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Numero do processo: 10283.903440/2012-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.644
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Restituição formulado por meio do PER/DCOMP. O pedido de restituição referese a suposto pagamento a maior de contribuições sociais no período de apuração referido na ementa deste julgado. O despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 40 /2 01 2- 97 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903440/201297 Acórdão n.º 3402004.644 S3C4T2 Fl. 3 2 decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, tendo em vista o pagamento efetuado já fora integralmente alocado a outros débitos. Cientificado da decisão, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo o direito à restituição regularmente pleiteado, alegando que seu direito creditório adviria do alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, decorrente da inclusão indevida do ICMS no conceito de faturamento. Seu pleito foi julgado improcedente pela DRJ, ensejando a interposição de Recurso Voluntário, repisando suas razões originais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.636, de 27 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.903445/201210, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.636): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 1. Sobre a necessidade de suspensão do processo administrativo Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, foi reconhecida a repercussão geral da temática pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do Recurso Extraordinário 574.706, julgado favoravelmente ao Contribuinte mas pendente de publicação do acórdão, e passível ainda de Embargos de Declaração. Não há, portanto, o seu trânsito em julgado. Como bem ponderado pela Conselheira Thaís de Laurentiis em outro acórdão, haja vista o conteúdo do artigo 15 do Código de Processo Civil (CPC), que determina a sua aplicação supletiva ou subsidiária aos processos administrativo; bem como do artigo 1.035, §5º do mesmo Codex, com a regra sobre a necessidade de sobrestamento dos processos cuja matéria foi objeto de reconhecimento do repercussão geral no âmbito do STF, entendo que o presente processo administrativo deveria ser sobrestado, até que a melhor solução acerca do direito da Recorrente fosse apresentada pelo Pretório Excelso. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.903440/201297 Acórdão n.º 3402004.644 S3C4T2 Fl. 4 3 Nesse sentido, destaco as razões apresentadas pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeirão no Acórdão n. 3402004.271, com as quais concordo inteiramente. Contudo, sabendo que o entendimento majoritário desse Colegiado é pela impossibilidade de sobrestamento face à ausência de previsão regimental nesse sentido, passo à análise do mérito. 2. Da Inclusão do ICMS na Base de Cálculo do PIS/COFINS Sobre esse tema, este Colegiado se manifestou por unanimidade com a ressalva do voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em substituição ao Conselheiro Pedro Bispo ao prolatar o Acórdão CARF nº 3402003.317 de relatoria do Cons. Atulim,e cujas razões reproduzo aqui e adoto como fundamentos da minha decisão: No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.903440/201297 Acórdão n.º 3402004.644 S3C4T2 Fl. 5 4 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/ netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.903440/201297 Acórdão n.º 3402004.644 S3C4T2 Fl. 6 5 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.900175/2008-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
Recurso Especial do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-005.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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COMPENSAÇÃO Recorrente TECONVI S/A TERMINAL DE CONTÊINERES DO VALE DO ITAJAÍ Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 01 75 /2 00 8- 12 Fl. 129DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803000.638, de 24/08/2010, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. REQUISITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. A homologação da compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos afirmados contra a Fazenda Nacional, refletidas na linguagem dos dados constantes do sistema do órgão fazendário. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido de que ela não conseguiu demonstrar, no momento da compensação, a existência de créditos líquidos e certos que autorizassem a homologação da DCOMP. Acrescentou ainda que o recorrente não apresentou os motivos que o fizeram realizar nova apuração da contribuição devida no período objeto do processo e, portanto, retificar a DACON e a DCTF, informando os novos valores. Decidiu, portanto, o Colegiado não considerar na análise da compensação as retificadoras efetuadas. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3403002.294 e nº 1101000.848. O exame de admissibilidade do recurso especial encontrase às fls. 116/119. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 121/126). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, o acórdão recorrido entendeu que a apresentação de DCOMP e DCTF retificadoras não tem o condão de alterar a decisão proferida, competindo ao contribuinte o ônus de provar o erro de preenchimento da declaração, mediante a apresentação de escrita contábil e fiscal. É o que consignou o relator ao final do acórdão recorrido: Ademais, sem prejuízo do acima exposto, a Defendente não argumenta acerca da origem do seu crédito, que bases deixou de Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10909.900175/200812 Acórdão n.º 9303005.520 CSRFT3 Fl. 130 3 tributar quando da nova apuração e não se ocupou, nas duas instâncias, em demonstrar essa origem colacionando os elementos da sua apuração e comproválo com anexação da escrita contábilfiscal pertinente. Registrese que a DACON retificadora foi apresentada em 03/11/2004, antes, portanto, de proferido o Despacho Decisório (o que ocorreu em 24/04/2008), mas a DCTF retificadora somente depois, em 23/05/2008. Já no segundo paradigma, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ também foi apresentada antes de proferido o Despacho Decisório, mas não a DCTF, que, portanto, tal como sucedeu no caso objeto dos presentes autos, somente foi retificada depois. Logo, entendemos comprovada a divergência. No mérito, como já registramos noutros processos envolvendo matéria idêntica, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No caso em exame, a contribuinte não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu, qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal). Para nós, portanto, correta a Câmara baixa, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos, não logrou realizar. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 131DF CARF MF 4 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10909.900175/200812 Acórdão n.º 9303005.520 CSRFT3 Fl. 131 5 Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10972.720014/2013-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO. SONEGAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Comprovado o dolo, a fraude ou a simulação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos, prevista no art. 150, § 4º, do CTN, desloca-se para a regra geral, prevista no art. 173, I, do mesmo diploma legal.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE INSTRUTÓRIA DO PROCEDIMENTO. AUSÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa durante o procedimento fiscal de auditoria quando verificado que a Autoridade Fiscal oportunizou ao Fiscalizado amplo lapso temporal para esclarecer as circunstâncias e os fatos constatados em seu curso.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade em Auto de Infração lastreado em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial, conforme majoritário entendimento das mais altas Cortes do país.
Inexiste obrigatoriedade do Fisco, em sua relação com o Contribuinte objeto de fiscalização, de demonstrar a indispensabilidade da apresentação dos extratos bancários de movimentação financeira. Esta motivação, segundo a Lei Complementar nº 105/2001, c/c com o Decreto nº 3.724/2001, foi dirigida pelo legislador aos requerimentos realizados pelas autoridades fiscais às instituições financeiras.
PEDIDO DE PERÍCIA.
O processo administrativo tributário é informado pelo princípio do livre convencimento motivado, o qual permite ao julgador que analise o caso concreto à luz da legislação pertinente e firme seu convencimento a partir da prova constante dos autos, devendo relatar os fundamentos de sua decisão e os motivos que o levaram a determinada conclusão. O indeferimento de pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, eis que a sua realização é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA OMITIDA SUPERIOR À DECLARADA. CABIMENTO.
Correto o procedimento fiscal ao realizar o arbitramento do lucro quando observado que a receita bruta omitida é muitas vezes superior à receita declarada, causando total subversão da essência do resultado contábil apresentado, desprovendo-o da necessária confiabilidade que dele se espera, impedindo, naquilo que é pertinente aos autos, sua adoção para fins de apuração do lucro e consequentemente das bases imponíveis de IRPJ e de CSLL.
BASE DE CÁLCULO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Apurados valores de omissão de receitas por conta de depósitos bancários não comprovados, sem que se possa estabelecer qualquer nexo de causalidade com a atividade alegada pela recorrente, absolutamente escorreito o procedimento fiscal ao adicionar tais valores àqueles a que corresponder o percentual mais elevado.
RECEITAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO.
Serão acrescidos à base de cálculo os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras auferidos no período de apuração, observado o disposto nos arts. 239, 240, 533 E 534 do RIR/99. Inteligência do art. 536 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99.
MULTA QUALIFICADA.
Constatada a existência de contas bancárias mantidas à margem da escrituração, com vultosos recursos movimentados, se comparados com os valores declarados, aliada a reiteração da conduta por vários períodos de apuração, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
BÔNUS DE ADIMPLÊNCIA FISCAL. DEDUÇÃO INDEVIDA.
Uma vez caracterizado o dolo de sonegar, em todos os períodos fiscalizados, correta a glosa do bônus de adimplência, benefício concedido ao bom pagador de tributos federais.
DECLARAÇÃO A MENOR. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO.
Constatado que a Contribuinte declarou valores menores que o devido na DCTF, perfeito o lançamento para constituir o respectivo crédito tributário. A DIPJ não tem a mesma natureza da DCTF pois se reveste de caráter meramente informativo, conquanto seja de apresentação obrigatória.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PARCIAL PROCEDÊNCIA DOS VALORES COMPROVADOS COMO TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DA EMPRESA.
A hipótese de incidência prevista no art. 61, da Lei n° 8.981/1995, resta perfeitamente caracterizada com a ocorrência de pelo menos um dos seguintes fatos: i) não identificação de quais são os beneficiários dos recursos providos pela recorrente; ou ii) não comprovação da operação ou de sua causa. Assim, não havendo nos autos documentação comprobatória de que os pagamentos se destinaram a beneficiário identificado, ou quando identificado, não tenha ficado comprovada a operação ou sua causa, nenhum reparo deve ser feito ao lançamento tributário. Exclui-se da autuação os itens lançados que tenham sido expressamente comprovados por meio de documentação idônea comprovando que os pagamentos eram, em verdade, transferências entre contas da própria empresa.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
PIS, COFINS E CSLL. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
O decidido quanto ao auto de infração do IRPJ, deve ser igualmente aplicado aos autos de CSLL, PIS e COFINS, haja vista estarem alicerçados nos mesmos elementos que fundamentam o primeiro.
Numero da decisão: 1401-002.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio. Por unanimidade de votos, na análise das preliminares, rejeitar as alegações de nulidade e de decadência. Por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte os valores de R$1.763.000,00 e R$99.900,00, debitados em 23/08/2008, cujos comprovantes encontram-se às e-fls. 965/970 do processo. Vencido o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Inexiste nulidade em Auto de Infração lastreado em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial, conforme majoritário entendimento das mais altas Cortes do país. Inexiste obrigatoriedade do Fisco, em sua relação com o Contribuinte objeto de fiscalização, de demonstrar a indispensabilidade da apresentação dos extratos bancários de movimentação financeira. Esta motivação, segundo a Lei Complementar nº 105/2001, c/c com o Decreto nº 3.724/2001, foi dirigida pelo legislador aos requerimentos realizados pelas autoridades fiscais às instituições financeiras. PEDIDO DE PERÍCIA. O processo administrativo tributário é informado pelo princípio do livre convencimento motivado, o qual permite ao julgador que analise o caso concreto à luz da legislação pertinente e firme seu convencimento a partir da prova constante dos autos, devendo relatar os fundamentos de sua decisão e os motivos que o levaram a determinada conclusão. O indeferimento de pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, eis que a sua realização é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA OMITIDA SUPERIOR À DECLARADA. CABIMENTO. Correto o procedimento fiscal ao realizar o arbitramento do lucro quando observado que a receita bruta omitida é muitas vezes superior à receita declarada, causando total subversão da essência do resultado contábil apresentado, desprovendo-o da necessária confiabilidade que dele se espera, impedindo, naquilo que é pertinente aos autos, sua adoção para fins de apuração do lucro e consequentemente das bases imponíveis de IRPJ e de CSLL. BASE DE CÁLCULO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Apurados valores de omissão de receitas por conta de depósitos bancários não comprovados, sem que se possa estabelecer qualquer nexo de causalidade com a atividade alegada pela recorrente, absolutamente escorreito o procedimento fiscal ao adicionar tais valores àqueles a que corresponder o percentual mais elevado. RECEITAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO. Serão acrescidos à base de cálculo os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras auferidos no período de apuração, observado o disposto nos arts. 239, 240, 533 E 534 do RIR/99. Inteligência do art. 536 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99. MULTA QUALIFICADA. Constatada a existência de contas bancárias mantidas à margem da escrituração, com vultosos recursos movimentados, se comparados com os valores declarados, aliada a reiteração da conduta por vários períodos de apuração, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 BÔNUS DE ADIMPLÊNCIA FISCAL. DEDUÇÃO INDEVIDA. Uma vez caracterizado o dolo de sonegar, em todos os períodos fiscalizados, correta a glosa do bônus de adimplência, benefício concedido ao bom pagador de tributos federais. DECLARAÇÃO A MENOR. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO. Constatado que a Contribuinte declarou valores menores que o devido na DCTF, perfeito o lançamento para constituir o respectivo crédito tributário. A DIPJ não tem a mesma natureza da DCTF pois se reveste de caráter meramente informativo, conquanto seja de apresentação obrigatória. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PARCIAL PROCEDÊNCIA DOS VALORES COMPROVADOS COMO TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DA EMPRESA. A hipótese de incidência prevista no art. 61, da Lei n° 8.981/1995, resta perfeitamente caracterizada com a ocorrência de pelo menos um dos seguintes fatos: i) não identificação de quais são os beneficiários dos recursos providos pela recorrente; ou ii) não comprovação da operação ou de sua causa. Assim, não havendo nos autos documentação comprobatória de que os pagamentos se destinaram a beneficiário identificado, ou quando identificado, não tenha ficado comprovada a operação ou sua causa, nenhum reparo deve ser feito ao lançamento tributário. Exclui-se da autuação os itens lançados que tenham sido expressamente comprovados por meio de documentação idônea comprovando que os pagamentos eram, em verdade, transferências entre contas da própria empresa. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 PIS, COFINS E CSLL. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto ao auto de infração do IRPJ, deve ser igualmente aplicado aos autos de CSLL, PIS e COFINS, haja vista estarem alicerçados nos mesmos elementos que fundamentam o primeiro.
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OCORRÊNCIA DE DOLO. SONEGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Comprovado o dolo, a fraude ou a simulação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos, prevista no art. 150, § 4º, do CTN, deslocase para a regra geral, prevista no art. 173, I, do mesmo diploma legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE INSTRUTÓRIA DO PROCEDIMENTO. AUSÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa durante o procedimento fiscal de auditoria quando verificado que a Autoridade Fiscal oportunizou ao Fiscalizado amplo lapso temporal para esclarecer as circunstâncias e os fatos constatados em seu curso. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade em Auto de Infração lastreado em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial, conforme majoritário entendimento das mais altas Cortes do país. Inexiste obrigatoriedade do Fisco, em sua relação com o Contribuinte objeto de fiscalização, de demonstrar a indispensabilidade da apresentação dos extratos bancários de movimentação financeira. Esta motivação, segundo a Lei Complementar nº 105/2001, c/c com o Decreto nº 3.724/2001, foi dirigida pelo legislador aos requerimentos realizados pelas autoridades fiscais às instituições financeiras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 14 /2 01 3- 32 Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.918 2 PEDIDO DE PERÍCIA. O processo administrativo tributário é informado pelo princípio do livre convencimento motivado, o qual permite ao julgador que analise o caso concreto à luz da legislação pertinente e firme seu convencimento a partir da prova constante dos autos, devendo relatar os fundamentos de sua decisão e os motivos que o levaram a determinada conclusão. O indeferimento de pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, eis que a sua realização é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA OMITIDA SUPERIOR À DECLARADA. CABIMENTO. Correto o procedimento fiscal ao realizar o arbitramento do lucro quando observado que a receita bruta omitida é muitas vezes superior à receita declarada, causando total subversão da essência do resultado contábil apresentado, desprovendoo da necessária confiabilidade que dele se espera, impedindo, naquilo que é pertinente aos autos, sua adoção para fins de apuração do lucro e consequentemente das bases imponíveis de IRPJ e de CSLL. BASE DE CÁLCULO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Apurados valores de omissão de receitas por conta de depósitos bancários não comprovados, sem que se possa estabelecer qualquer nexo de causalidade com a atividade alegada pela recorrente, absolutamente escorreito o procedimento fiscal ao adicionar tais valores àqueles a que corresponder o percentual mais elevado. RECEITAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO. Serão acrescidos à base de cálculo os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras auferidos no período de apuração, observado o disposto nos arts. 239, 240, 533 E 534 do RIR/99. Inteligência do art. 536 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. MULTA QUALIFICADA. Constatada a existência de contas bancárias mantidas à margem da escrituração, com vultosos recursos movimentados, se comparados com os valores declarados, aliada a reiteração da conduta por vários períodos de apuração, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 BÔNUS DE ADIMPLÊNCIA FISCAL. DEDUÇÃO INDEVIDA. Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.919 3 Uma vez caracterizado o dolo de sonegar, em todos os períodos fiscalizados, correta a glosa do bônus de adimplência, benefício concedido ao bom pagador de tributos federais. DECLARAÇÃO A MENOR. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO. Constatado que a Contribuinte declarou valores menores que o devido na DCTF, perfeito o lançamento para constituir o respectivo crédito tributário. A DIPJ não tem a mesma natureza da DCTF pois se reveste de caráter meramente informativo, conquanto seja de apresentação obrigatória. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008, 2009, 2010 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PARCIAL PROCEDÊNCIA DOS VALORES COMPROVADOS COMO TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DA EMPRESA. A hipótese de incidência prevista no art. 61, da Lei n° 8.981/1995, resta perfeitamente caracterizada com a ocorrência de pelo menos um dos seguintes fatos: i) não identificação de quais são os beneficiários dos recursos providos pela recorrente; ou ii) não comprovação da operação ou de sua causa. Assim, não havendo nos autos documentação comprobatória de que os pagamentos se destinaram a beneficiário identificado, ou quando identificado, não tenha ficado comprovada a operação ou sua causa, nenhum reparo deve ser feito ao lançamento tributário. Excluise da autuação os itens lançados que tenham sido expressamente comprovados por meio de documentação idônea comprovando que os pagamentos eram, em verdade, transferências entre contas da própria empresa. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008, 2009, 2010 PIS, COFINS E CSLL. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto ao auto de infração do IRPJ, deve ser igualmente aplicado aos autos de CSLL, PIS e COFINS, haja vista estarem alicerçados nos mesmos elementos que fundamentam o primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio. Por unanimidade de votos, na análise das preliminares, rejeitar as alegações de nulidade e de decadência. Por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte os valores de R$1.763.000,00 e R$99.900,00, debitados em 23/08/2008, cujos comprovantes encontramse às e fls. 965/970 do processo. Vencido o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente e Relator Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.920 4 (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.921 5 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente em que foi constituído o crédito tributário abaixo discriminado: O Termo de Verificação Fiscal de efls. 689/707 detalha as infrações apuradas pela Fiscalização e que passamos a relatar. De seu texto, retiramos as partes mais importantes e as reproduzimos conforme as infrações objeto do lançamento, abaixo delineadas. A partir das primeiras informações prestadas pelo Contribuinte, em atendimento à intimação da Fiscalização, foilhe solicitado prestar esclarecimentos a respeito da falta de escrituração de receitas relativas à exploração dos imóveis rurais de sua propriedade Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.922 6 e a apresentar os respectivos contratos de arrendamento/comodato. Também lhe foi reiterado o pedido para a apresentação dos extratos bancários; esclarecimentos a respeito dos valores constantes das DIRF relativas aos anoscalendários de 2008, 2009 e 2010 e não escriturados em sua contabilidade nem tampouco oferecidos à tributação; da inexistência de DIMOBs apresentadas pela Contribuinte relativamente aos períodos de 2007 a 2012 (v. efls. 63/67). Em nova intimação, a Autoridade Fiscal apresentou ao contribuinte demonstrativo em que foram listados diversos valores relativos a suprimentos de caixa e depósitos bancários, cuja contrapartida seria a conta caixa. Assim, no mesmo ato foi intimada a comprovar a origem dos respectivos valores, bem assim a apresentar cópias de escrituras e de contratos de locação de imóveis (v. efls. 75/79). Não tendo sido apresentados todos os extratos bancários solicitados, a Autoridade Fiscal os requisitou diretamente à instituição financeira, através de RMF (v. efls. 80/82). Recebidos os extratos do Banco Santander, a Contribuinte foi novamente intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem das importâncias depositadas/creditadas em sua contacorrente (v. efls. 129/132). Em resposta, segundo a Fiscalização, a Contribuinte teria se limitado a questionar a constitucionalidade do acesso aos extratos bancários e o reduzido prazo para o atendimento da solicitação, tendo, nesta oportunidade solicitado sua dilação em relação àquele inicialmente fixado pela Autoridade Fiscal (v. efls. 561/562). Ainda, a Autoridade Fiscal verificou que a Contribuinte teria sido beneficiária de rendimentos de aplicação financeira, em valores da ordem de R$464.041,88, R$1.198.656,73 e R$469.482,75, respectivamente nos anos calendários de 2008 a 2010. Tais valores não teriam sido declarados na DIPJ nem escriturados nos livros Diário e Razão. Abaixo reproduzo o demonstrativo elaborado pela Fiscalização comparando a receita bruta escriturada com os rendimentos de aplicação financeira omitidos: Ainda, verificou a Fiscalização a falta de escrituração de diversas contas bancárias, conforme abaixo: A partir dos dados acima, a Fiscalização chegou à conclusão de que "a movimentação financeira mantida à margem da escrituração chega a ser mais de 20 vezes superior à receita bruta nos anoscalendário 2008 e 2009 e mais de oito vezes superior à Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.923 7 receita bruta no anocalendário 2010". Essa conclusão levou a Fiscalização a proceder o arbitramento do lucro da Fiscalizada. Abaixo reproduzo as considerações da Autoridade Fiscal a respeito: A partir das informações obtidas junto à Contribuinte e instituições financeiras, a Autoridade Fiscal apurou as infrações que passamos a descrever abaixo. A primeira infração referese à apuração de omissão de receitas com base na existência de depósitos bancários sem comprovação: Como vimos acima, a Fiscalização teria identificado diversas contas corrente mantidas à margem da escrituração. Assim, determinou a Autoridade Fiscal que a Contribuinte justificasse os depósitos identificados nestas contas, com documentos hábeis a comprovar sua origem. Segundo a Fiscalização, a Contribuinte não teria logrado comprovar a origem de tais depósitos, razão pela qual, além de proceder ao arbitramento, a Autoridade Fiscal considerou Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.924 8 que todos os valores depositados/creditados nas contas correntes acima identificadas, seriam oriundos de omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ainda, qualificou a multa de ofício conforme abaixo: Passemos ao relatório que diz respeito à 2ª Infração. Conforme o relato da Autoridade Fiscal, a Contribuinte possui vários imóveis urbanos e rurais registrados no seu Ativo Permanente, conforme se depreende da análise dos livros diário e razão de efls. 269/412. Questionado acerca da falta de escrituração da receita decorrente da exploração dos imóveis rurais, a Contribuinte alegou que os mesmos foram cedidos em comodato, conforme contratos juntados à efls. 68/74, 86/88 e 483/488. Já em relação aos imóveis urbanos, vejamos o que reportou a Fiscalização: Assim, e tendo em vista a necessidade de arbitramento do lucro, a Fiscalização nada mais fez do que tributar os rendimentos decorrentes dos aluguéis de imóveis urbanos de acordo com essa forma de apuração, deduzindo os valores já declarados em DCTF e aplicando multa de ofício de 75%. A terceira infração referese aos rendimentos e ganhos líquidos de aplicações financeiras que não teriam sido declarados pela Contribuinte. Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.925 9 O Contribuinte foi beneficiário de rendimentos de aplicação financeira, nos valores totais de R$464.041,88, R$1.198.656,73 e R$469.482,75, nos anoscalendário 2008 a 2010 respectivamente, consoante relatório anual e detalhamento extraídos das DIRF constantes dos sistemas da Receita Federal (efls. 252 a 268). Tais valores não teriam sido informados nas DIPJ (efls. 203 a 247) nem escriturados nos livros Diário dos respectivos anoscalendário (vide efls. 269 a 293), tampouco nos livros Razão, consoante se depreende das cópias das contas de receitas extraídas desse livro (efls. 294 a 412). O contribuinte foi intimado pela Fiscalização a prestar esclarecimentos a respeito da falta de escrituração/declaração dessas receitas financeiras, oportunidade em que lhe foi apresentada as cópias das DIRF relativas aos anoscalendário 2008 a 2010 constantes dos sistemas da Receita Federal, através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, datado de 05/03/2013 (efls. 63 a 67). Em resposta apresentada em 14/03/2013, solicitou 40 dias úteis de prazo para prestar os esclarecimentos alegando que dependia de diligência solicitada aos bancos em dezembro/2011 conforme protocolos. O pedido de dilação do prazo foi negado, sob o argumento de que a contribuinte teve prazo de 22/11/2012 até 14/03/2013 para providenciar os extratos bancários e os comprovantes de retenção (cerca de quase quatro meses). Assevera a Autoridade Fiscal no TVF que "Nenhuma instituição financeira deixaria de fornecer extratos/comprovantes ao seu cliente nesse prazo. Ademais, todos os documentos relativos às suas operações e negócios deveriam ser mantidos em boa ordem e guarda nos termos do art. 264 do RIR/99". Haja vista não ter sido comprovada a tributação de tais receitas, os valores foram objeto de lançamento de ofício, sendo considerados como dedução, os valores retidos pelas respectivas fontes pagadoras. Assevera a Autoridade Fiscal que a conduta do contribuinte descrita acima, deixando de escriturar nos livros Diário e Razão, de informar na DIPJ, de oferecer à tributação e recolher os valores dos tributos devidos incidentes sobre os rendimentos de aplicação financeira omitidos, que são superiores às receitas brutas escrituradas, em três anoscalendário consecutivos, caracteriza, em tese, crime contra a ordem tributária e inserese na descrição prevista no inciso I do art. 1º e inciso I do art. 2º da Lei nº 8.137/90. Também considera a Fiscalização que estariam presentes nos fatos descritos as condutas descritas pelos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, razão pela qual aplicou a multa de ofício de 150%, prevista no inciso I e § 1º, do art. 44, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.926 10 Para essas infrações foram exigidos, reflexamente, valores a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e Contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249/1995. A quarta infração referese à falta/insuficiência de recolhimento da CSLL. Abaixo transcrevo excertos do Termo de Verificação Fiscal que explicam com exatidão os fatos apurados pela Autoridade Fiscal: Constatamos Insuficiência de Declaração e Recolhimento em duas circunstâncias que descrevemos: 1ª) Verificamos que no 4º trimestre de 2008, foi apurado o valor de CSLL a pagar de R$1.988,98 (DIPJ fls. 203 a 217), sendo recolhido e informado em DCTF apenas o valor de R$1.141,40 (extrato DCTF fls. 558 a 559). A diferença de R$ 847,58 caracteriza uma insuficiência de declaração e de recolhimento de CSLL, objeto de lançamento de ofício na presente infração. Aplicamos a multa de ofício de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 já transcrita anteriormente. 2ª) A partir do anocalendário de 2003, as pessoas jurídicas adimplentes com os tributos e contribuições administrados pela RFB nos últimos cinco anoscalendário, submetidas ao regime de tributação com base no lucro real ou presumido, podem se beneficiar do bônus de adimplência fiscal de que trata o art. 38 da Lei nº 10.637, de 2002: Art. 38. Fica instituído, em relação aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, bônus de adimplência fiscal, aplicável às pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro real ou presumido. § 1º O bônus referido no caput: I corresponde a 1% (um por cento) da base de cálculo da CSLL determinada segundo as normas estabelecidas para as pessoas jurídicas submetidas ao regime de apuração com base no lucro presumido; II será calculado em relação à base de cálculo referida no inciso I, relativamente ao anocalendário em que permitido seu aproveitamento. § 2º Na hipótese de período de apuração trimestral, o bônus será calculado em relação aos 4 (quatro) trimestres do anocalendário e poderá ser deduzido da CSLL devida correspondente ao último trimestre. § 3º Não fará jus ao bônus a pessoa jurídica que, nos últimos 5 (cinco) anos calendário, se enquadre em qualquer das seguintes hipóteses, em relação a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal: I lançamento de ofício; II débitos com exigibilidade suspensa; III inscrição em dívida ativa; IV recolhimentos ou pagamentos em atraso; V falta ou atraso no cumprimento de obrigação acessória. § 4º Na hipótese de decisão definitiva, na esfera administrativa ou judicial, que implique desoneração integral da pessoa jurídica, as restrições referidas nos incisos I e II do § 3º serão desconsideradas desde a origem. § 5º O período de 5 (cinco) anoscalendário será computado por ano completo, inclusive aquele em relação ao qual darseá o aproveitamento do bônus. Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.927 11 § 6º A dedução do bônus darseá em relação à CSLL devida no ano calendário. § 7º A parcela do bônus que não puder ser aproveitada em determinado período poderá sêlo em períodos posteriores, vedado o ressarcimento ou a compensação distinta da referida neste artigo. § 8º A utilização indevida do bônus instituído por este artigo implica a imposição da multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sem prejuízo do disposto em seu § 2º. ( Vide Medida Provisória nº 351, de 2007 ) § 8º A utilização indevida do bônus instituído por este artigo implica a imposição da multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicandose o seu percentual, sem prejuízo do disposto no § 2º. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 9º O bônus será registrado na contabilidade da pessoa jurídica beneficiária: I na aquisição do direito, a débito de conta de Ativo Circulante e a crédito de Lucro ou Prejuízos Acumulados; II na utilização, a débito da provisão para pagamento da CSLL e a crédito da conta de Ativo Circulante referida no inciso I. § 10. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as normas necessárias à aplicação deste artigo. O contribuinte informou referida dedução no 4º trimestre de 2009 e 4º trimestre de 2010, consoante DIPJ EX 2010 (fls. 218 a 232) e DIPJ EX 2011 (fls. 233 a 247). Pelas disposições do artigo supra, e em decorrência das infrações já relatadas e do arbitramento do lucro, reputase indevida a utilização do bônus pelo contribuinte. Dessa forma, glosamos as deduções levadas a efeito no 4º trimestre de 2009 e 4º trimestre de 2010, nos valores de R$970,03 e R$970,03 respectivamente. Aplicamos a multa de 150% em obediência ao disposto no § 8º do art. 38 da Lei nº 10.637, de 2002. As infrações acima referemse ao IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS). Também foi apurada infração relativa ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, conforme abaixo: A partir das informações constantes dos extratos bancários do contribuinte dos anoscalendário 2008 e 2009, disponibilizados pelo mesmo e pelo Banco Santander, a Fiscalização verificou que as contas bancárias movimentadas no Banco Santander e HSBC Conta Poupança nº 4229652 – Agência 0744, não teriam sido escrituradas pelo contribuinte, conforme já descrito anteriormente. Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.928 12 A Contribuinte foi intimada através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 02/05/2013 (efls. 129 a 132), a identificar os beneficiários e comprovar as origens dos recursos movimentados a débito em sua(s) consta(s)correntes, conforme o Anexo I do referido Termo. Em 17/05/2013 apresentou resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 02/05/2013, na qual, segundo relato da Fiscalização, limitouse a questionar a constitucionalidade do acesso aos extratos bancários promovido pelo Fisco, alegar insuficiência de prazo para atender a intimação e solicitar mais 30 dias de prazo para atender à requisição fiscal (efls. 561 a 562). O pedido de dilação foi negado. Assim, os valores a débito listados no Anexo I ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 02/05/2013, foram considerados pagamento sem causa nos termos dos arts. 674 do RIR/99. Os valores cujas causas não foram comprovadas foram reajustados (divididos por 0,65), conforme determinação do § 3º do art. 674 do RIR/99, obtendose, dessa forma, o valor sobre o qual incidiu a tributação do imposto exclusivamente na fonte à alíquota de 35%. Abaixo reproduzo demonstrativo dos valores tributados: Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.929 13 Assevera, ainda, a Autoridade Fiscal: Entendemos que a conduta do contribuinte descrita acima, de manter várias contas bancárias à margem da escrituração, nas quais movimentou recursos 20 vezes superiores à sua receita bruta declarada, em relação às quais não comprovou a destinação dos valores a débitos dessas mesmas contas, deixando de oferecer à tributação, informar na DIRF e na DCTF e recolher os valores do Imposto de Renda na Fonte devidos incidentes sobre os pagamentos sem causa, nos anoscalendário 2008 e 2009, caracteriza, em tese, crime contra a ordem tributária e inserese na descrição prevista no inciso I do art. 1º e inciso I do art. 2º da Lei nº 8.137/90 já transcritos anteriormente. Salvo melhor juízo, também estão presentes nos fatos descritos as circunstâncias constantes dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, já transcritos anteriormente. A multa de ofício foi aplicada da forma abaixo: a) 150% prevista no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, já transcrito anteriormente, em relação aos valores a débito cujas contas bancárias estão à margem da contabilidade, listados no Anexo I do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 02/05/2013; b) 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em relação aos valores a débito na conta bancária 5014889 da Caixa Econômica Federal, listados no Anexo I do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 02/05/2013. Não conformada com a autuação, apresentou impugnação ao lançamento tributário (v. efls. 716/759). A impugnação foi objeto de apreciação por parte da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora, que prolatou o Acórdão nº 0947.582 1ª Turma, em 31 de outubro de 2013 (v. efls. 1.099/1.160). Abaixo reproduzo a ementa do referido Acórdão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. O imposto de renda pessoa jurídica apurado com base no lucro presumido trimestral, com pagamento de imposto, se insere no rol dos lançamentos por homologação, com contagem de prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Para efeito dessa contagem considerase ocorrido o fato gerador no último dia do respectivo trimestre. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. FASE PROCEDIMENTAL. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. O procedimento preparatório do ato de lançamento é atividade meramente fiscalizatória durante a qual não se aplica o contraditório ou a ampla defesa, pois não há ainda qualquer Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.930 14 espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, tampouco litígio entre as partes. PEDIDO DE PERÍCIA Cabe ao administrador tributário, por força do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, determinar a realização de diligências e perícias quando as entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 LUCRO. ARBITRAMENTO. Cabível o arbitramento do lucro quando presentes uma ou mais hipóteses previstas no art. 530 do RIR/99. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. PREVISÃO LEGAL. É lícito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configurase omissão de receitas a parte dos valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, origem dos recursos utilizados nestas operações. ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do imposto e do adicional em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de trinta e dois por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, para as atividades de administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. GANHOS LÍQUIDOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. ACRÉSCIMO. Serão acrescidos à base de cálculo do lucro arbitrado os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 531, auferidos no período de apuração, observado o disposto nos arts. 239, 240, 533 e 534 do RIR/99. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.931 15 MULTA QUALIFICADA. A imposição da multa qualificada mostrase justificada quando demonstrados suficientes indícios da ação dolosa do contribuinte, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 BÔNUS DE ADIMPLÊNCIA FISCAL. Não faz jus ao bônus de adimplência fiscal a pessoa jurídica contra a qual, nos últimos 5 (cinco) anoscalendário, tenha sido efetuado lançamento de ofício. A utilização indevida do bônus instituído por este artigo implica a imposição da multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicandose o seu percentual. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF ANOCALENDÁRIO: 2008, 2009, 2010 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a parte dos pagamentos efetuados pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA QUALIFICADA. A imposição da multa qualificada mostrase justificada quando demonstrados suficientes indícios da ação dolosa do contribuinte, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.932 16 O crédito tributário remanescente, após as exclusões realizadas pela Autoridade Julgadora a quo, foi fixado no seguinte montante, em valores originais: TRIBUTO PARCELA EXCLUÍDA PARCELA MANTIDA IRPJ 724.970,45 783.862,56 CSLL 215.615,60 368.545,43 COFINS 224.899,58 197.855,91 PIS 48.718,24 42.878,78 CSLL (pago a menor) 2.787,64 IRRF 64.113,09 1.337.089,92 TOTAL 1.278.316,96 2.733.020,24 Em função do valor exonerado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora recorreu de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Irresignada com a decisão supra, cuja ciência se deu em 18/11/2013 (v. efls. 1.168), a Contribuinte protocolou o presente Recurso Voluntário em 17/12/2013 (v. efls. 1.171/1.213). Em sua petição apresenta os seguintes argumentos, reproduzidos abaixo em apertada síntese: A) PRELIMINARES 1) Reitera a alegação de decadência do crédito tributário exigido relativamente ao IRPJ e à CSLL do 1º trimestre de 2008, sob a alegação de que ao caso devese aplicar o art. 150, § 4º, do CTN, ao invés do art. 173, I do mesmo diploma legal. Utilizandose do mesmo raciocínio alega a decadência do crédito tributário relativo ao PIS, à COFINS e ao IRRF dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e abril de 2008; 2) Propugna pela nulidade do auto de infração em virtude da quebra do seu sigilo bancário sem autorização judicial; 3) Alega ter havido cerceamento do seu direito de defesa ainda durante a realização do procedimento fiscal, haja vista que a Autoridade responsável pela fiscalização terlheia vedado a apresentação de justificativas, informações e pedidos de dilação de prazos para a apresentação de documentos; 4) Nulidade do auto de infração por ausência de motivação de fato e de direito no ato administrativo que requisitou os dados bancários. Alega que, durante o procedimento, a Autoridade Fiscal não teria apresentado qualquer justificativa prévia para exigir a apresentação dos extratos bancários; B) NO MÉRITO 1) Insurgese primeiramente contra o arbitramento, alegando que sua contabilidade não poderia ser considerada imprestável, eis que utilizada pela própria fiscalização, acessoriamente, para efetuar o lançamento; Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.933 17 2) Também alega que a base de cálculo dos tributos exigidos pela Autoridade Fiscal teria sido apurada incorretamente, haja vista ser a Contribuinte uma empresa que explora atividade rural; ao seu ver, a base de cálculo a que estaria sujeita seria de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL; 3) Com relação aos depósitos bancários que não teriam sido comprovados perante à Autoridade Fiscal, reitera o exposto na impugnação reapresentando demonstrativo em que justifica alguns dos depósitos questionados durante o procedimento fiscal. Abaixo reproduzo o referido demonstrativo: Ainda em relação a este ponto, reitera que se os depósitos estão identificados, sendo passíveis de comprovação e oriundos do sócio pessoa física da Contribuinte, não estaria caracterizada a omissão de receitas; 4) A multa aplicada em relação aos rendimentos de aplicação financeira seria indevida, haja vista que tais valores já teriam sido informados ao Fisco pelas fontes pagadoras dos rendimentos; 5) A qualificação da multa seria indevida, haja vista que teria sido provado a origem dos recursos considerados omitidos, a causa do seu recebimento e a destinação dos depósitos. Colaciona a ementa de diversos julgados administrativos e as súmulas nº 14 e 25 do CARF; 6) Com relação aos lançamentos reflexos argui que devem ser cancelados a partir dos mesmos fundamentos já exposados em relação ao IRPJ, acima; Neste ponto, também argumenta que, relativamente ao PIS e à COFINS, "a inclusão na base de cálculo de valores que não correspondam com as receitas da atividade da contribuinte é inconstitucional e indevido". Alega que o STF teria definido que o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 não poderia ter alterado o conceito de faturamento para fins de tributação, "consequentemente as cobranças realizadas com base nesta norma deveriam ser canceladas". Assim, com base neste raciocínio, os rendimentos de aplicações financeiras não deveriam compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, eis que não teriam relação com as atividades empresariais da contribuinte. Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.934 18 7) Alega ter havido erro no cálculo procedido pela autoridade julgadora a quo, relativamente ao período de apuração de 01/04/2008 a 30/06/2008. Segundo a Recorrente a base tributável teria sido majorada em R$5.000,00; 8) Reitera o pedido de perícia para que sejam analisadas as provas juntadas ao processo, repetindo os quesitos já apresentados quando da impugnação; 9) Também não se conforma com a cobrança de CSLL supostamente recolhida a menor, haja vista que teria sido declarada na DIPJ. Cita pronunciamento emanado do STJ em sede de recursos repetitivos, o que obrigaria o CARF a seguir tal orientação, conforme seu próprio Regimento Interno; 10) Não incorreu em nenhuma penalidade que pudesse afastar o gozo do bônus de adimplência fiscal, em período anterior àquele em que constituído o crédito tributário; 11) Em relação aos pagamentos considerados sem causa ou a beneficiários não identificados pela fiscalização, requer a Contribuinte que seja dado idêntico tratamento aos valores remanescentes da autuação em relação àqueles que foram excluídos pela Autoridade Julgadora a quo, eis que calcados nos mesmos elementos de prova; Afinal, vieram os autos para a apreciação deste Conselheiro. É o relatório. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.935 19 Voto Vencido Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Já o Recurso de Ofício preenche os requisitos para sua provocação pela presidência da Turma Julgadora de 1º Piso, inclusive em relação ao novo limite de alçada fixado pela Portaria MF nº 63, de 2017 (R$ 2.500.000,00), de modo que igualmente o recebo e dele conheço. Como já vimos no Relatório, a recorrente foi autuada por diversos motivos, dentre eles, omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, omissão de rendimentos e ganhos líquidos de aplicações financeiras, pagamentos realizados a beneficiários não identificados ou sem causa, falta ou insuficiência na declaração/recolhimento da CSLL, além de exigência decorrente do arbitramento do lucro em relação aos rendimentos de locação de imóveis de sua propriedade. Para algumas dessas infrações foi aplicada a multa qualificada, de 150%. Em seu recurso voluntário, a Recorrente traz diversos pontos para a análise deste Colegiado. Assim, discorreremos sobre cada um deles, individualizadamente, alertando, desde já, que aquelas matérias sujeitas ao recurso de ofício serão tratadas em conjunto com cada um dos pontos a que se refere o recurso voluntário, por uma questão metodológica. Passemos, pois, à análise inicial, que trata das preliminares arguidas no recurso voluntário. 1) Nulidade do auto de infração em virtude da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial 2) Nulidade do auto de infração por ausência de motivação de fato e de direito no ato administrativo que requisitou os dados bancários Vamos tratar destes dois pontos em conjunto, haja vista sua íntima relação. Primeiramente, alega a recorrente que, durante o procedimento fiscal, a Autoridade Lançadora não teria apresentado qualquer justificativa prévia para exigir a apresentação dos extratos bancários. Ainda, que os extratos bancários solicitados e obtidos junto às instituições financeiras sem autorização judicial maculariam o auto de infração, haja vista a ilegalidade de sua obtenção. Nenhum dos dois argumentos merece prosperar. Confundese a recorrente ao arguir que as intimações feitas a ela requerendo os documentos bancários deveriam conter motivação de indispensabilidade. Esta motivação, segundo a Lei Complementar nº 105/2001, c/c com o Decreto nº 3.724/2001, foi dirigida pelo Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.936 20 legislador aos requerimentos realizados pelas autoridades fiscais às instituições financeiras. Vide abaixo o texto legal: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Art. 8o O cumprimento das exigências e formalidades previstas nos artigos 4o, 6o e 7o, será expressamente declarado pelas autoridades competentes nas solicitações dirigidas ao Banco Central do Brasil, à Comissão de Valores Mobiliários ou às instituições financeiras. O Termo de Verificação Fiscal de efls. 689/707 é cristalino ao justificar o pedido dos extratos bancários às respectivas instituições financeiras. Senão vejamos: Ante a recusa não justificada de apresentação de extratos bancários relativos a contas bancárias não escrituradas, foi expedida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, e enviada ao Banco Santander Meridional S/A solicitando os extratos bancários e os dados constantes da ficha cadastral (fls. 80 a 82). As RMFs enviadas às Instituições Financeiras são igualmente claras ao conter a seguinte assertiva: “Esta RMF é indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001.” Com relação à necessidade de autorização judicial para a obtenção dos extratos bancários, igualmente não assiste razão à recorrente. Em recentíssimo julgamento (RE 601.314, julgado em 24/02/2016), o STF manifestouse em repercussão geral pela constitucionalidade das normas que autorizam a disponibilização, pelas instituições financeiras, de informações bancárias ao Fisco. A Lei nº 10.174/01 deu nova redação ao art. 11 da Lei nº 9.311/96 de forma a permitir que as informações bancárias fossem utilizadas na constituição de crédito tributário relativo a outros tributos administrados pela Receita Federal, além da CPMF: Art. 1º O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 11................................................................. ............................................................................" "§ 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.937 21 administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." O art. 42 da Lei nº 9.430/96, mencionado no texto normativo supra transcrito, estabeleceu a presunção legal de que caracterizam omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito junto a instituição financeira em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos. Assim, a Lei transferiu ao sujeito passivo o ônus da prova quanto à origem dos recursos movimentados. Em resumo, tratase de presunção com expressa disposição legal e aceita pelos nossos Tribunais, razão pela qual incabível a pretensão da Recorrente no sentido de invalidar o procedimento fiscal por este motivo. Assim, quanto a este ponto, considero equivocado o entendimento esposado pela requerente de que os extratos bancários foram obtidos ilícita e/ou imotivadamente, razão pela qual rejeito sua arguição de nulidade do auto de infração. 3) Cerceamento do direito de defesa A recorrente alega ter havido cerceamento do seu direito de defesa, ainda durante a realização do procedimento fiscal, haja vista que a Autoridade responsável pela fiscalização terlheia vedado a apresentação de justificativas, informações e pedidos de dilação de prazos para a apresentação de documentos. O procedimento fiscal teve início em 22/11/2012 (vide efls. 02/07), tendo se encerrado em 21/05/2013. Nesse meio tempo, de sete meses, a contribuinte foi intimada e reintimada várias vezes para apresentar os extratos bancários solicitados pela fiscalização, bem assim os esclarecimentos que diziam respeito às constatações apuradas pela Autoridade Fiscal (vide TVF às efls. 689/693). Os extratos bancários das contascorrentes que a Fiscalização constatou estarem à margem da contabilidade só foram obtidos a partir da expedição da RMF de efls. 80/82. A primeira (e única) negativa da Fiscalização aos pedidos de dilação de prazo para atendimento de intimações ocorreu tão somente em 17/05/2013, ou seja, ao término do procedimento fiscal, que já se desenvolvia havia sete meses, repito. Então, não procede o argumento da recorrente de que teve o seu direito de defesa cerceado durante o procedimento fiscal. Foramlhe dadas todas as chances para esclarecer tudo o que vinha sendo observado e pedido pela Autoridade Fiscal. Perfeita também a assertiva contida na decisão de piso em relação à obrigação da contribuinte em manter sua escrituração, e os documentos que lhe dão suporte em boa guarda, conforme o disposto no art. 264 do RIR/99. Lembremonos de que os períodos de apuração fiscalizados se referem a 2008, 2009 e 2010, enquanto que a auditoria foi realizada apenas em 2013, quase 05 anos após o encerramento do primeiro período auditado. Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.938 22 Então, considerando os fatos apresentados nos autos, não há como dar guarida a alegações desse jaez, razão pela qual deixo de acatar a arguição de nulidade neste ponto. 4) Do arbitramento do lucro A recorrente insurgese contra o arbitramento do lucro procedido pela Autoridade Fiscal alegando que sua contabilidade não poderia ser considerada imprestável, eis que utilizada pela própria fiscalização, acessoriamente, para efetuar o lançamento. Não procedem as alegações da recorrente. Verificou a Autoridade Fiscal que a contribuinte mantinha movimentação financeira em contas bancárias não escrituradas em sua contabilidade em todos os períodos auditados (2008, 2009 e 2010). Intimada a comprovar a origem dos depósitos efetuados nessas contascorrentes, não teria logrado fazêlo. Além disso, verificouse que a recorrente auferiu rendimentos de aplicações financeiras que não foram contabilizados nem declarados/tributados, em valores superiores à receita bruta declarada em todos os três períodos de apuração. Abaixo reproduzo um demonstrativo elaborado pela Fiscalização que retrata bem essa situação: Se compararmos a receita bruta escriturada nos três períodos auditados com os valores mantidos à margem da escrituração, chegaremos facilmente à conclusão do acerto com que procedeu a Autoridade Fiscal ao realizar o arbitramento do lucro, haja vista a total subversão da essência do resultado contábil apresentado, desprovendoo da necessária confiabilidade que dele se espera, impedindo, naquilo que é pertinente aos autos, sua adoção para fins de apuração do lucro e consequentemente das bases imponíveis de IRPJ e de CSLL. Fragilizada a escrituração, e verificandose ser a mesma imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, restou à Autoridade Fiscal aplicar o remédio do artigo 530, do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.939 23 A recorrente reage contra este procedimento alegando que a contabilidade foi utilizada pela autoridade fiscal para realizar o lançamento: Neste ponto, referese aos rendimentos de aluguéis de imóveis, cujos dados foram extraídos da escrituração e das declarações entregues por ela (DCTF e DIPJ). Ora, o fato de a Autoridade Fiscal arbitrar o lucro para efeito de apuração da base tributável não significa dizer que não possa utilizar as informações constantes da escrituração contábil para complementar e/ou determinar a base sobre a qual o lucro será apurado. Ademais, utilizou a Fiscalização tão somente os valores relativos aos aluguéis de imóveis constantes de sua escrituração e DIPJs. Digase de passagem, a recorrente alega ser empresa cujo objeto social seria a exploração de atividade rural. Entretanto, em suas DIPJs de 2008 a 2010 declarou rendimentos exclusivamente da atividade de locação de imóveis. E foram justamente esses rendimentos que, acertadamente, a Autoridade Fiscal somou às omissões de receita identificadas a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada para estabelecer a base de cálculo sobre a qual recaiu o arbitramento do lucro. Embora de amplo conhecimento, não se deve esquecer que “arbitramento” não é uma penalização, como parece pretender fazer entender a recorrente e, muito menos, um instrumento de tortura de que disporia a Autoridade Fiscal para massacrar os contribuintes. Ao contrário, é remédio com previsão legal e de adoção indeclinável pelo Fisco quando presentes as condições materiais para tanto. Neste trilho, a jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CARF – órgão colegiado administrativo de julgamento em instância definitiva: “ARBITRAMENTO NÃO É PENALIDADE – O arbitramento não possui caráter de penalidade; é simples meio de apuração do lucro” (Ac. CSRF/010.123/81). Em relação à fundamentação adotada pela Fiscalização para arbitrar o lucro, qual seja, os vícios, erros ou deficiências contábeis que impediriam identificar a efetiva movimentação financeira da recorrente, não houve nenhuma manifestação da contribuinte, sendo mais uma razão pela qual considero o arbitramento correto. 5) Da incorreção na base de cálculo do arbitramento Neste ponto, insurgese contra a base de cálculo adotada para os valores exigidos pela Fiscalização referentes aos depósitos bancários não comprovados. Em sendo a Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.940 24 contribuinte uma empresa que explora atividade rural, a base de cálculo a que estaria sujeita seria de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL. A Autoridade Fiscal fixou a base de cálculo em 38,4% da receita total da contribuinte em cada período de apuração. E o fez corretamente, como bem assentou a decisão recorrida: "Ora, a despeito da razão social, objeto social, CNAE, referiremse à atividade rural, os contratos de locação, fls. 489 a 529, falam por si: tratase de contratos de locação de imóveis de propriedade da autuada. A contribuinte nada trouxe aos autos que desconstituísse o teor dos referidos contratos. E assim, correta a autuação nos termos em que foi proferida." A decisão recorrida também reproduziu os arts. 518, 519 e 537 do RIR/99: Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § 1 º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 1º): I um inteiro e seis décimos por cento, para atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento para a atividade de prestação de serviço de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. Art. 537. (...) Parágrafo Único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249/1995, art. 24, §1º). Os dispositivos acima são quase que autoexplicativos, se considerarmos as circunstâncias do caso em apreço. Como vimos anteriormente, as DIPJs da contribuinte informam tão somente rendimentos de locação de imóveis para todos os períodos de apuração objeto da auditoria. Assim, a partir do momento em que apurados valores de omissão de receitas por conta de depósitos bancários não comprovados, sem que se possa estabelecer qualquer nexo de causalidade com a atividade alegada pela recorrente (pela ausência de provas para tanto), absolutamente escorreito o procedimento fiscal ao adicionar tais valores àqueles a que corresponder o percentual mais elevado, justamente os rendimentos de locação de imóveis. Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.941 25 Portanto, rejeito também mais essa alegação de inconsistência do auto de infração. 6) Dos depósitos bancários Com relação aos depósitos bancários que não teriam sido comprovados perante à Autoridade Fiscal, reitera o exposto na impugnação reapresentando demonstrativo em que justifica cada um dos depósitos questionados durante o procedimento fiscal. Abaixo reproduzo o referido demonstrativo: Ainda em relação a este ponto, reitera que se os depósitos estão identificados, sendo passíveis de comprovação e oriundos do sócio pessoa física da Contribuinte, não estaria caracterizada a omissão de receitas. Não merecem prosperar as alegações da recorrente. O quadro acima aponta como primeiro valor a importância de R$5.100.000,00 que, segundo a recorrente teria origem em mútuo firmado com seu sócio, o Sr. Antonio Ronaldo Rodrigues. Acostados aos autos, às efls. 873/934, os documentos juntados pela recorrente para comprovar a origem dos valores depositados. Dentre esses documentos encontramos: extrato da conta do Sr. Antonio Ronaldo Rodrigues (fls. 873), cópias dos cheques emitidos pelo Sr. Antonio Ronaldo Rodrigues, nominativos ao próprio emitente e sacados na boca do caixa (v. efls. 874/933) e o comprovante de depósito dos R$5.100.000,00 na conta do SANTANDER, de titularidade da recorrente. Curioso notar que se tratam de 23 cheques de valores variados, com data de emissão entre setembro e novembro de 2007, preenchidos rigorosamente de maneira idêntica e em ordem seqüencial, desde o nº 14 até o nº 36. Entretanto, todos foram descontados na boca do caixa no mesmo dia, de uma só vez, e depositados na conta da recorrente, em espécie. Fico imaginando o porque de tanto trabalho para transferir, conforme quer fazer crer a recorrente, os valores sob análise para a conta da autuada, a título de empréstimo. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.942 26 E falando do empréstimo, absolutamente correta a abordagem traçada pela DRJ/JFA ao rejeitar as alegações da recorrente a respeito. Vejamos: A tese do contribuinte acerca do mútuo do sócio pelo não se sustenta: Seguese a transcrição parcial da referida tese: Os valores apontados pela fiscalização são TODOS IDENTIFICADOS, posto que de ORIGEM DO SÓCIO ADMINISTRADOR da Impugnante. Tratase de MÚTUO PARA CAPITAL DE GIRO FORNECIDO PELO SÓCIO sem ônus à sociedade. Algo, aliás, extremamente comum. Tem todos origem certa: vieram do sócio, como atestam os comprovantes bancários que ora se junta. Os contratos, como previsto no art. 107 do Código Civil, podem ser escritos ou verbais. Aqui é caso de contrato verbal. Devese contextualizar que o negócio foi realizado entre o sócio administrador e a empresa da família para que pudesse suprir capital de giro. Relativamente à validade de contratos particulares é oportuno transcrever o art. 221 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), que manteve, praticamente, a redação do art. 131 do Código Civil anterior: Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Transcrevese o art. 288 do Código Civil (CC): Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1o do art. 654. Contratos verbais não teriam como ser registrados em cartório de títulos e documentos, condição para que os mútuos a que se refere o impugnante produzissem efeitos contra terceiros. Para o presente caso, então, os contratos não poderiam ter sido verbais. E se fossem escritos, cabe registrar que teriam que atender aos dispositivos legais acima. Tal registro tem por escopo não só autenticar o documento e fixar sua data, mas também dar ciência a terceiros da existência do negócio. A Receita Federal do Brasil, no caso em pauta, embora não seja propriamente um terceiro credor, tem total interesse na comprovação de que houve realmente um empréstimo e não mera simulação. Notas promissórias e documentos contábeis são de fácil emissão. Deve ser lembrado à interessada que a informalidade dos negócios celebrados entre as partes não pode eximir a contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações. Tal informalidade diz respeito, apenas, a garantias mútuas que deixam de ser exigidas em razão da confiança entre as partes, ou de quaisquer outros motivos, mas não se pode querer aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública. A relação entre fisco e contribuinte não é informal; é formal e vinculada à lei, sem exceção. Logo, a forma convencionada entre as partes diz respeito somente às partes; não exime o contribuinte de apresentar a prova da efetiva realização dos negócios jurídicos em toda a sua extensão. Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.943 27 Não há muito a acrescentar ao que já foi firmado pela decisão a quo. Tratase de matéria eminentemente de prova. E neste ponto, a recorrente não conseguiu justificar de forma adequada ou suficiente o porque dos referidos depósitos em sua contacorrente que, repisese, era mantida à margem da contabilidade. E não havendo justificativa plausível para tais depósitos, corretos tanto o procedimento fiscal, que tributou tais valores, quanto a decisão de piso, que manteve a exigência. Com relação ao valor de R$941.250,00 que, segundo a recorrente, teria origem em uma venda ocorrida no ano de 2004, paga somente no ano de 2008, melhor sorte não lhe assiste. Às efls. 936/938 foram juntados o extrato da conta onde constam os depósitos, autorização ao Sr. Elton Luiz Maldaner para transferir a referida quantia diretamente à conta bancária da recorrente e uma nota fiscal de produtor, emitida em 2004, cujo valor destacado monta em R$1.296.000,00. Tais documentos não se prestam a provar que os valores depositados se referem à operação realizada quatro anos antes do suposto pagamento. Além de os valores não baterem, os documentos apresentados estão desacompanhados da necessária escrituração contábil do crédito a que fazia jus a recorrente contra o depositante. Não se diga que tais documentos, em razão do ano em que fora realizada a operação, “não são de guarda obrigatória” (v. efls. 1.189/1.190). Como é cediço, a escrituração e os documentos que a instruem devem ser mantidos em boa guarda e ordem pelo período que forem necessários, sem limitação temporal. Assim, na falta da escrituração desses créditos, não há como vincular os documentos juntados aos autos para justificar os depósitos corretamente tributados pela Fiscalização. Por último, ainda questiona a manutenção da exigência de R$40.000,00, que seriam remanescentes dos valores vinculados ao doc 11 apresentado juntamente com a impugnação. Apesar de não apresentar maiores esclarecimentos a respeito deste valor, verificamos que os valores vinculados ao doc 11 foram aceitos pela decisão a quo e excluídos do lançamento. Tais valores somam R$457.826,30 e constam do demonstrativo abaixo, elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância, para evidenciar as importâncias a serem excluídas do lançamento (v. efls. 1.136): Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.944 28 A respeito de tais exclusões, foram objeto do recurso de ofício por parte do Colegiado a quo. Os motivos elencados para a exclusão desses valores constam do demonstrativo acima e foram devidamente checados por este Conselheiro, não havendo razão para a reforma da decisão recorrida neste ponto. Assim, nego provimento ao recurso de ofício lavrado em face das exclusões da base de cálculo acima demonstradas. 7) Dos rendimentos de aplicações financeiras e da qualificação da multa de ofício Neste ponto, a recorrente se insurge contra a aplicação da multa qualificada sobre o imposto devido em relação aos rendimentos de aplicação financeira, haja vista que tais valores já teriam sido informados ao Fisco pelas fontes pagadoras dos rendimentos. Nas suas próprias palavras: Vou reproduzir, a partir do Termo de Verificação Fiscal e da decisão recorrida, os exatos termos dos arts. 536, 770 e 773 do RIR/99: Art. 536. Serão acrescidos à base de cálculo os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 531, auferidos no período de apuração, observado o disposto nos arts. 239, 240, 533 e 534 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso II). Art. 770. Os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável sujeitam se à incidência do imposto na fonte, mesmo no caso das operações de cobertura hedge, realizadas por meio de operações de swap e outras, nos mercados de derivativos (Lei nº 9.779, de 1999, art. 5º). (...) § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos (Lei nº 8.981, de 1995, art. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.945 29 76, § 2º, Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): I integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado; II serão tributados de forma definitiva no caso de pessoa física e de pessoa jurídica optante pela inscrição no SIMPLES ou isenta. Art. 773. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, incisos I e II, Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º, § 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; (...) O texto legal carece de maiores explicações. A contribuinte tinha a obrigação de declarar os rendimentos de aplicações financeiras, integrandoos aos demais rendimentos para a apuração do imposto de renda nas respectivas declarações. As alegações da recorrente de que as informações das respectivas fontes pagadoras teriam o condão de suprir a sua omissão, são completamente descabidas. Uma coisa é a obrigatoriedade das fontes pagadoras de informar à Receita Federal (via DIRF) os rendimentos pagos e o imposto retido dos beneficiários. Outra coisa é a obrigação legal, como vimos acima, dos contribuintes em declarar os rendimentos recebidos e complementar, se for o caso, o imposto de renda sobre tais valores. Entretanto, a recorrente não declarou tais rendimentos nem tampouco pagou o complemento do imposto de renda que incidiria sobre eles, praticando tal conduta de forma reiterada, em todos os períodos de apuração fiscalizados. Assim, absolutamente correto o procedimento fiscal ao tributar tais rendimentos em conjunto com os demais auferidos pela pessoa jurídica, bem assim ao aplicar a multa qualificada, por conta da reiteração da conduta omissiva. Por falar em multa qualificada, a recorrente argui que a exasperação da penalidade seria indevida em relação às demais infrações em que foi aplicada, haja vista que teria ficado provado a origem dos recursos considerados omitidos, a causa do seu recebimento e a destinação dos depósitos. Colaciona a ementa de diversos julgados administrativos e as súmulas nº 14 e 25 do CARF; Primeiramente, não é verdade que restou provada a origem dos recursos considerados omitidos, a causa do seu recebimento, nem tampouco a destinação dos depósitos. Como vimos até agora, nenhuma dessas circunstâncias restou absolutamente provada pela recorrente. Apenas uma pequena parcela dos depósitos foi excluída pela decisão de 1ª instância, e convalidada por este voto. A causa dos respectivos recebimentos e a destinação dos depósitos também não foram provados pela contribuinte. Vejamos sobre o que versam as súmulas nº 14 e 25 do CARF: Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.946 30 Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Pelo que vimos até agora, os fatos apurados pela Fiscalização não dizem respeito a uma simples omissão de receitas. Foi constatada a existência de contas bancárias mantidas à margem da escrituração, com vultosos recursos movimentados (se comparados com os valores declarados). A partir dessas contas bancárias, a Fiscalização constatou a existência de omissão de receitas pela falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nessas operações. Já em relação aos débitos nas respectivas contas bancárias também não restou comprovado o destino dado aos valores movimentados. Também constatouse a omissão de rendimentos de aplicações financeiras, cujos valores deixaram de ser declarados e tributados pela recorrente. Tais fatos se repetiram em todos os períodos analisados/auditados pela Autoridade Fiscal. O conjunto dos fatos acima se coaduna perfeitamente com o conceito de sonegação estabelecido no art. 71 da Lei nº 4.502/64, abaixo reproduzido: Art 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. O elemento doloso na conduta do agente é fundamental na identificação da sonegação na forma do artigo 71, para justificar a qualificação da multa de ofício. O dolo consiste em elemento essencial da ação final, e comporta dois elementos, quais sejam, o cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica, e o volitivo, a vontade de realizar a conduta. O elemento cognitivo é pressuposto do elemento volitivo, ou seja, a vontade não pode existir sem o conhecimento da ação. A análise da conduta da autuada em manter vultosa movimentação bancária à margem da escrituração, além de declarar valores muito inferiores a essa movimentação financeira para a Receita Federal, revela nítida intenção em se esquivar do recolhimento de tributos federais. Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.947 31 Notase uma série de condutas, planejadas e ordenadas, visando um objetivo concreto, a sonegação dos tributos federais. Observese que não se trata de mera falta de pagamento de tributos, nem tampouco simples omissão de receitas. Tais condutas constituemse em ações dolosas praticadas pelo sujeito passivo, através de seus prepostos, visando impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, o que evidencia o intuito fraudulento de sonegar tributos e justifica a qualificação da multa de ofício a teor do disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Portanto, incabíveis as alegações da recorrente quanto à qualificação da multa de ofício. 8) Da decadência A recorrente reitera, no recurso voluntário, a alegação de decadência do crédito tributário exigido relativamente ao IRPJ e à CSLL do 1º trimestre de 2008, sob o argumento de que ao caso devese aplicar o art. 150, § 4º, do CTN, ao invés do art. 173, I do mesmo diploma legal. Utilizandose do mesmo raciocínio alega a decadência do crédito tributário relativo ao PIS, à COFINS e ao IRRF dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e abril de 2008. A decisão recorrida reconheceu a decadência em relação às seguintes exigências: TRIBUTO PERÍODO APURAÇÃO VALOR DA BC IRRF 02/01/2008 28.737,09 IRRF 11/02/2008 46.153,85 IRRF 10/03/2008 28.737,09 IRRF 10/04/2008 30.769,23 IRPJ 31/03/2008 60.117,00 COFINS 30/04/2008 5.000,00 PIS 30/04/2008 5.000,00 Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.948 32 Tais valores referemse aos lançamentos em que foi aplicada a multa de ofício no percentual de 75%, ou seja, hipótese na qual não foi reconhecida a ocorrência de dolo ou fraude a justificar a qualificação. Nesses casos foi aplicado o art. 150, § 4º, do CTN, reconhecendose, como termo inicial para a contagem do prazo decadencial, a data da ocorrência do fato gerador. Como o lançamento restou perfectibilizado com a ciência da Contribuinte em 24/05/2013 (v. efls. 785), aplicandose a regra do art. 150, § 4º, do CTN, os referidos períodos de apuração foram efetivamente alcançados pela decadência, portanto, correta a conclusão a que chegou a Autoridade Julgadora de 1ª instância, razão pela qual nego provimento ao recurso de ofício, também, neste caso. Com relação aos demais valores lançados, relativos aos mesmos períodos de apuração de janeiro a abril de 2008, e que foram mantidos pela decisão recorrida, a lógica é outra. A eles se aplica o disposto no art. 173, inciso I, do CTN, haja vista a verificação, por parte da Fiscalização, da ocorrência do dolo de sonegar, conforme já exposto exaustivamente no tópico anterior. Nestes casos, o termo inicial da contagem do prazo decadencial iniciarseia em 01 de janeiro de 2009 ("primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"), encerrandose, tão somente, em 31/12/2013. Portanto, nenhum reparo à decisão recorrida neste ponto, razão pela qual nego provimento ao recurso. 9) Erro de cálculo da decisão recorrida A recorrente alega ter havido erro no cálculo procedido pela autoridade julgadora a quo, relativamente ao período de apuração de 01/04/2008 a 30/06/2008. Segundo a Recorrente, a base tributável teria sido majorada em R$5.000,00. Vejamos o que consta do recurso voluntário a respeito: Se a recorrente tivesse tido o trabalho de aplicar 38,40% sobre R$941.250,00, veria que o resultado importaria em R$361.440,00. O que ocorreu no ponto destacado pela recorrente acima foi um simples erro de digitação, que não alterou o resultado da base de cálculo apurada pela decisão a quo. Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.949 33 Portanto, mais um ponto do recurso voluntário que deve ser rechaçado por esta decisão. 10) Da CSLL declarada e recolhida a menor A contribuinte também não se conforma com a cobrança de CSLL supostamente recolhida a menor, haja vista que teria sido declarada na DIPJ. Cita pronunciamento emanado do STJ em sede de recursos repetitivos, o que obrigaria o CARF a seguir tal orientação, conforme seu próprio Regimento Interno. Compulsando os autos, mais especificamente o Termo de Verificação Fiscal de efls. 689/707, constatamos que a Autoridade Fiscal assim se manifestou a respeito: 1ª) Verificamos que no 4º trimestre de 2008, foi apurado o valor de CSLL a pagar de R$1.988,98 (DIPJ fls. 203 a 217), sendo recolhido e informado em DCTF apenas o valor de R$1.141,40 (extrato DCTF fls. 558 a 559). A diferença de R$ 847,58 caracteriza uma insuficiência de declaração e de recolhimento de CSLL, objeto de lançamento de ofício na presente infração. Aplicamos a multa de ofício de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 já transcrita anteriormente. Já a recorrente se escora em pronunciamento proferido pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, para contestar a exação acima. Vejamos como foi vazada a referida decisão judicial: Creio que a recorrente não deu a melhor exegese à decisão acima, ao inferir que a DIPJ se amoldaria à expressão grafada "OU DE OUTRA DECLARAÇÃO DESSA NATUREZA". A DIPJ não tem a mesma natureza da DCTF ou da GIA. Enquanto a primeira é declaração meramente informativa (apesar de ser obrigatória), a DCTF e a GIA tem natureza de confissão de dívida. Por esse motivo, valores porventura não declarados na DCTF somente poderiam ser exigidos de ofício através da constituição formal do crédito tributário, via lançamento. Assim, considero absolutamente correto o procedimento fiscal ao efetuar o lançamento tributário dos valores declarados a menor na DCTF. Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.950 34 11) Do Bônus de Adimplência Fiscal Neste ponto, a recorrente alega não ter cometido nenhuma penalidade que pudesse afastar o gozo do bônus de adimplência fiscal, em período anterior àquele em que foram constituídos os créditos tributários. Voltemos ao Termo de Verificação Fiscal (v. efls. 689/707) para entender melhor do que se trata essa matéria: 2ª) A partir do anocalendário de 2003, as pessoas jurídicas adimplentes com os tributos e contribuições administrados pela RFB nos últimos cinco anoscalendário, submetidas ao regime de tributação com base no lucro real ou presumido, podem se beneficiar do bônus de adimplência fiscal de que trata o art. 38 da Lei nº 10.637, de 2002: (...) O contribuinte informou referida dedução no 4º trimestre de 2009 e 4º trimestre de 2010, consoante DIPJ EX 2010 (fls. 218 a 232) e DIPJ EX 2011 (fls. 233 a 247). Pelas disposições do artigo supra, e em decorrência das infrações já relatadas e do arbitramento do lucro, reputase indevida a utilização do bônus pelo contribuinte. Dessa forma, glosamos as deduções levadas a efeito no 4º trimestre de 2009 e 4º trimestre de 2010, nos valores de R$970,03 e R$970,03 respectivamente. Aplicamos a multa de 150% em obediência ao disposto no § 8º do art. 38 da Lei nº 10.637, de 2002. Os trechos acima são bastante elucidativos e carecem de maiores comentários. A questão central é determinar se a Autoridade Lançadora, ao glosar a utilização do bônus de adimplência fiscal, agiu corretamente, haja vista que até o momento em que foram deduzidos tais valores a recorrente não havia sido autuada, ou melhor dizendo, não havia nenhuma infração por ela cometida. O bônus de adimplência fiscal foi instituído pela Lei nº 10.637/2002, em seu art. 38. Esse foi o dispositivo legal em que se baseou a Fiscalização para realizar a glosa, mais especificamente os seus parágrafos 3º e 8º, abaixo reproduzidos: § 3º Não fará jus ao bônus a pessoa jurídica que, nos últimos 5 (cinco) anoscalendário, se enquadre em qualquer das seguintes hipóteses, em relação a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal: I lançamento de ofício; II débitos com exigibilidade suspensa; III inscrição em dívida ativa; IV recolhimentos ou pagamentos em atraso; V falta ou atraso no cumprimento de obrigação acessória. (...) Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.951 35 § 8º A utilização indevida do bônus instituído por este artigo implica a imposição da multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicando se o seu percentual, sem prejuízo do disposto no § 2º. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Não merece reparos a decisão a quo ao tratar da matéria. Vejamos o que lá foi dito (v. efls. 1.153): Não assiste razão à interessada. As ações fiscais, pela peculiaridade do trabalho, obviamente só podem ser efetuadas após o fato gerador ocorrido, e antes de decaído o período, claro. Não há como ser diferente. Assim, o fato de alguma infração referente ao período de 2009 e 2010 ser apurada em 2013, não pode ser fato impeditivo para a autuação. Ora, se assim fosse, seria inócua toda legislação tributária, no que se refere à ação fiscal. Se considerarmos, ainda, todos os fatos já detalhados neste voto e que redundaram na aplicação, inclusive, de multa qualificada, haja vista a caracterização do dolo na conduta de sonegar tributos, a conclusão neste ponto não poderia ser diferente da exposada, tanto pela Autoridade Fiscal, quanto pela Autoridade Julgadora de piso. A contribuinte sabia muito bem o que estava fazendo, da forma que estava procedendo e das irregularidades que tais condutas acarretavam, razão pela qual não tinha o direito de se utilizar de um benefício instituído pra premiar o bom pagador de tributos. Portanto, rechaço as alegações da recorrente e nego provimento ao recurso também neste ponto. 12) Dos pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados Em relação aos pagamentos considerados sem causa ou a beneficiários não identificados pela fiscalização, requer a Contribuinte que seja dado idêntico tratamento aos valores remanescentes da autuação em relação àqueles que foram excluídos pela Autoridade Julgadora a quo, eis que calcados nos mesmos elementos de prova. A Autoridade Fiscal no Termo de Verificação de efls. 689/707, assim descreveu a infração a que se refere este ponto: Consoante Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 02/05/2013 (fls. 129 a 132), o contribuinte foi intimado a identificar os beneficiários e comprovar as causas dos recursos movimentados a débito de sua(s) consta(s)correntes, conforme Anexo I desse Termo. Em 17/05/2013 apresentou resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 02/05/2013, na qual limitouse a questionar a constitucionalidade do acesso aos extratos bancários promovido pelo Fisco, alegar insuficiência de prazo para atender a intimação e solicitou mais 30 dias de prazo para atender a intimação (fls. 561 a 562). O pedido de dilação foi negado consoante já relatamos. Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.952 36 Dessa forma, os valores a débito listados no Anexo I ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 02/05/2013 foram considerados pagamento sem causa nos termos dos art. 674 do RIR/99. Em seu recurso voluntário, a contribuinte alega que a decisão da DRJ teria excluído determinados valores e mantido outros. Esses valores mantidos teriam sido justificados de forma idêntica, sob os mesmos fundamentos, daqueles que foram exonerados pela decisão de piso. Assim, requer que este CARF, ao analisar o seu recurso, reforme a decisão a quo para aplicar os mesmos fundamentos anteriormente reconhecidos para os valores exonerados aos valores que foram mantidos. Abaixo reproduzo o trecho de seu recurso em que trata da matéria, para melhor entendimento desta Turma (v. efls. 1.208): Também reproduz alguns julgados administrativos que fazem referência à necessidade de que o Fisco demonstrar efetivamente a ocorrência dos pagamentos objeto de tributação. Juntou as referidas ementas, tão somente, sem maiores comentários a respeito, para ao final alegar estar "demonstrado claramente o fundamento das operações realizadas". Inicialmente, cabenos demonstrar quais valores foram objeto de exoneração por parte da DRJ/JFA e por quais motivos: No demonstrativo que instruiu a impugnação, os valores para o período entre 29/07/2008 e 28/12/2009, referentes aos documentos apresentados e numerados de 15 a 35, são da conta corrente junto ao Santander e sequer foram escriturados. Registrese, por oportuno, que a movimentação financeira da autuada junto ao Santander foi obtida mediante RMF, tendo em vista o contribuinte não ter apresentado os respectivos extratos, quando intimado, fato já analisado neste Voto. Os demais valores do citado demonstrativo, período de 02/01/2008 e 18/12/2009, referentes aos documentos apresentados e numerados de 36 a 43, são da conta corrente junto à CEF e estão a seguir analisados. A justificativa da autuada para os cheques nos valores de R$18.679,11 – 02/01/08, R$30.000,00 – 11/02/08, R$20.000,00 – 10/04/2008, R$20.000,00 – 15/10/2009, R$50.000,00 – 18/12/2009, que após reajustados (divididos por 0,65) consoante determina o § 3º do art. 674 do RIR/99 passaram para R$28.737,09, R$46.153,85, R$30.769,23, R$30.769,23 e R$76.923,08, respectivamente, é que foram utilizados para suprimento de caixa. Os valores de IRRF apurados sobre as importâncias de R$28.737,09 – 02/01/08, R$46.153,85 – 11/02/08 e R$30.769,23 – 10/04/2008, já haviam sido abrangidos pela decadência, na data da ciência dos autos. Os cheques de R$18.679,11 e Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.953 37 R$20.000,00, muito embora tenham o ano de 2.007, como ano de preenchimento, o saque foi efetuado em 2.008. Assim, tais valores serão subtraídos do respectivo lançamento. Por sua vez, os valores de R$20.000,00 – 15/10/2009, R$50.000,00 –18/12/2009, fls. 1.019 e 1.020, são nominais a Antônio Ronaldo Rodrigues da Cunha. Assim mantida a autuação quanto a estes valores. Os valores de R$18.679,11 – 10/03/08, R$15.857,88 – 14/01/09 e R$15.851,06 – 04/03/09,que após reajustados passaram para R$28.737,09, R$24.396,74 e R$24.386,25, segundo à autuada referemse a pagamentos de boletos. O valor de IRRF apurado sobre a importância de R$28.737,09, também já havia sido abrangido pela decadência, quando da ciência dos autos. A fls. 1.016, consta a cópia de um Aviso de Débito de R$15.857,88 na conta da autuada para pagamento de bloquete. O referido valor está escriturado no Razão A fls. 1.018, consta a cópia de um Aviso de Débito de R$15.851,06 na conta da autuada para complementação de pagamento de Bradesco Auto/Seguros. Muito embora, o referido valor esteja escriturado no Razão como suprimento de caixa, temse como comprovado o beneficiário e a causa. Assim, tais valores serão subtraídos do respectivo lançamento. Pelos mesmos motivos expostos, quando da análise dos depósitos bancários, mantémse a multa tal como aplicada. Assim, dos valores elencados, fls. 683/684, foram excluídos os valores negritados anteriormente, remanescendo aqueles que são os valores autuados a título de “Pagamento Sem Causa Ou Beneficiário Não Identificado – Imposto de Renda na Fonte sobre Pagamento Sem Causa ou de Operação não Comprovada” e mantidos neste Acórdão. A seguir os valores mantidos e consolidados, fls. 685, do AI, após a exclusão dos valores para os quais houve a decadência ou o contribuinte fez a devida comprovação. Então, do trecho acima, extraído do Acórdão de Impugnação, temse que foram excluídos os seguintes valores da autuação, relativamente a essa infração: valor data motivo da exoneração 28.737,09 02/01/2008 decadência 46.153,85 11/02/2008 decadência 30.769,23 10/04/2008 decadência 28.737,09 10/03/2008 decadência 24.396,74 14/01/2009 comprovação do pagamento e da sua causa Portanto, basta olhar a planilha acima para se chegar à conclusão de que não há como aplicar os mesmos fundamentos reconhecidos para os valores exonerados aos valores que foram mantidos, pois as razões para a exoneração de tais valores falam por si. Os valores exonerados acima também fazem parte do recurso de ofício da DRJ. Assim, e considerando que as referidas exonerações foram realizadas pela Autoridade Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.954 38 Julgadora a quo de forma correta, adoto seus fundamentos para justificar o não provimento do recurso de ofício também neste ponto. Com relação ao mérito, propriamente, da autuação, apesar de a recorrente ter passado ao largo da matéria em seu recurso, pois limitouse a reproduzir a ementa de uma decisão do CARF que tratava da efetiva comprovação dos pagamentos sem causa como condicionante para a manutenção da exigência, cabenos fazer algumas considerações, apenas para não deixar nenhuma dúvida a respeito da lisura da autuação em relação aos pagamentos considerados sem causa ou a beneficiários não identificados. Assim dispõe a Lei nº 8.981/1995, em seu art. 61: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. (grifei) O caso em apreço diz respeito a pagamento sem causa, conforme o disposto no § 1º do art. 61 acima reproduzido. Essa hipótese de incidência da norma acontece quando a pessoa jurídica não consegue comprovar a efetividade da operação relacionada ao pagamento, saque, ou qualquer outro tipo de saída de recursos financeiros do seu caixa ou de suas contas bancárias. Da análise do Auto de Infração, do Relatório de Auditoria e de outras peças que integram o processo em questão, constatase que ficou perfeitamente definido o fato gerador do IRRF com base no art. 61 da Lei n° 8.981/95. O sujeito passivo não conseguiu justificar, nem na impugnação, nem no recurso voluntário, com base em documentos hábeis, quem seriam os beneficiários e/ou a causa de tais pagamentos (valores debitados em suas contas bancárias). Limitase a dizer que os valores tributados referemse a saques efetuados em suas contascorrentes. Até aí, nenhuma novidade, são efetivamente, em sua maioria, saques efetuados em contacorrente mantida à margem da escrituração, através do desconto de cheques de sua própria emissão (em sua grande maioria). Entretanto, não conseguiu se desincumbir de demonstrar qual foi o destino dado a tais valores. De outro eito, o direito processual consagrou o princípio de que a prova incumbe a quem afirma. Contudo é sabido que não se pode apresentar prova inconteste de fato Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.955 39 negativo, como por exemplo, no caso da lide, que os pagamentos não existiram. Nesses casos admitese que a prova se faça por meio dos lançamentos contábeis existentes, cabendo à parte demandada a contraprova de que os pagamentos efetuados se destinaram a beneficiário identificado, comprovando a respectiva operação e causa. No caso, a recorrente utilizase do jus sperniandi para inverter a responsabilidade pela apresentação da prova do destino dado aos recursos debitados de suas contas correntes, imputandoa à Autoridade Fiscal. É evidente que tal ônus é inteiramente seu, mormente em se tratando de débitos em contacorrente mantida à margem da escrituração. No caso concreto, cabe à recorrente apresentar os documentos necessários à prova do destino (beneficiários e causa da operação) dado aos recursos debitados de suas contas bancárias, e a mais ninguém. E como se observa a partir dos autos, a contribuinte não trouxe ao processo documentação comprobatória de que os pagamentos se destinaram a beneficiário identificado, indicando a causa e comprovando a operação, restando evidente que os recursos foram repassados para alguém não identificado, ou quando identificado, não ficou comprovada, repitase, a operação ou sua causa. Impende reiterar que a hipótese de incidência prevista no art. 61 da Lei n° 8.981/1995 resta perfeitamente caracterizada com a ocorrência de pelo menos um dos seguintes fatos: i) não identificação de quais são os beneficiários dos recursos providos pela recorrente; ou ii) não comprovação da operação ou de sua causa. Por tudo isso, entendo que na autuação ficou perfeitamente caracterizada a hipótese descrita em lei (a falta de comprovação da causa do pagamento realizado), sendo totalmente descabidas as alegações de que o lançamento foi efetuado sem a indicação de provas, já que a movimentação financeira foi devidamente comprovada na autuação e não foram identificados, repisese, os beneficiários ou a causa de tais operações. Desta forma, considero que documentação carreada aos autos pela Autoridade Autuante comprova, de maneira inequívoca, os desembolsos indevidos de recursos da empresa para outros fins que não o pagamento de despesas ou custos operacionais. Resta evidenciado nos autos que a exação não resulta de mera presunção ou suspeita, tendo, ao contrário, respaldo em fatos fartamente registrados e elementos probatórios consistentes, razão pela qual mantenho o lançamento do IRRF com as adequações realizadas pela decisão da DRJ/JFA. 13) Dos Lançamentos Reflexos de PIS, COFINS e CSLL Com relação aos lançamentos reflexos argui que devem ser cancelados a partir dos mesmos fundamentos já exposados em relação ao IRPJ. Neste ponto, também argumenta que, relativamente ao PIS e à COFINS, "a inclusão na base de cálculo de valores que não correspondam com as receitas da atividade da contribuinte é inconstitucional e indevido". Alega que o STF teria definido que o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, não poderia ter alterado o conceito de faturamento para fins de tributação, "consequentemente as Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.956 40 cobranças realizadas com base nesta norma deveriam ser canceladas". Assim, com base neste raciocínio, os rendimentos de aplicações financeiras não deveriam compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, eis que não teriam relação com as atividades empresariais da contribuinte. Ocorre que tal matéria não foi objeto de contestação quando da impugnação, não podendo, portanto, ser apreciada por este Colegiado. Isso porque a interposição do recurso voluntário transfere ao órgão ad quem, conforme a extensão da petição, o reexame da matéria impugnada. Destarte, o recurso não lhe devolve o conhecimento de matéria não contestada quando da impugnação do lançamento. Nessa linha de entendimento, dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, não é permitido inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas. Sob pena de afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição, o qual orienta o processo administrativo fiscal, questões não provocadas a debate na primeira instância por meio da peça vestibular, arguidas pela recorrente somente na fase recursal, constituem matérias preclusas, vedada a sua análise pelo órgão ad quem. Escapam dessa regra questões de ordem pública, as quais transcendem aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador, o que não é o caso dos autos. Portanto, resta incabível a apreciação de tal matéria, razão pela qual dela não tomo conhecimento. Quanto aos lançamentos reflexos, alega a Contribuinte que "apesar de todas as provas e fundamentos apresentados pela Recorrente que demonstram a inocorrência de qualquer ilegalidade para justificar a autuação recebida também deve ser aplicada a todos os lançamentos realizados, na integralidade. Isto porque não há nenhum motivo que possibilite concluir pelo acerto da autuação fiscal. Se não houve omissão de receita, não há tributo a ser lançado, consequentemente". Seu raciocínio estaria perfeito se, realmente, não tivesse sido provada a ocorrência de omissão de receita, ou se o lançamento relativo ao IRPJ, estivesse eivado de algum vício ou fosse insubsistente. E não é o caso. Conforme vimos até aqui, o auto de infração permaneceu quase que incólume (com a ressalva de alguns ajustes já efetuados pela decisão recorrida) quanto à sua procedência. Assim, ao decidido quanto ao auto de infração do IRPJ, devese aplicar o mesmo entendimento aos autos de CSLL, PIS e COFINS, haja vista estarem alicerçados nos mesmos elementos fundantes do primeiro. 14) Pedido de perícia Reitera o pedido de perícia para que sejam analisadas as provas juntadas ao processo, repetindo os quesitos já apresentados quando da impugnação. Este é mais um ponto a ser indeferido. Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.957 41 Inicialmente, cabe referir que o processo administrativo tributário é informado pelo princípio do livre convencimento motivado, o qual permite ao julgador que analise o caso concreto à luz da legislação pertinente e firme seu convencimento a partir da prova constante dos autos, devendo relatar os fundamentos de sua decisão e os motivos que o levaram a determinada conclusão. Em caso de eventual necessidade de aprofundamento da análise dos fatos apresentados, o julgador pode solicitar a realização de diligência, a ser efetuada pela autoridade autuante ou outra de mesma competência. Ademais, o indeferimento de pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, eis que a sua realização é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora. No caso dos autos não vislumbro a necessidade de procrastinação do processo para atender aos quesitos formulados pela recorrente no seu recurso voluntário. No nosso entendimento, as provas carreadas aos autos são mais do que suficientes para resolver a lide, não havendo necessidade de maiores digressões para solucionar as questões principais postas a juízo. Se o recorrente tem necessidade de produzir mais provas a seu favor, esse não é mais o momento adequado para tanto. Teve inúmeras oportunidades no decorrer deste processo, que se iniciou com a abertura do procedimento fiscal em novembro de 2012, ou seja, a cinco anos atrás. Em razão do princípio do livre convencimento motivado que rege o processo administrativo tributário, eventual necessidade de diligência para esclarecer algum ponto do julgamento poderá ser decidida pela turma julgadora, se for o caso. Assim, rejeitase o pedido de perícia. Por todo o exposto, preliminarmente, voto por afastar as argüições de decadência e de nulidade do Auto de Infração. Também não conheço da alegação de que os rendimentos de aplicações financeiras não deveriam compor a base de cálculo do PIS e da COFINS por força da preclusão. No mérito, nego provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício. Em 26 de julho de 2017 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Voto Vencedor Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Designado Com relação a esta parte do voto vencedor, a divergência no julgamento que culminou com decisão que não acompanhou a tese do relator do caso decorreu de dois itens que foram apontados pela fiscalização em seu TVF, conforme discriminados às fls. 705, que incluíram duas transferência realizadas do contribuintepara si mesmo. Vejamos os itens. Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 10972.720014/201332 Acórdão n.º 1401002.007 S1C4T1 Fl. 2.958 42 Constatamos, por meio dos TED apresentados pela empresa às fls. 965 e 970 que os dois valores acima indicados foram transferências realizadas pela empresa para outra conta da própria. Desta forma, entendemos que descabe o lançamento de IRRF relativo aos pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. No casos destes dois itens o beneficiário encontrase identificado no próprio documento de transferência de recursos e, mais ainda, constando como beneficiário a própria empresa, não cabe a alegação de pagamento sem causa nestes itens, posto se tratar de simples transferência de recursos em contas da mesma empresa. À luz do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso neste item para determnar a exclusão dos valores de lançamento de IRRF relativo a pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado dos dois itens acima transcritos. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 1269DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.934538/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS.
O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-004.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 11/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Cássio Schappo, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Cássio Schappo, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 11/10/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 45 38 /2 00 9- 30 Fl. 604DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Cássio Schappo, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.442493) interposto contra decisão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente contra o despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada pelo contribuinte referente a crédito da contribuição para o PIS, período de dezembro de 2003 com débito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme se verifica na ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. PIS. REGIME DA CUMULATIVIDADE. RECEITA. CONTRATOS A PREÇO PREDETERMINADO. EFEITOS. A possibilidade de manter no regime da cumulatividade do PIS receitas oriundas de contratos a preço predeterminado, celebrados anteriormente a 31/10/2003, produz efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. Em sede recursal, a Recorrente pleiteou (i) o julgamento conjunto do presente processo administrativo com o processo administrativo nº 11080.003212/200969, pois são feitos intrinsecamente relacionados, tendo por base exatamente os mesmos fatos e as mesma razões jurídicas; e (ii) provimento ao recurso voluntário para reformar integralmente o direito à restituição dos créditos der PIS objetos da declaração de compensação sob análise. Através da resolução nº 3803000.245 (fls.556560), o processo foi convertido em diligência para aguardar a decisão definitiva do processo administrativo nº 11080.003212/200969 nos seguintes termos: A confirmação do direito creditório oposto na(s) compensação(ões) declarada(s) é questão prejudicial ao julgamento do mérito do recurso voluntário ora Fl. 605DF CARF MF Processo nº 11080.934538/200930 Acórdão n.º 3302004.786 S3C3T2 Fl. 3 3 sub judice. Por essa razão, voto por que se converta o presente julgamento em diligência, baixandose o presente processo ao órgão fiscal da jurisdição do contribuinte, para que a Autoridade Preparadora ateste, nos autos, o resultado da decisão final do processo nº 11080.003212/200969, repercutindo seus efeitos na compensação de que se trata. Ato contínuo, a unidade de origem carreou cópia da decisão definitiva proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 568602), nos autos processo administrativo nº 11080.003212/200969 e, determinou o retorno do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 20/07/2012 (fls.440) e protocolou Recurso Voluntário em 20/08/2012 (fls.442493) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de mérito Conforme exposto anteriormente, o presente processo foi sobrestado para (i) aguardar o julgamento definitivo do processo administrativo nº 11080.003212/200969, cujas questões fáticas e jurídicas são exatamente idênticas, fato este totalmente incontroverso nos autos; e (ii) repercutir a referida decisão neste processo. Tanto do PA nº 11080.003212/200969 com aqui, a discussão meritória diz respeito à caracterização do requisito de “preço determinado”, para fins de permanência no regime cumulativo de Pis e Cofins, nos termos definidos na alínea “b” do inciso XI do artigo 10 da Lei 10.833/03 e art. 109 da Lei 11.196/05. A respeito do tema em discussão, insta tecer que este relator já se pronunciou favoravelmente ao direito perseguido pela Recorrente (acórdão 3302002.906), entretanto, não há como deixar de repercutir a decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais neste processo, considerando que este foi o intuito do sobrestamento feito anteriormente determinado, o que faço nos termos dos artigos 50, §1º, e 64, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 606DF CARF MF 4 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. *** Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Neste cenário, adoto como fundamento de decidir, as razões de mérito apresentadas pelo i. Julgador Rodrigo da Costa Pôssas, nos autos do PA nº 11080.003212/200969 (acórdão 9303004.539), que deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para reformar a decisão que dava provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte nos seguintes termos: O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.538, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.928334/200960, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.538): "Não há preliminares a respeito da admissibilidade do recurso especial a serem apreciadas. A divergência está bem demonstrada e o recurso especial da Fazenda nacional deve ser conhecido. Passo à discussão da matéria, em relação a qual foi comprovada e demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, que se resume à questão sobre a descaracterização de preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou nãocumulativo na incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. Precedentes recentes da CSRF Observo que fui o redator do voto vencedor de um dos acórdãos paradigmas da divergência, o de número 3301002.196 (PAF 16349.720019/201136). Este acórdão foi objeto de recurso especial da contribuinte, que foi provido em julgamento realizado em 24/2/2016, logo, após a data de interposição do recurso especial da Fazenda Nacional, ora em julgamento. Eis a ementa do Acórdão 9303003.470 (PAF 16349.720019/201136), por meio do qual se reformou a decisão paradigma: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS." Apesar de a decisão paradigma ter sido reformada, a razão que levou esta 3ª Turma da CSRF a proceder à reforma não se encontra presente nos autos de que ora se cuida. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 11080.934538/200930 Acórdão n.º 3302004.786 S3C3T2 Fl. 4 5 Naquele processo, relatado pelo então Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, encontravase Laudo Técnico que comprovava que o índice de atualização monetária, naquele caso, fora inferior ao aumento de custos. Na ocasião, foram utilizadas como razões de decidir as que constaram do voto de outro Acórdão desta Turma, o de número 9303003.373 (PAF 19515.722154/201145), de 11/12/2015, relatado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para comprovação da divergência jurisprudencial, o recorrente deve demonstrar que outro colegiado do CARF tenha julgado situação análoga à versada no acórdão vergastado e tenha decidido a questão de forma distinta da que decidiu o colegiado recorrido, o que é o caso sob exame. "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.(grifei) (...) No Acórdão nº 9303003.373 ficou claro que o IGPM não poderia ser aceito como índice da variação do custo da produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção. Para assim concluir, o Colegiado tratou do conceito de "preço predeterminado", reconhecendo especial importância às instruções normativas, notas técnicas e pareceres da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN, em detrimento de notas técnicas e resoluções da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, pois, a esta compete a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que à RFB e à PGFN compete o pronunciamento sobre questões tributárias. Naquele Acórdão, reconheceuse que a interpretação dada pela Administração Tributária, em especial por meio da Instrução Normativa SRF nº 658, de 2006, estava de acordo com as leis: art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. Rendome às conclusões do Ilustre Conselheiro Gílson, no voto proferido no Acórdão nº 9303003470, quando o colegiado decidiu por acatar o recurso especial do contribuinte, no sentido de que apesar de o IGPM não representar a variação das custos de produção da energia elétrica, estando comprovado nos autos que sua utilização resultou em reajuste inferior à variação desses custos, penso que não há razão para retirar do contrato a característica de "predeterminado" que exige a Lei para permanência do contribuinte no regime cumulativo. Nesse sentido transcrevo o seguinte trecho do citado acórdão: (...) Fl. 608DF CARF MF 6 Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) No presente caso, a contribuinte não provou que o resultado da correção pelo IGPM reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos do insumos utilizados. À luz do que determina o art. 333 do Código de Processo Civil, caberia à contribuinte, e não ao Fisco, esta prova, pois é ela que está a alegar um direito, ainda mais quanto se está diante de pedido de restituição e compensação, para o quê se exige a certeza e liquidez do crédito pleiteado, conforme arts. 165 e 170 do CTN. Observe se que no voto condutor da decisão de primeira instância administrativa, o Acórdão nº 1039.971, da DRJ/POA, constou que a contribuinte não apresentou qualquer comparação entre o percentual de reajuste autorizado pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005 (repetido na IN SRF nº 658/2006), e a variação do IGPM. Vejase com grifos meus, fls. 430/431: "A interessada entende que a utilização do IGPM se refere tãosomente à correção monetária dos preços do produto fornecido (energia contratada), preservando seu valor originalmente acordado. Tal fato não está em discussão, não havendo qualquer vedação a cláusula de reajuste dos valores fixados em contrato para fins de atualização monetária. No entanto, a IN/SRF nº 658/06 ressalva da descaracterização do preço predeterminado, em caso de qualquer alteração de preços, apenas a utilização de índice de reajuste que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, ou, ainda, da própria variação dos custos de produção. Tal condição não se comprova no presente caso, visto tratarse o IGPM, como já dito, de índice geral, e não específico para os insumos utilizados no fornecimento prestado pela empresa. Além disso, ressaltese que a exceção contida no § 3º diz respeito apenas ao reajuste de preços efetuado em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação do índice. Desta forma, ainda que considerássemos admissível a utilização do IGPM para fins do disposto naquele dispositivo, caberia à impugnante demonstrar que o reajuste efetuado não ultrapassa o limite nele fixado, o que também não foi feito, não tendo sido trazida aos autos qualquer comparação entre o percentual de reajuste e a variação do IGPM no período." Na linha dos precedentes mais recentes desta Câmara Superior, não vejo razões para mudar meu entendimento, expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3301002.196, que repito a seguir: 'O voto de nosso eminente Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, na análise de mérito, foi direto ao único assunto controverso que é se a utilização do IGPM, como índice de correção dos contratos firmados pela recorrente, descaracteriza ou não estes contratos como de preços predeterminados. A sua conclusão é que a “utilização do IGPM ou de qualquer índice, como IGPDI, INPC, INCC, não retira do contrato a natureza de “preço predeterminado”, vez que esses índices expressam Fl. 609DF CARF MF Processo nº 11080.934538/200930 Acórdão n.º 3302004.786 S3C3T2 Fl. 5 7 tão somente a variação do padrão monetário nacional, medida essa indispensável para a garantia do equilíbrio contratual”. Com todo respeito ao ilustre relator, ouso discordar de sua conclusão. Inicialmente vejamos o que dispõe o inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Ou seja, da letra clara da lei, somente poderia continuar no regime de apuração cumulativa os contratos que fossem firmados em data anterior a 31/10/2003 e que respeitasse as condições cumulativas constantes da alínea “b”, acima transcrita. No caso dos presentes autos a única controvérsia é se a aplicação do IGPM descaracterizaria a condição de terem sido firmados a preço predeterminado. Oportuno ressaltar que todas as conclusões a serem aqui estabelecidas abrangem também o PIS por força do disposto no art. 15 deste mesmo diploma legal. Posteriormente, como bem alinhavado pelo relator e pela recorrente, foi editado o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, que assim dispôs: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. O dispositivo legal deixou claro que a utilização de reajuste de preços em função do custo de produção, ou de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço predeterminado de que trata a alínea “b” do inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Observese aqui que o dispositivo legal não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional como concluiu o relator e como pretende a recorrente. Poderia têlo feito mas não o fez. Deixou expressamente detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O IGPM, como informado pela própria recorrente em sua manifestação de inconformidade e no seu recurso voluntário, não tem esta característica. Transcrevo abaixo o item 53 da Manifestação de Inconformidade e 59 do Recurso Voluntário: Fl. 610DF CARF MF 8 “Nesse sentido, vale destacar que o IGPM é meramente um índice de correção monetária. Tratase de uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela FGV e registra a inflação de preços desde matériasprimas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.” (grifei) Por oportuno transcrevo abaixo trecho da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, a qual utilizo como razão de decidir, pois concordo com as suas conclusões: 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir “índices de preços setoriais” de “índices de custos setoriais”. Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do Índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do Índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa.' Sobre os fundamentos do acórdão recorrido. No excelente voto condutor do acórdão recorrido, o Ilustre Conselheiro Ricardo Paulo Rosa abordou o art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, o art. 2º da lei nº 10.192, de 2001, parecer da Câmara Permanente de Licitações e Contratos da Procuradoria Geral Federal/AGU, o Parecer nº 04/2013/CLPC/DEPCONSU/PGF/AGU, e manifestação da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, para concluir que nos contratos que "já estavam indexados pelo IGPm antes da entrada em vigor da Lei nº 11.196, de 2005, deveria ser reconhecida a manutenção da condição de preço predeterminado do valor contratado, mesmo depois de implementado o reajuste/correção com base no IGPm", fl. 567. Diz também o voto vencedor, com base na IN SRF nº 658, de 2006, que esta, em nenhum momento, "vinculou a condição de preço determinado à revisão dos valores feita com base na elevação da carga tributária, apenas à alteração de preço decorrente da aplicação de regra de reajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro", fl. 568. Com isto, pretendeuse afastar um segundo fundamento da Nota Técnica Cosit nº 1/2007 e do Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, o de que o critério prefixado de reajuste do valor de contrato levava em consideração também eventual alteração da carga tributária incidente na operação específica, fl. 567. Em resumo, o Acórdão recorrido fundamentase no entendimento de que o conceito de "preço determinado" não exclui a possibilidade de o preço ser reajustado com base em outros índices que não os admitidos pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, em especial pelo IGPM, e que isto está de acordo com as disposições constitucionais que preservam o ato jurídico perfeito, pois, como dito naquele voto condutor, fl. 562: "Se as partes haviam pactuado um negócio em determinadas bases, como obrigálas a revêlo, modificando encargos tributários e, corolário, o preço pactuado?" Fl. 611DF CARF MF Processo nº 11080.934538/200930 Acórdão n.º 3302004.786 S3C3T2 Fl. 6 9 Entendo que nenhum dos fundamentos lançados no voto condutor do acórdão recorrido ou nas peças apresentadas pela contribuinte afastam o entendimento exposto na seção precedente. Nestes autos e em outros que cuidam do mesmo assunto, temse reconhecido que não há um conceito técnico e determinado do que seja "preço predeterminado". Por causa disto, procurase elucidar este conceito, às vezes recorrendo a atos, normativos ou não, expedidos por agências reguladoras das atividades desempenhadas pelas contribuintes, às vezes a pareceres expedidos por órgãos incumbidos de tratar de processos de licitação e de contratos celebrados com a Administração Pública, às vezes, recorrendo aos atos expedidos pela RFB e pela PGFN. Por estarmos diante de questão tributária, os atos emanados dos órgãos competentes para tratar desta matéria devem ser os guias para a elucidação que se pretende. Resoluções ou notas técnicas da ANEEL ou mesmo pareceres e orientações normativas da AGU que tratem de preços contratados e das variações de preços admitidas na formalização dos contratos com a Administração Pública não têm primazia sobre as normas tributárias emanadas da RFB e da PGFN, órgãos competentes para tratar de matérias tributárias. Não obstante isto, para a solução da divergência jurisprudencial que se apresenta, não é necessário grande esforço hermenêutico. Não é necessário encontrar ou construir uma definição para a expressão "preço prederminado", pois para se decidir se o reajuste com base no IGPM descaracteriza a condição do preço predeterminado, basta que se analise com cuidado os dispositivos legais em discussão. A interpretação da norma legal, disposta no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, combinada com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995, tal como exposta na seção precedente, é suficiente para assentar que se enquadram no conceito de "preço predeterminado", para os fins de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, as situações em que o reajuste de preço seja em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados. Admitindose que a lei não contém palavras inúteis, a existência do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, só se justifica se, sem ele, o conceito de "preço predeterrminado" ficasse descaracterizado pelo reajuste de preços baseado no custo de produção ou na variação que refletisse a variação ponderada dos insumos utilizados. Esta variação é a mais razoável a se considerar como capaz de retratar a variação efetiva do custo do objeto contratual: é a que mais se aproxima de um índice setorial ou específico. Apesar disto, destaquese, apesar de ser a variação mais próxima de um índice setorial ou específico para os casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, foi necessária uma disposição legal específica para que este caso não descaracterizasse o "preço predeterminado". Fl. 612DF CARF MF 10 Diante disto, não se pode admitir que outro índice de reajuste de preços qualquer, que não guarde esta proximidade com o índice setorial ou específico, não descaracterize o "preço predeterminado", sem que haja disposição legal específica neste sentido. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007, limitaramse a regular o que já estava previsto em lei. Não houve modificação do conceito de "preço predeterminado" por estes atos infralegais. Conforme afirmamos acima o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção. A este respeito, vejamse os seguintes excertos do voto vencedor do Acórdão nº 9303003.373, já citado acima, que aprovo e adoto neste voto: 'Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM), que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matérias primas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção.' Fl. 613DF CARF MF Processo nº 11080.934538/200930 Acórdão n.º 3302004.786 S3C3T2 Fl. 7 11 Quanto ao ato jurídico perfeito, protegido pela Constituição Federal de 1988, este não foi violado, uma vez que o art. 109 da Lei nº 11.196 de 2005, resguarda a possibilidade de reajuste do preço contratado, sem que isto descaracterize o preço predeterminado. E o faz, definindo o limite da variação de preço aceitável, que deve guardar correspondência com os custos dos insumos e da produção. Por outro lado, a proteção ao ato jurídico perfeito não assegura à contribuinte um direito a não ser tributada, de modo a permitirlhe que não sofra incidência tributária regularmente instituída por lei, em obediência às regras de competência e de vigência e às limitações para imposição tributária, previstas constitucionalmente. Conclusão. Por todo exposto, em especial, por entender que o reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 333 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para o PIS/Pasep deve incidir no regime nãocumulativo, motivo pelo qual voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O que foi decidido aqui tem validade também para os processos da Cofins, com os mesmos fundamentos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 614DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.723267/2014-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/10/2013
LANÇAMENTO. NULIDADE. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE.
"É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte." (Súmula CARF nº 6)
FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. DOCUMENTOS (FOLHA PAG, DIRF E RAIS).
Sujeita-se ao lançamento de ofício os fatos geradores não declarados em GFIP e identificados pela fiscalização, através de documentos entregues pela empresa (folha de pagamento, RAIS, DIRF, etc), quando não comprovado pelo sujeito passivo a origem da diferença apurada.
MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. EVIDÊNCIAS DE SONEGAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA CONTABILIDADE.
Correta a aplicação da multa qualificada e agravada, quando há evidências inequívocas da figura da sonegação e o contribuinte se nega, injustificadamente, a apresentar livros e documentos contábeis/fiscais.
RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS POR ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI .
Uma demonstrados atos que configuram indícios de crimes de apropriação indébita previdenciária correta a imputação da responsabilidade tributária prevista nos artigos 135, III e 137 I do CTN.
NULIDADE DO TERMO DE ARROLAMENTO FISCAL.
Nos termos do artigo 3º do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 356/2015) e 17 da Instrução Normativa nº 1565/2015, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários.
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio digital relativos aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção constitui infração à legislação.
Constitui infração, punível com multa, deixar o contribuinte de apresentar ou apresentar fora do prazo a Guia de Recolhimento e Informações a Previdência Social na forma prevista em legislação.
RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO.
A correção de inexatidão material decorrente de lapso manifesto existente na decisão poderá ser corrigido de ofício, mediante novo acórdão.
Numero da decisão: 2202-004.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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NULIDADE. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. "É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte." (Súmula CARF nº 6) FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. DOCUMENTOS (FOLHA PAG, DIRF E RAIS). Sujeitase ao lançamento de ofício os fatos geradores não declarados em GFIP e identificados pela fiscalização, através de documentos entregues pela empresa (folha de pagamento, RAIS, DIRF, etc), quando não comprovado pelo sujeito passivo a origem da diferença apurada. MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. EVIDÊNCIAS DE SONEGAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA CONTABILIDADE. Correta a aplicação da multa qualificada e agravada, quando há evidências inequívocas da figura da sonegação e o contribuinte se nega, injustificadamente, a apresentar livros e documentos contábeis/fiscais. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS POR ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI . Uma demonstrados atos que configuram indícios de crimes de apropriação indébita previdenciária correta a imputação da responsabilidade tributária prevista nos artigos 135, III e 137 I do CTN. NULIDADE DO TERMO DE ARROLAMENTO FISCAL. Nos termos do artigo 3º do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 356/2015) e 17 da Instrução Normativa nº 1565/2015, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 32 67 /2 01 4- 70 Fl. 3054DF CARF MF 2 que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio digital relativos aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção constitui infração à legislação. Constitui infração, punível com multa, deixar o contribuinte de apresentar ou apresentar fora do prazo a Guia de Recolhimento e Informações a Previdência Social na forma prevista em legislação. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. A correção de inexatidão material decorrente de lapso manifesto existente na decisão poderá ser corrigido de ofício, mediante novo acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR): O presente processo administrativo, lavrado pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, é constituído pelos Autos de Infração (AI´s), consolidados em 30/04/2014, a seguir descritos, formalizados com base nos mesmos elementos de prova: 1.1. AIOP DEBCAD nº 51.060.2770, crédito referente às contribuições sociais destinadas aos terceiros, FNDE, SESC, SEBRAE e INCRA, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados, não declaradas em GFIP, no montante consolidado de R$ 3.312.601.10 (três milhões e trezentos e doze mil e seiscentos e um reais e dez centavos). Fl. 3055DF CARF MF Processo nº 10120.723267/201470 Acórdão n.º 2202004.076 S2C2T2 Fl. 3.055 3 1.2. AIOP DEBCAD nº 51.062.4081, crédito referente a contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP, destinadas ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios devidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa associado aos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT) incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados, não declaradas em GFIP. A alíquota desta contribuição foi de 1% até 12/2009 e de 1,6975%, a partir de 01/2010, em razão da aplicação do Fator Acidentário, no montante consolidado de R$ 550,60, (quinhentos e cinquenta reais e sessenta centavos) 1.3. AIOA DEBCAD nº 51.060.2720, (CFL 22) Multa por ter a empresa apresentado arquivos e sistemas das informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil ou fiscal com omissão ou incorreção (CFL 22), no valor consolidado de R$ 60.252,50, (sessenta mil e duzentos e cinquenta e dois reais e cinquenta centavos). 1.4. AIOA DEBCAD nº 51.060.2738, (CFL 77) Multa por ter a empresa deixado de entregar no prazo correto as GFIP´s das competências 08/2010 e 10/2013. Os atrasos foram de fração de um mês ou de mais de um mês, conforme listado no arquivo “AI 77 Multa atraso GFIP”, no valor consolidado de R$ 21.527,94 (vinte e um mil e quinhentos e vinte e sete reais e noventa e quatro centavos). 2. Quanto aos autos de infração lavrados pelo descumprimento de obrigação principal, o relatório fiscal de fls. 69/83, informa, em síntese, que: Dos fatos geradores 2.1. Os fatos geradores dos débitos lançados nesta ação fiscal tiveram como base: a) os valores não declarados ou declarados incorretamente em GFIP exportada até o dia 24.12.2013, data do início desta ação fiscal, em contraposição com as informações relativas a remuneração dos segurados empregados que constavam nas Folhas e pagamento apresentadas em formato digital (2010 a 2013), e nas declarações em RAIS ou DIRF do período.2.5. Os valores devidos e não declarados em GFIP, foram levantados com base nas Folhas de pagamento em arquivo digital apresentada à fiscalização, ManadFolha de 2010 a 2013, nas declarações em RAIS, DIRF e na última GFIP exportada antes do inicio deste procedimento fiscal das competências 08/2010 a 10/2013. b) os valores relativos a Cota de Salário Família paga incorretamente e descontadas em GFIP; c) os valores equivalentes ao adicional da alíquota FAP (Fator Acidentário Previdenciário) de 0.6975% incidente sobre bases Fl. 3056DF CARF MF 4 de cálculo declaradas em GFIP de 08/2010 a 13/2010, a qual não foi declarada e nem recolhida pela empresa. A alíquota desta contribuição foi de 1% até 12/2009 e de 1,6975%, a partir de 01/2010, em razão da aplicação do Fator Acidentário. 2.2. Foram observados os limites máximos mensais de contribuição de cada segurado, e não foi lavrado débito em relação aos segurados que informaram ter mais de um vínculo previdenciário. Para segurados que não informaram o estabelecimento a que estariam vinculados, o débito foi lavrado na matriz da empresa fiscalizada. 2.3. Abaixo, seguem os levantamentos utilizados pela fiscalização para o lançamento das contribuições devidas: (...) Do crime e sujeição passiva 2.4. A empresa, durante o período fiscalizado, não declarou grande parte de seus trabalhadores em GFIP, e nem recolheu as contribuições previdenciárias que foram descontadas dos mesmos, sendo, ainda, prática na empresa, conforme constatado em fiscalizações anteriores, a alteração de dados já declarados em GFIP, com segurados diferentes em cada exportação. 2.5. Após o incio da ação fiscal, a empresa alertada sobre tal situação, providenciou nova declaração em GFIP para o período de 08/2010 a 12/2013, contudo, em nenhuma delas foram incluídos todos os segurados, conforme verificado diante das informações contidas em RAIS, DIRF e Folha de Pagamento digital apresentadas pela empresa. 2.6. No andamento da ação fiscal, a empresa não apresentou todos os documentos e esclarecimentos que se faziam necessários, apesar de notificada pelo TIPF, TIF1 a TIF5. Não apresentou contabilidade dos anos 2010 a 2013, nem Livros Diários, Razões, Sped, Contábil, contabilidade em arquivo digital. Não apresentou os esclarecimentos documentos como Balancetes, Balanços, esclarecimentos sobre o estabelecimento em que trabalham diversos empregados que estão com coluna/campo filial em branco, conforme listagem de débitos, esclarecimentos sobre pagamentos em DIRF e RAIS em valores superiores aos da Folha, complementação de esclarecimentos e documentos sobre o valor da remuneração e da contribuição descontada em outros vínculos/empregos e a comunicação apresentada pelos empregados de múltiplos vínculos, conforme art.64 da IN/RFB 971/09. 2.7. Para as contribuições incidentes sobre bases de cálculo não declaradas em GFIP foi aplicado o juro e multa prevista nos arts. 35 e 35A da Lei 8212/91, e art.44 da Lei 9430/96, ou seja, juros SELIC e multa qualificada e agravada, visto que se constatou, em tese, indício de falsidade e de prática de crimes, como também não foram apresentados todos esclarecimentos, documentos e informações que se faziam necessários. 2.8. Porém, nos casos, em que os valores declarados em GFIP se deram, apenas com incorreção, alíquota de acidente de trabalho Fl. 3057DF CARF MF Processo nº 10120.723267/201470 Acórdão n.º 2202004.076 S2C2T2 Fl. 3.056 5 a menor, pelo GILRAT e FAP incorretos, e cotas de Salário família pagas e reembolsadas incorretamente em GFIP, foram aplicados juros SELIC e multa de ofício de 75%, visto serem erros/lapsos em que não se constatou qualquer indício de crime, não sendo tributos devidos pelos administradores da empresa. 2.9. Foram juntados aos processos administrativos os documentos e dados utilizados nos levantamentos dos débitos, dentre os quais se destaca os recibos assinados com apropriação indébita, quantitativo de GFIP por competência, exemplos de GFIP alteradas inclusive após notificação fiscal, esclarecimentos prestados pela empresa, Termos de Notificação Fiscal, listagens de débitos com nomes dos segurados. 2.10. As omissões dos fatos geradores verificados nos auto de infração configuram, em tese, (i) a infração penal tipificada no art. 337A, inciso I do DecretoLei n° 2.848 de 07/12/1940 Código Penal, com a redação dada pela Lei 9.983 de 14/07/2000, (ii) a infração penal tipificada no art. 168A do DecretoLei n° 2.848 de 07/12/1940 Código Penal, com a redação dada pela Lei 9.983 de 14/07/2000, que será objeto de Representação Fiscal Para Fins Penais; e (iii) a infração penal tipificada art. 1°, inciso II da Lei n° 8.137/90 – Crimes Contra Ordem Tributária, tendo sido lavrado, portanto, Representação Fiscal para fins penais.3. 3. Quanto aos autos de infração lavrados pelos descumprimento de obrigações acessórias, consta do Relatório Fiscal as seguintes informações: AIOA 22 3.1. O contribuinte foi intimado a apresentar a folha de pagamentos em meio digital de acordo com o layout previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais –MANAD, conforme TIPF em anexo aos autos, contudo foram verificados nos arquivos digitais fornecidos, a existência de dados incorretos constantes das Folhas de Pagamento apresentadas em arquivo digital – Manad, de 08/2010 a 10/2013, com os erros de Salário de Contribuição no total de R$ 1.205.050.04, o que consttui infração a Lei n° 8.218, de 29/08/1991, art. 11, §§ 1º, 3º e 4º, com a redação dada pela MP n° 2.15835, de 24/08/2001. 3.2. Em decorrência da infração descrita, foi aplicada a multa no valor de R$ 60.252,50, (sessenta mil e duzentos e cinquenta e dois reais e cinquenta centavos), correspondente a 5% de dados incorretos constantes das Folhas de Pagamento apresentadas em arquivo digital, nos termos do inciso II do art.12 da Lei 8218/91, até o limite máximo de 1% da receita, conforme detalhado na listagem “AI 22 multa erros Folha Manad|” 3.3. Considerando, que não foi apresentada contabilidade para esta fiscalização, e que a empresa não declarou qualquer receita em suas declarações de imposto de renda para os exercícios Fl. 3058DF CARF MF 6 2010 a 2013, foi tomado como limite para o cálculo da multa, o valor base de sua receita declarada no DIPJ 2009, cujo valor era de R$ 6.666.115,00 para o ano 2008. AIOA 77 3.4. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, de fls. 0712, verificouse que a empresa deixou de informar à Previdência Social, através da GFIP nas competências 09/2008 e 10/2008, os dados cadastrais e todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o que constitui infração ao disposto no art. 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação da Medida Provisória nº 449, de 4 de dezembro de 2008. 3.5. Em decorrência da infração acima descrita, foi aplicada a multa no valor de R$ 21.527,94 (vinte e um mil e quinhentos e vinte e sete reais e noventa e quatro centavos), com fundamento no art. 32A, caput, I, §§ 1º, 2º, 3º da Lei nº 8.212, de 1991, respeitado o disposto no art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional (CTN), conforme demonstrado às fls. 178/187. DA IMPUGNAÇÃO 4. Inconformada com os Autos de Infração lavrados, a Autuada apresentou impugnação tempestiva, com os documentos de fls.2.638/2.760, onde, após uma breve descrição dos fatos, traz as seguintes alegações sintetizadas: PRELIMINARES: Da falta de isenção da autoridade fiscal: 4.1. Primeiramente, informa que, além da ausência da autoridade para os diálogos necessários quando do manuseio de farta documentação, em detrimento do principio da verdade material, temse que a ação fiscal foi conduzida e concluída com declarada raiva, ódio e aparente sentimento de vingança por parte da autoridade, sequer conhecendo a impugnante os motivos da autuação. 4.2. Entende que, se algo ocorreu durante a ação fiscal, tal como algum procedimento inadequado por parte de seus empregados ou procuradores, deveria a Autoridade comunicar tal fato aos responsáveis legais do sujeito passivo ou aplicar a lei adequada ao caso, e registrando a circunstância no processo. 4.3. Neste sentido, sugere que a Receita Federal analise o teor das intimações, a partir do termos e dos lançamentos tributários ora guerreados que padecem de vícios que os tornam imprestáveis para surtir os efeitos legais que lhes são próprios. No "Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 1", por exemplo, a Fiscalizada foi intimada a prestar esclarecimentos até sobre pessoas jurídicas que estavam fora do MPF. E não poderiam compor aquele mandado, pois tais sociedades não tinham quaisquer relações com a Impugnante ou seus sócios. 4.4. Assevera que do operador do direito exigese, no mínimo, serenidade, isenção e imparcialidade, e a busca da verdade Fl. 3059DF CARF MF Processo nº 10120.723267/201470 Acórdão n.º 2202004.076 S2C2T2 Fl. 3.057 7 material, com subsunção às normas legais, de acordo com o que o legislador traçou de forma cristalina na Lei n° 9.784/99, artigo 2º, o qual cita. Dos vícios dos lançamentos e do cerceamento de defesa 4.5. Argumenta que foi cientificada do encerramento do procedimento fiscal em 08/05/2014, mas não recebeu os Autos de Infração e seus anexos, nem tampouco os mesmos foram juntados aos autos para que a Autuada a eles tivesse acesso. 4.6. Isto porque, conforme comprovantes que ora junta, após se revelarem infrutíferas as tentativas de leitura da midia, a Autuada, em pesquisa no sistema Comprot, da Receita Federal, identificou os processos no dia 19/05/2014 e agendou no mesmo dia um pedido de suas cópias para a data de 21/05/2014. Ao comparecer para obtenção das cópias solicitadas recebeu dois arquivos magnéticos, um para cada processo, nos quais constava apenas uma folha de identificação com data de protocolo de 23/04/2014. Nada mais havia nos autos. 4.7. Desesperadamente, então protocolou via (procuradora, em 27/05/2014, um requerimento de cópias endereçado ao Supervisor de Equipe de Fiscalização relatando os fatos, no que foi atendida pela própria Auditora Fiscal autuante, a qual, após impor algumas restrições foi convencida a fornecer, mesmo a contragosto, as almejadas cópias. 4.8. Portanto, é inveridica também a informação contida na fl. 15/16, do "Relatório Fiscal"', parágrafo 26, onde está escrito que "Os documentos, arquivos, listagens, contratos, que foram utilizados e citados acima, estão anexados aos processos fiscais". Nada havia sido juntado. 4.9. Configurase aqui a invalidade dos lançamentos tributários por falta de ciência do sujeito passivo e, mesmo que assim não fosse, caracterizado estaria o cerceamento de seu direito de defesa uma vez que a Impugnante ficou se debatendo, devendo ser decretada sua nulidade a teor do artigo 59 do Decreto 70.235/72. DO MÉRITO Erros nos demonstrativos das Bases de Cálculo 4.10. Conforme explicitado no Relatório Fiscal o método utilizado para se apurar o cálculo das contribuições lançadas foi comparar os valores informados pela. Impugnante no Manad, na DIRF e na RAIS, tomandose o maior dos três e dele subtraindo aquele declarado em GFIP. 4.11. Ocorre que segunda a defesa tal procedimento resultou em duplicação das bases de cálculo das contribuições, como se verifica no demonstrativo "Listagem de débitos. Bases de Cálculo e Contribuições de Segurados BC DIRF maior ou Fl. 3060DF CARF MF 8 ausente em FP (Folha de Pagamento) do mês", que retrata o mês de novembro/2011. 4.12. Primeiro porque, em suas palavras: "A autuada concedeu férias a seus empregados com período de gozo de 22 de dezembro/2011 a 20 de janeiro/2012. Dessa forma, houve um pagamento em folha com valor muito superior ao normal no mês de inicio das férias (dezembro). Como a autoridade lançadora considerou a DIRF de dezembro como remuneração de novembro, resultou que o mês de novembro ficou com uma base de cálculo superavaliada, conforme pode ser confirmada no Manad entregue. Resumindo: a DIRF de dezembro estava bem superior à folha de pagamentos de novembro: tomaramse os valores daquela DIRF como salários de novembro. Depois, a folha de dezembro estava bem superior à DIRF de janeiro seguinte: tomaramse os valores da folha de dezembro como salários de contribuição ". 4.13. Informa que o demonstrativo "Listagem de débitos, Bases de Cálculo e Contribuições de Segurados não declarados em GFIP, conforme dados em Folha, GFIP, RAIS e DIRF do mês" há diversos valores considerados como base de cálculo, os quais não guardam qualquer relação com nenhuma das fontes de informações (RAIS, Folha de Pagto ou DIRF) mencionadas nas respectivas linhas, no demonstrativo, trazendo para confirmar a inconsistência uma planilha que evidencia algumas dessas anomalias, denominada "Demonstrativo das Bases de Cálculo em Valor Superior à Maior Base". 4.14. Nos demonstrativos fiscais observase também que diversos empregados figuram como omissos em RAIS, o que poderia parecer uma tentativa de omitir informações e justificar a qualificação da penalidade. Na realidade, a auditoria fiscal, ao montar seus demonstrativos não considerou as RAIS apresentadas pelas filiais, onde todos esses empregados estão devidamente relacionados, juntando, para tanto, os comprovantes de entrega das RAIS de todos os estabelecimentos. 4.15. Assim, pelo exposto nas alíneas precedentes, vislumbrase a possibilidade da autoridade lançadora não haver conferido adequadamente seus demonstrativos, o que é confirmado pela tentativa de transferir essa responsabilidade para a Fiscalizada. 4.16. Merecem também reparos para reduções nas bases de cálculo, os equívocos cometidos, agora pelo preposto da Impugnante, por imperícia no preparo de obrigações acessórias. Nesse ponto, conforme se vê nas fls. 322/340, 323/340, 324/340, 325/340, 326/340, 327/340, 328/340, 329/340 , 330/340, 337/340, 338/340 e 339/340 do demonstrativo "Listagem de débitos. Bases de Cálculo e Contribuições de Segurados BC DIRF maior ou ausente em FP(Folha de Pagamento) do mês", houve algumas duplicações de bases de cálculo. 4.17. Acontece que, mais uma vez por falta de estrutura da Impugnante, ocorreram erros no preenchimento das RAIS, onde alguns empregados foram cadastrados com o número do PIS de alguém que não fazia parte de seu quadro de segurados. Em decorrência ente administrador das RAIS (CEF), ficando os Fl. 3061DF CARF MF Processo nº 10120.723267/201470 Acórdão n.º 2202004.076 S2C2T2 Fl. 3.058 9 legítimos beneficiários dos rendimentos, naquele demonstrativo, como empregados omissos. 4.18. Nesses casos, quando a autoridade fiscal comparou RAIS com Folha de Pagamento, tomou como verdadeiras e omissas supostas bases de cálculo que estavam em RAIS, mas não estavam na folha (que não eram reais) devidas, conforme comprova com as RAIS em anexo, os casos já identificados são: 4.19. Assim sendo, houve duplicidade da Base de Cálculo e da Contribuição de Segurado, visto que, os empregados aparecem normalmente nos relatórios e suas remunerações novamente são consideradas em nome de pessoas que não têm vinculo empregatício. Da Qualificação das Multas: 4.20. Todos os valores tomados como bases de cálculo da exigência, constantes das centenas de páginas dos demonstrativos elaborados pela Autoridade Fiscal, tiveram como origem as informações prestadas pela Fiscalizada em DIRF, RAIS, Folha de Pagamento (Manad) e GFIP. 4.21. Não há, assim, como sustentar a existência do elemento nuclear do dolo nesse caso. Isto porque se pretendesse esconder, ocultar, simular, enfim, enganar o Fisco Federal ele não teria, antes, apresentado DIRF e RAIS, identificando remunerações de seus empregados e respectivas remunerações posteriormente, quando das intimações em procedimento fiscal também não apresentaria o Manad nem retificaria as GFIP. 4.22. Se a autoridade fiscal não necessitou utilizarse de "meios indiretos tais como, investigações de campo, relatórios de denúncias, ação direta nos estabelecimentos da Fiscalizada ou outras formas para se chegar às bases imponiveis, mas, antes, trabalhou com as informações que já estavam em seu poder devidamente formalizadas pelo próprio sujeito passivo antes do início do procedimento, não há que se falar em fraude, sonegação ou conluio. 4.23. Em matéria distinta, mas com procedimento semelhante por parte do sujeito passivo, os tribunais administrativos ao tratarem de omissão de receitas têm decidido em síntese, que se o contribuinte escritura ou registra os fatos em seus apontamentos e os informa à autoridade fiscal, não há falar em aplicação de multa qualificada, porquanto, a qualquer momento a administração tributária poderia proceder ao lançamento. 4.24. Da mesma forma, diante da ausência de atos volitivos tendentes a fraudar o fisco, é descabida a qualificação da multa de oficio. Do Agravamento das Multas Fl. 3062DF CARF MF 10 4.25. Tal recrudescimento de penalidade é medida excepcional e se traduz no acréscimo de metade da multa aplicada (seja ela de 75% ou 150%), conforme disciplinado na Lei nº 9430/96. 4.26. Contudo, essa penalidade adicional somente é aplicável quando o sujeito passivo se recusa a atender à fiscalização, não lhe fornecendo elementos ou esclarecimentos exigidos, devidamente excepcional e multa aplicada se traduz no acréscimo de (seja ela de 75% ou 150%), e metade da está assim disciplinado na Lei n° 9.430/96. 4.27. Na intimação, a ordem há de ser clara, o objeto deve estar bem definido e versar sobre elementos necessários e que ainda não são do conhecimento da autoridade. 4.28. A Impugnante não deixou de responder a nenhuma intimação nem deixou de fornecer quaisquer elementos ou prestar informações quando a ordem constava expressamente clara no mandado. 4.29. Na verdade, o que pode ter levado a autoridade fiscal a laborar em equivoco é que quase todos os termos de intimação continham elementos vagos, incertos, indefinidos, com expressões genéricas . Nesses casos, não havendo elementos para contrapor tal convicção a Intimada considerava despiciendo gastar o tempo da autoridade com evasivas e tergiversações. 4.30. Por outro lado, em todos os momentos em que a autoridade fiscal foi precisa e impositiva, ela foi prontamente atendida com as informações prestadas pela Fiscalizada, e os documentos requisitados, quando disponíveis, foram apresentados. 4.31. Assim, não se pode confundir o ato de deixar de atender à fiscalização não apresentando elementos nem prestando lhes os esclarecimentos necessários à instrução do procedimento fiscal com o fato do contribuinte não elaborar planilhas e demonstrativos, não previstos em lei como de sua obrigação, com base em dados analiticamente contidos em obrigações acessórias já apresentadas à Receita Federal anteriormente ou em cumprimento de intimação da Auditoria Fiscal. 4.32. Portanto, não está claro em nenhum lugar dos autos, qual foi o exato momento em que a Impugnante tenha dado razão a tal punição. Das "Redeclarações" de GFIP 4.33. Desde o inicio do procedimento a Autoridade Fiscal tem insistido que as declarações de GFIP com alteração dos nomes dos empregados constituiria crime de “falsificação de documento público” 4.34. Contudo, tais alterações foram apenas fruto de inexperiência ou inabilidade na utilização de um programa estruturalmente falho, o SEFIP. Fl. 3063DF CARF MF Processo nº 10120.723267/201470 Acórdão n.º 2202004.076 S2C2T2 Fl. 3.059 11 4.35. Assim, quanto a pessoa responsável por prestar as informações ao Fisco preenchia a GFIP alocava ali todos os seus empregados com o “ código 1”. Na medida em que havia disponibilidade de recursos, fazia um pagamento parcial, mudando o código dos respectivos empregados para “ código 0”, mas não sabia que deveria marcar os demais com o “ código 9” (alteração). Assim, aqueles de “código 0”, se sobrepunham aos demais. 4.36. Desta forma, não houve a intenção de cometer crime. 4.37. Esse mesmo erro ocorreu com os famigerados 80 empregados excluídos da GFIP, procedimento este tido como criminoso e em afronta à Autoridade Pública, condutora do procedimento fiscal em andamento, conforme apontado em seu Relatório Fiscal como motivador das penalidades gravosas. Da responsabilidade dos Sócios: 4.38. Entende que não é razoável a vinculação dos sócios ao credito tributário lançado, uma vez que o credito tribitario não está definitivamente constituído. É incontestável a injustiça de tal procedimento pelo simples fato de que as pessoas físicas ficarão com seus bens inegociáveis enquanto não se se decidir a lide processual. 4.39. Ademais, a imputação de responsabilidade aos sócios é inconsistente porque a autoridade fazendária baseou suas razões apenas em suposições, ou seja pelo simples fato de os sócios serem os únicos proprietários da fiscalizada, (responsabilidade solidária artigo 124, CTN), sendo que posteriormente, também por suposição, atribuiu aos sócios a responsabilidade pessoal pelo fato gerador da obrigação tributaria (artigo 135 a 137 do CTN), sendo difícil para a autuada se defender quando o enquadramento legal não preciso em relação aos fatos, mas ainda quando estes não são bem definidos e a conformação do tipo legal não resta plenamente comprovada. 4.40. Atesta ainda, que a imputação da responsabilidade dos sócios, baseada unicamente na propriedade da pessoa jurídica, é um ato desarazoado, visto que o próprio contrato social, deixa claro que o sócio Rodrigo Bernadelli Santos tem o cargo de Diretor Pedagógico, portanto, sem poder de gerência para comentimento de abusos, excessos ou infração a Lei, não sendo cabível a responsabilidade solidária atribuída pelo artigo 124, CTN. 4.41. Ademais, a autoridade tributante não comprovou, aliás, sequer fez menção, a algum tipo de interesse comum entre os sócios no resultado de uma eventual sonegação previdenciária, requisito essencial para caracterizar a solidariedade prevista no art. 124 do CTN. 4.42. Assim, como a auditora, a todo o momento, atribui a responsabilidade pessoal ao sócio por irregularidades ocorridas em GFIP e por indícios de crime, estaria afastada a Fl. 3064DF CARF MF 12 responsabilidade pessoal do artigo 135 do CTN, que prevê uma responsabilidade pessoal resultante de infração à Lei cujo ato não constitua crime. 4.43. A respeito da matéria cita julgado administrativo, e ainda, assevera que para que se de suporte ao que está sendo argüido em favor dos sócios, invoca a aplicabilidade do artigo 112 do CTN que prescreve o dever de aplicar a interpretação mais favorável ao acusado, na imposição de sanções, sempre que houver dúvida quanto à materialidade, autoria, ou sanção. 4.44. Pelo exposto, quanto a esse tema, como não restou comprovado o dolo, o beneficio pessoal, a certeza quanto a pessoa, como agente da suposta infração à lei, o sócio Marcelo de Moraes Melo deve ser excluído de toda e qualquer responsabilidade e por conseguinte ter seus bens pessoais retirados do Termo de Arrolamento de Bens e Direito. Da multa isolada 4.45. Quanto a multa isolada aplicada nos autos do processo n° 10120.723267/201470, no valor de R$ 60.252,50, em razão de que a Impugnante não havia apresentado arquivo digital da Folha de Pagamento com todos os seus empregados. Simultaneamente aplicou também outra multa, de R$ 21.527,91, considerando que as GFIP de todo o periodo fiscalizado foram entregues com atraso, reafirma que todos os seus empregados estão nas folhas de pagamentos e estas foram as bases para a geração do Manad, somente tendo ocorrido equívocos nos batimentos entre as obrigações acessórias RAIS e DIRF com o arquivo MANAD. 4.46. E, quanto as GFIPS também é inaplicável a multa lançada, uma vez que os documentos apresentados, após o inicio da ação fiscal foram as chamadas redeclarações, ao passo que o cumprimento da obrigação de entrega ocorrera quando da apresentação original. Portanto, descabida a exigência (...) Do Despacho DRF/GOI/SECAT Nº 25 DE 19/01/2015 5. Tendo em vista o aditamento à Impugnação por fato superveniente, juntado aos autos pelo órgão preparador em 21/11/2014 (fls. 2691/2713), onde a empresa postula pela exclusão dos Autos de Infração das contribuições e respectivos consectários parcelados no âmbito da PGFN e nos termos da Lei n° 12.996, de 2014, a partir de GFIPs apresentadas durante o procedimento fiscal e que geraram inscrição de débito em Dívida Ativa, sendo tais débitos identificados nos sistemas da Receita Federal como DEBCADs n° 45.154.4439 e n° 45.154.4447 (integrantes da IP 00.120.550/2014, IP PARC WEB), conforme fls. 2691/2713, esta 5ª Turma de Julgamento, mediante o Acórdão DRJ/CTA nº 0650.335, proferido em 28 de novembro de 2014, considerou por unanimidade de votos, prejudicada em Fl. 3065DF CARF MF Processo nº 10120.723267/201470 Acórdão n.º 2202004.076 S2C2T2 Fl. 3.060 13 parte a impugnação em relação às contribuições e respectivas multas e juros, cuja base de cálculo conste simultaneamente dos Autos de Infração e das GFIPs não espontâneas integrantes da IP 00.120.550/2014, e no que subsiste, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. 5.1. Todavia, em 19/01/2015, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em Goiânia retornou o presente processo a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, a fim de que fosse avaliada a conveniência em retificar o Acórdão proferido, considerando a Nota Técnica Dipej/Dipef nº 02 de 17/05/2011, que determina que todos os valores cobrados em duplicidade devem ser excluídos dos DCG´s nºs 45.154.4439 e n° 45.154.4447, não devendo ter qualquer repercussão no presente AIOP, nos termos do despacho de fls. 2.866. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2010 a 31/10/2013 RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. A correção de inexatidão material decorrente de lapso manifesto existente na decisão poderá ser corrigido de ofício, mediante novo acórdão. AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e inexistindo qualquer reterição do direito de defesa, rejeitase a preliminar argüida pela impugnante. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. DOCUMENTOS (FOLHA PAG, DIRF E RAIS) Sujeitase ao lançamento de ofício os fatos geradores não declarados em GFIP e identificados pela fiscalização, através de documentos entregues pela empresa (folha de pagamento, RAIS, DIRF, etc), quando não comprovado pelo sujeito passivo a origem da diferença apurada. Fl. 3066DF CARF MF 14 ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE A alteração do crédito tributário deve ser baseado em fatos extintivos ou modificativos, argüidos como matéria de defesa, devidamente demonstrados pelo contribuinte mediante produção de provas. MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. EVIDÊNCIAS DE SONEGAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA CONTABILIDADE. Correta a aplicação da multa qualificada e agravada, quando há evidências inequívocas da figura da sonegação, e o contribuinte se nega, injustificadamente, a apresentar livros e documentos contábeis/fiscais. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio digital relativos aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção constitui infração à legislação. Constitui infração, punível com multa, deixar o contribuinte de apresentar ou apresentar fora do prazo a Guia de Recolhimento e Informações a Previdência Social na forma prevista em legislação. Cientificado (AR fls. 2955), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 2957/3002 no qual reitera as alegações já suscitadas quando da sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) DELIMITAÇÃO DA LIDE. Antes de mais nada é importante fazermos a delimitação da lide. Isso porque, conforme reconhecido pela própria Recorrente, não há questionamento quanto ao fato de serem devidas as contribuições sociais lançadas. Dessa forma, tanto a impugnação quanto o recurso voluntário se destinam a impugnar os seguintes pontos: a) Nulidade do lançamento em razão de ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa; b) Erro nos demonstrativos das Bases de Cálculo; Fl. 3067DF CARF MF Processo nº 10120.723267/201470 Acórdão n.º 2202004.076 S2C2T2 Fl. 3.061 15 c) Ausência de fato que justificasse o agravamento e qualificação das multas; d) Ausência de responsabilidade dos sócios; e) Incorreto arrolamento de bens dos sócios; f) Incorreta aplicação das multas por descumprimento de obrigações acessórias. É o que passaremos a analisar 2 PRELIMINAR 2.1) NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA; O Recorrente alega que o lançamento em questão não atendeu ao princípio do contraditório e ampla defesa em razão dos seguintes fatos: a) A Auditoria Fiscal não esteve no domicílio da Fiscalizada seja para iniciar nem para finalizar o procedimento o que comprometeu a correta apuração dos fatos; b) A Autoridade Fiscal não deu ciência à Recorrente dos autos de infração e seus anexos, mas tão somente dos termos de encerramento com os valores que lhes eram exigidos. Quanto a primeira alegação, não há que se falar em ofensa ao princípio do contraditório, uma vez que o procedimento de fiscalização é de natureza inquisitorial. Como esclarece JAMES MARINS: Na etapa fiscalizatória, não há porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento ou de imposição de penalidades e sua respectiva impugnação. Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal (tributária ou sancionatória) poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao Processo Administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos. Primeiramente, não há processo, há procedimento que atende a interesses da Administração. O escopo de tal procedimento é justamente fundamentar um ato de lançamento e, em certos casos, instruir um eventual processo futuro. “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, que separa o procedimento, atinente Fl. 3068DF CARF MF 16 exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula, além dos Estado, o contribuinte.” A característica inquisitorial do lançamento é reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se observa pela ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. IRREGULARIDADE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7∕STJ. 1. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou, com base na prova dos autos, que "o procedimento administrativo tributário, antes da consumação do lançamento fiscal, é eminentemente inquisitório, já que o contribuinte deve apenas suportar os poderes de investigação do fisco e colaborar com a prestação de informações e documentos, justamente para que a verdade material seja alcançada. Após a notificação do contribuinte acerca do lançamento, abrese a possibilidade de contraditório e de ampla defesa, o que de fato foi oportunizado à empresa embargante. Conquanto esse momento seja próprio para que o contribuinte apresente as provas e os documentos hábeis a refutar os vícios e as falhas na contabilidade que ensejaram o arbitramento, a empresa, na via administrativa, não cumpriu com o seu ônus a contento. Tentou suprir a falha na via judicial, juntando a este processo balancetes mensais e GRPS, contudo, não é possível, pelo simples exame desses elementos de prova, constatar que a desconsideração da contabilidade da empresa resulta da simples escrituração errônea de alguns fatos contábeis" (fl. 627, eSTJ). 2. A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7∕STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.445.477 – S, Relator: Ministro Herman Benjamin, DJ 24/06/2014) Além disso, a jurisprudência desse conselho é pacífica quanto a legitimidade da lavratura do auto de infração fora do estabelecimento do contribuinte. É o que dispõe a Súmula CARF nº 6 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Da mesma forma, improcedente a alegação de ausência de ciência do Auto de Infração. Isso porque, conforme demonstrado pela decisão recorrida: 9.1. Contudo, não é o que se depreende da defesa. Na presente situação, a empresa e os responsáveis solidários foram devidamente cientificados do presente processo em 08/05/2014 (Rodrigo Bernadelli Santos, fl. 268) e em 29/05/2014 (Marcelo de Moraes Melo, fls. ), e a empresa apresentou uma minuciosa peça impugnatória, em 09/06/2014 (fls. 272/282), através da qual demonstra deter pleno conhecimento das infrações que lhe foram imputadas. Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 10120.723267/201470 Acórdão n.º 2202004.076 S2C2T2 Fl. 3.062 17 9.2. E, não obstante os argumentos da defesa, no sentido de que não teria conseguido abrir o conteúdo do CD (por defeito no arquivo magnético), fato este que teria prejudicado o seu direito a ampla defesa, temse que as fls. 2494, consta a informação da auditora fiscal, que todos os débitos e o TABTermo de Arrolamento de Bens foram integralmente cientificados para a empresa, através do AR JG996875201BR. Os débitos e TAB foram cientificados para os sócios solidários, sendo em 08.05.14 para Rodrigo Bernadelli Santos com AR JG996875189BR, e em 29.05.14 para Marcelo de Moraes Melo com AR JG996875422BR. 9.3. Ademais, é de se estranhar o fato de que a empresa, apesar de ter sido cientificada por AR em 08/05/2014, somente em 19/05/2014, em pesquisa ao Sistema Comprot, identificou os processos e agendou para o dia 21/05/2014 o pedido de extração de cópias, ou seja, somente 11 dias após o recebimento do citado CD . 9.4. Portanto, do que se extrai da defesa apresentada, tal fato em nada obstou a compreensão pela impugnante de todo o ocorrido durante a ação fiscal, vez que a impugnação apresentada denota o amplo entendimento da autuada quanto débito lavrado e das contribuições lançadas, sendo incabível a argumentação pela nulidade do AIOP. Em face do exposto, rejeito as preliminares. 3) MÉRITO 3.1) ERRO NA APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO. O recorrente alega erro na apuração das bases de cálculo das contribuições lançadas em razão dos seguintes fatos: a) Duplicação das bases de cálculo, uma vez que em relação ao levantamento D1 (DIRF maior em comparação com as folhas de pagamento e GFIP) tendo em vista que a fiscalização considerou erroneamente valores de remuneração dos empregados declarados da DIRF de dezembo/2011, mês de concessão das férias dos empregados, como remuneração de novembro, resultando que o mês de novembro ficou com uma base de cálculo superavaliada; b) Base de cálculo desconhecida, uma vez que diversos valores considerados como base de cálculo não guardam qualquer relação com nenhuma das fontes de informação (RAIS, Folha de pagamento ou DIRF); c) Omissões inexistentes uma vez que a fiscalização não considerou as RAIS apresentadas pelas filiais, onde todos os seus empregados estão relacionados. Improcedentes as mencionadas alegações. A decisão recorrida refuta especificamente cada uma delas, conforme se verifica pelos trechos abaixo transcritos: Em relação ao primeiro argumento da autuada, é possível verificar da analise da Lista de Débitos de fls. 934/1291, em todo os período lançado, e também especificamente em relação à Fl. 3070DF CARF MF 18 competência novembro/2011, que a grande parte das remunerações levantadas são as que, de fato, estavam informadas em Folha de pagamento, (não declaradas em Gfip). Somente, em poucos casos, foi considerada a informação declarada em DIRF, ou seja, somente quando esta era maior que a folha (ou, não existia), conforme palavras do próprio fiscal: No caso de segurados fora de GFIP para os quais consta uma mesma remuneração em Folha, DIRF e RAIS, lavramos o débito como base na Folha. No caso de segurados ou SCSalários de Contribuição que não constam da GFIP nem da Folha, lavramos o débito com base nos valores existentes em DIRF e/ou RAIS. No caso de segurados com remuneração maior em DIRF que em Folha, lavramos o débito com base nos valores existentes na DIRF do mês seguinte (regime de caixa)”. 9.7.Portanto, considerando a informação da impugnante de que foram concedidas férias aos seus empregados, (“A autuada concedeu férias aos seus empregados com período de gozo de 22 de dezembro /2011 a 20 de janeiro/2012”), como se justificariam tais diferenças somente em relação a alguns segurados? A empresa não traz provas de suas alegações. (...) 9.9. Conforme destacado no texto da legislação regente da matéria, verificase que a informação constante na DIRF obedece ao regime de caixa, isto é, são considerados o registro dos documentos na data em que foram pagos ou recebidos, enquanto o fato gerador de contribuição previdenciária segue o regime de competência, considerandose o registro da obrigação na data em que a prestação dos serviços efetivamente ocorreu. Portanto, não há como contestar o procedimento fiscal ao adotar os dois regimes para efeito de comparação da mesma base de calculo. 9.10. Temse ainda que, consoante o Manual da DIRF, sob os códigos 0561 e 0588 deverão ser informados, respectivamente, os rendimentos do trabalho assalariado e do trabalho sem vínculo empregatício, isto é, os valores efetivamente pagos. Assim, somente no caso (de férias, por exemplo), de haver a possibilidade de haver coincidência do regime de caixa e de competência no mesmo mês, respectivamente na DIRF e na GFIP/Folha de pagamento, com a tomada pela fiscalização de algum(ns) valor(es) indevido(s) e/ou incorreto(s) é que justificaria a retificação da base de calculo. Contudo, para isto seria necessário que a defesa comprovasse tais argumentos com a juntada do(s) documento(s) correspondente(s), para a real comprovação, no que se quedou inerte. 9.11. Importante observar, que o Auditor Fiscal quando apurou a base de cálculo das contribuições lançadas (Valores retirados da RAIS/DIRF – base de cálculo), utilizou os valores que já se encontravam informados – pelo próprio contribuinte – nos documentos fiscais retro citados, logo, a referida alegação de erro nas informações prestadas em RAIS, também são descabidas. A simples informação de que informou trabalhadores que na verdade, não constituía o quadro de funcionários da empresa, não pode ser considerada sem os Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 10120.723267/201470 Acórdão n.º 2202004.076 S2C2T2 Fl. 3.063 19 respectivos documentos contábeis, consequentemente, o procedimento adotado está correto, diante da documentação apresentada de forma deficiente por ela mesma. 9.12. Ademais, deve ser destacado, conforme informação extraída do Relatório fiscal, que a empresa apresentou à fiscalização apenas parte dos documentos e esclarecimentos notificados, deixando de apresentar os Livros Diários, Razões, Sped Contábil, nem contabilidade em arquivo digital, bem como diversos esclarecimentos sobre os pagamentos em DIRF e RAIS em valores superiores aos da Folha, complementação de esclarecimentos e documentos sobre o valor da remuneração e da contribuição descontada em outros vínculos/empregos e a comunicação apresentada pelos empregados de múltiplos vínculos, conforme art.64 da IN/RFB 971/09. Em seu recurso voluntário o Recorrente reitera as alegações já suscitadas quando da impugnação sem, contudo, trazer qualquer elemento de prova ou contestação que pudessem infirmálas. 3.2) DA QUALIFICAÇÃO E AGRAVAMENTO DAS MULTAS. Alega o Recorrente ausentes os pressupostos para agravamento e qualificação das multas aplicadas. Isso porque, segundo ele, "no período fiscalizado não havia um único empregado sem o competente registro nem qualquer parcela de seus rendimentos fora das folhas de pagamento, RAIS ou DIRF". Ressalta, ainda, que a administração tributária teve como fonte para o lançamento unicamente as informações prestadas pela própria fiscalizada, antes e após o início do procedimento (DIRF, RAIS e GFIP). A imposição da multa de ofício qualificada está disciplinada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e artigo 44 §1º, da Lei nº 9.430/96, que assim dispõem: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (grifei) Lei n° 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis Fl. 3072DF CARF MF 20 § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;(grifamos) O relatório fiscal evidencia a presença dos requisitos necessários à qualificação da multa, uma vez que o contribuinte: não declara grande parte de seus trabalhadores em GFIP, assim consegue reduzir drasticamente as contribuições sociais a recolher em todos os meses, prejudicando seus trabalhadores, seus futuros benefícios do INSS e a Seguridade Social desconta INSS de seus trabalhadores, exceto de trabalhadores com múltiplos vínculos ou com mais de um emprego as remunerações informadas em folhas de pagamento, isto quando apresentadas, e em GFIP, além de serem discrepantes entre si, apontam para omissão da real massa salarial dos segurados empregados e contribuintes individuais levandose em conta o percentual do faturamento da empresa. há indício de que se apropriam indebitamente de contribuições previdenciárias descontadas de seus empregados que não foram declarados em GFIP ou recolhidos em GPSGuia de Previdência Social. há indícios de que estão praticando mensalmente crime de falsificação de documento público ou falsificação de GFIP, pois além de nunca incluírem todos segurados em GFIP, alteram dados já declarados, sempre erroneamente, alterando para segurados diferentes em cada exportação, provavelmente para não aumentar sua GPS a recolher, nunca incluindo todos segurados e bases de cálculo. nem nas GFIP alteradas depois de notificados por esta fiscalização, incluíram todos segurados e fatos geradores. Da mesma forma, entendo presentes os elementos necessários ao agravamento da multa. Isso porque, conforme esclarece a decisão recorrida: 10.6. De outro modo, temse ainda que a empresa não apresentou todos documentos e esclarecimentos que se faziam necessários, apesar de notificada pelo TIPF, TIF1 a TIF5 (fls.1741/1751) para apresentar documentos e esclarecimentos, nos termos a seguir expostos no Relatório Fiscal: .”..não apresentou CONTABILIDADE dos anos 2010 a 2013. Não apresentou Livros Diários, Razões, Sped Contábil, nem contabilidade em arquivo CONTABILIDADE dos anos 2010 a 2013. Não apresentou Livros Diários, Razões, Sped Contábil, nem contabilidade em arquivo digital. Não apresentou esclarecimentos nem documentos como Balancetes, Balanços, esclarecimentos sobre o estabelecimento em que trabalham diversos empregados que estão com coluna/campo filial em branco (vide listagem de débitos), esclarecimentos sobre pagamentos em DIRF e RAIS em valores superiores aos da Folha, complementação Fl. 3073DF CARF MF Processo nº 10120.723267/201470 Acórdão n.º 2202004.076 S2C2T2 Fl. 3.064 21 de esclarecimentos e documentos sobre o valor da remuneração e da contribuição descontada em outros vínculos/empregos e a comunicação apresentada pelos empregados de múltiplos vínculos, conforme art.64 da IN/RFB 971/09”. 10.8. Assim, diferentemente do que possa ter entendido a empresa, como se depreende do dispositivo legal acima transcrito, basta ocorrerem as hipóteses descritas no dispositivo citado para que a fiscalização, no seu dever de ofício, aplique a penalidade cabível, sem qualquer necessidade de demonstração da ocorrência do dolo no caso do dispositivo acima, como entendeu o impugnante. 10.9. Por outro lado, todos os termos de intimação para a apresentação de documentos e esclarecimentos são bastante claros, não denotando maior dificuldade ou habilidade para que fosse compreendido e apresentados pela empresa todos os esclarecimentos e documentos necessários ao melhor andamento da ação fiscal. Corretos, portanto, o agravamento e qualificação das multas aplicadas. 2.3) DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL DOS SÓCIOS. Em relação à responsabilidade tributária imputada aos sócios, alega o Recorrente que não é razoável que a vinculação dos sócios à exigência tributária ocorra no ato do lançamento, uma vez que, naquele momento, o crédito tributário não estava definitivamente constituído. Improcedente a referida alegação. Isso porque a apuração de atos que conduzem à responsabilidade fiscal dos sócios só será detectada com o desenvolvimento do trabalho fiscal. Além disso, o fato gerador é o mesmo. Dessa forma, estranho seria que a fiscalização emitisse mandado de procedimentos fiscais distintos (um para fiscalização da empresa e outro do sócio) antes mesmo que o trabalho fiscal fosse desenvolvido. Isso porque, a responsabilidade tributária não é presumida. Alega também que o trabalho fiscal equivocouse quanto ao enquadramento legal pretendido, uma vez que utilizou como fundamentação os artigos 124, 135 e 137 que tratam de assuntos diversos. Tem razão o Recorrente quanto à inaplicabilidade, ao caso em questão, da denominada solidariedade de fato prevista no artigo 124, I, do CTN. Isso porque, tanto a denominada solidariedade “de fato” (art. 124, I) como a solidariedade “de direito” pressupõem a existência de uma previsão legal. Essa observação é importante para delimitar o sentido da expressão “interesse comum” constante do inciso I. Isso porque, as situações abrangidas pelo inciso I estão contempladas no fato gerador do tributo, motivo pelo qual, não precisam estar explicitados em lei. Como esclarece Luciano Amaro1 O art. 124 prevê hipóteses de solidariedade (item I), admitindo que a lei possa definir outras situações de solidariedade (item II) (…) Anotese, em primeiro lugar, que se os casos de interesse comum precisassem ser explicitados por lei, como disse Aliomar Baleeiro, o item I do art. 124 seria inútil, pois as hipóteses todas estariam na disciplina do item II. Nos casos que se enquadrem Fl. 3074DF CARF MF 22 no questionado inciso I a solidariedade passiva decorre do próprio dispositivo, sendo desnecessário que a lei de incidência o reitere. Situações outras não abrangidas pelo item I, é que precisam ser definidas na lei quando esta quiser eleger terceiro como responsável tributário. Sabendo que a eleição de terceiro como responsável supõe que ele seja vinculado ao fato gerador (art. 128), é preciso distinguir, de um lado, as situações em que a responsabilidade do terceiro deriva do fato dele ter 'interesse comum' no fato gerador (o que dispensa lei instituidora do tributo) e, de outro, as situações em que o terceiro tenha algum outro interesse (melhor se diria, as situações com as quais ele tenha algum vínculo) em razão do qual ele possa ser eleito como responsável.(AMARO, Luciano Direito Tributário Brasileiro, 11 edição, São Paulo: Saraiva, 2005, p. 314315) Diante do exposto, fica claro que a expressão “interesse comum” mencionada no artigo 124, I do CTN tem o seu conteúdo semântico limitado. Isso porque, diante do princípio da legalidade, tal expressão se refere a situação prevista no antecedente da regra matriz de incidência tributária. Como esclarece Marcos Vinícius Neder2 Nos negócios jurídicos privados de compra e venda mercantil com pluralidade de pessoas, por exemplo, podemos encontrar entre os contratantes interesses coincidentes, contrapostos e comuns. Afinal, vendedores e compradores têm interesse coincidente na realização do negócio (tarefa), mas interesses contrapostos na execução do contrato (necessidades opostas). Já os interesses comuns situamse em cada um dos pólos da relação: entre o conjunto de vendedores e, de outro lado, o conjunto de compradores. (NEDER, Marcus Vinicius “Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito” in Responsabilidade Tributária ed. Dialética, São Paulo, 2007, p. 41) Dessa forma, a expressão “interesse comum” não pode ser tomada como interesse econômico ou social. É fundamental que exista interesse jurídico comum que ocorre a partir de direitos e deveres idênticos, entre pessoas situadas no mesmo pólo da relação jurídica. Em outras palavras, as pessoas que se encontram no mesmo pólo da regra matriz de incidência ocupam a posição de contribuintes e não de responsáveis tributários. Todavia, o mesmo não ocorre em relação à imputação da responsabilidade prevista nos artigos 135, III e 137, I, do CTN. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, circunstância que acarreta a responsabilidade dos sócios nos termos previstos no art. 135, III, do CTN (REsp nº 1101728). No entanto, na hipótese em questão, foram suficientemente demonstrados atos que configuram indícios de crimes de apropriação indébita previdenciária, o que faz com que as mencionadas situações se subsumam as normas dos artigos 135, III e 137 I do CTN. Por fim, requer o Recorrente a exclusão da responsabilidade do sócio Rodrigo Bernadelli Santos, uma vez que seu cargo lhe conferia "apenas poderes para tratar de assuntos pedagógicos". Todavia, conforme se verifica pelo contrato social e alterações contratuais presentes nos autos e juntados novamente ao recurso voluntário (fls. 2988/3004) ambos os sócios tinham poderes de administração, conforme se observa pela cláusula oitava do contrato social abaixo transcrita: Fl. 3075DF CARF MF Processo nº 10120.723267/201470 Acórdão n.º 2202004.076 S2C2T2 Fl. 3.065 23 CLÁUSULA OITAVA Ficam designados administradores da sociedade todos os sócios diretores que assinarão sempre em conjunto, ou seja, sempre deverá conter a assinatura dos de Dois dos Sócios, os quais caberá a responsabilidade ou representação ativa e passiva da sociedade, em juízo ou fora dele, unicamente em negócios exclusivos de interesse da sociedade...(grifos no original) Na nona alteração contratual foi alterada a forma de administração que passou a poder ser exercida independente por cada um dos sócios. Todavia, ambos permanecem com poderes de administração: CLÁUSULA OITAVA A sociedade é administrada pelos sócios diretores MARCELO DE MORAES MELO e RODRIGO BERNADELLI SANTOS, que assinarão independente um do outro, aos quais cabe a responsabilidade ou representação ativa e passiva da sociedade em juízo ou fora dele, unicamente em negócios de interesse exclusivo da sociedade... PARÁGRAFO ÚNICO: Os sócios diretores têm os seguintes cargos e atribuições: MARCELO DE MORAES MELO Diretor Administrativo/Financeiro RODRIGO BERNADELLI SANTOS Diretor Pedagógico. (grifos no original) O fato de constar do contrato social que o sócio Rodrigo Bernadelli Santos exercia o cargo de diretor pedagógico não é, isoladamente, suficiente para excluir a sua responsabilidade tributária, uma vez que, como demonstrado, possuía poderes de gerência. Em face do exposto, entendo correta a imputação da responsabilidade aos sócios. 3.4) IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DO TERMO DE ARROLAMENTO FORMALIZADO. Alega a Recorrente que o arrolamento de bens realizado em função do presente processo ofende os princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, uma vez que não existe informação nos autos de que foi autuado outro processo administrativo para o termo de arrolamento em questão. A mencionada alegação não deve ser conhecida. Isso porque, conforme já decido por esta turma no Acórdão nº 2202003.694, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários. Nesse sentido, merece transcrição parte do voto da Conselheira Relatora Rosemary Figueiroa Augusto: Nos termos do art. 3º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 356, de 09 de Fl. 3076DF CARF MF 24 junho de 2015, as matérias de competência do CARF, especificamente da 2ª Seção de Julgamento, se restringem à: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF); II IRRF; III Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. (...) Como se depreende do art. 17, da Instrução Normativa RFB nº 1565, de 11/05/2015, a seguir transcrito, a apreciação da matéria relativa ao arrolamento de bens no âmbito administrativo é de competência da unidade da Receita Federal do Brasil (RFB) do domicílio tributário do sujeito passivo. Art. 17. É facultado ao sujeito passivo apresentar recurso administrativo no processo de arrolamento de bens e direitos, no prazo de 10 (dez) dias contado da data da ciência da decisão recorrida, nos termos dos arts. 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. § 1º O recurso será apreciado pelo chefe da divisão, do serviço, da seção ou do núcleo competente para realizar as atividades de controle e cobrança do crédito tributário da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo que, se não o acatar, o encaminhará ao titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo. § 2º A decisão proferida pelo titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo será definitiva na esfera administrativa. Logo, não se conhece dessas alegações. Em face do exposto, as alegações sobre a regularidade do arrolamento de bens do sócio, não devem ser conhecidas. 3.5) DAS MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Por fim, alega a Recorrente que o lançamento das multas isoladas por descumprimento de obrigações acessórias é indevido, uma vez que todos os seus empregados estão nas folhas de pagamento e estar foram as bases para a geração do Manad. Improcedente a alegação do Recorrente. Isso porque, como bem observa decisão recorrida: Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 10120.723267/201470 Acórdão n.º 2202004.076 S2C2T2 Fl. 3.066 25 a apresentação em meio papel da folha de pagamento, não é capaz de afastar o ilícito praticado, tendo em vista que o artigo 11 determina que "as pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas. 12.2. Temse, inclusive, que durante a fiscalização a empresa já havia sido alertada, acerca das inconsistências apresentadas em suas folhas de pagamento (MANAD), conforme se extrai do TIF 2, fls. 1749, as quais poderiam incorrer em multa, caso não fossem sanadas, o que de fato ocorreu. "Na folha de pagamento em arquivo digital, constatamos segurados com cadastro incompleto, desvinculados de estabelecimento, além de outras inconsistências, como valores/segurados em GFIP mas fora da folha” . 12.3. Desta forma, corretamente aplicada a multa de R$ 60.252,50, (sessenta mil e duzentos e cinquenta e dois reais e cinquenta centavos), correspondente a 5% de dados incorretos constantes das Folhas de Pagamento apresentadas em arquivo digital, nos termos do inciso II do art.12 da Lei 8218/91, até o limite máximo de 1% da receita, conforme detalhado na listagem "AI22multa erros Folha Manad" . 12.4. Em relação ao Auto de Infração DEBCAD n° 51.060.2738 (CFL 77), conforme bem informado no Relatório Fical, a empresa declarou várias GFIPs em atraso no período de 08/2010 a 10/2013, restando configurada a infração ao disposto no art. 32A da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação da Medida Provisória n° 449, de 4 de dezembro de 2008, motivo pelo qual deve ser mantida a multa no valor de R$ 21.527,94 (vinte e um mil e quinhentos e vinte e sete reais e noventa e quatro centavos), com fundamento no art. 32A, caput, I, §§ 1°, 2°, 3° da Lei n° 8.212, de 1991, respeitado o disposto no art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional (CTN), não podendo ser afastada. Em face do exposto, correto o lançamento das multas isoladas. 3.6) DO RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE ERRO MANIFESTO NO PRIMEIRO ACÓRDÃO E DA "COBRANÇA EM DUPLICIDADE". Tendo em vista o aditamento à Impugnação por fato superveniente, juntado aos autos pelo órgão preparador em 21/11/2014 (fls. 2691/2713), onde a empresa postula pela exclusão dos Autos de Infração das contribuições e respectivos consectários parcelados no âmbito da PGFN e nos termos da Lei n° 12.996, de 2014, a partir de GFIPs apresentadas durante o procedimento fiscal e que geraram inscrição de débito em Dívida Ativa, sendo tais débitos identificados nos sistemas da Receita Federal como DEBCADs n° 45.154.4439 e n° 45.154.4447 (integrantes da IP 00.120.550/2014, IP PARC WEB), conforme fls. 2691/2713, a 5ª Turma de Julgamento, mediante o Acórdão DRJ/CTA nº 0650.335, proferido em 28 de novembro de 2014, considerou por unanimidade de votos, prejudicada em parte a impugnação em relação às contribuições e Fl. 3078DF CARF MF 26 respectivas multas e juros, cuja base de cálculo conste simultaneamente dos Autos de Infração e das GFIPs não espontâneas integrantes da IP 00.120.550/2014, e no que subsiste, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Todavia, em 19/01/2015, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em Goiânia devolveu o processo para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, para o fim de avaliar a conveniência de retificar o Acórdão, considerando a Nota Técnica Dipej/Dipef nº 02 de 17/05/2011, que determina que todos os valores cobrados em duplicidade devem ser excluídos dos DCG´s nºs 45.154.4439 e n° 45.154.4447, não devendo ter qualquer repercussão no presente AIOP, nos termos do despacho de fls. 2866. Em razão da mencionada retificação de ofício o Recorrente alega que: A questão objeto da controvérsia foi o fato da autoridade fiscal (portanto, a administração tributária) haver intimado o fiscalizado a apresentar GFIP no curso da auditoria e, ao final, cobrar os débitos ali confessados em duplicidade. Uma vez com sua inclusão nos autos de infração e, novamente, ao validar as GFIP´s fazendo com que os mesmos fosse colocados em exigibilidade. Os débitos validados nas GFIP (sic) foram inscritos em Dívida Ativa da União e posteriormente parcelados, estando com os pagamentos em dia. Improcedente a alegação do Recorrente. Isso porque, conforme claramente exposto na declaração de voto que acompanha o acórdão, o parcelamento da obrigação principal não tirava, ao contrário do exposto na primeira decisão, o interesse de agir do então Impugnante. Isso porque: 2. Antes de cientificar a empresa do teor do Acórdão 5ªTurma/DRJ/CTA n° 0650.335, o órgão preparador noticia que o DCG fundado em GFIPs não espontâneas deve ser cancelado; por conseqüência, o pedido de parcelamento deve ser atingido pela nulidade. 3. De fato, falece interesse ao contribuinte em impugnar a existência e validade da obrigação tributária, eis que a petição de fls. 2781/2786 a reconhece, tanto que sustenta haver duplicidade, ou seja, a mesma obrigação tributária teria justificado a constituição de dois créditos tributários, devendo prevalecer o veiculado nos DCGs no entender da empresa. 4. Na impugnação, contudo, a empresa não ataca diretamente a existência e validade da obrigação tributária principal, eis que a argumentação alinhavada pela empresa foi de ordem procedimental ou não vinculada à existência e validade da obrigação tributária, ou seja, falta de isenção da autoridade fiscal; vícios do procedimento fiscal de lançamento e cerceamento do direito de defesa; erros na elaboração dos demonstrativos das bases de cálculo; ser indevida a qualificação e o agravamento da multa de ofício; e ausência de intenção de cometer crime e de responsabilidade dos sócios. 5. Nesse contexto, aflora que o Acórdão 5ªTurma/DRJ/CTA n° 0650.335 incide em lapso manifesto, a gerar negativa de prestação jurisdicional administrativa, ao não apreciar a argumentação de defesa especificada no item anterior em Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 10120.723267/201470 Acórdão n.º 2202004.076 S2C2T2 Fl. 3.067 27 relação às contribuições e respectivas multas e juros, cuja base de cálculo conste simultaneamente dos Autos de Infração e das GFIPs não espontâneas integrantes da IP 00.120.550/2014 (DEBCADs n° 45.154.4439 e n° 45.154.4447); alegações de defesa não atingidas pela falta de interesse superveniente, havendo inexatidão material por lapso manifesto ao se tomar como não contestada por ausência superveniente de interesse processual matéria efetivamente contestada e para a qual se mantém o interesse processual. 6. Destarte, com lastro no § 1° do art. 21 da Portaria MF n° 341, de 2011, bem como no dever de autotutela da Administração (Lei n° 9.784, de 1999, art. 53), impõese a emissão de novo Acórdão para se anular tãosomente a decisão de não conhecimento parcial da impugnação, mantendose no restante o Acórdão 5ªTurma/DRJ/CTA n° 06 50.335, de 28/11/2014, e se apreciar integralmente a impugnação, estendendose a fundamentação já veiculada no Voto acolhido no Acórdão 5ªTurma/DRJ/CTA n° 0650.335, para a integralidade da impugnação. 4) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 3080DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.930789/2013-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PROVA SUFICIENTE DO IRRF. AFASTAMENTO DA RAZÃO DE DECIDIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Defere-se o crédito decorrente da retenção de imposto de renda na fonte que havia sido rejeitada pela autoridade julgadora de primeira instância, baseando-se na falta de comprovação, diante dos informes de rendimentos juntados no recurso voluntário, aptos a traduzir a efetivação da retenção da parcela anteriormente indeferida.
COMPENSAÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO.
Nega-se a restituição do imposto de renda retido na fonte se o requerente não comprovar que submeteu à tributação do IRPJ o rendimento sobre o qual incidiu a retenção.
Numero da decisão: 1301-002.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário, deferindo-se à Recorrente o crédito de R$ 326.528,33.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PROVA SUFICIENTE DO IRRF. AFASTAMENTO DA RAZÃO DE DECIDIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deferese o crédito decorrente da retenção de imposto de renda na fonte que havia sido rejeitada pela autoridade julgadora de primeira instância, baseandose na falta de comprovação, diante dos informes de rendimentos juntados no recurso voluntário, aptos a traduzir a efetivação da retenção da parcela anteriormente indeferida. COMPENSAÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. Negase a restituição do imposto de renda retido na fonte se o requerente não comprovar que submeteu à tributação do IRPJ o rendimento sobre o qual incidiu a retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário, deferindose à Recorrente o crédito de R$ 326.528,33. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 07 89 /2 01 3- 43 Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10880.930789/201343 Acórdão n.º 1301002.495 S1C3T1 Fl. 1.041 2 Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da DRJ/BHE, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada em contestação a despacho decisório, que homologou em parte a compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 31940.21975.191211.1.3.02.6068, por meio do qual objetivavase o encontro de contas entre débitos controlados no processo de cobrança nº 10880.937402/201380, quais sejam, PIS/PASEP não cumulativo (código 6912), no valor de R$ 786.172,00; Cofins (código 2172), no valor de R$ 49.169.155,76; PISFaturamento (código 8109), o valor de R$ 1.822.768,34; e Cofins não cumulativa (código 5856), no valor de R$ 3.621.155,68, e o crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2010, de R$ 65.991.029,42, depois de compensado com o débito de Cofins de outubro de 2011, declarado no PER/DCOMP nº 38786.06704.181111.1.3.02.9516, na importância de R$ 13.470.652,96. Expliquese o que o crédito de R$ 65.991.029,42 originavase integralmente, segundo a recorrente, de retenções de imposto de renda na fonte no decorrer do anocalendário de 2010 No entanto, a autoridade fiscal entendeu que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2010 confirmado não ultrapassava o montante de R$ 43.885.557,71, conforme os quadros a seguir: Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10880.930789/201343 Acórdão n.º 1301002.495 S1C3T1 Fl. 1.042 3 Obs: a soma entre as parcelas confirmadas de R$ 43.752.529,44 e R$ 132.028,27 resulta na importância de R$ 43.885.557,71, para o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2010. Por sua vez, o valor confirmado de R$ 43.885.557,71, depois de empregado na compensação com o IRPJ devido, de R$ 3.925.579,71, restou reduzido para R$ 39.959.878,00. Este saldo negativo revelouse insuficiente para compensar a totalidade dos débitos relacionados no PER/DCOMP nº 31940.21975.191211.1.3.02.6068, de acordo com o quadro abaixo: Nessas circunstâncias, a autoridade fiscal homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 31940.21975.191211.1.3.02.6068. Uma vez apresentada a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a autoridade julgadora a quo expôs o fatos relevantes ao julgamento no seguinte relatório: Tratase de Declarações de Compensação (DCOMP), mediante utilização de parte do pretenso Saldo Negativo de IRPJ apurado no AC de 2010 no valor de R$62.066.915,22. Despacho Decisório da DRF 2. A análise dos documentos protocolizados pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 057868663, que apurou: 3.1 Verificadas as antecipações referentes ao IRPJ AC 2010 identificadas no PER/DCOMP, foi confirmada a importância de R$ 43.885.557,71, para um IRPJ devido igual a R$ 3.925.579,71. 3.1.1 O detalhamento da análise do crédito, parte integrante do Despacho Decisório, encontrase anexado ao processo, e indica que as antecipações do imposto indicadas pelo contribuinte e a parcela confirmada pelo fisco: Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10880.930789/201343 Acórdão n.º 1301002.495 S1C3T1 Fl. 1.043 4 3.2. Tendo em vista as constatações acima, a DRF apurou o Saldo Negativo de IRPJ disponível para compensação no valor de R$ 39.959.978,00; utilizou o crédito reconhecido na extinção dos débitos declarados pelo contribuinte na DCOMP, resultando na HOMOLOGAÇÃO PARCIAL das compensações declaradas, em função da insuficiência do crédito. Manifestação de Inconformidade 4. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 12/08/2013, conforme documento anexado à fl. 09. Irresignado, o contribuinte apresenta em 11/09/2013 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 14 a 29, onde, em síntese, argumenta: 4.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 4.2 As retenções do IRPJ do período são oriundas de aplicações financeiras de renda fixa e do pagamento dos juros sobre capital próprio. O Despacho decisório exarado pelo fisco deve ser reformado, tendo em vista que pode ser comprovada a efetiva retenção do imposto referente a integralidade dos valores compensados pela requerente. Juros Sobre Capital Próprio(JCP) 4.3. O pagamento de JCP está sujeito à incidência do IRF à alíquota de 15%, e o imposto retido é considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos. No presente caso, a retenção foi efetuada pela fonte pagadora VIVO S A, CNPJ 02.229.992/000164, no valor de R$ 59.818.789,76. 4.3.1 Por equívoco, a requerente informou na DIPJ somente o valor de R$ 42.171.730,94. Tal equívoco pode ser esclarecido pelas provas acostadas aos autos. Ressalta que a RFB dispõe dos meios necessários a apurar os valores apurados pela VIVO S A. Ilustra com ementa do CARF para amparar seu direito a dedução, apesar do erro cometido. 4.3.2 Acrescenta que nada obsta a conversão do julgamento em diligência para comprovação do alegado, uma vez que constitui em dever dos Órgãos Administrativos a correta apuração das alegações, quando presentes os indícios de veracidade. Rendimentos decorrentes de Aplicações Financeiras de Renda Fixa 4.4 Apesar da previsão legal do fornecimento dos comprovantes de rendimento e IRF pelas fontes pagadoras, é bastante comum o descumprimento desta exigência, ficando a cargo do contribuinte insistir no envio destes informes, muitas vezes sem êxito. A requerente conseguiu reunir uma série de comprovantes que comprovam a retenção dos créditos glosados. 4.4.1 Acrescenta que se a autoridade julgadora considerar que a requerente não promoveu a juntada de toda a documentação necessária, nada obsta que a Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10880.930789/201343 Acórdão n.º 1301002.495 S1C3T1 Fl. 1.044 5 própria fiscalização seja instada a verificar as DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras. Ilustra com Acórdãos do CARF. 4.4.2 Ratifica a solicitação de conversão do julgamento em diligência para a produção das provas necessárias à comprovação do indébito. Protesta ainda pela juntada de documentação adicional. 4.5 Por fim, propugna pela homologação das compensações em litígio neste processo, com o cancelamento da cobrança decorrente da homologação parcial das compensações declaradas. 5. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide.” Decisão de primeira instância assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do PER/DCOMP o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a p rova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. IRRF COMPROVAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, somente pode ser utilizado como componente do saldo negativo de IRPJ, se ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção deste imposto, e que os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação no período correspondente.” Ciência da decisão de primeira instância no dia 30/04/2015, à fl. 884. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10880.930789/201343 Acórdão n.º 1301002.495 S1C3T1 Fl. 1.045 6 Recurso a este Colegiado às fls. 886/908, com entrada na repartição de origem no dia 01/06/2015. Nessa oportunidade, aduz o seguinte: 1) na manifestação de inconformidade, informara que as retenções não confirmadas são derivadas de receitas auferidas em aplicações no mercado financeiro (código 3426) e do pagamento de juros sobre o capital próprio (código 5706); 2) todavia, a DRJ acolheu os argumentos da defesa apenas em parte, reconhecendo que a recorrente fazia jus ao aproveitamento do crédito no valor de R$ 4.131.884,36, o qual se refere integralmente à parcela do saldo negativo oriundo de recolhimentos com o código 3426; 3) no que tange ao IRRF relativo a rendimentos recebidos a título de juros sob capital próprio (JCP), a DRJ entendeu que não teria sido demonstrado o efetivo oferecimento dos aludidos rendimentos à tributação; 4) nesse contexto, a DRJ pronunciouse, ainda, no sentido de que não caberia a baixa do feito em diligência para verificação mais detalhada acerca da legitimidade do crédito em discussão, como também repeliu a juntada posterior de documentos, sob a alegação de que, tratandose de direito cuja comprovação depende da desincumbência de ônus imposto à recorrente, todas as provas necessárias deveriam ter sido apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade; 5) ocorre que, quando do pagamento dos rendimentos decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa, impõese à instituição financeira a obrigação de reter o montante do imposto de renda incidente sobre tais rendimentos, por força das determinações trazidas pelo art. 5o da Lei n° 9.779/99, art. 1o da Lei n° 11.033/04 e art. 37 da Instrução Normativa RFB n° 1.022/2010, como igualmente lhe cabe fornecer os correspondentes Informes de Rendimento, nos termos exigidos pela Instrução Normativa RFB n° 698/2006; 6) entretanto, é bastante comum que essas exigências não sejam regularmente cumpridas pelas instituições financeiras, não obstante a insistência do contribuinte com o reiterado pedido do envio dos Informes de Rendimento; Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10880.930789/201343 Acórdão n.º 1301002.495 S1C3T1 Fl. 1.046 7 7) com relação às retenções parcialmente homologadas pela DRJ, decorrentes do pagamento de rendimentos obtidos em aplicações financeiras de renda fixa, a recorrente pôde reunir, em sede de manifestação de inconformidade, uma série de Informes de Rendimento que comprovaram a retenção dos créditos glosados, referentemente a cada fonte pagadora de rendimento para pessoas jurídicas que foram incorporadas pela recorrente; 8) no julgamento em primeira instância, a autoridade julgadora também se louvou nas DIRF retificadoras apresentadas pelas fontes pagadoras dos rendimentos obtidos em aplicações de renda fixa, ainda quando o contribuinte deixara de juntar os comprovantes de rendimentos; 9) ainda assim, assomase do julgamento em primeira instância uma diferença não homologada de R$ 326.528,53, que se refere à retenção realizada pela fonte pagadora inscrita no CNPJ sob o n° 60.746.948/000112 (Banco Bradesco S/A); 10) contudo, os Informes de Rendimento juntados pela recorrente, quanto ao IRRF retido pelo Banco Bradesco S/A, quando do pagamento de rendimentos decorrentes de aplicações em renda fixa, atingem o total de R$ 1.498.898,09, valor superior àquele relacionado na DCOMP, de R$ 1.490.492,33 (vide doc. 09 da manifestação de inconformidade); 11) além disso, ainda em relação à documentação referente ao imposto de renda retido sobre rendimento de aplicações em renda fixa, vale destacar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil dispõe dos meios necessários à apuração das informações transmitidas pelas fontes pagadoras, o que lhe possibilita examinar a veracidade dos dados enviados no PER/DCOMP 31940.21975.191211.1.3.026068; 12) destaquese que a recorrente não possui poderes para exigir das fontes pagadoras que essas declarações lhe sejam fornecidas para juntada aos autos, embora a Secretaria da Receita Federal possa e deva fazêlo, em cumprimento ao princípio da busca pela verdade material; 13) ao final, haverá de se concluir que a recorrente faz jus, adicionalmente, à diferença de crédito de R$ 326.528,53, em relação às retenções de imposto de Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10880.930789/201343 Acórdão n.º 1301002.495 S1C3T1 Fl. 1.047 8 renda sobre rendimentos de aplicações em renda fixa, nos termos acima demonstrados; 14) já os juros sobre o capital próprio, nos termos da Lei n° 9.249/95, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto de renda, à alíquota de 15%, sendo que o imposto retido é considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; 15) no caso concreto, entre as parcelas não confirmadas pela Fiscalização, apenas uma referese à retenção na fonte, decorrente do pagamento de juros sobre capital próprio; 16) na manifestação de inconformidade, a recorrente esclareceu que se trata de retenção realizada pela fonte pagadora de CNPJ n° 02.449.992/000164, que corresponde à inscrição da pessoa jurídica Vivo S/A; 17) nesse caso, a recorrente compensou o valor de R$ 59.818.789,76, a título de de IRRF sobre o pagamento de juros sobre capital próprio, mas apenas se reconheceu a importância de R$ 42.171.730,94; 18) ressaltese que, por equívoco, a recorrente informou, na DIPJ do período, apenas o valor de R$ 42.171.730,94 como o imposto de renda retido pela aludida fonte pagadora; 19) observase que esta foi precisamente a razão por que a Fiscalização glosou o montante de R$ 17.647.058,82, valendo salientar que o Despacho Decisório realça a realização do confronto entre os valores informados no PER/DCOMP e aqueles constantes da DIPJ; 20) porém o equívoco cometido na DIPJ pode ser esclarecido pelas provas já acostadas aos autos juntamente com a manifestação de inconformidade, que apontam para a efetiva retenção do IRRF no valor integral de R$ 59.818.789,76, indicado no PER/DCOMP supracitado; 21) a planilha "Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido" (vide doc. 07 da manifestação de inconformidade) demonstra os cálculos pelos quais efetuouse a apuração de juros sobre capital próprio pagos pela Vivo S/A à recorrente, sendo que, aplicandose a alíquota de 15% sobre as bases de cálculo apontadas, chegase justamente ao total de R$ Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10880.930789/201343 Acórdão n.º 1301002.495 S1C3T1 Fl. 1.048 9 59.818.789,76 (R$ 42.171.730,94 + R$ 17.647.058,82), compensado pela Recorrente por meio do PER/DCOMP n° 31940.21975.191211.1.3.02 6068; 22) tais DARF não foram devidamente apreciados pela DRJ, que desconsiderou seu valor probatório, com o que não se pode concordar, na medida em que, nos comprovantes de arrecadação, constam tanto o código de receita 5706 quanto os valores exatos do IRRF compensado (R$ 42.171.730,94 e R$ 17.647.058,82). Tratase, portanto, de documento plenamente hábil a comprovar não só a retenção do IRRF pela Vivo S/A, como também o efetivo recolhimento do imposto aos cofres públicos; 23) nesse cenário, está claro o equívoco da recorrente, ao indicar na DIPJ do período apenas o valor de R$ 42.171.730,94, relativamente ao IRRF sobre o pagamento de juros sobre capital próprio, porquanto também o montante de R$ 17.647.05882 foi objeto de retenção na fonte pela Vivo S /A , referente aos juros sobre capital próprio distribuídos; 24) de qualquer modo, entendendose pela necessidade de verificação da DIRF, esta deve ser solicitada à Fiscalização, que tem pleno acesso a esse documento. Salientese que a baixa em diligência para tal verificação é bastante comum e amplamente adotada pelos julgadores administrativos, especialmente como forma de atender ao princípio da verdade material; 25) ademais, em que pese a glosa em referência ter sido justificada pela Fiscalização como "retenção na fonte comprovada parcialmente”, a DRJ não apenas recusou as provas apresentadas pela recorrente, como exigiu a comprovação de que os rendimentos auferidos a título de JCP tenham sido oferecidos à tributação; 26) há de se notar que, no Despacho Decisório, não se levantou qualquer questionamento a respeito da regular tributação dos valores pagos pela Vivo S/A, a título de JCP, razão pela qual a recorrente não juntou provas para tal finalidade, na manifestação de inconformidade; 27) assim, uma vez que a não homologação da compensação relacionada ao IRRF oriundo do recebimento de JCP foi justificada pelo Fisco Federal apenas com base em alegada "retenção na fonte Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10880.930789/201343 Acórdão n.º 1301002.495 S1C3T1 Fl. 1.049 10 comprovada parcialmente", não cabe à DRJ exigir comprovação que não esteja relacionada à referida retenção, tudo para não extrapolar os limites da lide; 28) no que se refere à comprovação da retenção pela fonte pagadora, reiterese que a Secretaria da Receita Federal do Brasil dispõe dos meios necessários a apurar os valores informados pela Vivo S/A a título de IRRF sobre JCP no exercício de 2011 (anocalendário 2010), confirmando o pagamento dos R$ 59.818.789,76 compensados pela recorrente; 29) por fim, destaquese que o CARF, assim como o antigo Conselho de Contribuintes, em diversas oportunidades, ratificou a possibilidade de homologação da compensação mesmo em face de divergência verificada em DIPJ, nos casos em que ficar comprovada a efetiva existência do crédito objeto do pedido compensatório; 30) naturalmente, tratase de entendimento em perfeita consonância com o princípio da busca pela verdade material, que norteia o processo administrativo tributário, e que também autoriza o julgador a apreciar as provas trazidas aos autos mesmo após a apresentação da manifestação de inconformidade, ao contrário do suscitado no acórdão recorrido; 31) no caso vertente, a documentação apresentada pela recorrente prestase a comprovar que o crédito compensado no PER/DCOMP realmente é oriundo de retenções na fonte integralmente passíveis de comprovação; 32) caso seja negada a pretensão compensatória da recorrente, formulada por meio do aludido PER/DCOMP, estarseá diante de inequívoco enriquecimento sem causa da União; 33) pelo exposto, requerse seja dado provimento ao presente recurso voluntário para a reforma, em parte, do acórdão recorrido, de modo a se homologar integralmente a comepnsação vindicada pelo PERDCOMP n° 31940.21975.191211.1.3.026068, com o consequente reconhecimento da extinção dos débitos de PIS e COFINS devidos em dezembro/2011 (período de apuração novembro/2011), e o cancelamento da cobrança decorrente da homologação parcial, uma vez que o crédito compensado pela recorrente é efetivamente existente e emana das retenções na fonte realizadas sobre o pagamento de Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10880.930789/201343 Acórdão n.º 1301002.495 S1C3T1 Fl. 1.050 11 juros sobre capital próprio e sobre os rendimentos decorrentes de aplicações financeiras em renda fixa. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente recurso voluntário, foram atendidos os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Em primeiro plano, a apreciação da questão relacionada à não homologação da compensação entre débitos da recorrente e parcela do crédito declarado em PER/DCOMP, no valor de R$ 326.528,53, que seria decorrente de retenção do imposto de renda na fonte, incidente sobre rendimentos produzidos por aplicações em renda fixa, pagos pelo Banco Bradesco. No presente apelo, a recorrente menciona que os informes de rendimento juntados aos autos comprovam que o imposto de renda retido com o código 3426, pela aludida fonte pagadora, atingiu a cifra de R$ 1.498.898,09, no anocalendário de 2010, valor superior àquele que consignara no PER/DCOMP, na importância de R$ 1.490.492,33. Com efeito, a recorrente registrou no PER/DCOMP que o crédito decorrente da retenção de imposto de renda na fonte com o código 3426, efetuada pelo Banco Bradesco – CNPJ 60.746.948/000112, é de R$ 1.490.492,33. Desse montante, a autoridade fiscal não havia confirmado a parcela de R$ 1.381.889,20, conforme se nota no quadro de fl. 12. Já a DRJ reduziu o valor não confirmado para R$ 326.528,33, ao constatar, em DIRF retificadora, que a importância de R$ 1.055.360,67 fora declarada pela precitada fonte de rendimentos, sob o código 3426. Assim apresentados os fatos, não há dúvida de que a recorrente faz jus ao crédito faltante de R$ 326.528,33, considerando que os Informes de Rendimento colacionados às fls. 179/185 traduzem um total de imposto retido pela sobredita fonte pagadora no valor de R$ 1.498.898,09, com o já comentado código 3426. Nesse panorama, o total do crédito comprovado com os documentos fornecidos pela fonte pagadora supera o crédito que fora pleiteado com supedâneo fático na retenção de imposto de renda, quando do pagamento de rendimentos provenientes de aplicações em renda fixa. Portanto, quanto ao tema em debate, propõese o provimento do recurso voluntário. A questão subsequente diz respeito ao pretendido crédito não reconhecido pela Fiscalização, de R$ 17.647.058,82, que teria fundamento na tributação de 15%, a título de imposto de renda na fonte, incidente sobre juros sobre capital próprio pagos por Vivo S/A . Diz a recorrente que alocara em PER/DCOMP o montante de R$ 59.818.789,76 com a rubrica própria do imposto de renda retido pela fonte pagadora (código 5706), quando do pagamento de juros sobre o capital próprio, embora tenha cometido o Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10880.930789/201343 Acórdão n.º 1301002.495 S1C3T1 Fl. 1.051 12 equivoco de declarar, na DIPJ, sob a mesma rubrica, que o total do imposto retido na fonte era de R$ 42.171.730,94. Daí, assinala que o engano perpetrado pode ser esclarecido pelas provas já acostadas aos autos, juntamente com a manifestação de inconformidade, que apontam para a efetiva retenção do IRRF no valor integral de R$ 59.818.789,76. Nessa linha, salienta que a planilha "Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido" doc. 07 da manifestação de inconformidade demonstra os cálculos pelos quais efetuouse a apuração de juros sobre capital próprio pagos pela Vivo S/A. A despeito disso, adverte para o fato de que a autoridade julgadora da instância a quo desconsiderou o valor probatório dos DARF que anexara para comprovação do imposto de renda retido, aliada à circustância segundo a qual, naquela instância julgadora, empreendeuse alteração no fundamento do indeferimento do crédito, uma vez que o Despacho Decisório estava embasado na retenção parcialmente comprovada, ao passo que a DRJ exigiu a comprovação de que os rendimentos auferidos a título de juros sobre o capital próprio tenham sido oferecidos à tributação do IRPJ. Segundo o Despacho Decisório, a recorrente não faz jus ao direito de crédito reclamado, em sua integralidade, em decorrência da comprovação parcial da retenção do imposto de renda na fonte, efetuada quando do pagamento de juros sobre o capital próprio. Entretanto, a autoridade julgadora de primeira instância refutou a pretensão da então impugnante lastreandose em duplo fundamento: (i) malgrado a juntada de comprovantes de recolhimentos do imposto de renda retido na fonte, a informação correspondente a tais retenções não constava em DIRF entregue pela fonte pagadora dos rendimentos; (ii) de acordo com a DIPJ acostada aos autos, a recorrente computou, no cálculo do lucro real, a módica importância de R$ 537.078,99, a título de juros sobre o capital próprio, o que é incompatível com o crédito derivado de IRRF objeto do pleito compensatório. Que se dê relevo, por oportuno, à evidência da omissão de receita à tributação do IRPJ, verificada no exame da DIPJ da recorrente, relativa ao anocalendário de 2010. Por coneguinte, tratase de prova fornecida pela própria recorrente. O cenário acima expõe que a recorrente comprovou a retenção, não obstante a evidente omissão de receita tributável, na DIPJ. A despeito disso, requer a compensação das retenções cujas provas reuniu, ainda que os rendimentos que deram origem a essas retenções não tenham sido inseridos no cálculo do montante do IRPJ devido, apurado na DIPJ. Do ponto de vista do julgador da DRJ, não havia motivo para aferir o valor probatório dos documentos apresentados pela recorrente, uma vez baseandose na tese de que a omissão daqueles rendimentos, na DIPJ, era motivo suficiente à improcedência do pleito. Assim, podese ver que o julgador da instância a quo construiu um raciocínio no curso do qual deparouse com uma questão que constituía um antecedente lógico à valoração do arcabouço probatório, trazido à baila com vistas a conferir efetividade aos recolhimentos do imposto retido na fonte: houve a tributação desses rendimentos na DIPJ? Isso porque o imposto de renda retido na fonte poderá formar o saldo negativo a ser restituído ou compensado, sabendo se que este saldo negativo é o excedente das deduções legais (nas quais se inclui o imposto de renda retido na fonte), em relação ao IRPJ. Ora, o cômputo entre os créditos do imposto retido na fonte que incidiu sobre rendimento sonegado à tributação do IRPJ aumenta indevidamente o saldo negativo. Logo, sendo negativa a resposta àquela pergunta, mostravase desnecessário aquilatar se a prova se prestava para o fim a que se destinava. Por isso, não há sequer espaço para se cogitar de eventual omissão da instância a quo, já que não se pode sustentar a existência de omissão a uma ação mandada, em face da ausência de determinação legal à apreciação desnecessária de provas. Pela perspectiva em que se colocou o julgador, a partir da premissa irremovível que adotara, no livre exercício da atividade interpretativa, cabialhe Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10880.930789/201343 Acórdão n.º 1301002.495 S1C3T1 Fl. 1.052 13 respeitar e, de fato, respeitou a boa técnica processual que organiza as questões a serem decididas numa sequência lógica. No caso concreto, ainda que os documentos comprovassem a efetividade do recolhimento do imposto de renda retido pela fonte pagadora dos rendimentos, a decisão seria a mesma: a manutenção da decisão exarada pelo Despacho Decisório, no tocante ao item em discussão. Digase, ademais, que a autoridade da DRF não poderia afirmar que a recorrente não ofereceu os rendimentos correspondentes à tributação, já que, para ela, sequer havia prova do recolhimento integral do imposto retido na fonte. Porém, surgidos os indícios do recolhimento da totalidade do imposto de renda retido na fonte, a autoridade se depara com o pressuposto lógico da restituição/compensação da respectiva importância: a submissão ao IRPJ do rendimento tributado na fonte, pois, não sendo assim, correse o risco de se deferir a compensação de imposto incidente sobre rendimento não computado na base de cálculo do IRPJ. Portanto, não há que se falar em nulidade na decisão da DRJ que negou a compensação embasada na falta de sujeição dos juros sobre o capital próprio ao IRPJ, mas no enfrentamento de uma questão prejudicial. Aliás, tal questão é de ordem pública, afinal, em nome do interesse público, não se pode restituir qualquer valor a título de imposto de renda excedente, se não ocorreu a tributação do rendimento na DIPJ, porque, em tal situação, haverá restituição ou compensação indevida, em prejuízo do Erário. Consignese, alfim, que esta Turma já registra precedente em sua jurisprudência, verbis: "RESTITUIÇÃO. IRRF.COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. Negase a restituição do imposto de renda retido na fonte se o requerente não comprovar que submeteu à tributação do IRPJ o rendimento sobre o qual incidiu a retenção." (Acórdão nº 1301002.075, relator Cons. Flávio Franco Corrêa) À vista do exposto, é manifesta a desnecessidade da diligência requerida, em face da indubitável sonegação do juros sobre o capital próprio à incidência do IRPJ. Conclusão: à luz dos fatos apurados e dos fundamentos aqui contemplados, propõese provimento parcial ao recurso voluntário, deferindose à recorrente o crédito de R$ 326.528,33. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa – Relator. Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10880.930789/201343 Acórdão n.º 1301002.495 S1C3T1 Fl. 1.053 14 Fl. 1053DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.908045/2011-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.939
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1933; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.908045/201148 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.939 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de junho de 2017 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente RODOBENS MÁQUINAS AGRÍCOLAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 08 04 5/ 20 11 -4 8 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10183.908045/201148 Resolução nº 3201000.939 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10183.908045/201148 Resolução nº 3201000.939 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10183.908045/201148 Resolução nº 3201000.939 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10183.908045/201148 Resolução nº 3201000.939 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001122/2006-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS.
Devem ser acrescidas à base de cálculo do Lucro Presumido as receitas de aplicações financeiras de renda fixa e variável obtidas no período de apuração.
Numero da decisão: 1201-001.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para integrar os fundamentos da decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. Devem ser acrescidas à base de cálculo do Lucro Presumido as receitas de aplicações financeiras de renda fixa e variável obtidas no período de apuração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para integrar os fundamentos da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
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OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. Devem ser acrescidas à base de cálculo do Lucro Presumido as receitas de aplicações financeiras de renda fixa e variável obtidas no período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para integrar os fundamentos da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 22 /2 00 6- 74 Fl. 1717DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 1.619 a 1.625) opostos em 4 de dezembro de 2015 pelo contribuinte acima identificado, em face da alegada existência de omissão no acórdão nº 1103000.286 (fls. 1.581 a 1.590), proferido pela então Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara desta Seção do CARF, em 30 de agosto de 2010. Dispõe o artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. § 2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e os rejeitará, em caráter definitivo, nos casos em que não for apontada, objetivamente, omissão, contradição ou obscuridade. O exame de admissibilidade foi efetuado por meio do despacho de fls. 1.646 a 1.650. O processo foi redistribuído por sorteio em face da reformulação ocorrida no CARF com a extinção da Turma que proferiu o acórdão. No Despacho de Admissibilidade ficou assentado: Notificado da referida decisão em 30.11.2015, o Sujeito Passivo opôs embargos de declaração em 04.12.2015, suscitando que: Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 16327.001122/200674 Acórdão n.º 1201001.884 S1C2T1 Fl. 3 3 O presente processo foi julgado na sessão de 30 de agosto de 2010, oportunidade em que o colegiado, por unanimidade de votos, decidiu negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as exigências de PIS e COFINS e, por voto de qualidade, em manter a multa qualificada, [...]. Ocorre que, passados mais de 5 anos do julgamento do recurso em epígrafe, sem que o Sr. Relator formalizasse o voto, em 31/10/2015, o voto foi formalizado pelo Relator ad hoc, [...], que não participou da sessão de julgamento, como por ele mesmo informado. Compulsando o voto em questão, vêse que ele contém relatório que está coerente com o desenvolver do procedimento até aquela fase. Em seguida, vem o tópico denominado de Voto aonde constam as seguintes afirmações feitas pelo Relator ad hoc: [...] Ou seja, o voto vencido não existe! Não há como dele recorrer por que o Relator designado ao analisar as razões de recurso quanto do IRPJ e a CSLL, não analisou as razões de recurso, limitandose a dizer que o "...o colegiado rejeitou as alegações da recorrente no concerne a apuração do IRPJ e da CSLL. confirmando a decisão de primeira instância.'', o que convenhamos é técnica absolutamente irregular, ilegal e que contrária as mas comezinhas regras do direito, em especial da ampla defesa e da apreciação e da redação de decisões. Existe, portanto, aí TOTAL E COMPLETA OMISSÃO das razões que levaram o colegiado a decidir sobre a quase totalidade das alegações expendidas em sede de recurso, como por exemplo: Erro na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que no lucro presumido excluemse do regime de competência os rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa e os ganhos líquidos auferidos em aplicação de renda variável, o que não foi observado; Nos mercados à vista, ao se calcular a diferença entre o custo de aquisição (média ponderada) e o valor de venda houve irregularidades, uma vez que os ativos títulos ou direitos estão perfeitamente identificados não sendo lícito usarse a média ponderada, como foi feito, dado que a fiscalização não considerou as perdas ocorridas e perfeitamente compensáveis; Tanto é verdade que a IN 134/85. ao tratar de ganhos de capital, conceitua ganho de capital como sendo o rendimento, renda fixa e cessão ou liquidação; remuneração ou frutos do capital aplicado qualquer que seja sua denominação (juros, deságios. prêmios, etc.); renda fixa: o rendimento pré ou pósfixado correspondente a título, obrigação ou aplicação com data estabelecida para liquidação e cessão ou liquidação — qualquer forma de disposição de ativos Financeiros, tais como as operações de venda, resgate, amortização e conversão. Fl. 1719DF CARF MF 4 De outro lado, também de forma equivocada, o caso em apreço foi enquadrado como OUTRAS RECEITAS em face da expressão ''rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras" por entender que o artigo 521 do RIR se encontra no Capítulo denominado "GANHOS DE CAPITAL E OUTRAS RECEITAS", o que "concessa vênia", não é crível. Haveria, portanto, que se separar e tributar corretamente as operações que envolvessem ganhos de capital e aquelas que envolvessem apenas rendimentos; De notarse, ainda, que não foi observado que no lucro presumido, os rendimentos de aplicações financeiras somente serão adicionados quando de sua alienação, resgate ou cessão. Todavia, a fiscalização adicionou tais rendimentos como se a ora recorrente fosse tributada pelo lucro real. sem se preocupara com as respectivas datas de resgate, cessão ou alienação, maculando portanto a base de cálculo do tributo. Há, ainda, outra omissão, a ser sanada, dentro desse tópico, uma vez que o relator, bem assim a maioria dos Conselheiros, votaram por reduzir a multa de 150% ao seu patamar ordinário de 75%, todavia, as razões que levaram o Relator originário e a maioria dos demais membros a votar pelo desagravamento da multa também não consta do referido voto, caracterizando, também, OMISSÃO a ser sanada. Enfim, não há no aresto embargado nenhuma linha acerca das razões alinhadas em sede de Recurso Voluntário, estando este, portanto, incompleto e omisso, devendo, portanto, ser retificado a fim de sanadas omissões ora levantadas. O voto do Relator do Voto Vencido, reproduz o que consta do Acórdão da DRJ, sem nada mais acrescentar ou retirar. Ou seja, aduz simplesmente que a reiteração da conduta induz ao agravamento da multa. Aqui também o Relator incide em obscuridade, uma que ao copiar a decisão de primeiro grau, deixou de examinar os autos e ver que a recorrente, ora embargante, pagou parte do tributo devido, não tendo, portanto, ocultado o fato gerador. Além do mais, também em contradição ao que afirma, há no Livro Caixa, os lançamentos de grande parte das aplicações financeiras questionadas; ademais, a documentação na qual foi embasada a fiscalização, inclusive as declarações de rendimentos, foram antecipadamente entregues ao fisco pela própria fiscalizada, o que afasta de plano a afirmação de ocorrência da "omissão intencional dolosa indicada no Voto Vencedor, acarretando aqui também flagrante contradição do julgado com as provas constantes dos autos. Ademais, se o Relator tivesse analisado os autos deste processo, notaria que os acórdãos utilizado pela DRJ para a qualificação da multa referemse a processos onde restou provada a manifesta intenção de se ocultar a ocorrência do fato gerador, o que, no caso deste processo, não ocorreu, tendo em vista o pagamento antecipado do imposto na fonte. Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 16327.001122/200674 Acórdão n.º 1201001.884 S1C2T1 Fl. 4 5 Por fim, a jurisprudência firmada por este E. Conselho é firme no sentido de que a multa qualificada somente pode ser aplicada nos casos em que haja a descrição do fato típico e a inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, no qual fique evidenciado o intuito de sonegação e fraude, não bastando uma mera presunção, de forma genérica e subjetiva. Tal entendimento se baseia em um princípio geral de direito, universalmente conhecido, de que as multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Tratase de aplicar uma sanção c, neste caso, o direito faz com cautela, para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido!. PEDIDO Pelo exposto, pede e espera o EMBARGANTE sejam os embargos recebidos, conhecidos e providos, dandolhes efeitos infringentes para que seja dado provimento aos tópicos acima delineados. Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios de obscuridade ou contradição no julgado ou omissão de algum ponto sobre o qual deveria pronunciarse o colegiado não se prestando, portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos. Eles estão regulamentados no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) 1 e foram opostos no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão e atendem aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: Voto Vencido [...] Recurso Voluntário [...] Analisando as razões recursais, o colegiado rejeitou as alegações da recorrente no que concerne a apuração do IRPJ e da CSLL, confirmando a decisão de primeira instância. [...] Voto Vencedor Peço vênia ao relator para discordar quanto a desqualificação da multa. Nos autos, verificase que o contribuinte de forma reiterada, no período de agosto/2002 a dezembro/2003, omitiu da escrituração do Livro Caixa e da Declaração de Rendimentos os valores de rendimentos financeiros de operações realizadas na Bovespa e BM&F, e deixou de recolher os valores dos tributos devidos sobre tais rendimentos. Tal prática reiterada não pode ser atribuída a erro, mas evidencia omissão intencional (dolosa), e, assim, deve ser aplicada a multa qualificada nos termos da autuação. 1) Receita Financeira Lucro Presumido Fl. 1721DF CARF MF 6 Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: Voto Vencido [...] Recurso Voluntário [...] Analisando as razões recursais, o colegiado rejeitou as alegações da recorrente no que concerne a apuração do IRPJ e da CSLL, confirmando a decisão de primeira instância. [...] A situação de omissão está apontada objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir, qual seja, omissão de receita financeira que compõe a base de cálculo de IRPJ e CSLL. 2) Multa de Ofício Proporcional Qualificada Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: Voto Vencedor Peço vênia ao relator para discordar quanto a desqualificação da multa. Nos autos, verificase que o contribuinte de forma reiterada, no período de agosto/2002 a dezembro/2003, omitiu da escrituração do Livro Caixa e da Declaração de Rendimentos os valores de rendimentos financeiros de operações realizadas na Bovespa e BM&F, e deixou de recolher os valores dos tributos devidos sobre tais rendimentos. Tal prática reiterada não pode ser atribuída a erro, mas evidencia omissão intencional (dolosa), e, assim, deve ser aplicada a multa qualificada nos termos da autuação. A situação de omissão não está apontada objetivamente. Houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir. "Verificase que o contribuinte de forma reiterada, no período de agosto/2002 a dezembro/2003, omitiu da escrituração do Livro Caixa e da Declaração de Rendimentos os valores de rendimentos financeiros de operações realizadas na Bovespa e BM&F, e deixou de recolher os valores dos tributos devidos sobre tais rendimentos." Por todo o exposto, ADMITO PARCIALMENTE os embargos de declaração interpostos, quanto a "1) Receita Financeira Lucro Presumido" e não admito em relação a "2) Multa de Ofício Proporcional Qualificada". É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 16327.001122/200674 Acórdão n.º 1201001.884 S1C2T1 Fl. 5 7 Uma vez que os pressupostos de admissibilidade já foram avaliados no despacho próprio, passase à análise do vício apontado. Omissão. A embargante alega ter havido omissão no acórdão nº 1103000.286 (fls. 1.581 a 1.590), proferido pela então 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção do CARF, em 30 de agosto de 2010, em face de não ter havido expressa manifestação do julgado sobre a omissão de receita financeira que compõe a base de cálculo de IRPJ e CSLL. O artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) dispõe expressamente que cabem embargos de declaração no caso de haver omissão de ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. A embargante alega que "o voto vencido não existe! Não há como dele recorrer por que o Relator designado ao analisar as razões de recurso quanto ao IRPJ e a CSLL, não analisou as razões de recurso, limitandose a dizer que '...o colegiado rejeitou as alegações da recorrente no concerne a apuração do IRPJ e da CSLL, confirmando a decisão de primeira instância', o que convenhamos é técnica absolutamente irregular, ilegal e que contrária as mais comezinhas regras do direito, em especial da ampla defesa e da apreciação e da redação de decisões. Existe, portanto, aí TOTAL E COMPLETA OMISSÃO das razões que levaram o colegiado a decidir sobre a quase totalidade das alegações expendidas em sede de recurso". Ocorre que o conselheiro relator foi vencido e, por não ter oficializado seu voto, este foi redigido pelo redator ad hoc que, segundo os embargos opostos, não indicou o fundamento para a manutenção dos lançamentos de IRPJ e CSLL. Quanto à matéria (omissão de receitas financeiras), no recurso voluntário foi alegado: A empresa escriturou as aplicações, e mantinha em arquivo os comprovantes do imposto de renda retido na fonte, mas não adicionou os rendimentos líquidos à receita da empresa para fins de tributação pelo lucro presumido. Tratouse de erro sobre a forma de tributação, que, embora ocorrida parcialmente (na fonte) foi insuficiente. Entretanto, apesar de identificar erros de cálculo bastante expressivos, a DRJ deixou de acatar outras alegações da impugnação. Uma delas referese ao momento em que os rendimentos devem ser tributados pelo lucro presumido. Segundo a IN/SRF 25/2001, artigo 33, o imposto de renda retido na fonte será deduzido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de lucro real. Quando se tratar de lucro presumido, os rendimentos somente serão adicionados por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação. A fiscalização adicionou os rendimentos como se a autuada fosse tributada pelo lucro real, sem se preocupar com as datas de alienação, resgate ou cessão de título. Também não foi acatada a alegação de que na planilha apresentada pela Fair Corretora de Câmbio e Valores Ltda., Fl. 1723DF CARF MF 8 nem toda a movimentação financeira corresponde a valores de propriedade da recorrente, cabendo solicitar à Corretora a confirmação dos valores efetivamente creditados à STOCKLOS como rendimentos líquidos. [...] No item 2.2.1 da impugnação que trata do valor dos rendimentos obtidos amparouse a impugnante no mandamento do art 521 do RIR que prescreve, “verbis”: “Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no §39 do art. 243, quando for o caso (Lei n9 9.430, de 1996, art. 25, inciso II).” Reiterase o que se conclui na impugnação, neste tópico, em que, “na ânsia de apuração de valores tributáveis, a ação fiscal ao tratar da matéria de maneira global decidiu separar operações que deveriam ter sido apuradas como ganho de capital, tendo em vista tratarse de operações de compra e venda e não de rendimento financeiro, seja operação fixa ou renda variável.” O entendimento acima foi contestado pela Autoridade de Primeira Instância nos seguintes termos: “Verificase que o entendimento da requerente não é correto uma vez que os valores apurados pela fiscalização não correspondem a ganhos de capital, pois, não se trata de itens que envolvam alienação do ativo permanente. Tratase de autuação de Omissão de rendimentos ou ganhos liquidação decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável, os quais também são regulados pelo art. 521 do RIR/99. mas não são Ganhos de capital e sim Outras Receitas. A ação fiscal pautouse nos termos da lei e os valores foram apurados de forma analítica por tipo de operação, como bem consta no Termo de Verificação Fiscal conforme transcrição feita neste relatório. Com relação aos valores de aplicações financeiras relacionados pela requerente, verificase que nenhum rendimento financeiro foi oferecido a tributação, como pode se verificar pelas declarações de rendimentos relativas aos. anoscalendário de 2002 (fls. 99/100) e 2003 (fls. 116/121), e relatado pela fiscalização (fls. 1.347), o que descarta a hipótese de tributação em duplicidade dos rendimentos das aplicações indicadas na peça impugnatória (fls. 1.371).” Com a devida vênia, constatase um equívoco da d. autoridade julgadora na interpretação do art. 521 do RIR, pois, tratase, sim, de ganhos de capital cujo tratamento tributário consta no referido dispositivo e na IN SRF n° 25/01. Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 16327.001122/200674 Acórdão n.º 1201001.884 S1C2T1 Fl. 6 9 Senão vejamos: O equívoco interpretativo do art. 521 do RIR incorrido pela DRJ no sentido de que “os valores apurados pela fiscalização não correspondem a ganhos de capital, pois, não se trata de itens que envolvam alienação do ativo permanente “é espancado pela própria Receita Federal através da IN SRF n° 134/85 que fornece definições esclarecedoras ao tratar da tributação dos ganhos de capital. 1. Definições: Para efeito desta Instrução Normativa considera se: Ganho de capital: a quantia auferida na aquisição e subseqüente cessão ou liquidação de títulos, obrigações ou aplicações de renda fixa, que não seja definida como rendimento. Rendimento: a remuneração ou frutos do capital aplicado, qualquer que seja sua denominação (juros, deságios, prêmios, comissões, etc). Renda fixa: o rendimento pré ou pósfixado (ou misto) correspondente a título, obrigação ou aplicação com data estabelecida para liquidação. Cessão ou liquidação: qualquer forma de disposição de ativos financeiros, tais como as operações de venda, resgate, amortização e conversão. Verificase, pois, que a DRJ aplicou uma interpretação restritiva ao art. 521 da RIR, em obediência ao comando do contexto do Capítulo II GANHOS DE CAPITAL E OUTRAS RECEITAS, tendo em vista o teor do seu parágrafo 1°, que trata explicativamente apenas do ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro. Enquadrou o caso concreto como OUTRAS RECEITAS em face da expressão “rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras” do art. 521 do RIR, pois, rendimento corresponde a remuneração ou frutos de capital aplicado, e ganho de capital implica na quantia auferida na aquisição e subseqüente cessão ou liquidação da aplicação (interpretação autêntica pela SRF). DO MÉRITO DO LANÇAMENTO INDEVIDO DE VALORES A fiscalização não levou em conta valores que já haviam sido lançados na contabilidade da autuada, e adicionou novamente todos os rendimentos de aplicações financeiras que apurou através de informações em instituições financeiras, tributando em duplicidade. Além disso, segundo a IN/SRF n° 25/2001, artigo 33, o imposto de renda retido na fonte será deduzido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de lucro real. Quando se tratar de lucro presumido, os rendimentos somente serão adicionados por Fl. 1725DF CARF MF 10 ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação. A fiscalização adicionou os rendimentos como se a autuada fosse tributada pelo lucro real, sem se preocupar com as datas de alienação, resgate ou cessão de título. Também não foi acatada a alegação de que na planilha apresentada pela Fair Corretora de Câmbio e Valores Ltda, e pela Erste Banking Empreendimentos Int. e Part. S/C Ltda, nem toda a movimentação financeira corresponde a valores de propriedade da recorrente, cabendo solicitar às Corretoras a confirmação dos valores efetivamente creditados à STOCKLOS como rendimentos líquidos. O acórdão embargado está assim redigido: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as exigências de PIS e Cofins e, por voto de qualidade, em manter a multa qualificada ... Está clara, pois, a manutenção dos lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL, sendo necessária a integração do referido voto vencedor, acrescentandolhe os seguintes termos: Lucro Presumido. Momento da tributação. A recorrente alega que, no caso de apuração segundo a sistemática do Lucro Presumido, "os rendimentos somente serão adicionados por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação" e que "a fiscalização adicionou os rendimentos como se a autuada fosse tributada pelo lucro real, sem se preocupar com as datas de alienação, resgate ou cessão de título". A Instrução Normativa n° 25, de 06 de março de 2001, dispõe sobre o imposto de renda incidente nos rendimentos e ganhos líquidos auferidos em operações de renda fixa e renda variável, e prevê em seu art. 33 que: IN nº 25/2001 Tratamento dos Rendimentos e do Imposto Art. 33. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será: I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; (...) § 9° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado: (...) II os rendimentos auferidos em aplicações financeiras serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado somente por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação (regime de caixa); Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 16327.001122/200674 Acórdão n.º 1201001.884 S1C2T1 Fl. 7 11 (...) Foram juntadas aos autos as DIRFs apresentadas pelas corretoras. Nesses documentos consta o mês do auferimento dos rendimentos, assim como a retenção do IRRF, conforme pode ser visto às fls. 191 a 202. Na decisão de piso esse ponto foi analisado, chegandose à seguinte conclusão: Os valores apurados pela fiscalização tiveram por base a documentação emitida pelas corretoras, pela BM&F e Caixa de Liquidação e Custódia, sobre as quais houve incidência de imposto de renda na fonte (fls. 191 a 202). A listagem em que são apontados os valores de maior relevância na autuação (mercado futuro) é denominada de “Movimentação Financeira Diária” (fls. 1.083 a 1.125). Logo, observase que a fiscalização considerou as operações que se enquadram no inciso II do art. 33 da lN n° 25/2001, e, portanto, a alegação da requerente não merece acolhida. Natureza dos rendimentos. Outras receitas. Quanto a esse ponto, a recorrente alega que a decisão de piso incidiu em equívoco interpretativo do art. 521 do RIR. Aduz que a natureza dos rendimentos é "Ganho de Capital" e que a DRJ não se atentou para o disposto na IN SRF nº 134/85. Transcrevese excerto da decisão de primeira instância: Com relação à alegação de que a autuação englobaria ganhos de capital, transcrevemos o art. 521 do RIR/99 citado pela defesa, conforme segue: GANHOS DE CAPITAL E OUTRAS RECEITAS Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3° do art. 243, quando for o caso (Lei n” 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). § 1º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. § 2° Os juros e as multas por rescisão contratual de que tratam, respectivamente, os arts. 347 e 681 serao adicionados à base de cálculo (Lei n”9.430, de 1996, arts. 51 e 70, § 3°, inciso 111). § 3° Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido para determinação do imposto, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a Fl. 1727DF CARF MF 12 período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado (Lei na 9.430, de 1996, art. 53). § 4º Na apuração de ganho de capital, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto (Lei n° 9.430, de 1996, art. 52). Verificase que o entendimento da requerente não é correto uma vez que os valores apurados pela fiscalização não correspondem a ganhos de capital, pois não se trata de itens que envolvam alienação do ativo permanente. Tratase de autuação de Omissão de rendimentos ou ganhos liquidação decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável, os quais também são regulados pelo art. 521 do RIR/99, mas não são Ganhos de capital e sim Outras Receitas. A ação fiscal pautouse nos termos da lei e os valores foram apurados de forma analítica por tipo de operação, como bem consta no Termo de Verificação Fiscal conforme transcrição feita neste relatório. A recorrente apenas invoca o contido nas INs SRF nº 25/2001 e nº 134/85, sem contudo obter êxito em refutar o entendimento em que se basearam os julgadores de primeira instância para manter a autuação. E, como visto nas DIRFs acostadas às fls. 191 a 202, os rendimentos são decorrentes das seguintes operações: "Day Trade Operações em Bolsa" e "Aplicações Financeiras de Renda Fixa", estando correta, pois, a decisão recorrida. Lançamento indevido de valores. Aduziu a recorrente que a "fiscalização não levou em conta valores que já haviam sido lançados na contabilidade da autuada, e adicionou novamente todos os rendimentos de aplicações financeiras que apurou através de informações em instituições financeiras, tributando em duplicidade". Relativamente a isso, a decisão recorrida é clara, não merecendo nenhum acréscimo ou reparo: Com relação aos valores de aplicações financeiras relacionados pela requerente, verificase que nenhum rendimento financeiro foi oferecido a tributação, como pode se verificar pelas declarações de rendimentos relativas aos. anos calendário de 2002 (fls. 99/ 100) e 2003 (fls.l 16/ 121), e relatado pela fiscalização (fls.1347), o que descarta a hipótese de tributação em duplicidade dos rendimentos das aplicações indicadas na peça impugnatória (fls.. 1371).” Por fim, quanto à alegação de foram tributados valores que não seriam de propriedade da recorrente, bastante clara e elucidativa é a decisão de piso. Os esclarecimentos nela contidos não deixam dúvidas quanto à desnecessidade de diligência junto às corretoras: Alega a requerente que na autuação estariam incluídos valores contendo movimentação da empresa Fair Corretora de Câmbio e Vls. Ltda empresa que nada tem a ver com a Impugnante, conforme fls. 1.093 a 1.125, com informações da Bolsa de Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 16327.001122/200674 Acórdão n.º 1201001.884 S1C2T1 Fl. 8 13 Mercadorias & Futuros, operações que representariam a quase totalidade dos tributos exigidos e contestados. Compulsando as referidas fls. 1093/1125, verificase que correspondem a listagens emitidas pela Bolsa de Mercadorias & Futuros, relativas a movimentação financeira diária onde consta o CNPJ 32.648.370/000126 da Fair Corretora de Câmbio e Vls Ltda. Contudo, não há equívoco da fiscalização, pois referida corretora apenas figura como administradora de tais operações, conforme se depreende dos informes de rendimentos acostados às fls. 191 e fls. 193. Além disso, referidas listagens foram apresentadas pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia e pela BM&F, em atendimento à Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira da Stockolos Avendis (fls. 206/207 e fls. 211/212) e conforme notas de corretagem (fls.2l4 a 1081). Como exemplo, citemos o resultado negativo de (R$ 566.957,50) indicado às fls. 1095, com data de 28/10/2002, transposto para a planilha denominada de BM&F Futuros, às fls. 1126: referido valor faz parte listagem atacada pela defesa e a operação é documentada pela peça de fls. 269, que corresponde à NOTA DE CORRETAGEM n° 1340 e que identifica a empresa Erste Banking CNPJ 05.170.070/000101 como cliente, que corresponde à razão social da requerente à época dos fatos, conforme alteração contratual de f1s.09. Dessa forma, a alegação de que a autuação incluiria valores de outra empresa não merece acolhida. Conclusão. Por todo o exposto, ACOLHO os embargos, sem efeitos infringentes, para que o acórdão seja integrado conforme acima indicado. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 1729DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002795/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA.
A argumentação genérica da ocorrência de cerceamento de defesa não é suficiente para a sua caracterização.
PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. INEXISTÊNCIA.
Em que pese a necessidade de se buscar, tanto quanto possível, a unicidade do ordenamento a ser refletida na prestação jurisdicional estável, íntegra e coerente, inexiste no direito pátrio o "princípio da eficácia vinculante dos precedentes". Assim, ainda que possa o julgador administrativo decidir no mesmo sentido da jurisprudência pacificada pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na persecução de tais valores, a ela não está vinculado, devendo, não obstante, cumprir e aplicar as regras pontuais de uniformização previstas nos arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15 (Código de Processo Civil).
NULIDADE. MULTA. CUMULAÇÃO INDEVIDA NÃO CARACTERIZADA. IMPROCEDÊNCIA.
A cumulação indevida de multas não se caracteriza quando os fatos geradores e os bens juridicamente tutelados correspondentes são distintos.
DECADÊNCIA. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA.
Por se tratar de lançamento de ofício de crédito tributário, aplica-se a regra geral de decadência ao lançamento de multa regulamentar, ou seja, o artigo 173 do CTN, independentemente da comprovação fraude ou dolo.
CRÉDITO BÁSICO DE IPI. INSUMOS CONSUMIDOS OU UTILIZADOS NO PROCESSO DE PRODUÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. PEÇAS OU MATERIAIS DE MANUTENÇÃO OU REPARO. IMPROCEDÊNCIA.
Para que os insumos consumidos ou utilizados no processo de produção sejam caracterizados como matéria-prima ou produto intermediário, faz-se necessário o consumo, o desgaste ou a alteração do insumo, em função de ação exercida sobre o produto em fabricação, ou vice-versa. Não se consideram insumos para fins de creditamento do IPI peças ou materiais de manutenção ou reparos para equipamentos que não preencham os requisitos acima.
CRÉDITO BÁSICO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DO IPI QUE SE ENQUADRAM NO CONCEITO DE COMERCIANTES ATACADISTAS. IMPROCEDÊNCIA.
Não há direito a crédito de IPI na aquisição de insumos de empresa fornecedora que não se revista na condição de contribuinte do imposto, além das situações expressamente previstas na legislação.
IPI. CRÉDITOS DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS COM SAÍDAS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, ALÍNEA D da CONSTITUIÇÃO DE 1988. IMPROCEDÊNCIA.
A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação.
IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA DE MATERIAIS POR EMPRESA DE COMPOSIÇÃO E IMPRESSÃO GRÁFICA. OBRIGAÇÃO DE DAR. A MERA PERSONALIZAÇÃO DE PRODUTOS, POR SI SÓ NÃO EXCLUI A INCIDÊNCIA DO IPI.
O fornecimento de materiais com impressos personalizados por empresa do ramo de composição e impressão gráfica, quando os insumos não forem fornecidos pelo encomendante e os produtos finais não forem destinados ao seu próprio uso e consumo, configura uma obrigação de dar e, como tal, estando presentes os pressupostos para caracterização do material como produto industrializado, sofre a incidência do IPI.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CAPÍTULO 49, DA TIPI.
Com base nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, e em especial na Nota Explicativa da posição 4820, a classificação fiscal relativa a produtos, tais como envelopes, caixas, berços, box, capas de CD/DVD, Digipack, embalagens, luvas, blocos, fichas, papel carta, risque rabisque, álbuns, pastas, formulários e questionários - ainda que com impressões personalizadas - deve ser feita integralmente no bojo do seu Capítulo 48.
Numero da decisão: 3401-003.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para (a1) afastar as alegações preliminares de cerceamento de defesa, de nulidade da multa aplicada, de decadência, e de inconsistências das glosas de créditos básicos; (a2) reconhecer a improcedência das alegações recursais sobre estorno de créditos de insumos aplicados em produtos com saídas imunes; (a3) rechaçar o chamado "principio da eficácia vinculante dos precedentes jurisprudenciais", mencionado em precedente invocado (Acórdão no 9303-004.394); e (b) por maioria de votos, para reconhecer a incidência do IPI aos "impressos personalizados", e a correção da classificação adotada pela fiscalização, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, designado o Conselheiro Tiago Guerra Machado para redigir o voto vencedor. Os Conselheiros Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida votaram, inicialmente, pela negativa de provimento pela aplicação, ao caso, do entendimento da RFB, depois aderindo à tese vencedora, na forma regimental.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Tiago Guerra Machado - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, e Cleber Magalhães.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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IMPROCEDÊNCIA. A argumentação genérica da ocorrência de cerceamento de defesa não é suficiente para a sua caracterização. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. INEXISTÊNCIA. Em que pese a necessidade de se buscar, tanto quanto possível, a unicidade do ordenamento a ser refletida na prestação jurisdicional estável, íntegra e coerente, inexiste no direito pátrio o "princípio da eficácia vinculante dos precedentes". Assim, ainda que possa o julgador administrativo decidir no mesmo sentido da jurisprudência pacificada pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na persecução de tais valores, a ela não está vinculado, devendo, não obstante, cumprir e aplicar as regras pontuais de uniformização previstas nos arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15 (Código de Processo Civil). NULIDADE. MULTA. CUMULAÇÃO INDEVIDA NÃO CARACTERIZADA. IMPROCEDÊNCIA. A cumulação indevida de multas não se caracteriza quando os fatos geradores e os bens juridicamente tutelados correspondentes são distintos. DECADÊNCIA. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. Por se tratar de lançamento de ofício de crédito tributário, aplicase a regra geral de decadência ao lançamento de multa regulamentar, ou seja, o artigo 173 do CTN, independentemente da comprovação fraude ou dolo. CRÉDITO BÁSICO DE IPI. INSUMOS CONSUMIDOS OU UTILIZADOS NO PROCESSO DE PRODUÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. PEÇAS OU MATERIAIS DE MANUTENÇÃO OU REPARO. IMPROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 27 95 /2 01 0- 85 Fl. 2558DF CARF MF 2 Para que os insumos consumidos ou utilizados no processo de produção sejam caracterizados como matériaprima ou produto intermediário, fazse necessário o consumo, o desgaste ou a alteração do insumo, em função de ação exercida sobre o produto em fabricação, ou viceversa. Não se consideram insumos para fins de creditamento do IPI peças ou materiais de manutenção ou reparos para equipamentos que não preencham os requisitos acima. CRÉDITO BÁSICO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DO IPI QUE SE ENQUADRAM NO CONCEITO DE COMERCIANTES ATACADISTAS. IMPROCEDÊNCIA. Não há direito a crédito de IPI na aquisição de insumos de empresa fornecedora que não se revista na condição de contribuinte do imposto, além das situações expressamente previstas na legislação. IPI. CRÉDITOS DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS COM SAÍDAS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, ALÍNEA “D” da CONSTITUIÇÃO DE 1988. IMPROCEDÊNCIA. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA DE MATERIAIS POR EMPRESA DE COMPOSIÇÃO E IMPRESSÃO GRÁFICA. OBRIGAÇÃO DE DAR. A MERA PERSONALIZAÇÃO DE PRODUTOS, POR SI SÓ NÃO EXCLUI A INCIDÊNCIA DO IPI. O fornecimento de materiais com impressos personalizados por empresa do ramo de composição e impressão gráfica, quando os insumos não forem fornecidos pelo encomendante e os produtos finais não forem destinados ao seu próprio uso e consumo, configura uma obrigação de dar e, como tal, estando presentes os pressupostos para caracterização do material como “produto industrializado”, sofre a incidência do IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CAPÍTULO 49, DA TIPI. Com base nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, e em especial na Nota Explicativa da posição 4820, a classificação fiscal relativa a produtos, tais como envelopes, caixas, berços, box, capas de CD/DVD, Digipack, embalagens, luvas, blocos, fichas, papel carta, risque rabisque, álbuns, pastas, formulários e questionários ainda que com impressões personalizadas deve ser feita integralmente no bojo do seu Capítulo 48. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para (a1) afastar as alegações preliminares de cerceamento de Fl. 2559DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.528 3 defesa, de nulidade da multa aplicada, de decadência, e de inconsistências das glosas de créditos básicos; (a2) reconhecer a improcedência das alegações recursais sobre estorno de créditos de insumos aplicados em produtos com saídas imunes; (a3) rechaçar o chamado "principio da eficácia vinculante dos precedentes jurisprudenciais", mencionado em precedente invocado (Acórdão no 9303004.394); e (b) por maioria de votos, para reconhecer a incidência do IPI aos "impressos personalizados", e a correção da classificação adotada pela fiscalização, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, designado o Conselheiro Tiago Guerra Machado para redigir o voto vencedor. Os Conselheiros Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida votaram, inicialmente, pela negativa de provimento pela aplicação, ao caso, do entendimento da RFB, depois aderindo à tese vencedora, na forma regimental. ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. TIAGO GUERRA MACHADO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, e Cleber Magalhães. Relatório 1. Tratase auto de infração, situado às fls. 1683 a 1714, lavrado com a finalidade de formalizar a cobrança de IPI, acrescido de juros e de multa de ofício de 75%, em virtude do não recolhimento dos tributos, referente aos períodos de apuração de 01/07/2005 a 30/09/2007, no valor histórico de R$ 446.190,82. 2. Depreendese do Termo de Verificação Fiscal, situado às fls. 1555 a 1583, "(...) foram identificadas irregularidades nos valores registrados na escrita fiscal do IPI, em específico créditos básicos indevidos, falta de estorno de créditos, erros de classificação fiscal e/ou alíquota e descumprimento de condições de suspensão do IPI, que levaram à revisão da escrita fiscal, resultando no lançamento de multa de ofício", não tendo havido lançamento de imposto devido ao fato de a contribuinte dispor de créditos em montante suficiente para cobrir os débitos adicionais lançados. Fl. 2560DF CARF MF 4 3. A contribuinte, intimada em 09/12/2010, conforme fl. 1723, apresentou, em 10/01/2011, impugnação, situada às fls. 1726 a 1769, argumentando, em síntese: (i) cerceamento de defesa, em virtude da demora da unidade para fornecimento das cópias do processo; (ii) nulidade da multa aplicada, em virtude da inexistência de saldo devedor do imposto; (iii) impossibilidade de cumulação de multas; (iv) decadência do período compreendido entre julho de novembro de 2005, com fundamento no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional; (v) inconsistência das glosas de créditos básicos: (v.a) aquisições de fornecedores atacadistas não contribuintes do IPI: o creditamento teria sido menor do que os créditos glosados; (v.b) não contesta as glosas de créditos oriundos de fornecedores no Simples; (v.c) glosas de aquisições que não constituem insumos para a industrialização: art. 164, inciso I do RIPI/2002 permite creditamento de valores associados a material consumido/desgastado no processo de industrialização; (v.d) fornecedores não contribuintes do IPI: o pressuposto para o creditamento não está na natureza do fornecedor, mas na predominância de suas atividades devem representar vendas de bens de produção e consumo em quantidade superior àquela destinada a uso próprio do adquirente, conforme art. 14 do RIPI/2002; (vi) ausência dos estornos dos créditos de insumos utilizados em produtos NT, registrando que tais insumos não teriam sido aplicados em produtos NT, mas sim imunes, conforme informado pela contribuinte e reconhecido pela fiscalização ao longo da ação fiscal; (vii) contesta os débitos lançados nos seguintes termos: (vii.a) trabalha com impressos personalizados desenvolvidos e produzidos especialmente sob encomenda e, portanto, sua atividade seria de prestação de serviços de composição gráfica de competência municipal (ISS) e não federal (IPI); (vii.b) alega ser indevida a reclassificação fiscal uma vez que suas mercadorias se “(...) enquadram perfeitamente na descrição dos produtos do Capítulo 49 da TIPI, conforme o texto da Nota Explicativa nº 2 desse capítulo, e que os produtos são impressos personalizados e seus dizeres possuem caráter principal, aplicandose o texto da Nota Explicativa nº 12 do Capítulo 48 para reforçar seu enquadramento no Capítulo 49”, devendo ser entendidos como álbuns de ilustrações para crianças (4903.00.00), abrangidos por imunidade do tipo objetiva, bem como blocos consistentes de folhas de papel presas mediante a utilização de uma espiral metálica que, quando muito, se enquadraria na subposição específica dos cadernos (4820.20.00); (vii.c) alega ter ocorrido indevida inversão do ônus da prova, não tendo havido suficientes diligências complementares para sanar as dúvidas suscitadas pela autoridade fiscal, inconsistências essas que, para serem sanadas, demandarão ao julgador “(...) converter o julgamento em diligência para esclarecer dúvidas quanto à natureza, à composição e à destinação de cada item questionado” para, apenas então, decidirse a respeito da necessidade ou não da revisão do lançamento; (viii) reservase a contribuinte o direito de contestar o descumprimento das condições de suspensão do IPI quando da disponibilização das cópias integrais dos autos; e (ix) requer a devolução do prazo para apresentação/complementação de sua impugnação, requerendo, ao final, a improcedência do auto de infração lavrado bem como a conversão do julgamento em diligência. 4. Em sessão de 10/04/2012, foi proferido o Acórdão DRJ nº 14 37.215, situado às fls. 2.444 a 2.480, pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), sob a relatoria do AuditorFiscal Willian Darwin Junior, que decidiu, por votação unânime, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 2561DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.529 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2007 DECADÊNCIA. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Por se tratar de lançamento de ofício de crédito tributário, aplicase a regra geral de decadência ao lançamento de multa regulamentar, ou seja, o artigo 173 do CTN, independentemente da comprovação fraude ou dolo. IPI. FATO GERADOR. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADOS. Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no 8º, § 1º, do DL nº 406, de 1968, estão sujeitos à incidência do IPI e do ISS. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo saldo credor na escrita fiscal do sujeito passivo. MULTA. CUMULAÇÃO INDEVIDA NÃO CARACTERIZADA. A cumulação indevida de multas não se caracteriza quando os fatos geradores correspondentes são distintos. INSUMOS CONSUMIDOS OU UTILIZADOS NO PROCESSO DE PRODUÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Para que os insumos consumidos ou utilizados no processo de produção sejam caracterizados como matériaprima ou produto intermediário, fazse necessário o consumo, o desgaste ou a alteração do insumo, em função de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, ou viceversa. Entenda se "consumo" como decorrência de um contato físico exercido pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele. IPI. CRÉDITO DE INSUMOS. PRODUTOS NÃO ONERADOS. ANULAÇÃO MEDIANTE ESTORNO. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, que tenham sido empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados, respeitadas as ressalvas admitidas. Fl. 2562DF CARF MF 6 CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. GLOSA. CONDIÇÃO DO FORNECEDOR DE NÃO CONTRIBUINTE DO IMPOSTO. Não há direito a crédito de IPI na aquisição de insumos de empresa fornecedora que não se revista na condição de contribuinte do imposto, além das situações expressamente previstas na legislação. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Neste processo, foi apreciada a classificação fiscal relativa a produtos industrializados, tais como envelopes, caixas, berços, box, capas de CD/DVD, digipack, embalagens, luvas, blocos, fichas, papel carta, risque rabisque (semelhantes a blocos para anotações), álbuns, pastas, formulários e questionários. Com subsídio nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovada pelo Decreto nº 435, de 1992, atualizada pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 2008, e em especial na Nota Explicativa da posição 4820, seus enquadramentos na TIPI devem ser no Capítulo 48. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. DEMORA NO RECEBIMENTO DE CÓPIA DOS AUTOS DO PROCESSO. PEÇA IMPUGNATÓRIA ROBUSTA. AUSÊNCIA DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. DESCABIMENTO. Descabe suscitação de cerceamento de defesa por demora no recebimento de cópia dos autos do processo quando o impugnante defendese com larga desenvoltura e, além disso, apesar de aventar a hipótese de apresentar novos argumentos ou juntar provas após a interposição da impugnação, nenhum documento foi acrescentado a destempo. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase como não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. PROVAS. OPORTUNIDADE Fl. 2563DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.530 7 Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. A contribuinte, intimada em 28/02/2013, mediante aviso postal, interpôs, em 1º/04/2013, recurso voluntário, situado às fls. 2.493 a 2.540, no qual alegou, em síntese: (i) cerceamento de defesa; (ii) nulidade da multa aplicada, em virtude da inexistência de saldo devedor do imposto; (iii) decadência do período compreendido entre julho de novembro de 2005; (iv) inconsistência das glosas de créditos básicos: (iv.a) aquisições de fornecedores atacadistas não contribuintes do IPI: o creditamento teria sido menor do que os créditos glosados, (iv.b) indevida desconsideração de insumos que se desgastam ou se consomem no processo produtivo, e (iv.c) indevida glosa de fornecedores não contribuintes do IPI que se enquadram no conceito de comerciantes atacadistas; (v) indevido estorno de créditos de insumos aplicados em produtos com saídas imunes; (vi) a atividade do estabelecimento constitui prestação de serviços e não industrialização, não se sustentando a reclassificação fiscal realizada pela fiscalização, devendo ser observadas as suposições e posições do Capítulo 49 da TIPI e não o 48. Requer, ao final, seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. (I) CERCEAMENTO DE DEFESA 7. Argumenta a contribuinte ter havido cerceamento de defesa uma vez que não lhe foi oportunizada cópia do processo administrativo em tempo hábil para a apresentação de sua impugnação, o que obstaculizou o seu acesso ao conjunto probatório, Fl. 2564DF CARF MF 8 sendolhe concedido o prazo de 48 dias para o fornecimento das cópias sob argumento de insuficiência de mão de obra. Considerando que o prazo para ofertar impugnação é de 30 dias, teria ocorrido, assim, o cerceamento da defesa. 8. O que se percebe da análise dos autos é que a autuada foi intimada do auto de infração em 09/12/2010 e apenas veio a requerer cópia de documentos em 05/01/2011, i.e., a três dias úteis do prazo ad quem. 9. Argumenta a contribuinte em seu recurso voluntário que o prazo de 48 dias para concessão das cópias é superior ao prazo legal para ofertar defesa e que, por este motivo, mesmo que realizasse o requerimento no mesmo dia da ciência do lançamento de ofício, não teria acesso aos documentos requeridos em tempo hábil para ofertar a sua peça de impugnação. 10. De fato, é sintomático e preocupante que, em pleno ano de 2010, um órgão público necessite de um prazo de 48 dias para conceder cópias simples de documentos, sobretudo a se ter em conta a existência de mídias e suportes digitais que devem servir à simplificação e à desburocratização das interações entre Estado e particular, não havendo, por outro lado, de se reprovar a conduta da contribuinte de requerer cópias a três dias do prazo: enquanto não escoado, tem o direito de acessar todos os dados e documentos que reputar necessários para a consecução de sua defesa sem que contra ela operem quaisquer efeitos ou prejuízos. 11. Em casos como este, é evidente a necessidade de se flexibilizar a regra do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, que considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, pois, da mesma forma que a alínea ‘a’ do § 4º do art. 16 prevê a possibilidade de se mitigar a preclusão uma vez que se demonstre a impossibilidade da apresentação oportuna da prova, também deve ser oportunizado ao autuado, até mesmo por uma questão de economia processual, que se manifeste no primeiro momento processual possível sobre aquilo que antes ignorava e que passou a conhecer. Isto ocorre, entre outros motivos, porque a o art. 2º da Lei nº 9.784/1999 determina à Administração Pública a obediência à razoabilidade, à ampla defesa, ao contraditório e à eficiência. 12. No entanto, ainda que se admita certo grau de flexibilidade no sentido da viabilidade de serem apresentados argumentos novos mesmo na fase em que se encontra o presente processo, ponderadas as especificidades do caso, e uma vez justificada, inclusive documentalmente, a impossibilidade de apresentálos antes, ao se compulsar o recurso voluntário apresentado pela contribuinte, observase não haver, entre as razões recursais apresentadas, qualquer inovação no campo fático, ou qualquer argumento jurídico novo decorrente da descoberta de repertório probatório revelado apenas com o acesso aos documentos que desejava obter quando da apresentação de sua impugnação, aos quais a recorrente presumivelmente já teve acesso na presente data, sobremaneira diante da ausência de alegação em contrário. A bem da verdade, as planilhas que acompanham o auto de infração e o termo de verificação fiscal, ao lado dos documentos fornecidos pela própria empresa autuada, parecem, pelo que se denota das razões apresentadas, ter bastado para a redação tanto da impugnação como do recurso voluntário. Fl. 2565DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.531 9 13. Desta feita, uma vez que, mesmo em posse de tal documentação, não apontou a contribuinte objetivamente os pontos cerceados de sua defesa, que poderiam, como se disse, serem conhecidos e potencialmente sanados neste momento, de maneira extraordinária, deve ser considerado improcedente o argumento de nulidade em virtude de cerceamento de defesa. 14. Assim, voto pela improcedência do recurso voluntário neste particular. (II) NULIDADE DA MULTA APLICADA 15. Foi aplicada multa com fundamento no art. 44 da Lei 9.430/1996, e no art. 80, da Lei 4.502/1964. 16. Esclareçase que, no caso em apreço, a falta de destaque do imposto não implicou a falta de recolhimento, uma vez que o estabelecimento detinha créditos em suficiência para absorver o imposto que deixou de ser destacado, o que implica a inviabilidade da cobrança do IPI, exigindose, unicamente, a multa de 75%, nos termos do Parecer Normativo CST nº 39/1976, segundo o qual “A multa, por falta de lançamento, apurada pela fiscalização, é sempre aplicável, independentemente do imposto não lançado estar ou não coberto por eventuais créditos”. 17. Isto ocorre porque a nota fiscal, ao apontar o destaque, funciona como instrumento formal da apuração do IPI. Observese, por este motivo, não ser procedente também a alegação de que haveria uma suposta cumulação de multas impositivas ao ser aplicada também a previsão do §17 do art. 74 da Lei 9.430/1996. 18. Necessário se assentir, neste sentido, com a fundamentação da decisão objurgada ao discordar das alegações erigidas pela contribuinte: “Primeiro, porque os fatos geradores das duas multas comparadas são distintos. A multa aplicada no auto de infração fundamentase no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, e no art. 80, da Lei 4.502/1964, e decorre da existência de imposto não lançado na escrita fiscal da contribuinte, enquanto que a multa do art. 74, §17, decorre da não homologação de pedido de compensação. Apenas para tornar evidente a diferença, em havendo débito não lançado e não existindo pedido de compensação, cabe somente a multa do art. 44. Segundo, porque as multas são aplicadas em procedimentos distintos e por autoridades diferentes. A multa pela falta de lançamento do imposto é típica de uma ação de fiscalização, de iniciativa do Fisco, e aplicada pela Fl. 2566DF CARF MF 10 autoridade fiscal, enquanto que a multa por não homologação de compensação é conseqüência do indeferimento de um pedido de iniciativa da contribuinte e tipicamente aplicada pela autoridade competente para a apreciação desse pedido” – (seleção nossa). 19. Assim, voto pela improcedência do recurso voluntário neste particular. (III) DECADÊNCIA DO PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE JULHO E NOVEMBRO DE 2005 20. Argumenta, ainda, a contribuinte, que o IPI, tributo sujeito a lançamento por homologação, submetese à regra do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, encontrandose extinto os créditos com fato gerador anterior a novembro de 2005, inclusive, em virtude de estarem acobertados pelo manto da decadência, nos termos do inciso V do art. 156 da norma em referência, uma vez que o lançamento ocorreu em dezembro de 2010, devendo a regra de contagem em referência se aplicar também às penalidades pecuniárias aplicadas em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, pois, nos termos do § 3º do art. 113, a penalidade se converte em obrigação principal. 21. Entendo, no entanto, novamente em atenção às especificidades do caso concreto, que o lançamento a que se refere o presente processo não é aquele voltado à cobrança de imposto devido e não pago, pois, como bem apontado pelo Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte apresentou saldo credor mesmo depois de reconhecer os débitos apontados pelo procedimento fiscal. Tratase, in casu, de lançamento de multa de ofício incidente sobre valores não registrados na escrita fiscal que deve se submeter à regra geral do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, o que desloca o dies a quo para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento “poderia ter sido efetuado”, ou seja, janeiro de 2006 no caso dos créditos referentes aos períodos de apuração entre julho e novembro e 2005, que não se encontram decaídos tendo em vista que a recorrente foi intimada do auto de infração ora combalido em 09/12/2010. 22. Assim, voto pela improcedência do recurso voluntário neste particular. (IV) INCONSISTÊNCIA DAS GLOSAS DE CRÉDITOS BÁSICOS: 23. Passase à análise das alegadas inconsistências nas glosas de créditos básicos, sendo que a contribuinte reitera, em suas razões de recurso voluntário, abrir mão de Fl. 2567DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.532 11 contestar as glosas referentes a materiais para uso e consumo e fornecedores optantes pelo SIMPLES, restringindo a controvérsia aos pontos a seguir colacionados. (IV.A) AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES ATACADISTAS NÃO CONTRIBUINTES DO IPI 24. A contribuinte indica, em relação às aquisições de fornecedores atacadistas não contribuintes do IPI, identificados dos itens 01 a 86 do Anexo I, a existência de inconsistências no demonstrativo de glosas efetuadas, uma vez que, ao se contraporem os valores totais das notas fiscais relacionadas com os créditos de IPI escriturados, constatase que “(...) não os calculou com base no valor integral dos produtos”, pois teria adotado sempre valores reduzidos em relação às alíquotas aplicáveis a cada NCM. A recorrente apresenta, como exemplo, a seguinte tabela demonstrativa: 25. De fato, da análise das planilhas que instruem o presente feito, é forçoso se constatar que a contribuinte se creditou de valores menores do que aqueles constantes nas notas fiscais. 26. No entanto, tal questão se revela inócua, pois o que se observa da leitura do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1553 e 1554 é que o cálculo realizado pela autoridade fiscal foi aquele previsto no art. 165 do RIPI/2002, que reproduz a substância do art. 6º do Decretolei nº 400/1968 e toma por base o valor constante da nota, este sim incontroverso entre os litigantes: Decreto nº 4.544/2002 Art. 165. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão, ainda, creditarse do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos de comerciante atacadista nãocontribuinte, calculado pelo adquirente, mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinqüenta por cento do seu valor, constante da respectiva nota fiscal. Fl. 2568DF CARF MF 12 27. Assim, como se trata de creditamento de imposto relativo a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem adquiridos de comerciante atacadista nãocontribuinte, calculado pelo adquirente, o valor de referência para o cálculo é justamente aquele constante da nota fiscal. Em igual sentido, o entendimento da decisão de primeira instância administrativa: “O fato apontado de que a contribuinte teria se creditado de valores menores do que os que seriam decorrentes dos valores totais das notas fiscais ocorreu, porém é correto e devese ao valor total da nota incluir o ICMS, que não deve integrar a base de cálculo do IPI. No entanto, tal fato não descaracteriza a correção do cálculo efetuado pela fiscalização, que simplesmente corrigiu o IPI a ser creditado para 50% do valor destacado nas respectivas notas fiscais, conforme art. 165, do Decreto nº 4.544/2002 RIPI/2002, o que não depende do valor total da nota fiscal, mas do valor da base de cálculo do IPI” – (seleção e grifos nossos). 28. Assim, voto pela improcedência do recurso voluntário neste particular. (IV.B) DESCONSIDERAÇÃO DE INSUMOS QUE SE CONSOMEM/DESGASTAM NO PROCESSO PRODUTIVO 29. A contribuinte recorrente oferece recalcitrância especificamente quanto à glosa de créditos decorrentes de aquisições constantes nos itens 91 a 114 da planilha elaborada pela autoridade fiscal, consistentes, em síntese, em: (i) arruela, (ii) roto glide, (iii) anel "O" e ORing, (iv) kit de filtro, (v) lubrificante sintético, (vi) torneira PVC, FFLQPx0 e (vii) protetor auditivo, sob o fundamento de não se tratarem de insumos para industrialização, em conformidade com o trecho pertinente do Anexo I: Fl. 2569DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.533 13 30. Argumenta a contribuinte que tais produtos autorizam o creditamento do IPI pois, muito embora não se integrem ao novo produto, são consumidos e/ou desgastados no processo de industrialização. Assim, a interpretação deve levar em conta não apenas o inciso I do art. 164 do RIPI/2002, que dispõe expressamente neste sentido, como também o entendimento da própria Administração fazendária. Transcreve, ainda, trechos do Parecer Normativo CST nº 65/1979, segundo o qual, conforme se extrai do item 11, geram direito ao crédito "quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação". 31. Em que pese a correção de tais afirmações, há de se atentar para o fato de que o próprio dispositivo mencionado pela recorrente determina como condição para o creditamento não apenas não fazer parte do ativo nãocirculante, como também a transformação decorrente de uma ação “diretamente exercida” sobre o produto. Assim, nem todo insumo, entendido em sua acepção econômica, consumido ou utilizado na produção deve ser considerado insumo, em seu sentido jurídico, para a finalidade específica de creditamento do IPI. Há de se esclarecer, ademais, que este é o sentido do Parecer Normativo CST nº 65/1979 em seu item 11.1, conforme abaixo se transcreve: “11 Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto sensu”, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, Fl. 2570DF CARF MF 14 viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. 11.1 Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se dêem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo permanente, inexiste o direito de que trata o inciso I do artigo 66 do RIPI/79” – (seleção e grifos nossos). 32. Tal entendimento, ademais, é reedição e confirmação de posição externada cinco anos antes no Parecer Normativo nº 181/1974, também referenciado pela decisão a quo, e do qual se transcreve, por pertinente, o item 13: “13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” – (seleção e grifos nossos). 33. Assim, os anéis de borracha, arruelas e óleos lubrificantes podem ser considerados, sem maiores ilações, como peças ou materiais de manutenção ou reparos para equipamentos. Já, com relação a protetores auditivos, torneira de PVC e folhas de flandres, não se vislumbra, da leitura dos documentos juntados até o presente momento, qualquer evidência ou indício de contato com os produtos fabricados. Tratase, desta forma, ora de equipamento de proteção individual dos trabalhadores, ora de materiais auxiliares à produção, que se destinam à manutenção e reparo do maquinário, o que, de toda sorte, não supre os predicados mínimos para serem classificados como insumos para fins de IPI. 34. Adicionase a esta constatação o fato de que a contribuinte não envida esforços no sentido de oferecer sequer uma única linha, em suas razões recursais, para explicar por qual motivo os materiais em apreço deveriam ser considerados insumos, reservandose a argumentar, de maneira genérica, que o direito ao creditamento vai além da classificação em “matériaprima” ou “produto intermediário”, sem iluminálos no curso da produção, o que fulmina, inclusive, qualquer necessidade ou mesmo viabilidade de diligência para melhor entendimento da matéria. Fl. 2571DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.534 15 35. Assim, voto pela improcedência do recurso voluntário neste particular. (IV.C) FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DO IPI QUE SE ENQUADRAM NO CONCEITO DE COMERCIANTES ATACADISTAS 36. Argumenta a recorrente que o pressuposto para o creditamento não é natureza jurídica do fornecedor, mas na preponderância de suas atividades, que devem representar vendas de bens de produção e consumo em quantidade superior àquela destinada a uso próprio do adquirente, conforme art. 14 do RIPI/2002. 37. Entendemos, no entanto, correta a conclusão da decisão recorrida no seguinte sentido: “O já citado art. 164, I, do RIPI/2002, admite o crédito do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, portanto, é essencial, para o direito ao crédito, que o insumo adquirido tenha sido tributado na operação de aquisição correspondente, o que só seria possível se estivesse o fornecedor investido na condição de contribuinte do IPI. E a legislação estabelece como contribuinte do IPI o estabelecimento industrial ou equiparado, não se incluindo aí a categoria dos representantes comerciais. Portanto, o fornecedor cuja natureza jurídica é a de representante comercial não possui a condição de contribuinte do IPI e, consequentemente, os insumos dele adquiridos não dão direito a crédito de IPI” – (seleção e grifos nossos). 38. Ainda que se acolhessem as premissas da contribuinte, no sentido de preponderância da atividade como critério definidor da natureza do fornecedor para fins de creditamento de IPI, novamente não oferta sequer uma linha, nas suas razões recursais, para demonstrar que os fornecedores em debate têm, por atividade preponderante, a venda de bens de produção e consumo, não havendo outro caminho senão acolher in totum a fundamentação da decisão recorrida. 39. Assim, voto pela improcedência do recurso voluntário neste particular. Fl. 2572DF CARF MF 16 (V) ESTORNO DE CRÉDITOS DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS COM SAÍDAS IMUNES 40. Entendeu a autoridade fiscal pela necessidade de estorno de créditos de IPI calculados sobre insumos aplicados na industrialização de produtos com saídas não tributadas (“NT”), em conformidade com o art. 193 do RIPI/2002 (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, com alteração pela Lei nº 7.798, de 1989, art. 12, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11): Decreto nº 4.544/2002 Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I relativo a MP, PI e ME, que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados. 41. A questão é tratada, ademais, pela Súmula CARF nº 20, que dispõe nos seguintes termos: Súmula CARF nº 20. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. 42. Argumenta a recorrente, no entanto, que, em virtude de os produtos confeccionados pela contribuinte não serem “nãotributados”, mas imunes, em decorrência da imunidade objetiva contida na alínea ‘d’ do inciso VI do art. 150 da Constituição de 1988, referente à imunidade de livros, jornais, periódicos e do papel destinado à sua impressão, seria possível à manutenção dos referidos créditos, o que se passa a analisar. 43. De fato, ao disciplinar o creditamento em relação a insumos utilizados na produção, o art. 11 da Lei nº 9.799/1999 garantiu o direito a crédito para saídas de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, nada dispondo, no entanto, a respeito da imunidade: Lei nº 9.779/1999 – Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Fl. 2573DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.535 17 44. A Instrução Normativa RFB nº 33/1999, por seu turno, tratou expressamente da possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos a serem aplicados na industrialização de produtos, "(...) inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero" (g.n.) a partir de 1º de janeiro de 1999. 45. Observese que a Receita Federal do Brasil, quase dez anos depois da edição das normas acima transcritas, publicou o Ato Declaratório Interpretativo nº 6/2008, esclarecendo que o art. 11 da Lei nº 9.779/1999 não se aplica aos produtos: (i) com a notação “NT” na TIPI, e (ii) aparados por imunidade. Aponta, ainda, o preceptivo, para a exceção: aqueles produtos abrangidos por imunidade técnica, i.e., destinados à exportação, o que não poderia ser diferente, como bem se apercebeu a decisão a quo, pois a legislação do IPI: “(...) sempre concedeu, na qualidade de créditos incentivados, o direito dos exportadores de produtos tributados, desonerados do imposto pela imunidade prevista no inciso IV, do parágrafo 3º, do artigo 153 da CF/88, de se creditar do IPI pago na aquisição dos insumos empregados na fabricação dos produtos exportados e, no caso do montante de tais créditos excederem os débitos do imposto, possibilitar o ressarcimento de tal incentivo” 46. Por este motivo, em 18/04/2006, foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006, que dispôs no seguinte sentido: Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006 – Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Fl. 2574DF CARF MF 18 Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. (g.n.) 47. Não se trata o presente caso, de processo de fabricação de produto com imunidade técnica, destinado à exportação, e muito menos de IPI incidente sobre saída de produto imune, mas, como se esclareceu acima, da possibilidade de creditamento na escrita fiscal sobre insumo destinado a produto imune, o que remete à necessidade de se interpretar e aplicar o art. 11 da Lei nº 9.779/1999. No sentido de uma aplicação não extensiva da norma em apreço, o quanto decidido no Recurso Especial nº 1.015.855/SP, de relatoria do Ministro José Delgado, publicado em 30/04/2008: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3º, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA. 1. A impetrante/recorrente, pessoa jurídica de direito privado, tem por objeto social a fabricação e comercialização de calçados e suas partes, peças e componentes, assim como de artigos de vestuário em geral e a prestação de serviços industriais nos dois ramos. Impetrou mandado de segurança com vistas ao aproveitamento (pedido de compensação com tributos de espécies distintas administrados pela Secretaria da Receita Federal, com atualização monetária e juros) do valor pago, a título de IPI, na aquisição de matériasprimas, insumos e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos finais isentos, sujeitos à alíquota zero, nãotributados ou imunes. 2. O apelo não merece ser conhecido em relação à alegação de violação dos arts. 165, I, 168, I, 156, VII, e 150, §§ 1º e 2º, do CTN, pois não estão prequestionados, não tendo sido debatidos nem recebido juízo decisório pelo Tribunal a quo, situação que atrai a incidência da Súmula 282/STF. 3. O aresto recorrido entendeu que não se extrai da hipótese legal (art. 11 da Lei 9.779/99) o direito ao creditamento quando o produto final for imune ou Fl. 2575DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.536 19 nãotributado, mas apenas quando isento ou tributado à alíquota zero. Ao final, concluiu pelo nãoprovimento da apelação da contribuinte. 4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de nãotributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. 5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional, exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, II). No campo tributário significa que nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei (art. 150, I, CF/88 e 97 do CTN). É o princípio da legalidade estrita. Igual pensamento pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como no presente caso. Não estando inscrito na regra beneficiadora que na saída dos produtos nãotributados ou imunes podem ser aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. 6. O direito tributário, dado o seu caráter excepcional, porque consiste em ingerência no patrimônio do contribuinte, não pode ter seu campo de aplicação estendido, pois todo o processo de interpretação e integração da norma tem seus limites fixados pela legalidade. 7. A interpretação extensiva não pode ser empregada porquanto destinase a permitir a aplicação de uma norma a circunstâncias, fatos e situações que não estão previstos, por entender que a lei teria dito menos do que gostaria. A hipótese dos autos, quanto à pretensão relativa ao aproveitamento de créditos de IPI em relação a produtos finais não tributados ou imunes, está fora do alcance expresso da lei regedora, não se podendo concluir que o legislador a tenha querido contemplar. 8. A questão relativa à ofensa ao art. 49 do CTN, referente ao direito de aproveitamento integral dos créditos de IPI, conforme defendido pela empresa, não fica dissociada do exame do princípio da nãocumulatividade (art. 153, IV, § 3º da CF/88), impedindo o seu exame nesta via excepcional. 9. Considerando o pedido do mandamus e o teor do art. 11 da Lei 9.779/99, temse a possibilidade de se reconhecer o direito da contribuinte ao aproveitamento de créditos de IPI gerados a partir da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. Observandose a data da impetração (08/01/2004) e a prescrição quinquenal (aplicação do Decreto 20.910/32), poderão ser aproveitados os créditos adquiridos desde a data de 08/01/1999. Fl. 2576DF CARF MF 20 10. Os posicionamentos do STJ e do STF alinhamse no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. É reconhecida somente quando o aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco, o que se verifica no caso dos autos. Deve ser determinada, portanto, a incidência da Taxa Selic, que engloba atualização monetária e juros, sobre os créditos da recorrente que não puderam ser aproveitados oportunamente. 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para reconhecer, tãosomente, o direito da contribuinte à utilização dos créditos de IPI adquiridos entre 08/01/1999 e 08/01/2004 em razão da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero – (seleção e grifos nossos). 48. Assim, a nãocumulatividade do IPI deve ser interpretada de maneira a açambarcar o inciso II do § 3º da Constituição da República de 1988, o art. 49 do Código Tributário Nacional ecoado pelo art. 81 do RIPI aprovado pelo Decreto nº 87.981/1982, e cujo art. 103 trata especificamente do método e o uso do creditamento deste imposto, o que evidencia, nas palavras da decisão recorrida, “(...) a existência de toda uma legislação própria para o IPI, que cuida do tratamento a ser dispensado aos créditos desse tributo escriturados pelo contribuinte em seus livros fiscais, no que concerne à sua apuração, aproveitamento e utilização”. 49. Não é outra a interpretação deste colegiado, conforme se extrai do Acórdão CARF nº 3401003.313, proferido em sessão de 25/01/2017, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, no qual se decidiu, em votação unânime de seus membros, no sentido da ementa abaixo transcrita: Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado. Fl. 2577DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.537 21 50. Em igual sentido, a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, em conformidade com o Acórdão CSRF nº 9303004.581, proferido em sessão de 24/01/2008, de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. A possibilidade de manutenção e utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos de IPI incidente nas aquisições de insumos destinados à industrialização de produtos, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, não se estende às pessoas jurídicas não contribuintes do imposto, produtoras de mercadorias classificadas como não tributadas NT. (Súmula CARF nº 20) 51. Assim, voto pela improcedência do recurso voluntário neste particular. (VI) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS VS. INDUSTRIALIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO FISCAL ADOTADA (VI.A) ISS E IPI: MATERIALIDADE E INCIDÊNCIA CONCOMITANTE 52. Depreendese dos autos que a contribuinte recorrente tem por objeto social a consecução de artes gráficas em geral, de maneira que desenvolve e produz impressos personalizados, conforme encomendados pelos seus clientes e, em especial, álbuns, envelopes, caixas, berços, box, capas CD/DVD, digipacks, embalagens, luvas, blocos, fichas, formulários, papelcarta, questionários, risquerabisque e pastas, conforme se recorta dos documentos fornecidos à fiscalização durante o procedimento fiscal. 53. Exemplo de luva desenvolvida pela contribuinte: Fl. 2578DF CARF MF 22 54. Exemplos de “digipacks” produzido pela contribuinte: Fl. 2579DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.538 23 55. Exemplo de “box” desenvolvido pela contribuinte: Fl. 2580DF CARF MF 24 56. Exemplo de pasta desenvolvida pela contribuinte: 57. Exemplo de caixa com berço desenvolvida pela contribuinte: Fl. 2581DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.539 25 58. Exemplo de bloco de anotações desenvolvido pela contribuinte: 59. Segundo a recorrente, tais produtos são desenvolvidos sob encomenda e com observância das especificações determinadas pela encomendante para uso exclusivo, representando, assim, prestação de serviços de composição gráfica: tratase de serviço (impressos personalizados) sujeito à incidência do ISS, em conformidade com os itens 13.05 e 14.08 da Lista Anexa à Lei Complementar nº116/03. Fl. 2582DF CARF MF 26 60. Observase que, de fato, os impressos produzidos pela recorrente são personalizados para o uso do cliente, não se destinando à posterior comercialização, mas ora integrados a outros produtos, como no caso do “digipacks”, da luva, do “box”, e da capa CD/DVD, ora utilizados pelo encomendante para uso próprio, na condição de consumidor final, como no caso dos álbuns, envelopes, caixas, berços, blocos, fichas, formulários, papel carta, questionários, risquerabisque e pastas. 61. Necessário se tomar em conta que o ISS, instituído pela Emenda Constitucional nº 18/1965 à Constituição de 1946 não se tratava “(...) de tributo substancialmente novo, uma vez que guardava grande semelhança com o antigo Imposto de Indústria e Profissões, extinto pela mesma reforma”,1 como recorda Alcides Jorge Costa, entrando em vigor conjuntamente com o Código Tributário Nacional, que logo se mostrou insuficiente para resolver os conflitos com o IPI e, em especial, com o ICMS, o que levaria o Ato Complementar nº 34/1967 a criar as chamadas “operações mistas”, regra que tampouco foi capaz de dar conta dos conflitos resultantes da tripartição da imposição sobre o consumo. Em 1968, o DecretoLei nº 406/1968 buscou dar novo tratamento ao ISS, vindo revelar longa perenidade no ordenamento, com uma lista contendo 29 itens, ampliada no ano seguinte pelo DecretoLei nº 834/1969, que “estabeleceu nova lista com sessenta e seis itens. O de nº 53 mencionava os seguintes serviços: ‘composição gráfica, clicheria, zincografia, litografia e fotolitografia”, lista que perdurou até 1987 com a edição da Lei Complementar nº 56/1987, acrescida posteriormente pela Lei Complementar nº 100/1999. O item 77 da nova lista substituiu “fotolitografia” por “fotografia”.2 Em 2003, foi editada a Lei Complementar nº 116/2003, cujo item 13.03 mencionava os seguintes itens: “composição gráfica, fotocomposição, clicheria, zincografia, litografia, fotolitografia”. 62. Assim, “(...) em torno deste item desenvolveuse longa disputa situada no campo limítrofe do ISS e do ICMS, ou seja, naquele campo confrontante, para usar a terminologia de José Nabantino Ramos”.3 Assentese, portanto, com o argumento declinado pelo Termo de Verificação Fiscal de que a Súmula 156 do Superior Tribunal de Justiça, editada em 15/04/1996, que consolida entendimento no sentido de que “a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS” se volta a dirimir conflito de competência entre o ISS e o ICMS, nada resolvendo acerca da incidência do IPI, interpretação que decorre da tensão entre as expressões “prestação de serviço” e “fornecimento de mercadorias”, bem como da simples leitura dos precedentes que motivaram a edição da súmula. A questão, no entanto, projeta seu vulto sobre a matéria em debate, pois, como ponderou Alcides Jorge Costa em artigo de 1987 no contexto da edição da Lei Complementar nº 56, a estrutura federativa demanda receita em contrapartida a seus encargos, de modo a ser "(...) tradição, entre nós, que União, Estados e Municípios tenham, cada qual, suas próprias fontes de receita"4, o que foi lido por Ricardo Mariz de Oliveira como uma sensibilidade política ao fato de que "(...) 1 COSTA, Alcides Jorge. Estudos sobre IPI, ICMS e ISS. São Paulo: Editora Dialética, 2009, p. 94. 2 Idem, pp. 9495. 3 Ibidem. 4 COSTA, Alcides Jorge. "Algumas ideias sobre uma reforma do sistema tributário brasileiro", In: OLIVEIRA. Ricardo Mariz de, e COSTA, Sérgio de Freitas. Diálogos póstumos com Alcides Jorge Costa. São Paulo: IBDT, 2017, p. 368. Fl. 2583DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.540 27 determinadas providências jamais passariam pela Assembléia Constituinte, por mais recomendáveis que fossem"5. "É o que se deu com a não unificação do IPI e do ICM, bem como possivelmente do ISS, a despeito de que tal medida teria sido salutar para a simplificação da tributação e para a diminuição dos custos de fiscalização e de cumprimento das obrigações acessórias, problema este que se tornou crítico em nosso país. Restou, a este propósito, apenas a eliminação dos impostos únicos que existiam até então, com a transferência da sua oneração tributária para o ICMS, ao qual também foram agregados determinados tipos de serviço"6 (seleção e grifos nossos). 63. Observese, contudo, que, 13/04/2011, o plenário do Supremo Tribunal Federal suspendeu a eficácia do item 13.05 da lista anexa à Lei Complementar nº 116/03 no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4413, ajuizada pela Associação Brasileira de Embalagens (ABRE), e da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4389, ajuizada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI), de modo a consignar que o trabalho gráfico na fabricação e circulação de embalagens deve ser entendido como materialidade do ICMS, e não do ISS, o que levou o Superior Tribunal de Justiça a alterar o seu entendimento consolidado a partir do julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.310.728/SP, ocorrido em 02/06/2016. Assim, base no comportamento jurisprudencial das cortes julgadoras, foi editada a Lei Complementar nº 157, de 29/12/2016 que alterou a redação do item 13.05 da lista anexa à Lei Complementar nº 116/03 para: 13.05 – Composição gráfica, inclusive confecção de impressos gráficos, fotocomposição, clicheria, zincografia, litografia e fotolitografia, exceto se destinados a posterior operação de comercialização ou industrialização, ainda que incorporados, de qualquer forma, a outra mercadoria que deva ser objeto de posterior circulação, tais como bulas, rótulos, etiquetas, caixas, cartuchos, embalagens e manuais técnicos e de instrução, quando ficarão sujeitos ao ICMS. (...) 14.08 – Encadernação, gravação e douração de livros, revistas e congêneres. 64. Assim, a Lei Complementar nº 157/2016, em atendimento ao quanto preceituado pelo art. 146 da Constituição de 1988, dispôs sobre o conflito de competência, 5 OLIVEIRA. Ricardo Mariz de. "Comentários de Ricardo Mariz de Oliveira", In: OLIVEIRA. Ricardo Mariz de, e COSTA, Sérgio de Freitas. Diálogos póstumos com Alcides Jorge Costa. São Paulo: IBDT, 2017, p. 376. 6 Ibidem. Fl. 2584DF CARF MF 28 ainda que ao custo de sacrificar receitas municipais, conforme análise precisa de Alberto Macedo: “A recente Lei Complementar 157, sancionada em 29 de dezembro de 2016, trouxe algumas novidades importantes para as normas gerais do ISS e para o repasse da cotaparte do ICMS pertencente aos municípios (doravante denominada cotaparte do ICMS). Podemos sintetizálas em três tópicos: (i) dispositivos antiguerra fiscal; (ii) nova forma de repasse da cotaparte do ICMS relativo às mercadorias saídas dos centros de distribuição de grandes magazines e empresas de venda de eletroeletrônicos; e (iii) aprimoramento e atualização da lista de serviços tributáveis pelo ISS. (...) E finalmente, a nova redação dada ao subitem 13.05 (antes: “Composição gráfica, fotocomposição, clicheria, zincografia, litografia, fotolitografia”; agora: “Composição gráfica, inclusive confecção de impressos gráficos, fotocomposição, clicheria, zincografia, litografia, fotolitografia, exceto se destinados a posterior operação de comercialização ou industrialização, ainda que incorporados, de qualquer forma, a outra mercadoria que deva ser objeto de posterior circulação, tais como bulas, rótulos, etiquetas, caixas, cartuchos, embalagens e manuais técnicos e de instrução, quando ficarão sujeitos ao ICMS”) atendeu a um clamor antigo do setor econômico das gráficas. Em que pese ter afetado a arrecadação dos municípios, pelo menos é a técnica correta — ou seja, por lei complementar — de se desonerar de ISS serviços prestados no meio da cadeia produtiva (sobre bens sujeitos a posterior industrialização ou comercialização), e não como foi feito com a infeliz, data maxima venia, interpretação econômica insculpida na decisão do STF na ADIMC 4.389, que entendeu que, em que pese haver prestações de serviço para industriais e comerciantes, sobre bens sujeitos a posterior industrialização ou comercialização, não pode incidir ISS porque onerará a cadeia produtiva, como se o ISS previsto na Constituição fosse um imposto sobre serviços no varejo, com uma materialidade constitucional do tipo “prestação de serviços de qualquer natureza, desde que prestados a usuário final”. Tal interpretação equivocada tem inclusive contaminado decisões dos tribunais sobre serviços prestados a industriais previstos no subitem 14.05 da lista, que não deixam de ser serviços (inclusive o item correspondente da lista — item 14 — se denomina “Serviços relativos a bens de terceiros”), à luz do disposto no art.156, III, da Constituição. Enfim, depois de 13 anos, os municípios finalmente conseguem efetivar aprimoramentos nas normas gerais do ISS, o único imposto previsto constitucionalmente cujo exercício da competência tributária demanda a intermediação de uma lei complementar, o que dificulta por demais sua atualização, mas por outro lado, confere a adequada segurança jurídica, Fl. 2585DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.541 29 dado que tributado por mais de 5 mil entes tributantes no país”7 – (seleção e grifos nossos). 65. Desta feita, a interpretação vigente na Receita Federal é no sentido da possibilidade da incidência concomitante de IPI e de ISS sobre serviços gráficos, em conformidade com a Solução de Consulta Cosit nº 68/2013, que os considera como atividade industrial, fazendo a importante ressalva: exceto se for realizada por encomenda direta do consumidor ou usuário com preponderância do trabalho profissional: “Regra geral, a atividade gráfica para fins de incidência do IPI é considerada uma operação de transformação, ou seja, industrial e, como tal, é tributada pelo Anexo II da Lei Complementar nº 123, de 2006. Caso ela seja sujeita, simultaneamente, à incidência do IPI e do ISS (o chamado serviço de industrialização), suas receitas deverão ser tributadas pelo referido Anexo II, com os ajustes previstos no art. 18, § 5ºG, e art. 79D, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Quando a atividade gráfica for realizada por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, com preponderância do trabalho profissional, constitui prestação de serviços sem operação de industrialização e, nesse caso, será tributada pelo Anexo III da Lei Complementar nº 123, de 2006. Dispositivos Legais: Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 18, §§ 5º, 5ºF e 5ºG, art. 79D; Decreto nº 7.212, de 2010 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados) art. 4º, I, art. 5º, V, art. 7º, II” – (seleção e grifos nossos). 66. O critério da preponderância, digase, não passou incólume à crítica da doutrina, conforme excerto abaixo, anterior à própria Solução de Consulta em referência, de lavra de Alcides Jorge Costa: “O critério da preponderância foi certamente levado em conta pelo legislador ao elaborar a lista, mas não tem relevância na sua aplicação. Se tivesse, haveria regresso à legislação anterior ao DecretoLei nº 406/1968, ou seja, os Atos Complementares nº 35 e 36 de 1967, que, para prestação de serviços com fornecimento de mercadorias, mencionavam o 7 MACEDO, Alberto. "LC 157/2016 efetiva aprimoramentos nas normas gerais do ISS", In: Revista Consultor Jurídico, 18 de janeiro de 2017, disponível em <http://www.conjur.com.br/2017jan18/albertomacedolc 1572016efetivaaprimoramentosnormasiss>, último acesso em 01/03/2017. Fl. 2586DF CARF MF 30 serviço como objeto essencial e fixavam critério quantitativo para definir a essencialidade, ou seja, a preponderância. Este critério, como foi dito, informou o legislador. Entretanto, com ou sem preponderância, tributáveis são os serviços mencionados na lista, em cuja aplicação este critério fica irrelevante”8 – (seleção nossa). 67. Em 06/09/2013, foi editado o Parecer Normativo nº 18/2013, segundo o qual a incidência do ISS não exclui a do IPI, caso tais serviços se caracterizem como operações de industrialização: “3. A problemática ora enfrentada teve origem durante a vigência do art. 8º do DecretoLei nº 406, de 31 de dezembro de 1968. Referido artigo, revogado expressamente pela Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003, trazia o seguinte conteúdo: Art 8º O imposto, de competência dos Municípios, sobre serviços de qualquer natureza, tem como fato gerador a prestação, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo, de serviço constante da lista anexa. § 1º Os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao imposto previsto neste artigo, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadoria. § 2º O fornecimento de mercadoria com prestação de serviços não especificados na lista fica sujeito ao imposto sobre circulação de mercadorias. (sem destaques no original) 4. Questionavase se o comando do § 1º do art. 8º supracitado afastaria a incidência do IPI nas operações de industrialização quando essas se identificassem com os serviços constantes da lista anexa ao DecretoLei nº 406, de 1968. 5. Primeiramente, vale lembrar que referido DecretoLei, conforme sua ementa, “estabelece normas gerais de direito financeiro aplicáveis aos impostos sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre serviços de qualquer natureza”. Restrito, pois, ao antigo Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias (ICM) e ao ISS. 6. Nesse sentido, entendese que os parágrafos transcritos tratavam especificamente sobre a definição de competência dos Estados e Municípios relativamente à cobrança do ICM e do ISS. Diante disto, somente se poderia admitir implicações daquela disposição em outras espécies de tributos, sobretudo federais, se essas constassem expressamente do texto legal. Fl. 2587DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.542 31 7. Portanto, a locução constante do § 1º, “apenas ao imposto previsto neste artigo”, significava unicamente a não incidência do ICM relativamente aos serviços constantes da lista anexa ao DecretoLei, enquanto que a locução do § 2º, “ao imposto de circulação de mercadorias”, esclarecia a não sujeição ao ISS no fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não especificados na referida lista. 8. Posteriormente, foi publicada a Lei Complementar nº 116, de 2003, que, em seu art. 1º, § 2º, abaixo reproduzido, pôs fim a qualquer dúvida porventura existente, uma vez que tornou expressa a intenção do legislador em afastar apenas a incidência do ICMS, imposto substituto do ICM, sobre os serviços mencionados em sua lista anexa: Art. 1º O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. § 1º O imposto incide também sobre o serviço proveniente do exterior do País ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior do País. § 2º Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias.( sem destaque no original) 9. Logo, mesmo que uma operação esteja prevista na lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 116, de 2003, caso ela se enquadre em uma das modalidades de industrialização previstas no art. 4º do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI, haverá incidência do IPI com relação a essa operação (RIPI/2010, art. 2º), observadas, ainda, as exclusões do conceito de industrialização constantes do art. 5º do RIPI/2010. Conclusão 10. Diante do exposto, concluise que o fato de serviços constarem da lista anexa ao DecretoLei nº 406, de 31 de dezembro de 1968, ou à Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003, é irrelevante para determinar a não incidência do IPI, caso tais serviços se caracterizem como operações de industrialização” – (seleção e grifos nossos). 8 Idem, p. 100. Fl. 2588DF CARF MF 32 68. Observese, ademais, que, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o que tem prevalecido é o entendimento segundo o qual a prestação de serviço de composição gráfica como a presente se sujeita unicamente ao ISS, não se submetendo ao ICMS ou ao IPI. Necessário se apontar, ainda, que, apesar de não haver aplicação direta da Súmula STJ nº 156, pelos motivos acima explicitados, a Corte Superior tem realizado, de maneira expressa, a sua aplicação analógica a estes casos. 69. Neste sentido, o acórdão no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.308.633SP, publicado em 01/10/2013, de relatoria do Ministro Castro Meira, em que a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por unanimidade de votos: RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 156/STJ. 1. A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, está sujeita apenas ao ISS, não se submetendo ao ICMS ou ao IPI. Precedentes. 2. Aplicação analógica da Súmula n. 156/STJ. 3. Agravo regimental não provido. 70. Transcrevese, ainda, trecho do votovista da Ministra Eliana Calmon no recurso em referência: “O entendimento doutrinário para verificação da incidência ou não, com exclusividade, do ISS, aplicandose a súmula em análise, quando se tratar de operação mista é a preponderância da atividade, como por exemplo, em precedente da minha relatoria tive oportunidade de afirmar haver a incidência do ICMS sobre material de embalagem porque era ele o preponderante sobre o serviço gráfico, sendo preparados ambos pelo mesmo contribuinte. Confirase o REsp nº 470.577/SP. Entendo, diferentemente do que defende a Fazenda, que o mesmo raciocínio é aplicável ao IPI, inexistindo lei ou interpretação constitucional capaz de sustentar a tese da ora agravante. Aliás, tanto é verdadeira a assertiva que o extinto TFR fez editar a Súmula 143 do teor seguinte: "Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no artigo 8º, § 1º, do Decretolei 406/68 com as alterações introduzidas pelo Decretolei 834/69, Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.543 33 estão sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI"” – (seleção e grifos nossos). 71. Assim, é possível se afirmar que, na dicção das cortes superiores judiciais, o ISS não incide naquelas operações de industrialização sob encomenda de bens e produtos que serão utilizados como insumos em processo de industrialização ou de circulação de mercadoria, e nestes casos deverá ser reconhecida a incidência do ICMS. Contudo, naqueles casos em que o produto for destinado para o uso da empresa encomendante (consumidora final), a competência é deslocada ao município, devendo incidir o ISS. 72. O que se compreende da leitura das peças, é que os produtos em análise, fruto da atividade gráfica, são vendidos com restrições que iluminam a atividade da contribuinte: a impressão acrescenta utilidade ao produto, como no caso das pastas personalizadas, mas não pode ser disponibilizada indiscriminadamente no mercado, o que a caracterizaria como item de produção em série. A atividade de impressão decorre de atendimento a necessidades específicas, feita sob encomenda de um cliente, não podendo ser vendido a terceiros. Há, portanto, a prevalência de um facere específico que aponta para a materialidade sujeita à competência tributária municipal, em conformidade com o inciso III do art. 156 da Constituição de 1988, o que exclui a competência da União. É zeloso o recurso da contribuinte ao colacionar um seriado de decisões administrativas de segunda instância neste sentido: Fl. 2590DF CARF MF 34 73. Em percuciente estudo sobre o tema, Caio Augusto Takano preleciona que "(...) a rigidez constitucional possui como aspecto positivo a repartição de competências tributárias e, como aspecto negativo, a inibição dos demais entes federativos pela referida outorga",9 fenômeno que, ademais, José Souto Maior Borges reconheceria como uma dupla componencialidade da Constituição ao tratar do desenho da competência tributária.10 Assim, a partir da análise da jurisprudência sobre a matéria em análise, é possível se vislumbrar "(...) a utilização frequente de três critérios para classificar uma 'operação mista' como 'prestação de serviço' ou operação mercantil: (i) a aplicação do princípio da preponderância; (ii) a distinção entre atividademeio e atividadefim; (iii) a observância das balizas instituídas por Lei Complementar”.11 74. Nas palavras do agora saudoso professor Aires Barreto12 (uma vez que recordar é uma forma de homenagear e de celebrar), devem ser extremadas as situações em que atividades são açõesmeio, desenvolvidas como requisito ou condição para a produção de outra utilidade qualquer, daquelas situações em que essas mesmas ações ou atividades consistem no fim ou objeto: aquelas que, em si mesmas, isoladamente consideradas, refletem a utilidade colocada à disposição de outrem. No presente caso, a distinção é rica para iluminar as materialidades em disputa, pois a atividade industrial existe, mas é apenas um meio para se alcançar a prestação do serviço de artes gráficas, verdadeiro desígnio, objetivo ou desiderato da relação contratual, sendo o ISS o tributo sobre o consumo aplicável à espécie. "(...) nas obrigações ad dandum ou ad tradendum a prestação consiste em entregar alguma coisa (dar), enquanto as in faciendo referemse a ato ou serviço a cargo do devedor (prestador) (...) o reconhecimento do regime jurídico tributário a que se subordinam certos fatos exige se perquiram com a profundidade requerida a natureza e, sobretudo, o objeto do contrato em consequência do qual se produziram os fatos considerados (...). Não pode a lei, e muito menos o ato administrativo, transmudar a atividade meio em serviçofim. Só cabe o imposto estadual (...) quando a comunicação, o transporte interestadual ou municipal constituírem o objeto do contrato (a atividadefim) (...) somente podem ser tomadas, para sujeição ao ISS (e ao ICMS) as atividades entendidas como um fim, correspondentes à prestação de um serviço integralmente considerado. No caso específico do ISS, pode decompor um serviço (...) nas várias açõesmeio que o integram, para pretender tributálas separadamente, isoladamente, como se cada uma delas correspondesse a um serviço autônomo, independente. Isso seria uma aberração jurídica, além de constituirse em desconsideração à hipótese de incidência desse imposto (...). Daí ser imperativo distinguir, dentre as atividades (...), qual a que se qualifica como serviço, e qual a que configura 9 TAKANO, Caio Augusto. "Conflitos de competência tributária entre o ISS e o ICMS: a tributação das 'operações mistas' e a evolução da jurisprudência". In: Revista de Estudos Tributários nº 122. São Paulo: Malheiros, 2015, pp. 103112. 10 BORGES, José Souto Maior. Lei complementar tributária. São Paulo: Revista dos Tribunais/Educ, 1975. 11 TAKANO, Caio Augusto. Op. Cit. Ibidem. 12 BARRETO, Aires F. Curso de Direito Tributário Municipal. São Paulo: Saraiva, 2ª edição, 2012. p. 375. Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.544 35 simples atividademeio ou condição para a prestação do serviço”13 – (seleção e grifos nossos). 75. Tal posição seria reafirmada, mais de quinze anos depois, por Aires Barreto em artigo de 2012: “Em sendo tarefas meio, acessórias, indispensáveis para a consecução da atividade de extração e exploração de petróleo, não podem ser consideradas isoladamente, para fins de incidência de imposto. Constitui erronia jurídica pretender desmembrar as inúmeras atividades meio necessárias à consecução da atividade econômica fim, como se fossem “serviços” (...) É despropositado, assim, ver “serviços tributáveis” nessas atividades meio executadas por essas empresas, para si mesmas, em prol dos seus negócios. É descabido pressupor que sejam serviços, em sentido técnico (...). Em resumo, toda e qualquer exigência de ISS calculada sobre atividades meio será nula, porque esse imposto somente incide sobre atividades econômicas, configuradoras de serviços, isto é, desenvolvidas para terceiros, como um fim em si mesmas, mediante remuneração”14 – (seleção e grifos nossos). 76. O raciocínio deve ser considerado da mesma forma em seu sentido oposto: quando o serviço se consubstanciar como a atividadefim, a competência será a do Município para realizar a cobrança do ISS. No entanto, neste caso, a indústria existe: mas é o meio para que se alcance o objeto do contrato: prestação de serviços gráficos. Esta submissão do aplicador à materialidade de cada tributo é corolário da delimitação constitucional de competências tributárias. 77. Na repartição da tributação sobre o consumo, no caso de serviço (fim) a incidência é do ISS, e não do IPI. Fosse de outro modo, toda vez em que houvesse IPI necessariamente haveria a incidência do ISS, pois a atividade industrial (fim) entranha um seriado de serviços (meio). A bem da verdade, a industrialização é uma espécie de serviço e, logo, tais tributos seriam absolutamente indissociáveis: na presença de um, o outro, dissolvendose, assim, as duas materialidades em apenas uma, siamesa. Este não foi o desígnio do constituinte ou do legislador, evidentemente, e, neste sentido, a salutar recordação do Ministro Eros Roberto Grau de que "(...) toda atividade de dar consubstancia também um fazer, e há inúmeras atividades de fazer que envolvem um dar"15. Assente no sentido da 13 BARRETO, Aires F. "ISS: atividademeio e serviçofim". In: Revista Dialética de Direito Tributário nº 5. São Paulo: Editora Dialética, fevereiro de 1996, pp. 72 a 97. 14 BARRETO, Aires F. "ISS: Não incidência sobre atividades desenvolvidas em águas marítimas". In: Revista Dialética de Direito Tributário nº 200. São Paulo: Editora Dialética, maio de 2012, pp. 7 a 23. 15 Supremo Tribunal Federal Recurso Extraordinário nº 592.905/SC, de relatoria do Ministro Eros Grau, voto proferido em 02/12/2009. Fl. 2592DF CARF MF 36 complexidade no cotejo entre as materialidades envolvidas na imposição sobre o consumo, o seguinte excerto de artigo de lavra de Eduardo Domingos Botallo: "Em rigor, o IPI e o ICMS distinguemse tãosomente pelo fato de o primeiro pressupor uma operação de industrialização, da qual resultará a mercadoria, a ser posta em comércio. Como se vê, a materialidade do IPI é mais complexa porque envolve, além da prestação de dar, um prévio fazer, ou seja, um industrializar produtos (...). A par disso, a similitude dos dois tributos, vem explicitamente reconhecida na Constituição Federal quando, em seu art. 155, § 2º, XI estabelece que o ICMS não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do IPI 'quando a operação realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador dos dois impostos'. Em suma, embora ontologicamente as expressões 'produto industrializado' e 'industrialização' aplicamse a outros tributos e, de modo muito peculiar, ao ICMS. Pelos pontos em comum que os dois tributos possuem, nada justifica sustentar a existência de conceitos díspares pra estas expressões, ao menos no campo tributário"16 (seleção e grifos nossos). 78. Assim, basta a substituição de “serviço” por “produto industrializado” no seguinte excerto para que se perceba a necessidade de adstrição à materialidade de cada tributo como condição sine qua non para que se afirme a sua incidência jurídica: “A análise sistemática da Constituição leva à conclusão de que o conceito constitucional de serviço tributável, por via de impostos, não coincide com o emergente da acepção comum, ordinária, desse vocábulo. Sempre lembramos ter sido A. A. Becker apoiado em Pontes de Miranda quem, visando a extrair conseqüências no campo do direito tributário, demonstrou que a norma jurídica como que “deturpa” ou “deforma” os fatos, do mundo, ao erigilos em fatos jurídicos (v. “Teoria Geral do Direito Tributário”, 2 ed., p. 78). É para delimitar e circunscrever num contexto rígido o campo de competência, relativamente a serviços, que a Constituição utiliza, expressamente, esse vocábulo. Pressupõe, portanto, um conceito de certos fatos que poderão ser adotados como hipótese de incidência, pelo legislador ordinário. Este poderá usar total ou parcialmente a competência recebida. Não poderá, porém, ultrapassála. Quer dizer: o legislar, não pode ir além dos lindes do conceito constitucional de serviço”17 – (seleção nossa). 16 BOTALLO, Eduardo Domingos. "Conceito constitucional e limites da tributação pelo IPI". In: SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Tributação e desenvolvimento homenagem ao professor Aires Barreto. São Paulo: Editora Quartier Latin, selo Direito GV Coleção "Tributação & Desenvolvimento", 2011, pp. 175176. 17 BARRETO, Aires F. "ICMS e ISS estremação da incidência". In: Revista Dialética de Direito Tributário nº 71. São Paulo: Editora Dialética, agosto de 2001, pp. 7 a 18. Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.545 37 79. Tais afirmações foram ecoadas pela obra de José Roberto Vieira nos seguintes termos: "Deveras, admitase, com a melhor doutrina, que “Não é possível, porque ilegal e inconstitucional, pretender tributar atividadesmeio, separandoas do fim perseguido, para considerálas... isoladamente...” (AIRES F. BARRETO); uma vez que “A prestação de serviço tributável pelo ISS é, pois... aquela em que o esforço do prestador realiza a prestaçãofim, que está no centro da relação contratual” (grifamos – MARCELO CARON BAPTISTA). Ilustrativo é o exemplo de que lançam mão os defensores dessa doutrina: o ISS pode alcançar a produção de um parecer jurídico de um advogado (atividadefim), nunca, apartadamente, os serviços de digitação, impressão etc (atividadesmeio), passos intermediários, anteriores e preparatórios, em relação à prestaçãofim, objetivo do contrato celebrado entre o advogado e seu cliente. Muito diversa, contudo, é a situação em tela, na qual a atividade considerada “atividademeio” é objeto de um contrato celebrado entre o encomendante e o encomendado, completamente separado daquele que será, mais tarde, firmado entre o encomendante e o futuro adquirente dos bens. Nesse caso, a atividade chamada “atividademeio” é objeto de um contrato independente, de um negócio jurídico autônomo, absolutamente autárquico, o quê, por óbvio, desqualificaa como atividademeio, caracterizandoa, isso sim, como prestaçãofim, passível, sob esse ponto de vista, de sujeição ao ISS! Não é esse, ainda, todavia, o maior lapso dessa corrente interpretativa, que, com o olhar voltado tãosomente para as disposições da lei complementar – aqui o excesso da supervalorização dessa lei – esquece que a sua aptidão para iluminar os conflitos é de caráter adiáforo e secundário, só ganhando espaço após a tentativa infrutífera de solução pelo critério de preponderância das obrigações de dar ou de fazer, juízo cuja primazia e predomínio decorre de sua origem estritamente constitucional. Ora, esse caminho interpretativo, deslumbrado pela lei complementar, simplesmente olvida o critério maior, pondo de lado, ironicamente, a própria Lei Suprema! Estamos a considerar, frisese, atividades de acondicionamento (ou reacondicionamento), de restauração (ou recondicionamento) e de beneficiamento, todas hipóteses que já apreciamos (item 5, atrás), para identificar, a despeito das atrevidas disposições regulamentares, a zona de incerteza em que habita o último caso (beneficiamento) e a pacífica prestação de serviços consubstanciada nos dois primeiros (acondicionamento e restauração); hipóteses em que os bens poderão ser obtidos no curso das atividades usuais do encomendado, advindo da sua linha normal de produção, como bens genéricos e fungíveis, caracterizando a supremacia da obrigação de dar (parcela dos casos de beneficiamento); ou hipóteses em que os bens obtidos Fl. 2594DF CARF MF 38 poderão ser peculiares, específicos e infungíveis, assinalando a supremacia da obrigação de fazer (casos de acondicionamento e restauração, e parcela dos casos de beneficiamento). Por isso é que, há já duas décadas, concluímos: ...identificamos, então, as áreas em que se aproximam os dois impostos: os serviços associados ao fornecimento de materiais (ISS) e as industrializações por encomenda (IPI); áreas em cuja interface surpreendemos a figura do contrato de empreitada de materiais; entidade jurídica de direito privado que, à luz daqueles critérios distintivos constitucionais (obrigações de dar e fazer), só se pode curvar à incidência do ISS, inadmitindose a tributação pelo IPI"18 (seleção nossa, grifos do original). 80. Com base em tais argumentos, os serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS não devem sofrer a incidência de IPI. Em outras palavras, toda e qualquer exigência de IPI calculada sobre atividades meio será nula. 81. Deve, portanto, a tributação sobre o consumo obedecer estritamente à delimitação da competência tributária que, ao afirmar um imposto, infirma os outros dois. Na repetida e correta asserção de Geraldo Ataliba, "(...) onde cabe ISS, não cabe ICMS; onde cabe ICMS, não cabe ISS; onde cabe ISS, não cabe IPI, onde cabe IPI, não cabe ISS. Isso é radical na Constituição. Não podemos ter deficiências para aplicar esse radicalíssimo critério aos casos concretos".19 Neste sentido, preleciona Paulo Ayres Barreto: "A Constituição Federal de 1988 pode ser definida como uma verdadeira Carta de competências. O legislador repartiu, de forma minudente, as competências impositivas dos entes tributantes. Vale dizer, definiu o espectro de atuação legiferante em matéria tributária (...). Definida a competência pelo legislador constituinte, tem o legislador infraconstitucional a faculdade de exercitála"20 (seleção e grifos nossos). 82. Observese que o modelo de partilha das competências não é uma condição para o estabelecimento de um sistema federal, tendo sido uma opção político administrativa do constituinte de 1988, mas, uma vez adotado, imprescindível passa a ser a sua estrita observância pelo aplicador da norma. Assim, exceto no caso da iminência ou efetiva guerra externa, "(...) ficará reservado a cada uma das pessoas jurídicas de direito público um 18 VIEIRA, José Roberto. "O papel da lei complementar no estabelecimento das fronteiras IPI x ISS: óculos para macacos". 19 ATALIBA, Geraldo. "Conflitos entre ICM, ISS e IPI", In: Revista de Direito Tributário nº 7/8 (Instituto Internacional de Direito Público e Empresarial, e Instituto Brasileiro de Estudos Tributários), São Paulo: Revista dos Tribunais, jan. a jun. de 1979, pp. 105131. 20 BARRETO, Paulo Ayres. Contribuições: regime jurídico, destinação e controle. São Paulo: Editora Noeses, 2006, p. 30. Fl. 2595DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.546 39 campo de competência, sem sobreposição",21 o que milita em profundo desapreço à concepção da materialidade concomitante defendida pelo Parecer Normativo nº 18/2013, infensa à arquitetura de repartição desenhada pelo constituinte, conforme análise de José Maria Arruda de Andrade: "(...) a questão que mais interessa aqui (...) diz respeito à característica da CF de prescrever regras de competência de forma detalhada. Essa referências aos fatos que podem ser tributados ou não (e por quem), em termos analíticos, ao se manifestarem na forma de regras (...) não poderia ser alterada ou afastada por princípios jurídicos (como o da solidariedade ou da seguridade social, previsto no art. 195) (...). Por fim (...), a própria questão do pacto federativo (...). Tratase, aqui, da constatação de que os fatos tributados por um ente federado não podem sêlo por outro, daí a ideia de um sistema de conceitos mínimos. Assim, a conjugação de todos esses fatores (regras de competência, sistema rígido, princípios garantidores e sistema federativo) torna a CF brasileira uma Constituição única" (seleção e grifos nossos). 83. Neste sentido, ademais, a posição do órgão de cúpula deste Conselho. 84. No Acórdão CSRF nº 9303004.394, de relatoria da Conselheira Tatiana Midori Migiyama, proferido em sessão de 09/11/2016, por unanimidade de votos, decidiuse nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CONFLITOS DE COMPETÊNCIA. UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos (sic) pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. art. 1º, § 2º, da LC 116/03. 21 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 7ª edição, 2017, pp. 266267. Fl. 2596DF CARF MF 40 85. Discordarmos da existência de um suposto “princípio da eficácia vinculante dos precedentes jurisprudenciais”, de conteúdo contramajoritário e que milita em desapreço de “(...) uma das bases imprescindíveis na realização de uma certa concepção do Estado e do Direito”22 que tem na intencionalidade normativa das funções estatais o fundamento da separação dos poderes que não pode ser perdido como um sopro ideológico, mas, antes, como uma categoria institucional bem demarcada. Não há, portanto, de se assentir com o precedente em geral como preceito genérico a ser seguido, fonte formal e engastada da decisão, mas, antes, como matériaprima viva na forja do amadurecimento dos conceitos segundo o entendimento das instituições, o que apenas reafirma a necessidade de separação para que este diálogo continue a existir, sob pena de se fomentar uma estrutura monologal de Estado dotada do poder de dizer o direito. 86. Assim, os arts. 926 e 927 do Código de Processo Civil de 2016 preceituam regras específicas e pontuais no sentido da uniformidade do comportamento das instituições jurisdicionais. Contudo, a uniformização não é o fim ensimesmado do preceptivo, mas, antes, prover os ideários de estabilidade, integridade e coerência e, neste sentido maiúsculo, de segurança jurídica, é possível se cogitar que “(...) ao objetivo da mera uniformidade da jurisprudência deve substituirse o objetivo da unidade do direito – ou, se quisermos, aquela ‘uniformidade’ deverá passar a entenderse de modo a verse nela a manifestação jurisprudencial desta unidade e para cumprimento da sua específica perspectiva normativointencional”:23 antes um farol a ser seguido do que uma camisa de força para o aplicador. Passase, assim, à análise não de um equivocado “princípio da eficácia dos precedentes jurisprudenciais”, que deve ser desde logo censurado, vergastado e abandonado, mas de regras pontuais de uniformização de casos que deram conta da matéria, rumo a uma postura integrativa e de unicidade do ordenamento. 87. Necessário, para tal tarefa, terse em conta que a remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça afasta a incidência do IPI, como nos AgRg no AREsp 213.594/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell, AgRg no Resp nº 816.632, ministro Humberto Martins, AgRg no REsp 966.184/RJ, ministro Herman Benjamin, AgRg no Resp nº 1.369.577, ministro Herman Benjamin, e AgRg no Resp nº 1.308.633, ministro Castro Meira. 88. Transcrevese, abaixo, por todos, a ementa do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.369.577/RJ, de relatoria do Ministro Herman Benjamin, publicado em 06/03/2014, que decidiu, por unanimidade de votos, nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. IPI. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Não procede o objetivo de prequestionar dispositivos constitucionais, sobretudo porque a matéria fora debatida nas instâncias ordinárias e já houve interposição de Recurso Extraordinário contra o acórdão do Tribunal a quo (fls. 312326). 22 NEVES, A. Castanheira. O instituto dos ‘assentos’ e a função jurídica dos supremos tribunais. Coimbra: Coimbra Editora, 1ª edição (Reimpressão), 2014, pp. 14 e 15. 23 Idem, p. 656. Fl. 2597DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.547 41 2. A jurisprudência dominante do STJ é no sentido de que os bens submetidos à prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, não se sujeitam ao IPI, mas apenas ao ISS. 3. Agravo Regimental não provido. 89. Neste sentido, a declaração de voto do Conselheiro Júlio César Alves Ramos ao afastar a incidência do IPI no caso analisado no Acórdão CSRF nº 9303004.394, cuja ementa se encontra transcrita mais acima: “Ocorre que, foi bem enfatizado pela n. relatora, a posição contrária aqui defendida pelo sujeito passivo parece mesmo consolidada no âmbito do STJ. Com efeito, naquele tribunal, podemse coligir decisões recentes que enfrentaram exatamente o mesmo objeto ora em discussão cartões magnéticos personalizados e entenderam que tal operação é a descrita na Lista da Lei Complementar 116 (ou do Decreto 406) como "serviços gráficos personalizados", o que, no entender daquele Sodalício, afastaria a tributação pelo IPI. Algumas delas, inclusive, foram proferidas em processos de empresa sucedida pela autora deste. E, em respeito aos artigos 926 e 927 do novo CPC, decidi curvarme àquela jurisprudência, ainda que a entendendo equivocada. Registro, ao fim, que não vejo que tais artigos nos imponham a obrigatória aceitação, extensivamente, de decisões dos tribunais superiores. Quero dizer com isso que é preciso, em cada caso, checar, com rigor, se a matéria é a mesma e se a jurisprudência está mesmo consolidada” – (seleção e grifos nossos). 90. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário neste particular, restando, portanto, prejudicado o argumento concernente à classificação fiscal promovida pela autoridade fiscal. (VI.B) CLASSIFICAÇÃO FISCAL 91. Caso o entendimento do colegiado venha a suplantar o racional do presente voto no item precedente, há de se enfrentar a questão atinente à classificação fiscal das mercadorias. 92. Insurgese, neste passo, a recorrente, contra a classificação realizada pela autoridade fiscal. Observase que, desde o momento do fornecimento de informações durante o procedimento fiscal que culminou com a lavratura do auto de infração ora combalido, argumentou o sujeito passivo não realizar o destaque do IPI por entender, assim Fl. 2598DF CARF MF 42 como o presente voto, que seus produtos seriam tributados exclusivamente pelo ISS, e que a classificação correta para a sua grande maioria seria aquela descrita pelo Código NCM nº 4911.10.90, uma vez que não possuiriam posição específica na 49.11: 93. A autoridade fiscal, por outro lado, entendeu que a classificação correta não encontra abrigo no Capítulo 49, como defende a contribuinte, mas no Capítulo 48, que contempla “Papel e cartão; obras de pasta de celulose, de papel ou de cartão”. Isto porque, da leitura dos títulos, compreendese que a perspectiva sobre os produtos do Capítulo 48 é a matéria de que são constituídos e sua forma, enquanto que a do Capítulo 49 é, antes, a impressão que neles é realizada. 94. A contribuinte argumentou, contrariamente, que a nota explicativa nº 02 do Capítulo 49 dispõe que "(...) o termo impresso significa também reproduzido mediante duplicador, obtido por processo comandado por uma máquina automática para processamento de dados, por estampagem, fotografia, termocópia ou datilografia", o que descreveria exatamente as atividades por ela desenvolvidas. Aduz, ainda, que, por se tratarem de impressos personalizados, os dizeres, ilustrações, estampas, gravuras e demais especificações possuem caráter principal relativamente à sua utilização, sujeitandoos ao Capítulo 49 da TIPI em decorrência da nota explicativa nº12 do Capítulo 48, que dispõe da seguinte forma: Fl. 2599DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.548 43 95. A autoridade fiscal, por outro lado, fundamenta sua decisão, no Termo de Verificação Fiscal, no fato de que, nos produtos objeto de reclassificação, a impressão desempenha função acessória, secundária, enquanto que a "razão de ser" de tais impressos não é determinada pela matéria impressa ou ilustrada que contenham. A contribuinte, por outro lado, refuta tal premissa, pois a razão de ser de tais produtos é justamente a forma personalizada como eles são produzidas, razão única para seus clientes não comprarem itens em série disponíveis no mercado. Não obstante, segundo entendimento da contribuinte, a nota explicativa nº 05 do Capítulo 49 atrai a si a classificação dos produtos ao dispor nos seguintes termos: "(...) ressalvadas as disposições da nota 3 deste Capítulo, a posição 49.01 não compreende as publicações consagradas essencialmente à publicidade (por exemplo, brochuras, prospectos, catálogos comerciais, anuários publicados por associações comerciais, propaganda turística). Essas publicações classificamse na posição 49.11" – (seleção e grifos nossos). 96. No entanto, diferentemente da acusação fiscal, que realiza minucioso e elogioso trabalho de fundamentar a sua classificação item a item, conforme se depreende da leitura das fls.1.558 e seguintes, a contribuinte realiza defesa genérica, voltandose apenas à contestação do capítulo. A fundamentação cuidadosa da autoridade fiscal se encontra descrita nos seguintes itens do Termo de Verificação Fiscal: 4.3.1 Envelopes Classificação Fiscal 4817.10.00 (cf. NESH 4817.10 Envelopes); 4.3.2 Caixas Classificação Fiscal 4819.20.00 (cf. NESH sobre a subposição 4819.20); 4.3.3 Berços Classificação Fiscal 4819.50.00; 4.3.4 Box Classificação Fiscal 4819.50.00; 4.3.5 Capas de CD/DVD Classificação Fiscal 4819.50.00; 4.3.7 Embalagens Classificação Fiscal 4819.50.00; 4.3.8 Luvas Classificação Fiscal 4819.50.00; 4.3.9 Blocos Classificação Fiscal 4820.10.00; 4.3.10 Fichas Classificação Fiscal 4820.10.00; 4.3.11 Formulários e Questionários Classificação Fiscal 4820.10.00; 4.3.12 Papel Carta Classificação Fiscal 4820.10.00; 4.3.13 Risque Rabisque Classificação Fiscal 4820.10.00; 4.3.14 Álbuns Classificação Fiscal 4820.50.00; 4.3.15 Pastas Classificação Fiscal 4820.90.00, sumarizada, ademais, no item 4.316 na seguinte tabela: Fl. 2600DF CARF MF 44 97. O recurso voluntário interposto pela contribuinte devolve à cognição deste Conselho a classificação fiscal dos seguintes itens: 98. Quanto à distinção entre os capítulos 48 e 49, a argumentação da autoridade fiscal tem por base a realização do seguinte discrímen tendo por base a acessoriedade da impressão: “Em decorrência do exposto, constatamos que é disposição literal dos esclarecimentos da NESH acerca dos Capítulos 48 e 49 da NCM e suas posições e suposições, que o capitulo 49 abriga "os artefatos cuja razão de ser é determinada pela matéria impressa ou ilustrada que contenham". Ainda, as considerações gerais do referido capitulo informam que as obras Fl. 2601DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.549 45 de papel "que apresentem impressões cuja função seja meramente secundária em relação à sua utilização (por exemplo, papéis para embalagem, artigos de papelaria), incluemse no Capitulo 48". Nesse mesmo sentido, a nota explicativa 12 do capitulo 48, dispõe que o papel e suas obras, ”impressos com dizeres ou ilustrações que não tenham caráter acessório relativamente à sua utilização original, incluemse no Capitulo 49". Ainda, conforme a letra "h" acima, excluem se da posição 49.11 os "produtos de papel impresso do Capitulo 48 nos quais a impressão de caracteres ou de estampas tenham apenas uma importância secundária relativamente ao seu emprego principal". Desta forma, é meridiano que no código NCM 4911.99.00, classificação residual da posição 49.11, enquadramse os artigos que se caracterizam como "Outros Impressos", ou seja, o papel, o cartão, e as obras dessas matérias impressas, que não se classifiquem nas sBposições precedentes e nos quais a impressão realizada não desempenha função acessória, secundária, relativamente à sua utilização original. A impressão realizada nos artigos "Outros Impressos" determina a razão de ser desses artefatos. Os artigos nos quais a impressão desempenha função acessória classificamse no capítulo 48 da NCM. Ora, nos produtos objeto de questionamento pela fiscalização, alguns dos quais pela RGI 1 já se enquadram em classificações fiscais especificas do capítulo 48 da NCM, a impressão realizada desempenha função acessória, secundária, como se demonstrará detalhadamente no subitem 4.3 deste termo, sendo improcedente a classificação dos mesmos no capitulo 49” – (seleção e grifos nossos). 99. Neste sentido, o seguinte trecho da decisão recorrida: “A análise efetuada pela fiscalização (...) aponta que em nenhum dos produtos relacionados a impressão é o elemento essencial, sendo sua natureza definida pela matéria e pela forma que assumem após o processo de industrialização. Os elementos neles impressos constituem, é claro, um elemento relevante do produto, porém não o suficiente para alterarem a sua essência. Assim é que os envelopes continuam sendo envelopes antes ou após a impressão, assim como os diversos produtos para embalagem de CDs/DVDs (caixas, berços, box, capas CD/DVD, digipack, embalagens, luvas) e os blocos, fichas, papel carta, risque rabisque (semelhantes a blocos para anotações), álbuns e pastas, todos mantêm sua natureza com ou sem a impressão que é realizada. Fl. 2602DF CARF MF 46 Os únicos que poderiam deixar alguma dúvida apenas com base nesse critério seriam os formulários e questionários, porém o teor da Nota Explicativa da posição 4820 presente nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH (IN nº 807, de 11/01/2008), em seguida parcialmente reproduzido, é suficiente para dirimir qualquer dúvida a respeito, pois cita explicitamente o caso dos formulários: Alguns artigos da presente posição podem, frequentemente, ser revestidos de impressões ou de ilustrações, mesmo bastante importantes, e permanecem classificados na presente posição (e não no Capítulo 49) desde que as impressões e as ilustrações tenham um caráter acessório em relação a sua utilização inicial, como, por exemplo, as impressões que figuram nos formulários (destinados essencialmente a serem completados à mão ou à máquina) e nas agendas (destinadas essencialmente à escrita). (grifouse) Não obstante, a impugnante especificamente contesta a classificação dos álbuns apontando que, por suas características, deveriam ser classificados como álbuns de ilustrações para crianças, na posição 4903.00.00, considerando a Nota Explicativa nº 6 desse capítulo, além de também serem abrangidos pela imunidade objetiva, conforme a jurisprudência. Porém, não é essa a situação da classificação a ser adotada, pois os produtos são tipicamente álbuns para amostras ou para coleções, e não álbuns no sentido de livros de ilustrações. Outro argumento específico da impugnante referese aos blocos consistentes de folhas de papel presas mediante a utilização de uma espiral metálica que, segundo ela, quando muito, se enquadrariam na subposição específica dos cadernos (4820.20.00). Tal também não procede, pois as posições são específicas, sendo os blocos de notas classificados na posição 4820.10.00 e os cadernos na posição 4820.20.00. Portanto, corretas todas as reclassificações efetuadas pela fiscalização” – (seleção e grifos nossos). 100. Observase, portanto, que o núcleo da discussão se encontra na distinção entre os capítulos 48 e 49, sendo o critério de discrímen adotado se tratar ou não o serviço gráfico de um meio (acessório para a atividade industrial) ou um fim (cujo meio é a atividade industrial). Em que pese a minuciosa fundamentação realizada pela autoridade fiscal, somos obrigados a assentir com a alegação da contribuinte, sob pena de incorrermos em contradição com as premissas com as quais nos comprometemos ao longo do presente voto. 101. De fato, entendemos que a atividade da contribuinte melhor se amolda à prestação de serviços de artes gráficas consistente no fornecimento de impressos personalizados, e este é o caráter principal. O cliente da contribuinte recorrente não busca os Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.550 47 seus serviços para adquirir um "bloco de notas" genérico, que poderia obter no mercado a um custo presumivelmente menor. O objetivo é justamente obter um bloco com seu logotipo, personalizado, e de acordo com as especificações que vier a fazer. O bloco de notas, neste caso, é objeto acessório de outra intenção: divulgação da marca, publicidade, relacionamento com o cliente etc. 102. Tal vetor argumentativo não é suficiente para comprovar, sequer de longe, a correção da classificação fiscal adotada pela contribuinte, pois, como se referiu anteriormente, as alegações são genéricas e não realizam o minucioso e encomioso trabalho realizado pela autoridade fiscal de verificar item a item as características do Sistema Harmonizado. Contudo, é suficiente para afastar a aplicação do Capítulo 48, pois, como bem percebeu a decisão recorrida, nele o objeto é a matéria de que os produtos são constituídos e sua forma, enquanto que, no caso do Capítulo 49, a preocupação do classificador é com a impressão realizada no produto: “A controvérsia consiste em linhas gerais entre a classificação dos produtos no Capítulo 48 ou no Capítulo 49 da TIPI, cujos títulos são os seguintes: Capítulo 48 Papel e cartão; obras de pasta de celulose, de papel ou de cartão; Capítulo 49 Livros, jornais, gravuras e outros produtos das indústrias gráficas; textos manuscritos ou datilografados, planos e plantas Da simples leitura dos textos dos títulos, já se pode depreender que a essência dos produtos do Capítulo 48 é a matéria de que são constituídos e sua forma, enquanto que os do Capítulo 49 tem por elemento essencial a impressão que neles é realizada” – (seleção e grifos nossos). 103. Assim, coerente com a argumentação expendida anteriormente, voto pela procedência do recurso voluntário neste particular. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, unicamente para afastar a cobrança de IPI, uma vez que a atividade da contribuinte recorrente representa prestação de serviços sujeita à tributação municipal pelo ISS e, caso vencido neste item, voto por afastar a classificação fiscal adotada pelo auto de infração. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 2604DF CARF MF 48 Voto Vencedor Conselheiro Tiago Guerra Machado Redator designado Quanto à incidência do IPI nas operações promovidas pela Recorrente O entendimento exposto pelo Relator em relação à caracterização da operação realizada pela Recorrente como de "prestação de serviços", após intensa deliberação da Turma, data maxima venia, não restou acolhido pela maioria do colegiado, dentre os quais me incluo. Assim, para a maioria, estaríamos diante de uma efetiva industrialização ainda que, por encomenda , de forma que haveria indubitavelmente a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre as saídas de produtos da Recorrente. As razões para tal entendimento passam, principalmente pela clara constatação de que, no caso concreto, o objeto contratual decorrente da atividade do contribuinte é uma obrigação "de dar" e não uma obrigação "de fazer", ainda que é preciso reconhecer haja uma personalização (ou "customização") como busca a Recorrente comprovar incansavelmente, fazendonos crer, em primeiro momento, que essa característica seria a prova cabal de que não haveria a incidência do tributo federal em detrimento do Imposto sobre Serviços (ISS). Porém, na compreensão da maioria da Turma, o fato de haver uma personificação dos materiais produzidos pela Recorrente não implica, necessariamente em uma indistinta prestação de serviços, mas tãosomente uma característica singular dos produtos fabricados pela Recorrente. É bom dizer que, para fins de distinção da operação como industrialização ou prestação de serviços, não basta a mera análise do contrato entre as partes e destacar apenas a personalização como causa de afastamento da hipótese de incidência do IPI, sendo forçosa a análise de outras características da operação. Na verdade, a questão não é nova. Enquanto discutia o conflito de competência entre o IPI e ICMS conjuntamente em relação ao ISS, José Eduardo Soares de Melo asseverava que: “Por conseguinte, na CF/88, sendo distintas as materialidades do IPI e do ISS, deve se encontrar o núcleo e as notas características de cada um desses tributos, não sendo crível admitirse que ambos tratem de simples atividades humanas, na elaboração de esforço pessoal, na inexistência ou não de Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.551 49 materiais (produtos), na preeminência ou de não de equipamentos para sua elaboração, massificação, padronização, etc. Não se pode compreender, jamais, que as duas materialidades envolvam fundamentalmente um ´fazer’, de maior ou menor intensidade, que – no caso do IPI – seria mais significativa e se traduziria num bem corporificado; e – no caso do ISS – atos decorrentes de menor desempenho material e nem sempre materializados.”24 No presente caso, estamos diante de saída de materiais (obrigação de dar) que claramente passaram por processo de elaboração personalizado, que possui intrinsecamente uma obrigação de fazer. Diante desse cenário é que se criou o entendimento externado no Parecer CST 83/1977, citado na decisão da DRJ. Ainda que não compactue com a conclusão final – que admite a possibilidade de um mesmo evento venha a ser considerado fato gerador do ISS e do IPI, o que, a meu ver, revelaria importantes consequências de natureza constitucional (que não interessam a esse Conselho) – é interessante destacar que dela se conclui que a confecção de produtos por encomenda não pode – per si – desnaturar uma obrigação de dar evidente no negócio jurídico sob análise. Isto porque, vejamos, não há qualquer dúvida que estamos tratando de um produto industrializado – não há protesto em relação a isso por parte da Recorrente – tal como preceitua o Código Tributário Nacional quando delineou os aspectos materiais da incidência do IPI25; de modo que a única maneira de se afastar sua tributação é afastando qualquer resquício de “obrigação de dar” sobre a transação. Nesse ínterim, para haver uma prestação de serviços unicamente tributável pelo ISS, há de se cumprir dois requisitos cumulativos, de modo a efetivamente extinguir a “obrigação de dar” vinculada à circulação de produto industrializado: (a) O fornecimento de materiais deve ser realizado exclusivamente pelo encomendante, cabendo ao fornecedor apenas empenhar seu conhecimento e equipamentos e outros insumos que não façam parte do produto final contratado; 24 In ICMS – Teoria e Prática, 10ª edição, 2008. Página 71. 25 Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Fl. 2606DF CARF MF 50 (b) A destinação do produto acabado deve ser ao uso e consumo próprio do encomendante, não devendo haver reinserção do produto na cadeia econômica para comercialização ou nova industrialização. Pelo exposto, e considerando que a Recorrente não teve êxito em demonstrar o cumprimento de tais requisitos, revelase presente a configuração do fato gerador do IPI. Quanto à Reclassificação Fiscal realizada pela Autoridade Fazendária. A reclassificação fiscal, na visão da maioria desse colegiado, acabou ter um papel consecutivo ao próprio entendimento de que estamos diante de um fornecimento de produtos industrializados. No caso concreto, a Recorrente fornece – de forma personalizada – os seguintes itens: envelopes , caixas , berços , box , capas CD/DVD , digipack , embalagens , luvas , blocos , fichas , formulários , papel carta , questionários , rabisque , albuns , pastas. A autoridade fazendária entendeu que a classificação adequada dos materiais produzidos pela Recorrente estavam no grupo elencado do Capítulo 48, da TIPI (Papel e cartão; obras de pasta de celulose, de papel ou de cartão). Enquanto a Recorrente pretendia que o seu respectivo enquadramento na TIPI fosse no Capítulo 49, que trata de Livros, jornais, gravuras e outros produtos das indústrias gráficas; textos manuscritos ou datilografados, planos e plantas. Nessa linha, não merece reparo da decisão recorrida, que, em seu bojo, destaca: Da simples leitura dos textos dos títulos, já se pode depreender que a essência dos produtos do Capítulo 48 é a matéria de que são constituídos e sua forma, enquanto que os do Capítulo 49 tem por elemento essencial a impressão que neles é realizada. A análise efetuada pela fiscalização, a qual aqui corroboramos, aponta que em nenhum dos produtos relacionados a impressão é o elemento essencial, sendo sua natureza definida pela matéria e pela forma que assumem após o processo de industrialização. Os elementos neles impressos constituem, é claro, um elemento relevante do produto, porém não o suficiente para alterarem a sua essência. Assim é que os envelopes continuam sendo envelopes antes ou após a impressão, assim como os diversos produtos para embalagem de CDs/DVDs (caixas , berços , box, capas CD/DVD, digipack, embalagens, luvas) e os blocos, fichas, papel carta, risque rabisque (semelhantes a blocos para anotações), álbuns e pastas, todos mantém sua natureza com ou sem a impressão que é realizada. Os únicos que poderiam deixar alguma dúvida apenas com base nesse critério seriam os formulários e questionários, porém o teor da Nota Fl. 2607DF CARF MF Processo nº 13896.002795/201085 Acórdão n.º 3401003.806 S3C4T1 Fl. 1.552 51 Explicativa da posição 4820 presente nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH (IN nº 807, de 11/01/2008), em seguida parcialmente reproduzido, é suficiente para dirimir qualquer dúvida a respeito, pois cita explicitamente o caso dos formulários: Alguns artigos da presente posição podem, freqüentemente, ser revestidos de impressões ou de ilustrações, mesmo bastante importantes, e permanecem classificados na presente posição (e não no Capítulo 49) desde que as impressões e as ilustrações tenham um caráter acessório em relação a sua utilização inicial, como, por exemplo, as impressões que figuram nos formulários (destinados essencialmente a serem completados à mão ou à máquina) e nas agendas (destinadas essencialmente à escrita). (grifouse) Não obstante, a impugnante especificamente contesta a classificação dos álbuns apontando que, por suas características, deveriam ser classificados como álbuns de ilustrações para crianças, na posição 4903.00.00, considerando a Nota Explicativa nº 6 desse capítulo, além de também serem abrangidos pela imunidade objetiva, conforme a jurisprudência. Porém, não é essa a situação da classificação a ser adotada, pois os produtos são tipicamente álbuns para amostras ou para coleções, e não álbuns no sentido de livros de ilustrações. Outro argumento específico da impugnante referese aos blocos consistentes de folhas de papel presas mediante a utilização de uma espiral metálica que, segundo ela, quando muito, se enquadrariam na subposição específica dos cadernos (4820.20.00). Tal também não procede, pois as posições são específicas, sendo os blocos de notas classificados na posição 4820.10.00 e os cadernos na posição 4820.20.00. Diante disso, revelase perfeitamente aderente às regras do Sistema Harmonizado, a metodologia utilizada pela autoridade fiscal para classificação das mercadorias fornecidas pela Recorrente, não merecendo qualquer reforma o lançamento de ofício nesse particular. Tiago Guerra Machado Redator Designado Fl. 2608DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.727799/2013-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2009
DECADÊNCIA - OCORRÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Aplica-se o § 4º do Art. 150 do Código Tributário Nacional - CTN, aos impostos lançados por homologação, quando não evidenciado casos de dolo, fraude ou simulação. Ultrapassado o prazo quinquenal extingue-se o crédito tributário, sendo irregular a formalização de lançamento tributário após o termo ad quem.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL - COMPOSIÇÃO DO PRODUTO - NECESSIDADE DE PROVA.
Nos casos em que a reclassificação fiscal efetuada pelo fisco levar em consideração a composição de produto, esta deve estar irremediavelmente provada nos autos do processo, de modo a categorizar a situação de fato, sob pena da insubsistência da exigência fiscal.
Numero da decisão: 3201-003.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Aplicase o § 4º do Art. 150 do Código Tributário Nacional CTN, aos impostos lançados por homologação, quando não evidenciado casos de dolo, fraude ou simulação. Ultrapassado o prazo quinquenal extinguese o crédito tributário, sendo irregular a formalização de lançamento tributário após o termo ad quem. CLASSIFICAÇÃO FISCAL COMPOSIÇÃO DO PRODUTO NECESSIDADE DE PROVA. Nos casos em que a reclassificação fiscal efetuada pelo fisco levar em consideração a composição de produto, esta deve estar irremediavelmente provada nos autos do processo, de modo a categorizar a situação de fato, sob pena da insubsistência da exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA – Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 77 99 /2 01 3- 37 Fl. 9615DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila. Relatório Tratase de Recurso de Ofício de fls. 9603 em face da exoneração ocorrida na decisão de primeira instância administrativa fiscal proferida pela DRJ/SP de mesmas fls, restando procedente a Impugnação de fls. 9507 apresentada em oposição ao Auto de Infração de IPI de fls. 9463 e Termo de Constatação Fiscal de fls. 9449, lavrados em razão de suposto crédito indevido em razão de divergência na classificação de produto. Como de costume desta Turma de Julgamento, transcrevese o mesmo relatório utilizado na decisão de primeira instância, in verbis: "Trata o presente processo de exigência de Imposto sobre Produto Industrializado IPI, no período de julho de 2008 a setembro de 2009, em virtude de recomposição da escrita fiscal do sujeito passivo, motivada pela adoção de classificação fiscal distinta da adotada pelo contribuinte nas aquisições efetuadas junto a empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda, CNPJ nº 61.454.393/000106, no valor de R$ 4.706.747,62, conforme Termo de Constatação de Infração Fiscal de fls. 9.449 a 9.462 e Auto de Infração de fls. 9.463 a 9.477. O citado lançamento tributário foi formalizado em nome da sucessora, por incorporação, da empresa Indústrias de Bebidas Matte Leão Ltda, CNPJ nº 03.131.613/0001 56. Segundo o Termo de Constatação de Infração Fiscal, a autoridade fiscal entendeu que o produto mencionado nas notas fiscais de aquisição "CONCENTRADO MATTE LEÃO", deveria ter sido classificado na posição 2101.20.20, cuja alíquota é de 0%, ao invés da que consta, 2106.90.10 EX 01 com alíquota de 27%, o que redundou em um creditamento indevido de IPI, glosado pela autoridade fiscal. A interessada tomou ciência do Auto de Infração em 21/08/2013 e inconformada apresentou sua impugnação às fls. 9.507/9.541, deduzindo os seguintes argumentos em sua defesa; 1. Em preliminar, a Impugnante defende a ocorrência de decadência do período de apuração de julho de 2008; 2. No mérito, que, a responsabilidade pela correta classificação de uma mercadoria é sempre exclusivamente de seu produtor; Fl. 9616DF CARF MF Processo nº 18470.727799/201337 Acórdão n.º 3201003.039 S3C2T1 Fl. 9.616 3 3. Que a Fazenda Pública não pode desclassificar mercadoria sem produzir prova pericial que ampare a classificação por ela sustentada; 4. Que a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal está errada; pois na composição do concentrado adquirido da RECOFARMA não há extrato ou substância extraída do mate, o que corrobora a classificação fiscal adotada nos documentos fiscais; 5. Que a RECOFARMA adota como critério para denominação de seus concentrados, o nome da bebida a que se destina, sem que tal fato signifique que elas contenham extrato de mate; 6. Que a análise dos rótulos das embalagens do extrato de mate produzido pela Impugnante e dos insumos fabricados pela RECOFARMA, constam os ingredientes de cada um desses concentrados, conforme documentos 05 e 06, anexos; 7. Que as demais objeções suscitadas pela autoridade fiscal, citadas em seu Termo de Constatação de Infração Fiscal são irrelevantes para se descortinar o aspecto material da questão; 8. Que não cabe a exigência de multa por suposta infração cometida pela incorporada, nos termos do Art. 132, CTN; É o Relatório." Esta decisão de primeira instância administrativa fiscal foi proferida com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2009 DECADÊNCIA OCORRÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Aplicase o § 4º do Art. 150 do CTN, aos impostos lançados por homologação, quando não evidenciado casos de dolo, fraude ou simulação. Ultrapassado o prazo quinquenal extinguese o crédito tributário, sendo irregular a formalização de lançamento tributário após o termo ad quem. CLASSIFICAÇÃO FISCAL COMPOSIÇÃO DO PRODUTO NECESSIDADE DE PROVA Nos casos em que a reclassificação fiscal efetuada pelo fisco levar em consideração a composição de produto, esta deve estar irremediavelmente provada nos autos do processo, de modo a categorizar a situação de fato, sob pena da insubsistência da exigência fiscal. Impugnação Procedente. Fl. 9617DF CARF MF 4 Crédito Tributário Exonerado." Em razão da exoneração ocorrida, o contribuinte não protocolou Recurso Voluntário e a DRJ/SP recorreu de ofício. Em seguida os autos foram distribuídos e pautados em acordo com as normas previstas no Regimento Interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção de Julgamento e presentes os requisitos de admissibilidade, inclusive o de alçada, o tempestivo Recurso de Ofício deve ser conhecido. Verificase que a decisão de primeira instância negou parte das preliminares alegadas em Impugnação mas deu provimento em duas destas, considerando a decadência com fundamento no Art. 150, §4.º, do Código Tributário Nacional CTN e a ausência de comprovação por parte da fiscalização da presença do MATE no produto adquirido, como o principal ponto que motivou o cancelamento do lançamento. De início já é possível concordar com a aplicação do Art. 150, §4.º do CTN para a contagem da decadência uma vez que está comprovado nos autos inclusive um pagamento parcial dentro do período lançado, premissa que atende o disposto no Resp 973.733 SC/STJ, de aplicação obrigatória neste Conselho em razão do disposto no Art. 62 do regimento interno. Logo, esta decaído o período de julho de 2008, parte do lançamento. Em votação unânime, esta DRJ/SP aplicou o Art. 112 do CTN, interpretando a lide administrativa em favor do contribuinte, uma vez que o lançamento criou dúvida com relação à reclassificação. E diante desta premissa, não foi necessário sequer analisar a classificação do produto, se estaria correta a do contribuinte ou não. Assim, ainda que a Receita Federal do Brasil, representada pelo Auditores Fiscais da Receita, tenha competência para reclassificar os produtos de acordo com as posições das Nomenclaturas Comuns do Mercosul e com as regras gerais do sistema harmonizado de classificação, tal reclassificação deve ser acompanhada da verossimilhança e de alguma prova, que convença de forma suficiente os julgadores administrativos, seja de primeira ou de segunda instância. Neste caso, a fiscalização não juntou nenhuma prova que poderia dar reforço à reclassificação e, ao seu favor, o contribuinte apresentou provas e verossimilhança suficiente para comprovar que a reclassificação apresentada pela fiscalização não deveria prosperar. Fl. 9618DF CARF MF Processo nº 18470.727799/201337 Acórdão n.º 3201003.039 S3C2T1 Fl. 9.617 5 Nos documentos anexos à impugnação o contribuinte juntou declaração do fornecedor do produto reclassificado com a afirmação de que não havia malte no produto, assim como juntou os rótulos do produto, que apontam somente substâncias químicas diversas, sendo que nenhuma era malte. Ainda, apesar deste produto ter o nome de "Concentrado de Malte Natural", o contribuinte explicou que a nomenclatura é utilizada de acordo com a destinação que será dada ao produto adquirido, se para o "Concentrado de Malte Natural", se para o "Concentrado de Malte com Limão" ou para o "Concentrado de Malte Zero", por exemplo. Todas as alegações e provas favoráveis ao contribuinte fazem sentido e merecem provimento, ao mesmo tempo que o lançamento não comprovou a divergência na classificação do produto e, portanto, em razão da dúvida que paira sobre o lançamento, este não deve prosperar. Assim, é possível manter a decisão de primeira instância de acordo com os mesmos termos e fundamentos apresentados nesta, inclusive com relação à alegação de decadência, transcrita a seguir: "A impugnação é tempestiva e cumpre os demais requisitos de admissibilidade pelo que dela tomo conhecimento. Preliminarmente, há de se reconhecer que o período de apuração de julho de 2008 foi alcançado pelo instituto da decadência em razão do decurso de prazo quinquenal. Na hipótese, não se vislumbrando dolo, fraude ou má fé por parte do contribuinte ou mesmo da autoridade fiscal, pelo que se depreende de seu Termo de Constatação de Infração Fiscal, há de se aplicar o parágrafo quarto do Art. 150 do CTN. Deste modo, a decadência se operou em julho de 2013, para a glosa do período de apuração de julho de 2008, uma vez que a Impugnante somente tomou ciência do lançamento tributário em agosto de 2013. Decadência reconhecida exclusivamente para o período de apuração citado. Passo a analisar as razões de mérito. Alega a Impugnante que a responsabilidade pela classificação fiscal adotada e descrita nos documentos fiscais é do remetente das mercadorias, não havendo texto legal que atribua responsabilidade ao adquirente das mesmas por sua incorreção. Por outro lado, também, não fica a Impugnante imune a eventual glosa de créditos indevidos de IPI, porventura escriturados à vista de errônea classificação fiscal. Ressalto que não foi imputado à Impugnante multa por erro de classificação fiscal, mas sim, glosa de crédito de IPI considerado indevido pela autoridade fiscal, sob os argumentos que empreendeu. Fl. 9619DF CARF MF 6 Interpretar de modo contrário significa que a legalidade e o alcance das normas de incidência tributárias estariam limitadas à ação escolhida por um dos partícipes da relação comercial. Estaríamos afastando o princípio da verdade real, da legalidade e a relevância do fato como elemento desencadeador da relação jurídicotributária. Alega. ainda, que a autoridade fiscal não pode afastar a classificação fiscal adotada pelo sujeito passivo, sem que haja perícia prévia. Segundo o Art. 142 do CTN, compete à autoridade administrativa efetuar o lançamento tributário identificando todos os elementos decorrentes do fato gerador, a saber: elemento material, subjetivo, temporal, espacial e quantitativo, o qual, este último, em sede de IPI, somente pode ser determinado com a busca da classificação fiscal aplicável ao caso concreto que, em última análise, definirá a alíquota do tributo. Condicionar a competência da autoridade fiscal a exame pericial prévio consiste, de modo transverso, atribuir tal competência à pessoa estranha àquela escolhida pela lei. Atribuise, assim, à atividade de lançamento da autoridade fiscal uma condição acessória e subordinada ao entendimento de alguém que nunca teve ou recebeu tal aptidão. Óbvio que a autoridade fiscal pode e deve afastar a classificação fiscal incorretamente efetuada na defesa do Erário, nos termos de sua competência atribuída pelo Art. 142 do CTN, mesmo que sem perícia, mas nunca sem fundamento ou motivação. Não há necessidade de prova pericial para que a autoridade fiscal questione classificação fiscal adotada, até porque é quem detém a competência para tanto, mas há a necessidade de prova, ainda que meramente argumentativa, demonstrativa da pertinência e da boa aplicação das normas de interpretação que regem a atividade. Há de haver demonstração da adequabilidade do procedimento administrativo. No caso sob exame, a autoridade fiscal desenvolveu argumentos com sólido respaldo nas normas gerais de interpretação, conforme seu Termo de Constatação de Infração Fiscal, que fizeram que adotasse a classificação fiscal posição 2101.20.20, para o produto "CONCENTRADO MATTE LEÃO", adquirido pela Impugnante da RECOFARMA, cuja alíquota é de 0%, inviabilizando o creditamento do IPI que a legislação adotada autorizou. Da análise dos autos verifico que a autoridade fiscal assim procedeu, pois entendeu que no produto concentrado havia em sua composição substância derivada do mate. Em se confirmando tais circunstâncias não teria reparo o trabalho fiscal. Ocorre que, não há prova nos autos de que o produto "CONCENTRADO MATTE LEÃO" recebeu em sua composição qualquer substância extrativa do mate a ensejar a classificação adotada pela autoridade fiscal. Fl. 9620DF CARF MF Processo nº 18470.727799/201337 Acórdão n.º 3201003.039 S3C2T1 Fl. 9.618 7 E não há necessidade de prova pericial. Conforme defendeu a impugnante, a RECOFARMA adota como critério para denominação de seus concentrados, o nome da bebida a que se destina, sem que tal fato signifique que elas contenham extrato de mate, que pelo se sabe, não é cultivado na região norte do País por razões climáticas. Esse argumento trazido pela defesa, que o nome do CONCENTRADO da RECOFARMA recebe o nome do produto da destinatária (finalidade), inclusive, já foi reconhecido em outro processo administrativo fiscal de nº 11080.732960/2014 10, Acórdão nº 0132.548 da 3ª Turma da DRJ/BEL. Portanto, o nome comercial do concentrado adotado pela RECOFARMA não é elemento essencial e fundamental para se afirmar que o mesmo possua em sua composição alguma substância derivada do mate. A rigor, no Acórdão supracitado decidiu aquela Delegacia de Julgamento que os denominados KITS da RECOFARMA sequer constituem um "concentrado", uma "preparação", pois não submetidos a um preparo, constituindo produtos embalados individualmente os quais deveriam cada qual receber sua classificação conforme as regras vigentes, pois somente seriam misturados e preparados no adquirente fabricante da bebida a que se destina. Neste sentido, nem a classificação ora adotada pelo fisco, bem como, aquela adotada pela Impugnante estariam corretas. Nas fotos de fls. 9.586 a 9.591 dos rótulos dos produtos da RECOFARMA não consta qualquer menção ao produto extrato de Mate. As notas fiscais acostadas às fls. 9.575 a 9.577 demonstram a origem do extrato de mate para a industrialização dos produtos da Impugnante. Estas circunstâncias e os elementos trazidos pela defesa nessa fase de impugnação são suficientes para gerar dúvida neste julgador quanto as circunstâncias materiais do caso concreto, a reclamar a aplicação do Art. 112 do CTN. Por fim, eventuais análises econômicas, estatísticas, comerciais, por si só, não são relevantes para se descortinar a matéria de fato se desassociadas de outros juízos e raciocínios que possam infirmar o que, concretamente, ocorreu. Pelo exposto, e à vista de que não restou provado nos autos que o produto "CONCENTRADO MATTE LEÃO", possui em sua composição substância derivada do mate a corroborar a classificação fiscal adotada pela autoridade administrativa e a glosa de créditos do IPI efetuados, voto pela procedência da Impugnação." Fl. 9621DF CARF MF 8 CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício para manter a decisão de primeira instância, com principal fundamento no Art. 112, 113 e 142 do Código Tributário Nacional. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 9622DF CARF MF
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