Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13839.000533/98-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 16/11/1995
CLASSIFICAÇÃO FISCAL - "EX" TARIFÁRIO - CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO.
Para que a tributação de uma mercadoria seja destacada de um determinado código fiscal para um "Ex tarifário", é necessário que suas características essências adéquem-se perfeitamente as especificações estabelecidas no referido "Ex". Qualquer discrepância entre as características da mercadoria
que se pretende destacar com aquelas descritas no "Ex"pretendido
impossibilita o enquadramento no destaque tarifário.
O Enquadramento em "Ex tarifário", reduzindo a alíquota de tributo, só se opera quando existe perfeita identidade entre a mercadoria importada e a descrição do Ex pleiteado.
O texto de "Ex tarifário" e a lei que outorga a isenção são interpretados de forma literal e restrita.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.550
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 20 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 201010
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 16/11/1995 CLASSIFICAÇÃO FISCAL - "EX" TARIFÁRIO - CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO. Para que a tributação de uma mercadoria seja destacada de um determinado código fiscal para um "Ex tarifário", é necessário que suas características essências adéquem-se perfeitamente as especificações estabelecidas no referido "Ex". Qualquer discrepância entre as características da mercadoria que se pretende destacar com aquelas descritas no "Ex"pretendido impossibilita o enquadramento no destaque tarifário. O Enquadramento em "Ex tarifário", reduzindo a alíquota de tributo, só se opera quando existe perfeita identidade entre a mercadoria importada e a descrição do Ex pleiteado. O texto de "Ex tarifário" e a lei que outorga a isenção são interpretados de forma literal e restrita. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 13839.000533/98-21
anomes_publicacao_s : 201010
conteudo_id_s : 5165604
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3101-000.550
nome_arquivo_s : 310100550_138390005339821_201010.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
nome_arquivo_pdf_s : 138390005339821_5165604.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
id : 4736644
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 20 09:38:06 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1796846010850344960
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-07-23T16:44:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-07-23T16:44:26Z; Last-Modified: 2012-07-23T16:44:26Z; dcterms:modified: 2012-07-23T16:44:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:f805ff05-31c6-41a4-ad5d-c27dbb3dae04; Last-Save-Date: 2012-07-23T16:44:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-07-23T16:44:26Z; meta:save-date: 2012-07-23T16:44:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-07-23T16:44:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-07-23T16:44:26Z; created: 2012-07-23T16:44:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2012-07-23T16:44:26Z; pdf:charsPerPage: 1430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-07-23T16:44:26Z | Conteúdo => S3-C11 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13839.000533/98-21 Recurso n° 133.337 Voluntário Acórdão n° 3101-00.550 — la Camara / la Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2010 Matéria IPI/CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente PLASCAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 16/11/1995 CLASSIFICAÇÃO FISCAL - "EX" TARIFÁRIO - CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO. Para que a tributação de uma mercadoria seja destacada de um determinado código fiscal para um "Ex tarifário", é necessário que suas características essências adéquem-se perfeitamente As especificações estabelecidas no referido "Ex". Qualquer discrepância entre as características da mercadoria que se pretende destacar com aquelas descritas no "Ex"pretendido impossibilita o enquadramento no destaque tarifário. 0 Enquadramento em "Ex tarifário", reduzindo a aliquota de tributo, s6 se opera quando existe perfeita identidade entre a mercadoria importada e a descrição do Ex pleiteado. O texto de "Ex tarifário" e a lei que outorga a isenção são interpretados de forma literal e restrita. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. to .*„..2„, IViiililiVinheiro Torres - resiaente Vanessa Albuquerque Valente - Relatora EDITADO EM: 18/07/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Corinth° Oliveira Machado, Tardsio Campelo Borges, Elias Fernandes Eufrásio e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório proferido pela autoridade julgadora de primeira instância, As fls. 510/513, o qual transcrevo a seguir: "Trata o presente processo de Auto de Infração, lavrado para a cobrança de Imposto de Importação, Imposto sobre produtos Industrializados, juros de mora e multas de mora, por ter a fiscalização apurado as seguintes irregularidades: 1) "EX" DO If COM BASE EM PORTARIA MF INDEVIDAMENTE UTILIZADO. EX 001 da Portaria MF 181/95: "TRANSPORTADOR AUTOMATICO DE AÇÃO CONTINUA DE ROLO MOTORES, PARA TRANSFERÊNCIA LINEAR OU ANGULAR, COM VARIADOR DE VELOCIDADE" DI 029.312/95 — Adição 003 e DI 030.849/95 — Adição 008 Através das DIs 029.312/95, Adição 003; 030849/95, Adição 008 e 032.723/95, adição 008, (esta filtima do estabelecimento importador de Betim/MG), a interessada importou mercadorias descritas como "partes do conjunto de transportadores automático de ação continua de rolo motores pltransferência linear ou angular com variador de velocidade c/todos seus equipamentos partes e peps desmontados", despachadas emn três embarques distintos, BLs n°s HA036FC de 06/10/95, fls. HA049FC de 28/10/95 e HA041FC de 15/11/95, beneficiando- se INDEVIDAMENTE (destaque da fiscalização) da redução/alteração de aliquota do Imposto de Importação para 0% (zero por cento) com base no "EX 001 "criado pela Portaria MF n°181/95 (D.O.U) de 28/06/95). 2) ISENÇÕES DO IPI INDEVIDAMENTE APLICADAS A PARTES DE EQUIPAMENTOS. DA ISENÇÃO DA LEI 9000/95 DI 029.312/95-Adição 003 (lis 50/56) e DI 030.849/95-Adições 002/003/006/007/008 (fls. 75/87). Através das DIs tes 029.312, 030.849, 032.723 e 033.660, todas de 1995, a empresa efetuou quatro despachos parciais de urn Processo n° 13839.000533/98-21 S3-C I T I Acórdão n.° 3101-00.550 Fl. 2 sistema de equipamentos de linha de pintura para auto partes, composto de vários equipamentos. As duas primeiras DIs foram formuladas pelo estabelecimento de Jundiai/SP CGC 50.935.576/001-19, sendo objeto da presente ação fiscal e as duas restantes foram formuladas pelo estabelecimento de BETIM/11 ,IG CGC 50.935.576/0003-80, utilizadas nesta verificação apenas como subsidio por não pertencerem a jurisdição de Campinas/SP, destacou a fiscalização. Concluiu a fiscalização que devido ao fracionamento dos embarques de alguns equipamentos, que em alguns casos foram despachados parcialmente por estabelecimentos importadores distintos, os embarques parciais efetuados deixaram de tratar de importações de equipamentos para configurar importações de partes de equipamentos, que, de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado n`is I e 6 e Regra Geral Complementar n° I, possuem classificação própria diferente da classificação dos equipamentos completos. Assim, com a reclassificação das mercadorias nos códigos tarifcirios específicos para PARTES dos equipamentos, as isenções utilizadas nos despachos correspondentes tornaram-se INDEVIDAS, pois os novos códigos não estavam incluídos na relação anexa a Lei n° 9000/95, base legal do beneficio pleiteado. Entendeu, assim, a fiscalização, que para cada uma destas Dls acima mencionadas acarretou na ocorrência de fatos geradores distintos para o Imposto de Importação e para o Imposto sobre Produtos Industrializados, correspondentes a cada ulna destas operações de importação. Para cada um destes despachos totais ou parciais, surgiram obrigações tributárias daqueles tributos totalmente independentes dos demais despachos restantes. Destacou a fiscalização que através do Termo de Intimação de 03/06/98 e posteriormente através do Termo de 14.07.98, o contribuinte foi intimado a apresentar as cópias dos "Packing Lists" ou documentos equivalentes da data da importação, discriminando detalhadamente os componentes (Partes e peças) partes dos equipamentos e dos equipamentos, despachados desmontados, através dos embarques parciais referentes as DIs 29312/95, 30849/95, 32723/95 e 33660/95, documentação esta fundamental para a comprovação da regularidade dos benefícios fiscais utilizados nos despachos mencionados. Os esclarecimentos prestados não atenderam à necessidade de discriminação e detalhamento dos componentes despachados parcialmente através das referidas DIs, não ficando, desta forma, comprovado que nos despachos parciais efetuados através daquelas DIs, as mercadorias neles despachadas com o beneficio do "ex 001" criado pela Portaria MF n° 181/95, possuíam todas as características estipuladas no texto daquele dispositivo legal. 3 Discordando da exigência fiscal, a autuada impugnou, tempestivamente, o Auto de Infração, apresentando, em sua defesa, resumidamente, o que se segue: 1 — A Impugnante importou através das Declarações de Importação n°s 29312/95 (adição 003), 308449/95 (adição 008). 32723/95 (adição 008) um conjunto de transportadores automáticos de ação continua, de rolos motores, para transferência linear ou angular, com variador de velocidade com todos seus equipamentos, partes e peças desmontados, despachados na Alfcindega do Porto do Rio de Janeiro, com amparo nas Guias de Importação n° 0340-95/002642-3 e 0340- 95/003393-4. 2 — Tal equipamento foi importado através de três embarques parciais distintos, cobertos pelos BLs n° HA036FC, HA049FC E HA041FC e despachados pelas Dls Vs 29312/95, 30849/95 e 30849/95 e 32723/95 nos valores FOB de US$ 60.000,00, US$ 754.717,00 e US$ 7.083, respectivamente, perfazendo o montante de US$ 821.800,00 autorizado nas GIs. 3 — A Impugnante poderia tê-lo importado utilizando apenas a GI n° 340-95/2642-3, porém, como já em 06/10/95 expirou o prazo de validade para embarque, do restante do equipamento e como se tratava do mesmo fabricante/fornecedor/exportador, a empresa não utilizou o saldo dessa guia, passando o a importar o remanescente do material pela GI n° 340-95/3393-4 cujo prazo de validade esgotar-se-ia a 02/12/95 tendo, então, completado a importação de uma unidade completa do equipamento em tela. 4 — No que diz respeito ao equipamento descrito como "um conjunto de transportador automático de ação continua, de rolos motores para transferência linear ou angular, com variador de velocidade", verifica-se que o mesmo foi integralmente despachado através das DIs n°32723/95, 30849/95 e 29312/95. 5 — A divergência do peso entre a mercadoria licenciada e a despachada não deve ser considerado, sendo irrelevante quando a mercadoria é licenciada por unidade, mantidas a natureza e a quantidade, conforme prescrevem o Parecer Normativo CST n° 05/80 e os Acórdãos do extinto Conselho Superior de Tarifas Vs 08/72-32 e 13766 (DOU 29/12/71). 6 — Com relação aos equipamentos importados e despachados na Alfândega do Porto do Rio de Janeiro através da DI n° 30849/95 e GI 340-95/3393-4 consistentes de "um equipamento depurador de ar, com todos seus equipamentos, partes e peças desmontados ", e "uma caldeira para água quente (aquecimento a gás), com todas suas partes, equipamentos, partes e peças desmontados", verifica-se que os mesmos foram também integralmente despachados, assim, também o equipamento de depuração de água, o equipamento de secagem por ar frio (DI n° 30849/95, adições 7 e 2) e a cabine de pintura (Dls Vs 32723, adição 3; 30849, adição 5; 29312, adição 2 e 33660 adição 1. 7 — Os "packing lists" foram solicitados pela fiscalização e, somente, agora, a impugnante conseguiu reuni-los para apresentação e juntada ao presente processo. /5 4 Processo n° 13839.000533/98-21 S3-C I T1 Acórdão n.° 3101-00.550 Fl. 3 8 — Os três embarques distintos, das partes e peças do equipamento completo, desmontado, se complementaram, conforme já exposto, mantida a classificação fiscal do conjunto, pela aplicação da Regra 2° — segunda parte, das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado. Nesta linha têm sido os inúmeros arestos dos órgãos julgadores de segunda instancia administrativa — 2° e 3° Conselhos de Contribuintes. 9 — Dessa forma, restou comprovado o acerto da classificação fiscal dos equipamentos importados desmontados, em embarques distintos, na posição correspondente ao equipamento completo, montado, e não na posição das partes, para todos os efeitos tributários — aliquota do II incidente e isenção do IPI. 10 — Portanto, não procede o procedimento adotado pelo d. Auditor Fiscal em classificar os equipamentos importados, na posição de suas partes, fundamentando-o nas Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1 e 6 e RGc n° 1, quando deveria invocar a RGI SH n° 2-a que leva a classificação do todo. 11 — O direito da impugnante ao gozo da isenção do IPI outorgado pela Lei n° 9000/95 exsurge dos mesmos fundamentos de fato e de direito expostos para enibasar a manutenção do enquadramento fiscal, na posição da TIPI, atualmente NOM, correspondente àquela dos equipamentos completos, montados. 12 — Tratando-se de legislação que rege a tributação do IPI, aplicar-se-á também a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 2-a, "in totuni", visto que, mesmo para o artigo incompleto ou inacabado, desde que apresente as características do artigo completo ou acabado, deve-se classificci-lo na posição que corresponde ao artigo completo ou acabado. 13 — Pelos fundamentos que elencou as fls. 212/214, também de ser cancelado o crédito tributário referente à multa de mora aplicada pelo fisco, em ato de revisão do despacho aduaneiro. 14 — Requereu perícia." Sob apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Sao Paulo/SP, a 2a Turma, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, através do Acórdão DRESP011 N° 8.594, de 15 de setembro de 2004, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 16/11/1995 Ementa: "EX" TARIFAIO O texto de "Ex Tarifário" e a lei que outorga a isenção são interpretados literal e restritamente. "Ex" concedido a produto completo não beneficia importaçães autônomas de partes e peças, o mesmo ocorrendo com o Instituto da Isenção. Lançamento Procedente Ciente da decisão de la Instância, a Contribuinte, em 30 de dezembro de 2007 de 2007, interpôs Recurso Voluntário (fls. 524/537), no qual reitera, basicamente, os argumentos e fundamentos apresentados em sua Impugnação. Pugna, novamente, pela realização de perícia técnica junto ao Instituto Nacional de Tecnologia Os autos foram encaminhados ao 3° Conselho de Contribuintes para prosseguimento. Por meio da Resolução No. 301-1.722, da Primeira Camara, do Terceiro Conselho de Contribuintes, o julgamento do processo foi convertido em diligência, com vistas ã elaboração de Perícia Técnica dos bens, objeto do respectivo Auto de Infração, a fim de esclarecer qual a natureza/constituição do produto em questão e a confirmar, ou não , a integridade dos equipamentos constituída pela reunido das partes importadas separadamente. Em 13/09/2007, foi lavrado Termo de Notificação e Intimação, por meio de que o contribuinte foi notificado sobre o deferimento de seu pleito para consecução de perícia dos bens, objeto do processo, assim como, foram indicados os procedimentos necessários ao feito (fls. 622/626). Em 27/07/2007, a Recorrente protocolizou correspondência, informando que a primeira reunido de trabalho fora agendada para 19/10/2007 (fls. 625/626). Em 12/02/2008, o contribuinte peticionou aos autos informando que o Instituto Nacional de tecnologia somente poderia iniciar os trabalhos de perícia nos bens, objeto do processo a partir de fins de fevereiro de 2008 (fls. 627/629). Em 12/08/2008, o Contribuinte peticionou novamente aos autos apresentando a redação final dos quesitos que pretendia fossem respondidos (fls.635/637). Em 02/02/2009, foi lavrado Termo de Notificação e Intimação 002, no qual foi solicitado, entre outros, que o contribuinte indicasse o estágio dos trabalhos de perícia, assim como, que estimasse uma data para entrega do laudo pericial (fls. 638/639). Devidamente intimada, a Recorrente protocolizou correspondência apresentando documento do NT, ratificando a informação de que os trabalhos somente poderiam ser iniciados em maio de 2009. Em 20/05/2009, a Recorrente, peticionou informando que, entre outros, havia impossibilidade técnica de se empreender a perícia técnica requerida, uma vez que não poderia disponibilizar ao INT parte dos desenhos dos bens importados, essenciais para consecução dos trabalhos.(fis.647/651). E o relatório. 6 Processo n° 13839.000533/98-21 S3-C1T1 Acórdão n° 3101-00.550 1:1.4 Voto Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, Relatora 0 presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o cerne da lide reside no enquadramento das mercadorias importadas no "Ex Tarifário 001" do código NCM 8428.39.20 criado pela Portaria MF n° 181/95 (D.O.U. de 28/06/95). Na espécie, a descrição contida no referido destaque (ex) é a seguinte: "TRANSPORTADOR AUTOMÁTICO DE AÇÃO CONTINUA DE ROLO MOTORES, PARA TRANSFERÊNCIA LINEAR OU ANGULAR, COM VARIADOR DE VELOCIDADE." Nas importações ora questionadas as mercadorias foram descritas no quadro 11 das adições 003 da DI 29.312/95 e adição 008 da DI 30.89, como: "PARTE DE HUM CONJUNTO DE TRANSPORTADORES AUTOMÁTICO DE AÇÃO CONTINUA DE ROLO MOTORES PARA TRANSFERÊNCIA LINEAR OU ANGULAR COM VARIADOR DE VELOCIDADE, COM TODOS OS SEUS EQUIPAMENTOS PARTES E PECAS DESMONTADOS." Conforme se verifica, in casu, a realização da perícia requerida restou prejudicada por impossibilidade técnica, tendo em vista que, a Recorrente, não disponibilizou ao TNT parte dos desenhos dos bens importados, considerados essenciais para consecução dos trabalhos. No caso sub examen, considerando a impossibilidade de se aferir se as importações parceladas compõem, de fato, o equipamento descrito no "Ex Tarifário 001" do código NCM 8428.39.20 (Portaria MF n° 181/95); considerando que as importações ocorreram de forma parcelada, ou seja, por estabelecimentos distintos, uni localizado em Jundiai/SP e outro em Betim/MG. Na presente questão, entendo não merecer reparos a decisão recorrida. Assim sendo, NO MÉRITO, adoto como razões de decidir, o voto condutor do acórdão de primeira instancia, pela clareza e consistência da fundamentação e conclusão, verbis: A solução do presente litígio consiste em se determinar se a mercadoria despachada pelas DJs 029.312/95 Adição 003 e 030.849/95 — Adição 008 se enquadra ou não no EX 001 do código 8428.39.20, da Portaria MF 181/95, que reduziu para 0% o Imposto de Importação de "TRANSPORTADOR AUTOMATICO DE AÇA -0 CONTINUA DE ROLO MOTORES, PARA TRANSFERÊNCIA LINEAR OU ANGULAR, COM VARIADOR DE VELOCIDADE" e também 04( se as mercadorias despachadas através das DIs DI 029.312/95- Adição 003 e DI 030.849/95-Adições 002/003/006/007/008, vide fls. 79/88, fazein jus a isenção criada pela Lei n°9000/95. EX 001 da Portaria MF 181/95 A Portaria MF 181/95, através do EX 001 do código 8428.39.20 reduziu para 0% o Imposto de Importação da mercadoria - "TRANSPORTADOR AUTOMÁTICO DE ACÁ -0 CONTINUA DE ROLO MOTORES, PARA TRANSFERÊNCIA LINEAR OU ANGULAR, COM VARL4DOR DE VELOCIDADE." Nas importações ora questionadas as mercadorias foram descritas no quadro 11 das adições 003 da DI 29.312/95 e adição 008 da DI 30.849, como segue: "PARTE DE HUM CONJUNTO DE TRANSPORTADORES AUTOMÁTICO DE AÇÃO CONTINUA DE ROLO MOTORES PARA TRANSFERÊNCIA LINEAR OU ANLAR COM VARIA DOR DE VELOCIDADE, COM TODOS OS SEUS EQUIPAMENTOS PARTES E PECAS DESMONTADOS." Na GI n° 0340-95/002642/3 utilizada no despacho da DI 029.312/95 e na GI n° 0340-95/003393-4 utilizada nas demais, foi autorizada a importação de I (1-Hap CONJUNTO DE TRANSPORTADORES AUTOMÁTICO DE ACA-0 CONTINUA, DE ROLO, MOTORES, PARA TRANSFERÊNCIA LINEAR OU ANGULAR COM VARIADOR DE VELOCIDADE, COM TODOS SEUS EQUIPAMENTOS, PARTES E PECAS, DESMONTADOS. Alegou o Importador na impugnação que poderia ter importado o equipamento utilizando apenas a GI n° 340-952642-3, fls. 57, porém, como já em 06/10/95 expirou o prazo de validade para embarque do restante do equipamento e como se tratava do mesmo fabricante/fornecedor/exportador, a empresa não utilizou o saldo dessa guia, passando a importar o remanescente do material pela GI n° 340-95/3393-4, fls. , cujo prazo de validade iria se esgotar ern 02/12/95, tendo, então, completado a importação de urna unidade completa do equipamento em tela. No caso presente, verifica-se que o irnpugnante importou de modo fracionado partes de conjunto de transportadores automático de ação continua, de rolo, motores, para transferência linear ou angular com variador de velocidade com todos seus equipamentos, partes e peps (como descreveu nas DIs). Todavia, é evidente que, para que a Fiscalização possa verificar se o conjunto das várias importações das peças e partes corresponde ao equipamento objeto do beneficio, torna-se fundamental que o importador o comunique à Repartição que promove o despacho, sem o que a Fiscalização fica impossibilitada de verificar se o beneficio é cabível ou não. O contribuinte se equivocou ao dizer que a fiscalização teria ignorado a regra 2-a de Interpretação do Sistema Harmonizado, vejamos: "qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características 8 Processo n° 13839.000533/98-21 53-C ITI Acórdao n°3101-00.550 Fl. 5 essência do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar." Esta regra diz que qualquer referência a um artigo acabado abrange o artigo, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. Fica claro que o artigo foi importado completo e encontra-se desmontado. Ora, no caso presente o que vemos são importações de partes do produto. Esta regra não pode jamais ser interpretada para significar que ulna parte deva ser classificada na posição do todo. O contribuinte foi intimado 2 (duas) vezes a apresentar os "packing lists" durante os trabalhos de fiscalização, entretanto, somente o fez na impugnação, juntados às fls.238/500, e como podemos observar é impraticável a apreciação do mesmo da maneira como este se encontra. É importante ressaltar que tanto a classifica cão fiscal como o enquadramento de unia mercadoria ern EX tarifário estão diretamente relacionados com a natureza da operação realizada. A legislação que define a interpretação que se deve dar aos dispositivos legais que concedem redução ou isenção de tributos é bastante rigorosa, exigindo que tal interpretação seja restritiva e literal. 0 Artigo 111 do Código Tributário Nacional estabelece expressamente que "interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I — suspensão ou exclusão do crédito tributário; II — Outorga de isenção; III — dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias.". Regulamento Aduaneiro, por sua vez, dispõe, ent seu artigo 129, que: "Art. 129 - Interpretar-se-á literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre a outorga de isenção ou redução do imposto de importação (Lei n°5.172/66, artigo 111, II)." Tendo em vista os referidos dispositivos, é de se concluir que se uma Portaria concede redução de tributo para uma máquina, como é o caso da Portaria 181/1995, o beneficio só se aplica 01 máquina como um todo e não as suas partes ou peças. Como já dito, o importador pode efetuar o despacho fracionado do equipamento, mas, para isso, deve solicitor autorização ao Chefe da Unidade de desembaraço, para que os fiscais procedam à conferência conjunta das mercadorias importadas, fazendo constar de cada DI que as mercadorias são parles da máquina cujo beneficio pleiteia, a fim de que a Fiscalização possa realmente verificar se o conjunto das partes constitui ou não o todo amparado pelo beneficio fiscal. Nada disto, entretanto, foi providenciado pelo importador. Não ficou demonstrado que o importador tenha solicitado autorização para que a conferência da mercadoria fosse feita em conjunto, (mica forma de se averiguar se o conjunto das diversas LP't importações constituía o todo definido como "transportadores automáticos..." a que alude o Ex 001 do código 8423.89.00 da Portaria 181/1995. Medida que se impunha com mais forte razão no caso presente, considerando-se que uma parte da mercadoria foi importada E DESPACHADAS PARCIALMENTE POR ESTABELECIMENTOS IMPORTADORES DISTINTOS. De qualquer modo, não ficou demonstrado que o conjunto das mercadorias constantes das importações perfazem o equipamento "TRANSPORTADORES AUTOMÁTICO DE AO' 0 CONTINUA, DE ROLO, MOTORES, PARA TRANSFERÊNCIA LINEAR OU ANGULAR COM VARIADOR DE VELOCIDADE, texto do destaque EX mencionado e objeto da redução fiscal O beneficio do "ex" tarifário destina-se exclusivamente a mercadoria completa como bem destacou a fiscalização, devendo também, obrigatoriamente atender a todas as características discriminados no texto do dispositivo legal que o concedeu. Assim sendo, e tendo em vista os dispositivos que mandam interpretar restritiva e literalmente a legislação que concede beneficio fiscal, é de se concluir que a mercadoria importada não preenche as condições necessárias para enquadrar-se no destaque EX de que se trata, não podendo, portando, usufruir da redução do imposto de importação ali tratada. DA ISENÇÃO DA LEI 9000/95 DI 029.312/95-Adivilo 003 e DI 030.849/95-Adições 002/003/006/007/008 O mesmo ocorre com a isenção na área do IPL A isenção prevista na Lei 9000/95 refere-se somente aos códigos listados no anexo daquela Lei. Os códigos utilizados pelo contribuinte nas DI abrangem sini todo o equipamento e não as partes dos equipamentos importados. Com base no disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 10/97, de 16/01//97, a fiscalização deixou de lançar a multa de oficio por falta de recolhimento dos tributos, ficando os tributos não recolhidos sujeitos a multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n°9.430/96 que dispõe: "Art° 61 — Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso."" Pelas razões acima expostas, e por tudo mais que consta dos autos, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário interposto. Vanessa Valente Albuquerque 10
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720395/2007-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. EXCLUSÕES DA BASE DE
CÁLCULO.
Os valores que por definição legal são excluídos da base de cálculo da contribuição não constituem isenção e não dão origem a créditos. Interpreta-se restritivamente o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, e somente as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS permitem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.
Numero da decisão: 3101-000.681
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado em, por voto de qualidade, negar
provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo (Relator). Designado o Conselheiro Corintho Oliveira Machado para redigir o voto vencedor.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
dt_index_tdt : Sat Apr 20 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Os valores que por definição legal são excluídos da base de cálculo da contribuição não constituem isenção e não dão origem a créditos. Interpreta-se restritivamente o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, e somente as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS permitem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11020.720395/2007-23
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 4773968
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3101-000.681
nome_arquivo_s : 310100681_11020720395200723_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO
nome_arquivo_pdf_s : 11020720395200723_4773968.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado em, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo (Relator). Designado o Conselheiro Corintho Oliveira Machado para redigir o voto vencedor.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
id : 4740029
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 20 09:38:06 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1796846010861879296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1740; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 68 1 67 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.720395/200723 Recurso nº 265.074 Voluntário Acórdão nº 310100.681 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de abril de 2011 Matéria Ressarcimento Recorrente COOPERATIVA VITI VINICOLA ALIANÇA LTDA Recorrida DRJ/Porto AlegreRS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Os valores que por definição legal são excluídos da base de cálculo da contribuição não constituem isenção e não dão origem a créditos. Interpreta se restritivamente o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, e somente as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS permitem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado em, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo (Relator). Designado o Conselheiro Corintho Oliveira Machado para redigir o voto vencedor. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo RelatorVencido Corintho Oliveira Machado Relator Designado Fl. 72DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.720395/200723 Acórdão n.º 310100.681 S3C1T1 Fl. 69 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância que manteve o indeferimento do pedido de ressarcimento do crédito de PISmercado interno não cumulativo, relativo ao período de apuração do 4º Trimestre de 2004. O pedido se escora no art. 16 da Lei nº 11.116/05, defendendo a Recorrente que as exclusões da base de cálculo, legalmente previstas para as cooperativas (art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, art. 1º da Lei 10.676/2003 e art. 17 da Lei 10.864/2003), têm natureza de isenção e, assim, não impedem seu direito à manutenção do crédito, fundamentando seu posicionamento no art. 17 da Lei 11.033/2004. A Autoridade Fiscal indeferiu o pedido por entender que esse dispositivo legal deve ser interpretado literalmente, por força do que determina o art. 111 do CTN e que, assim, sendo, por não conter em suas hipóteses a previsão quanto à exclusão da base de cálculo, a Recorrente não tem o direito à manutenção do crédito pleiteado. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ de Porto Alegre/RS, segundo o fundamento consubstanciado na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO Os valores que por definição legal são excluídos da base de cálculo da contribuição não constituem isenção e não dão origem a créditos. Solicitação Indeferida. Intimada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (10/03/2009), aduzindo que: (i) O direito à manutenção do crédito previsto pelo art. 17 da Lei 11.033/2004 é introduzido por norma geral, o que impõe sua aplicação a todo e qualquer caso de venda de mercadorias que represente saída suspensa, isenta, alíquota zero ou não incidente em relação às contribuições sociais em tela; (ii) O Supremo Tribunal Federal já se posicionou no sentido de que as reduções da Base de Cálculo têm natureza jurídica de isenção parcial, de modo que, segundo entende a Recorrente, as exclusões da base de cálculo têm natureza isentiva e, por conta disso, são abrangidas pelo art. 17 da Lei 11.033/2004; (iii) Mesmo que se entenda que a exclusão da Base de Cálculo não tem a natureza jurídica de isenção, é impossível desconsiderar, ao menos, que se tratar de nãoincidência, de modo que continua fazendo jus à manutenção do crédito segundo o art. 17 da Lei 11.033/2004, por se tratar de hipótese também prevista por esse dispositivo legal. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.720395/200723 Acórdão n.º 310100.681 S3C1T1 Fl. 70 3 Destaquese, ter outro processo administrativo (11020.002826/200512) em que a Recorrente requer a restituição de créditos do mesmo período de apuração destes autos. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.720395/200723 Acórdão n.º 310100.681 S3C1T1 Fl. 71 4 Voto Vencido Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Por ser a Recorrente Sociedade Cooperativa de produção agropecuária é contribuinte do PIS/Cofins nãocumulativo, conforme expressamente prescrito pelo inciso VI do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/2003, vejamos: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: ... VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções de que trata o art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e o art. 17 da Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, não lhes aplicando as disposições do § 7o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e as de consumo; ... Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: ... V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; O ponto fulcral da discussão está na identificação da natureza jurídica das exclusões da base de cálculo das contribuições sociais (PIS/COFINS) previstas pela legislação aplicável às sociedades cooperativas (art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, art. 1º da Lei 10.676/2003 e art. 17 da Lei 10.864/2003), para que seja possível concluir pela aplicabilidade ou não do disposto pelo art. 17 da Lei 11.033/2004, que determina a possibilidade de manutenção do crédito dessas contribuições, em seu regime nãocumulativo de apuração. Antes de tratar especificamente da matéria litigiosa, é importante tecer algumas considerações acerca da apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, delineada, em nosso ordenamento jurídico, pelo § 12, art. 195 da Constituição Federal. O enunciado prescritivo constitucional, introduzido pela Emenda Constitucional n° 42/2003, é o ponto de partida para investigar os limites objetivos da outorga de competência tributária para a nãocumulatividade: Fl. 75DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.720395/200723 Acórdão n.º 310100.681 S3C1T1 Fl. 72 5 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: ... b) a receita ou o faturamento; ... § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. § 13. Aplicase o disposto no § 12 inclusive na hipótese de substituição gradual, total ou parcial, da contribuição incidente na forma do inciso I, a, pela incidente sobre a receita ou o faturamento. Percebese que a outorga constitucional da competência tributária para instituição de contribuição social sobre o faturamento e a receita das pessoas jurídicas, delegou à lei ordinária a incumbência de definir “os setores de atividade econômica para os quais as contribuições serão nãocumulativas”, ou seja, a Constituição conferiu à lei a atribuição de definir dentre os diversos setores da atividade econômica, aqueles que passariam a ser tributados pelo regime da nãocumulatividade, sem dar a definição de como se operaria essa nãocumulatividade, como o fez de forma expressa no art. 153, § 3º, inciso II, e art. 155, § 2º, incisos I e II, da própria Constituição. O resultado da atividade legislativa para instituição das contribuições não cumulativas (Lei 10.637/2002 e Lei 10.833/2003), não cumpriu, a meu ver, o requisito constitucional da delimitação da nãocumulatividade por setores de atividade econômica1. A 1 Ao fazer referência a “setores da atividade econômica”, a Constituição Federal reportase, necessariamente ao sistema de direito positivo que já adotou as definições da classificação elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, ligado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, que criou a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE. Para a Receita Federal do Brasil: “A CNAE é o instrumento de padronização nacional dos códigos de atividade econômica e dos critérios de enquadramento utilizados pelos diversos órgãos da Administração Tributária do país. Tratase de um detalhamento da CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas, aplicada a todos os agentes econômicos que estão engajados na produção de bens e serviços, podendo compreender estabelecimentos de empresas privadas ou públicas, estabelecimentos agrícolas, organismos públicos e privados, instituições sem fins lucrativos e agentes autônomos(pessoa física). A CNAE resulta de um trabalho conjunto das três esferas de governo, elaborada sob a coordenação da Secretaria da Receita Federal e orientação técnica do IBGE, com representantes da União, dos Estados e dos Municípios, na Subcomissão Técnica da CNAE, que atua em caráter permanente no âmbito da Comissão Nacional de Classificação CONCLA. A tabela de códigos e denominações da CNAE foi oficializada mediante publicação no DOU Resoluções IBGE/CONCLA nº 01 de 04 de setembro de 2006 e nº 02, de 15 de dezembro de 2006. Sua estrutura hierárquica mantém a mesma estrutura da CNAE (5 dígitos), adicionando um nível hierárquico a partir de detalhamento de classes da CNAE, com 07 dígitos, específico para atender necessidades da organização dos Cadastros de Pessoas Jurídicas no âmbito da Administração Tributária. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.720395/200723 Acórdão n.º 310100.681 S3C1T1 Fl. 73 6 legislação infraconstitucional foi muito além dessa delimitação e definiu a incidência da regra nãocumulativa para operações específicas; para receitas específicas decorrentes de determinadas operações ou atividades da empresa, excluindo o critério “setorial”. Ainda que a pessoa jurídica atue um determinado setor econômico, poderá estar submetidas a diversos regimes jurídicos de apuração do PIS e da COFINS a depender dos tipos de receitas que aufere. É de notarse que a nãocumulatividade das contribuições sociais (PIS e COFNS, art. 195, § 12), não contempla, necessariamente, o mesmo conteúdo semântico da nãocumulatividade dos impostos (IPI e ICMS). Tanto é assim, que, quando da instituição pelas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, a estrutura da não cumulatividade das contribuições afastouse, e muito, daquela compensação definida para os impostos (compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores). Na sistemática de apuração adotada para os impostos, denominada pela doutrina como imposto sobre imposto, o contribuinte escritura uma contagráfica, a partir das entradas e saídas de produtos, para registrar os créditos decorrentes de aquisições que foram tributadas nas operações anteriores (cujos tributos foram expressamente destacados na nota fiscal que ampara a operação de venda e compra) e os débitos decorrentes das saídas tributadas. Essa sistemática não se apresenta no PIS e na COFINS, como bem nos ensina Ricardo Mariz de Oliveira2: “De fato desde logo se pode perceber que, nelas [PIS/COFINS], por incidirem sobre receitas em geral, ocorre um fenômeno diferente do que se dá com o IPI e o ICMS, pois elas não tem, rigorosamente falando, uma incidência multifásica, mas sempre necessariamente unifásica, no sentido de que cada receita é fato isolado de todas as demais receitas, ainda que duas ou mais advenham da circulação de um mesmo bem, pois este não é elemento essencial para a definição de receita e não estabelece qualquer relação entre uma e outras.” Disso decorre que a não cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS terá uma forma diferente de apuração, a qual foi apresentada por Alcides Jorge Costa3 como uma combinação do método imposto sobre imposto com o base sobre base, ao argumentar que o simples método do imposto sobre imposto não seria razoável para o caso dessas contribuições, haja vista que a base de cálculo destes tributos é a receita bruta, que abrange diversos itens [...] Assim, na apuração dos créditos não haveria como saber quais os Na Secretaria da Receita Federal , a CNAE é um código a ser informado na Ficha Cadastral de Pessoa Jurídica (FCPJ) que alimentará o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica/CNPJ. Deste modo, na linha de uma interpretação sistêmica do direito, a lei que disciplinou a nãocumulatividade das contribuições deveria eleger os setores da economia que estariam submetidos a tal regime de apuração. A adoção do critério da indicação de atividades econômicas não organizadas por setores, mas sim por cada uma das atividades das empresas, afronta a Constituição e cria enormes dificuldades para identificação dos regimes jurídicos de apuração aplicáveis, na contramão da transparência e da simplificação da tributação. 2 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. VISÃO GERAL SOBRE A CUMULATIVIDADE E A NÃO CUMULATIVIDADE (TRIBUTOS COM INCIDÊNCIA ÚNICA), E A "NÃOCUMULATIVIDADE" DA COFINS E DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. In Não Cumulatividade Tributária. Hugo de Brito Machado (coord.). Dialética: São Paulo, 2009, p. 428 3 COIMBRA, Ronaldo (et al). idem. p. 399. Referência feita à Palestra proferida por Alcides Jorge Costa no XIX Congresso de Direito Tributário. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.720395/200723 Acórdão n.º 310100.681 S3C1T1 Fl. 74 7 relativos, por exemplo, a juros e a aluguéis pagos, dado que estes são tributados em bloco, como integrantes da receita bruta da pessoa jurídica que os recebe. Tenho para mim que, a partir das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, a regra geral de apuração para o PIS e a COFINS é a nãocumulativa, sendo exceções, a cumulativa, a monofásica e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, isso porque, apesar de a Constituição prever a instituição setorial, as normas adotaram a estrutura de definição do que vem a ser a materialidade da incidência de forma genérica4 para depois determinar a exclusão daquelas atividades ou receitas que permaneceriam no regime anterior (cumulativo) ou especiais (monofásico e SIMPLES), ou seja, ao invés de indicar quais os setores submetidos à nãocumulatividade, selecionou as atividades ou regimes de apuração de impostos (IRPJ presumido e SIMPLES) que deveriam ser excluídos. A adoção do critério de “exclusão”, ao invés do critério de “seleção”, é típica das normas gerais5. As normas especiais contemplam em sua estrutura o “destaque” de situação particular que, a princípio, estaria disciplinada na norma geral. Portanto, qualquer receita decorrente de atividade que não esteja expressamente excluída pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, deverá ter a apuração do PIS e da COFINS no regime jurídico da nãocumulatividade. Dependendo do tipo da operação realizada pelo contribuinte, a receita deverá ser identificada e classificada em um dos regimes jurídicos de apuração das contribuições PIS e COFINS, uma vez que, diante da incidência das diversas normas jurídicas, a apuração poderá ser cumulativa (Lei 9.718/98), nãocumulativa (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), monofásica (Lei 10.147/2000, por exemplo) ou SIMPLES (Lei Complementar n° 123/2006). De modo que, impende reconhecer que a apuração do PIS e da COFINS seguirá regime jurídico cumulativo, nãocumulativo, monofásico ou SIMPLES, a depender dos tipos das operações praticadas pela empresa, de modo que uma empresa poderá, simultaneamente, submeterse a três regimes de apuração – cumulativo, nãocumulatividade ou monofásico – num mesmo período. Assim, a apuração do PIS e da COFINS deverá levar em conta as seguintes etapas para fins de determinar o quantum debeatur, a saber: 4 Lei n° 10.637/2002: “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.” Lei n° 10.833/2003: “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.” 5 Lei n° 10.637/2002: “Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: ...” Lei n° 10.833/2003: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas:...” Fl. 78DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.720395/200723 Acórdão n.º 310100.681 S3C1T1 Fl. 75 8 i) identificação da operação realizada e determinação do regime jurídico a que se submete, obtendose, a partir das respectivas receitas, a base de cálculo do PIS e da COFINS cumulativos, do PIS e da COFINS nãocumulativos e do PIS e da COFINS monofásico (seja no substituto como no substituído); ii) apuração do crédito a partir das despesas apropriadas exclusivamente para auferimento das respectivas receitas ou proporcionalmente ao volume de cada um dos tipos de receitas, quando forem comuns a mais de uma; iii) obtenção direta do PIS e da COFINS no caso dos regimes cumulativos e monofásico e, no caso do regime nãocumulativo, apuração dos créditos (a partir das despesas) e débitos (a partir das receitas) para proceder a compensação com o fim de identificar os quantum debeatur ou saldo credor passível de restituição/ressarcimento. É de notarse que apenas o regime de apuração nãocumulativo confere à empresa o direito de apropriação de créditos decorrentes de despesas para descontar dos débitos das contribuições calculados a partir das receitas identificadas como submetidas ao regime da nãocumulatividade. Ocorre que as despesas, no mais das vezes, podem ser comuns aos diversos regimes de tributação dessas contribuições, por isso a legislação criou formas de apropriação parcial/proporcional das despesas para cálculo dos créditos que serão utilizados no regime não cumulativo. Percebese assim, que as despesas são apropriadas em face da qualificação da receita, ou seja, a empresa somente terá direito ao creditamento total ou parcial das despesas, se e quando a receita decorrente não estiver expressamente excluída do regime jurídico de apuração nãocumulativo. De modo que o fato jurídico que qualifica o direito creditório escritural é o regime jurídico da correspondente receita auferida. Como forma de dar plena vigência à nãocumulatividade, a Lei n° 11.033/2004 trouxe expressa determinação quanto à possibilidade de manutenção dos créditos de PIS e COFINS, quando as receita forem decorrentes de operações com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Dispõe o art. 17: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Mais uma vez se confirma que o direito ao crédito decorre do regime jurídico de apuração a que determinada receita está submetida. Ainda que haja saída com isenção, alíquota zero, ou não incidência de PIS e COFINS, a empresa manterá a escrituração dos respectivos créditos decorrentes das despesas que incorreu para obtenção dessas receitas, o que privilegia a nãocumulatividade. Desta forma, diferentemente, do ICMS, o pressuposto da não cumulatividade do PIS e da COFINS é de manutenção do crédito nas saídas desoneradas6. 6 Como se sabe, o regime jurídico da nãocumulatividade do ICMS veda a manutenção dos créditos quando a saída for com isenção ou nãoincidência, por expressa disposição constitucional, conforme art. 155, § 2º,inciso II. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.720395/200723 Acórdão n.º 310100.681 S3C1T1 Fl. 76 9 Como visto, o direito a crédito escritural de PIS e COFNS advém do regime jurídico de apuração a que está submetida determinada receita e sua manutenção é pressuposto da estrutura da nãocumulatividade dessas contribuições. Diferentemente da nãocumulatividade do IPI e do ICMS, nas contribuições os registros de créditos e débitos levam em conta as receitas submetidas ao regime jurídico de apuração pela nãocumulatividade, as despesas incorridas para obtenção desse tipo de receitas e a dinâmica que privilegia a manutenção do crédito. No ICMS, principalmente, identificamos diversas situações em que o contribuinte vêse obrigado a estornar créditos (art. 21, Lei Complementar n° 87/96). Já nas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, as previsões de estorno estão limitadas às circunstâncias de as aquisições terem sido furtadas ou roubadas, inutilizadas ou deterioradas, destruídas em sinistro ou, ainda, empregadas em outros produtos que tenham tido a mesma destinação (art. 3º, § 13, da Lei n° 10.833/2003) e na devolução de unidades imobiliárias em face de desfazimento do negócio (art. 4º, § 9º, da Lei n° 10.833/2003). Apesar de a legislação privilegiar o direito a crédito, em face da ausência de dispositivos que imponham à empresa o procedimento do estorno, é importante questionar a repercussão jurídica para o direito ao crédito quando a lei confere ao contribuinte redução da base de cálculo para essas contribuições ou exclui determinada receita da tributação, sempre no âmbito do regime jurídico de apuração nãocumulativo. É o caso do enunciado prescritivo do art. 1º da Lei nº 10.485/2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, que instituiu a redução da base de cálculo do PIS e da COFINS para os produtos algumas máquinas e veículos7. Ou ainda, o caso do art. 2º da mesma lei que autoriza a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS de receitas recebidas pelo fabricante ou importador nas vendas diretas ao consumidor final dos veículos que identifica8, bem como do art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835/20019, art. 1° da Lei n° 7 Lei n° 10.485/2002 (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004): “Art. 1o As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. § 1o O disposto no caput, relativamente aos produtos classificados no Capítulo 84 da TIPI, aplicase, exclusivamente, aos produtos autopropulsados. § 2o A base de cálculo das contribuições de que trata este artigo fica reduzida: I em 30,2% (trinta inteiros e dois décimos por cento), no caso da venda de caminhões chassi com carga útil igual ou superior a 1.800 kg e caminhão monobloco com carga útil igual ou superior a 1.500 kg, classificados na posição 87.04 da TIPI, observadas as especificações estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal; II em 48,1% (quarenta e oito inteiros e um décimo por cento), no caso de venda de produtos classificados nos seguintes códigos da TIPI: 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 8702.10.00 Ex 02, 8702.90.90 Ex 02, 8704.10.00, 87.05 e 8706.00.10 Ex 01 (somente os destinados aos produtos classificados nos Ex 02 dos códigos 8702.10.00 e 8702.90.90). § 3o O disposto neste artigo aplicase, inclusive, às pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. 8 Lei n° 10.485/2002 (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004): Art. 2o Poderão ser excluídos da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep, da Cofins e do IPI os valores recebidos pelo fabricante ou importador nas vendas diretas ao consumidor final dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI, por conta e ordem dos concessionários de que trata a Lei no 6.729, de 28 de novembro de 1979, a estes devidos pela intermediação ou entrega dos veículos, e o Imposto sobre Operações Fl. 80DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.720395/200723 Acórdão n.º 310100.681 S3C1T1 Fl. 77 10 10.676/ 200310, e art. 17 da Lei n° 10.684/200311, que confere exclusões da base de cálculo para cooperativas. Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações – ICMS incidente sobre esses valores, nos termos estabelecidos nos respectivos contratos de concessão. § 1o Não serão objeto da exclusão prevista no caput os valores referidos nos incisos I e II do § 2o do art. 1o. § 2o Os valores referidos no caput: I não poderão exceder a 9% (nove por cento) do valor total da operação; II serão tributados, para fins de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, à alíquota de 0% (zero por cento) pelos referidos concessionários. 9 Art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão,, observado o disposto nos arts. 2° e 30 dá Lei n° 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1' Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2° Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: 1 a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 10 Art. 1° da Lei n° 10.676, de 22 de maio de 2003: Art. 1°. As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1' As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2' Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3' O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n° 1.85810, de 26 de outubro de 1999. 11 Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1° da Medida Provisória n° 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n' 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.720395/200723 Acórdão n.º 310100.681 S3C1T1 Fl. 78 11 Diante da redução de base de cálculo ou da exclusão de uma das receitas que compõe a base de cálculo nãocumulativa, há quem entenda que tais circunstâncias impõem a direta repercussão ao direito à não manutenção do crédito, sob o fundamento de que nem a redução da base de cálculo nem a exclusão da receita estão nominalmente identificadas no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. O direito ao creditamento, como vimos, está estabelecido de forma genérica na legislação – ressalvadas as vedações expressamente mencionadas na norma de regência – de modo que é o regime jurídico da receita que implica o direito ao crédito e não a existência ou não de tributação sobre a receita. Se uma determinada receita não está expressamente classificada como cumulativa ou monofásica12 estará obrigatoriamente no regime geral da não cumulatividade e, portanto, confere direito a crédito relativamente às despesas vinculadas. Nesse sentido, o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 introduz no sistema regra que emerge naturalmente da estrutura legislativa do regime jurídico da nãocumulatividade do PIS e da COFINS de modo que, tal enunciado prescritivo revela seu caráter interpretativo das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Isso porque, para que o contribuinte não efetue o creditamento é imprescindível que haja disposição legal que vede, de forma originária, o direito ao crédito ou que, da mesma forma, haja determinação legal expressa para realização do estorno. Se de um lado a isenção pode ser identificada como favor legal, de outro lado o creditamento no âmbito do regime da nãocumulatividade é direito assegurado pelo sistema. Diante do exposto, julgo PROCEDENTE o Recurso Voluntário, para retornar o processo à Repartição de Origem a fim de verificar a regularidade do valor pleiteado.. Luiz Roberto Domingo 12 Não mencionamos as receitas do SIMPLES, pois este é um regime de apuração que afeta todas as receitas da pessoa jurídica, sendo impossível que uma empresa optante do SIMPLES tenha outros regimes de apuração para as contribuições. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.720395/200723 Acórdão n.º 310100.681 S3C1T1 Fl. 79 12 Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Designado Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das brilhantes considerações tecidas pelo eminente Conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto de qualidade, firmou entendimento de que não assiste razão a ambos no que diz com a interpretação do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, notadamente no que se refere à amplitude de seu preceito em aplicação sistemática com as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que configuram a tributação do PIS e da COFINS não cumulativos. Com efeito, o aludido dispositivo legal permite a mantença dos créditos vinculados às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições não cumulativas, porém observase que tais institutos são deveras distintos, e têm em comum apenas o resultado da inexistência de tributação das operações atingidas por eles. Quisesse o legislador permitir a manutenção dos créditos para as operações de venda em que ocorre redução da base de cálculo e exclusões dessa, as teria elencado no rol do art. 17, porquanto tais institutos tributários são também bastante diferentes da suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência, tendo como ponto comum tão só a inexistência de tributação das operações, ainda que parcial no caso da redução da base de cálculo. Por outras palavras, os institutos que dão margem à manutenção dos créditos, por força do prefalado art. 17 são apenas aqueles nominalmente previstos na lei, de maneira numerus clausus, até porque o diploma pátrio nacional, em seu art. 111, manda interpretar restritivamente qualquer lei que trate de suspensão ou exclusão de crédito tributário. Nesse diapasão, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 07 de abril de 2011. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 83DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.720395/200723 Acórdão n.º 310100.681 S3C1T1 Fl. 80 13 Fl. 84DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/09 /2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 26/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13901.000043/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/07/2004
EXPORTAÇÃO POR VIA MARÍTIMA. DESPACHO ADUANEIRO.
AVERBAÇÃO. TRANSPORTADOR. AGENTE DE CARGA.
RESPONSABILIDADE.
A inobservância do prazo para o registro no Siscomex dos dados relativos ao embarque de mercadorias destinadas ao exterior dificulta as ações de fiscalização aduaneira e é fato típico da multa cominada no Decreto-lei 37, de 1966, artigo 107, inciso IV, alínea "e" c/c alínea "c", na redação dada pela Lei 10.833, de 2003. 0 transportador e o agente de carga são solidariamente
responsáveis pela infração, sem beneficio de ordem.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3101-000.576
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
dt_index_tdt : Sat Apr 20 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/07/2004 EXPORTAÇÃO POR VIA MARÍTIMA. DESPACHO ADUANEIRO. AVERBAÇÃO. TRANSPORTADOR. AGENTE DE CARGA. RESPONSABILIDADE. A inobservância do prazo para o registro no Siscomex dos dados relativos ao embarque de mercadorias destinadas ao exterior dificulta as ações de fiscalização aduaneira e é fato típico da multa cominada no Decreto-lei 37, de 1966, artigo 107, inciso IV, alínea "e" c/c alínea "c", na redação dada pela Lei 10.833, de 2003. 0 transportador e o agente de carga são solidariamente responsáveis pela infração, sem beneficio de ordem. Recurso voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 13901.000043/2008-49
conteudo_id_s : 5647288
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3101-000.576
nome_arquivo_s : Decisao_13901000043200849.pdf
nome_relator_s : TARASIO CAMPELO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 13901000043200849_5647288.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
id : 6538887
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 20 09:38:07 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1796846010866073600
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-30T13:06:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 9; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-30T13:06:47Z; Last-Modified: 2011-08-30T13:06:48Z; dcterms:modified: 2011-08-30T13:06:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:6a43fd90-2651-4edb-9946-910194d5aea0; Last-Save-Date: 2011-08-30T13:06:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-30T13:06:48Z; meta:save-date: 2011-08-30T13:06:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-30T13:06:48Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-30T13:06:47Z; created: 2011-08-30T13:06:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-08-30T13:06:47Z; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-30T13:06:47Z | Conteúdo => DF CA RE' ME 1-1 80 S3-C11- 1 Fl 105 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 1390 L000043/2008-49 Recurso a' 512.137 Voluntário Acórdão n° 3101-00.576 — 1 0 Câmara / 1 0 Turma Ordinária Sessão de 9 de dezembro de 2010 Matéria Multa (informação sobre embarque mercadorias para exterior) Recorrente TRANSGOLF AGÊNCIA MARÍTIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/07/2004 EXPORTAÇÃO POR VIA MARÍTIMA. DESPACHO ADUANEIRO, AVERBAÇÃO, TRANSPORTADOR, AGENTE DE CARGA. RESPONSABILIDADE. A inobservância do prazo para o registro no Siscomex dos dados relativos ao embarque de mercadorias destinadas ao exterior dificulta as ações de fiscalização aduaneira e é fato típico da multa cominada no Decreto-lei 37, de 1966, artigo 107, inciso IV, alínea "e" c/c alínea "c", na redação dada pela Lei 10.833, de 2003. 0 transportador e o agente de carga são solidariamente responsáveis pela infração, sem beneficio de ordem. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. TARASIO CAMPELO BORGES - Relator, EDITADO EM: 24/12/2010 Ast, inado cqLalinente em 24 1 1212010 por TARASIO CAMPO.° BORGES. 3111212010 por HENR1Q1JE PINHEIRO TOR RES Autwticado i1.11iner1te. ern 3di12/2010 por TARASIO CAMPE1,0 BORGES Emitido en 10/01/2011 plc: Ministerio c.1:1 Fazerida DF CA R F Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campeio Borges, Nfldete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Primeira Turma da DR) Florianópolis (SC) que julgou procedente [ 1 ] a exigência de multa por embaraço ficalização aduaneira decorrente de extemporâneo registro no Siscomex de dados do embarque de mercadorias para o exterior [2] [31 [4] [6] [6] [7] rj [91 Ciência pessoal dos lançamentos a preposto da sociedade empresária em 4 de dezembro de 2008. Inteiro teor do acórdão recorrido as tolhas 580 62 Auto de infração, descrição dos fatos, folhas 3 a 9 Multa: R$ 5,000,00. Fundamento legal: Decreto-lei 37, de 18 de novembro de 1966, artigo 107, inciso IV, alinea "e", corn a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10833, de 29 de dezembro de 2003. Decreto -lei 37, de 1966 (com a redação dada pela Lei 10833, de 2003), artigo 107: Aplicam-se ainda as seguintes moires: [ (IV) de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): C„ ] (c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; . I (e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operag8es que execute, na forma e no prazo estabelecidos pale Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; (..1 Penado dos fatos: 24 de junho de 2004 (embarques) a 20 de julho de 2004 Prima inclusão de dados dos embarque no Siscomex). IN SRF 28, de 1994, artigo 37 [redação original]: Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (Parágrafo único) Na hipótese de embarque de mercadoria ern viagem internacional, por via rocroviarirt, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, sera de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. IN SRF 28, de 1994, artigo 37 [redação dada pela IN SRI' 510, de 14 de fevereiro de 20051: 0 transportador devera registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque (§ 1 °) Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, sera de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SR.F de despacho. (§ Na hipótese de embarque maritimo, o transportador terá o prazo de sere dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. IN SRF 28, de 1994, artigo 42: Quando a mercadoria, epos seu desembaraça aduaneiro de exportação, for embarcada ern aeronave ou embarcação que faça percurso interno conjugadamente com outra que complemente a operação de transporte no percurso internacional, sera considerado local de embarque aquele em que a mercadoria for carregada no veiculo que fará a viagem internacional, mesmo que venha a escalar em outro ponto do território nacional (§ 3 °) 0 registro dos dados de embarque da mercadoria, na S1SCOMEX, sera feito, pelo transportador final, após o transbordo da carga para o veículo que fará a viagem internacional. SRF 28, olç '994 artii&Q 44-,Q de,scprorittterttp, pelq transport/War, do disposto, nos.arts. 37, 41 e § 3° do Asviinado ,--" t A mr-iiid̀rilVauggi2ill' 'c'htbàQo 'a" -'.6fa- 8.'d&-it-fugii2n,,h'htlilli'AQ'stijeitando o RES Autenticado tgiialmerile am 24/1212010 por TARAS10 CAMPELO BORCES 2 Erniticio em 010112011 pela Minis:66a ciz) Fazencla 2 4 3 6 7 DE CA F rvl FL 82 PrOCCSSO n° 13901 000043/2008-49 S3-CIT1 Aeórao n 3101 -00.576 Fl 106 Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório com as razões de folhas 43 a 49, assim sintetizadas no relatório do acórdão reconi do: Que, não nega que houve atraso na entrega das informações, contudo não teve responsabilidade no atraso do envio destas informações, visto que são os exportadores que repassam as informações; Que, não há tipificação da penalidade, não houve embaraço e impedimento A fiscalização, eventual embaraço foi causado por terceiros; Requer seja provido o recurso, para o .fim de reformar o auto de infração. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01107/2004 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. 0 registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte marítima, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do Decreto-Lei n°37/66. Impugnação Improcedente Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto as folhas 68 a 74, Nessa petição, alega sua ilegitimidade passiva . Aduz que depende de informações retidas pelas exportadoras para o adimplemento dessa obrigação acessória e reitera suas razões iniciais noutras palavtas, infrator no pagamento da multa prevista no art, 107 do Decreto-lei n° 37166 com a redação do art. 5° do Decreto-lei re 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabiveis Asoinoci digitatmento em 2411212210 por TARASiO CAMPELO BORGES $111212010 por liEtIRIQUE PINHEIRO TOR RES AtrenticIdo digitaimente orn 24112/2010 por TARASIO cAMPEW BORGES Emitido 10;01/2011 polo ful,mst000 do Fozonda 3 MF FL g3 DP CARI A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instancia administrativa [ I I os autos posteriormente distribuidos a eae conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 75 folhas. o relatório Voto Conselheiro Tardsio Carnpelo Borges, Relator Conheço do recurso voluntário interposto As folhas 68 a 74, porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Versa o litígio, conforme relatado, acerca da exigência de multa por embaraço à fiscalização aduaneira em face de extemporâneo registro no Siscomex de dados do embarque de mercadorias para o exterior. 0 despacho aduaneiro de mercadorias destinadas ao mercado externo é matéria disciplinada na IN SRF 28, de 27 de abril de 1994, com as diversas alterações nela introduzidas. I Despacho acostado à folha 75 determina o encaminhamento dos autos para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Afssinado di ttarmente em 24 1 12/2010 por TARASIO cAmPao BORGES I/12/2010 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Autenticado igitaImente em 24/12/2010 por TARASIO CAMPELO BORGES Emitida cm 0101/2011 polo Unistério cia Fazr:cla 4 DI: CA Processo 13901.000043/2009-49 S3-.CI Ti Accirao ° 3101-00.576 Fl 107 Nesse particular, o § 1 0 do artigo 46 [ 11 ] dessa instrução normativa, apoiado no artigo 37 do Decreto-lei 37, de 1966, determina que a averbação de embarque das exportações por via marítima seja levada a efeito no Siscomex, "após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes, pelo transportador, na forma do art. 37". O capta do artigo 37, por sua vez, na redação vigente A época dos fatos [ 12 ], atribuia ao transportador a responsabilidade pelo registro de dados da exportação no Siscomex "imediatamente após realizado o embarque da mercadoria". No caso concreto, o registro no Siscomex dos dados relativos ao embarque de mercadorias destinadas ao exterior, informações consideradas para fins comerciais, fiscais e cambiais [ 13], somente foram consignadas no sistema após transcorridos, no mínimo, 13 (treze) dias da data do efetivo embarque: muito além do previsto na redação então vigente do caput do artigo 37 da IN SRF 28, de 1994, igualmente superior ao prazo fixado na alteração introduzida ao texto da norma pela IN SRF 510, de 2005 [ 14 ]. Por outro lado, essa conduta é fato típico da multa prevista no Decreto-lei 37, de IS de novembro de 1966, artigo 107, inciso IV, alínea "e" c/c alínea "c", na redação dada pela Lei 10.833, de 2003, verbis: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei 10.833, de 29.12.2003) IV - de RS 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei 10.833, de 29.12.2003) IN SRF 28, de 1994, artigo 46: A averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria (§ 1°) Nas exportaçacs por via area ou marítima, a averbaçao sera feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes, pelo transportador, na forma do art, 37. [...] 12 IN SRF 28, de 1994, artigo 37, caput [redação vigente a época dos fatos, anteriormente a alteração introduzida pela IN SRF 510, de ZOOS]: Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrara os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos, 13 IN SRF 28, de 1994, artigo 47: Nos termos do artigo anterior, a averbação do embarque ou da transposição de fronteira, no SISCOMEX, apenas confirma e valida a data de embarque ou de transposição de fronteira e a data dc emissão do Conhecimento de Carga, registradas, no Sistema, pelo transportador ou exportador, que são as efetivamente consideradas para fins comerciais, fiscais e cambiais IN SRF 28, de 1994, artige .37 [redação dada pela IN SRF 510, de 14 de fevereiro de 2005]: 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (§ 1°) Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, sera de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. (g 2°) Na hipótese de embarque marltimo, o transportador terá o prazo de seta dias para o registro no sistema dos dados Asssnodp digilalmonto col mencionadpsmo!capiltaiestemrligol BORGES ::', Ii1212010 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RIOS Autentica Jo dicji0inente em 24/12/2010 por TARASIO CAMPELO BORGES Emilido e 10,0112011 pub NI:nrs1;1.tio do Fozerida OF CA R Ml H 85 c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou cornissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não- apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; e) por deixar de prestar informação sobre verculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e Com essas considerações, rejeito a alegada ilegitimidade passiva e nego provimento ao recurso voluntário. 'Tarásio Campelo Borges Assirado dio talinente en 2.1/1212010 por TARASI° UMBEL° BORGES 1111/12/2010 por HENRIQUE P11,11-1EIRO Ton nos Autenticado 1iitIrnrIa em 2411212010 por TARIASIO CAMPE-LC) BORRES Ordllido em 10101/411 plo Moistelio do Fozenda 6
score : 1.0
Numero do processo: 10480.901106/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a existência do direito creditório por provas apresentadas pelo interessado e apreciadas pela Fiscalização impõe-se a homologação da Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 3201-011.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Paula Pedrosa Giglio, Marcio Robson Costa, Marcos Antonio Borges (suplente convocado(a)), Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Helcio Lafeta Reis (Presidente. Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 20 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202403
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a existência do direito creditório por provas apresentadas pelo interessado e apreciadas pela Fiscalização impõe-se a homologação da Declaração de Compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 10480.901106/2008-96
anomes_publicacao_s : 202404
conteudo_id_s : 7054892
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3201-011.606
nome_arquivo_s : Decisao_10480901106200896.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : MARCIO ROBSON COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 10480901106200896_7054892.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Paula Pedrosa Giglio, Marcio Robson Costa, Marcos Antonio Borges (suplente convocado(a)), Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Helcio Lafeta Reis (Presidente. Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antonio Borges.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2024
id : 10382144
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 20 09:38:00 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1796846010873413632
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-02T14:23:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-02T14:23:46Z; Last-Modified: 2024-04-02T14:23:46Z; dcterms:modified: 2024-04-02T14:23:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-02T14:23:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-02T14:23:46Z; meta:save-date: 2024-04-02T14:23:46Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-02T14:23:46Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-02T14:23:46Z; created: 2024-04-02T14:23:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2024-04-02T14:23:46Z; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-02T14:23:46Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10480.901106/2008-96 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-011.606 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2024 Recorrente CONSTRUTORA E INCORPORADORA NASSAU LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a existência do direito creditório por provas apresentadas pelo interessado e apreciadas pela Fiscalização impõe-se a homologação da Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Paula Pedrosa Giglio, Marcio Robson Costa, Marcos Antonio Borges (suplente convocado(a)), Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Helcio Lafeta Reis (Presidente. Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antonio Borges. Relatório Nos termos do relatório da Delegacia Regional de Julgamento o presente processo administrativo fiscal desencadeou nos seguintes fatos: Trata o presente processo de pedido de restituição da C o f in s cumulado com o pedido de Compensação formalizado por meio do Pedido Restituição e Declaração de Compensação - PER/DCOMP- n° 20073.75725.150404.1.3.04-1001, de fls.01/05, com os seguintes créditos e débitos, respectivamente: C o f in s : Data de Arrecadação: 14/11/2003 C o f in s - Período de Apuração: março de 2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 11 06 /2 00 8- 96 Fl. 147DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-011.606 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.901106/2008-96 2 O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl 06, do Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife -PE com base nas seguintes constatações, in verbis: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no Per Dcomp: RS 910.63. A partir das características do DARF discriminado no PER DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagam entos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no PER DCOMP. Cientificada de tal negativa na data de 05/05/2008, a contribuinte apresentou em 04/06/2008 a manifestação de inconformidade de fl. 11, na qual alega: 3.1 aduz que quando da transmissão do Per/Dcomp não procedeu à retificação da DCTF relativa ao 4o trimestre de 2003. onde seriam visualizados os créditos da Cofins utilizados: 3.2.acrescenta que. desta feita, visando demonstrar a consistência do crédito, formulou a entrega da DCTF retificadora. conforme recibo de transmissão cm anexo, a fim de que sejam homologadas as compensações reivindicadas através do Per/Dcomp cm discussão 3.5. solicita, em face do exposto, a baixa do presente processo por ser improcedente. 3.6.junta cópia dos recibos das DCTF retificadoras correspondentes ao 3º ao 4º trimestre de 2003. 4. Foi juntada aos presentes autos por esta julgadora a seguinte documentação: a) duas DCTF apresentadas pela contribuinte relativas ao mês de outubro de 2003, datadas 12/02/2003 e 04/06/2008. A supracitada Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, conforme julgado proferido pela DRJ de Recife (PE), com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao sujeito passivo o ônus da prova relativo a direito creditório pleiteado em Pedido Eletrônico de Restituição. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Eventuais erros de preenchimento na DCTF devem ser comprovados pela recorrente, uma vez que esta detém todos os elementos necessários, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação. COMPENSAÇÃO, INDÉBITO INCOMPROVADO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. Procede o despacho decisório que não homologa a compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 148DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-011.606 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.901106/2008-96 Inconformada com o julgamento de piso a empresa contribuinte apresentou Recurso Voluntário, apreciado por este relator, que ao verificar que o feito não se encontrava maduro para julgamento, propus a sua conversão e diligência. A proposta foi acatada pelo colegiado, sendo a época, decidido pela Resolução nº 3003-000.082 determinando a devolução dos autos à origem para as providências solicitadas por este relator. Com a devolução dos autos, após cumpridas as diligências solicitadas, passo ao voto. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade para seu conhecimento. Não foram arguidas preliminares. Conforme exposto no relatório, trata-se de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior a título de COFINS do período de apuração 12/2003, no valor de R$ 1.238,54. A controvérsia pode ser resumida nas razões da não homologação do pedido de compensação de créditos da COFINS supostamente pago a maior, com débitos também da COFINS, no valor de R$ 910,63. O julgador de piso ressaltou que: Consultando-se as DCTF apresentadas pela contribuinte, no sistema DCTF sistema Gerencial- Versão 468- desta Receita Federal, constata-se a existência de duas DCTF apresentadas pela impugnante, sendo a primeira datada de 12/02/2004 na qual é declarada a Cofins relativa ao mês de outubro de 2003 no valor de R$ 6.731,02, vinculada a pagamento com Darf no valor dc R$ 6.731,02 com a mesma data vencimento, enquanto que a DCTF retificadora apresentada na data de 04/06/2008, traz como débito da Cofins correspondente ao mês de outubro de 2003 a quantia de R$ 5.820,39, vinculada ao mesmo Darf no valor de R$ 5.820,39. Assim, observa-se que a retificação alegada importa em redução do débito da Cofins anteriormente declarado e pago, que a contribuinte pretende comprovar por meio de retificação de DCTF após a emissão do despacho Decisório cientificado à contribuinte, eis que esta foi transmitida à Receita Federal em 04/06/2008, sem, contudo, apresentar na manifestação de inconformidade ora apreciada qualquer razão de fato e de direito que possa servir de justificativa para a referida redução, acompanhada de seus registros contábeis ou fiscais que comprovem que o valor da Cofins do mês de outubro de 2003 houvera sido pago em valor superior ao efetivamente devido. Ao apresentar à manifestação de inconformidade a contribuinte esclarece que efetuou recolhimento via DARF na ordem de R$ 6.731,02 a título de COFINS e declarou em sua DCTF o mesmo valor, operando a retificação, após o despacho decisório, para que pudesse Fl. 149DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-011.606 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.901106/2008-96 constar o valor de R$ 5.820,39, havendo, portanto uma diferença no valor de R$ 910,63 pagos a maior. Considerando o princípio da verdade material, que permite ao julgador buscar a verdade dos fatos baseado nas provas apresentadas nos autos, em promoção da justiça fiscal no caso concreto, além de ser um princípio remissível não só a direitos individuais dos contribuintes frente ao Estado, mas ao interesse do próprio Fisco, no sentido de mover execução fadada ao fracasso, apresentei proposta de diligência com os seguintes termos: Nestes termos, voto pela conversão do julgamento em diligência para que os autos retornem à unidade de origem no sentido de que sejam tomadas as seguintes providências: 1- Proceder à auditoria da apuração da COFINS, período de apuração outubro de 2003, levando em consideração os documentos juntados pela recorrente às fls. 91 a 105, assim como outros documentos e informações que se mostrarem necessários, como, por exemplo, recibos e notas fiscais. A auditoria deverá confrontar o valor de COFINS declarado em DCTF original/retificadora, no referido período de apuração, com o valor devido escriturado em sua contabilidade, essencialmente demonstrado através da DRE, no qual evidencia o registro do total do faturamento do ano, corroborando com o total de faturamento informado na planilha de cálculo dos tributos e contribuições sociais / lucro presumido, o que também pode ser facilmente identificado via DIPJ, verificando, ao final, a consistência do suposto pagamento indevido a título de COFINS que foi utilizado para a compensação objeto do presente processo. 2- A partir da análise efetuada no item 1, proceder à análise da compensação objeto do presente litígio, apurando se o eventual crédito decorrente de pagamento a maior da COFINS, período de apuração outubro de 2003, é suficiente e disponível para a extinção dos débitos objetos da declaração de compensação sob litígio. 3- Elaborar relatório com demonstrativo e parecer conclusivo acerca da auditoria dos documentos apresentados pela recorrente e da análise da compensação objeto do presente litígio. O parecer deverá justificar todas as análises efetuadas e trazer todos os documentos e elementos necessários para suportar suas conclusões; 4. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência, abrindo-lhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. A diligência foi cumprida, tendo a Receita Federal do Brasil se pronunciado no relatório de fls. 139 a 140, no qual constou as seguintes conclusões: 3. No exame da documentação juntada pelo contribuinte e também em consulta aos sistemas internos RFB (fls.) contribuinte adotou como forma de tributação o lucro presumido e apurou valor de COFINS no regime cumulativo, em última declaração DIPJ, confessados em DCTF Ativa, pagos em DARF (Cod. Rec. Nº 2172), correspondentes ao período de apuração em exame: 4. Em pesquisa aos sistemas internos RFB, nota-se que o contribuinte realizou pagamento COFINS Cumulativo, PA 10/2003, no valor principal de R$ 6731,02 que subtraído do valor do débito confessado de COFINS Cumulativo R$ 5.820,39, chega-se ao valor R$ 910,63, coincidente com o valor do direito creditório pleiteado na DCOMP em exame. Confrontando os dados registrados nos sistemas internos da RFB com a escrituração contábil do contribuinte (fls.97 a 105 e fls.136), há correlação de informações entre uma e outra. Fl. 150DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-011.606 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.901106/2008-96 5. Ante o exposto, encaminho esta informação fiscal ao sujeito passivo, para querendo, se pronunciar a respeito, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência. Após estes autos serão devolvidos ao órgão julgador, para continuação do julgamento. O contribuinte não apresentou manifestação, mesmo sendo regularmente intimado, não havendo qualquer prejuízo à sua defesa, visto que as conclusões lhe foram favoráveis. Sendo essas considerações sobre a controvérsia, passo ao voto ressaltando que não há razões para oposição ao que foi apurado pela Receita Federal do Brasil em relação ao direito creditório do contribuinte, visto que o valor pago é superior ao valor inicialmente confessado em DCTF Original, assim como o valor que se apresenta como correto para a COFINS, foi devidamente informado em DCTF- Retificadora, bem como demonstrado na Ficha 26ª da DIPJ 2004 - Cálculo da COFINS - Regime Cumulativo, sendo coincidente o resultado da subtração de R$ 910,63, com o valor declarado em DCOMP. Nesse sentido, ressaltou a fiscalização que realizado o confronto dos dados registrados nos sistemas internos da RFB com a escrituração contábil do contribuinte (fls.97 a 105 e fls.136), há correlação de informações entre uma e outra, logo, restou comprovado que o crédito pleiteado é revestido de liquidez e certeza, nos moldes do artigo 170 1 do Código Tributário Nacional. Conclusão Sendo as conclusões da fiscalização pela existência do direito creditório à medida que se impõe é a homologação da Declaração de Compensação (Dcomp) n.º 20073.75725.150404.1.3.04-1001. Diante do exposto dou provimento ao Recurso Voluntário. É o meu entendimento. (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 151DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-011.606 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.901106/2008-96 Fl. 152DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13855.721619/2018-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2017
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRFB. A Lei nº 9.430/1996 é clara ao estipular em seu artigo 74, §12 que será considerada não declarada a compensação em que o crédito seja de terceiro.
Numero da decisão: 1301-006.840
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1301-006.838, de 14 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 13855.721607/2018-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Taranto Malheiros Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL TARANTO MALHEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 20 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202403
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2017 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRFB. A Lei nº 9.430/1996 é clara ao estipular em seu artigo 74, §12 que será considerada não declarada a compensação em que o crédito seja de terceiro.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 13855.721619/2018-80
anomes_publicacao_s : 202404
conteudo_id_s : 7055460
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 1301-006.840
nome_arquivo_s : Decisao_13855721619201880.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : RAFAEL TARANTO MALHEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 13855721619201880_7055460.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1301-006.838, de 14 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 13855.721607/2018-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2024
id : 10383885
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 20 09:38:02 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1796846010891239424
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-18T00:16:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-18T00:16:26Z; Last-Modified: 2024-04-18T00:16:26Z; dcterms:modified: 2024-04-18T00:16:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-18T00:16:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-18T00:16:26Z; meta:save-date: 2024-04-18T00:16:26Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-18T00:16:26Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-18T00:16:26Z; created: 2024-04-18T00:16:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2024-04-18T00:16:26Z; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-18T00:16:26Z | Conteúdo => S1-C 3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13855.721619/2018-80 Recurso Voluntário Acórdão nº 1301-006.840 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2024 Recorrente R. A. PRODUTOS HIDRAULICOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2017 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRFB. A Lei nº 9.430/1996 é clara ao estipular em seu artigo 74, §12 que será considerada não declarada a compensação em que o crédito seja de terceiro. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1301-006.838, de 14 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 13855.721607/2018-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 16 19 /2 01 8- 80 Fl. 153DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-006.840 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.721619/2018-80 MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o(s) Pedido(s) de Compensação(ões) apresentado(s) pelo Contribuinte. O pedido é referente ao direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2017, 1º trimestre, no valor de R$ 758.666,20. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Em sessão de 15/07/2020, a DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, nos termos da ementa abaixo transcrita: DCOMP. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRFB. Observe abaixo os fundamentos do voto do relator: Quanto à argüição de suspensão, informamos que, como a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, os débitos em questão se encontram com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 74, §11, da Lei nº 9.430/96 c/c art. 151, inciso III do CTN/66. Desta forma, verifica-se que, no momento, nenhum valor referente a essa autuação pode ser cobrado da contribuinte. O motivo da não homologação foi a inexistência de saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2017, no valor de R$ R$ 758.666,20. A interessada afirma que “o crédito declarado em nome da impugnante foi por ela adquirido por meio de cessão pertenciam à Platinum Consultoria Empresarial Eireli, e estavam alocados na conta denominada Operações Especiais n. 0909, Sub Função 846, Função 28, perante o Órgão – Ministério da Fazenda, nos termos da Lei n. 10.150/00.” Cabe esclarecer que a Lei nº. 10.150/00 dispõe sobre a novação de dívidas e responsabilidades do Fundo de Compensação de Variações Salariais – FCVS. Em seu art. 1º, essa lei estabelece que as dívidas do FCVS junto às instituições financiadoras, relativas a saldos devedores remanescentes da liquidação de contratos de financiamento habitacional, firmados com mutuários finais do Sistema Financeiro da Habitação - SFH, poderão ser objeto de novação, a ser celebrada entre cada credor e a União. Já o art. 74 da Lei nº. 9430/96 dispõe que o sujeito passivo que apurar crédito, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de Fl. 154DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-006.840 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.721619/2018-80 restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Da simples leitura dos artigos, palavras chaves em grifo, é possível verificar que créditos referentes ao FCVS não são passíveis de compensação por não serem tributos, nos termos do art. 3º do CTN/66. Ainda, mesmo que o FCVS fosse tributo, ressalta-se, não é o caso, não é possível a compensação mediante créditos adquiridos de terceiros por expressa proibição legal, art. 74, §2º, inciso II, alínea “a” da Lei nº. 9430/96 c/c art. 75, inciso I da IN RFB nº. 1717/2017. Conforme art. 3º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB, não é possível alegar o desconhecimento da legislação vigente, dessa forma, a contribuinte utilizou-se de créditos inexistentes, sabidamente. Ainda, a impugnação só apresentou seu descontentamento em relação ao Auto de Infração, não trazendo aos autos suporte probatório para comprovar a existência do crédito pleiteado nos termos do art. 74 da Lei nº. 9430/96. Quanto à arguição para a redução da multa isolada, informamos que o pedido será tratado no processo administrativo pertinente, nº. 13855.723366/2019-60. Cientificado do acórdão recorrido, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, boa-fé, inexistência de falsidade nas declarações, o princípio do não confisco e da multa abusiva e o princípio da proporcionalidade e razoabilidade na aplicação da multa. Por fim, solicita, em síntese: “Portanto, pelas razões expostas, os Recorrentes requerem o recebimento do presente recurso para que, ao final seja acolhida e julgada totalmente procedente em: 1) Seja reconhecido seus lançamentos nos SPED’s e demais obrigações assessórias, extinguindo as obrigações tributárias e multas; 2) ou, quando não, de forma sucessiva, seja reduzida a multa aplicada, 3) Protesta provar por todos os meios de provas em direito admitidas.” É o relatório do necessário. Voto Fl. 155DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-006.840 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.721619/2018-80 Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Tempestividade Como se denota dos autos, o contribuinte tomou ciência acórdão recorrido em 19/01/2021 (fls. 89 do e-processo). Ocorre que o recurso voluntário já teria sido protocolado desde 06/11/2020 (fls. 92 do e-processo), quer dizer, antes mesmo da sua ciência. E tendo em vista tal fato, depois de ter sido formalmente cientificado do acórdão recorrido, o contribuinte apresentou novamente o seu recurso voluntário, desta vez em 09/02/2021 (fls. 128 do e-processo). Assim, seja por ter protocolado o recurso antes da ciência, seja porque o recurso foi tempestivamente protocolado depois da ciência, deve a defesa do contribuinte ser analisada por este CARF. Mérito A discussão objeto dos presentes autos não demanda maiores complexidades. O próprio contribuinte reconhece que teria transmitido PER/DCOMP com créditos de terceiros adquiridos por cessão de uma outra pessoa jurídica. Defende a possibilidade do procedimento e sua boa fé. Nada obstante o aduzido, trata-se de tema já bastante conhecido e debatido neste Conselho. A Lei nº 9.430/1996, em sua redação original, permitia a compensação com créditos de terceiros (o que foi regulamentado pela IN/SRF nº 21/1997). A IN nº 21/1997, neste ponto, foi revogada pela IN/SRF nº 41/2000, vedando a compensação com créditos de terceiros, Já por meio da Medida Provisória nº 66/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002, ficou expressamente vedada a compensação com créditos de terceiros, na Lei nº 9.430/1996: Fl. 156DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-006.840 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.721619/2018-80 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Por fim, com o advento da Lei nº 11.051/2004, que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, a compensação com débitos de terceiros passou a ser considerada como não declarada, veja-se: §12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...] II - em que o crédito: [...] a) seja de terceiros; Além disso, destaque-se que os créditos sequer detinham natureza tributária. Com isso, acertada a decisão da DRJ/BHE ao asseverar que (fls. 78 do e- processo): A interessada afirma que “o crédito declarado em nome da impugnante foi por ela adquirido por meio de cessão pertenciam à Platinum Consultoria Empresarial Eireli, e estavam alocados na conta denominada Operações Especiais n. 0909, Sub Função 846, Função 28, perante o Órgão – Ministério da Fazenda, nos termos da Lei n. 10.150/00.” Cabe esclarecer que a Lei nº. 10.150/00 dispõe sobre a novação de dívidas e responsabilidades do Fundo de Compensação de Variações Salariais – FCVS. Em seu art. 1º,essa lei estabelece que as dívidas do FCVS junto às instituições financiadoras, relativas a saldos devedores remanescentes da liquidação de contratos de financiamento habitacional, firmados com mutuários finais do Sistema Financeiro da Habitação - SFH, poderão ser objeto de novação, a ser celebrada entre cada credor e a União. Já o art. 74 da Lei nº. 9430/96 dispõe que o sujeito passivo que apurar crédito, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Da simples leitura dos artigos, palavras chaves em grifo, é possível verificar que os créditos referentes ao FCVS não são passíveis de compensação por não serem tributos, nos termos do art. 3º do CTN/66. Ainda, mesmo que o FCVS fosse tributo, ressalta-se, não é o caso, não é possível a compensação mediante créditos adquiridos de terceiros por expressa proibição legal, art. 74, §2º, inciso II, alínea “a” da Lei nº. 9430/96 c/c art. 75, inciso Ida IN RFB nº. 1717/2017. Fl. 157DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-006.840 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.721619/2018-80 Veja-se nesse sentido precedente da 3ª Turma da Câmara Superior: COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA LEI 10.637/2002. VEDAÇÃO. Com a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, que alterou a redação do caput da Lei nº 9.430/96, passou a ser vedada, agora por disposição legal, a compensação com créditos de terceiros, tornando inócua decisão judicial que só afastava a vedação da IN/SRF nº 41/2000, ainda mais quando rescindida. [Acórdão nº 9303-013.284. Sessão de 14/04/2020] Em face de todo o aduzido, voto para negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros – Presidente Redator Fl. 158DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13971.900804/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3402-000.112
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Suplente.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 20 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 201009
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 13971.900804/2008-31
conteudo_id_s : 6508960
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3402-000.112
nome_arquivo_s : Decisao_13971900804200831.pdf
nome_relator_s : JULIO CESAR ALVES RAMOS
nome_arquivo_pdf_s : 13971900804200831_6508960.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Suplente.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
id : 9032989
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 20 09:38:09 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.3; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: ; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2011-09-16T11:05:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.3; pdf:docinfo:creator_tool: ; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-16T11:05:04Z; created: 2011-09-16T11:05:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-09-16T11:05:04Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; producer: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: ; pdf:docinfo:created: 2011-09-16T11:05:04Z | Conteúdo =>
_version_ : 1796846010898579456
score : 1.0
Numero do processo: 10680.900949/2013-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3302-014.061
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-014.060, de 27 de fevereiro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10680.900948/2013-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Flavio Jose Passos Coelho - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Renato Pereira de Deus, Aniello Miranda Aufiero Junior, Denise Madalena Green, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocado(a)), Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Celso Jose Ferreira de Oliveira, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Francisca Elizabeth Barreto.
Nome do relator: FLAVIO JOSE PASSOS COELHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 20 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202402
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s :
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 10680.900949/2013-86
anomes_publicacao_s : 202404
conteudo_id_s : 7054505
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3302-014.061
nome_arquivo_s : Decisao_10680900949201386.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : FLAVIO JOSE PASSOS COELHO
nome_arquivo_pdf_s : 10680900949201386_7054505.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-014.060, de 27 de fevereiro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10680.900948/2013-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flavio Jose Passos Coelho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Renato Pereira de Deus, Aniello Miranda Aufiero Junior, Denise Madalena Green, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocado(a)), Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Celso Jose Ferreira de Oliveira, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Francisca Elizabeth Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2024
id : 10379943
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 20 09:37:59 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1796846010899628032
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-12T22:43:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-12T22:43:20Z; Last-Modified: 2024-04-12T22:43:20Z; dcterms:modified: 2024-04-12T22:43:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-12T22:43:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-12T22:43:20Z; meta:save-date: 2024-04-12T22:43:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-12T22:43:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-12T22:43:20Z; created: 2024-04-12T22:43:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2024-04-12T22:43:20Z; pdf:charsPerPage: 2244; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-12T22:43:20Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10680.900949/2013-86 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-014.061 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2024 Recorrente SUPERSTAR AUTOMOVEIS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos e autopeças sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos e autopeças relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito de PIS/COFINS, dada a expressa vedação constante dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-014.060, de 27 de fevereiro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10680.900948/2013-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flavio Jose Passos Coelho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Renato Pereira de Deus, Aniello Miranda Aufiero Junior, Denise Madalena Green, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocado(a)), Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 09 49 /2 01 3- 86 Fl. 153DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-014.061 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.900949/2013-86 Ausente(s) o conselheiro(a) Celso Jose Ferreira de Oliveira, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Francisca Elizabeth Barreto. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, para manter o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento do crédito apurado pela recorrente, em função da vedação da apuração de créditos de não-cumulatividade na aquisição de bens sujeitos à incidência monofásica pelos distribuidores, atacadistas e varejistas, por conta da vedação contida na alínea b do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Reproduzindo suas razões de defesa, a recorrente, em síntese apertada, alega que com o advento da Lei n° 11.033/04, a vedação ao creditamento constante dos artigos 3º, I, b, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 foi revogada, possibilitando a tomada de crédito por parte dos contribuintes tributados por essa sistemática, afastando as restrições apropriações de créditos de PIS e COFINS no caso de revenda de produtos sujeitos a alíquota zero. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 20/10/2020 (fl.65) e protocolou Recurso Voluntário em 18/11/2020 (fl.66) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/72 1 . Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A controvérsia cinge-se às questões atinentes a falta de amparo legal para pleitear o ressarcimento do PIS e COFINS incidentes sobre a aquisição de aquisição de peças e veículos sujeitos ao regime monofásico da contribuição (produtos relacionados nos §§ 1º e 1º-A, do art. 2º da Lei nº 10.833/2003), pelos distribuidores, atacadistas e varejistas, por conta da vedação contida na alínea b do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Nas razões do recurso, a recorrente afirma que na condição de atacadista/varejista, tem o direito de creditar-se do valor da referida contribuição sujeita ao regime monofásico, com base no o art. 17 da Lei 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 154DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-014.061 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.900949/2013-86 nº 11.033/04, pois, o citado preceito legal, revogou o art. 3º, I, “b”, da Lei nº 10.833, de 2003, que negava o aludido direito ao crédito. O Acórdão recorrido julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo hígida a não homologação do direito creditório pleiteado, fundamentando-se a decisão sob os argumentos de é vedada, por força de expressa determinação legal, conforme preceitua o art. 3°, inciso I, alínea “b”, da Lei n° 10.833/03, a apuração de créditos a partir da aquisição de produtos sujeitos à tributação monofásica destinados à revenda. Ainda, deixou claro que o citado art. 17 não revogou o referido preceito legal nem dá respaldo à pretensão aos revendedores de autopeças e veículos de apropriar créditos relativos à compra de tais produtos e do subsequente ressarcimento/compensação. Em que pese os argumentos expostos pela recorrente, razão não lhe assiste. Vejamos. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação nos fabricantes e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo que os comerciantes atacadistas e varejistas estariam sujeitos à alíquota zero das Contribuições para o PIS e COFINS sobre suas receitas de revendas. A referida Lei, com a redação dada pela Lei nº 10.865/04, instituiu regime de tributação monofásico das contribuições supracitadas, implementado por meio da fixação de uma alíquota majorada para fabricantes e importadores de máquinas e veículos nas classificações nela elencadas, além da aplicação da alíquota de 0% por ocasião da venda desses produtos pelos revendedores, ou seja, pelos comerciantes atacadistas ou varejistas. De outra feita, também é cediço que a alínea "b" do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 veda expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos arts. 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002. Oportuna a transcrição: Art. 2º Para determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep aplicar-se- á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] III - no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV - no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 155DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-014.061 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.900949/2013-86 V- no caput do art. 5º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda dos produtos classificados nas posições 40.11 (pneus novos de borracha) e 40.13 (câmaras-de-ar de borracha), da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] (grifou-se) Segundo as alegações da contribuinte recorrente o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, quando determina que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, este teria autorizado o creditamento pretendido. No entanto, quando nos debruçamos para analisar o artigo acima citado, é fácil perceber que não é possível sustentar a conclusão utilizada pela contribuinte, vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O referido artigo, como se observa, é uma regra geral, que coexiste, sem qualquer incompatibilidade, com as vedações de creditamento constantes de regras específicas, referentes a situações específicas (tais como a “tributação monofásica” e as aquisições de bens não tributados); note-se que o art. 17 fala em “manutenção” de créditos, no entanto, por força da referida vedação legal, esses créditos sequer existem. Ao contrário do alegado pela recorrente, o citado dispositivo legal, não revogou o art. 3º, I, “b”, da Lei nº 10.833/2003. Ele apenas ampliou as possibilidades do direito de crédito previsto no regime da não-cumulatividade, sem qualquer alteração nas regras do regime monofásico de cobrança das referidas Contribuições. Ademais, a RFB já se manifestou diversas vezes sobre a interpretação do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Como exemplo, cito o trecho esclarecedor da Solução de Consulta Cosit nº 327, de 2017: 27. Adicionalmente, ante os argumentos apresentados pela consulente, cumpre esclarecer a aplicação do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” 28. Esse transcrito dispositivo não estabelece regras relativas à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (essas regras constam precipuamente do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, respectivamente). Na verdade, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, já parte do pressuposto de que os créditos foram regularmente apurados, permitindo-se sua manutenção se vinculados a Fl. 156DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-014.061 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.900949/2013-86 vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência das contribuições. 29. A regra estabelecida no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, autoriza que o crédito devidamente apurado pela pessoa jurídica em relação a determinado dispêndio seja mantido (não seja estornado) mesmo que a receita à qual esteja vinculado o dispêndio que originou o crédito seja contemplada com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não autorizando o aproveitamento de créditos cuja apuração seja vedada. 30. No caso analisado na presente consulta, como é inexistente o direito à apuração de créditos das contribuições, não é o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que o fará tê-lo, e tampouco o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, abaixo transcrito, que lhe permitirá a sua compensação ou o seu ressarcimento nos termos da legislação pertinente: “Lei nº 11.116, de 2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Recentemente, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob o rito dos recursos especiais repetitivos (Tema 1093), analisou o REsp 1.894.741/RS e o REsp 1.895.255/RS, e definiu que não é possível o aproveitamento de créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins sobre produtos sujeitos ao regime monofásico. Corroborando este entendimento, encontramos várias decisões judiciais, dentre as quais colaciono as seguintes: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. LEI Nº 10.485/2002. CADEIA AUTOMOTIVA. COMÉRCIO DE VEÍCULOS, PEÇAS E ACESSÓRIOS. ALÍQUOTA ZERO. ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DO COMERCIANTE VAREJISTA. 1. A Impetrante pretende ver reconhecido o direito à escrituração dos créditos vincendos decorrentes do PIS e da COFINS, em razão da aquisição de bens para revenda, ressaltando que a atividade por ela exercida é a de distribuição de veículos novos, adquiridos diretamente das fabricantes, venda de autopeças e acessórios. Reconhece, ainda, que o regime a que está submetida é o monofásico das contribuições sociais PIS e COFINS. 2. A Lei nº 10.485/2002 estabelece, em seu artigo 1º que: "As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Fl. 157DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-014.061 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.900949/2013-86 Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004).". 3. Diversamente do que se aplica aos demais tributos, que possuem também como base de sua incidência o faturamento, a não-cumulatividade quanto ao PIS e à COFINS não alcança todos as atividades econômicas, e, como bem alertou o magistrado de primeiro grau, foi outorgado ao legislador ordinário o estabelecimento da sistemática a ser seguida. 4. Acerca da questão o egrégio Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de incompatibilidade da incidência monofásica com a técnica do creditamento, como no caso dos presentes autos. "(...) 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que a incidência monofásica, em princípio, não se compatibiliza com a técnica do creditamento; assim como o benefício instituído pelo artigo 17 da Lei n. 11.033/2004 somente se aplica aos contribuintes integrantes do regime específico de tributação denominado Reporto. 2. Precedentes: REsp 1228608/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 16.3.2011; REsp 1140723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22.9.2010; e AgRg no REsp 1224392/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 10.3.2011.3. Recurso especial não provido." (REsp 1218561/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/04/2011, DJe 15/04/2011). 5. Apelação não provida. (AC 201037010002755, JUIZ FEDERAL RONALDO CASTRO DESTÊRRO E SILVA (CONV.), TRF1 SÉTIMA TURMA, eDJF1 DATA:29/06/2012 PAGINA:387.). TRIBUTÁRIO. COMÉRCIO VAREJISTA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES, PEÇAS E ASSESSÓRIOS. PIS E COFINS. LEI 10.485/2002. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SISTEMA MONOFÁSICO. IN 594/2005. ARTIGO 17 DA LEI 11.033/2004. 1. Tratando-se de empresa cujo objeto diz respeito ao comércio varejista de veículos automotores, peças e assessórios, para fins de tributação pela contribuição para o PIS e COFINS, devem ser aplicados os artigos 1º e 3º da Lei 10.485/2002, que, no caso, se constitui em lei especial a ser aplicada em prejuízo de lei geral. 2. Nos termos do § 2º do artigo 3º da Lei 10.485/2003, relativamente à venda de produtos por esta disciplinados, por comerciante atacadista ou varejista, trata-se de operação cuja tributação pela contribuição ao PIS e COFINS está sujeita à alíquota zero. 3. As Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 prevêem, ambos no seu parágrafo 1º do artigo 2º, a impossibilidade de creditamento de PIS e COFINS recolhidos na etapa anterior, relativamente às operações cuja tributação obedece ao regime da Lei 10.485. 4. Trata-se, no caso, de sistema de tributação monofásico, com o qual não se coaduna o sistema de creditamento, como forma de aplicação da não- cumulatividade. 5. O parágrafo 5º do artigo 26 da IN nº 594/2005 ao proibir o creditamento do que foi recolhido anteriormente a título de PIS e COFINS, relativamente às vendas cuja operação está tributada à alíquota zero, apenas sistematizou o que já constava em Lei Ordinária, não procedendo, neste sentido, em ilegalidade. 6. O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que dispõe acerca da manutenção de crédito, em hipótese de vendas efetuadas cuja tributação esteja sujeita à alíquota zero, configura-se em lei especial que não deve ser aplicada Fl. 158DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-014.061 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.900949/2013-86 genericamente.(AC 200771050033577, JOEL ILAN PACIORNIK, TRF4 - PRIMEIRA TURMA, D.E. 01/06/2010.). (grifou-se) PROCESSUAL CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. DECISÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO DO PIS E COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS, PEÇAS, PNEUS E ACESSÓRIOS. SISTEMA MONOFÁSICO. ART. 17 DA LEI 11.033/04 (PIS) E ART. 16 DA LEI 10.833/03 (COFINS). IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. 1. Trata-se de agravo interno de fls. 392/415, oposto por BRETAGNE COMERCIAL LTDA, objetivando reformar a decisão de fls. 379/385, que negou seguimento à apelação interposta pela ora agravante, mantendo a sentença de fls. 322/327, que denegou a segurança, julgando improcedente o pedido que objetivava a manutenção do lançamento de créditos de PIS (1,65%) e COFINS (7,60%) decorrentes de aquisição de veículos, peças, pneus e acessórios abrangidos pelo sistema monofásico, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/04 e no art. 16 da Lei nº 11.116/05, dispositivos posteriores às Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS) e que teriam superado a pretensa vedação estabelecida no art. 3º, §2º, inciso II. 2. Verifica-se que inexiste qualquer fundamento nas alegações da agravante, havendo o voto condutor se manifestado de forma clara e objetiva. 3. Precedentes Jurisprudenciais. 4. Não havendo ilegitimidade da exigência fiscal sustentada pela impetrante, não há o pretendido direito ao ressarcimento de supostos créditos por recolhimentos indevidos, não merecendo qualquer reparo a decisão ora atacada, uma vez que a agravante não trouxe argumento que alterasse o quadro descrito acima. 5. A agravante não trouxe argumentos que alterassem o quadro descrito acima. 6. Agravo interno conhecido e desprovido.(AC 200851010086660, Desembargador Federal ALUISIO GONCALVES DE CASTRO MENDES, TRF2 - TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA, E-DJF2R - Data::26/03/2012 - Página::163.). (grifou-se) No mesmo sentido cito o voto da CSRF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 AQUISIÇÕES NÃO SUJEITAS À INCIDÊNCIA DE PIS E DE COFINS NÃO CUMULATIVOS. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. VENDAS EFETUADAS COM SUSPENSÃO OU NÃO INCIDÊNCIA. A regra que expressamente veda o creditamento (art. 3º, § 2º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, e art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003), no caso de aquisições de insumos não sujeitos (suspensão, isenção, alíquota zero, não incidência) à cobrança PIS e Cofins continua vigendo. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004 permite a manutenção dos créditos vinculadas às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero, ou não incidência na sistemática, exclusivamente, do REPORTO. (Acórdão nº 9303009.857 – 3ª Turma, Processo nº 16349.000414/2009-84, Rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Sessão de 11 de dezembro de 2019). (grifou-se) Correto assim o entendimento de que a aquisição para revenda dos veículos e peças sujeitos ao regime monofásico, relacionados no art. 1º da Lei no 10.485/02, efetuada por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS e da COFINS, em Fl. 159DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-014.061 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.900949/2013-86 decorrência da vedação legal expressa ao creditamento das contribuições sobre a compra para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003. A previsão contida no art. 17 da Lei no 11.033/04 constitui regra geral, não se aplicando nos casos de tributação monofásica por força da referida vedação legal Com base nessas considerações, fica cabalmente demonstrado que não tem amparo legal o presente pleito de restituição/ressarcimento, pois inexiste o direito creditório informado pela recorrente. Assim, em decorrência da inexistência do valor do crédito compensado, todas as compensações declaradas pela recorrente, vinculadas ao referido crédito, foram corretamente declaradas não homologadas pela autoridade fiscal julgadora da unidade da Receita Federal de origem, portanto, tal decisão não merece qualquer reparo. Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Flavio Jose Passos Coelho - Presidente Redator Fl. 160DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13855.723367/2019-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Exercício: 2017
PAGAMENTO DE TRIBUTOS COM TÍTULOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que disciplinou a compensação de tributos federais, além de não permitir a compensação de débitos tributários com títulos públicos, também veda o encontro de contas com créditos de terceiros.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE NOTÓRIA E PRÁTICA REITERADA.
É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo adotou condutas que constituem a sonegação e fraude, como definido em lei.
Ao menos desde 2012 o Tesouro Nacional vem alertando sobre fraudes com títulos públicos. De forma semelhante, o Ministério Público Federal, por sua 2ª Câmara de Coordenação e Revisão, emanou Orientação, em 26/05/2014, para que os membros do Ministério Público Federal que oficiam na área criminal, respeitada a independência funcional, promovam a responsabilização criminal, a qual pode ser imputada a sócios e outros responsáveis por empresas privadas e a servidores e gestores públicos, nas hipóteses de fraudes com títulos públicos.
A declaração de informações inverídicas, durante longo período de tempo, evidencia a conduta dolosa no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, justificando-se, assim, a multa no percentual de 150%.
MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
Aplica-se a multa de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo quando a multa a ser aplicada é a de 150% prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003.
Ainda, a multa passará a ser de 225% nos casos de não atendimento, pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou para apresentar documentos ou arquivos magnéticos.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA. PRECLUSÃO.
Ao deixar de impugnar o lançamento, o sujeito passivo (responsável tributário) se torna revel no processo, operando-se para ele a preclusão processual, muito embora o processo tenha tido seguimento para outro sujeito passivo (contribuinte). Falta de legitimidade da contribuinte.
APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12º, INC. I DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. DECLARAÇÃO DE CONCORDÂNCIA COM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-006.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte em que conhecido, negar-lhe provimento mantendo-se o lançamento e a responsabilização solidária.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Andre Severo Chaves, Fernando Augusto Carvalho de Souza e Andre Luis Ulrich Pinto.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 20 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2017 PAGAMENTO DE TRIBUTOS COM TÍTULOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que disciplinou a compensação de tributos federais, além de não permitir a compensação de débitos tributários com títulos públicos, também veda o encontro de contas com créditos de terceiros. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE NOTÓRIA E PRÁTICA REITERADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo adotou condutas que constituem a sonegação e fraude, como definido em lei. Ao menos desde 2012 o Tesouro Nacional vem alertando sobre fraudes com títulos públicos. De forma semelhante, o Ministério Público Federal, por sua 2ª Câmara de Coordenação e Revisão, emanou Orientação, em 26/05/2014, para que os membros do Ministério Público Federal que oficiam na área criminal, respeitada a independência funcional, promovam a responsabilização criminal, a qual pode ser imputada a sócios e outros responsáveis por empresas privadas e a servidores e gestores públicos, nas hipóteses de fraudes com títulos públicos. A declaração de informações inverídicas, durante longo período de tempo, evidencia a conduta dolosa no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, justificando-se, assim, a multa no percentual de 150%. MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. Aplica-se a multa de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo quando a multa a ser aplicada é a de 150% prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Ainda, a multa passará a ser de 225% nos casos de não atendimento, pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou para apresentar documentos ou arquivos magnéticos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA. PRECLUSÃO. Ao deixar de impugnar o lançamento, o sujeito passivo (responsável tributário) se torna revel no processo, operando-se para ele a preclusão processual, muito embora o processo tenha tido seguimento para outro sujeito passivo (contribuinte). Falta de legitimidade da contribuinte. APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12º, INC. I DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. DECLARAÇÃO DE CONCORDÂNCIA COM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 13855.723367/2019-12
anomes_publicacao_s : 202404
conteudo_id_s : 7054485
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 1401-006.871
nome_arquivo_s : Decisao_13855723367201912.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : DANIEL RIBEIRO SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13855723367201912_7054485.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte em que conhecido, negar-lhe provimento mantendo-se o lançamento e a responsabilização solidária. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Andre Severo Chaves, Fernando Augusto Carvalho de Souza e Andre Luis Ulrich Pinto.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2024
id : 10379437
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 20 09:37:58 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1796846010930036736
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-03-31T18:08:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-03-31T18:08:45Z; Last-Modified: 2024-03-31T18:08:45Z; dcterms:modified: 2024-03-31T18:08:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-03-31T18:08:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-03-31T18:08:45Z; meta:save-date: 2024-03-31T18:08:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-03-31T18:08:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-03-31T18:08:45Z; created: 2024-03-31T18:08:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2024-03-31T18:08:45Z; pdf:charsPerPage: 2388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-03-31T18:08:45Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13855.723367/2019-12 Recurso Voluntário Acórdão nº 1401-006.871 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2024 Recorrente R.A. PRODUTOS HIDRAULICOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2017 PAGAMENTO DE TRIBUTOS COM TÍTULOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que disciplinou a compensação de tributos federais, além de não permitir a compensação de débitos tributários com títulos públicos, também veda o encontro de contas com créditos de terceiros. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE NOTÓRIA E PRÁTICA REITERADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo adotou condutas que constituem a sonegação e fraude, como definido em lei. Ao menos desde 2012 o Tesouro Nacional vem alertando sobre fraudes com títulos públicos. De forma semelhante, o Ministério Público Federal, por sua 2ª Câmara de Coordenação e Revisão, emanou Orientação, em 26/05/2014, para que os membros do Ministério Público Federal que oficiam na área criminal, respeitada a independência funcional, promovam “a responsabilização criminal, a qual pode ser imputada a sócios e outros responsáveis por empresas privadas e a servidores e gestores públicos, nas hipóteses de fraudes com títulos públicos”. A declaração de informações inverídicas, durante longo período de tempo, evidencia a conduta dolosa no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, justificando-se, assim, a multa no percentual de 150%. MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. Aplica-se a multa de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo quando a multa a ser aplicada é a de 150% prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Ainda, a multa passará a ser de 225% nos casos de não atendimento, pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou para apresentar documentos ou arquivos magnéticos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 33 67 /2 01 9- 12 Fl. 245DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723367/2019-12 Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA. PRECLUSÃO. Ao deixar de impugnar o lançamento, o sujeito passivo (responsável tributário) se torna revel no processo, operando-se para ele a preclusão processual, muito embora o processo tenha tido seguimento para outro sujeito passivo (contribuinte). Falta de legitimidade da contribuinte. APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12º, INC. I DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. DECLARAÇÃO DE CONCORDÂNCIA COM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte em que conhecido, negar-lhe provimento mantendo-se o lançamento e a responsabilização solidária. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Andre Severo Chaves, Fernando Augusto Carvalho de Souza e Andre Luis Ulrich Pinto. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte contra o Auto de Infração de fls. 02/08, lavrado com o objetivo de constituir crédito tributário referente a multa de ofício pela não homologação de compensação efetuada em declaração falsa agravada pelo não atendimento a intimação, no valor histórico de R$ 332.525,39. Fl. 246DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723367/2019-12 No caso analisado o sujeito passivo incorreu em falsidade de declaração, uma vez que no PER/DCOMP n° 03327.28906.240818.1.3.02-9088 declarou e demonstrou crédito inexistente de saldo negativo de IRPJ, apurado no 4º trimestre do ano-calendário de 2017, no valor de R$ 1.100.688,50. O suposto crédito de saldo negativo, conforme declarado, seria decorrente de Juros Sobre o Capital próprio, código de receita 5706, no valor de R$ 1.100.688,50, retido pela fonte pagadora BANCO BRADESCO S.A (CNPJ 60.746.948/0001-12). Conforme exposto no Despacho Decisório DRF/FCA/SAORT/204/2018, o sujeito passivo foi intimado e reintimado a apresentar os documentos comprobatórios da retenção no valor de R$ 1.100.688,50. Porém, devidamente cientificado, não apresentou os documentos solicitados e nem prestou quaisquer esclarecimentos ou resposta à intimação. Ainda, por meio de informações declaradas em DIRF, constatou-se que a fonte pagadora não informou a retenção declarada pelo sujeito passivo. Além disso, em consulta às informações declaradas em ECF e DCTF, constatou- se que o sujeito passivo apurou saldo de IRPJ a pagar em 2017. Ou seja, não houve apuração de qualquer saldo negativo no período informado. Considerando que foram compensados indevidamente débitos de responsabilidade do sujeito passivo no valor total de R$ 1.100.688,50 relativos a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do AC 2018, a multa isolada a ser aplicada no percentual de 225% perfaz o montante de R$ 332.525,39. Tendo tomado ciência acerca do lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 90/130), o que fez com base nas seguintes alegações: a) Preliminarmente, alega que deve ser atribuído efeito suspensivo à impugnação, tendo em vista o disposto no inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional; b) Que a empresa contribuinte e seus sócios (que estão constando como responsáveis solidários) possuem seguro, de modo que se faz necessário o chamamento da seguradora no presente processo; c) Que também devem ser chamados para fazer parte dos autos, o Sr. Antonio Arão e a empresa Platinum Consultoria Empresarial EIRELI, da qual é sócio, tendo em vista que foram eles os responsáveis por transmitir as informações constantes nos PER/DCOMP não homologados; d) Que o crédito declarado pela Impugnante foi adquirido por meio de cessão junto à Platinum, e estavam alocados na conta denominada Operações Especiais n. 0909, Sub Função 846, Função 28, perante o Órgão – Ministério da Fazenda, nos termos da Lei n. 10.150/00; Fl. 247DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723367/2019-12 e) No mérito, alega que a falta de entrega de documentos solicitados pela Fiscalização foi interpretada de forma equivocada pela Fiscalização, que presumiu a caracterização das irregularidades, e que a legislação dispõe que qualquer presunção que possa trazer danos à propriedade do agente fiscalizado é inconstitucional, regendo aqui o princípio da primazia da verdade; f) Que a Fiscalização não observou a escrita fiscal da Impugnante com cautela, já que se ele atentasse ao SPED fiscal da empresa, encontraria o crédito alocado na contabilidade, o que de fato, corrobora pelo princípio da boa-fé objetiva, afastando neste momento qualquer ato supostamente fraudulento; g) Que apesar de a Fiscalização ter presumido ação dolosa da Impugnante, sob a acusação de declaração falsa, o que se verifica em realidade, é a existência de mero erro formal no preenchimento do PER/DCOMP, no qual foi informado que o crédito seria decorrente de saldo negativo de IRPJ, quando se trata de crédito de origem financeira; h) Que a forma correta do lançamento contábil seria a seguinte: Lançar a compra dos créditos pelo valor de compra, na pelo valor e não pelo valor de face, ou seja, o valor “Corrigido”, e o lançamento na contabilidade foi feita pelo valor corrigido, mas que o contabilista, por engano, pensando ser Credito Tributário, sem nenhuma má-fé ou tentativa de fraude, lançou o mesmo na conta de Créditos tributários, e utilizou em compensação em impostos/tributos vincendos; i) Que não havendo prejuízo ao Erário, resta desproporcional a aplicação de multa de ofício, configurando medida de efeito confiscatório pela autoridade fazendária, violando o princípio constitucional insculpido no artigo 150, IV, da Carta Magna, razão pela qual deve ser anulado o crédito tributário exigido no Procedimento Fiscal ora impugnado; j) Que a ausência do documento específico elencado na norma infralegal, qual seja, o informe de rendimentos e a DIRF nos termos do artigo 988 do RIR/2018, não pode ilidir o direito do contribuinte, desde que outros meios possam provar a retenção e recolhimento do tributo; k) Que se mostra completamente irrazoável cercear o direito de defesa da parte, quando a emissão do documento Comprovante de Rendimentos e de Retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte encontra-se fora de sua alçada, vez que se trata de ônus da fonte pagadora; l) Que a multa em comento se revela completamente abusiva, padecendo de inconstitucionalidade por ofensa aos princípios do não confisco, proporcionalidade e razoabilidade; m) Que a responsabilização dos sócios como responsáveis tributários não merece prosperar, já que estes não praticaram quaisquer atos com excesso Fl. 248DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723367/2019-12 de poderes, não tendo sido juntada aos autos qualquer comprovação de prática de atos contrários à lei ou ao contrato social, ônus que cabe à fiscalização; n) Que a presunção de inocência, expressamente assegurada no direito penal e processual penal, é aplicável também à esfera disciplinar, bem como a todos os processos estatais que imponham sanções. Ninguém poderá ser considerado culpado antes que seja proferida decisão que aplique penalidade, como resultado do devido processo legal; o) Que acaso não se entenda pelo cancelamento da multa, que ai menos seja reduzida a no máximo 20%, tendo em vista que trata-se de mero descumprimento de obrigação acessória; p) Por fim, acaso não se entenda pela redução acima, que seja aplicada a redução da multa a 75% do valor do débito compensado, nos termos do artigo 44, I, da Lei n. 9.430/1996, tendo em vista a ausência de má-fé da Impugnante. Os responsáveis solidários não apresentaram Impugnação. Posteriormente, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, proferiu o Acórdão n.º 02-102.587 (fls. 135/142) abaixo ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2017 MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. Aplica-se a multa de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo quando a multa a ser aplicada é a de 150% prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Ainda, a multa passará a ser de 225% nos casos de não atendimento, pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou para apresentar documentos ou arquivos magnéticos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Impugnação improcedente. Crédito Tributário Mantido. Fl. 249DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723367/2019-12 Inicialmente, a DRJ salientou que o contribuinte transmitiu PER/DCOMP, objeto do PAF n.º 13855.721620/2018-12, em que informou crédito decorrente de saldos negativos de IRPJ apurado no ano calendário de 2017, 4º trimestre, no valor de R$ 1.100.688,50, referente à retenção de Imposto de Renda na fonte, código de receita 5706, sendo que tal retenção não foi verificada no sistema DIRF. Ademais, atestou que em consulta à ECF e à DCTF, a Autoridade constatou que a contribuinte apurou saldo de IRPJ a pagar em 2017, 4º trimestre, razão pela qual negou o direito creditório. Logo, concluiu ser cristalino que a Dcomp foi embasada em documento falso, pois a contribuinte utilizou-se de crédito, sabidamente inexistente, para compensar débitos tributários, conduta agravada pela falta de resposta às intimações efetuadas no curso da ação fiscal, bem como que a multa aplicada possui embasamento legal. Com relação ao chamamento de terceiros ao processo, esclarece que esse pedido carece de previsão legal, razão pela qual deve ser indeferido. No tocante à responsabilização dos sócios, sustenta que o fato de terem contratado terceiros para efetivação das compensações, não implica no afastamento de sua responsabilidade, já que, se a contratante escolhe mal a pessoa que presta os serviços, deve arcar com o ônus da infeliz escolha e fiscalizar o cumprimento das obrigações contratadas com o prestador. Por fim, salientou que os contratos particulares podem e devem ser pactuados e são juridicamente válidos entre as partes contratantes, mas nenhum efeito produz perante a Fazenda Pública, que tem o direito de exigir o cumprimento da obrigação tributária das pessoas às quais a lei atribui a condição de sujeito passivo, nos termos do art. 135 do CTN. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 151/203), em que basicamente reitera os argumentos tecidos na defesa. Os responsáveis solidários não apresentaram Recursos e a contribuinte contesta a responsabilização. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. O recurso interposto pela contribuinte é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Fl. 250DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723367/2019-12 Cumpre ressaltar, inicialmente, que os responsáveis solidários não apresentaram impugnação ao lançamento razão pela qual resta preclusa a oportunidade de defesa dos mesmos, tornando-se o lançamento e responsabilização definitivas quanto a eles (caso seja mantido o lançamento). A teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada, tornando-se preclusa. Não tendo sido objeto de impugnação nem se tratando de matéria de Ordem Pública, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. A revelia implicou a definitividade, na esfera administrativa, da responsabilidade tributária, conforme declarado pelo julgador a quo. Assim é que, deixo de conhecer das razões relativas à responsabilização solidária apresentadas pela contribuinte diante da falta de legitimidade. Desta forma, conheço parcialmente do recurso apresentado. A multa aplicada ao caso concreto, multa por não homologação de declaração considerada falsa, é o dobro da prevista no art. 44, inciso I e, no caso concreto, foi agravada, uma vez que a contribuinte não prestou esclarecimentos no curso da ação fiscal. Diante de expressa previsão legal, comprovada a falsa declaração e o não atendimento a intimação, subsiste a aplicação da multa majorada e agravada de 225% sobre o valor do débito objeto de Dcomp. Não se trata, portanto, da multa isolada prevista no § 17, do art. 74 da Lei 9.430/96, objeto do RE 796939/RS recentemente julgada inconstitucional. No mérito, trata-se de mais um dos conhecidos casos de compensação fraudulenta com a utilização de “Títulos da Dívida Externa” ou “Títulos de Terceiros”, os quais não possuem base legal para compensação pretendida. Tais casos, infelizmente, não são raros no âmbito deste conselho e já foi apreciado por diversas oportunidades no âmbito desta TO. O caso é idêntico ao do PAF 13855.723356/2019-24 apenas mudando os valores e períodos de apuração. As peças defensivas são cópias e o modus operandi do contribuinte foi o mesmo. Da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado, constitui-se basicamente em reprodução da impugnação cujos argumentos foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. No mais, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo inc. I, § 12º do Art. 114 do novo Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria n. 1.634 de 21 de dezembro de 2023): Art. 114. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes, ausentes e impedidos ou sob suspeição, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos, a matéria em que o relator restou vencido e o voto vencedor. Fl. 251DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723367/2019-12 § 1º O relator deverá formalizar o acórdão no prazo de quinze dias, contado da movimentação dos autos para essa atividade. (...) §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; e II - referência a súmula do CARF, devendo identificar seu número e os fundamentos determinantes e demonstrar que o caso sob julgamento a eles se ajusta. Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, , desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerando-se como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida, na parte que se aplica: Infere-se da legislação transcrita que a multa aplicada ao caso concreto, multa por não homologação de declaração considerada falsa, é o dobro da prevista no art. 44, inciso I e, no caso concreto, foi agravada, uma vez que a contribuinte não prestou esclarecimentos no curso da ação fiscal. Diante de expressa previsão legal, comprovada a falsa declaração e o não atendimento a intimação, subsiste a aplicação da multa majorada e agravada de 225% sobre o valor do débito objeto de Dcomp. No processo administrativo nº 13855.721620/2018-12, a empresa transmitiu Declaração Eletrônica de Compensação, nº 03327.28906.240818.1.3.02-9088, informando crédito decorrente de saldos negativos de IRPJ apurado no ano calendário de 2017, 4º trimestre, no valor de R$ 1.100.688,50. O crédito pleiteado refere-se a retenção de Imposto de Renda na fonte, código de receita 5706, no valor de R$ 1.100.688,50. No entanto, em consulta ao Sistema DIRF, não constatou tal retenção. Ademais, em consulta a ECF e DCTF, a Autoridade constatou que a contribuinte apurou saldo de IRPJ a pagar em 2017, 4º trimestre. Assim, no processo administrativo nº. 13855.721620/2018-12, não foi reconhecido seu direito creditório e as declarações de compensações não foram homologadas, nos seguintes termos: (...) Portanto, é cristalino que a Dcomp foi embasada em documento falso, pois a contribuinte utilizou-se de crédito, sabidamente inexistente, para compensar débitos tributários e ainda não respondeu as intimações no curso da ação fiscal. Dessa forma, ocorreu a subsunção do fato à hipótese de incidência. Ademais, a multa encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, e não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadrar-se na hipótese prevista pela norma. Quanto à arguição de suspensão, informamos que, como a contribuinte apresentou impugnação, os débitos em questão encontram-se com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso III do CTN/66. Fl. 252DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-006.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723367/2019-12 Quanto ao chamamento de terceiros à lide no processo administrativo tributário, informamos que não há previsão legal para tal pedido. Já quanto à responsabilização de terceiros, observo que a administração estava a cargo dos responsáveis solidários, que eram incumbidos de exercerem todos os atos necessários ao exercício regular das atividades empresariais. O fato de a Autuada ter contratado um terceiro para efetivação das compensações não pode servir para compartilhar a sua responsabilidade e a de seus administradores. Tal entendimento tem relação com as intituladas culpa in eligendo e culpa in vigilando. Pela primeira (culpa in eligendo), se a contratante escolhe mal a pessoa que presta os serviços, deve arcar com o ônus da infeliz escolha. Oportuno ressaltar, nesse ponto, que a escolha do contratado deve ser feita com cautela, de molde a aferir a sua idoneidade, procurando saber, antes da contratação, se a mesma é pessoa que cumpre as obrigações em perfeita consonância com os parâmetros legais. Pela segunda (culpa in vigilando), a contratante deve fiscalizar periodicamente o cumprimento das obrigações contratadas com o prestador, de molde a verificar se os serviços estão sendo executados em harmonia com a legislação pertinente. Se a contratante não fiscaliza a contratada e esta realiza compensações com créditos inexistentes, aquela responderá perante a Fiscalização tributária pela falsidade informada nas declarações de compensação. Afinal, conforme art. 123 do CTN/66, “salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes” Assim, os contratos particulares podem e devem ser pactuados e são juridicamente válidos entre as partes contratantes, mas nenhum efeito produz perante a Fazenda Pública. Dessa forma, a Fazenda tem o direito de exigir o cumprimento da obrigação tributária das pessoas às quais a lei atribui a condição de sujeito passivo, nos termos do art. 135 do CTN/66. Ainda, percebe-se que, no caso concreto, houve claramente infração à lei nos termos do citado artigo por parte dos senhores Ozaris Roberto José de Oliveira e Alair Rodrigues de Freitas. Pelo exposto, voto por manter a autuação, crédito tributário e responsabilização, nos exatos termos consubstanciados. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo, integralmente, o crédito tributário e a responsabilidade tributária consubstanciados no respectivo auto de infração. O caso em análise trata de clara fraude cometida pela Contribuinte contra o Fisco, por intermédio de uma suposta consultoria tributária, a PLATINUM Consultoria. A fraude se dava por meio da inserção de informações falsas em declarações para reduzir ou eliminar ilegalmente as dívidas tributárias com a falsa compensação com suposto crédito financeiro junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN), baseado em títulos públicos. A organização criminosa oferecia serviços de “consultoria e assessoria tributária”. A referida empresa de consultoria foi, inclusive, objeto de operação deflagrada pelo Fisco Federal em conjunto com a Receita Federal e denominada “Saldo Negativo”: Supremo Tribunal Federal (stf.jus.br). Fl. 253DF CARF MF Original https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=459188&ori=1 Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-006.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723367/2019-12 Acerca da matéria controvertida, é oportuno destacar que a fraude de que trata o presente feito traz grave prejuízo à Fazenda Nacional, retirando ilicitamente recursos do Estado, e está disseminada de tal forma no território nacional que foi objeto de uma cartilha elaborada em conjunto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, Secretaria do Tesouro Nacional, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Ministério Público da União denominada Prevenção à Fraude Tributária com Títulos Públicos Antigos (disponível em http://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/Arquivos/manual/Cartilha_Prevencao_Fra ude_Tibutaria.pdf). Dessa cartilha, vale trazer à colação os seguintes trechos: Nos últimos anos, tornou-se recorrente uma nova tentativa de fraude contra a Fazenda Nacional, que consiste na suspensão indevida de débitos tributários federais declarados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), na Declaração Anual do Simples Nacional (DASN) e na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). A tentativa de fraude tem por base ações judiciais de execução de títulos da dívida pública, movidas contra a União, que visam à cobrança de valores relativos ao resgate de supostos créditos oriundos de títulos da dívida pública brasileira, interna e externa, inclusive títulos emitidos no início do século passado. [...] O Tesouro Nacional tem recebido frequentes consultas a respeito de validade, possibilidade de resgate, troca, conversão (em NTN-A ou em outros títulos), bem como de pagamento ou compensação de dívidas tributárias ou outros tipos de operações diversas envolvendo apólices antigas, emitidas sob a forma “cartular” (impressas em papel), inclusive títulos da dívida externa referentes, em sua maioria, àqueles regulados pelo Decreto-lei nº 6.019, de 1943, que perderam seu valor e que vêm sendo utilizados de forma fraudulenta. Títulos antigos emitidos em papel e em moeda estrangeira não podem ser convertidos nos títulos referidos no art. 2º da Lei nº 10.179, de 2001 (LTN, LFT ou NTN), portanto não se prestam para pagamento ou compensação de tributos federais. [...] As fraudes tributárias objetivam afastar de forma indevida o débito tributário. Para tanto, seus agentes utilizam todo e qualquer mecanismo disponível para forjar formas de suspensão ou extinção do débito tributário, ou mesmo para afastar seu lançamento, alegando, por vezes, tratar-se de simples planejamento tributário. Eles são criativos e estão sempre em busca de novas oportunidades para ludibriar contribuintes desavisados, ansiosos pela solução imediata de suas situações fiscais, o que muitas vezes lhes retira a cautela desejável na defesa de seu patrimônio. É aí que entram em cena as chamadas fraudes tributárias. [...] 3.1 – Consequências Fiscais Uma vez verificada a fraude tributária no âmbito de Receita Federal do Brasil, o contribuinte responsável por sua execução dolosa ou culposa estará sujeito às seguintes consequências, sem prejuízo de outras sanções e encar-gos estabelecidos na legislação vigente: 1. imposição de multas, que poderá chegar a 225% do valor do débito; Fl. 254DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-006.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723367/2019-12 2. restrição para obtenção de certidão negativa de débitos, o que impede que o contribuinte possa, por exemplo, participar de processos licitatórios; 3. inscrição no Cadastro de Inadimplentes (Cadin), o que impede que o contribuinte possa receber empréstimos ou obter financiamentos junto a bancos públicos; 4. cobrança imediata da dívida, com início da execução fiscal e penhora dos bens; 5. representação fiscal para fins penais; 6. suspensão ou cassação de benefícios fiscais; 7. ao final da ação judicial, além do pagamento dos acréscimos legais do tributo discutido, terá também pagamento das custas e dos honorários judiciais cabíveis e eventual litigância de má-fé; 8. possibilidade de os sócios ou dirigentes responderem solidariamente pelas dívidas da pessoa jurídica, sendo executados em seu patrimônio pessoal. Essa responsabilidade solidária também poderá ser aplicada contra o representante de qualquer empresa que for responsável por fraude tributária, hipótese em que o passivo tributário será cobrado de todos pelo valor integral, até sua extinção. Não existem dúvidas que em grande parte das vezes o contribuinte acaba sendo enganado por tais organizações criminosas, só que o absurdo de tais supostos créditos é tão grande e o que se vê, de fato, é a clara intenção do contribuinte de não pagar tributos e que, por conta disso, age sem nenhum dever mínimo de cautela. Entretanto, mesmo na suposta hipótese de o contribuinte ter sido vítima de crime cometido pela respectiva organização criminosa, isso não afastaria a aplicação da multa qualificada uma vez que seja diretamente, seja por meio de outorga de poderes a procuradores, o contribuinte agiu dolosa e sistematicamente com o intuito de deixar de recolher tributos e dificultar a ciência e ação da autoridade fiscal. Tratam-se de valores vultosos e compensados sistematicamente, e que são objeto também de outros processos administrativos. Do histórico de processos distribuídos a este Relator é possível confirmar que o contribuinte adota o mesmo modus operandi para não pagar tributos devidos desde o ano de 2014, ora com supostos títulos da dívida externa, ora com supostos créditos de terceiros, mas sempre de forma fraudulenta e sem base legal e por meio de intermédio das empresas APPEX e PLATINUM Consultoria, ambas objetos de operações conjuntas da Receita e Polícia Federal. Por sua vez, ao não responder as intimações também incorreu em hipótese devida de agravamento. Não existem motivos razoáveis para desagravar a penalidade diante de um caso tão grave e da inércia do contribuinte. O que se analisa, do ponto de vista do Fisco, para fins de qualificação da penalidade é a existência de deliberada intenção de fraude ou sonegação, o que claramente ocorreu por parte do contribuinte, seja diretamente ou seja por meio de procurador. Fl. 255DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-006.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723367/2019-12 Casos semelhantes também foram apreciados por este Conselho: DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO FORMALIZADO POR AFRFB DE JURISDIÇÃO DIVERSA. VALIDADE. É válido o lançamento formalizado por AFRFB de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Inteligência da Súmula CARF vinculante nº 27. PAGAMENTO DE TRIBUTOS COM TÍTULOS DA DÍVIDA EXTERNA. LEI 10.179/2001. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para a quitação de título da dívida pública externa com tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A Lei n° 10.179/2001 previu que alguns títulos públicos (LTN´s, LFT´s ou NTN´s), a partir de seus vencimentos, teriam poder liberatório para pagamento de qualquer tributo federal (art. 6°), hipótese em que certamente não se enquadram os títulos da dívida externa adquiridos de terceiros. Os títulos de que trata a Lei n° 10.179/2001 são emitidos no Brasil e escriturais, com registro em sistema centralizado de liquidação e custódia, inclusive as respectivas cessões de direitos creditórios (art. 5°). Outrossim, o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que disciplinou a compensação de tributos federais, além de não permitir a compensação de débitos tributários com títulos públicos, também veda o encontro de contas com créditos de terceiros. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE NOTÓRIA E PRÁTICA REITERADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo adotou condutas que constituem a sonegação e fraude, como definido em lei. Ao menos desde 2012 o Tesouro Nacional vem alertando sobre fraudes com títulos públicos e, especificamente quanto aos títulos da dívida externa, orientando no sentido de que tais títulos são “direitos estrangeiros, sujeitos às leis do país em que foram emitidos” e que, na forma do referido Decretolei, “a esmagadora maioria já foi resgatada no exterior, restando pouquíssimos ainda em circulação, que deverão ser apresentados nos respectivos bancos pagadores no exterior”. (http://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/Arquivos/manual/Cartilh a_Prevencao_Fraude_Tibutaria.pdf). De forma semelhante, o Ministério Público Federal, por sua 2ª Câmara de Coordenação e Revisão, emanou Orientação, em 26/05/2014, para que os membros do Ministério Público Federal que oficiam na área criminal, respeitada a independência funcional, promovam “a responsabilização criminal, a qual pode ser imputada a sócios e outros responsáveis por empresas privadas e a servidores e gestores públicos, nas hipóteses de fraudes com títulos públicos”. A declaração de informações inverídicas, durante longo período de tempo, evidencia a conduta dolosa no sentido de impedir ou retardar o conhecimento Fl. 256DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-006.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723367/2019-12 por parte da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, justificando-se, assim, a multa no percentual de 150%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS PREPOSTOS. ART. 135 CTN. VIABILIZAÇÃO DE MEIOS PARA PRÁTICA DE FRAUDE NOTÓRIA E RECORRENTE. FLAGRANTE CONTRASTE À LEI TRIBUTÁRIA. A pessoa jurídica que detém poderes para representar o contribuinte e, utilizando de tais poderes, viabiliza e pratica fraude fiscal detém responsabilidade tributária com fulcro no art. 135, inciso II, do CTN. Tal responsabilidade estende-se a seus administradores, vez que, por intermédio de seus atos a fraude fiscal foi perpetrada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2014, 2015 LANÇAMENTO CALCADO NOS MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. Aplicam-se ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. Recursos Voluntários conhecidos e não providos. (Acórdão 1301-005.697 de 15 de setembro de 2021) Além disso, os pedidos de chamamento de terceiros ao processo ou, ainda, de suposto seguro que garantiria o crédito são matérias estranhas e que não interferem no presente auto de infração. Em relação à responsabilização solidária, houve clara infração a lei que justifica a sua aplicação, como bem enfrentado pela decisão recorrida que adoto como razões de decidir. Não se trata de mero erro de informação de crédito ou de simples ausência de comprovante de retenção, mas de verdadeira fraude e utilização de créditos inexistentes! Repreensível ainda, uma alegação dessa natureza por parte do patrono que representa o contribuinte. O direito de defesa é uma garantia constitucional, mas a boa fé processual é princípio que deve ser observado pelas partes e é inerente ao exercício da advocacia. Outrossim, alegações quanto à ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação tributária não podem ser apreciados nos termos do que dispõe a Súmula CARF n. 02. Cabe ressaltar, ainda, não tratar o presente caso de aplicabilidade da retroatividade benigna da redução da multa qualificada realizada pela Lei 14.689/2023. Isto porque, no presente caso estamos diante de multa isolada específica, prevista no §2º do art. 18 da Lei 10.833/2003, que estabelece de forma objetiva a obrigatoriedade de duplicação da multa prevista no inc. I, do art. 44 da Lei 9.430/1996, previsão que não sofreu qualquer modificação. Desta feita, nos termos da faculdade garantida pelo inc. I, § 12º do Art. 114 do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria n. 1.634 de 21 de dezembro de 2023), adoto a decisão da DRJ como razões de decidir, acrescidas das razões aqui expostas, e voto no Fl. 257DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-006.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723367/2019-12 sentido de conhecer parcialmente o Recurso Voluntário e na parte conhecida negar-lhe provimento mantendo-se o lançamento e a responsabilização solidária. É como voto. (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 258DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002218/2002-71
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PERÍODO DE APURAÇÃO: 23/02/1996 A 21/11/1996
NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.
O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de ato administrativo de caráter gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando à administração dos trabalhos de fiscalização, não pode sobrepor-se ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, bem como aos dispositivos da Lei n°. 10.593/2002, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração.
ASSUNTO: DECADÊNCIA
Trata-se o caso de DRAWBACK suspensão onde opera-se nos 30 dias subseqüentes ao prazo dado pelo ato concessório, não ocorrido o pagamento o prazo decadencial será contado conforme o inciso I, do artigo 173 do CTN.
ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 23/02/1996 A 21/11/1996
DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR.
Admitir a desqualificação do regime abstraindo-se da análise substancial do instituto, de forma a adequá-la à verdade material, fere os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e, obviamente, o princípio da verdade material, indo de encontro à justiça fiscal, que deve sempre ser buscada pela Administração Tributária. Não deixa de ser, também, um contra-senso à própria natureza falível do homem.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3101-000.613
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 20 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 201102
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 23/02/1996 A 21/11/1996 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de ato administrativo de caráter gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando à administração dos trabalhos de fiscalização, não pode sobrepor-se ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, bem como aos dispositivos da Lei n°. 10.593/2002, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. ASSUNTO: DECADÊNCIA Trata-se o caso de DRAWBACK suspensão onde opera-se nos 30 dias subseqüentes ao prazo dado pelo ato concessório, não ocorrido o pagamento o prazo decadencial será contado conforme o inciso I, do artigo 173 do CTN. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS PERÍODO DE APURAÇÃO: 23/02/1996 A 21/11/1996 DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. Admitir a desqualificação do regime abstraindo-se da análise substancial do instituto, de forma a adequá-la à verdade material, fere os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e, obviamente, o princípio da verdade material, indo de encontro à justiça fiscal, que deve sempre ser buscada pela Administração Tributária. Não deixa de ser, também, um contra-senso à própria natureza falível do homem. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
numero_processo_s : 10855.002218/2002-71
conteudo_id_s : 5222082
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3101-000.613
nome_arquivo_s : Decisao_10855002218200271.pdf
nome_relator_s : VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10855002218200271_5222082.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres
dt_sessao_tdt : Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
id : 4576259
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 20 09:38:04 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1796846010941571072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2232; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 1 1 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.002218/200271 Recurso nº 144.297 Voluntário Acórdão nº 3101000613 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de Fevereiro de 2011 Matéria DRAWBACK SUSPENSÃO Recorrente AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida DRJFORTALEZA/CE ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 23/02/1996 A 21/11/1996 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de ato administrativo de caráter gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando à administração dos trabalhos de fiscalização, não pode sobreporse ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, bem como aos dispositivos da Lei nº. 10.593/2002, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. ASSUNTO: DECADÊNCIA Tratase o caso de DRAWBACK suspensão onde operase nos 30 dias subseqüentes ao prazo dado pelo ato concessório, não ocorrido o pagamento o prazo decadencial será contado conforme o inciso I, do artigo 173 do CTN. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS PERÍODO DE APURAÇÃO: 23/02/1996 A 21/11/1996 DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. Admitir a desqualificação do regime abstraindose da análise substancial do instituto, de forma a adequála à verdade material, fere os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e, obviamente, o princípio da verdade material, indo de encontro à justiça fiscal, que deve sempre ser buscada pela Administração Tributária. Não deixa de ser, também, um contrasenso à própria natureza falível do homem. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 2 2 ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Valdete Aparecida Marinheiro Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Helder Massaaki Kanamaru, Tarásio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 322 a 326 dos autos emanados da decisão DRJ/FOR, por meio do voto do relator Fernando Sergio Tavares e Sales, nos seguintes termos: “Trata o presente processo da exigência de crédito tributário decorrente de procedimento fiscal levado a efeito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP, em decorrência de auditoria concernente às importações realizadas pelo contribuinte AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, ao amparo do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, que culminou com a lavratura, datada de 27/05/2002, do Auto de InfraçãoAI relativo ao Imposto de ImportaçãoII, no valor de R$ 53.982,38 e ao Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI vinculado, no valor de R$ 21.795,20, perfazendo, já inclusos os acréscimos legais correspondentes, bem como a multa proporcional (75%), na data da autuação, o importe total de R$ 223.945,12, tudo nos termos das peças de fls. 259/276. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, integrante do AI, e demais documentos que o acompanham, acostados às fls. 01/258, o contribuinte em tela, fruindo do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, promoveu importações lastreadas no Ato ConcessórioAC nº. 029796/0017, emitido em 09/01/1996, com o fito de, após o competente procedimento industrial, realizar as exportações do produto compromissado até o marco final espelhado no dia 08/07/1997. Em resumo, tal Ato, cuja fotocópia apresentase acostada às fls. 13/15, prescrevia que o beneficiário, a partir da importação, e utilização em seu parque fabril, das matériasprimas denominadas: preparação antiespumante à base de polyol, carvão ativo, d biotina e trimetilglicocola, exportasse o correspondente produto final denominado: glutamato monossódico 99+% puro. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 3 3 Por intermédio do Relatório de Comprovação do Drawback nº. 0297 97/0001067, de 06/10/1997, a então operante Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S.A.CACEX, atestou a satisfação do regime, consignando que os produtos importados foram integralmente utilizados nos produtos finais exportados. De se ressaltar que as peças que guiam essa conclusão estão nos autos por fotocópia autenticada, vez que os originais foram extraviados pelo importador, consoante informações de fls. 19 e 21/31. Por seu turno, a autoridade autuante, após considerações acerca do regime aduaneiro em estudo e, também, depois de procedida análise da documentação fiscocontábil apresentada pelo beneficiário, afirmou haver encontrado diversas incongruências a macular a satisfação do regime aduaneiro, o que ensejou, por conseqüência, a exigência fiscal. Referidas incongruências foram expostas no termo de verificação fiscal (fls. 254/258), inserto no Auto de Infração em análise. Lá, em suma, a fiscalização considerou inexistir comprovação hábil a sustentar a correta aplicação dos insumos importados, segundo os termos postos no aludido Ato Concessório e, por conseguinte, não reconheceu o gozo do regime especial pelo contribuinte em tela. Tal entender se calcou, por primeiro, na ausência, em todos os Registros de ExportaçãoRE apresentados pelo beneficiário à comprovação do regime, da informação relativa ao número do Ato Concessório a que referidos RE pretendiam fazer prova do cumprimento. A fiscalização, também, atestou que, nos RE nºs. 96/0931262/001, 96/0931262/002, 96/0931262/003 e 96/0971651/001, além da ausência retro, foram enquadrados na condição de produto sob exportação normal, código 80000, ao passo que o correto enquadramento repousaria no código 81101, que sinalizaria ali tratarse do regime especial em apreço. Outrossim, a autoridade lançadora registra que, até o termo final para o cumprimento do regime, estabelecido pelo aditivo nº. 029797/0036 (fl. 17), qual seja, 08/07/1997, o beneficiário não conseguiu demonstrar a devida comprovação e, ainda, ressalta que o contribuinte apresentara, juntamente com o Relatório de Comprovação do Drawback nº. 029797/1067, intempestivamente, o aditivo nº. 029797/1059, emitido em 06/10/1997. Este aditivo intentava alterar, dentre outros elementos, o valor compromissado à exportação, no caso, o importe para US$ 14,249,797.59. Ainda, a fiscalização destaca a inocorrência, dentre outras, do registro da identificação das notas fiscais de venda no mercado interno nos RE, no que tange ao leque de operações relativas a vendas para o mercado interno com fim específico de exportação. Por fim, na autuação, consta relato da ocorrência de mero deslocamento nominal dos valores operados no elenco dos RE discriminados à fl. 257 ao Relatório de Comprovação do Drawback, inflando o campo destinado ao valor exportado, pois sobreditos valores, ao estarem consignados em moedas alheias ao dólar norteamericano, portanto sem a competente conversão, provocaram indevida influência na comprovação do montante exportado. Portanto, por entender que o contribuinte não logrou provar o cumprimento do regime, acarretando o rompimento com os termos prescritos no Ato Concessório supramencionado, vinculados ao drawback, modalidade suspensão, outorgado ao sujeito Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 4 4 passivo em apreço, a fiscalização decidiu considerar não liquidado o compromisso então assumido pelo contribuinte, efetuando, por conseguinte, diante do inadimplemento do compromisso, o lançamento dos tributos correspondentes, resultando na exação supra. Da impugnação O sujeito passivo, após ter sido cientificado, em 28/05/2002, por intermédio de intimação pessoal, consoante fazem prova as ciências consignadas nas peças constantes às fls. 258, 267 e 273 da exação, apresentou, em 27/06/2002, sua impugnação, conforme documentação juntada às fls. 279/299, onde, após breve histórico dos autos, desenvolveu sua defesa, estribandose em dispositivos da legislação correlata, conforme a seguir, em síntese, colocado: Preliminarmente, sustenta: não consta nos autos, tampouco é de conhecimento do defendente, o instrumento de prorrogação do mandado de procedimento fiscalMPF jungido à exação em debate, visto que não se vislumbra o mandado de procedimento fiscal complementar, elemento formal que encorpa tal mister, o que inquina, irremediavelmente, de nulidade do lançamento. Sublinha que a legislação que disciplina o MPF, de forma inegável, promove direito subjetivo aos contribuintes; de início, caso entendesse que o prazo final do ato concessório expirasse em 24/01/97, como afirma o autuante no item 2.2 do relatório, a decadência operar seia em 25/01/2002 (fl. 285); noutro rumo, atesta que o regime aduaneiro especial em tela não consubstancia, nos termos do art. 151, do Código Tributário NacionalCTN, modalidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, como aduz a fiscalização, mas, sim, representa uma isenção condicionada; desde o dia “01/02/1.997, o crédito tributário poderia e deveria ter sido constituído” (fl. 292). Numa interpretação sistêmica, “(...), podemos concluir, seguramente, que a decadência é de 5 anos ocorridos a partir do dia 01/08/1.996” (fl. 292/293). E, ainda, alicerçado em desenvolvimento teórico acerca dos conceitos tributários, entende que eventual direito de o fisco haver procedido ao lançamento pereceu em 01/08/2001, ante o afloramento do instituto da decadência; No mérito assim propugna: realizou a condição imposta pelo ato concessório, visto que exportou os produtos compromissados, utilizandose, no respectivo processo produtivo, dos insumos então importados; reconhece seu equívoco relacionado à omissão das informações concernentes à designação, em sua documentação fiscal comprobatória do regime aduaneiro especial em tela, da consignação do Ato Concessório em debate, todavia credita o erro documental, portanto de natureza instrumental, o qual não tem a envergadura de obstaculizar a fruição do regime especial, ante a primazia da Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 5 5 verdade material, aflorada nas exportações efetivamente realizadas, constantes do Relatório de Comprovação de Drawback; a sanção deve guardar correspondência e proporcionalidade à infração; eventual sanção a abarcar o presente caso consistiria em específica penalidade pecuniária em face de descumprimento de obrigação acessória, mas não a desqualificação do regime, tendo em vista o desabrigo legal a fomentar tal agir; a autuação é carecedora de fundamento; a fiscalização olvidouse de considerar o que se faz relevante no seio do feito administrativo: a verdade real, pois, caso assim procedesse, o presente lançamento não teria nascimento; requer prazo para juntada de documentação fiscocontábil capaz de comprovar as razões de seu alegado; inexistiu superfaturamento na espécie, mas tãosomente mero equívoco no transporte de valores, face sua contabilização em moeda diversa, o que só merece a conseqüente feitura da conversão da moeda relativa aos importes operados nos aludidos RE, não subsistindo, assim, a irregularidade avençada; pretendendo corroborar suas afirmações, requer a realização de diligência objetivando comprovar a utilização integral das matériasprimas importadas sob o regime especial na fabricação do produto exportado, nos moldes quantitativo e qualitativo determinados pelo Ato Concessório. Para tal, formula os quesitos, ema tenção ao inciso IV, do art. 16, do Decreto 70.235/72; no processo administrativo, assim como no judicial, imperase a presunção da boafé do contribuinte; princípios e constitucionais estão maculados no feito em exame. Por fim, o contribuinte, em sua defesa, solicita prazo para a apresentação do instrumento de mandato. No entanto, à vista do seu silêncio, a Unidade da RFB em Tietê/SP procedeu à feitura de expediente, datado de 27/08/2002, intimando o sujeito passivo a demonstrar a legitimidade da impugnação, consoante as peças de fls. 303/304, sendo tal ação tomada pelo sujeito passivo em 09/09/2002, conforme pleito apresentado à DRF/Sorocaba. Como, nesse ínterim, os autos já haviam sido remetidos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloDRJ São Paulo II, referido pedido foi reencaminhado àquela Unidade de Julgamento, lá chegando em 30/09/2002. Da transferência da competência para julgamento da lide Por força do disposto na Portaria SRF n° 956, de 08/04/2005, DOU de 12/04/2005, a competência para julgamento do presente processo foi transferida da DRJ/São Paulo II para esta DRJ/Fortaleza..” Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 6 6 A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0813.859 de fls. 319 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 23/02/1996 A 21/11/1996 DRAWBACKSUSPENSÃO. DECADÊNCIA. Tratandose de importação efetuada ao amparo do regime de drawback, modalidade suspensão, o termo de início do prazo decadencial reside no primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo primeiro dia do encerramento do regime especial, visto que o lançamento somente poderá ocorrer após o vencimento do período estabelecido no Ato Concessório para o cumprimento das obrigações assumidas pelo beneficiário, acrescido do prazo de trinta dias franqueado pela legislação. TRIBUTOS E MULTAS LANÇADOS. CONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. LEGALIDADE. ATIVIDADE VINCULADA. Estando o tributo e multa constituídos devidamente previstos em lei, não cabe discussão administrativa sobre suposta lesão a princípios constitucionais em face de sua aplicação. Descabe a discussão dos princípios constitucionais, por força de exigência tributária, os quais deverão ser observados pelo legislador no momento da criação da norma. Não cogitam esses princípios de proibição aos atos de oficio praticados pela autoridade administrativa em cumprimento às disposições normativas inseridas no nosso ordenamento jurídico, mesmo porque a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 23/02/1996 A 21/11/1996 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de ato administrativo de caráter gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando à administração dos trabalhos de fiscalização, não pode sobreporse ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, bem como aos dispositivos da Lei nº. 10.593/2002, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. AUSÊNCIA DE NULIDADE FORMAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO DO REGIME DE DRAWBACKSUSPENSÃO. INFRAÇÃO DESCRITA NO AUTO DE INFRAÇÃO E TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL ANEXO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. RITO FISCAL OBEDECIDO. O exame dos fundamentos apontados pela fiscalização pertence ao julgamento de mérito. Nulidade e cerceamento ao direito de defesa não configurados tendo em vista que o lançamento está revestido de todas as formalidades previstas na legislação de regência, não havendo o que se falar em prejuízo do direito de defesa e do contraditório, tampouco de ofensa ao devido processo legal. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 7 7 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de Diligência formulado nos termos do inciso IV, do art. 16, do Decreto n° 70.235/72, quando os elementos que integram os autos revelamse suficientes para a plena formação da convicção e convencimento do julgador, e conseqüente julgamento do feito. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação, ou noutro quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior ou caso fortuito, trazer ao julgado todas as notícias, dados, informações e documentos que entenda comprovadores dos fatos que alega. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS PERÍODO DE APURAÇÃO: 23/02/1996 A 21/11/1996 DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. O descumprimento das condições estabelecidas em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos relativos às mercadorias importadas sob regime aduaneiro especial de drawback suspensão, acrescidos dos encargos previstos em lei. Lançamento Procedente” Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Egrégio Conselho – CARF (fls. 358 a 377), onde alega em suma o seguinte: I – Preliminarmente: a) desrespeito ao MPF – mandado de procedimento fiscal – alegando a tese de que o art. 7º, §§ 1º e 2º do Decreto nº. 70.235/72, o MPF vencido devolve o direito à espontaneidade do sujeito passivo, derrogando a multa de ofício; por conseqüência requereu: seja reconhecido o direito à espontaneidade do contribuinte , pelo prazo de trinta dias, à contar da intimação da decisão, devendo os autos baixar na origem, para que o contribuinte tome as providências a que entende ter direito e somente após seja retomado o julgamento; b) Da Decadência: alega que o direito de lançar da autoridade decaiu, mas lhe parece que o julgador de primeiro grau, não enfrentou a questão conforme posta. Que conforme a decisão recorrida fls. 256 o prazo para a realização das exportações findou em 08/07/1997, mas de acordo com o relatório de fiscalização, não há descrição concreta do fato, não há clara de qual é o marco exato que devese contar o prazo e que essa dúvida deve ser revertida a favor do contribuinte. Questiona diante das dúvidas que diz ter o seguinte: qual é o Ato Concessório que estava vigente e qual a data da sua validade? Em conseqüência requer que a matéria atinente à decadência seja enfrentada sob essas premissas, bem como avaliese nesse momento o cerceamento de defesa. Ainda, em campo de preliminar defende tratarse de drawback previsto nos artigos 10 e 11 do Declei 37/66, ou seja, drawback isenção, logo de natureza isentiva, ou seja, de isenção condicionada e portanto para que o tributo seja cobrado deva ser respeitado o artigo 179 do CTN que em interpretação conjunta com o artigo 150, § 4º, por se tratar de tributo que tem seu lançamento pela modalidade chamada de “lançamento por homologação”, c.c. com o Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 8 8 artigo 173, I, ambos do CTN, concluiu com segurança que a decadência é de 5 anos ocorridos à partir do dia 01/08/1996. Concluindo, a Recorrente alega que encontrase sem um supedâneo descritivo de qual foi o Ato Concessório para lançamento, por isso nulo e assim deve ser enfrentado o julgamento. IIMérito :a)invoca vários princípios (da verdade real e formal)a condição imposta pelo ato concessório, qual seja exportar os produtos fabricados com os insumos importados, mas que nos documentos fiscais de exportação não fez referência ao ato concessório e por isso entenderam as autoridades que as exportações devem ser desconsideradas e exigido os tributos que a impugnante tinha se beneficiado por força da isenção; Ainda, que a jurisprudência desse Conselho prevê a fungibilidade dos insumos e cita várias jurisprudência que entende lhe favorecer: b) Do atendimento do § 1º, do art. 16 do Dec.70.235/72 – com o intuito de ver realizada uma diligência apresentou vários quesitos para ser respondida, mas essa diligência foi indeferida e portanto, entendeu ter havido CERCEAMENTO DE DEFESA. c) Do alegado superfaturamento – por entender que o lançamento deveria ser desconstituído por falta de prova de acusação, já que os documentos não se encontram em dólar; III – Requerimento: desconstituição do crédito tributário consubstanciado no AIIM que ora se impugna, pelos fatos e fundamentos jurídicos aduzidos no seu recurso. Os autos foram encaminhados para este Conselho e distribuídos por sorteio a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos da admissibilidade. Quanto a primeira preliminar de desrespeito ao MPF – mandado de procedimento fiscal, nesse caso específico, corroboro com a decisão recorrida, principalmente com a conclusão do relator que tratou do assunto em fls. 326 a 331 dos autos, da seguinte forma: “Do mandado de procedimento fiscal O peticionário sustenta que nos autos não consta qualquer instrumento formal que consubstancie a prorrogação do mandado de procedimento fiscalMPF nº. 08110002002 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 9 9 000030, e, caso existente, mas fora dos autos, tal ocorrência não lhe foi cientificada, restando, em face disso, por conseguinte, inquinado de nulidade o lançamento em apreço. Com o objetivo de apreciar a peça impugnatória, em sua vertente preliminar, passase a apresentar, como já tenho feito noutras assentadas, algumas considerações no sentido de aquilatar a natureza jurídica do mandado de procedimento fiscal – MPF, introduzido, pela vez primeira, por intermédio da Portaria SRF nº. 1.265, de 22 de novembro de 1999. De início, cabe assinalar que sobredita portaria sofreu alterações, bem como, posteriormente, foi revogada pela Portaria SRF nº. 3007, de 26 de novembro de 2001. Em seguida, a matéria foi tratada pela Portaria SRF nº. 6.087, de 21 de novembro de 2005. Atualmente, o tema é conduzido pela Portaria RFB nº. 11.371, de 12 de dezembro de 2007. Feito o registro histórico, passase aos fatos relacionados ao mandado de procedimento fiscalMPF. A Portaria nº. 1.265, de 22 de novembro de 1999, foi editada com o objetivo de dispor sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelecer normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela então Secretaria da Receita Federal – SRF. Em conseqüência, foi instituído o mandado de procedimento fiscal, o qual foi denominado pela norma administrativa como “ordem específica”, nos termos do seu dispositivo infra: “Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF” Num momento posterior, foi editado o Decreto nº. 3.724, de 10 de janeiro de 2001, com o objetivo de regulamentar o art. 6º, da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela então Secretaria da Receita Federal, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas. Nesse decreto, também, há a menção ao mandado de procedimento fiscal como ordem específica instauradora do procedimento fiscal, consoante § 2º, do art. 2º, daquele ato normativo. Cumpre realçar que o mandado de procedimento fiscal foi objeto de discussões díspares quanto à sua natureza jurídica, que ora era tida como instrumento que concede competência para o auditorfiscal realizar a fiscalização/diligência, como quer o impugnante, ora era tida como mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscalizadora. No entanto, referida questão encontrase atualmente pacificada, nos termos como se vê adiante. Interpretar o mandado de procedimento fiscal como instrumento que concede competência ao auditorfiscal para realizar a fiscalização equivale a afirmar que os autos de infração lavrados por auditorfiscal que não possua tal instrumento é ato administrativo lavrado por servidor incompetente, o que acarretaria sua nulidade, conforme estatuído pelo inciso I, do art. 59, do Decreto nº. 70.235/72. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 10 10 Uma vez estabelecido que a gênese normativa da competência é consubstanciada em lei, afastase, por certo, tal interpretação. Sobre o tema, assim ensina o professor Luciano Amaro1: “O lançamento deve ser efetuado pelo sujeito ativo nos termos da lei, vale dizer, tem de ser feito sempre que a lei o determine, e sua consecução deve respeitar os critérios da lei, sem margem de discrição dentro da qual o sujeito ativo pudesse, por razões de conveniência ou oportunidade, decidir entre lançar ou não, ou lançar valor maior ou menor, segundo sua avaliação discricionária”(grifei) A obrigatoriedade do lançamento tributário emana do próprio código tributário nacional, conforme dispõe seu artigo 3º c/c caput e parágrafo único, do art. 142. Aludida obrigatoriedade erguese quando da ocorrência do fato jurígeno da obrigação, sendo outorgada à autoridade administrativa tal incumbência legal. Não é demais trazer à baila tais dispositivos: “Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível” (grifei) Dessa forma, a meu sentir, o MPF é um importante elemento da administração tributária, no entanto restrito ao campo gerencial e procedimental, ou melhor, é um elemento de controle administrativo da fiscalização, tendo como foco disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela RFB. E, consoante o princípio da hierarquia das normas, o qual dá supedâneo à unidade do ordenamento jurídico, ato subordinado à lei não pode a ela contraporse, sendolhe defeso contrariar, restringir ou ampliar suas disposições. Cumpre realçar, ainda, que o mandado de procedimento fiscal, conforme exposto, é instrumento criado por portaria e, posteriormente, previsto em Decreto. Assim, eventuais vícios relativos à esfera do MPF estão na órbita de meras irregularidades internas, não podendo, portanto, obstar a atividade regrada e obrigatória do lançamento tributário. As normas a que se referem os procedimentos de fiscalização visam ao delineamento de sua execução, perfazendo, assim, instrumento profícuo para a administração tributária. No entanto, quaisquer irregularidades quanto ao cumprimento de tais disposições não teriam o condão de afetar o correspondente crédito tributário formalizado. 1 Direito Tributário Brasileiro, 13ª Edição, Editora Saraiva, 2007, pp. 347. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 11 11 Cabe enfatizar, no que toca à existência do MPF, que a necessidade de cientificar o contribuinte da emissão do instrumento prendese, tãosomente, a questões relacionadas à segurança do sujeito passivo contra pseudoações fiscais que eventualmente possam ocorrer. Nesse passo, cuida de oferecer segurança ao contribuinte, pois lhe possibilita a confirmação, via internet, da origem da ação fiscal, da sua extensão e se está sendo executada por servidores da administração tributária. Portanto, com efeito, o MPF não atinge a competência impositiva dos auditoresfiscais, a qual há de subsistir em face de quaisquer atos voltados a atividades de controle, planejamento e execução das ações fiscais. Frisese que a competência para o lançamento tributário que detém a autoridade fiscal, hoje, no âmbito da RFB, AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, tem origem, como não poderia deixar de ser, na lei. Vejamos o que estabelece o art. 6º, da Lei nº. 10.593, de 06/12/2002, com a nova redação dada pela Lei nº. 11.457/2007, in verbis: “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...)” O texto legal acima define a competência do servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para o lançamento tributário. Posto isso, vale sublinhar que não por outra causa, aliás, que a jurisprudência administrativa, de forma remansosa, tem reputado, com acerto, que eventuais falhas relativas a disposições acerca do MPF não maculariam o auto de infração. Isso porque, também, o MPF sozinho não é suficiente para demarcar o início do procedimento fiscal (“o procedimento fiscal tem início com: [...] o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto [...]” – Art. 7º, I, do Decreto nº. 70.235/72), o que demonstra o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização e implica que, conquanto presentes eventuais desvios associados ao MPF, estes não tornariam inválidos os trabalhos de fiscalização, nem dariam por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento. Nesse sentido, cito, por questões de síntese, excertos de ementas de julgados adiante colocados, visando dar suporte ao entendimento supra. “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A eventual falha formal existente em mandado de procedimento fiscal não implica em nulidade do auto de infração. O MPF é mero instrumento de controle formal da fiscalização. Não limita o lançamento fiscal, que é dever de ofício previsto no art. 142 do CTN” 2 (grifei). 2 Processo nº 11618.003460/200228, Acórdão nº 20218873, Recurso nº 133824, Sessão de 12/03/2008, 2ª C. do Segundo Conselho. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 12 12 “PIS. AÇÃO FISCAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, além de ter apenas caráter administrativo de controle, razão pela qual não retira a competência da Fiscalização para agir e não restringe a exclusão da espontaneidade do contribuinte, inclui necessariamente a verificação da correta apuração da base de cálculo de todos os tributos e contribuições federais dos últimos cinco anos” 3 (grifei) “NORMAS PROCESSUAIS FALTA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO INEXISTÊNCIA A Portaria SRF nº. 1.265, de 1999, que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, em virtude do princípio da legalidade (CF, art. 5º, inc. II) e da hierarquia das leis, não se sobrepõe às disposições do Código Tributário Nacional CTN, às do Decreto nº. 70.235, de 1972, em especial às dos arts. 7º e 59, que versam, respectivamente, sobre o início do procedimento fiscal e sobre as hipóteses de nulidade do lançamento. (...) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele instaurado e possibilitarlhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta.” 4 (grifei). Convém sublinhar que a matéria que transitou na decisão última teve como cerne recurso de ofício de decisão de 1ª instância que havia anulado o lançamento em face, exclusivamente, da ausência de MPF a amparar aquele procedimento fiscal. Tal tese foi prontamente rechaçada por aquela corte administrativa. Com efeito, verificase, no caso concreto, que o auto de infração resistido revestiuse das formalidades previstas nos artigos 9º e 10, do Decreto nº. 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº. 8.748, de 1993, não havendo incidido em quaisquer dos vícios que poderiam retirarlhe a validade. Outrossim, no que diz respeito ao procedimento fiscal, etapa que antecede o lançamento, constatase que a tese desenvolvida pelo impugnante cingese a uma linha interpretativa que, arraigada ao formalismo, orientase na direção da essencialidade da forma procedimental. Cumpre referir, pois, que o processo administrativo lato sensu, e não menos o procedimento de fiscalização, está subordinado, entre outros, aos princípios do formalismo 3 Processo nº 11080.000984/200515, Acórdão nº 20180.402, Recurso nº 137.434, Sessão de 17/07/2007, 1ª C. do Segundo Conselho. 4 Processo nº 10120.004955/200112, Acórdão nº 10246.676, Recurso nº 136803, Sessão de 16/03/2005, 2ª C. do Primeiro Conselho. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 13 13 moderado e da verdade material, que apontam no sentido da sucumbência das formalidades processuais ante o afloramento do seu objeto maior: o alcance da verdade. Por fim, registrese, por apropriado, que os atos normativos baixados pela RFB, por certo, vinculam a atuação de todos os servidores do órgão, entre os quais os julgadores das DRJ, consoante os termos do art. 7º, da Portaria MF nº. 58, de 17 de março de 2006, abaixo transcrito – que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento – DRJ, verbis: “Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº. 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários e aduaneiros” No entanto, como demonstrado, a portaria que rege o MPF não dispõe, e nem fazêlo poderia, sobre a competência exclusiva do AFRFB, posto que jungida à atuação da Lei nº. 10.593/2002, com as alterações provocadas pela Lei nº. 11.457/2007, tampouco acerca do processo administrativo fiscal, o qual, por seu turno, é regido pelo Decreto nº. 70.235/72, que detém status de lei ordinária. Dessarte, uma vez que a competência legal do auditorfiscal não descende do mandado de procedimento fiscal, nenhuma irregularidade que, eventualmente, possa nele existir tem o alcance de afetar a competência atribuída pela citada Lei nº. 10.593/2002 ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Portanto, uma vez que as supostas irregularidades argüidas pelo impugnante carecem de potencial ofensivo a abalar a plena existência do crédito tributário em debate, tornase despiciendo investigar sua possível existência.” Quanto a preliminar de “decadência” com supedâneo no entendimento da Recorrente de tratarse o caso de drawback – isenção, sou mais do entendimento do julgador Antonio de Pádua Athayde Magalhães, que apresentou declaração de voto em fls. 348 a 351 e por assim já ter me manifestado em outros casos semelhantes, ou seja: O prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN, dispõe:. “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fl. 460DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 14 14 O artigo acima citado não deixa dúvidas. A condição “sine qua non” para aplicar o § 4º do art. 150, no tocante a contagem do prazo decadencial, aperfeiçoase com a atividade do pagamento antecipado realizado pelo contribuinte. No regime jurídico do drawback suspensão, ora discutido no presente caso, que operase nos 30 dias subseqüentes ao prazo dado pelo ato concessório, não ocorrido o pagamento antecipado o prazo decadencial será contado conforme o Inciso I, do art. 173 do CTN, que dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...)” Assim, temos o Ato concessório nº. 029796/0017 de 09/01/1996 a emissão do Relatório Final de Comprovação se deu em 06/10/1997, o prazo decadencial somente iniciou em 01/01/1998 e terminaria em 31/12/2002. Tendo em vista que a litigante foi cientificada dos lançamentos (II e IPI vinculado) em 28/05/2002, concluise que os mesmos foram efetivados dentro do prazo decadencial, não cabendo, portanto, o acatamento da preliminar de decadência suscitada na impugnação. Ainda a Recorrente não efetuou esse pagamento, logo o fisco não tinha o que homologar, logo da aplicação do artigo 173, inciso I acima citado, ou seja, seu prazo para o lançamento só começou em primeiro de janeiro de 1.998. Com o exposto, reside razão a fazenda que concluiu a ação fiscal em maio de 2002, por pouco, mas não decaiu o direito do fisco de constituir o crédito tributário decorrente das operações de importação referidas no auto de infração que deu início ao libelo em questão. Contudo, conheço das preliminares argüidas e nego provimento. Quanto ao mérito propriamente dito, o Recorrente nesse grau de Recurso Voluntário vem alegando o efetivo cumprimento das disposições contidas no ato concessório de DRAWBACK e sua efetiva exportação dos bens importados com longo arrazoado colocando em dúvidas o trabalho fiscal por falta de provas etc. Mas o importante da acusação fiscal é que conforme o relatório acima o que ocorreu foi que: “De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, integrante do AI, e demais documentos que o acompanham, acostados às fls. 01/258, o contribuinte em tela, fruindo do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, promoveu importações lastreadas no Ato ConcessórioAC nº. 029796/0017, emitido em 09/01/1996, com o fito de, após o competente procedimento industrial, realizar as exportações do produto compromissado(...). Em resumo, tal Ato, cuja fotocópia apresentase acostada às fls. 13/15, prescrevia que o beneficiário, a partir da importação, e utilização em seu parque fabril, das Fl. 461DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 15 15 matériasprimas denominadas: preparação antiespumante à base de polyol, carvão ativo, d biotina e trimetilglicocola, exportasse o correspondente produto final denominado: glutamato monossódico 99+% puro. Por intermédio do Relatório de Comprovação do Drawback nº. 0297 97/0001067, de 06/10/1997, a então operante Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S.A.CACEX, atestou a satisfação do regime, consignando que os produtos importados foram integralmente utilizados nos produtos finais exportados. De se ressaltar que as peças que guiam essa conclusão estão nos autos por fotocópia autenticada, vez que os originais foram extraviados pelo importador, consoante informações de fls. 19 e 21/31. Por seu turno, a autoridade autuante, após considerações acerca do regime aduaneiro em estudo e, também, depois de procedida análise da documentação fiscocontábil apresentada pelo beneficiário, afirmou haver encontrado diversas incongruências a macular a satisfação do regime aduaneiro, o que ensejou, por conseqüência, a exigência fiscal. Referidas incongruências foram expostas no termo de verificação fiscal (fls. 254/258), inserto no Auto de Infração em análise. Tal entender se calcou, por primeiro, na ausência, em todos os Registros de ExportaçãoRE apresentados pelo beneficiário à comprovação do regime, da informação relativa ao número do Ato Concessório a que referidos RE pretendiam fazer prova do cumprimento. A fiscalização, também, atestou que, nos RE nºs. 96/0931262/001, 96/0931262/002, 96/0931262/003 e 96/0971651/001, além da ausência retro, foram enquadrados na condição de produto sob exportação normal, código 80000, ao passo que o correto enquadramento repousaria no código 81101, que sinalizaria ali tratarse do regime especial em apreço.” Contudo nesse julgamento de segunda instância administrativa, vou deixar de lado vários argumentos da Recorrente que julgo protelatórios para julgar a validade da constituição do crédito tributário exigido do contribuinte Primeiro quero destacar meu entendimento a cerca do tipo de regime de drawback já manifestado no voto por mim proferido em processo nº. 10384.00071/200350 – RV 139.800 levado a julgamento no ano de 2010 que aqui repito: “O drawback suspensão, modalidade objeto do litígio, contempla a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outro produto a ser exportado. Nessa hipótese, o prazo para efetuar a exportação é de um ano, prorrogável por mais um ano, à exceção apenas a importação de mercadorias destinadas à produção de bens de capital de longo ciclo de produção, que gozam do prazo máximo de suspensão de cinco anos.” “Diante do exposto, resta claro que o regime de drawback objeto do litígio é o drawback suspensão comum, não se tratando, pois, do regime de drawback genérico defendido pela reclamante. Em vista disso, deixase de examinar os argumentos baseados exclusivamente no equivocado entendimento de que o sujeito passivo estaria enquadrado no drawback genérico, por serem inaplicáveis à presente contenda.” Fl. 462DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 16 16 “Portanto, no caso sub examine, a espécie de drawback adotada pela impugnante, sem nenhuma dúvida, foi o drawback suspensão comum (também chamado ordinário), tendo em vista que esta solicitou a importação de determinados insumos com suspensão, sob a condição de que tais insumos fossem utilizados na industrialização de quantidades específicas de mercadorias destinadas à exportação. (...)” Assim, corroborando com a conclusão acima de que o regime de drawback objeto do litígio é o drawback suspensão comum, passamos a examinar se e em que proporção teria havido o descumprimento do compromisso firmado pela beneficiária do regime. Corroborei com o entendimento que se posiciona contrariamente a lavraturas de autos de infração fundamentadas exclusivamente no descumprimento de requisitos formais inerentes ao drawback. Particularmente, entendendo que o descumprimento de alguns requisitos formais pelo sujeito passivo, notadamente o não enquadramento das exportações no código específico do drawback e a falta de vinculação do documento de exportação ao ato concessório respectivo, não são suficientes para, isoladamente, justificarem a descaracterização do incentivo à exportação em tela. Primeiramente, cumpre destacar que o ato concessório em exame data de 09/01/1996, quando o regime de drawback, modalidade suspensão, era regido essencialmente pelos artigos 314 a 319 do Regulamento Aduaneiro à época vigente (Decreto n° 91.030/85) e pela Portaria n° 594, de 25/08/1992, expedida pelo então Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento. Decerto, é evidente que a impugnante deveria ter informado, no Registro de Exportação, o código específico do drawback suspensão. Tal obrigação pode ser extraída do art. 325 do Regulamento Aduaneiro acima referenciado, o qual, muito embora não seja tão específico quanto à informação do código em tela, determina que “a utilização do benefício ... será anotada no documento comprobatório da exportação”. Vale lembrar que, à época da expedição do ato concessório, ainda não vigoravam as portarias da SECEX que traziam, de forma mais detalhada, os requisitos formais que deveriam ser observados como condição à aceitação do regime. Refirome, por exemplo ao art. 37 da Portaria SECEX n° 04, de 11/06/1997, segundo o qual “somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) devidamente vinculado a Ato Concessório de Drawback, na forma de legislação em vigor” (sic). Cito, ainda, o item 4 do Anexo V da Consolidação das Normas do Regime de Drawback, aprovada pelo Comunicado DECEX n° 21, de 11/07/1997, que também trazia a obrigatoriedade de informação do código específico do drawback no campo 2a do RE. Não obstante, e mesmo se, à época da expedição do ato concessório, já estivessem vigorando tais formalidades mais restritivas, entendo que seu descumprimento traria apenas uma presunção juris tantum de que o regime não fora obedecido, ou seja, uma presunção relativa, portanto, passível de sucumbir diante de provas materiais que demonstrassem a satisfação do regime. Ademais, penso que tal exegese é a que mais se coaduna com o direito moderno, principalmente no caso do regime de drawback, incentivo importante à economia nacional por Fl. 463DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 17 17 incrementar a entrada de divisas e estimular a criação de empregos internos. Sobre isso, há que se destacar que o direito contemporâneo tende a fortalecer cada vez mais o princípio do inquisitivo, ou seja, aquele segundo o qual o operador do direito deve buscar, sempre que possível, a verdade material, não se contentando, primariamente, com as “provas” contidas nos autos, ou seja, com a verdade formal. A livre investigação das provas está, pois, cada vez mais presente no direito atual. Nesse sentido, comunguei, também, com os ensinamentos de Claudio Borba, os quais peço vênia para reproduzilos abaixo: No processo administrativo, ao contrário do processo judicial que busca a verdade formal resultante das provas e fatos incluídos pelas partes nos autos, o que se busca é a verdade material. Autoriza a Administração a valerse de qualquer tipo de prova lícita que a autoridade julgadora tenha conhecimento. Permite a iniciativa do julgador e do impugnante em mandar produzir provas, mesmo que não requeridas pelas partes, provas estas que poderão ser juntadas ao processo praticamente em qualquer fase. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos (verdade material), e não apenas a verdade que é, a princípio, trazida aos autos pelas partes (verdade formal). (Borba, Cláudio. Direito Tributário. Teorias e 600 questões. Rio de Janeiro: Impetus, 2. ed. 2000. p. 404.) (grifos nossos) Ademais, faço um pequeno parêntesis para afirmar que a própria Secretaria da Receita Federal, através da CoordenaçãoGeral do Sistema da Tributação – COSIT, já se manifestou no sentido de que a SRF pode fornecer à Procuradoria da Fazenda Nacional informações destinadas à revisão de créditos tributários já inscritos na Dívida Ativa da União, mesmo quando já transcorrido o prazo qüinqüenal para a efetivação do lançamento, desde que comprovada a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos do contribuinte, conforme excertos do Parecer COSIT nº. 36, de 06/09/2000, abaixo reproduzidos: a) os processos devolvidos pela PFN para exame, em virtude de contestação do débito pelo contribuinte, deverão ser analisados pela unidade local da SRF; (...) c) sempre que o objeto da análise for a possibilidade de retificação de ofício da declaração, pela ocorrência de erro de fato, caberá manifestação da projeção local do sistema de tributação; d) tendo em vista os princípios da estrita legalidade e da segurança jurídica, o disposto no art. 108 do CTN e as conclusões constantes do Parecer Cosit nº. 48/1999, a retificação de ofício da declaração de rendimentos também está sujeita ao prazo qüinqüenal previsto no CTN para que a Fazenda Pública possa efetuar o lançamento; e) Desde que suscitada pela PFN, em observância ao princípio da verdade material, pode a SRF, através de suas projeções locais do sistema de tributação, Fl. 464DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 18 18 pronunciarse em processo acerca de possível ocorrência de erro de fato, após o prazo de que trata o item anterior, registrando, contudo, que não se processará à retificação dos erros em virtude do decurso de prazo qüinqüenal. (grifos nossos) Ora, se mesmo para créditos tributários já inscritos em Dívida Ativa – os quais gozam de presunção legal de liquidez e certeza – é admitida a possibilidade de revisão em vista de informações errôneas decorrentes da declaração de rendimentos do contribuinte, o que não dizer de um Registro de Exportação onde não fora simplesmente informado o código correspondente ao drawback, ou ainda, descumpridos outros requisitos de ordem meramente formal. Admitir a desqualificação do regime abstraindose da análise substancial do instituto, de forma a adequála à verdade material, fere, no meu entender, os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e, obviamente, o princípio da verdade material, indo de encontro à justiça fiscal, que deve sempre ser buscada pela Administração Tributária. Não deixa de ser, também, um contrasenso à própria natureza falível do homem. Finalmente, quanto as operações negociadas em moeda alheia ao dólar norte americano que o Recorrente considerou ser mero equivoco que poderia ser saneado mediante diligência, mereceu reparo o entendimento da fiscalização em decisão recorrida, que julgando intempestivo o último aditivo da Recorrente enfraqueceu o parâmetro utilizado pela fiscalização. Nesse sentido o voto condutor da decisão recorrida, admitiu que nesse ponto mereceria acolhimento a tese defendida pela Recorrente no que tange a necessidade da conversão de moeda para obter conclusão acerca do cumprimento, ou não, do compromisso no tocante a valoração. Como essa conversão não foi feita, a tese da Recorrente deve ser admitida, porque o trabalho fiscal não pode ignorar que o valor compromissado ou aumentado por uso de moeda diversa do dólaramericano. Assim, essa acusação fiscal é improcedente e falha e não pode prevalecer, muito menos ser alterado a peça inicial (AI), pois, não se pode salvar o processo com essa verificação. Pelo exposto, REJEITO AS PRELIMINARES E A PREJUDICIAL DE DECADÊNCIA e no MÉRITO DOU PROVIMENTO para cancelamento do lançamento. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 465DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.002218/200271 Acórdão n.º 3101000613 S3C1T1 Fl. 19 19 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27 /06/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003534/2008-32
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS LEGAIS.
São admitidas as deduções de despesas médicas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos.
Numero da decisão: 2002-008.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer dedução de despesas médicas de R$ 9.205,00.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Barros de Moura, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente).
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 20 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202403
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS LEGAIS. São admitidas as deduções de despesas médicas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 11543.003534/2008-32
anomes_publicacao_s : 202404
conteudo_id_s : 7055442
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 2002-008.349
nome_arquivo_s : Decisao_11543003534200832.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : MARCELO DE SOUSA SATELES
nome_arquivo_pdf_s : 11543003534200832_7055442.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer dedução de despesas médicas de R$ 9.205,00. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Barros de Moura, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2024
id : 10383845
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 20 09:38:01 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1796846010947862528
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-04T17:10:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-04T17:10:03Z; Last-Modified: 2024-04-04T17:10:03Z; dcterms:modified: 2024-04-04T17:10:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-04T17:10:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-04T17:10:03Z; meta:save-date: 2024-04-04T17:10:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-04T17:10:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-04T17:10:03Z; created: 2024-04-04T17:10:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2024-04-04T17:10:03Z; pdf:charsPerPage: 1845; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-04T17:10:03Z | Conteúdo => S2-TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11543.003534/2008-32 Recurso Voluntário Acórdão nº 2002-008.349 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 22 de março de 2024 Recorrente MARCELA CAMATA SANTANA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS LEGAIS. São admitidas as deduções de despesas médicas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer dedução de despesas médicas de R$ 9.205,00. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Barros de Moura, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 03-047.453, proferido pela 7 a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília - DF (DRJ/BSB) que julgou a impugnação procedente em parte, para excluir da tributação o importe de R$ 315,83, restabelecer despesas médicas de R$ 489,82 e restabelecer IRRF de R$ 395,60, resultando em um saldo de imposto a pagar de R$ 2.981,84, a ser acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento fiscal decorre da constatação das seguintes infrações: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica: constatou-se omissão de rendimentos, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 315,83, recebidos do Instituto Estadual de Saúde Pública. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 35 34 /2 00 8- 32 Fl. 75DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-008.349 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.003534/2008-32 Dedução Indevida de Despesas Médicas: glosa de R$ 12.684,60, por falta de comprovação. Dedução Indevida de Despesas de Livro Caixa: glosa de R$ 326,50, por falta de comprovação. Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte: glosa de R$ 395,50, referente à fonte pagadora Fundação de Estudos Sorológicos Capixaba. A contribuinte impugnou o lançamento, com as seguintes alegações: 1)nulidade; 2) as glosas feitas são indevidas, conforme documentação juntada aos autos; 3) as infrações de omissão de rendimentos e compensação indevida IRRR foram feitas com informação equivocadas das fontes pagadoras. O contribuinte foi cientificado da decisão de piso, em 10/05/2012, tendo interposto recurso voluntário em 11/06/2012 (fls. 60 e ss.), alegando, em apertada síntese: - as despesas médicas estão comprovadas nos autos, Ana Tereza Matos Correa (R$ 7.200,00) e Luciene Cardoso Cordeiro (R$ 2.005,00). É o relatório Voto Conselheiro(a) Marcelo de Sousa Sáteles - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Primeiramente, deve-se esclarecer que já foram canceladas integralmente pela decisão de piso as infrações de omissão de rendimentos de R$ 315,83 e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte de R$ 395,50, bem como parcialmente a infração de dedução indevida de despesas médicas de R$ 489,82. Por outro lado, o contribuinte não contestou a manutenção da infração de dedução indevida de despesas de livro caixa de R$ 326,50 e parcialmente a infração dedução indevida de despesas médicas de R$ 2.989,78, logo essas matérias são consideradas matérias não impugnadas, tornando-as incontroversas e definitivas administrativamente. Em sede de recurso voluntário, o Recorrente contesta a infração de dedução indevida de despesas médicas com a profissional Ana Tereza Matos Correa (R$ 7.200,00) e Luciene Cardoso Cordeiro (R$ 2.005,00). A decisão de piso manteve a infração de dedução indevida de despesas médicas com esses profissionais, por não constar o endereço do prestador de serviço, assim como o beneficiário dos serviços prestados Contudo, em sede de recurso voluntário, a contribuinte juntou aos autos declarações emitidas pelas profissionais Ana Tereza Matos Correa (fl. 65) e Luciene Cardoso Cordeiro (fl. 70), onde as mesmas ratificam as despesas médicas efetuadas pela Recorrente bem como informam seus endereços profissionais, logo devem ser restabelecida as deduções de despesas medicas com essas profissionais, no valor total de R$ 9.205,00. Conclusão Fl. 76DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-008.349 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.003534/2008-32 Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dou-lhe provimento para restabelecer dedução de despesas médicas de R$ 9.205,00 (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Fl. 77DF CARF MF Original
score : 1.0
