfica Santa Myrtel Ltda., Indústria de Bebidas Antarctica da Paraíba S/A, Myrtel Empreendimentos Hoteleiros Ltda e Agar Brasileiro Indústria e Comércio Ltda). Não correspondência dos valores dos títulos provisionados pela SAELPA com os constantes nas respectivas faturas. 004 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS R$ 7.896.751,95 – Provisão para créditos de liquidação duvidosa no ano calendário de 2001. Valor revertido de provisão constituída. Da análise da DIPJ (fls. 184) e do LALUR (fls. 296) constatouse que a SAELPA excluiu na apuração do lucro real a importância de R$ 7.896.751,95, a título de reversão de provisão para devedores duvidosos. A SAELPA foi intimada a apresentar os títulos recebidos constituintes do valor excluído e o ato da legislação do IR que a autorizou, tendo informado que o procedimento que apurou em dez/2001 R$73.942.388,66 e R$ 7.896.751,95, é inferior ao apurado em dez/2000 e resulta da operação: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.451 6 Provisão constituída até dez/2000 contas baixadas em 2001 + contas incluídas na provisão em 2001 contas corrigidas em 2001 que se encontravam na provisão em 2000, foi realizada em conformidade com as regas definidas pela ANEEL contidas no manual de contabilidade do serviço público de energia elétrica, onde mensalmente são efetuadas reversões do saldo da provisão constituída até o mês anterior, efetuandose nova provisão, de conformidade com os parâmetros definidos (contas de energia vencidas, parcelamentos com TCD, contas questionadas na justiça, parcelamento com SINED e contas de energia renegociadas), levandose em consideração a posição do "Contas a Receber" do mês em curso, e que, com base no art 250, do RIR/99, excluiu na determinação do L.Real a reversão de provisões consideradas indedutíveis na sua constituição e posteriormente ajustou na contabilidade. Intimada a informar o lançamento pelo recebimento de uma conta de energia elétrica que já tenha havido constituição da provisão para devedores duvidosos, respondeu: a) pelo recebimento da conta: D 111.01.2 contas bancárias a vista C 112.01.1 fornecimento b) pela reversão da provisão: D 112.61.0001 provisão para crédito liquidação duvidosa C 615.05.19.96.9601 outras despesas reversão c) pela recuperação do valor da conta de energia elétrica D 112.01.1 fornecimento C 112.61.0001 provisão para crédito liquidação duvidosa "Com efeito, temse que a SAELPA não apresentou os títulos que foram recebidos que compõem o valor de R$ 7.896.751,95, contevese em justificar o cálculo do valor. Sabese que neste valor está o de R$ 2.500.327,26, provisionado, conforme o item 5.1.3.1. deste relatório." 5.1.3.1. Baixa de contas incobráveis R$ 2.500.327,26 contas vencidas até 01/01/1998 já foram provisionadas acarretando numa constituição em duplicidade. Infração: "tal fato, exclusão indevida, enseja a sua cobrança de ofício nos termos do art. 250, i, do rir/99). Os valores do IRPJ devido resultam de divergências constatadas entre os valores declarados nas DCTF`s e os devidos apurados com base nas receitas de vendas dos serviços registrados no livro registro dos serviços prestados n° 01 e declarações de serviço, cópias anexas de folhas 39/82 e 83/118, respectivamente apurados nos demonstrativos de fls. 13/36. Inconformada quanto aos autos de infração de folhas a contribuinte apresentou, impugnação tempestiva, alegando em síntese o seguinte: I – Tempestividade: alega ser tempestiva a impugnação. II Preliminarmente: MPF Requer a nulidade do MPF que estava expirado no momento da lavratura do Auto de Infração e pela falta de ciência formal da continuação dos trabalhos. Acrescenta que o registro de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.452 7 prorrogação não supre o vício procedimental e, ainda, que as intimações após a data do término do MPF sejam nulas por violar o disposto no art. 13 da Portaria SRF n° 3.007/2001c/alterações posteriores, pois o referido dispositivo limita as prorrogações a um prazo máximo de 30 dias cada; III – Dos fatos: Das supostas irregularidades na dedução de despesas não dedutíveis nos exercícios 2000 e 2001: AnoCalendário 2000 Auto de Infração Valor Pág . Variação Monetária do Parcelamento ICMS 10.359.592,48 91/109 Dispêndio a reembolsar pessoal cedido 1.690.105,00 24/109 Provisão p/perdas c/ Ser. Prest. – ODS 161.806,19 29/109 Dif. de valor provisionado x adicionados 4.813.022,08 33/109 Provisão de títulos sup. a R$ 30.000,00 187.339,79 34/109 Prov. títulos Reduzidos em 2001 x 2000 13.542.296,34 36/109 Prov. dif. faturas conf. c/ consumidor. 324.321,86 59/109 Provisão p/ ajuste contas a receber 399.351,00 27/109 Provisão p/ cheques devolvidos 265.600,00 27/109 Provisão p/ ch. Devolvidos – duplicidade 62.939,20 22/109 Provisão p/ ch. Devolvidos – duplicidade 8.836,53 23/109 AnoCalendário 2001 Auto de Infração Valor Pág . Não adiciono no Lalur fatura complementar de energia do período abril/Nov 2001(racionamento) 10.434.423,05 85/109 Diferença despesas compra energia CHESF 2.871.961,74 82/109 Energia comprada do MAE – Curto prazo 70.342.053,18 62/109 Provisão p/ cons. Com processo judicial 7.936.58,47 51/109 Provisão diferença faturas conf. c/ consumidor 998.992,23 59/109 Exclusões indevidas no Lalur 7.896.751,95 97/109 Baixa de contas vencidas até 01/01/98 2.500.237,26 41/109 Provisão de títulos sup. A R$ 5.000,00 228.966,25 50/109 Provisão de tít. Venc. Entre 07 à 12 de 2001 2.348.826,44 51/109 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.453 8 IV – Do Direito: A) AnoCalendário 2000: 4.A.1) Glosa da Variação Monetária do Parcelamento do ICMS (R$ 10.359.592,48): a) A não observância dos princípios da contabilidade, notadamente o que estabelece os lançamentos pelo regime de competência, inclusive a teor do Ato Declaratório Normativo COSIT n° 52, de 28/09/1994, o qual o próprio fiscal faz referência, restando evidenciado que a empresa deve aterse ao sobredito regime; b) O contrato de parcelamento reza que deve ser aplicado, quando couber, qualquer outro índice ou critério adotado pelo SEFIN. Sendo assim, apesar das informações da Recebedoria de Rendas indicar que não houve atualização monetária pela UFIR em 2000, existiu atualização por outro indice, aplicado a partir de novembro de 2000. Posteriormente foi editada a Portaria GSF n° 002, de 05/01/2001, instituindo o IGPDI em substituição a UFIR, a partir de 2001, o que implicou no fechamento do exercício para SAELPA apenas em janeiro de 2000, lançandose a correção monetária em dezembro de 2000; 4.A.2) Não Adição do Dispêndio com Pessoal Cedido (à reembolsar R$ 1.690.105,00): a) São custos de natureza salarial, relativos a faturas de reembolso não quitadas pelos órgãos do Estado e Prefeituras sobre os salários de empregados da SAELPA a eles cedidos, por meio de documentos formais de cessão; b) Ainda, por ter sido uma Sociedade de Economia Mista controlada pelo Governo Estadual, confundiase com o próprio Governo, sendo as cessões de funcionários ordem do próprio Governador e não liberações; c) Caso não houvesse as cessões dos funcionários, os salários dos mesmos teriam sido lançados como custo operacional, dedutível do lucro tributável. 4.A.3) Não Adição da Despesa com Provisão por Perdas com Serviços Prestados a Terceiros ODS (R$ 161.806,19). a) Refuta o apego da autoridade fiscalizadora as notas fiscais dos serviços não apresentadas, não levando em consideração as despesas realizadas e comprovadas, bem como os documentos que respaldam a execução dos serviços, sendo os mesmos documentos idôneos a comprovar os fatos por ele descritos; b) Que ficou demonstrado que referidos valores não foram recebidos, caracterizando perda, cuja provisão é admitida. 4.A.4) Não Adição da Diferença dos Valores Provisionados e Adicionados (R$ 4.813.022,08). a) Segundo a fiscalização, a autuada adicionou ao LLE, para apuração do L.R. de 2000, R$ 28.766.429,00, de títulos à receber vencidos ou a vencer, sendo encontrado, entre 31/12/2001 e 30/12/2000, uma diferença de R$ 4.813.022,08, que não foi adicionada ao LLE, sendo que essa Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.454 9 diferença corresponde exatamente às faturas pagas, o que implica que o montante de 2001 é menor que o de 2000. 4.A.5) Não Adição da Provisão de Títulos Superiores à R$ 30.000,00 (R$ 187.339,79). a) Que "A impugnante revendo seus demonstrativos de cálculo da época verificou a inconsistência tendo efetuado a provisão a menor, razão pela qual acata o ajuste e efetuará as devidas correçães em seus registros". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuizo fiscal do referido exercicio. 4.A.6) Não Adição da Provisão de Títulos Reduzidos em 2001 x 2000 (R$ 13.452.296,34) a) Que a autuação realizada sobre a diferença entre os anos de 2000 e 2001 teve por causa um lapso do fiscal autuante, uma vez que inverteu os anos, afirmando que o montante da provisão de 2000 é inferior ao de 2001, quando, na verdade, a realidade é exatamente o contrário. 4.A.7) Não Adição da Provisão da Diferença das Faturas Consumidores Intimados (R$ 324.321,86). a) Que "A impugnante revendo seus demonstrativos de cálculo da época reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor e fará o devido ajuste no LALUR 2000". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercício. 4.A.8) Não Adição da Provisão para Ajuste de Contas a Receber (R$ 399.351,00). a) Que "A impugnante reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor em relação a esse item e fará o devido ajuste no LALUR de 2000". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercício 4.A.9) Não Adição da Provisão para Cheques Devolvidos (R$ 265.600,00). a) Que "A impugnante reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor em relação a esse item e fará o devido ajuste no LALUR 2000". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercício. 4.A.10) Não Adição da Provisão para Cheques Devolvidos Duplicidade (R$ 62.939,20). a) Que "A impugnante reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor em relação a esse item e fará o devido ajuste no LALUR 2000". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercício. 4.A.11) Não Adição da Provisão para Cheques Devolvidos Duplicidade (R$ 8.836,53). a) Que "A impugnante reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor em relação a esse item e fará o devido ajuste no LALUR de 2000". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercício. B) AnoCalendário 2001: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.455 10 4.B.1) Da Indedutibilidade da Provisão para Crédito de Liquidação Duvidosa. Consumidores com Medidas Judiciais (R$ 7.936.588,47). a) Quanto à divergência de informações encontradas pela fiscalização em face das diligências realizadas junto a alguns clientes da SAELPA (correspondente a 80% do valor da fatura original), informa que: b) "Contabilizou as faturas dos clientes que haviam ajuizado ações na justiça utilizando a tarifa total (cheia e original), sem considerar a redução de 20% nas tarifas de energia elétrica determinada pelos decisões judiciais, muito embora fizesse a emissão das notas fiscais/contas de energia elétrica para os clientes pelo valor reduzido”. c) Desta maneira restaram para a impugnante valores a receber daqueles clientes em um montante de R$ 7.936.588,47. d) Os valores complementares, da ordem, portanto de 20%, pendentes no Contas a Receber, foram objeto de provisão pela Impugnante conforme parâmetros para a constituição de provisão para Devedores Duvidosos, definidos pela ANEEL.” e) Apresenta como provas do que alega cópia do CE n° 016/2001DFIN, pela qual a SAELPA solicita à SEFIN do Estado da Paraíba compensação do ICMS recolhido sobre os 20% dos faturamentos e cópias das Notas Fiscais dos consumidores citados pela fiscalização para comprovar que continuavam pendentes até 30/12/2001. 4.B.2) Não Adição ao LALUR da Fatura Complementar de Energia do Período de Abril à Novembro de 2001 (Racionamento – R$ 10.434.423,05). a) Da solicitação de diligência. A fim de melhor comprovar o alegado a impugnante requereu, sob pena de cerceamento de defesa, que se proceda a diligências e pedidos de esclarecimento acerca das operações Compra e Venda de Energia e Demanda Contratada do setor energético, as quais deverão ser fornecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL (situada na SGAN, n° 603, módulo 5, CEP 70830030, Brasília/DF) bem como pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF (situado na Rua Delmiro Gouveia, n° 333 Bongi Recife Pernambuco CEP 50761901) b) O mercado de energia operava rigidamente por meio de contratos de compra e venda, sendo que qualquer excedente era comercializado no mercado atacadista de energia. Com o início do racionamento o Governo determinou a redução dos contratos iniciais de fornecimento de energia elétrica, sendo que, durante aquele período, a SAELPA pagou os contratos obedecendo a essa redução, e a CHESF, da mesma forma, emitiu faturas cobrança com essa redução, originandose um débito de compra de energia da SAELPA para com a CHESF, oriundo dessa diferença de percentual. c) A SAELPA efetuou os registros dá operações de comercialização com base em estimativas observando os princípios fundamentais da contabilidade. Com a definição final do percentual de redução a ser considerado pelas empresas, chegouse, no caso da SAELPA, a um valor a ser pago a CHESF de R$ 10.434.423,05 (08/2002). d) Referido valor somente foi conhecido em agosto de 2002, quando a CHESF emitiu correspondência dirigida a SAELPA. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.456 11 e) Que em dezembro de 2001 a SAELPA contabilizou o valor de R$ 11.096.782,02, para fins de efeitos contábeis. f) O que o fiscal equivocadamente entendeu que esse valor não poderia ser levado a despesa em 31.12.2001, para fins de dedução do IRPJ (ou adicionado ao LLE), tendo em vista não ter havido o fornecimento de energia, sendo a emissão da fatura complementar para atender o acordo do setor de elétrico, com a finalidade de compensar perdas de receitas. g) Que tal conclusão contraria frontalmente não só os fatos, mas a legislação vigente à época, conforma já especificado, bem como o contrato inicial formalizado entre SAELPA e CHESF (complemento do valor do contrato inicial de compra e venda de energia do exercício de 2001), devendo ainda o fiscal levar em consideração o princípio da competência do exercício, bem como emissão da fatura complementar, que se deu em dezembro de 2001. 4.B.3) Glosa das Diferenças de Despesas com Compra de Energia a CHESF R$ 2.871.961,74 (2001). a) Que não merecem acatamento as glosas dos valores estornados da NF n° 5324 (R$ 2.098.505,44), da diferença entre o valor contabilizado e o constante da nota no valor de R$ 111.097,33, bem como o estorno da NE n° 5342, no valor de R$ 473.758,12 e a diferença entre o valor contabilizado e o constante da nota no valor de R$ 188.600,85, totalizando R$ 2.871.961,74, pois essas despesas fundamentamse no que determinam os contratos iniciais e a legislação vigente no período de racionamento (regras e princípios contábeis) e, ainda, de acordo com os fatores econômicos efetivos. b) Que em função do racionamento de energia em 2001 a parcela de demanda de todos os contratos foi reduzida em 2,1%, assim, em dezembro de 2001, contabilizou com este percentual de redução as diferenças de despesa com compra de energia adquirida da MESE e o valor da energia comprada em dezembro (Conta 615.03.3.5.41): RS 12.084.922,43 Energia Dezembro R$ 11.096.782,02 Energia Complementar AbrDez/2001 c) Que em dezembro de 2001 as empresas de energia e o Governo firmaram o Acordo Geral do Sistema elétrico que implicou para as distribuidoras pagarem às geradoras, durante o programa emergencial, os valores dos contratos iniciais e equivalentes com redução de 2,341%, resultando, com a aplicação do referido percentual para a energia adquirida da CHESF e o valor da energia comprada em dezembro (Conta 615.03.3.5.41): R$ 9.875.319,66 Energia Dezembro (Diferença: R$ 2.209.602,77) R$ 13.122.235,30 Energia Complementar AbrDez./2001 I) R$ 2.209.602,77 (diferença apontada pela NE 5324) corresponde a diferença entre o valor contabilizado pela SAELPA e o indicado pela CHESF; II) R$ 662 358,97 referese à subtração do valor registrado pela SAELPA, que na época desconhecia a emissão da Nota Fiscal e o valor efetivamente devido após o ajuste; Fl. 11DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.457 12 III) RS 11.096.782,02 corresponde ao valor registrado pela SAELPA quando ainda desconhecia o ajuste da fatura complementar. Assim, o valor glosado corresponde à variação das duas Notas Fiscais emitidas pela CHESF e que à época dos lançamentos não tinham sido enviadas nem eram de conhecimento da SAELPA. 4.B.4) Não Adição da Energia Comprada no Mercado Atacadista de Energia (MAE) Curto Prazo (R$ 70.342.053,18). a) Relativamente a este ítem a fiscalização entendeu que os respectivos valores contabilizados não poderiam ser dedutíveis. Tais valores se referem à diferença entre os valores efetivamente recebidos do Mercado Atacadista de Energia Elétrica MAE e aqueles devidos depois da implementação do Acordo do Setor Elétrico, a qual o Fiscal entendeu como custo/despesa indedutível, concluindo que a SAELPA indevidamente deixou de adicionar na apuração do lucro real a quantia de R$ 70.342.053,18. b) Requer, sob pena de cerceamento de defesa, que sejam feitas diligências e pedidos de esclarecimentos à ANEEL e a CHESF acerca das operações de compra e venda de energia e demanda contratada do setor energético; c) Que foi efetuada a contabilização dos valores relativos à aquisição de energia elétrica do MAE, seguindose criteriosamente o principio da competência, de acordo com o extrato por ele emitido; d) Que o fiscal levou em consideração o levantamento apresentado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE (nova denominação de Mercado Atacadista de Energia – MAE), equivocandose, pois os termos utilizados nas suas considerações não condizem com a mateliaridade dos fatos e das regras da contabilidade. e) Diante dessas informações, o Auditor Fiscal entendeu que os valores apresentados pela SAELPA como custo de energia comprada, e que foram informados pelo próprio MAE à época, no valor de R$ 70.342.053,18, não poderiam ser entendidos como despesa/custo dedutivel, posto se tratar de provisionamento". f) Não se pode entender dessa forma, uma vez que o valor da compra de energia naquele momento foi realizado e lançado como custo operacional, posto que esses eram os números apresentados pelo MAE. g) Que se não houvesse sido lançada a referida despesa/custo, estarseia majorando fraudulentamente o lucro do exercício; h) Que tendo como premissa que energia é custo para SAELPA, lançouse o custo na apuração do lucro real com base na planilha do MAE: • 611.03.3.1.0.2 Suprimento de Energia subconta 0002 Energia Curto Prazo R$ 6.036.832,43; • 615.03.3.5.4.1 Operações com Energia subconta 4103 Energia Comprada Curto Prazo R$ 70.342.053,18. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.458 13 4.B.5) Provisão de Diferenças de Faturas Confirmadas com o Consumidor (R$ 998.992,23). a) Que revendo seus demonstrativos de cálculo da época verificou inconsistência tendo efetuado a provisão a menor, razão pela qual acata o ajuste e efetuará as devidas correções em seus registros. 4.B.6) Exclusões no LALUR Indevidas (R$ 7.896.751,95). a) A reversão da provisão foi o resultado apurado referente à movimentação ocorrida ao exercício de 2001. a) Que calculou provisão para crédito de liquidação duvidosa mensalmente, em conformidade com as regras definidas pela ANEEL contidas no Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, para fazer face a eventuais perdas na realização de créditos considerados de difícil recebimento e que mensalmente são feitas reversões do saldo da provisão constituída no mês anterior, apurandose em Dez/2001 o montante de R$ 73.942.388,66, valor esse inferior em R$ 7.896.751,95 àquele apurado até Dez/2000, que era de R$ 81.839.140,61; b) Os R$ 73.942.388,66 corresponde à Provisão constituída em Dez/2000 (R$ 81.839.140,61), menos contas baixadas em 2001 de R$ 0,01 a R$ 5.000,00 vencidas até Dez/1997 (R$ 29.878.752,27), mais contas incluídas em 2001 (R$ 34.833.228,65), menos contas corrigidas em 2001 que se encontravam na provisão em 2000 (R$ 12.851.228,33). 4.B.7) Baixa de Contas Vencidas até 01/01/1998 (R$ 2.500.237,26). Que "A impugnante reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor em relação a esse item e fará o devido ajuste no LALUR 2000". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercício. 4.B.8) Provisão de Títulos Superiores à R$ 5.000,00 (R$ 228.966,25). Que "A impubmante reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor em relação a esse item e fará o devido ajuste no LALUR 2000". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercicio. 4.B.9) Provisão de Titulos Vencidos entre Julho e Dezembro de 2001 (RS 2.348.826,44) Que "A impugnante reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor em relação a esse item e fará o devido ajuste no LALUR 2000". Ressalva, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercício. V e VI) Da Multa com Caráter Confiscatório. Da Regra mais Benéfica para o Contribuinte. a) Que, em virtude da regra estatuída pela alinea "c", do inciso II, do art. 106 do CTN, deve ser aplicada a penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, ou seja, deverá ser aplicada a multa menos severa no caso em análise, qual seja, a multa de 20% sobre o valor do tributo. Faz referência a jurisprudência para balizar seu argumento. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.459 14 A 3ª Turma da DRJ no Recife/PE, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade, indeferiu o pedido de perícia e considerou parcialmente procedentes os lançamentos do IRPJ e da CSLL, mantendo, respectivamente, os montantes de R$ 2.068.928,65 e R$ 447.900,06 e excluindo os valores de R$ 17.849,05 e R$ 6.425,67, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 LUCRO REAL. CONCESSIONÁRIAS DE ENERGIA ELÉTRICA. PROVISIONAMENTO EM 2001 DOS CUSTOS DE ENERGIA INICIALMENTE CONTRATADA NÃO CONSUMIDA EM FUNÇÃO DO ACORDO DO SETOR ELÉTRICO (RACIONAMENTO). Assim como a receita gerada pela aplicação da sobretarifa, de que trata o § 1° do artigo 40 da Lei n° 10.438/2002, os custos resultantes do acordo do setor elétrico, em função do racionamento de energia, deverão compor, em 2001, direito a recuperar da empresa (ativo circulante ou realizável a longo prazo) e somente comporão a apuração da base de cálculo do IRPJ, referente aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo o tributo apurado de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos, por força do artigo 144 do CTN. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. CUSTOS E DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE (2000 e 2001). Para que sejam dedutíveis, os gastos incorridos, além de atender às condições legais de necessidade, usualidade, ficam sujeitos à comprovação documental da ocorrência e quitação. LUCRO REAL. EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA (2001). Glosamse os valores excluídos pelo contribuinte que não estão autorizados pela legislação tributária ou não estão devidamente comprovados. Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001 LUCRO REAL. CONCESSIONÁRIAS DE ENERGIA ELÉTRICA. PROVISIONAMENTO EM 2001 DOS CUSTOS DE ENERGIA CONTRATADA NÃO CONSUMIDA EM FUNÇÃO DO ACORDO DO SETOR ELÉTRICO (RACIONAMENTO). Assim como a receita gerada pela aplicação da sobretarifa, de que trata o §1° do artigo 4° da Lei n° 10.438/2002, os custos resultantes do acordo do setor elétrico, em função do racionamento de energia, deverão compor, em 2001, direito a recuperar a empresa (ativo circulante ou realizável a longo prazo) CSLL, referente aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança, à medida e na proporção de sua Fl. 14DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.460 15 efetivação, sendo o tributo apurado de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos, por força do artigo 144 do CTN. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. CUSTOS E DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE (2000 e 2001). Para que sejam dedutíveis, os gastos incorridos, além de atender às condições legais de necessidade, usualidade, ficam sujeitos à comprovação documental da ocorrência e quitação. LUCRO REAL. EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA (2000). Glosamse os valores excluídos pelo contribuinte que não estão autorizados pela legislação tributária ou não estão devidamente comprovados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2000, 2001. PRELIMINAR DE NULIDADE. VÍCIOS. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n.° 70 235/72, sem preterição do direito de defesa, não há falar em nulidade do procedimento fiscal. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade do procedimento fiscal as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBELTDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Lançamento Procedente em Parte Em função da extensão do relatório a DRJ fez uma tabela correlacionando os subítens do lançamento com a impugnação: AUTO DE INFRAÇÃO IMPUGNAÇÃO SUBÍTEM VALOR TRIBUTÁVEL SUBÍTEM ARGUMENTO 1 A R$ 10.434.423,05 4.B.2 IMPUGNADO 1 B R$ 2.871.961,74 4.B.3 IMPUGNADO Fl. 15DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.461 16 1 C R$ 70.342.053,18 4.B.4 IMPUGNADO 2 R$ 10.359.592,48 4.A.1 IMPUGNADO 3 A R$ 13.452.296,34 4.A.6 IMPUGNADO 3 B R$ 265.600,00 4.A.9 LANÇ. ACATADO 3 C R$ 1.690.105,00 4.A.2 IMPUGNADO 3 D R$ 399.351,00 4.A.8 LANÇ. ACATADO 3 E R$ 4.813.022,08 4.A.4 IMPUGNADO 3 F R$ 161.806,19 4.A.3 IMPUGNADO 3 G R$ 324.321,86 4.A.7 LANÇ. ACATADO 3 H R$ 62.939,20 4.A.10 LANÇ. ACATADO 3 I R$ 8.836,53 4.A.11 LANÇ. ACATADO 3 J R$ 187.339.79 4.A.5 LANÇ. ACATADO 3 K R$ 7.936.588,47 4.B.1 IMPUGNADO 3 L R$ 2.348.826,44 4.B.9 LANÇ. ACATADO 3 M R$ 228.966,25 4.B.8 LANÇ. ACATADO 3 N R$ 2.500.237,26 4.B.7 LANÇ. ACATADO 3 O R$ 998.992,23 4.B.5 LANÇ. ACATADO 4 R$ 7.896.751,95 4.B.6 IMPUGNADO Ciente da decisão de primeira instância em 13/04/2009, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo em 13/05/2009, onde repete os argumentos trazidos na fase impugnatória, acrescentando em síntese o seguinte: A) Do anocalendário 2000: Da glosa da variação monetária do parcelamento de ICMS de R$ 10.359.592,48. Afirmou a fiscalização ter constatado que a Recorrente havia contabilizado como despesa financeira a variação monetária do ICMS. Conforme transcrito no próprio Relatório de Trabalho Fiscal, a Recebedoria de Rendas da Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba, informou que os débitos de ICMS com vencimento em 2000 e pagos naquele mesmo ano não sofreram atualização monetária, pois a UFIR permaneceu "congelada", ao passo em que os débitos vencidos em 2000 e recolhidos após o ano de 2000 passaram a ser corrigidos, a partir de janeiro de 2000, até maio de 2003 pelo IGP DI (FGV). Apesar da clareza da resposta do Fisco paraibano, que confirmou a aplicação de atualização monetária desde janeiro de 2000 sobre os débitos vencidos e não pagos naquele ano, o r. auditor fiscal concluiu ter a Recorrente contabilizado, "sem amparo legal, atualização monetária dos débitos de ICMS no anocalendário de 2000". Fl. 16DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.462 17 O Acórdão da Delegacia de Julgamento, ao tratar deste item do Auto de Infração, manteve a autuação sob o argumento de que a Recorrente não teria "nenhuma prova, que não por ela mesma produzida, de que, sobre seus débitos de ICMS sobre os quais versa o lançamento incidiram (sic) atualização monetária (juros e multa). Ora as As regras legais atinentes à possibilidade de dedução da variação monetária correspondente às obrigações tributárias vigentes em 2000 encontramse consubstanciadas no entendimento contido no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 52. No caso em tela, a Recorrente celebrou, em 15/7/2000, um parcelamento com o Estado da Paraíba, relativamente a Débito Fiscal de ICMS em 36 (trinta e seis) parcelas mensais e sucessivas, acrescidas de mora, juro e correção monetária, quando couber, atualizado pela UFIR ou outro critério adotado pela DEFIN para correção de tributos. Do citado parcelamento, 3 (três) parcelas foram pagas em 2000, sem correção, uma vez que não houve variação da UFIR naquele ano. O saldo devedor em 2000, contudo, foi corrigido conforme determinação da Portaria GSF n° 002, de 05.01.2001, do Secretário das Finanças, publicada no DOE PB de 06.01.2001, a qual instituiu a aplicação do IGPDI em substituição da extinta UFIR a partir de janeiro de 2000, para débitos não pagos naquele ano. A Recorrente então contabilizou em 2000 o valor das atualizações monetárias incidentes sobre o saldo devedor, de acordo com a variação do IGPDI contida na Tabela acima referida. Tais valores estão demonstrados na Planilha de Parcelamento ICMS (doc.06), para mais fácil visualização. Ao ao reconhecer no ano de 2000 a despesa decorrente da incidência do IGPDI naquele ano, a recorrente somente deu cumprimento ao principio da competência, reconhecendo que tal despesa, apesar de ainda não desembolsada, foi incorrida naquele ano. diante dos fundamentos apresentados acima, a recorrente requer que seja reconhecido e homologado como despesa o valor contabilizado de R$ 10.359.592,48 Da glosa de custos Diferença entre os valores provisionados e adicionados no AnoCalendário de 2000 (R$ 4.813.022,08). Afirma o auditor ter constatado que vários títulos a receber da Recorrente teriam sido provisionados no anocalendário de 2000 e adicionados ao lucro líquido na apuração do lucro real daquele mesmo exercício fiscal. Ainda segundo ele de um total de 294.731 títulos totalizando R$ 28.766.429,00 a parcela de 120.123 títulos teriam sido provisionados por um valor X e adicionados ao lucro líquido por um valor inferior, X Y. Essa diferença de valor, Y, totalizaria R$ 4.813.022,08, e seria um custo/despesa indedutível, o que ensejaria sua cobrança de ofício. A DRJ manteve a autuação por não ter a Recorrente apresentado provas documentais. Ao contrário do afirmado pelo auditor, não há qualquer diferença entre o valor dos 294.731 títulos provisionados por R$ 28.766.429,00 e o valor pelo qual esses mesmos títulos foram lançados ao lucro líquido na apuração do lucro real. Ponto inconteste, afirmado pelo próprio auditor fiscal, é que os citados títulos foram provisionados, contabilmente, no anocalendário de 2000 por R$ 28.766.429,00. Toda a celeuma decorre do equívoco do auditor, ao indicar que tais títulos teriam sido computados no lucro líquido para apuração do lucro real por valor inferior ao provisionado. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.463 18 Demonstrando exatamente o contrário, ou seja, que o valor computado no lucro líquido para apuração do lucro real foi exatamente igual ao valor provisionado (R$ 28.766.429,00) a Recorrente apresenta cópia da fls. 25 do LALUR do exercício de 2000 (doc.07), juntamente com a pág.06 da DIPJ do mesmo exercício (doc.08), ambas contendo o mesmo valor provisionado, (no caso da DIPJ, o valor compõe o lançamento de linha 3. Despesas operacionais Parcelas Não Dedutíveis), então adicionado na apuração do lucro real. Razão porque a autuação não tem amparo e foi equivocada. Da glosa de Custos Provisões constituídas em 2000 e repetidas em 2001 Diferença de provisão 2000/2001. (R$ 13.452.296,34). Afirma o auditor ter constatado 904.370 registros com os mesmos número de matricula e data de vencimento, que totalizavam R$ 58.121.067,24 (2000) e R$ 44.673.929,56 (2001). Segundo o auditor, a diferença encontrada em 2000 ("X") e 2001 ("X Y"), seria de R$ 13.452.296,34 e representaria o montante no qual a provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido indevidamente majorada no anocalendário de 2000. A partir dessa presunção, ele concluiu que essa parcela da provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido integralmente utilizada para apuração do lucro real enquanto perda dedutível. Curiosamente, o auditor realizou outro lançamento tributário sob o mesmo fundamento, no valor de R$ 7.896.751,95, com base na diferença entre o valor total da provisão para créditos de liquidação duvidosa de 2000 (R$ 81.839.140,61) e 2001 (R$ 73.942.388,66). Destaquese que os valores tomados por base para o lançamento ora recorrido, R$ 58.121.067,24 em 2000 e R$ 44.673.929,56 em 2001, eram parcelas integrantes da provisão para créditos de liquidação duvidosa ("PDD") de 2000 (R$ 81.839.140,61) e 2001 (R$ 73.942.388,66), respectivamente. O auditor efetuou lançamentos distintos, um para a parte e outro para o todo (doc.09 e 10 fls.09 e 10 do Lalur e pag.6 da DIPJ 2002). A DRJ ao tratar deste item manteve a autuação simplesmente por não ter a Recorrente apresentado provas documentais, ignorando os argumentos aduzidos, sobretudo o da verdade material. Inicialmente, impõese destacar o claro bis in idem configurado pela duplicidade de autuações com base no mesmo fato. Pela diferença entre a PDD de 2000 e 2001, o auditor já efetuou o lançamento constante do item 5.5 do Relatório Fiscal defendido no presente Recurso. Não pode ele, com base na diferença entre parciais que compõem o saldo das referidas provisões, efetuar novo lançamento, em adição ao já existente. Não bastasse a ocorrência do bis in idem, tratase de autuação baseada pura e simplesmente em presunções ilegais: de que o valor provisionado em 2001 seria o correto, e não o de 2000 e, que a diferença entre o valor dos títulos nos dois anos foi deduzida na apuração do lucro real de 2000. Se a administração tributária pudesse, a seu bel prazer, cobrar tributos com base em meras suposições, o contribuinte ficaria à mercê das interpretações da autoridade fiscal. Presunção não é base de cálculo de imposto, devendo esse tipo de expediente ser rechaçado do procedimento administrativo fiscal. Ao comparar registros com o mesmo número de matricula e a mesma data de vencimento, na database dezembro/2000 e dezembro/2001, o auditor confunde registros de sistema com títulos representativos de dívida. Os registros de sistema representam o total do débito de um Fl. 18DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.464 19 determinado cliente, que pode ter mais de uma unidade de consumo conectada à rede elétrica. Uma rede de supermercados com diversas filiais, por exemplo. Fato é que qualquer desses consumidores pode pagar uma fatura de energia elétrica de uma unidade de consumo e deixar de pagar a de outra. Com isso, o valor do registro, de um ano para o outro pode reduzir normalmente, sem que tenha havido qualquer erro por parte da Recorrente. Não demonstrou o auditor ter sido a contabilização de 2000 excessiva, nem tampouco ter resultado em qualquer benefício fiscal indevido para a Recorrente. Na verdade, ao adotar a presunção de ilegalidade, furtouse de perquirir a verdade dos fatos. Por conseqüência de todo o exposto requer a Recorrente que seja reconhecido o bis in ide, e a ilegalidade da presunção na qual se baseou o lançamento, devendo ser anulada a autuação de tais valores. B) Do anocalendário 2001: Provisão para Crédito Liquidação Duvidosa. Consumidores com medidas judiciais.(R$7.936.588,47. No relatório de trabalho fiscal, o auditor fiscal constatou a indedutibilidade da provisão do valor, correspondente às contas de energia elétrica de clientes que ingressaram na Justiça questionando os reajustes tarifários de 1986. A DRJ deixou de apreciar os fundamentos expostos, por não ter a Recorrente apresentado provas documentais correspondentes. Durante o ano de 2001, diversas faturas de clientes que ingressaram na justiça questionando os reajustes tarifários de 1986 foram emitidas, em cumprimento a decisões judiciais, por 80% do valor integral. Por um equívoco contábil da Requerente, os 20% restantes foram levados a tributação como faturamento e, pendentes no Contas a Receber, foram objeto de provisão pela Recorrente conforme parâmetros para constituição de provisão para Devedores Duvidosos. Em razão do equívoco cometido quando da emissão de faturamento de receita em 80% (oitenta por cento) e 20% de provisão de devedores duvidosos, houve o devido estorno no LALUR, de forma que não afetou o lucro líquido do exercício. Tal equívoco ocorreu em virtude da Recorrente não ter cumprido, de imediato, a determinação de redução das ações judiciais. Uma vez que a empresa constatou que aqueles valores de PDD não podiam ser lançados na rubrica de contas a receber, buscou o seu devido estorno, não acarretando qualquer prejuízo ao erário público. Prosseguir com o entendimento do fiscal seria praticar o estorno de um lançamento irregular. A Recorrente anexa relatório de todos os consumidores com débitos oriundos de redução de tarifa, totalizando o valor de R$ 7.936.588,47, os quais foram objeto de estorno. Ainda como meio de prova do alegado, a Recorrente anexou cópia da CE n°. 016/2001DFIN, pela qual a Saelpa solicita à Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba compensação do ICMS recolhido sobre os 20% (vinte por cento) desses faturamentos, bem como Notas Fiscais relativas aos consumidores citados pelo auditor em seu relatório para comprovar que essas contas continuavam pendentes até 31/12/2001. Da Glosa de Custos – Faturamento Complementar(R$ 10.434.423,05). Este item referese à contabilização de faturas de compra de energia elétrica, pela Recorrente, junto à Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF, no ano de 2001. Tratase, de fato, da nota fiscal Fl. 19DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.465 20 n° 5342, emitida pela CHESF, no valor de R$ 10.908.181,17 R$ 473.758,12 (ajuste), em vista dos depósitos/créditos bancários feitos pela ENERGISA (Saelpa), referente ao faturamento complementar relativo ao fornecimento de energia do ano de 2001. Sustenta o auditor que tais valores não poderiam ser Considerados como custo, mas sim como um ativo circulante ou recuperável a longo prazo. Tal entendimento equivocado decorreu da escusável falta de conhecimento técnico acerca do funcionamento e da regulação do setor elétrico brasileiro, vigentes à época. Por esse desconhecimento, o fiscal acabou confundindo o objeto da autuação (faturamento de energia comprada) com a Recomposição Tarifária Extraordinária – RTE. A DRJ não analisou os argumentos da recorrente, atendose simplesmente a transcrever na íntegra o Parecer COSIT nº 26. o r. julgador manteve a linha de pensamento equivocada do r. auditor fiscal, vinculando o pagamento da nota fiscal n° 5342 da CHESF à sobretarifa objeto do Parecer COSIT n° 26/2002, quando na verdade, esse dois fatos não guardam entre si qualquer relação. Em 2001, o setor elétrico era regulado, principalmente, pelas Leis n° 9.648, de 27 de maio de 1998 e n° 9.427, de 26 de dezembro de 1996. O art. 12 da Lei n° 9.648/1998, em seu §2°, estabelecia que a compra e venda de energia elétrica nos sistemas elétricos interligados seriam realizadas no âmbito do Mercado Atacadista de Energia Elétrica MAE, observado o disposto no art. 10, que tratava dos contratos iniciais. A Recorrente tinha, em 2001, um contrato de compra e venda de energia em vigor com a CHESF, celebrado em 25 de janeiro de 2000 (doc.16) Seu Anexo I apresenta as quantidades contratadas e as tarifas do contrato inicial. O montante de energia contratado para 2001, com a CHESF, correspondeu a 396 MW médios. Tais montantes mensais foram registrados no MAE considerando o disposto no Parágrafo Primeiro da Cláusula 11 do Contrato. Para fins de informação, a Recorrente apresenta a tabela lª (doc.17), que apresenta os montantes mensais contratados e adquiridos em 2001, bem como teriam sido os correspondentes faturamentos, caso não houvesse sido decretado o racionamento de energia. Para cada mês, as tarifas e os faturamentos foram obtidos conforme Cláusula 14 do contrato inicial. Na Região Nordeste, onde se localiza a Recorrente, o racionamento de energia elétrica foi decretado pelo Poder Concedente a partir de junho de 2001. CHESF, então, conforme recomendação da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica ABRAGE, efetuou, a partir de junho de 2001, o faturamento provisório tomando por base as quantidades contratadas, ajustadas pelo percentual da meta de racionamento estabelecida pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica GCE, conforme faturas e respectivas correspondências de encaminhamento, todas anexas (docs.18). Com isto, a CHESF passou a faturar, a título provisório, a energia contratada pela Recorrente com uma redução de 20%. A tabela 1.b, anexa, consolida os valores mensais faturados, em MWH (quantidade de energia faturada) e Reais. Somente em dezembro de 2001 foi estabelecido pelo §8° do art.2° da Resolução GCE n° 091, de 21 de dezembro de 2001, a metodologia para o fator de redução a ser aplicado aos contratos iniciais durante o período de vigência do racionamento. Esta metodologia foi posteriormente detalhada no art.5° da Resolução ANEEL n° 31; de 24 de janeiro de 2002, senão vejamos: (doc.19) Em face da cláusula 6 do aditivo (04.07.02) ao contrato inicial da CHESF SAELPA (doc.20) reduziramse os montantes contratados no período de Fl. 20DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.466 21 vigência do racionamento. Para o período de junho a dezembro de 2001, ficou definido que seria aplicado o fator de redução previsto no art.5° da Resolução ANEEL n° 031, de 2002. Finalmente, apenas em 12 de agosto de 2002, os fatores de redução aplicáveis ao ano de 2001 foram definitivamente informados pela ANEEL por meio do Ofício Circular n° 761/2002 SFFSRE/ANEEL (doc.21), correspondendo a 0,93638 de junho a dezembro de 2001, ou seja, uma redução de 6,362%. A tabela 1.c (anexa doc.17) apresenta os valores que deveriam ter sido faturados pela Saelpa considerando este fator de redução. • Verificouse, então, que a SAELPA havia consumido um volume de energia equivalente a 93,638% do contrato inicial, mas apenas 80% tinha sido faturado e recebido pela CHESF. Dessa diferença originouse um débito de compra de energia da Energisa (Saelpa) para com a CHESF. Conseqüentemente, a CHESF emitiu faturamento complementar contra a Saelpa relativo à diferença entre o valor que deveria ter sido faturado em 2001 com base no Ofício Circular n° 761/2002SFFSRE/ANEEL (tabela 1c doc.17) e aquele objeto do faturamento preliminar ( tabela 1b), correspondendo a R$ 10.434.423,05 (tabela 1d doc.17). A SAELPA, até então, havia efetuado o registro contábil das operações de comercialização, realizadas com base em estimativas elaboradas pela sua própria administração, observando os princípios fundamentais da contabilidade. Assim, em dezembro de 2001, a SAELPA registrou o valor de R$ 11.096.782,02 para fins de efeitos contábeis, tendo em vista a definição, à época, dos redutores pelos órgãos competentes. Posteriormente, com a determinação em definitivo do Fator de Redução, foram efetuados os devidos ajustes, nos valores de R$ 473.758,12 e R$ 188.600,85 (receitas levadas à tributação no exercício de 2002 – vide Diário doc. XX anexo), resultando no valor líquido de R$ 10.434.423,05. De acordo com o site da Agência Nacional de Energia Elétrica: "A Recomposição Tarifária Extraordinária é um instrumento que se destina à compensação pelas perdas de receita das concessionárias, impostas pelo Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica, e acumuladas no período de 10 de janeiro a 25 de outubro de 2001. A recomposição foi estabelecida mediante a aplicação dos seguintes percentuais de reajuste: 2,9% para as classes Residencial e Rural; 7,9% para as demais classes, excluídos os consumidores de Baixa Renda, os Serviços Executados e os suprimentos entre empresas, conforme legislação citada nos anexos." Depreendese da leitura do próprio Parecer COSIT n° 26/2002, que "as concessionárias de energia elétrica tiveram redução de suas margens de lucro, seja devido à diminuição do faturamento, seja pelo aumento de custos não gerenciáveis". E que "visando a recomposição do equilíbrio econômicofinanceiro de contratos de concessão a que se refere o dispositivo acima transcrito (art. 28 da MP n° 2.198/2001), a MP n° 14, de 21 de dezembro de 2001, em seu artigo 4°, assim dispôs: Fl. 21DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.467 22 "Art. 4º A ANEEL procederá à recomposição tarifária extraordinária prevista no art. 28 da Medida Provisória no 2.1985, de 24 de agosto de 2001, sem prejuízo do reajuste tarifário anual previsto nos contratos de concessão de serviços públicos de distribuição de energia elétrica. § 1° A recomposição tarifária extraordinária de que trata o caput será implementada por meio de aplicação às tarifas de fornecimento de energia elétrica dos seguintes índices: I 2,9%, para os consumidores integrá ntes das Classes Residencial e Rural; e II 7,9%, para os demais consumidores. (. . . ) " Ora, a perda de receita da Recorrente em virtude do racionamento de 2001, a ser compensada de forma diferida pela RTE, não se confunde com o valor pago à CHESF pela energia consumida naquele ano. Como é de conhecimento comum, a mercadoria energia tem uma peculiaridade que a difere das demais. Não se armazena energia na distribuição. Não há estoque. A distribuidora, simplesmente, contrata uma quantidade de energia com a geradora, que passa a ter a obrigação de gerar esse montante de energia e lançálo no sistema interligado. A distribuidora tem, então, o direito de vender energia nessa quantidade, pois foi ela quem pagou ao gerador. No caso, a Recorrente havia contratado com a CHESF o fornecimento de 2.058.271,448 MWH para o ano de 2001, pelo preço de R$ 76.509.921,18. Por conta do racionamento, a CHESF, inicialmente, faturou apenas 80% do contrato (1.646.617,159 MWh, pelo preço de R$ 61.207.936,96). Quando, finalmente, em agosto de 2002, a ANEEL apurou o fator de redução e determinou qual havia sido a quantidade de energia vendida pela CHESF para a SAELPA no ano de 2001, contatouse que havia sido entregue o montante de 1.927.324,218 MWh, o que totalizava o preço de R$ 71.642.360,01, resultando numa diferença a pagar de R$ 10.434.423,05, valor esse, então faturado de forma complementar pela CHESF. Frisese, foi uma despesa efetivamente incorrida no ano de 2001. Um custo necessário para sua operação (venda de.,energia) e, por conseguinte, dedutível. O fato de a Recorrente ter sofrido prejuízos em razão do racionamento, e de ter recebido do Poder Concedente um reequilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão de maneira diferida (RTE) não faz, absolutamente, com que a despesa incorrida no ano de 2001 com compra de energia destinada a seu mercado consumidor deixe de ser considerada custo dedutível. Não há como se pretender aplicar o Parecer COSIT n° 26/2002 sobre algo que não é RTE! Entendemos que resta exaustivamente demonstrado que não se pode confundir o objeto da autuação (despesa com energia consumida em 2001) com a RTE (valores incluídos na fatura de energia elétrica dos consumidores a partir de 2002, para reequilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão). o Auditor Fiscal deveria levar em consideração o Princípio da Competência do exercício, bem como a emissão da fatura complementar, que se deu em dezembro de 2001. Entende a requerente, em vista do exposto, que se essa despesa operacional foi confirmada com o valor apurado pela Chesf na competência de 2001, por tratarse de complemento do valor do contrato inicial de compra e venda de energia do exercício de 2001, tal despesa deve ser Fl. 22DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.468 23 considerada como custo do resultado para apuração do exercício, uma vez que esse valor foi relativo ao período de comercialização, cuja competência referese ao exercício de 2001. Temse como regra que os valores serão apurados considerando o período de comercialização, e, no caso, esses períodos:,foram os meses de abril a dezembro/01, portanto, foram eles reconhecidos naquela competência. Diferenças de Despesas com Compra de Energia da CHESF (R$ 2.871.961,74). O fiscal solicitou informações à Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF e, com base na resposta obtida, entendeu que havia divergências entre os valores escriturados pela SAELPA e os valores constantes da emissão das notas fiscais da Chesf, relativas a essas contas. O Auditor Fiscal, então, glosou os valores estornados da nota fiscal n° 5324 em R$ 2.098.505,44, bem como a diferença entre o valor contabilizado e o constante da nota no valor de R$ 111.097,33. Da mesma forma, glosou o estorno da nota fiscal n° 5342, no valor de R$ 473.758,12, e a diferença entre o valor contabilizado e o constante daquela nota, no valor de R$ 188.600,85, totalizando a glosa de R$ 2.871.961,74, como despesa/custo indedutível para a apuração do lucro real no anocalendário de 2001. A DRJ entendeu que somente são dedutíveis na apuração do lucro real os custos e despesas efetivamente realizados e apoiados em documentação hábil e idônea. Os procedimentos realizados pela ora Recorrente, tiveram suporte na época pelo seu órgão regulador, bem como pelas disposições do Setor Elétrico, a saber ANEEL, ABRAGE, GCE, através de expedição de resoluções. Ademais, todos os lançamentos contábeis tiveram suporte no que determina os contratos iniciais de fornecimento de energia elétrica, a legislação vigente no período de racionamento e os fatores econômicos efetivos. No período objeto da fiscalização, em razão do racionamento de energia, as parcelas de demanda e a energia de todos os contratos iniciais foram reduzidas em 2,1% em cada mês. Esse fator de redução foi divulgado pela ABRADEE Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, durante o processo de negociação com o Governo Federal. Em dezembro de 2001, o governo e as empresas de energia elétrica firmaram o Acordo Geral do Setor Elétrico com as concessionárias distribuidoras e as geradoras de energia elétrica, com o intuito de garantir o equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos existentes e a recomposição de receitas relativas ao período de vigência do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica (Racionamento / "Programa Emergencial"). Tal acordo abrangia (i) as perdas de margem incorridas pelas distribuidoras e geradoras no período de vigência do citado Programa Emergencial, (ii) os custos adicionais da Parcela A . para o período de 1/01/2001 a 25/10/2001, (iii) a parcela dos custos com a compra de energia no âmbito do Mercado Atacadista de Energia (MAE), denominada "energia livre", realizadas até dezembro de 2002 e (iv) a substituição do direito contratual previsto no Anexo V dos Contratos Iniciais (compra e venda de energia). Assim, as distribuidoras alcançadas por essa recomposição tarifária extraordinária teriam que pagar às geradoras, durante o Programa Emergencial, os valores dos contratos iniciais e equivalentes, com redução proporcional àquela aplicada às distribuidoras. Essa redução foi definida em 2,341%. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.469 24 A Recorrente demonstra através do Extrato contábil (doc.22 anexo 09 da impugnação) que efetuou a contabilização em dezembro de 2001 dos valores relativos à diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, bem como o valor da compra de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, de acordo com os demonstrativos de cálculos efetuados à época (doc.23 anexo 10 da impugnação). Com base na informação detida no momento do lançamento contábil (antes da definição final do fator de redução), a SAELPA efetuou os cálculos utilizando o Fator de Redução 2,1%. Como bem colocado pelo Senhor Fiscal, e diante do exposto acima, a Saelpa efetuou a contabilização na conta contábil 615.03.3.5.41 subconta 4101 dos valores de energia comprados da CHESF em montantes de: (i) R$12.084.922,43 energia comprada de dezembro de 2001, e (ii) R$11.096.782,02 valor complementar de valores de energia comprada de abril a dez de 2001. Os documentos hábeis e idôneos que serviram de base para os registros contábeis dos valores de R$ 11.096.782,02 e R$ 12.084.922,43 foram apresentados pela Recorrente no momento da fiscalização, tendo sido, no entanto, desconsiderados pelo Fiscal, que desprezou a correção de tais valores contabilizados com fator de redução (2,1%), relativo ao período de abril a dezembro de 2001. O lançamento de R$ 11.096.782,02 referese ao somatório encontrado após a aplicação do fator de redução de 2,1% sobre o valor do contrato inicial de compra e venda de energia elétrica do período de abril a novembro de 2001. E o lançamento de R$ 12.084.922,43 é o valor contrato inicial de compra e venda de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, já aplicado o fator de redução de 2,1%. Em um segundo momento, após a celebração do Acordo Geral do Setor Elétrico, foi utilizado pela Recorrente o fator de redução de 2,341% para o cálculo da diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, e de 20% sobre o valor da compra de energia elétrica (contrato inicial) para o mês de dezembro de 2001, apurandose os valores de R$13.122.235,30 em vez de R$11.096.782,02 e de R$9.875.319,66 em vez de R$12.084.922,43, respectivamente. Logo, a diferença apontada para a nota fiscal da Chesf n° 005324, no valor de R$ 2.209.602,77, referese ao valor contabilizado pela SAELPA e o valor indicado pela Chesf, com o redutor de 20% (vinte por cento). Com relação à diferença citada na nota fiscal n° 005342, no valor de R$ 662.358,97, a mesma referese à subtração do valor registrado pela SAELPA, e o valor efetivamente devido após o ajuste. O valor contábil registrado em dezembro de 2001 pela SAELPA (R$ 11.096.782,02) foi assim calculado em função de que também se desconhecia o ajuste da fatura complementar, o que se deu apenas em meados de 2002. Destaquese que as diferenças de R$ 2.209.602,77 e de R$ 662.358,97, acima esclarecidas e que totalizam R$ 2.871.961,74, foram levadas à tributação no exercício fiscal de 2002, quando houve a definitiva indicação do valor devido pelo MAE, conforme se comprova do lançamento contido no Diário (doc. XX anexo). Fl. 24DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.470 25 Diante do esclarecimento acima, fica caracterizado que o valor glosado pelo Auditor Fiscal é justamente a variação decorrente das duas notas fiscais emitidas pela Chesf. Em razão dos fundamentos apresentados acima, não é possível outra conclusão que não seja o reconhecimento da legalidade e correção do valor total contabilizado sobre a rubrica de despesa/custo, relativo as despesas de Compra de Energia à CHESF, bem como seu lançamento contábil em 31.12.2001. Da Glosa de Custos Provisionamento da Compra de Energia no Mercado Atacadista no AnoCalendário de 2001 – R$ 70.342.053,18. Este item do auto de infração referese à contabilização, em 31/12/2001, da energia comprada no Mercado Atacadista de Energia Elétrica MAE, no valor de R$ 70.342.053,18. Percebese, novamente, que o auditor confunde o custo da energia consumida no ano 2001 com a RTE, aplicando indevidamente o diferimento previsto no Parecer COSIT n° 26/2002. É, pois, equivocada a conclusão do auditor, de que teria a SAELPA, indevidamente, deixado "de adicionar na apuração do lucro real a importância de R$ 70.342.053,18, por ser tal custo/despesa indedutível. O Acórdão da DRJ novamente, descuidou de analisar os argumentos da então impugnante, atendose simplesmente a aplicar o Parecer COSIT n° 26, de 26 de setembro de 2002. Não bastasse, ainda negou pedido de diligência requerido que teria esclarecido definitivamente a celeuma. De acordo com o sitio eletrônico da Receita Federal do Brasil, "provisões são expectativas de obrigações ou de perdas de ativos resultantes da aplicação do principio contábil da Prudência. São efetuadas com o objetivo de apropriar no resultado de um período de apuração, segundo o regime de competência, custos ou despesas que provável ou certamente ocorrerão no futuro." Ou seja, provisões são sempre criadas para atender, segundo o principio da competência, a apropriação de custos e despesas que se concretizarão no futuro Definitivamente, não é o caso dos lançamentos glosados pelo auditor. Tais lançamentos do Livro Diário n° 127, contidos nas fls. 3.835, 3.836 e 3.838 dos autos, apesar de terem sido denominados "PROVISÃO COMPRA MAE", não são provisões, pois retratam custos e despesas efetivamente ocorridos a cada mês de 2001. Aqueles valores, que totalizam R$ 70.342.053,18, representam o custo da energia comprada pela Recorrente no MAE a cada mês de 2001, a fim de atender seu mercado consumidor. Como já explicado no tópico do presente recurso relativo à compra de energia junto à CHESF, o suprimento de energia da Saelpa em 2001 era proveniente de seu Contrato Inicial com a geradora Chesf, (doc.16 Contrato da CHESF), complementado por Contratos Iniciais de compra das concessionárias de distribuição Companhia Energética do Ceará, Companhia Energética de Pernambuco e Companhia Energética do Rio Grande do Norte. Esta energia comprada visava ao atendimento da carga de seus consumidores, bem como ao suprimento de energia para a Celpe, a Cosem e a Companhia Energética da Borborema, mediante Contratos Iniciais de venda de energia elétrica. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.471 26 Para fins de esclarecimentos, notese que as diretrizes e condições para os Contratos Iniciais entre distribuidoras foram estabelecidas pela Resolução ANEEL n° 44, de 01/02/01(anexo). Os montantes mensais de energia contratada e respectivas tarifas foram homologados pelas Resoluções ANEEL n° 45, de 10/02/01, e n° 173, de 10/05/01 (docs.24 a 26). Sabendose, assim, quais eram os contratos iniciais da Recorrente no inicio de 2001, temse que a Energisa dispunha de sobras de energia dentro do seu planejamento anual, o que lhe permitia vender diretamente a outras distribuidoras de energia por meio de contratos bilaterais, na forma do art. 12 da Lei n° 9.648/1998. Em 17 de abril de 2001, antes que se falasse em racionamento de energia elétrica, a Energisa celebrou contratos bilaterais de venda de energia para a Companhia Força e Luz Cataguazes – Leopoldina e empresa Energética de Sergipe S.A. (docs. 27 e 28). Como conseqüência do racionamento de energia elétrica, foi celebrado o Acordo Geral do Setor Elétrico, do qual constou a instituição da Recomposição Tarifária Extraordinária RTE, assim como a obrigatoriedade de celebração, por cada distribuidora, de um "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" com as geradoras. Destaquese que o "Acordo de Compra de Sobras Liquidas Contratuais" não tem absolutamente nenhuma vinculação com a RTE. Enquanto esta visava, como explicado, o restabelecimento do equilíbrio econômico financeiro dos contratos de concessão, mediante a reposição de perdas das distribuidoras, o "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" tinha por objetivo redistribuir as eventuais sobras de energia das distribuidoras para as geradoras, como forma incentivo ao setor de geração. Assim, a Recorrente celebrou o "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" (doc.29), sendo o conceito de sobras definido na cláusula l', como a diferença, se positiva, entre: (i) Contratos Iniciais e Equivalentes, acrescidos da quota de Itaipu e da geração própria; e (i.1.) Carga de cada concessionária de distribuição referenciada ao Centro de Gravidade correspondente (referir ao centro de gravidade significa acrescentar à carga sua respectiva parcela das perdas elétricas no sistema nacional de transmissão, conforme calculado pelo Mercado Atacadista de Energia). Como a Energisa não é quotista de Itaipu, nem tampouco possui geração própria, a oferta contabilizada pelo MAE correspondeu a seus contratos iniciais de compra, deduzidos dos contratos iniciais de venda. Logo, sua carga referenciada ao Centro de Gravidade correspondeu à carga associada a seus consumidores finais (apurada pelo MAE nos pontos de medição das conexões com o sistema de transmissão da CHESF e com os sistemas de distribuidoras vizinhas), acrescida das perdas na rede básica alocadas à Energisa na contabilização do MAE. Acontece que os contratos bilaterais de venda de energia celebrados com a CFLCL e a ENERGIPE não foram considerados para o cálculo das sobras, pois, com base no disposto no inciso III do § 5° do art. 2° da Resolução GCE n° 091, de 21/12/01, não foram considerados como equivalentes aos contratos iniciais. Esse entendimento foi ratificado por meio do item I do Despacho ANEEL n° 288, de 16/05/02, anexo, que não relacionou tais contratos como equivalentes aos iniciais. Como conseqüência, acabou a recorrente sendo obrigada a comprar no Mercado Atacadista de Energia a quantidade de energia necessária para honrar os contratos bilaterais. Fl. 26DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.472 27 Como exposto, o Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais resultou em exposição ("compra" de energia no mercado de Curto prazo do MAE) da Recorrente correspondente aos montantes vendidos para a CFLCL e Energipe, registrados no MAE. Esta exposição foi valorada ao preço da energia no mercado de curto prazo (na ocasião denominado PMAE) no submercado Nordeste, que correspondeu a R$ 684/MWh de 1° de junho até a 21 de setembro e R$ 562,15/MWh de 22 de setembro até 31 de dezembro de 2001 (valores constantes do site da CCEE,entidade que sucedeu o MAE). Desta feita, a Recorrente foi obrigada a pagar pela energia que foi obrigada a comprar no MAE durante o ano de 2001, para ter lastro para cumprir seus contratos bilaterais de venda de energia. Sendo assim, os Agentes do Setor Elétrico, entre esses a ora Recorrente, solicitaram do MAE o posicionamento sobre essas contas, a fim de formalizar os lançamentos contábeis do exercício. No entanto, em razão do Comunicado 1AS 017/02 (doc. 30), as empresas foram informadas que o MA ,ao poderia divulgar os valores relativos às contabilizações, a energia comercializada no Mercado Atacadista referente ao exercício de 2001 em razão de processo ajuizada pelas Centrais Elétricas Brasileiras Eletrobrás em face da ANEEL, ASMAE e outras. Nessa situação, apenas em 28 de fevereiro de 2002, é que houve a divulgação aos Agentes do Demonstrativo provisório e aproximado, de natureza meramente informativa contendo os melhores números para se proceder ao registro contábilfinanceiro, formalizado mediante a CIAS 0347/2002, com a denominação de Provisionamento 2001 e Formulação Algébrica referente ao Acordo de Racionamento (doc.31). Dessa forma, os números que constam no demonstrativo divulgado no Comunicado acima, registram os valores disponíveis às distribuidoras e geradoras, resultado das compras e vendas de energia no MAE. Os valores constantes da coluna "Montante Financeiro Mensal (R$) representam os créditos e débitos decorrentes das sobras ou déficits de energia em cada mês (que resultam do balanço entre oferta e consumo), valoradas ao PMAE (Preço MAE). Percebese, então, que, o valor de R$ 70.342.053,18, detalhado na tabela 2 (doc.32), resulta dos valores devedores mensais relativos à Recorrente, apurados pelo MAE, constantes da coluna Montante Financeiro Mensal (R$) do anexo Resultados do Provisionamento 2001, acrescido do valor de R$ 71.396,26, informado pelo MAE como Ajuste MAE compra jan a ago/00 (doc.33). Resta, portanto, inequivocamente demonstrado que: (1) Provisionamento foi a denominação utilizada pelo MAE quando informou o valor devido pela Recorrente pela energia adquirida no mercado de curto prazo nos meses de 2001. O fato de constarem da escrituração contábil lançamentos com indicação desse nome não transforma tais lançamentos em provisões. Pelo contrário, o fato de tais lançamentos representarem despesas incorridas no ano de 2001, não custos futuros, é suficiente para afastar qualquer entendimento naquele sentido, sendo certo não se tratar de provisão, mas sim de despesa operacional; (ii) O auditor confundiu o Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais com a RTE, quando a única ligação entre esses dois fatos é o momento histórico. Como demonstrado, a despesa de R$ 70.342.053,18 decorreu da obrigatoriedade de aquisição de energia no mercado de Fl. 27DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.473 28 curto prazo pela Energisa, para honrar as vendas de energia efetuadas, não tendo qualquer vinculação com a sobre tarifa criada para os exercícios subseqüentes com a finalidade de reequilibrar econômica e financeiramente seu contrato de concessão pela perda de receita em 2001 (RTE). Frisese, o valor pago a título de energia comprada no MAE foi uma despesa efetivamente incorrida no ano de 2001. Um custo necessário para sua operação e, por conseguinte, dedutível. Vale repetir a mesma observação já feita neste recurso voluntário: o fato de a Recorrente ter sofrido prejuízos em razão do racionamento, e de ter recebido do Poder Concedente um reequilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão de maneira diferida (RTE) não faz, absolutamente, com que a despesa incorrida no ano de 2001 com compra de energia destinada a suprir seus contratos bilaterais deixe de ser considerada custo dedutível. Não há como se pretender aplicar o Parecer COSIT n° 26/2002 sobre algo que não é RTE ! Entendemos que resta exaustivamente demonstrado que não se pode confundir o objeto da autuação (despesa com energia revendida em 2001) com a RTE (valores incluídos na fatura de energia elétrica dos consumidores a partir de 2002, para reequilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão). A Energisa com base no Princípio do Conservadorismo, e de posse dos números apresentados em planilha do MAE, que indicou a compra naquele mercado, lançou tal despesa como custo dedutível na apuração do lucro real, para o exercício de 2001, em virtude da observância do princípio da competência e em função da planilha informativa apresentada pelo MAE. Nesse sentido, seguiu determinação do Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, no item 6.3.16, que trata da Comercialização de Energia Elétrica no Âmbito do Mercado Atacadista de Energia Elétrica – MAE. Como acima explicitado, naquele momento os números contidos na planilha apresentada pelo MAE eram os únicos valores conhecidos a título de despesa para compra de energia no MAE. Em face disso, a planilha do MAE era, definitivamente, o documento hábil e idôneo que indicava o valor a ser levado a custo como compra de energia no Mercado. Portanto para o exercício de 2001, fazendo correspondência ao extrato emitido pelo Mercado Atacadista de Energia, a Saelpa contabilizou: 611.03.3.1.0.2 Suprimento de Energia Subconta 0002 Energia de Curto Prazo R$6.036.832,43 e; 615.03.3.5.4.1 Operações com energia elétrica Subconta: 4103 Energia Comprada Curto Prazo R$70.342.053,18. Diante do exposto acima, fica claro e evidenciado o equívoco do fiscal em aumentar a base tributável do Imposto de Renda, e por reflexo da CSLL ao glosar a citada despesa de R$70.342.053,18. Outrossim, o Auditor Fiscal em seus procedimentos, deixou de requisitar informações perante a ANEEL, a fim de atestar os lançamentos de despesas efetuadas em cada exercício. Tais custos reconhecidos pela ANEEL servem de base para a autorização das revisões das tarifas de energia. Em razão dos fundamentos apresentados acima, requer a recorrente, sob pena de cerceamento de defesa, seja deferido o pedido de diligências com pedidos de esclarecimento acerca das operações de Compra e Venda de Energia junto à CCEE Câmara de Comercialização de Energia Fl. 28DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.474 29 Elétrica (nova denominação do Mercado Atacadista de Energia), com endereço na Alameda Santos, 745 9° Andar, Cerqueira César São Paulo SP, CEP: 01419 001, seja dado provimento ao recurso. Exclusões no Lalur Indevidas (R$ 7.896.751,95). Segundo o auditor, da análise dos arquivos da empresa, constatouse a existência de vários registros onde os valores provisionados em 2000 são superiores aos de 2001. Dessa forma, entendeu que houve uma majoração indevida de R$ 12.851.228,33 que representaria o montante no qual a provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido indevidamente majorada. A partir dessa presunção, o auditor concluiu que essa parcela da provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido integralmente utilizada para apuração do lucro real enquanto perda dedutivel. A DRJ ao tratar deste item, deixou de apreciar os fundamentos expostos, por não ter a Recorrente apresentado as provas documentais correspondentes. As provisões comparadas pelo fiscal não serviram para reduzir o lucro tributável, logo, o que a fiscalização fez foi glosar a diferença entre provisões de dois exercícios subseqüentes, por pura presunção. Presunção não é base de cálculo de qualquer imposto, devendo esse tipo de expediente ser rechaçado do procedimento administrativo fiscal. Diante do relatório do trabalho fiscal, não demonstrou o auditor ter sido a contabilização de 2000 excessiva, nem tampouco ter resultado em qualquer beneficio fiscal indevido para a Recorrente. Na verdade, ao adotar a presunção de ilegalidade, furtouse de perquirir a verdade dos fatos, o que fere de nulidade a exação lançada. O fato é que, para à constituição da provisão de devedores duvidosos em dezembro de 2001 foram utilizados os seguintes parâmetros contas de energia vencidas há mais de 90 dias da classe residencial, com mais de 180 dias da classe comercial e com mais de 360 dias das classes industrial, rural, poder público, iluminação pública e serviço público: parcelamentos com TCD (Termos de Confissão de Dívidas) vencidos com o mesmo período das contas de energia acima especificadas; Contas de energia de consumidores que estão questionando na justiça (aumento de tarifa em 1986), com o mesmo prazo definido para as contas de energia (acima); Parcelamentos com SINED (Sistema de Negociação de Débitos), utilizouse como parâmetro o montante das parcelas vencidas; Contas de energia renegociadas, montante referente ao débito de consumidores que foram renegociados, deduzido da base apurada. Com esses parâmetros, em dezembro de 2001, apurouse o montante de R$ 73.942.388,66, valor esse inferior em R$ 7.896.751,95 àquele apurado até dezembro/2000 que era de R$ 81.839.140,61. O Artigo 249 do RIR/99 dispõe a regra geral sobre os ajustes (adições) para a determinação do Lucro Real. Na apuração do Lucro Real, conforme Lei n° 9.249/95, artigo 13, são considerados valores indedutíveis, as constituições de provisões, exceto as relacionadas com a Fl. 29DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.475 30 legislação trabalhista, bem como, as perdas no recebimento de créditos excedentes aos limites legais definidos nos artigos 90 a 12 da Lei n° 9.430/96. Assim como nas adições, também nas exclusões não existe uma relação especifica, cabendo ao contribuinte adequar as situações legais. Em regra, as exclusões permitem o diferimento das receitas ou a sua não tributação. O RIR/99, dispôs sobre este assunto: Art. 250: "Na determinação do lucro real,poderão ser excluídos do lucro liquido: I , os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro liquido do período de apuração; II os resultados, rendimentos receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto não sejam comparados no lucro real Dessa forma, também são consideradas como "Outras Exclusões" a Reversão de Provisões, consideradas indedutíveis (art. 13 da Lei n° 9.249/96) na sua constituição e posteriormente ajustadas na contabilidade. Como já bem demonstrado, a recorrente quando do fechamento do exercício de 2001, efetuou a comparação dos valores das Provisões de Devedores Duvidosos constituída até dezembro de 2001 vis à vis aquela de dezembro de 2000, tendo apurado uma reversão de provisão da ordem de R$7.896.751,95. Tal reversão da provisão foi o resultado apurado referente à movimentação ocorrida no exercício de 2001 que envolveu contas baixadas, novas contas que foram incluídas na provisão, como também correção de contas de energia elétrica. Por todo o exposto, requer a Recorrente seja reconhecida a ilegalidade da presunção na qual se baseou o lançamento tributário em comento, devendo ser anulada a autuação no que concerne a tais valores. Quanto aos subitens referente ao dispêndio a reembolsar de pessoal cedido (R$ 1.690.105,00) e provisões para perdas com serviços prestados – ODS (R$ 161.806,19) a Recorrente reconhece a procedência dos lançamentos e afirma que efetuará os ajustes contábeis necessários. É o Relatório. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.476 31 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos do Decreto nº 70.235/72. Por isso dele conheço. De início, cumpre destacar que estando o lançamento revestido das formalidades previstas no Decreto n.° 70 235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. É pacífica a jurisprudência deste Conselho no sentido de que o MPF é mero instrumento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, sendo que eventuais irregularidades nele contidas não ensejam a nulidade do lançamento ou prejuízo para o contribuinte. No caso em tela inexistiu cerceamento de defesa nem qualquer ato ou omissão da autoridade que implicasse em prejuízo ou preterição do direito de defesa uma vez que o contribuinte teve ciência de todos os elementos de que necessitava para sua defesa, ficando afastada, portanto, qualquer hipótese de nulidade. Quanto ao suposto caráter confiscatório da multa de 75%, também não assiste razão ao contribuinte, já que a cobrança em questão se dá nos termos da legislação pertinente. A aplicação da multa de ofício, decorrente de infrações identificadas no transcurso de procedimento de fiscalização, provém de vinculação ao princípio da legalidade que se encontra adstrita à Administração Tributária Federal, cabendo restritamente à autoridade administrativa imputála na forma da legislação de regência. No caso a sanção imputada ao sujeito passivo tem fundamento legal nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, que estabelece a aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento fora do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração, e nos de declaração inexata, portanto, diversamente daquilo que aventa na peça impugnatória. Assim, diante da configuração das infrações praticadas pelo sujeito passivo, conforme expresso no corpo dos aludidos autos de infração, fica notório que a aplicação de multa encontrase plenamente em consonância com a legislação vigente. No que tange aos itens objeto da autuação, os mesmos merecem o seguinte tratamento: Fl. 31DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.477 32 1 – Os valores abaixo descriminados o Recorrente não impugnou ou desistiu do recurso, razão porque deles não tomo conhecimento e devem ser mantidos de plano: 1.1 R$ 265.600,00 (não impugnado). 1.2 R$ 1.690.105,00 (desistência no recurso). 1.3 R$ 399.351,00 (não impugnado). 1.4 R$ 161.806,19 (desistência no recurso). 1.5 R$ 324.321,86 (não impugnado). 1.6 R$ 62.939,20 (não impugnado). 1.7 R$ 8.836,53 (não impugnado). 1.8 R$ 187.339,79 (não impugnado). 1.9 R$ 2.348.826,44 (não impugnado). 1.10 R$ 228.966,25 (não impugnado). 1.11 R$ 2.500.237,26 (não impugnado). 1.12 R$ 998.992,23 (não impugnado). 2 – Compulsando os autos, constato que das matérias impugnadas e recorridas constato que o processo não se encontra em condições de julgamento. Apresento, pois, proposta de realização de diligência pela Delegacia Regional de Julgamento de Recife/Pernambuco, solicitando esclarecimentos à CCEE – Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, e de perícia contábil para apreciação dos quesitos abaixo propostos: 2.1 obtenção de esclarecimento acerca das operações de Compra e Venda de Energia junto à CCEE Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (nova denominação do Mercado Atacadista de Energia), com endereço na Alameda Santos, 745, 9º Andar, Cerqueira César São Paulo, SP, CEP: 01419 001, na forma como exposto no item B.4 do recurso voluntário. 2.2 justificar se a dedução referente à Glosa no valor de R$ 70.342.053,18 referese ao custo da energia consumida e/ou comercializada em 2001. Isto tendo em vista os documentos a seguir, arrolados pela Recorrente: Contrato Inicial com a CHESF (doc. 7 da Impugnação fls. 4.134 a 4.182); Contratos de Venda de Energia para a Companhia Força e Luz CataguazesLeopoldina – CFLCL (fls. 3.650 a 3.659 / doc. 27 do Recurso Voluntário – fls. 4.609 a 4.618); Fl. 32DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.478 33 Contratos de Venda de Energia para a Empresa Energética de Sergipe SA – Energipe (fls. 3.660 a 3.669 / doc. 28 do Recurso Voluntário – fls. 4.619 a 4.628); Comunicado CIAS 017/2002 da ASMAE (doc. 11 da Impugnação fls. 4.189 a 4.191 / doc. 30 do Recurso Voluntário fls. 4.645 a 4.647); Resoluções ANEEL n° 44/2001; n° 45/2001 e n° 173/2001 (diretrizes e condições para a contratação de energia) (doc. 24 a doc. 26 – fls. 4.580 a 4.607); Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais (doc. 29 – fls. 4.629 a 4.644); Comunicado CIAS 0347/2002 (doc. 31 – fls. 4.650 a 4.671); Tabela 2 (doc. 32 – fls. 4.672 a 4.674), em que se demonstra a composição do valor da glosa de R$ 70.342.053,18, resultante dos valores devedores mensais, apurados pelo MAE, constantes da coluna “Montante Financeiro Mensal (R$)” do anexo “Resultado do Provisionamento 2001”, acrescido do valor de R$ 71.396,26, informado pelo MAE como “Ajuste MAE compra jan a ago/00” (doc. 33 – fls. 4.675 a 4.683). 2.3. Queira o ilustre expert esclarecer se a dedução referente à Glosa no valor de R$ 10.434.423,05 diz respeito ao custo da energia consumida e/ou comercializada no exercício de 2001. Para tanto, solicita a Recorrente sejam analisados os documentos que se encontram anexos aos autos, tais como: Nota Fiscal CHESF n° 5342, no valor de R$ 10.908.181,17 e estorno no valor de R$ 473.758,12 (doc. 06 da Impugnação – fls. 4132/ 4133); Contrato inicial de Compra e Venda de Energia com a CHESF, de 25.01.2000 (doc. 07 da Impugnação – fls. 4134/ 4182); Correspondência da CHESF sob o n° CRDFTE049/2002, de 21.08.2002, informando o Despacho n° 493/2002 e o Ofício Circular n° 761/2002, ambos da SFFANEEL, os quais informavam o valor de R$ 10.434.423,05 referente à fatura complementar (doc. 08 da Impugnação – fls.4183/ 4184); Tabela demonstrativa das faturas da CHESF referentes ao período compreendido entre junho de 2001 a dezembro de 2001 – tabelas 1b, 1c e 1d (doc. 17 – fls. 4520); Faturas da CHESF (doc. 18 – fls. 4521 a 4556); Resolução ANEEL n° 31, de 24.01.2002 (doc. 19 – fls. 4557 a 4567); Aditivo ao Contrato Inicial entre a CHESF e a SAELPA, em 04.07.2002 (doc. 20 – fls. 4568 a 4576); Fl. 33DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.479 34 Ofício Circular n° 761/2002SFFSER/ANEEL (doc. 21 – fl. 4579). 2.4. Demonstrar se a Glosa no montante de R$2.871.961,74 corresponde ao somatório dos valores de R$2.209.602,77 e de R$662.358,97 que dizem respeito à diferença entre o valor contabilizado pela SAELPA e o valor indicado pela CHESF, respectivamente, nas notas fiscais n°s 5324 e 5342, em decorrência dos fatores de redução definidos pelo setor elétrico em virtude do Programa Emergencial de Redução de Consumo de Energia – Racionamento de Energia, visto em 2001. Pede a Recorrente que se leve em consideração os documentos juntados por ela ao presente feito, conforme abaixo: Extrato contábil através do qual se demonstra a contabilização, em dezembro de 2001, dos valores relativos à diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF (doc. 09 da Impugnação – fls. 4185/ 4186); Valor da compra de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, de acordo com os demonstrativos de cálculo (doc. 10 da Impugnação – fls. 4187/ 4188). 2.5. Esclarecer se a Glosa correspondente ao valor de R$ 10.359.592,48 diz respeito à variação monetária do parcelamento de ICMS, em cumprimento às regras estatuídas pelo Estado da Paraíba. Tais informações encontramse devidamente comprovadas por meio da documentação juntada pela Recorrente ao processo, senão, vejase: Ofício n° 021/2005/RRIP da Recebedoria de Rendas da Secretaria de Finanças, que encaminha o Ofício CA nº 009/2005, informando que a parcela do débito parcelado pela Recorrente, não paga em 2000, foi corrigida, a partir de janeiro daquele mesmo exercício, pelo IGPDI (FGV) – (fls. 2352 a 2354); Adesão ao parcelamento de débitos de ICMS, relativos ao período entre dezembro de 1998 e fevereiro de 2000, em 36 (trinta e seis) parcelas a serem acrescidas de mora, juros e correção monetária (doc. 01 da Impugnação – fls. 3926 a 3837); Portaria GSF n° 02, de 05.01.2001, da Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba, que instituiu o IGPDI em substituição à UFIR (doc. 02 da Impugnação – fls. 3939); Planilha em que demonstra o valor das atualizações calculadas pela variação do IGPDI (doc. 03 da Impugnação – fls. 3941). Fl. 34DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.480 35 2.6 Confirmar se, no que tange à Glosa no valor de R$ 7.936.588,47, objeto da Provisão para Crédito de Liquidação Duvidosa referente a consumidores que ingressaram com medidas judiciais visando à redução tarifária, se a Recorrente procedeu ao devido estorno no LALUR, não se afetando a constituição do Lucro Real e a apuração do IRPJ do exercício de 2001. É de ver que toda a alegação da Recorrente encontrase devidamente embasada em prova documental anexada aos autos, a saber: CE n° 016/2001DFIN (doc. 04 da Impugnação – fls. 3943/ 3945); Notas Fiscais relativas aos consumidores citados pela fiscalização (doc. 05 da Impugnação – fls. 3946/ 4131); Comprovação de estorno da provisão para devedores duvidosos, oriundos de redução de tarifa, totalizando o valor de R$7.936.588,47 (doc. 11 – fls. 4401 e 4402); Listagem dos números das ações de clientes que fazem parte do grupo que obteve decisão judicial determinando a redução de suas faturas de energia no percentual de 20% (doc. 12 – fls. 4403 a 4409); Relatório em que constam os valores que constituíram a provisão para devedores duvidosos, oriundos de redução de tarifa, totalizando o valor de R$7.936.588,47, os quais foram objeto de estorno (doc. 13 – fls. 4411 a 4476). Assim sendo, solicito diligência para resposta da quesitação apresentada, a fim de que sejam esclarecidas as eventuais contradições porventura ainda existentes, em honras ao Princípio da Verdade Material e em consideração aos direitos ao devido processo legal e à ampla defesa do contribuinte. Diante do relatório que faz parte do presente voto esclareço que as matérias que ainda se encontram em litígio são: 1 DA NÃO ADIÇÃO AO LALUR DA FATURA COMPLEMENTAR DE ENERGIA DO PERÍODO DE ABRIL A NOVEMBRO DE 2001 – RACIONAMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA R$ 10.434.423,05 2 GLOSA DAS DIFERENÇAS DE DESPESAS COM COMPRA DE ENERGIA DA CHESF R$ 2.871.961,74 ok 3 DA NÃO ADIÇÃO DA ENERGIA COMPRADA NO MAE MERCADO ATACADISTA DE ENERGIA R$ 70.342.053,18 ok Fl. 35DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.481 36 4 DA GLOSA DA VARIAÇÃO MONETÁRIA DO PARCELAMENTO ICMS R$ 10.359.592,48 5 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL R$ 13.452.296,34 6 PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA – DIFERENÇA ENTRE VALORES PROVISIONADOS E ADICIONADOS R$ 4.813.022,08 7 DA INDEDUTIBILIDADE DA PROVISÃO PARA CRÉDITO DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. CONSUMIDORES COM MEDIDAS JUDICIAIS R$ 7.936.588,47 (memorial) 8 PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA EM 2001 R$ 7.896.751,95 Por todo o exposto, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a DRJ se pronuncie sobre a documentação, conforme descrito no voto acima produzido, uma vez que diversos documentos não foram sequer citados pela autoridade julgadora que se limitou a afirmar que os mesmos não existiam. Aproveitando as diligências a serem realizada e como forma de esclarecimento e de se evitar o cerceamento de defesa que seja deferido o pedido de diligências e pedidos de esclarecimento acerca das operações de compra e Venda de Energia junto à CCEE Câmara de Comercialização Energia Elétrica, com endereço na Alameda Santos, 745 9' Andar, Cerqueira César São Paulo SP, CEP: 01419001, com os seguintes quesitos: (i) Os valores contidos no documento "Resultados do Provisionamento 2001 (doc.32 anexo) possuem natureza de Recomposição Tarifária Extraordinária RTE? (ii) Os valores contidos no documento "Resultados do Provisionamento 2001são relativos à energia comprada e utilizada no ano de 2001 pela SAELPA, ou relativos a despesas/custos de exercícios futuros (2002 em diante) , provisionados em 2001? (ASSINADO DIGITALMENTE) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Fl. 36DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL
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Numero do processo: 10945.003168/2005-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1401-000.008
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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I • ";-- .• • ':',..;, MINISTÉRIO DA FAZENDA i CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10945,003168/2005-83 Recurso n° 155,878 Voluntário Resolução n" 1401-00.008 — 4" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 20009 Matéria CSLL - ANO-CALENDÁRIO: 2001 e 2002 Recorrente PILÃO AMIDOS LTDA, Recorrida 2a TURMA/DRJ-CURITIBA/PR Vistos, relatados e discutidos os presente autos, Resolvem os membEss do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligênf ia nos termos do voto do relatar, , I/ Lk1g MARCO V , 1 AUS NEDER DE LIMA - Presidente ----------- ,. . - t.J, .. ? -A-L-MAR -":~ A DE " NEZES — Relator EDITADO EM: Og jul 2010 Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Vinicius, Albertina Silva Santos de Lima, Marcos Shigueo Takata, Hugo Correia Sotero, Valmar Fonseca de Menezes, Silvia Bessa Ribeiro Biax e Carlos Alberto Gonçalves Nunes 1 Processo ri 10945 003168/2005-83 S1 -C4 1'2 Resolução n " 1401-00,008 Fl 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. "Trata o processo de autos de infração de multa isolada por falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre a base estimada, 2. O auto de infração (fls,3181322) exige o recolhimento de R$ 1.112286,81 de multa isolada. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 303/315: • Multas Isoladas — Falta de Recolhimento da CSLL sobre Base de Cálculo Estimada: nos períodos de 01/2000 e 1212001, Enquadramento legal no art. 44, §1°, inciso IV da Lei if 9,430, de 27 de dezembro de 1996, 3. Cientificada em 05/12/2005, conforme fls. 318 e 321, tempestivamente, em 04/01/2006, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos, às fls. 326/373, através de representante legal, conforme fls. 379/380, acompanhada dos documentos de fls. 381/449, que se resume a seguir: a. Argüi o transcurso da decadência, já que, tratando-se de lançamento de oficio, em revisão de lançamento por homologação, operou-se a decadência em relação a diversos fatos geradores, pois transcorridos mais de cinco anos entre aqueles ocorridos antes de 05/12/2000 e a notificação do ato fiscal, em 05/12/2005; b, No mérito, contesta o lançamento por omissão de receita — saldo credor de caixa, pois a diferença de valor credor na conta caixa não é decorrente da existência de receita não contabilizada, e sim da forma de lançamento contábil realizado pela autuada Afirma que alguns lançamentos a crédito foram realizados observando o mesmo dia da aquisição do insumo/serviço e não o da sua efetiva liquidação, ou seja, apesar de a empresa ter registrado em sua contabilidade que o crédito ocorrera na data da aquisição de bens ou serviços, de fato a disponibilidade e movimentação financeira para aquele crédito somente ocorrera em dias subseqüentes, com o efetivo pagamento do insumo/serviço adquirido e, por conseqüência, quando já havia uma receita perfeitamente compatível. Junta o movimento de caixa recomposto com o lançamento dos créditos e débitos a partir da data de sua efetiva disponibilização, sendo que, assim, nenhuma diferença persiste; c. Ainda com respeito à infração "Saldo Credor de Caixa", a impugnante requer seja determinada a realização de perícia para certificar-se da inexistência de omissão de receitas. Nomeia como seu perito, o Sr. Antônio Renato Dellandrea, brasileiro, casado, contador, inscrito no CRC/SC sob o n° 010163/0- 7, CPF 292.672.699-68, com endereço profissional à R. dos Pioneiros, 313, 1° andar, Centro, na cidade de Rio do Sul/SC, e formula os seguintes quesitos: 1) Nos lançamentos contábeis da conta caixa dos meses de outubro e novembro de 2000 e janeiro de 2001 a autuada considerava a data das aquisições ou a data de sua efetiva liquidação para os créditos? E para as receitas, nos lançamentos a débito, houve registros posteriores (muitas vezes no final do mês) à data do ‘,S' 2 Processo n° 10945003168/2005-83 S1-C4T2 Resolução n.° 1401-00A08 Fl 3 efetivo ingresso das receitas? 2) Recompondo a conta caixa, mediante o lançamento a crédito e débito de conformidade com a exata data da efetiva saída ou ingresso de recursos, com base nos documentos de suporte, persiste saldo credor em algum dia?; d. Com relação à glosa de despesas operacionais e encargos não necessários à atividade da empresa, alega que a autuada aderiu ao PAES a fim de regularizar sua situação fiscal e o valor referente foi lançado como despesa, excluindo-se da apuração do lucro real, inexistindo qualquer vedação legal para tal apropriação. Com a promulgação da Lei n° 9.981/95 o art. 80 da Lei 8,541/92 deixou de ter eficácia jurídica, devendo a hipótese ser analisada exclusivamente sob a ótica do §1° do art. 41 da Lei n° 9.891/95, único dispositivo legal que dá supedâneo à matéria, Lembra que a lei complementar n° 104/2001 acrescentou os incisos V e VI ao art.. 151 do CTN, referentes à concessão de medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ação judicial, e ao parcelamento, como novas hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito Tributário. Entretanto, a litigante lembra que até a presente data não foi editada qualquer outra lei ordinária modificando a redação do § 1' do art. 41 da Lei 8,981/95, no sentido de que essas novas hipótese de suspensão sejam impeditivas à dedutibilidade para fins de determinação do lucro real. Assim, inexistindo vedação legal, não há amparo legal para a glosa efetivada pela autoridade fiscal; e. Reclama da glosa das despesas operacionais apropriadas pela autuada referentes a multas, em vista de o direito à dedutibilidade das multas suportadas pelos contribuintes, como custos ou despesas, ter cunho constitucional. Conclui que ao não deduzir do lucro tributável o valor correspondente à multa paga pelo contribuinte, este restará penalizado novamente, através do aumento da base tributável e, conseqüentemente, do quantum devido de imposto de renda. Assevera que não há como se negar que, do ponto de vista econômico, a multa é uma despesa, um gasto necessário para o cumprimento de uma sanção pecuniária, para a regularização da atividade do infrator, indicativa de conta de prejuízo ou perda, sem representar aplicação para posterior auferimento de resultado. Daí não há como conceber que não possa ser dedutivel para fins de apuração do montante tributável, a multa de qualquer natureza, sem arranhar o conceito jurídico de renda, que é definido pelo CTN como a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, mediante o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; f. No que se refere à glosa de despesas operacionais — depreciação de bens do ativo imobilizado, considera insubsistente, eis que a fundamentação apontada pelo auditor é improcedente, mormente porque toda a documentação relativa, devidamente por ele discriminada, foi apresentada pela autuada no procedimento fiscal. Entende que a autuada forneceu toda a documentação e informação necessária, solicitadas pela fiscalização, sendo perfeitamente passível de ser verificado através dela os requisitos legais necessários para o cômputo como custo ou encargo de depreciação, razão pela qual não se pode admitir a glosa dos custos e encargos dos mesmos, firmados pela fiscalização aleatoriamente, Afirma que a fiscalização não se deu ao trabalho de analisar os documentos e arquivos enviados; ,,- - .. , 3 Processo o' 10945 003168/2005-83 81-01-1 2 Resolução n ° 1401-00.008 FI. 4 g. Quanto aos ganhos de capital — alienação de bens do ativo permanente, com base no aumento do valor dos bens do ativo objeto de integralização de capital, discorda do entendimento do fiscal no sentido de que houve alienação, já que o que ocorreu foi integralização de capital subscrito em outra sociedade mediante bens integrantes do ativo imobilizado, figura que não se confunde com alienação. Discorda da decisão da autoridade fiscal, que entendeu que o laudo de avaliação elaborado pela Consultaria e Assessoria Júnior Empresarial da Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí CAJE é inservível para o fim de reavaliação de bens do ativo permanente. Afirma que o laudo técnico de avaliação é dispensável, já que a operação empreendida pela impugnante é mera contrapartida decorrente de aumento de valor na integralização de capital social; h. Mesmo defendendo a dispensabilidade do laudo, contesta a desqualificação do laudo pelo fiscal, já que o CAJE é uma associação civil idônea, devidamente inscrita no CNPJ, sob o n° 02.268 212/0001-80, tendo como objetivo o estudo, a coordenação, a colaboração com os poderes públicos e demais associações, assessoria e consultoria empresarial. Além disso, a autoridade fiscal não impugnou o conteúdo do laudo, sequer questionou os valores nele apurados, o que confronta com a legislação vigente; i. Ainda com relação à alienação com ganho de capital, discorda da pretensão do auditor fiscal em adicionar o valor desses bens ao lucro líquido pata fins de determinar o lucro real, com aplicação analógica do § 3' do art. 434 do RIR/99. Além do fato de a analogia ser incompatível com o art. 108, § 1° do CTN, tal dispositivo foi revogado pelo art, 40 da Lei 9,959/00, que dispões que, a partir de 01/01/2000, não apenas o momento em que a reserva de reavaliação dos bens será computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, com também dispensou qualquer laudo de reavaliação; j. No que concerne a suposta omissão de receitas — arrendamento/aluguel, em razão do contrato de arrendamento firmado com a empresa Pilão Química Ltda, no valor de R$ 6.000,00, entre 09/2000 a 12/2001, afirma que, apesar da existência do contrato, este acabou não surtindo os efeitos desejados pela não execução do objeto primordial, que era a utilização dos bens arrendados pela arrendatária Pilão Química Ltda. Assim, como a autuada nada auferiu e muito menos teve acréscimo patrimonial em decorrência do contrato, não deve prevalecer o lançamento sobre a suposta omissão de receitas. Esclarece que a declaração de fl. 243 foi interpretada de forma equivocada pelo auditor fiscal. A declaração prestada pelo contador indica que não houve a contabilização dos valores relativos ao contrato de arrendamento, e jamais no sentido de declarar que houve o recebimento das importâncias mensais pela empresa autuada e que estas não teriam sido contabilizadas. Assim, afirma que não há qualquer documento que corrobore a assertiva do auditor fiscal no sentido de que a empresa autuada recebera os valores decorrentes do contrato de arrendamento firmado com a empresa Pião Química Ltda. A fim de extirpar qualquer dúvida sobre a declaração, junta nova declaração firmada pelo referido contador, esclarecendo sua intenção e objetivo; 4 Processo n 10945 003168/2005-83 S1-C4T2 Resolução n° 1401-00,008 Fl. 5 k, Protesta contra a multa isolada por falta de recolhimento de CSLL mensal/estimativa, que somente tem lugar na hipótese de prejuízo fiscal anual, segundo a melhor interpretação do inciso IV do § 1° do art. 44 da Lei n° 9,430/96. Além disso, a exigência da penalidade de forma dupla não se sustenta, pois seria permitir a dupla penalização do mesmo evento com interesse fiscal, Argumenta que o fato mais visível é o da multa isolada exigida para o mês de novembro de 2000, de R$ 1,010.100,88, que corresponde a 150% da CSLL tido como devida sobre o alegado ganho de capital (R$ 7.490.088,00) supostamente verificado na integralização de capital com bens do ativo permanente da autuada, ao mesmo tempo em que é exigida a multa de R$ 2779,789,38, juntamente com o imposto, relativos ao lucro líquido apurado para o ano calendário de 2000, em face da adição ao resultado do mesmo valor de R$ 7.490.088,00, ou seja, o ganho supostamente verificado naquela integralização; I. Repudia a aplicação da multa de 150%, que foi aplicada em relação ao ganho de capital, que decorreu de um equívoco grotesco em relação à classificação jurídica do ato praticado pela autuada, pois restou mais do que comprovado que inexistiu venda de bens do ativo, compra de cotas etc., uma vez que a operação foi de integralização de capital subscrito em outra empresa mediante conferência de bens do ativo permanente. Entende que a aplicação da presente multa é totalmente descabida, pois não houve ato capaz de caracterizar sonegação nem fraude ou crime contra a ordem Tributária, em qualquer dos tipos. Ressalta que se trata de construção ilógica a afirmação de que os sócios da empresa Pilão Amidos Ltda e Pilão Química Ltda planejaram a operação de integralização de capital com seus bens reavaliados para o fim de eximirem-se do pagamento de tributos relativos a ganho de capital. m. Reclama que tal posicionamento se afigura em um equívoco gigantesco, já que fiscalização, presa na idéia do ganho de capital originariamente concebida, esqueceu que a autuada, na efetivação da venda das quotas da empresa Pilão Química Ltda, se um dia ocorrer, deverá, por força do art. 439, § único, inciso 1 do RIR/99, realizar proporcionalmente a reserva de reavaliação constituída pela diferença entre o valor contábil original e o de integralização no capital da investida, adicionado o correspondente valor ao lucro líquido do período em que ser verificar o evento, para fim de apuração do lucro real. E nem poderia ser diferente, pois mesmo que tudo tivesse sido previsto antecipadamente — como insinuou a fiscalização -, tratar-se-ia de procedimento lícito, que não produziria resultado fiscal diverso se a autuada tivesse prometido a venda bens de seu ativo imobilizado de menor valor por um valor maior, pois somente com o exercício da opção por parte da Avebe é que haveria alienação capaz de gerar ganho de capital; n. Quanto à infração relativa ao contrato de arrendamento firmado com a empresa Pilão Química Ltda, alega que também não subsiste a autuação, pois, conforme amplamente demonstrado, a autuada não omitiu do fisco qualquer receita não operacional, pois os valores que a autoridade fiscal considerou como ingresso de receitas, em verdade, jamais entraram no caixa da autuada. Assim, não tendo havido qualquer omissão por parte da autuada com o objetivo de ,ifraudar o fisco, de abe a aplicação da multa de 150%, pois não houve intuito de ... „.. \ ,,,..--, ^- s Processo n° 10945,003168/2005-83 S1-C412 Resolução n ° 1401-00,008 Fl 6 sonegação, não se verificando, portanto, a hipótese prevista no art. 71 da Lei 7,502/64, Não estando presentes, pois, os pressupostos autorizadotes da qualificação da multa, deve ela, se mantida, ser reduzida para o patamar de 75%; o. Requer a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, especificando já a documental e a pericial; p. Em 07/04/2006, esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento solicitou diligência junto à DRF de Foz do Iguaçu/PR, atinentes à omissão de receitas por saldo credor de caixa e por arrendamento/aluguel, conforme despacho de fl. 452, q. Às fls. 454/512 consta o resultado das diligências efetuadas pela mesma autoridade fiscal; IP A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREI TO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000, 2001 DECADÊNCIA CSLL. A decadência das contribuições que compõem o orçamento da seguridade social ocorre dez anos após o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído pelo lançamento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBU1 ÁRIA Ano-calendário: 2000, 2001 PEDIDO DE PERÍCIA PRESCINDIBILIDADE PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO, Indefere-se pedido de perícia, por ser prescindível, quando a interessada pretende produzir provas de suas alegações, quando já poderia tê-las apresentado na impugnação, e deixou de fazê-lo, tendo portanto precluído de seu direito de apresentação de prova documental, e não sendo caso das exceções legalmente previstas, ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. CONTABILIZAÇÃO NO ÚLTIMO DIA DO MÊS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES, Correto o lançamento, a título de omissão de receitas por saldo credor de caixa, constatado em sua contabilidade, quando o contribuinte, apesar de alegar que contabilizava suas receitas no último dia útil do mês, e não nas datas de liquidação das faturas, não apresentou qualquer documentação tendente a comprovar a veracidade de suas alegações. GLOSA DE DESPESAS. PARCELAMENTO. DEDUÇÃO CONDICIONADA À ANÁLISE DOS TRIBUTOS PARCELADOS Nem todo tributo objeto de parcelamento é dedutível na determinação do lucro real, já que pode contemplar os expressamente vedados, como a CSLL, assim como aqueles 6 Processo n° 10945 003168/2005-83 81-C4T2 Resolução ri .° 1401-00..008 F1 7 que já foram apropriados como despesas nos respectivos períodos de competência, sendo, portanto, correta a glosa quando o contribuinte não traz aos autos qualquer informação tendente a atestar a viabilidade da pleiteada dedução, GLOSA DE DESPESAS. MULTA POR INFRAÇÕES FISCAIS. MULTA DE OUTRAS NATUREZAS. INDEDUTIBILIDADE. Correta a glosa de despesas lançadas a título de multa, eis que as multas por infração fiscal somente são dedutíveis quando de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo, e as de natureza não-Tributárias são indedutiveis por falta do requisito de necessidade ou usuabilidade, GLOSA DE DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. AUSÊNCIA DE PLANILHA DE CÁLCULO. CONSTITUIÇÃO DE RESERVAS DE REAVALIAÇÃO SEM REFERÊNCIA ÀS CONTAS AFETADAS DO ATIVO IMOBILIZADO. Correta a glosa de despesas quando o contribuinte deixa de apresentar planilha de cálculo e controle das despesas de depreciação contabilizadas pela empresa, e constitui reservas de reavaliação sem as respectivas contrapartidas em contas do ativo imobilizado, impossibilitando ao autuante saber quais bens tiveram seus valores acrescentados, a fim de examinar a exatidão dos valores de despesa de depreciação REAVALIAÇÃO DE BENS NA SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL, NECESSIDADE DE LAUDO PERICIAL. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PARA EXAME DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. A reavaliação de bens na subscrição de capital não prescinde do competente laudo pericial de reavaliação de bens, que, tendo sido apresentado sem os requisitos legais previstos, e tendo o contribuinte deixado de fornecer elementos que possibilitassem ao autuante o exame da veracidade dos dados contabilizados na reserva de reavaliação, autorizam a adição do valor da reserva constituída ao lucro líquido para efeito de apuração do lucro real. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRATO DE ARRENDAMENTO, DESPESA CONTABILIZADA NA ARRENDATÁRIA IRRELEVÂNCIA DO NÃO RECEBIMENTO DO RENDIMENTO. Correto o lançamento por omissão de receitas de arrendamento, quando comprovado o auferimento da receita pela existência de contrato e pela contabilidade do arrendatário, descabendo alegar falta de recebimento do rendimento, uma vez que a escrituração de receitas e despesas regem-se pelo regime de competência, que as reconhece abstraídas do efetivo pagamento MULTA ISOLADA„ FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA DA CSLL. REDUÇÃO PARA 50%, RETROATIVIDADE BENIGNA, É devida a multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa da CSLL, impondo- se, porém, a redução do percentual para 50%, em face de legislação superveniente ao lançamento, por força do princípio da retroatividade benigna Lançamento procedente em parte Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fl. xx, inclusive repisando argumentos. É o relatório. 1 Processo e 10945.003168/2005-83 S1-C412 Resolução n° 1401-00.008 Fl 8 VOTO Conselheiro VALMAR FONSECA DE MENEZES, Relator Verificamos, inicialmente, que entre as alegações trazidas pela contribuinte na peça recursal, que repetem as alegações da peça impugnatória, há uma alegação que diz respeito ao contrato de arrendarnenteo mercantil. Neste aspecto o contribuinte alegou n a peça impugnatória que tal operação não teria ocorrido e que, embora contabilizado na empresa arrendatária, não foi contabilizado na autuada justamente por que a operação não ocorreu. Ele afirma categoricamente que a operação não ocorreu. O próprio relator da decisão recorrida, em despacho anterior à decisão,de acordo com o Presidente da turma julgadora, determinou a realização de diligência com objetivo claro de que fosse verificada a existência da operação de arrendamento, as fis. 452, que "solicita que o autuante proceda às necessárias diligências no sentido de comprovar o não a realização do contrato de arrendamento." No entanto, o autuante ao responder a diligência, não cumpriu a determinação da DRJ, e ao contrário, tece considerações sobre regimes de caixa e competência e afirma, inclusive, este fato (ver informações do próprio autuante na resposta à diligência). Diante do exposto, voto no sentido de que seja convertido o presente julgamento em diligência para apuração da verdade material dos fatos, concluindo-se a diligência determinada pela instância a giro. dehb4 2 1, 1 VA 4 ONSE MENEZES a
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