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Numero do processo: 10280.901333/2013-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
PIS/PASEP. AQUISIÇÃO DE PRODUTO MONOFÁSICO PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO.
Não podem ser calculados créditos sobre aquisições dos produtos para revenda sujeitos à tributação monofásica, previstos artigos 1°, 3° c/c os Anexos I e II e 5° da Lei n° 10.485/02.
Numero da decisão: 3301-004.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Valcir Gassen, que dava provimento para os créditos referentes a aquisição de bens com tributação concentrada nas etapas anteriores.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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AQUISIÇÃO DE PRODUTO MONOFÁSICO PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Não podem ser calculados créditos sobre aquisições dos produtos para revenda sujeitos à tributação monofásica, previstos artigos 1°, 3° c/c os Anexos I e II e 5° da Lei n° 10.485/02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Valcir Gassen, que dava provimento para os créditos referentes a aquisição de bens com tributação concentrada nas etapas anteriores. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 13 33 /2 01 3- 35 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10280.901333/201335 Acórdão n.º 3301004.964 S3C3T1 Fl. 218 2 Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "O interessado transmitiu o PER nº 10336.28455.171108.1.1.100231, no qual requer ressarcimento de crédito relativo ao PIS/Pasep nãocumulativo – mercado interno do 1º trimestre de 2008; Posteriormente transmitiu as Dcomps nº 06960.33437.250309.1.3.108600 e 38498.05030.030511.1.7.109067, visando compensar os débitos nelas declarados com o crédito acima; A DRFBelém/PA emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a) requer a nulidade do ato por não existir fundamentação legal do indeferimento; b) da regularidade e da legalidade dos créditos de PIS e Cofins mercado interno de produtos sujeitos à tributação monofásica. Direito conferido pelo art. 17 da lei n° 11.033/04. Princípio da hierarquia das normas. Negativa de vigência à lei federal; c) programas da Receita Federal que autorizam o crédito; É o breve relatório." A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e o Acórdão n° 0958527 foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 PIS/PASEP COFINS. AQUISIÇÃO DE PRODUTO MONOFÁSICO PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Não podem ser descontadas como crédito as aquisições de produtos para revenda sujeitos à tributação monofásica, ainda que sua receita de venda seja sujeita à alíquota zero. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que apresenta tão somente razões de mérito: i) A a vedação ao crédito prevista na alínea "b" do inciso I do art. 3° da Lei n° 10.637/02 apenas prevaleceu enquanto vigorou a redação original das Leis n° 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que excluía a receita com a venda dos produtos em questão do regime não cumulativo (incisos IV dos § 3° dos artigos 1° c/c incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, em suas redações originais). E o direito ao crédito seria garantido pelo art. 17 da Lei n° 11.033/04. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10280.901333/201335 Acórdão n.º 3301004.964 S3C3T1 Fl. 219 3 ii) O próprio formulário do DACON admite o registro dos créditos pleiteados. iii) Ilegalidade da IN SRF n° 594/05, que veda a tomada dos créditos pleiteados. iv) A interpretação dada pelo Fisco ao art. 17 da Lei n° 11.033/04, no sentido de que não ampara o direito ao crédito para as revendedoras de veículos, pneus novos de borracha, câmaras de ar de borracha e autopeças, violaria o princípio constitucional da igualdade tributária, previsto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário reúne os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O contribuinte transmitiu o Pedido de Ressarcimento (PER) nº 10336.28455.171108.1.1.100231, pleiteando crédito de PIS/Pasep nãocumulativo – mercado interno do 1º trimestre de 2008, ao qual vinculou os Pedidos de Compensação (DCOMP) nº 06960.33437.250309.1.3.108600 e 38498.05030.030511.1.7.109067. A DRFBelém/PA emitiu Despacho Decisório Eletrônico, indeferindo o PER e não homologando os DCOMP, com base no Parecer Seort/BEL n° 256/2013 (fls. 32 a 39). Foram glosados os créditos derivados de compras para revenda de veículos, pneus novos de borracha, câmaras de ar de borracha e autopeças, de que tratam os artigos 1°, 3° c/c os Anexos I e II e 5° da Lei n° 10.485/02, por força do disposto na alínea "b" do inciso I do art. 3° da Lei n° 10.637/02. Os dispositivos da Lei n° 10.485/02 determinavam que fabricantes e importadores daqueles produtos recolhessem o PIS devido pelos atacadistas e varejistas na condição de substitutos, à alíquota superior à regular. Por conseguinte, estava reduzida a zero a alíquota do PIS incidente sobre as vendas realizadas por atacadistas e varejistas, de acordo com os incisos I e II do § 2° do art. 3° e parágrafo único do art. 5° da Lei n° 10.485/02. O procedimento fiscal foi ratificado pela DRJ em Belém/PA. Nas peças de defesa, a recorrente aduziu que a vedação ao crédito prevista na alínea "b" do inciso I do art. 3° da Lei n° 10.637/02 apenas prevaleceu enquanto vigorou a redação original das Leis n° 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que excluía a receita com a venda dos produtos em questão do regime não cumulativo (incisos IV dos § 3° dos artigos 1° c/c incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, em suas redações originais). Com o advento da Lei n° 10.865/04, art. 42, os produtos foram incluídos no regime da não cumulatividade. Assim, os créditos pelas compras passaram a ser admitidos, apesar de os produtores e importadores terem permanecido como substitutos tributários dos Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10280.901333/201335 Acórdão n.º 3301004.964 S3C3T1 Fl. 220 4 atacadistas e varejistas e as vendas realizadas por estes últimos tributadas à alíquota zero. E a base legal para a tomada/manutenção dos créditos seria o art. 17 da Lei n° 11.033/04. Alegou que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) tem campo próprio para o registro de créditos oriundos de compras, cujas vendas são tributadas à alíquota zero. Que a vedação ao registro dos créditos prevista na IN SRF n° 594/05 seria ilegal, posto que estaria limitando o direito conferido pelo art. 17 da Lei n° 11.033/04. E que a interpretação dada pelo Fisco ao art. 17 da Lei n° 11.033/04, no sentido de que não ampara o direito ao crédito para as revendedoras de veículos, pneus novos de borracha, câmaras de ar de borracha e autopeças, violaria o princípio constitucional da igualdade tributária, previsto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal. O Despacho Decisório e o Parecer Seort/DRF/BEL n° 256/13 parecemme corretos, pois o registro dos créditos pleiteados é expressamente vedado pela alínea "b" do inciso I do art. 3° da Lei n° 10.637/02. Consta no citado parecer e no recurso, isto é, tratase de dado incontroverso, que a recorrente era comerciante varejista dos veículos, pneus novos de borracha, câmaras de ar de borracha e autopeças, os quais encontravamse classificados nas posições da TIPI elencadas pelos artigos 1°, 3° c/c os Anexos I e II e 5° da Lei n° 10.485/02. Estes dispositivos legais elegeram os fabricantes e importadores substitutos dos atacadistas e varejistas, para fins de PIS e COFINS. E o mesmo diploma legal, por intermédio dos incisos I e II do § 2° do art. 3° e parágrafo único do art. 5° da Lei n° 10.485/02, reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre as vendas realizadas por atacadistas e varejistas. Reproduzo as referidas bases legais: "LEI N° 10.485, DE 3 DE JULHO DE 2002 Art. 1o As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). (. . .) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10280.901333/201335 Acórdão n.º 3301004.964 S3C3T1 Fl. 221 5 o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (. . .) II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores.(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). (. . .) § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004). II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004). (. . .) Art. 5o As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras dos produtos classificados nas posições 40.11 (pneus novos de borracha) e 40.13 (câmarasdear de borracha), da TIPI, relativamente às vendas que fizerem, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,5% (nove inteiros e cinco décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Parágrafo único. Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, relativamente à receita bruta da venda dos produtos referidos no caput, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas." (g.n.) Os acima transcritos enquadramentos nas legislações do PIS e da COFINS regime não cumulativo, fabricante ou importante substituto tributário e receita de venda no atacado ou varejo tributada à alíquota zero constam nas alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, que proíbem comerciantes atacadistas e varejistas dos produtos em questão de registrar créditos sobre os produtos em questão: "Lei n° 10.637/02 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos:(Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10280.901333/201335 Acórdão n.º 3301004.964 S3C3T1 Fl. 222 6 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) V no caput do art. 5o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda dos produtos classificados nas posições 40.11 (pneus novos de borracha) e 40.13 (câmarasdear de borracha), da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) Lei n° 10.833/03 "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (. . .)" "Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10280.901333/201335 Acórdão n.º 3301004.964 S3C3T1 Fl. 223 7 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002 , no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) V no caput do art. 5o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda dos produtos classificados nas posições 40.11 (pneus novos de borracha) e 40.13 (câmarasdear de borracha), da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005)." (g.n.) A vedação era expressa e, com a devida vênia, não comporta dúvida alguma: a recorrente, comerciante varejista, não tinha o direito de registrar créditos de PIS e COFINS sobre as compras de veículos, pneus novos de borracha, câmaras de ar de borracha e autopeças, que encontravamse classificados nas posições da TIPI elencadas pelos artigos 1°, 3° c/c os Anexos I e II e 5° da Lei n° 10.485/02. E os argumentos consignados em suas peças de defesa em nada a socorrem. Senão vejamos. O primeiro foi no sentido de que a vedação tão somente "prevalecia enquanto em vigor a redação original da Lei n° 10.833/03". Ocorre que não apresentou construção interpretativa que pudesse justificar sua afirmativa. Assim, admitilo, seria negar vigência à redação atual das nas alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, sem qualquer justificativa jurídica. O segundo diz respeito ao art. 17 da Lei n° 11.033/04. Aduziu que permite o registro de créditos oriundos de toda e qualquer entrada de mercadoria, cuja venda não seja tributada: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." Também não há controvérsia acerca da interpretação da regra acima reproduzida. Ela não trouxe nova hipótese de creditamento, porém dispôs que os créditos legalmente autorizados não precisam ser estornados, caso a venda dos respectivos produtos não seja alcançada pelas contribuições. E a correta interpretação do art. 17 da Lei n° 11.033/04 também derruba o segundo argumento da recorrente: o campo do DACON destinado a créditos derivados de compras de produtos cujas saídas não sofrem tributação prestase àqueles cujo registro é autorizado pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. De forma alguma, pode ser preenchido por créditos cujos registros são expressamente vedados, como no caso dos aqui pleiteados pela recorrente. O terceiro dispõe que seria ilegal a vedação ao cômputo dos créditos prevista na IN SRF n° 594/05, pois estaria contrariando o art. 17 da Lei n° 11.033/04. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10280.901333/201335 Acórdão n.º 3301004.964 S3C3T1 Fl. 224 8 Acima, apresentei minhas divergências acerca da interpretação da recorrente do art. 17 da Lei n° 11.033/04. E, com efeito, o inciso IV do § 5° do art. 26 da IN SRF n° 594/05 tão somente regulamenta a vedação prevista nas alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Assim, não vejo ilegalidade alguma. Não obstante, afasto o argumento, pois não se encontra no escopo deste colegiado apreciar argumentos que visam declarar ilegalidade de ato normativo regularmente expedido pela RFB (art. 62A da Portaria MF n° 343/15 RICARF e Súmula CARF n°2). E, por fim, também com base na Súmula CARF n° 2, rechaço a alegação de que a proibição à tomada dos créditos violaria o princípio constitucional da igualdade tributária (inciso II do art. 150 da Constituição Federal), pois o julgamento deste tipo de demanda também está fora de nossa competência. Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723909/2010-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 30/09/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 39 09 /2 01 0- 93 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11080.723909/201093 Acórdão n.º 9202006.763 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11080.723909/201093 Acórdão n.º 9202006.763 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11080.723909/201093 Acórdão n.º 9202006.763 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11080.723909/201093 Acórdão n.º 9202006.763 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11080.723909/201093 Acórdão n.º 9202006.763 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11080.723909/201093 Acórdão n.º 9202006.763 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11080.723909/201093 Acórdão n.º 9202006.763 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11080.723909/201093 Acórdão n.º 9202006.763 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 402DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101084/2008-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS COM ORIGEM EM EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF.
O Supremo Tribunal Federal -STF no julgamento do Recurso Extraordinário nº 606.107, com repercussão geral reconhecida, definiu que os créditos de ICMS com origem em exportações transferidos a terceiros não compõem a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos das contribuições sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mão-de-obra do parque industrial.
PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MÃO-DE-OBRA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
No presente caso, as glosas referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mão-de-obra por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo, impede a sua geração de créditos.
PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA COMPOSIÇÃO DO CUSTO DO PRODUTO FABRICADO. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS COM REMOÇÃO DE RESÍDUOS. IMPOSSIBILIDADE.
Somente dão direito a crédito do tributo os gastos com insumos necessários à fabricação do produto e que, portanto, componham seu custo de produção. O serviço de remoção de resíduos, por ser posterior à fabricação do produto, não integra o custo e, assim, não enseja o direito ao crédito do tributo.
Numero da decisão: 9303-006.617
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, (i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso em relação à cessão onerosa de créditos de ICMS; (ii) por maioria de votos, em negar-lhe provimento quanto ao restabelecimento da glosa sobre os créditos de combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento; (iii) por voto de qualidade, em dar-lhe provimento para restabelecer a glosa em relação aos créditos originados das despesas com remoção de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; e (iv) por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento para restabelecer a glosa com relação aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mão-de-obra.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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BASE DE CÁLCULO. CESSÃO ONEROSA. CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIA DE PELES MINUANO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS COM ORIGEM EM EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL STF. O Supremo Tribunal Federal STF no julgamento do Recurso Extraordinário nº 606.107, com repercussão geral reconhecida, definiu que os créditos de ICMS com origem em exportações transferidos a terceiros não compõem a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos das contribuições sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãode obra do parque industrial. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MÃODEOBRA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 10 84 /2 00 8- 25 Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11065.101084/200825 Acórdão n.º 9303006.617 CSRFT3 Fl. 3 2 No presente caso, as glosas referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo, impede a sua geração de créditos. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA COMPOSIÇÃO DO CUSTO DO PRODUTO FABRICADO. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS COM REMOÇÃO DE RESÍDUOS. IMPOSSIBILIDADE. Somente dão direito a crédito do tributo os gastos com insumos necessários à fabricação do produto e que, portanto, componham seu custo de produção. O serviço de remoção de resíduos, por ser posterior à fabricação do produto, não integra o custo e, assim, não enseja o direito ao crédito do tributo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, (i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso em relação à cessão onerosa de créditos de ICMS; (ii) por maioria de votos, em negar lhe provimento quanto ao restabelecimento da glosa sobre os créditos de combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento; (iii) por voto de qualidade, em darlhe provimento para restabelecer a glosa em relação aos créditos originados das despesas com remoção de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; e (iv) por unanimidade de votos, em darlhe provimento para restabelecer a glosa com relação aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II, e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 310101.047, que deu provimento ao Recurso Voluntário. O acórdão recorrido restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 Fl. 404DF CARF MF Processo nº 11065.101084/200825 Acórdão n.º 9303006.617 CSRFT3 Fl. 4 3 COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA.REALIZAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. No regime da nãocumulatividade, a base de cálculo da contribuição é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A realização dos créditos do ICMS, por qualquer uma das formas permitidas na legislação do imposto, não constitui receita. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes denota que o legislador não quis restringir o creditamento da Cofins às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso voluntário provido. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial alegando divergência jurisprudencial quanto à inclusão da cessão onerosa de ICMS da base de cálculo das contribuições e quanto ao conceito de insumos para o PIS e COFINS nãocumulativos, conceito este que, no caso, afeta o direito de creditamento em relação às despesas com a remoção de resíduos industriais e aos gastos com combustíveis e lubrificantes consumidos por veículos utilizados no transporte de insumos e de mãodeobra do parque industrial. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade, o Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF deu seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões. No essencial, é o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.612, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 11065.000463/200807, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303006.612): Fl. 405DF CARF MF Processo nº 11065.101084/200825 Acórdão n.º 9303006.617 CSRFT3 Fl. 5 4 "O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. As matérias divergentes posta a esta E.Câmara Superior, dizem respeito a inclusão ou não na base de cálculo da contribuição, dos valores relativos à cessão onerosa de créditos do ICMS, e a interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, relacionados aos combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos, de mãodeobra do parque industrial e despesas com remoção de resíduos industriais. Tratase de PER/Dcomp entregue em 28/12/2007 no qual foi indicado crédito de PIS/Pasep a ser ressarcido com fundamento no § 2º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, relacionado ao 3º trimestre de 2007, no valor de R$ 168.497,86, cujo reconhecimento pela autoridade fiscal foi apenas parcial, da ordem de R$ 147.732,33. Segundo o Despacho Decisório, a glosa de parte do pedido foi motivada: a) pela não inclusão na base de cálculo da contribuição devida no período dos valores correspondentes à cessão de crédito do ICMS a terceiros; e pelo aproveitamento de créditos originados: b.1) da aquisição de combustíveis utilizados na frota própria de veículos; b.2) do pagamento de serviços a terceiros, pessoas jurídicas, pela prestação de serviços de remoção de resíduos industriais; b.3) da aquisição de mercadorias com o fim de exportação; e b.4) de bonificações, doações, amostras e indenizações recebidas. Com efeito, a decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário, ao entendimento de que a cessão onerosa de créditos do ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e COFINS, e segundo, que no regime da não cumulatividade dessas Contribuições as indústrias têm direito a créditos sobre os dispêndios com combustíveis dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãodeobra do parque industrial. Feito este intróito inicial, passo ao julgamento. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS COM ORIGEM EM EXPORTAÇÕES: EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO Quanto à cessão onerosa de créditos do ICMS a terceiros, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 606.107, de Relatoria da Ministra Rosa Weber, com repercussão geral reconhecida, definiu que os créditos de ICMS transferidos a terceiros não compõem a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS. Vejamos: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS não cumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida (RE 606.107 – RG, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJ 20.8.2010). Fl. 406DF CARF MF Processo nº 11065.101084/200825 Acórdão n.º 9303006.617 CSRFT3 Fl. 6 5 Neste sentido, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF, na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, portanto não assiste razão a Fazenda Nacional. NÃO CUMULATIVADE DO PIS E DA COFINS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES DOS VEÍCULOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS E DA MÃODEOBRA DO PARQUE INDUSTRIAL Em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 11065.101084/200825 Acórdão n.º 9303006.617 CSRFT3 Fl. 7 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. In caso, verifico que a Contribuinte tem como atividade principal o curtimento, a industrialização, a comercialização e a exportação de peles e tapetes, de móveis (sofás), de capas de couro bovino e de outros materiais para sofás. Neste sentido, por força do que dispõe o art. 5°, I, da Lei n. 10.637/02, ela está dispensada do recolhimento do PIS/PASEP sobre as operações de exportação de mercadorias para o exterior, e tem assegurado o direito de crédito da mesma contribuição, na forma disposta pelo art. 30, do mesmo diploma legal. Deste modo, penso que o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do PIS e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, entendo para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Sem embargo, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Fl. 408DF CARF MF Processo nº 11065.101084/200825 Acórdão n.º 9303006.617 CSRFT3 Fl. 8 7 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Como visto, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS/COFINS, referente aos combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos. No que tange os dispêndios relacionados com despesas de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra, entendo que estes não geram direito à crédito, pois não são essenciais ao processo de produção. SERVIÇOS DE TERCEIROS PARA REMOÇÃO DE LIXO INDUSTRIAL" (...)1 "Em que pese a clareza e objetividade do voto do Conselheiro Relator, peço vênia para dele discordar em parte. Esclareço que apenas discordo quanto à questão do creditamento do gasto com retirada de resíduos industriais, acompanhando o Conselheiro Relator nas demais matérias enfrentadas neste recurso. Meu entendimento é o de que não cabe crédito sobre o valor do serviço de retirada de resíduos que são gerados pela produção, por que essa retirada ocorre após o momento em que o produto está pronto para a venda. Salientese que, em que pese, durante o processo industrial poder ocorrer simultaneamente fabricação e retirada de resíduos, do ponto de vista lógico, os resíduos são a consequência da produção e, assim, os resíduos retirados se referem a resíduos gerados por unidades prontas, ainda que novas unidades estejam sendo produzidas. Pois bem, uma vez pronto o produto, qualquer gasto posterior, ainda que necessário para à atividade da entidade, em geral, não configura custo necessário a sua produção. Com a produção completa e acabada no momento em que o produto é fabricado, em tese, nada impede que um cliente adquirisse aquele produto, antes da retirada dos resíduos gerados por sua fabricação. Ora, isso afasta a necessidade do gasto para fabricação do produto. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto do relator do processo paradigma na qual foi reconhecido o direito de aproveitamento de créditos quanto aos serviços pagos a terceiros para remoção de lixo industrial, por ser entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio no presente processo. Contudo, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303006.612). Fl. 409DF CARF MF Processo nº 11065.101084/200825 Acórdão n.º 9303006.617 CSRFT3 Fl. 9 8 Reforça esse entendimento a Solução de Divergência Cosit n° 26 de 30/05/2008, que, analisando o gasto com transporte de produtos acabados, também utiliza, como razão de decidir a desnecessidade do gasto para que o produto esteja apto à venda. A seguir, encontra reproduzida a ementa da referida solução de divergência: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa. Portanto, ficam excluídos dos créditos da Cofins não cumulativa os gastos com a retirada de resíduos decorrentes da atividade de produção." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de créditos originados das despesas com remoção de resíduos industriais e para restabelecer, também, a glosa dos créditos relacionados aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 410DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.722156/2015-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2202-000.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto elaborado por ocasião da Resolução nº 2202000.755 que converteu o processo em diligência (fls. 95/99): Contra o sujeito passivo foi lavrada a notificação de lançamento de IRPF de fls. 07/12, relativa ao exercício 2011, anocalendário 2010, que implicou apuração de imposto suplementar (receita 2904) de R$ 369,51, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais; e apuração de Imposto de Renda Pessoa Física (receita 0211) no montante R$ 3.379,26, sujeito à multa de mora (20%) e juros legais, em face da constatação das seguintes infrações: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .7 22 15 6/ 20 15 -4 9 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10730.722156/201549 Resolução nº 2202000.818 S2C2T2 Fl. 157 2 Omissão de rendimentos de aluguéis, no valor tributável de R$ 2.903,85, relativo à fonte pagadora Lês Filos Participações Ltda. Compensação indevida do IRRF, no montante de R$ 5.060,36, relativos à fonte pagadora Fell Confecções e Serviços Ltda. Na impugnação (fls. 02/06) a contribuinte: concorda com a infração de omissão de rendimentos; alega que a infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte deve ser mantida, não obstante, requer sejam excluídos os respectivos rendimentos por pertencerem ao cônjuge. aduz que apresentou declaração do Imposto de Renda Original apurando imposto apagar de R$ 3.350,59, devidamente quitado, de modo que, feitos os ajustes, teria direito à restituição de imposto, e não imposto a pagar. Às fls. 46, consta intimação dirigida à interessada comunicando “que o pagamento de código 0211, efetuado em 30/03/2011, no valor de R$ 3.350,59, encontrase disponível para, caso deseje, solicitar restituição por meio do Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação – PER/DCOMP, disponível na Internet no endereço: idg.receita.fazenda.gov.Br.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro (RJ), às fls. 54/56, julgou improcedente a impugnação por entender que a alegação de erro no preenchimento da DIRPF revisada, desacompanhada de elementos probatórios, não autoriza a exclusão dos rendimentos de aluguéis, espontaneamente declarados. Inconformada, a interessada interpôs o recurso voluntário de fls. 60/63,acompanhado dos documentos de fls. 64/87, no qual traz um relato cronológico dos fatos e se insurge contra a decisão da DRJ que diz ter ignorado a informação na impugnação de que todos os rendimentos de aluguel estavam declarados na Declaração de Ajuste Anual do cônjuge, como permite a resposta à Pergunta 072, do "Perguntão 2016", e o art. 6º, parágrafo único do Decreto nº 3.000/99 e art. 4º, II, parágrafo único da IN RFB nº 1.500/14. Alega ainda que "ao acessar a base de dados do Sr. Odilon, verificase que em 21/05/2012 foi lavrada a Notificação de Lançamento 2011/464153073275444, incluindo os Rendimentos ora discutidos correspondentes aos alugueres pagos pelo CNPJ 04.929.701/000160 FELL CONFECÇÕES E SERVIÇOS LTDA ou BOB STORE CONFECÇÕES LTDA, bem como o respectivo IRRF." Assim, entende impossível tributar o mesmo rendimento duas vezes e imaginar que seja legal oferecer à tributação o valor de R$ 48.523,20, como rendimento tributável e ilegal não reconhecer o IRRF já pago pela recorrente, de forma retida na fonte, como antecipação. Por fim, requer o atendimento de seu pedido e, nessa hipótese, entende que haverá um valor à restituir de R$ 544,83. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10730.722156/201549 Resolução nº 2202000.818 S2C2T2 Fl. 158 3 Com o intuito de comprovar que os rendimentos tidos como omitidos foram pagos a outra pessoa, a contribuinte trouxe à impugnação os: a) comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, referente ao anocalendário 2010, emitido pela mesma fonte pagadora em questão e nos mesmos valores de rendimentos e imposto retido, mas em nome do Sr. Odilon Lima Cardoso (fls. 80). b) cópia da Notificação de Lançamento ( 2011/4641530737554) em nome do Sr. Odilon Lima Cardoso, que abrangeria tais rendimentos. Diante desses documentos, a então Conselheira Relatora Rosemary Figueiroa Augusto entendeu por bem baixar o processo em diligência para que a autoridade lançadora: 1 intime a autuada a apresentar cópia de sua certidão de casamento; e escritura do imóvel, contrato de locação, recibos de aluguel, referentes ao bem que diz estar locado à empresa FELL CONFECÇÕES E SERVIÇOS LTDA. (denominação antiga: BOB STORE CONFECÇÕES LTDA.) CNPJ 04.929.701/000160, no anocalendário de 2010; 2 informe sobre o andamento da Notificação de Lançamento (2011/464153073275444) em nome do Sr. Odilon Lima Cardoso, trazida aos autos pela recorrente; 3 informe sobre a possibilidade da ocorrência de dupla tributação sobre os rendimentos recebidos da empresa FELL CONFECÇÕES E SERVIÇOS LTDA. (denominação antiga: BOB STORE CONFECÇÕES LTDA.) CNPJ 04.929.701/000160, no anocalendário de 2010; 4 dê ciência à contribuinte da informação fiscal, concedendolhe o prazo de trinta dias para se manifestar; Em resposta à citada resolução, o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 105/108 e promoveu a juntada dos seguintes documentos: a) escritura do imóvel locado (fls. 109/110) b) Notificação de Lançamento nº 2011/46415373275444 em nome do contribuinte Odilon Lima Cardoso (fls. 111/116); c) Extrato do processamento da declaração do anocalendário de 2010 do contribuinte Odilon Lima Cardoso (fls. 117/ d) Recibo dos aluguéis (fls. 118/128); e) Procuração de aluguel do imóvel outorgada pelo contribuinte Odilon Lima Cardoso (fls. 129); f) certidão de casamento da Recorrente com o Sr. Odilon Lima Cardoso (fls. 130); g) contrato de prestação de serviço de administração de bens relativo ao imóvel firmado pelo Sr. Odilon Lima Cardoso (fls. 132/134); Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10730.722156/201549 Resolução nº 2202000.818 S2C2T2 Fl. 159 4 h) Contrato de locação do imóvel onde consta como locador o contribuinte Odilon Lima Cardoso (fls. 135/144); Todavia, embora devidamente comunicada da diligência a autoridade lançadora se limitou a atestar a juntada dos documentos requeridos da contribuinte, deixando, assim, incompleto o cumprimento da diligência requerida, uma vez que não se pronunciou sobre os itens 2 e 3 da diligência. Em face do exposto, voto pela nova conversão em diligência para que Unidade preparadora: a) informe sobre o andamento da Notificação de Lançamento (2011/464153073275444) em nome do Sr. Odilon Lima Cardoso, trazida aos autos pela recorrente; b) informe sobre a possibilidade da ocorrência de dupla tributação sobre os rendimentos recebidos da empresa FELL CONFECÇÕES E SERVIÇOS LTDA. (denominação antiga: BOB STORE CONFECÇÕES LTDA.) CNPJ 04.929.701/000160, no anocalendário de 2010; c) dê ciência à contribuinte da informação fiscal, concedendolhe o prazo de trinta dias para se manifestar (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660315/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.719
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 15 /2 01 2- 48 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660315/201248 Acórdão n.º 3401004.719 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660315/201248 Acórdão n.º 3401004.719 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660315/201248 Acórdão n.º 3401004.719 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660315/201248 Acórdão n.º 3401004.719 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660315/201248 Acórdão n.º 3401004.719 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660315/201248 Acórdão n.º 3401004.719 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.013449/2007-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
É cabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, dos valores dos rendimentos comprovadamente tributados na Declaração de Ajuste Anual correspondente.
Numero da decisão: 9202-006.898
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para excluir da base de cálculo apenas o valor de R$ 83.121,30, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial em menor extensão
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. É cabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, dos valores dos rendimentos comprovadamente tributados na Declaração de Ajuste Anual correspondente.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. É cabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, dos valores dos rendimentos comprovadamente tributados na Declaração de Ajuste Anual correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para excluir da base de cálculo apenas o valor de R$ 83.121,30, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Fl. 273DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, no exercício de 2004. Em sessão plenária de 28/07/2011, foi julgado o Recurso Voluntário nº 510.258, prolatando-se o Acórdão nº 2801-01.711 (e-fls. 113 a 116), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE AMPLA DEFESA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando comprovado que ao contribuinte foram concedidas diversas oportunidades para apresentar provas do não cometimento das infrações lhe imputadas. DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. Considerando que os rendimentos declarados e omitidos transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, os rendimentos confessados devem ser excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Preliminar Rejeitada. Recurso voluntário provido em parte.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada o valor de R$ 155.679,00, nos termos do voto da Relatora Vencidos os Conselheiros Antonio de Padua Athayde Magalhães e Amarylles Reinaldi e Henriques Resende que davam provimento parcial em menor extensão.” O processo foi recebido na PGFN em 23/09/2011 (carimbo aposto na Relação de Movimentação de fls. 109) e, em 28/09/2011, foi interposto o Recurso Especial de fls. 110 a 115 (Relação de Movimentação de fls. 149). Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10580.013449/2007-92 Acórdão n.º 9202-006.898 CSRF-T2 Fl. 274 3 O Recurso Especial está fundamentado nos arts. 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a necessidade de comprovação da origem dos depósitos bancários individualizadamente. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 31/05/2012 (e-fls. 196/197). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: - de conformidade com o acórdão recorrido, o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento em Declaração de Ajuste Anual seria suficiente para demonstrar a origem de parte dos depósitos bancários; - ocorre que no voto condutor não é explicitado quais depósitos bancários, especificadamente, foram considerados como de origem comprovada pelo valor declarado como rendimento em Declaração de Ajuste Anual; - o dispositivo legal que cria a presunção de omissão de rendimentos por depósito bancário de origem não comprovada é preciso quanto à presunção que cria; - não se presume como renda omitida a soma dos valores depositados na conta bancária no ano-calendário, porém, cada depósito é considerado individualizadamente; - como se vê, o que se presume como omissão de rendimentos é um valor determinado (especifico) creditado em conta, e não um somatório de valores para um período; - cumpre ao sujeito passivo demonstrar que os valores individualmente especificados ali depositados não é rendimento omitido, a partir de explicação da origem para cada um dos depósitos; - ainda que se admita uma certa discricionariedade quanto a valores e datas, que para alguns julgadores não precisam ser exatos, mas aproximados, pela aplicação do principio da razoabilidade não se pode, por isso, aceitar uma explicação deveras genérica, que englobe todo o ano-calendário, sem especificação do depósito que se pretende comprovar; - foi esse o posicionamento tornado pela Colenda Câmara a quo, isto é, aceitou como justificativa de origem de depósitos bancários valor global declarado como rendimento em Declaração de Ajuste Anual, sem especificar qual seria o respectivo depósito bancário por ele justificado; - pela redação do texto legal esse posicionamento não é possível, vez que mister a identificação de cada um dos depósitos listados pelo fiscal cuja origem foi considerada como comprovada; - ademais, cabe destacar o disposto na Súmula nº 30 do CARF, que prescreve que, "na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes"; Fl. 275DF CARF MF 4 - diante disso, não pode ser simplesmente excluído da base de cálculo do IRPF o valor de R$ 155.679,00, porque não foi associado a depósitos bancários específicos sobre os quais vige presunção de rendimento omitido; - ademais, lembrando que o ônus da prova é do sujeito passivo, teria ele facilidade em demonstrar a correlação entre os rendimentos declarados e depósitos bancários, se não o fez, é muito provável que os depósitos a eles não correspondam e, na dúvida, prevalece a presunção legal. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, restabelecendo-se a integralidade do lançamento. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 03/01/2013 (AR - Aviso de Recebimento de e-fls. 250), o Contribuinte, em 17/01/2013, ofereceu as Contrarrazões de e-fls. 203 a 208 e interpôs o Recurso Especial de e-fls. 212 a 217. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte argumenta: - apesar de a Fazenda Nacional ter indicado dois acórdãos paradigmas, os quais asseveram que a origem dos depósitos deve ser demonstrada de forma individualizada, não é este o entendimento majoritário do CARF (cita jurisprudência); - sem dúvida, coerente é o posicionamento majoritário do CARF quando assevera que se deve deduzir dos valores imputados como omissão de rendimentos aqueles declarados pelo contribuinte, já que não se pode considerar plausível que apenas estes não transitaram pela conta corrente do Contribuinte, mesmo porque, no caso concreto, este informou que os valores declarados transitaram, de fato, em sua conta; - à fl. 97 dos autos, o Contribuinte, no item Informação Analítica, descreveu os valores e as datas aproximadas em que os valores declarados transitaram em sua conta corrente, cumprindo, assim, com o que a Fazenda Nacional descreveu como obrigação do Contribuinte; - apesar de tal ato, de acordo com o entendimento majoritário do CARF, não consistir em uma obrigação do Contribuinte, a descrição dos valores declarados, da forma como foi feita, inclusive, está de acordo com o quanto asseverado pela Fazenda Nacional quando diz que os valores e datas não precisam ser exatos, mas aproximados, pela aplicação do princípio da razoabilidade; - em verdade, o posicionamento majoritário do CARF é o de que, uma vez declarados os valores pelo Contribuinte, aqueles, obrigatoriamente, devem ser excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos supostamente caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; - por outro lado, deve-se salientar que a recorrente não demonstrou qualquer incompatibilidade entre a alegada omissão de rendimentos com a percepção dos valores declarados, razão pela qual devem, sem dúvida, serem deduzidos da base de cálculo do imposto. Ao final, o Contribuinte pede que seja negado provimento ao recurso. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi negado seguimento, conforme despacho de 15/07/2016 (e-fls. 256 a 259). Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10580.013449/2007-92 Acórdão n.º 9202-006.898 CSRF-T2 Fl. 275 5 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, no exercício de 2004. No acórdão recorrido, deu-se provimento parcial ao Recurso Voluntário, excluindo-se da base de cálculo os valores registrados na Declaração de Ajuste Anual. A Fazenda Nacional, por sua vez, argumenta que tal exclusão não poderia ser efetuada de forma genérica, e sim observar a origem dos depósitos individualizadamente. A exclusão de rendimentos constantes das Declarações de Ajuste Anual foi assim resumida no acórdão recorrido: "Quanto à exclusão dos rendimentos declarados da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, assiste razão ao recorrente. Isto porque não parece plausível defender que somente os rendimentos informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Ora, é razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e receitas da atividade rural, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, salvo se demonstrada a incompatibilidade da questionada omissão de rendimentos com a percepção dos valores declarados, o que não se verifica no presente caso, haja vista que tais valores, pelo que conta dos autos, sequer foram objeto de indagação. Também não houve, registre-se, uma averiguação quanto à possível compatibilidade, ainda que parcial, da omissão de rendimentos em foco com a percepção dos rendimentos declarados. Assim, de acordo com a declaração do exercício 2004 (fls. 71/74) deve ser excluído o montante de R$ 155.679,00, sendo R$ 85.560,00 de rendimentos tributáveis e R$ 70.119,00 de rendimentos isentos e não tributáveis." (grifei) Nesse contexto, a jurisprudência do CARF, tal como constou do acórdão recorrido, é no sentido de que, apesar da não identificação individualizada dos depósitos com os rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual, é cabível a exclusão do valor a eles Fl. 277DF CARF MF 6 correspondente da base de cálculo do lançamento, sob o fundamento lógico de que, se o Contribuinte movimenta os rendimentos omitidos nas suas contas bancárias, não haveria de deixar de movimentar os rendimentos declarados. Com efeito, o objetivo da exclusão, da base de cálculo dos depósitos bancários, dos valores tributados na Declaração de Ajuste Anual, é evitar que haja dupla tributação. Entretanto, esse raciocínio somente pode ser aplicado aos rendimentos que, sem sombra de dúvida, foram efetivamente submetidos à tributação na declaração. Nesse sentido foi inclusive o pedido do Contribuinte em seu Recurso Voluntário, conforme a seguir: "Provenientes de recebimentos de Pessoa Jurídica-rendimentos tributáveis; E - Pró-labores e alugueis conforme declaração (R$ 83.121,00)" Esclareça-se que o valor acima corresponde ao total bruto de R$ 85.560,00, deduzindo-se o valor correspondente às Contribuições à Previdência Oficial, no valor de R$ 2.438,70. Nesse passo, obviamente que não é admissível a exclusão de valores que, a despeito de constarem da Declaração de Ajuste Anual, não há comprovação de que efetivamente tenham sido tributados, como é o caso do valor de R$ 70.119,00, referente a lucros e dividendos recebidos, rendimentos isentos e não tributáveis (fls. 71 a 74). Registre-se que nem o Contribuinte reivindicou essa exclusão. Assim, somente pode ser excluído da base de cálculo dos depósitos bancários do exercício de 2004 o valor de R$ 83.121,30, referente a rendimentos líquidos recebidos de pessoa jurídica (fls. 71 e 74). Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, dou-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo da exigência apenas o valor de R$ 83.121,30. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 278DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10875.000288/2003-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de imposto retido na fonte, e sua correlação com as receitas declaradas, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Aplicação da Súmula CARF n.º 80.
Numero da decisão: 1002-000.316
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
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Recorrente PHIBRO SAÚDE ANIMAL INTERNACIONAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de imposto retido na fonte, e sua correlação com as receitas declaradas, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Aplicação da Súmula CARF n.º 80. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 02 88 /2 00 3- 38 Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10875.000288/200338 Acórdão n.º 1002000.316 S1C0T2 Fl. 417 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo recorrente em face de decisão proferida pela 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP (DRJ/CPS) mediante o Acórdão n.º 0524.081, de 13/11/2008 (efls. 379 a 390). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Trata o presente processo de Declaração de Compensação de tributos, fls. 113, apresentada em papel de acordo com a Instrução Normativa n° 210, de 30 de setembro de 2002, formalizada pela contribuinte em epígrafe e protocolizada na DRF/Guarulhos. em 23/01/2003, pela qual se pretendeu a quitação de débito de PIS Faturamento, sob o código 8109, PA 12/2002, vencimento em 15/01/2003, no valor de R$ 97.016,13 com créditos oriundos de saldos negativos de IRPJ, no montante de R$ 17.894,85 apurado no anocalendário de 2001, bem como com saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário de 2001, na quantia de R$ 5.245,59, conforme demonstrativos de fl. 02/03, totalizando tais créditos a quantia de R$ 23.140,44. 2. Por meio do Despacho Decisório no 672, de 14/12/2007, acostado as fls. 168/171, cujos principais excertos vão, abaixo reproduzidos, a autoridade preparadora reconheceu parcialmente o crédito indicado pela interessada e homologou a compensação até o limite do direito creditório reconhecido, cientificandolhe desta decisão em 08/01/2008 (AR de fl. 174). "Assunto: Declaração de Compensação — Saldo Negativo de IRPJ e CSLL. Ementa: Procede parcialmente o pleito de compensação decorrente da apuração de saldo negativo do IRPJ e da CSLL. ' Resultado: Pedido parcialmente deferido. Homologação da compensação efetuada até o limite do valor deferido. RELATÓRIO A interessada solicita, nos autos, a compensação de eventuais saldos negativos de IRPJ e CSLL, apurados por sua Incorporada "Phibro Saúde Animal Internacional Ltda. ", CNPJ: 03.899.102/0001 89, no anocalendário de 2001, com débito de PIS (código 8109), de dezembro de 2002. [.......] FUNDAMENTAÇÃO Abaixo, uma reprodução da DIPJ 2001, fichas 12 A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real) e 17 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido), que Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10875.000288/200338 Acórdão n.º 1002000.316 S1C0T2 Fl. 418 3 nos informa os valores negativos de IRPJ e CSLL apurados pela sucedida: Cálculo do |Imposto de renda sobre o lucro real Ficha 12A Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Ficha 17 De acordo com o art. 2°, § 4°, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com efeitos financeiros a partir de 1° de janeiro de 1997, consolidado no art. 231 do RIR/99 — Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3000, de 26.03.1999, são deduções do imposto anual, entre outras, as parcelas pagas por estimativas e as retenções na fonte. [......] Conferindo os elementos formadores do saldo negativo de IRPJ, podemos verificar que a Incorporada utilizouse das deduções previstas nos incisos III e IV do art. 231 do RIR/99, ou seja, do imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 11.260,53 e das estimativas mensais, no valor de R$ 108.269,72. Com relação ao imposto de renda mensal pago por estimativa (R$ 108.269,72), este foi integralmente confirmado pelo sistema Sinal 08 (fl. 165). Entretanto, o valor do IRRF (R$ 11.260,53), utilizado como dedução do imposto devido, não pôde ser validado pelos sistemas da SRF, conforme pesquisa de fi. 167. Assim, procedendose aos ajustes necessários, ou seja, excluindo o valor do imposto de renda retido na fonte da ficha 12 A, temse como saldo negativo de IRPJ, para o anocalendário de 2001, o valor de R$ 3.310,57, conforme tabela abaixo: Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10875.000288/200338 Acórdão n.º 1002000.316 S1C0T2 Fl. 419 4 Já no que se refere aos elementos formadores do saldo negativo da CSLL (Ficha 17), o valor de R$ 48.070,85 (estimativas mensais), utilizado como dedução da contribuição social devida, foi integralmente confirmado pelo sistema Sinal08 (fl. 166). Assim, considerando que na operação de sucessão os créditos apurados pela Incorporada passam a fazer parte do acervo patrimonial da Incorporadora (Interessada), proponho a homologação da compensação efetuada, até o montante de R$ 8.556,16. Conclusão Isto posto, com base nas considerações retro, proponho a homologação das compensações efetuadas até o montante de R$ 8.556,16 , que corresponde a somatória dos saldos negativos de IRPJ (R$ 3.310,57) e CSLL (R$ 5.245,59) apurados pela Phibro. Saúde Animal Internacional Ltda., CNPJ: 03.899.102/000189 (Incorporada por Phibro Saúde Animal Internacional Ltda., CNPJ: 04.076.904/0001 51), no anocalendário de 2001. [......]" 3. Inconformada, a defendente apresenta Manifestação de Inconformidade, protocolizada em 31/01/2008 e juntada As fls. 197/206, acompanhada dos documentos de fls. 208/365, alegando, em síntese, suas razões de fato e de direito, a seguir: 3.1 De inicio, resume os fatos. 3.2 Em seguida, argumenta que o débito compensado, no . valor de R$ 97.016,13, teria sido quitado com créditos, apurados no anocalendário de 2001, sendo: (i) da empresa incorporada, nos montantes de R$ 14.571,10 (SN IRPJ) e R$ 5.245,59 (SN CSLL), (ii) da própria impugnante no valor de R$ 3.323,75 (SN IRPJ), totalizando tais créditos a cifra de R$ 23.140,44, e a diferença da ordem de R$ 68.442,01, quitada por meio de Darf. 3.3 Acrescenta que decisão recorrida desconsiderou o crédito de IRPJ; parcialmente o de CSLL, e o pagamento efetuado por meio do Darf. Em suas palavras: "Na r. decisão foi homologada parcialmente a compensação, julgando se como legítimos somente os valores de R$ 3.310,57 (SALDO NEGATIVO DE IRPJ PARCIAL) e ALGUM OUTRO VALOR DE Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10875.000288/200338 Acórdão n.º 1002000.316 S1C0T2 Fl. 420 5 CSLL, que juntos totalizam R$ 8.556,16, desconsiderandose ILEGALMENTE o crédito de IRPJ, parcialmente o crédito de CSLL, bem como o pagamento realizado em darf no valor de R$ 68.442,01, havendo ainda a cobrança destes valores (R$ 86.863,40), que acrescido em multa e juros, totaliza R$ 172.224,06 a ser pago até 31/01/2008." 3.4 Aduz que, quanto aos créditos originados da empresa incorporada, foram informados na DIPJ/2001 entregue por aquela empresa e, quanto ao crédito da própria defendente, no montante de R$ 3.323,75, decorre de retenção na fonte, realizada pela empresa Laboratórios Pfizer Ltda., CNPJ/MF no 46.070.868/000169, código de receita 1708, conforme apontado na DIPJ/2002 (Ficha 43 — fl. 313), acrescentando que o valor retido corresponde a somatória de cinco valores iguais de R$ 664,75. 3.5 Sustenta que caberia à fiscalização perquirir junto à empresa que reteve o imposto, de acordo com o documento entregue ao Fisco (Comprovante Anual de Rendimentos pagos ou creditados e de retenção de imposto de renda na fonte — Pessoa Jurídica — fl. 324), o efetivo repasse aos cofres públicos, via Darf dos valores retidos, e, não, simplesmente, descontar o montante apontado, até porque, já teria decorrido mais de cinco anos do recolhimento do tributo. 3.6 No tópico seguinte, com escopo no artigo 21 da IN SRF nº 220, de 2002 em consonância com o artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, sustenta a tese da legalidade da compensação efetivada, e conclui dizendo: "Desta forma, caberia a autoridade administrativa apenas a conferencia dos valores compensados pela requerente e não efetuar a cobrança, tendo em vista que o tributo excedente ao valor da compensação — R$ 68.442,01 já foi devidamente ago, em 15/01/2003, conforme darf em anexo." 3.7 Ao final pugna pelo provimento da manifestação de inconformidade ofertada e, conseqüentemente, pela homologação da compensação realizada nos autos. Em seu recurso voluntário o recorrente insiste nas mesmas razões que integraram a manifestação de inconformidade, pedindo ao final a reforma da decisão de 1.ª instância administrativa e a homologação da compensação do débito remanescente de PIS com reconhecimento do crédito no valor de R$ 23.140,44, decorrente de IRPJ e CSLL da empresa incorporada, e IRPJ da recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passemos ao exame das alegações do recurso, quanto ao mérito. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10875.000288/200338 Acórdão n.º 1002000.316 S1C0T2 Fl. 421 6 Crédito de R$ 14.571,10 decorrente da incorporação da empresa Phibro Saúde Animal Internacional Ltda , CNPJ n.º 03.899.102/000189. Aponta o recurso voluntário que a referida empresa, incorporada pelo recorrente em 31/07/2001, foi quem apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 14.571,10, utilizado pela incorporadora recorrente a fim de compensar débito de PIS (efl. 174). Um dos componentes desse valor de saldo negativo seria o valor de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no montante de R$ 11.260,53, não admitido, no Despacho Decisório de efls. 170 a 173, para a compensação pretendida. O único elemento de prova em que se apoia o recorrente é a ficha 12A de sua DIPJ 2001 (efls. 159 e 160), onde é informado o valor de R$ 11.260,53 como IRRF, que seriam a soma das retenções efetuadas por LABORATÓRIOS PFIZER LTDA (CNPJ n.º 46.070.868/000169) e BANCO ITAÚ S/A (efl. 148). O recorrente não trouxe aos autos qualquer documento adicional que pudesse fazer prova tanto das retenções pelas fontes pagadoras, quanto da efetiva computação das receitas correspondentes na apuração do lucro real do anobase 2001. A decisão recorrida dá notícia de que não há nos sistemas da RFB registro de apresentação de DIRFs relativas a pagamentos efetuados para a empresa incorporada, que se aproveitou dessas declaradas retenções para formação de seu saldo negativo de IRPJ declarado no valor de R$ 14.571,10. Isso não foi refutado no recurso voluntário. Crédito de R$ 3.323,75 decorrente de retenções na fonte pela empresa Laboratórios Pfizer Ltda, CNPJ n.º 46.070.868/000169, por pagamentos à incorporadora (ora recorrente). Outro valor que não foi aceito como integrante do crédito pretendido pelo recorrente para a compensação com o débito de PIS é o valor de R$ 3.323,15, relativo a retenções na fonte correspondentes a pagamentos em favor do recorrente pela empresa Laboratórios Pfizer Ltda, CNPJ n.º 46.070.868/000160, em 5 parcelas de 664,75, que teriam sido retidas de agosto a dezembro de 2001, na forma do comprovante de retenção que apresenta em efl. 326. Sob esse aspecto, a decisão recorrida apontou que tal comprovante, além de cópia simples, foi emitido em 31/01/2008 (quando se está tratando de IRRF do ano calendário 2001), e que nas DIRFs apresentadas pela fonte pagadora citada pelo recorrente não constam as retenções alegadas. Outra aspecto abordado no referido julgado foi a impossibilidade de se compensar antecipações mensais de estimativas e IR retido na fonte, pois a legislação admite apenas a compensação do saldo credor de IRPJ apurado em decorrência dessas antecipações. No caso da recorrente, no ano calendário 2001, sua DIPJ mostra que não houve saldo credor apto para ser utilizado como crédito a compensar quaisquer débitos (efls. 372 a 378). A legislação vigente ao tempo fatos, a respeito do proveito legítimo do IRRF como redutor do IR a pagar no ano calendário, determina condições para que possa ser homologada a compensação, conforme mostram os trechos legais a seguir reproduzidos: Lei n.º 7.450/85: (...) Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10875.000288/200338 Acórdão n.º 1002000.316 S1C0T2 Fl. 422 7 Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. (...) (grifei). Lei n.º 9.430/96: (...) Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (...) (grifei). Lei n.º 5.869/73 (CPC): (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000: (...) Art. 1º Aprovar o modelo anexo de Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte a ser utilizado pelas pessoas jurídicas que tiverem efetuado pagamento ou crédito de rendimentos, a outras pessoas jurídicas, sujeitos à retenção do imposto de renda na fonte. (...) Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10875.000288/200338 Acórdão n.º 1002000.316 S1C0T2 Fl. 423 8 Art. 2º A fonte pagadora deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária, comprovante de retenção do imposto de renda que indique: I o nome empresarial e o número de inscrição completo (com 14 dígitos) no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da fonte pagadora e do beneficiário; II o mês da ocorrência do fato gerador e os valores em reais, inclusive centavos, do rendimento bruto e do imposto de renda retido; III o código utilizado no DARF (com 4 dígitos) e a descrição do rendimento. (...) Art. 3º As informações prestadas no Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica deverão ser discriminadas na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF. Art. 4º O Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica será utilizado para comprovar o imposto de renda retido na fonte a ser deduzido ou compensado pela beneficiária dos rendimentos ou a ela restituído. Art. 5º O Comprovante deverá ser impresso na cor preta, em papel branco, no formato 210 x 297 mm, com as características do modelo anexo a esta Instrução, devendo conter, no rodapé, o nome e o número do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ da empresa que os imprimir. Parágrafo único. A impressão e a comercialização do comprovante independerá de autorização. Art. 6º A fonte pagadora que optar pela emissão do comprovante por meio de processamento automático de dados poderá adotar modelo diferente do estabelecido, desde que contenha todas as informações nele previstas, dispensada assinatura ou chancela mecânica. Art. 7º O comprovante de que trata esta Instrução Normativa deverá ser fornecido, em uma única via, até o último dia útil do mês de fevereiro do anocalendário subseqüente àquele a que se referirem os rendimentos informados. (...) Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Em relação aos dois valores, R$ 11.260,53 e R$ 3.323,75, é preciso concordar com a decisão de piso com relação à obrigatoriedade de a receita inerente ao IR retido na fonte ter composto o lucro real apurado no ano calendário, para que pudesse permitir a dedução dos valores que se apontam retidos, e com relação ao ônus de fazer essa prova ser do Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10875.000288/200338 Acórdão n.º 1002000.316 S1C0T2 Fl. 424 9 contribuinte que pretende a homologação da compensação, não importando se a retenção se deu há mais de 5 anos sem manifestação contrária do Fisco, pois que o que se reveste em crédito compensável é o eventual saldo credor calculado ao final do ano calendário, este expressa e devidamente contestado via Despacho Decisório. Ao contrário do que pretende fazer crer o recorrente, o ônus da prova da regularidade do IRRF é seu, não da fonte pagadora. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que alega ter efetuado o pagamento maior que o devido. E mais, se houve algum óbice atravessado pelas fontes pagadoras no fornecimento dos Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, é preciso que se diga que há outros meios que podem fazer prova da referida retenção, como a associação em análise conjunta das notas fiscais de serviços, contratos, créditos bancários, registros contábeis e outros elementos, mormente quando se verifica que uma das fontes pagadoras foi empresa que o recorrente incorporou, ou seja, estes elementos passaram para sua posse, seu domínio, e poderiam sem dificuldade alguma ter sido apresentados na peça impugnatória — no caso do valor não reconhecido de R$ 8.322,29 (8.322,29 + 2.938,24 = 11.260,53). De outro lado, não há como se admitir a eficácia do Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte de efl. 326, por quatro motivos principais: Não há nenhuma confirmação nos sistemas de controle eletrônico da RFB acerca do recolhimento desses IR fonte; o Comprovante foi emitido 7 anos após o ano calendário no qual se assinala ter havido a retenção de R$ 3.323,75; não existe prova ou sequer demonstração de que a receita ligada a esse valor foi oferecida à tributação no ano 2001; e, não há Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) entregues pelas fontes pagadoras contendo os valores controversos — e cujas receitas correlatas tenham integrado as bases de cálculo do IR. Reforçando o entendimento relacionado à dedução do IRRF estar condicionada à comprovação da efetividade da retenção e do oferecimento da receita correspondente à tributação, diz a Súmula CARF n.º 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. (grifei). Em se tratando de matéria sumulada, fica vedado a esta Turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF n.º 343/2015): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. No caso em concreto, a recorrente não apresentou qualquer prova do que alega, somente as DIPJs, DCTFs, e DCOMPs, que estão sujeitas às verificações fiscais sobre sua exatidão. A Turma Julgadora de Primeira Instância pontuou corretamente quanto ao ônus dessa prova e quanto aos aspectos não provados. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10875.000288/200338 Acórdão n.º 1002000.316 S1C0T2 Fl. 425 10 Portanto, nego provimento ao recurso voluntário, devendo ser mantida a decisão da DRJ/CPS, e, dado o saldo devedor determinado no documento de efl. 174, reiterar que o saldo remanescente de PIS a pagar, dado o não reconhecimento dos valores R$ 11.260,53 e 3.323,75 como crédito em favor do sujeito passivo, é R$ 18.421,39. É como Voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 425DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.005103/2008-84
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO POR DÉBITOS. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NÃO NULO. SÚMULA CARF Nº 22. INAPLICABILIDADE.
Não se verificando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional. Aplica-se a Súmula Carf n° 22 apenas aos casos de SIMPLES Federal. Ato Declaratório de Exclusão restou perfeitamente hígido e os débitos para com a Fazenda Pública foram claramente demonstrados. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário encontram-se previstas de maneira taxativa no art. 151 do CTN, o qual não comporta uma leitura expansiva de seu conteúdo.
Recurso Voluntário Negado
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO POR DÉBITOS. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NÃO NULO. SÚMULA CARF Nº 22. INAPLICABILIDADE. Não se verificando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional. Aplica-se a Súmula Carf n° 22 apenas aos casos de SIMPLES Federal. Ato Declaratório de Exclusão restou perfeitamente hígido e os débitos para com a Fazenda Pública foram claramente demonstrados. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário encontram-se previstas de maneira taxativa no art. 151 do CTN, o qual não comporta uma leitura expansiva de seu conteúdo. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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EXCLUSÃO POR DÉBITOS Recorrente E A GARBELINI & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO POR DÉBITOS. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NÃO NULO. SÚMULA CARF Nº 22. INAPLICABILIDADE. Não se verificando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional. Aplicase a Súmula Carf n° 22 apenas aos casos de SIMPLES Federal. Ato Declaratório de Exclusão restou perfeitamente hígido e os débitos para com a Fazenda Pública foram claramente demonstrados. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário encontramse previstas de maneira taxativa no art. 151 do CTN, o qual não comporta uma leitura expansiva de seu conteúdo. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 51 03 /2 00 8- 84 Fl. 59DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 36 à 39) interposto contra o Acórdão n° 0634.988, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (efls. 29 à 33), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa consubstanciada nos seguintes termos: A contribuinte se reporta ao Processo 711/2003, proposto na Vara Cível de Cambé (fls. 10 a 12), no entanto não extrai em sua defesa consequência jurídica desse processo. Porém tal fato, exatamente porque a peticionária não lhe atribuiu conseqüência jurídica, deixou de ser relevante para o deslinde da controvérsia, residindo assim a questão na suspensão ou não da exigibilidade do crédito tributário quando, em fase de execução fiscal, encontrase garantido pela penhora. Ao se compulsar os autos, se percebe que de fato os débitos que levaram a contribuinte a ser excluída do Simples Nacional são os concernentes à Inscrição em Dívida Ativa nº 9050300189686 (fl. 21), e que estes se encontram garantidos pela nomeação à penhora de uma prensa de madeira no valor de R$ 6.000,00 (fl. 12). Porém nada é citado que efetivamente suspenda a exigibilidade do crédito tributário nos moldes do art 151 da Lei nº 5.172/66 (CTN), in verbis: “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento.” Por ser relevante, cabe citar também o que prescreve o inciso I do art. 111 do mesmo Código: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.005103/200884 Acórdão n.º 1002000.268 S1C0T2 Fl. 63 3 I suspensão ou exclusão do crédito tributário;” Da dicção dos dois dispositivos legais, há pouco citados, extrai se que as condições para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não podem ser estendidas além do elenco inscrito no art 151 do CTN. Portanto, a garantia de penhora, embora autorize a concessão de Certidão Positiva com Efeito de Negativa, nos exatos termos do art. 206 do CTN, não suspende a exigibilidade do respectivo crédito tributário. (...) Por fim cabe citar o que dispõe a Lei Complementar nº 123/06 em seu art. 17, inciso V: Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Como se depreende do comando normativo geral do Simples Nacional, acima citado, estando o contribuinte em situação de débito, sem a exigibilidade suspensa, com a Fazenda Pública Federal, como o do caso vertente, impõese sua exclusão desse regime favorecido. Pelo exposto, voto pela improcedência da presente manifestação de inconformidade, mantendo a exclusão da peticionária do Simples Nacional. GN Notase, portanto, que o cerne do Acórdão foi a desconsideração da garantia de penhora, segundo a qual, na opinião dos julgadores de piso, não seria apta a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Conforme se extrai dos presentes autos, a Recorrente teve sua exclusão do SIMPLES Nacional efetuada de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/ LON nº 080224, de 22 de agosto de 2008 (fl. 09). O motivo para a retirada daquele regime tributário foi fundamentado na existência de débitos com a Fazenda Pública Federal. Os argumentos apresentados no Recurso Voluntário reiteram aqueles veiculados na Manifestação de Inconformidade. A Recorrente colaciona diversos elementos probatórios, apontando a garantia do indigitado débito, bem como o trânsito em julgado que lhe foi favorável. Cumpre transcrever os principais trechos: Pelo que se observa do texto legal, o motivo da exclusão do SIMPLES, teria sido a existência de débitos da Recorrente em que não esteja com a exigibilidade suspensa. Fl. 61DF CARF MF 4 Não obstante, cumpre a Recorrente esclarecer, que o suposto débito, motivador da exclusão do SIMPLES, encontrase com sua exigibilidade suspensa. (...) Em meados do ano 2000, a Recorrente teve contra si a lavratura de auto de infração por suposta infração a normas da CLT. Apresentou sua defesa e recurso administrativamente, sendo que não logrou êxito. Foi citada da execução fiscal cobrando o respectivo valor da referida multa relativamente à infração a CLT. Na época ofertou bem de sua propriedade em penhora. Em 28/02/2005, foi lavrado o respectivo termo de penhora, bem como comunicado a abertura de prazo para apresentação de embargos a execução. Os embargos foram tempestivamente apresentados, demonstrando os argumentos da improcedência da execução fiscal. Em 17/07/2008, foi prolatada sentença acolhendo os embargos a execução, declarando improcedente a execução fiscal, conforme se observa de documento também obtido perante o site do TRT da 9 a Região Doe. 01. (...) O processo transitou em julgado em 05/11/2010, conforme se constata do extrato obtido junto ao TST Doe. 10/11. Por fim, a inscrição de divida ativa que supostamente seria débito da Recorrente foi devidamente extinta na base de dados da PGFN. Conforme demonstrado, a penhora devidamente efetuada, garantido o Juízo, conforme cópia do documento anexado aos autos, comprova que referido débito encontravase com sua EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por tal motivo, inexiste qualquer ocorrência sujeita a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), que pudesse ser aplicada a Recorrente, destacadamente a prevista no artigo 17, inciso V da Lei Complementar n° 123/2006, conforme constou no Ato Declaratório Executivo n° DRF/LON n° 080224, de 22/08/2008. Insta destacar que todos os elementos alegados pela Recorrente foram devidamente comprovados. É o Relatório. Voto Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10930.005103/200884 Acórdão n.º 1002000.268 S1C0T2 Fl. 64 5 Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do SIMPLES Nacional, desvinculada de crédito tributário. Este não é exigido nos presentes autos, e também não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6º, § 1º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Mérito Na análise meritória, noto que não assiste razão à Contribuinte. Por primeiro, impende destacar que em momento algum ficou contestada a existência de débitos para com a Fazenda. Tampouco se alegou nulidade do Ato Declaratório Executivo per se. Ademais, a Contribuinte proativamente relacionou todos os valores em debate, os quais foram objeto do aludido ADE. Noutro giro, ressalto que apenas se intentou afastar a desconsideração destes para fins de exclusão do SIMPLES Nacional, haja vista a discussão judicial e a suposta suspensão da exigibilidade do crédito. Nessa trilha, ao contrário do que foi sustentado pela Recorrente, os débitos não se encontravam com a exigibilidade suspensa quando da publicação do indigitado ADE, razão pela qual restou correta sua exclusão do SIMPLES. Em verdade, confundese os institutos da "suspensão da exigibilidade" do crédito tributário com a "suspensão da executoriedade" deste, buscando atribuir efeitos idênticos a ambos os institutos, o que não é permitido pela legislação (em especial o art. 111 do CTN). Somandose a este aspecto, a leitura do art. 151 do CTN expõe num rol taxativo os autorizativos da suspensão da exigibilidade do crédito. Destaco, ainda, que a Recorrente não demonstrou em momento algum seu enquadramento nos permissivos do indigitado dispositivo do Código Tributário. Tais elementos foram muito bem explanados no Acórdão de piso, cujo teor reitero e desde já utilizo como fundamentação do presente decisum: Porém nada é citado que efetivamente suspenda a exigibilidade do crédito tributário nos moldes do art 151 da Lei nº 5.172/66 (CTN), in verbis: Fl. 63DF CARF MF 6 “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento.” Por ser relevante, cabe citar também o que prescreve o inciso I do art. 11 do mesmo Código: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário;” Da dicção dos dois dispositivos legais, há pouco citados, extrai se que as condições para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não podem ser estendidas além do elenco inscrito no art 151 do CTN. Portanto, a garantia de penhora, embora autorize a concessão de Certidão Positiva com Efeito de Negativa, nos exatos termos do art. 206 do CTN, não suspende a exigibilidade do respectivo crédito tributário. De arremate, ainda que não abordado tal espeque em sede Recursal, anoto que não se trata de violação à Súmula CARF n° 22, por não haver qualquer mácula ao direito de defesa, restando o ADE íntegro em conteúdo e forma. Súmula CARF nº 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Este enunciado teve por paradigmas os Acórdãos ns.º 30331479, de 17/06/2004, 30331882, de 24/02/2005, 30131763, de 14/04/2005, 30131917, de 17/06/2005, e 30132.120, de 13/09/2005. Ainda nessa explanação, há consolidada jurisprudência neste c. Conselho, no sentido de aplicar a aludida Súmula apenas nos casos de SIMPLES Federal, vide Acórdão n° 9101002.297, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido pela i. Conselheira Adriana Gomes Rêgo. Portanto, a leitura do enunciado sumular reforça a correta intelecção exarada no âmbito do Acórdão recorrido. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ, haja vista ter sido demonstrada a inequívoca existência de débitos sem exigibilidade suspensa. Dispositivo Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10930.005103/200884 Acórdão n.º 1002000.268 S1C0T2 Fl. 65 7 Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a conseqüente reforma da decisão de origem. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35464.002455/2005-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/05/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 24 55 /2 00 5- 18 Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 9202006.817 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 9202006.817 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 9202006.817 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 9202006.817 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 9202006.817 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 9202006.817 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 9202006.817 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 9202006.817 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1596DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.000879/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
LANÇAMENTO. DECISÃO. NULIDADES
Válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais, assim como a decisão proferida por autoridade competente com a observância das disposições das normas reguladoras do processo administrativo fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA A TAXA SELIC. PRECLUSÃO
Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente opostas à Autoridade Julgadora de primeira instância, precluindo-se o direito de a Recorrente suscitá-las em segunda instância, exceto nos casos previstos em lei.
PERÍCIA
Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a realização da perícia solicitada, rejeita-se o pedido.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA
As receitas decorrentes de prestação de serviços auferidas pelas sociedades de economia mista compõem o seu faturamento mensal e estão sujeitas à Cofins nos termos da legislação tributária vigente, inexistindo amparo legal para isentá-las dessa Contribuição.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA
As receitas decorrentes de prestação de serviços auferidas pelas sociedades de economia mista compõem o seu faturamento mensal e estão sujeitas ao PIS nos termos da legislação tributária vigente, inexistindo amparo legal para isentá-las dessa Contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 LANÇAMENTO. DECISÃO. NULIDADES Válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais, assim como a decisão proferida por autoridade competente com a observância das disposições das normas reguladoras do processo administrativo fiscal. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA A TAXA SELIC. PRECLUSÃO Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente opostas à Autoridade Julgadora de primeira instância, precluindo-se o direito de a Recorrente suscitá-las em segunda instância, exceto nos casos previstos em lei. PERÍCIA Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a realização da perícia solicitada, rejeita-se o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA As receitas decorrentes de prestação de serviços auferidas pelas sociedades de economia mista compõem o seu faturamento mensal e estão sujeitas à Cofins nos termos da legislação tributária vigente, inexistindo amparo legal para isentá-las dessa Contribuição. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA As receitas decorrentes de prestação de serviços auferidas pelas sociedades de economia mista compõem o seu faturamento mensal e estão sujeitas ao PIS nos termos da legislação tributária vigente, inexistindo amparo legal para isentá-las dessa Contribuição. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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DECISÃO. NULIDADES Válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais, assim como a decisão proferida por autoridade competente com a observância das disposições das normas reguladoras do processo administrativo fiscal. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA A TAXA SELIC. PRECLUSÃO Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente opostas à Autoridade Julgadora de primeira instância, precluindo se o direito de a Recorrente suscitálas em segunda instância, exceto nos casos previstos em lei. PERÍCIA Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a realização da perícia solicitada, rejeitase o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA As receitas decorrentes de prestação de serviços auferidas pelas sociedades de economia mista compõem o seu faturamento mensal e estão sujeitas à Cofins nos termos da legislação tributária vigente, inexistindo amparo legal para isentálas dessa Contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 08 79 /2 00 8- 83 Fl. 3332DF CARF MF 2 As receitas decorrentes de prestação de serviços auferidas pelas sociedades de economia mista compõem o seu faturamento mensal e estão sujeitas ao PIS nos termos da legislação tributária vigente, inexistindo amparo legal para isentálas dessa Contribuição. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Tratase de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e da contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, fls. 741/758, que constituíram o crédito tributário total de R$ 5.344.182,75, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 28/11/2008. No Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades de fls. 735/740, a autoridade informa que a autuada é sociedade de economia mista, com controle majoritário do Município de Guarulhos e que o foco principal da fiscalização é constituído pela exclusão de valores da base de cálculo das contribuições a título de “Receitas Isentas ou Sujeitas à Alíquota Zero” e “Receitas Diferidas no Mês”. Tendo a contribuinte invocado a isenção veiculada pelo art. 14, I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a autoridade fiscal assim se manifesta para fundamentar a autuação: Para guerrearmos este tópico apresentamos primeiramente e principalmente, a definição de EMPRESA PÚBLICA, expressão contida no artigo 18 da lei 4.320/64, que ainda se encontra em Fl. 3333DF CARF MF Processo nº 16095.000879/200883 Acórdão n.º 3402005.483 S3C4T2 Fl. 3.333 3 vigor, mostrando inócua sua argumentação, inclusive em relação a acima descrita MP 1807, reeditada pela MP 215835: Empresa pública é a pessoa jurídica criada com força de autorização legal, como instrumento de ação do estado, dotada de personalidade de direito privado mas submetida a certas regras decorrente da finalidade pública, constituídas sob qualquer das formas admitidas em direito, cujo capital seja formado por capital formado unicamente por recursos públicos de pessoa de administração direta ou indireta. Pode ser Federal, municipal ou estadual. Características principais: Sua criação e extinção dependem de autorização especifica. Quanto a organização pode ser uma Sociedade Comercial ou Civil, sendo organizada e controlada pelo poder público. A seguir apresentamos a definição de empresa de economia mista, tal qual a característica do fiscalizado: Empresa de economia mista ou, mais precisamente, "sociedade de economia mista"(grifo nosso), é uma sociedade na qual há colaboração entre o Estado e particulares, ambos reunindo recursos para a realização de uma finalidade, sempre de objetivo econômico. A sociedade de economia mista é uma pessoa jurídica de direito privado e não se beneficia de isenções fiscais ou de foro privilegiado. O Estado poderá ter uma participação majoritária ou minoritária; entretanto, mais da metade das ações com direito a voto devem pertencer ao Estado. Ressaltese ainda, que o mesmo em suas considerações deixou de mencionar o artigo 19 do mesmo diploma legal, que diz: "A Lei de Orçamento não consignará ajuda financeira, a qualquer titulo, a empresa de fins lucrativos, salvo quando se tratar de subvenções cuja concessão tenha sido expressamente autorizada em lei especial" E por não se tratar de empresa pública e sim de sociedade de economia mista e por não dispor de Lei Especial que expressamente consigne ajuda financeira, ainda que tributável, é que esta fiscalização entendeu que os atos praticados pelo fiscalizado ao amparo de sua Resolução 064/2002 no que se refere à exclusão das Receitas Isentas da base de calculo do Pis e da Cofins, tratarse de ato unilateral desprovido de legalidade, sendo devidos o Pis e a COFINS sobre as Receitas Isentas indevidamente excluídas e consequentemente integrando a base de calculo do Pis e da COFINS para fins de lançamento do tributo não declarado e não recolhido. Quanto as Receitas Diferidas, nada temos a nos opor em razão do contribuinte estar amparado pelo art. 7º da Lei 9.718/98. Fl. 3334DF CARF MF 4 Cientificada, a interessada apresentou Impugnação alegando, em síntese, que: A impugnante é entidade da Administração Pública do Município de Guarulhos, com natureza jurídica de sociedade de economia mista e, conforme previsão no estatuto social, é seu objeto social a realização de serviços públicos municipais (serviços públicos propriamente ditos, a teor do art. 175 da Constituição Federal). Com o objetivo de prover de forma sistemática recursos destinados à concretização de programas de desenvolvimento econômicosocial do Município de Guarulhos e à ampliação e aperfeiçoamento dos serviços públicos municipais, foi criado o Fundo para o Progresso de Guarulhos — FPG pela Lei municipal n°. 2.305/79 e regulamentado pelos Decretos municipais 6870/79, 6952/79, 6975/79, 7185/80, 7193/80, 7798/81, 7862/81, 7959/81, 7979/81, 8156/81, 8911/82, 9018/82, 9859/83, 9926/83, 10895/85, 15157/88, 15213/89, 15229/89, 15337/89, 15461/89, 15776/90, 16790/91, 17866/93, 18004/93, 19817/97, 20018/97, 20241/98 e 22733/04. O Executivo municipal encaminha anualmente ao Legislativo municipal o Projeto de Lei Orçamentária, dentro da qual restam incluídas as dotações referentes ao FPG. Essas dotações, no projeto de lei, correspondem ao plano de aplicações do FPG. O FPG tem uma comissão que é a responsável pela feitura do referido plano e de cada reunião existente deriva uma ata correspondente ao conteúdo debatido, nos termos do art. 6° c/c art. 5° daquela lei mencionada, nos limites ao quanto recepcionado pela ordem constitucional vigente. ... Os documentos anexos comprovam que a PROGUARU informou mensalmente à Prefeitura todos os serviços executados, discriminadas todas as ruas varridas, todos os buracos tapados pelas equipes de tapavalas etc., discriminadas por dotação orçamentária, com indicação precisa do saldo executado e dos serviços prestados (construção, reforma e ampliação de próprios municipais, galerias e drenagens / diversos locais, pavimentação de estradas / diversos locais, obras de infraestrutura, prevenção de enchentes, manutenção e conservação de vias, reciclagem de resíduos sólidos de construção, varrição e limpeza urbana). ... O gerenciamento do FPG é feito pelo Município de Guarulhos, em consonância com o plano de aplicações fixado pela Comissão referida e em conformidade com as dotações orçamentárias, haja vista que controla as execuções dos serviços, os depósitos e as ordens de pagamento. O que caracteriza os valores como repasse, e não como pagamento por prestação de serviços. Os ofícios inclusos mostram a comunicação pela PROGUARU feita à Prefeitura municipal acerca de cada realização de obras e serviços constantes do plano de aplicações, e o Município repassa ao FPG, por antecipação, os valores correspondentes Fl. 3335DF CARF MF Processo nº 16095.000879/200883 Acórdão n.º 3402005.483 S3C4T2 Fl. 3.334 5 aos serviços necessários e previstos, em cumprimento e em atendimento ao cronograma previsto no plano de aplicações, com vistas a viabilizar a efetivação deles. Cada serviço é saldado na medida em que é executado e a PROGUARU encaminha à Prefeitura, mediante ofícios, a realização de contas dos serviços executados. Ressaltese que fundos especiais são criados justamente para desburocratizar e impingir mais eficiência à atuação administrativa, mediante especialização com descentralização. Se o intuito do ordenamento jurídico fosse proceder a repasses após a efetiva realização dos serviços e obras, não haveria finalidade a ser atendida com a existência de fundos, vez que bastariam contratos administrativos a teor do quanto previsto na Lei n°. 8.666/93. Fundos não existem para proceder a pagamentos de serviços prestados, fundos existem para viabilizar a realização dos serviços, inclusive com antecipação de receita para que haja pecúnia a ser empregada na realização dos serviços em conformidade com o plano de aplicações c/c dotações orçamentárias 2003 para o FPG c/c controle financeiroorçamentário 2003. À vista disso, resta comprovado que há o repasse orçamentário, via FPG, para a PROGUARU, que é sociedade de economia mista, devidamente previsto e efetivado consoante Lei municipal nº 2.305/79 (que instituiu o Fundo para o Progresso e Desenvolvimento de Guarulhos) e devidamente aprovado na lei orçamentária. O repasse para o FPG não se confunde, por óbvio, com ajuda financeira, e está expressamente autorizado em lei (lei municipal instituidora do Fundo e lei orçamentária para o orçamento de 2003). As verbas orçamentárias correspondentes aos repasses havidos no ano de 2003 pelo Município de Guarulhos à PROGUARU, ora impugnante, são, pois, isentos de PIS e de COFINS, como regular e corretamente escriturados contabilmente pela impugnante. A fiscalização erroneamente entendeu que as verbas eram base de cálculo destes tributos federais (PIS e COFINS) porque a PROGUARU é sociedade de economia mista (e não empresa pública) e porque não haveria lei autorizadora do repasse. Na seqüência, a contribuinte invoca o art. 14 da Medida Provisória nº 2.158 35/01, bem como dispositivos da Lei nº 4.320, de 1964; e da Lei municipal nº 2.305, de 1979, para defender que a PROGUARU, ora impugnante, é sociedade de economia mista, que recebeu repasse orçamentário municipal do Município de Guarulhos via FPG (fundo especial previsto em lei, autorizativa do repasse, e devidamente controlado e fiscalizado interna e externamente, e comprovadas as aplicações pelos documentos anexos repasse para cada serviço realizado) e que foi, por isso, Fl. 3336DF CARF MF 6 regular e corretamente contabilizado como receita isenta de PIS e de COFINS. O litígio foi colocado sob exame da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas. O julgamento resultou na edição do Ac. nº 05 40.461, de 03 de abril de 2013, fls. 3154/3166, que manteve o lançamento e cuja orientação decisória foi resumida na seguinte ementa: PAGAMENTOS POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO A SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. A receita proveniente de pagamentos feitos por pessoas jurídicas de direito público a sociedades de economia mista, a título de contraprestação por serviços prestados, não é isenta da Contribuição para o PIS/PASEP, uma vez que tais pagamentos não configuram repasses. A contribuinte apresentou recurso voluntário perante o E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, cuja Segunda Câmara, por meio da sua Primeira Turma Ordinária, proferiu o Ac. nº 3201001.690 que anulou a decisão de primeira instância e determinou a prolação de nova decisão por esta Delegacia de Julgamento. Diz a ementa do citado Acórdão: MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Comprovado que a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se manifestou sobre a matéria impugnada, devese anular a decisão para que a autoridade a quo realize novo julgamento, apreciando as matérias tratadas no Auto de Infração e na Impugnação. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) realizou novo julgamento da impugnação, conforme determinado em decisão do CARF, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2003 Pagamentos por Prestação de Serviços por Pessoas Jurídicas de Direito Público a Sociedades de Economia Mista. Isenção. Inocorrência. A receita proveniente de pagamentos feitos por pessoas jurídicas de direito público a sociedades de economia mista, a título de contraprestação por serviços prestados, não é isenta da Cofins, uma vez que tais pagamentos não configuram repasses. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2003 Fl. 3337DF CARF MF Processo nº 16095.000879/200883 Acórdão n.º 3402005.483 S3C4T2 Fl. 3.335 7 Pagamentos por Prestação de Serviços por Pessoas Jurídicas de Direito Público a Sociedades de Economia Mista. Isenção. Inocorrência. A receita proveniente de pagamentos feitos por pessoas jurídicas de direito público a sociedades de economia mista, a título de contraprestação por serviços prestados, não é isenta da contribuição para o PIS/PASEP, uma vez que tais pagamentos não configuram repasses. Impugnação Improcedente. Em seu Recurso Voluntário, a empresa, em suma, apresentou as seguintes argumentações: a) preliminarmente, o auto de infração e a decisão da DRJCampinas são nulos em razão da deficiência de fundamentação; b) as verbas recebidas a titulo de repasse do FPG são verdadeiros repasses orçamentários que gozam da isenção prevista no artigo 14 da MP 2.15835; c) essa afirmação se justifica pela análise sistemática dos artigos 12, §§20 e 6°, 71 e seguintes da Lei n° 4.320/64 e artigo 116 da Lei n°8.666/93; d) a teor dessa legislação, os repasse são despesas com transferências de capital; e) não há, nos autos ou no mundo qualquer contraprestação entre os repasses do PEG e serviços ou obras; f) as DD. Autoridades Fiscais devem seguir o Manual da Despesa Nacional, constante da Portaria Conjunta MF/MPOG nº3, ao qual estão vinculadas; g) na hipótese de não serem acolhidos tais argumentos, a multa deve ser extirpada da autuação, a teor do que dispõe o artigo 100 do CTN; h) a multa aplicada é abusiva e inconstitucional; e i) é a taxa SELIC não deve ser aplicada, por ser igualmente inconstitucional. Ainda, reiterou o pedido de perícia formulado nos itens acima. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Fl. 3338DF CARF MF 8 Inicialmente, em relação as matérias suscitadas contra a exigência da multa de oficio e dos juros de mora a taxa Selic, não se toma conhecimento nesta fase recursal, por se tratarem de matérias preclusas, não questionadas na impugnação, ou seja, matérias não opostas à autoridade julgadora de primeira instância, nos termos dos artigos 15 e 17 do Decreto nº70.235/72. Em sede preliminar, a empresa alega que o auto de infração e a decisão da DRJRibeirão Preto são nulos em razão da deficiência na fundamentação. Argumenta a Recorrente que a Fiscalização não cuidou de trazer um Relatório com uma narrativa de fatos capaz de possibilitar a compreensão da fundamentação às acusações que lhe foram imputadas. No Relatório Fiscal que descreveu o procedimento realizado a Fiscalização se limitou a negar a configuração de repasse em razão de contraprestação, sem trazer qualquer elemento formal que embase a acusação da falta de recolhimento a qual está sendo imputada. Assim, as autuações seriam nulas porque não houve demonstração das infrações atribuídas a ela. Quanto a nulidade da decisão de primeira instância afirma que o Julgador se limitou a negar a configuração dos repasses efetuados pela Prefeitura de Guarulhos a ela Recorrente, considerandoos como receitas de prestação de serviços. Ao contrário do entendimento da Recorrente, nos autos de infração do PIS e da COFINS estão demonstradas e fundamentadas as infrações imputadas, conforme trecho a seguir transcrito do Relatório Fiscal: E por não se tratar de empresa pública e sim de sociedade economia mista e por não dispor de Lei Especial que expressamente consigne ajuda financeira, ainda que tributável, é que esta fiscalização entendeu que os atos praticados pelo fiscalizado ao amparo de sua Resolução 064/2002 no que se refere à exclusão das Receitas Isentas da base de calculo do Pis e da Cofins, tratarse de ato unilateral desprovido de legalidade, sendo devidos o Pis e a COFINS sobre as Receitas Isentas indevidamente excluídas e consequentemente integrando a base de calculo do Pis e da COFINS para fins de lançamento do tributo não declarado e não recolhido. (negrito nosso) Depreendese do trecho transcrito que a fiscalização entendeu não haver amparo legal para a exclusão do faturamento da Recorrente de receitas as quais caracterizou como de prestação de serviços, nos termos das Leis n°9.718/98, nº 10.637/02 e nº 10.833/03, resultando na cobrança das diferenças das contribuições do PIS e da COFINS objeto do presente processo. Além disso, consta nos autos vasta documentação que embasou as conclusões tomadas pela fiscalização, tais como: ordens de pagamentos, planilhas de medições de obras/serviços prestados e recibos de pagamentos referentes as obras/serviços prestados. Por consequência, entendo que a descrição suficiente das infrações imputadas à empresa, constante no Relatório Fiscal, permitiram à Recorrente o exercício do seu direito de defesa. Fato comprovado pela apresentação primeiramente de Impugnação e depois Recurso Voluntário nos quais contestou as diferenças de contribuições lhe imputadas, principalmente com relação a caracterização de suas receitas como prestação de serviços, apresentando vasta argumentação para demonstrar que as suas receitas gozariam de isenção fiscal relativa às contribuições em comento. Fl. 3339DF CARF MF Processo nº 16095.000879/200883 Acórdão n.º 3402005.483 S3C4T2 Fl. 3.336 9 Quanto à decisão recorrida, pela leitura do seu conteúdo, percebese que houve o enfrentamento das questões de mérito e preliminares suscitadas pela Recorrente. Foram analisados os fatos apurados em confronto com a legislação tributária que rege a matéria, chegandose a decisão final proferida no acórdão, devidamente fundamentada. Assim, pelos motivos expostos, não acolho o pleito de nulidade do lançamento fiscal e da decisão recorrida. O pedido de diligência também deve ser indeferido haja vista que já constam nos autos elementos suficientes a fim de se decidir a respeito da questão de mérito posta quanto a natureza das receitas lançadas e a isenção ou não às contribuições ao PIS e COFINS. Antes de adentrar no mérito, cabe esclarecer quais as matérias que envolvem a lide, pois esse foi o motivo determinante para a anulação da decisão anterior da DRJ. O relator do acórdão da nº 3201001.690 da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Winderley Morais Pereira, entendeu que a primeira decisão da DRJ teria se omitido com relação ao motivo principal que deu ensejo ao lançamento atinente ao fato da empresa Proguaru ser uma sociedade de economia mista e não uma empresa pública, e, por outro lado, teria extrapolado na sua decisão, julgando matéria que não estava em discussão nos autos, com relação a desqualificação das receitas transferidas à Proguaru como repasse, conforme os trechos do voto, abaixo reproduzidos: De outro giro, o auto de infração não se lastreia na desqualificação das receitas transferidas a (sic) Proguaru, conforme decidido na primeira instância. O termo de verificação fiscal e a decisão da primeira instância mostramse divergentes na motivação para a exigência do PIS e da COFINS. Conforme dito alhures, a exigência fiscal foi motivada no fato da Proguaru ser sociedade de economia mista e a decisão da primeira instância manteve o lançamento ao arrimo que as transferências da Prefeitura de Guarulhos para a Proguaru não seriam repasses, mas pagamento pela prestação de serviços. (...) Entendo que a decisão da primeira instância extrapolou na sua decisão, julgando matéria que não estava em discussão nos autos e não se manifestou sobre a questão levantada no Auto de Infração sobre o fato da empresa Proguaru ser uma sociedade de economia mista e não uma empresa pública. (...) Diante do exposto, voto no sentido de anular a decisão de primeira instância e determinar o retorno dos autos para que seja pronunciada nova decisão, observando o limite da lide, que se resume à impossibilidade da Recorrente beneficiarse das isenções previstas no art. 14, inciso I da Medida Provisória n° 2.15835/2001, por ser sociedade de economia mista e não empresa pública. (negrito nosso) Fl. 3340DF CARF MF 10 Com a devida vênia, ouso discordar do Ilustre Relator quanto ao seu entendimento, pelos motivos a seguir expostos. É incontroverso nos autos que a empresa tem natureza jurídica de empresa de economia mista, fato que é confirmado tanto pela Autoridade Tributária, como pela Empresa e na decisão recorrida. Assim, em posição divergente ao anterior voto proferido por esta instância julgadora, entendo que a questão central da lide a ser decidida é quanto a natureza jurídica dos valores transferidos pela Prefeitura de Guarulhos à Recorrente. Conforme consignado no Relatório Fiscal, a autuação foi realizada porque se entendeu que não havia amparo legal para a exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS, ou, em outras palavras, entendeu a fiscalização que tais receitas não se enquadrariam na isenção contida no art. 14, inciso I da Medida Provisória n° 2.15835/2001, caracterizandose como receita tributável decorrente de contraprestação por prestação de serviços. A fim de sustentar a sua afirmação, a Fiscalização juntou aos autos vasta documentação, tais como: ordens de pagamento, relatórios de obras e serviços, etc O Contribuinte, visando combater a fundamentação do lançamento na inexistência de amparo legal para exclusão das suas receitas, também levantou a questão da natureza dos valores recebidos da Prefeitura ao alegar na sua defesa que teriam natureza de repasses isentos de PIS e da COFINS com fundamento no o art. 14, I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Feitos os devidos esclarecimentos sobre os limites da lide, passamos a análise do mérito. No mérito, conforme já abordado, a discussão principal da lide referese a natureza jurídica dos valores recebidos pela PROGUARU da Prefeitura da cidade de Guarulhos. Cabe aqui decidir se esses valores representam receitas de prestação de serviços tributadas para o PIS e a COFINS, como afirma fiscalização, ou repasses isentos nos termos do art. 14 da Medida Provisória n° 2.15835/01, como afirma a Recorrente. Essa discussão já foi travada pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara desta Seção que, no âmbito do processo nº16095.000115/200979, analisou o Recurso interposto pela própria Recorrente referente aos períodos de apuração de 2004 a 2007, no qual se discutiram os mesmos fatos e argumentos apresentados no recurso ora analisado. Assim, peço vênia para transcrever trecho do voto condutor constante no acórdão nº330100.704, de 27/10/2010, de lavra do Conselheiro José Adão Vitorino de Moraes, por entender ter sido dada a melhor solução a lide. Desde já, adoto aqui os seus fundamentos como as minhas razões de decidir. Conforme muito bem demonstrado na decisão recorrida e prova o Estatuto Social da recorrente, esta é urna sociedade de economia mista que tem corno objeto social a prestação de serviços em geral, não só para a Prefeitura de Guarulhos, SP, mas também para outras pessoas jurídicas, inclusive, para empresas privadas, conforme consta do art. 4º, in verbis: Artigo 4 A Sociedade tem por objeto o exercício das atividades publicas, tais como: I a execução dos serviços de varrição, coleta e remoção de lixo, pintura de guias, desobstrução de travessias, limpeza de bueiros, coleta de entulho, remoção de pequenos animais mortos, limpeza de córregos, roçagam, capina, conservação de ruas Fl. 3341DF CARF MF Processo nº 16095.000879/200883 Acórdão n.º 3402005.483 S3C4T2 Fl. 3.337 11 pavimentadas e ruas de terra, conservação de boca de lobo, poços de visitas, muros de arrimo, sarjetas, guias, sarjetões e lavagem de ruas; II Fabricação de blocos e prémoldados, usinagens e fabricação de asfalto pré mistura a frio, reciclagem de resíduos sólidos, obras de drenagem, pavimentação, construção tie guias, sarjetas , sarjetões, obras de contenção de encostas, obras de desassoreamento de córregos, dragagem de córregos, iluminação pública, travessias„ construções de galerias, muros de arrimo, canalizações, pontes, e serviços correlatos; III Promoção de estados e elaboração de projetos relacionados com as atividades sociais, projetos geométricos, projetos de pavimentação, projetos de macro drenagem, projeto de drenagem; IV Planejamento, promoção e adoção de medidas tendentes ao incentivo de atividades industriais e comerciais para a consecução do objetivo social, tais como: elaboração e execução de planos e desenvolvimento, de habitação, de urbanização, de .fiscalização de controle, de fomento, de ajuda e outros de interesse social, por conta de entidades publicas e privadas. V Execução de serviços gráficos, de informática, projeto, construção, ampliação, reforma, limpeza e manutenção de próprios municipais, controle de acesso, regulamentação para estacionamento por tempo determinado, administração de velórios, mercados, estádios, execução de serviços de emplacalnento de logradouros públicos, exploração de publicidade em próprios públicos e particulares. As cópias dos documentos carreados aos autos, dentre eles, as de ordem de pagamentos realizados à recorrente, pela Prefeitura de Guarulhos, das suas DIPJs e respectivas fichas 21 — Cálculo do PIS/Pasep e 22 — Cálculo da Cofins, dos anoscalendário de 2004 a 2007, e das DACONs (demonstrativo de apuração das contribuições sociais), comprovam as receitas tributadas pela Fiscalização decorreram de prestação de serviços e não de repasses de órgãos públicos, conforme defende a recorrente. Os valores recebidos por pessoas jurídicas públicas ou privadas, cujo objeto econômico é a prestação de serviços, em face da execução destes, independentemente de terem sido para pessoas jurídicas de direito público ou privado, constituem receitas operacionais e no repasses. No presente caso, a recorrente, sociedade de economia mista com fins lucrativos, prestou serviços para a Prefeitura de Guarulhos e foi remunerada por tais serviços. Quanto ao conceito legal de repasse, peço vênia para transcrever a definição dada na decisão recorrida e que ora adoto, in verbis: O significado contábil que se atribui à palavra repasse, contudo, pode ser extraído da citada Lei n° 4.320, de 1964, que define os critérios de classificação dos valores na contabilidade pública. Fl. 3342DF CARF MF 12 Ao tratar da classificacdo das receitas envolvidas na contabilidade pública, o art. 11 da citada lei prescreve: Lei nº 4.320, de 1964: Art.11 A receita classificarseá nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. (Redação dada pelo Decreto Lei n°1. 939, de 20.5.1982). § 1º Sao Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes, (Redação dada pelo Decreto Lei n° 1.939, de 20.5.1982) § 2° Sao Receitas de Capital as provenientes da realização de recursos financeiros oriundos de constituição de dividas; da conversão, em espécie, de bens e direitos; os recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, destinados a atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e, ainda o superávit do Orçamento Corrente. (Redação dada pelo Decreto Lei n° 1.939, de 20.5.1982) § 3° 0 superavit do Orçamento Corrente resultante do balanceamento dos totais das receitas e despesas correntes, apurado na demonstração a que se refere o Anexo n° 1, não constituirá item de receita orçamentária. (Redação dada pelo Decreto Lei n° 1.939, de 20.5.1982) § 4º A classificação da receita obedecerá ao seguinte esquema: (Redação dada pelo Decreto Lei n° 1.939, de 20.5.1982) RECEITAS CORRENTES RECEITA TRIBUTÁRIA Impostos Taxas Contribuições de Melhoria RECEITA DE CONTRIBUIÇÕES RECEITA PATRIMONIAL RECEITA AGROPECUÁRIA RECEITA INDUSTRIAL RECEITA DE SERVIÇOS TRANSFERÊNCIAS CORRENTES OUTRAS RECEITAS CORRENTES RECEITAS DE CAPITAL OPERAÇÕES DE CRÉDITO Fl. 3343DF CARF MF Processo nº 16095.000879/200883 Acórdão n.º 3402005.483 S3C4T2 Fl. 3.338 13 ALIENAÇÃO DE BENS AMORTIZAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL OUTRAS RECEITAS DE CAPITAL Observandose o texto do artigo 11 da Lei n" 4.320, de 1964, concluise que, entre as rubricas classificadas no grupo das receitas públicas, somente podem ser cogitadas para abrigar os chamados repasses, as transferências correntes e as transferências de capital. Examinemse agora as disposições da Lei n" 4.320, de 1964, no que diz respeito ãs despesas da contabilidade pública, que são tratadas no art. 12: Art. 12. A despesa sera classificada nas seguintes categorias econômicas: DESPESAS CORRENTES Despesas de Custeio Transferências Correntes DESPESAS DE CAPITAL Investimentos Inversões Financeiras Transferências de Capital § 1° Classificamse como Despesas de Custeio as dotações para manutenção de serviços anteriormente criados, inclusive as destinadas a atender a obras de conservação e adaptação de bens imóveis. § 2° Classificamse como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender a manifestação de outras entidades de direito público ou privado. § 3° Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. Fl. 3344DF CARF MF 14 § 4° Classificamse corno investimentos as dotações para o planejamento e a execução de obras, inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas, bem corno para os programas especiais de trabalho, aquisição de instalações, equipamentos e material permanente e constituição ou aumento do capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro. § 5° Classificamse como Inversões Financeiras as dotações destinadas a; I aquisição de imóveis, ou de bens de capital já em utilização; II aquisição de títulos representativos do capital de empresas ou entidades de qualquer espécie, já constituídas, quando a operação não importe aumento do capital; III constituição ou aumento do capital de entidades ou empresas que visem a objetivos comerciais ou financeiros, inclusive operações bancárias ou de seguros. § 6° São Transferências de Capital as dotações para investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público ou privado devam realizar, independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços, constituindo essas transferências auxílios ou contribuições, segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especialmente anterior, bem como as dotações para amortização da divida pública. O art. 13 traz mais detalhes sobre a discriminaçao das despesas: Lei n°4. 320, de 1964: Art. 13. Observadas as categorias econômicas do art. 12, a discriminação ou especificação da despesa por elementos, em cada unidade administrativa ou órgão de governo, obedecerá ao seguinte esquema: DESPESAS CORRENTES Despesas de Custeio Pessoa Civil Pessoal Militar Material de Consumo Serviços de Terceiros Encargos Diversos Transferências Correntes Subvenções Sociais Subvenções Econômicas Inativos Fl. 3345DF CARF MF Processo nº 16095.000879/200883 Acórdão n.º 3402005.483 S3C4T2 Fl. 3.339 15 Pensionistas Salário Família e Abono Familiar Juros da Divida Pública Contribuições de Previdência Social Diversas Transferências Correntes. DESPESAS DE CAPITAL Investimentos Obras Públicas Serviços em Regime de Programação Especial Equipamentos e Instalações Material Permanente Participação em Constituição ou Aumento de Capital de Empresas ou Entidades Industriais ou Agrícolas Inversões Financeiras Aquisição de Imóveis Participação em Constituição ou Aumento de Capital de Empresas ou Entidades Comerciais ou Financeiras Aquisição de Títulos Representativos de Capital de Empresa em Funcionamento Constituição de Fundos Rotativos Concessão de Empréstimos Diversas Inversões Financeiras Transferências de Capital Amortização da Divida Pública Auxílios para Obras Públicas Auxílios para Equipamentos e Instalações Auxílios para Inversões Financeiras Outras Contribuições. Lendo com atenção os artigos transcritos percebese que, assim como ocorre com relação às receitas públicas também no que diz Fl. 3346DF CARF MF 16 respeito às despesas públicas os denominados repasses referidos no art. 14 da MP t° 2.15835, de 2001, somente teriam lugar dentro das rubricas de transferências. Nesse contexto, segundo a classilicação fixada pela Lei n° 4.320, de 1964, esses repasses poderiam ser efetuados a titulo de transferências correntes ou transferências de capital. Retomando os parâmetros da Lei n° 4.320, de 1964, podese dizer que há basicamente quatro .formas de o Orçamento de uma entidade de direito público transferir recursos para tuna sociedade de direito privado, com f ins lucrativos, como é o caso de uma empresa de economia mista, nos termos da Lei n°4. 320, de 1964. A primeira delas é por conta da subscrição de capital por parte do ente público, que passa a deter quotas ou ações da sociedade com fins lucrativos. Nessa situação, os recursos são movimentados a titulo de Despesas de Capital e classificados Inversões Financeiras. No caso das transferências de capital temse a movimentação de recursos para suportar investimentos que zuna pessoa de direito privado deva realizar, independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços. Tratase de auxílios ou contribuições, segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especial, nos termos do art. 12, §6° da Lei n° 4.320, de 1964. Neste grupo podem estar incluídos os repasses. Existe ainda a possibilidade de a verba orçamentária ser destinada a sociedades de direito privado mediante subvenções. Serão essas subvenções classificadas como subvenções sociais quando visem 17 a prestação de serviços essenciais de assistência social, médica e educacional (art. 16 da Lei n° 4 320, de 1964). Inaplicável essa classificação no caso dos autos já que a PROGUARU não atua na prestação de serviços essenciais de assistência social, médica e educacional. Por outro lado, serão econômicas essas subvenções, quando destinadas à cobertura dos deficits de manutenção das empresas públicas — o que não é o caso da autuada —, desde que expressamente incluídas nas despesas correntes do orçamento da União, do Estado, do Município ou do Distrito Federal. Nos dois casos, temse as chamadas transferências correntes, nas quais também se incluem os repasses. Por fim, há também os recursos transferidos como contraprestação por serviços recebidos ou por bens adquiridos o que representa as chamadas despesas de custeio. Nesse ponto, é necessário qualificar a natureza dos recursos recebidos pela autuada, à luz da definição legal dos termos transferências correntes e transferências de capital. O já reproduzido § 2° art. 12, da Lei n° 4.320, de 1964, ao distinguir as transferências correntes das despesas de custeio define que as primeiras são "dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender ã manifestação de outras entidades de direito público ou privado”. Fl. 3347DF CARF MF Processo nº 16095.000879/200883 Acórdão n.º 3402005.483 S3C4T2 Fl. 3.340 17 Ou seja, se o recurso público for movimentado a fim de remunerar prestação de serviços ou se estiver vinculado à operação de compra e venda, não cabe classificálo sob a rubrica transferências correntes. Extraise ainda do 6° do mesmo artigo que transferências de capital são "dotações para investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público ou privado devam realizar, independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços, constituindo essas transferências auxílios ou contribuições, segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especialmente anterior, bem corno as dotações para amortização da divida pública". Também aqui é de relevo destacar que não se está diante de transferências de capital caso se verifique que as cifras em trânsito correspondem à contraprestação direta em bens ou serviços. Deduzse, portanto, que, para serem considerados como repasses, que a titulo de transferências correntes, que sob a forma de transferências de capital os recursos movimentados não devem estar vinculados à contraprestação de bens ou serviços. A própria peça de defesa construída pela interessada é reveladora da natureza das cifras recebidas por ela a partir dos recursos mantidos no mencionado Fundo para o Progresso de Guarulhos: Os documentos anexos comprovam que a PROGUARU informou mensalmente Prefeitura todos os serviços executados, discriminadas todas as ruas varridas, todos os buracos tapados pelas equipes de tapavalas etc., discriminadas por dotação orçamentária, com indicação precisa do saldo executado e dos serviços prestados (construção, reforma e ampliação de próprios municipais, galerias e drenagens/ diversos locais, pavimentação de estradas / diversos locais, obras de infraestrutura prevenção de enchentes, manutenção e conservação de vias, reciclagem de resíduos sólidos de construção, varrição e limpeza urbana). Seguem, outrossim, ordens de pagamento feitas pela Prefeitura e os respectivos depósitos (docs. inclusos). O gerenciamento do FPG é feito pelo Município de Guarulhos, em consonância com o plano de aplicações fixado pela Comissão referida e em conformidade corn as dotações orçamentárias, haja vista que controla as execuções dos serviços, os depósitos e as ordens de pagamento. O que caracteriza os valores como repasse oriundo do Orçamento do Município de Guarulhos, e não como pagamento por prestação de serviços. Os oficias inclusos mostram a comunicação pela PROGUARU feita à Prefeitura municipal acerca de cada realização de obras e serviços constantes do plano de aplicações, e o Município repassa ao FPG, por antecipação, os valores correspondentes aos serviços necessários e previstos, em cumprimento e ern Fl. 3348DF CARF MF 18 atendimento ao cronog,rama previsto no plano de aplicações, com vistas a viabilizar a efetivação deles. Cada serviço é saldado na medida em que é executado e a PROGUARU encaminha a Prefeitura, mediante oficias, a realização de contas dos serviços executados. Ainda que a empresa se esforce por tentar qualificar os recursos recebidos do FPG como repasses orçamentários, o fato é que não se pode afastálos da sua real natureza contóbil, isto é, a de corresponderem a pagamentos pelos serviços prestados pela fiscalizada à municipalidade. O fato de a Prefeitura repassar ao Fundo para o Progresso de Guarulhos,"por antecipação, os valores correspondentes aos serviços necessários e previstos" não desnatura o caráter de contraprestação. Aliás, o reafirma quando destaca "Cada serviço é saldado na medida em que é executado e a PROGUARU encaminha à Prefeitura, mediante oficios, a realização de contas dos serviços executados". Como alinhavado alhures, nos termos da previsão legal orçamentária, se os recursos municipais eram destinados à empresa, não haveria por que o FPG repassálos apenas quando da execução dos serviços. Poderia repassálos empresa e, posteriormente, verificar a correta prestação de serviços. Contudo não é esse o caso. Portanto, demonstrado nos autos que os recursos recebidos pela PROGUARU não foram de transferências correntes ou de transferências de capital do orçamento municipal, mas sim, de contraprestação por bens ou serviços prestados, incabível concebêlos como os repasses de que trata o art. 14 da MP n°2. 15835, de 2001. Além do mais, cabe ressaltar que tendo a Prefeitura de Guarulhos optado em explorar "atividades públicas" no regime empresarial, constituindo urna sociedade de economia mista por ações, optou também pelo regime privado e; assim sendo, deve a ele se submeter, inclusive no que se refere às obrigações tributárias. Concederlhe tratamento tributário diferenciado, em relação a outras empresas privadas e/ ou de economia mista, infringiria o principio constitucional da igualdade tributária, previsto na Constituição Federal de 1988, art. 150, inciso II, que veda à União dar tratamento desigual entre contribuintes, assim dispondo, in verbis: Art.. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) 11 instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou jimção por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; Ora, segundo a legislação tributária das contribuições para o PIS e Cofins, todas as pessoas jurídicas de direito privado e público são contribuintes destas contribuições. No caso concreto, a semelhança do voto anteriormente transcrito, a fiscalização e a Recorrente trouxeram aos autos vasta documentação que confirmam o caráter de prestação de serviços dos valores recebidos da Prefeitura de Guarulhos pela Recorrente. Fl. 3349DF CARF MF Processo nº 16095.000879/200883 Acórdão n.º 3402005.483 S3C4T2 Fl. 3.341 19 Como exemplos temos os relatórios das obras e os serviços executados, nos quais constam planilhas de medição e os recibos de pagamentos por prestação de serviços e obras executados (fls 901 a 3109), bem como as ordens de pagamento emitidas pela Secretaria de Finanças da Prefeitura Municipal de Guarulhos (fls.228 a 619 e 810 a 900), que são reveladoras da existência de contraprestação da Proguaru para cada pagamento realizado pelo ente governamental. Assim, todos os elementos constantes nos autos convergem para demonstrar que os valores pagos pela Prefeitura de Guarulhos à Proguaru não guardam relação com os repasses relativos às transferências correntes ou transferências de capital e a isenção prevista no art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001, mas sim, caracterizamse como contraprestação por bens ou serviços prestados, sendo, dessa forma, receitas tributáveis para o PIS e COFINS. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 3350DF CARF MF
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