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Numero do processo: 16095.000611/2007-61
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 01/01/2007
DECADÊNCIA RECONHECIDA E APLICADA. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos em parte, de ofício, nos termos do voto do relator, para na parte acolhida dar efeitos infringentes a este reconhecendo a ocorrência da decadência para a competência 10/2002, inclusive, e as anteriores.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. - Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 01/01/2007 DECADÊNCIA RECONHECIDA E APLICADA. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos em parte, de ofício, nos termos do voto do relator, para na parte acolhida dar efeitos infringentes a este reconhecendo a ocorrência da decadência para a competência 10/2002, inclusive, e as anteriores. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 06 11 /2 00 7- 61 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.959 S2TE03 Fl. 379 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD 37.052.9731, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador, parte dos segurados, parte patronal, SAT/RAT e terceiros – outras entidades ou fundos, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores empregados, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 31 a 34, com período de apuração de 01/1997 a 12/2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 26. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 29/11/2007, conforme Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 175 a 217, recebida, em 26/12/2007, estando acompanhada dos documentos, de fls. 218 a 299; 302 a 310. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 311 e 312. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1619.980 13ª Turma da DRJ/SPOI, em 23/12/2008, fls. 322 a 344, no qual o lançamento foi considerado procedente em parte. O lançamento foi retificado pelo Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 315 a 321, pois foram considerados decadentes in totum os levantamentos ABO; COC e PAT e o levantamento GRA até a competência 11/2001. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 22/01/2009, AR, fls. 348. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 350 e 351, recebida, em 20/02/2009, e razões recursais, as fls. 352 a 375, desacompanhado de qualquer documento, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminarmente. · que a decisão de primeiro grau excluiu do crédito os levantamentos ABO; COC e PAT em razão da decadência reconhecida até 11/2001, entretanto nada falou sobre o levantamento GRA que contém as competências 12/2000 e 01/2001, as quais não foram expressamente excluídas; · que o acórdão a quo reconheceu a decadência até a competência 11/2001 porém o correto seria até a competência 11/2002, pois as contribuições previdenciárias que têm natureza tributária aplicase a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, sendo incorreta a aplicação do artigo 173, I, do CTN pelo acórdão guerreado; Fl. 519DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.959 S2TE03 Fl. 380 3 Mérito. · que quando da prolação do acórdão o relator estabeleceu presunções não aventadas no descritivo do débito, tentando inverter o ônus da prova, pois cabe ao fisco provar o seu direito; · que a alegação de ser a gratificação verba préajustada não procede, pois a empresa em momento algum e em nenhum documento estabeleceu tal gratificação, sendo a mesma mera liberalidade do empregador, sendo tais valores pagos uma única vez e apenas na ocasião da rescisão contratual; · que a gratificação não era habitual, não tendo nenhuma vinculação com a remuneração mensal, uma vez que o empregado não mais prestaria serviços a recorrente, tendo em vista a rescisão de seu contrato, ao entender tal verba como salário de contribuição o fisco viola os princípios basilares da remuneração, bem como os previdenciários e trabalhistas, nos termos do artigo 28, da Lei 8.212/91 e do artigo 214, do Decreto 3.048/99; · que ganhos eventuais não integram o salário de contribuição, sendo a habitualidade requisito obrigatório para tal caracterização, o que não ocorre com a verba paga, conforme consta da Consulta Técnica 536, de 12/04/2004, traz jurisprudência do STJ e do TST; · que a taxa SELIC é inconstitucional, não podendo ser fixada por atos infralegais, violação aos princípios da estrita legalidade, indelegabilidade de competência e segurança jurídica, bem como ao artigo 161, § 1º, do CTN; · que a contribuição para o SEBRAE é inconstitucional, estando a União autorizada pelo artigo 149, da CF/88 a instituir contribuição parafiscal, mas de certas categorias econômicas, de acordo com sua finalidade, não podendo estendêla para além deste grupo em violação a própria contribuição; · que tal contribuição não foi recepcionada pela CF/88, que as contribuições possíveis foram ressalvados pelo artigo 240, bem como as do artigo 62 do ADCT, o que não ocorreu com o SEBRAE, não podendo esta ser mantida após o advento das CF/88; · que a contribuição destinada ao INCRA é inconstitucional, sendo incompreensível que se cobre de empresa urbana contribuição destinada a previdência rural, violando tal situação o princípio da isonomia, pois a empresa urbana recolhe previdência urbana e rural, mas a empresa rural só recolhe contribuição para a previdência rural, sendo tal impossibilidade reconhecida pelo STJ e STF; Fl. 520DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.959 S2TE03 Fl. 381 4 · Nos pedidos, a recorrente requer: a) acolhimento integral do recurso; b) julgando o lançamento improcedente; c) protesta pela sustentação oral, com intimação prévia dos representantes legais. O órgão preparador não se pronunciou quanto a tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao 2º Conselho de Contribuintes, fls. 377. O órgão julgador ad quem prolatou o Acórdão 2803002.169, em 13/03/2013, fls. 378 a 389, no qual o recurso voluntário foi negado. A empresa contribuinte foi cientificada dessa decisão pela AR, de fls. 386, recebido, em 16/05/2013. O contribuinte postou os Embargos de Declaração, em 21/05/2013, envelope de remessa, de fls. 398, onde alega existir omissão e obscuridade no acórdão do recurso voluntário, que julgou seus pedidos, sendo esses seus argumentos sumariados. · que o acórdão é omisso na aplicação da decadência pelo art. 150, §4º, do CTN, pois o TEAF faz menção expressa aos comprovantes de recolhimento, do período de 01/1997 a 12/2006; · que o Relatório Fiscal, item 4, também, lista as GRPS/GPS como elementos analisados; · que o acórdão recorrido é omisso quanto ao que está registrado no TEAD; · que a CSRF no acórdão transcrito aplica o artigo 150, § 4º, do CTN no caso de antecipação de pagamento; · que em relação a habitualidade das gratificações o acórdão incorre em obscuridade, pois não aclarou como identificou, que tais gratificações não são pagas apenas nas rescisões contratuais; · Pedido: a) acolhimentos dos embargos para o saneamento dos vícios apontados; b) juntada de documentos adicionais; c) realização de sustentação oral, com intimação prévia dos causídicos que informa. É o Relatório. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.959 S2TE03 Fl. 382 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. Os Embargos de Declaração são tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado DECADÊNCIA OMISSÃO. Inicialmente, consigno que o acórdão embargado deixou claro o porquê da fixação da regra decadencial pelo artigo 173, I, da Lei 5.172/66, uma vez que a recorrente se omitiu e não fez prova da realização do pagamento de qualquer contribuição, veja a transcrição. No que se refere à aplicação incorreta do marco decadencial, isto é, aplicação do artigo 173, I ou 150, § 4º, ambos, da Lei 5.172/66. Tenho para mim, ainda, que com ressalvas, que o acórdão de primeiro grau está correto neste aspecto, pois para a aplicação de uma ou outra regra, nos termos do que decidiu o STJ o divisor d’água é a antecipação do pagamento, observese o julgado. RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Da observação dos elementos dos autos não se extrai a ocorrência da antecipação do pagamento, ainda, que parcial. O Discriminativo Analítico de Débito – DAD, de fls. 04 a 11, não contém créditos considerados e nem lista Guia de Recolhimento da Previdência – GPS. De igual modo, não consta dos autos o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, que relaciona os pagamentos deduzidos das contribuições levantadas, o que implica reconhecer a inexistência de pagamento considerado, bem como não foram anexados comprovantes da realização de tais pagamentos, ou seja, GRPS ou GPS ou equivalente, por quem quer que seja – fisco ou contribuinte e no caso de pagamento a prova é o recibo ou equivalente, artigo 320, da Lei 10.406/2002. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.959 S2TE03 Fl. 383 6 O Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – REFISC, de fls. 31 a 34, item 13 deixa claro que na ação fiscal, também, foram emitidos os créditos AI DEBCAD 37.052.9723 – CFL.68 e a NFLD DEBCAD 37.052.9715 – FNDE, ou seja, não foi emitida na fiscalização notificação fiscal a exigir parte patronal, SAT, parte de segurados, o que pode ser indício de ter havido pagamento, mas não prova efetiva da ocorrência deste, aí reside minha ressalva. O presente crédito foi lançado, em 29/11/2007, logo para a verificação do início do marco decadencial, aplicase a regra do artigo 173, I, da Lei 5.17266 ante a falta de prova de antecipação do pagamento, o que resultará em início da decadência a partir de 01/01/2002 como a competência 12/2001 só venceu em 02/01/2002, todas as competências a partir desta, inclusive, são aptas a cobrança. A alegação da embargante, quanto a ocorrência de omissão na análise da decadência está equivocada e a razão é simples, o que a seguir esclareço. A mera citação no Termo de Encerramento de Ação Fiscal – TEAF, de fls 31, do exame dos comprovantes de recolhimentos, bem como no Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 32 a 35, do exame das “Guia de Recolhimento à Previdência Social GRPS/GPS”, são insuficientes para provar a ocorrência de pagamento, uma vez que não se sabe, o que foi pago? A que título foi pago? Dentro do período fiscalizado, qual ou quais competência(s) foi(oram) paga(s)? Uma competência do período fiscalizado, qual? Algumas competências, quais? Quem sabe? Apenas para constar desconheço o relatório TEAD citado pela embargante. A lei é clara em dizer que pagamento se prova como a apresentação do respectivo recibo, artigo 320, da Lei 10.406/2002, sendo obrigação do devedor sua prova, pois cuidase de fato extintivo, modificativo ou impeditivo do direito do credor, artigo 333, II, da Lei 5.869/73, aliás, esse é o pensamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ, observese a ementa transcrita. ..EMEN: DIREITO CIVIL, ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA AJUIZADA EM FACE DE MUNICÍPIO. CONTRATO DE DIREITO PRIVADO (LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS COM OPÇÃO DE COMPRA). AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO. EFEITOS MATERIAIS DA REVELIA. POSSIBILIDADE. DIREITOS INDISPONÍVEIS. INEXISTÊNCIA. PROVA DA EXISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO AUTOR. PROVA DO PAGAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. ÔNUS QUE CABIA AO RÉU. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. CONCLUSÃO A QUE SE CHEGA INDEPENDENTEMENTE DA REVELIA. 1. Os efeitos materiais da revelia não são afastados quando, regularmente citado, deixa o Município de contestar o pedido do autor, sempre que não estiver em litígio contrato genuinamente administrativo, mas sim uma obrigação de direito privado firmada pela Administração Pública. 2. Não fosse por isso, muito embora tanto a sentença quanto o acórdão tenham feito alusão à regra da revelia para a Fl. 523DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.959 S2TE03 Fl. 384 7 solução do litígio, o fato é que nem seria necessário o apelo ao art. 319 do Código de Processo Civil. No caso, o magistrado sentenciante entendeu que, mediante a documentação apresentada pelo autor, a relação contratual e os valores estavam provados e que, pela ausência de contestação, a inadimplência do réu também. 3. A contestação é ônus processual cujo descumprimento acarreta diversas consequências, das quais a revelia é apenas uma delas. Na verdade, a ausência de contestação, para além de desencadear os efeitos materiais da revelia, interdita a possibilidade de o réu manifestarse sobre o que a ele cabia ordinariamente, como a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor (art. 333, inciso II, CPC), salvo aqueles relativos a direito superveniente, ou a respeito dos quais possa o juiz conhecer de ofício, ou, ainda, aqueles que, por expressa autorização legal, possam ser apresentados em qualquer tempo e Juízo (art. 303, CPC). 4. Nessa linha de raciocínio, há nítida diferença entre os efeitos materiais da revelia que incidem sobre fatos alegados pelo autor, cuja prova a ele mesmo competia e a não alegação de fato cuja prova competia ao réu. Isso por uma razão singela: os efeitos materiais da revelia dispensam o autor da prova que lhe incumbia relativamente aos fatos constitutivos de seu direito, não dizendo respeito aos fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito alegado, cujo ônus da prova pesa sobre o réu. Assim, no que concerne aos fatos cuja alegação era incumbência do réu, a ausência de contestação não conduz exatamente à revelia, mas à preclusão quanto à produção da prova que lhe competia relativamente a esses fatos. 5. A prova do pagamento é ônus do devedor, seja porque consubstancia fato extintivo do direito do autor (art. 333, inciso II, do CPC), seja em razão de comezinha regra de direito das obrigações, segundo a qual cabe ao devedor provar o pagamento, podendo até mesmo haver recusa ao adimplemento da obrigação à falta de quitação oferecida pelo credor (arts. 319 e 320 do Código Civil de 2002). Doutrina. 6. Recurso especial não provido. ..EMEN:(RESP 200801926676, LUIS FELIPE SALOMÃO, STJ QUARTA TURMA, DJE DATA:30/11/2012 ..DTPB:.) ( o destaque é meu). Destarte, com esses esclarecimentos deixo claro a inexistência da alegada obscuridade no acórdão, por mim prolatado, em razão da decadência, como, aliás, o fiz no despacho de admissibilidade dos embargos, fls. 273 a 275. Da análise do acórdão proferido verificamos que não há razão na oposição dos embargos e em seus fundamentos, pois o acórdão não contém a omissão ou a obscuridade suscitada, uma vez que o acórdão esclareceu de forma objetiva, por que razão não aplicou a regra do artigo 150, § 4º, da Lei 5.172/66, bem como está esclarecida a questão da gratificação nos diversos parágrafos do acórdão que abordou o assunto. Portanto, não procedem as alegações da embargante. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.959 S2TE03 Fl. 385 8 Todavia, como a decadência legal é matéria de ordem pública que pode e deve ser apreciada por qualquer órgão, em qualquer grau e em qualquer fase do processo, admito de ofício, os embargos, em vista dos documentos apresentados para melhor analisálos. No que tange, relativamente, a análise das GPS’s apresentadas, esclareço, inicialmente, que o presente lançamento, conforme consta do Discriminativo Analítico de Débito – DAD, de fls. 05 a 12; do Discriminativo Sintético de Débito – DSD, de fls. 13 a 15, e, do Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 16 a 19, e demais elementos dos autos, incluindo, o Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 31 a 34, o lançamento se restringe ao CNPJ 96.206.313/000170. Logo, apenas as GPS’s identificadas e relativas a este estabelecimento serão objeto de apreciação as demais GPS’s com outros CNPJ’s são irrelevantes aos deslinde da questão, pois tais estabelecimentos não foram objeto de fiscalização é assim eventuais pagamentos para estes outros estabelecimentos, não são aproveitáveis para outra pessoa jurídica. Verifiquei dos documentos, de fls. 421 a 474, a apresentação de GPS para o CNPJ 96.206.313/000170, nas competências discriminadas na tabela abaixo: COMP. CÓD. PAGMTO CNPJ FLS OBSERVAÇÃO 11/2001 2100 96206313000170 421 N/C 12/2001 2100 962063130XX170 424 sem quitação – rasura no CNPJ 12/2001 2100 96206313000170 429 N/C 01/2002 2100 96206313000170 432 N/C 02/2002 2100 96206313000170 437 N/C 03/2002 2100 96206313000170 439 N/C 04/2002 2100 96206313000170 443 N/C 05/2002 2100 96206313000170 446 N/C 06/2002 2100 96206313000170 449 N/C 07/2002 2100 96206313000170 451 N/C 08/2002 2100 96206313000170 455 N/C 09/2002 2100 96206313000170 456 N/C 10/2002 2100 96206313000170 459 N/C 11/2002 2100 96206313000170 461 N/C Fl. 525DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.959 S2TE03 Fl. 386 9 12/2002 2100 96206313000170 465 N/C 13/2002 2100 96206313000170 468 N/C 01/2003 2100 96206313000170 474 N/C Da observação da tabela acima verificase que a embargante apresentou, na fase de embargos, as GPS’s para o período de 11/2001 a 01/2003, incluindo, 13º/2002. Dessa forma, no caso da ocorrência de antecipação de pagamento, deve incidir na decadência o artigo 150, § 4º, da Lei 5.172/66, conforme estabelecido no excerto citado, abaixo. RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No caso em tela, o presente crédito foi lançado, em 29/11/2007, logo para a verificação do início do marco decadencial, aplicandose, agora, em razão da demonstração da ocorrência da antecipação do pagamento, a regra do artigo 150, § 4º, da Lei 5.172/66, retroagindose cinco anos da data do lançamento, terseá o marco decadencial iniciandose a partir de 30/11/2002, logo todas as competências anteriores a 10/2002, inclusive, estavam decadentes quando da ocorrência do lançamento, todas as demais competências a partir de 11/2002, inclusive, são aptas a cobrança. Quanto a alegação relativa as gratificações não me reportarei as eles em razão do que dito no despacho de admissibilidade dos embargos, que novamente, aqui reproduzo. Da análise do acórdão proferido verificamos que não há razão na oposição dos embargos e em seus fundamentos, pois o acórdão não contém a omissão ou a obscuridade suscitada, uma vez que o acórdão esclareceu de forma objetiva, por que razão não aplicou a regra do artigo 150, § 4º, da Lei 5.172/66, bem como está esclarecida a questão da gratificação nos diversos parágrafos do acórdão que abordou o assunto. (o realce é meu e nesses embargos). Portanto, não procedem as alegações da embargante. O contribuinte deve observar, o que diz o artigo 16, § 4º, do Decreto 70.235/72, quanto a apresentação de prova, sendo que nestes autos apesar da situação não estar Fl. 526DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.959 S2TE03 Fl. 387 10 inscrita nas exceções a regra, o contribuinte já se aproveitou da faculdade de apresentação extemporânea de provas, em razão da matéria ser de ordem pública. Por fim, indefiro o pedido de intimação para fins de sustentação oral, uma vez que o artigo 55, parágrafo único, da Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determina a publicação da pauta de julgamento no DOU e sua publicação no site do CARF, cabendo ao contribuinte ou a seu representante legal diligenciar a respeito. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo acolhimento parcial de oficio dos embargos, para na parte acolhida dar efeitos infringentes a este, reconhecendo a ocorrência da decadência para a competência 10/2002, inclusive, e as anteriores. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002587/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do Fato Gerador: 31/12/1999
IPI. DECADÊNCIA. REGRA DE INCIDÊNCIA. CTN.
O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao IPI é de cinco anos e rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional. Assim, na hipótese em que há recolhimento parcial antecipado, o lustro decadencial tem início na data de ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do Estatuto Tributário. De outro lado, não havendo qualquer pagamento, aplica-se a regra do artigo 173, inciso I, do mesmo diploma, pouco importando se houve ou não declaração, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 3201-001.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 02/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento Silva e Pinto, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Ausente justificadamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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DECADÊNCIA. REGRA DE INCIDÊNCIA. CTN. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao IPI é de cinco anos e regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Assim, na hipótese em que há recolhimento parcial antecipado, o lustro decadencial tem início na data de ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do Estatuto Tributário. De outro lado, não havendo qualquer pagamento, aplicase a regra do artigo 173, inciso I, do mesmo diploma, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 02/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 87 /2 00 6- 13 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento Silva e Pinto, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Ausente justificadamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a interposição do recurso voluntário, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida e sua ementa, seguidos das razões recursais: Trata o presente processo de lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente a 31/12/1999, no valor de R$ 8.141.882,60, incluído principal, multa de ofício de setenta e cinco por cento e juros de mora calculados até 31/10/2006. Nos termos da descrição dos fatos de fl. 159, a autoridade fiscal relata que houve “falta de lançamento de imposto nas saídas do estabelecimento de produto(s) tributado(s), caracterizada pela utilização indevida de isenção sobre bens de informática, apurada conforme representação do Ministério da Ciência e Tecnologia (...)”. Encontrase nos autos, dentre outros, o ofício de fls. 45/46, expedido pela Delegacia de Fiscalização da Receita Federal em São Paulo e dirigido ao Secretário de Política de Informática do Ministério de Ciência e Tecnologia, do qual consta que: “O processo encaminhado explica o ocorrido de forma satisfatória, porém, não traz os elementos necessários para que possamos efetuar o lançamento de ofício dos valores glosados. Explicando melhor: o IPI tem a apuração decendial, isto é, cada ano possui 36 períodos de apuração. Os resumos anuais que constam do processo acima não são suficientes para subsidiar o referido lançamento.” Também foi trazido ao processo administrativo o Parecer CONJUR/MCTPJMSL Nº 040/2004 (fls. 128/143), o qual conclui que “não há dúvida de que, in casu, não se operou a decadência”. Cientificada em 01/12/2006, a contribuinte apresentou, em 27.12.2006, a impugnação de fls. 187/203, na qual alega: a) Houve a decadência do direito de lançar. Refere doutrina e julgado administrativo. b) A constituição do crédito tributário decorre da glosa dos investimentos realizados a título de incentivos. Contudo, não há suporte legal para que se obrigue a impugnante a novamente aplicar os valores que já foram devidamente aplicados em projetos de pesquisa e desenvolvimento. No caso em tela, trata se de isenção condicional, concedida sob prazo prédeterminado e mediante cumprimento de certos requisitos legais e, a partir do Fl. 255DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 19515.002587/200613 Acórdão n.º 3201001.332 S3C2T1 Fl. 255 3 momento em que a impugnante satisfez a todos os requisitos para a fruição da isenção, passou a possuir direito adquirido para desfrutar da isenção do IPI. c) Trata da glosa do Projeto Interno ExtraConvênio em 1997, asseverando que é inconteste que a aquisição de máquinas pode e deve ser considerada como atividade de desenvolvimento, não procedendo, pois, a glosa realizada. A instância a quo julgou a impugnação procedente, exonerando o crédito tributário, nos termos do Acórdão nº 0123.252, de 18/10/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Data do Fato Gerador: 31/12/1999 IPI. DECADÊNCIA. REGRA DE INCIDÊNCIA. CTN. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao IPI é de cinco anos e regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Assim, na hipótese em que há recolhimento parcial antecipado, o lustro decadencial tem início na data de ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do Estatuto Tributário. De outro lado, não havendo qualquer pagamento, aplicase a regra do artigo 173, inciso I, do mesmo diploma, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Como o crédito tributário que foi exonerado pela decisão da instância a quo excedeu ao patamar previsto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 2008, o Presidente de 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) interpôs recurso de ofício, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. O processo foi encaminhado para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Fl. 256DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O referido recurso ataca a decisão recorrida pelo fato de ter reconhecido que o direito de a fiscalização efetuar o lançamento no período abrangido pelo auto de infração já estaria decaído. A DRJ sustenta que, em qualquer hipótese, seja mediante a aplicação do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, seja mediante a aplicação do art. 173, inciso III, do mesmo diploma legal, o crédito tributário referirseia a período já abrangido pela decadência. Confirase: Na espécie, constatase que o lançamento referese a fato gerador supostamente ocorrido em 31/12/1999, ao passo que a exação foi lavrada somente em 01/12/2006, ou seja, quando já transcorridos mais de cinco anos qualquer que seja o termo inicial de contagem que pudesse ser adotado no caso concreto (o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde a 1º/01/2001, com expiração do lustro em 31/12/2005). Desta feita, resta reconhecer que, por ocasião da lavratura da exigência de ofício, já havia ocorrido o transcurso do qüinqüídio decadencial. A análise da instância a quo não merece reparos. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida pelos próprios fundamentos e o crédito tributário parcialmente. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 257DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 19515.002222/2006-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002
NORMAS COMPLEMENTARES. OBSERVÂNCIA NÃO CONFIGURADA. CABIMENTO DAS MULTAS APLICADAS E DOS JUROS DE MORA.
Não se configurando a observância de normas complementares, não há que se falar na aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN para fins de exclusão das penalidades e dos juros de mora.
Numero da decisão: 3201-001.498
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Daniel Mariz Gudino, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 NORMAS COMPLEMENTARES. OBSERVÂNCIA NÃO CONFIGURADA. CABIMENTO DAS MULTAS APLICADAS E DOS JUROS DE MORA. Não se configurando a observância de normas complementares, não há que se falar na aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN para fins de exclusão das penalidades e dos juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Daniel Mariz Gudino, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. JOEL MIYAZAKI Presidente. ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 22 /2 00 6- 99 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 3201001.498 S3C2T1 Fl. 393 2 Relatório Tratase de auto de infração para a exigência de CIDE Remessa de Valores ao Exterior, e seus consectários legais, relativa a fatos geradores dos anoscalendário de 2002, sob o fundamento de ocorrência falta de recolhimento da contribuição incidente sobre remessa de royalties associados ao contrato celebrado com sócia majoritária domiciliada no exterior ("SAS INSTITUTE INC"), pela concessão de licença de uso de programas de computadores (softwares), bem como pela exploração da marca de comércio, visando a realização de transações mercantis em território nacional. Tempestivamente apresentada a impugnação (fls. 196/222), acompanhada da documentação de fls. 223/270, argumentouse que (conforme transcrição do relatório da DRJ): 1)Preambularmente, após breve relato dos fatos, assegura que, ao contrário das conclusões da autoridade fiscal que configura as remessas a título de royalties pelo uso de marca de empresa estrangeira, os pagamentos efetuados nos termos do contrato celebrado entre as partes em agosto de 1999, à SAS INSTITUTE INC., entidade sediada nos Estados Unidos da América, na verdade, correspondem às remunerações pactuadas pelo direito de comercializar, sublicenciar e distribuir software no território nacional; 2) Esclarece que o referido contrato, cuja cópia da tradução juramentada encontrase acostada à defesa, é absolutamente claro em relação ao seu objeto, qual seja, a comercialização de sublicenciamento e distribuição de softwares, cujos pagamentos decorrentes das obrigações fixadas entre as partes, determina expressamente o pagamento de remuneração à SAS INSTITUTE INC., a título de taxa de licenciamento, renovação e "upgrade" apropriados; 3) Atesta que a análise do contrato permite identificar que o objeto consiste em estabelecer uma contraprestação da interessada, em face da concessão de autorização para exercício do comércio e sublicenciamento dos programas de computador desenvolvidos pela sócia majoritária, circunstância que se coaduna com a atividade social desenvolvida no país pela impugnante, motivando o afastamento do entendimento firmado pela autoridade fiscal; 4) Complementa, ainda, mediante citação da cláusula 7 do contrato IP anexo à defesa, intentando evidenciar que a SAS INSTITUTE INC. fixou regras contratuais que apontam a preocupação daquela entidade em preservar o uso de sua marca às atividades essencialmente vinculadas à comercialização e licenciamento de seus softwares, porém, sem qualquer intenção de cobrar remunerações pelo uso de sua marca; 5) Assevera também que indicação da autorização de uso de sua marca pela subsidiária brasileira, em relação à distribuição dos programas de computador, decorre de exigência do Código de Fl. 393DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 3201001.498 S3C2T1 Fl. 394 3 Defesa do Consumidor, visto que a impugnante é obrigada a prestar aos consumidores informações claras e precisas sobre os produtos que comercializa, entre os quais dos fabricantes dos referidos softwares. Depreende, portanto, que fosse o objeto do contrato a licença de uso de marcas, a impugnante teria adequado o direito de opor às marcas da SAS lnstitute INC., em relação aos produtos fabricados pela própria empresa de por terceiros; 6) Assim, encerra suas argüições inaugurais no sentido de entender forçoso o reconhecimento do objeto do contrato firmado entre as partes, qualificando as remessas para o exterior na condição de pagamentos decorrentes de uso de marca de empresa estrangeira, portanto, denotando a improcedência do lançamento fiscal, bem como a correspondente incidência e tributação da CIDE, fundamentados sob falsa premissa sustentada pela autoridade fiscal, visto que tais desembolsos sequer poderiam ser caracterizados na qualidade de royalties. 7) Dando continuidade as suas ilações, o contribuinte assevera a nulidade do lançamento, por falta de motivação de direito e afronta ao art. 10, inciso IV, do Decreto n° 70.235, de 1972, tendo em conta que a autuação fundamentou o lançamento mediante indicação dos arts. 2° e 3° da Lei n° 10.168, de 2000, com a redação dada pela Lei n° 10.332, de 2001, porém sem especificar qual inciso autorizaria a exigência da contribuição sobre os pagamentos constatados no curso da ação fiscal. Salienta, ainda, que tais circunstâncias representam a caracterização de cerceamento e infração ao princípio da ampla defesa, indicando que a amplitude da fundamentação legal permitiria ao AFRFB abandonar a frágil alegação de existência de royalties pelo uso de marcas, e adotar o entendimento de que o pagamento a título 011, de remuneração de software seria uma hipótese de royalties a qualquer titulo. Afirma, inclusive, que tampouco poderia inovar o lançamento para alterálo em substância,pois o auto de infração indica claramente a falta de pagamento da CIDE incidente por remuneração decorrente de licença de uso de marca. 9) Neste compasso, não obstante os termos da preliminar de nulidade requerida, atesta a inexigibilidade da tributação da CIDE sobre pagamentos decorrentes de remunerações por licença de uso de software, em face da inadmissibilidade de equiparação à condição de royalties. Sustenta suas argumentações aduzindo interpretações dos preceitos legais firmados pela legislação de regência, através de jurisprudência administrativa formulada pela Superintendência da Receita Federal na 8a Região Fiscal e do Conselho de Contribuintes e doutrina tributária, bem como fundamentado nos termos de pronunciamentos do Ministério da Ciência e Tecnologia proferido através do Parecer CONJUR/MCTPEMA n° 72/2002, de 11/06/2002, e Parecer CONJUR/MCT — ACF n°139, de 2002; Fl. 394DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 3201001.498 S3C2T1 Fl. 395 4 10) Adicionalmente, esclarece que a impugnante não é detentora da licença de uso do software, visto que tão somente comercializa e licencia os programas fabricados no exterior, agindo como um verdadeiro intermediário nessa operação. Completa, ainda, que não é adquirente de conhecimentos tecnológicos, uma vez que o knowhow e as técnicas para desenvolvimento dos softwares permanecem em poder exclusivo da SAS INSTITUTE INC., conforme expresso no item 7.1 do contrato acostado à impugnação; 11) Conclui, portanto, que o referido contrato não implica em transferência de tecnologia, sendo que seu objeto se limita à comercialização, licenciamento e distribuição de softwares, razão pela qual não deve ser atribuída a qualidade de sujeito passivo da CIDE por falta de previsão legal; 12) Finalmente, reivindica a exclusão dos juros de mora e multa de oficio, sob a argumentação da inadmissibilidade de tais exigências fiscais com fulcro nas premissas submetidas nas questões aduzidas no curso da peça impugnatória; A Delegacia de Julgamento negou provimento à impugnação assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002 PRELIMINAR. NULIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS E PRECARIEDADE NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do auto de infração que se encontre revestido de suas formalidades essenciais, afastandose a hipótese de cerceamento de defesa, caso a infração e descrição dos fatos denotese identificada e pormenorizada em estrita observância aos pressupostos e preceitos legais. CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. DA ADMISSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DOS PAGAMENTOS DE ROYALTIES. CONTRATOS DE LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). VERDADE MATERIAL. A empresa signatária de contrato de cessão ou licença de uso de programa de computador (software), independentemente de estarem atrelados à transferência de tecnologia, caracterizava se na condição de sujeito passivo da CIDE, no que concerne às remessas efetuadas ao exterior, sob a forma –de remuneração ou royalties, independentemente da terminologia adotada nas cláusulas contratuais firmadas entre as partes. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 3201001.498 S3C2T1 Fl. 396 5 A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE. A aplicação da multa de ofício, decorrente de infrações identificadas no transcurso de procedimento de fiscalização, provém de vinculação ao princípio da legalidade que se encontra adstrita à Administração Tributária Federal, cabendo restritamente à autoridade administrativa imputála na forma da legislação de regência. JUROS DE MORA. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. O cálculo de juros de mora relacionados ao lançamento de ofício provém de vinculação ao princípio da legalidade que se encontra adstrita à Administração Tributária Federal, cabendo à autoridade administrativa imputála mediante aplicação da taxa SELIC para aferição, consoante determina da legislação de regência. DOS ARGUMENTOS DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe ao órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS.EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo aquelas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuandose as súmulas e/ou sentenças prolatadas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não vinculam as instâncias julgadoras, restringindose às matérias e às partes envolvidas no litígio. Lançamento Procedente Em apertada síntese, a decisão recorrida negou a preliminar de nulidade da autuação, vislumbrando na hipótese, o atendimento do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, que a formalização da exigência decorreu de ação fiscal perfeitamente regular, com as respectivas peças impositivas, na forma do art. 142 do Código Tributário Nacional, observandose todos os requisitos constantes do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. No mérito, entendeuse que contrato apresentado, anexado por cópias traduzidas do inglês evidenciariam a concessão licença de uso de programas de computadores (softwares) no âmbito da própria empresa no Brasil, bem como para exploração da marca de comércio da empresa estrangeira. A transferência desses direitos autorais sobre programas de computador, segundo estabelece a Lei n. 9.609/1998, arts. 9°, 10 e 11, poderia ocorrer mediante a celebração de contratos de licença de uso, de comercialização e de transferência de tecnologia. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 3201001.498 S3C2T1 Fl. 397 6 O art. 22 da Lei n° 4.506, de 1964, por sua vez, definiria royalties como o pagamento de rendimentos decorrentes do uso, fruição, ou exploração de direitos autorais. A Lei n° 10.168/2000, com a redação dada pela Lei n° 10.332, de 2001, no artigo 2°, estabelece que a empresa signatária de contratos de cessão de licença de uso de programa de computador (software), independentemente de estarem atrelados à transferência de tecnologia, seria contribuinte da CIDE, relativamente às remessas efetuadas ao exterior. Apontase a “ineficácia da validade jurídica” do contrato acostado na peça impugnatória para fins de aplicação no período fiscalizado, que não foi à época acompanhado de tradução juramentada, além de que, afirma que a defesa apresentaria carência de elementos probatórios hábeis e idôneos aptos a legitimar as contestações da impugnação, mantendo os autos desprovidos de meio de prova relevante que motivasse a revisão da autuação. Acresce que deveria haver a apresentação de prova inequívoca conexa e conjugada com demonstrações financeiras, cuja documentação deveria ser mantida e conservada sob a responsabilidade do sujeito passivo a fim de serem colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal dentro do prazo legal fixado em lei. Sobre a aplicação da multa de ofício, registrou que a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva e independe da intenção do agente de praticar a violação das normas legais. Com relação à aplicação da Taxa Referencial SELIC, a título de juros de mora, afirma que está expressamente prevista no artigo 13 da Lei n° 9.065/95. E sobre as argumentações de inconstitucionalidade de leis e de violação de princípios constitucionais, declarouse incompetente, pois à autoridade administrativa caberia tãosomente velar pelo fiel cumprimento das leis. Finalmente, em relação às decisões administrativas, bem como o Parecer CONJUR/MCTPEMA n° 72 de 11/06/2002, e o Parecer CONJUR/MCTACF n° 139, de 2002, afastou a sua aplicação, porque não se constituiriam em normas complementares do Direito Tributário, nos termos do art. 100, inciso II, do CTN. Em sede de recurso voluntário, alegouse que: i. pagamentos efetuados à SAS Institute Inc. consistiam em remuneração pelo licenciamento de software e não remuneração pelo uso de marca como alegado pelas dd. autoridades fiscais; ii. a remuneração pelo licenciamento de software nunca esteve sujeita à incidência da CIDE, o que foi confirmado pela Lei n.° 11.452/2007; iii. a multa de oficio e os juros de mora lançados no ' auto de infração, em última hipótese, devem ser cancelados em razão da comprovada obediência a determinação contida no Decreto n.° 4.195/02; iv. a decisão recorrida não se refere ao presente caso, pois uma leitura detalhada dessa decisão revela inconsistências, havendo diversas passagens em que a decisão menciona a irresignação da Recorrente sobre assuntos sequer tratados na impugnação, com Fl. 397DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 3201001.498 S3C2T1 Fl. 398 7 violação ao devido processo legal, pela falta de motivação válida e ao amplo direito de defesa da Recorrente; v. as autoridades fiscais acusam a Recorrente de ter deixado de efetuar o recolhimento de CIDE sobre a suposta remuneração pelo uso de marca creditada à SAS Institute Inc. mas utilizam como base de cálculo da referida contribuição no lançamento de oficio valores pagos a título de remuneração de licença de uso de software , havendo clara incongruência entre a acusação fiscal (falta de CIDE sobre licença de uso de marca) e os valores em cobrança (CIDE sobre licença de uso de software) nulo o lançamento fiscal em razão da clara modificação do critério jurídico do lançamento; vi. ainda que a glosa fiscal se dirigisse ao pagamento de royalties pela licença de comercialização de softwares impossibilidade de equiparação de pagamentos a título de remuneração de software a pagamentos de royalties; vii. o artigo 8° do Decreto n° 3.949/01 com o artigo 10 do Decreto 4.195/2002, apontam que as hipóteses de incidência da CIDE permaneceram inalteradas, à exceção do inciso III que acresceu "serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes" ao rol dos contratos passíveis de incidência da contribuição;. viii.a Lei de Software é clara ao estabelecer em seu artigo 11 que em caso de transferência de tecnologia relativa a software, a fornecedora deverá entregar à receptora da tecnologia a documentação completa do software, em especial do código fonte, porém o contrato celebrado entre a Recorrente e a SAS Institute Inc., não prevê o fornecimento de código fonte de software à Recorrente, razão pela qual não há que se falar em transferência de tecnologia; ix.o pagamento por direito de autor não pode ser confundido com pagamento de royalties, pois o artigo 22 da Lei n.° 4.506/64 elimina a possibilidade da equiparação da exploração de direitos aos royalties quando o respectivo pagamento for percebido pelo autor ou criador do bem ou da obra; x.que o artigo 8° da Lei de Introdução do Código Civil, permite que os direitos do autor sejam estendidos às pessoas jurídicas, considerando que a lei americana, que rege a condição da contratada, assim o faz; xi. se havia alguma dúvida sobre a possibilidade de exigência de CIDE sobre remessas a título de remuneração de licença de uso de software, essa dúvida foi definitivamente afastada com a edição da Lei n.° 11.452/2007, que o legislador reconheceu de forma definitiva a não incidência da CIDE sobre pagamentos decorrentes de contratos que versem sobre licença de uso de software, justamente por se estar diante de pagamento por direito autoral e não a título de royalties; xi. se os argumentos acima não forem acolhidos, seria necessária exclusão da multa de oficio de 75%, bem como dos juros de mora, nos termos do artigo 100 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 3201001.498 S3C2T1 Fl. 399 8 Voto Vencido Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre analisar o argumento da Recorrente segundo o qual houve mudança do critério jurídico do lançamento, considerandose que a autuação deuse pela falta de pagamento de CIDE sobre valores enviados a título de royalties pelo uso da marca, ao passo que a decisão recorrida, pelo envio de remuneração pelo licenciamento pelo uso de softwares. Com efeito, como premissa, é fundamental ressaltar que, em sendo a disciplina das marcas e dos softwares distintas, é certo que haverá repercussões relativas ao regime jurídico tributário aplicável, como de fato se confirma das controvérsias jurisprudenciais que sempre gravitaram em torno da tributação dos softwares. Especificamente no que tange à tributação softwares pela CIDE, essa assertiva é integralmente corroborada, pois o tratamento tributário a eles atribuídos, invariavelmente, possui especificidades, que devem ser consideradas pelo intérprete. Nesse contexto, a despeito de a Lei n.10.332/2001 tenha alterado a Lei n.10.168/2000, para, a partir de 1o de janeiro de 2002, a CIDE –royalties ser cobrada de pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, entendo que o mencionado dispositivo não poderá se aplicado pelo agente público, sem que haja a individualização a conduta do contribuinte que se subsumiria à norma jurídica de incidência, em prejuízo ao direito de defesa. A Lei n. 9279/1996, que regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial, prescreve que: Art. 122. São suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não compreendidos nas proibições legais. Art. 123. Para os efeitos desta Lei, considerase: I marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico, semelhante ou afim, de origem diversa; II marca de certificação: aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas, notadamente quanto à qualidade, natureza, material utilizado e metodologia empregada; e Fl. 399DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 3201001.498 S3C2T1 Fl. 400 9 III marca coletiva: aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. A marca é, de acordo com a definição de Rafael Marchetti Marcondes é: [...] todo signo distintivo, visualmente perceptível, que identifica, direta ou indiretamente, um produto ou serviço. Tratase de um sinal que se soma ao produto o serviço de modo a diferenciálo dos demais existentes no mercado,e, indiretamente, serve como garantia de sua qualidade, distinguindoo dos outros, na medida em que, aos olhos do consumidor, todos os produtos e serviços identificados pelo mesmo sinal, por terem uma única origem, gozam de idêntica reputação. (A Tributação dos Royalties, p.37, São Paulo:Quartier Latin, 2012) Os softwares, por outro lado, embora possam estar enquadrados no gênero “propriedade intelectual”, possuem disciplina específica, sendo tratados em nosso direito positivo, como incluídos dentre as criações artísticas, literárias e conexas, espécie distinta das criações industriais, do qual fazem parte as marcas. Com efeito, a Lei n° 9.610, de 19/02/1998, que versa sobre "direitos autorais", assim estabelece Art. 7° São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: [...] XII os programas de computador; [...] §1° Os programas de computador são objeto de legislação específica, observadas as disposições desta Lei que lhes sejam aplicáveis. Postas essas considerações, necessário se faz analisar o caso concreto. No Termo de Verificação Fiscal, que acompanhou o auto de infração, às fls. 185 e ss, a fiscalização manifestase no seguinte sentido: O fato é que a leitura atenta e a análise minuciosa do referido "Contrato" mostram que, na verdade, constitui um contrato de licença do uso/exploração da marca de comércio de propriedade da SAS (uso/exploração de um direito), que tem como contrapartida uma remuneração rotulada de "taxa de licenciamento", mas que apesar de convencionada entre as partes, como taxa corresponde à figura de royalties, como a seguir se descreve. [...] Fl. 400DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 3201001.498 S3C2T1 Fl. 401 10 Como se observa na cláusula acima transcrita e outras, a sócia SAS INC (Instituto), mediante remuneração, cede à SAS Brasil (Subsidiária) direitos de sua propriedade (direitos, marcas de comércio, patentes, etc), através de um contrato de licenciamento ("Contrato"). Por sua vez, a SAS Brasil comercializa estas licenças de uso dos programas da SAS INC com seus Clientes (sublicenciamento), ou seja, comercializa um direito que recebeu: licenças de uso dos programas da SAS INC e não, simplesmente, uma cópia do programa (bem físico: software de prateleira). Considerandose, portanto, o relatório que acompanhou o termo de verificação fiscal, embora não seja absolutamente claro em seus termos, afirma que houve pagamentos para remunerar contrato de licenciamento de software e direitos de marcas e patentes. Por outro lado, ao se compulsar os autos, observase que nos livros contábeis da Recorrente, que todos os pagamentos foram realizados sob a rubrica “royalties”, muito embora, argumente que “os pagamentos a título de remuneração de licença de uso de software são direitos autorais não equiparáveis a pagamentos de royalties”. Na impugnação apresentada, a ora Recorrente discorreu sobre a inexistência de pagamentos a título de remuneração pelo uso de marca, nos termos do contrato celebrado com a SAS Institute Inc., sociedade sediada nos Estados Unidos da América, e que os pagamentos teriam remunerado o direito de comercializar, sublicenciar e distribuir software, não se constatando que houve prejuízo à sua ampla defesa. Assim, não fica evidente que houve a mudança de critério jurídico do lançamento, ou o cerceamento do direito de defesa. Assim sendo, passase a analisar o mérito. Como mencionado, a Lei n.10.332/2001 alterou a Lei n.10.168/2000, para, a partir de 1o de janeiro de 2002, a CIDE –royalties ser cobrada de pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. A União, ao regulamentar a redação dada ao § 2º ao art. 2o da Lei n. 10168, pela Lei 10.332/2001, tratou de restringir o alcance da expressão “a qualquer título”, trazendo hipóteses taxativas de incidência da CIDE, pelo Decreto n. 4195/2002, que estabeleceu o alcance do critério material da contribuição. Na linha em que já tive oportunidade de me manifestar, verificase que a cobrança da contribuição de hipóteses de incidência não previstas no decreto, implicaria em interpretação extensiva que não se coaduna com o vetor de estrita legalidade. Poderseia argumentar que o decreto, na condição de ato emanado pelo Poder Executivo, não poderia dispor de forma distinta que a lei, ou seja, se a lei prescreve que é hipótese de incidência da contribuição a remessa “a qualquer título”, não poderia o decreto dispor de forma mais restritiva. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 3201001.498 S3C2T1 Fl. 402 11 Contudo, o Poder regulamentar tem previsão no inciso IV, do art. 84, da Constituição Federal de 88, que confere ao Presidente da República a competência privativa para "sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução". Ainda, a melhor doutrina ensina que apenas a lei ingressa na ordem jurídica com prescrições de caráter inaugural, devendo as disposições regulamentares moveremse dentro dessas lindes. O regulamento é ato normativo secundário, subordinado à lei, de maior hierarquia dentre as normas administrativas. A moldura à qual está submetida o decreto, ou os limites nos quais poderá se mover o Poder Executivo, na composição das disposições regulamentares, está nos limites dos textos legais regulamentados, especialmente atrelado ao art.150, I da Carta Magna. É certo que o decreto regulamentar não poderá extrapolar a moldura da lei, porém, não há vedações para que se determine o seu conteúdo, movendose no interior desses limites, o que ocorreu no caso concreto, no qual da expressão genérica “a qualquer título”, foram pinçadas hipóteses determinadas para a incidência da contribuição. E isto porque, é quase que despiciendo mencionar, viola noções mais basilares de Segurança Jurídica, a incongruência da Administração em restringir o conteúdo normativo para determinadas hipóteses, e logo adiante, exigir tributo sobre hipóteses distintas e penalizar o contribuinte, que seguiu a norma por ela mesma estabelecida. No caso dos da tributação de softwares pela CIDE, no entanto, a situação que se descortina possui peculiaridades, pois a Lei n. 11.452/2007, determinou a não incidência sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, que não envolvam a transferência de tecnologia. Assim é que duas interpretações são possíveis: de janeiro de 2002 a 31 dezembro de 2005, haveria a tributação dos softwares pela CIDE; ou, no interregno mencionado, não incidiria a tributação, o que veio a ser confirmado pela edição da Lei n. 11.452/2007, como defende a Recorrente. É de se observar que na redação original da Lei n.10.168/2000, em seu caput, previase a que a “contribuição de intervenção no domínio econômico” é “devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso”. A Lei n° 9.609/98, por sua vez, que dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador e sua comercialização no País, prescreve que: Art. 9º O uso de programa de computador no País será objeto de contrato de licença. Por outro lado, o art.21 Lei 11.452/07 determinou expressamente efeitos retroativos, para o art. 20, para a partir de 1º de janeiro de 2006, o que afastaria, em princípio, tomála como lei interpretativa. Portanto, a interpretação conjunta dos dispositivos, especialmente o art.21 Lei 11.452/07, conduz ao entendimento segundo o qual, apenas a partir de janeiro de 2006, a remessa para pagamento pela licença de uso dos softwares, dos quais não decorrem Fl. 402DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 3201001.498 S3C2T1 Fl. 403 12 transferência de tecnologia, não estariam sujeitos à incidência da CIDE. Interpretação contrária implicaria em se declarar a inconstitucionalidade do referido dispositivo, que, embora revestido de “má técnica legislativa”, como alega a Recorrente, é válido e eficaz no ordenamento jurídico, de sorte que o seu afastamento implicaria esbarrar na Súmula CARF n. 2 do CARF, que determina que este “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Não obstante, é inegável que a legislação caminhou de forma assistemática e ininteligível, sendo que o próprio Executivo mostrouse titubeante ao disciplinar o tema, de sorte que, não se pode repassar o ônus da insegurança jurídica ao contribuinte, que se pauta, na sua atuação, por uma legislação incoerente. Outrossim, a situação materializase na grande quantidade de litígios que chegam a essa Corte, sobre o tema. A legislação tributária veicula diversos dispositivos tais como os artigos 100 e 112, que visam a realizar os vetores axiológicos da Segurança Jurídica e do Princípio da Proteção à Confiança Legítima do contribuinte. Ademais, o Princípio da Congruência, vetor implícito em nossa ordem jurídica, estabelece que o legislador tributário que revestir a legislação tributária da maior sistematização, ou seja, deverá ser norteada para a realização da política fiscal do Estado, afastando contradições que possam romper com a necessária organicidade e segurança do sistema tributário. Nesse contexto, e especialmente, porque no tema da CIDE royalties, os contribuintes seguiram as disposições do Decreto n. 4.195/2002, sendo, posteriormente, surpreendidos por entendimento contrário do próprio Executivo, entendo que deve ser aplicada a inteligência do art.100 do CTN, que dispõe: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Sendo assim, deve ser a cobrança dos valores a título de CIDE, porém, não sendo o caso da cobrança dos seus consectários legais. Em face do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fl. 403DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 3201001.498 S3C2T1 Fl. 404 13 Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Inicialmente, esclareço que minha discordância em relação à posição externada pela eminente relatora restringese à aplicabilidade do parágrafo único do art. 100 do CTN, com vistas a afastar a multa de oficio e os juros de mora. No meu entendimento, o Decreto nº 4.195/2002, em seu artigo 10, não restringiu a hipótese de incidência tributária a apenas os contratos citados. Não se trata de um rol taxativo, mas sim exemplificativo, como nem poderia deixar de ser, haja vista tratarse de ato emitido pelo Presidente da República, e não pelo Congresso Nacional. Ademais, mesmo que se tratasse de um rol taxativo, a aplicação do parágrafo único do artigo 100 de CTN não permitiria a dispensa da exigibilidade dos juros e da multa para a situação concreta. Para melhor exposição do entendimento, reproduzo abaixo o citado art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II – as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III – as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV – os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. O CTN, neste dispositivo, diferencia as fontes formais que integram a legislação tributária em dois grupos: as leis, os tratados ou convenções internacionais e os decretos, que podem ser denominados fontes formais primárias; e as normas complementares a estes atos, estabelecidas nos incisos deste artigo, denominadas fontes formais secundárias. As normas complementares correspondem a instrumentos legislativos hierarquicamente inferiores aos decretos, de menor porte, notadamente de cunho instrumental e operacional, com a função de explicitar de forma subsidiária o conteúdo de normas tributárias, mas sem inoválas. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 3201001.498 S3C2T1 Fl. 405 14 Observese que as citadas normas complementares restringemse a atos normativos da administração tributária ou decisões administrativas com eficácia normativa, das práticas reiteradas da administração tributária e dos convênios entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Como se percebe claramente, os decretos presidenciais não se incluem entre as normas complementares. No tocante ao parágrafo único deste artigo, extraise que a observância das normas complementares, vigentes, apesar de não excluir a possível cobrança de valor principal de tributo ou contribuição, afasta a incidência de multas, juros e a atualização monetária da base de cálculo. O que se buscou com esta regra foi disciplinar os efeitos da interpretação da legislação tributária, prevendo o legislador que aqueles contribuintes que seguissem as orientações emanadas da própria administração tributária não seriam punidos nem estariam sujeitos a mora mesmo que o tributo se revelasse, a posteriori, devido. Tal previsão, contudo, não afasta a incidência de multa e juros de mora em situações de observância de norma decorrente de decreto presidencial, posto não se tratar de norma complementar. Ressaltase ainda que o artigo 111 do CTN exige que se adote nesta situação uma interpretação restritiva. Em sendo esta a situação da recorrente, que alega ter seguido a orientação de um decreto presidencial, concluise que a situação exposta nos autos não se enquadra entre as hipóteses passíveis de exclusão da multa de ofício e dos juros de mora. Assim, com estas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto – Redator designado Fl. 405DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10783.901810/2010-59
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO DE PARTE DO DIREITO ADUZIDO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS OUTRORA INDEFERIDOS. POSSIBILIDADE NÃO MATERIALIZADA NOS AUTOS.
Segundo jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça o indeferimento de pedido de reconhecimento de direito creditório do IPI, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo credor do imposto pleiteado, dando ensejo à incidência da taxa Selic sobre os créditos objeto da oposição oficial, calculada a partir da data do indeferimento dos créditos. Aplicação da jurisprudência do STJ por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Não obstante, no caso dos autos o precedente jurisprudencial do STJ não se aplica, uma vez que não há nenhuma parcela do crédito reconhecida depois da prolação do despacho decisório, momento em que houve a oposição estatal de parte de direito pleiteado.
Recurso do qual se conhece em parte, para negar-lhe provimento.
Numero da decisão: 3802-002.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO DE PARTE DO DIREITO ADUZIDO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS OUTRORA INDEFERIDOS. POSSIBILIDADE NÃO MATERIALIZADA NOS AUTOS. Segundo jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça o indeferimento de pedido de reconhecimento de direito creditório do IPI, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo credor do imposto pleiteado, dando ensejo à incidência da taxa Selic sobre os créditos objeto da oposição oficial, calculada a partir da data do indeferimento dos créditos. Aplicação da jurisprudência do STJ por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Não obstante, no caso dos autos o precedente jurisprudencial do STJ não se aplica, uma vez que não há nenhuma parcela do crédito reconhecida depois da prolação do despacho decisório, momento em que houve a oposição estatal de parte de direito pleiteado. Recurso do qual se conhece em parte, para negar-lhe provimento.
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. NEGAÇÃO GERAL. NÃO ENFRENTAMENTO DO OBJETO DO LITÍGIO NA PETIÇÃO FORMALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O não enfrentamento da matéria na primeira instância recursal implica em preclusão processual, a teor do disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, meras negativas gerais apresentadas na peça vestibular não caracterizam recurso. O não enfrentamento expresso da matéria na petição inicial retrata a concordância tácita do sujeito passivo com os fatos ali relatados. Tal matéria deverá ser considerada como não impugnada, posto não haver sido contestada expressamente pelo impugnante. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DÉBITOS DECLARADOS EM DCOMP. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. A prescrição se interrompe, dentre outras hipóteses, pela caracterização de “qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor” (CTN, artigo 174, inciso IV). Por seu turno, a declaração de compensação “constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados” (§ 6º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996). Considerando a realidade fática, em que a interessada, em 21/07/2010, foi cientificada do despacho decisório que homologou apenas em parte os débitos declarados na declaração de compensação formalizada em 30/04/2006, resta evidente que, quando da ciência da decisão em questão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 18 10 /2 01 0- 59 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 ainda não havia transcorrido o prazo de prescrição de cinco anos capitulado no caput do artigo 174 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO DE PARTE DO DIREITO ADUZIDO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS OUTRORA INDEFERIDOS. POSSIBILIDADE NÃO MATERIALIZADA NOS AUTOS. Segundo jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça o indeferimento de pedido de reconhecimento de direito creditório do IPI, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo credor do imposto pleiteado, dando ensejo à incidência da taxa Selic sobre os créditos objeto da oposição oficial, calculada a partir da data do indeferimento dos créditos. Aplicação da jurisprudência do STJ por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Não obstante, no caso dos autos o precedente jurisprudencial do STJ não se aplica, uma vez que não há nenhuma parcela do crédito reconhecida depois da prolação do despacho decisório, momento em que houve a oposição estatal de parte de direito pleiteado. Recurso do qual se conhece em parte, para negarlhe provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 72/80 do processo eletrônico – numeração a qual adotaremos como padrão nas referências feitas aos autos doravante), que, por unanimidade de votos, julgou Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10783.901810/201059 Acórdão n.º 3802002.340 S3TE02 Fl. 109 3 improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo contra o não reconhecimento de créditos do IPI do 4º trimestre de 2005. Transcrevo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: Em análise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório de fl. 13, emitido eletronicamente pelo SCC quando da análise da DCOMP n° 12242.30881.300406.1.3.016406, transmitida pelo contribuinte retro identificado em 30/04/2006, por meio da qual se pretendeu a extinção de débitos no montante de R$ 29.713,39, tendo por lastro crédito originário de Saldo Credor do IPI apurado no 4° trimestre/2005, no valor de R$ 29.713,39 (fl. 29 e 37). Referido saldo credor é composto por crédito básico e crédito presumido escriturado no período, conforme informações extraídas da referida DCOMP (fls. 29/37). A citada DCOMP foi baixada para tratamento manual/análise fiscal com a finalidade de verificação da legitimidade e materialidade do crédito utilizado, do qual resultou o Relatório Fiscal de fls. 39/43 e Demonstrativos de Apuração de fls. 44/62, que concluiu pela procedência parcial do crédito escriturado no trimestre, pelos seguintes motivos: Quanto ao crédito básico: • Não houve apuração de qualquer irregularidade, tendo sido legitimado na sua totalidade; Quanto ao crédito presumido: • Exclusão, da Receita de Exportação, do valor atinente as vendas para empresas comerciais exportadoras (exportações indiretas) com o fim especifico de exportação, por restar configurado o não cumprimento das disposições legais e normativas para caracterização da saída para comercial exportadora com fim especifico de exportação, nos termos do § 1°, do art. 42 do RIPI/2002; • Exclusão, da Relação de Notas Fiscais de Aquisição de MP, PI e ME, dos valores correspondentes ao valor do IPI; Quanto aos demais componentes da apuração do crédito presumido (Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação Direta) informa a autoridade fiscal que não apresentaram qualquer irregularidade, tendo sido considerados os valores informados pelo contribuinte na memória de cálculo do beneficio. Procedida a apuração dos créditos pleiteados considerandose as glosas retro indicadas, conforme Demonstrativos de fls. 52/72 reconheceu se a procedência dos seguintes valores, relativamente ao crédito presumido: Destacouse, ainda, no Relatório Fiscal, que a configuração do não cumprimento das disposições legais e normativas para caracterização da Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 saída para comercial exportadora com fim especifico de exportação, nos termos do §1°, do art. 42 do RIPI/2002, além de ensejar a exclusão de tais valores (saídas para empresas comerciais exportadoras) da receita de exportação componente da apuração do crédito presumido resultou também na lavratura de auto de infração [processo n° 15586.000526/201011] para exigência do IPI devido nas saídas originariamente dadas com suspensão, para as empresas comerciais exportadoras [falta de lançamento do imposto, pelo estabelecimento industrial, em razão de ter dado saída com suspensão, a produto tributado, para empresa comercial exportadora, com fim especifico de exportação, sem o cumprimento da condição de suspensão, ensejando a exigência do imposto não destacado nas notas fiscais de saída (utilização indevida da imunidade/saída com suspensão)]. Alimentado o sistema SCC – Sistema de Controle de Créditos e Compensações, foram gerados o DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS E DÉBITOS, o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL [que evidencia a apuração de saldo credor ressarcível de R$ 0,00] e o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO [anexados as fls. 38], disponibilizados ao contribuinte no site da RFB juntamente com o Despacho Decisório de fl. 13 que concluiu pelo NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO E PELA NÃOHOMOLOGAÇÃO DA DCOMP, em razão dos seguintes motivos: i) Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. ii) Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. iii) Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. Cientificado do Despacho Decisório e intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, em 21/07/2010 (fl. 37), manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 20/08/2010 (fl. 01), por meio do arrazoado de fls. 01/05, no qual, em síntese: => alega que o saldo credor de período anterior considerado no mês de outubro/2005 recuperado por ajustes dos créditos reconhecidos em DCOMPs de trimestres anteriores não coincide com a realidade, uma vez que o correto é R$ 30.013,34, conforme RAIPI cópia anexa; => lembra que o ressarcimento referese ao 4° trimestre/2005 e alega que "diante da demora do fisco em reconhecer o Crédito do contribuinte, o que foi feito somente após 4 anos de sua solicitação em 31/04/2006 é mais do que justo que esse crédito seja calculado com correção monetária, sendo aplicada a taxa Selic"; => pondera que ao se proceder a atualização monetária do crédito pela taxa Selic [da mesma forma que a RFB corrige os seus débitos] o mesmo será suficiente para amortizar todo o saldo devedor, restando, ainda, saldo credor; => acrescenta que a jurisprudência reconhece o direito à correção monetária diante da demora do Fisco em reconhecer o crédito e reproduz excerto de julgado que entende amparar a sua tese; Ao final requer: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10783.901810/201059 Acórdão n.º 3802002.340 S3TE02 Fl. 110 5 1 sejam ajustados os saldos credores do período anterior e os saldos após o período do ressarcimento, a fim de se proceder a correta apuração do crédito; 2seja reconhecido o direito de correção do crédito e homologada a compensação; 3 seja suspensa a cobrança até que os recursos sejam definitivamente julgados; Nestes termos vieram os autos a esta DRJ para julgamento. O acórdão que indeferiu o pleito do sujeito passivo foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 I RESSARCIMENTO. CRÉDITOS GLOSADOS. NÃO CONTESTAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, tornandose a glosa definitiva na esfera administrativa. II SALDO CREDOR RESSARCÍVEL. REDUÇÃO EM VIRTUDE DE DÉBITO LANÇADO PELA FISCALIZAÇÃO. PROCEDÊNCIA.. A apuração de débitos do IPI e a alteração do saldo originalmente apurado pelo contribuinte, em reconstituição da escrita fiscal e lavratura de auto de infração, associada à glosa de créditos indevidamente escriturados, impossibilita o reconhecimento do direito creditório apurado pela contribuinte. III RESSARCIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO VINCULADO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado pela interessada para compensar os débitos objeto da DCOMP sob exame, cabe a sua nãohomologação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 11/04/2012 (fls. 83), a interessada, em 11/05/2012 (v. fls. 84), apresentou o recurso voluntário de fls. 84/88, onde se manifesta expressamente: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 a) em favor da correção monetária dos créditos da autora, no valor de R$ 29.713,39, pela taxa SELIC, quando da transmissão da declaração, em 30/04/2006, até a data do despacho decisório, em 06/07/2010; b) contra a exclusão, das receitas de exportação, dos valores correspondentes às vendas para empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, bem como do IPI incidente na aquisição de MP, PI e ME; c) pela remissão dos débitos, uma vez que o valor a ser pago é inferior a R$ 10.000,00, portanto estaria o contribuinte amparado pelo artigo 14 da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009; d) em prol da prescrição, já que a simples declaração de compensação não tem o condão de suspender o prazo prescricional, devendo ser decretada a prescrição dos débitos em obediência ao preconizado pela Súmula Vinculante nº 8, do STF, bem como pela Súmula 409 do STJ. É o relatório. Voto Admissibilidade do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão de primeira instância se deu em 11/04/2012 (fls. 83). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 11/05/2012, tempestivamente, portanto. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade do recurso, os mesmos foram atendidos. Todavia, há alguns argumentos que só foram apresentados na presente instância recursal: o primeiro diz respeito ao pedido de remissão dos débitos, uma vez que o contribuinte estaria supostamente amparado pelo artigo 14 da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009; o segundo é relativo à aduzida prescrição, posto que a simples declaração de compensação não teria o condão de suspender o prazo prescricional; há, ainda, a discordância contra a exclusão, das receitas de exportação, dos valores correspondentes às vendas para empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, bem como do IPI incidente na aquisição de MP, PI e ME. No que concerne ao pedido de remissão de débitos, dele não tomo conhecimento, já que a matéria está preclusa (artigo 17 do Decreto no 70.235/72)1. O mesmo se diga quanto à exclusão, das receitas de exportação, dos valores correspondentes às vendas para empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, bem como do IPI incidente na aquisição de MP, PI e ME. Aliás, sobre esse último assunto, o sujeito passivo se limita a afirmar que as glosas “não podem prosperar, uma vez que estão perfeitamente 1 Esclareçase, contudo, a título pedagógico, que a remissão limitada a R$ 10.000,00, objeto do artigo 14 da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, é restrita a “[...] débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais[...]”. Os débitos indicados pelo sujeito passivo na DCOMP não poderiam se subsumir à hipótese normativa em tela, seja porque são da competência do mês de abril de 2005, seja porque extrapolam o limite prescrito pela lei (ver fls. 58). Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10783.901810/201059 Acórdão n.º 3802002.340 S3TE02 Fl. 111 7 enquadrado (sic) no conceito de MP, PI e ME, estando de acordo com a legislação vigente e a jurisprudência atual”. Vêse, pois, não obstante a preclusão processual, que parte da argumentação aborda apenas alegações genéricas e imprecisas, o que não se pode admitir. Com efeito, a impugnação, a teor do disposto no inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, deverá contemplar “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. Assim, não poderá ser considerada, como recurso, argumentação genérica que esteja privada da necessária fundamentada discordância com os argumentos apresentados pelo fisco, isso, repitase, ainda que a matéria em tela não tivesse sido atingida pela preclusão processual. Todavia, inerente à reclamada prescrição, muito embora o assunto também não tenha sido ventilado na primeira instância, impende sejam examinados os argumentos nesse sentido apresentados pela recorrente, isso em vista do disposto no artigo 195 do Código Civil, segundo o qual “a prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita”. Assim, conheço do recurso para exame, unicamente, da reclamada necessidade de correção monetária dos créditos da autora e da aduzida prescrição do crédito tributário. Da reclamada prescrição Por coerência lógica, examino primeiramente a alegação de que os débitos tributários objeto dos autos estariam prescritos. Alega a interessada que, diante das datas dos vencimentos dos débitos, relativos a fatos geradores de 2004 e 2005, os mesmos já se encontravam prescritos quando da prolação do despacho decisório, em 06/07/2010. Ocorre que, relativamente aos débitos em tela, a recorrente formulou pedido de compensação por meio de PER/DCOMP, meio mediante o qual intentava extinguir aludidos créditos tributários. A declaração de compensação, como se sabe, “[...] constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados” (§ 6º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996). Por seu turno, o parágrafo único do artigo 174 do CTN, ao tratar das hipóteses de interrupção da prescrição, contempla, em seu inciso IV, a caracterização de “qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor”. Considerando a realidade fática, em que a interessada, em 21/07/2010, foi cientificada do despacho decisório que não homologou a compensação declarada na DCOMP formalizada em 30/04/2006, resta evidente que, quando da ciência da decisão em questão ainda não havia transcorrido o prazo de prescrição de cinco anos capitulado no caput do artigo 174 do CTN. É relevante destacar também que não há que se falar em homologação tácita do pedido de compensação formulado pela interessada. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 Estabelece o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. O despacho decisório (nº de rastreamento 868485785), como já dito, foi proferido em 06/07/2010 (v. fls. 14). Dele o sujeito passivo tomou ciência em 21/07/2010 (fls. 28). Quanto à declaração de compensação, a mesma foi transmitida em 30/04/2006 (conf. fls. 18). Vêse, portanto, que a ciência do resultado do pleito de compensação ocorreu dentro do prazo quinquenal previsto no art. 74, § 5º, da Lei no 9.430/96. Enfim, não há que se falar nem em prescrição do direito de ação da Fazenda Pública, nem em homologação tácita da declaração de compensação formulada pela reclamante. Da correção monetária dos créditos da autora A Recorrente defende o direito à atualização do valor do crédito a ser ressarcido com base na taxa Selic, calculada a partir da data da transmissão da declaração de compensação. Sobre a questão, o STJ tratou da possibilidade legal de correção monetária de créditos escriturais do IPI, como sedimentado no Recurso Especial nº 1.035.847/RS (transitado em julgado em 03/03/2010), onde referida Corte, sob o regime previsto no artigo 543C do CPC, consolidou entendimento segundo o qual, apesar de reconhecer a inexistência de previsão legal para a correção monetária de créditos escriturais do imposto, entendeu que o impedimento, pela autoridade administrativa, à utilização do direito de créditos escriturais do IPI, descaracteriza referida natureza escritural, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá los monetariamente pela taxa Selic, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Referido acórdão ficou assim ementado: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10783.901810/201059 Acórdão n.º 3802002.340 S3TE02 Fl. 112 9 Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em sintonia como julgado supra, a Primeira Seção do STJ aprovou a Súmula nº 411, cujo enunciado dispõe que “é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco”. Concernente ao julgado proferido pelo STJ sob o regime do recurso repetitivo previsto no artigo 543C do CPC, tal entendimento há que ser obrigatoriamente observado por este Conselho por força do disposto no caput do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF2. Todavia, ressaltese que o precedente jurisprudencial de que trata o Recurso Especial nº 1.035.847/RS determina a incidência da correção monetária a partir do momento em que houve “a oposição constante de ato estatal”. Não se poderia, pois, reconhecer tal direito a partir da data da formalização da DCOMP, como quer a recorrente. Assim, não obstante existir, em tese, direito a correção monetária pela taxa Selic, nos termos acima ressaltados, no caso dos autos o precedente jurisprudencial do STJ não se aplica, uma vez que não há nenhuma parcela do crédito reconhecida depois da prolação do despacho decisório, momento em que houve a oposição estatal de parte de direito pleiteado. Por tal razão, perde sentido qualquer alusão à incidência de correção monetária. Da conclusão Por todo o exposto, voto para conhecer parcialmente do recurso, negando lhe, contudo, provimento. Sala de sessões, em 28 de janeiro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 10 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10945.902121/2012-23
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2009; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 76 1 75 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.902121/201223 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.975 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO PIS Recorrente CGS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 21 21 /2 01 2- 23 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902121/201223 Acórdão n.º 3803004.975 S3TE03 Fl. 77 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902121/201223 Acórdão n.º 3803004.975 S3TE03 Fl. 78 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902121/201223 Acórdão n.º 3803004.975 S3TE03 Fl. 79 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902121/201223 Acórdão n.º 3803004.975 S3TE03 Fl. 80 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902121/201223 Acórdão n.º 3803004.975 S3TE03 Fl. 81 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Se este é o entendimento que se tem sob égide da Lei nº 9.718/98, não há distinção quando se considera a ampliação da base de cálculo implementada pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, porquanto não se está a tratar de receita outra que se agregue à de venda de mercadorias e serviços. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 14479.000226/2007-83
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF
Eventual irregularidade na emissão do MPF ou o descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não induzem a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público.
DECADÊNCIA
Para a contagem do intervalo de tempo, deve-se considerar a data da notificação que constituiu o crédito e a data dos fatos geradores .
ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO.
São devidas as contribuições previdenciárias a partir da decisão definitiva quanto ao Ato Cancelatório de Isenção.
IMUNIDADE/ISENÇÃO.
A Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art. 195, § 7º, imunidade, embora o texto constitucional faça referência a isenção, quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a certos requisitos estabelecidos na lei.
BOLSA DE ESTUDO
Bolsa de estudo que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa disponibilizada a todos os empregados e dirigentes não sofre tributação.
Numero da decisão: 2403-002.353
Decisão: Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento à preliminar de decadência, Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Jhonatas Ribeiro da Silva que votaram pela decadência parcial. No mérito: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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DECADÊNCIA Para a contagem do intervalo de tempo, devese considerar a data da notificação que constituiu o crédito e a data dos fatos geradores . ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO. São devidas as contribuições previdenciárias a partir da decisão definitiva quanto ao Ato Cancelatório de Isenção. IMUNIDADE/ISENÇÃO. A Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art. 195, § 7º, imunidade, embora o texto constitucional faça referência a isenção, quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a certos requisitos estabelecidos na lei. BOLSA DE ESTUDO Bolsa de estudo que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa disponibilizada a todos os empregados e dirigentes não sofre tributação. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 02 26 /2 00 7- 83 Fl. 3418DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento à preliminar de decadência, Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Jhonatas Ribeiro da Silva que votaram pela decadência parcial. No mérito: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 3419DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000226/200783 Acórdão n.º 2403002.353 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício apresentados contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 0528.229 da 7ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte promovendo a retificação dos valores originariamente arbitrados, para aqueles apurados a partir dos documentos exibidos pelo contribuinte após o encerramento da ação fiscal. O lançamento original era de R$ 6.119.530,55 e foi retificado para R$ 2.527.846,89 (valores originários). A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Fundamentos do lançamento Relatório Fiscal original O lançamento, lavrado em 12/07/2006 (ciência do contribuinte em 19/07/2006 fl. 01), DEBCAD 37.015.0740, tem como objeto o lançamento de crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias devidas em razão da concessão de bolsas de estudo a empregados e dependentes, benefício esse considerado salário indireto pela auditoria fiscal tributária. Do Relatório Fiscal (fls. 54/57), planilha anexa (fls. 58/30) e demais documentos que originariamente integravam o lançamento fiscal (fls. 01/54 e 62/75), depreendese que: 1. O lançamento fiscal compreende contribuições a cargo do empregador (patronais): para o Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS), financiamento de benefícios em razão da incapacidade laborativa (SAT) e contribuições para outras entidades (terceiros). 2. O contribuinte gozava do benefício da isenção da quota patronal, benefício este cancelado em 28/12/2004 (Ato Cancelatório 02/2004), com efeito a partir de 01/01/1993, encontrandose, na oportunidade do lançamento, tramitando o respectivo processo administrativo, em face de recurso apresentado pelo contribuinte. 3. Consta que também estaria tramitando na ocasião a Ação Civil Pública n°. 2004.61.00.0077842, patrocinada apelo Ministério Público Federal e que teria sido concedida liminar determinando a suspensão da imunidade tributária da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em relação às contribuições previdenciárias patronais. Fl. 3420DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 4. Mencionando e transcrevendo o art. 69 da Instrução Normativa SRP 3/2005, enquadra a concessão de bolsas de estudo a empregados e dependentes como "ganhos habituais na forma de utilidades", considerando os respectivos valores ("... concedidos a título de desconto parcial ou total a funcionários ou dependentes ...") como base de cálculo de contribuições previdenciárias. Transcreve, também, a letra "t" do § 9 o do art. 28 da Lei 8.212/1991, para concluir que não teria sido constatado o cumprimento dos requisitos legais que afastariam a caracterização do fato gerador considerado. 5. Informa que a FAAP promovia o registro contábil da concessão de bolsas de estudos em duas contas: "Bolsas de Estudo concedidas a título de gratuidade" e "Demais Bolsas de Estudo concedidas". Acrescenta que as bolsas de estudo do primeiro grupo "Bolsas de Estudo concedidas a título de gratuidade" foram consideradas como concedidas a pessoas carentes (em eventual atendimento da exigência legal para gozo do benefício da isenção da quota patronal) e não consideradas no lançamento. Segue, esclarecendo que em relação ao segundo grupo "Demais Bolsas de Estudo concedidas" — foi constatada a existência de dois "subtipos": "Bolsas concedidas a empregados e dependentes" e "Demais Bolsas concedidas". 6. Ressalva que a FAAP foi formalmente intimada para apresentar "... relação detalhada da lista de beneficiários destas Bolsas, bem como o critério para as suas concessões ... ", mas o contribuinte teria apresentado somente "... relação sumarizada com os valores anuais de despesas com os descontos concedidos", em razão do que, além de ser lavrado auto de infração específico (DEBCAD 37.015.0651), promoveu o lançamento fiscal, aferindo as bases de cálculo. 7. Justifica, ainda, que o enquadramento dos descontos como "remuneração indireta" e a aferição das bases de cálculos deramse também em razão de que: • Não foi possível individualizar por competência os beneficiários dos descontos; • Não foram informados pela FAAP os critérios para concessão dos descontos, do que resultaram as impossibilidades de constatar se o benefício era extensível a todos os empregados; se os cursos eram "... de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela Empresa e se "... os descontos concedidos substituem parcela salarial". • Os descontos concedidos a título de bolsas de estudo concedidas eram relativos a "...cursos de nível superior e de especialização (MBA, pós graduação, etc), ou seja, não se trata de cursos de educação básica ". 8. Esclarece que, ainda em razão da falta de informações específicas do contribuinte, a determinação das bases de cálculo deuse da seguinte forma: • As bases mensais foram apuradas pela divisão por 12 dos montantes anuais (apurados nos registros contábeis); Fl. 3421DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000226/200783 Acórdão n.º 2403002.353 S2C4T3 Fl. 4 5 • Não foram considerados na determinação das bases de cálculo os valores do grupo "Bolsas de Estudo concedidas a título de gratuidade", por se presumir que não seriam destinados a empregados e dependentes. Constam dos autos, ainda, os seguintes documentos, pertinentes a intimações e comunicados feitos ao contribuinte, no curso da auditoriafiscal: 1. Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n°. 09295720F00, emitido em 24/03/2006 e recebido pelo contribuinte em 27/03/2006 (fl. 44), com validade até 31/05/2006. 2. Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n°. 09295720C01, emitido em 24/05/2006 e recebido pelo contribuinte em 09/06/2006 (fl. 43), com validade até 30/06/2006. 3. Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n°. 09295720C02, emitido em 29/06/2006 e recebido pelo contribuinte em 03/07/2006 (fl. 42), com validade até 14/07/2006. 4. Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n°. 09295720C03, emitido em 12/07/2006 e recebido pelo contribuinte em 17/07/2006 (fl. 62), com validade até 17/07/2006. 5. Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, recebidos pelo •contribuinte em 27/03/2006 (fls. 45/46), 20/06/2006 (fis. 47/48), 21/06/2006 (fls. 49/51), 30/06/2006 (fl. 52) e 07/07/2006 (fl. 53). 6. Termo de Encerramento de Auditoria Fiscal TEAF (fls. 74/75), recebido pelo contribuinte em 24/07/2006. Fundamentos da defesa (Impugnação de 03/08/2006) O contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 76/143), acompanhada de documentos diversos: instrumento de mandado e documentos estatutários (fls. 157/167); cópia do MPF n°. 09295720C03, emitido em 12/07/2006 e recebido pelo contribuinte em 17/07/2006 (fl. 62), com validade até 17/07/2006 (fl. 169); cópia do TEAF recebido pelo contribuinte em 24/07/2006 (fls. 171/172); cópia de decisão liminar na Ação Civil Pública 2004.61.00.007784 2 (fls. 175/179); cópias de acordos e convenções coletivas de trabalho (fls. 183/573); "Relação de Bolsas de Estudo" (fl. 575); planilhas "Contábil de Bolsas de Estudo" (fls. 580/2981). Com a impugnação, a FAAP: 1. Argumenta que, como o MPF tinha vencimento em 17/07/2006, e que apenas em 19/07/2006 teria sido notificada do lançamento fiscal, este seria nulo. Transcreve julgados do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), neste sentido. Também quanto ao TEAF, ressalva que apenas em 24/07/2006 o teria recebido, "... cinco dias depois de ter sido cientificada da presente NFLD ...". Ambos os fatos ensejariam a nulidade do lançamento. Transcreve doutrina a respeito da Fl. 3422DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 "anulação" dos atos administrativos; lembra que em matéria tributária vige o princípio da legalidade e ressalva as disposições do art. 53 da Lei 9.784/1999. 2. Sob a alegação de que a fiscalização teria analisado "em apenas 3 (três) meses, 10 (dez) anos de lançamentos contábeis, guias de recolhimentos''' [destaques no original], sem a utilização de "... qualquer critério razoável para justificar tais lançamentos, infringindo, inclusive, decisão judicial proferida em processo do qual é parte ", conclui que o Auditor fiscal teria incorrido "... em vícios relativos à validade do procedimento ... ", o que igualmente macularia de nulidade o lançamento. 3. Destaca a ocorrência de nulidade também em razão da utilização do arbitramento, sem que tenha sido mencionado o respectivo dispositivo legal, seja no Relatório Fiscal, seja no anexo Fundamentos Legais do Débito e ressalva que tal omissão implicaria em descumprimento das disposições do art. 37 da Lei 8.212/1991, na medida em que não teria havido "... discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem os débitos lançados" (sic, destaque no original). A omissão implicaria também no descumprimento das disposições do art. 661 da Instrução Normativa SRP 3/2005 (então vigente). Transcreve julgados do CRPS. 4. Argumentando que "... as únicas hipóteses em que se admite o arbitramento da base de cálculo são as elencadas no art. 148 do CTN não se justificaria o procedimento empreendido (o arbitramento ou aferição), na medida em que "A autoridade administrativa, aliás, sequer cogitou que seriam inidôneas as declarações ou informações prestadas pela Impugnante. Simplesmente arbitrou a base de cálculo". Ainda quanto ao tema, segue alegando que teria apresentado os documentos requisitados no curso da auditoriafiscal, mas que supostamente teria sido "recusado o material físico" e apresenta, com a impugnação as correspondentes cópias. Declara que os valores lançados seriam "...em muito superiores ao supostamente devido ..." e que "... a referida cobrança já foi declarada inconstitucional pelo Egrégio STJ do qual transcreve julgados (relativos ao salárioeducação). Ressalva que o benefício seria decorrente de acordos e dissídios coletivos (que denomina "bolsas legais") e que teriam sido indevidamente incluídas nas bases de cálculo "... as bolsas concedidas em razão de mérito acadêmico, como, por exemplo, as bolsas de estudo destinadas à monitoria setorial, ou as bolsas de estudo concedidas como prêmio aos integrantes do corpo discente que se destacam em algum trabalho da graduação, ou, ainda, aquelas oferecidas como estímulo ao esporte". 5. Ressalva que a decisão administrativa de cancelamento da isenção da quota patronal (Informação Fiscal n°. 36222.001852/200316), da qual, até então gozava a FAAP, encontrase sob julgamento administrativo, pendente de decisão de recurso voluntário proposto pelo contribuinte ao CRPS, do que decorreria o efeito suspensivo da aludida decisão (com a consequente manutenção da "imunidade" da impugnante). Fl. 3423DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000226/200783 Acórdão n.º 2403002.353 S2C4T3 Fl. 5 7 Ressalva, também, que não obstante a existência de liminar suspendendo a "imunidade" da impugnante (Ação Civil Pública 2004.61.00.0077842), esta suspensão darseia "...apenas a partir da propositura da ação ..." ao que se acrescente o "caráter provisório da decisão", do que decorreria a "iliquidez" e "incerteza" do crédito lançado. Ainda, quanto a este tema, ressalva, também, que ainda estaria pendente de decisão no CNAS, quanto à renovação do CEBAS do contribuinte, em razão do que ainda seria "... entidade beneficente de assistência social". Conclui que a "incerteza " do crédito leva à nulidade do lançamento. 6. Passa, então, a discorrer sobre cobranças que entende inconstitucionais ou ilegais: • Invocando as disposições constituições dos arts. 195,1 e II e 154, I, ressalva que, até o advento da Emenda Constitucional 20/1998, não seria legalmente viável a cobrança da "... quota patronal, incidente sobre a remuneração paga a autônomos • Sob o argumento de que a definição de "atividade preponderante" e de "grau de risco" teriam sido fixados por Decreto, sustenta que tal procedimento macularia de inconstitucionalidade a cobrança do SAT, por incompatibilidade com o art. 150 da Constituição Federal (CF) e art. 97 do Código Tributário Nacional (CTN) e que, "No presente caso, o fiscal lançou os valores decorrentes da contribuição ao SAT igualmente para os dois CNPJ diferentes, ou seja, considerou o grau de risco de acordo com a atividade preponderante da empresa, sem, contudo, considerar que o grau de risco deve ser aferido por estabelecimento autônomo", o que teria constituído violação aos princípios da estrita legalidade, tipicidade e igualdade. • Defende que, "... mesmo que se considerasse que os Decretos n°. 1.422/75 e n°. 87.043/82 foram recepcionados pela Constituição, a contribuição social do salárioeducação não poderia ser exigida, por força do disposto no artigo 25 do • Nos termos do que considera "jurisprudência consolidada do STJ\ alega que estaria demonstrada a ilegalidade da cobrança da contribuição para o INCRA das instituições prestadoras de serviços de educação. • Sustenta que apenas as empresas vinculadas à Confederação Nacional do Comércio estariam sujeitas à exigibilidade das contribuições para o SESC, o que estaria corroborado por manifestações jurisprudenciais que apresenta, assim como a contribuição para o SEBRAE seria exigível apenas das empresas legalmente definidas como "micro e empresas de pequeno porte". 7. Requer que o lançamento seja declarado nulo ou insubsistente. Despacho Decisório de 18/10/2006 Fl. 3424DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 O Serviço do Contencioso Administrativo, órgão então competente para conhecer o processo em primeira instância administrativa, tendo analisado os autos, emitiu, em 18/10/2006, despacho (fls. 2984/2985), que, em síntese: 1. Atesta que realmente não teriam sido indicados nem no Relatório Fiscal, tampouco no respectivo anexo de Fundamentos legais do Débito os dispositivos legais relativos à aferição indireta. 2. Registra a apresentação de documentos relativos ao fornecimento de bolsas de estudo. 3. Constata que o Relatório Fiscal menciona a data de 28/12/04, como data do término da isenção, o que teria constituído um equívoco. 4. Reencaminha o processo para o Auditorfiscal notificante, a fim de que: • Promova análise dos documentos apresentados com a impugnação; • Realize o "saneamento do processo", a fim de que seja suprida a omissão relativa à indicação da legislação da aferição e corrigida a informação relativa à data da revogação da isenção. Relatório Aditivo a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito Em atendimento ao Despacho, o Auditorfiscal notificante apresentou sua manifestação, denominada "Relatório Aditivo a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito" (fls. 2987/2989), com o qual, em síntese: 1. Retifica informações relativas à Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público Federal, que obteve liminar determinando a suspensão da imunidade tributária da FAAP a partir de março de 2004. 2. Transcreve o art. 33 e § 3 o da Lei 8.212/1991, que constitui fundamento do procedimento legal realizado (aferição indireta). 3. Reitera que a aferição indireta deuse em razão da falta de apresentação dos documentos requisitados (relativos à concessão de bolsas de estudo). 4. Promove análise da substancial quantidade de documentos apresentados com a sua impugnação pela FAAP, do que extrai que "... a FAAP concedeu, no período de 2004 a 2006, inúmeras Bolsas de Estudo com títulos genéricos a pessoas não claramente especificadas'". De qualquer forma, com base em tais documentos, promoveu a revisão das bases de cálculo, apresentado suas conclusões consolidadas em planilha anexa ao Relatório Complementar (fl. 2990), registrando, no entanto, que os documentos apresentados não cobriam todo o período do lançamento fiscal. Com a aludida planilha (fl. 2990): • Consolida, por competência, os valores descontados a título de bolsas de estudo. Fl. 3425DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000226/200783 Acórdão n.º 2403002.353 S2C4T3 Fl. 6 9 Como os documentos apresentados não cobriam todo o período do lançamento, foram mantidos os valores originários nas competências para as quais não foram apresentados documentos. • Separa os beneficiários do desconto a título de bolsas de estudos: "01 Func" funcionários; "02 Filho Func" filhos de funcionários; "03 Filho Prof' filhos de professores; "14 Esposas" esposas de funcionários e "24 Professor". • Com base em tais informações, propõe a retificação das bases de cálculo, reduzindoas, quando os valores apurados eram menores que os valores originariamente lançados; mantendoas, quando os valores apurados são maiores que os valores originais. Fundamentos da defesa — Nova Impugnação (de 05/09/2007) Intimada da manifestação fiscal (de fls. 2987/2989), a FAAP apresentou nova impugnação (fls. 2993/3047), com a qual: 1. Defende que a fixação de prazo de quinze dias para apresentar sua nova impugnação caracterizaria cerceamento de defesa, na medida em que afrontaria as disposições da Lei 11.457/2007, do Decreto 6.103/2007 e do Decreto 70.235/1972, do que resultaria a necessidade de "... anulação do ato praticado, com a consequente reabertura do prazo para apresentação de impugnação 2. Retoma as teses da nulidade do lançamento: • Em face do fato de que a notificação do lançamento deuse após a data de vencimento do MPF; • Em razão da entrega do TEAF após a notificação do lançamento. 3. Argumenta que, tendo em vista que a sentença da Ação Civil Pública 2004.61.00.0077842 declarou a suspensão da imunidade apenas em relação ao período entre os anos de 1996 e 2002, a imunidade teria permanecido vigente para o período subsequente (inclusive naquele a que se refere o lançamento 2004 a 2006), em razão do que o lançamento não estaria observando as disposições do art. 468 do CPC. 4. Argumenta que nem mesmo com "... seu Relatório Aditivo, não individualizou os fundamentos legais do débito." e que "... não faz referência à fundamentação legal do lançamento, tampouco à composição dos valores no período subsistente em razão do que "... deixa de informar, de forma clara e precisa, o débito constituído por meio do lançamento fiscal, gerando dúvida ao contribuinte quanto à correia causa do crédito lançado" [destaques no original]. 5. Mencionando o art. 148 do CTN, retoma a defesa da tese de que o arbitramento não teria suporte jurídico, na medida em que não se "... cogitou que seriam inidôneas as declarações ou Fl. 3426DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 informações prestadas pela Impugnante. Simplesmente arbitrou a base de cálculo" (sic). E, para "corroborar" tal assertiva, ressalva que, com os documentos apresentados (com a primeira impugnação), teria havido o "reconhecimento" de que "... diante dos documentos juntados, que o arbitramento não guardou qualquer margem de razoabilidade, determinando a redução substancial do crédito lançado (sic)". 6. Repisa os argumentos relativos à "incerteza do crédito", em face da existência de discussão administrativa (Ato Cancelatório 2/2004) e discussão judicial (Ação Civil Pública 2004.61.00.07842) relativa ao reconhecimento (ou não) da "imunidade" da FAAP. 7. Reitera, também, suas teses e argumentos relativos à suposta não incidência de contribuição previdenciária sobre bolsas de estudo; sobre a "inexigibilidade" de contribuição ao SAT, do salárioeducação, da contribuição para o INCRA e para o SESC e SEBRAE. 8. Reiterando os argumentos da impugnação original, repete seus pedidos, aos quais acrescenta o requerimento da declaração de nulidade do lançamento, por cerceamento de defesa, em razão da irregularidade, quanto ao prazo (de quinze dias), para apresentar nova impugnação. Requer, finalmente, diligência, para análise das novas cópias de documentos juntados com a segunda impugnação (fls. 3058/3073). Novas Diligências A Delegacia de Julgamento de São Paulo II (DRJ/SPO II), então competente, proferiu despacho (fl. 3076), decidiu pela reabertura de prazo para a impugnação, desta vez fixandoo em trinta dias, o que foi implementado, através de ofício de 14/05/2008 (fl. 3079). Fundamentos da defesa Nova Impugnação (de 17/06/2008) Novamente, a FAAP reapresente suas teses e argumentos, com o objetivo de demonstrar a nulidade ou improcedência do lançamento fiscal. Reitera, também, pedido de diligência, para análise das novas cópias de documentos juntados com a segunda impugnação (fls. 3058/3073). Novas diligências Devolvido o processo à DRJ/SPO II (fl. 3138), esta o fez retornar à Delegacia da Receita Federal, responsável pela tramitação do processo DEFIS/SPO para que se desse cumprimento ao requerimento de diligência do contribuinte (com a análise dos novos documentos disponibilizados). O Auditorfiscal notificante, tendo empreendido as diligências requisitadas, elaborou novo "Relatório Fiscal Complementar" (em 31/03/2009, fls. 3211/3212), acompanhado de nova planilha (fl. 3213), consolidando os valores, extraídos de arquivos Fl. 3427DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000226/200783 Acórdão n.º 2403002.353 S2C4T3 Fl. 7 11 digitais finalmente franqueados pela FAAP, reabrindose prazo para manifestação do contribuinte. Fundamentos da defesa — Nova Impugnação (de 04/05/2009) Em 04/05/2009, a FAAP apresentou nova impugnação (fls. 3228/3282), com a qual, basicamente repete suas teses e argumentos, antes exaustivamente esgrimidos, aos quais acrescenta o que segue: 1. Sob o argumento de que, originariamente, o lançamento teria se valido da aferição, para fixação das bases de cálculo, alterando, depois, a forma de apuração, sem que, segundo alega, tenha sido alterada a respectiva fundamentação legal, pugna pela nulidade do procedimento. 2. Os créditos relativos à competência de março de 2004 teriam sido atingidos pela decadência (§ 4o do art. 150 do CTN), na medida em que o contribuinte teria sido notificado da retificação apenas em 01/05/2009 (sic). 3. Defende que, sendo o lançamento realizado para prevenir decadência, não poderia, pela aplicação do art. 63 da Lei 9.430/1996, incluir multa e juros. Neste contexto, transcreve o Parecer 743/1988 da PGFN. Ressalva que, ainda que o crédito viesse a ser cobrado, não poderia, por isso, incluir tais acréscimos legais. 4. Declarase portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), por força das disposições da Medida Provisória 446/2008, o que supostamente "... atesta o cumprimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei n°. 8.212/1991, como se infere da Resolução anexa (doe. II) " (sic). Aduz que a MP 446/2008 teria seus efeitos válidos, na medida em que não foi, ainda, editado o devido Decreto Legislativo (CF, art. 62, § 3o). 5. Ainda quanto ao CEBAS, sustenta que estaria "de maneira incontroversa"', "... discutindo no âmbito dos Ministérios da Previdência ... a renovação dos certificados de entidade beneficente ... quando ... foi editada a MP n°. 446/2008 ..." (sic). Junta cópia do deferimento de seu pedido (fls. 3290/3291) e conclui que "... o deferimento do pedido de renovação indica a renovação também dos períodos anteriores, abrangidos pela exata hipótese do art. 39 da Medida Provisória n°. 446" (sic). 6. Reitera pleito de declaração de nulidade ou de insubsistência do lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: Fl. 3428DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 § NULIDADE DA NFLD Do MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL E DO TERMO DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL. § se o prazo do MPF já havia se expirado, vêse, com toda clareza, que o agente já não mais possuía competência para a prática de quaisquer atos relativos à. fiscalização do contribuinte. § A autoridade fiscal incorreu em absoluta ilegalidade ao notificar a ora Recorrente da NFLD, no dia 19/07/2006, após o término do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal, cujo vencimento ocorreu em 17/07/2006. § A nulidade também esta presente no fato de a Recorrente apenas ter recebido o Termo de Encerramento Fiscal em 24/07/2006, ou seja, cinco dias depois de ter sido cientificada da presente NFLD, que ocorreu em 19/07/2006. § INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO CLARA E PRECISA NO RELATÓRIO FISCAL § Decadência. Retificação dos valores lançados de ofício, por meio do Relatório Fiscal Complementar, cuja ciência da Recorrente se deu em I O de abril de 2009. § LANÇAMENTO DE CRÉDITO INEXISTENTE EM RAZÃO DA IMUNIDADE DA RECORRENTE: DA INEFICÁCIA DO ATO CANCELATÓRIO N.° 02/2004 FRENTE À SENTENÇA PROFERIDA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA E À RENOVAÇÃO DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CEBAS § Imunidade/Isenção. § impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudo. § INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SALÁRIO EDUCAÇÃO § INCRA § SESC § SEBRAE. § INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SAT É o relatório Fl. 3429DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000226/200783 Acórdão n.º 2403002.353 S2C4T3 Fl. 8 13 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Os recursos são é tempestivos e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. RECURSO DE OFÍCIO. Apoiada em documentação trazida aos autos pela recorrente após o término da ação fiscal, a fiscalização se posicionou pela retificação do débito. O julgamento de primeira instância acompanhou o posicionamento da fiscalização e retificou o lançamento de R$ 6.119.530,55 para R$ 2.527.846,89 (valores originários). Com base nas alegações já apresentadas, concordo com a retificação efetuada e rejeito o recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO NULIDADE MPF A recorrente pleiteia a nulidade do lançamento por ter sido notificada e recebido o Termo de Encerramento após o término do prazo previsto no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Entendo que não cabe razão à recorrente. Inicialmente registro a inexistência de prejuízo. Sigo a jurisprudência do CARF, que tem decidido que a eventual irregularidade na emissão do MPF ou o descumprimento do prazo previsto no MPF para Fl. 3430DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 realização da ação fiscal não induzem a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. AutoridadeCâmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma TítuloAcórdão nº 40202898 do Processo 10855004133200228 Data28/01/2008 EmentaAssunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2002NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF. A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. Recurso especial provido Acórdão 10423228 (Sessão de 29/05/2008) Trecho da Ementa: MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO CIÊNCIA O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Ademais, o suposto vício estaria em processo estranho aos presentes autos. Autoridade Segundo Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária TítuloAcórdão nº 20313579 do Processo 10680010593200404 Data06/11/2008 EmentaAssunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/1997 a 31/12/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADES.MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NÃO INDICAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO.PRAZO DE VALIDADE VENCIDO. NÃO OCORRÊNCIA. Não é nulo o procedimento fiscal que, seja por meio de indicação expressa no MPF, seja por meio de teor de Termo de Intimação, deixou claramente evidenciado o escopo da ação fiscal. Da mesma forma, não procedente a alegação de que o MPF se encontraria com seu prazo de validade vencido quando da lavratura do auto de infração. Mas, ainda que estivesse, não seria isso motivo suficiente para anular o lançamento, dado o caráter de mero controle administrativo de que se reveste o MPF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: Fl. 3431DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000226/200783 Acórdão n.º 2403002.353 S2C4T3 Fl. 9 15 31/01/1997 a 31/08/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. DECADÊNCIA. Nos termos da Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários da Cofins e do PIS/Pasep é a do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/09/1999 a 31/12/2002 CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. MULTA DE OFà CIO DE 75%. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. AutoridadeConselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária TítuloAcórdão nº 120100425 do Processo 13931001193200812 Data24/02/2011 EmentaASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO:2002, 2003 AUTORIDADEFISCAL. COMPETÊNCIA. É VÁLIDO O LANÇAMENTO FORMALIZADO POR AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JURISDIÇÃO DIVERSA DA DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO(SÚMULA CARF Nº 27). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF).O DESCUMPRIMENTO DO PRAZO PREVISTO NO MPF PARA REALIZAÇÃO DA AÇÃO FISCAL NÃO INVALIDA O LANÇAMENTO EFETUADO PELA AUTORIDADE TRIBUTÁRIA.ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2002,2003DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.A ALEGAÇÃO DE QUE OS DEPÓSITOS EM CONTA CORRENTES BANCÁRIA TÊM ORIGEM EM CONTRATOS DE MÚTUO CELEBRADOS COM PESSOAS LIGADAS DEVE ESTAR AMPARADA EM UM CONJUNTO PROBATÓRIO ROBUSTO, SENDO INSUFICIENTE A APRESENTAÇÃO DO INSTRUMENTO CONTRATUAL.DECADÊNCIA.APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN, QUANDO NÃO HÁ PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL. CONTAGEM DO PRAZO A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.RECONHECIMENTO DA DECADÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL DO ANO CALENDÁRIO DE 2002, VISTO QUE O PRAZO DECADENCIAL SE INICIOU EM 01/01/2003, COM TÉRMINO DO PRAZO EM 31/12/2007. LANÇAMENTO EFETUADO APENAS EM 24/12/2008.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS Fl. 3432DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. POR UNANIMIDADE DE VOTOS, AFASTAR A PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. POR MAIORIA DE VOTOS, ACATAR A DECADÊNCIA PARA OS CRÉDITOS DE IRPJ E CSLL RELATIVOS AO ANO CALENDÁRIO DE 2002.VENCIDOS, NESTE PONTO, OS CONSELHEIROS GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS E MARCELO CUBA NETTO (RELATOR). DESIGNADO PARA REDIGIR O VOTO VENCEDOR O CONSELHEIRO RAFAEL CORREIA FUSO. QUANTO AO MÉRITO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. DECADÊNCIA A recorrente, tendo por base a data da ciência da Informação Fiscal e do Relatório Fiscal Complementar, entende que ocorreu a decadência. Não concordo com a recorrente. A questão do prazo qüinqüenal está pacificada. Para a contagem do intervalo de tempo, devese considerar a data da notificação que constituiu o crédito (19/07/2006) e a data dos fatos geradores (03/2004 a 03/2006). Consideradas essas datas/períodos, constatase que o tempo decorrido é inferior a 5 anos. IMUNIDADE – ISENÇÃO A recorrente entende que a NFLD é nula, uma vez que a ausência de demonstração do não cumprimento dos requisitos da imunidade, aliada à ausência de trânsito em julgado da sentença da Ação Civil Pública n.° 2004.61.00.0077842, afasta completamente os requisitos de liquidez e certeza do crédito; Consulta efetuada no dia 8 de novembro de 2013 às 17:00 confirma que o processo não transitou em julgado. Número (CNJ, 20 dígitos) 000778403.2004.4.03.6100 Processo 2004.61.00.0077842 Fl. 3433DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000226/200783 Acórdão n.º 2403002.353 S2C4T3 Fl. 10 17 Número de origem 2004.61.00.0077842 Segredo de justiça (documentos) Classe 1267335 AC SP Vara 7 SAO PAULO SP Data de autuação 14/12/2007 Partes Nome ApelanteFUNDACAO ARMANDO ALVARES PENTEADO AdvogadoJOSE PAULO SEPULVEDA PERTENCE ApeladoMinisterio Publico Federal AdvogadoSONIA MARIA CURVELLO Relator DES.FED. ANDRÉ NEKATSCHALOW Assuntos Descrição AssuntoContribuição sobre a folha de salários Contribuições Previdenciárias Contribuições Direito Tributário Detalhe 1AÇÃO CIVIL PÚBLICA ... 05/09/2013 CONCLUSOS AO DES.FED.VICE PRESIDENTE DO TRF P/DEC.ADMIS. RECURSO GUIA NR.: 2013186544 DESTINO: ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICE PRESIDENCIA 05/09/2013 JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTRARAZOES ORIGEM Petição Número 2013199515 05/09/2013 JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTRARAZOES ORIGEM Petição Número 2013199513 Ocorre que, conforme registra o acórdão recorrido, a recorrente teve cancelado seu direito à isenção por meio do ATO CANCELATÓRIO n.° 02/2004, de 28/12/2004. O CRPS negou provimento ao recurso contra o cancelamento. 3. Especificamente, em relação ao processo administrativo, no qual se discutiu o Ato Cancelatório 02/2004, convém ressalvar que a 4 a . Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, através do Acórdão 830/2007, de 24/04/2007, conheceu o recurso da FAAP e, por unanimidade de votos, negoulhe provimento. Assim sendo, no âmbito administrativo temse como definitivamente cancelada a isenção da quota patronal de contribuições previdenciárias da FAAP. Fl. 3434DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Em razão do ATO CANCELATÓRIO n.° 02/2004, de 28/12/2004, entendo que não cabe razão à recorrente. Quanto às alegações acerca de seu direito à imunidade entendo que não assiste razão à recorrente. A Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art. 195, § 7º, imunidade, embora o texto constitucional faça referência a isenção, quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a certos requisitos estabelecidos na lei. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.(grifei) Antes da promulgação da Lei n.º 8212/91 foi ajuizado o Mandado de Injunção nº 2321 – RJ (Rel. o Min. Moreira Alves), pois desde a promulgação da Constituição, o dispositivo constitucional imunizante, reconhecido como de eficácia limitada, carecia de regulamentação. Apreciando especificamente a imunidade de contribuições previdenciárias aqui tratada no referido Mandado de Injunção, decidiu o Supremo Tribunal Federal que: a) a norma constitucional carecia de regulamentação para permitir o gozo da imunidade; b) que os arts. 9º e 14 do CTN não serviam para a regulamentação exigida; e c) que a regulamentação podia ser feita por meio de lei ordinária. A regulamentação da imunidade veio através da Lei n.º 8.212/91. TRIBUTAÇÃO DE BOLSAS DE ESTUDOS CONCEDIDAS A EMPREGADOS E DEPENDENTES A questão central em discussão é a tributação incidente sobre bolsas de estudos. Fl. 3435DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000226/200783 Acórdão n.º 2403002.353 S2C4T3 Fl. 11 19 Entendo que cabe razão à recorrente. Conforme estabelecido no CTN, a legislação considerada será a vigente à época dos fatos geradores. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. O artigo 28 da lei 8.2121/91 estabelece como regra a tributação da totalidade do rendimento do trabalho. Porém, especifica algumas hipóteses de não incidência, tal como o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Segundo a Lei 9.394/96, a educação escolar se divide em básica e superior. Fl. 3436DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Tenho entendimento que no nosso país, educação de nível médio profissionalizante e educação superior, incluindo pósgraduação também são instrumentos de capacitação e qualificação profissionais. Para a questão do acesso a todos, entendo que os acordos coletivos anexados à impugnação comprovam o cumprimento da exigência legal. Não percebo na alínea “t”, do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 restrição à educação fornecida a dependentes e entendo que uma vez cumpridos os demais requisitos legais, não incide tributação sobre bolsas de estudos concedidas a empregados , dirigentes e dependentes. Ademais a referida na alínea “t”, do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, em 2011 teve sua redação alterada explicitando a não tributação de bolsas de estudos fornecidas a dependentes. t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos daLei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior;(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Fl. 3437DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14479.000226/200783 Acórdão n.º 2403002.353 S2C4T3 Fl. 12 21 CONCLUSÃO. Voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 3438DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10218.720937/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
SUJEITO PASSIVO DO ITR.
A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE.
A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao Ibama, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
O silêncio do contribuinte quando da sua Impugnação, a respeito de parte da exigência, leva à consolidação administrativa do crédito tributário lançado, porque não fica instaurado o litígio, tornando precluso o Recurso Voluntário quanto à nova matéria questionada.
Numero da decisão: 2201-002.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao Ibama, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente. ITR. VALOR DA TERRA NUA. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O silêncio do contribuinte quando da sua Impugnação, a respeito de parte da exigência, leva à consolidação administrativa do crédito tributário lançado, porque não fica instaurado o litígio, tornando precluso o Recurso Voluntário quanto à nova matéria questionada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 09 37 /2 00 7- 98 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2003, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/03), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ R$ 47.806,90, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Continental”, cadastrado na RFB, sob o nº 4.140.8942, com área declarada de 3.000,0 ha, localizado no Município de São Félix do Xingu/PA. A fiscalização efetuou a glosa integral das áreas declaradas como de preservação permanente e de reserva legal, de 20,0 ha e de 2.380,0 ha, respectivamente, além de alterar o VTN de R$ 43.200,00 para R$ 240.000,00, com base no valor de R$ 80,00/ha indicado no SIPT, conforme demonstrado à fl. 02. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: · apresenta um breve resumo da Notificação de Lançamento e informa que a questão cingese ao exame da legalidade das glosas levadas a efeito pela fiscalização ao revisar a DITR do exercício de 2004, bem como da alteração do VTN; · mostra o que consta do Termo de intimação fiscal; · o impugnante, em atenção à intimação, encaminhou ao Auditor Fiscal, a quem incumbiu a revisão da declaração, os seguintes documentos: 1) cópia da anotação da responsabilidade técnica, devidamente registrada no CREA; 2) cópia do comprovante de entrega do ADA ao IBAMA, devidamente protocolado sob o n°. 41000428598, em 14.09.98; 3) laudo de avaliação do imóvel; · entende o impugnante que a exigência do ITR pelo lançamento de ofício, ora impugnado, é ato administrativo de exigência tributária ilegal. Faltalhe, pois, o fundamento de validade. De fato, a glosa das áreas de preservação permanente e de utilidade limitada na DITR de 2003 não tem amparo em lei. A Lei 9.393 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720937/200798 Acórdão n.º 2201002.300 S2C2T1 Fl. 3 3 de 1996 não estabelece a obrigação de apresentar o ADA, para efeito de exclusão do ITR sobre essas áreas; · o impugnante exibiu a cópia do Ato Declaratório Ambiental à fiscalização, com protocolo do IBAMA, e não sabe o motivo de sua rejeição. Não mereceu sequer uma palavra de explicação; · do mesmo modo aconteceu em relação às outras glosas. Quanto ao laudo técnico exibido, nem uma palavra mereceu, dando o motivo de seu não acolhimento; · mostra decisão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário sobre a desnecessidade de Ato Declaratório do IBAMA e conclui que apresentou o ADA. Mas, se não o tivesse apresentado, mesmo assim, esse ato não pode ser condição de reconhecimento de exclusão da base de cálculo do ITR, das áreas em causa; · no tocante à averbação no Registro de Imóveis de áreas de reserva legal, mostra decisão do Terceiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara; · se não há sustentação legal, como dito no mencionado julgado do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exigir a averbação no Registro de Imóveis da área reservada em lei, com maior razão para obrigar o contribuinte a exibir o denominado ADA. A existência das áreas que sofreram a glosa está mais do que comprovada. Mas o certo é que o impugnante não está obrigado à prévia comprovação da área de reserva legal (Lei 9.393/96, art. 10, §7°); · observa que a obrigatoriedade do ADA teve início no exercício de 2001, por exigência de instrução normativa que não tem força de obrigar, porquanto somente a lei, formal e material, obriga e, nesse sentido, mostra decisão da 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes; · lembra que a Medida Provisória n°. 2.166, de 24 de agosto de 2001, ao introduzir o § 7º no art. 10 da Lei 9.393/96, dispensou a apresentação pelo contribuinte do malsinado ato declaratório do IBAMA. Essa circunstância é objeto de decisão no acórdão do Superior Tribunal de Justiça, mostra a ementa, julgado do STJ e mais uma decisão administrativa; · conclui que o lançamento de ofício praticado não pode prosperar. Como ato administrativo, que é, padece do vício da ilegalidade, como demonstrado. Por essa razão, o lançamento que exige o ITR do exercício de 2003 deve ser desconstituído; · sem embargo do exposto, em que o impugnante postula a desconstituição do lançamento de ofício do ITR do exercício de 2004, por vício de ilegalidade, o impugnante, conquanto venha apresentando suas declarações, na esperança de obter vitória no Judiciário, já informou ao Auditor Fiscal revisor que a propriedade em causa fora invadida por Joaquim de Barros Primo, perdendo assim a posse do imóvel. Não bastasse isso, no Fl. 130DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 ano de 2000, um estelionatário conseguiu, junto aos Cartórios de Altamira e São Félix do Xingu, trocar, na matrícula do imóvel, o nome de seu adquirente, no caso, do impugnante, por outro, de nome PAULO FERNANDO DIAS (o impugnante é PAULO FERNANDES DIAS), em virtude de utilização de procuração falsa e escritura lavrada na Comarca de Araguaína, em Tocantins, transferindoo posteriormente para Ednei José Ferreira; · em razão desse fato, o impugnante ajuizou, além da ação reivindicatória, que fora distribuída na Comarca de São Félix do Xingu, no ano de 2003, propôs a ação declaratória de nulidade de ato jurídico, perante o Juízo da Comarca de São Félix do Xingu, Estado do Pará, que tramita sob o n°. 2007.1.0021; · em face da invasão à Fazenda Planície Verde e de sua transferência a Ednei José Ferreira pelo falsário PAULO FERNANDO DIAS, o impugnante acabou por perder a propriedade. Quer dizer, neste momento, a mencionada Fazenda não pertence mais ao impugnante. Por esse motivo, o ITR exigido e impugnado, se não for reconhecida a ilegalidade do lançamento, não cabe por ele, impugnante, ser pago; · finalmente, requer: ·· que seja julgado procedente a impugnação e improcedente o lançamento de ofício, desconstituindoo, em face de sua ilegalidade; ·· seja cancelado o lançamento praticado e cobrado o imposto de quem detém somente a posse ou a posse e o domínio do bem imóvel, segundo prova já produzida. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o titular do seu domínio útil ou mesmo o possuidor a qualquer título de imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer um deles. Assim, cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, identificado como tal na correspondente DITR/2003 e no Cadastro de Imóveis Rurais da RFB CAFIR. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à área de reserva legal, que a mesma esteja averbada junto à matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA VTN. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720937/200798 Acórdão n.º 2201002.300 S2C2T1 Fl. 4 5 Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme disposto no processo administrativo fiscal PAF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 29/03/2011 (fl. 68pdf), Paulo Fernandes Dias apresenta Recurso Voluntário em 28/04/2011 (fls. 85pdf e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, a autoridade fiscal efetuou a glosa integral das áreas declaradas como de preservação permanente (20,0 ha) e de reserva legal (2.380,0 ha), além de alterar o VTN declarado de R$ 43.200,00, que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 240.000,00, com base no SIPT. Em sua peça recursal alega preliminarmente o recorrente que “... embora não estivesse na posse do imóvel, apresentou a declaração do ITR, no intuito tentar garantir uma futura reintegração, o que não ocorreu até o presente momento”. Pois bem, quanto à alegação que não possui a posse do imóvel, cumpre registrar que a exigência do ITR regese pela Lei n.° 9.393/1996, que dispõe em seu artigo 4º que “Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título”. Da simples leitura desse dispositivo concluise que o imposto é devido por qualquer pessoa que se prenda ao imóvel rural, em uma das modalidades elencadas. Isso posto, compulsandose os autos, verificase às fls. 116/125pdf, que o contribuinte juntou ao recurso Escritura Pública e Título Definitivo demonstrando ser o legítimo proprietário do imóvel objeto do lançamento. Além do mais, não há nos autos qualquer prova de que tenha perdido a propriedade do imóvel rural (Fazenda Continental, cadastrado na RFB, sob o nº 4.140.8942) e, por essa razão, tenha ajuizado Ação Declaratória de Nulidade de Ato Jurídico, como faz crer o recorrente em sua peça recursal. Cumpre esclarecer que enquanto não for apresentada comprovação efetiva de transferência de propriedade do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração, não há como excluir o contribuinte da relação tributária, apesar da Ação Reivindicatória carreada aos autos às fls. 18/25. Ademais, em seu apelo o próprio contribuinte reafirma ser real proprietário do imóvel, razão pela qual apresentou a DITR/2003 em seu nome. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Portanto, correta a eleição do contribuinte como sujeito passivo da obrigação tributária. No mérito, afirma o suplicante que a área total do imóvel é de 1.806,5 ha, sendo que a áreas de preservação permanente e de reserva legal correspondem a 1.445,20 ha. Assevera ainda que “... está efetivamente havendo a incidência do ITR sobre 1.806,5 ha, referente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, em razão da falta de apresentação da ADA no IBAMA e do registro da reserva legal na matrícula do imóvel.” No que tange à apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, impende registrar que sua entrega tornouse obrigatória a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, conforme determina a Lei n° 10.165/2000: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) (grifei) Do exposto, verificase que o ADA é um dos requisitos legais para que algumas áreas especificadas na legislação não sejam tributadas pelo ITR. De acordo com a IN/SRF nº 344/2003, o prazo para a protocolização no IBAMA do requerimento do ADA expirou em 31/03/2004, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/2003 (30/09/2003). Portanto, diferentemente do que faz crer o recorrente, a partir da edição da Lei nº 10.165/2000 a entrega do ADA, para efeito de redução do valor a pagar do ITR, é obrigatória. Quanto à área de preservação permanente, verificase que o recorrente não logrou comprovar efetivamente sua existência na propriedade. Além do mais, o ADA apresentado em 15/09/1998 não faz qualquer menção de APP no imóvel (fl. 16). Logo, deve ser mantida a glosa da área preservação permanente. No que diz respeito à necessidade de averbação da área de reserva legal, compete deixar assentado que o § 8º do art. 16 da Lei nº 4.771/1965 Código Florestal, com a redação dada pela MP nº 2.16667/2001, determina seu registro à margem da inscrição de matrícula do imóvel: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) Fl. 133DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720937/200798 Acórdão n.º 2201002.300 S2C2T1 Fl. 5 7 (...) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Pelo se vê, o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei, sendo vedada à alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. Portanto, a área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente, o que não ocorreu no presente caso. Sobre o arbitramento do VTN, cumpre reproduzir a ressalva feita pela autoridade recorrida: Observase, ainda, que o Requerente nada questionou em relação à alteração do VTN de R$ 43.200,00 para R$ 240.000,00, com base no menor valor, por aptidão agrícola (terras de florestas), indicado no SIPT, exercício de 2003, para o município onde se localiza o imóvel, de R$ 80,00/ha. Assim, considerase não impugnada essa matéria, vez que não foi expressamente contestada, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, com redação dos arts. 1º, da Lei nº 8.748/1993, e 67, da Lei nº 9.532/1997. De fato, compulsandose a Impugnação apresentada, verificase que o contribuinte não questiona o VTN arbitrado pela fiscalização. O silêncio do contribuinte quando da sua Impugnação, a respeito de parte da exigência, leva à consolidação administrativa do crédito tributário lançado, porque não fica instaurado o litígio, tornando precluso o Recurso Voluntário quanto à nova matéria questionada. Ainda que fosse possível discutir a matéria, o que se admite apenas a título de argumentação, verificase que não é possível considerar para fins de comprovação do Valor da Terra Nua o laudo de avaliação juntado aos autos pelo contribuinte, uma vez que se limita a informar o valor da terra nua da propriedade (fl. 15), verbis: Avaliação: Em virtude do imóvel rural estar invadido por Terceiros (Grileiros), não há permissão para se fazer uma vistoria no local, assim só podemos avaliar o valor da terra nua através do método comparativo com terras vizinhas e através de mapas topográficos e geográficos da região. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Valor da Terra Nua: R$ 60.000,00 (sessenta mil reais). Considerações: O valor da terra nua é bastante baixo devido aos seguintes fatores: a) Distancia do imóvel em relação a cidade mais próxima: 120 kms. b) Não há estrada e pontes para o trânsito de veículos e o acesso à propriedade só é possível a pé ou à cavalo através de trilhas. c) A topografia do imóvel é bastante montanhosa. d) Há a ocorrência de áreas bastante pedregosas. Assim, deve ser mantido o arbitramento efetuado pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10950.907777/2011-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 77 /2 01 1- 82 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907777/201182 Acórdão n.º 3803005.207 S3TE03 Fl. 99 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre ingressos (ICMS) não abrangidos pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCTF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/01/2002 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907777/201182 Acórdão n.º 3803005.207 S3TE03 Fl. 100 3 ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 17 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal 1 ADC n° 18/DF Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907777/201182 Acórdão n.º 3803005.207 S3TE03 Fl. 101 4 Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907777/201182 Acórdão n.º 3803005.207 S3TE03 Fl. 102 5 tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Além disso, mesmo que houvesse previsão legal do direito à exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo (escrituração contábilfiscal e documentos fiscais) foi apresentado para comprovar o direito arguido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907777/201182 Acórdão n.º 3803005.207 S3TE03 Fl. 103 6 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13855.720198/2009-89
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO.
Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal - PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional - CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Caracterizado nos autos que o contribuinte teve ampla oportunidade, tanto durante a fase procedimental, quanto na fase litigiosa, de se manifestar e apresentar a documentação solicitada e tudo o que mais pretendesse, é de se afastar as alegações de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel; devendo prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado no DIAT, por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Caracterizado nos autos que o contribuinte teve ampla oportunidade, tanto durante a fase procedimental, quanto na fase litigiosa, de se manifestar e apresentar a documentação solicitada e tudo o que mais pretendesse, é de se afastar as alegações de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel; devendo prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado no DIAT, por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 14653 3. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 01 98 /2 00 9- 89 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13855.720198/200989 Acórdão n.º 2801003.284 S2TE01 Fl. 89 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1a Turma da DRJ/CGE (Fls. 61), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Lançamento Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada mediante notificação de lançamento n° de f. 0105, através do qual se exige o crédito tributário R$ 48 .802,03, assim discriminado: Rubrica Valor (R$) Imposto Territorial Rural Suplementar Cód Receita 7051 21701.37 Juros de mora (calculados até 21/10/2009). 10824,64 Multa de Ofício 16276,02 Valor do crédito tributário apurado 48.802,03 A exigência se refere ao Imposto Territorial Rural ITR do exercício 2005, incidente sobre o imóvel rural denominado Fazenda Ponte Funda, com área total de 1.163,7 ha., Número de Inscrição NIRF 5.634.4210, localizado no município de São Joaquim da Barra SP. De acordo com o relatório fiscal, o lançamento decorreu das seguintes infrações: Fl. 89DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13855.720198/200989 Acórdão n.º 2801003.284 S2TE01 Fl. 90 3 Área de benfeitoria não comprovada: após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a área declarada de benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural. Em razão disso, foi glosada a área de 92,5 ha. Declarada como área ocupada com benfeitorias úteis e necessárias, destinadas à atividade rural. Valor da Terra Nua VTN não comprovado: após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de Laudo de Avaliação de imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor de terra nua declarado. Em razão disso, o VTN declarado foi substituído pelo VTN constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT. Em razão do constatado, foi efetuado lançamento do imposto, acrescido de juros moratórios e multa de ofício. O sujeito passivo foi cientificado por aviso de recebimento postal em 31/11/2009, conforme consta da f. 27. Impugnação Em 04/12/2009 a interessada, representada por advogado qualificado nos autos, apresentou impugnação, f. 2839, e, após relatar os motivos da autuação, passou a tecer suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Preliminarmente, alega invalidade do lançamento por cerceamento de defesa, afronta ao princípio da legalidade e ausência de motivação, considerando que: i) não existe respaldo legal para se exigir que o ITR seja declarado com base em laudo de avaliação de imóvel ou, alternativamente, com base em avaliações efetuadas pelas Fazendas Públicas Estaduais ou Municipais ou pela EMATER; ii) no lançamento não consta o motivo pelo qual não foi declarado legítimo o valor da terra nua declarado pela interessada, avaliado com base no valor estabelecido pelo Município de São Joaquim da Barra para fins de apuração do ITBI. iii) o lançamento realizado com base em dados consignados no SIPT se configura em lançamento por presunção, cujo critério não é admitido pelo sistema jurídico tributário. No mérito, alega que: i) o valor da terra nua declarado na DITR não foi subavaliado, uma vez que o valor da terra nua adotado na DITR é o valor venal apurado pelo Município de São Joaquim da Barra para fins de cálculo do ITBI, atualizado com base nos índices oficiais (IGPM e IPCA), cujo critério não é vedado pela legislação do ITR. ii) é impossível elaborar laudo de avaliação retroativo ao exercício em questão porque as condições do imóvel, bem como Fl. 90DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13855.720198/200989 Acórdão n.º 2801003.284 S2TE01 Fl. 91 4 as do mercado imobiliário, sofreram relevantes modificações com o passar do tempo. Pedido Com base no exposto pede a nulidade do lançamento, e, subsidiariamente, o cancelamento do crédito tributário lançado. Protesta pela posterior juntada de documentos e pela realização de perícias e diligências. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/CGE entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: NIRF: 5.634.4210 Fazenda Ponte Funda VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há nulidade do lançamento quando não se configura óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PEDIDO DE PERÍCIA. Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto n.° 70.235/1972. Não é conhecido o pedido de perícia desacompanhado de indicação do perito, dos motivos do pedido e da formulação dos quesitos. VALOR DA TERRA NUA E IMPOSTO SOBRE A TRANSMISSÃO DE BENS IMÓVEIS ITBI. O valor venal de bem imóvel rural fixado para fins de apuração do ITBI, notadamente quando baseado em indexador da economia, não é prova eficaz do valor de mercado do bem porque não atende os requisitos de avaliação de imóveis rurais previstos na NBR 146533. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Cientificada em 15/06/2011 (Fls. 73), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 13/07/2011 (fls. 86) e (fls. 74 a 85), argumentando em síntese: (...) Ocorre que, ao contrário do aduzido no v. acórdão, o lançamento está eivado de vícios que culminam na sua nulidade. Senão vejamos. Segundo o Auto de Infração e o v. acórdão recorrido, a exigência de ITR decorre da divergência entre o VTN declarado Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13855.720198/200989 Acórdão n.º 2801003.284 S2TE01 Fl. 92 5 pela Recorrente em relação ao valor arbitrado pela autoridade fiscal, com base no SIPT. Este procedimento decorreria da falta de apresentação de laudo de avaliação por parte da Recorrente, quando intimada para tanto. A exigência de laudo de avaliação, entretanto, não encontra respaldo legal1 tendo a D. Autoridade Fiscal, bem como o v. acórdão recorrido, exigido sua apresentação com base em Nota Técnica emitida pela ABNT, a saber, a NBR 14.653, i.e., sem amparo em lei que preveja tal procedimento. De fato, a Lei n° 9.393/96 não estabelece como requisito para o lançamento do ITR a necessidade do contribuinte se valer de laudo de avaliação elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal registrado no CREA. Exigir tal laudo para a comprovação dos dados utilizados no lançamento do ITR é, em suma, ilegal. (...) A ausência de laudo de avaliação, contudo, não significa dizer que a Recorrente subavaliou ou prestou informações inexatas ao Fisco em relação ao VTN. Com efeito, quando intimada para apresentar laudo, a Recorrente alegou a impossibilidade de tal apresentação, bem como indicou que o VTN declarado decorria de avaliação realizada pela Prefeitura Municipal de São Joaquim da Barra — SP, para fins de apuração do ITBI. Tratase de índice oficial, emitido pela Fazenda Pública do Município em questão, pelo que não poderia ter sido desconsiderada pelo v. acórdão recorrido como se fosse imprestável, conforme será demonstrado em tópico próprio mais adiante. Em que pese se tratar de índice oficial proferido por ente público, o v. acórdão, assim como o agente fiscal, simplesmente deixou de demonstrar sua ilegitimidade para se calcular o VTN, passando, arbitrariamente, a exigir o ITR com base no VTN constante do SIPT. Noutras palavras, não obstante a ilegalidade de se exigir laudo de avaliação para a declaração de ITR, o v. acórdão coadunou com o auto de infração que afronta o princípio da motivação, pois descartou o índice oficial adotado pela Recorrente sem demonstrar sua improcedência. E nem se alegue que o ônus da prova é do contribuinte, uma vez que o ITR está sujeito ao lançamento por homologação, devendo o Fisco rever a conduta do contribuinte e, se for o caso, demonstrar a inexatidão das informações prestadas pela Recorrente em sua DITR. O acórdão recorrido e a autuação tentam, nesse passo, inverter de forma descabida o ônus da prova. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13855.720198/200989 Acórdão n.º 2801003.284 S2TE01 Fl. 93 6 Destarte, é cediço que a exigência de laudo de avaliação sem previsão legal, bem como a recusa do VTN declarado pela Recorrente com base era índice oficial, afrontam os princípios da legalidade estrita e motivação administrativa, assim como cerceia o direito de ampla defesa e contraditório da Recorrente. Por estas razões, deve ser reformado o v. acórdão para que seja julgada procedente a Impugnação apresentada pela Recorrente, cancelandose o auto de infração combatido. II.2 Da improcedência do lançamento Caso não se entenda pela nulidade do lançamento, conforme acima aduzido, o que admite ad argumentandum tantum, é de se demonstrar que o v. acórdão merece ser reformado, também, no mérito. Assim, é certo que a Recorrente se pautou nos estritos limites legais para a avaliação do imóvel, declaração do VTN, benfeitorias e, por fim, pagamento do ITR e entrega da DITR. II.2.a Do VTN declarado pela Recorrente (...) Se há uma pauta fixa de valores elaborada pela Receita Federal, que será sobreposta a eventual VTN declarado pelo contribuinte que seja inferior a essa pauta (mesmo que se valha de informações expedidas pelo Poder Público), qual a razão do lançamento se dar pela modalidade de homologação? Se as declarações em valores inferiores, muito embora válidas, serão desconsideradas, o que estará ocorrendo é um verdadeiro lançamento de ofício pela Autoridade Fiscal, e o que é pior, com base em presunções, como uma pauta fiscal. A diferença é que, neste caso, o lançamento de ofício já será feito acrescido de multas e juros, onerando ainda mais o contribuinte. A duas, pois o Fisco está exigindo que o contribuinte comprove, mediante laudo de avaliação, que suas declarações são fidedignas, ao passo que a sistemática do lançamento por homologação determina que o Fisco averigúe a veracidade das informações, podendo, no máximo, exigir os documentos que o contribuinte seja obrigado a guardar por força de lei, o que não ocorre com o laudo de avaliação, que, conforme visto, não tem previsão legal. Igualmente, o Fisco está exigindo que a Recorrente comprove que os índices oficiais, elaborados pelo Município de São Joaquim da Barra SP para fins de cálculo do ITBI, são válidos. Não obstante a Recorrente tenha demonstrado que se valeu de tal parâmetro, atualizandoo conforme os índices oficiais, o v. acórdão simplesmente o desconsiderou, alegando que o valor está expresso em Ufir e que "a alteração nos valores dos preços de terras não guarda relação com índices inflacionários e financeiros". Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13855.720198/200989 Acórdão n.º 2801003.284 S2TE01 Fl. 94 7 Nada mais absurdo, tendo em vista que o valor de referência do ITBI, conforme dispõe a própria legislação tributária, é o valor venal do imóvel, seja ele rural, seja ele urbano. A simples expressão desse valor em Ufir não o faz deixar de representar o valor de mercado do imóvel. O fato da Ufir ter sido extinta não impede sua atualização para valor presente. II.2.b – Da inexigibilidade do Laudo de Avaliação (...) A exigência, como mencionado acima, é completamente desamparada de fundamentação legal. Além disso, tal qual demonstrado, é completamente incompatível com a sistemática do lançamento por homologação, pois exige que a DITR apresentada pelo contribuinte todos os anos sempre vá acompanhada de laudo de avaliação. Somese a isso o fato de que a Recorrente se pautou em valores de referência para o ITBI do Município de São Joaquim da Barra SP, o que atribui veracidade e legalidade à declaração da Recorrente, que se utilizou de valor divulgado por Fazenda Pública (ente dotado de fé pública), tal qual exige a própria NBR 14.653 da ABNT. Já em relação às benfeitorias, competiria ao Fisco, em procedimento de avaliação da veracidade das informações prestadas pelo Contribuinte, verificar se estas efetivamente correspondem ao que foi declarado. Não pode, contudo, exigir documento não previsto em lei e que influirá na esfera patrimonial da Recorrente. Assim, não merece prosperar o v. acórdão recorrido, já que o procedimento adotado pela Recorrente está amparado de legalidade e razoabilidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de falta de comprovação das áreas de benfeitorias e da alteração procedida pela fiscalização do VTN declarado de R$ 5.11500 o ha para o VTN arbitrado de R$ 11.914,60 o ha. A contribuinte combateu o lançamento com a alegação de nulidade e com apresentação de Decretos Municipais que fixam os valores do ITBI para os imóveis. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13855.720198/200989 Acórdão n.º 2801003.284 S2TE01 Fl. 95 8 Preliminarmente, da análise dos autos, depreendese que não assiste razão à recorrente na pretendida nulidade do auto de infração, em razão de exigência da laudo de avaliação do imóvel para a comprovação do VTN declarado. O auto de infração em questão se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas posteriormente. E nesse ponto, destaquese, por relevante, que os fundamentos fáticos e legais utilizados pela autoridade fiscal para efetuar o lançamento em apreço estão todos expressos na peça de autuação, não havendo que se cogitar em ofensa ao princípio da verdade material face à motivação posta na autuação, nem tampouco em desrespeito às disposições dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72. Ademais, filiome ao posicionamento do Ilustre condutor do Acórdão recorrido, que assim se manifestou; in verbis: Os dados tributários declarados dependem de prova, a critério da autoridade fiscal, uma vez que todas as informações prestadas na Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR estão sujeitas à verificação. A questão da prova do valor da terra nua e das benfeitorias é resolvida pela adoção das normas que regem o sistema de provas do ordenamento jurídico pátrio, portanto, são permitidos todos os meios de prova admitidos em direito. É claro que o grau de eficácia da prova varia em função da relação que ela possui com o fato probando. Quanto ao tema em questão, é certo que a prova, para que seja eficaz, deve estar apta a demonstrar o valor de mercado do imóvel e gerar, no julgador, confiança nos dados apresentados. O instrumento oficial para tanto é o laudo de avaliação do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II ou, alternativamente, as avaliações efetuadas pelas Fazendas Públicas. Salvo prova em contrário, o acesso a esses documentos, pelo sujeito passivo, é plenamente possível, notadamente quando ele tenha sido especificamente intimado a apresentálos, como ocorreu no caso, o que é comprovado à vista do Termo de Intimação Fiscal juntado aos autos. Em suma, a exigência do laudo de avaliação elaborado por profissional habilitado ou de documento de avaliação das Fazendas Públicas, a título de prova de valor de mercado de imóvel rural, é corolário do sistema de provas previsto no ordenamento jurídico brasileiro. (pág. 65 dos autos) Assim, não vislumbro no presente processo vícios que dêem causa à nulidade pretendida, razão pela qual rejeito as preliminares de nulidade suscitadas pela recorrente. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13855.720198/200989 Acórdão n.º 2801003.284 S2TE01 Fl. 96 9 No mérito, cumpre esclarecer que o lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT. Inicialmente, é importante trazer à colação o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, à época da edição da Lei nº 9.393, de 1996, a Lei nº 8.629, de 1993, art. 12, §1º, inciso II estabelecia: Lei nº 8.629/93 Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13855.720198/200989 Acórdão n.º 2801003.284 S2TE01 Fl. 97 10 Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ilocalização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIaptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) IIIdimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IVárea ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Vfuncionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3oO Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ante à legislação acima transcrita, depreendese que, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. No caso em tela, portanto, foi correta e legalmente utilizadas as informações do SIPT para o levantamento do VTN. Tenho ainda o entendimento de que, para afastar o critério de arbitramento adotado no lançamento, a contribuinte teria de provar que as condições do imóvel, ao tempo da ocorrência do fato gerador, o diferenciava da média dos demais imóveis do município de sua Fl. 97DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13855.720198/200989 Acórdão n.º 2801003.284 S2TE01 Fl. 98 11 localização, justificando assim a aplicação de um VTN tributável inferior ao previsto na legislação. Para tanto, é ineficaz a avaliação instituída em ato municipal, seja para fins de incidência de Imposto Sobre Transmissão de Bens Imóveis ITBI ou não, porque ela é genérica. Outrossim, os preços estabelecidos em UFIR ou UFESP não servem como critério de valor de mercado porque estes não guardam relação com os índices inflacionários e financeiros. Os valores dos preços de imóveis possuem características peculiares e sua variação depende de fatores como localização, oferta e procura, dentre outros. Ocorre de o preço de mercado subir mais, ocasionalmente menos e, ainda, por vezes, caminhar em direção oposta aos demais indexadores da economia. Para comprovar o valor da terra nua do imóvel o interessado deveria valerse de Laudo Técnico de Avaliação revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade tributária, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, notadamente o disposto no item 9.2.3.5, abaixo: 9.2.3.5 É obrigatório nos graus II e III o seguinte: a) a apresentação de fórmulas e parâmetros utilizados; b) no mínimo cinco dados de mercado efetivamente utilizados; c) a apresentação de informações relativas a todos os dados amostrais e variáveis utilizados na modelagem; d) que, no caso da utilização de fatores de homogeneização, o intervalo admissível de ajuste para cada fator e para o conjunto de fatores esteja compreendido entre 0,80 e 1,20. A recorrente, apesar da observação da DRJ sobre a necessidade de apresentação Laudo Técnico de Avaliação com os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, apresenta em seu recurso apenas os mesmos decretos que estabelecem os preços para efeito de ITBI. Deste modo, entendo como a DRJ, que o contribuinte não apresentou prova suficiente para afastar o arbitramento do VTN. Ante tudo acima exposto e o que mais contam nos autos, voto por rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13855.720198/200989 Acórdão n.º 2801003.284 S2TE01 Fl. 99 12 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10580.909730/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
Por caracterizar cerceamento de direito de defesa, é nula a decisão primeira instância que não aprecia as provas adequadas à comprovação do direito creditório apresentadas prévia e concomitantemente com a manifestação inconformidade.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 3102-002.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, deu-se parcial provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vencidos os conselheiros Álvaro Almeida Filho e Andréa Medrado Darzé, que reformavam o despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 Por caracterizar cerceamento de direito de defesa, é nula a decisão primeira instância que não aprecia as provas adequadas à comprovação do direito creditório apresentadas prévia e concomitantemente com a manifestação inconformidade. Decisão de Primeira Instância Anulada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, deu-se parcial provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vencidos os conselheiros Álvaro Almeida Filho e Andréa Medrado Darzé, que reformavam o despacho decisório. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1896; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 10 1 9 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.909730/201117 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.021 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2013 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente SUZANO PAPEL E CELULOSE S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 Por caracterizar cerceamento de direito de defesa, é nula a decisão primeira instância que não aprecia as provas adequadas à comprovação do direito creditório apresentadas prévia e concomitantemente com a manifestação inconformidade. Decisão de Primeira Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vencidos os conselheiros Álvaro Almeida Filho e Andréa Medrado Darzé, que reformavam o despacho decisório. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 97 30 /2 01 1- 17 Fl. 4415DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER (fls. 2/5) de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo exportação do 3º trimestre de 2009, no valor R$ 21.686.235,20, utilizado na compensação dos débitos discriminados nas Declarações de Compensação (DComp) de fls. 6/73. Por meio do Despacho Decisório de fls. 74/78, o crédito pleiteado foi integralmente indeferido e as compensações não homologadas, sob o argumento de que a interessada, embora intimada, não apresentara os recibos comprobatórios da transmissão dos arquivos digitais de todos os estabelecimentos não obrigados à Escrituração Fiscal Digital (EFD), contendo os documentos fiscais de entrada e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001, e especificado nos itens 4.3 (Documentos Fiscais) e 4.10 (Arquivos complementares PIS/COFINS) do Anexo Único do Ato Declaratório Cofis n° 15, de 23 de outubro de 2001. De acordo com o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 4337/4342, o fundamento jurídico da decisão denegatória foi enquadrado no § 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, art. 1º a 3º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001 e artigo 11 da Lei nº 8.218, de 1991. Cientificada do Despacho Decisório, em sede de manifestação de inconformidade, em preliminar, a recorrente requereu, com respaldo no princípio da economia e celeridade processual, a reunião e análise conjunta de todos os processos relativos aos pedidos de ressarcimento dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins do período de abril/2007 a dezembro/2010, discriminados no MPF nº 05101002011005608. No mérito, alegou que: a) a fiscalização não realizara o efetivo exame dos créditos pleiteados, limitandose a indeferir os pedidos formulados, com base apenas na suposta falta de entrega dos arquivos digitais solicitados, o que tornava nulo a glosa e todo trabalho realizado, por violação aos princípios fundamentais do processo administrativo, presentes no art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999; e b) a totalidade das intimações feitas pela fiscalização fora atendida, com a ressalva de que, dos 18 itens do Termo de Início de Diligência Fiscal, 17 foram entregues dentro do prazo estabelecido e apenas parte da documentação relacionada no item 1 fora apresentada a destempo, mas em prazo tecnicamente factível, haja vista que, em face da grande quantidade de arquivos digitais, a transmissão somente fora concluída em 16/12/2011. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 4367/4377), em que, por unanimidade de votos, foi rejeitada a preliminar de nulidade, indeferido o pedido de ressarcimento do crédito informado e não homologada as compensações declaradas, com base nos seguintes argumentos: a) a recorrente não tinha transmitido, dentro do prazo fixado, os arquivos digitais de todos os estabelecimentos não obrigados à EFD, embora a fiscalização tivesse concedido prazo suficiente para a transmissão dos citados arquivos; b) a recorrente somente teria iniciado a transmissão dos referidos arquivos digitais a partir de setembro/2011, de modo que, à época da transmissão do PER e das DComp em apreço, não cumprira o disposto no § 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008; e c) o julgador administrativo de primeira instância, por força do disposto no art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, devia estrita observância aos atos administrativos expedidos pela Receita Fl. 4416DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10580.909730/201117 Acórdão n.º 3102002.021 S3C1T2 Fl. 11 3 Federal, logo não podia se pronunciar sobre a legalidade dos atos administrativos expedidos pelo referido Órgão. Em 11/3/2013, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 28/3/2013, protocolou o recurso voluntário de fls. 4379/4406, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, a recorrente protestou pela análise detalhada da farta documentação levada ao conhecimento da fiscalização, fosse pela própria autoridade julgadora, fosse mediante a determinação de diligência fiscal, sob o argumento de que: a) a análise da referida documentação era necessária porque, na fase do contraditório, previsto no art. 74, §§ 7º e 9º, da Lei nº 9.430, de 1996, o contribuinte tinha o direito de, mediante manifestação de inconformidade, comprovar a legitimidade do crédito pleiteado, uma vez que, no momento da transmissão do PER/DCOMP, não foi apresentado qualquer documento adicional; e b) se o contribuinte tinha o direito de comprovar até erros de fato cometidos no preenchimento de suas declarações, com muito mais razão devia ser admitido o direito de comprovar, com documentação adequada e idônea, que os valores informados no seu pedido de ressarcimento estavam corretos. A recorrente alegou ainda que a fiscalização e os julgadores de 1a instância erraram na capitulação da suposta infração no § 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, posto que, em 23/11/2009, data da transmissão do PER/DCOMP em apreço, o citado § 4o ainda não era vigente, o que somente ocorrera no dia 21/12/2009, data da publicação da Instrução Normativa RFB nº 981, de 2009; em consequência, como o citado § 4º era o único dispositivo, ainda que infralegal, que condicionava a homologação das compensações à apresentação dos referidos arquivos digitais, logo, como este dispositivo não padecia de validade e eficácia na data da transmissão do citado PER/DCOMP, impossível atribuirlhe efeito retroativa, uma vez que se tratava de norma de natureza gravosa. No final, a recorrente propugnou que, fosse pela superação dos formalismos exacerbados aos quais à fiscalização se valera, fosse pela equivocada capitulação dos fatos, era necessária a anulação do despacho decisório em questão, para que fosse efetivada uma correta análise do direito creditório em questão. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da questão preliminar: pedido de reunião dos processos. Em preliminar, recorrente requereu que, em observância ao princípio da economia processual, fosse determinada a reunião deste processo com os demais processos objeto da diligência amparada no MPF nº 05101002011005608, por terem o mesmo objeto, qual seja, o ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas, apurados no período de abril/2007 a dezembro/2010. Fl. 4417DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 O pedido em tela não é passível de atendimento, porque não atende os requisitos estabelecidos no inciso IV do art. 1º da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, a seguir transcrito: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: [...] IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; [...] De acordo com o referido preceito normativo, somente os pedidos de ressarcimento e as DComp referentes ao mesmo crédito podem ser reunidos em um único processo. No caso em tela, os processos relacionados pela recorrente tratam de tributos distintos (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins) e de trimestres diferentes, logo, não atendem as condições estabelecidas no referido preceito normativo. Entretanto, para fim de evitar decisões conflitantes no âmbito deste Conselho, em conformidade com o disposto no art. 6º do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os processos ainda pendentes de julgamento, relacionados pela recorrente, poderão ser distribuídos para esta Turma Ordinária. Do mérito. No mérito, o cerne da presente questão gira em torno da comprovação do direito creditório pleiteado. De acordo com o Termo de Encerramento de Diligência colacionado aos autos (fls. 4337/4342), o fato que motivou o despacho denegatório em apreço foi a não entrega, dentro do prazo estabelecido pela fiscalização, dos arquivos digitais dos estabelecimentos não obrigados à Escrituração Fiscal Digital (EFD), contendo os documentos fiscais de entrada e saídas relativos ao período de apuração do crédito (abril/2007 a dezembro/2010), e o consequente enquadramento normativo no § 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a seguir transcrito: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Fl. 4418DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10580.909730/201117 Acórdão n.º 3102002.021 S3C1T2 Fl. 12 5 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, e com utilização de certificado digital válido. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) (grifos não originais) Inicialmente, é oportuno ressaltar que os parágrafos do art. 65 em destaque foram adicionados pelo art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009, que entrou em vigor a partir de 21/12/2009, data da publicação da dita IN, mas que, em relação aos citados parágrafos, por força do disposto no seu art. 3º1, a produção de efeitos normativos somente teve início a partir de 1º de fevereiro de 2010. No caso, como o pedido de ressarcimento em apreço foi apresentado em 23/11/2009, logo o fundamento jurídico do indeferimento do direito creditório em questão, consignado no despacho decisório em tela, foi a falta de apresentação dos referenciados arquivos digitais, relativos aos estabelecimentos da pessoa jurídica que, no período, não estavam obrigados à Escrituração Fiscal Digital (EFD), em consonância com o estabelecido no § 3º do art. 65 em comento. 1 "Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação às alterações do art. 65 e ao art. 97A da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, a partir de 1º de fevereiro de 2010." Fl. 4419DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 Noticiam os autos (fls. 4343/4359) que o prazo de 20 dias, inicialmente concedido pela fiscalização para apresentação da documentação solicitada, atendendo pedido da interessada, foi prorrogado por mais 60 dias e fixado o termo final para o dia 30/9/2011. Em 23/9/2011, a interessada solicitou nova prorrogação do prazo por mais 90 dias, com vencimento em 31/12/2011, que foi indeferido pela fiscalização. Em 3/10/2011, a interessada foi intimada a apresentar, no prazo de 5 dias, todos os comprovantes de transmissão dos arquivos de EFD de todos estabelecimentos, relativos ao período de janeiro de 2009 a dezembro de 2010. Em resposta, a recorrente informou que, dos 87 estabelecimentos em atividade, apenas não tinha os citados comprovantes em relação a 20 deles não obrigados a EFD. Com base nessa informação, em conformidade com o consignado no citado Termo de Encerramento de Diligência, entendeu a fiscalização que a recorrente havia descumprido o disposto no § 3º do art. 65 em comento, em consequência, com respaldo do § 4º do citado artigo, os pedidos de ressarcimento em análise deveriam ser indeferidos e as respectivas declarações de compensação não homologadas. Na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente informou que havia atendido a totalidade das exigências da fiscalização, com a ressalva de que, dos 18 itens do Termo de Início de Diligência Fiscal, 17 foram entregues dentro do prazo estabelecido e apenas parte dos recibos de transmissão dos arquivos digitais, discriminados no item 1, fora apresentada a destempo, mas em prazo tecnicamente factível, haja vista que, em face da grande quantidade de arquivos digitais, a transmissão somente fora concluída em 16/12/2011. Consequentemente, em 18/1/2012, data da apresentação da manifestação de inconformidade, a recorrente já tinha entregue todos os arquivos digitais, inclusive os relativos as 20 filiais não obrigadas a EFD. Logo, embora na data do encerramento da diligência, a recorrente ainda não tivesse apresentado toda a documentação solicitada pela fiscalização, fica demonstrado que, previamente, ao início da fase litigiosa do processo, inaugurada com a referenciada manifestação de inconformidade, a recorrente já tinha entregue toda a documentação solicitada pela fiscalização. Dessa forma, como todas as provas solicitadas pela fiscalização foram coligidas aos autos na fase inaugural do contraditório, obviamente, a recorrente procedeu em conformidade com o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 7.235, de 6 de março de 1972 (PAF), logo a autoridade julgadora de primeira instância tinha o dever de analisar tais provas, principalmente, diante do fato de que a fiscalização não analisara as referidas provas quando da prolação do despacho decisória guerreado. Compulsando a manifestação de inconformidade colacionada aos autos (fls. 80/95), verificase que, em várias passagens, a manifestante reitera, insistentemente, para que a documentação por ela já entregue a fiscalização fosse analisada. No entanto, o órgão julgador primeiro grau não analisou as referidas provas nem determinou que elas fossem analisadas pela fiscalização da Unidade da Receita Federal de origem, o que se fazia necessário ante o disposto no art. 29 do PAF. Além disso, ao invés de analisar o pedido de apreciação das provas, expressamente, formulado pela recorrente, estranhamente, o relator do voto condutor do julgado recorrido, negou a realização de perícia e diligência, que havia sido suscitada pela recorrente, ao final da manifestação inconformidade, apenas a título de protesto geral. Fl. 4420DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10580.909730/201117 Acórdão n.º 3102002.021 S3C1T2 Fl. 13 7 Na verdade, o que a recorrente pediu, imediata e expressamente, foi a análise das provas coligidas aos autos e já entregues a fiscalização e não a produção de novas provas por meio de perícia ou diligência, como entendeu a nobre relatora do julgado recorrido. Além disso, a Turma de Julgamento a quo apresentou o mesmo motivo consignado no despacho decisório (falta de apresentação dos arquivos digitais dos 20 estabelecimentos não obrigados à EFD) para manter o indeferimento dos pedidos de ressarcimento em apreço e a não homologação das compensações declaradas, conforme exposto no trecho extraído do voto condutor do julgado que segue transcrito: A interessada somente a partir de setembro de 2011 iniciou a transmissão dos arquivos digitais relativos aos vários estabelecimentos dos períodos de crédito compreendidos entre o exercício de 2007 até 2011, donde se conclui que à época de transmissão dos PER/DCOMP não havia cumprido as disposições da legislação tributária quanto a apresentação dos arquivos mencionados, estes necessários para averiguação do direito creditório. A exigência para apresentação dos arquivos magnéticos se encontra prevista na legislação e o conseqüente indeferimento do pedido de ressarcimento e não homologação da compensação quando do descumprimento pela interessada dos comprovantes mencionados no art. 65 da IN RFB nº900, de 2008, e de que trata o despacho decisório não pode ser desconsiderada. Ou seja, percebese da análise feita nos documentos e mídias apresentados na manifestação, em confronto com a legislação que rege a matéria, que a empresa, diferentemente do afirmado, não atendeu à intimação para apresentação dos dados necessários à apreciação do seu pleito. Ora, se a falta de apresentação de parte dos referidos arquivos digitais foi o motivo para a decisão denegatório consignada no despacho decisório em tela, obviamente, ele não mais existia na fase do contraditório, instaurado com a apresentação da manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74, §§ 7º e 9º, da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que tais arquivos já tinham sido transmitidos desde 16/12/2011, conforme provas colacionadas aos autos. Assim, se na data do encerramento da diligência e da emissão do contestado despacho decisório, a falta de apresentação dos arquivos digitais dos 20 estabelecimentos não obrigados à EFD encontrava guarida nos §§ 3º e 4º do art. 65 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, com a transmissão dos citados arquivos, obviamente, tal motivo deixou de existir. É oportuno ainda ressaltar que, nos termos do art. 29 do PAF, a autoridade julgadora é livre para formar convicção sobre a prova, mas, desde que regularmente apresentada, não tem a faculdade de apreciar ou não a prova, principalmente, quando esta é o principal meio de defesa do contribuinte, como no caso em tela. No caso, como o órgão julgador de primeiro grau não analisou as provas apresentadas tempestivamente, restou configurada a preterição do direito de defesa da recorrente, vício insanável que, por força do disposto no art. 59, II, do PAF, impõe a declaração de nulidade da decisão recorrida, para que outra seja proferida na boa e devida forma. Fl. 4421DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 Por todo o exposto, votase por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância e determinar a remessa dos autos ao Órgão de Julgamento de origem para que nova decisão seja prolatada na boa e devida forma. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 4422DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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