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11148906 #
Numero do processo: 11234.721405/2023-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2019 POSTERIOR APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES E DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. PRECLUSÃO A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Cabe à contribuinte demonstrar e comprovar suas alegações com todos os documentos comprobatórios hábeis que deem a elas força probante. A apresentação de provas deve ser feita na impugnação, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo em outro momento processual, exceto nos casos previstos no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTO EXTRÍNSECO DE ADMISSIBILIDADE. REGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA. Petição que não tem forma e conteúdo de recurso voluntário, nem mesmo em um nível mínimo aceitável, não pode ser conhecida como tal. A inexistência dos elementos volitivo (vontade de recorrer) e descritivo (fundamentação e pedido) implica o não conhecimento do recurso, por falta de regularidade formal.
Numero da decisão: 3101-004.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Assinado Digitalmente Renan Gomes Rego – Relator Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Denise Madalena Green, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Ferreira Braga que foi substituída pela Conselheira Denise Madalena Green.
Nome do relator: RENAN GOMES REGO

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2019 POSTERIOR APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES E DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. PRECLUSÃO A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Cabe à contribuinte demonstrar e comprovar suas alegações com todos os documentos comprobatórios hábeis que deem a elas força probante. A apresentação de provas deve ser feita na impugnação, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo em outro momento processual, exceto nos casos previstos no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTO EXTRÍNSECO DE ADMISSIBILIDADE. REGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA. Petição que não tem forma e conteúdo de recurso voluntário, nem mesmo em um nível mínimo aceitável, não pode ser conhecida como tal. A inexistência dos elementos volitivo (vontade de recorrer) e descritivo (fundamentação e pedido) implica o não conhecimento do recurso, por falta de regularidade formal.

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PRECLUSÃO A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Cabe à contribuinte demonstrar e comprovar suas alegações com todos os documentos comprobatórios hábeis que deem a elas força probante. A apresentação de provas deve ser feita na impugnação, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo em outro momento processual, exceto nos casos previstos no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTO EXTRÍNSECO DE ADMISSIBILIDADE. REGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA. Petição que não tem forma e conteúdo de recurso voluntário, nem mesmo em um nível mínimo aceitável, não pode ser conhecida como tal. A inexistência dos elementos volitivo (vontade de recorrer) e descritivo (fundamentação e pedido) implica o não conhecimento do recurso, por falta de regularidade formal. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Assinado Digitalmente Renan Gomes Rego – Relator Fl. 172DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.292 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11234.721405/2023-52 2 Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Denise Madalena Green, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Ferreira Braga que foi substituída pela Conselheira Denise Madalena Green. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão n° 101-027.380, proferido pela 12ª Turma da DRJ01 na sessão de 17 de maio de 2024, que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O presente processo versa sobre auto de infração lavrado para cobrança de PASEP incidente sobre as receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. Consta impugnação, às folhas 146 e seguintes, cuja alegação é a de que o município encaminhará em prazo posterior os fundamentos jurídicos e provas documentais que sustentarão este pedido. Sobreveio decisão de primeira instância, consignando que a Recorrente não apresentou nenhum documento que complementasse a sua impugnação. Assim, o julgador a quo considerou o lançamento não impugnado, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235. Em resposta a essa decisão, a Recorrente apenas apresenta, no dia 14/06/2024, um documento intitulado “Resposta à Intimação – Resposta intimação” de folha 168: Fl. 173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.292 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11234.721405/2023-52 3 É o relatório. VOTO Conselheiro Renan Gomes Rego, Relator Percebe-se que, assim como ocorreu no julgamento de primeira instância, houve a preclusão consumativa. A Recorrente quando devidamente cientificada da decisão a quo em 13/06/2024, via intimação eletrônica, protocolou, no dia 14/06/2024, apenas um documento Resposta à Intimação – Resposta intimação (folha 168) sem que haja uma linha sequer de insurgência contra a decisão de primeira instância , ou seja, o suposto recurso não aborda qualquer argumento ou fato sobre a exigência tributária. Compete ao sujeito passivo o ônus de apresentar seus pontos de discordância, os motivos de fato e de direito, nos termos do art. 16, III, e art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, aplicáveis a impugnação e igualmente aos recursos: Art. 16. A impugnação mencionará: III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Dessa forma, voto no sentido de NÃO CONHECER o Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo por ausência de pressupostos válidos para análise do mérito. É como voto. Assinado Digitalmente Renan Gomes Rego Fl. 174DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11143544 #
Numero do processo: 16004.720190/2017-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 SUSPENSÃO DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA E LANÇAMENTOS DECORRENTES. NULIDADE. Torna-se nula a suspensão da isenção tributária, bem como os lançamentos de créditos tributários decorrentes, em decorrência da utilização de provas declaradas invalidas judicialmente pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 1001-004.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Efigenio de Freitas Junior (substituto[a] convocado[a] para eventuais participações), Gustavo de Oliveira Machado, Rafael Taranto Malheiros (substituto[a] integral), Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Declarou-se suspeito de participar do julgamento o conselheiro Paulo Elias da Silva Filho, substituído pelo conselheiro Efigênio de Freitas Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO DE OLIVEIRA MACHADO

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NULIDADE. Torna-se nula a suspensão da isenção tributária, bem como os lançamentos de créditos tributários decorrentes, em decorrência da utilização de provas declaradas invalidas judicialmente pelo Supremo Tribunal Federal. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Efigenio de Freitas Junior (substituto[a] convocado[a] para eventuais participações), Gustavo de Oliveira Machado, Rafael Taranto Malheiros (substituto[a] integral), Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Declarou-se suspeito de participar do julgamento o conselheiro Paulo Elias da Silva Filho, substituído pelo conselheiro Efigênio de Freitas Júnior. Fl. 6588DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 2 RELATÓRIO Trata o presente de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 11- 60.112, proferido em 20 de Julho de 2018, pela 4ª Turma da DRJ/REC, que por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário. A Equipe Especial de Fiscalização 201512 da Coordenação- Geral de Fiscalização - SRFB confeccionou no dia 08/agosto/2017 o Termo de Notificação Fiscal para fins de Suspensão de Isenção relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido referente aos anos calendários de 2012, 2013 e 2014, em face do Instituto Luiz Inácio Lula da Silva, cujo teor segue abaixo em síntese (e-fls. 5.052/5.141): “TERMO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL (...) Contexto No exercício das atribuições do cargo de Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil e com base no disposto no artigo 32 e parágrafos da Lei n° 9.430/1996, formalizamos o presente TERMO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL para fins de SUSPENSÃO DE ISENÇÃO, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativos aos anos-calendário 2012, 2013 e 2014, do contribuinte INSTITUTO LUIZ INACIO LULA DA SILVA, cadastrado no CNPJ sob o n° 64.725.872/0001-08, doravante denominado "Instituto Lula", "Instituto" ou "contribuinte". Inicialmente cabe esclarecer que este trabalho é uma continuidade do procedimento fiscal que resultou na suspensão da isenção tributária do Instituto Lula referente ao ano calendário de 2011 (processo administrativo fiscal n° 10703.720001/2016-86): Portanto, antes de adentramos nas questões relativas aos anos-calendário de 2012, 2013 e 2014, objeto do presente procedimento de fiscalização, faremos um resumo do procedimento anterior, que resultou na suspensão da isenção tributária do Instituto Lula, relativamente ao ano-calendário de 2011, inclusive pelo fato de que utilizaremos no presente processo grande parte dos documentos anexados ao procedimento anterior. (...) A seguir, passaremos a tratar dos fatos relativos aos anos-calendário de 2012 2013 e 2014. Conforme já mencionamos, utilizaremos os documentos apresentados pelo contribuinte no curso do procedimento anterior, os quais foram anexados às fls. 02/2951. (...) 6— DA CONCLUSÃO Fl. 6589DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 3 O Instituto Lula declarou-se na condição de Associação Civil "isenta do IRPJ" e "desobrigada da apuração da CSLL", em suas DIPJ relativas aos anos-calendário de 2012 e 2013 e na sua ECF relativa ao ano-calendário de 2014 (fls. 4912/4999). Para ter direito ao benefício da isenção do IRPJ e da CSLL, as pessoas jurídicas devem obedecer aos requisitos legais determinados pelo artigo 15 caput e § 3° da Lei n° 9.532/97, abaixo transcritos: Art. 15. Consideram-se isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 3° Às instituições isentas aplicam-se as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3°e dos arts. 13 e 14. Por sua vez, o artigo 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3°e os artigos 13 e 14 da Lei n° 9.532/97 dispõem o seguinte: (...) Entretanto, face a todo o exposto neste termo, restou devidamente comprovado que o Instituto Lula não cumpriu os requisitos legais para gozo da isenção tributária nos anos calendário de 2012, 2013 e 2014. A seguir, faremos um resumo das infrações praticadas pelo Instituto Lula, em cada um dos anos-calendário objeto do presente procedimento, as quais ensejam a suspensão da isenção tributária: I — ANO-CALENDÁRIO DE 2012 a) O Instituto Lula remunerou a diretora CLARA LEVIN ANT, como prestadora de serviços, sem vínculo empregatício e sem formalização de contrato escrito, para que a referida diretora, entre outras funções, atuasse como secretária particular do ex-presidente Lula, na sua atividade empresarial, exercida por meio de sua empresa de palestras (L.I.L.S. Palestras), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alíneas "a" e "b" e 3, combinado com o disposto no artigo 15 caput e 3°, da Lei n° 9.532/1997. b) O Instituto Lula remunerou o diretor RICARDO BATISTA AMARAL, por meio de sua empresa, RIMA CONSULTORIA EM COMUNICAÇÃO SOCIAL — EIRELI, como prestador de serviços, fato que infringe o disposto no artigo 12, 2°, alínea "a" e 3° combinado com o disposto no artigo 15 caput e 30, da Lei n° 9.532/1997. c) O Instituto Lula remunerou o diretor CELSO OLIVEIRA MARCONDES DE FARIA, por meio de sua empresa, POR SUPUESTO COMUNICAÇÃO LTDA., como prestador de serviços, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "a" e 3° combinado com o disposto no artigo 15 caput e 3°, da Lei n°9.532/1997. d) O Instituto Lula pagou por serviços da empresa Presscell Telecomunicações, de aluguel de aparelhos de telefonia celular que foram utilizados 'em palestras Fl. 6590DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 4 remuneradas do ex-presidente Lula, fato que infringe o disposto no artigo 12, 2°, alínea "h" e 3°, combinado com o disposto no arti go 15 caput e §' 3°, da Lei n° 9.532/1997. e) O Instituto Lula pagou por serviços da empresa CINE FOTO STUCKERT PRESS LTDA., relativos à cobertura fotográfica de eventos particulares do ex-presidente Lula, especialmente os comícios que ele participou, fazendo campanha para políticos do Partido dos Trabalhadores, fato que infringe o disposto no artigo 12, 2°, alínea "h" e 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e 3°, da Lei n° 9.532/1997. f) O Instituto Lula pagou por serviços da empresa G-INTER TANSPORTES LTDA., relativos a despesas de armazenagem climatizada de bebidas da adega particular do ex-presidente Lula, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "h" e § 3° combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. g) O Instituto Lula não reteve o imposto de renda e as contribuições socias relativas aos pagamentos efetuados à empresa MESOSFERA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA., não obstante se tratarem de serviços caracterizadamente de natureza profissional, nos termos do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99) e do artigo 10 da Instrução Normativa SRF 459/2004 e cujo prestador de serviços não era optante do Simples Nacional no ano ide 2012, fato que infringe o disposto no artigo 13, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. h) O Instituto Lula efetuou um pagamento à empresa S&A SERVIÇOS, no dia 12/11/2012, relativo à nota fiscal n° 406, emitida pela referida pessoa jurídica, no valor de R$ 16.000,00. Todavia, a referida pessoa jurídica não prestou serviços ao Instituto Lula, mas somente "emprestou" a nota fiscal à jornalista Maria Inês Nassif, fato que configura fraude fiscal e infringe o disposto no artigo 13, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. i) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa UM CERTO OLHAR IMAGENS E EDITORA LTDA., no período de junho a dezembro de 2012, relativos aos serviços prestados pela jornalista Maria Inês Nassif, mediante interposição de pessoa, fato que configura fraude fiscal e infringe o disposto no artigo 13, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n°9.532/1997. j) O Instituto Lula pagou despesas com passagens aéreas e hospedagem para o diretor Luiz Soares Dulci participar de eventos políticos, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. k) O Instituto pagou despesas com fretamento de aeronaves e hospedagem para o ex-presidente Lula participar de eventos políticos, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e 3°, da Lei n° 9.532/1997. Fl. 6591DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 5 I) O Instituto Lula pagou despesas com passagens aéreas para o Sr. Paulo Leonardo Martins, colaborador do Instituto, viajar como precursor de viagens do ex-presidente Lula, de cunho estritamente político (campanha eleitoral), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "h" e § 3°, com binado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. m) O Instituto Lula pagou despesas de hospedagem para os seguranças particulares do ex-presidente Lula acompanhá-lo em eventos políticos, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "h" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n°9.532/1997. n) O Instituto Lula cedeu a sua estrutura e os seus funcionários para a pessoa jurídica denominada L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda, sociedade empresária que tem como sócios o ex-presidente Lula e o presidente do Instituto Lula (Paulo Okamotto), fato que configura confusão operacional e infringe o disposto no artigo 12, § 2', alínea "b" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. II— ANO-CALENDÁRIO DE 2013 a) O Instituto Lula remunerou a diretora CLARA LEVIN ANT, como prestadora de serviços, sem vínculo empregatício e sem formalização de contrato escrito, para que a referida diretora, entre outras funções, atuasse como secretária particular do ex-presidente Lula, na sua atividade empresarial, exercida por meio de sua empresa de palestras (L.I.L.S. Palestras), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alíneas "a" e "b" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. b) O Instituto Lula remunerou o diretor RICARDO BATISTA AMARAL, por meio de sua empresa, RIMA CONSULTORIA EM COMUNICAÇÃO SOCIAL — EIRELI, como prestador de serviços, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "a" e § 3° combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. c) O Instituto Lula remunerou o diretor CELSO OLIVEIRA MARCONDES DE FARIA, por meio de sua empresa, POR SUPUESTO COMUNICAÇÃO LTDA., como prestador de serviços, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "a" e § 3° combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. d) O Instituto Lula pagou por serviços da empresa Presscell Telecomunicações, de aluguel de aparelhos de telefonia celular que foram utilizados; em palestras remuneradas do ex-presidente Lula, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. e) O Instituto Lula pagou por serviços da empresa CINE FOTO STUCKERT PRESS LTDA., relativos à cobertura fotográfica de eventos particulares do! ex-presidente Lula, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. Fl. 6592DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 6 f) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa M GMIGNANI DE CAMARGO PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS, relativos a serviços prestados ao ex-presidente Lula (produção de vídeos que foram publicados nas suas redes sociais), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. g) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa MULTI INTERPRETAÇÃO LTDA., relativos a serviços de interpretação simultânea, cujos serviços foram prestados à L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., sociedade empresária que tem como sócios o ex-presidente Lula e o presidente do Instituto Lula (Paulo Okamotto), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3° combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 30, da Lei n° 9.532/1997. h) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa NOTA COMUNICAÇÃO LTDA., relativos a serviços prestados ao ex-presidente Lula (preparação de textos para discursos), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 30, da Lei n° 9.532/1997. i) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa UM CERTO OLHAR IMAGENS E EDITORA LTDA., no período de janeiro a abril de 2013, relativos' aos serviços prestados pela jornalista Maria Inês Nassif, mediante interposição de pessoa, fato que configura fraude fiscal e infringe o disposto no artigo 13, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. j) O Instituto Lula pagou despesas com passagens aéreas e hospedagem para o diretor Luiz Soares Dulci participar de evento particular (lançamento do seu livro), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. k) O Instituto Lula pagou despesas de hospedagem e de locação de veículo para o ex-presidente Lula participar de eventos políticos, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. I) O Instituto Lula pagou despesas com passagens aéreas para intérpretes do ex- presidente Lula em eventos particulares (palestras remuneradas), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e 3°, com binado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n°9.532/1997. m) O Instituto Lula cedeu a sua estrutura e os seus funcionários para a pessoa jurídica denominada L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., sociedade empresária que tem como sócios o ex-presidente Lula e o presidente do Instituto Lula (Paulo Okamotto), fato que configura confusão operacional e infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, com binado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n°9.532/1997. III — ANO-CALENDÁRIO DE 2014 Fl. 6593DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 7 a) O Instituto Lula remunerou a diretora CLARA LEVIN ANT, por meio da sua empresa NEMALA ASSESSORIA EM PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E PROJETOS — EIRELI, para que a referida diretora, entre outras funções, atuasse corno secretária particular do ex-presidente Lula, na sua atividade empresarial, exercida por meio de sua empresa de palestras (L.I.L.S. Palestras), fato que infringe o disposto no artigo 12, 2°, alíneas "a" e "b" e 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e 5 3°, da Lei n° 9.532/1997. b) O Instituto Lula remunerou o diretor RICARDO BATISTA AMARAL, por meio de sua empresa, RIMA CONSULTORIA EM COMUNICAÇÃO SOCIAL — EIRELI, como prestador de serviços, fato que infringe o disposto no artigo 12, 2°, alínea "a" e 3° combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 30, da Lei n° 9.532/1997. c) O Instituto Lula remunerou o diretor CELSO OLIVEIRA MARCONDES DE FARIA, por meio de sua empresa, POR SUPUESTO COMUNICAÇÃO LTDA., como prestador de serviços, fato que infringe o disposto no artigo 12, 2°, alínea "a" e 3° combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n°9.532/1997. d) O Instituto Lula pagou por serviços da empresa Presscell Telecomunicações, de aluguel de aparelhos de telefonia celular que foram utilizados em palestras remuneradas do ex-presidente Lula, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e §3°, da Lei n° 9.532/1997. e) O Instituto Lula pagou despesas relativas à compra de equipamentos e reforma e ampliação de imóvel da Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho, fato que infringe o disposto no artigo 12, 2°, alínea "b" e 3°, combinado com o disposto no artigo 15, § 3° da Lei n°9.532/1997. f) O Instituto Lula pagou por serviços da empresa CINE FOTO STUCKERT PRESS LTDA., relativos à cobertura fotográfica de eventos particulares do ex-presidente Lula, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 39, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. g) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa DIOGO ANTONIO RODRIGUEZ — ME, relativos a serviços prestados ao ex-presidente Lula (redação e edição de textos, administração e monitoramento das suas redes sociais), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, com binado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n°9.532/1997. h) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa ESTRELA 21 EDITORAÇÃO LTDA. — ME, relativos a serviços prestados na campanha eleitoral do PT e pai- tidos aliados, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n°9.532/1997. i) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa M GMIGNANI DE CAMARGO PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS, relativos a serviços prestados ao ex-presidente Lula(produção de vídeos que foram publicados nas suas redes sociais), fato que Fl. 6594DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 8 infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. i) O Instituto Lula não reteve o imposto de renda e as contribuições socias relativas aos pagamentos efetuados à empresa MESOSFERA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA., não obstante se tratarem de serviços caracterizadamente de natureza profissional, nos termos do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda(Decreto n° 3.000/99) e do artigo 1° da Instrução Normativa SRF 459/2004 e cujo prestador de serviços não era optante do Simples Nacional no ano de 2014, fato que infringe o disposto no artigo 13, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. k) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa MULTI INTERPRETAÇÃO LTDA., relativos a serviços de interpretação simultânea, cujos serviços foram prestados à L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., sociedade empresária que tem como sócios o ex-presidente Lula e o presidente do Instituto Lula (Paulo Okamotto), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 30, da Lei n° 9.532/1997. l) O Instituto Lula pagou despesas com passagem aérea para o Sr. Paulo Okamotto, presidente da entidade, se encontrar com o diretor do Sebrae, em Brasília, para tratar de assuntos relativos à micro e pequena empresa, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3° combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. m) O Instituto Lula pagou despesa com passagem aérea para o diretor Luiz Soares Dulci participar de um evento político (comemoração dos 35 anos do Sind-UTE), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. n) O Instituto Lula pagou despesa de fretamento de aeronave para o ex- presidente Lula viajar a Brasília para participar de um congresso de entidades representativas das empresas de mídia impressa do interior do país, fato que infringe o disposto no artigo 15 caput e 3°, da Lei n° 9.532/1997. o) O Instituto Lula pagou despesas de hospedagem para o ex-presidente Lula participar de eventos políticos, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. p) O Instituto Lula pagou despesas com passagens aéreas para o Sr. Paulo Leonardo Martins, colaborador do Instituto, viajar como precursor de viagens do ex-presidente Lula, de cunho estritamente político (campanha eleitoral), fato que infringe o disposto no artigo 12, 2°, alínea "b" e 3°, com binado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n°9.532/1997. q) O Instituto Lula pagou despesas de hospedagem para os seguranças particulares do ex-presidente Lula acompanhá-lo em eventos políticos, fato que Fl. 6595DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 9 infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, com binado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n° 9.532/1997. r) O Instituto Lula cedeu a sua estrutura e os seus funcionários para a pessoa jurídica denominada L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda, sociedade empresária que tem como sócios o ex-presidente Lula e o presidente do Instituto Lula (Paulo Okamotto), fato que configura confusão operacional e infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e § 3°, com binado com o disposto no artigo 15 caput e § 3°, da Lei n°9.532/1997. Ou seja, restou devidamente comprovado que o Instituto Lula não cumpriu os requisitos legais para gozo da isenção tributária nos anos-calendário de 2012, 2013 e 2014, especialmente o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "b" e §3°. combinado com o disposto no artigo 15 caput e §3°, da Lei n° 9.532/1997 (aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais). Portanto, nos termos do artigo 32, § 2°, da Lei n° 9.430/1996, fica o Instituto Lula cientificado do presente TERMO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL e de que poderá, no prazo de trinta dias, a contar da data da ciência deste, apresentar as alegações e os elementos de prova que entender necessários, na Delegacia Especial da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, localizada na Rua Luís Coelho, 197, 12° andar, Consolação, São Paulo — SP, CEP 01309-001. (...)”. Posteriormente, a Equipe Especial de Fiscalização 201512 da Coordenação- Geral de Fiscalização -SRFB elaborou a Representação Fiscal- Suspensão da Isenção Tributária- Anos Calendários 2012/2014, cujo teor segue abaixo em síntese (e-fls. 5.145/5.277): “REPRESENTAÇÃO FISCAL SUSPENSÃO DE ISENÇÃO TRIBUTÁRIA – ANOS-CALENDÁRIO 2012/2014 (...) Sr. Delegado da Delegacia Especial da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo: No exercício das funções de Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, formalizamos a presente REPRESENTAÇÃO FISCAL, em consonância com o disposto nº artigo 32 da Lei nº 9.430/96, bem como com as disposições constantes nos artigos 12 e 15 da Lei nº 9.532/97, visando iniciar procedimento administrativo de suspensão da isenção tributária da pessoa jurídica INSTITUTO LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, cadastrada nº CNPJ sob nº 64.725.872/0001-08, referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativos aos anos-calendário de 2012, 2013 e 2014, tendo em vista os fatos relatados no TERMO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL para fins de SUSPENSÃO DE ISENÇÃO TRIBUTÁRIA, anexado ao processo administrativo nº 16004.720190/2017-31, no qual foi constatado o seguinte: Fl. 6596DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 10 (...) 6 – DA CONCLUSÃO O Instituto Lula declarou-se na condição de Associação Civil "isenta do IRPJ" e "desobrigada da apuração da CSLL", em suas DIPJ relativas aos anos-calendário de 2012 e 2013 e na sua ECF relativa ao ano-calendário de 2014 (fls. 4912/4999). Para ter direito ao benefício da isenção do IRPJ e da CSLL, as pessoas jurídicas devem obedecer os requisitos legais determinados pelo artigo 15 caput e § 3º da Lei nº 9.532/97, abaixo transcritos: Art. 15. Consideram-se isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 3º Às instituições isentas aplicam-se as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Por sua vez, o artigo 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e os artigos 13 e 14 da Lei nº 9.532/97 dispõem o seguinte: (...) Entretanto, face a todo o exposto neste termo, restou devidamente comprovado que o Instituto Lula não cumpriu os requisitos legais para gozo da isenção tributária nos anos calendário de 2012, 2013 e 2014. A seguir, faremos um resumo das infrações praticadas pelo Instituto Lula, em cada um dos anos-calendário objeto do presente procedimento, as quais ensejam a suspensão da isenção tributária: I – ANO-CALENDÁRIO DE 2012 a) O Instituto Lula remunerou a diretora CLARA LEVIN ANT, como prestadora de serviços, sem vínculo empregatício e sem formalização de contrato escrito, para que a referida diretora, entre outras funções, atuasse como secretária particular do ex-presidente Lula, na sua atividade empresarial, exercida por meio de sua empresa de palestras (L.I.L.S. Palestras), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alíneas "a" e “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. b) O Instituto Lula remunerou o diretor RICARDO BATISTA AMARAL, por meio de sua empresa, RIMA CONSULTORIA EM COMUNICAÇÃO SOCIAL – EIRELI, como prestador de serviços, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "a" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. c) O Instituto Lula remunerou o diretor CELSO OLIVEIRA MARCONDES DE FARIA, por meio de sua empresa, POR SUPUESTO COMUNICAÇÃO LTDA., como prestador de serviços, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "a" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. Fl. 6597DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 11 d) O Instituto Lula pagou por serviços da empresa Presscell Telecomunicações, de aluguel de aparelhos de telefonia celular que foram utilizados em palestras remuneradas do ex-presidente Lula, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. e) O Instituto Lula pagou por serviços da empresa CINE FOTO STUCKERT PRESS LTDA., relativos à cobertura fotográfica de eventos particulares do ex-presidente Lula, especialmente os comícios que ele participou, fazendo campanha para políticos do Partido dos Trabalhadores, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. f) O Instituto Lula pagou por serviços da empresa G-INTER TANSPORTES LTDA., relativos a despesas de armazenagem climatizada de bebidas da adega particular do ex-presidente Lula, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. g) O Instituto Lula não reteve o imposto de renda e as contribuições socias relativas aos pagamentos efetuados à empresa MESOSFERA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA., não obstante se tratarem de serviços caracterizadamente de natureza profissional, nos termos do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99) e do artigo 1º da Instrução Normativa SRF 459/2004 e cujo prestador de serviços não era optante do Simples Nacional no ano de 2012, fato que infringe o disposto no artigo 13, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. h) O Instituto Lula efetuou um pagamento à empresa S&A SERVIÇOS, no dia 12/11/2012, relativo à nota fiscal nº 406, emitida pela referida pessoa jurídica, nº valor de R$ 16.000,00. Todavia, a referida pessoa jurídica não prestou serviços ao Instituto Lula, mas somente “emprestou” a nota fiscal à jornalista Maria Inês Nassif, fato que configura fraude fiscal e infringe o disposto no artigo 13, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. i) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa UM CERTO OLHAR IMAGENS E EDITORA LTDA., no período de junho a dezembro de 2012, relativos aos serviços prestados pela jornalista Maria Inês Nassif, mediante interposição de pessoa, fato que configura fraude fiscal e infringe o disposto no artigo 13, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. j) O Instituto Lula pagou despesas com passagens aéreas e hospedagem para o diretor Luiz Soares Dulci participar de eventos políticos, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. k) O Instituto pagou despesas com fretamento de aeronaves e hospedagem para o ex-presidente Lula participar de eventos políticos, fato que infringe o disposto Fl. 6598DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 12 no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. l) O Instituto Lula pagou despesas com passagens aéreas para o Sr. Paulo Leonardo Martins, colaborador do Instituto, viajar como precursor de viagens do ex-presidente Lula, de cunho estritamente político (campanha eleitoral), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. m) O Instituto Lula pagou despesas de hospedagem para os seguranças particulares do ex-presidente Lula acompanhá-lo em eventos políticos, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. n) O Instituto Lula cedeu a sua estrutura e os seus funcionários para a pessoa jurídica denominada L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., sociedade empresária que tem como sócios o ex-presidente Lula e o presidente do Instituto Lula (Paulo Okamotto), fato que configura confusão operacional e infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. II – ANO-CALENDÁRIO DE 2013 a) O Instituto Lula remunerou a diretora CLARA LEVIN ANT, como prestadora de serviços, sem vínculo empregatício e sem formalização de contrato escrito, para que a referida diretora, entre outras funções, atuasse como secretária particular do ex-presidente Lula, na sua atividade empresarial, exercida por meio de sua empresa de palestras (L.I.L.S. Palestras), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alíneas "a" e “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. b) O Instituto Lula remunerou o diretor RICARDO BATISTA AMARAL, por meio de sua empresa, RIMA CONSULTORIA EM COMUNICAÇÃO SOCIAL – EIRELI, como prestador de serviços, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "a" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. c) O Instituto Lula remunerou o diretor CELSO OLIVEIRA MARCONDES DE FARIA, por meio de sua empresa, POR SUPUESTO COMUNICAÇÃO LTDA., como prestador de serviços, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "a" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. d) O Instituto Lula pagou por serviços da empresa Presscell Telecomunicações, de aluguel de aparelhos de telefonia celular que foram utilizados em palestras remuneradas do ex-presidente Lula, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. e) O Instituto Lula pagou por serviços da empresa CINE FOTO STUCKERT PRESS LTDA., relativos à cobertura fotográfica de eventos particulares do ex-presidente Fl. 6599DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 13 Lula, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. f) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa M GMIGNANI DE CAMARGO PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS, relativos a serviços prestados ao ex-presidente Lula (produção de vídeos que foram publicados nas suas redes sociais), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 20, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. g) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa MULTI INTERPRETAÇÃO LTDA., relativos a serviços de interpretação simultânea, cujos serviços foram prestados à L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., sociedade empresária que tem como sócios o ex-presidente Lula e o presidente do Instituto Lula (Paulo Okamotto), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 20, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. h) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa NOTA COMUNICAÇÃO LTDA., relativos a serviços prestados ao ex-presidente Lula (preparação de textos para discursos), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 20, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. i) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa UM CERTO OLHAR IMAGENS E EDITORA LTDA., no período de janeiro a abril de 2013, relativos aos serviços prestados pela jornalista Maria Inês Nassif, mediante interposição de pessoa, fato que configura fraude fiscal e infringe o disposto no artigo 13, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. j) O Instituto Lula pagou despesas com passagens aéreas e hospedagem para o diretor Luiz Soares Dulci participar de evento particular (lançamento do seu livro), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. k) O Instituto Lula pagou despesas de hospedagem e de locação de veículo para o ex-presidente Lula participar de eventos políticos, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. l) O Instituto Lula pagou despesas com passagens aéreas para intérpretes do ex- presidente Lula em eventos particulares (palestras remuneradas), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. m) O Instituto Lula cedeu a sua estrutura e os seus funcionários para a pessoa jurídica denominada L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., sociedade empresária que tem como sócios o ex-presidente Lula e o presidente do Instituto Lula (Paulo Okamotto), fato que configura confusão operacional e infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. Fl. 6600DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 14 III – ANO-CALENDÁRIO DE 2014 a) O Instituto Lula remunerou a diretora CLARA LEVIN ANT, por meio da sua empresa NEMALA ASSESSORIA EM PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E PROJETOS – EIRELI, para que a referida diretora, entre outras funções, atuasse como secretária particular do ex-presidente Lula, na sua atividade empresarial, exercida por meio de sua empresa de palestras (L.I.L.S. Palestras), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 20, alíneas "a" e “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. b) O Instituto Lula remunerou o diretor RICARDO BATISTA AMARAL, por meio de sua empresa, RIMA CONSULTORIA EM COMUNICAÇÃO SOCIAL – EIRELI, como prestador de serviços, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "a" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. c) O Instituto Lula remunerou o diretor CELSO OLIVEIRA MARCONDES DE FARIA, por meio de sua empresa, POR SUPUESTO COMUNICAÇÃO LTDA., como prestador de serviços, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea "a" e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. d) O Instituto Lula pagou por serviços da empresa Presscell Telecomunicações, de aluguel de aparelhos de telefonia celular que foram utilizados em palestras remuneradas do ex-presidente Lula, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. e) O Instituto Lula pagou despesas relativas à compra de equipamentos e reforma e ampliação de imóvel da Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2º, alínea “b” e § 3º, combinado com o disposto no artigo 15, § 3º da Lei nº 9.532/1997. f) O Instituto Lula pagou por serviços da empresa CINE FOTO STUCKERT PRESS LTDA., relativos à cobertura fotográfica de eventos particulares do ex-presidente Lula, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. g) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa DIOGO ANTONIO RODRIGUEZ – ME, relativos a serviços prestados ao ex-presidente Lula (redação e edição de textos, administração e monitoramento das suas redes sociais), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. h) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa ESTRELA 21 EDITORAÇÃO LTDA– ME, relativos a serviços prestados na campanha eleitoral do PT e partidos aliados, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. i) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa M GMIGNANI DE CAMARGO PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS, relativos a serviços prestados ao ex-presidente Fl. 6601DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 15 Lula(produção de vídeos que foram publicados nas suas redes sociais), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 20, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. j) O Instituto Lula não reteve o imposto de renda e as contribuições socias relativas aos pagamentos efetuados à empresa MESOSFERA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA., não obstante se tratarem de serviços caracterizadamente de natureza profissional, nos termos do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda(Decreto nº 3.000/99) e do artigo 1º da Instrução Normativa SRF 459/2004 e cujo prestador de serviços não era optante do Simples Nacional no ano de 2014, fato que infringe o disposto no artigo 13, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. k) O Instituto Lula efetuou pagamentos à empresa MULTI INTERPRETAÇÃO LTDA., relativos a serviços de interpretação simultânea, cujos serviços foram prestados à L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., sociedade empresária que tem como sócios o ex-presidente Lula e o presidente do Instituto Lula (Paulo Okamotto), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 20, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. l) O Instituto Lula pagou despesas com passagem aérea para o Sr. Paulo Okamotto, presidente da entidade, se encontrar com o diretor do Sebrae, em Brasília, para tratar de assuntos relativos à micro e pequena empresa, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 20, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. m) O Instituto Lula pagou despesa com passagem aérea para o diretor Luiz Soares Dulci participar de um evento político (comemoração dos 35 anos do Sind-UTE), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 20, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. n) O Instituto Lula pagou despesa de fretamento de aeronave para o ex- presidente Lula viajar a Brasília para participar de um congresso de entidades representativas das empresas de mídia impressa do interior do país, fato que infringe o disposto nº artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. o) O Instituto Lula pagou despesas de hospedagem para o ex-presidente Lula participar de eventos políticos, fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. p) O Instituto Lula pagou despesas com passagens aéreas para o Sr. Paulo Leonardo Martins, colaborador do Instituto, viajar como precursor de viagens do ex-presidente Lula, de cunho estritamente político (campanha eleitoral), fato que infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. q) O Instituto Lula pagou despesas de hospedagem para os seguranças particulares do ex-presidente Lula acompanhá-lo em eventos políticos, fato que Fl. 6602DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 16 infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. r) O Instituto Lula cedeu a sua estrutura e os seus funcionários para a pessoa jurídica denominada L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., sociedade empresária que tem como sócios o ex-presidente Lula e o presidente do Instituto Lula (Paulo Okamotto), fato que configura confusão operacional e infringe o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 3°, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. Ou seja, restou devidamente comprovado que o Instituto Lula não cumpriu os requisitos legais para gozo da isenção tributária nos anos-calendário de 2012, 2013 e 2014, especialmente o disposto no artigo 12, § 2°, alínea “b” e § 30, combinado com o disposto no artigo 15 caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997 (aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais). Portanto, nos termos do artigo 32, § 2º, da Lei nº 9.430/1996, o Instituto Lula foi cientificado do TERMO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL para SUSPENSÃO DE ISENÇÃO nº dia 10/08/2017 e de que poderia, no prazo de trinta dias, a contar da data da ciência do Termo de Notificação Fiscal, apresentar as alegações e os elementos de prova que entendesse necessários, na Delegacia Especial da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, localizada na Rua Luís Coelho, 197, 12° andar, Consolação, São Paulo — SP, CEP 01309-001. (...) Face a todo o exposto acima, formalizamos a presente REPRESENTAÇÃO FISCAL de SUSPENSÃO DE ISENÇÃO, relativa aos anos-calendário de 2012, 2013 e 2014, para os fins previstos no art. 32 da Lei nº 9.430/96”. Da Manifestação sobre a Notificação Afirmou o Contribuinte que a notificação objetiva suspender as isenções tributárias a que faz jus o Instituto, nos exercícios de 2012, 2013 e 2014. Aduziu que no que diz respeito ao exercício de 2011, objeto de notificação separada, a fiscalização pareceu um pouco perdida em suas acusações, que foram modificadas a cada uma de suas manifestações, sempre na tentativa de retratar o Instituto como fonte de rendimentos para o ex-presidente Lula e de macular a sua imagem. Alegou que o ex-presidente Lula não se beneficiou, direta ou indiretamente, do instituto que leva o seu nome, especialmente dos recursos que a instituição movimentou, não havendo, ainda, na notificação, qualquer indicação específica de irregularidade cometida pelo presidente da entidade, Paulo Tarciso Okamotto. Fl. 6603DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 17 Asseverou que o Instituto foi criado por causa do personagem (não do “contribuinte”) Lula, no entorno dele e de suas atividades de cunho institucional. Ele, como personagem histórico vivo, e o principal disseminador das boas práticas sociais criadas em seus governos. Suas experiências, os programas que criou são divulgados por ele através do Instituto e com a colaboração de uma equipe de profissionais contratados e de voluntários, o que nada tem a ver com interesses “particulares, financeiros e empresariais. Pontuou que todas as despesas questionadas, se tomadas em conjunto, representam valores irrisórios, seja em relação às receitas do Instituto, seja em relação ao montante total das despesas em que ele incorreu em cada um dos exercícios fiscalizados. Destacou que no ano de 2012, o total dos questionamentos importou em R$119.750,88, ao passo que este Instituto teve receitas brutas de R$4.278.753,00 e despesas de R$3.885.002,37. Portanto, os questionamentos da fiscalização representam meros 2,80% das receitas e 3,08% das despesas da entidade, o que demonstra que, ainda que fossem pertinentes os questionamentos, pelo menos 97% dos recursos da entidade teriam tido aplicação adequada. Esclareceu que no ano de 2013, os questionamentos totais são de R$51.726,81, enquanto a entidade teve receitas de R$11.627.630,66 e despesas de R$5.940.520,12. Assim, os questionamentos da fiscalização representam irrisórios 0,44% (quarenta e quatro centésimos por cento!) das receitas e 0,87% (oitenta e sete centésimos por cento!!) das despesas. Ressaltou que no ano de 2014, os questionamentos totais são de R$ 50.600,95, contra receitas de R$15.500.356,31 e despesas de R$8.095.366,76. Os questionamentos, então, são de 0,33% (trinta e três centésimos por cento!) das receitas e 0,63% (sessenta e três centésimos por cento!) das despesas. Salientou que não existe qualquer confusão entre as atividades do Instituto Lula e da empresa L.I.L.S. Palestras, muito menos utilização do Instituto para o angariamento de palestras ou qualquer outro tipo de atividade lucrativa para a figura do ex-presidente Lula ou para a figura do Sr. Paulo Okamotto, presidente da entidade. Frisou que a Lei n° 12.868/2013 incluiu na Lei n° 9.532/1997 os parágrafos 4°, 5° e 6 de seu art. 12, os quais passaram a autorizar, expressamente, a remuneração de diretores estatutários, desde que respeitadas certas condições e que todas as condições estabelecidas na lei foram devidamente respeitadas pelo Instituto Lula. Ponderou que os diretores Clara Levin Ant, Ricardo Batista do Amaral e Celso Oliveira Marcondes de Faria não têm qualquer vínculo familiar com os demais membros da diretoria ou, especialmente, com a pessoa do Ex-Presidente Lula. Elucidou: - que tal como no processo fiscal relativo ao exercício de 2011, foi demonstrado que nenhuma das acusações contidas na notificação é procedente. Fl. 6604DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 18 - que inexistiu o “desvio de finalidade” do Instituto Lula, instituição que tem natureza cultural, voltada para a produção, divulgação e gestão de conteúdo ligado à defesa dos direitos sociais, à preservação da memória, das ações, das ideias e dos valores defendidos pelo ex- presidente. - que inexistiu, também, qualquer tipo de “confusão” entre atividades do Instituto Lula e a empresa L.I.L.S. Palestras. O interesse na figura do ex-presidente decorre de seu prestígio local e internacional e o Instituto Lula jamais foi utilizado para angariar serviços remunerados à pessoa do ex-presidente. - que nenhum dos recursos do Instituto Lula foi aplicado fora de suas atividades institucionais, especialmente em benefício da pessoa do ex-presidente, de seus familiares ou de seus companheiros. - que a remuneração de diretores estatutários já era admitida pelo CARF e passou a ser expressamente admitida pela legislação. Além disso, os pagamentos efetuados aos administradores do Instituto, ainda que não relacionados às suas atividades estatutárias, obedeceram rigorosamente aos limites legais. - que todas as receitas e despesas do Instituto Lula estão escrituradas de acordo com as exigências das Normas Brasileiras de Contabilidade e suportadas por documentação idônea. Pleiteou que seja pronunciada a improcedência das acusações contidas na notificação, bem como que seja mantida na íntegra as isenções. Parecer DERAT/GABIN n°. 1/2017 A DERAT/SP elaborou o Parecer n°. 1/2017 no dia 03/outubro/2017 sob a suspensão da isenção do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido usufruída pelo Instituto Luiz Inácio Lula da Silva, cujo teor segue abaixo em síntese (e-fls. 5.428/5.451): “36. Posto isto, com base no artigo 32, § § 3º e 10º, da Lei nº 9.430/1996, proponho seja SUSPENSA A ISENÇÃO TRIBUTÁRIA relativa ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da entidade beneficiária acima qualificada, nos anos-calendário de 2012, 2013 e 2014”. Ato Contínuo, o Delegado da DERAT/SP proferiu decisão no dia 03/outubro/2017, cujo teor segue abaixo (e-fl. 5.452): “De acordo. Aprovo o parecer retro e endossando a proposta constante de seu item 36, SUSPENDO A ISENÇÃO TRIBUTÁRIA relativa ao Imposto de Renda Pessoa Fl. 6605DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 19 Jurídica e à Contribuição social sobre o Lucro Líquido de goza o Instituto Luiz Inácio Lula da Silva, na qualidade de associação sem finalidade lucrativa de que trata o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1887, relativamente aos anos-calendário 2012, 2013 e 2014. Expeça-se o pertinente Ato Declaratório Executivo. Dê-se ciência à entidade beneficiária e publique-se para publicidade. Em 3 de outubro de 2017. (...)”. Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO n°. 224 de 03 de Outubro de 2017 O Delegado da DERAT-SP confeccionou o Ato Declaratório Executivo n°. 224, de 03 de Outubro de 2017 suspendendo a isenção de IRPJ e CSLL do Contribuinte nos anos calendários de 2012, 2013 e 2014 (e-fl. 5.453), cujo inteiro teor segue abaixo: “ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DERAT/SPO Nº 224, DE 3 DE OUTUBRO DE 2017 Suspende a isenção tributária do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do contribuinte INSTITUTO LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, CNPJ n° 64.725.872/0001-08, nos anos-calendário 2012, 2013 e 2014. O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EM SÃO PAULO, no uso das atribuições que lhe conferem os artigos 226 e 305, do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203/2012, tendo em vista o disposto no artigo 32, § 3º, combinado com § 10°, da Lei n° 9.430/1996, e o constante do processo n° 16004.720190/2017-31, RESOLVE: Art. 1º Suspender a isenção tributária do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido do contribuinte INSTITUTO LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, cadastrado sob o CNPJ n° 64.725.872/0001-08, relativamente aos anos-calendário 2012, 2013 e 2014. Art. 2º Este Ato Declaratório Executivo produz efeitos desde a ciência do contribuinte. (...)”. Dos Autos de Infrações Lavrados A DRF-São José do Rio Preto- SP lavrou o Auto de Infração- Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no dia 18/novembro/2017, cujo teor segue abaixo em síntese (e-fls. 5.737/5.770): “Auto de Infração Fl. 6606DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 20 IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA (...) Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, nos termos dos arts. 904 e 926 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99), em face da apuração das infrações abaixo descritas aos dispositivos legais mencionados. DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA (...) RESULTADOS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS INFRAÇÃO: RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS Tendo em vista a suspensão da isenção do Instituto Lula e a sua opção pela tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro real anual, em relação ao ano- calendário de 2012, efetuamos o lançamento de ofício com base no regime de tributação escolhido pelo contribuinte, conforme demonstrado no Termo de Descrição dos Fatos anexo ao Auto de Infração e do qual é parte integrante. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: art. 3° da Lei n° 9.249/95. Arts. 247, 249, inciso II e 841, inciso III, do RIR/99 RECEITA DA ATIVIDADE ESCRITURADA E NÃO DECLARADA INFRAÇÃO: RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL Tendo em vista a suspensão da isenção do Instituto Lula e a sua opção pela tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro presumido, nos anos-calendário de 2013 e 2014, foi efetuado o lançamento de ofício com base no regime de tributação escolhido pelo contribuinte, conforme demonstrado no Termo de Descrição dos Fatos anexo ao Auto de Infração e do qual é parte integrante. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2014: art. 3° da Lei n° 9.249/95. Arts. 518 e 519, § 1°, inciso III, alínea 'a', e §§ 4° e 5°, do RIR/99 DEMAIS RECEITAS E RESULTADOS INFRAÇÃO: RENDIMENTOS E GANHOS LÍQUIDOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS Fl. 6607DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 21 Tendo em vista a suspensão da isenção do Instituto Lula e a sua opção pela tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro presumido, em relação aos anos- calendário de 2013 e 2014, foram incluídos na base de cálculo desses tributos o rendimento de aplicações financeiras, conforme demonstrado no Termo de Descrição dos Fatos anexo ao Auto de Infração e do qual é parte integrante. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2014: art. 3° da Lei n° 9.249/95. Art. 521 do RIR/99 (...) DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Vencimento do Tributo Fatos Geradores entre 01/01/2012 e 31/12/2012: Art. 6°, § 1°, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Fatos Geradores entre 01/01/2013 e 31/12/2014: Art. 5° da Lei n° 9.430/96. Multas Passíveis de Redução Fatos Geradores entre 01/01/2012 e 31/12/2014: 150,00% Art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07 Juros de Mora A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (para Fatos Geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente à taxa referencial TAXA DO SIST. ESPEC. DE LIQ. E CUSTODIA - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3°, da lei n° 9.430/96 Fatos Geradores a partir de 01/01/1997: Art. 6, § 2°, da Lei n° 9.430/96”. A DRF-São José do Rio Preto- SP lavrou o Auto de Infração- CSLL, no dia 18/novembro/2017, cujo teor segue abaixo em síntese (e-fls. 5.771/5.798): Fl. 6608DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 22 “Auto de Infração CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (...) DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (...) Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, com a observância do Decreto n° 70.235/72, e alterações posteriores, em face da apuração das infrações abaixo discriminadas, com fundamento em fatos cuja apuração serviu para a determinação de infrações à legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. RESULTADOS INFRAÇÃO: RESULTADOS NÃO DECLARADOS Tendo em vista a suspensão isenção do Instituto Lula e a sua opção pela tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro real anual, em relação ao ano- calendário de 2012, efetuamos o lançamento de ofício com base no regime de tributação escolhido pelo contribuinte, conforme demonstrado no Termo de Descrição dos Fatos anexo ao Auto de Infração e do qual é parte integrante. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: Art. 2° da Lei n° 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2° da Lei n° 8.034/90 Art. 57 da Lei n° 8.981/95, com as alterações do art. 1° da Lei n° 9.065/95 Art. 2° da Lei n° 9.249/95 Art. 1° da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n°9.430/96 Art. 28 da Lei n° 9.430/96. Art. 3° da Lei n°7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei n°11.727/08 Art. 28 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 39 da Medida Provisória n° 563/12. Art. 28 da Lei n°9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei n° 12.715/12. OMISSÃO DE RECEITA INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA SOBRE OUTRAS RECEITAS E DEMAIS RESULTADOS OMITIDOS Tendo em vista a suspensão da isenção do Instituto Lula e a sua opção pela tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro presumido, em relação aos anos- Fl. 6609DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 23 calendário de 2013 e 2014, foram incluídos na base de cálculo desses tributos o rendimento de aplicações financeiras, conforme demonstrado no Termo de Descrição dos Fatos anexo ao Auto de Infração e do qual é parte integrante. Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2014: Art. 2° da Lei n° 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2° da Lei n° 8.034/90 Art. 2° da Lei n° 9.249/95 Art. 29, inciso II, da Lei n° 9.430/96 Art. 22 da Lei n° 10.684/03 Art. 3° da Lei n° 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 11.727/08 Art. 24, § 2°, da Lei n°9.249/95 com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei n°11.941/09 Art. 28 da Lei n°9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei n° 12.715/12. RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS INFRAÇÃO: FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE RECEITAS DA ATIVIDADE ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS Tendo em vista a suspensão da isenção do Instituto Lula e a sua opção pela tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro presumido, nos anos-calendário de 2013 e 2014, foi efetuado o lançamento de ofício com base no regime de tributação escolhido pelo contribuinte, conforme demonstrado no Termo de Descrição dos Fatos anexo ao Auto de Infração e do qual é parte integrante. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2014: Art. 2° da Lei n° 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2° da Lei n° 8.034/90 Art. 2° da Lei n° 9.249/95 Art. 29, inciso I, da Lei n° 9.430/96 Art. 22 da Lei n° 10.684/03 Art. 3° da Lei n° 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 11.727/08 Art. 28 da Lei n°9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei n° 12.715/12. (...) DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Fl. 6610DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 24 (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Vencimento do Tributo Fatos Geradores entre 01/01/2012 e 31/12/2012: Arts.1°, 6°, § 1°, I e 28 da Lei n° 9.430/96. Fatos Geradores entre 01/01/2013 e 31/12/2014: Art. 10, 5° e 28 da Lei n°9.430/96. Multas Passíveis de Redução Fatos Geradores entre 01/01/2012 e 31/12/2014: 150,00% Art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07 Juros de Mora A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (para Fatos Geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente à taxa referencial TAXA DO SIST. ESPEC. DE LIQ. E CUSTODIA - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3°, da lei n° 9.430/96 Fatos Geradores a partir de 01/01/1997: Art. 6, § 2°, da Lei n° 9.430/96”. A DRF-São José do Rio Preto- SP lavrou o Auto de Infração- Contribuição para o PIS/PASEP, no dia 18/novembro/2017, cujo teor segue abaixo em síntese (e-fls. 5.799/5.811): “Auto de Infração CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP (...) DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP (...) Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, com a observância do Decreto n° 70.235/72, e alterações posteriores, em face da apuração das infrações abaixo discriminadas, com fundamento em fatos cuja apuração serviu para a determinação de infrações à legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Fl. 6611DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 25 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS Tendo em vista a suspensão da isenção do Instituto Lula e a sua opção pela tributação com base no LUCRO REAL ANUAL, em relação ao ano-calendário de 2012, foi efetuado o lançamento de ofício) do PIS com base nº regime NÃO- CUMULATIVO, conforme demonstrado no Termo de Descrição dos Fatos anexo ao Auto de Infração e do qual é parte integrante. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/04/2012 e 31/12/2012: Art. 1° da Lei Complementar n°7/70; art. 4° da Lei n° 10.637/02 Art. 1° da Lei n° 10.637/02, com as alterações introduzidas pelo art. 25 da Lei n°10.684/03, pelo art. 37 da Lei n° 10.865/04, pelo art. 42, inciso III, alínea "c" da Lei n° 11.727/08 e pelo art. 16 da Lei n° 11.945/09 Art. 3° da Lei n° 10.637/02, com as alterações introduzidas pelo art. 25 da Lei n° 10.684/03, pelo art. 37 da Lei n° 10.865/04, pelo art. 16 da Lei n° 10.925/04, pelo art. 3° da Lei n° 10.996/04, pelo art. 45 da Lei n° 11.196/05, pelo art. 3° da Lei n° 11.307/06, pelo art. 17 da Lei n° 11.488/07, pelo art. 4° da Lei n° 11.787/08, pelo art. 14 da Lei n° 11.727/08, pelo art. 24 da Lei n° 11.898/09 e pelo art. 16 da Lei n° 11.945/09 (...) INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS Tendo em vista a suspensão da isenção do Instituto Lula e a sua opção pela tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro presumido, nos anos-calendário de 2013 e 2014, foi efetuado o lançamento de ofício com base no regime de tributação escolhido pelo contribuinte, conforme demonstrado no Termo de Descrição dos Fatos anexo ao Auto de Infração e do qual é parte integrante. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2014: Arts. 1° da Lei Complementar n° 7/70 Arts. 2°, inciso 1, e 9° da Lei n°9.715/98 Arts. 2° da Lei n°9.718/98 Art. 8°, inciso I, da Lei n° 9.715/98 Art. 79, da Lei n° 11.941/2009 Fl. 6612DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 26 Art. 3°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2° da Medida 35/01, pelo art. 41 da Lei n° 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei n° 11.945/09 (...) DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Vencimento do Tributo Fatos Geradores entre 01/01/2013 e 31/12/2014: Art. 18 da Medida Provisória n° 2.158-35/01, com a redação dada 15 pelo art. 1° da Lei n° 11.933/09 Fatos Geradores entre 01/04/2012 e 31/12/2012: Art. 10 da Lei n° 10.637/02, com a redação dada pelo art. 2° da Lei n° 11.933/09 Multas Passíveis de Redução Fatos Geradores entre 01/04/2012 é 31/12/2014: 150,00% Art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n°9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07 Juros de Mora A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (para Fatos Geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente à taxa referencial TAXA DO SIST. ESPEC. DE LIO. E CUSTODIA - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3°, da lei n° 9.430/96”. A DRF-São José do Rio Preto- SP lavrou o Auto de Infração- COFINS, no dia 18/novembro/2017, cujo teor segue abaixo em síntese (e-fls. 5.812/5.825): “Auto de Infração CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (...) DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (...) Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, com a observância do Decreto n° 70.235/72, e alterações posteriores, em I face da Fl. 6613DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 27 apuração das infrações abaixo discriminadas, com fundamento em fatos cuja apuração serviu para a determinação de infrações à legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Tendo em vista a suspensão da isenção do Instituto Lula e a sua opção pela tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro presumido, nos anos-calendário de 2013 e 2014, foi efetuado o lançamento de ofício com base nº regime de tributação escolhido pelo contribuinte, conforme demonstrado no Termo de Descrição dos Fatos anexo ao Auto de Infração e do qual é parte integrante. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2014: Art. 8° da Lei n° 9.718/1998 Art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; art. 2° da Lei n° 9.718/98 Art. 3° da Lei n° 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2° da Medida Provisória n° 2.158-35/01, pelo art. 41 da Lei n° 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei n° 11.945/09 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Tendo em vista a suspensão da isenção do Instituto Lula e a sua opção pela tributação com base no LUCRO REAL ANUAL, em relação ao ano-calendário de 2012, foi efetuado o lançamento de ofício da COFINS com base no regime NÃO- CUMULATIVO, conforme demonstrado no Termo de Descrição dos Fatos anexo ao Auto de Infração e do qual é parte integrante. (...) Fatos geradores ocorridos entre 01/04/2012 e 31/12/2012: Art. 1° da Lei Complementar n° 70/1991; art. 5° da Lei n° 10.833/2003 Art. 1° da Lei n° 10.833/03, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei n° 10.865/04 e pelo art. 17 da Lei n° 10.945/09 Art. 3° da Lei n° 10.833/03, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei n° 10.865/04, pelo art. 50 da Lei n° 10.925/04, pelo art. 21 da Lei n° 11.051/04, pelo art. 43 da Lei n° 11.196/05, pelo art. 40 da Lei n° 11.307/06, pelo art. 18 da Lei n° 11.488/07, pelo art. 5° da Lei n° 11.787/08, pelos arts. 15 e 36 da Lei n° 11.727/08, pelo art. 25 da Lei n° 11.898/09 e pelo art. 17 da Lei n° 11.945/09 (...) DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA Fl. 6614DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 28 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Vencimento do Tributo Fatos Geradores entre 01/04/2012 e 31/12/2012: Art. 11 da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pelo art. 3° da Lei n° 11.933/09 Fatos Geradores entre 01/01/2013 e 31/12/2014: Art. 18 da Medida Provisória n°2.158-35/01, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 11.933/09 Multas Passíveis de Redução Fatos Geradores entre 01/04/2012 e 31/12/2014: 150,00% Art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pelo art. Juros de Mora A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (para Fatos Geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente à taxa referencial TAXA DO SIST. ESPEC. DE LIQ. E CUSTODIA - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3°, da lei n° 9.430/96 14 da Lei n°11.488/07”. A Equipe Especial de Fiscalização 201512 da Coordenação- Geral de Fiscalização - SRFB elaborou o Termo de Descrição dos Fatos, (e-fls. 5.829/5.985). Da Impugnação do Instituto Luiz Inácio Lula da Silva, L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações, Luiz Inácio Lula da Silva e Paulo Tarciso Okamoto Afirmaram os Impugnantes que é vedada a interferência estatal – qualquer interferência, especialmente a tributária, talvez a mais velada de todas – no funcionamento das associações, o que, em cotejo com os relatórios de fiscalização produzidos neste feito, inclusive o “Termo de Descrição dos Fatos”, que embasa a autuação ora impugnada, deixa muito clara a inconstitucionalidade dos procedimentos utilizados pela fiscalização, não sendo dado a esta última, por expressa vedação constitucional, dizer o que a entidade pode e o que ela não pode fazer. Asseveraram que as situações em que ocorreram as supostas irregularidades não configuravam fato gerador nem do IR, nem da CSLL, ficando escancarado o desvio de finalidade da fiscalização, por constituir dirigismo estatal indevido, por inconstitucional, sobre as atividades da instituição, o que é suficiente para a anulação de todo o processo fiscalizatório e de todas as conclusões a que chegou a fiscalização. Fl. 6615DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 29 Pontuaram que não existe qualquer confusão entre as atividades do Instituto Lula e da IMPUGNANTE L.I.L.S. Palestras, muito menos utilização do Instituto para o angariamento de palestras ou qualquer outro tipo de atividade lucrativa, seja para a figura do ex-presidente Lula, seja ou para a figura do Sr. Paulo Okamotto, presidente da entidade. Aduziram que visando não reduzir o incentivo concedido, a legislação do Imposto de Renda exclui da sua base tributável o valor recebido pela empresa a título de subvenção para investimento. Alegaram que despendendo o ex-presidente a maioria de seu tempo com atividades de cunho institucional, é natural que haja coordenação de agendas entre as duas entidades (Instituto e L.I.L.S. Palestras), seja para se evitar conflitos de compromissos, seja para se possibilitar ao Instituto agendar compromissos institucionais que contem com a presença do ex- presidente, sem qualquer finalidade lucrativa, aproveitando seu deslocamento. Destacaram que toda vez que o ex-presidente proferiu palestras remuneradas, fê-lo através da empresa L.I.L.S. Palestras. Por outro lado, toda vez em que se ativou em compromissos de cunho institucional, sem qualquer tipo de remuneração, ainda que ensejados por uma palestra remunerada, fê-lo e ainda o faz através do Instituto Lula. Frisaram que existe a coordenação entre as duas entidades, mas jamais confusão operacional entre uma e outra, com claríssima e absoluta preponderância das atividades institucionais sobre as palestras remuneradas. Ponderaram que a imposição de responsabilidade solidária aos coautuados L.I.L.S. Palestras, Luiz Inácio Lula da Silva e Paulo Tarciso Okamotto, por tributos supostamente devidos pelo Instituto Lula, é mais uma manifestação daquilo que a defesa criminal do ex-presidente tem classificado como lawfare, o uso massivo de meios jurídicos e acusações frívolas para empreender perseguição política a certa pessoa. Ressaltaram que as supostas irregularidades “encontradas” no processo fiscalizatório envolveram valores irrisórios em comparação com a totalidade dos recursos que o Instituto Lula movimentou no período fiscalizado. Esclareceram: - que no ano de 2012, o total dos questionamentos importa em R$119.750,88, ao passo que este Instituto teve receitas brutas de R$4.278.753,00 e despesas de R$3.885.002,37. Portanto, os questionamentos da fiscalização representam meros 2,80% das receitas e 3,08% das despesas da entidade, o que demonstra que, ainda que fossem pertinentes os questionamentos, pelo menos 97% dos recursos da entidade teriam tido aplicação adequada. - que no ano de 2013, os questionamentos totais são de R$51.726,81, enquanto a entidade teve receitas de R$11.627.630,66 e despesas de R$5.940.520,12. Assim, os questionamentos da fiscalização representam irrisórios 0,44% (quarenta e quatro centésimos por cento!) das receitas e 0,87% (oitenta e sete centésimos por cento!!) das despesas. Fl. 6616DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 30 - que no ano de 2014, os questionamentos totais são de R$ 50.600,95, contra receitas de R$15.500.356,31 e despesas de R$8.095.366,76. Os questionamentos, então, são de 0,33% (trinta e três centésimos por cento!) das receitas e 0,63% (sessenta e três centésimos por cento!) das despesas. Destacaram que chega ser injuriosa a alegação de confusão operacional entre o Instituto Lula e a L.I.L.S. Palestras, cujas atividades são absolutamente diferentes. Elucidaram que o Instituto Lula sempre teve a sua própria agenda, de cunho cultural – no sentido mais amplo do termo, e, de maneira alguma, serviu de central de captação de palestras para a figura do ex-presidente. Pontuaram que só caberia algum tipo de responsabilização solidária se a L.I.L.S. Palestras, beneficiária da situação, tivesse deixado de pagar os seus tributos, o que não ocorreu e sequer é objeto da fiscalização. Apontaram que o ex-presidente não se envolve com as finanças do Instituto Lula e não tem qualquer função executiva dentro da entidade, não podendo ser responsabilizado como seu “gestor de fato”, especialmente por não existirem nem no mundo real, muito menos neste processo fiscalizatório, elementos fático-probatórios que possam sustentar essa conclusão. Frisaram que descabe a responsabilização solidária de Paulo Tarciso Okamotto na qualidade de gestor de ambas as entidades (Instituto Lula e L.I.L.S. Palestras), pelo simples motivo de não ter sido praticado nenhum ato contrário à lei ou aos estatutos sociais do Instituto. Ressaltaram que tendo o auto de infração sido lavrado em 16/11/2017, hão de ser considerados caducos todos os eventuais créditos tributários anteriores a 16/11/2012 e que tendo o lançamento ocorrido após cinco anos da ocorrência da maioria dos fatos geradores individuais do PIS e da COFINS do ano calendário de 2012, incluídos no auto de infração, e não havendo a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deve ser reconhecida a decadência dos créditos tributários relativos às competências anteriores a 16/11/2012, na forma do art. 150, §4º, do CTN. Pleitearam que seja reconhecida a decadência de todos os créditos tributários cujos fatos geradores (receitas de doações e financeiras) tenham ocorrido anteriormente ao dia 16/11/2012; que sejam afastadas as exigências de IR e CSLL quanto ao ano calendário de 2012, limitando-se, ainda, as exigências do PIS ao valor de R$44.108,08 a título de contribuição para o PIS e, da COFINS, ao valor de R$203.164,49, tal como originalmente calculados por este Instituto; que seja afastada a multa agravada de 150%, pela total ausência de dolo do Instituto e seus dirigentes quanto às supostas infrações apontadas no auto ora impugnado; que seja afastada a responsabilidade solidária imposta indevidamente aos demais autuados. DO ACÓRDÃO PROLATADO Nº. 11-60.112- DRJ/REC Fl. 6617DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 31 A DRJ analisou a impugnação apresentada, julgando-a procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário (e-fls. 6072/6169). Inconformados com a decisão da DRJ, o Instituto Luiz Inácio Lula da Silva, L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações e o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva interpuseram Recurso Voluntário em conjunto (e-fls. 6201/6221). O Contribuinte interpôs outro Recurso Voluntário (e-fls. 6225/6274) demonstrando inconformismo com a suspensão da isenção fiscal. A PGFN apresentou contrarrazões ao recurso voluntário no dia 27 de Dezembro de 2018, pleiteando que seja desprovido o recurso voluntário (e-fls. 6.286/6.342). Em 30/setembro/2022, o Contribuinte protocolizou uma petição requerendo a suspensão do julgamento até o julgamento definitivo final do recurso de Reclamação nº 56018 MC/SP (e-fls. 6.348/6,375). Em 14/dezembro/2022, o Contribuinte protocolizou uma petição pleiteando a extinção do crédito tributário referente ao presente processo (e-fls. 6.379/6.420). Em 13/março/2024, o Contribuinte protocolizou uma petição reiterando “a extinção do crédito tributário em razão da acusação fiscal e do lançamento tributário se basearem em atos preparatórios do lançamento tributário absolutamente nulos, conforme determinado pelo Supremo Tribunal Federal” (e-fls. 6.426/6.465). Em 06 de Dezembro de 2024 o Contribuinte apresentou memoriais (e-fls. 6.468/6.477) requerendo: “O reconhecimento da prevenção do Relator Dr. Gustavo de Oliveira Machado, da 12 Seção - 12 TE do CARF, para que este processo seja a ele distribuído, em razão da conexão e identidade com os processos de nº 10703.720001/2016-86 e 10703.720002/2016-21; - A tramitação conjunta dos processos mencionados, nos termos do art. 55 do CPC, aplicável subsidiariamente; - A conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos à autoridade fiscal competente da Receita Federal do Brasil, lançadora do tributo, para análise da validade das provas que embasaram a constituição do crédito tributário, em conformidade com as decisões já proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e TRF-3, que declararam o reconhecimento da nulidade das provas que embasaram a presente acusação fiscal; - A juntada dos r. despachos proferidos nos autos dos processos administrativos de nº 10703.720001/2016-86 e 10703.720002/2016-21”. No dia 10/dezembro/2024, o Presidente da 3ª Câmara e da 1ª Seção do CARF proferiu o despacho de diligência determinando que a Unidade de Origem elaborasse relatório conclusivo, cujo teor segue abaixo em síntese (e-fls. 6.480/6.482): Fl. 6618DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 32 “(...) Nesse contexto, e com fulcro no inciso I do art. 591, c/c incisos I, V, X e XI do art. 602, todos do RICARF, converto o julgamento em diligência e determino o encaminhamento dos presentes autos à Unidade de Origem para que a autoridade fiscal designada elabore relatório conclusivo, nos termos requeridos e reproduzidos nos parágrafos antecedentes, tal qual determinado no âmbito dos processos 10703.720002/2016-21 e 10703.720001/2016-86. Em seguida, dê-se ciência ao Contribuinte e Coobrigados, franqueando-se o prazo de 30 (trinta) dias para se houver interesse, apresentem as respectivas manifestações acerca do resultado da diligência. No retorno dos autos ao CARF, intime a Procuradoria da Fazenda Nacional para que se manifeste sobre o resultado da diligência. Após o retorno dos autos da PGFN, submeta-se a sorteio prioritário dos autos, nos termos dos incisos I, VI e VII do art. 86 do RICARF”. A DRF de São José do Rio Preto- SP elaborou o Relatório de Diligência (e-fls. 6.489/6.503), cujo teor segue abaixo em síntese: “(...) Feitos estes esclarecimentos iniciais, passamos à análise das provas que embasaram a suspensão da isenção do INSTITUTO LUIZ INACIO LULA DA SILVA, relativa aos anos-calendário de 2012, 2013 e 2014, e o consequente lançamento tributário. Na Representação Fiscal de fls. 5145/5278 verificamos várias citações à operação Lavajato e às provas compartilhadas com o fisco, à época, que foram utilizadas nº procedimento fiscal de suspensão da isenção do INSTITUTO LUIZ INACIO LULA DA SILVA, relativa aos anos-calendário de 2012, 2013 e 2014. Dentre essas provas, citamos o item 4 da citada Representação Fiscal – DA CONFUSÃO OPERACIONAL: INSTITUTO LULA / L.I.L.S. PALESTRAS – em cujo item transcrevemos (na época) dezenas de mensagens extraídas do HD de um computador apreendido no Instituto Lula, na 24ª fase da operação Lavajato, fato que foi devidamente ressaltado na Representação Fiscal de fls. 5145/5278, conforme se vê abaixo: (...) Também no item 5 da mencionada Representação Fiscal – DAS DOAÇÕES RECEBIDAS MEDIANTE CONTRAPARTIDAS – há várias transcrições de mensagens extraídas do mesmo HD, o qual, inclusive, foi juntado no processo 16004.720190/2017-31(fls. 2041/2951), fato que também foi descrito na Representação Fiscal de fls. 5145/5278, conforme demonstramos abaixo: (...) Fl. 6619DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 33 Da mesma forma, no Termo de Descrição dos Fatos de fls. 5829/5986 (Anexo do Auto de Infração), nos seus itens 4 e 5, também houve essas mesmas transcrições de mensagens mencionadas acima. Assim, tanto no procedimento de suspensão da isenção do INSTITUTO LUIZ INACIO LULA DA SILVA, quanto no consequente auto de infração, foram utilizadas provas compartilhadas pela operação Lavajato, mais especificamente na sua 24ª fase, denominada de “Operação Atelheia”. Quanto à solicitação do CARF, de elaboração de termo de constatação conclusivo acerca da validade das provas, no qual constem os elementos probatórios válidos e inválidos, as razões para a validade ou invalidade e seus reflexos sobre o crédito tributário constituído, subdividido por infração objeto de autuação, entendemos, conforme já explicado, que não há como dividir o crédito tributário constituído com base nas provas compartilhadas ou não no âmbito da operação Lavajato, tendo em vista que o crédito tributário foi constituído em consequência da suspensão da isenção do Instituto Lula, que ocorre de forma integral, independente de quantas infrações lhe deram causa. Portanto, entendemos, salvo melhor juízo, que a manutenção ou não do crédito tributário constituído passa, necessariamente, pela manutenção ou não da suspensão da isenção. É o que temos a relatar. (...)”. O Contribuinte apresentou manifestação sobre o relatório de diligência de diligência (e-fls. 6.509/6.512) sustentando que “o relatório é categórico ao afirmar que toda a construção da acusação fiscal se valeu do acervo probatório posteriormente anulado”. Asseverou ainda que a “própria fiscalização atesta que o lançamento tributário é um ato único e indivisível, decorrente da suspensão da isenção. Se a suspensão da isenção foi um procedimento construído com base em provas ilícitas (como a própria fiscalização admite no item anterior), e se o crédito tributário é uma consequência inseparável desse ato, a conclusão lógica e jurídica é uma só: a nulidade da raiz contamina todo o ato e seus frutos”. A Procuradoria da Fazenda Nacional se manifestou sobre o relatório de diligência sustentando que (e-fls. 6.517/6.526) “em razão do interesse público envolvido no lançamento fiscal, considerando que o crédito tributário tem por objetivo financiar a satisfação das necessidades da sociedade, entende-se por suficiente à Fiscalização, quando lhe pertencer o ônus, a produção probatória dentro da faixa do espectro entre o standard da prova preponderante e da prova clara e convincente, desde que se trate de prova lícita”. É o relatório. Fl. 6620DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 34 VOTO Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário apresentado pelos Recorrentes atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Das Nulidades Alegadas Os Recorrentes repetiram em sede recursal as nulidades apresentadas na impugnação, as quais foram todas rechaçadas com clareza e precisão pela autoridade julgadora de 1°. Grau, razão pela qual deixo de manifestar sobre as mesmas, já quanto ao mérito, entendo que lhes assistem razão. Das Provas Obtidas pela RFB através da Operação Lavajato Insta destacar, que em 03.10.2022 a Recorrente apresentou petição esclarecendo que (e-fls. .6348-6353): “ Restou proferida decisão pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal em sede de Recurso de Reclamação nº 56018 MC/SP (Anexo - Documento 01), que concedeu parcialmente medida cautelar para suspender a Ação Cautelar Fiscal nº 5002649-76.2018.4.03.6182, em trâmite na Justiça Federal de São Paulo e demais procedimentos fiscais a cargo da Receita Federal do Brasil que derivam do compartilhamento das provas ilícitas produzidas pela 13ª Vara Federal de Curitiba/PR, até o julgamento definitivo da referida Reclamação”. Tem-se que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que se refira a fato ou a direito superveniente (alínea “b” do § 4º do art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Por essa razão, essa prova pode ser conhecida e apreciada conforme a livre convicção fundamentada do julgador. Consta na decisão do Supremo Tribunal Federal proferida na Medida Cautelar na Reclamação nº 56018/SP em 27.09.2022, que tem como Reclamante Luiz Inácio Lula da Silva e Reclamado o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, e-fls. 6356-6375: “II – Do pedido de concessão de medida cautelar. Fl. 6621DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 35 A concessão da liminar requerida pressupõe a demonstração do fumus boni juris e do periculum in mora, ou seja, a caracterização da plausibilidade ou, ao menos, da possibilidade de ocorrência das alegações do reclamante e de risco de dano irreparável ou de difícil reparação. Portanto, passo a me manifestar sobre a matéria a partir do âmbito de cognição típico da medida cautelar pleiteada. II.1) Plausibilidade das alegações do reclamante: violação à autoridade do acórdão proferido nos autos do HC 164.493/PR. A presente reclamação constitucional ostenta inegável relevância, na medida em que põe em perspectiva os reflexos da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no HC 164.493/PR em procedimentos fiscais instaurados pela Secretaria da Receita Federal. Como é público e notório, em sessão realizada no dia 23.03.2021, este Tribunal concluiu o julgamento de habeas corpus impetrado em favor de Luiz Inácio Lula da Silva, contra acórdão proferido pela Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça no HC 398.570/PR. Reconhecendo que o magistrado responsável pela condução do processo criminal agiu de forma parcial e imbuído de motivação política, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, por maioria, concedeu ordem de habeas corpus para determinar a anulação de todos os atos decisórios praticados no âmbito da Ação Penal n. 50465112-94.2016.4.04.7000/PR, incluindo os atos praticados na fase pré-processual, nos termos do voto que proferi na ocasião”. Transcrevo a ementa desse relevante precedente, invocado como paradigma nos autos da presente reclamação constitucional: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. PARCIALIDADE JUDICIAL E SISTEMA ACUSATÓRIO. CONHECIMENTO. POSSIBILIDADE DE EXAME DA SUSPEIÇÃO DE MAGISTRADO EM SEDE DE HABEAS CORPUS. QUESTÃO DE ORDEM. DECISÃO SUPERVENIENTE DO MIN. EDSON FACHIN, NOS AUTOS DO HABEAS CORPUS 193.726-DF, QUE RECONHECEU A INCOMPETÊNCIA DA 13ª VARA FEDERAL DE CURITIBA. AUSÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE. IMPARCIALIDADE DO JULGADOR COMO PEDRA DE TOQUE DO DIREITO PROCESSUAL PENAL. ANTECEDENTES DA BIOGRAFIA DE UM JUIZ ACUSADOR. DESNECESSIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS DIÁLOGOS OBTIDOS NA OPERAÇÃO SPOOFING. ELEMENTOS PROBATÓRIOS POTENCIALMENTE ILÍCITOS. EXISTÊNCIA DE 7 (SETE) FATOS QUE DENOTAM A PERDA DA IMPARCIALIDADE DO MAGISTRADO DESDE A ÉPOCA DA IMPETRAÇÃO. VIOLAÇÃO DO DEVER DE IMPARCIALIDADE DO MAGISTRADO. ART. 101 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. ORDEM EM HABEAS CORPUS CONCEDIDA PARA ANULAR TODOS OS ATOS DECISÓRIOS PRATICADOS NO ÂMBITO DA AÇÃO PENAL 5046512-94.2016.4.04.7000/PR (TRIPLEX DO GUARUJÁ), INCLUINDO OS ATOS PRATICADOS NA FASE PRÉ-PROCESSUAL. Fl. 6622DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 36 1. Conhecimento da matéria em Habeas Corpus. É possível o exame da alegação de parcialidade do magistrado em sede de Habeas Corpus se, a partir dos elementos já produzidos e juntados aos autos do remédio colateral, restar evidente a incongruência ou a inconsistência da motivação judicial das decisões das instâncias inferiores. Precedentes: RHC-AgR 127.256, Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJe 10.3.2016; RHC 119.892, Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJe 1º.10.2015; HC 77.622, Rel. Min. Nelson Jobim, Segunda Turma, DJ 29.10.1999. 2. Questão de ordem de prejudicialidade da impetração. A Segunda Turma, por maioria, rejeitou a questão de ordem suscitada pelo Ministro Edson Fachin, decidindo que a decisão proferida pelo Relator, nos autos dos Embargos de Declaração no Habeas Corpus 193.726, em 8.3.2021, não acarretou a prejudicialidade do Habeas Corpus 164.493, vencido, nesse ponto, tão somente o Ministro Edson Fachin. A decisão monocrática proferida pelo Ministro Edson Fachin nos autos do Habeas Corpus 193.726 ED não gerou prejuízo do Habeas Corpus 164.493-DF, porquanto (i) cuida-se de decisão individual do Relator; (ii) não há identidade entre os objetos do Habeas Corpus 193.726 e do Habeas Corpus 164.493, já que neste se discute a suspeição do magistrado e naquele se aponta a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba/PR, o que não se limita ao debate sobre a validade dos atos decisórios praticados pelo ex-Juiz Sergio Moro; e (iii) a questão da suspeição precede a discussão sobre incompetência, nos termos do art. 96 do Código de Processo Penal. 3. Imparcialidade como pedra de toque do processo penal. A imparcialidade judicial é consagrada como uma das bases da garantia do devido processo legal. Imparcial é aquele que não é parte, que não adere aos interesses de qualquer dos envolvidos no processo. Há íntima relação entre a imparcialidade e o contraditório. A imparcialidade é essencial para que a tese defensiva seja considerada, pois em uma situação de aderência anterior do julgador à acusação, não há qualquer possibilidade de defesa efetiva; é prevista em diversas fontes do direito internacional como garantia elementar da proteção aos direitos humanos (Princípios de Conduta Judicial de Bangalore, Convenção Americana de Direitos Humanos, Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e Convenção Europeia de Direitos Humanos), além de ser tal garantia vastamente consagrada na jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Caso Duque Vs. Colombia, 2016) e do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (Castillo Algar v. Espanha, 1998, e Morel v. França, 2000). 4. Antecedentes da biografia de um Juiz acusador. O STF já avaliou, em diversas ocasiões, alegações de que o ex-magistrado Sergio Fernando Moro teria ultrapassado os limites do sistema acusatório. No julgamento do Habeas Corpus 95.518/PR, no qual se questionava a atuação do Juiz na chamada Operação Banestado, a Segunda Turma determinou o encaminhamento das denúncias à Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), diante da constatação de que o juiz havia reiteradamente proferido decisões contrárias a ordens de instâncias Fl. 6623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 37 superiores, bem como adotado estratégias de monitoramento de advogados dos réus. Na ocasião, reconheceu o Min. Celso de Mello que “o interesse pessoal que o magistrado revela em determinado procedimento persecutório, adotando medidas que fogem à ortodoxia dos meios que o ordenamento positivo coloca à disposição do poder público, transforma a atividade do magistrado numa atividade de verdadeira investigação penal. É o magistrado investigador”. (HC 95.518, Redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 28.5.2013, DJe 19.3.2014). A Segunda Turma já decidiu que o ex-Juiz Sergio Moro abusou do poder judicante ao realizar, de ofício, a juntada e o levantamento do sigilo dos termos de delação do ex-ministro Antônio Palocci às vésperas do primeiro turno das eleições de 2018 (HC 163.943 AgR, Redator do acórdão Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, julgado em 4.8.2020, DJe 10.9.2020). O STF reconheceu explicitamente a quebra da imparcialidade do magistrado, destacando que, ao condenar o doleiro Paulo Roberto Krug, ainda no âmbito da chamada Operação Banestado, o ex-Juiz Sergio Moro “se investiu na função persecutória ainda na fase pré-processual, violando o sistema acusatório” (RHC 144.615 AgR, Redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 25.8.2020, DJe 27.10.2020). 5. Desnecessidade de utilização dos diálogos obtidos na Operação Spoofing. Os diálogos apreendidos na Operação Spoofing, que, nos últimos doze meses, foram objeto de intensa veiculação pelos portais jornalísticos, destacam conversas entre acusadores e o julgador – Procuradores da República e o ex-Juiz Sergio Moro. As conversas obtidas sugerem que o julgador definia os limites da acusação e atuava em conjunto com o órgão de acusação. O debate sobre o uso dessas mensagens toca diretamente na temática das provas ilícitas no processo penal. O Supremo Tribunal Federal já assentou que o interesse de proteção às liberdades do réu pode justificar relativização à ilicitude da prova. Todavia, a conclusão sobre a parcialidade do julgador é aferível tão somente a partir dos fatos narrados na impetração original, sendo desnecessária a valoração dos elementos de prova de origem potencialmente ilícita pela defesa, que nem sequer constam dos autos deste Habeas Corpus. 6. Existência de 7 (sete) fatos que denotam a parcialidade do magistrado. As alegações suscitadas neste HC são restritas a fatos necessariamente delimitados e anteriores à sua impetração. 6.1. O primeiro fato indicador da parcialidade do magistrado consiste em decisão, de 4.3.2016, que ordenou a realização de uma espetaculosa condução coercitiva do então investigado, sem que fosse oportunizada previamente sua intimação pessoal para comparecimento em juízo, como exige o art. 260 do CPP. Foi com o intuito de impedir incidentes desse gênero que o Plenário do STF reconheceu a inconstitucionalidade do uso da condução coercitiva como medida de instrução criminal forçada, ante o comprometimento dos preceitos constitucionais do direito ao silêncio e da garantia de não autoincriminação. (ADPF 444, Rel. Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 14.6.2018, DJe 22.5.2019). No caso Fl. 6624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 38 concreto, a decisão que ordenou a condução coercitiva não respeitou as balizas legais e propiciou uma exposição atentatória à dignidade e à presunção de inocência do investigado. 6.2. O segundo fato elucidativo da atuação enviesada do juiz consistiu em flagrante violação do direito constitucional à ampla defesa do paciente. O ex-juiz realizou a quebra de sigilos telefônicos do paciente, de seus familiares e até mesmo de seus advogados, com o intuito de monitorar e antecipar as estratégias defensivas. Tanto a interceptação do ramal-tronco do escritório de advocacia Teixeira, Martins & Advogados quanto a interceptação do telefone celular do advogado Roberto Teixeira perduraram por quase 30 (trinta dias), de 19.2.2016 a 16.3.2016. Durante esse período, foram ouvidas e gravadas todas as conversas havidas entre os 25 (vinte e cinco) advogados integrantes da sociedade, bem como entre o advogado Roberto Teixeira e o paciente. 6.3. O terceiro fato indicativo da parcialidade do juiz traduz-se na divulgação de conversas obtidas em interceptações telefônicas do paciente com familiares e terceiros. Os vazamentos se deram em 16.3.2016, momento de enorme tensão na sociedade brasileira, quando o paciente havia sido nomeado Ministro da Casa Civil da Presidência da República. Houve intensa discussão sobre tal ato e ampla efervescência social em crítica ao cenário político brasileiro. Em decisão de 31.3.2016, o Min. Teori Zavascki, nos autos da Reclamação 23.457, reconheceu que a decisão do ex-Juiz que ordenou os vazamentos violou a competência do STF, ante ao envolvimento de autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função, e ainda se revelou ilícita por envolver a divulgação de trechos diálogos captados após a determinação judicial de interrupção das interceptações telefônicas. O vazamento das interceptações, além de reconhecidamente ilegal, foi manipuladamente seletivo. 6.4. O quarto fato indicativo da quebra de imparcialidade do magistrado aconteceu em 2018, quando o magistrado atuou para que não fosse dado cumprimento à ordem do Juiz do Tribunal Regional Federal da 4ª Região Rogério Favreto, que concedera ordem de habeas corpus para determinar a liberdade do ex-Presidente Lula (HC 5025614- 40.2018.4.04.0000 – Doc. 30), de modo a possibilitar-lhe a participação no “processo democrático das eleições nacionais, seja nos atos internos partidários, seja na ações de pré-campanha”. Mesmo sem jurisdição sobre o caso e em período de férias, o ex-Juiz Sergio Moro atuou intensamente para evitar o cumprimento da ordem, a ponto de telefonar ao então Diretor-Geral da Polícia Federal Maurício Valeixo e sustentar o descumprimento da liminar, agindo como se membro do Ministério Público fosse, com o objetivo de manter a prisão de réu em caso em que já havia se manifestado como julgador. 6.5. O quinto fato indicativo da quebra de imparcialidade do magistrado coincide com a prolação da sentença na ação penal do chamado Caso Triplex. Ao proferir a sentença condenatória, o ex-Juiz Sergio Moro fez constar claramente diversas Fl. 6625DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 39 expressões de sua percepção no sentido de uma pretensa atuação abusiva da defesa do paciente. O próprio julgador afirmou que, em sua percepção, a defesa teria atuado de modo agressivo, com comportamentos processuais inadequados, visando a ofender-lhe. Diante disso, alega que “em relação a essas medidas processuais questionáveis e ao comportamento processual inadequado, vale a regra prevista no art. 256 do CPP (‘a suspeição não poderá ser declarada nem reconhecida, quando a parte injuriar o juiz ou de propósito der motivo para criá- la’)” (eDOC 7, p. 35). 6.6. O sexto fato indicador da violação do dever de independência da autoridade judiciária consiste na decisão tomada pelo magistrado, em 1º.10.2018, de ordenar o levantamento do sigilo e o translado de parte dos depoimentos prestados por Antônio Palocci Filho em acordo de colaboração premiada para os autos da Ação Penal 5063130- 17.2016.4.04.7000 (instituto Lula). Quando referido acordo foi juntado aos autos da referida ação penal, a fase de instrução processual já havia sido encerrada, o que sugere que os termos do referido acordo nem sequer estariam aptos a fundamentar a prolação da sentença. Além disso, os termos do acordo foram juntados cerca de 3 (três) meses após a decisão judicial que o homologou, para coincidir com a véspera das eleições. Por fim, tanto a juntada do acordo aos autos quanto o levantamento do seu sigilo ocorreram por iniciativa do próprio juiz, isto é, sem qualquer provocação do órgão acusatório. A Segunda Turma do STF, no julgamento do Agravo Regimental no HC 163.493, reconheceu a ilegalidade tanto do levantamento do sigilo quanto do translado para os autos de ação penal de trechos de depoimento prestado por delator, em acordo de colaboração premiada (HC 163.943 AgR, Redator do acórdão Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJe 10.9.2020). 6.7. O último fato indicativo da perda de imparcialidade do magistrado consiste no fato de haver aceitado o cargo de Ministro da Justiça após a eleição do atual Presidente da República, Jair Bolsonaro, que há muito despontava como principal adversário político do paciente. Sergio Moro decidiu fazer parte do Governo que se elegeu em oposição ao partido cujo maior representante é Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-juiz foi diretamente beneficiado pela condenação e prisão do paciente. A extrema perplexidade com a aceitação de cargo político no Governo que o ex- magistrado ajudou a eleger não passou despercebida pela comunidade acadêmica nacional e internacional. 7. Ordem de habeas corpus concedida. O reconhecimento da suspeição do magistrado implica a anulação de todos os atos decisórios praticados pelo magistrado, no âmbito da Ação Penal 5046512- 94.2016.4.04.7000/PR (Triplex do Guarujá), incluindo os atos praticados na fase pré-processual, nos termos do art. 101 do Código de Processo Penal (HC 164493, Rel. Min. Edson Fachin, relator p/ acórdão Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJe 04.06.2021) Não há dúvidas, portanto, que, em decorrência do reconhecimento da parcialidade do ex-Juiz Federal Sérgio Fernando Moro, o Supremo Tribunal Fl. 6626DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 40 Federal invalidou todas as decisões proferidas no âmbito da ação penal 50465- 94.2016.4.04.7000/PR, o que naturalmente conduziu ao esvaziamento do acervo probatório produzido a partir de deliberações do referido magistrado. Na ocasião, o Tribunal aplicou ao caso o disposto no art. 5º, inciso LVI, da Constituição Federal, que determina a inadmissibilidade, no processo, de toda e qualquer prova obtida por meios ilícitos. Fez incidir, ainda, o disposto no art. 157 do Código de Processo Penal, cujo teor impõe o imediato desentranhamento dos autos de todas as provas produzidas em violação a normas constitucionais ou legais. [...]. Pois bem. No caso concreto, os documentos acostados aos autos da presente reclamação constitucional dão conta de que a 13ª Vara Federal de Curitiba compartilhou elementos de prova com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, visando à instauração de procedimentos fiscais em desfavor do reclamante. Revelam, ainda, que, entre os elementos compartilhados, encontravam-se provas obtidas durante a execução de diligências determinadas pelo ex-Juiz Federal Sérgio Moro, nos autos do Pedido de Busca e Apreensão Criminal n. 5006617- 29.2016.4.04.7000/PR. A esse respeito, transcrevo o teor da manifestação apresentada pela Procuradoria da República no Paraná (eDOC 7), no dia 11 de março de 2016, postulando ao Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba o compartilhamento com a Receita Federal de documentos apreendidos na 24ª fase da Operação Lava Jato: PEDIDO DE COMPARTILHAMENTO Face ao exposto, o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL requer a esse Juízo seja autorizado o compartilhamento com a Receita Federal do Brasil de todos os todos os documentos apreendidos na 24ª Fase da Operação Lava Jato, físicos e eletrônicos, assim como os conteúdos e mensagens de e-mails extraídos com a autorização expressa deste juízo (eventos 4, 10, 23, 45, 72 e 94 dos autos nº 5006617- 29.2016.404.7000 e evento 1 dos autos nº 5010437-56.2016.404.7000). Para que diligências e investigações em andamento não sejam prejudicadas, o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL requer que, acaso seja deferido o pedido, a remessa dos dados e documentos bancários à RFB seja realizada por esta Força- Tarefa, observando-se a conveniência às investigações. Há outros indicativos de que elementos de prova invalidados pelo Supremo Tribunal Federal foram utilizados pela Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria da Fazenda Nacional para subsidiar a instauração de procedimento fiscais em desfavor do Reclamante. Refiro-me à petição inicial da Ação Cautelar Fiscal, que dá conta de que os Procuradores da Fazenda se valeram de provas obtidas na 24ª fase da Operação Lava Jato, particularmente na busca e apreensão 5006617-29.2016.4.04.7000/PR, como fundamento para formulação do pedido de indisponibilidade do patrimônio do reclamante: Fl. 6627DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 41 Há várias outras provas da atuação de Clara Ant como responsável pela agenda pessoal de Lula e, também, pela marcação e cronograma das palestras. Os e-mails abaixo transcritos (que constituem somente parte dos mencionados nos autos de infração lavrados no bojo dos autos de processo administrativo n. 16004.720190/2017-31 e 10703.720002/2016-21 (DOCS. 04 e 05), comprovam, além da participação de Clara Ant, também o envolvimento de Paulo Okamotto (presidente do Instituto Lula) e de outros funcionários do Instituto na marcação das palestras particulares proferidas por Lula. A título de exemplo, em 02.03.2011 o ex-presidente Lula deu uma palestra contratada pela empresa LG Eletronics, sendo que as mensagens trocadas pelos envolvidos revelam a utilização do Instituto na atividade empresarial do ex- presidente, exercida em nome da L.I.L.S. Palestras. Além disso, em outro trecho da petição inicial da Ação Cautelar Fiscal, os Procuradores da Fazenda Nacional transcrevem fragmentos do depoimento prestado pelo reclamante perante a Polícia Federal, no dia 04.03.2016, no Aeroporto de Congonhas, justamente por ocasião do cumprimento da decisão proferida pelo ex-Juiz Federal Sérgio Moro nos autos n. 5006617- 29.2016.4.04.7000/PR: O próprio ex-presidente Lula, quando foi ouvido pela polícia federal no Aeroporto de Congonhas, no dia 04.03.2016 (declarações colhidas nos autos do processo n. 5006617-29.2016.4.04.7000 e transcritas nos autos de processo administrativo n. 16004.720190/2017-31 (DOC. 04), deixou clara a confusão operacional entre o Instituto e a sociedade empresária L.I.L.S Palestras. Diante desses elementos plurais, harmônios e coesos, entendo estar demonstrada a plausibilidade das alegações do requerente, a partir de inúmeras circunstâncias indicativas de graves ilegalidades praticadas no âmbito da Ação Cautelar Fiscal nº 5002649-76.2018.4.03.6182, notadamente o aproveitamento em procedimentos fiscais de provas declaradas ilícitas pelo Supremo Tribunal Federal. A postura do órgão fazendário é digna de nota, exigindo imediata intervenção do Poder Judiciário com vistas não apenas à preservação da autoridade das decisões do Supremo Tribunal Federal, como também à reafirmação de direitos e garantias que compõem a espinha dorsal do Estado Democrático de Direito. Registro que, justamente em virtude do grande desvalor que subjaz a comportamentos que tais, a nova Lei de Abuso de Autoridade (Lei 13.869/2019), em seu art. 25, parágrafo único, criminalizou a ação de agente público que faz uso de prova obtida por meio ilícito, em desfavor de investigado ou fiscalizado, com prévio conhecimento de seus vícios. Por tudo isso, penso que os autos do processo demonstram que há verossimilhança nas alegações do reclamante quanto à violação do quando decidido por esta Corte no HC 164.493/PR, sobretudo no que diz respeito à Fl. 6628DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 42 tentativa de aproveitamento de provas obtidas por meios ilícitos em procedimentos fiscais. Entendo, por isso, que se encontra preenchido o requisito do fumus boni iuris para deferimento da medida liminar requerida pelo reclamante, pelas razões acima expostas. [...]. III – Decisão Ante o exposto, conheço da Reclamação e concedo parcialmente a medida cautelar requerida para suspender a Ação Cautelar Fiscal n. 5002649- 76.2018.4.03.6182, em trâmite na Justiça Federal de São Paulo, e demais procedimentos fiscais a cargo da Receita Federal do Brasil que derivem do compartilhamento das provas ilícitas produzidas na 13ª Vara Federal de Curitiba, até o julgamento definitivo da presente reclamação. Oficie-se, com urgência, à autoridade reclamada. Publique-se. Brasília, 27 de setembro de 2022. Ministro Gilmar Mendes Relator Documento assinado digitalmente (g.n.)”. Consta na decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região proferida na Apelação Cível nº 5002649-76.2018.4.03.6182 em 09.11.2022 que tem como apelante Luiz Inácio Lula da Silva e apelada a União Federal – Fazenda Nacional, e-fls. 6455-6456: DESPACHO Nos autos da Reclamação nº 56.018/SP, que tramita perante o C. STF, nesta data foi proferida decisão, cujo dispositivo abaixo transcrevo: “Ante todo o exposto, defiro a medida liminar pleiteada (eDOC 47) para determinar que as constrições patrimoniais realizadas no âmbito do Processo n. 5002649-76.2018.4.03.6182 sejam imediatamente levantadas. Oficie-se, com urgência, à Eminente Relatora do processo em referência, no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, para imediato cumprimento. A esta decisão deve ser dado valor de mandado e ofício. Cumpra-se, com urgência. Brasília, 9 de novembro de 2022”. Na Ação Penal nº. 50465112-94.2016.4.04.7000/PR originária as provas derivam, entre outras, da fase Aletheia da operação Lava Jato. A decisão do Supremo Tribunal Federal anula os atos praticados. Na Medida Cautelar na Reclamação nº 56018/SP consta a extensão dos efeitos daquele julgamento aos processos administrativo nºs 16004.720190/2017-31 e 10703.720002/2016-21 cujas constituições dos créditos tributários pelos lançamentos de ofício foram realizadas com base nas provas compartilhadas declaradas nulas constantes dos processos nº 500661729.2016.4.04.7000, 501043756.2016.404.7000. Assim, tendo em vista as divergências apontadas pela Recorrente no recurso voluntário sobre identificação das provas compartilhadas provenientes da fase Aletheia da operação Lava Jato, o julgamento foi convertido na realização de diligência, conforme Despacho Fl. 6629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 43 de Diligência de 02.12.2024, e-fls. 6480-6482. Consta Relatório de Diligência, e-fls. 6489-6503, do qual a Recorrente foi notificada, e-fls. 6505-6506: Feitos estes esclarecimentos iniciais, passamos à análise das provas que embasaram a suspensão da isenção do INSTITUTO LUIZ INACIO LULA DA SILVA, relativa aos anos-calendário de 2012, 2013 e 2014, e o consequente lançamento tributário. Na Representação Fiscal de fls. 5145/5278 verificamos várias citações à operação Lavajato e às provas compartilhadas com o fisco, à época, que foram utilizadas nº procedimento fiscal de suspensão da isenção do INSTITUTO LUIZ INACIO LULA DA SILVA, relativa aos anos-calendário de 2012, 2013 e 2014. Dentre essas provas, citamos o item 4 da citada Representação Fiscal – DA CONFUSÃO OPERACIONAL: INSTITUTO LULA / L.I.L.S. PALESTRAS – em cujo item transcrevemos (na época) dezenas de mensagens extraídas do HD de um computador apreendido no Instituto Lula, na 24ª fase da operação Lavajato, fato que foi devidamente ressaltado na Representação Fiscal de fls. 5145/5278, conforme se vê abaixo: [...] Também no item 5 da mencionada Representação Fiscal – DAS DOAÇÕES RECEBIDAS MEDIANTE CONTRAPARTIDAS – há várias transcrições de mensagens extraídas do mesmo HD, o qual, inclusive, foi juntado no processo 16004.720190/2017-31 (fls. 2041/2951), fato que também foi descrito na Representação Fiscal de fls. 5145/5278, conforme demonstramos abaixo: [...] Da mesma forma, no Termo de Descrição dos Fatos de fls. 5829/5986 (Anexo do Auto de Infração), nos seus itens 4 e 5, também houve essas mesmas transcrições de mensagens mencionadas acima. Assim, tanto no procedimento de suspensão da isenção do INSTITUTO LUIZ INACIO LULA DA SILVA, quanto no consequente auto de infração, foram utilizadas provas compartilhadas pela operação Lavajato, mais especificamente na sua 24ª fase, denominada de “Operação Atelheia”. Quanto à solicitação do CARF, de elaboração de termo de constatação conclusivo acerca da validade das provas, no qual constem os elementos probatórios válidos e inválidos, as razões para a validade ou invalidade e seus reflexos sobre o crédito tributário constituído, subdividido por infração objeto de autuação, entendemos, conforme já explicado, que não há como dividir o crédito tributário constituído com base nas provas compartilhadas ou não no âmbito da operação Lavajato, tendo em vista que o crédito tributário foi constituído em consequência da suspensão da isenção do Instituto Lula, que ocorre de forma integral, independente de quantas infrações lhe deram causa. Fl. 6630DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.097 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16004.720190/2017-31 44 Portanto, entendemos, salvo melhor juízo, que a manutenção ou não do crédito tributário constituído passa, necessariamente, pela manutenção ou não da suspensão da isenção. (g. n.) Como se vê, a mesma autoridade fiscal que reanalisou as provas, conforme solicitado em diligência, e destacou haver provas autônomas nos autos do Processo 10703.720002/2016-21 (referente à suspensão do ano-calendário 2011) que deram suporte à suspensão da isenção naquele ano, nestes autos assentou, nestes autos (suspensão de isenção referente aos anos-calendário 2012, 2013 e 214) que “tanto no procedimento de suspensão da isenção do INSTITUTO LUIZ INACIO LULA DA SILVA, quanto no consequente auto de infração, foram utilizadas provas compartilhadas pela operação Lavajato, mais especificamente na sua 24ª fase, denominada de “Operação Atelheia”. É dizer, não há prova autônoma nestes autos que dão suporte à suspensão da isenção. Nestes termos, em cumprimento à decisão judicial que invalidou tais provas, conforme elencado neste voto, deve ser cancelada a suspensão da isenção e, com efeito, os autos de infração decorrentes, conforme observado pela própria autoridade fiscal que “a manutenção ou não do crédito tributário constituído passa, necessariamente, pela manutenção ou não da suspensão da isenção”. Verifica-se que tanto a suspensão da isenção do INSTITUTO LUIZ INACIO LULA DA SILVA, quanto os lançamentos de ofício têm como base as provas compartilhadas da Operação Lavajato, cuja ilicitude foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Logo cabe razão a Recorrente. Dispositivo Isto posto, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Fl. 6631DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10530.737634/2019-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2015 NULIDADE DO LANÇAMENTO. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2015 FATO GERADOR IRPJ. LUCRO REAL ANUAL. Havendo opção pelo Lucro Real Anual exercida pelo sujeito passivo, e não afastada pela Fiscalização, os fatos geradores ocorrerão ao final de cada exercício fiscal. DESPESAS/CUSTOS. NÃO COMPROVAÇÃO.GLOSAS. Corretas as glosas de despesas/custos efetivadas pela Fiscalização quando, de fato, não forem comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2015 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. LEI N. 14.689/2023. REDUÇÃO DE 150% PARA 100%. Aplica-se a multa qualificada correspondente à duplicação do percentual da multa de ofício quando verificada a ocorrência de conduta dolosa caracterizada como sonegação, fraude ou conluio. Porém, a nova regra mais benéfica (art. 8º da Lei 14.689/2023) deve ser aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106, II, “c” do CTN, in casu, reduzida ao patamar máximo de 100% do valor do tributo cobrado. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO. RECURSO DE OFÍCIO. Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócio administrativa na pessoa jurídica autuada. O dolo evidente de infringir a lei ou estatuto empresarial deve restar robustamente comprovado nos autos para que tal responsabilização surta efeitos justos. Portanto, ao recurso de ofício deve-se negar provimento. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO A PARTIR DE 2007. EXIGÊNCIA DEPOIS DO ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. LEGALIDADE. A partir do ano-calendário 2007, a alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que serão aplicadas as seguintes multas. A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente, não havendo falar em impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do ano-calendário. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2015 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Mutatis mutandis, aplicam-se às exigências ditas reflexas (CSLL) o mesmo que foi decidido quanto à exigência matriz (Imposto de Renda Pessoa Jurídica), o que se dar em razão da íntima relação de causa e efeito entre as exigências fiscais existentes.
Numero da decisão: 1402-007.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por unanimidade de votos, i.i) negar provimento ao recurso de ofício, mantendo o afastamento dos solidários arrolados; i.ii) negar provimento ao recurso voluntário, mantendo os lançamentos referentes às infrações apontadas pelo Fisco, reduzindo, todavia, de ofício, o percentual e o correspondente valor da multa de ofício qualificada de 150% para 100%, em face da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, “c” do CTN, com a redação dada pelo artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023, ao artigo 44, § 1º, inciso VI, da Lei nº 9.430/1996; ii) por voto de qualidade, na forma do artigo 1º, da Lei nº 14.689, de 20/09/2023 e artigo 25, § 9º, do PAF (Decreto nº 70.235 de 1972), negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração “multa isolada” por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, vencidos os Conselheiros Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Ricardo Piza Di Giovanni e Alessandro Bruno Macêdo Pinto que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor nesta matéria em que vencida a Relatora (item “ii”), o Conselheiro Rafael Zedral. Assinado Digitalmente Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça – Relatora Assinado Digitalmente Rafael Zedral – Redator designado. Assinado Digitalmente Paulo Mateus Ciccone – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Alexandre Iabrudi, Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2015 NULIDADE DO LANÇAMENTO. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2015 FATO GERADOR IRPJ. LUCRO REAL ANUAL. Havendo opção pelo Lucro Real Anual exercida pelo sujeito passivo, e não afastada pela Fiscalização, os fatos geradores ocorrerão ao final de cada exercício fiscal. DESPESAS/CUSTOS. NÃO COMPROVAÇÃO.GLOSAS. Corretas as glosas de despesas/custos efetivadas pela Fiscalização quando, de fato, não forem comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2015 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. LEI N. 14.689/2023. REDUÇÃO DE 150% PARA 100%. Aplica-se a multa qualificada correspondente à duplicação do percentual da multa de ofício quando verificada a ocorrência de conduta dolosa caracterizada como sonegação, fraude ou conluio. Porém, a nova regra mais benéfica (art. 8º da Lei 14.689/2023) deve ser aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106, II, “c” do CTN, in casu, reduzida ao patamar máximo de 100% do valor do tributo cobrado. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO. RECURSO DE OFÍCIO. Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócio administrativa na pessoa jurídica autuada. O dolo evidente de infringir a lei ou estatuto empresarial deve restar robustamente comprovado nos autos para que tal responsabilização surta efeitos justos. Portanto, ao recurso de ofício deve-se negar provimento. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO A PARTIR DE 2007. EXIGÊNCIA DEPOIS DO ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. LEGALIDADE. A partir do ano-calendário 2007, a alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que serão aplicadas as seguintes multas. A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente, não havendo falar em impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do ano-calendário. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2015 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Mutatis mutandis, aplicam-se às exigências ditas reflexas (CSLL) o mesmo que foi decidido quanto à exigência matriz (Imposto de Renda Pessoa Jurídica), o que se dar em razão da íntima relação de causa e efeito entre as exigências fiscais existentes.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por unanimidade de votos, i.i) negar provimento ao recurso de ofício, mantendo o afastamento dos solidários arrolados; i.ii) negar provimento ao recurso voluntário, mantendo os lançamentos referentes às infrações apontadas pelo Fisco, reduzindo, todavia, de ofício, o percentual e o correspondente valor da multa de ofício qualificada de 150% para 100%, em face da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, “c” do CTN, com a redação dada pelo artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023, ao artigo 44, § 1º, inciso VI, da Lei nº 9.430/1996; ii) por voto de qualidade, na forma do artigo 1º, da Lei nº 14.689, de 20/09/2023 e artigo 25, § 9º, do PAF (Decreto nº 70.235 de 1972), negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração “multa isolada” por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, vencidos os Conselheiros Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Ricardo Piza Di Giovanni e Alessandro Bruno Macêdo Pinto que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor nesta matéria em que vencida a Relatora (item “ii”), o Conselheiro Rafael Zedral. Assinado Digitalmente Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça – Relatora Assinado Digitalmente Rafael Zedral – Redator designado. Assinado Digitalmente Paulo Mateus Ciccone – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Alexandre Iabrudi, Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).

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As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2015 FATO GERADOR IRPJ. LUCRO REAL ANUAL. Havendo opção pelo Lucro Real Anual exercida pelo sujeito passivo, e não afastada pela Fiscalização, os fatos geradores ocorrerão ao final de cada exercício fiscal. DESPESAS/CUSTOS. NÃO COMPROVAÇÃO.GLOSAS. Corretas as glosas de despesas/custos efetivadas pela Fiscalização quando, de fato, não forem comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2015 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. LEI N. 14.689/2023. REDUÇÃO DE 150% PARA 100%. Aplica-se a multa qualificada correspondente à duplicação do percentual da multa de ofício quando verificada a ocorrência de conduta dolosa caracterizada como sonegação, fraude ou conluio. Porém, a nova regra Fl. 3541DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 2 mais benéfica (art. 8º da Lei 14.689/2023) deve ser aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106, II, “c” do CTN, in casu, reduzida ao patamar máximo de 100% do valor do tributo cobrado. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO. RECURSO DE OFÍCIO. Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócio administrativa na pessoa jurídica autuada. O dolo evidente de infringir a lei ou estatuto empresarial deve restar robustamente comprovado nos autos para que tal responsabilização surta efeitos justos. Portanto, ao recurso de ofício deve-se negar provimento. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO A PARTIR DE 2007. EXIGÊNCIA DEPOIS DO ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. LEGALIDADE. A partir do ano-calendário 2007, a alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que serão aplicadas as seguintes multas. A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente, não havendo falar em impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do ano-calendário. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2015 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Mutatis mutandis, aplicam-se às exigências ditas reflexas (CSLL) o mesmo que foi decidido quanto à exigência matriz (Imposto de Renda Pessoa Jurídica), o que se dar em razão da íntima relação de causa e efeito entre as exigências fiscais existentes. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3542DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 3 Acordam os membros do colegiado, i) por unanimidade de votos, i.i) negar provimento ao recurso de ofício, mantendo o afastamento dos solidários arrolados; i.ii) negar provimento ao recurso voluntário, mantendo os lançamentos referentes às infrações apontadas pelo Fisco, reduzindo, todavia, de ofício, o percentual e o correspondente valor da multa de ofício qualificada de 150% para 100%, em face da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, “c” do CTN, com a redação dada pelo artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023, ao artigo 44, § 1º, inciso VI, da Lei nº 9.430/1996; ii) por voto de qualidade, na forma do artigo 1º, da Lei nº 14.689, de 20/09/2023 e artigo 25, § 9º, do PAF (Decreto nº 70.235 de 1972), negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração “multa isolada” por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, vencidos os Conselheiros Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Ricardo Piza Di Giovanni e Alessandro Bruno Macêdo Pinto que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor nesta matéria em que vencida a Relatora (item “ii”), o Conselheiro Rafael Zedral. Assinado Digitalmente Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça – Relatora Assinado Digitalmente Rafael Zedral – Redator designado. Assinado Digitalmente Paulo Mateus Ciccone – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Alexandre Iabrudi, Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em desfavor do Acórdão nº 15-002.848, pela 1ª Turma da DRJ/SDR, em 04 de fevereiro de 2021, que julgou parcialmente procedente a Impugnação, para rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito: a) Manter parcialmente o crédito tributário de que trata o Auto de Infração relativo ao lançamento do IRPJ, no valor de R$ 4.691.127,89; e o da Multa Exigida Isoladamente, no valor de R$ 2.345.563,94, juntamente com os acréscimos legais correspondentes, inclusive o percentual de aplicação da Multa de Ofício de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre os lançamentos de ofício Fl. 3543DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 4 relacionados a glosa das despesas operacionais, e 75% sobre os decorrentes da perda do benefício de redução de 75% do IRPJ e adicionais calculados com base no lucro da exploração; b) b) Manter integralmente o crédito tributário de que trata o Auto de Infração relacionado ao lançamento da CSLL, no valor de R$ 692.933,10, bem como o da Multa Exigida Isoladamente, no valor de R$ 346.466,56; juntamente com os acréscimos legais correspondentes, inclusive o percentual de aplicação da Multa de Ofício de 150%; e c) c) Afastar as responsabilidades solidárias do Sr. Cid Eduardo Porto Filho, CPF nº 386.008.465-87, Diretor Agrícola, e do Sr. Gustavo Colaço Dias Neto, CPF nº 756.213.804-44, Diretor Financeiro e de Tecnologia da Informação (TI). Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão de piso: “DO LANÇAMENTO 1 Trata o presente processo dos Autos de Infração, às fls. 02/24, lavrados contra o AGRO INDÚSTRIAS DO VALE DO SÃO FRANCISCO S/A - AGROVALE (doravante denominada AGROVALE), para a exigência de crédito tributário no montante de R$ 19.389.283,78(dezenove milhões, trezentos e oitenta e nove mil, duzentos e oitenta e três reais e setenta e oito centavos), estando assim distribuído: 2 De acordo com os Autos de Infração do Imposto sobre da Pessoa Jurídica - IRPJ; da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido - CSLL; e Termo de Verificação Fiscal - TVF, às fls. 02/11, 12/24 e 28/98, respectivamente, os créditos tributários lançados foram constituídos em razão da Fiscalização verificar que a Contribuinte, no decorrer do ano-calendário 2015, teria cometido diversas infrações, as quais, podem ser assim resumidas: Fl. 3544DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 5 3 As sobreditas infrações acarretaram lançamentos de ofício no montante de R$ 19.389.283,78 (dezenove milhões, trezentos e oitenta e nove mil, duzentos e oitenta e três reais e setenta e oito centavos), envolvendo o ano-calendário de 2015, fatos geradores anuais para o IRPJ/CSLL, e mensais no que tange as autuações de Multas Isoladas, conforme discriminado no TVF, às fls. 28/98, tendo como enquadramentos legais: 4 Observando-se que, no referido TVF, a Fiscalização aponta as razões que levaram a glosa de despesas contabilizadas com base em documentos inidôneos, bem como o lançamento de multas isoladas em decorrência da falta de pagamento do IRPJ/CSLL incidentes sobre a base de cálculo estimada em função dos balanços de suspensão ou redução. Neste ponto, é importante destacar que no TVF há relatos também das autuações relacionadas ao PIS (PAF nº 10530.737635/2019-40), COFINS (PAF nº 10530.737636/2019-94) e IRRF (PAF nº Fl. 3545DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 6 10530.737637/2019-39), que não são objeto desta contenda. Destarte, relataremos apenas o que for concernente ao lançamento do IRPJ/CSLL. Dito isso, podemos destacar, principalmente: Da Ação Fiscal 4.1 (...) No exercício das funções de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, procedi à fiscalização da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, bem como do Imposto de Renda Retido na Fonte -IRRF e do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, referentes ao período de janeiro a dezembro de 2015, em relação ao sujeito passivo acima identificado, com base nos arts. 949, 950, 956, 971 e 972 do Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018 (Regulamento do Imposto de Renda); 4.2 (...) Em 21/02/2019, através do TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL (TIAF), o contribuinte acima identificado foi cientificado do início da fiscalização dos créditos referentes ao PIS, à COFINS, ao IRPJ e ao IRRF, para o período de janeiro a dezembro/2015. A fiscalizada foi intimada a apresentar: i) o estatuto social, acompanhado do ato da assembleia que elegeu a diretoria, no período objeto da fiscalização; ii) a relação dos produtos de fabricação da empresa; iii) a descrição detalhada do processo produtivo; iv) as cópias das notas fiscais de energia elétrica, sobre as quais foram apropriados os créditos referentes ao período analisado, conforme informado no SPED-Contribuições; 4.3 (...) Considerando o não atendimento do TIAF, em 15/03/2019, foi emitido o TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL nº 0001, com ciência eletrônica no mesmo dia. Além dos documentos citados, essa intimação exigiu também: i) manifestação acerca das divergências verificadas entre os valores informados na EFD-Contribuições e na Escrituração Contábil Digital (ECD), relativos às receitas financeiras apuradas no período de 01/07 a 31/12/2015; ii) cópias das notas fiscais, do contrato e dos comprovantes de pagamento relacionados ao valores informados na rubrica “serviços utilizados como insumos”, relativos ao fornecedor Petrônio Ramos de Vasconcelos(CNPJ nº 22.115.783/0001-91); iii) apresentar demonstrativo com a relação das notas fiscais que respaldaram o crédito sobre aquisições de bens do ativos imobilizados, indicados na escrituração, acompanhado de relatório comprovando a efetiva utilização dos mesmos nº processo produtivo da empresa. Fl. 3546DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 7 (...) Em 21/03/2019, a interessada apresentou a documentação solicitada, juntada às fls. 23 a 202 do dossiê nº 10010.008475/0219-15; Da Comprovação Inidônea de Despesas 4.4 (...) Nesse ponto, importa salientar, que dentre os documentos fiscais atinentes à locação de veículos sobre as quais a fiscalizada apropriou crédito das contribuições, constam as notas fiscais emitidas pela empresa PETRÔNIO RAMOS DE VASCONCELOS, CNPJ nº 22.115.783/0001-91. Nos mencionados documentos, consta como descrição do serviço prestado a "locação de bens móveis, locação de veículos, máquinas e bens sem mão de obra", conforme consignado na tabela abaixo: 4.5 (...) Saliente-se, que os pagamentos efetuados a esse fornecedor - mais de 7 milhões -correspondem a 46,67% de todas as operações classificadas pela fiscalizada na EFD Contribuições como "serviços utilizados como insumos", no ano-calendário de 2015. (...) As referidas notas fiscais de prestação de serviço foram contabilizadas no grupo das despesas operacionais, na conta contábil nº 3.1.1.3.03 (ALUGUEIS), conforme demonstrado a seguir: 4.6 (...) Da análise de toda a documentação entregue pela fiscalizada até esse momento, bem como de todas as informações extraídas dos sistemas da Receita Federal e de consultas efetuadas a outros órgãos da Administração Pública, foi possível verificar o que segue: 4.6.1 (...) Trata-se de fornecedor empresário individual (foi obtida a cópia dos atos constitutivos e do documento de baixa da empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos perante a Junta Comercial de Alagoas); Fl. 3547DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 8 4.6.2 (...) A empresa fornecedora funcionou durante cerca de 10 (dez) meses somente, apresentando data de abertura em 24/03/2015, e baixa por liquidação voluntária em 16/02/2016, não tendo apresentado qualquer Declaração à Receita Federal durante esse período; 4.6.3 (...) O contrato de locação de maquinário agrícola nº 030 fora firmado em 27/04/2015, ou seja, 34 (trinta e quatro) dias após a abertura da empresa fornecedora; 4.6.4 (...) As notas fiscais emitidas para a fiscalizada apresentam numeração sequenciada (ex: NF nº 1 emitida no mês de maio/2015, NF nº 2 emitida no mês de junho/2015 e NF nº 3 emitida no mês de julho/2015); 4.6.5 (...) Nas notas fiscais emitidas pela empresa fornecedora não consta o número da Autorização para Impressão de documentos Fiscais (AIDF); 4.6.6 (...) Em que pese a empresa fornecedora ter sido constituída em Atalaia/AL, a sua conta bancária (que recebeu os valores constantes nas notas fiscais) é de uma agência bancária localizada na mesma cidade da fiscalizada (Juazeiro/BA); 4.6.7 (...) O titular da empresa, Sr. Petrônio Ramos de Vasconcelos, trabalhou para a Agrovale, na função de motorista, no período de 2011 e 2012; 4.6.8 (...) Em consulta ao RENAVAM, foi verificado que todos os veículos (com placa)pertencem a pessoas físicas (e não ao LOCADOR); e 4.6.9 (...) Oficiada a Prefeitura do município de localização da empresa fornecedora(Prefeitura Municipal de Atalaia/AL), para obtenção do Alvará de funcionamento, foi informado que, após buscas nos sistemas, não foi localizado nenhum cadastro da empresa de Petrônio. 4.10 (...) Assim, por meio dos Ofícios n° 0139 e 0165/2019, foram solicitados à Prefeitura do Município de Atalaia/AL, local em que supostamente estaria localizada a empresa fornecedora, os dados cadastrais da empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos, como também informação sobre as autorizações para impressão de documentos fiscais - AIDF que lhes tivessem sido concedidas. Em resposta, a Secretaria Fl. 3548DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 9 Municipal de Finanças informou que não houve AIDF para o contribuinte, acrescentando, ainda, que: 4.11 (...) Ademais, consta do Ofício n° 025, de 13 de agosto de 2019, emitido pelo Setor de Tributos da referida Prefeitura, que o município adotou a modalidade de emissão de Nota Fiscal Eletrônica desde abril/2014, conforme disposição do Decreto n° 0012/2012. Ou seja, no período em que foram emitidas as notas fiscais em análise, sequer existia a possibilidade de que tais documentos pudessem existir na modalidade de impressão gráfica (nota fiscal "em papel")naquele município; 4.12 (...) Ainda, considerando que em tais notas fiscais consta o nome da empresa José Nogueira Mendes Filho (GRAFNETO), CNPJ n° 02.435.994/0001-02, como a gráfica responsável pela impressão dos referidos documentos fiscais, foi emitida intimação para esta empresa solicitando que informasse se efetivamente tinha confeccionado os mencionados documentos, identificando a pessoa responsável pela impressão e especificando, ainda, a quantidade de documentos impressos (número de talões, número de folhas nos talonários e numeração aposta nas notas fiscais). Foi posto, ainda, que a empresa deveria apresentar a cópia da respectiva AIDF emitida pela Prefeitura Municipal de Atalaia/AL. (...) Em resposta, a gráfica NEGOU que tenha impresso as mencionadas notas fiscais, apontando, inclusive, algumas inconsistências na impressão dos documentos que indicariam a sua falsidade (ausência da destinação das vias, numeração feita no computador, ausência do número da AIDF). Da Diligência no Estabelecimento da Empresa Fornecedora 4.13 (...) Para fins de obter esclarecimentos adicionais sobre o Contrato de Locação de Maquinário Agrícola nº 030 firmado entre as duas empresas, e frente ao encerramento das atividades da contratada, foi direcionada diligência para a pessoa do seu titular, Petrônio Ramos de Vasconcelos, CPF nº 468.387.914-04, uma vez que a extinção da pessoa jurídica nos órgãos de registro implica na substituição da sujeição passiva da pessoa jurídica para seus administradores(art. 23 do Decreto nº 9.580/2018 e art. 135 da Lei nº 5.172/66). Após várias tentativas frustradas, por todos os meios Fl. 3549DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 10 legais possíveis, de localização do titular da empresa, Sr. Petrônio,(...) procedeu-se à intimação do Sr. Manoel Adair de Araújo, CPF nº 176.460.304-49, procurador da empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos, e subscritor do referido contrato de locação, para prestar esclarecimentos adicionais acerca dos fatos. Porém, invocando problemas de saúde, alegou não poder manifestar-se sobre a situação posta; 4.14 (...) Registre-se, apenas, conforme se verá adiante, que o Sr. Manoel representou a empresa fornecedora em outras situações. Ou seja, todos os documentos da empresa fornecedora, obtidos no âmbito dessa fiscalização, foram assinados pelo procurador, não tendo sido identificada atuação direta do Sr. Petrônio nos negócios que envolvem o contrato de prestação de serviços ora discutido. Inclusive, a procuração outorgada ao Sr. Manoel (fls. 342/343) "...confere os mais amplos, gerais e ilimitados poderes para resolver todo e qualquer assunto do outorgante; 4.15 (...) Diante do exposto, a análise dos dados colhidos em relação à empresa fornecedora até essa fase permitiu verificar o seguinte: 4.15.1 (...) breve período de funcionamento; 4.15.2 (...) omissa na apresentação de Declarações à Receita Federal; 4.15.3 (...) não recolhimento de tributos federais; 4.15.4 (...) inexistência de empregados registrados; 4.15.5 (...) emissão de notas fiscais para a Agrovale no valor de quase 7 milhões e 700 mil reais; 4.15.6 (...) atividades da empresa efetuadas por meio de procurador com "amplos, gerais e ilimitados poderes"; 4.15.7 (...) no repositório do SPED-NFe (notas fiscais eletrônicas), não foi identificada, durante o período de funcionamento da empresa, nenhuma nota fiscal de aquisição de bens (não consta como participante, seja destinatário ou emitente, em nenhuma NFe emitida); 4.16 (...) Ante esses dados, foi instaurado procedimento fiscal de diligência para fins de verificar a efetiva existência da empresa à época das ocorrências fáticas. Assim, consoante o relatório elaborado no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maceió/AL, o endereço cadastral constante como sendo da empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos, Avenida Fredson da Costa Amorim, 32, bairro José Paulino, Atalaia/AL, foi investigado, porém a autoridade diligenciadora, diante da inexistência do prédio onde se localizaria a empresa, e frente a afirmação dos moradores de longa data no logradouro que, indagados, não se recordaram do nome do estabelecimento ou do funcionamento de qualquer empresa com a Fl. 3550DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 11 atividade econômica da fornecedora, concluiu pela inexistência de fato da diligenciada, no domicílio tributário presente nos assentamentos cadastrais da RFB, conforme trecho destacado: 3.1. Diante do que foi constatado nas diligências realizadas in loco no Município de Atalaia- AL e no Município de Maceió - AL, eis a conclusão do presente procedimento fiscal: • A empresa PETRÔNIO RAMOS DE VASCONCELOS, CNPJ N° 22.115.783/0001-91 não funcionou de fato na Rua Fredson da Costa Amorim, n° 32, bairro José Paulino, Atalaia - AL. [grifos nossos] 4.17 (...) Vê-se, portanto, que a empresa emitente das notas fiscais escrituradas pela fiscalizada não existiu de fato, na medida em que o seu endereço eleito, junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, à época dos fatos, não se comprovou como verdadeiro (art. 29, II, da Instrução Normativa RFB nº 1.863, de 27 de dezembro de 2018). Por conseguinte, verifica-se que a suposta fornecedora Petrônio Ramos de Vasconcelos teria funcionado apenas formalmente justamente no período das aquisições de serviços controvertidas. 4.18 (...) Diante de todo o exposto, constatando-se inexistência de fato da suposta prestadora de serviço, com utilização de endereço fictício, ausência de registros de inscrição ou AIDF, a documentação fiscal apresentada mostra- se tributariamente ineficaz. Dos Pagamentos Efetuados 4.19 Instada a se manifestar sobre a diferença entre o valor pago a empresa PETRÔNIO RAMOS DE VASCONCELOS e os valores constantes das notas fiscais de serviço apresentadas, a AGROVALE afirmou que (...) seria decorrente da aquisição do combustível utilizado nº funcionamento dos caminhões, tratores e carregadeiras (óleo diesel), apresentando o demonstrativo mensal de consumo do dito combustível; 4.20 Pelo contrato apresentado, cabia ao contratado o fornecimento dos combustíveis, lubrificantes e demais materiais para a manutenção dos equipamentos locados. Em relação aos combustíveis, como a Fiscalizada afirma que arcou com o ônus, efetivou o desconto dos valores do óleo diesel consumido, quando do pagamento. Entretanto, apesar de intimada, não apresentou os documentos relativos à aquisição dos apontados combustíveis. Quanto ao controle relativo aos gastos com lubrificantes e demais materiais para a manutenção dos equipamentos locados, a Fiscalizada limitou-se a afirmar que eram de responsabilidade da contratada. Do Objeto do Contrato de Locação Fl. 3551DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 12 4.21 (...) O contrato sob exame tem por objeto a locação de: “caminhões, reboques canavieiros, carregadeiras e tratores". São relacionados 51 (cinquenta e um) bens. A empresa fornecedora estava localizada no estado de Alagoas e a fiscalizada tem sede no estado da Bahia. A distância é de cerca de 650 km. (...) Em consulta ao SPED Fiscal - ICMS/IPI da fiscalizada, não foi identificada nenhuma nota fiscal de entrada de máquina e/ou equipamento que respaldasse a locação de bens móveis provenientes da empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos, CNPJ 22.115.783/0001-91, para a Agroindústrias do Vale do São Francisco S/A. Ou seja, não foram identificados registros, através de notas fiscais, para comprovar o trânsito dos bens de Atalaia/AL(sede da Petrônio) para Juazeiro/BA (sede da fiscalizada). Cabe ressaltar que os Fiscos estaduais exigem a emissão de notas fiscais para o trânsito de máquinas e equipamentos utilizados em locação de bens móveis, conforme se verifica na respectiva legislação de regência. No caso do estado da Bahia, o Decreto nº 13.780, de 16 de março de 2012 (artigos 55, 58, 68 e 83); 4.22 (...) Assim, por meio do "item 6" do Termo de Intimação Fiscal nº 003, a fiscalizada foi instada a informar qual(is) a(s) data(s) de entrada dos bens nº estabelecimento da empresa, bem como qual(is) a(s) respectiva(s) data(s) de saída, apresentando documentação hábil a atestar o declarado. Entretanto, a fiscalizada alegou não dispor dessas informações. Vide transcrição da resposta: "R - O nosso controle de entrada e saídas de veículos é na portaria principal da empresa, nossa área agrícola é extensa são mais de 17 mil hectares de cana-de açúcar. Esses equipamentos foram contratados exatamente para transportar a cana (matéria prima) dos campos mais distantes que ficam nas áreas externas da empresa onde não dispomos de controles de entradas e saídas de veículos ". 4.23 (...) Novamente intimada sobre esse aspecto (“item 1.c” do Termo de Intimação Fiscal nº 005), foram solicitadas as notas fiscais e respectivos conhecimentos de transporte relativos às remessas dos bens objeto da locação (entrada e saída dos bens da sede da empresa). Em resposta, a fiscalizada citou mais uma vez a extensão da empresa e acrescentou que: "Os veículos locados são guiados da sua cidade de origem até a Agrovale, por conta da contratada"; 4.24 (...) O argumento da interessada, entretanto, não justifica a inexistência de qualquer documento. Mesmo que a fornecedora tivesse remetido os bens sem as respectivas notas fiscais, a fiscalizada deveria fazê- lo, quando da extinção do contrato, para fins de retorno dos bens objeto da locação. Ainda que a operação esteja amparada pela não incidência do ICMS (Lei nº 7.014/1996, art. 2º, I, art. 3º, XV e XVI), a situação de remessa Fl. 3552DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 13 de bens locados não consta nº mencionado Decreto como hipótese de dispensa de emissão do documento fiscal (art. 68); 4.25 (...) Dessa forma, constata-se a inexistência da comprovação do ingresso dos bens locados nas dependências do estabelecimento sob fiscalização. (...) De outra parte, em consulta ao Registro Nacional de Veículos Automotores (RENAVAM), verificou-se que todos os veículos com placa, à época da vigência do contrato, pertenciam a pessoas diversas da contratada, conforme tabela abaixo: 4.26 Diligenciados parte desses proprietários, o Fisco apurou que: 4.26.1 Orley Lima Moraes, CPF nº 389.008.071-53 – (...) Declara expressamente que nunca houve locação desse reboque para nenhuma empresa e que desconhece completamente a fornecedora e a fiscalizada; 4.26.2 Joaquim Gomes da Silva Filho, CPF nº 515.581.064-72 – Real proprietário de dois reboques (placas HEH8845 e HEH8752), quando da prestação do serviço em questão, apesar de constarem como proprietários nº RENAVAM, o Sr. Aguinaldo e a empresa Transafra. Quando questionado, similar ao proprietário anterior, declarou que nunca teve contato ou celebrou contrato com a fornecedora ou a fiscalizada; 4.26.3 José Gomes de Almeida, CPF nº 157.311.114-72: 4.26.3.1 (...) apresentou contrato de locação dos mencionados bens, firmado com a empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos, representada pelo procurador Manoel Adair de Araújo, em 26/04/2015, e recibos de aluguel relativos aos meses de junho a Fl. 3553DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 14 dezembro/2015, no valor de R$ 10.500,00 (dez mil e quinhentos reais) cada; 4.26.3.2 Afirmou que o efetivo recebimento dos montantes acima não se concretizou por via bancária, tendo apenas como comprovante os recibos apresentados; 4.26.3.3 (...) Registre-se, ainda, que a data de assinatura do contrato alegadamente firmado entre o Sr. Jose Gomes de Almeida e a empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos é o dia imediatamente anterior ao contrato de locação firmado entre esta e a fiscalizada, sendo oportuno destacar que o dia 26/04/2015 se trata de um dia de domingo; 4.26.3.4 (...) Por fim, em que pese o Sr. José Almeida residir em Pilar/AL e a contratante ter sede em Atalaia/AL, é eleito o foro da cidade de Iturama/MG para resolução de controvérsias em relação ao contrato. 4.26.4 Maximili Costa Almeida, CPF nº 954.861.784-68 – Similar ao proprietário anterior, inclusive representado pelo mesmo contador, apresentou: contrato de locação dos bens mencionados, firmado em 26/04/2015, com a empresa Petrônio, representada pelo procurador Manoel; e recibos de aluguel, relativos aos meses de junho a dezembro de 2015, no valor de R$ 15.000,00, sem comprovantes do efetivo pagamento; 4.26.5 Claudio Peixoto Costa, CPF nº 652.709.164-87: 4.26.6 Ednaldo Gomes da Silva, CPF nº 924.116.494-87; Cláudio Costa Bandeira, CPF nº 740.968.004-06; e Cláudio Peixoto Costa Junior, CPF nº 061.529.664-50 – as diligências em relação a esses proprietários resultaram infrutíferas, embora intimados e reintimados; Fl. 3554DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 15 4.26.7 (...) Por fim, além de todo o narrado até esse momento, cumpre salientar que o veículo de placa MVH5856, listado como objeto de locação do multicitado contrato, sequer estava na cidade sede da fiscalizada (Juazeiro/BA), ou suas imediações, nº período de vigência do contrato. Com efeito, em consulta ao site do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), www.dnit.gov.br, constatou-se que o referido veículo, no dia 30/07/2015, data em que supostamente deveria estar sendo utilizado nas atividades da fiscalizada, encontrava-se na BR 316, no município de Satuba/AL, distante cerca de 667km do município de Juazeiro/BA. O registro consta do Auto nº E020746330, emitido pelo DNIT, certificando infração cometida com o veículo naquele município alagoano. Das Considerações Finais 4.27 (...) Entretanto, diante de todo o exposto, verifica-se que não há a comprovação efetiva da prestação dos referidos serviços. Intimados os proprietários dos veículos, parte negou ter realizado qualquer tipo de operação com a suposta fornecedora ou com a fiscalizada (o que fatalmente compromete a veracidade do contrato de locação apresentado), e parte não logrou êxito em comprovar efetivamente a transação, não tendo sido apresentadas também notas fiscais ou conhecimentos de transporte atestando a movimentação dos bens pela sede da fiscalizada; 4.28 (...) Para fins de arremate da questão, saliente-se que, de acordo com a Norma Interna apresentada pela fiscalizada, na qual se estabelecem diretrizes e critérios para contratação de prestadores de serviços, "todas as negociações referentes às contratações de serviços serão decididas de forma compartilhadas pelo Comitê de Gestão das Compras sob Contratos, com a participação de todos os setores da empresa, respeitando sua especialidade inerentes às suas responsabilidades". Assim, não é possível nem razoável supor que uma empresa do porte da interessada, e a despeito de suas normas internas, negocie um contrato com uma empresa constituída há apenas 34 (trinta e quatro) dias, transferindo para ela mais de 7 milhões de reais, sem perceber que tal pessoa jurídica não possuía vínculo empregatício, veículos e equipamentos de sua propriedade e, o que é mais grave, sem certificar-se que ela sequer existia de fato. No que se refere às notas fiscais apresentadas, é sabido que não continham número da AIDF, isto significa que, ainda que o contratante não conhecesse a inidoneidade do documento, uma simples leitura diligente a revelaria; 4.29 (...) Constata-se, portanto, que a fiscalizada utilizou-se de notas fiscais inidôneas, emitidas por empresa inexistente de fato, com o propósito de comprovar fraudulentamente as suas despesas operacionais. (...) No caso concreto, a conduta da fiscalizada, optante do lucro real, gera ainda repercussão tributária quanto ao IRPJ e CSLL. Fl. 3555DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 16 Dos Créditos Tributários a Lançar 4.30 (...) a análise do conjunto probatório reunido na presente ação fiscal permitiu constatar que a conduta realizada pela fiscalizada com o intuito de gerar despesas de prestação de serviços de locação de veículos, por meio da apresentação de notas fiscais inidôneas, emitidas em nome de empresa inexistente de fato, e sem prova da internação dos bens supostamente locados, é caracterizada como FRAUDE. 4.31 (...) Da análise da Escrituração Contábil Digital (ECD) enviada pelo contribuinte, constata-se que as despesas, cuja comprovação mostrou-se inidônea, foram contabilizadas na conta de passivo nº 2.1.1.1.01 (FORNECEDORES) e suas contrapartidas em conta de resultado que compunham as Despesas Operacionais, conta nº 3.1.1.3.03 (ALUGUEIS). Estas despesas foram utilizadas como dedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ, conforme demonstrado na Escrituração Contábil Fiscal (ECF). Tais despesas não serão admitidas (artigos 217 e 299, do RIR/1999) e terão como consequência lançamentos de IRPJ com seus reflexos de CSLL. 4.32 A AGROVALE é optante pela tributação com base no lucro real anual. Ademais efetuou o pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, consoante declaração em ECF, apurada em balanço ou balancete de suspensão ou redução. 4.33 (...) Registre-se, ainda, que a fiscalizada informa na ECF que, em razão de projeto de modernização na produção de açúcar e álcool e projeto de diversificação na geração de energia elétrica, faz jus ao benefício fiscal previsto no art. 1º da Medida Provisória nº 2.199-14/2001,(com a redação vigente à época), tendo o direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais calculados com base no lucro da exploração. 4.34 (...) Ocorre que, configurada a fraude, conforme amplamente demonstrada nesse relatório, impõem-se a perda do referido benefício fiscal, consoante determina o art. 128 da Instrução Normativa RFB nº 267, de 23 de dezembro de 2002. Com efeito, ao utilizar notas fiscais que sabia ser inidôneas (ou falsas), para reduzir sua carga tributária, a fiscalizada pratica ato configurado como crime contra a ordem tributária, nos termos do inciso IV do Art.1º da Lei 8.137 de 1990. (...) Assim, procedeu-se à recomposição da base de cálculo relativa ao IRPJ e reflexo da CSLL, desconsiderando o referido benefício fiscal: Fl. 3556DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 17 4.35 Devido a recomposição supra, decorreram a apuração de novas bases de cálculo mensais estimadas, dado que os valores referentes às despesas com COMPROVAÇÃO INIDÔNEA foram adicionados às bases de cálculo outrora levantadas pela Autuada. Dessarte, foi aplicada multa isolada pela falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, de acordo com a tabela abaixo: Da Multa Qualificada 4.36 No presente caso, a Fiscalização inferiu que deve ser aplicada a multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14, da Lei nº 11.488/07, em relação às operações abrangidas pelas notas fiscais inidôneas, por entender que se trata da hipótese capitulada no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1967. Da Responsabilidade Solidária 4.37 O Fisco concluiu que o Sr. Cid Eduardo Porto Filho, Diretor Agrícola, e o Sr. Gustavo Colaço Dias Neto, Diretor Financeiro e de Tecnologia da Informação (TI), praticaram infração à legislação tributária, tendo em vista Fl. 3557DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 18 que, com o intuito de gerar despesas de prestação de serviços de locação de veículos, assinaram, em nome da fiscalizada o Contrato de Locação de Maquinário Agrícola nº 030, de 27 de abril de 2015, firmado com a empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos, inexistente de fato. O contrato está vinculado a notas fiscais inidôneas, não havendo também prova da movimentação dos bens no estabelecimento da fiscalizada. Tal conduta objetivou simular operações comerciais de prestação de serviços, com fim único de reduzir o IRPJ/CSLL a pagar da fiscalizada. A referida conduta caracteriza INFRAÇÃO DE LEI por se tratar de crime contra a ordem tributária nos termos da Lei 8.137/90. 4.38 Dessa forma, nos termos do art. 124 (Sujeito Passivo) c/c os art. 135, inciso III(Responsabilidade de Terceiros) e art. 136, ambos do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66); e art. 210, inciso VI e parágrafos, do RIR/99, restou caracterizada a sujeição passiva solidária dos sobreditos diretores, como pessoalmente responsáveis pelas infrações à lei cometidas nas operações em nome da empresa AGROVALE. DA IMPUGNAÇÃO DA AGROVALE 5. Ciente da autuação em 23/12/2019, no dia 20/01/2020, a Interessada, citando doutrina e jurisprudência judicial e administrativa, impugna o lançamento, às fls. 2980/3009, apresentando, em síntese, as seguintes argumentações: 5.1 (...) O crédito tributário apurado no presente processo importa em R$ 17.072.600,54 de IRPJ e R$ 2.316.683,24 relativo a CSLL., incluindo multas e juros, além de multa isolada por insuficiência de antecipações, em função da infração apurada. (...) A única infração destes autos refere-se a "comprovação inidônea de despesas", demonstradas no item 3.2.1.3.2.1, fls. 28/43 do Termo de Verificação fiscal; Da Contratação da Empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos. Legalidade 5.2 Conforme verificado pela Fiscalização, há na Impugnante uma Norma Interna(...) onde está estabelecido que as contratações de serviços serão decididas de forma compartilhada pelo "Comitê de Gestão de Compras sob contratos", com a participação de todos os setores da empresa, respeitando suas especialidades inerente às suas responsabilidades; 5.3 Antes de firmar contrato com a apontada locadora, seguindo a sobredita diretriz, foram solicitados diversos documentos ao locador e outros retirados de sites dos órgãos competentes, anexados aos autos, e, após aval do setor jurídico, foi informada à diretoria sobre a possibilidade de contratação; Fl. 3558DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 19 5.4 (...) Quanto à afirmativa da fiscalização da contratada não possuir empregados, denota-se que a mesma está seguindo a regra da sua atividade econômica principal que é Aluguel de máquinas e equipamentos Agrícolas sem Operador, porquanto administrada pelo seu titular ou o procurador Manoel Adair de Araújo; Do Objeto do Contrato 5.5 O contrato em questão não trata de prestação de serviço, mas de locação de equipamentos sem cessão de mão de obra, (...) os quais estão relacionados na cláusula primeira, para ficar à disposição da contratante e uso dentro das necessidades da contratante e dentro do período da safra de 2015. (...) O valor da locação foi estipulado em função da relação toneladas de cana de açúcar transportada e quilometragem percorrida, conforme detalhado na cláusula quarta do contrato de locação; 5.6 (...) O contrato foi efetuado com a empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos não só pela extensa documentação apresentada, mas pelo amplo conhecimento de seu titular no ramo de transporte de cana de açúcar. Ademais, consoante Termo de Ajuste de Conduta, firmado com o Ministério do Trabalho, anexados aos autos, (...) a impugnante não pode mais contratar motoristas autônomos ou contratar serviços de transporte de cana de açúcar com motoristas, mas somente locar veículos ou equipamentos, devendo os motoristas ou operadores de máquinas ser funcionários da contratante; Dos Documentos Inquinados Como Falsos – Notas Fiscais Falsas 5.7 (...) No caso dos autos as notas fiscais são falsas em uma parte, ou seja, materialmente falsas, pois confeccionadas sem autorização legal e por gráfica não identificada, mas, a locação de equipamentos descrita é verdadeira, como se provará exaustivamente mais adiante, visto que o uso dos equipamentos locados estão comprovados em inúmeras planilhas com discriminação da quantidade de produtos transportados e quilometragem percorrida e pagos em função de uma efetiva medição, mediante transferência bancária, identificada pela própria fiscalização. Em complemento, a Defesa alega, citando dispositivos legais, Solução de Consulta Cosit nº 295/2014 e a Súmula 31, do STJ, que sobre a locação de bens móveis não incide ISS, portanto não é obrigatória a emissão de documento fiscal; 5.8 Argumenta que, diante do volume mensal de aproximadamente 1.000 notas fiscais que recebe dos fornecedores e prestadores, é impossível verificar individualmente as características delas, muito menos ser responsabilizada pela não localização da empresa contratada no endereço constante do cadastro da RFB, ou por ter funcionado apenas durante a safra de 2015; Fl. 3559DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 20 Da Comprovação da Efetiva Locação dos Equipamentos 5.9 Em prol de comprovar a efetiva locação dos equipamentos em comento, a Defesa juntou documentação (...) com identificação de cada veículo ou máquina constante do contrato de locação e efetivamente ingressado na Agrovale, com medição diária da quantidade de toneladas transportadas, quilômetro percorrido, a relação de tonelada/quilômetro e o correspondente consumo de combustível, além de Notas Fiscais de aquisição de peças de reposição e serviços de mecânica em nome da locadora, seu titular ou seu procurador; 5.10 (...) Cabe observar que os veículos e equipamentos relacionados no contrato de locação, que estariam a disposição da locatária, nem todos chegaram nas dependências da ora impugnante e serviram para o transporte de cana de açúcar, conforme pode ser visto no "Cadastro de Veículos", anexado aos autos. Neste ponto, afirma que, no que tange as pessoas físicas diligenciadas pela Fiscalização, proprietários de equipamentos que se incluem no contrato, mas que negaram a locação, bem como o veículo placa policial nº MVH-5856, a despeito de relacionados nos contratos, não foram enviados para AGROVALE e não constam de qualquer relatório; 5.11 Já no que concerne aos equipamentos, cujos proprietários são JOSÉ GOMES DE ALMEIDA, MAXIMILI COSTA ALMEIDA, CLÁUDIO PEIXOTO COSTA, EDNALDO GOMES DA SILVA, CLÁUDIO COSTA BANDEIRA e CLÁUDIO PEIXOTO COSTA JUNIOR, os relatórios gerenciais (Demonstrativo de Consumo de Combustível; Relatório Gerencial onde consta a identificação dos veículos cuja locação foi questionada; Relação das notas fiscais de aquisição de peças de reposição da frota locada e notas de prestação de serviços mecânicos, tendo como adquirentes Petrônio Ramos de Vasconcelos – PJ e Manoel Adair de Araújo – procurador; Demonstrativo de Produção de Cana Transportada pela Contratada) juntados aos autos, confirmam a efetiva utilização pela AGROVALE no transporte de cana-de- açúcar, bem como ratificam a prestação dos serviços questionados pelo Fisco. (...) Neste ponto, cabe observar, ao contrário do afirmado pela auditoria fiscal, a existência no repositório de Notas Fiscais Eletrônicas(SPED) de notas fiscais de peças de reposição em nome da empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos e/ou do procurador Manuel Adair de Araujo; 5.12 (...) Assim, restando comprovada a efetiva locação dos bens contestados pela fiscalização, à vista dos inúmeros documentos anexados, como também provado o correspondente pagamento, a irregularidade na confecção das notas fiscais, não produz qualquer efeito fiscal, como determina o artigo 82 e seu Parágrafo único da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ademais, (...) a irregularidade formal da nota fiscal não Fl. 3560DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 21 justifica a manutenção do lançamento, e muito menos com multa agravada de 150%, conforme dispõe o artigo 82 e seu parágrafo primeiro acima mencionado e, ainda, conforme reiterada jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como também do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes; Da Aplicação da Multa Qualificada de 150% 5.13 Ao contrário do afirmado pela Fiscalização, o conjunto probatório apresentado com a Impugnação permite constatar a inexistência de fraude por parte da Auditada. Quer dizer, à luz do disposto no art. 72, da Lei nº 4.502/67, suscitado pelo Fisco, facilmente verifica-se (...) que não existiu qualquer ação ou omissão dolosa a impedir ou retardar o fato gerador da obrigação tributária principal de modo a reduzir o montante do imposto devido. Além disso, (...) a fiscalização nada fundamentou nada apresentou para afirmar o evidente intuito de fraudar; 5.14 (...) Se fraude existiu, foi por parte da locadora dos equipamentos, emitir notas fiscais sem a devida autorização, fraudando o fisco municipal, deixando de utilizar os canais próprios e legais para tal emissão, e omitindo- se no recolhimento dos tributos devidos. Em relação a este fato, não há nos autos prova da participação da AGROVALE, bem como não haveria como sua administração saber ou ter ciência, dado que todos os documentos apresentados e colhidos antes da contratação eram legais; 5.15 Não tem como prosperar a aplicação da penalidade em comento, haja vista que (...) não basta a indicação de conduta dolosa e fraudulenta a partir de presunções ou subjetividades, há que haver prova, por parte da fiscalização da intenção predeterminada da ora impugnante, demonstrada de modo concreto, de impedir ou retardar o recolhimento dos tributos devidos. (...) Não foi apontado pela fiscalização a intenção dolosa do contribuinte, especialmente quando todos os fatos foram devidamente registrados na contabilidade, deixando às claras todos os procedimentos, nada impedindo a fiscalização de confirmar todos os fatos registrados contabilmente, bem como os inúmeros registros gerenciais sobre a locação. Do IRPJ – Reconstituição de Cálculo – Incentivo Fiscal 5.16 A Impugnante faz jus ao benefício fiscal previsto no artigo 1º da MP nº 2.199-14/2001, vigente à época dos fatos, tendo direito à redução de 75% do imposto de renda e adicionais calculados com base no lucro da exploração. O Fisco, devido a fraude constatada, impôs a perda do apontado benefício fiscal, com base nº determinado no art.128, da Instrução Normativa RFB nº 267, de 23 de dezembro de 2002, e procedeu à recomposição da base de cálculo relativa ao IRPJ e reflexo da CSLL, desconsiderando-o. Neste ponto, verifica que (...) do ato de concessão do Fl. 3561DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 22 benefício fiscal, bem como da MP nº 2.199-14/2001, em qualquer momento tal medida é imposta, não podendo uma Instrução Normativa ultrapassar os limites legais, para impor a perda do benefício. 5.17 Outrossim, ao aplicar a multa agravada de 150%, calculou tal encargo sobre o total do imposto apurado e não somente sobre a parcela das despesas glosadas, não levando em conta que a glosa da redução de 75% do imposto de renda e adicionais sobre o lucro da exploração se estende ao lucro da exploração, que foi calculado sem sofrer irregularidade alguma. Quer dizer, a apontada multa, se procedente, (...)somente poderia incidir sobre a parcela do imposto pertinente à glosa da despesa com frete do locador Petrônio Ramos de Vasconcelos; 5.18 Conclui requerendo que, como provou que não ocorreu fraude e muito menos crime contra a ordem tributária, deve ser excluída a perda do benefício em comento. Entretanto, caso a Turma Julgadora entenda diferente, deve ser levada na apuração o imposto de renda retido na fonte, no ano calendário de 2015, no valor de R$ 415.383,82, fato olvidado pela auditoria fiscal, bem como que a multa aplicada de 150%, seja somente sobre a glosa de custos, não incidindo sobre a parcela glosada de incentivo fiscal que deve ser a normal de 75%. Da Multa Isolada Pelo Não Recolhimento de Estimativas Concomitante com a Multa de Ofício 5.19 A multa à epígrafe refere-se a antecipações, decorrentes das novas bases de cálculo mensais estimadas, na medida em que os valores referentes às glosas das despesas de locação foram adicionadas às bases de cálculo inicialmente levantadas pela ora impugnante. Diante do que foi comprovado, são improcedentes, bem como, consoante jurisprudência do CARF e Súmula CARF nº 105, devem ser canceladas por terem sido aplicada concomitantemente com a multa de ofício; Das Outras Autuações 5.20 (...) Quanto ao lançamento da CSLL, considerando tratar-se das mesmas razões fáticas e de direito, as razões impugnativas, aplicam-se, no que couber. (...) Desta forma, igualmente requer-se o cancelamento das correspondentes exigências. 6 Ao final, requereu (...) seja a presente impugnação conhecida, processada em seus trâmites regulares, para que sejam canceladas as exigências fiscais destes autos, pelas razões de fato e de direito apresentadas. DAS IMPUGNAÇÕES DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS: CID EDUARDO PORTO FILHO E GUSTAVO COLAÇO DIAS NETO Fl. 3562DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 23 7 O Sr. CID EDUARDO PORTO FILHO, CPF nº 386.008.465-87, Diretor Agrícola da AGRAVALE, ciente da autuação em 13/12/2019, conforme Aviso de Recebimento – AR, às fls. 3192, e o Sr. GUSTAVO COLAÇO DIAS NETO, CPF nº 756.213.804-44, Diretor Financeiro e da Tecnologia da Informação - TI da AGRAVALE, ciente da autuação em 14/12/2019, conforme Aviso de Recebimento – AR, às fls. 3197, impugnaram os lançamentos, às fls. 2013/2059 e 2497/2543, em 13/01/2020 e 14/01/2020, respectivamente. Considerando que o teor de ambas as impugnações é idêntico, relataremos em conjunto. Nessa toada, citando doutrina e jurisprudência judicial e administrativa, apresentaram, em síntese, as seguintes argumentações: 7.1 A responsabilidade tributária imputada aos Impugnantes decorre do fato de ter os mesmos assinado, em nome da mencionada empresa, contrato de prestação de serviços com a empresa PETRÔNIO RAMOS DE VASCONCELOS. Nesse sentido, inicialmente, requer que qualquer modificação na regra matriz de incidência tributária se estenda aos devedores solidários, em respeito aos efeitos atinentes a solidariedade previstos no art. 125, do CTN; 7.2 Prosseguindo, arguem que (...) o Art. 135, III, do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica e tão somente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. (...) Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado; 7.3 (...) A imposição da referida responsabilidade não pode decorrer do singelo fato de serem os mesmos diretores da empresa fiscalizada, pois o Art. 135, inc. III, do CTN prevê a necessidade de comprovação de fato jurídico tributário, distinto da ocorrência do fato gerador, capaz de permitir a inclusão dos sócios no polo passivo da relação jurídico tributária; 7.4 (...) O fato descrito (assinatura do contrato acima mencionado) não tem o liame jurídico de gerar dita responsabilidade, pois decorre de mero e necessário interesse econômico no resultado da empresa. Isto porque na AGROVALE existe previsão estatutária que todos seus contratos sejam assinados por pelo menos dois diretores, bem como devem ser submetidos, conforme Norma 1043 de Gestão das Compras sob Contratos de Prestação de Serviços da AGROVALE, a um Comitê de Gestão com a participação de vários setores da empresa. (...) Assim, conforme dita norma, cabe ao Setor Jurídico da AGROVALE o exame, a elaboração e verificação acerca dos conteúdos dos contratos (suas cláusulas) bem como, por obvio, o posicionamento acerca da legalidade de todos os contratos da empresa fiscalizada; cabe ao Setor Técnico da AGROVALE todas as DECISÕES acerca das especificações dos serviços contratados; cabe a Controladoria a Fl. 3563DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 24 responsabilidade sobre os pagamentos das diversas notas fiscais. (...) Por fim, os contratos para prestação de serviços deverão estar contemplados no orçamento de compras e ter sidos aprovados pela Diretoria, devendo seguir a rotina estabelecida na norma 1043; 7.5 Pelo exposto, a circunstância descrita no procedimento fiscal não permite concluir que ditos diretores agiram com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, visto que o ato não decorreu de uma decisão autônomo desses. Além do mais, (...) como demonstrado o agir dos diretores se deu em absoluto seguimento aos estatutos sociais da AGROVALE e de sua Norma 1043 de Gestão das Compras sob Contratos de Prestação de Serviços da AGROVALE. 7.6 (...) Ausente as razões, os fundamentos e indicação de qualquer fato ou prova cabal no Relatório Fiscal, que demonstrem a participação dolosa das pessoas físicas em questão em atos concretos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos, não há como se concluir (fora de meras ilações) pela responsabilidade tributária solidária dos mesmos, razão pela qual, devem ser excluídos da condição de devedores solidários. 7.7 (...) No caso dos autos, INEXISTE PROVA DE ATUAÇÃO DOLOSA dos Diretores a área Agrícola e do Financeiro e de Tecnologia da Informação - TI da AGRO INDÚSTRIAS DO VALE DO SÃO FRANCISCO S/A -AGROVALE (CNPJ n° 13.642.699/0001 -35), senão vejamos: 7.7.1 (...) o simples fato de constarem notas fiscais emitidas pela empresa PETRONIO RAMOS DE VASCONCELOS, CNPJ n° 22.115.783/0001-91 não mácula dito negócio jurídico, especialmente, porque, conforme comprovam os documentos acostados a esta defesa A REFERIDA EMPRESA TINHA ALVARÁ DE LOCALIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO PROVISÓRIO, conforme documentação da época e novamente retirado no dia 17/12/2019, sob o número 396 e INSCRIÇÃO MUNICIPAL n° 508, tudo junto ao município de Atalaia/AL e disponível no Sitio: WWW.FACILITA.AL.GOV.BF., além de que, no ato da contratação, é prática da AGROVALE requerer outros documentos que comprovem a regularidade fiscal e jurídica dos contratados; 7.7.2 (...) Acresça-se aos fatos acima, as Notas Fiscais, fornecidas pela empresa PETRÔNIO RAMOS DE DE ARAÚJO à AGROVALE), notas essas, emitidas por empresas sediadas nas cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), DURANTE O PERÍODO DE LOCAÇÃO DOS CAMINHÕES, demonstrando a compra de peças para diversos veículos usados no transporte de cana-de-açúcar. (...)O Fl. 3564DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 25 que fulmina o alegado pela fiscalização no item 136, "g" do termo de Verificação Fiscal (pág. 32 e 33 de 77), onde afirma que no repositório do SPED-NF, NÃO FOI IDENTIFICADA durante o período de funcionamento da empresa acima referenciada (pág. 33 de 77), nenhuma nota fiscal de aquisição de bens "não consta como participante, seja destinatária ou emitente" (negrito acrescido) em nenhuma NFe emitida; 7.7.3 Os sobreditos fatos além de comprovarem a existência da PETRÔNIO RAMOS DE ARAÚJO e que foi destinatária de diversas Notas Fiscais nas localidade de prestação de serviço, conforme corroborado à Fiscalização por proprietários de 28 veículos locados, comprovam (...) que os veículos se encontravam prestando serviço a AGROVALE, afastando também a alegação de dito automóveis não teriam sido utilizados no serviço contratado; 7.7.4 O fato de haver concentrado a contratação em uma única empresa apenas indica que havia uma relação de confiança entre as partes contratantes; ou ausência de outras na região capazes de prestar o serviço na forma esperada pela AGROVALE, mas (...) nunca uma presunção de fraude por parte da AGROVALE. Dito fato, nunca poderia ou pode servir de lastro a uma SUPOSIÇÃO de fraude ou dolo; 7.7.5 O exercício regular de um direito do empresário de escolher a forma societária que atuará, no caso empresário individual, nunca pode constituir um presunção de ilícito, visto que, (...) enquadrando-se dentro dos parâmetros legais para sua criação e funcionamento não há qualquer mácula que permita presumir, pelo tipo societário (empresário individual ou não) fraude ou violação ao direito; 7.7.6 (...) Outrossim, o fato de ter a empresa PETRÔNIO RAMOS DE VASCONCELOS funcionado durante e apenas por cerca de 10 (dez) meses, comprova o elevado índice fechamento de empresas no Brasil, tão-somente. (...) OU SEJA, o tempo de duração de uma empresa não indica qualquer irregularidade no contrato objeto da fiscalização nem transfere para AGROVALE a responsabilidade pelas omissões da PETRONIO RAMOS DE VASCONCELOS; 7.7.7 (...) Igualmente, não tem nenhuma relação, a indicar qualquer tipo de irregularidade no contrato firmado entre a AGROVALE e a empresa PETRONIO RAMOS DE VASCONCELOS, o lapso temporal entre a data de abertura de uma empresa e a data que são firmados seus primeiros contratos; 7.7.8 (...) QUANTO AS NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELA PETRONIO RAMOS DE VASCONCELOS PARA A AGROVALE SEM AUTORIZAÇÃO PARA IMPRESSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS (AIDF) cabe destacar que elas revelam uma falha Fl. 3565DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 26 da empresa PETRONIO RAMOS DE VASCONCELOS e não da AGROVALE, que não tem a atribuição de fiscalizar e verificar dito procedimento. (...) Inclusive, revela que a AGROVALE também foi lesada por esse agir doloso da empresa PETRONIO RAMOS DE VASCONCELOS; 7.8 (...) A fiscalização nos cálculos do IRPJ cometeu alguns equívocos, cabendo destacar neste momento que ela não considerou os IRRF para abater do imposto devido e lançou como despesas inidônea o valor total da base de cálculo, quando deveria lançar apenas R$ 7.659.256,71, gerando, por conta disso um LANÇAMENTO A MAIOR NA ORDEM de R$ 3.402.221,22, que deve ser expurgado, conforme tabela anexa. (...) Ao fim vale mencionar que a fiscalização adotou para fins de cálculo do IRPJ todo o valor do LUCRO REAL do ano calendário de 2015, quando deveria incluir apenas o procedimento, que deu causa a imputação da penalidade aplicada no percentual de 150%: 7.9 A efetiva existência, o devido funcionamento ou a concreta prestação de serviço da locadora é reforçado quando a (...) FISCALIZAÇÃO RECONHECE O FATO DE TEREM SIDO ABASTECIDOS na unidades da AGROVALE OS CAMINHÕES USADOS PELA DA EMPRESA PETRÔNIO RAMOS DE VASCONCELOS (mencionados no relatório da fiscalização). Abastecimento esse, cujo controle se faz mediante chips de informática. (...) E, também reconhece a fiscalização a OCORRÊNCIA DOS PAGAMENTOS à empresa PETRÔNIO RAMOS DE VASCONCELOS que se deram mediante medições de carga transportada, sendo assim ilógico admitir a suposta fraude; 7.10 É defeso a aplicação simultânea da multa isolada e a multa qualificada, conforme Súmula CARF nº 105. Todavia, por ser decorrente do não recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo glosada pela fiscalização, afastada a glosa, com o acolhimento da defesa, dada a sua natureza assessoria, desaparecerá em seu todo. Ademais é nulo o auto de infração neste particular por desrespeito ao disposto no art. 10, caput e inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. 7.11 Conforme Súmulas Vinculantes CARF nº 14 e 25, a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Isto decorre do fato de não encontrar amparo no direito brasileiro a presunção de dolo. 8 Ao final, requereu: Fl. 3566DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 27 8.1 Suspensão da exigibilidade do crédito tributário; 8.2 Exclusão da responsabilidade tributária solidária dos Impugnantes, (...) ante a inexistência de ilícito tributário, de violação aos estatutos da empresa ou de atuação com excesso de poderes, afastando a efetiva ocorrência de dolo, fraude, simulação ou conluio, e por consequência, a anulação da representação fiscal para fins penais, em face da efetiva comprovação de que a empresa PETRÔNIO RAMOS DE VASCONCELOS não só existiu, conforme alvarás, inscrição municipal, notas fiscais de compras de mercadorias e serviços para caminhões fretados-locados, bem como que o serviço contratado foi realmente prestado, em decorrência dos abastecimentos realizados nos caminhões, relatório de produção e de carga transportada, e os pagamentos efetivados; 8.3 (...) Pela recomposição dos créditos indevidamente glosados, afastando a presunção de fraude em face da legalidade dos créditos, conforme indicado alhures; 8.4 Pela exclusão das multas em seu todo, em face da legalidade dos créditos, conforme demonstrado. Por cautela, em caso de superação da tese, que seja reconhecida a impossibilidade de aplicação cumulativa da multa isolada e da multa de ofício (75%), conforme disposto na Súmula CARF nº 105. E que, a multa de ofício aplicada não pode ser qualificada (150%), por inexistir nestes autos a necessária comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo, na forma das Súmulas Vinculantes CARF nº 14 e 25. 8.5 (...) Pugna pela juntada dos documentos anexos à presente (§4° do Art. 17 do Decreto n° 70.235/1972). DA DILIGÊNCIA FISCAL 9 A presente relatoria entendeu que, para formação da convicção quanto a correção do procedimento fiscalizatório, seriam imprescindíveis esclarecimentos e dados complementares a serem fornecidos pela Autoridade Autuante, determinando que os autos retornassem à DRF de origem em favor da realização de diligência fiscal, objetivando: Fl. 3567DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 28 10. Em atendimento a precitada solicitação, a eminente Autoridade Fiscal elaborou Relatório de Diligência Fiscal, às fls. 3292/3296, do qual merecem relevo: 10.1. Foram anexados os registros requeridos no item 13.1, conforme solicitado. Segue relação elaborada pela Auditora Fiscal com as respectivas folhas: Fl. 3568DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 29 10.2 Em resposta ao questionamento 13.2, confirmou que a AGROVALE faz jus ao montante de R$ 415.383,82 à título de IRRF, consoante informes de rendimentos apresentados às fls. 3282/3290. Além disso, admitiu que o apontado valor não foi considerado quando da apuração dos lançamentos de ofício contestados, o que ensejou nova apuração do IRPJ e das multas isoladas aplicadas sobre a falta/insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais do IRPJ. Em razão dessa constatação, elaborou tabelas relacionadas as reapurações precitadas considerando o IRRF ratificado: 10.3 No que tange ao questionamento 13.3, refez os cálculos da multa de ofício incidente sobre o lançamento em favor de aplicar o percentual de 150% apenas sobre o valor dos tributos correspondentes as despesas glosadas (R$ 7.699.256,71), de acordo com a tabela abaixo: Fl. 3569DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 30 11 Diante do exposto, concluiu demonstrando o crédito apurado após os sobreditos ajustes: 12 O relatório em questão foi cientificado a AGROVALE e aos responsáveis solidários, CID EDUARDO PORTO FILHO e GUSTAVO COLAÇO DIAS NETO, os quais se manifestaram às fls. 3310/3311, 3340/3341 e 3376/3377, respectivamente. Em síntese, concordaram integralmente com o relatório e suscitaram o correspondente acatamento, posto que resultou em consonância com as alegações apresentadas pelas correspondentes defesa.” Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ/SDR julgou parcialmente procedente a impugnação, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2015 NULIDADE DO LANÇAMENTO Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no art. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar de nulidade do lançamento. PAF. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. No processo administrativo fiscal, as provas das alegações de defesa devem ser apresentadas, ordinariamente, na impugnação, salvo se ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, se Fl. 3570DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 31 relativas a fato ou a direito superveniente ou se destinadas a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Além destas hipóteses, admite-se a apresentação da prova na fase recursal, mas apenas quando estas forem conclusivas na demonstração do fato alegado. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2015 FATO GERADOR IRPJ. LUCRO REAL ANUAL. Havendo opção pelo Lucro Real Anual exercida pelo sujeito passivo, e não afastada pela Fiscalização, os fatos geradores ocorrerão ao final de cada exercício fiscal. DESPESAS/CUSTOS. NÃO COMPROVAÇÃO.GLOSAS. Corretas as glosas de despesas/custos efetivadas pela Fiscalização quando, de fato, não forem comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2015 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. REGRA GERAL APLICÁVEL. Um dos efeitos produzidos pela apresentação de impugnação tempestiva é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. MULTA ISOLADA POR ESTIMATIVA MENSAL. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 105. ANOCALENDÁRIO DE 2007 EM DIANTE. Do ano-calendário 2007 em diante, se não efetuado o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada, no percentual de 50% (cinquenta por cento), calculado sobre a totalidade ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do ano-calendário, mesmo que lançada a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, não se aplicando a referida multa em anos-calendário anteriores, nos termos da Súmula CARF n° 105. Fl. 3571DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 32 CONDUTA FRAUDULENTA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA EM 150%. CABIMENTO Os procedimentos de realizar pagamentos atinentes a despesas escrituradas inexistentes ou não comprovadas caracterizam conduta dolosa tendente a excluir ou modificar as características essenciais da obrigação tributária principal, reduzindo desse modo o montante dos tributos devidos e evitando o seu pagamento, enquadrando-se nos conceitos de fraude, previstos no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964, justificando a aplicação da multa agravada no percentual de 150%. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. DIRETORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO EVIDENTE. INCABÍVEL Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócio administrativa na pessoa jurídica autuada. O dolo evidente de infringir a lei ou estatuto empresarial deve restar robustamente comprovado nos autos para que tal responsabilização surta efeitos justos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2015 LANÇAMENTO DO IRPJ. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando dos mesmos pressupostos fáticos que motivaram o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, como idêntica é a contestação, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Encaminhou-se recurso de oficio ao CARF tendo em vista exoneração de parte do crédito tributário em discussão e das responsabilidade solidárias atribuídas à Cid Eduardo Porto Filho, CPF nº 386.008.465-87, ao Sr. Gustavo Colaço Dias Neto e ao Diretor Financeiro e de Tecnologia da Informação (TI). Discordando, parcialmente, da decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário alegando, em síntese, que: “(...) Na impugnação então ofertada, foram apresentados, além dos argumentos jurídicos, grande quantidade de documentos para comprovar, de forma legítima e indubitável, a efetiva locação dos veículos e equipamentos, apontada pela fiscalização e pela decisão recorrida como não realizada, visto que os documentos foram considerados como Inábeis e Inidôneos. Fl. 3572DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 33 A justificativa da glosa foi apenas porquanto verificaram irregularidades na documentação fiscal da locadora dos veículos e equipamentos, sem considerar a gama de fatos e documentos contábeis que demonstram a efetiva utilização desse veículos e outros equipamentos contratados e que foram utilizados na colheita da safra de cana de açúcar de 2015. A decisão ora recorrida, analisou superficialmente a farta documentação anexada aos autos, consistente em milhares de folhas, onde se visualiza a identificação de cada veículo ou máquina constante do contrato de locação e efetivamente ingressado na Agrovale, com medição diária da quantidade de toneladas de cana de açúcar transportadas, quilómetro percorrido por cada caminhão, a relação tonelada/quilómetro e o correspondente consumo de combustível. O locador Petrônio Ramos de Vasconcelos apresentou Notas Fiscais de aquisição de peças de reposição e serviços de mecânica em seu nome, seu titular ou seu procurador, que também providenciamos sua anexação aos autos, considerando que era de sua responsabilidade a manutenção dos equipamentos locados. Na análise da farta documentação juntada aos autos, o relator da decisão, frente a comprovação da real utilização dos bens locados, procurou verificar pequenos equívocos na sua apresentação, que em nada interferem na consistência das informações, capazes de elidir a contundente prova da efetiva locação. Em resumo, decidiu mais pelas irregularidades praticadas pela empresa locadora, em especial na confecção das notas fiscais, abstraindo-se da comprovação da efetiva locação dos veículos e equipamentos, fundamental na comprovação de despesas ou custos, conforme disposições legais e jurisprudência desse colegiado. No decorrer da análise dos elementos constantes deste processo, auto de infração, Impugnação e Decisão da DRJ/SDR, constata-se que ao decidir o litígio, basicamente baseou-se nos fundamentos da autuação, omitindo-se em grande parte nos argumentos de defesa. Para uma melhor visualização desses elementos jurídicos e documentais apresentados, transcrevemos os termos da peça inicial do litígio, como abaixo transcrito os quais requer como razões recursais. "Analisada toda a documentação apresentada e outras colhidas de diversas fontes, concluiu o fisco da existência de notas frias para comprovar despesas atinentes a locação de veículos. Tais notas foram emitidas pela empresa "Petrônio Ramos de Vasconcelos" - CNPJ 22.115.783/0001-91, onde estão descritos serviços prestados como "locação de bens móveis, locação de veículos, máquinas e bens sem mão de obra. Fl. 3573DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 34 Mencionadas notas fiscais foram contabilizadas no grupo de despesas operacionais, na conta contábil nº 3.1.1.3.03 (alugueis). Por solicitação do fisco foram apresentados o Contrato de Prestação de Serviços assinado pelo Sr. Cid Eduardo Porto Filho, Diretor Agrícola, e pelo Sr. Gustavo Colaço Dias Neto, Diretor Financeiro e de Tecnologia da Informação (TI), e a empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos, representada pelo procurador Sr. Manoel Adair de Araujo. Foram, também, apresentados comprovantes de depósito e transferências bancárias junto ao Bradesco, na conta da empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos. Da análise da documentação entregue pela empresa e outras extraídas dos Sistemas da Receita Federal e outros órgãos da Administração Pública verificou o fisco que: a)Trata-se de fornecedor individual (foi obtida cópia dos atos constitutivos e do documento de baixa da empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos perante a junta comercial de Alagoas); b) A empresa fornecedora funcionou durante 10 (dez) meses somente apresentando data de abertura em 14/03/2015, e baixa por liquidação voluntária em 16/02/2016, não tendo apresentado qualquer declaração à Receita Federal durante esse período; c) O contrato de locação de maquinário agrícola nº 30 fora firmado em 27/04/2015, ou seja, 34 (trinta) e quatro dias após a abertura da empresa fornecedora; d) As notas fiscais emitidas para a fiscalizada apresentam numeração sequenciada; e) As notas fiscais emitidas pela empresa fornecedora não consta o número de Autorização para Impressão de Documentos Fiscais (AIDF); f) Em que pese a empresa fornecedora ter sido constituída em Atalaia/AL, a sua conta bancária (que recebeu os valores constantes nas notas fiscais) é de uma agência bancária localizada na mesma cidade da fiscalizada (Juazeiro/BA); g) O titular da empresa, Sr. Petrônio Ramos de Vasconcelos, trabalhou para a Agrovale, na função de motorista no período de 2011 e 2012; h) Em consulta ao RENAVAM, foi verificado que todos os veículos (com placa)pertencem a pessoas físicas (e não ao locador); e i)Oficializada à Prefeitura do município de localização da empresa fornecedora(Prefeitura Municipal de Atalaia/AL), para obtenção do Alvará de funcionamento, foi informado que, após buscas nos sistemas, não foi localizado nenhum cadastro da empresa Petrônio. Disse o fisco que nenhuma dessas situações acima indicadas, analisada individualmente, é capaz de elidir o direito da fiscalizada ao crédito das contribuições sociais em análise. Em seu conjunto, porém, formam um cenário tendente a pôr em Dúvida a efetiva existência e/ou funcionamento da empresa Fl. 3574DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 35 fornecedora, ou mesmo a efetiva prestação dos serviços contratados, nos moldes como apontado pela fiscalizada à vista da documentação apresentada. Para comprovar a inidoneidade das notas fiscais a fiscalização informa que as notas fiscais foram impressas sem autorização (AIDF) da Fazenda Municipal, conforme informação da Prefeitura de Atalaia, tendo esta esclarecido, ainda, que desde abril de 2014 a modalidade de emissão de notas fiscais é Nota Fiscal Eletrônica, não existindo mais notas fiscais em papel. Também, a gráfica indicada nas notas fiscais negou que tenha impresso mencionadas notas fiscais, ao responder intimação do fisco. Informa ainda a fiscalização, que foram frustradas as diversas tentativas de localizar o então titular da empresa locadora dos veículos, procedendo-se a intimação do Sr. Manoel Adair de Araujo, CPF 176.460.304-49, procurador da empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos, e subscritor do referido contrato de locação, para prestar esclarecimentos adicionais acerca dos fatos. Por problemas de saúde o intimado não se manifestou. Disse o fisco, ainda, que o Sr. Manoel Adair possuía amplos e ilimitados poderes para todo e qualquer assunto do outorgante, tendo assinado todos os documentos solicitados pela fiscalização. Informa ainda a fiscalização que a fornecedora não tinha empregados registrados, como também não foram identificadas notas fiscais como destinatária ou emitente no repositório do SPED-NFE. Em diligência realizada em Atalaia/AL, no endereço indicado nos cadastro da Receita Federal, foi informado que a empresa não existiu naquele local. Assim, concluiu o fisco que a empresa emitente das notas fiscais escrituradas pela fiscalizada - Petrônio Ramos de Vasconcelos - não existiu de fato no período das aquisições de serviços controvertidos, sendo mencionadas notas tributariamente ineficaz. Quanto aos pagamentos efetuados à fornecedora dos equipamentos, houve uma diferença a menor de R$ 2.278.926,89, justificado pela empresa de tratar-se de fornecimento de combustível utilizado nos caminhões, tratores e carregadeiras, de locação da contratada e de sua responsabilidade, como consta do § único da cláusula primeira do Contrato de Locação. Foi apresentado o demonstrativo mensal do consumo. Ao analisar o contrato de locação, informa ainda a agente do fisco que o contrato relaciona 51 bens (caminhões, reboques canavieiros, carregadeiras e tratores), não sendo identificados nenhuma nota fiscal de entrada dos bens locados, bem com nota fiscal para comprovar o transito desses bens, como exigido pela legislação estadual. Em resposta à intimação para comprovar as datas de entrada e saída dos bens locados a empresa autuada informou que a área plantada de cana de açúcar Fl. 3575DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 36 é de mais de 17.000 hectares, sendo os bens utilizados nos campos mais distantes, nas áreas externas da empresa, onde não se dispõe de controles de entradas e saídas de veículos. Verificou a fiscalização que os veículos não eram de propriedade da contratada, tendo sido intimados os proprietários dos mesmos para informar sobre o negócio realizado com a locadora Petrônio Ramos de Vasconcelos. As respostas encontram-se às fls. 37/41. Com essas verificações constatou a fiscalização que não há comprovação da efetiva prestação dos referidos serviços, comprometendo a veracidade do contrato de locação em exame. Arrematando a questão, salientou a auditora que de acordo com a Norma Interna apresentada pela fiscalizada, na qual se estabelecem diretrizes e critérios para a contratação de prestadores de serviços, "todas as negociações referentes a contratações de serviços serão decididas de forma compartilhada pelo Comitê de Gestão de Compras sob contratos, com a participação de todos os setores da empresa, respeitando suas especialidades inerente às suas responsabilidades". Assim, entendeu não ser razoável que uma empresa do porte da fiscalizada possa ter contratado uma empresa com as características da empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos. Em conclusão afirmou: "Constata-se, portanto, que a fiscalizada utilizou-se de notas fiscais inidôneas, emitidas por empresa inexistente de fato, com o propósito de comprovar fraudulentamente as suas despesas operacionais, ocasionando repercussão na tributação de IRPJ e CSLL. No item 3.2.2.1 a fiscalização informou da perda do benefício fiscal de redução, tendo em vista a configuração de fraude, recompondo a base de cálculo do IRPJ e, no item 3.2.2.2 imputou a multa isolada, pelo não recolhimento das estimativas, baseada na glosa das despesas amparadas por documentos fiscais tidos como inidôneos. A AGROVALE A então impugnante é uma agroindústria, produtora de Açúcar, etanol e bioeletricidade, com plantio de cana de açúcar em uma área de mais de 17.000 hectares equivalente a 170 milhões de metros quadrados, cortada pela BRs 235 e 407. Abaixo o Mapa da Empresa: Fl. 3576DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 37 A empresa se destaca no cenário sucroalcooleiro, com referência em agricultura irrigada e com elevada produtividade de cana de açúcar por hectare, associada a uma eficiente política de sustentabilidade. Seus mais de 17.000ha de plantio são totalmente irrigados. Como visto acima, a principal acusação é a falta de comprovação da efetiva prestação dos referidos serviços, comprometendo a veracidade do contrato de locação em exame. Mas, a seguir, restará comprovada, com a documentação apresentada junto com esta petição, a efetiva locação dos equipamentos (veículos e máquinas) com a locadora Petrônio Ramos de Vasconcelos e descritos nas respectivas notas fiscais, bem como sua real existência, considerando, ainda, que os correspondentes pagamentos foram identificados durante a auditoria. DA CONTRATAÇÃO DA EMPRESA PETRÔNIO RAMOS DE VASCONCELOS LEGALIDADE A auditoria verificou a existência de uma Norma Interna na qual estão descritos as diretrizes e os critérios para a contratação de prestadores de serviços, onde está estabelecido que as contratações de serviços serão decididas de forma compartilhada pelo "Comitê de Gestão de Compras sob contratos", com a participação de todos os setores da empresa, respeitando suas especialidades inerente às suas responsabilidades. Seguindo essa diretriz os responsáveis pelo Comitê, com a participação do Setor Jurídico, solicitaram diversos documentos ao locador e outros retirados dos sites dos órgãos competentes. De posse dos documentos, abaixo descritos, e após analise contratual do setor jurídico, foi informado à diretoria sobre a possibilidade da contratação da empresa. Registro da empresa individual na Junta Comercial de Alagoas em 24/03/2015; Fl. 3577DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 38 -Alvará de funcionamento emitido pela Prefeitura Municipal de Atalaia/AL emitido em 25/03/2015; -Certidão de Inscrição Municipal dessa mesma Prefeitura emitido em 24/03/2015; -Cadastro na Receita Federal - CNPJ emitido em 16/04/2015; Certidão Negativa de Débitos relativos a tributos federais e à Dívida Ativa da União emitido em 20/04/2015; -Certificado de Regularidade do FGTS-CRF emitida pela Caixa Econômica Federal emitido em 20/04/2015; -Instrumento público de Procuração, passado no Cartório 2ºofício de Notas de Petrolina/PE, tendo como outorgante a empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos e como outorgado o Sr. Manoel Adair de Araujo, com amplos gerais e ilimitados poderes para resolver todo e qualquer assunto do outorgante, datada de 01/04/2015. Os documentos acima descritos estão sendo anexados a este processo. Quanto à afirmativa da fiscalização da contratada não possuir empregados, denota-se que a mesma está seguindo a regra da sua atividade econômica principal que é Aluguel de máquinas e equipamentos Agrícolas sem Operador, porquanto administrada pelo seu titular ou o procurador Manoel Adair de Araujo. DO OBJETO DO CONTRATO O contrato teve por objeto a cessão pelo contratado de caminhões, reboques canavieiros, carregadeiras e tratores, os quais estão relacionados na cláusula primeira, para ficar à disposição da contratante e uso dentro das necessidades da contratante e dentro do período da safra de 2015. Observa-se, nesse ponto que, a despeito da fiscalização informar que "não há comprovação efetiva dos serviços, comprometendo a veracidade do contrato de locação em exame", o dito contrato não trata de prestação de serviços e sim de locação de equipamentos, sem o fornecimento de mão-de-obra. O valor da locação foi estipulado em função da relação toneladas de cana de açúcar transportada e quilometragem percorrida, conforme detalhado na cláusula quarta do contrato de locação. O Sr. Petrônio Ramos de Vasconcelos prestou serviços como AUTÔNOMO na impugnante, em 2011 e 2012, como motorista autônomo, fazendo transporte de açúcar para clientes, fato que em nada invalida o mesmo ter feito contrato de locação de bens com terceiros para posteriormente efetuar a cessão para a Agrovale. O contrato foi efetuado com a empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos não só pela extensa documentação apresentada, mas pelo amplo conhecimento de seu titular no ramo de transporte de cana de açúcar. Fl. 3578DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 39 Após o "Termo de Ajuste de Conduta" firmado com o Ministério do Trabalho, a impugnante não pode mais contratar motoristas autônomos ou contratar serviços de transporte de cana de açúcar com motoristas, mas somente locar veículos ou equipamentos, devendo os motoristas ou operadores de máquinas ser funcionários da contratante. Anexo o Termo de Ajuste de Conduta. Verifica-se que o contrato de locação prevê o fornecimento de veículos e outros equipamentos sem mão de obra. Também pelo exame do registro na Junta Comercial e pelo cadastro nacional de Pessoa jurídica - CNPJ o código e descrição do objeto social da empresa é 77.31-4-00 - Aluguel de máquinas e equipamentos agrícolas sem operador. DOS DOCUMENTOS INQUINADOS COMO FALSOS - NOTAS FISCAIS FALSAS Analisando as afirmativas do fisco quando informa da falsidade das notas fiscais, temos, em primeiro lugar que distinguir da falsidade material da falsidade ideológica. A falsidade material é a que se comete pela elaboração de documento falso, que pode ser inteiramente falso quando seu conteúdo também é ideologicamente falso. Entretanto se o seu conteúdo é verdadeiro o documento é falso em uma parte, ou seja, em sua confecção, ou seja, materialmente falso. No caso dos autos as notas fiscais são falsas em uma parte, ou seja, materialmente falsas, pois confeccionadas sem autorização legal e por gráfica não identificada, mas, a locação de equipamentos descrita é verdadeira, como se provará exaustivamente mais adiante, visto que o uso dos equipamentos locados estão comprovados em inúmeras planilhas com discriminação da quantidade de produtos transportados e quilometragem percorrida e pagos em função de uma efetiva medição, mediante transferência bancária, identificada pela própria fiscalização. Aqui, cabe observar, que lei complementar 116/2003 assim como dec. lei nº 406/68, que regulamenta o ISS, não inclui na lista de serviços a locação de bens moveis. A Súmula 31 do STF ratifica o entendimento de que na locação de bens moveis não incide ISS por não se caracterizar prestação de serviços. Portanto, é bom deixar claro, que a emissão do documento fiscal não é obrigatório para a locação de bens móveis. Fl. 3579DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 40 No que pertine à afirmativa da fiscalização de que a empresa deveria saber da irregularidade das notas fiscais de locação, somente após o relatório Sumário de Produção e do relatório de consumo de combustível, que seria deduzido do valor contratado mensalmente, é que se informava à locadora o valor devido para emissão da nota fiscal, que era entregue diretamente ao Setor Financeiro para pagamento. É impossível, em uma empresa do porte da Agrovale que recebe mensalmente aproximadamente 1.000 (mil) notas fiscais, efetuar um exame prévio das características de cada uma delas, de todos os fornecedores e prestadores de serviço, aí incluindo se as mesmas eram em papel ou eletrônicas dependendo de cada município. Salienta-se que esse procedimento não é atribuição de qualquer contribuinte ao adquirir mercadorias ou serviços, verificar estas características. Se porventura receber uma nota irregular o adquirente estaria abrigado pelo princípio da boa-fé, salvo se for nota fiscal de empresa já sumulada. Tendo a irregularidade na impressão das notas fiscais sido apurada pelo Fisco, junto à empresa gráfica mencionada, somente no ano de 2019, quando a emissão das mesmas foi em 2015, não há como exigir-se o conhecimento pela autuada, da situação fática então verificada. Da mesma forma, relativamente a não localização da empresa contratada no endereço constante do cadastro da Receita Federal, em diligência procedida em 2019, a impugnante não poderia ter ciência ou ser responsabilizada, quando a empresa funcionou apenas durante a safra de 2015, tendo dado baixa posteriormente. Nesse ponto, vale repetir que, quando da contratação da locadora, foram exigidos e retirados dos correspondentes sites de órgãos oficiais, entre outros documentos, o registro da empresa na Prefeitura de Atalaia, bem como, o Alvará de Localização. Assim, não há como imputar à impugnante, não só da irregularidade na confecção das notas fiscais, como da não localização da locadora após quatro anos da verificação fática de sua existência. Fl. 3580DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 41 DA COMPROVAÇÃO DA EFETIVA LOCAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS Da farta documentação a seguir colacionada, anexadas a esta impugnação, pode-se facilmente verificar, ao seu manuseio, que a locação dos equipamentos efetivamente aconteceu, com identificação de cada veículo ou máquina constante do contrato de locação e efetivamente ingressado na Agrovale, com medição diária da quantidade de toneladas transportadas, quilômetro percorrido, a relação de tonelada/quilômetro e o correspondente consumo de combustível, além de Notas Fiscais de aquisição de peças de reposição e serviços de mecânica em nome da locadora, seu titular ou seu procurador. Cabe observar que os veículos e equipamentos relacionados no contrato de locação, que estariam a disposição da locatária, nem todos chegaram nas dependências da ora impugnante e serviram para o transporte de cana de açúcar, conforme pode ser visto no "Cadastro de Veículos", anexado aos autos. A Auditoria realizou diligência entre os proprietários dos bens locados, para verificar se os mesmos efetivamente prestaram serviços, conforme síntese abaixo. Aqui cabe observar, novamente, que nem todos os bens relacionados no contrato ingressaram na área da contratante. Os efetivamente locados encontram-se discriminados no Cadastro de Veículos de Terceiros, conforme demonstrado abaixo. - Orley Lima Morais - proprietário de um Reboque; declarou tratar-se de uma "carretinha" com capacidade de carga de 300 kg; declarou também, que nunca alugou esse bem e desconhece a empresa fornecedora (Petrônio Ramos de Vasconcelos); A despeito de relacionado no contrato, não foi enviado para a Agrovale e não consta de qualquer relatório gerencial. -Aguinaldo Rodrigues - proprietário de um reboque; de acordo com o TVF, esse bem foi vendido em 2014 a Joaquim Gomes da Silva Filho. Declarou o Sr. Joaquim que os reboques estão parados com defeito e não foram locados a Fornecedora. Também, a despeito de relacionado no contrato, não foi enviado para a Agrovale e não consta de qualquer relatório gerencial. -José Gomes de Almeida - proprietário de 11 equipamentos (caminhões e reboques); proprietário da maior frota de bens locados a Fornecedora; apresentou a Auditoria o Contrato de Locação firmado com a empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos e os Recibos de Pagamentos. A Auditoria não aceitou as alegações apresentadas tendo em vista que os pagamentos da locação, não foram realizados através de instituições financeiras. Os relatórios gerenciais abaixo (produção e consumo combustíveis) comprovam a efetiva utilização dos citados bens pela ora impugnante no transporte de cana de açúcar. Fl. 3581DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 42 - Maximili Costa Almeida - proprietário de 10 equipamentos (segunda maior frota de equipamentos locados); apresentou Contrato firmado com a Fornecedora e Recibos de pagamento das locações; Igualmente, os citados relatórios gerenciais comprovam a efetiva utilização dos citados bens, pela ora impugnante, no transporte de cana de açúcar. -Cláudio Peixoto Costa - proprietário de 08 equipamentos (terceira maior frota); apresentou Contrato de Locação firmado com a Fornecedora; para contestar o Contrato, a Auditoria achou estranho o fato do Locador transferir 08 veículos de sua propriedade para uma empresa criada há apenas 42 dias; afirmou que em 2015 trabalhava para a Agrovale, como prestador de serviços. O Cadastro Nacional de Informações Sociais não confirma essa afirmativa, pois não prestou serviços para a Agrovale em 2015. Os relatórios gerenciais confirmam a efetiva utilização dos citados bens pela ora impugnante no transporte de cana de açúcar. Ednaldo Gomes da Silva, Cláudio Costa Bandeira e Cláudio Peixoto Costa Júnior - proprietários de apenas um veículo cada um; foram diligenciados e não apresentaram qualquer documento à Auditoria, mas os relatórios gerenciais confirmam a efetiva utilização dos citados bens pela ora impugnante no transporte de cana de açúcar. Nota: dos trinta e oito equipamentos locados, conforme Tabela 10 - Pag. 39, do TVF, os proprietários de 29 equipamentos apresentaram os Contratos de Locação com a empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos, equivalendo ao percentual de 74% de toda frota. Foram apresentados alguns Recibos de Pagamentos. A Auditoria relata que o veículo Placa Rodoviária MVH-5856, incluído na relação de bens locados, em 30/07/2015, encontrava-se na BR 316, Município de Satuba/AL, distante 667 Km da Agrovale, conforme Auto de Infração lavrado pelo DENIT; Neste caso, também o bem não foi enviado para a Agrovale. Pelos documentos a seguir relacionados e anexados pode-se constatar quais equipamentos efetivamente foram utilizados pela Agrovale na colheita da safra de 2015 e os custos a eles inerentes. Demonstrativo de consumo de combustível de equipamentos da contratada em 2015, consistente em 78 páginas, com as seguintes informações: Fl. 3582DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 43 Relatório gerencial onde consta a identificação dos veículos locados da contratada Petrônio Ramos de Vasconcelos (código, placa, ano de fabricação e numero chassi), que efetivamente prestaram os serviços contratados. Como exemplo, a nota fiscal, (Relação das notas fiscais) de aquisição de Peças de reposição da Frota locada e notas de prestação de serviços mecânicos. Notas fiscais de aquisição de peças de reposição adquiridas na região de Juazeiro e Petrolina, além de prestação de serviços de reparos em alguns veículos locados, onde constam: Fl. 3583DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 44 1) Data, nº NF, Valor, Fornecedor e seu CNPJ; 2) Município do Fornecedor; 3) Adquirente (Petrônio Ramos de Vasconcelos - PJ e Manoel Adair de Araújo - procurador); 4) Placa do veículo. Como exemplo a nota fiscal: Neste ponto, cabe observar, ao contrário do afirmado pela auditoria fiscal, a existência no repositório de Notas Fiscais Eletrônicas (SPED) de notas fiscais de peças de reposição em nome da empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos e/ou do procurador Manuel Adair de Araujo. Demonstrativo de Produção de cana Transportada pela contratada - 2015 Relatório analítico identificando cada veículo por seu código e sua respectiva produção, onde se observa: 1) Código do equipamento, placa do veículo e data do transporte; 2) Tonelada de cana transportada; 3 )Quantidade de cargas; 4 )Número de viagens e quantidade de reboques (média). Fl. 3584DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 45 À vista desses consistentes relatórios, onde se demonstra a perfeita utilização dos equipamentos locados, temos a prova do efetivo ingresso dos equipamentos locados pela ora impugnante, durante a colheita de 2015, contraditando a motivação do lançamento de que "não há comprovação da efetiva prestação dos referidos serviços, comprometendo a veracidade do contrato de locação em exame". Assim, restando comprovada a efetiva locação dos bens contestados pela fiscalização, à vista dos inúmeros documentos anexados, como também provado o correspondente pagamento, a irregularidade na confecção das notas fiscais, não produz qualquer efeito fiscal, como determina o artigo 82 e seu Parágrafo único da Lei n-9.430, de 27 de dezembro de 1996. Dispõe o art. 82 e Parágrafo único da Lei 9.430/66: "Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços Fl. 3585DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 46 comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços Desta forma, provada a efetiva locação dos equipamentos e a efetivação dos pagamentos, a irregularidade formal da nota fiscal não justifica a manutenção do lançamento, e muito menos com multa agravada de 150%, conforme dispõe o artigo 82 e seu parágrafo primeiro acima mencionado e, ainda, conforme reiterada jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como também do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, como pode ser visto adiante. (...) Pela disposição legal acima transcrita, combinado com a remansosa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, verifica-se que o auto de infração em exame está em dissonância com a lei (artigo 82 e § único da Lei nº 9.430/66) e a remansosa jurisprudência administrativa. DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA DE 150% No item 3.2.2.4 do Termo de Verificação Fiscal o fisco justifica a aplicação dessa penalidade nos seguintes termos: Em item anterior do TVF (3.2.2) verbaliza o fisco: 274. De acordo com o item 3.2.1.3.2.1 acima, a análise do conjunto probatório reunido na presente ação fiscal permitiu constatar que a conduta realizada pela fiscalizada, com o intuito de realizar despesas com prestação de serviços de locação de veículos, por meio de apresentação de notas fiscais inidôneas, emitidas em nome de empresa inexistente de fato, e sem prova da internação dos bens supostamente locados, é caracterizada como FRAUDE" Nesse ponto as provas dos autos infirmam todas essas afirmativas, pois: -As notas que foram emitidas pela empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos, sem autorização do fisco municipal e em papel, quando deveria ser eletrônica, cuja constatação somente emergiu durante a ação fiscal no ano de 2019, de fatos ocorridos em 2015. Fl. 3586DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 47 -Ocorre que a ora impugnante jamais teve participação em tal fato e muito menos conhecimento da atitude da contratada; -A internação dos veículos nas dependências da Usina resta comprovada pelas medições de carga transportada por esses veículos, consumo de combustível, compra de peças, etc, como amplamente comprovado no item da comprovação dos serviços; -Antes de assinar o contrato de locação foram tomadas todas as providencias com vista a verificar a situação legal e fiscal da contratada, como visto anteriormente, e mais, a comprovação da prestação dos serviços demonstra a real existência da locadora. Destarte, ao contrário do afirmado pela fiscalização, o conjunto probatório apresentado nesta impugnação permite constatar a inexistência de FRAUDE. Ainda, segundo artigo 72 da Lei 4.502/97, onde restou capitulada a multa de 150%, este tem a seguinte redação: (...) Da leitura desse dispositivo conclui-se, facilmente, que não existiu qualquer ação ou omissão dolosa a impedir ou retardar o fato gerador da obrigação tributária principal de modo a reduzir o montante do imposto devido. Se fraude existiu, foi por parte da locadora dos equipamentos, emitir notas fiscais sem a devida autorização, fraudando o fisco municipal, deixando de utilizar os canais próprios e legais para tal emissão, e omitindo-se no recolhimento dos tributos devidos. Não houve qualquer participação da ora impugnante do desenrolar da confecção das notas fiscais inquinadas como frias. Não haveria como a administração da Agrovale saber ou ter ciência desses atos praticados pela contratada, pois todos os documentos apresentados e colhidos antes da contratação eram legais. Depreende-se, ainda, do artigo 72 acima transcrito que para aplicação da multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar e, neste aspecto, a fiscalização nada fundamentou nada apresentou para afirmar o evidente intuito de fraudar. Para qualificar a multa, a fiscalização apenas informa ser cabível a multa estabelecida no art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430/96, com a redação da Lei nº 11.488/07, por entender que se trata da hipótese prevista no artigo 72 da Lei nº4.502/97, considerando o conjunto probatório reunido nos autos, ao contratar empresa inidônea. Não basta a indicação de conduta dolosa e fraudulenta a partir de presunções ou subjetividades, há que haver prova, por parte da fiscalização da intenção pré-determinada da ora impugnante, demonstrada de modo concreto, de impedir ou retardar o recolhimento dos tributos devidos. Fl. 3587DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 48 Não foi apontado pela fiscalização a intenção dolosa do contribuinte, especialmente quando todos os fatos foram devidamente registrados na contabilidade, deixando às claras todos os procedimentos, nada impedindo a fiscalização de confirmar todos os fatos registrados contabilmente, bem como os inúmeros registros gerenciais sobre a locação, mesmo com uma fiscalização desenvolvida à distância. Nesse contexto, não é demais repetir, as informações acima prestadas nos itens desta petição "DA CONTRATAÇÃO DA EMPRESA PETRÔNIO RAMOS DE VASCONCELOS - LEGALIDADE", DOS RELATÓRIOS GERENCIAIS DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEL E DEMONSTRATIVO DE PRODUÇÃO DE CANA TRANSPORTADA PELA CONTRATADA - 2015, para infirmar o dito pela fiscalização que é cabível essa multa agravada à vista do "conjunto probatório reunido nos autos, ao contratar empresa inidônea". (...) Na situação dos autos, não ficaram provadas a má-fé e a ilicitude dos atos praticados pela Impugnante, razão pela qual não tem como prosperar a aplicação da penalidade em comento. A indicação pelo fisco de notas falsas não teve, como visto anteriormente, qualquer participação da autuada, pois esta apenas recebeu para pagamento o documento presume-se legítimo, pois suportada em contrato e à vista de serviços comprovadamente prestados. Os argumentos de defesa aqui expostos demonstram à saciedade que não existem dúvidas do correto procedimento da autuada, não só pela ausência de um correto levantamento dos fatos, de uma fiscalização à distância, sem qualquer aprofundamento das investigações, que demonstrariam a veracidade dos corretos eventos contábeis, circunstâncias estas que invalidam a suposta afirmativa dos ilícitos apontados pela ilustre autuante. (...) IRPJ - RECONSTITUIÇÃO DE CÁLCULO - INCENTIVO FISCAL A fiscalizada faz jus ao benefício fiscal previsto no artigo 1º da MP n2 2.199- 14/2001 (vigente à época) tendo direito à redução de 75% do imposto de renda e adicionais calculados com base no lucro da exploração. Afirmou o fisco: Ocorre que, configurada a fraude, conforme amplamente demonstrada nesse relatório, impõe-se a perda do referido benefício fiscal, consoante determina o art. 128 da Instrução Normativa RFB nºs 267, de 23 de dezembro de 2002. Com efeito, ao utilizar notas fiscais que sabia ser inidôneas (ou falsas), para reduzir sua carga tributária, a fiscalizada pratica ato configurado como crime contra a ordem tributária, nos termos do inciso IV do art. 1Q da Lei 8.137 de 1990." Assim, procedeu-se à recomposição da base de cálculo relativa ao IRPJ e reflexo da CSLL, desconsiderando o referido benefício fiscal. Fl. 3588DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 49 No entanto, ao aplicar a multa de 150%, por entender ter ocorrido o evidente intuito de fraude, calculou tal encargo sobre o total do imposto apurado e não somente sobre a parcela das despesas glosadas. A glosa da redução de 75% do imposto de renda e adicionais sobre o lucro da exploração se estende ao lucro da exploração, que foi calculado sem sofrer irregularidade alguma. Essa multa agravada, se procedente, somente poderia incidir sobre a parcela do imposto pertinente à glosa da despesa com frete do locador Petrônio Ramos de Vasconcelos. O artigo 128 da IN nº 267/2002 tem a seguinte redação: Art. 128. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no ano-calendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Pelo que se verifica do ato de concessão do benefício fiscal, bem como da MP n2 2.199-14/2001, em qualquer momento tal medida é imposta, não podendo uma Instrução Normativa ultrapassar os limites legais, para impor a perda do benefício. No entanto, como restou amplamente provado que não ocorreu evidente intuito de fraude e muito menos crime contra a ordem tributária, correta a apuração dos impostos pela ora impugnante, pelo que deve ser excluída a perda do benefício. Por simples argumentação, se por qualquer motivo entender a Turma Julgadora em manter a perda do benefício, que do imposto deva ser excluído o imposto de renda retido na fonte nesse ano calendário de 2015 no valor de R$ 415.383,82, fato olvidado pela auditoria fiscal, bem como que a multa aplicada de 150% seja somente sobre a glosa de custos, não incidindo sobre a parcela glosada de incentivo fiscal que deve ser a normal de 75%. DA MULTA ISOLADA PELO NÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO Foram aplicadas multas isoladas pela insuficiência de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, decorrente das novas bases de cálculo mensais estimadas, na medida em que os valores referentes às glosas das despesas de locação foram adicionadas às bases de cálculo inicialmente levantadas pela ora impugnante. Penalidade do art. 44, § l2, inciso IV, da Lei ne 9.430/96, alterado pelo artigo 14 da MP na 351/07, convalidada pela Lei n2 11.488/07, art. 14. Fl. 3589DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 50 Essa multa refere-se a antecipações decorrentes das glosas de despesas de locação, que como visto, são improcedentes, o que leva ao cancelamento dessa multa. Entretanto, a impugnante, durante o ano calendário de 2015, calculou as estimativas dentro dos parâmetros legais, não havendo qualquer diferença devida. Somente com a infração imputada pelo fisco é que houve um indevido recálculo da estimativa, quatro anos após os devidos recolhimentos. O acórdão nº 1401-003.035 cuja ementa se transcreve, espelha a melhor interpretação dos dispositivos para imputação da multa, mesmo após a alteração legislativa. (...) Pelos motivos acima expostos, deve ser cancelada a multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Entretanto, mesmo que não se acolha os argumentos postos para afastar a imposição a multa isolada, restando amplamente comprovada nos autos a efetiva prestação dos serviços, como consequência deve ser cancelada essa multa. OUTRAS AUTUAÇÕES No Termo de Verificação há menção do Imposto de Renda na Fonte, cuja exigência consta de outro processo, igualmente está sendo impugnado dentro do prazo legal. A responsabilidade solidária de dois diretores tiveram as respectivas impugnações apresentadas no dia 12 do corrente, visto que foram intimados em data anterior a esta da pessoa jurídica. Quanto ao lançamento da CSLL, considerando tratar-se das mesmas razões fáticas e de direito, as razões impugnativas, aplicam-se, no que couber. Desta forma, igualmente requer-se o cancelamento das correspondentes exigências. Da mesma forma, os autos de PIS/PASEP e COFINS constam de outros processos e devidamente impugnados. Por todo o exposto, a ora impugnante requer seja a presente impugnação conhecida, processada em seus trâmites regulares, para que sejam canceladas as exigências fiscais destes autos, pelas razões de fato e de direito apresentadas." Fl. 3590DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 51 Esses argumentos, juntamente com as provas então anexadas, é que se requer sejam analisadas como razões recursais. A despeito de todos os argumentos e provas retratadas na Impugnação, a decisão recorrida apenas admitiu a exclusão do IRRF no valor de R$ 415.383,82, não considerado quando da lavratura do auto de infração do IRPJ e reduziu a multa de 150% para 75% (setenta e cinco por cento) sobre o lançamento decorrente da perda do benefício de redução de 75% do IRPJ e adicionais calculados com base no lucro da exploração, bem como afastou a responsabilidade solidária dos diretores. Como posto anteriormente, a principal rejeição da manutenção dos custos com veículos locados, foi a irregularidade formal da empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos bem como nos documentos por ela emitidos. A desconsideração da prova de utilização dos equipamentos locados, na safra de 2015, decorreu de enganos irrelevantes na apresentação dos Relatórios fornecidos à fiscalização, enganos estes a maioria descartados na impugnação e agora nesta peça, mas que em nada são suficientes para desacreditar seu conteúdo, pois são de pouca importância. Mas, como apontado na Impugnação a contratação da Locadora dos equipamentos foi antecedida por inúmeras consultas nos Cadastros do município da sede da empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos, nos Cadastros da Receita Federal e Caixa Econômica Federal (FGTS), de forma a atender as exigências inerentes a qualquer contratação. Evidentemente, sendo uma empresa nova, de conhecimento da Gerência, pois o Sr. Petrônio Ramos de Vasconcelos havia trabalhado para a ora recorrente, no transporte de cana de açúcar e conhecedor dos trabalhos de colheita, se Fl. 3591DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 52 dispôs a contratar os equipamentos para posteriormente efetuar a locação para a ora recorrente. A contratação, ao contrário do espanto declarado na decisão recorrida, teve causa ou fundamento no fato de que a autuada não dispunha de um setor capacitado para pesquisar os inúmeros equipamentos adequados para a colheita e transporte da cana de açúcar, atividade ou campo de conhecimento do Sr. Petrônio Ramos de Vasconcelos. Após a contratação e início da colheita, foram feitos todos os ajustes para controlar a colheita, o carregamento e transporte da cana de Açúcar para a Usina, bem como controlar o consumo de combustível. A organização e a contabilidade da locadora não eram de conhecimento da contratante e, nem poderia ser, apenas eram feitas as medições, controlados os gastos de combustíveis, que eram abastecidos nas bombas da Usina e, os correspondentes valores, deduzidos dos pagamentos a serem feitos para a locadora, em função de toneladas transportadas e quilômetros percorridos dos campos de plantio até a Usina. Portanto, as irregularidades praticadas pela locadora não eram de responsabilidade da ora recorrente, que recebia o documento para o correspondente pagamento, tudo em conformidade com os demais arrazoados apresentados na Impugnação. Não se contesta a apuração realizada pelo fisco, salientando-se, porém, que a locadora não era obrigada a emitir Nota Fiscal, pois seu objeto social de locação de veículos e equipamentos, sem o fornecimento de mão de obra. não se inserem no campo de prestação de serviços sujeito ao ISS ou de venda de produtos sujeito ao ICMS. Vale repetir o apontado na impugnação a respeito da inidoneidade das notas fiscais: Fl. 3592DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 53 Conclui-se, nesse ponto, que não sendo obrigada a emitir Nota Fiscal, o documento inquinado como falso, não produzindo fiscais, traduz-se, em realidade como um recibo para justificar o pagamento da locação, considerando que o principal motivo da autuação é a não comprovação da efetiva locação dos veículos e equipamentos, fato que restou devidamente comprovado durante a auditoria e na Impugnação, mas não admitido na decisão recorrida. Ainda, em relação ao Contrato de Locação, informa a decisão contraditada "que cláusulas relevantes do contrato foram preteridas ou unilateralmente dispensadas, assim como detalhes elementares à validação da Nota Fiscal não foram observados, injustificadamente fragilizando o sistema de contratação". Apesar de genérica essa observação, sem indicar especificamente quais cláusulas foram preteridas ou dispensadas, informamos, que o fornecimento de combustíveis, de responsabilidade da contratada, foram efetuados pela contratante, por ser inviável o abastecimento fora da Usina. Fl. 3593DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 54 O ressarcimento desse gasto foi efetuado quando do pagamento das medições, motivo resposta à intimação da fiscalização, de serem os pagamentos inferiores ao valor das medições. Como a recorrente possui depósito de combustíveis com bicos de abastecimento com medidores, as quantidades utilizadas no abastecimento dos caminhões, tratores e carregadeiras, foram devidamente ressarcidos, quando do pagamento das medições da cana transportadas, como demonstram os relatórios. Quanto à validação das notas fiscais, como afirmado na impugnação, não é de competência do adquirente de produtos ou da locatária efetuar a validação de cada nota fiscal recebida, exceto no caso de notas de empresas consideradas ineficazes para efeitos fiscais. Como a comprovação da efetiva locação dos equipamentos é fundamental para o deslinde da questão, foram apresentados diversos relatórios gerenciais nos quais se identifica cada veículo ou equipamento constante do contrato de locação e efetivamente ingressado nos campos da Agrovale, com medição diária da quantidade de toneladas de cana transportadas, quilômetros percorridos e a relação tonelada/quilômetro e o correspondente consumo de combustível. Nesses relatórios há a identificação de cada veículo ou equipamento, com um código próprio e, no caso de veículos e reboques a respectiva placa policial. Entretanto, a Decisão ora recorrida apenas se apegou a detalhes irrelevantes dos controles gerenciais para justificar a rejeição das provas, baseando-se praticamente nas provas da acusação da auditoria e constante do Relatório Fiscal. Senão vejamos. Às fls. 3.452 dos autos (40 da decisão), no item 46.1.1 verbaliza a decisão que " ...foi apresentado à Fiscalização sem identificar os equipamentos utilizados pelas respectivas placas policiais e incluindo as medições relacionadas as carregadeiras e aos tratores. O demonstrativo carreado aos autos juntamente com a peça impugnatória, correlaciona o código com a placa policial, mas só há medições relacionadas aos caminhões." (?) (destaque do original) Nesse passo, foi anexado à impugnação quadros com todos os equipamentos efetivamente locados (enviados à Agrovale), identificando cada caminhão e reboque pelas respectivas placas policiais, conferindo a cada um código interno. As medições foram feitas por cada caminhão, com sua carga e a carga dos reboques que são tracionados por cada um deles. O controle do gasto ou consumo de combustível também foi realizado por cada um dos caminhões que tracionam de um a três reboques, estes, como o próprio nome indica não possuem força motriz e só funcionam articulados. Fl. 3594DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 55 A função dos tratores e das carregadeiras é colocar a carga nos caminhões e reboques, cuja medição foi feita nos caminhões. O alegado pelo fisco e pela decisão que no cadastro de veículos e equipamentos a placa MVX 7042 é de uma carreta que não foi enviada para a Agrovale, não se tratando de caminhão. Como existe transporte de cana de açúcar de 7.943 toneladas, e consumo de combustível no valor de R$ 10.939,13, para essa placa, tentamos localizar o erro de cadastro e qual veículo foi cadastrado com essa placa, mas não foi possível identificar. Esse transporte corresponde a 1,49% do total transportado. A decisão noticia que a fiscalização confirmou com os proprietários a locação de 22 reboques, "mas que não foi apresentado o demonstrativo de consumo de combustíveis relacionados a eles, quer dizer, referente aos veículos que propiciaram as respectivas trações"; Conforme esclarecido acima, o consumo de combustíveis dos caminhões está identificado no anexo à impugnação - "Consumo de Combustíveis" - como também esclarecido que cada caminhão traciona de 1 a 3 reboques. Questionada sobre a manutenção dos veículos e equipamentos, foi informado à fiscalização que era de responsabilidade do locador. Observe-se, ao contrário do afirmado pela auditoria fiscal, que existe no repositório de Notas Fiscais Eletrônicas (SPED) diversas notas fiscais de peças de reposição em nome da empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos e/ou do procurador Manuel Adair de Araujo. A decisão estranhou a então impugnante estar de posse das notas fiscais em nome da locadora, de seu titular e procurador e não as ter apresentado à fiscalização. Ocorre que a fiscalização não intimou a Agrovale para apresentar esses documentos de terceiros. Somente após a fiscalização afirmar que não encontrou documentos fiscais no SPED, foi solicitado à locadora os documentos que foram anexados à impugnação objetivando contestar os argumentos do auto de infração e instruir a peça impugnatória. Em outro ponto, a decisão ora recorrida, às fls. 4.721 dos autos (fls. 42 da decisão) sustenta: Fl. 3595DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 56 A jurisprudência, mencionada na decisão ora contestada, são semelhantes às apresentadas na impugnação, considerando que é ponto fundamental na comprovação da locação, a sua efetiva realização, o que entendemos restou comprovada a concreta e legítima locação dos equipamentos. Não se trata de prestação de serviços, posto pela fiscalização e pela decisão recorrida, como afirmado em diversas passagens deste recurso, mas de locação de veículos e equipamentos, sem o fornecimento de mão de obra. Vale lembrar que a Agrovale somente pode locar equipamentos sem mão de obra, em face do "Termo de Ajuste de Conduta firmado com o Ministério do Trabalho. Conclui-se, que a mão de obra é toda da ora recorrente, motivo da inexistência de funcionários especializados na locadora e, a manutenção dos equipamentos era feita por oficinas especializadas contratadas pela locadora, conforme documentos que anexamos, fornecidos pela própria locadora. Inerente a afirmativa apresentada na decisão de que os relatórios e medições demonstram inúmeras contradições, não é uma conclusão lógica da decisão recorrida, sem qualquer comprovação. Algum equívoco, como a menção ao veículo de placa MVX 7042, informamos que houve um erro no cadastramento, pois a carreta com essa placa, apesar de constar do contrato não foi enviada à locadora, como informado acima. O deslocamento de veículos e equipamentos para os campos de colheita da Agrovale era de responsabilidade da locadora e muitos deles já se encontravam na região trabalhando em localidades próximas. Mas, em muitos pontos do Relatório Fiscal, como também da decisão profligada, há afirmativa da existência dos veículos e equipamentos, especialmente quando, por exemplo, às fls. 4.720 noticia a locação de 22 reboques confirmadas pelos proprietários. No Relatório Fiscal ( fls. 42/43) a fiscalização narra que parte dos proprietários negou a transação com a locadora, mas a maioria confirmou a locação, sendo que a fiscalização só aceitava a comprovação do pagamento da locação para a Petrônio Ramos de Vasconcelos por transferência bancária, não considerando os recibos como documentos válidos. Fl. 3596DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 57 As contestações da decisão recorrida da validade dos inúmeros e sólidos relatórios, consistentes em milhares de páginas, estão longe de serem descaracterizados, pois comprovados durante a Ação fiscal e posteriormente anexados à impugnação. As observações feitas pela decisão recorrida, além de inconsistentes, foram rebatidas neste recurso e, mesmo assim não abalam a comprovação da efetiva locação dos bens destinados à colheita da safra de 2015. Vale observar, que em uma fiscalização à distância, a fiscal não compareceu sequer uma vez à sede da Agrovale, apenas solicitando informações e documentos por meio de intimações via e-mail. Uma empresa do porte da Agrovale, com uma área de mais de 17.000 hectares, com inúmeros campos de plantio, difícil de entender todo o mecanismo de plantio, irrigação, corte e transporte até a área de industrialização, para distinguir da necessidade de veículos especiais, para transitar dentro dos canaviais, inviabilizando as aquisições e optando por locação, dado o elevado custo dos veículos e outros equipamentos, para utilização somente durante a colheita da safra, que ocorre de maio a novembro de cada ano. Provada a efetiva locação dos bens e sua utilização no corte da cana de Açúcar e transporte até a Usina para fabricação de Açúcar e álcool, como também comprovado correspondente pagamento, a irregularidade na confecção das notas fiscais, não produz qualquer efeito fiscal, como determina o artigo 82 e seu Parágrafo único da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 transcrito na impugnação. Por isso, entende que não pode subsistir a autuação e, requer o provimento do presente recurso à vista da extensa jurisprudência compatível com o presente caso, que a despeito de transcrita na impugnação é oportuno repetir para melhor visualização. (...) Requer também, que as razões postas na impugnação e reproduzidas nesta peça, relativamente à aplicação da multa agravada, como também da multa isolada, sejam aqui consideradas, para não ser também repetidas. Por tudo que foi exposto, com as razões postas na peça inicial do litígio e as aqui complementadas, requer o provimento do presente recurso e canceladas as demais exigências remanescentes destes autos . É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. EXAME DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO DE OFÍCIO Fl. 3597DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 58 No tocante ao Recurso de Ofício, deve-se esclarecer que, nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. O montante de crédito tributário exonerado ficou abaixo do novo limite de alçada vigente na data do presente julgamento (R$ 15.000.000,00), o que acarretaria o seu não conhecimento. Contudo, como o acórdão de piso também excluiu as responsabilidades do sujeitos passivos solidários, tal exclusão equivale, de fato e de direito, a exonerá-los do pagamento do tributo em sua integralidade, sujeitando-se ao recurso de ofício. Ademais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, a exoneração das responsabilidades solidárias procedidas impõe a submissão da decisão ao recurso de ofício. Logo, dele conheço. EXAME DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Portanto, dele tomo conhecimento. SÍNTESE DOS FATOS Como consignado no Relatório, foram lavrados contra a Recorrente (doravante denominada) AGRO, autos de infração de IRPJ e CSSL para a exigência de crédito tributário no montante de R$ 19.389.283,78. De acordo com os Autos de Infração e Termo de Verificação Fiscal - TVF, respectivamente, os créditos tributários lançados foram constituídos em razão da Fiscalização verificar que a Recorrente, no decorrer do ano-calendário 2015, teria cometido diversas infrações, as quais, podem ser assim resumidas: a) IRPJ - CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. INFRAÇÃO: COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE DESPESAS: Contabilização de despesas com base em documentos inidôneos, conforme Termo de Verificação Fiscal, de 10/12/2019 (especialmente seu item 3.2.1.3.2.1); b) IRPJ - MULTA OU JUROS ISOLADOS. INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA: Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada nos balanços de suspensão ou redução, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal, de 10/12/2019; c) CSLL-CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS. INFRAÇÃO: CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO COMPROVADOS: Contabilização de despesas com base em documentos inidôneos, conforme Termo de Verificação Fiscal, de 10/12/2019 (especialmente seu item 3.2.1.3.2.1); Fl. 3598DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 59 d) CSLL - MULTA OU JUROS ISOLADOS. INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA: Falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função dos balanços de suspensão ou redução, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal, de 10/12/2019. Importante destacar que, no TVF, a Fiscalização apontou as razões que levaram à glosa de despesas contabilizadas com base em documentos inidôneos, bem como o lançamento de multas isoladas em decorrência da falta de pagamento do IRPJ/CSLL incidentes sobre a base de cálculo estimada em função dos balanços de suspensão ou redução. Inclusive, há relatos também das autuações relacionadas ao PIS (PAF nº 10530.737635/2019-40), COFINS (PAF nº 10530.737636/2019-94) e IRRF (PAF nº 10530.737637/2019-39), que não são objeto desta contenda. Houve impugnação por parte da Recorrente (pessoa jurídica) e dos responsáveis solidários com apresentação de argumentos relativos à preliminar de nulidade e, no mérito, no sentido de refutar as alegações da fiscalização quanto às glosas das despesas contabilizadas. A DRJ, por sua vez, manteve, parcialmente, o crédito tributário nos seguintes termos: a) manter parcialmente o crédito tributário de que trata o AI de IRPJ, no valor de R$ 4.691.127,89 e o da Multa Exigida Isoladamente, no valor de R$ 2.345.563,94, juntamente com os acréscimos legais correspondentes, inclusive o percentual de aplicação da multa de ofício de 150% sobre os lançamentos de ofício relacionados a glosa das despesas operacionais, e 75% sobre os decorrentes da perda do benefício de redução de 75% do IRPJ e adicionais calculados com base no lucro da exploração; b) manter integralmente o crédito tributário de que trata o AI a CSLL, no valor de R$ 692.933,10, bem como o da Multa Exigida Isoladamente, no valor de R$ 346.466,56; juntamente com os acréscimos legais correspondentes, inclusive o percentual de aplicação da Multa de Ofício de 150% ; e, c) afastar as responsabilidades solidárias do Sr. Cid Eduardo Porto Filho, CPF nº 386.008.465-87, Diretor Agrícola, e do Sr. Gustavo Colaço Dias Neto, CPF nº 756.213.804-44, Diretor Financeiro e de Tecnologia da Informação (TI). Os valores lançados, exonerados e mantidos seguem discriminados conforme tabela abaixo: Fl. 3599DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 60 Houve recurso voluntário e de ofício que passam a ser apreciados. RECURSO DE OFÍCIO Consoante já mencionado, o acórdão de piso entendeu por afastar as responsabilidades solidárias do Sr. Cid Eduardo Porto Filho, CPF nº 386.008.465-87, Diretor Agrícola, e do Sr. Gustavo Colaço Dias Neto, CPF nº 756.213.804-44, Diretor Financeiro e de Tecnologia da Informação (TI). Essa exclusão foi submetida à apreciação deste Tribunal. Por força de recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235/72, a questão deve ser reapreciada por este Tribunal. Todavia, em meu pensar, não há fundamento para reforma da decisão recorrida no tocante à exclusão das mencionadas responsabilidades solidárias, visto que não ser suficiente para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócio administrativa na pessoa jurídica autuada. Destarte, em concordância com a decisão da DRJ mantenho afastadas as responsabilidades solidárias de Cid Eduardo Porto Filho e Gustavo Colaço Dias Neto, nos seguintes termos: “(...) Da Responsabilidade Solidária dos Diretores 83 A Autoridade Fiscal concluiu que o Sr. Cid Eduardo Porto Filho, Diretor Agrícola, e o Sr. Gustavo Colaço Dias Neto, Diretor Financeiro e de Tecnologia da Informação (TI), praticaram infração à legislação tributária, por serem os signatários do contrato de locação firmado entre a AGROVALE e a PETRÔNIO, o qual estava vinculado a notas fiscais inidôneas, não havendo também prova da movimentação dos bens entre as sedes dos contratantes. Nessa toada, tal conduta fraudulenta evidencia INFRAÇÃO DE LEI por se tratar de crime contra a ordem tributária nos termos da Lei 8.137/90. Destarte, nos termos do art. 121 (Sujeito Passivo) c/c os art. 135, inciso III (Responsabilidade de Terceiros) e art. 136, ambos do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66); e art. 210, inciso VI e parágrafos, do RIR/99, restou caracterizada a sujeição passiva solidária dos Fl. 3600DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 61 sobreditos diretores, como pessoalmente responsáveis pelas infrações à lei cometidas nas operações em nome da empresa AGROVALE. 84 Cientes da responsabilização, os apontados diretores combateram apresentando idênticos argumentos. Nessa linha, citando doutrina e jurisprudência judicial e administrativa, apresentaram, em síntese, as seguintes alegações: 84.1 (...) A imposição da referida responsabilidade não pode decorrer do singelo fato de serem os mesmos diretores da empresa fiscalizada, pois o Art. 135, inc. III, do CTN prevê a necessidade de comprovação de fato jurídico tributário, distinto da ocorrência do fato gerador, capaz de permitir a inclusão dos sócios no polo passivo da relação jurídico tributária; 84.2 (...) O fato descrito (assinatura do contrato acima mencionado) não tem o liame jurídico de gerar dita responsabilidade, pois decorre de mero e necessário interesse econômico no resultado da empresa. Isto porque na AGROVALE existe previsão estatutária que todos seus contratos sejam assinados por pelo menos dois diretores, bem como devem ser submetidos, conforme Norma 1043 de Gestão das Compras sob Contratos de Prestação de Serviços da AGROVALE, a um Comitê de Gestão com a participação de vários setores da empresa. (...) Assim, conforme dita norma, cabe ao Setor Jurídico da AGROVALE o exame, a elaboração e verificação acerca dos conteúdos dos contratos (suas cláusulas) bem como, por obvio, o posicionamento acerca da legalidade de todos os contratos da empresa fiscalizada; cabe ao Setor Técnico da AGROVALE todas as DECISÕES acerca das especificações dos serviços contratados; cabe a Controladoria a responsabilidade sobre os pagamentos das diversas notas fiscais. (...) Por fim, os contratos para prestação de serviços deverão estar contemplados no orçamento de compras e ter sidos aprovados pela Diretoria, devendo seguir a rotina estabelecida na norma 1043; 84.3 Pelo exposto, a circunstância descrita no procedimento fiscal não permite concluir que ditos diretores agiram com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, visto que o ato não decorreu de uma decisão autônomo desses. Além do mais, (...) como demonstrado o agir dos diretores se deu em absoluto seguimento aos estatutos sociais da AGROVALE e de sua Norma 1043 de Gestão das Compras sob Contratos de Prestação de Serviços da AGROVALE. 84.4 (...) Ausente as razões, os fundamentos e indicação de qualquer fato ou prova cabal no Relatório Fiscal, que demonstrem a participação dolosa das pessoas físicas em questão em atos concretos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos, não há como se concluir (fora de meras ilações) pela responsabilidade tributária solidária dos mesmos, razão pela qual, devem ser excluídos da condição de devedores solidários. Fl. 3601DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 62 85 Antes de julgarmos o tema questionado, merecem relevo ilações relativas à responsabilidade solidária que contribuem para sua caracterização. A primeira, é que a responsabilização solidária dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado se insere no tema das garantias do crédito tributário e visa, desde logo, carrear as provas necessárias para caracterizar a responsabilidade de terceiros, assegurando-lhes a apresentação de suas razões de impugnação e, por conseguinte, o exercício do direito constitucional da ampla defesa no processo administrativo, dispensando a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional de requerer o redirecionamento da execução fiscal contra sujeito passivo não incluído na Certidão de Dívida Ativa. 86 A segunda, é que enseja a responsabilização dos mandatários, prepostos e empregados diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica, à época da ocorrência dos fatos geradores, quando há cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal. 87 A derradeira, diz respeito a interpretação do capitulado no inciso III, do art. 135, do CTN, in verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 88 O malefício que decorre da norma retro não se corporifica com uma simples participação como sócio-gerente, administrador, diretor ou equivalente nos atos da empresa que determina a responsabilização tributária pessoal. Há que se reconhecer a existência do excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, ou seja, só se configura com a junção dos dois fatores. 89 Ainda sob o prisma doutrinário, o ato ilícito ensejador da responsabilidade tributária do administrador pode ser tanto culposo quanto doloso, mas tanto um quanto o outro satisfaz a hipótese do artigo 135 do CTN. Sobre o assunto, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 assim se manifestou: 59. A respeito da necessidade de presença de ato doloso por parte do administrador ou da suficiência da presença de culpa, deve-se observar que, ao contrário do que defende parte da doutrina, a jurisprudência maciça do STJ exige tão-só a presença de ‘infração de lei’ (= ato ilícito), a qual, pela teoria geral do Direito, pode ser tanto decorrente de ato culposo como de ato doloso (não obstante alguns poucos acórdãos referirem expressamente à necessidade de prova do dolo, em contraposição à imensa maioria que exige somente a culpa). Fl. 3602DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 63 Logo, se a lei e a jurisprudência não separaram as hipóteses de culpa em sentido estrito e dolo, tanto um quanto outro elemento subjetivo satisfaz a hipótese do art. 135 do CTN. Em verdade, o Direito Tributário preocupa-se com a externalização de atos e fatos, não possuindo espaço para a persecução do dolo; basta a culpa. 60. Podemos enumerar aqui as conclusões gerais decorrentes da doutrina da responsabilidade subjetiva dos administradores, na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça: a) O sócio que não possui poderes de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade; b) O administrador não responde pelas obrigações tributárias surgidas em período em que não detinha os poderes de gerência; c) A mera ausência de recolhimento de tributos devidos pela pessoa jurídica não pode ser atribuída ao administrador, não respondendo este em razão desse mero inadimplemento da sociedade; d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; e) O ato ilícito ensejador de responsabilidade tributária pode ser tanto culposo quanto doloso; f) A prova da prática de ato ilícito por parte do administrador compete à Fazenda Pública (salvo normas especiais probatórias, como a relativa à CDA). 61. De tudo isso, é importante guardar que o ‘sócio-gerente’, de acordo com a jurisprudência hoje aceita pelo STJ, torna-se responsável não por ser ‘sócio’, mas por ter cometido ato ilícito enquanto ‘gerente’. Em verdade, a condição de sócio é irrelevante. Dois são os elementos verdadeiramente relevantes para sua responsabilização: (a) ser administrador e (b) ter cometido ato ilícito nessa posição. Por ser administrador e ter cometido infração à lei, pode o terceiro ser responsabilizado; não por ser sócio. Destarte, podemos afirmar com segurança que, segundo o entendimento firmado no STJ, o administrador é chamado a pagar o crédito tributário da pessoa jurídica administrada em forma de responsabilidade por ato ilícito. (g.n) 90 Tomando-se como norte as ponderações supra, retomemos a análise do caso concreto. Considerando que para se subsumir ao tipo em questão há necessidade do associado deter poder de decisão, à época da ocorrência do fato gerador e, concomitante, estar caracterizado que praticou atos com excesso de poderes ou infração ao estatuto, entendo que assiste razão aos Impugnantes em asseverar Fl. 3603DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 64 que as suas inclusões no polo passivo da referida demanda tributária são improcedentes, por não haver comprovação da prática de atos que se subsumam ao tipo previsto no inciso III, do art. 135, do CTN, bem como não há nos autos a exposição e comprovação de motivos, com a indicação da situação fática concreta, individualizada e precisa que justifique as responsabilizações pessoais em relação a cobrança em tela, conforme veremos. 91 Compulsando a Ata das Assembleias Ordinária e Extraordinária realizadas conjuntamente em 28/06/2010, às fls. 421/427, verifica-se que: 91.1 No art. 20, constatam-se os membros que compõem a diretoria e suas denominações, quer dizer: Diretor-Presidente, Diretor-Vice-Presidente, Diretor Comercial, Diretor Financeiro e de Tecnologia da Informação (TI), Diretor Administrativo e de Recursos Humanos e Diretor de Relacionamento Institucional; 91.2 No art. 22, há expressa proibição para os membros da diretoria, bem como é ineficaz em relação à AGROVALE, (...) o uso da denominação social em negócios estranhos aos interesses da Companhia, inclusive em fianças, avais, ou quaisquer outras garantias em favor de terceiros, excetuando quando prestados a empresas coligadas, controladas ou controladoras; 91.3 Com base no art. 24, (...) a Diretoria terá as atribuições e poderes necessários à administração e ao regular funcionamento da sociedade podendo deliberar sobre as matérias relacionadas com o objeto social da mesma, bem como, representar a sociedade ativa ou passivamente em juízo ou fora dele, podendo inclusive outorgar procurações vinculando a sociedade a assinatura de dois Diretores. §1° - Somente por determinação do Conselho de Administração serão atribuídos à Diretoria poderes para alienar imóveis, firmar contratos com garantia real e/ou fidejussória sendo necessário para a validade desses atos às assinaturas conjuntas de dois diretores sendo, sempre um deles, o Diretor Presidente ou nas suas ausências, faltas ou impedimentos temporários, o Diretor Vice-Presidente. § 2° - Os demais atos serão praticados conjuntamente por dois diretores obrigarão a sociedade;(g.n.) 92 É essencial para reforçar nossa acepção, revelar a principal diretriz da Norma Interna de Administração e Procedimento da AGROVALE nº 1.043, de 26/02/2014, às fls. 882/884, com o título de Gestão das Compras sob Contratos de Prestação de Serviços, que se traduz na determinação de que todas as negociações referentes às contratações de serviços serão decididas de forma compartilhada pelo Comitê de Gestão das Compras sob Contratos, com a participação de todos os setores da empresa, respeitando suas especialidades inerentes às suas responsabilidades. 93 Dessarte, ao se realizar uma interpretação sistemática nos normativos mencionados, registre-se ambos de conhecimento da Autoridade Fiscal, constatamos que apesar dos Diretores responsabilizados pessoalmente pelo Fl. 3604DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 65 lançamento de ofício impugnado deterem poder de decisão, à época da ocorrência do fato gerador, não reconhecemos a existência do excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, posto que assinaram o Contrato de Locação de Maquinário Agrícola nº 030, de 27 de abril de 2015, firmado com a empresa Petrônio Ramos de Vasconcelos, em estrito cumprimento ao disposto no § 2º, do art. 24, da destacada Ata, após anuência do Comitê de Gestão das Compras sob Contratos. 94 Conforme apontado neste voto, a modalidade de responsabilidade tributária estabelecida pelo art. 135, III, do CTN, é eminentemente subjetiva, por se fundar na pessoalidade e na conduta dolosa ou culposa do agente, posto que brota a partir da constatação de um ato ilícito. Neste prisma, afora a sobredita assinatura, nos autos, não vislumbramos ou está destacado pelo Fisco qualquer outra participação, não se efetivando, por conseguinte, a junção dos dois fatores essenciais para subsunção material à responsabilidade solidária combatida. 95 De se concluir, de todo exposto, que não cabe responsabilizar os Impugnantes com base no art. 135, III, do CTN. Afasto a responsabilidade tributária solidária com fundamento no art. 135, III, CTN.” Dessa forma, nego provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 3605DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 66 RECURSO VOLUNTÁRIO A Recorrente apresentou recurso voluntário ratificando os argumentos delineados em sua impugnação: Impugnação Recurso Voluntário A AGROVALE Abaixo o Mapa da Empresa A AGROVALE Abaixo o Mapa da Empresa DA CONTRATAÇÃO DA EMPRESA PETRÔNIO RAMOS DE VASCONCELOS LEGALIDADE DA CONTRATAÇÃO DA EMPRESA PETRÔNIO RAMOS DE VASCONCELOS LEGALIDADE DO OBJETO DO CONTRATO DO OBJETO DO CONTRATO DOS DOCUMENTOS INQUINADOS COMO FALSOS - NOTAS FISCAIS FALSAS DOS DOCUMENTOS INQUINADOS COMO FALSOS - NOTAS FISCAIS FALSAS DA COMPROVAÇÃO DA EFETIVA LOCAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS DA COMPROVAÇÃO DA EFETIVA LOCAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA DE 150% DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA DE 150% IRPJ - RECONSTITUIÇÃO DE CÁLCULO – INCENTIVO FISCAL IRPJ - RECONSTITUIÇÃO DE CÁLCULO – INCENTIVO FISCAL DA MULTA ISOLADA PELO NÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO DA MULTA ISOLADA PELO NÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO OUTRAS AUTUAÇÕES OUTRAS AUTUAÇÕES Nesse contexto, nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido. Assim, por entender que a decisão recorrida examinou pormenorizadamente todas as questões pontuadas pela Recorrente e, por concordar com parte de seu conteúdo, registro os seguintes trechos do acórdão-recorrido adotando suas razões de decidir como fundamento da presente decisão: “(...) DO MÉRITO Dos Lançamentos de Ofício do IRPJ e da CSLL Da Glosa de Despesas Operacionais e da Perda do Benefício Fiscal 27 Pelo relatado, a autuação sob litígio baseou-se na constatação de que a Interessada utilizou-se de notas fiscais inidôneas, emitidas por empresa inexistente de fato, com o propósito de comprovar fraudulentamente as despesas operacionais, relativas ao contrato de locação de maquinário agrícola nº 030, Fl. 3606DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 67 incorridas no ano-calendário de 2015. Nessa senda, efetuou a glosa dos lançamentos contábeis relacionados a precitada despesa, contabilizados na conta de passivo nº 2.1.1.1.01 (FORNECEDORES) e suas contrapartidas em conta de resultado que compunham as Despesas Operacionais, conta nº 3.1.1.3.03 (ALUGUEIS), dado que foram utilizados como dedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ, conforme demonstrado na Escrituração Contábil Fiscal (ECF). 28. Ademais, diante da configuração da fraude, nos termos do IV, do art. 1º, da Lei nº 8.137/90, a Autoridade Fiscal impôs a perda, no ano-calendário em questão, do benefício fiscal, previsto no art. 1º, da Medida Provisória nº 2.199-14/2001, que dava direito à AGROVALE de redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais calculados com base no lucro da exploração, em cumprimento ao determinado no art. 128, da Instrução Normativa RFB nº 267, de 23 de dezembro de 2002. 29. Indignados, a Auditada e os responsáveis solidários contestaram a autuação, aduzindo que as despesas decorrentes do contrato de locação de equipamentos, firmado entre a AGROVALE e a empresa PETRÔNIO RAMOS DE VASCONCELOS, foram indevidamente glosadas pelo Fisco, visto que se concretizaram. Nessa seara, além de apresentarem, sob suas óticas, toda documentação pertinente à assunção da existência e regularidade do locatário, exigida no momento da celebração contrato, ratificaram a sua asserção mediante a juntada aos autos de relatórios gerenciais, onde há discriminação da quantidade de produtos transportados e quilometragem percorrida, através dos quais procedeu a medição e efetuou o pagamento, por meio de transferência bancária, identificada pela própria fiscalização. Ademais, também acostou aos autos notas fiscais de aquisição de peças de reposição da frota locada e de prestação de serviços mecânicos, nas quais constam como adquirentes Petrônio Ramos de Vasconcelos – PJ e Manoel Adair de Araújo – procurador. 30 Destarte, acrescentam que (...) restando comprovada a efetiva locação dos bens contestados pela fiscalização, à vista dos inúmeros documentos anexados, como também provado o correspondente pagamento, a irregularidade na confecção das notas fiscais, não produz qualquer efeito fiscal, como determina o artigo 82 e seu Parágrafo único da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quer dizer, tal constatação revela uma falha da empresa locatária e não da Impugnante, a qual também foi lesada. 31. Prosseguindo, em prol da formação do convencimento deste julgador e solução da contenda, buscou-se cotejar os posicionamentos e elementos probatórios fornecidos pelos litigantes, complementando-os com a nossa apreciação. 32 Nesse esteio, no que tange aos elementos levantados na fase inquisitorial, observa-se que ao executar procedimento fiscalizatório consistente em analisar a correta apropriação dos créditos referentes às contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS não cumulativas, relativas ao ano-calendário de 2015, bem como o Fl. 3607DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 68 Imposto sobre da Pessoa Jurídica - IRPJ e o IRRF, o Fisco apurou que dentre os documentos contábeis e fiscais, atinentes à locação de bens móveis, de veículos, máquinas e bens sem mão de obra, sobre os quais a Fiscalizada apropriou crédito relacionado às mencionadas contribuições, estavam inclusas as notas fiscais emitidas pela empresa PETRÔNIO RAMOS DE VASCONCELOS, CNPJ nº 22.115.783/0001-91, doravante denominada PETRÔNIO. 33 Aprofundando a investigação, chamou-lhe atenção o fato dos pagamentos efetuados a esse fornecedor – em torno de 7,7 milhões – corresponderem a 46,67% de todas as operações classificadas pela Fiscalizada como "serviços utilizados como insumos". Contudo, baseando-se em elementos probatórios apresentados pela Auditada, bem como constantes dos sistemas da RFB, de órgãos da Administração Pública e advindos das diligências efetuadas, concluiu que, em conjunto, denotavam inexistência da efetiva prestação dos referidos serviços. Dentre eles, pode-se destacar: 33.1 Empresa Individual que, após 34 dias da sua abertura: conseguiu firmar um contrato com uma empresa do porte da AGROVALE e no montante citado; funcionou apenas por dez meses; as atividades eram firmadas por procurador com amplos, gerais e ilimitados poderes; não havia empregados registrados; não recolheu tributos federais; não apresentou qualquer declaração à RFB; e no repositório do SPED-NFe (notas fiscais eletrônicas), não foi identificada, durante o período de seu funcionamento, nenhuma nota fiscal de aquisição de bens (não consta como participante, seja destinatário ou emitente, em nenhuma NFe emitida); 33.2 O contrato de locação em questão tinha por objeto a locação de 51 bens dentre: caminhões, reboques canavieiros, carregadeiras e tratores. Todavia, apesar da distância de 650 km entre a locadora e a locatária, inclusive envolvendo dois Estados da Federação, não foi identificada qualquer nota fiscal de entrada de máquina e/ou equipamento que respaldasse a locação de bens móveis entre ambas, embora os Fiscos Estaduais exijam para o trânsito de máquinas e equipamentos; 33.3 A Prefeitura Municipal de Atalaia/AL, domicílio da empresa locadora, em resposta a ofício para obtenção do Alvará de funcionamento, informou que não havia cadastro da empresa PETRÔNIO; 33.4 As Notas Fiscais emitidas para Fiscalizada apresentam numeração sequenciada e são documentos da modalidade de impressão gráfica, quer dizer em papel, portanto necessitavam de Autorização para Impressão de documentos Fiscais (AIDF), que não constavam das mesmas. Conforme citamos, a Prefeitura não confirmou o cadastro da empresa, tampouco a AIDF para o contribuinte, até porque desde abril de 2014 declarou que teria adotado a modalidade de emissão de Nota Fiscal Eletrônica. Intimada a gráfica responsável pela impressão, em resposta (...) NEGOU que tenha Fl. 3608DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 69 impresso as mencionadas notas fiscais, apontando, inclusive, algumas inconsistências na impressão dos documentos que indicariam a sua falsidade (ausência da destinação das vias, numeração feita no computador, ausência do número da AIDF); 33.5 Diligenciado o empresário individual, o correio informou que o endereço era desconhecido. Quanto ao procurador, Manoel Adair de Araújo, residente em Petrolina – PE, o Advogado alegou sérios problemas de saúde de seu cliente, juntando atestado médico; 33.6 Todos os veículos com placa envolvidos na locação não eram de propriedade do locador, mas pertencentes a pessoas físicas. Das diligências em parte nesses proprietários, podemos extrair: 33.6.1 Dois, envolvendo três equipamentos, declararam que nunca tiveram contato ou celebraram contrato seja com a locadora, seja com o locatário; 33.6.2 Dois, envolvendo vinte e um equipamentos, eram assessorados pelo mesmo contador, Sr. Carlos Santana, e apresentaram: contratos de locação idênticos firmados com a Petrônio, em 26/04/2015, um domingo, ambos sem reconhecimento de firma e assinados pelo procurador da locadora; recibos de pagamentos, com similar formatação, sem comprovação do efetivo pagamento, pois afirmaram que não receberam por via bancária; não foram apresentadas também notas fiscais ou conhecimentos de transporte atestando a movimentação dos bens para sede da Fiscalizada; e apesar dos contratantes residirem em Maceió, elegeram como o foro competente o situado na cidade de Iturama-MG; 33.6.3 No caso de Cláudio Peixoto Costa, CPF nº 652.709.164-87, envolvendo oito equipamentos, apresentou: contrato de locação idêntico aos do item 33.6.2, ambos sem reconhecimento de firma e assinados pelo procurador da locadora; foi firmado em 05/05/2015, mas estranhamente iniciava-se em 26/04/2015; não apresentou recibos ou qualquer comprovante de pagamento; não foram apresentadas também notas fiscais ou conhecimentos de transporte atestando a movimentação dos bens para sede da Fiscalizada; e informou que trabalhava na AGROVALE em 2015, fato confirmado no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS); 33.6.4 Quanto a Ednaldo Gomes da Silva, CPF nº 924.116.494-87; Cláudio Costa Bandeira, CPF nº 740.968.004-06; e Cláudio Peixoto Costa Junior, CPF nº 061.529.664-50 –, envolvendo três equipamentos, as diligências resultaram infrutíferas, embora intimados e reintimados; 33.6.5 No que está relacionado ao automóvel de placa policial MVH - 5856, de propriedade de Manoel Domingos da Silva, o Fisco detectou Fl. 3609DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 70 que foi multado em 30/07/2015, em Satuba-AL, conforme extrato do DNIT, às fls. 1649/1650, ocasião em que deveria estar a serviço da AGROVALE; 34 Diante das sobreditas constatações, em apertada síntese, a Autoridade Fiscal inferiu que a AGROVALE utilizou-se de notas fiscais inidôneas, emitidas por empresa inexistente de fato, com o propósito de comprovar fraudulentamente as suas despesas operacionais, dado que apesar de existência de Norma Interna, na qual estão estabelecidas (...) diretrizes e critérios para contratação de prestadores de serviços, "todas as negociações referentes às contratações de serviços serão decididas de forma compartilhadas pelo Comitê de Gestão das Compras sob Contratos, com a participação de todos os setores da empresa, respeitando sua especialidade inerentes às suas responsabilidades"; foi firmado(...) um contrato com uma empresa constituída há apenas 34 (trinta e quatro) dias, transferindo para ela mais de 7 milhões de reais, sem perceber que tal pessoa jurídica não possuía vínculo empregatício, veículos e equipamentos de sua propriedade e, o que é mais grave, sem certificar-se que ela sequer existia de fato. 35 Adite-se as apontadas deduções do Agente Fiscal, uma análise mais detalhada dos termos contratados, às fls. 446/452, confrontando com os fatos que a AGROVALE buscou demonstrar através da documentação contábil e fiscal apresentada à Fiscalização, durante o procedimento fiscalizatório. Nesse espectro, merecem destaque as seguintes confirmações, especialmente por destoarem ou não respeitarem os aprovados pelo Comitê de Gestão das Compras sob Contratos: 35.1 Cláusula Primeira: 35.1.1 O objeto refere-se a locação de: 6 tratores; 7 carregadeiras; 28 reboques canavieiros; e 11 caminhões, sendo as duas últimas espécies identificadas pelas placas policiais. Todavia, de acordo com a relação de veículos com placa elaborada pelo Fisco, às fls. 51 do TVF, constam: 10 caminhões; 3 automóveis (cujas placas policiais no contrato estão relacionadas a reboques); e 25 reboques. Ademais, como restou demonstrado, os proprietários de três equipamentos (um deles consta no contrato como caminhão, mas de fato consiste em um reboque) declararam que nunca tiveram contato ou celebraram contrato seja com a locadora, seja com o locatário, bem como um quarto foi multado, em 30/07/2015, em Satuba-AL. Isto é, dos 39 bens com placa previstos, além de diferirem em espécies de equipamentos, apenas, em tese, foram admitidas as locações pela Fiscalizada de 35; 35.1.2 Combustíveis, lubrificantes e materiais para manutenção dos equipamentos locados eram de responsabilidade do locador. Entretanto, a Auditada arcou com os dispêndios referentes aos combustíveis e os abateu dos valores devidos, restando, exclusivamente a cargo da PETRÔNIO, os custos relacionados aos dois últimos produtos; Fl. 3610DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 71 35.2 Cláusula Segunda: estabelece que a manutenção do maquinário ficava a cargo do Locador, inclusive há previsão de cessão de mão de obra com este fim, todavia, como vimos, não há empregados registrados, ou seja, em tese, o empresário e o procurador cuidavam de todas as funções. 35.3 Cláusula Terceira: estabelece que os equipamentos envolvidos na locação, relacionados na cláusula primeira, devem estar adaptados para prestação do serviço contratado, todavia além de não terem sido respeitados o quantitativo e as espécies de veículos e maquinários pactuados, e de todos os bens não serem de propriedade da Locadora, constatou-se aqueles que os proprietários negaram conhecer o envolvimento ou não estavam no local de prestação dos serviços; e 35.4 Cláusula Quarta: valor da locação era estipulado em função da relação toneladas de cana-de-açúcar transportada pela quilometragem percorrida, conforme tabela, entretanto não vislumbramos como tal serviço possa ser executado através de pequenos automóveis, embora haja três relacionados. 36 Prosseguindo, compulsando as Notas Fiscais emitidas pela PETRÔNIO, às fls. 456/470 e 473, percebemos que: há descrição genérica – locação de equipamentos -, quer dizer sem detalhamento dos equipamentos que foram locados, e manuscrita; não há retenção de impostos; além do já apontado pela Fiscalização, repisamos: em numeração sequencial; emitida em papel, sem ser eletrônica; não consta o número da autorização para impressão de documentos (AIDF); e cuja impressão foi negada pela gráfica responsável, a qual inclusive indicou indícios de falsidade (ausência da destinação das vias, numeração feita no computador, ausência do número da AIDF). 37 No Termo de Intimação Fiscal - TIF nº 003, às fls. 625/629, a Fiscalização requereu: detalhamento do valor pago, por categoria de equipamento, correspondente ao total de cada nota fiscal apresentada; da data de entrada e saída de cada equipamento na sede da empresa, dado que as sedes dos contratantes encontram-se em Estados distintos; e informação entre os valores de face das Notas Fiscais emitidas pela PETRÔNIO e os efetivos pagamentos. Em relação a resposta, às fls. 636/642, vale mencionar: 37.1 Na medição apresentada (arquivo não paginável, às fls. 646), não estão identificados, pelas respectivas placas policiais, os equipamentos utilizados. Há apenas no relatório geral indicação dos gastos por: caminhões, carregadeiras e tratores, ou seja não incluiu os reboques que representam o maior quantitativo. Além disso, nº detalhamento, o mesmo valor total está discriminado apenas por caminhão (em alguns há medições relativas a 12 caminhões, mas só há confirmação de 10) e carregadeira; 37.2 A AGROVALE declarou apenas que o controle de entrada e saída de veículos é feito na portaria principal da empresa, ratificando a ilação de inexistência da comprovação do ingresso dos bens locados nas Fl. 3611DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 72 dependências do estabelecimento sob fiscalização; e 37.3 Que a diferença entre o valor das Notas Fiscais e o valor pago, decorre de descontos de combustíveis e adiantamentos. Na medição apresentada (arquivo não paginável, às fls. 647) não estão identificados, pelas respectivas placas policiais, os equipamentos que consumiram os combustíveis, mas apenas o total consumido por espécie de equipamento: caminhão, trator e carregadeira. 38 No TIF nº 005, às fls. 670/672, o Fisco requereu, dentre outras demandas, que o Sujeito Passivo apresentasse as cópias das notas fiscais e respectivos conhecimentos de transporte relativos às remessas dos bens objeto da locação, em prol de justificar a entrada e saída dos bens da sede da empresa. Além disso, solicitou o controle relativo aos gastos com a manutenção dos bens objeto do contrato, durante seu período de vigência. Em resposta, às fls. 679/680, a Fiscalizada declarou: 38.1 Quanto a primeira demanda, que os veículos locados são levados pela contratada e que o controle é na portaria principal da empresa. Fortalece a ilação de inexistência da comprovação do ingresso dos bens locados nas dependências do estabelecimento sob fiscalização, por conseguinte que inexistiu a prestação do serviço em comento; e 38.2 No que concerne ao segundo questionamento, reafirma que a manutenção ficou a cargo da contratada. Deduz-se que apenas o empresário individual e/ou seu procurador cuidaram da manutenção dos equipamentos. 39 Apreciando o TIF nº 007, às fls. 779/785, dentre as requisições, a Autoridade Fiscal requereu que a AGROVALE informasse a ocorrência especial que justificou a formalização do contrato em questão, apresentando o motivo e a documentação comprobatória para atestar o alegado. Em resposta, às fls. 880/881, a Auditada alegou apenas que demandava equipamentos especiais para fazer o serviço, cujas aquisições eram inviáveis. Todavia, a plausibilidade dessa alegativa não encontra respaldo perante uma acepção mediana, especialmente se tratando de uma organização do porte da fiscalizada, quando nos deparamos com o fato de que a contratada para prestar o serviço em comento, envolvendo a bagatela de quase 8 milhões, tratava-se de uma empresa recém criada, cuja existência de fato não foi confirmada, sem empregados registrados e sem deter a propriedade dos suscitados especiais ativos. 40 Por fim, dentre os elementos acostados pela Fiscalização, compulsamos a diligência, determinada pela Autoridade Autuante, realizada pela Receita Federal do Brasil, com sede em Atalaia-AL, às fls. 1415/1460, para confirmar existência da PETRÔNIO. São dignos de destaque: 40.1 Diligências realizadas in loco nos municípios de Atalaia e Maceió, ambos nº Estado de Alagoas, concluíram que a locadora não existiu de fato, Fl. 3612DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 73 caracterizando como ineficaz, sob o prisma tributário, a documentação fiscal apresentada; e 40.2 A declaração da contadora da empresa de que: 40.2.1 Apenas abriu e fechou a empresa, todavia via e-mails trocados com o procurador; 40.2.2 O sistema FACILITA ALAGOAS emitia automaticamente tanto o CNPJ quanto a inscrição municipal quando uma empresa é aberta; e 40.2.3 Para emitir Nota Fiscal Eletrônica as empresas teriam que ir ao respectivo município para fazer um tipo de validação cadastral, quer dizer, para emitir Notas Fiscais Eletrônicas, não bastava ter a inscrição municipal extraída do sistema FACILITA ALAGOAS. 41 Na fase contenciosa, os Impugnantes objetivaram afastar as ilações do Fisco. No que tange aos procedimentos de contratação, afirmaram que todos os contratos firmados devem se submeter, segundo Norma Interna, ao Comitê de Gestão de Compras sob contratos, com a participação de todos os setores da AGROVALE, e são avalizados pela Diretoria. Nessa toada, antes de firmar contrato com a PETRÔNIO, tomou todas as precauções possíveis com vistas a verificar a existência e regularidade fiscal e jurídica da contratada, tais como: Inscrição Municipal da Empresa Petrônio (firmada, no site FACILITA ALAGOAS, em 24/03/2015), alvará de localização e funcionamento provisório da Empresa Petrônio, cópia da CND, emitida em 20/04/2015, certidão do FGTS, emitida em 20/04/2015 e requerimento de empresário da empresa Petrônio na Junta Comercial de Alagoas. 42 Os documentos apresentados relacionadas a comprovação da existência e regularidade da locadora, embora afastem, em parte, a declaração da Prefeitura de Atalaia-AL, denotam provisoriedade - Alvará de Localização e Funcionamento Provisório -, especialmente se analisarmos em conjunto com as declarações da contadora. Além disso, é muito grande a possibilidade de uma empresa, com pouco mais de um mês de existência, encontrar-se regular sob o prima fiscal. 43 Por outro lado, restou comprovado que, apesar de todo o rigor na validação da contratação, verificou-se que várias cláusulas relevantes do contrato foram preteridas ou unilateralmente dispensadas, assim como detalhes elementares à validade da Nota Fiscal não foram observados, injustificadamente fragilizando o sistema de contratação intra normatizado, em contraponto até mesmo ao comportamento diligente que a Autuada demonstrou perante diversas outras demandas ao longo do procedimento fiscal, conforme declarado pela Autoridade Administrativa. 44 Também não é medianamente razoável querer que aceitemos, principalmente diante da grandeza do ambiente negocial em que a AGROVALE está inserida, que seja verossímil firmar um contrato de locação de veículos, envolvendo a monta de quase oito milhões, com uma pequena empresa individual, recém criada, sem ter o simplório cuidado de verificar a sua existência de fato, tampouco a sua capacidade de executar o objeto contratado - informa nº TIF nº 007 que contratou Fl. 3613DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 74 porque demandava equipamentos especiais para realização do serviço -, dado que não detinha um único equipamento próprio para locar e nem empregados. 45 Em relação a ausência de registros de empregados por parte da PETRÔNIO, mesmo sem a obrigatoriedade de disponibilizar operadores e motoristas, porquanto há outras funções necessárias ao regular desempenho das suas atividades e, principalmente, ao correto cumprimento do objeto acordado como, por exemplo: administração, manutenção e abastecimento dos bens locados, acompanhamento da execução dos contratos (além do firmado com a Autuada, há os acordados com as pessoas físicas), deslocamentos dos veículos entre sedes, etc. Entretanto, pasmem, os Impugnantes defendem ser uma situação normal, unicamente porque o contrato não previa fornecimento de mão de obra, ou seja é admissível todas as demais funções serem executadas unicamente pelo proprietário, do qual, nos autos, só há registro de atuação quando da assinatura do Requerimento de Empresário arquivado na Junta Comercial de Alagoas, ou por um procurador, do tipo "faz tudo"!!! 46 Objetivando comprovar a locação dos equipamentos em comento, as Defesas apresentaram: demonstrativos de produção de veículos de terceiros; cadastro de veículos de terceiros códigos e placas; relatório de abastecimento de caminhões e máquinas de terceiros e relação de notas fiscais de aquisição de peças de reposição e serviços de mecânica emitidas tendo como adquirentes a PETRÔNIO ou seu procurador, na região de Juazeiro e Petrolina, juntamente com as Notas Fiscais e os recibos de pagamento. Além das incoerências apontadas, bem como da expressa negativa de locação justamente daqueles bens que os proprietários negaram ou se encontrava em outro Estado, embora constassem do contrato e da relação elaborada pelo Fisco, após apreciarmos detalhadamente as provas carreadas juntamente com a peça impugnatória, foram encontradas incongruências que afetaram cabalmente a veracidade fragilizando o intento de justificação, vejamos: 46.1 Nos demonstrativos de produção de veículos de terceiros: 46.1.1 Apesar de ser uma prova elementar para aferição da quantidade de produtos transportados e quilometragem percorrida e, por conseguinte, medição do valor pago, segundo pactuado, foi apresentado à Fiscalização sem identificar os equipamentos utilizados pelas respectivas placas policiais e incluindo as medições relacionadas as carregadeiras e aos tratores. O demonstrativo carreado aos autos juntamente com a peça impugnatória, correlaciona o código com a placa policial, mas só há medições relacionadas aos caminhões; 46.1.2 Há carregamentos no dia 25/04/2015, para dois caminhões, mas a contratação do serviço só foi firmada em 27/04/2015, de acordo com a cláusula sexta do contrato de locação firmado; 46.1.3 Há registros de carregamentos e quilometragem percorrida para doze caminhões. Contudo, no contrato, só há previsão de onze e Fl. 3614DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 75 efetivamente só foi acatada a locação de dez, baseando-se nos veículos constantes da relação levantada pela Fiscalização, às fls. 51, do TVF, e não questionados pela Autuada; 46.1.4 Um dos caminhões, placa policial MVX-7042, embora estejam registradas várias viagens, desde 11/05/2015, totalizando o transporte de 7.943,07 ton, de fato se trata de um reboque, que consta na relação, às fls. 51, do TVF, com capacidade máxima de 300 kg, cujo proprietário negou qualquer relação negocial seja com a PETRÔNIO, seja com a AGROVALE. Inclusive a defesa afirmou categoricamente que, a despeito de estar relacionado nº contrato, não foi enviado para Fiscalizada e não consta de qualquer relatório!!!; 46.1.5 Embora a Fiscalizada tenha afirmado que no demonstrativo juntado há identificação de cada veículo ou máquina, constante do contrato de locação e efetivamente ingressado nas suas dependências, só há medições para caminhões. Não foram apresentadas as relativas aos demais equipamentos, nº caso, as carregadeiras e tratores que constavam no demonstrativo apresentado à Fiscalização, como também as atinentes, após as devidas exclusões, aos 22 reboques e 02 automóveis, cujas locações foram confirmadas pelos proprietários e não refutadas pelas Defesas; 46.2 No Cadastro de veículos de terceiros códigos e placas: 46.2.1 Há na relação 28 reboques, embora só tenham sido confirmados 22; 46.2.2 Não constam os 6 tratores e as 7 carregadeiras, em relação aos quais há registro de carregamentos e consumo de combustíveis, conforme medições apresentadas à Fiscalização (arquivos não pagináveis, às fls. 646/647); 46.2.3 Um dos caminhões, placa policial MVX-7042, conforme já exaurido neste voto, de fato trata-se de um reboque e o proprietário negou qualquer relação negocial seja com a PETRÔNIO, seja com a AGROVALE; 46.3 No Relatório de Abastecimento de caminhões e máquinas de terceiros, especialmente diante da afirmativa, presente nas Defesas dos responsáveis solidários, que o controle de abastecimento faz-se mediante a utilização de chips de informática: 46.3.1 Na medição apresentada em resposta ao TIF nº 003 (arquivo não paginável, às fls. 647) não identificou os equipamentos que consumiram os combustíveis, mas apenas o total consumido por espécie de equipamento. Entretanto, há registro de consumo de combustíveis envolvendo tratores e carregadeiras, espécies de bens que não se encontram relacionados nº Cadastro de veículos de terceiros códigos e Fl. 3615DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 76 placas. Já na apresentada juntamente com a impugnação só há medições de combustíveis relacionadas aos caminhões. Outrossim, não foram apresentadas as atinentes aos demais equipamentos confirmados que também necessitam de combustíveis, tais como automóveis; 46.3.2 Há dispêndios com combustíveis, no montante de R$ 10.939,13, relacionados ao caminhão, placa policial MVX-7042, que repetimos de fato trata-se de um reboque e o proprietário negou qualquer relação negocial com as empresas envolvidas na contenda; 46.3.3 Há registros de consumo de combustível no dia 25/04, relacionados a alguns caminhões, quer dizer data anterior ao início do contrato em 27/04, de acordo com a cláusula sexta do contrato de locação firmado; 46.3.4 Há 22 reboques, cujas locações foram confirmadas pelos proprietários e não refutadas pelas Defesas, mas não foi apresentado o demonstrativo de combustíveis relacionados a eles, quer dizer, referentes aos veículos que propiciaram as respectivas trações; 46.4 Em relação as notas fiscais de aquisição de peças de reposição e serviços de mecânica emitidas tendo como adquirentes a PETRÔNIO ou seu procurador: 46.4.1 Há várias notas fiscais cujas datas são anteriores ao início do contrato, 27/04/2015, consoante cláusula sexta do contrato de locação em questão, em nome do procurador, denotando que havia uma relação pretérita deste com a AGROVALE; 46.4.2 Há os recibos de pagamento, mas com as autenticações ilegíveis, impossibilitando identificar o real pagador; 46.4.3 Trata-se de Documentos fiscais do locador, mas em posse do locatário??? 46.4.3.1 Considerando que a Fiscalizada, quando questionada pelo Fisco, no TIF nº 005, sobre os gastos com a manutenção dos bens objeto do contrato, ao invés de apresentar essas notas fiscais, afirmou que a manutenção era obrigação exclusiva do Locador, resposta que corroboramos em respeito ao disposto na cláusula segunda do contrato de locação pactuado; 46.4.3.2 Considerando que tais dispêndios não influenciam na medição que serve de base de cálculo para pagamento das locações mensais, de acordo com a cláusula quarta do contrato de locação firmado; 46.4.3.3 Considerando que os documentos fiscais não identificam o equipamento destinatário do serviço ou peça; Fl. 3616DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 77 46.4.3.4 Considerando que todos os fatos e provas comentadas neste voto pugnam para inexistência de fato da PETRÔNIO, especialmente pelo fato de tanto a auditada, como os proprietários diligenciados, não terem apresentado as notas fiscais ou conhecimentos de transporte hábeis a comprovar o deslocamento dos bens locados entre as sedes das empresas envolvidas no contrato de locação, seja na entrada ou quando da devolução; 46.4.3.5 Contrariam o que declarou e o que é esperado em um ambiente negocial normal, a tomadora do serviço apresentar documentos fiscais que deveriam estar na posse do prestador, salvo se os gastos com os serviços e peças foram arcados pela AGROVALE, em qualquer equipamento, e foi solicitado aos emitentes identificar a PETRÔNIO ou seu procurador como adquirente, em prol da articulação da fraude perpetrada. 47 Em proveito do nosso convencimento, não podemos olvidar que em se tratando de serviços de natureza imaterial, a apresentação de notas fiscais e de contratos não serve como prova da efetiva prestação de serviços. Tenho por mim que há necessidade de uma prova concreta como a disponibilidade de pessoal e profissional capacitado para a prestação dos serviços objetos de contrato, o que não aconteceu no presente caso, relatórios e medições referentes a execução, cujos apresentados demonstraram inúmeras contradições, ou pelo menos comprovação que houve deslocamento dos bens entre as sedes, que também não verificamos, apesar das reiteradas requisições. 48 A jurisprudência administrativa tem dado um tratamento diferenciado sobre a dedutibilidade de despesas de prestação de serviços, no sentido de que a emissão das notas fiscais, a existência de contratos, a contabilização das notas fiscais emitidas e respectivos pagamentos não comprovam a efetiva prestação dos serviços, conforme acórdãos, cujas ementas transcrevemos abaixo: IRPJ. CUSTOS E/OU DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO. A escrituração contábil dos fatos só faz prova a favor do contribuinte se comprovada por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, não valendo para fim a simples apresentação de contratos que apenas indicam a intenção da realização de negócios. (Ac. 107-05.662, de 08/06/1999)IRPJ. CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade dos custos e despesas operacionais com serviços prestados por terceiros requer prova produzida a partir de documentação hábil e idônea, além da comprovação da efetiva realização dos serviços contratados. (Ac. 101- 85.997, de 25/01/1994, DOU de 03/05/1995, pág. 6180). DESPESAS DEDUTÍVEIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A falta de comprovação de que os serviços técnicos especializados foram realmente prestados à empresa que os contabilizou e os apropriou como despesa operacional Fl. 3617DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 78 justifica a glosa imposta. (Ac. 103-20.683, de 20/08/2001, DOU de 29/08/2001) 49 Em face de tudo que foi exposto, concluo que os Impugnantes não lograram êxito em demonstrar de forma cabal a efetividade das locações assentadas no contrato de locação de maquinário agrícola nº 030, no ano-calendário de 2015, que justificariam a dedutibilidade das correspondentes despesas operacionais. Repiso que aqui não se trata de dúvida quanto à prestação de serviços, mas sim de que os fatos narrados e apresentados, notoriamente levam a conclusão e convicção de que não há como se convencer da concreta locação dos equipamentos. 50 Muito pelo contrário, da análise conjunta de todos os elementos acostados aos autos, resulta a acepção de que a conduta realizada pela AGROVALE, objetivando gerar os dispêndios em comento, através da apresentação de notas fiscais inidôneas, emitidas em nome de empresa inexistente de fato, que não detinha registros de empregados e tampouco a propriedade dos bens objeto de locação, e sem prova da internação dos bens supostamente locados, caracteriza-se FRAUDE. 51 Destarte, assiste razão a Fiscalização quando efetivou as glosas das despesas operacionais, relativas ao contrato de locação de maquinário agrícola nº 030, incorridas nº ano-calendário de 2015, bem como quando impôs a perda do benefício de redução de 75% do IRPJ e adicionais calculados com base no lucro da exploração. Primeiro, em decorrência da dedução indevida na apuração do IRPJ e da CSLL, posto que não restou comprovada a concretização da precitada locação. Segundo, ao se utilizar de notas inidôneas, a AGROVALE praticou crime contra ordem tributária, em razão da situação de fato subsumir-se ao disposto no inciso IV, do art. 1º, da Lei nº 8.137/90, abaixo in verbis. Tal constatação, consoante o disposto no art. 128, da Instrução Normativa RFB nº 267/2002, a seguir transcrito, acarreta a perda, no ano calendário correspondente, de eventuais incentivos e benefícios de redução ou isenção, previstos na legislação tributária, que o sujeito passivo esteja percebendo: Da Ilegalidade da Instrução Normativa RFB nº 267/2002 52 Fl. 3618DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 79 52. Quanto a alegativa das Defesas que, ao impor a perda do benefício de redução em questão, a Instrução Normativa RFB nº 267/2002 teria ultrapassado os limites estabelecidos pela MP nº 2.199-14/2001, inicialmente ressalvamos que o ato normativo infralegal suscitado estava em pleno vigor quando da autuação e continua hígido até hoje. No tocante a sua suposta ilegalidade, cabe esclarecer que se trata de matérias que não são afeitas às competências adstritas às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), e sim, caso cabível, ao Poder Judiciário. Dessa forma, no âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou ato normativo, sob fundamento de ilegalidade, a menos que o ato tenha sido declarado ilegal por decisão definitiva por órgão do Poder Judiciário, em estrito cumprimento ao determinado nº art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, introduzido pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que dispõe, in verbis: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucional idade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (g.n) 53. Nessa esteira, os Agentes Fiscais encontram-se totalmente vinculados aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN). Em verdade, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a autoridade fiscal encontra-se limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais restrições para examinar questões outras como as provocadas nas manifestações em exame. Cabe ao julgador administrativo simplesmente seguir a norma e obrigar seu cumprimento. Ademais, o art. 7.º da Portaria MF nº 58/2006 determina que a autoridade julgadora administrativa deve observar o conteúdo das disposições legais, bem como o entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários. Em suma, no caso em tela, percebe-se claramente que a administração tributária simplesmente seguiu a norma e obrigou seu cumprimento. Da Não Consideração do IRRF nas Apurações e do Cancelamento da Multa Isolada 54 Por derradeiro, em virtude das sobreditas constatações, aqui confirmadas, a Autoridade Fiscal recompôs as bases de cálculo tanto do IRPJ anual, como das estimativas mensais, culminando em lançamentos de ofício do IRPJ anual devido e de multas isoladas por falta/insuficiência de recolhimentos. Nesse ponto concentram-se duas refutações das Defesas: 54.1 Não ter sido levado em consideração na apuração, o IRRF, relativo ao ano calendário de 2015, no valor de R$ 415.383,82; e 54.2 Aplicação da Multa Isolada concomitante com a Multa de Ofício. Fl. 3619DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 80 55 No que diz respeito a contestação de que não foi levado em consideração, quando da apuração fiscal, o IRRF - Imposto de Renda Retido na Fonte, relativo ao ano-calendário de 2015, no valor de R$ 415.383,82, a questão foi um dos motivos do processo ter retornado à Delegacia de origem para averiguação. Ao ser analisada, verificou-se que assistia razão a AGROVALE, o equívoco foi corrigido e foram elaboradas as tabelas abaixo, nas quais estão demonstradas as reapurações requeridas considerando o IRRF ratificado: 56 Quanto a improcedência dos lançamentos relacionados às multas isoladas, já exaurimos no que diz respeito a correção da glosa e da imposição da perda do benefício de redução de 75% do IRPJ e adicionais calculados com base no lucro da exploração.” Já no tocante à aplicação concomitantemente de multa isolada com a multa de ofício, entendo assistir razão à Recorrente. Verifica-se que há cobrança cumulativa da multa isolada com a multa de ofício, sobre os mesmos valores supostamente devidos a título de IRPJ e da CSLL, o que não pode ser admitido, nos moldes previstos pela Súmula CARF nº 105, assim disposta: Súmula CARF nº 105 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 08/12/2014 Fl. 3620DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 81 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.(...) O teor da súmula é cristalino no sentido de impedir a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, devendo prevalecer esta última. Outrossim, deve-se lembrar, ainda, da Súmula CARF nº 82 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 10/12/2012. O conteúdo sumulado consolidou o entendimento de que as estimativas consistem em mera antecipação do tributo devido, tornando-as inexigíveis após o término do ano- calendário, a partir do qual o próprio tributo é apurado e devido. Assim, os lançamentos conjuntos em que se exige a multa de ofício pelo não pagamento dos tributos apurados sob a sistemática do lucro real anual em conjunto com a multa isolada afronta aos princípios da consunção, estrita legalidade e proporcionalidade. Não se pode olvidar que, de fato, há quem entenda que a Súmula CARF nº 105 não se aplica aos fatos depois da edição da Lei 11.488/2007, porquanto esta lei teria alterado o arcabouço jurídico que motivou a formulação da retrocitada Súmula. Essa Conselheira, entretanto, alinha-se à corrente que entende que a mera reformulação do dispositivo, no aspecto formal, não alterou a real motivação para a não imposição das multas concomitantemente. Como bem explica o Relator do voto condutor do Acórdão nº 9101-007.042 – CSRF/1ª TURMA, sessão de 7 de junho de 2024 “o que a Lei 11.488/2007 fez foi apenas realocar a norma jurídica, transformando o que eram alíneas em incisos”. E o julgador complementa: “(...) A ora Recorrente, em suma, alega que a multa isolada prevista no art. 44, II, b, da Lei nº. 9.430, de 1996, na redação dada pela Lei n.º 11.488/07, decorre do descumprimento da obrigação de recolher a estimativa apurada no mês calendário, independentemente de se apurar ou não resultado anual tributável, sendo cabível mesmo após o encerramento do ano-calendário e nada tendo a ver com a multa devida pela falta de recolhimento do tributo apurado com base no lucro real anual ou trimestral. E conclui que que (i) não se aplica ao caso o disposto no enunciado n. 105 da Súmula do CARF, pois os precedentes que renderam a aprovação do verbete tratam de lançamentos relativos a fatos geradores ocorridos anteriormente ao advento da Medida Provisória n. 351, convertida na Lei n. 11.488 de 2007, logo, em contexto fático-jurídico diverso; (ii) é possível a aplicação conjunta da multa isolada prevista no artigo 44, II, b, da Lei n. 9.430/96 com a multa de ofício. Posto isso, sendo objetivo, temos que este mesmo Conselheiro, já no âmbito jurisdicional desta mesma C. 1ª Turma da CSRF do E. CARF, na condição de Fl. 3621DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 82 Redator Designado, expressou sua posição no v. Acórdão nº 9101-005.080, proferido na sessão de julgamento de 1º de setembro de 2020 (assim como diversas outras, de mesmo teor jurisdicional, posteriormente). Assim, adota-se, a seguir, o mesmo entendimento, há muito já defendido e conhecido. O tema da aplicação cumulada das multas isoladas e de ofício vem sendo largamente discutido no âmbito do contencioso administrativo tributário federal há décadas, sendo, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 105, verbete este que exprime a posição institucionalmente pacificada sobre a matéria. Confira-se o teor do entendimento sumulado: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. A Fazenda Nacional defende que a Súmula CARF nº 105 aplicar-se-ia apenas aos fatos jurídicos ocorridos antes do ano-calendário de 2007, em face de alteração legislativa promovida àquele tempo no art. 44 da Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 11.488/2007, que acabou revogando o inciso IV do seu §1º, expressamente mencionado na referida súmula. Porém, também há muito firmou-se o entendimento no sentido de que a alteração procedida por meio da Lei nº 11.488/2007 não modificou o teor jurídico das prescrições punitivas do art. 44 da Lei nº 9.430/96, apenas vindo para cambiar a geografia das previsões incutidas em tal dispositivo e alterar algumas de suas características, como, por exemplo a percentagem da multa isolada e afastar a sua possibilidade de agravamento ou qualificação. Assim, independentemente da evolução legislativa que revogou os incisos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 e deslocou o item que carrega a previsão da aplicação multa isolada, o apenamento cumulado do contribuinte, por meio de duas sanções diversas, pelo simples inadimplemento do IRPJ e da CSLL (que somadas, montam em 125% sobre o mesmo tributo devido), não foi afastado pelo Legislador de 2007, subsistindo incólume no sistema jurídico tributário federal. E foi precisamente essa dinâmica de saturação punitiva, resultante da coexistência de ambas as penalidades sobre a mesma exação tributária – uma supostamente justificada pela inocorrência de sua própria antecipação e a outra imposta após a verificação do efetivo inadimplemento, desse mesmo tributo devido –, que restou sistematicamente rechaçada e afastada nos julgamentos registrados nos v. Acórdãos que erigiram a Súmula CARF nº 105. Comprovando tal afirmativa, confira-se a clara e didática redação da ementa do v. Acórdão nº 1803-01.263, proferido pela C. 3ª Turma Especial da 1ª Seção desse E. CARF, em sessão de julgamento de 10/04/2012, de relatoria da I. Conselheira Selene Ferreira de Moraes (o qual faz parte do rol dos precedentes que sustentam a Súmula CARF nº 105): Fl. 3622DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 83 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano- calendário: 2002 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A garantia constitucional de ampla defesa, no processo administrativo fiscal, está assegurada pelo direito de o contribuinte ter vista dos autos, apresentar impugnação, interpor recursos administrativos, apresentar todas as provas admitidas em direito e solicitar diligência ou perícia. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento de perícia, eis que a sua realização é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora, ex vi do disposto no art. 18, do Decreto 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS DE SAÍDA E CUPONS FISCAIS. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO. Não comprovado que as notas fiscais de saída e cupons fiscais correspondem a uma mesma operação, resta configurada a omissão de receitas. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (destacamos) (...) Registre-se que reconhecimento de situação antijurídica não se dá pela mera invocação e observância da Súmula CARF nº 105, mas também adoção do corolário da consunção, para fazer cessar o bis in idem, caracterizado pelo duplo sancionamento administrativo do contribuinte – que não pode ser tolerado. Posto isso, verificada tal circunstância, mostra-se acertado o cancelamento das multas isoladas referentes às antecipações, lançadas sobre os valores das exigências de IRPJ e CSLL, independentemente do ano- calendário dos fato geradores colhidos no lançamento de ofício. (...)” Fl. 3623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 84 A reforçar tal entendimento, vejamos também passagem do voto do I. Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli no Acórdão 9101-005.824, de 8 de agosto de 2021: A discussão sobre a legitimidade ou não da cobrança cumulativa de multa isolada e multa de ofício não é recente, mas é tema que ainda possui celeuma. Com a aprovação da Súmula CARF nº 105, restou sedimentado que: “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Na prática, a Súmula aplica-se indubitavelmente para os fatos compreendidos até dezembro/2006. Dizemos indubitavelmente porque há corrente doutrinária e jurisprudencial, na linha do que argumenta a Recorrente, que sustenta que, após a nova redação dada pela Lei nº 11.488/2007 (conversão da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007) ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, não haveria mais espaço para interpretação diversa daquela que conclui pela possibilidade jurídica da exigência de multa isolada sobre estimativas mensais não recolhidas, mesmo nos casos em que também houver sido formulada exigência de multa de ofício em razão da falta de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados no final do mesmo ano de apuração. Por essa linha de pensamento, o Legislador teria prescrito sanções autônomas e inconfundíveis, autorizando ao fisco, na hipótese do contribuinte deixar de recolher estimativas mensais de IRPJ e CSLL, inclusive aquelas apuradas de ofício e, paralelamente, não recolher integralmente estes mesmos tributos no final do período de apuração, aplicar as duas sanções concomitantemente (multa de ofício sobre o IRPJ/CSLL devidos e não recolhidos + multa isolada sobre as estimativas “em aberto”). Vejamos, então, o que dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela MP nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007): (...)Da leitura desses dispositivos, verifica-se que a multa de ofício de 75% prevista no inciso I é aplicável nos casos de falta de pagamento de imposto ou contribuição, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Já a multa isolada de 50%, prevista no inciso II, deve incidir sobre o valor das estimativas mensais não recolhidas, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física e ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 3624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 85 Nesse contexto, não se pode perder de vista que as estimativas são meras antecipações do tributo devido, não figurando, portanto, como tributos autônomos. A propósito, dispõe a Súmula CARF 82 que “após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas”. Também não nega-se que o não recolhimento das estimativas e o não recolhimento do tributo efetivamente devido são infrações distintas, como foi reconhecido pela própria lei nos incisos I e II acima transcritos. Todavia, e este é o ponto central para a discussão, quando ambas as obrigações não foram cumpridas pelo contribuinte, o princípio da absorção ou consunção impõe que a infração pelo inadimplemento do tributo devido prevaleça, afinal o dever de antecipar o pagamento por meio de estimativas configura etapa preparatória para o dever de recolher o tributo efetivamente devido, este sim o bem jurídico tutelado pela norma. Adotando, então, uma interpretação histórica e sistemática dos referidos dispositivos legais e Súmulas, verifico que a alteração legislativa mencionada não possui qualquer efeito quanto à aplicação da Súmula CARF nº 105 para fatos geradores posteriores a 2007. Isso porque a cobrança de multa de ofício de 75% sobre o tributo não pago supre a exigência da multa isolada de 50% sobre eventual estimativa (antecipação do tributo devido) não recolhida. Admitir o contrário permitiria punir o contribuinte em duplicidade, em clara afronta aos princípios da consunção, estrita legalidade e proporcionalidade. (...)” Por conseguinte, deve ser afastada a exigência da multa isolada pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL. Ademais, a respeito da Qualificação da Multa de Ofício, não há motivo para reformar a decisão de piso, nos seguimentos termos: 68 A Qualificação da multa de ofício imputada, nos termos do estabelecido no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14, da Lei nº 11.488/07, deveu-se ao fato do Fisco, diante da fraude constatada, entender que se configurou a hipótese capitulada no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1967. 69. As Defesas inconformadas, a priori, requereram a exclusão da multa de ofício. Quanto a qualificação, asseveraram que o conjunto probatório apresentado afasta totalmente a acepção que ocorreu evidente intuito de fraude por parte da AGROVALE quando da geração das despesas de locação de maquinário agrícola, no ano-calendário de 2015. Complementaram que, embora não sejam suficientes para inferir que não houve a efetiva locação dos bens, se fraude existiu, deu-se por parte da PETRÔNIO, ao emitir notas fiscais sem a devida autorização, fraudando o fisco municipal, deixando de utilizar os canais próprios e legais para tal emissão, além de se omitir no recolhimento dos tributos devidos. Em relação a este fato, não há nos autos prova da participação da Autuada, bem como não Fl. 3625DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 86 haveria como sua administração saber ou ter ciência, dado que todos os documentos apresentados e colhidos antes da contratação eram legais. 70. Outrossim, embasados nas Súmulas Vinculantes CARF nº 14 e 25, sustentam que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo, em razão de o direito pátrio não abarcar a presunção de dolo. Nessa linha, nº presente lançamento não foi (...) apontado pela fiscalização a intenção dolosa do contribuinte, especialmente quando todos os fatos foram devidamente registrados na contabilidade, deixando às claras todos os procedimentos, nada impedindo a fiscalização de confirmar todos os fatos registrados contabilmente, bem como os inúmeros registros gerenciais sobre a locação. Logo, sob pena de ferir os princípios do contraditório e da ampla defesa, não tem como prosperar a aplicação da penalidade em comento, haja vista que (...)não basta a indicação de conduta dolosa e fraudulenta a partir de presunções ou subjetividades, há que haver prova, por parte da fiscalização da intenção pré-determinada da ora impugnante, demonstrada de modo concreto, de impedir ou retardar o recolhimento dos tributos devidos. 71. Por fim, argumentam que, caso a Turma Julgadora entenda diferente, a imposição da multa qualificada de 150% deve ocorrer somente sobre o lançamento de ofício derivado da glosa de custos, não incidindo sobre a parcela glosada de incentivo fiscal que deve se submeter a multa de ofício ordinária de 75%. 72. De plano, saliente-se que a exclusão da multa de ofício postulada pelas defesas dos responsáveis solidários não pode ser acatada, na medida em que não encontra respaldo legal. Também é de bom alvitre ressaltar que a ação fiscal é procedimento inquisitorial, iniciando-se a fase contraditória do processo de constituição do crédito tributário tão somente com a impugnação. É na fase contenciosa, iniciada com o protocolo da impugnação, que se busca salvaguardar plenamente o direito do contribuinte ao contraditório e à ampla defesa. (...) 73. Ademais, o Termo de Verificação Fiscal e o Auto de Infração discriminam a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação, oferecendo as condições necessárias para que o autuado conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, especialmente no que concerne a qualificação da multa, inexistindo qualquer cerceamento à defesa do autuado. 74. Superados os pontos supracitados, no que tange a qualificação da multa, precisa ser analisada à luz dos fatos, da acusação fiscal e das provas trazidas aos autos. Nessa senda, a princípio é importante registrar que se encontra regulada pelo artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, transcrito in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 3626DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 87 I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II - de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)(g.n) 75 Assim sendo, o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) deve ser aplicado apenas nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, o intuito de fraude foi aí aludido em seu sentido amplo, devendo para seu entendimento serem observadas as definições dos indigitados dispositivos, in verbis: (...) 76. Como se percebe, o conluio não chega a ser uma terceira hipótese qualificadora autônoma, pois se refere à possibilidade de a sonegação e/ou a fraude serem orquestradas por meio de ajuste doloso entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas). 77. A qualificação da multa proporcional de ofício deve ser feita quando e apenas quando a autoridade fiscal identificar e comprovar a ocorrência de sonegação e/ou fraude. E apenas pode ser considerado sonegação ou fraude, para essa finalidade, aquilo que esteja em conformidade com o modelo arquetípico estabelecido pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Ademais, trata-se de condutas dolosas (dolo direto ou eventual). Então, para que se possibilite a qualificação, a autoridade fiscal deve identificar e comprovar a ocorrência da conduta dolosa do sujeito passivo, mediante apresentação de conjunto probatório suficiente. 78. É cediço que a imposição de multa qualificada é tema sempre muito espinhoso, mesmo porque tal cominação prescinde da demonstração de um “algo mais”, nº procedimento do agente fiscalizado, que transcenda a conduta objetiva descrita no tipo tributário, sendo preciso que haja a efetiva comprovação da intenção da prática do fato delituoso. Nesse sentido, é o entendimento firmado pelo CARF nas Súmulas n° 14 e 25: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Fl. 3627DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 88 Súmula nº 14 do CARF: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. 79. Nesta seara, vê-se que não faltou esmero por parte da Autoridade Tributária em proveito da comprovação da ação dolosa, pois por meio de farta documentação obtida através de diversas intimações e diligências promovidas e informações extraídas dos sistemas da RFB e de outros órgãos da administração pública, logrou êxito em demonstrar que a AGROVALE buscou comprovar despesas de locação, através da apresentação de notas fiscais inidôneas, emitidas em nome de empresa inexistente de fato, que não detinha registros de empregados, nem a propriedade dos bens objeto de locação, tampouco provou a internação dos equipamentos supostamente locados. 80. Refuta-se também a arguição de que não há elementos convergentes no sentido de caracterizar a conduta intencional de fraudar o Fisco por parte do Sujeito Passivo, isto é, de praticar atos que se enquadrem na hipótese prevista no art. 72, da Lei nº 4.502, de 1964, visto que, por tudo que sobejou evidenciado ao longo do presente voto, restou caracterizado tal comportamento, dado que a AGROVALE tinha conhecimento da inidoneidade dos pagamentos realizados e das consequências tributárias na apuração dos tributos devidos(IRPJ, CSLL e IRRF), mas preferiram agir de maneira evasiva, registrar os dispêndios com histórico contábil falso, utilizando-se de documentação inidônea. Desta forma, praticou atos que deliberada e sistematicamente demonstram a presença de DOLO, no sentido de ter a consciência e querer a conduta fraudulenta descrita no apontado dispositivo legal. 81. Nessa perspectiva, os fundamentos da qualificação da multa subsistem inabalados mesmo após os ataques dos Impugnantes, justificando a imputação fiscal. Todavia, assiste razão ao Autuado quando argui que a qualificação da multa de ofício em 150% só pode recair sobre os lançamentos de ofício relacionados às despesas glosadas, nas quais restou clara a fraude. No que tange a perda do benefício de redução de 75% do imposto de renda e adicionais sobre o lucro da exploração, embora tenha decorrido da constatação de crime contra ordem tributária, em relação a apuração não se vislumbrou qualquer irregularidade, portanto sobre a autuação decorrente deve-se aplicar a multa de ofício de 75%. 82. Inclusive, provocada por meio de diligência fiscal, a Autoridade Fiscal corroborou com o precitado entendimento e refez os cálculos da multa de ofício incidente sobre o lançamento em favor de aplicar o percentual de 150% apenas sobre o valor dos tributos correspondentes as despesas glosadas (R$ 7.699.256,71), de acordo com a tabela abaixo: Fl. 3628DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 89 Todavia, o percentual de 150% aplicado na cobrança da multa de ofício qualificada deve ser reduzido para 100%. Isso porque, a Lei nº 14.689/2023 alterou o dispositivo do referido § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, que trazia a previsão da multa duplicada. Vale a conferência da nova redação da legislação: § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (...) VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) Como se vê, a nova regra geral da multa de ofício nos casos previsto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 prevê a majoração ao patamar de 100%, conforme dispõe o inciso IV, §1º, da Lei nº 9.430/96. Destarte, considerando o disposto no art. 106, II, alínea “c”, do CTN, tem-se por aplicar a retroatividade benigna, devendo-se a multa de ofício qualificada ser reduzida ao patamar de 100%. A propósito, esse tem sido o entendimento do CARF: “(...) PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE. Aplica-se o princípio da retroatividade benigna aos casos não definitivamente julgados, quando a legislação deixe de definir o ato como infração, de acordo com o art. Fl. 3629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 90 106, II, "a", do CTN”. (Acórdão nº 3401-012.476, Relator: Renan Gomes Rego, Data da Sessão: 28/09/2023) “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Data do fato gerador: 26/05/2008, 27/05/2008, 13/06/2008PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. APLICABILIDADE. Aplica-se o princípio da retroatividade benigna aos casos não definitivamente julgados, quando a legislação deixe de definir o ato como infração, de acordo com o art. 106, II, "a", do Código Tributário Nacional”. (Acórdão nº 3002-002.790, Relator e Presidente: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Data da Sessão: 19/09/2023) Deste modo, considerando o disposto no art. 106, II, alínea “c”, do CTN, tem-se por aplicar a retroatividade benigna, devendo-se a multa de ofício qualificada ser reduzida ao patamar de 100%. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Ademais, o Parecer Normativo Cosit nº 23, de 06 de setembro de 2013, determina “que acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo”. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Mutatis mutandis, aplicam-se às exigências ditas reflexas (CSLL) o mesmo que foi decidido quanto à exigência matriz (Imposto de Renda Pessoa Jurídica), o que se dar em razão da íntima relação de causa e efeito entre as exigências fiscais existentes. CONCLUSÃO Ante o exposto, oriento meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO OFÍCIO afastamento dos solidários arrolados e DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar a exigência da multa isolada pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL e aplicar a retroatividade benigna, devendo-se a multa de ofício qualificada ser reduzida ao patamar de 100%. Assinado Digitalmente Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 3630DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 91 VOTO VENCEDOR Conselheiro Rafael Zedral, redator designado Peço vênia à i. Relatora para divergir e fazer prevalecer o entendimento da maioria qualificada deste colegiado quanto à manutenção da multa isolada. A controvérsia cinge-se à exigibilidade da multa isolada prevista no Art. 44, II, 'b', da Lei nº 9.430/96, nos casos em que, ao final do ano-calendário, o contribuinte apura prejuízo fiscal: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - De 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II - De 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” Para o correto deslinde da questão, é imperativo distinguir os fatos geradores. O fato gerador do IRPJ, obrigação principal (Art. 43, CTN), é a aquisição da disponibilidade econômica apurada no ajuste anual (31/12). Em contrapartida, o fato gerador da sanção ora discutida é o inadimplemento de uma obrigação legal autônoma: o dever de recolher o pagamento por estimativa (Art. 2º da Lei nº 9.430/96) no seu respectivo vencimento mensal. Não prospera a tese jurídica que busca afastar a sanção sob o argumento da "acessoriedade", que defende que, sendo o tributo principal (IRPJ) inexistente (prejuízo), a obrigação de antecipá-lo e a multa pelo seu descumprimento perderiam o objeto ou a "causa subjacente”. Esta lógica falha por duas razões fundamentais. Primeiro, a obrigação de antecipar (Art. 2º) e a sanção por seu descumprimento (Art. 44, II) não são "acessórias" (no sentido do Direito Civil ) ao resultado do IRPJ/CSLL apurado em 31/12. Tratam-se de deveres instrumentais autônomos, criados pelo legislador por razões de política fiscal, visando garantir o fluxo de caixa da União e mitigar a concentração de recolhimento ao final do exercício. A lei sanciona o descumprimento desse dever instrumental de forma independente. Fl. 3631DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.503 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10530.737634/2019-03 92 Segundo, e de forma definitiva, o próprio legislador previu e rejeitou expressamente a tese da inexigibilidade da multa. Ao redigir o Art. 44, II, 'b', da Lei nº 9.430/96, o legislador fez questão de incluir uma ressalva textual que impede essa exata linha de defesa, impondo a multa sobre os pagamentos mensais que deixaram de ser efetuados e concluindo, de forma inequívoca: "ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal..." A expressão "ainda que" não é supérflua. Ela foi inserida pelo legislador justamente para confirmar a autonomia das obrigações e afastar, de modo inequívoco, qualquer interpretação de que o resultado final (prejuízo) anularia a sanção pelo descumprimento da obrigação mensal. Portanto, acolher a tese da inexigibilidade da multa significaria ignorar, por completo, a literalidade do dispositivo legal ("ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal"). Isso não é interpretar a norma, mas sim "legislar negativamente", revogando, na prática, um texto legal expresso, o que é vedado a este Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 2. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto, mantendo a exigência da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas. É como voto. Assinado Digitalmente Rafael Zedral Fl. 3632DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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Numero do processo: 13161.720368/2016-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 EMPRESA CEREALISTA. VENDAS COM SUSPENSÃO. APROVEITAMENTO PIS/COFINS. VEDAÇÃO LEGAL. A empresa cerealista que realiza vendas de produtos com suspensão das contribuições deve estornar os créditos de PIS/COFINS apurados na aquisição, sendo-lhe vedado o aproveitamento para fins de ressarcimento. A regra geral contida no art. 17º da Lei 11.033 de 2004 não revogou a norma especial e anterior do art. 8º, §4º, inciso II, da Lei 10.925/2004, que veda o creditamento para atividade agropecuária. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE. EFEITOS. Torna-se definitiva a exigência relativa às glosas de créditos associados às despesas de fretes, porquanto não contestada expressamente.
Numero da decisão: 3101-004.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente LUCIANA FERREIRA BRAGA – Relator Assinado Digitalmente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA FERREIRA BRAGA

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VENDAS COM SUSPENSÃO. APROVEITAMENTO PIS/COFINS. VEDAÇÃO LEGAL. A empresa cerealista que realiza vendas de produtos com suspensão das contribuições deve estornar os créditos de PIS/COFINS apurados na aquisição, sendo-lhe vedado o aproveitamento para fins de ressarcimento. A regra geral contida no art. 17º da Lei 11.033 de 2004 não revogou a norma especial e anterior do art. 8º, §4º, inciso II, da Lei 10.925/2004, que veda o creditamento para atividade agropecuária. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE. EFEITOS. Torna-se definitiva a exigência relativa às glosas de créditos associados às despesas de fretes, porquanto não contestada expressamente. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente LUCIANA FERREIRA BRAGA – Relator Assinado Digitalmente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Fl. 876DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.156 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720368/2016-62 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por TEIXEIRA COMERCIO DE CEREAIS LTDA, em razão de manifestação de inconformidade julgada improcedente, a qual foi apresentada em face de Pedido de Ressarcimento de crédito relativo a PIS/PASEP, referente ao período de apuração 01/07/2011 a 30/09/2011, no valor de R$ 453.053,05. A Recorrente possui sede na cidade de Dourados, Estado do Mato Grosso do Sul, atuando no ramo de comércio atacadista de matérias primas agrícolas, em especial milho e soja. Em razão de ter sido bem sintetizada toda a situação fática, bem como os fundamentos apresentados pelo contribuinte, adoto o seguinte excerto do relatório da DRJ: Trata o processo de julgar manifestação de inconformidade (fls. 778/800) juntada aos autos em 16/01/2017, em face do indeferimento do Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) - retificador nº 32781.69945.240615.1.5.10-4062 (fls. 6/9), nos termos do Despacho Decisório SARAC/DRF/DOU/MS nº 340/2016 (fls. 753/771) emitido em 12/12/2016, pela DRF Dourados/MS. No aludido PER, transmitido eletronicamente em 24/06/2015, a contribuinte objetiva o reconhecimento de direito creditório no montante de R$ 453.053,05, correspondente ao valor do PIS/Pasep não-cumulativo – Mercado Interno, apurado no 3º trimestre/2011. Por meio do referido despacho decisório, cientificado em 15/12/2016 (fl. 774), a autoridade fiscal concluiu que, no trimestre auditado, após as glosas efetuadas, a reclassificação de receitas, o recálculo do percentual de vendas suspensas e o estorno de créditos, “não resta saldo de créditos passível de ressarcimento e/ou compensação”, conforme demonstrado no item 5 do despacho. A autoridade fiscal reportou-se à legislação que regia a matéria auditada (a ser referenciada no voto que segue), asseverando que “o interessado, tendo efetuado vendas com suspensão de PIS e Cofins na condição de cerealista, deveria efetuar o estorno dos créditos correspondentes a essas saídas com suspensão”. Ainda assim, foram analisados os créditos relativos às aquisições de cada um dos fornecedores da requerente, tendo concluído a fiscalização pela glosa de todos os créditos, conforme constatações relatadas no mencionado despacho decisório. Essencialmente, as aquisições foram realizadas de outros comerciantes, em operações não tributadas pelas contribuições. Fl. 877DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.156 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720368/2016-62 3 Também foram objeto de glosas parciais os créditos relativos a despesas de frete nas operações de venda “cujos CTRCs não foram localizados ou aqueles em que não é possível identificar a mercadoria transportada, número da nota fiscal de venda ou valor do frete, conforme Anexo VII”. Os valores glosados encontram-se demonstrados na Tabela contida no item 2.3 do despacho decisório. A autoridade fiscal procedeu à reclassificação de parte das receitas de vendas com suspensão relativas a saídas endereçadas a produtores rurais que não apuraram o IRPJ com base no lucro real, bem como a adquirentes “que não tem relação com a atividade agroindustrial” ou cujo “CNAE é de depósito de mercadorias para terceiros”, uma vez que, nestes casos, não se cumpriram os requisitos para o regime da suspensão. A apuração da reclassificação das receitas com suspensão encontra-se demonstrada nos Anexos XXII, XXIII e XXX. Por fim, foram identificadas receitas relativas à prestação de serviços que foram incluídas na base de cálculo da contribuição devida no período auditado. Oportuno, nesse passo, transcrever as ementas que integraram a decisão recorrida: RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. CEREALISTA. VENDAS COM SUSPENSÃO.ESTORNO DE CRÉDITOS CORRESPONDENTES ÀS VENDAS COM SUSPENSÃO. É vedado o crédito em relação às vendas efetuadas por cerealistas, com suspensão, para as agroindústrias. VENDAS COM SUSPENSÃO. CEREALISTA. Não se aplica a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de soja e/ou milho por cerealista à pessoa jurídica que não seja tributada pelo Lucro Real ou que seja tributada pelo Lucro Real, mas que não seja agroindústria ou que não utilizará os produtos como insumos na produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PIS/COFINS. RECEITA TRIBUTADA. INCLUSÃO. É cabível a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, das receitas de prestação de serviços auferidas no mês pela pessoa jurídica. BENS PARA REVENDA. GLOSA DE CRÉDITOS. VERDADE MATERIAL. As aquisições de cereais para revenda que, em tese, gerariam créditos de PIS e Cofins, devem ser integralmente glosadas quando verificado que as operações de venda não foram tributadas pelas contribuições, devendo prevalecer tal fato em nome do princípio da verdade material. DESPESAS DE FRETE. CRÉDITO. GLOSAS. Serão glosadas as despesas de fretes para os quais não foram apresentados os documentos correspondentes à operação de frete ou em casos em que tais documentos não possam comprovar qual a mercadoria transportada, o valor do frete ou a correspondente nota fiscal de venda Fl. 878DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.156 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720368/2016-62 4 Na manifestação apresentada, após discorrer sobre a evolução da legislação dos créditos não cumulativos de PIS e Cofins, a contribuinte defende seu direito à manutenção e ressarcimento dos créditos relativos às aquisições para revenda, tributados na operação, para o fim de obedecer ao princípio da não- cumulatividade posto que suas saídas foram realizadas com suspensão. Reportou- se a entendimento esposado em decisão da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF. Ademais, argumentou a manifestante que, com o advento da Lei nº 11.033/2004, houve revogação tácita do inciso II do parágrafo 4º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, referenciado pela autoridade fiscal como fundamento para o estorno dos créditos. Assim, entende a contribuinte que “o disposto no artigo 17 da Lei 11.033/2004 é plenamente aplicável ao caso em comento, diferentemente do que aduz a Auditora-Fiscal, devendo ser reconhecido o direito ao crédito conforme pleiteado”. Prosseguiu a contribuinte reportando-se ao disposto no art. 3º, § 2º, da Instrução Normativa SRF nº 660/2006, o qual, ao se referir ao “indigitado” inciso II do parágrafo 4º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, prescreveu que o estorno deve ser efetuado quanto às aquisições “dos insumos utilizados nos produtos agropecuários vendidos com suspensão”, sendo que as operações realizadas não envolveram aquisições de insumos e sim de produtos para revenda. Quanto à análise documental dos créditos relativos às aquisições de produtos para revenda, que foram considerados indevidos pela auditoria fiscal (glosas), defendeu a manifestante que “se por algum motivo o fornecedor da Impugnante não tributou os produtos em sua saída, essa não tributação está equivocada” e que “o adquirente das mercadorias não pode ficar a mercê das informações que o seu fornecedor repassa ao Fisco”, devendo “a análise da tributação ou não de uma operação ... levar em consideração apenas a legislação e nada mais”. Ainda em atenção à análise efetuada, quanto às glosas relativas a aquisições de fornecedor que teve sua inscrição baixada pelo motivo “inexistente de fato”, em 07/2014, sem apresentação de DIPJ e Dacon em 2010, assevera a contribuinte que “não há prova de que os documentos fiscais foram declarados inidôneos pelo Fisco, tampouco, que a empresa estava inativa, baixada ou cancelada, não habilitada no momento das operações”. Prossegue, a manifestante, afirmando que, quando da ocorrência das operações, a fornecedora “estava em plena atividade”, possuindo, inclusive, certidão negativa de débitos tributários federais, bem como emitindo regularmente suas notas fiscais eletrônicas. No ensejo, reportou-se a jurisprudência do STJ em caso de créditos de ICMS, por terceiro adquirente de boa-fé. Por fim, no último capítulo da sua peça reclamatória, a manifestante se opôs à reclassificação de receitas efetuadas pela auditoria fiscal, pugnando pelo afastamento dos fundamentos esposados pela fiscalização relativamente a cada uma das adquirentes cujas suas vendas foram consideradas que não atendiam os Fl. 879DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.156 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720368/2016-62 5 requisitos normativos para o regime da suspensão, como será detalhado no voto que se segue. Concluiu a manifestante pleiteando a reforma do despacho decisório combatido, “para que seja reconhecido o direito de crédito e, consequentemente, sejam deferidos os pedidos de ressarcimento, bem como sejam homologadas as declarações de compensação efetuadas”. Ao julgar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, a DRJ a julgou improcedente, mantendo os termos do despacho decisório recorrido, em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS DAS AQUISIÇÕES. VEDAÇÃO LEGAL. É vedado à empresa cerealista o aproveitamento de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. VENDA DE GRÃOS. BENEFÍCIO DA SUSPENSÃO. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 04/04/2006, a contribuinte, para fazer jus ao benefício da suspensão, deve observar as prescrições dos incisos I a III do art. 4º da IN 660/2006. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE. EFEITOS. Torna-se definitiva a matéria relativa às glosas de créditos associados às despesas de fretes, porquanto não contestada expressamente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em suas razões recursais, a Recorrente, reiterou as suas razões de inconformidade alegando, em síntese, que: - O regime da não cumulatividade é aplicável ao caso, uma vez que as saídas de seus produtos foram realizadas com suspensão das contribuições, conforme os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 e a Instrução Normativa nº 660/2006; - O art. 17 da Lei nº 11.033/2004 é plenamente aplicável ao caso, tendo revogado tacitamente o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; Fl. 880DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.156 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720368/2016-62 6 - A Instrução Normativa nº 660/2006 determina o estorno apenas dos créditos decorrentes da aquisição de insumos utilizados em produtos vendidos com suspensão, não podendo a fiscalização estender essa regra para todas as aquisições da Recorrente; - A eventual inobservância da lei por parte do fornecedor da Recorrente não comprova a não ocorrência das operações comerciais; - A venda com suspensão não pode ser condicionada à apresentação de declaração, cuja exigência foi revogada pela Instrução Normativa nº 977/2009, que a tornou obrigatória apenas para adquirentes que não apuram o Imposto de Renda com base no Lucro Real. É o relatório. VOTO Conselheira Luciana Ferreira Braga, relatora. Recurso tempestivo. Passo à análise do mérito. A controvérsia central reside em definir se a Recorrente, na condição de empresa cerealista, faz jus à manutenção e ao ressarcimento de créditos de PIS/COFINS vinculados a receitas de vendas efetuadas com suspensão das contribuições. A principal discussão travada nos presentes autos está na aplicação do art. 8º, §4º, inciso II, da Lei 10.925/2004, o qual veda expressamente o credito pela empresa cerealista em relação às receitas de venda com suspensão. De acordo com o supramencionado artigo, os créditos apurados na aquisição dos grãos devem ser estornados quando a revenda ocorre sob o regime de suspensão. Recorrente atua no ramo de comércio atacadista de matérias primas agrícolas - milho e soja, sendo desta forma contribuinte do PIS e da COFINS na forma não cumulativa, conforme determinado para as empresas tributadas com base no lucro real, no termos das leis n. 10.637/02 (PIS/PASEP) e n. 10.833/03 (COFINS). Com isso, o contribuinte apurou o IRPJ e a CSLL pelo lucro real. Adquiriu, para revenda exclusiva no mercado interno, milho e soja em grãos (códigos dos itens 1005.90 e 12.01, respectivamente) assumindo, assim, a condição de cerealista. No que se refere aos bens para revenda, o contribuinte efetuou as saídas com suspensão com base nos artigos 8° e 9° da Lei 10.925/04 e Instrução Normativa SRF n° 660/2006. O conceito de cerealista está previsto na Lei 10.925/2004 e IN RFB 1.911/2019, que estabelece como a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, Fl. 881DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.156 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720368/2016-62 7 padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos NCM 09.01, 10.01 a 10.08, exceto 10.06.20 e 10.06.30, e 18.01. Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I - de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; O Recorrente apresenta em seu Recurso a sistemática lógica que teria se baseado a apuração do PIS e da COFINS no setor do agronegócio, alegando que o regime de créditos presumidos foi, inicialmente, atribuído para as indústrias de produtos alimentícios de origem vegetal e animal por meio dos artigos 3º, parágrafos 5º e 6º, da Lei 10.833/2003, sendo, logo em seguida, revogados pela Lei 10.925/2004, a qual dispôs acerca do regime em questão em seu conhecido artigo 8º. Com essa sistemática, buscou-se diminuir distorções na cadeia produtiva, decorrente da alteração legislativa que instituiu a não cumulatividade para o PIS e a COFINS. Isto porque, uma parte significativa dos insumos das agroindústrias eram – e continuam sendo – oriundos de produtores pessoas físicas, com impossibilidade de se efetuar o crédito ordinário. Fl. 882DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.156 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720368/2016-62 8 Com isso, defende a parte que, somada com a entrada em vigor da Lei nº 11.033/2004, a qual trouxe em seu artigo 17 a previsão que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, deve ser levado em consideração no momento de uma aquisição e consequente creditamento das contribuições a tributação incidente na operação anterior, e não as operações futuras, em que ainda muitas vezes nem se sabe qual será o destino daquele produto. Ocorre que o entendimento quanto a vedação às cerealistas do aproveitamento do crédito presumido é decorrência natural da própria condição de cerealista. Uma vez que exerce o papel de revendedora do grão, não há que se falar em crédito presumido, o qual é direcionado exclusivamente às aquisições como insumo num processo de industrialização. Assim, entendo que deve ser mantido o entendimento da DRJ. A alegação da Recorrente de que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 teria revogado tacitamente a vedação contida no referido artigo não merece prosperar, como bem ressaltou o acórdão da DRJ, trata-se de um conflito aparente de normas que deve ser solucionado pelo princípio da especialidade. A Lei nº 10.925/2004 contém uma norma específica para as operações do agronegócio realizada por cerealistas, como é o caso da Recorrente, enquanto a Lei nº 11.033, apesar de posterior, estabelece uma regra geral e deve ser aplicada a outros casos. Portanto, entendo, em consonância com o entendimento da DRJ, que a vedação específica ao aproveitamento do crédito permanece válida e aplicável ao caso em exame, eis que a lei geral posterior não revoga nem modifica a lei especial anterior. O referido entendimento ainda está em perfeita consonância com a jurisprudência pacífica deste Conselho Administrativo, que reconhece a impossibilidade de creditamento e a obrigatoriedade do estorno dos créditos por empresas cerealistas em vendas com suspensão. Senão, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2006 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. REsp 1.221.170/PR. NOTA SEI PGFN MF 63/2018 O conceito de insumos, no contexto das contribuições não- cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço, aferidos em face da sua relação com o processo produtivo ou de prestação de serviços realizados pelo sujeito passivo. STJ, REsp n.º 1.221.170/PR, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, e em face do art. Fl. 883DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.156 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720368/2016-62 9 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). E aplicação da NOTA SEI PGFN MF 63/2018. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO. Em pedidos de restituição/ressarcimento e em declarações de compensação, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez dos créditos pretendidos. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. DESPESAS DE FRETES. AQUISIÇÕES COM FIM ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É expressamente vedado pela legislação tributária o aproveitamento de crédito da contribuição não cumulativa, calculado sobre os custos de aquisições de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por parte da comercial exportadora, assim como sobre os respectivos fretes e demais despesas não vinculadas às exportações de produtos próprios. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITO. Em regra, não geram créditos no regime da não-cumulatividade das contribuições as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. As aquisições de bens para revenda em operações que estão sujeitas à alíquota zero não geram direito ao crédito da contribuição não-cumulativa, por força da vedação estabelecida pelo art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. VEÍCULOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os encargos de depreciação de veículos utilizados no transporte de insumos geram créditos no âmbito das contribuições não-cumulativas. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Fl. 884DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.156 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720368/2016-62 10 As despesas com serviços de manutenção em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo podem gerar direito ao crédito de PIS/COFINS não-cumulativos. VENDAS COM SUSPENSÃO. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL EXPRESSA. Por força do art. 8º, § 4º, inciso II, e do art. 15, § 4º, ambos da Lei nº 10.925/2004, a pessoa jurídica cerealista, aquela que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, ou, ainda, aquela que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do § 1º do referido art. 8º, deverão estornar os créditos referentes à incidência não-cumulativa do PIS/COFINS, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência daquelas contribuições. Nesses casos, a expressa vedação legal ao aproveitamento de créditos de PIS/COFINS continua válida e vigente, não tendo sido afastada pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF nº. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE. CRÉDITO. TRANSPORTE DE INSUMOS TRIBUTADOS. A apuração de crédito de PIS não cumulativo, calculado sobre despesas de frete, é cabível apenas na hipótese de transporte de insumos sujeitos à tributação pelas contribuições. PIS/PASEP. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS COMO INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE O creditamento pelos insumos previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 abrange os custos com combustíveis utilizados pelo contribuinte nas máquinas agrícolas e demais equipamentos que participam de seu processo produtivo, gerando, portanto, direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUÉIS DE PRÉDIOS. ARRENDAMENTO. A apuração de crédito não cumulativo calculado sobre arrendamento de área rural para plantio e cultivo de produtos agropecuários, bem como benfeitorias da área arrendada, segue a mesma sistemática permitida para o aluguel de prédios. Processo nº 10183.909233/2011-93, Relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, Nº do Acórdão 3201-008.938, julgado em: 25/08/2021). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2008 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. REsp 1.221.170/PR. NOTA SEI PGFN MF 63/2018 O conceito de insumos, no contexto das contribuições não- cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e Fl. 885DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.156 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720368/2016-62 11 relevância do bem ou serviço, aferidos em face da sua relação com o processo produtivo ou de prestação de serviços realizados pelo sujeito passivo. Tal entendimento restou consubstanciado pelo STJ, no REsp n.º 1.221.170/PR, julgado sob o rito do art. sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, sendo, assim, de aplicação obrigatória pelos membros do CARF, em face do art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/2018, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não-cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO. Em pedidos de restituição/ressarcimento e em declarações de compensação, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez dos créditos pretendidos. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. DESPESAS DE FRETES. AQUISIÇÕES COM FIM ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É expressamente vedado pela legislação tributária o aproveitamento de crédito da COFINS não cumulativa, calculado sobre os custos de aquisições de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por parte da comercial exportadora, assim como sobre os respectivos fretes e demais despesas não vinculadas às exportações de produtos próprios. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITO. Em regra, não geram créditos no regime da não-cumulatividade da COFINS as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. As aquisições de bens para revenda em operações que estão sujeitas à alíquota zero não geram direito ao crédito da COFINS não-cumulativa, por força da vedação estabelecida pelo art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS/COFINS. VEÍCULOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Fl. 886DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.156 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720368/2016-62 12 Os encargos de depreciação de veículos utilizados no transporte de insumos geram créditos no âmbito das contribuições não-cumulativas. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. As despesas com serviços de manutenção em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo podem gerar direito ao crédito de PIS/COFINS não-cumulativos. DESPESAS DE EMBARQUE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com embarque, nas operações de exportação de produtos para o exterior, constituem despesas na operação de venda e, portanto, dão direito ao creditamento. VENDAS COM SUSPENSÃO. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL EXPRESSA. Por força do art. 8º, § 4º, inciso II, e do art. 15, § 4º, ambos da Lei nº 10.925/2004, a pessoa jurídica cerealista, aquela que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, ou, ainda, aquela que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do § 1º do referido art. 8º, deverão estornar os créditos referentes à incidência não-cumulativa do PIS/COFINS, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência daquelas contribuições. Nesses casos, a expressa vedação legal ao aproveitamento de créditos de PIS/COFINS continua válida e vigente, não tendo sido afastada pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF nº. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. (Processo nº 10183.720782/2013-82, Relator: Vinicius Guimaraes, Nº do Acórdão 3302-010.597, julgado em: 23/03/2021). Entendo ser correto ainda o entendimento da DRJ de manter a reclassificação de parte das receitas da Recorrente como tributáveis, eis que o benefício da suspensão exige o cumprimento de requisitos cumulativos pelo contribuinte, como a apuração do IRPJ pelo lucro real e a utilização do produto como insumo, vedada a revenda. Não tendo o contribuinte logrado êxito em comprovar que os adquirentes preenchem os pressupostos legais, escorreita a reclassificação efetuada pela fiscalização, que não pode se pautar em presunções quando se trata de benefício fiscal. Fl. 887DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.156 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720368/2016-62 13 Por fim, ressalto que a matéria relativa ao creditamento de fretes tornou-se definitiva, uma vez que não foi objeto de impugnação expressa pela Recorrente, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Dessa forma, considerando que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer argumento capaz de infirmar a decisão recorrida, entendo que o recurso voluntário interposto não merece provimento, nos exatos termos da decisão DRJ e do entendimento deste Conselho sobre o tema. Conclusão Ante o exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário, mas no mérito, nego-lhe provimento. É como voto. Assinado Digitalmente LUCIANA FERREIRA BRAGA Fl. 888DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 15868.720012/2019-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Sun Nov 30 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2015 a 30/11/2015 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 2, de 17/01/2023, majorou para R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais) o limite de alçada para interposição de recurso de ofício. Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Dado que o valor do crédito exonerado é inferior ao novo limite válido desde 02/2023, o recurso não comporta conhecimento. PARAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. ARTIGO 133, §2º RICARF. De acordo com o §2º do artigo 133 do RICARF, o pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso, e, por conseguinte, o seu não conhecimento.
Numero da decisão: 2201-012.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada; (ii) não conhecer do recurso voluntário, em virtude da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas – Relatora Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernando Gomes Favacho, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente)
Nome do relator: LUANA ESTEVES FREITAS

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2015 a 30/11/2015 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 2, de 17/01/2023, majorou para R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais) o limite de alçada para interposição de recurso de ofício. Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Dado que o valor do crédito exonerado é inferior ao novo limite válido desde 02/2023, o recurso não comporta conhecimento. PARAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. ARTIGO 133, §2º RICARF. De acordo com o §2º do artigo 133 do RICARF, o pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso, e, por conseguinte, o seu não conhecimento.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada; (ii) não conhecer do recurso voluntário, em virtude da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas – Relatora Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernando Gomes Favacho, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente)

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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 2, de 17/01/2023, majorou para R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais) o limite de alçada para interposição de recurso de ofício. Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Dado que o valor do crédito exonerado é inferior ao novo limite válido desde 02/2023, o recurso não comporta conhecimento. PARAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. ARTIGO 133, §2º RICARF. De acordo com o §2º do artigo 133 do RICARF, o pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso, e, por conseguinte, o seu não conhecimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada; (ii) não conhecer do recurso voluntário, em virtude da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Fl. 717DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.438 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.720012/2019-40 2 Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas – Relatora Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernando Gomes Favacho, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente) RELATÓRIO Do Auto de Infração Por esclarecedor, utilizo para compor o presente relatório o resumo constante no acórdão recorrido (fls. 684/686): Trata-se de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição previdenciária, à contribuição para o financiamento das prestações por acidente do trabalho (SAT/GILRAT) e à contribuição destinada a outras Entidades/Terceiros (SENAR), apuradas a título de dois fatos geradores, a saber: (i) incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física, por sub-rogação, abarcando as competências 03/2015, 05/2015, 06/2015 e 08 a 11/2015; e (ii) incidentes sobre a receita bruta da agroindústria, por regime de substituição tributária, para as competências 01/2015 a 05/2015 e 09/2015. Os valores apurados foram constituídos por meio dos seguintes lançamentos: 1. Contribuição previdenciária da empresa e do empregador (Auto de Infração de fls. 176/183) no valor de R$ 4.302.035,35, consolidado em 08/04/2019. Refere-se à contribuição dos produtores rurais por sub-rogação, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física – conforme Notas Fiscais de Compras de Produtores Rurais Pessoas Físicas (Anexos A-1 e A-2 de fls. 215/222) – , e também se exige a contribuição previdenciária devida pela agroindústria, decorrente do regime de substituição tributária previsto no art. 22-A da Lei 8.212/1991 – conforme Anexo B de fls. 223/289; Fl. 718DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.438 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.720012/2019-40 3 2. Contribuição para outras Entidades e Fundos/Terceiros (Auto de Infração de fls. 185/190) no valor de R$ 413.503,76, consolidado em 08/04/2019, refere-se à contribuição destinada ao SENAR, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física (por sub-rogação) e também sobre as receitas brutas mensais da agroindústria, decorrente do regime de substituição tributária previsto no art. 22-A da Lei 8.212/1991. I - DO RELATÓRIO FISCAL O Relatório Fiscal (fls. 192/202) informa que os valores lançados referem-se aos créditos previdenciários e ao destinado ao SENAR não declarados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Para a configuração dos fatos geradores não declarados em GFIP, o Relatório Fiscal menciona o seguinte: “[...] 9. A empresa é uma AGROINDÚSTRIA enquadrada no CNAE 1931400 (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) "fabricação de álcool" e na execução da presente Auditoria Fiscal ficou constatado que a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural (própria/terceiros) não foi declarada em sua totalidade nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, tudo conforme constam nos ANEXOS que fazem partes integrantes do presente REFISC - Relatório Fiscal. 9.1 - A empresa também deixou de RETER e RECOLHER as contribuições previdenciárias (FUNRURAL) incidentes sobre as compras de produtos rurais diretamente de produtores rurais, estes, relacionados nos ANEXOS A-1 e A- 2; 9.2 - Entendemos que a empresa assim procedeu devido à apresentação por parte dos produtores rurais (ANEXOS A-1 e A-2) de DECLARAÇÕES dadas pela ABRAPEC - Associação Brasileira Agropecuária (Rua Oscar Rodrigues Alves, 55 - sala 4 - Araçatuba-SP -Fone 18-3301.7565) informando que tais produtores rurais eram/são associados da referida Associação. 9.3 - Junto com as DECLARAÇÕES, estes apresentaram também à VALE DO PARANÁ S/A ALCOOL E AÇÚCAR, cópia de consulta à movimentação do processo movido pela "ABRAPEC" onde esta questiona a legalidade da cobrança do FUNRURAL, processo esse de nº 0001855-55.2010.4.03.6107 (cópia anexa). 9.4 - No entanto consta decisão em 23-10-2013 denegando a segurança e reafirmando a constitucionalidade da Lei 10.251/01 confirmando assim a exigibilidade dos créditos tributários em questão (cópia doc. Anexo). [...]” Da Multa Aplicada. Quanto à aplicação da multa, esclarece-se que foi aplicada a multa de ofício de acordo com o art. 35-A da Lei 8.212/1991, incluído pela Lei 11.941/2009, que Fl. 719DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.438 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.720012/2019-40 4 determina, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação do disposto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Assim, foi aplicada a multa de ofício estabelecida pelo inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/1996, cujo percentual corresponde a 75% (setenta e cinco por cento), incidente sobre o valor da contribuição devida. Da Impugnação Cientificada pessoalmente do Auto de Infração na data de 12/04/2019 (fl. 295), a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 315/351), na data de 10/05/2019 (fl. 313), na qual alegou, em breve síntese, as razões que sintetizo nos tópicos abaixo: (a) Preliminar: Pagamento parcial – FUNRURAL, RAT e SENAR – SUBROGAÇÃO Afirmou a Impugnante que “FUNRURAL/RAT e SENAR do produtor rural pessoa física (alguns específicos fornecedores), na modalidade de sub-rogação, quanto aos períodos de 03, 05, 06 e 08 a 11 de 2015, foram DEVIDAMENTE RECOLHIDOS, conforme consta da presente defesa por meio das guias DARF”. (b) A Questão do Ônus da Prova. Presunção e Indícios. Dever de Prova no Lançamento (c) Agroindústria. Art. 22-A Lei N. 8.212/91. Funrural, RAT e Senar. Requisitos; (d) Tributação como agroindústria – improcedência – ausência total de provas; (e) Tributação como agroindústria – mês 09/2015 – receita bruta – devolução – improcedência; (f) Impossibilidade de aplicação da taxa SELIC sobre os juros moratórios; (g) Impossibilidade de incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício; (h) Caráter confiscatório da multa de ofício aplicada. Da Conversão do feito em diligência A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, em sessão realizada em 19/01/2020, por meio da resolução nº 03-000.855 (fls. 566/569), converteu o julgamento em diligência, para (fls. 568/569): Nessa conformidade, proponho, com fundamento no art. 18 do Decreto 70.235/1972, a conversão do julgamento em diligência, devendo o presente processo retornar à Delegacia de origem, para que a autoridade fiscal adote as seguintes providências: 1. examine a veracidade da informação de que a empresa autuada não exerceu atividade econômica com a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, nos termos mencionados na peça de impugnação; Fl. 720DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.438 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.720012/2019-40 5 2. examine a informação de que, na competência 09/2015, ocorreu a tributação sobre os valores relativos a uma operação de devolução de álcool hidratado da empresa IPIRANGA Produtos de Petróleo S/A, conforme Nota Fiscal de fls. 444; 3. análise a veracidade da informação de que já ocorreu o recolhimento das contribuições lançadas por sub-rogação nas competências 03, 05, 06 e 08 a 11/2015, conforme guias DARF de fls. 538/559; e 4. posteriormente, emita Parecer Fiscal (Informação Fiscal) sobre as questões apresentadas acima e na peça de impugnação (fls. 315/351), e outras que entender necessárias para o esclarecimento da controvérsia instaurada no contencioso tributário, podendo para tanto proceder à verificação de livros e documentos apresentados pela empresa. E, se for o caso, por meio de demonstrativos analíticos (planilhas), elabore as correções da base de cálculo e dos valores apurados dos tributos lançados (DE - PARA), contendo os valores remanescentes e resumo dos tributos ainda devidos. Em resposta à diligência, a fiscalização apresentou Informação Fiscal (fls. 668/672), diante das informações e documentos apresentados pela contribuinte em impugnação, concluiu que: Por inexistência de produção própria, o contribuinte não se caracteriza como empresa Agroindustrial. E assim, nos meses de 01/2015 a 05/2015, sujeita-se às contribuições previdenciárias incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, nos termos dos incisos I e II do art. 22 da Lei n.º 8.212/91 e não por aquela incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, estabelecida no art. 22-A do mesmo diploma legal. O contribuinte recolheu a Guia da Previdência Social – GPS, à fl. 667, referentes aos meses de 01/2015 a 05/2015, com base nos termos dos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/91. (...) Em 09/2015, a empresa já era enquadrada como agroindústria, portanto as contribuições previdenciárias incidem sobre a Receita Bruta proveniente da comercialização da produção, estabelecida no art. 22-A da Lei n.º 8.212/91. A impugnante vendeu etanol hidratado combustível à Ipiranga Produtos de Petróleo S/A e emitiu, em 10/09/2015, a nota fiscal de venda nº 48.545, às fls. 572 a 578. No campo da Operação não Realizada/Detalhes do Evento/Justificativa dessa nota fiscal consta que a venda não foi realizada devido ao não recebimento do produto/documento. Fl. 721DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.438 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.720012/2019-40 6 Pela correção dessa nota fiscal de venda nº 48.545, a impugnante emitiu, em 11/09/2015, a nota fiscal (de entrada) de devolução nº 48.583, às fls. 579 a 584. No campo das Informações Complementares de Interesse do Contribuinte dessa nota fiscal consta que a devolução de vendas se refere à Nota fiscal de nº 48.545, de 10/09/2015. A nota fiscal de venda nº 48.545 foi incluída no somatório da base de cálculo do mês de 09/2015, às fls. 223 e 279, do presente processo. E, que ora propomos a dedução dessa devolução de vendas da base de cálculo da Receita Bruta. (...) As contribuições lançadas por sub-rogação nas competências 03, 05, 06 e 08 a 11/2015, foram recolhidas, que confirmamos junto ao sistema da Receita Federal. Também as multas e juros de mora foram devidamente pagos. Anexamos os DARF´s, às fls. 654 a 666, do presente processo. Os recolhimentos das contribuições retromencionados foram efetuados na data de 10/05/2019. Portanto, após os lançamentos dos Autos de Infrações, cujas ciências foram realizadas, em 12/04/2019, conforme o TEC - Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total dos Procedimentos Fiscais, às fls. 294 e 295. No corpo desses DARF´s recolhidos constam em referência o número do presente processo. (...) a) Em face de que a empresa autuada não exerceu atividade econômica com a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, nos meses 01/2015 a 05/2015, que nos manifestamos no item 1, informamos que não há tributos a pagar sobre a receita bruta a serem apurados, conforme o demonstrativo abaixo: (...) b) Em face da dedução da base de cálculo da nota fiscal de devolução de venda nº 48.545, do mês 09/2015, que nos manifestamos no item 2, não há mais tributos a pagar a serem apurados, conforme demonstrativo abaixo: Cientificada da Informação Fiscal, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 678/680), na qual reiterou os argumentos anteriormente expostos, e pugnou pela nulidade ou improcedência total do lançamento tributário. Da Decisão de Primeira Instância A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, em sessão realizada em 17/09/2020, por meio do acórdão nº 101-001.740 (fls. 683/693), julgou procedente em parte a impugnação apresentada, para: excluir o crédito tributário lançado nos termos dos demonstrativos das Tabelas 1 e 2 do voto (item II), mantendo o crédito tributário remanescente decorrente, exclusivamente, da incidência sobre a receita bruta proveniente da Fl. 722DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.438 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.720012/2019-40 7 comercialização da produção rural da pessoa física e apurado a título de sub- rogação no adquirente O acórdão restou assim ementado (fl. 683): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2015 a 30/11/2015 RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DA PESSOA FÍSICA. REGIME DE SUB-ROGAÇÃO. FPAS: 7442 - PESSOA FÍSICA A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição do empregador rural pessoa física em razão da responsabilidade tributária por sub-rogação, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento. Inteligência dos incisos III e IV artigo 30 da Lei 8.212/1991. PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA EMPRESA COMO AGROINDÚSTRIA E DEVOLUÇÃO DE MERCADORIA. FPAS: 7444 - AGROINDÚSTRIA No caso de não enquadramento da pessoa jurídica como agroindústria, são indevidas as contribuições incidentes sobre a receita bruta, em substituição às contribuições incidentes sobra à folha de pagamento. Inteligência do art. 22-A da Lei 8.212/1991. Com a comprovação de que houve devolução de mercadorias na competência 09/2015, igualmente deve ser afastada da base de cálculo a suposta receita bruta. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário Cientificada da decisão de primeira instância na data de 11/11/2020, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fl. 697), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 701/713), na data de 10/12/2020 (fl. 699), no qual alegou, em breve síntese, as razões que sintetizo nos tópicos abaixo: (i) Pagamento – FUNRURAL, RAT e SENAR – Subrogação; (ii) Do pagamento do FUNRURAL, RAT e SENAR – Subrogação – realizado dentro do prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração; (iii) Impossibilidade de incidência da Taxa Selic sobre os Juros Moratórios; (iv) Impossibilidade de incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Sem contrarrazões. Fl. 723DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.438 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.720012/2019-40 8 É o relatório. VOTO Conselheira Luana Esteves Freitas, Relatora I – Recurso de Ofício A Portaria MF n° 2 de 17 de janeiro de 20232 majorou o limite da alçada para a interposição de Recurso de Ofício para R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). A verificação do "limite de alçada" em face de decisão da DRJ favorável ao contribuinte ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observando-se a legislação da época e, o segundo, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, aplicando-se o limite de alçada então vigente. É o que está sedimentado pela Súmula CARF nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103 Aprovada pelo Pleno em 08/12/2014 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. No caso em apreço, o valor total do crédito tributário exonerado foi de R$ 2.107.308,57 (dois milhões, cento e sete mil, trezentos e oito reais e cinquenta e sete centavos), inferior, portanto, ao estabelecido no artigo 1º da referida Portaria MF nº 2 de 2023, impondo-se o não conhecimento do Recurso de Ofício. II – Do Recurso Voluntário O recurso voluntário é tempestivo – a Recorrente foi intimada da decisão recorrida em 11/11/2020 (fl. 697) e apresentou recurso em 10/12/2020 (fl. 699) – e não atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido, conforme razões adiante expostas. Da Delimitação do Litígio Conforme se constata no Relatório Fiscal (fls. 192/203) constituem objetos dos Autos de Infração os créditos tributários oriundos das contribuições previdenciárias devidas pela Recorrente, oriundas dos seguintes fatos geradores: (i) Incidentes sobre a aquisição de produtos de produtores rurais pessoas físicas, exigidas por sub-rogação – FUNRURAL (Patronal e GILRAT), bem como SENAR, relativos às competências 03, 05, 06, 08 a 11/2015. Fl. 724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.438 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.720012/2019-40 9 (ii) Incidentes sobre a Receita Bruta mensal, decorrente da comercialização dos produtos por ela industrializados, caracterizando-se pela industrialização da produção rural própria ou da produção rural própria mais as adquiridas de terceiros, por tratar-se de agroindústria (Patronal, e GILRAT), bem como SENAR, concernente às competências 01 a 05/2015 e 09/2015. Após a apresentação de impugnação, e a conversão do julgamento em diligência, a fiscalização informou que (fls. 668/672): Por inexistência de produção própria, o contribuinte não se caracteriza como empresa Agroindustrial. E assim, nos meses de 01/2015 a 05/2015, sujeita-se às contribuições previdenciárias incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, nos termos dos incisos I e II do art. 22 da Lei n.º 8.212/91 e não por aquela incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, estabelecida no art. 22-A do mesmo diploma legal. O contribuinte recolheu a Guia da Previdência Social – GPS, à fl. 667, referentes aos meses de 01/2015 a 05/2015, com base nos termos dos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/91. (...) a) Em face de que a empresa autuada não exerceu atividade econômica com a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, nos meses 01/2015 a 05/2015, que nos manifestamos no item 1, informamos que não há tributos a pagar sobre a receita bruta a serem apurados, conforme o demonstrativo abaixo: (...) Em face da dedução da base de cálculo da nota fiscal de devolução de venda nº 48.545, do mês 09/2015, que nos manifestamos no item 2, não há mais tributos a pagar a serem apurados, conforme demonstrativo abaixo: (...) As contribuições lançadas por sub-rogação nas competências 03, 05, 06 e 08 a 11/2015, foram recolhidas, que confirmamos junto ao sistema da Receita Federal. Também as multas e juros de mora foram devidamente pagos. Anexamos os DARF´s, às fls. 654 a 666, do presente processo. Os recolhimentos das contribuições retromencionados foram efetuados na data de 10/05/2019. Portanto, após os lançamentos dos Autos de Infrações, cujas ciências foram realizadas, em 12/04/2019, conforme o TEC - Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total dos Procedimentos Fiscais, às fls. 294 e 295. No corpo desses DARF´s recolhidos constam em referência o número do presente processo. Fl. 725DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.438 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.720012/2019-40 10 A decisão de primeira instância acolheu parcialmente a impugnação apresentada, para: (i) afastar o crédito tributário oriundo das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta da agroindústria, em regime de substituição tributária, concernente ao período de 01/2015 a 05/2015 e 09/2015, conforme fundamentos extraídos do acórdão de piso (fl. 692): Assim, uma vez que a empresa autuada logrou comprovar as suas alegações mencionadas na peça de impugnação, esta não poderia ser considerada como uma empresa do ramo de agroindústria nos meses 01 a 05/2015 e, como conseqüência, a sua receita bruta não poderia ser tributada para fins de apuração da contribuição previdenciária, incluindo aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), e da contribuição destinada ao SENAR. (...) Diante desse quadro, até que se prove em contrário ou, na falta de colaboração da contribuinte, os fatos apresentam uma série de indícios convergentes que permitem cancelar os valores apurados no regime de substituição tributária, ora previstos no art. 22-A da Lei 8.212/1991. Por consectário lógico, não há como prosperar a tributação pretendida pela Fiscalização. Dessa maneira, os valores apurados nos termos do art. 22-A da Lei 8.212/1991 devem ser excluídos do presente lançamento (INFRAÇÃO FPAS: 7444 - AGROINDÚSTRIA - COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL), conforme os registros das Tabelas 1 e 2 abaixo. Tabela 1: Competências 01/2015 a 05/2015 (FPAS 7444): Competência Código de Receita Valor Originário (principal) – (DE) Tributos a pagar sobre a Receita Bruta (PARA). FPAS 7444 Jan/2015 2158 - RISCO AMBIENTAL 14.701,15 ZERO Jan/2015 4863 – PREVIDENCIÁRIA 367.528,89 ZERO Fev/2015 2158 - RISCO AMBIENTAL 13.150,07 ZERO Fev/2015 4863 – PREVIDENCIÁRIA 328.751,84 ZERO Mar/2015 2158 - RISCO AMBIENTAL 11.172,41 ZERO Mar/2015 4863 – PREVIDENCIÁRIA 279.310,41 ZERO Abr/2015 2158 - RISCO AMBIENTAL 15.271,79 ZERO Abr/2015 4863 – PREVIDENCIÁRIA 381.794,92 ZERO Fl. 726DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.438 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.720012/2019-40 11 Mai/2015 2158 - RISCO AMBIENTAL 19.594,09 ZERO Mai/2015 4863 – PREVIDENCIÁRIA 489.852,44 ZERO Jan/2015 2187- SENAR 36.752,88 ZERO Fev/2015 2187- SENAR 32.875,18 ZERO Mar/2015 2187- SENAR 27.931,04 ZERO Abr/2015 2187- SENAR 38.179,49 ZERO Mai/2015 2187- SENAR 48.985,24 ZERO Total 2.105.851,84 Tabela 2: Competência 09/2015 (FPAS 7444): Competência Código de Receita Valor Originário (principal) – (DE) Tributos a pagar sobre a Receita Bruta (PARA). FPAS 7444 Set/2015 2158 - RISCO AMBIENTAL 51,11 ZERO Set/2015 4863 – PREVIDENCIÁRIA 1.277,84 ZERO Set/2015 2187- SENAR 127,78 ZERO Total 1.456,73 Embora tenha reconhecido o efetivo pagamento das contribuições lançadas sobre a aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, exigidas por subrogação, concernente ao período de 03/2015, 05/2015, 06/2016 e 08/2015 a 11/2015, nos termos da informação prestada pela fiscalização (fls. 668/672), manteve o lançamento, e determinou apenas que a DRF de origem proceda com a alocação e a liquidação dos valores devidamente recolhidos para os tributos lançados a título de sub-rogação. Desse modo, remanesce apenas a discussão sobre o lançamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produtos de produtores rurais pessoas físicas, exigidas por sub-rogação – FUNRURAL (Patronal e GILRAT), bem como SENAR, relativos às competências 03, 05, 06, 08 a 11/2015. Do pagamento do tributo devido dentro do prazo de 30 (trinta) dias da ciência do lançamento A Recorrente informa, novamente em seu Recurso Voluntário, que efetuou o pagamento integral dos valores decorrentes do lançamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produtos de produtores rurais pessoas físicas, exigidas por sub- rogação – FUNRURAL (Patronal e GILRAT), bem como SENAR, relativos às competências 03, 05, 06, 08 a 11/2015, dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do lançamento, de modo que pugna pelo cancelamento integral dos Autos de Infração. Fl. 727DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.438 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.720012/2019-40 12 Conforme anteriormente aduzido, a fiscalização, em resposta a diligência fiscal fls. 668/672, confirmou o efetivo pagamento do referido tributo, inclusive as multas e juros de mora, na data de 10/05/2019, e, portanto, dentro do prazo de 30 (trinta) dias após a ciência dos Autos de Infração, vejamos: As contribuições lançadas por sub-rogação nas competências 03, 05, 06 e 08 a 11/2015, foram recolhidas, que confirmamos junto ao sistema da Receita Federal. Também as multas e juros de mora foram devidamente pagos. Anexamos os DARF´s, às fls. 654 a 666, do presente processo. Os recolhimentos das contribuições retromencionados foram efetuados na data de 10/05/2019. Portanto, após os lançamentos dos Autos de Infrações, cujas ciências foram realizadas, em 12/04/2019, conforme o TEC - Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total dos Procedimentos Fiscais, às fls. 294 e 295. No corpo desses DARF´s recolhidos constam em referência o número do presente processo. Diante do pagamento do tributo, conforme confessado pelo Recorrente, e confirmado pela autoridade tributária em resposta à diligência, caracteriza-se a desistência do contencioso, uma vez que o próprio contribuinte reconhece como devido o crédito tributário, nos termos do artigo 133 do RICARF que assim dispõe: Art. 133. O recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Quando houver decisão desfavorável ao sujeito passivo, total ou parcial, sem recurso da Fazenda Nacional pendente de julgamento: I – se a desistência for parcial, os autos serão encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, retornem ao CARF para seguimento quanto à parcela da decisão que não foi objeto de desistência; e II – se a desistência for total, os autos serão encaminhados à unidade de origem para as providências de sua alçada, sem retorno ao CARF. § 5º Quando houver decisão favorável ao sujeito passivo, total ou parcial, com recurso da Fazenda Nacional pendente de julgamento, e a desistência for total, o Fl. 728DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.438 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15868.720012/2019-40 13 Presidente de Câmara declarará a definitividade do crédito tributário, tornando-se insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. § 6º Após iniciado o julgamento, a definitividade do crédito tributário, e a insubsistência de eventuais decisões favoráveis ao sujeito passivo, serão declaradas pelo Colegiado. Desse modo, o Recurso Voluntário não comporta conhecimento. Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, em razão do limite de alçada, e por não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da extinção do crédito tributário em virtude do pagamento. Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas Fl. 729DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 13601.000319/2001-05
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. SALDO CREDOR APURADO ANTES DE 1999. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. IN SRF Nº 33/99. A teor do disposto no art. 5º da IN SRF nº 33/99, editada em conformidade com o art. 11 da Lei nº 9.779/99, o saldo credor de IPI apurado até 31/12/98, decorrente da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos tributados, inclusive os sujeitos à alíquota zero, somente poderá ser utilizado mediante compensação com débitos do próprio imposto, registrados na escrita fiscal do contribuinte. Recurso negado.
Numero da decisão: 203-11.952
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Cesar Piantavigna (Relator) e Valdemar Ludvig. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis para redigir o voto vencedor. Esteve presente ao julgamento, o Dr. Alerson Romano Pelielo.
Nome do relator: CESAR PIANTAVIGNA

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DA FAZENDA - 2.* CC 2Q CC-ME Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL A. Segundo Conselho de Contribuintes BRASLIA33 _CU o 1. Processo n' : 13601.000319/2001-05 VISTO Recurso n° : 130.477 Acórdão n" : 203-11.952 • • Recorrente : DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA. Recorrida : DRJ-JUIZ DE FORA/MG IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. SALDO CREDOR APURADO contobt" ANTES DE 1999. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.consen'osickal Un9r mF-Seguns°_, oiado - # ART. 11 DA LEI N° 9.779/99. IN SRF N° 33/99. A teor do ~ disposto no art. 5° da IN SRF n° 33/99, editada em conformidadeCa ' COM o art 11 da Lei n° 9.779/99, o saldo credor de IPI apurado até 31/12/98, decorrente da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos tributados, inclusive os sujeitos à aliquota zero, somente poderá ser utilizado mediante compensação com débitos do próprio imposto, registrados na escrita fiscal do contribuinte. Recurso negado. • • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: • DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA. • ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Cesar Piantavigna (Relator) e Valdemar Ludvig. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis para redigir o voto vencedor. Esteve presente ao julgamento, o Dr. Alerson Romano Pelielo. Sala das Sessões, em 28 de março de 2007. • - jr• pzerra Neto Presidente , E • - e - s de sis Relator-Designsd'o ,/ Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Odassi Guerzoni Filho, Eric Moraes de Castrd e Silva e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. /eaal 1 . ,, ' PAIS. DA FAZENDA - 2.* CC 2Q CC-NIF. Ministério da Fazenda ..‘, . .wr..7.--.., .. CONFERE COM O CRK;INAL E. ., Segundo Conselho de Contribuintes BRAsticla: . 01- . m'S.,:k> • ., t.' ... Processo n° : 13601.000319/200145 . VISTO . . . • Recurso n° : 130.477 , . . Acórdão n° : 203-11.952 . . . • Recorrente : DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA) • RELATÓRIO , Pedido de ressarcimento de crédito de in (escriturai - fls. 02), apresentado em • 09/10/2001, solicitava o pagamento da importância de R$ 80.000,00, vinculado ao 3° trimestre de 2001. , "Termo de Verificação Fiscal" (fls. 52/57) constatou irregularidade na .• apuração do IPI pela empresa, razão pela qual opinou pelo indeferimento da pretensão, que - . • . •• realmente veio a ser deflagrada no processo (fls. 58/60), tendo sido rejeitado, inclusive, pleito de •, compensação (fls. 03) formulado com base no esperado ressarcimento. Impugnação, juntada às fls. 64/75, salienta que o crédito de IPI constatado pela • empresa em 31/12/1998 não poderia ser descartado, tendo sido anotado à margem de sua escrita . • fiscal, e aproveitado para abater débitos do citado imposto apurados ao longo dos meses de .' • janeiro a março de 1999. Passado tal interstício a empresa se utilizou de créditos decorrentes de . . • saídas ocorridas em janeiro de 1999 para deduzir débitos do mês de abril de 1999, tudo em .. '.., . ?conformidade com os §§ 2° e 3°, do arti go 5°, da Instrução Normativa SRF 33/99. A impugnação • trouxe planilha (fls. 68) com a qual a empresa buscou demonstrar objetivamente a idoneidade de • suas afirmações. A Impuenante asseVerou que o crédito cujo reconhecimento é pleiteado nesses autos decorre da apuração 'do IP' inaugurada em janeiro de 1999, não havendo confusão ou .:. comunicação dos "saldos" de • 31/12/98 com os débitos de IPI, e "saldos" deste imposto, . vinculados a saídas de produtos referentes ao' ano de 1999. A empresa enfatizou que todas as . informações de interesse da fiscalização foram facultadas ao auditor que se encarregava do expediente, assim a consulta aos livros contábeis e fiscais e aos documentos neles registrados, já que nenhum material que ordinariamente seria demandado pelos levantamentos deixou de ser fornecido para consulta. Parte daí para afirmar que os estoques da empresa não poderiam ser tomados como parâmetros da apuração do LPI, a não ser que examinado em profundidade o processo de produção desenvolvido pela Recorrente, não obstante os insumos sejam aplicados na confecção de vários produtos, e não apenas de um único item, sendo impossível promover-se à separação física dos artigos, mas apenas contábil, no que se enseja a verificação de débito ou de • crédito do aludido imposto. Finalmente, a contribuinte alegou que o Ato Declaratório 15/02, além de ser posterior aos fatos examinados nesses autos, não se inclina à situação sob enfoque na medida em que diz respeito a contribuintes que não tem como aproveitar os créditos de IPI gerados por saídas de produtos de seus estabelecimentos. Além disso, o referido texto seria ilegal . e inconstitucional, por ferir a não-cumulativ'idade. Decisão (fls. 129/133) da instância de piso manteve íntegro o indeferimento das pretensões da contribuinte. Recurso voluntário (fls. 137/152) salienta, inauguralmente, a inaceitável ultratividade da Instrução Normativa SRF 33/99, posto ter sido editada em 24/03/1999 e constar • aplicada, nesses autos, em situação que remonta à da a de 1°/01/1999. Além disso, as previsões , 2 • MA. DA FAZENDA - 2.9 CC 2'2 CC-NIF Ministerio da Fazenda f. CONFERE tcpm C- ORiGINAL Fl. ...s4r14, ir' Segundo Conselho de Contribuintes BRAsup_setia.9-1S1 Processo n° : 13601.000319/2001-05 VISTO Recurso n° : 130.477 Acórdão n° : 203-11.952 • • de tal texto colidiriam com o artigo 347 e 290 do RIP1/98 (Decreto 2.637/98). No que rotula de . mérito a empresa salientou equívoco na interpretação do artigo 5°, e § 2°, da Instrução Normativa SRF 33/99, que violaria, inclusive, o artigo 112 do CTN. Reprisou, na seqüência, argumentos deduzidos em impugnação ofertada nesses autos. Resolução (fls. 228/232) determinando diligência para averiguação da apuração de créditos de LP1 da Recorrente considerando, inclusive, ativos de tal natureza disponíveis em 31/12/1998. Resultado da diligência (fls. 235/236) demonstrando que a consideração dos créditos da Recorrente, disponíveis em 31/12/1998, afiançava o ressarcimento no montante em que postulado nesses autos. , . Manifestação da Recorrente (fls., 2* ./299) pugnando pelo provimento do recurso. , 3 CC-NIF I Ministério da Fazenda , • Mui DA FAZENOA 2.* CCao- • E. 1..$1 Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE oRiGINAL BRASILIA Ao, ce Processo n° : 13601.000319/2001-05 • Recurso n° : 130.477 VISTO Acórdão n° : 203-11.952 VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO-RELATOR CESAR PIANTAVIGNA . , Cabe inicialmente destacar que o requerimento da Recorrente está centrado no ressarcimento de créditos adquiridos pela empresa em suas atividades normais (operações — fl. 01), circunstância esta não infirmada em qualquer passagem do feito em tela. Este fator é suficiente para concluir que créditos detidos pela pessoa jurídica em determinado momento não podem ser desconsiderados pelo Fisco, porquanto tanto implica em ofensa direta à regra constitucional da não-cumulatividade inscrita no § 2°, inciso I, do arti go 153 da Constituição Federal. • • A conta-corrente do IPI não sofre interrupção. Dispondo o contribuinte de crédito passível de ressarcimento não lhe pode ser objetada a fruição da prerrogativa. Logo, se no 3° trimestre de 2001 a contribuinte deparava-se com excesso de créditos do citado imposto da • ordem de R$ 82.570.10, inegável seu direito de perceber a importância postulada no presente (R$ 80.000,00). O resultado do relatório (fls. 235/236) da diligência determinada nos autos é claro e objetivo em afiançar a pretensão da Recorrente, ao passo que confirma que mediante apuração . estritamente baseada na contraposição de débitos e créditos assinala o excesso destes últimos no total de R$ 80.000,00. A Instrução Normativa n° 33/99 teve a falível iniciativa de imputar "DNA" aos créditos de IPI, como se os créditos de IPI detectados em 31/12/98 tivessem suas utilizações restritas aos débitos surgidos em 1'3/01/1999, de modo que sucessivamente fossem sendo aproveitados até suas totais erradicações, ou seja, primeiro "os" créditos identificados em 31/12/1998, e após os "demais", sem que aqueles integrassem uma mesma e única seqüência de • apuração e, desta forma, vissem-se compreendidos em pleito de ressarcimento. O único raciocínio que se pode extrair da situação é que se teve em vista restringir o ressarcimento fundado no artigo 11 da Lei n° 9.779/99 aos créditos configurados após a edição do citado diploma, ,enfatizando-se, com isso, a ausência de caráter declaratório do diploma aludido, de modo que seja entendido como veiculador de direito, e não como mero atestado de reconhecimento de prerrogativa já conferida pelo ordenamento. Consulte-se, então, o artigo 11 da Lei n° 9.779/99 Artigo 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à aliquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifei) Interessante inteirar-se, também, sobre o teor do artigo 5°, e parágrafos, da Instrução Normativa n°33/99, que se inclinou pela "regulamentação" da Lei n] 9379/99: 1-1 4 • • • Mini sten . . o a Fazenda MIN. DA FAZENDA - CC 2ilCC-MF • d• -4-770- Segundo Conselho de Contribuinte CONFERE COM I, ORIGINAL E. BRASILIA Processo n° : 13601.000319/2001-05 .00". Recurso n° : 130.477 vurro • Acórdão n° : 203-11.952 Artigo 5° Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e do saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados • para dedução do IPI devido vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1 0 Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. • § 2° O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de - dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de lo de janeiro de 1999, com a utili,-ação • dos insumos originadores desses créditos, considerando-se que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a Utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. . § 3° O aproveitamento dos créditos, nas condicães estabelecidos no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. (grifei) • ••" Não é difícil deduzir que a Instrução Normativa n° 33/99 amiudou a prerrogativa .• conclamada no artigo 11 da Lei n° 9.779/99, pois disse que os créditos de IPI então verificados na escrita fiscal de contribuinte, na data de. 31/12/1998, não poderiam compor pleito de ressarcimento aviado quando já vigente tal diploma e constatado o excesso dos referidos ativos • no final de determinado trimestre do ano de 1999. , • • • ••• • • Primeiramente, com. efeito, o contribuinte deveria consumir os créditos verificados em 31/12/1998, para só então, quando já lhes tendo esgotado, formular pleito de -' . ,• ressarcimento baseado em excesso dos cogitados ativos. • A premissa é bizantina' , com todo o respeito poSsível, por conta da atribuição,• , como dito, de "DNA" aos créditos de MI encampados pelo contribuinte. A ordem de utilização • ,• dos créditos que o artigo 5° da Instrução, Normativa n° 33/98 tentou estabelecer evidencia a - iniciativa de identificar-lhes "unitariamente" (aqueles anterioies a 1°/01/1999, e outros • posteriores ao termo aludido). "Um" crédito de 1998 por "um" débito de 1999!? . . O que impede o contribuinte de utilizar-se do "um" crédito de 1999 para aniquilar "um" débito também de 1999??? Qual, a NORMA jurídica (veículo legítimo introdutor de preceito no ordenamento - PRIMÁRIO)"que impede esta cOntraposição??? • Escancaradamente o entendimento em comento, que estaria respaldado no artigo 5° da Instrução Normativa n° 33/99, transpôs a fruição dá prerrogativa estabelecida no artigo 11 • da Lei 9.779/99 para além do início da vigência do citado diploma, deixando-a indefinida para cada qual dos contribuintes, já que lhe tomou dependente das particularidades de cada qual dos mesmos, atrelando-a ao volume das aquisições das empresas, de seus processos industriais e das vazões dos produtos deles decorrentes (saídas). Uma conclusão é certeira: nenhuma empresa que não houvesse consumido os créditos de que dispunha em 31/12/1998 até o 1° trimestre de 1999 poderia, ao cabo deste marco • temporal, fruir a prerrogativa conferida pelo artigo 11 da Lei n° 9.799/99, não obstante tal texto normativo despontasse na oportunidade perfeitamente aplicável. Logo, o entendimento 5 MIPi DA FAZENDA -2.* CO" (*AN o ORIGINAL • . CONFERE 'd ''• • "DRASÍLIA fiLate24 '.' • ,' •- 22 CC-MF • ...14"" , .';','" Nrnistério da Fazenda • ''. •..•:.:•:42,Ml.' ' 1 . .. -. • Segundo Conselho de Coiukibuintes . . ( -. . -- • ..r. Processo n° : 13601.000319/2001-05 . VISTO . Recurso n° : 130.477 .. . . Acórdão n° : 203-11.952. . . . , . . . . - ventilado, pautado no artigo 5° da Instrução Normativa n° 33/99, figura limitador do direito . proclamado na Lei n° 9.779/99. , . . A Instrução Normativa n° 33/99 é, no pormenor, ll.FGAL, posto investir contra - - . texto de diploma a que está subordinada, o que' é inadmissível: . TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÃO NORMATIVA/SRF N°25/99. LEI N° 9.718/98 BENEFÍCIO . FISCAL PREVISTO NO DECRETO-LEI N° 1.598177. CUSTO ORÇADO. IMPOSIÇÃO DE RESTRIÇÃO NÃO PREVISTA NA LEI. AFRONTA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. . . . . 1. A Lei 8.981/95 impunha o regiine de tributação com base no "lucro real" às pessoas, . . . . jurídicas que se dedicavam à' compra e à 'venda, ao loteamento, à incorporação ou à . . construção de imóveis e à exenução . de abras da construção civil (artigo 36, inciso IV). • . 2. O Decreto-Lei 1.598/77, ao tratar de venda contratada antes da conclusão de . . empreendimento imobiliário, facuitaVa o cômputo, no custo do imóvel vendido, além dos . , . custos pagos, incorridos ou contratados, os orçados para a conclusão das obras ou• - - .. • : • melhoramentos que o contribuinte estivesse contratualmente obrigado a realizar. - ' 3. Ao contribuinte, exercente da aludida benesse legal, atribuiu-se o dever de manter, à ? ,. disposição da fiscalização . ou dos órgãos da Secretaria da Receita Federal,, • . demonstração analítica, por empreendimento, dos valores computados como custo . .. . orçado de cada unidade vendida, bem como dos . efeitos da atualização monetária e de. • ' •, . . . . alterações nas especcações do orçamento (Instritção Normativa SRF 8459). . . . , .. 4. Com a edição da Lei 9.718/98, restaram desobrigadas do regime de apuração com t, . • , ,. base no lucro real, podendo optar pelo lucro presumido, as pessoas jurídicas dedicadas 4 à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis e à. " . execução de obras da construção civil, como decorrência lógica dó . fato de não . . . constarem do rol elencado no artigo 14, da citada norma legaL .‘ . 5. Ocorre que a Instrução Normativa 512F 25/99 impôs-lhes condição não prevista no ... referido diploma legal,. ao preceituar que as mencionadas pessoas jurídicas não . . poderiam optar pelo lucro presumido enquanto não concluídas as operações imobiliárias. . . para as quais houvesse registro de custo orçada . . . . , . 6. Mister ressaltar que, no ano-base de 1998, em se tratando de empresa construtora e . . incorporadora de imóvel, inexistia opção de regime de apuração do imposto de renda . .. .. pelo lucro presum— ido, constituindo ,p lucro real a sistemática a ser, obrigatoriamente, , , • - adotada (Lei 8.981/95). Contudo: " a" obra, cujo custo orçado foi computado para . • apuração do lucro daquele ano, espraiou-se até o exercício financeiro seguinte, ano-base . de 1999, quando aplicável a Lei 9.718/98 que permitia a opção do contribuinte pelo - - lucro presumido, forma de tributação simplificada que não obriga a manutenção de , escrituração contábil regular (dispensa da escrituração do Livro Diário, exigindo-se . , apenas o livro Caixa). • . 7. Destarte, a imposição de requisito para a opção pela sistemática do lucro presumido , não pode ser inaugurada por Instrução Normativa, que, muito embora seja ato . administrativo de caráter normativo, subordina-se ao ordenamento jurídico .. hierarquicamente superior, in casu, à lei e à Constituição Federal, não sendo admissivel - •. . que o poder regulanzentar extrapole seus limites, ensejando a edição dos chamados • • "regulamentos autônomos", vedados em nosso ordenamento jurídico, a não ser pela . • . " exceção do art. 84, VI, da Constituição Federal. 6 11 . , . . MIN. DA FAZEND 'i- 2-Y-CC - ._..... . CONFERE COM O ORIGINAL .,:2. • .• ERASÍLIA_Ol. - ea / C51- ?..0 CC.NIF ,. li. - hli rinisteo da Fazenda . , ': ii Fl.«Q. Segundo Conselho de Contribuintes , . . • .Processo n° : 13601.000319/2001-05 . .. •. , Recurso n° : 130.477 - • . .• ' . • • - Acórdão n" : 203-11.952 '' j .. . • . . .. . , . 8. O ato administrativo, , no Estado Democrático de Direito, .está subordinado ao . . princípio da legalidade (CF/88, aná. 5°, II, 37, caput, 84, IV), o que equivale a assentar . . - que a Administração só pode atuar de acordo com o que a lei determina. Desta sane, ao . . expedir • um ato quetem por finalidade regulamentar a lei (decreto, regulamento, . • . . instrução, portaria, etc.), não pôde a Administração inovar na ordem jurídica, impondo _ . obrigações ou limitações a direitos de terceiros. . , 9. Consoante a melhor doutrina, "é livre de qualquer dúvida ou entredúvida que, entre . : nós, por força dos arts. 5, II, 84, IV, .e 37 da Constituição, s6 por lei se regula liberdade e propriedade; só por lei se impõem obrigações de fazer ou não fazer. Vale dizer: restrição . , • alguma à liberdade ou à propriedade S Pode ser imposta se não estiver previamente •. . . delineada, configurada e estabelecida em alguma lei, e só . para cumprir dispositivos ,• . , • , , , legais é que o Executivo pode - expedir decretos e 'regulamentos." (Celso António • .. Bandeira de Mello. Curso de Direito Administrativo, São Paulo, Malheiros Editores, 2002).., , . . • • . . , ,. . 10. Aplicação analógica do entendimento assentado nos precedentes desta Corte- REsp - .. , . 584798/PE, desta relatoria, Pritneira Turma, - -DJ de 06.12.2004; REsp 491304/PR, .. Relator Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ de 18.08.2003; e REsp 443910/PR, , • ?"-. , . . . : . • ••.• , ' desta relataria, Primeira Turma, DJ de 19.12.2002. 110 sentido de que "admissivel que o . . •poder regulamentar extrapole seus limites, ensejando a edição doi chamados ...,. . . . • , . . 'regulamentos autônomos', vedados em nosso ordenamento Jurídico, a não ser pela . ...' . , exceção do art. 84. VI, da Constituição Federal". •.. . ..., .. , , . 11. A ilegalidade da aludida instrução normativa afastar-se-ia caso a imposição. por ela . engendrada representasse tão somente o dever de registro, em escrituração contábil, dos , . • .• valores referentes aos custos orçados até a conclusão do empreendimento, a fim de.., , viabilizar o acompanhamento e controle de eventual lucro objeto da tributação diferida, - - .•, - -. . . não limitando o direito de utilização do 'regime do lucro presumido pelo contribuinte,. , que, na sua essência, representa a base de cálculo sujeita ao principio da legalidade., . . ,12. Recurso especial provido. . • . . ,... ,•. . (REsp 665.880/RS, Rel. Ministro • LUIZ FUX,- PRIMEIRA TURMA, julgado em 14.02.2006, DJ 13.03.2006 p. 199) . • , . , .. . . - . -,:s • . • . ., . , . ,. A ilegitimidade da exegese encampada na decisão de piso, censurada nesse • voto, relacionada ao artigo 5° da Instrução Normativa n° 33/99, é acentuada ao passo que a • restrição ventilada parao gozo do direito estabelecido no artigo 11 da Lei n] 9.799/99 não consta sequer introduzida no ordenamento pelo texto, qual seja; o Decreto n° 2.637/98 (artigo 147), que • . se ocupa de maneira mais minudente sobre o cteditamento do IPI por autorização do veículo que • lhe rege no plano da legislação ordinária, isto é, a Lei n° 4.502/64 (artigo 25): .• . Artigo 25. A importância a recolher será o montante do impôsto relativo aos produtos . saídos do estabelecimento, em cada mês do montante do impôsto relativo aos . •produtos nêle entrados, no mesmo período obedecidas as esoecificacões e normas que o . regulamento estabelecer. (Redação dada pelo Decreto-Lei n°1.136, de 1970 - grifei) . • • . ... . . • . . . . S? . 7 CC-NIF Nlintstério da Fazenda < • Segundo Conselho de Contribuintes tirar" Processo n° : 13601.000319/2001-05 Recurso n° : 130.477 • Acórdão n° : 203-11.952 Artigo 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão • creditar-se (Lei No 4.502, de 1964, art,25): , . 1 - do imposto relativo a 'matérias-primas, produtos intermediários e material' de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; • Dou, com base no exposto, provimento ao recurso. _. . Sala das essões, em 23 de março de 2007: 1 c CE4. P NTAVIGNA . MISI. DA FAZENDA-- 2.* CC CONFERE NEW O @RIMAI • ER.S.511.1A.M./129 - • • • . • . , . • • 8 MIN. DA FAZENnA 2.° CC 2*- CC-MF Mtnisterio da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL Segundo Conselho de Contribuintes ERASLIA ai 09, 1 e5+ 19 tatrilEi Processo n° : 13601.00031912001-05 VISTO • • Recurso n° : 130.477 • . • Acórdão n° : 203-11.952 • . VOTO DO CONSELHEIRO EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS RELATOR-DESIGNADO • Reporto-me ao relatório e voto do ilustre relator, para dele discordar por interpretar na situação dos o ressarcimento deve ser negado. Ao contrário da interpretação do voto vencido, não vislumbro qualquer ilegalidade na IN SRF n'33/99. Esta não amiudou, além do que determina o art. 11 da Lei n° 9.779/99, o aproveitamento dos créditos acumulados até 31/12/98. .Para o deslinde da questão importa atentar para a diferença entre créditos básicos • . . e créditos incentivados do IPI, tratados respectivamente nos arts. 178 e 179 do Regulamento do _ . , . IPI aprovado pelo Decreto n°2.637/98 (RIPI198),- aplicável à situação dos autos. bem como para • os tratamentos dados às duas espécies, com suas diferenças. No RIPI/82, a utilização dos créditos , básicos está no art. 103, sob o título "Normas Gerais", separadamente de outras modalidades de utilização dos créditos, tratadas nos arts. 104 a 106, sob o nome "Normas Especiais". • Os créditos básicos, ao lado dos créditos por devolução ou retorno e dos créditos .* ditos- "de outra natureza" (estes últimos relativos aos casos de cancelamento de. nota fiscal escriturada antes da saída da mercadoria, diferença em virtude da redução da ,iillquota do imposto, ocorrida entre a data da emissão da nota fiscal e a efetiva saída, etc), servem como • instrumento da não-cumulatividade constitucional do IPI, realizada por meio. do sistema de . . débitos nas saídas das mercadorias industrializadas, contrapostos aos créditos oriundos das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados no processo de industrialização. Os valores desses créditos são utilizados mediante dedução nos valores dos débitos, sendo o saldo credor transferido de um período de apuração para o seguinte. Esta a regra . geral de utilização dos créditos vigerá até 31/12/98, em que a escrituração ou manutenção na • . escrita fiscal não implicava em ressarcimento. O ressarcimento, bem como outras formas de utilização do saldo credor, dependia de normas específicas, que podiam 'ser editadas pelo Ministro da Fazenda, nos termos do art. 2° do Decreto-Lei n° 1.426/75. Referido dispositivo• estabelece: . 'Art. 20. O Ministro da Fazenda poderá estabelecer outras modalidades de • • aproveitamento, inclusive através de compensação ou ressarcimento, dos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados assegurados aos estabelecimentos industriais quando for impossível sua recuperação normal pela sistemática de dedução do valor do imposto devido nas operações internas". Somente a partir de 01/01/99 é que o saldo credor resultante dos créditos básicos, acumulado em cada período de apuração, passou a ser ressarcível em espécie, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779/99. Antes, tal saldo somente podia ser mantido na escrita fiscal e utilizado no abatimento dos débitos. Para haver ressarcimento era preciso que lei própria assim determinasse, o que só acontecia no caso de créditos incentivados. Em consonância com a regra geral que só permitia a manutenção na escrita fiscal, de modo que saldo credor oriundo de créditos não incentivados fosse empregado somente no abatimento dos débitos, a IN SRF n° 33/99 determinou a segregação de saldos da espécie, antes e a partir de 01/01/1999. Tal separação é necessária porque, como já tido, os saldos credores 9 MIN. CA FAZENDA - 2? CC CONFERE COM o ORIGIN. 2 CC -NIF • Ministério da Fazenda BRASÁLIA 13 i €03 1 0 Fl. 1,Zr•-::, Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13601.00031912001-05 Ver: Recurso n° : 130.477 Acórdão n° : 203-11.952 • apurados até 1998 não podem ser objeto de ressarcimento (exceto se decorrente de créditos incentivados, que não é a situação da recorrente). • Neste ponto ressalto que a norma do art. 11 da Lei n° 9.779/99 não é meramente interpretativa, mas sim constitutiva de direito, tendo alterado a forma de utilização dos créditos básicos do IP!. • Na situação dos autos, a empresa não cumpriu a IN SRF n° 33/99. Inclusive, não atendeu às três intimações para demonstrar a utilização dos insumos adquiridos até 1998. Certamente porque tal demonstração é contrária à sua interpretação, segundo a qual há possibilidade de o saldo credor de 1998 ser utilizado para abatimento dos débitos gerados a partir de 1999, independentemente da utilização dos insumos adquiridos até 1998 nos produtos vendidos a partir de 01/01/1999. „. Como a empresa se recusa a cumprir o § 2° do art. 5° da IN SRF n° 33/99, 1 e comb este dispositivo nada tem de ilegal e não é contrário ao art. 11 da Lei n° 9.779/99, o ressarcimento solicitado não lhe pode ser deferido. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso. . • Sala das Sessões, e. 218- a -rna e sfe 2097. fr —dar EMAN J ARLO WIt ft: S 15E • SSIS' • • • • , • Art. 5° Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31:de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do LPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1° Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. 20 O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1° de janeiro de 1999, com a utilização dos Sumos originadores desses créditos, considerando-se que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos Sumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 30 O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. § 2° O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1° de janeiro de 1999, com a utilização dos Sumos originadores desses créditos, considerando-se que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos Sumos quê primeiro entraram no estabelecimento. 10 Page 1 _0027500.PDF Page 1 _0027600.PDF Page 1 _0027700.PDF Page 1 _0027800.PDF Page 1 _0027900.PDF Page 1 _0028000.PDF Page 1 _0028100.PDF Page 1 _0028200.PDF Page 1 _0028300.PDF Page 1

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Numero do processo: 10480.722232/2010-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Para se comprovar uma despesa, de modo a torná-la dedutível, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 1401-007.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade do auto de infração para, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Andressa Paula Senna Lísias que lhe davam provimento. Sala de Sessões, em 29 de setembro de 2025. Assinado Digitalmente Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lísias e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Para se comprovar uma despesa, de modo a torná-la dedutível, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade do auto de infração para, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Andressa Paula Senna Lísias que lhe davam provimento. Sala de Sessões, em 29 de setembro de 2025. Assinado Digitalmente Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Fl. 1636DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1401-007.617 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722232/2010-09 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lísias e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto por STN - SISTEMA DE TRANSMISSÃO NORDESTE S/A, inscrita no CNPJ sob o nº 05.991.437/0001-58, contra o Acórdão nº 12-105.512, prolatado pela 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), que julgou improcedente a Impugnação Administrativa e manteve os créditos tributários relativos a Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referentes aos anos-calendário de 2007 e 2008. I. Da Origem da Autuação Fiscal A ação fiscal foi iniciada pela DRF/RECIFE-PE, que identificou uma "significativa movimentação no grupo de despesas de prestação de serviços de pessoa jurídica" (10_STN_10480722232201009_resumo.pdf, Fl. 1578). Em decorrência, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 007, solicitando a comprovação dos valores pagos a prestadores de serviços, com destaque para a sociedade ARC & ASSOCIADOS – AUDITORES INDEPENDENTES S/S. A fiscalização, ao analisar a documentação apresentada pela Interessada, levantou dúvidas quanto à comprovação da efetividade dos serviços prestados pela ARC & Associados. Constatou-se que a ARC & Associados havia entregado a Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano-calendário de 2006 sem informações de faturamento e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mesmo ano sem débitos de tributos federais (Fl. 1578). Diante disso, foi promovida diligência junto à ARC & Associados, solicitando cópias de contratos, relatórios, estudos, pareceres e documentos que comprovassem a efetividade da prestação dos serviços, bem como livros contábeis/fiscais e documentos que comprovassem a escrituração e tributação dos valores faturados contra a STN. Em resposta, a ARC & Associados limitou-se a apresentar DIPJ retificadora para 2006 (com base no lucro presumido), mas não os demais elementos solicitados (Fl. 1578). A fiscalização, então, emitiu um Termo de Reintimação Fiscal à STN, solicitando novamente a comprovação da efetividade da prestação dos serviços de assessoria contábil e financeira. A STN, em sua resposta, justificou que a ARC & Associados prestou serviços contínuos de auditoria interna contábil e consultoria tributária nos anos de 2006, 2007 e 2008, e que tais Fl. 1637DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1401-007.617 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722232/2010-09 3 serviços nem sempre produziam relatórios ou formalização de resultados, pois o objetivo era verificar inconsistências e corrigi-las diretamente com o profissional responsável (Fl. 1579). II. Dos Autos de Infração Após o procedimento fiscalizatório, a fiscalização concluiu pela falta de comprovação da efetividade dos serviços de auditoria interna contábil e consultoria tributária prestados pela ARC & Associados. Foram lavrados Autos de Infração para exigência de: IRPJ: R$ 77.141,00, acrescidos de multa de ofício (75%) de R$ 57.855,75 e juros de mora (calculados até 08/2010) de R$ 17.697,89, totalizando R$ 152.694,64 (Fl. 1578). CSLL: R$ 27.770,76, acrescidos de multa de ofício (75%) de R$ 20.828,07 e juros de mora (calculados até 08/2010) de R$ 6.371,23, totalizando R$ 54.970,06 (Fl. 1578). A glosa das despesas foi detalhada por Notas Fiscais, com a fiscalização apontando a ausência de relatórios, estudos ou pareceres que formalizassem os trabalhos, bem como a insuficiência de planilhas de cálculos para comprovar a efetividade dos serviços, e a falta de assinatura de profissionais da ARC & Associados em documentos como RITs e relatórios para ADENE/SUDENE (Fls. 1582-1587). III. Da Impugnação Administrativa Cientificada da exigência fiscal em 13/09/2010, a STN apresentou Impugnação Administrativa em 13/10/2010 (Fl. 1587), acompanhada de vasta documentação. Em síntese, a Interessada alegou: Nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa – Inexistência de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) para o período fiscalizado: Argumentou que o MPF que amparou a fiscalização tinha por objeto o período de 2005, e que a glosa de despesas de 2007 e 2008 não possuía amparo em MPF específico (Fl. 1587). Nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa – Falta de capitulação legal: Sustentou que o Auto de Infração não apontou norma específica da legislação tributária que exigisse a comprovação dos serviços de auditoria e consultoria com base na Resolução CFC nº 780/1995 (Fl. 1588). Dedutibilidade das despesas com auditoria interna e consultoria tributária: Defendeu a essencialidade dos serviços para a manutenção de sua fonte geradora de riquezas. Natureza imaterial dos serviços de auditoria e consultoria: Alegou que a natureza imaterial dos serviços dificulta a apresentação de provas diretas, e que a prova do pagamento, faturas, propostas, contratos, "time sheets", RITs, PACs e relatórios para ADENE/SUDENE seriam suficientes para comprovar a efetividade (Fl. 1588). Incompetência do Auditor-Fiscal para desqualificar o mérito dos serviços: Argumentou que a fiscalização não poderia avaliar a qualidade ou o método dos serviços, mas apenas sua necessidade, usualidade e utilidade (Fl. 1588). Fl. 1638DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1401-007.617 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722232/2010-09 4 Ausência de determinação da matéria tributável: Afirmou que a fiscalização não demonstrou precisamente a matéria tributável, cabendo-lhe infirmar as provas apresentadas pela Impugnante (Fl. 1589). Impugnação específica das despesas glosadas: Detalhou as justificativas para cada Nota Fiscal glosada, reiterando que a ausência de relatórios formais se devia à natureza do trabalho (correções imediatas) e que as provas apresentadas eram suficientes (Fls. 1589-1593). Impossibilidade de cobrança de juros de mora com base na taxa Selic: Contestou a aplicação da Taxa Selic, alegando sua incompatibilidade com o art. 161, § 1º, do CTN e a violação do princípio da indelegabilidade da competência tributária (Fls. 1593-1594). IV. Da Decisão da DRJ/RJO (Primeira Instância)A 15ª Turma da DRJ/RJO, por meio do Acórdão nº 12-105.512, proferido em sessão de 18 de fevereiro de 2019, decidiu, por unanimidade, negar provimento à impugnação da Interessada, julgando procedentes os Autos de Infração de IRPJ e CSLL (Fl. 1576). Em sua fundamentação, a DRJ/RJO: Rejeitou a arguição de nulidade por inexistência de MPF: Entendeu que o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 04.1.01.00-2008-00922-9 abrangia a verificação das obrigações tributárias "nos últimos cinco anos e no período de execução deste procedimento fiscal", o que incluía os anos de 2007 e 2008 (Fl. 1595). Rejeitou a arguição de nulidade por falta de capitulação legal: Esclareceu que a referência à Resolução CFC nº 780/1995 teve caráter ilustrativo, visando demonstrar o padrão esperado de um trabalho de auditoria, e não como uma exigência legal para a comprovação da efetividade do serviço, que pode ser feita por qualquer meio de prova admitido em Direito (Fl. 1595). No mérito, manteve a glosa das despesas e reconheceu a necessidade dos serviços de auditoria e consultoria, mas considerou que a STN não comprovou a efetiva realização deles. Argumentou que procedimentos de auditoria e consultoria geram "papéis de trabalho (relatórios, estudos, pareceres, recomendações etc.)" que evidenciam a atividade intelectual. Considerou que faturas, ordens de pagamento e "time-sheets" não comprovam a realização dos serviços, e que as planilhas de apuração de tributos eram "excessivamente sintéticas". Destacou que os relatórios apresentados à ANEEL e SUDENE não continham a assinatura de profissionais da ARC & Associados. A DRJ/RJO considerou "não crível que uma sociedade de auditoria e consultoria consuma mais de 3.500 horas na execução de seu trabalho e não seja capaz de produzir um só relatório, ou parecer, ou estudo, ou mesmo recomendação escrita" (Fl. 1596). Manteve a aplicação da Taxa Selic: Fundamentou a decisão no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 e na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em regime de recursos repetitivos (REsp nº 1.495.146/MG), que confirma a legalidade da utilização da Selic para débitos tributários (Fls. 1596-1597). Fl. 1639DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1401-007.617 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722232/2010-09 5 IV. Do Recurso Voluntário A STN – SISTEMA DE TRANSMISSÃO NORDESTE S.A. interpôs Recurso Voluntário em 01/04/2019, tempestivamente, buscando a reforma do acórdão da DRJ/RJO (Fls. 1611-1614). A Recorrente reitera e reforça os seguintes argumentos: Tempestividade: Afirma a tempestividade do recurso, tendo sido intimada em 08/03/2019 e interposto o recurso dentro do prazo legal de 30 dias (Fls. 1613-1614). Efetiva Comprovação dos Serviços: Insiste que todas as despesas glosadas foram efetivamente comprovadas por meio de um robusto conjunto probatório, incluindo propostas de honorários, contratos, notas fiscais, comprovantes bancários de pagamento, ordens de pagamento, planilhas de horas incorridas ("time sheets"), planilhas de apuração de tributos, Relatórios de Informações Trimestrais (RIT), Prestação Anual de Contas (PAC) e relatórios para ADENE/SUDENE (10_STN_10480722232201009_resumo.pdf, Fls. 1619-1622). Ônus da Prova da Fiscalização: Reafirma que a prova do pagamento, por si só, já seria suficiente e que, diante das provas apresentadas, caberia à fiscalização produzir contraprova hábil a infirmá-las, o que não ocorreu. Cita jurisprudência do CARF que corrobora este entendimento, destacando que a fiscalização não trouxe elementos que pudessem colocar em dúvida a efetiva prestação dos serviços (Fls. 1620-1628). Natureza Imaterial dos Serviços e Prova Indireta: Enfatiza a natureza imaterial dos serviços de auditoria interna e consultoria tributária, que nem sempre resultam em relatórios ou pareceres formais, mas sim em correções imediatas de inconsistências (Compliance). Argumenta que, mesmo que as provas não fossem consideradas diretas, deveriam ser aceitas como prova indireta, e que a escrituração fiscal já seria um elemento suficiente. Cita precedentes do CARF que admitem a prova indireta para serviços de natureza imaterial (Fls. 1629-1632). Ilegalidade da Taxa Selic: Reitera os argumentos de que a Taxa Selic é incompatível com a correção de tributos e com o art. 161, § 1º, do CTN. É o relatório. VOTO Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portando dele conheço. Fl. 1640DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1401-007.617 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722232/2010-09 6 Das Questões Preliminares. 1. Da Arguição de Nulidade Fundada em Alegada Inexistência de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) para o Período Fiscalizado. A Recorrente argui a nulidade do lançamento sob o fundamento de que o Mandado de Procedimento Fiscal que amparou a fiscalização não contemplava os anos-calendário de 2007 e 2008, limitando-se a 2005. Contudo, conforme bem analisado pela decisão recorrida, o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 04.1.01.00-2008-00922-9 estabeleceu como escopo a verificação da "correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela RFB, nos últimos cinco anos e no período de execução deste procedimento fiscal" (Fl. 1595). A expressão "nos últimos cinco anos" é clara e suficiente para abranger os exercícios de 2007 e 2008, que se encontravam dentro do quinquênio legal de decadência à época da instauração do procedimento fiscalizatório. A delimitação temporal do MPF, portanto, foi devidamente observada, não havendo que se falar em cerceamento de defesa ou em nulidade do lançamento por este motivo. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade. 2. Da Arguição de Nulidade Fundada em Alegada Falta de Capitulação Legal para a Observância da Resolução CFC nº 780/1995. A Recorrente sustenta a nulidade do lançamento, alegando que o Auditor-Fiscal teria exigido a comprovação dos serviços de auditoria e consultoria com base na Resolução CFC nº 780/1995, sem apontar a norma tributária que imporia tal exigência. A interpretação da Recorrente, neste ponto, não se alinha com o teor da decisão de primeira instância. A DRJ/RJO esclareceu que a menção à Resolução CFC nº 780/1995 teve o objetivo de "simplesmente ilustrar qual o padrão que se esperaria de um trabalho de auditoria interna realizado de acordo com a boa técnica contábil" (Fl. 1595), e não como uma imposição legal para a comprovação da despesa. De fato, a comprovação da efetividade da prestação de um serviço pode ser feita por qualquer meio de prova admitido em Direito. A fiscalização não vinculou a dedutibilidade da despesa à observância estrita de uma norma contábil específica, mas utilizou-a como parâmetro de razoabilidade para a expectativa de documentação inerente a serviços técnicos de auditoria. Não há, portanto, vício de capitulação legal. Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade. Do Mérito 1. Da Glosa das Despesas com Auditoria e Consultoria (IRPJ e CSLL) Fl. 1641DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1401-007.617 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722232/2010-09 7 O cerne da controvérsia reside na efetiva comprovação da prestação dos serviços de auditoria interna contábil e consultoria tributária pela ARC & ASSOCIADOS, cujas despesas foram glosadas pela fiscalização. A legislação tributária, notadamente o artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), estabelece que são dedutíveis as despesas operacionais "necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora". Para tanto, é imperativo que a despesa seja não apenas necessária e usual, mas que sua ocorrência e efetividade sejam devidamente comprovadas. A jurisprudência administrativa deste Conselho é pacífica no sentido de que não basta o desembolso; é indispensável comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido, ou seja, a efetiva prestação do serviço. A Recorrente argumenta que os serviços são de natureza imaterial e que nem sempre resultam em relatórios formais, pois muitas vezes consistem em correções imediatas de inconsistências. Apresentou como prova faturas, comprovantes de pagamento, propostas, contratos, "time sheets", planilhas de apuração de tributos, Relatórios de Informações Trimestrais (RIT), Prestação Anual de Contas (PAC) e relatórios para ADENE/SUDENE. Invoca, ainda, a jurisprudência do CARF que admite a prova indireta para serviços de natureza imaterial e que impõe à fiscalização o ônus de infirmar as provas apresentadas pelo contribuinte. A DRJ/RJO, por sua vez, embora reconheça a necessidade da contratação de tais serviços por uma empresa do porte da STN, considerou que a documentação apresentada pela Recorrente foi insuficiente para comprovar a efetiva realização do trabalho intelectual pela ARC & ASSOCIADOS. A decisão de primeira instância aponta, com pertinência, que procedimentos de auditoria e consultoria, mesmo de natureza imaterial, geram, ordinariamente, "papéis de trabalho (relatórios, estudos, pareceres, recomendações etc.)" que evidenciam o produto da atividade intelectual. Ao analisar as provas apresentadas pela Recorrente, a DRJ/RJO destacou as seguintes deficiências: Faturas e Ordens de Pagamento: Comprovam o desembolso, mas não a efetiva prestação do serviço intelectual. "Time Sheets": Embora indiquem horas trabalhadas, não detalham o produto ou a natureza específica do trabalho intelectual realizado pela ARC & Associados. Planilhas de Apuração de Tributos: Foram consideradas "excessivamente sintéticas" e, em muitos casos, não comprovam que o serviço foi realizado pela ARC & Associados, ou que representam um produto de sua consultoria, e não meros cálculos internos da própria STN. Relatórios para ANEEL (RIT/PAC) e ADENE/SUDENE: Embora sejam documentos de maior densidade técnica, a DRJ/RJO observou que não traziam a assinatura de nenhum profissional da ARC & ASSOCIADOS, sendo, em alguns casos, meras reproduções de documentos internos da própria fiscalizada ou modelos próprios da ANEEL, assinados pela contadora e Fl. 1642DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1401-007.617 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722232/2010-09 8 diretores da STN. A ausência da autoria da prestadora de serviços nesses documentos compromete sua força probatória quanto à efetiva prestação do serviço de consultoria ou auditoria por parte da ARC & Associados. A justificativa da Recorrente de que os serviços consistiam em "correções imediatas" sem relatórios formais, embora compreensível em certas atividades de compliance, torna-se frágil diante do volume de horas alegadamente despendidas (mais de 3.500 horas) e da complexidade intrínseca aos serviços de auditoria e consultoria tributária. É razoável esperar que um trabalho dessa magnitude e natureza gere algum tipo de documentação formal que ateste o conhecimento técnico aplicado, as análises realizadas e as recomendações fornecidas, mesmo que não seja um relatório extenso. A ausência de qualquer documento cuja autoria possa ser atribuída à ARC & ASSOCIADOS que comprove o trabalho intelectual é um ponto crítico. A jurisprudência deste Conselho, citada pela própria Recorrente, de fato, reconhece que a fiscalização deve apresentar contraprovas para infirmar a documentação do contribuinte. No entanto, a fiscalização, neste caso, não se limitou a uma mera glosa sem fundamento. Ela analisou a documentação apresentada pela STN e apontou deficiências específicas que comprometem a comprovação da efetividade da prestação do serviço pela ARC & Associados, conforme detalhado no Termo de Encerramento e na decisão da DRJ/RJO. A ausência de um "mínimo de detalhamento expresso do que fora contra prestado", conforme acórdão 107-07.940 do 1º Conselho de Contribuintes, é um ponto que se aplica à situação em tela. Embora a natureza imaterial dos serviços possa justificar a ausência de um produto físico, ela não exime o contribuinte de comprovar o resultado ou a intervenção intelectual do prestador. A mera apresentação de faturas e comprovantes de pagamento, desacompanhada de elementos que demonstrem a entrega do serviço intelectual contratado e sua autoria, não é suficiente para afastar a glosa. Assim, considerando a análise pormenorizada da DRJ/RJO sobre a insuficiência das provas apresentadas para atestar a efetiva prestação dos serviços pela ARC & ASSOCIADOS, e a ausência de elementos novos ou de maior robustez no Recurso Voluntário que pudessem infirmar tal conclusão, entendo que a glosa das despesas foi legítima. Pelo exposto, nego provimento ao recurso da Interessada quanto ao mérito das glosas de IRPJ e CSLL. 2. Da Aplicação da Taxa Selic na Cobrança dos Juros de Mora A Recorrente questiona a aplicação da Taxa Selic no cálculo dos juros de mora, alegando sua incompatibilidade com o art. 161, § 1º, do CTN e a violação do princípio da indelegabilidade da competência tributária. Contudo, a matéria encontra-se pacificada na jurisprudência administrativa e judicial. A aplicação da Taxa Selic para a atualização de débitos fiscais é expressamente prevista no artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. Fl. 1643DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1401-007.617 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722232/2010-09 9 Ademais, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de recursos repetitivos (REsp nº 1.495.146/MG), já firmou entendimento pela legitimidade da utilização da Taxa Selic no cálculo dos juros incidentes sobre a cobrança de tributos em atraso, vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. A decisão da DRJ/RJO, neste ponto, está em consonância com o entendimento consolidado dos tribunais superiores e Súmula CARF n.º 4, nestes termos: “A partir de 1.º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Conclusão À vista de todo o exposto, e nos termos da fundamentação supra, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. Assinado Digitalmente Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 1644DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10600.728166/2023-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 1401-001.095
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Fernando Augusto Carvalho de Souza que negava provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 23 de setembro de 2025. Assinado Digitalmente Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin – Relator Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Daniel Ribeiro Silva, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lísias, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN

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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-12-05T15:58:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-12-05T15:58:56Z; Last-Modified: 2025-12-05T15:58:56Z; dcterms:modified: 2025-12-05T15:58:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-12-05T15:58:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-12-05T15:58:56Z; meta:save-date: 2025-12-05T15:58:56Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-12-05T15:58:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-12-05T15:58:56Z; created: 2025-12-05T15:58:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2025-12-05T15:58:56Z; pdf:charsPerPage: 1321; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-12-05T15:58:56Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10600.728166/2023-83 RESOLUÇÃO 1401-001.095 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 23 de setembro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE MÁXIMA LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Fernando Augusto Carvalho de Souza que negava provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 23 de setembro de 2025. Assinado Digitalmente Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin – Relator Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Daniel Ribeiro Silva, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lísias, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela empresa MÁXIMA LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO LTDA. (doravante “Recorrente” ou “Máxima”), inscrita no CNPJ sob o n.º 22.829.604/0001-88, contra o Acórdão n.º 103-013.701 proferido pela 3ª Turma da Delegacia de Fl. 21361DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.095 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.728166/2023-83 2 Julgamento da Receita Federal do Brasil 03 (DRJ03), que julgou improcedente a Impugnação apresentada pela Recorrente e manteve o crédito tributário constituído por meio de Autos de Infração. 1. DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO O crédito tributário em litígio foi constituído em 02 de outubro de 2023, resultado de um procedimento de fiscalização que abrangeu o período de janeiro de 2018 a dezembro de 2020. O Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 55/87 detalha as infrações apuradas, consubstanciadas nos Autos de Infração relativos a IRPJ, CSLL e IRRF. 1.1. Acusação Fiscal – Infrações e Fundamentação: A fiscalização apontou as seguintes infrações e suas respectivas fundamentações, conforme o TVF: •Despesas Não Dedutíveis (IRPJ e CSLL): Acusação: A Máxima teria registrado em sua escrita contábil despesas indevidas na conta "BONIFICACOES CONSULTORES" (cód. 510203001) nos valores de R$ 289.318.410,90 (2018), R$ 102.731.250,91 (2019) e R$ 46.443.814,45 (2020). Essas despesas, alegadamente referentes a reembolsos de bônus pagos pela Líder Franquias e Licenças Ltda. (Líder) a consultores sob um modelo de "cost sharing", foram glosadas. Fundamentação da Fiscalização: Ausência de Formalização Prévia, em razão dos "Acordos de Ratificação de Rateio de Despesas" (referente a 2018) e "Contrato de Rateio de Despesas" (para 2019), formalizados em 01/08/2019, e o "Primeiro Termo Aditivo" (para 2020), assinado em 01/01/2020, teriam sido extemporâneos em relação aos fatos geradores, configurando "simulação" (Art. 167, §1º, III, CC). A fiscalização sustentou que as despesas não possuíam natureza administrativa ou de suporte corporativo para a Máxima, sendo, na verdade, atividades-fim da Líder. Argumentou que não seriam despesas "necessárias, usuais e normais" para a atividade atacadista da Máxima, beneficiando-a apenas indiretamente. Os percentuais de rateio (35% em 2018, 25% em 2019 e 12,7% em 2020) foram considerados arbitrários, sem justificativa lógica para suas variações e sem correspondência com os gastos efetivos. A fiscalização alegou inconsistências entre os valores das notas de débito emitidas pela Líder e as transferências bancárias realizadas pela Máxima, além da ausência de escrituração destacada e de comprovação integral dos pagamentos realizados pela Líder aos consultores. •Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre Pagamentos sem Causa: Identificados pagamentos da Máxima à Líder entre 15/08/2019 e 27/07/2020 que, em decorrência da glosa das despesas subjacentes, foram considerados "pagamentos sem causa" ou a beneficiário não identificado. O valor apurado foi de R$ 49.503.461,27. Fl. 21362DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.095 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.728166/2023-83 3 Fundamentação da Fiscalização: Aplicação da alíquota de 35% sobre esses valores, com base no Art. 730 do RIR/18 (Art. 61 da Lei nº 8.981/95). •IRPJ e CSLL Não Declarados/Não Recolhidos: Constatada a falta de declaração e/ou recolhimento do IRPJ e da CSLL apurados nas ECFs da Máxima para os anos de 2018 e 2020. Valores Apurados: IRPJ: R$ 3.539.174,67 (2018) e R$ 7.717.154,73 (2020); CSLL: R$ 1.282.742,88 (2018) e R$ 2.875.065,62 (2020). •Penalidades Aplicadas:  Multa Proporcional: 75% sobre a totalidade ou diferença dos tributos.  Multa Qualificada: 150% para o período de janeiro de 2018 a julho de 2019, sob alegação de "conluio" e "fraude" (Arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64).  Multa Agravada: 112,5% para o período de agosto de 2019 a dezembro de 2020 (e para o IRRF a partir de agosto de 2019), em razão do alegado "não atendimento" ou "atendimento parcial" às intimações fiscais.  Multa Isolada: 50% pela falta de recolhimento de estimativas mensais (Art. 44, II, "b", Lei nº 9.430/96). 2. DA IMPUGNAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Máxima apresentou Impugnação (fls. 3.000/3.067, com aditamento às fls. 3.135/3.139 e "Doc. 03" e "Doc. 04" às fls. 3.154/21.089) contestando a integralidade das exigências, com os seguintes argumentos: 2.1. Preliminares de Nulidade: •Nulidade do Auto de Infração: Alegou imprecisão e presunção na lavratura do AI, argumentando que a fiscalização desconsiderou informações e documentos apresentados e que a ausência de fiscalização na Líder (empresa do mesmo grupo e contraparte do "cost sharing") maculou o processo. •Violação ao Contraditório e Ampla Defesa: Sustentou que a falta de intimação da Líder para participar do procedimento fiscalizatório configurou cerceamento de defesa, dada a essencialidade da participação desta para comprovar as operações e critérios de rateio. 2.2. Mérito – Regularidade das Operações: •Modelo de Negócio e Pertinência das Despesas: A Máxima detalhou a "organicidade" do Grupo Hinode e a "relação de simbiose" entre Máxima (distribuidora) e Líder (franqueadora/gestora de consultores), afirmando que os bônus pagos pela Líder aos consultores impulsionam diretamente as vendas da Máxima. Defendeu que tais despesas são "necessárias, usuais e normais" para sua atividade atacadista, nos termos do Art. 311 do RIR/2018. Fl. 21363DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.095 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.728166/2023-83 4 •Validade dos Acordos de Rateio: Argumentou a validade jurídica dos contratos verbais, posteriormente ratificados por instrumentos formais, ressaltando que a post-datação decorreu de "falha de compliance interno" e não de fraude, e que o Direito Tributário não pode desconsiderar conceitos de Direito Privado (Art. 110 do CTN). •Critérios de Rateio e Comprovação: A Máxima apresentou o "Bônus Unilevel" como um critério objetivo e razoável para o rateio, demonstrando através de planilhas gerenciais e sistêmicas ("Doc. 03") e simulações de orçamento ("Doc. 04") que os percentuais adotados representam a contribuição da Máxima nas bonificações, provando que os critérios foram previamente ajustados. •Comprovação Documental: Justificou a apresentação parcial de comprovantes bancários de pagamentos da Líder aos consultores devido a contas encerradas e à complexidade do sistema de bonificação (pagamentos em pecúnia, trocas por produtos, repasses indiretos), mas defendeu que a escrituração contábil e os demais documentos apresentados são suficientes para comprovar a efetividade das despesas. •IRRF sobre Pagamentos sem Causa: Contestou a exigência, alegando: O Art. 61 da Lei nº 8.981/95 se aplicaria a pagamentos a beneficiários não identificados; no caso, a Líder era plenamente identificada como destinatária dos pagamentos. A glosa da despesa já aumenta a base de cálculo do IRPJ/CSLL; a cobrança adicional de IRRF sobre o mesmo valor configuraria dupla tributação e sanção por ato ilícito (Art. 3º do CTN). 2.3. Penalidades: •Multa Qualificada/Agravada: Contestou a aplicação da multa de 150% e 112,5%, alegando ausência de conluio/fraude. A apresentação parcial de documentos foi justificada por motivos alheios à sua vontade, não caracterizando embaraço à fiscalização, que conseguiu lavrar o auto de infração. Argumentou que a Súmula CARF nº 133 deveria afastar o agravamento. •Concomitância de Multas (Isolada e de Ofício): Sustentou a impossibilidade de cumular a multa isolada de 50% (por estimativas não pagas) com a multa de ofício de 75% (por falta de pagamento do IRPJ/CSLL anual), argumentando que a multa isolada deveria ser "absorvida" pela multa de ofício, pois as estimativas são meras antecipações do tributo final. Citou recentes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais que afastam tal cumulação. •Cobrança em Duplicidade: Mencionou que parte dos débitos de IRPJ/CSLL já foram declarados via DCTF retificadoras ou estão em processo de cobrança administrativo separado, o que geraria duplicidade de exigência. 3. DA DECISÃO DA DELEGACIA DE JULGAMENTO (DRJ03) A 3ª Turma da DRJ03 julgou a Impugnação IMPROCEDENTE, mantendo as exigências e penalidades integralmente. Fl. 21364DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.095 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.728166/2023-83 5 •Rejeição das Preliminares: A DRJ03 rejeitou as preliminares de nulidade do Auto de Infração e de cerceamento de defesa, argumentando que o AI foi lavrado por agente competente, de forma clara e que o direito ao contraditório e à ampla defesa foi garantido pela apresentação da Impugnação. Afirmou que a fiscalização não se baseou em presunções e que não há exigência legal de fiscalizar todas as empresas de um grupo econômico. •Manutenção do Mérito: A DRJ03 manteve a glosa das despesas de "cost sharing", reiterando que elas ferem o "Princípio da Entidade", não são necessárias/usuais à Máxima e que a formalização posterior dos contratos não valida o rateio. Manteve a exigência do IRRF sobre pagamentos sem causa, afirmando que a Máxima, como fonte pagadora, não comprovou a causa das transferências, e que não há bis in idem entre o IRRF e o IRPJ/CSLL, por terem fatos geradores e naturezas distintas. •Manutenção das Penalidades: A DRJ03 manteve todas as multas aplicadas, incluindo a qualificada e a agravada, por entender que a Máxima não atendeu satisfatoriamente às intimações fiscais. Manteve a cumulação da multa isolada e da multa de ofício, alegando que possuem hipóteses de incidência distintas e que não há vedação legal à sua concomitância. 4. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada com a decisão da DRJ03, a Máxima interpõe o presente Recurso Voluntário ao CARF, reiterando e aprofundando os argumentos já apresentados e contestando pontualmente a fundamentação do acórdão recorrido: 4.1. Preliminar de Nulidade do Acórdão da DRJ: •A Recorrente argumenta que o acórdão da DRJ é nulo por ausência de análise do conjunto probatório e fundamentação legal adequada, limitando-se a reproduzir as conclusões da fiscalização sem um efetivo cotejo com as provas e justificativas apresentadas. Isso violaria princípios como a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. 4.2. Preliminar de Nulidade do Auto de Infração: •A Recorrente reafirma a nulidade do Auto de Infração por imprecisão e presunção, bem como pela ausência de fiscalização da Líder, argumentando que a fiscalização desconsiderou elementos essenciais para a verificação completa das operações e que a acusação de "conluio" se baseia em ilações unilaterais. 4.3. Mérito – Regularidade das Operações Autuadas: •"Cost Sharing" e Dedutibilidade das Despesas: A Máxima reforça a pertinência e necessidade das despesas de bonificação para sua atividade, dada a interdependência com a Líder no modelo de marketing multinível do Grupo Fl. 21365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.095 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.728166/2023-83 6 Hinode, refutando a interpretação da DRJ sobre o "Princípio da Entidade" e a natureza das despesas. Reitera a validade dos acordos de rateio, defendendo que o contrato verbal, seguido de ratificação formal, é plenamente válido no Direito Civil e que a "falha de compliance" não configura fraude. Contesta a alegação de critérios arbitrários, reafirmando que a escolha do "Bônus Unilevel" foi um critério objetivo e demonstrável, com base em dados gerenciais e projeções (Doc. 03 e Doc. 04), provando que os percentuais de rateio foram justificados e previamente ajustados. Argumenta que a comprovação dos pagamentos foi feita por meio de diversos documentos e a impossibilidade de apresentar todos os comprovantes bancários não invalida a operação, que foi devidamente escriturada. •IRRF sobre Pagamentos sem Causa: A Recorrente contesta a exigência do IRRF, reiterando que o beneficiário dos pagamentos (Líder) é plenamente identificado, o que descaracteriza a hipótese de incidência do Art. 61 da Lei nº 8.981/95. Reafirma a ocorrência de bis in idem e a cobrança de tributo como sanção, argumentando que a glosa da despesa já aumenta a base de cálculo do IRPJ/CSLL, e a cumulação com o IRRF sobre o mesmo valor é indevida. 4.4. Penalidades: •Multa Qualificada/Agravada: A Máxima pede o afastamento da qualificação da multa, reiterando que não houve conluio ou fraude e que o "atendimento parcial" às intimações foi justificado e não impediu a ação fiscal, invocando a Súmula CARF nº 133 e jurisprudência favorável. •Concomitância de Multas (Isolada e de Ofício): A Recorrente defende a ilegalidade da cumulação da multa isolada e da multa de ofício, argumentando que as multas por estimativas (antecipações) devem ser absorvidas pela multa sobre o tributo anual, citando recentes acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais que consolidam esse entendimento e afastam a aplicação da Súmula CARF nº 105 no contexto atual da legislação. •Cobrança em Duplicidade (ECF vs. DCTF): A Máxima aponta que alguns valores já foram declarados via DCTFs retificadoras ou estão em processo de cobrança separado (Proc. 12154.078/2023-25), o que configura duplicidade de exigência e deve levar à baixa desses valores do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 21366DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.095 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.728166/2023-83 7 VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. DAS PRELIMINARES A Recorrente argui, preliminarmente, a nulidade do acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ), por suposta ausência de análise do conjunto probatório e de fundamentação legal adequada. Adicionalmente, pugna pela nulidade do Auto de Infração, por alegada imprecisão, presunção e pela não realização de diligência junto à empresa Líder, contraparte na relação de rateio de despesas. Da Nulidade do Acórdão DRJ. No que tange à arguição de nulidade do acórdão proferido pela DRJ, este Colegiado entende que a decisão de primeira instância, embora possa ser objeto de discordância quanto ao seu mérito, não padece de vício que a macule. O acórdão da DRJ, ao se manifestar sobre a Impugnação, enfrentou os principais argumentos da Recorrente, tecendo considerações sobre a natureza das despesas, a validade dos acordos de rateio e a aplicação das penalidades. A fundamentação apresentada, ainda que não no sentido desejado pela Recorrente, demonstra que o órgão julgador apreciou a controvérsia e expôs os motivos que o levaram à sua conclusão. O fato de as razões decididas não terem sido consideradas suficientes pela Recorrente, ou de esta divergir do entendimento exarado, não implica, por si só, ausência de fundamentação ou falha processual que justifique a declaração de nulidade do julgado. Conforme a jurisprudência administrativa, o direito à ampla defesa e ao contraditório restou assegurado, dado que a Recorrente teve oportunidade de apresentar sua defesa na primeira instância e, agora, tem seu recurso analisado por esta instância superior. Assim, REJEITO a preliminar de nulidade do acórdão DRJ. Da Nulidade do Auto de Infração Quanto à preliminar de nulidade do Auto de Infração, a Recorrente alega imprecisão e o uso de presunção por parte da Fiscalização, além da falha em diligenciar a empresa Líder. Verifica-se que o Auto de Infração detalha, de forma clara, os fatos geradores, a descrição das infrações (despesas não dedutíveis, IRRF sobre pagamentos sem causa, IRPJ/CSLL não declarados/recolhidos), os dispositivos legais infringidos e a apuração dos valores devidos. Os Fl. 21367DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.095 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.728166/2023-83 8 demonstrativos e a cronologia dos fatos, conforme expostos no Termo de Verificação Fiscal, indicam que a constituição do crédito tributário se baseou em elementos concretos e análises da escrita fiscal da Recorrente. A Fiscalização apresentou os fundamentos que a levaram à glosa das despesas, à exigência do IRRF e às demais autuações, bem como à aplicação das penalidades. Ainda que a Recorrente discorde das conclusões da Fiscalização, a argumentação fiscal não se revela genérica ou infundada, mas sim uma interpretação dos fatos e da legislação que se contrapõe àquela defendida pela Máxima. A ausência de diligência a terceiros não invalida, per se, o Auto de Infração, uma vez que a constituição do crédito tributário, prevista no Art. 142 do CTN, recai sobre o contribuinte autuado, cabendo a ele o ônus da prova para desconstituir as exigências. A controvérsia reside, portanto, no mérito da interpretação e comprovação das operações, e não em vício formal do Auto de Infração. Dessa forma, REJEITO a preliminar de nulidade do Auto de Infração. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Apesar de rechaçadas as preliminares, a complexidade da matéria e a densidade dos argumentos apresentados pela Recorrente, em contraposição aos fundamentos do Auto de Infração e do acórdão DRJ, sugerem a necessidade de informações complementares para um julgamento mais seguro e aprofundado do mérito. Em particular, as alegações da Recorrente sobre a pertinência das despesas no contexto de seu modelo de negócio, a validade e a aplicação dos critérios de rateio, e a comprovação dos pagamentos subjacentes demandam uma análise técnica mais detalhada. Assim, para melhor instrução processual e escorreita solução da lide, converto o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Fiscal diligenciada proceda aos seguintes esclarecimentos: 1. Critério de Rateio e Comprovação das Despesas: A Autoridade Fiscal deverá aferir se o conteúdo do documento denominado “Demonstrativo Gerencial e Sistêmico” (Doc. 03 anexo à Impugnação) apresentado pela Recorrente, com o escopo de comprovar que o Bônus Unilevel representou o total das despesas com bonificações a consultores registradas originalmente pela Líder no período autuado, em conjunto com o Doc. 04 (simulação de orçamento para planejamento), também anexo à Impugnação, onde a Recorrente aduz demonstrar os percentuais de critérios de rateio adotados pelas partes, permitem a identificação da existência do critério de rateio das despesas para os anos de 2018, 2019 e 2020. Após essa identificação, e sendo a resposta afirmativa, a unidade de origem deverá indicar quais despesas restariam com pagamento comprovado (em valores e proporções coincidentes ao identificado critério), lastreadas por comprovantes de pagamento da Máxima à Fl. 21368DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.095 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.728166/2023-83 9 Líder. Em outras palavras, se a Máxima busca o direito à escrituração de tais despesas, é possível identificar para quais despesas há comprovação de pagamentos, conforme o critério de rateio implementado? 2. Remuneração dos Consultores: Considerando que a Recorrente argumenta que o ingresso de receitas para o Grupo Hinode se dá de duas formas: (i) recebimento de royalties pela Líder (% sobre as vendas dos franqueados) e (ii) preço das mercadorias vendidas pela Recorrente aos franqueados, que também adquirem essas mercadorias de forma bonificada (a título de bônus pagos), e que posteriormente a Recorrente deduz tais bônus como despesas necessárias à atividade geradora de receita, é possível indicar se havia alguma outra forma de remuneração aos consultores diversa das compras (Bônus Unilevel) de produtos por eles realizadas, como pagamentos em dinheiro, por exemplo? 3. Conformidade dos Pagamentos com o Critério de Rateio: Ainda que se considere que a causa dos pagamentos identificados à Líder seria o Bônus Unilevel, é possível aferir que os pagamentos feitos se deram em conformidade com o critério de rateio descrito no primeiro quesito desta diligência? 4. Circularização à empresa Líder Licenças e Franquias Ltda. Solicitar à empresa Líder Licenças e Franquias Ltda, informações sobre o tratamento dado à receita recebida da Recorrente Máxima no período autuado, especificando a operação e os valores recebidos e a que título. 5. Divergências ECF/DCTF e Duplicidade: No que diz respeito às divergências apontadas pela Recorrente em DCTF retificadoras para os períodos de dez/2018 a dez/2020 (conforme alegado pela Recorrente) ou especificamente para dez/2020 (conforme o AI da fiscalização), é possível confirmar que os respectivos valores de IRPJ (R$ 7.717.154,73) e CSLL (R$ 2.875.065,62) foram objeto de lançamento no processo administrativo nº 12154.078/2023-25, de modo a não ensejar bis in idem em relação ao crédito tributário aqui lançado? A Autoridade Fiscal poderá complementar os esclarecimentos com o que mais considerar pertinente para a solução da controvérsia. Após a produção do relatório final da diligência, intime-se a Recorrente para se manifestar no prazo legal, retornando os autos a este Colegiado para novo julgamento. Assim voto. Assinado Digitalmente Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 21369DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.095 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.728166/2023-83 10 Fl. 21370DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 10880.920147/2017-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO CUMULADO COM COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. Inexistindo o direito creditório informado no pedido de restituição cumulado com compensação, impõe-se o indeferimento da restituição e a não homologação da compensação. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS – DCTF. ERRO DE FATO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A retificação de declaração que vise reduzir o valor do tributo devido, informado na declaração original, somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN).
Numero da decisão: 3202-003.035
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada referente à nulidade do despacho decisório para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-003.032, de 11 de novembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10880.920149/2017-59, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO CUMULADO COM COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. Inexistindo o direito creditório informado no pedido de restituição cumulado com compensação, impõe-se o indeferimento da restituição e a não homologação da compensação. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS – DCTF. ERRO DE FATO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A retificação de declaração que vise reduzir o valor do tributo devido, informado na declaração original, somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN).

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada referente à nulidade do despacho decisório para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-003.032, de 11 de novembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10880.920149/2017-59, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO CUMULADO COM COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. Inexistindo o direito creditório informado no pedido de restituição cumulado com compensação, impõe-se o indeferimento da restituição e a não homologação da compensação. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS – DCTF. ERRO DE FATO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A retificação de declaração que vise reduzir o valor do tributo devido, informado na declaração original, somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). ACÓRDÃO Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada referente à nulidade do despacho decisório para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-003.032, de 11 de novembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10880.920149/2017-59, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Fl. 269DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.035 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.920147/2017-60 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Restituição/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, em síntese: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 ... RETIFICAÇÃO DE DCTF. ERRO DE FATO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). A recorrente interpôs recurso voluntário em face do acórdão 109-019.546, por meio do qual, em apertada síntese, suscita a nulidade do despacho decisório e a regularidade da compensação e suficiência do saldo credor. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razões pelas quais o conheço. Preliminar – nulidade do despacho decisório Fl. 270DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.035 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.920147/2017-60 3 A recorrente suscita a nulidade do despacho decisório porque, segundo ela, “o Fisco indeferiu o pedido de restituição e deixou de homologar a compensação realizada sem a devida indicação dos pressupostos de fato e de direito que o motivaram”. Sem razão a recorrente. Acerca da nulidade, a legislação estabelece que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, conforme art. 59 do Decreto 70.235/1972. No presente caso, não restam configuradas tais hipóteses. Isso porque, da leitura do despacho decisório, proferido de forma eletrônica e com base nas informações apresentas pela própria recorrente por meio, por exemplo, da DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, infere- se que não houve o recolhimento a maior alegado, uma vez que tal recolhimento está alocado a débito de tributo informado pela própria recorrente. Dessa forma, correto o indeferimento da restituição pleiteada e, por conseguinte, a não homologação da compensação declarada, conforme descrito no despacho decisório (fl. 111) e nos demonstrativos PER/DCOMP Despacho Decisório - Análise de Crédito e PER/DCOMP Despacho Decisório - Detalhamento da Compensação (fls. 114-116). Ao contrário do alegado pela recorrente, há, portanto, no despacho decisório e nos seus demonstrativos, fundamentação acerca da análise do pedido de restituição e da declaração de compensação apresentados pela recorrente. Logo, nada a prover neste tópico. Mérito No caso de pedido de restituição ou ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação, é ônus do contribuinte a comprovação do direito creditório alegado. Ademais, a retificação das informações declaradas por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro de fato em que se funde, conforme disposto no § 1º do art. 147 do CTN (Código Tributário Nacional – Lei 5.172/66). Assim, no caso de retificação de DCTF com redução do tributo devido informado na DCTF original, é necessária a comprovação pela interessada de erro de fato. Uma vez instaurada a fase litigiosa com o oferecimento da Manifestação de Inconformidade contra o despacho decisório eletrônico, é dada a oportunidade ao contribuinte de instruir o processo com todos os documentos comprobatórios a evidenciar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme disposto no inciso III do art. 16 do Decreto 70.235, de 1972, a impugnação conterá "os motivos de Fl. 271DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.035 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.920147/2017-60 4 fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir", precluindo o direito de fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto 70.235/72. Caso tenha ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF original, conforme alegado, apurado após revisão interna, essa circunstância deveria ter sido documentalmente comprovada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. No entanto, a recorrente não apresentou na peça de impugnação, nem no recurso voluntário, nenhuma justificativa e nenhum documento comprobatório a respeito da DCTF retificadora apresentada com diminuição do valor de tributo informado na DCTF original, apenas se limitou a asseverar que o crédito pleiteado decorre de pagamento a maior de Cofins, referente a setembro de 2011, apurado em procedimento de revisão contábil e fiscal realizado por ela: 24. Como mencionado, o crédito ora discutido decorre do pagamento a maior de COFINS, referente ao mês de setembro de 2011, apurado em procedimento de revisão contábil e fiscal realizado pela Recorrente, que verificou ter recolhido a título de estimativa mensal de COFINS o valor de R$ 1.468.440,31 para o período, quando em verdade o valor correto seria R$ 1.326.220,13 (um milhão, trezentos e vinte e seis mil, duzentos e vinte reais e treze centavos). 25. Por esse motivo, houve a retificação da DCTF, em 29 de outubro de 2014, reduzindo o montante devido a título de COFINS para R$ 1.326.220,13. É o que se verifica da documentação acostada (Doc. 03 e Doc. 04): (...) 26. Em vista da revisão contábil e fiscal efetuada pela Recorrente, prevalece a DCTF retificadora de 29/10/14 (Doc. 04), que evidenciou ao Fisco que a Recorrente deve apenas o valor de R$ 1.326.220,13 a título de COFINS nº período, tudo a comprovar a regularidade do procedimento e a existência de crédito ora discutido. (destaques do original) Cabe à recorrente apresentar elementos probatórios aptos a comprovar a existência de direito creditório líquido e certo contra a Fazenda Pública passível de compensação, nos termos dispostos no art. 36 da Lei 9.784/91 e no art. 373, I, do Código de Processo Civil – CPC – Lei 13.105/15, sendo certo que a mera apresentação de DCTF retificadora é insuficiente para comprovar o recolhimento a maior que teria originado o crédito pleiteado. Nesse sentido, há decisão da 3ª Turma da CSRF (Câmara Superior de Recursos Fiscais) deste Conselho, a seguir discriminada com a reprodução da ementa: Acórdão 9303-012.420, sessão de 17/11/2021, relatora Vanessa Marini Cecconello DCTF E DACON RETIFICADORAS. APRESENTAÇÃO ANTES OU APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora, anteriormente à prolação do despacho decisório, não é condição para a homologação das compensações. No entanto, Fl. 272DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.035 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.920147/2017-60 5 referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. Sendo assim, a mera apresentação de DCTF retificadora, contendo valor de tributo devido menor do que o informado na DCTF original, não é suficiente para comprovar que de fato houve recolhimento a maior, ou seja, não comprova o crédito pleiteado, cabendo à recorrente apresentar a razão pela qual houve recolhimento a maior, com a juntada de documentos comprobatórios, fiscais e contábeis, até a apresentação da impugnação, sob pena de preclusão. Portanto, resta inequívoco que a recorrente não apresentou provas acerca do crédito pleiteado. Dessa forma, forte nesses argumentos, nego provimento a este capítulo recursal. Produção e juntada de provas, pedido de diligência e pedido de sustentação oral A produção de provas e a juntada de documentos aos autos devem ser feitas, em regra, até a apresentação da manifestação de inconformidade, conforme disposto no art. 16, III, e §§ 4º e 5º, do Decreto 70.235/72, sob pena de preclusão. Não merece acolhida o pedido de diligência para análise de documentos fiscais e contábeis, uma vez que não cabe a conversão do julgamento em diligência para a produção de provas a cargo da recorrente. O pedido de sustentação oral deve ser feito na época própria e pelo meio disponível, conforme disposto no art. 95 do Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF n. 1.634, de 21 de dezembro de 2023): Art. 95. É facultado às partes realizar sustentação oral e apresentar memoriais, e acompanhar a sessão de julgamento síncrona, desde que o requeiram com a antecedência necessária, conforme disciplinado por Ato do Presidente do CARF, que regulará o prazo e a forma de apresentação do requerimento e demais requisitos operacionais para realização da sustentação oral. Logo, nada a prover neste tópico. Diante do exposto, rejeito a preliminar suscitada referente à nulidade do despacho decisório para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 273DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.035 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.920147/2017-60 6 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada referente à nulidade do despacho decisório para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 274DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11147123 #
Numero do processo: 12448.729397/2013-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 JUROS. SELIC. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. MULTA DE OFÍCIO. Será aplicada a multa de ofício de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N. 2. A instância administrativa é incompetente para afastar, em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade, a legislação vigente. CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA DE OFÍCIO. DUPLA PENALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. SUBSISTÊNCIA DO EXCESSO SANCIONATÓRIO. MATÉRIA TRATADA NOS PRECEDENTES DA SÚMULA CARF Nº 105. ADOÇÃO E APLICAÇÃO DO COROLÁRIO DA CONSUNÇÃO. Não é cabível a imposição de multa isolada, referente a estimativas mensais, quando, no mesmo lançamento de ofício, já é aplicada a multa de ofício. É certo que o cerne decisório dos Acórdãos que erigiram a Súmula CARF nº 105 foi precisamente o reconhecimento da ilegitimidade da dinâmica da saturação punitiva percebida pela coexistência de duas penalidades sobre a mesma exação tributária. O instituto da consunção (ou da absorção) deve ser observado, não podendo, assim, ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar o valor de um determinado tributo concomitantemente com outra pena, imposta pela falta ou insuficiência de recolhimento desse mesmo tributo, verificada após a sua apuração definitiva e vencimento.
Numero da decisão: 1101-001.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Efigênio de Freitas Júnior e Edmilson Borges Gomes que negavam provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Júnior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Roney Sandro Freire Correa, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente).
Nome do relator: JEFERSON TEODOROVICZ

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SELIC. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. MULTA DE OFÍCIO. Será aplicada a multa de ofício de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N. 2. A instância administrativa é incompetente para afastar, em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade, a legislação vigente. CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA DE OFÍCIO. DUPLA PENALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. SUBSISTÊNCIA DO EXCESSO SANCIONATÓRIO. MATÉRIA TRATADA NOS PRECEDENTES DA SÚMULA CARF Nº 105. ADOÇÃO E APLICAÇÃO DO COROLÁRIO DA CONSUNÇÃO. Não é cabível a imposição de multa isolada, referente a estimativas mensais, quando, no mesmo lançamento de ofício, já é aplicada a multa de ofício. É certo que o cerne decisório dos Acórdãos que erigiram a Súmula CARF nº 105 foi precisamente o reconhecimento da ilegitimidade da dinâmica da saturação punitiva percebida pela coexistência de duas penalidades sobre a mesma exação tributária. O instituto da consunção (ou Fl. 198DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.915 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.729397/2013-78 2 da absorção) deve ser observado, não podendo, assim, ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar o valor de um determinado tributo concomitantemente com outra pena, imposta pela falta ou insuficiência de recolhimento desse mesmo tributo, verificada após a sua apuração definitiva e vencimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Efigênio de Freitas Júnior e Edmilson Borges Gomes que negavam provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Júnior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Roney Sandro Freire Correa, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recursos voluntário interposto pelo contribuinte e responsáveis (efls. 180/193) contra acórdão da DRJ (efls. 165/169), que julgou improcedente as impugnações administrativas apresentadas pelo contribuinte e responsáveis (efls.132/147), referente à autuação (efls.108/115), que constituiu créditos tributários dos seguintes tributos e penalidades, referentes ao ano calendário 2011: Trata-se de processo lavrado em 02/10/2013, e levado à ciência do sujeito passivo em 07/10/2013 (AR fls. 120). O processo é composto pelo auto-de-infração (AI) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ – lucro real, no valor de R$ 1.281.676,60 (um milhão, duzentos e oitenta e um mil, seiscentos e setenta e seis reais e sessenta centavos), incluindo o valor principal, juros e multas de ofício e isolada (fls. 108/115). À fl. 110, constam as seguintes informações: Fl. 199DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.915 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.729397/2013-78 3 0001 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Em revisão interna, o contribuinte foi intimado mediante o Termo de Início de Procedimento Fiscal com aviso de recebimento datado de 19/07/2013 a comprovar o pagamento do IRPJ informado na linha 20 da ficha 12 A da DIPJ AC 2011, declarando em sua carta recebida em 12/08/2013 que "verificamos que as diferenças encontradas derivam puramente de erro técnico ocorrido no setor fiscal, o qual não trabalhou em harmonia com a contabilidade. Esclarecemos ainda que os demais informativos à RFB tais como DACOM e DIPJ encontram-se regularmente preenchidos”. Desta forma impõe-se a tributação do Imposto de renda e Adicional não recolhidos, com multa de ofício. (...) 0002 MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Em revisão interna, o contribuinte foi intimado mediante o Termo de Intimação Fiscal datado de 18/09/2013 a comprovar o recolhimento das estimativas mensais do IRPJ a pagar, apuradas conforme os balancetes de suspensão entregues em anexo a sua carta datada de 07/08/2013. Em resposta mediante carta recebida em 023/10/2013 declarou que “Conforme salientamos na carta CREF Cont. 025/13-RJ de 7 de agosto de 2013, e não efetuamos recolhimento de IRPJ e CSLL, e as diferenças constatadas derivam puramente de erro técnico ocorrido no setor fiscal, o qual não trabalhou em harmonia com a contabilidade, e que as demais declarações encontram-se preenchidas.” Desta forma pelo não recolhimento das estimativas do IRPJ a pagar o contribuinte sujeita-se à multa isolada de 75% sobre o montante das parcelas do imposto não recolhido, conforme legislação de regência. Impugnação: A autuada apresentou impugnação tempestiva às fls. 132/147, na qual alega: - Devem ser afastados os juros calculados de acordo com a Taxa Selic. - As multas aplicadas possuem caráter confiscatório. - Não procede a aplicação da multa isolada em razão do não recolhimento de estimativas, concomitantemente com a multa de ofício lançada com base no IRPJ devido no ajuste anual, caracterizando-se o bis in idem. Ao final, pugna pelo acolhimento de suas alegações e o cancelamento integral do crédito tributário consubstanciado no auto de infração impugnado. É o relatório. Nada obstante, a DRJ julgou improcedente a impugnação administrativa, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2011 JUROS. SELIC. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no Fl. 200DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.915 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.729397/2013-78 4 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. MULTA DE OFÍCIO. Será aplicada a multa de ofício de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar, em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade, a legislação vigente. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA NÃO PAGA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. É cabível a exigência da multa isolada sobre os valores de estimativa não paga concomitante com multa de ofício sobre o IRPJ devido no ajuste anual que deixou de ser recolhido, ainda que encerrado o período-base. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após, devidamente cientificados em 28/02/2020 (efl.176), o recorrente apresenta recurso voluntário, em 09/03/2020 (efls.179), às efls. 180/193, basicamente repisando os argumentos já apresentados nas petições impugnatórias, e, reforçando, além da tempestividade do recurso: a) Impossibilidade de cobrança simultânea das multas de ofício e isolada: alega bis in idem na cobrança das multas do art. 44, incisos I e II da Lei 9.430/1996. Além disso, argumenta que: a multa de ofício incide sobre o ajuste anual, ao passo que a multa isolada incide sobre estimativas mensais. Nesse aspecto, ambas punem a mesma infração: a falta de recolhimento do IRPJ. Cita também a Súmula CARF nº 105, que veda a exigência simultânea das duas multas e justifica que a alteração promovida pela Lei nº 11.488/2007 não justifica o afastamento da súmula. Finalmente, cita jurisprudência que veda a cumulação das penalidades quando há nexo de causalidade entre as infrações (aplicação do princípio da consunção); b) inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação da Taxa SELIC como juros moratórios: contesta a utilização da Taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, já que não há lei em sentido estrito que defina sua aplicação com precisão. Sustenta também que a SELIC possui caráter remuneratório e não pode ser usada para majoração de tributos; c) Caráter confiscatório da multa: alega que a multa aplicada ultrapassa os limites constitucionais do art. 150, IV, da CF, que veda o efeito confiscatório de tributos, e reforça a necessidade de obediência ao princípio da razoabilidade e ao limite de proporcionalidade; d) Inconstitucionalidade da SELIC como índice de atualização: reiterando que a SELIC, por não estar expressamente prevista em lei como índice para atualização de débitos tributários, viola os princípios da legalidade e da anterioridade tributária. E, no final, requereu: 1) Que o auto de infração seja considerado NULO, com fundamento no nos artigos 60 e 61, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972, por falta de observação às formalidades previstas no artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, com prejuízo ao pleno exercício do direito à ampla defesa e por exigir valores que em tese não estariam sob a responsabilidade do Impugnante; Fl. 201DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.915 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.729397/2013-78 5 2) Que o auto de infração seja julgado IMPROCEDENTE, por estar em desacordo com a documentação fiscal relacionada, bem como por exigir valores legalmente excessivos e desproporcionalmente confiscatórios. 3) Caso assim não entenda, que seja declarada nula a multa isolada imposta com base no art. 44, inciso II da Lei 9.430/96, tendo em vista sua impossibilidade de concomitância com a multa de ofício. Protesta por todos os meios de provas admitidos em direito, em especial, pela produção de provas periciais, com fundamento no artigo 16, inciso III e IV, do Decreto nº 70.235/1972, para que o tributo em discussão tenha sua base de cálculo devidamente revisada. Após, os autos foram encaminhados ao CARF, para apreciação e julgamento. É o Relatório. VOTO Conselheiro Jeferson Teodorovicz, Relator O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. Conforme relatado, trata-se de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ – lucro real, decorrente de insuficiência de recolhimento. A Recorrente não discute o mérito, atendo-se a questões como: (i) utilização da taxa SELIC para correção de tributos; (ii) natureza confiscatória da multa; e (iii) aplicação do princípio da consunção. Sobre os itens (i) e (ii), analisando o acórdão recorrido, entendo que ele deve ser mantido pelos próprios fundamentos, nos termos autorizados pelo §12 do art. 114 do RICARF: Art. 114. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes, ausentes e impedidos ou sob suspeição, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos, a matéria em que o relator restou vencido e o voto vencedor. (...) §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; e II – referência a súmula do CARF, devendo identificar seu número e os fundamentos determinantes e demonstrar que o caso sob julgamento a eles se ajusta. Nesse sentido, peço vênia para transcrever excerto da decisão: Selic: A autuada questiona a utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros incidentes sobre o crédito tributário lançado. Fl. 202DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.915 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.729397/2013-78 6 Contudo, a questão já se encontra pacificada no Enunciado da Súmula CARF 04, à qual, por força da Portaria MF 277/2018, foi atribuído efeito vinculante no âmbito da Administração Tributária Federal: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Multas - caráter confiscatório - argüição de inconstitucionalidade: Quanto à alegação de que as multas aplicadas possuem caráter confiscatório, tal argumento caracteriza argüição de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que lhes dão suporte. A respeito, não cabe à Administração Pública afastar a legislação vigente, pois, toda atividade administrativa passa-se na esfera infra-legal e as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legislador competente, gozam de presunção de constitucionalidade e legalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. É oportuno registrar que a atribuição dos julgadores da esfera administrativa está limitada a afastar a aplicação apenas de leis e atos normativos excluídos do ordenamento jurídico, nos termos dispostos no Decreto nº 70.235/72, artigo 26- A, introduzido pela Medida Provisória nº 449/2008. A matéria já se encontra sumulada na instância administrativa, conforme Súmula CARF 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. " Como se verifica, o acórdão recorrido inclusive referencia as súmulas CARF 2 e 4, de forma que deve ser mantido por seus próprios fundamentos. Quanto à aplicação do princípio da consunção, entretanto, entendo deva ser reformado o acórdão recorrido. Quanto à concomitância entre multa isolada e multa de ofício, dispõe o artigo 35 da Lei n° 8.981/95 que a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. O descumprimento da sistemática enseja a multa prescrita nos art. 43 e 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n°11.488/07. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 203DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.915 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.729397/2013-78 7 II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Assim, uma vez descumprido o recolhimento tempestivo da estimativa, válida a incidência da multa isolada. Contudo, no caso concreto, além da multa isolada, há lançamento de imposto devido e multa de ofício, situação vedada, em meu entendimento, inclusive conforme entendimento consolidado na Súmula CARF n. 105. Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101-001.261, de 22/11/2011; 9101-001.203, de 17/10/2011; 9101- 001.238, de 21/11/2011; 9101-001.307, de 24/04/2012; 1402-001.217, de 04/10/2012; 1102-00.748, de 09/05/2012; 1803-001.263, de 10/04/2012 Registre-se que a aplicação do princípio da consunção em matéria tributável é pacificamente aplicado pelo Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. OFENSA AOS ARTIGOS 489 E 1.022, AMBOS, DO CPC/2015. NÃO CARACTERIZAÇÃO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44, I E II, DA LEI 9.430/1996 (REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.488/2007). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. Deveras, não merece prosperar a preliminar alegada quanto à ofensa dos artigos 489 e 1.022, ambos, do CPC/2015. Impende registrar que inexiste no caso em testilha, a alegada violação aos artigos 489 e 1.022, inciso II do Código de Processo Civil, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, segundo se depreende da análise do acórdão recorrido. A rigor, o Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a controvérsia, não padecendo o julgado de erro, omissão, contradição ou obscuridade. Destaco que julgamento diverso do pretendido, como neste caso, não implica ofensa aos dispositivos de lei invocados. Com efeito, é firme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação; ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. 2. No mérito, a Fazenda Nacional defende a higidez do lançamento fiscal que impingiu à contribuinte a cobrança cumulada de multa de ofício e multa isolada, estas, impingidas à parte recorrida nos autos do Processo Administrativo nº Fl. 204DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.915 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.729397/2013-78 8 12448.728422/2012-15. Afirma a procuradoria fazendária, que não há qualquer ilegalidade na aplicação das multas fiscais, ora isolada e ora de ofício, de modo sucessivo e cumulativo, porquanto decorreram de infrações tributárias distintas, cada uma delas ensejando uma correspondente sanção, conquanto a violação do artigo 12, inciso III, da Lei n.º 8.212/1991. 3. Em suma, ao se examinar a pretensão fazendária posta neste apelo especial, verificar-se-á que a discussão nestes autos em epígrafe, defende a exigência concomitante e cumulada das multas tributárias impostas à contribuinte, seja em face da exigibilidade da infração fiscal imposta de ofício, pelo descumprimento de obrigação tributária acessória, seja pela multa fiscal impingida em razão da inobservância da obrigação tributária concernente ao dever da contribuinte de entregar corretamente a autoridade fiscal, os arquivos digitais com registros contábeis, nos termos do artigo 12, inciso III, da Lei 8.212/1991. 4. O Tribunal de origem ao examinar a legalidade da concomitância das multas fiscais, concluiu que a exigência isolada da multa deve ser absorvida pela multa de ofício, não devendo prosperar a cumulação pretendida pelo órgão fazendário (fls. 391, e-STJ). 5. Nesse sentido, no caso em apreço, me valho da linha argumentativa a muito difundida nessa Corte, segundo a qual preleciona pela aplicação do princípio da consunção ao exigir o cumprimento de medidas sancionatórias. A rigor, o princípio da consunção não se dá em abstrato, mas sim em concreto. É um preceito calcado na evolução do direito ocidental de limitação das punições (e não de sua eliminação). Dentro desse contexto, como critério de interpretação e aplicação do direito, entende-se que, para cada conduta, uma só punição em concreto, prevalecendo a maior, ainda que essa conduta possa ser enquadrada em mais de um tipo legal de infração. Precedentes no mesmo sentido. 6. Logo, o princípio da consunção ou da absorção é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas, hipótese em que a infração mais grave absorve as de menor gravidade, como no caso em apreço. Assim, em casos como o ora analisado, deve-se imperar a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo. Cobra-se apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo, em detrimento da multa prevista no artigo 12, inciso III, da Lei 8.218/1991. 7. Recurso Especial conhecido e não provido. (REsp n. 2.104.963/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 5/12/2023, DJe de 19/12/2023.) TRIBUTÁRIO. ADUANEIRO. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. 1. A multa de ofício tem cabimento nas hipóteses de ausência de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos casos de declaração inexata, sendo exigida no patamar de 75% (art. 44, I, da Lei n. 9.430/96). Fl. 205DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.915 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.729397/2013-78 9 2. A multa isolada é exigida em decorrência de infração administrativa, no montante de 50% (art. 44, II, da Lei n. 9.430/96). 3. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício, sendo por esta absorvida, em atendimento ao princípio da consunção. Precedentes: AgInt no AREsp n. 1.603.525/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 25/11/2020; AgRg no REsp 1.576.289/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 27/5/2016; AgRg no REsp 1.499.389/PB, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2015; REsp n. 1.496.354/PR, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe de 24/3/2015. 4. Recurso especial provido. (REsp n. 1.708.819/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 7/11/2023, DJe de 16/11/2023.) Assim, entendo deva ser afastada a multa isolada. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para dar-lhe parcial provimento, apenas para afastar a multa isolada, em face da consunção. É como voto. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz Fl. 206DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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