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Numero do processo: 10909.006883/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 27/12/2003 a 06/01/2005
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro do prazo de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INS SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro do prazo de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 68 83 /2 00 8- 57 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.006883/200857 Acórdão n.º 3102002.076 S3C1T2 Fl. 219 2 Conselheira Andréa Medrado Darzé, que foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: O presente Auto de Infração, no valor de R$ 280.000,00, foi lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõem os artigos 37 e 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 02/08), as informações foram registradas pelo autuado após o prazo de sete dias estabelecido no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF nº 510, de 2005. A auditoria informa que a multa pela infração deve ser aplicada uma vez por transportador e por veículo, nos termos da legislação, em cada embarque, sendo irrelevante o número de despachos de exportação que tiverem seus dados informados fora do prazo, conforme as telas extraídas do Siscomex. Intimada do lançamento (fl. 01), a interessada apresentou a impugnação de fls. 134/151, na qual, em breve síntese: Alega que a multa ora impugnada não pode ser aplicada à agência marítima, mas tão somente ao transportador marítimo ou ao agente de carga1 (NVOCC), conforme as disposições do art. 107, IV, “e” do Decretolei 37, de 1966. Desta forma, não pode figurar no pólo passivo da autuação por ser mera mandatária da empresa transportadora. Afirma que o agente marítimo não pode ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária. Argui que, à época da suposta infração, não havia um prazo expressamente previsto para a realização do registro no sistema Siscomex, uma vez que o termo “imediatamente” é um conceito indeterminado, sendo perfeitamente aceitável a realização dos registros em prazo superior a 7 dias. Afirma que a autoridade fazendária não pode se valer de posterior alteração da redação do art. 37, dada pela IN 510/2005. Afirma que é inaplicável a penalidade imposta com fulcro na alínea “c” do art. 107, do Decretolei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003, conforme julgado administrativo que colaciona. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.006883/200857 Acórdão n.º 3102002.076 S3C1T2 Fl. 220 3 Argui que as multas aplicadas ofendem aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, devendo ser afastadas no caso concreto, e que não se está diante de fraude, máfé ou tentativa de burlar ou causar qualquer embaraço à fiscalização, uma vez que todos os registros dos dados foram realizados. Requer seja reconhecida a nulidade ou improcedência do auto de infração. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 27/12/2003 a 06/01/2005 Ementa: AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. LEGITIMIDADE PASSIVA. Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que preenche os requisitos de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Penso que razão assiste à Recorrente pois a conduta que lhe é imputada, com a devida licença, é atípica. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.006883/200857 Acórdão n.º 3102002.076 S3C1T2 Fl. 221 4 De fato, as operações relativas ao presente litígio ocorreram entre 27/12/2003 a 06/01/2005, quando a Instrução Normativa SRF nº 510, de 15/02/2005 ainda não havia entrado em vigor. Até então, não havia norma que disciplinasse o prazo para prestação de informações acerca dos dados de embarque. Os fundamentos que me conduziram a tal conclusão foram brilhantemente expostos pelo Conselheiro José Luiz Novo Rossari, no votocondutor do acórdão 3202 000.341, que adoto como razão de decidir: Para melhor compreensão a respeito da matéria, cumpre sejam transcritas as normas legais e administrativas pertinentes aos fatos. A Instrução Normativa SRF no 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts. 37, caput, e 44 que, verbis: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei no 37/66 com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 107 do Decretolei no 37/1966, na redação do art. 5o do Decretolei no 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto no 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro): “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1o da IN SRF no 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.” (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.006883/200857 Acórdão n.º 3102002.076 S3C1T2 Fl. 222 5 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do Decreto Lei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)” Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.006883/200857 Acórdão n.º 3102002.076 S3C1T2 Fl. 223 6 Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, têmse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Com efeito, não se encontra, em quaisquer dos códigos pátrios, norma semelhante que tenha fixado prazo não revestido de certeza e não expresso em quantidade de dias, meses ou anos. A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que “imediatamente após” não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão “imediatamente após” não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria” não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. De outra parte, também cumpre acrescentar que o art. 37 da IN SRF no 28/1994 foi objeto de nova alteração pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, que aumentou o prazo para a apresentação de dados pertinentes ao embarque para 7 (sete) dias. Ressaltese que esse ato normativo continua fazendo em seu art. 44 remissão ao art. 37, de forma a tratar a infração como de embaraço, o que bem demonstra a falta de atenção à legislação vigente, que desde a Medida Provisória no 135/2003 tem tipificação legal distinta. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.006883/200857 Acórdão n.º 3102002.076 S3C1T2 Fl. 224 7 Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 14/2/2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Como os fatos que originaram este processo ocorreram entre 4/6 e 27/6/2004, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua argüição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Em face dos elementos constantes dos autos e da legislação aplicável à espécie, entendo que não se vislumbram os elementos básicos tendentes à caracterização de infração e julgo prejudicadas as diversas outras alegações da recorrente, por não influírem na solução da lide. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 224DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 14055.000716/2010-66
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
Multa. Atraso Entrega DASN
A apresentação, em atraso, da DASN enseja a aplicação da multa no percentual de 2% multiplicado pelo número de meses/fração em atraso, limitada a 20%, reduzida pela metade quando a entrega em atraso se dá de forma espontânea.
Numero da decisão: 1801-001.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcio Angelim Ovidio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 Multa. Atraso Entrega DASN A apresentação, em atraso, da DASN enseja a aplicação da multa no percentual de 2% multiplicado pelo número de meses/fração em atraso, limitada a 20%, reduzida pela metade quando a entrega em atraso se dá de forma espontânea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcio Angelim Ovidio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 MULTA. ATRASO ENTREGA DASN A apresentação, em atraso, da DASN enseja a aplicação da multa no percentual de 2% multiplicado pelo número de meses/fração em atraso, limitada a 20%, reduzida pela metade quando a entrega em atraso se dá de forma espontânea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcio Angelim Ovidio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 4a. Turma de Julgamento da DRJ em Brasilia/DF que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada contra notificação de lançamento de multa por atraso na entrega de DASN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 05 5. 00 07 16 /2 01 0- 66 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 2 Contra a contribuinte acima identificada foi formalizada Notificação de Lançamento exigindo multa por atraso na entrega da Declaração Anual do Simples Nacional DASN do exercício de 2010, anocalendário de 2009, no valor de R$ 17.156,20. Na impugnação apresentada alegou, a empresa, preliminarmente, a decadência do lançamento do crédito tributário em litígio. No mérito argüiu, em síntese; que apresentou as DASN em atraso, porém espontaneamente e que, como exemplifica vasta jurisprudência nesse sentido, não teria cabimento a multa no presente caso de entrega espontânea da declaração. A Turma Julgadora de 1a. instância afastou a preliminar de decadência e, no mérito, julgou improcedente a impugnação. Notificada da decisão, em 02/04/2013, apresentou a interessada, em 22/04/2013, recurso voluntário, no qual alega, em apertada síntese, que está sendo punido de forma excessiva por um erro que não gerou qualquer prejuízo ao fisco, já que se trata de obrigação acessória, o que caracterizaria a inconstitucionalidade da norma instituidora da penalidade. No mérito, além de reproduzir as alegações preliminares, analisa o instituto da retroatividade benigna previsto no art. 106 do CTN, pugnando pela redução do valor da penalidade, caso não seja provido o recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como consta do relatório contra a recorrente foi lavrada notificação de lançamento para exigir multa por atraso na entrega da DASN do anocalendário 2009, exercício 2010. O prazo final para apresentação da referida declaração se esgotou em 15/04/2010, mas a empresa somente transmitiu a DASN em 16/12/2010, ou seja, com atraso de 9 (nove) meses. Sobre a base de cálculo da penalidade, no valor de R$ 190.624,43, incidiu o percentual de 2% multiplicado pelo número de meses de atraso – [2% X 9 = 18%], resultando em R$ 34.312,40. A multa foi reduzida em 50%, em vista da entrega espontânea da declaração, o que resultou no valor de R$ 17.156,20. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 14055.000716/201066 Acórdão n.º 1801001.953 S1TE01 Fl. 3 3 Assim, todas as reduções e benefícios legais foram aplicados ao caso e a recorrente não apresentou qualquer justificativa para a apresentação em atraso da DASN do anocalendário 2009. Com base no exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 64DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Numero do processo: 14041.000180/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 30/04/1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 30/04/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados.
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Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 80 /2 00 9- 02 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, oposto pela Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 240203.909 da 2ª Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF. No Acórdão em questão, ficou consignado na parte dispositiva o seguinte: “[...] Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de decadência. [...]” A Embargante (Fazenda Nacional) afirma ter ocorrido contradição ou omissão nos fundamentos do voto condutor do acórdão ora embargado, eis que a matéria em debate encontrarseia fundamentada em fato incontroverso, já que “o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2008, por via postal, dos r. acórdãos nº: 02/002488/2003 e 02/02487/2003, prolatados pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS (sic)”, nos seguintes termos: “[...] Segundo o voto condutor, “a autoridade fiscal não comprovou o marco inicial do prazo decadencial para o lançamento substituto, qual seja, a data da intimação da Recorrente das decisões que anularam os lançamentos anteriores. Consequentemente, não restou comprovado que o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo decadencial previsto no artigo 173, II, do CTN”. Contudo, o acórdão embargado foi omisso e contraditório, pois é fato incontroverso neste feito que o recorrido foi intimado em 18 de fevereiro de 2004, por via postal, dos acórdãos proferidos em 31/10/2003 pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS que anulou, por erro de fundamentação legal, as NFLD’s nos 35.019.6095 e 35.019.6087. (...) Nesse contexto, cabe observar que em suas peças de insurgência o contribuinte demonstra ter pleno conhecimento não apenas dos acórdãos prolatados pelo CRPS que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e nº 35.019.6087, mas também da intimação a que se referiu a fiscalização, inclusive trazendo seu teor à colação na peça recursal (CARTA/SERVREC/ 23.401.3 n° 95/04, emitida em BrasíliaDF, em 18 de fevereiro de 2004), como se vê, exemplificativamente, à fls. 126 dos autos (impugnação). (...) Como visto, nada alegou o contribuinte sobre o fato de não ter sido intimado dos acórdãos que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e nº 35.019.6087. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000180/200902 Acórdão n.º 2402004.123 S2C4T2 Fl. 3 3 Na verdade, o próprio contribuinte trouxe aos autos a intimação a que se referiu a fiscalização: CARTA/SERVREC/ 23.401.3 n° 95/04, emitida em BrasíliaDF, datada de 18 de fevereiro de 2004. Portanto, a teor do disposto no art. 334 do CPC, não dependem de prova os fatos admitidos, no processo, como incontroversos, nem aqueles afirmados por uma parte e confessados pela outra, verbis: (...) Desse modo, ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, cabe reconhecer que o embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação. Portanto, revelase a necessidade de se aclarar o acórdão, sanando as omissões/contradições/obscuridades acima apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de eventual recurso especial ou mesmo para a execução do julgado. [...]” Enfim, a Embargante requer o recebimento e acolhimento do presente embargos, para sanar/retificar todos os vícios existentes no acórdão, acima apontados. É o relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o cabimento, o interesse de agir e a legitimidade para tanto. Diante das considerações efetuadas pela Embargante, entendese que não lhe assiste razão quanto à contradição ou omissão apontada tanto na análise da nulidade por vício material como na análise de que a matéria em debate encontrarseia fundamentada em fato incontroverso, já que “o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2008, por via postal, dos r. acórdãos nº: 02/002488/2003 e 02/02487/2003, prolatados pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS (sic)”. O vício apontado no lançamento referese à falta de provas inequívocas da data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Assim, o voto condutor entendeu que a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). O acórdão ora embargado registrou o seguinte: “[...] Para que o ato administrativo, veiculado por meio do acórdão que anulou o lançamento fiscal anterior, tornese perfeito e eficaz, é necessário ele completar o seu ciclo de formação, este será ocasionado no momento em que percorrer todas as fases necessárias para sua produção. Com isso, no âmbito do contencioso administrativo fiscal, a ciência ao sujeito passivo também será uma dessas fases de formação da decisão proferida em segunda instância, pois esta decisão é simplesmente um ato administrativo que produzirá efeitos na esfera do administrado (Recorrente). Essa ciência ao sujeito passivo da decisão proferida em segunda instância fará com que tal lançamento produza os seus efeitos previstos na legislação tributária. É bom esclarecer que a publicidade do ato administrativo é diferente de sua publicação. Esta é a divulgação do ato por meios oficiais, exemplo Diário Oficial da União; ou seja, a publicação tratase de uma forma de publicidade. Assim, a publicidade da decisão de segunda instância não se esgota apenas em se publicarem os atos no órgão oficial, também será imprescindível uma publicidade restrita, sendo que esta acontecerá com a ciência do interessado (sujeito passivo) da decisão proferida pela Corte Administrativa. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000180/200902 Acórdão n.º 2402004.123 S2C4T2 Fl. 4 5 Com isso, entendese que a decisão de segunda instância, proferida no âmbito do contencioso administrativo federal, somente será válida, perfeita e eficaz após a sua cientificação ao sujeito passivo da obrigação tributária, tornandose nesse momento uma decisão definitiva, eis que não pode ser dado o atributo de definitividade a um ato administrativo que sequer cumpriu todos os requisitos de validade previstos na legislação. Assim, a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). Constatase que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para a averiguação se o lançamento fiscal substitutivo está em consonância com o prazo legal de 5 (cinco) anos previsto no art. 173, II, do CTN. Como esse tributo era sujeito a lançamento de ofício, o Fisco tinha 5 anos para fazer o lançamento, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado, conforme prevê o art. 173, inciso II, do CTN. (...) Em outras palavras, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Logo, essa data do termo inicial é importante para averiguar a decadência, que é uma causa de extinção do crédito tributário (art. 156, V, do CTN), ou para averiguar se o prazo se encerrou sem que houvesse o lançamento fiscal. (...) Desse modo, percebese que o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo, no Relatório Fiscal, acompanhado de seus anexos, e nas oportunidades concedidas pelo órgão julgador no âmbito administrativo, eis que nestes documentos não há as circunstâncias de fato e de direito que justifiquem a imposição fiscal, de modo a garantir ao sujeito passivo o pleno exercício de seu direito de defesa, dandolhe ciência daquilo que se deve defender. [...]” (g.n.) Nesse passo, a decisão do acórdão embargado concluiu que, da análise do caso concreto, podese inferir que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito Fl. 393DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo. Assim, verificase que não há contradição ou omissão no voto condutor, eis que o seu conteúdo abordou de forma suficiente a matéria concernente à nulidade por vício material, sendo que os argumentos da Embargante apontam para uma nova discussão da matéria, não cabível em sede de Embargos de Declaração. Esse entendimento decorre do fato de que os Embargos de Declaração representam uma via estreita e não se prestam para a modificação da decisão embargada que não contenha omissão, contradição ou obscuridade. Registrase que, além de ser matéria de ordem pública, não se trata de fato incontroverso a análise da decadência tributária, já que a Recorrente postulou o fato tanto na peça de impugnação quanto na peça recursal. Apenas a título de realce, no âmbito da matéria submetida à apreciação deste Conselho, o grau de devolutividade é definido pela Recorrente nas razões de seu recurso. Tratase da aplicação do princípio tantum devoluntum quantum appellatum. Assim, a matéria a ser apreciada pelo CARF estaria delimitada pelas razões apresentadas nos recurso. Para tanto, foi nesse sentido que foi proferido o conteúdo do voto ora embargado com a apreciação e julgamento de todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a decisão de primeira instância não as tenha julgado por inteiro (art. 515, §1o, do CPC), encaminhando para a nulidade, por vício material, em decorrência do Fisco não demonstrar a data da ciência do sujeito passivo da decisão definitiva dos processos referentes às NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087. Em se tratando de matéria de ordem pública, como é o caso da decadência tributária, e revelandose patente que se tratava de lançamento substitutivo, pode o julgador averiguar se o Fisco observou ou não o lapso qüinqüenal da decadência prevista no art. 173, inciso II, do CTN, ainda que não tenha sido alvo direto da matéria registrada na peça recursal o marco temporal do dia 18/02/2009 (data da ciência do sujeito passivo do presente lançamento fiscal). Portanto, a simples alegação da Embargante de que a averiguação da decadência é fato incontroverso não pode aniquilar o conteúdo do acórdão ora embargado, e a presunção de que o Fisco comprovou o termo inicial do prazo decadencial para a realização do lançamento substitutivo não pode ceder diante da falta de provas insofismáveis constatadas nos autos. Ou seja, não constam dos autos os elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Na seara de quem deverá produzir os elementos informativos da cientificação do sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087), entendese que tal atribuição compete ao Fisco, já que se trata de um fato constitutivo do lançamento fiscal. Ademais, o Fisco encontrase em melhores condições de produzir a prova essencial ao deslinde do litígio ora instaurado, consubstanciado na teoria dinâmica de distribuição do ônus da prova, pois as informações da nulidade, por vício formal, do lançamento anterior e dos termos de ciência do sujeito passivo deverão permanecer nos autos dos processos originais. Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual foi apontado no Relatório Fiscal e seus anexos que se tratava de lançamento fiscal substitutivo, e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Código de Processo Civil – CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: Fl. 394DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000180/200902 Acórdão n.º 2402004.123 S2C4T2 Fl. 5 7 I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Nesse caminhar, percebese que não há espaço fático nem jurídico para aplicação da regra prevista nos incisos III e IV do art. 334 do Código de Processo Civil, como pretende a Embargante. E deixo consignado que o entendimento, manifestado no acórdão ora embargado, de que a data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087) é o marco inicial para a contagem de cinco anos do prazo decadencial do lançamento substitutivo está consubstanciado no princípio da legalidade (art. 173, parágrafo único, do CTN: ... contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ...), no princípio do paralelismo de forma (se o termo final é o dia da ciência do lançamento substitutivo, no caso em tela o dia 18/02/2009, não restará dúvida que o termo inicial será o dia da ciência ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores) e no princípio da actio nata (princípio universal em que a decadência só começa a correr quando o titular do direito violado toma conhecimento do fato e da extensão de suas conseqüências). De mais a mais, em condições de normalidade, que é o caso dos autos, a comprovação da data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087) deverá ser lastreada em um elemento idôneo que evidencie tal fato, e não por meio de afirmações ou alegações do Fisco, nem por meio de conjecturas da Embargante. Esse entendimento está consubstanciado no fato de que, para determinadas questões, no caso em dela a decadência, o lançamento fiscal não comporta a incerteza, nem uma ideia com fundamento incerto, já que não consta nos autos qualquer elemento material apontando a data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores. Assim, o cômputo do prazo decadencial deverá ser aferível por meio de elemento eminentemente objetivo (elemento material), não comportando juízo eminentemente subjetivo, eis que o reconhecimento do termo inicial da decadência requer a comprovação por meio de documento hábil, fato este não evidenciado nos autos. A falta de comprovação da data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores é tão evidente nos autos, que a Embargante sugere: “(...) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, cabe reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação”. Neste particular, entendese que não há espaço jurídico nem fático para se adotar a tese de que o sujeito passivo foi intimado quinze dias após a expedição da intimação, eis que tal tese somente poderia ser aplicada se houvesse a comprovação nos autos do envio da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e se essa data de recebimento estivesse omissa na documentação, fatos estes não evidenciados nos autos, a teor do art. 23, inciso II, §2o e inciso II, do Decreto 70.235/19972. Decreto 70.235/19972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) Fl. 395DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (g.n.) Após o delineamento das questões fáticas e jurídicas expostas anteriormente, entendo que a decisão desta Corte Administrativa, manifestada por meio do acórdão ora embargado, apresenta os requisitos necessários para sua validade, pois nela se verifica a congruência interna e externa. Esta diz respeito à necessidade de que a decisão seja correlacionada com os sujeitos envolvidos no presente processo, enquanto a congruência interna referese aos atributos de clareza, certeza e liquidez. Logo, percebese que esse Acórdão guarda congruência em relação aos sujeitos do processo, com os fundamentos e pedidos apresentados e com os demais documentos acostados nos autos. Com isso, entendese que o acórdão embargado, da forma como tratou a matéria, não foi omisso, nem obscuro, nem contraditório, e, como consequência, o seu julgamento resultou em conclusão plenamente válida. E, por consectário lógico, os Embargos de Declaração opostos pela Embargante não possuem os requisitos de admissibilidade, previstos no art. 65, Anexo II, da PORTARIA MF no 256/2009, impondo que não seja acolhida a pretensão da aludida contradição ou omissão. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911174/2012-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 74 /2 01 2- 13 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 11030.904393/2012-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 93 /2 01 2- 33 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904393/201233 Acórdão n.º 3801003.207 S3TE01 Fl. 88 2 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904393/201233 Acórdão n.º 3801003.207 S3TE01 Fl. 89 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 31/05/2004. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904393/201233 Acórdão n.º 3801003.207 S3TE01 Fl. 90 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904393/201233 Acórdão n.º 3801003.207 S3TE01 Fl. 91 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904393/201233 Acórdão n.º 3801003.207 S3TE01 Fl. 92 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904393/201233 Acórdão n.º 3801003.207 S3TE01 Fl. 93 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 14041.000416/2004-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1999, 2000
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN.
Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN).
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
CONTA-CONJUNTA - FALTA DE INTIMAÇÃO - NULIDADE
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na faze que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Sumula CARF 29)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
TAXA SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Numero da decisão: 2202-002.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator) e Rafael Pandolfo que acolhiam a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, rejeitar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$ 51.333,33 e R$ 282.868,33, relativos aos anos calendários 1998 e 1999, respectivamente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez (Presidente Substituto ).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco De Souza, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite. Ausente justificadamente o conselheiro Fabio Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 16 /2 00 4- 98 Fl. 840DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 CONTACONJUNTA FALTA DE INTIMAÇÃO NULIDADE Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na faze que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Sumula CARF 29) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator) e Rafael Pandolfo que acolhiam a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, rejeitar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$ 51.333,33 e R$ 282.868,33, relativos aos anos calendários 1998 e 1999, respectivamente. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez (Presidente Substituto ). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco De Souza, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite. Ausente justificadamente o conselheiro Fabio Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 841 3 Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF (fls.659/666), exercícios 1999 e 2000, anoscalendário 1998 e 1999, por AFRF da DRF/Brasília/DF. O autuado teve ciência do lançamento em 22/12/2004, conforme Aviso de Recebimento de fl. 667. O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários não Comprovados omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas junto ao Unibanco — União Brasileira de Bancos S/A, nos valores totais de R$ 242.455,03 (AC 1998) e R$ 848.605,00 (AC 1999), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O autuado apresentou impugnação ao lançamento em 21/01/2005 (fls. 669/703), acompanhada dos documentos de fls. 704/750. A Delegacia de Receita Federal de Julgamento de Brasilia, DRJ/BSA ao analisar a impugnação, decidiu por unanimidade de votos e manter parcialmente o lançamento através do acórdão DRJ/BSA 0318.646 de 25 de setembro de 2006, consubstanciado na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999, 2000 Ementa: DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR — No caso do imposto de renda, quando não houver a antecipação do pagamento do imposto pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO — Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, não constitui quebra do sigilo bancário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS — Caracterizase omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 842DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Devidamente cientificado dessa decisão, o contribuinte apresente tempestivamente recurso voluntário onde alega sem síntese: Nulidade do lançamento tendo em vista que as informações e dados bancários foram obtidas sem a devida autorização judicial, portanto violando sigilo bancário do Recorrente; Decadência do lançamento do anocalendário de 2002, e parcial do ano calendário de 1999 tendo em vista que a ciência do lançamento ocorreu em 20 de dezembro de 2004; Que depósitos bancários não podem ensejar a presunção de auferimento de renda; Nulidade parcial do lançamento por se tratar de contaconjunta a conta 195.1501 e os cotitulares não foram devidamente intimado; e, Que é indevida a aplicação da taxa selic no presente lançamento. É o relatório. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 842 5 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Nulidade Violação Sigilo Bancário A primeira preliminar a ser analisada diz respeito ao nulidade parcial do lançamento tendo em vista que a autoridade fiscalizadora, teria fundamentado o auto no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, onde teria ocorrido omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Por sua vez o Recorrente alega que tais informações só poderiam ser obtidas através de decisão judicial, desta forma teria ocorrido quebra no seu sigilo bancário de forma inadequada. O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 47, 50, 52, 54, 56, 58, 60, 62, 64, 68 e 70 do eprocesso), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão Fl. 845DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 843 7 os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; Fl. 846DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Sendo assim, entendo que as seguintes infrações devem ser excluídas, pois carecem de materialidade obtida no seio de um devido processo legal (conforme entendimento adotado pelo STF): 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 844 9 Diante do exposto acolho a preliminar de nulidade parcial suscitada pelo Recorrente. Decadência Inicialmente, há que se fazer algumas considerações acerca do prazo decadência a ser aplicado aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, encontra pacificado neste Conselho o entendimento, ao qual me filio, de que o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4o deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador), independentemente de haver ou não pagamento do tributo. O referido dispositivo legal exclui do seu escopo expressamente apenas os casos em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicandose, nessa hipótese, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso I (cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Entretanto, com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {1} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No que diz respeito ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário, assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733 – SC, de 12/08/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ: Fl. 848DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não Fl. 849DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 845 11 restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Depreendese, assim, que nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN, considerandose que “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Posteriormente, acolhendo os embargos de declaração oposto pela Fazenda Nacional no Agravo Regimental no Recurso Especial no 674.497/PR (2004/01099782), julgado em 09/02/2010, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1o a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1o 1.1995, expirandose em 1o 1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O relator, Ministro Mauro Campbell Marques, esclarece no voto condutor que: Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). [...] Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Concluise, assim, que a aplicação do prazo decadencial previsto art. 150, §4o, do CTN passou a ter uma condição adicional, qual seja, a existência de pagamento antecipado de tributo. Inexistindo pagamento antecipado, deslocase o prazo decadencial para o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” (art. 173, inciso I), restando claro que, nos casos de fatos geradores ocorridos no dia 31 de dezembro de cada ano, o lançamento só poderá ser efetuado no ano seguinte. Retornando ao caso em concreto, tratase de lançamento referente aos anos calendários de 1998 e 1999, em que foi apurada omissão caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, infrações sujeitas ao imposto apurado na declaração de ajuste anual, cujo fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Para o anocalendário 1998, o prazo decadencial começou a fluir em 31.12.1998, de modo que o lançamento poderia ter sido formalizado até 31.12.2003 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, visto que o presente Auto de Infração foi cientificado pessoalmente ao contribuinte em 20/12/2004, poderia ter ocorrido a decadência, ocorre todavia que não houve pagamento algum no presente caso, desta forma não havia decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Para o anocalendário 19998, o prazo decadencial começou a fluir em 31.12.1999, de modo que o lançamento poderia ter sido formalizado até 31.12.2004 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, visto que o presente Auto de Infração foi cientificado pessoalmente ao contribuinte em 20/12/2004, desta forma não havia decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente. Nulidade Falta de Intimação Contaconjunta – 195.1501 Fl. 851DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 846 13 A autoridade lançadora reconheceu que as contas correntes do Banco Unibanco, 195.1501, tinha três titulares, e dois deles não foram devidamente intimados para comprovar a origem dos depósitos nelas referidos. O fato é que, em momento algum, os cotitulares foram chamado aos autos para justificar ou informar a respeito da movimentação que lhes cabia em cada uma das contas bancárias, o que macula o procedimento fiscal como um todo. Não há dúvidas de que nas hipóteses de contas conjuntas, deve ser observado o comentado do parágrafo 6º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, acrescentado pela Lei nº 10.637/2002. Mas, deve ele ser interpretado conjuntamente com seu caput: “Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. .... “§ 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.” (grifouse) Tratase, pois, de um comando impositivo e incondicional, que prevê um critério objetivo de quantificação da base de cálculo, justamente para conferir critérios de liquidez, certeza e justiça ao lançamento. Constatese que há dois requisitos exigidos pelo dispositivo retrotranscrito: 1º. que os titulares da conta conjunta tenham apresentado declaração de rendimentos em separado, o que efetivamente aconteceu, conforme se extrai da declaração de ajuste anual do Contribuinte, 2º. que todos os titulares da conta corrente sejam intimados para, querendo, comprovarem a origem dos depósitos bancários. É dever da Fiscalização, pois, observado o prazo decadencial, intimar o outro titular da referida conta bancária para que ele, na condição de cotitular e contribuinte do IRPF, comprove a origem dos depósitos, independentemente do percentual de sua real participação em tal conta, e do motivo pelo qual participa como cotitular, o que, todavia, como visto, não foi feito no caso concreto, nas situações de ambas as contas bancárias. Aliás, esse é o posicionamento desse Conselho, como se vê das seguintes ementas: “DEPÓSITO BANCÁRIO CONTA CONJUNTA Tratandose de conta conjunta, é imprescindível que todos os titulares Fl. 852DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 estejam sob o procedimento de ofício. Ademais, o lançamento com base em depósitos bancários deve ter a base tributável dividida pelo número de titulares da conta conjunta, nos casos em que estes tenham rendimentos próprios e declarem em separado.” (Acórdão nº 10421006, de 13.09.2005, Relatora Cons. Meigan Sack Rodrigues) “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Em caso de conta conjunta é obrigatório intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de ofício, os valores como sendo renda exclusiva de um dos correntistas. Ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o auto de infração adotou base de cálculo diferente daquela estabelecida pela regramatriz do § 6º do artigo 42 da Lei nº. 9.430, de 1996, razão pela qual, neste ponto, deve ser cancelado. Exigência cancelada.” (Acórdão nº 10247838, de 16.08.2006, Relator Cons. Moises Giacomelli Nunes da Silva) “... OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, nos casos de conta corrente bancária com mais de um titular, os depósitos bancários de origem não comprovada deverão, necessariamente, ser imputados em proporções iguais entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. É indispensável, para tanto, a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários. ...” (Acórdão nº 10421419, de 23.02.2006, Relator Cons. Pedro Paulo Barbosa) Tal posicionamento foi ratificado através da Súmula nº 29 do CARF, que foi publicada através da Portaria de nº 106, de 21 de dezembro de 2009: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na faze que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Fl. 853DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 847 15 Logo, entendo que não tem como subsistir o lançamento no que tange a conta bancária 195.1501, por desrespeito ao comando cogente do parágrafo 6º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, supratranscrita, eis que ambas as contas correntes cujos depósitos não tidos como não comprovados são de titularidade conjunta, não bastando, apenas, reduzir o montante tributável pelo número dos titulares, na esteira da jurisprudência desse Conselho de Contribuintes. Diante, disso entendo que deve ser excluído da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 51.333,33 relativo ao anocalendário de 1998 e R$ 282.868,33 relativo ao anocalendário de 1999. Mérito OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. Parte do auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Desta forma, é devida parte da presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC No que diz respeito ao argumento da indevida aplicação da SELIC como juros de mora, entendo que o mesmo não procede, uma vez que o artigo 13, da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995 prevê a sua aplicação sobre os tributos em atraso: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Desta forma, como a cobrança em auto de infração dos juros de mora (calculados pela Taxa SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura. Em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, os referidos dispositivos legais são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal que declare sua inconstitucionalidade Fl. 855DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 848 17 Além do mais tendo em vista a Súmula n° 04 do CARF, a aplicação da SELIC é devida aos débitos administrados pela Receita Federal do Brasil: Súmula nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Desta forma, não procede o argumento apresentado pelo contribuinte no que diz respeito a essa matéria. Assim, por tudo o que dos autos consta, conheço do recurso, rejeito a preliminar de decadência, acolho a preliminar de nulidade no que diz respeito a falta de intimação dos cotitulares, excluindo da base de cálculo do valor de R$ 51.333,33 relativo ao anocalendário de 1998 e R$ 282.868,33 relativo ao anocalendário de 1999, e no mérito nego provimento ao recurso. . (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 856DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 857DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 849 19 III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, Fl. 858DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Redator Designado Fl. 859DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 35301.000793/2007-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 9202-000.005
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em devolver os autos à Câmara de origem para que seja feita nova análise quanto à admissibilidade do recurso especial.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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(Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 35301.000793/200731 Resolução n.º 920200.005 CSRFT2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Especial (fls. 199/236), interposto pela CIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA, em face do Acórdão nº 20600.084 (fls. 185/ss) da Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, proferido em 10/10/2007, que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de violação do art. 146 do CTN, de decadência e de exclusão dos coresponsáveis; e no mérito negou provimento ao recurso voluntário. Tratase de crédito tributário suplementar lançado pela fiscalização, pertinente às contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos administradores da empresa, na condição de segurados empregados, em relação a serviços prestados no período epigrafado. O valor do presente lançamento foi de R$ 92.026,30 (oitocentos e noventa e dois mil, vinte e seis reais e trinta centavos), consolidado em 06 de novembro de 2006. A Administração Tributária, em relatório de fls. 19/24, que as bases de cálculo das contribuições lançadas correspondem aos valores contabilizados pela empresa na rubrica Participação Estatutária Administradores, e que haviam sido excluídas da NFLD 37.017.3350, por ter sido comprovado vinculo empregatício dos beneficiários até 02/2004. Cientificada do lançamento, em sede de impugnação administrativa, a contribuinte apresentou as seguintes alegações: A exação tem por objeto a remuneração paga a três administradores empregados da impugnante, relativa ao mesmo período objeto de NFLD anterior, o que caracteriza duplicidade de lançamentos O lançamento anterior é definitivo e só pode ser alterado nas hipóteses do art. 145 do CTN. O direito do INSS de constituir o crédito em comento foi alcançado pela decadência, face ao disposto no art. 150 § 40 do Código Tributário Nacional. O pagamento das participações nos lucros efetuadas aos administradores da impugnante foram realizadas com fundamento no art. 7° da CF/88, nos arts. 190 e 152 da Lei 6.404176, bem como no art. 33 do seu Estatuto Social, sendo absolutamente dissociado dos ditames da lei 10.101/2000. Enfatiza que os referidos valores foram declarados para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda. Mesmo que fosse possível criar um vinculo entre a remuneração creditada aos administradores empregados da impugnante e o pagamento em questão, os valores relativos a tal pagamento jamais poderiam receber status de verba salarial, pois não gozam de habitualidade Não existem razões legais para que a NFLD indique diretores da impugnante como coresponsáveis, por não se enquadrarem nas hipóteses do art. 135 do CTN. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 35301.000793/200731 Resolução n.º 920200.005 CSRFT2 Fl. 3 3 Ao analisar a impugnação da contribuinte, a Delegacia da Receita Previdenciária de Rio de Janeiro/RJ considerou o lançamento procedente, conforme a Decisão Notificação nº 17.401.4/0977/2006: PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. NATUREZA JURÍDICA. A teor do § 90 inciso X do art. 28 da Lei 8.212/91, não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, exclusivamente quando paga ou creditada de acordo com lei especifica. LANÇAMENTO PROCEDENTE Em sede de Recurso Voluntário (fls. 148/ss), o contribuinte reiterou as alegações apresentadas na primeira instância, argumentando que, como os trabalhadores contemplados com o pagamento da verba em discussão são administradores da recorrente, o pagamento de suas respectivas Participações nos Lucros deve, sob pena de ilegalidade, se submeter aos ditames contidos nos arts 152 e 190 da Lei n° 6.404/76, bem como aos ditames relativos à remuneração dos Administradores contidos nos Estatutos da recorrente. Alegou que a verba em questão, paga pela recorrente aos administradores empregados, jamais poderia integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois seu pagamento não é habitual, haja vista depender da ocorrência de evento futuro e incerto, qual seja, a obtenção de lucro pela recorrente. Em outubro de 2010, ao analisar o recurso interposto pelo contribuinte da Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes decidiu, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de violação do art. 146 do CTN, de decadência e de exclusão dos coresponsáveis; e no mérito negou provimento ao recurso voluntário, conforme o teor do Acórdão 20600.084: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2004 Ementa: PREVIDENCIARIO — SALÁRIO INDIRETO — PAGAMENTO DE PRÊMIO — PRODUTIVIDADE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. 0 valor referente A participação nos resultados, pago em desacordo com a legislação, integra o salário de contribuição por força do disposto no art. 28 da Lei n° 8.212/91. Recurso negado. O que se observa do acórdão combatido é que, segundo o voto condutor, a Constituição Federal remeteu à lei a função de estabelecer critérios e regras para desvincular a participação nos lucros da remuneração, o que, entendo, foi feito pela Lei n° 10.101/00. E, segundo o acórdão, como a alínea "j", do § 9°, do art. 28 da Lei n° 8.212/91, isenta de contribuição previdenciária apenas a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada de acordo com a lei especifica, no caso a Lei n° 10.101/99, a referida verba, paga pela contribuinte a favor de seus administradores empregados, em desacordo com o mencionado diploma legal, integra o salário de contribuição. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 35301.000793/200731 Resolução n.º 920200.005 CSRFT2 Fl. 4 4 Ademais, entendeu a decisão recorrida que a verba paga pela empresa aos empregados administradores representa uma vantagem econômica para o trabalhador e integra o saláriodecontribuição. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Especial com o fundamento com fundamento nos art 7º, inciso II do Regimento Interno do CSRF. Alega a recorrente que a decisão recorrida entendeu que o prazo de decadência a ser aplicado ao caso das contribuições previdenciárias é o disposto no art. 45, da Lei n.° 8.212/91, qual seja, 10 (dez) anos, e que, por isso, não há nenhum período alcançado por indigitado instituto. Argumenta que com a edição Súmula Vinculante n.° 8 do E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, afastando definitivamente a possibilidade de se considerar que o prazo de decadência para as contribuições seria de 10 anos e não de cinco como determina o Código Tributário Nacional. No sentido de fundamentar a controvérsia, a contribuinte traz à balia jurisprudência da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes como paradigma: Acórdão 10709349 CSLL. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DO ART. 45 DA LEI 8212/91. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 40 DO CTN. Tendo a Suprema Corte, de forma reiterada, proclamado a natureza tributária das contribuições de seguridade social, determinando, pois, em matéria de decadência, a lei e o direito aplicável, por força do que dispõe o art. 146, III, b da Constituição Federal, aplicase as regras do CTN em detrimento das dispostas na Lei Ordinária 8212/91. Interpretação mitigada do disposto na Portaria MF 103/02, isto em face do disposto na Lei 9.784/99 que manda o julgador, na solução da lide, atuar conforme a lei e o Direito. Portanto, devese reconhecer, a favor da recorrente, a decadência do direito da Fazenda Pública. Recurso voluntário provido Sustenta a recorrente que se tratando de tributo, as contribuições previdenciárias em comento submetemse aos prazos de prescrição e decadência fixados na Lei n.° 5.172/66 — Código Tributário Nacional , lei materialmente complementar competente para tanto, nos termos previstos no artigo 146 da Constituição Federal, não podendo prevalecer nenhum outro prazo decadencial ou prescricional fixado em Leis especificas, como, no caso, os prazos previstos na Lei 8.212/91, cujos artigos 45 e 46 foram declarados inconstitucionais. Desse modo, continua a contribuinte, o prazo decadencial para a constituição de eventual crédito tributário, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Em sua peça recursal, a contribuinte argumenta, ainda, que não houve alteração, mas sim a confecção de um novo lançamento, suficiente para violar a norma contida no artigo citado, e que o acórdão recorrido, ao determinar que normas infraconstitucionais — Leis nº 10.101/00 e 8.212/91 — se sobrepõem ao dispositivo constitucional — artigo 7°, XI da CF — posicionase de forma contrária ao decidido no acórdão paradigma, o acórdão n.° 301121616. Em Despacho à fls. 247/ss, o Presidente da Quarta Câmara da Segunda Seção deu seguimento ao recurso especial unicamente à alegação de decadência, tendo vislumbrado a Fl. 366DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 35301.000793/200731 Resolução n.º 920200.005 CSRFT2 Fl. 5 5 similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigma, motivo pelo qual entendeu que está configurada divergência jurisprudencial apontada. Em sede Contrarrazões (fls. 273/ss), a PGFN afirma que a jurisprudência desta corte administrativa, por diversas vezes, já entendeu que para o reconhecimento da decadência dos créditos tributários deve ser aplicado o disposto no artigo 150, § 4º do CTN ou no artigo 173, inciso I, dependo da existência ou não de pagamento parcial nos termos da jurisprudência firmada pelo STJ. Em 20 de setembro do corrente foi protocolizada petição da Recorrente – tendo sido encaminhada cópia digitalizada a este Conselheiro no dia seguinte [21/09/2012] –que alega e, ao final, requer: [...]Após o exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Recorrente, o ilustre Presidente da Quarta Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entendeu por inadmitílo em parte, pautado na premissa de que a divergência jurisprudencial apontada pela Recorrente não restou configurada uma vez que esta não teria cumprido os requisitos previstos nos §§7º e 9º do artigo 67 do RI/CARF. [...] Assim, fundamentado na premissa de que a Recorrente não teria cumprido os requisitos previstos nos §§7º e 9º do artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Presidente da Quarta Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com relação à aplicaçãoo dos artigos 110 e 146 do Código Tributário Nacional. Ocorre que a decisão prolatada pela ilustre Presidência do CARF está pautada em premissa equivocada na medida em que os 3 Acórdãos apontados como paradigma pela Recorrente foram devidamente juntados, na íntegra, quando do protocolo do Recursos Especial em 30 de outubro de 2008. Contudo, o que ocorreu no presente caso foi que os autos do processo foram reconstituídos e, nesse momento, os Acórdãos paradigmas juntados pela ora Recorrente foram extraviados. [...] Isto posto, tendo em vista que a Recorrente cumpriu o requisito previsto no §7º do artigo 67 RI/CARF na medida em que os Acórdãos Paradigmas foram devidamente juntados quando da interposição do Recurso Especiale, conforme comprovado, não se encontram acostados aos autos por circunstâncias alheias à sua vontade, a Recorrente requer V. Sa. se digne reconsiderar a decisão que inadmitiu em parte o Recurso Especial a fim de que, além da divergência relativa à decadência, também sejam analisadas as divergências de interpretação apontadas pela Recorrente com relação à aplicação dos artigos 110 e 146 do Código Tributário Nacional. É o que tenho a relatar. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 35301.000793/200731 Resolução n.º 920200.005 CSRFT2 Fl. 6 6 VOTO Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e demonstrada a divergência parcial, passo ao exame das questões de mérito. Não obstante os apontamentos e pedido da contribuinte ter sido aviado às vésperas do julgamento, entendo que sua pretensão merece acolhida, pois se configura como prejudicial para o julgamento por esta instância, neste momento. Como registrado no relatório alhures, em sua peça recursal, a contribuinte argumenta, ainda, que não houve alteração, mas sim a confecção de um novo lançamento, suficiente para violar a norma contida no artigo citado, e que o acórdão recorrido, ao determinar que normas infraconstitucionais — Leis nº 10.101/00 e 8.212/91 — se sobrepõem ao dispositivo constitucional — artigo 7°, XI da CF — posicionase de forma contrária ao decidido no acórdão paradigma, o acórdão n.° 301121616. Em Despacho à fls. 247/ss, o Presidente da Quarta Câmara da Segunda Seção deu seguimento ao recurso especial unicamente à alegação de decadência, pois em face demais questões suscitadas não teria satisfeito a exigência constante dos §§7º e 9º, do art. 67, do RICARF, ou seja: (i) o recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas; ou (ii) as ementas poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Diante disso e após análise dos autos sob à luz das informações/argumentos apresentados pela Contribuinte, estou convencido que as provas indiciárias são veementes e convergem à pretensão recorrente, qual seja, foram juntadas com o recurso interposto as cópias dos acórdãos paradigmas, o que, de per se, repercute a necessidade de revisão do exame de admissibilidade do Especial pelo i. Presidente da Câmara a quo. Pelo exposto, resolvo anular o Despacho de fls. 247 e ss, para que seja realizado novo exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 368DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR
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Numero do processo: 10882.902512/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.741
Decisão: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: Por maioria, converteu-se o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Marques Cleto Duarte Redator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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decisao_txt : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: Por maioria, converteu-se o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Relator (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: Por maioria, converteuse o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte – Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 02 51 2/ 20 08 -4 3 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 147 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão que julgou improcedente a homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 27365.49083.280906.1.7.046681, em virtude do alegado direito de crédito encontrarse integralmente alocado a outro débito. Em manifestação de inconformidade a contribuinte salientou que efetuou recolhimento em valor maior que o devido, e aproveitou o indébito para compensação com outros tributos administrados pela RFB, porém, de fato, não providenciou a retificação da DCTF, mas que a DIPJ apresentada refletiria o valor efetivamente devido, o que, em nome da verdade material, deveria ser considerado no exame da questão. Na oportunidade foram juntadas ao processo cópias do DARF, DCTF, PERDCOMP, DACON e DIPJ. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade ao argumento que, para homologação da compensação declarada, fazse necessária a demonstração da liquidez e certeza do direito de crédito vindicado. Em recurso voluntário o contribuinte reafirma que a DCTF está incorreta, sendo que o valor efetivamente devido está perfeitamente indicado na DIPJ e no DACON, asseverando que tais declarações nunca foram questionadas pelas autoridades administrativas, pelo que, estariam homologadas pela Administração Tributária. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. O ponto fulcral a ser enfrentado por este colegiado reside exclusivamente na possibilidade de se admitir o reconhecimento de indébito tributário a partir de declarações apresentadas pelo sujeito passivo, não havendo discussões acerca de nulidade de ato administrativo ou cerceamento de defesa, como é comum nestas situações. No caso vertente, o contribuinte não trouxe cópia de documentos contábeis que pudessem confirmar o acerto de suas declarações, cuja exatidão baseiase tão somente em sua afirmação em sede recursal. É certo que as declarações prestadas pelo contribuinte gozam de presunção de idoneidade e veracidade, porém, dita presunção não é absoluta, mas relativa, de maneira que havendo incongruência entre os dados delas constantes, apontados pelo próprio contribuinte, Fl. 147DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10882.902512/200843 Resolução nº 3401000.741 S3C4T1 Fl. 148 3 caberia a demonstração, a partir de elementos contábeis, de qual destas informações é a verídica. O próprio contribuinte reconhece que há uma discrepância entre os dados da DCTF e da DIPJ/DACON. Neste passo, não há como afirmar que a DIPJ e a DACON deveriam prevalecer sobre a DCTF, eis que não há esta “hierarquia” entre as declarações prestadas pelo sujeito passivo à RFB, mas sim uma natureza específica a cada uma, cumprindo a esta última o status de instrumento de confissão de dívida e às primeiras a função meramente informativa da apuração do tributo. Outrossim, não procede a afirmação que os dados indicados nas DACON/DIPJ estariam homologados por ausência de questionamento por parte das autoridades fiscais, aliado ao decurso do prazo, o que as tornaria suficiente para comprovação do crédito vindicado. O instituto da homologação em matéria tributária, mormente a modalidade tácita, por representar a aquiescência da autoridade administrativa em relação a procedimentos adotados pelo sujeito passivo ou terceiros submetidos à legislação específica, exige previsão legal para sua ocorrência, não sendo decorrência natural dos atos administrativos ou simplesmente abstraída por presunção. Assim, por exemplo, sua incidência nas hipóteses previstas no art. 150 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Tocante à homologação de informações prestadas em declarações à RFB, desconheço a existência de previsão legal que a ampare, de maneira que, enquanto não extinto o direito de exigir o crédito tributário, as autoridades administrativas podem sim desprezálas e, no caso deste autos, o despacho decisório de não homologação da compensação foi expedido no prazo legal. Em hipóteses como esta – divergência entre declarações –, tenho que apenas a contabilidade do contribuinte se sobrepõe às declarações firmadas, porquanto a legislação comercial e civil (e. g. art. 226 do Código Civil, art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 56 e ss da Lei nº 4.502/64) lhe confere expressamente esta força probante, de modo que caberia sua apresentação para contraposição às declarações para checagem do que é realmente devido. Ou seja, a questão diz respeito a prova ou, melhor dizendo, à distribuição do ônus probatório, isto é, a quem caberia fazer a prova do direito em jogo. O contribuinte, na primeira oportunidade em que se manifestou, pugnou pela observância da verdade material, porém, há de se ter em conta, inicialmente, a quem competiria demonstrar o direito vindicado, o que, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, seria atribuição sua. Destarte, consoante aludido dispositivo, cabe ao autor o ônus de provar o fato constituvio de seu direito, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, atribuise ao sujeito passivo, que é o titular do direito, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este encargo pertence ao sujeito ativo, o Estado, representado pela Fazenda Nacional. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10882.902512/200843 Resolução nº 3401000.741 S3C4T1 Fl. 149 4 Nestes autos, a incumbência da prova então caberia ao contribuinte, que não se desvencilhou de produzila, sendo insuficiente a remissão às declarações, justamente porque as informações são díspares. Aliás, esta observação foi pontualmente feita pela decisão de primeira instância, porém, ainda assim o recorrente não atentou para o ponto. Pelo exposto, entendo que a decisão recorrida deve ser integralmente mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Voto Vencedor Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA O julgador ao prolatar suas decisões deve atentarse para a função social do processo administrativo, para que ele não se torne apenas um “amontoado de papeis”, que não reflete a verdade real dos fatos. É pacífico o entendimento que a verdade material ou real é princípio informador do processo administrativo tributário, que se vincula ao princípio da oficialidade, sendo um direito/dever da administração perseguir as informações, para que possa prolatar uma decisão equitativa. O abordar o tema em tela, o autor Celso Antônio Bandeira de Mello assim dispôs: “Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrarem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado...” Sendo assim, tendo em vista que as declarações juntadas pela contribuinte apresentam discrepância entre os dados da DCTF e da DIPJ/DACON, é imperioso que os documentos sejam explicados, sob pena de se prolatar uma decisão socialmente ilegítima. CONCLUSÃO Observando a função social do processo, à luz do princípio da verdade material ou real, baixemse os autos à origem, com a finalidade de que sejam esclarecidas as informações. Depois de cumprida a diligência, abrase vista à contribuinte, em honra aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 19679.012479/2004-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REVISÃO DO JULGADO. Os embargos de declaração não são instrumento hábil a viabilizar a revisão do ato decisório embargado.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 1102-000.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REVISÃO DO JULGADO. Os embargos de declaração não são instrumento hábil a viabilizar a revisão do ato decisório embargado. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratamse de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em face de acórdão proferido por esse Colegiado assim ementado, verbis: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 24 79 /2 00 4- 14 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19679.012479/200414 Acórdão n.º 1102000.986 S1C1T2 Fl. 3 2 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002 Ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Segundo entendimento sumulado pela Corte Administrativa, “para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”. Recurso voluntário provido.” No que interessa ao exame do recurso, o acórdão embargado afastou os fundamentos utilizados pela RFB e pelo acórdão de primeira instância para justificar o indeferimento do direito de fruição do incentivo fiscal pela Contribuinte, porquanto todas elas reportavamse à situação fiscal da Contribuinte em 2008 (fls. 26 e ss) e não na data da entrega da DIPJ relativa ao anocalendário de 2001, momento em que a Contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda ao fundo de investimento FINAM. Por meio desses declaratórios, sustenta a Fazenda Nacional que o acórdão embargado teria sido omisso em sua fundamentação, pois teria desconsiderado a existência de “débitos à época da opção pelo benefício (DIPJ ano calendário 2001), notadamente no que se refere a “Inscrições em Divida Ativa ns. 80.7.04.00081835 — (Pis relativo a março, abril, maio e junho de 1999), 80.6.04.00304900 (CSLL relativa ao mês de junho de 1999), 80.2.04.00238584 (IRPJ relativo ao mês de junho de 1999), conforme se infere do extrato emitido pelo Ministério da Fazenda (fls. 15/18 e 23/26) e decisão de primeira instância (201/212)”. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Conheço dos embargos de declaração, posto que tempestivos e apresentados por parte legítima. Ao contrário do referido pela Fazenda Nacional, o acórdão embargado não padece de quais quer dos defeitos relacionados no art. 65 do Regimento Interno dessa Corte. Não há omissão, obscuridade, contradição ou dúvida que justifique a apresentação de embargos. O acórdão recorrido assentou o entendimento de que (a) é ilegítimo o indeferimento do PERC por alegada irregularidade fiscal do contribuinte quando não for comprovado pela RFB que esta irregularidade é contemporânea à opção pelo benefício fiscal (e não ao exame do Fl. 361DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19679.012479/200414 Acórdão n.º 1102000.986 S1C1T2 Fl. 4 3 PERC); (b) não há prova nos autos de que houvesse tal irregularidade à data da citada opção, já que os relatórios emitidos pela RFB referemse exclusivamente à situação fiscal da Contribuinte no anocalendário de 2008. Tais embargos pretendem, em verdade, impugnar as conclusões do acórdão embargado e obter a reforma do entendimento nele consubstanciado, o que é defeso em sede de embargos de declaração. No particular, o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes já firmou o entendimento de que os embargos de declaração são instrumento inadequado para obter a revisão do ato decisório embargado. Os embargos de declaração não devem ser acolhidos quando ausentes omissão, contrariedade, obscuridade ou dúvida a serem supridas no julgado, tal como ocorre nos autos. Vejase, nesse sentido, acórdão proferido pela extinta Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, verbis: Número do Recurso: 131361 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 11030.000183/9846 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: DATASA COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida/Interessado: 1ª TURMA/DRJSANTA MARIA/RS Data da Sessão: 24/02/2005 01:00:00 Relator: Victor Luís de Salles Freire Decisão: Acórdão 10321871 Resultado: OUTROS – OUTROS Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos de declaração interpostos pela contribuinte e ratificar a decisão do acórdão nº 103 21.243, de 14/05/2003, no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir as exigências do IRPJ, IRF e PIS/REPIQUE. Inteiro Teor do Acórdão ac10321.871131361.pdf Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – OMISSÃO DO JULGADO – Não é de se acolherem embargos de declaração quando não há omissão de julgamento. Publicado no D.O.U. nº 63 de 04/04/05. No mesmo sentido: Fl. 362DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19679.012479/200414 Acórdão n.º 1102000.986 S1C1T2 Fl. 5 4 Número do Recurso: 119170 Câmara: OITAVA CÂMARA Número do Processo: 10855.000315/9873 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: ANDREW COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Recorrida/Interessado: DRJCAMPINAS/SP Data da Sessão: 08/11/2000 01:00:00 Relator: Tânia Koetz Moreira Decisão: Acórdão 10806287 Resultado: OUTROS – OUTROS Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, ACOLHER em parte os embargos de declaração opostos, a fim de suprir a omissão apontada no Acórdão 10805.798, de 13/07/99, mantendose contudo a decisão nele consubstanciada. Ementa: Processo Administrativo Fiscal – Embargos de Declaração – Os Embargos de Declaração não constituem o instrumento adequado para reexame do julgado. Embargos acolhidos na parte em que se confirma a existência de omissão no acórdão embargado. Lançamento "exofficio" Multa – O apelo ao Poder Judiciário, em busca de amparo a procedimento que o sujeito passivo entende correto, não configura denúncia espontânea da infração. A denúncia espontânea apenas afasta a aplicação da multa se acompanhada do pagamento do tributo devido. Embargos parcialmente acolhidos. Por mero amor ao debate, digase que também não há error in judicando na hipótese. Ao contrário do sugerido pela Fazenda Nacional, não há mínima prova de que a Contribuinte se encontrava em situação fiscal irregular na data da opção pelo benefício. O fato de existirem débitos de fatos geradores ocorridos anteriormente à opção pelo benefício não impõe a conclusão de que o contribuinte estivesse em situação irregular nessa data (opção). Conforme mencionado no voto condutor do acórdão recorrido, a RFB retratou a situação fiscal da Contribuinte no anocalendário de 2008, momento do exame do PERC, e não na data da opção pelo benefício (entrega da DIPJ 2002). Os extratos citados pela Fazenda em seus embargos, aos quais o acórdão embargado fez expressa referência, foram emitidos em 24.06.2008 e 14.08.2008, respectivamente. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer dos embargos de declaração para, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 363DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19679.012479/200414 Acórdão n.º 1102000.986 S1C1T2 Fl. 6 5 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 19647.013210/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR E DERIVADOS.
O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana-de-açúcar.
O cultivo da cana-de-açúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial.
PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ.
Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Designada. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora) e Alexandre Gomes, que davam provimento parcial. Designada a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA -Presidente
(Assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Redatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Alexandre Gomes, Fabíola Cassiano Keramidas, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana-de-açúcar. O cultivo da cana-de-açúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Designada. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora) e Alexandre Gomes, que davam provimento parcial. Designada a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA -Presidente (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Redatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Alexandre Gomes, Fabíola Cassiano Keramidas, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de canadeaçúcar. O cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Designada. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora) e Alexandre Gomes, que davam provimento parcial. Designada a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 32 10 /2 00 5- 11 Fl. 2458DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.459 2 (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Redatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabíola Cassiano Keramidas, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de Auto de Infração para cobrança de IPI (fl. 05/48), originado pela análise de pedido de restituição (fl. 01) de créditos. Ao proceder a verificação da existência do direito creditório pleiteado, a fiscalização conclui pela glosa de créditos contabilizados pela Recorrente, promovendo a consequente reconstituição do saldo credor do IPI e constatando débito do imposto, que foi objeto de lançamento. A fiscalização registra que o procedimento adequado seria a realização de pedido de ressarcimento não restituição e na forma trimestral, mas como isso não afetou o valor global, optou por aceitar a forma apresentada1. O Relatório da Fiscalização (fls. 2041/2063 – efls. 2262/2284) esclarece que foi realizada a glosa de créditos (i) relativo a produtos que não se enquadram no conceito de insumo (seja porque seriam considerados ativo e/ou materiais de uso e consumo, seja porque na produção agrícola – da cana de açúcar, no caso não se pode falar em insumos de industrialização); (ii) créditos que deveriam ser estornados, por se referirem à produção de aguardente, que diante da saída com suspensão do imposto, teria de gerar o estorno dos créditos correspondentes, conforme previsão legal; (iii) estorno relativo a créditos que são objeto do Pedido de Ressarcimento (Processo nº 13407.000040/200209), no qual ainda não havia sido autorizado o ressarcimento de valor algum e que, portanto, estariam sendo objeto de 1 Termo de Verificação Fiscal fls.01 "Entendemos também que o pedido não seria propriamente de restituição, que é cabível no caso de pagamento indevido ou a maior, mas sim de ressarcimento, categoria em que se enquadram os pedidos relativos a utilizações de créditos do lPI acumulados na escrita fiscal.Restanos então verificar se, no momento da protocolização do pedido, o estabelecimento dispunha, em sua escrita fiscal, de saldo credor acumulado passível de ressarcimento com base na legislação do lPI. Obs.: A rigor, o contribuinte deveria ter feito um pedido para cada trimestre calendário, mas, como isto não afeta o valor global, optamos por aceitar a forma de pedido único, registrando apenas que este valor é referente a todos os trimestres de 1999 a 2001." Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.460 3 creditamento e pedido de ressarcimento simultaneamente; e (iv) créditos derivados da aquisição de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. A Fiscalização promoveu a reconstituição da escrita fiscal da Recorrente, no período, e concluiu pela necessidade do lançamento dos valores de IPI que não poderiam ser considerado quitados, pois utilizados créditos supostamente indevidos (a planilha de reconstituição do saldo encontrase às fls. 49/71). É mencionada, também no Relatório da Fiscalização, a existência de mandado de segurança impetrado pela Recorrente visando o reconhecimento de seu direito ao crédito extemporâneo de créditos derivados da aquisição de insumos isentos, não tributados e/ou sujeitos à alíquota zero do imposto. A ação judicial teria tido sentença favorável, porém seus efeitos teriam sido suspensos por uma medida de suspensão da segurança – ajuizada pela Fazenda Nacional, bem como em virtude do provimento do Recurso de Apelação apresentado pela União. Intimada a Recorrente apresentou Impugnação ao lançamento (fls. 2.303/2.317), na qual alega que a glosa promovida pela Fiscalização ofende o princípio da não cumulatividade. Especialmente em relação à questão da atividade de cultivo de canadeaçúcar a Recorrente afirma que é ilegal considerar que a fase de cultivo não faz parte da produção de seus produtos, pois seu processo produtivo não pode ser dissociado, como se apenas a fase de entrega do produto final fosse considerada industrialização, já que, o cultivo é fase essencial, pois sem ele não haveria produção ou industrialização. Enumera, ainda, uma série de notas fiscais de entrada, em relação às quais houve glosa dos créditos, e com a qual não concorda, vez que tratam de aquisições de produtos que são considerados matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, efetivamente utilizados na industrialização e, alguns, com desgaste efetivo quando em contato com o produto industrializado. A Recorrente indica que, consideradas tais aquisições, ainda que se admitisse as demais glosas promovidas, o valor do auto de infração seria inferior (conforme quadro acostado à defesa). Em relação a este valor remanescente, que a Recorrente admitiria ser devido, promoveu seu pagamento por meio de compensação, com vistas a sua manutenção no REFIS ao qual havia aderido. Requereu, ainda, a realização de perícia, mormente para se determinar, diante do pagamento efetuado, qual seria o montante ainda passível de cobrança nos autos. A DRJ não conheceu da Impugnação (fls. 2.334/2.340), por entender que se trata de matéria objeto de ação judicial – concomitante, portanto – o que impediria sua análise na esfera administrativa, motivo pelo qual deveria ser aguardada decisão final da esfera judicial para então serem tomadas as providências cabíveis. Entendeu, ainda, ser desnecessária a perícia solicitada pela Recorrente, por entender se tratar de matéria já conhecida na jurisprudência administrativa, não havendo dúvidas quanto aos fatos relacionados ao processo. Aduziu que em processo da mesma Recorrente, tratando também de créditos de IPI, aquela Turma já havia entendido que na atividade de cultivo de canadeaçúcar não se confunde com industrialização, razão pela qual não há direito a crédito de IPI sobre diversas aquisições, pois não podem ser consideradas aquisições de insumos. O Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte (fls. 2.344/2.356) insurgese contra a decisão da DRJ, especialmente em relação à decisão de não autorizar a perícia, pois entende que é necessário esclarecer que tipo de produto é utilizado no cultivo canavieiro, possibilitando seu tratamento como insumo, inclusive em relação a produtos que se Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.461 4 desgastam e entram em contato com o produto industrializado.A discussão, portanto, travase em relação (i) aos produtos que não se enquadram no conceito de insumo (seja porque seriam considerados ativo e/ou materiais de uso e consumo, seja porque na produção agrícola – da cana de açúcar, no caso não se pode falar em insumos de industrialização). Não há qualquer discussão acerca das matérias referentes aos itens: (ii) que se refere aos créditos que deveriam ser estornados, por se referirem à produção de aguardente, os quais diante da saída com suspensão do imposto, teriam de gerar o estorno dos créditos correspondentes, conforme previsão legal; (iii) que trata do estorno relativo a créditos que são objeto do Pedido de Ressarcimento (Processo nº 13407.000040/200209) e (iv) que se refere à matéria vinculada ao processo judicial, qual seja, créditos derivados da aquisição de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. Vieramme, então, os autos para decisão. Em decisão proferida em 26 de abril de 2012, esta turma de julgamento entendeu por bem converter o presente processo em diligência (Resolução 3302000.212) para o fim de prescrutar a origem dos insumos glosados, a saber: “Intimar o contribuinte Recorrente a indicar: (i.a) por meio da elaboração de planilha, os insumos que foram utilizados em sua lavoura, e que foram objeto de glosa nestes autos, indicando, em ordem cronológica e com apontamento das datas, as respectivas notas fiscais; (i.b) adicionalmente, o Recorrente deve apresentar esclarecimentos quanto à utilização e finalidade de cada um dos insumos (ou grupos de insumos) objeto da glosa, também com a correspondente indicação das notas fiscais, quando necessário, ou seja, quando sua própria descrição já não for suficiente para esclarecer sua funcionalidade; (ii) recebida a manifestação do contribuinte deverá o agente administrativo competente: (ii.a.) analisar as informações apresentadas pelo contribuinte, atestandoas, bem como apresentando os eventuais comentários que entender pertinentes; (ii.b.) elaborar planilha indicando, em ordem cronológica e com indicação de datas, quais bens foram considerados como sendo material de uso e consumo, e que por isso tiveram os respectivos créditos glosados, informando, ainda, se algum foi ativado; (ii.c.) elaborar planilha indicando, em ordem cronológica e com indicação das datas, quais bens foram considerados com sendo ativo, o que ocasionou a glosa dos créditos sobre as respectivas aquisições, bem como, esclarecendo se tais bens estavam, de fato, contabilizados no ativo da Recorrente.” Cumprindo a diligência requerida, a Recorrente apresentou esclarecimentos fáticos (documentos acostados a partir das fls. 2387), sendo que o fluxo de produção apresentado não foi aceito pela fiscalização, conforme verificase da anotação realizada às fls. Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.462 5 2387 pelo próprio agente administrativo e os documentos não foram apresentados em ordem cronológica. Em conclusão, as autoridades administrativas manifestaramse acerca dos documentos apresentados (fls. 2440/2441). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele o conheço. Conforme relatado, a controvérsia se dá em relação à contabilização de uma série de créditos de IPI que foram glosados pela Fiscalização e, na reconstituição do saldo credor da empresa, que gerou débito do imposto, objeto do lançamento ora sob discussão. Cabe, portanto, analisar a legalidade das glosas efetuadas, para determinar se o auto de infração deve ou não ser mantido. Dentre as glosas efetuadas, a matéria que permanece controversa referese ao entendimento de quais insumos podem ser considerados como matéria prima/produto intermediário/embalagem utilizado para a produção do produto final “álcool”, sujeito à alíquota zero ou alíquota de 8%. Neste sentido, percebese que o objeto da Recorrente, à época dos fatos, era a produção de álcool, aguardante e bagaço de cana de açúcar, conforme se verifica do constatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2043/ efls. 2264), a saber: “Conforme declarado pelo contribuinte às fls. 1.436, o estabelecimento só passou a produzir açúcar em 2004. No período abrangido pelo pedido, pelo constante dos arquivos digitais que nos foram entregues, verificamos que era produzido álcool, de diversos tipos (anidro e hidratado, para fins carburantes ou não e neutro), e aguardente, tendo como resíduo industrial o bagaço de canadeaçúcar.” Todavia, o bagaço de cana de açúcar era consumido na própria produção, então não consistia em “produto final” e o produto “aguardente” saía do estabelecimento com a suspensão da incidência de IPI e a discussão de sua glosa, conforme relatado, não consta dos termos do Recurso Voluntário. Os créditos foram glosados pelas seguintes razões: (i) os produtos utilizados na lavoura da canadeaçúcar não podem ser considerados insumos, posto que “a atividade agrícola do cultivo da cana não se enquadra no conceito de industrialização”; (ii) apropriação de créditos decorrentes de bens registrados no ativo ou classificados pelo contribuinte como material de uso e consumo (CFOP 1.91, 2.91, 1.97, 2.97); (iii) apropriação de itens que não se enquadram no conceito de MP/PI/ME. Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.463 6 De acordo com a manifestação da fiscalização (efls. 2440/2444), a maioria dos insumos cujo crédito foi glosado, teve como causa o entendimento pela fiscalização de que faziam parte do ativo permanente, verbis: “Os produtos adquiridos que o contribuinte lançou no Registro de Entradas de Mercadorias e transferiu para o RAIPI (Registro de Apuração do IPI) como sendo material de uso e consumo estão identificados pelos CFOP 1.97 e 1.556. Os produtos cujos CFOP são diferentes dos dois mencionados acima foram considerados pela fiscalização como bens da ativo permanente. São veículos, máquinas e equipamentos, suas partes e peças. Na época da fiscalização, não foi verificado se os custos de aquisição desses produtos foram efetivamente contabilizados no ativo permanente. No entendimento da fiscalização, o fato de o contribuinte não contabilizálo como tal, por erro ou convicção, não muda a natureza de bens do ativo permanente. Portanto, o imposto pago na sua aquisição não pode ser utilizado como crédito.” Ao atender a diligência realizada, o contribuinte trouxe à colação planilhas explicando os itens que apropriou como crédito, bem como esclareceu a função destes insumos no sistema produtivo. Ainda, explicou o processo produtivo e apresentou um fluxograma que não foi aceito pela fiscalização. Registrase que a discussão na parte do “cultivo de cana de açúcar” o contribuinte limitase a pleitear créditos referentes à manutenção de veículos no setor canavieiro. Ocorre que entendo que este tipo de custo não pode ser considerado insumo para fins de IPI em nenhum hipótese, razão peal qual tornase irrelevante, a meu ver, a discussão acerca de o cultivo da cana fazer parte da fase de produção do álcool. Neste aspecto, pareceme que a principal discussão referese a análise das planilhas apresentadas (efls. 2390/2437), bem como da atividade relatada (efls. 2388/2389) e a conceituação de os itens listados serem ou não MP/PI/ME do álcool produzido pela Recorrente. Da análise que fiz entendo que são passíveis de crédito, por não serem parte do ativo imobilizado e serem consumidos no processo produtivo os seguintes itens: (i) abraçadeira de alumínio utilizada na caldeira de produção de vapor; (ii) alumínio utilizado como isolamento; (iii) arame recozido utilizado na transferência da vinhaça; (iv) bico de corte para maçarico; (v) cantoneira; (vi) cartões eletrônicos para sensor capacitivo; (vii) o diluente utilizado na linha de vapor; (viii) filtros; (ix) laminas pvc utilizadas como material de manutenção. Todos os demais itens, a meu ver, são partes e peças que deveriam estar ativados e, portanto, não podem gerar crédito de IPI. Ante o exposto, conheço do presente para o fim de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado, nos termos do voto proferido. É como voto. Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.464 7 Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2014 (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Voto Vencedor Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Redatora Como ressaltado no voto vencido, o recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual deve ser conhecido. A interessada é empresa agroindustrial que conta com parque industrial dotado de equipamentos modernos para a produção de aguardente e álcool dos tipos neutro, anidro e hidratado, para fins industriais e carburantes, e a partir de 2004, açúcar. Preliminarmente, a recorrente contesta o Acórdão da Autoridade Julgadora de 1ª instância administrativa por ter ela lhe negado o pedido de perícia, que, segundo seus argumentos, visava esclarecer a adequação nos procedimentos realizados quanto aos créditos de insumos do setor agroindustrial, haja vista que a matéria foge ao conhecimento jurídico tributário, imiscuindose em juízo técnico. Relativamente à tal negativa da DRJ alega que “Não é juridicamente inteligível, pois, a tentativa de se pretender opor ao creditamento de imposto sobre produtos industrializados, limites econômicos, com o devido respeito, ao arrepio, ainda, de conhecimentos técnicos acerca do funcionamento da empresa ora impugnante, sem sequer oportunizar tal prova em perícia técnica.” Acerca da solicitação de perícia, o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 06/03/72 (PAF), a seguir transcrito: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferido as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93).” Portanto, o deferimento de perícia solicitada pela contribuinte é ato discricionário da autoridade julgadora que poderá indeferila por considerála desnecessária ou prescindível para formar sua convicção, fundamentando sua decisão, em perfeita harmonia com o que dispõe o art. 28 do Decreto no 70.235/72. Foi exatamente o que aconteceu no presente caso. De fato, a perícia não se fez necessária, pois para se chegar à resolução acerca da questão ora contestada atinente à possibilidade de se creditar, ou não, de insumos utilizados na atividade de plantio de canade açucar, diferentemente do alegado, não se exige conhecimento técnico. Tratase de interpretação jurídica. Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.465 8 Contudo, como relatado acima, em julgamento proferido em 26 de abril de 2012, esta turma de julgamento entendeu por bem converter o presente processo em diligência (que, diferentemente de perícia não se trata de desvendar questões técnicas) (Resolução 3302 000.212) para o fim de prescrutar a origem dos insumos glosados, consoante os termos transcritos no relatório acima. A Recorrente apresentou Fluxograma do processo produtivo do setor Sucroalcoleiro (este não recebido e nem anexado aos autos em face da impossibilidade de digitação para o eprocesso, consoante consta despacho à efl 2387dado por servidor da unidade competente); Memorial descritivo do processo produtivo e Planilhas demonstrando a utilização dos insumos glosados na lavoura e nas fases do processo produtivo. Desta forma, terminou o CARF por atender ao pedido da recorrente, embora sob a sistemática de diligência e não de perícia, posto que esta se fazia desnecessária. DO MÉRITO Consoante constatase dos autos, a ação fiscal deuse ao amparo do Mandado de Procedimento Fiscal n.° 04.1.01.002003004326, de 08/08/2003 (fls. 001), complementado pelo MPF n.° 04.1.01.0020030043261, de 01/09/2004 (fls. 002), a partir do qual procedeuse à verificação, iniciada em 25/03/2004 (fls. 141 a 146), da exatidão das informações prestadas em Pedidos de Ressarcimento cumulados com compensação apresentados pelo contribuinte nos processos nº 13407.000083/200286 (Períodos de apuração de 1998 e de março a maio de 2002; cópia do Termo de Informação Fiscal anexado às efls 2287 a 2308) e nº 13407.000040/200209 ( Períodos de apuração de janeiro de1999 a fevereiro de 2002; cópia do Termo de Informação Fiscal anexado às efls 2262 a 2276). Retirase do Relatório Fiscal anexado ao Auto de Infração (efls 73 a 86) que o levantamento dos créditos por entradas escriturados nos livros Registro de Apuração do IPI (fls. 1.728 a 2.079), com base no escriturado nos livros Registro de Entradas estendeuse até o 3º decêndio de dezembro/2003, período limite estabelecido no Mandado de Procedimento Fiscal, sendo que na Planilha 01 – CRÉDITOS BÁSICOS GLOSADOS (efls. 87 A 125), estão listadas todas as notas fiscais de entradas que levaram ao registro de créditos indevidos, de janeiro de 1999 a dezembro de 2003, bem como está totalizado, por decêndio, o valor do crédito glosado. Segundo consta no Auto de Infração, na ação fiscal foram detectados as seguintes infrações à legislação do IPI: “001 CRÉDITOS INDEVIDOS FALTA DE ESTORNO DE CRÉDITOS. O estabelecimento industrial não estornou os créditos dos insumos utilizados na fabricação de aguardente destinada ao mercado interno, conforme RELATÓRIO FISCAL às fls. 072 a 085. 002 CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS BÁSICOS INDEVIDOS. O estabelecimento industrial registrou créditos básicos indevidos em sua escrita fiscal, conforme RELATÓRIO FISCAL às fls. 072 a 085.” Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.466 9 O Relatório Fiscal de efls 73 a 86 esclarece que, em face das infrações detectadas na ação fiscal, foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do 1PI, considerando: • as glosas de créditos básicos; • os estornos referentes às saídas de aguardente; • pequenos erros de transcrição do saldo credor de um período para outro nos livros Registro de Apuração do IPI; • o estorno e a reversão de estorno decorrentes da análise dos Pedidos de Ressarcimento; • os créditos básicos extemporâneos reconhecidos pela Fiscalização. E mais, que na reconstituição aparecem saldos devedores que obviamente não estavam declarados quando do início deste procedimento fiscal, ensejando o lançamento de oficio, através deste auto de infração, do imposto que deixou de ser recolhido, consoante consta na Planilha 06 – Reconstituição da Escrita Fiscal do IPI/ Diferenças a lançar, às e fls. 138 a 141 e no "Demonstrativo de Apuração de Diferenças a Cobrar", às efls. 043 a 048. Vêse, portanto, que os fatos que ensejaram o lançamento ora sob litígio são os mesmos que geraram as glosas dos pedidos de ressarcimentos formulados nos processo nº 13407.000083/200286 e 13407.000040/200209. Tanto é assim que o autuante, no Relatório Fiscal anexado ao Auto de Infração (efl 73) assim se pronuncia: “Para dar um melhor embasamento às nossas conclusões, faremos, inicialmente, uma breve digressão sobre o creditamento do IPI, sendo que remetemos ainda aos Termos de Verificação Fiscal dos Processos n.° 13407.000040/200209 (fls. 2.249 a 2.266) e n.° 13407.000083/200286 (fls. 2.267 a 2.297), a título de complemento do aqui descrito.” Em decorrência de tal circunstância, por ser oportuno, registrase o rumo tomado por tais processos: 1) O processo nº 13407.000083/200286 teve o pedido de ressarcimento parcialmente deferido, reconhecendolhe um saldo credor apurado pela fiscalização no PA do 1° trimestrecalendário de 2002, consoante consta da cópia do Termo de Informação à efl.2304, in verbis: “Ao final do 1° trimestrecalendário de 2002 restou acumulado saldo credor no valor de R$ 2.443,33, que não foi consumido até o decêndio imediatamente anterior ao da protocolização do pedido, sendo portanto este o valor passível de ressarcimento”(grifos do original) Em pesquisa ao sistema COMPROT (documento que se anexou à efl 2444, conforme Despacho 330201/CAJ2014 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2014 de efl.2456 a 2457) detectouse que tal processo Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.467 10 encontrase arquivado. Tal se deu em face de o contribuinte ter aproveitado dos benefícios previstos na MP 4702, de 13 de outubro de 2009, tendo, para isso, desistido expressamente da impugnação antes apresentada e renunciado a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentaram a referida impugnação, conforme Termo extraído do Processo de Parcelamento nº 13401.000462/200901 e que se anexou à efl.2445, nos termos do Despacho 330201/CAJ2014 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2014 de efl. 2456 a 2457. 2) O processo nº 13407.000040/200209, cujo ressarcimento foi indeferido pela Autoridade Administrativa, teve o litígio instalado julgado pelo o CARF, em 2 de fevereiro de 2011, que, por meio do Acórdão nº 3102000.887 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, por unanimidade, negou provimento ao recurso voluntário, consoante se demonstra com a ementa e dispositivo a seguir transcritos: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2002 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana deaçúcar. Ocorre que o cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. Recurso voluntário conhecido, mas desprovido. Crédito tributário negado. 2 MP 470, , de 13 de Outubro de 2009 Art. 3 º Poderão ser pagos ou parcelados, até 30 de novembro de 2009, os débitos decorrentes do aproveitamento indevido do incentivo fiscal setorial instituído pelo art. 1 º do DecretoLei n º 491, de 5 de março de 1969, e os oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006 , com incidência de alíquota zero ou como não tributados NT. § 1 º Os débitos de que trata o caput deste artigo poderão ser pagos ou parcelados em até doze prestações mensais com redução de cem por cento das multas de mora e de ofício, de noventa por cento das multas isoladas, de noventa por cento dos juros de mora e de cem por cento do valor do encargo legal. § 2 º As pessoas jurídicas que optarem pelo pagamento ou parcelamento nos termos deste artigo poderão liquidar os valores correspondentes aos débitos, inclusive multas e juros, com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido próprios, passíveis de compensação, na forma da legislação vigente, relativos aos períodos de apuração encerrados até a publicação desta Medida Provisória, devidamente declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3 º Na hipótese do § 2 º deste artigo, o valor a ser utilizado será determinado mediante a aplicação sobre o montante do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa das alíquotas de vinte e cinco por cento e nove por cento, respectivamente. § 4 º A opção pela extinção do crédito tributário na forma deste artigo não exclui a possibilidade de adesão ao parcelamento previsto na Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 . Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.468 11 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.” O Referido Processo, igualmente encontrase arquivado por, também, ter a contribuinte requerido a benesse prevista na MP 470, de 13 de outubro de 2011, consoante se demonstra pelos os documentos retirados do processo de parcelamento nº 13401.000462/2009 01 e que se anexou às efls 2446 a 2451, por meio do Despacho 330201/CAJ2014 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2014 de efl. 2456 a 2457. Creio ser ainda conveniente registrar que, igualmente, a contribuinte desistiu do Resp. interposto no MS 2003.83.00.0193113 (este mencionado no Relatório Fiscal efl 83), para usufruir dos benefícios constantes na MP 470, de 13 de outubro de 2009, conforme se demonstra com o documento extraído do processo de Parcelamento nº 13401.000462/200901 que se anexou à efl. 2452, também por meio do Despacho 330201/CAJ2014 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2014 de efl. 2456 a 2457. Não obstante tenha havido por parte da contribuinte renúncia expressa das alegações de direito quando das desistências de impugnação no processo de ressarcimento e compensação nº 13407.000083/200286 e do Resp. interposto no MS 2003.83.00.0193113, tendo em vista tratarse os presentes autos de lançamento de ofício e tendo em conta os princípios da ampla defesa e do contraditório, defendo a conveniência de se analisar o litígio do presente processo. Assim registrado, passase à análise do mérito, relembrando que o litígio a ser analisado neste recurso voluntário, consoante bem destacou a Ilustre Conselheira relatora do voto vencido, diz respeito a questão dos créditos básicos considerados indevidos pela fiscalização, os quais foram glosados pelas seguintes razões: (i) os produtos utilizados na lavoura da canadeaçúcar não podem ser considerados insumos, posto que “a atividade agrícola do cultivo da cana não se enquadra no conceito de industrialização”; (ii) apropriação de créditos decorrentes de aquisição de bens registrados no ativo ou de material de uso e consumo (CFOP 1.91, 2.91, 1.97, 2.97); e outros itens que não se enquadram no conceito de insumos. Atentese que quanto à questão atinente à possibilidade de anulação dos créditos lançados na produção de aguardente, não há questionamento nestes autos, mas o litígio foi julgado desfavoravelmente à recorrente no Acórdão nº 3102000.887 proferido no Processo de Ressarcimento nº 13407.000040/200209. Convém ressaltar que o objeto da Recorrente, à época dos fatos, era a produção de álcool, aguardente e bagaço de cana de açúcar, conforme se verifica do constatado no Relatório Fiscal de efl. 73, a saber: “Conforme declarado pelo contribuinte às fls. 459, o estabelecimento só passou a produzir açúcar em 2004. No período abrangido pelo pedido, pelo constante dos arquivos digitais que nos foram entregues, verificamos que era produzido álcool, de diversos tipos (anidro e hidratado, para fins carburantes ou não e neutro), e aguardente, tendo como resíduo industrial o bagaço de canadeaçúcar.” Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.469 12 Assim ressaltado, passase à análise das questões contestadas: DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL Relativamente à Atividade Agroindustrial a recorrente argúi, in verbis: “Não obstante o exposto acima, que guerreia qualquer tipo de cerceamento ou limite ao princípio da cumulatividade, a atividade econômica agroindustrial da defendente se revela predominantemente na industrialização de produção própria de canadeaçúcar numa cadeia integrada, jamais segregada como almeja a autoridade fiscal. A atividade empresarial, tanto no bojo econômico quanto jurídico não pode ser dissociada. O que há, na verdade, é tão somente um deslocamento físico da cana deaçúcar na sua fase de produção para a industrialização. (...) Não há, portanto, como considerar, jurídico, econômico ou contabilmente, o processo agroindustrial segregado em duas fases distintas. Assim, é atecnia que deve ser refutada, máxima vênia, a afirmação da impossibilidade da defendente se creditar de insumos e análogos aplicados ao processo de produção da canadeaçúcar.” Não tem razão a recorrente. Consoante se extrai das regras contidas nos artigos 2° e 3° do RIPI/19823, a atividade agrícola do cultivo da canadeaçúcar não se enquadra no conceito de industrialização. A etapa industrial se inicia no momento em que a canadeaçúcar (matéria prima) é despejada nas moendas; antes disto não há operação de industrialização. A própria contribuinte, quando do atendimento de diligência, no Memorial Descritivo do processo produtivo do álcool por ela apresentado (efls 2388 e 2388) não fez menção à atividade do cultivo da canadeaçucar como sendo fase do processo produtivo. Pelo 3 Art. 3° Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. Art. 4° Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 3°, parágrafo único, e Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.470 13 o contrário, iniciou a descrição do processo produtivo pela recepção da canadeaçucar na fábrica. Desta forma, como bem destacou o Auditor em seu Relatório Fiscal, “os insumos utilizados na etapa agrícola, não podem gerar créditos do IPI (são, na realidade, ‘insumos de insumo’ industrial)”. Aliás, esta questão, como acima salientado, já foi julgada pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do CARF, em 2 de fevereiro de 2011, por meio do Acórdão nº 3102000.887 proferido no Processo de Ressarcimento nº 13407.000040/200209, cujas fatos são os mesmos descritos nestes autos, posto que o lançamento ora sob litígio decorreu das glosas dos créditos apurados na mesma ação fiscal, em face da apuração de saldo devedor, quando da reconstituição da escrita fiscal. Portanto, o fundamento proferido pela relatora daquele voto deve ser adotado e ratificado, que a respeito, assim se manifestou: “Por outro lado, o conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de canadeaçúcar. Em outras palavras, ainda que seja possível o creditamento de IPI sobre a canadeaçúcar, por ser espécie de insumo, não se pode proceder à mesma operação na fase de cultivo, plantação, desse mesmo produto. Ocorre que o cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. O conceito de agroindústria não socorre o Interessado, pois somente podese cogitar de atividade sujeita ao recolhimento do IPI quando há transformação do produto primário, elemento essencial da atividade industrial. Isso não ocorre no cultivo da canadeaçúcar, que não sofre transformação na lavoura, mas é plantado.” DO CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO AQUISIÇÃO DE BENS REGISTRADOS NO ATIVO OU DE MATERIAL DE USO E CONSUMO (CFOP 1.91, 2.91, 1.97, 2.97); E OUTROS ITENS QUE NÃO SE ENQUADRAM NO CONCEITO DE INSUMOS. Nesta questão, a Ilustre Conselheira Relatora concluiu que: “Da análise que fiz entendo que são passíveis de crédito, por não serem parte do ativo imobilizado e serem consumidos no processo produtivo os seguintes itens: (i) abraçadeira de alumínio utilizada na caldeira de produção de vapor; (ii) alumínio utilizado como isolamento; (iii) arame recozido utilizado na transferência da vinhaça; (iv) bico de corte para maçarico; (v) cantoneira; (vi) cartões eletrônicos para sensor capacitivo; (vii) o diluente utilizado na linha de vapor; (viii) filtros; (ix) laminas pvc utilizadas como material de manutenção. Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.471 14 Todos os demais itens, a meu ver, são partes e peças que deveriam estar ativados e, portanto, não podem gerar crédito de IPI.” Neste aspecto, discordo da relatora quanto à primeira parte, devendo ser negado provimento ao recurso voluntário, também neste item de autuação, pelos os fundamentos a seguir postos: Para relembrar, neste item de autuação a glosa deuse em face de escrituração de créditos básicos indevidos referente à entrada de bens que, na concepção da fiscalização, não se enquadram no conceito de insumos, quais sejam peças e materiais adquiridos para utilização na manutenção e/ou reparo de bens do ativo permanente (máquinas e equipamentos), bem como a entradas de itens tais como engrenagens, eixos, bobinas, reguladores de voltagem, bombas, pneus, tacômetros, tubos, conexões, válvulas, acoplamentos, buchas, motores elétricos, fontes de alimentação, parafusos, pregos, filtros, tintas, vernizes, solventes, aditivo para radiador, reguladores de oxigênio e de acetileno, maçaricos de corte, chapas, vigas, varões, cantoneiras e barras de aço, ferro de construção, torneiras plásticas, instrumentos de laboratório, conjuntos de irrigação, turbinas, resfriadores de água, colunas para lavagem, tanques, lavadores, caldeiras, painéis de força, exaustores, ventiladores, telhas, terceiros eixos veiculares, caçambas basculantes, semi • reboques, caminhões, automóveis, cimento, aventais de couro e até mesmo tapetes persas e cestas natalinas. Registra ainda a fiscalização (Relatório Fiscal efl.81) que a contribuinte creditase indiscriminadamente de itens do ativo permanente e de materiais de uso e consumo, já que ele próprio registra diversas aquisições, com crédito do 1PI, utilizando Códigos Fiscais de Operações e Prestações — CFOP inerentes a entradas desta natureza (1.91, 2.91, 1.97, 2.97, 1.551, 1.556, 2.551). Sendo assim, constatase que a controvérsia centrase no direito ao creditamento de IPI na aquisição de produtos que sofrem desgaste indireto no processo de industrialização, haja vista que, in caso, tratase, repitase, de bens do ativo permanente e de peças e materiais adquiridos para utilização na manutenção e/ou reparo de bens do ativo permanente (máquinas e equipamentos) e outros itens acima mencionados. Pois bem, os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados, conforme autorização legal contida no art. 164, inciso I, do RIPI/2002, repetido nos demais regulamentos, podem creditarse do imposto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. A regra do art. 164, I do Regulamento do IPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002) revela a expressa vedação à utilização de créditos do IPI oriundos da aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa. De modo que, quanto à esta questão não resta maiores dúvidas. Contudo, em relação à outros bens, é equivocada a interpretação de que a lei apenas veda o crédito dos bens classificáveis no ativo imobilizado. Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.472 15 Sabese que as normas complementares, gênero do qual os Pareceres Normativos são espécie, enquanto "atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas" (art. 100, inciso I, do CTN), caracterizamse como verdadeiras fontes do Direito Tributário, como complemento da tarefa legislativa, que visam explicitar o sentido e o alcance da lei tributária, produzindo efeitos que se presumem válidos enquanto não expurgados formalmente do mundo jurídico, vinculando indistintamente, em caráter geral e obrigatório, contribuintes e agentes públicos. Pois bem, de acordo com os esclarecimentos contidos no Parecer Normativo CST n° 65, de 1979: ““4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. (.) 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. (...) 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos 'que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização', para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em 'incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários', é evidente que tais bens Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.473 16 hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários `stricto sensu', semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida (...).”. Assim, diante da legislação tributária acima mencionada, é de se concluir que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. Portanto, não há como reconhecer o direito ao creditamento de IPI dos produtos que sofrem apenas desgaste indireto no processo produtivo. Neste mesmo sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508), cujos termos vincula este colegiado consoante regra contida no art. 62 A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais , RICARF (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, alterada pela Portaria MF n. 586, de 2010), que assim prescreve: “Art. 62 A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. (Portaria MF nº 586/2010) O RECURSO ESPECIAL Nº 1.075.508 SC (2008/01532905), representativo de controvérsias (artigo 543C, do CPC), apresenta a seguinte ementa: “EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.474 17 Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Grifei) De início, ressaltese que a matéria tratada em tal recurso repetitivo é idêntica à tratado no presente item da autuação, conforme se constata pela identificação feita pelo o relator em seu voto, o Sr. Ministro Luiz Fux : “O ponto nodal da atual controvérsia cingese à possibilidade de creditamento, a título de IPI, dos valores decorrentes da aquisição de bens destinados ao uso e consumo e ao ativo fixo do estabelecimento que, apesar de não integrarem fisicamente o produto final nem se desgastarem por ação direta física ou química , sofrem desgaste indireto no processo produtivo, integrandose financeiramente ao produto final”.(grifei) Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: “(...) A sentença bem concluiu, ao vaticinar que: ‘... não é todo o IPI pago pelas indústrias que gera creditamento. A legislação do IPI limita o creditamento aos produtos intermediários utilizados na produção de bens industriais, isto é, produtos que tenham contato físico direto com o bem produzido produtos que embora não se integrando ao novo produto são consumidos no processo de industrialização. Notese que a doutrina e a jurisprudência também adotam o conceito de crédito físico para reconhecer o direito ao creditamento’. (...). Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.475 18 Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. (...).”(grifei). Para fundamentar o posicionamento adotado em seu voto, o Min. Relator do Resp 1075508, Sr. Luiz Fux, faz transcrições e referências à diversos precedentes da Corte, dos quais, escolhese dois deles para se transcrever as ementas a seguir, inclusive um de sua própria autoria, visando melhor compreensão do que foi decidido no Resp 1075508, representativo de controvérsia: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. DECRETO 2.637/98. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 49, DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. 1. É vedada a utilização de créditos do IPI, oriundos da aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, consoante a ratio essendi do artigo 147, inciso I, do Regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98), que estabelecia que, entre as matérias primas e produtos intermediários, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluíamse "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 2. In casu, pretende a recorrente o creditamento de IPI relativo à aquisição de bens de uso e consumo, tais como material de expediente, uniformes e alimentação, conservação e manutenção, bens duráveis de pequeno valor etc, além das máquinas e equipamentos que serão incorporados ao seu ativo permanente , que, segundo incontroversa inferência da instância ordinária, apesar de não integrarem fisicamente o produto final, nem se desgastarem por ação direta (física ou química), sofrem desgaste indireto no processo produtivo, integrandose financeiramente ao produto final. 3. Precedentes desta Corte: REsp 608181 / SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Zavascki, DJ de 27/03/2006; RESP 500076/PR, Relator Ministro Francisco Falcão, DJ de 15.03.2004; RESP 497187/SC, Relator Ministro Franciulli Netto, DJ de 08.09.2003). 4. Recurso especial desprovido." (REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007).(grifei). Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.476 19 "TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO DE VALORES PAGOS NA AQUISIÇÃO DE BENS DE USO E CONSUMO UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. DESGASTE INDIRETO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO. 1. ‘A dedução do IPI pago anteriormente somente poderá ocorrer se se tratar de insumos que se incorporam ao produto final ou, não se incorporando, são consumidos no curso do processo de industrialização, de forma imediata e integral’. (RESP 30.938/PR, Rel. Min. Humberto Gomes De Barros, DJ de 07.03.1994; RESP 500.076/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, 1ª Turma, DJ de 15.03.2004). 2. No caso dos autos, ficou assentado que os bens de uso e consumo sofreram desgaste indireto no processo produtivo, não sendo cabível o creditamento do IPI pago na sua aquisição. 3. Recurso especial a que se nega provimento." (REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006).(grifei) Portanto, em face do que foi acima exposto e tendo em vista que o Superior Tribunal de Justiça, já decidiu em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508) ser incabível o creditamento de IPI na aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de produtos de uso e consumo que sofreram desgaste indireto no processo produtivo, devese nesta questão negar provimento ao recurso voluntário para manter a glosa dos créditos de IPI atinentes à aquisição dos produtos identificados na autuação e acima mencionados, pelo o fato de os mesmos apenas terem se desgastados de forma indireta no processo produtivo. Registrese que a presente lide igualmente já foi objeto de decisão deste Conselho, consoante consta do Acórdão nº 3102. 000.887, de 02 de fevereiro de 2011, proferido no Processo de Ressarcimento da contribuinte, ora recorrente, nº 13407.000040/200209, cujo fundamento se transcreve a seguir: “Por fim, o art. 147 do RIPI é claro quanto à impossibilidade de utilização de créditos oriundos da compra de máquinas e equipamentos utilizados na produção industrial quando esses integram o ativo permanente da empresa. Uma vez que esse maquinário não é consumido na industrialização, sofrendo apenas o desgaste natural pelo uso, o seu valor não se incorpora ao IPI para efeito de compensação escritural.” O art. 147 do RIPI/1998 previa o seguinte: “Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n.°4.502, de 1964, art. 25): 1 do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.” Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.477 20 CONCLUSÃO Diante da fundamentação acima posta, conduzo o meu voto no sentido de negar o provimento ao recurso voluntário, para manter o lançamento de IPI. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Redatora Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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