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Numero do processo: 10111.000727/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 10/09/2014, 11/09/2014, 18/09/2014
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO.
Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa.
PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO.
Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3302-006.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 10/09/2014, 11/09/2014, 18/09/2014 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional.
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RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considerase incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 07 27 /2 00 8- 59 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10111.000727/200859 Acórdão n.º 3302006.014 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório O objeto do presente processo versa sobre a identidade de discussão entre processo judicial e a demanda administrativa relacionada a classificação equivocada de produtos em declaração de importação realizada pela contribuinte recorrente. Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório do acórdão nº 16 67.475, da 11ª Turma da DRJ/SPO, proferido na sessão de 09 de abril de 2015: "Trata o presente de auto de infração para exigência de diferença de tributos e contribuições, mais multa em face de caracterização de 001 MERCADORIA CLASSIFICADA INCORRETAMENTE NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL, totalizando R$ 126.014,40. Conforme relatado nos autos de infração, o importador submeteu a despacho de importação, por meio da Declaração de importação DI n ° 08/12726973, registrada em 18/08/2008, 1.080 unidades de um aparelho denominado terminal móvel de comunicação (MCT) bidirecional, constituído de antena de transmissão e recepção por satélite, com GPS integrado, teclado com tela de cristal, cabos e acessórios. Tal aparelho é utilizado para rastreamento de veiculo e comunicação de dados entre este e a empresa, fazendo uso do Sistema de Posicionamento Global (GPS). Os aparelhos em questão foram classificados na NCM, Nomenclatura Comum do Mercosul, sob o código 8517.62.71, próprio para designar "aparelhos de recepção, conversão e transmissão ou regeneração de voz, imagens ou outros dados, incluindo os aparelhos de comutação e roteamento", os quais estariam sujeitos a uma alíquota advalorem do IPI de 15%; (quinze por cento), estabelecida pelo Decreto 6006/2006. No entanto, considerando que os produtos em questão também são constituídos de um aparelho receptor GPS acoplado, que desempenha a função de autolocalização em coordenadas de Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10111.000727/200859 Acórdão n.º 3302006.014 S3C3T2 Fl. 4 3 altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de radio emitidos por uma constelação de satélites (radionavegação), a classificação correta se daria na posição 8526 (aparelhos de radionavegação), mais precisamente na NCM 8526.91.00, cuja alíquota advalorem de IPI é de 20% (vinte por cento), estabelecida pelo Decreto nº 6006/2006, com base na Regra Geral Interpretativa nº 3, "b" /"c" o Sistema Harmonizado Cientificada da autuação em 05/01/2009 (fls. 49/50), a interessada apresentou impugnação tempestiva de fls. 52 e ss, onde alega: Em preliminar, nulidade por inépcia, por ausência da disposição legal infringida. Reclama que o auto foi fundamentado em Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22/08, que não possui força de disposição legal e o Acórdão da lª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DRJ, nº 6607, de 23.04.2004, sem indicação do processo administrativo no qual foi proferido e igualmente sem força de lei; já os artigos do Decreto n° 4.543/02, nos quais enquadra a exigência, não mostraram qualquer relação com o fato descrito no auto de infração, o mesmo ocorrendo com os dispositivos legais citados para justificar a exigência dos acessórios. No mérito, faz detalhado relato das características técnicas e da destinação funcional da máquina importada. Conclui que a correta classificação fiscal é a adotada nas DI, objeto da autuação, ou seja, 8517.6271. Fundamenta sua classificação nos seguintes fatos: a) o equipamento importado é um terminal móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto com um acessório para posicionamento de veículos através do GPS, transmitindo e recebendo mensagens (dados) por satélite, operando em banda C (os antigos) e Ku (os atuais). b) informa que o objeto social da interessada é a comercialização e prestação de serviços a terceiros, referentes a um sistema de controle de veículos terrestres, marítimos e aéreos por telecomunicações c) seus serviços possuem autorização da Agencia Nacional de Telecomunicações ANATEL, e sujeitamse à legislação relacionada à atividade de radionavegação. d) insurgese contra a classificação do equipamento como sendo radionavegação alegando tratarse de função acessória, quando a função principal é telecomunicação., Reclama da confusão do Agente fiscal acerca dos conceitos e finalidades do produto importado o MCT (ou Móbile Comunications Terminal no idioma inglês) e o GPS — Global Positioning System.. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10111.000727/200859 Acórdão n.º 3302006.014 S3C3T2 Fl. 5 4 Reconhece que a placa receptora GPS é parte integrante do MCT, uma vez que parte dos clientes da Autotrac necessitam, como função secundária, saber a localização do veiculo (caminhão, automóvel, etc) onde está instalado o terminal com o qual se realiza a comunicação. Isto não se confunde com a radionavegação, pois não se trata de o veiculo radionavegar (isto é, orientarse a um destino predeterminado com a ajuda do aparelho) e sim, fornecer à base (escritório do cliente), a possibilidade de verificar onde se encontra o veiculo em que está instalado o MCT. Em outra parte dos clientes, mais especificamente naqueles em que é predominante a necessidade de administração logística, a localização função com inexpressiva aplicabilidade prática. Há casos, inclusive, de utilização do MCT sem aplicabilidade para o GPS, quando há necessidade de transmissão de dados de um terminal instalado em zona remota ou de difícil acesso ou sem cobertura de outras redes de telecomunicação, mas o terminal, embora móvel, permanece estacionado. Este é o caso, por exemplo, de estações meteorológicas e pluviométricas na Amazônia. Reclama que está sendo constrangida pelas autoridades para utilização da classificação definida de forma arbitrária e aleatória, sem exame técnico. Apresenta laudo da Universidade de BrasíliaUnB, que não deixa dúvidas acerca da correção do entendimento da Impugnante sobre a matéria Para não deixar dúvidas, apresenta declarações do fabricante e fornecedor do MCT e da empresa de Auditoria Externa Independente que subscreve anualmente as Demonstrações Financeiras da Autotrac com vistas a identificar e comprovar, respectivamente, o custo de importação do GPS embutido no preço FOB do MCT e a participação da receita gerada pelo uso do GPS na receita total de comunicação. Insurgese contra Ato Declaratório nº 22, afirmando que, de forma clara e inconteste ultrapassou a orientação contida na Nota nº 244. Salienta que o Acórdão da lª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, nº 6607, de 23/04/2004, que, na origem, decidiu Auto de Infração com os mesmos fundamentos de fato e de direito, reformado pela Segunda Câmara do 3° Conselho de Contribuintes do DF, provendo recurso voluntário da AUTOTRAC e julgando improcedente a exigência fiscal de mesmo conteúdo. Considera também inaceitável o conteúdo do Ato Declaratório Interpretativo n° 14, de 02 de setembro de 2004, editado com a mesma base jurídica do anterior, mantendo o conflito com a NOTA n° 244/COANA/COTAC/DINOM, origem de ambos. Ao final, em atenção ao princípio da eventualidade, sustenta que deveriam ser excluídos os encargos moratórios, por força do art. 100 do CTN, Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10111.000727/200859 Acórdão n.º 3302006.014 S3C3T2 Fl. 6 5 É o relatório.. No acórdão do qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, foi julgada parcialmente procedente a impugnação realizada pela contribuinte, mantendose em parte o crédito tributário apurado, sendo traduzido na seguinte emenda: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/05/2008 TERMINAL MÓVEL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Terminal Móvel de Comunicação do Sistema OmniSAT se enquadra no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, pois se trata de uma combinação de máquinas com o principal objetivo de indicar a localização do veículo em que ele é instalado, função que é desempenhada pelo receptor GPS nele inserido. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO IMPORTADO. MULTA ESPECÍFICA. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. O erro na classificação fiscal de mercadoria importada configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da cobrança de ofício das diferenças de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a r. decisão acima transcrita a contribuinte interpôs recurso voluntário onde repete a maioria de suas razões de forma idêntica todos os argumentos trazidos na impugnação, contudo, informando a existência de ação judicial em que é autora e move em face da Fazenda Nacional onde discute seu direito à classificação das mercadorias de forma diversa daquela apontada como correta pela fiscalização, requerendo ao final, novamente, a total procedência de seu apelo. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: I Da Concomitância No que tange ao recurso interposto pela contribuinte, observamos que tratase de divergência qual a classificação de mercadorias importadas, uma vez verificado em procedimento de fiscalização que o NCM utilizado nas DI´s. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10111.000727/200859 Acórdão n.º 3302006.014 S3C3T2 Fl. 7 6 Referida matéria, até a interposição do presente apelo, era discutida em sede administrativa, motivo pelo qual a decisão de piso não faz qualquer menção sobre a eventual renúncia da instância administrativa por parte da contribuinte. Pelo que se pode apurar das informações e documentos juntados ao processo, pela recorrente, a matéria foi submetida à apreciação do judiciário, processo n. 0047878 47.2014.4.01.3400, que tramitou perante a 16ª Vara Federal no Distrito Federal, com a resolução do mérito em favor da contribuinte, conforme sentença prolatada em 26/06/2015, e que atualmente encontrase no TRF da 1ª Região, aguardando o julgamento da apelação interposta pela Fazenda Pública. Esclarecese que a existência do processo judicial e que a matéria ali tratada referese ao mesmo objeto em discussão na esfera administrativa, foi informada pela própria recorrente, sendo fato incontroverso a existência da concomitância entre as diferentes instâncias, levando consequentemente, por previsão legal à renúncia da esfera administrativa pelo contribuinte. Com um simples passa de olhos sobre o dispositivo da sentença do processo nº 004787847.2014.4.01.3400, já indica de forma clara a existência de discussão simultânea da mesma matéria na esfera administrativa e judicial, observese: Processo N° 004787847.2014.4.01.3400 16ª VARA FEDERAL Nº de registro eCVD 00134.2015.00163400.1.00287/00128 DISPOSITIVO Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para: a) DECLARAR a inexistência de relação jurídicotributária oriunda da classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação, atualmente enquadrado na posição 8526.91.00 da NCM; b) DECLARAR o direito da autora de classificar o MCT na posição reservada a aparelhos de comunicação; c) ANULAR os créditos tributários constituídos contra a autora, em razão da não classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação (posição 8526.91.00), determinandose, ainda, o cancelamento dos autos de infração descritos no itens b.3 e b.4; d) AFASTAR as penalidades aplicadas e, em especial, a multa do IPI; Condeno a União ao pagamento das custas em ressarcimento e honorários advocatícios sucumbenciais, que fixo em R$10.000,00 (dez mil reais), já observado o disposto no art. 20, §4º, do CPC. Publiquese. Registrese. Intimese. Brasília, 26 de Junho de 2015. MARCELO REBELLO PINHEIRO Juiz Federal Titular da 16ª Vara da SJDF Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10111.000727/200859 Acórdão n.º 3302006.014 S3C3T2 Fl. 8 7 Conforme podemos ver do relatório acima, tratase de matéria sumulada neste tribunal que a propositura de ação judicial, em qualquer modalidade processual, acarreta a renúncia à discussão do mesmo objeto em processo administrativo. É o teor da Súmula CARF nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Como se vê, a matéria discutida judicialmente versa exatamente sobre a divergência quanto a posição do NCM utilizada na classificação das mercadorias importadas, requerendose o afastamento de Soluções de Consulta outrora proferida. Assim, verificada a concomitância das matérias discutidas nas esferas administrativa e judicial, e tendo em vista a regra regimental que estabelece a obrigatoriedade na aplicação de matérias sumuladas no E. CARF, não se conhece da presente matéria. II Da Mudança do Critério Jurídico e da Aplicação do Art. 100 do CTN Em que pese o apontamento da ocorrência da concomitância, certo é que a contribuinte recorrente, no processo judicial, não trouxe à discussão a impossibilidade de modificação de critério jurídico, quanto a possibilidade de revisão por parte da aduana, muito menos apontou o cabimento ou não das multas e juros, tendo por base o art. 100, do CTN. Com efeito, no meu sentir, compulsando e comparando as peças impugnatória e do recurso voluntário, não observo na impugnação qualquer menção a respeito da impossibilidade de modificação do critério jurídico, motivo pelo qual presente se faz a preclusão consumativa de referida matéria, nos termos dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, o que impede desta forma sua apreciação em grau de recurso. No mesmo sentido, no que diz respeito a possibilidade da aplicação do art. 100, III e parágrafo único do CTN, tendo em vista a alegação de observância das práticas reiteradas adotadas pelas autoridades administrativas quanto a aceitação da classificação fiscal adotada pela recorrente nas declarações de importação indicadas no presente processo, entendo não ser possível o atendimento do apelo. A decisão de piso foi clara na análise de referido assunto, não havendo que se falar na tal prática reiterada, vejamos: 5. Da Ausência de Prática Reiterada pela Administração. Em sede de pedido alternativo, a impugnante solicita ainda a dispensa dos juros e multas, com base no disposto no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. Também em relação a esse aspecto não assiste razão à defesa. Embora a defendente venha obtendo sucesso nos julgamento até então realizados na segunda instância administrativa, as várias Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10111.000727/200859 Acórdão n.º 3302006.014 S3C3T2 Fl. 9 8 autuações realizadas pela fiscalização e mantidas por diferentes Delegacias de Julgamento, demonstram que a classificação fiscal por ela adotada jamais poderia ser considerada prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas. Até mesmo o desembaraço somente foi realizado no código indicado pelo importador por força de decisão judicial, conforme afirmado no tópico anterior. As decisões divergentes proferidas nas várias Soluções de Consulta analisadas sobre equipamentos similares reforçam a inexistência de prática reiterada pela Administração Fazendária. Mesmo as decisões apresentadas pela defesa, que em tese comprovariam o acerto na classificação fiscal do MCT por ela adotada, acabam por favorecer ao entendimento da fiscalização, conforme demonstrado anteriormente. Diante das várias autuações referentes à importação do MCT, e das diversas decisões mantendo essas autuações, ou reforçando a posição da fiscalização no tocante à definição da função mais importante desempenhada pelo MCT, não há como ficar caracterizada a prática reiterada por parte da Administração Fazendária, ainda que as decisões já proferidas em sede de segunda instância administrativa sejam favoráveis à impugnante. Como se vê, não temos presente a tal prática reiterada, por parte das autoridades fiscais. III Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer a parte do recurso que versa sobre a classificação de mercadorias, tendo em vista a existência de concomitância entre a esfera judicial e a administrativa; não conhecer a parte relacionada à suposta mudança de critério jurídico, vez que verificada a preclusão da matéria; e, conhecer do recurso na parte que trata da aplicação do art. 100, III, p. único do CTN, quanto a hipotética prática reiterada por parte das autoridades fiscais, contudo negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10111.000727/200859 Acórdão n.º 3302006.014 S3C3T2 Fl. 10 9 Fl. 450DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000016/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 01 6/ 20 10 -1 5 Fl. 459DF CARF MF Processo nº 12571.000016/201015 Resolução nº 3301000.707 S3C3T1 Fl. 460 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 12571.000016/201015 Resolução nº 3301000.707 S3C3T1 Fl. 461 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 461DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.723476/2015-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
MULTA QUALIFICADA
Cabível a aplicação de multa qualificada quando se constatar que o sujeito passivo praticou ato doloso tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais.
RESPONSABILIDADE PESSOAL E SOLIDÁRIA
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e pessoalmente responsáveis os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos atos praticados com infração de lei.:
Numero da decisão: 1402-003.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, mantendo o afastamento da multa agravada (Súmula CARF nº 96); por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício, mantendo-a no patamar de 150%, vencido o Relator que dava provimento para reduzi-la; por voto de qualidade, manter a imputação de sujeição passiva solidária de Evandro Franco de Almeida e Marcela Franco de Almeida com fundamento nos artigos 124, I e 135, III, do CTN, vencidos o Relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Bárbara Santos Guedes que afastavam a responsabilização. Designado para redigir o voto em relação à qualificação da multa de oficio e à responsabilização solidária o Conselheiro Marco Rogério Borges.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges- Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 MULTA QUALIFICADA Cabível a aplicação de multa qualificada quando se constatar que o sujeito passivo praticou ato doloso tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. RESPONSABILIDADE PESSOAL E SOLIDÁRIA São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e pessoalmente responsáveis os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos atos praticados com infração de lei.:
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RESPONSABILIDADE PESSOAL E SOLIDÁRIA São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e pessoalmente responsáveis os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos atos praticados com infração de lei.: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, mantendo o afastamento da multa agravada (Súmula CARF nº 96); por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício, mantendoa no patamar de 150%, vencido o Relator que dava provimento para reduzila; por voto de qualidade, manter a imputação de sujeição passiva solidária de Evandro Franco de Almeida e Marcela Franco de Almeida com fundamento nos artigos 124, I e 135, III, do CTN, vencidos o Relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Bárbara Santos Guedes que afastavam a responsabilização. Designado para redigir o voto em relação à qualificação da multa de oficio e à responsabilização solidária o Conselheiro Marco Rogério Borges. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 34 76 /2 01 5- 18 Fl. 1549DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente) Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria, julgar: (i) IMPROCEDENTE a impugnação apresentada pelas pessoas físicas, mantendose a indicação como responsáveis solidários; e (ii) PROCEDENTE EM PARTE, a impugnação apresentada pela pessoa jurídica, para afastar a aplicação de multa agravada no percentual de 225%, mantendose o principal e a multa qualificada no percentual de 150%. Ante ao minucioso relatório empreendido pela DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: I – DOS ATOS ADMINISTRATIVOS Foram lavrados os autos de infração de fls. 1.103 a 1.158, para exigência do IRJP (R$ 23.649.149,180), CSLL (R$ 10.681.534,99), COFINS (29.744.050,58) e PIS (R$ 6.444.544.35), referentes ao anocalendário de 2011, sob o fundamento de arbitramento do lucro, “tendo em vista que o contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Real, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, e pela falta de apresentação dos livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal (...) com base na receita bruta da venda de produtos de fabricação própria”. O Relatório Fiscal, de fls. 1.079 a 1.102, depois de apresentar histórico dos procedimentos fiscais, registra que: o contribuinte enviou sua escrituração contábil digital, informando apenas o lançamento contábil de integralização de capital. o contribuinte apresentou DIPJ do anocalendário de 2011, na forma de tributação do Lucro Real Anual, preenchendo as Fichas 01 – Dados Iniciais, 02 – Dados Cadastrais e 03 – Dados do Representante e do Responsável. o contribuinte movimentou contas correntes em várias instituições financeiras, como no Banco do Brasil (cerca de 69 milhões a débito) e no Bradesco (cerca de 204 milhões a débito) e emitiu Notas Fiscais de Vendas no montante de R$ 270 milhões e não constou de sua escrituração contábil digital. Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 10855.723476/201518 Acórdão n.º 1402003.361 S1C4T2 Fl. 1.550 3 o contribuinte foi intimado a apresentar os livros contábeis/fiscais porém não os apresentou. diante da impossibilidade de determinação do Lucro Real e a falta de apresentação dos livros, adotouse para o levantamento dos créditos tributários, a modalidade de apuração pelo Lucro Arbitrado. a determinação da receita bruta e do consequente lançamento deuse com base na notas fiscais eletrônicas emitidas pelo contribuinte,obtidas através do aplicativo Receitanet BX. apresenta informações sobre a empresa Braschon Indústria de Aromas e Essências e Embalagens Plásticas Ltda, destacando que o contador informara que “a empresa não operava efetivamente como os sócios declarados, MARCOS ANTONIO PEDROZO e IZABEL ZARANTONELLI PEDROZO, que estes seriam apenas empregados dos verdadeiros donos da empresa”. informa que as empresas “REAL PLASTIC LTDA, GABIPLAST DISTR PLASTICOS EXP IMP LTDA, PLASNOX IND E COM DE PLASTICOS LTDA e TRITEC RESINAS LTDA, as quais emitiram Notas Fiscais de Venda de Mercadorias à empresa Braschon Ltda, durante o anocalendário de 2011”, foram intimadas a apresentar os elementos referentes às transações, sendo tal intimação atendida. informa que estas mesmas empresas foram intimadas – e apresentaram os elementos referentes às transações com a empresa Conpac Industria de Aromas, Essências e Embalagens Plásticas Ltda. complementa que a empresa Braschon Ltda não apresentou DIRPJ, DCTF e DACON e que a CONPAC não apresentou DIRPJ e não informou débitos na DCTF para o anocalendário de 2011. em análise dos documentos entregues pelas empresas acima indicadas e dos documentos fornecidos pelas instituições bancárias constatou que vários boletos de cobrança foram debitados na conta corrente que tem como titular a empresa Saferpak Plásticos Ltda, porém, referemse às cobranças das vendas efetuadas pela Real Plastic Ltda, Gabiplast Ltda, Planox Ltda e Tritec Resinas Ltda à Braschon Ltda e à Conpac Ltda. Relativamente ao endereço de entrega das mercadorias vendidas aos clientes Braschon Ltda e Conpac Ltda, informaram o endereço da transportadora: Logmax Logística e Transporte Ltda –Rua Prof. Antonio Rodrigues Claro Sobrinho, 820, jardim São Carlos, SorocabaSP, CEP 18046340. a empresa fiscalizada – SAFERPAK PLÁSTICOS foi intimada a justificar/esclarecer a que título transferiu da sua contacorrente nº 3140130, agência 0152, do Banco Bradesco S/A, os créditos bancários, relacionados na planilha denominada “Relação dos Depósitos Enviadas pela Saferpak”, para a contacorrente da empresa GABIPLAST Ltda, durante o anocalendário de 2011, porém, não atendeu à intimação. também foi intimada a esclarecer as transferências bancárias para a Safer Ltda, sem apresentar manifestação. A empresa Braschon Ltda foi baixada de ofício, em virtude de se tratar de empresa inexistente de fato. segundo o contador da referida empresa, o sr. Evandro Franco de Almeida seria sócio da mesma. apresenta demonstrativos de redução do ICMS sobre as vendas efetuadas pelas empresas indicadas à Braschon Ltda e Conpac Ltda, considerando o destinatário como a Saferpak Ltda, concluindo que as duas primeiras foram criadas com o intuito de diminuir a carga tributária, mediante o benefício da redução do ICMS de 12% (UFSP) para 7% (UFBA). os fatos acima relatados indicam flagrante violação comissiva ou omissiva das leis civis, comerciais e tributárias, e ocorreram por atos praticados Fl. 1551DF CARF MF 4 voluntariamente pelos sócios e administradores da fiscalizada ou em nome deles. deste modo, ficou caracterizado o vínculo de responsabilidade, por ação ou omissão, dos sócios, Sr. EVANDRO FRANCO DE ALMEIDA, CPF 202.602.11800, e a Srª MARCELA DE FÁTIMA MOMESSO FRANCO DE ALMEIDA diante disso, agravamos a multa de ofício em 50%, nos termos do artigo 44, § 2º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/07. os atos praticados pela fiscalizada, impediram a ocorrência do Fato Gerador da Obrigação Tributária Principal e modificaram suas características, resultando na redução do montante do imposto devido, portanto, tipificado como crime tributário, previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64. assim, aplicamos a multa agravada e qualificada de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), nos termos do artigo 44, inciso I, e §§ 1º e 2º, da Lei 9.430/96 com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/07. formalizamos processo de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, PA nº 10855.723.496/201581. II – DAS DEFESAS II.I. DA PESSOA JURÍDICA Às fls. 1.220 a 1.271 encontrase a peça de defesa da empresa autuada, argumentando que: a omissão de rendimentos se deu através do acesso não autorizado do Poder Judiciário às informações bancárias, determinandose a nulidade do ato administrativo de lançamento. a receita bruta considerada como conhecida se encontra incorreta/confusa, cristalizando erro na base de cálculo. impossibilidade da aplicação do agravamento da multa e arbitramento do lucro, face a dupla penalidade pelo mesmo ato infrator. reportandose a acesso de dados bancários, entende que o posicionamento já firmado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que veda a análise de inconstitucionalidade de leis tributárias resta maculado. irretroatividade da declaração de não habilitada da empresa Braschon Indústria de Aromas e Essências Embalagens Plásticas Ltda. equivocada apuração da base de cálculo. impossibilidade da multa de ofício sofrer agravamento. inexistência de ato doloso praticado pela impugnante e impossibilidade da mesma conduta ser ensejadora de agravamento e do arbitramento do lucro. que seja sobrestado o julgamento, vez que a situação dos autos encontrase em julgamento no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP. Acompanham os documentos de fls. 1.219 a 1.280, a saber: recibo de entrega de arquivos digitais, documentos de identificação dos outorgados, procuração e contrato social. II.II. DAS PESSOAS FÍSICAS A peça de defesa encontrase às fls. 1.175 a 1.203, que, em síntese, argumenta: ausência de interesse comum para atribuição da sujeição passiva por solidariedade. inexistência dos pressupostos inequívocos trazidos pelo artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Acompanham os documentos de fls. 1.204 a 1.216, a saber: documentos de identificação dos outorgados, procuração, contrato social e recibo de entrega de arquivos digitais. Após analisar a impugnação, a r. DRJ proferiu decisão assim ementada: Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 10855.723476/201518 Acórdão n.º 1402003.361 S1C4T2 Fl. 1.551 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. ARBITRAMENTO DO LUCRO. MAJORAÇÃO DE PENALIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Descabe o agravamento da penalidade na situação em que a sua causa repousa em atendimento não satisfatório de intimações que também serviram de suporte para o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA Cabível a aplicação de multa qualificada quando se constatar que o sujeito passivo praticou ato doloso tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. RESPONSABILIDADE PESSOAL E SOLIDÁRIA São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e pessoalmente responsáveis os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos atos praticados com infração de lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no art. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar de nulidade do lançamento. MARCHA PROCESSUAL. SOBRESTAMENTO. É incabível o sobrestamento do andamento dos autos, seja por que a legislação que regula o processo administrativofiscal não autoriza a pretendida suspensão do trâmite processual, seja em face do princípio da oficialidade que obriga a Administração Tributária a impulsionar o processo até sua decisão final. AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. DEMONSTRATIVOS E DOCUMENTOS JUNTADOS. LANÇAMENTO DEMONSTRADO. O Termo de Verificação Fiscal e os demais documentos que integram o Auto de Infração, inclusive demonstrativos de cálculos do crédito tributário e da base de cálculo, permitem a perfeita compreensão da infração tributária cometida. DADOS BANCÁRIOS. SIGILO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO LEGAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por utilização de provas ilícitas, consistentes em dados obtidos da movimentação bancária da impugnante, quando esses elementos foram obtidos segundo a legislação de regência, cujo rito procedimental impõe a transferência do sigilo bancário à Autoridade Fiscal. Fl. 1553DF CARF MF 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 IRPJ ARBITRAMENTO DO LUCRO TRIBUTÁVEL Quando a contribuinte não apresenta sua escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, afigurase cabível o arbitramento do lucro. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento decorrente com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhes recomenda tratamento diverso. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignados os responsáveis solidários interpuseram o presente Recurso Voluntário. Alegase inicialmente a nulidade da decisão por ausência de fundamentação, pois o julgador de primeira instância teria desconsiderado sem fundamentar os argumentos aduzidos na impugnação para afastar a responsabilidade. Afirmase que teria sido demonstrado que Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 10855.723476/201518 Acórdão n.º 1402003.361 S1C4T2 Fl. 1.552 7 Em que pese esse esforço, afirmam os Recorrentes que tais argumentos teriam sido afastados com a mera transcrição do teor dos artigos 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional, sem maiores explicações Principalmente em relação ao interesse comum, afirma que a fiscalização não conseguiu demonstrar o interesse jurídico comum apto a disparar a aplicação do art. 124, I do CTN no caso concreto. O mero fato de o Recorrente ser sócio da empresa não permitiria sua responsabilização com base neste dispositivo. Afirma ainda não ter sido demonstrado o ato com excesso de poderes ou infração a lei que ensejou a aplicação do art. 135, III do CTN, o que implica na exclusão da Recorrente do polo passivo da autuação fiscal. Alega a Recorrente que a ausência de motivação incorreria na nulidade prevista no art. 59, II do Decreto n 70.235/1972. Transcreve ementas de decisões proferidas neste e. Carf para reforçar seu argumento. Além disso, sustenta que o art. 489, § 1º, I e II Fl. 1555DF CARF MF 8 combinados com o art. 15, ambos do CPC reforçam a necessidade de se reconhecer a nulidade da decisão proferida pela r. DRJ. No mérito, reafirma a ausência dos requisitos legais para atribuição de responsabilidade solidária aos Recorrentes. Afirma que embora tenha constado no Auto de Infração a responsabilidade solidária do sócio Evandro de Almeida com base no art. 124, I do CTN e da sócia Marcela de Almeida com base no art. 135, III do CTN, no relatório fiscal a conduta dos sócios não foi individualizada, ali constaria: Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 10855.723476/201518 Acórdão n.º 1402003.361 S1C4T2 Fl. 1.553 9 Reforça que o Agente fiscal nem ao menos cita o nome dos sócios no relatório fiscal antes de lhes atribuir responsabilidade nos diversos dispositivos do CTN. Além disso, a alegação de que a multa qualificada do âmbito federal se justificaria em razão de suposta prática tendente a reduzir a carga do ICMS seria desprovida de fundamento jurídico e não se esclarece no relatório a participação de quais empresas que teriam mantido relações comerciais com a SAFEPARK PLÁSTICOS LTDAME para retardar ou impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Reafirma que a decisão recorrida apenas transcreve os artigos 124, I e 135, III do CTN sem apurar quais os fatos que se subsumiriam àqueles comandos normativos. Especificamente em relação ao sócio Evandro Franca de Almeida Marcelo, afirmase que a solidariedade de fato invocada decorreu de suposições do agente fiscal, haja vista não ter omitido informações durante a fiscalização. Além disso, a alegação de responsabilidade de fato teria decorrido de uma simples declaração de um antigo contador da empresa desacompanhada de qualquer prova. Em que pese ter sido alegada a solidariedade de fato, segundo a Recorrente não estão presentes os pressupostos do art. 124, I, do CTN, uma vez que: (i) o sr. Evandro possuía tão somente 1% das quotas da empresa à época dos fatos; (ii) não há “interesse comum”, invoca os arts, 264 e 275 do Código Civil para demonstrar que só há interesse comum quando há atuação conjunta e em nenhum momento isto teria sido demonstrado; exemplificar situações de interesse comum. Ressalta que a aplicação de multa qualificada não é suficiente para manutenção do sócio minoritário no polo passivo. Em relação a Marcela de Fatima Momesso Franco de Almeida, sustenta não ter sido comprovado excesso de poderes com fulcro no art. 135, III, do CTN. Não há nos autos, segundo a Recorrente, discriminação dos fatos que se constituiriam em excesso de poderes, nem provas em quanto a sua ocorrência, o que estaria em linha com a jurisprudência do e. STF firmada no RE com repercussão geral reconhecida nº 562.276. Além disso, reitera que a decisão recorrida não seria clara em apontar os fundamentos de sua inclusão no polo passivo, limitandose a transcrição dos dispositivos legais. Afirma que a legislação civil limita o alcance do art, 135, III, do CTN e que não existem provas das ações que teriam sido exercidas para acarretar a responsabilização solidária nos termos deste dispositivo e que teria cumprido adequadamente suas obrigações acessórias. Afirma que o mero não recolhimento de tributo não enseja a responsabilidade solidária nos termos da jurisprudência do e. STJ conforme o Recurso Especial com efeito repetitivo nº 1.101.728/SP. No mérito, afirma que houve ofensa ao art. 5º, X e XII da CF por ter havido quebra de sigilo sem prévia intervenção judicial, o que violaria direitos humanos fundamentais. Fl. 1557DF CARF MF 10 Afirma ainda ter havido descumprimento dos pressupostos da Lei Complementar nº 105/2001 e do Decreto nº 3.724/2001 para requisição de Informações sobre movimentações financeiras – RMF, haja vista a não ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no art. 3º do referido decreto. Além disso, sustenta que as mesmas restrições que CF impõe aos membros do judiciário, cf. art. 93, IX da CF, deveriam ser impostas, aos funcionários da RFB que exercem funções atribuídas àqueles. Ou seja, a ausência de motivação na RFM tornaria nulo o ato, contaminando os atos posteriores (teoria do fruto da árvore envenenada). Sustenta ainda a impossibilidade de ser mantida a multa qualificada, pois não há comprovação de fraude, dolo, conluio ou sonegação a ensejar a qualificação da multa, nos termos do art. 44, §1 da Lei 9.430/1996. Acrescenta que a omissão de receitas não enseja a qualificação da multa nos termos das Súmulas 14 e 25 do CARF. Sustenta que a Lei deve ser interpretada de forma mais favorável ao acusado, conforme dispõe o art. 112 do CTN. O valor da multa cobrada, superior a 20 milhões, ofenderia o princípio da razoabilidade e que poderia levar os sócios pessoas físicas a insolvência. A multa no na proporção de 150% ofenderia o princípio de vedação ao confisco previsto no art. 150, IV da CF, bem como aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade previstos no art. 5, XXII da CF. Alega ainda a necessidade de se manter a decisão de primeira instância quanto ao afastamento da multa agravada por força da Sumula 96 do CARF. Por fim, há recurso de ofício quanto ao afastamento da multa agravada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. PRELIMINARMENTE: 2.1. DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Afirma a recorrente que a decisão recorrida não analisa adequadamente as razões apontadas na Impugnação, padecendo de ausência de motivação. Segundo o voto vencedor: O Relatório Fiscal consigna que a interessada transmitiu escrituração contábil digital de que constava apenas o lançamento de integralização de capital. Ademais, apresentou sua DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 10855.723476/201518 Acórdão n.º 1402003.361 S1C4T2 Fl. 1.554 11 Jurídica – preenchendo as Fichas 01 (“Dados Iniciais”), 02 (“Dados Cadastrais”) e 03 (“Dados do Representante e do Responsável” ). Consultandose a referida DIPJ, numerada 0739571, confirmase que desta só constam estas informações e que todos os valores da Ficha 06A (“Demonstração do Resultado – PJ em Geral “) são iguais a zero, desde a primeira linha (“Receita de Exportação Direta de Mercadorias e Produtos”) até a última (“LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODO DE APURAÇÃO”), o que abrange, obviamente, aquelas nas quais seria mister consignar as receitas auferidas pela impugnante. Ora, é sabido que esta emitiu Notas Fiscais de Vendas no estratosférico montante de R$ 270 milhões, sem dar qualquer indicação disto quer na referida DIPJ, quer em sua escrituração contábil digital – uma falha que, sob nenhuma circunstância, poderia ser atribuída a um simples lapso. Notase, portanto, o flagrante intuito de impedir que a autoridade fazendária tivesse conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal – a saber, um invejável faturamento de mais de um quarto de bilhão de reais. Em outras palavras, encontrase presente a condição necessária e suficiente para a qualificação da multa exigida, recordandose a completa ausência de discricionariedade do lançamento de ofício, a teor do parágrafo único do artigo 142 do CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional, como segue: Tais razões seriam o suficiente para a r. DRJ para fundamentar a qualificação da multa e a responsabilidade dos sócios. Nessa toada, embora se possa discordar das afirmações ou das conclusões alcançadas ou até mesmo do grau de aprofundamento das razões do voto vencedor, não se pode afirmar que não há motivação como pretende a Recorrente, motivo pelo qual afasto a preliminar suscitada. 2.2. DA QUEBRA DE SIGILO E DA ILICITUDE DA PROVA O Egrégio Supremo Tribunal Federal reconheceu a constitucionalidade do art. 6 da Lei Complementar n. 105/01 nos autos do RE n. 601.314SP com repercussão geral, o que vincula este tribunal administrativo nos termos do art. 62, §2º do RICARF. E ainda que assim não o fosse, nos termos do caput do art. 62 do RICARF e da Súmula 2 do CARF, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, como muito bem fundamentado na DRJ. Por este motivo deixo de conhecer dos argumentos lançados contra a constitucionalidade do art. 6 da Lei Complementar 105/01 e do Decreto n. 3724/01, e que poderiam acarretar na ilicitude das provas juntadas aos autos. Ademais, temse que todos os argumentos suscitados pela recorrente sucumbem no mérito diante do reconhecimento da Constitucionalidade pelo E. Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 601.314, com repercussão geral, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, em acórdão que restou assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o Fl. 1559DF CARF MF 12 direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL ¬ MÉRITO DJe¬198 DIVULG 15¬09¬2016 PUBLIC 16¬09/2016) Diante do exposto não conheço dos argumentos de (in)constitucionalidade veiculados pelo recorrente, e porventura, ultrapassada tal questão julgoos improcedentes diante da posição firmada pelo STF. Quanto à pretensa aplicação do art. 93, IX, CF, tratase de discussão de lege ferenda que escapa ao controle do presente órgão julgador. Os limites do processo administrativo estão delimitados no Decreto nº 70.235/72, Lei nº 9.784/99 e no RICARF. Em relação ao descumprimento aos pressupostos do Decreto nº 3724/2001, esta também deve ser afastada. Segundo o relatório fiscal a contribuinte devidamente intimada não apresentou extratos bancários solicitados. Nessa toada incorreu em embaraço a fiscalização tal como descrito no art. 33 da Lei nº 9.430/96: Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 10855.723476/201518 Acórdão n.º 1402003.361 S1C4T2 Fl. 1.555 13 movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; Desta forma, resta configurada a hipótese prevista no inc. VII do art. 3º do Decreto 3.724/2001. Devendo ser afastada a nulidade suscitada. 3. DO MÉRITO: 3.1. Da atribuição de responsabilidade passiva. Em relação à solidariedade passiva dispõe o relatório fiscal: XII–DA RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS A empresa Saferpak Plásticos Ltda emitiu Notas Fiscais de Vendas, durante o ano calendário de 2011, no montante de R$ 270 milhões e não declarou à Receita Federal, portanto, omitiu receitas. A empresa Braschon Ltda, em procedimento fiscal executado na IRF/ILHÉUSBA, foi baixada de ofício, em virtude de se tratar de empresa inexistente de fato, conforme Ato Declaratório Executivo nº 45, de 26 de novembro de 2014. Conforme declaração do contador da Contribuinte, Srº AURELINO MENDES LIMA, o real sócio da empresa BRASCHON INDUSTRIA DE AROMAS E ESSENCIAS E EMBALAGENS PLASTICAS LTDA –ME, seria o Srº EVANDRO FRANCO DE ALMEIDA. Durante o anocalendário de 2011, as empresas Real Plastic Ltda, Gabiplast Ltda, Plasnox Ltda e Tritec Ltda emitiram Notas Fiscais de Vendas para as empresas Braschon Ltda e Conpac Ltda Os boletos bancários de cobrança, emitidos pelas empresas Real Plastic Ltda, Gabiplast Ltda, Plasnox Ltda e Tritec Ltda (CEDENTES), referente às vendas efetuadas às empresas Braschon Ltda e Conpac Ltda (SACADAS), foram pagos pela Saferpak Plásticos Ltda. Os dados dos pagamentos encontramse descritos nas planilhas denominadas “Relação das Cobranças pagas pela Saferpak” e “Relação dos Depósitos enviados pela Saferpak”. As mercadorias acompanhadas de Notas Fiscais com destinatárias as empresas Braschon Ltda e Conpac Ltda eram remetidas pelos fornecedores (Real Plastic/Gabiplast/Plasnox/Tritec) à transportadora Logmax Logística e Transporte Ltda –, com endereço em Sorocaba, para serem redespachadas às empresas destinatárias. Porém, o redespacho não ocorria, pois as mercadorias pertenciam à Saferpak Plásticos Ltda, real compradora das mercadorias e pagadora dos respectivos fornecedores. Se considerássemos os valores das vendas efetuadas pelas empresas REAL PLASTIC LTDA, GABIPLAST LTDA, PLASNOX E TRITEC à empresa Braschon Ltda durante o anocalendário de 2011, e calculássemos o ICMS tendo como destinatário a Saferpak Ltda, verificamos as seguintes reduções desse imposto: (tabela indicando os valores que a fiscalização entendeu como Redução do ICMS) Os fatos acima comprovam que a Braschon Ltda foi criada pela Saferpak Ltda com o intuito de diminuir a carga tributária, mediante o benefício da redução do ICMS, de 12%(UFSP) para 7%(UFBA).A partir do segundo semestre de 2011, as transações com a empresa Braschon foi substituída pela empresa Conpac Ltda, com o mesmo intuito. A Saferpak Plasticos Ltda, durante o anocalendário de 2001, transferiu de sua conta corrente nº 203050, agências 4264/2414 Sorocaba, Banco do Brasil S/A, o montante de R$ 7,9 milhões para a contacorrente nº 194.9292, agência 0152 – Sorocaba, Bradesco S/A da SAFER INDUSTRIA E COMERCIO ATACADISTA DE EMBALAGENS PLASTICAS LTDA, e não justificou/esclareceu o motivo dessas transferências. Fl. 1561DF CARF MF 14 Os fatos acima relatados indicam flagrante violação comissiva ou omissiva das leis civis, comerciais e tributárias, e ocorreram por atos praticados voluntariamente pelos sócios e administradores da fiscalizada ou em nome deles. Todos os envolvidos ganham simultaneamente com o resultado da omissão das receitas, por não apurarem os tributos federais devidos (IRPJ/CSLL/PIS/COFINS), e com a diminuição da carga tributária, pela redução do ICMS. Deste modo, ficou caracterizado o vínculo de responsabilidade, por ação ou omissão, dos sócios, Sr. EVANDRO FRANCO DE ALMEIDA, CPF 202.602.11800, e a Sra. MARCELA DE FÁTIMA MOMESSO FRANCO DE ALMEIDA (sócia administradora), CPF: 202.450.61860, nos termos dos artigos 124, inciso I, e 135, caput e III, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966), o que ensejará a lavratura dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária.” Transcreve os art. 124 e 135 do Código Tributário Nacional. Como se verifica, não há no relatório fiscal a determinação dos motivos que configuram a responsabilidade solidária dos sócios. Há tão somente afirmação genérica da responsabilidade por que haveria ganhos decorrentes da omissão de receitas e com a diminuição da carga tributária pela redução do ICMS. Repito que nesse interim o voto vencedor consignou que a Impugnante “emitiu Notas Fiscais de Vendas no estratosférico montante de R$ 270 milhões, sem dar qualquer indicação disto quer na referida DIPJ, quer em sua escrituração contábil digital – uma falha que, sob nenhuma circunstância, poderia ser atribuída a um simples lapso. Notase, portanto, o flagrante intuito de impedir que a autoridade fazendária tivesse conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal – a saber, um invejável faturamento de mais de um quarto de bilhão de reais”. Tal fato, revelaria a “flagrante a responsabilidade pessoal da sócia administradora MARCELA DE FÁTIMA MOMESSO FRANCO DE ALMEIDA pela prática dos atos aqui descritos, a teor do artigo 135, inciso III, do CTN” e do outro sócio da interessada EVANDRO FRANCO DE ALMEIDA. O voto vencido consignava de sua parte que: Da análise de tudo que a fiscalização apresenta, no meu entendimento, não se vislumbra qualquer elemento que possa caracterizar ação ou omissão dolosa da empresa fiscalizada e das pessoas físicas, que sustente a qualificação da multa e a indicação de sujeição passiva solidária nos termos da legislação indicada pela fiscalização. No que toca às operações que teriam reduzido a carga de tributária de ICMS, ainda que houvesse a plena caracterização de dolo, esta eventualidade não se presta para sustentar prática de ação dolosa com referência a tributos federais. Não restou esclarecido qual a participação das empresas que teriam mantido relações comerciais com a impugnante – ou qual a ação da impugnante para retardar ou impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação principal dos tributos federais. Por certo, a simples recusa da impugnante para apresentar os elementos requisitados pela fiscalização e o não oferecimento a tributação de valores que foram tributados como omissão de receitas não comportam interpretação de ação dolosa. Para a indicação de responsabilização solidárias, a fiscalização se reporta aos artigos 124 e 135 do Código Tributário Nacional. No entanto, não se demonstra nos autos as ações caracterizadoras passíveis de enquadramento nos artigos citados. Simplesmente entender a existência de interesse comum por serem sócios é ampliar o entendimento de que todo e qualquer sócio deve ser indicado como responsável solidário. Naturalmente, não é este o entendimento correto. Há de se comprovar a efetiva participação de cada um dos indicados. De igual forma, escorarse na literalidade do disposto no artigo 135 é insuficiente para fundamentar o que se pretende. É imprescindível que se demonstre quais os atos foram praticados com excesso de poderes Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 10855.723476/201518 Acórdão n.º 1402003.361 S1C4T2 Fl. 1.556 15 Data vênia, o entendimento esposado pela r. DRJ, a mera omissão de receitas não é fato suficiente para atribuição de responsabilidade solidária. No mérito temse que muito embora o detalhado trabalho desenvolvido pela fiscalização não restou comprovado, a meu ver, os requisitos dos art. 124, I e 135, III, do CTN. Quanto ao sócio Evandro Franco de Almeida, além dos fundamentos já apontados no voto vencido, acrescento que é consenso na jurisprudência dos Tribunais que o "interesse comum" previsto no art.124, I, do CTN, não se refere a mero interesse econômico de redução do ônus tributário de determinada operação, mas demanda efetivo conluio com vistas a prática de um ato em excesso de poder e/ou violação a lei/contrato social atrelado à (in)ocorrência de determinado fato gerador tributário. Assim, entendo que não existe razão para sua inclusão no polo passivo do crédito tributário. Quanto à sóciaadministradora Marcela Franco de Almeida, não restam comprovados os pressupostos do art. 135, III, do CTN. O próprio parecer n. 180/2010 da PGFN elenca como requisito para atribuição de responsabilidade a ocorrência de ao menos uma das quatro situações a seguir: I – excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV – dissolução irregular da pessoa jurídica. A Fiscalização não comprovou, entretanto, que houve quaisquer atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos pelos indivíduos responsabilizados nos autos. Pelo exposto, entendo pelo afastamento da responsabilidade dos sócios. 3.2 Da multa de ofício e da multa agravada Do relatório fiscal extraise que XV –DO AGRAVAMENTO E QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO E REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O contribuinte foi intimado a apresentar vários elementos, livros, arquivos, planilhas, etc durante o procedimento fiscal. Foram lavrados os seguintes termos e o contribuinte, devidamente, intimado, não respondeu a nenhum deles: (...) Diante disso, agravamos a multa de ofício em 50%, nos termos do artigo 44, § 2º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/07. Os atos praticados pela fiscalizada, impediram a ocorrência do Fato Gerador da Obrigação Tributária Principal e modificaram suas características, resultando na redução do montante do imposto devido, portanto, tipificado como crime tributário, previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64. Assim, aplicamos a multa agravada e qualificada de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), nos termos do artigo 44, inciso I, e §§ 1º e 2º, da Lei 9.430/96 com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/07. As condutas acima, tipificadas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64, ou seja, condutas definidas como Sonegação, Fraude e Conluio, também estão tipificadas nos artigos 1º e 2º da Lei 8.137/90 (dos Crimes contra a Ordem Tributária). Assim, formalizamos processo de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, PA nº 10855.723.496/201581. A qualificação da multa mantevese em primeira instância em razão da omissão de receitas, pela ausência de declaração em DIPJ, quer em sua escrituração digital do montante de R$ 270 milhões. Fl. 1563DF CARF MF 16 Em relação à multa de ofício, a Recorrente invoca o teor das Súmula 14 e 25 do CARF, que transcrevo: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Posto que, a qualificação deuse em razão da omissão, aplico o dispositivo das súmulas acima transcritas para afastar sua qualificação. Já no que tange o agravamento, aplicável ao caso o disposto na Súmula CARF nº 96 – A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Em razão disso, entendo por bem determinar a redução da multa de ofício para o patamar de 75%. . 4. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pelo conhecimento parcial do presente recurso, para na parte conhecida julgála procedente para determinar a exclusão dos sócios do polo passivo da obrigação tributária e a redução da multa ao patamar de 75%. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 10855.723476/201518 Acórdão n.º 1402003.361 S1C4T2 Fl. 1.557 17 Voto Vencedor Conselheiro Marco Rogério Borges Redator Designado O i. relator, no seu brilhante e detalhado voto, como é de costume nesta turma, entendeu que deveria ser afastada a multa qualificada e a exclusão da responsabilidade dos sócios, Sr. Evandro Franco de Almeida e Sra. Marcela de Fátima Momesso Franco de Almeida, atribuídos de quando da autuação fiscal e mantidas na decisão a quo. Contudo, no entender do colegiado, ousamos discordar do i. relator, entendendo que deve ser mantida a qualificação da multa de ofício e manter a imputação de sujeição passiva solidária dos supracitados. Quanto à qualificação da multa, nos autos fica evidente que a recorrente emitiu notas fiscais de venda (NFe's) no anocalendário de 2011 no montante de R$ 270 milhões, sem ter contabilizado tais valores, e nem declarado à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Na sua ECD Escrituração Contábil Digital entregue há apenas um lançamento contábil de integralização de capital nada mais. A sua DIPJ/2012, referente ao anocalendário de 2011, está com todos os valores da 06A (Demonstração de Resultado PJ em Geral) zerados. Nada, igualmente, declarou de débitos a pagar em DCTF. Ou seja, emitiu notas fiscais de saída, no montante de R$ 270 milhões, sem oferecer à tributação federal nenhum valor de receita, e muito menos deu conhecimento das operações ocorridas,, quer seja na sua contabilidade e/ou obrigações acessórias federais. Nesta conduta, mostrase uma preocupação apenas com a documentação fiscal pertinente aos fiscais estaduais (emissão de nota fiscal), e nenhuma com o fisco federal. Há certamente nesta conduta algo muito acima de uma eventual "falta de declaração" ou "erro de preenchimento", como poderia se apregoar para desqualificar a multa. Demonstra nitidamente um intuito doloso de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, como consigna o art. 71 da Lei nº 4.502/19641. Quanto à responsabilidade dos sócios, Sr. Evandro Franco de Almeida e Sra. Marcela de Fátima Momesso Franco de Almeida, fica demonstrado, conforme o relatório fiscal que descreveu os fatos que imputaram a autuação fiscal, que: a recorrente principal, Saferpak Plásticos Ltda., se valeu de outras pessoas jurídicas neste processo de omitir suas receitas; 1 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 1565DF CARF MF 18 se valia das pessoas jurídicas Braschon Indústria de Aromas e Essências e Embalagens Plásticas Ltda Me (baixa de ofício em 2014) e Conpac Ltda. para adquirir mercadorias de outras quarto pessoas jurídicas (Real Plastic Ltda., Gabiplast Ltda., Plasnox Ltda. e Tritec Ltda.), mas que era o destinatário das mesmas era a recorrente Saferpack, inclusive comprovandose que ela pagava os boletos de cobrança; a operação primordialmente era para obter redução do ICMS a pagar, pois ambas empresas criadas estavam localizadas, artificialmente, no estado da Bahia, o que aplicaria uma alíquota de 7%, enquanto no estado de São Paulo seria de 12%; Quanto à Braschon Indústria de Aromas e Essências e Embalagens Plásticas Ltda Me, há informações e comprovações nos autos de que a recorrente Saferpak se valeu de interpostas pessoas físicas para comporem seu quadro societário, mas o real administrador seria o Sr. Evandro Franco de Almeida. Nestas circunstâncias, além da omissão de receitas promovida pela recorrente Saferpak, haveria a alteração do contribuinte real das operações, recaindo, se se vingasse suas intenções iniciais, em empresas artificialmente constituídas, através de interposição fraudulenta. Há neste contexto toda uma orquestração da Saferpak e seus administradores para burlar a legislação tributária federal, com a implicação e imputação à responsabilidade contida nos arts. 124, I e 135, III do CTN, devendo ser mantidas a sujeição passiva solidária do Sr. Evandro Franco de Almeida e Sra. Marcela de Fátima Momesso Franco de Almeida, conforme autuação fiscal ocorrida. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 1566DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.675126/2009-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, cabendo ao contribuinte o ônus de prova do indébito que busca utilizar.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não constitui prova hábil, ensejando a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-002.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, cabendo ao contribuinte o ônus de prova do indébito que busca utilizar. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não constitui prova hábil, ensejando a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 51 26 /2 00 9- 74 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10880.675126/200974 Acórdão n.º 1201002.452 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de DCOMP transmitida pelo contribuinte para fins de compensar crédito de estimativa de CSLL com débitos próprios. A Derat, por meio de despacho decisório, não homologou a compensação sob o argumento de inexistência do crédito, tendo em vista sua alocação a débito confessado pelo próprio contribuinte em DCTF. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em resumo, que o crédito é legítimo em face da apuração de prejuízo fiscal e base negativa no período, que a vedação da compensação de estimativas prevista na IN 900 não poderia retroagir e que ao menos a multa e os juros deveriam estar com a exigibilidade suspensa. A DRJ julgou a manifestação improcedente. Entendeu que, como o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito corresponde exatamente à estimativa devida no período, não há que se falar em pagamento indevido. Aduz a decisão, ainda, que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal, nos termos da IN 600/2005, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração ou incluílo na composição do Saldo Negativo do período. A empresa interpôs recurso voluntário contra a decisão, reiterando os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.444, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.675129/2009 16, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ relativa ao mês de novembro de 2003. O direito creditório pleiteado no presente processo tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, referente ao mês de janeiro de 2004. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10880.675126/200974 Acórdão n.º 1201002.452 S1C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.444): "O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. É importante observar que, ao contrário do que possa parecer, a compensação objeto de análise não foi homologada em razão da insuficiência do crédito, uma vez que o montante de estimativa foi declarado em DCTF pelo contribuinte, conforme consta do despacho decisório. O argumento de que crédito de estimativa não poderia ser compensado em razão da vedação prevista no artigo 10, da IN 600/2005, foi inserido pela DRJ na decisão de piso no contexto daquilo que se denomina de dialética processual, mas nunca foi, repitase, o fundamento de validade do despacho decisório. O objeto da presente lide, na verdade, diz respeito ao direito ou não da contribuinte compensar o recolhimento feito a título de estimativa de novembro de 2003, cujo débito foi declarado por ela em DCTF não retificada. Pois bem. Do exame dos documentos trazidos aos autos, verificase que a Recorrente não conseguiu demonstrar ou provar que o pagamento da estimativa em questão de fato foi feito a partir de erro ou equívoco, o que lhe tornaria um efetivo indébito. Pelo contrário, o contribuinte questiona a não homologação da compensação em face da pretensa ausência do débito que foi compensado, em razão da apuração de prejuízo fiscal no ano, prejuízo este que, digase, também não restou demonstrado. Nesse estado de coisas, o que precisa ficar claro é que a fiscalização motivou a não homologação por considerar corretos os valores declarados em DCTF que constitui instrumento de confissão de dívida e, como conseqüência, corretamente alocou o pagamento efetuado ao débito informado, não restando nenhuma diferença credora. Já a contribuinte faz menções genéricas de erros e equívocos, mas não apresenta nenhuma demonstração analítica ou prova em seu favor. Ora, alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis e idôneos acerca de sua natureza e efetiva origem, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Cabe, aqui, lembrar do velho brocardo latino: "alegar e não provar é quase não alegar" (allegatio et non probatio quasi non allegatio) ou "alegar e não provar o alegado importa nada alegar" (niagara ilia et allegatum nom probare paria sunt). Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10880.675126/200974 Acórdão n.º 1201002.452 S1C2T1 Fl. 5 4 Em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, planilhas demonstrativas ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Tratase, assim, de uma compensação cujo crédito não restou comprovado, prejudicando o alegado direito. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, é firme no sentido de que compete ao contribuinte a comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito, sob pena de indeferimento do pedido. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102 000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10880.675126/200974 Acórdão n.º 1201002.452 S1C2T1 Fl. 6 5 homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da comprovação do crédito informado na DCOMP, a decisão pela não homologação não merece reforma. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.001830/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA
217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
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PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 18 30 /2 00 9- 12 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13888.001830/200912 Acórdão n.º 1301003.272 S1C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que suas atividades são desenvolvidas em unidade própria e são voltadas para a realização de exames radiográficos, ultrassonográficos, mamográficos, biópsias, punções e densiometria óssea para apoio a diagnósticos médicos. E que tais atividades fazem jus ao tratamento tributário diferenciado, na apuração do IRPJ e da CSLL, na modalidade de lucro presumido, mediante a aplicação do percentual de 8%, na forma da lei acima citada. O Acórdão recorrido afastou preliminar de nulidade da decisão proferida, e no mérito, afastou precedentes jurisprudenciais, e entendeu que a interessada, sendo sociedade civil de prestação de serviços de diagnóstico por imagem, não configura o conceito de "serviços hospitalares" para fazer jus ao benefício concedido pela norma. Baseou seu entendimento na Solução de Consulta 319/2011 SRF/8ª Região Fiscal e outras normas internas. Acrescenta, ainda, que somente a partir da vigência da Lei 11.727/2008 é que ela poderia ter direito à redução, mas não a fatos anteriores. Além disso, argumentou que para o ano calendário em questão, a interessada não apresentou nenhum elemento capaz de comprovar que prestava serviços hospitalares e que suas atividades se inseriam no conceito de atividade hospitalar definida nos normativos legais. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que não foi realizada pela autoridade fiscal nenhuma diligência para aferir se cumpria requisitos do Ministério da Saúde; bem como traz à tona que a matéria já se encontra pacificada nos tribunais superiores, nos termos do Resp 1.116.399/BA, que já dispensou a necessidade de Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13888.001830/200912 Acórdão n.º 1301003.272 S1C3T1 Fl. 4 3 verificação de existência de estrutura organizada para atendimento. Que a recorrente possui atividades voltadas para a prestação de serviços de diagnósticos por imagens, obtidas das mais diversas formas de energia, como Raio X, Ultrassom, Tomografia e outros, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, que demanda maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. Desnecessária também, qualquer comprovação de estrutura nos termos da Lei 11.727/08, requerendo a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.264, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.001817/2009 55, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.264): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de diagnósticos por imagens, como Raio X, ultrassom, tomografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15, § 1º, inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13888.001830/200912 Acórdão n.º 1301003.272 S1C3T1 Fl. 5 4 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III – trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13888.001830/200912 Acórdão n.º 1301003.272 S1C3T1 Fl. 6 5 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no artº 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1ºde janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13888.001830/200912 Acórdão n.º 1301003.272 S1C3T1 Fl. 7 6 Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.901298/2006-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/05/2003
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para fins de compensar débitos declarados em Per/Dcomp, em face dos efeitos da decadência do referido direito creditório.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
O contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Demais disso, é defeso ao contribuinte, para fins de surtir os efeitos jurídicos pretendidos, apresentar DCTF retificadora depois de transcorrido o prazo de cinco anos contados do seu fato gerador.
Numero da decisão: 3001-000.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/05/2003 PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para fins de compensar débitos declarados em Per/Dcomp, em face dos efeitos da decadência do referido direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. O contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Demais disso, é defeso ao contribuinte, para fins de surtir os efeitos jurídicos pretendidos, apresentar DCTF retificadora depois de transcorrido o prazo de cinco anos contados do seu fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2003 PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para fins de compensar débitos declarados em Per/Dcomp, em face dos efeitos da decadência do referido direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. O contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Demais disso, é defeso ao contribuinte, para fins de surtir os efeitos jurídicos pretendidos, apresentar DCTF retificadora depois de transcorrido o prazo de cinco anos contados do seu fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 12 98 /2 00 6- 73 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10855.901298/200673 Acórdão n.º 3001000.509 S3C0T1 Fl. 96 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1435.800, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO que, em sessão de julgamento realizada no dia 10.11.2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp em questão. Da ementa da decisão recorrida A 4ª Turma da DRJ/RPO, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da síntese dos fatos Tratam os autos manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório Número de Rastreamento 770274368, emitido em 16.06.2008, que não homologou a compensação declarada, em 14.08.2003, no Per/Dcomp 33793.81291.140803.1.7.042299, apresentado pelo contribuinte acima epigrafado sob o fundamento de que, a partir das características do Darf nele descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos neles informados. Inconformado com a não homologação de sua compensação, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, para alegar que (i) o pedido de compensação formulado em 2003 está correto; (ii) a DCTF relativa ao 2º trimestre de 2003 não foi retificada na mesma época, de modo a indicar o débito apurado corretamente do PISFaturamentoPJ Em Geral, código de receita 81092; (iii) o valor recolhido mediante Darf, com período de apuração em 30.04.2003 e vencimento em 15.05.2003, foi de R$ 22.732,13; (iv) o débito apurado foi de R$ 21.971,84, conforme consta da DCTF retificadora 1426511375, relativa ao período 01.04.2003 a 30.06.2003, recebida em 28.07.2008, conforme recibo 33.29.05.51.49; e (v) a diferença entre o valor pago R$ 22.732,13 e o débito apurado de R$ 21.971,84 é de R$ 760,29, valor esse pago a maior pelo interessado, daí a origem do crédito pleiteado. Requerendo, portanto, a reavaliação do Despacho Decisório. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10855.901298/200673 Acórdão n.º 3001000.509 S3C0T1 Fl. 97 3 Ao analisar o litígio, o Colegiado a quo entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento da necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual reafirma os argumentos ofertados na manifestação de inconformidade, acrescentando a observância da verdade material, juntando, para tanto, dentre outros documentos, cópia da já mencionada DCTF reretificadora 1426511375, do Recibo 3525670542 e da Ficha22A cálculo do PIS/abril, ambos referente a DIPJ2004/AnoCalendário/2003, que foi recepcionada em 30.06.2004. Requer, por fim, que o presente recurso seja provido, para reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Da ciência O contribuinte, conforme depreendese da Intimação DRF/SOR/SEORT nº 1854/2011 (efl. 50) e do Aviso de Recebimento AR (efl. 51), conheceu, em 07.12.2011, dos termos do Acórdão 1435.800, da 4ª Turma da DRJ/RPO, razão pela qual, irresignado, protocola em 06.01.2012, perante a CACDRF/Sorocaba, o presente recurso voluntário (efls. 52/53). Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 01.02.2012 (efl. 94), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, com redação da Portaria MF 329 de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado apresentado em 06.01.2012, depois da ciência do acórdão recorrido, ocorrida em 07.12.2011. Portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele se conhece. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10855.901298/200673 Acórdão n.º 3001000.509 S3C0T1 Fl. 98 4 Da questão material da síntese dos termos da decisão recorrida Podese dizer que os fundamentos tecidos na decisão recorrida para indeferir a compensação apresentada pelo contribuinte por ausência de comprovação do crédito pleiteado repousa no entendimento de que no processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do Per/Dcomp, cabendo, por consequência, o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil CPC, art. 333). Logo, por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A decisão vergastada, prosseguindo em seus fundamentos, afirma que a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170), cujo entendimento aplicase também à restituição. Neste sentido, se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta, uma vez que para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Logo, se assim não proceder, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. da retificação da DCTF após cinco anos do fato gerador Emergem do caso sob exame a ocorrência do transcurso do prazo de cinco anos para o pleito da restituição do direito creditório alegado. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 07.07.1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação, verbis: Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (g.n.) Verificase que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao fato gerador ocorrido em 30.04.2003, cujo pagamento, via Darf, verificouse em 15.05.2003, ao passo que a DCTF retificadora, à qual pretende retificar a informação incorreta prestada na DCTF outrora apresentada, foi apresentada em 28.07.2008, conforme evidencia seu recibo de Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10855.901298/200673 Acórdão n.º 3001000.509 S3C0T1 Fl. 99 5 entrega nº 33.29.05.51.49, aliás, trazido aos autos pelo recorrente quando a sua manifestação de inconformidade e ora reapresentado. Sendo assim, ao tempo da apresentação da DCTF retificadora, não mais havia mais tempo hábil para analisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte a destempo. Trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos, que expressam igualmente o entendimento contido no parecer supra citado, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO. Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). No caso vertente, o contribuinte quedouse inerte, não apresentando DCTF retificadora dentro do prazo legal em que esta surtiria efeito, ou seja, antes da ocorrência da homologação tácita, razão pela qual se revelou apático quanto ao direito creditório que ora sustenta deter em face da Fazenda Pública. O recorrente, tão logo teve conhecimento dos fatos capazes de alterar a apuração do tributo que ora alega ter pagado indevidamente, tinha por obrigação dar Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10855.901298/200673 Acórdão n.º 3001000.509 S3C0T1 Fl. 100 6 conhecimento da nova apuração, fatos constitutivos do direito creditório que erige deter, à Administração Tributária pelos meios próprios existentes para tanto DCTF retificadora. Em não o fazendo, frente à relação jurídicotributária, deixou de “retificar” o “autolançamento” e, por via transversa, não formalizou a existência do crédito que pretendeu utilizar por intermédio da Per/Dcomp em apreço. No presente caso, mutatis mutandis, tratase da decadência do direito de o contribuinte modificar fato gerador, ou um de seus aspectos, como o valorativo, de crédito/obrigação tributária já extinta, que se consubstanciaria na gênese do alegado direito de crédito. A inércia do recorrente, aliada ao transcurso temporal, culminou na imutabilidade da situação jurídica sub examine extinção do crédito tributário autolançado declarado por intermédio da DCTF. Consoante o sistema jurídico pátrio, as obrigações nasceram para serem extintas. Ocorrida a extinção, cogitarse da possibilidade de reversão de seus efeitos traria grande instabilidade jurídicosocial e, ademais, conspiraria contra os princípios gerais de direito. Emerge, do quanto articulado, que houve a homologação dos tributos com relação aos quais, e na exata medida em que, o contribuinte, por intermédio da DCTF original, dimensionou e informou a ocorrência do fato gerador tendo efetuado, inclusive, o correspondente pagamento. Assim, tendose operado a homologação tácita constituição definitiva do crédito tributário, a partir de tal advento resta defeso à Fazenda questionar ou rever o ato comissivo do contribuinte alcançado por tal instituto jurídico, consubstanciado na apuração e respectiva quitação dos tributos reputados devidos. Por oportuno, relembro o brocardo jurídico Dormientibus non succurit jus, em bom português: o direito não socorre aqueles que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. da verdade material versus verdade formal Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Em seu recurso voluntário, pleiteia, contudo, que a documentação apresentada seja levada em consideração por este Conselho, para fins de reconhecimento do crédito pleiteado. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Salientese que em princípio este Colegiado tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, ou a conversão do julgamento em diligência para tal mister pela autoridade fiscal incumbida desta, num exame Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10855.901298/200673 Acórdão n.º 3001000.509 S3C0T1 Fl. 101 7 mais apropriado, porém, desde que aptas a comprovar ou a indicar a veracidade do direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou Per/Dcomp indicando um suposto crédito oriundo de Darf já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão da indicar incorreta de débito relativamente ao PISFaturamentoPJ Em Geral do mês de abril de 2003 e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da respectiva DCTF, uma vez que não procedeu à devida retificação. Em seu recurso voluntário, o contribuinte traz aos autos sua DIPJ/2004, a fim de fazer valer seu direito ao crédito pleiteado. Porém, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pela DIPJ ou mesmo pela Dacon, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído, pois, assim como a Dacon, a DIPJ tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratório/constitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, na data da apresentação do Per/Dcomp em apreço, não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido objeto de retificação, como confessa o próprio contribuinte, significando que o crédito utilizado na compensação era e ainda é juridicamente inexistente. Importa esclarecer que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição para o PIS, em questão, não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação, ainda que fosse o caso, de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que o Fisco tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Da conclusão Diante das razões expostas, conheço do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, para negarlhe provimento, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10855.901298/200673 Acórdão n.º 3001000.509 S3C0T1 Fl. 102 8 (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.901697/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE.
Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras.
Numero da decisão: 1201-002.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE. Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 16 97 /2 01 1- 36 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10630.901697/201136 Acórdão n.º 1201002.417 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP que julgou improcedente a manifestação de inconformidade para indeferir o pedido de restituição. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido a título de imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos sobre aplicação em fundos de investimento. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a restituição foi indeferida em face de que "não foi confirmada a existência do crédito pleiteado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil." Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente tendo como principal fundamento: "apenas mediante a condução de robusto conjunto probatório tendente à demonstração ampla e transparente do cumprimento dos preceitos estipulados nos §§2º e 3º do art. 150 da nossa Carta Política se revelaria verossímil corroborar com a incidência, de plano, da imunidade recíproca em favor da entidade autárquica, o que não é o caso dos presentes autos." Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: o recorrente mesmo sendo uma autarquia municipal instituto de previdência dos servidores públicos municipais de Águas Formosas (Lei nº 1.204/2007), tendo feito aplicações em fundos de investimento através da conta de investimentos nº 9.000x, mantida no Banco do Brasil, suportou descontos em virtude de retenções a título de imposto de renda no biênio 2003/2004; o entendimento que resultou na decisão de improcedência da manifestação de inconformidade apresentando como esteio a sustentação de ausência dos diplomas legais alusivos à criação do INPREMAF, contemplando a pormenorização de seus objetivos e finalidades, não deve permanecer carecendo ser reformada a aludida decisão; com efeito, a respeitável decisão está estribada na necessidade de comprovação da existência de lei municipal, hipótese em que deverá ser aplicado, supletivamente, os preceitos expressos no CPC, onde o artigo 337, dispondo sobre as normas gerais das provas, preceitua que o teor e a vigência de norma municipal será exigida como prova quando o julgador assim o determinar; temse ainda que no artigo 399 do mesmo diploma legal, está consignado que o julgador "requisitará às repartições públicas em qualquer tempo ou grau de jurisdição as certidões necessárias à prova das alegações das partes"; Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10630.901697/201136 Acórdão n.º 1201002.417 S1C2T1 Fl. 4 3 ademais, nos dados inseridos no CNPJ, consta que a recorrente tem como atividade econômica principal a arrecadação proveniente da "seguridade social obrigatória"; destarte, no que pertine ao entendimento da necessidade da comprovação de tais diplomas legais, deveria ter sido solicitado ao recorrente, à Câmara Municipal ou ao Executivo Municipal, antes do julgamento final, os diplomas legais ausentes nos autos e entendidos como imprescindíveis para o deferimento da pretensão do recorrente. Portanto, a apresentação dos documentos ora acostados não é intempestiva; de outro lado, não deverá ser mantido o entendimento quanto à necessidade de comprovação da existência de elementos comprobatórios no sentido de que os recursos financeiros aplicados no fundo de investimento "vinculamse efetivamente as atividades ou serviços de prestação obrigatória e exclusiva do Estado"; não é prudente indeferir o pedido da restituição das retenções efetivadas ao arrepio da Constituição Federal exigindo prova da inexistência do desvio de finalidade na atuação do recorrente, quando esta, como bem salientou a relatora Maria Lucia Aguilera, compete à fiscalização tributária, conforme legislação vigente. com o fito de sanar a prova documental entendida como necessária, anexa aos autos cópia da legislação pertinente à Recorrente e dos balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.399, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10630.900675/2011 59, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.399): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. O crédito pleiteado pela Contribuinte se refere às retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras em virtude de ser uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10630.901697/201136 Acórdão n.º 1201002.417 S1C2T1 Fl. 5 4 A declaração de voto da ilustre julgadora Maria Lucia Aguilera na decisão de primeira instância, a meu ver, irretocável, cujos trechos trago a colação, contém todos os elementos necessários para se proferir a decisão: (...) A imunidade recíproca tem previsão no art.150, VI, “a”, §§2ºe 3º da Constituição Federal – CF, verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...) § 2º A vedação do inciso VI, “a”, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º As vedações do inciso VI, “a”, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel (...) Quanto às pessoas alcançadas pela imunidade recíproca, a própria Constituição Federal – CF expressamente consignou a proteção ao entes que compõem a Federação – União, Estados, Distrito Federal e Municípios, os quais gozam de autonomia uns em relação aos outros, nos termos dos arts. 1ºe 18 da CF. Aos entes políticos, formadores da Federação, a Constituição Federal – CF atribuiu patrimônio e competências executivas, que não podem ser afetados pela tributação. Assim, o patrimônio, os serviços prestados e a renda auferida pelos entes da Federação estão protegidos pela imunidade recíproca. Além dos entes da Federação, a imunidade recíproca alcança as autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público (art. 150, §2º da CF). A definição de autarquia se encontra no art. 5º, inciso I, DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, in verbis: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10630.901697/201136 Acórdão n.º 1201002.417 S1C2T1 Fl. 6 5 Art. 5º Para os fins desta lei, considerase: I Autarquia o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. (...) A característica mais marcante, que determina a natureza jurídica autárquica, é a atividade ser típica da Administração Pública e exercida pela entidade, por atribuição legal. Nos termos do art. 6º da Constituição Federal – CF, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010, a previdência social se inclui entre os direitos sociais. (...) No presente caso, invoca a defesa ser a requerente uma autarquia criada por Lei editada pelo Município de Águas Formosas/MG, para instituir Regime Próprio de Previdência Social, de acordo com os preceitos do art. 40 da CF: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). Para a implementação deste regime de previdência próprio do funcionalismo público, a competência exclusiva da União, para a instituição da contribuição previdenciária, no caso dos servidores públicos, foi transferida aos Estados, Distrito Federal e Municípios, instituidores do regime previdenciário em favor de seus servidores. É o que dispõe, verbis: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10630.901697/201136 Acórdão n.º 1201002.417 S1C2T1 Fl. 7 6 o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). De fato, a regulamentação da instituição e funcionamento dos regimes próprios veio a ocorrer somente após dez anos da sua promulgação, com a edição da Lei Federal nº 9.717/98 de 28 de novembro de 1998, seguida da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, e da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003. (...) Por sua vez, art. 40, caput, da CF, assegurou aos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, um regime de previdência próprio, de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas. Assim, foi criada a possibilidade de o ente público deixar de verter as contribuições previdenciárias ao RGPS e adotar sistema próprio de previdência social para os seus servidores, que em decorrência do chamado pacto federativo, representado pela autonomia política e administrativa de cada ente federativo, a eles foi facultado legislar concorrentemente sobre a organização e funcionamento, princípio aplicado também sobre os seus sistemas de previdência, desde que obedecidos os limites constitucionais e regras gerais. (...) E nos termos do art. 5º da Lei nº 9.717, de 1998, os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal não poderão conceder benefícios distintos dos previstos no Regime Geral de Previdência Social, de que trata a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, salvo disposição em contrário da Constituição Federal. Diante desse quadro jurídico, em se tratando de autarquia, instituída por Lei Municipal, para gerir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, de filiação compulsória, em substituição ao regime geral de previdência social, e por isso de caráter público, e não privado, a imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, §§2º e 3º da CF, deve se estender aos seus rendimentos de aplicações financeiras, vinculados a suas finalidades essenciais. (...) Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10630.901697/201136 Acórdão n.º 1201002.417 S1C2T1 Fl. 8 7 Comprovado o status de autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, não há que se falar também em exploração de atividade econômica, porque se trata de entidade dedicada a regime público de previdência, conforme acima já explicado. Com relação à impossibilidade de contraprestação pelo usuário, registrese, por oportuno, que, nos termos do art. 40 da CF, as fontes de “receita” da autarquia são as contribuições do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, vinculadas ao custeio, em benefício destes, do regime previdenciário próprio, o que configura “contribuição”, mas não “contraprestação” do usuário. Apesar de tudo, cumpre aquiescer com o Relator que, no caso dos presentes autos, não é possível deferir os pedidos de restituição, porque o Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas/MG – INPREMAF não trouxe aos autos a legislação municipal (leis, decretos e outros instrumentos) comprobatória de que a Requerente é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Cumpre deixar claro a divergência em relação ao voto proferido pelo Exmo. Relator, no que diz respeito à extensão da prova requerida, para o deferimento do pedidos de restituição. Para esta Relatora, basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. A prova aqui requerida é de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. No âmbito do presente processo, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Para comprovar que se trata de uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10630.901697/201136 Acórdão n.º 1201002.417 S1C2T1 Fl. 9 8 servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998 a recorrente trouxe aos autos, na fase recursal, a cópia dos atos normativos abaixo relacionados: 1) Lei nº 1.095/2002 dispõe sobre a criação do Regime próprio Previdenciário dos Servidores Públicos do Município de Águas Formosas, cria o instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF, e regulamenta o Fundo Municipal d Previdência dos Servidores Públicos de Águas Formosas PREVAF, e dá outras providências (doc. de fls. 67/100) e Certidão de Publicação expedida pela Prefeitura Municipal de Águas Formosas (doc. de fls. 101); 2) Lei Complementar nº 1.204, de 23 de abril de 2007 dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005 (doc. de fls. 102/147); 3) Lei nº 1.239, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 148/149); 4) Lei nº 1.240, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 150/151); 5) Lei nº 1.418, de 27 de maio de 2013 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005", alterada pela Lei nº 1.240/2008. (doc. de fls. 152/153). Também anexou os balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004 (doc. de fls. 65/66). Assim, entendo, na esteira da declaração de voto proferido pela eminente relatora, que a recorrente apresentou prova normativa de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. Ademais, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10630.901697/201136 Acórdão n.º 1201002.417 S1C2T1 Fl. 10 9 instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante de todo o exposto, a recorrente faz jus a imunidade recíproca e teria direito a restituição das retenções de fonte efetuadas sobre as suas aplicações financeiras. Assim, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário no sentido de deferir o pedido de restituição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10886.000121/2010-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. INDEFERIMENTO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA NÃO COMPROVADA
A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á apenas quando restar configurado o enquadramento às vedações descritas em lei.
Numero da decisão: 1002-000.382
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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EXCLUSÃO DO SIMPLES. INFRAÇÃO LEGAL Recorrente PEGASE HOTEL E RESTAURANTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. INDEFERIMENTO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA NÃO COMPROVADA A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá apenas quando restar configurado o enquadramento às vedações descritas em lei. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 00 01 21 /2 01 0- 77 Fl. 147DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário (efls. 43 à 48) interposto contra o Acórdão n° 1229.900, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ1 (efls. 32 à 38), que, por maioria de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo ora Recorrente. O âmago da irresignação consiste em contestar o Termo de Indeferimento (e fl. 16), o qual obstou o ingresso do Contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES Nacional), em virtude de exercício de atividade impeditiva (CNAE 93191/99), conforme fundamento do art. 17, XI, da Lei Complementar n° 123/2006. O Acórdão n° 1229.900, proferido pela DRJ/RJ1, expôs a celeuma casuística que envolve o presente caso, eis que o Contribuinte sustenta não ter exercido atividade impeditiva, tampouco foram reunidas provas aptas a sustentar o Termo de Indeferimento. Noutro giro, o Recorrente alega que suas atividades não estão entre aquelas vedadas pela sistemática do SIMPLES. Assim restou sumariada a decisão de piso: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da 7° Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), nos termos do relatório e votos: 1). Pelo voto de qualidade, rejeitar a nulidade suscitada de oficio pelo julgador Guilherme Henrique da Silva Ribeiro, acompanhada pelo Relator Original. 2) Por maioria de votos, INDEFERIR A solicitação INTERESSADA, mantendo o Termo de Indeferimento da Opção Simples Nacional de fls. 14. Vencido o Relator Original que defere a solicitação, nos termos de seu voto. Declarou o voto o julgador Guilherme Henrique da Silva Ribeiro. Designada para redigir o voto vencedor a julgadora Maria Lúcia Miceli. À DRF/NITERÓI, para ciência à interessada do presente Acórdão e demais providências necessárias ao seu cumprimento, com a ressalva de que cabe interposição recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no prazo de 30 dias, conforme artigo 33 do D/ecreto n° 70.23 1972, alterado ela Lei n° 8.748, de 1993. Os argumentos outrora apresentados na Manifestação de Inconformidade são reiterados em sede de Recurso Voluntário, a saber: a ausência de provas de exercício de prática vedada, e que sua atividade encontrase permitida nos termos da lei do SIMPLES, o que seria perceptível quando da análise do contrato social e das demais provas acostadas aos autos (a exemplo das fichas de registro de empregados). Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o Relatório. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10886.000121/201077 Acórdão n.º 1002000.382 S1C0T2 Fl. 148 3 Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do Simples, desvinculado do crédito tributário. Eventual crédito tributário não é exigido nestes autos, bem como não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6º, § 1º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Mérito 1. Do efetivo exercício da atividade vedada Por primeiro, impende destacar que o Código CNAE 93191/99, o qual serviu de lastro para o indeferimento da opção pelo SIMPLES, referese a "Outras Atividades Esportivas Não Especificadas Anteriormente". Em contraponto, o Recorrente alega exercer atividades que não se encontram no rol de vedações do SIMPLES Nacional. Para tanto, junta inúmeros documentos atestando sua atuação no ramo de hotelaria e transcreve o objeto de seu contrato social (efl. 5): A sociedade terá por objetivo social a PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE: HOTEL; RESTAURANTE; BAR; LOCAÇÃO DE LANCHA; CABELEIREIRO; MANICURE E PEDICURE; MASSAGENS; ATIVIDADE DE EXIBIÇÃO CINEMATOGRÁFICA; BEM COMO O COMÉRCIO VAREJISTA DE: MÓVEIS; ARTIGOS DE ILUMINAÇÃO; TECIDOS; ARTIGOS DE CAMA, MESA E BANHO; ARTIGOS DE TAPEÇARIA. CORTINAS E/PERSIANAS; LIVROS; ARTIGOS DE PAPELARIA; TABACARIA; DISCOS, CDs, DVDs E FITAS; BRINQUEDOS A ARTIGOS RECREATIVOS; ARTIGOS ESPORTIVOS; COSMÉTICOS E PRODUTOS DE PERFUMARIA E DE .HIGIENE PESSOAL; ARTIGOS DE, RELOJOARIA; ANTIGUIDADES; SOUVENIRES, BIJUTERIAS E ARTESANATOS; OBJETOS DE ARTE; ARTIGOS; DO VESTUÁRIO E ACESSÓRIOS; CALÇADOS; ARTIGOS DE VIAGEM; ARTIGOS DE JOALHERIA; VASOS PLANTAS E Fl. 149DF CARF MF 4 ARTIGOS DE DECORAÇÃO, podendo a sociedade se estender ou modificar por deliberação dos sócios. Tais informações são complementadas pelo comprovante de inscrição e de situação cadastral (efl. 15): Em que pese um objeto social assaz amplo e diverso, isso por si só não torna apto o indeferimento pelo SIMPLES, caso não se identifique de forma cabal o exercício de atividades vedadas pela coletânea legislativa. Daí o motivo de buscar a verdade real (material) no curso da fiscalização, a qual deve ser conjugada com os elementos probatórios intrínsecos às informações fiscais. Nessa trilha, o Recorrente cumpriu com seu mister de apontar a efetiva prática de serviço de hotelaria, conforme se extrai das fichas de registro de seus funcionários (efls. 108 à 145), a qual não produzem dúvidas sobre a real atividade do Contribuinte. Repiso, aqui, o teor do art. 17, XI, da LC 123/2006, que fundamentou o indigitado Termo de Indeferimento: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: XI que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, cientifica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10886.000121/201077 Acórdão n.º 1002000.382 S1C0T2 Fl. 149 5 de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios. " Portanto, não identifiquei nos autos do processo quaisquer atividades que porventura se encaixem nos ditames da vedação legal. Outrossim, vejo como complementares as argumentações e fundamentos expostos tanto no voto vencido como na declaração de voto, exaradas pelos i. Julgadores de Primeira Instância. Por assim ser, peço vênia para, com base no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no §3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF, extrair trechos daquela decisão onde estão consignados os fundamentos para indeferimento do pleito da recorrente e adotálos, desde logo, como complemento das razões de decidir: a. Voto Vencido Relator: Em sua manifestação de inconformidade o contribuinte alega que a atividade vedada correspondente ao CNAE 93191/99 outras atividades esportivas não especificadas não consta do seu contrato social (fl. 04) nem do seu cadastro CNPJ (fl. 13). E, de fato, as provas apresentadas favorecem o seu argumento, já que nelas não se encontra referida a citada atividade impeditiva. Acrescentese que segundo o comprovante de inscrição e de situação cadastral no CNPJ (fl. 13), o código da atividade preponderante da empresa é 5510801 Hotéis, a qual não veda a adesão ao SIMPLES NACIONAL. Em favor do contribuinte também labora o fato de que as atividades descritas no contrato social (fl. 04) e no seu cadastro CNPJ (fl. 13) não estão entre as indicadas na cópia do Anexo I, da Resolução CGSN n° 6, de 08/07/2007, juntado pelo contribuinte, que relaciona os códigos CNAE impeditivos de adesão ao SIMPLES NACIONAL. Comprovado que a empresa não pratica a atividade correspondente ao impedimento inserto no inciso XI, do art. 17° da Lei Complementar n° 123, de 2006, que constitui o fundamento legal apontado no combatido Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional, a razão da negativa não subsiste. Em face do exposto, VOTO por julgar procedente o pedido, para que se promova a regularização da contribuinte como optante pelo SIMPLES NACIONAL, ressalvado o direito da Fazenda Nacional de promover sua exclusão, caso constatada a ocorrência de qualquer das hipóteses impeditivas à opção pelo sistema contidas na Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2.006, que não tenham sido objeto do presente julgamento. b. Declaração de Voto: Analisando os autos, entendo, data venia, que não está cabalmente comprovado que a empresa não pratica a atividade correspondente ao impedimento inserto no inciso XI, do art. 17, Fl. 151DF CARF MF 6 da Lei Complementar n° 123/2006 e no CNAE n° 93191/99 (“Outras atividades esportivas”). O próprio contrato social, na cláusula terceira (fl. 04), ao contrário do que alega o interessado, faz menção a artigos recreativos e esportivos. Por outro lado, o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (fl. 14) faz referência a um código de CNAE que não consta dentre os elencados no cartão CNPJ do interessado (fl. 13). Ademais, não consta nos autos de onde surgiu o código CNAE (93191/99) que foi determinante no indeferimento do pleito, o que demonstra flagrantemente a falta de clareza na motivação e cerceia o direito de defesa do interessado. No processo administrativo, a elucidação das questões de fato e de direito é um norte a ser seguido e do qual não pode a Administração se afastar. Em outras palavras, a Administração tem o ônus de demonstrar, claramente, de onde se originou código CNAE (93191/99) contido no Termo de Indeferimento (fl. 14), permitindo, assim, a ampla defesa do interessado, o que não ocorreu no presente caso. A falta de clareza da motivação enseja a nulidade do ato. Notase que as fundamentações expostas acima avaliaram com lisura e imparcialidade o acervo probatório dos autos, e buscaram a verdade material. Contudo, quanto aos consectários finais, filiome à vertente do Voto do Relator (Voto Vencido), onde se dá provimento ao pleito do Contribuinte. Isso porque entendo ser esta a melhor providência ao caso, haja vista a ausência de elementos aptos a obstar o enquadramento do Recorrente ao SIMPLES Nacional. Dispositivo Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO por CONHECER do Recurso Voluntário, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19991.000541/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS.
O contribuinte faz jus aos créditos em relação às compras para revenda somente quando apresentadas as notas fiscais referentes às operações e quando comprovada a efetiva entrega das mercadorias comercializadas, independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão.
Restando comprovado, através de diligência que de fato houve o recebimento e o pagamento da mercadoria, afasta-se a glosa.
Numero da decisão: 3302-005.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para ser reconhecido o direito de crédito da Recorrente em relação nas Notas Fiscais de nº 828 e 1.131, ressalvado os critérios de utilização já definidos na decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS. O contribuinte faz jus aos créditos em relação às compras para revenda somente quando apresentadas as notas fiscais referentes às operações e quando comprovada a efetiva entrega das mercadorias comercializadas, independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão. Restando comprovado, através de diligência que de fato houve o recebimento e o pagamento da mercadoria, afastase a glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para ser reconhecido o direito de crédito da Recorrente em relação nas Notas Fiscais de nº 828 e 1.131, ressalvado os critérios de utilização já definidos na decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 05 41 /2 00 9- 97 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 19991.000541/200997 Acórdão n.º 3302005.920 S3C3T2 Fl. 238 2 Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da Resolução nº 3403000.583, de fls. 118121: Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0939.306, de 29 de fevereiro de 2012 (fls. 53/64), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ), cuja ementa resume o seguinte entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS. 1.As aquisições de mercadorias para revenda efetuadas de sociedades cooperativas geram créditos de Cofins nãocumulativa exportação como as das demais pessoas jurídicas. 2. A adquirente faz jus aos créditos em relação às compras para revenda somente quando apresentadas as notas fiscais referentes às operações e quando comprovada a efetiva entrega das mercadorias comercializadas, independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O provimento parcial se deu em relação à glosa das aquisições de bens de pessoas inaptas, na parte em que se entendeu existir a comprovação do pagamento e da entrega das mercadorias. Assim decidiu a DRJ, nesta parte: Quanto a linha de defesa apresentada em relação à glosa das aquisições para revenda das empresas “por existirem contra elas Processos de Representação Fiscal para inaptidão dos seus CNPJ”, temse que a Delegacia de origem se baseou em irregularidades detectadas capazes, segundo ela, de enquadrar os documentos emitidos no §1º do art. 48 da IN RFB no 748, de 2007, in verbis: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos ... Porém, pelas notas fiscais trazidas ao processo pela reclamante, (19991.000525/200902), temse que houve a comprovação do pagamento das aquisições objeto da glosa em comento e da efetiva entrega das mercadorias Fl. 238DF CARF MF Processo nº 19991.000541/200997 Acórdão n.º 3302005.920 S3C3T2 Fl. 239 3 adquiridas caracterizada pelo carimbo da empresa responsável pelo recebimento das mesmas. Além disto, a existência das operações, em alguns casos, foi corroborada pelo carimbo da fiscalização estadual que é encontrado em algumas das notas fiscais. Em assim sendo, aplicase às notas fiscais consideradas inidôneas pela DRF de origem o disposto no §5º do mesmo art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007, abaixo transcrito: § 5º O disposto no § 1o não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Ressaltese que os dispositivos citados da IN SRF nº 748, de 2007 tem como base o art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. No entanto, algumas notas fiscais devem ser mantidas as exclusões referentes a bens por falta de apresentação de documentos hábeis a evidenciar “o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços”, são eles os de fls. 937, 963 e 964. Cumpre ressaltar, que em relação às transferências bancárias efetuadas para a empresa GW Comércio Atacadista de Café Ltda, documentos de fls. 963 e 964, não foram sequer comprovadas as operações, pois, não foram trazidas ao processo as notas fiscais. A propósito do assunto, temse que a comprovação da operação, através das notas fiscais é a condição primeira a ser satisfeita. E mais, a demonstração de apenas um dos requisitos contidos no §5º acima transcrito (pagamento/entrega) é necessária mas não é suficiente para afastar a aplicação do caput do artigo 82 já mencionado, pois da leitura da norma ressalta que é imprescindível o cumprimento de ambas as exigências. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 87/90), no qual alega o seguinte: Destarte, alega a autoridade fiscal que a Contribuinte não apresentou a comprovação do pagamento e da entrega das mercadorias nas notas fiscais de fls. 937, 963 e 964, pelo que, então, não cumpriria um dos requisitos contidos no §5° do art 48 IN RFB n° 748, de 2007. Porém, tal assertiva não deve prosseguir, tendo em vista o Princípio Ha Verdade Material, já que apresentados os documentos pertinentes, necessários à comprovação do pagamento das mercadorias, bem como da efetiva entrega das mesmas, com relação às operações objeto de glosa, a saber: a) S/A SILVEIRA CPF n° 7.336.072/000153 (fls. 937); e b) ITAPORANGA Comércio e Exportação Ltda. CNPJ n° 26.378.611/000180 (fls. 963 e 964) Isto porque, com relação às operações com os fornecedores acima discriminados, a documentação apresentada pela Contribuinte efetivamente se reveste de todos os requisitos que legitimam o direito ao crédito, em nada se Fl. 239DF CARF MF Processo nº 19991.000541/200997 Acórdão n.º 3302005.920 S3C3T2 Fl. 240 4 justificando as glosas efetuadas sobre as mesmas, bastando, inclusive, um simples cotejo destes com os demais documentos aceitos pela própria autoridade fazendária. Ademais, ainda de acordo com o Princípio da Verdade Material, se dúvidas ainda persistirem, deverão ser consideradas todas as provas e fatos novos, ainda que desfavoráveis contra a Fazenda Pública, desde que sejam provas lícitas. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos (verdade material). Referida resolução foi proferida nos seguintes termos: No mérito, a discussão gira em torno de saber se houve a comprovação do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias a que se referem as notas fiscais apresentadas pelo recorrente, que se referem a aquisições que realizou de pessoas jurídicas que vieram a ser declaradas inaptas. Mais especificamente, tratase das notas fiscais que se encontram as fls. 937, 963 e 964 do Processo Administrativo nº 19991.000525/200902. Ocorre que nem o referido Processo Administrativo foi apensado ao presente processo, nem as referidas notas fiscais encontramse juntadas aos autos do presente processo, tanto menos a documentação que serviria de prova do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias referentes a estas mesmas notas. Destarte a necessidade de converter o presente julgamento em diligência. Voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem promova as seguintes providências: a) promova a apensamento ou anexação aos presentes autos de cópia integral do PA nº 19991.000525/200902; b) intime o contribuinte a demonstrar, por meio de sua escrituração contábil ou outros documentos (cheques, conhecimento de transporte etc) o efetivo pagamento do valor de cada nota fiscal e o efetivo recebimento da mercadoria; c) lavre termo final de diligência; d) intime o contribuinte a, querendo, apresentar manifestação quanto ao termo final de diligência e devolva os autos a este Conselho para julgamento. Às fls. 313316, foi carreado relatório de diligência, propondo pelos termos lá explicitados, a manutenção da glosa integral objeto da nota fiscal analisada. Devolvido o processo à este Conselho, foi proferido despacho de fls. 228234 determinado à redistribuição do presente processo, na 2ª Turma da 3ª Câmara desta 3ª Seção, à Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que está preventa para seu julgamento conjuntamente com o processo conexo nº 19991.000531/200951. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 19991.000541/200997 Acórdão n.º 3302005.920 S3C3T2 Fl. 241 5 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente destacase que o presente processo tratase de pedido de ressarcimento de PIS/Pasep não cumulativo Exportação relativo ao 3º trimestre de 2008 que aproveitouse dos fundamentos do despacho decisório proferido no processo nº 19991.000531/200951, que, por sua vez, trata do pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativo Exportação no mesmo trimestrecalendário. Assim, o presente processo é conexo com o de número 19991.000531/200951. Neste cenário, entendo que o julgamento proferido no 19991.000531/200951 deve ser refletido neste, inclusive, com a utilização de documentos lá carreados que deixaram de ser produzidos aqui, como é o caso do segundo relatório de diligência informando que houve comprovação da efetiva entrega de café beneficiado das empresas. Assim, reproduzo a decisão proferida nos autos do PA 19991.000531/2009 51: Conforme pontuado na resolução de fls. 213216 "...a discussão gira em torno de saber se houve a comprovação do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias a que se referem as notas fiscais apresentadas pelo recorrente, que se referem a aquisições que realizou de pessoas jurídicas que vieram a ser declaradas inaptas. Mais especificamente, tratase das notas fiscais que se encontram as fls. 937, 963 e 964 do Processo Administrativo nº 19991.000525/200902". Neste ponto a decisão recorrido assim se pronunciou : Porém, pelas notas fiscais trazidas ao processo pela reclamante, (19991.000525/200902), temse que houve a comprovação do pagamento das aquisições objeto da glosa em comento e da efetiva entrega das mercadorias adquiridas caracterizada pelo carimbo da empresa responsável pelo recebimento das mesmas. Além disto, a existência das operações, em alguns casos, foi corroborada pelo carimbo da fiscalização estadual que é encontrado em algumas das notas fiscais. Em assim sendo, aplicase às notas fiscais consideradas inidôneas pela DRF de origem o disposto no §5º do mesmo art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007, abaixo transcrito: § 5º O disposto no § 1o não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 19991.000541/200997 Acórdão n.º 3302005.920 S3C3T2 Fl. 242 6 Ressaltese que os dispositivos citados da IN SRF nº 748, de 2007 tem como base o art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. No entanto, algumas notas fiscais devem ser mantidas as exclusões referentes a bens por falta de apresentação de documentos hábeis a evidenciar “o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços”, são eles os de fls. 937, 963 e 964. A fiscalização, por sua vez, apresentou o Relatório carreado às fls.353359 com as seguintes conclusões: 27. Diante do exposto, informo que foi comprovada a efetiva entrega de café beneficiado das empresas: a) Sersantos Comércio, Importação e Exportação de Café e Cereais Ltda., CNPJ 08.869.317/000170, por meio da NF 828 de 02/07/2008, no valor de R$ 58.300,00 (cinquenta e oito mil e trezentos reais); e b) GW Comércio Atacadista de Café Ltda., CNPJ 08.794.865/000189, por meio da NF 1.131 de 05/08/2008, no valor de R$ 78.000,00 (setenta e oito mil reais). 28. Concluo que deva ser INDEFERIDO o ressarcimento de crédito de COFINS não cumulativa vinculado à receita de exportação do 3º trimestre de 2008, no que se refere à aquisição de café beneficiado das NFs acima discriminadas, por ser tratar de produto adquirido como insumo. É de se ver que a questão sobre a ausência de documentos comprobatórios da operação envolvendo as Notas Fiscais de fls. 937, 963 e 964 foi superada através da diligência, restando, assim, ser reconhecido o direito de crédito da Recorrente, aplicandose, para estes créditos o mesmo destino dado aos créditos reconhecidos pela DRJ, a saber: Em assim sendo, deve ser legitimado o credito Cofins não cumulativa –Exportação do 3º trimestre de 2008, no valor R$ 67.635,31, ressalvandose, entretanto, que a sua utilização deverá se dar na ordem de precedência estabelecida nos parágrafos 1º e 2º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, primeiramente para dedução da contribuição devida no período e/ou compensação e, após, se sobrar crédito ao final do trimestre, para fins de ressarcimento. A respeito dos métodos definidos pela DRJ para utilização do crédito reconhecido, insta tecer que o contribuinte não recorreu desta matéria, apenas alegou que os documentos juntados aos autos demonstraram efetivamente a entrega/recebimento da mercadorias e o seu efetivo pagamento e, requerer o deferimento do PER. Por fim, salientase que a conclusão apresentada pela fiscalização no item "28" não influencia, ao meu ver, na solução Fl. 242DF CARF MF Processo nº 19991.000541/200997 Acórdão n.º 3302005.920 S3C3T2 Fl. 243 7 do litígio, posto que a matéria relacionada as notas fiscais sob análise envolve somente a questão probatória. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para ser reconhecido o direito de crédito da Recorrente em relação nas Notas Fiscais de nº 828 e 1.131, ressalvado os critérios de utilização já definidos na decisão recorrida. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para ser reconhecido o direito de crédito da Recorrente em relação nas Notas Fiscais de nº 828 e 1.131, ressalvado os critérios de utilização já definidos na decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 243DF CARF MF
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Numero do processo: 12571.000011/2010-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 01 1/ 20 10 -8 4 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 12571.000011/201084 Resolução nº 3301000.721 S3C3T1 Fl. 171 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 12571.000011/201084 Resolução nº 3301000.721 S3C3T1 Fl. 172 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 172DF CARF MF
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