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Numero do processo: 10384.003032/94-71
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 1996
Numero da decisão: 301-01.035
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MARCIA REGINA MACHADO MELARE
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 23 de maio de 1996 MOACYREL Presidente IROS •• • ~c::::.-Co •... Participaram, ainda~ do presente julgamento, os seguintes Conselheiros : ISALBERTO ZAVAO LIMA, JOÃO BAPTISTA MOREIRA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUIZ DAMASCENO e LUIZ FELIPE GAL VÃO CALHEIROS . 'me MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° RESOLUÇÃON° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 117.579 301-1035 INTEL SAT SISTEMAS LTDA DRJ/FORTALEZA/CE MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ RELATÓRIO •• A empresa acima identificada foi autuada sob a alegação de falta de recolhimento do 11 e do IPI, tendo em vista ter, em operação de internação de mercadorias estrangeiras, classificado separadamente baterias, carregadores e aparelho para telefonia celular, apesar do fato de os itens mencionados formarem um conjunto, sendo importadas em embalagem única . Diz o Auto de Infração, ainda, que como o aparelho para telefonia celular constitui o artigo que confere a característica do conjunto, a correta classificação fiscal da mercadoria é a do código 8525.20.0199, não sendo correto o procedimento que classificou separadamente as baterias no código 8507.30. O I00 e os carregadores e acumuladores na posição 8504.40.0299. Ademais, consta que na classificação que deu, a autuada pretendeu beneficiar-se de isenções do IPI para os carregadores e da redução da alíquota do 11 para as baterias. • • Entendeu a fiscalização, também, que deve-se adicionar o valor das baterias e dos carregadores ao valor dos aparelhos para telefonia celular e tributar o conjunto, aplicando-se as alíquotas de 20 % de 11 e 20 % do IPI, referentes ao citado código 8525.20.0199, conforme o disposto nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 2-a e 3-b. Ante ao fato relatado, o crédito tributário exigido consubstancia-se nos Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, com os devidos acréscimos legais, juros de mora, além da aplicação da multa a que se refere o inciso I, do artigo 4° da Lei 8.218/91. Em tempestiva impugnação a Autuada aduz, em suma, que o Auto de Infração não pode prosperar, vez que não se trata de um "sistema" de telefonia, no qual as partes distintas formam um conjunto. Quanto à multa, diz ser inaplicável ao caso, conforme ADN/CST 29/80 . 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.579 301-1035 • • • Na sequência regular do processo, a ilustre Autoridade Julgadora "a quo", rejeitando os argumentos da impugnação, manteve integralmente o Auto de Infração, uma vez que o conjunto classifica-se no código 8525.20.0199 da NBM/SH, à luz do Ato Declaratório Normativo COSIT 28/94. Quanto à aplicação da multa prevista no inciso I, do artigo 4° da Lei 8.218/91, diz inaplicável ao caso, aliás como já pronunciado pelo ADN/CST 29/80, do qual cita alguns trechos. Sustenta, outrossim, que sendo o lançamento atividade privativa da Autoridade Fiscal, compete a ela classificar a mercadoria, sendo que o código proposto pelo declarante na sua DI, constitui mero cumprimento de obrigação acessória. Destarte, "ninguém lhe pode exigir apresente declaração absolutamente correta, em relação a um assunto eminentemente técnico, de competência exclusiva do fisco". Pelas mesmas razões, defende que também não é devido o IPI e a respectiva multa. Após cumpridas as formalidades de praxe, a ilustre Autoridade Julgadora "a quo", passando a decidir, indeferiu o pedido de diligencia, uma vez que ela tem por objetivo a interpretação de um dispositivo de norma tributária, o qual já foi objeto de Ato Declaratório Normativo COSIT 28/94. Quanto ao mérito, apegando- se ao mesmo Ato Declaratório, manteve a classificação da mercadoria no código específico da NBM-SH (TIPIITAB), já que o mesmo concluiu que o telefone celular não se enquadra no destaque ("EX"). Diante da falta de recolhimento dos tributos manteve, também, a imposição das multas, para ao final, julgar procedente o lançamento contido no Auto de Infração, em sua totalidade. Diante da errõnea classificação manteve a multa de ofício constante do Auto de Infração. Cientificada da Decisão acima relatada, a Autuada, mais uma vez inconformada, interpôs Recurso Voluntário tempestivo, endereçado a este Terceiro Conselho, onde, além de rebater pontos da decisão monocrática, reitera os argumentos oferecidos na peça impugnatória, para requerer o seu integral provimento. Por fim, encontra-se juntado às fls. 38/39, recente petição da Recorrente, pugnando pela realização de diligência, em único quesito ao DTT, eis que entende que falta no processo um laudo técnico esclarecedor da matéria. É o relatório . 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.579 301-1035 VOTO •• • • Inquestionavelmente, flagrante é o erro de classificação, pois o "KIT" das mercadorias importadas deve ser classificado no código 8525.20.0199. Entretanto, merece ser evidenciado que sobre tal código existe um destaque "EX", criado pela Portaria MF 785/92, a qual pode beneficiar a recorrente, com a redução do imposto de importação, tornando insubsistente o lançamento feito. Ocorre, porém, que inúmeras dúvidas recaem sobre o alcance da mencionada Portaria, razão pela qual voto no sentido de ser o julgamento convertido em diligência ao Departamento Técnico de Tarifas, para que responda ao quesito formulado às fls. pela recorrente. Este Conselho de Contribuintes solicita, ainda, ao DTT que encaminhe cópia de todo o processo administrativo, que gerou a publicação do "Ex 004" da Portaria MF 785/92. Sala das Sessões, em 23 de maio de 1996 C' ..••. MARCIA REGINA MACHADO MELARÉ - RELATORA • 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10675.000241/2001-69
Data da sessão: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1803-000.032
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência para a 3ª Seção do CARF, nos termos do voto do relatora. Ausente, justificada e momentaneamente a Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência para a r Seção do CARF, nos termos do voto do relatora. Ausente, justificada e momentaneamente a Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. - LENE FERREIRA DE MORAES - Presidente e Relatora. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Luciano lnocêncio dos Santos, Benedicto Celso Benicio Júnior, Marcos Antonio Pires (Suplente Convocado) e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (Vice-Presidente). Processo n° 10675.000241/2001-69 S1-T1303 Resolução n.° 1803-00.032 Fl. 2 RELATÓRIO Trata-se de pedido de restituição/compensação relativo à multa de mora recolhida por atraso no pagamento de IRRF. (fls. 1). A autoridade administrativa não homologou a compensação pleiteada, sob o argumento da legalidade da cobrança da multa de mora. li-resignada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou /manifestação de inconformidade, alegando que efetuou a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A Delegacia de Julgamento indeferiu a manifestação de inconformidade, com base nos seguintes argumentos: a) Se analisamos o art. 138 do CTN no contexto em que ele está inserido, ou seja, na seção IV — Responsabilidade por Infrações, do Capítulo V — Responsabilidade Tributária, podemos concluir que sua aplicação diz respeito não à exclusão da responsabilidade pecuniárias, mas im à exclusão de responsabilidade penal, nos casos de conduta ou ato tipificado em lei, corno crime contra a ordem tributária. b) O art. 161 do CTN prevê a cobrança de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nele próprio ou em lei tributária. c) A Lei n° 9430/1996 estabelece em seu art. 61 a cobrança de multa de mora para tributos e contribuições administrados pela SRF, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) A interpretação do art. 138 expressa na decisão recorrida desconsidera todo o ordenamento jurídico tributário nacional, inclusive o próprio CTN, cujo art. 97 dispõe que somente a lei pode estabelecer a instituição de tributos. b) O art. 138 do CTN se ocupou apenas "do pagamento do tributo devido e dos juros de mora", não cogitando, em nenhum momento, de multa moratória. c) A denúncia espontânea da recorrente fica caracterizada pela análise da DCTF do 10 trimestre de 1999, na qual não está declarado o débito confessado. Foi declarado na DCTF, período de apuração: 2' semana de janeiro de 1999 (pg. 4), vencimento em 13/01/1999, apenas o débito no valor de RS 20.046,08 e os respectivo pagamento. d) Assim, o pedido de resituição deve ser deferido e a compensação constante da DCON41) do processo deve ser homologada. É o relatório. Processo n° 10675.000241/2001-69 S1-TE03 Resolução n.° 1803-00.032 Fl. 3 VOTO Conselheira SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatora O art. 3°, inciso II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, assim dispõe: "Art. 3 0 À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (.) II. Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); No presente caso o litígio gira em tomo de recolhimento em atraso de IRRF, que não tem a natureza de antecipação de IRPJ devido. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso, para declinar competência à Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF. ERREIRA DE MORAES • 3
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006552/2007-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91.
SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA.
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. MULTA CONFISCATÓRIA. NÃO OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. MULTA DE MORA.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 173, I do CTN, quando ocorrer dolo, fraude ou simulação, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Constitui infração a verificação de simulação através de fortes indícios.
O CARF não se pronuncia sobre matéria tributária constitucional, nos termos da Súmula nº 2 do CARF.
A multa aplicada ao patamar inferior a 15% não tem efeito confiscatório. Legalidade da Taxa SELIC nos termos da Súmula n. 3 do CARF.
Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-000.753
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade
de votos, em reconhecer a decadência parcial em relação ao período compreendido entre 02/2000 até 11/2000 e 13/2000, nos termos do art. 173, I do CTN. No mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo
Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. MULTA CONFISCATÓRIA. NÃO OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. MULTA DE MORA. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 173, I do CTN, quando ocorrer dolo, fraude ou simulação, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Constitui infração a verificação de simulação através de fortes indícios. O CARF não se pronuncia sobre matéria tributária constitucional, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. A multa aplicada ao patamar inferior a 15% não tem efeito confiscatório. Legalidade da Taxa SELIC nos termos da Súmula n. 3 do CARF. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência parcial em relação ao período compreendido entre 02/2000 até 11/2000 e 13/2000, nos termos do art. 173, I do CTN. No mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei Fl. 648DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 649DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.006552/200712 Acórdão n.º 2403000.753 S2C4T3 Fl. 638 3 Relatório 1. Tratase de crédito lançado pela Auditoria Fiscal contra o Contribuinte acima identificado no valor de R$ 324.457,07 (trezentos e vinte e quatro mil e quatrocentos e cinqüenta e sete reais e sete centavos), consolidado em 22/03/2006, cuja notificação se deu no dia 30/03/2006, referente às contribuições devidas ao INSS e destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de Incapacidade laborafiva e as destinadas aos Terceiros (Salário Educação, Incra, Senac/Sesc e Sebrae). 2. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 42/49, “como resultado dos procedimentos de auditoria fiscal da Previdência Social, efetuada no estabelecimento das empresas gerenciadas pelos Senhores José Luiz da Silva, Leoni Rosa de Menezes, Osório Calixto de Menezes, Maria Lucila Pioner Tomankievicz e Leonardo Rosa de Menezes, no centro de Florianópolis, constatouse a simulação na constituição da empresa Lojidados Serviços Ltda. Tais procedimentos visaram a obtenção indevida do tratamento favorecido instituído pela Lei n° 9.317/96 (Lei do SIMPLES). Esta questão foi objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito— NFLD n° 37.001.0116.” 3. O Relatório Fiscal expõe os elementos de convicção que justificam o procedimento fiscal e comprovam a simulação na constituição da pessoa jurídica acima citada, objetivando exclusivamente a sonegação de contribuições previdenciárias. 4. Ao final, concluiu a Fiscalização: “Como ficou demonstrado e comprovado nos documentos anexos a constituição da empresa LOJIDADOS SERVIÇOS LTDA, não passou de simulação com vistas à obtenção irregular do tratamento diferenciado estabelecido na Lei do SIMPLES, aplicado apenas às microempresas e às empresas de pequeno porte. Assim, os valores levantados nas folhas de pagamento emitidas durante o período de débito em nome da simulada empresa LOJIDADOS SERVIÇOS LTDA, foram inseridas no relatório "Discriminativo Analítico de Débito", em anexo, no seguinte levantamento: "FPG — FOLHA DE PAGAMENTO COM GFIP", que constituiu a base de cálculo das contribuições devidas pela empresa "M & S ASSESSORIA EMPRESARIAL S/S LTDA", sujeito passivo da obrigação previdenciária (fl. 48)." 5. Integram a NFLD os documentos de fls. 50/162, que a Fiscalização entendeu pertinentes para a comprovação da simulação, e os seguintes anexos: IPC Informações para o Contribuinte; DAD Discriminativo Analítico do Débito; DSD Discriminativo Sintético do Débito; RL Relatório de Lançamentos; FLD Fundamentação Legal do Débito; CORESP Relação de Coresponsáveis e Relatório de Vínculos — VÍNCULOS. DA IMPUGNAÇÃO 6. Dentro do prazo regulamentar, o Contribuinte apresentou contestação à notificação em referência (fls. 180/226), fundamentando a impugnação nos seguintes termos, em síntese: Fl. 650DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 6.1 explica que desenvolve trabalhos contábeis, e os serviços executados necessitam da responsabilidade técnica e contábil tanto na execução das tarefas, como na assinatura, responsabilizando o profissional que as executa, ainda, seu contrato padrão, baseado nas instruções do Conselho de Contabilidade, só inclui os serviços desta natureza, não tratando em nenhum momento do arquivo e digitação de documentos; 6.1.1 que o CRC/SC exige que a atividade da Notificada seja desenvolvida por profissionais, sejam bacharéis, técnicos ou estudantes de contabilidade; 6.1.2 a Resolução 560 do Conselho Federal de Contabilidade enumera quais são as atividades privativas do contador, e em seu art 5° quais as atividades compartilhadas que estes podem exercer, ou seja, que não são exclusivas do profissional de contabilidade, dentre estas, o processamento de dados, que seria a digitação e digitalização de documentos, e a organização de almoxarifados, o que caracteriza o arquivo de documentos; 6.1.3 por não serem estas atividades privativas de profissionais de contabilidade, podendo ser realizadas por profissionais não tão habilitados, e consequentemente com custos menores, a sócia da Notificada Leoni Menezes, constituiu nova empresa para prestar especificamente estes serviços; 6.1.4 como razões para a criação da empresa destaca: a) o fato do CRC fiscalizar, multar e excluir de seu registro empresas lá cadastradas que possuem em seu quadro profissional grande quantidade de funcionários inabilitados para o exercício da função de contador, b) a carência no mercado de empresa especializada em digitação e arquivo; 6.1.5 a empresa Lojidados cumpre com todas as suas obrigações tributárias, possuindo certidões negativas em todos os órgãos, e paga em dia as parcelas relativas ao SIMPLES, bem como as contribuições providenciarias de seus funcionários; 6.1.6 que a Lojidados presta serviços a outros escritórios de contabilidade que não o da notificada, não estando vinculadas a esta; 6.1.7 o número de empregados da Lojidados é elevado e nenhum deles é formado em contabilidade, com exceção da contadora. Eventual contratação destes empregados pela Notificada poderia lhe trazer problemas junto ao Conselho Regional de Contabilidade, já que este preza pela contratação de profissionais contábeis pelas empresas lá cadastradas para garantir a qualidade dos serviços prestados; 6.1.8 outro aspecto que motivou a criação da nova empresa foi o fato de facilitar a contratação de seus serviços por clientes com outros contadores, já que estes não indicariam outro escritório de contabilidade para digitar ou organizar documentos, até mesmo pela elevada concorrência no mercado; 6.2 afirma que a Lojidados em nenhum momento efetua a locação de mão deobra para a Notificada, até mesmo porque seus profissionais não podem atuar no ramo desta, já que, são contadores. Outra questão é que a Lojidados presta serviços para empresas com outros, escritórios de contabilidade, com atividade completamente diversa e independente da Notificada, não havendo qualquer subordinação; 6.2.1 assim, o ramo de atividade da Lojidados, prestação de serviços de digitação, digitalização e arquivo de documentos, pode ser enquadrado no regime especial, não havendo qualquer regra no estatuto do SIMPLES que vede sua adesão; Fl. 651DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.006552/200712 Acórdão n.º 2403000.753 S2C4T3 Fl. 639 5 6.3 quanto a transferência de empregados, reforça que apesar dos funcionários transferidos para a Lojidados não exercerem na Notificada atividades privativas de contador, tal ocorreu para evitar que a Notificada tivesse problemas com o órgão fiscalizador, manchando sua imagem de excelência no serviço contábil; 6.4 a respeito dos sócios da Notificada Maria Lucila e Osório, nada impede que os mesmos sejam registrados como empregados da Lojidados e desempenhem suas funções, como sócios da Notificada, afirmando que recolhe normalmente o pro labore de ambos, como faz prova a documentação anexa; 6.5 acerca das notas fiscais, diz que as seis empresas de Paulo André Vazsonyi, localizadas em Tubarão contrataram a Lojidados para digitar várias informações em seu banco de dados, além de um trabalho minucioso no trato com os documentos da empresa com o fim específico de arquivo e organização; 6.5.1 que os próprios fiscais noticiam e comprovam que a responsabilidade técnica e a realização dos trabalhos de contabilidade das empresas do grupo citado estão a cargo de outras pessoas físicas e jurídicas; 6.5.2 e como salientado pela fiscalização, as mencionadas empresas de Tubarão estavam sob forte fiscalização, até com a prisão dos sócios decretada, assim, a empresa Lojidados, com sua equipe de digitadores e arquivistas, foi contratada para urgentemente organizar e digitar toda a documentação a ser levada para a fiscalização, sem qualquer trabalho contábil; 6.5.3 quanto aos serviços prestados pela Lojidados à Repecon, estão devidamente contabilizados, e se relacionam à digitação e arquivo de documentos; 6.5.4 assim, não se pode falar em simulação, as empresas são distintas, com atividades específicas, com funcionários próprios, cumprem suas obrigações tributárias e previdenciárias, possuindo clientes próprios, não havendo qualquer motivo para a desconsideração de qualquer uma delas; 6.5.5 destaca que mesmo somados os faturamentos das empresas eles não ultrapassam o valor máximo para adesão ao SIMPLES, sendo que a notificação fiscal baseou se no fato da simulação, e não pelo fato da Notificada não poder aderir ao regime especial por ser escritório de contabilidade, e não por seu faturamento ser maior que o permitido pelo SIMPLES; 6.6 sustenta a existência dos seguintes vícios formais da NFLID: 6.6.1 a incompetência da Auditoria Fiscal da Previdência Social para fiscalizar as relações de trabalho já que esta é atribuição exclusiva das Delegacias Regionais do Trabalho, vinculadas ao Ministério do Trabalho; 6.6.2 ainda, que o Agente fiscal não observou as normas dispostas na IN/SRP n° 03/2005, especificamente quanto ao art 669, XI, pois deixou de arrolar no anexo Vínculos, quais os funcionários da Lojidados que passariam a ser funcionários da Notificada; 6.6.3 refere que foi abusiva a apreensão das notas fiscais da empresa Lojidados em Mandado para fiscalizar somente a M & S, conforme demonstra o termo de Fl. 652DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 apreensão em anexo; que por simples suspeita não se pode impedir a empresa de atuar regularmente, pois tal apreensão a impossibilitou temporariamente de emitir notas fiscais, até sua devolução, sendo que este ato vicia todo o processo de fiscalização, tomandoo nulo; 6.7 que eventual exclusão da empresa Lojidados do SIMPLES somente terá efeitos com relação aos tributos com fato gerador após a formalização da sua exclusão, referindo a impossibilidade de cobrança retroativa, na forma do art. 16 da Lei n° 9.317/96; 6.8 a decadência do crédito previdenciário relativo as competências 02/00 a 03/01, fulcro no art. 150, § 4°, c/c 173, I, do Código Tributário Nacional, questionando, ainda, a constitucionalidade da legislação previdenciária que regula a matéria, pois somente lei complementar pode tratar sobre prescrição; e, ainda, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (entendimento do STJ); 6.9 a compensação dos valores recolhidos a título do SIMPLES pela Lojidados, cujos percentuais estão descritos no art 23 da Lei n° 9.317/96; 6.10 inconstitucionalidade da cobrança do Salário Educação, com o advento da Constituição Federal de 1988, bem como das contribuições para o SENAC/SESC, INCRA e SEBRAE, bem como para o SAT; 6.11 da aplicabilidade do princípio da vedação de confisco às multas fiscais, pedindo pela redução da multa moratória a um patamar razoável; 6.12 também devido à inconstitucionalidade, impugna a aplicação da Taxa SELIC, pois, embora Taxa SELIC tenha sido materializada via lei ordinária como juros moratórios, que devam incidir sobre débitos tributários e previdenciários esta não possui tal natureza por traduzir fenômeno monetário de pagamento pelo uso de dinheiro, com caráter nitidamente remuneratório; não pode o fisco exigir pagamento de juros de mora calculado sobre taxa de juros com caráter remuneratório, sob pena de ofensa ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios, e ainda, ferir o § 1° do artigo 161 do CTN; 6.13 enfatiza a competência do órgão administrativo para apreciar inconstitucionalidade da legislação apontada como inconstitucional, esclarecendo que não pretende ver declarada a inconstitucionalidade pelo agente administrativo, mas sim que seja determinada a inaplicabilidade dos dispositivos tidos como ilegais, citando precedentes do CRPS. 7. Ao final, requer: “a1) seja cancelada a presente notificação devido à comprovação de existência, de duas empresas distintas, não podendo se falar em simulação, revendo o entendimento do agente fiscal; a2) cancelada a presente notificação devido aos vícios formais apontados, entre os quais o desrespeito ao art. 660, XI, da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03; Caso não se entenda desta forma que ao menos: b) seja declarado extinto o crédito tributário entre os períodos de 02/2000 a 03/2001 atingidos pela decadência; c) sejam amortizados os valores pagos pelo SIMPLES; Fl. 653DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.006552/200712 Acórdão n.º 2403000.753 S2C4T3 Fl. 640 7 d) sejam excluídos da NFLD os valores relativos ao salário educação; e) sejam excluídos da NFLD os valores relativos à contribuição destinada às entidades definidas como "terceiros", quais sejam SENAC/SESC/INCRA; f) sejam excluídos da NFLD os valores relativos ao seguro de acidente de trabalho; g) sejam excluídos do lançamento fiscal os valores referentes à taxa de juros SELIC; h) sejam excluídos ou reduzidos da NFLD os valores percentuais relativos à multa por ser esta de natureza confiscatória." 8. Com a impugnação, apresentou a seguinte documentação (cópias de fls. 230/503): • alvará de Organização Contábil (f 1. 230), • alvará de licença para localização e/ou funcionamento da Prefeitura Municipal de Florianópolis (ti. 231), • legislação básica da contabilidade (fl. 233), • instrumento particular de contrato de prestação de serviços profissionais contábeis (fls. 235/241), • guia para usuários dos serviços contábeis (fl. 243), • documentos da Lojidados Serviços SC. Ltda.: Certidões Negativas do FGTS, Receita Federal e ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (conjunta) e Prefeitura Municipal de Florianópolis (fls. 2451248), • GPS da Lojidados Serviços SC Ltda., do período 0212000 a 01/2006 e CND da Previdência Social (fls. 250/295), • relação de funcionários/funções e relatório de descrição das atividades da Lojidados Serviços SC Ltda. (f Is. 298/322), • PCMSO da Lojidados Serviços S/C Ltda. (fls. 232/338), • RAIS 2000 a 2005 da Lojidados Serviços S/C Ltda. (fls. 340/378), • registro do funcionário Alexandre, (fi. 380), comprovante de seguro de vida, comprovante de combustíveis e carteira de motorista, • recibos de pagamento da Lojidados e da Notificada, (f Is. 386/387) • cópias de contrato social/alterações da Black Cotton, Conf. Mar da Costa Ltda., San Izidro Lavanderia e Expansão Market Share Ltda. (fls. 389/405), Fl. 654DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 • cópia de livro diário de contratante, onde consta pagamentos à Lojidados, Serviços S/C Ltda., • documentos relativos à Repecon (fls. 428/461), • termo de apreensão, guarda e devolução de documentos (fls. 463/464), • Declaração Anual Simplificada e DARF's da Lojidados Serviços S/S Ltda. (fls. 467/500), • Demonstrativo do Simples recolhido e sua repartição da Lojidados Serviços Ltda. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar aos argumentos da impugnante, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis – SC, emitiu o Acórdão n° 20.401.4/0406/2006, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fls. 544/567), com os mesmos argumentos de sua defesa. DA ADESÃO AO SIMPLES Na petição de fls. 608/609, a recorrente informa acerca da desobrigação em depositar os 30% para fins recursais, bem como sobre sua adesão ao SIMPLES e, por fim, requerendo a aplicação do art. 106 do CTN, para que as beneficies retroajam. É o relatório. Fl. 655DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.006552/200712 Acórdão n.º 2403000.753 S2C4T3 Fl. 641 9 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 636, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos Fl. 656DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte ou houver dolo, fraude ou simulação. Tratase de NFLD lavrada em razão das contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de Incapacidade laborafiva e as destinadas aos Terceiros (Salário Educação, Incra, Senac /Sesc e Sebrae). O presente caso importa a aplicação do prazo previsto no art. 173, I do CTN, pois, houve simulação, conforme será explicado no mérito. O período de apuração compreendeu a competência 02/2000 a 12/2005. A notificação ocorreu em 30/03/2006. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período compreendido entre 02/2000 até 11/2000, inclusive 13/2000 (nos termos do art. 173, I do CTN), conforme explicado. DO VÍCIO FORMAL DA NFLD Sustenta a recorrente que a NFLD contém vícios formal e material, por afrontar às normas contidas no inciso XI do art. 660 da Instrução Normativa MPS/SRP n. 3. Ocorre que, ao contrário do que tenta fazer crer a recorrente, a não inclusão de todas as pessoas físicas e jurídicas, bem como os respectivos vínculos, não torna o Auto de Infração nulo, pois, a exigência contida na norma supracitada não determina que sejam arrolados todos os segurados empregados, mas aqueles que têm interesse para a administração previdenciária, a exemplo dos sócios, gerentes e administradores. Portanto, não há nulidades formal ou material na NFLD. DO MÉRITO DA SIMULAÇÃO Em que pesem os esforços da recorrente no sentido de tentar descaracterizar a simulação à qual está lhe sendo imputada no presente Auto de Infração, mister se faz destacar alguns pontos de convencimento, no sentido de fato houve simulação: (i) Tratase de duas empresas funcionando no mesmo local, qual seja: Av. Rio Branco, 883, sobreloja. Centro. FlorianópolisSC, CEP: 88.015200 (fls. 61 e 64); Fl. 657DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.006552/200712 Acórdão n.º 2403000.753 S2C4T3 Fl. 642 11 (ii) Ao contrário do que alegou em sede de impugnação, não se tratou da transferência de alguns funcionários da recorrente para a Lojidados e sim de quase todos (fls. 77/79 e 535); (iii) Apesar da transferência de quase todos os funcionários, a recorrente continuou com o quadro de funcionários reduzidos, o que comprova que os funcionários da Lojidados continuaram a prestar serviços para a recorrente; (iv) Não obstante todos os argumentos utilizados pela recorrente, para fazer crer que a Lojidados exercia funções próprias, não há como subsistir. Explico: a recorrente protocolizou uma petição no dia 19/11/2007, informando ter aderido ao SIMPLES. Ocorre que, no dia 14/11/2007, foi dada baixa na empresa Lojidados. Tão logo a recorrente aderiu ao SIMPLES (em decorrência da mudança na lei), deu baixa na Lojidados, logo, concluise que de fato havia simulação. Por todo o exposto, resta evidente que a recorrente criou a Lojidados com a intenção de fugir da incidência tributária. DOS VALORES PAGOS PELO SIMPLES Por falta de previsão legal, não há que se falar em compensar os valores cobrados pelo Auto de Infração objeto da lide com os valores pagos pela Lojidados através do SIMPLES. Contudo, sugerimos que a empresa solicite restituiçãou dos valores pagos. SOBRE A ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE No que tange às alegações de inconstitucionalidades das contribuições referentes ao SalárioEducação, Contriuições a Terceiros (Salário Educação, Incra, Senac /Sesc e Sebrae) e SAT, mister destacar que não cabe a esse conselho analisar os referidos argumentos, uma vez que tem como base a ausência de manifestação do Fisco acerca do controle de constitucionalidade de leis, matéria esta já consolidada na Súmula nº 02, do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por este mesmo motivo, já se afasta de plano o pronunciamento acerca das alegações de inconstitucionalidade levantadas no Recurso Voluntário, dado o impedimento acolhido pela presente Súmula. DA MULTA Sob o argumento de que a multa não pode ter caráter confiscatório, a recorrente requer a sua redução para patamares razoáveis e proporcionais. Fl. 658DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Ocorre que, da análise da fl. 01, verificase que a multa aplicada não corresponde nem a 15% da verba devida à Previdência Social. Diante disso, resta evidente que a multa aplicada não tem caráter confiscatório. Por esse motivo, não deve prosperar o pleito da recorrente, no que tange à redução da multa, vez que aplicada em consonância com a legislação vigente e, em patamares razoáveis. TAXA SELIC A recorrente entende como ilegal a incidência da Taxa SELIC em matéria Tributária. Ocorre que, essa matéria já se encontra prevista na Súmula n. 3 do CARF, assim como, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, os julgamentos dos conselheiros estão vinculados aos acórdãos do STF e STJ, quando prolatados nos termos dos arts. 543B e 543C do CPC, verbis: Súmula n. 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Art. 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nos termos do art. 543C do CPC, já se manifestou o C. STJ, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Fl. 659DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.006552/200712 Acórdão n.º 2403000.753 S2C4T3 Fl. 643 13 Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2009, DJe 01/07/2009) (grifo nosso) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa SELIC em matéria tributária. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do presente Recurso Voluntário, no que tange ao reconhecimento da decadência parcial em relação ao período compreendido entre 02/2000 até 11/2000 e 13/2000, nos termos do art. 173, I do CTN, bem como determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na Fl. 660DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 661DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10073.900548/2008-17
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.052
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Marco Antônio Nunes Catilhos e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.900548/200817 Resolução n.º 1802000.052 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.133/137 contra decisão da 6ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (fls. 122/128) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleteiado. Quanto aos fatos: versam os autos do processo acerca de compensação tributária, mediante o PER/DCOMP nº 8507.97339.270404.1.3.047123, transmitido eletronicamente em 27/04/2004, no qual a contribuinte informou utilização de suposto crédito (valor original) de R$ 1.464,23 decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa do período de apuração dezembro/2003 para quitação do débito da CSLL–Lucro Presumido do 1º/trimeste/2004, código de receita 2372, no valor de R$ 1.514,89 (fls.01/05); consta do PER/DCOMP que o suposto crédito teria sido originado do recolhimento em DARF, de 30/01/2004, no valor de R$ 3.921,51 a título de pagamento da CSLL estimativa do período de apuração dezembro/2003, código de receita 2484 (fl. 03); quanto ao PA dezembro/2003, consta da DIPJ 2004, anocalendário 2003, transmitida eletronicamente em 30/06/2004, apuração da CSLL estimativa mensal a pagar, no valor de R$ 2.457,28 (fls. 41 e 56); na DCTF/4º trimestre/2003, entretanto, foi confessado débito da CSLL estimativa mensal do PA dezembro/2003, no valor de R$ 3.921,51, cujo valor coincide com o pagamento efetuado; cópia do DARF de R$ 3.921,51, código de receita 2484, de 30/01/2004 (fl. 13). Diante desses fatos, o Despacho Decisório da DRF/Volta Redonda, de 24/04/2008, expedido eletronicamente, denegou o direito creditório pleiteado, deixando, por conseguinte, de homologar a compensação informada, nos seguintes termos (fl. 06/08), in verbis: (...) Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 3.851,48. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.900548/200817 Resolução n.º 1802000.052 S1TE02 Fl. 3 3 Ciente dessa decisão em 05/05/2008 (fls.09/10), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/06/2008 (fl. 11), juntando ainda os documentos de fls. 12/102 e 107/120, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que cometeu erro ao preencher a DCTF referente ao 4° trimestre de 2003; que o débito do imposto de renda estimativa mensal de dezembro/2003 não seria R$ 3.921,51, mas sim R$ 2.457,28, conforme DIPJ 2004, anocalendário 2003 (fl. 56); que, em 30/05/2008, após ciência do Despacho Decisório, retificou a DCTF/4º trimestre 2003, reduzindo o valor do débito do IRPJ estimativa mensal de dezembro/2003 de R$ 3.921,51 para R$ 2.457,28 (fls. 16 e 56). Diversamente do entendimento da contribuinte, a DRF/Rio de janeiro I, ao apreciar as razões constantes Manifestação de Inconformidade, não reconheceu o direito creditório pleiteado, mantendo a não homologação da compensação, conforme ementa do Acórdão que transcrevo (fl. 122): (...) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DCTF. RETIFICAÇÃO NÃO ESPONTÂNEA. INADMISSIBILIDADE. A retificação não espontânea de DCTF que diminua débito anteriormente informado deve vir acompanhada dos elementos de prova em que se fundamente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Inconformada com esse decisum do qual tomou ciência em 10/01/2011 (fl. 132), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 08/02/2011 (fls. 133/137), juntando ainda os documentos de fls. 138/299, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, diversamente do que consta da decisão recorrita, a recorrente não se limitou a mera alegação de que houve erro no preenchimento da DCTF; que esclareceu em sua Manifestação de Inconformidade que havia erro material no preenchimento da DCTF referente ao 4° trimestre de 2003; que informou a retificação da DCTF do 4° trimestre/2003; que juntou cópia da DCTF retificadora do 4º trimestre de 2003, cópia da DIPJ do ano calendário 2003 e cópia do DARF pago; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.900548/200817 Resolução n.º 1802000.052 S1TE02 Fl. 4 4 que a DCTF retificadora, ainda que apresentada após despacho decisório, tinha por única finalidade regularizar as informações contidas nos sistemas da RFB, pois a apuração do tributo já havia sido denunciada pelo PER/DCOMP; que, ademais, o procedimento que poderia ser adotado pela RFB seria uma auditoria nos livros contábeis/fiscais e documentos da recorrente para comprovar que a estimativa mensal devida de dezembro de 2003 era de R$ 2.457,28; porém, não foi realizado tal procedimento. A DIPJ do anocalendário 2003, desde o início revelou, que a estimativa mensal apurada de dezembro/2003 era mesmo de R$ 2.457,28; que, sendo assim, o ressarcimento e a compensação deveriam ter sido reconhecidos, automaticamente, na apresentação do PER/DCOMP; que, juntamente com o recurso, ainda juntou cópia de sua escrituração: livro Diário Geral (fls. 264/297) e livro Razão Analítico (fls. 248/263); que, por fim, a recorrente alegou tem direito ao crédito pleiteado e à compensação do débito confessado. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.900548/200817 Resolução n.º 1802000.052 S1TE02 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca de pretenso direito creditório no valor original de R$ 1.464,23, cuja origem seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL, mediante DARF, em 30/01/2004, no valor de R$ 3.921,51 a título de pagamento da CSLL estimativa mensal do período de apuração dezembro/2003, código de receita 2484 (fl. 03); O valor do pretenso crédito pleiteado foi utilizado na declaração de compensação PER/DCOMP nº 8507.97339.270404.1.3.047123 transmitida eletronicamente em 27/04/2004 – para quitação, sob condição resolutória, do débito da CSLL–Lucro Presumido do 1º/trimeste/2004, código de receita 2372, no valor de R$ 1.514,89 (fls.01/05); PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO A contribuinte, no anocalendário 2003, fez opção pelo Lucro Real anual, ficando sujeita à antecipação da CSLL com base na receita bruta e acréscimos, ou com base em balancete de suspensão ou redução. O regime de apuração do Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento da CSLL por estimativa mensal ou com base em balancete mensal de suspensão ou redução, é tratado na Lei nº 9.430/1996 (arts. 2º e 6º), regulamentado pelos atos normativos infralegais. Nesse regime do Lucro Real anual, os pagamentos mensais da CSLL, por estimativa ou com base em balanço de suspensão ou redução, têm a natureza de antecipação da exação fiscal devida no encerramento do respectivo anocalendário, em 31 dezembro. Esses pagamentos mensais, destarte, são meras antecipações da CSLL cujo fato gerador em concreto – fato imponível –só se materializa no final do respectivo anocalendário. Logo, incabível cogitarse de repetição de suposto inbébito tributário da CSLL paga por estimativa mensal ou com base em balanço de suspensão ou redução, a título de mera antecipação do valor devido, cujo valor do débito efetivo é conhecido somente a partir do encerramento do respectivo anocalendário, em 31 de dezembro. No final do respectivo anocalendário, com base no Lucro Real anual, é apurada CSLL que irá revelar, apontar, saldo da CSLL a pagar ou saldo negativo. Se eventualmente houver pagamentos a maior da CSLL por estimativa mensal em relação valor apurado no fechamento do anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.900548/200817 Resolução n.º 1802000.052 S1TE02 Fl. 6 6 Por conseguinte, não se devolve, não se restitui, pagamento de CSLL por estimativa mensal (que tem natureza de mera antecipação do valor devido no final do ano), mas sim saldo negativo de CSLL apurado no encerramento do respectivo anocalendário, o qual deve estar apurado e informado na declaração de ajuste anual. PAGAMENTO DE CSLL ESTIMATIVA MENSAL PERÍODO DE APURAÇÃO DEZEMBRO/2003. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. ERRO. DCTF RETIFICADORA A recorrente alegou que pagara a maior a CSLL estimativa mensal do período de apuração dezembro/2003, pleiteando a devolução de pretensão pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal. Como visto, não se restitui mera antecipação de CSLL (pagamento por estimativa mensal), mas sim saldo negativo apurado com base no Lucro Real, no encerramento do respectivo anocalendário, em 31 de dezembro. Mas, a questão tem ainda outros desdobramentos que retiram, por completo, a certeza e liquidez do crédito peleitado (CTN, art. 170). Senão vejamos: consta do PER/DCOMP que o suposto crédito teria sido originado do recolhimento em DARF, de 30/01/2004, no valor de R$ 3.921,51 a título de pagamento da CSLL estimativa mensal do período de apuração dezembro/2003, código de receita 2484 (fl. 03); entretanto, quanto ao PA dezembro/2003: a) consta da DCTF/4º trimestre/2003 débito confessado da CSLL estimativa mensal do PA dezembro/2003, o valor de R$ 3.921,51, cujo valor desse débito confessado coincide com o pagamento efetuado mediante DARF (pagamento já identificado acima); b) consta da DIPJ 2004, anocalendário 2003, transmitida eletronicamente em 30/06/2004 (data posterior à entrega da DCTF), apuração da CSLL estimativa a pagar, do PA dezembro/2003, o valor de R$ 2.457,28 (fls. 41 e 56); Como demonstrado até aqui, o crédito inexiste (não restou comprovado), pois o valor integral do pagamento está alocado, consumido, pelo débito confessado na DCTF. Em face disso, o Despacho Decisório da DRF/Volta Redonda, de 24/04/2008, expedido eletronicamente, denegou o direito creditório pleiteado, deixando, por conseguinte, de homologar a compensação informada (fl. 06/08). Entretanto, em 30/05/2008, após ciência do Despacho Decisório, a contribuinte retificou a DCTF/4º trimestre 2003, reduzindo o valor do débito da CSLL estimativa mensal de dezembro/2003 de R$ 3.921,51 para R$ 2.457,28 (fls. 16 e 56), alegando na Manifestação de Inconformidade que a DCTF teria sido preenchida em incorretamente; por isso, da transmissão eletrônica da declaração retificadora, já no curso do litígio objeto dos autos. Em regra, os contribuintes tem direito de retificar declaração, quando em situação de espontaneidade fiscal (CTN, art. 138). Fl. 310DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.900548/200817 Resolução n.º 1802000.052 S1TE02 Fl. 7 7 Fora disso, mormente durante a discussão da lide no processo administrativo, a apresentação de declaração retificadora exige comprovação do erro existente na declaração original ou primitiva, quando vise a reduzir ou excluir tributo. Entretanto, a contribuinte, na primeira instância de julgamento, não fez a comprovação cabal, por meio de sua escrituração contábil/fiscal com respectivos documentos de suporte, do alegado erro duplo que teria cometido e que pudesse justificar a retiticação da DCTF e legitimar o crédito pleiteado, ou seja, não comprovou: a) erro de pagamento indevido ou maior da CSLL estimativa mensal de dezembro/2003; b) erro de preenchimento da DCTF primitiva, quando confessou o débito da CSLL estimativa mensal de dezembro/2003 justamente no valor do recolhimento em DARF. A propósito, quanto à retificação de declaração no curso da lide administrativa (após ciência do despacho decisório), estatui art. 147, § 1º, do CTN, in verbis: Art. 147. (...) § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Em face disso, a DRJ a DRF/Rio de janeiro I, ao apreciar as razões constantes da Manifestação de Inconformidade, não reconheceu o direito creditório pleiteado, mantendo a não homologação da compensação, conforme Acordão de fl. 122. Além disso, como razão de decidir, consta do voto vencedor da decisão recorrida (fl. 128): (...) De certo que, à luz dos princípios da legalidade e da verdade material, é possível a retificação, ainda que não espontânea, de declaração. Porém, encontrase pacificado nos órgãos administrativos de julgamento que nesta hipótese, e especialmente nesta hipótese (da não espontaneidade), deve haver a comprovação dos erros em que se fundamente a retificação pretendida. A este respeito, assim se manifestou o Conselho de Contribuintes: RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS INEXISTÊNCIA DE PROVAS QUANTO AOS SUPOSTOS VÍCIOS COMETIDOS NA DECLARAÇÃO ORIGINÁRIA. IMPROCEDÊNCIA DO PLEITO. — Não obstante a jurisprudência administrativa tenha se firmado no sentido de que mesmo após o inicio da ação fiscal seria cabível a retificação de declaração de rendas desde que provado o erro nela contido, não é admissivel a sua aceitação quando o contribuinte, como é o caso, nenhuma prova tenha produzido" ( Ac. 10705.966). (...) Fl. 311DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.900548/200817 Resolução n.º 1802000.052 S1TE02 Fl. 8 8 Nesta instância de julgamento, a recorrente juntou cópia de sua escrituração: livro Diário (fls. 264/297) e livro Razão Analítico (fls. 248/263). Entetanto, não juntou cópia dos balancetes de suspensão/redução do mês de dezembro/2003 e dos demais meses do ano calendário 2003. Vale dizer, analisando a escrituração contábil/fiscal, à luz do regime de apuração do Lucro Real anual, anocalendário 2003, observase que a recorrente, além de recolhimentos da CSLL estimativa mensal com base na receita bruta e acréscimos, informou na DIPJ 2004 (anocalendário 2003), também, apuração dessa exação fiscal com base em balancete de suspensão ou redução em março, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro/2003 (fls. 48/56). O valor do débito da CSLL do mês de dezembro/2003 de R$ 2.457,28, apurado com base em bancete de suspensão redução Ficha 16 da DIPJ (fl. 56), é idêntico ao valor do saldo de CSLL a pagar da Ficha 17 (fl. 57); porém, um desses débitos não foi recolhido, persiste em aberto. Os balancetes de suspensão ou redução não foram juntados autos pela recorrente, nem foram transcritos para o livro Diário. A propósito, dispõe ao art. 35 da Lei nº 8.981/95, in verbis: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...) Como os balancetes de suspensão/redução não estão transcritos no livro Diário do anocalendário 2003, não há como afirmar, nem formar convicção de que o valor da CSLL estimativa mensal do mês de dezembro/2003 seria apenas de R$ 2.457,28 – DIPJ 2004 (fls. 41 e 56), pois consta da DCTF/4º trimestre/2003 débito confessado da CSLL estimativa do PA dezembro/2003 o valor de R$ 3.921,51, cujo valor desse débito confessado coincide com o pagamento efetuado (recolhimento já identificado alhures). CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA FISCAL Portanto, para justificação da apresentação da DCTF retificadora do 4º trimestre/2003 em 30/05/2008, reduzindo o débito da CSLL estimativa mensal de dezembro/2003 de R$ 3.921,51 para R$ 2.457,28 (fls. 16 e 34), e em face do princípio da verdade material que deve nortear a lide administrativa, tornase necessário CONVERTER o Fl. 312DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.900548/200817 Resolução n.º 1802000.052 S1TE02 Fl. 9 9 julgamento em diligência fiscal a fim de que a fiscalização da RFB da unidade de origem (DRF/Volta Redonda) proceda ao seguinte: a) intimar a contribuinte para a apresentação dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2003 que possam justificar a apresentação da DIPJ 2004, anocalendário 2003, com débito da CSLL estimativa mensal de dezembro/2003 no valor de R$ 2.457,28, e não no valor R$ 3.921,51 recolhido em DARF e objeto da DCTF primitiva; b) apurar se o valor pleiteado, ou o recolhimento/pagamento total da contribuição mensal do mês de dezembro/2003 no valor de R$ 3.921,51, foi, ou não, computado na apuração no saldo da CSLL apurado na declaração de ajuste anual do exercício 2004, anocalendário 2003. c) apurar, verificar, intimar a contribuinte, a comprovar, justificar, por qual razão o valor do débito da CSLL estimativa do mês de dezembro/2003 de R$ 2.457,28 apurado com base em bancete de suspensão redução Ficha 16 da DIPJ (fl. 56), é idêntico ao valor do saldo da CSLL a pagar da Ficha 17 (fl. 57); porém, um desses débitos não foi pago ou recolhido, ainda constando em aberto. d) elaborar relatório circunstância das conclusões da diligência fiscal; e) dar ciência à contribuinte do resultado da diligência fiscal para, em querendo, apresentar contrarazões, abrindo prazo de 30 (trinta) dias da ciência. Por tudo que foi exposto, voto pela CONVERSÃO do julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 313DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10845.726244/2014-41
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE RETENÇÕES NA FONTE. RECEITAS FINANCEIRAS. FASE PRÉ-OPERACIONAL.
A legislação fiscal permite o diferimento das receitas financeiras inferiores às despesas financeiras enquanto a pessoa jurídica se encontra em fase pré-operacional
RECEITAS FINANCEIRAS. FASE PRÉ-OPERACIONAL. DIFERIMENTO. CONDIÇÕES.
Receitas financeiras auferidas em fase pré-operacional podem deixar de ser tributadas naquele período, desde que relacionadas ao empreendimento em fase pré-operacional (períodos de desenvolvimento, construção e implantação de projetos); e contabilizadas em conta específica, como redutoras das despesas pré-operacionais do ativo diferido, resultando saldo líquido devedor.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPOSIÇÃO POR RETENÇÕES. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO DAS RECEITAS NA BASE DE CALCULO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Não comprovado que as receitas financeiras sobre as quais incidiram as retenções de IRRF compuseram a base de cálculo do IRPJ, não pode ser reconhecido saldo negativo do referido tributo composto pelas referidas retenções, devendo-se não homologar a compensação realizada.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO. LIVROS. DOCUMENTOS. ELEMENTOS DE PROVA.
Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.
Numero da decisão: 1003-002.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça
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COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE RETENÇÕES NA FONTE. RECEITAS FINANCEIRAS. FASE PRÉ- OPERACIONAL. A legislação fiscal permite o diferimento das receitas financeiras inferiores às despesas financeiras enquanto a pessoa jurídica se encontra em fase pré- operacional RECEITAS FINANCEIRAS. FASE PRÉ-OPERACIONAL. DIFERIMENTO. CONDIÇÕES. Receitas financeiras auferidas em fase pré-operacional podem deixar de ser tributadas naquele período, desde que relacionadas ao empreendimento em fase pré-operacional (períodos de desenvolvimento, construção e implantação de projetos); e contabilizadas em conta específica, como redutoras das despesas pré-operacionais do ativo diferido, resultando saldo líquido devedor. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPOSIÇÃO POR RETENÇÕES. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO DAS RECEITAS NA BASE DE CALCULO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não comprovado que as receitas financeiras sobre as quais incidiram as retenções de IRRF compuseram a base de cálculo do IRPJ, não pode ser reconhecido saldo negativo do referido tributo composto pelas referidas retenções, devendo-se não homologar a compensação realizada. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO. LIVROS. DOCUMENTOS. ELEMENTOS DE PROVA. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 62 44 /2 01 4- 41 Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.877 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.726244/2014-41 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 11-67.679, proferido pela 5ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem resumir os fatos ocorridos até o momento, transcrevo a seguir o relatório que apoiou o acórdão de piso: “Em desfavor da contribuinte acima identificada, não foram homologadas a Declaração de Compensação (DCOMP) constitutiva de crédito Nº 23498.84350.150211.1.3.02- 4133, além de outras relacionadas. A citada DCOMP buscou ver reconhecido o direito creditório de saldo negativo do IRPJ, ano-calendário 2007, no valor original de R$ 32.089,45, conforme quadro abaixo: 2. De acordo com o Despacho Decisório (DD), emitido pela autoridade administrativa do Serviço de Orientação e Análise Tributária (Seort) da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Santos – SP (DRF/STS), o saldo negativo é originário do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre receitas financeiras, sendo que tais receitas não foram oferecidas à tributação. Vejamos alguns trechos: (...) (...) Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.877 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.726244/2014-41 (...) 3. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade (fls. ) na qual alega, em síntese: a) preliminarmente, a manifestante alega que no ano-calendário 2007 estava em fase pré-operacional: b) declarou devidamente o Imposto de Renda Retido na Fonte: c) no mérito: Fl. 179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.877 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.726244/2014-41 (...) Por sua vez, a DRJ, ao analisar a manifestação de inconformidade, entendeu por julgá-la improcedente, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 FASE PRÉ-OPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. SALDO NEGATIVO DE IRPJ DECORRENTE DAS RETENÇÕES NA FONTE. No caso de empresa em fase de pré-operação, o saldo líquido das receitas e despesas financeiras derivadas de ativos vinculados ao empreendimento em andamento, deve ser registrado no ativo diferido. Esse valor, se credor, deverá ser diminuído do total das despesas pré-operacionais incorridas no período de apuração. Eventual excesso de saldo credor deverá compor o lucro líquido do exercício em questão. RESULTADO PRÉ-OPERACIONAL. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. Classificam-se como pré-operacionais as despesas necessárias à organização e implantação da empresa ou à ampliação de seus empreendimentos. O tratamento contábil e fiscal atribuído a esses gastos não decorre exclusivamente do fato de terem ocorrido em fase pré-operacional, mas também em decorrência de sua vinculação material com o exercício de atividades da espécie (organização, implantação ou ampliação). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário objetivando a reforma do acórdão de piso e, para tanto, alegou: Fl. 180DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.877 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.726244/2014-41 “I - DOS FATOS - 1. Trata-se de processo administrativo instaurado para a verificação de Pedido de Restituição nº 23498.84350.150211.1.3.02-4133 e as Declarações de Compensação a ele vinculados (“PER/DCOMP”), por meio do qual foi requerida a restituição de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (“IRPJ”) relativo ao ano- calendário de 2007, no valor original de R$ 32.089,45. 2. O Saldo Negativo em questão equivale à diferença entre o imposto apurado no final do período (R$ 0,00) e aquele antecipado (R$ 32.089,45) por meio de retenções na fonte (“IRRF”). 3. A Autoridade Fiscal exarou Despacho Decisório (fls. 41-46) por meio do qual indeferiu o direito creditório por entender que a Recorrente não teria comprovado o oferecimento à tributação das receitas oneradas pelo IRRF. 4. Diante do indeferimento, a Recorrente apresentou a competente Manifestação de Inconformidade (fls. 51-87), alegando que, no ano-calendário de 2007, estava em fase pré-operacional, bem como demonstrando que o IRRF (código de receita 5273) onerou receitas financeiras no valor de R$ 153.425,34, decorrentes de ativos custodiados pelo Unibanco – União de Bancos (CNPJ 33.700.394/0001-40). 5. A DRJ (fls. 139-145) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por entender que: (i) a Recorrente não teria comprovado estar em fase pré operacional; e (ii) a Recorrente não teria comprovado o oferecimento à tributação das receitas financeiras no valor de R$ 153.425,34, oneradas pelo IRRF no valor de R$ 32.089,45 que compôs o Saldo Negativo de IRPJ. Abaixo, a ementa do julgado: (...) 6. Contudo, conforme será demonstrado no item seguinte, o acórdão recorrido deve ser reformado e o direito creditório reconhecido, pois a Recorrente demonstrou que, em 2007, estava em fase pré operacional, bem como comprovou o adequado tratamento dado às receitas no valor de R$ 153.425,34, oneradas pelo IRRF no valor de R$ 32.089,45, que compôs o Saldo Negativo de IRPJ II – DO DIREITO CREDITÓRIO 7. O IRRF no valor de R$ 32.089,45 e a receita de R$ 153.425,34 foram devidamente informados na Ficha 54 (Demonstrativo do Imposto de Renda, CSLL, e Contribuição Previdenciária Retidos na Fonte) da DIPJ (fl. 83): 8. Não há dúvida, portanto, sobre a demonstração do IRRF que compôs o Saldo Negativo de IRPJ e da receita por ele onerado. A DRJ, contudo, não reconheceu o crédito por entender que a Recorrente não teria comprovado estar em fase pré operacional, bem como que as receitas em questão deveriam ter sido oferecidas à tributação ao invés de diferidas: Fl. 181DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.877 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.726244/2014-41 “7. Ainda que admitíssemos, por amor ao debate, que a empresa encontrava-se em fase pré-operacional em 2007, e que as receitas e despesas financeiras apuradas em 2007 decorreram do esforço de organização e implantação da empresa, ainda assim as razões da autoridade fazendária prevaleceriam, em face de que o saldo líquido de receitas e despesas financeiras, diminuído das despesas pré-operacionais incorridas no período de apuração, deve compor o lucro líquido do exercício, não havendo que se falar em diferimento da tributação. É o que foi decidido pela Solução de Divergência nº 32, exarada pela COSIT da RFB em 21/07/2008, que ratificou as conclusões adotadas na Solução de Consulta nº 289/2007, proferida pela Disit/SRRF09 em 22/08/2007 . Transcrevo, a seguir, as ementas respectivas:” (fl. 144) 9. Os fundamentos utilizados pela DRJ são equivocados, pois: (i) a DIPJ apresentada pela Recorrente comprova sua fase pré operacional; e (ii) o saldo líquido da diferença entre receitas financeiras e despesas pode ser computado no ativo diferido. 10. Com efeito, a DIPJ apresentada pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 62-86) demonstra a inexistência de atividade, tendo a Recorrente registrado, no período, tão somente ativos vinculados a instituições financeiras, adiantamentos a fornecedores, impostos e contribuições a recuperar, ativos imobilizados e o ativo diferido formado pelas despesas pré operacionais (fl. 78): 11. Ora, se em 2006 o valor do ativo diferido formado pelas despesas pré operacionais era de R$ 691.040,82 e, em 2007, tal valor foi majorado para R$ 1.552.091,55, referido incremento demonstra a existência de atividades pré operacionais. Caso a Recorrente não estivesse em fase pré operacionail, o ativo diferido em questão deveria ter sido consumido e não aumentado, razão pela qual tem-se sua demonstração, diferentemente do que quer fazer crer a DRJ. 12. Além disso, os passivos registrados em sua DIPJ estão relacionados ao financiamento de sua atividade, conforme pode-se notar (fl. 79): Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-002.877 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.726244/2014-41 13. Vê-se que apenas em 2007 surgiu a existência de salários passíveis de pagamento provisionados, em valor baixo, o que indica o caráter pré operacional da atividade da Recorrente. 14. Assim, tem-se a prova de que, no ano-calendário de 2007, a Recorrente estava em atividade pré-operacional, sendo improcedente o fundamento utilizado pela DRJ para negar o direito creditório. 15. Com relação ao segundo óbice apontado pela DRJ, no sentido de que o saldo líquido da diferença entre receitas financeiras e despesas não poderia ser computado no ativo diferido, devendo a Recorrente ter oferecido à tributação as receitas de R$ 153.425,34 para que o Saldo Negativo de IRPJ pudesse ser aproveitado, também improcedente. 16. Isso porque, de acordo com o artigo 179, V, da Lei das S/A então em vigor, as despesas pré operacionais devem ser reconhecidas no ativo diferido, devendo ser deduzidas das receitas em função do princípio contábil da correlação entre despesas e receitas: “Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I - no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II - no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III - em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) V – no diferido: as despesas pré-operacionais e os gastos de reestruturação que contribuirão, efetivamente, para o aumento do resultado de mais de um exercício social e que não configurem tão-somente uma redução de custos ou acréscimo na eficiência operacional; (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007)” 17. É exatamente esse o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que admite o aproveitamento de IRRF que onerou receitas financeiras de contribuintes em atividades pré-operacionais: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE RETENÇÕES NA FONTE. RECEITAS FINANCEIRAS. FASE PRÉ- OPERACIONAL. A legislação fiscal permite o diferimento das receitas financeiras inferiores às despesas financeiras enquanto a pessoa jurídica se encontra em fase pré-operacional e não veda a dedução das correspondentes retenções na fonte para formação de saldo negativo de IRPJ no período.” (Acórdão CSRF nº 9101-004.482, julgado em 05/11/2019) Fl. 183DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-002.877 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.726244/2014-41 18. O CARF também reconhece essa possibilidade: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2003 FASE PRÉ OPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. SALDO NEGATIVO DE IRPJ DECORRENTE DAS RETENÇÕES NA FONTE. No caso de empresa em fase de pré-operação, o saldo líquido das receitas e despesas financeiras, quando derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento, deve ser registrado no ativo diferido. Esse valor, se credor, deverá ser diminuído do total das despesas pré-operacionais incorridas no período de apuração. Eventual excesso de saldo credor deverá compor o lucro líquido do exercício em questão. Na existência de saldo negativo de IRPJ decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas financeiras comprovadamente absorvidas pelas despesas pré-operacionais, esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB.” (Acórdão nº 1301-004.434, julgado em 10/06/2020) “Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 RECEITAS FINANCEIRAS FASE PRÉ´- OPERACIONAL As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício.” (Acórdão nº 1301- 001.679, julgado em 12/05/2015) 19. Portanto, improcedente o entendimento da DRJ de que o saldo líquido entre as receitas e despesas não poderia ser contabilizado como ativo diferido e, consequentemente, o IRRF não poderia compor o Saldo Negativo de IRPJ. 20. Por essa razão, tendo em vista a comprovação do direito creditório e a demonstração da inexistência de óbices a seu aproveitamento, a Recorrente pleiteia a reforma do acórdão recorrido. III – DO PEDIDO 21. Diante do exposto, o Recorrente requer seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, determinando-se a reforma do acórdão recorrido, reconhecendo-se e restituindo-se integralmente o direito creditório pleiteado e homologando-se as compensações efetuadas, como medida de Direito e Justiça. É o relatório Voto Conselheiro Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relator. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III, do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Fl. 184DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-002.877 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.726244/2014-41 O presente processo versa acerca de declarações de compensação transmitidas nas quais a Recorrente informou ser detentora de o direito creditório de saldo negativo do IRPJ originário do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre receitas financeiras (swap 1 ). Ocorre que o pleito foi indeferido em razão da conclusão adotada pela fiscalização de que todo o conjunto de receitas e despesas apurados pela Recorrente no curso do ano de 2007 (formado por receitas financeiras) deveria ter integrado a apuração da base de cálculo do IRPJ do período de apuração encerrado em 31/12/2007, ao contrário do que foi declarado na DIPJ ex: 2008. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, porém a DRJ entendeu não haver direito creditório algum a ser reconhecido. 1 O IRRF, código 5273, refere-se ao resultado positivo auferido na liquidação do contrato de swap, (art. 74 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 36 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997). Sujeita-se ao regime de tributação em que o tributo retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual à alíquota incidente de - vinte e dois e meio por cento, em aplicações com prazo de até 180 (cento e oitenta) dias; - vinte por cento, em aplicações com prazo de 181 (cento e oitenta e um) dias até 360 (trezentos e sessenta) dias; dezessete e meio por cento, em aplicações com prazo de 361 (trezentos e sessenta e um) dias até 720 (setecentos e vinte) dias; quinze por cento, em aplicações com prazo acima de 720 (setecentos e vinte) dias. O beneficiário é a pessoa jurídica que obtém o resultado positivo e o imposto é recolhido pela fonte pagadora até o terceiro dia útil subsequente ao decêndio de ocorrência dos fatos geradores. Fl. 185DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-002.877 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.726244/2014-41 Transcreve-se trecho do acórdão de piso que elucida a questão: “(...) 5. No caso em apreço, a Contribuinte, ora Reclamante, informou ser detentora de crédito de saldo negativo do IRPJ, ano-calendário 2007, no valor de R$ 32.089,45, demonstrado no PER/DCOMP Nº 23498.84350.150211.1.3.02-4133. Esta DCOMP e outras relacionadas foram direcionadas do processamento eletrônico para tratamento manual, a cargo da autoridade fiscal do Seort/DRF/Santos. A análise dos elementos presentes aos autos permite verificar que o indeferimento do pleito decorreu da conclusão adotada pela fiscalização de que todo o conjunto de receitas e despesas apurados pela contribuinte no curso do ano de 2007 (formado por receitas financeiras) deveria ter integrado a apuração da base de cálculo do IRPJ do período de apuração encerrado em 31/12/2007, ao contrário do que foi declarado pela contribuinte na DIPJ ex: 2008. 5.1. A Reclamante argumenta, em síntese, que a receita financeira foi submetida à tributação conforme demonstrada na DIPJ retificadora. 6. Não assiste razão à Reclamante por dois motivos. Primeiro, porque a contribuinte não fez prova de que se encontrava em período pré-operacional e nem de que as receitas e despesas auferidas em 2007 são especificamente vinculadas à organização e implantação da empresa. Segundo, porque o lucro do exercício em tela – por ser derivado de receitas financeiras – seria insuscetível de diferimento, mesmo que apurado em fase pré-operacional e inerente às atividades de organização e implantação, conforme orientam as normas contábeis e tributárias vigentes à época dos fatos geradores. 6.1. A comprovação do direito à restituição, para que sejam homologadas as declarações de compensação, requer que o crédito seja líquido e certo, conforme prevê o artigo 170 do CTN, abaixo transcrito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. [sublinhado pelo relator] 6.2. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deveria ter instruído sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldassem suas afirmações, com destaque para a escrituração contábil e os documentos de suporte, considerando o disposto nos art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, a seguir transcritos: (...) 6.3. No caso concreto, o único elemento referido pela Impugnante a dar suporte à alegação de que se encontrava em fase pré-operacional é o fato de não ter registrado receitas operacionais na DIPJ ex. 2008. Em que pese tal circunstância represente início de prova a favor da Reclamante, ela não é suficiente para certificar que a pessoa jurídica efetivamente encontrava-se no curso de período pré-operacional no ano de 2007 e, principalmente, que as receitas e despesas arroladas efetivamente decorreram do esforço de organização e implantação da empresa, o que justificaria sua ativação, bem como o eventual diferimento dos efeitos tributários. A ausência de elementos de prova em relação a esses tópicos desvanece, de plano, a tese da Contribuinte. Fl. 186DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-002.877 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.726244/2014-41 6.4. Note-se que são “pré-operacionais” as despesas necessárias à organização e implantação da empresa ou à ampliação de seus empreendimentos. Assim, o tratamento contábil e fiscal atribuído aos valores da espécie não decorre exclusivamente do fato de terem ocorrido em fase pré-operacional (como infere a interessada), mas também em decorrência da vinculação desses gastos ao efetivo exercício de atividades de organização e implantação. Importante ressaltar que a eventual apuração de ganhos em transações não operacionais, ainda que ocorridas durante a fase pré-operacional, deve sensibilizar o resultado do exercício, conforme examinado no item 9 do Parecer Normativo CST nº 110/19752, que transcrevo a seguir: 9. Resultado de transações extra-operacionais 9.1 O resultado - positivo ou negativo - de operações extra-operacionais, comuns durante a fase pré-operacional, devem ser apurados como transações eventuais em conformidade com o que determina o Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186/75, em seu art. 201. : ... os resultados líquidos de transações eventuais serão demonstrados pela escrituração da empresa, feita de acordo com as prescrições legais, destacadamente do lucro operacional. 9.1 A apuração deve ser feita no mesmo período-base de sua ocorrência e o respectivo resultado incluído na declaração de rendimentos do exercício financeiro correspondente ou, em caso de prejuízo, acumulável para posterior compensação com lucros. 7. Ainda que admitíssemos, por amor ao debate, que a empresa encontrava-se em fase pré-operacional em 2007, e que as receitas e despesas financeiras apuradas em 2007 decorreram do esforço de organização e implantação da empresa, ainda assim as razões da autoridade fazendária prevaleceriam, em face de que o saldo líquido de receitas e despesas financeiras, diminuído das despesas pré-operacionais incorridas no período de apuração, deve compor o lucro líquido do exercício, não havendo que se falar em diferimento da tributação. É o que foi decidido pela Solução de Divergência nº 32, exarada pela COSIT da RFB em 21/07/2008, que ratificou as conclusões adotadas na Solução de Consulta nº 289/2007, proferida pela Disit/SRRF09 em 22/08/2007 . Transcrevo, a seguir, as ementas respectivas: Solução de Divergência COSIT - nº32/2008 As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. Solução de Consulta SRRF/9ªRF/Disit - nº 289/2007 No caso de empresa em fase de pré-operação, o saldo líquido das receitas e despesas financeiras, quando derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento, deve ser registrado no ativo diferido. Esse valor, se credor, deverá ser diminuído do total das despesas pré- operacionais incorridas no período de apuração. Eventual excesso de saldo credor deverá compor o lucro líquido do exercício em questão. Na existência de saldo negativo de IRPJ decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas financeiras absorvidas pelas despesas pré-operacionais, esse valor poderá se objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB. Fl. 187DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-002.877 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.726244/2014-41 8. De todo o exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade para determinar o não reconhecimento do direito creditório em lide, nos termos do presente voto”. Por sua vez, a Recorrente, no recurso voluntário, alegou que a DIPJ apresentada comprova sua fase pré-operacional e que o saldo líquido da diferença entre receitas financeiras e despesas pode ser computado no ativo diferido. Dessa forma, a Recorrente não teria auferido lucro tributável no período. Todavia, entendo não assistir razão à Recorrente por ausência de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Explique-se. Incialmente, cumpre ressaltar que entendo que inexistir óbice à possibilidade de que os valores do IRRF incidentes sobre as receitas auferidas em fase pré-operacional possam vir a compor saldo negativo de IRPJ. De fato, a referida possibilidade tem sido acatada em atos normativos da Receita Federal, a exemplo dos seguintes: Solução de Consulta SRRF/7ªRF/Disit nº 132 de 30/10/2008: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ FASE PRÉ-OPERACIONAL - RECEITAS FINANCEIRAS Incide o imposto de renda na fonte, na forma da legislação aplicável, sobre as receitas financeiras auferidas por empresas em fase de pré-operação No caso de empresa em fase de pré-operação, o SALDO LÍQUIDO das receitas e DESPESAS FINANCEIRAS, quando derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento, deve ser registrado no ATIVO DIFERIDO. Esse valor, se credor, deverá ser diminuído do total das DESPESAS pré-operacionais incorridas no período de apuração e, eventual excesso de SALDO credor deverá compor o lucro LÍQUIDO do exercício em questão. Na existência de SALDO negativo de IRPJ, decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas FINANCEIRAS absorvidas pelas DESPESAS pré-operacionais, esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB. Sobre este ponto cita-se, ainda, a Solução de Divergência nº 32/2008 que possui a seguinte ementa: “No caso de empresa em fase de pré-operação, o saldo líquido das receitas e despesas financeiras, quando derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento, deve ser registrado no ativo diferido. Esse valor, se credor, deverá ser diminuído do total das despesas pré-operacionais incorridas no período de apuração. Eventual excesso de saldo credor deverá compor o lucro líquido do exercício em questão. Na existência de saldo negativo de IRPJ decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas financeiras absorvidas pelas despesas pré-operacionais, esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB.” Acerca da mencionada Solução de Divergência nº 32/2008, o voto condutor do Acórdão nº 9101-004.482, examinando situação fática semelhante à enfrentada nos presentes autos, em que o contribuinte teve, em ano-calendário situado em sua fase pré-operacional, despesas financeiras em valor superior ao das receitas financeiras, delimitou da seguinte forma a controvérsia: Fl. 188DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-002.877 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.726244/2014-41 “Ora, verifica-se pelo entendimento da própria Administração que não há razão para se concluir que o resultado financeiro positivo obtido a partir dos gastos classificáveis no ativo diferido por parte das pessoas jurídicas que apuram o respectivo imposto sobre a renda com base no lucro real deva ser prontamente tributado, visto que a legislação comercial, que consagra o princípio da competência, inclusive no que se refere ao ativo diferido e cuja observância é determinada pela legislação tributária, estabelece que devem ser registrados no ativo diferido, o saldo negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo, sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas, devendo haver tributação apenas quando o referido resultado ultrapassar o total das despesas pré-operacionais”. De fato, o entendimento em questão tem há muito, prevalecido no âmbito do CARF, como ilustram os julgados a seguir proferidos pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRPJ. Fase Pré-operacional. O saldo líquido negativo decorrente de despesas financeiras superiores às receitas financeiras incorridas durante a fase pré-operacional deve ser lançado a débito da conta de ativo diferido, para futuras amortizações. O IRRF incidente sobre tais receitas financeiras absorvidas pelas despesas financeiras durante a fase pré- operacional se constitui em dedução do imposto devido e poderá gerar imposto de renda a restituir ou compensar. (Acórdão nº 9101-001.052, de 28 de junho de 2011, Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior) COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE RETENÇÕES NA FONTE. RECEITAS FINANCEIRAS. FASE PRÉ-OPERACIONAL. A legislação fiscal permite o diferimento das receitas financeiras inferiores às despesas financeiras enquanto a pessoa jurídica se encontra em fase pré-operacional e não veda a dedução das correspondentes retenções na fonte para formação de saldo negativo de IRPJ no período. (Acórdão nº 9101-004.482, de 5 de novembro de 2019, Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa) COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE RETENÇÕES NA FONTE. RECEITAS FINANCEIRAS. FASE PRÉ-OPERACIONAL. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real podem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. Neste contexto, a legislação fiscal não veda a dedução, para formação de saldo negativo de IRPJ no período, das retenções na fonte correspondentes às receitas financeiras diferidas. (Acórdão nº 9101-005.745, de 2 de setembro de 2021, Relator Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto) A este respeito, acrescento a pertinente observação feita pela conselheira Edeli Pereira Bessa na Declaração de Voto integrante do Acórdão nº 9101-005.223: “Assim, também aqui, se a empresa estiver em atividade pré-operacional, ela deve ser compensada pelo desembolso da retenção sobre receitas financeiras que ainda não se sujeitam à tributação por conta do diferimento antes admitido. A incidência sobre estas receitas financeiras, porque auferidas em fase pré-operacional, fica diferida para o início das atividades da pessoa jurídica, quando a empresa não mais contará com as retenções na fonte para reduzir o IRPJ incidente sobre o resultado fiscal onerado com a amortização do ativo diferido em montante reduzido pelas receitas financeiras nele apropriados. Logo, a permissão de dedução das retenções neste contexto de atividade pré-operacional presta-se a desfazer os efeitos financeiros da retenção sofrida em período anterior ao de incidência sobre a receita auferida”. Fl. 189DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-002.877 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.726244/2014-41 Portanto, está claro que não há impedimento ao diferimento das receitas financeiras logradas durante a fase pré-operacional, que é plenamente justificável diante da transitoriedade e da excepcionalidade da referida fase. Tampouco veda a legislação tributária a utilização do imposto retido sobre tais receitas financeiras na apuração de saldo negativo de IRPJ. Neste cenário, as condições para que que as receitas financeiras possam deixar de ser tributadas no ano calendário em que foram auferidas são as seguintes: (i) devem estar relacionadas ao empreendimento em fase pré-operacional (períodos de desenvolvimento, construção e implantação de projetos), (ii) devem estar contabilizadas em conta específica, como redutoras das despesas pré-operacionais do ativo diferido e, (iii) o saldo líquido credor será diminuído do total de despesas pré-operacionais e eventual excesso de saldo credor deverá compor o lucro líquido do período. Porém, no caso específico em apreço, os elementos de prova não permitem o esclarecimento de que a Recorrente, de fato, encontrava-se em fase pré-operacional, nem de que os requisitos acima expostos foram observados, em que pese o acórdão recorrido ter sido explícito quanto à necessidade de tais documentos. Senão, veja-se: 6.3. No caso concreto, o único elemento referido pela Impugnante a dar suporte à alegação de que se encontrava em fase pré-operacional é o fato de não ter registrado receitas operacionais na DIPJ ex. 2008. Em que pese tal circunstância represente início de prova a favor da Reclamante, ela não é suficiente para certificar que a pessoa jurídica efetivamente encontrava-se no curso de período pré-operacional no ano de 2007 e, principalmente, que as receitas e despesas arroladas efetivamente decorreram do esforço de organização e implantação da empresa, o que justificaria sua ativação, bem como o eventual diferimento dos efeitos tributários. A ausência de elementos de prova em relação a esses tópicos desvanece, de plano, a tese da Contribuinte. 6.4. Note-se que são “pré-operacionais” as despesas necessárias à organização e implantação da empresa ou à ampliação de seus empreendimentos1. Assim, o tratamento contábil e fiscal atribuído aos valores da espécie não decorre exclusivamente do fato de terem ocorrido em fase pré-operacional (como infere a interessada), mas também em decorrência da vinculação desses gastos ao efetivo exercício de atividades de organização e implantação. Em verdade, os elementos de prova constantes nos autos não permitem a comprovação em questão. Destarte, a Recorrente deveria ter dialogado com a decisão recorrida e apresentado suas escriturações fiscal e contábil demonstrando que as receitas correspondentes foram lançadas no Ativo Diferido em contas redutoras das Despesas Financeiras e que não excediam estas ou as demais despesas pré-operacionais. Este tribunal tem decidido neste preciso sentido: Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1003-002.877 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.726244/2014-41 (...) RECEITAS FINANCEIRAS. FASE PRÉ-OPERACIONAL. DIFERIMENTO. CONDIÇÕES. Receitas financeiras auferidas em fase pré-operacional podem deixar de ser tributadas naquele período, desde que relacionadas ao empreendimento em fase pré- operacional (períodos de desenvolvimento, construção e implantação de projetos); e contabilizadas em conta específica, como redutoras das despesas pré-operacionais do ativo diferido, resultando saldo líquido devedor. FASE PRÉ-OPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS INFERIORES ÀS DESPESAS PRÉ-OPERACIONAIS. RETENÇÕES SOBRE AS RECEITAS FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na existência de saldo negativo de IRPJ, decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas financeiras absorvidas pelas despesas pré-operacionais, esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPOSIÇÃO POR RETENÇÕES. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO DAS RECEITAS NA BASE DE CALCULO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não comprovado que as receitas financeiras sobre as quais incidiram as retenções de IRRF compuseram a base de cálculo do IRPJ, não pode ser reconhecido saldo negativo do referido tributo composto pelas referidas retenções, devendo-se não homologar a compensação realizada. (Acórdão nº 1302-005.003, de 11 de novembro de 2020, Relator Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo) Frise-se ser ônus da Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Em suma, para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do crédito pleiteado, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). De fato, a Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que comprovem o direito ao crédito alegado. A obrigatoriedade de apresentação das provas pela Recorrente está arrimada no Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Importante ressaltar que, mesmo em grau de recurso voluntário a jurisprudência do CARF tem aceitado a juntada de documentos posteriormente à manifestação de inconformidade, em homenagem ao princípio da verdade material do formalismo moderado, desde que esclareça pontos fundamentais na ação. Contudo, a Recorrente não juntou documentos em sede recursal e os constantes no processo foram devidamente analisados pela DRJ. Ressalte-se que todos os documentos constantes nos autos documentos foram analisados em sede de primeira instância de julgamento e regularmente examinados com minudência, conforme a legislação de regência da matéria. Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1003-002.877 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10845.726244/2014-41 Assim sendo, por ausência de comprovação hábil e idônea, entendo que não está comprovado o saldo negativo objeto de compensação por parte da Recorrente. Ante o exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso sob exame. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11474.000091/2007-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2007
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91.
SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72.
MULTA DE MORA.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º do ou 173, I, ambos do CTN, a depender da antecipação ou de pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido
expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72.
MULTA DE MORA Recálculo
da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 2403-000.668
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por maioria de
votos em reconhecer a decadência até a competência 02/2002, inclusive, com base nos critérios estabelecidos no art.150, § 4º, CTN. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Votou pelas conclusões, o conselheiro Ivacir Julio de Souza. No mérito: dar provimento parcial promovendo o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72. MULTA DE MORA. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º do ou 173, I, ambos do CTN, a depender da antecipação ou de pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. MULTA DE MORA Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por maioria de votos em reconhecer a decadência até a competência 02/2002, inclusive, com base nos critérios estabelecidos no art.150, § 4º, CTN. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Votou pelas conclusões, o conselheiro Ivacir Julio de Souza. No mérito: dar provimento parcial promovendo o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 Ivacir Julio de Souza – Presidente Substituto Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Ivacir Julio de Souza. Fl. 174DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 11474.000091/200716 Acórdão n.º 240300.668 S2C4T3 Fl. 168 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) n° 37.032.6113, relativa às contribuições devidas à Seguridade Social, pelo contribuinte acima identificado, correspondentes à cota empresarial, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas às outras entidades e fundos (Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE). Consoante o Relatório Fiscal, de fls. 71/72, os fatos geradores das contribuições lançadas nesta notificação são as remunerações pagas pela empresa a segurados empregados e contribuintes individuais (sócios), no período de 01/1999 a 01/2007. A fiscalização também informa que os valores constantes deste lançamento foram confessados pela empresa em Guias de Recolhimentos ao Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). O valor do crédito, consolidado em 28/03/2007, resultou no montante de R$ 100.602,34 (cem mil, seiscentos e dois reais e trinta e quatro centavos). DA IMPUGNAÇÃO A notificada apresentou impugnação tempestiva, de fls. 81/87, juntamente com os documentos de fls. 88/99, requerendo o cancelamento da presente notificação por entender que os débitos relativos às competências anteriores a 01/2002 estão atingidos pela decadência de cinco anos, nos termos do art. 150, § 4° e art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN), não se aplicando a decadência de dez anos prevista na Lei Ordinária n° 8.212/91, em face do sistema constitucional tributário, especialmente do art. 146, III, "b", da Constituição Federal. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar aos argumentos da impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis – SC DRJ/FNS, emitiu o Acórdão n ° 07 0010119, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fls. 112/119), com os mesmos argumentos de sua defesa. É o relatório. Fl. 175DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 110 e 112, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais Fl. 176DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 11474.000091/200716 Acórdão n.º 240300.668 S2C4T3 Fl. 169 5 órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Tratase de NFLD lavrada em razão do não pagamento das contribuições devidas relativamente aos valores pagos ou creditados a título de remuneração de segurados empregados e retiradas de prólabores. O presente caso importa a aplicação do prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN, pois, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 71/72, a recorrente foi autuada por recolher valores divergentes dos devidos. Logo, houve o pagamento parcial. O período de apuração compreendeu a competência 01/1999 a 01/2007. A notificação ocorreu em 28/03/2007. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período compreendido entre: 01/1999 a 02/2002 (nos termos do art. 150, § 4º do CTN), conforme explicado. DO MÉRITO Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, relativa às contribuições devidas à Seguridade Social, pelo recorrente, correspondentes à cota empresarial, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas às outras entidades e fundos (Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE). No item 5 do Relatório Fiscal de fls. 71/72, o fiscal informa que a recorrente confessou através de informações constantes na GFIP. Ademais, nas suas impugnações, a recorrente não questiona a ausência do pagamento das contribuições sociais, limitandose a impugnar, exclusivamente, a decadência. Logo, presumemse aceitas as infrações que lhe foram atribuídas pelo Auto de Infração objeto da lide, que não foram abrangidas pela decadência, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos Fl. 177DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, nas preliminares, reconheço a decadência parcial até a competência 02/2002, inclusive, com base nos critérios estabelecidos no art.150, § 4º, CTN. No mérito, dou provimento parcial, para que se recalcule a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 178DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 10480.003108/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1802-000.019
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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EDITADO EM: Si -TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGA MENTO Processõ u° 10480.003108/2003-11 Recurso n" 00000() Resolução n" 1802-00M19 — / 2" Turma Especial Data 25 de janeiro de 2011 Assunto Diligencia Recorrente 14NAMBRAS CORRETORA DE CÁMBTO TITULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. Recorrida 8' Turma/DRJ - Sao Paulo/SP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Edwal Casoni d 4-11- ema des Junior — Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: 'Ester Marques Lins de Sousa, Joao Francisco Bianco, josé de Oliveira FciTaz Corrêa, Edwal Casoni de Paula .Fernandes Junior, Nelso Kichel e Andre Almeida Blanco. Processo n' 10480,003108/2003-11 S1-1E02 Reso1u0o ri 0 1802-00.019 H 2 Relatório Cuida-se dc Recurs() Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 8a Turma da DRJ de Sao Paulo/SP. Veri fica-se que a recorrente em 31.03.2003 apresentou Declaração de Compensação (Hs. 01 02), pretendendo a compensação de débitos de IRRI/Estimativa (cód. receita 2319), CSI A lEstimativa (cód. receita 2469), PIS (cod. 4574) e Cofins (cod.. 7987) com parcela de pretensos créditos de Saldo Negativo dc Imposto de Renda Pessoa Jurídica referentes aos anos calendário 2000 e 2001, e de Contribuição . Social sobre o Lucro Liquido (ano calendário 2001), cujos montantes seriam de R$ 56,583,60, RS 199,785,99 e R$ 46.264,26, respectivamente, Depreende-se dos auto que mediante o Despacho Decisório de folhas 316 a 321, autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito creditório e, em decorrência da homologação parcial das compensações declaradas pelo contribuinte, determinou a cobrança dos débitos remanescentes. Para tal entendimento, registrou-se no Despacho Decisório em questão que IRPJ referente ao ano calendário 2000, após as deduções comprovadas de Imposto dc Renda Retido na Fonte, resultou em R$ 38.477,31 a pagar, ou seja, não foi apurado Saldo Negativo dc 1101 e quanto ao ano calendário 2001, não foram confirmados os recolhimentos de estimativas, sendo que o valor do Saldo Negativo de 1RPJ apurado seria de RI; 107.854,16, depois de efetuadas as deduções comprovadas de 1RRF. No tocante as bases negativas de CSLL, a autoridade fiscal registrou que após confirmar os recolhimentos de estimativas, reconheceu o pleiteado Saldo Negativo de R$ 46.264,26, concluindo-se em vista da confirmação de direito creditório inferior ao pretendido pelo contribuinte, relativamente aos .1.R.PJ dos AC 2000 e 2001, por homologar-se parcialmente DCOMP de folhas 01 (em papel), hem assim o PER/DCOMP 032369,72405.180803;1.7.03- 0696, e a compensação declarada no PER/DCOMP 38886,98262,140105..1.7.02-0600 não foi homologada, haja vista a insuficiência do credito, considerando-se nil() declaradas as compensações pretendidas nos PER/DC:OMP 0552.50820,060107,1,7,02-7365 e 25615.05380..250803..1_3.03-0309, pois os seus débitos já se encontravam no PER/DCOMP 032369..72405,180803..1,7.03-0696, Por fim, consignou-se pendentes os débitos relacionados à folha 319, que deveriam ser objeto de cobrança (Carta de Cobrança n° 33/2008, fls. 323). Devidamente notificada, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (Hs. 331 — 333), alegando em síntese, estar correta a apuração dos Saldos Negativos de 110.1 referentes aos anos calendário 2000 e 2001 contidas nas respectivas D11 3 .1, acostando os documentos de folhas 345 a 446, que segundo seu entendimento comprovariam os valores declarados a titulo de IRR..F e de estimativa que compuseram os referidos créditos de saldo negativo. Process() ri" 10480.003108/2003-11 SI -I E02 Resoluçio rt." 1802-00.019 H 3 A 8" Tumm da DIU de São Paulo, nos termos do acórdão e voto de folhas 455 a 459, indeferiu a. solicitação, fundamentando não comprovação do efetivo saldo negativo, porquanto na apuração do IRPJ referente ao ano calendário 2000, a autoridade fiscal teria constatado que apenas as retenções de 1RRF no valor de R$ 178.566,70, foram comprovadas, consoante documentos de folhas 125 a 154 e sendo assim, não se confirmou o pretendido direito creditorio de R$ 56.583,61, como constara na DIP:I/2001 do contribuinte, ficando evidenciado que havia saldo a pagar no montante de R$ 38,477,31. No que toca ao argumento da recorrente, salientou a decisão recorrida que os documentos de folhas 345 a 395, que comprovariam o reclamado crédito, segundo argumento da recorrente, na realidade não teria esse condão, .já que a "Planilha de cálculo do Imposto de Renda de 2000 (does. 01 e 02 - fls. 345 — 359)' apenas detalharia a apuraçdo do 1RPJ do ano calendário 2000 já contida na MPJ/2001 analisada pela autoridade fiscal, razão pela qual, considerando que a apuração do imposto não foi questionada pelo Fisco, mas tão somente a efetiva retenção do 1RRF indicada pelo contribuinte, a referida. planilha não seria relevante para comprovação do crédito em tela. Quanto aos documentos 03 a 14 da Manifestação de Inconformidade (fi s.. 360 - 394), referidos como "Demonstrativo das fontes pagadoras", entendeu a decisão recorrida que seriam na verdade reproduções do Livro Razão da recorrente, em tese, Uteis apenas para demonstrar a escrituração de rendimentos e das respectivas retenções de IRRF, mas sem condão de comprovar a efetividade de tais retenções.. Seguindo o cotejo da decisão recorrida, observa-se que no tocante ao documento denominado "Razão contábil do grupo 1..8..8,45 (Impostos retidos na Fonte)" - doc.. 1 5 (ft. 395), entendeu-se que se tratava de uma planilha que relaciona pretensos valores de Rendimentos e de retenções deIRRF, igualmente desacompanhada de qualquer documentação comprobatoria, portanto, sem efeitos para os tins de comprovar-se o crédito relativamente ao 1RPJ do ano calendário de 2000.. No que se refere ao IRPJ do ano calendário 2001 (does. 16 a 31 fis. 396 - 446), a decisão recorrida reproduziu as mesmas ressalvas, porquanto, ao seu sentir, não foram acostados os comprovantes dos rendimentos que em.basariam a pretensão da recorrente, no que tange ao IRRF, observando ainda, que pela planilha acostada à folha 410 ("doe, 18"), a recorrente pretendeu comprovar a extinção por compensação dos valores de Estimativa de IRRJ que foram desconsiderados pela autoridade fiscal , mas não foram apresentados maiores detalhes quanto à referida compensação, não havendo identificação precisa, por exemplo, da origem dos supostos créditos que teriam sido utilizados na extinção das estimativas. No mais, registrou-se que a planilha apresentada faz mera alusão a "IR Rem, De Capital 1999", "Antec, Apl. Financ. 1999" e "LR.. Estimativa 2000", mas não estava acompanhada de outras informações au documentos que permitissem identificar e comprovar natureza dos créditos pretensamente utilizados na compensação, sendo assim, ainda que admitisse que a recorrente mencionou impropriamente o "LR. Estimativa 2000", quando na verdade quisesse referir-se a Saldo Negativo de 1RPJ do ano calendário 2000, haveria dc se concluir pela improcedência de seu pleito, porquanto não estaria comprovada a existência de crédito naquele período, carecendo de comprovação o pretendido Saldo Negativo de IRPj - relativo ao ano calendário 2001.. Devidamente notificada (il. 462), a contribuinte interpôs Recurso Volu.nkirio (fis. 476 --- 472), aduzindo, sinteticamente, que em vista do principio da verdade materia ue Process() n" 10480.003108/2003-11 St- I. E02 Result] (::io n.° I 802 • 00.019 l I . 4 informa o process° administrativo fiscal, as provas por ela produzidas, ainda que ausente a. totalidade dos in -formes comprobatórios das retenções, militariam em seu favor, Argumentou ainda, que em virtude do mesmo principio da verdade material, era dever do Fisco demonstrar que as retenções não aconteceram de fato Suscitou outros tantos substanciosos argumentos, insistiu na comprovação do crédito pelos documentos juntados, refutou a utilização da Taxa Sae e pugnou pelo provimento do seu recurs() É o relatório,. Process() n'' I 0480.003 I 08/200341 SI-i E02 Resolu0o n.." 1802-00„019 Fl 5 Voto O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A questão versada nos autos é consistente na valoração das provas produzidas pela recorrente no mister de comprovar a existência do crédito indicado para compensação. Com eleito, a celeuma reside nos anos calendatio 2000 e 2001, nos quais, ao sentir da autoridade administrativa não haveria comprovação da integralidade das retenções na finite, originária.s do suposto crédito. Indiscutivelmente o artigo 4 70 do Código Tributário Nacional condiciona o procedimento compensatório à demonstração dos requisitos de certeza e liquidez do credito contrario ao Fisco, assim fazendo, impõe ao sujeito passivo que detenha o crédito a obrigação de demonstrar os tais requisitos . Tenho para mim, que o principio da verdade material invocado pela recorrente, conjugado corn a disposição contida no Código Tributário Nacional e na legislação de regência, não retira tal obrigação do contribuinte e a repassa ao Fisco como sugerido na peça recursal, ao contrario disso, permite que o contribuinte e o próprio Fisco exerçam seus direito de provar e auditor, respectivamente, da maneira mais ampla possível, estando a autoridade encarregada do julgamento, livre para perquirir todos os meios possíveis a .fim de vislumbrar a existência do crédito. Tratássemos aqui de uma autuação se verificaria a total pertinência do raciocínio desenvolvido pela recorrente, porquanto competiria ao Fisco demonstrar toda a materialidade tributável, como nos ocupamos de compensação tributária, cuja homologação está adstrita a comprovação da certeza e liquidez dos créditos, entendo que essa obrigação preponderantemente do contribuinte. Contudo, a par dessas considerações abstratas, e como já adiantado acima, o caso concreto comporta algumas peculiaridades cingindo-se à mera .valoração das provas produzidas pela recorrente, já que esta trouxe aos - autos documentação que entende seja capaz de demonstrar a efetiva retenção. Observo nessa ordem das ideias, que o panorama de que dispunha a decisão recorrida, dava conta de quo a contribuinte fez juntar aos autos copias de sua escrituração fiscal (lb. 345 --- 395), contendo o registro das indigitas retenções, detalhamento das fontes pagadoras e demais escriturações típicas, ocorrendo que em cotejo valorativo de tais elementos de escrituração e ausentes os informes comprobatórios das retenções pelas fontes pagadoras, as considerou insuficientes para demonstrar a existência do credito. E nesse ponto em particular, tem razão a decisão recorrida já que todos os documentos trazidos pela recorrente ate aquela oportunidade, e não se estava a discutir a. idoneidade deles, não permitiam aferir a certeza das retenções pelas fontes pagadoras. Processo 11" 0480.003108/2003-11 S1-1 E02 Reso n/' 1802-00,019 FL. 6 Situação absolutamente diversa encontra-se agora quando da análise desse Recurso Voluntário, porquanto a recorrente, ainda que posterionuente, trouxe aos autos os documentos .que numa primeira análise demonstram as efetivas retenções . Os ditos documentos encartados também com. Os memoriais apresentados em sessão de julgamento, devem ser .acatados à luz do Principio da Verdade Material, que como dito alhures, permitem ao julgador perquirir a real existência do credito tributário . Assim sendo e no intuito de resguardar a isonomia processual bem como evitar qualquer pecha de nulidade, tendo ern vista a juntada dos comprovantes de retenções pelas fontes pagadoras, de rigor que a autoridade administrativa se manifeste acerca da efetividade das retenções apresentadas pela contribuinte, converto o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa se manifeste e após sua .manifestayao notifique o contribuinte para sua manifestação. Edwal Caso i deVirLir- nandes Junior
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003263/2008-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. AJUDA DE CUSTO. ABONO EMERGENCIAL. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. MULTA DE MORA Não ficam excluídas do salário de contribuição as verbas pagas a título de Ajuda de Custo, em forma contrária à previsão legal.
Deve incidir na base de cálculo da contribuição previdenciária o Abono Emergencial se for pago em várias parcelas e sem critérios definidos na Convenção Coletiva de Trabalho.
Legalidade da Taxa SELIC nos termos da Súmula n. 3 do CARF.
Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.711
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. O conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari votou pelas conclusões.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1887; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 145 1 144 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003263/200864 Recurso nº 200.000 Voluntário Acórdão nº 240300.711 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente VIP TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. AJUDA DE CUSTO. ABONO EMERGENCIAL. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. MULTA DE MORA Não ficam excluídas do saláriodecontribuição as verbas pagas a título de Ajuda de Custo, em forma contrária à previsão legal. Deve incidir na base de cálculo da contribuição previdenciária o Abono Emergencial se for pago em várias parcelas e sem critérios definidos na Convenção Coletiva de Trabalho. Legalidade da Taxa SELIC nos termos da Súmula n. 3 do CARF. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. O conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari votou pelas conclusões. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Fl. 144DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram do rpesente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Savio Cavalcante Lobato. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.003263/200864 Acórdão n.º 240300.711 S2C4T3 Fl. 146 3 Relatório 1. Tratase de crédito lançado pela Fiscalização contra a empresa acima identificada (DEBCAD n° 37.166.5094) que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 37/48, referese às contribuições devidas a Outras Entidades ("Terceiros" conveniados, a saber, destinadas ao Salário Educação, INCRA, SEST/SENAT e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, período de 01/2004 a 12/2004 e 13°/2004, relativo aos estabelecimentos matriz e filiais (estas com CNPJ finais: 000272; 000353; 000415; 000515 e 000604), com valor consolidado de R$ 133.122,71 (cento e trinta e três mil, cento e vinte e dois reais e setenta e um centavos) em 22/07/2008. 1.1. Consta do relatório fiscal, fls. 37/48 que foram apurados débitos: a) relativos a diferenças sobre a remuneração que constitui salário de contribuição dos empregados constantes das folhas de pagamento (constatadas divergências entre valores de salário de contribuição das folhas de pagamento e os informados nas GFIP' s, período 01/2004 a 12/2004, inclusive 13° salário); b) sobre a remuneração paga aos empregados da filial com CNPJ final 000272 a título de "abono emergencial"; c) sobre a remuneração paga aos empregados da filial com CNPJ final 000515 sob a rubrica "ajuda de custo" em desacordo com a legislação previdenciária e definição trabalhista. 1.2. Os valores considerados como salário de contribuição e, portanto, base de cálculo das contribuições previdenciárias e a destinadas aos "terceiros", objeto deste, estão demonstradas na planilha de fls. 49/51 (diferenças: batimento FP x GFIP); planilha de fls. 40 (abono emergencial) e fls. 42 (ajuda de custo). 2. O Contribuinte apresentou defesa tempestiva, razões às fls 72/82, acompanhada dos documentos de fls. 83/102, alegando, em síntese, os seguintes aspectos: 2.1. que inexiste débitos oriundos de ausência de informação em GFIP. Esclarece que, de fato, em algumas oportunidades, ao constatar incorreções declarou novamente uma GFIP da mesma competência em complementação à primeira que havia sido enviada, mas que jamais foi informado que a primeira era deletada, razão pela qual não pode sofrer penalidade, requerendo a desconstituição da autuação; 2.2. quanto ao abono emergencial e à ajuda de custos, defende que estes não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária; discorre sobre o Decreto 4840/2003, entende que em consequência houve reconhecimento de que no inciso X do § 1° do art. 2° da CLT o vale transporte não configura remuneração; argumenta que o vale transporte pago em dinheiro não configura remuneração e que o legislador deixou de considerálo como salário ou remuneração, assim como as verbas correspondentes a diárias, ajuda de custo, abono, etc; 2.3. que os juros e a multa exigidos são abusivos; ressalta que a cobrança cumulativa destes ofende o § 30 do art. 192 da Constituição Federal; que tal bis in idem é inconstitucional; acrescenta jurisprudência sobre o tema e também argumenta que o percentual da multa, "na maioria das vezes, na alíquota de 30%" caracterizase como confiscatório; 2.4. ainda quanto aos juros, argumenta com fundamento no art. 192, § 3° da Constituição Federal que o percentual não pode ser superior a 1% e que a taxa SELIC é Fl. 146DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 inaplicável para fins tributários, discorrendo sobre sua natureza jurídica, origem, destinação (remuneratória de investimento de capitais), composição (taxa de juros reais e taxa de inflação no período considerado); acrescenta que em consonância com o art. 161, § 1° do CTN lei ordinária não pode fixar juros superiores a 1%, colaciona jurisprudência sobre o tema, concluindo que a taxa SELIC viola os princípios constitucionais que enumera. 3. Pelo exposto, a Impugnante requer seja recebida sua impugnação e o auto de infração seja desconstituído e julgado improcedente. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar aos argumentos da impugnante, a 14ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo I – SP DRJ/SPOI, emitiu o Acórdão n° 1621.429, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário de fls. 120/129, com os mesmos fundamentos da defesa. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.003263/200864 Acórdão n.º 240300.711 S2C4T3 Fl. 147 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 117 e 120, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO O auto de infração lançado contra a empresa teve por base o fato de a empresa ter deixado de recolher a contribuição previdenciária devida aos Terceiros Conveniados, no período compreendido entre 01/2004 a 12/2004, inclusive o 13o, relativa a matriz e filiais (CNPJ finais: 000272; 000353; 000415; 000515 e 000604). Em sua defesa a recorrente sustenta que, verbis: “O recorrente sempre declarou a GFIP e em algumas oportunidades declarava novamente uma GFIP da mesma competência como complementacão da primeira que fora enviada. Porém, o que a Impuqnante desconhecia era que a primeira GFIP era completamente deletada do sistema da Impugnante quando isto ocorria, permanecendo apenas a última GFIP enviada. Este fato NÃO foi jamais comunicado à recorrente e sequer havia qualquer comunicado a respeito disto no site ou através de correspondência, não podendo a Impus:plante sofrer penalidade por omissão da Impuqnada.” Bem como frisaram, o fiscal autuante nas fls. 38/39, e a DRJ nas fls. 109/110 do r. acórdão, tais normas passaram a vigorar a partir de 01/12/2005, com o advento da Instrução Normativa MPS/SRP 09/2005 (Manual da GFIP) e da Circular Caixa 370/2005. Conforme Anexo I de fls. 49/51 dos autos, as GFIPs retificadoras, em sua maioria, foram apresentadas no final de 2007 e início de 2008, ou seja, mais de 2 anos após a vigência da supracitada legislação. Logo, no que tange ao desconhecimento alegado pela recorrente, o seu argumento não merece ser acolhido, pelas razões expostas. DO ABONO EMERGENCIAL Sustenta a recorrente que não incluiu o abono emergencial na base de cálculo da contribuição previdenciária por expressa determinação legal. Por outro lado, assim dispõe o art. 28, § 9o, “e”, 7 da Lei n. 8.212/91, verbis: Fl. 148DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (grifo nosso) O Colendo Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que para ser excluído da base de cálculo da contribuição previdenciária o abono deve ser concedido da seguinte forma: (i) Em parcela única (sem a habitualidade); (ii) Haja previsão da Convenção Coletiva de Trabalho – CCT. Nesse sentido, segue a atual jurisprudência, verbis: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ABONO ÚNICO. PREVISÃO NA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. EVENTUALIDADE DA VERBA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. PRINCÍPIO DA RESERVA DE PLENÁRIO. INEXISTÊNCIA. EXAME DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Jurisprudência do STJ, firmada no âmbito das duas Turmas que compõem a Primeira Seção, no sentido de que o abono recebido em parcela única (sem habitualidade), previsto em convenção coletiva de trabalho, não integra a base de cálculo do salário contribuição. 2. Precedentes: REsp 434.471/MG, DJ de 14/2/2005, REsp 819.552/BA, DJ de 4/2/2009, REsp 1.125.381/SP, DJ de 29/4/2010, REsp 1.062.787/RJ, DJ de 31/8/2010, REsp 1.155.095/RS, DJ de 21/6/2010. 3. Frisese que a decisão agravada apenas interpretou a legislação infraconstitucional que rege a matéria controvertida dos autos (arts. 28, § 9º, da Lei 8.212/91 e 457, § 1º, da CLT), adotandose, de forma conclusiva, a orientação jurisprudencial deste Superior Tribunal. 4. Evidenciado que o entendimento assumido não implicou na declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos referenciados, pelo que é despicienda a observância da cláusula de reversa de plenário. No particular, pronunciamento do eminente Min. Teori Albino Zavascki, nos EDcls no REsp 819.552/BA, DJ de 26/8/2009: "(b) não há falar em instauração Fl. 149DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.003263/200864 Acórdão n.º 240300.711 S2C4T3 Fl. 148 7 de incidente de inconstitucionalidade previsto no art. 97 da Constituição Federal, já que não se negou a constitucionalidade do art. 457, § 1º, da CLT, tampouco se afastou sua aplicação, em circunstâncias que demandariam juízo de inconstitucionalidade (súmula vinculante 10/STF). Em verdade, o que ocorreu foi a aplicação da legislação específica de regência (art. 28, § 9º, 'e', item 7, da Lei 8.212/91 e 15 da Lei 8.036/90). 5. É vedado a esta Corte, na via eleita, o exame de matéria constitucional, ainda que para fins de prequestionamento. Precedentes. 6. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1235356/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 25/03/2011) (grifo nosso) Da análise dos autos, verificase que a recorrente, ao pagar as verbas intituladas “Abono Emergencial”, não atendeu aos critérios estabelecidos pelo STJ. Logo, deve ser mantido o auto de infração no que tange a obrigação de incluílo na base de cálculo da contribuição previdenciária. DA AJUDA DE CUSTO Sustenta a recorrente que não incluiu as verbas pagas a título de “Ajuda de Custo”, por expressa previsão legal. Ocorre que, para o valor pago a título de Ajuda de Custo ser excluído da base de cálculo da contribuição previdenciária, deve serguir expressamente a determinação contida no art. 28, § 9o, “g” da Lei n. 8.212/91, que assim disciplina, verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (grifo nosso) Logo, da análise dos autos, verificase que os pagamentos ocorreram de forma constante, dissoando da previsão legal. Em outras palavras, a simples adoção da nomenclatura “Ajuda de Custo”, não dá ensejo a sua exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária. Por tais razões, no que tange à Ajuda de Custo, deve o lançmento ser julgado procedente. MULTA DE MORA Fl. 150DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DOS JUROS DE MORA Os juros de mora estão perfeitamente detalhados nas fls. 7/8 dos autos, verbis: 602 ACRESCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competências : 01/2004 a 13/2004 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redacao dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores ate a MP n. 1.5238, de 28.05.97, e reedicoes, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organizacao do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58, I, “a”, “b”, “c”, paragrafos 1., 4. e 5. e art. 61, paragrafo unico; Regulamento da Previdencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, “a”, “b” e "c”, paragrafos 1., 4. e 7. e art. 242, paragrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINARIO, MEDIANTE A APLICACAO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MES SUBSEQUENTE AO DA COMPETENCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTACAO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA Fl. 151DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.003263/200864 Acórdão n.º 240300.711 S2C4T3 Fl. 149 9 REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDACAO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERIODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MES DO PAGAMENTO. Portanto, por expressa previsão legal, não há como prosperar a alegação da recorrente. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A recorrente entende como ilegal a incidência de algum índice de atualização monetária que não seja 1% ao mês. Ocorre que, essa matéria já se encontra prevista na Súmula n. 3 do CARF, assim como, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, os julgamentos dos conselheiros estão vinculados aos acórdãos do STF e STJ, quando prolatados nos termos dos arts. 543B e 543C do CPC, verbis: Súmula n. 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Art. 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nos termos do art. 543C do CPC, já se manifestou o C. STJ, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC Fl. 152DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2009, DJe 01/07/2009) (grifo nosso) Não obstante, essa matéria consta na Súmula n. 3 do CARF, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa SELIC em matéria tributária. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto pelo provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 153DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 11011.000628/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 30/04/2008
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Merecem ser conhecidos, porém não providos os embargos Declaratórios interpostos, uma vez que não existe omissão no acórdão embargado. Os embargos de declaração não estão previstos na legislação processual para que o órgão julgador reexamine os pontos do litígio sob outros enfoques ou maneiras, e sim para que sejam trazidos a tona aqueles pontos omitidos, no sentido de bem esclarecer a decisão tomada.
Numero da decisão: 3101-001.075
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento aos embargos de declaração.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 30/04/2008 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Merecem ser conhecidos, porém não providos os embargos declaratórios interpostos, uma vez que não existe omissão no acórdão embargado. Os embargos de declaração não estão previstos na legislação processual para que o órgão julgador reexamine os pontos do litígio sob outros enfoques ou maneiras, e sim para que sejam trazidos a tona aqueles pontos omitidos, no sentido de bem esclarecer a decisão tomada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento aos embargos de declaração. Tarásio Campelo Borges Presidente Substituto Corintho Oliveira Machado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Reportome ao relato de fl. 179, por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, e adotado quando do julgamento por este Colegiado, que culminou na seguinte ementa sufragada pela unanimidade de meus pares: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 30/04/2008 Ementa: RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. COMPETÊNCIA. DESCONHECIMENTO. O pedido de relevação de penalidade não pode ser conhecido, pois não há, na atualidade, qualquer previsão legal que dê competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para apreciálo. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Cumpre afastar a preliminar de nulidade do auto de infração, porquanto não houve erro no enquadramento legal em que se escorou a imputação fiscal inciso I do artigo 72 da Lei nº 10.833/2003. Após a edição da LC nº 95/98, art. 9º, realmente foi abolida a chamada revogação genérica, traduzida pela expressão Revogamse as disposições em contrário, todavia, não desapareceu do sistema jurídico a revogação tácita. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE PRAZO FIXADO NO REGIME ADUANEIRO DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. Descumprido prazo fixado no regime aduaneiro de admissão temporária para exportação do bem, aplicase multa prevista na legislação aduaneira. O instituto de denúncia espontânea não se aplica ao caso, sobretudo porque desde a concessão até a extinção do regime a mercadoria se encontra sob controle aduaneiro. Dessa forma, o descumprimento de qualquer condição antes estabelecida, por si só, caracteriza infração ao regime. Demais disso, a autorização para exportação foi protocolizada intempestivamente, e perante autoridade que não a aduaneira. Recurso Voluntário Negado. Em 14/01/2010, foram opostos embargos declaratórios, fls. 202 e seguintes, tempestivos, pela supramencionada embargante, alegando omissões, obscuridades e contradições no acórdão, sem declinar quais seriam as contradições. As omissões seriam decorrentes da falta de manifestação sobre o critério da especialidade para a resolução da questão atinente à revogação do art. 106, II, b, do Decretolei nº 37/66 pelo art. 72, I, da Lei nº 10.833/2003; e da falta de manifestação sobre o art. 94 da Lei nº 10.833/2003, que revogou Fl. 293DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11011.000628/200868 Acórdão n.º 310101.075 S3C1T1 Fl. 304 3 expressamente apenas as multas das alíneas a dos incs. III e IV e o inc. V do art. 106 do Decretolei nº 37/66. Por fim, haveria omissão e obscuridade no que diz com o pedido de relevação da pena, pois em momento algum a embargante dirigiu o seu pedido de relevacão de pena ao Colegiado do CARF, pelo contrário, apenas requereu a remessa dos autos ao Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil. À fl. 215, despacho da unidade de origem encaminhando os embargos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em 14 de setembro de 2010, foi protocolizado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aditamento aos embargos declaratórios. Os embargos declaratórios foram julgados em 1º de março de 2011, com o seguinte dispositivo e ementa: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do aditamento aos embargos declaratórios. Por maioria de votos, rejeitar os embargos declaratórios, vencidos os Conselheiros Elias Fernandes Eufrásio e Luiz Roberto Domingo. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos declaratórios interpostos não merecem ser providos, uma vez que não existe omissão nem obscuridade no acórdão embargado. Os embargos de declaração não estão previstos na legislação processual para que o órgão julgador reexamine os pontos do litígio sob outros enfoques ou maneiras, e sim para que sejam trazidos a tona aqueles pontos omitidos, no sentido de bem esclarecer a decisão tomada. Nesse sentido, a decisão refletiu perfeitamente, à época, o entendimento do Colegiado, sufragado pelas provas carreadas aos autos. O conteúdo do voto vencedor: Os embargos declaratórios são tempestivos, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O aditamento aos embargos declaratórios, por outro lado, são intempestivos, porquanto protocolizados exatos oito meses após a oposição desses, e não deve ser conhecido, pois não há previsão legal para tanto. Em primeiro plano, cumpre dizer que a omissão que vicia o acórdão e dá azo aos embargos declaratórios do art. 65 do Anexo II do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, é a omissão de ponto sobre o qual devia pronunciar se a turma, e não a carência de manifestação acerca de argumento utilizado pela parte. A jurisprudência predominante deste Tribunal entende que os recorrentes não podem esperar, tampouco exigir que sejam abordados nos votos condutores dos Fl. 294DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 acórdãos cada uma das alegações articuladas nas defesas, e sim que as questões e matérias em litígio sejam devidamente apreciadas, nos estritos termos do art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Assim é que importa ao julgamento escorreito haver fundamentação suficiente para lastreálo, e não a abordagem repetitiva e non sense do porquê de o julgador não albergar cada tese do contribuinte. Em termos de embargos declaratórios, art. 535 do Código de Processo Civil1, esse entendimento encontra guarida em precedentes do e. Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARTIGO 535 DO CPC. (...) 1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados. (...) REsp 874793/CE; Rel. Ministro CASTRO MEIRA; SEGUNDA TURMA; Sessão em 28/11/2006. Grifouse. TRIBUTÁRIO – PROCESSUAL CIVIL – VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC – NÃOOCORRÊNCIA. (...) 1. A questão não foi decidida conforme objetivava a embargante, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. REsp 876271/SP; Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS; SEGUNDA TURMA; Sessão em 13/02/2007. Grifouse. Dito isso, penso que o entendimento externado supra aplicase ao caso destes autos, uma vez que após a leitura integral do voto do relator fica claro em quais fundamentos de fato e de direito a decisão lastreouse. Nesse diapasão, as omissões trazidas no presente recurso nada tem de omissões acerca de ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, pois tais pontos, neste contencioso, foram todos apreciados e julgados pelo órgão judicante, a saber, preliminar de nulidade do auto de infração; o pedido de relevação de penalidade, dirigido ao Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil, em caso de subsistência do auto de infração; e a alegação de denúncia espontânea, ligada ao mérito 1 Art. 535. Cabem embargos de declaração quando: (Redação dada pela Lei nº 8.950, de 13.12.1994). I houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade ou contradição; (Redação dada pela Lei nº 8.950, de 13.12.1994). II for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse o juiz ou tribunal. (Redação dada pela Lei nº 8.950, de 13.12.1994). Fl. 295DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11011.000628/200868 Acórdão n.º 310101.075 S3C1T1 Fl. 305 5 da lide. Todos esses pontos foram devidamente abordados, como se pode constatar da ementa do acórdão que o sintetiza, e com mais minudência temse o próprio voto, seguido de forma unânime pelos demais Conselheiros. Quanto à obscuridade em torno do pedido de relevação de penalidade, vale rememorar o que foi dito no relatório e no voto no particular: No Relatório Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 158 e seguintes, onde basicamente repete os argumentos apresentados na impugnação e requer provimento do apelo; ao final, aduz pedido de relevação de pena, em caso de subsistência do auto de infração, nos termos do art. 654 do RA/2002, a ser examinado pelo titular da Secretaria da Receita Federal do Brasil. No voto Há uma preliminar ao mérito nulidade do auto de infração (por erro no enquadramento legal da autuação) um argumento contrário à multa aplicada, que traduzse em defesa indireta, pois é invocada a denúncia espontânea por parte da recorrente, e por fim, o pedido de relevação de penalidade, que é dirigido, em verdade, ao Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil. Quanto ao pedido de relevação de penalidade, penso que não há, na atualidade 2 qualquer previsão legal que dê competência a este Colegiado para apreciálo, sendo, portanto, o caso de não conhecêlo. Notase dos excertos do voto, que a decisão foi peremptória no sentido de não conhecer do pedido, por absoluta falta de previsão legal para tanto. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é tão somente para dizer da subsistência, ou não, do lançamento, tendo como consequência a devolução dos autos à Secretaria da Receita Federal do Brasil, órgão diverso deste Tribunal e também integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, então competente para apreciar qualquer pedido de relevação de pena, por meio de seus próprios canais de apreciação, e não por provocação deste Conselho. Assim, por carência de pressuposto subjetivo para apreciar o pedido formulado de encaminhamento do processo ao Sr. Secretário da RFB, esse sequer pode ser apreciado nesta via. É bem verdade que a título de informação, constou nota de rodapé que dava conta de que no antigo Regimento dos Conselhos de Contribuintes, Portaria MF nº 55/98, havia dispositivo que possibilitava às Câmaras propor ao Ministro da Fazenda a aplicação de eqüidade, e essa ilustração foi 2 o antigo Regimento dos Conselhos de Contribuintes Portaria MF nº 55/98 trazia dispositivo que possibilitava às Câmaras propor ao Ministro de Estado a aplicação de eqüidade, na forma da legislação vigente, quando não houvesse reincidência, sonegação, fraude, simulação ou conluio. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 justamente para mostrar o anacronismo do pedido em virtude da atual legislação aplicável. Nessa moldura, oriento meu voto no sentido de que sejam conhecidos os embargos; entretanto, NÃO SEJAM ACOLHIDOS, sob pena de se ter um recurso com efeito infringente, que não é lídimo, ao meu sentir, no caso vertente. Em 09/06/2011, foram opostos novamente embargos declaratórios, fls. 276 e seguintes, tempestivos, pela supramencionada embargante, alegando omissões no acórdão, que seriam decorrentes da falta de manifestação sobre dois pontos trazidos nos primeiros embargos declaratórios (i) aplicação do critério da especialidade para a resolução da antinomia aparente (coexistência da norma genérica do 72, I, da Lei n° 10.833/03 com a norma específica do 106, II, b, do DecretoLei n° 37/66); art. 94, inciso I, da Lei n° 10.833/03 (revogações expressas), para o fim de reconhecer que o artigo 72, I, da Lei n° 10.833/03 não revogou a multa especifica prevista no art. 106, II, b, do DecretoLei n° 37/66; e dois pontos que constavam do aditamento aos embargos declaratórios (iii) ocorrência da denúncia espontânea, em consonância com as regras de aviação, bem como nos estritos termos do §2° do artigo 102 do DL n° 37/66 (redação dada pela MP n° 497/2010, posteriormente convertida na Lei n° 12.350/2010) e em respeito ao artigo 106, inciso I, do CTN; (iv) correta taxa de câmbio a ser aplicada no cálculo do valor aduaneiro da aeronave importada, determinandose que a multa seja calculada com base na taxa de câmbio vigente na data da infração, que se deu em 01.05.2008. Ato seguido, são encaminhados os embargos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento. É o Relatório. Voto Os embargos declaratórios são tempestivos, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Preambularmente, impõese observar que as omissões apontadas pela embargante nada tem a ver com omissões contidas no acórdão embargado nº 3101 00.631, prolatado em 1º de março de 2011, em virtude dos embargos declaratórios rejeitados, e sim com supostas omissões no julgado referente ao recurso voluntário originário acórdão nº 310100.256, de 19 de outubro de 2009. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11011.000628/200868 Acórdão n.º 310101.075 S3C1T1 Fl. 306 7 Para alcançar seu desiderato, que é o de obter efeitos infringentes no recurso ora manejado, a embargante diz que esta Corte equivocouse ao entender que os julgadores não são obrigados a se pronunciarem sobre todos os pontos abordados pelas partes, consoante jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, porquanto aquele mesmo Tribunal também consagrou entendimento de que a decisão deve abordar TODOS OS ARGUMENTOS essenciais ao deslinde da causa e que possam modificar o resultado do julgamento. Nessa esteira, para adentrar no exame das omissões ora apontadas forçoso fazse reconhecer que nem todos os argumentos essenciais ao deslinde da causa foram examinados no julgamento do recurso voluntário originário. Ora, mas foi justamente isso que foi debatido e esmiuçado por ocasião do julgamento dos declaratórios que culminaram na edição do acórdão ora embargado, nº 310100.631, de 01/03/2011. Notase que as duas primeiras omissões invocadas critério da especialidade e revogação do art. 106, II, b, do DecretoLei n° 37/66 foram novamente debatidas por ocasião dos embargos declaratórios; e as duas outras denúncia espontânea e taxa de câmbio do valor aduaneiro constavam do aditamento aos embargos que não foi conhecido, à unanimidade, pelos integrantes do Colegiado, inclusive a matéria relativa à taxa de câmbio sequer constou do recurso voluntário originário. Penso que se for possível abrir novamente a discussão em torno de argumentos apresentados no recurso voluntário, e ainda outros, à guisa de que se tratam de matéria de ordem pública, os quais já tiveram oportunidade de serem abordados e sopesados em sede de embargos declaratórios, o processo jamais findará, pois a parte vencida sempre entenderá que o Colegiado não abordou todos os argumentos essenciais ao deslinde da causa, e dará um jeito de interpor embargos declaratórios, num círculo vicioso ad aeternum. Posto isso, voto por NÃO ACOLHER os embargos declaratórios. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 298DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11831.003691/2001-26
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/11/1988 a 31/03/1992
Finsocial. Restituição. Decadência.
O direito à restituição de indébitos decai em cinco anos. Nas restituições de valores recolhidos para o Finsocial mediante o uso de aliquotas superiores a 0,5%, o dies a quo para aferição da decadência é 31 de agosto de 1995, data da publicação da Medida Provisória 1.110, expedida em 30 de agosto de 1995.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.265
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado que dava provimento parcial na questão da decadência. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pela conclusão.
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Restituição. Decadência. O direito à restituição de indébitos decai em cinco anos. Nas restituições de valores recolhidos para o Finsocial mediante o uso de aliquotas superiores a 0,5%, o dies a quo para aferição da decadência é 31 de agosto de 1995, data da publicação da Medida Provisória 1.110, expedida em 30 de agosto de 1995. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado que dava provimento parcial na questão da decadência. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pela conclusão. 4.e-1 2 enrirque Pinheiro Torres - Presidente C- Tarásio Campeio Borges - Relator EDITADO EM 09/11/2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo e Valdete Aparecida Marinheiro. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Nona Tuilua da DRJ São Paulo (SP) que rejeitou manifestação de inconformidade' da interessada contra indeferimento de pedido de reconhecimento de direito creditório da contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial) atrelado a pedido de compensação com débitos da contribuição para o financiamento da seguridade social (Cofins) e da contribuição para o programa de integração social (PIS)2. Aduz a peticionária que tais créditos são decorrentes de recolhimentos do Finsocial calculados mediante a aplicação de alíquotas superiores a 0,5% (meio por cento), vinculados aos fatos geradores do período de outubro de 1988 a fevereiro de 1992 [3]• Indeferido o pedido pela Delegacia da Receita Federal competente4, a interessada tempestivamente manifestou sua inconformidade com as razões de folhas 77 a 89, cuja síntese tomo de empréstimo do relatório do acórdão recorrido: 3.1. A contribuição denominada FINSOCIAL com disciplina dada pelo DL n° 1.094/82 teve sua aliquota majorada por meio do artigo 9°, da Lei n° 7.689/88; 7° da Lei n° 7.789/89; 1° da Lei n° 7.984/89 e 1° da Lei n° 8.147/90. Tais majorações foram declaradas inconstitucionais pelo STF. Nesse sentido, reproduz jurisprudência do STF 3.1.1. A Impugnante recolheu a contribuição denominada FINSOCIAL a maior do efetivamente devido, conforme declaração de inconstitucionalidade do próprio STF. Assim, tem o direito conforme artigo 66 da Lei n° 8.383/91, combinado com o artigo 74 da Lei n°9.430/96 - de proceder à compensação - independentemente de autorização administrativa ou judicial — dos respectivos valores com quaisquer tributos ou Contribuições administrados pela Receita Federal. Nesse sentido, reproduz a jurisprudência do STJ. 3.1.2. Após essa histórica decisão, ficou assentado que os tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação — como é o caso do FINSOCIAL — podem e 1 Manifestação de inconformidade acostada às folhas 77 a 89. 2 Pedido de restituição e compensação protocolizado no dia 14 de dezembro de 2001 (folhas 1 e 2). 3 Fatos geradores informados nos DARF acostados às folhas 16 a 36, por fotocópias autenticadas. 4 Indeferimento do pedido às folhas 66 a 72: "o direito de pleitear a restituição, no âmbito administrativo, encontra-se irremediavelmente atingido pela decadência quinquenal". ./r 2 Processo n° 11831.003691/2001-26 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.265 Fl. 194 devem ser compensados pelo contribuinte independentemente de autorização administrativa ou de decisão judicial, pela simples aplicação do artigo 66, da Lei n° 8.383/91, afastando as regras infralegais editadas em sentido contrário. 3.1.3. Ante o exposto no artigo 165 do CTN e no artigo 66 da Lei n°8.383/91, que trata de uma modalidade de compensação passível de ser realizada pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, sujeita a posterior fiscalização, fica cristalino o direito de compensação de que dispõe a Impugnante. 3.2. O FINSOCIAL na qualidade de tributo sujeito a lançamento por homologação, conta com prazo decenal para restituição conforme consolidação do STJ, sendo contados 5 anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais 5 anos contados da data em que se deu a homologação tácita conforme se depreende da análise dos artigos 150 e 168, ambos do CTN. 3.2.1. Não há que se eventualmente invocar o disposto no artigo 3° - que pretendeu reduzir o prazo em tela para 5 anos — e no artigo 4°, que absurdamente intentou uma aplicação retroativa da novel legislação — ambos da LC n° 118/05. 3.2.2. Tais dispositivos são flagrantemente inconstitucionais posto ofenderem: i) o princípio da segurança jurídica (CR, art. 5°, inc.XXXVI); ii) o princípio da tripartição dos poderes (CR, art. 2°); iii) o devido processo legal substantivo (CR, art. 5', inc.LV; da doutrina norte-americana; iv) a garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5°, XXXVI)). 3.2.3. O STJ já se pronunciou, restando advertido que a interpretação do art. 3° ora combatido só poderá ser eventualmente admitida em relação aos fatos geradores futuros, ou seja, verificados após o início de sua vigência conforme jurisprudência reproduzida. 3.3. Por fim, requer-se, com base no artigo 74, § 9' e 11, da Lei n°9.430/96, no artigo 48, § 2° e 3°, inciso I, da IN/SRF n° 460/04, no artigo 14 do Decreto n° 70.235/72, bem como, no artigo 151, inciso III, do CTN, seja a presente conhecida, acolhida e julgada procedente. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: 3 Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/11/1988 a 31/03/1992 c FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declarató ria ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário. INCONSTITUCIONALIDADE Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. Solicitação Indeferida Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ São Paulo (SP), recurso voluntário foi interposto às folhas 161 a 172. Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa 5 os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 192 folhas. Na Ultima delas consta o registro da distribuição mediante sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Tarásio Campeio Borges, Relator 1 Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 161 a 172, porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. A DRJ São Paulo (SP) entendeu extinto pela decadência o direito creditório da contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e não apreciou as demais razões de mérito da manifestação de inconformidade relativa ao indeferimento do pedido de restituição e compensação. No fundamento do acórdão recorrido, a data do pagamento da contribuição é tomada como marco inicial do prazo decadencial, independentemente do posterior 5 Despacho acostado à folha 191 determina o encaminhamento dos autos para o para o outrora denominado Terceiro Conselho de Contribuintes. _ . \\ .. , /• • O c-1>T5:-... , . „ • . 4 Processo n° 11831.003691/2001-26 53-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.265 Fl. 195 reconhecimento da improcedência da exação pelo artigo 17, capta e inciso III, da Medida Provisória 1.110, de 30 de agosto de 1995. Amparado no princípio constitucional da segurança jurídica, creio equivocados os fundamentos do acórdão recorrido. Com efeito, desde a origem, é objetivo principal das constituições limitar a autoridade govemativa com a instituição do chamado estado constitucional, estado liberal ou estado de direito, resultante da força de princípios ideológicos fincados na Revolução Francesa. Se assim era no estado liberal, então regido pela teoria formal da Constituição, com foco na estrutura do estado — "separação de poderes e distribuição de competências, enquanto forma jurídica de neutralidade aparente [...] 6 —, maior pujança ganhou a limitação da autoridade govemativa na medida da evolução das ciências sociais porque, conforme leciona Paulo Bonavides, "[...] Constituição é lei, sim, mas é sobretudo direito, tal como reconhece a teoria material da Constituição" 7, que rege o estado social, em oposição ao estado liberal, agora com foco na substância da Lei Magna: os direitos fundamentais e as garantias processuais da liberdade. Especificamente quanto à força dos princípios, Paulo Bonavides, numa análise da grande transformação por eles suportada s , outrora "fontes de mero teor supletório" dos Códigos e atualmente convertidos em "fundamento de toda a ordem jurídica, na qualidade de princípios constitucionais", conclui: Fazem eles [os princípios] a congruência, o equilíbrio e a essencialidade de um sistema jurídico legítimo. Postos no ápice da pirâmide normativa, elevam-se, portanto, ao grau de norma das normas, de fonte das fontes. São qualitativamente a viga-mestra do sistema, o esteio da legitimidade constitucional, o penhor da constitucionaliclade das regras de uma Constituição.9 Da mesma forma pertinentes são os ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho sobre o princípio da segurança jurídica. Antes, porém, ele cuida do princípio da certeza do direito: Principio da certeza do direito Trata-se, também, de um sobreprincípio, estando acima de outros primados e regendo toda e qualquer porção da ordem jurídica. Como valor imprescindível do ordenamento, sua presença é assegurada nos vários subsistemas, nas diversas instituições e no âmago de cada unidade normativa, por mais insignificante que seja. A certeza do direito é algo que se situa na própria raiz 6 BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 8. ed. São Paulo: Malheiros, 1999, p. 537. 7 Paulo Bonavides. Curso de direito constitucional, 1999, p. 535. 3 Paulo Bonavides. Curso de direito constitucional, 1999, p. 228 a 266. . 9 Paulo Bonavides. Curso de direito constitucional, 1999, p. 265. 5 do dever-ser, é ínsita ao deóntico, sendo incompatível imaginá-lo sem determinação específica. Na sentença de um magistrado, que põe fim a uma controvérsia, seria absurdo figurarmos um juízo de probabilidade, em que o ato jurisdicional declarasse, como exemplifica Lourival Vilanova l ° , que A possivelmente deve reparar o dano causado por ato ilícito seu. Não é sentenciar, diz o mestre, ou estatuir, com pretensão de validade, o certum no conflito de condutas. E ainda que consideremos as obrigações alternativas em que o devedor pode optar pela prestação A, B ou C, sobre uma delas há de recair, enfaticamente, sua escolha, como imperativo inexorável da certeza jurídica. Substanciando a necessidade premente da segurança do indivíduo, o sistema empírico do direito elege a certeza como postulado indispensável para a convivência social organizada. O princípio da certeza jurídica é implícito, mas todas as magnas diretrizes do ordenamento operam no sentido de realizá- lo. Mas, além do caráter sintático dessa acepção; há outra, muito difimdida, que toma "certeza" com o sentido de "previsibiliclade", - de tal modo que os destinatários dos comandos jurídicos hão de poder organizar suas condutas na conformidade dos teores normativos existentes. Pensamos que esse significado de certeza quadra melhor no âmbito do princípio da segurança jurídica, que examinaremos em seguida. il [itálicos do original] Continuando o seu raciocínio, Paulo de Barros Carvalho fala especificamente sobre o princípio da segurança jurídica: Principio da segurança jurídica Não há por que confundir a certeza do direito naquela acepção de índole sintática, com o cânone da segurança jurídica. Aquele é atributo essencial, sem o que não se produz enunciado normativo com sentido deôntico; este último é decorrência de fatores sistêmicos que utilizam o primeiro de modo racional e objetivo, mas dirigido à implantação de um valor específico qual seja o de coordenar o fluxo das interações inter-humanas, no sentido de propagar no seio da comunidade social o sentimento de previsibilidade quanto aos efeitos jurídicos da regulamentação da conduta. Tal sentimento tranqüiliza os cidadãos, abrindo espaço para o planejamento de ações futuras, cuja disciplina jurídica conhecem, confiantes que estão no modo pelo qual a aplicação das normas do direito se realiza. Concomitantemente, a certeza do tratamento normativo dos fatos já consumados, dos direitos adquiridos e da força da coisa julgada, lhes dá a garantia do passado. Essa bidirecionalidade passado/futuro é fundamental para que se estabeleça o clima de segurança das relações jurídicas, motivo por que dissemos que o princípio depende de fatores sistêmicos. Quanto ao passado, exige-se um I ° VILANOVA, Lourival. As estruturas lógicas e o sistema do direito positivo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977, p. 183. — - - - - • • - • - 11 CARVALHO; Paulo de Barros. Curso de direito tributário.-12. ed. São Paulo: Saraiva, 1999, p. 145 e 146. 6 Processo n° 11831.003691/2001-26 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.265 Fl. 196 único postulado: o da irretroatividade [..]. No que aponta para o futuro, entretanto, muitos são os expedientes principiológicos necessários para que se possa falar na efetividade do primado da segurança jurídica. Desnecessário encarecer que a segurança das relações jurídicas é indissociável do valor justiça, [sie] e sua realização concreta se traduz numa conquista paulatinamente perseguida pelos povos cultos. "12 [itálicos do original] Roque Carrazza vai além. Afora a certeza do conhecimento prévio das conseqüências dos atos praticados, ele dá grande ênfase à isonomia como condição indispensável à implementação da segurança jurídica: O princípio da segurança jurídica ajuda a promover os valores supremos da sociedade, inspirando a edição e a boa aplicação das leis, dos decretos, das portarias, das sentenças, dos atos administrativos etc. De fato, como o Direito visa à obtenção da res justa, de que nos falavam os antigos romanos, todas as normas jurídicas, especialmente as que dão efetividade às garantias constitucionais, devem procurar tornar segura a vida das pessoas e das instituições» Muito bem, o Direito, com sua positividade, confere segurança às pessoas, isto é, "cria condições de certeza e igualdade que habilitam o cidadão a sentir-se senhor de seus próprios atos e dos atos dos outros Portanto, a certeza e a igualdade são indispensáveis à obtenção da tão almejada segurança jurídica. Com efeito, uma das funções mais relevantes do Direito é "conferir certeza à incerteza das relações sociais" (Becker), subtraindo do campo de atuação do Estado e dos particulares qualquer resquício de arbítrio. Como o Direito é a "imputação de efeitos a determinados fatos" (Kelsen), cada pessoa tem elementos para conhecer previamente as conseqüências de seus atos. [..] É mister, ainda, que a lei que descreve a ação-tipo tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fazendária) de acordo com o princípio da 12 Paulo de Barros Carvalho. Curso de direito tributário, 1999, p. 146. 13 Cf. José Souto Maior Borges. Principio da segurança jurídica na criação e aplicação do tributo. In RDT 63, p. 206 e 207. 14 Tércio Sampaio Ferraz Jr. Segurança jurídica e normas gerais tributárias. In RDT 17, p. 18 a 51 (grifos autor). C)1\ 7 igualdade (art. 5°, 1, da CF). Só assim os contribuintes terão segurança jurídica em seus contatos com o Fisco. O principio da i g.i..ialdade (isonomia) é, de todos os nossos princípios constitucionais, o mais importante (Francisco Campos). Realmente, todos os princípios que estão na Constituição (a legalidade, a universalidade da jurisdição, a ampla defesa etc.) encontram-se a serviço da isonomia e sem ela não se explicam com a necessária densidade de exposição teórica. A própria legalidade é a morada da isonomia. Daí falarmos em legalidade isonômica. Com efeito, quando dizemos que "ninguém será obrigado afazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei", implicitamente estamos proclamando que "ninguém será obrigado afazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei igualitária", isto é, de lei editada de conformidade com a isonomia. Nesse sentido, José Souto Maior Borges não exagerou ao afirmar, no VIII Congresso Brasileiro de Direito Tributário, realizado em São Paulo, em setembro de 1994, que a isonomia não está no Texto Constitucional: a isonomia é o próprio Texto Constitucional. O princípio constitucional da segurança jurídica exige, ainda, que os contribuintes tenham condições de antecipar objetivamente seus direitos e deveres tributários, que, por isto mesmo, só podem surgir de lei, igual para todos, irretroativa e votada pela pessoa política competente. Assim, a segurança jurídica acaba por desembocar no principio da confiança na lei fiscal, que, como leciona Alberto Xavier, "traduz-se, praticamente, na possibilidade dada ao contribuinte de conhecer e computar os seus encargos tributários com base exclusivamente na lei".I5 Não podemos deixar de mencionar, ainda, o principio da boa-fé, que impera também no Direito Tributário. De fato, ele irradia efeitos tanto sobre o Fisco quanto sobre o contribuinte, exigindo que ambos respeitem as conveniências e interesses do outro e não incorram em contradição com sua própria conduta, na qual confia a outra parte (proibição de venire contra factum proprio). 1617 [itálicos do original] is XAVIER, Alberto. Os princípios da legalidade e da tipicidade da tributação. São Paulo: RT, 1978, p. 46. 16 A respeito, JesUs González Perez preleciona: "O princípio da boa-fé aparece como um dos princípios gerais que servem de fundamento ao ordenamento jurídico, informam o labor interpretativo e constituem decisivo instrumento de integração" (El principio General de ia Buena Fé en el Derecho Administrativo, Madri, Real Academia de Ciencias Morales y Políticas, 1983, p. 15 — traduzimos). E, mais adiante, acrescenta: "Independentemente de seu reconhecimento legislativo, o princípio da boa-fé, enquanto princípio geral de Direito, cumpre uma função informadora do ordenamento jurídico e, como tal, as distintas normas devem ser interpretadas em harmonia com ele. (...). Ele indicará, em cada momento, a interpretação que se deve eleger" (idem, ibidem,,p. 48)...,., 8 Processo n° 11831.003691/2001-26 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.265 Fl. 197 Logo, no caso concreto, admitir o marco inicial da decadência pretendido pelo órgão julgador a quo é proteger o estado, autor de norma inconstitucional — que exigia das empresas comerciais e mistas contribuição ao Finsocial na alíquota superior a 0,5% (meio por cento) —, diante de sua própria torpeza, em detrimento dos princípios constitucionais da isonomia, da boa-fé e da segurança jurídica. O desprezo pela isonomia resta patente quando comparado o ônus tributário individualmente assumido por todos aqueles que cumpriram a obrigação principal em data anterior à publicação da Medida Provisória 1.110, de 30 de agosto de 1995, com qualquer dos destinatários do beneficio outorgado pelo artigo 17, capuz' e inciso III, dessa norma jurídica. Semelhante desdém mereceu o princípio da boa-fé pelo procedimento contraditório da Fazenda Nacional: para fatos geradores iguais, ocorridos em períodos coincidentes, de alguns contribuintes foi exigido o .cumprimento da obrigação tributária e de outros foi dispensada a constituição dós créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal e até cancelados os lançamentos efetuados. Igualmente ferido o princípio da segurança jurídica porque deturpada a previsibilidade quanto aos efeitos da regulamentação da conduta daqueles contribuintes que confiaram na constitucionalidade presumida das noinias formalmente sancionadas, promulgadas e publicadas. Portanto, o desafio que reclama uma solução desta Câmara, no meu sentir, é interpretar, mormente à luz dos princípios constitucionais da isonomia, da boa-fé e da segurança jurídica, os artigos 165 [ 18 ] e 168 [ 19] do C'TN para deles extrair o marco inicial do prazo de decadência para o caso objeto da lide. É certo que o CTN, no artigo 165, I, reconhece o direito do sujeito passivo à restituição do tributo indevido, seja qual for a modalidade do seu pagamento, mas fixa, no artigo 168, o prazo de cinco anos para o exercício de tal direito. É a fixação do marco inicial da contagem desse prazo que buscarei alcançar, amparado nos princípios constitucionais citados no parágrafo anterior. 17 CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional tributário. 13. ed. rev. atual, e amp. São Paulo: IN/falheiros, 1999, p. 296, 298, 299, 301 e 302. 18 CTN, artigo 165: O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: (I) cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocOrrido; (II) erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferencia de qualquer documento relativo ao pagamento; [...] 19 CTN, artigo 168: O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (I) nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (II) na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. 1,7.( Antes, contudo, trago outras lições da doutrina para lembrar que o interprete deve presumir inexistirem na lei palavras supérfluas e que "devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva"20 , sem perder da lembrança que "o texto da lei forma o substrato de que deve partir e em que deve repousar o intérprete", embora evitando o apego à literalidade, "que pode conduzir à injustiça, à fraude e até ao ridículo" 21 , o elemento teleológico será adotado na busca da "[...] genuína razão da lei, de cujo descobrimento depende inteiramente a compreensão do verdadeiro espírito dela"22. Retomo ao artigo 165 do CTN, que trata do direito à restituição de "tributo indevido ou maior que o devido". Vale dizer, conseqüentemente, que esta é a finalidade da norma, o seu elemento teleológico: impedir a apropriação, pelo Erário, de valores indevidos ou maiores do que o devido, na forma da lei tributária. E é em consonância com o ordenamento jurídico, numa interpretação sistemática dos artigos 165 e 168, que deve ser definido o momento a partir do qual o direito à restituição do indébito poderia ter sido exercido. Nesse ponto, entendo solucionada a controvérsia, porquanto se o valor da contribuição ao Finsocial exigida das empresas comerciais e mistas na alíquota superior a 0,5% (meio por cento) somente foi reconhecido pela administração tributária como exigência indevida em 31 de agosto de 1995, data da publicação da Medida Provisória 1.110, expedida em 30 de agosto de 1995, não há se falar em dies a qtto para aferição da decadência do direito à restituição em data anterior à publicação dessa norma jurídica. Não vislumbro outra interpretação sistemática e teleológica dos artigos 165 e 168 do CTN, aplicada ao caso concreto, à luz dos princípios constitucionais da isonomia, da boa-fé e da segurança jurídica. Por conseguinte, desaprovo os fundamentos do acórdão recorrido. Todavia, no caso concreto, é superior a cinco anos o interregno entre 31 de agosto de 1995 e 14 de dezembro de 2001: esta, data de protocolização do pedido de restituição e compensação; aquela, data da publicação da Medida Provisória 1.110, expedida em 30 de agosto de 1995. Conseqüentemente, concluo operada a decadência do direito à restituição dos alegados créditos da contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial) originários de recolhimentos calculados mediante a aplicação de alíquotas superiores a 0,5% (meio por cento) solicitados às folhas 1 e 2. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Tarásio Campelo Borges MAXIIvIILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. 18. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999, p. 110. 21 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e aplicação da constituição. 3. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 1999,p. 127. 22 PORTUGAL. Estatutos da Universidade de Coimbra, de 1772, liv. 2, tít. 6, cap. 6, § 23, apud Carlos Maximiliano. Hermenêutica e aplicação do direito, 1999, p. 151. 10
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