Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,079)
- Primeira Turma Ordinária (16,582)
- Primeira Turma Ordinária (16,499)
- Primeira Turma Ordinária (16,374)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,098)
- Segunda Turma Ordinária d (14,576)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,567)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (86,067)
- Terceira Câmara (68,611)
- Segunda Câmara (57,558)
- Primeira Câmara (21,900)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (129,102)
- Segunda Seção de Julgamen (116,246)
- Primeira Seção de Julgame (78,191)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,426)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,618)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,281)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,929)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,938)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,877)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,802)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,962)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,676)
- 2010 (18,059)
- 2026 (17,170)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (21,392)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19311.720121/2019-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Exercício: 2014, 2015
NULIDADE.
Descabe a arguição de nulidade quando se verifica que os Autos de Infração foram lavrados por pessoa que detém a respectiva competência e em consonância com a legislação vigente.
PEDIDO DE PERÍCIA.
Devem ser negadas as solicitações de perícia consideradas desnecessárias à solução do litígio e as que não atendam aos requisitos previstos na legislação de regência.
PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE.
O processo administrativo tributário admite todas as provas e meios de provas lícitos, inclusive a prova emprestada.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO
Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas, juridicamente independentes, mantendo direção e patrimônio próprios, sujeitam-se a uma coordenação geral, de sentido econômico (não formal), visando a um objetivo comum, sendo que os grupos econômicos de fato não possuem estrutura organizacional, prescindem de critérios legais e podem ser definidos pelas relações jurídicas de interesses comuns, subordinação, aceitando-se, quase sempre, presunções da sua existência.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE JURÍDICO COMUM. COMPROVAÇÃO.
São solidariamente obrigadas ao pagamento do crédito tributário lançado contra o contribuinte as demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico ou ainda as que tenham participado das práticas ilícitas apuradas, desde que comprovado o interesse jurídico comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, cabendo, entretanto, afastar a imputação de solidariedade nos casos de ausência de provas capazes de configurar o necessário interesse comum.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INFRAÇÃO À LEI.
Comprovada a existência de atos praticados com infração de lei, é correto atribuir aos administradores, de direito ou de fato, tanto da empresa autuada como de outras do mesmo grupo econômico, que tenham atuado em conjunto na realização de tais práticas ilícitas, responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado de ofício, durante o período em que detinham poder de gerência.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA RECEITA BRUTA.
A falta de apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou então do Livro Caixa, no caso de empresa habilitada ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base, no caso presente, e em sua maior parte, nas notas fiscais de vendas emitidas pelo próprio contribuinte, bem como em créditos bancários cuja origem não foi comprovada.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam receitas omitidas os valores depositados em conta corrente mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica, quando regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO.
A omissão deliberada e sistemática das receitas auferidas, nas DIPJ e nos Dacon, bem como dos débitos apurados, nas respectivas DCTF, aliada à total falta de pagamento dos tributos, configura procedimento doloso, visando a impedir ou retardar que a autoridade fazendária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador e demonstra o objetivo de sonegar tributos, sujeitando a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. LEI N. 14.689/2023. REDUÇÃO DE 150% PARA 100%.
Cabível a imposição da multa qualificada, prevista no artigo 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430/1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra na hipótese tipificada nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Na hipótese de existência de processo pendente de julgamento, seja administrativa ou judicialmente, tendo como origem auto de infração ora lavrado com base na regra geral de qualificação, a nova regra mais benéfica (art. 8º da Lei 14.689/2023) deve ser aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106, II, c do CTN, in casu, reduzida ao patamar máximo de 100% do valor do tributo cobrado.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que se dar a estes igual entendimento, ressaltando-se que a Impugnante não logrou comprovar que teria auferido receitas provenientes da comercialização de algumas mercadorias sujeitas, em função do regime monofásico, à alíquota zero, o que determinaria a exclusão de tais receitas da base de cálculo do PIS e da Cofins.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE DE NORMAS. SÚMULA CARF N. 2.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de normas.
APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12º, INC. I DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. DECLARAÇÃO DE CONCORDÂNCIA COM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-006.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (i) não conhecer do Recurso Voluntário do apontado como responsável solidário SAMIR DADAY; (ii) conhecer e negar provimento dos demais Recursos Voluntários; (iii) reconhecer de ofício a retroatividade benigna da multa qualificada, determinando a sua redução para o patamar de 100%.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Andre Severo Chaves, Fernando Augusto Carvalho de Souza e Andre Luis Ulrich Pinto.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 11 09:00:00 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202404
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 19311.720121/2019-12
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7061970
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 1401-006.915
nome_arquivo_s : Decisao_19311720121201912.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : DANIEL RIBEIRO SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 19311720121201912_7061970.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (i) não conhecer do Recurso Voluntário do apontado como responsável solidário SAMIR DADAY; (ii) conhecer e negar provimento dos demais Recursos Voluntários; (iii) reconhecer de ofício a retroatividade benigna da multa qualificada, determinando a sua redução para o patamar de 100%. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Andre Severo Chaves, Fernando Augusto Carvalho de Souza e Andre Luis Ulrich Pinto.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2024
id : 10422258
ano_sessao_s : 2024
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2014, 2015 NULIDADE. Descabe a arguição de nulidade quando se verifica que os Autos de Infração foram lavrados por pessoa que detém a respectiva competência e em consonância com a legislação vigente. PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser negadas as solicitações de perícia consideradas desnecessárias à solução do litígio e as que não atendam aos requisitos previstos na legislação de regência. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. O processo administrativo tributário admite todas as provas e meios de provas lícitos, inclusive a prova emprestada. GRUPO ECONÔMICO DE FATO Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas, juridicamente independentes, mantendo direção e patrimônio próprios, sujeitam-se a uma coordenação geral, de sentido econômico (não formal), visando a um objetivo comum, sendo que os grupos econômicos de fato não possuem estrutura organizacional, prescindem de critérios legais e podem ser definidos pelas relações jurídicas de interesses comuns, subordinação, aceitando-se, quase sempre, presunções da sua existência. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE JURÍDICO COMUM. COMPROVAÇÃO. São solidariamente obrigadas ao pagamento do crédito tributário lançado contra o contribuinte as demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico ou ainda as que tenham participado das práticas ilícitas apuradas, desde que comprovado o interesse jurídico comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, cabendo, entretanto, afastar a imputação de solidariedade nos casos de ausência de provas capazes de configurar o necessário interesse comum. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. Comprovada a existência de atos praticados com infração de lei, é correto atribuir aos administradores, de direito ou de fato, tanto da empresa autuada como de outras do mesmo grupo econômico, que tenham atuado em conjunto na realização de tais práticas ilícitas, responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado de ofício, durante o período em que detinham poder de gerência. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA RECEITA BRUTA. A falta de apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou então do Livro Caixa, no caso de empresa habilitada ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base, no caso presente, e em sua maior parte, nas notas fiscais de vendas emitidas pelo próprio contribuinte, bem como em créditos bancários cuja origem não foi comprovada. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam receitas omitidas os valores depositados em conta corrente mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica, quando regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. A omissão deliberada e sistemática das receitas auferidas, nas DIPJ e nos Dacon, bem como dos débitos apurados, nas respectivas DCTF, aliada à total falta de pagamento dos tributos, configura procedimento doloso, visando a impedir ou retardar que a autoridade fazendária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador e demonstra o objetivo de sonegar tributos, sujeitando a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. LEI N. 14.689/2023. REDUÇÃO DE 150% PARA 100%. Cabível a imposição da multa qualificada, prevista no artigo 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430/1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra na hipótese tipificada nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Na hipótese de existência de processo pendente de julgamento, seja administrativa ou judicialmente, tendo como origem auto de infração ora lavrado com base na regra geral de qualificação, a nova regra mais benéfica (art. 8º da Lei 14.689/2023) deve ser aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106, II, c do CTN, in casu, reduzida ao patamar máximo de 100% do valor do tributo cobrado. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que se dar a estes igual entendimento, ressaltando-se que a Impugnante não logrou comprovar que teria auferido receitas provenientes da comercialização de algumas mercadorias sujeitas, em função do regime monofásico, à alíquota zero, o que determinaria a exclusão de tais receitas da base de cálculo do PIS e da Cofins. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE DE NORMAS. SÚMULA CARF N. 2. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de normas. APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12º, INC. I DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. DECLARAÇÃO DE CONCORDÂNCIA COM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
atualizado_anexos_dt : Sat May 11 09:38:28 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798748580728537088
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-22T23:05:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-22T23:05:13Z; Last-Modified: 2024-04-22T23:05:13Z; dcterms:modified: 2024-04-22T23:05:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-22T23:05:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-22T23:05:13Z; meta:save-date: 2024-04-22T23:05:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-22T23:05:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-22T23:05:13Z; created: 2024-04-22T23:05:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; Creation-Date: 2024-04-22T23:05:13Z; pdf:charsPerPage: 2117; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-22T23:05:13Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19311.720121/2019-12 Recurso Voluntário Acórdão nº 1401-006.915 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de abril de 2024 Recorrente SUPER MIX COMÉRCIO DE PRODUTOS DE PERFUMARIA LTDA E OUTROS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2014, 2015 NULIDADE. Descabe a arguição de nulidade quando se verifica que os Autos de Infração foram lavrados por pessoa que detém a respectiva competência e em consonância com a legislação vigente. PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser negadas as solicitações de perícia consideradas desnecessárias à solução do litígio e as que não atendam aos requisitos previstos na legislação de regência. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. O processo administrativo tributário admite todas as provas e meios de provas lícitos, inclusive a prova emprestada. GRUPO ECONÔMICO DE FATO Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas, juridicamente independentes, mantendo direção e patrimônio próprios, sujeitam-se a uma coordenação geral, de sentido econômico (não formal), visando a um objetivo comum, sendo que os grupos econômicos de fato não possuem estrutura organizacional, prescindem de critérios legais e podem ser definidos pelas relações jurídicas de interesses comuns, subordinação, aceitando-se, quase sempre, presunções da sua existência. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE JURÍDICO COMUM. COMPROVAÇÃO. São solidariamente obrigadas ao pagamento do crédito tributário lançado contra o contribuinte as demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico ou ainda as que tenham participado das práticas ilícitas apuradas, desde que comprovado o interesse jurídico comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, cabendo, entretanto, afastar a imputação de solidariedade nos casos de ausência de provas capazes de configurar o necessário interesse comum. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 01 21 /2 01 9- 12 Fl. 3603DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. Comprovada a existência de atos praticados com infração de lei, é correto atribuir aos administradores, de direito ou de fato, tanto da empresa autuada como de outras do mesmo grupo econômico, que tenham atuado em conjunto na realização de tais práticas ilícitas, responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado de ofício, durante o período em que detinham poder de gerência. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA RECEITA BRUTA. A falta de apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou então do Livro Caixa, no caso de empresa habilitada ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base, no caso presente, e em sua maior parte, nas notas fiscais de vendas emitidas pelo próprio contribuinte, bem como em créditos bancários cuja origem não foi comprovada. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam receitas omitidas os valores depositados em conta corrente mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica, quando regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. A omissão deliberada e sistemática das receitas auferidas, nas DIPJ e nos Dacon, bem como dos débitos apurados, nas respectivas DCTF, aliada à total falta de pagamento dos tributos, configura procedimento doloso, visando a impedir ou retardar que a autoridade fazendária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador e demonstra o objetivo de sonegar tributos, sujeitando a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. LEI N. 14.689/2023. REDUÇÃO DE 150% PARA 100%. Cabível a imposição da multa qualificada, prevista no artigo 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430/1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra na hipótese tipificada nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Na hipótese de existência de processo pendente de julgamento, seja administrativa ou judicialmente, tendo como origem auto de infração ora lavrado com base na regra geral de qualificação, a nova regra mais benéfica (art. 8º da Lei 14.689/2023) deve ser aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106, II, “c” do CTN, in casu, reduzida ao patamar máximo de 100% do valor do tributo cobrado. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Fl. 3604DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que se dar a estes igual entendimento, ressaltando- se que a Impugnante não logrou comprovar que teria auferido receitas provenientes da comercialização de algumas mercadorias sujeitas, em função do regime monofásico, à alíquota zero, o que determinaria a exclusão de tais receitas da base de cálculo do PIS e da Cofins. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE DE NORMAS. SÚMULA CARF N. 2. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de normas. APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12º, INC. I DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. DECLARAÇÃO DE CONCORDÂNCIA COM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (i) não conhecer do Recurso Voluntário do apontado como responsável solidário SAMIR DADAY; (ii) conhecer e negar provimento dos demais Recursos Voluntários; (iii) reconhecer de ofício a retroatividade benigna da multa qualificada, determinando a sua redução para o patamar de 100%. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Andre Severo Chaves, Fernando Augusto Carvalho de Souza e Andre Luis Ulrich Pinto. Fl. 3605DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que julgou improcedente, as impugnações apresentadas pelo contribuinte e pelos responsáveis solidários contra o Auto de Infração de fls. 371/467, lavrado com o objetivo de constituir crédito tributário referente a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes ao ano-calendário de 2014 e 2015, no valor histórico de R$ 235.282.058,26. Tendo tomado ciência acerca do lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 522/582), o que fez com base nas seguintes alegações: a) Alega que inexiste o “grupo econômico” apontado pela Fiscalização no Auto de Infração, cujo comando supostamente seria exercido pelo Sr. Charif Saleh, e que esse entendimento seria decorrente de duas ações fiscais anteriores, que resultar no PAF n.º 1-882.723438/2016-19 e no de n.º 19515.720598/2018-1; b) Que o artigo 265 da Lei no 6.604/76 prevê expressamente a figura do grupo econômico convencional, o qual deve ser constituído pela manifestação formal de vontade de seus integrantes, com a intenção de unir esforços para o bem comum das sociedades envolvidas, e que mesmo no grupo econômico constituído nos termos do referido artigo há independência jurídica entre as empresas; c) Que também são considerados grupos econômicos aqueles nos quais o arranjo de sociedades apresenta preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores, sendo o controle decisório elemento essencial para caracterizar a ideia de grupo econômico; d) Que no presente caso, nenhum dos requisitos encontra-se presente, conforme o que segue: Laviga Comércio Atacadista EIRELI: o vínculo existente entre o Impugnante e a Laviga decorre apenas da identidade do sócio administrador em seus respectivos quadros societários, o que, contudo, por si só, não caracteriza a existência de interesse jurídico comum nos fatos geradores dos tributos devidos por quaisquer delas, e que o fato de duas empresas estabelecerem entre si relações comerciais não autoriza o reconhecimento de grupo econômico e tampouco serve como indício da existência de interesse jurídico comum; Big Bom Comércio e Distribuição de Bebidas Ltda: os recursos financeiros transferidos entre as referidas empresas decorrem de contratos de mútuos pactuados entre as mesmas, restando sobejamente demonstrada a origem lícita e regular dos recursos financeiros; Fite Distribuidora de Bebidas e Gêneros Alimentícios Ltda-ME: o vínculo existente entre o Impugnante e a Fite decorre apenas da identidade do sócio administrador em seus respectivos quadros Fl. 3606DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 societários, o que, contudo, por si só, não caracteriza a existência de interesse jurídico comum nos fatos geradores dos tributos devidos por quaisquer delas, e que a transferência de recursos financeiros entre elas, por si, não tem o condão de caracterizar a existência de um grupo econômico; Supermix Comércio Atacadista e Distribuição de Produtos Industrializados Ltda: a mera ocorrência de transferências de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, por si só, não tem o condão de caracterizar a existência de um grupo econômico, e que entuais descumprimentos de obrigações tributárias principais e acessórias por essa empresa, assim como o fato de ela ter sido declarara inapta, não guarda qualquer relação com a Impugnante e tampouco com os fatos alegados no presente trabalho fiscal; Jamal Kaled Omram Eireli Epp: limitou-se a consignar a total inexistência de vínculo entre as pessoas do quadro societário da empresa em comento, com o Impugnante; 707 Auto-Serviço de Alimentos Ltda: referida empresa é autônoma e distinta do Impugnante, e que possuem entre si apenas relações comerciais, sendo fornecedoras e clientes uma da outra. e) Que o Fisco, ao construir esse imaginário “esquema fraudulento”, o Fisco não se preocupou em colacionar provas redundantes de sua real existência, mantendo-se no campo das meras presunções, não havendo, portanto, nenhuma comprovação dos fatos sustentados pela Fiscalização; f) Que o ordenamento jurídico brasileiro repudia o lançamento baseado em meras presunções, consoante estabelece o artigo 9º do Decreto nº 70.235/72; g) Que ao longo da ação fiscal, o Impugnante comprovou que os recursos financeiros transferidos pela empresa BIG BOM COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE BEBIDAS LTDA à mesma são provenientes de contratos de mútuos firmados entre as referidas empresas, o que foi, contudo, totalmente ignorado pelo Fisco, e que uma vez comprovada a origem dos recursos pelo contribuinte fiscalizado, tal como procedeu o Impugnante, descabe o lançamento com fundamento no artigo 42 da Lei n.º 9.430/96; h) Que o Fisco classificou como “receita” da Impugnante - presumidamente omitida - valores que se referem a transferências e depósitos realizados entre contas bancárias de sua mesma titularidade, os quais, obviamente, não podem ser considerados como faturamento e receita da pessoa jurídica, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material; i) Que mesmo havendo a possibilidade da Administração arbitrar o valor do tributo a ser cobrado, baseando-se em elementos idôneos de que dispuser, deve fazê-lo de forma razoável, não podendo confundir ARBITRAMENTO com ARBITRARIEDADE; j) Que o Fisco não deduziu da base de cálculo dos tributos exigidos os valores referentes às vendas canceladas, devoluções e descontos concedidos incondicionalmente, assim como as várias operações de bonificações que arbitrariamente foram incluídas na apuração das bases Fl. 3607DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 de cálculo dos lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS ora hostilizados; k) Que os pontuados equívocos incorridos pelo Fisco, além de majorarem indevidamente o crédito tributário, onerando de forma ilegal o Impugnante, ainda trazem implícito outro vício: a iliquidez do crédito tributário, decorrente da impossibilidade de retificação do lançamento por parte da Autoridade Julgadora, sem que haja afronta ao artigo 142 do Código Tributário Nacional; l) Que também foram desconsideradas a existência de mercadorias sujeitas à retenção monofásica do PIS e da COFINS, tais como, energéticos, sucos, refrescos em pó, assim como produtos de perfumaria, toucador e higiene pessoal, tais como creme dental, desodorante, dentre outros, sendo forçoso reconhecer que os Autos de Infração lavrados relativos ao PIS e à COFINS estão a exigir indevidamente valores sobre operações tributadas à alíquota zero, em nítida afronta ao princípio da legalidade; m) Que houve a indevida inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, de modo que é imperiosa a determinação do cancelamento dos respectivos lançamentos, ou, no mínimo, seja determinado o expurgo dessas parcelas dos créditos tributários exigidos através dos referidos lançamentos; n) Que no presente caso seria inaplicável a incidência da multa qualificada, já que o lançamento foi realizado com base em mera presunção, enquanto a aplicação da referida multa depende que o Fisco identifique e comprove a ocorrência do dolo, fraude ou simulação; o) Por fim, alega que a multa no patamar de 150% revela-se confiscatória, de modo que também por essa razão ela deve ser cancelada; Também apresentaram impugnações, os responsáveis solidários (fls. 586/622, 2.622/2.635, 2.640/2.678, 2.700/2.721, 2.726, 2.750/2.762, 2.776/2.787), em que pretendem sua exclusão do polo passivo da presente relação jurídico-tributária. Considerando que as impugnações compartilham muitos dos argumentos, as razões da defesa serão sintetizadas abaixo de forma conjunta, e quando houver algum ponto específico de determinado sujeito passivo, haverá menção expressa sobre o autor da alegação. Dito isso, a exclusão dos responsáveis do polo passivo, foi feita com base nas seguintes alegações: a) Que a solidariedade de que trata o inciso I do art. 24 do CTN, demanda que todos os devedores tenham um interesse focado na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, ou seja, somente pode existir entre sujeitos que figurem no mesmo polo da relação obrigacional, de modo que ambos os sujeitos passivos tenham executado em concurso o fato gerador do tributo; b) Que não é possível atribuir a participação em grupo econômico a empresas que apenas possuem entre si, relações comerciais, sem exclusividade, e Fl. 3608DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 que possuem escrituração contábil e fiscal própria, à disposição da Fiscalização; c) Que não basta, para caracterizar um grupo econômico de fato, as empresas possuírem similitude do objeto social e terem sido, em algum momento, administradas por membros da mesma família, e que a presença de familiares nos quadros societários de diversas empresas não é indício de nada, quanto mais prova, sendo um completo descalabro imaginar que tal fato seja suficiente para comprovar qualquer fraude; d) Que a responsabilização dos sócios administradores das empresas pertencentes ao grupo econômico deve ser precedida da comprovação da prática de atos com dolo, fraude, excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, o que não se verifica nos presentes autos; e) Que a atribuição da responsabilidade tributária, tomando como base procedimentos fiscais anteriores, sem que haja qualquer tipo de investigação no caso em concreto, revela-se totalmente arbitrária, e não deve prevalecer; f) Que não tendo a prova indiciária o condão de apontar efetivamente a autoria da infração, subsiste alegação de ilegitimidade passiva, e que no presente caso, por haver dúvidas quanto a legitimidade dos corresponsáveis, deve-se interpretar a legislação de forma mais favorável aos mesmos, em decorrência do princípio in dubio pro contribuinte, insculpido no art. 112 do CTN; g) Que não é possível atribuir os efeitos do arbitramento do lucro do devedor principal a terceiros e pela impossibilidade de imposição de multa com agravamento à terceiro responsabilizado solidariamente, uma vez que realizado com base em movimentações financeiras individualizadas; h) Que não é possível aplicar a multa qualificada com relação aos corresponsáveis, tendo em vista que os mesmos não possuem qualquer ingerência no atendimento das intimações fiscais recebidas pelo contribuinte, bem como no cumprimento das obrigações acessórias por este, sob pena de ofensa ao princípio da personalização da pena, previsto no inciso XLV do art. 5º da Constituição Federal de 1988; i) Que a 707 Auto-Serviço de Alimentos Ltda jamais poderia ser responsabilizada, em razão de ter figurado no polo oposto da relação, já que praticou operações de compra e venda com o Impugnante, em operações realizadas de maneira absolutamente legal e regular, conforme comprovado pelas Notas Fiscais e comprovantes de pagamento anexados aos autos, tanto que tais notas foram utilizadas na composição do arbitramento, razão pela qual o adquirente de boa-fé não pode ser responsabilidade por eventuais irregularidades praticadas pelo vendedor das mercadorias; Fl. 3609DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 j) Que a 707 Auto-Serviço de Alimentos Ltda não pode ser considerada o braço varejista do contribuinte, posto que as aquisições de mercadorias deste, referem-se apenas à uma parcela da totalidade das aquisições realizadas pela 707, e que o Sr. Ali Charif Saleh jamais foi sócio ou administrador, seja de direito ou de fato da 707, sendo absurdo e inverídico se cogitar que esta estaria sob o seu comando; k) Que mesmo que fosse possível atribuir a responsabilidade tributária à 707, ainda assim o conteúdo econômico das suas relações comerciais com a empresa devedora principal Super Mix, daria ensejo apenas a uma pequena parcela dos tributos em exigência, mas nunca a totalidade; l) Que o Sr. Ali Chariff não pode ser responsabilizado por atos supostamente praticados pelas empresas das quais é sócio (Super Mix, Lavida e Fite) posto que a pessoa física do sócio e a respectiva pessoa jurídica possuem personalidade e patrimônio próprios e independentes, pelo que não se confundem; m) Que o disposto no inciso III do art. 135 do CTN não se aplica ao Sr. Ali Chariff, posto que este não exercer o comando do imaginário grupo econômico, bem como porque não exerceu, no período fiscalizado, qualquer ato de administração, gestão ou gerência das sociedades mencionadas no Auto de Infração; n) Que o Sr. Ali Chariff nunca foi sócio, de direito ou de fato, da Big Bom Comércio e Distribuição de Bebidas Ltda, inscrita no CNPJ sob o n° 18.270.938/0001-97, assim como jamais exerceu a administração e/ou gerência da referida empresa, e que ele desconhece o instrumento de procuração pública mencionado pela fiscalização; o) Que o Sr. Ali Chariff nunca exerceu quaisquer dos poderes conferidos na procuração, de modo que tal instrumento não produziu efeitos no mundo jurídico, já que, na qualidade de negócio jurídico unilateral, a procuração se forma mediante unicamente a declaração de vontade do outorgante, que para isso não precisa obter o consentimento do procurador; p) Que a imputação do Sr. Allan Sanchez como sócio administrador de fato das empresas 707 e Big Bom, mostra-se descabida, tendo em vista que ele nunca figurou no quadro societário das referidas empresas, e tampouco foi nomeado como administrador ou mesmo nunca lhe foi outorgado qualquer instrumento de mandato com poderes gerenciais; q) Que a única ligação que o Sr. Allan possui com a 707, decorre do fato de ter hipotecado alguns dos imóveis de sua propriedade como garantia de dívida assumida pela 707 no banco Santander, e que isso decorreu apenas da relação familiar que possui com a sócia administradora da 707 (tia de sua esposa), e que na própria cédula de crédito, consta expressamente que a garantia se formalizou mediante imóveis de terceiro, entranho ao contrato e à empresa devedora; Fl. 3610DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 r) Que o Sr. Allan ajuizou a Ação Ordinária nº 0006086-73.20154036100 objetivando a desconstituição do arrolamento que recaiu sobre bens de sua propriedade, em razão de processo administrativo anterior, e que em decisão proferida em 2ª instância, o TRF desconstituiu o arrolamento efetuado; s) Que não há provas nos autos de que o Sr. Samir Daday, sócio da Big Bom, seria interposta pessoal, e que o fato deste possuir ou não capacidade econômica para integrar o quadro societário da empresa, em nada se relaciona com o Sr. Allan; t) Que o Sr. Allan desconhece o instrumento de procuração lavrado pelo Sr. Samir outorgando-lhe poderes em nome da Big Bom, e que nunca utilizou os poderes que lhe foram conferidos; u) Que a Sra. Karin Philipp jamais integrou o quadro societário do contribuinte, assim como jamais foi a sua mandatária, gerente, diretora ou procuradora; v) Que a mera identidade de sócios entre o contribuinte e a Fite e a Laviga não é condição suficiente para a comprovação de existência de grupo econômico, de modo que a responsabilização dessas últimas demandaria a comprovação de existência de uma unidade diretiva comum, com o controle comprovado de uma empresa pela outra, e, ainda, a comprovada confusão patrimonial entre as empresas, o que não se verifica no trabalho fiscal; w) Que a Fite efetuou com o contribuinte, operações comerciais, e que tais transferências foram realizadas a título de adiantamento à sua principal fornecedora, sendo uma prática comercial absolutamente comum. Posteriormente, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, proferiu o Acórdão n.º 16-90.670 (fls. 2.810/2.855) abaixo ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2014, 2015 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe arguição de nulidade quando se verifica que os Autos de Infração foram lavrados por pessoa que detém competência para tanto, sem preterição ao direito de defesa. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. O processo administrativo tributário admite todas as provas e meios de provas lícitos, inclusive a prova emprestada. Fl. 3611DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser negadas as solicitações de perícia consideradas desnecessárias à solução do litígio e as que não atendam aos requisitos previstos na legislação de regência. APRESENTAÇÃO DE PROVAS EM MOMENTO POSTERIOR À IMPUGNAÇÃO. INDEFERIMENTO. Deve ser negada a solicitação de juntada de provas documentais em momento posterior à apresentação da impugnação que não atenda às exceções previstas na lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2014, 2015 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. O grupo econômico de fato decorre da unidade de direção e de operação das atividades empresariais de mais de uma pessoa jurídica, a qual demonstra a artificialidade da separação jurídica de personalidade. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE JURÍDICO COMUM. COMPROVAÇÃO. São solidariamente obrigadas ao pagamento do crédito tributário lançado contra o contribuinte as demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico que tenham participado efetivamente nas práticas ilícitas apuradas, restando assim comprovado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. É correto atribuir aos administradores, de direito ou de fato da empresa autuada, responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado de ofício, caracterizada a prática, por estes, de atos com infração de lei. DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE A PROCESSO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual depois do lançamento de ofício com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2014, 2015 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracteriza-se como omissão de receita o crédito de valores em conta bancária cuja origem não seja comprovada mediante documentação hábil e idônea. Fl. 3612DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. A omissão sistemática das receitas auferidas, nas escriturações contábil e fiscal, configura procedimento doloso, visando a impedir ou retardar que a autoridade fazendária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador e demonstra o objetivo de sonegar tributos, sujeitando a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, referentes à CSLL, à Contribuição ao PIS/Pasep e à Cofins, há que se dar a estes igual entendimento. Impugnação improcedente. Crédito Tributário Mantido. Inicialmente, a DRJ consignou a ausência de nulidade no presente lançamento, tendo em vista que o Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente, assim como não houve preterição do direito de defesa, tanto que o contribuinte e demais corresponsáveis pela dívida apresentaram defesa alegando o que entenderam de direito. Com relação ao mérito, reforçou a existência do grupo econômico mencionado pela Fiscalização, e que a responsabilização solidária não se deu pelo simples fato de sua existência, mas sim pelo abuso da personalidade jurídica, de modo que a separação da personalidade jurídica é meramente artificial, razão pela qual o grupo realiza indiretamente o fato gerador tributário e, portanto, seus integrantes possuem interesse comum apto a ensejar a responsabilidade tributária. Em seguida, admitiu a utilização de prova emprestada de outro processo, assim como de suas conclusões, posto que foi permitido aos sujeitos passivos, o exercício do contraditório e da ampla defesa. No caso em concreto, o abuso da personalidade se deu pelo fato de que no âmbito do processo administrativo fiscal nº 10882.723438/2016-19, aberto em face do Contribuinte, com relação aos anos-calendário 2011, 2012 e 2013, configurou-se a existência de um grupo econômico de fato encabeçado pelo sr. Ali Charif Saleh – sócio administrador e detentor de 100% do capital social do Contribuinte –, em torno de quem gravitavam diversas outras pessoas físicas e jurídicas, integrantes do mesmo grupo econômico, todas do mesmo ramo de atividade da Autuada, atuando conjuntamente, de forma coordenada, com objetivos comuns, quais sejam, de auferir ganhos financeiros às custas de sonegação fiscal, com continuidade e contumácia, no qual cada uma delas, quase sempre na condição de fornecedora, funcionava como um elo da cadeia comercial, desde o momento da aquisição das mercadorias junto a grandes indústrias até seu destino final, no comércio varejista. Ademais, consignou que as empresas componentes do grupo, agiam de forma idêntica, apresentando ao Fisco Federal suas declarações fiscais “zeradas”, deixando de recolher os tributos correspondentes aos resultados com suas atividades comerciais, bem como que foi Fl. 3613DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 constatada a confusão patrimonial e financeira entre as empresas, caracterizada principalmente, pela transferência de relevantes quantias (R$ 92.416.117,25, em 2014, e R$ 90.711.273,17, em 2015) da empresa Big Bom para o contribuinte, sem comprovação da origem de tais recursos. Aduziu ainda que no processo administrativo fiscal nº 10882.722077/2014-13, foram identificados diversos ilícitos cometidos, entre os quais sonegação e fraude fiscal, inclusive, praticados pelo ora contribuinte, tendo sido caracterizada a unidade de direção e de operação das atividades empresariais de mais de uma pessoa jurídica. No tocante aos depósitos bancários sem origem comprovada, entendeu que o contribuinte trouxe mera relação de créditos bancários, que supostamente seriam referentes à contratos de mútuo celebrados entre o contribuinte e a Big Bom, sem, contudo, apresentar os referidos contratos que justificariam o ingresso de tais valores. Também entendeu não comprovada a existência no lançamento de valores correspondentes à transferência entre contas bancárias da mesma titularidade, já que as planilhas colacionadas refletem extratos bancários da conta de destino dos recursos financeiros, sem apresentar, contudo, extrato bancário da conta de origem dos recursos. De igual forma, entendeu não restar comprovada a alegação de que o lançamento teria considerado receitas relacionadas a operações de devoluções de vendas, vendas canceladas, descontos incondicionais e bonificações. Com relação à alegação de que o lançamento teria considerado produtos sujeitos à tributação monofásica do PIS e da COFINS (bebidas e produtos de perfumaria e higiene pessoal), entendeu que apesar do produto “energético” estar sujeito à tributação monofásica, todas as Notas Fiscais de bebidas juntadas pelo contribuinte são referentes a “refresco em pó”, produto que não se encontra entre os consignados na Exceção 02 do código 21.06.90.10, bem como as demais bebidas mencionados pelo contribuinte não se sujeitavam à tributação monofásica. De igual modo, os produtos de perfumaria e higiene pessoal mencionados não se sujeitavam à tributação monofásica, posto que a partir de 10/07/2023, data de publicação da Lei n.º 12.839/2013, os produtos com NCM 33.06 deixaram de se sujeitar àquela modalidade de incidência. Com relação à inclusão do ICMS na base do PIS e da COFINS, entendeu que apesar de haver julgamento favorável à tese pretendida no RE 574.706/PR, os autos não haviam transitado em julgado, além de não haver manifestação da PGFN a esse respeito, que vincule a Receita Federal àquele entendimento. Manteve a multa qualificada, pois foram atendidos todos os pressupostos §1º e do inciso I do art. 44 da Lei n.º 9.430/96, já que o contribuinte emitiu NF-es de vendas no valor total de R$ 405.306.310,73, em 2014, e de R$ 425.920.234,46, em 2015, associadas à existência de créditos bancários de origem não comprovada em contas de sua titularidade no montante de R$ 147.549.776,98, em 2014, e de R$ 150.590.264,58, em 2015, não tendo transmitido, via Sped, a Escrituração Contábil Fiscal - ECF, a Escrituração Contábil Digital - ECD e a Escrituração Fiscal Digital - EFD – Contribuições, envolvendo esquema fraudulento levado a efeito pelo grupo econômico no qual se insere, visando a impedir, ou retardar, que a autoridade fazendária Fl. 3614DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 tomasse conhecimento da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias, promovendo sistematicamente a ocultação das receitas auferidas, que deveriam ser devidamente informadas na escrituração digital, tudo configurando prática dolosa com o objetivo de sonegação de tributos. Além disso, deixou de apreciar a alegação de confiscatoriedade da penalidade, por faltar competência à DRJ para declarar a inconstitucionalidade da legislação federal vigente. No tocante à atribuição da responsabilidade solidária aos corresponsáveis arrolados pela fiscalização, manteve-os no polo passivo, sob o fundamento de que não há dúvidas com relação à prática de atos dolosos que ensejam a responsabilização, e que não há que se falar em personalização da pena, regra de direito penal aplicável aos casos de sucessão da pena, que não se confunde com o caso dos autos, e que restou configurado seu interesse comum na situação vinculada à materialidade do fato jurídico tributário, bem como seus vínculos com o ilícito tributário e com a pessoa do Contribuinte. Considerando a 707, a DRJ evidenciou que 100% do capital social é detido pela pessoa da Sra. Karin Philipp, e que esta foi sócia do Sr. Allan Sanchez Saleh na empresa LDS Participações Ltda. Ademais, o Sr. Allan hipotecou alguns dos seus imóveis para garantir uma dívida da 707 no valor de R$ 2.930.000,00, sendo que este é marido da sobrinha da Sra. Karin e filho do Sr. Ali Charif, comandante do grupo econômico. Ademais, até 24/04/2014, o endereço de Allan Sanchez Saleh era Estrada do Alvarenga, nº 1.394, o mesmo de várias empresas do grupo econômico, assim como de alguns dos sócios-administradores dessas empresas, e que se tratava de um galpão vazio. Também não foi possível considerar as Notas e os comprovantes de pagamento juntados aos autos, posto que não houve a demonstração da correlação entre tais documentos. Considerando o Sr. Ali Charif, evidenciou que este é sócio-administrador do contribuinte, detendo 100% do seu capital social, além de ser sócio-administrador das empresas Fite e Laviga. Ademais, ele possuía, por força de procuração, plenos poderes concedidos pela empresa “Big Bom”, para o ano-calendário de 2014, para a realização de todas as suas atividades, restando aplicável, desta forma, o disposto no art. 135 do CTN. Afastou ainda a alegação de que o Sr. Ali não tinha conhecimento da procuração que lhe fora outorgada pela Big Bom, já que o cadastro do e-mail utilizado junto ao Banco Itaú pela empresa “Big Bom” encontrava-se em nome do sr. Ali Charef Saleh, sendo o endereço ali utilizado também o domicílio fiscal de empresa titularizada pelo mesmo, que, vale observar, revelou-se coincidente ou adjacente ao endereço de outras empresas que compõem o grupo em questão. Além disso, verificou-se que a movimentação financeira da empresa “Big Bom” se mostrou incompatível com seu capital social, tendo como maiores remetentes/beneficiários de recursos financeiros movimentados pela Big Bom empresas ligadas ao Sr. Ali Charif Saleh, seu filho Allan Sanchez Saleh e o seu sobrinho Anuar Khaled Saleh. Considerando o Sr. Allan Sanchez, iniciou que não levaria em consideração o teor da decisão proferida nos autos do processo de n.º 0006086-73.20154036100, tendo em vista o teor as Súmula CARF n.º 01. Em seguida, consignou que o Sr. Allan seria o administrador de Fl. 3615DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 fato da Big Bom juntamente com seu pai, participando ativamente da empresa desde a sua constituição, tanto que assim como o Sr. Ali, possuía procuração pública para atuar em nome da empresa sendo pouco razoável que, diante do relacionamento financeiramente relevante entre a “Big Bom” e as empresas “Super Mix”, o titular daquela pessoa jurídica tivesse conferido tais poderes sem que as referidas pessoas físicas sequer tivessem conhecimento do fato nem qualquer causa negocial. Considerando a Supermix Comércio Atacadista e Distribuição, foi constatado que houve a transferência de recursos entre esta e o contribuinte, sem que fosse comprovada a origem de tais valores. Considerando a Fite Distribuidora, restou comprovado a partir da fiscalização que a referida empresa não possui capacidade operacional, apresentou grande volume de vendas sem recolher tributos e entregava sua DIPJ "zerada", e que sua função no grupo econômico era o de servir de elo para as vendas destinadas à atacadista Barcelona, o que era feito da seguinte forma:as mercadorias saiam das grandes indústrias, iam para o Espírito Santo, retornavam a São Paulo para uma das empresas do grupo ("Super Mix" ou "Multimarcas"), e eram "vendidas" para a Fite Distribuidora, e desta partiam para a atacadista "Barcelona". Não houve comprovação de que as transferências realizadas entre a Fite e o contribuinte seriam adiantamentos, razão pela qual não se pode admitir a alegação da defesa. Por fim, considerando a Laviga, foi demonstrado que esta servia para que, ao final, mediante utilização de benefícios fiscais do ICMS e sonegação fiscal, revendesse produtos para grandes atacadistas a valores inferiores àqueles que seriam praticados caso os produtos fossem adquiridos diretamente das grandes indústrias, posto que estando localizada no Estado do Espírito Santo, adquiria as mercadorias das grandes indústrias das Regiões Sul e Sudeste, com redução de alíquota de ICMS, e em seguida, revendia as mercadorias para empresas do grupo localizadas no Estado de São Paulo, sem recolher os tributos devidos. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 2.999/3.063), assim como os responsáveis solidários (fls. 2.930/2.990, 3.437/3.440, 3.444/3.460, 3.463/3.498, 3.519/3.540, 3.555/3.566, 3.570/3.581), em que basicamente reiteram os argumentos tecidos na defesa, e apresentam documentação adicional. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. Do Recurso Voluntário do Responsável Samir Daday – Não Conhecimento Fl. 3616DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 Inicialmente, antes de adentrar à análise dos demais recursos voluntários apresentados pela contribuinte e solidários, no que se refere ao recurso apresentado pelo solidário SAMIR DADAY entendo que o mesmo não deve ser conhecido. Isto porque, como é inconteste, a respectiva solidária apesar de regularmente intimada não apresentou Impugnação. Conforme se verifica do AR anexado na fl. 515 o responsável solidário foi intimado em 01/07/2019, e apenas protocolou sua Impugnação em 07/08/2019. Por este motivo é que o Acórdão recorrido não conheceu da referida impugnação. Em sede recursal o responsável alega que por não estar em seu domicílio na data do recebimento da intimação só conseguiu protocolar a impugnação em data posterior ao prazo legal. Além disso, alega ser nula a intimação por não ter sido realizada pessoalmente ao responsável. Nada mais absurdo e aparentemente protelatório. O art. 23 do RPAF prevê a intimação por meio postal como um dos meios válidos de notificação das partes, se realizado no domicílio informado pelo contribuinte. Outrossim, o § 3º dispõe que inexiste ordem de preferência entre a intimação pessoal, postal ou por meio eletrônico. Tal matéria, inclusive, é objeto de súmula de aplicação vinculante por este Conselho: Súmula CARF nº 9 Aprovada pelo Pleno em 2006 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assim, válida a intimação do lançamento. Por sua vez, nos termos do que dispõe o art. 14 do RPAF é a impugnação que instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal e, não tendo sido apresentada pela solidária, não instaurou-se o litígio e, portanto, o Recurso Voluntário não deve ser conhecido. Outrossim, não tratando-se de nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do RPAF, bem como não se tratando de matéria de ordem pública, tal matéria não pode ser conhecida de ofício por este julgador. Assim, deixo de conhecer o Recurso Voluntário apresentado responsável solidário SAMIR DADAY. Dos demais Recursos Voluntários do contribuinte e responsáveis solidários Fl. 3617DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 Os demais recursos são tempestivo e preenchem os requisitos de admissibilidade, por isso deles conheço. Da análise dos autos é fácil constatar que os Recursos Voluntários apresentados, constituem-se basicamente em reprodução dos fundamentos das impugnações cujos argumentos foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Aliás, cumpre ressaltar que o presente lançamento possui similitude fática com os lançamentos realizados nos autos dos processos administrativos 10882.723438/2016-19 (já julgado por esta TO) e 10882.722077/2014-13, alterando-se apenas os fatos geradores e, por vezes, o agravamento da penalidade e os responsáveis solidários envolvidos. Entretanto, os fundamentos e alegações defensivas sempre se repetem e já foram reiteradamente apreciadas por este Conselho. No mais, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo inc. I, § 12º do Art. 114 do novo Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria n. 1.634 de 21 de dezembro de 2023): Art. 114. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes, ausentes e impedidos ou sob suspeição, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos, a matéria em que o relator restou vencido e o voto vencedor. § 1º O relator deverá formalizar o acórdão no prazo de quinze dias, contado da movimentação dos autos para essa atividade. (...) §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; e II - referência a súmula do CARF, devendo identificar seu número e os fundamentos determinantes e demonstrar que o caso sob julgamento a eles se ajusta. Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, nas partes que se aplicam, considerando-se como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida: Voto IMPUGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE Fl. 3618DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 Preliminar de nulidade 82. Uma das hipóteses previstas de nulidade dos atos processuais está definida no inc. I do art. 59 do Dec. nº 70.235, de 1972, que se refere ao caso em que a lavratura tenha sido feita por pessoa incompetente, o que não veio a ocorrer na situação presente. Quanto à outra hipótese, do inc. II, in fine, do mesmo dispositivo, qual seja, “preterição ao direito de defesa”, nada é alegado e nem poderia ser diferente, vista, no “Relatório” deste Acórdão, as diversas oportunidades que teve para se manifestar nos autos. 83. Pelo exposto, neste tópico, não assiste razão à Impugnante. Mérito Formação de grupo econômico 84. Para análise da questão, colaciona-se parte da “Síntese conclusiva” do Parecer Normativo Cosit/RFB (PN) nº 4, de 2018: “(...) c.1) não é a caracterização em si do grupo econômico que enseja a responsabilização solidária, mas sim o abuso da personalidade jurídica; os grupos econômicos formados de acordo com os Capítulos XX e XXI da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, em que há pleno respeito à personalidade jurídica de seus integrantes (mantendo-se a autonomia patrimonial e operacional de cada um deles), não podem sofrer a responsabilização solidária, salvo cometimento em conjunto do próprio fato gerador c.2) o grupo econômico irregular decorre da unidade de direção e de operação das atividades empresariais de mais de uma pessoa jurídica, a qual demonstra a artificialidade da separação jurídica de personalidade; esse grupo irregular realiza indiretamente o fato gerador dos respectivos tributos e, portanto, seus integrantes possuem interesse comum para serem responsabilizados; c.3) uma variável para a criação do grupo irregular é a corriqueira situação de confusão patrimonial com o intuito de fraude a credores, principalmente a Fazenda Nacional; seu objetivo é não só a manipulação da ocorrência dos fatos geradores futuros, mas também ocultar os reais sócios do empreendimento e/ou esvaziar o patrimônio referente ao passivo tributário; c.4) deve-se comprovar o cometimento do ilícito societário, mesmo que por prova indireta ou indiciária, pois mero interesse econômico no lucro não é passível de responsabilização solidária; não obstante, cabe observar que a distribuição disfarçada de lucros a que se referem os arts. 60 e 61 do Decreto-Lei nº 1.598, de 26de dezembro de 1977, denota a existência de abuso de personalidade jurídica a caracterizar grupo econômico irregular; (...)” 85. Ainda, quanto à prova emprestada de outro processo, o entendimento que vigora é o de que ela é admitida, bem assim suas conclusões – salvo, quanto a estas, se advindas de outro órgão tributante –, desde que seja dada à defesa a oportunidade de se manifestar sobre tal prova, respeitados a ampla defesa e o contraditório. 86. No caso, conforme se extrai da fiscalização levada a efeito no âmbito do processo administrativo fiscal nº 10882.723438/2016-19, aberto em face da ora Impugnante, com relação aos anos-calendário 2011, 2012 e 2013, configurou-se a existência de um grupo econômico de fato encabeçado pelo sr. Ali Charif Saleh – sócio-administrador e detentor de 100% do capital social do Contribuinte –, em torno de quem gravitavam diversas outras pessoas físicas e jurídicas, integrantes do mesmo grupo econômico, todas do mesmo ramo de atividade da Autuada, atuando conjuntamente, de forma Fl. 3619DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 coordenada, com objetivos comuns, quais sejam, de auferir ganhos financeiros às custas de sonegação fiscal, com continuidade e contumácia, no qual cada uma delas, quase sempre na condição de fornecedora, funcionava como um elo da cadeia comercial, desde o momento da aquisição das mercadorias junto a grandes indústrias até seu destino final, no comércio varejista. Nesse sentido, tais empresas agiam de forma idêntica, apresentando ao Fisco Federal suas respectivas e obrigatórias declarações fiscais “zeradas” e deixando de recolher os tributos correspondentes aos resultados obtidos com suas atividades comerciais, a despeito dos expressivos recursos financeiros movimentados. 87. No presente processo, constatou-se ocorrência de abuso de personalidade jurídica, dada a confusão patrimonial e financeira entre empresas, caracterizada principalmente pela relevante remessa de créditos bancários da empresa BIG BOM para a Impugnante (R$ 92.416.117,25, em 2014, e R$ 90.711.273,17, em 2015), sem comprovação da origem desses recursos financeiros através de documentação hábil e idônea, como se verá adiante. Também, diga-se que, compulsando o TVF do processo administrativo fiscal nº 19515.720598/2018-12, às suas e-fls. 881, a Fiscalização concluiu que “[...] existem fortes indícios de que a BIG BOM, constituída em 2013, foi criada para integrar esta rede de empresas noteiras intermediárias que compõem o esquema fraudulento de sonegação fiscal desvelado na ação fiscal anterior”. 88. Demais disso, a existência do grupo econômico fraudulento comandado pelo sr. Ali Charif Saleh foi tratada no processo administrativo fiscal nº 10882.722077/2014-13, referente a procedimento instaurado contra outra empresa do grupo, a “Supermix Atacadista”, no qual foram identificados diversos ilícitos cometidos, entre os quais sonegação e fraude fiscal, inclusive, praticados pela ora Impugnante, que, naquela ocasião, foi distinguida como responsável solidária por tais infrações, juntamente com outros, de conformidade aos elementos de prova produzidos e coligidos à época, que levaram a autoridade fiscal a esta, dentre outras conclusões, conforme suas e-fls. 217: (...) 132. No caso das pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico, empresas estas responsáveis cada qual pelo desempenho de funções relevantes na organização, as quais foram minuciosamente demonstradas no decorrer deste Auto de Infração, restou comprovado os seus interesses comuns (sic) [...] ”. 89. Pelo exposto, neste subtópico, não assiste razão à Impugnante, caracterizado que está o grupo econômico de fato, decorrente da unidade de direção e de operação das atividades empresariais de mais de uma pessoa jurídica, a qual demonstra a artificialidade da separação jurídica de personalidade. Comprovação da origem dos depósitos bancários 90. Em 22/10/2018, através do TIF nº 6 (e-fls. 229/230), o Contribuinte foi intimado a apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos recursos financeiros creditados em conta bancária de sua titularidade. Através do TIF nº 7 (e-fls. 238/240), foi concedida a dilação de prazo de 20 dias para atendimento ao item anterior. Em 17/12/2018 (efls. 253), conforme TIF nº 8 (e-fls. 248/250), foi concedido dilação de prazo de 20 dias para atendimento àquelas intimações. Em petição datada de 14/01/2019 (e-fls. 256), o Contribuinte trouxe mera relação de créditos bancários (e-fls. 257/265), aduzindo que “[...] apresenta em relação ao ano de 2014 a origem dos recursos financeiros creditados, os quais são provenientes de operações de mútuo entre a empresa Requerente e a BIG BOM COMERCIO E DISTRIBUICAO DE BEBIDAS LTDA [...]”. 91. Em 05/02/2019 (e-fls. 271), por meio do TIF nº 9 (e-fls. 266/268), o Contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros itens, os contratos de mútuo existentes com a empresa BIG BOM COMERCIO E DISTRIBUICAO DE BEBIDAS LTDA – CNPJ 18.270.938/0001-97. Em petição datada de 22/02/2019 (e-fls. 274/316), justifica novos créditos bancários como originárias desta empresa e decorrentes de “contratos e Fl. 3620DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 compromissos verbais firmados entre as partes, não formalizados por escrito”. Em 12/03/2019 (e-fls. 322), através do TIF nº 10 (e-fls. 317/319), o Contribuinte é reintimado a apresentar, no prazo de 20 dias, os itens relacionados no TIF nº 9. Nada apresentou. 92. Pelo exposto, neste subtópico, não assiste razão à Impugnante, uma vez que os contratos de mútuo, a suportar créditos em conta bancária de sua titularidade, não foram apresentados, quer na fase preparatória, quer na fase recursal. Transferências entre contas bancárias de mesma titularidade 93. A Impugnante colaciona planilhas, em sua peça defensiva (e-fls. 540/553), refletindo documentação (extratos bancários da conta de destino dos recursos financeiros) carreada aos autos. Todavia, não comprova a efetiva transferência de numerário entre as partes, que restaria efetivada com apresentação dos extratos bancários da conta de origem dos recursos financeiros. Não assiste razão à Impugnante, portanto. Vendas canceladas, devoluções, descontos incondicionais, bonificações, iliquidez do crédito tributário e excesso de exação 94. A Impugnante afirma que o Fisco não excluiu do total das receitas omitidas as devoluções de vendas, vendas canceladas, descontos incondicionais e bonificações que não correspondem a efetivas receitas auferidas. Tratam-se de meras alegações não comprovadas: limita-se a colacionar Soluções de Consulta, texto legal e jurisprudência administrativa sem apontar sequer uma nota fiscal que teve seu valor incorretamente considerado para compor a base de cálculo dos tributos. Não assiste razão à Impugnante, portanto. Lançamentos de PIS/Pasep e Cofins que desconsideram a existência de mercadorias sujeitas à retenção monofásica e bis in idem 95. Quanto às bebidas comercializadas pela ora Impugnante que se sujeitavam à alíquota zero, em função do regime monofásico, exemplificou com NF-es (e-fls. 563/568) e elaborou demonstrativo em que constam os seguintes códigos NCM (classificação fiscal) da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI: “Refresco em pó”, NCM 2106.90.10; “Bebida láctea”, NCM 2202.90.00; “Energético”, NCM 2202.90.00; e “Bebida alimentar à base de soja”, NCM 2202.90.00. 95.1. Para desembaraço da questão, transcrevam-se dispositivos da Lei nº 10.833, de 2003, introduzidos pela Lei nº 11.727, de 2008 (revogados pela Lei nº 13.097, de 2015, com vigor, quanto a tais artigos, a partir de 1º/05/2015), regulamentados pelo Dec. nº 6.707, de 2008: Art. 58-A. A Contribuição para o PIS/Pasep, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, a Contribuição para o PIS/Pasep Importação, a Cofins- Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI devidos pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nos códigos 21.06.90.10 Ex 02,22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 22.02.90.00, e 22.03, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - Tipi, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, serão exigidos na forma dos arts. 58-B a 58-U desta Lei e nos demais dispositivos pertinentes da legislação em vigor. Art. 58-B. Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação às receitas decorrentes da venda dos produtos de que trata o art. 58-A desta Lei auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas. Fl. 3621DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 (...) Art. 58-U. O disposto nos arts. 58-A a 58-T desta Lei será regulamentado pelo Poder Executivo. Art. 58-V. O disposto no art. 58-A desta Lei, em relação às posições 22.01 e 22.02 da Tipi, alcança, exclusivamente, água e refrigerantes, refrescos, cerveja sem álcool, repositores hidroeletrolíticos e compostos líquidos prontos para o consumo que contenham como ingrediente principal inositol, glucoronolactona, taurina ou cafeína.” 95.2. O produto “Energético”, código 22.02.90.00, que não faz parte das Exceções 01 e 02 e está relacionado no item 58-V, foi alcançado pela redução a zero de alíquota, conforme os artigos 58-A e 58-B da Lei nº 10.833, de 2003. Todavia, nenhuma das NF- e colacionadas pela Impugnante diz respeito a este produto, sendo todas referentes a “Refresco em pó”. 95.3. Por seu turno, o produto “Refresco em pó” não se encontra entre os consignados na Exceção 02 do código 21.06.90.10, não sendo, portanto, alcançado pela alíquota zero. Também, a “Bebida láctea”, código 22.02.90.00, não faz jus à alíquota zero, pois ainda que não esteja incluída nas Exceções 01 e 02 do referido código, não consta do art. 58- V. Já a “Bebida alimentar à base de soja”, do mesmo código 22.02.90.00, igualmente não foi alcançada pela alíquota zero, uma vez que consta da Exceção 01 ao mencionado código, além de não integrar o artigo 58-V. 96. Quanto aos produtos de perfumaria, toucador e higiene pessoal comercializados pela Impugnante que se sujeitariam à alíquota zero, em função do regime monofásico, exemplificou com NF-es (e-fls. 570/571), a primeira com “Creme dental (...)”, NCM 33.06.10.00; e a segunda com o produto “(ilegível) liq roll on (...)”, NCM ilegível. 96.1. Para desembaraço da questão, devem-se compulsar o inc. I do art. 1º e o caput do art. 2º da Lei nº 10.147, de 2000, que se refere à classe de produto referenciada pela Impugnante: “Art. 1o A Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01; 30.03, exceto no código 3003.90.56; 30.04, exceto no código 3004.90.46; e 3303.00 a 33.07, exceto na posição 33.06; nos itens 3002.10.1; 3002.10.2; 3002.10.3; 3002.20.1; 3002.20.2; 3006.30.1 e 3006.30.2; e nos códigos 3002.90.20; 3002.90.92; 3002.90.99; 3005.10.10; 3006.60.00; 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01; 3401.20.10; e 9603.21.00; todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto no7.660, de 23 de dezembro de 2011, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: (...) b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07, exceto na posição 33.06, e nos códigos 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); e (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) (...) Fl. 3622DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador” (grifou-se). 96.2. Sendo a Impugnante uma varejista, a partir de 10/07/2013, data de publicação da Lei nº 12.839, que modificou a Lei nº 10.147, de 2000, deixou de fazer jus à alíquota zero de produtos comercializados com NCM 33.06, tratando-se o processo em análise dos anos-calendário 2014 e 2015. 97. Para além da questão estrita pertinente às referidas mercadorias, cabe trazer à colação parte do TVF elaborado no âmbito do processo administrativo fiscal nº 10882.723438/2016-19, em suas e-fls. 265/266, que desvela o modus operandi de suas operações que envolvem substituição tributária: “(...) Conclusão da Fiscalização: Após exaustiva investigação e por todos os dados apurados, não resta a menor dúvida da participação ativa da empresa LAVIGA no grupo econômico de ALI CHARIF SALEH. Nesse conglomerado, a empresa LAVIGA exerce um papel deveras importante, senão veja-se. A empresa está estrategicamente localizada no estado do Espírito Santo, estado que possui benefício de redução de alíquota de ICMS em operações de compras realizadas de empresas localizadas nos estados das regiões Sul e Sudeste. Ainda nesse sentido, em razão do Termo de Acordo SEFAZ ES Nº 065/2012, o recolhimento do ICMS por substituição tributária (ICMS ST), ao invés de ser responsabilidade da indústria localizada em São Paulo, passa a cargo da empresa adquirente localizada no estado do Espírito Santo. Tal sistemática contribuiu em muito para que o grupo estruturasse um sistema capaz de fraudar o principal imposto estadual – ICMS -, assim como os tributos federais. Em tese, ao receber as mercadorias no Espírito Santo, a empresa LAVIGA os reenvia (em forma de uma operação de venda) para a empresa SUPER MIX PERFUMARIA, localizada no município de São Paulo, destacando nas notas fiscais os tributos ICMS (próprio), PIS e COFINS. Nessa configuração, a responsabilidade pela retenção do ICMS a título de substituição tributária passa para a empresa SUPER MIX PERFUMARIA. Como a LAVIGA é uma empresa sonegadora contumaz, ou seja, ela foi criada com o objetivo de praticar e propiciar a fraude fiscal, nenhum dos mencionados tributos destacados foi efetivamente recolhido aos cofres públicos. Destaque-se que essa sonegação foi praticada em todas as operações de vendas realizadas pela empresa LAVIGA, as quais atingiram cifras de centenas de milhões de reais no período analisado. Ao receber as mercadorias em São Paulo, a fiscalizada SUPER MIX PERFUMARIA realiza a ‘revenda’ para os grandes atacadistas, utilizando o Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) 5405 (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária, na condição de contribuinte substituído), ou seja, a empresa SUPER MIX frauda a sistemática de substituição tributária, informando que o ICMS ST fora cobrado em operações anteriores, o que de fato não ocorreu (notas fiscais anexas ao processo ‘Exemplos 1 e 2 – LAVIGA). Fl. 3623DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 Ressalte-se, pois, que, assim como fez a LAVIGA, a empresa SUPER MIX PERFUMARIA não recolheu nenhum valor aos cofres públicos, seja para o estado de São Paulo ou para a União, nem da parte que lhe cabe, tampouco de sua obrigação como substituta tributária da cadeia produtiva. Tal sistemática estruturada de sonegação fiscal possibilitou (e possibilita ainda hoje) ao grupo econômico vender seus produtos a preços inferiores aos praticados pelas fabricantes multinacionais, localizadas no topo da cadeia. (...)” (grifos do original). 98. Pelo exposto, neste subtópico, não assiste razão à Impugnante, uma vez que não apresentou notas fiscais que comprovassem a comercialização de produtos sujeitos à incidência monofásica da Contribuição ao PIS/Pasep e à Cofins, quer na fase preparatória, quer na fase recursal. Indevida inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins 99. Não obstante o tema ter sido objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), com repercussão geral reconhecida, favorável à tese do Contribuinte (Acórdão no Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, datado de 15/03/2017, publicado no DJE de 02/10/2017), permanece pendente a análise do pedido de modulação dos efeitos da decisão, feito pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), através de embargos de declaração, protocolizados em 19/10/2017 (com os autos permanecendo conclusos ao relator). 100. Destarte, inexistindo trânsito em julgado do feito, também não há que se falar em manifestação da PGFN a esse respeito, que vincule a RFB nos termos do outrora vigente § 5º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002 (revogado pela Lei nº 13.874, de 2019, que manteve o teor do dispositivo, para o que interessa ao caso, ao incluir na Lei de 2002 o inc. III de seu art. 19-A), conforme detalhado pela Solução de Consulta Interna Cosit (SCI) nº 13, de 18/10/2018: “(...) 16. Em paralelo, deve ser consignado que nas matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral reconhecida, como é o caso tratado na presente consulta interna, a Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, em seu art. 19, estabelece todo um rito próprio a ser observado, para fins de vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil à decisão desfavorável. Conforme estatuído na referida lei, a vinculação automática da Secretaria da Receita Federal do Brasil ao entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, no tocante à constituição de crédito tributário e às decisões administrativas sobre a matéria julgada pelo Supremo Tribunal Federal, só se formaliza após a manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Razão de que, até o presente momento, a Secretaria da Receita Federal do Brasil não editou parecer normativo delimitando a extensão e o alcance do julgado em referência pelo Supremo Tribunal Federal, o qual definiu nova tese de ajuste na base de cálculo das referidas contribuições sociais. (...)” 101. Pelo exposto, neste subtópico, não assiste razão à Impugnante, face à inexistência de decisão vinculante à RFB. Inaplicabilidade da multa por infração qualificada face a lançamentos com base em presunção fiscal 102. A qualificação da multa de ofício aplicada não foi motivada pela constatação de omissão de receitas com base na presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de Fl. 3624DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 1996, como argumenta a Impugnante, mas sim por terem sido atendidos os pressupostos do art. 44, inc. I e § 1º, da mesma Lei. 103. Isso porque, no caso, o Contribuinte emitiu NF-es de vendas no valor total de R$ 405.306.310,73, em 2014, e de R$ 425.920.234,46, em 2015, associadas à existência de créditos bancários de origem não comprovada em contas de sua titularidade no montante de R$ 147.549.776,98, em 2014, e de R$ 150.590.264,58, em 2015, não tendo transmitido, via Sped, a Escrituração Contábil Fiscal - ECF, a Escrituração Contábil Digital - ECD e a Escrituração Fiscal Digital - EFD – Contribuições, envolvendo esquema fraudulento levado a efeito pelo grupo econômico no qual se insere, visando a impedir, ou retardar, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias, promovendo sistematicamente a ocultação das receitas auferidas, que deveriam ser devidamente informadas na escrituração digital, tudo configurando prática dolosa com o objetivo de sonegação de tributos, prevista nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, razões a justificar a aplicação da multa qualificada. 104. Pelo exposto, neste subtópico, não assiste razão à Impugnante, uma vez que se encontram presentes os requisitos bastantes à qualificação da multa no percentual de 150%. Redução da multa de ofício exigida e vedação ao confisco 105. Quanto à alegação de efeito confiscatório (violação ao art. 150, inc. IV, da CF), pela aplicação da multa no percentual de 150% do valor devido, o art. 26-A, caput, do Dec. nº 70.235, de 1972, é expresso em rechaçar a possibilidade de afastamento, por este Colegiado, de dispositivo de lei vigente por fundamento de inconstitucionalidade, salvo exceções previstas em seu § 6º. 106. A propósito, deve-se levar em conta, no caso, a inexistência de qualquer declaração definitiva e inequívoca de inconstitucionalidade do dispositivo em questão proferida pelo STF aplicável ao Contribuinte: a) em sede de controle concentrado (por força de ADI, possuidora de eficácia erga omnes) ou, ainda, b) sede de via difusa (Recurso Extraordinário), aqui: b.1) tendo o Contribuinte como parte; ou b.2) com suspensão da eficácia normativa do ato em questão pelo Senado Federal ou, ainda, b.3) decorrente de apreciação consoante os ditames dos arts. 543-B do antigo CPC, neste último caso, como visto, vinculante a este Colegiado somente após manifestação da PGFN. 107. Pelo exposto, neste subtópico, não assiste razão à Impugnante, uma vez que não se reconhece o alegado efeito confiscatório. Prova pericial e apresentação posterior 108. A Impugnante requer a “produção de prova pericial contábil”, pedido que deve ser indeferido, visto que, no caso, sua realização é prescindível, pois os elementos constantes do processo são suficientes para a formação da livre convicção do julgador, conforme o disposto no art. 18 do Dec. nº 70.235, de 1972. Ademais, não expôs os motivos que justificassem sua realização, não formulou os quesitos referentes aos exames desejados, como também não indicou o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, não atendendo ao disposto no art. 16, inc. IV, do referido Decreto. 109. Quanto ao seu “direito de apresentar provas documentais e técnicas em momento posterior”, não menciona nenhuma das hipóteses inscritas nas alíneas do § 4º do art. 16 do Dec. nº 70.235, de 1972, pela qual tal faculdade pudesse subsistir. Também por esse motivo, tal pedido deve ser indeferido. IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO 707 AUTO-SERVIÇO DE ALIMENTOS LTDA Fl. 3625DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 Ilegitimidade passiva Ausência de interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias e de comprovação quanto à participação da Responsabilizada no grupo econômico 110. Para nortear a discussão, socorre-se, novamente, à “Síntese conclusiva” do PN nº 4, de 2018, além das já transcritas, pertinentes à matéria de grupo econômico: “a) a responsabilidade tributária solidária a que se refere o inciso I do art. 124 do CTN decorre de interesse comum da pessoa responsabilizada na situação vinculada ao fato jurídico tributário, que pode ser tanto o ato lícito que gerou a obrigação tributária como o ilícito que a desfigurou; b.1) a responsabilidade solidária por interesse comum decorrente de ato ilícito demanda que a pessoa a ser responsabilizada tenha vínculo com o ato e com a pessoa do contribuinte ou do responsável por substituição; deve-se comprovar o nexo causal em sua participação comissiva ou omissiva, mas consciente, na configuração do ato ilícito com o resultado prejudicial ao Fisco dele advindo; b.2) o mero interesse econômico, sem comprovação do vínculo com o fato jurídico tributário (incluídos os atos ilícitos a ele vinculados) não pode caracterizar a responsabilização solidária, não obstante ser indício da concorrência do interesse comum daquela pessoa no cometimento do ilícito; (...)” (grifo do original). 111. No caso, primeiramente, conforme se extrai do TVF do processo administrativo fiscal nº 10882.723438/2016-19, às suas e-fls. 280/283, os sócios da Impugnante são a sra. Karin Philipp e a pessoa jurídica “KNPP Participações”, da qual a sra. Karin Philipp detém 100% do capital social, ou seja, possui 100% do capital da social da Defendente (parte, indiretamente). 112. A Fiscalização segue, informando que Karin Philipp e Allan Sanchez Saleh foram sócios da empresa LDS Participações Ltda. Verificou-se também que o sr. Allan Sanchez Saleh hipotecou alguns de seus imóveis ao Banco Santander S/A, em garantia de uma dívida assumida por meio de empréstimo concedido à Impugnante, em 29/01/2013, no valor de R$ 2.930.000,00, em que figurou como avalista a própria sra. Karim Philipp. 113. Continua a autoridade fiscal, reportando que, até 24/04/2014, o endereço de Allan Sanchez Saleh era Estrada do Alvarenga, nº 1.394, o mesmo de várias empresas do grupo econômico, assim como de alguns dos sócios-administradores dessas empresas. O imóvel, localizado em esquina, voltado tanto para o citado logradouro, como para a Rua Coronel Antônio Inojosa, tratava-se de um galpão vazio, conforme constatado in loco pela Fiscalização. 114. A Fiscalização constatou, também, que Mariane Philipp Saleh, sobrinha da sra. Karin Philipp, é casada com Allan Sanchez Saleh, que, segundo informação contida nos autos do processo administrativo fiscal nº 10882.722077/2014-13, que trata de autuação contra a empresa “Super Mix Comércio Atacadista e Distribuição de Produtos Industrializados Ltda.”, é sócio, de fato, da ora Impugnante, “707”. O sr. Allan Sanchez Saleh é filho de Ali Charif Saleh, comandante do grupo econômico. Diga-se que, se tais graus de parentesco não são “supostos”, como afirma a Defendente, também não foram, como visto, o único ou o principal motivo pelo qual foi incluída no rol dos responsáveis tributários solidários. 115. Diante destes fatos, o trabalho de fiscalização levado a efeito no referido processo administrativo fiscal entendeu pela existência de vínculo entre o devedor principal e a Fl. 3626DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 ora Impugnante, bem como pela participação efetiva desta no grupo econômico, ficando a seu cargo a venda no varejo das mercadorias recebidas de outras empresas do conglomerado, atuando sob a gerência informal de Allan Sanchez Saleh, filho de Ali Charif Saleh e sócio, de fato, da empresa “707”. 116. Pelo exposto, neste subtópico, não assiste razão à Impugnante, uma vez que restou configurado seu interesse comum na situação vinculada à materialidade do fato jurídico tributário, bem como seus vínculos com o ilícito tributário e com a pessoa do Contribuinte, a caracterizar a responsabilidade solidária que lhe foi atribuída, na forma prevista no art. 124, inc. I, do CTN. Efetivas e regulares operações comerciais realizadas com a empresa devedora principal 117. Neste ponto, a Impugnante apresenta uma série de NF-es de saída emitidas pelo devedor principal neste processo, pedidos de mercadorias e comprovantes de pagamentos realizados via transferências bancárias por si realizados (e-fls. 623/2461), sem, todavia, estabelecer relação de correspondência entre aqueles documentos e estes comprovantes. Assim já havia se conduzido na fase preparatória do trabalho de fiscalização (e-fls. 2463/2464, 2470/2471 e 2481/2616). Quanto à inclusão na base de cálculo dos tributos de notas fiscais que teriam sido canceladas, não correspondendo a uma efetiva operação de aquisição, limita-se a argumentar, nada tendo trazido aos autos. 118. Pelo exposto, neste subtópico, não assiste razão à Impugnante, uma vez que não comprova a correspondência entre pagamentos e notas fiscais nem a existência de notas fiscais canceladas. Vício material 119. Aqui, a Impugnante se insurge contra (i) sua inclusão no grupo econômico, matéria já debatida, supra, e (ii) o fato de a Fiscalização ter se apropriado de fatos e conclusões de trabalhos anteriormente realizados, que é aceito, segundo entendimento vigente, vez que todos foram elaborados no âmbito da RFB. Assim, não se verifica a alegada hipótese de nulidade por vício material nem de aplicação do art. 112 do CTN, que se refere ao princípio do in dubio pro contribuinte, porque não se verifica tal dúvida. Impossibilidade de extensão dos efeitos do arbitramento a terceiro responsável solidário, desproporcionalidade da sujeição passiva solidária e inexigibilidade da multa de ofício qualificada 120. Quanto à inexigibilidade da multa de ofício agravada e qualificada, com relação à Impugnante, em função da aplicação do Princípio da Personalização da Pena, previsto no art. 5º, inc. XLV, da CF, cumpre ressaltar que se trata de regra de Direito Penal, aplicável aos casos de sucessão da pena, que não se confunde com a situação presente. Também, questões relacionadas à interpretação de normas insculpidas na Constituição estão restritas ao Poder Judiciário. 121. Ademais, no caso concreto, todos os AIs foram lavrados contra 12 sujeitos passivos, sendo a empresa Super Mix na condição de Contribuinte e mais 11, entre pessoas físicas e jurídicas, todas na condição de responsáveis solidárias pelo crédito tributário constituído, assim entendido tanto os tributos como os acréscimos pertinentes, entre os quais as multas de ofício lançadas. Portanto, ao pagamento das penalidades estão obrigados tanto os contribuintes como os responsáveis. 122. Pelo exposto, neste tópico, não assiste razão à Impugnante, uma vez que a extensão da responsabilidade pela multa caracteriza obrigação tributária principal e não acessória, como sugere a Impugnante. Apresentação posterior de provas Fl. 3627DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 123. Quanto à “concessão de prazo para a juntada ulterior de documentos”, fundada no § 4º do art. 16 do Dec. nº 70.235, de 1972, não menciona nenhuma das hipóteses inscritas nas alíneas do dispositivo pelas quais tal direito pudesse ser admitido. Por esse motivo, tal pedido deve ser indeferido. IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO ALI CHARIF SALEH Ilegitimidade passiva 124. Uma vez mais, a questão deve ser analisada sob a ótica do referido PN nº 4, de 2018, conforme itens de sua “Síntese conclusiva”, já transcritos. À sua luz, como já se disse quando da análise da Impugnação do devedor principal deste processo, restou configurada a existência de um grupo econômico de fato encabeçado pelo sr. Ali Charif Saleh – sócioadministrador e detentor de 100% de seu capital social capital. 125. Para além de o sr. Ali Charif Saleh, ser sócio-administrador da devedora principal deste processo e de deter 100% do seu capital, é sócio-administrador da empresa “Fite”, da qual detém 98% do capital social, e da empresa “Laviga”. Ainda, robustecem a afirmativa de que o Impugnante exercia o comando do citado grupo mais algumas constatações do TVF do processo administrativo fiscal nº 10882.722077/2014-13, às suas e-fls. 169/183: “[A] empresa ATACADAO protocolizou, [...] resposta à intimação, na qual, dentre os documentos e esclarecimentos prestados, o destaque ficou por conta da informação de que o Sr. ALI CHARIF SALEH foi a pessoa responsável pelas vendas realizadas pela empresa SUPERMIX ATACADISTA. (...) Em consulta ao sistema RADAR da RFB [...], apurou-se que o endereço do Sr. ANUAR KHALED SALEH, do Sr. NASSIF MOURAD, da Sócia administradora da empresa ora fiscalizada Sra. MOUNIRA CHARIF SALEH (irmã de ALI CHARIF SALEH), assim como o endereço da empresa fiscalizada [Supermix Comércio Atacadista e Distribuição de Produtos Industrializados Ltda.], é o mesmo: Rua Coronel Antônio Inojosa, 31, Jardim Pedreira, São Paulo/SP – CEP 04.462-100. (...) “[O] contribuinte BARCELONA protocolizou resposta à intimação e, dentre os documentos e esclarecimentos, destaca-se: a. A diligenciada apresentou o contrato de fornecimento entre as empresas SUPERMIX ATACADISTA e BARCELONA, datado de 25/09/2009, assinado (com firma reconhecida) por ALI CHARIF SALEH, como responsável pelo cargo de DIRETOR PRESIDENTE da empresa SUPERMIX ATACADISTA, CNPJ nº 03.016.122/0001-64, conforme se verifica abaixo: (...) “[A] empresa SUDESTE apresentou o contrato realizado com a SUPERMIX ATACADISTA, para prestação de serviço de armazenagem de mercadorias. Esta fiscalização, na busca por identificar quem foi o representante legal signatário da empresa SUPERMIX ATACADISTA nessa ocasião, analisou a assinatura constante no contrato e comparou com aquela constante no contrato realizado entre a SUPERMIX ATACADISTA e a empresa BARCELONA. [...] não restou qualquer dúvida de que o signatário, como responsável pela empresa SUPERMIX ATACADISTA, em ambos os contratos, foi ALI CHARIF SALEH” (grifos do original). 126. Quanto à questão de existência de procuração em favor do Impugnante, conferindo-lhe poderes de gerência em relação à empresa “Big Bom”, reportada nos autos do processo administrativo nº 19515.720598/2018-12, em que esta empresa foi Fl. 3628DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 qualificada como devedora principal, a Fiscalização deste processo se valeu, para responsabilizar tributariamente o sr. Ali Charif Saleh, do art. 135 do CTN. A respeito do dispositivo, cumpre trazer à colação excertos do Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009, em seus itens 59 e 61: “(...) 59. A respeito da necessidade de presença de ato doloso por parte do administrador ou da suficiência da presença de culpa, deve-se observar que, ao contrário do que defende parte da doutrina, a jurisprudência maciça do STJ exige tão-só a presença de “infração de lei” (= ato ilícito), a qual, pela teoria geral do Direito, pode ser tanto decorrente de ato culposo como de ato doloso (não obstante alguns poucos acórdãos referirem expressamente à necessidade de prova do dolo, em contraposição à imensa maioria que exige somente a culpa). Logo, se a lei e a jurisprudência não separaram as hipóteses de culpa em sentido estrito e dolo, tanto um quanto outro elemento subjetivo satisfaz a hipótese do art. 135 do CTN. Em verdade, o Direito Tributário preocupa-se com a externalização de atos e fatos, não possuindo espaço para a persecução do dolo; basta a culpa. (...) 61. De tudo isso, é importante guardar que o “sócio-gerente”, de acordo com a jurisprudência hoje aceita pelo STJ, torna-se responsável não por ser “sócio”, mas por ter cometido ato ilícito enquanto “gerente”. Em verdade, a condição de sócio é irrelevante. Dois são os elementos verdadeiramente relevantes para sua responsabilização: (a) ser administrador e (b) ter cometido ato ilícito nessa posição. Por ser administrador e ter cometido infração à lei, pode o terceiro ser responsabilizado; não por ser sócio. Dessarte, podemos afirmar com segurança que, segundo o entendimento firmado no STJ, o administrador é chamado a pagar o crédito tributário da pessoa jurídica administrada em forma de responsabilidade por ato ilícito” (grifou-se). 126.1. No caso da Impugnante, verifica-se, com base nos elementos de e-fls. 772 e 793/796 do processo administrativo nº 19515.720598/2018-12, que o sr. Ali Charif Saleh possuía, por força de procuração, plenos poderes concedidos pela empresa “Big Bom”, para o ano-calendário de 2014, para a realização de todas as suas atividades, restando aplicável, desta forma, o disposto no art. 135 do CTN. 126.2. Também, não há como se concluir de maneira diferente que não ao menos pela culpa do mandatário em análise, através da concretização de conduta no mínimo omissiva, negligente e/ou imprudente que resultou em infração de lei, como atestam as seguintes evidências: a) O cadastro do e-mail utilizado junto ao Banco Itaú pela empresa “Big Bom” encontrava-se em nome do sr. Ali Charef Saleh, sendo o endereço ali utilizado também o domicílio fiscal de empresa titularizada por este mesmo Contribuinte (Ila Patricipações Ltda.), a saber, Estrada do Alvarenga, 1.394 (e-fls. 876/877 do processo administrativo n° 19515.720598/2018-12). Ainda, de se notar que tal endereço se revelou coincidente ou imediatamente adjacente ao de outras empresas envolvidas no modus operandi ilícito do “grupo Super Mix”, já descrito. b) A movimentação financeira da empresa “Big Bom” se mostrou incompatível com seu capital social, tendo como maiores remetentes/beneficiários de recursos financeiros movimentados pela Big Bom empresas ligadas ao Sr. Ali Charif Saleh, seu filho Allan Sanchez Saleh e o seu sobrinho Anuar Khaled Saleh (e-fls. 880 do processo administrativo n° 19515.720598/2018-12). A maior beneficiária e maior remetente dos recursos movimentados pela “Big Bom”, a empresa “Super Mix Comércio de Produtos Fl. 3629DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 de Perfurmaria Ltda.”, devedora principal no âmbito do processo administrativo em análise, é de titularidade e administração do Sr. Ali Charif Saleh. Registre-se, adicionalmente, que, intimada a comprovar a origem dos recursos, no âmbito do mencionado processo administrativo, a “Super Mix” nada respondeu. 127. Assim, contrariamente ao afirmado pelo Impugnante, desnecessário, diante dos indícios, que se produzisse prova direta a caracterizar sua participação pessoal nos fatos objeto de tributação, a menos a título culposo – ao que parece, doloso – e de seu desconhecimento acerca da procuração outorgada, que lhe conferia plenos poderes de administração da empresa “Big Bom”. Conclusão quanto à responsabilidade solidária atribuída ao sr. Ali Charif Saleh 128. Pelo exposto, neste tópico, não assiste razão à Impugnante, mantendo-se a responsabilidade tributária solidária imputada. Princípio in dubio pro contribuinte 129. No que respeita à aplicação do art. 112 do CTN, não há dúvida acerca da correção da inclusão do sr. Ali Charif Saleh como responsável solidário, com base no art. 135 do CTN, caracterizada que restou sua relação pessoal e direta com os ilícitos objeto de lançamento. IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO ALLAN SANCHEZ SALEH Direito Responsabilizado como sócio administrador "de fato" da empresa 707 Decisão judicial e Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) 130. Para logo, registre-se o ajuizamento, por parte da ora Impugnante, da Ação Ordinária nº 0006086- 73.20154036100, em trâmite perante a Justiça Federal do Estado de São Paulo - TRF 3ª Região (cujo última fase data de 30/09/2019, “Decisão Resp Não Admitido”), objetivando a desconstituição do arrolamento que recaiu sobre os bens e direitos de sua propriedade. Em grau de Recurso de Apelação, foi dado provimento, à unanimidade, pela Quarta Turma deste Tribunal, nos seguintes termos: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ARROLAMENTO. INVERSÃO DOSÓNUS DE SUCUMBÊNCIA. (...) 3. Como resultado dos trabalhos de fiscalização determinados do Mandado de Procedimento Fiscal nº. 08.1.13.00-2013.00011-0, em nome do sujeito passivo SUPREMIX COMÉRCIO ATACADISTA E DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS LTDA, CNPJ nº. 03.016.122/0001-64, a RFB entendeu constatada a ocorrência de infração à lei, em omissões e atos praticados, no ano calendário de 2010, por aquele que seria o sócio-administrador ‘de fato’, à época, o Apelante, ALLAN CHARIF SALEH, CPF nº. 248.540.608-16, participante ativo do grupo econômico responsável pela prática de sonegação e fraude fiscal, conforme restou apurado no Termo de Verificação Fiscal anexo ao processo administrativo fiscal nº. 10882.722077/2014-13. 4. Muito embora o Apelante não conste do quadro social da empresa SUPERMIX ATACADISTA, ele foi pessoalmente responsabilizado por seus débitos fiscais, com suposto fundamento no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, sob o entendimento de ser ‘ADMINISTRADOR DE FATO’, com base nas apurações em epígrafe feitas pelo Fisco. 5. Havendo, desse modo, fundadas dúvidas a respeito dos verdadeiros motivos da emissão daqueles cheques em favor da Apelante e se tal ato decorreu de ordem sua, por Fl. 3630DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 certo que eles não se prestam a comprovar a sua condição de sócio com poderes de administração na empresa SUPERMIX ATACADISTA. 6. Imperioso reconhecer que a responsabilidade solidária atribuída ao Apelante através do Auto de Infração objeto do Processo nº. 10882.722.077/2014-13, está calcada em meros indícios e suposições da Apelada, de maneira que não há como se cobrar a aplicação da regra do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, caracterizando-se ilegal o arrolamento de bens assim fundamentado, impondo-se, pois, a reforma da r. sentença recorrida. Uma vez reconhecido que o Apelante não poder ser reputado, ao menos por enquanto, responsável tributário da empresa SUPERMIX ATACADISTA e, consequentemente, que seus bens não estão sujeitos ao arrolamento previsto no artigo 64, da Lei nº. 9.532/97, fica prejudicado o exame das demais questões suscitadas no seu recurso. 7. Apelo provido. Inversão dos ônus de sucumbência”. 131. Pertinente ao assunto, registre-se o teor da Súmula CARF nº 1, de caráter vinculante à administração tributária federal: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. 132. Nesse passo, a apreciação deste subtópico da Impugnação não levará em conta os fatos arrolados nos autos do processo administrativo fiscal nº 10882.722077/2014-13, em especial aqueles expressamente citados pelo Relator do Voto do referido Acórdão judicial, quais sejam: (i) “[...] ALLAN SANCHES SALEH figurou no pólo dos destinatários de recursos financeiros saídos da conta bancária da empresa SUPERMIX ATACADISTA”; (ii) “O Apelante residiu na rua lateral onde se situava o imóvel sede da empresa autuada”; (iii) “O Apelante é parente de Ali Cherif Saleh, também coobrigado no Auto de Infração”; e (iv) “O Apelante hipotecou imóveis próprios para garantia de empréstimos bancário de outra pessoa jurídica, qual seja, a empresa 707 Auto-Serviço de Alimentos Ltda, que, contudo, também foi arrolada como coobrigada no Auto de Infração”. Responsabilizado como sócio administrador "de fato" da empresa BIG BOM 133. Nas e-fls. 880/881 do processo administrativo nº 19515.720598/2018-12, como indício, relata-se a existência das procurações conferidas pelo titular do capital social da empresa “Big Bom” (sr. Samir Daday, cuja capacidade financeira para o aporte de capital não restou demonstrada no mencionado processo, mesmo após intimação e reintimação), integrante do grupo em comento, outorgando plenos poderes de sua administração ao sr. Allan Sanchez Saleh e ao sr. Ali Charif Saleh (que participaram ativamente na administração da “Big Bom”, desde a sua constituição, quando da abertura da conta-corrente bancária, fornecendo contato telefônico e e-mail), sendo pouco razoável que, diante do relacionamento financeiramente relevante entre a “Big Bom” e as empresas “Super Mix”, o titular daquela pessoa jurídica tivesse conferido tais poderes sem que as referidas pessoas físicas sequer tivessem conhecimento do fato nem qualquer causa negocial. Titularidade da empresa ViaMax Log – Transportes de Cargas Ltda. 134. Outro indício colacionado pela Fiscalização, no TVF do presente processo (efls. 366), está relacionado ao fato de o Impugnante ser “[...] sócio dirigente da empresa Viamax Log – Transportes de Cargas Ltda., CNPJ nº 14.224.322/0001-29, cujos caminhões nos períodos fiscalizados abasteciam na conta da fiscalizada junto ao Auto Posto Promissão, conforme apurado em diligência específica”. Diga-se que a autoridade fiscal assentou que, dos Autos de Infração, “[...] este Termo de Verificação Fiscal e seus Fl. 3631DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 demonstrativos anexos fazem parte integrante”. A Defendente não se manifestou neste ponto. 135. Tal indício já havia restado caracterizado no âmbito do processo administrativo nº 19515.720598/2018-12, às suas e-fls. 710/730, em que a empresa “ViaMax” foi intimada a apresentar documentação que justificasse a origem dos recursos recebidos da empresa “Big Bom”, da qual, como visto, o ora Impugnante seria administrador de fato. Apesar de ter sido intimada e reintimada, a empresa “ViaMax” não juntou nenhum documento aos autos do referido processo, bem como não o fez o sr. Allan Sanchez Saleh na fase recursal naqueles autos. Conclusão quanto à responsabilidade solidária atribuída ao sr. Allan Sanchez Saleh 136. Pelo exposto, mesmo tirante as conclusões nos autos do processo administrativo fiscal nº 10882.722077/2014-13, de se manter a responsabilidade tributária solidária atribuída ao Impugnante, identificado como sócio-administrador, de fato, da empresa “Big Bom”, além de exercer poderes de gerência em outras empresas do grupo econômico. Princípio in dubio pro contribuinte 137. No que respeita à aplicação do art. 112 do CTN, não há dúvida acerca da correção da inclusão do sr. Allan Sanchez Saleh como responsável solidário, com base no art. 135 do CTN, caracterizada que restou sua relação pessoal e direta com os ilícitos objeto de lançamento. Inexigibilidade da multa qualificada e confisco 138. Comprovado o vínculo entre a devedora principal deste processo e o Responsabilizado, aplica-se o quanto exposto nos itens 103/104 e 121/122 deste “Voto”, não assistindo razão à Impugnante. IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO KARIN PHILIPP 139. Já ficaram assentados, linhas atrás, quando da análise da peça defensiva da empresa “707 Auto-Serviço”, de quem a ora Impugnante detém 100% do capital social, (i) a procedência da acusação fiscal de vínculo com empresa “Super Mix” e de participação no grupo econômico em comento; (ii) a não comprovação das operações comerciais; (iii) a possibilidade de se estender os efeitos do arbitramento do lucro a terceiro responsável solidário e a proporcionalidade da sujeição passiva solidária; (iv) a exigibilidade da multa de ofício qualificada; e (v) a impossibilidade de apresentação posterior de provas. 140. Pelo exposto, neste tópico, não assiste razão à Impugnante, mantendo-se a responsabilidade tributária solidária imputada. IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO SUPERMIX COMÉRCIO ATACADISTA E DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS LTDA. 141. A formação de grupo econômico restou caracterizada nos autos do processo administrativo fiscal nº 10882.722077/2014-13, em que a ora Impugnante foi a Autuada, como se vê às suas e-fls 183/187, pertinentes ao TVF lá elaborado: “SUPER MIX COMERCIO DE PRODUTOS DE PERFUMARIA LTDA – CNPJ nº 02.696.867/0001-59 (...) A) DO VÍNCULO COM A SUPERMIX ATACADISTA Fl. 3632DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 62. Preliminarmente, constatou-se que o TITULAR (possuidor de 100% do capital social) da empresa SUPER MIX PERFUMARIA, em todo o ano de 2010, foi nada menos que o Sr. ALI CHARIF SALEH, CPF nº 608.822.988-87, apontado por esta fiscalização como sendo o sócio “de fato” da empresa SUPERMIX ATACADISTA e chefe do grupo econômico responsável por todas as fraudes fiscais mencionadas neste Auto de Infração. 63. Atualmente, ALI CHARIF SALEH continua detendo 100% do capital social da empresa SUPER MIX PERFUMARIA, pois embora a empresa ILA PARTICIPAÇÕES LIMITADA tenha 5% do capital social, esta fiscalização constatou que ALI CHARIF SALEH detém 100% da empresa ILA PARTICIPAÇÕES, CNPJ nº 12.455.790/0001-89, permanecendo com o pleno controle da empresa SUPER MIX PERFUMARIA. 64. Ato contínuo, esta fiscalização verificou que o endereço da empresa ILA PARTICIPAÇÕES (cadastro RFB) é o endereço (lateral) da empresa fiscalizada SUPERMIX ATACADISTA, ou seja, Estrada do Alvarenga, 1394, sobreloja, Bairro Pedreira, São Paulo/SP, o que caracteriza evidente confusão patrimonial. B) DAS NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS EMITIDAS 64. Ao apurar a relação de notas fiscais eletrônicas emitidas pela SUPERMIX ATACADISTA tendo como destinatária a empresa SUPER MIX PERFUMARIA (planilha de NF-e anexa ao processo), conclui-se que o volume de mercadorias comercializadas entre as duas empresas, somente no ano de 2010, foi de R$ 27.602.192,56. Por oportuno, frisa-se que não foram constatadas quaisquer entradas de recursos financeiros nas contas bancárias da fiscalizada, provenientes da empresa SUPER MIX PERFUMARIA. C) DAS DIPJ’s ‘ZERADAS’ 65. Embora a SUPER MIX PERFUMARIA apresente um volume expressivo de aquisições e alienações de mercadorias, a empresa, reiteradamente, tem entregado suas DIPJ’s de maneira “zerada”, ou seja, sem quaisquer dados preenchidos, procedimento adotado por todas empresas do grupo econômico. D) DOS PAGAMENTOS 66. Em consulta aos sistemas da RFB, verificou-se que a empresa SUPER MIX PERFUMARIA não recolheu, desde o ano-calendário de 2010, qualquer valor a título de pagamento de tributos federais. E) SÍNTESE DOS FATOS 67. Em face de todo o apurado, não resta dúvida do vínculo maléfico existente entre as duas empresas, SUPER MIX PERFUMARIA e SUPERMIX ATACADISTA, mormente em relação a mister participação que ambas possuem no grupo econômico, criado para pratica de inúmeros crimes fiscais. Com efeito, ALI CHARIF SALEH, conseguiu, utilizando-se de práticas ilegais, formar um grande grupo econômico capaz de sonegar milhões de reais dos cofres públicos” (grifos do original). 142. Ademais, no presente processo, como aduz a autoridade fiscal, a ora Impugnante “[...] transferiu recursos financeiros para a fiscalizada, sem que esta comprovasse a origem desses valores, no montante de R$ 25.215.594,00 em 2014 e de R$ 36.329.299,00 em 2015 [...]”, não se manifestando sobre tais remessas, também, na fase recursal. Tal ocorrência, somada à referenciada participação no grupo econômico, configura a existência de vínculo entre o devedor principal e a ora Impugnante, caracterizando o interesse comum nos termos já transcritos do PN nº 4, de 2018. Fl. 3633DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 Conclusão 143. Pelo exposto, não assiste razão à Impugnante, uma vez que restou configurado seu interesse comum na situação vinculada à materialidade do fato jurídico tributário, bem como seus vínculos com o ilícito tributário e com a pessoa do Contribuinte, a caracterizar a responsabilidade solidária que lhe foi atribuída, na forma prevista no art. 124, inc. I, do CTN. IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO FITE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA. 144. Vista a admissibilidade da prova emprestada, consta do TVF referente ao processo administrativo-fiscal nº 10882.723438/2016-19, às suas e-fls. 283/285, que a ora Impugnante tinha como sócio administrador Ali Charif Saleh, detentor de 98% do capital social e dirigente do grupo econômico em comento, tendo vendido, no triênio 2011, 2012 e 2013, 98,6% de suas mercadorias à atacadista Barcelona Comércio Varejista e Atacadista S/A, utilizando-se de modus operandi semelhante ao das demais empresas do grupo. 144.1. Conforme constatado no referido TVF, a Defendente não possui capacidade operacional, apresentou grande volume de vendas sem recolher tributos e entregava sua DIPJ "zerada". A Impugnante era utilizada como o elo do grupo econômico nas vendas para a atacadista "Barcelona": as mercadorias saiam das grandes indústrias, iam para o Espírito Santo, retornavam a São Paulo para uma das empresas do grupo ("Super Mix" ou "Multimarcas"), eram "vendidas" para a ora Impugnante, e desta partiam para a atacadista "Barcelona". 144.2. Em complemento, as mercadorias iniciavam sua jornada no grupo econômico quando da aquisição destas de grandes indústrias pelas empresas "Laviga" e "Newred", localizadas no Espírito Santo, sonegadoras contumazes, que usufruíam do benefício de redução de alíquota de ICMS em operações de compras realizadas de empresas localizadas nos Estados das Regiões Sul e Sudeste. 145. Quanto à afirmação de que a “[...] Impugnante e a empresa a(u)tuada realizam operações comerciais e que tais transferências foram realizadas a título de adiantamento à sua principal fornecedora” (grifou-se), não houve prova, como acusa a Fiscalização, por parte da devedora principal neste processo, da “origem desses valores, no montante de R$ 8.928.300,00 em 2014 e de R$ 2.257.500,00 em 2015”, nem de que foram efetivadas, por parte da Defendente, quer na fase preparatória, quer na fase recursal. Quanto ao mais, ainda que tivesse sido feita a comprovação, isto não seria relevante para a análise da responsabilidade, cujo cerne repousa na participação da Defendente no esquema perpetrado pelo grupo econômico e a caracterização do interesse comum. Conclusão 146. Pelo exposto, não assiste razão à Impugnante, uma vez que restou configurado seu interesse comum na situação vinculada à materialidade do fato jurídico tributário, bem como seus vínculos com o ilícito tributário e com a pessoa do Contribuinte, a caracterizar a responsabilidade solidária que lhe foi atribuída, na forma prevista no art. 124, inc. I, do CTN, não ensejando dúvida a demandar a aplicação, ao caso, do inc. III do art. 112 do mesmo Código. IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO LAVIGA COMÉRCIO ATACADISTA EIRELI 147. Vista a admissibilidade da prova emprestada, consta do TVF referente ao processo administrativo-fiscal nº 10882.723438/2016-19, às suas e-fls. 262/268, em síntese, que o papel da Impugnante no grupo econômico liderado pelo sr. Ali Charif Saleh (seu titular) servia para que, ao final, mediante utilização de benefícios fiscais do ICMS e Fl. 3634DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 sonegação fiscal, revendesse produtos para grandes atacadistas a valores inferiores àqueles que seriam praticados caso os produtos fossem adquiridos diretamente das grandes indústrias. A Defendente, por estar localizada no Estado do Espírito Santo, adquiria as mercadorias das grandes indústrias das Regiões Sul e Sudeste, com redução de alíquota de ICMS. Em seguida, revendia as mercadorias para empresas do grupo localizadas no Estado de São Paulo, sem recolher os tributos devidos. 148. Ademais, a questão da efetividade das vendas pela Impugnante à Autuada não é relevante para a análise da responsabilidade, cujo cerne está na participação da Defendente no esquema perpetrado pelo grupo econômico e a caracterização do interesse comum. Também, não chega a tecer, aqui, comentário algum acerca dos fatos anteriormente descritos. Conclusão 149. Pelo exposto, não assiste razão à Impugnante, uma vez que restou configurado seu interesse comum na situação vinculada à materialidade do fato jurídico tributário, bem como seus vínculos com o ilícito tributário e com a pessoa do Contribuinte, a caracterizar a responsabilidade solidária que lhe foi atribuída, na forma prevista no art. 124, inc. I, do CTN, não ensejando dúvida a demandar a aplicação, ao caso, do inc. III do art. 112 do mesmo Código. Da análise dos fatos vê-se que a questão é eminentemente fática e documental, e a recorrente permanece com alegações genéricas e não enfrenta concretamente o detalhado trabalho fiscal, bem como a análise perpassada pela DRJ que detalhou as razões para não acolhimento dos documentos apresentados. Adicionalmente cumpre ressaltar que, em sede de memoriais apresentados em assentada de julgamento, a responsável solidária 707-Auto Serviço de Alimentos LTDA apresentou o que alega ser laudo pericial que atestaria que mais de 80% das operações realizadas entre as partes teriam sido adimplidas. Neste ponto cumpre ressaltar que, além de o inadimplemento das operações comerciais tenha sido apenas mais um dos elementos fáticos trazidos pela autoridade fiscal (que não afastariam minha conclusão), neste momento processual incabível a apresentação de novo elemento probatório consistente em prova pericial técnica que deveria e poderia ter sido apresentada junto com a impugnação, portanto não pode ser acatada. Também em sede de Memorial o Sr. Allan Sanchez Saleh alega ter obtido decisão judicial que afastaria a responsabilização solidária no âmbito do PAF 10882.722077/2014-13. Pois bem, além de a referida decisão não vincular o presente julgamento administrativo, chamo atenção que tratam-se de lançamentos relativos a fatos geradores distintos e com fundamentos fáticos próprios. A título de exemplo, a existência de hipoteca de bens pessoais para garantir débitos da empresa 707 não foram enfrentadas pela autoridade judicial, e trata-se de um elemento adicional no presente processo. Pois bem, além de não vincular o presente relator entendo que os elementos fáticos e probatórios são exaustivos e suficientes para comprovar o vínculo que justifica a atribuição da responsabilização solidária. Cumpre ressaltar novamente que o presente lançamento possui similitude fática com os lançamentos realizados nos autos dos processos administrativos 10882.723438/2016-19 (já julgado por esta TO) e 10882.722077/2014-13, alterando-se apenas os fatos geradores e, por vezes, o agravamento da penalidade e os responsáveis solidários envolvidos. Diga-se ainda que, Fl. 3635DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 nos respectivos lançamentos citados, os mesmos foram mantidos à unanimidade no âmbito deste CARF, sendo que um deles já julgado por esta mesma TO e de minha relatoria. O modus operandi é absolutamente o mesmo, e as movimentações financeiras realizadas pelo grupo criminoso superou a casa dos bilhões de reais. Contudo, entendo que a multa qualificada deve ser reduzida ao patamar de 100%. Isso porque, a Lei nº 14.689/2023 alterou o dispositivo do §1º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, que trazia a previsão da multa duplicada. Vejamos a antiga e a nova redação: Redação dada pela Lei nº 11.488/2007 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (...) VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) Como se vê, a nova regra geral da multa de ofício nos casos previsto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 prevê a majoração ao patamar de 100%, conforme dispõe o inciso IV, §1º, da Lei nº 9.430/96. Destaca-se que referida lei criou uma nova hipótese de majoração ao patamar de 150%, prevista no inciso VII, mas apenas nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. Esta hipótese trata-se da instituição de uma nova penalidade, e que deve ser aplicada apenas aos fatos geradores ocorrida após a vigência da lei, haja vista, ainda, a necessidade de motivação pela autoridade fiscal. Portanto, considerando o disposto no art. 106, II, alínea “c”, do CTN, tem-se por aplicar a retroatividade benigna, devendo-se a multa de ofício qualificada ser reduzida ao patamar de 100%. Desta feita, nos termos da faculdade garantida pelo inc. I, § 12º do Art. 114 do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria n. 1.634 de 21 de dezembro de 2023), adoto a decisão da DRJ como razões de decidir, acrescidas das razões aqui expostas, e voto no sentido de negar provimento aos Recursos Voluntários do contribuinte e demais responsáveis Fl. 3636DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 1401-006.915 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720121/2019-12 solidários recorrentes e reconhecer de ofício a retroatividade benigna da multa qualificada, reduzindo-a ao patamar de 100%. Conclusão Em suma, diante de tudo o quanto exposto, quanto aos Recursos Voluntários oriento meu voto no sentido de: (i) NÃO CONHECER do Recurso Voluntário da responsável SAMIR DADAY; (ii) de ofício, aplicar a retroatividade benigna da multa qualificada (iii) quanto aos demais Recursos Voluntários, nos termos da faculdade garantida pelo inc. I, § 12º do Art. 114 do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria n. 1.634 de 21 de dezembro de 2023), conhecer e negar-lhes provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 3637DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16366.720025/2013-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2002
CRÉDITOS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL. OPÇÃO ENTRE RECEBIMENTO VIA PRECATÓRIO E COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. SÚMULA STJ Nº 461.
O contribuinte pode optar entre o recebimento via precatório e a compensação administrativa dos indébitos reconhecidos por decisão judicial, sendo incabível a restituição administrativa desses créditos, nos termos da jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (Súmula nº 461).
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. DIFERENÇAS. IMPOSSIBILIDADE DE COMUTAÇÃO.
A compensação tributária não é pagamento administrativo da verba, enquanto que, indubitavelmente, a restituição administrativa o é. A compensação não gera saída de recursos públicos (promove apenas a anulação de crédito pela verificação de débito recíproco), ao passo que a restituição gera. A compensação não quebra a ordem cronológica de apresentação de precatórios e não forma lista paralela de pagamento no âmbito administrativo, em detrimento dos optantes pelo recebimento por precatórios; a restituição administrativa, por outro lado, representa desrespeito a esta lista, em afronta ao disposto no art. 100 da Constituição Federal. Devido a tais diferença incabível a comutação de uma pela outra.
Numero da decisão: 3001-002.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
João José Schini Norbiato Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aniello Miranda Aufiero Junior (suplente convocado(a)), Bruno Minoru Takii, Francisca Elizabeth Barreto, Laura Baptista Borges, Wilson Antônio de Souza Côrrea, João José Schini Norbiato (Presidente).
Nome do relator: JOAO JOSE SCHINI NORBIATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 11 09:00:00 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202404
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2002 CRÉDITOS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL. OPÇÃO ENTRE RECEBIMENTO VIA PRECATÓRIO E COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. SÚMULA STJ Nº 461. O contribuinte pode optar entre o recebimento via precatório e a compensação administrativa dos indébitos reconhecidos por decisão judicial, sendo incabível a restituição administrativa desses créditos, nos termos da jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (Súmula nº 461). RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. DIFERENÇAS. IMPOSSIBILIDADE DE COMUTAÇÃO. A compensação tributária não é pagamento administrativo da verba, enquanto que, indubitavelmente, a restituição administrativa o é. A compensação não gera saída de recursos públicos (promove apenas a anulação de crédito pela verificação de débito recíproco), ao passo que a restituição gera. A compensação não quebra a ordem cronológica de apresentação de precatórios e não forma lista paralela de pagamento no âmbito administrativo, em detrimento dos optantes pelo recebimento por precatórios; a restituição administrativa, por outro lado, representa desrespeito a esta lista, em afronta ao disposto no art. 100 da Constituição Federal. Devido a tais diferença incabível a comutação de uma pela outra.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 09 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 16366.720025/2013-47
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7063823
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 09 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3001-002.485
nome_arquivo_s : Decisao_16366720025201347.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : JOAO JOSE SCHINI NORBIATO
nome_arquivo_pdf_s : 16366720025201347_7063823.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aniello Miranda Aufiero Junior (suplente convocado(a)), Bruno Minoru Takii, Francisca Elizabeth Barreto, Laura Baptista Borges, Wilson Antônio de Souza Côrrea, João José Schini Norbiato (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2024
id : 10428687
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 11 09:38:33 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798748580737974272
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-29T13:39:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-29T13:39:51Z; Last-Modified: 2024-04-29T13:39:51Z; dcterms:modified: 2024-04-29T13:39:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-29T13:39:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-29T13:39:51Z; meta:save-date: 2024-04-29T13:39:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-29T13:39:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-29T13:39:51Z; created: 2024-04-29T13:39:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2024-04-29T13:39:51Z; pdf:charsPerPage: 2186; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-29T13:39:51Z | Conteúdo => S3-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16366.720025/2013-47 Recurso Voluntário Acórdão nº 3001-002.485 – 3ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 09 de abril de 2024 Recorrente ESCRITORIO CONTABIL SANTO ANTONIO S/S LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2002 CRÉDITOS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL. OPÇÃO ENTRE RECEBIMENTO VIA PRECATÓRIO E COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. SÚMULA STJ Nº 461. O contribuinte pode optar entre o recebimento via precatório e a compensação administrativa dos indébitos reconhecidos por decisão judicial, sendo incabível a restituição administrativa desses créditos, nos termos da jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (Súmula nº 461). RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. DIFERENÇAS. IMPOSSIBILIDADE DE COMUTAÇÃO. A compensação tributária não é pagamento administrativo da verba, enquanto que, indubitavelmente, a restituição administrativa o é. A compensação não gera saída de recursos públicos (promove apenas a anulação de crédito pela verificação de débito recíproco), ao passo que a restituição gera. A compensação não quebra a ordem cronológica de apresentação de precatórios e não forma lista paralela de pagamento no âmbito administrativo, em detrimento dos optantes pelo recebimento por precatórios; a restituição administrativa, por outro lado, representa desrespeito a esta lista, em afronta ao disposto no art. 100 da Constituição Federal. Devido a tais diferença incabível a comutação de uma pela outra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aniello Miranda Aufiero Junior (suplente convocado(a)), Bruno Minoru Takii, Francisca Elizabeth Barreto, Laura Baptista Borges, Wilson Antônio de Souza Côrrea, João José Schini Norbiato (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 00 25 /2 01 3- 47 Fl. 451DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.485 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16366.720025/2013-47 Relatório Por economia processual e, sobretudo, por bem sintetizar os eventos processuais até a apresentação da manifestação de inconformidade, reproduzo a seguir o relatório contido na decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP): Trata o presente de pedido de restituição de fls. 118/119, de créditos da Cofins do período de janeiro de 1996 a junho de 2002, no valor de R$80.417,79, decorrentes de decisão judicial transitada em julgado 1 . Os créditos foram objeto de processo de habilitação nº 10930.002843/2007-88, cujas cópias estão juntadas às fls. 2/116. Nele constam o deferimento do pedido de habilitação, bem como a informação sobre a utilização dos supostos recolhimentos indevidos com outros tributos, remanescendo um saldo credor objeto do presente pedido (fl. 115). Pelo despacho decisório de fl. 399, do qual é parte integrante o parecer 2 de fls. 390/398, o Auditor-Fiscal responsável indeferiu o pedido de restituição. No parecer foi descrito todo o trâmite do processo judicial, no qual se buscou o reconhecimento da inconstitucionalidade da revogação da isenção da Cofins das Sociedades de Prestação de Serviços de Natureza Profissional, bem com do direito à compensação dos valores recolhidos indevidamente. A seguir, foi detalhado o cálculo do direito creditório, considerando ainda as compensações já efetuadas pela contribuinte em DCTFs, apurando-se um indébito remanescente, a valores de junho de 2006, de R$49.826,21. No entanto, como o pleito judicial referiu-se apenas ao direito de compensação, nada tratando sobre restituição, o pleito foi indeferido. A autoridade a quo esclareceu, ainda, sobre a impossibilidade de pagamento, na via administrativa, de crédito reconhecido em ação judicial, nos termos do Parecer PGFN/CAT nº 2.093/2011. Cientificada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 402/407. Nela, alegou que o crédito reclamado já fora "devidamente habilitado através do Processo administrativo den.o 10930.002843/2007-88, que a época realizou devidamente as compensações dos períodos 01/1996 à 06/2002", e que tais compensações "foram homologadas perante o fisco". Reclamou que não se pode limitar seu direito, reconhecido judicialmente, "por mera formalidade estrita", referindo-se à possibilidade apenas de compensar seu crédito. Argumentou que estava impossibilitada de realizar a compensação, por ser, à época, optante pelo Simples Nacional (havendo vedação para tanto). Aduziu que a própria legislação prevê o direito à restituição de crédito reconhecido judicialmente, e que teria a opção de executar "referidos valores através de cumprimento de sentença" (o que não fez por ser mais oneroso). Discorreu sobre a possibilidade de aplicação do "princípio da fungibilidade a expressão restituição /compensação, onde nada mais é que a substituição de modalidades que 1 Mandado de Segurança nº 2002.70.01.026980-0 2 PARECER SAORT/DRF/LON Nº 781 / 2013 Fl. 452DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.485 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16366.720025/2013-47 possuem o mesmo fim", mencionando julgado da 7ª Turma desta Delegacia de Julgamento (fl. 406). Sustentou que, caso se entenda incabível a restituição, o presente deve ser transformado em "procedimento de compensação, uma vez que, preenchidos todos os requisitos necessários, inclusive com autorização para compensação de empresas optantes pelo simples nacional", sem "se apegar (novamente) ao formalismo estrito para se exigir novo pedido". Ao final, requereu a reforma do despacho decisório para (in verbis): a) autorizar a restituição do crédito remanescente, decorrente dos valores recolhidos indevidamente de COFINS, através do instituto da fungibilidade a expressão compensação/Restituição declarada em decisão transitada em julgado. b) caso assim, não entenda que se aplique o mesmo instituto da fungibilidade quando a procedimento utilizado, transformando o referido processo de restituição em compensação, que atualmente é autorizado para empresas optantes pelo Simples Nacional. [grifo nosso] Ao julgar a manifestação de inconformidade (acórdão nº 14-105.104, às fls. 433/436), a 4ª TURMA DA DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou-a improcedente. O acórdão do colegiado a quo recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2002 CRÉDITO JUDICIAL. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. É vedada a restituição administrativa de créditos reconhecidos em decisão judicial que autorizou tão somente sua compensação administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 441/448) no qual: Pondera que a restituição funda-se no princípio da vedação ao enriquecimento sem causa e nos seguintes pressupostos de validade: (1) pagamento indevido; (2) direito de pleitear não decaído; e (3) legitimo interesse para postular a restituição; Alega que “o instituto da restituição tributária nada mais é, se não um gênero, das formas de repetição do indébito, na qual encontramos duas espécies, quais sejam a compensação (estorno contábil ou compensação financeira) e a devolução em moeda corrente (precatório ou via Requisição de pequeno valor – RPV).” (fls. 442); Defende que “sendo declarado o direito do credor pelo indébito tributário, deverá em execução de sentença optar por umas das formas de restituição, a Fl. 453DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.485 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16366.720025/2013-47 saber, a compensação e o recebimento do crédito por precatório ou requisição de pequeno valor.” (fls. 443); Assegura que “ainda que o juízo seja omisso na prolação da sentença quanto a via executiva, caberá tão somente ao credor, escolher qual via lhe será mais favorável em momento oportuno, posto que a conversibilidade entre repetição do indébito e a compensação é uma faculdade única e exclusiva do credor.” (fls. 444); Evoca o disposto no § 2º do art. 66 da Lei 8.383/91 para defender a tese de que a lei permite que o contribuinte opte entre a compensação e a restituição, em âmbito administrativo, de créditos reconhecidos por decisão judicial; Nessa mesma linha, diz que o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 “não deixa margem para interpretação limitativa. O contribuinte que apurar crédito de recolhimento indevido de tributo federal tem o direito à sua restituição/ressarcimento e poderá, caso faça essa opção, utilizá-lo para a compensação com débitos administrados pela Receita Federal.” (fls. 447). Recebido o recurso, o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro João José Schini Norbiato, Relator. 1. Da competência para julgamento do feito Em virtude da norma contida no artigo 65 do Anexo da Portaria MF nº 1634, de 21 de dezembro de 2023, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, este colegiado é competente para apreciar este feito. 2. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento e passo à análise das razões recursais na sequência e sob os títulos dados pela Recorrente. Fl. 454DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.485 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16366.720025/2013-47 3. Do mérito Em suma, a discussão cinge-se à possibilidade ou não de que os créditos reconhecidos em favor da Recorrente por meio de decisão judicial proferida no bojo do Mandado de Segurança 2002.70.01.026980-0 sejam restituídos na via administrativa. A Recorrente defende que a lei lhe confere o direito de optar pela restituição ou compensação na via administrativa e que “o instituto da restituição tributária nada mais é, se não um gênero, das formas de repetição do indébito, na qual encontramos duas espécies, quais sejam a compensação (estorno contábil ou compensação financeira) e a devolução em moeda corrente (precatório ou via Requisição de pequeno valor – RPV)”. Conforme consignado no PARECER SAORT/DRF/LON Nº 781 / 2013, a autoridade administrativa rechaça esse entendimento, sob o fundamento de que “a execução de decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito ao indébito somente se dá por meio de precatório, na via judicial, ou por meio de compensação, na via administrativa, nos termos da Súmula nº 461 do Superior Tribunal de Justiça, não cabendo, assim, o pagamento administrativo de indébito tributário.” (fls. 390). O colegiado a quo, por sua vez, ao julgar as razões contidas na manifestação contrária à decisão da autoridade a quo, concluiu que “foi reconhecido o direito creditório relativo à Cofins recolhida, para que o mesmo fosse compensado. Ou seja, não houve determinação alguma para que se restituísse administrativamente qualquer quantia, mesmo porque, além de não ter sido objeto do pedido na ação judicial, é vedada pela própria Constituição” (fls. 436). De minha parte, comungo com o posicionamento da fiscalização e da câmara baixa. Primeiramente, em que pese o respeitável esforço argumentativo da Recorrente, incumbe dizer que compensação e restituição não são institutos indiscriminadamente comutáveis, como querem fazer parecer as razões recursais. Tais institutos são, em verdade, modos distintos de execução da sentença judicial, sobretudo no que diz respeito ao aspecto financeiro, não cabendo, na via administrativa, a restituição de indébito tributário reconhecido em juízo, sob pena de burla ao regime de precatórios. Acerca das diferenças entre compensação e restituição e da finalidade dos precatórios, pertinentes são os apontamentos da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional no PARECER PGFN/CAT Nº 2093/2011, consubstanciados nos excertos a seguir: 130. Antes e acima disso, a Constituição Federal é expressa ao afirmar que o pagamento de quantias judicialmente reconhecidas como devidas pela Administração Pública é feito exclusivamente porr intermédio de precatórios, in verbis: “Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim. (...)” [...] Fl. 455DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.485 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16366.720025/2013-47 137. Nesse sentido, os precatórios judiciais funcionam como importante instrumento recíproco para equilíbrio entre os Poderes Executivo e Judiciário, sem o qual, o Executivo poderia se tornar refém do Judiciário ou o Judiciário poderia ser ignorado pelo Executivo. Muito mais do que garantir a impenhorabilidade dos bens públicos e de determinar a ordem cronológica de pagamento, a função do art. 100 da CF é de harmonia entre os Poderes. Garante o cumprimento de decisões judiciais, mas também garante ao Executivo que preveja e inclua no orçamento despesas imprevisíveis que venham a ser ordenadas à Administração. [...] 142. Diretamente envolvida com o art. 100 da CF, a já citada Súmula Nº 461, D.J. 25/08/2010, pacificou: “O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado.” 143. Repare que o verbete não acena com possibilidade de restituição administrativa, porém admite execução administrativa de sentença judicial, ao afirmar a possibilidade da execução sem precatório, desde que pela via da compensação administrativa. Indaga-se: sendo compensação e restituição espécies do gênero execução administrativa de indébito, haveria diferença substancial entre essas duas espécies, de forma a que a restituição fosse vetada pela Constituição e a compensação fosse permitida pela mesma Carta Magna? 144. A resposta é positiva. Explique-se. Embora tenham os mesmos efeitos extintivos do débito do Fisco e ainda que ambos estejam precedidos de uma sentença judicial certificadora ou condenatória do indébito, juridicamente, compensação tributária não significa pagamento administrativo da verba. Indubitavelmente, restituição administrativa é pagamento, mas compensação não é sinônimo de pagamento. As suas definições constam do próprio CTN. 145. Também do ponto de vista financeiro, de contabilidade pública, restituição administrativa não é sinônimo de compensação. Sob o ângulo do devedor, executor do orçamento público, a compensação não é despesa pública, ela seria, no máximo, anulação de receita pública, se o crédito já estivesse inscrito em dívida ativa. Em outras palavras, a compensação não gera saída de recursos públicos, promove apenas a anulação de crédito pela verificação de débito recíproco. Esse seria um primeiro fundamento para não considerar a permissão legal e pretoriana para compensação de sentença judicial como ofensiva ao princípio da legalidade orçamentária e à moralidade pública, ambos resguardados pelo art. 100 da CF. 146. O outro fator que compatibiliza a compensação administrativa de sentença judicial com a Constituição é que ela não quebra a isonomia entre os administrados garantida pelo art. 100 da CF. A uma, porque a compensação não quebra a ordem cronológica de apresentação de precatórios, que seguirá intocada pelos contribuintes que optarem por esse sistema. A duas, porque a compensação em si não gerará nova lista cronológica de pagamento no âmbito administrativo, porque compensação não implica pagamento. A três porque, do ponto de vista do grupo de contribuintes pretendentes à compensação, haverá a extinção imediata e concomitante de todos os débitos dos contribuintes (créditos tributários) no momento de sua protocolização, sob ulterior modificação no máximo em cinco anos. Logo, a isonomia fica garantida para os optantes do precatório pela manutenção da ordem cronológica de pagamento, tanto quanto ficará garantida para os optantes da compensação. [grifo nosso] Fl. 456DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-002.485 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16366.720025/2013-47 Em suma, a PGFN, com fulcro no art. 100 da Constituição Federal e na jurisprudência pacificada por meio do enunciado nº 461 da súmula do Superior Tribunal de Justiça, propugna que: a compensação tributária não é pagamento administrativo da verba, enquanto que, indubitavelmente, a restituição administrativa o é; a compensação não gera saída de recursos públicos (promove apenas a anulação de crédito pela verificação de débito recíproco), ao passo que a restituição gera; e a compensação não quebra a ordem cronológica de apresentação de precatórios e não forma lista paralela de pagamento no âmbito administrativo, em detrimento dos optantes pelo recebimento por precatórios; a restituição administrativa, por outro lado, representa desrespeito a esta lista, em afronta ao disposto no art. 100 da Constituição Federal. Mais recentemente, a Coordenação-Geral de Tributação (Cosit), por meio da Solução de Consulta nº 239/2019, adotou esse mesmo posicionamento, ou seja, concluiu pela impossibilidade de restituição administrativa do indébito reconhecido judicialmente. Vejamos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. Decisões judiciais que reconheçam indébito tributário não podem ser objeto de pedido administrativo de restituição, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição Federal. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 382, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2014. O disposto nos arts. 68 e 69 da Instrução Normativa nº 1.717, de 2017, não se aplica quando o crédito não seja passível de restituição. Dispositivos Legais: CF/1988, art. 100; RFB nº 1.717, de 2017, arts. 68, 69, 98, 100, 101 e 103. [grifo nosso] Nesse Conselho também não são raros os precedentes dispondo acerca da impossibilidade da restituição administrativa do direito creditório reconhecido em decisão judicial. Eis a ementa de alguns acórdãos que comprovam isso: INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. As decisões judiciais que reconheçam o indébito tributário não podem ser objeto de pedido de restituição administrativa, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição Federal. (Acórdão 3301-003.958, de 27 de julho de 2017, da 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara) Fl. 457DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-002.485 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16366.720025/2013-47 INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. As decisões judiciais que reconheçam o indébito tributário não podem ser objeto de pedido de restituição administrativa, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição Federal. (Acórdão 3402-004.686, de 24 de outubro de 2017, da 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara) SENTENÇA JUDICIAL. OPÇÃO ENTRE RESTITUIÇÃO VIA PRECATÓRIO E COMPENSAÇÃO. SÚMULA STJ Nº 461. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Sentença judicial transitada em julgado que permite exclusivamente a compensação não garante o direito à restituição administrativa, mas sim a opção entre a restituição via precatório e a compensação, conforme Súmula STJ nº 461. No caso, incabível a restituição administrativa, que equivaleria à execução administrativa da decisão judicial. [...] (Acórdão 2202-003.470, de 16 de junho de 2016, da 2ª Turma Ordinária / 2ª Câmara) Não fosse o bastante, como bem observado pelo colegiado a quo e pela autoridade fiscal antes dele, as decisões judiciais proferidas no bojo do Mandado de Segurança 2002.70.01.026980-0 são explicitas em reconhecer textualmente o direito à compensação, nada falando, portanto, da possibilidade de pedido restituição na via administrativa: DECISÃO Vistos etc. Trata-se de agravo regimental interposto por ESCRITÓRIO CONTÁBIL SANTO ANTÔNIO S/C LIMITADA, visando seja sanado vício constante da decisão proferida às fls. 271/273, consubstanciado na sua omissão quanto ao direito de compensação da COFINS e demais itens correlatados, tais como, prazo prescricional, incidência da correção monetária e juros de 1% ao mês a partir de cada recolhimento indevido. Conheço do presente agravo regimental como embargos de declaração, eis que a decisão restou omissa quanto ao direito de compensação. Quanto à questão suscitada, esclareço que decorre logicamente do provimento do recurso interposto, o retorno dos autos à instância ordinária, para que, uma vez reconhecida a isenção da COFINS para as sociedades civis de prestação de serviços profissionais, promova-se o julgamento da causa, na esteira do devido processo legal. Assim sendo, ACOLHO os embargos declaratórios, para determinar sejam os autos encaminhados à P Vara Federal de Londrina. Publique-se. Brasília-DF, 1º de abril de 2005. (AgRg no RESP n. 707.821, Ministro Francisco Falcão, DJe de 14/04/2005. – fls. 199 destes autos) Fl. 458DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-002.485 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16366.720025/2013-47 Ante o exposto, julgo parcialmente procedentes os pedidos da impetrante, com base no art. 269, inciso I do CPC, para reconhecer o seu direito a compensar a C0FlNS recolhida indevidamente, nos termos e limites da fundamentação. Ressalto que a isenção da COF1NS foi reconhecida em favor da parte autora por decisão transitada em julgado do Superior Tribunal de Justiça, nestes mesmos autos, limitando-se o juízo a observar e complementar a decisão judicial. As partes devem observar o contido na presente decisão. O impetrado não está obstado de exercer o seu poder-dever de fiscalização. Sem honorários, por serem os mesmos incabíveis em sede de mandado de segurança. Condeno a pessoa jurídica a que pertence o impetrado a ressarcir as custas adiantadas pelo impetrante, tendo em vista a sucumbência mínima desse. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Oficie-se. Submeta-se ao reexame necessário. Londrina, 09 de abril de 2007. (Sentença, Juiz Federal Substituto ALEXEI ALVES RIBEIRO, 1ª Vara da Justiça Federal de Londrina, PR – fls. 213/216 destes autos) Por fim, embora entenda que os fundamentos trazidos neste voto já são suficientes para embasar decisão contrária à pretensão da Recorrente, para que não se diga que algum ponto não foi satisfatoriamente enfrentado, cabe registrar que as normas contidas no § 2º do art. 66 da Lei 8.383/91 e no caput do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 não conferem melhor sorte à tese defendida pela Recorrente, uma vez que tais disposições devem ser interpretadas em consonância com o disposto no art. 100 da Constituição Federal. Para melhor tratar do assunto, transcrevo a seguir o texto dos indigitados dispositivos: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) [...] § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) [...] Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Em linha com as demais razões de decidir, parece-me que a exegese adequada desses dispositivos demanda que os interpretemos conforme a Constituição. Nesse diapasão, a faculdade de optar pelo pedido de restituição, estabelecida no § 2º do art. 66 da Lei 8.383/91, em detrimento da compensação prevista no caput desse mesmo Fl. 459DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3001-002.485 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 16366.720025/2013-47 artigo, só se aplica em relação a crédito pleiteado e reconhecido diretamente na via administrativa, já que, do contrário, essa disposição colidiria com o disposto no art. 100 da Constituição, o que, em última análise, colocaria em dúvida a própria validade dessa norma. Raciocínio semelhante deve ser empregado para se extrair a mens legis do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Logo, em uma análise sistemática, a interpretação mais alinhada com a CF/88 é a de que esse dispositivo confere ao contribuinte a opção de receber, pela via dos precatórios, o valor correspondente aos créditos reconhecidos em juízo, conforme previsto no art. 100 da CF, ou, ao seu critério, compensá-los, na via administrativa, com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB. Conclusão Consoante com os fundamentos expostos acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato Fl. 460DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11610.007675/2002-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA CONTAGEM DO EXERCÍCIO DO DIREITO. DECADÊNCIA.
Conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621-RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570-MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09.06.2005, o prazo para o contribuinte apresentar seu pleito é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. Após a data de 09.06.2005, observa-se o lapso temporal preceituado no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005. Decaído, portanto, o pedido complementar, de 02.10.2007, para pagamentos efetuados entre 30.04.2002 e 15.07.2002.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, § 7°, DA CF/88. REQUISITOS.
Com a revogação do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 12.101, de 2009, e o disciplinamento contido no seu art. 32, e ainda, de acordo com o art. 50 do Decreto nº 8.242, de 2014, as razões que pudessem levar à RFB a considerar que a recorrente não cumpriria requisitos da legislação vigente à época dos fatos geradores somente poderiam ser discutidas no âmbito dos autos de infração lavrados, ou se fosse o caso, naqueles que viessem a ser lavrados correspondentes aos períodos em que se considerou que a entidade deixou de cumprir os requisitos para o gozo da imunidade, de acordo com a legislação de regência.
CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CEBAS). ÔNUS DA PROVA RECAÍ AO FISCO.
A Súmula nº 612/STJ dispõe o certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade. A retroatividade do certificado, nesses termos, e corroborada pelo STF nas razões de decidir da ADI nº 4.480, traz o ônus para a autoridade administrativa da comprovação de que a entidade não cumpria os requisitos para a fruição da imunidade.
TEMA Nº 32/STF. EXIGÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR.
Caso a recorrente não fosse possuidora do CEBAS, que é a exigência contida no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, ou ainda, que se evidenciasse o descumprimento dos demais requisitos do art. 55 da referida lei ordinária, é se de considerar que o STF, em sede de repercussão geral, quando ao final da apreciação do RE 566.622/RS formulou definitivamente a tese relativa ao tema nº 32 da repercussão geral, nos seguintes termos: A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas.
ISENÇÃO. ENTIDADES DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS. ART. 14, INCISO X DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.858/1999. REEDITADA PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158-35/2001. SÚMULA CARF Nº 107.
O STJ reconheceu a ilicitude do § 2º do art. 47 da IN SRF nº 247, de 2002, no julgamento do REsp 1.353.111/RS (Tema repetitivo nº 624), firmando a seguinte tese jurídica: As receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158-35/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, § 2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos (mensalidades escolares) a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Súmula CARF n° 107.
Numero da decisão: 3301-014.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para declarar a decadência do direito da recorrente em pleitear a restituição, dos pagamentos efetuados entre 30.04.2002 e 15.07.2002, formulada em pedido administrativo de complementar protocolizado em 02.10.2007, e, no mérito, dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório constante do pedido de restituição para utilização em compensação.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 11 09:00:00 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202404
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 11610.007675/2002-98
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7062684
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3301-014.018
nome_arquivo_s : Decisao_11610007675200298.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
nome_arquivo_pdf_s : 11610007675200298_7062684.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para declarar a decadência do direito da recorrente em pleitear a restituição, dos pagamentos efetuados entre 30.04.2002 e 15.07.2002, formulada em pedido administrativo de complementar protocolizado em 02.10.2007, e, no mérito, dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório constante do pedido de restituição para utilização em compensação. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2024
id : 10427113
ano_sessao_s : 2024
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA CONTAGEM DO EXERCÍCIO DO DIREITO. DECADÊNCIA. Conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621-RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570-MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09.06.2005, o prazo para o contribuinte apresentar seu pleito é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. Após a data de 09.06.2005, observa-se o lapso temporal preceituado no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005. Decaído, portanto, o pedido complementar, de 02.10.2007, para pagamentos efetuados entre 30.04.2002 e 15.07.2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, § 7°, DA CF/88. REQUISITOS. Com a revogação do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 12.101, de 2009, e o disciplinamento contido no seu art. 32, e ainda, de acordo com o art. 50 do Decreto nº 8.242, de 2014, as razões que pudessem levar à RFB a considerar que a recorrente não cumpriria requisitos da legislação vigente à época dos fatos geradores somente poderiam ser discutidas no âmbito dos autos de infração lavrados, ou se fosse o caso, naqueles que viessem a ser lavrados correspondentes aos períodos em que se considerou que a entidade deixou de cumprir os requisitos para o gozo da imunidade, de acordo com a legislação de regência. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CEBAS). ÔNUS DA PROVA RECAÍ AO FISCO. A Súmula nº 612/STJ dispõe o certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade. A retroatividade do certificado, nesses termos, e corroborada pelo STF nas razões de decidir da ADI nº 4.480, traz o ônus para a autoridade administrativa da comprovação de que a entidade não cumpria os requisitos para a fruição da imunidade. TEMA Nº 32/STF. EXIGÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Caso a recorrente não fosse possuidora do CEBAS, que é a exigência contida no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, ou ainda, que se evidenciasse o descumprimento dos demais requisitos do art. 55 da referida lei ordinária, é se de considerar que o STF, em sede de repercussão geral, quando ao final da apreciação do RE 566.622/RS formulou definitivamente a tese relativa ao tema nº 32 da repercussão geral, nos seguintes termos: A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas. ISENÇÃO. ENTIDADES DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS. ART. 14, INCISO X DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.858/1999. REEDITADA PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158-35/2001. SÚMULA CARF Nº 107. O STJ reconheceu a ilicitude do § 2º do art. 47 da IN SRF nº 247, de 2002, no julgamento do REsp 1.353.111/RS (Tema repetitivo nº 624), firmando a seguinte tese jurídica: As receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158-35/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, § 2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos (mensalidades escolares) a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Súmula CARF n° 107.
atualizado_anexos_dt : Sat May 11 09:38:31 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798748580741120000
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-29T14:25:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-29T14:25:40Z; Last-Modified: 2024-04-29T14:25:40Z; dcterms:modified: 2024-04-29T14:25:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-29T14:25:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-29T14:25:40Z; meta:save-date: 2024-04-29T14:25:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-29T14:25:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-29T14:25:40Z; created: 2024-04-29T14:25:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2024-04-29T14:25:40Z; pdf:charsPerPage: 2619; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-29T14:25:40Z | Conteúdo => S3-C 3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11610.007675/2002-98 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-014.018 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2024 Recorrente INSTITUTO SUPERIOR DE COMUNICAÇÃO PUBLICITÁRIA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA CONTAGEM DO EXERCÍCIO DO DIREITO. DECADÊNCIA. Conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621-RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570-MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09.06.2005, o prazo para o contribuinte apresentar seu pleito é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. Após a data de 09.06.2005, observa-se o lapso temporal preceituado no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005. Decaído, portanto, o pedido complementar, de 02.10.2007, para pagamentos efetuados entre 30.04.2002 e 15.07.2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, § 7°, DA CF/88. REQUISITOS. Com a revogação do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 12.101, de 2009, e o disciplinamento contido no seu art. 32, e ainda, de acordo com o art. 50 do Decreto nº 8.242, de 2014, as razões que pudessem levar à RFB a considerar que a recorrente não cumpriria requisitos da legislação vigente à época dos fatos geradores somente poderiam ser discutidas no âmbito dos autos de infração lavrados, ou se fosse o caso, naqueles que viessem a ser lavrados correspondentes aos períodos em que se considerou que a entidade deixou de cumprir os requisitos para o gozo da imunidade, de acordo com a legislação de regência. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CEBAS). ÔNUS DA PROVA RECAÍ AO FISCO. A Súmula nº 612/STJ dispõe “o certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 76 75 /2 00 2- 98 Fl. 1142DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade”. A retroatividade do certificado, nesses termos, e corroborada pelo STF nas razões de decidir da ADI nº 4.480, traz o ônus para a autoridade administrativa da comprovação de que a entidade não cumpria os requisitos para a fruição da imunidade. TEMA Nº 32/STF. EXIGÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Caso a recorrente não fosse possuidora do CEBAS, que é a exigência contida no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, ou ainda, que se evidenciasse o descumprimento dos demais requisitos do art. 55 da referida lei ordinária, é se de considerar que o STF, em sede de repercussão geral, quando ao final da apreciação do RE 566.622/RS formulou definitivamente a tese relativa ao tema nº 32 da repercussão geral, nos seguintes termos: “A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas”. ISENÇÃO. ENTIDADES DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS. ART. 14, INCISO X DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.858/1999. REEDITADA PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158-35/2001. SÚMULA CARF Nº 107. O STJ reconheceu a ilicitude do § 2º do art. 47 da IN SRF nº 247, de 2002, no julgamento do REsp 1.353.111/RS (Tema repetitivo nº 624), firmando a seguinte tese jurídica: “As receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158-35/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, § 2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão”. A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos (mensalidades escolares) a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Súmula CARF n° 107. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para declarar a decadência do direito da recorrente em pleitear a restituição, dos pagamentos efetuados entre 30.04.2002 e 15.07.2002, formulada em pedido administrativo de complementar protocolizado em 02.10.2007, e, no mérito, dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório constante do pedido de restituição para utilização em compensação. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente e Relator Fl. 1143DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, referente à contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), no período compreendido entre janeiro de 1999 e março de 2002. Por bem descrever os fatos, transcreve-se o relatório da Resolução CARF nº 3101- 000.299, de 23.10.2013: Trata o presente processo de pedido de restituição no valor de R$ 8.685.021,82 relativo à recolhimentos da contribuição para a COFINS dos períodos de apuração de 01.99 a 02.2002. A requerente alega ser imune a contribuição para a COFINS. Vinculado ao pedido de restituição apresentou as DCOMPs listadas às fls. 623-verso a 624-verso. A interessada protocolizou ainda, em 02.10.2007, petição onde requer um valor complementar a restituir de R$ 1.549.298,63, relativos aos DARF's de recolhimentos efetuados entre 30.04.2002 a 15.07.2002. Por meio do despacho decisório da EQITD/DIORT/DERAT/SPO de fls. 635 a 640 do eprocesso, foi indeferido o pedido de restituição e não homologadas as compensações declaradas, em síntese, com base nos seguintes fundamentos: 1. Considerando que a COFINS não é imposto, é improcedente a alegação de imunidade com fundamento no art. 150, VI, "c" da Constituição Federal; 2. A isenção prevista no art. 15 da lei n° 9.532/97 não abrange a COFINS; 3. O contribuinte teve sua isenção cancelada por não cumprir os requisitos indispensáveis às entidades beneficentes de assistência social, conforme alega ser, exigidos nos incisos III e V do art. 55 da lei n° 8.212/91. A decisão encontra- se no Acórdão n° 16-13.989 da 14a Turma da DRJ/SPO1 (fls. 825 a 851 do eprocesso). O cancelamento da isenção dá-se a partir de 01.01.98 (Ato Cancelatório nº02/2007 às fls.630 do eprocesso); 4. Também não atende o inciso II do art. 55 da lei n° 8.212/91. Por esta razão foi expedido o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 01/2005 (fls.631 do eprocesso), em que foi cancelada a isenção das contribuições sociais a partir de 01.01.98. 5. Além disso, interpôs recurso ordinário no Mandado de Segurança n° 10.510DF, em 27.05.2008, no qual foi denegado o pleito uma vez que não há "direito adquirido a manutenção do regime fiscal" (fls. 632 a 634 do eprocesso). A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 648 a 700 do eprocesso), na qual argumenta, em síntese, que: 1. O requerente, por se tratar à época de instituição de educação sem fins lucrativos c de assistência social, portanto imune aos impostos e as contribuições sociais, nos termos do artigo 150, inciso VI, alínea "c" e artigo 195, parágrafo 7º Fl. 1144DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 da Constituição da República, formalizou pedido de restituição relativo aos pagamentos realizados, indevidamente, a título de COFINS, no período de janeiro de 1999 a julho de 2002. 2. A menção aos artigos 12 e 15 da Lei n.° 9.532, de 1997 no caso do requerente foi para demonstrar que o mesmo cumpria com todos os requisitos exigidos em lei, para ser considerado como de educação e de assistência social, conforme artigo 13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001. A menção aos artigos 12 e 15 da Lei n° 9.532/97 foi apenas para demonstrar que o requerente se encaixava à época como de instituição de educação e de assistencial social, no qual o artigo 14, inciso X, da Medida Provisória n 2.15835/2001 previa a isenção à COFINS para fatos geradores ocorridos após 1º de fevereiro de 1999, como é o caso do requerente; 3. O requerente, desde sua fundação até outubro de 2005, sempre cumpriu com todos os requisitos exigidos em lei, seja pela norma tributária (artigo 14 do CTN), seja pela norma previdenciária (artigo 55 da lei n° 8.212/91), além de fazer jus ao direito adquirido pela Lei n°3.577, de 1959 e Decreto-Lei n.° 1.575, de 1977, sendo reconhecida inclusive pelo então INSS à época, mediante a expedição de Ato Declaratório de Isenção às Contribuições Sociais em outubro de 1998, não restando qualquer dúvida quanto à sua natureza jurídica assistencial; 4. O requerente apresenta, em suas razões, como argumento principal, o reconhecimento da imunidade/isenção às contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, parágrafo 7º da Constituição e artigo 14, inciso X da Medida Provisória n.° 2.15835/2001, bem como a insubsistência dos Atos Cancelatórios n.° 01/2005 e n.° 01/2007, em face da expedição do Certificado pelo então Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) que garantem e ratificam a natureza jurídica do requerente à época do pedido; 5. Após sucessivas renovações junto ao CNAS, o seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social foi deferido pela Resolução n° 49, de 17/03/05, em virtude da sua adesão ao PROUNI, instituído pela Lei n° 11.096/2005, além da última renovação do Certificado, mediante Resolução n° 11, de 09.02.2009, nos termos da Medida Provisória n° 446/2008; 6. O requerente tem todos os períodos abarcados pela imunidade tributária, seja pela concessão do CEAS pelo CNAS, seja pelo reconhecimento do próprio INSS à época, expedindo-se Ato Declaratório de Isenção ao mesmo; 7. Que o Ato Cancelatório n° 01/2005 sob a qual se funda o descumprimento do inciso II do artigo 55 da norma previdenciária foi devidamente restabelecido pelo Prouni, bem como que o Ato Cancelatório n° 01/2007, fundado no descumprimento dos incisos III, IV também da norma previdenciária, além de estar sob análise perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), portanto com sua exigibilidade suspensa, o CEAS para aquele período foi devidamente renovado pela Resolução CNAS n° 11, de 2009, contradizendo totalmente as alegações da RFB; 8. Em que pese o mandado de segurança n° 10.510 impetrado ao STJ ter sido denegado, os autos encontram-se aguardando julgamento de recurso ordinário em mandado de segurança, RMS n° 27521 junto à Suprema Corte; 9. Que além do direito à imunidade, assiste ao ISCP o direito à isenção da Cofins, motivo pelo qual o despacho decisório lavrado deve ser reformado, já que referido tributo fora pago com base nas receitas decorrentes das mensalidades, as quais são, reconhecidamente, receitas de atividades próprias da instituição de educação; Fl. 1145DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 10. Que a isenção da Cofins disposta no inciso X, do artigo 14, da MP n° 1.858 de 1999, não exige o cumprimento de nenhum requisito, bastando ser receita relativa à atividade própria de instituição de educação para estar abarcada por este benefício fiscal. O que deve ser levado em consideração é que todas as receitas obtidas pela entidade eram reinvestidas no cumprimento dos seus objetivos institucionais, sendo, portanto, evidente a caracterização das mesmas como receitas provenientes de sua atividade própria, logo, isentas ao recolhimento da Cofins.” A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, por unanimidade de votos, não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a não homologação da compensação em litígio, em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pedir restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do recolhimento indevido (Ato Declaratório SRF 96/99). ISENÇÃO/IMUNIDADE. ART. 195, §7° DA CF/88. A "isenção"/imunidade insculpida no artigo 195, §7°, da Constituição Federal alcança somente as entidades beneficentes de assistência social que atendam todas as exigências estabelecidas no art. 55 da lei n° 8.212/91. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. PROUNI. O CEAS concedido pelo CNAS, com base na nova legislação (PROUNI), apenas possibilita novo pedido de isenção que, se concedida, terá os seus efeitos a partir da edição da Medida Provisória 213, de 10/09/2004, conforme dispõe o § 3º, do art. 11, da Lei 11.096/05. ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO. O Ato Declaratório de Isenção é concedido tendo em vista a análise de documentos relativos aos três anos anteriores à sua emissão, e, obviamente, na concessão da isenção, fica implícita uma condição imposta por lei à entidade beneficiada, qual seja: que a mesma cumpra, no período seguinte, os requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91. Tendo descumprido requisitos do art. 55 da lei n° 8.212/91 o Ato Declaratório de Isenção foi cancelado por Atos Cancelatórios de Isenção. COFINS. ISENÇÃO. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835/ 2001. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. Somente as instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei n9.532, de 1997 são isentas da Cofins e exclusivamente com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. A receita da atividade própria de uma entidade, cuja finalidade social é a difusão do ensino, é composta pelas doações, contribuições, mensalidades e anuidades recebidas de associados, mantenedores e colaboradores, sem caráter Fl. 1146DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção das suas atividades sem fins lucrativos.” Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, em que reforça os argumentos contidos na manifestação de conformidade e requer o provimento de seu recurso, com a anulação da decisão a quo e o consequente deferimento do pedido de restituição da COFINS, de modo a homologar das compensações pela utilização dos referidos créditos. A recorrente apresenta petição, datada de 22.06.2017, na qual junta aos autos cópias de acórdãos deste Conselho de outros julgados, que alega comprovar a sua condição de entidade imune de contribuições para a seguridade social (fls. 922/1119) e posterior juntada de despacho, de 28.06.2021, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, alusivo ao PAF nº 44023.000141/2007-14 (fls. 1131/1134) acompanhado de informação fiscal, de 22.03.2023 (fls. 1135/1136). Retornam os autos após a sua conversão em diligência determinada pela Resolução, para que a repartição de origem anexasse a decisão final do processo 44023.000141/2007-14, e caso não tenha a decisão final, que se aguarde essa decisão para juntá- la aos autos e posteriormente encaminhar a esse Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, Relator. Conforme já analisado na Resolução CARF nº 3101-000.299, o recurso é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Alega a recorrente que no período referente aos pedidos de restituição de COFINS e de compensação, de janeiro de 1999 a julho de 2002, era imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195 da Constituição Federal. Preliminar - decadência Conforme relatado, a recorrente protocolizou, em 02.10.2007, petição onde requer valor complementar relativo aos DARFs de recolhimentos efetuados entre 30.04.2002 e 15.07.2002. O acórdão de primeira instância concluiu que, quanto ao pedido administrativo de restituição complementar protocolizado em 02.10.2007 (fls. 121/123), houve decadência do direito da recorrente em pleitear a restituição dos pagamentos efetuados por meio dos DARFs (fls. 124/128) recolhidos entre 30.04.2002 e 15.07.2002. Inconformada com a decisão a quo, a recorrente apresenta recurso, fundamentando seu pleito na denominada “tese dos dez anos de decadência”, também conhecida Fl. 1147DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 por tese dos “cinco mais cinco”, alegando que somente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.2005 aplicar-se-ia o prazo de 5 anos para a repetição do indébito e relativamente aos pagamentos na anteriores o prazo aplicável seria de 10 anos. Relativamente a essa matéria, destacam-se o pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621/RS, Relatora Ministra Ellen Gracie, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.269.570/MG, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, com efeito repetitivo. De acordo com esses julgamentos, para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09.06.2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. É a “Tese dos 5 + 5”. E, se os pedidos fossem protocolizados após a data de 09.06.2005, o prazo seria de 5 anos, a contar da data do pagamento, de acordo com o preceituado no art. 168, I, do CTN, à luz da interpretação dada pelo artigo 3º da LC nº 118, de 2005. O referido acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a Fl. 1148DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” (destaquei) Cabe a reprodução da ementa do mencionado acórdão do STJ, prolatado após a decisão do STF: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543-C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levando-se em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinar-se esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543-A e 543-B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplica-se o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contando-se o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. Fl. 1149DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” (destaque no original) O entendimento acima foi inclusive sumulado por este Tribunal Administrativo conforme a seguir: Súmula CARF nº 91 “Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, nos termos do art. 99 do RICARF, de 2023. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621-RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570-MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09.06.2005, o prazo para o contribuinte apresentar seu pleito é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. Nesse sentido, após a data de 09.06.2005, observará o lapso temporal preceituado no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005. Dessa forma, efetuando a subsunção do caso concreto ao ordenamento jurídico vigente, na data em que foi formulado o pedido administrativo de restituição complementar, em 02.10.2007, já se encontrava decaído o direito da recorrente em pleitear a restituição dos pagamentos efetuados entre 30.04.2002 e 15.07.2002. Neste contexto, não merece ser provido o recurso voluntário, mantendo-se a decisão a quo, que considerou encontrar-se decaído o direito da recorrente em pleitear a restituição dos pagamentos efetuados por meio dos DARFs (fls. 124/128), recolhidos entre 30.04.2002 e 15.07.2002, formulada em pedido administrativo de complementar, protocolizado em 02.10.2007 (fls. 121/123). Mérito Quanto ao mérito, o acórdão de primeira instância não reconheceu o direito creditório da recorrente, correspondente ao pagamento indevido de COFINS, referente ao período de apuração de 01.1999 a 02.2002, por considerar que: i) não cumpria os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, para o gozo da imunidade de contribuições sociais previsto no art. 195, §7° da CF; e ii) as receitas que tenham um cunho contraprestacional específico, tal como mensalidades para pagamento de cursos, não podem ser caracterizadas como receitas próprias de entidades sem fins lucrativos e, por isso, continuam sujeitas à tributação pela COFINS. Fl. 1150DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 Assim, a matéria controversa, para que haja o reconhecimento do crédito tributário pleiteado pela recorrente, gravita em torno de duas discussões. A primeira, acerca do cumprimento dos requisitos para o gozo da imunidade de contribuições sociais prevista no § 7º do art. 195 da CF. A segunda, se as mensalidades educacionais são abrangidas no conceito de receita própria das entidades de educação sem fins lucrativos para fins de isenção da COFINS. 1. Da imunidade tributária - art. 195, §7º da CF A conversão do julgamento em diligência, determinada pela Resolução nº 3101- 000.299, deu-se em virtude de ter-se considerado necessário averiguar o cumprimento dos requisitos para o gozo da imunidade que se encontravam sendo discutidos em outro processo administrativo fiscal: “Entretanto, um dos fundamentos da decisão administrativa ainda está pendente de decisão final. O Ato Cancelatório nº 02/2007 (fls.630 do eprocesso), objeto do processo 44023.000141/200714, emitido em virtude do descumprimento, pela interessada, dos requisitos previstos no inciso III e V, do Art. 55, da Lei 8.212/91, ainda está pendente de julgamento na 2ª Seção de Julgamento desse Conselho, encontrando-se na situação “Para Relatar” distribuído ao Conselheiro Igor Araújo Soares da 1ªTO/4ªCÂMARA. Como se trata de um dos fundamentos do despacho decisório, torna-se necessário aguardar a conclusão daquela lide para apreciarmos seus reflexos no presente processo.” O Despacho de Devolução da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, nos autos do PAF nº 44023.000141/2007-14, proferido em 28.06.2021 (fls. 1131/1134), após apresentar a resumo da evolução legislativa, conclui que as razões que levaram a RFB a entender que a entidade não cumpre requisitos da legislação vigente à época dos fatos geradores deverão ser discutidas no âmbito dos autos de infração lavrados ou que vierem a ser lavrados, com o qual adoto como razões de decidir e passo a reproduzir: “Importa ressaltar que a legislação que rege a matéria do presente processo passou por numerosas mudanças. Observe-se que o contencioso administrativo instaurado pela apresentação de recurso por parte da entidade ainda não foi finalizado. Na sequência apresento um resumo da legislação que tratou a questão. Por ocasião da emissão do ato cancelatório de isenção da entidade, estava vigente o art. 55 da Lei nº 8.212/1991, o qual dispunha o seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I - seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II - seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.187-13, de 2001) III - promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; lV- não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; Fl. 1151DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3º Para os fins deste artigo, entende-se por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) (Vide ADIN nº 2028-5) § 4º O Instituto Nacional do Seguro Social – INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) (Vide ADIN nº 2028-5) § 5º Considera-se também de assistência social beneficente, para fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) (Vide ADIN nº 2028-5) § 6º A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3º do art. 195 da Constituição (Incluído pela Medida Provisória nº 2.187- 13, de 2001) Ocorre que, em 30/11/2009, foi publicada a Lei nº 12.101/2009, que revogou o art. 55 da Lei nº 8.212/1991 e estabeleceu o seguinte: Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1º Considerar-se-á automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2º O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. (Grifou-se) A Lei nº 12.101/2009 foi regulamentada pelo Decreto nº 7.237/2010, posteriormente revogado pelo Decreto nº 8.242/2014, que dispôs o seguinte: Art. 47. O direito à isenção das contribuições sociais somente poderá ser exercido pela entidade a partir da data da publicação da concessão de sua Fl. 1152DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 certificação no Diário Oficial da União, desde que atendidos cumulativamente os requisitos previstos na Lei nº12.101, de 2009, e neste Decreto. Art. 48. Constatado o descumprimento de requisito estabelecido pelo art. 46, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará auto de infração relativo ao período correspondente, com o relato dos fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1º Durante o período a que se refere o caput, a entidade não terá direito à isenção e o lançamento correspondente terá como termo inicial a data de ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2ºA entidade poderá impugnar o auto de infração no prazo de trinta dias, contado de sua intimação. § 3ºO julgamento do auto de infração e a cobrança do crédito tributário seguirão o rito estabelecido pelo Decreto nº70.235, de 1972. Art. 49. Os pedidos de reconhecimento de isenção formalizados até 30 de novembro de 2009 e não definitivamente julgados, em curso no âmbito do Ministério da Fazenda, serão analisados com base na legislação em vigor no momento do fato gerador que ensejou a isenção. Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, será certificado o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei nº12.101, de 2009. Art. 50. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados a sua unidade competente para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. (Grifou-se) Também a Instrução Normativa RFB nº 971/2009 sofreu alterações, conforme se depreende dos trechos abaixo: Art. 233. A partir de 30 de novembro de 2009, deixam de ser emitidos ato declaratório e ato cancelatório de isenção. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1071, de 15 de setembro de 2010) § 1º Os pedidos de reconhecimento de isenção pendentes de apreciação no âmbito da RFB serão analisados na fase e no órgão em que se encontram para verificação do cumprimento dos requisitos de isenção vigentes na data de ocorrência do fato gerador. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1453, de 24 de fevereiro de 2014) § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá o prazo de 15 (quinze) dias, a contar da data da ciência, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que deverá ser protocolizada na unidade da RFB da jurisdição do seu estabelecimento matriz. (...) Art. 234. O processo de cancelamento de isenção pendente de julgamento no âmbito da RFB, sem o correspondente Auto de Infração, será encaminhado à DRF competente para imediata constituição do crédito de acordo com o rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, aplicando-se a legislação vigente na data de ocorrência do fato gerador. (Redação dada Fl. 1153DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1453, de 24 de fevereiro de 2014) (Grifou- se) De acordo com os dispositivos acima transcritos, depreende-se que a Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB deixou de ter competência para apreciar os requerimentos de isenção, bem como de cancelar a isenção usufruída pelas entidades. O direito ao benefício pode ser exercido pela entidade desde a data da publicação da concessão da certificação, que é fornecida pelo Ministério da área de atuação da entidade. Compete à RFB, ao verificar o não cumprimento dos requisitos necessários ao usufruto da isenção, lavrar o auto de infração das contribuições devidas, se for o caso, fundamentando as razões pelas quais concluiu que a entidade não cumpriria os requisitos no período, lembrando que tal procedimento deve ser efetuado inclusive para o período de vigência do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991. Desse modo, tem-se que, após a Lei nº 12.101/2009 e dos respectivos decretos regulamentadores, não cabe mais à RFB manifestar-se sobre a concessão ou cancelamento da isenção, inclusive relativamente a períodos anteriores à sua edição. Em que pese o Ato Cancelatório de isenção ter sido proferido anteriormente à Lei nº 12.101/2009, o processo ainda não teve o trânsito em julgado administrativo e, atualmente, não há mais competência para tal análise, por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil. De fato, com a nova legislação e tendo em vista o disposto no art. 144, § 1º, do CTN, considero que tampouco o CARF tem competência para julgar o recurso apresentado pela entidade, eis que as razões que levaram a RFB a concluir que a entidade não cumpre requisitos da legislação vigente à época dos fatos geradores deverão ser discutidas no âmbito dos autos de infração lavrados, conforme determina a legislação atual. Diante do exposto, considero que há perda de objeto do Recurso Voluntário apresentado, razão pela qual, entendo que os autos devem retornar à origem, onde poderão, se for o caso, ser lavrados os autos de infração correspondentes aos períodos em que se considerou que a entidade deixou de cumprir os requisitos para o gozo de isenção.” Em 18.04.2023 o PAF nº 44023.000141/2007-14 foi definitivamente arquivado, conforme tela do COMPROT 1 : 1 https://comprot.fazenda.gov.br/comprotegov/site/index.html#ajax/processo-consulta-dados.html Fl. 1154DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 O art. 50 do Decreto nº 8.242, de 2014, dispunha o seguinte: Art. 50. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados a sua unidade competente para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A Lei nº 12.101, de 2009, dispunha em seu art. 32: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. Portanto, da mesma forma em que concluiu o Despacho de Devolução da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção nos autos do PAF nº 44023.000141/2007-14, proferido em 28.06.2021 (fls. 1131/1134), com a revogação do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 12.101, de 2009, e o disciplinamento contido no seu art. 32, e ainda, de acordo com o art. 50 do Decreto nº 8.242, de 2014, as razões que pudessem levar à RFB a considerar que a recorrente não cumpriria requisitos da legislação vigente à época dos fatos geradores somente poderiam ser discutidas no âmbito dos autos de infração lavrados, ou se fosse o caso, naqueles que viessem a ser lavrados correspondentes aos períodos em que se considerou que a entidade deixou de cumprir os requisitos para o gozo da imunidade, de acordo com a legislação de regência. A recorrente relaciona em sua petição e junta aos autos os acórdãos proferidos nos processos administrativos fiscais nº 36624.000814/2007-39 (Acórdão nº 2401-003.876), nº Fl. 1155DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 36624.000813/2007-94 (Acórdão nº 2401-003.875), nº 36624.000804/2007-01 (Acórdão nº 2401-003.866), nº 36624.000805/2007-48 (Acórdão nº 2401-003.867), nº 36624.000815/2007- 83 (Acórdão nº 2401-003.877), nº 36624.000816/2007-28 (Acórdão nº 2401-003.878), nº 36624.000807/2007-37 (Acórdão nº 2401-003.869), nº 36624.000806/2007-92 (Acórdão nº 2401-003.868), nº 36624.000802/2007-12 (Acórdão nº 2401-003.864), nº 36624.000803/2007- 59 (Acórdão nº 2401-003.865), nº 36624.000810/2007-51 (Acórdão nº 2401-003.871) e nº 36624.000809/2007-26 (Acórdão nº 2401-003.870) (fls. 922/1119). Nesses processos administrativos, o CARF apreciou se teria havido descumprimento de requisitos para o gozo da imunidade tributária de contribuições sociais prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal para períodos que abrangem os aqui apreciados no pedido de restituição e correspondentes compensações, qual seja, de janeiro de 1999 a julho de 2002; e levando em conta a evolução legislativa, concluiu-se por dar provimento aos respectivos recursos voluntários, posto que não evidenciado o descumprimento de qualquer requisito para o gozo da imunidade de contribuições sociais pela recorrente, e, inclusive, reconhecendo a comprovação de ser a recorrente possuidora do Certificado de Entidade de Assistência Social, conforme se depreende da ementa do aresto a seguir, cujo entendimento se repete nos demais acórdãos proferidos pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005 ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. Em havendo recolhimentos parciais, estes considerados como os pagamentos de valores de contribuições parte dos segurados, bem como indicação da apropriação de guias de pagamento no TEAF, há que ser aplicado, in casu, o disposto no art. 150, §4º do CTN. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO ART. 55, II, DA LEI 8.212/91. ENTIDADE QUE NÃO POSSUÍA O CEAS. ADESÃO AO PROUNI. LEI 11.096/05. RENOVAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. INSUBSISTÊNCIA. Tendo em vista que a recorrente comprovou ser possuidora do Certificado de Entidade de Assistência Social, uma vez que o documento que antes não possuía veio a ser renovado pelo CNAS em decorrência de sua adesão ao PROUNI (Lei 11.096/05) para o período objeto da autuação, outra não pode ser a conclusão, senão pela improcedência do lançamento. MEDIDA PROVISÓRIA 446/08. DEFERIMENTO DOS PEDIDOS DE RENOVAÇÃO DO CEAS PENDENTES DE JULGAMENTO. VALIDADE DO ATO. ART. 62 DA CF/88. EMENDA CONSTITUCIONAL N. 32. O art. 39 da MP 446/08 determinou a renovação automática de todos os pedidos de renovação de certificados de entidade de assistência social, que à época, estavam pendentes de julgamento junto ao CNAS. Tendo em vista o disposto no art. 62 da Constituição Federal, os atos realizados sob a égide de referido diploma legal devem ser considerados como válidos. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão nº 2401-003.865, Processo nº 36624.000803/2007-59, sessão de 10.02.2015, Conselheiro Igor Araújo Soares) Portanto, há de se concluir que no julgamento dos autos de infração de contribuições previdenciárias os recursos voluntários foram providos em virtude de ter havido o reconhecimento de que, para o mesmo período abrangido pelo pedido de restituição de COFINS Fl. 1156DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 e respectivas compensações, a recorrente encontrava-se no gozo da imunidade de contribuições sociais, prevista no § 7º do art. 195 da CF, que abrange também a COFINS. Para comprovar o trânsito em julgado administrativo com o arquivamento definitivo dos processos administrativos fiscais, a recorrente juntou aos autos a tela de consulta do COMPROT (fls. 938/949); e a baixa definitiva dos créditos tributários, o extrato do devedor CCREDEXT da PGFN (fls. 950/955). Além disso, anteriormente, o antigo Segundo Conselho de Contribuintes já havia reconhecido que a recorrente é detentora da imunidade da COFINS, que é abrangida pela imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal, por atender os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, conforme Acórdão nº 203-10.270 proferido nos autos do PAF nº 10880.046096/96-54, em 07/07/2005 (fls. 703/707): “COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. A imunidade veiculada no art. 195, § 7º, da Constituição Federal compreende a Cofins incidente sobre receitas de entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Recurso provido” (Acórdão nº 203-10270, Processo nº 10880.046096/96-54, sessão de 07.07.2005, Conselheira Sílvia de Brito Oliveira) Ressalto que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) é um certificado concedido pelo Governo Federal às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social que prestem serviços nas áreas de educação, assistência social ou saúde. Assim, tem direito ao CEBAS as pessoas jurídicas de direito privado, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social e que prestem serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação e que atendam às regras previstas em lei. Nesse diapasão, o certificado que reconhece a entidade como filantrópica, de utilidade pública, tem efeito ex tunc, por se tratar de ato declaratório. Ou seja, as entidades beneficentes possuem direito à imunidade desde quando preencheram os requisitos previstos na legislação de regência e não desde a data em que foi conferido o CEBAS, em face da sua natureza declaratória (e não constitutiva). Esse entendimento foi sumulado no STJ, nos termos do teor da Súmula nº 612/STJ que assim dispõe: “O certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade”. (STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09.05.2018, DJe 14.05.2018). Importante destacar trecho do julgamento da ADI n° 4.480 que, ao citar a Súmula 612 do STJ, o Ministro Gilmar Mendes destaca que o certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS) possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus Fl. 1157DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade: “Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001 [...] Sobre o tema, cabe ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento sumulado, com o qual estou de acordo, no sentido de que: “O certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade”. (Súmula 612, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 9.5.2018, DJe 14.5.2018) Nesse contexto, entendo que o exercício da imunidade deve ter início assim que os requisitos exigidos pela lei complementar forem atendidos.” A retroatividade do certificado, conforme disposta na Súmula nº 612/STJ e corroborada pelo STF nas razões de decidir da ADI n° 4.480, traz o ônus para a autoridade administrativa da comprovação de que a entidade não cumpria os requisitos para a fruição da imunidade, o que não ocorreu no presente caso. Ainda que a recorrente não fosse possuidora do Certificado de Entidade de Assistência Social, que é a exigência contida no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, ou ainda, que se evidenciasse o descumprimento dos demais requisitos do art. 55 da referida lei ordinária, é se de considerar que o STF, em sede de repercussão geral, quando ao final da apreciação do RE nº 566.622/RS formulou definitivamente a tese relativa ao Tema nº 32 da repercussão geral, nos seguintes termos: “A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas”. Reproduzo o entendimento da Câmara Superior acerca da aplicabilidade da tese firmada pelo STF em sede de repercussão geral no julgamento do RE 566.622/RS: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001 COFINS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E DE EDUCAÇÃO. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA AO ART. 14 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA DO CEBAS. Quanto à discussão acerca da legitimidade da exigência do CEBAS para as entidades de educação e de assistência social sem fins lucrativos, para fins de fruição da imunidade/isenção das contribuições de seguridade social, é se de considerar que o STF, em sede de repercussão geral, quando da apreciação do RE 566.622/RS, firmou entendimento de que somente a Lei Complementar seria forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF/88, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas. Explicitou que tais contrapartidas para a emissão do CEBAS devem-se dar por Lei Complementar, e não através de Lei Ordinária - Lei 8.212/91 e Lei 12.101/09. Fl. 1158DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 Considerando que as Leis Ordinárias não trazem somente normas procedimentais para a emissão do Certificado, excedendo ao estabelecer o modo beneficente de atuação das entidades de assistência social, é de se considerar que as entidades beneficentes de assistência social, para fins de fruição da imunidade/isenção das contribuições de seguridade social, devem observar somente as contrapartidas previstas em Lei Complementar - estas definidas no art. 14 do CTN. O que, por conseguinte, devem ser considerados “como” concedidos o CEBAS de que trata o art. 55, inciso II, da Lei 8.212/91, ainda que não tenham sido de fato emitidos para tais entidades, para todas as entidades que observam os requisitos dispostos em Lei Complementar - CTN.” (Acórdão nº 9303-010.974, Processo nº 13808.000813/2002-26, sessão de 11.11.2020, Conselheira Tatiana Midori Migiyama) “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001 EMBARGOS. OBSCURIDADE. SANEAMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO DA COFINS. INEXIGIBILIDADE DO CEBAS. Obscuridade endógena conferida no final da ementa consignada e voto condutor gera a necessidade de saneamento como consequência lógica ou necessária para a supressão do equívoco. Clarifica-se, assim, que, considerando que as Leis Ordinárias - 8.212/91 e 12.101/09 não trazem somente normas procedimentais para a emissão do CEBAS, excedendo ao estabelecer o modo beneficente de atuação das entidades de assistência social, é de se considerar que as entidades beneficentes de assistência social e de educação, para fins de fruição da imunidade/isenção das contribuições de seguridade social, devem observar somente as contrapartidas previstas em Lei Complementar - estas definidas no art. 14 do CTN, independentemente da inexistência ou existência do certificado (RE 566.622/RS e ADI 4.480).” (Acórdão nº 9303-012.986, Processo nº 13808.000813/2002-26, sessão de 15.03.2022, Conselheira Tatiana Midori Migiyama) Diante do exposto, há de se concluir que a recorrente, para o período de 01.1999 a 02.2002, era detentora da imunidade veiculada no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, que compreende a COFINS. 2. Da isenção das entidades de educação sem fins lucrativos – receitas próprias Alega a recorrente que mesmo que não fosse reconhecida a sua imunidade, prevista no § 7º do art. 195 da CF, ainda assim faria jus à isenção concedida pelo art. 14, inciso X da Medida Provisória nº 1.858, de 1999, devidamente reeditada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, tendo em vista se tratar de receitas das atividades próprias (mensalidades escolares). É incontroverso que, à época, a recorrente era uma entidade de educação sem fins lucrativos. Do Estatuto Social extrai-se os seguintes trechos (fls. 70/87): “Art. 1º - ISCP -INSTITUTO SUPERIOR DE COMUNICAÇÃO PUBLICITÁRIA é uma entidade, jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, com sede e foro nesta Fl. 1159DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 Capital do Estado de São Paulo, na rua Casa do Ator, nº 90, Vila Olímpia, devidamente registrada no 3º Ofício de Registro de Títulos e Documentos da Comarca do Estado de São Paulo, sob nº 18.182, do Livro "A", número 8, em data de 02 de Agosto de 1.969. Art. 2º - O INSTITUTO SUPERIOR DE COMUNICAÇÃO PUBLICITÁRIA tem por finalidade, nos termos inscritos nestes Estatutos a) criar e manter estabelecimentos de ensino em todos os níveis, elevando o grau cultural e educacional em todo o território nacional; b) adotar providências em sua área de atuação objetivando tornar o ensino de todos os níveis mais ajustados aos interesses e possibilidades dos alunos e estudantes em geral, bem como aos da comunidade, esclarecendo-a quanto as vantagens da boa rentes da boa educação e cultura. c) promover a assistência e o bem-estar social, principalmente no âmbito de sua atuação específica (EDUCAÇÃO) em todo o estado de São Paulo, com ênfase ã comunidade carente na região onde é sediado, isolado ou em parceria com entidades estatais, de qualquer nível de Governo.” Porém, o acórdão a quo, pautando-se no § 2º do art. 47 da IN SRF nº 247, de 2002, considerou que as mensalidades educacionais não são abrangidas no conceito de receita própria das entidades de educação sem fins lucrativos, para fruição da isenção da COFINS, prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n° 1858-6, de 1999 – atualmente MP n° 2.158-35, de 2001): “65. A propósito do que sejam "receitas das atividades próprias", a Instrução Normativa SRF n° 247, de 21/11/2002, assim esclarece: “Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9° desta Instrução Normativa: I- não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II - são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 2- Consideram-se receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.” (negritei) 66. Note-se que essa instrução normativa, editada em novembro de 2002, em relação aos dispositivos transcritos, apenas consolidou as normas vigentes, não decorrendo de modificação nem legislativa e nem interpretativa. 67. Assim, conclui-se serem receitas de atividades próprias das instituições a que se refere os arts. 12 e 15 da Lei n° 9.532, de 1997, isentas da COFINS nos termos do art. 14, X, da Medida Provisória n° 1858-6, de 1999, (atualmente Medida Provisória n° 2.158-35, de 24/08/2001), apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. 68. Por outro lado, sujeitam-se à incidência da contribuição, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus Fl. 1160DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 associados e em seu benefício, hipóteses em que não é obedecido o critério antes enunciado. 69. Portanto, as receitas que tenham um cunho contraprestacional específico, tal como mensalidades para pagamento de cursos, não podem ser caracterizadas como receitas próprias de entidades sem fins lucrativos e, por isso, continuam sujeitas à tributação pela COFINS.” (destaques no original) Entendo que esta matéria já está devidamente superada pela aplicação da Súmula CARF nº 107, abaixo transcrita: “A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” Ademais, o STJ reconheceu a ilicitude do § 2º do art. 47 da IN SRF nº 247, de 2002, no julgamento do REsp 1.353.111/RS (Tema repetitivo nº 624), firmando a seguinte tese jurídica: “As receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158-35/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, § 2º, da IN SRF n. 247/2002, nessa extensão”. O acórdão restou assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.158-35/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158-35/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.158-35/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Trata-se da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória Fl. 1161DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158-35/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF: Processo n. 19515.002921/2006-39, Acórdão n. 203-12738, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF / DF, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, publicado em 11/03/2008; Processo n. 10580.009928/2004-61, Acórdão n. 3401-002.233, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, publicado em 16/08/2013; Processo n. 10680.003343/2005-91, Acórdão n. 3201-001.457, 1ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Mércia Helena Trajano Damorim, Rel. designado Cons. Daniel Mariz Gudiño, publicado em 04/02/2014; Processo n. 13839.001046/2005-58, Acórdão n. 3202-000.904, 2ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF. Rel. Cons. Thiago Moura de Albuquerque Alves, publicado em 18/11/2013; Processo n. 10183.003953/2004-14 acórdãos 9303-01.486 e 9303-001.869, 3ª TURMA / CSRF, Rel. Cons. Nanci Gama, julgado em 30.05.2011; Processo n. 15504.019042/2010-09, Acórdão 3403-002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, publicado em 01/08/2013; Processo: 10384.003726/2007-75, Acórdão 3302-001.935, 2ªTO / 3ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Fabiola Cassiano Keramidas, publicado em 04/03/2013; Processo: 15504.019042/2010-09, Acórdão 3403-002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, julgado em 25.06.2013; Acórdão 9303-001.869, Processo: 19515.002662/2004-84, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF, Rel. Cons. Julio Cesar Alves Ramos, Sessão de 07/03/2012. 5. Precedentes em sentido contrário: AgRg no REsp 476246/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 12/11/2007, p. 199; AgRg no REsp 1145172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe 29/10/2009; Processo: 15504.011242/2010-13, Acórdão 3401-002.021, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Odassi Guerzoin Filho, publicado em 28/11/2012; Súmula n. 107 do CARF: "A receita da atividade própria, objeto de isenção da COFINS prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP n. 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei n. 9.532, da 1997". 6. Tese julgada para efeito do art. 543-C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158-35/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp n. 1.353.111/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 23/9/2015, DJe de 18.12.2015.) Portanto, as mensalidades educacionais são abrangidas no conceito de receita própria das entidades de educação sem fins lucrativos para fins de isenção da COFINS, prevista no art. 14, X, da MP n° 1858-6, de 1999, (atual MP n° 2.158-35, de 2001). Entretanto, há de se considerar que somente em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999 são isentas de COFINS as receitas previstas no citado artigo. Nesse sentido, entendo que, mesmo que não fosse reconhecida a imunidade prevista no § 7º do art. 195 da CF, ainda assim a recorrente, para o período compreendido entre 02.1999 e 02.2002, faria jus à isenção concedida pelo art. 14, X, da MP nº 1.858, de 1999, Fl. 1162DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 3301-014.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.007675/2002-98 reeditada pela MP nº 2.158-35, de 2001, tendo em vista que as mensalidade escolares são receitas das atividades próprias. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para declarar a decadência do direito da recorrente em pleitear a restituição, dos pagamentos efetuados entre 30.04.2002 e 15.07.2002, formulada em pedido administrativo de complementar protocolizado em 02.10.2007, e, no mérito, dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório constante do pedido de restituição para utilização em compensação. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Fl. 1163DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11065.905010/2018-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 2301-001.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, para fins de análise dos cálculos e dos documentos constantes dos autos, nos termos do voto vencedor. Vencida a relatora e os Conselheiros Wesley Rocha e Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, que rejeitaram a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Diogo Cristian Denny.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny Presidente e Redator Designado
(documento assinado digitalmente)
Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo (Relatora), Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: ANGELICA CAROLINA OLIVEIRA DUARTE TOLEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 11 09:00:00 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202404
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 11065.905010/2018-32
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7062560
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 2301-001.038
nome_arquivo_s : Decisao_11065905010201832.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : ANGELICA CAROLINA OLIVEIRA DUARTE TOLEDO
nome_arquivo_pdf_s : 11065905010201832_7062560.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, para fins de análise dos cálculos e dos documentos constantes dos autos, nos termos do voto vencedor. Vencida a relatora e os Conselheiros Wesley Rocha e Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, que rejeitaram a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Diogo Cristian Denny. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny Presidente e Redator Designado (documento assinado digitalmente) Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo (Relatora), Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Diogo Cristian Denny (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2024
id : 10425960
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 11 09:38:29 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798748580747411456
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-05-02T14:47:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-05-02T14:47:45Z; Last-Modified: 2024-05-02T14:47:45Z; dcterms:modified: 2024-05-02T14:47:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-05-02T14:47:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-05-02T14:47:45Z; meta:save-date: 2024-05-02T14:47:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-05-02T14:47:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-05-02T14:47:45Z; created: 2024-05-02T14:47:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2024-05-02T14:47:45Z; pdf:charsPerPage: 1797; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-05-02T14:47:45Z | Conteúdo => 0 S2-C 3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11065.905010/2018-32 Recurso Voluntário Resolução nº 2301-001.038 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 2 de abril de 2024 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente WILSON JOSE LOPES Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, para fins de análise dos cálculos e dos documentos constantes dos autos, nos termos do voto vencedor. Vencida a relatora e os Conselheiros Wesley Rocha e Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, que rejeitaram a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Diogo Cristian Denny. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny – Presidente e Redator Designado (documento assinado digitalmente) Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo (Relatora), Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por WILSON JOSE LOPES contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro– DRJ/RJO (e-fls. 109/114), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Na origem, o recorrente solicitou, por meio do PER/Dcomp n. 19417.98902.010917.2.2.04-9479 (e-fls. 99/101), o reembolso do IRPF pago sobre o ganho de capital apurado na alienação das ações da empresa BR PHARMA S.A., relativo ao período de 09/2013. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 05 01 0/ 20 18 -3 2 Fl. 262DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2301-001.038 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.905010/2018-32 Conforme consta do despacho decisório proferido pela Delegacia Regional Fiscal (DRF) de Novo Hamburgo, o pedido foi indeferido sob fundamento de utilização integral do DARF vinculado ao PER/Dcomp (e-fls. 102/104). Às e-fls. 8/15 apresentou manifestação de inconformidade argumentando que a análise do direito creditório deu-se sem considerar as DIRPFs retificadoras apresentadas, visando ajustar o custo de aquisição das ações da empresa BR PHARMA, que foi arbitrado pelo Fisco Federal, considerando que, à época da alienação dessas ações, o recorrente havia utilizado o valor de custo constante da sua declaração original. Justificou que a necessidade de retificação, bem como o direito à restituição, remonta ao crédito tributário consubstanciado no Processo n. 11065-721.557/2016-15. Em resumo, por meio do lançamento de ofício, exigiu-se IRPF sobre o ganho de capital obtido pelo sujeito passivo quando do recebimento das ações da BRAZIL PHARMA S.A. (BR PHARMA) em pagamento à participação que o Recorrente detinha na DROGARIA MAIS ECONÔMICA S.A. (MAIS ECONÔMICA). A autoridade fiscal compreendeu que, no exercício de 2011, o contribuinte não teria apurado o imposto de renda incidente sobre a venda de 8.106 ações ordinárias, que possuía na MAIS ECONÔMICA, quando do exercício da opção de compra, por parte da BR PHARMA, sobre as referidas ações, cujo pagamento se deu com a entrega de 5.892.131 ações ordinárias da BR PHARMA (permuta de ações). A fiscalização desconsiderou a operação como permuta e arbitrou o valor de R$ 17,25 por ação da BR PHARMA, perfazendo o montante de R$ 101.638.949,75. O recorrente aderiu a programa de parcelamento, em relação ao Auto de Infração em comento, peticionando pela desistência do recurso voluntário interposto nos autos daquele processo. Considerando que reconheceu como devidas as exigências fiscais, alega que os valores recolhidos a título de IRPF quando da venda dessas ações restaram caracterizados como pagamento indevido, sendo, portanto passíveis de restituição. Isso porque o recorrente havia levado em consideração o custo de aquisição originalmente declarado na permuta, de R$ 860.289,50. Juntou, à e-fl. 58 (Doc. 4 da manifestação de inconformidade), demonstrativo de cálculos relacionando as operações de venda de ações da BR PHARMA, com a apuração do IRPF pago indevidamente e/ou a maior. Os membros da 19a Turma da DRJ-RJ, por unanimidade de votos, julgaram a manifestação de inconformidade improcedente. Consoante o acórdão ora recorrido, o lançamento levado a efeito “repercutiu no eventual ganho de capital que o contribuinte tenha experimentado quando da alienação dessas ações”, procedendo a intenção do sujeito passivo de pleitear a retificação das DIRPFs. Em que pese a apreciação da retificação não se inserir na competência da DRJ, não tem aptidão para obstar o reconhecimento do direito creditório. Contudo, no caso concreto, o interessado não se desincumbiu do ônus probatório referente ao valor devido a título de restituição, vez que limitou-se a apresentar a planilha de fls. 58, especificando o ganho de capital que efetivamente teria auferido, em face da alienação das ações da BR PHARMA, no período de setembro de 2012 a março de 2015, sem que tenha juntado documento algum Fl. 263DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 2301-001.038 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.905010/2018-32 apto a comprovar os valores contidos nessa planilha, a exemplo das respectivas notas de corretagem.. Cientificado do acórdão (16/10/2019), o Recorrente apresentou, em 12/11/2019, recurso voluntário (e-fls. 118/126), repisando os esclarecimentos trazidos na manifestação de inconformidade e requerendo a restituição dos valores pleiteados. Além disso, anexou aos autos “os documentos sugeridos pelos Nobres Julgadores, para efeitos de comprovação dos valores constates da citada planilha de fl. 58, no caso, as "notas de corretagem" atinentes às vendas das ações da BR PHARMA” (e-fls. 122 e seguintes). Em 17/01/2024 ocorreu a ciência da sentença proferida nos autos do MS n. 1110497-78.2023.4.01.3400, determinando o julgamento do presente Recurso Voluntário no prazo de 120 (cento e vinte) dias. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Relatora. Rejeito a proposta de diligência, por compreender desnecessária. Já realizei os cálculos pertinentes, com base nos documentos apresentados, conforme a convicção dessa Conselheira. (documento assinado digitalmente) Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo Voto Vencedor Conselheiro Diogo Cristian Denny – Redator Designado. Em que pesem as razões do voto proferido pela i. Relatora, peço vênia para divergir do seu entendimento. O presente julgamento deve ser convertido em diligência, porquanto faz-se necessário que autoridade fiscal verifique se o(s) DARF(s) objeto do pedido de restituição está(ão) disponível(is), bem como analise as considerações e cálculos realizados pela i. Relatora, conforme arquivo não paginável anexado ao processo e razões abaixo, que constaram de seu voto apresentado ao Colegiado, verbis: Consoante reconhecido pela própria decisão de piso, o lançamento levado a cabo pela fiscalização, e reconhecido pelo recorrente como devido (parcelado), alterou/majorou o custo de aquisição das ações da BR PHARMA. O recorrente havia declarado o valor da permuta desconsiderada (menor que o custo atribuído pela autoridade fiscal). Como consequência, o valor devido a título de IRPF, quando alienadas as referidas ações, foi impactado. É ver trecho do acórdão da DRJ em linha com o exposto: 9. O lançamento, levado a efeito no sujeito passivo, no ano-calendário de 2011, ao alterar o valor de alienação da participação societária mantida na empresa Drogaria Mais Econômica S.A, de R$ 860.600,00, para R$ 101.638.949,75, teve por conseqüência lógica a alteração do custo de aquisição as ações da empresa BR Fl. 264DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 2301-001.038 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.905010/2018-32 PHARMA recebidas pelo sujeito passivo como pagamento, cujo valor unitário, arbitrado pelo fisco, foi fixado em R$ 17,95. Esse repercute no eventual ganho de capital que o contribuinte tenha experimentado, quando da alienação dessas ações, que haviam sido originalmente declaradas pelo custo total de R$ 860.600,00. 10. Assim, sob o aspecto material, procede a intenção do sujeito passivo de pleitear a retificação das DIRPFs em que se deram a demonstração dos ganhos de capital na alienação dessas ações, mormente se considerar que os lançamentos de ofício, impeditivos da recepção das DIRPFs retificadoras, pela via eletrônica, não têm relação com a apuração do ganho de capital, que tem fato gerador mensal; e sim, com o fato gerador anual do imposto de renda. 11. Nesse aspecto, não vislumbro que o indeferimento da retificação das DIRPFs, cuja apreciação não se insere na competência dessa instância administrativa de julgamento, tivesse aptidão para obstar o reconhecimento do direito creditório, desde que devidamente provado, ônus do qual a defesa não se desincumbiu. 12. O interessado limitou-se a apresentar a planilha de fls. 58, especificando o ganho de capital que efetivamente teria auferido, em face da alienação das ações da BR PHARMA, no período de setembro de 2012 a março de 2015, sem que tenha juntado documento algum apto a comprovar os valores contidos nessa planilha, a exemplo das respectivas notas de corretagem. Como se vê do excerto acima, a DRJ reconheceu o direito material do contribuinte, em tese. Apenas negou o direito creditório devido à falta de comprovação dos valores obtidos nas operações de alienação das ações da BR PHARMA. Importante esclarecer a afirmação da DRJ/RJO no sentido de que o contribuinte “não juntou documento algum apto a comprovar os valores contidos nessa planilha, a exemplo das respectivas notas de corretagem”. De fato, o recorrente não acostou à sua manifestação de inconformidade os documentos que comprovam o valor de alienação das ações, em consonância com o demonstrativo de cálculos juntado à e-fl. 58. Mas isso se deu porque esse assunto não foi, em momento algum, contestado no despacho decisório exarado pela DRF Novo Hamburgo (e objeto da manifestação de inconformidade). E não foi contestado pois aquela decisão limitou-se a confrontar os pagamentos com os valores então declarados pelo contribuinte, sem considerar as retificações, vez que o contribuinte já não se encontrava espontâneo. Apenas na decisão recorrida é que emergiu a razão essencial do indeferimento do pedido: o contribuinte não teria comprovado, com documentação hábil e idônea, os valores das operações de alienação. O disposto no inc. III do art. 16 do Decreto n. 70.235/72 que determina, desde a primeira manifestação, sejam expostos “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.” Entretanto, a alínea “c” do §4º do art. 16 do Decreto n. 70.235/72 expressamente afasta a preclusão quando as provas e alegações extemporaneamente apresentadas “destinem-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Sendo este o caso, reconheço a juntada e aprecio os documentos acostados à peça recursal. No presente, o direito à restituição não foi atingido pela prescrição, nos termos do art. 168 do CTN (a data de arrecadação do DARF é 30/10/2013 e o pedido de PER/Dcomp foi transmitido em 01/09/2017). Cabível, portanto, o reembolso dos valores recolhidos a maior e/ou indevidamente. Como se sabe, o ganho líquido na venda de ações é representado pela diferença positiva entre o valor de alienação do ativo e o seu valor de aquisição. Para chegar-se ao valor líquido de alienação, a legislação permite a dedução do valor pago atinente à corretagem legal, desde que o ônus não tenha sido transferido ao adquirente (§5° do art.123 do RIR/99, vigente à época). Fl. 265DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 2301-001.038 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.905010/2018-32 As “taxas emolumentos”, constantes nas notas de corretagem, são cobradas pela Bolsa de Valores (B3) sempre que há negociação de ações e contratos futuros. Assim, tratando-se de custo/despesa necessária à realização destas operações, admissível a dedução do preço dos ativos negociados (art. 760 do RIR/99). Já os valores de “repasse” discriminados nas notas, por sua vez, foram creditados ao recorrente nas operações de venda, compondo, portanto, o montante líquido representativo do valor de alienação. Com relação ao custo de a uisição das aç es da BR AR A, o valor original declarado pelo contribuinte na DIR foi de R 60.2 9,50 (R 0,146 por ação). O custo de aquisição avaliado pela fiscalização e constante do Processo n. 11065- 721.557/2016-15, cuja decisão administrativa fez coisa julgada porque o contribuinte parcelou o respectivo crédito tributário, corresponde ao montante de R$ 101.638.949,75 (R$ 17,25 por ação). Em 23/12/2011 ocorreu um desdobramento das ações da BR PHARMA passando o recorrente a deter nesta data 11.784.262 ações da empresa (resultando no preço médio de R$ 8,62 por ação). Observa-se que, no caso de alienação de ações em pregão ao final de determinado mês, que resulte em liquidação financeira da operação no mês subsequente, a data da liquidação servirá como parâmetro para a contagem do prazo para recolhimento do imposto devido. Ou seja, o IR devido deverá ser recolhido até o último dia útil do mês subsequente ao da liquidação financeira (art. 140 do RIR/99. Perguntas e Respostas IRPF 2023 n. 706) . Tendo em vista que a tributação é diferida para o momento da liquidação financeira (não há discussão acerca do limite de isenção no período, não importando, portanto, a data do pregão), considera-se a período/data em que ocorreu a liquidação para a apuração do valor do IR restituível. Nesse sentido, a Nota juntada na e-fl. 156 (n. 2141058) foi considerada no cálculo do período de apuração de 09/2013, vez que a liquidação ocorreu no mês em referência (em 02/09/2013). Postas tais premissas, conforme demonstrativo abaixo, depreende-se do cálculo das notas de corretagem juntadas – vide e-fls. 156/158 – que o contribuinte apurou perda de capital na alienação das ações, no que tange ao período em análise. Caso o investidor não tenha obtido lucro em suas operações e esteja no prejuízo, não é necessário realizar o pagamento do imposto de renda. Contudo, o despacho decisório reconhece a arrecadação do DARF , sob o n. 2561840703, no montante de R$ 600.490,84. Sendo, portanto, indevido o referido pagamento (e-fls. 102/104). Do resultado da diligência, que deverá ser consolidado em informação fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny Fl. 266DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 2301-001.038 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.905010/2018-32 Fl. 267DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11070.900243/2016-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO OU SUSPENSÃO. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES.
Os fretes de aquisição de insumos que tenham sido registrados de forma autônoma em relação ao bem adquirido, e submetidos a tributação (portanto, fretes que não tenham sido tributados à alíquota zero, suspensão, isenção ou submetidos a outra forma de não-oneração pelas contribuições) podem gerar créditos básicos da não cumulatividade, na mesma proporção do patamar tributado. No caso de crédito presumido, sendo o frete de aquisição registrado em conjunto com os insumos adquiridos, receberá o mesmo tratamento destes. No entanto, havendo registro autônomo e diferenciado, e tendo a operação de frete sido submetida à tributação, caberá o crédito presumido em relação ao bem adquirido, e o crédito básico em relação ao frete de aquisição, que também constitui insumo, e, portanto, permite a tomada de crédito (salvo nas hipóteses de vedação legal, como a referida no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei 10.833/2003).
Numero da decisão: 9303-014.938
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-014.916, de 15 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 11070.900222/2016-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada), e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 11 09:00:00 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202403
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO OU SUSPENSÃO. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES. Os fretes de aquisição de insumos que tenham sido registrados de forma autônoma em relação ao bem adquirido, e submetidos a tributação (portanto, fretes que não tenham sido tributados à alíquota zero, suspensão, isenção ou submetidos a outra forma de não-oneração pelas contribuições) podem gerar créditos básicos da não cumulatividade, na mesma proporção do patamar tributado. No caso de crédito presumido, sendo o frete de aquisição registrado em conjunto com os insumos adquiridos, receberá o mesmo tratamento destes. No entanto, havendo registro autônomo e diferenciado, e tendo a operação de frete sido submetida à tributação, caberá o crédito presumido em relação ao bem adquirido, e o crédito básico em relação ao frete de aquisição, que também constitui insumo, e, portanto, permite a tomada de crédito (salvo nas hipóteses de vedação legal, como a referida no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei 10.833/2003).
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 11070.900243/2016-16
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7061487
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 9303-014.938
nome_arquivo_s : Decisao_11070900243201616.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11070900243201616_7061487.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-014.916, de 15 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 11070.900222/2016-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada), e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2024
id : 10418897
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 11 09:38:21 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798748580758945792
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-30T19:10:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-30T19:10:01Z; Last-Modified: 2024-04-30T19:10:01Z; dcterms:modified: 2024-04-30T19:10:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-30T19:10:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-30T19:10:01Z; meta:save-date: 2024-04-30T19:10:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-30T19:10:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-30T19:10:01Z; created: 2024-04-30T19:10:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2024-04-30T19:10:01Z; pdf:charsPerPage: 2336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-30T19:10:01Z | Conteúdo => CSRF-T3 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11070.900243/2016-16 Recurso Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303-014.938 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 15 de março de 2024 Recorrente LATICÍNIOS PINHALENSE LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2012 A 31/12/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO OU SUSPENSÃO. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES. Os fretes de aquisição de insumos que tenham sido registrados de forma autônoma em relação ao bem adquirido, e submetidos a tributação (portanto, fretes que não tenham sido tributados à alíquota zero, suspensão, isenção ou submetidos a outra forma de não-oneração pelas contribuições) podem gerar créditos básicos da não cumulatividade, na mesma proporção do patamar tributado. No caso de crédito presumido, sendo o frete de aquisição registrado em conjunto com os insumos adquiridos, receberá o mesmo tratamento destes. No entanto, havendo registro autônomo e diferenciado, e tendo a operação de frete sido submetida à tributação, caberá o crédito presumido em relação ao bem adquirido, e o crédito básico em relação ao frete de aquisição, que também constitui “insumo”, e, portanto, permite a tomada de crédito (salvo nas hipóteses de vedação legal, como a referida no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei 10.833/2003). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar- lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-014.916, de 15 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 11070.900222/2016-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada), e Liziane Angelotti Meira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 90 02 43 /2 01 6- 16 Fl. 216DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.938 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11070.900243/2016-16 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada em Acórdão que negou provimento ao Recurso Voluntário apresentado. Breve síntese do processo O processo versa sobre Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de crédito de Contribuição para o PIS-PASEP/COFINS, na sistemática não cumulativa, referente ao período de apuração em discussão. Ao analisar o Pedido, a DRF, com base em Informação Fiscal, prolatou Despacho Decisório em que deferiu parcialmente o Pedido, tendo a Fiscalização efetuado as seguintes glosas: (a) créditos sobre despesas de frete sobre compras (a Fiscalização destacou que a legislação do PIS e da COFINS permite a escrituração de créditos vinculados a encargos de frete, quando suportados pelo fabricante, na venda de seus produtos, mas o custo do frete sobre as compras, quando integrar o valor da Nota Fiscal de aquisição das mercadorias, tem o mesmo tratamento, ou seja, se o insumo for alcançado pela tributação, o frete sobre o valor do insumo também o será e, portanto, comporá a base de cálculo dos créditos escriturados, mas, no caso, identificou-se que o insumo transportado, em sua maior parte, foi o leite, e a Lei n o 10.925/2004, em seu artigo 9 o , inciso II, informa a suspensão do PIS e da COFINS nas vendas desse produto efetuadas por pessoa jurídica, sendo que a compra de leite de pessoa física somente permite a apuração de créditos presumidos, nos termos do art. 8 o da mesma lei; (b) créditos do ativo imobilizado; e (c) créditos sobre bens e serviços utilizados como insumo - “Prestação de Serviço Utilizadas como Insumo” e “Despesa e Custos - Manutenção de Máquinas e equipamentos”. Cientificado do Despacho Decisório, o Contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em suma que: (a) as despesas com fretes sobre compras deveriam compor a base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS, diversamente do que foi concluído pela Fiscalização, sendo tais gastos considerados insumos, na forma do art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, apresentando julgados do CARF, solução de consulta e excerto de julgado do STJ, em que destacaram-se a pertinência, essencialidade e possibilidade de emprego indireto do item considerado insumo no processo produtivo; e (b) em relação aos créditos sobre bens e serviços utilizados como insumo, a contribuinte argumentou que possui como atividade econômica o transporte de cargas, e que sobre tais atividades o CARF já se posicionou em outros julgados de forma favorável ao creditamento das contribuições (PIS e COFINS). No julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ entendeu-a improcedente, sob os seguintes fundamentos: (a) em relação a glosa das despesas de fretes sobre compras, entendeu-se que a alegação da empresa não é suficiente para desconstituir a tese da Fiscalização, pois o acessório acompanha o principal, e, considerando que o leite (matéria prima) é um produto beneficiado pela suspensão das contribuições sociais, o frete contratado ou Fl. 217DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.938 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11070.900243/2016-16 custeado para o seu transporte também não deve ensejar o direito ao creditamento; (b) quanto aos Bens e Serviços utilizados como insumos, não foram apresentadas provas documentais/contábeis e/ou argumentos que ensejem entendimento diverso da conclusão da Fiscalização, sendo a simples alegação de que o serviço de industrialização refere-se à secagem do leite insuficiente para desconstituir a tese adotada pelo Fisco. Cientificado da decisão de 1ª Instância, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos da Manifestação de Inconformidade, discorrendo sobre o conceito de insumos, e o direito ao crédito previsto pelo serviço de transporte prestado (frete) que deve ser concedido de forma integral, na forma do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. O Recurso Voluntário foi submetido a apreciação do CARF, resultando em Acórdão que negou provimento ao pleito recursal, assentando que, não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/PASEP e pela COFINS. Da matéria submetida à CSRF Notificado do Acórdão de Recurso Voluntário, o Contribuinte apresentou o Recurso Especial, apontando divergência jurisprudencial de interpretação da legislação tributária referente “ao direito à tomada de créditos sobre o valor dos fretes para transporte de insumos tributados a alíquota zero ou adquiridos com suspensão”, indicando como paradigma os Acórdãos n o 3301-008.755 e n o 3402-009.456. Alega-se, no recurso, que no Acórdão recorrido a Turma julgadora entendeu que se o insumo tributado para as contribuições do PIS e COFINS estiver sujeito à alíquota zero ou à suspensão, o crédito sobre o frete encontra-se vedado por determinação legal contida no Art. 3 o §2° inciso II das Leis n° 10.637/02 (PIS) e n° 10.833/03 (COFINS). Já nos Acórdãos paradigmas, em situação fática similar, entendeu-se que tais glosas devem ser revertidas, porque, embora relacionado com o transporte de insumo com suspensão ou alíquota zero, o frete (onerado pela contribuição) representa um gasto incorrido pelo Contribuinte para o transporte de um produto que representa um insumo, produto essencial de seu processo produtivo, e que ficou sujeito à tributação do PIS/COFINS, afastando-se a aplicação do art. 3º, § 2º, II da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, o dissídio interpretativo do § 2°, inc. II, do art. 3° das Leis citadas emerge quando se constata que, enquanto a decisão recorrida entende que os valores de fretes utilizados para transporte de insumos sujeitos à alíquota zero ou suspensão não gera direito a crédito das contribuições apuradas no regime da não-cumulatividade, por força da regra fincada no referido dispositivo, os Acórdãos indicados como paradigmas, em sentido oposto, entenderam que a vedação não é aplicável neste caso. Demonstrada a divergência, e com fundamento no Despacho de Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, deu-se seguimento monocrático ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Notificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial manejado pelo Contribuinte, mantendo-se o Acórdão Fl. 218DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.938 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11070.900243/2016-16 recorrido, argumentando que “(...) o acessório acompanha o principal. Assim, considerando que o leite é um produto beneficiado pela suspensão das contribuições sociais e, o frete contratado ou custeado para o transporte do mesmo também não deve ensejar o direito ao creditamento”. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Do Conhecimento O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, conforme consta do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara, exarado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, aqui endossado em seus fundamentos. Isso porque resta clara a dissidência jurisprudencial, que não reside em diferença de cenário probatório, nem na valoração das provas apresentadas, mas em simples aplicação não uniforme de dispositivos normativos aos mesmos fatos. Nesse sentido, vota-se por conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Do Mérito A matéria trazida à cognição deste Colegiado uniformizador de jurisprudência é referente ao “direito à tomada de créditos sobre o valor dos fretes para transporte de insumos tributados a alíquota zero ou adquiridos com suspensão” (aquisição de produtos sujeitos ao crédito presumido). Cabe informar que o Contribuinte, no especial destaca que “...para consecução da atividade exercida (indústria de laticínios), adquiriu leite in natura, em sua maioria de produtores rurais – pessoa física, para processamento industrial, assumindo também o custo do serviço de transporte do referido insumo para suas dependências”. No Relatório Fiscal, informa a Fiscalização que, na análise dos conhecimentos de transporte apresentados verifica-se que o insumo transportado, em sua maior parte, é o leite. Que a Lei nº 10.925/2004, em seu Art. 9º, traz no inciso II a suspensão do PIS/Pasep e da COFINS nas vendas efetuadas por pessoa jurídica. Já na compra de leite de pessoa Fl. 219DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-014.938 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11070.900243/2016-16 física, conforme Art. 8º da mesma lei, somente permite a apuração de créditos presumidos. “(...) Portanto, por falta de previsão legal, foram glosados da base de cálculo dos créditos básicos, os conhecimentos de transporte correspondentes ao frete na compra de leite. Por outro lado, tais valores foram adicionados na base de cálculo do crédito presumido. Cabe salientar que eventual pedido de ressarcimento do crédito presumido estará sujeito a nova análise de crédito”. Em suma, houve a glosa de créditos ordinários relativos ao frete pago na aquisição desses insumos, sob a justificativa que a mercadoria transportada estava sujeita ao crédito presumido, razão pela qual tal metodologia também deveria ser aplicada ao crédito sobre o frete. A DRJ, em relação ao ponto controvertido, entendeu que o acessório acompanha o principal. Assim, considerando que o leite é um produto beneficiado pela suspensão das contribuições sociais, o frete contratado ou custeado para o transporte do mesmo também não deve ensejar o direito ao creditamento. No Acórdão recorrido, decidiu-se no mesmo sentido, de que os valores de fretes utilizados para transporte de insumos sujeitos à alíquota zero não geram direito a crédito das contribuições apuradas no regime da não- cumulatividade, por força da regra estabelecida no art. 3°, §2°, inciso II, das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS). De outro lado, no recurso especial, o Contribuinte argumenta que quando o valor do custo é separado do valor da operação (incorrido pelo contribuinte/adquirente), sendo ele um custo tributado pelas contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, deve ser considerado insumo para compor a base de cálculo dos créditos. Como se vê, o tema em debate diz respeito à tomada de créditos dos custos de frete referente a aquisição de insumos para utilização no processo produtivo do Contribuinte, na sistemática do crédito presumido (Lei nº 10.925/04). A situação verificada no presente caso diz respeito à indústria de laticínios, aquisição de leite in natura, cujo frete na venda da mercadoria é de responsabilidade do adquirente (o Contribuinte). O período aqui analisado refere-se ao 1º trimestre de 2012, portanto, sob a vigência da Instrução Normativa SRF 660/2006, isto porque, até o advento da norma infralegal de 2006, o Contribuinte não tinha direito ao crédito presumido, mas sim ao crédito básico de COFINS, conforme entendimento sufragado pela Solução de Consulta nº 214, de 2009. “(...) no período entre a publicação da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006) podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos indevidamente com suspensão e que correspondem às hipóteses de crédito do art. 3º da Lei no 10.833/2003 (...)” A referida IN nº 660/2006, já em seu art. 1º, estabeleceu que fica suspensa a exigibilidade das Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta de venda de determinados produtos (entre os quais os produtos agropecuários a serem utilizados Fl. 220DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-014.938 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11070.900243/2016-16 como insumo na fabricação dos produtos relacionados no art. 5º da mesma norma). Tal Instrução Normativa foi revogada pela IN RFB nº 1.911/2019, por seu turno revogada pela recente IN RFB nº 2.121, de 15/12/2022, que consolida a disciplina procedimental relativa à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS, de forma já alinhada ao precedente vinculante do STJ (REsp nº 1.221.170/PR). Nesta 3ª Turma da CSRF, há várias decisões partindo do pressuposto de que não se poderia dissociar o frete na aquisição do bem adquirido e que o tratamento aplicado a um necessariamente será aplicado ao outro. No entanto, temos reserva a esse entendimento, como externamos em precedentes recentes, neste tribunal administrativo (v.g., nos Acórdãos nº 9303-013.668 a 670). A nosso ver, o frete de aquisição efetivamente pode ser computado de forma apartada do bem adquirido, em nota autônoma, sendo contabilizado de forma a aclarar que não está abrangido pelo tratamento conferido ao insumo transportado. É certo que esses elementos nem sempre restam claros no processo, e que devem ser checados pela unidade da RFB responsável pela execução do decidido por este Tribunal Administrativo. O que não se pode admitir é o creditamento em situações vedadas pela legislação (por exemplo, a descrita no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003: “aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”). Ou a geração de crédito básico para situações que não foram tributadas na etapa anterior. Portanto, não cabe a tomada de crédito em uma aquisição de insumo tributado à alíquota zero (ou de outra forma desonerado) na qual o valor de aquisição já compute o frete, utilizando a alíquota do insumo, não havendo registros contábeis e fiscais autônomos. Por outro lado, se a aquisição do insumo for registrada e contabilizada de forma autônoma do frete correspondente, e sujeita a tributação (não gozando do mesmo tratamento do bem adquirido), é possível a tomada de crédito em relação ao frete, ainda que o bem tenha sido tributado à alíquota zero ou desonerado. Assim aclaramos no voto vencedor constante dos Acórdãos 9303- 013.592 a 594: “CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS DESONERADOS. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES. É possível a tomada de crédito em relação a frete na aquisição de insumos desonerados, desde que não se enquadre a situação em vedação legal expressa, sendo destacado o frete em nota referente a operação autônoma, que tenha sido objeto de efetiva tributação pelas contribuições na sistemática não cumulativa.” Fl. 221DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-014.938 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11070.900243/2016-16 O que se busca evitar, com esse entendimento, é tanto a obtenção indevida de crédito básico da não-cumulatividade por operação que não tenha efetivamente sido tributada, quanto o cerceamento do direito de crédito básico da não-cumulatividade a operação efetivamente tributada, e que não tenha incidido nas vedações legais à tomada de crédito. No caso desses autos, que tratam de crédito presumido, aponta-se que o frete de aquisição seria registrado como um negócio jurídico autônomo e tributado, conforme se depreende do seguinte trecho do Relatório Fiscal: “Na análise dos conhecimentos de transporte apresentados verifica-se que o insumo transportado, em sua maior parte, é leite. A Lei nº 10.925/2004, em seu Art. 9º, traz no inciso II a suspensão do Pis/Pasep e da Cofins nas vendas efetuadas por pessoa jurídica” (...) A relação dos conhecimentos de frete glosados pela fiscalização encontram-se no Anexo I deste termo”. (grifo nosso) No voto vencido (do Relator) do Acórdão recorrido, assentou-se que: “(...) Não obstante, ao contrário do que pretende a fiscalização e o entendimento da d. DRJ, o direito ao crédito previsto pelo serviço de transporte prestado (frete) deve ser concedido de forma integral, na forma do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, vez que esse serviço não consta da previsão de crédito presumido do art. art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Vale dizer, o cálculo diferenciado do crédito previsto na referida lei se refere somente aos itens expressamente indicados pela lei, e não aos serviços tributados que possam ser a eles relacionados, como o caso do frete em discussão”. “(...) Como evidenciado pela fiscalização no Despacho Decisório, reforçado pelos fundamentos da decisão recorrida, não se discute aqui a natureza da operação sujeita ao crédito (frete na aquisição de insumos, tributado e assumido pelo adquirente). O que se discute, apenas, é a suposta impossibilidade de concessão do crédito integral por falta de previsão legal e em razão do bem transportado ser sujeito ao crédito presumido, restrição esta não trazida na Lei, como visto”. Portanto, se verificado registro autônomo e diferenciado, e tendo a operação de frete sido submetida à tributação, caberá o crédito presumido em relação ao bem adquirido, e o crédito básico em relação ao frete de aquisição, que também constitui “insumo”, e, portanto, permite a tomada de crédito (salvo nas hipóteses de vedação legal, como a referida no já citado inciso II do § 2º do art. 3º da Lei 10.833/2003). Pelo exposto, legítima a tomada de créditos básicos sobre os fretes que tenham sido efetivamente tributados (com alíquota diferente de zero), registrados de forma autônoma, e se refiram a aquisição de insumos não onerados. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, para, no mérito, dar-lhe provimento. Fl. 222DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-014.938 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11070.900243/2016-16 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 223DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721237/2012-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 1301-001.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Taranto Malheiros Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iágaro Jung Martins, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo José Luz de Macedo, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL TARANTO MALHEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 11 09:00:00 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202404
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 16682.721237/2012-88
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7062599
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 1301-001.209
nome_arquivo_s : Decisao_16682721237201288.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : RAFAEL TARANTO MALHEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 16682721237201288_7062599.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iágaro Jung Martins, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo José Luz de Macedo, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2024
id : 10426036
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 11 09:38:29 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798748580761042944
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-30T11:53:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-30T11:53:31Z; Last-Modified: 2024-04-30T11:53:31Z; dcterms:modified: 2024-04-30T11:53:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-30T11:53:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-30T11:53:31Z; meta:save-date: 2024-04-30T11:53:31Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-30T11:53:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-30T11:53:31Z; created: 2024-04-30T11:53:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2024-04-30T11:53:31Z; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-30T11:53:31Z | Conteúdo => 0 S1-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16682.721237/2012-88 Recurso Voluntário Resolução nº 1301-001.209 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2024 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente TRANSPORTADORA ASSOCIADA DE GÁS S.A. - TAG Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iágaro Jung Martins, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo José Luz de Macedo, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto face a Acórdão proferido pela Autoridade Julgadora de 1ª instância que considerou a “Impugnação Improcedente”, tendo por resultado “Crédito Tributário Mantido”. 2. Foi lavrado Auto de Infração (AI), de e-fls. 356/366, com exigências de IRPJ e de CSLL, referentes ao ano-calendário de 2008, num montante de R$ 1.030.620,69 (entre principal, juros e multa de ofício), à conta da identificação da falta de oferecimento à tributação de receitas financeiras e/ou variações monetárias ativas, de que se cientificou o Contribuinte em 28/12/2012 (e-fls. 453). Do “Termo de Verificação” (e-fls. 351/354), colhe-se como foi levado a efeito o trabalho de fiscalização: “(...) II — Da ação fiscal: (...) Em 02 de fevereiro de 2012, foi lavrado termo de intimação fiscal nº 04, onde a fiscalizada foi intimada a indicar as contas contábeis utilizadas na apuração das receitas financeiras (item 1.2 do termo de intimação). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 23 7/ 20 12 -8 8 Fl. 1435DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 1301-001.209 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721237/2012-88 Na mesma intimação foi solicitado que a fiscalizada apresentasse os extratos das aplicações financeiras em renda fixa compreendidos no ano-calendário de 2008, item nº 3. (...) Anexa à carta resposta, a fiscalizada apresentou a cópia da DIPJ/2009, acompanhada de uma relação de contas onde podíamos verificar a conta nº 3.4.03.10.0001 — Receitas Finan — Aplicações de Renda Fixa no País, com o valor registrado de R$ 418.620,60, e que compunha o total declarado no item 22 da DIPJ/2009 (R$ 472.073,85) com o valor de R$ 53.453,25 referente às ‘variações monetárias ativas impostos a recuperar’. O certo é que a fiscalizada levou a resultado o valor de R$ 418.620,60 a título de receitas financeiras naquele ano-calendário de 2008. Em resposta datada de 13 de março de 2012, complementando a resposta anterior ao termo de intimação fiscal nº 04, a fiscalizada apresentou cópias dos extratos de renda fixa emitidos pelo Santander Asset Manegement DTVM Ltda. Observamos que a empresa teve como receitas financeiras de renda fixa, informadas pelo Santander Asset Manegement DTVM Ltda, fora outras receitas financeiras escrituradas em sua contabilidade, para os meses de novembro e dezembro, o valor de R$ 4.893.800,14, com uma retenção de fonte de R$ 1.101.104,84, assim distribuídas: Os rendimentos derivados das aplicações de renda fixa da fiscalizada, no período em que se tornou operacional naquele ano de 2008 (novembro a dezembro), informados pelo Santander Asset Manegement DTVM Ltda, são muito superiores aos levados a resultado pela empresa. Através do termo de intimação lavrado em 29 de março de 2012, cuja ciência pessoal se deu no mesmo dia, foi a fiscalizada intimada a informar como foram contabilizados os rendimentos das aplicações financeiras, e onde apareciam declarados na DIPJ/2009. Após duas solicitações de prorrogação de prazo para atendimento da intimação, em resposta datada de 20 de abril de 2012, a fiscalizada respondeu: ‘1 — Segue apresentação detalhada de como foram contabilizados os rendimentos das aplicações financeiras e onde aparecem declaradas na DIPJ/2009. O total dos rendimentos de aplicação financeira foi de R$ 31.682.734,64, conforme informe de rendimentos do ano calendário 2008.’ Fl. 1436DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 1301-001.209 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721237/2012-88 Ainda informou que: ‘Na DIPJ estão declarados da seguinte forma: a) O valor de R$ 418.620,60, referente a conta contábil 3.4.03.10.0001 estão informados na ficha 06/A, linha 22 da DIPJ; b) O valor de R$ 31.264.114,04, na ficha 36/A, na linha 58, considerando que até outubro de 2008 a empresa estava em fase pré-operacional.’ A linha 22 da ficha 06/A é intitulada ‘outras receitas financeiras’, enquanto a linha 58 da ficha 36/A é onde estão registradas as despesas pré-operacionais ou pré-industriais. Se a empresa entrou em operação em novembro de 2008, não tinha mais como compensar as suas receitas financeiras, a partir daquela data, com as despesas financeiras e outras despesas, como se na fase pré-operacional ainda estivesse, e levar o possível resultado negativo ao diferido. Havia sim que declarar integralmente as receitas financeiras no campo próprio da DIPJ e tais receitas integrarem o cálculo do lucro real. III — Dos fatos: (...) Pelo regime de competência, deveria a fiscalizada ter declarado integralmente as suas receitas financeiras do período já operacional no item 22, da ficha 06/A, da DIPJ/2009, e não apenas o valor de R$ 418.620,60, como fez”. 3. Irresignado, em 25/01/2013 (e-fls. 455), o Contribuinte apresentou Impugnação (e-fls. 456/459), em que alega: 3.1. considerando-se que, a partir de novembro/2008, pusera em marcha apenas um (Gasoduto Cabiúnas Vitória - GASCAV) de dois empreendimentos (além daquele antes mencionado, faria entrar em operação, a partir do ano-calendário de 2010, o Gasoduto Cacimbas Catu - GASCAC), alocou parte das despesas financeiras e receitas financeiras correlatas no ativo diferido (proporcional ao empreendimento GASCAC) e outra parte (despesas e receitas financeiras correlatas) indicou na apuração do resultado referente ao ano de 2008 (proporcional ao empreendimento GASCAV); 3.2. como as despesas financeiras foram registradas parcialmente na apuração do resultado de 2008, para as receitas financeiras foi adotado o mesmo procedimento em conformidade com a Resolução CFC nº 1.282, de 2010, ou seja, refletir a parcela referente aos ativos que entraram em operação no respectivo ano, no caso, somente o GASCAV, e não considerar integralmente a receita de aplicação financeira auferida nestes dois meses como foi feito pela autoridade fiscal ao lavrar o auto de infração. 4. Sobreveio deliberação da Autoridade Julgadora de 1ª instância, consubstanciada no Acórdão nº 14-90.716 - 15ª Turma da DRJ/RPO, proferido em sessão de 13/03/2019 (e-fls. Fl. 1437DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 1301-001.209 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721237/2012-88 561/569), de que se deu ciência ao Contribuinte em 25/03/2019 (e-fls. 576), cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ ANO-CALENDÁRIO: 2008 DIFERIDO. VINCULAÇÃO A DADO ATIVO. NÃO DEMONSTRAÇÃO. O cômputo negativo apreciável a partir da expressão Receitas Financeiras (RF) - Despesas Financeiras (DF) - Despesas Pré-operacionais (DpO), levado à conta de diferido, pressupõe a precisa identificação do ativo gerador de tais rubricas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 5. Irresignado, em 24/04/2019 (e-fls. 579), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (e-fls. 581/588), em que pugna, sinteticamente, (i) pela nulidade da decisão recorrida, vez que “[...] ao contrário de deixar de acolher a sua impugnação sob o fundamento de falta de prova deveria, antes, converter o feito em diligência, indicando quais os fatos, exatamente, que pretendia ver provados”; e (ii) repisa os argumentos expendidos em sede de Impugnação. 6. Sobreveio deliberação da Autoridade Julgadora de 2ª instância, consubstanciada na Resolução nº 1301-001.069, proferida em sessão realizada em 21/10/2021 (e-fls. 645/653), cujo “voto vencedor” foi vazado nos seguintes termos: “18.Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos à unidade de origem da RFB, para que se averigúe a procedência da afirmação recursal, no sentido de que as ‘[...] despesas financeiras foram registradas parcialmente na apuração do resultado de 2008, para as receitas financeiras foi adotado o mesmo procedimento em conformidade com a Resolução acima [art. 9º da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade CFC n° 750/93, referente ao princípio da competência], ou seja, refletir a parcela referente aos ativos que entraram em operação no respectivo ano, no caso, somente o GASCAV e não considerar integralmente a receita de aplicação financeira auferida nestes dois meses como foi feito pela autoridade fiscal ao lavrar o auto de infração’” (grifos e negrito do original). 7. A diligência foi regularmente cumprida, conforme “Relatório Fiscal” (e-fls. 1231/1235), tendo a Interessada se manifestado em relação a ela (e-fls. 1245/1254). Voto Conselheiro Rafael Taranto Malheiros, Relator. 8. O recurso é tempestivo (e-fls. 576 e 579), pelo que dele se conhece. Fl. 1438DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 1301-001.209 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721237/2012-88 PRELIMINAR DE NULIDADE: NÃO CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA 9. Quanto à questão probatória, assim se manifestou a Autoridade Julgadora de 1ª instância: “4. Toda razão, em tese, ao argumento do Contribuinte. É que lhe falta prova, diga-se, não há nesse autos elemento(s) de sua escrita contábil e respectiva(s) documentação(ões) de suporte hábil(eis) a evidenciar a proporcionalização que sugere sobre o binômio receita/despesa financeira: uma porção vinculada a ativo já posto em operação (Gasoduto Cabiúnas - Vitória) e, por isso, considerável (dita porção) na apuração das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL referente ao ano-calendário de 2008; porção restante ainda registrável sob o epíteto do diferido, porque vinculada a ativo em fase pré-operacional (Gasoduto Cacimbas - Catu), a dizer, ainda não posto em marcha. 5. Pela linha do Contribuinte, ter-se-ia que considerar a seguinte distinção: receitas e despesas financeiras vinculadas a ativos que colaborariam para a formação de resultados presentes (2008), bem que receitas e despesas financeiras vinculadas a ativos que colaborariam para a formação de resultados de períodos futuros. Pois, então, o que falta ao argumento é o seu suporte probatório: a partir de que dado documental concluiria ele, Contribuinte, que do total de receitas financeiras (R$ 6.081.094,15; fl. 355), apenas o monte de R$ 418.620,60 estaria vinculado ao empreendimento Gasoduto Cabiúnas - Vitória e o restante, no importe de R$ 5.662.473,55, estaria vinculado ao empreendimento Gasoduto Cacimbas - Catu?” (grifos do original) 10. No ponto, o Contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos durante o procedimento fiscal (“Termo de Intimação”, de e-fls. 234), não tendo apresentado documento de suporte às suas alegações (e-fls. 237/270). Em sede de Impugnação, manteve a mesma conduta, juntando aos autos documentos que não favoreceram o deslinde da questão (e-fls. 460/556). 11. Assim, improcedente o seu pedido de diligência para suprir documentos ou prestar esclarecimentos que deveriam ter sido feitos, ao menos, nesta sede recursal: referido procedimento não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai tal ônus. 12. Pelo exposto, neste tópico, não assiste razão à Recorrente, ao aduzir que “[...] se eram necessários mais elementos probatórios para convencer a autoridade julgadora, deveria ela, de ofício ter convertido o julgamento em diligência, como prescreve a legislação processual aplicável”. MÉRITO: REGISTRO DO ATIVO DIFERIDO DE SALDO LÍQUIDO NEGATIVO ENTRE RECEITAS E DESPESAS FINANCEIRAS 13. Quanto à matéria, assim se manifestou a Autoridade Julgadora de 1ª instância: Fl. 1439DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 1301-001.209 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721237/2012-88 “6. Para efeito de rememorar a matéria (mecânica de registro do ativo diferido 1 ), vale repassar alguns excertos da Solução de Divergência Cosit nº 32, de 21 de julho de 2008, ou, equivalentemente, da Solução de Consulta SRRF da 7ª RF/Disit, de 30 de outubro de 2008, que cuidam da contabilização do cômputo da expressão seguinte: Receitas Financeiras (RF) - Despesas Financeiras (DF) - Despesas Pré-operacionais (DpO). Veja-se: [Solução de Divergência Cosit nº 32, de 21 de julho de 2008; destacou-se e texto entre colchetes acrescido] 6.1. A apuração do imposto sobre a renda com base no lucro real deve partir do lucro líquido contabilmente apurado em conformidade com o disposto na legislação comercial. 6.2. A legislação prevê a observância do princípio da competência, inclusive no que se refere ao confronto de receitas e despesas na fase pré-operacional. [...] 7. Após este arrazoado a Solução de Consulta Disit/SRRF09 nº 289, de 22 de agosto de 2007, concluiu corretamente quanto ao tratamento a ser dispensado ao resultado financeiro originário dos gastos classificáveis no ativo diferido por parte das pessoas jurídicas que apuram o respectivo imposto sobre a renda com base no lucro real, nos seguintes termos: 22. Em vista do exposto, conclui-se que, no caso de empresa em fase de pré-operação, o saldo líquido das receitas e despesas financeiras, quando derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento [note-se, diz-se de receitas e despesas financeiras vinculados a um dado ativo, no caso, ainda não posto em marcha operacional], deve ser registrado no ativo diferido. Esse valor, se credor, deverá ser diminuído do total das despesas pré-operacionais incorridas no período de apuração, sendo que apenas o eventual excesso de saldo credor deverá compor o lucro líquido do exercício em questão. 8. Deste modo, observa-se que a revogação da IN SRF nº 54, de 1988, não constitui razão suficiente para se concluir que o resultado financeiro positivo [RF - DF > 0] obtido a partir dos gastos classificáveis no ativo diferido por parte das pessoas jurídicas que apuram o respectivo imposto sobre a renda com base no lucro real deva ser prontamente tributado, posto que a legislação comercial, que consagra o princípio da competência, inclusive no que se refere ao ativo diferido, e cuja observância é determinada pela legislação tributária, estabelece que ao resultado em pauta seja dispensado, primeiramente, o tratamento previsto na transcrição 1 Não custa lembrar, mas a MP nº 449, de 03/12/2008, depois convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, extinguiu o grupo de contas reconhecido pelo epíteto "diferido". Eventuais saldos aí existentes em 31/12/2008, se pela sua natureza não pudesse ser alocado em outro grupo de contas, pôde permanecer sob a classificação que se extinguia até a sua completa amortização - art. 249-A da Lei nº 6.404, de 15/12/1976, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1440DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 1301-001.209 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721237/2012-88 a que se refere o item precedente, devendo haver tributação apenas quando o referido resultado ultrapassar o total das despesas pré-operacionais [RF - DF - DpO > 0]. [...] 9. Em vista do exposto, conclui-se que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras [RF - DF < 0], quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positivo [RF - DF > 0], tal diferença diminuirá o total das despesas pré- operacionais registradas [RF - DF - DpO]. O eventual excesso [RF - DF - DpO > 0] remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. (...) 7. Pelas linhas acima, fica evidente que o manejo do binômio receita/despesa financeira entre diferido ou resultado depende, antes de tudo, da precisa identificação do ativo gerador de tais receitas/despesas. E é justamente tal vínculo que não se alcança nos presentes autos. Objetivamente, como até então anotado pela Fiscalização (fls. 351/354), há expressiva receita financeira experimentada em fins de 2008, muito acima do monte ofertado à tributação. Inquirido a propósito, o Contribuinte não demonstra a vinculação que sugere (receita/despesa financeira tal que uma parte iria atrelada ao empreendimento Gasoduto Cabiúnas - Vitória, e outra ao empreendimento Gasoduto Cacimbas - Catu), seja em procedimento, seja agora em instanciação” (negritos e grifos do original). 14 Em sede de Voluntário, a Interessada afirmou, em síntese, o quanto foi objeto da sobredita Resolução, i. e., que as “[...] despesas financeiras foram registradas parcialmente na apuração do resultado de 2008, [então] para as receitas financeiras foi adotado o mesmo procedimento em conformidade com a Resolução acima [art. 9º da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade CFC n° 750/93, referente ao princípio da competência], ou seja, refletir a parcela referente aos ativos que entraram em operação no respectivo ano, no caso, somente o GASCAV e não considerar integralmente a receita de aplicação financeira auferida nestes dois meses como foi feito pela autoridade fiscal ao lavrar o auto de infração”. 15. Nesse passo, a Autoridade Diligenciante lavrou uma primeira intimação (e-fls. 656/657) para que se esclarecesse referida afirmação. Foi atendida pela Interessada (e-fls. 718/722, com juntada de documentos às e-fls. 723/1129). A seguir, a Autoridade Diligenciante lavrou uma segunda intimação (e-fls. 1180/1184) para que fosse “[comprovado] o alegado, por meio de elementos que identifiquem claramente o ativo gerador de tais receitas conforme detalha o item 7 da Resolução [rectius, Acórdão de 1ª instância]”, devendo “[...] apresentar demonstrativo específico em que detalhe os elementos aqui sugeridos, bem como justifique a parcela de Receita Ofertada/Diferida, critério de rateio e amortização”, “[respondendo] ao questionamento da autoridade julgadora no tocante à análise do mérito”, pois “[...] que o mero registro contábil não é suficiente para a justificativa, devendo a mesma ser acompanhada do critério justificável demonstrado de apropriação de cada mês do ano calendário, de forma a Fl. 1441DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 1301-001.209 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721237/2012-88 tornar inequívoca a alegação formulada em fase de recurso ao julgamento de piso”. A Interessada respondeu a esta segunda intimação às e-fls. 1212/1217. 16. Dentre outros argumentos, em sua manifestação em relação à diligência (e-fls. 1245/1254), a Interessada traz o seguinte: “I - SÍNTESE DOS FATOS E DA DILIGÊNCIA (...) 17. Vale lembrar, nesse contexto, que a contribuinte reconhecia a receita financeira (conta contábil 3403100001 - Receitas Finan - Aplicações de Renda Fixa no País) contra um lançamento de aplicações financeiras no ativo (contas contábeis 1.1.01.30 – doc. 03, que contém uma planilha, conforme arquivo não- paginável de e-fls. 1418) e no resultado diferido, notadamente na conta contábil 4403100001 - Receitas Finan - Aplicações de Renda Fixa no País, a depender do tratamento (receita tributada ou diferida). Confira os lançamentos, visualmente: (...) II - NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA COGNOSCÍVEL A QUALQUER MOMENTO. 29. Para além dos pontos anteriormente referenciados, cumpre à contribuinte informar que no curso dos trabalhos da diligência, durante o levantamento dos documentos solicitados pela autoridade fiscal, identificou grave nulidade do auto de infração, haja vista que a base de cálculo do tributo (ou do auto de infração) não foi corretamente apurada pela autoridade fiscalizadora. (...) 31. Veja que o fiscal considerou, na base de cálculo do tributo, todos os valores credores apropriados pelo regime de competência no razão da conta de Receita de Aplicações (R$ 1.187.294), no período novembro-dezembro/2008 (doc. 08, e- fls. 1427). Todavia, adicionou indevidamente o valor de R$ 4.893.800,14, que serviu de base para retenção na fonte (regime de caixa) demonstrado no Informe Fl. 1442DF CARF MF Original Fl. 9 da Resolução n.º 1301-001.209 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721237/2012-88 de Rendimento do Banco Santander (doc. 09, e-fls. 1428/1429), encontrando assim o valor supostamente omitido (R$ 5.662.473,55), que utilizou para formar a base para o auto de infração [e-fls. 355]. 32. O quadro acima demonstra que a autoridade fiscal adicionou, em duplicidade, parte da receita de aplicações (R$ 4.893.800,14) já oferecida à tributação em meses anteriores, pelo regime de competência (doc. 10, e-fls. 1430), desconsiderando o que diz o artigo 3º da Lei n. 10.892/2004, que somente utiliza esse critério para formar a base de retenção na fonte. Veja a redação da norma: [...] 33. Nesse contexto, veja que o rendimento de aplicações financeiras apropriado ao ativo diferido no período foi de R$1.324.905,41 (quadro do item 24 desta minuta). Se a fiscalização utilizasse esse valor na composição da base de cálculo (o que seria correto fazer), não haveria base positiva para a autuação (R$1.324.905,41 - R$4.165.286,45 = -R$2.840.381,04), em razão do prejuízo fiscal compensado no período, conforme consta do próprio auto de infração. (...)” (negritos do original; grifou-se). 17. Face à alegada “nulidade do auto de infração por erro na apuração da base de cálculo do tributo”, que somente poderia ser verificado, segundo a Interessada, quando da fase de diligência instaurada nesta instância recursal, voto no sentido de converter o julgamento em uma segunda diligência, para averiguação de sua ocorrência à luz da documentação carreada aos autos, ou não [por exemplo, dentre os valores que teriam sido escriturados em conta de diferido, poderiam não se encontrar as receitas financeiras provenientes de aplicação em renda fixa, informadas pelo Santander Asset Manegement DTVM Ltda (e-fls. 205/232 ou 1428/1429), que ostentariam, ao revés, origens diversas]. Fl. 1443DF CARF MF Original Fl. 10 da Resolução n.º 1301-001.209 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721237/2012-88 Para tanto, e havendo necessidade, a autoridade fiscal poderá intimar o Contribuinte a apresentar documentos complementares e esclarecimentos adicionais antes de elaborar o relatório ora requerido. Poderá ainda a autoridade fiscal apresentar os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise de tais fatos. Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, a repercutir, ou não, na autuação. Ao final, a Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindo- se-lhe prazo de 30 dias para que, querendo, manifeste-se sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Dec. nº 7.574, de 2011). Após o cumprimento dos procedimentos ora requeridos, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros Fl. 1444DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720895/2020-62
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2016
DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. PERDAS NÃO TÉCNICAS.
As perdas não técnicas são intrínsecas à atividade de distribuição de energia elétrica e impossíveis de serem evitadas na realidade atual do país, razão pela qual devem integrar o custo do serviço prestado, nos termos do art. 291 do RIR/99 (atualmente o art. 303 do Decreto nº. 9.580 - RIR/2018).
OBRIGAÇÕES ESPECIAIS.
Tratando-se de receita própria do contribuinte, resta demonstrado o equívoco do enquadramento legal do lançamento que busca incluir a referida receita na base de cálculo de cálculo dos tributos sob a alegação de se tratar de provisão não dedutível.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1004-000.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Fernando Beltcher da Silva.
(documento assinado digitalmente)
Efigênio de Freitas Júnior - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Jeferson Teodorovicz - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, Jeferson Teodorovicz, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Henrique Nimer Chamas, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho e Efigênio de Freitas Júnior.
Nome do relator: JEFERSON TEODOROVICZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 11 09:00:00 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202404
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2016 DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. PERDAS NÃO TÉCNICAS. As perdas não técnicas são intrínsecas à atividade de distribuição de energia elétrica e impossíveis de serem evitadas na realidade atual do país, razão pela qual devem integrar o custo do serviço prestado, nos termos do art. 291 do RIR/99 (atualmente o art. 303 do Decreto nº. 9.580 - RIR/2018). OBRIGAÇÕES ESPECIAIS. Tratando-se de receita própria do contribuinte, resta demonstrado o equívoco do enquadramento legal do lançamento que busca incluir a referida receita na base de cálculo de cálculo dos tributos sob a alegação de se tratar de provisão não dedutível. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
turma_s : Quarta Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 16682.720895/2020-62
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7061939
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 1004-000.155
nome_arquivo_s : Decisao_16682720895202062.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : JEFERSON TEODOROVICZ
nome_arquivo_pdf_s : 16682720895202062_7061939.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Fernando Beltcher da Silva. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior - Presidente (documento assinado digitalmente) Jeferson Teodorovicz - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, Jeferson Teodorovicz, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Henrique Nimer Chamas, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho e Efigênio de Freitas Júnior.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2024
id : 10421997
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 11 09:38:27 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798748580765237248
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-05-03T20:07:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-05-03T20:07:45Z; Last-Modified: 2024-05-03T20:07:45Z; dcterms:modified: 2024-05-03T20:07:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-05-03T20:07:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-05-03T20:07:45Z; meta:save-date: 2024-05-03T20:07:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-05-03T20:07:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-05-03T20:07:45Z; created: 2024-05-03T20:07:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; Creation-Date: 2024-05-03T20:07:45Z; pdf:charsPerPage: 2145; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-05-03T20:07:45Z | Conteúdo => SS11--TTEE0044 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 16682.720895/2020-62 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1004-000.155 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 10 de abril de 2024 RReeccoorrrreennttee LIGHT SERVICOS DE ELETRICIDADE S A IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2016 DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. PERDAS NÃO TÉCNICAS. As perdas não técnicas são intrínsecas à atividade de distribuição de energia elétrica e impossíveis de serem evitadas na realidade atual do país, razão pela qual devem integrar o custo do serviço prestado, nos termos do art. 291 do RIR/99 (atualmente o art. 303 do Decreto nº. 9.580 - RIR/2018). OBRIGAÇÕES ESPECIAIS. Tratando-se de receita própria do contribuinte, resta demonstrado o equívoco do enquadramento legal do lançamento que busca incluir a referida receita na base de cálculo de cálculo dos tributos sob a alegação de se tratar de provisão não dedutível. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Fernando Beltcher da Silva. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior - Presidente (documento assinado digitalmente) Jeferson Teodorovicz - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, Jeferson Teodorovicz, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Henrique Nimer Chamas, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho e Efigênio de Freitas Júnior. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 95 /2 02 0- 62 Fl. 1126DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, contra Acórdão da DRJ, que julgou improcedente a Impugnação contra Autos de Infração, por sua vez lavrados para a exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, acrescidos de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, multa de ofício e juros de mora. Em particular, as seguintes condutas levaram às respectivas autuações: a) Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (...) “ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL INFRAÇÃO: CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO DEDUTÍVEIS Valor não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, conforme relatório fiscal em anexo. (...) AJUSTES DO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO INFRAÇÃO: ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Valor não adicionado ao lucro líquido do período, para a determinação do lucro real, conforme relatório fiscal em anexo. (...) MULTA OU JUROS ISOLADOS INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução.". b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL (...) “CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS INFRAÇÃO: CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO DEDUTÍVEIS Valor não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, conforme relatório fiscal em anexo. (...) Valor não adicionado ao lucro líquido do período, para a determinação do lucro real, conforme relatório fiscal em anexo. (...) MULTA OU JUROS ISOLADOS INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA Falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução.". Nesse sentido, o contribuinte exerce a distribuição de energia enquanto atividade principal, adquirindo energia elétrica dos geradores e distribuindo-a para o consumidor. No exercício dessa atividade, o contribuinte incorre em perdas, já que parte da energia adquirida não Fl. 1127DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 é vendida ao consumidor final e essas são decorrentes da dissipação de energia térmica no processo de transporte (denominado “perdas técnicas”). Além disso, pode incorrer em outros tipos de perdas (“perdas não técnicas”), como furtos através de ligação clandestina, desvio direto da rede, fraudes de energia, como alterações no medidor, erros de medição e de faturamento, entre outros. Segundo a fiscalização, o contribuinte teria indevidamente deduzido do lucro real e da base de cálculo da CSLL valores que, na verdade, seriam classificados como “perdas não técnicas” dentro da atividade comercial de energia elétrica, o que não poderia ser admitido, segundo entendeu a Autoridade Fiscal, já que os mesmos não correspondem a custos, já que essas despesas não técnicas, e, assim, seriam derivadas de fatores externos e alheios à própria natureza do bem e da atividade exercida, não se tratando de gasto obrigatório para produção e transporte de energia e, não sendo, portanto, “despesas dedutíveis”. Em outras palavras, com relação às despesas não técnicas, a autoridade fiscal acrescentou que, considerando a generalidade da comunicação da Notícia Crime apresentada à RFB, o intervalo de tempo entre as datas de furtos e a comunicação de aspecto meramente protocolar, não suportaria o tratamento fiscal para os valores de “perda não técnicas” na forma adotada pelo contribuinte: apropriação dos valores diretamente no Resultado do Exercício, sem tê-los adicionados ao Lucro Líquido na parte A do LALUR”. Já com relação aos valores de provisão a título de obrigações especiais, a fiscalização entendeu que o artigo 335 determina que somente as provisões expressamente autorizadas pelo Decreto poderão ser deduzidas na apuração do Lucro Real, não havendo previsão expressa para que esse mesmo tratamento fosse entendido às contas de Obrigações Especiais. E acrescenta que o valor das “perdas não técnicas” não é inerente às atividades desenvolvidas pelas distribuidoras de energia, não se conduzindo, portanto, em custo de serviço prestado, nos termos do art. 291 do RIR (Decreto no 3.000/1999). Cientificada da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, questionando as conclusões da fiscalização, que, por sua vez, foram acatadas no Acórdão recorrido, sustentando: (...) Ocorre que a Impugnante entende que as conclusões da fiscalização são insubsistentes e não podem respaldar a lavratura dos Autos de Infração ora impugnados, eis que: (A) Há nulidades relacionadas ao cálculo do suposto crédito tributário, na medida em que a fiscalização desconsiderou que até (...) do lucro decorrente das glosas realizadas deveria ser compensado com prejuízo fiscal e base de cálculo acumulada referente a períodos anteriores, bem como desconsiderou o aumento da dedutibilidade das despesas, tais como as despesas incorridas pela Impugnante com o Programa de Alimentação do Trabalhador (“PAT”). (B) O valor relativo às perdas não técnicas é usual e normal às atividades desenvolvidas pela Impugnante, sendo, portanto, dedutíveis com base no disposto no artigo 299 do RIR/99, posteriormente reproduzido no artigo 311 do RIR/18. Infelizmente, tanto as perdas não técnicas são usuais e normais às atividades da Impugnante, que o preço da energia elétrica é definido já considerando essa realidade, em especial o cenário da cidade do Rio de Janeiro. Além disso, ainda que se entendesse que as perdas não técnicas não são despesas necessárias da Impugnante, nos termos do artigo 299 do RIR/99, reproduzido no artigo 311 do RIR/18, o direito à dedutibilidade de tais valores estaria resguardado à Impugnante, pois ela cumpriu com todos os requisitos previstos no artigo 364 do RIR/99, reproduzido no artigo 376 do RIR/2018, conforme será demonstrado a seguir. Fl. 1128DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 (C) Ao contrário do alegado pela fiscalização, o passivo relativo às Obrigações Especiais não possui natureza jurídica de provisão. Provisões são passivos de prazo ou valor incerto. Conforme será demonstrado a seguir, as Obrigações Especiais ora analisadas possuem (i) valor líquido e certo, não havendo qualquer incerteza em relação ao montante reconhecimento contabilmente como passivo, o qual corresponde efetivamente ao valor que deverá ser ressarcido pela Impugnante aos consumidores; e (ii) prazo determinado para o cumprimento da obrigação, não enquadrando-se, portanto, no conceito de provisão. Adicionalmente, sustentou: a inaplicabilidade da multa isolada de 50%, com base no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996 e a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Finalmente, requereu o cancelamento dos lançamentos e autos de infração, já que seriam indevidas as glosas realizadas pela fiscalização ou pelo menos que seja declarada a nulidade dos autos de infração, o cancelamento de crédito tributário de CSLL, da aplicação da multa isolada e da cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. Não obstante, o Acórdão Recorrido julgou improcedente a petição impugnatória, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: (...) DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. PERDAS NÃO TÉCNICAS. LUCRO REAL. REQUISITOS NÃO CUMPRIDOS. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com as perdas não técnicas decorrentes de furtos de energia elétrica, por não se classificarem como despesas necessárias à atividade das empresas distribuidoras de energia elétrica e à manutenção da fonte produtora, não podem integrar o custo dos serviços prestados. Como exceção à regra, poderão ser deduzidos como despesas os valores correspondentes aos prejuízos por desfalque, apropriação indébita, furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial, que individualize a situação fática, e não como pretendido pelo contribuinte, em forma de ofício, de forma genérica e vaga. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. COMPATIBILIDADE. Tratando-se de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do ano-calendário, com base no lucro real anual. OBRIGAÇÕES ESPECIAIS. INDEDUTIBILIDADE. O fato de já existir uma metodologia regulamentada previamente pela ANEEL para a exclusão das obrigações especiais das tarifas futuras nos ciclos de revisões tarifárias posteriores não significa que o valor já seja líquido e certo, como alega a impugnante, mas apenas que pode ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação, o que se encaixa no conceito de provisão previsto no parágrafo 14 do Pronunciamento Contábil CPC nº 25. A norma tributária que veda a dedutibilidade de despesas com provisões adota um conceito muito mais elástico de provisão, tanto que o art. 13, I, da Lei 9.249/95 trata como provisão aquelas derivadas de apropriações por competência, tais como para Fl. 1129DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, em que não há qualquer incerteza relevante sobre valor ou prazo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, onde repisa e reforça os argumentos e pedidos já apresentados na Impugnação Administrativa. Além disso, registre-se também que a Fazenda Nacional, por intermédio de sua procuradoria, apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário, sustentando, em síntese, concordância com o teor das conclusões da fiscalização e pedindo a manutenção integral de todos os pontos apontados na decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Jeferson Teodorovicz, Relator. O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega preliminarmente a nulidade da autuação em razão de supostos equívocos cometidos pela fiscalização na determinação do crédito tributário, na medida em que deixou de (i) considerar o aumento da compensação de 30% dos lucros decorrentes das glosas realizadas com saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa, e (ii) reduzir o suposto crédito tributário com despesas de PAT. Contudo, diversamente do suscitado pela Recorrente, os eventuais equívocos na apuração da base de cálculo dos tributos não são fundamento suficiente para declarar a nulidade do lançamento. Nem mesmo os precedentes deste Conselho por ela suscitados adotaram tal postura. No caso, como bem pontua Karem Jureidini Dias (Fato Jurídico Tributário, 2ª ed. São Paulo: IBET, 2018, en passant): A imputação é uma função administrativa. Não havemos que tomar os atos administrativos de forma isolada, posto que é juridicamente relevante o conjunto de atos que implicam no poder e no dever outorgado pelo ordenamento jurídico, visando a um determinado fim. A Administração Pública só se vale do poder em vista da obtenção do fim, na medida e no limite que o ordenamento jurídico lhe impõe. Tem a Administração, assim, o poder de cobrar e o dever de imputar para que alcance a finalidade da exação sem o locupletamento ilícito. (...) A não observância da imputação pela autoridade administrativa, no ato de constituição do novo fato jurídico tributário, não altera a sua materialidade. Contudo, se as revisões permanecem sem efetuar as imputações decorrentes, na pragmática, tem-se, no limite, a diminuição da eficácia do fato jurídico tributário (adimplência do crédito fiscal). Sem dúvida que gera no contribuinte a sensação de pagamento indevido ou cobrança em duplicidade se a imputação, possível em se tratando de um mesmo sujeito ativo, não é Fl. 1130DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 determinada. Apenas para a repetição de indébito é que importa o prazo prescricional, já que a imputação pertence ao controle de legalidade do crédito constituído a partir da revisão do fato jurídico tributário. Em outras palavras, ao proceder o lançamento de ofício, a fiscalização deve aplicar a norma em sua integralidade não lhe sendo autorizada apenas a complementação, desconsiderando as demais normas envolvidas na apuração da base de cálculo. Assim, se é imputada receita à Recorrente, logicamente são ampliados os limites da trava de 30% e do PAT. Assim, registro desde logo que, caso vencido em relação ao mérito, quando da liquidação do acórdão, deverá a unidade de origem apurar os tributos considerando os novos limites para a trava dos 30% e para o PAT. No mérito, a controvérsia gira em torno aos critérios de dedutibilidade das chamadas perdas não técnicas, assim entendidas “todas as demais perdas associadas à distribuição de energia elétrica, tais como furtos de energia, erros de medição, erros no processo de faturamento, unidades consumidoras sem equipamento de medição, etc. Corresponde à diferença entre as Perdas na Distribuição e as Perdas Técnicas, em megawatt- hora (MWh).” Segundo consta do termo de verificação fiscal: Com base nas informações e análises acima expostas, foi efetuado o lançamento do crédito tributário nos termos dos arts. 247 (Decreto-Lei nº 1.598/77, art. 6º) e 249 inciso I (Decreto-Lei nº 1.598/77, art. 6º, § 2º) ambos do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000/1999 – RIR - referente a não adição ao lucro líquido para determinação do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, no período de 2016, dos valores das perdas não técnicas informados pela fiscalizada e apropriados ao Resultado, por estes não serem admitidos como custos dos serviços prestados nos termos do no art. 291 do RIR (Lei nº 4.506/64, art. 46, inciso V), bem como despesa dedutível conforme art. 364 do RIR (Lei nº 4.506/64, art. 47, § 3º). (...) Sobre a questão, o debate exsurgiu na própria decisão recorrida. Vejamos: Voto vencido Voto Vencedor Ora, se não é possível uma interpretação extensiva do § 3º, para ampliar-lhe o seu campo de aplicação, também não é possível restringi-lo, pois é da boa exegese que normas excepcionais são interpretadas estritamente, não restritamente. Além disso, o Parcer CST 50/73 estabelece condições em rol taxativo (numerus clausus), ou seja, apenas os três itens acima descrito (prejuízo; imputação a empregado/terceiro; e inquérito ou notica- crime). Ora, o Parecer CST 50/73 se contenta com a apresentação da notícia-crime à autoridade Pois bem. Diante dessa controvérsia, observa- se que tanto a autoridade fiscal quanto a defendente (Impugnante) sustentaram suas argumentações com base na legislação do Imposto de Renda, em atos normativos da RFB, em normas reguladoras da ANEEL e jurisprudência administrativa sobre o assunto em pauta. Nesse ponto, é importante lembrar que, nos termos do art. 12 da Portaria RFB nº 1936, de 6 de dezembro de 2018, a Solução de Consulta Interna Cosit (SCI Cosit), relativa à interpretação da legislação tributária, aduaneira Fl. 1131DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 policial (queixa à autoridade policial), logo, extrapola o que consta de tal Parecer (o qual foi ratificado pela Solução de Consulta Cosit 3/2017) a alegação da Fiscalização de que não foi atendida esta condição porque a noticia- crime era uma comunicação com aspecto meramente protocolar. Além de extrapolar o que consta do Parecer CST 50/73, cabe ponderar que caberia a autoridade policial que recebeu a notícia-crime fazer tal juízo de valor sobre a generalidade da comunicação. Noutro ponto, a Fiscalização também extrapola o que consta do Parecer CST 50/73, pois nem o Parecer nem muito menos a Lei estabelece prazo para que a noticia-crime seja dada à autoridade policial. Assim, se ainda não tinha ocorrido a prescrição penal, mesmo porque o furto de energia tem natureza de crime permanente; não tinha ocorrido a decadência tributária em relação ao período em que ocorreu o furto noticiado; a impugnante não estava sob fiscalização; e a legislação não impõe prazo para que seja dada a noticia- crime, para fins de dedutibilidade da perda com furto; não há falar que deixou de ser dedutível a perda porque a notícia-crime foi dada meses depois do encerramento do exercício. Vale ressaltar que o pressuposto de imputabilidade a empregados e terceiros, estabelecido no Parecer CST 50/73, significa apenas que o furto não pode ter sido cometido por sócios, ou seja, tal pressuposto não significa, em absoluto, que, na noticia-crime, o contribuinte furtado já tenha que apontar a autoria. Nesse sentido, vejamos o seguinte excerto do Parecer CST 50/73: (…) Quanto ao pressuposto do prejuízo, há que se abordar ponto não tratado pela Fiscalização, mas alegado pela impugnante, qual seja, saber se há prejuízo para a impugnante já que ela alega que a ANEEL autoriza que, até certo limite, essas perdas sejam repassadas para o preço da tarifa, de modo a reembolsá-la. Ora, se nos prendermos apenas a literalidade do e correlata de interesse da Secretaria da Receita Federal do Brasil, terá efeito vinculante no âmbito da RFB a partir de sua publicação. Dado o seu efeito vinculante e a convergência da matéria tratada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 3, de 23 de março de 2017, com o lançamento ora debatido, adoto como razões de decidir as considerações expressas no referido ato administrativo, naquilo que guarda relação com as questões propostas pela Impugnante, com os acréscimos que se fizerem necessários em razão de particularidades do caso. A referida norma inclusive foi citada como fundamento no Termo de Verificação Fiscal-TVF (Relatório Fiscal). A SC Cosit nº 3/2017 aborda questões relacionadas às perdas não técnicas da energia comprada para revenda, no âmbito da legislação do PIS e da Cofins, e também sobre eventuais reflexos desta tributação na base de cálculo do IRPJ e CSLL, parte que especialmente nos interessa. Já de início pode ser destacada a seguinte ementa: (...) De uma leitura integrada dos normativos legais retromencionados, notadamente o PN CST nº 50/1973, a SCI Cosit nº 3/2017 e a IN RFB nº 1700/2017, pode-se afirmar que as perdas não técnicas têm seu tratamento tributário regulado pelas disposições do § 3º do art. 47 da Lei 4.506/1964 (regulamentado pelo art. 376 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018 - RIR/2018). Assim, para fins de apuração do lucro real, essas perdas não técnicas somente poderão ser deduzidas nos casos e nas condições estritamente previstas na lei. Portanto, será fixada a seguinte ideia de que se parte para armar um raciocínio de resolução da controvérsia instaurada: “não há espaço fático nem jurídico para discricionariedades nessa questão”. No caso dos autos, as perdas não técnicas estão relacionadas especialmente com o furto de energia elétrica, conforme foi assim explicitado no TVF (Relatório Fiscal): Fl. 1132DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 texto do § 3º e do alegado pela impugnante, poder-se-ia concluir equivocadamente que, se há reembolso, não há prejuízo, logo o referido dispositivo legal seria inaplicável. No entanto, note-se que a impugnante deixa claro que o reembolso não é total, pois a Aneel autoriza até certo limite, logo, nem toda a perda é reembolsada. Ademais, mesmo que toda a perda fosse reembolsada via aumento de receita, não havia porque negar a dedutibilidade da perda, já que o valor lançado a débito de resultado (perda) seria anulado pelo valor da receita tributável decorrente do reembolso. Assim, embora esse ponto não tenha sido tratado pela Fiscalização, faz-se mister enfrentá-lo, para a clareza do que aqui se decide. Por essas razões, voto por cancelar esse ponto da autuação que versa sobre a glosa das perdas não-técnicas com furto de energia, razão pela qual excluo das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL o montante de R$ 981.934.671,68. (...) Dessa forma, para a validação da dedução das despesas ocorridas com perdas não técnicas na determinação do lucro real, não basta o atendimento às regras da ANEEL, ficando o contribuinte sujeito às normas próprias da legislação tributária, cujo descumprimento acarreta a ação do órgão competente, o Fisco Federal, expressa no exercício regular do poder fiscalizatório exercido pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. Isso porque não há como se atribuir o efeito pretendido aos diversos institutos legais, considerando que o disposto no § 3º do art. 47 da Lei 4.506/1964 faz referência expressa e, por isso, taxativa, aos tributos e à dedução de despesas relacionadas com os requisitos de prejuízos por furto de energia, por imputabilidade a terceiros, e quando apresentada queixa perante a autoridade policial, não dizendo respeito às regras de cumprimento da ANEEL. Apresentado o contexto fático-jurídico, conforme relatado, a Recorrente sustenta que as perdas não técnicas são normais e usuais às atividades de distribuição de energia elétrica, sendo intrínsecas a essas atividades, em virtude do cenário socioeconômico do país. Tanto é assim, que a própria ANEEL autoriza que, até certo limite, essas perdas sejam repassadas para o preço da tarifa, de modo a reembolsar a Recorrente. E mais, o valor da tarifa, inclusive o montante de repasse das perdas, é totalmente definido pela ANEEL e apenas cobrado pela Recorrente dos consumidores finais. Ou seja, de tão normais e usuais que são, essas perdas têm um custo mensurável, que é incorporado na tarifa dos demais usuários, conforme determinado pela própria ANEEL. Deste modo, como a Recorrente recupera as perdas não técnicas regulatórias na tarifa cobrada dos usuários, tributando integralmente esses valores, vedar a dedução do valor das perdas não técnicas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL implicaria tributar a Recorrente duas vezes, incorrendo em bitributação dos mesmos valores. Sobre este ponto especificamente, embora não seja recomendável, não há no ordenamento jurídico regra que vede expressamente o bis in ibidem, principalmente caso reste caracterizado o descumprimento do regulamento no que diz respeito às regras de dedutibilidade de despesas. No caso, a metodologia do cálculo das perdas não técnicas, bem como a possibilidade de tal parcela, ainda que limitadamente, compor o preço cobrado do consumidor, convencem-me que as perdas não técnicas são intrínsecas à atividade de distribuição de energia elétrica e impossíveis de serem evitadas na realidade atual do país, razão pela qual devem Fl. 1133DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 integrar o custo do serviço prestado, nos termos do art. 291 do RIR/99 (atualmente o art. 303 do Decreto nº. 9.580 - RIR/2018). Assim, ainda que se busque afastar o reconhecimento da referida despesa como operacional, nota-se que Sob este ponto, peço vênia para transcrever excerto do “Submódulo 2.6 – Perdas de Energia”, produzido pela ANEEL: “5. As Perdas Não Técnicas regulatórias são definidas para todo o ciclo tarifário na forma de uma trajetória decrescente, ou de uma meta fixa, ou combinação das duas. 6. A abordagem adotada pela ANEEL para a definição dos limites de perdas não técnicas é o da comparação entre as concessionárias com área de concessão semelhantes. 7. Tal comparação se dá, essencialmente, a partir da construção de um ranking de complexidade no combate às perdas não técnicas. Por se tratar de um problema de natureza socioeconômica, a comparação envolve a identificação dos principais fatores que diferenciam as empresas. O resultado da comparação, quando controlada para essas heterogeneidades, é que a eficiência no combate às perdas passa a ser o principal fator explicativo para as perdas praticadas, tornando-as comparáveis segundo a eficiência. 8. Os limites regulatórios são definidos a partir de benchmarks de perdas não técnicas, que se caracterizam por operarem em áreas de concessão tão ou mais complexas que a da concessionária em análise, porém, praticando um nível de perdas não técnicas em patamar inferior. (...) E mais, como a própria PGFN indica, as perdas não técnicas decorrem de inúmeros fatos, que são agrupados em “problemas de gestão”, “problemas socioeconômicos” e “problemas comportamentais”. Neste aspecto, o tratamento regulatório da matéria, em meu entendimento, autoriza seu tratamento como despesa operacional. Entendimento semelhante o da própria Receita Federal na SC 27/2008, em que a RFB considerou as perdas técnicas e não técnicas como custos intrínsecos à distribuição da energia elétrica, uma vez que elas compunham a tarifa, conforme regulamentação da própria ANEEL. Ao entender desta forma, sem diferenciar o tratamento fiscal das despesas técnicas e não técnicas, ficou referendado o entendimento das empresas no sentido de que as despesas eram consideradas como custos da atividade para fins de IRPJ e CSLL. No mesmo sentido aqui defendido, o voto proferido pela Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio, no Processo Administrativo n. 16682.721141/2018-13, acórdão n. 1402-004.517, em que se julgou processo da mesma contribuinte: É claro que todos os cidadãos querem serviços públicos eficientes e de qualidade, dentre eles, o abastecimento de energia. É fundamental que os órgãos regulatórios estabeleçam regras claras para que estes serviços atendam à população em geral e também para que sejam feitos investimentos em tecnologia que levarão à uma maior eficiência do sistema, com preços mais razoáveis para a população, garantindo ainda o equilíbrio financeiro do contrato de concessão. Ao mesmo tempo, cabe à Administração Fiscal tributar as atividades das empresas de acordo com a legislação pátria, pois é através do tributo que o Estado poderá garantir à população serviços públicos de qualidade. Contudo, o tributo não pode ser usado como uma forma de forçar estas empresas a investir em um sistema mais eficiente, ou mesmo como forma de puni-las diante da sua incapacidade de combater problemas socioeconômicos crônicos como os furtos de energia elétrica tratados nestes autos. Os Fl. 1134DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 tributos aqui lançados têm fato gerador determinado pela legislação, contornos que devem ser respeitados. Quando as perdas decorrentes de furtos de energia elétrica chegam aos patamares mencionados, causa prejuízos para toda a sociedade e devem ser combatidos. Mas este combate não será feito com a tributação. Alega a Recorrente que as perdas razoáveis e ordinárias da atividade deveriam ser consideradas como custos inerentes da distribuição de energia elétrica, para fins de apuração pelo IRPJ e CSLL, nos termos dos artigos 46, inciso V, da Lei nº. 4.506/1964 e art. 291, inciso I do RIR/99, transcritos abaixo: (...) A fiscalização, embasada na mudança de entendimento trazida pelo SCI 17/2016 considerou as perdas não técnicas como derivadas de fatores externos, alheios à natureza do bem (energia elétrica) e da atividade de distribuição de energia elétrica, sendo passíveis de controle pela Recorrente. Concluiu-se que estas perdas não técnicas, não seriam custos inerentes para a distribuição da energia, e poderiam ser consideradas despesas dedutíveis, nos termos da legislação. Assim, quando se tratar de furtos de energia elétrica, seria necessária a abertura de inquérito perante a autoridade policial. A energia elétrica é considerada uma mercadoria, mas a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica são atividades complexas, em razão da peculiaridade da própria energia elétrica que é bem incorpóreo. Apesar de comprar toda a energia que irá distribuir para a população, a Recorrente não consegue faturar a sua integralidade, pois diversas perdas podem ocorrer no processo (perdas técnicas e não técnicas). A Recorrente não deseja estas perdas, o seu objetivo é distribuir o máximo de energia possível, da forma mais eficiente, e obter lucro com a sua atividade. Mas por mais investimento que se faça em tecnologia e controle, não é possível eliminar totalmente as perdas. Discordo da fiscalização quando afirma que todas as perdas não técnicas são alheias à atividade e que são gerenciáveis. As perdas técnicas e não técnicas são, em razão da natureza e especificidade da atividade, inclusive consideradas na fixação da tarifa de energia elétrica, para garantir o equilíbrio contratual na prestação do serviço. Portanto, não resta dúvida de que elas são intrínsecas à atividade. Se elas devem ser consideradas na formação da tarifa, fica evidenciado que o próprio órgão regulador entende que tais perdas não são gerenciáveis. Para conseguir cumprir seu contrato de concessão, a Recorrente precisa fazer com que a energia elétrica chegue aos cidadãos em todas as localidades, e não pode deixar com que problemas como furto de energia elétrica a impeçam de prestar um serviço de qualidade. Normalmente os furtos são fatos eventuais na atividade de empresas em geral. No Brasil, o varejo também sofre muito com furtos. De acordo com a Agência Brasil (http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2018-09/varejo-perde-r-195- bilhoesem-2017-por-danos-em-produtos-e-furtos), em 2017 o varejo perdeu 1,29% do faturamento em prejuízos com falhas no manuseio de produtos, vencimento de mercadorias ou furtos. Das perdas totais, as quebras operacionais representam 35%, 24% são furtos externos e 15% são furtos internos. Mas as empresas varejistas conseguem investir na prevenção de furtos. Várias são as medidas que estão sendo tomadas por estas grandes empresas, que vão desde a mudança no layout das lojas, utilização de caixas de acrílico com dispositivos de alarme para produtos valiosos, até o estabelecimento de participação de lucros para funcionários que tenham como metas a redução de quebra de inventário. Os furtos para as empresas varejistas são gerenciáveis, pois suas mercadorias são vendidas em lojas, são produtos corpóreos, estocáveis, controláveis, vigiáveis. O investimento promovido pelas empresas mostra resultados na diminuição dos furtos. Para a Recorrente a situação é diferente, por uma conjunção de fatores: Fl. 1135DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 - a natureza da mercadoria - energia elétrica – que é bem incorpóreo, portanto, os mecanismos de segurança são mais complexos; - o longo período de recessão econômica que o país vem enfrentando provoca impactos socioeconômicos negativos como a deterioração das relações de emprego, da renda da população em geral, e da segurança pública. Esta situação, por sua vez, leva a um aumento dos furtos de energia, da inadimplência nas contas de luz, das fraudes nos medidores de consumo (perdas não técnicas); - as cidades brasileiras possuem regiões onde o poder público não chega, regiões controladas por criminosos que também devem ser abastecidas por energia elétrica; - nas regiões com grandes problemas socioeconômicos não é possível combater os furtos de energia elétrica sem comprometer a segurança e a vida dos funcionários da Recorrente, portanto, mesmo quando detectados os furtos e ligações clandestinas, a Recorrente não pode desligá-los; - a Recorrente não pode comprometer o fornecimento de energia elétrica de toda uma região, em razão da existência desta rede de ilícitos; - a ANEEL admite a impossibilidade de as empresas combaterem os furtos de energia elétrica em determinadas regiões, de modo que as perdas são consideradas na composição da tarifa de energia. Mas os especialistas entendem que o modelo adotado pela ANEEL para calcular o benchmarking entre as empresas com bom desempenho de perdas e fixar as metas de cada empresa, dependendo da sua área de atuação, é baseado em modelo estatístico falho. Este modelo usa apenas um índice de medição de violência, o que faz com o que os problemas corrupção e violência, diretamente ligados às perdas não técnicas deixem de ser devidamente estimados (http://www.gesel.ie.ufrj.br/app/webroot/files/publications/32_castro202.pdf); Diante desta realidade, as perdas não técnicas não podem ser consideradas gerenciáveis e alheias à atividade da Recorrente. Entendo que as perdas não técnicas são intrínsecas à atividade de distribuição de energia elétrica e impossíveis de serem evitadas na realidade atual do país, razão pela qual devem integrar o custo do serviço prestado, nos termos do art. 291 do RIR/99 (atualmente o art. 303 do Decreto nº. 9.580 - RIR/2018). Pelo exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para cancelar os lançamentos realizados e considerar as perdas não técnicas como razoáveis e intrínsecas à atividade da distribuição de energia elétrica, devendo integrar o custo do serviço prestado de distribuição de energia elétrica para fins de IRPJ e CSLL. Ainda que se admitisse que não se trata de custo, tratar-se-ia de evidente despesa operacional sujeita aos limites do art. 299 do RIR/99. Conforme bem apontado pelo Conselheiro Toselli, quando do julgamento do processo n. 10480.727593/2018-91: 109. Da análise desse dispositivo legal, verificam-se 4 (quatro) requisitos cumulativos que asseguram o direito quanto à dedutibilidade das despesas aos contribuintes sujeitos ao Lucro Real, a saber: (i) não serem custos - as despesas não podem ser registradas como custo, o que significa dizer que, uma vez computadas nos custos, são em regra indedutíveis, salvo se o contribuinte provar eventual erro de escrita. (ii) necessidade - a despesa é necessária (operacional) quando atrelada à prática de atividades empresariais e/ou formação do lucro40 . (...) 117. Nessa linha de raciocínio, a necessidade leva em conta não só a causa jurídica da despesa ou a sua vinculação com uma obrigação legal ou contratual que demande o Fl. 1136DF CARF MF Original http://www.gesel.ie.ufrj.br/app/webroot/files/publications/32_castro202.pdf Fl. 12 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 seu pagamento, mas principalmente a existência, efetiva ou em potencial, de alguma contrapartida para a empresa, como um resultado econômico, visibilidade no mercado, credibilidade com fornecedores, fidelização de clientela, restabelecimento da marca, continuidade da operação etc. (...) (iii) usualidade ou normalidade – trata-se de expressão que nem precisaria constar na lei, afinal o requisito da necessidade já é suficiente para aferir a dedutibilidade ou não. Não obstante, consolidou-se que despesa usual ou normal é aquela inerente ao negócio explorado, não podendo tais termos serem confundidos com habitualidade, como bem alertou Luís Eduardo Schoueri47: (iv) comprovação - a dedução da despesa ainda demanda o seu registro na contabilidade, a débito da conta de resultado, devendo ainda estar suportada com base em prova que identifique a sua efetiva natureza ou causa jurídica, nos termos do artigo 9º, § 1º do DecretoLei nº 1.59848 . 119. Cumpridos esses requisitos, isto é, sendo a despesa (i) não computada como custo, (ii) necessária, (iii) usual ou normal e (iv) passível de comprovação, não há que se falar em glosa. 120. A dedução de despesa operacional, pois, não corresponde a uma vantagem ou benefício fiscal, constituindo ela, na verdade, um direito legítimo do contribuinte em face da própria materialidade do IR (renda líquida). E mais, conforme bem indicou o voto vencido proferido em sede de DRJ, referidos valores ainda se enquadrariam na hipótese do § 3º do art. 47 da Lei nº 4.506/1964, conforme supratranscrito. No mesmo sentido o voto da Conselheira Junia: Ainda que se considere que as perdas não técnicas, especificamente os furtos de energia elétrica, para serem dedutíveis da base de cálculo do IRPJ tenham que ser objeto de inquérito policial, conforme estabelecido no artigo 364 do RIR/99, entendo que a Recorrente cumpriu o referido requisito com o Boletim de Ocorrência nº 55/PCERJ/SUBADM/001/2017. A fiscalização se recusa a admitir o Boletim de Ocorrência afirmando que ele seria “vago” e “genérico”, bem como teria sido registrado com “lapso de tempo expressivo” entre os furtos e a denúncia, o que impossibilitaria uma “investigação com êxito” ou mesmo um “flagrante”. Mas o Boletim foi devidamente registrado pela autoridade policial competente, de modo que tal recusa não encontra amparo na legislação. Tanto o artigo 364 do RIR/99, quanto as Soluções de Consulta nº. 17/2016 e 3/2017, quanto o Parecer Normativo CST nº. 50/1973 determinam apenas a necessidade de se apresentar queixa/notícia crime perante a autoridade policial. Portanto, a fiscalização não pode rejeitar as providências tomadas pela Recorrente. O Regulamento de Imposto de Renda, quando abre uma exceção para dedução da base de cálculo do tributo, às perdas por furtos, certamente não considerou uma atividade que tivesse furtos regulares e impossíveis de serem evitados, como o que se vê no caso presente. Trata-se de exigência de prova oficial da perda registrada na contabilidade. Ao contrário do que afirmado pelo acórdão recorrido, não é responsabilidade da Recorrente investigar ou reprimir os furtos de energia elétrica. Ademais, a Recorrente ainda apresentou nos autos outros Boletins de Ocorrência apresentados contra eventos diversos (furto de energia, ligações clandestinas, alteração de equipamento de medição) que foram apurados (fls. 790/846). A apresentação destes documentos demonstra que, mesmo discordando do entendimento da RFB sobre o tratamento fiscal dado às perdas por furtos de energia elétrica, quando possível, a Recorrente tem levado à autoridade policial suas queixas de forma Fl. 1137DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 individualizada. Contudo, é compreensível que estas providências não possam ser tomadas em todas as regiões do Estado. Diante do exposto, ainda que se considere as despesas não técnicas como despesas dedutíveis, nos termos do art. 364 do RIR/99, deve ser admitido como prova a queixa/notícia crime apresentada pela Recorrente, uma vez que ela foi devidamente recebida pela autoridade policial, foi apresentada dentro do prazo prescricional previsto na legislação penal e a legislação não prevê detalhes ou requisitos para este documento. Pelo tudo exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o lançamento e aceitar a dedução do IRPJ e da CSLL das despesas decorrentes de furtos de energia elétrica, cuja comprovação para fins fiscais se faz por meio do Boletim de Ocorrência nº 55/PCERJ/SUBADM/001/2017, apresentado pela Recorrente. Assim, seja por qual ângulo se olhe para a questão, verifica-se o provimento do Recurso em relação a esta matéria, tanto em relação ao IRPJ como à CSLL. No que tange às obrigações especiais, assim foi enquadrada a infração no TVF: Com base nas informações e análises expostas no item 4 deste Termo, foi efetuado o lançamento do crédito tributário nos termos dos arts. 247 (Decreto-Lei nº 1.598/77, art. 6º) e 249 inciso I (Decreto-Lei nº 1.598/77, art. 6º, § 2º) ambos do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000/1999 – RIR - referente a não adição ao lucro líquido para determinação do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, no período de 2016, dos valores de Provisão a título de Obrigações Especiais, por estes não serem admitidos como despesa dedutível conforme art. 335 do RIR/99. Os valores de provisão a título de Obrigações Especiais, conforme lançamentos contábeis (Razão – Obrigações Especiais), (contas: 6110511092 – Transferência para OE – Flexibilização de Perda; 6110511094 – Transferência para OE – Excedente de Reativos; e 6110511093 – Transferência para OE – Ultrapassagem de Demanda), informados pelo contribuinte para o ano-calendário 2016, objeto deste auto de infração, são: A decisão recorrida assim se manifestou: Nessas respostas da impugnante, causa espécie ao ser afirmado que o Manual de Contabilidade do Setor Elétrico é a base legal para que parte do seu faturamento não seja tributado, pois, segundo dito, ele define que as receitas auferidas com ultrapassagem de demandas e excedentes de reativos deverão ser contabilizados como Obrigações Vinculadas ao Serviço Público de Energia Elétrica. Se esta parte do preço que o cidadão paga não é prevista em lei, não pode ser tributo, é seguramente preço. Logo, se é preço, é receita tributável de quem cobra, mesmo porque o cidadão/consumidor não tem qualquer relação jurídica com a ANEEL e, por sua vez, obrigações (especiais) assumidas pela impugnante com agência reguladora não modifica a natureza da receita nem a sua titularidade. Assim, em suma, o que estou a dizer é que a ANEEL não tem competência para isentar de tributos parte do faturamento da distribuidora, ou seja, a ANEEL tem competência para disciplinar normas contábeis, mas não para definir o que é ou não tributável, isso só a lei pode fazê-lo. Tal questão deveria ter sido mais aprofundada pela Fiscalização, mas o TVF apenas toca nesse ponto, se não vejamos: "Como determina o Código Tributário Nacional – CTN, Lei 5.172/66, em seu artigo 43, o Imposto de Renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, que deve ser entendida como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. No parágrafo 1º é ressaltado que “a incidência do imposto Fl. 1138DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção”. Poderia se imaginar, como sugere a fiscalizada em seus argumentos na Resposta supracitada, que no caso em questão não haveria disponibilidade econômica e jurídica, uma vez que “será amortizada a partir do próximo ciclo de revisão tarifária”, que a concessionária será obrigada a devolver os valores arrecadados via revisão tarifária, que estas receitas não permitiriam sua disponibilidade jurídica, uma vez que estariam vinculadas a determinação da ANEEL. Todavia, basta, para se constituir o fato gerador do Imposto de Renda, a disponibilidade econômica da renda. O fato de os valores não transitarem pelo resultado, ou, transitando, anularem-se, também não justifica o não oferecimento dos montantes à tributação. Como dita o artigo 249, inciso II, do Decreto 3.000/99 (RIR/99), tais valores devem ser adicionados na apuração do Lucro Real, base de cálculo do IRPJ:...". No entanto, a Fiscalização envereda por outro caminho, pois deixa de perquirir se as retro citadas receitas podiam ou não ser excluídas das bases tributáveis e passa a sustentar que o lançamento a débito de resultado (no valor das referidas receitas) teria natureza de provisão, se não vejamos o seguinte trecho do TVF: "Para um melhor entendimento do tratamento fiscal adequado para estes lançamentos, devemos demonstrar que a contrapartida ao registro das receitas assume um caráter de provisão. Uma provisão contábil é nada menos que um registro de uma despesa ou uma perda que, embora ainda não paga ou concretizada, já é prevista, já existe a expectativa de sua realização. Sua principal utilidade contábil está em adequar os demonstrativos à efetiva realidade patrimonial. Pelo lado fiscal, todavia, uma provisão só pode ser dedutível se houver previsão legal. No caso em questão, o reconhecimento da receita reflete a aquisição da disponibilidade econômica com a entrada de recursos financeiros e o lançamento de despesa em contrapartida a uma obrigação no passivo assume um caráter de provisão. Quais os fatos em questão quando analisados os lançamentos referentes às Obrigações Especiais? Como descrito na Resposta à Intimação (TIF2) “os valores de Flexibilização de Perda, Ultrapassagem de Demanda e Excedente de Reativos estão contidos no faturamento da companhia, e os mesmos são debitados do resultado no ato da constituição dessas obrigações”. Ou seja, no momento do reconhecimento da receita dos valores há outro lançamento contábil de despesa que anula o efeito no resultado, quando em contrapartida ao débito no resultado é lançada a crédito no passivo uma obrigação equivalente. Qual o caráter desta obrigação? Como argumentado pela contribuinte, tais valores serão amortizados “a partir do próximo ciclo de revisão tarifária” e que exatamente por este motivo foram debitadas do resultado. Ou seja, na perspectiva de uma despesa futura, lançou-se a mesma no resultado como despesa e criou-se uma obrigação correspondente. Isto é, exatamente, uma provisão. E de acordo com a legislação tributária, a despesa relativa a provisão deve ser adicionada na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL e somente quando efetivamente ocorrer a revisão tarifária esses valores poderão ser excluídos. O Decreto 3.000/99 (RIR/99) trata da dedutibilidade das provisões contábeis. O artigo 335 determina que somente as provisões expressamente autorizadas pelo Decreto poderão ser deduzidas na apuração do Lucro Real. Os artigos seguintes trazem os casos concretos de dedutibilidade: provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, remuneração de férias, décimo terceiro salário. Note-se que o artigo 336 aponta um caso de provisão técnica exigida por legislação especial. O legislador deixa claro que neste caso optou pela dedutibilidade e foi específico e pontual. Caso houvesse intenção em se estender este tratamento para as contas de Obrigações Especiais, este teria sido o caminho. Todavia, não há tal exceção para as provisões efetuadas pela contribuinte em questão neste relatório, mesmo que as mesmas sejam determinadas por órgão regulador. A determinação se limita ao efeito contábil, não atingindo a parte fiscal, uma vez que não há previsão legal para a mesma. Reproduz-se abaixo os artigos citados neste parágrafo:...". Fl. 1139DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 A impugnante questiona o enquadramento do referido lançamento à débito de resultado como despesa de provisão, alegando o seguinte: "156. De fato, ao contrário do que alega a fiscalização, as Obrigações Especiais ora analisadas não podem ser enquadradas no conceito de provisão, uma vez que possuem (i) valor líquido e certo, não havendo qualquer incerteza em relação ao montante reconhecido contabilmente como passivo, que já tem destinação pré-determinada conforme regulamentação da ANEEL mencionada anteriormente; e (ii) prazo determinado para o cumprimento da obrigação, qual seja o prazo da concessão, de acordo com a fórmula prevista no Submódulo 2.1., item 3.4. 157. Ao alegar que as Obrigações Especiais só seriam líquidas e certas quando efetivamente ocorrer a revisão tarifária, a autoridade fiscal ignorou que já há uma metodologia regulamentada previamente pela ANEEL para a exclusão desses valores das tarifas futuras nos ciclos de revisões tarifárias posteriores, disposta no mencionado Submódulo 2.1., item 3.4." Primeiro, saliente-se que, contabilmente, provisão é um passivo de prazo ou de valor incertos. Por sua vez, o fato de já existir uma metodologia regulamentada previamente pela ANEEL para a exclusão desses valores das tarifas futuras nos ciclos de revisões tarifárias posteriores não significa que o valor da obrigação já seja líquido e certo, como alega a impugnante, mas apenas que pode ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação, o que se encaixa no conceito de provisão previsto no parágrafo 14 do Pronunciamento Contábil CPC nº 25. Ademais, vale lembrar que a norma tributária que veda a dedutibilidade de despesas com provisões adota um conceito muito mais elástico de provisão, se não vejamos como dispõe o art. 13, I, da Lei 9.249/95, in verbis: "Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I - de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo-terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; ......................................................................................................................" Ora, a norma acima trata como provisão aquelas derivadas de apropriações por competência, tais como para o pagamento de férias de empregados e de décimo- terceiro salário, em que não há qualquer incerteza relevante sobre valor ou prazo, razão pela qual, há que se concluir que, para fins da legislação do IRPJ e da CSLL, o conceito de provisão é muito mais elástico. Por essas razões, voto por negar provimento à impugnação neste ponto. Em seu recurso, a Recorrente sustenta que tais valores não tem natureza de provisão, pois a provisão somente resta caracterizada e, portanto, deve ser reconhecida contabilmente quando uma obrigação de valor e prazo incertos, implicar em uma provável saída de recursos, cujo valor é incerto, mas pode ser estimado de forma confiável, decorrente de eventos passados. Defende ainda que tendo em vista as definições contábeis de provisão e passivo, é possível concluir que a grande diferença entre os dois é a certeza e liquidez da obrigação e de seu valor. Assim, para restar caracterizado um passivo, não pode haver nenhuma dúvida de que Fl. 1140DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 existe a obrigação (não é provável, mas líquido e certo), sendo que o seu valor também já está determinado. Resta evidente, em minha leitura, que as Obrigações Especiais registradas pela Recorrente não possuem natureza jurídica de provisão, como alegado pela fiscalização e pelo acórdão recorrido, mas sim de um passivo da Recorrente, na medida em que, pelas normas editadas pela ANEEL, incluindo a metodologia da ANEEL, a Recorrente já tem a obrigação de transferir os recursos inicialmente recebidos (i.e., decorrente de evento passado), conforme a destinação específica das Obrigações Especiais, no valor já determinado pela ANEEL. Assim, as Obrigações Especiais ora analisadas não podem ser enquadradas no conceito de provisão, mas sim como um passivo, uma vez que possuem (i) valor líquido e certo, não havendo qualquer incerteza em relação ao montante reconhecido contabilmente como passivo, que já tem destinação pré-determinada conforme regulamentação da ANEEL mencionada anteriormente; e (ii) prazo determinado para o cumprimento da obrigação, qual seja o prazo da concessão, de acordo com a fórmula prevista no Submódulo 2.1., item 3.4. Nesse caso, embora concorde com a conclusão a que chegou o acórdão recorrido, entendo que o fez pelos fundamentos inadequados. Conforme acima transcrito, o próprio relator do acórdão recorrido entendeu se tratar de receita da Recorrente, e se receita era, não poderia ser provisão. Assim, parece-me que o enquadramento legal do lançamento no art. 335 e seguintes do RIR/99 não se mostra adequado, de sorte que entendo deva ser dado provimento ao recurso neste ponto, tanto em relação ao IRPJ como à CSLL. Quanto aos demais temas discutidos, especialmente no que tange à discussão sobre penalidades e sobre aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, entendo que os mesmos acabam perdendo objeto em virtude do provimento do recurso voluntário. Conclusão Ante o exposto, afasto as preliminares suscitadas para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Jeferson Teodorovicz Declaração de Voto Conselheiro Fernando Beltcher da Silva. Fl. 1141DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 O contribuinte incorreu em perdas não técnicas no período alcançado pela ação fiscal. Tais perdas, nos termos da Agência Nacional de Energia Elétrica, poderiam englobar diversos tipos de ocorrências, tal como já esclarecido no voto do Ilustre Relator. O autuante desenvolveu suas razões de glosa dessas perdas tendo-as como integralmente alusivas a furtos de energia, dizendo, inicialmente, que as mesmas não poderiam integrar o custo incorrido pela entidade, já que não contempladas no art. 291 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Partindo dessa premissa, aventou a autoridade fiscal a possibilidade de as referidas perdas serem classificadas como despesas dedutíveis, desde que atendidos os requisitos legais, como a comunicação, no devido tempo e com o devido rigor, dos furtos à autoridade policial, para que assim se instaurasse procedimento investigatório (art. 47, § 3º, da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964). Ou seja, o contribuinte não poderia simplesmente resignar-se, devendo envidar esforços para que a ladroagem fosse minimizada. Diante de uma notícia genérica endereçada pela Recorrente a quem competia a averiguação dos crimes, o Auditor-Fiscal promoveu o lançamento de ofício. Essa é a síntese dos fatos objeto deste pronunciamento. A atividade do contribuinte é regulada pela ANEEL. E, nesse diapasão, as perdas não técnicas encontram disciplinamento no submódulo 2.6 dos Procedimentos de Regulação Tarifária – Proret. Nas instruções da Agência, consta que o cálculo do percentual regulatório das perdas não técnicas leva em consideração os rankings de complexidade socioeconômica das áreas de concessão. A definição dos níveis regulatórios das perdas não técnicas pela ANEEL se dá em sete etapas, percorrendo uma intricada rede de procedimentos, que se inicia com o encaminhamento de uma série de informações pelas concessionárias (evolução das perdas, diagnóstico, detalhamento do programa de combate etc), passa pela apuração dos valores das perdas e culmina na definição da trajetória de sua redução. A título ilustrativo, restou assinalado, no item 51 do submódulo, o alto grau de complexidade do cenário em que opera a autuada - grifos nossos (anexo à Resolução Normativa n° 660, de 28 de abril de 2015): Para as empresas que situam acima do percentil 90 do ranking de complexidade, que são CELPA, LIGHT E AMAZONAS ENERGIA (Grupo 1) e CEA, EBO e CERR (Grupo 2), o nível regulatório de perdas não técnicas será estabelecido mediante análises complementares. A defesa da Recorrente se concentra na impossibilidade de gerenciar os riscos, já que associados a áreas dominadas por bandidos (traficantes e milicianos). Assim, o que se tem é que: (i) a atividade é regulada; (ii) as perdas não técnicas não se resumem a furtos de energia; (iii) tais furtos podem ocorrer em qualquer área da concessão, independentemente do tipo e do perfil socioeconômico do consumidor; e (iv) a depender dos riscos, as perdas são, ou não, menos ou mais gerenciáveis. Ocorre que a Fiscalização se deu por satisfeita pela não comunicação hábil dos furtos, a qual deveria, inclusive, apontar a autoria dos crimes. Fl. 1142DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 Em diversas ocasiões neste Conselho, tenho manifestado que o julgador administrativo não pode negar a realidade vista a olho nu. Todo e qualquer cidadão fluminense sabe que há continuada clandestinidade no consumo de energia elétrica naquela região, em todas as faixas de renda. Nas populosas e carentes comunidades dominadas pelo crime organizado, o furto se revela aos borbotões - isso quando bandidos não cobram dos moradores pelo consumo da energia, do gás, da água, da “gatonet”, e daí por diante. A ausência do Estado em determinadas localidades guarda estreita relação com o alto índice de perdas não técnicas em questão. Vejamos, por pertinente, dentre muitos outros, o admirável estudo do Sr. Lucas Merenfeld da Silva Fernandes, em sede de dissertação para obtenção do título de Mestre em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, intitulada “O impacto do controle de território sobre o furto de energia elétrica: O caso do Rio de Janeiro”, da qual peço licença para reproduzir o Resumo: Esta dissertação avalia o impacto da presença de organizações criminosas e das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) sobre o furto de energia elétrica (também denominado, grosso modo, “perdas não técnicas”) da distribuidora Light no município do Rio de Janeiro. Para tanto, estimaram-se dois modelo de dados em painel ao nível das chamadas “Áreas com Severas Restrições à Operação (ASRO)” (localidades mapeadas pela própria empresa). O primeiro modelo utiliza o período anual de 2009 a 2010 e o segundo o período mensal de 2008 a 2012. Além disso, de modo a qualificar os resultados da primeira especificação, construiu-se um terceiro modelo em cross section para analisar o impacto de cada tipo de troca de poder entre nossos grupos de interesse sobre o problema em questão. Observou-se que as facções Comando Vermelho e Amigos dos Amigos afetam as perdas positivamente em 15% e 18%, respectivamente, enquanto as Milícias 16%. As UPPs, por outro lado, impactam-nas negativamente em 20%, considerando um período anual. Os resultados do terceiro modelo indicam que a troca de Comandos por UPPs afetou negativamente as perdas em 14% e a expulsão do Comando Vermelho pelo Batalhão de Operações da Polícia do Exército (Bope) na comunidade Tavares Bastos levou a uma redução de 84% nas mesmas. Em geral, os resultados apontam que a presença de grupos criminosos importa no que tange às perdas não técnicas e a retomada do controle pelo Estado contribui para a atenuação do problema. Dadas a relevância, a especificidade e a complexidade do caso, tenho que a Fiscalização deveria melhor conhecer a operação da fiscalizada, exigindo, por exemplo: (i) esclarecimentos específicos quanto à composição das perdas não técnicas, mês a mês; (ii) se decorrentes de furtos, a mensuração dos mesmos por níveis de riscos de gerenciamento; (iii) se minimamente gerenciáveis, quais providências foram adotadas, especialmente quanto a eventual cobrança do devedor e comunicação específica à autoridade policial/judiciária; e (iv) que medidas vem sendo implementadas nas diversas áreas de distribuição para redução das perdas não técnicas, independentemente dos níveis de risco de atuação. Uma noção ampla e profunda da atividade exercida pela concessionária permitiria à Fiscalização chegar eventualmente à conclusão de que determinadas perdas não técnicas, devidamente destacadas e mensuradas, decorreriam do conformismo, da mera liberalidade ou da ineficiência da entidade. Não basta, a meu ver, dadas as peculiaridades do caso concreto, valer-se a Fiscalização da não comunicação oficial de furtos, sendo especialmente inconteste a impossibilidade de atribuir-lhes, por unidade consumidora de energia elétrica, a autoria em localidades capturadas por criminosos de alta periculosidade. Fl. 1143DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1004-000.155 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.720895/2020-62 Haja vista a fragilidade da exigência, calcada tão somente em formalidade aqui inaplicável, nos termos em que posta nestes autos, inclinei-me pelo provimento do Recurso. (assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva Fl. 1144DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10935.901786/2016-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2013
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. NECESSIDADE DE DIALETICIDADE E COTEJO ANALÍTICO APTO A DEMONSTRAR A EXISTÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE.
O Recurso não se presta à devolução das questões de direito a esta Turma Julgadora, mas, sim, à pacificação jurisprudencial no âmbito do CARF. A ausência de dialeticidade e de cotejo analítico entre acórdãos recorrido e paradigma inviabiliza o conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 9303-014.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisario - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada), e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 11 09:00:00 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202403
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. NECESSIDADE DE DIALETICIDADE E COTEJO ANALÍTICO APTO A DEMONSTRAR A EXISTÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE. O Recurso não se presta à devolução das questões de direito a esta Turma Julgadora, mas, sim, à pacificação jurisprudencial no âmbito do CARF. A ausência de dialeticidade e de cotejo analítico entre acórdãos recorrido e paradigma inviabiliza o conhecimento do recurso.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 10935.901786/2016-62
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7061679
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 9303-014.764
nome_arquivo_s : Decisao_10935901786201662.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
nome_arquivo_pdf_s : 10935901786201662_7061679.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisario - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada), e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2024
id : 10420537
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 11 09:38:25 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798748580771528704
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-17T18:40:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-17T18:40:04Z; Last-Modified: 2024-04-17T18:40:04Z; dcterms:modified: 2024-04-17T18:40:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-17T18:40:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-17T18:40:04Z; meta:save-date: 2024-04-17T18:40:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-17T18:40:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-17T18:40:04Z; created: 2024-04-17T18:40:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2024-04-17T18:40:04Z; pdf:charsPerPage: 1708; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-17T18:40:04Z | Conteúdo => CSRF-T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10935.901786/2016-62 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9303-014.764 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 12 de março de 2024 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COASUL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. NECESSIDADE DE DIALETICIDADE E COTEJO ANALÍTICO APTO A DEMONSTRAR A EXISTÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE. O Recurso não se presta à devolução das questões de direito a esta Turma Julgadora, mas, sim, à pacificação jurisprudencial no âmbito do CARF. A ausência de dialeticidade e de cotejo analítico entre acórdãos recorrido e paradigma inviabiliza o conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisario - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada), e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório Encontra-se para exame Recurso Especial da Fazenda Nacional, com despacho de admissibilidade exarado pela Presidência da 4ª Câmara desta Terceira Seção de Julgamento dando seguimento ao apelo nos seguintes aspectos controvertidos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 17 86 /2 01 6- 62 Fl. 880DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.764 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10935.901786/2016-62 Enquanto o acórdão recorrido reestabeleceu o crédito integral sobre os fretes pagos para a aquisição de insumos e admitiu como válido o crédito presumido tomado pela contribuinte, quando do recebimento dos frangos de seus cooperados, no cumprimento do contrato de parceria, o paradigma, de interesse da mesma Recorrente – portanto, em contexto fático idêntico –, não os admitiu. Na origem, o feito abrangeu pedido de ressarcimento de crédito do PIS / Cofins não cumulativos vinculado a operações de mercado interno e externo. Trata-se de processo julgado pela sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1° e 2°, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015, tendo sido aplicado ao presente feito o acórdão proferido no Processo nº 10935.901803/2016-61, Acórdão nº 3402-009.810, de 16 de dezembro de 2021, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014 CONCEITO DE INSUMOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. NOTA TÉCNICA PGFN Nº 63/2018. PARECER NORMATIVO COSIT N.º 5/2018 O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos recursos representativos de controvérsias, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância. Os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou serviço”, “constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS RELATIVOS AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS OU DE PRODUTOS PARA REVENDA. É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos ou de produtos para revenda, independentemente do regime de tributação do bem transportado, não sendo aplicada a restrição na apuração do crédito do art. 8º da Lei n.º 10.625/2004. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. INSUMOS. PARCERIA RURAL PECUÁRIA. COOPERATIVA. A Cooperativa que se dedica à produção de carne frango por meio do sistema de integração (parceria) com os cooperados, tem direito ao crédito presumido do art. 55, III da Lei nº 12.350/2010 sobre os frutos da parceria rural (frangos vivos) recebidos dos cooperados pessoas físicas. Do breve relato, observa-se que a discussão original envolveu a glosa de crédito sobre diversos custos assumidos pelo Contribuinte, restando, para exame desta 3ª Turma da CSRF, a (i) possibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre o custo dos fretes tributados incorridos na aquisição de insumos não geradores de crédito das Fl. 881DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.764 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10935.901786/2016-62 referidas contribuições e a (ii) apropriação de crédito presumido dessas contribuições quando do recebimento dos frangos de seus associados/parceiros, no cumprimento do contrato de parceria. O contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial apresentado, pugnando pelo seu não conhecimento e, no mérito, pelo seu desprovimento. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, Relatora. I. Conhecimento Conforme Despacho de Admissibilidade, o Recurso Especial é tempestivo. Os dispositivos legais questionados consistem no art. 3º, inciso II da Lei nº 10.833/03, no que tange ao custo do serviço de frete tributado incorrido na aquisição de insumos não geradores de direito de crédito das contribuições, e no art. 55, inciso III, da Lei nº 12.350/2010, que estabelece a possibilidade de apropriação do crédito presumido sobre “o valor dos bens classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física”. O acórdão paradigma apresentado pela Procuradoria, Acórdão nº 3302-011.356, examina apuração do mesmo contribuinte, contudo, para período de apuração distinto. No entendimento da Procuradoria, a divergência se sustenta no fato de que “o paradigma não reestabeleceu o crédito integral sobre os fretes pagos para a aquisição de insumos, além de não ter admitido como válido o crédito presumido tomado pela contribuinte, quando do recebimento dos frangos de seus cooperados, no cumprimento do contrato de parceria”. Inicialmente, é de se anotar que o Recurso Especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional sequer ataca os fundamentos do acórdão recorrido (dialeticidade), tampouco realiza o necessário cotejo analítico de forma a demonstrar os pontos sobre os quais residiria a divergência de interpretação capaz de fundamentar o apelo especial. O que faz a peça de irresignação é, de fato, contrarrazoar o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, tecendo argumentos pelos quais entende deva prevalecer o acórdão proferido pela DRJ, inclusive trazendo aspectos relativos aos cálculos e ajustes realizados no lançamento, que sequer são objeto do Recurso Especial apresentado. Como é cediço, o escopo do Recurso Especial é trazer à Câmara Superior de Recursos Fiscais o dever de pacificação jurisprudencial no âmbito do CARF e, em reflexo direto, no âmbito da administração tributária. Não cabe a este órgão julgador efetuar a revisão dos Fl. 882DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.764 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10935.901786/2016-62 julgados no que tange à correção ou não do direito aplicado. Inexistindo o questionamento específico acerca dos pontos de reforma do acórdão recorrido, tampouco a demonstração, via cotejo analítico, de qualquer divergência interpretativa a dirimir, inviável se faz a atuação desta Turma Julgadora. II. Dispositivo Diante das razões expostos, voto por não conhecer do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisario Fl. 883DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10980.939905/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/03/2006
PIS. CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência do PIS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais principais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral
Numero da decisão: 3201-011.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Helcio Lafeta Reis - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mateus Soares de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Marcio Robson Costa, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Mateus Soares de Oliveira (Relator) , Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Helcio Lafeta Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antonio Borges, o conselheiro(a) Ana Paula Pedrosa Giglio, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Francisca Elizabeth Barreto.
Nome do relator: MATEUS SOARES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 11 09:00:00 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202404
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2001 a 31/03/2006 PIS. CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência do PIS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais principais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 10980.939905/2011-08
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7062609
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3201-011.879
nome_arquivo_s : Decisao_10980939905201108.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : MATEUS SOARES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10980939905201108_7062609.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Helcio Lafeta Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Marcio Robson Costa, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Mateus Soares de Oliveira (Relator) , Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Helcio Lafeta Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antonio Borges, o conselheiro(a) Ana Paula Pedrosa Giglio, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Francisca Elizabeth Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2024
id : 10426101
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 11 09:38:29 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798748580785160192
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-05-02T14:14:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-05-02T14:14:48Z; Last-Modified: 2024-05-02T14:14:48Z; dcterms:modified: 2024-05-02T14:14:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-05-02T14:14:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-05-02T14:14:48Z; meta:save-date: 2024-05-02T14:14:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-05-02T14:14:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-05-02T14:14:48Z; created: 2024-05-02T14:14:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2024-05-02T14:14:48Z; pdf:charsPerPage: 2054; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-05-02T14:14:48Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.939905/2011-08 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-011.879 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2024 Recorrente BANCO SISTEMA S.A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2001 a 31/03/2006 PIS. CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência do PIS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais principais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Helcio Lafeta Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Marcio Robson Costa, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Mateus Soares de Oliveira (Relator) , Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Helcio Lafeta Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antonio Borges, o conselheiro(a) Ana Paula Pedrosa Giglio, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Francisca Elizabeth Barreto. Relatório O presente processo diz respeito à manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de diversos Pedidos de Restituição, referentes a “supostos pagamentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 99 05 /2 01 1- 08 Fl. 1540DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-011.879 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.939905/2011-08 indevidos de PIS-4574, efetuados para os Períodos de Apuração de jul/2001 a mar/2006 (ainda que não contemplados todos os meses do período), com data de arrecadação entre 18/08/01 e 12/04/06, no total de R$ 5.469.649,29. O despacho decisório indeferiu o pleito do recorrente sob diversos fundamentos, quais sejam: - Relativamente a este tipo de tributo o contribuinte impetrou a Ação Ordinária n° 2005.70.00.015824-0/PR na qual obteve-se êxito na primeira e segunda instancias nos anos de 2005 e 2006 e, em sede do STF, em 2013, no que tange a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovida pela legislação de 9.701, de 1998, bem como no respectivo direito a restituição dos valores pagos a maior e para reconhecer o direito de a parte autora recolher o PIS e a COFINS na forma preconizada pela Lei Complementar n.° 07/70 e 70/91, respectivamente, exclusivamente no que atine à base de cálculo. As decisões judiciais encontram-se nos autos. - Nas DCTFs retificadoras, segundo o despacho decisório, houve a exclusão da totalidade dos débitos anteriormente confessados, consoante comparativo entre esses documentos. - O contribuinte não informou, tipo por tipo, as receitas que compõem o valor informado a título de “Outras Exclusões”. E não o fez porque, na verdade, não se trata de uma exclusão de outras receitas não compreendidas nas linhas anteriores de cada uma das fichas de apuração do tributo (nas DIPJ ou DACON), mas de anular (zerar) a própria base de cálculo anteriormente informada, com este mesmo valor, para, com isto, deixar de apurar tributo a pagar. - Daí a sua defesa prévia de que a Massa Liquidanda do “Banco Bamerindus do Brasil S/A – Em Liquidação Extrajudicial” não possui quaisquer receitas operacionais sujeitas à incidência do PIS e da COFINS, posto que desde 1998 não está autorizado a exercer suas atividades fins, considerando a intervenção via BACEN e pelo fato de que o Banco HSBC assumiu as suas atividades (portanto, desde esta época não tem mais receitas, motivo pelo qual não deve recolher as contribuições). - Todavia, continua a fiscalização, não há explicação para o recorrente ter mantido, nas DIPJ retificadoras (que diz que não deve!), como uma despesa operacional. - Na verdade, o contribuinte fez a coisa certa ao considerar o PIS paga, como uma despesa. Erro ele cometeu ao fazer a exclusão que fez, na base de cálculo do PIS. Isto porque, contrariamente ao que argumenta (fl. 180), o fato de se encontrar em liquidação extrajudicial não o classifica como não contribuinte do PIS, consoante artigo 60 da Lei n° 9.430/96. – E conclui sobre este tema: Portanto, argumentar que (fl. 180), por se tratar de “Massa Liquidanda do “Banco Bamerindus do Brasil S/A – Em Liquidação Extrajudicial” não possui quaisquer receitas operacionais sujeitas à incidência do PIS”, não procede. - Ademais, não houve concessão de liminar (o contribuinte sequer a solicitou), para o fim de, com base nela (liminar), passar a apurar a base de cálculo e o PIS devido, sem considerar o § 1°, d o art. 3°, da Lei n° 9.718/98. Fl. 1541DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-011.879 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.939905/2011-08 - Aduz ainda não haver transito em julgado a época dos fatos, de decisão determinadora da respectiva exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS de receitas não operacionais. - Portanto, assim entendo, não poderia ter apresentado as DCTF, DIPJ e DACON retificadoras que apresentou, informando, nestas últimas, a título de “Outras Exclusões”, valor igual ao que serviu de base de cálculo para o PIS nas declarações originais. Valor este que o contribuinte, ao ser intimado a detalhar, como já se disse, não o fez, deixando assim, implícito, que o valor excluído só visa zerar a base de cálculo anteriormente apurada. E isto, na verdade, não por conta do que pleiteia na Ação, já que dela não faz parte tal aspecto (de que nenhuma das receitas que aufere, independentemente da condição em que as aufira, é fato gerador do PIS), mas sim do seu próprio entendimento de que as receitas que aufere, enquanto em liquidação extrajudicial, não constituem fatos geradores do PIS. - Por fim aduz que não foi respeitado o procedimento específico para fins de restituição previsto na IN SRF n° 600/2005...(falta de habilitação prévia do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo). Ou seja, os PER, também por este aspecto (apresentados sem o trânsito em julgado da Ação n° 2005.70.00.015824- 0/PR), deve se indeferido. A manifestação de inconformidade apresentada pugna pela reforma do despacho decisório e sustenta, em síntese que: - A Massa Liquidanda transmitiu em 2006 diversos Pedidos Eletrônicos de Restituição-PER relativos a crédito de PIS pagos indevidamente no período de 2001 a 2006. Isto se deu em razão do entendimento pacificado no Supremo Tribunal Federal quanto à inconstitucionalidade e do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo artigo 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98. - Ademais distribuiu a Ação Declaratória de Inconstitucionalidade c.c. Pedido de Restituição, nº 2005.70.00.015824-0 na qual buscou-se o reconhecimento da inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98 e o respectivo direito da restituição dos valores referentes a 1999 a 2001, período que não era possível ser pleiteado administrativamente. - Erros formais no preenchimento de PERs ou transmissão de documentos não podem privar o contribuinte de obter reconhecimento a restituição; - Não faz sentido considerar o recorrente como instituição financeira, posto que se trata de massa liquidanda que não opera desde 1997, portanto, não promove fatos geradores do PIS;PASEP e COFINS, não podendo-se falar em receitas operacionais dentro deste contexto. - A partir de 26 de março de 1997, com o publicação do Ato-Presi n° 65)1, de 27.03.1997, do Banco Central do Brasil, esteve sujeito ao regime de Intervenção previsto na Lei n° 6.024/74. A partir dessa data, Banco Bamerindus ficou proibido de operar no mercado financeiro ou exercer qualquer atividade mercantil. - Isto é, a partir de 26 se março de 1998, data da decretação da Liquidação Extrajudicial, a personalidade jurídica do Bamerindus representa uma universalidade de bens, direitos e deveres, cuja finalidade única é a realização do seu ativo remanescente para a futura satisfação dos seus credores. Fl. 1542DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-011.879 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.939905/2011-08 - Ainda a esse respeito, cabe ressaltar a posição adotada pela própria Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT n° 21 73/2007 (íntegra já anexada a esses autos), o qual foi reiterado pelas Notas PGFN/CRJ n° 1178/2009 e 842/2009 nos quais a PGFN desenvolve longa análise sobre os conceitos de faturamento e receita bruta e conclui que o PIS e a COF1NS devem incidir sobe as receitas auferidas pelas instituições financeiras quando "advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira)". A circunstancial inexistência de trânsito em julgado, quando muito, deveria implicar suspensão dos pedidos de restituição. A decisão de primeira instância, cujo resultado da sessão de julgamento foi por maioria de votos pela improcedência da manifestação de inconformidade e assim pode ser sintetizada: - tanto o voto do relator quanto o divergente não reconheceram a concomitância posto que os Pedidos de Restituição deste processo administrativo (junho de 2001 a abril de 2006) não estão contemplados na Ação Declaratória de Inconstitucionalidade, nº 2005.70.00.015824-0 (janeiro de 1999 a maio de 2001). - não há divergência quanto a data do transito em julgado da demanda judicial nº 2005.70.00.015824-0 (atualmente sob o nº 5001595-53.2017.404.7000) (17/03/2014). - o voto vencido entende que embora o pedido não seja o mesmo (questão de não poder ser considerada instituição financeira no período em questão, pedidos de restituições contemplando períodos distintos e que a ação ordinária abrange matéria envolvendo discussão acerca de que a base de cálculo deve ser a receita operacional, alíquota e o direito ao indébito do que foi pago além deste parâmetro, ao passo que no processo administrativo o motivo da retificação das DCTFs e respectivas compensações e PERs reside no julgamento pelo STF quanto a inconstitucionalidade da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo artigo 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98), a causa de pedir é a mesma e, portanto, a matéria referente ao alargamento da base de cálculo e o direito ao indébito, uma vez constatado o pagamento a maior, deve ser deferido. - defende ainda que o argumento do despacho decisório de que a Ação da Recorrente não teria transitado em julgado, não pode prosperar uma vez que o transito se deu após a prolação da respectiva decisão pelo não deferimento à restituição. - entende que a decisão judicial deve ser respeitada e aplicada neste caso e, por conseguinte, deve alterar o entendimento dos processos nºs 10980.724792/2013-00, 10980.939905/2011-08, 10980.939904/2011-55 e 10980-939.926/2011-15, que estão em julgamento nessa Delegacia de Julgamento, posto que não considerou a recorrente enquanto Instituição Financeira, mas sim, Massa Liquidante que, por sua vez, não promove fato gerador. - por fim, em relação aos aspectos procedimentais destacados pela autoridade a quo, utilizado como argumentos adicionais para se indeferir o pleito, entende-se que eles devem ser superados, tendo em vista que a decisão judicial transitado em julgado reconheceu que a interessada realizou os pagamentos de forma indevida. De outro lado, o voto vencedor diverge do vencido em relação, especificamente: Fl. 1543DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-011.879 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.939905/2011-08 - o recorrente deve ser considerado instituição financeira pelo fato do artigo 60 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 que determina incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. - inexistindo tutela judicial quanto aos pagamentos relacionados nos Pedidos de Restituição aqui tratados, diferentemente dos pagamentos submetidos à Ação nº 2005.70.00.015824-0, deve-se elucidar o litígio à luz do entendimento expressado na esfera administrativa, fato que afasta a incidência dos efeitos da coisa julgada material da decisão do feito judicial neste processo administrativo. - mesmo com o impedimento legal, diga-se, para operar como instituição financeira e a prestação de serviços mercantis, não a desabilitou de haver seus créditos em decorrência de uma operação anteriormente realizada, quando ainda detinha a faculdade de assim proceder, com as características, deveres e direitos de uma instituição financeira. E por isso esses valores registrados a título de renda de operações de crédito devem ser levados à tributação. - por fim, todas as informações presentes nas planilhas e que foram apresentadas pelo recorrente, referente ao período abrangido por este processo administrativo, refletem operações de natureza mercantil, atreladas as operações do próprio recorrente. O Recorrente, sob o nome de Banco Sistema SA, apresentou Recurso Voluntário, pugnando pela reforma do julgado recorrido de modo que seja deferido o PER objeto deste processo administrativo, sustentando, em síntese que: - Em decorrência da reconhecida inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 (art. 3º, §1º) e do fato de não possuir receitas operacionais, a instituição financeira ora Recorrente, então em liquidação extrajudicial, realizou, concomitantemente à ação, a retificação de suas DCTFs e DIPJs e pleiteou administrativamente a restituição dos valores pagos a maior no período de jul/2001 a mar/2006. - o período de jul/2001 a mar/2006 evidentemente fez parte do pedido declaratório da sobredita ação judicial -aliás, seria impossível ser diferente- mas não do pedido cumulativo de restituição judicial, justamente para não haver concomitância com a restituição administrativa ora em discussão. - o TRF da 4' Região reconheceu expressamente na Ação Declaratória nº 2005.70.00.015824-0, que o Recorrente, instituição financeira então em recuperação extrajudicial, estava impedida de operar e, portanto, não possuía receitas operacionais. - Note-se que não há no pedido do Autor nem tampouco na sentença qualquer limitação temporal para a aplicação do direito declarado na ação. Nem sequer poderia haver, pois, tratando-se da declaração de inconstitucionalidade de lei, seus efeitos são projetados para o passado e para o futuro. A declaração de inconstitucionalidade atinge a lei viciada desde o tempo da sua promulgação e daí por diante. Em sede de julgamento por esta Egrégia Corte foi proferida a Resolução nº 3201002.059, cuja transcrição dos motivos que a ensejaram segue a seguir transcritos: Fl. 1544DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-011.879 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.939905/2011-08 - De imediato é preciso registrar que a decisão judicial abrange sim o presente processo, porque é declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do Pis e da Cofins. - Não fosse o bastante, todos os contribuintes foi reconhecida a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, conforme julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral do STF (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR). - Esta Egrégia Corte tem o dever de aplicar as regras dos julgamentos tramitados sob o rito de Repercussão Geral (Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio) nos termos do art. 62-A, vigente a época da Resolução, atual 62 do RICARF. E assim define os termos e limites da diligência: os autos retornem à unidade de origem para que a fiscalização supere a questão da DCTF e detalhe as naturezas das receitas (se operacionais ou não), detalhe as contas e considere tanto a inconstitucionalidade mencionada, quanto a decisão judicial em sede de embargos, acima mencionada e reproduzida. Em atendimento a referida Resolução, restou apresentado nos autos Relatório de Diligência Fiscal, cuja conclusão é a seguinte: Conforme já transcrito pelo próprio CARF na Resolução que determinou esta diligência, há decisão transitada em julgado, em face da Ação Ordinária 2005.70.00.015824-0/PR, considerando que as receitas auferidas pelo Banco Bamerindus, em liquidação extrajudicial, no caso, desde 27/03/98, e até 19/12/14, não são receitas operacionais, porque, segundo o entendimento da justiça, não podendo operar no mercado financeiro durante aquele período, não tinha como, por essa razão, auferir receitas operacionais. O Acórdão proferido em face dos Embargos de Declaração, de fls. 1.137 a 1.142, não deixa dúvidas quanto a isso. À fl. 1.250 há certidão de trânsito em julgado. 9.1 – O contribuinte anexou, de fls. 1.110 a 1.450, nada menos que 28 feitos judiciais, demonstrando a batalha judicial desenvolvida em torno do PIS e da COFINS, se devidos ou não e em que bases, sobre ela fazendo o detalhamento sequencial em sua resposta, de fls. 1.073 a 1.087. Eis o relatório. Voto Conselheiro Mateus Soares de Oliveira, Relator. 1 Do Conhecimento. O presente recurso é tempestivo e reúne as demais condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Fl. 1545DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-011.879 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.939905/2011-08 2 Do Mérito. Considerando o relatório deste voto e todas as demais informações disponibilizadas ao longo deste processo, bem como na conclusão proferida pela unidade preparadora em atendimento a Resolução nº 3201002.059, observa-se que a questão objeto da lide não mais comporta maiores digressões. Importante trazer aos autos o leading case Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio: Esta Egrégia Corte assim tem se manifestado acerca do tema: Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/08/1997 a 31/03/2002 CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência da COFINS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais principais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. Numero da decisão:9303-010.861 Fl. 1546DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-011.879 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.939905/2011-08 A decisão da Ação Declaratória nº 2005.70.00.015824-0 manejada pela empresa transitou em julgado na data de 17/03/2014, na qual obteve êxito e, por questões metodológicas, transcrever-se-ão os seguintes dispositivos: Dispositivo do Acórdão do TRF4 proferido nos autos do Recurso de Apelação Cível N° 2005.70.00.015824-O/PR. Sendo assim, têm direito as demandantes, enquanto sujeitas ao regime comum/cumulativo previsto na Lei n° 9.718/98, à restituição dos valores pagos a maior a título de contribuição ao PIS e de COFINS em razão do indevido alargamento da base de cálculo, promovido pelo § 1° do art. 3° do aludido diploma legal, por afronta ao disposto no art. 195, § 4° c/c o art. 154, I, ambos da CF/88, consoante referido na fundamentação precedente, os quais deverão ser apurados em liquidação de sentença, atualizados monetariamente pela taxa SELIC desde o pagamento indevido (Súmula n.° 162 do STJ), consoante o disposto na sentença. Dispositivo da Sentença da Ação Ordinária N° 2005.70.00.015824-O/PR Ante o exposto, julgo parcialmente procedente o pedido, extinguindo o processo com resolução de mérito, nos termos do art. 269, I, do Código de Processo Civil, para: 1. declarar a inconstitucionalidade da Lei n.° 9.718/98, no que diz respeito à base de cálculo nela instituída; bem como para reconhecer o direito de a parte autora recolher o PIS e a COFIN1S na forma preconizada pela Lei Complementar n.° 07/70 e 70/91, respectivamente, exclusivamente no que atine à base de cálculo; 2. condenar a União a restituir o indébito tributário, nos termos da fundamentação. 3. declarar o direito da autora de compensar o aumento da alíquota da Cofins de 1% em exercícios posteriores. Em sede do julgamento, quando da prolação da Resolução, tal fato se deu, inicialmente, em razão da informação do transito em julgado da referida demanda na qual o recorrente foi parte e da abrangência temporal dos pleitos lá formulados por tratar-se de demanda declaratória. Neste aspecto, importante trazer aos autos transcrição do requerimento ítem b dos pedidos da Ação Declaratória: Item b do Pedido da Ação distribuída aos 08 de Junho de 2005: b) o reconhecimento da ilegalidade da base de cálculo e alíquota de PIS e COFINS instituídos pela Lei n° 9.718/98, com a condenação da Ré à RESTITUIÇÃO DOS VALORES PAGOS A MAIOR pelos Autores, corrigidos monetariamente até a data do efetivo pagamento; Portanto, não há questão para interpretação da abrangência temporal do pedido da demanda, bem como das próprias decisões acima transcritas, afinal de contas, a questão da inconstitucionalidade reside no próprio nascedouro da ilegalidade. Sem prejuízo do recurso repetitivo que já foi citado neste voto, vale registrar acerca da conclusão da fiscalização ao atender a intimação da Resolução e, por conseguinte, emitir seu relatório fiscal de diligência, ocasião em que foi enfática acerca do transito em julgado na própria demanda da recorrente sobre: Fl. 1547DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-011.879 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.939905/2011-08 - o reconhecimento judicial de que a recorrente não promoveu fatos geradores no período objeto do PER em questão posto que estava impedida de realizar as suas atividades fins; por força da liquidação; - do reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 de modo a se determinar a limitação da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS para as receitas operacionais de vendas de serviços, mercadorias ou serviços e mercadorias; - do direito ao indébito. De modo a reforçar o que se alega, transcreve-se novamente a respectiva conclusão do relatório de diligência fiscal: Conforme já transcrito pelo próprio CARF na Resolução que determinou esta diligência, há decisão transitada em julgado, em face da Ação Ordinária 2005.70.00.015824-0/PR, considerando que as receitas auferidas pelo Banco Bamerindus, em liquidação extrajudicial, no caso, desde 27/03/98, e até 19/12/14, não são receitas operacionais, porque, segundo o entendimento da justiça, não podendo operar no mercado financeiro durante aquele período, não tinha como, por essa razão, auferir receitas operacionais. O Acórdão proferido em face dos Embargos de Declaração, de fls. 1.137 a 1.142, não deixa dúvidas quanto a isso. À fl. 1.250 há certidão de trânsito em julgado. 9.1 – O contribuinte anexou, de fls. 1.110 a 1.450, nada menos que 28 feitos judiciais, demonstrando a batalha judicial desenvolvida em torno do PIS e da COFINS, se devidos ou não e em que bases, sobre ela fazendo o detalhamento sequencial em sua resposta, de fls. 1.073 a 1.087. Sendo assim, com fulcro na fundamentação supra e no próprio artigo 62 do RICARF, entende-se que merece ser provido o recurso da recorrente. 3 Do Dispositivo. Do exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, dou-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira Fl. 1548DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11080.004416/2007-55
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
Ementa:
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
Ementa:
REGIME NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DE ICMS TRANFERIDO. NÃO INCLUSÃO.
Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural.
NÃO-CUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM MANUTENÇÃO DE
SOFTWARE E EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL.
CRÉDITO IMPOSSIBILITADO.
No regime da não-cumulatividade do PIS e Cofins, a manutenção de software e a aquisição de equipamentos de proteção individual não dão direito a créditos, por constituírem dispêndios não associados a determinado serviço ou bem produzido pela empresa.
RESSARCIMENTO. REGIME NÃO-CUMULATIVO. JUROS SELIC.
INAPLICABILIDADE.
Ao ressarcimento não se aplicam os juros Selic, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS não cumulativos os arts. 13 e 15, VI da Lei nº 10.833/2003 vedam expressamente tal aplicação.
PARTE ABAIXO A CARGO DE GILSON, DESIGNADO RELATOR CRÉDITO CALCULADO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA. UTILIZAÇÃO APÓS DOZE MESES DO INGRESSO NA NÃO CUMULATIVIDADE.
Numero da decisão: 3401-001.147
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto à cessão onerosa de crédito de ICMS, e vencido o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis (Relator) quanto ao aproveitamento sobre o estoque de abertura. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 11 09:00:00 UTC 2024
anomes_sessao_s : 201012
ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Ementa: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Ementa: REGIME NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DE ICMS TRANFERIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural. NÃO-CUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM MANUTENÇÃO DE SOFTWARE E EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. CRÉDITO IMPOSSIBILITADO. No regime da não-cumulatividade do PIS e Cofins, a manutenção de software e a aquisição de equipamentos de proteção individual não dão direito a créditos, por constituírem dispêndios não associados a determinado serviço ou bem produzido pela empresa. RESSARCIMENTO. REGIME NÃO-CUMULATIVO. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Selic, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS não cumulativos os arts. 13 e 15, VI da Lei nº 10.833/2003 vedam expressamente tal aplicação. PARTE ABAIXO A CARGO DE GILSON, DESIGNADO RELATOR CRÉDITO CALCULADO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA. UTILIZAÇÃO APÓS DOZE MESES DO INGRESSO NA NÃO CUMULATIVIDADE.
numero_processo_s : 11080.004416/2007-55
conteudo_id_s : 7062464
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3401-001.147
nome_arquivo_s : 340101147_11080004416200755_201012.pdf
nome_relator_s : EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
nome_arquivo_pdf_s : 11080004416200755_7062464.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto à cessão onerosa de crédito de ICMS, e vencido o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis (Relator) quanto ao aproveitamento sobre o estoque de abertura. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
dt_sessao_tdt : Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
id : 7092376
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat May 11 09:38:40 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798748580798791680
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-27T19:02:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2672494_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-27T19:02:12Z; Last-Modified: 2011-01-27T19:02:12Z; dcterms:modified: 2011-01-27T19:02:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2672494_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:51f5e317-d2c2-4e13-abaf-0fad613c5571; Last-Save-Date: 2011-01-27T19:02:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-27T19:02:12Z; meta:save-date: 2011-01-27T19:02:12Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2672494_0.doc; modified: 2011-01-27T19:02:12Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-27T19:02:12Z; created: 2011-01-27T19:02:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2011-01-27T19:02:12Z; pdf:charsPerPage: 1978; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-27T19:02:12Z | Conteúdo => S3-C4T1 Fl. 219 1 218 S3-C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.004416/2007-55 Recurso nº 277.950 Voluntário Acórdão nº 3401-01.147 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2010 Matéria PIS NÃO-CUMULATIVO. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. AQUISIÇÕES DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. CRÉDITOS DO ESTOQUE DE ABERTURA UTILIZADO APÓS DOZE MESES. SELIC. Recorrente ECS DO BRASIL METAL E PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE-RS Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Ementa: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Ementa: REGIME NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DE ICMS TRANFERIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural. NÃO-CUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM MANUTENÇÃO DE SOFTWARE E EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. CRÉDITO IMPOSSIBILITADO. No regime da não-cumulatividade do PIS e Cofins, a manutenção de software e a aquisição de equipamentos de proteção individual não dão direito a Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 28/01/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.004416/2007-55 Acórdão n.º 3401-01.147 S3-C4T1 Fl. 220 2 créditos, por constituírem dispêndios não associados a determinado serviço ou bem produzido pela empresa. RESSARCIMENTO. REGIME NÃO-CUMULATIVO. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Selic, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS não- cumulativos os arts. 13 e 15, VI da Lei nº 10.833/2003 vedam expressamente tal aplicação. PARTE ABAIXO A CARGO DE GILSON, DESIGNADO RELATOR CRÉDITO CALCULADO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA. UTILIZAÇÃO APÓS DOZE MESES DO INGRESSO NA NÃO- CUMULATIVIDADE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto à cessão onerosa de crédito de ICMS, e vencido o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis (Relator) quanto ao aproveitamento sobre o estoque de abertura. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Rodrigo Pereira de Mello (Suplente), Odassi Gerzoni Filho e Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão da 2ª Turma da DRJ em pedido de ressarcimento de saldo credor do PIS não-cumulativo. A contribuinte discorda de três glosas: - tributação dos valores das transferências a terceiros de créditos do ICMS oriundos de exportação, alegando que não se enquadram no conceito de receita e seriam mero ingresso, caracterizado como cuperação de custos, mencionando em seu favor a Medida Provisória nº 451, de 15/12/2008 (convertida na Lei nº 11.945, de 04/06/2009, cujos arts. 16 e 17 modificam, com efeitos a partir de janeiro de 2009, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, de modo a excluir da base de cálculo do PIS Faturamento as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 28/01/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.004416/2007-55 Acórdão n.º 3401-01.147 S3-C4T1 Fl. 221 3 exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1º do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996); - despesas referentes à manutenção de software e aquisição de material de segurança e prevenção (Equipamentos de Proteção Individual-EPI), que não foram caracterizadas pela DRJ como insumos, dentro da sistemática de apuração de créditos pela não- cumulatividade de Pis e Cofins, por não serem aplicados diretamente na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados à venda; e - créditos referentes ao estoque de abertura na Dacon de dezembro de 2006, que segundo a fiscalização foram incluídos indevidamente, enquanto a contribuinte sustenta que, como tais créditos são referentes aos estoques existentes em junho de 2004, poderiam ser utilizados em 2006 vez que num período superior ao limite de 12 meses estabelecido pela legislação. Observou não haver restrição legal ao aproveitamento posterior. Para a Recorrente, a restrição aos créditos em questão fere os princípios da isonomia, da não-cumulatividade, da razoabilidade e da proporcionalidade. Argúi que as despesas em tela se subsumem ao conceito insumos utilizados no processo produtivo, pois são essenciais para a atividade, sendo que em relação aos Equipamentos de Proteção Individual- EPI transcreve as Soluções de Consulta nºs 359, de 26/11/2004, da 9ª Região Fiscal, e 40, de 19/07/2004, da 5ª Região). Também pleiteia a “correção monetária” dos créditos pela taxa SELIC, desde a data da sua constituição até o efetivo ressarcimento ou compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que cabe conhecê-lo, exceto no que argúi inconstitucionalidades. Não deve ser conhecida a argüição de suposta os princípios como o da isonomia e o da não-cumulatividade, por constituir matéria que somente o Poder Judiciário é competente para julgar, consoante a Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, “a”, III e §§ 1º e 2º deste último. Neste sentido, inclusive, a Súmula CARF nº 2, constante da consolidação realizada conforme a Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Na parte conhecida, dos três temas em debate dois não constituem novidade neste Colegiado, pelo que repito interpretações adotadas em julgados anteriores sob a minha relatoria. Refiro-me à inclusão ou não do valor de cessão onerosa de créditos do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINS não-cumulativos, onde mantenho entendimento pela não inclusão, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 28/01/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.004416/2007-55 Acórdão n.º 3401-01.147 S3-C4T1 Fl. 222 4 ressaltando que na situação destes os autos o saldo credor é oriundo de exportação, e à aplicação da Selic sobre a parte deferida do ressarcimento, que julgo descabida. O terceiro, que diz respeito aos insumos e créditos respectivos (ou não) na sistemática da não-cumulatividade do PIS e Cofins, envolve as despesas com manutenção de software e com aquisição de material de segurança e prevenção (Equipamentos de Proteção Individual-EPI). Como exposto mais adiante, considero que tais dispêndios não dão direito aos créditos pleiteados. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS COM ORIGEM EM EXPORTAÇÕES À luz do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e art. 1º da Lei nº 10.833/2003, 1 a tributação (ou não) dos valores em tela enseja inúmeros debates, dando margem a três correntes: não incidência do PIS e da COFINS, exceto no que atinge a parcela correspondente ao ágio, quando for o caso; incidência sobre o valor recebido pela transferência, inconfundível que é o com montante do crédito cedido, de modo que a base de cálculo tributável será menor do que o crédito de ICMS negociado (quando houver deságio), igual (quando o valor cedido for idêntico ao pago pelo cessionário ao cedente) ou maior (quando houve ágio); e incidência sobre o montante transferido, independentemente de haver ágio ou deságio. Entendo deva haver incidência tão-somente sobre o ágio, quando houver. Como na situação destes autos a glosa correspondente aos valores do crédito de ICMS transferidos e inexiste notícia de que teria havido ágio, cabe dar razão à Recorrente neste ponto. Para mim, a controvérsia há de ser dirimida levando-se em conta a natureza jurídica do crédito cedido, que permanece sendo de saldo credor escritural de ICMS, cuja utilização é submetida a regras rígidas. À semelhança do que se dá com o Crédito Presumido 1 Os dois artigos possuem as seguintes redações, respectivamente: Art. 1 o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, com a incidência não- cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1 o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2 o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Art. 1 o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1 o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2 o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 28/01/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.004416/2007-55 Acórdão n.º 3401-01.147 S3-C4T1 Fl. 223 5 do IPI ressarcido, que também não deve compor a base de cálculo do PIS e COFINS 2 - inclusive no regime da não-cumulatividade, onde a base de cálculo das duas Contribuições é a receita bruta a englobar outras receitas além das provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços -, a natureza jurídica do crédito de ICMS determina o seu regime jurídico e, consequentemente, a caracterização como receita ou não, para fins da tributação analisada. Como se sabe, institutos como decadência e prescrição, por exemplo, prendem-se a cada espécime jurídica delineada, de forma que uma caracterização ou classificação inadequada pode acarretar consequências em desacordo com as normas do ordenamento jurídico. Numa classificação do Direito, a maior utilidade está em permitir uma melhor compreensão do fenômeno jurídico. Se para um economista, por exemplo, o critério econômico pode ser o mais adequado e suficiente para uma classificação que pretenda averiguar em quanto um incentivo como o crédito presumido incrementou as exportações, para um operador ou cientista do Direito é diferente. No estudo dos fenômenos e institutos jurídicos, a classificação deve ser orientada pelas normas jurídicas, delas se extraindo a natureza jurídica do objeto investigado. Na situação dos autos é indiscutível que o crédito em tela deve ser classificado como saldo credor escritural do ICMS, que define bem sua natureza jurídica e delimita o regime jurídico correspondente, a regular a forma e amplitude de utilização desse saldo, com obediência à Lei Complementar nº 87/96l e às diversas leis estaduais dispondo sobre o imposto. Dispondo sobre o saldo credor do ICMS, a LC nº 87/96 estabelece o seguinte (negritos acrescentados): Art. 25. Para efeito de aplicação do disposto no art. 24, os débitos e créditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensando-se os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. (Redação dada pela LC nº 102/2000) § 1º Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operações e prestações de que tratam o inciso II do art. 3º e seu parágrafo único podem ser, na proporção que estas saídas representem do total das saídas realizadas pelo estabelecimento: I - imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II - havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. § 2º Lei estadual poderá, nos demais casos de saldos credores acumulados a partir da vigência desta Lei Complementar, permitir que: 2 Neste sentido, dentre outros, os Recursos Voluntários nº 150288, sessão de 10/07/2009, Acórdão nº 3401- 00.022, e 122667, sessão de 15/03/2005, Acórdão nº 203-10.047, ambos decididos por maioria sob a minha relatoria. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 28/01/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.004416/2007-55 Acórdão n.º 3401-01.147 S3-C4T1 Fl. 224 6 I - sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II - sejam transferidos, nas condições que definir, a outros contribuintes do mesmo Estado. Como é cediço, os créditos de ICMS devem ser empregados, inicialmente, para reduzir os débitos, no âmbito da não-cumulatividade própria. Depois, remanescendo saldo credor este pode ser empregado nos termos em que a lei estadual dispuser, comportando inclusive o ressarcimento, em algumas hipóteses. Seja deduzido dos débitos, ressarcido ou transferido a terceiros, continua com a mesma natureza jurídica. Daí não parecer razoável que, a depender da forma de utilização desse crédito, seja ou não tributado pelo PIS e pela Cofins. Sublinho considerar irrelevante a contabilização desse crédito, pois a circunstância de constar do ativo, antes de ressarcido ou transferido a terceiros, não tem qualquer importância para caracterizá-lo como integrante da receita bruta tributável pelos PIS e Cofins. Também não vejo relevância na posição assumida pelo adquirente: tanto faz que o cessionário seja um fornecedor do cedente ou uma terceira pessoa sem vinculo anterior. O importante é que, desde a origem e independentemente da forma de utilização, trata-se de créditos do ICMS. Por oportuno, informo que a Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes já decidiu, à unanimidade, pela exclusão dos créditos de ICMS transferidos, quando decorrentes de exportação. Refiro-me ao Recurso nº 148.095, Acórdão nº 204-03.395, sessão de 03/09/2008, relatora a ilustre Conselheira Nayra Bastos Manatta. Destacando que aquele julgado possui fundamentação diferenciada deste, já que lá é dado relevo à circunstãncia de se tratar de créditos oriundos de exportação, enquanto neste consideraria tal origem sem importância (se a lei estadual autorizar a transferência escorada no inc. II do § 2º do art. 25 da LC nº 87/96, que não se restringe a créditos da exportação, parece- me também não deva haver incidência do PIS e Cofins, assim como se dá quando a lei estadual se ampara no inc. II do § 1º do mesmo artigo, que sefere respecificamente às operações de exportação), em reforço à interpretação acima explanada reproduzo parte do voto da douta Conselheira Nayra Bastos Manatta no Acórdão nº 204-03.395, que vai de encontro à minha argumentação: Nesta questão adoto o entendimento do Conselheiro Jorge Freire esposado no Recurso Voluntário n° 137.860 que a seguir transcrevo: ‘Exsurge do relatado que a matéria posta ao conhecimento deste Colegiado cinge-se à incidência ou não da COFINS e do PIS sobre a cessão de saldo credor de ICMS oriundo de exportações e se sobre o valor ressarcível daquelas contribuições aplica-se ou não atualização monetária e/ou juros de mora. A origem do saldo credor do ICMS sob análise decorre da norma constitucional que determina a não incidência deste sobre as operações que destinem mercadorias para o exterior (CF, art 155, § 2°, X e LC 87/96, art 3°, II). O contribuinte, ao adquirir insumos, se credita daquele imposto (CF, art. 155, D, mas não pode aproveitá-lo no todo uma vez que destina sua produção ao exterior, acumulando, dessa forma, saldo credor. De outro turno, a Lei Complementar 87/97, em seu artigo 25, 1°, II, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 28/01/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.004416/2007-55 Acórdão n.º 3401-01.147 S3-C4T1 Fl. 225 7 permite que os saldos credores acumulados possam ser transferidos a outros contribuintes do mesmo estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. Assim, a questão que se põe é identificarmos se essa transferência do saldo credor do 1CMS se reveste da natureza jurídica de receita, pois só assim há falar-se em incidência da COFINS e do PIS. Afigure-se que não se está a discutir a legitimidade (decorrente de exportações efetivas) dos créditos ou sua liquidez e certeza, mas sim sua natureza jurídica. O decisum vergastado entende que "a operação de transferência dos créditos do ICMS configura uma espécie de alienação, ou melhor dizendo, uma cessão de créditos em que a pessoa jurídica vendedora toma o lugar do cedente; o adquirente, o do cessionário e a unidade da Federação, o do cedido", concluindo que "o negócio jurídico ora analisado não se enquadra em nenhuma das exclusões da base de cálculo da contribuição ...previstas na legislação.’ De outra banda, a recorrente, adentrando na seara contábil, esposa entendimento que não podendo o valor do imposto recuperável (no caso, a cessão do crédito de ICMS) ser. contabilizado como custo (referindo-se ao parágrafo único do art. 289 do regulamento do imposto de renda), "a não inclusão representa redução do cus o real de aquisição de mercadorias ou matérias primas que se transforma, contabilmente, em um direito recuperável, cuja realização, seja para compensar débitos próprios do mesmo tributo ou através de transferências a filiais ou a terceiros para quitar débitos do mesmo tributo (ICMS), deve ser considerada como decorrente de uma recuperação da parcela não incluída no custo das mercadorias ou insumos adquiridos". A natureza do crédito cedido é importante para o deslinde da lide. Na origem, o crédito do ICMS é um incentivo fiscal concedido pelo legislador constituinte e complementar no sentido de não incluí-lo no preço da mercadoria exportada, desonerando-o em relação às compras de insumos utilizados em produtos efetivamente exportados, como forma de incentivar às vendas da produção nacional ao exterior. Ou seja, o legislador, afrontando a sistemática da não-cumulatividade, permite a utilização de um crédito mesmo que não haja débito a ser compensado, uma vez que a saída para o exterior é imune, não havendo o que compensar. Contudo, e mesmo por isso, se houver débito desse imposto, a utilização desse crédito incentivado deverá, primeiramente, ser compensado com aquele. Mas há outras formas de aproveitamento, caso ainda reste saldo credor, como será sempre o caso de empresas preponderantemente exportadoras. Ao menos na legislação do ICMS no RS, sucessivamente, o saldo credor, poderá ser transferido para outro estabelecimento seu dentro do Estado do Rio Grande do Sul ou para outro Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 28/01/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.004416/2007-55 Acórdão n.º 3401-01.147 S3-C4T1 Fl. 226 8 contribuinte, dentro do Estado. Também, sendo impossível seu aproveitamento nas formas anteriores, poderá ser utilizado para pagar aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, bem como máquinas e equipamentos. E, por fim, transferi-lo para terceiros, contribuintes de ICMS, no Estado do Rio Grande do Sul, para que os adquirentes do crédito o utilizem para extinguir, pela forma de compensação seus débitos do tributo. Esse crédito não se reveste da natureza de receita. Até porque não se pode cindilo para concluir que uma forma de aproveitamento gera acréscimo patrimonial e outra não. Se o crédito fosse transferido a uma filial da mesma empresa poderíamos falar em acréscimo patrimonial? Ou só há falar-se em acréscimo patrimonial quando há cessão do crédito a terceiro? A sua natureza é uma só, incindivel. Em face de tal, entendo que não se pode fazer uma leitura linear de que, aos olhos da norma impositiva, todo ingresso que represente acréscimo patrimonial ocorrido nas contas de receita da empresa constitui-se em base de cálculo da Cofins. Até porque, desta forma, estaríamos pautando a natureza jurídica dos aportes financeiros em função de sua escrituração contábil, e ai adentraríamos no caminho da imprecisão, quando estaríamos a discutir se o valor do crédito deveria ser escriturado como receita patrimonial ou como conta redutora do custo dos produtos exportados que deram à luz ao valor incentivado. A Lei n° 9.718/98, ao alargar sua incidência sobre "receitas auferidas" pelo sujeito passivo, tomou impreciso o delineamento do núcleo material da hipótese de incidência. Justamente por isso, entendo que o rol das exclusões da base de cálculo listados no inciso I do § 2° do artigo 3° da Lei n°9.718/98, não é numerus clausus. O que não se pode conceber é que a norma crie formas de aproveitamento de crédito oriundo da exportação de mercadorias, imunes de qualquer tributação, e, ao mesmo tempo, tribute o valor aportado por meio desse crédito somente quando ele for cedido a terceiros. Nesse sentido, decisão do TRF 4 quando julgamento do Mandado de Segurança n° 2005.71.08.001336-5/RS I , que restou ementado nos seguintes termos: ‘TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO DE ICMS. IMUNIDADE. BITRIBUTAÇÃO. O posicionamento adotado pelo Fisco ofende a regra constitucional de imunidade. 2. O ICMS de que trata a Fazenda já serviu de base de cálculo para apuração do PIS e COFLVS a ser recolhido pelo fornecedor de insumos, portanto, pretender Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 28/01/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.004416/2007-55 Acórdão n.º 3401-01.147 S3-C4T1 Fl. 227 9 considerá-lo novamente é medida repudiada pelo sistema tributário’. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS E COFINS - MANUTENÇÃO DE SOFTWARE E AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) Admitindo a polêmica que os créditos da não-cumulatividade do PIS e Cofins encerra, considero que na situação em tela o art. 3º, II, tanto da Lei nº 10.637/2002 (para o PIS) quanto da Lei nº 10.833/2003 (para a Cofins) não alberga o direito da Recorrente. Na redação dada pela Lei nº 10.865/2004, os dois dispositivos legais informam (verbis): Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Por inexistir um dispositivo específico tratando dos valores em questão (o que ocorre, por exemplo, em relação às despesas com energia, aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos etc, que possuem regras particulares, insertas nos incisos III a X do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), a norma a ser aplicada neste processo há de ser extraída do inc. II, acima transcrita. Este contempla regra mais genérica, segundo a qual bens e serviços utilizados como insumos na (não é dito “para” ou “visando a”, destaco) prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Se em vez de “na” tivesse sido empregado “para”, ensejaria uma interpretação funcional ou de simples necessidade à produção, a admitir o emprego do método teleológico na norma ora construída. Para mim, a norma contida no texto do inc. II em comento não exige que determinado insumo seja direta ou imediatamente utilizado no produto ou serviço final. Pode, o insumo estar ligado a um produto intermediário. Mas há, sim, necessidade de se identificar a qual produto ou serviço está relacionado o insumo. Sem essa identificação ou vinculação (em qual produto ou serviço o insumo é empregado), inexiste o crédito. Por essa regra geral, os créditos de PIS e Cofins não-cumulativos, por um lado, não parecem tão abrangentes quanto as deduções do IRPJ, onde se admitem todas as despesas são necessárias à atividade empresarial. Por outro, não se restringem aos insumos empregados em processo industrial, como se dá no âmbito do IPI. Das normas extraídas das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e da amplitude do aspecto material das duas Contribuições - que incidem sobre o faturamento ou receita bruta, nesta incluídas as demais receitas além das provenientes da venda de mercadoria e da prestação de serviços -, o que se tem é um meio-termo entre a amplitude do IRPJ e a limitação do IPI. A mais, em relação aos insumos do IPI, a não-cumulatividade do PIS e Cofins admite créditos sobre os valores da depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, da amortização edificações e benfeitorias utilizados nas atividades da empresa, da energia elétrica e térmica consumida nos estabelecimentos da Fl. 9DF CARF MF Emitido em 31/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 28/01/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.004416/2007-55 Acórdão n.º 3401-01.147 S3-C4T1 Fl. 228 10 pessoa jurídica etc. A menos, em relação às despesas dedutíveis do IRPJ, não se admite créditos sobre pagamentos a não contribuintes das duas Contribuições (pessoas físicas, especialmente, excetuados os créditos presumidos) e sobre despesas diversas, por exemplo. Por ser mais ampla do que a não-cumulatividade do IPI, que tem sede constitucional – ao contrário da do PIS e COFINS, de suporte infraconstitucional e com nascedouro nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 -, não há exigência, aqui, de contato direto do insumo com o produto final, como determina o PN CST nº 65/79. Este Parecer Normativo é aplicável apenas no âmbito do IPI. Diferentemente do pretendem as IN SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que parecem remeter ao referido Parecer (refiro-me à alínea “a” do inc. I do § 4º do art. 8º da IN SRF nº 404/2004, equivalente à alínea “a” do inc. I do § 5º do art. 66 da IN SRF 247/202), não vejo suporte legal para se requerer na não-cumulatividade das Contribuições que “a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação” (redação da citada alínea, na IN SRF nº 404/2004). Apesar da inexigência de contato direto, a vinculação com esse ou aquele bem produzido (ou serviço prestado) pela empresa é inafastável. Daí não acolher a interpretação dada pelas Soluções de Consulta nºs 359, de 26/11/2004, da 9ª Região Fiscal, e 40, de 19/07/2004, da 5ª Região, no sentido permissão dos créditos no caso de aquisição de Equipamentos de Proteção Individual. Afinal, como vincular tais equipamentos a um bem ou serviço da Recorrente? Em face da impossibilidade dessa associação, que estende às despesas de manutenção de software, nego os créditos litígio. CRÉDITO DO ESTOQUE DE ABERTURA UTILIZADO APÓS DOZE MESES DO INÍCIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE A DRJ referendou a glosa correspondente ao estoque levantado em junho de 2004 (quando houve o ingresso no regime da não-cumulatividade), mas aproveitado pela contribuinte no Dacon de dezembro de 2006, por entender que o estoque de abertura deve ser utilizado, necessariamente, em 12 parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data de início da incidência não-cumulativa. Segundo o acórdão recorrido, o aproveitamento teria que se dar mês a mês, em doze parcelas iguais, e não numa parcela única, integral, apenas em dezembro de 2006. Entendo haver razão à Recorrente, quando defende que as disposições previstas nos arts. 11, § 20, da Lei nº 10.637/2004 (PIS), e 12, § 20, da Lei nº 10.833/2003 3 , 3 Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. § 2o O crédito presumido calculado segundo o § 1o será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. § 2o O crédito presumido calculado segundo os §§ 1o e 9o deste artigo será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 10DF CARF MF Emitido em 31/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 28/01/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.004416/2007-55 Acórdão n.º 3401-01.147 S3-C4T1 Fl. 229 11 foram criadas para que o contribuinte não se creditasse, no próprio mês, do montante de crédito presumido em função de estoque acumulado no período anterior, quando a empreesa estava submetida ao regime cumulativo. Inexistindo vedação a que esse crédito seja utilizado em período posterior aos doze meses seguintes àquele do ingresso na não-cumulatividade, cabe admitir o aproveitamento. A única limitação é o prazo decadencial de cinco anos contados do mês de entrada na não-cumulatividade, que na situação dos autos não constituí óbice porque o § 2o O crédito presumido calculado segundo os §§ 1o, 9o e 10 deste artigo será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) § 3o O disposto no caput aplica-se também aos estoques de produtos acabados e em elaboração. § 4o A pessoa jurídica referida no art. 4o que, antes da data de início da vigência da incidência não- cumulativa da COFINS, tenha incorrido em custos com unidade imobiliária construída ou em construção poderá calcular crédito presumido, naquela data, observado: I - no cálculo do crédito será aplicado o percentual previsto no § 1o sobre o valor dos bens e dos serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, utilizados como insumo na construção; II - o valor do crédito presumido apurado na forma deste parágrafo deverá ser utilizado na proporção da receita relativa à venda da unidade imobiliária, à medida do recebimento. § 5o A pessoa jurídica que, tributada com base no lucro presumido ou optante pelo SIMPLES, passar a ser tributada com base no lucro real, na hipótese de sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COFINS, terá direito ao aproveitamento do crédito presumido na forma prevista neste artigo, calculado sobre o estoque de abertura, devidamente comprovado, na data da mudança do regime de tributação adotado para fins do imposto de renda. § 6o Os bens recebidos em devolução, tributados antes do início da aplicação desta Lei, ou da mudança do regime de tributação de que trata o § 5o, serão considerados como integrantes do estoque de abertura referido no caput, devendo o crédito ser utilizado na forma do § 2o a partir da data da devolução. § 7o O disposto neste artigo aplica-se, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7o a 9o do art. 3o desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 8o As disposições do § 7o deste artigo não se aplicam aos estoques de produtos adquiridos a alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela incidência da contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 9o O montante do crédito presumido de que trata o § 7o deste artigo será igual ao resultado da aplicação do percentual de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) sobre o valor do estoque. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 10. O montante do crédito presumido de que trata o § 7o deste artigo, relativo às pessoas jurídicas referidas no parágrafo único do art. 56 desta Lei, será igual ao resultado da aplicação da alíquota de 3% (três por cento) sobre o valor dos bens em estoque adquiridos até 31 de janeiro de 2004, e de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) sobre o valor dos bens em estoque adquiridos a partir de 1o de fevereiro de 2004. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 10. O montante do crédito presumido de que trata o § 7o deste artigo, relativo às pessoas jurídicas referidas no art. 51 desta Lei, será igual ao resultado da aplicação da alíquota de 3% (três por cento) sobre o valor dos bens em estoque adquiridos até 31 de janeiro de 2004, e de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) sobre o valor dos bens em estoque adquiridos a partir de 1o de fevereiro de 2004. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 31/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 28/01/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.004416/2007-55 Acórdão n.º 3401-01.147 S3-C4T1 Fl. 230 12 interregno entre a aquisição do direito (1/12 avos em junho de 2004 e assim por diante, nos doze meses seguintes) e o seu gozo (dezembro de 2006) é inferior. Dessarte, comprovado que o crédito calculado sobre o estoque existente no início da não-cumulatividade (estoque levantado em maio de 2004, já que em junho daquele ano a Recorrente ingressou na não-cumulatividade) não foi utilizado antes de dezembro de 2006, a glosa apresenta-se descabida. SELIC Quanto à alegada incidência da Selic sobre a parte deferida, cabe rejeitá-la, como já antecipado no início deste voto. É que e o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 veda expressamente, na hipótese de ressarcimento da COFINS não-cumulativa, qualquer “atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores”. A vedação também se aplica ao PIS não-cumulativo, a teor do inc. VI do art. 15 da mesma Lei nº 10.833/2003, introduzido (o inciso) pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, De todo modo, e independentemente dos dois dispositivos legais acima, entendo impossibilitada a aplicação de juros Selic na situação dos autos, haja vista que esta taxa é inconfundível com os índices de inflação e ao ressarcimento não se aplica o mesmo tratamento da restituição ou compensação. Não se constituindo em mera correção monetária, mas em um plus quando comparada aos índices de inflação, a taxa Selic somente poderia ser aplicada aos valores a ressarcir se houvesse lei específica. É certo que a partir do momento em que o contribuinte ingressa com o pedido de ressarcimento o mais justo é que fosse o valor corrigido monetariamente, até a data da efetiva disponibilização dos recursos ao requerente. Afinal, entre a data do pedido e a do ressarcimento o valor pode ficar defasado, sendo corroído pela inflação do período. Daí ser admissível no intervalo a correção monetária. Todavia, desde 01/01/96 não se tem qualquer índice inflacionário que possa ser aplicado aos valores em tela. A taxa Selic, representando juros, e não mera atualização monetária, é aplicável somente na repetição de indébito de pagamentos indevidos ou a maior. Daí a impossibilidade de sua aplicação no ressarcimento em tela. CONCLUSÃO Pelo exposto, dou provimento parcial para reconhecer o crédito a ressarcir, sem as glosas por conta das transferências de ICMS a terceiros e do estoque comprovadamente existente no início da não-cumulatividade (junho de 2004), mas utilizado numa parcela única em dezembro de 2006. (assinado digitalmente) Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 12DF CARF MF Emitido em 31/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 28/01/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.004416/2007-55 Acórdão n.º 3401-01.147 S3-C4T1 Fl. 231 13 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 31/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 27/01/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 28/01/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
