Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11080.008028/2003-10
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1998
IRRF. DECADÊNCIA.
O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
IRRF. AUDITORIA INTERNA DE DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTO.
Não se verifica inexatidão no Auto de Infração, lavrado em 2003, uma vez que não havia pagamentos disponíveis para os períodos auditados, cujos DARF, com código de receita diverso, já haviam sido alocados a outros débitos, relativos a outros períodos, do mesmo tributo, em 2002.
Preliminar de decadência Acatada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência em relação ao período de apuração 04-06/1998 (quarta semana do mês de junho de 1998). Vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada (Relator) que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1998 IRRF. DECADÊNCIA. O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. IRRF. AUDITORIA INTERNA DE DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTO. Não se verifica inexatidão no Auto de Infração, lavrado em 2003, uma vez que não havia pagamentos disponíveis para os períodos auditados, cujos DARF, com código de receita diverso, já haviam sido alocados a outros débitos, relativos a outros períodos, do mesmo tributo, em 2002. Preliminar de decadência Acatada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.008028/2003-10
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354499
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-003.377
nome_arquivo_s : Decisao_11080008028200310.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 11080008028200310_5354499.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência em relação ao período de apuração 04-06/1998 (quarta semana do mês de junho de 1998). Vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada (Relator) que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5496464
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046810708148224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2306; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 271 1 270 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.008028/200310 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.377 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de janeiro de 2014 Matéria IRRF Recorrente EMPRESA DE TRENS URBANOS DE PORTO ALEGRE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1998 IRRF. DECADÊNCIA. O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. IRRF. AUDITORIA INTERNA DE DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTO. Não se verifica inexatidão no Auto de Infração, lavrado em 2003, uma vez que não havia pagamentos disponíveis para os períodos auditados, cujos DARF, com código de receita diverso, já haviam sido alocados a outros débitos, relativos a outros períodos, do mesmo tributo, em 2002. Preliminar de decadência Acatada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência em relação ao período de apuração 0406/1998 (quarta semana do mês de junho de 1998). Vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada (Relator) que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 80 28 /2 00 3- 10 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCIO HENRIQUE SAL ES PARADA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.008028/200310 Acórdão n.º 2801003.377 S2TE01 Fl. 272 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre – Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrado Auto de Infração constante das fls. 06 e seguintes, onde se verifica a constituição de crédito tributário no valor de R$ 5.223,19 a título de imposto de renda retido na fonte, acrescido de multa de ofício no percentual de 75%, importando em R$ 3.917,39 e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic. Além disso, observase o lançamento de R$ 28,35 decorrentes de “juros pagos a menor ou não pagos” Na descrição dos fatos, relata a Autoridade Fiscal que constatou as seguintes infrações: O presente Aulo de Infração originouse da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminada(s) no quadro 3 (três), conforme INSRF n° 045 e 077/98. | Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) Informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF' (Anexos la ou lb),e/ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos lia ou llb), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo 111) e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor" (Apexo I V ). Para efetuar o pagamento da(s) diferença(s) apurada(s) em Auditoria Interna, objeto deste Auto de Infração, o contribuinte deve consultar as "Instruções de Pagamento" (Anexo V). No “Anexo 1 a”, conforme fl. 8, observase que o “DARF informado” no valor de R$ 2.195,49, com data de vencimento 01/07/1998, código de receita 0561, tem situação “pagamento não localizado”, da mesma forma que o pagamento no valor de R$ 662,93, com vencimento em 09/09/1998, na fl. 9. Assim, como não foram localizados, tendo sido informados na DCTF, resultaram incluídos em Auto de Infração, dentre outros (fl 12). Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCIO HENRIQUE SAL ES PARADA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.008028/200310 Acórdão n.º 2801003.377 S2TE01 Fl. 273 3 Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, que foi assim tratada pela DRJ Porto Alegre, em Acórdão na fl. 216: “Ementa: Incabível o manuseio da impugnação quando o contribuinte apresenta como única alegação a quitação da dívida tributária. Incumbe às partes a comprovação, de forma cabal e com base em documentos, dos fatos constitutivos de seu direito, sendo vedada a mera alegação ou a simples negação geral.” (...) Em 18 de agosto de 2003, o contribuinte apresentou requerimento a título de impugnação (fls. 1 e 2). Nessa peça, o contribuinte apresenta as seguintes alegações: a) relativamente ao débito da folha 7, o pagamento do montante faltante (R$ 2.195,49), com equívoco quanto ao código de arrecadação (deveria ser apontado 0561 e foi indicado 4371); b) relativamente ao débito da folha 8, código 0561, o pagamento do montante faltante (R$ 662,93), com equívoco quanto ao código de arrecadação (deveria ser apontado 0561 e foi indicado 4371); c) ... d)... (...) Com relação aos pontos "a" e "b" da petição do contribuinte, indicados no relatório, não se constata ataque ao crédito apontado no auto de infração. Aponta, entretanto, a quitação do crédito por via do pagamento. Incabível o manuseio da impugnação quando o contribuinte apresenta como única alegação a quitação da dívida tributária, porquanto essa alegação contém, de forma implícita, a concordância com o nascimento da dívida. Em outras palavras, resta incontroverso que o fato previsto em lei como necessário à existência da dívida tributária existiu, que o valor lançado está correto e que o sujeito passivo está perfeitamente identificado. A discordância repousa exclusivamente sobre a exigibilidade da dívida, posto que o valor já teria sido quitado. Isso não é questão a ser dirimida no âmbito de uma impugnação, mas sim matéria atinente à cobrança. A cobrança compete à autoridade preparadora, nos termos dos arts. 21 e 43 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Por esse motivo, voto por desconhecer a impugnação quanto a esses pontos. (grifei) Cientificado dessa Decisão em 29 de setembro de 2011, conforme AR na folha 222, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 27 de outubro de 2011 (fl. 234), onde delimita sua inconformidade aos dois DARF aqui relatados, sem mencionar os demais pagamentos que também foram objeto do Auto de Infração. Diz o Recorrente, expressamente: Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCIO HENRIQUE SAL ES PARADA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.008028/200310 Acórdão n.º 2801003.377 S2TE01 Fl. 274 4 Em setembro de 2011, recebeuse na TRENSURB, o Acórdão 10 33.291 1â Turma da DRJ/POA, emitido em 02/agosto/2011, que faz referência ao processo número 11080.008028/200310 que trata de "AUTO DE INFRAÇÃO n. 0005841", que em cujo Acórdão, na sua página 2, consta que: "os pagamentos de R$ 2.195,49 e R$ 662,93. O entendimento da TRENSURB é de que estes débitos já foram quitados em época devida, cujas comprovações seguem em anexo, sendo que os pagamentos realizados utilizando o código de receita 4371 foi em decorrência do SISTEMA SIAFI não permitir a utilização de outro código. Deixase também em anexo, CÓPIAS DAS MENSAGENS SIAFI COM ESTAS RECOMENDAÇÕES. Esta instrução somente foi alterada em março de 2003 (período posterior ao pagamento do tributo citado no AUTO DE INFRAÇÃO 11080). Demonstrase, portanto, que não ocorreu alocação em outro débito, mas o pagamento alocado no débito devido, onde utilizouse o código recomendado pelo SISTEMA SIAFI, que divergia do código estabelecido pela RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Pedese considerar as comprovação de pagamento e a extinção dos referidos débitos.(grifei os pagamentos) É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Na folha 92, consta manifestação da Unidade preparadora no seguinte sentido: Por oportuno, informamos que os pagamentos de R$ 2.195,49 e R$ 662,93, mencionados na impugnação, não se encontram disponíveis, tendo sido alocado a outros débitos de IRRF, conforme telas do sistema SIEF anexas às fls. 89 e 90. Já nas folhas mencionadas, observase que: a) o pagamento de R$ 2.195,49, arrecadado em 13/07/1998, com o código de receita 4371, foi alocado, em 15/03/2002, ao débito de IRRF, P.A 0307/1998, código de receita 0561, em valor integral; e b) o pagamento de R$ 662,93, arrecadado em 02/09/1998, com código de receita 4371, foi alocado, em 15/03/2002, ao débito de IRRF, P.A 0508/1998, código de receita 0561, pelo valor integral. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCIO HENRIQUE SAL ES PARADA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.008028/200310 Acórdão n.º 2801003.377 S2TE01 Fl. 275 5 No Auto de Infração, verificase que o valor em aberto cobrado de R$ 2.195,49, referese ao período 0406/1998 e que o valor em aberto cobrado de R$ 662,93 referese ao período 0109/1998. Assim, é de se observar que os pagamentos efetuados não se encontram disponíveis para utilização para quitar débitos do Auto de Infração, uma vez que não diretamente alocados aos períodos pretendidos, por conta de divergência no código da receita, foram então aproveitados em outros períodos para cobrir débitos do mesmo contribuinte. Ademais, assento, como já observado pelo Julgamento a quo, que aqui não se vislumbra controvérsia quanto ao crédito tributário lançado via Auto de Infração, mas apenas questão de alocação de débitos e créditos. No sítio eletrônico da RFB (www.receita.fazenda.gov.br), nos “serviços de cobrança e fiscalização” constam as seguintes informações: COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO REALIZADO Comprovar pagamento já efetuado de débitos que constam no sistema de conta corrente. Formas de atendimento: Unidades de atendimento presencial (apenas na jurisdição do contribuinte) Assim, não vejo inexatidão no Auto de Infração, lavrado em 2003, uma vez que não havia pagamentos disponíveis para os períodos aqui comentados, cujos DARF, com código de receita diverso, já haviam sido alocados a outros débitos, em 2002. Face ao exposto, voto por negar provimento ao presente Recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado. Apesar do brilhante voto do Conselheiro Relator, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto questão preliminar em relação a aspecto decadencial. É que, como se verifica nos autos, trata o caso de lançamento de IRRF relativo, dentre outros, ao período de apuração 0406/1998 (quarta semana do mês de junho de 1998); portanto, com fato gerador imediato e vencimento em 01/07/1998. Por seu turno, o IRRF obedece ao comando do lançamento por homologação, disciplinado pelo Art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame autoridade administrativa, operase pelo ato em a referida autoridade, Fl. 275DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCIO HENRIQUE SAL ES PARADA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.008028/200310 Acórdão n.º 2801003.377 S2TE01 Fl. 276 6 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Verificase, ainda, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 276DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCIO HENRIQUE SAL ES PARADA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.008028/200310 Acórdão n.º 2801003.377 S2TE01 Fl. 277 7 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, concluise que o prazo decadencial do IRRF deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No caso em exame, como se verifica nos autos e na própria autuação que cobra, inclusive, diferenças de IRRF, houve pagamento antecipado, e como não há indicação de fraude, dolo, ou simulação, o lançamento relativo ao período de apuração 0406/1998 (quarta semana do mês de junho de 1998) poderia ser realizado até 01 de julho de 2003. Tendo sido notificada a contribuinte em 17/07/2003 (folha 92 dos autos), o foi após o período de direito da Fazenda Nacional. Isto posto, decaído estava o direito da Fazenda Nacional lançar o crédito tributário relativo ao período de apuração 0406/1998 (quarta semana do mês de junho de 1998). Fl. 277DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCIO HENRIQUE SAL ES PARADA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.008028/200310 Acórdão n.º 2801003.377 S2TE01 Fl. 278 8 Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência em relação ao período de apuração 0406/1998 (quarta semana do mês de junho de 1998). Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 278DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por MARCIO HENRIQUE SAL ES PARADA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004636/2007-60
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS
Caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o
titular, regularmente intimado. não comprove, mediante documentação hábil e idônea e a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%.
TRIBUTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL.
Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas.
Numero da decisão: 1802-002.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e no mérito NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS Caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado. não comprove, mediante documentação hábil e idônea e a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. TRIBUTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10280.004636/2007-60
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5358067
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1802-002.215
nome_arquivo_s : Decisao_10280004636200760.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
nome_arquivo_pdf_s : 10280004636200760_5358067.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e no mérito NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5514287
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811085635584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1986; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 36 1 35 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.004636/200760 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802002.215 – 2ª Turma Especial Sessão de 04 de junho de 2014 Matéria DCOMP Recorrente LT INFORMÁTICA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado. não comprove, mediante documentação hábil e idônea e a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. TRIBUTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e no mérito NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 46 36 /2 00 7- 60 Fl. 985DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.004636/200760 Acórdão n.º 1802002.215 S1TE02 Fl. 37 2 Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.004636/200760 Acórdão n.º 1802002.215 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, mantendo o lançamento do crédito tributário. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: “Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e os reflexos: Contribuição para o Programa de Integração Social PIS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Saciai – Cofins; Contribuição sobre o Lucro Liquido CSLL, formalizando se um crédito no montante de R$ 702.754,95 (valores principais, multas e juros calculados até 31/10/07). A infração tem fundamento na omissão de receita ou de rendimento decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. Quando do procedimento de fiscalização foi comprovado que o verdadeiro dono da empresa era o senhor Márcio Morais Tavares, que se utilizou de interpostas pessoas para escapar do Fisco Federal. Por não terem sido entregues os livros solicitados, o lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL, foi arbitrado. Foi aplicada a multa qualificada prevista no§ 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (antigo inciso II), e efetuada Representação Fiscal para Fins Penais, consubstanciada no processo n° 10280.004732/200716, em anexo. lneonformada, ela apresentou impugnação em 02/01/2008, às fls. 633 a 651, alegando em síntese, que: 1) Somente se justificaria o chamamento do segundo autuado para responder pelos créditos reclamados se demonstrado a ocorrência dos elementos objetivos da norma jurídica, seja, excesso de poderes, infração de lei, contrato ou estatuto, cujas condutas sejam atribuídas ao mesmo; 2) Não basta a simples presunção legal de que depósitos constituem renda tributável; é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, visto que simples depósitos bancários Fl. 987DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.004636/200760 Acórdão n.º 1802002.215 S1TE02 Fl. 39 4 não constituem fato gerador de imposto, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda c proventos; 3) Reza o art. 135, inciso III do CTN serem responsáveis tributários os diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica que tenham cometido ato ilícito (infração de lei) ou violado o estatuto social. Neste caso a responsabilidade tributária transferese inteiramente para o substituto, de modo que aquela passa a ser pessoal, plena e exclusiva desses terceiros; 4) O não recolhimento de tributo pela pessoa jurídica na data aprazada não tem o condão de gerar a responsabilidade pessoal dos dirigentes da pessoa jurídica; 5) Houve várias transferências da empresa JOAN INFORMÁTICA, entidade já configurada como pertencente ao grupo do Márcio, para a competente cobertura de compromissos com fornecedores e/ou saldo bancário da LT INFORMÁTICA, de acordo com o inciso 1 do art. 42 da Lei 9.430/96, detalhados nas folhas 644 a 649; 6) Não se vislumbra nos autos uma comprovação objetiva e minuciosa de evidente intuito de dolo, fraude ou simulação por parte da recorrente e que justifique a aplicação do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, não podendo ser aplicada esta penalidade apenas por presunção levantada pelo Fisco; 7) Todos os elementos probatórios, documentos hábeis a comprovar a legalidade e regularidade das operações ora contestadas foram apreendidos. estandto poder da autoridade policial. Requer, por fim, que o auto de infração seja declarado nulo, por ilegitimidade passiva tributária do segundo autuado e insubsistente, além de auditagem na escrituração contábil da pessoa jurídica. Protesta ainda pela produção de todos os meios de prova admissíveis.” A DRJ de Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados Fl. 988DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.004636/200760 Acórdão n.º 1802002.215 S1TE02 Fl. 40 5 em conta de depósito mantida junto a instituição financeira. em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada multa de oficio de 150%. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas.” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 17/10/2008, a Márcio Moraes Tavares apresentou Recurso Voluntário em 14/11/2008, onde requer a nulidade do auto de infração por ilegitimidade passiva bem comoqu sejam consideradas impugnações dos créditos ora apresentados. Este é o Relatório. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.004636/200760 Acórdão n.º 1802002.215 S1TE02 Fl. 41 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. I – Transferências bancárias A Recorrente alega que houve várias transferências da empresa JOAN INFORMÁTICA, entidade já configurada como pertencente ao grupo de Márcio Moraes Tavares, para a cobertura de compromissos com fornecedores e/ou saldo bancário da LT INFORMÁTICA, dc acordo com o inciso I do art. 42 da Lei 9.430/96, detalhados nas folha 762 a 765. Nesse sentido reza a Lei nº 9.430/96 estipula que: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (…) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica;” Verificase na norma acima que apenas as transferências de outras contas dde mesma titularidade é que não serão consideradas para fins de enquadramento como omissão de receitas. A Recorrente textualmente informa que a empresa JOAN INFORMÁTICA pertence ao grupo do Márcio e que por isso procedeu com as transferências para cobertura de contas entre empresas. Ora esse argumento só agrava a sittuação da contribuinte, eis que o fato de ambas as empresas pertencerem a mesma pessoa, esse fato não pode ser imputado para caracterizálas como sendo uma única empresa. Esse conceito em outros países configura como Fl. 990DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.004636/200760 Acórdão n.º 1802002.215 S1TE02 Fl. 42 7 grupo de sociedades, conceito esse que não se aplica ao Brasil, onde as pessoas físicas e jurídicas mantém a sua individualidade para fins de tributação e responsabilização. Os grupos de sociedades têm como características a independência jurídica de seus integrantes e a unidade de direção. Não é por outro motivo que as relações jurídicas travadas por uma sociedade não interferem na esfera jurídica das outras sociedades do mesmo grupo, salvo quando essas outras também sejam parte na relação jurídica ou quando haja simulação, dada distinção entre as personalidades. No direito comercial/empresarial brasileiro, as sociedades se vinculam em um grupo por relações societárias (sociedades coligadas Lei nº 10.406/2002, (Código Civil) art. 1.097 e segs.) ou por constituição formal do grupo em convenção entre as sociedades (Lei nº 6.404/76 (LSA) arts. 266 e 271). No primeiro caso, a unidade de direção se concentra na sociedade controladora, enquanto que na segunda hipótese o centro de decisões será previsto na convenção do grupo, elaborado pelas sociedades que o componham. A legislação fiscal brasileira não adota o conceito de grupo econômico, não havendo personificação, devendo cada empresa ser dotada de inscrição distinta, com contabilizações e apurações apartadas. O fato de serem residentes no mesmo endereço e possuirem os mesmos sócios não justifica o fato de que uma assine em nome próprio a representatividade cabível a outra empresa. II – Jurisprudências Administrativas e Judiciais Os inúmeros julgados colacionados pela Recorrente não se aplicam ao caso em tela, eis que apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios e naquela realidade fática. Ao contribuinte terá eficácia a decisão ao fim prolatada. III – Depósitos bancários de origem não comprovada O contribuinte alega que a omissão de receita com base em extrato bancário, por si só, não constitui fato gerador do imposto de renda pois os depósitos bancários não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos, sendo imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida. Acontece que no caso de omissão de receitas detectada por intermédio da movimentação bancária, caberia ao contribuinte comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias, o que não foi feito. Como bem esclarecido pela DRJ, adoto parte dos esclarecimentos constantes do voto: “As provas, via de regra, simbolizam determinado acontecimento por intermédio de articulações linguísticas, existindo sempre uma probabilidade associada. Isso porque, a verdade material é inatingível. As provas são Fl. 991DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.004636/200760 Acórdão n.º 1802002.215 S1TE02 Fl. 43 8 apenas instrumentos que possibilitam reconstruir e evidenciar a verdade, cuja validade depende do sistema de referência em que se encontra contextualizada. No que diz respeito à classificação, as provas dividemse em diretas c indiretas. As primeiras representam, de forma imediata, a ocorrência do fato de implicações jurídicas, constituindo urna versão do evento. Já a segunda exprime fatos secundários ou indiciários, diversos do fato principal, que se considera existente em virtude do uso de inferência lógica e de raciocínio dedutivo. Geralmente, as provas indiretas possuem maior probabilidade de erro que as provas diretas, devido à necessidade de se efetuar uma operação lógica. l'oa:mn. a soma de indícios que apontam a um mesmo resultado aumenta significativamente o iruu de certeza, conduzindo, muitas vezes, a uma convicção tão segura, quanto àquela ainpifi.a,iz, ri provas diretas. Nesse sentido, as presunções constituem meios indiretos de provas plenamente capazes de embasar o lançamento tributário. Certamente, por serem uma prova indireta, quanto maior o número de indícios concatenados, mais evidenciado fica o acontecimento investigado. Importante observar que para as presunções legais basta comprovar o fato tipificado na norma, pois o próprio legislador reconheceu a força desta prova indireta, dispensando a busca por mais evidências. Nesse caso em específico, a fiscalização fundamentou o lançamento na Lei n° 9.430/96, art. 42, já citado, onde a existência de depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. Assim, a partir de 01/01/1997, a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, guie veio se juntar ao elenco já existente. Com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o ônus probandi a seu cargo. Com essa nova previsão legal, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados cm sua conta de depósito ou de investimento, está a autoridade administrativa obrigada a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não havendo a necessidade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão. A autuação nesse caso é decorrente da falta de comprovação da origem dos recursos depositados na contacorrente Fl. 992DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.004636/200760 Acórdão n.º 1802002.215 S1TE02 Fl. 44 9 IV – Solidariedade passiva e qualificação da multa A recorrente se insurge contra a multa qualificada pois não está presente o dolo, fraude ou simulação. Esse argumento também é desarrazoado. Os "sócios de direito" da empresa fiscalizada não apresentam capacidade econômica compatível com os valores movimentados, como foi comprovado no procedimento fiscalizatório, sendo Márcio Morais Tavares, procurador com amplos poderes para gerir e administrar a empresa (fls. 241 a 246). Antônio Santos, pai de Tatiana Patrícia Martins Santos (sócia de direito da Recorrente), funcionário da BIOS INFORMÁTICA LTDA, procurador da impugnante e da LT INFORMÁTICA LTDA, copareceu espontaneamente à Delegacia da Receita Federal em Belém e declarou que Márcio Morais Tavares como verdadeiro proprietário das empresas BIOS COMÉRCIOS LIDA, JOAN INFORMÁTICA LTDA E LT INFORMÁTICA LTDA. Da mesma forma Denilson da Conceição Tavares, sócio de direito da BIOS COMÉRCIO LTDA, prestou declaração na qual informou não ser de fato o proprietário da referida pessoa jurídica. Seu nome foi "emprestado" a Márcio Morais Tavares para a constituição da empresa, em troca de promessas de crescimento dentro do grupo. Para reforçar sua declaração, foi apresentada por Denfison sua carteira de trabalho na qual consta o registro de sua contratação pela empresa AM INFORMÁTICA LTDA, que também pertence ao grupo BIOS INFORMÁTICA, tendo sido citada em reclamação trabalhista movida por ex funcionário. Cópia do contrato de aluguel do imóvel onde funcionava a JOAN INFORMÁTICA, traz Luis Antonio Santos, funcionário de Márcio Morais Tavares, como fiador. Intimado a prestar informação ao fisco, o corretor de imóveis Heitor Amado de Oliveira Pereira, informou ser Márcio Morais Tavares o verdadeiro responsável pelo contrato de aluguel referente ao imóvel. Centenas de cheques emitidos pela BIOS COMÉRCIOS LTDA. LT INFORMÁTICA LTDA E JOAN INFORMÁTICA LTDA trazem a assinatura de Márcio Morais Tavares. Sentença trabalhista e cópias de reclamações trabalhistas movidas por ex funcionários das empresas BIOS INFORMÁTICA LTDA, BIOS COMERCIOS LTDA, JOAN INFORMATICA I,TDA E LT INFORMATICA LTDA, identificam o Sr. Marcio Morais Tavares como proprietário, empregador e responsável solidário pelas obrigações trabalhistas oriundas dos vínculos empregatícios mantidos juntos a estas empresas. Propaganda veiculada em nome da BIOS INFORMATICA, indica os endereços da JOAN INFORMÁTICA LTDA como loja 01 e da BIOS COMÉRCIO LTDA como loja 02. O relatório da ação fiscal exarado no âmbito da operação de repressão "Firewall Belém" realizada pela DIREP/2 a Região Fiscal e EVA da Alfândega do Porto de Belém também constatou que a empresa JOAN INFORMÁTICA LTDA e a empresa LT INFORMÁTICA LTDA embora sejam estabelecimentos comerciais distintos, inclusive com quadros societários diferentes, apresentam o mesmo nome fantasia (BIOS INFORMÁTICA) e são ambas gerenciadas pelo Sr. Marcio Morais Tavares. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.004636/200760 Acórdão n.º 1802002.215 S1TE02 Fl. 45 10 Se não bastasse, a própria recorrente na sua peça de defesa confessa a interposição fraudulenta de pessoas ao afirmar que: “Apresentase, abaixo, o detalhamento de créditos nas c/c da empresa JOAN, situação que não configura RECEITA pelo motivo de ler havido apenas a transferência financeira com a empresa LT INFORMÁTICA LTDA ME, entidade já configurada como pertencente ao grupo do Márcio, para compensar cobertura de compromissos com fornecedores e/ou saldo bancário da JOAN.” Destaco ainda que a defesa foi assinada pelo advogado da recorrente, que recebeu procuração assinada pelo Sr. Marcio Morais Tavares, como procurador da empresa. A esse respeito, Maria Helena Diniz, em seu Dicionário Jurídico traz o seguinte conceito: Interposta pessoa seria aquele que comparece num dado negócio jurídico em nome próprio, mas no interesse de outrem, substituindoo e encobrindoo. Tratarseia do prestanome ou testa de ferro. Age em lugar do verdadeiro interessado que, por motivos não de todo lícitos, deseja ocultar sua participação num ato negocial. Assim, é que a legislação pátria permite o alcance de terceiros que efetivamente se locupletaram por intermédio da simulação. Se locupletaram, deixando o fisco e os testasdeferro, quando efetivamente existentes, já que podem ser "fantasmas", a litigarem por um crédito tributário impossível de ser realizado, dada a falta de patrimônio que o garanta, resultando em procedimento absolutamente inócuo, lesivo aos cofres públicos. Afigurase patente que o Sr. Márcio Morais Tavares incorreu em ato simulado ao constituir pessoa jurídica em nome de interpostas pessoas, formalizando referida constituição e alterações societárias e de endereço através de documentos públicos, quais sejam, Contrato Social e Alterações do Contrato Social registrados na Junta Comercial, o que configura falsidade ideológica. Sendo assim, comprovada nos presentes autos a utilização de "interpostas pessoas” na empresa fiscalizada, porquanto os sócios de direitos apenas emprestaram seu nome quando da constituição da pessoa jurídica e das alterações societárias registradas na Junta Comercial. Ao fisco federal cabe aplicar as penalidades definidas em lei, conforme "Enquadramento Legal" aposto nos autos de infração, a multa de lançamento de ofício foi aplicada nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, senão vejamos. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de Fl. 994DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.004636/200760 Acórdão n.º 1802002.215 S1TE02 Fl. 46 11 declaração inexata; (Redação dada pela Lei n°11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqu enta por cento), exigida isoladamente, sobre o valorcdo pagamento mensal: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa .lírica; (Incluída pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007); b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § Iº O percentual de multa de que trata o inciso I do capta deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) A Recorrente ao usar de falsidades ideológicas em seu Contrato Social e alterações contratuais, como amplamente circunstanciado neste voto, utilizandose de "interpostas pessoas", a fim de encobrir o verdadeiro dono da sociedade, constitui simulação e fraude o que justifica a aplicação de multa qualificada. Sobre a sujeição passiva do Sr. Márcio Morais Tavares, assim estipula o art. 135 do CTN: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” O art. 135 do CTN estabelece a responsabilidade pessoal das pessoas referidas no art. 134 do CTN, além dos mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, quando a obrigação tributária resulte de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A intenção de fraudar, de agir de máfé e de prejudicar terceiros é fundamental, mas não podemos incluir a falta de pagamento do tributo como uma situação suficiente para a tipificação da responsabilidade estipulada no art. 135, pois a infração de lei não se refere ao inadimplemento da obrigação e sim a prática de atos jurídicos ilícitos prévios. A infração deve ser ic:civificada em momento anterior ao inadimplcmento da obrigação, pois Fl. 995DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.004636/200760 Acórdão n.º 1802002.215 S1TE02 Fl. 47 12 se refere às circunstâncias relacionadas à prática do evento descrito no fato jurídico, e não à satisfação do crédito. Percebemos que o caso deste processo se enquadra perfeitamente no art. 135 do CTN, pois, primeiro está configurado o dolo, a vontade do Sr. Márcio Morais Tavares em prejudicar o Fisco, terceiros e até mesmo os seus empregados como fartamente demonstrado pela fiscalização ao constituir pessoa jurídica em nome de interpostas pessoas a fim de encobrir o verdadeiro dono da sociedade e segundo que este ato doloso, com infração de lei, foi efetuado. concretizado antes do inadimplemento da obrigação, caracterizando a prática de atos jurídicos ilícitos prévios. O art. 135 do CTN trata de responsabilidade pessoal e solidária e não plena e exclusiva simplesmente por não estar expresso no texto legal esta condição. Portanto, o Sr. Márcio Morais Tavares é pessoalmente e solidariamente responsável pelos créditos tributários apurados nas presentes autuações, tendo legitimidade para também figurar no pólo passivo da relação tributária. V – Cerceamento do Direito de Defesa A alegação de cerceamento de defesa tendo em vista a apreensão de documentos determinada pela 22ª Vara Criminal da Capital deste Estado, também não pode properar pois os mandados só foram recebidos no dia 20/12/2007. O contribuinte foi intimado a apresentar seus extratos bancários e documentos fiscais pela primeira vez em 04.07.2007, a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias em 26.10.2007 (fl. 573) e tomou ciência do auto de infração em 30.11.2007, portanto, teve mais de cinco meses para apresentar, seja na fase de fiscalização, seja na fase de impugnação, documentos comprobatórios da origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias. VI – Decorrência Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas. VII – Perícia e Diligência A diligência serve para a formação da convicção da(s) autoridade(s) julgadora(s), sendo sua indicação uma mera sugestão pelas partes. O julgador deve ter livre convicção quanto as provas apresentadas e fatos alegados. O processo deve seguir o princípio da verdade material, princípio este que determina que a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, e, se necessário for, determinar a realização de diligência para formar a sua convicção. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.004636/200760 Acórdão n.º 1802002.215 S1TE02 Fl. 48 13 Nesse sentido estipula o Processo Administrativo Fiscal (PAF): “Decreto nº 70.235/72: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Contendo os autos todos os elementos necessários para solução da lide, tornase desnecessária a realização da diligência e perícia/auditagem requerida. Entendo que o presente caso não seria de diligência, de modo que na forma do Decreto nº 70.235/72, art. 16, § 1º considero o pedido de diligência como não formulado, por deixar de atender os requisitos do inciso IV do mesmo artigo. Assim sendo voto no sentido de afastar a preliminar e no mérito de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 997DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012698/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
SESSÃO DA TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ. SUSTENTAÇÃO ORAL E DISTRIBUIÇÃO DE MEMORIAIS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO REGIMENTAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Na Portaria Ministerial que regulamenta o procedimento da sessão de julgamento na DRJ, não há previsão para a publicação prévia de pauta de julgamento, de sustentação oral por parte do impugnante ou seu patrono ou mesmo para o acompanhamento de interessados. Seguindo o julgamento o rito da Portaria MF nº 58/2006, vigente na época da sessão, não há falar em vulneração aos princípios do contraditório e da ampla defesa, até porque sequer no judiciário há previsão dos atos acima discriminados de forma absoluta, pois, por exemplo, em regra, as decisões de primeiro grau não são proferidas em audiências, na presença das partes e seus patronos, mas no recesso dos gabinetes dos juízes, e nem por isso se levanta alguma vulneração aos princípios do contraditório e da ampla defesa nesse proceder.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Cabível a aplicação da multa de ofício sobre diferenças do imposto lançados de ofício.
SÚMULA CARF Nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 28/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 SESSÃO DA TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ. SUSTENTAÇÃO ORAL E DISTRIBUIÇÃO DE MEMORIAIS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO REGIMENTAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Na Portaria Ministerial que regulamenta o procedimento da sessão de julgamento na DRJ, não há previsão para a publicação prévia de pauta de julgamento, de sustentação oral por parte do impugnante ou seu patrono ou mesmo para o acompanhamento de interessados. Seguindo o julgamento o rito da Portaria MF nº 58/2006, vigente na época da sessão, não há falar em vulneração aos princípios do contraditório e da ampla defesa, até porque sequer no judiciário há previsão dos atos acima discriminados de forma absoluta, pois, por exemplo, em regra, as decisões de primeiro grau não são proferidas em audiências, na presença das partes e seus patronos, mas no recesso dos gabinetes dos juízes, e nem por isso se levanta alguma vulneração aos princípios do contraditório e da ampla defesa nesse proceder. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de ofício sobre diferenças do imposto lançados de ofício. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.012698/2008-13
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350676
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2102-002.787
nome_arquivo_s : Decisao_10680012698200813.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RUBENS MAURICIO CARVALHO
nome_arquivo_pdf_s : 10680012698200813_5350676.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 28/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5468240
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811134918656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2327; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 2 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.012698/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.787 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente CAROLINA DO SOCORRO ANTUNES SANTOS Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 SESSÃO DA TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ. SUSTENTAÇÃO ORAL E DISTRIBUIÇÃO DE MEMORIAIS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO REGIMENTAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Na Portaria Ministerial que regulamenta o procedimento da sessão de julgamento na DRJ, não há previsão para a publicação prévia de pauta de julgamento, de sustentação oral por parte do impugnante ou seu patrono ou mesmo para o acompanhamento de interessados. Seguindo o julgamento o rito da Portaria MF nº 58/2006, vigente na época da sessão, não há falar em vulneração aos princípios do contraditório e da ampla defesa, até porque sequer no judiciário há previsão dos atos acima discriminados de forma absoluta, pois, por exemplo, em regra, as decisões de primeiro grau não são proferidas em audiências, na presença das partes e seus patronos, mas no recesso dos gabinetes dos juízes, e nem por isso se levanta alguma vulneração aos princípios do contraditório e da ampla defesa nesse proceder. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de ofício sobre diferenças do imposto lançados de ofício. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 26 98 /2 00 8- 13 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012698/200813 Acórdão n.º 2102002.787 S2C1T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 28/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 23 a 28: A Notificação de Lançamento de fls. 09/13, lavrada em 25/08/2008, exige da contribuinte, já qualificada nos autos, o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$14.857,36, assim discriminado: IRPF Suplementar R$7.832,45 Multa de Ofício (passível de redução) R$5.874,33 Juros de Mora (calculados até 29/08/2008) R$1.150,58 Total do crédito tributário apurado R$14.857,36 Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na declaração de ajuste anual em nome da interessada, referente ao exercício 2007, anocalendário 2006, quando foi constatada infração fiscal, relativa à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. Conforme expresso no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” da Notificação de Lançamento, à fl. 12, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, referentes às fontes pagadoras Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, CNPJ nº 16.888.315/000157, no valor de R$31.318,42, Fundação Cultural de Belo Horizonte, CNPJ nº 17.228.685/000120, no valor de R$4.956,19 e Fundação Educacional do Vale do Jequitinhonha, CNPJ nº 20.083.036/000193, no valor de R$5.349,00, sendo que na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) no valor de R$3.614,04. Em sua peça impugnatória de fls. 02/06, através de procuradora constituída, instruída com os documentos de fls. 02/21, a contribuinte contesta o lançamento efetuado nos termos a seguir. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012698/200813 Acórdão n.º 2102002.787 S2C1T2 Fl. 4 3 Como não recebeu de duas de suas fontes pagadoras os documentos relativos aos seus rendimentos tributáveis, a exemplo do valor exato do rendimento tributável e do imposto retido, tais valores não foram lançados no momento oportuno, embora tenha sido apresentada regularmente a declaração anual do imposto de renda, tendo sido quitados os valores do crédito tributário então apurado como devido. Extraise, pois, desse contexto que não houve máfé e, muito menos, dolo da sua parte, que não tem interesse algum em omitir receita tributável, mesmo porque tem consciência de que a receita auferida é declarada, anualmente, pela fonte pagadora através de documento entregue eletronicamente à Receita Federal do Brasil, não sendo possível, portanto, encobertar renda alguma. Assim, a ausência de registro das receitas tributáveis apuradas pela Receita Federal não é decorrente de máfé ou de dolo; mas apenas de ausência de dados concretos para a confecção da declaração de imposto de renda correta no momento próprio. De verdade, a multa aplicada não atende aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, sendo nitidamente confiscatória, o que deverá ser reconhecido administrativamente, revendose a autuação e absolvendose a impugnante do respectivo pagamento, o que, desde já, fica requerido. Não é demais lembrar que, como o valor do crédito tributário foi calculado a maior, porque não se considerou os dados que a própria Receita Federal mantém em seu poderoso computador, não restou alternativa à autuada, senão apresentar a presente impugnação para que a autuação seja, no mínimo, refeita, corrigindose os valores que deverão ser pagos. Assim, como o cálculo apresentado pelo Fisco está incorreto, a impugnante não pôde se valer dos benefícios fiscais previstos no § 3º do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Como se trata de um erro cometido pela Fiscalização, requerse que, após o julgamento da presente impugnação, com a elaboração dos cálculos corretos, seja reaberto o prazo para a impugnante quitar a obrigação tributária com os benefícios acima mencionados. Ex positis, requer a impugnante: a) a exclusão da multa isolada que lhe foi aplicada, haja vista a ausência de culpa na apresentação da sua declaração anual do imposto de renda e, também, pelo fato de tal multa violar e contrariar os princípios da razoabilidade e do não confisco; b) a elaboração de novos cálculos, desta vez corretos, levandose em consideração os dados constantes na declaração anual de imposto de renda relativo ao período do fato gerador do saldo ora exigido, o que, fatalmente, levará o valor do imposto suplementar para baixo, haja vista não só o imposto de renda já pago no período, mas também os valores dedutíveis constantes na declaração apresentada; c) concessão de nova oportunidade para quitar o crédito tributário apurado com os benefícios constantes no § 3o do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A prova do alegado será feita por todos os meios em direito admitidos, notadamente pela juntada ao presente processo administrativo, o que desde já requer que a própria Receita Federal o faça, da declaração do imposto de renda apresentada à Receita Federal relativa ao calendário base de 2005, exercício de 2006, porque através desse documento se demonstrará que o Fisco não observou, ao apurar o crédito autuado, o valor total dos rendimentos auferidos no período, bem assim não considerou o valor total do imposto recolhido na fonte e o valor do imposto já pago Fl. 45DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012698/200813 Acórdão n.º 2102002.787 S2C1T2 Fl. 5 4 pela impugnante, além de não ter considerado os valores referentes aos dependentes e aos pagamentos realizados e que são dedutíveis. As comunicações e intimações relativas ao presente feito deverão ser feitas na pessoa do advogado signatário. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que todas as retenções foram consideradas no lançamento e que pela ausência de possibilidade legal, não há como reduzir as penalidades aplicadas ao caso e tampouco atender o pedido de alteração do domicílio de intimação, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Prevalece o lançamento de ofício, referente a imposto decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Sobre o valor de crédito tributário constituído mediante lançamento de ofício é devido multa de 75%, não estando sua aplicação, relativamente à infração apurada, condicionada à existência de dolo, fraude ou simulação. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Por expressa determinação legal, as intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 35 a 41, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: DO CERCEAMENTO DE DEFESA Depreendese do artigo 5o da CR/88, inciso LV, que em processos judiciais ou administrativos, a todos são garantidos o real exercício dos direitos ao contraditório e à ampla defesa, com todos os meios e recursos a ela inerentes. Todavia, a autoridade administrativa, em um ato eivado de nulidade, julgou, em sessão do dia 05 de dezembro de 2011, as questões levantadas em sede de impugnação, sem sequer notificar ou dar oportunidade ao sujeito passivo, ora recorrente, de se defender, participando do julgamento e fazendo sustentação oral. Assim, desde já, requer seja declarada a nulidade do julgamento, para que seja designada nova data, intimandose a defesa para, desejando, acompanhar o ato, Fl. 46DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012698/200813 Acórdão n.º 2102002.787 S2C1T2 Fl. 6 5 oportunizandose a ampla defesa e o contraditório, cerceados no âmbito da primeira instância. DAS PENALIDADES APLICADAS – Pugna razoabilidade e proporcionalidade na aplicação das penalidades, haja vista a recorrente não ter agido com dolo e não sendo perito em questões tributárias, confiou no trabalho de seu contador, não podendo, portanto, sofrer penas tão rigorosos. De verdade, a multa aplicada não atende aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, sendo nitidamente confiscatória, o que deverá ser reconhecido administrativamente, revendose a autuação e absolvendose a recorrente do respectivo pagamento, o que, desde já, fica requerido. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. PRELIMINAR. JULGAMENTO DRJ Preliminarmente, pugna a peticionaria pelo entendimento de que o acórdão recorrido estaria eivado de nulidade, em decorrência de não ter sido concedida, em primeira instância, oportunidade para a realização de sustentação oral de suas razões. Na esteira das considerações recursais, tal denegação de produção probatória teria representado, então, cerceamento da participação da autuada na formação do livre convencimento dos julgadores, ao arrepio das regras que instrumentalizam o contraditório. O aresto inferior asseverou inexistir previsão legal que autorizasse a concretização da sustentação oral pleiteada. Para o contribuinte, no entanto, tal prerrogativa seria decorrência do próprio princípio da ampla defesa segundo o qual a parte pode produzir, em seu favor, toda e qualquer prova admitida em direito. Acontece, contudo, que o rito do processo administrativo, em sede de julgamento de primeira instância, deve, necessariamente, seguir o regramento normativo pertinente. A despeito do informalismo ínsito ao processo administrativo fiscal, parecenos certo que a instrução probatória, a ser realizada pelo contribuinte, deve seguir os canais autorizados pela legislação regulamentadora do rito respectivo. As normas processuais, legais ou regimentais, não prevêem, de fato, a possibilidade de sustentação oral das razões impugnatórias, no âmbito das Delegacias Regionais de Julgamento. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012698/200813 Acórdão n.º 2102002.787 S2C1T2 Fl. 7 6 Obviamente, o indeferimento desta providência não implica, destarte, cerceamento de defesa, eis se calcar a decisão denegatória na simples observância dos cânones processuais que amoldam o procedimento litigioso em tela. Notese, nessa direção, que o contraditório e a ampla defesa não são princípios abstratos ou indefinidos, com esteio nos quais a parte pode pleitear, em seu nome, a realização de qualquer espécie de diligência probatória. Impende recordar que a previsão de requisitos para e de condicionamentos à participação processual dos litigantes não significa restrição ilegítima. Salvo contrário, estarseia sendo condizente, afinal, com a irrestrita postulação de toda e qualquer diligência probante, ainda que esta fosse inócua ou meramente protelatória. O sentido que ora se defende já foi consagrado, por este órgão, noutras oportunidades. Ilustrativamente, colacionese a seguinte ementa de julgamento, aposta ao Acórdão nº 180300.455: “PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA. SUSTENTAÇÃO ORAL. APRESENTAÇÃO DE MEMORIAL, DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO (DRJ). Inexiste previsão legal ou regimental para intimação do sujeito passivo, ou de seu representante ou procurador, para realizar sustentação oral ou apresentar memorial perante as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ)” ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA E JUROS DE MORA. Da análise dos documentos constantes nestes autos, verifico que a contribuinte na data do lançamento não contava com alguma medida judicial com força suficiente para suspender a exigibilidade do tributo evitando o lançamento da multa de ofício. Salientamos que uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. A base legal para a multa e juros aplicados está indicada no anexo do auto de infração. Assim enganase a impugnante ao reclamar da multa e juros aplicados, pois são conseqüências pelo não recolhimento do tributo, apurado em procedimento de fiscalização, conforme mandamento legal vigente. Ademais, cumpre esclarecer que a atividade da autoridade fiscal está condicionada ao Princípio da Estrita Legalidade, ou seja, detectado o fato gerador do imposto é obrigatório o lançamento na forma prevista na lei e sem previsão legal não há como afastálo posteriormente sem provas da sua insubsistência. As alegações do contribuinte acerca dos aspectos subjetivos junto a empresa que deveria ter recolhido o imposto declarado não sustenta o pedido de afastamento da multa e juros sobre o valor de IR declarado e não comprovadamente pago. Concluise, com fundamento no exposto, que não há possibilidade legal para se considerar a exclusão da multa e juros no lançamento impugnado. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012698/200813 Acórdão n.º 2102002.787 S2C1T2 Fl. 8 7 Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918331/2012-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2010 a 28/02/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2010 a 28/02/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.918331/2012-13
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5358548
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.478
nome_arquivo_s : Decisao_11080918331201213.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080918331201213_5358548.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5515360
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811146452992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1635; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.918331/201213 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.478 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente ELIPSE SOFTWARE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2010 a 28/02/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 31 /2 01 2- 13 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918331/201213 Acórdão n.º 3801003.478 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918331/201213 Acórdão n.º 3801003.478 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918331/201213 Acórdão n.º 3801003.478 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918331/201213 Acórdão n.º 3801003.478 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918331/201213 Acórdão n.º 3801003.478 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009214/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
INTEMPESTIVIDADE - DECRETO Nº 70.235/72 ART. 33 - NÃO CONHECIMENTO.
Conforme art. 33 do Decreto nº 70.235/72, da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Interposto recurso após o referido prazo, o mesmo não deve ser conhecido.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Ausente, justificadamente, o Conselheiro PEDRO ANAN JUNIOR.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 INTEMPESTIVIDADE - DECRETO Nº 70.235/72 ART. 33 - NÃO CONHECIMENTO. Conforme art. 33 do Decreto nº 70.235/72, da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Interposto recurso após o referido prazo, o mesmo não deve ser conhecido. Recurso Voluntário não conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10120.009214/2009-85
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5357771
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-002.664
nome_arquivo_s : Decisao_10120009214200985.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RAFAEL PANDOLFO
nome_arquivo_pdf_s : 10120009214200985_5357771.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Ausente, justificadamente, o Conselheiro PEDRO ANAN JUNIOR.
dt_sessao_tdt : Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5511062
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811502968832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 196 1 195 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.009214/200985 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.664 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2014 Matéria IRPF Recorrente FERNANDO DE CASTRO FONSECA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 INTEMPESTIVIDADE DECRETO Nº 70.235/72 ART. 33 NÃO CONHECIMENTO. Conforme art. 33 do Decreto nº 70.235/72, da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Interposto recurso após o referido prazo, o mesmo não deve ser conhecido. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 92 14 /2 00 9- 85 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Ausente, justificadamente, o Conselheiro PEDRO ANAN JUNIOR. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10120.009214/200985 Acórdão n.º 2202002.664 S2C2T2 Fl. 197 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização O contribuinte, em 11/12/08, foi intimado pelo Termo de Início de Fiscalização a apresentar: a) fotocópia autenticada de Certidão de Casamento e da Carteira de Identidade; b) Livro Caixa contendo a escrituração das receitas e despesas dos anoscalendário 2005 e 2006; c) documentação comprovatória das despesas do Livro Caixa dos anoscalendário referidos; d) extratos bancários de todas as contas correntes e das contas de aplicações financeiras, mantidas pelo recorrente e pelos seus dependentes junto a instituições financeiras (incluídas as mantidas no Banco do Brasil S/A, no Banco Bradesco S/A, no Banco Itaú S/A e no Banco Safra S/A), durante o anocalendário 2005; e) comprovantes de todos os rendimentos isentos e não tributáveis declarados relativamente aos anoscalendário 2005 e 2006. Também foi requerido que o contribuinte solicitasse aos bancos, e repassasse à fiscalização, cópia das fichas cadastrais relativas à abertura e movimentação das contas bancárias (fls. 0203). Em 06/02/09, ante a ausência de manifestação do contribuinte, o mesmo foi intimado, novamente, a apresentar todos os documentos requeridos no Termo de Início de Fiscalização (fls. 0607). O recorrente manifestouse, alegando que: a) a utilização de extratos bancários como elemento subsidiário da ação fiscal deve ser precedida de análise e decisão fundamentada para determinar sua imprescindibilidade, conforme Decreto nº 3.724/01, de modo que deixaria de encaminhar os referidos extratos, reiterando que não autorizava sua utilização para o processo fiscalizatório; b) no tocante ao Livro Caixa e demais documentos, devido à mudança de contador, os mesmos não foram localizados (fl. 08). Em 13/04/09, o recorrente foi reintimado a apresentar: a) Livro Caixa contendo a escrituração das receitas e despesas dos anoscalendário 2005 e 2006; b) documentos comprobatórios das despesas do Livro Caixa dos anoscalendário 2005 e 2006 (fl. 09). O contribuinte informou que não havia conseguido localizar os livros caixas e os respectivos documentos (fl. 11). Posteriormente, em 15/07/09, o recorrente foi intimado, com relação aos rendimentos declarados a título de rendimentos isentos – negócios com vendas de títulos públicos em geral – a informar: a) as datas e os valores de compra (custo), inclusive o deságio, dos títulos vendidos nos anoscalendários de 2005 e 2006; b) as datas e os valores das vendas dos referidos títulos públicos; c) a base legal considerada para classificar as vendas dos títulos públicos como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis (fls. 1213). 2 Notificação do Lançamento Em 13/08/09, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls. 27 45), embasado no argumento de que houve: a) omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de direitos – Títulos da Dívida Pública – conforme declarado nas Declarações de Ajuste Anual dos anoscalendários 2005 e 2006; b) dedução da base de cálculo com despesas escrituradas em Livros Caixas, pleiteadas indevidamente; c) falta de recolhimento do IRPF devido a título de Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 carnêleão, apurada conforme os rendimentos recebidos de pessoas físicas, informados nas Declarações Anuais de Ajuste dos anoscalendário 2005 e 2006. Considerando os períodos apurados, o crédito tributário restou constituído no montante de R$ 1.992.624,73, incluídos IRPF dos anoscalendários 2005 e 2006, multa e juros moratórios. Ainda, a multa exigida isoladamente foi consolidada em R$ 233.557,61. O contribuinte tomou ciência da notificação em 19/08/09. 3 Impugnação Indignado com a autuação, a recorrente apresentou impugnação (fls. 5186) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) o levantamento foi realizado sem o conhecimento do contribuinte, logo, não teve ele o direito de discutir e comprovar as informações prestadas; b) a apuração de valores declarados, prescindem de confirmação documental, o que não ocorreu, devido à falha de comunicação, uma vez que o contribuinte não recebeu pessoalmente a intimação; c) o recorrente ficou impossibilitado de apresentar ao auditor fiscal as informações solicitadas, devido a fatores climáticos e de deslocamento; d) a lide está repleta de equívoco, erros, enganos, abusos, sendo passível de nulidade plena, com ou sem julgamento de mérito, sob pena de se cometer uma injustiça de difícil reparação; e) o sujeito passivo não foi encontrado para tomar ciência da impugnação porque se desloca constantemente, tratando dos interesses de sua atividade empresarial, tanto no território nacional, quanto, às vezes, no internacional. Por tal razão, deve ser anulado o presente feito, pois não observado o art. 214 do CPC e o art. 844, § 1º, do RIR/99; f) não foram juntadas das provas documentais dos registros que possibilitaram a aferição dos valores apurados, como institui o art. 37 da Lei 9.784/99; g) o recorrente foi autuado por omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais, e o embasamento legal que fundou a decisão foi: arts. 1º ao 3º, §§ 16, 18 a 22 da Lei nº 7.713/88; arts. 1º e 2º da Lei nº 8.134/90; arts. 7º, 21 e 22 da Lei nº 8.981/95; arts. 17, 23 e §§ da Lei nº 9.249/95; arts. 22 a 24 da Lei nº 9.250/95; arts. 67, 17 e §§ da Lei nº 9.532/97; arts. 123 a 125, 128 a 129, 131, 132, 138 e 142 do RIR/99; art. 8º, § 7º da IN SRF nº 208/02. Ocorre que tal enquadramento está equivocado, pois todos os enunciados referemse a rendimento auferido, originário de ganho de capital, obtido em transações envolvendo bens e direitos, as quais resultaram em ganhos na forma de pecúnia, moeda, dinheiro, que não é o caso; h) não existiu ganho de capital, pois em nenhum momento circulou pecúnia de bens, mas tão somente títulos de valor histórico; i) os títulos negociados foram emitidos sob a égide do Decreto Estadual – Estado de Pernambuco nº 393/35 e Decreto Federal nº 196/35, cuja data Fl. 13DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10120.009214/200985 Acórdão n.º 2202002.664 S2C2T2 Fl. 198 5 estava vigente a Constituição de 34. A tributação sobre esta matéria, à época, era disciplinada pelo disposto no art. 37 da Lei de 15/11/1827. Portanto, a imputação de qualquer pagamento sob o fundamento da legislação referida, está desprovida de qualquer supedâneo legal, logo, é inadequado, ilegal e insubsistente; j) não houve qualquer ligação entre os fatos e o enquadramento realizado pela fiscalização quanto a dedução indevida de livro caixa; k) quanto à multa isolada decorrente da falta de recolhimento do IRPF a título carnêleão, não existe respaldo para a aplicação das penalidades, pois o instrumento legal enquadra uma questão, quando os fatos trazidos referem se a outro tipo de situação; l) o enunciado contido no caput do art. 8º da Lei nº 7.713/88 alcança apenas pessoa física que recebe (numerário) de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganho de capital que não tenham sido tributados na fonte, o que não é o caso. Em nenhum momento o recorrente recebeu rendimentos em moeda circulante, tampouco das fontes indicadas no auto de infração; m) o art. 44, I e II, da Lei nº 9.430/96 aplicase quanto ocorre falta de pagamento. No caso, não houve pagamento, porque não há imposto apurado, pois a apuração foi realizada em bases ilegítimas, desprovidas de supedâneo legal, sendo nulas de pleno direito; n) o lançamento foi constituído considerando, simplesmente, a aplicação da alíquota sobre o valor apurado, sem abater, no cálculo, a parcela a deduzir; o) não se deve aplicar o art. 926 do RIR/99 ao caso, pois todos os valores foram declarados, apenas os documentos não foram apresentados tempestivamente, por absoluta inércia da fiscalização que não publicou editais para notificar o contribuinte; p) o procedimento fiscal não pode ter início, porque houve falha na sua fase instrutória: o sujeito passivo ainda não fora intimado; a citada obrigação não existe, porque há questionamento da sua existência pelo sujeito; não há a infração verificada; 4 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 7ª Turma da DRJ/RJOII, por unanimidade, (fls. 97114), mantendo o crédito tributário. Os fundamentos foram os seguintes: a) o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo é o endereço postal ou eletrônico fornecido. Ademais, os meios de intimação previstos não se sujeitam a benefício de ordem, ou seja, não há exigência de que a intimação primeiro seja feita pessoalmente ao sujeito passivo ou a seu representante legal e, tãosomente depois de infrutífera essa tentativa, na ordem, passese à via postal e à via eletrônica. Em suma, o que se exige explicitamente, no caso de encaminhamento de via postal, é que a intimação seja recebida no Fl. 14DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 domicílio eleito, independente de o signatário do aviso de recebimento ser o próprio intimado; b) a publicação de edital restou desnecessária, pois efetivamente citado o sujeito passivo por via postal, não se materializando, portanto, a suscitada inércia da RFB, em “impulsionar os recursos da legislação aplicados à matéria”; c) o domicílio fiscal eleito pelo recorrente era exatamente aquele aposto em todos os documentos fiscais que lhe foram encaminhados e devidamente recebidos, não havendo qualquer afronta à legislação. Ademais, várias intimações foram respondidas pelo próprio recorrente; d) consideramse efetivadas, em pleno acordo com os ditames legais, as ciências das intimações para esclarecimento e do Auto de Infração encaminhados via postal, uma vez que provadas as recepções no domicílio tributário do contribuinte; e) as alegações genéricas de “vazamento de água no local onde se encontrava os documentos guardados”, “ninguém sabia como localizar os documentos”, “deslocase com frequência a trabalho”, etc. são incapazes de produzir o efeito pretendido pelo recorrente, já que desacompanhadas de demonstração concreta da ocorrência do evento que, por sua imprevisibilidade e inevitabilidade, criaria impossibilidade intransponível. Além do mais, sequer as respostas anteriores do contribuinte, e assinadas de próprio punho, guardam consonância com as alegações, pois indicam que a não apresentação do livrocaixa e demais documentos ocorreu pela suposta mudança de contador; f) restou configurada a preclusão do direito de apresentar documentação posteriormente; g) o próprio contribuinte respondeu a várias das intimações, inclusive permitindo acesso a suas contas bancárias, bem como alegou que ainda não tinha conseguido localizar os documentos, mas tão logo fossem localizados seriam imediatamente entregues à fiscalização; h) nada foi apresentado à fiscalização durante o procedimento fiscal, muito menos juntado à Impugnação ou acostado aos autos; i) a apuração deuse sim, em firmes bases documentais: as DIPRF’s enviadas à RFB, as quais, inclusive, foram ratificadas integralmente pelo recorrente na fase litigiosa. Descabe, portanto, a alegação de que a apuração das infrações não teve base documental ou se deu em forma de amostragem; j) o quantum apurado em cada uma das infrações encontrase adequadamente limitado, vez que nas DIRPF’s o montante das transações com títulos, dos recebimentos de pessoa física, das deduções de livrocaixa está claramente indicado; k) a legislação tributária não exige, para eventual ganho de capital que a diferença apurada tenha sido obtida exclusivamente na forma de moeda. Para tanto, basta que as operações importem alienação de bens ou direitos a Fl. 15DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10120.009214/200985 Acórdão n.º 2202002.664 S2C2T2 Fl. 199 7 qualquer título, havendo, inclusive explícita previsão legal para a apuração de ganho de capital decorrente de permuta; l) apesar de intimado, o contribuinte nada apresentou acerca das negociações declaradas de vendas de títulos públicos nos exercícios 2006 e 2007, ou seja, não provou concretamente que a natureza da transação é de rendimentos isentos e não comprovou também as datas e valores de aquisição dos títulos, muito menos as datas e valores das vendas; m) não merece prosperar, também, o argumento de que os títulos deveriam ser aceitos na compensação de tributos. Ocorre que a alienação de títulos está sujeita ao pagamento do imposto sobre ganho de capital, a ser apurado no mês em que for auferido e tributado em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos; n) a completa ausência documental de como as transferências ocorreram nos exercícios resultou na impossibilidade de se apurar os ganhos de capital ao longo de cada mês dos exercícios 2006 e 2007, à medida que supostamente fossem ocorrendo; o) todas as deduções, a juízo da autoridade lançadora, estão sujeitas a comprovação. No caso, o recorrente, apesar de intimado, não apresentou o livrocaixa à fiscalização, e não o acostou à impugnação. Assim, na falta de comprovação documental das despesas declaradas, há de se manter integralmente a glosa efetuada; p) a previsão de cobrança da multa isolada está insculpida no art. 44 da Lei nº 9.430/96, que determinada que na falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, apurado com base nos rendimento auferidos de pessoas físicas, informados nas Declarações de Ajuste Anual, seja também imputada, independentemente da multa de ofício, a multa isolada de 50%; q) no tocante à alegação de que não houve, quando da constituição do lançamento, o abatimento da parcela a deduzir, há que de plano afastála, por flagrante descabimento. Da simples verificação dos diversos demonstrativos colacionados ao Auto de Infração, observase exatamente o contrário: as apurações levaram em consideração as parcelas a deduzir, estando os valores claramente indicados. 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 17/05/10, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário intempestivamente (fls. 125174), repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O recorrente foi intimado do resultado do julgamento de sua impugnação em 17/05/10. Não obstante, seu recurso voluntário foi interposto em 18/06/10, ou seja, 32 dias após a intimação. O Decreto nº 70.235/72 em seu art. 33 dispõe: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como pode ser observado, o recurso foi interposto após o prazo normativamente previsto, carecendo do pressuposto processual da tempestividade, motivo pelo qual não merece ser conhecido. Desse modo, voto para que NÃO SEJA CONHECIDO o presente recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 17DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 10530.003208/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 01 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ORIGEM DE RENDIMENTOS DISCRIMINADA EM EXTRATOS BANCÁRIOS.
Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão.
ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS - COMPROVAÇAO INDIVIDUALIZADA - ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96.
Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
Recurso voluntário não provido.
Numero da decisão: 2202-002.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ORIGEM DE RENDIMENTOS DISCRIMINADA EM EXTRATOS BANCÁRIOS. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão. ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS - COMPROVAÇAO INDIVIDUALIZADA - ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário não provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10530.003208/2008-10
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351419
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-002.655
nome_arquivo_s : Decisao_10530003208200810.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RAFAEL PANDOLFO
nome_arquivo_pdf_s : 10530003208200810_5351419.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
dt_sessao_tdt : Thu May 01 00:00:00 UTC 2014
id : 5475632
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811584757760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2110; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2.869 1 2.868 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.003208/200810 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.655 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 1 de maio de 2014 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ NAYDSON DOS PASSOS BRITO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS ORIGEM DE RENDIMENTOS DISCRIMINADA EM EXTRATOS BANCÁRIOS. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão. ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇAO INDIVIDUALIZADA ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 32 08 /2 00 8- 10 Fl. 2869DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Fl. 2870DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10530.003208/200810 Acórdão n.º 2202002.655 S2C2T2 Fl. 2.870 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização O contribuinte, em 14/02/07, foi intimado pelo Termo de Início de Fiscalização, a apresentar extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas por ele, cônjuge e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referente ao anocalendário 2004 (fl. 17). Em 19/03/07, o recorrente apresentou: a) extratos da conta corrente mantida junto ao Banco do Brasil; b) extratos da conta corrente mantida na Caixa Econômica Federal; e c) extrato de rendimento do Banco Bradesco referente à conta mantida por sua esposa, Sra. Maria Lêda Santos Brito (fls. 19111). O recorrente foi intimado, em 31/07/07, a informar e comprovar a origem e natureza dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, conforme relação anexa ao Termo de Intimação Fiscal, e informar se os mesmos foram oferecidos à tributação (fls. 116 126). Em resposta, o recorrente solicitou a prorrogação do prazo por 20 dias (fl. 127). Foi lavrado, em 11/09/07, Termo de Constatação e de Intimação Fiscal (fl. 129), mencionando que o contribuinte enviou documento datado de 17/08/07 solicitando prorrogação de 20 dias no prazo para atender à intimação recebida por ele em 31/07/07, todavia, até aquele momento, o recorrente não havia atendido à intimação recebida. Na oportunidade, a fiscalização reintimou o contribuinte a atender ao que foi requerido na intimação por ele recebida em 31/07/07. Em 05/09/07, o recorrente manifestouse alegando que: a) a empresa da qual é sócio, Passos Brito Distribuidora de Bebidas Ltda., possuía débitos bancários e estava impossibilitada de movimentação em bancos no ano de 2004, razão pela qual a mesma utilizou as contas particulares do recorrente e fez diversos depósitos para pagamentos a fornecedores, funcionários, FGTS, INSS, impostos, água luz, telefone e todas as suas despesas; b) na época se encontrava afastado da empresa por motivos de saúde, não estando à frente da administração da mesma, e tendo deixado vários cheques de sua conta, assinados, para essas movimentação; c) todos os depósitos estão documentos e à disposição da RFB para averiguação. O contribuinte encaminhou à fiscalização: a) extratos bancários das contas da pessoa física; b) os extratos bancários das contas da pessoa jurídica; e c) a DIRPJ/2005 da empresa Passos Brito Distribuidora de Bebidas Ltda. (fls. 131221). 2 Notificação do Lançamento Em 22/08/08, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls. 01 08), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Considerando o período apurado, o crédito tributário restou constituído no montante de R$ 1.010.930,23, incluídos IRPF, multa e juros moratórios. Ainda, a multa exigida isoladamente foi consolidada em R$ 233.557,61. Fl. 2871DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 O contribuinte tomou ciência da notificação em 18/09/08 3 Impugnação Indignado com a autuação, a recorrente apresentou impugnação (fls. 231246) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) os valores depositados em conta pessoal do contribuinte não se tratavam de rendimentos seus, mas sim da firma Passos Brito Distribuidora de Bebidas Ltda., quantia essas que foram, inclusive, lançadas na escrituração contábil da empresa e, portanto, foram tributadas como rendimentos dessas, isto posto, a manutenção do auto de infração constitui bis in idem, o que é vedado em nosso sistema tributário; b) os depósitos bancários, pelas suas características, não podem constituir renda, de modo que as movimentações financeiras não pode, por si só, constituir fato gerador do IRPF, pois são simples indício de rendimentos a exigir uma investigação do patrimônio do correntista; c) o art. 42 da Lei nº 9.430/96 não determina que os rendimentos depositados em conta e não comprovados sejam considerados rendimentos tributáveis, mas apenas geram presunção de omissão, não dispensando o Fisco de produzir outras provas concretas de tais omissões; d) o Fisco teria que provar, antes de proceder ao lançamento, que os depósitos na conta do contribuinte constituíam efetivo rendimento seu, o que não aconteceu, simplesmente presumiuse que era rendimento a ser tributado; e) o rol de provas anexo à Impugnação é vigoroso o bastante para demonstrar que as quantias creditadas eram sim valores da empresa, que, em razão de sua situação financeira delicada, não tinha crédito junto a bancos para abertura de conta corrente própria, mas os registros nos seus livros, bem como as retiradas para pagamentos de fornecedores, associados às notas fiscais por ela emitidas, são bastantes claras para elucidar a situação; f) os valores creditados não pertencem ao recorrente, mas sim à empresa Passos Brito Distribuidora de Bebidas Ltda., que escriturou e pagou tributo sobre estes valores, portanto, as quantias não podem ser novamente tributadas na figura do sócio; Em anexo, o recorrente apresentou: a) mapa comparativo dos valores depositados em sua conta corrente (fls. 241 253); b) mapa diário de vendas da empresa Passos Brito Distribuidora de Bebidas Ltda. e notas fiscais de saída(fls. 254327); c) Livro Diário da empresa Passos Brito Distribuidora de Bebidas Ltda. (fls. 328704); d) comprovantes de depósitos (fls. 705794); e) recibos de compra e venda (fls. 7951746). Fl. 2872DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10530.003208/200810 Acórdão n.º 2202002.655 S2C2T2 Fl. 2.871 5 4 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 3ª Turma da DRJ/SDR, por unanimidade (fls. 17481751), mantendo o crédito tributário. Os fundamentos foram os seguintes: a) não cabe apreciar, na esfera administrativa, o argumento do contribuinte de que seria ilegal o art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois é competência exclusiva do Poder Judiciário submetera juízo a validade legal das leis vigentes; b) o contribuinte não apresenta qualquer documento com elemento objetivos que comprovem a origem individualizada de qualquer um dos depósitos. Não traz notas fiscais, cópias de cheques, recibos de depósito, etc. Baseia a sua argumentação, em última análise, nos livros contábeis confeccionados por si ou para a sua empresa; c) a escrituração contábil apenas faz prova em favor do contribuinte se for efetuada com a observância dos dispositivos legais pertinente, e se estiver acompanhado de documentos que atestem a sua validade material, nos termos dos arts. 923 e 924 do RIR/99; d) de acordo com o art. 925 do RIR/99 a inversão do onus probandi, prevista nos arts. 923 e 924, não se aplica aos casos em que houver disposição legal específica atribuindo ao contribuinte o ônus da prova dos fatos registrados em sua contabilidade; e) os livros contábeis apresentados pelo contribuinte se mostram inábeis pelo próprio fato de supostamente trazer registro das movimentações da conta pessoal do contribuinte, o que contraria as normas legal, e até mesmo pode configurar crime contra a ordem tributária; f) o livro Razão registra a movimentação de três contas bancárias. Duas no Banco do Brasil que seriam da própria empresa, uma delas em Ribeira do Pombal, quase sem qualquer movimentação, com saldo em torno de R$ 227.000,00 que teria permanecido estável em todo este período, e outra em Euclides da Cunha, com saldo negativo em torno de R$ 80.000,00 também estável. A terceira seria a conta do próprio contribuinte, denominada significativamente de Banco do Brasil II, Euclides da Cunha. No plano de contas há ainda referência a outras contas bancárias da empresa que não aparecem nos registros. Além de ser inusitada a presença de saldos instáveis nestes montantes, positivos e negativos, as somas dos saldos mensais nestas contas não correspondem aos valores informados pela empresa na declaração de IRPJ; g) os próprios saldos na conta “Banco do Brasil II” que aparecem no Livro Razão não correspondem aos saldos indicados no extrato bancário; h) inúmeros saques de despesas registrados no Razão não correspondem a saques na conta corrente; Fl. 2873DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 i) para comprovar que os recursos depositados em sua conta já foram tributados na pessoa jurídica, o recorrente deveria comprovar a correspondência entre as notas fiscais da empresa e os depósitos em sua conta, o que não fez; j) apenas uma das notas apresentada pelo contribuinte corresponde a depósito na sua conta (R$ 1.554,79 em 14/09/09, depósito em 21/09/04). Todavia, como se trata de nota fiscal de bonificação seria antes de se esperar que não houvesse ingresso de recursos correspondentes; k) não foram apresentadas provas de que os depósitos, é que de fato são provenientes das operações mercantis alegadas, já tinham sido tributadas na pessoa jurídica. A falta de emissão de notas fiscais, por si só, autorizaria a presunção de rendimentos omitidos contra a pessoa jurídica, como dispõe o art. 283 da Lei nº 8.846/94; l) supondo que se tratasse de conta em nome da própria pessoa jurídica, a origem dos depósitos deveria ser igualmente comprovada pela empresa, por força do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Para tanto seria necessário comprovar a correspondência desses créditos com as alegadas operações mercantis, através das competentes notais fiscais. Concluise que, assim como na pessoa jurídica, a origem dos depósitos deve ser comprovada pelo sócio que alega que se trata de recursos já tributados na pessoa jurídica, ou seja, deveria apresentas as notas fiscais correspondentes; m) para comprovar que os recursos de sua conta corrente serviram para financiar as atividades da pessoa jurídica, o contribuinte anexa comprovantes de pagamentos da sua empresa para seu fornecedor, a Cia Brasileira de Bebidas. Todavia, não demonstra que qualquer desses pagamento corresponda a valores debitados em sua conta; n) o contribuinte argumenta que apenas parte dos pagamentos foi sacada de sua conta, contudo, não esclarece nem comprova de onde viria a outra parte, de modo que não se tem como confirmar que o saque em sua conta tenha sido efetivamente integrado a despesa; o) como o contribuinte afirma em sua impugnação que no caixa da empresa permaneciam apenas valores menores, para pagamento mais imediatos, é de se supor que os alegados saques complementares fossem efetuados de outras contas bancárias. Mas o recorrente prefere não mencionar este fato e não apresenta prova da origem destes recursos, única forma que teria para demonstrar que a parcela sacada de sua conta compunha os pagamentos aos fornecedores; p) as cópias de notas fiscais que comprovariam a assunção de despesas operacionais não correspondem a saques em sua conta. Mesmo que o contribuinte comprovasse haver pago despesas da pessoa jurídica a partir da sua conta corrente, não comprovaria o seu argumento de que os crédito em sua conta não correspondam a rendimento omitidos, pois os pagamentos destas despesas poderiam caracterizar apenas o empréstimo ou o investimento de parte dos seus rendimentos na pessoa jurídica; Fl. 2874DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10530.003208/200810 Acórdão n.º 2202002.655 S2C2T2 Fl. 2.872 7 q) não há por que supor que as despesas já não tenham sido computadas para redução da base tributável na pessoa jurídica, especialmente quando não há evidências de que a empresa houvesse enfrentado qualquer dificuldade com saldos credores de caixa, que em todos os meses apresenta elevados saldos devedores, como se verifica na DIRPJ; r) é indiferente se a tributação deveria ser efetuada contra a pessoa física ou contra a pessoa jurídica. Como os lucros omitidos teriam sido entregues diretamente ao sócio, por depósito em sua conta especial, ele se torna pessoalmente responsável pelo imposto, não só por força da presunção legal em que se baseia a autuação, como por presunção simples e natural de que as empresas existem para gerar lucros, e estes lucros se destinam, em última instância aos sócios. Como estes lucros não foram distribuídos na pessoa jurídica, devem ser tributados contra o sócio que deles se beneficiou, sem que se configure com isso a bitributação arguida pelo recorrente; s) a tese do interessado se fundamenta, em última análise, no pressuposto de que teria sido utilizado como pessoa interposta pela sua própria empresa, que seria a responsável pela movimentação de sua conta bancária. Contudo, tal fato não fora por ele comprovado durante a fiscalização, nem comprovada em sede de impugnação, pois o recorrente não apresentou documento hábil para tanto, e o art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/96 somente se aplica quando restar comprovada a interposição de pessoas; t) o contribuinte argumenta que o perfil da movimentação financeira em sua conta bancária estaria a demonstrar que se trata de fluxo proveniente de atividade econômica que o equipara a pessoa jurídica. Todavia, os rendimentos recebidos de atividade irregulares ou ilícitas não são necessariamente creditados de forma diferente da que se constata na sua conta. A transferência disfarçada de lucro da empresa para o sócio pode ocorrer através de depósitos de cheques provenientes de vendas não contabilizadas na empresa, resultado em grande volume de créditos fragmentados e de pequeno valor. Também não se supõe que os recursos devam permanecer depositados na conta corrente, sendo de se esperar, pelo contrário, que sejam aplicados, investidos ou consumidos; u) somente a prova individualizada da origem dos depósitos, através de documentação hábil e idônea, poderia afastar a presunção legal de rendimentos, o que não logrou realizar o recorrente; v) a prática de sonegação fiscal por meio de atividade empresarial não declarada ou movimentação de recursos não contabilizados não pode servir como argumento para afastar a validade da lei em comento; mesmo porque não se pode concluir, sem provas específicas e concretas, que esta tenha sido a origem ou a fonte exclusiva dos depósitos. 5 Recurso Voluntário Fl. 2875DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 Notificado da decisão em 31/05/10, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 17551762), repisando alguns argumentos da impugnação. O recorrente anexou aos autos uma série de notas fiscais (fls. 17632490). É o relatório. Fl. 2876DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10530.003208/200810 Acórdão n.º 2202002.655 S2C2T2 Fl. 2.873 9 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo Da comprovação da origem dos depósitos bancários O recorrente alega que os depósitos bancários não podem constituir renda, e que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 não determina que os rendimentos depositados em conta e não comprovados sejam considerados rendimentos tributáveis, pois apenas geram presunção de omissão, não dispensando o Fisco de produzir outras provas concretas de tais omissões. Não assiste razão ao recorrente. Anteriormente à Lei n° 8.021/90, assentouse que os depósitos bancários, por si só, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Nesta senda, o Tribunal Federal de Recursos sumulou entendimento com esta exata interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 90, VII, do DecretoLei n° 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Entretanto, com o advento do art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90, autorizouse o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Porém, para incidência do imposto de renda sobre a hipótese em debate, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Este cenário foi profundamente alterado pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, com incidência sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido Fl. 2877DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, vejase o Acórdão n° CSRF/0400.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, unânime, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). Ao tentar comprovar as origens, o recorrente simplesmente imputou todas as quantias como de titularidade da empresa Passos Brito Distribuidora de Bebidas Ltda., da qual é sócio, e que os valores depositados em sua conta pessoal já haviam sido lançados na escrituração contábil da referida empresa e, portanto, tributados como rendimentos dessas. Para corroborar suas alegações, o contribuinte trouxe aos autos a DIRPJ da Passos Brito Distribuidora de Bebidas Ltda., uma série de notas fiscais, o livro contábil da empresa, bem como um mapa comparativo dos valores depositados em sua conta corrente. O livro contábil apresentado pelo contribuinte, nos termos dos arts. 923 e 924 do RIR/99, apenas consistiria em prova hábil se efetuado com respaldo na legislação pertinente e se acompanhado de documentos que atestam a sua validade material. Além do mais, o art. 302 do RIR/99 exige que a pessoa jurídica comprove a origem dos pagamentos feitos à pessoa física e a efetividade a operação ou transação. In verbis: Art. 302. Os pagamentos, de qualquer natureza, a titular, sócio ou dirigente da pessoa jurídica, ou a parente dos mesmos, poderão ser impugnados pela autoridade lançadora, se o contribuinte não provar (Lei n º 4.506, de 1964, art. 47, § 5 º ): I no caso de compensação por trabalho assalariado, autônomo ou profissional, a prestação efetiva dos serviços; II no caso de outros rendimentos ou pagamentos, a origem e a efetividade da operação ou transação. Fl. 2878DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10530.003208/200810 Acórdão n.º 2202002.655 S2C2T2 Fl. 2.874 11 § 1 º Incluemse entre os pagamentos de que trata este artigo as despesas feitas, direta ou indiretamente, pelas empresas, com viagens ao exterior, equiparandose os gerentes a dirigentes de firma ou sociedade (Lei n º 4.506, de 1964, art. 47, § 7 º ). § 2 º No caso de empresa individual, a autoridade lançadora poderá impugnar as despesas pessoais do titular da empresa que não forem expressamente previstas na lei como deduções admitidas, se ele não puder provar a relação da despesa com a atividade da empresa (Lei n º 4.506, de 1964, art. 47, § 4 º ). No caso, como salientou a decisão recorrida, a livro contábil da empresa registra a movimentação de três contas bancárias, sendo duas dela da própria empresa e uma do recorrente. Ocorre que os saldos referentes à conta corrente do recorrente não corresponde ao saldo dos depósitos bancários que serviram de base para a fiscalização, de maneira que não há congruência entre os valores escriturados e os glosados. Quanto ao mapa comparativo dos valores depositados na conta corrente do recorrente, o mesmo busca justificar os valores glosados como decorrentes de uma série de depósitos efetuados no mesmo dia, contudo o “histórico” dos valores glosados é claro ao indicar que se tratam de depósitos unitários feitos por meio de cheque, dinheiro, ou ainda transferência bancária. No que refere às notas fiscais apresentadas, estas são notas fiscais de saída, e não comprovam qualquer “entrada” de valor na empresa Passos Brito Distribuidora de Bebidas Ltda., ou ainda na conta do recorrente. Por fim, quanto à DIRPJ da empresa Passos Brito Distribuidora de Bebidas Ltda., vêse que os saldos mensais informados no livro contábil não correspondem aos valores informados pela empresa na declaração de IRPJ. Ademais, o recorrente alega que os recursos depositados em sua conta já haviam sido tributados pela pessoa jurídica. Todavia, não logra êxito ao buscar comprovar tal alegação, pois não apresenta qualquer prova dotada de robustez suficiente que permita que se conclua que os depósitos bancários em sua conta corrente são provenientes de atividades mercantis da pessoa jurídica e que, por conta disso, já teriam sido tributadas. Ressalto que em momento algum o contribuinte buscou estabelecer relação entre as notas fiscais apresentadas (as quais referemse exclusivamente ao mês de setembro, embora tenham sido glosados depósitos feitos ao longo de todo o anocalendário) e os depósitos em sua conta. Assim, além do contribuinte não comprovar por meio de documentação hábil e idônea a origem dos depósitos bancários, não o fez de forma individualizada, pois somente imputa que todos os depósitos glosados são de titularidade da empresa da qual é sócio, sem mencionar, especificadamente, a origem de cada um deles. Quanto à forma de comprovação individualizada dos depósitos bancários, é a própria Lei nº 9.430/96 que institui este dever, na redação do §3º de seu art. 42: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 2879DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 12 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Ou seja, conquanto possa ser considerada pelo contribuinte como desproporcional a medida, a verdade é que existe diploma normativo válido e vigente que impõe a este dever, não cabendo a este Conselho declarar a inconstitucionalidade e afastar sua aplicação. No que refere ao argumento de que os recursos da conta corrente serviriam para financiar as despesas da pessoa jurídica, esse também não merece prosperar. Isto pois, o recorrente embora tenha apresentado comprovantes da empresa para o seu fornecedor, não demonstra que tais valores foram debitados de sua conta, como fundamentou a decisão de Primeira Instância ao afirmar que: “O argumento é de que apenas parte destes pagamentos tenha sido sacada de sua conta. Não esclarece, porém, nem comprova de onde viria a outra parte, de modo que não se tem como confirmar que o saque em conta tenha efetivamente integrado a despesa. Por exemplo, a transferência efetuada em 06/01/2004, no valor de R$ 55.779,03. Traz cópia de TED nesta data e neste valor em favor da Cia Brasileira de Bebidas (fls. 796), e cópia de saque em sua conta corrente também nesta data, mas apenas de R$ 5.648,00. Assim, nos demais casos, os saques na conta corrente sempre como uma pequena parcela do pagamento. Como o contribuinte afirma em sua impugnação que no caixa da empresa permaneciam apenas valores menores, para pagamentos mais imediatos, é de se supor que os alegados saques complementares fossem efetuados de outras contas bancárias, seja da empresa ou de terceiros. Mas o contribuinte (...) não apresenta provas da origem destes recursos (...) Também as cópias das notas fiscais que comprovariam a assunção de despesas operacionais (fls. 302/327) não correspondem a saques em sua conta (....) Não já também por que supor que estas despesas já não tenham sido computadas para redução da base tributável na pessoa jurídica, especialmente quando não há evidências de que a empresa houvesse enfrentado qualquer dificuldade com saldos credores de caixa, que em todos os meses apresenta elevados saldos devedores, como se verifica na declaração do imposto de renda da pessoa jurídica. (...)” (fl. 1750). De tal sorte, não assiste razão ao Recorrente neste ponto, tendo em vista a plena aptidão de depósitos bancários sem origem comprovada para configurar omissão de rendimentos e, portanto, omissão do fato gerador do Imposto de Renda. Igualmente, a tese de que o contribuinte seria pessoa interposta pela própria empresa não merece prosperar, pois tal fato não foi comprovado por meio de documentação hábil como exige o art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/96. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 2880DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10530.003208/200810 Acórdão n.º 2202002.655 S2C2T2 Fl. 2.875 13 Fl. 2881DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.916359/2009-99
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. NECESSÁRIA. SUFICIENTE. VERDADE MATERIAL. IDENTIFICÁVEL EM ATO DE SIMPLES VERIFICAÇÃO.
A prova trazida apenas no recurso voluntário em descumprimento ao que dispõe a regra do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, precisa estar consubstanciada na escrituração contábil/fiscal e ressalte a verdade material em ato de simples verificação, para que tenha a sorte suplantar a preclusão do direito do recorrente de tê-la apresentado a destempo.
Numero da decisão: 3803-003.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Presidente substituto e Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. NECESSÁRIA. SUFICIENTE. VERDADE MATERIAL. IDENTIFICÁVEL EM ATO DE SIMPLES VERIFICAÇÃO. A prova trazida apenas no recurso voluntário em descumprimento ao que dispõe a regra do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, precisa estar consubstanciada na escrituração contábil/fiscal e ressalte a verdade material em ato de simples verificação, para que tenha a sorte suplantar a preclusão do direito do recorrente de tê-la apresentado a destempo.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.916359/2009-99
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352099
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-003.920
nome_arquivo_s : Decisao_10680916359200999.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10680916359200999_5352099.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente substituto e Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5482332
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811760918528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1748; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 1 36 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.916359/200999 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.920 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de fevereiro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente GEMAPE MÁQUINAS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. NECESSÁRIA. SUFICIENTE. VERDADE MATERIAL. IDENTIFICÁVEL EM ATO DE SIMPLES VERIFICAÇÃO. A prova trazida apenas no recurso voluntário em descumprimento ao que dispõe a regra do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, precisa estar consubstanciada na escrituração contábil/fiscal e ressalte a verdade material em ato de simples verificação, para que tenha a sorte suplantar a preclusão do direito do recorrente de têla apresentado a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Presidente substituto e Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 63 59 /2 00 9- 99 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0231.684, da DRJ/Belo Horizonte, de 4 de abril de 2011, fls. 16/18 (da imagem digitalizada), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. O processo foi constituído a partir da DComp transmitida em por meio da qual a Contribuinte acima identificada compensou os débitos nela declarados, com crédito proveniente de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato gerador encerrado em 30 de setembro de 2005. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, fl. 2, mediante o qual não homologou a compensação pleiteada, fundada no fato de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Em manifestação de inconformidade apresentada, de fl. 1, alegou possuir créditos referentes ao PIS e à Cofins recolhidos a maior no período de novembro 2002 a setembro 2005, e que, após a constatação da existência de tais créditos, em dezembro de 2005 procedeu à sua compensação com impostos federais, por meio de PER/Dcomp, conforme legislação em vigor. Ressaltou que, por conta do equívoco incorrido quanto às informações que figuraram na DCTF entregue em 22 de maio de 2006, retificada em 21 de maio de 2009, demonstrando a existência do crédito. Em julgamento da lide a DRJ/Belo Horizonte constatou que a DCTF foi retificada após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Pela intempestividade da retificação e na ausência de prova que demonstrasse a existência do direito creditório, declarou a improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão em 13 de janeiro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 02 de fevereiro de 2012, em que indica o valor das receitas do mês de setembro de 2005 com peças tributadas à alíquota zero e anexa relatórios, sintético e analítico, em que lista os clientes a quem efetuara as vendas, notas fiscais correspondentes e respectivos valores. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como se vê do relatório, o desprovimento da manifestação de inconformidade centrouse na retificação da DCTF que extrapolou o prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador e ma falta de prova da alegação da existência do crédito utilizado na DComp. Na pretensão de estar suprindo a falha da defesa na primeira instância a Recorrente anexa os documentos acima referidos. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10680.916359/200999 Acórdão n.º 3803003.920 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 Consignese, antes do mais, que as provas do direto alegado devem vir acompanhadas da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o impugnante fazê lo em outro momento processual, por força do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, ressalvadas as hipóteses das letras “a”a “c”, deste parágrafo. A Recorrente não alega nenhuma das impossibilidades para a anexação dos elementos na manifestação de inconformidade, ou após a entrega desta, a requerimento perante a autoridade julgadora de primeira instância, documentos com que a Recorrente pretende provar sua alegação de legitimidade do crédito. Portanto, está, em tese, precluso o direito de fazêlo nesta instância, a menos que a prova trazida aos autos seja singela, de simples, direta e pontual verificação, em virtude do que sobrelevaria privilegiar o princípio da verdade material, que deve informar o processo administrativo fiscal. Contudo, no presente caso, a defesa não cuidou de apresentar o direito em que se funda a sua alegação, segundo os fundamentos jurídicos. Ademais, apreciando os documentos eles nada dizem com a escrituração contábil/fiscal, não são documentos contábeis, são anexos de algo não identificado, não são assinados, indicam clientes, não peças, portanto, não trazem qualquer comprovação do direito alegado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 45DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.916050/2011-85
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 31/05/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO.
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 31/05/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13888.916050/2011-85
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352965
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.821
nome_arquivo_s : Decisao_13888916050201185.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Francisco José Barroso Rios
nome_arquivo_pdf_s : 13888916050201185_5352965.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5490164
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811810201600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 80 1 79 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.916050/201185 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.821 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Fênix Empreendimentos S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 31/05/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/05/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 50 /2 01 1- 85 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 24/46 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face do indeferimento de restituição no valor de R$ 83,85, referente a suposto recolhimento a maior que o devido de PIS de competência do mês de maio de 2001. A DRF Piracicaba/SP indeferiu o pedido de restituição porque o pagamento supostamente recolhido a maior havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando, portanto, nenhum saldo disponível para restituição. Inconformada, a interessada aduziu que o crédito decorre do indevido cômputo das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição, isso diante da declarada inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que previa a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Ressalta ainda que referido dispositivo fora revogado pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/2009. A título comprobatório do direito creditório o sujeito passivo juntou uma planilha discriminando os valores recolhidos a maior em cada período de apuração. A primeira instância não reconheceu o direito creditório com base nos seguintes fundamentos: a) que, diante da não retificação da DCTF, o pagamento estava integralmente vinculado ao débito declarado, de sorte que não havia crédito a ser ressarcido; b) que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/09 não tem efeitos retroativos e, portanto, não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise; Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916050/201185 Acórdão n.º 3802002.821 S3TE02 Fl. 81 3 c) que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e que ao referido julgado não fora dado efeito erga omnes; e, d) que o contribuinte não apresentou provas documentais discriminando as receitas financeiras que alegou compor a base de cálculo do tributo no período em questão, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 03/07/2013 (fls. 51 Termo de Ciência por Decurso de Prazo). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 13/07/2013 (fls. 78), o recurso voluntário de fls. 53/70, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que isso deveria ser reconhecido pela Administração ainda que tal decisão houvesse sido prolatada no controle difuso. Ressalta que, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema pelo STF. Concernente à produção de provas, ressalta que, juntamente com a manifestação de inconformidade, apresentou a cópia do DARF, a cópia do PER/DCOMP e o demonstrativo do crédito, não havendo que se falar em preclusão do direito de apresentação de prova documental em vista dos princípios da instrumentalidade e da verdade material. Requer, ao final, seja deferida a restituição pleiteada. Além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos, às fls. 76/77, cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do direito subjetivo arguido A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916050/201185 Acórdão n.º 3802002.821 S3TE02 Fl. 82 5 Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Logo, de fato, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pelo sujeito passivo, que tem como atividade principal o “aluguel de imóveis próprios”, código 68.10202, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 12/04/1995 (cópia acostada aos autos). Do direito material É verdade que o sujeito passivo não retificou a DCTF do período nem apresentou, na primeira instância, documentação suficiente para a comprovação do direito creditório reclamado. Com efeito, naquela ocasião trouxe apenas demonstrativo de cálculo do aduzido crédito, além da cópia do DARF com o pagamento do tributo. Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 76/77). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Portanto, penso que a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez não demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de março de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916050/201185 Acórdão n.º 3802002.821 S3TE02 Fl. 83 7 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001786/2005-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
PESSOA FÍSICA. CONDIÇÃO DE NÃO-RESIDENTE NO PAÍS.
Não tendo sido apresentada a declaração de saída definitiva do país, a aquisição da condição de não-residente depende da comprovação pelo contribuinte de sua ausência, por mais de doze meses consecutivos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-002.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausentes justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano e, momentaneamente, o conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 PESSOA FÍSICA. CONDIÇÃO DE NÃO-RESIDENTE NO PAÍS. Não tendo sido apresentada a declaração de saída definitiva do país, a aquisição da condição de não-residente depende da comprovação pelo contribuinte de sua ausência, por mais de doze meses consecutivos. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 18471.001786/2005-14
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366660
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.914
nome_arquivo_s : Decisao_18471001786200514.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JACI DE ASSIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 18471001786200514_5366660.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausentes justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano e, momentaneamente, o conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5559919
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811813347328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1737; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 307 1 306 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001786/200514 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.914 – 2ª Turma Especial Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente NORBERTO RODRIGUES DUARTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 PESSOA FÍSICA. CONDIÇÃO DE NÃORESIDENTE NO PAÍS. Não tendo sido apresentada a declaração de saída definitiva do país, a aquisição da condição de nãoresidente depende da comprovação pelo contribuinte de sua ausência, por mais de doze meses consecutivos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausentes justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano e, momentaneamente, o conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 17 86 /2 00 5- 14 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Por bem descrever os fatos e os procedimentos que integram os presentes autos, abaixo se transcreve o relatório extraído do Acórdão nº 220201020, proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Tratam os presentes autos de Auto de Infração (fl. 167) relativo à Imposto de Renda Pessoa Física, lavrado em desfavor do ora Recorrente, no montante total de R$ 1.259.063,19 (um milhão, duzentos e cinqüenta e nove mil, sessenta e três reais e dezenove centavos), referente aos anoscalendário de 1999 e 2000 (exercícios 2000 e 2001, respectivamente). No curso da ação fiscal levada a efeito pela Autoridade Administrativa em desfavor de Norberto Rodrigues Duarte, ficou caracterizada movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados pelo referido contribuinte, relativos aos anoscalendário de 1999 e 2000. Cumpre mencionar que, relativo à base de 1999 o contribuinte omitiuse de efetuar a declaração pertinente, valendose ainda, relativamente à base de 2000, de declaração online, autorizada para os contribuintes com rendimento tributáveis até o limite de R$8.000,00. Instado em 16/06/2005 (AR fl. 08) a apresentar os extratos bancários relativos às contas mantidas nas instituições financeiras HSBC e Bradesco o contribuinte apresentou em 29/06/2005 simples declaração (fl. 09) afirmando que não mais residia no país e que em vista disso seria impossível a apresentação dos extratos no prazo estipulado. Informou ainda o contribuinte que já havia providenciado a solicitação dos documentos pendentes à referida instituição financeira, requerendo dilação temporal para o cumprimento de tal exigência. Juntou ao documento apresentado os extratos relativos à instituição financeira HSBC (a qual a movimentação financeira era, segundo termo de constatação fiscal às fls. 153, módica em relação ao outro banco), não comprovando, todavia, sua condição de residente no exterior. Inerte, em 08/08/2005 (AR de fl. 15) o contribuinte foi reintimado a apresentar os extratos bancários relativos à instituição financeira Bradesco, bem como informado de que sem a comprovação de que era nãoresidente no país, para efeitos fiscais, à ele se aplicaria a legislação como se residente fosse. Em atenção à referida intimação o contribuinte, por seu procurador constituído, conforme instrumento de mandato à fl. 17, apresentou à fiscalização (fls. 16 a 38) cópia do passaporte, do cartão de residência permanente (Green Card), bem como da correspondência dirigida ao Banco Bradesco S.A, onde reitera a solicitação dos extratos de suas contas para entrega a fiscalização. Diante de seguidas postergações por parte da fiscalização, para entrega dos extratos, foi expedida diretamente à Instituição Financeira mencionada, Requisição de Movimentações Financeiras (RMF) (fl. 39), a qual, encontrase anexada às fls. 41 a 107. Diante da análise dos referidos extratos, foi novamente intimado o contribuinte à comprovar a origem dos depósitos bancários existentes nas mencionadas contascorrentes, bem como deveria o mesmo identificar os respectivos cotitulares das mesmas. Ficando ainda intimado a apresentar a Declaração de Saída Definitiva do País, tendo em vista que não se caracterizava a condição de nãoresidente do mesmo. Em 14/11/2005 (fl. 111) o contribuinte informou oficialmente que não apresentou Declaração de Saída do País, bem como de que não havia conseguido reunir a documentação comprobatória da origem dos depósitos, informando ainda Fl. 399DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 2802002.914 S2TE02 Fl. 308 3 que solicitara junto ao banco, a informação acerca dos cotitulares das contas correntes. Em 23/11/2005 (fl. 135) e 02/12/2005 (fl. 136) o contribuinte foi reintimado a apontar qual das contas analisadas era conjunta com terceiros, bem como a identificação dos mesmos, não obtendo resposta conclusiva acerca dos fatos. Assim, em 13/12/2005 foi lavrada a autuação anteriormente mencionada, sob a alegação de que o lançamento decorreu da apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (vide descrição dos fatos, fls. 168 a 169), aplicandolhe multa de 75%. DA IMPUGNAÇÃO Ato contínuo, em 13/12/2005 (fls. 167), ficou o contribuinte ciente da lavratura do Auto de Infração, ao qual, tempestivamente foi apresentada Impugnação Administrativa (fls. 192 a 201), que restou, resumidamente, assim consignada: É decadente autuação em relação ao anocalendário de 1999 (exercício 2000), tendo em vista que a ausência de declaração é irrelevante para a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150, §4º do CTN, forte a jurisprudência dominante do Primeiro Conselho de Contribuintes; É decadente o lançamento à luz do art. 42 da Lei 9.430/96, em relação ao ano calendário de 2000, uma vez que os fatos que deram origem à pretensão fiscal (depósitos bancários) foram efetuados mês a mês e somados ao final do referido anocalendário, sendo que a interpretação deste dispositivo da legislação (específico para depósitos bancários) elegeu a tributação mensal e definitiva de IRPF; É nula de pleno direito a autuação fiscal combatida face ao fato de que a contacorrente fiscalizada é conjunta, e, portanto, imprescindível a intimação do co titular; O requerente é domiciliado no exterior, de modo que ostenta condição de não residente para efeitos tributários. Ao final, requer o cancelamento total da exigência contra si lavrada, seja pelo acolhimento das preliminares, seja pelas questões de mérito expostas. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 1ª Turma da DRJ/RJOII, decidiu pela manutenção parcial do lançamento, proferindo Acórdão n° 1317.417 (fls. 232 a 243), de 10 de outubro de 2007, que consignouse assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173,I) PESSOA FÍSICA. CONDIÇÃO DE NÃORESIDENTE NO PAÍS. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Não tendo havido apresentação de declaração de saída definitiva do país, cabe ao contribuinte comprovar a ausência, por mais de doze meses consecutivos, para aquisição da condição de nãoresidente. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. No caso de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e a infração de omissão de rendimentos deverá, necessariamente, ser imputada, em proporções iguais, entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. Lançamento Procedente em Parte. A 1ª Turma da DRJ/RJO II(RJ), entendeu resumidamente que a decadência alegada pelo contribuinte não merece procedência em face da aplicação, ao caso, do art. 173, I do CTN, bem como que o mesmo não comprovou cabalmente que não reside nos país, merecendose sua tratativa fiscal ser aplicada como se residente fosse, e, ainda, afastou a presunção de omissão de rendimentos quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada relativos à contacorrente conjunta nº. 1.850/3 (agência 2.757/0), em face da ausência de intimação do cotitular da referida conta. DO RECURSO De ofício: Em atenção ao regulamentado pela Portaria nº. 3, de 03 de janeiro de 2008, em seu artigo 1º, combinada com as precisões do Decreto 70.235/72, o Presidente da 1ª Turma da DRJ/RJOII, recorreu de ofício da decisão prolatada, nos seguintes termos: ‘Quanto ao crédito tributário exonerado neste acórdão, submetase à apreciação do Egrégio 1° Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações introduzidas pela Lei n° 8.748, de 1993 e Portaria MF 375, de 2001, por força de recurso necessário. A exoneração só será definitiva após o julgamento em segunda instância.’ Voluntário: Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, em 09/04/2008 (AR de fl. 248), o contribuinte apresentou tempestivamente, em 08/05/2008, o recurso de fls. 248 a 253, repisando, em síntese, seus argumentos quanto à decadência da autuação no que tange ao anocalendário de 1999 (exercício 2000) em face da aplicação direta do art. 150, §4º do CTN, bem como frisando ser residente no exterior, mais precisamente nos Estados Unidos da América, acostando aos autos novos documentos que afirma comprovar sua condição de nãoresidente, quais sejam: Declaração emitida em nome de “Celebration School” dando conta de que: Érika Santos Duarte, Leonardo Santos Duarte e Vinícius Santos Duarte freqüentaram tal escola no período de AGO/1998 a MAI/2000 (fl.255); Cópia de Seguro Social Norte Americano do período de 1997 a 2000, emitido em nome de Norberto Rodrigues Duarte (fls. 256 – 258); Comprovante de residência, contrato de leasing de imóvel em nome de Norbeto Rodrigues Duarte do período de 1996 e 1997 (fls. 259 – 267); Fl. 401DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 2802002.914 S2TE02 Fl. 309 5 Ao fim, pugna pelo provimento de seu recurso, requerendo seja negado provimento ao recurso de ofício, cancelandose integralmente a exigência também em relação ao anocalendário de 1999.” De acordo com o dispositivo do Acórdão nº 220201020, fls. 328 a 338, 2º Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção do CARF entendeu por não conhecer do Recurso de Ofício, tendo em vista o limite de alçada. Quanto ao Recurso Voluntário acolheu a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente, declarando extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. Referido Acórdão encontrase assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. Não se conhece de recurso de ofício quando o crédito tributário exonerado for inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), nos termos do art. 1º, da Portaria MF nº 3, de 03 de Janeiro de 2008. Recurso de ofício não conhecido. IRPF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. Tratandose o IRPF de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cujo fato gerador é da modalidade complexiva, que se consuma em 31.12 de cada ano calendário, temse que na hipótese de inexistência de antecipação de pagamento do tributo, a contagem do prazo decadencial obedece a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional, cujo dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, iniciando sua contagem em 01.01 após o fato gerador, de modo que para fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1999, tem o início da contagem em 01.01.2000, estando colhidos pela decadência lançamentos tributários posteriores a 01.01.2005. Recurso voluntário provido. Diante dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, fls. 343 a 345, os membros do Colegiado em referência novamente se reuniram para discutir os argumentos de contradição expostos pelo representante da Fazenda Nacional e, em sessão realizada dia 08 de fevereiro de 2012, para proferir o Acórdão nº 220201.632, do qual se extrai o seguinte dispositivo: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos Declaratórios apresentados para, retificando o Acórdão n.º 220201.020, de 14/03/2011, sanando a contradição apontada, atribuir efeitos infringentes para rejeitar a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente e Fl. 402DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 determinar o sobrestamento do julgamento, nos termos do voto do Relator. Após a formalização do Acórdão o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. A ementa do Acórdão de embargos de declaração encontrase descrita nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Verificada a existência de contradição no julgado, é de se acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. A tributação das pessoas físicas fica sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica aos ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de renda pessoa física ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário questionado e que, nos casos de ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS Fl. 403DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 2802002.914 S2TE02 Fl. 310 7 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. JULGAMENTO DA REPERCUSSÃO GERAL PENDENTE. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o Supremo Tribunal Federal também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do artigo 543B do CPC (artigo 62A, § 1º, do RICARF. Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse (artigo 543B, § 3º, do CPC). Argüição de decadência não acolhida. Aguardando nova decisão. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do RICARF, o presente processo foi redistribuído, por sorteio, em 19/03/2014, a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Conforme observou o relator do voto do Acórdão nº 220201.632, proferido em face da interposição de Embargos de Declaração por parte da Fazenda Nacional, após a decisão de primeira instância, o litígio instaurando nos presentes autos se restringia à discussão da decadência e da suposta situação de nãoresidência no Brasil, alegada pelo contribuinte. Na medida em que a primeira discussão ficou superada em razão do afastamento da tese de decadência pela decisão proferida em sede de embargos de declaração, o exame do recurso voluntário ficará restrito à verificação da comprovação do cumprimento da condição de não residente no Brasil. Para se eximir da tributação imposta em razão da constatação de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos/créditos em contas correntes bancárias sem a comprovação da origem dos respectivos recursos, pretende o recorrente que lhe seja reconhecida a condição de nãoresidente no Brasil. O conceito de nãoresidente no País foi definido Instrução Normativa SRF n° 073, de 23 de Julho de 1998, vigente à época da ocorrência do fato gerador, nos seguintes termos: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Art. 2° Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, considerase: I – residente no Pais, qualquer pessoa física: (...); II – nãoresidente no Pais, qualquer pessoa física: a) que não resida em caráter permanente no Brasil; b) que ingresse no Brasil com visto temporário, até o dia anterior à data da obtenção do visto permanente, se esta ocorrer durante os primeiros doze meses de permanência; c) que ingresse no Brasil com visto temporário, durante os primeiros doze meses de permanência; d) que ingresse no Brasil para prestar serviços como funcionária de órgãos de governo estrangeiro, situados no Pais; e) que houver saído do Brasil em caráter temporário, a partir da data da obtenção do visto permanente em outro pais, se esta ocorrer durante os primeiros doze meses de ausência; t) que houver saído do Brasil em caráter temporário, a partir do primeiro dia subseqüente aquele em que se completarem os doze primeiros meses de ausência, contados da data de sua saída. (...)” A leitura do trecho em destaque revela que se a pessoa física ausentarse do País, em caráter temporário, pelo período de 12 meses, será considerada nãoresidente a partir do primeiro dia seguinte ao referido lapso temporal. Como prova de sua ausência do Brasil o contribuinte apresentou à autoridade fiscalizadora cópia do seu passaporte. Nesse contexto, destaquese que, examinando os vistos que lhe foram concedidos em caráter temporário, a autoridade fiscal elaborou o demonstrativo denominado REGISTROS DE SAÍDA DO TERRITÓRIO NACIONAL, fls. 137/138 (fls. 143/144 processo digital), do qual se observa que desde a primeira entrada conhecida no território norte americano (30/12/1994) até a aquisição do visto permanente pelo contribuinte (em 26/07/2000) ocorreram 31 (trinta e um) registros de entrada nos Estados Unidos da América, praticamente nas cidades de Miami e Orlando. Em outras palavras, isso significa dizer que, em média, o contribuinte desembarcou naquele país a cada dois meses e cinco dias. Diante de tantos deslocamentos destinados ao território norteamericano fica prejudicada a tentativa do contribuinte em demonstrar que, apesar de não haver requerido a certidão negativa para saída definitiva do País, estaria sujeito às regras de tributação previstas para as pessoas físicas nãoresidentes no Brasil a partir do décimo terceiro mês de sua ausência. Não se trata, pois, de simples presunção, conforme pretende o recorrente direcionar a discussão do fato constatado pela autoridade fiscal a partir dos vistos apostos no passaporte examinado. Outros documentos também foram apresentados pelo contribuinte, quer à época das verificações fiscais, quer após a instauração do litígio administrativo fiscal, com a intenção de comprovar a sua condição de nãoresidente no Brasil. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001786/200514 Acórdão n.º 2802002.914 S2TE02 Fl. 311 9 Em que pese tais documentos indicarem as relações jurídicas mantidas pelo contribuinte durante sua permanência no país estrangeiro, à vista dos diversos deslocamentos por ele realizados àquele país, conforme se destacou anteriormente, esses documentos não conseguem certificar a ausência do Brasil pelo período de tempo de doze meses, condição legal imperativa. Portanto, uma vez constatada a não apresentação de declaração de saída definitiva do País, correta a conclusão da decisão recorrida no sentido de que cabe ao contribuinte comprovar a ausência, por mais de doze meses consecutivos, para aquisição da condição de nãoresidente, prova esta não realizada nos autos. Voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 406DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10907.003153/2006-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO JÁ INDEFERIDO. VEDAÇÃO. De acordo com o art. 74, § 3º, VI, é vedado ao sujeito passivo apresentar declaração de compensação de indébito tributário, cujo pedido de restituição ou ressarcimento já tiver sido indeferido pela autoridade competente, ainda que se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa.
Recuso Improvido.
Numero da decisão: 3301-002.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator.
EDITADO EM: 31/12/2013
José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO JÁ INDEFERIDO. VEDAÇÃO. De acordo com o art. 74, § 3º, VI, é vedado ao sujeito passivo apresentar declaração de compensação de indébito tributário, cujo pedido de restituição ou ressarcimento já tiver sido indeferido pela autoridade competente, ainda que se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Recuso Improvido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10907.003153/2006-52
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5351059
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3301-002.116
nome_arquivo_s : Decisao_10907003153200652.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO LISBOA CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 10907003153200652_5351059.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator. EDITADO EM: 31/12/2013 José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5471468
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811816493056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1825; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 110 1 109 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10907.003153/200652 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301002.116 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria COFINS Recorrente TCP TERMINAL DE CONTEINERES DE PARANAGUÁ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO JÁ INDEFERIDO. VEDAÇÃO. De acordo com o art. 74, § 3º, VI, é vedado ao sujeito passivo apresentar declaração de compensação de indébito tributário, cujo pedido de restituição ou ressarcimento já tiver sido indeferido pela autoridade competente, ainda que se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Recuso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 31/12/2013 José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 31 53 /2 00 6- 52 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Trata o presente processo dos seguintes autos de infração: (a) às fls. 08/12, lançamento relativo à Cofins, no montante de R$228.880,17, além da multa de oficio de 75% e encargos legais, efetuado cm virtude de falta de recolhimento dessa contribuição, relativamente ao período de apuração março/2003, constando da descrição dos fatos (fl. 09) o seguinte relato motivador da autuação: "valor apurado conforme DCOMP nº 24141.12130.260406.1.3.048331 apresentada pela empresa compensando tal débito com suposto crédito presente no pedido de restituição constante do processo 11.010907.001984/200266. Porém, tal pedido foi indeferido e, assim sendo, a compensação deve ser considerada como não declarada', nos termos dos art. 26, parágrafo 3°, inciso X e art. 31. parágrafo 1º, inciso I. da IN/SRF nº 460/2004, e, posteriormente da IN/SRF nº 600/2005”. o enquadramento legal da autuação encontrase às fls. 09 (principal) e 11 (multa de oficio e juros de mora); (b) às fls. 13/17, lançamento relativo ao PIS, no montante de R$ 41.576,34, além da multa de oficio de 75% e encargos legais, efetuado em virtude de falta de recolhimento dessa contribuição, relativamente ao período de apuração junho/2003, constando da descrição dos fatos (fl. 14) o seguinte relato motivador da autuação:"valor apurado conforme DCOMP nº 07238.03825.240306.1.3.041051 apresentada pela empresa compensando tal débito com suposto crédito presente no pedido de restituição constante do processo nº 10907. 001984/200266. Porém, tal pedido foi indeferido e. assim, sendo, a compensação deve ser considerada como não declarada nos termos dos art. 26. parágrafo 3º. inciso X e art. 31. parágrafo 1º, inciso I, da IN SRF 17. nº 460/2004. e. posteriormente, da IN/SRF nº 600/2005/”. o enquadramento legal da autuação encontrase às 14 (principal) e 16 (multa de oficio e juros de mora). A DRJ de Curitiba julgou improcedente a impugnação, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUICAO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A declaração de compensação que • foi objeto de decisão administrativa não pode ser retificada. Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. EXISTENC1A DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A declaração de compensação que já foi objeto de decisão administrativa não pode ser retificada. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10907.003153/200652 Acórdão n.º 3301002.116 S3C3T1 Fl. 111 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 20/08/2009 (AR – fl. 80), foi interposto o recurso voluntário de fls. 85 e seguintes, em 21/09/2009, onde em síntese, reitera os argumentos constantes da impugnação, sustentando que como bem está destacado no voto da DRJ, fls 71, em comentário a Impugnação apresentada, houve um erro de preenchimento das DECOMP acima relatadas, quando da informação do número do processo autorizador do aproveitamento de credito tributário. O número correto que deveria ter sido apresentado pela Recorrente, é o do Processo 10.907.002384/200487 e não o do Processo 10.907.001984/200266! A Recorrente só tomou conhecimento desse erro quando as DECOMP foram consideradas Não Declaradas e exigido o valor do tributo. O que a Recorrente está requerendo, alem do que já foi apresentado na competente Impugnação, é que, uma vez provado que não houve má fé, vontade de errar, etc, que este erro, independentemente de retificação de DCOMP, porque pelo rigor fazendário da Lei esta DCOMP não pode mais ser retificada, é que os Senhores Julgadores desse Egrégio Conselho, relevem o erro de informação do número de processo e entendam que a compensação foi correta, até mesmo porque a DRJ/CTA, não informou estar errado ou não existir o crédito referente ao Processo 10.907.002384/200487, orientando, inclusive, que a Recorrente, através de uma nova DCOMP, compense o valor dos tributos aqui exigidos e também a multa e os juros calculados (fl. 71, ultimo parágrafo do voto). É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais pertinentes, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, o presente processo é decorrente do "valor apurado conforme DCOMP nº 24141.12130.260406.1.3.048331 apresentada pela empresa compensando tal débito com suposto crédito presente no pedido de restituição constante do processo 11.010907.001984/200266. Porém, tal pedido foi indeferido e, assim sendo, a compensação deve ser considerada como não declarada', nos termos dos art. 26, parágrafo 3°, inciso X e art. 31. parágrafo 1º, inciso I. da IN/SRF nº 460/2004, e, posteriormente da IN/SRF nº 600/2005”. De fato, o pleito da Recorrente para a compensação do crédito de Cofins com o valor apurado no processo nº 11.010907.001984/200266, encontra óbice no art. 74, § 3º, VI, da Lei nº 9.430, de 1996, vez que o referido pedido já foi indeferido pela autoridade administrativa, nos seguintes termos: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (...) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
